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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
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PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
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INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
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VIOLÊNCIA ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO SOB A ÓTICA DE
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EDUCADORES E EDUCANDOS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA
MARIA AUXILIADORA PEREIRA
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ESCOLA PROFESSOR AGRIPINO DE ALMEIDA
Orientador
Profª. Ms. Priscila Barcellos
Recife
Março/2010
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
VIOLÊNCIA ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO SOB A ÓTICA DE
EDUCADORES E EDUCANDOS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA
ESCOLA PROFESSOR AGRIPINO DE ALMEIDA
MARIA AUXILIADORA PEREIRA
Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial
para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia
Institucional.
Recife
Março/2010
AGRADECIMENTOS
A Deus, fonte de toda sabedoria;
Aos meus pais e irmãos pela força constante;
A
amiga
Zenaide
Alves
pelo
incentivo
e
encorajamento;
A professora Priscila Barcellos pela orientação deste
trabalho.
DEDICATÓRIA
A todos que direta e indiretamente contribuíram para
superação de mais uma etapa vencida.
“É dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança e ao adolescente, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação,
à
educação,
ao
lazer,
à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda
forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão”.
(Art.227 da Constituição Federal)
RESUMO
Sabemos que esse é um sério problema que atinge praticamente todas as escolas, onde a
ação violenta manifesta-se sob diversas formas, seja ela verbal, física ou contra o próprio
patrimônio escolar. As causas da violência estão ligadas a fatores de ordem familiar,
financeira e social, refletindo-se em ações danosas, seja para o praticante ou os envoltos a
pessoa que a pratica Este trabalho monográfico versa sobre a problemática da violência
dentro do contexto escolar, e se encontra estruturado em duas partes: uma fundamentação
teórica e uma pesquisa de campo. Na primeira parte, abordaram-se as concepções de
violência, enfocando-se ainda o problema no contexto urbano e o bulling. Na segunda
parte, realizou-se ainda uma pesquisa de campo com educadores e educandos do Ensino
Fundamental na escola professor Agripino de Almeida, objetivando levantar dados para
uma amostragem percentual dos resultados no confronto entre teoria e prática.
Palavras-chave: Violência. Escola. Aluno.
METODOLOGIA
O trabalho monográfico está dividido em duas partes: a primeira de caráter
bibliográfico, onde se utilizou livros, revistas e Internet.
Os procedimentos para redação monográfica seguiram os seguintes passos:
levantamento do referencial bibliográfico focando a temática abordada; leitura do
referencial para retirada das devidas informações necessárias como suporte para o trabalho;
redação do trabalho monográfico com base no material proposto.
Na segunda parte do trabalho foi realizada uma pesquisa de campo na Escola
Professor Agripino de Almeida na cidade de Santa Maria do Cambucá - Pe.
Para realização da pesquisa, a princípio, foi pedida permissão a direção escolar
para que o trabalho pudesse ser realizado. Posteriormente, se reuniu 05 (cinco) professores
sendo 3 (três) da 5ª série e 2 (dois) da 6ª série do ensino Fundamental
Após serem informados sobre o objetivo da pesquisa, receberam as devidas
informações para preenchimento dos questionários abordando a temática da pesquisa.
Com relação aos alunos, escolheu-se 10 (dez) alunos de cada turma para
responderem os devidos questionários.
O questionário continha perguntas abertas e fechadas enfocando o tema, e foi
solicitado durante o preenchimento dos mesmos, que fosse utilizado objetividade e clareza
nas respostas, sendo ainda suas identidades mantidas em anonimato a pedido dos mesmos.
A par das informações levantadas, será realizada uma amostragem percentual
dos resultados.
São autores que fundamentam este trabalho: Costa(1997); Cavalcanti (2007);
Barros (1999); Adorno (2002); Guimarães (1996); Maturana (2006); Spósito (2002); Tiba
(2002) dentre outros que focam a temática aqui explanada.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 09
CAPÍTULO 1 VIOLÊNCIA: UMA ANALOGIA SOBRE ESSE PROBLEMA ........ 12
1.1 Sobre a origem da violência.......................................................................................... 14
1.2 A violência na atualidade brasileira .............................................................................. 15
1.3 A problemática do bulling ............................................................................................ 16
1.3.1 Autores do bullying ................................................................................................... 17
CAPÍTULO II A VIOLÊNCIA NO CONTEXTO EDUCACIONAL : BUSCANDO
SOLUÇÕES....................................................................................................................... 19
2.1 Os fatores externos........................................................................................................ 21
2.2 O problema da falta de segurança na escola ................................................. 23
2.3 Violência escolar: esclarecendo as terminologias ........................................................ 26
2.4 Despertar a consciência do aluno para a ’preservação’ como atenuante do problema . 27
2.5 Mesclar conteúdos com a vivência do aluno: uma alternativa possível ....................... 28
CAPÍTULO III PESQUISA DE CAMPO NA ESCOLA PROFESSOR AGRIPINO
DE ALMEIDA: ANALISANDO A PROBLEM ............................................................ 31
3.1 Diagnose da escola........................................................................................................ 31
3.2 Aspectos físicos ............................................................................................................ 31
3.3 Aspectos Administrativos ............................................................................................. 32
3.4 A escola e sua estrutura pedagógica ............................................................................. 32
3.5 Perfis dos educadores entrevistados ............................................................................. 32
3.6 Resultados da entrevista com os educadores ................................................................ 33
3.7 Resultados da pesquisa com os educandos ................................................................... 39
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 44
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 46
ANEXOS
INTRODUÇÃO
Este estudo é intitulado violência escolar: um estudo de caso sob a ótica de
educadores e educandos na no Ensino fundamental da Escola Professor Agripino de
Almeida e tem como questionamento central conhecer como os alunos do ensino
Fundamental percebem esse fenômeno.
A Escola Professor Agripino de Almeida, local onde exercemos nossa docência,
é segundo os professores um cenário onde se percebe muitas formas de agressões, dentre
elas a verbal e a física. Assim sendo, resolvemos procurar conhecer as causas que levam
esses educandos a terem esses comportamentos errôneos, bem como a contrapartida do
professor que acaba por revidar essa afronta em seu local de trabalho sob diversas
manifestações tais como: expulsão de sala de aula, afrontas a alunos, punições, etc..
Diante do exposto, justificamos aqui a relevância deste projeto, onde
buscaremos soluções para frear essas atitudes, bem como tornar agradável a permanência
de todos na escola, sem com isso, precisar tomar mediadas extremadas, como a intervenção
policial, já que a escola se localiza paralelamente a uma delegacia de policia (DP), e onde
alunos já tiveram que ser deslocados a este DP para prestarem esclarecimentos a respeito de
situações violentas que surgiram.
A ausência de ações no que diz respeito à questão sócio-econômica é um
agravante e forte fator eu favorece a questão da violência, haja vista que a falta de recursos
para que as camadas pobres ou os setores menos favorecidos, não dispõe, necessitam deles;
por não dispor, acabam por se tornarem muitas vezes, por tirarem os filhos da escola para
inseri-los em alguma atividade que lhe renda algum dinheiro para não sucumbirem à fome.
È a velha história: ou se trabalha, ou morre de fome; são opções que o sistema oferece.
São objetivos deste trabalho: Identificar as causas que geram a violência dentro
da sala de aula.; Analisar as medidas tomadas pelo educador diante de situações de conflito;
Reconhecer que é preciso buscar alternativas para esse problema; Analisar a concepção de
violência entre aluno e professor.
Para uma visão mais detalhada desta pesquisa, a mesma se encontra estruturada da
seguinte forma: No primeiro capítulo abordam-se as concepções de violência, a
violência no contexto urbano e o fenômeno do bulling.
No segundo, focam-se as causas da violência escolar, que vão desde a fatores de ordem
econômica, familiar etc. refletindo-se em problemas dentro da sala de aula, causando
danos a todos que se encontram dentro desse panorama.
No terceiro capítulo pode-se perceber o resultado de uma pesquisa de campo realizada
com alunos e professores do ensino Fundamental da escola Professor Agripino de
Almeida na cidade de Santa Maria do cambucá, sendo seu resultado exposto através de
uma amostragem percentual dos dados levantados.
CAPÍTULO I
VIOLÊNCIA: UMA ANALOGIA SOBRE ESSE PROBLEMA
O vocábulo violência advém do latim, violentia, cujo significado abrange o
caráter violento ou bravo. Por sua vez, o verbo “violare” significa a falta de urbanidade, ou
seja, a transgressão.
Etimologicamente falando, a violência vai além de uma simples força.
Violência é a “qualidade de violento, quem age com ímpeto” 1.
O novo dicionário Aurélio da língua portuguesa conceitua o termo como sendo
“indicativo de constrangimento físico ou moral pelo uso da força ou coação” 2.
Para Deocleciano Torrieri Guimarães “uso da força física sobre alguém, para
coagi-lo a submeter-se a vontade de outrem, para fazer ou deixar de fazer algo” 3
Quando se verbaliza a palavra violência, instantaneamente configura-se a
concepção de existência da vítima, cujos laços de abrangência compreendem os mais
diversos campos de abrangência social e de comportamento individual, independente de
cor, raça, sexo ou padrão social.
Comungando desse pensamento Tânia Dias Queiroz acrescenta que:
“Violência e o exercício da força em contrariedade às leis vigentes, para
constranger ou submeter uma pessoa àquilo que ela não queira. Além dos
assaltos, assassinatos, seqüestros, roubos e furtos (sem uso de arma), são
formas de violência à censura, a discriminação quanto ao sexo, raça ou cor,
a cassação dos direitos políticos e o não reconhecimento da cidadania de
um indivíduo” 4
1
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua
portuguesa. 5.ed. Revista e ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 752.
2
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua Portuguesa / Aurélio
Buarque de Holanda Ferreira. 3.ed. Curitiba: Positivo, 2004, p. 2065.
3
GUIMARÃES, Deocleciano, Torrieri. Dicionário técnico jurídico. 8. ed. São Paulo: Rideel, 2006, p. 552
4
QUEIROZ, Tânia Dias. Dicionário prático de pedagogia. 1.ed. São Paulo: Rideel, 2003, p. 249.
Há seu tempo, os seres humanos desenvolveram a característica de viver em
constante estado de convivência mútua almejando incansavelmente a satisfação de suas
necessidades essenciais, anseios, conquistas e satisfação. Não raro transgrediram a política
da boa vinzinhaça agredindo os seus semelhantes junto ao meio a que estão inseridos
socialmente.
Tomando de um sentido mais abrangente, consoante o entendimento de Maria
Berenice Dias:
A violência frequentemente está ligada ao uso da força física,
psicológica ou intelectual para obrigar outra pessoa a fazer algo
que não quer. Constranger, impedir que outro manifeste a sua
vontade, tolhendo-lhe a sua liberdade, é uma forma de violação dos
direitos essenciais do ser humano 5.
Na vida corrente ao empregarmos a palavra violência, dois pensamento
insurgem-se com a máxima brevidade nas nossas concepções. O primeiro traz a idéia de
coerção ou intimidação pelo uso da força em relação a vitima que normalmente não dispõe
de força física ou pelo constrangimento moral. A segunda anda engrenada a primeira
referindo-se a lei ou a justiça induzindo ao distanciamento de um acordo, pela parte mais
viril que deliberadamente o viola, utilizando-se da força que o acompanha.
Do ponto de vista jurídico, Velosso explica que:
Na esfera jurídica, violência significa uma espécie de coação, ou forma
de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de
resistência de outrem, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua
vontade. Igualmente, ato de força exercido contra as coisas, na intenção
de violentá-las, devassá-las, ou delas se apossar.6
5
DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça: a efetividade da Lei 11.340/2006 de combate
à violência doméstica e familiar contra a mulher. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p.33
6
VELOSSO, Renato Ribeiro, Violência Contra a Mulher. Disponível em:
http://www.boletimjurídico.com.br. Acesso em 07 de setembro de 2009
A violência é o ato manifesto da submissão pelo uso indevido da força que se
coaduna a diversos e complexos processos que contribuíram para a posição de
silenciamento e assujeitamento frente a prática de agressão física, psíquica, sexual,
patrimonial ou moral contra alguém seguindo em oposição a obediência e a resignação.
Em conformidade com este entendimento bem define Stela Valéria Soares de
Oliveira Cavalcanti:
Do ponto de vista pragmático podemos afirmar que violência consiste em
ações de indivíduos, grupos, classes, nações, que ocasionam a morte de
outros seres humanos ou que afeta a sua integridade física, moral, mental
ou espiritual. Na verdade é mais conveniente falar de violências, pois se
trata de uma realidade plural, diferenciada, cujas especificidades,
necessitam ser conhecidas.7
Vale salientar que a violência não enseja lugar predeterminado para acontecer,
nem mesmo um contexto comum, pois sua incidência dar-se um lugar público ou particular
com o uso da força em escala cada vez mais crescente contra o mais fraco, o pobre ou o
destituído São várias as características identificadas que estão associadas a esse grande
problema social compreendendo desde os costumes retrógrados até o grau de instrução
pedagógico e espiritual de nossa sociedade que engloba a violência interpessoal, contra si
mesmo e coletiva.
Categoricamente podemos afirmar que em toda existência humana a violência
sempre esteve presente em escalas diferenciadas de acometimento e longe estamos de
almejar o seu fim. A maldade humana é tão presente quanto à vontade de viver, resultando
em danos a saúde, produzindo enfermidades, danos psicológicos e a própria morte,
utilizando-se para isso de coação ou constrangimento que em ação aniquila a capacidade de
resistência da vítima ou atém mesmo levando-a a executá-la contra a sua vontade.
1.1 Sobre a origem da violência
7
CAVALCANTI, Stela Valéria Soares Farias. Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil. Análise da
Lei “Maria da Penha”, nº. 11.340/06. São Paulo: Juspodivm, 2007, pp. 25-26.
Quando se fala em violência referimo-nos ao comportamento que há entre os
indivíduos que engloba formas premeditadas de agressão, sendo às vezes fatal a um ser ou
grupo contra os seus semelhantes. Concebida desta forma, essa violência é típica do ser
humano. Conforme. Segundo Costa (1997, p. 283),
O surgimento da violência do ser humano tem sido alvo de análises e
estudos entre sociólogos e historiadores, que percebem na escassez de
bens o veículo que gera conflito entre os indivíduos. Na percepção destes
peritos do estudo, dentre os quais se podem destacar Hobbes, Rousseau,
Marx e Engels, o surgimento os conflitos e da violência remonta às
organizações dos ancestrais primitivos do homem.
Ao que tudo indica, parece ter sido a revolução agrícola que, alterou de forma
radical relações humanas entre si e com o meio, introduzindo aspectos novos de
organização social.
A revolução agrícola fez com que o ser humano deixasse de ser nômade e se
fixasse em determinada região, tornando-se desta forma sedentário.
Quando se fixou de maneira definitiva em certa localidade, o ser homem
assumiu novo comportamento no que diz respeito à natureza: deixando de ser predatório e
passando a ser produtivo.
Cada Estado, por sua vez, cria maneiras sempre mais arbitrárias e violentas para
que a paz interna de suas localidades seja resguardada Notavelmente nos países ‘’em
desenvolvimento’’, por serem mais vulneráveis e instáveis politicamente falando, a
violência se transforma em recursos que se utiliza cotidianamente.
1.2 A violência na atualidade brasileira
A sociedade brasileira, de modo global, tem apresentado incontestavelmente
uma situação evolutiva em vários de seus seguimentos, tais como: tecnologia avançada em
muitas de suas áreas de atuação, uma nova maneira de ver e pensar sobre os conceitos de
relações e de direitos sociais, onde novas perspectivas têm sido valorizadas, sobretudo sob
a forma de leis. Porém, ainda percorre a curtos passos o entendimento de superação da
violência em sociedade e a legitimação da paz social.
Minayo e Souza (1999) afirmam que a violência tornou-se o fermento da
inquietação cotidiana, por sua vez, o Brasil apresenta-se, atualmente, como um dos países
mais violentos do cenário internacional pelos índices exponenciais atingidos que engloba
assalto, extermínio, seqüestro, violência doméstica, no trabalho, no trânsito e infantil,
discriminação de negros, índios e idosos. A listagem poderia prosseguir, comprovando que
a violência abrange todas as áreas da vida de relação do indivíduo.
Por sua vez claramente percebemos que o gênero violência é divulgado como
destaque nos meios de comunicação e fazendo parte das concepções de doutrinadores e
juristas que abordam essa ruptura com o liame das normas jurídicas que se adiciona a falta
de respeito à cidadania.
A violência sempre adentrou ao contingente populacional brasileiro fazendo a
sua história, desde a colonização, passando pela antiguidade clássica até os momentos
atuais; onde, podemos percebê-la nas ruas, residências, nas comunidades ou sociedades, ou
seja, em todos os lugares, a qualquer hora. Seus efeitos são devastadores que alguns
especialistas denominaram-na de mal do século por ser um fato permanente e pertencente à
essência do ser social.
Essa mesma violência tem sido enfocada em todos os seguimentos sociais que
relatam suas barbáries, mostram dados estatísticos e até arriscam em apontar uma solução.
Todo esse contexto tem provocado indagações sobre o foco dessa prática tão ardil e os
possíveis meios de combatê-la. Só existe a violência no contexto da interação humana,
onde a agressividade é instrumento de um desejo de destruição.
Muitos são os posicionamentos das autoridades judiciárias, legislativas e
executivas e da própria população que tendem a correlacionar os índices elevados da
criminalidade a falta de efetividade na punição ou até mesmo a desigualdade social
acometida por uma precária distribuição de renda ou não raras vezes com o consumo
exagerado de substâncias psicoativas como o caso do álcool, maconha, craque, cocaína,
heroína, etc.
Adorno (2002) comenta que é preciso refletir sobre o importante papel
desempenhado por toda sociedade que percebe na violência uma grande ameaça à condição
de dignidade e de estruturação de toda a família, juntamente a luta dos movimentos sociais
organizados no sentido de garantir os direitos de todos os cidadãos, principalmente o da
liberdade, da razão, do respeito e do bem maior a vida.
Devido ao grande número de vítimas e a abrangência de suas seqüelas físicas e
psicológicas a violência adquiriu um caráter endêmico de grande preocupação da
população, dos governantes e dos responsáveis pela aplicação da lei, cujo enfoque maior
deve ser na promoção da prevenção e não somente nas ações ostensivas.
Sendo assim, as medidas de combate previstas para a diminuição da violência
devem pautar-se não na reação hostil, mas na convicção de que o comportamento violento e
suas conseqüências podem ser evitados, assim como, seu impacto pode ser reduzido e
amenizado.
Cabe aqui lembrar a lição do grande penalista Cesare Beccaria, que afirma:
“melhor prevenir os crimes que puni-los. Esta é a finalidade precípua de toda boa
legislação, arte de conduzir os homens ao máximo da felicidade ou ao mínimo da
infelicidade possível, para aludir a todos os cálculos dos bens e dos males da vida” 8.
1.3 A problemática do bulling
A concepção do termo Bullying pode ser compreendida como caracteres de
situação que envolve ações agressivas verbais ou físicas de forma repetitiva por parte de um
ou mais educandos sobre um ou mais colegas. A palavra na língua inglesa diz respeito ao
verbo "ameaçar, intimidar".
Cury (2003) assevera que se incluem no bullying os apelidos pejorativos
edificados com o objetivo de humilhação para com os colegas. A situação é bem
complicada, pois praticamente todo ambiente escolar sofre com esse problema.
8
BECCARIA, Cesare Bonesana. Dos delitos e das penas. Trad. José Cretella Jr. E Agnes Cretella. 2ª.ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999. p.128.
É frequente pessoas serem alvos de bullying, seja na pré-adolescência ou
adolescência. Atos repetitivos e descontrole emocional são os principais determinantes.
O problema é muito mais sério do que se pensa, perceba-se nas reportagens a
seguir: A brincadeira não tem graça, e a periculosidade muitas vezes vem como reflexo
violento:
Em janeiro de 2003, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu a
escola onde havia estudado, no município de Taiúva, em São Paulo, com
um revólver na mão. Ele feriu gravemente cinco alunos e, em seguida,
matou-se. Obeso na infância e adolescência, ele era motivo de piada entre
os colegas.
Na Bahia, em fevereiro de 2004, um adolescente de 17 anos, armado com
um revólver, matou um colega e a secretária da escola de informática onde
estudou. O adolescente foi preso. O delegado que investigou o caso disse
que o menino sofria algumas brincadeiras que ocasionavam certo
rebaixamento de sua personalidade (CAMPOS, 2009).
Ressaltamos que as cenas que se encerram com finais trágicos tais como
homicídio ou suicídio, não acontecem com frequencia, e que o numero de vítimas do
bullying é maior do que se pensa, sendo que a grande parte guardam o problema para si,
não compartilhando com outros colegas ou mesmo em casa, seja devido ao medo ou
vergonha, preferindo, sofrerem silenciosamente (FANTE, 2005).
A princípio, o obstáculo que os genitores enfrentam é identificar se seu rebento
está sendo alvo deste tipo de atitude, pois há filhos que se sentem ameaçados e relutam para
abordar a respeito do problema.
Normalmente quem costuma praticar o bullying, realizam atitudes como:
Colocar apelidos depreciativos
Assediar
Ofender
Amedrontar
Fazer “gozações”
Ameaçar
Humilhar
Agredir
Criar situações para “pegar” a “vítima”
Bater
Discriminar
Empurrar
Excluir
Machucar
Isolar
Intimidar
Perseguir
Desprezar
BARROS, N.V. Violência Múltiplas Abordagens. Niterói: UFF, 1999.
Contudo, os pais precisam ter cuidado para que não haja exposição de seu filho
diante dos outros. Se os mesmos buscarem vertentes erradas através das ações dos bullies
podem se agravar. Uma coisa é certa: não se podem monitorar os filhos em tempo integral.
Tiba (2002) afirma que quando há evidência de agressão do bulling, os filhos
normalmente apresentam sinais como:
• Chega a casa com contusões freqüentes
• Com frequencia
• Briga constantemente com amigos considerados próximos
• Diz que necessita de algo, pois perdeu o que foi afanado
• Chega em casa com roupas rasgadas
• Perde dinheiro;
• Humor péssimo
• Fica quieto e retraído
• È violento com os irmãos
• Busca ficar em casa
• Não demonstra dedicação como antes ao estudo
• Têm dificuldade de dormir
• Possui ansiedade excessiva
•
1.3.1 Autores do Bullying;
Os praticantes dessa ação maliciosa, geralmente são adolescentes que possui
reduzida empatia. Normalmente são de famílias que não são bem estruturadas, onde o
relacionamento afetivo praticamente não existe entre os seus. Seus genitores possuem uma
supervisão insignificante perante os mesmos (CONSTANTINI, 2004).
É possível se admitir que os autores do BULLYING possuem grande
possibilidades de virem a se tornarem de se tornarem adultos com comportamentos antisociais e/ou violentos.
As vítimas são indivíduos ou grupos que são prejudicados ou que sofrem os
reflexos das atitudes de outrem e que não possuem dispositivos, status ou manejo para
revidarem ou mesmo fazer frear as ações danosas contra si.
A platéia, representada pela maior parte dos educandos, convive com a violência
e se omite devido o temor de virem a serem os próximos a serem atacados.
Mesmo não sendo agredidos diretamente, muitos deles podem se sentir
incomodados com o que percebem e inseguros acerca das medidas a serem tomadas.
Certos indivíduos revidam de forma negativa perante a violação de seu direito a
aprender em um cenário seguro, solidário e sem medo. Enfim, Tudo isso acaba por causar
influencia de forma danosa acerca das suas potencialidades em progredir acadêmico e
socialmente
CAPÍTULO II
A VIOLÊNCIA NO CONTEXTO EDUCACIONAL:
BUSCANDO SOLUÇÕES
A problemática da violência já adentrou todos os liames institucionais, sendo a
escola um de seus alvos, uma vez que a mesma faz parte da sociedade, tal como afirma
Menezes (2007):
Sabemos que nenhuma escola é uma ilha, mas parte da sociedade. E no
nosso caso essa sociedade tem-se embrutecido de forma espantosa. O
roubo, o tráfico, a corrupção, o desrespeito e o preconceito levam a atos
violentos e criminosos. Para recompor valores deteriorados e conseguir
preparar os jovens para a vida, a escola não pode ignorar a violência em
suas próprias práticas e precisa trazer as questões do mundo para a sala de
aula.9
Não é incomum perceber cotidianamente cenas assustadoras que trazem o
pânico para muitos educadores em suas escolas, ao assistirem reportagens de violências e
agressões, quando não de morte, entre alunos, aluno/professor etc. tal como podemos
observar a seguir na reportagem:
Mãe de aluna dá mais de 20 tapas no rosto de professora. (agosto de
2009); Meninas formam grupo para bater nas colegas estudiosas e
bonitas. (junho de 2009); Doze estudantes participam de violência
sexual contra deficiente. (maio de 2009); Garotinhas mostram em
vídeo como matar Piper, colega de escola. (maio de 2009); Professor
diz em aula que soja é como negro, ‘difícil de matar’. (maio de 2009);
Garota de 15 anos diz que bateria de novo na professora. (março de
2009); No pátio da escola, aluna escuta de professor: ‘Ei,
inadimplente!’. (fevereiro de 2009); Estudantes depredam escola em
São Paulo. (novembro de 2008); Mãe e filhos são acusados de bater em
dois professores. (novembro de 2008); Alunos terão de prestar serviço
por apelidar colega de 'bode'. (outubro de 2008); Pais dão apoio a
filhos em ofensas no Orkut a professor. (setembro de 2008); No Chile,
professora de 40 anos seduz aluno de 12. (agosto de 2008); Professor é
preso sob acusação de pedofilia. (agosto de 2008); Escola indeniza
família de aluno que apanhava de colegas. (agosto de 2008); Professor
incitou alunos a pôr saco na cabeça. (agosto de 2008); Estudantes
teriam sido chamados de macacos em Barueri (LOPES, 2009).10
Diante do exposto acima, é possível ter-se uma noção de como o problema se
expande e que esse agravante não se encontra apenas relacionado aos alunos, mas também
na própria escola, às vezes na pessoa do próprio educador, que acaba por contribuir para
que o problema cresça ainda mais.
Assis (1999) aponta como causas da violência os seguintes determinantes:
o Escolas grandes ou muitos alunos na escola;
9
MENEZES, Luis Carlos de . A violência a escola e você. Disponível em:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_246452.shtml. Acesso em 19/09/2009.
10
LOPES, Paulo Roberto. Casos de violência na escola. Disponível em:
http://www.e-paulopes.blogspot.com/2009/08/casos-de-violencia-na-escola.html. Acesso em 29 de setembro
de 2009.
o Classes grandes ou muitos alunos por classe;
o Os professores e funcionários não impõem disciplina;
o Violência na televisão, cinema ou videogames;
o Falta de condições econômicas na sociedade, pobreza; desemprego;
o Falta de controle dos parentes, falta de supervisão dos pais;
o Ação de gangues;
o Disponibilidade de armas;
o Violência na sociedade;
o Falta de respeito por parte dos alunos e uso de drogas, tráfico de drogas ou
álcool.
A escola entra neste debate contemporâneo a respeito da violência , ora como
vítima da violência ora como algoz.
O cenário educacional brasileiro aponta para uma educação de cunho capitalista.
Avaliar o aluno implica atribuir-lhe uma nota – o que simboliza dinheiro - , ao estudar
matérias - que pode ser o metal ouro, latão, etc.- , ou disciplina
- que relembra o
militarismo, que enquadra, força. Assim senso, as matérias ou disciplinas são componentes
da grade – um simbolismo de prisão - curricular.
Conforme Nóvoa (2008, p.231), “é necessário que se busque a promoção e a
organização de ambientes de aprendizagem entre os pares, de trocas e de partilhas”. Porém,
esse paradigma atual acaba por estimular o consumo desenfreado - as notas altas denotam o
saber mais expressivo de alguns, e certos discentes ficam vaidosos de possuí-las mesmo
quando não esteja correspondendo a sua aprendizagem, ou que tenha obtidas por meios
errados, ser rival e competitivo entre os grupos - a exemplo da luta de classe social.
Desta forma, a escola é denotada através destes termos, não como um lugar
onde o saber é construído e partilhado, mas, um ambiente que não aparenta solidariedade.
Sobre essa linha de pensamento Maturana (2006, p.110) assevera que “não há o fenômeno
competitivo sadio, pois o mesmo é cotidianamente e constitutivamente, anti-social”.
Assevera Lelis (2008) que qualificar e reciclar o docente requer investimentos
financeiros além de dedicação pessoal. Porém, o imaginário da sociedade cotidiana ainda
está embasado na retórica da missão, do sacerdócio e da vocação, arquétipo que estigmatiza
ferozmente a historicidade desse grupo profissional
Quando o assunto é salário, nenhum docente deveria receber um salário mínimo,
mas um condizente com sua capacidade, o necessário para sobrevivência de maneira digna,
e não somente sobreviver no liame do colapso ou da asfixia. Contudo, é pago o mínimo e
exigido o máximo. O educador ainda tem um agravante, é exigido que o mesmo esteja
sempre por dentro de tudo o que acontece, onde livros, revistas ou curós, a exemplo custam
um valor aquém de suas posses, não tendo investimentos para esse problema ser elucidado.
A missão de lecionar encerra, freqüentemente, sendo coroada pelo parco salário
bem peculiar em todos os patamares educativos. No nosso país, conforme Nazarian (2007,
p.7) “educadores são tão mal remunerados que sempre estão fora das chances de terem
acesso a possibilidades culturais do que os seus educandos...”.
O educador também é frequentmente feito de saco gratuito de pancadas, isso se
explica quando os alunos em suas conversas que vão “matar o professor do coração” por
não simpatizarem com o mesmo ou com a disciplina, ou até mesmo quando se dão mal em
determinada avaliação
2.1 Os fatores externos
Dentre os determinantes externos que, indubitavelmente, favorecem para a
ampliação dos índices de violência na escola, ressaltamos os fatores sócio-econômicos, os
absurdos quantitativos de miséria e pobreza de uma parcela populacional que se mostram
expansivamente, a expansão da utilização de drogas entre os jovens, a psicologização
educacional e a permissividade gerada pela mesma, o desarranjo entre a escola e a
tecnologia sempre mais aperfeiçoada deste século, a ausência equipamentos esportivos e de
lazer, em expressiva parte das cidades e bairros, destinados às crianças e jovens.
Assevera Balandier (1997) que nesse panorama a violência é compreendida
como um saldo de cunho negativista e não condizente com a ordem vigente, pois a mesma
de mostra como sendo de teor bárbaro que vem como resposta a um social que rejeita, que
exclui, repreende outrem.
Esse problema vem ajudando ao desenrolar de um imaginário fóbico, cujos
reflexos podem estar causando influencia e elevação da violência, além do seu tratamento
inadequado.
Teixeira (1992), perplexa com a problemática da marginalidade e exclusão no
que diz respeito à escola, colocou tais problemas no cenário discursivo a respeito da
identidade e alteridade.
A autora faz menção a R. Dadoun (1985), discorrendo acerca do fato de que,
para afirmar sua identidade, uma sociedade ou instituição edifica a imagem do Outro.
Referindo-nos a sociedade moderna, a razão ocidental desvincula dela mesma componentes
irracionais para compor, no mesmo movimento, essa imagem de outrem e de sua própria
identidade, essencialidade, normalidade.
A autora acima citada ainda comenta que todos os que não estão enquadrados
nos paradigmas de normalidade atuais são suspeitos; como reflexo, sofrem as rotulações e a
exclusão. Completando a afirmação acima, lembrando que são edificadas instituições para
mandatórios, domesticações e reeducações do diferencial: escolas de todos as tipologias,
reformatórios, penitenciárias, asilos, sanatórios etc., medidas cujo o teor é nutrir a fobia do
imaginário do medo.
Na atualidade, a violência tem sido percebida como uns elementos reveladores
do caos, desordem e da divergência que ela ameaça introjetar. Conforme Balandier (op. cit.,
pp. 207-212), a violência pode assumir o conteúdo de um desordenamento contagioso,
muito difícil de se conter, de uma enfermidade social que condiciona o ser humano e,
conseqüentemente, o coletivo num quadro de insegurança que cria a fobia.
A fobia, a hecatombe e o apocalipse visitam os cenários da atualidade como os
antigos monstros de retorno. Uma cultura assombrosa (e um imaginário fóbico) inscreve-se
na estrutura em movimentação da cultura moderna.
O imaginário da fobia ocupa um lugar material no corpo, ou melhor, tem uma
inscrição corpórea, pois, além de sofrer ameaças exteriores reais ou não, está atrelado,
conforme G. Durand (1989), às imagens angustiosas originais devidas à emergência da
consciência do temporal e da morte, e às experiências de cunho negativo oriundas dessa
consciência.
A vontade fundamental buscada pelo imaginário humano é reduzir essa
melancolia existencial, mediante o princípio constitutivo que é o da representação,
simbolização das faces do Tempo e da Morte, a fim de geri-las e às situações que elas
representam.
2.2 O problema da falta de segurança na escola
Na instituição escolar, uma problemática difícil de se resolver é o problema da
falta de segurança, proveniente dos teores de violência que se mostram interno e
externamente.
Educadores, genitores e discentes estão cata vez mais preocupados com o grau
de violência dentro e fora da escola. Nem muralhas, gradeamentos, vigias ou guardas são
capazes de controlar a violência que vem de fora; ações disciplinares, igualmente, são
ineficazes para solucionar atitudes violentas de indisciplina que estouram dentro da
instituição educativa.
Assim como na sociedade, dentro da escola as situações em potencial
edificadoras de violência são frequentes e não simplesmente conjunturais.
Nas palavras de Balandier (op.cit., p. 212), “a sociedade, em suas
movimentações e configurações, faz vista grossa a ação violenta, ampliando e fortificando
o medo e a incerteza causando ondas de pavor, tal como ondas de febre”.
Hoje a Instituição escolar vive o que Figueiredo (1996) denomina de "estado ou
condição" de violência, algo que se mostra como componente perene da cultura, no caso, da
cultura escolar-, demonstrando um regime social e dominante. Dito de outra maneira, o
imaginário da fobia tem criado nas escolas o que se pode denominar de "cultura da
violência", percebendo cultura como ramificação de significações criada pelo homem e
onde ele se emaranha (GEERTZ, 1989).
De acordo Guimarães (1996), mediante um trabalho aplicado em escolas
públicas da cidade de São Paulo, mostra-nos atitudes dessa cultura da violência, em suas
múltiplas facetas no cotidiano escolar, tanto na percepção do poder quanto dos discentes e
docentes.
À violência escolar em suas diversas modulações - aulas "duplicadas", cópias,
ditados – nas palavras dos docentes, eram a única maneira de manter os educandos calados, discriminações e exclusões de cunhos diversos -, os educandos respondiam com explosões
ilegais: quebra do patrimônio, pichações, lutas entre ambos ou com educadores e
funcionários, verbalizações incondizentes com o ambiente escolar etc..
Contudo, os educadores discordantes buscavam, mediante a percepção da
vivência do discente, edificar práticas alternativas que tornassem possíveis não o controle
da violência, mas sua aceitação e sua ritualização
A autora demonstra que controlar a violência mediante regras e normas de
comportamentos severos parece não ser o caminho certo. O desafio é direcioná-lo,
organizá-lo, inseri-lo e combiná-lo com outras ações sociais e simbólicas da escola.
Em outras palavras, buscar maneiras de administrá-la enquanto figura da
desordem, uma vez que nenhuma sociedade pode ser exterminada da desordem total.
Precisa-se, assim, saber lidar com a mesma, e não tentar eliminá-la.
Esta é essencialmente a função do rito: administrar a falta de ordem no sentido
de atribuir uma forma dominável, de transformá-la em fator de ordem ou de transpô-la para
ambientes da imaginação.
Conforme Balandier (op. cit., p. 36), “mediante essa atitude, onde se operam,
especialmente, o transgredir e a inversão, a mitologia e o rito mostram-se como veículos de
tornarem possível juntarem ordem e desordem”.
O referido autor prossegue:
(...) o papel simbólico dos rituais humanos é religá-los mediantes ações
ritualísticas, à ordem social; de revivificá-la no interior dos homens e
especialmente reforçar. nos mesmos. sua aceitação das metodologias
empregadas para manter a sequencia, a ordem e o limite social; enfim de
gerir a ambivalência do homem perante à ordem social (BERNSTEIN,
1971, p. 276)
.
Dito de outra maneira, ao repassar uma percepção de mundo e códigos
culturais, os ritos contribuem como dispositivos de moldura que tornam possível aos
integrantes localizarem-se no social e na cultura de seu tempo, assegurando, desta maneira,
a edificação da identidade coletiva.
Contudo, o que pode observar hoje em dia é que a escola vem passando por um
processo de sofrimento e empobrecimento dos rituais que assegurariam a edificação de sua
identidade e das identificações de diversos grupos.
Nos diz Charlot (2002) que a constante desritualização da escola provém da
fraqueza sistemática dos valores sociais bem como da escola, em torno dos quais se
formavam tais identificações: enfraquecendo-se tornaram-se ambíguos, e a ritualização que
eles realizavam acabou por empobrecer.
Desta maneira, nota-se uma transposição do predominar ritualístico criado pela
escola para a dos ritos formados pelos educandos, que, de maneira constante, externam-se
em ações consideradas violentas: ao "imaginário da ordem", os educandos contrapõem um
"imaginário transgressor ou conflitivo".
Daí ser indispensável que se retome o processo de ritualização. É necessário
que ela recrie e conserve seus rituais, especialmente os que desenvolvem e solidifica o
"cimento" do grupo, atrelando-se cerimônias outras, jogos, disputas e campeonatos
esportivos, onde venham a favorecer o ritualizar a violência e a desordem, e para conhecer
o potencial em favor de uma nova ordem/desordem.
Soluções devem ser buscadas todos os dias na escola, na sala de aula, levandose em consideração as peculiaridades de cada caso. Contudo, podem-se mostrar algumas,
tendo em vista as questões que se trabalhou nesse texto bem como os relatos de vivência
que se tem dentro das nossas salas de aula todos os dias.
Uma alternativa que parece-nos dar resultado é o aproximar de maneira
gradual entre escola e comunidade, mediante múltiplas atividades integrantes, num sistema
de parceria onde a escola supre, de certa forma, as carências espaciais e de equipamentos
sociais, e a sociedade "cuida" da escola, desde a vigilância à realização de alguns reparos;
integra de forma voluntária órgãos colegiados, a exemplo do Conselho de Escola com a
Associação de Pais e Mestres; assegura assistência de toda ordem às crianças carentes;
enfim, passa a atuar de forma ativa da escola.
Ainda, conforme Mafessoli (1981) existem outras alternativas que podem trazer
o brilho a escola:
§ Criar ações de lazer e de cultura, a exemplo de viagens culturais a museus,
reservas florestais e zoológicos;
§ Levar os educandos para verem espetáculos de teatro, filmes etc.;
§ Propiciar e dar espaço a grupos de educandos e educadores que se mostrem
interessados em trabalhar com teatro, música, jornal;
§ Fazer amostras de arte e oficinas de criação, feiras de ciência;
§ Ornamentar a escola com trabalhos dos educandos: pinturas, redações,
trabalhos escolares diversos;
§ Achar espaços para os educandos trabalharem a terra: horta, jardinagem;
§ Tornar possível tempo e espaço para que os educandos conversarem,
brincarem, enfim estarem mantendo contato agradável;
Assim sendo, não se pode menosprezar, pois conhecidas u não pelos patamares
dominantes, as aparentes singelas atitudes cotidianas, administradas e desenvolvidas pelos
componentes dos muitos grupos da escola: educadores, alunos, funcionários -, dentro ou
fora da sala de aula, ajudam a desenvolver uma ética global, ou melhor, para o
reconhecimento da instituição, no que cerne a sua cultura e imaginação.
2.3 Violência escolar: esclarecendo as terminologias
Muitas vezes, se emprega diferentes denominações acerca da violência, vamos
adiante elucidar essas diferenciações de termos, para se ter uma compreensão mais precisa
e evitar-se assim seu mau uso.
Afirma Charlot (2002) que necessário se faz distinguir as denominações:
violência da escola, à escola e na escolar.
No que se refere a violência na escola, podemos concebê-la como sendo a que é
produzida dentro do espaço da escola, sem manter ligações com as atividades que se
desenvolvem na instituição escolar. A exemplo, quando um grupo adentra a escola para
acerto de contas e/ou disputas, a escola é somente o cenário de um ato violento que poderse-ia acontecer em qualquer outra localidade.
Com relação à violência à escola, podemos concebê-la como sendo aquela que
visa a instituição e todos os seus representantes. Ela se faz presente quando educandos
realizam ações que depredam, não respeitam os educadores e funcionários insultando-os.
Atrelado a essa violência contra a instituição escolar, é necessário que se
analise a violência da escola, ou melhor, a violência institucional, simbólica, das relações
de dominação que acontecem entre educadores e educandos, além das ações percebidas
pelos educandos como sendo injustas ou racistas.
Em um estudo realizado por Abramovay et al. (1999) se contatou que a
elevação concomitante da riqueza, em um extremo e da pobreza, de outro, estaria criando a
exclusão de consideráveis setores da população atingida pela miséria.
E ainda a percepção de que a escola tornaria possível a inserção no mercado de
trabalho e qualificação como prováveis iniciativas para a exclusão e para a desigualdade
social convive com o entendimento empírico de que isto não se verifica sempre,
especialmente para as populações de baixa renda.
Sposito (2002, P.45) define a violência como sendo “todo ação implica a cisão
de um nexo social através da utilização da força.
Candau et al. (1999) percebem que a banalização da violência já assumiu
patamares alarmantes no meio social brasileiro.
Conforme as referidas autoras, a própria natureza comportamental violenta
produto da cultura massiva favorece para esta banalização. Ou melhor, a sociedade que ai
se mostra esta convivendo com a cultura do pânico, competição, insegurança e na
personificação dos outros indivíduos como sendo prováveis inimigos.
Segundo Placco (2002) o problema da violência necessita ser analisada de
acordo com o cenário sócio-econômico-cultural e político da sociedade.
De outra maneira, pode-se atribuir de maneira errônea ao indivíduo, o problema
ligado a sua genética ou a problemas de ordem psicológicos, a responsabilidade por atos
violentos, seja na sociedade, seja na escola.
Além disso, enfatizam a relevância de medidas profiláticas dentro do ambiente
escolar e concebem os educadores como parceiros privilegiados nesse processo:
A escola pode agir na profilaxia ao uso da violência através de projetos
que tenham como ponto de iniciativa a vulnerabilidade dos jovens, que
levem os educadores a se mobilizarem para uma ação conjunta, que façam
uso dos vínculos da escola com a comunidade, ressaltando o valor
especialmente a participação dos pais. (PLACCO, 2002, p. 364)
De maneira conjunta a isso, os autores acima destacam a importância da maior
brevidade em formar os educadores para poderem agir de maneira profilática, uma vez que
a ausência de conhecimentos acerca do problema da violência pode ter um reflexo perigoso
e contrário ao pretendido.
Assim, a ação preventiva no combate ao surgimento da violência faz-se
necessárias ações sistemáticas e precisas em seu planejamento, buscando a formação do
educando e do cidadão, balizando-se no projeto político pedagógico da escola
2.4 Despertar a consciência do aluno para a’preservação’ como atenuante
do problema
É de suma importância que os educandos e a comunidade em geral tenham
condições de se conscientizarem da sua responsabilidade na preservação da escola.
A escola é um patrimônio público e, como tal, lhes pertence. Ao terem esta
consciência, acredita-se que se diminuirão consideravelmente os casos de depredação da
instituição.
Fundamentemo-nos na seguinte idéia: ninguém sai por ai destruindo o próprio
carro, tênis ou casa, salvo quando enlouquece ou quando não tema noção de propriedade
construída.
O que se percebe é que a população não se sente dona da escola. Alguns
educadores provavelmente dirão que já procuraram conscientizar os alunos acerca deste
aspecto talvez a maioria afirme que sim, mas será realmente que conscientizaram?
O público é o dono da escola, incluindo é claro, o aluno. De qualquer forma, o
fato é que alguns dirigentes escolares não tem contribuído para que esta conscientização
ocorra.
Assim sendo a comunidade deve ser componente da escola. E sobre isso, foi
testado no Rio de Janeiro e em Pernambuco um programa cuja característica principal era a
abertura à comunidade das escolas públicas nos finais de semana, com o oferecimento de
atividades esportivas, recreativas e pedagógicas.
Os reflexos demonstram que a criminalidade diminuiu em 60%, segundo
avaliação da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura –
UNESCO..
Ainda, percebeu-se uma restrição da depredação dos estabelecimentos de
ensino, um aumento do interesse pela escola, participação maior dos familiares e melhoria
no relacionamento entre professores e alunos.
2.5 Mesclar conteúdos com a vivência do aluno: uma alternativa possível
Esta alternativa se mostra mais ligada à metodologia de ensino que deve ser
empregada pelo educador em sala de ala. Em outros termos, ela está relacionada à maneira
como o professor deve proceder em relação ao ensino dos conteúdos escolares. Ele deve
procurar articular tais conteúdos a vida efetivamente vivida pelos escolares.
Provavelmente lembramo-nos de como nossos educadores de outrora
transmitiam os conteúdos tradicionais - língua portuguesa, matemática, história, geografia,
química, física, biologia etc.. Salvo de um ou de outro – que com certeza acabaram
marcando as nossas vidas, a ponto de terem influenciado consideravelmente nossa opção
profissional -, o fato é que não sabíamos para quê estávamos aprendendo determinados
conteúdos.
A única coisa de que se tinha consciência era de que o aprendizado de tas
conteúdos era absolutamente necessário, sobretudo se a pretensão fosse a de prosseguir nos
estudo; ser “doutor”, melhorar significativamente o status social e financeiro ou, como uma
pessoa simples e dotada de enorme saber, como alguns afirmavam há tempos atrás: pra
virar gente.
O fato é que, ainda hoje, apesar dos esforços de alguns docentes, parece que a
realidade está dissociada da sala de aula. Por exemplo, ainda hoje se continua a ensinar
equação do 1º grau da mesma maneira que se ensinava a 10, 15, 20 anos trás.
E, igualmente, salvo alguns nerds - alunos extremamente estudiosos e que
dedicam toda a vida somente aos estudos - os alunos continuam aprendendo
mecanicamente e, em conseqüência, respondendo mecanicamente e, portanto, não
entendendo para que serve tal conteúdo e não vendo sentido para o seu aprendizado.
Poder-se-ia concluir que, então, bastaria um professor tomar consciência de que
a maneira como ele desenvolve o ensino não esta possibilitando o aprendizado significativo
deste conteúdo.
Contudo, o problema pode está no fato de o próprio professor de matemática
em questão nem sequer tem clareza sobre os significados do termo “equacionar”’. Assim, o
fato de ele proceder desta maneira, não reside (ou, pelo menos, não unicamente) na falta de
consciência sobre o não aprendizado significativo de tal conteúdo, mas na ignorância
acerca da sua especialidade.
Obviamente, que não estamos generalizando todos os professores de
matemática, uma vez que não podemos afirmar que todos ajam dessa forma.
Os professores acabam agindo dessa maneira, como se a escola fosse algo
totalmente à parte do mundo efetivamente vívido.
Sintetizando, tais indivíduos são indisciplinados e violentos por não
concordarem com a maneira como o professor está transmitindo o saber. Isto nos leva a
concluir que eles até sabem o que estão fazendo na escola. Contudo, a didática empregada
pelo professor para o ensino dos conteúdos escolares é considerada maçante e
desmotivadora. Geralmente dizem isto das aulas expositivas, que não possibilitam o
diálogo, sem ligação com os aspectos do seu cotidiano valorizados por eles, e/ou
excessivamente teóricas e pouco praticas.
Cabe sublinhar que tal dissociação não ocorre só em relação ao ensino
fundamental e médio. Ela é vivida igualmente nas Universidades.
Assim, se fala num curso de Psicologia de termos como anomia, perversão,
formação do aparelho psíquico, narcisismo, e tantos outros conteúdos e não se articulam
isso com os fenômenos que ocorrem à volta dos alunos, como a banalização da vida, o
individualismo, o hedonismo, o consumismo de nossos jovens.
Nem sempre são analisadas as condutas dos próprios alunos quanto ao não
suportar ouvir pessoas que pensam e agem de maneira diferente da sua, quanto a não
admitirem ser corrigidos e ducados, pois tais práticas são identificadas como poder que,
como tal, só tema função de impedir a vida.
O pior, ainda, é presenciar, em cursos de formação de professores, práticas
como a de só assinar listas de presença, condenar as aulas ministradas às sextas-feiras,
comprar trabalhos, copiar provas, fazer ou lixar unha em sala de aula, ficar procurando
ponta dupla no cabelo, conversar por meio de celular (quando o professor está explicando o
conteúdo), chegar depois de transcorridos 30 minutos do inicio da aula, e não dar nenhum
tipo de satisfação, e depois, ir embora. Novamente, e provável que estejamos exagerando,
mas não sabemos o quanto.
CAPÍTULO III
PESQUISA DE CAMPO NA ESCOLA PROFESSOR
AGRIPINO DE ALMEIDA: ANALISANDO A
PROBLEMÁTICA
Neste capítulo terceiro demonstraremos o resultado de um estudo de caso que se
verificou na Escola Professor Agripino de Almeida, alvo de nossas escolhas, cujos
resultados são possíveis de
3.1 Diagnose da Escola
A Escola em questão é a escola Professor Agripino de Almeida11, Portaria de
funcionamento nº1749, DO de 10/06/1971, situada à Rua Doutor Miguel Braz, s/n, em
Santa Maria do Cambucá12, no estado de Pernambuco, CEP-55765-000.
No início funcionou em outra escola denominada Escola João David de Souza
(Estadual) enquanto estava sendo construída.
Até o ano de 2008 funcionava da educação Infantil ao ensino Médio e Normal
Médio, mas este ano (2009), houve um acordo município/estado passando o Ensino Médio
para o Estado e a escola Professor Agripino ficou com a Educação Infantil e todo o Ensino
11
Agripino Ferreira de Almeida nasceu na cidade de Vertentes, próxima à Taquaritinga, no dia 30 de abril de
1908, filho de Severino Ferreira de Almeida e de Izabel Ferreira de Almeida.Foi sempre conhecido e
respeitado como homem político de conduta ilibada que colocava a honradez, o idealismo, a coragem e a
amizade como norteadores de sua existência. Foi autor do Projeto que elevou algumas vilas importantes de
nosso Estado à categoria de cidade, como Santa Maria do Cambucá, Cumaru, Passira e muitas outras.
12
O município de Santa Maria do Cambucá está localizado no Agreste do Estado de Pernambuco, limitandose a norte com o estado da Paraíba, a sul com Frei Miguelinho, a leste com Vertente do Lério e Surubim e a
oeste com Vertentes.
Fundamental, funcionando nos três horários:7:30 às 11:30h, 13:00 às 17:0h e 18:30 às
22:00h, com o total de 1.497 alunos.
A Escola atende a toda população em idade escolar desta cidade e de cidades
circunvizinhas e a Prefeitura oferece transporte escolar para todos aqueles que o necessita
dando melhores condições de acesso à escola, pois a sua maioria é composta por
agricultores carentes.
3.2 Aspectos Físicos
O prédio escolar foi reformado no início deste ano (2009) para oferecer mais
segurança e espaços adequados aos diversos tipos de apoio pedagógico aos alunos e
professores, e possui um corpo de funcionários composto de 129 (cento e vinte nove)
pessoas devidamente habilitadas e autorizadas pelo órgão competente
Há 21 salas de aula em boas condições de funcionamento, iluminadas e
ventiladas num espaço compatível ao número de alunos; 1 sala para os professores muito
ampla e iluminada onde no seu interior há um espaço para visitantes composto por sofás
confortáveis; 1 biblioteca que ainda contém poucos livros por ter passado um tempo
abandonada, Há 1 sala de leitura espaçosa e atraente aos olhos para proporcionar uma boa
leitura a todos que a frequentam; 1 cozinha adequada às atividades desenvolvidas e 1
refeitório anexado à cozinha amplo e arejado embora seja gradeado evitando o acesso dos
alunos fora do horário de merenda; 1 auditório pequeno fechado para mais ou menos 100
pessoas; há 2 sanitários para os alunos e 1 para os professores em boas condições de uso e
higiene, tendo sido recentemente reformados por haver problemas de encanamento. O
mobiliário, em sua maioria está em bom estado de conservação.
Foram reformadas 160 (cento e sessenta e nove carteiras) que, automaticamente
foram recolocadas nas salas.; armários e mesas estão em bom estado de conservação. Há 15
computadores novos ainda embalados para o laboratório de informática. Esta sala está
sendo preparada adequadamente para comportar os computadores dando acesso aos alunos
e toda a comunidade a inclusão digital.
Há na escola pequenos espaços para os alunos como mini pracinhas e numa delas
há uma imagem de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade.
3.3 Aspectos Administrativos
A referida Unidade Educacional possui um quadro com 129 (cento e vinte
nove) funcionários habilitados para as suas funções (houve concurso público este ano),
entre eles estão 50 docentes em total atividade em 45 turmas.
3.4 A escola e sua estrutura pedagógica
A Escola Professor Agripino de Almeida cumpre a sua função social garantindo
a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em
sociedade, pois preservar interesses, entender necessidades e tratar cada aluno de forma
individualizada são aspectos centrais num ensino bem sucedido, tendo a aprendizagem
como o resultado de processos sociais e pessoais.
O seu regimento tem como meta acatar os objetivos da Educação Nacional,
expressos na LDB (Lei de Diretrizes e Bases) nº 9394/96, observando suas determinações
referentes a cada etapa da educação Básica.
E é elaborado por vários membros que fazem parte direta e indiretamente desta
unidade de ensino como: gestor, coordenadores, supervisores, funcionários, alunos e pais
de alunos que se reúnem pelo menos uma vez no ano, para reverem essas metas e fazer um
balanço positivo ou negativo que, dependendo, do caso, podem ser mudadas de acordo com
a realidade.
O Projeto Político Pedagógico13 é composto por uma equipe técnica que sempre
avaliam se está sendo executado e é de conhecimento de toda comunidade escolar.
3.5 Perfis dos educadores entrevistados
13
O projeto representa a oportunidade de a direção, a coordenação pedagógica, os professores e a
comunidade, tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens,
organizar suas ações, visando a atingir os objetivos que se propõem. É o ordenador, o norteador da vida
escolar
Foram entrevistados 5 (cinco) educadores da Escola Professor Agripino de
Almeida da cidade de Santa Maria do Cambucá, para conhecer as suas afirmações acerca
da problemática violência, visando adquirir informações sobre a temática que poderá ser
usada por outros pesquisadores futuramente.
Dos entrevistados 4 (quatro) são mulheres e 1 (um) homem, todos com
Graduação e Especialização nas respectivas áreas.
3.6 Resultados da entrevista com os educadores
Após a aplicação dos questionários, demonstraremos os resultados mediante
gráficos e comentários das repostas, objetivando uma maior compreensão e clareza das
respostas
1. Definição de violência
25%
50%
25 %
Ações qu e machucam e
ferem fisicamente e
verbalmente
São atos que cau sam
danos para qu em os
realiza
Con siste em ferir
alguem
Podemos perceber no gráfico acima que as definições de violência não possuem
muita divergência de opinião, uma vez que a maioria dos entrevistados, 50%, asseverou
que a violência diz respeito “a questão física e verbal”;
Outros 25% dos entrevistados asseveraram que a violência seria “são atos que
causam danos para quem os realiza”.
Os outros 25% afirmaram que “consiste em ferir alguém”.
Podemos perceber que ambas as opiniões, dizem respeito a ferir de alguma
forma outrem, não importando se este seja verbal ou físico.
E isto se faz evidenciar em grande parte das escolas de nosso país, verdade essa,
que pode ser confirmada mediante as reportagens freqüentes que se vêem estampados nos
veículos de comunicação.
2. Causas da violência.
Falta de cultura,
desemprego, problemas
famíliares.
Influencia do meio e
dos amigo.
25%
M
edia
nte
as
A própria escola
25%
resp
osta
50%
s
que se obtiveram ao serem entrevistados sobre as causas da violência escolar, os
educadores demonstraram uma divergência de opinião acerca das origens das causas da
violência escolar. 50% afirmaram que esse problema está relacionado “a falta de cultura,
desemprego e problemas familiares”;.
Entretanto outro percentual 25% acharam que as causas estão relacionadas
“influência do meio e dos amigos” e outros 25% acreditam que “a própria escola é a
culpada”
Em muitas cidades, as escolas são palco de situações de violência. Situadas em
locais onde a exclusão social se manifesta de modo mais acentuado, as escolas não ficam
isoladas deste contexto. De depredações a casos de arrombamento, ameaças e prisões,
muitas coisas acontecem, amedrontando pais, professores e alunos. Em geral, a solução
proposta é o policiamento e a colocação de grades. Nem sempre esta solução é possível e
quase nunca é eficaz. Ao contrário, muitas vezes ela apenas reforça a violência da situação.
Desta forma, o jovem recebe opções fáceis como: o uso de drogas, uso de
bebidas alcoólicas, uso da arma de fogo aliada a inexistência do controle da polícia, da
família e comunidade tornam o indivíduo motivado a concluir o ato delitivo. Carências
afetivas e causas sócio-econômicas ou culturais certamente aí se misturam, para
desembocar nestas atitudes.
3. Tipos de violência que ocorrem na escola.
Agressões verbais, físicas
50%
5 0%
Comportamentos
indesejad os, depredações
física da escola
Observando o gráfico acima, podemos perceber que os tipos de violência que se
expressam no ambiente escolar são diversos segundo os educadores; entretanto, sobressaise com 50%, a agressão “verbal e física”, seguida de 50% com “comportamentos
indesejados, depredações física da escola”.
Pode-se notar que a diversidade sobre os tipos de violência são vários, o que
acaba por causar transtornos a todos que fazem a comunidade escolar, haja vista nem
sempre ter controle diante de insultos provenientes de alunos, muitas vezes revidando ou
pondo os casos para a direção resolver.
A violência escolar se expressa de muitas maneiras, incorporando-se à rotina da
instituição e assumindo proporções preocupantes. Segundo a pesquisadora Miriam
Abramovay, a violência pode ser associada a três dimensões: a degradação do ambiente
escolar, a violência que se origina de fora para dentro das escolas e aquela gerada por
componentes internos dessas instituições.
4. Relação entre indisciplina e violência.
D
As duas estão interligas, uma
é consequência da outra
e
aco
rdo
Depende da situação. As
vezes elas aco ntecem
isoladas
50%
co
mo
grá
5 0%
fico
acima se pode perceber que a ligação entre violência e indisciplina mantém uma expressiva
ligação 50% afirmam que “as duas estão interligadas sendo uma conseqüência da outra”
outros 50% acham que “depende da situação. As vezes elas acontecem isoladas”.
Podemos perceber assim, que a diversidade de opiniões se mantém, entretanto é
comum se perceber dentro das salas de aula que a indisciplina está atrelada a violência sim,
mesmo que de forma frequente, mas há, pois, sempre há os insultos, uns tapas, empurrões
entre educandos, o que não deixa de caracterizar violência.
A indisciplina em contexto escolar é uma forma de violência. Não se pode
pensar de outra maneira, a exemplo, se um aluno que constantemente perturba a aula não
acaba por submeter colegas e professores à sua vontade e impedir que a aula decorra
normalmente, isso se reflete numa ação de violência contra o outro.
Enfim, se a desobediência obriga os outros a aturar o que não querem
obviamente que também é uma forma de violência.
5. Atitudes perante o problema de violência.
P
O diálogo normalmente
resolve
2 0%
ode
-se
per
ceb
er
80 %
Os pais são chamados com
frequência, porq ue eles são
demais.
no
gráf
ico
acima no que se refere a posição escolar frente à problemas de violência, que 80%, afirmam
que “o diálogo normalmente resolver”, outros 20% afirmam que “os pais são chamados
com frequencia, porque eles são demais” para elucidar os problemas.
Note-se que alguns educadores procuram utilizar o diálogo como forma de
resolver o problema, demonstrando assim que há uma preocupação dos mesmos com seus
educandos. Entretanto outra parcela dos entrevistados afirma que leva aos pais a situação,
caso não resolva com o próprio aluno.
Como a escola depende do que está à sua volta, o entorno deve ser sempre
considerado. Se a escola estiver integrada a ele, abrindo o seu espaço - privilegiado e
valorizado - não só aos alunos, mas ao oferecimento de soluções para problemas e
necessidades da região, ser mais respeitada pela comunidade onde se insere.
É importante promover atividades comunitárias e o uso das instalações para
eventos ou para o lazer dos moradores das imediações, contando com a participação e o
envolvimento dos diretores, professores e outros profissionais, levando-os a substituir o
medo por novas posturas que contribuam para a superação de uma mentalidade violenta
3.7 Resultados da pesquisa com os educandos
1. Você se considera sua escola um ambiente seguro?
Sim
100%
Conforme o gráfico acima se pode perceber que a totalidade dos educandos
concorda que a escola se mostra como um ambiente onde há segurança. A segurança é
responsabilidade de todos.
Contudo não raro é possível presenciar cenas de violência que os próprios
alunos presenciam segundo conversa informal com alguns, poremos mesmos talvez se
achem constrangidos de falar a respeito, ou mesmo por questões de medo.
Pois sabemos que a violência já adentrou os muros escolares há tempos, e esses
agravantes continua a crescer.
Enfim é papel dos alunos junto com a equipe administrativa cuidarem da escola,
para tê-la sempre como ambiente de segurança e satisfação.
2. Você já presenciou algum tipo de violência em sua escola?
Sim
10 0%
A violência está presentes em todos os segmentos sociais e atinge a todos de formas
diferentes na escola, não é diferente, pois como afirma a totalidade dos entrevistados, todos
já perceberam algum tipo de violência, sejam entre alunos, alunos-funcionários etc..
A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das
escolas, manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso
não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali
inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários.
Nas escolas, as relações do dia-a-dia deveriam traduzir respeito ao próximo,
através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando
atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição.
3. Alguma vez você já foi vítima de violência?
D
e
acord
o com
o
Sim
gráfic
o
10 0%
acima
,
pode
mos
notar que todos os alunos sofreram algum tipo de violência.
Qual a escola que nunca registrou situações como: alunos agredidos, livros
roubados, funcionários humilhados, ofensas entre professores e alunos. Todos esses são
exemplos de situações internas à escola que precisam ser enfrentadas com a mesma firmeza
com que debatemos a violência do mundo em geral.
Do contrário, a função de educador- formador não será cumprido. Tudo no
ambiente escolar tem caráter pedagógico.
Compreender como o abuso do álcool ameaça quem está ao volante (e também
quem está nas ruas e no convívio doméstico), desenvolver projetos que mostrem como a
intolerância, a injustiça e o preconceito resulta em violência (tanto entre nações como entre
pessoas), estabelecer paralelos entre o que se vive na escola e o que se vê fora dela são
apenas alguns exemplos de como não fugir dessa difícil questão.
Numa sociedade violenta, a escola deve se contrapuser abertamente à cultura de
agressões. Acredito que as situações que dizem respeito a questões internas devem ser
tratadas nos conselhos de classe, identificando responsabilidades, garantindo reparações e
promovendo formação.
4. Você concorda ou discorda que a violência e indisciplina têm ligações?
Concordo
10 0%
De acordo com o resultado acima, ao serem indagados acerca da ligação entre
violência e indisciplina, os educandos afirmaram unanimemente que sim, que existe essa
ligação entre ambos.
Enfim, esta problemática, de certa forma, se reproduz na escola. Não é incomum
assistir a alunos indisciplinados e mal educados atormentarem professores, e estes não
apresentarem subsídios para controlar a bagunça que come solta dentro da sala de aula. E o
que é pior: não bastassem as conversinhas, os risinhos, as guerrinhas de papel, o respeito
pela figura do professor já se encontra ameaçado.
Assim sendo, ficamos a refletir onde essa situação irá esbarrar? É necessário
intervir de alguma maneira, pois os primeiros a sofrerem com a problemática são os
próprios educadores e se esses não se mobilizarem o quadro evoluirá para pior.
5. Você acha que o problema da violência tem solução?
D
e
acor
do
com
Sim
o
que
10 0%
stio
nam
ento
acima, no que se refere a visão dos mesmos com relação a solução ou não do problema da
violência a totalidade afirmou que sim, o que demonstra uma visão positiva para entrave.
Não é fácil erradicar a violência da sociedade. Por serem suas causas complexas
e de caráter estrutural, não está ao alcance do governo municipal eliminá-la das escolas ou
de qualquer outro lugar. No entanto, é possível e necessário controlar alguns dos
mecanismos que a geram, reduzindo seus efeitos.
Democratizar a escola é a linha central de todas as intervenções para diminuir a
violência em seu ambiente. A mudança na prática do sistema de ensino deve levar à
eliminação das barreiras - muitas vezes não percebidas - entre os alunos e a escola, entre a
comunidade e a escola. Num trabalho que envolve ações de curto, médio e longo prazos de
maturação, as violências geradas pelo próprio sistema escolar devem ser questionadas e
subvertidas pelos seus atores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência praticada por adolescentes é uma verdade que não se pode fugir
dela. A sociedade precisa de organização e lutar de maneira ativa contra esse grave
problema
A escola deve procurar adaptar os seus conteúdos programáticos e acercar-se
mais dos educandos. A família frequentemente se destitui do seu papel educacional,
fazendo vistas grossas muitas vezes, devido a ausência do lar por precisarem os pais
trabalharem e manterem as despesas do lar.
Isso acaba por gerar nos seus filhos o comodismo e modismos que enxergam a
sua volta, e os pais muitas vezes nem percebem o terror que estão plantando ao seu redor,
pois muitas vezes os resultados aparecem lá n a frente, com filhos que roubam, que
espancam, que xingam, que picham patrimônios, tudo isso devido a ausência educacional
em casa.
Em meio a tanta confusão, encontram-se os alunos que, agem de acordo com o
que percebem e atuam de acordo com os estímulos do meio. Meio esse que frequentemente
propicia paradigmas de comportamentos questiona´veis na maioria das vezes.
Note-se que a sociedade passou por profundas transformações, e estas
continuam a ocorrer de maneira expressiva. A família, centro primário de educação, tem
demonstrado desestímulo deixando apenas a critérioda escola a tarefa educacional de seus
rebentos, dado que é no cenário educacional que os alunos permanecem a maior parte do
dia.
Entretanto, nenhuma outra instituição é capz de suprir as condições
educacionais da famíliares, nem tampouco seria justo que a escola fossse unicamente a
responsável por repassar a ensinar valores tão essenciais para o normal desenvolvimento do
aluno, a exemplo democracia, as normas para bem viver, o respeito mútuo, a solidariedade,
a tolerânciaetc.
Vimos na pesquisa que se realizou na Escola Professor Agripino de Almeida,
que a violência é uma realidade na referida instituição, entretanto não se mostra em níveis
elevados de periculosidade, o que nos deixa aliviados, pois o quadro poderia ser pior.
À escola não cabe ensinar os conteúdos que se exigem pelo pelo Ministério da
Educação,e ainda possuir a função educacional pertinente a famila, pis isso seria injusto
Diante de tudo isso, a verdade é que a violência persiste e regista-se sempre
mais através dos jovens A escola não pode fazer vistas grossas que os conflitos e entraves
sociais acontecem, e por isso tem procurado ajustar-se da melhor maneira. E é justamente
na instituicao escolar que os educando demonstram atitudes que observam dentro e fora da
mesma.
Ambientes onde acontecem maus tratos físicos e psicológicos, onde se priva de
determinadas coisas, o ínfimo grau de instrução e a pobreza são fatores interliggados. Neste
cenário, é urgente que acontecça uma intervenção global de forma eficiente, propiciando à
população envolvida referenciais de coportamentos adequados ao desenvolvimento afetivo,
intelectual e moral de todos os envoltos.
Assim sendo, todos nós que compoos essa sociedade democrática, somos
responsáveis pelos reflexos educativos do nosso agir. É necessário que haja um esforço
financeiro por parte do governo, não apenas económico mas também a nível de recursos
humanos onde programas de combate à violência e exclusão social veham realmente a se
tornar realidade com resultados poditivos.
Enfim, não podemos deixar nosso alunado se transformem em futuros homens
que não consigam se adaptação ou mesmo que eles venham a ser futuros marginais, apenas
por não terem tido referenciais positivas na infância e porque as muitas entidades
educativas deixaram de lado que seus alunos também precisam de atenção, carinho, afeto,
pois são como nós, seres humanos coo os demais
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em:
APÊNDICE
Anexo 1
Questionário aplicado aos educadores
1. Qual a sua concepção de violência?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
2. Quais as causas da violência segundo seu ponto de vista?.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
3. Em sua escola, quais os tipos de violência que ocorrem com mais frequencia?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
4. Na sua opinião, há ligação entre indisciplina e violência? Comente.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
5. Quais as iniciativas que a escola realiza diante do problema de violência?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
Anexo 2
Questionário aplicado aos educandos
1. Você se considera sua escola um ambiente seguro?
( ) Sim
( ) não
2. Você já presenciou algum tipo de violência em sua escola?
( ) Sim
( ) Não
3. Alguma vez você já foi vítima de violência?
( ) Sim
(
) não
4. Você concorda ou discorda que a violência e indisciplina têm ligações?
( ) Sim
( ) Não
5. Você acha que o problema da violência tem solução?
( ) Sim
( ) Não
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maria auxiliadora pereira