UFRRJ INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA DISSERTAÇÃO Inclusão de Aditivos na Ensilagem de Gramíneas Tropicais Marcos Roberto Begnini 2010 i UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA INCLUSÃO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DE GRAMÍNEAS TROPICAIS MARCOS ROBERTO BEGNINI Sob a Orientação do Professor João Batista Rodrigues de Abreu e co-orientação do Professor Jailton da Costa Carneiro Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Área de Concentração em Produção Animal. Seropédica, RJ. Dezembro de 2010 ii UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA MARCOS ROBERTO BEGNINI Dissertação submetida como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Área de Concentração em Produção Animal. DISSERTAÇÃO APROVADA EM ___/___/ 2010. Prof. Dr. João Batista Rodrigues de Abreu - UFRRJ (Orientador) Prof. Dr. João Carlos de Carvalho Almeida - UFRRJ Prof. Dr. Fábio Nunes Lista, UNIVASF iv DEDICATÓRIA A Deus por ter me concedido saúde, força e estar sempre me protegendo. Ao meu pai Renato Ernesto Begnini pelo apoio incondicional e amor sem medida, e confiança sempre em mim depositada. A minha querida mãe Nivete Maria Pesente Begnini, pelo amor, carinho e incentivo em minhas empreitadas. A minha irmã Marcia Begnini Sfredo por estar sempre me apoiando em todos os momentos. Ao meu cunhado Eleandro Sfredo pelo apoio e incentivo. Ao meu grande amor, Ariana Luparelli Riguetti, por todo o carinho e afeto, além de ser a minha grande companheira, que sempre me apoiou e esta sempre do meu lado. Ao meu sobrinho Victor Angelo Sfredo. Aos meus demais familiares e amigos. v AGRADECIMENTOS A Deus por ter me concedido saúde e condições de realizar mais este trabalho. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ao Instituto de Zootecnia e ao Departamento de Nutrição Animal e Pastagem, pela oportunidade de realização do curso. Ao orientador e amigo Professor Dr. João Batista Rodrigues de Abreu pela credibilidade e dedicação desde os tempos de graduação, bem como sua orientação para condução deste trabalho. Ao meu co-orientador Jailton da Costa Carneiro pela atenção e colaboração e pelo aprendizado recebido na realização deste trabalho. Aos professores do IZ, em especial aos do PPGZ, pelos ensinamentos transmitidos para minha formação profissional. Aos membros componentes da banca examinadora Prof. Dr. João Carlos de Carvalho Almeida e Prof. Dr. Fábio Nunes Lista, pela avaliação do trabalho, orientação e sugestões fornecidas. Aos Amigos e Zootecnistas Raphael dos Santos Gomes e Flavio Henrique Vidal Azevedo, pelo apoio e ajuda de fundamental importância para a realização deste trabalho. Aos funcionários e administradores do Campo Experimental de Coronel Pacheco pela colaboração sem medir os esforços na realização do experimento. A minha irmã Marcia Begnini e meu cunhado Eleandro Sfredo, pelo carinho e votos de confiança oferecidos. A minha namorada e futura esposa, grande incentivadora, Ariana Luparelli Rigueti pelo amor e paciência e por estar sempre do meu lado. Aos amigos Anderson Ferrari e Rafael Pressoto, conselheiros e companheiros de boa convivência. E a todos aqueles que não foram citados, mas que contribuíram, direta ou indiretamente, para a realização deste experimento. A Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais por ter financiado este projeto. vi BIOGRAFIA MARCOS ROBERTO BEGNINI, filho de Renato Ernesto Begnini e Nivete Maria Pesente Begnini, nasceu em 31 de janeiro de 1983, na cidade de Xanxêre, estado de Santa Catarina. Cursou o 1º grau no Colégio Agrícola Demétrio Baldissareli, no distrito de MarechalBorman em Chapecó-SC, concluindo-o em dezembro de 1997. Cursou o 2o grau na Escola Agrotécnica Federal de Concórdia, Concórdia-SC, concluindo-o em dezembro de 2000. Ingressou em 2005 no curso de graduação em Zootecnia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica-RJ, graduando-se em dezembro de 2008. Em março de 2009, iniciou o curso de Pós-Graduação stricto sensu em Produção Animal, em nível de Mestrado, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica-RJ, submetendo-se à defesa de tese em dezembro de 2010. vii RESUMO BEGNINI, Marcos Roberto. Inclusão de Aditivos na Ensilagem de Gramíneas Tropicais. 2010. 74p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia, Produção Animal). Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2010. Este trabalho foi conduzido no Centro Nacional de Pesquisa Agropecuária Gado de Leite (CNPGL), no município de Coronel Pacheco, localizada na Zona da Mata-MG. Objetivou-se avaliar o efeito da adição de polpa cítrica (PC) e de inoculante bacteriano enzimático comercial SI-ALL C4 da Alltech sobre as características fermentativas, nutritivas e da perda de matéria seca das silagens de gramíneas pré-secadas, da grama estrela (Cynodon nlemfuensis Vanderyst) e da Brachiaria brizantha cv. Marandú. Foram adotados os seguintes tratamentos: Silagem das gramíneas pré-secadas com inoculante e sem adição de polpa cítrica (CISP); com inoculante e com adição de polpa cítrica (CICP); sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (SISP); sem inoculante e com adição de polpa cítrica (SICP). Também foram analisadas as gramíneas antes de serem ensiladas. A PC foi adicionada na base de 8% do peso da matéria original das gramíneas. O inoculante foi aplicado na dosagem recomendada pelo fabricante de 5 g/t de forragem com auxilio de um pulverizador costal. O Delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado com cinco repetições, e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman-Keus a 5%. O experimento foi conduzido durante o período de julho de 2009 a setembro de 2009. Foram determinados o pH, teores de matéria seca, proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, celulose, hemicelulose e lignina, nitrogênio amoniacal, poder tampão, teor de carboidratos solúveis e a degradabilidade ruminal in situ. Os silos experimentais foram confeccionados com tubos de PVC com diâmetro de 4 polegadas e 50 cm de altura, providos de uma válvula tipo Bunsen. Depois de realizado o corte da brachiaria e da grama estrela aos 42 e 35 dias de crescimento vegetativo respectivamente, as gramíneas foram emurchecidas durante um período de 6 horas. A abertura dos silos ocorreu 60 dias após a ensilagem. A adição de 8% de polpa cítrica melhorou o perfil de fermentação da silagem da grama estrela e da brachiaria. O uso de inoculante bacteriano e polpa cítrica proporcionaram menores percentuais de perda de matéria seca no processo de ensilagem para brachiaria, o que não foi verificado para a grama estrela. O inoculante bacteriano-enzimático melhorou a estabilidade da silagem de brachiaria, mas não se verificou diferença entre os tratamentos para estabilidade da grama estrela. A associação de polpa cítrica e inoculante bacteriano enzimático proporcionaram maior degradabilidade ruminal e melhores padrões de fermentação na confecção da silagem da grama estrela e da Brachiaria. Palavras-chave: Polpa cítrica, Inoculante bacteriano enzimático, Degradabilidade in situ. viii ABSTRACT BEGNINI, Marcos Roberto. Include additive on ensilage of tropical grasses. 2010.74p. Dissertation ( Master Science in animal production) Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2010. This study was conducted in the Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Leite (CNPGL) Experimental Station in Coronel Pacheco, localized on Zona da Mata-MG. The main objective was to evaluate the effect of addition of the citrus pulp (CP) and commercial enzymatic bacterial inoculant SI-ALL C4 of the Alltech on the fermentation and nutritious characteristics and the dry matter damages of grass silages wilted, of the (Cynodon nlemfuensis Vanderyst) and the Brachiaria brizantha cv. Marandú. The following treatments were evaluated: grass silages wilted with inoculant and without citrus pulp (CISP), with inoculant and citrus pulp (CICP), without inoculant and without citrus pulp (SISP), without inoculant and with addition of citrus pulp (SICP). Grass were evaluated too, before had been silaged. The citrus pulp was added of the base of 8% by weight of the original material of grasses. The experimental design was completely randomized with five replications and the average was comparison with Student-Newman-Keus of 5% probability. This study was conducted from January to December of 2009. Were evaluated dry matter (DM) content, crude protein (CP), neutral detergent fiber (NDF), acid detergent fiber (ADF), cellulose, hemicelluloses and lignin, fractions of nitrogen and carbohydrates, buffer capacity, soluble carbohydrates, fermentation characteristics (pH, ammonia N), and “in situ” dry matter digestibility. The experimental silos were making of PVC with capacity of 3 liters, fitted with a Bunsen-type valve. After the grasses cut was realized (brachiaria and cynodon), at 42 and 35 days of vegetative growth respectively, the grasses were wilted during a period of 6 hours of sun exposure. Silos opening occurred 60 days after ensiling. The adition of 8% of citrus pulp improved the profile of the silage fermentation of cynodon and brachiaria. The use of bacterial inoculant and citrus pulp caused a lower percentage of dry matter loss on the ensiling process for brachiaria, which was not verified to Cynodon silage. The enzymatic bacterial inoculant improved the stability of brachiaria silage, but no difference was found between treatments for the estability of cynodon. The association of citrus pulp and enzymaticbacterial inoculant provided higher rumen degradability and improved the profile of fermentation in making silage of Cynodon nlemfuensis Vanderyst and of Brachiaria brizantha cv. Marandú. Key words: Citrus Pulp, enzymatic bacterial inoculant, Degradability in situ. ix INDICE DE TABELAS Tabela 1. Composição bromatológica, características de carboidratos solúveis, e capacidade tampão da brachiaria, pré-secada aos 42 dias de crescimento e da polpa cítrica utilizada para confecção dos tratamentos. .................................... 25 Tabela 2. Composição bromatológica, pH e nitrogênio amoniacal (N-NH3) de silagens de Brachiaria brizantha confeccionadas com ou sem inclusão de polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. .............................................. 30 Tabela 3. Perda total no processo de fermentação, Perdas em percentual do material ensilado na forma de Gases (%) e Efluente (%) da silagem de Brachiaria brizantha pré-secada confeccionada com e sem polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. .......................................................................... 32 Tabela 4. Temperatura ambiente (ºC) e das silagens de Brachiaria brizantha préemurchecida após a abertura por um período de nove dias. ................................... 33 Tabela 5. Parâmetros de degradação ruminal in situ da matéria seca da Brachiaria brizantha e da silagem de Brachiaria brizantha pré-sacada confeccionada com e sem inoculante bacteriano enzimático e ou polpa cítrica. ............................ 34 Tabela 6. Composição bromatológica e características de carboidratos solúveis e capacidade tampão do Cynodon nlemfuensis pré-secado aos 35 dias de crescimento e da polpa cítrica utilizada para confecção dos tratamentos. ............. 42 Tabela 7. Composição bromatológica, pH e nitrogênio amoniacal (N-NH3) de silagens de Cynodon nlemfuensis confeccionadas com ou sem inclusão de polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. .............................................. 46 Tabela 8. Perda total no processo de fermentação, Perdas em percentual do material ensilado na forma de Gases (%) e Efluente (%) da silagem de Cynodon nlemfuensis pré-secado confeccionado com polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimatico. ............................................................................................ 49 Tabela 9. Temperatura ambiente (ºC) e das silagens de Cynodon nlemfuensis présecado após a abertura por um período de nove dias. ............................................ 50 Tabela 10. Parâmetros de degradação ruminal in situ da matéria seca da Cynodon nlemfuensis e da silagem de Cynodon nlemfuensis pré-sacado confeccionado com e sem inoculante bacteriano enzimático e com ou sem polpa cítrica. ........................................................................................................... 50 x SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1 2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................. 2 2.1 Silagem ................................................................................................................................ 2 2.2 Princípios da Ensilagem ...................................................................................................... 3 2.3 Armazenamento ................................................................................................................... 4 2.4 Gramíneas Tropicais ............................................................................................................ 6 2.5 Sazonalidade ........................................................................................................................ 7 2.6 Características da Brachiaria brizantha cv. Marandú ......................................................... 8 2.7 Características do Cynodon nlenfuensis cv. estrela de Porto Rico ...................................... 9 2.8 Características Peculiares .................................................................................................. 11 2.9 Teor de Matéria Seca de Gramíneas Tropicais .................................................................. 12 2.10 Pré-emurchecimento ......................................................................................................... 13 2.11 Aditivos Microbiológicos ................................................................................................. 14 2.12 Polpa Cítrica ..................................................................................................................... 16 2.13 Estabilidade ...................................................................................................................... 17 CAPITULO I INCLUSÃO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DA Brachiaria brizantha PRÉ-SECADA ........................................ Erro! Indicador não definido. RESUMO ABSTRACT ............................................................................................................................ 21 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 22 2 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 23 2.1 Localização e Clima ........................................................................................................... 23 2.2 Condução do Experimento ................................................................................................. 23 2.3 Tratamentos ........................................................................................................................ 24 2.4 Avaliações .......................................................................................................................... 24 2.5 Delineamentos Experimentais e Análise Estatística ........................................................... 27 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................................... 28 3.1 Composição Bromatológica, Nitrogênio Amoniacal (N-NH3) e pH .................................. 28 3.2 Perdas Durante o Processo de Fermentação ....................................................................... 31 3.3 Estabilidade Aeróbia da Silagem ........................................................................................ 32 3.4 Degradabilidade Ruminal ................................................................................................... 33 4 CONCLUSÕES .................................................................................................................... 35 CAPITULO II INCLUSÃO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO Cynodon nlemfuensis vanderyst PRÉ-SECADO ................ Erro! Indicador não definido. RESUMO ABSTRACT xi 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 39 2 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 40 2.1 Localização e Clima ........................................................................................................... 40 2.2 Condução do Experimento ................................................................................................. 40 2.3 Tratamentos ........................................................................................................................ 41 2.4 Avaliações .......................................................................................................................... 41 2.5 Delineamentos Experimentais e Análise Estatística ........................................................... 44 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................................... 45 3.1 Composição Bromatológica, Nitrogênio Amoniacal (N-NH3) e pH .................................. 45 3.2 Perdas Durante o Processo de Fermentação ....................................................................... 48 3.3 Estabilidade Aeróbia da Silagem ........................................................................................ 49 3.4 Degradabilidade Ruminal ................................................................................................... 50 4 CONCLUSÕES .................................................................................................................... 52 CONCLUSÕES GERAIS ...................................................................................................... 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GERAIS ................................................................. 54 xii 1 INTRODUÇÃO O clima e as estações do ano possuem grande influência sobre o crescimento e desenvolvimento das plantas forrageiras. Assim, a produção de forragem no período seco do ano é reduzida obtendo-se baixas capacidades de suporte das pastagens. Com isso, é necessário e de fundamental importância efetuar ajustes nas taxas de lotação e ciclos de pastejo (período de pastejo e descanso da pastagem), de acordo com as flutuações na disponibilidade de forragem, evitando-se assim um super pastejo e/ou uma degradação da pastagem. Desta forma, é imprescindível o estabelecimento de uma estratégia para fornecimento de alimento durante o período de deficiência. Uma das melhores práticas para esse fim é a conservação de forragem excedente ou de campos agricultáveis e que pode ser feita através de silagem, sendo uma das formas mais utilizada, indicada e eficaz para este fim. Praticamente em todo mundo, a conservação de forragem tem sido um fator crucial para obtenção de boa produtividade em ruminantes, pois permite alimentação constante durante todo período do ano (MUCK e SHINNERS, 2001), com alimento de boa qualidade. Esta uniformidade de quantidade e qualidade proporciona aumento médio nas taxas de lotação, possibilitando a manutenção de um número constante de animais no rebanho durante o ano. No Brasil as espécies forrageiras mais utilizadas para produção de silagem são o milho, o sorgo e o capim-elefante. Entretanto, existem outras forrageiras, como cana-deaçúcar, Brachiaria sp., Cynodon sp., Panicum sp., entre outras que são utilizadas em menor escala percentual para serem ensiladas, entretanto plantadas em grande escala no Brasil, e destinadas exclusivamente como culturas ou pastagens. Estudando algumas dessas gramíneas Bergamaschine et al. (2006) observaram que essas forrageiras possuem características inadequadas para serem ensiladas, tais como o alto teor de umidade, baixo teor de carboidratos solúveis e o elevado poder tampão, o que justifica assim sua menor utilização. Por outro lado, Nussio et al. (2002) consideraram que as gramíneas tropicais por serem perenes e apresentarem uma alta produção de MS no período chuvoso, a ensilagem excedente de produção destas forrageiras seria uma alternativa interessante para os produtores como forma de minimizar a escassez de alimento, no período seco. 1 Desta forma, a utilização de técnicas que reduzam o teor de umidade como o préemurchecimento e uso de alimentos com elevado teor de matéria seca ou a utilização de coprodutos como a polpa cítrica, associadas ou não a utilização de aditivos estimulantes da fermentação, podem constituir-se uma excelente alternativa tecnológica de forma a melhorar o padrão de fermentação das silagens de gramíneas tropicais. Assim o presente trabalho tem como objetivo analisar a adição de inoculante bacteriano enzimático e da polpa cítrica sobre características fermentativas e nutritivas de silagem de gramíneas pré-secadas, bem como a perdas que ocorrem no processo de ensilagem. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Silagem A ensilagem é um método de conservação que compreende o armazenamento da forragem em condições de anaerobiose, objetivando o desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido lático a partir de substratos como açúcares solúveis, ácidos orgânicos e compostos nitrogenados solúveis (SANTOS, 2010). Essas plantas são geralmente picadas em partículas menores para favorecer o seu armazenamento, auxiliando a compactação e eliminação do oxigênio em um curto período de tempo e armazenada em silos (PEREIRA et al., 2008). O tamanho de partícula inferior a 20-30 mm pode favorecer a disponibilidade de carboidratos solúveis e, consequentemente, estimula o crescimento das bactérias láticas segundo (MCDONALD et al. 1991). A ensilagem é o processo físico de produção da silagem que vai desde o corte da gramínea até o fechamento do silo (PEREIRA et al., 2008). O principal objetivo da ensilagem é preservar o máximo possível os nutrientes originais da planta forrageira para ser usada como alimento, em épocas do ano onde a oferta de alimento volumoso é reduzida ou até mesmo nula ( KUNG JUNIOR, 2009). A silagem vem sendo considerada um dos processos mais importantes de conservação de volumoso para os animais, pois permite oferta de alimento constante nos períodos críticos do ano, principalmente no período seco. Neste período o ganho animal é nulo ou até negativo devido à escassez de alimento volumoso, ocasionando grandes perdas aos criadores. 2 A técnica da ensilagem é principalmente, mais estudada e utilizada em regiões frias, devido à ocorrência de inverno mais úmido, dificultando outras técnicas de conservação como a fenação, além do período de transição entre espécies forrageiras de verão e inverno, comumente empregadas nestes ambientes, caracterizados por redução do crescimento da forrageira da saída da estação e a reduzida taxa de crescimento inicial da planta empregada na estação subsequente. Existem varias formas de avaliar a qualidade de um alimento conservado, dentre elas o olfato, as análises químicas e microbiológicas e o desempenho animal, além dos aspectos físicos, principalmente a massa específica (ME) da forragem e o tamanho médio de partículas, que devem ser priorizados nessa avaliação (JOBIM et al., 2007). Segundo Pedreira (2010) em situações nas quais a técnica de fenação é difícil, a ensilagem de gramas-bermuda pode ser uma alternativa para conservação. Assim, as gramíneas dos gêneros Panicum (Tanzânia e Mombaça), Braquiaria brizantha e Cynodon (Tifton) também têm sido utilizadas para ensilagem nos últimos anos, porém o capim-elefante ainda é a gramínea forrageira tropical mais estudada para este fim (BERGAMASCHINE et al., 2006). 2.2 Princípios da Ensilagem Para que se tenha uma silagem de boa qualidade existem 3 fatores muito importantes, o primeiro é a rápida retirada do ar do silo, o segundo é a rápida produção de ácido lático permitindo a rápida diminuição do pH, e o terceiro é diminuir ao máximo o contato do ar com a silagem (KUNG JUNIOR, 2009). A conservação de uma forragem na forma de silagem envolve processos bioquímicos e microbiológicos complexos. A forragem ensilada é conservada por um processo de fermentação, passando por várias etapas, desde o seu corte até ser utilizada para a alimentação animal, podendo ocorrer algumas alterações quantitativas e qualitativas deste alimento (VILELA et al., 2005). A fermentação anaeróbia da silagem se constitui na conversão de carboidratos solúveis em ácidos orgânicos, através da ação de microorganismos, que se multiplicam e desenvolvem intensa atividade fermentativa ao encontrarem condições adequadas no meio. Quando o pH abaixo de um dado valor ou os níveis de ácidos são suficientes para inibir a fermentação, a forragem torna-se estável e, como silagem, é preservada enquanto permanecerem aquelas condições (MCDONALD et al., 1991). 3 A atividade aeróbia ocorre normalmente no início do processo, devido à presença de oxigênio, propiciando o desenvolvimento de microorganismos aeróbios, principalmente, bactérias epífitas, presentes no alimento, que consomem o oxigênio, mas reduzem as quantidades de carboidratos solúveis oriundos, principalmente, do extravasamento celular. Bons silos devem ter a atividade aeróbia minimizada, pois, além das perdas supracitadas, a oxidação dos carboidratos solúveis proporcionada pela aerobiose leva a uma produção excessiva de calor, causando danos irreparáveis à proteína da forragem, aumentando o teor de nitrogênio insolúvel em detergente ácido (MCDONALD et al., 1991). Segundo Kung Junior (2009), a rápida queda do pH diminui a quebra das proteínas pela inativação enzimática das plantas, da mesma forma inibe o crescimento de microorganismos indesejáveis como enterobacterias e Clostridium. Devemos ressaltar que o rápido estabelecimento da condição de anaerobiose é o princípio básico para a obtenção de uma silagem de boa qualidade. Fatores como a rápida velocidade de carregamento do silo, influenciado por logística de corte e transporte, a compactação adequada, que é influenciada por umidade do material ensilado, tamanho de partículas e operação de compactação eficiente e a fonte de carboidratos solúveis em conjunto influenciam esta qualidade. Na fermentação, os carboidratos solúveis são convertidos a ácidos orgânicos, reduzem o pH e conservam a silagem. Por outro lado, a proteína é convertida em vários compostos nitrogenados não proteicos, de modo que 40-75% do nitrogênio da silagem encontra-se como NNP (PEREIRA e REIS, 2001). 2.3 Armazenamento As silagens são armazenadas em compartimentos denominados de silos, esses podem ser de várias formas e tamanhos. Porém um fator preponderante para a ensilagem é a compactação da forrageira, e este fator é dependente do tamanho da partícula em que a gramínea foi ensilada. Silagens confeccionadas com baixa massa específica (ME) apresentam maiores espaços entre partículas, tendo uma alta concentração de oxigênio, este por sinal pode aumentar o tempo para que o pH da silagem diminua a níveis de evitar que microorganismos deteriorem a silagem, assim pode-se obter perda de MS, devido a ação enzimática das plantas, respiração, proteólise, além do consumo de carboidratos por microorganismos que produzem fermentações secundarias (MCDONALD et al., 1991). 4 Por outro lado Collao Saens (2005) relata que partículas de tamanho muito elevado diminuem o consumo de alimento pelos animais. Valores descritos na literatura considerados ideais sobre a densidade de silagem de gramíneas é descrita por RUPPEL et al. (1995) sendo valores superiores a 550 kg/m3e inferiores a 850 kg/m3de MV. Entretanto Holmes e Muck (1999) encontraram valores satisfatórios para silagem de milho de 225 kg/m3de MS. Amaral et al. (2008), avaliando 4 quatro diferentes pressões de compactação em capim-Marandú não verificaram diferenças para produção de efluente. Segundo McDonald et al. (1991), quando as gramíneas são ensiladas, e o tamanho de corte das partículas forem menores que 20-30 mm pode-se ter uma melhor disponibilidade de carboidratos solúveis, este fato pode estimular o desenvolvimento das bactérias (bactérias láticas) para que ocorra uma boa fermentação. No entanto em nível de campo uma correta compactação é difícil de ser verificada, sendo devida a falta de informação por meio dos produtores e também pela dificuldade de ser realizada. O volume de efluente produzido em um silo é influenciado por vários fatores, destacando-se o teor de MS, tamanho de partícula, processamento, tipo de silo e compactação (JOBIM et al., 2007). Entretanto quando o material possui alta umidade e for compactado excessivamente poderá ocorrer uma grande quantidade de produção de efluente, fator este que ocasiona perdas qualitativas e quantitativas diminuindo principalmente os teores de carboidratos solúveis fundamentais para que ocorra uma boa fermentação (JOBIM et al., 2007). Para avaliações de silagens os métodos mais empregados são pela avaliação qualitativa de silagens através dos ácidos orgânicos (láctico, acético, propiônico, butírico), o pH e o nitrogênio amoniacal (ZAPOLLATO, 2009). É com base nestes parâmetros que ocorrem às principais transformações que possivelmente tenham ocorrido no processo de fermentação (MCDONALD et al., 1991). Em silagens consideradas de boa qualidade, o ácido láctico é predominante, e em geral, deve ser maior que a soma de todos os outros ácidos presentes, com uma relação ácido láctico/ácido acético maior que 3. O ácido butírico deverá ter baixa participação ou até mesmo ser inexistente, condição que dificilmente ocorre (MCDONALD et al., 1991). Entretanto, pode-se obter por meio de uma inspeção cuidadosa da silagem, através da cor, cheiro e textura - avaliações sensitivas PUPO (1981) - uma indicação prática de alguns 5 tipos comuns de fermentação, sendo os parâmetros físicos indicadores de silagem de boa qualidade, tais como coloração verde amarelada, odor agradável (frutas) e possuindo sabor azedo (ácido láctico). A digestibilidade pode ser uma maneira para avaliação, pois possui uma correlação com o consumo de alimentos, obtendo uma melhor resposta produtiva dos animais em função do consumo, digestibilidade e do metabolismo dos nutrientes (CABRAL et al., 2006). 2.4 Gramíneas Tropicais As gramíneas tropicais, devido à via C4 de fixação de carbono, caracterizam-se por apresentarem elevadas taxas fotossintéticas e, também, produtividade de matéria seca muito superior à das forrageiras de clima temperado do tipo C3 (TAIZ e ZEIGER, 2007). Outro fator preponderante é a taxa de acúmulo da ordem de 150 a 200 kg/ha/dia de MS no verão pode ser atingida tal como acontece nos capins Tanzânia e Mombaça, cultivares de Panicum maximum (SANTOS, 1997). Outras gramíneas, como o Tifton 85, apresentam elevado potencial de produção. Alves et al. (2001) estimaram para essa forrageira a produção de 24,2 t/ha/ano de MS, quando adubada com 400 kg/ha/ano de nitrogênio. Carneiro et al. (2001), avaliando acessos de Brachiaria brizantha, no Acre, verificaram para essa gramínea potencial de produção de 15.000 kg/ha/ano de MS. Segundo Gonçalves et al. (2003) a baixa produção e a redução na qualidade da forragem, apresentadas pelas espécies tropicais, durante a época seca do ano, acarreta baixos índices de produtividade tanto de leite quanto de carne. Este fato leva à necessidade de se armazenarem forragens de alto valor nutricional para alimentar os animais nesta época do ano. Nesse sentido, procura-se por forragens que apresentem altas produções de matéria seca, com boa relação lâmina/colmo e alto valor nutritivo, a fim de atender as demandas de produção, sendo considerado um alimento de alto valor nutritivo, quando comparadas a espécies que possuem grande participação da fração colmo em sua composição (BALSALOBRE et al., 2001). As gramíneas tropicais quando já estabelecidas em uma determinada área são de fácil manejo e seus tratos culturais e seu atendimento de exigências em calagem e adubação podem propiciar alta produtividade e serem conservadas na forma de silagem (COELHO et al., 2003). 6 Contudo devemos resaltar a grande importância do fator maturidade das gramíneas tropicais da planta com consequente diminuição de seu valor nutritivo, fator este comum nestas plantas e pode ser minimizado com a utilização da ensilagem destas plantas quando se encontram com elevado valor nutritivo ( RIBEIRO, 2008). 2.5 Sazonalidade Nos ambientes tropicais, as plantas forrageiras possuem diferentes produções de matéria seca durante as estações do ano, diminuição significativa no período do inverno e/ou estiagem, ocasionando uma escassez de alimento para os animais devido estas alterações climáticas, refletindo em baixo desempenho produtivo em animais mantidos em pastagens durante determinada época do ano (PEREIRA, 2006). As gramíneas tropicais possuem uma alta produção de forragem (EVANGELISTA et al., 2009), com uma qualidade variando de média a alta, porém essa produção e qualidade se concentram principalmente no verão ou período das águas (NUSSIO, 2002) gerando muitas vezes um excedente de produção que pode ser armazenado na forma de feno ou silagem, a um baixo custo, reduzindo assim os problemas da falta de alimento no período seco (EVANGELISTA et al., 2009). A conservação de alimento na forma de silagem é considerada um processo para manter o alimento conservado, possibilitando a manutenção da qualidade e quantidade do alimento volumoso e a lotação das propriedades pecuárias, com os animais na condição corporal adequada (ANDRIGUETTO et al., 1981). Mesmo em gramíneas que possuem alto potencial de produção de matéria seca, fatores climáticos fazem com que a distribuição seja irregular, podendo resultar em substanciais perdas por excesso no período de chuvas ou déficit no período seco do ano. Resultados na literatura como os apresentados por Botrel et al. (1987), ao determinarem as taxas de crescimento de diversas gramíneas, observaram haver significativa diferença entre os períodos chuvosos e secos. Da mesma maneira, Alvim et al. (1998) na Zona da Mata de Minas Gerais, Alvim et al. (1999) e Alvim et al. (2000) registraram, em condições de corte, na época da seca, produção de matéria seca pelas gramíneas Coast-cross, Tifton 85 e Tifton 68, muito inferiores que na época das chuvas. Segundo Pedreira e Mattos (1981), ao estudarem o comportamento de 25 plantas forrageiras, durante o período de dois anos, concluíram que a média de produção destas plantas no período seco foi de 13.2% comparando a produção obtida no período das águas. 7 Alvim et al. (1997), ao analisarem a produção de vacas leiteiras alimentadas com pastagens de Coast-cross, não verificaram diferença de produção por animal entre os períodos do ano (seca e chuva), porém ao observarem uma produção mais reduzida da pastagem no período da seca ocasionando redução na taxa de lotação, verificaram como consequência, uma menor produção de leite/ha nessa época do ano. Quando esses animais passaram a ser suplementados com 3,0 kg de concentrado/vaca, a produção de leite por área no período chuvoso foi o dobro do obtido no período seco e, quando suplementados com 6,0 kg de concentrado, a produção de leite foi 80% superior no período chuvoso. Resultados muito semelhantes, demonstrando o efeito negativo da menor produção de forragem de pastagem na Coast-cross e de capim-Angola durante a época da seca sobre a produção de leite, são descritos por Alvim et al. (1992), Alvim et al. (1999 b ) e Alvim et al. (2001). No entanto Bernardes et al. (2003), estudando a produção de efluente em silagens de capim-marandu produzidas com compactação de 900 kg.m -3 e inclusão de 0, 5 e 10% de polpa cítrica peletizada, observaram que o escoamento de líquido (109, 71 e 17 L.t -1 de silagem, respectivamente) observando grande quantidade de efluente quando ensilada esta graminea sem o uso de aditivo. Desta forma a utilização de aditivos que forneçam substratos fermentescíveis e tenham capacidade de absorção da umidade, como a polpa cítrica sãouma alternativa para a ensilagem de gramíneas (RIBEIRO, 2008). Assim Bergamaschine et al. (2006) ao ensilarem o capim Marandu com 24% de MS, verificaram que a inclusão de PCP ou o emurchecimento elevaram os teor de MS e reduziram a proteólise. 2.6 Características da Brachiaria brizantha cv. Marandú A Brachiaria brizantha cv. Marandú, também chamada de braquiarão e brizantão, é um cultivar lançado no Brasil em 1984 pela Embrapa Gado de Corte e Embrapa Cerrados e, segundo Macedo (2006), essa planta responde por cerca de 80% das pastagens dos estados da região norte e por cerca de 50% das pastagens cultivadas no Brasil. É uma planta perene, cespitosa, com colmos iniciais prostrados, mas produzindo perfilho predominantemente ereto, possuindo rizoma, formando touceiras que podem chegar até 1,2 metros de altura, apresentando uma produção de até 18 t/ha/ano de MS. Assim é muito utilizada para pastejo, pois é considerada resistente à seca (SEIFFERT, 1980). 8 As plantas do gênero Brachiaria tiveram um papel importante no Brasil, permitindo o desenvolvimento da pecuária em áreas de baixa fertilidade, assim são consideradas a base das pastagens cultivadas Brasil, porem essa gramínea é considerada pouco tolerante a baixas temperaturas. Segundo Soares Filho (1994) esta planta se adapta em condições de até 3.000 m de altitude, e com preciptação média de 700 mm com até 5 meses de secos no período do inverno, sendo assim recomendada para ser plantada em áreas de média a boa fertilidade, sendo tolerante a uma acidez. Temperatura considerada ótima para seu desenvolvimento está entre 30 e 35 graus Celsius, sendo a mínima para seu crescimento de 15 graus, é considerada tolerante a geada, porem possui baixa tolerância ao sombreamento preferindo sol pleno (GHISI e PEDREIRA, 1987). A Brachiaria brizantha cv. marandu apresenta elevada produção de materia seca sendo muito utilizada na alimentação de ruminantes ( SOARES FILHO, 1994). Esta planta apesar de adptar-se a condições adversas, responde bem a adubações podendo apresentar elevadas produções chegando a 36 toneladas de matéria seca, segundo (GHISI e PEDREIRA, 1987). Entretanto, no momento do corte, esta gramínea como as demais plantas forrageiras apresenta baixos teores de CHO e MS (RIBEIRO, 2008). Fator este que pode acondicionar perdas de matéria seca no momento da ensilagem desta planta. 2.7 Características do Cynodon nlenfuensis cv. estrela de Porto Rico As plantas do gênero Cynodon ou também chamados pelos nomes comuns de “capimbermuda”, “grama-bermuda”, “capim-estrela” e “grama-estrela” compreendem um amplo grupo de genótipos do gênero Cynodom (TALIAFERRO et al., 2004). Harlan (1970) descreveu duas variedades de grama-estrela, a variedade Robustus, caracterizada por plantas robustas, racemos longos e delgados e a variedade Nlenfuensis que tendem a serem delgadas, menos robustas, com racemos mais curtos e geralmente mais adaptados a temperaturas mais altas e ao estresse hídrico do que a variedade Robustus. O principal centro de origem e distribuição das gramas-estrela parece corresponder à faixa tropical do leste da África, principalmente Quênia, Tanzânia e Uganda e Angola, na África Ocidental (PEDREIRA, 2010). 9 As gramas-estrela ocorrem em regiões cuja latitude varia de 15ºN a 15ºS e a altitudes até 2.300 m. Adaptam-se melhor á regiões com precipitação anual superior a 800 mm e com temperaturas que não sejam inferiores a -6oC (MISLEVY et al., 1989 citados por SOLLENBERGER, 2008). Toleram períodos curtos (3 a 5 dias) de alagamento com lâmina de água de 2 a 5 cm (MISLEVY, 2006). Possuem boa tolerância à seca e são pouco tolerantes ao sombreamento. Informações obtidas na literatura indicam que as gramas-estrela preferem solos úmidos, desde que não encharcados e férteis (MISLEVY, 2006). No entanto, no estado do Acre, a grama-estrela roxa é cultivada em pastagens com solos mal drenados, sujeitos ao encharcamento, nos quais apresentaram excelente adaptação (ANDRADE et al., 2009). A grama-estrela se destaca nos sistemas de produção pecuários devido ao fácil estabelecimento, elevado potencial de produção de biomassa e alta aceitabilidade. A elevada produtividade e persistência da grama-estrela estão relacionadas a solos devidamente adubados ou de alta fertilidade natural (ANDRADE et al., 2009). A produção anual de matéria seca varia próximo de 5.000 kg/ha em sistemas pouco tecnificados e de 10.000 a 15.000 kg/ha em sistemas mais tecnificados, chegando a 25.000 kg/ha em sistemas intensivos que utilizam irrigação e altas dosagens de adubação nitrogenada (COOK et al., 2005). A grama-bermuda e a grama-estrela estão entre as mais importantes gramíneas forrageiras do grupo C4 usadas em pastagens e na produção de feno em regiões tropicais e subtropicais (ANDRADE et al., 2009). As gramíneas do gênero Cynodon se reproduzem tanto por mudas ou estolões (propagação assexuada) como por sementes (propagação sexuada) (TALIAFERRO et al., 2004). Entretanto, embora haja produção de sementes viáveis nas gramas-estrela, a quantidade produzida é geralmente muito baixa, inviabilizando essa forma de propagação. A grama-estrela deve ser plantada com uso de estolões maduros, colhidos de plantas com 10 a 14 semanas (70 a 100 dias) de rebrotação (MISLEVY, 2006). Verifica-se que o uso de intervalos entre desfolha superiores há 30 dias reduz de forma acentuada o teor proteico da grama-estrela, com implicações importantes para o manejo dessa gramínea em sistemas de pastejo rotacionado. Isso se deve, principalmente, à redução da proporção de folhas e aumento de colmos que ocorre com a maturidade das gramíneas, já que as folhas apresentam maior valor nutritivo do que os colmos (ANDRADE et al., 2009). As gramíneas do gênero Cynodon segundo Herrera, (1996) assim como a mandioca e o sorgo podem ter potencial cianogênico, ou seja, acumulam glicosídeos cianogênico em seus 10 tecidos, o que pode resultar na formação de ácido cianídrico (HCN) quando as folhas são trituradas ou mastigadas pelos animais. De acordo com Mislevy (2006), apesar de teores relativamente altos de ácido cianídrico em gramíneas do gênero Cynodon, são pequenas as chances de haver intoxicação de ruminantes por essas gramíneas. 2.8 Características Peculiares Para que se tenha uma silagem de boa qualidade é necessário que ocorra uma boa fermentação, este fato depende do teor de carboidratos solúveis, umidade e capacidade tampão. Gramíneas tropicais apresentam baixos teores de carboidratos solúveis e alto teor de umidade. Portanto, para que se obtenham silagens de boa qualidade reduzindo perdas de matéria seca, isso pode ser realizado através da adição de açúcares e aditivos, e assim, promovendo o aumento no teor de matéria seca, acelerando a fermentação inicial para que o pH apresente declínio mais acelerado (BALSALOBORE et al., 2001). A capacidade tampão (CT) em plantas forrageiras é definida como a resistência que a massa de forragem apresenta ao abaixamento do pH ( JOBIM et al., 2007). O conhecimento da CT da forragem a ser ensilada é importante, pois fornece informações em relação à velocidade de queda do pH. Segundo Cherney e Cherney (2003) citados por Jobim et al. (2007) quando a planta apresenta alta CT, a velocidade de queda do pH é lenta e em consequência, as perdas na ensilagem são maiores, reduzindo a qualidade da silagem. Sollenberger et al. (2004) reportaram que a principal limitação de se conservar gramíneas tropicais é decorrente dos baixos teores de carboidratos solúveis, os quais poderiam limitar a ação de bactérias benéficas a fermentação, independentemente da população epifítica da forragem. Nas plantas forrageiras fresca, cerca de 75 a 90% do nitrogênio total está presente na forma de proteína formada por aminoácidos, peptídeos, amidas, nucleotídeos e clorofila. Na ensilagem ocorre uma proteólise, com 40 a 60% do nitrogênio sendo solubilizado em compostos não proteicos. O tempo de ocorrência da proteólise diminui com o aumento da MS da silagem e com a redução do pH. A diminuição rápida do pH é um dos fatores mais importantes quando são ensiladas plantas com altos teores de proteína, como a alfafa, pois a atividade das enzimas proteolíticas é inibida quando o pH reduz de 4,5 a 4,0 (MCDONALD et al., 1991). 11 Quando ensilamos plantas com altos níveis de MS, pode ocorrer um aumento da temperatura. Nestas condições de umidade e temperatura elevada, acima de 55°C, há ocorrência de reações não enzimáticas entre os carboidratos solúveis e grupos aminas dos aminoácidos, resultando em compostos denominados produtos da reação de Maillard (VAN SOEST, 1994). 2.9 Conteudo de Matéria Seca de Gramíneas Tropicais O conteúdo de MS da planta é considerado um dos principais fatores responsáveis pela qualidade final da silagem. Este determina as alterações que podem ocorrer durante o processo de fermentação da forragem. Um dos principais problemas encontrados com ensilagem de gramíneas tropicais é o ponto de ensilagem, pois existe uma disparidade entre qualidade, encontrada em estágios mais jovens, de menor conteúdo de matéria seca e quantidade, que ocorre em estágios mais avançados e de menor valor nutritivo. Desta forma técnicas de ensilagem com materiais com alto valor nutritivo e MS permitem ensilar plantas com umidade inadequada obtendo assim uma silagem de boa qualidade (EVANGELISTA et al., 2009). A confecção de silagens de gramíneas tropicais sem o devido conhecimento deste momento adequado acarreta em perdas por fermentações secundárias que podem favorecer o crescimento de bactérias do gênero Clostridium que são indesejáveis para uma boa fermentação (NUSSIO et al., 2002). Quando ensiladas gramíneas com alto teor de umidade, uma grande quantidade de efluente pode ser gerada e assim carrear e alguns compostos orgânicos como açúcares, ácidos, proteína e minerais (NUSSIO et al., 2002). Outras substâncias provenientes da degradação de aminoácidos (cadaverina, pudestrina, histamina e demais aminas biogênicas) e amônia também afetam negativamente a qualidade da silagem, pois são decorrentes de fermentações secundárias que diminuem o valor nutricional da silagem (NUSSIO et al., 2002). Com relação a perdas ocorridas por efluentes, Corrêa e Pott (2001) demonstraram haver uma relação direta entre o conteúdo de matéria seca do material, a produção de efluentes e perda de matéria seca da silagem. Por outro lado, Nussio et al. (2002) acreditaram que, além do teor de matéria seca da forragem, a intensidade de compactação está correlacionada com as perdas por efluente. Desta forma Loures et al. (2005), que verificou que a silagem de capim-elefante com alto teor de 12 umidade (13% MS) apresentou maior perda de efluentes com a elevação na pressão de compactação. Como o efluente é rico em compostos solúveis (N solúvel, açúcar, produtos da fermentação e minerais), sua perda pode resultar em desproporcional perda de nutrientes digestíveis, bem como causar danos para o meio ambiente (MUCK e SHINNERS, 2001). A fermentação secundarias causada por bactérias do gênero Clostridium sp, resulta em perda de matéria seca, bem como na produção de silagem menos aceitáveis (MCDONALD, 1981). Em alguns casos mais severos, a silagem com fermentação causada por Clostridium sp. poderá causar doenças (MCDONALD, 1981). Uma forma de prevenir este tipo de fermentação é promover rápida queda do pH da silagem para inibir o crescimento de microrganismos do gênero Clostridium. Segundo Muck e Shinners (2001), o pH para interromper o crescimento desses microrganismos varia com o tipo de forrageira e seu conteúdo de matéria seca. Segundo Woolford (1984), quando se possui uma alta quantidade de carboidratos, proporcionam-se melhores condições para bactérias homofermentativas, assim há uma maior produção de ácido lático, permitindo uma melhor conservação da forragem em meio ácido. A silagem com níveis de matéria seca igual ou superior a 35% diminui e evita fermentações indesejáveis, bem como perdas desse material na forma de deterioração e efluente, além de aumentar o consumo deste alimento pelos animais (LOURES et al., 2005). 2.10 Pré-emurchecimento O pré-emurchecimento nada mais é que a remoção parcial de água da planta, sendo uma opção para proporcionar condições ideais para a forrageira ser ensilada, e assim permitir que o excedente de forragem produzida possa ser armazenado para posterior alimentação dos animais durante o período de escassez de alimentos (PEREIRA e REIS, 2001). Segundo Pedreira (2010) o pré-emurchecimento tem objetivo de reduzir o teor de umidade, que em valores elevados (acima de 70%) provavelmente induzirá a proliferação de bactérias heterofermentativas, as quais promovem fermentações indesejáveis na forragem (fermentações acéticas, butírica e o aparecimento de clostridium spp). Outro ponto importante é que o emurchecimento diminui a eliminação de efluentes, diminuindo as perdas que são geradas pela atividade da água, assim sendo considerada uma técnica de redução de fermentações secundárias (CORREIA e POTT, 2001). 13 Ha ocorrência de diferenças entre características qualitativas em silagens, com ou sem emurchecimento, desta forma a silagem pré-emurchecidas apresentam valores relativamente mais acentuados de pH (>4,5) e, normalmente, com pouca presença de ácido lático e alto teor de carboidratos solúveis, em consequência do aumento da pressão osmótica e/ou redução no poder tampão da massa ensilada, proporcionando eficiente fermentação do material ensilado (VILELA, 1998). Pedreira et al. (2001) avaliaram o efeito do pré-emurchecimento em capim Tifton 85 (Cynodon dactylon) e demonstraram que o mesmo quando exposto ao sol por um período de três ou seis horas, aumentou em 14,2 e 16,9 unidades percentuais o teor de matéria seca, respectivamente. Outras características importantes foram observadas como o fato do préemurchecimento da forrageira não afetar o pH e o teor de proteína bruta, mas reduzir a relação nitrogênio amoniacal do nitrogênio total. Apesar dos altos valores de pH, a proteólise foi considerada baixa, esse fator pode ser explicado, possivelmente, pela redução da atividade dos Clostrídium sp., resultando na preservação da proteína bruta. Rotz e Muck (1994) relataram que a maior parte da perda de água da planta ocorre através da transpiração, realizada através dos estômatos, que cobrem cerca de 1 a 3% da superfície da planta e são responsáveis por 80 a 90% da água que deixa a planta. Segundo Wright et al. (2000) quando a planta fica por um período muito longo em exposição ao sol ou em condições de tempo desfavoráveis, essa desidratação pode reduzir a qualidade nutricional deste alimento. 2.11 Aditivos Microbiológicos Segundo Kung Junior, (2009) os inoculantes tem sido usados para manter ou melhorar o valor nutritivo das forrageiras armazenadas na forma de silagem. O inoculante bacteriano enzimático tem como função aumentar a população de bactérias ácido láticas e pela ação das enzimas promover a ruptura parcial de parede celular melhorando a qualidade de fermentação e consequentemente, melhorar a preservação da qualidade da forragem (REIS et al., 2004). Segundo Kung Jr. e Ranjit (2001), a utilização de aditivos microbiológicos tem como objetivo diminuir ou até mesmo impedir o crescimento de microrganismos aeróbios especialmente aqueles associados com instabilidade aeróbia, (ex. leveduras, Listeria), além dos anaeróbios indesejáveis como clostrídeos e enterobactérias, inibir a atividade de proteases 14 e deaminases, inserindo condições aos microrganismos benéficos para dominar a fermentação. Inoculantes microbianos usados como aditivos incluem bactérias homofermentativas, heterofermentativas, ou a combinação destas. Os microrganismos homofermentativos caracterizam-se pela taxa de fermentação mais rápida, menor proteólise, maior concentração de ácido lático, menores teor de ácido acético e butírico, menor teor de etanol, e maior recuperação de energia e matéria seca (ZAPOLLATO et al., 2009). Bactérias heterofermentativas utilizam ácido lático e glicose como substrato para produção de ácido acético e propiônico, os quais são efetivos no controle de fungos, sob baixo pH (ZAPOLLATO et al., 2009). Os principais fatores de não obter uma silagem de boa qualidade com o uso de aditivos são: competitividade epífita na planta, baixos teores de açúcar, excesso de oxigênio, alta umidade e problemas na aplicação do produto, dentre outros (KUNG JR. et al., 2003). A maior parte das enzimas utilizadas como aditivos em silagens são co-produtos microbianos com alguma atividade enzimática. O princípio de utilização de enzimas é o de estimular a quebra de carboidratos complexos (amidos, celulose e hemicelulose) em açúcares simples que seriam prontamente fermentados pelas bactérias ácido láticas (VILELA, 1998). Segundo Ribeiro et al. (2009), a combinação de bactérias heterofermentativas e homofermentativas favorece a redução dos valores de pH, nitrogênio amoniacal e as perdas fermentativas em silagens tratadas. A adoção de técnicas que reduzam a atividade de água (pré-emurchecimento), bem como o uso de aditivos que promovam a elevação de MS e no teor de açúcares na massa ensilada, geralmente, reduzem as perdas resultantes de fermentações indesejáveis. Materiais (grãos de cereais, polpa cítrica etc.) podem ser utilizados para elevar a concentração de açúcares solúveis e o teor de matéria seca (BALSALOBRE, 2001). Segundo Lima et al. (2001), a utilização de até 15% de aditivos (sacharina ou fubá) na silagem de capim Coast-cross (Cynodon dactylon) com sete e nove semanas de rebrota não proporcionaram efeitos benéficos nas características da fermentação ou comprometeu-as. Evangelista et al. (2001), observou que silagens com alto teor de MS (38%) apresentaram dificuldade de serem compactadas durante a ensilagem. Porém, quando o capim Coast-cross foi ensilado com cinco semanas de rebrota, verificou-se melhora nas características fermentativas pela adição de aditivos (LIMA 2000, EVANGELISTA, 2000) com 24 % de matéria seca. 15 No entanto Manno et al. (2002), ao ensilarem Cynodon dactylon não observaram efeitos da utilização de aditivos microbianos sobre o pH e a digestibilidade "in vitro" da matéria seca. Ao avaliar a adição de substratos fermentescíveis e adição de inoculante bacteriano a silagem de Panicum maximum cv. Tanzânia (IGARASI, 2002) observou que a adição de polpa cítrica ocasionou um aumento da matéria seca e proporcionou uma maior densidade energética à silagem. Costa et al. (2001), ao realizarem uma revisão de literatura da utilização de aditivos microbiológicos na ensilagem de gramíneas tropicais, concluíram que os resultados científicos são inconsistentes, e baixo numero de trabalhos com essas plantas forrageiras. Os efeitos de aditivos microbianos durante a ensilagem ainda podem ser considerado modesto, e os resultados são, em geral, insuficientes, para o estabelecimento de posições conclusivas sobre o assunto (ZAPOLLATO, 2009). 2.12 Polpa Cítrica No Brasil tem aumentando o número de agroindústrias gerando uma grande quantidade de co-produtos que poderiam ser usado como aditivos em silagens de gramíneas tropicais, reduzindo assim os custos com alimentação dos animais e diminuindo, possivelmente, a poluição ambiental com o não adequado destino desses resíduos (EVANGELISTA, 2009). A polpa cítrica peletizada é um co-produto da indústria de processamento do suco de laranja que passa pelo processo de perda de umidade e peletização, sendo assim um coproduto que é comercializado e utilizado mundialmente na alimentação de ruminantes (MENEZES Jr. 2000). Este co-produto é caracterizado por proporcionar um aumento do teor de MS da forragem apresentando capacidade de elevar o seu peso em 145 % quando em contato com forrageiras úmidas e apresenta conteúdos de carboidratos totais entre 11 e 43,1 % (LOPEZ, 1990). A polpa cítrica peletizada (PC) é rica em pectina, um carboidrato altamente degradável no rúmen, que em comparação ao amido, promove um padrão de fermentação ruminal com maior relação acetato/propionato e reduzida produção de ácido lático. Portanto, o fornecimento de (PC) que possui fibra de elevada digestibilidade, provavelmente ocasionou a maior digestibilidade desse nutriente nas dietas mistas (MENEZES Jr. 2000). 16 A polpa cítrica peletizada (PCP) possui ótima qualidade nutricional e sua disponibilidade coincide com a entressafra do milho, estimulando sua utilização na alimentação animal (BRUNO FILHO, 2000). Segundo Nussio et al. (2002), a polpa cítrica peletizada possui entre 85-90% do valor energético do milho. Além de possuir uma fração fibrosa de alta digestibilidade e reduzido teor de lignina (1%), possibilitando ampla digestão da celulose e da hemicelulose. (MONTEIRO, 1998). A variedade da laranja, os métodos de processamento utilizados, as condições e o tempo de armazenagem são os principais fatores responsáveis pelas variações observadas nas características químicas e físicas, no valor nutricional, na aceitabilidade e na qualidade microbiológica da polpa cítrica (MEJÍA e FERREIRA, 2000). A polpa cítrica passa por vários processos, como adição de óxido ou hidróxido de cálcio, que além de produzir a secagem dos resíduos cítricos frescos (casca, polpa, bagaço e semente), neutraliza os ácidos orgânicos contidos na fruta até obter um pH próximo a 6,9. (MEJÍA e FERREIRA, 2000). As etapas seguintes consistem basicamente de uma mistura de processos que incluem a desidratação mecânica, secagem a temperaturas entre 100 e 160ºC, moagem, peneiramento e, finalmente, sua apresentação sob a forma farelada ou peletizada. O produto obtido contém entre 7 e 11% de umidade (MEJÍA e FERREIRA, 2000). O uso de polpa cítrica resulta em menor risco de acidose do que os alimentos com alto teor de amido, que induzem o animal a acidose porque favorecem a produção de ácido propiônico no rúmen (SCHALCH, 2001). Assim a utilização de polpa cítrica na ensilagem de gramíneas tropicais pode ser uma alternativa para melhorar os padrões de fermentação das silagens, sendo útil aos pecuaristas como fonte de alimento barata para oferecer aos animais. 2.13 Estabilidade A estabilidade aeróbia da silagem pode ser conceituada como a resistência da massa de forragem a deterioração após a abertura do silo, ou seja, a velocidade com que a massa deteriora após exposta ao ar, sendo a elevação em 2 oC na temperatura da silagem exposta ao ar, em relação ao ambiente, como medida de rompimento da estabilidade aeróbia (O´KIELY, 1999). 17 A estabilidade da silagem é determinada pela oxidação de substrato que ocorre após a abertura do silo, assim atividade dos microrganismos que decompõem a silagem será mais intensa, quanto melhor for a qualidade da silagem, em função dos maiores teores de carboidratos solúveis e de ácido lático residuais. Os principais substratos utilizados são os ácidos, o etanol e os açúcares solúveis, resultando em aumento do pH e redução na digestibilidade e no conteúdo de energia (JOBIM, 2007). As pesquisas sobre deterioração de silagens durante a utilização evidenciam que a temperatura, a concentração de carboidratos solúveis, a população de fungos e leveduras e a concentração de ácidos orgânicos em interação com o pH são os parâmetros que mais afetam a estabilidade das silagens durante a fase de utilização (JOBIM, 2007). Quando se observa um aumento do pH após a abertura do silo, queda no teor de carboidratos solúveis e baixa concentração de ácido lático são os principais indicadores da deterioração aeróbia. Mas em condições de campo, a deterioração da silagem pode ser facilmente identificada pela elevação da temperatura no painel do silo(JOBIM, 2007). Durante a utilização da silagem, é inevitável a exposição do painel do silo ao oxigênio, com consequente crescimento de microrganismos aeróbios e perda de componentes nutritivos da silagem. A preocupação com estas perdas na fase de utilização da silagem levou pesquisadores de diferentes partes do mundo a concentrarem pesquisas com esse enfoque (JOBIM, 2007). 18 CAPÍTULO I INCLUSÃO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO Brachiaria brizantha cv. Marandú PRÉ-SECADO 19 RESUMO Este trabalho foi conduzido no Campo Experimental do Centro Nacional em Pesquisa em Gado de Leite (CNPGL) no município de Coronel Pacheco, localizada na Zona da Mata-MG. Objetivou-se avaliar o efeito da adição de polpa cítrica (PC) e de inoculante bacteriano enzimático comercial SIL–ALL C4 sobre as características fermentativas, nutritivas e perda de matéria seca das silagens da gramínea Brachiaria brizantha cv. Marandú pré-secada. Foram realizados os seguintes tratamentos: Silagem da gramínea pré-secada com inoculante e sem adição de polpa cítrica (CISP); com inoculante e com adição de polpa cítrica (CICP); sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (SISP); sem inoculante e com adição de polpa cítrica (SICP). Também foi analisada a gramínea antes de ser ensilada. A PC foi adicionada na base 8% do peso da matéria original da gramínea e o inoculante enzimático bacteriano foi aplicado na dosagem de 5 g/t de forragem seguindo as doses recomendadas pelo fabricante. O Delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado com cinco repetições, e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman-Keus a 5% de probabilidade. Durante o período de julho de 2009 a setembro de 2009, foram determinados os teores de matéria seca, proteína bruta, Fibra em detergente neutro, fibra em detergente acido, celulose, hemicelulose e lignina, as frações de nitrogênio e carboidratos, poder tampão, teor de carboidratos solúveis, pH, nitrogênio amoniacal e a degradabilidade ruminal in situ. Os silos experimentais foram confeccionados com tubos de PVC com diâmetro de 4 polegadas e 50 cm de altura, providos de uma válvula tipo Bunsen. Depois de realizado o corte da gramínea aos 42 dias de crescimento vegetativo, a gramínea foi pré-emurchecida durante um período de 6 horas. A abertura dos silos ocorreu 60 dias após a ensilagem. Observou-se melhora (P<0,05) no pH com o tratamento C.IC.P e melhores teores para PB e menores perdas na forma de gases e efluentes. Obtiveram-se menores teores (P<0,05) de lignina e melhor estabilidade da silagem com adição do aditivo bacteriano-enzimático. Não se verificou diferença quando não foi usado nenhum aditivo para as variáveis EE, FDA, Celulose, N-FDN, N-FDA, N-NH3. A adição de polpa cítrica aumentou (P<0,05) os teores de MS, diminuição do FDN e melhorou os parâmetros de fermentação das silagens. Palavras-chave: Inoculantes, degradabilidade in situ, Polpa cítrica. 20 ABSTRACT This study was conducted in the Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Leite (CNPGL) Experimental Station in Coronel Pacheco, localized in Zona da Mata-MG. The main objective was to evaluate the effect of addition of the citrus pulp (PC) and commercial enzymaticbacterial inoculant SI-ALL C4 of the Alltech on the fermentation and nutritious characteristics and the dry matter damages of grass silages wilted, of the Brachiaria brizantha cv. Marandú. The following treatments were evaluated: grass silages wilted with inoculant and without citrus pulp (CISP), with inoculant and citrus pulp (CICP), without inoculant and without citrus pulp (SISP), without inoculant and with addition of citrus pulp (SICP). Grass were evaluated too, before had been silaged. The citrus pulp was added at the base of 8% by weight of the original material of the grass and the enzymatic-bacterial inoculant was applied at a dose of 5g/ton of forage following the manufacturer's recommended doses. The experimental design was completely randomized with five replications and the average was comparison with Student-Newman-Keus of 5% probability. This study was conducted from January to December of 2009. Were evaluated dry matter (DM) content, crude protein (CP), neutral detergent fiber (NDF), acid detergent fiber (ADF), cellulose, hemicelluloses and lignin, fractions of nitrogen and carbohydrates, buffer capacity, soluble carbohydrates, fermentation characteristics (pH, ammonia N), and “in situ” dry matter digestibility. The experimental silos were making of PVC with diameter of 4 inches and 50 cm high fitted with a Bunsen-type valve. After the grass cut was realized, at 42 of vegetative growth, the grass was wilted during a period of 6 hours of sun exposure. Silos opening occurred 60 days after ensiling. Obtained smaller value (P<0,05) the lignin and bether stability aerobic of silage with addition enzymatic additive. It was not ob obtained difference (P<0,05) whem was not used the any additive for the varied EE, ADF, cellulose, N-FDN, N-FDA, ammonia N. The addition of citrus pulp improve (P<0,05) the dry matter (DM), decrease of (ADF) and improve the fermentation of silage parameter. The addition of citrus pulp and enzymaticbacterial inoculant provided better levels (P<0,05) for PB, pH and provided smaller losses in the form of gases and effluents. Obtained a lower lignin and improved stability of silage with the use of enzymatic-bacterial inoculant. There was no difference when it was not used any additive for the variables EE, ADF, cellulose, N-FDN, N-FDA, ammonia N. The addition of citrus pulp increased (P<0,05) the dry matter (DM), reduced ADF and improved the fermentation characteristics of silages. Keywords: Inoculante, degradability in situ, citrus pulp. 21 1. INTRODUÇÃO O Brasil ocupa lugar de destaque na área pecuária, principalmente na produção de leite e carne de bovinos. Possui um sistema de criação baseado em sistemas a pasto, apresentando menor custo, quando comparados com os sistemas de confinamentos adotados por países de clima temperado. No entanto, por ser um país de clima tropical, é diretamente afetado pelas intempéries climáticas que acometem nas diferentes estações do ano. Fato este de suma importância, pois possui a necessidade de manter a oferta de alimento constante durante todo ano, requerendo assim a utilização de tecnologias como a conservação de forragens por meio da ensilagem, a fim de garantir a oferta nos meses de menor precipitação e luminosidade. A Brachiaria brizantha cv. Marandú também chamada de braquiarão e brizantão é uma planta perene, cespitosa, lançada no Brasil em 1984 pela Embrapa Gado de Corte (PEDREIRA, 2010). E segundo Macedo (2006) essa planta responde por cerca de 80% das pastagens dos estados da região norte e por cerca de 50% das pastagens cultivadas no Brasil. A braquiária como as gramíneas tropicais quando utilizadas para ensilagem, possuem elevado teor de umidade, são pobres em carboidratos solúveis e apresentam alto poder tampão quando ensilados (NUSSIO, 2001), ou seja, possui características indesejáveis para o processo de conservação. A quantidade de carboidratos solúveis prontamente disponíveis para o desenvolvimento das bactérias desejáveis, principalmente as láticas, promovem uma rápida formação de acido lático e consequente diminuição rápida do pH, o que inibe a atividade proteolítica das enzimas vegetais e do desenvolvimento das bactérias indesejáveis (MUCK, 1988). Porém quando a braquiária se encontra no ponto ideal de ser ensilada, apresenta uma alta umidade, tornando o ambiente propicio para desenvolvimento de microorganismos que ocasionam em perdas de matéria seca através da produção de fermentações secundarias. Uma alternativa para melhorar ou diminuir as perdas é a adição de aditivos na ensilagem com alto conteúdo de matéria seca ou através do pré-emurchecimento da forrageira antes de ser ensilada. A polpa cítrica peletizada é um co-produto da indústria de suco de laranja, utilizada em grande escala na alimentação de ruminantes e por possuir uma um alto teor de MS pode ser uma alternativa para ser adicionada a gramínea no momento da ensilagem. 22 Além do Co-produto, a utilização de aditivos bacteriano-enzimáticos aumentam a população de bactérias produtoras de ácido lático melhorando a qualidade de fermentação e consequentemente, preservação da qualidade da forragem (REIS, 2004). Já o pré-emurchecimento pode ser uma alternativa para diminuir a umidade da planta forrageira em exposição ao sol por um curto período de tempo. Neste sentido objetivou-se avaliar a combinação da adição de polpa cítrica mais inoculante enzimático bacteriano na braquiária pré-emurchecida da Brachiaria brizantha cv. Marandú. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Localização e Clima O experimento foi conduzido numa área de pastagem de Brachiaria brizantha, durante o período de julho 2009 a setembro de 2009, no Campo Experimental de Coronel Pacheco, pertencente a Embrapa Gado de Leite, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais. O Município de Coronel Pacheco é situado a uma latitude sul de 21° 33' 22" e 43° 06' 15" de longitude oeste, com altitude de 426 metros. A precipitação pluviométrica anual, média de 30 anos, é de 1.600 mm, com cerca de 90% desse total ocorrendo de outubro a abril. O clima da região é do tipo Cwa (mesotérmico) segundo Köppen é definido como clima temperado chuvoso no verão e com inverno seco entre junho e setembro (Embrapa, 1980), em um Neossolo Flúlvico Distrófico (Embrapa, 1999). 2.2 Condução do Experimento A gramínea Brachiaria brizantha foi rebaixada em junho de 2009 com um corte de padronização rente ao solo, em seguida foi realizada uma adubação com aplicação de 250 kg da fórmula 20-05-20. Para promover o emurchecimento da gramínea a mesma foi cortada aos 42 dias de rebrota, e depois foi distribuída sobre uma área cimentada, permanecendo por seis horas, após esse período, foi processada por uma picadeira do tipo forrageira estacionaria. Após o capim pré-secado ter sido picado, este foi dividido em duas porções, em uma foi retirada a amostra para analises químicas e outra aplicada o inoculante comercial e/ou aditivo enzimático bacteriano SIL–ALL C4 da Alltech, que apresenta como garantia Streptococcus faecium, Lactobacillus plantarum e Lactobacillus salivarius na proporção de 10 23 bilhões de UFC/g de cada espécie e enzimas hemicelulases e celulases a 5%. O aditivo foi aplicado com pulverizador costal, na dosagem de 5 g/t de forragem (dissolvido em 1 litro de água mineral) seguindo recomendações do fabricante. Os silos experimentais foram confeccionados a partir de ductos de eletroducto com 4” de diâmetro e 50 cm de comprimento. No fundo de cada silo foi condicionada uma bolsa confeccionada com TNT 100 contendo areia seca, com peso conhecido, com objetivo de adsorver o efluente produzido. Na outra extremidade, a tampa, foi provida de uma válvula tipo Bunsen. A polpa cítrica utilizada foi adicionada e distribuída em camadas simulando a prática de campo, sendo a quantidade empregada de 8 % do peso da forrageira ensilada (matéria original). O material ao ser ensilado foi compactado manualmente, com auxilio de uma barra de ferro, para uniformizar a compactação dos silos de forma a proporcionar massa especifica semelhante aproximada de 600/ m3 kg de silagem (matéria original). 2.3 Tratamentos Para avaliar o efeito da polpa cítrica e do inoculante bacteriano enzimático no processo de ensilagem realizou-se o enchimento de cinco silos experimentais, para cada um dos seguintes tratamentos: T1)Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P); T2) Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.I.C.P); T3) Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P); T4) Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 2.4 Avaliações Os silos, assim como a forragem acondicionada e as bolsas com areia foram pesadas no momento da confecção da silagem. Após 60 dias, os silos foram abertos e novas pesagens foram realizadas para estimar as perdas por gás e efluente. Amostras da forragem de Brachiaria brizantha e da polpa cítrica foram retiradas antes do momento da ensilagem, bem como da silagem ao abrir os silos. De todas as amostras de silagem, uma sub-amostra foi colocada em uma prensa hidráulica para extração do suco da silagem sobre pressão de 2 toneladas. Com esse suco foram determinado o pH e o nitrogênio amoniacal segundo a técnica descrita por AOAC (1970). 24 As perdas por fermentação foram calculadas pela diferença entre os pesos das massas obtidos ao enchimento e à abertura dos silos, multiplicados pelos respectivos teores de matéria seca. Na tabela 1 estão apresentados os dados de composição bromatológicada matéria seca da forragem pré-secada e da polpa cítrica utilizada para ensilagem. Tabela 1. Composição bromatológica, características de carboidratos solúveis, e capacidade tampão da brachiaria, pré-secada aos 42 dias de crescimento e da polpa cítrica utilizada para confecção dos tratamentos. Parâmetros MS % PB % FDN % FDA % Hemicelulose % Celulose % Lignina % N-FDN % N-FDA % Cinzas % CHO sol mg/g CT (Eq.mg/100g de MS) Brachiaria 23 12,4 66,5 34,8 28,9 5,88 0,75 0,15 11,0 220,86 32,4 Polpa 89,0 8,9 30,9 24,7 6,2 12,0 0,59 0,27 5,8 - – MS – matéria seca, PB- proteína bruta, FDN – Fibra detergente neutro, FDA – Fibra detergente acido, Hcel – Hemicelulose, Cel – celulose, N-FDN- nitrogênio em fibra detergente neutro, N-FDA- nitrogênio em fibra detergente acido, Cin – Cinzas, CHO sol- Carboidratos solúveis, CT- Capacidade Tampão. Corte realizado aos 42 dias. Para a determinação da estabilidade aeróbia das silagens utilizou-se uma alíquota de silagem não compactada, onde essa amostra foi colocada em balde sem tampa, que por sua vez foi coberto por tecido tipo “gaze”. No meio da massa foi posicionado um termômetro, e duas vezes ao dia (07 e 19 horas) foram aferidas as respectivas temperaturas de cada amostra, durante nove dias após a abertura dos silos, com anotação da temperatura ambiente no momento da tomada da temperatura das silagens. Para evitar altas variações de temperatura ambiente, os baldes foram mantidos no laboratório com temperatura aproximada de 25 graus. Foram determinadas matéria seca, teor proteína bruta, Fibra em detergente neutro e Fibra em detergente ácido, celulose, hemicelulose e lignina segundo Silva e Queiroz (2002). Além do poder tampão segundo Tosi (1973) e do teor de carboidratos solúveis segundo (PASSOS, 1999). Para determinar a degradabilidade ruminal e mensurar o desaparecimento de tecidos foram utilizadas três vacas da raça Holandesa, ambas multíparas, secas, com peso médio de aproximadamente 550 kg, munidas de fistula ruminal, adaptadas por um período de 14 dias, 25 alimentadas com dietas a base de silagem de capim elefante e foram avaliadas as respectivas taxas de degradação da forrageira, estimadas pela técnica in situ, utilizando bolsas de tecido sintético, de porosidade média de 45 µm, sacos de náilon (ankom-bar diamond, inc., Parma Idaho – USA), incubados no rúmen. Essas bolsas apresentam dimensões de 10 x 20 cm. Para determinação da degradabilidade da matéria seca o material foi secado em estufa de ventilação forcada, a 55°C, e posteriormente moído, em moinho de faca, com peneiras de crivo de 5,0 mm, e a quantidade de forrageira introduzida nas bolsas de nylon foi de aproximadamente 6 g. Durante a incubação os sacos foram presos numa corrente e agrupados, segundo seus respectivos tempos, e suspensos por um fio de náilon de 60 cm de comprimento no rúmen. As amostras de cada tratamento para os tempos de avaliação foram colocadas em duplicata, com o objetivo de obter amostra em quantidade suficiente para análise. As bolsas foram embebidas em água até o total umedecimento e foram colocadas por: 6, 24, 48 e 96 horas no rúmen dos animais. Após estes períodos as bolsas foram retiradas, lavadas em água corrente na torneira até a água sair límpida, e armazenadas em freezer a – 20° C. Para a padronização do processo de limpeza das bolsas, somente ao final do ensaio de degradabilidade ruminal foram posteriormente lavadas em tanquinho, e após sofrerem 2 enxágües, levadas a estufa ventilada, a 55 oc, por 72 horas, sendo posteriormente pesadas e moídas em moinho de faca tipo “Willye”, de modo que o tamanho das partículas fosse de aproximadamente 1 mm e assim alocadas em potes hermeticamente fechados, para posteriores analises. Para a determinação da temperatura inicial dos sacos foram tø, ou seja, do material que sai da bolsa sem ser por ação dos microrganismos (material solúvel + pequenas partículas), foram feitas quatro réplicas. As bolsas foram inseridas em balde com água, onde permaneceram por 30 minutos. Após esta fase, as bolsas foram processadas como as demais, que foram incubadas nos animais. Os parâmetros da degradabilidade “in situ" foram determinados a partir da equação exponencial proposta por Mehrez e Ørskov (1977), modificada por Sampaio (1988), conforme descrito a seguir: 26 Onde: d = Degradabilidade (%); A = Potencial de máxima degradação, B = fração degradável após t0; c = taxa de degradação do material degradável. 2.5 Delineamentos Experimentais e Análise Estatística O Delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com cinco repetições, e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman-Keus (SNK), a 5% probabilidade. Os resultados obtidos foram interpretados utilizando o pacote estatístico SAS, General Linear Models Procedure, de acordo com o quadro de análise de variância (quadro 1), para os parâmetros de composição bromatológica, carboidratos solúveis, N-NH3, poder tampão, estabilidade aeróbia e perdas na forma de efluente e gasosa. O modelo estatístico utilizado foi: Onde: yij: valor observado na unidade experimental que recebeu o tratamento i, repetição j; m=efeito da média geral; ti= efeito do tratamento i; eij= erro aleatório (resíduo). O processamento dos resultados de degradabilidade in situ foi feito pelo método interativo, utilizando-se o procedimento NLIN do pacote estatístico SAS (1989). Os horários em que a taxa de degradação for inferior ao valor determinado pelo t ø (material solúvel + pequenas partículas) não foram utilizados para obtenção da equação. As vacas foram utilizadas como repetição. Foram avaliados os quatro tratamentos descritos e a forragem verde após o emurchecimento, totalizando cinco tratamentos. 27 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Composição Bromatológica, Nitrogênio Amoniacal (N-NH3) e pH Observou-se uma baixa eficiência do período de pré-emurchecimento da Brachiaria brizantha, ou seja, reduzida perda de umidade pela exposição da planta ao sol, como pode ser observado através do teor de matéria seca da forrageira no momento em que se iniciou o enchimento dos silos experimentais (Tabela 1), quando o teor de MS foi de 23%, valor abaixo do preconizado por LOURES et al. (2005) para obtenção de bons parâmetros de fermentação. Quando a gramínea foi ensilada houve diferença significativa para a característica teor de matéria seca entre os tratamentos com e sem adição de polpa cítrica (P<0,05), na massa ensilada. O teor de matéria seca das silagens aumentou quando foram adicionados 8% de polpa cítrica, com base na matéria natural (Tabela 2), à silagem da gramínea pré-emurchecida. Este comportamento pode estar relacionado ao elevado conteúdo de MS da polpa cítrica (89%) e em relação aos tratamentos sem adição deste aditivo, sendo a maior diferença de 23 % entre os tratamentos com inclusão de polpa e inoculante bacteriano-enzimático e o tratamento sem inclusão do inoculante bacteriano enzimático. Este resultado foi semelhante ao obtido por Evangelista et al. (2001), ao adicionarem doses de polpa cítrica (5, 10 e 15%) em silagem de Coast-cross e por Rodrigues (2005) ao adicionar em quantidades de polpa cítrica 0; 2,5; 5; 7,5; 10; 12,5 e 15% em silagem de capim Marandú onde verificaram aumento linear no teor de MS das silagens. Este fato, possivelmente, está relacionado à capacidade de absorção de água da polpa cítrica, decorrente do seu elevado teor de pectina. Mesmo apresentando alta umidade, é possível que a pectina indisponibilize a água para que ocorra o crescimento de bactérias indesejáveis (Rodrigues, 2005). Contudo, Netto et al. (2002) não verificaram aumento significativo do teor de MS ao adicionarem 10% de polpa cítrica peletizada na silagem de capim-elefante. SILVEIRA (1975) descreveu que o teor mínimo de MS para ensilagem deve ser de 30%. Neste trabalho as silagens com adição de polpa cítrica obtiveram resultados muito próximos ao preconizado por este autor apresentando teores 28,62% e de 27,99 % de matéria seca para os tratamentos (C.I.C.P) e (S.I.C.P), respectivamente, (fato este devido à planta não ter passado por um processo eficaz de emurchecimento para elevar o teor de MS). Deve-se ainda ressaltar que o teor de matéria seca obtido neste trabalho são inferiores ao encontrado por Castro et al. 28 (2006), no qual observou que o emurchecimento a teores médios de MS de 450 g/kg MS favoreceu os parâmetros de fermentação (pH, N-NH3 e poder tampão). Devemos destacar que o teor de MS encontrado antes da ensilagem (préemurchecimento) não foi eficiente para elevar os níveis de matéria seca preconizado por SILVEIRA (1975). Evangelista et al. (2004) observaram o capim-marandu ensilado após emurchecimento de 1,32 a 3,02 horas pode ser satisfatoriamente armazenado na forma de silagem, conciliando vantagens operacionais e de qualidade da forragem e com seis horas de secagem da planta em pleno sol, o teor de MS elevar de 27,22 para 62,50%, considerando as condições que a temperatura média do dia foi de 23,1ºC. O teor de PB, conforme apresentado na tabela 2, apresentou diferença significativa (P>0,05) do tratamento controle para os demais, assim o valor obtido de 9,9 % PB da silagem confeccionada sem aditivos, provavelmente, deve-se ao aumento da proteólise que ocorreu no processo de ensilagem. Entretanto, a silagem sem aditivos apresentou teores de PB satisfatório por Coelho da Silva e Leão (1979) que preconizando nível mínimo necessário de 7% de PB para a boa atividade da microbióta ruminal. Os demais tratamentos apresentaram valores de PB superiores à testemunha, indicando que a utilização conjunta ou isolada dos dois diferentes tipos de aditivos pode ter agido sobre a redução dos teores de PB, que provavelmente teriam sido convertidos a outras frações de N como N-NH3, N-FDA e N-FDN. Trabalhando com capim Marandú, Reis et al. (2004) e Ribeiro et al. (2009), observaram aumento PB da silagem com adição de PC em forragem emurchecida. Não houve efeito (P>0,05) da inclusão da PC e do inoculante bacteriano enzimático sobre os teores de extrato etéreo, FDA, celulose, N-FDN, N-FDA e N-NH3 conforme apresentados na Tabela 2. Também os teores de FDN das silagens (Tabela 2) foram melhores (P<0,05) quando houve inclusão de 8% de polpa cítrica, o que é justificado pelo baixo teor de FDN deste aditivo (30,9 % da MS), em comparação ao teor observado na Brachiária brizantha (66,5%). Os teores de FDN registrados neste experimento estão de acordo com os observados por Pedreira et al. (2001). As porcentagens de FDN encontradas nos tratamentos com uso de polpa cítrica estão dentro da recomendada por Van Soest (1994), para não inibir consumo e digestibilidade de MS para ruminantes, tendo ainda relatado que o aumento dos valores de FDN correlaciona-se negativamente com consumo do alimento, e que para forragem o limite estaria próximo a 5560%. Igarasi (2002) observou diminuição dos teores de FDN com a adição de polpa cítrica, e 29 atribuiu este resultado ao menor teor de fibra da PC em relação à gramínea, ocorrendo, portanto, diluição da fibra da silagem resultante. Comportamento semelhante foi verificado por Crestana et al. (2001) ao adicionarem PC na ensilagem do capim-Tanzânia. Tabela 2. Composição bromatológica, pH e nitrogênio amoniacal (N-NH3) de silagens de Brachiaria brizantha confeccionadas com ou sem inclusão de polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. Parâmetros MS % PB % EE % FDN % FDA % Celulose % Lignina % N-FDN % N-FDA % N-NH3 mg/100 ml pH Silagem de Brachiaria brizantha C.I.S.P(T1) 22,34 B 10,9 A 2,3 A 61,6 A 38,3 A 31,2 A 4,3 A 0,37 A 0,18 A 57,96 A 4,47 B C.I.C.P(T2) 28,62 A 10,7 A 2,6 A 52,3 B 35,4A 28,5 A 4,5 A 0,43 A 0,21 A 69,16 A 4,07 D S.I.S.P (T3) 21,87 B 9,9 B 2,5 A 60,4 A 33,2 A 27,6 A 3,2 B 0,5 A 0,18 A 85,54 A 5,05 A S.I.C.P (T4) 27,99 A 11,4 A 3,2 A 52,3 B 33,7 A 27,9 A 3,2 B 0,40 A 0,22 A 62,72 A 4,29 C CV% 3,94 5,80 35,03 5,41 9,74 10,89 14,58 18,11 21,67 25,39 2,69 – MS – matéria seca, PB- proteína bruta, FDN – Fibra detergente neutro, FDA – Fibra detergente acido, Hcel – Hemicelulose, Cel – celulose, N-FDN- nitrogênio em fibra detergente neutro, N-FDA- nitrogênio em fibra detergente acido, Cin – Cinzas, CHO sol- Carboidratos solúveis, PT- Poder Tampão. Medias seguida por letras semelhantes na mesma linha não se diferenciam estatisticamente (P>0,05). Corte realizado aos 35 dias. Observou-se menor pH (P>0,05) no tratamento com inclusão de polpa cítrica e inoculante bacteriano enzimático, valor este que se encontra dentro da faixa descrita por McDonald (1981) para que ocorra uma fermentação adequada representando 20 % a menos em relação ao tratamento sem nenhum aditivo. O mesmo não foi demonstrado por Evangelista et al. (2000), que ao adicionarem 4% de polpa cítrica em silagem da gramínea estrela roxa (Cynodon nlemfuensis Vanderyst), não observaram alteração do pH. Neste trabalho o pH mais elevado correspondeu ao tratamento sem a inclusão dos aditivos, ratificando que para esta característica essas inclusões foram adequadas a redução do pH e consequente possível melhoria do valor nutricional e estabilidade da ensilagem. Este resultado está de acordo com estudo realizado por kung (2001), que relatou o efeito da adição de inoculante microbiano (bactérias homofermentativas) ocasionam rápido declínio do pH e baixo pH final. Da mesma forma, Coan et al. (2007) relataram que a polpa cítrica, possui elevado potencial absorvente e por disponibilizar carboidratos fermentescíveis às bactérias acido láticas, contribui para redução do pH e desta forma para melhor conservação das silagens acrescidas desse aditivo. 30 Assim, a adição de aditivo microbiológico ou de polpa cítrica obteve resultados intermediários de pH (Tabela2), pois foram obtidos com a inclusão de um dos aditivos separadamente, quando o mesmo é comparado com o tratamento controle, mostrando haver efeito sinérgico entre a redução de umidade associada à maior disponibilização de carboidratos fermentescíveis e o uso de microorganismos e complexo enzimático. Este fato foi observado por Rodrigues et al. (2001), pois houve diminuição do pH quando utilizando aditivo biológico em silagem de alfafa em comparação ao grupo controle. Segundo Van Soest (1994), em silagens convencionalmente conservadas, o pH alto é indicativo de maior produção dos ácidos butírico e acético que são característicos dos processos de fermentações indesejáveis. Entretanto, o pH isoladamente não pode ser considerado como critério seguro para avaliação da fermentação, pois seu efeito inibitório sobre as bactérias depende da velocidade do abaixamento e da umidade do meio (Woolford, 1984). 3.2 Perdas Durante o Processo de Fermentação Observou-se diferença significativa (P<0,05) entre o tratamento controle para os demais tratamentos (Tabela 3) proporcionando redução na perda sob a forma de gases de silagens de Brachiaria brizantha pré-secada. Este fato pode estar relacionado ao efeito associativo da utilização de inoculante bacteriano enzimático e polpa cítrica. Para a variável perda na forma de efluente verificou-se diferença significativa (P<0,05) entre os tratamentos que foram adicionados polpa cítrica para os demais tratamentos Este efeito pode estar relacionado à capacidade de absorção de umidade da polpa cítrica, quando adicionada a ensilagem de Brachiaria brizantha pré-secada. Resultados semelhantes foram encontrados por Nussio et al. (2002) ao avaliarem silagens de capim-Tanzânia com três tamanhos de partícula diferentes, com adição de 10% de polpa cítrica ou com capim préemurchecido, apresentaram redução nas perdas por efluente em relação à silagem controle. Observou-se maior perda total significativa (P<0,05) no processo de fermentação quando não utilizado algum aditivo. A utilização isolada de um aditivo e ou adição dos dois aditivos, proporcionou redução destas perdas. 31 Tabela 3. Perda total no processo de fermentação, Perdas em percentual do material ensilado na forma de Gases (%) e Efluente (%) da silagem de Brachiaria brizantha présecada confeccionada com e sem polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. Tratamentos Gases (%) Efluente (%) Total (%) C.I.S.P C.I.C.P 1,27 B 0,95 B 0,57 A 1,84 AB 0,30 AB 1,26 B S.I.S.P S.I.C.P 1,76 A 0,77 A 2,53 A 1,25 B 0,18B 1,43B 18,75 71,27 29,41 CV% Medias seguida por letras semelhantes na mesma linha não se diferenciam estatisticamente (P>0,05). Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P), Silagem da gramínea présecada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.I.C.P), Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P),Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 3.3 Estabilidade Aeróbia da Silagem No nono dia após a abertura das silagens, o tratamento com adição conjunta dos inoculantes apresentaram temperatura superior à ambiente e na avaliação da tarde do décimo dia foi observada nas silagens de Brachiaria brizantha, com exceção da silagem confeccionada com inoculante bacteriano e sem polpa cítrica, efeito negativo na estabilidade aeróbica, ou seja, houve rompimento da estabilidade aeróbia da silagem. Segundo O´kiely et al. (2001) este fato é verificado com a elevação da temperatura da silagem 2ºC a mais do que a temperatura ambiente (Tabela 4). Este comportamento pode ser justificado pelo fato de que silagens bem conservadas, provavelmente por ação de aditivos atingiram o pH de equilíbrio antes da sem inoculante, preservando os carboidratos e outros princípios nutritivos, disponíveis em maior quantidade após a abertura do silo. Este maior aporte de nutrientes pode ser utilizado por microorganismos aeróbios ou aeróbios facultativos, que acarreta na perda da estabilidade do material ensilado. Jobim (2007) após fazer uma revisão de literatura afirmou que quanto melhor for a qualidade da silagem, em função dos maiores teores de carboidratos solúveis e de ácido lático residuais menor é estabilidade da silagem. 32 Tabela 4. Temperatura ambiente (ºC) e das silagens de Brachiaria brizantha préemurchecida após a abertura por um período de nove dias. DIAS 0 PERÍODO T 1 M 2 T M 3 T M 4 T M 5 T M 6 T M 7 T M 8 T M 9 T M T Temperatura Ambiente 23,0 20,9 23,2 21,8 25,0 23,3 23,0 22,0 23,2 21,0 22,0 21,5 23,0 23,5 26,0 22,0 26,0 23,5 26,0 (oC) Temperatura Silagem (OC) C.I.S.P 22,8 20,7 22,0 20,6 23,7 22,5 22,8 21,5 23,0 20,8 21,3 20,8 22,2 21,8 23,5 22,1 23,5 23,2 24,9 C.I.C.P 22,8 20,4 22,0 20,6 23,7 23,0 23,3 22,2 22,9 21,2 22,4 21,3 22,5 23,3 25,3 24,3 25,8 26,2 31,7 S.I.S.P 23,0 20,7 22,0 20,9 23,8 22,5 23,0 22,0 22,9 20,8 21,7 20,8 22,0 22,0 23,7 22,3 23,4 23,3 35,0 S.I.C.P 22,9 20,4 21,8 20,3 23,5 22,2 22,8 22,0 22,9 20,7 21,3 20,6 21,8 22,1 23,5 22,6 23,8 23,3 35,0 Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P), Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.I.C.P), Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P),Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 3.4 Degradabilidade Ruminal As variáveis referentes à estimativa dos parâmetros de degradação ruminal da MS das diferentes silagens de Brachiaria brizantha pré-secadas são apresentadas na Tabela 5. Independente da utilização de inoculante bacteriano enzimático, as silagens de Brachiária brizantha confeccionadas com 8% de polpa cítrica proporcionaram maiores valores de potencial de máxima degradabilidade da matéria seca quando comparadas àquelas que não foram confeccionadas com polpa cítrica. Da mesma forma Ribeiro et al. (2009) observaram que a adição de 5 ou 10% de polpa cítrica peletizada na ensilagem do capim-Marandú diminuiu proporcionalmente do material original os teores dos componentes de FDN da parede celular e aumentou a digestibilidade in vitro da MS da silagem. A degradabilidade efetiva no rúmen, com taxa de passagem estimada em 0,06%/h foi superior em silagens de Brachiaria brizantha confeccionados com a polpa cítrica e com inoculante (56,72 vs 48,55%), ou sem inoculante (56,90 vs 47,61%). Estes maiores índices segundo Martins, et al. (1999) deve-se principalmente a polpa cítrica, pois apresenta alto potencial de elevada degradabilidade, sendo de (86%), com a taxa de degradação de 2% por hora. Quanto ao efeito do uso de inoculante bacteriano enzimático (C.I.S.P) na confecção de 33 silagem de Brachiaria brizantha pré-secado não se observa aumento no percentual na degradabilidade efetiva do rúmen. Tabela 5. Parâmetros de degradação ruminal in situ da matéria seca da Brachiaria brizantha e da silagem de Brachiaria brizantha pré-sacada confeccionada com e sem inoculante bacteriano enzimático e ou polpa cítrica. Tratamentos C.I.S.P C.I.C.P S.I.S.P S.I.C.P Barquiária brizanta A B c S (%) 76,7 80,7 73,2 79,2 72,4 (%) 60,0 59,6 59,8 62,6 62,3 (/h) 0,039333 0,04713 0,04372 0,050813 0,04581 (%) 24,8 30,5 22,4 28,2 20,1 Degradabilidade efetiva (%) em função da taxa de passagem no rúmen 0,06/h R2 48,55 0,999 56,72 0,9993 47,61 0,9985 56,90 0,99990 74,10 0,9990 A= fração potencialmente degradável; B = fração potencialmente degradável sob ação da microbiota se não houvesse lagtime; c = taxa constante de degradação da fração potencialmente degradável por ação da microbiota; S= fração solúvel mais partículas com tamanho reduzido que atravessam os poros do náilon; R2 = coeficiente de determinação do ajuste dos dados ao modelo utilizado por Sampaio (1988). Comparando os índices de parâmetros de fermentação no rúmen da matéria seca de Brachiaria brizantha que não foi submetido ao processo de ensilagem observa-se que o mesmo foi ligeiramente inferior (1,2 %) ao ensilado. O resultado deste estudo indica que o processo de ensilagem não prejudicou a degradabilidade da matéria seca no rúmen da Brachiaria brizantha. 34 4 CONCLUSÕES A adição de PC e inoculante bacteriano enzimático proporcionaram maior teor de PB, maior queda do pH e menores perdas na forma de gases e efluentes. A adição de PC aumenta os conteúdos de MS, diminui o FDN e melhora os parâmetros de degradação das silagens. 35 CAPÍTULO II INCLUSÃO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO Cynodon nlemfuensis vanderyst PRÉ-SECADO 36 RESUMO Este trabalho foi conduzido no Campo Experimental da Empresa Brasileira Agropecuária no Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Leite (CNPGL) de Coronel Pacheco, no município de Coronel Pacheco, localizada na Zona da Mata-MG. Objetivou-se avaliar o efeito da adição de polpa cítrica (PC) e de inoculante bacteriano - enzimático comercial SIL–ALL C4 da Alltech sobre as características fermentativas, nutritivas e perda de matéria seca das silagens da gramínea pré-secada Cynodon nlemfuensis Vanderyst. Foram adotados os seguintes tratamentos. Silagem da gramínea pré-secada com inoculante e sem adição de polpa cítrica (CISP); com inoculante e com adição de polpa cítrica (CICP); sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (SISP); sem inoculante e com adição de polpa cítrica (SICP). Também foi analisada a gramínea antes de ser ensilada. A PC foi adicionada na base 8% do peso da matéria original da gramínea. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado com cinco repetições, e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman-Keus a 5% de probabilidade. Durante o período de julho de 2009 a setembro de 2009, foram determinados matéria seca, os teores de proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente acido, celulose, hemicelulose e lignina, capacidade tampão, teor de carboidratos solúveis, pH, nitrogênio amoniacal e a degradabilidade ruminal in situ. Os silos experimentais foram confeccionados com tubos de PVC com diâmetro de 4 polegadas e 50 cm de altura, providos de uma válvula tipo Bunsen. Depois de realizado o corte da gramínea aos 35 dias de crescimento vegetativo, a gramínea foi pré-emurchecida durante um período de 6 horas (de exposição ao sol). A abertura dos silos ocorreu 60 dias após a ensilagem. A adição de PC e inoculante bacteriano-enzimático na silagem de Cynodon nlemfuensis Vanderyst proporcionaram melhores teores (P<0,05) PB, FDA, pH, N-NH3 e aumento dos teores de NFDN. Não se verificou diferença da adição de aditivos (P<0,05) para as variáveis EE, Celulose, Lignina, perdas de matéria seca na forma de gases e efluentes e estabilidade aeróbia das silagens. A adição de polpa cítrica aumentou (P<0,05) a proporção de MS, diminuição do FDN e melhorou os parâmetros de fermentação das silagens. Palavras-chave: Inoculantes, Digestibilidade in situ, Polpa cítrica. 37 ABSTRACT This study was conducted in the Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária of Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Leite (CNPGL) Experimental Station in Coronel Pacheco, localized in Zona da Mata-MG. The main objective was to evaluate the effect of addition of the citrus pulp (PC) and commercial enzymatic-bacterial inoculant SI-ALL C4 on the Alltech on the fermentation and nutritious characteristics and the dry matter damages of grass silages wilted, of the Cynodon nlemfuensis Vanderyst. The following treatments were evaluated: grass silages wilted with inoculant and without citrus pulp (CISP), with inoculant and citrus pulp (CICP), without inoculant and without citrus pulp (SISP), without inoculant and with addition of citrus pulp (SICP). Grass were evaluated too before had been silaged. The citrus pulp was added of the 8% in a fresh matter basis of the grass. The experimental design was completely randomized with five replications and the average was comparison with StudentNewman-Keus of 5% probability. This study was conducted from January to December of 2009. Were evaluated dry matter (DM) content, crude protein (CP), neutral detergent fiber (NDF), acid detergent fiber (ADF), cellulose, hemicelluloses and lignin, fractions of nitrogen and carbohydrates, buffer capacity, soluble carbohydrates, fermentation characteristics (pH, ammonia N), and “in situ” dry matter digestibility. The experimental silos were making of PVC with diameter of 4 inches and 50 cm high fitted with a Bunsen-type valve. After the grass cut was realized, at 35 of vegetative growth, the grass was wilted during a periodo of 6 hours of sun exposure. Silos opening occurred 60 days after ensiling. The addition of citrus pulp and enzymatic-bacterial inoculants in cynodon silage provided betters levels (P<0,05) for crude protein, acid detergent fiber, pH, ammonia N and increased concentrations of N-NDF. There was no differences in the use of additives (P<0,05) to the variables EE, cellulose, lignin, dry matter losses in the form of gases and effluents, and silage aerobic stability. The addition of citrus pulp increased (P<0,05) the dry matter, reduced the NDF and improved the fermentation characteristics of silages. Keywords: Inoculante, degradability in situ, citrus pulp. 38 1. INTRODUÇÃO O Brasil ocupa hoje lugar de destaque em nível mundial como grande produtor de carne e leite, sendo o sistema de produção baseado em pastagens característico de países de clima tropical, onde requer pastagens produtivas durante todo o ano. Entretanto, as estações do ano com as variações de precipitação, temperatura, fotoperíodo, dentre outros fatores influenciam o crescimento das forrageiras, o que demanda a utilização de tecnologias como de conservação de forragens, que desta forma é capaz de manter a oferta de alimentos em épocas de escassez. A grama estrela (Cynodon nlemfuensis Vanderyst.) é considerada uma planta rústica, possuindo uma rápida cobertura do solo e adaptam-se as intempéries climáticas, porém apresentam características semelhantes às demais gramíneas tropicais, apresentando baixos teores de MS, de carboidratos solúveis e alto poder tampão (BERGAMASCHINE, 2008). O Cynodon nlemfuensis quando se encontra no ponto considerado bom de ensilagem possui alta umidade, fato este que implica em crescimento de microorganismos indesejáveis que se desenvolvem em ambiente úmido (Wilkinson, 1983). Segundo Whittemburry et al. (1967) uma pressão osmótica permite o desenvolvimento das bactérias do gênero Clostridium e demais microorganismos que utilizem açúcares, ácido lático, proteínas e aminoácidos e produzam ácidos acético e butírico, nitrogênio amoniacal (N-NH3) e aminas, sendo que essas substâncias estão diretamente correlacionadas com a aceitabilidade deste alimento pelos animais. Para que ocorra uma boa fermentação os carboidratos solúveis são os substratos prontamente disponíveis para que ocorra o desenvolvimento das bactérias desejáveis, principalmente as láticas, que produzem ácido lático fazendo com que o pH rapidamente inibindo assim a atividade proteolítica das enzimas vegetais, e principalmente inibindo o crescimento de bactérias indesejáveis (MUCK, 1988). Segundo Santos et al. (2010) estes fatores podem ser corrigidos e uma das maneiras é a inclusão de aditivos no momento da ensilagem. Outra forma de melhorar o teor de MS das gramíneas é pelo pré-emurchecimento da gramínea ao sol e pela adição de produtos ou co-produto com alto teor de Matéria Seca como grãos de cereais e subprodutos da industrialização de alimentos, casca de café, casca de soja, polpa de cítrica peletizada e outros (VILELA, 1997). A polpa cítrica é um co-produto da indústria de suco de laranja, que vem sendo utilizada para alimentação de ruminantes, poís quando adicionada a forragens no momento da 39 ensilagem proporcionam aumento do teor de MS, melhorando a fermentação, sendo capaz de elevar o seu peso em até 145% (EVANGELISTA, 1996). Outra vantagen é que a PC possui alto teor de pectina, carboidrato de alta degradabilidade ruminal, melhorando a digestibilidade dos alimentos quando adicionada a dieta. A técnica do pré-emurchecimento é uma alternativa diminuição dos teores de água da planta, permite reduzir perdas através da eliminação de efluentes e gases proporcionando boa fermentação (SANTOS, 2010). Assim o pré-emurchecimento da gramínea usado junto com a utilização de aditivos enzimáticos pode ser uma alternativa para melhorar os parâmetros de fermentação de gramíneas tropicais. Com base nesse propósito objetivou-se avaliar a adição de poupa cítrica (8% da matéria natural) e inoculante enzimático na ensilagem do Cynodon nlemfuensis pré-secada. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Localização e Clima O experimento foi conduzido numa área de pastagem de Cynodon nlemfuensis Vanderyst, durante o período de julho 2009 a Setembro de 2009, no Campo Experimental de Coronel Pacheco, pertencente a Embrapa Gado de Leite, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais. O Município de Coronel Pacheco é situado a uma latitude sul de 21° 33' 22" e 43° 06' 15" de longitude oeste, com altitude de 426 metros. A precipitação pluviométrica anual, média de 30 anos, é de 1600 mm, com cerca de 90% desse total ocorrendo de outubro a abril. O clima da região é do tipo mesotérmico, que segundo Köppen é definido como clima temperado chuvoso no verão e com inverno seco entre junho e setembro (Embrapa, 1980), em um Neossolo Flúlvico Distrófico (Embrapa, 1999). 2.2 Condução do Experimento A gramínea (Cynodon nlemfuensis Vanderyst), foi rebaixada com um corte de padronização rente ao solo em junho de 2009, em seguida foi realizada uma adubação com aplicação de 250 kg da fórmula 20-05-20. Para promover o emurchecimento da gramínea a mesma foi cortada aos 35 dias de rebrota, e depois foi distribuída sobre uma área cimentada, permanecendo por seis horas, após esse período, foi processada por uma picadeira do tipo forrageira estacionaria. 40 Após o capim pré-secado ter sido picado, este foi dividido em duas porções, em uma foi retirada a amostra para analises químicas e outra aplicada o inoculante comercial e/ou aditivo enzimático bacteriano SIL–ALL C4 da Alltech, que apresenta como garantia Streptococcus faecium, Lactobacillus plantarum e Lactobacillus salivarius na proporção de 10 bilhões de UFC/g de cada espécie e enzimas hemicelulases e celulases a 5%. O aditivo foi aplicado com pulverizador costal, na dosagem de 5 g/t de forragem (dissolvido em 1 litro de água mineral) seguindo recomendações do fabricante. Os silos experimentais foram confeccionados a partir de ductos de eletroducto com 4” de diâmetro e 50 cm de comprimento. No fundo de cada silo foi condicionada uma bolsa confeccionada com TNT 100 contendo areia seca, com peso conhecido, com objetivo de adsorver o efluente produzido. Na outra extremidade, a tampa, foi provida de uma válvula tipo Bunsen. A polpa cítrica utilizada foi adicionada e distribuída em camadas simulando a prática de campo, sendo a quantidade empregada de 8 % do peso da forrageira ensilada (matéria original). O material ao ser ensilado foi compactado manualmente, com auxilio de uma barra de ferro, para uniformizar a compactação dos silos de forma a proporcionar massa especifica semelhante aproximada de 600/ m3 kg de silagem (matéria original). 2.3 Tratamentos Para avaliar o efeito da polpa cítrica e do inoculante bacteriano enzimático no processo de ensilagem realizou-se o enchimento de cinco silos experimentais, para cada um dos seguintes tratamentos: T1)Silagem de gramíneas pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P); T2) Silagem de gramíneas pré-secada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.IC.P); T3) Silagem de gramíneas pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P); T4) Silagem de gramíneas pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 2.4 Avaliações Os silos, assim como a forragem acondicionada e as bolsas com areia foram pesadas no momento da confecção da silagem. Após 60 dias, os silos foram abertos e novas pesagens foram realizadas para estimar as perdas por gás e efluente. 41 Amostras da forragem Cynodon nlemfuensis Vanderyst e da polpa cítrica foram retiradas antes do momento da ensilagem, bem como da silagem ao abrir os silos. De todas as amostras de silagem, uma sub-amostra foi colocada em uma prensa hidráulica para extração do suco da silagem sobre pressão de 2 toneladas. Com esse suco foram determinado o pH e o nitrogênio amoniacal segundo a técnica descrita por AOAC (1970). As perdas por fermentação foram calculadas pela diferença entre os pesos das massas obtidos ao enchimento e à abertura dos silos, multiplicados pelos respectivos teores de matéria seca. Na tabela 1 estão apresentados os dados de composição bromatológica da matéria seca da forragem pré-secada e da polpa cítrica utilizada para ensilagem. Tabela 6. Composição bromatológica e características de carboidratos solúveis e capacidade tampão do Cynodon nlemfuensis pré-secado aos 35 dias de crescimento e da polpa cítrica utilizada para confecção dos tratamentos. Parâmetros MS % PB % FDN % FDA % Hemicelulose % Celulose % Lignina % N-FDN % N-FDA % Cinzas % CHO sol mg/g CT (Eq.mg/100g de MS) Cynodon 27,0 9,6 74,7 42,1 32,6 33,8 5,22 0,75 0,15 10 261,4 26,6 Polpa 89,0 8,9 30,9 24,7 6,2 12,0 0,59 0,27 5,8 - – MS – matéria seca, PB- proteína bruta, FDN – Fibra detergente neutro, FDA – Fibra detergente acido, Hcel – Hemicelulose, Cel – celulose, N-FDN- nitrogênio em fibra detergente neutro, N-FDA- nitrogênio em fibra detergente acido, Cin – Cinzas, CHO sol- Carboidratos solúveis, PT- Poder Tampão. Corte realizado aos 35 dias. Para a determinação da estabilidade aeróbia das silagens utilizou-se uma alíquota de silagem não compactada, onde essa amostra foi colocada em balde sem tampa, que por sua vez foi coberto por tecido tipo “gaze”. No meio da massa foi posicionado um termômetro, e duas vezes ao dia (07 e 19 horas) foram aferidas as respectivas temperaturas de cada amostra, durante nove dias após a abertura dos silos, com anotação da temperatura ambiente no momento da tomada da temperatura das silagens. Para evitar altas variações de temperatura ambiente, os baldes foram mantidos no laboratório com temperatura aproximada de 25 graus. Foram determinadas matéria seca, teor proteína bruta, Fibra em detergente neutro e Fibra em detergente ácido, celulose, hemicelulose e lignina segundo Silva e Queiroz (2002). 42 Além do poder tampão segundo Tosi (1973) e do teor de carboidratos solúveis segundo (PASSOS, 1999). Para determinar a degradabilidade ruminal e mensurar o desaparecimento de tecidos foram utilizadas três vacas da raça Holandesa, ambas multíparas, secas, com peso médio de aproximadamente 550 kg, munidas de fistula ruminal, adaptadas por um período de 14 dias, alimentadas com dietas a base de silagem de capim elefante e foram avaliadas as respectivas taxas de degradação da forrageira, estimadas pela técnica in situ, utilizando bolsas de tecido sintético, de porosidade média de 45 µm, sacos de náilon (ankom-bar diamond, inc., Parma Idaho – USA), incubados no rúmen. Essas bolsas apresentam dimensões de 10 x 20 cm. Para determinação da degradabilidade da matéria seca o material foi secado em estufa de ventilação forcada, a 55°C, e posteriormente moído, em moinho de faca, com peneiras de crivo de 5,0 mm, e a quantidade de forrageira introduzida nas bolsas de nylon foi de aproximadamente 6 g. Durante a incubação os sacos foram presos numa corrente e agrupados, segundo seus respectivos tempos, e suspensos por um fio de náilon de 60 cm de comprimento no rúmen. As amostras de cada tratamento para os tempos de avaliação foram colocadas em duplicata, com o objetivo de obter amostra em quantidade suficiente para análise. As bolsas foram embebidas em água até o total umedecimento e foram colocadas por: 6, 24, 48 e 96 horas no rúmen dos animais. Após estes períodos as bolsas foram retiradas, lavadas em água corrente na torneira até a água sair límpida, e armazenadas em freezer a – 20° C. Para a padronização do processo de limpeza das bolsas, somente ao final do ensaio de degradabilidade ruminal foram posteriormente lavadas em tanquinho, e após sofrerem 2 enxágües, levadas a estufa ventilada, a 55 oc, por 72 horas, sendo posteriormente pesadas e moídas em moinho de faca tipo “Willye”, de modo que o tamanho das partículas fosse de aproximadamente 1 mm e assim alocadas em potes hermeticamente fechados, para posteriores analises. Para a determinação da temperatura inicial dos sacos foram tø, ou seja, do material que sai da bolsa sem ser por ação dos microrganismos (material solúvel + pequenas partículas), foram feitas quatro réplicas. As bolsas foram inseridas em balde com água, onde permaneceram por 30 minutos. Após esta fase, as bolsas foram processadas como as demais, que foram incubadas nos animais. 43 Os parâmetros da degradabilidade “in situ" foram determinados a partir da equação exponencial proposta por Mehrez e Ørskov (1977), modificada por Sampaio (1988), conforme descrito a seguir: d A e p c*t Onde: d = Degradabilidade(%); A = Potencial de máxima degradação, B = fração degradável após t0; c = taxa de degradação do material degradável. O tempo de colonização (TC) foi calculado pela seguinte equação: 2.5 Delineamentos Experimentais e Análise Estatística O Delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com cinco repetições, e as médias foram comparadas pelo teste Student-Newman-Keus (SNK), a 5% probabilidade. Os resultados obtidos foram interpretados utilizando o pacote estatístico SAS, General Linear Models Procedure, de acordo com o quadro de análise de variância (quadro 2), para os parâmetros de composição bromatológica, carboidratos solúveis, N-NH3, poder tampão, estabilidade aeróbia e perdas na forma de efluente e gasosa. O modelo estatístico utilizado foi: Onde: yij: valor observado na unidade experimental que recebeu o tratamento i, repetição j; m=efeito da média geral; ti= efeito do tratamento i; eij= erro aleatório (resíduo). O processamento dos resultados de degradabilidade in situ foi feito pelo método iterativo, utilizando-se o procedimento NLIN do pacote estatístico SAS (1989). Os horários em que a taxa de degradação for inferior ao valor determinado pelo t ø (material solúvel + pequenas partículas) não foram utilizados para obtenção da equação. As vacas foram utilizadas como repetição. Foram avaliados os quatro tratamentos descritos e a forragem verde após o emurchecimento, totalizando cinco tratamentos. 44 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Composição Bromatológica, Nitrogênio Amoniacal (N-NH3) e pH Houve diferença significativa para matéria seca entre os tratamentos com e sem adição de polpa cítrica (P<0,05), na massa ensilada. A matéria seca das silagens aumentou quando adicionado 8% de polpa cítrica com base na matéria natural (Tabela 7). Este comportamento pode estar relacionado ao elevado conteúdo de MS da polpa cítrica (89%) e em relação aos tratamentos sem adição deste inoculante, sendo que a maior diferença foi de 18 unidades percentuais entre os tratamentos com inclusão de polpa e inoculante microbiológico/enzimático e o tratamento sem inclusão dos inoculantes. Este resultado foi semelhante ao obtido por Evangelista et al. (2001), ao adicionarem doses de polpa cítrica (5, 10 e 15%) em silagem de Coast-cross e por Rodrigues et al. (2005) ao adicionarem quantidades crescentes de polpa cítrica 0; 2,5; 5; 7,5; 10; 12,5 e 15% em silagem de capim Marandú. Possivelmente, este resultado é devido à capacidade de absorção de água da polpa cítrica, decorrente do seu elevado teor de pectina. Mesmo a pectina apresente alta umidade, é possível que ela indisponibilize a água para que ocorra o crescimento de bactérias indesejáveis (RODRIGUES, 2005). Contudo, Netto et al. (2002) ao adicionarem 10% de PC ensilagem de capim elefante não observou diferença no teor de matéria seca desta gramínea. SILVEIRA (1975) descreveu que o valor mínimo de MS para ensilagem deve ser de 30. Neste trabalho, apenas as silagens com adição de poupa cítrica obtiveram esta percentagem de matéria seca, sendo que tratamentos sem adição de poupa cítrica obtiveram resultados muito próximos ao preconizado por este autor, apresentando teores 28,33% e de 27,83 % matéria seca para os tratamentos (C.I.S.P) e (C.I.CP) respectivamente, fato este devido à planta ter passado por um processo eficaz de emurchecimento para elevar o teor de MS. Assim, o emurchecimento determinou menor intensidade do processo de fermentação, com o incremento do conteúdo de MS da forragem ensilada, corroborando os relatos encontrados na literatura (EVANGELISTA, 2000). Deve-se ainda ressaltar que o teor de matéria seca obtido neste trabalho são inferiores ao encontrado por Castro et al. (2006), no qual observou que o emurchecimento o que ocasionou médias de MS de 450 g/kg MS o que favoreceu os parâmetros de fermentação (pH, N-NH3 e poder tampão). 45 Tabela 7. Composição bromatológica, pH e nitrogênio amoniacal (N-NH3) de silagens de Cynodon nlemfuensis confeccionadas com ou sem inclusão de polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimático. Parâmetros MS % PB % EE % FDN % FDA % Celulose % Lignina % N-FDN % N-FDA % N-NH3 mg/100 ml pH Silagem de Cynodon nlemfuensis pré-secado C.I.S.P(T1) C.I.C.P(T2) S.I.S.P (T3) S.I.C.P (T4) 28,33B 34,07A 27,83B 33,54A 9,8 A 9,5 A 8,8 B 9,8 A 2,1 A 2,6 A 1,9 A 2,7 A 66,9 A 59,4 B 68,2 A 59,6 B 39,1 B 38,3B 41,1 A 38,6 B 33,6 A 29,0 A 34,6 A 32,0 A 3,3 A 3,6A 4,1 A 4,0 A 0,42 A 0,43 A 0,32 B 0,43 A 0,16 B 0,2 A 0,15 B 0,23A 58,2 B 66,0 AB 75,9 A 64,4 AB 4,45 B 4,1 C 4,85 A 4,32 B CV% 1,95 4,95 39,01 3,78 2,92 11,69 17,27 18,34 17,49 11,38 2,42 – MS – matéria seca, PB- proteína bruta, FDN – Fibra detergente neutro, FDA – Fibra detergente acido, Hcel – Hemicelulose, Cel – celulose, N-FDN- nitrogênio em fibra detergente neutro, N-FDA- nitrogênio em fibra detergente acido, Cin – Cinzas, CHO sol- Carboidratos solúveis, PT- Poder Tampão. Medias seguida por letras semelhantes na mesma linha não se diferenciam estatisticamente (P>0,05). Corte realizado aos 35 dias. Observou-se menor pH (P>0,05) no tratamento com inclusão de polpa cítrica e inoculante enzimático (C.I.C.P), valor este que se encontra dentro da faixa descrita por McDonald (1981) para que ocorra uma fermentação adequada. O mesmo não foi demonstrado por Evangelista et al. (2000), que ao adicionarem 4% de polpa cítrica em silagem da gramínea estrela roxa (Cynodon nlemfuensis Vanderyst), não observaram alteração do pH. O pH mais elevado correspondeu ao tratamento sem a inclusão dos aditivos, ratificando que para esta característica, essas inclusões foram adequadas na redução do pH e possivelmente melhoria do valor nutricional e estabilidade da ensilagem. Este resultado esta de acordo com estudo realizado por KUNG (2001), que relata um feito teórico da adição de inoculante microbiano (bactérias homofermentativas) no rápido declínio do pH e baixo pH final. Da mesma forma, Coan et al. (2007) relataram que a polpa cítrica, por possuir um elevado potencial absorvente e por disponibilizar carboidratos fermentescíveis às bactérias ácido láticas, contribui para a redução do pH e melhor conservação das silagens acrescidas desse aditivo. Desta forma, a inclusão de aditivo bacteriano enzimático e ou polpa cítrica proporcionou valores intermediários de pH (tabela7), mostrando haver efeito sinérgico entre a redução de umidade associada a maior disponibilização de carboidratos fermentescíveis e o uso de microorganismos e complexo enzimático. Este fato foi observado por Rodrigues et al. 46 (2001) pois houve diminuição do pH quando utilizou-se aditivo biológico em silagem de Alfafa quando comparando ao grupo controle. Entretanto, segundo Van Soest (1994), em silagens convencionalmente conservadas, o pH alto é indicativo de maior produção dos ácidos butíricos e acéticos que são característicos dos processos de fermentações indesejáveis. Entretanto, o pH isoladamente não pode ser considerado como critério seguro para avaliação da fermentação, pois seu efeito inibitório sobre as bactérias depende da velocidade do abaixamento e da umidade do meio (Woolford, 1984). Para os teores de PB (tabela 7) houve diferença (P<0,05) entre o tratamento (S.I.S.P) para os demais, assim o valor obtido de 8,8% PB da silagem confeccionada sem polpa cítrica e sem inoculante bacteriano provavelmente deve-se ao aumento da proteólise que ocorreu no processo de ensilagem. Entretanto este resultado é considerado satisfatório por Coelho da Silva e Leão et al. (1979) que preconizam o nível mínimo necessário de 7% de PB para o bom funcionamento ruminal. Os demais tratamentos apresentaram valores de PB similares e superiores ao tratamento testemunha, indicando que a utilização conjunta ou isolada dos dois diferentes tipos de inoculantes pode ter agido sobre a redução da proteólise. Os teores de N-FDA (Tabela 7) foram maiores (P<0,05) para os tratamentos com adição de polpa cítrica, sugerindo que a adição de polpa cítrica, também promove aumento das frações indigeríveis. Isto pode ser justificado pelo provável aquecimento da silagem, como proposto por Mir et al. (1995). Este fenômeno pode ter ocorrido nas silagens com elevados níveis de polpa, possivelmente em função da elevação do teor de matéria seca ou, então, da baixa disponibilidade de água livre. O aquecimento da forragem, também é conhecido como reação de Mayllard ou caramelização, promovendo uma complexação do nitrogênio à fibra, especialmente a hemicelulose, levando à indisponibilização do nitrogênio (Rodrigues, 2005). Os valores de N-FDN (Tabela 7) foram iguais (P>0,05) para os tratamentos que utilizaram um ou todos os tipos de inoculantes, os quais se apresentaram superiores ao tratamento testemunha, indicando que a fração de nitrogênio ligada ao FDN apresentou comportamento de elevação com o emprego destes inoculantes. A confecção de silagem de grama estrela pré-emurchecida sem a utilização de aditivos favoreceu o aumento de nitrogênio amoniacal, conforme apresentado na Tabela 7. Sendo o menor valor obtido com o uso de inoculante bacteriano enzimático, que não diferiu dos demais tratamentos com adição de inoculante, os quais foram semelhantes à testemunha. Este 47 comportamento indica uma possível melhor ação do complexo bacteriano-enzimático sobre a redução de N-NH3, quando atuando sem a contribuição da maior redução de umidade proporcionada pelo emprego da polpa cítrica, que pode(m) ter atuado sobre diminuição do crescimento de bactérias heterofermentativas. Resultados semelhantes foram encontrados por Coan et al. (2004) que observaram diminuição nos teores de nitrogênio amoniacal (N-NH3) da silagem de capim Marandú quando usaram 5 ou 10% de polpa cítrica como aditivo. Outra possível justificativa é de que a baixa proteólise resultante de atividade das enzimas do vegetal, que desintegram proteína da forragem no interior dos silos permanecem ativas apenas em pH acima de 5,0, condição possivelmente encontrada por mais tempo após o fechamento do silo, apenas no tratamento testemunha. Silveira (1987), após fazer uma revisão de literatura afirmou que as silagens com teores de nitrogênio amoniacal de até 8% do N total são consideradas de boa qualidade. Não houve efeito significativo (P>0,05) da inclusão da polpa cítrica e do inoculante enzimático sobre os teores de lignina, extrato etéreo, celulose, conforme apresentados na Tabela 7. Os teores de FDN das silagens (Tabela 7) foram melhores (P<0,05) quando houve adição de polpa cítrica, o que é justificado pelo baixo teor de FDN deste aditivo (30,9 % da MS), em comparação ao teor observado no Cynodon nlemfuensis (74,4%). Os teores de FDN registrados neste experimento estão de acordo com os observados por Pedreira et al. (2001). As porcentagens de FDN observadas nos tratamentos com uso de polpa cítrica estão dentro da recomendada (VAN SOEST, 1994). Para não inibir consumo e digestibilidade da MS, o autor relata ainda que o aumento de valores de FDN correlaciona-se negativamente com o consumo do alimento, e para forragem o limite estaria próximo a 55% a 60%. A elevação do teor de FDA ocorreu de forma significativa (P<0,05) apenas para o tratamento testemunha, superior aos demais, os quais foram semelhantes, conforme apresentado na Tabela 7. Este comportamento pode estar associado a maior extensão de fermentação neste tratamento, possibilitando o maior consumo de carboidratos solúveis e consequente aumento dos valores de parede celular, aumentando, desta forma, os componentes da fração fibrosa (MCDONALD, 1981). 3.2 Perdas Durante o Processo de Fermentação A utilização de aditivos (inoculante bacteriano enzimático e polpa cítrica) não proporcionaram diferenças para a variável redução de perda, seja na forma de gases ou 48 efluente, em de silagens de Cynodon nlemfuensis pré-secado (Tabela 8). Provavelmente o fato de não haver diferença, pode ser definido ao fato da planta passar por um processo de préemurchecimento eficiente, que diminuiu a umidade da planta, proporcionando boas condições de ensilagem, com menores perdas de material da silagem, não demonstrando diferença entre os tratamentos com adição de poupa cítrica e aditivo enzimático. Tabela 8. Perda total no processo de fermentação, Perdas em percentual do material ensilado na forma de Gases (%) e Efluente (%) da silagem de Cynodon nlemfuensis présecado confeccionado com polpa cítrica e ou inoculante bacteriano enzimatico. Tratamentos C.I.S.P C.I.C.P S.I.S.P S.I.C.P CV% Gases (%) 1,38 A 1,42 A Efluente (%) 0,21 A 0,16 A Total (%) 1,59 A 1,58 A 2,0 A 2,25 A 27,72 0,29 A 0,13 A 65,73 2,28 A 2,34 A 26,67 Médias seguidas de letras semelhantes na mesma coluna não diferem estatisticamente (P>0,05)pelo teste SNK. Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P), Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.I.C.P), Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P),Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 3.3 Estabilidade Aeróbia da Silagem Não foi observada diferença significativa (P>0,05) ou efeito negativo na estabilidade aeróbica em ambos os tratamentos. Não foi detectada elevação da temperatura da silagem superior à 2ºC em relação à temperatura ambiente, para a silagem de Cynodon nlemfuensis pré-secado e confeccionada com aditivos (inoculante bacteriano enzimático e ou polpa cítrica). Estes valores estão descritos na Tabela 9. 49 Tabela 9. Temperatura ambiente (ºC) e das silagens de Cynodon nlemfuensis pré-secado após a abertura por um período de nove dias. DIAS 0 PERÍODO T Temperatura Ambiente (oC) 1 M 2 T M 3 T M 4 T M 5 T M 6 T M 7 T M 8 T M 9 T M T 23,0 20,9 23,2 21,8 25,0 23,3 23,0 22,0 23,2 21,0 22,0 21,5 23,0 23,5 26,0 22,0 26,0 23,5 26,0 Temperatura Silagem (OC) C.I.S.P 22,7 20,2 21,8 20,3 23,7 22,6 22,7 21,2 22,6 20,7 21,2 20,8 21,5 22,2 24,0 22,5 24,0 23,3 27,7 C.I.C.P 22,7 20,7 22,0 20,7 24,0 22,4 23,0 21,1 23,0 20,7 21,2 20,8 21,7 22,3 23,8 22,6 23,9 23,0 25,0 S.I.S.P 22,9 20,3 22,2 20,5 23,8 22,7 22,8 21,3 22,8 20,3 20,8 20,6 22,0 22,0 23,7 22,4 23,8 23,2 24,8 S.I.C.P 23,0 20,3 22,2 20,0 24,0 22,4 22,9 21,3 22,9 20,8 21,3 21,0 21,8 22,3 23,7 22,3 24,1 23,2 24,7 Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e sem adição de polpa cítrica (C.I.S.P), Silagem da gramínea pré-secada, com inoculante e com adição de polpa cítrica (C.I.C.P), Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e sem adição de polpa cítrica (S.I.S.P),Silagem da gramínea pré-secada, sem inoculante e com adição de polpa cítrica (S.I.C.P). 3.4 Degradabilidade Ruminal As variáveis referentes à estimativa dos parâmetros de degradação ruminal da MS das diferentes silagens de Cynodon nlemfuensis pré-secado são apresentadas na Tabela 10. Tabela 10. Parâmetros de degradação ruminal in situ da matéria seca da Cynodon nlemfuensis e da silagem de Cynodon nlemfuensis pré-sacado confeccionado com e sem inoculante bacteriano enzimático e com ou sem polpa cítrica. Tratamentos Degradabilidade efetiva (%) em função da taxa de passagem no rúmen A B c S (%) (%) (/h) (%) 0,06/h C.I.S.P 74,6 58,6 0,0254 22,5 40,0 0,9992 C.I.C.P 77,8 54,8 0,02738 24,5 41,7 0,9994 S.I.S.P 71,3 60,1 0,02751 19,0 37,9 0,9991 S.I.C.P 71,4 55,6 0,036970 23,5 44,7 0,9992 Cynodon nlemfuensis 73,2 57,9 0,024995 19,5 36,5 0,9993 R2 A= fração potencialmente degradável; B = fração potencialmente degradável sob ação da microbiota se não houvesse lag-time; c = taxa constante de degradação da fração potencialmente degradável por ação da microbiota; S= fração solúvel mais partículas com tamanho reduzido que atravessam os poros do náilon; R2 = coeficiente de determinação do ajuste dos dados ao modelo utilizado por Sampaio (1988). Independente da utilização de inoculante bacteriano enzimático, as silagens de Cynodon nlemfuensis confeccionadas com 8% de polpa cítrica proporcionaram maiores valores de potencial de máxima degradabilidade da matéria seca quando comparadas àquelas que foram confeccionadas sem polpa cítrica. 50 Quanto ao efeito do uso de inoculante bacteriano enzimático na confecção de silagem de Cynodon nlemfuensis, observou-se que o mesmo proporcionou aumento de aproximadamente 5.2% na degradabilidade efetiva do rúmen de silagens de Cynodon nlemfuensis que não foram confeccionadas com polpa cítrica (40,0 VS 37,90%). Entretanto, quando a silagem foi confeccionada com polpa cítrica o resultado do inoculante bacteriano enzimático foi inferior em aproximadamente 4 pontos percentuais na degradabilidade efetiva da silagem de Cynodon nlemfuensis. A degradabilidade efetiva no rúmen, estimada utilizando-se valor teórico de taxa de passagem de 0,06%/h, se observa que em silagens de Cynodon nlemfuensis confeccionados com a polpa cítrica e sem inoculante quando comparada às demais silagens avaliados. Esta silagem apresentou 7% a mais de degradabilidade efetiva no rúmen quando comparada a silagem confeccionada com polpa cítrica e com inoculante bacteriano (44,7 VS 41,7%). Comparando-se os valores destas silagens com as confeccionadas sem polpa cítrica, este valor é no mínimo 11,0% superior. Este maior índice deve-se principalmente a polpa cítrica, que apresentam alto potencial de máxima degradabilidade (A) (86%, com a taxa de 2%/h) (Martins et al., 1999). Comparando os índices de parâmetros de fermentação no rúmen da matéria seca de Cynodon nlemfuensis que não foi submetido ao processo de ensilagem, observa-se que o mesmo foi ligeiramente inferior 3 pontos percentuais ao ensilado. O resultado deste estudo indica que o processo de ensilagem não prejudicou a degradabilidade da matéria seca no rúmen. 51 4-CONCLUSÕES A adição de PC e inoculante bacteriano enzimático na silagem de Cynodon nlemfuensis Vanderyst, melhorou os teores para PB, FDA, N-NH3 e aumento dos teores de N-FDN e diminuição do pH. Não se verificou diferença da adição de aditivos para as variáveis EE, Celulose, Lignina, perdas de matéria seca na forma de gases e efluentes e estabilidade aeróbia das silagens. A adição de polpa cítrica aumenta os conteúdos de MS, diminuiu o FDN e melhorou os parâmetros de degradabilidade das silagens. 52 CONCLUSÕES GERAIS O uso de inoculante bacteriano e polpa cítrica proporcionaram menores percentuais de perda de matéria seca na ensilagem de brachiaria brizantha. O inoculante bacteriano enzimático melhorou a estabilidade da silagem de brachiaria brizantha. A associação de Polpa cítrica e inoculante bacteriano - enzimático proporcionaram maior potencial de degradabilidade ruminal na confecção da silagem de Cynodon nlemfuensis Vanderyst e da Brachiaria brizantha. 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GERAIS ALVES, M.J.; PEREIRA, O.G.; CECON, P.R. Rendimento forrageiro e valor nutritivo do capim-tifton 85 sob diferentes doses de nitrogênio, colhido ao atingir 30, 40 e 50 cm de altura. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Anais... Piracicaba: Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", 2001. ALVIM, M.J.; BOTREL, M.A. Efeito de doses de nitrogênio na produção de leite de vacas em pastagem de Coast-cross. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 36, n.3, p. 577583, 2001. ALVIM, M.J.; SIMÃO NETO, M.; DUSI, G.A. Efeito da disponibilidade de forragem e da adubação em pastagem de capim-angola sobre a produção de leite. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 27, n.11, p. 15411-1550, 1992. 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