PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA REGISTRADO(A) SOB N° ACÓRDÃO -2 o *01722603* c Vistos, relatados e discutidos estes autos de Mandado de 2 Segurança, N° 01189080.3/7-0000-000, da Comarca de Guarulhos, em que 3 é(sâo) IMPETRANTE(s) 4 o PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO DA COMARCA DE GUARULHOS, sendo IMPETRADO(s) MMJD DA VARA DO JÚRI DA COMARCA DE GUARULHOS, sendo INTERESSADO NOS AUTOS(s) DAMIÃO NASCIMENTO ANTÔNIO, FRANCISCO ANTÔNIO, JOSÉ ANTÔNIO. ACORDAM, em 5a Câmara da Seção Criminal, proferir a seguinte decisão: "CONCEDERAM A SEGURANÇA, RATIFICADA A LIMINAR, PARA QUE O JUÍZO ATENDA AOS REQUERIMENTOS DA JUSTIÇA PÚBLICA INDEFERIDOS, OFICIANDO-SE. ENVIE-SE CÓPIA INTEGRAL DO ACÓRDÃO AO I. MAGISTRADO. V.U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão. O julgamento foi presidido pelo(a) Desembargador(a) MARCOS ZANUZZI e teve a participação dos Desembargadores CARLOS BIASOTTI, PINHEIRO FRANCO. São Paulo, 24 de abril de 2008 OGAN 8 ^ T^r PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO VOTON° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS IMPETRANTE : 4 o Promotor de Justiça Substituto da Comarca de Guarulhos IMPETRADO : MM. Juiz de Direito da Vara do J ú r i da Comarca de Guarulhos Indeferimento de diligências requeridas pelo Ministério Público ao Juízo ao argumento de que deve oficiar diretamente, pois assim a lei lhe faculta. Segurança concedida para que atenda o juízo ao requerido. Ao integrar a lide, como parte» o Ministério Público deve ter tratamento idêntico ao da defesa não sendo caso de pertinentes de indeferir requerimentos expedição de ofícios, diligência também de interesse do juízo na busca da verdade real. Segurança concedida para que o Juízo expeça os ofícios requisitados. Ingressa o zeloso Dr. 11° Promotor de Justiça de Guarulhos com o presente mandado de segurança pretendendo a existência de direito líquido e /á 50.18.025 2 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO certo quanto ao atendimento de seu requerimento para que se oficiasse ao Diretor da Cadeia Pública de Santa Isabel a fim de que se informe se Francisco Antônio, investigado em inquérito policial instaurado para apurar homicídio, se encontrava preso naquele local no dia 07 de abril de 2000, data do delito. Esse requerimento foi elaborado em razão da versão dada pelo próprio investigado. O MM. Juiz, Dr. Leandro Jorge Bittencourt Cano, indeferiu o requerimento^como se verifica a fls. 233 dos autos, sob o argumento de que deveria o Ministério Público oficiar diretamente. O Dr. Promotor requereu a vinda de certidões do feito n° 67812/02 a fls. 234 e obteve a mesma negativa a fls. 235. / VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 3 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Pleiteou reconsideração justificando a necessidade das diligências e sobreveio o lacônico despacho de íls. 240 mantendo a negativa de expedição dos ofícios. Vieram informações da autoridade impetrada afirmando que reformou sua decisão neste caso concreto após o recebimento da liminar concedida. A douta Procuradoria de Justiça, em parecer do culto Dr. Ricardo Prado Pires de Campos, pleiteia a concessão da segurança com a ratificação da liminar. É o relatório. Há notícia nos presentes autos de que o indeferimento por parte do MM. Juiz de diligências requeridas pelo Ministério Público dentro dos autos, mesmo pertinentes, são indeferidas constantemente, entendendo que deve oficiar diretamente, pois a lei orgânica assim faculta. VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 <f0 h PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Está bem delineada a existência de direito líquido e certo. Por outro lado, "a despeito do artigo 5o da Lei n° 1.533/51 segurança dispor que de despacho recurso previsto não caberá ou decisão judicial nas leis processuais mandado quando ou que possa de haja ser modificado por via de correição, o certo é que a doutrina e a jurisprudência admitem o "mandamus" desde que haja direito líquido e certo e "periculum in mora" ( Mandado de Segurança na Justiça Criminal e Ministério Público, deste relator, 2 a edição, Saraiva, 1992, pág. 9 0 / 9 1 ). "Um dos temas fundamentais do cabimento do "mandamus" está na proteção de direitos cuja certeza e liquidez contestação VOTO N° 11.090 sejam evidentes e resistam a uma razoável MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 50.18.025 5 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Outrossim, não seria cabível ferir o ato de qualquer autoridade, se a ilegalidade não fosse flagrante, prova simples, no processo sumário estabelecido de para o mandado de segurança. Dizia a Constituição de 1934 que "dar-se-á mandado de segurança para a defesa incontestável, ameaçado ou violado por ato inconstitucional ou ilegal de qualquer Anota Cavalcanti expressão de direito, certo e que manifestamente autoridade". Themístocles " Pedro Lessa foi Brandão quem 'certo, líquido e incontestável introduziu nos julgados a do Supremo Tribunal, e apesar das críticas feitas, exprimia, com precisão, salvo o rigor da técnica das expressões exigências usadas, dos Juizes daquele Tribunal para que as pudesse ampliar o conceito clássico do habeas-corpus e outros direitos que não os concernentes à liberdade física". VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 6 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Para o Ministro Carlos Maximiliano, Castro Nunes, toda dúvida "é o direito translúcido, razoável nem laboriosas que cogitações", "entendidas constitucional, alcance desse o que levou o último a modo as simples de Segurança", não são as que comumente que parecesse simples líquido e certo fosse maiores considerações, prisma ao "tais dão entrada em juízo. ou subjetivo: no chegou-se a complicada assunto". a entender que não ou que não ensejasse que demandasse dúvidas, sob o jurídico. Anota Arnold da estariam que individual aquele texto concluindo poderia ser para outro, menos enfronhado direito exame, do a um juiz, difícil e Inicialmente de considerar palavras muito o critério seria por demais questão acima de plano, sem detido só as questões do Mandado questões Aliás, apurável evidente, anota Constituição VOTO N° 11.090 de 1946, Wald que a partir, evoluiu a doutrina todavia, e MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7^00 / 7 GUARULHOS a 7 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO jurisprudência, fixando-se, determinação então, do que fosse critérios objetivos a seguinte certo não mandado redação: amparado de responsável "Para proteger por habeas segurança, substituição da expressão qual direito Agrícola a benéfica, Barbi controvérsias estabelecidas autoridade lembra que u certo e incontestável* acabando e poder". direito "líquido e certo", na citada Constituição altamente líquido conceder-se-á for ou abuso de direito Constituição corpus, seja pela ilegalidade Celso a direito líquido e certo. O artigo 141, § 24°, dessa tinha para com e simplificando a por de 1946, foi intermináveis grandemente a questão. e certo "é pedra Acrescenta que o conceito de direito de toque, a chave de abóbada edifício", motivo pelo qual se torna necessário com líquido de todo caracterizá-lo clareza. VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 8 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO O Ministro Costa Manso, em voto no Mandado de Segurança n° 333, em 9 de dezembro 1936, colocou lapidarmente empregou 'poder ou faculdade', (direito subjetivo). de o problema: "Entendo Constituição, proferido que o artigo o vocábulo decorrente 113, n° 33, da 'direito' com sinônimo de da 'lei' ou 'norma Jurídica Não aludiu à própria 'lei ou norma objetivo). O remédio judiciário (direito não foi criado para a defesa lei em tese. Quem requer o mandado defende isto é, o direito subjetivo ou protegido pela lei O direito subjetivo, reconhecido o direito da parte, é constituído relação entre a lei e o fato. A lei, porém, incontestável. A ninguém obscuridade, a indecisão sentenciar Só se ou despachar exige localidade, prova 'o seu da por é sempre uma certa e é lícito ignorá-la, e com o silêncio, dela não se exime (Código Civil, art. 5o da do direito estrangeiro ou e isso mesmo se não for notoriamente O fato é que o peticionário VOTO N° 11.090 direito', deve tornar certo e o juiz a de Introdução). de outra conhecido. incontestável, MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-Oo//dUARULHOS 9 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO para obter Mandado e aplicado pelo juiz, interpretação textos plano' ou admitir harmonizar se declare complexos os o juiz contraditórios. incapaz apresente, de resolver difícil ou de direito, por mais intrincada para conceder ou denegar os Seria de haver preceitos ou de inteligência de esclarecer Desde, pois, que o fato seja certo, e incontestável, juiz a questão declarado mão dos processos pela ciência para um litígio sob o pretexto esparsos, O direito será que lançará estabelecidos obscuros absurdo de Segurança. 'de legais duvidosa. resolverá o e difícil que se o mandado de o mandado de segurança'*. Essa segurança sem influência antecederam processo de colocação nos dos remédios tribunais, de rito sumaríssimo, autoridades, lesivos conceitua de que "nada mais direitos que o é que para o uso contra certos sempre que não haja incerteza sobre os VOTO N° 11.090 processuais individuais, um atos cabível fatos". MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS i^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO afirmou-se No voto proferido pelo Ilustre Costa Manso, que "se é certo o fato, certo será o direito, porque certa é sempre Castro Nunes, a lei", com o que não concordou, ao dizer que mudava em "os termos da parte, questão", pois lhe parecia correto que "certo será o direito se for certo o fato e certo o fundamento segundo ato elemento, legal", situando-se ou no fundamento a crítica no legal, na apreciação do impugnado. "É dever legal da autoridade fato ou dele abster-se. Esse dever há de no prestar estar na o lei inequivocamente. Se razoavelmente possa compelir a lei é obscura a mais de um entendimento, a autoridade praticar ato da sua a praticar presta-se não vejo como se ou abster-se de função". Anota Castro Nunes que "direito líquido e certo' ou que assim deva ser declarado VOTO N° 11.090 ou situa-se, MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/74M) como já ficou GüARULHOS 50.18.025 11 ^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO explicado, no plano Jurídico da obrigação certa quanto à sua existência, determinada prestação exigida. quanto ao seu objeto e líquida Se é certa a obrigação em termos suficientemente se ou de praticar abstenção um dado na lei o dever de ato, será e por igual o direito Líquido o que da autoridade, esse se abster- ato ou essa devida o objeto do pedido. A obrigação será certa e determinada expressão, precisos na está reclamado. no texto como mais na acepção vulgar de escoimado eqüivale obrigação a certo, do que de de dúvidas, correlato da correspondente". Dessa forma, se apoia em fatos incontroversos, Esclarece líquido e certo é tipicamente VOTO N° 11.090 no sentido reforço direito líquido e certo é o que incontestáveis. Barbi que "o conceito de processual, pois atende MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080^/7-00, direito ao modo GUARULHOS 50.18.025 12 2 ^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO de ser de um direito subjetivo no processo: um determinado direito subjetivo a caracterização de liquidez e certeza; está só lhe é se os fatos em que se fundar incontestável, dá quando realmente a circunstância puderem certa, no processo. uma demonstração existir não lhe dá atribuída ser provados deforma E isto normalmente a prova for documental, só se pois esta é adequada n° 2.942, julgado Tribunal Federal Sampaio Costa em 20 de julho de Recursos, "A liquidez decorrem de situações mas de sua apresentação, julgador não praticada"" VOTO N° 11.090 só a imediata e segura dos Jatos". Arnold Wald traz à colação o Mandado Segurança de de fato sendo e certeza ajustadas de 1953, Relator do como verificar pelo Ministro direito com estreme de dúvidas, apurá-lo, o de não habilidade, permitindo a ao violência ( obra acima cit. págs. 5 5 a 5 8 ). MANDADO DE SEGURANÇA N" 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 50.18.025 1 3 ^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO O fato do Ministério Público poder oficiar diretamente não significa que, dentro do processo ou inquérito, submetido ao crivo judicial, tenha que ter u m tratamento diverso do réu, que no caso de expedição de ofícios necessita de autorização judicial. E isso fica claro porque o Ministério Público extra autos pode agir como autoridade requisitando diretamente documentos que, juntados aos autos, passam a estar sujeitos ao crivo do contraditório, como qualquer outra parte. Isso não autoriza o indeferimento pelo Juízo de requerimento pertinente, como o apresentado no caso presente, onde o zeloso Dr. Promotor, em razão da versão dada pelo acusado em processo de homicídio de que se encontrava preso em outra Comarca quando da ocorrência do crime, procurou verificar a veracidade do álibi e requereu ao Juízo a expedição de ofício àquela Comarca para comprovação do alegado. VOTO N° 11.090 sr MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GÜARULHOS 50.18.025 14 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Nesse caso o Ministério Público e s t a v a agindo como custos legis, inclusive e m benefício do próprio investigado n a b u s c a d a verdade real. Ensina o Professor José Frederico Marques: "Como inquérito instrumento ê peça que interessa acusação. ação precipuamente penal, o ao órgão da O promotor público, que recebe um inquérito, tiver por deficiente, pode novas imprescindíveis diligências denúncia' essa da quaisquer das hipóteses ao oferecimento é oferecida, previstas Penal. Proceder completamente VOTO N° 11.090 volta à polícia, o papel do 'para da malgrado não pode o juiz deixar de recebê-la, Código de Processo desnaturar sua (art. 16); mas, se a denúncia deficiência, ocorrendo pedir se o salvo no art. 43, do de outra forma, seria inquérito. MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS *tf\A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Só ao Ministério Público cabe nulidade, ou não, dessas diligências; juiz dado o pedido será tampouco, indeferir como já se fez numa sendo dizer assim, nem a elas pertinente, das varas do órgão da ação da Capital integrados acusador da denúncia da notitia elementos procedência Como a denúncia a qualificação possa criminis, suficientes identificá-lo, necessário, de forma para o rol de testemunhas do aparente dessa notícia criminoso, pelos quais crime (art. 41), e, do crime que lhe forneça é essa a função instauração VOTO N° 11.090 no juízo quando de ao uma todos esses elementos; do inquérito como instrumento da instância se segue-se Ministério Público, para iniciar a ação penal, necessita informação ao da do fato ou esclarecimentos dados a oferecer qferir improcedência a classificação ao que colhem os deve conter a exposição do acusado pedido imprescindíveis são aquelas ou da manifesta do penal. Diligências oferecimento ao nem Estado de São Paulo, devolver os autos à polícia, após de arquivamento da criminal, MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080- que habilita pelo e a Ministério GUARULHOS 50.18.025 16 lf\^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Público. Por outro lado, embora obrigatória, a ação penal pública não se pode recusar certa margem ao Minis tério Público, relativamente ao de liberdade exercício ou exercício da ação penal. Ora, que melhor instrumento isso policial? que o inquérito ("Elementos seja não para de Direito Processual Penal", Volume I, 2 a edição rev. e atualizada, Millenium, 2000, pág. 169). Embora da ação penal, a investigação probatórios que podem instrutório definitivo para imediata policial na produção investigação, apresente causa preparação logo, elementos como o julgamento com as provas e direta da para que em Mas, quando da própria que existe autoridade a judicialização a instrução com o valor da prova, dado pretensão ali obtidas da prova, o caráter inquisitivo, torna imprescindível ato probatório ã posteriormente o aspecto técnico da pesquisa. a participação do apenas colhe, desde servir punitivcL É o que sucede predomina destinada que tem a ulterior ali contida ao ter o juiz de decidir se a penal VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 50.18.025 17 V<b PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Verifica-se, objeto de duas instrução. operações Aquela, juiz os acusação a ser distintas: final da pretensão como elemento dados que a prova integrante necessários sobre penal a investigação por ser extrajudicial, base ao julgamento instrução, assim, não pode punitiva, é e servir a de pelo que só a do processo a quaestio , fornece ao facti da é de todo julgada. A investigação, porém, não inócua para a elucidação final do caso. Em primeiro lugar, as informações instrução dados nela contidas processual; preciosos para em orientam a produção segundo exames lugar, e pesquisas de provas na colhem-se, ali, probatórias na fase judicial de apuração do delito. Com o aparelhamento técnico e material que possui, e com os meios de que pode dispor para elucidação e conhecimento Polícia Judiciária VOTO N° 11.090 rápido do evento está apta a colher, desde pronta delituoso, logo, a abundante MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 50.18.025 18 v ^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO material para instrução pesquisas, do processo exames e provas durante a ("Elementos de Direito Processual Penal", Volume II, 2 a edição rev. e atualizada, Millenium, 2 0 0 0 , págs. 3 3 6 / 7 ) . "De um modo geral, o ônus repartido, também probandi no processo penal, segundo a regra de que 'incumbe a cada uma das partes alegar e provar os fatos são a base da norma que lhes é favorável. trate de norma jurídico-pencd, é E isso quer como de norma que se processual" (ob. cit, pág. 348). "O juiz penal, como aquele civil, não fica inerte, ou como simples instrução do processo. Código de Processo averiguada defesa, Pena, notadamente devidamente a matéria durante A prudência o do art. 156. da acusação de prova que possa deve o juiz ordenar as diligências VOTO N° 11.090 expectador, processo É o que se vê de diversos preceitos e existindo fonte necessárias. do instrutórias ser ou MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 do Não da explorada, que se e cautela que o devem a fizerem nortear em GUARULHOS 50.18-025 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO todo ato jurisdicional mostrarão o momento intervenção e ainda em que amplitude ela deve para que, assim, não desça instrutório, como se fosse juiz, segundo mucho ensina comprometer su para suplir partes, pode ao terreno Só de O intervir mantenerse su solucion ni excepcionalmente, de Ia prueba determinar, debe para sin prejuzgar imparcialidad. Ia deficiência é que no de pruebas, dei litígio, operar-se, uma das partes em contenda. Alcalá-Zamora, como buscador por encima o magistrado, dessa ofrecida ofício, pelas diligências probatórias1'. "Daí não se segue, porém, que inexista um ônus probandi obrigadas no processo penal. As partes a fazer prova do que alegam, mas não estão submetidas apenas ao ônus de demonstrar essas alegações, para evitar um prejuízo futuro. Mesmo em procedimento acentuadamente inquisitivo, a 'parte pode encontrar-se em situação tal que a não-demonstração VOTO N° 11.090 de um determinado fato redundaria MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 em GUARULHOS 50.18.025 20 lf\^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO seu prejuízo; e, nesse caso, é da parte o ônus material da prova'" {ob. cit, págs. 349/350). Inúmeras decisões dessa E. Corte já tornaram a postura assumida pelo i. Magistrado ultrapassada, revelando que não atende ao objetivo último do processo que é a busca da verdade real, só servindo para atulhar a instância superior de recursos por matéria que poderia perfeitamente estar resolvida a bom termo em primeiro grau de jurisdição. É da jurisprudência: "CRIMINAL. OMISSÃO RECURSO NO ESPECIAL. RECOLHIMENTO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIAS, APURAÇÃO DO DE PATRIMÔNIO PARA A E DA SITUAÇÃO FINANCEIRA DA EMPRESA E DE SEUS FACULDADE VOTO N° 11.090 SÓCIOS. INDEFERIMENTO. CONFERIDA AO MP, QUE MANDADO DE SEGURANÇA N" 1.189.080-3/7-00 / GXMRULHOS 50.18.025 «7^ PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO NÃO EXCLUI A JUDICIAL. INTERVENÇÃO CERCEAMENTO ATIVIDADE MINISTERIAL. BUSCA DA RECURSO I - A faculdade realizar as entender cabíveis, não que intervenção do juiz determinação de eventalmente pleiteadas se Representante encontrava para pelo à Parquet Ministerial e busca demonstrado devidamente a providências imprescindíveis real, PROVIDO. de diligências verdade REAL. ao Público reputadas À conferida Ministério a ÓBICE VERDADE DESCABIMENTO. exclui À da que não aparelhado o se para tanto. II - Não evidenciado meramente VOTO IVo 11.090 protelatórío importância para equivocada da a o ou diligência causa, decisão intuito sem mostra-se impugnada, MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7^00 ^ O U A R U L H O S 50.18.025 22 qj\* PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO porque, cerceando a atuação processual do Ministério Público, obsta a busca da verdade real. III - Recurso provido, para cassar a decisão recorrida e determinar expedição, pelo Julgador da causa, ofício requerido pelo Ministério a do Público. (STJ, Quinta Turma, Resp 273766/RS, Rei. Dipp, julgamento Ministro 07/05/2002, Gilson DJ 03/06/2002, p. 239)". O Ministério Público no processo penal exerce duas funções: é custos legis e titular da ação penal pública. Não é desconhecido que o artigo 47 do Código de Processo Penal já o autorizava à realização direta de diligências, artigo esse oriundo de 1941. As leis orgânicas vieram ratificar tal fatg^ VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-^OjlK V GUARULHOS 50-18.025 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Mas além de ser uma * faculdade do Ministério Público, não deixa de existir a obrigação do Juízo de determinar as diligências, já que o fim do inquérito ou processo interessa também ao Poder Judiciário na aplicação da lei e busca da verdade real. A existência de faculdade deferida ao Ministério Público não impede o cumprimento da obrigação do Juízo de deferir o cumprimento de diligências requeridas pela Justiça Pública pertinentes. Há primo occuli direito líquido e certo, já que pertinentes os requerimentos do Ministério Público. Anoto que o fato do i. Magistrado ter reformulado sua decisão após recebimento da liminar concedida, não é obstáculo para que se julgue prejudicado o presente mandamus, ordem dessa VOTO N° 11.090 Corte posto que só assim agiu após receber para cumprimento de diligênci£j^? MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-OO^^ÜARULHOS 50.18.025 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO eqüivalendo efetivamente sua mudança de postura a u m atendimento da liminar. Isso posto, concede-se a segurança, ratificada a liminar, para que o Juízo atenda requerimentos da Justiça Pública aos indeferidos, oficiando-se. Envie-se cópia integral do Acórdão ao i. Magistrado. miao Pinheiro Machadoi 'Desembargador Relator VOTO N° 11.090 MANDADO DE SEGURANÇA N° 1.189.080-3/7-00 GUARULHOS 50.18.025