Rosilene Miliotti
42
junho de 2013 - Maré, Rio de Janeiro -
Educação em debate
Maré
Pré-UPP
Chaveiros relatam demanda
em dias de incursão. Pág. 10
Professores, diretores de escola, coordenadores pedagógicos, profissionais da
área, além de moradores e demais interessados participaram do III Seminário
de Educação da Maré: Compartilhando
Saberes e Vivências, em fins de maio. O
objetivo comum dos participantes é contribuir para a valorização das escolas públicas locais. O próximo passo será atrair
o interesse de mais professores para ampliar este debate.
Pág. 8 e 9
Seus direitos
Nesta edição, Direitos das Mulheres.
Pág. 6
Sexo?
Só com proteção! Pág. 7
Reprodução
Festa de bolinhas A última a chegar
Sabe a música do Chico Buarque: “Estava
à toa na vida, meu amor me chamou, para
ver a banda passar”? Pois é o que acontece com a criançada quando passa pela
rua o João da Bolinha. “Tem bolinha de sabão que entra pelas janelas das casas e
já chama a atenção das crianças. Quando
passo pelas ruas é uma correria”, conta,
satisfeito, Seu João.
Pág. 3
Lançamento
Centro de Artes e a volta da Lona! Pág. 15
Rosilene Miliotti
igues
/ foto AF Rodr
Reprodução
Livro sobre saídas do tráfico Pág. 13
D. Maria Luiza, hoje aos 78 anos, construiu o último barraco do Parque Maré
nos anos 1960, depois de ter passado
por outras cidades, onde até escrava
foi. Ela é uma das moradoras que conta a história de sua comunidade no livro
sobre memória da Maré, a ser lançado
pela Redes.
Pág. 4 e 5
Fabíola Loureiro
MorgueFile
distribuição gratuita
Elisângela Leite
Ano IV, No
EDI Moacyr de Góes contesta informações
Vidas em movimento
Esta edição está bem representativa da
Maré, ao mostrar aspectos diversificados
do nosso cotidiano. Somos assim:
lutamos por educação de qualidade,
brincamos nas ruas com as bolinhas de
sabão do Seu João e ouvimos com prazer
a história da comunidade contada pelos
próprios moradores. Debatemos direito à
segurança pública, problematizamos as
UPPs, mas também nos divertimos em
festas e eventos ouvindo rock, samba,
funk.
A Maré é vida – muita vida. É isso que o
Maré de Notícias tenta passar, ao mostrar
moradores e trabalhadores em situações
distintas, que ilustram o rico cotidiano
local.
Sobre UPP, convidamos a todos para
acompanhar também o facebook (/
redesdamare) e o site da Redes (www.
redesdamare.org.br), onde temos postado
reportagens e artigos sobre a chamada
pacificação e as consequências das
incursões policiais que vem ocorrendo
neste primeiro semestre. Uma das
últimas tirou a vida do mototaxista Bruno
Silva da Cunha, de 27 anos, durante uma
operação feita por um blindado (caveirão)
que estacionou na Rua Principal e
atirava em quem passasse pela rua,
principalmente nos motoqueiros. Leia
no site na aba “Maré Pré-UPP” e ajude a
denunciar os abusos.
Na ed. nº 41, há um Box “Ações afetam pais e alunos”
(pág. 10), cujo conteúdo está bastante equivocado.
Logo no primeiro parágrafo, afirma-se que o Espaço de Desenvolvimento Infantil Professor Moacyr de
Góes, do qual somos gestoras, permaneceu fechado
e sem aulas durante duas semanas em abril. Esta
informação é completamente equivocada. Por orientação da Secretaria Municipal de Educação, nossa
unidade escolar não teve atendimento somente nos
dias 18 e 19 de abril. O que se seguiu a estes dias
foram fim de semana (dias 20 e 21), ponto facultativo (22) e feriado de São Jorge (23). Retornamos
nossas atividades no dia 24 de abril, como todas as
outras unidades escolares da rede municipal. (...) Enfrentamos sim dificuldades em lotar nosso quadro de
funcionários, em virtude dos inúmeros conflitos ocorridos nos últimos meses. No entanto, todos os funcionários aqui lotados são assíduos, pontuais e comprometidos. Mesmo com todos os riscos enfrentados nos
dias de operação policial, nossa equipe comparece e
cumpre seu papel.
Samantha Lobo (diretora geral)
e Cátia Arruda (diretora adjunta) - EDI Moacyr de Góes
Resposta da Redação:
Pedimos desculpas se a reportagem deixou transparecer um tom de crítica aos profissionais lotados
no EDI Moacyr de Góes. De modo algum era esta
a intenção. Relendo a matéria, entendemos que
as duas entrevistadas explicaram o transtorno de
mães que trabalham fora e precisam encontrar alternativas para os dias sem aula. Relataram ainda
a falta de pessoal na parte da tarde.
No tocante à quantidade de dias, verificamos terem
sido outros três sem aula, dois deles (dias 18 e 19)
por determinação da Secretaria devido às incursões
e um previamente agendado para Centro de Estudos (dia 17). Uma das mães, ouvida novamente na
primeira semana de junho, disse que até aquele dia
sua filha estava tendo atividade apenas até o meio
dia, quando o horário normal de funcionamento do
EDI é até as 16h.
De qualquer forma, pedimos desculpas pois não é
intenção do jornal criticar uma unidade escolar, em
particular; e sim trazer informações sobre o transtorno vivido pelos moradores em função das operações, o que, inclusive, é admitido pela Coordenadoria Regional de Educação (leia nesta edição, na
pág. 8 e 9). Em outras reportagens, buscamos ouvir
professores, compreendendo a dificuldade vivida
por todos nos últimos meses. Gostaríamos de nos
solidarizar e juntar esforços. Por isso, pedimos sinceras desculpas por não termos deixado isso claro.
Agora você pode baixar todas as edições do Maré de Notícias no site da Redes: www.
redesdamare.org.br. Clique na imagem do jornal na página principal do site e veja mais
abaixo as capas de todos os números! Boa leitura!
Boa leitura.
Expediente
Associação dos Moradores e
Amigos do Conjunto Esperança
Biblioteca Comunitária Nélida Piñon
Centro de Referência de Mulheres
da Maré - Carminha Rosa
Instituição Proponente
Associação de Moradores
do Conjunto Marcílio Dias
Diretoria
Associação de Moradores
do Conjunto Pinheiros
Conjunto Habitacional Nova Maré
Associação de Moradores
do Morro do Timbau
Conselho de Moradores
da Vila dos Pinheiros
Associação de Moradores
do Parque Ecológico
Luta pela Paz
Redes de Desenvolvimento da Maré
Andréia Martins
Eblin Joseph Farage (Licenciada)
Eliana Sousa Silva
Edson Diniz Nóbrega Júnior
Helena Edir
Patrícia Sales Vianna
Coordenação de Comunicação
Silvia Noronha
Instituição Parceira
Observatório de Favelas
Apoio
Ação Comunitária do Brasil
Administração
do Piscinão de Ramos
Associação Comunitária
Roquete Pinto
Associação de Moradores e
Amigos do Conjunto
Bento Ribeiro Dantas
Associação de Moradores
do Parque Habitacional
da Praia de Ramos
Associação de Moradores
do Parque Maré
Associação de Moradores
do Parque Rubens Vaz
Associação de Moradores
do Parque União
Associação de Moradores
da Vila do João
Associação Pró-Desenvolvimento
da Comunidade de Nova Holanda
Conexão G
União de Defesa e
Melhoramentos do Parque
Proletário da Baixa do Sapateiro
União Esportiva
Vila Olímpica da Maré
Editora executiva e
jornalista responsável
Silvia Noronha
(Mtb – 14.786/RJ)
Repórteres e redatores
Aramis Assis
Hélio Euclides (Mtb – 29919/RJ)
Rosilene Miliotti
Fabíola Loureiro (Estagiária)
Mauricio Miranda (Estagiário)
Fotógrafa
Elisângela Leite
Projeto gráfico
e diagramação
Pablo Ramos
Logotipo
Monica Soffiatti
Colaboradores
Anabela Paiva
André de Lucena
Aydano André Mota
Flávia Oliveira
Thais Herdy / Anistia Internacional
Coord. de distribuição
Givanildo Nascimento
Impressão
Gráfica Jornal do Commércio
Tiragem
40.000 exemplares
Leia nosso Maré na internet e baixe o PDF:
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Redes de Desenvolvimento da Maré
Rua Sargento Silva Nunes, 1012,
Nova Holanda / Maré
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Os artigos assinados não
representam a opinião do jornal.
Parceiros:
O homem das
bolinhas de sabão
João
Inácio
Martins,
mais conhecido com João
da Bolinha, sobrevive de uma
atividade muito diferente: é vendedor
do brinquedo caseiro que faz bolinhas
de sabão. Ele veio de Pernambuco, onde
Quando ele passa, a criançada sai atrás e
já vendia o material, e na Maré continuou o
festa de bolinhas de sabão
trabalho. O vendedor cria o brinquedo em
casa e sai pelas ruas alegrando a garoTu d o
tada. “Até os adultos sentem um prazer
Hélio Euclides
começou
quando
em fazer as bolinhas. Eles se tornam
Rosilene Miliotti
o filho de João veio ao Rio
crianças, lembram da infância”,
de
Janeiro
e
aprendeu
a
técnica.
relata o personagem.
Quando voltou à terra natal, ensinou ao
pai, que deu início à produção do brinquedo
ainda no Nordeste. João da Bolinha conta
que começou a vender na Maré na época do
Plano Real, em 1994, mas que antes já tinha
trabalhado em creche e com ferro velho. “No
“A s
tempo ganhava dinheiro, pois surgia muito
minhas
bolas
cofre nos ferros velhos. Mas também perdi
de sabão são maiores do
muito dinheiro com jogo de relancinho
que as feitas pelos industriais
(jogo de cartas)”, relembra. Hoje,
e ainda gasto pouco. Quanto
aos 76 anos, ele está
maior o brinquedo, maior a bolinha.
aposentado.
Vendo o brinquedo com um copinho
de sabão por R$ 1”, detalha. Contudo,
ele não ensina a fórmula de fazer o
divertimento a ninguém. Afinal, a
qualidade de seu produto é
o diferencial que atrai a
criançada.
Pa r a
João, um bom
dia para as vendas
é domingo. Uma vez, ele
chegou a conseguir R$ 60.
Ele consegue uma renda extra
quando é contratado para trabalhar
em festinha. Nesse caso são R$
30 por duas horas, tempo em
que fica fazendo as bolinhas
e ainda vende os
brinquedos.
A
sua rota de venda vai do Parque União
Mas
até
a Vila do João. Por onde
até os dias chupassa as pessoas já o reconhevosos são marcantes.
cem
como o vendedor das bolinhas.
Certa vez, na Vila do Pinheiro,
“Tem bolinha que entra pelas janelas
caiu uma chuva forte e não dava
das
casas e já chama a atenção das
para vender, mas uma moradora lhe
crianças. Quando passo pelas ruas é
deu uma capa de chuva. Isso, conta
uma correria. Sinto-me bem fazenele, o emocionou. Por onde passa as
do esse trabalho, em especial
pessoas o recebem de braços abertos,
quando está sol e fica tudo
e são comuns os agrados. “Nas micolorido”, conta.
nhas andanças consigo amizade
das crianças e dos pais”, revela ele, feliz da vida.
3
PERFIL
CARTA
Editorial
a rua vira uma
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
EDITORIAL
2
“Quando
passo pelas ruas
é uma correria.
Sinto-me bem
fazendo esse
trabalho”
5
Moradora conta vários episódios vividos por ela, até mesmo do tapa que levou do então marido.
Ela revidou bravamente, mas acabou passando uns dias na cadeia
Fabíola Loureiro
Maria Luiza nos dias de hoje,
folheando o álbum de fotos
Fabíola Loureiro
Maria Luiza Souza da Silva,
de 78 anos, nasceu no Espírito Santo e veio para o Rio de
Janeiro com dois anos de idade, indo morar em Pureza, distrito de São Fidélis, no norte do
estado. A capixaba conta que
já adulta morou um tempo em
Manguinhos com o marido, Realino Lucas, e na década de
1960 mudou-se para a Maré.
“Quando cheguei aqui, logo
comecei a trabalhar como empregada em casa de família
para ajudar na renda mensal.
Aqui não tinha casa de tijolos,
apenas barracos de madeira,
uns maiores e outros menores,
mas tinha bastante morador”.
undo marido,
Maria Luiza e Antônio, seu seg
dois momentos:
com quem teve sete filhos, em
amento (à direita)
mais novos (acima) e no cas
Quem organizava a favela nessa
época era o mineiro Manuel
Virgílio, líder da Associação do
Parque Maré, conhecido como
Manuel da Foice por sempre
estar com uma foice amarrada
na cintura. Ele liberou um espaço
para o casal construir um barraco
de madeira. Segundo Maria
Luiza, este barraco foi o último a
ser erguido, pois logo em seguida
começou a construção da Nova
Holanda.
Um episódio marcante na vida
de Maria Luiza foi quando seu
marido lhe deu um tapa no rosto
e ela revidou, fazendo-lhe um
pequeno corte com um canivete.
Seu Realino foi para o hospital
“Tinha uma bica na Teixeira
Ribeiro aonde todos os moradores
iam com a lata para encher de água.
Lembro que fui a primeira a receber
a água (encanada). Foi num dia de
sábado de Aleluia”
Maria Luiza com o segundo marido,
Antônio, os filhos e familiares
e ela passou oito dias presa.
Depois disso eles se separaram,
o marido vendeu o barraco e foi
embora levando seus dois filhos
juntos. Passado algum tempo,
Maria conheceu Antônio Pereira
da Silva, que era cunhado de
uma vizinha sua. Com ele teve
sete filhos e se casou depois de
estarem 24 anos juntos. Após o
casamento ficaram mais oito anos
juntos até Antônio falecer, em
1997. “Entre mortos e feridos, tive
quase uns vinte filhos”, conta.
Mudança no nome
Outra história curiosa é que, ao
nascer, Maria Luiza, na verdade,
recebeu o nome de Cionilia,
escolhido por sua mãe. Porém,
ao crescer, ela não gostava desse
nome porque as pessoas não
conseguiam falar corretamente.
Aos 8 anos, Maria Luiza perdeu
sua mãe e conta que foi trabalhar
como escrava numa fazenda em
Campos dos Goytacazes, no
norte do estado do Rio. Ela lavou
louça e limpou o chão em troca de
comida durante cinco anos, até
conseguir fugir, recebendo abrigo
na casa de um casal italiano. Já
adolescente, gostava de sair para
pescar com as amigas: “Na roça
minha vida era pescar. Eu adorava
e só pescava peixe grande!”.
Como não tinha sido registrada
quando
criança,
foi
preciso
preparar a documentação para
poder se casar com Antônio.
Assim, ela teve a oportunidade de
sugerir o nome que gostaria de
ser chamada: Maria Luiza.
Há 53 anos na Maré, ela conta
que, ao chegar aqui, encontrou
o problema da falta d’água.
Somente na década de 1980 é
que a água encanada chegou
para todos. “Tinha uma bica na
Teixeira Ribeiro aonde todos os
moradores iam com a lata para
encher de água. O presidente
da associação responsável por
providenciar isso foi o Manolo. Ele
foi de casa em casa saber quem
queria ter água encanada. Lembro
que fui a primeira a receber a
água. Foi num dia de sábado de
Aleluia”, lembra, orgulhosa.
Maria Luiza é uma das entrevistadas pelo Núcleo Memória e Identidade da Maré (Numim), projeto
da Redes que lançará em breve o
segundo volume da Série Tecendo Redes de Histórias e Memórias da Maré. O primeiro foi sobre
a Nova Holanda. Este será sobre
o Parque Maré e sobre o Morro do
Timbau. Um dos princípios do projeto é valorizar a história da comunidade a partir da vivência dos
moradores (para saber a data do
lançamento, acompanhe o facebook da Redes: /redesdamare ou
o site: www.redesdamare.org.br).
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Nossa História
O último barraco construído no Parque Maré
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
NOSSA HISTÓRIA
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SEXO
Direitos das Mulheres
A Equipe Social, desde sua origem na Redes, vem debatendo a questão de gênero, que possui uma demanda específica nos Grupos de
Pais, onde a presença do público feminino é predominante. O Grupo de Pais é realizado em algumas escolas do bairro, onde acontece
o Programa Criança Petrobras na Maré, e propõe a possibilidade de que pais e responsáveis cobrem, decidam, criem e acessem seus
direitos, exerçam a cidadania e deem movimento a uma participação ativa no bairro.
Ressaltamos que no desenvolvimento do Grupo de Pais, o trabalho com as famílias vai além das ações que possam transformar o
universo escolar. O grupo tenta influir no processo de formação e consciência crítica. Assim, enfatiza discussões sobre aspectos que
afetam a coletividade (educação, política, cultura, saúde, direitos humanos, entre outros) e também a criação de formas de organização,
participação e mobilização.
Para a busca pela garantia dos direitos das mulheres, em específico, listamos alguns lugares de referência:
Conselho dos Direitos da Mulher RJ (Cedim): Rua Camerino, 51. Gamboa - Centro. Tel: (21) 2334-9513 / 2334-9508
Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa: Rua 17 s/nº. Vila do João - Maré. Tel: (21) 3104-9896
Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam): Rua Visconde do Rio Branco, nº 12 – Centro. Tel (21) 2332-9994
VI Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Juiz titular: Alberto Fraga. Rua Filomena Nunes, 1071 Sala 106 Olaria - Fórum Regional da Leopoldina. Tel: (21) 3626-4000 / E-mail: [email protected]
Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem): Rua México, nº 168, 3º Andar - Centro.
Tel: (21) 2332-6371 / E-mail: [email protected]
Há ainda os serviços abaixo para buscar
orientações em caso de violência:
Disque Mulher: (21) 2332-8249
Disque SOS Mulher: (Alerj) - 08002820119
Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180
Nas situações em que a menina ou mulher sofrer violência sexual,
ela pode ser atendida em um hospital de emergência. Há, no
entanto, algumas instituições de referência em caso, por exemplo, da
necessidade de realização de aborto, quando este for permitido por
lei. Para este tipo de atendimento, o Hospital Maternidade Fernando
Magalhães pode ser procurado: R. General José Cristino, 87 - São
Cristóvão. Tel: (21) 3878-2327.
Algumas mulheres são vítimas de violência doméstica e têm suas vidas
ameaçadas. Em todo o Brasil há abrigos que acolhem estas mulheres.
No entanto, o endereço e telefone dos mesmos não são divulgados,
como forma de proteger estas mulheres e mantê-las em segurança.
Caso avalie que você ou alguém que você conheça precisa ser acolhida
em um destes abrigos, o Disque 180 é um dos canais onde se pode falar
a este respeito e receber orientações, além dos Centros de Referência
de Atendimento às Mulheres, como o CRMM, na Vila do João.
Desenvolvido pelo Conexão G
em parceria com o Ministério da
Saúde, o projeto “Afirmando vozes
e identidade” visa a reeducação da
prática sexual com proteção
só co m pr ot eç ão
Rosilene Miliotti
Os jovens têm se preocupado
cada vez menos em usar camisinha na primeira relação sexual,
principalmente os homossexuais.
Muitos admitem que a primeira
relação foi sem preservativo. Pensando nisso, o Ministério da Saúde importou dos Estados Unidos a
metodologia “Muitos homens, muitas vozes”, uma intervenção em resposta a crescente contaminação
de adolescentes homossexuais no
Brasil. Na Maré, a metodologia ganhou o nome de “Afirmando Vozes
e Identidade”, que tem como foco
homens, negros, gays, bissexuais,
maiores de 18 anos e moradores
de favela. Uma das metas do projeto é que todos os participantes
façam o teste de HIV.
Os Centros de Referência Especializado da Assistência Social
(Creas) também devem estar preparados para identificar e
acolher casos de violência contra as mulheres e realizar os
devidos encaminhamentos. Os moradores da Maré são
atendidos pelo Creas Stella Maris. Estrada dos Maracajás,
nº 973 - Ilha do Governador. Tel: 3975-5478.
Segundo Lima, facilitador do projeto na
Maré, uma das hipóteses para o aumento
da propagação do HIV é que hoje as
pessoas sabem que terão mais acesso
aos medicamentos, o que muitas vezes
as deixa despreocupadas. Com isso,
elas mantêm uma vida sexual ativa sem
proteção. “As pessoas não conhecem
bem as formas de contaminação, nem
os efeitos colaterais tanto dos remédios
quanto da ação do vírus no organismo
e abrem mão do uso do preservativo”,
lamenta ele, que é vice-presidente do
Conexão G, ONG que atua no campo
dos direitos da população LGBT na Maré
e desenvolve o projeto aqui na favela.
Homofobia, racismo e situação de vulnerabilidade das doenças sexualmente
transmissíveis (DST) são temas trabalhados nos grupos durante sete encontros, nos quais os participantes têm uma
visão de como as demais DSTs aumentam o risco de contaminação pelo HIV.
Mas o desafio é discutir a questão racial,
pois o projeto é voltado para negros.
“Nos Estados Unidos, a comunidade negra tem seus próprios bairros e a população gay se incorpora nessas divisões
de território. No Brasil, questões de raça
e etnia não são claras e os moradores
de favelas têm dificuldade de incorporar
a negritude como identidade”, ressalta
Mauro.
Não esqueça a camisinha:
- Tenha camisinhas ao lado da cama.
- Leve camisinhas com você.
- Se for sair de carro, coloque algumas
camisinhas no porta-luvas, mas ao
sair não esqueça de tirar para que
não fiquem expostas ao calor.
- Evite beber demais.
Mais informações e inscrição para
as próximas turmas:
[email protected]
facebook.com/conexaog
Tel: 6972-4441
“As pessoas não conhecem
bem as formas de
contaminação, nem os
efeitos colaterais tanto dos
remédios quanto da ação
do vírus no organismo
e abrem mão do uso do
preservativo”
DIVERSIDADE
Terceiro
tema:
:
r
a
m
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f
a
is
a
m
e
d
é
a
Nunc
SEUS DIREITOS O mundo é nosso e o direito é de todos!
7
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Coluna especial
Reprodução
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
SEUS DIREITOS
6
Aramis Assis
O seminário, que ocorre desde 2009,
vem contribuindo para a ampliação de
debates necessários para a construção
do enfrentamento, de maneira partilhada,
dos desafios presentes na nossa realidade
educacional.
Julia Ventura, uma das coordenadoras
gerais do Programa Criança Petrobras
na Maré (PCP Maré), que promoveu o
evento, ressaltou como aspecto positivo a
qualidade dos debates e o envolvimento dos
participantes. “O seminário deixou claro que
existe um forte potencial reflexivo e de ação
entre os profissionais de educação atuantes
na Maré. Este é um potencial que precisa ser
constantemente incentivado e aproveitado,
diante do desafio de construir uma educação
pública de qualidade na região. Por isso, para
as próximas edições do evento, precisamos
“Apesar de todas as
dificuldades na Maré
temos professores e
alunos potentes, temos
que aprender com o outro
a construir práticas de
reflexões cotidianas sobre
o que é a alfabetização”
A troca de experiências e o contato entre os atores educacionais foram os
aspectos mais valorizados pelos participantes, para que se possa construir
uma escola preparada a pensar a educação, seus alunos, suas famílias e
sua vizinhança – uma escola que pense o coletivo e o aluno como sujeito de
sua história. Muitos dos presentes defenderam a continuidade de encontros
que gerem novas possibilidades de ações e discussões, para que cada vez
mais profissionais sejam envolvidos, juntamente com o apoio da IV CRE.
Educação
Julia Ventura
Janete Trajano
estabelecer estratégias que tornem possível
a participação de um maior número de
professores, num contínuo desenvolvimento
deste processo da mobilização coletiva
destes atores”, avaliou Julia.
A programação contou com diversos
profissionais convidados, entre eles Ana
Maria Cavaliere (UFRJ) e Marcelo Burgos
(PUC-Rio). Ana ampliou a concepção da
educação integral ao explicar a sua não
relação, necessariamente, com o tempo
integral, já que o real significado desse
termo está no preparo do aluno para todas
as experiências socioculturais da vida.
Os professores Waldinéia, Edson Diniz e Janete Trajano
O seminário contou ainda com apresentações culturais, com o espetáculo Tempo
Vago, da Cia de Teatro Balões, e do Marefestação, do PCP Maré. Professor há
apenas três meses na Maré, pelo projeto Educação pela Paz, Maxwill Braga
disse ter se sentido motivado com a apresentação do Tempo Vago, que expôs
as frustrações dos alunos dentro de sala de aula. “O aluno deve ter espaço para
construir a aula junto com o professor”, defendeu ele.
“O seminário deixou claro
que existe um forte potencial
reflexivo e de ação entre os
profissionais de educação
atuantes na Maré. Este é
um potencial que precisa ser
constantemente incentivado e
aproveitados”
Eduardo Fernandes, coordenador da IV
Coordenadoria Regional de Educação,
(CRE), da Secretaria Municipal de
Educação(SME), participou da abertura
do seminário e falou sobre o problema de
segurança pública nas escolas locais, que
têm sofrido com a falta de aulas e incursões
policiais abusivas devido às operações PréUPP. Eduardo afirmou que a CRE interfere
Livro “Vivências Educativas na Maré”
O livro “Vivências Educativas na Maré: Desafios e Possibilidade”, editado pelo PCP e lançado
durante o seminário, também foi tema de debate. As educadoras Janete Trajano (Ciep Min.
Gustavo Capanema), Waldinéia Teles Pereira (Ciep Min. Gustavo Capanema) e Regina
Albuquerque (Ciep Pres. Samora Machel) apresentaram seus artigos publicados na obra. A
publicação dá visibilidade às práticas e vivências pedagógicas na Maré, com o objetivo de
promover uma reflexão sobre o papel do professor na construção de uma educação pública
de qualidade.
Novas perspectivas sobre o universo do aluno e suas potencialidades a serem trabalhadas
são assuntos tratados nos artigos do livro, bem como a complexidade, os desafios e encantos
de ser profissional da educação na Maré, como enfatiza Janete Trajano: “Apesar de todas
as dificuldades na Maré temos professores e alunos potentes, temos que aprender com o
outro a construir práticas de reflexões cotidianas sobre o que é a alfabetização”, ressaltou.
Baixe gratuitamente o pdf do livro “Vivências Educativas na Maré: Desafios e Possibilidade”
no site da Redes: www.redesdamare.org.br
Reprodução
Debates sobre qualidade do ensino,
educação integral, segurança pública,
além de muita troca de experiências,
marcaram o III Seminário de
Educação da Maré: Compartilhando
Saberes e Vivências, que aconteceu
em 25 de maio, no Campus da UFRJ
(Ilha do Fundão). O evento reuniu
professores, diretores, coordenadores
pedagógicos, profissionais da área
de educação, além de moradores
e demais interessados. O objetivo
comum dos 130 participantes é
contribuir para a valorização da
escola pública no conjunto de favelas
da Maré.
RosileneMiliotti
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Seminário de Educação na Maré contribuiu para ampliar o debate pela valorização da
escola pública nas 16 comunidades locais
quando as incursões policiais atrapalham o andamento das escolas. “Foi pedido
para que as operações não acontecessem nas escolas ou pelo menos não no
horário de aula. A polícia disse que atenderia nosso pedido e realmente durante
um período não aconteceu, mas depois as operações voltaram a acontecer nas
escolas e reincidiu a parada do caveirão na porta delas”, explicou.
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Troca de vivências
9
Elisângela Leite
EDUCAÇÃO
8
O lado A e o lado B da UPP
Você sabe quem trabalha mais após as operações policiais?
Entrevistamos chaveiros da Maré, que contam suas experiências
Mauricio Miranda
Uma demanda indesejada.
Um serviço se transformou
frequente nos últimos meses.
Com as constantes incursões na Maré, moradores da
região sofrem com suas portas e fechaduras danificadas, por causa das chaves
mestras (chaves que abrem
todos os tipos de portas)
usadas pelos policiais para
a abertura de casas.
Na verdade, essa prática ocorre há anos quando os policiais
desejam abrir uma casa, mesmo
sem mandado judicial para isso,
e seus moradores não estão no
momento da ação. No último mês
de maio, ao menos quatro residências da Nova Holanda tiveram prejuízos materiais e portas quebradas. Devido a essas operações,
os chaveiros estão sendo bastante
acionados. Conversamos com dois
profissionais que contaram suas
experiências.
Em média, os chaveiros contam
que são chamados entre cinco e
sete casas nos dias de incursão da
polícia. Um deles, que preferiu não
se identificar, explica os danos gerados. “Por causa do arrombamento, algumas peças da fechadura se
quebram. Nesse caso, é necessária apenas a troca do miolo da fechadura”, explica.
Na Maré, o miolo custa entre R$ 25
e R$ 40, mas o gasto pode ser mais
elevado. “Dependendo da força
utilizada na ação, o prejuízo pode
ficar maior, porque se a porta fica
empenada, o morador deve trocála. Se isso acontecer, o cliente vai
ter que comprar uma porta nova
no serralheiro e o gasto é entre R$
300 e R$ 400”, conta o chaveiro.
De portas abertas
Aos chaveiros, os moradores contam sobre os furtos que sofrem; alguns preferem nem sair de casa temendo
os prejuízos em dia de operação policial. Outro profissional, que também pediu para não ser identificado,
afirma que muitos moradores não têm recursos para consertar as portas e precisam deixar suas residências
abertas. “Os moradores não têm condições de comprar um miolo, mas fazem por causa do abuso de autoridade. Conheço moradores que acabam ficando com as casas abertas, sem porta, porque eles não têm dinheiro
para pagar o serviço”, lamenta.
Além das situações vistas na casa dos clientes, os chaveiros também sofrem com a falta de segurança. “Trabalhar aqui é meio imprevisível. A insegurança é total. No meu trabalho eu fico exposto na rua. A polícia entra
e você não sabe o que vai acontecer”, revela um dos chaveiros.
MorgueFile
Divulgação
Despesa indesejada
Pesquisador da Uerj avalia os aspectos positivos das UPPs e os muitos desafios existentes
“A polícia nas UPPs não faz
mais operações nos moldes
tradicionais, tanto é que, de
todas as ocorrências, a que mais
cai é justamente a morte por
intervenção policial”
Thais Herdy / Anistia Internacional
O coordenador do Laboratório de Análise da
Violência da Universidade Estadual do Rio de
Janeiro e (LAV-Uerj), Ignacio Cano, tem uma
ampla visão do processo de instalação das
UPPs. Ao liderar a pesquisa “Os donos do
morro: uma avaliação exploratória do impacto
das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)
no Rio de Janeiro”, ele teve acesso aos índices
que determinam sucessos e dificuldades,
desafios e possibilidades, do que ele chama
de “projeto” das UPPs. Para ele, o sucesso
global do projeto passa pela transformação
das políticas de segurança, saindo da visão
de que estamos em uma “guerra” para uma
visão da polícia como prestadora de serviços.
11
Maré Pré-UPP
ENTREVISTA
Maré de Notícias: Gostaria que o senhor
destacasse os principais pontos do estudo?
Ignacio Cano: Um fator a se destacar é que
há uma redução muito importante no número
de homicídios nas áreas onde as UPPs foram
instaladas. Houve uma diminuição drástica
das mortes violentas, uma redução dos
roubos e um aumento dos registros de crimes
não letais, como ameaças, lesões, estupros,
desaparecimentos etc.
Maré: E a que são atribuídos esses resultados?
Ignacio: A diminuição das mortes a gente
atribui ao fim da disputa pelo território. A
própria polícia não faz mais operações nos
moldes tradicionais, tanto é que, de todas
as ocorrências, a que mais cai é justamente
a morte por intervenção policial. O aumento
do registro de outros crimes é atribuído a
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
MARÉ PRÉ-UPP
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Ignacio: Quando você avalia o projeto das
UPPs em seu conjunto, você obviamente
verifica muitos desafios a serem superados.
O sucesso global do projeto passa por
dois elementos: um é a possibilidade de
transformar as políticas de segurança, mudar
a tradição de “guerra ao crime” e “guerra ao
tráfico” para uma política de polícia como
serviço. É um desafio muito grande.
Maré: E a relação da polícia com os moradores?
A outra possibilidade, e é uma recomendação
que fazemos em nosso relatório, é de que
as próximas UPPs sejam criadas em áreas
com alta letalidade. Mas não foi isso que
aconteceu. As áreas mais violentas do
Ignacio: Nós detectamos que a relação entre
polícia e comunidade em geral melhora com a
instalação da UPP, mas há muita diferença entre
uma e outra, não é linear. Em algumas UPPs
a relação é boa, em muitas há certa distância
A saída do labirinto
13
Livro questiona a ideia de que uma vez no tráfico, para sempre no tráfico e introduz um aspecto
otimista num cenário em geral pessimista
“Temos pouca produção sobre o que pode levar
à saída (do crime). Assim instaura-se um ciclo
perverso em que muitos meninos e meninas
sofrem o descrédito da sociedade e também de
si mesmos ao assumirem a perspectiva de que
realmente não existem saídas para este labirinto”
Maré: E por que, em sua avaliação, a polícia
continua agindo desta maneira?
Ignacio: Existem setores dentro e fora
da corporação que ainda acreditam que
policiamento se faz trocando tiros, que tem
que fortalecer a guerra contra o tráfico, contra
o crime. Mudar isso é difícil. Os policiais em
geral acham que o policiamento comunitário
não é policiamento de verdade. Há resistência
no mundo inteiro, muito mais aqui que nós
temos esse histórico da polícia voltada para a
guerra. A UPP ainda é um projeto de fora para
dentro e de cima para baixo, e os moradores
não sentem, com toda razão, que a UPP seja a
polícia que eles desejam.
“O que mais me surpreendeu no
estudo foi ver como a atuação de
profissionais no atendimento direto
desses meninos é capaz de
mobilizá-los em direção à saída.
O resultado mudou minha
opinião a respeito da vida
que esses meninos levam”
Jovens não são “casos perdidos”
Andréa explica que estudos e ações voltadas para a criação de alternativas
para aqueles que desejam abandonar essa atividade necessitam ainda
de maior investimento. Segundo ela, é mais fácil encontrar estudos e
pesquisas que se debruçam sobre os motivos que levam à entrada no
tráfico, sobre o perfil e as práticas desses jovens, numa linha que prioriza
as ações de prevenção. “Nesse aspecto o livro é inovador. Quando nos
deparamos com a situação de quem já se encontra envolvido, o cenário
é outro. Temos pouca produção sobre o que pode levar à saída. O
resultado disso fortalece a ideia de que uma vez no tráfico, para sempre
no tráfico. Assim instaura-se um ciclo perverso em que muitos meninos
e meninas sofrem o descrédito da sociedade e também de si mesmos
ao assumirem a perspectiva de que realmente não existem saídas para
este labirinto”, lamenta.
Para a psicóloga, o objetivo do livro é ampliar o debate e as visões
existentes. “O que mais me surpreendeu no estudo foi ver como a
atuação de profissionais no atendimento direto desses meninos é capaz
de mobilizá-los em direção à saída. O resultado final mudou minha
opinião a respeito da vida que esses meninos levam. São meninos e
meninas, jovens, com sonhos e projetos como qualquer outro da mesma
idade. A grande diferença é que ‘usam’ a violência como expressão
principal e detêm um poder das armas e da intimidação que os fazem
nem culpados pela violência urbana que vivemos, nem coitados pela
situação em que se encontram. Na verdade, são responsáveis e vítimas
num sentido e agressores em outro”, conclui.
Rosilene Miliotti
O livro “Labirintos do tráfico:
vidas, práticas e intervenções
em busca de saídas possíveis”,
lançado neste mês de junho, é
uma versão resumida da tese de
doutorado da psicóloga social
Andréa Rodriguez que, a partir da
inserção no programa Rotas de
Fuga, do Observatório de Favelas,
entre 2005 e 2009, acompanhou
diretamente os meninos que
trabalhavam em grupos criminosos
e desejavam sair, especialmente
do tráfico de drogas.
Maré Pré-UPP
“No caso dos policiais,
muitos deles ainda persistem
num modelo onde o respeito
é baseado no medo e na
intimidação. Por outro lado,
os moradores também
falam que muitos policiais
continuam tratandoos de forma agressiva e
humilhante”
entre moradores e policiais e em algumas a
relação é extremamente tensa. Em geral, os
dois lados se acusam mutuamente, alegando
falta de respeito. No caso dos policiais, muitos
deles ainda persistem num modelo onde o
respeito é baseado no medo e na intimidação.
Então, quando eles acham que não estão sendo
“obedecidos” pelos moradores, consideram-se
desrespeitados. Por outro lado, os moradores
também falam que muitos policiais continuam
tratando-os de forma agressiva e humilhante.
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Maré: Ainda existem muitos desafios?
estado, como a Baixada Fluminense e a Zona
Oeste, ficaram em segundo plano até agora.
O projeto privilegiou as áreas centrais, de
classe média alta.
O estudo aborda os caminhos
que podem levar à saída desse
tortuoso
labirinto;
opta
por
introduzir a dimensão do otimismo
em um cenário geralmente
pessimista e mostra que muitos
fizeram e continuam a fazer o
caminho de volta. O resultado
reforça a importância de projetos,
profissionais e organizações que
atuam nesse campo. “O problema
do tráfico de drogas é complexo e
envolve vários segmentos sociais.
As soluções existem, mas exigem
articulação ampla entre as esferas
do poder público e da sociedade
civil”, afirma a autora.
O livro custa
R$ 28 e
está à venda
em livrarias
e pelo site
da Editora
7Letras
ão
Reproduç
dois fatores. Primeiro, as pessoas que nunca
denunciaram um crime na delegacia porque
tinham medo, agora fazem isso. Segundo, a
ausência da figura do “dono do morro”, que
era uma autoridade violenta e que punia com
a morte ou com expulsão qualquer pequeno
crime, também pode estar contribuindo para o
aumento desses outros crimes menos graves.
Além disso, há um impacto na redução da
criminalidade no entorno das comunidades.
Reprodução / foto AF Rodrigues
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Maré Pré-UPP
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Teatro nas ruas
O Projeto Lutando pelo Amanhã Melhor, que existe há 16 anos, oferece
aulas de jiu-jitsu, muay thai, MMA e submission. O professor de jiu-jitsu e
idealizador do projeto Wemberson Fernandes, conhecido como Ebinho,
acredita que o esporte melhora a resistência física e traz bem-estar. As
aulas são gratuitas e a renda do projeto vem de doações dos próprios
alunos e professores, que se reúnem para manter o espaço. Doação de
lanches e kimonos para os alunos são bem-vindas.
Divulgação
As aulas acontecem de 2ª a 6ª feira, de 18h às 20h para crianças de 6
a 15 anos, e de 20h às 22h para adultos. Funciona no prédio da antiga
Quartzolit, na Rua Guilherme Maxwell, 260, 3° andar, Timbau; e também
no Sobradinho, na Vila do Pinheiro, e na Praça da Dezoito, na antiga
R.A, na Baixa do Sapateiro. Tel: 7855-3011. (Texto: Fabíola Loureiro)
Cultura
Programação
Favela Rock Show!
Dança de salão
Sábados, de 18h30 às 20h
Sexta-Feira, 7 de junho, às 21h
Com as bandas: A Dama e os
Vagabundos e Eternyx
“DJ Insano 22” nos intervalos
De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Ao lado da Lona Cultural Municipal Herbert Vianna e atende a toda
a comunidade do Complexo da Maré. Além de um amplo acervo, a
biblioteca oferece brinquedoteca, gibiteca e empréstimo domiciliar,
além de diversas oficinas.
cultura
Moto Sensível
Sábado, 15 de junho, 18h
Espetáculo hip hop /dança contemporânea.
Duração: 60 minutos Classificação etária: 18 anos
A premiada Cia Híbrida é formada por ex-alunos do projeto social Arte
é o Melhor Remédio, nascido em 2007 no Complexo do Turano.
R. Ivanildo Alves, s/n - Nova Maré
Tels.: 3105-6815 / 7871-7692
[email protected]
FACE: Lona da Maré
Twitter: @lonadamare
Rodrigo Buas /Divulgação
Exposição no Galpão Bela Maré
Rua Bittencourt Sampaio, 169 (entre as passarelas 9 e 10 da
Av. Brasil) - Nova Holanda.
Quartas, sábados e domingos, das 10h às 18h - Quintas e
sextas, das 10h às 20h
Sábado, 15 de junho, às 15h
Com exercícios de aquecimento e alongamento, sequências
técnicas, jogos pensados dentro de uma metodologia que visa o
desenvolvimento progressivo e uma participação mais ativa do
estudante nos processos de pesquisa do movimento.
Inscrições: [email protected]
ou no CAM no dia da oficina
RECEITA - Enviada por Marilza Martins
Evento paralelo no sábado, 22 de junho
Centro de Artes da Maré
Rua Bittencourt Sampaio, 181 (ao lado do Bela Maré)
Bolo de laranja no microondas
Ingredientes:
Programação:
16h - Mesa de encerramento com Fred Coelho, Luisa Duarte,
Jailson de Souza, Felipe Scovino e Luiza Mello
18h - DJ Flora Mariah
19h - Show com a banda Dona Joana
1 laranja seleta média ou grande
1 copo de 200ml ou 1 xícara de óleo de soja
2 copos de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento Royal
1 copo de açúcar branco
2 ovos
Meio copo de açúcar “mascavo” preto para untar
o tabuleiro ou forma
Entrada gratuita; bebidas à parte!
Ops! Falha nossa. Na edição nº 40, invertemos a identificação dos
artistas Daniel Senise e Ernesto Neto, na pág. 12, na reportagem sobre o
Travessias 2. Pedimos desculpas!
Modo de preparar:
Corte a laranja seleta com casca em
quatro pedaços. Tire o caroço e coloque no
liquidificador junto com o óleo de soja,
os ovos e o açúcar. Depois peneire a
farinha de trigo e o fermento. Misture
tudo no liquidificador.
Pegue uma forma redonda
própria para microondas. Unte
a forma com óleo e meio copo
de açúcar mascavo. Coloque
em torno de 25 minutos no
microondas e pronto.
Receita prática e nem
precisa botar a mão na
massa. É uma delícia e a
garotada vai amar.
In.corpo.r.ações
Sexta, 21 de junho, às 18h
Com a Cia. Mariana Muniz
Este trabalho coreográfico envolve três criações anteriores Parangolés, Nucleares e Penteráveis -, todas elas com base na
pesquisa de linguagem em arte/dança contemporânea, inspirada nos
caminhos trilhados pelo artista plástico brasileiro Hélio Oiticica.
Oficinas Regulares
Corpo e expressão
(nova oficina infantil)
Quartas, das 17h30 às 18h30
Sextas, das 17h30 às 18h30
Para crianças entre 04 e 08 anos
Dança de salão
a partir de 16 anos
Sextas, das 18h30 às 19h30 Iniciante
Sextas, das 19h30 às 20h30
Intermediário, salsa
e samba de gafieira
Sextas, das 20h30 às 21h30
Intermediário, forró e soltinho
Dança criativa
Quintas, das 18h30 às 20h
Para crianças de 08 a 12 anos
Dança de rua
Segundas, das 17h30 às 19h
Iniciante, a partir de 8 anos
Percussão
(a partir de 10 anos)
Terças, das 20h às 21h30
Consciência corporal
Terças, das 18h30 às 20h
Quintas, das 18h30 às 20h
A partir de 16 anos
Dança contemporânea
Quartas, das 18h30 às 20h
Quintas, das 20h às 21h30
A partir de 12 anos
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
Oficina regular
Biblioteca Popular Municipal Jorge Amado
Moradores e trabalhadores da Maré têm até domingo, dia 23
deste mês de junho, para visitar o Travessias 2, exposição de
arte contemporânea que acontece no Galpão Bela Maré, na Nova
Holanda. Na véspera do encerramento, haverá uma festa com
entrada gratuita.
Ratão Diniz, fotógrafo e morador participantes do Travessias
R. Bitencourt Sampaio, 181 Nova Holanda
Programação no local ou pelo tel. 3105-7265
De 2 a a 6a, de 14h às 21h30
Oficina de Danças Urbanas Com a Cia Híbrida
Travessias até dia 23
e festa dia 22
Elisângela Leite
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
entrada gratuita
Veja a programação completa
em www.redesdamare.org.br
Além das oficinas, o Maré sem Fronteiras promove passeios de
bicicleta pela Maré. Acompanhe a agenda no site da Redes (www.
redesdamare.org.br).
Com a obra da Transcarioca, a prefeitura fez um muro debaixo do
Viaduto Engenheiro Edno Machado, deixando uma passagem para os
pedestres. Os moradores utilizam o viaduto como passarela, mas ao
chegar em frente ao número 34, têm que driblar os carros que seguem
no sentido Ilha do Governador, fazendo uma travessia perigosa devido
à falta de sinalização. “Apesar de perigoso é mais perto para pegar
o ônibus. Uma pena, mas acho que vão acabar fechando”, comentou
Selma Bastos.
Aulas gratuitas no Timbau, Pinheiro e na Baixa
PROGRAME-SE !
08/06, às 11:30 - no Piscinão de Ramos
15/06, às 15h - Praça do Valão, Nova Holanda
22/06, às 15h - R. do IV Centenário, no Timbau
29/06, às 15h - Teleférico do Alemão
Pedestres em apuros no PU
Moradores e a Associação do Parque
União pedem para a prefeitura aproveitar a
passarela próxima. “Está desativada; poderia
utilizá-la com uma ligação com o viaduto”,
sugere o pedestre André Viana. “O muro
tira a visão de quem passa de carro. Além
do risco de atropelamento, existe também
o de estupro. A passagem é perigosa, em
especial para as crianças que vem e vão
para o colégio. Entrei em contato com a
prefeitura, que não tomou providência”, conta
o presidente da associação, Francisco Braz.
(Texto: Hélio Euclides)
Lona cultural
Herbert Vianna
Elisângela Leite
O que acontece e o que não deixa de acontecer por aqui
15
A LONA VOLTOU!
O grupo da oficina de teatro do educador Wallace Lino, do projeto
Maré sem Fronteiras, irá se apresentar aos sábados de junho na
rua, para um público espontâneo. Anote as datas e participe:
Davi Marcos/Observatório de Favelas
CULTURA
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l os os meses!
Garanta o seu jornatod
pra Maré participar do Maré
Busque um exemplar na Associação de
Moradores da sua comunidade!
Mais desenho do Emanuel
Publicamos
mais desenho
do Emanuel, de
12 anos. Morador da Nova
Holanda, o garoto mostra que
tem talento.
Leite
Elisângela
Maré de Notícias No 42 - junho / 2013
ESPAÇO ABERTO
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VEM FAZER O MARÉ COM A GENTE !
Envie seu desenho, foto, poesia, piada ou sugestão de matéria.
Turma com diploma
Vejam as fotos da formatura dos alunos do curso de alfabetização da Redes. São todos moradores da Maré, que receberam o certificado de conclusão no final de maio. Todos levaram o estudo a sério e estavam orgulhosos no dia cerimônia. Parabéns! Para saber mais sobre essa turma, leia a
reportagem publicada na edição passada (pág. 3, Ed. 41).
Inscrições abertas para nova turma de alfabetização que acontece na Redes. Informações: 3105-5531
Elisângela Leite
Rindo at o a
A professora pede que seus alunos tragam uma frase falando
bem de sua mãe, mas no fim tinha que conter a frase: “mãe só
tem uma”. E no dia seguinte ela pergunta:
- Aninha, qual a sua frase ?
- Minha mãe é linda, minha mãe me ama e é por isso que eu digo:
mãe só tem uma.
Professora: Muito bem. Pedrinho, agora a sua.
Pedrinho: Minha mãe gosta de mim, minha mãe é tudo para mim. E é
por isso que eu digo: mãe só tem uma.
Professora: Muito bem, Pedrinho. Agora você, Juninho.
Juninho: Minha mãe estava com meu pai e meu tio. E falou assim
pra mim: Juninho, vá até a geladeira e pegue duas cervejas, uma
para seu pai e outra para seu tio. Eu fui e lá da geladeira gritei:
MAAAÃEEEEEE, só tem umaaa.
Diogo dos Santos
)
Mãe só tem uma
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Educação em debate - Redes de desenvolvimento da Maré