O PAPEL DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO INTERNO DO TURISMO NO BAIRRO DE PONTA NEGRA – NATAL/RN Ana Regina Marinho Dantas Barboza da Rocha Serafim (UFPE/UFRPE/UAG) Geógrafa, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA-UFPE). Professora substituta da UFRPE/UAG. [email protected] Profª. Drª. Aldemir Dantas Barboza (UFPE) Geógrafa, Professora do Departamento de Ciências Geográficas da UFPE. [email protected] Resumo Entre as diversas formas de se fomentar a economia de um país, podemos destacar o turismo como uma das atividades que mais têm crescido nos últimos anos. Ele cria e dinamiza espaços de consumo especializados para atender a demanda turística, assim são cada vez mais explorados diversos serviços acessórios para essa atividade como: hotéis e pousadas, lojas de artesanato, bares, restaurantes, serviços de limpeza e segurança, dentre outros. É, portanto um segmento da economia que se fortalece e cresce, levando consigo demais setores envolvidos, além de ser responsável por grandes somas de dinheiro que adentram no Estado, produzindo riquezas e gerando empregos e divisas que são importantes para a população que trabalha direta ou indiretamente com essa atividade. O marketing e os meios de comunicação, principalmente a internet, as revistas especializadas em viagens e lazer e as propagandas na televisão contribuem para o aumento do fluxo turístico nas cidades. O bairro de Ponta Negra localizado na parte sul da cidade de Natal foi escolhido como objeto de estudo, por ser o principal pólo turístico da capital potiguar e possuir uma paisagem de grande valor cênico, estético, ecológico e econômico. Porém, nesse espaço também vão existir diversos problemas, como por exemplo: degradação ambiental, prostituição, alto custo de vida, entre outros. A relevância desse estudo reside no fato de que uma das principais atividades econômicas do Estado do Rio Grande do Norte e do bairro de Ponta Negra é o turismo, sendo responsável por diversas atividades formais e informais, importantes para a sobrevivência de grande parte da população do Estado. Palavras-chave: Turismo, meios de comunicação, internet, Ponta Negra, Natal. INTRODUÇÃO Entre as diversas formas de se fomentar a economia de um país, podemos destacar o turismo como uma das atividades que mais têm crescido nos últimos anos. Muitas destinações foram criadas para atender à demanda cada vez mais crescente, a qual vem se consolidando em diversos países. O turismo tem um papel muito importante na transformação dessas destinações, criando e dinamizando espaços de consumo especializados para atender a demanda turística, assim são cada vez mais explorados diversos outros serviços acessórios para a atividade como hotéis e pousadas, lojas de artesanato, bares, restaurantes, serviços de limpeza e segurança, dentre muitos outros. É, portanto um segmento da economia que se fortalece, e leva consigo os demais setores envolvidos a crescer conjuntamente. Os meios de comunicação, principalmente a internet, as revistas especializadas em viagens e lazer e as propagandas na televisão contribuem para o aumento da atividade turística na cidade de Natal. Com isso, esse artigo visa explicar como os meios de comunicação contribuem para o desenvolvimento econômico da atividade turística no bairro de Ponta Negra, localizada na cidade de Natal. Devendo ser observado o papel e como a mídia é responsável pela divulgação do patrimônio natural e cultural dessa localidade e a sua contribuição para o aumento do fluxo de turismo. A relevância desse estudo reside no fato de que uma das principais atividades econômicas do Estado do Rio Grande do Norte e de Ponta Negra é o turismo, sendo responsável por diversas atividades formais e informais, importantes para a sobrevivência de grande parte da população do Estado. Sendo as propagandas, o marketing um dos meios que mais contribuem para o aumento do fluxo turístico. Como uma das atividades econômicas mais importantes do Rio Grande do Norte o turismo é responsável por grandes somas de dinheiro que adentram no Estado, produzindo riquezas e gerando empregos e divisas que são importantes para a população que sobrevive dessa atividade. Porém somente uma parte da população local é beneficiada, pois nem todo mundo trabalha direta ou indiretamente com essa atividade. E também vão existir diversos problemas, como por exemplo: degradação ambiental, prostituição, alto custo de vida, entre outros. Devido ao grande número de turistas que chegam todos os meses do ano, alguns bairros da cidade, principalmente Ponta Negra, possuem uma infra-estrutura muito boa, com vários tipos de serviços que atendam os anseios dessa população flutuante. E essa existência de uma boa infra-estrutura local também vai ser um fator primordial para o aumento do turismo, além da importância dos meios de comunicação e de outros como: o número de vôos, as altas do dólar e do euro frente ao real, os modismos da época, etc. 1 Fundamentação teórica – meios de comunicação e turismo O estudo do fenômeno turístico vai envolver as idéias de globalização, da mundialização da economia, dos meios de comunicação e da chamada modernidade. Também é necessário um maior entendimento do processo de fragmentação com a análise da dinâmica dos movimentos de diferenciação, identidade cultural, valorização do lugar e implantação do desenvolvimento local. A lógica da globalização e da modernidade aproxima os lugares, os povos, pois possui vocação universalista e cosmopolita; torna os lugares interdependentes no desenvolvimento das atividades industriais, comerciais e nas atividades de lazer. Santos fala um pouco sobre isso: A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural. Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra. (2002, p. 79). Nessa perspectiva o turismo reordena a paisagem e influencia os atores locais a se reordenarem juntamente, atendendo aos anseios e expectativas que são forjadas pelo empresariado em detrimento da opinião dos habitantes locais. O turismo se posiciona, na economia mundial, como o setor que apresenta as melhores perspectivas em relação ao alcance dos objetivos de políticas governamentais, particularmente quanto à geração de empregos, a captação de divisas, a desconcentração de rendas, a redução de desigualdades regionais e a melhoria da qualidade de vida das populações. As crises econômicas, a concorrência internacional, a necessidade de gerar empregos, rendas e divisas, fizeram com que diversos países vislumbrassem no desenvolvimento da atividade turística, opção de crescimento social e econômico. E a globalização contribui bastante nesse processo, como fala Coriolano (1998, p. 17). “A globalização leva as empresas, entre elas as de turismo, a expandir seus negócios, multiplicando os lugares turísticos, criando redes. (...) As redes são formas de articulação entre os espaços”. E Santos dá o conceito de rede para ficar mais bem compreendido. Toda infra-estrutura permitindo transporte de matéria, energia, informações e que se inscreve sobre um território onde se caracteriza pela topologia de seus pontos de acesso ou pontos terminais, seus arcos de transmissão, seus nós de bifurcação ou de comunicação, mas a rede é também social e política pelas pessoas, mensagens, e valores que a freqüentam (1999, p. 209). Isso mostra que os pólos turísticos não precisam mais de mediadores dos fluxos de outros lugares. Eles mesmos podem se comunicar e adquirir informação simultaneamente, através da internet ou outros meios de comunicação. Assim, houve um encurtamento das distâncias devido à globalização. Segundo Matterlart: Os sistemas de comunicação em tempo real determinam a estrutura de organização do planeta. O que se convencionou chamar de mundialização/globalização... combina com a fluidez dos intercâmbios e fluxos imateriais transfronteiriços. (2000, p.11). A mídia é importante para divulgação do turismo, principalmente pela internet que é vista como uma importante ferramenta para expor fatos que poucos sabem e que precisam ser popularizados. Mesmo que ainda seja pequeno o acesso direito, as informações acabam circulando em meios impressos e até mesmo no boca-a-boca. Santos, fala um pouco sobre a forma que a mídia informa os acontecimentos, adotando certa estratégia como forma de sobrevivência. Em sua dimensão global, o mercado controla uma produção oligopolística de notícias por meio das agências internacionais e nos apresenta o mundo atual como uma fábula. Em suas dimensões nacional e local, o mercado, agindo como mídia, segmenta a sociedade civil, influi sobre o fluxo e a hierarquia do noticiário e aconselha a espetacularização televisiva de certos temas, confundindo os espíritos em nome de uma estratégia de vendas adotada pelos jornais como forma de sobrevivência. O remédio, aqui, é um veneno, num círculo vicioso que acaba por ser o seu principal pecado. Estará a imprensa pecando em nome próprio ou em nome e em favor do mercado? O resultado é o mesmo. (2002, p.148). 1.1 Meios de comunicação O acesso à informação é um direito fundamental. Receber informação de boa qualidade permite à sociedade tomar decisões conscientes. Essa deve ser a visão comum de todas as entidades e pessoas para assim saber dos seus direitos e tendo acesso às informações visualizar os problemas e buscar soluções mais sensatas. A grande mídia ocupa um lugar central e decisivo na sociedade capitalista mundial, pois através dela pode-se passar as informações da maneira que for mais interessante para os donos da empresas. A mídia também fabrica as informações e repassam para todos os lugares do globo onde alcançam. Essa sociedade é composta pelo Estado e por megacorporações financeiras e industriais. Os complexos transnacionais de comunicação interagem com o modelo tecnobucrático hegemônico, propagando um modo de existência e de pensamento que transfere para o mercado a regulação das demandas coletivas – como se o mercado fosse apanágio de todas as virtudes (MORAES, 1997, p.12). Assim, a grande mídia vai operar tanto por adesão ideológica à globalização quanto por ser o único capaz de segundo Moraes (2002): “interconectar o planeta, através de malhas de satélites, cabos de fibra óptica e redes infoeletrônicas”. Onde este mesmo autor não crer existir outro que seja capaz de interligar quase que instantaneamente diferentes povos, países e culturas. Toda essa tecnologia vai propiciar ao campo da comunicação uma boa dinamicidade. Vai tornar disponível “a camadas ponderáveis de audiência, um estoque inimaginável de dados e imagens, de opções de entretenimento e de simulacros” (MORAES, 1997, p.19). Para trabalhar com os meios de comunicação no que diz respeito à atividade turística, é necessário entender o marketing turístico, como uma ferramenta desse meio, Coriolano vai falar um pouco sobre a atuação dele: O marketing turístico atua de modo extremamente versátil. Cria expectativas de sucesso amoroso em locais pretensamente sensuais. Enfim, o turismo pode ter um número variado de opções, desde que se trabalhe bem o consumidor de espaços que, ao serem postos nos circuitos de consumo, se transformam em signos. Daí as comunidades receptoras do turismo criarem uma grande expectativa e entrarem num processo de cosmopolitismo, passando a conviver com cidadãos de vários lugares do mundo, possibilidade esta ampliada pela globalização. (1998, p. 38). 1.2 Turismo O turismo vai ser uma complexa atividade humana e pode ser caracterizado como uma das maiores seduções dos dias de hoje e nele vai estar envolvido um conjunto de relações, desejos, influências e representações. Na definição proposta pela OEA, segundo Rabahy apud Coriolano (1998, p. 31), o turismo vai ser: “Um movimento migratório até o limite máximo de noventa dias, seja internacional ou nacional, sem propósito de nova permanência e sem exercício de uma atividade remunerada, com objetivo: prazer, comercial, industrial, cultural, artístico ou científico”. Já os turistas, segundo Andrade apud Coriolano (1998, p. 32) é: “a pessoa que, livre e espontaneamente por período limitado, viaja para fora do local de sua residência habitual, a fim de exercer ações que, por sua natureza e pelo conjunto das relações delas decorrentes, classificamse em alguns dos tipos, das modalidades e formas de turismo”. As atividades de entretenimento, turismo e lazer, vêm adquirindo uma importância cada vez maior, tanto a nível nacional como internacional. O número de turistas cresce a cada ano e hábito de viajar e fazer turismo encontra-se hoje plenamente incorporado à sociedade de consumo, transformando-se em uma necessidade. A massificação desta atividade veio, de acordo com a formação e a sedimentação da própria sociedade de consumo de massa, se desenvolvendo a partir dos anos 30 e, mais fortemente, com a estruturação do Estado do bem-estar social nos EUA e na Europa Ocidental, depois da Segunda Guerra Mundial. Agrega-se a essa reorganização do mundo, a expansão do uso de inovações tecnológicas, a mundialização das empresas hegemônicas apoiadas pelo capital financeiro, viabilidade do mundo com o uso dos meios midiáticos e explosão do consumo pelas classes média e alta, mesmo em países do Terceiro Mundo. Grifo nosso (LIMA; SILVA, 2004, p. 11). O turismo se constitui numa atividade importantíssima como meio de dinamizar a economia local, não só no Estado do Rio Grande do norte, como também no Ceará, salienta a SETUR – CE in Lima e Silva (2004, p. 14). O turismo constitui-se em prioridade governamental no Ceará, na medida em que esta atividade se apresenta como: estruturadora para a economia do Estado; aglutinadora e de grande efeito multiplicador na economia; determinante do bemestar social; geradora de renda e distribuidora de riqueza; impactante no espaço físico, social, ambiental, cultural e no ordenamento urbano e administrativoinstitucional. O turismo globalizado vincula-se à expansão do capitalismo e à ideologia da modernidade, quando os lugares mais longínquos passam a fazer parte das redes, através dos investimentos, empregos, negócios, serviços, infra-estrutura, relações sociais e de interesses globais, etc. A atividade turística precisa ser voltada para desenvolvimento econômico e não apenas vislumbrando o crescimento. Pois, de acordo com Sachs (2004), os objetivos do desenvolvimento são bem diversos, ele não pensa somente em multiplicação da riqueza material. “O crescimento é uma condição necessária, mas de forma alguma suficiente (...) para se alcançar a meta de uma vida melhor, mais feliz e mais completa para todos” (SACHS, 2004, p.13). Para esse mesmo autor devem caminhar juntos os conceitos de igualdade, equidade e solidariedade. Em vez de ocorrer somente o crescimento do PIB, deve-se pensar primeiramente na igualdade social e assim reduzir a pobreza. Cada dia que passa, cresce a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres. Por isso, que desenvolvimento e crescimento são conceitos opostos: “O crescimento, mesmo que acelerado, não é sinônimo de desenvolvimento se ele não amplia o emprego, se não reduz a pobreza e se não atenua as desigualdades” (SACHS, 2004, p.14). A maioria pobre está atualmente excluída do processo de desenvolvimento, do jeito que ele é pensado nos dias de hoje. Onde a maioria dessas pessoas, nem conhece e por isso não tem uma efetiva apropriação dos direitos humanos. E isso é péssimo para o desenvolvimento do país, que devem ter suas ações voltadas para a inclusão social justa. Denominado segundo Sachs (2004) como um desenvolvimento includente. Que vai “requer, acima de tudo, a garantia do exercício dos direitos civis, cívicos e políticos. A democracia é um valor verdadeiramente fundamental e garante também a transparência e a responsabilização” (p.39). 2 O turismo como agente dinamizador da economia local A evolução dos transportes, as novas tecnologias na área da informação através de redes como a internet, o avanço dos meios de comunicação aproximaram os lugares e estreitaram as relações entre as pessoas, favorecendo o crescimento das atividades turísticas na economia mundial. No Rio Grande do Norte, este crescimento se deu por conta de suas características geográficas, tais como localização no território nordestino, clima privilegiado em parte do seu litoral; praias, dunas, lagoas litorâneas, belezas naturais que juntamente com os investimentos feitos nos últimos 25 anos, credenciaram a cidade de Natal como receptora de turistas em nível nacional e internacional. (FELIPE, et al, 2004). Com o fluxo turístico passa a acontecer, de forma intensa e em maior volume, a circulação de pessoas e mercadorias. Essas passam a ter outra finalidade, desejam agora satisfazer a necessidade de consumo do turista. “A produção se destina a atender o desejo de outro tipo de pessoas, a fim de manter e assegurar os fluxos. Se este local não conseguir mantê-lo, o capital transfere-se para onde for mais rentável” (LIMA; SILVA, 2004, p. 20). Esses fluxos é que ditam o que deve ser produzido, comprado, ofertado, vendido, confirmado. Como fala Santos (1996, p. 77) “Os fluxos são o movimento, a circulação e assim eles nos dão, também, a explicação dos fenômenos da distribuição e do consumo”. Assim, tudo se torna mercadoria, o que antes para as comunidades tinha um valor de uso, agora passa a ter valor de troca. 2.1 Ponta Negra: importante pólo turístico do Estado do Rio Grande do Norte Para realização deste artigo houve a necessidade de fazer um estudo de caso, portanto, resolveu-se fazer uma análise do bairro de Ponta Negra na cidade de Natal, pois este é o principal pólo turístico da capital potiguar e que possui uma paisagem de grande valor cênico, estético, ecológico e econômico. Uma das primeiras referências históricas a Ponta Negra é a descrição do período da ocupação holandesa, em 1633, onde existem registros datados de 1877 que dão conta de uma casa de oração na povoação de Ponta Negra e de uma escola pública para o sexo masculino. Falam também que até o século passado, a Vila de Ponta Negra era habitada por pescadores ou relacionados. Porém, existiam também, roçados para ajudar na economia doméstica. Somente após a 2ª Guerra Mundial, devido à influência norte-americana aos banhos de mar, foram iniciadas construções de casas de veraneio (NATAL, 2006). Até recentemente, Ponta Negra era local de trabalho de pescadores e local de lazer de natalenses (à época, a Praia do Meio era o local mais turístico de Natal); por volta de 1990, o turismo começou a crescer na área. Alguns anos atrás, investidores estrangeiros (principalmente italianos, portugueses e outros europeus) começaram a investir dinheiro na região, trazendo desenvolvimento para a área. Atualmente, Ponta Negra é a área que mais cresce em Natal. Apesar do grande número de pousadas e hotéis já existentes, vários outros estão sendo construídos; muitas casas são reformadas e adaptadas para se tornarem novos restaurantes, lojas, etc (NATAL-BRAZIL, 2006). A cidade de Natal está localizada na Mesorregião do Leste Potiguar e na Microrregião de Natal como pode ser observado no mapa 1. E o bairro de Ponta Negra, está localizado na parte sul da cidade de Natal. Essa área de estudo está classificada na área econômica, como espaço voltado para o turismo, por isso a importância de se estudar essa região. Mapa 1 – Meso e micro regiões homogêneas (1998) Fonte: Felipe e Carvalho (2001) 2.2 O turismo no âmbito da economia estadual O turismo gera no Rio Grande do Norte 50 mil empregos diretos e indiretos, então para uma população de 2.776.782 pode parecer um número pequeno, porém é primordial para o desenvolvimento econômico do Estado. Na tabela 1 verifica-se a população na região metropolitana de Natal. DENSIDADE DEMOGRÁFICA (Hab/Km) Natal 712.317 169,1 4.212,4 Extremoz 19.572 134,7 145,3 Ceará-Mirim 62.424 726,3 85,9 São Gonçalo do Amarante 69.435 260,5 266,5 São José do Mipibu 34.912 293,1 119,1 Macaíba 54.883 489,8 112,1 Nísia Floresta 19.040 312,2 60,9 Parnamirim 124.690 126,1 988,8 TOTAL 1.062.361 2.511,8 5.991 Tabela 1 – População, área e densidade demográfica da Região Metropolitana de Natal – 2000 Fonte: IBGE/IDEMA MUNICÍPIOS POPULAÇÃO ÁREA (Km) Para os objetivos desse trabalho é interessante verificar nessa tabela que somente a população da Região Metropolitana de Natal corresponde a 38,26% do total do Estado do Rio Grande do Norte e esses números aumentam a cada dia, pois ainda existem pessoas que procuram as grandes cidades achando que lá vão encontrar empregos e uma melhor qualidade de vida. E a mídia ajuda a contribuir com esse processo, pois pessoas vêem propagandas maravilhosas a respeito de determinadas áreas, que são veiculadas com o intuito de atrair turistas, sendo que acaba atraindo também algumas pessoas que sonham em melhorar de vida e vê nessa área uma grande oportunidade. O Estado do Rio Grande do Norte contém 341 pousadas, 155 hotéis, 28 flats, 6 albergues, o que dá um total de 34.000 leitos onde 80% desse total está localizado na cidade de Natal. (FELIPE et al, 2004). Esses dados quantitativos mostram a importância da capital do Estado como pólo concentrador da atividade turística. A reurbanização de Ponta Negra foi primordial nesse processo de aumento no fluxo de turistas. No ano 2000, foi executado o projeto Orla de Ponta Negra. Onde foi construído um calçadão na orla marítima, com 3 quilômetros de extensão e a substituição das antigas barracas de praia, por quiosques de fibra de vidro. Segundo Felipe e Carvalho (2002), 96% dos turistas que visitam o Rio Grande do Norte são brasileiros, sendo a maioria paulista. O governo do Rio Grande do Norte investe bastante na área turística, pois essa é uma das suas principais atividades. Alguns empreendimentos antigos e recentes relacionados à infra-estrutura foram construídos visando o aumento do fluxo de turistas, como por exemplo, a construção da Via Costeira, da Rota do Sol, de hotéis e pousadas de alto luxo, ampliação da pista de pouso do aeroporto Augusto Severo, construção de estradas asfaltadas e melhoramento das já existentes ligando as principais praias do Estado, reurbanização de Ponta Negra, além da expansão de agências de viagens e da rede de restaurantes. Todos esses empreendimentos fazem parte do projeto Costa das Dunas, que possui recursos do governo do Estado – PRODETUR (Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste) e de outros órgãos. Também existe o projeto que visa projetos de infraestrutura para o litoral norte denominado de Costa Branca. “Essas políticas e programas se completam com a divulgação do Estado e das suas potencialidades turísticas, através da mídia, congressos e outros eventos de promoção do turismo”. (grifo nosso). (FELIPE; CARVALHO, p. 108, 2002). 2.4 O desenvolvimento local e o turismo A importância do local vai ser redescoberta na década de 1980, no Brasil, quando começam os debates sobre a descentralização e a reforma do Estado, propostas defendidas tanto pelos neoliberais quanto pela sociedade civil organizada, esta comprometida com a cidadania e com a qualidade de vida. A necessidade de que as comunidades passem a intervir no seu próprio crescimento através da dinamização das atividades econômicas locais, foi uma necessidade sentida pelos efeitos da globalização. Com isso, tornou-se importante a luta por uma melhor distribuição de renda, para que como isso a economia tivesse uma maior dinamicidade. Muitas crises políticas públicas foram sentidas por parte dos moradores locais da cidade de Natal, porém esse desenvolvimento local não é de responsabilidade apenas dos governos, pois depende também da criatividade local como cita Coriolano (1998, p.136). O desenvolvimento local que toma feição na Europa surge em vários lugares do mundo passando a ser visto como uma das estratégias mais adequadas para sair da crise, sobretudo com a valorização de um novo modelo de desenvolvimento: o desenvolvimento local a partir de uma pequena escala territorial realizado em escala humana, atendendo às demandas sociais. Trata-se de um tipo de desenvolvimento que não é medido apenas em termos do aumento de produção de capital, do PIB, mas em decorrência da redução da dependência econômica, do incremento da confiança local aos seus próprios meios de trabalho, da integração de comportamentos individuais nos objetivos comuns da comunidade local. Se a população local não aproveitar para investir no turismo, outras pessoas virão e pularão na frente com uma série de vantagens, ficando a comunidade com as desvantagens. O exemplo de outras localidades mostra que quem investe na implantação e na melhoria de pousadas e qualifica sua mão-de-obra consegue tirar melhor proveito da globalização e assim pode beneficiar-se da atividade turística. Porém na cidade de Natal, mas precisamente no bairro de Ponta Negra, a população local não conseguiu se sobressair sobre os grandes investidores. Nesse caso, o desenvolvimento local por meio da criatividade e dos meios de trabalho da população, dar o empoderamento necessário, vai ter diversas complicações, pois como nesse espaço vão existir diversos interesses, a maioria dos investimentos visa atingir uma pequena parcela, a dos detentores do capital, sendo difícil para os pequenos moradores competirem com essa força de fora. Primeiramente pela falta de recursos, investimentos e apoio técnico e financeiro para abrirem algum negócio voltado à atividade turística e também quase não são aproveitados para trabalharem com empregados devido à ausência de qualificação. E esses antigos moradores também sofrem com a alta especulação imobiliária sobre as suas casas, onde é oferecido um valor alto para a realidade dessa pessoa, porém muito abaixo do valor real, adquirido com a valorização do lugar. Em Ponta Negra, muitos moradores venderam suas casas e terrenos com a ilusão de que com o dinheiro recebido iam melhorar de vida, só que hoje terminam voltando a trabalhar na praia, só que com um diferencial, a perda de tempo numa condução todos os dias para se chegar ao ambiente de trabalho. Santos (1986) salienta sobre esse problema da valorização do espaço. Para ele, a sociedade ininterruptamente constroi e transforma esse espaço. A sociedade se transforma em espaço por se distribuir nas formas geográficas, de forma desigual, beneficiando alguns pessoas em detrimento da maioria. Com isso, começa a ser atribuído no espaço um valor, transformando esse em espaçomercadoria que chega aos consumidores através do seu poder de compra. Para que o desenvolvimento local existisse em sua plenitude o turismo não deveria ter se tornado uma atividade econômica única do bairro e sim deveria ter se fortalecido todas as anteriores, principalmente a pesca, o artesanato que sempre existiram nessa localidade. O turismo deveria ser mais uma opção econômica. E não foi isso que aconteceu. Com tudo isso fica difícil pensar em desenvolvimento local, capaz de estimular o crescimento econômico, criar empregos e melhorar a qualidade de vida da população moradora desse local. Por causa disso, no bairro de Ponta Negra, parte da população carente residente antes do desenvolvimento do turismo vendeu ou foi expulsa de suas casas e o pouco que ainda restou tenta sobreviver ainda através da pesca ou com alguma atividade turística. 3 Os meios de comunicação e a sua contribuição para o aumento do fluxo de turismo A imagem do Brasil veiculada no exterior ainda é em sua maioria vinculada à desigualdade social, com a violência na cidade e no campo, o desemprego, as favelas, a corrupção, a pobreza que atinge mais da metade da população, entre outros. Com isso, as imagens positivas (Amazônia, praias, carnaval, alegria, etc.) que existem por si só não são suficientes para atrair um grande contingente de turistas. Para isso não bastam apenas às propagandas, às campanhas de divulgação, o marketing e os meios de comunicação, porém eles são extremamente necessários. Porém, essa divulgação precisa ser respaldada por uma realidade local que ofereça condições viáveis para potencializar a oferta com a máxima confiabilidade. “A confiança implica a estrutura da sociedade que se está construindo e uma reflexão sobre os limites dos sistemas naturais que servem de suporte ao desenvolvimento econômico” (CORIOLANO, 1998, p. 11). As ações globais aparecem principalmente por causa da economia financeira que desencadeou operações de conquista e subordinação da economia mundial. E um dos fortes sinais da força da globalização vai ser a informação, através da comunicação, das redes, tipo a internet e outras inovações tecnológicas que surgem com o intuito de facilitar a vida e diminuir distâncias. “A mídia passa a idéia de que através da internet estamos criando uma nova solidariedade e recria uma ilusão de cidadania, que substitui as ações da sociedade civil pelo direito de ir às compras – onde o consumidor substitui o cidadão”. (FELIPE; CARVALHO, p. 114, 2002). A demanda turística vai ser influenciada pelos meios de comunicação em massa, pela propaganda, fazendo com que ocorra, o que diz Giddens apud Coriolano (1998, p. 20), “a intensidade das relações sociais em escala mundial ligue localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorridos a muitas milhas de distância e viceversa”. A mídia e o marketing vendem a cultura e o modo de viver desses pequenos povoados, como atrativos para aumentar os fluxos. O que era marca da identidade do lugar transforma-se em produtos à venda, expostos para a atração de consumidores que são os turistas (LIMA; SILVA, 2004). A divulgação dos atrativos atrai capitais que redefinem as funções, constroem e reconstroem as formas, injetando-lhes novo espírito para envolver mais visitantes. Por isso que numa cidade como Natal, os meios de comunicação são importantes, principalmente para divulgar as potencialidades locais para outros Estados e países. 3.1 O marketing turístico A globalização, ao relacionar o local com o global, cria a oportunidade para o lugar ser visto como um produto a consumir, numa concepção de que o mundo é uma grande loja, onde tudo deve ser consumido, o turista é quem vai optar pelo local a ser visitado, apesar de saber que o marketing é o principal responsável por essa demanda. Para isso marketing vai ser entendido como: “o processo de planejar e executar a concepção, custo, planejamento e distribuição de idéias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos de empresas e indivíduos” (PETROCCHI, 2004, p.26). A venda e o marketing são antíteses e não sinônimos, ou complementações. Haverá sempre necessidade para alguma venda. Mas o objetivo do marketing é tornar supérfluo o esforço de vender, é conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou serviço o sirva e se venda por si mesmo. Do ponto de vista ideal, marketing deve resultar num cliente que está pronto para comprar. Tudo que se precisa, então, é tornar o produto ou serviço disponível, isto é, logística em vez de perícia em vendas, e técnicas estatísticas em vez de promoção (DRUCKER apud PETROCCHI, 2004, p.17). Os produtos locais (naturais e econômicos) devem ser divulgados utilizando as mais avançadas estratégias de marketing. Pois assim, a atração será maior e com o aumento do fluxo de turistas os ganhos econômicos para o Estado do Rio Grande do Norte também se ampliam. Com isso, aumenta-se o mercado de turismo (figura 1) que vai ser caracterizado por um grupo de pessoas potencialmente compradoras dos serviços turísticos. Esses têm necessidades de viajar e possuem recursos disponíveis para realizar suas vontades e dependendo da faixa etária, classe econômica, os indivíduos vão ter necessidades diversas. E quem pode potencializar essas vontades, vai ser o marketing do lugar, mostrando suas principais atrações para diferentes grupos. Os turistas tendem a se identificar com os destinos não só por causa dos atributos turísticos do lugar, mas também por conta dos valores adicionais agregados. Por isso, a adoção da responsabilidade social pelas empresas do destino, se transforma em fator relevante de sucesso econômico e de prosperidade para a sociedade local (PETROCCHI, 2004, p.22). As três condições para uma pessoa ingressar no mercado de turismo • necessidade ou desejo; • disposição para viajar; • possuir condições financeiras. Mercado do Turismo Condição financeira Disposição para viajar Necessidade ou desejo Figura 1 – Mercado de turismo Fonte: PETROCCHI, 2004. Adaptada pela autora O marketing turístico deve oferecer uma maior satisfação ao turista, com elementos que faça com que essa classe tenha vontade de ir para determinado local, deve-se assim ter um diferencial na oferta. O preço também é importante nessa questão, pois deve ser oferecido um ótimo serviço, parecido com outras regiões, sendo que este deve ter um custo menor, para sair na frente na concorrência dos preços. O desafio do marketing do turismo está em fazer com que os serviços oferecidos para os turistas satisfaçam os desejos e as vontades desse público e que todas as suas expectativas positivas com relação ao lugar realmente ocorram. Para que isso ocorra, as empresas que trabalham com o turismo, devem se preocupar com a satisfação do turista acima de tudo e também precisam dar prioridade às políticas de recursos humanos, tentando sempre manter os funcionários motivados, pois esse público é que vai estar sempre em contato com os turistas, por isso a importância de capacitá-los da melhor forma, para que assim sejam prestados os melhores serviços. No caso do Rio Grande do Norte vários problemas são sentidos no que diz respeito ao marketing do turismo. Os funcionários de preferência precisam entrar nas empresas, já qualificados e com certa experiência, para que o custo seja menor, pois não vai ser preciso pagar cursos de especialização ou de aprofundamento em alguma área, por exemplo, línguas estrangeiras, gestão de pessoas, serviços gerais, entre outros. E em sua maioria quem vai exercer as atividades turísticas formais não vai ser a população nativa local e sim quem já tem alguma das atribuições citadas. No Estado em estudo, principalmente na cidade de Natal, os empresários do turismo, culpam a falta de uma estratégia de marketing para vender o turismo potiguar em outros lugares do Brasil e do mundo. Segundo eles, de acordo com matérias pesquisadas em jornais, alguns fatores prejudicam Natal como destino de turistas estrangeiros, entre estes está a pouca divulgação do estado na mídia, onde falam que é necessária uma divulgação constante. Um outro fator que fez diminuir o número de vôos charters (diretos para a cidade) foi a forma como o governo do Estado desenvolveu as operações contra o sexo-turismo em Ponta Negra. Onde falam que a forma como foi tratado o assunto foi imprópria para os interesses do turismo na cidade. Alguns empresários falam que as operações foram exageradas e só serviram para afastar os turistas. Também reclamam com relação aos investimentos, que são escassos e que ainda não há uma atenção especial voltada para o setor. Dentro das colocações sobre o marketing turístico, o governo é sim peça importante para a realização bem feita, porém não deve ser considerado o único culpado pela falta de investimentos e de atenção nesse setor. Os empresários de turismo, também devem fazer sua parte, pois eles também são um dos maiores interessados, para isso, deveriam promover eventos pelo Brasil e no exterior, diagnosticar os principais desejos dos turistas e assim utilizar o marketing para atrair esse público. Também devem aproveitar os meios de comunicação existentes, principalmente a internet para essa divulgação. 3.2 Os meios de comunicação Os assuntos abordados devem ser diferentes na tevê, no rádio e no jornal e não apenas com relação à linguagem. No jornal o texto deve ser mais livre, possui um espaço maior e uma grande diversidade de temas. No jornal a linguagem é mais coloquial, pois a maioria do público é simples e o que vai ocorrer é uma conversa com esse ouvinte. Já na televisão o público é mais passivo, se o assunto estiver chato ele vai lá e muda a televisão, além de que o jornalista tem pouquíssimo tempo para transmitir a notícia (CALDAS, 2003). Por causa disso, deve-se se ter uma maior preocupação com a maneira pela quais as notícias vão ser passadas e como essas vão atingir os diversos públicos, pois com a globalização a informação passou a chegar quase que instantaneamente nos lugares mais longínquos. Assim, se uma notícia for mal interpretada pode causar enormes prejuízos para a economia de um país. Como no caso do turismo no Rio Grande do Norte, como visto acima, um jornalista escreveu dos problemas causados pela prostituição na cidade de Natal e principalmente no bairro de Ponta Negra e por causa disso, muitos europeus estão desistindo de viajar para essa localidade, causando prejuízos econômicos para o Estado e em diversas áreas de atuação privada. Porém com a globalização as notícias precisam ser veiculadas de preferência sem interesses privados incluídos, apesar dos problemas que podem causar para a economia de um país. Como fala Caldas (2003, p.11). “O comportamento da economia de um país, região ou cidade influencia a vida as pessoas e elas precisam ser devidamente informadas para poder tomar decisões”. Porém em sua maioria as notícias são veiculadas de forma superficial. O que não é interessante, pois o melhor seria se as notícias ligadas ao setor do turismo recebessem o devido tratamento, onde deveria ter mais importância, ampliando e explicando em detalhes, pois a atividade turística é de grande valia para o governo e os habitantes potiguares, não podendo ficar presa somente a comentários, sobre as praias, restaurantes e festas. As notícias devem ser veiculadas de forma mais ampla, explicando a importância dessa atividade para o PIB, para a manutenção dos empregos, além de mostrar os vários problemas, pois só assim pode ser adquirida uma consciência por parte da população de como agir para diminuir os malefícios causados pelo turismo, como por exemplo, cuidando melhor do meio ambiente, denunciando casos de turismo sexual e assim aumentar os ganhos dessa atividade de forma qualitativa. Com tudo isso, faz-se necessário um maior estudo sobre os diversos meios de comunicação existentes, principalmente os mais citados nas entrevistas realizadas com as agências de viagens (ver gráfico 1) e com os turistas. 40% Internet 10% 5% Operadoras Jornais Revistas Radio 10% 10% 10% TV Folheto 15% Gráfico 1 Meios de comunicação utilizados para propaganda Fonte: Pesquisa direta (2006) No gráfico 1 tem-se uma idéia do percentual dos meios de comunicação utilizados para propaganda segundo as agências de viagem. A internet aparece com 40% de utilização, sendo assim o maior número, as revistas aparecem com 15%, enquanto que as operadoras, os jornais, o rádio e a televisão aparecem empatados com 10% cada e por fim tem o folheto com 5%. Vale salientar que esses números mostram a porcentagem de vezes que cada meio desse foram citadas, às vezes as agências colocavam mais do que um, portanto esses dados mostram a porcentagem de utilização e não de importância. 3.2.1 Internet Como mostra o gráfico acima, a internet foi citada como o meio mais utilizado para realizar propaganda. Também vai ser citada pela maioria dos turistas entrevistados como o melhor lugar para se buscar informações sobre o local da viagem. Isso mostra como esse meio de comunicação é importante no que se diz respeito ao turismo. Devido à importância dessa ferramenta, no tópico 3.3 foi feita uma análise mais profunda do mesmo. 3.2.2 Televisão e rádio A televisão e o rádio, por ser uma mídia de grande alcance, vão ser uma das mais utilizadas pela população de uma forma geral ter acesso às informações, portanto as propagandas veiculadas nesse meio são válidas e por esses veículos possuírem essas características vai atingir um grande público. Esses meios também vão ser os mais utilizados pela população brasileira em todas as classes, por isso a importância de investir na publicidade nessas áreas. O pequeno número de agências que utilizam esse meio é devido, sobretudo ao custo mais alto da propaganda nesses meios, e do pouco tempo que se tem, principalmente na televisão. 3.2.3 Meios impressos (revistas, jornais, folhetos) Os meios impressos tendem a atingir uma parcela seletiva da população, principalmente aqueles que realmente têm interesse em viajar. Várias revistas especializadas são encontradas nas bancas e livrarias (viajem e turismo; viajem bem), assim como cadernos especiais de turismo em jornais e folders espalhados por todas as agências e lugares que tendem a ter um público com um poder aquisitivo mais alto, que tem maiores condições de viajar. 3.2.4 Boca–a–boca A campanha que aqui vai ser chamada de boca-a-boca, vai ser aquela forma de comunicação aonde uma pessoa que já veio tenta convencer outra a ir também para aquela localidade. Uma grande parte dos turistas entrevistados em Ponta Negra falou que tiveram vontade de ir para Natal por causa de algum amigo que veio e disse que valia a pena conhecer a cidade. Essa forma é importante para aumentar o fluxo de turistas em vários pontos turísticos de diversas localidades. Então para continuar dando certo, é importante atentar para as boas condições que os turistas devem ter na localidade, principalmente no que diz respeito à infraestrutura local e os serviços turísticos, para assim esse tipo de comunicação não diminua e assim ocorra cada vez mais um acréscimo de turistas. 3.3 Internet – principal meio de comunicação Como foi visto acima, a internet é o meio de comunicação mais utilizado pelas agências de viagem para realizar sua propaganda. Portanto agora se torna necessário uma análise mais aprofundada dessa ferramenta e da sua importância para o turismo potiguar. A malha de teleinfocomunicações habilita interconexões entre conhecimentos e saberes antes compartimentados e diluídos. No cruzamento de interações eletrônicas, a hiper-rede planetária internet pluga entre si milhões de usuários, num tráfego impressionante de raças, credos, idiomas e ideologias (MORAES, 1997, p.15). Na internet tem-se uma ilimitada gama de informações, onde se podem realizar pesquisas em bibliotecas virtuais, fazer amigos, arranjar namorado, baixar músicas, assistir a clipes, filmes e jogos de futebol, realizar ligações, jogar, aprender outra língua, fazer cursos, inclusive superior, entre outras inúmeras opções. Na internet também são realizadas reuniões em tempo real, de diversas filiais com a matriz ao redor do mundo, também se pode despachar agenda com uma secretária a milhares de quilômetros de distância, isso facilita a vida dos empresários que não precisam mais viajar várias vezes para resolver pendências e assim ter mais tempo para o lazer, além de diminuir o custo das empresas e consequentemente aumentarem os lucros. Tudo isso, causou uma revolução nas empresas que diminuíram vários problemas, por encontrarem soluções mais práticas e rápidas para resolvê-los, assim como pelo aumento da produtividade, pela diminuição do estresse dos funcionários, contribuindo também para o meio ambiente, pois diminui a poluição causada pelas idas ao trabalho de carro, esse agora que pode ser feito em casa. Moraes (1997, p.17) fala: Os CPDs dinossáuricos dos anos 70 e 80 foram substituídos por networkings: os usuários compartilham bancos de dados distribuídos por redes locais, inteiramente digitais. A informatização reduz as relações entre os funcionários, os estamentos hierárquicos e os departamentos a um dispositivo que exerce dissimulada vigilância sobre o fluxo interno – do enredo tributário ao ponto eletrônico, tudo está ao alcance dos fiscais do capital. Com isso que foi dito fica a preocupação com a vida cotidiana, pois não só os trabalhos como as mentalidades passam por mudanças radicais, devido às novas tecnologias. Preocupações também com relação à manutenção dos empregos, devido a diminuição dos postos de trabalho e uma especialização cada vez maior. No gráfico 2 fica claro o grau de importância dessa ferramenta para a propaganda das agências de viagem. 80% delas disseram que a internet é primordial para o funcionamento do ser serviço, enquanto 20% citaram as operadoras como meio de comunicação mais importante para a sua publicidade. internet 80% operadoras 20% Gráfico 2 Principais meios de comunicação utilizados para propaganda pelas agências de viagem Fonte: Pesquisa direta (2006) Esses dados mostram a importância dessa ferramenta para as agências de turismo. E também vai ser o meio de comunicação mais utilizado pelos turistas que freqüentam o bairro de Ponta Negra. Com base nesses dados resolveu-se realizar uma pesquisa na internet com relação ao bairro de Ponta Negra. Foi utilizado a maior sítio de busca o google, voltado mais para os brasileiros: www.google.com.br. Nesse colocou-se as palavras “ponta negra” natal, e cerca de 249.000 mil resultados apareceram na tela. Mesmo não restringido a pesquisa para o turismo, a maioria dos sítios localizados tinham relação com essa atividade econômica. As maiorias dos sítios encontrados mostram aspectos positivos de Natal, um bom panorama, porém apesar disso, os empresários do ramo reclamam que a cidade não é vendida adequadamente. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho procurou mostrar a importância dos meios de comunicação, como, televisão, rádio, jornais, revistas, etc. e principalmente a internet para com o aumento ou diminuição do fluxo de turismo no Estado do Rio Grande do Norte, principalmente no bairro de Ponta Negra na capital Natal. Viu-se que apenas esses meios de comunicação e o marketing não são as únicas ferramentas necessárias, mas são imprescindíveis para o aumento ou diminuição do turismo. Essa divulgação precisa ser respaldada por uma realidade local que ofereça condições viáveis de infra-estrutura para os turistas e que faça com que eles confiem na cidade e tenham vontade de voltar, e com isso, também potencializem a propaganda. E o processo de globalização quando relaciona o local com o global cria as oportunidades necessárias para que os mais diversos locais sejam vistos como um produto a consumir e assim trazer ganhos econômicos para a localidade em si. No caso de Natal, existem controvérsias a respeito de como a mídia divulga a cidade. Alguns empresários do turismo reclamam que falta um investimento no setor e que várias matérias que saem lá fora, principalmente com relação ao sexoturismo contribuem para uma diminuição do número de turistas na cidade. E quando isso acontece, vão ocorrer problemas de ordem financeira a quase 70 mil pessoas, que trabalham direta ou indiretamente com essa atividade. Esse trabalho tem a preocupação com um aporte mais teórico, por isso a importância de se trabalhar com os conceitos de mídia, meios de comunicação, globalização da economia, turismo, marketing, pois assim a essência dos assuntos foi mais bem compreendida. Pode-se perceber a importância da identidade do lugar e da valorização do local, para que o turismo globalizado atraia ganhos que sirvam para toda a população e não apenas para uma pequena minoria. Porém, não é isso que ocorre, pois no bairro de Ponta Negra a realidade local foi deixada de lado e a maioria dos empreendimentos voltados para o turismo e grande parte dos terrenos e casas existentes pertence a pessoas de outras naturalidades e nacionalidades, principalmente estrangeiros. Com isso, a globalização nesse caso reordenou a paisagem e influenciou os atores locais a se reordenarem de outra forma, onde os anseios e as expectativas vão ser forjados pelos empresários do turismo em detrimento da opinião dos habitantes locais. Submetendo assim o espaço físico às leis que regem o mundo, o capital, a uma acumulação sem fim, todas essas características da globalização perversa e consequentemente do sistema capitalista. No Estado do Rio Grande do Norte, assim como em outros lugares do mundo, o processo de modernização trás junto uma seletividade, tanto nas formas como nas funções. Isso causa diversos problemas de ordem social e ambiental. O ambiente, tanto o natural como o produzido, constitui a base da atração turística, daí a importância não só de praias limpas e conservadas, mas de hotéis, pousadas, restaurantes e outros elementos que componham a infra-estrutura apresentarem um bom padrão de higiene e comodidade, sem ser necessariamente luxuosos. A praia de Ponta Negra sofreu e sofre sérios impactos sócio-ambientais, inclusive pela ausência de medidas jurídicas restritivas de ordem ambiental e quando existem juridicamente respaldadas, não são postas em prática. Este processo não é isolado e sim faz parte da frenética expansão do turismo global, respaldados por uma alta racionalidade técnica e informacional que selecionam estrategicamente algumas regiões do globo para poder expandir seus domínios, garantindo assim, sem riscos, a reprodução voraz do capital. Devido a todos os problemas causados pelo turismo desenfreado e pela globalização que tendem a separar cada vez mais as classes existentes, tem-se que haver uma maior preocupação com essa atividade, para que ela possa trazer ganhos também para a população local e não apenas para os detentores do capital. Por isso, a necessidade de se escrever essa monografia, onde as opiniões da grande mídia vão influenciar diretamente na atividade econômica do turismo potiguar. E os meios de comunicação podem trazer maiores informações com qualidade, pois assim, a população pode lutar de forma correta e decidir o que realmente atende aos seus anseios. REFERÊNCIAS ADDA, Jacques. As origens da globalização da economia. Tradução de André Villalobos. Barueri: Manole, 2004. (Série entender o mundo; v. 6). _____________. Os problemas da globalização da economia. Tradução de André Villalobos. Barueri: Manole, 2004. (Série entender o mundo; v. 8). BARBOSA, Míriam de Aguiar. Comunicação no mercado de consumo transnacional: MacDonald’s: a montagem do sabor igual sem igual. São Paulo: Annablume, 2000. BERLO, David K. O processo da comunicação: Introdução à teoria e à prática. Tradução de Jorge Arnaldo Fontes. 10ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. (coleção biblioteca virtual). BOLAÑO, César Ricardo Siqueira (org.). Globalização e regionalização das comunicações. São Paulo: EDUC: Universidade Federal de Sergipe, 1999. CALDAS, Suely. Jornalismo econômico. 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