F
N
NotíciasFALE
Informativo da Faculdade de Letras da PUCRS
ANO VI
|
NÚMERO 90
|
14 de abril de 2011
Conta só mais uma vez aquela do lobo?
Dia Internacional do Livro Infantil
Há quem chame de “livrinhos” as “historinhas” que as crianças gostam de ouvir ou ler. Há quem pense que
não existe nada de literatura nas frases curtas, nas ilustrações grandes, na fantasia sem limites dos volumes
destinados às crianças. Há, ainda, quem afirme que a literatura infantil é ela mesma um faz-de-conta...
“A ideia de que, aprendendo a ler, a pessoa, mais tarde, poderá enriquecer sua vida é vivenciada como
uma promessa vazia quando as histórias que a criança escuta ou está lendo no momento são ocas.”
(Bruno Bettelheim, autor de A psicanálise dos contos de fadas)
Mas de que trata essa tal literatura infantil? Qualquer criança ou adulto que se deixa sequestrar da realidade
pelo instante da contação de um eletrizante conto de fadas ou da leitura de uma intensa narrativa moderna
sabe do que estamos falando. Não se trata apenas de um nicho de mercado.
A literatura infantil se faz no seu público, que não se
vende por marcas, capas ou texturas, nem se importa
se o autor é bonito, se nasceu há mil anos ou se nunca
chegou a existir; no seu mediador que se capacita para
identificar textos que mereçam ser devorados pelos ávidos
olhos e pelas sedentas mentes; no seu autor criativo que
escreve pensando nas crianças (ou não), pois a literatura
infantil se faz, acima de qualquer coisa, nas boas histórias.
Por tudo isso a presente edição do Notícias FALE
homenageia o Dia Internacional do Livro Infantil, comemorado
no dia 2 de abril, data do nascimento de Hans Christian
Andersen. Delicie-se com a seleção que fizemos de trechos
d a ma i s e sp e ra d a p a rte d e q u a l q u e r a ve n tu ra
maravilhosa: o final feliz — ou quase.
Foto: Mônica Rodrigues de Rodrigues
Você conhece Hans Christian Andersen? A data escolhida para comemorar o Dia do Livro Infantil
no mundo todo não poderia ser melhor. O dinamarquês Andersen criou histórias que há mais de 150
anos deslumbram as crianças. Entre elas: O patinho feio, Os sapatinhos vermelhos, O soldadinho de
chumbo, A pequena sereia, A roupa nova do rei, A princesa e a ervilha e A pequena vendedora de
fósforos. Nem precisamos dizer mais, não é? Mas, para não haver dúvidas sobre a importância de
Andersen para a literatura mundial, basta saber o que James Joyce falou sobre ele:
O maior poeta da Dinamarca — não tem igual no mundo. Ninguém alguma vez será
capaz de escrever tão bem para as crianças como ele o fez.
Escrever para criança, escrever criança, escritor-criança
Celso Sisto e a literatura infantil
Sempre gostei de caminhos difíceis: escrever para crianças é extremamente difícil. Equalizar Foto:Divulgação
ideias originais, linguagem adequada, pulsante, poética; dar a cada obra uma construção instigante, seja qual
for o gênero da história (realista, de humor, de aventura, de terror, etc.): todas essas coisas parecem que são
exigidas em dobro quando o alvo é um leitor que pode ser conquistado definitivamente ou perdido pra sempre.
O compromisso é medonho! Mas, pra falar a verdade, escrevo para crianças, principalmente, para poder dar
asas à fantasia, sem nenhuma restrição (adulto é cheio de censura!); pra poder falar de igual pra igual (uma vez
que sou exatamente do tamanho dos meninos e meninas para quem escrevo); para não deixar morrer a minha
criança interior (assim fico sendo um pouco imortal, né?); para me reconciliar com a infância (que pode ser feliz
ou triste, mas pode ser melhor com boas histórias!); pra poder recuperar, em mim, o tremendo impacto que a
literatura teve na minha vida de menino. Enfim, no meio dessa literatura eu sinto que posso dar, com dignidade,
voz, grito e canto a um turbilhão de idéias que rondam, sem parar, a minha cabeça. No fundo escrevo
principalmente pra mim, não é não? Para aquietar meu coração e ganhar PESSOAS (com todas as letras
maiúsculas)! — Depoimento de Celso Sisto, autor de mais de 40 livros infantis e doutorando em Teoria da
Literatura na PUCRS.
Era uma vez... e continua sendo
Perguntamos a alguns professores da FALE quais eram as histórias infantis que mais gostavam de ouvir na
infância e quais as que mais gostam de contar para filhos, netos, sobrinhos, alunos...
Professor Bruno Bergamin: As narrativas infantis que eu mais usava eram as da literatura oral
das histórias infantis da cultura italiana. Essas histórias foram as mesmas que aprendi com meus
pais e que eles haviam aprendido com os pais deles, trazidas pela colonização italiana. Algumas
dessas histórias foram publicadas e outras não. Outras narrativas orais eram inventadas na hora,
de acordo com as perguntas das crianças. Nesses momentos, construíamos a historinha juntos,
com direito a desenhos improvisados feitos e pintados na hora. Da literatura escrita, os meus filhos
gostavam muito de Monteiro Lobato e das Fábulas de Esopo e Fedro. Gostaram de ler, também,
Robinson Crusoé e obras de Júlio Verne.
Foto:Divulgação
Professora Solage Medina Ketzer: As histórias mais marcantes que ouvi na infância eram contadas
pelo meu avô paterno, chamado Miguel. Doce criatura, encantava a criançada com narrativas
memoráveis inventadas por ele. A de um tigre feroz que andava solto por uma densa floresta
era arrepiante, porque ele contava com detalhes que davam um medão danado. Na sequência
aparecia um corajoso caçador que mirava a fera e nunca acertava. Ou o bichano saía da mira
ou cuspia no cano da arma...O legal é que ele nos protegia de um desfecho ruim, pois nem o
tigre nem o caçador tinham um final trágico. Ao contrário, o que iniciava provocando medo,
acabava provocando risos...
Professora Sissa Jacoby: As histórias que eu mais gostava de ouvir eram as que meu pai
contava, à noite, antes de dormir. Eram aquelas histórias da oralidade, que circulavam
naturalmente: contos populares, fábulas, histórias de assombração, histórias do Pedro Malasartes.
Mas as prediletas eram A moura torta, As três cabeças do poço, A menina enterrada viva e O bicho
folharal. Dentre as histórias que eu lia para a minha filha, duas eram muito especiais, pois ela
queria sempre ouvir novamente: Poinco (não lembro a autoria) e A bruxa malvada que virou
borboleta, do Walmir Ayala. A primeira era curtinha, poucas páginas e pouco texto, mas a segunda
tinha 40 páginas. Mal terminava a leitura, ela já pedia para recomeçar. E não aceitava cortes,
tinha de ser inteirinha.
Foto:Divulgação
Professora Marilu Spohr: Como descendente de avós germânicos, e por ter convivido muito
com eles, assimilei muito da sua cultura. Assim, as historinhas que me eram contadas não
poderiam ser outras a não ser as coletadas pelos irmãos Grimm: Chapeuzinho Vermelho,
Rapunzel, Branca de Neve, etc. Eu aprendi a gostar de histórias que envolviam bruxas e
castelos (bruxas: é uma marca na cultura alemã, até na literatura, como, por exemplo, Faustus
de W.Goethe). Como não tenho filhos, mas tive (e tenho) uma criança na minha casa, não
saberia contar outras histórias a ela a não ser as que me foram contadas quando criança.
E também com a mesma intenção dos meus avós: esclarecer "a moral da história", que o
bem sempre vence o mal.
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação
Professora Maria Tereza Amodeo: A história da Rapunzel era uma das minhas preferidas.
Talvez pelo longo cabelo da protagonista (que eu tanto almejava ter), talvez pela sua vida,
tão diferente da minha (menina de uma família enorme e barulhenta). Também adorava As
fadas, de Charles Perrault, a das duas irmãs - a boa e a má. A primeira, quando falava,
saíam rosas, pérolas e diamantes de sua boca. A outra, a má, expelia cobras e sapos. Sou
capaz de me lembrar com detalhes das ilustrações do meu pequeno livrinho, perdido no
tempo, mas não na minha lembrança, muito menos na minha emoção. Para os meus alunos
— os pequenos, os jovens e os de hoje, adultos – criei o hábito de ler narrativas impregnadas
de muita fantasia, aquela mesma que certamente inaugurou a minha história com a literatura.
Se você olhar para Wendy agora, vai ver o cabelo dela ficando grisalho e seu vulto se encolhendo, porque
tudo isso já aconteceu há muito tempo. Jane agora é uma adulta comum e tem uma filha chamada Margaret.
Toda primavera, quando é hora da faxina — a não ser quando ele esquece —, Peter vem buscar Margaret
e a leva para a Terra do Nunca, onde ela conta histórias dele mesmo, que ele ouve deliciado, com a maior
atenção. Quando Margaret crescer, vai ter uma filha, e vai ser a vez dela ser a mãe de Peter. E assim por
diante. Enquanto as crianças forem alegres, inocentes e de coração leve. (Peter Pan, de J. M. Barrie)
Convênio FALE e Universidade de São Francisco, EUA
A Faculdade de Letras acabou de estabelecer, em março deste ano, um convênio de cooperação com a
University of San Francisco, USF, que se localiza na cidade de São Francisco, no estado da Califórnia, nos
Estados Unidos. O convênio promove a mobilidade de alunos, professores e pesquisadores entre as
instituições, a implementação de projetos conjuntos de pesquisa, a realização de eventos científicos e
culturais e também o intercâmbio de informações e publicações acadêmicas.
O Professor Gerardo Marin, Vice-Reitor da USF, entrou em contato com a Assessoria de Assuntos
Internacionais e Interinstitucionais (AAII) da PUCRS, com o objetivo de estabelecer um convênio a partir do
interesse demonstrado pelos alunos do Programa de Língua Portuguesa e do Programa de Estudos da
América Latina. A USF é uma universidade jesuítica, católica composta de cinco faculdades que oferecem
mais de 100 programas nos níveis de graduação e pós-graduação. A Faculdade de Artes e Ciências oferece
53 cursos de graduação e 15 de pós-graduação, entre os quais Comunicação Social, Literatura Comparativa
e Cultura, Inglês (Literatura e Escrita Criativa), Estudos Étnicos, Estudos de Gênero, Estudos de Mídia,
Línguas Modernas e Clássicas, Filosofia, Retórica e Linguagem, entre muitos outros cursos.
Quem tiver interesse em realizar um intercâmbio acadêmico na USF pode procurar o Programa de Mobilidade
Acadêmica, no prédio 15, sala 116. Lembramos que é requisito para a USF, assim como para as demais
universidades americanas, o comprovante do exame TOEFL, com pontuação mínima de 80. O exame TOEFL
é aplicado no laboratório de línguas da FALE. Confira as datas dos próximos exames no site da (www.pucrs.br/fale).
Para maiores informações sobre a universidade e as ofertas de cursos, acesse www.usfca.edu
(Colaboração: Cristina Becker Lopes Perna, professora da FALE e Assessora para Assuntos Internacionais
e Interinstitucionais e Karina Veronica Molsing, também da AAII).
IV Colóquio de Linguística e Literatura — o discurso científico em perspectiva
Nos dias 16, 17 e 18 de maio será realizado na FALE o IV
Colóquio de Linguística e Literatura: o discurso científico em
perspectiva, dando continuidade ao trabalho que tem sido
desenvolvido nos últimos três anos, e que partiu da iniciativa
exclusiva de alunos-pesquisadores do Programa de
Pós-Graduação em Letras da PUCRS. O objetivo central do
evento é proporcionar um espaço onde possamos conhecer e
discutir o que estamos investigando nos campos da linguística e
da literatura em dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Confira os depoimentos de quem já participou e lembre-se: alunos
da graduação podem participar como ouvintes.
Não perca essa oportunidade!
Foto: Ju Grünhäuser
Aline Aver Vanin, doutoranda em Linguística: Participei do colóquio de Linguística e Literatura em 2010,
apresentando parte da minha tese de doutorado em desenvolvimento. Acredito que a experiência de falar
aos colegas sobre a minha pesquisa foi bastante válida por ser uma oportunidade de compartilhar o que
havia desenvolvido até aquele momento, de conhecer o que os colegas estavam estudando, de questionar,
de contribuir com outros trabalhos, além de poder me organizar para as apresentações que viriam nos
meses seguintes. Após esse evento, tive excelentes feedbacks - inclusive do pessoal da literatura -, que
me ajudaram a refletir sobre os rumos que eu estava tomando na minha tese. Recomendo a participação
dos colegas no evento deste ano, pois falar sobre a própria pesquisa é sempre uma maneira de olhá-la sob
uma nova perspectiva. Em geral, recebemos ótimas contribuições dos colegas e dos professores que nos
assistem, e a divulgação de nossos estudos rende frutos para além do colóquio.
Mauricio da Silveira Piccini, doutorando em Teoria da Literatura: Apresentei, no colóquio de 2010, a parte
da minha pesquisa de doutorado que "fechava" o meu mestrado, dando início à fundamentação teórica
que estou usando para a tese. Além de obrigar a pensar a teoria em termos mais práticos (afinal, o público
entende de Literatura, mas não obrigatoriamente entende profundamente os trabalhos dos autores dos
quais me sirvo), as perguntas do público contribuem para indicar, daquilo que estou estudando, o que pode
interessar aos colegas. Na prática, agora sei que a definição de "narrativa" que utilizo é controversa, embora
seja difícil negar que é narrativa, e sei que a proposta de um narrador interativo parece mais agradável aos
colegas das Letras do que a de uma narrativa interativa. Recomendo a participação de todos no colóquio, e
recomendo também que levem seu material mais delicado (ou seria "intrigante"?) para a troca de ideias.
As inscrições como apresentação de trabalho estão abertas até 20 de abril e como ouvinte até a data do
evento. Informações podem ser obtidas pelo email [email protected]. Participe!
Nova comissão científica
A comissão científica tem como função, entre outras, organizar as pesquisas da Faculdade de Letras,
fazendo um levantamento dos centros, núcleos e grupos que existem em nosso curso. A Comissão é
renovada a cada ano e, em 2011, o grupo cresceu: serão quatro professores. O objetivo da mudança é
contemplar tanto as pesquisas na área de Linguística como na de Teoria Literária. Este ano a equipe é
formada pelos professores Ricardo Barberena, Regina Kohlrausch, Leda Bisol e pela a coordenadora Leci Barbisan.
FALE em revista
Ciclo de Palestras Alteridade,
Dialogismo e Polifonia
No dia 29 de março, aconteceu o primeiro encontro
do II Ciclo de Palestras, organizado pelo Núcleo de
Estudos do Discurso, que neste ano tem como tema
Alteridade, Dialogismo e Polifonia. Na oportunidade,
o filósofo e mestrando em Linguística da UNIRITTER,
Wibison Menezes Silva, falou sobre A metafísica da
alteridade: de Parmênides a Platão, a busca do outro.
O tema da alteridade, de interesse tanto de estudiosos
da área da Linguística como da Literatura, trouxe para
o debate a busca pelo outro desde os estudos filosóficos,
desenvolvendo uma reflexão sobre como a presença
do outro também está marcada na linguagem humana,
e como as diversas teorias que têm como objeto de
investigação a linguagem lançam mão desse conceito
para explicar diferentes aspectos do seu funcionamento.
O próximo encontro, no dia 26 de abril, às 17h30min,
na sala 305, contará com a participação do Prof. Dr.
Adai l Sobr al da UCPel, que abo rdar á o tema
Alteridade, individualidade, identidade: a alternativa
bakhtiniana.
Ciclo de Literatura Estrangeira —
Literatura Hispano-americana
A palestra da professora Cecil Zinani, no II Ciclo de
Literatura Estrangeira – Literatura Hispano-americana,
ocorrida no dia 30 de março, fez com que uma nova
porta se abrisse. Porta essa que apresenta outros
autores, além dos já consagrados, que merecem, sim,
a atenção dos acadêmicos de Letras. Autores e
narrativas que, em determinados períodos, exerceram
influência sobre seus leitores. Tem-se como exemplo
as duas autoras apresentadas por Zinani: Elsa Osório
e Luisa Valenzuela. Logo, esse Ciclo é importante,
pois desperta no aluno que participa dos encontros
interesse pelo que foi tratado e quem sabe até
algumas ideias para desenvolver um trabalho sobre
o assunto. (Colaboração: Rafael Saraiva, aluno da
Especialização em Língua Espanhola na PUCRS).
O tempo vai passando, mais portas vão aparecendo, e Maria vai abrindo elas todas, e vai arrumando cada
quarto, e cada dia arruma melhor, não deixa nenhum cantinho pra lá. num quarto ela bota o circo onde ela
vai trabalhar; no outro ela bota o homem que ela vai gostar; no outro os amigos que ela vai ter. Arruma,
prepara, prepara: ela sabe que vai chegar o dia de poder escolher. (Corda Bamba, de Lygia Bojunga)
FALE por aí
Lançamento de livro
A professora da nossa Faculdade, Marina Tazón Volpi, coordena o livro ¡ASÍ ES! Inicial, que acaba de ter a
segunda edição lançada pela Editora Rígel. A série ¡Así Es! oferece um material de apoio para professores e
estudantes de Espanhol como língua estrangeira, mediante a prática dos tópicos de gramática que oferecem
dificuldades específicas aos falantes de português. Por incluir, ao final de cada volume, a chave de respostas,
pode ser usado por qualquer pessoa que tenha algum conhecimento da língua.
Professora da FALE no I Simpósio Internacional de Crítica Genética,
Tradução Intersemiótica e Audiovisual
Nos dias 5, 6 e 7 de maio ocorrerá, em Florianópolis, o I Simpósio Internacional de Crítica Genética, Tradução
Intersemiótica e Audiovisual, do qual fará parte como palestrante a professora da FALE Marie-Hélène Paret
Passos. Ela apresentará duas palestras: “Da crítica genética à tradução literária: o caminho da (re)escritura” e
“ITEM: multilinguismo: uma equipe em formação”.
Conforme a professora Marie-Hélène, o primeiro tema discutirá por que e de qual maneira a crítica genética
pode ser uma forma de leitura reveladora no processo tradutório de um texto literário. Essa pesquisa teve
como base o estudo genético do prototexto do conto inédito de Caio Fernando Abreu: Anotações para uma
estória de amor, e pretende esboçar as bases de uma interdisciplinaridade entre crítica genética e tradução
literária.
Já a segunda palestra versará sobre o multilinguismo como possível objeto de estudos genéticos, em que
o estudo dos manuscritos plurilíngues proporciona ao pesquisador um acesso privilegiado aos rastros de
processos subjacentes à criação e mostra a importância dos fenômenos multilingues no estudo da criação
literária. O objetivo é enriquecer a pesquisa não somente em genética dos textos, mas em literatura e
linguística.
Aguarde as notícias sobre este evento!
Foi só por isso que eu resolvi contar o segredo que ninguém desconfia, sabe? Contar que Bisa Bia mora
comigo. Mas quando eu me animo, não consigo parar, e acabei contando tudo. Até Neta Beta entrou na
dança. E nós três juntas somos invencíveis, de trança em trança. (Bisa Bia Bisa Bel, de Ana Maria Machado)
FALE pelo mundo
Doutorado-sanduíche em Budapeste
Os alunos da FALE dispõem de várias oportunidades para realizar cursos em outros países durante sua
graduação ou pós-graduação. Uma das modalidades mais disputadas é o doutorado-sanduíche. Aline
Vanin, doutoranda da Linguística, está neste momento em Budapeste e inaugura a seção FALE no mundo.
Confira e inspire-se no Breve relato sobre o meu “Sandwich Magyar”, enviado por ela!
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens,
livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que
é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o
desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para
lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o
mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser.
Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos
ser alunos, e simplesmente ir ver. (Amyr Klink)
Foto:Arquivo Pessoal Aline Vanin
A experiência de fazer parte de meu doutorado em Budapeste, Hungria, tem sido valiosa por eu ter a
honra de estudar com um dos grandes nomes da Linguística Cognitiva, Professor Dr. Zoltán Kövecses,
que gentilmente aceitou supervisionar meu trabalho ainda em 2009. Passados três meses do início do
meu estágio aqui, já trabalhamos em conjunto em uma pesquisa sobre a conceitualização de emoções,
que será proveitosa tanto para a minha tese quanto para o trabalho que o professor Kövecses vem
desenvolvendo nessa área. Posso dizer que as discussões e as trocas de ideias nas reuniões de
orientação têm auxiliado a melhorar consideravelmente o conteúdo de minha tese!
Estando aqui, pude participar de dois eventos importantes para meu trabalho por eu ter tido bom retorno
para a escrita do meu texto. No mês de fevereiro, fui convidada para dar uma palestra para um grupo
de doutorandos da Eötvös Loránd University, universidade na qual faço meu estágio, e dessa fala muitos
comentários, sugestões e críticas valiosas surgiram. Em março, viajei para £ódŸ, Polônia, onde participei
da Conferência “Meaning, context and cognition”, na qual apresentei o trabalho “On being angry and
exploding: unveiling emotion concepts”, que tratou de parte do que desenvolvi na minha tese já aqui
na Hungria. Novamente, foi um momento de trocar ideias e repensar aspectos fundamentais da
.minha pesquisa.
Mais do que desenvolver a tese de doutorado, estudar em outro país é uma experiência enriquecedora
em todos os sentidos: conhecemos pessoas de várias nacionalidades (só no meu dormitório estão uma
espanhola, uma finlandesa e uma turca...), aprendemos a respeitar e a lidar com uma cultura bem
diferente da nossa e, principalmente, passamos a entender a nossa própria vida sob outras perspectivas
– pois ao tomarmos distância do nosso mundinho é que conseguimos, de fato, “vê-lo”. Acredito, por isso,
que todas as pessoas deveriam passar por uma experiência como essa. Não se trata, apenas, de uma
oportunidade de desenvolver uma pesquisa de doutorado, de trabalhar em conjunto com o professor
co-orientador, ou de fazer novos contatos na área de estudo, mas é um momento de crescer
pessoalmente também.
Desde que cheguei em Budapeste, no início deste ano, tive que passar por vários obstáculos,
a começar pela barreira linguística. Na universidade, todas as pessoas falam inglês, mas meu
maior desafio foi me comunicar pelas ruas desta cidade sem falar ou entender a única língua que
– dizem por aqui – o diabo respeita! Mas como em todo começo, adaptei-me bem e hoje já domino
algumas “palavras mágicas” que me garantem uma aproximação com os húngaros, já que eles
reconhecem o esforço em pronunciar expressões como “köszönöm”, “Jó reggelt”, “kérem”, “Szívesen”
ou “Bocsánat”, por exemplo. Além do problema de não conhecer a língua, tive que aprender a me
adaptar à cidade em si – meios de transporte e lugares com nomes complicadíssimos à primeira vista,
por exemplo –, à comida totalmente diferente da brasileira, e às condições climáticas (o frio chegou
a -10ºC!), mas se não fosse a maravilhosa hospitalidade húngara, teria sido bem mais difícil!
Só quem vive um doutorado-sandwich é capaz de entender todo o processo de adaptação e o esforço
de superação que se faz a cada dia. Não é apenas uma mudança temporária para outro país com
todas as novidades que ela acarreta, mas um movimento que nos modifica por inteiro. Numa situação
tão diferente de nossa vida cotidiana, não só vivemos a escrita da tese, nosso propósito maior, mas
aprendemos a rever muitos de nossos conceitos, repensamos nossa própria vida e passamos a
valorizar o que deixamos para trás – como tão claramente expõe a epígrafe de Amyr Klink.
O moço fez uma grande reverência para agradecer a distinção que o rei lhe conferia, e naquela
mesma semana casou-se com a princesa. O gato de botas ficou sendo o mais importante fidalgo
da corte e até o fim da vida nunca mais perseguiu os ratos, senão por divertimento.
(O gato de botas, de Charles Perrault).
FALE em projetos
Você conhece o projeto “Biblioteca Infanto-Juvenil do Hospital São Lucas da PUCRS – Espaço de Leitura,
Arte e Prazer”? Esse projeto consiste em criar um espaço de formação leitora no Setor de Pediatria do
Hospital, visando a proporcionar às crianças que passam por um período de internação médica, momentos
lúdicos e de prazer através de boa literatura, narração de histórias e recreação. O projeto é coordenado
pela Professora Dr. Solange Medina Ketzer e se constiui num prolongamento do Projeto Literatura Infantil e
Medicina Pediátrica: uma aproximação de integração humana, que recebeu o Prêmio Fato Literário em 2007.
Aqueles interessados em conhecê-lo, podem comparecer ao Centro de Referência para o Desenvolvimento
da Linguagem (CELIN), no segundo andar da FALE, onde encontrarão todas as informações acerca desse
projeto que vem encantando crianças e transformando vidas há mais de dez anos.
Os presentes se agitaram e entenderam que Lua tinha
cumprido sua jornada e tinha conseguido aprender a fazer
chover. Como se fosse ensaiado, todos os habitantes da
aldeia começaram a bater os pés no chão seguindo um ritmo
orquestrado por Lua. A bela Kaluá, trazendo no colo o
pequeno Tawé, pegou nas mãos de Lua e com ele dançou
em reverência ao Espírito da Chuva.
(O segredo da chuva, de Daniel Munduruku)
FALE em programas
26 de abril
Ciclo de Palestras: Alteridade, Dialogismo e Polifonia
Horário: 17h30min às 19h
Local: Prédio 08 — Sala 507
27 de abril
II Ciclo de Literatura Estrangeira – Literatura Hispano-americana
Horário: 17h30min às 18h30min
Local: Prédio 08 — Sala 305
Os presentes se agitaram e entenderam que Lua tinha cumprido sua jornada e tinha conseguido
aprender a fazer chover. Como se fosse ensaiado, todos os habitantes da aldeia começaram a
bater os pés no chão seguindo um ritmo orquestrado por Lua. A bela Kaluá, trazendo no colo o
pequeno Tawé, pegou nas mãos de Lua e com ele dançou em reverência ao Espírito da Chuva.
(O segredo da chuva, de Daniel Munduruku)
Comunique, divulgue, participe: [email protected]
Coordenação: Maria Tereza Amodeo
Edição e redação: Camila Doval e Juliana Grünhäuser
Redação: Maurício Pacheco Amaro e Mônica R. de Rodrigues
Diagramação: Murillo de Souza Rodrigues
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação
O Livro foi abandonado, os horizontes foram abertos e houve uma festa para comemorar.
Até a Rainha dançou.
(A fada que tinha ideias, de Fernanda Lopes de Almeida)
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação
Download

Leia aqui