SÉRGIO LOUREDO MAIA LACERDA AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO-FREQUÊNCIA UTILIZANDO O TRANSCEIVER NRF-24L01+® PARA MONITORAMENTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS NO CONCEITO DE SMART GRID. Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica - PPGEE, da Universidade Federal da Paraíba UFPB, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Elétrica. Orientador: Prof. Dr. Fabiano Salvadori JOÃO PESSOA 2015 SÉRGIO LOUREDO MAIA LACERDA AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO-FREQUÊNCIA UTILIZANDO O TRANSCEIVER NRF-24L01+® PARA MONITORAMENTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS NO CONCEITO DE SMART GRID. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica - PPGEE, da Universidade Federal da Paraíba UFPB, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Elétrica. Orientador: Prof. Dr. Fabiano Salvadori JOÃO PESSOA 2015 FICHA CATALOGRÁFICA Louredo, Sérgio Avaliação da eficiência da comunicação via rádio-frequência utilizando o transceiver nRF-24L01+ para monitoramento de sistemas elétricos no conceito de smart grid – João Pessoa, 2015. Nº de páginas: 121. Área de concentração: Sistemas de Energia. Orientador: Prof. Dr. Fabiano Salvadori. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba – UFPB Centro de Energias Alternativas e Renováveis – CEAR Programa de Pós Graduação em Engenharia Elétrica – PPGEE. 1. Unidade de Sensoriamento Inteligente; 2. Comunicação; 3. Wireless; 4. Transceiver; 5. Microcontrolador PIC 18F2580. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB CENTRO DE ENERGIAS ALTERNATIVAS E RENOVÁVEIS – CEAR PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA – PPGEE A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Exame de Dissertação AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO-FREQUÊNCIA UTILIZANDO O TRANSCEIVER NRF-24L01+® PARA MONITORAMENTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS NO CONCEITO DE SMART GRID. Elaborado por SÉRGIO LOUREDO MAIA LACERDA como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Elétrica. COMISSÃO EXAMINADORA PROF. DR. FABIANO SALVADORI (Presidente) PROF. DR. ANTONIO AUGUSTO LISBOA DE SOUZA PROF. DR. LUCAS VINICIUS HARTMANN João Pessoa/PB, 27 de fevereiro de 2015. À minha esposa Hayana pela compreensão e pelos momentos em que deixamos de estar juntos... Aos meus pais, Aristeu e Isabel, a eles todos os créditos... A Deus Pai Todo Poderoso... Dedico. AGRADECIMENTOS Ao Prof. e Orientador Dr. Fabiano Salvadori, pela paciência, compreensão, pressão e dedicação nas correções e orientações neste período de aprendizado. À Profa. Dra. Camila Gehrke, por toda sua colaboração na pesquisa e correções do trabalho final. Aos colaboradores de pós-graduação e amigos pessoais, Alison e Zariff, pela contribuição significativa para os avanços na pesquisa. Aos meus companheiros de pós-graduação, que tornaram agradável esta caminhada. Aos meus amigos do trabalho, pela força e apoio. Aos meus irmãos, pela motivação. “Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas.” Voltaire. SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ....................................................................................... VI RESUMO ......................................................................................................... VII ABSTRACT ........................................................................................................ VIII 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 13 1.1 CONCEITUAÇÃO E APLICABILIDADE DAS SMART GRIDS ......................... 13 1.2 OBJETIVO........................................................................................................ 17 1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO .................................................................... 18 2 REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO ................................................................ 21 2.1 COMUNICAÇÃO SERIAL. ............................................................................... 23 2.2 CAN BUS – CONTROLLER AREA NETWORK. .............................................. 24 2.3 PLC - POWER LINE COMMUNICATION. ........................................................ 25 2.4 ETHERNET. ..................................................................................................... 27 2.5 COMUNICAÇÃO VIA FIBRA ÓPTICA.............................................................. 29 2.6 RÁDIO FREQUÊNCIA...................................................................................... 30 3 SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE .......................................... 36 3.1 SISTEMA DE MONITORAMENTO COMPLETO (DESCRIÇÃO) ............................. 36 3.2 HARDWARE ...................................................................................................... 41 3.2.1 MÓDULO TRANSCEPTOR NRF 24L01+® ........................................................ 41 3.2.2 ARDUINO UNO .................................................................................................. 47 3.3 SOFTWARE ....................................................................................................... 50 3.3.1 CONFIGURAÇÃO E EXIBIÇÃO DE DADOS ......................................................... 50 3.3.2 ROTINAS DE TRABALHO PREDEFINIDAS.......................................................... 52 4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS...................................................................... 58 4.1 RESULTADOS DOS TESTES DE CURTA DISTÂNCIA ......................................... 60 4.2 RESULTADOS DOS TESTES DE LONGA DISTÂNCIA ....................................... 93 5 CONCLUSÕES ................................................................................................. 109 6 ANEXO 1........... ................................................................................................ 113 7 REFERÊNCIAS ................................................................................................. 118 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 DIAGRAMA GERAL DE BLOCOS DO SISTEMA DE MONITORAMENTO E COMUNICAÇÃO PROPOSTO DESENVOLVIDO ............. 18 FIGURA 2 DIAGRAMA GERAL DE BLOCOS DO SISTEMA DE MONITORAMENTO E COMUNICAÇÃO PROPOSTO ........................................... 37 FIGURA 3 DIAGRAMA SIMPLIFICADO DE BLOCOS DO SISTEMA DE MONITORAMENTO E COMUNICAÇÃO PROPOSTO ........................................... 37 FIGURA 4 DIAGRAMA DE BLOCOS DA UNIDADE DE SENSORIAMENTO MESTRE .............................................................................................................. 39 FIGURA 5 DIAGRAMA DE BLOCOS DA UNIDADE DE SENSORIAMENTO ESCRAVO .............................................................................................................. 40 FIGURA 6 - VISTA FRONTAL DO MÓDULO TRANSCEPTOR NRF 24L01+® ....... 42 FIGURA 7 PINOS DO TRANSCEPTOR NRF 24L01+® PARA CONEXÃO COM ARDUINO ...................................................................................................... 43 FIGURA 8 FORMATO DO PACOTE DE DADOS MONTADO PELO PROTOCOLO ENHANCED SHOCKBURST .......................................................... 47 FIGURA 9 SISTEMA COMPLETO DESENVOLVIDO PARA COMUNICAÇÃO (COM LIGAÇÕES TRANSCEPTOR – ARDUINO) ................................................. 49 FIGURA 10 - EXIBIÇÃO DO INÍCIO DA EXECUÇÃO DA ROTINA DA USI ESCRAVO .............................................................................................................. 51 FIGURA 11 - EXIBIÇÃO DO TÉRMINO DA EXECUÇÃO DA ROTINA DA USI ESCRAVO .............................................................................................................. 51 FIGURA 12 - EXIBIÇÃO DO INÍCIO DA EXECUÇÃO DA ROTINA DA USI MESTRE .............................................................................................................. 51 FIGURA 13 - EXIBIÇÃO DO TÉRMINO DA EXECUÇÃO DA ROTINA DA USI MESTRE .............................................................................................................. 52 FIGURA 14 SEM FIO SISTEMA DE AQUISIÇÃO DE DADOS E MONITORAMENTO .............................................................................................................. 53 FIGURA 15 - ESQUEMA BÁSICO DO FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO E MONITORAMENTO DA USI ESCRAVO ........................................ 55 FIGURA 16 - ESQUEMA BÁSICO DO FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO E MONITORAMENTO DA USI MESTRE .......................................... 56 FIGURA 17 - FUNCIONALIDADES DO WIFI ANALYZER ........................................ 60 FIGURA 18 - VISTA LATERAL DO TRANSCEPTOR COM INDICAÇÃO DE POSIÇÃO E DIREÇÃO ........................................................................................... 62 FIGURA 19 - VISTA FRONTAL DO TRANSCEPTOR ............................................... 62 FIGURA 20 - VISTA FRONTAL DO TRANSCEPTOR COM INDICAÇÃO DE POSIÇÃO E DIREÇÃO ........................................................................................... 63 FIGURA 21 - AUSÊNCIA DE SINAL DE REDES WIRELESS ................................... 64 FIGURA 22 - POSSÍVEIS SINAIS INTERFERENTES DE BAIXA AMPLITUDE ....... 65 FIGURA 23 - POSSÍVEL SINAL INTERFERENTE DE ALTA AMPLITUDE ACOMPANHADO DE SINAIS DE BAIXA .............................................................. 66 FIGURA 24 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA POSIÇÃO 1 ........................... 67 FIGURA 25 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA POSIÇÃO 2 ........................... 67 FIGURA 26 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA POSIÇÃO 3 ............................ 68 FIGURA 27 - COMPARATIVO ENTRE AS POSIÇÕES 1, 2 E 3 – CONSIDERANDO OS 3 CENÁRIOS ...................................................................... 68 FIGURA 28 - POSSÍVEIS SINAIS INTERFERENTES DE BAIXA AMPLITUDE ....... 70 FIGURA 29 - COMPARATIVO ENTRE AS 3 POSIÇÕES DA UNIDADES ................ 71 FIGURA 30 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NAS DISTÂNCIAS DE 1, 2, 5 E 15M, RESPECTIVAMENTE .................................................................................... 72 FIGURA 31 - COMPARATIVO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO PARA CURTAS DISTÂNCIAS........................................................................................... 73 FIGURA 32 - CENÁRIO 1: VENTO EM SENTIDO DESFAVORÁVEL À UNIDADE ESCRAVO ............................................................................................. 74 FIGURA 33 - CENÁRIO 2: VENTO EM SENTIDO DESFAVORÁVEL ÀS UNIDADES ESCRAVO E MESTRE ........................................................................ 74 FIGURA 34 - CENÁRIO 3: VENTO EM SENTIDO FAVORÁVEL ÀS UNIDADES ESCRAVO E MESTRE ........................................................................................... 75 FIGURA 35 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE DURANTE A COMUNICAÇÃO NOS 3 CENÁRIOS ADOTADAS, RESPECTIVAMENTE ....................................... 75 FIGURA 36 - COMPARATIVO ENTRE A COMUNICAÇÃO NOS 3 CENÁRIOS MEDIANTE O FATOR CONDICIONANTE “VENTO”............................................. 76 FIGURA 37 - PAREDE DE ALVENARIA SEPARANDO AS USIS MESTRE E ESCRAVO .............................................................................................................. 77 FIGURA 38 - PAREDE DE VIDRO SEPARANDO AS USIS MESTRE E ESCRAVO .............................................................................................................. 77 FIGURA 39 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE DURANTE A COMUNICAÇÃO NO CENÁRIO 1, CENÁRIO 2 E CENÁRIO 3, RESPECTIVAMENTE .................... 78 FIGURA 40 - COMPARATIVO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO PARA OS 3 CENÁRIOS .......................................................................................................... 79 FIGURA 41 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE DURANTE A COMUNICAÇÃO NO CENÁRIO BASE E NOS CENÁRIOS 1, 2 E 3, RESPECTIVAMENTE ............ 80 FIGURA 42 - COMPARATIVO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO ENTRE O CENÁRIO BASE E OS CENÁRIOS 1, 2 E 3 .......................................................... 81 FIGURA 43 - COMPORTAMENTO DA COMUNICAÇÃO DIANTE DOS CENÁRIOS APRESENTADOS ............................................................................... 81 FIGURA 44 - UNIDADES TRANSCEPTORAS ENCOBERTAS POR INVÓLUCROS DE VIDRO ...................................................................................... 82 FIGURA 45 - UNIDADES TRANSCEPTORAS ENCOBERTAS POR INVÓLUCROS METÁLICOS .................................................................................. 83 FIGURA 46 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE DURANTE A COMUNICAÇÃO NO CENÁRIO PADRÃO E NOS CENÁRIOS 1 E 2, RESPECTIVAMENTE .......... 83 FIGURA 47 - COMPARATIVO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO ENTRE O CENÁRIO BASE E OS CENÁRIOS 1 E 2 .............................................................. 84 FIGURA 48 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE (SITUAÇÃO PADRÃO 1), SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE (CENÁRIO 1); SINAL DE ALTA AMPLITUDE (SITUAÇÃO PADRÃO 2) E SINAL DE ALTA AMPLITUDE (CENÁRIO 2), RESPECTIVAMENTE ..................................................................... 86 FIGURA 49 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES QUANTO A QUANTIDADE DE USIS ESCRAVO ENVIANDO PACOTES SIMULTANEAMENTE DIANTE DE REDES WIRELESS DE BAIXA E ALTA AMPLITUDE ........................................................................................................... 86 FIGURA 50 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE DURANTE A COMUNICAÇÃO NA SITUAÇÃO PADRÃO E NA SITUAÇÃO ADOTADA, RESPECTIVAMENTE ............................................................................................. 88 FIGURA 51 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES QUANTO AO CONFINAMENTO DE UMA USI EM ELEVADOR DE SERVIÇO .......................... 89 FIGURA 52 - SINAL DE ALTA AMPLITUDE PARA O CENÁRIO 1 E DE BAIXA PARA OS CENÁRIOS 2, 3 E 4 .............................................................................. 91 FIGURA 53 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES QUANTO AO TIPO DE POSSÍVEL INTERFERÊNCIA ................................................................. 92 FIGURA 54 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES QUANTO AO TIPO DE POSSÍVEL INTERFERÊNCIA ................................................................. 92 FIGURA 55 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NOS TESTES DO CENÁRIO 1 PARA AS DISTÂNCIAS DE D1 = 15M, D2 = 30M, D3 = 50M E D4 = 65M ............ 94 FIGURA 56 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NOS TESTES DO CENÁRIO 1 PARA AS DISTÂNCIAS DE D5 = 80M, D6 = 90M, D7 = 100M E D8 = 110M ........ 94 FIGURA 57 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES NAS DISTÂNCIAS ADOTADAS PARA O CENÁRIO 1 .................................................. 95 FIGURA 58 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NO CENÁRIO 2 PARA AS DISTÂNCIAS DE D1 = 50M, D2 = 65M, D3 = 80M ................................................. 96 FIGURA 59 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NO CENÁRIO 2 PARA AS DISTÂNCIAS DE D4 = 90M, D5 = 100M, D6 = 110M ............................................. 97 FIGURA 60 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES NAS DISTÂNCIAS ADOTADAS NO CENÁRIO 2 .......................................................... 98 FIGURA 61 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NO CENÁRIO 3 PARA AS DISTÂNCIAS DE D1 = 50M, D2 = 65M, D3 = 80M ................................................. 99 FIGURA 62 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE NO CENÁRIO 3 PARA AS DISTÂNCIAS DE D4 = 90M, D5 = 100M, D6 = 110M ............................................. 99 FIGURA 63 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES NAS DISTÂNCIAS ADOTADAS PARA O CENÁRIO 3 .................................................. 100 FIGURA 64 - COMPARATIVO ENTRE O MELHOR TESTE DE COMUNICAÇÃO DE CADA DIREÇÃO E POSICIONAMENTO A CADA PASSO DE DISTÂNCIA ......................................................................................... 101 FIGURA 65 - COMPARATIVO ENTRE O PIOR TESTE DE COMUNICAÇÃO DE CADA DIREÇÃO E POSICIONAMENTO .............................................................. 102 FIGURA 66 - COMPARATIVO ENTRE A MÉDIA DE VALORES DOS RESULTADOS DE CADA TESTE DE DISTÂNCIA PARA AS DIREÇÕES E POSICIONAMENTOS CONSIDERADOS ............................................................. 102 FIGURA 67 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE PARA AS DISTÂNCIAS DE D1 = 100M, D2 = 150M E D3 = 200M .............................................................................. 104 FIGURA 68 - SINAIS DE BAIXA AMPLITUDE PARA AS DISTÂNCIAS DE D4 = 250M E D5 = 300M ................................................................................................ 104 FIGURA 69 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES NAS DISTÂNCIAS ADOTADAS ................................................................................... 105 FIGURA 70 - COMPARATIVO ENTRE AS COMUNICAÇÕES NAS DISTÂNCIAS ADOTADAS ..................................................................................... 105 FIGURA 71 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA RELAÇÃO R/T DE PACOTES PARA AS DISTÂNCIAS ADOTADAS ................................................. 106 TABELA 1 - DESCRIÇÃO DOS PINOS DO TRANSCEPTOR NRF 24L01+ ............ 43 TABELA 2 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO (%) ................................................ 69 TABELA 3 - EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO (%) ................................................ 106 Resumo AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO-FREQUÊNCIA UTILIZANDO O TRANSCEIVER NRF-24L01+® PARA MONITORAMENTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS NO CONCEITO DE SMART GRID. O presente trabalho trata da avaliação do sistema de comunicação por meio de rádio-frequência utilizando o transceiver nRF-24L01+® para ser utilizado no monitoramento de sistemas elétricos no conceito de smart grid. O sistema completo é composto de uma ou mais Unidades Remotas de Aquisição de Dados – URADs; de várias Unidades de Sensoriamento Inteligente – USIs; e um Subsistema de Controle Supervisório – SCS. A conexão entre a URAD e as USIs pode ocorrer através de conexão cabeada (Ethernet, RS232, USB, CAN ou PLC) e sem fio (RF). Cabem às URADs a aquisição, processamento e comunicação das grandezas com pequena constante de tempo, enquanto que as USIs encarregam-se da aquisição de grandezas com constantes de tempo maiores (temperatura, pressão, umidade, etc.). Neste trabalho, tratamos do desenvolvimento e de testes de comunicação da USI. Para estes testes as unidades são de 2 tipos: uma unidade mestre, responsável pela requisição dos dados (sem fio) e pelo envio ao SCS (comunicação RS232, USB, CAN ou RF); e uma unidade escravo, que pode ser responsável pela medição de grandezas de interesse para envio à unidade mestre quando requisitada. Para a comunicação sem fio (RF), utilizou-se o transceptor nRF-24L01+® da NORDICTM, pois suas características de processamento e comunicação atendem satisfatoriamente às necessidades e exigências do projeto, que serão abordadas no transcurso deste trabalho. Descritores: Unidade de Sensoriamento Inteligente, Comunicação, Wireless, Transceptor, Rádio-Frequência (RF), Eficiência. Abstract EVALUATION OF EFFICIENCY OF COMMUNICATION RADIO FREQUENCY USING TRANSCEIVER NRF-24L01+® FOR MONITORING ELECTRICAL SYSTEMS IN THE SMART GRID CONCEPT. Purpose: This work deals with the evaluation of the communication system by radio frequency using the NRF-24L01+® transceiver to be used in monitoring of electrical systems on the concept of smart grid. The complete system consists of one or more Units Remote Data Acquisition - URDAs; multiple Smart Sensing Units - SSUs; and Supervisory Control Subsystem - SCS. The connection between URAD and SSUs may occur via wired connection (Ethernet, RS232, USB, CAN or PLC) and wireless (RF). URADs fit to the acquisition, processing and communication of variables with low time constant while the USIs are primarily responsible for the acquisition of magnitudes with larger time constants (temperature, pressure, humidity, etc.). In this work, we focus on development and communication of SSUs. For these tests the units are of two types: a master unit, responsible for requesting data (wireless) and sending the SCS (Communication RS232, USB, CAN or RF); and a slave unit, which may account for the measured variables of interest to send to the master unit when requested. For wireless communication (RF), the transceiver nRF - 24L01+® from NORDICTM was used, because its processing characteristics and communication satisfactorily meet the needs and requirements of the project, which will be addressed in the course of this work. Key words: Smart Sensing Unit, Communication, Wireless, Transceiver, RF, Efficiency. 1 INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO 13 1 1.1 INTRODUÇÃO CONCEITUAÇÃO E APLICABILIDADE DAS SMART GRIDS Redes Elétricas Inteligentes - REIs (Smart Grids - SGs) é uma nova e moderna concepção para infraestrutura de redes de energia elétrica que objetiva melhorar a eficiência, confiabilidade e segurança, com uma integração harmoniosa de fontes de energia renováveis e alternativas, através de tecnologias modernas de comunicação e de controle automatizado [1]. Nas REIs, informações seguras e em tempo real tornam-se o fator-chave para a entrega confiável de energia das unidades geradoras para os usuários finais e, nesse fim, apresentam como característica decisiva a capacidade de se autorrecuperar [2]. Esta nova concepção, que mudou paradigmas de décadas, surgiu da necessidade de evolução e mudanças no setor elétrico, tornando-se uma solução alternativa às já existentes, apesar de as mesmas não serem consideradas uma tecnologia única ou uma tecnologia propriamente dita, mas sim um conjunto de tecnologias (que podem ter abordagens diferentes para contextos diferentes) que caminham para um mesmo fim [3]. Outro motivo que impulsionou as REIs foi o aumento na demanda por energia e a interligação entre os sistemas, que exige uma evolução do setor elétrico [4]. Portanto, o conceito de REIs foi formado em meio a essa constante evolução, permitindo o uso mais eficiente da energia. Ainda, segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency – IEA), “uma Smart Grid é uma rede de eletricidade que usa tecnologia digital para monitorar e gerenciar o transporte de eletricidade a partir de todas as fontes de geração, encontrando uma variedade de demandas e usuários. Essas redes estarão aptas a coordenar as necessidades e capacidades de todos os geradores, operadores, usuários finais e stake holders do mercado de eletricidade, de forma a otimizar a utilização e operação dos ativos no processo, minimizando os custos e impactos ambientais enquanto mantêm a confiabilidade, resiliência e a estabilidade do sistema [5].” Portanto, percebe-se que o conceito de REIs não é único, exclusivo, mas sim um conjunto de definições que convergem para o uso de elementos digitais e de comunicações nas redes. Esses elementos possibilitam o envio de uma gama de INTRODUÇÃO 14 dados que carregam informações para os centros de controle e operação. Nesses, os dados são tratados e interpretados, de modo que se possa proceder à tomada de decisão necessária, apesar de os sensores inteligentes dessas redes possuírem a capacidade de tratar tais dados localmente, de acordo com a função a que se proponha [6]. Também permitem estabelecer novas estratégias para gerenciamento dessas redes [7]. Porém, vale ressaltar que não se deve confundir medição inteligente (smart metering) com redes elétricas inteligentes. As REIs surgiram a partir das medições inteligentes, necessidade esta para monitorar o comportamento da carga de grandes consumidores. A partir dos avanços para essas medições, como a instalação de equipamentos de comunicação, foi-se desenvolvendo uma nova tecnologia, uma nova conceituação para se aplicar ao setor elétrico. Percebe-se, assim, que Smart Grids são muitos mais abrangentes que smart meterings. Os avanços nas REIs foram tantos que a medição inteligente hoje é uma pequena parcela de uma rede inteligente, podendo até haver rede inteligente sem a existência da medição inteligente. Outro conceito muito relacionado às redes inteligentes são os sistemas embarcados, que podem ser encontrados em várias atividades de nossa vida diária, desde a energia elétrica enquanto insumo, passando por eletrodomésticos, mecanismos de compensação não-linear, sistemas de automação complexos e sistemas de controle adaptativo [8], [9]. Sistemas integrados evitam grandes perdas econômicas decorrentes de falhas inesperadas e melhoram a confiabilidade do sistema e sua manutenção [10]. Assim, pela ótica da integração, uma rede inteligente pode ser vista como um sistema integrado. Esses sistemas integrados podem consistir de um número de dispositivos ligados a um computador através de uma rede local (LAN) [11]. Falhas são inerentes a qualquer tipo de sistema, porém, em sistemas elétricos e eletrônicos eram bastante comuns e frequentes até pouco tempo ( dez anos, por exemplo). Os equipamentos, além de disporem de poucas funções, ocupavam muito espaço e demandavam uma complexa estrutura de cabeamento. Caso houvesse descontinuidade nessa estrutura, alguns equipamentos poderiam ficar completamente incomunicáveis, deixando o sistema ainda mais susceptível a erros (podendo causar até blackouts). Porém, esses problemas devem ser evitados, INTRODUÇÃO 15 principalmente em grandes sistemas (como os de concessionárias de energia elétrica, usinas de geração ou redes de transmissão), nos quais é inadmissível a inoperabilidade [12]. Assim, para colaborar com a prevenção dessas falhas, os sistemas integrados podem fazer uso de uma Arquitetura de Rede Híbrida (ARH), que é uma arquitetura de rede que utiliza na sua infraestrutura de comunicação tanto redes com fio (cabeadas) como redes sem fio (wireless), e será detalhada no capítulo 2. Outra solução importante nesse contexto de falhas são duas importantes formas de integração: a primeira consiste em agregar mais recursos e integrar funções (proteção, controle e comunicação), possibilitando além da economia de espaço físico a rapidez na troca de informações, que é promovida pela concentração dessas funções em um único equipamento; enquanto que a segunda envolve a possibilidade de integrar os equipamentos, de forma que eles possam se comunicar em tempos cada vez menores e transmitir dados em altas taxas (de 125Kbps a 1Mbps, conforme norma ISO11898) e com o mínimo de perdas [13]. Portanto, esse desenvolvimento passou (e ainda passa) pelo processo de automação industrial, que consiste em parte considerável na substituição de equipamentos analógicos por digitais, e, consequentemente, informatização dos sistemas. Os protocolos utilizados por esses dispositivos podem ser públicos (domínio livre) ou proprietários, e isso implicará diretamente na eficiência dos sistemas elétricos, pois protocolos proprietários vinculam o sistema elétrico aos equipamentos de determinado fabricante, e esse fato pode ser um enorme empecilho para a evolução do sistema; enquanto que os protocolos públicos permitem a troca de equipamentos, inclusive de todo o sistema, a qualquer momento, promovendo a livre concorrência entre os fabricantes e os forçando a aperfeiçoarem seus produtos. Assim, pretendendo-se vencer essa barreira dos protocolos proprietários, essa interoperabilidade vem sendo tratada de modo específico: no Brasil, por meio do projeto SIBMA (Comitê ABNT/CB-03), cujo objetivo é conceber arquitetura e diversas camadas de protocolos que sejam abertos, públicos e padronizados. Nesse ponto, já existe uma tendência clara de uso de protocolos abertos (padronizados pelas normas IEC 61850 e ICCP), principalmente em subestações e centros de controle. Esses avanços na automação dos sistemas já proporcionam um grau considerável de inteligência para os mesmos [6]. INTRODUÇÃO 16 Porém, ainda assim por vezes esbarra-se em dificuldades advindas de casos específicos ou isolados, motivando a busca por soluções alternativas, que unam confiabilidade, seletividade, redução do tempo, aumento da eficiência e melhoria do custo-benefício (características básicas e necessárias a qualquer sistema elétrico) [13]. De acordo com [14], há uma variedade de pesquisas que mostram as REIs como solução no mercado. Elas podem ser encontradas de diversas maneiras – sejam de hardware, sejam de software – para implementação das situações mais variadas [2], [10], [15]. Diversos padrões para a implementação de REIs têm sido apresentados, porém tais padrões podem sofrer alterações em função dos requisitos do sistema, ou seja, das especificidades do sistema de cada região ou empresa; ou da aplicação que se deseja [16]. A integração desses sistemas permite que evitemos perdas econômicas decorrentes de falhas inesperadas e melhoremos a confiabilidade do sistema. De acordo com o [17], a aplicação de Power Line Communications – PLC em redes elétricas inteligentes, no que se refere ao consumo da energia elétrica, demonstra ser uma solução interessante. Em [18] os autores investigam os efeitos da impedância de carga, o comprimento da linha e ramais em tais sistemas, com ênfase especial em redes de distribuição elétrica, de modo a se avaliar sua viabilidade. Ou seja, percebe-se que há um crescente interesse na aplicação de tecnologias para controlar e proteger os sistemas elétricos, e, por consequência, proteger os consumidores de efeitos indesejados na rede. Neste momento, muitas empresas de energia são confrontadas com a realidade das limitações de seus sistemas de controle, que normalmente são convencionais e centralizados. Sistemas assim podem se degradar significativamente devido à sua complexidade para lidar com certos eventos da rede elétrica, pois alguns eventos exigem uma enorme quantidade de dados para gerenciá-las adequadamente. Atualmente, Dispositivos Eletrônicos Inteligentes (Intelligent Electronics Devices - IEDs) e Processadores Digitais de Sinais (Digital Signal Processor - DSP) que processam grandes quantidades de dados encontram-se à disposição. Alguns esforços estão sendo realizados pelos fornecedores, anteriormente focados INTRODUÇÃO 17 exclusivamente na aquisição e acesso aos dados e controles supervisórios, buscando a integração de sistemas [10], [17], [19]. Redes de Sensores Sem Fio (RSSF) desempenharão um papel fundamental na ampliação das redes inteligentes para instalações industriais, comerciais e residenciais, permitindo a utilização de diversas aplicações de gerenciamento, desde a geração até o consumo. O equilíbrio eficiente entre oferta e demanda e a redução das despesas com eletricidade e as emissões de carbono serão os benefícios imediatos destas aplicações [2], [10], [20]. As RSSF tem como característica o baixo custo e o baixo consumo de energia, além de apresentar nós multifuncionais de sensores (esses nós coletam dados para fins de monitoramento, tais como monitoramento do tempo e análise de tráfego) [21]. Essa variedade de tecnologias (sem fio, ethernet, fibra óptica, PLC, etc.) além de minimizar alguns problemas, quando não os eliminam, possibilita a redundância da informação (quando usadas combinadamente), reduzindo a possibilidade de falhas, a facilidade de trafegar dados em locais remotos ou de difícil acesso, simplicidade e facilidade na ampliação dos sistemas, etc. O conjunto de tecnologias que formam as redes inteligentes pode ter abordagens diferentes para contextos diferentes, como já afirmado. No contexto atual deste trabalho, o sistema de energia elétrica é uma integração entre a geração e o usuário final, e a qualidade da energia elétrica será uma consequência da dinâmica da operação e da inserção de novas tecnologias no sistema elétrico de potência [3]. Portanto, uma REI reúne características vantajosas de diversas tecnologias em um único conceito, possibilitando diversas aplicações para os mais variados sistemas. Ainda, trazem uma nova filosofia de operação, permitindo uma comunicação entre equipamentos ou dispositivos em tempo real. 1.2 OBJETIVO Este trabalho tem a finalidade de avaliar a eficiência da comunicação via rádio-frequência utilizando o transceptor nRF 24L01+ integrado com controladores, compondo, dessa forma, as Unidades de Sensoriamento Inteligentes (USIs). Essas USIs monitoram e realizam o controle supervisório de sistemas elétricos de potência industriais, comerciais e residenciais, trazendo uma nova perspectiva de informação INTRODUÇÃO 18 que busca integrar um conjunto de sensores inteligentes com um sistema de comunicação para diferentes aplicações em Smart Grid. A USI utilizada é baseada em arquitetura híbrida para redes de comunicação, consistindo em infraestrutura cabeada (CAN e USB) e sem fio (RF), como pode ser vista na Figura 1. Figura 1 – Diagrama Geral de Blocos do Sistema de Monitoramento e Comunicação Proposto. A partir desse objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram desenvolvidos: Integração eficiente entre o controlador e o transceptor nRF 24L01+, formando a USI; Comprovação experimental desse sistema de monitoramento e comunicação; 1.3 Avaliação da eficiência da comunicação via rádio-frequência; ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO O trabalho está organizado em sete capítulos. A divisão foi feita de acordo com a sequência cronológica das etapas executadas, bem como de modo a propiciar uma continuidade lógica para a compreensão do assunto. Os 2 últimos capítulos trazem, respectivamente, algumas imagens dos testes realizados e as referências utilizadas neste trabalho. INTRODUÇÃO 19 Os capítulos 2, 3 e 4 formam a essência deste projeto, abordando respectivamente meios de comunicação, sistema proposto: hardware e software e resultados experimentais. Essa ordem fora escolhida de modo a conduzir a pesquisa da melhor maneira possível, proporcionando um ganho gradativo de conhecimento acerca do tema. O capítulo 2, Rede Híbrida de Comunicação, aborda a revisão de literatura acerca das principais tecnologias de comunicação que poderiam ser utilizadas no projeto para se formar uma rede híbrida, com enfoque maior no que será objetivo deste trabalho: comunicação wireless – rádio frequência. Já no capítulo 3, sistema proposto: hardware e software, abordou-se o sistema desenvolvido para realizar a comunicação; os componentes físicos do sistema proposto de aquisição de dados e comunicação, descrevendo-se o módulo transceptor nRF 24L01+® e o controlador Arduíno Uno; e detalhou-se a estrutura hierarquizada entre as USIs mestre e escravo, a estrutura de organização entre o SCS (visualizador dos dados) e as USIs mestre e os escravo, bem como a rotina de execução de toda a estrutura. O capítulo 4 trata dos resultados experimentais apresentados após a leitura das unidades de sensoriamento, explicando a metodologia e os métodos utilizados para se se realizar a comunicação entre as unidades transceptoras, bem como as métricas definidas para comparação dos resultados. No quinto capítulo, discute-se e compara-se o número de pacotes de dados enviados (que servirão como parâmetro) com o dos pacotes recebidos, analisandose o percentual dessa relação (pacotes recebidos/pacotes enviados) e debatendo-se as possíveis causas para as diferenças apresentadas, além de avaliar a possibilidade de aproveitamento de tal dado. Em outras palavras, neste capítulo avalia-se a eficiência da comunicação, propósito deste trabalho. 2 REDES HÍBRIDAS DE COMUNICAÇÃO REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 21 2 REDES HÍBRIDAS DE COMUNICAÇÃO Hoje em dia, os sistemas de energia elétrica apresentam lacunas em termos de capacidade de comunicação. No conceito de smart grid, em que sensores inteligentes devem se comunicar uns com os outros, parte do processamento é realizado localmente e, sendo assim, necessita-se de capacidade computacional de grande porte para processar a quantidade de informações geradas. Para a transmissão desses dados entre os diversos sensores, diferentes tecnologias de comunicação (com infraestrutura cabeada ou sem fio) podem ser usadas. As recentes melhorias das tecnologias de comunicação permitiram sistemas de controle remoto com custos mais acessíveis, com capacidade de monitorar, em tempo real, as condições de funcionamento e desempenho dos sistemas elétricos de potência. Cada tecnologia de comunicação tem as suas vantagens e desvantagens, que devem ser avaliadas para se determinar a melhor escolha em termos de tecnologia de comunicação para a automatização dos sistemas. A fim de evitar possíveis interrupções no fornecimento em sistemas de energia elétrica, devido a falhas inesperadas, uma rede de comunicação híbrida, com características de eficácia, altamente confiável, escalável, segura, robusta e com custo acessível, que realize a comunicação entre o sistema sob análise e o centro de controle é primordial. Esta rede de comunicação híbrida de alta performance também deve garantir requisitos de qualidade de serviço (Quality of Service - QoS) muito rigorosos para prevenir possíveis distúrbios e interrupções no fornecimento de energia. O tipo de comunicação é parte essencial de qualquer projeto, especialmente em se tratando de redes inteligentes, nas quais a bidirecionalidade na comunicação e sua infraestrutura são vitais para o estabelecimento de uma ligação entre o meio físico e o virtual de um sistema (a exemplo de uma subestação de energia elétrica), e desses com os consumidores. Essa rede de comunicação constitui o núcleo desse sistema, podendo operar com uma única tecnologia ou fazendo a combinação dessas tecnologias de comunicação [21], [22]. Os sistemas elétricos, a depender da complexidade, exigem meios específicos para comunicação. Também, dependendo da funcionalidade ou condições de trabalho, podem demandar um ou outro tipo de comunicação. Assim, alguns sistemas ou tecnologias de comunicação foram desenvolvidos para atender a REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 22 determinados casos, para apresentar soluções específicas; mas também há aqueles que atendem a necessidades genéricas. Existem no mercado diversas opções de comunicação para que os equipamentos possam estabelecer a comunicação entre si, entre os sistemas e entre fornecedores e consumidores, como o PLC (Power Line Communication), , redes Mesh, rádio-frequência (ZigBee, redes celulares – GPRS, etc.), fibra óptica, CAN, Ethernet, satélite, entre outros [6]. Porém, os cinco tipos de tecnologia de comunicação mais empregados (principalmente entre equipamentos ou entre sistemas), além do cabeamento convencional por comunicação serial, são: PLC, ethernet, CAN, comunicação sem fio e fibra óptica (seja utilizando a estrutura de cabeamento existente, seja fazendo uso de uma estrutura dedicada). Esses serão mais detalhados para prover um embasamento técnico e proporcionar uma melhor compreensão deste trabalho, principalmente no que se refere ao seu foco: a rádio frequência. Inúmeros são os fatores a serem avaliados antes da escolha de um ou outro tipo, ou até de mais de um tipo, como vantagens e desvantagens, fins para o qual se pretenda aplicar, a topologia do sistema, o preço da tecnologia de comunicação, a disponibilidade, o alcance, a viabilidade, o tipo de protocolo, etc. Este último deve ser bastante avaliado, pois protocolos proprietários podem limitar a capacidade de uma rede inteligente na medida em que não permitem expansões ou adaptações do sistema, que impedem equipamentos de diferentes marcas de estabelecerem comunicação, entre outros. Essas tecnologias de comunicação mencionadas anteriormente são de alto desempenho e devem garantir a qualidade do serviço para prevenir possíveis falhas, interrupções ou distúrbios elétricos. Porém, para que o sistema funcione em perfeito estado e atenda ao fim ao qual foi proposto, deve-se atender a algumas considerações que são essenciais para configuração do sistema, a exemplo da topologia de rede e dos requisitos da arquitetura (influencia no tempo de vida da rede, nos algoritmos de roteamento e no alcance de comunicação dos nós sensores). Esses requisitos são determinados segundo a aplicação das redes inteligentes [21]. Essas tecnologias de comunicação, quando combinadas e trabalhando simultaneamente, constituem a chamada rede híbrida. Esta arquitetura possibilita um melhor desempenho do sistema, aliando as vantagens de cada um REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 23 para maximizar o resultado esperado, posto que um tipo de comunicação complementa o outro ou supre sua deficiência. O uso de ARH é interessante em muitos aspectos, dos quais destacam-se: (i) a possibilidade de implantação de estruturas redundantes (a mesma informação é enviada através de 2 ou mais meios de comunicação diferentes), aumentando a confiabilidade [10], [23]; e, (ii) a adição de alguns fios na rede de sensores sem fio pode não só reduzir o gasto médio de energia por nó sensor, como também a nãouniformidade no gasto de energia através dos nós sensores, resultando em uma melhor condição operacional da rede (durabilidade) [4]. O sistema de comunicação avaliado neste trabalho é formado por, no mínimo, 2 módulos sensores: um mestre e outro escravo, podendo este ser composto por mais de um nó escravo. O módulo sensor mestre gerencia as conexões entre os módulos escravos e realiza requisições a estes, enquanto o escravo trata da aquisição dos sinais através dos sensores conectados aos mesmos para quando for solicitado pelo mestre. Esses nós escravos realizam tarefas apenas quando há alguma solicitação por parte dos mestres. Assim, os nós escravos tornam-se responsáveis pela aquisição das grandezas de interesse. 2.1 COMUNICAÇÃO SERIAL Até pouco tempo, a comunicação entre dispositivos ocorria quase que em sua totalidade de modo serial. Esse tipo de comunicação é a que corriqueiramente se chama de cabeamento comum, encontrado praticamente em qualquer tipo de sistema. Contudo, o avanço da tecnologia já mudou bastante esse panorama, apesar de essa ainda ser a forma mais usual e encontrada no dia a dia. Inclusive, quando se encontra outra forma de comunicação, normalmente ela está acompanhada da comunicação serial, pois uma grande vantagem da comunicação serial em relação a outros tipos de comunicação (PLC, bluetooth, por exemplo) reside no fato de poder ser utilizada tanto em comunicações para longas quanto para curtas distâncias. Uma comunicação serial pode ser implantada de diversas formas. No entanto, duas bastante simples e que são muito usuais são a comunicação RS-232 e a USB, indicadas para conexões a curtas distâncias (dispositivos no mesmo ambiente, por REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 24 exemplo). Estes modos de comunicação serial são um padrão para o envio/recebimento serial de dados binários entre um terminal e um comunicador de dados. Contudo, o tráfego de dados seriais não ocorre de maneira uniforme no canal. Utilizam-se pacotes que carregam informações regulares para realizar a transmissão. Essa transmissão não ocorre de modo contínuo, pois ela é seguida de pausas. No entanto, a transmissão pode ser realizada em um único canal ou em mais de um. Nesse ponto, surge uma diferenciação nesse modo de transmissão, podendo ocorrer de modo síncrono (um sinal de clock em separado é associado com o dado) ou assíncrono (não há sincronização entre receptor e transmissor). A taxa de comunicação da transmissão (baud rate) representa o número de eventos, ou mudança de sinal, que ocorrem em um segundo (e não o número de bit por segundo). As taxas mais usuais estão entre 110 e 19200 bauds. 2.2 CAN BUS – CONTROLLER AREA NETWORK CAN Bus é um modelo de barramento para comunicação desenvolvido pela empresa BOSCHTM na década de 80, como meio de suprir a interligação e comunicação entre equipamentos eletrônicos embarcados em veículos automotores [24]. Fisicamente, o CAN BUS é constituído por 2 condutores para comunicação de dados, o que torna o projeto simples e barato, podendo no mesmo barramento ser conectados diversos nós de sistemas. Atualmente, tem larga aplicação na indústria de automação, aplicações médicas e automação residencial devido aos baixos custos, implementação facilitada e confiabilidade de comunicação. O protocolo CAN utiliza comunicação serial assíncrona e a operação é baseada no conceito de multi-mestre, no qual todos os módulos podem tornar-se mestre em determinados momentos e escravo em outros. Por possuir um barramento único onde todos os nós estão conectados, as mensagens são transmitidas em modo multicast, sendo enviadas para todos os nós da rede. O protocolo é fundamentado no conceito CSMA/CD with NDA (Carrier Sense Multiple Acess/Collision Detection with Non-Destructive Arbitration) [25], similar ao utilizado nas redes Ethernet. Com isso, cada módulo verifica o estado do barramento, analisando se há outra comunicação em andamento com maior REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 25 prioridade. Dessa maneira, o módulo que tiver a menor prioridade cessará sua transmissão, permitido que o de maior prioridade possa continuar. As especificações para uso do CAN são regidas por duas normas: ISO11898, que especifica as características de uma rede operando em altas velocidades (125kbps a 1Mbps); e ISO11519-2, para baixas velocidades (10Kbps a 125Kbps). Ambas especificam a camada Física (camada 1) e de Dados (camada 2), considerando o padrão de comunicação OSI de 7 camadas (ISO7498). Podem-se destacar alguns padrões normatizados, nos quais se aplica a utilização do CAN: NMEA 2000: Baseado no CAN 2.0B e utilizado em aplicações navais e aéreas. SAE J1939: Baseado no CAN 2.0B e utilizado em aplicações automotivas, especialmente ônibus e caminhões. DIN 9684 – LBS: Baseado no CAN 2.0A e utilizado em aplicações agrícolas. ISO 11783: Baseado no CAN 2.0B e também utilizado em aplicações agrícolas. 2.3 PLC - POWER LINE COMMUNICATION Só a partir dos anos 90 que este tipo de comunicação ganhou atenção para ser pesquisado e desenvolvido, apesar de já existir há quase um século. Desse modo, ainda apresenta problemas técnicos (ruído, alta atenuação e distorção, etc.), mas de antemão mostra-se bastante útil, pois por meio de uma PLC pode-se utilizar a infraestrutura existente de rede elétrica para transmitir dados (sinais de telecomunicação, por exemplo) e eletricidade simultaneamente por um mesmo meio físico, sem que um cause nenhum tipo de interferência no outro [22]. A PLC trabalha na camada 2 do modelo ISO (International Organization for Standardization) ou seja, na camada de enlace de dados. Sendo assim, pode trabalhar em conjunto com outras tecnologias da camada 2. Além disso, devido a essa sua característica de trabalhar na camada de enlace, pode ser agregada a uma rede TCP/IP (Transmission Control Protocol/internet Protocol) já existente. A rede TCP/IP faz parte da camada 3, ou seja, é possível o intercâmbio entre as camadas. O princípio básico de funcionamento da PLC é fundamentado na diferença significativa de faixa de frequência com que opera os 2 tipos de sinais, pois a REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 26 frequência dos sinais de conexão é na faixa de MHz (geralmente de 1 a 30 MHz), enquanto que a da energia elétrica é apenas em Hz (cerca de 60 Hz). Sendo assim, os 2 sinais podem transitar pelo mesmo meio harmoniosa e independentemente, já que a presença ou ausência de um deles em nada interfere no outro. As principais vantagens desse meio de comunicação são o custo e a vasta cobertura, uma vez que no mundo todo se encontra energia elétrica sendo transportada das concessionárias para os consumidores pelas linhas elétricas de transmissão ou distribuição, além do fato de que qualquer ponto de energia pode ser transformado em ponto de rede. Ambas justificam-se pela possibilidade de uso da infraestrutura de rede existente, economizando material para instalação e tendo em vista a predominância da rede elétrica cabeada em qualquer parte do mundo. O fator “custo” demanda poucos recursos financeiros (quando comparado a outras tecnologias de comunicação) para obtenção dos resultados esperados, seja na implantação, seja na manutenção; enquanto que o fator “cobertura” não apresenta limitação significativa, ou seja, mostra-se como alternativa para situações nas quais uma extensa cobertura seja exigida devido às exigências do projeto [21] [22]. Outra vantagem relevante dessa tecnologia é que ela suporta altas taxas de transmissão (podendo chegar a 200Mbps) em várias frequências entre 1,7 MHz e 30 MHz. No entanto, apesar de apresentar vantagens, também podem ser citadas algumas desvantagens, a exemplo de sua possibilidade de lentidão devido a ruídos ou a muitos acessos simultâneos, do fato de poder funcionar como fonte de ruído (causando interferência em outros equipamentos que utilizem radio frequência, a exemplo de receptores de rádio), de apresentar problemas com circuitos abertos, a alta atenuação e distorção do sinal, o baixo nível de segurança, a falta de regulação para banda larga PLC, a perda de comunicação caso ocorra problemas na rede elétrica, dentre outros [21]. A PLC pode ser encontrada em 2 tipos: indoor e outdoor. No tipo indoor, a transmissão é feita usando a rede elétrica interna de algum sistema. Já no tipo outdoor, faz-se a transmissão usando a rede pública externa de energia elétrica da concessionária. Os 2 tipos podem ser utilizados em redes inteligentes, sendo sua escolha baseada nessas características apresentadas. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 27 2.4 ETHERNET Ethernet é uma tecnologia de rede que define padrões para transmissão de dados e o modo como devem ocorrer as conexões de redes locais (Local Area Network - LAN), tais como o modo como será feita a instalação física, as conexões elétricas e as conexões lógicas entre os dispositivos de uma rede. A norma IEEE 802.3 é quem fundamenta essa padronização. A Ethernet está largamente difundida, sendo bastante utilizada, principalmente porque o preço de tal rede não é muito elevado. Desde 1972 se utiliza essa tecnologia de comunicação. A comunicação via Ethernet segue o princípio de que todas as máquinas de uma rede estão conectadas a uma mesma linha de comunicação. Esse princípio é baseado no conceito original da Ethernet: um único cabo promove a comunicação compartilhada entre todos os dispositivos da rede. Partindo desse princípio, vê-se que qualquer dispositivo que esteja conectado ao cabo pode se comunicar com qualquer outro dessa rede. Assim, uma enorme vantagem desse tipo de comunicação é que se permite que a rede se expanda para acomodar novos dispositivos, não causando prejuízo ou implicando em modificações para os dispositivos antigos. Características importantes são a detecção de colisão, regra de repetidores e, uma das mais importantes: o modo de transmissão, podendo ser half-duplex e fullduplex. A diferença básica entre esses modos de transmissão consiste na simultaneidade das transmissões, pois no modo half-duplex cada estação ou transmite ou recebe, enquanto no modo full-duplex as estações podem transmitir e receber ao mesmo tempo. A padronização Ethernet já se desenvolveu tanto que hoje existem outras padronizações fundamentadas no conceito original da mesma, porém com evoluções agregadas. O tipo e o diâmetro dos cabos utilizados distinguem essas alternativas de tecnologias Ethernet. As duas principais padronizações são a Fast Ethernet e Gigabit Ethernet, cujas velocidades de transmissão podem chegar a 100Mbps e 1.000Mbps, respectivamente. Uma mudança significativa das padronizações anteriores para a Fast e a Gigabit Ethernet foi o fato de ter agregado valor ao tráfego de dados, de voz e de vídeo. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 28 O princípio de transmissão da tecnologia de rede Ethernet utiliza um protocolo chamado CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access with Collision Detect). Esse protocolo é de acesso múltiplo com vigilância de portador e detecção de erros e descreve como o protocolo de Ethernet regula a comunicação entre os nós de uma rede. O meio físico que une os dispositivos conectados à rede pode ser um cabo coaxial (de cobre, em geral), um cabeamento de par trançado ou a fibra ótica. O cabo coaxial já foi muito utilizado, entrando praticamente em desuso após o surgimento do cabeamento de par trançado, hoje predominante para esse tipo de tecnologia. Após o sinal ser lançado na rede, trafegando pelo meio físico, é imprescindível que ele carregue consigo um endereço de destino, posto que esse sinal passará por todos os nós que compõem a rede e precisará identificar seu destinatário [23]. Esse endereçamento para esse tipo de rede é conhecido como endereço mac unicast, que funciona da seguinte forma: um frame com endereço de destino igual ao endereço mac unicast é direcionado para cada nó da rede. Cada nó receberá e processará esse tipo de frame. Contudo, apesar de todas as vantagens dessa tecnologia de rede, ela se limita devido à distância entre os nós da rede, pois distâncias grandes reduzem significativamente os sinais elétricos, que devem se propagar rapidamente para atingir seu fim. Ou seja, os sinais tornam-se mais fracos com a distância e a interferência de aparelhos elétricos. Assim, um cabo de rede deve ter apenas o comprimento suficiente para interligar os dispositivos, de forma a evitar excessos, fazendo com que os dispositivos em cada nó recebam o sinal sem interferências e sem atraso. A tecnologia Ethernet vem modificando cosideravelmente o panorama das redes de comunicação. Fatores responsáveis por essa mudança são sua disponibilidade, eficiência e relação custo-benefício. Para promover essa expansão da Ethernet, switches estão sendo implantados por longos caminhos para comunicação de redes de acesso [22]. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 29 2.5 COMUNICAÇÃO VIA FIBRA ÓPTICA Também conhecida como transmissão guiada de luz, este meio de comunicação é um dos mais recentes e também um dos que apresenta a melhor relação custo/benefício, não transmitindo dados do mesmo modo do cabeamento convencional, mas sim através da luz. Ao contrário de outros meios, não sofre significativa limitação em sua transmissão, proporcionando altas taxas de transferência (comunicação mais eficiente). Estudos recentes apontam uma velocidade de 300.000Km/s e uma taxa de transferência de até 73,7Tbps [26], contra 1Gbps da Gigabit Ethernet ou 300Mbps da tecnologia 802.11n wireless (aprovado oficialmente pelo IEEE). Um dos motivos dessas altas taxas de transferência é o alto grau de pureza desse meio de comunicação, o que é incomum nos materiais. Daí, todo sinal é transformado em luz, por meio de conversores, e transmitidos através de fibras de vidro. Esses sinais podem ser convertidos por lasers ou por LEDs, que representam os modos de transmissão: monomodo e multimodo, respectivamente. O tipo monomodo trabalha com os dados de forma a atendê-los um a um, como se fosse um modo serial. Apresenta um grau menor de dispersão quando comparado ao multimodo, transmitindo por longas distâncias (Kilômetros). A dispersão é um fenômeno que ocorre quando há diferença entre as velocidades de propagação, sendo a responsável por limitar as taxas de transmissão. Esse grau menor de dispersão é visto como diferencial, uma vez que os impulsos que representam os sinais a serem transmitidos sofrem menos alterações em sua forma, pois na fibra multímodo se permite que a transmissão da luz dentro da fibra ocorra de vários modos, e isso provoca um efeito chamado de dispersão modal devido às velocidades diferentes de cada modo de transmissão. Também se diferencia por transmitir em velocidades superiores, uma vez que apresenta uma maior largura de banda em relação à multimodo. Já a multimodo transmite vários dados ao mesmo tempo, motivo pelo qual reduz sua velocidade e limita sua distância de transmissão. É indicado para redes cujas distâncias sejam mais curtas (metros). Assim, percebe-se que cada uma apresenta características peculiares e aplicações específicas. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 30 Outras vantagens, em geral, que podem ser destacadas pelo uso das fibras ópticas são sua leveza, baixa atenuação, imunidade a interferências eletromagnéticas (Electromagnetic Interference - EMI) e radiofrequência indutiva (RFI), enorme largura de banda, disponibilidade em abundância de matéria-prima, seu alto nível de segurança, isolamento elétrico e o fato de poder prover suporte para distâncias ainda mais elevadas quando se utilizando de repetidores (tornado-a quase ilimitável em termos de distância). Poucas são as desvantagens da fibra óptica, tais como a fragilidade da fibra de vidro, a falta de padronização e, talvez a principal limitação à sua escolha: seu alto custo de instalação que, embora já tenha sido bastante reduzido devido aos avanços e descobertas, continua bastante superior ao das demais tecnologias existentes no mercado. Apesar dessas limitações, seu uso está sendo bastante difundido e largamente utilizado, haja vista que para determinadas configurações de sistemas o custo torna-se insignificante diante das vantagens oferecidas – e por vezes exigidas. Em geral, o tipo de cabo de fibra óptica mais utilizado em comunicação de sistemas elétricos é o multimodo, uma vez que o diâmetro é maior e, sendo assim, é possível transitar mais de um sinal através principalmente de LEDs. Além de outras características, essa particularmente torna-a a mais indicada para redes locais. Para redes com distâncias mais longas, o mais indicado é o monomodo (com baixo índice de utilização para a aplicação em questão devido aos motivos anteriormente expostos). 2.6 RÁDIO FREQUÊNCIA Outro meio de comunicação com uso mais frequente recentemente é a comunicação sem fio, podendo transmitir informações a curtas ou longas distâncias. A comunicação sem fio pode ser encontrada em algumas modalidades, como comunicação bluetooth, via satélite, rádio frequência, etc. Sua maior vantagem é o fato de não necessitar estar fixa para se realizar a comunicação, ou seja, sua transportabilidade. Em outras palavras, a mobilidade proporcionada por esta tecnologia é sua característica mais marcante. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 31 Este tipo de comunicação apresenta inúmeras vantagens, principalmente quando comparado ao cabeamento convencional, como a redução de custos, tornando-se ainda mais significativa a depender da infraestrutura utilizada, pois, uma vez que não utiliza cabos, pode minimizar significativamente o orçamento final [21], [22]. O rádio, a microonda, o raio infravermelho e os trechos luminosos do espectro podem ser usados na transmissão sem fio de informações, desde que sejam moduladas a amplitude, a freqüência ou a fase das ondas. A luz ultravioleta, o raio X e o raio gama representariam opções ainda melhores, já que têm freqüências mais altas, mas eles são difíceis de produzir e modular, além de não se propagarem através dos prédios e serem perigosos para os seres vivos [27]. Exemplos de redes sem fio podem ser encontrados em qualquer lugar no cotidiano, apesar de normalmente passarem despercebidas. A transmissão de dados pela internet via roteadores e outros equipamentos configuram um exemplo clássico de uma rede wireless, além das ondas de rádio (transmitindo e recebendo via transceptor) utilizando uma frequência específica. Em um cenário onde os dados monitorados podem estar distantes e não há ligação física (cabeada), os dados coletados a partir dos dispositivos de monitoramento podem ser transmitidos através de uma interface sem fio, fácil de implementar e de uma maneira mais barata em comparação com a comunicação com infraestrutura cabeada padrão (por exemplo, via fibra ótica ou par trançado). Essa comunicação se dá, neste trabalho, por meio de rádio frequência, em que informações são transmitidas previamente codificadas em um sinal eletromagnético que se propaga no espaço. O volume de informações que essas ondas eletromagnéticas são capazes de transportar está diretamente relacionado à sua largura de banda [28]. Para que essa comunicação ocorra, faz-se necessário que haja um transmissor, responsável por converter as informações em ondas eletromagnéticas; um meio de transmissão e um receptor, cuja finalidade é de decodificar as ondas e recuperar a mensagem original. Para realizar esse tipo de comunicação, também se pode utilizar o transceptor, que é um único dispositivo que desempenha as duas funções, transmissão e recepção. Assim, pode-se concluir que alguns fatores tornam-se imprescindíveis em relação a esses 3 parâmetros relacionados anteriormente: quanto ao transmissor, REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 32 sua potência de transmissão; quanto ao receptor, sua sensibilidade de recepção; e quanto ao meio de transmissão, a distância entre transmissor e receptor, a velocidade de deslocamento no espaço de uma onda de rádio e a frequência da onda, pois esta é influenciada pelas condições da atmosfera terrestre e da natureza do solo entre os pontos de transmissão e recepção. A transmissão pode ser unidirecional, também conhecida como simplex; duplex, ocorrendo bidirecionalidade na transmissão e simultaneidade e half-duplex, de forma que a transmissão é bidirecional, mas não simultânea, ou seja, os equipamentos transmitem um de cada vez. Esse tipo de comunicação (rádio frequência) apresenta inúmeras vantagens, tais como seu longo alcance, custo efetivo de implantação e manutenção, o desenvolvimento de tecnologias para recuperação de sinais, a heterogeneidade para transmissão de arquivos (áudio, vídeo, imagens ou dados, independente do tipo) e, principalmente, o fato de não necessitar de ligações físicas, como o cabeamento para transmissão. Essas características propiciam alta flexibilidade para a rede. No entanto, a latência, a vulnerabilidade às mudanças das condições atmosféricas e a outros tipos de sinais (havendo sinais interferentes próximos ao transmissor ou receptor, a comunicação pode permanecer bloqueada por certo período de tempo), as taxas de dados limitadas e aplicações em tempo real são desvantagens observadas usando este tipo de tecnologia. A disponibilidade do serviço pode ser aumentada usando repetidores, mas isso implica em aumento de custo, que não é desejado [29]. Algumas dessas características (vantagens e desvantagens) podem ser explicadas pela relação direta que mantêm com os 2 parâmetros principais de uma onda eletromagnética: frequência e comprimento de onda, que são inversamente proporcionais. Ou seja, quanto maior a frequência, menor será o comprimento de onda e, consequentemente, menor a distância a ser percorrida pelo sinal. Além disso, altas frequências são mais propensas a maiores atenuações nos sinais, e isso significa perda na intensidade do sinal. Para classificação da qualidade dos sinais na rádio frequência utiliza-se a relação sinal/ruído, que é uma medida do sinal recebido comparado ao ruído agregado ao sinal, medido em decibel (dB). Mas a potência total de transmissão em redes wireless é medida em decibel miliwatts (dBm) [30]. Para amplificar o sinal é REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 33 necessário dar um ganho nele, que é feito por meio de amplificadores, permitindo que as ondas de rádio frequência tenham um alcance mais longo. Porém, em contrapartida, à medida que a distância aumenta também aumenta a atenuação no sinal, em que a qualidade desse sinal torna-se cada vez mais baixa. Os amplificadores podem corrigir essa atenuação até determinada distãncia. O uso de amplificadores ou o aumento nas distâncias causam um aumento no consumo de energia, mas esse consumo também pode ser afetado por outros aspectos, como o tipo de modulação, a taxa de transferência de dados e a transmissão de energia, pois a potência de um sinal é sua quantidade de energia transferida no tempo. Dessa forma, visando um baixo consumo de energia, podemse configurar os nós para que eles permaneçam no modo de economia de energia enquanto não houver necessidade de execução de suas funções, desde que eles retornem ao estado ativo em poucos microssegundos para não implicar em perda de dados. Assim, além de propiciar economia de energia para a bateria, também se extende a vida útil da rede [23]. O sinal eletromagnético em seu trajeto de transporte de informações entre 2 ou mais pontos também pode sofrer um processo denominado de reflexão, ocorrendo sempre que a onda eletromagnética encontrar um obstáculo maior que seu comprimento de onda. Caso esse obstáculo lhe seja favorável, a onda será refletida. Porém, nesse processo de reflexão a onda pode ser distorcida ou ter sua amplitude aumentada, pois apresentará uma frente de onda para cada ponto de reflexão, deixando-a com diversas frentes de onda, em que cada frente pode tomar distintas direções. Se essas ondas refletidas chegarem com a mesma fase do sinal original ao receptor, haverá ganho no sinal; se chegarem desafadas, haverá redução na amplitude do sinal. Além do mais, no trajeto entre a antena transmissora e a receptora a onda pode esfraquecer-se por percorrer espaços livres ou espaços abertos. Essa perda ou atenuação pode ser calculada nos 2 casos. No primeiro, por meio do comprimento de onda do enlace e da distância percorrida pela onda; no segundo, por meio da relação entre os raios total e o da área livre [31]. No entanto, como as perdas ou atenuações nos sinais não são focos deste trabalho elas não serão calculadas. REDE HÍBRIDA DE COMUNICAÇÃO 34 A onda eletromagnética também pode ser enfraquecida pelas interferências eletromagnéticas (EMIs) existentes no ambiente, pois essas EMIs são campos ou ondas elétricas ou magnéticas que podem, ou não, alterar o funcionamento ou danificar algum equipamento, podendo ser de origem natural ou artificial, e serem radiadas (pelo ar), conduzidas ou induzidas. Os ventos e as descargas atmosféricas são classificados como EMIs de origem natural que são radiadas, e podem influenciar em uma comunicação via rádio frequência [32]. Segundo [30], “os principais obstáculos a uma comunicação sem fio são as superfícies metálicas que não estejam dentro do sistema de comunicação, materiais densos ou a própria densidade de gases da atmosfera, corpos com grande concentração de líquidos, agitação térmica de elétrons (ruídos elétricos), entre outros. As superfícies metálicas externas ao sistema de comunicação são obstáculos difíceis para o sinal porque o metal reflete a maior parte do sinal, deixando apenas uma pequena parte desse sinal passar. Em materiais densos, como concreto e pedra, o sinal é absorvido. Nas paredes leves, feitas com tijolos furados, ocorre uma menor absorção do sinal do que em paredes feitas com tijolos maciços. As lajes e as vigas de concreto absorvem mais sinal do que as paredes, sejam elas de tijolo, concreto ou pedra. Os corpos com grande concentração de líquidos também absorvem sinal, como aquários, piscinas, caixas dágua ou até mesmo o corpo humano. Sinais oriundos de diferentes sistemas de comunicação que estejam próximos ao sistema de comunicação que se quer utilizar e operem na mesma frequência de transmissão também são obstáculos preocupantes, além de fornos de microondas ligados que operem em 2,4GHz, pois suas ondas podem interferir em redes wireless. Esses fornos, em seu interior, trazem uma grade metálica para evitar que o sinal de onda escape, mas, comumente, é possível que uma pequena porção do sinal escape e interfira no sinal de redes wireless. Ruídos existentes durante a transmissão podem dificultar a identificação do sinal.” Seguindo esse mesmo raciocínio quanto ao forno de microondas, microondas de telefonia celular também podem causar algum prejuízo às redes wireless. 3 SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 36 3 SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE Neste capítulo, são apresentados o sistema de comunicação desenvolvido e seus componentes, os componentes do sistema responsável pela aquisição e monitoramento dos dados, e a estrutura hierarquizada entre os sensores escravos e o sensor mestre, a estrutura de organização entre o SCS (visualizador dos dados), o mestre e os escravos, e a rotina de execução de toda a estrutura. O intuito do desenvolvimento desse sistema de comunicação é para ser utilizado em centrais de controle e monitoramento de energia elétrica, subestações elétricas, bem como em centrais correlatas que se pretenda promover uma inteligência na rede, proporcionando uma rede com informações redundantes e que evite perdas ou falhas inesperadas, ou seja, uma rede de comunicação mais eficaz. 3.1 SISTEMA DE MONITORAMENTO COMPLETO (DESCRIÇÃO) Nesta seção, apresentado-se o sistema de monitoramento completo, e, inserido neste sistema, as USIs operando como elementos de aquisição/processamento/comunicação para as grandezas de alta constante de tempo. Este sistema foi desenvolvido para realizar a comunicação via rádio frequência e, na ausência ou falha desse meio de comunicação, através do barramento CAN. No entanto, como o objetivo deste trabalho é verificar a eficiência da comunucação via frequência, o barramento CAN permanacerá desabilitado na maior parte dos testes. As USIs utilizadas para realizar a aquisição/processamento/comunicação tem um baixo custo de aquisição: cerca de $17,00. Compõe uma USI o arduino Uno e o transceptor nRF 24L01+, tendo como custos $ 14.00 e $ 3.00, respectivamente (ambos novos). Devido essa sua característica de baixo custo e bom desempenho para as aplicações às quais se propõe, possibilitam uma distribuição em larga escala do sistema. Esse é um fator decisivo para escolha dos componentes dessa USI. A Figura 2 apresenta o diagrama geral de blocos do sistema de comunicação proposto, e a Figura 3 o diagrama simplificado. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 37 Figura 2 – Diagrama Geral de Blocos do Sistema de Monitoramento e Comunicação Proposto. Simplificadamente, o sistema assim se dispõe: Figura 3 – Diagrama Simplificado de Blocos do Sistema de Monitoramento e Comunicação Proposto. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 38 O sistema de comunicação proposto nas Figuras 2 e 3 foi estruturado em 2 redes: uma sem fio (RF), composta por rádios transceptores para comunicação entre as USIs escravo e mestre; e outra com fios, utilizando a porta serial USB, para a comunicação entre a USI mestre e o SCS. O barramento CAN também podia ser utilizado para comunicação entre USIs mestre e escravo, ou até mesmo para servir como meio alternativo de comunicação, caso o meio principal venha a falhar, mas foi descartado deste trabalho por não ser seu objetivo, tendo sido utilizado em apenas 1 conjunto de testes. A USI mestre é composta por um único nó, sendo um controlador e um transceptor nRF 24L01+. Tem como atribuição realizar solicitações aos escravos para posteriormente enviar seus possíveis relatórios a um equipamento concentrador de dados. A conexão para a realização dessas solicitações e a transmissão dos dados solicitados é feita via RF, mas esta solicitação e transmissão também poderiam ser feitas através do barramento CAN. Para fins de possibilitar uma rede inteligente redundante o barramento CAN foi utilizado apenas no primeiro conjunto de testes, e, como se constatou nesse primeiro conjunto de testes o hibridismo da rede possibilitado por ele e pela rádio frequência (o CAN realizando e comunicação quando na falha ou ausência da rádio frequência), não foi mais utilizado neste trabalho por não ser o objeto de estudo, bem como os resultados desse primeiro conjunto de testes só contemplarão os pacotes de dados enviados pela rádio frequência. Além de realizar as solicitações, a USI mestre tem por função realizar a transmissão dos dados monitorados para um ponto externo, que pode ser uma central de operação. Porém, apesar das diferenças existentes entre mestre e escravo, estes apresentam uma semelhança: a arquitetura de comunicação dos módulos. O diagrama de blocos do mestre pode ser observado na Figura 4. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 39 Figura 4 – Diagrama de Blocos da Unidade de Sensoriamento Mestre. A USI escravo constitui-se de um controlador e um transceptor sem fio nRF ® 24L01+ , pois não contempla o sistema de medição, mas apenas de transmissão e recepção. Também apresenta a possibilidade de conexão via transceptor CAN, embora não utilizado neste trabalho por não ser o objeto de estudo. Ela possui entradas analógicas e digitais, sendo este um dos pontos que os diferenciam do nó mestre, pois essas entradas são utilizadas no processo de aquisição das grandezas pelos sensores. As USIs escravo são endereçadas para que sejam identificadas e possam responder às requisições. Outro ponto de distinção entre os referidos nós é que o nó mestre utiliza-se de uma comunicação serial, via porta USB, para comunicação com o SCS. O diagrama de blocos simplificado de um nó escravo é mostrado na Figura 5. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 40 Figura 5 – Diagrama de Blocos da Unidade de Sensoriamento Escravo. O objetivo é avaliá-lo, através da rede sem fio, na presença de influências externas, sendo algumas delas: fontes de interferências (roteador wireless) e obstáculos físicos (obstáculos de concreto e vidro). O sistema desenvolvido está configurado da seguinte maneira: a USI escravo tem como função realizar a leitura do que lhe é solicitado, realizar o processamento desse pacote de dado e, em seguida, realizar o envio dos pacotes à unidade mestre. Esse envio foi configurado para ser realizado a cada 20 ms, de modo a não tornar demorado o teste, uma vez que em cada teste são enviados 1.000 pacotes de dados. As funções da USI escravo são definidas em seu código fonte pelo operador do sistema. Apesar de esse tipo de transceptor apresentar como características robustez e eficiência na comunicação, esses 2 parâmetros podem diminuir consideravelmente quando na presença de influências externas (por exemplo distância entre as unidades, obstáculos físicos entre as mesmas ou, até mesmo, outros sistemas que se utilizem de transmissão sem fio, Bluetooth, radiofrequência, etc.). Após recebidos os pacotes, a USI mestre envia-os ao SCS para a exibição dos resultados. A comunicação entre o SCS e a USI mestre ocorre via conexão USB. Os resultados são exibidos à medida que vão sendo recebidos pelo SCS. No SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 41 trabalho em questão, cada solicitação é responsável pela aquisição de 1000 pacotes que são enviados um a um a cada 20 ms. Sendo assim, a partir da descrição desse sistema de monitoramento completo, serão abordados seu Hardware e Software, proporcionado uma compreensão mais detalhada de cada componente e de como eles executam suas atribuições. 3.2 HARDWARE 3.2.1 Módulo transceptor nRF 24L01+® Os pacotes dos nós sensores são transmitidos para a USI mestre através de uma rede sem fio, via RF, utilizando o módulo transceptor nRF 24L01+®; e da USI mestre para o SCS pela rede cabeada. O nRF 24L01+® é um circuito integrado ativo que compõe o módulo transceptor em conjunto com uma antena, conectores e componentes passivos. Este módulo transceptor é baseado nesse chip da Nordic Semiconductor™, o nRF24L01+, e combina as características de transmissor e de receptor. Essa combinação utiliza componentes de circuitos comuns para que o dispositivo possa desempenhar ambas as funções em um mesmo aparelho. Este módulo RF é um dispositivo desenvolvido para diversas aplicações sem fio, como periféricos sem fio de computadores, mouse ou teclado sem fio, automação residencial e comercial, etc. Traz uma antena integrada, o que dispensa o uso de um dispositivo externo, tendo ainda 126 canais que operam em uma faixa de frequência de 2,400 a 2,525 GHz em banda (ISM – Industrial, Scientific and Medical). Essa frequência de operação de 2,4 GHz apresenta como vantagem ser de livre licenciamento, e isso é um diferencial, pois diversos dispositivos e tecnologias utilizam-na para comunicação. Sua configuração é feita através da Interface Serial Periférica (SPI – Serial Peripheral Interface), que é um protocolo baseado no conceito de mestre-escravo em que se permite a comunicação serial de um dispositivo com diversos outros, estabelecendo-se uma rede. Por meio desta configuração habilita-se algum dos 126 canais disponíveis para comunicação para que esta se estabeleça, pois duas unidades transceptoras só estabelecerão uma comunicação caso estejam utilizando SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 42 o mesmo canal. A escolha desse canal é de suma importância, pois diversos dispositivos e tecnologias utilizam a frequência de 2,4 GHz. Cada canal ocupará uma largura de banda inferior a 1 MHz, se configurado para uma taxa de transmissão de 250 Kbps ou 1 Mbps; ou uma largura de banda inferior a 2 MHz, caso tenha sua taxa de transmissão configurada para 2 Mbps. O nRF 24L01+® foi utilizado neste trabalho com a configuração padrão, que é 1 Mbps [33], pois combina características de alcance da comunicação (uma das condições de teste) e velocidade da transmissão. Foi habilitado para realizar a comunicação utilizando o canal 11 para coincidir com o canal utilizado pela rede Wi-Fi adotada nos testes. O dispositivo nRF 24L01+® é uma versão mais atualizada do nRF 24L01 ®, e também é conhecido como nRF 24L01P®. Esse “upgrade” veio para que o transceptor pudesse satisfazer as normas regulamentares da Rádio Frequência (a de operar na faixa de frequência de livre licenciamento, por exemplo). A diferença entre as duas versões consiste basicamente na redução dos pinos, pois o nRF 24L01® faz uso de 10 pinos, enquanto que sua versão mais recente utiliza-se apenas de 8. Foram reduzidos 2 pinos, sendo um pino de alimentação e um de terra (Vcc e GND). A Figura 6 apresenta seu aspecto físico, demonstrando-se sua dimensão física. ® Figura 6 – Vista frontal do módulo transceptor nRF 24L01+ [33]. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 43 A Figura 7 ilustra os pinos do transceptor nRF 24L01+. As funções desempenhadas por cada pino são resumidas na Tabela 1 e detalhadas em seguida. ® Figura 7 – Pinos do Transceptor nRF 24L01+ para conexão com Arduino[33]. Tabela 1 – Descrição dos Pinos do Transceptor nRF 24L01+. O transceptor utiliza como base de tempo (clock) seu oscilador interno, sendo o mesmo de 16MHz. O pino “CE” é o responsável por habilitar o modo de operação em Transmissão (Tx) ou Recepção (Rx). O pino “CSN”, existente em cada periférico, é utilizado pela unidade mestre para habilitá-los ou desabilitá-los. Tem a finalidade de evitar um acesso indesejado, e é feito com um sinal nesse pino, de modo a identificar qual unidade escravo será acionada. O pino “CSK” emite pulsos de clock que sincronizam a transmissão de dados gerados pela unidade mestre. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 44 O pino “MOSI” é utilizado pela unidade mestre com a finalidade de enviar dados aos periféricos, enquanto que o pino “MISO” é utilizado pela unidade escravo para enviar dados à unidade mestre. O pino “IRQ” é o pino responsável pelas interrupções, e não é utilizado neste trabalho. Cada unidade transceptora tem a capacidade de comunicar-se, sem prejuízo significativo, com outras seis unidades simultaneamente, sem que uma comunicação cause interferência nas outras [33]. Porém, a unidade receptora só pode receber pacotes de uma unidade por vez. Essa possibilidade de comunicação com outras seis unidades deve-se ao fato de que cada transceptor apresenta seis endereços, e cada endereço é um canal lógico que tem reservado para si um endereço físico individualizado no canal de comunicação. Portanto, para se estabelecer a comunicação entre duas unidades transceptoras, necessita-se que elas utilizem o mesmo canal e estejam configuradas com o mesmo endereço. Alguns diferenciais que este transceptor apresenta são: possibilidade de trabalhar com operação multicanal, uma vez que possui 126 canais disponíveis, podendo ser selecionados e configurados através de comandos lógicos específicos; alta confiabilidade na transmissão e/ou recepção dos dados quando atuando nas condições especificadas pelo fabricante, pois ele pode ser configurado para confirmar o recebimento do dado e também tentar reenviá-lo, caso seja perdido, por até quinze vezes. Essa última característica promove uma confiabilidade maior no envio e entrega dos dados, apesar de estar desabilitada, pois o objetivo deste trabalho é testar a eficiência da comunicação independente dessa característica. Outro diferencial para sua escolha para este trabalho é seu mecanismo de medição de níveis de energia presentes em um canal RF quando habilitado no modo de recepção. Esse mecanismo de medição é denominado Detector de Potência Recebida (RPD – Received Power Detector), e mede os níveis de energia que estão acima ou abaixo de uma valor especificado para aproveitamento, que neste caso é de -64 dBm. Se a energia de recepção estiver abaixo desse valor (-65 dBm em diante), o RPD será igual a zero, pois esses níveis de energia não afetam a comunicação [33]. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 45 Este transceptor é composto por um sintetizador de frequência integrado, por um amplificador de potência, por um cristal embutido para o oscilador e por um modulador. O transceptor apresenta algumas características que se adéquam às exigências do projeto, como tensão de operação de 1,9 a 3,6 V, com tolerância a até 5 V; ultra baixa energia de operação (11,3 mA quando em modo de transmissão e 13,5 mA quando em modo de recepção) e 2 modos de economia de energia; faixa limite de sensibilidade para recepção entre -82 e -94 dBm, sendo neste trabalho utilizada a sensibilidade de -85dBm por estar configurado para uma taxa de transmissão de 1 Mbps; filtros de canais integrados na recepção para evitar ou minimizar interferências; e compatibilidade com sua versão anterior [33]. Em sistemas industriais, automação e controle de aparelhos, telemetria e comunicação de dados, a utilização do nRF 24L01+® está bastante difundida, uma vez que o mesmo apresenta características adequadas para esses tipos de aplicações, como economia de energia, segurança na transmissão dos dados e confiabilidade em sua entrega. São exemplos a conversão de sinais, verificação de erros de dados durante uma cópia (método polinomial denominado Cyclic Redundancy Check - CRC), codificação, decodificação e buffer de dados. Aplicações bem simples desse transceptor encontradas no cotidiano são nos mouses sem fio de computador, bem como teclados e joysticks. Algumas das especificações do nRF 24L01+® encontram-se listadas a seguir, seguido de 2 características do módulo transceptor [33]. Modulação: GFSK; Half-duplex; Taxa de dados: 250 Kbps, 1 Mbps e 2 Mbps; Receptor simultâneo; Verificação de Redundância Cíclica (CRC); Operação multi-canal: 126 canais de operação; Sensibilidade: até -94 dBm (3,98x10-10 mW); 2 modos de operação: direto e ShockBurst; Seis canais de recepção; SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 46 Tensão de alimentação: 1,9 a 3,6 V; Temperatura de operação: -40 a 85º C; Antena integrada (módulo transceptor); Dimensões: 33 mm x15 mm (módulo transceptor). Outra informação importante, mas não especificada no datasheet, é o alcance médio desse módulo transceptor, na qual os usuários informam que ele transmite bem (sem perdas ou com um percentual desprezível de perdas) até uma distância de 10 m, em ambientes internos, e 100 m em campo aberto. Ainda, com antena externa integrada, pode atingir um alcance de até 1 Km. O nRF 24L01+® utiliza a modulação digital por chaveamento em frequência com filtro Gaussiano (GFSK – Gaussian Frequency Shift Keying), que é um dos tipos de modulação por chaveamento em frequência (FSK – Frequency Shift Keying), diferenciando-se deste último principalmente por apresentar um filtro gaussiano. A modulação GFSK é uma forma de modulação em frequência e é muito utilizada atualmente em dispositivos que se comunicam via wireless ( como RF, por exemplo), justamente por apresentar algumas vantagens em relação à modulação analógica (como uma maior imunidade à ação de ruídos elétricos), à facilidade de armazenamento dos dados digitais, maior segurança no canal de comunicação (criptografia), entre outras. Configurações como taxa de transmissão de dados (2 Mbps, 1 Mbps ou 250 Kbps) e a potência de transmissão (0 dBm, -6 dBm, -12 dBm ou -18 dBm) também podem ser predefinidas, sendo este um dos motivos pela escolha deste dispositivo para este trabalho, pois, quando comparado a outros de funções semelhantes, a exemplo do zigbee, ele ganha destaque, pois a taxa máxima de transmissão de um módulo zigbee é de 250 Kbps [34] [35]. Uma taxa de transmissão mais alta significa um menor tempo na entrega dos pacotes de dados, apesar de reduzir o alcance da transmissão. O nRF24L01+ foi configurado para uma taxa de transmissão de 1Mbps e 0 dBm de potência de transmissão, pois combina características de alcance da comunicação, potência e velocidade da transmissão. O módulo nRF 24L01+® tem a capacidade de enviar e receber dados em forma de pacotes estruturados na forma de vetores. Para essa transmissão, o módulo tem o auxílio de uma biblioteca específica para tal fim. Cada pacote SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 47 corresponde a um vetor de tamanho variável. O módulo não pode realizar o envio e o recebimento de forma simultânea, ou seja, apenas envia ou recebe um vetor por vez. Porém, o tamanho desse vetor não é fixo, podendo ser configurado pelo usuário de acordo com sua necessidade. Ainda conta com um protocolo denominado de Enhanced Shockburst, que é um protocolo proprietário (Nordic Semiconductor) que realiza funções automáticas de temporização, montagem, reconhecimento e retransmissão de pacotes de dados entre módulos transceptores nRF 24L01 e suas versões compatíveis [33]. Essa função de montagem dos pacotes de dados a serem transmitido tem papel importante na comunicação entre os módulos transceptores, podendo ser observado o formato de um pacote de dados montado na Figura 8. Figura 8 – Formato do pacote de dados montado pelo protocolo Enhanced Shockburst. O pacote de dados é segmentado em 5 partes: Preamble, Address, Packet Control Field, Payload e CRC. O Preamble é um campo previamente definido, de 1 byte, para distinção entre o início da mensagem e ruídos existentes no canal, ou seja, identifica o início da mensagem. O campo Adress é o responsável por trazer o endereço de destino do pacote, tendo um tamanho varíavel entre 3 e 5 bytes. O campo referente ao Packet Control Field traz o tamanho dos pacotes de dados e configurações de reconhecimento de pacotes e retransmissão, e tem 9 bytes de tamanho. O campo Payload, com tamanho entre 0 e 32 bytes, é o que traz a mensagem a ser transmitida. Por fim, com tamanho de 1 a 2 bytes, o CRC, mecanismo responsável pela detecção de erros em uma transmissão [33]. 3.2.2 Arduino Uno Inicialmente, planejava-se utilizar o microcontrolador PIC18F2580 devido suas características adequarem-se bem às necessidades deste trabalho, mas devido a alguns problemas, como custos e configuração do transceptor, passou-se a utilizar a plataforma de desenvolvimento livre Arduino Uno (já inclui um microcontrolador), que atendeu satisfatoriamente a todos os requisitos. O objetivo é desenvolver um sistema de baixo custo e de reduzidas dimensões, e o baixo custo é uma SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 48 característica importante no Arduíno, além também de apresentar dimensões reduzidas para o fim ao qual se pretende aplicar. O Arduino Uno é um tipo de placa de microcontrolador baseado no ATmega328, imune a ruídos e interferências no ambiente. É alimentado com uma tensão de 5 V, dispondo de 14 pinos digitais de entrada ou saída, 6 entradas analógicas, um cristal oscilador de 16 MHz, uma conexão USB e um botão de reset. Apresenta como opção 2 tensões de saída para acomodar diferentes trabalhos: 3,3 V e 5 V. Além disso, o Arduino pode ser alimentado pela própria conexão USB, caso esteja ligado a um computador energizado. Baseado nesses parâmetros, ele pode substituir satisfatoriamente um dispositivo que seja exclusivamente microcontrolador. O arduíno pode ser programado na interface integrada de desenvolvimento (IDE), que é o software Arduino onde se criam projetos. Esse software é para ser instalado em computadores e utiliza a linguagem C (e algumas extensões em C++) para escrever os códigos. Esse software é próprio do Arduíno, sendo um editor de códigos para essas placas, e está disponível para donwload em www.arduino.cc. Esses códigos ou programas também são conhecidos por “sketchs”. Concluído o projeto, o sketch deve ser compilado para posteriormente ser enviado, sem erros, à memória flash do arduíno. O envio é através da porta USB. Com o código na memória flash do arduíno ele está habilitado para executar suas funções sem necessitar do computador (função de USI escravo ou de USI mestre, a depender da configuração de seu código fonte), desde que esteja sendo alimentado por uma fonte de energia. Muitas bibliotecas são utilizadas para facilitar a edição desses códigos, e neste trabalho utilizou-se a biblioteca Mirf, fornecida por Stefan Engelke ([email protected]), muito utilizada em comunicações sem fio. Essas bibliotecas são funções pré-definidas, e tanto a IDE quando o próprio arduíno já possuem algumas. Outras bibliotecas também podem ser adquiridas na internet. Além das bibliotecas, outra vantagem do Arduino é o fato de ele permitir que outras placas sejam acopladas a ele para agregar funções e ampliar sua gama de possibilidades. Essas placas são chamadas de shields, e essas shields são encontradas elas para desempenharem as mais variadas funções. Com conseguimos fazer o Arduino se comunicar numa rede Ethernet, ou, ainda, transmitir dados para qualquer dispositivo via Bluetooth ou Wi-Fi [36]. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 49 Figura 9 – Ligações Transceptor – Arduino [37] no Sistema Completo Desenvolvido para Comunicação. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 50 3.3 SOFTWARE As USIs tem a atribuição de enviar relatórios acerca do comportamento das grandezas monitoradas em um sistema elétrico. Esses relatórios podem conter informações como valores de temperatura, umidade, etc. Ou seja, as USIs escravo realizam funções específicas de monitoramento e medição para enviar suas informações à USI mestre. Porém, este trabalho abordará apenas a comunicação entre as USIs escravo e a mestre, isto é, após a execução de suas tarefas iniciais (monitoramento e medição), de modo a avaliar a eficiência da comunicação. Para realizar a comunicação entre as USIs, é necessário configurá-las, e essa configuração é realizada na IDE do Arduino, na qual pode-se escrever as linhas do código e testá-las (compilar o código na própria IDE) antes mesmo que sejam armazenadas na memória flash do dispositivo, evitando, assim, ocasionar eventos indesejados para os usuários ou para os dispositivos. Para acessar os dados monitorados e a consequente interpretação dos mesmos, utiliza-se uma Interface Homem-Máquina (IHM) que permite aos usuários a realização dessas tarefas. Utilizou-se o hiperterminal do computador para exibição desses dados no monitor. Essas etapas e a rotina a ser executada para se realizar essas tarefas serão apresentados ao longo desta seção na sequência de execução do trabalho para configuração e exibição dos dados. 3.3.1 Configuração e exibição de dados O envio dos dados para o SCS que irá exibi-los via IHM é feito por meio da porta serial USB (utilizou-se o terminal serial do computador), habilitando-se uma das portas de comunicação. O código final é denominado de projeto, e foi desenvolvido em etapas para facilitar a visualização das tarefas, e essas etapas em subetapas. As duas etapas são código “mestre” e código “escravo”. Assim, define-se a atribuição de cada USI, e as subetapas detalham essas atribuições. Esse trabalho é composto por um sistema dividido em duas partes: Unidade de Sensoriamento Escravo e Unidade de SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 51 Sensoriamento Mestre, em que se demonstram os resultados de suas execuções nas Figuras 10, 11, 12 e 13. As Figuras 10 e 11 exibem os dados quando da execução da USI escravo, uma no início da rotina e outra ao final; enquanto que as Figuras 12 e 13 exibem os dados quando da execução da USI mestre, também uma no início e outra ao final da rotina de execução. Figura 10 – Exibição do início da execução da rotina da USI escravo. Figura 11 – Exibição do término da execução da rotina da USI escravo. Figura 12 – Exibição do início da execução da rotina da USI mestre. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 52 Figura 13 – Exibição do término da execução da rotina da USI mestre. 3.3.2 Rotinas de trabalho predefinidas O sistema de aquisição e monitoramento realiza sua função executando rotinas de trabalho predefinidas, subdivididas em etapas, em que para ele seguir de uma etapa para outra é necessário que a condição da etapa anterior seja satisfeita, pois caso ela não seja atendida ele irá retornar ao ponto inicial dessa etapa para reiniciar a sequência. Essas rotinas e etapas serão apresentadas de forma sintetizada sob a forma de fluxogramas, nas Figuras 14, 15 e 16, bem como serão descritas, de modo a permitir uma compreensão global do sistema. Na Figura 14, ilustra-se o aspecto físico do trabalho, enquanto que nas Figuras 15 e 16, ilustra-se o aspecto lógico. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 53 Figura 14 – Sistema de Aquisição de Dados e Monitoramento sem Fio. Unidade de Sensoriamento Escravo A rotina principal é responsável pela configuração dos periféricos e das interrupções utilizadas nas sub-rotinas. Essas sub-rotinas têm como funções a aquisição, tratamento e transmissão dos dados. Após a configuração dos dispositivos necessários, a rotina entra em um loop e assim permanece até ser atendida uma condição específica, permitindo a aquisição e o envio dos dados durante todo o funcionamento. Para uma maior confiabilidade dos dados recebidos, é obtida uma média de um conjunto de 10 amostras, implicando em um maior grau de concordância com o valor real. Cem pacotes são enviados pela USI escravo para a USI mestre, quando SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 54 requisitada por esta, e seguem a sequência de 0 a 99, repetindo-se 10 vezes. Esses pacotes são numerados de 0 a 99, para se ter certeza que os dados recebidos pela USI mestre realmente são os que a USI escravo enviou. Essa foi uma forma de individualizar cada pacote, sendo possível, assim, identificar os pacotes que não foram recebidos. Havendo uma segunda USI escravo transmitindo os pacotes seguem a sequência de 100 a 199, também se repetindo 10 vezes. Essa diferenciação entre os pacotes das USIs escravo representa as diferentes informações a que cada USI escravo em um sistema elétrico de medição é responsável. O envio de cada pacote foi configurado para ocorrer a cada 20ms para que o envio total dos dados do relatório não seja demorado e não retarde a realização dos testes. Sendo assim, sob circunstâncias ideais um relatório leva cerca de 20 segundos para ser enviado/recebido completamente (tempo total entre requisição da USI mestre e recebimento e consequente exibição do último pacote pelo SCS). Os resultados obtidos pela unidade de sensoriamento escravo são transmitidos através da sub-rotina de transmissão de dados para a unidade de sensoriamento mestre, mediante requisição, que pode ocorrer em intervalos de tempo definidos pelo usuário ou apenas quando houver interesse, sendo esta última a adotada neste trabalho. A transmissão é realizada por rádio frequência através dos módulos transceptores nRF 24L01+® a uma taxa de 2 Mbps, 1 Mbps ou 250 Kbps. Essa taxa está relacionada com a distância entre os módulos e pode ser definida pelo usuário através de diretivas do transceptor no código fonte quando em desenvolvimento na plataforma Arduino. A taxa de transmissão mais lenta (250 Kbps), utilizando a mesma quantidade de energia das outras taxas durante uma transmissão, proporciona maior alcance para comunicação; ao passo que a taxa de transmissão mais alta (2 Mbps) proporciona menor tempo na transmissão dos dados, reduzindo a probabilidade de colisão entre as mensagens [33] [35]. O fluxograma da Figura 15 representa, de modo resumido, o funcionamento do programa de aquisição e monitoramento das USIs escravo utilizadas no trabalho. SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 55 Figura 15 – Esquema Básico do Funcionamento do Programa de Aquisição e Monitoramento da USI escravo. Como se pode perceber, após ser requisitada pela USI mestre a USI escravo procede às configurações de inicialização e em seguida informa quais as mensagens que serão enviadas e o endereçamento dessas mensagens, dando início ao envio destas. Cada envio é contabilizado, de modo a se enviar exatamente 1000 mensagens. Enquanto essa condição não for satisfeita, a execução permanece em loop. Encerrado o envio de mensagens, a USI escravo aguardará nova requisição. Unidade de Sensoriamento Mestre A função básica da unidade de sensoriamento mestre é gerenciar a rede. Através de requisições, a USI mestre permite que a USI escravo envie os pacotes. Após o recebimento de todos os pacotes, o mestre envia os pacotes ao SCS por meio da interface serial USB 2.0, e desta forma o operador tem a possibilidade de analisar os dados. A rotina principal configura todos os periféricos e realiza as chamadas das interrupções necessárias para o funcionamento das sub-rotinas. Após as configurações, a rotina principal entra em loop e assim permanece até ser atendida uma condição específica. Ao entrar no loop, a USI mestre verifica se há algum dado sendo enviado ao SCS e, caso negativo, ela realiza a requisição à USI escravo, pois a requisição só é feita após serem enviados todos os dados já recebidos ao SCS, de SISTEMA PROPOSTO: HARDWARE E SOFTWARE 56 modo a não interromper a transmissão anterior. Feita a requisição, a USI mestre verifica se já há alguma mensagem a ser recebida. Existindo, a mensagem é capturada e checada qual sua origem (slave 1 ou 2) para, então, ser enviada ao SCS. Enquanto houver mensagens a serem recebidas a USI mestre permanecerá capturando-as e realizando essa checagem para posterior envio ao SCS. Após a USI escravo encerrar seu envio, a USI mestre detectará que não há mais mensagem (por meio do pino MISO), sendo exibido no SCS o total de mensagens recebidas. O envio dos pacotes ao SCS é realizado por uma sub-rotina que prepara os dados para transmissão pela interface serial USB. A taxa de transmissão foi configurada para 115.200bps, de modo a tentar evitar atrasos na recepção dos pacotes e no seu envio à porta serial do computador, e assim não causar perda de algum dado no momento da recepção ou do envio para exibição. O fluxograma da Figura 16 representa, de modo resumido, o funcionamento do programa de aquisição e monitoramento da USI mestre utilizada no trabalho. Figura 16 – Esquema Básico do Funcionamento do Programa de Aquisição e Monitoramento da USI mestre. 4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS RESULTADOS EXPERIMENTAIS 58 4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS Neste capítulo, os resultados experimentais dos testes realizados são exibidos juntamente com suas métricas e parâmetros, abordando-se diversos obstáculos possíveis à comunicação. Os obstáculos considerados nos testes são obstáculos encontrados no dia a dia desses locais e que podem se tornar empecilho à comunicação via rádio frequência, como paredes de alvenaria, paredes de vidro ou paredes metálicas que separam equipamentos; locais de longas distâncias entre os equipamentos; locais ventilados e sujeitos a mudanças climáticas; locais com possíveis sinais interferentes, a exemplo de sinais da rede de telefonia celular, de outras comunicações via rádio frequência ou outras modalidades de comunicação sem fio, microondas, etc. Esses obstáculos foram escolhidos de acordo com parâmetros, configurações ou características que possam causar influência na comunicação via rádio frequência, conforme referenciado nos capítulos 2 e 3. Mediante a escolha desses obstáculos, os cenários foram montados para se avaliar a eficiência da comunicação, definida como sendo a relação entre os pacotes recebidos pela USI mestre e os pacotes enviados pela USI escravo (relação R/T). Os testes foram realizados utilizando 1 USI mestre e 1 ou 2 USIs escravo, a depender do cenário analisado. Fotos de alguns testes abordando os obstáculos à comunicação constam no Anexo 1 (Anexo fotográfico) para ilustração do trabalho realizado. Inicialmente, para a realização desses testes, fez-se necessário estabelecer algumas métricas, a saber: Distância entre as unidades [30], [33], [35]; A existência ou não de obstáculos entre elas [30], [31]; A configuração das antenas (posição/direção) dos módulos transceptores testados [30], [33]; O tipo de ambiente em que elas estão inseridas, ambientes abertos ou fechados [30], [31], [35]; RESULTADOS EXPERIMENTAIS 59 A possibilidade de interferência na comunicação por outros elementos que utilizem a mesma frequência de 2,4GHz (a exemplo de redes wireless e outros transceptores), por telefone sem fio ou por aparelho de micro-ondas [29], [30]; A possibilidade de interferência ocasionada por condições climáticas (especificamente o vento) [30], [32]; Bem como uma combinação de todos esses parâmetros entre esses e as unidades testadas. Ao todo foram realizados 60 testes, organizados e distribuídos em conjuntos no decorrer deste capítulo, nos quais, para validação dos resultados, cada teste foi executado 10 vezes, de modo a estudar a consistência entre seus valores para garantir um desempenho satisfatório, de modo que se proceda a análises de testes com semelhanças, condições e fatores idênticos. Esses testes foram organizados em duas etapas, e essas etapas foram subdivididas em doze conjuntos de testes, em que alguns abordam cenários diferentes. As etapas foram consideradas em termos de distância: testes de curta ou longa distância. Na primeira etapa foram realizados dez conjuntos de testes, e na segunda etapa dois conjuntos. O teste aborda o envio de 1.000 pacotes de dados individualizados da USI escravo para a USI mestre, simulando relatórios de informações enviados de equipamentos para o SCS, de modo a avaliarmos os dados recebidos pela unidade mestre para verificar o aproveitamento dos dados e, por consequência, a eficiência da comunicação. Todos os pacotes recebidos pela USI mestre e enviados ao SCS foram armazenados por este para posterior constatação, de modo a conferir se os pacotes recebidos e armazenados conferem com os pacotes enviados e, também, detectando quais pacotes não foram recebidos. Nos testes em que a perda dos pacotes não foi superior a 2% os pacotes perdidos foram conferidos com os que foram enviados para descartar a possibilidade de o envio não ter sido realizado. Esse percentual baixo foi adotado para não retardar a realização dos testes. Já os pacotes recebidos foram constatados por amostragem, também para não retardar a RESULTADOS EXPERIMENTAIS 60 realização dos testes. Essa amostragem consistiu em verificar apenas os pacotes de de número “99”. Para verificar as redes sem fio existentes durante os testes, utilizou-se um software, WiFi Analyzer, desenvolvido para sistemas Android. Suas principais funcionalidades são exibidas na Figura 17, seguindo a seguinte ordem: possibilidade de detectar e analisar todas as redes sem fio ao alcance, intensidade de cada rede ao longo do tempo, possibilidade de determinar canal e a frequência utilizados, bem como a potência do sinal de cada rede. Essas funcionalidades serão exploradas ao longo deste trabalho. Figura 17 – Funcionalidades do WiFi Analyzer. 4.1 RESULTADOS DOS TESTES DE CURTA DISTÂNCIA Adotou-se a distância de 250 metros como distância máxima (longa distância) de comunicação do transceptor. Esse valor é baseado em informações de outros transceivers, já que o datasheet do nRF 24L01+® não faz alusão a essa distância máxima; e no conceito de RPD, aludido em [33]. Realizou-se um único teste com distância superior a 250 metros para se constatar a baixa eficiência da comunicação. Dessa forma, e levando-se em consideração as principais aplicações sugeridas pelo datasheet do nRF 24L01+® para as quais ele foi projetado (periféricos sem fio de computadores, brinquedos, controladores de jogos, etc.), considerou-se como curta distância os valores de 1 a 15 metros. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 61 A comunicação foi estabelecida entre uma unidade mestre e uma unidade escravo, de modo a permitir o estudo de possíveis interferências que equipamentos ou dispositivos localizados próximos à unidade escravo possam causar ao envio de pacotes da unidade escravo para a mestre. Essa “configuração” é a encontrada no cotidiano, em que a USI mestre representa uma central de controle, fixa e abrigada, em geral; e a USI escravo representa equipamentos expostos no meio ambiente, em uma subestação de energia elétrica, por exemplo, que estão próximos uns dos outros e próximos a diversos aparelhos ou sinais que podem interferir na transmissão de dados. Os testes foram executados em ambiente de laboratório, sem interferência do vento e em condições normais, de modo a propiciar a avaliação do comportamento da comunicação em ambientes normalmente fechados; e em campo aberto, de modo a possibilitar o estudo da influência do vento [32] . Estes serão citados durante os respectivos conjuntos de testes. Alguns conjuntos de testes tiveram a direção e a posição das unidades transceptoras desconsideradas para a avaliação da comunicação. Contudo, a direção e a posição foram mantidas as mesmas em todos os cenários dentro do mesmo conjunto de testes. CONJUNTO DE TESTES 01 O primeiro conjunto de testes foi realizado em 3 etapas, e cada etapa envolve 3 cenários diferentes. Cada teste foi realizado com uma distância de 1 metro entre as unidades. Para a realização dos testes irão se considerar os transceptores em 3 posições distintas, sendo cada posição uma etapa do conjunto de testes. Desse modo, permite-se avaliar se a posição e a direção influenciam na comunicação e, caso afirmativo, avaliar a eficiência da comunicação frente a estes parâmetros. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 62 Figura 18 – Vista lateral do transceptor com indicação de posição e direção. Figura 19 – Vista frontal do transceptor [38]. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 63 Figura 20 – Vista frontal do transceptor com indicação de posição e direção [38]. Três posições foram consideradas para fins de realização dos testes. A primeira posição tem a direção AC – CA (Figura 20); a segunda é CA – AC (Figura 20); e a terceira é TF – FT (Figura 18). Essas 3 posições serão tratadas no desenvolver deste trabalho por “Posição 1” (AC – CA), “Posição 2” (CA – AC) e “Posição 3” (TF – FT), que representam as 3 etapas desse conjunto de testes. Cada etapa foi desenvolvida em 3 cenários diferentes: 1. Ausência de sinais interferentes de redes wireless; 2. Redes wireless com sinais de baixa amplitude; 3. Redes wireless com sinais de alta amplitude. O primeiro cenário aborda uma situação ideal, na qual não há redes wireless para inteferir na comunicação. O teste desse cenário é de fundamental importância, pois serve como parâmetro para os demais, possibilitando o estudo da interferência, ou não, de redes wireless sobre a comunicação estabelecida na faixa de operação de 2,400 a 2,4825GHz. Essa constatação de ausência de redes wireless para o primeiro cenário (Figura 21) e para os 2 cenários seguintes é realizada utilizando-se o aplicativo Wifi Analyzer. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 64 Figura 21 – Ausência de sinal de redes wireless. O segundo cenário aborda uma situação ainda bastante favorável à comunicação, na qual há a presença de redes wireless na faixa de operação de 2.400 a 2.525 GHz, mas os sinais dessas redes são de baixa amplitude (Figura 22), conforme consideração feita pelo datasheet do transceptor vista no capítulo 3 item 2. Segundo este, sinais de RF com amplitude igual ou inferior a -64 dBm são descartados para fins de comunicação, ou seja, -64 dBm, -65 dBm em diante. Portanto, não há nenhuma fonte de interferência em potencial próxima à USI escravo. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 65 Figura 22– Possíveis sinais interferentes de baixa amplitude. O terceiro cenário aborda um sinal de alta amplitude de uma rede wireless e identificado como a rede “PPGEE_LP” (Figura 23), que opera na faixa de frequência já especificada, e que é considerada como uma fonte de interferência em potencial, haja vista que a amplitude do sinal de RF é superior a -64 dBm, ou seja, -63 em diante. Para possibilitar essa potencial fonte de interferência para a comunicação, utilizou-se um roteador wireless localizado bem próximo à unidade escravo (cerca de 20 cm). Redes com baixo sinal de baixa amplitude também foram detectadas neste cenário. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 66 Figura 23 – Possível sinal interferente de alta amplitude acompanhado de sinais de baixa. Esse conjunto de testes foi realizado com os transceptores sem diferença de altura e em visada direta (sem obstáculos entre as 2 unidades), pois esses fatores podem significar interferência no contexto da rádio frequência [30], [31]. O segundo fator foi objeto de estudo neste trabalho, mas o primeiro não. A primeira etapa (testes para Posiçao 1) tem o resultado de seus 3 testes ilustrada no gráfico da Figura 24, a segunda (testes para Posiçao 2) no gráfico da Figura 25 e a terceira etapa (testes para Posiçao 3) no gráfico da Figura 26. No gráfico da Figura 27 ilustra-se um comparativo da média dos valores entre as diferentes posições dos transceptores ao mesmo tempo em que compara seus distintos cenários nos quais estão inseridos. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 67 Figura 24 – Eficiência da comunicação na Posição 1. Figura 25 – Eficiência da comunicação na Posição 2. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 68 Figura 26 – Eficiência da comunicação na Posição 3. Figura 27 – Comparativo entre as posições 1, 2 e 3 – considerando os 3 cenários. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 69 A tabela 2 apresenta um quadro-resumo dos resultados desse conjunto de testes. Tabela 2 – Eficiência da comunicação (%). Percebe-se que houve uma redução na relação R/T dos pacotes (pouco mais de 3%) quando há sinal de RF interfente de alta amplitude próximo à unidade escravo, independentemente da direção e sentido dos transceptores. O efeito dessa perda de pacotes dependerá da aplicação. Já entre os cenários 1 e 2 não se verifica, para essa distância, diferença na relação R/T de pacotes, sendo muito semelhantes os valores obtidos para esses cenários. Quanto ao posicionamento das antenas já se começa a perceber, ainda que sutilmente, que a comunicação na Posição 3 apresenta-se como mais eficiente. Os próximos testes confirmarão com maior precisão essa observação. Também é possível perceber que, mesmo a uma curtíssima distância, a transmissão/recepção de pacotes muitas vezes não se concluiu totalmente, ou seja, em vários testes ela ficou abaixo de 100%, apesar de muito próxima desse valor. É possível que outros tipos de sinais (celular, telefone sem fio, etc), algumas adversidades (vento) ou a própria conexão dos dispositivos estejam interferindo na comunicação. Outros testes foram realizados no transcorrer deste trabalho para possibilitar conclusões mais precisas. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 70 CONJUNTO DE TESTES 02 Esse conjunto de testes foi desenvolvido a uma distância de 5 m com os transceptores posicionados em suas 3 posições consideradas, permitindo ainda um comparativo entre elas para dar subsídio para os próximos conjuntos de testes, nos quais estes irão considerar apenas uma direção e posicionamento. A condição considerada de possível interferência para a comunicação foram os sinais de baixa amplitude existentes durante o teste, ou seja, sem possível dispositivo com potencial para interferência próximo à unidade escravo, conforme se visualiza na Figura 28. Figura 28 – Possíveis sinais interferentes de baixa amplitude. Na Figura 29, apresenta-se o resultado da comunicação desse conjunto de testes. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 71 Figura 29 – Comparativo entre as 3 posições da unidades. Assim, também nesse conjunto de testes percebe-se que a comunicação praticamente não sofre influências para distâncias muito curtas em relação à direção e ao posicionamento das unidades transceptoras, haja vista a diferença ser apenas de 0,1% entre a melhor e a pior posição para comunicação. Mas se percebe que a comunicação apresentou melhora com o pequeno aumento na distância. CONJUNTO DE TESTES 03 Os testes desse conjunto foram realizados de acordo com as distâncias de 1, 2, 5 e 15 metros, e consideraram apenas como possível interferência para a comunicação os sinais de baixa amplitude existentes durante o teste (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência próximo à unidade escravo), condição rotineira do dia a dia que simula diversos ambientes. A Figura 30 ilustra as redes existentes no momento da comunicação nas quatro distâncias adotadas. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 72 Figura 30 – Sinais de baixa amplitude nas distâncias de 1, 2, 5 e 15m, respectivamente. De acordo com os conjuntos de testes 1 e 2, para curtas distâncias, é possível desconsiderar a direção e posicionamento das unidades transceptoras, haja vista a diferença de eficiência ser mínima entre elas. Sendo assim, a partir desse conjunto de testes, a Posição 3 foi a adotada para ser utilizada nos conjuntos de testes que não levem posição/direção em consideração. O objetivo desse conjunto de testes é analisar a comunicação diante do fator “curta distância” para avaliar a eficiência dessa comunicação. Há uma ressalva para o experimento a 15 m de distância, pois o laboratório não proporcionava que o teste fosse executado a essa distância. Logo, ele foi realizado em campo aberto, assim como os demais testes desse conjunto, mantendo-se as mesmas condições para todos os testes. Os resultados obtidos são apresentados na Figura 31. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 73 Figura 31 – Comparativo da eficiência da comunicação para curtas distâncias. Percebe-se que inexiste diferença na eficiência da comunicação para curtas distâncias. Apenas na de 2 m houve uma variação muito pequena (não mais que 0,4%), considerando-se que foram enviados mil pacotes. Em 3 momentos (quarto, sétimo e oitavo teste de cada distância) não houve diferença alguma e a comunicação atingiu sua totalidade no envio/recepção de pacotes. A pequena redução pode ter sido dada por diversos motivos, não se descartando a influência do vento nem do sinal de baixa amplitude de redes wireless, bem como de outros fatores. CONJUNTO DE TESTES 04 Os testes desse conjunto foram realizados em laboratório mantendo-se uma distância de 1 metro entre as unidades (sem obstáculos). Esse conjunto foi dividido em 3 distintos cenários, de modo a avaliar a condição temporal “vento” para a comunicação, simulando-se ambientes muito ventilados. O equipamento utilizado para inserir vento foi um ventilador em velocidade máxima (potência padrão). Um fator condicionante para essa condição “vento” foi se o mesmo estava em sentido RESULTADOS EXPERIMENTAIS 74 favorável ou desfavorável à unidade escravo (considerando o sentido da comunicação: USI escravo USI mestre), colaborando ou prejudicando a comunicação. Para verificar a possibilidade de interferência pelo campo eletromagnético do ventilador realizou-se, inicialmente, 10 testes sob as mesmas condições desse conjunto, porém, sem a hélice do ventilador, isolando, dessa forma, o fator vento, e mantendo-se exclusivamente o fator “campo eletromagnético”. Constatou-se, após esses testes preliminares, que esse fator não afeta a comunicação para os níveis de tensão e corrente elétrica considerados, pois não houve perda de pacotes nesses testes preliminares. O primeiro teste apresenta um cenário com o vento em sentido desfavorável à unidade escravo (Figura 32). No segundo teste o cenário apresenta-se com o vento em sentido desfavorável ao envio dos pacotes pela unidade escravo e à recepção pela unidade mestre (Figura 33). Já no terceiro teste o cenário dispõe o vento em sentido favorável (Figura 34), permitindo traçar alguma conclusão acerca da influência deste fator. Figura 32 – Cenário 1: vento em sentido desfavorável à unidade escravo. Figura 33 – Cenário 2: vento em sentido desfavorável às unidades escravo e mestre. . RESULTADOS EXPERIMENTAIS 75 Figura 34 – Cenário 3: vento em sentido favorável às unidades escravo e mestre. Considerou-se apenas a condição de sinal de baixa amplitude de redes wireless (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo), apesar de haver redes wireless com amplitude de sinal já no limiar entre sinal de baixa e de alta amplitude. A Figura 35 ilustra as redes existentes no momento das comunicações nos cenários adotados. Figura 35 – Sinais de baixa amplitude durante a comunicação nos 3 cenários adotadas, respectivamente. Os resultados desse conjunto de testes são expostos na Figura 36, permitindo-se realizar comparação entre os distintos cenários. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 76 Figura 36 – Comparativo entre a comunicação nos 3 cenários mediante o fator condicionante “vento”. Percebe-se que o fator condicionante adotado no conjunto de testes em questão exerce influência sobre o envio/recepção dos pacotes, mesmo que a diferença tenha sido pequena (máximo 2%), pois quando o vento estava favorável à comunicação ela ocorreu em sua totalidade. Já quando o vento estava desfavorável à comunicação ocorreu uma redução na recepção dos pacotes pela USI mestre, seja no cenário 1 ou 2. Portanto, se para curtas distâncias o fator condicionante “vento” exerce influência sobre a comunicação, para distâncias longas o vento também exercerá influência e, provavelmente, quanto maior a distância maior será a influência [30], [32]. Um conjunto de testes realizado neste trabalho apresentará um comparativo entre testes considerando distâncias longas. CONJUNTO DE TESTES 05 Os testes desse conjunto foram realizados em laboratório mantendo-se uma distância de 1 metro entre as unidades transceptoras e inserindo-as em 2 cenários diferentes (com obstáculos à comunicação): o primeiro cenário tem como obstáculo RESULTADOS EXPERIMENTAIS 77 uma parede de alvenaria com 13 cm (Figura 37), enquanto que segundo o obstáculo é uma parede de vidro e tem 0,6 cm de espessura (Figura 38). Nos 2 cenários é possível observar as 2 unidades transceptoras, o SCS (computador em que são exibidos os dados) e os 2 tipos de paredes que fazem a separação das unidades transceptoras. Figura 37 – Parede de alvenaria separando as USIs mestre e escravo. Figura 38 – Parede de vidro separando as USIs mestre e escravo. O objetivo é avaliar a influência de diferentes tipos de obstáculos na comunicação. Realizou-se um teste a um metro de distância, sem obstáculos, para servir como padrão, sendo esse teste o do primeiro cenário. O teste do segundo RESULTADOS EXPERIMENTAIS 78 cenário é o que apresenta a parede de alvenaria e, o do terceiro cenário, a parede de vidro. Um fator que pôde ser desconsiderado foi a condição de interferência por sinais de baixa amplitude (nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo), apesar de haver redes RF com amplitude de sinal já quase considerada de alta amplitude. A Figura 39 ilustra as redes existentes no momento das comunicações nos cenários adotados. Figura 39 – Sinais de baixa amplitude durante a comunicação no Cenário 1, Cenário 2 e Cenário 3, respectivamente. O gráfico do resultado desse conjunto de testes é apresentado na Figura 40, seguindo a sequência dos cenários adotados. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 79 Figura 40 – Comparativo da eficiência da comunicação para os 3 cenários. Como não houve perda de pacotes em nenhum dos cenários constata-se que esses obstáculos não influenciam a essa distância, já que a transmissão/recepção foi completa nos 3 testes. CONJUNTO DE TESTES 06 Neste conjunto foram realizados testes em 3 cenários, todos em laboratório e com obstáculos. Cada cenário aborda quantidades diferentes de obstáculos, sendo o primeiro uma parede de alvenaria (13 cm) que separa as USIs em 1 m, o segundo 2 paredes de alvenaria (26 cm, ao total) que separam as USIs em 8 m e o terceiro 3 paredes de alvenaria (39 cm, ao total) de que separam as USIs em 15 m. O objetivo é avaliar a influência das paredes de alvenaria. Também se realizou um teste a um metro de distância, sem obstáculos, para servir como padrão para se realizar uma comparação, sendo chamado de cenário base. Novamente a condição de interferência por sinais de baixa amplitude foi desconsiderada, apesar de haver uma rede wireless com amplitude de sinal já no RESULTADOS EXPERIMENTAIS 80 limiar entre sinal de baixa e de alta amplitude. A Figura 41 ilustra as redes existentes no momento das comunicações nos cenários considerados. Figura 41 – Sinais de baixa amplitude durante a comunicação no cenário base e nos Cenários 1, 2 e 3, respectivamente. O resultado desse conjunto de testes será apresentado na Figura 42, seguindo a sequência dos cenários considerados. Já na Figura 43, apresenta-se o comportamento da eficiência da comunicação (valores médios) ao longo dos cenários adotados. Os testes desse conjunto permitiram traçar conclusões acerca da influência desse tipo de obstáculo. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 81 Figura 42 – Comparativo da eficiência da comunicação entre o cenário base e os cenários 1, 2 e 3. Figura 43 – Comportamento da comunicação diante dos cenários apresentados. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 82 Percebe-se que não houve diferença entre a situação padrão (cenário base) e o primeiro cenário, mesmo havendo um obstáculo. O fator distância, nesse caso, por ser muito curto, não interferiu na comunicação. No segundo cenário já se começa a perceber uma redução na comunicação, em que a maior parte dos testes ficou próximo dos 70% de eficiência, e sua média em torno de 83%; e, no terceiro cenário, a comunicação foi praticamente inviabilizada, recebendo apenas 4,89% dos pacotes que foram enviados. Nestes 2 últimos cenários a quantidade de obstáculos e a distância entre as unidades transceptoras aumentaram, contribuindo para a redução na relação R/T, apesar de o aumento na distância não ter participação nessa perda de pacotes, pois, como visto no conjunto de testes 03, em que as distâncias são semelhantes (1, 2, 5 e 15 m), a transmissão/recepção de pacotes foi realizada em sua totalidade nas distâncias de 1, 5 e 15 m. CONJUNTO DE TESTES 07 Neste conjunto foram realizados 2 testes, em laboratório, com obstáculos à comunicação, um em cada cenário. Utilizou-se de um teste padrão (cenário base) sem obstáculo e nas mesmas condições para referência. São 2 cenários diferentes: no primeiro foram utilizados 2 invólucros de vidro (0,25 cm de espessura), nos quais cada um encobre uma unidade transceptora (Figura 44); no segundo foram utilizados 2 invólucros metálicos (0,15 cm de espessura), nos quais cada um encobre 1 unidade transceptora (Figura 45). Figura 44 – Unidades transceptoras encobertas por invólucros de vidro. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 83 Figura 45 – Unidades transceptoras encobertas por invólucros metálicos. Os testes consistem em distanciar as unidades transceptoras em 1 metro e cobri-las com esses invólucros, de modo a aumentar o grau de dificuldade da comunicação, pois o número de obstáculos foi aumentado de 1 para 2 e elas ficaram completamente cobertas. O objetivo é avaliar a influência de obstáculos e do material com o qual esses obstáculos são constituídos, pois determinados materiais podem interferir em uma comunicação via rádio frequência (absorvendo, refletindo, impedindo a passagem das ondas eletromagnéticas, etc.). Novamente a condição de interferência por sinais de baixa amplitude foi desconsiderada, apesar de haver uma rede wireless com amplitude de sinal já no limiar entre sinal de baixa e de alta amplitude (Figura 46). Figura 46 – Sinais de baixa amplitude durante a comunicação no cenário padrão e nos cenários 1 e 2, respectivamente. O resultado desse conjunto de testes é exibido na Figura 47, em que se observa novamente que para curta distância o obstáculo do tipo “vidro” não causou RESULTADOS EXPERIMENTAIS 84 bloqueio para a comunicação (mesmo sendo 2 obstáculos), e sua transferência de pacotes foi tão completa quanto a transferência sem obstáculo. No segundo teste, com invólucros metálicos, a comunicação praticamente não perdeu nenhum pacote. Essa perda (2 ou 3 pacotes) foi pequena ante a quantidade de pacotes enviados (1000) e ao número de testes realizados (3 em 10 não se completaram), sendo possível até considerar que não houve perda. Esses pacotes que não foram recebidos podem ter sido refletidos pela superfície metálica e não terem alcançado seu destinatário. O conjunto de testes 09 apresentará conclusões mais precisas, pois trata-se de teste com similaridade (superfície metálica). Observa-se, também, que sinais de baixa amplitude de redes wireless não exerceram influência que pudesse ser considerada sobre a comunicação. Figura 47 – Comparativo da eficiência da comunicação entre o cenário base e os cenários 1 e 2. CONJUNTO DE TESTES 08. Neste conjunto foram realizados 2 testes em ambiente de laboratório e sem obstáculos, em que um cenário é inserido em meio a sinais de redes wireless de baixa amplitude e o outro em meio a sinais de alta amplitude. O teste consiste em RESULTADOS EXPERIMENTAIS 85 realizar o envio simultâneo de pacotes por 2 unidades escravo para a unidade mestre. A distância entre as unidades escravo e a unidade mestre é de 2 metros. Para fins de avaliação desses cenários, utilizou-se de um teste padrão (sem obstáculo e nas mesmas condições de rede wireless) para cada cenário, de modo a servir como referência. O obstáculo à comunicação a ser testado neste conjunto de testes não é físico, mas a concorrência da transmissão de dados das unidades escravo para a recepção pelo mestre na presença do fator “sinal de rede wireless” com sinal de baixa ou alta amplitude. Nos cenários 1 e 2, insere-se uma rede RF para avaliar sua influência sobre a transmissão concorrente de pacotes. Porém, no caso do cenário 1 o sinal é de baixa amplitude, enquanto que no caso do cenário 2 o sinal é de alta amplitude. A USI mestre determina, com um comando único às 2 USIs escravo, que elas enviem os pacotes de dados. Esse comando único é possível quando as USIs escravo apresentam o mesmo endereço. Assim, garante-se a simultaneidade das transmissões. Nesse conjunto, apesar das USIs apresentarem o mesmo endereço, os pacotes de dados enviados por cada uma são diferentes para possibilitar a diferenciação da origem dos pacotes. A Figura 48 ilustra as redes existentes no momento das comunicações, tanto nas situações padrões quanto nas situações avaliadas. A primeira e a segunda imagens representam os sinais de baixa amplitude de sinal (de modo a simular não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo); enquanto que a terceira e a quarta imagens representam os sinais de alta amplitude, na tentativa de simular algum dispositivo de frequência interferente próximo às unidades escravo. A sequência de apresentação das imagens segue a seguinte ordem: situação padrão e situação testada para o cenário 1, e situação padrão e situação testada para o cenário 2. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 86 Figura 48 – Sinais de baixa amplitude (situação padrão 1), sinais de baixa amplitude (cenário 1); sinal de alta amplitude (situação padrão 2) e sinal de alta amplitude (cenário 2), respectivamente. O resultado desse conjunto de testes é exibido na Figura 49, de onde se extrai 2 conclusões, que serão expostas em seguida. Figura 49 – Comparativo entre as comunicações quanto a quantidade de USIs escravo enviando pacotes simultaneamente diante de redes wireless de baixa e alta amplitude. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 87 No primeiro teste (situação padrão 1 e cenário 1), ambos com baixo sinal de amplitude, é possível visualizar que a eficiência da comunicação nas 2 condições tem valores e comportamentos parecidos, apesar de contatar-se que a situação testada está abaixo da padrão (pois o cenário 1 apresenta 1 USI escravoa mais). A redução dos pacotes na recepção pelo mestre pode ser explicada pelo conflito na recepção de pacotes simultâneos, uma vez que os testes foram realizados sob mesmas condições. No segundo teste (situação padrão 2 e cenário 2), ambos com alto sinal de amplitude, a comunicação apresentou o mesmo comportamento que no teste 1, ou seja, a comunicação foi mais eficiente quando recebendo pacotes de apenas 1 USI. Portanto, percebe-se que a eficiência da comunicação foi reduzida quando houve envio simultâneo de pacotes, tanto no cenário 1 quanto no cenário 2, quando comparados com suas respectivas situações padrão. Esse fato corrobora com a afirmação de que o envio simultâneo de muitos pacotes sucessivos para uma única USI mestre não é benéfico para a comunicação, e de que o incremento de mais USIs nessa comunicação provavelmente reduzirá ainda mais sua eficiência, ou seja, quanto menor o número de USIs transmitindo simultaneamente, melhor será a eficiência, pois o conflito na recepção dos pacotes será minimizado. Além disso, percebe-se também que o comportamento da comunicação foi menos eficiente no cenário em que há um sinal de RF interferente de alta amplitude do que quando o sinal é de baixa amplitude, seja comparando as 2 situações padrões seja comparando as 2 situações testadas. Logo, conclui-se que a presença de um sinal de maior amplitude de redes wireless contribui para um decréscimo na relação R/T dos pacotes, mesmo que de forma pequena, podendo até ser desprezada para curtas distâncias (a depender do caso), pois a diferença não chegou a 3% entre a maior e a menor relação R/T para testes dentro das mesmas condições. Já para testes sob condições diferentes (situação padrão 1 e cenário 2) essa diferença chegou a quase 5,5%, já não sendo mais desprezível em muitos casos. CONJUNTO DE TESTES 09 Neste conjunto foi realizado um teste sem obstáculos externo ao laboratório, mas em ambiente fechado e confinado. Esse ambiente é o interior de um elevador de serviço. Foi utilizado um teste padrão, para fins de comparação (sem obstáculo e RESULTADOS EXPERIMENTAIS 88 nas mesmas condições de rede wireless), realizado externo ao elevador (em laboratório). Os testes consistem em posicionar as unidades distantes em 1 metro, executar o fechamento da porta (12 cm de espessura) do elevador com a USI escravo em seu interior e a mestre no exterior, sob o mesmo nível (patamar), verificar os sinais de redes wireless no ambiente e iniciar o envio de pacotes da USI escravo para a USI mestre. O objetivo desse teste é simular ambientes muito fechados, sem aberturas, cercados por superfícies metálicas, pois geralmente esses ambientes são problemáticos para se estabelecer certos tipos de comunicação, principalmente porque essas superfícies metálicas podem refletir as ondas eletromagnéticas. Novamente a condição de interferência por sinais de baixa amplitude foi desconsiderada. Os sinais existentes durante a comunicação na situação padrão e na situação testada (interior do elevador) são exibidos na Figura 50. Figura 50 – Sinais de baixa amplitude durante a comunicação na situação padrão e na situação adotada, respectivamente. O resultado desse conjunto de testes é exibido na Figura 51, em que se percebe que há diferença entre a situação padrão e a testada. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 89 Figura 51 – Comparativo entre as comunicações quanto ao confinamento de uma USI em elevador de serviço. A situação padrão teve sua relação R/T de pacotes completa, sem nenhuma perda; enquanto que na situação testada, em todos os testes, houve perda de pacotes. A diferença não foi tão significativa para a combinação “distância adotada versus condição considerada”. A média de aproveitamento da relação R/T na situação testada foi de 96,56%, apenas 3,44% abaixo da situação padrão. Vale ressaltar que cinco das dez transmissões ficaram com aproveitamento próximo aos 98%, e em apenas 1 teste houve uma perda relativamente considerável para a combinação “distância adotada x condição considerada”, que foi de 8%. Além do mais, esse resultado foi o único que não seguiu o padrão mediano da relação R/T. No entanto, fica constatada a influência de superfícies metálicas para a comunicação via rádio frequência, pois nenhum teste teve sua relação R/T completa. Esses pacotes perdidos tem relação com o tipo do ambiente na qual estava inserida a USI escravo (ambiente fechado cercado por superfícies metálicas). CONJUNTO DE TESTES 10 Neste conjunto de testes o foco da avaliação da comunicação não são obstáculos físicos nem distância, mas sim os possíveis sinais interferentes na RESULTADOS EXPERIMENTAIS 90 transmissão dos pacotes. Para isso foram realizados quatro testes em ambiente de laboratório e sem obstáculos. Os testes consistem em distanciar as USIs em 2 metros, inserir a possível interferência próxima à USI escravo e iniciar a transmissão dos pacotes para a USI mestre, simulando, assim, equipamentos que possam interferir no envio e recepção dos pacotes. O primeiro teste realizado (Cenário 1) considerou um sinal de rede wireless de alta amplitude e de mesmo canal que a USI escravo (canal 11) produzido por um roteador wireless como possível interferência. A potência do sinal neste teste estava em -22 dBm, enquanto nos demais ela estava ou próxima ou abaixo de -64 dBm (considerado de potência fraquíssima), de modo que não tivesse contribuição para os testes. O segundo teste (Cenário 2) utilizou como possível fonte de interferência um transceptor nRF 24L01+® com características e configurações iguais à unidade transceptora escravo e utilizando o mesmo canal para comunicação (canal 1), diferenciando-se apenas no endereçamento, pois esse transceptor perturbador não está endereçado à USI mestre como está a USI escravo. O terceiro teste (Cenário 3) avaliou se aparelhos de telefonia celular causam interferência na comunicação. Apesar de telefones celulares utilizarem frequências bem distintas (MHz) das unidades transceptoras (GHz) eles podem interferir em diversos equipamentos e dispositivos. O quarto teste (Cenário 4) considerou a possibilidade de um forno de microondas, com a porta fechada, causar interferência e provocar uma redução na relação R/T dos pacotes. Um fator que pôde ser desconsiderado, porém apenas para os Cenários 2, 3 e 4, foi a possível interferência por sinais de baixa amplitude (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo). A Figura 52 ilustra as redes wireless existentes no momento das comunicações nos quatro cenários considerados. Elas foram dispostas na mesma ordem da execução dos testes. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 91 Figura 52 – Sinal de alta amplitude para o Cenário 1 e de baixa para os Cenários 2, 3 e 4. O resultado desse conjunto de testes é exibido nas Figura 53 e 54, de modo a melhor visualizar a diferença na relação R/T de pacotes. Nelas percebe-se uma redução clara (chegando a mais de 4% em alguns casos) na relação R/T quando há um roteador wireless próximo à unidade escravo, diferentemente das demais condições adotadas, em que a perda dos pacotes foi muito pequena (menos de 0,5%), e em todas as transmissões seguiu-se uma tendência semelhante. O teste que apresentou maior sucesso foi o que utilizou o celular como possível fonte de interferência. Nele e nos demais, à exceção da condição de sinal de alta amplitude, verifica-se que houve perdas, podendo até ser consideradas desprezíveis para curtas distâncias. Porém, para distâncias longas, elas podem vir a tornar-se significativas. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 92 Figura 53 – Comparativo entre as comunicações quanto ao tipo de possível interferência. Figura 54 – Comparativo entre as comunicações quanto ao tipo de possível interferência. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 93 4.2 RESULTADOS DOS TESTES DE LONGA DISTÂNCIA Para realização dos testes de longa distância, adotou-se como referência a média de valores informados no datasheet de outros transceptores como sendo de distância máxima de transmissão ou recepção do transceptor (250 m), pois o datasheet do nRF 24L01+® não faz alusão a essa distância máxima. Assim, considerou-se como longa distância os valores superiores a 15 metros. A comunicação aqui foi estabelecida entre uma USI mestre e uma USI escravo, de modo a permitir o estudo dos fatores “distância”, “posicionamento” e “direção” dos transceptores, bem como de outras possíveis causas interferentes para a comunicação, como o vento ou a visada direta entre os equipamentos. Os testes foram executados em ambiente externo ao laboratório, ou seja, em campo aberto e com visada direta. Não se levou em consideração, para fins de avaliação, o fator “sinal de alta amplitude de redes wireless”. Todas as redes apresentavam sinal de baixa ou baixíssima amplitude para ter o mínimo de influência e se permitir estudar outras causas atenuadoras da comunicação. O fator “distância” foi escolhido para ser testado para se estudar até que ponto a comunicação ainda é viável, ou seja, até onde sua eficiência ainda pode ser considerada válida. Dessa forma, estudou-se a partir de que distância a comunicação não se torna mais viável devido à perda de pacotes. Intrínseco a esse fator podem estar relacionados outros fatores, como o vento e a visada direta entre as unidades. CONJUNTO DE TESTES 01 Neste conjunto, foram realizados 3 testes sem obstáculos e com visada direta. O objetivo é estudar o comportamento da comunicação sob condições de direção e posicionamento dos transceptores à medida que o passo da distância aumenta. Os 3 cenários trazem as 3 direções e posições dos transceptores, sendo que cada cenário aborda uma direção e posição. As distâncias utilizadas foram de 15, 30, 50, 65, 80, 90, 100 e 110 m para cada cenário. Esses testes foram desenvolvidos de modo a permitir avaliar se direção e posicionamento influenciam na comunicação e, caso afirmativo, avaliar a eficiência da comunicação e as possíveis adversidades que possam tornar-se empecilho à comunicação. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 94 Considerou-se a condição de sinal de baixa amplitude de redes wireless (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo) para os 3 cenários. O primeiro cenário estuda a Posição 1 (AC – CA), como pôde ser observado na Figura 20 no início deste trabalho. A Figura 55 ilustra as redes existentes (sinais interferentes) no momento das comunicações nas distâncias de d1 = 15 m, d2= 30 m, d3 = 50 m e d4 = 65 m durante os testes do cenário 1. A Figura 56 ilustra redes existentes no momento das comunicações nas distâncias de d5 = 80 m, d6 = 90 m, d7 = 100 m e d8 = 110 m durante o teste 01. Figura 55 – Sinais de baixa amplitude nos testes do Cenário 1 para as distâncias de d1 = 15 m, d2 = 30 m, d3 = 50 m e d4 = 65 m. Figura 56 – Sinais de baixa amplitude nos testes do Cenário 1 para as distâncias de d5 = 80 m, d6 = 90 m, d7 = 100 m e d8 = 110 m. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 95 O resultado desse cenário 1 é exibido na Figura 57, podendo-se perceber que nas distâncias de d1 = 15 m e d2 = 30 m a transmissão e recepção dos pacotes foi completa, e na distância de d3 = 50 m foi praticamente completa. A partir da distância d4 = 65 m a comunicação mostrou-se muito instável, tendo alguns testes com valores muito baixos ou muito oscilantes, assim também como resultados com aproveitamento de quase 100%, como é o caso da distância d6 = 90 m. Figura 57 – Comparativo entre as comunicações nas distâncias adotadas para o Cenário 1. Portanto, percebe-se que fatores externos, tais como ventilação, influenciam na comunicação para distâncias superiores a 50 m. Esta conclusão é ratificada pelo conjunto de testes 4 da etapa de curta distância, em que se comprova a influência do vento a uma distância de 1m entre as USIs. A probabilidade de redes wireless com sinal de baixa amplitude terem causado interferência é muito baixa, praticamente sendo descartada, pois como já visto nos conjuntos de testes anteriores elas pouquíssimo ou em nada interferem, principalmente em casos como esse que até a quantidade de redes existentes era bem pequeno quando comparado com os conjuntos de testes da etapa de curta distância. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 96 No segundo cenário, os transceptores estão na Posição 2 (CA – AC), como pôde ser visto na Figura 20 no início deste trabalho. O ambiente estava bastante ventilado, com ventilação forte e intensa em determinados momentos. Como na comunicação do teste anterior as distâncias de 15 m e 30 m não sofreram alterações optou-se por iniciar este e o próximo cenário com a distância de 50 m. Considerou-se a condição de sinal de baixa amplitude de redes wireless (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo). A Figura 58 ilustra as redes existentes no momento das comunicações nas distâncias de d1 = 50 m, d2 = 65 m e d3 = 80 m durante o cenário 2. A Figura 59 ilustra redes existentes no momento das comunicações nas distâncias de d4 = 90 m, d5 = 100 m e d6 = 110 m durante o cenário 2. Figura 58 – Sinais de baixa amplitude no Cenário 2 para as distâncias de d1 = 50 m, d2 = 65 m, d3 = 80 m. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 97 Figura 59 – Sinais de baixa amplitude no Cenário 2 para as distâncias de d4 = 90 m, d5 = 100 m, d6 = 110 m. O resultado desse cenário 2 é exibido na Figura 60, podendo-se perceber que a comunicação em todas as distâncias apresentou-se bastante oscilante. As distâncias de 65 m e 80 m foram quem apresentaram uma regularidade e aproveitamento maior, mas ainda assim com alguma oscilação pontual. Já as demais distâncias mostraram-se bastante irregulares e ineficientes para a relação R/T dos pacotes, pois em alguns testes apresentaram bons resultados, já em outros apresentaram resultados ruins. O passo referente à 110 m foi o mais distante e mostrou-se repleto de picos opostos durante a comunicação. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 98 Figura 60 – Comparativo entre as comunicações nas distâncias adotadas no Cenário 2. Sendo assim, constata-se que fatores externos influenciam consideravelmente na comunicação para distâncias iguais ou superiores a 50 m. Como o ambiente estava com ventilação forte e intensa em alguns momentos esse pode ter sido um dos motivos da redução na transferência de pacotes, inclusive sendo ratificado no conjunto de testes 4 da etapa de curta distância, em que se comprova a influência do vento a uma distância de 1 metro entre as unidades. A probabilidade de redes wireless com sinal de baixa amplitude terem causado interferências é muito baixa, praticamente sendo descartada, pois como já visto nos conjuntos de testes anteriores eles pouquíssimo interferem, principalmente em casos como esse que até a quantidade de redes existentes era bem pequeno quando comparado com os conjuntos de testes da etapa de curta distância. Já no terceiro cenário os transceptores estão na Posição 3 (TF – FT), conforme ilustra a Figura 18 no início deste trabalho. O ambiente estava bastante ventilado, com ventilação forte e intensa em determinados momentos. Considerou-se a condição de sinal de baixa amplitude de redes wireless (posto não haver nenhum dispositivo com possível potencial para interferência na comunicação próximo à unidade escravo). A Figura 61 ilustra as redes existentes no RESULTADOS EXPERIMENTAIS 99 momento das comunicações nas distâncias de d1 = 5 0m e d2 = 65 m e d3 = 80 m durante o cenário 3. A Figura 62 ilustra redes existentes no momento das comunicações nas distâncias de d4 = 90 m, d5 = 100 m e d6 = 110 m durante o cenário 3. A Figura 63 apresenta o resultado dos testes desse cenário. Figura 61 – Sinais de baixa amplitude no cenário 3 para as distâncias de d1 = 50 m, d2 = 65 m, d3 = 80 m. Figura 62 – Sinais de baixa amplitude no cenário 3 para as distâncias de d4 = 90 m, d5 = 100 m, d6 = 110 m. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 100 Figura 63 – Comparativo entre as comunicações nas distâncias adotadas para o Cenário 3. Pode-se perceber que a comunicação pouco oscilou, apresentando certa regularidade no envio e recepção dos dados, seguindo-se uma média semelhante para todos os resultados, à exceção da distância de 65 m que demonstrou certa oscilação e alguns picos de queda acentuados quando comparados com o menor pico de cada distância. Para as demais distâncias a variação na eficiência da comunicação ficou em torno de 5% entre o melhor e o pior desempenho. Sendo assim, constata-se que fatores externos influenciam na comunicação para distâncias longas, como foi o caso da distância de 65 m em alguns testes e em bem menor evidência as demais distâncias, que apresentaram algumas perdas pequenas. Com o ambiente com ventilação forte e intensa em alguns momentos, esse fator colaborou na redução na transferência de pacotes, inclusive sendo ratificado no conjunto de testes 4 da etapa de curta distância, em que se comprova a influência do vento a uma distância de 1 metro entre as USIs. A probabilidade de redes wireless com sinal de baixa amplitude terem causado interferências é muito baixa, praticamente sendo descartada, pois como já visto nos conjuntos de testes anteriores elas pouquíssimo interferem, principalmente em casos como esse que até a quantidade de redes existentes era bem pequeno quando comparado com os conjuntos de testes de curta distância. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 101 Para um melhor estudo da eficiência da comunicação, esse conjunto de testes que avalia as 3 direções/posições dos transceptores era imprescindível, pois o próximo conjunto de testes abordará distâncias mais longas, e só é de interesse realizar o teste para a posição mais promissora. A Figura 64 exibe o comparativo entre o melhor teste de cada direção/posição (definido pela média dos 10 testes da distância mais bem sucedida). A Posição 1 teve seu melhor desempenho na distânca de 90 m, a Posição 2 na distância de 80 m e a Posição 3 na distância de 90 m. A Figura 65 compara os piores testes cada direção/posição (definido pela média dos 10 testes da distância pior sucedida). A Posição 1 teve seu pior desempenho na distância de 100 m, a Posição 2 em 110 m e a Posição 3 em 60 m. A Figura 66 exibe o gráfico da média final dos valores de cada direção/posição das unidades transceptoras. Para se realizar essa média final fez-se a média entre os 10 testes de cada distância e, ao final, fez-se a média total entre todas as distâncias. Esse procedimento foi adotado para cada posição dos transceptores. A faixa de valores das distâncias, para fins de comparação, será de 50 a 110 metros, que são as distâncias que foram utilizadas em todos os testes. Figura 64 – Comparativo entre o melhor teste de comunicação de cada direção e posicionamento a cada passo de distância. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 102 Figura 65 – Comparativo entre o pior teste de comunicação de cada direção e posicionamento. Figura 66 – Comparativo entre a média de valores dos resultados de cada teste de distância para as direções e posicionamentos considerados. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 103 Expostos esses 3 gráficos comparativos, pode-se concluir, por unanimidade, que a melhor direção e posição para a relação R/T dos pacotes é a Posição 3, adotada no Cenário 3, e que a que apresenta a comunicação mais falha é a Posição 2, adotada no Cenário 2. Sendo assim, o próximo conjunto de testes irá considerar apenas a Posição 3 para os transceptores, pois, como visto nas Figuras 57 e 60, para distâncias iguais ou superiores a 100 m nas Posições 1 e 2 a comunicação já não apresenta a eficiência e regularidade desejada como apresenta na Posição 3. CONJUNTO DE TESTES 02 Neste conjunto de testes foram realizados cinco testes sem obstáculos e com visada direta. O objetivo é estudar o comportamento da comunicação sob condições de direção e posicionamento das unidades transceptoras à medida que o passo da distância aumenta. A posição adotada para os transceptoress foi a Posição 3, uma vez que já se verificou sua maior eficiência no conjuntos de testes anterior e na etapa de curta distância. As distâncias utilizadas foram de 100, 150, 200, 250 e 300 m para cada teste. Esses testes foram desenvolvidos objetivando avaliar a eficiência da comunicação e as possíveis adversidades que possam tornar-se empecilho à comunicação. O ambiente estava bastante ventilado, com ventilação forte e intensa em determinados momentos. Considerou-se a condição de sinal interferente de RF de baixa amplitude para todos os testes. A Figura 67 ilustra os sinais interferentes existentes no momento dos testes nas distâncias de d1 = 100 m, d2= 150 m e d3 = 200 m. A Figura 68 ilustra os sinais interferentes existentes no momento das comunicações nas distâncias de d4 = 250 m e d5 = 300 m. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 104 Figura 67 – Sinais de baixa amplitude para as distâncias de d1 = 100 m, d2 = 150 m e d3 = 200 m. Figura 68 – Sinais de baixa amplitude para as distâncias de d4 = 250 m e d5 = 300 m. O resultado desse conjunto de testes é exibido nas Figuras 69 e 70. A Figura 71 apresenta o resultado da média dos testes de cada distância, de modo a tornar possível a visualização do comportamento da comunicação à medida que o passo da distância aumenta. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 105 Figura 69 – Comparativo entre as comunicações nas distâncias adotadas. Figura 70 – Comparativo entre as comunicações nas distâncias adotadas. RESULTADOS EXPERIMENTAIS 106 Figura 71 – Eficiência da comunicação na relação R/T de pacotes para as distâncias adotadas. A Tabela 3 apresenta o resumo dos testes desse conjunto. Tabela 3 – Eficiência da comunicação (%) Percebe-se que a relação R/T dos pacotes teve um comportamento um pouco instável à medida que a distância aumentou, mas de certa forma até previsível, uma RESULTADOS EXPERIMENTAIS 107 vez que outros transceptores transmitem até uma faixa aceitável de 250 m. Essa comunicação, portanto, apresentou-se com certa eficiência nesses testes, pois na faixa de 100 a 250 m o rendimento ficou entre 99,35% e 69,66%. Apenas para a distância de 300 m que a comunicação não se mostrou viável, pois seu rendimento médio ficou em 39,97%, apesar de um de seus testes (quinto) quase ter atingido 85% de sucesso na relação R/T dos pacotes. Portanto, percebe-se que fatores externos influenciam na comunicação para distâncias superiores a 100 m. Dependendo do fim ao qual seja aplicado e a distância a que sejam submetidas as USIs a comunicação pode não ser adequada com este transceptor. Como o ambiente estava com ventilação forte e intensa em alguns momentos esse foi um dos motivos da redução na transferência de pacotes, inclusive sendo ratificado no conjunto de testes da etapa de curta distância, em que se comprova a influência do vento a uma distância de 1 metro entre as unidades. A possibilidade de sinais interferentes de RF de baixa amplitude terem causado interferência é muito baixa, sendo descartada, pois como visto nos testes anteriores eles pouco interferem, principalmente em casos como esse em que o número de sinais interferentes é pequeno. 5 CONCLUSÕES CONCLUSÕES 109 5 CONCLUSÕES Após os testes realizados para se avaliar a eficiência da comunicação utilizando os módulos transceptores nRF 24L01+®, pode-se chegar a algumas conclusões sobre a comunicação e sua eficiência diante de determinados fatores: Considerando-se apenas o fator de curta distância (aqui estabelecida como até 15m) em cenário livre de fatores com potencial para interferência, a comunicação é realizada com êxito, apresentando 100% de eficiência ou valores muito próximos; A comunicação não é afetada pelo posicionamento ou direcionamento dos transceptores ante suas perdas desprezíveis quando a comunicação ocorre em distâncias curtas, mas apresenta uma melhor eficiência, sutilmente percebida, na Posição 3 (TF – FT). Já para distâncias longas percebeu-se que a Posição 3 mostrou-se com índices de eficiência bem superiores para a realização da comunicação, quando comparada às outras 2, apresentando uma média de quase 20% a mais na eficiência em relação à posição que teve a segunda melhor eficiência (Posição 1) e mais de 30% em relação a de pior desempenho (Posição 2); Mesmo em distâncias curtas, as redes wireless com sinal de alta potência causam atenuação na eficiência da comunicação, sendo esta atenuação maior com o aumento do sinal da rede. Porém, em todos os testes a atenuação não foi significativa, apresentando uma média de 2 a 3%, apenas. Já redes wireless com baixo sinal de potência praticamente ou em nada interferem quando se considera a transmissão para curtas distâncias (maioria das aplicações deste transceptor, segundo [33]); Constatou-se que a presença de vento influencia na comunicação: estando em sentido favorável (USI escravo USI mestre) contribui para a comunicação; estando em sentido desfavorável torna-se obstáculo à comunicação, causando perda de pacotes, e, consequentemente, redução na relação R/T de pacotes; A 1 m de distância, a comunicação não é afetada quando as unidades transceptoras estão separadas por um obstáculo, seja de alvenaria, de vidro CONCLUSÕES 110 ou metálico. No entanto, caso uma das unidades transceptoras esteja confinada em um elevador de serviço (envolto por paredes de aço), mesmo nesta distância há redução na eficiência (relação R/T), apesar de não tão significativa (< 10%). Já quando as unidades estão separadas por duas ou mais paredes de alvenaria a comunicação apresenta significativa redução em sua eficiência à medida que se aumenta o número de obstáculos, sendo que a partir de três paredes a comunicação já praticamente não se estabelece (perda de 95% dos pacotes); O envio simultâneo de pacotes por unidades transceptoras acarreta na redução de pacotes de dados durante a recepção, apesar de insignificativa para apenas 2 unidades e distância adotada (< 3% no pior caso). Segundo [33], só é possível a recepção de pacotes de uma unidade por vez, só estando a unidade receptora habilitada a receber pacotes por outra unidade após completar a recepção do pacote pela unidade que anteriormente transmitia; Micro-ondas emitidas por forno de micro-ondas e sinais de telefonia celular não causam interferência na comunicação; e outros transceptores realizando comunicação na mesma frequência praticamente não causam interferência (para endereços distintos), considerando sua perda de pacotes desprezível, pois a maior redução foi de 0,18% na comunicação; A comunicação apresenta uma alta eficiência até a distância de 200m, em campo aberto, porém, já demonstrando certa oscilação na distância de 200m (cerca de 50% de diferença entre o teste de menor e o de maior eficiência); e a distância de 250m ainda pode ter sua eficiência considerada como significativa para a comunicação, pois teve sua eficiência média bem próxima dos 75% (com oscilação de 30% de diferença entre o teste de menor e o de maior eficiência). Já a distância de 300m é considerada como ineficiente para a comunicação, uma vez que a média de sua eficiência ficou em torno de 40%, apresentando oscilação entre 14% e 84% de pacotes transmitidos e recebidos. Em todos os casos, pode-se habilitar a função de confirmação de recebimento de pacote e a de retransmissão de pacote, caso a recepção do pacote CONCLUSÕES 111 não seja confirmada, para melhorar a eficiência da comunicação entre os transceptores. Há, ainda, diversos outros testes que podem ser realizados em projetos futuros para avaliar a eficiência da comunicação via rádio frequência utilizando o trasnsceptor aqui abordado, como testes que analisem a transmissão de pacotes com as USIs em patamares diferentes (diferença de altura entre elas), a transmissão simultânea de pacotes para uma rede de USIs composta por mais de 2 unidades escravo, se há perda de pacote mesmo com o mecanismo ativado de confirmação de recebimento e reenvio, a eficiência da comunicação para diferentes taxas de transmissão, eficiência da comunicação para longas distâncias com obstáculos entre as USIs, a eficiência da comunicação em condições atmosféricas adversas (considerando chuva, trovoada, relâmpagos, entre outros), etc. 6 ANEXO 1 ANEXO 1 113 6 ANEXO 1 – ANEXO FOTOGRÁFICO Figura 71 – Transceptores na Posição 1. Figura 72 – Transceptores na Posição 2. ANEXO 1 114 Figura 73 – Transceptores na Posição 3. Figura 74 – Comparativo entre as dimensões do transceptor e de uma moeda nacional. ANEXO 1 115 Figura 75 – Cenário 3 do Conjunto de Testes 04. Figura 76 – Cenário 3 do Conjunto de Testes 05. ANEXO 1 116 Figura 77 – .Cenário 1 do Conjunto de Testes 07. Figura 78 – Cenário 2 do Conjunto de Testes 07. Figura 79 – Cenário 4 do Conjunto de Testes 10. 7 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS 118 7 REFERÊNCIAS [1] V. C. Gungor, B. Lu, and G. P. Hancke, “Opportunities and challenges of wireless sensor networks in smart grid,” IEEE Trans. Ind. Electron., vol. 57, no. 10, pp. 3557–3564, Oct. 2010. [2] V. Gungor, D. Sahin, T. Kocak, S. Ergut, C. Buccella, C. Cecati, and G. Hancke, “Smart grid technologies: Communication technologies and standards,” Industrial Informatics, IEEE Transactions on, vol. 7, no. 4, pp. 529–539, Nov. 2011. 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