Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde ISSN: 1415-6938 [email protected] Universidade Anhanguera Brasil Manarin, Ana Paula; Bortoleto, Cláudia Beatriz; Ferreira-Sae, Maria Carolina S. PERSPECTIVAS DO EGRESSO DE ENFERMAGEM FRENTE AO MERCADO DE TRABALHO Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, vol. XIII, núm. 1, 2009, pp. 93-105 Universidade Anhanguera Campo Grande, Brasil Disponible en: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26012800009 Cómo citar el artículo Número completo Más información del artículo Página de la revista en redalyc.org Sistema de Información Científica Red de Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal Proyecto académico sin fines de lucro, desarrollado bajo la iniciativa de acceso abierto Ensaios e Ciência Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde PERSPECTIVAS DO EGRESSO DE ENFERMAGEM FRENTE AO MERCADO DE TRABALHO Vol. XIII, Nº. 1, Ano 2009 RESUMO Ana Paula Manarin Faculdade Anhanguera de Santa Bárbara [email protected] Cláudia Beatriz Bortoleto Faculdade Anhanguera de Santa Bárbara [email protected] Maria Carolina S. Ferreira-Sae Faculdade Anhanguera de Santa Bárbara [email protected] O enfermeiro recém formado se depara com um mercado de trabalho que exige, cada vez mais, atualização e qualificação profissional para a melhoria da qualidade da assistência. O objetivo desse trabalho foi levantar as expectativas de alunos do 8º semestre do curso de enfermagem sobre o mercado de trabalho e o futuro profissional. Foi utilizado o método de entrevista semi-estruturada, descritivo-exploratória com abordagem qualitativa e quantitativa. Foram entrevistados 68 sujeitos com idade média de 31,7 anos sendo 90% do sexo feminino. Da amostra avaliada, 43% acreditam que estarão empregados no primeiro semestre após a formatura, 69% pretendem ter uma renda acima de R$ 2.000,00 e 97% pretendem fazer pós-graduação, sendo a Unidade de Terapia Intensiva, a área de maior destaque. Os resultados deste estudo, ainda que observacionais, permitem compreender melhor a realidade do recém-formado e suas expectativas quanto ao mercado de trabalho. Palavras-Chave: mercado de trabalho; enfermagem; recém-formado. ABSTRACT The newly formed nurse faces a work market that demands more and more, updating and professional training to improve the quality of care. The aim of this study was to raise the expectations of students in the 8th semester of nursing about the work market and professional future. We used the method of semi-structured interview, descriptive and exploratory qualitative and quantitative approach. We interviewed 68 subjects with a mean age of 31.7 years and 90% female. 43% of the sample believes they will be employed in the first six months after graduation, 69% plan to have an income over $ 2,000.00 and 97% plan to specialize in Intensive Care Unit, the most prominent area. The results, although observational, permit better understanding of the reality of the newly formed and their expectations of the work market. Keywords: job market; nursing; newly formed. Anhanguera Educacional S.A. Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 2000 Valinhos, São Paulo CEP 13.278-181 [email protected] Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE 94 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho 1. INTRODUÇÃO A ciência de Enfermagem vem evoluindo ao longo dos anos e o perfil do enfermeiro apresenta mudanças significativas de acordo com cada época. No início da profissão a enfermagem executava os cuidados, mas desconhecia suas finalidades, gerando limitações em ajustar-se a novas situações. Na década de 60, após introdução de novas diretrizes curriculares de ensino, estabeleceu-se a formação superior em enfermagem, capacitando o profissional de Enfermagem para funções assistenciais, administrativas e de docência. Atualmente, o currículo do Enfermeiro visa à formação para a assistência, gerência, ensino e pesquisa (MARTINS et al., 2006; THERRIEN et al., 2008). Os avanços tecnológicos e científicos se colocam, nos dias de hoje, como um desafio à formação profissional do Enfermeiro. Desta forma, cada vez mais, o mercado de trabalho requer profissionais qualificados que buscam atualização contínua para acompanhar o desenvolvimento da área da saúde (SANTOS, 1997). Sendo assim, as mudanças curriculares na graduação do Enfermeiro tornaram-se necessárias para atingir a prática com propostas próximas da realidade e no sentido de conscientizar o aluno que a formação profissional é um processo de construção permanente (DIAS; GUARIENTE; BELEI, 2004). No entanto, apesar do curso de graduação em enfermagem de ter como principal objetivo contribuir para a formação baseada na realidade profissional, aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso à realidade encontrada no campo de trabalho, muitas vezes, é um desafio ao profissional recém formado (SANTOS, 1997). Ao mesmo tempo que queremos ampliar o número de profissionais enfermeiros no Brasil, nos preocupa a posição do MEC, que autoriza esses novos cursos e joga no mercado profissionais com formação duvidosa numa área estratégica que é a área da saúde (ABEN, 2008). A Associação Brasileira de Enfermagem - ABEN, por meio de sua presidência, posiciona que o número de enfermeiros com nível superior no Brasil precisa dobrar para que haja profissionais suficientes para atender a demanda em todo o país. No entanto enfatiza também que a deficiência está, sobretudo, na quantidade de enfermeiros já formados, que devido à formação deficitária são incapazes de assumir a coordenação de equipes (ABEN, 2008). No Brasil, em setembro de 2008, 155.444 enfermeiros estão cadastrados no Conselho Federal de Enfermagem - COFEN. Segundo pesquisa realizada pelo COFEN, 77,2% dos ingressantes no curso têm como motivação o trabalho cuidando de pessoas enquanto 23,1% visam o mercado de trabalho favorável. Na mesma pesquisa, observou-se Ana Paula Manarin, Cláudia Beatriz Bortoleto, Maria Carolina Salmora Ferreira-Sae 95 que 47,5% aspiram conseguir um emprego público, com vínculo estável e 29,2% que almejam trabalhar em PSF, totalizando o percentual de 86,7% de graduandos interessados na saúde pública (PIERANTONI; VARELLA; MATSUMOTO, 2006; COREN, 2008). Segundo Moreira, membro da Câmara Técnica de Assistência do COFEN, a área hospitalar é a que gera maior oportunidade de emprego para o recém-formado e a demanda de enfermeiros cresce a cada dia fazendo com que a quantidade de recémformados não prejudique os planos de quem procura um emprego (LOPES, 2008). O enfermeiro recém formado se depara com um mercado de trabalho que, além de cobrar o conhecimento teórico, cobra agilidade, coordenação, avaliação, criatividade e decisões que requerem conhecimento e bom senso (SANTOS, 1997). A seleção para contratação na área de enfermagem não depende somente de análises curriculares, mas também de dinâmicas em grupo e discussões onde fica mais fácil evidenciar os candidatos que melhor se encaixam no perfil da empresa (SANTOS, 1997). As regiões sul e sudeste, onde o número de Enfermeiros recém-formados é maior, exigem do Enfermeiro recém-formado especializações e cursos de aprimoramento se caracterizando como um mercado de trabalho mais seletivo ao contrário do Norte e Nordeste, onde há maior oferta de empregos pela escassez profissional (LOPES, 2008). Sendo assim, conhecer o perfil do profissional egresso do curso de Enfermagem e suas expectativas em relação ao mercado de trabalho, é de suma importância para a possibilidade de implementação de mudanças curriculares e estratégias de ensino que visem a melhor adequação da formação profissional às expectativas do o Enfermeiro recém-formado. 2. METODOLOGIA Foram sujeitos desta pesquisa alunos 8º Semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Santa Bárbara. Todos os sujeitos assinaram do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para a coleta de dados foi construído um instrumento baseado nas expectativas dos recém-formados em relação ao mercado de trabalho. O instrumento construído abordou os seguintes aspectos: 1. Perspectivas de mudança de cargo para aqueles que já trabalham na área. 2. Exercício da profissão. 96 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho 3. Aptidão percebida para o mercado de trabalho. 4. Tempo estimado para o primeiro emprego. 5. Perspectivas de pós-graduação. 6. Expectativa de remuneração. O instrumento final foi submetido à validade de face por um profissional especialista na área de enfermagem em recursos humanos. Foi realizada também uma revisão da literatura sobre o tema em questão na base eletrônica de dados LILACS e na biblioteca eletrônica SciELO. Foram priorizadas as referências dos últimos 10 anos, no entanto, algumas referências que contextualizam melhor a temática do mercado de trabalho para o enfermeiro no Brasil, foram também selecionadas. Foi também realizada uma busca ativa no site de busca Google® sobre matérias em jornais e revistas sobre o mercado de trabalho para o enfermeiro no Brasil e no Exterior. 3. RESULTADOS Foram entrevistados 68 sujeitos, sendo que 90% da amostra foi composta por mulheres com média de idade de 31,7 (± 7,3) anos. Os dados sócio-demográficos dos sujeitos são apresentados na Tabela 1. Tabela 1 – Descrição dos dados sócio-demográficos, 2008. Sexo Feminino Masculino 61 (90%) 7 (10%) Casado Solteiro Divorciado 25 (38%) 31 (47%) 10 (15%) Idade Média DP Mediana Total 31,7 7,3 30 Homens 32,2 6,6 31 Mulheres 31,7 7,3 30 Média DP Mediana 0,9 1,0 1 Homens 1,0 0,8 1 Mulheres 0,9 1,0 1 5,2 2,5 5 Estado Civil Nº de filhos Total Renda Mensal total (salário mínimo) Ana Paula Manarin, Cláudia Beatriz Bortoleto, Maria Carolina Salmora Ferreira-Sae 97 Dos entrevistados, 93% trabalharam durante a graduação sendo que desses, 92% já trabalhavam na área de enfermagem; 23% da amostra, em algum momento do curso, trabalharam em dois períodos (Gráfico 1). TRABALHOU DURANTE A FACULDADE? 7% SIM NÃO 93% Gráfico 1 – Trabalho durante a faculdade. VOCÊ SE CONSIDERA APTO PARA O MERCADO DE TRABALHO? 4% SIM NÃO 96% Gráfico 2 – Aptidão para o mercado de trabalho. Dos 4% que não se consideram apto para o mercado de trabalho, 67% relataram a falta de prática como motivo principal, sendo que os mesmos não trabalham na área da enfermagem. PRETENDE EXERCER A PROFISSÃO? 1% SIM NÃO 99% Gráfico 3 – Exercício da profissão. 98 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho JÁ TRABALHA NA ÁREA? 21% SIM NÃO 79% Gráfico 4 – Trabalho na enfermagem. Dos 79% que já trabalham na área, 73% tem perspectivas de subir de cargo e 27% não. Desses 27%, 21% já receberam propostas de emprego nas áreas de docência, UTI Neonatal e Clínica Médica, e 79% ainda não receberam propostas de emprego. Foi observado que a maior dificuldade dos entrevistados que trabalham na área é em relação à teoria. JÁ RECEBEU PROPOSTA DE EMPREGO? 32% SIM NÃO 68% Gráfico 5 – Proposta de emprego. QUAL SUA MAIOR DIFICULDADE EM RELAÇÃO À PRÁTICA DA ENFERMAGEM? 4% 19% 49% TEÓRICA PRÁTICA AMBAS NENHUMA 28% Gráfico 6 – Dificuldade em relação a enfermagem. Ana Paula Manarin, Cláudia Beatriz Bortoleto, Maria Carolina Salmora Ferreira-Sae 99 Dos entrevistados que se consideram aptos para o mercado de trabalho, 33% acreditam que estarão empregados no primeiro semestre após a formatura e 67% após um ano. EM QUANTO TEMPO VOCÊ ACHA QUE SERÁ EMPREGADO? 12% 43% 1º SEM. 2º SEM. MAIS DE 1 ANO 45% Gráfico 7 – Tempo para ser empregado. VOCÊ ACHA MAIS FÁCIL A CONTRATAÇÃO DE UM ENFERMEIRO QUE FOI TÉCNICO EM ENFERMAGEM? 26% SIM NÃO 74% Gráfico 8 – Contratação de enfermeiro que foi técnico em enfermagem. Dos 26% que acreditam que sim, 9% responderam ser devido à ascensão de cargos, 9% acreditam que técnicos de enfermagem têm mais contatos na área e 82% acreditam que técnicos são priorizados por terem mais prática. 100 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho VOCÊ ACHA QUE O MERCADO DE TRABALHO EM ENFERMAGEM É MAIS ACESSÍVEL ÀS MULHERES? 38% SIM NÃO 62% Gráfico 9 – Mercado de trabalho para mulheres. Em relação ao mercado de trabalho para o Enfermeiro e sua acessibilidade, 62% dos indivíduos relataram não acreditar que mulheres possam obter vantagens. VOCÊ ESTÁ ABERTO A PROPOSTAS DE EMPREGO: 15% SUA CIDADE 43% NO ESTADO OUTRO ESTADO EXTERIOR 29% 3% TODAS 10% Gráfico 10 – Propostas de emprego. VOCÊ PRETENDE SER UM ENFERMEIRO PARA: 24% ASSISTÊNCIA GERENCIAMENTO 7% AMBAS 69% Gráfico 11 – Opção de trabalho. Quando questionados em relação às propostas de emprego e disponibilidade Ana Paula Manarin, Cláudia Beatriz Bortoleto, Maria Carolina Salmora Ferreira-Sae 101 emprego em qualquer região do Brasil e no exterior e 69% dos sujeitos destacam interesse tanto na área assistencial como gerencial. VOCÊ PRETENDE FAZER PÓS-GRADUAÇÃO? 3% SIM NÃO 97% Gráfico 12 – Pós-graduação. QUAL A ÁREA DE SUA PREFERÊNCIA? SAÚDE DA MULHER SAÚDE DA CRIANÇA SAÚDE DO ADULTO 15% 19% 7% 7% SAÚDE DO IDOSO SAÚDE DO TRABALHADOR 15% 17% 13% 7% UTI CENTRO CIRÚRGICO SAÚDE PÚBLICA Gráfico 13 – Área de preferência. Em relação à pós-graduação, 97% dos sujeitos relatam interesse, sendo que a área de maior destaque foi Unidade de Terapia Intensiva. QUAL A RENDA MÍNIMA QUE PRETENDE TER COMO ENFERMEIRO? 28% MENOR Q. 1000 1.000 A 1.500 1.500 A 2.000 3% 0% ACIMA DE 2.000 69% Gráfico 14 – Renda pretendida. 102 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho Quando questionados em relação à renda mínima pretendida, 69% relatam renda mínima pretendida de R$ 2.000,00. 4. DISCUSSÃO Segundo Martins et al. (2006), a enfermagem tem como uma de suas características ser, na maioria das vezes, exercida por mulheres, podendo ser considerada uma característica feminina desenvolver o trabalho de cuidar. No entanto, a procura dos homens pela profissão aumentou consideravelmente ao longo dos anos. Em nosso estudo, dos 93% que trabalharam durante a faculdade, 79% já eram da área da enfermagem. Costa, Merighi e Jesus (2007) relatam a observação de professores que percebem nesses alunos um rendimento diminuído durante as aulas teóricas devido ao cansaço físico e falta de tempo para estudar, mas em contrapartida, se desenvolvem com mais habilidades nas aulas práticas e estágios devido às experiências de trabalho. Além disso, aponta para o fato de que, após se tornarem Enfermeiros, sentem dificuldades em relacionar-se com técnicos e auxiliares de enfermagem e insegurança na hora de liderar, pois antes pertenciam a essa classe e tem que lidar com a aceitação dos seus excolegas. Esses dados apontam para características cada vez mais comuns dos graduandos de enfermagem em instituições de ensino privadas. Culminando muitas vezes com expectativas voltadas mais à remuneração financeira do que à satisfação pessoal, na busca por uma melhor colocação profissional e remuneração salarial e, com isso, melhoria do status social (DOMENICO; IDE, 2006). Segundo levantamento realizado por Dias et al. (2004), enfermeiros recém graduados conseguem emprego pouco tempo após a formação com faixas salariais que variam R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00. Bouéri et al. (2006) observaram que 65% dos enfermeiros recém-formados relataram que são contratados com facilidade. O mercado de trabalho seleciona os profissionais que procuram se manter atualizados e que busquem especialização após a graduação (MARTINS et al., 2006). Na amostra estudada, 93% dos entrevistados relataram o desejo de fazer especialização. Segundo o COFEN, a especialização é, cada vez mais, uma exigência para a contratação. No entanto, apesar da alta demanda por profissionais com especialização ainda há escassez em algumas áreas. Dos entrevistados, 14% escolheram como especialização a área de UTI, sendo que Ana Paula Manarin, Cláudia Beatriz Bortoleto, Maria Carolina Salmora Ferreira-Sae 103 explicam que apesar dos enfermeiros demonstrarem interesse por determinadas áreas, em algumas instituições, são obrigados a trabalhar nos setores de maior demanda, gerando, com isso, escolha por uma especialização que oferece maior chance de emprego. Desta forma, podemos concluir que a avaliação da visão do recém formado em relação ao mercado de trabalho é importante norteadora de sua inserção profissional sendo, ao mesmo tempo, congruente com a sua formação acadêmica. Pelas respostas obtidas em relação à sua inserção no mercado, foi possível observar que o egresso tem uma boa perspectiva de contratação para o primeiro ou segundo semestre após a formatura. Além disso, aqueles que já trabalham na área acreditam que terão uma oportunidade de subir de cargo. Quando observamos o interesse em pós-graduação, podemos concluir que para os recém formados esse é um aspecto importante, já que a maioria tem intenção de fazer ao menos uma especialização. Conhecer as preferências dos egressos em relação ao curso de pós-graduação se torna importante para a instituição formadora, que pode oferecer cursos nas áreas de maior interesse. Apesar de UTI ser a pós-graduação mais citada, a área de maior preferência dos entrevistados é a saúde pública. Isso nos mostra que, na maioria das vezes, o graduando opta por uma especialização em que terá mais oportunidades de emprego do que a área que ele realmente se identifica. Esse trabalho evidenciou que os graduandos em enfermagem estão procurando se especializar após a graduação, se qualificando para o mercado de trabalho que está cada vez mais seletivo e, com isso, possibilitando a si mesmos maiores chances de sucesso no competitivo mercado de trabalho de Enfermagem. Os resultados obtidos são o retrato de um grupo de sujeitos com características próprias e peculiares, principalmente em relação à inserção prévia no campo de atuação da enfermagem, visto que a maioria dos formandos já trabalha na área. Mostram, além disso, uma tendência cada vez maior na área que é a mudança de status profissional de técnicos e auxiliares de enfermagem. Esse fato faz com que os resultados obtidos nessa pesquisa não sejam semelhantes a algumas referências encontradas em relação a perspectivas de graduandos de universidades públicas, por exemplo, onde o maior contingente de alunos não trabalha ou trabalhou previamente na área. Sendo assim esse trabalho aponta para o fato de que populações distintas podem apresentar diferentes expectativas em relação ao mercado de trabalho e destaca a importância de cada instituição em conhecer seu egresso a fim de trabalhar essas 104 Perspectivas do egresso de enfermagem frente ao mercado de trabalho perspectivas aliviando assim a ansiedade em relação à inserção precoce no mercado de trabalho e possibilitando alta taxa de empregabilidade aos seus egressos. REFERÊNCIAS ABEN. Associação Brasileira de Enfermagem. Disponível em: <http//www.abensp.org.br>. Acesso em: 22 set. 2008. BARBOSA, G. J. A; FERTONANI, H. A; SCOCHI, M. J; MATHIAS, T. A. F. O enfermeiro no processo de trabalho em saúde: conhecendo e discutindo sua prática. Arq. Apadec., n. 8, maio 2004. BOUÉRI, A. T; ROSÁRIO, M. L. A; SILVA, R. B; NASTI, R; BAPTISTA, I. M. C; MARTUCI, R. R; GERVÁSIO, S. M. D. Perspectivas dos acadêmicos de enfermagem em relação ao mercado de trabalho. UNIP, 13 jun. 2006. LOPES, M.G.D.L. 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