Mercado de Trabalho no Ceará:
um enfoque quantitativo
Correspondência para:
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DESENVOLVIMENTO
DO TRABALHO
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Instituto de Desenvolvimento do Trabalho - IDT
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Análise e Redação
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Colaboração Técnica
Jonathan Ocinaí Bezerra Lima
Jeremias da Silva Leão
Mardônio de Oliveira Costa
Capa, Design e Diagramação
Antônio Ricardo Amâncio Lima
David Tahim Alves Brito
Raquel Marques Almeida Rodrigues
Revisão
Regina Helena Moreira Campelo
Sumário
Apresentação
Módulo 1 - Mercado de Trabalho no Ceará
13
1 População residente
15
2 População economicamente ativa
22
3 População ocupada
29
4 População desocupada
55
Módulo II - Mercado de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza
67
1 População residente
69
2 População economicamente ativa
72
3 População ocupada
74
4 População desocupada
84
Anexo
89
Considerações finais
99
Referências Bibliográficas
102
Mercado de Trabalho no Ceará:
um enfoque quantitativo
Junho/2006
Apresentação
O presente estudo tem como objetivo
seguida de uma análise da evolução do
avaliar a dimensão do mercado de trabalho
comportamento destes segmentos no mercado
cearense, atendo - se aos segmentos
de trabalho, por meio dos indicadores de
relacionados às populações residente,
ocupação, desocupação e rendimento. No
economicamente ativa, ocupada e
segundo módulo, será apresentada esta
desocupada do Estado do Ceará e da Região
mesma estrutura, mas com foco na Região
Metropolitana de Fortaleza (RMF), fornecendo
Metropolitana de Fortaleza.
informações sobre a evolução do mesmo
nessas duas áreas.
Com este estudo, o Instituto de
Desenvolvimento do Trabalho (IDT)
O levantamento dessas informações
disponibiliza para a sociedade uma ampla
possibilitou a geração de indicadores
radiografia da evolução conjuntural recente do
relacionados ao mercado de trabalho local
mercado de trabalho do estado e da Região
(ocupação, desocupação e rendimento), bem
Metropolitana de Fortaleza, tomando como
como as principais características destes
base os dados da Pesquisa Nacional por
segmentos quanto a gênero, faixa etária, grau
Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto
de instrução, entre outros aspectos relevantes.
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
Nesse sentido, esta publicação foi
estruturada em dois módulos. No primeiro,
consta uma avaliação da dimensão das
populações residente, economicamente ativa,
ocupada e desocupada do Estado do Ceará,
referentes aos anos de 2001 e 2004.
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
12
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Módulo I
O Mercado de Trabalho no Ceará
13
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
14
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
1 População residente
Inicialmente, a população residente do
a população residente do estado foi acrescida
Estado do Ceará cresceu de 7.645.495
anualmente de um contigente de 117.785
habitantes (2001) para 7.998.849, em 2004,
pessoas. Esse contigente populacional
o que correspondeu a uma taxa de crescimento
equipara-se à constituição anual de um
geométrico de 1,52%. Essa taxa significou que
município cearense de médio porte (Tabela 1).
Tabela 1
População residente por gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
15
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Segundo os dados apresentados, um
crescimento desigual entre esses segmentos
fato que chamou atenção foi o expressivo
populacionais contribuiu para a diminuição da
aumento da população masculina, cuja taxa de
diferença existente no estado entre o número
crescimento geométrico observada (2,03%) foi
de homens e mulheres, conforme o Gráfico 1.
praticamente o dobro da feminina (1,05%). O
16
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Em tese, isso significa dizer que a cada
Quanto à faixa etária, observa-se que
incremento anual ocorrido no Ceará de
a população jovem (entre 15 e 24 anos)
117.785 pessoas, 75.594 são homens e
continua apresentando um patamar de
42.191, mulheres. Caso seja mantido esse
crescimento bem mais elevado ao observado
padrão de crescimento, estima-se que, em
entre os adultos (25 anos ou mais)
aproximadamente 7,3 anos, a população
respectivamente de 3,51% e 2,76%.
residente do estado esteja igualmente dividida
Anualmente, a população residente do estado
entre homens e mulheres.
apresenta um incremento médio de 54.619
jovens e 102.542 adultos.
1.1 Situação de domicílio
A situação de domicílio (zona urbana e
população residente do estado (com 48.369
zona rural) é um outro aspecto a ser observado
habitantes), já comportava 10,02% da
com relação ao mercado de trabalho do
população cearense (com 270.169
Ceará, principalmente pelo fluxo migratório
habitantes), em 1950. Nas décadas seguintes,
existente no estado, fato que acompanhou toda
a cidade passou por um forte crescimento
a formação política, econômica e social do
populacional, fruto principalmente das
Ceará.
grandes secas que assolaram o interior do
O município de Fortaleza tem sido um
estado, no final dos anos setenta e início dos
dos núcleos urbanos que mais tem sofrido com
anos oitenta. Nesse período, a cidade já
o crescimento populacional. A cidade que, no
abrigava cerca de 25% da população
início do século XX, detinha apenas 5,7% da
cearense .
1
________________
1
Fonte: IBGE apud Anuário Estatístico do Ceará, Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2005.
17
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
contingente populacional (-1,15%).
A série histórica observada sinaliza o
continuísmo do êxodo rural do Ceará,
Dessa forma, a população rural, que
principalmente porque os dados apresentados
era estimada em 1.944.518 (2001), caiu para
mostram claramente que enquanto a
1.878.336 habitantes em 2004. No mesmo
população urbana apresenta uma taxa positiva
período, a população urbana cresceu de
de crescimento geométrico (2,40%), a zona
5.700.977 para 6.120.513 habitantes (Tabela
rural apresenta uma retração de seu
2).
Tabela 2
População residente por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota: A relação entre a população urbana e população rural, em 2001 e 2004, evoluiu de 2,93 para 3,26.
Em tese, isso significa dizer que a cada
agravam ainda mais os problemas existentes
ano 22.061 pessoas migram das zonas rurais
nas cidades, sobretudo, a procura por trabalho
para as zonas urbanas do estado. Este fluxo
e as demandas de políticas sociais, de
migratório, associado ao próprio crescimento
educação, saúde, entre outras. Isto posto,
populacional dos centros urbanos do Ceará,
verificou que a zona urbana do estado sofre um
18
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
indústria, com 562.824 trabalhadores, entre
incremento médio anual de 139.845 pessoas.
outros.
A continuação do êxodo rural no
estado pode ser compreendida tanto pela
Percebe-se que a retração da
queda da participação da agricultura na
população rural ocorreu com maior
composição do produto interno bruto (PIB)
intensidade entre as mulheres, cuja taxa
2
estadual quanto na própria expectativa dos
negativa de crescimento geométrico (-1,85%)
trabalhadores locais de conseguirem um
foi, aproximadamente, quatro vezes maior que
emprego não-agrícola (o industrial, por
a verificada entre os homens (-0,46%).
exemplo), conforme a política de atração de
A constatação desse fato pode sinalizar
investimentos do governo estadual que está
uma realidade adversa de outrora, narrada
fomentando a atividade econômica no interior
tanto na literatura científica, quanto na
do Ceará, descentralizando a economia
literária, sobre o êxodo rural. Anteriormente,
3
apesar desse problema social atingir todo o
estadual .
Mesmo com a queda da participação
núcleo familiar, existia nestas narrativas uma
da agricultura na composição do PIB estadual,
personificação do êxodo rural principalmente
os dados sinalizam que a atividade agrícola
na figura masculina, cujo indivíduo
ainda é responsável pelo maior número de
representava o tradicional chefe de família.
oportunidades de trabalho, com 1.133.088
Dessa forma, o homem migrava para os
trabalhadores. Após a atividade agrícola,
grandes centros econômicos do estado, ou do
seguem os segmentos do comércio e
país, a procura de trabalho para o sustento de
reparação, com 568.391 ocupados, a
sua família. As próprias transformações
________________
2
Atualmente, a participação da agricultura na composição do PIB estadual representa apenas 1/3 do que significava em meados dos anos
oitenta. Fonte: IPECE.
3
O governo estadual tem, por meio de uma política de incentivos fiscais, tem atraído investimentos, principalmente para os municípios do
interior do Ceará. Um dos principais pilares dessa política é a dotação de infra-estrutura (rodovias, eletrificação, entre outros) e isenção de
impostos estaduais(atualmente é parcial) como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
19
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
ocorridas na sociedade contemporânea têm
porque na indústria cearense as mulheres
favorecido tais mudanças, principalmente pelo
apresentam, com relação aos homens, uma
número crescente de mulheres que ocupam
maior participação nas ocupações geradas por
atualmente a condição de chefe de família.
este setor. Foi estimado que 250.202 homens e
312.622 mulheres trabalhavam na indústria
No Ceará, um outro fator que também
cearense, em 2004.
pode estar contribuindo para essa nova
realidade é o próprio processo de transição da
Fazendo um paralelo entre a
estrutura econômica do estado, de agrícola
população residente nas zonas urbana e rural,
para industrial. A própria tipologia das
verifica-se que a população urbana, que em
indústrias instaladas no estado (calçadista e
2001 era 2,93 vezes maior que a rural, em
têxtil, por exemplo) , pode ser considerada uma
2004, chegou a ser 3,26 maior, o que ratifica o
outra variável importante, principalmente
maior crescimento populacional nos núcleos
urbanos do estado (Gráfico 2).
No estado, observa-se
que o contingente juvenil
apresenta uma maior taxa de
crescimento geométrico, tanto
na zona urbana (3,70%),
quanto na zona rural (2,88%).
Em termos absolutos, existe um
incremento médio anual de
44.278 jovens na zona urbana
e 10.341, na zona rural, fato
que reforça a necessidade
20
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
permanente de políticas públicas
voltadas para a juventude.
Já com relação aos
adultos, este contigente
populacional tem crescido nos
núcleos urbanos (3,64%) e
sofrido retração nas áreas rurais
(-0,13%). Anualmente, a
população urbana sofre um
incremento médio anual de
103.683 adultos, enquanto a
zona rural apresenta um
decréscimo de 1.141 adultos
(Gráfico 3).
Constata-se um maior
crescimento populacional da
população adulta na zona
urbana, enquanto que, na zona
rural, existe tanto uma retração
deste segmento populacional,
quanto crescimento da população
jovem. Todavia, nas considerações a seguir,
segmentos populacionais no mercado de
serão feitas avaliações
trabalho local, seja urbano, seja rural.
mais detalhadas do
impacto desse crescimento (ou retração) dos
21
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
2 População economicamente ativa
Não é nenhuma novidade que a
o trabalho. Todavia, nos países periféricos, este
associação entre crescimento (ou redução)
processo de constituição das “cidades
populacional e fluxo migratório traz
dormitórios” sofreu tanto pela falta de
conseqüências para a composição da
planejamento quanto pelo forte crescimento
população economicamente ativa (PEA)4, seja
demográfico.
A participação de outras pessoas (não
na zona urbana ou na zona rural.
Desde meados do século XX, o estudo
residentes) na atividade econômica destas
desse processo tem sido observado nas mais
cidades acabou influenciando o modo de vida
diversas cidades do mundo, em que
da população, sobretudo, relacionado ao
verdadeiros aglomerados populacionais foram
mercado de trabalho.
“estruturados” no entorno dos grandes centros
No Ceará, os dados da população
econômicos, as chamadas “cidades
residente continuam sinalizando um maior
dormitórios”.
crescimento da urbanização no estado, cujas
Nos países centrais, a construção
conseqüências desse processo, com relação à
dessas cidades buscava atender uma demanda
composição tanto da PEA urbana, quanto da
populacional crescente oriunda do período de
PEA rural, serão discutidas.
expansão econômica do pós-guerra. Nestes
Observa-se que, entre 2001 e 2004, a
países, a estruturação dessas cidades foi
PEA estadual aumentou de 3.612.209 para
acompanhada pela construção de vias e trens
3.913.596 pessoas, o equivalente a uma taxa
para facilitar o deslocamento das pessoas para
de crescimento geométrico de 2,71%. Este
________________
4
Pessoas com 10 anos ou mais ocupadas e/ou buscando do trabalho.
22
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
nível de crescimento populacional mostrou que
economicamente ativa do estado do Ceará
a cada ano, em média, 100.462 pessoas
(Tabela 3).
foram
incorporadas
à
população
Tabela 3
População economicamente ativa por gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
2.1 Composição da PEA por gênero e faixa etária
Os dados apresentados anteriormente
de forma igualitária em ambos os casos, onde
(população residente e economicamente ativa)
o crescimento da PEA masculina foi de 2,68% e
mostram que, apesar do crescimento desigual
da PEA feminina, 2,74%.
da população residente, segundo o gênero, o
Apesar de a PEA feminina crescer um
crescimento da população economicamente
pouco mais rapidamente, os homens ainda são
ativa do estado (2,71%) ocorreu praticamente
a maioria, representando 57% da PEA
23
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
70,87% da PEA estadual.
estadual. Em 2004, foi estimado que a PEA
Em termos absolutos, a cada ano, a
estadual possuía 2.233.083 homens e
5
PEA estadual jovem apresenta um incremento
1.680.513, mulheres .
Quanto à faixa etária, os dados
médio de 41.236 pessoas e a PEA adulta de
sinalizam que o segmento juvenil (4,41%)
74.111 trabaladores 6 , sinalizando um
continua crescendo ainda num patamar bem
significativo crescimento populacional em
mais elevado que o dos adultos (2,82%), fato
ambos os segmentos. A conseqüência disso
que favorece a maior pressão deste seguimento
será melhor detalhada nas análises seguintes,
sobre o mercado de trabalho. Apesar de o
que tratam das populações ocupada e
contigente juvenil crescer num patamar bem
desocupada.
mais elevado, os adultos ainda representam
2.2 PEA por situação de domicílio
Constata-se um crescimento da
2.619.193 para 2.903.435 pessoas e a PEA
população economicamente ativa, tanto na
rural, de 993.016 para 1.010.161 pessoas,
zona urbana, quanto na zona rural do estado.
com taxas de crescimento geométrico de
No período avaliado, a PEA urbana cresceu de
3,49% e 0,57%, respectivamente (Tabela 4).
________________
5
A PEA estadual sofre um incremento médio anual de 56.778 homens e 43.684 mulheres, o que representa um incremento de 100.462
pessoas.
6
Este incremento médio anual de jovens e adultos difere do dado apresentado na nota anterior, visto que existe uma redução populacional
das pessoas com idade entre 10 e 14 anos.
24
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 4
População economicamente ativa por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
O
crescimento
da
população economicamente
ativa, tanto na zona urbana,
quanto na zona rural, sinaliza
uma maior pressão no mercado
de trabalho, independente da
situação
de
domicílio
observada. Notadamente na
zona urbana do estado há uma
maior procura por trabalho,
posto que a PEA urbana cresce
muito mais rapidamente
(Gráfico 4).
25
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
7.118 homens e uma retração de 1.403
Fazendo uma avaliação da relação
mulheres.
entre PEA urbana com PEA rural, a mesma
passa de 2,64 (2001) para 2,87 (2004),
Pela constatação dessa realidade,
concluindo-se que há quase três trabalhadores
pode-se levantar a hipótese de que está
na zona urbana para um na zona rural.
existindo um maior fluxo de mulheres em idade
Atendo-se à essa área, verificou-se que
adulta da zona rural para a zona urbana,
a PEA rural cresceu de 993.016 (2001) para
principalmente a procura por trabalho, visto
1.010.161 pessoas (2004), o que representou
que foram observadas tanto uma retração da
uma taxa de crescimento geométrico de 0,57%.
força de trabalho feminina na área rural (diga-
Em termos absolutos, a PEA rural deteve um
se participação na PEA), quanto uma
incremento médio anual de 5.715 pessoas.
diminuição de oportunidades de trabalho para
Este incremento é bem inferior ao observado na
esse segmento, o que será demonstrado
PEA urbana, de 94.747 pessoas, o que retrata
posteriormente.
Com relação a faixa etária, no período
claramente o desequilíbrio existente entre as
em análise, o contigente juvenil na PEA rural
economias das áreas urbana e rural do estado.
Quanto ao gênero, observou-se que
apresentou uma taxa de crescimento
enquanto o segmento masculino apresentou
geométrico de 5,40%, enquanto os adultos
uma taxa positiva de crescimento (1,19%), o
apresentaram uma taxa negativa de 0,39%. Em
feminino mostrou uma taxa negativa (-0,35%).
2004, foram estimados 267.513 jovens e
Foram estimados 613.547 homens e 396.614
675.345 adultos na condição de
mulheres na condição de economicamente
economicamente ativos em toda zona rural do
ativos em toda a zona rural do estado, em
estado.
2004. As respectivas taxas de crescimento
Complementarmente, nesse período, a
geométrico representam que, a cada ano, a
PEA rural sofreu um incremento médio anual de
PEA rural sofreu um incremento médio de
13.006 jovens e uma redução de 2.638
26
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
adultos. Este patamar de crescimento
Estimou-se que, em 2004, existiam 1.619.536
populacional do segmento juvenil da PEA rural
homens e 1.283.899 mulheres na condição de
sinaliza a necessidade de políticas públicas
economicamente ativos na zona urbana.
específicas para os jovens do interior do estado,
Com relação à faixa etária, os dados
principalmente para que seja evitado o ingresso
da PEA urbana mostram que o segmento
precário desses jovens no mercado de trabalho,
juvenil apresentou uma taxa de crescimento um
7
pouco mais elevada do que a observada entre
seja na zona rural, seja na urbana .
Entre 2001 e 2004, a PEA urbana
os adultos, respectivamente, 4,07% e 3,95%.
cresceu de 2.619.193 para 2.903.435
Em 2004, foram estimados 750.605 jovens e
pessoas, o que correspondeu a um incremento
2.098.191 adultos na condição de
médio anual de 94.747 pessoas. Este nível de
economicamente ativos em toda a área urbana
crescimento populacional tem colaborado
cearense. Observou-se que a PEA urbana sofre
para obtenção de um patamar de
um incremento médio anual de 28.230 jovens
desocupação mais elevado nos centros
e 76.749 adultos.
Dessa forma, o incremento da
urbanos do que o observado no plano
população jovem na PEA urbana (28.230
estadual.
Quanto ao gênero, o segmento
jovens) é pouco mais que o dobro do
feminino apresentou uma taxa de crescimento
constatado na PEA rural (13.006 jovens), e
mais elevada (3,77%) do que a verificada entre
essa mesma relação entre os adultos chega a
os homens (3,27%). Em absolutos a PEA
ser 29 vezes maior, o que sinaliza uma maior
urbana sofreu um incremento médio de 49.660
pressão dos adultos por trabalho8.
Apesar desse maior crescimento
homens e 45.087 mulheres, anualmente.
________________
7
Pochmann (2000) destaca que o ingresso precário e antecipado dos jovens no mercado de trabalho pode marcar desfavoravelmente o seu
desempenho profissional futuro. Em resumo, isso significa dizer que quanto melhores as condições de acesso ao primeiro emprego, mais
favorável será a evolução profissional desses jovens. Ver também: Mercado de trabalho jovem no Ceará: dimensões e características, IDT,
2005.
8
Enquanto a PEA urbana sofre um incremento médio anual de 76.749 adultos, a PEA rural sofre uma redução de 2.638 adultos.
27
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
populacional entre os adultos, a relação
Neste sentido, observa-se que a PEA
existente entre jovens e adultos na PEA urbana
urbana apresenta um crescimento elevado de
manteve-se constante, tanto em 2001, quanto
forma bem similar tanto por gênero quanto por
em 2004, sendo que para cada jovem existente
faixa etária (jovem e adulto), enquanto a PEA
na PEA urbana existem 2,8 adultos, ou seja, os
rural apresentou forte crescimento das
jovens entre 15 e 24 anos representam quase
populações jovem associada à discreta
26% da população economicamente ativa da
redução da população adulta e feminina
zona urbana do estado.
(Gráfico 5).
A área colorida do gráfico
sinaliza o patamar de crescimento
(em percentagem) dos segmentos
masculino, feminino, jovem e
adulto, tanto na zona urbana,
quanto na zona rural do estado.
Na zona urbana, percebe-se que
os
quatros
preenchidos
cantos
quase
estão
que
uniformemente, enquanto na zona
rural verifica-se um forte
crescimento do segmento juvenil,
seguido de um discreto aumento
da população masculina.
28
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
9
3 População Ocupada
Segundo a PNAD, a população
condição de ocupados favoreceu a baixa
ocupada é compreendida como as pessoas
estimativa de desocupados na zona rural, com
que trabalharam parte ou integralmente na
11.826 pessoas.
semana de referência da pesquisa. Nessa
Entre 2001 e 2004, a população
pesquisa, foram incluídas também as pessoas
ocupada do estado cresceu de 3.355.962 para
que trabalharam tanto na produção para
3.613.497 pessoas, o que representou um
próprio consumo quanto na construção para
crescimento de 7,67% no interstício em análise.
uso próprio. Posteriormente, quando da análise
Isso significou que, anualmente, a população
da população desocupada, constatou-se que a
ocupada do estado apresentou um incremento
inclusão metodológica desses segmentos na
médio de 85.845 pessoas (Tabela 5).
Tabela 5
População ocupada, por gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
________________
9
Anteriormente, a taxa de crescimento geométrico foi utilizada tanto na população residente, quanto na população economicamente ativa,
como forma de mensurar o crescimento dos segmentos populacionais. Todavia, este indicador não poderá ser utilizado tanto na população
ocupada quanto na população desocupada, por não deterem crescimento geométrico.
29
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Em tese, o comparativo do crescimento
crescente procura por trabalho, visto que
médio anual da PEA do estado (100.462
anualmente existe um déficit ocupacional para
pessoas) com o de sua população ocupada
14.617 trabalhadores.
(85.845 pessoas) sinaliza claramente a
3.1 Ocupados por gênero e faixa
Em 2004, foram estimados 2.094.544
condição de ocupados, em 2004. No
homens e 1.518.953 mulheres na condição de
quadriênio (2001-2004), observou-se um
ocupados no Ceará. Observou-se que, entre
maior crescimento de jovens ocupados
2001 e 2004, o contigente de ocupados
(12,73%), comparado ao dos adultos (8,38%),
cresceu tanto na população masculina (8,27%)
demonstrando uma intensificação de sua
quanto na feminina (6,86%). Em termos
inserção no mercado de trabalho. Apesar
absolutos, existe um incremento médio anual
desse desempenho, os dados continuam
de 53.349 homens e 32.496 mulheres na
sinalizando maiores dificuldades de inserção
população ocupada do estado.
do segmento juvenil, visto que uma média
Em termos percentuais, a participação
anual de 32.409 jovens e 67.886 adultos
dos homens na população ocupada estadual
conseguiu ser incorporada à população
flutuou de 57,64% (2001) para 57,96%, em
ocupada do estado.
2004, e a participação das mulheres caiu de
Dessa forma, a capacidade de
42,36% para 42,04%, no mesmo período, não
absorção do contigente juvenil na condição de
demonstrando alterações substanciais.
ocupados foi praticamente a metade da
verificada entre os adultos, o que ratifica as
Quanto à faixa etária, foram estimados
dificuldades de inserção da população jovem.
861.098 jovens e 2.634.037 adultos na
30
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Entretanto, ao se quantificar a relação
entre os jovens, no quadriênio avaliado.
entre as populações ocupadas adulta e juvenil,
Mesmo assim, conclui-se que ainda existem
a mesma cai de 3,18 (2001) para 3,06 (2004),
três trabalhadores ocupados em idade adulta
o que ratifica alguma melhoria da ocupação
para cada jovem.
3.2 Ocupados por situação de domicílio
respectivamente, 2.615.162 e 998.335
Em 2004, foi estimado que nas zonas
pessoas na condição de ocupadas (Tabela 6).
urbana e rural do estado existiam,
Tabela 6
População ocupada, por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Os números mostram claramente que a
áreas, segundo dados de 2004. A constatação
população ocupada no Estado do Ceará é
dessa realidade é preocupante, principalmente
muito concentrada nos centros urbanos, dado
porque esta concentração continua crescendo,
que 72,37% do total de ocupados reside nessas
visto que, em 2001, a zona urbana era
31
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
observou-se que enquanto a ocupação cresceu
responsável por 70,80% dos ocupados.
O continuísmo desse processo pode
entre os homens (3,81%), a ocupação entre as
agravar ainda mais os sérios problemas sociais
mulheres sofreu uma redução (-1,17%), fato
a que está sujeita a maioria dos municípios que
que pode ter influenciado a redução do
compõem tanto a Região Metropolitana de
contigente feminino na zona rural cearense,
Fortaleza quanto os municípios de maior
conforme os dados já apresentados tanto da
expressividade do interior cearense.
população residente quanto da PEA rural.
Entretanto, sabe-se que o interior do
Em termos absolutos, verifica-se que
estado, sobretudo a zona rural, apresenta uma
enquanto uma média anual de 7.434 postos
série de dificuldades para que se possa atingir
de trabalho foram gerados para a população
um nível de desenvolvimento econômico
masculina no meio rural, houve a extinção de
satisfatório, principalmente relacionado ao
1.543 oportunidades de trabalho para as
capital humano, debilidade de infra-estruturas
mulheres, o que sinaliza uma situação
física e institucional, dificuldades de acesso a
desfavorável desse segmento no meio rural.
Quanto à faixa etária, foi estimado que
mercados, finanças, tecnologias e know how
260.372 jovens e 670.660 adultos estavam na
(Bar-El, 2005).
Observou-se que a população
condição de ocupados, em 2004. Observou-
ocupada na área rural cresceu de 980.664
se que enquanto o número de jovens ocupados
para 998.335 pessoas, em 2004, o que
cresceu 17,97%, o de adultos sofreu uma
representou um adicional de 17.617 ocupados
redução de 1,18%. Este melhor desempenho
no interstício (1,80%). Isto significou dizer que
da ocupação jovem na área rural do estado
5.890 pessoas/ano foram incorporadas à
melhorou a proporção existente entre jovens e
condição de ocupadas na zona rural do Ceará,
adultos ocupados. Em 2001, para cada jovem
em média.
ocupado na zona rural, existiam 3,08 adultos.
Já em 2004, essa mesma relação passou de
Entre 2001 e 2004, no meio rural,
32
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
um jovem para 2,58 adultos, o que ratifica um
mulheres (9,95%), cujos respectivos
melhor nível ocupacional dos jovens no meio
contigentes populacionais aumentaram de
rural, no período em análise.
1.348.661 para 1.486406 ocupados e de
Isto implica a necessidade permanente
1.026.637 para 1.128.756 ocupadas,
de políticas de qualificação profissional em
respectivamente, significando que a cada ano
atividades eminentemente rurais, seja para a
45.915 homens e 34.040 mulheres foram
população jovem, seja para a população
incorporados à população ocupada do Ceará.
adulta. Por outro lado, a qualificação
Com relação à faixa etária, foi
profissional em atividades ligadas a outros
estimado que 600.726 jovens e 1.963.407
ramos
estar
adultos possuíam trabalho na zona urbana, em
preferencialmente interrelacionada com as
2004. Os dados da população ocupada nesse
políticas públicas de atração de investimentos.
nível geográfico mostraram que apesar da
econômicos
deve
Atendo-se à zona urbana, a população
maior pressão dos adultos (vide PEA urbana), a
ocupada cresceu de 2.375.298 (2001) para
ocupação para este segmento cresceu mais
2.615.162 (2004), o que representou um
rapidamente (12,08%) ao observado entre os
incremento de 239.864 ocupados neste
jovens (10,60%), o que sinaliza uma situação
interstício (10,10%) 1 0 , um crescimento
adversa a observada no meio rural.
Os
populacional de ocupados quase 14 (quatorze)
dados
indicam
maiores
vezes mais elevado do que o observado na
dificuldades de inserção da população jovem
zona rural.
no mercado de trabalho das áreas urbanas do
Quanto ao gênero, no período em
estado, dado que, a cada ano, enquanto
análise, constatou-se um crescimento similar
19.189 jovens ingressam no contigente de
do número de homens ocupados (10,21%) e de
ocupados, entre os adultos chegou-se a
________________
10
Anualmente, este incremento representou que 79.955 pessoas foram incorporadas à condição de ocupadas na zona urbana do estado,
em média.
33
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
70.564, o que retrata um incremento
16,68% (2001) para 17,27% (2004),
populacional de ocupados 3,7 vezes maior que
demonstrando o prolongamento do tempo de
o dos jovens.
permanência no mercado de trabalho dos mais
11
Um outro aspecto importante é que a
velhos .
participação dos trabalhadores de 50 anos e
mais de idade no total de ocupados na área
urbana amplia-se um pouco, oscilando de
3.3 Características da população ocupada
Um outro aspecto central desse
atividade, entre outros, objetivando verticalizar
trabalho é mostrar as principais características
o conhecimento sobre esse segmento,
da população ocupada do estado,
detectando as características e as formas de
principalmente as relacionadas a anos de
inserção no mundo laboral.
estudos, posição na ocupação, setor de
3.3.1 Anos de estudos
No Ceará, há uma sinalização de
(2001) para 20,19% (2004) dos ocupados.
melhoria do nível educacional da população
Este contigente populacional retraiu-se de
ocupada. Um exemplo foi a redução do
813.756 para 729.554 pessoas, o que
contigente de ocupados “sem instrução ou com
representou um encolhimento de 16,74%
menos de 01 ano de estudo”, de 24,25%
(Tabela 7)12.
________________
11
A participação dos trabalhadores com mais de 50 anos no total de ocupados da zona rural caiu de 24,89% (2001) para 23,72% (2004),
fato que foi influenciado pela maior inserção dos jovens na população ocupada da zona rural do estado.
12
Segundo o IBGE, as pessoas sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo são aquelas que nunca freqüentaram uma escola ou, caso
o tenha, não concluíram a 1a série do ensino fundamental (1ºgrau ou elementar).
34
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 7
População ocupada por grupos de anos de estudo, segundo o gênero
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Um outro aspecto positivo que sinaliza
retração na participação dos segmentos
a melhoria do perfil educacional da população
populacionais que possuem até 07 anos de
ocupada local foi o aumento da participação
estudo e um crescimento daqueles segmentos
dos trabalhadores com ensino superior
que detêm nível de escolaridade acima desse
(completo ou incompleto). Apesar desse
limite, fato observado em ambos os gêneros.
segmento representar menos de 5% da
Nesse tema, os dados continuam
população ocupada, sua participação cresceu
apresentando uma melhor performance das
de 3,75% para 4,78% da ocupação total do
mulheres cearenses, observada tanto entre os
Ceará, entre 2001 e 2004. Em termos
mais instruídos quanto entre os menos
absolutos, este segmento cresceu de 125.717
instruídos. Com base nos anos de 2004,
para 172.757 pessoas, um aumento de
observou-se que, para cada mulher sem
13
37,42% no quadriênio .
instrução, existiam 2,03 homens. Já entre os
Neste sentido, constatou-se uma
mais escolarizados (15 anos ou mais de
________________
13
Segundo o IBGE, a faixa de quinze anos de estudo ou mais é para aquelas pessoas que concluíram, pelo menos, o 4º ano do
ensino superior.
35
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
estudo), para cada homem com este perfil
a melhor situação dela, indepen-dentemente
educacional, existia 1,73 mulher, o que ratifica
do grau de instrução observado.
3.3.2 Setor de atividade
14
Apesar das dificuldades enfrentadas
(31,35%), em 2004. Após a atividade agrícola,
pelo setor agrícola no Ceará, este ramo de
verificou-se uma maior participação do
atividade é o que ainda tem gerado o maior
comércio e reparação, com 568.391 postos de
número de oportunidades de trabalho no
trabalho (15,73%), indústria, com 562.824
estado, com 1.133.088 pessoas ocupadas
(15,58%), entre outros setores (Tabela 8).
Tabela 8
População ocupada por grupamentos de atividade do trabalho principal, segundo o gênero
Estado do Ceará
2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
________________
14
Nesta Tabela não foi possível fazer a comparação com 2001 porque os grupamentos de atividade eram bastante diferenciados, o que
inviabilizou qualquer tipo de compatibilização.
36
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Os números apontam que, apesar das
atividades tradicionalmente ligados ao
constantes modificações no mundo do
segmento feminino, tais como o trabalho
trabalho, existe ainda um predomínio de certas
doméstico e os serviços sociais (educação,
ocupações para determinados gêneros, como
saúde, entre outros). Todavia, observou-se
os exemplos do trabalho doméstico, entre as
também uma maior participação feminina na
mulheres, e o da construção civil, entre os
indústria cearense, dado que foram estimadas
homens, apesar do constante aumento tanto
312.622 mulheres e 250.022 homens
dos homens nas atividades domésticas, quanto
ocupados neste setor de atividade, em 2004.
das mulheres na construção civil.
No caso específico da indústria de
transformação, 57,26% das pessoas ocupadas
As mulheres continuam exercendo
no setor são mulheres.
predomínio sobre os homens nos setores de
3.3.3 Posição na ocupação
A PNAD apresenta oito categorias com
Em 2004, a estrutura da população
relação à posição na ocupação: empregado
ocupada do Ceará era composta por 43,94%
15
(trabalha para um empregador) , trabalhador
empregados, 28,17%, por conta-própria;
doméstico (realiza serviços domésticos
12,19%, não-remunerados; 7,18%,
remunerados em dinheiro ou bens), conta-
trabalhadores domésticos; 5,48%,
própria (explora seu próprio negócio, contando
trabalhadores na produção para o próprio
ou não com empregados ou sócios),
consumo16; 2,99%, empregadores e 0,05%
trabalhador não-remunerado (pessoa que
trabalhadores na construção para o próprio
trabalhava sem remuneração), entre outras.
uso (Tabela 9)17.
________________
15
Segundo o IBGE, o empregador pode ser tanto de natureza física quanto jurídica. Complementarmente, o trabalhador cumpre geralmente
uma jornada de trabalho, recebendo remuneração em dinheiro e/ou em benefícios.
16
Segundo o IBGE, esta “pessoa trabalhava pelo menos 01 hora na semana, na produção de bens do ramo que compreende as atividades
agricultura, silvicultura ...” Ver: Notas Técnicas, PNAD, in www.ibge.gov.br (on-line).
17
Este conceito é bem similar ao apresentado anteriormente, só que está relacionado a edificações (construções, benfeitorias, entre outras).
37
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 9
População ocupada por posição na ocupação no trabalho principal, segundo o gênero
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: Inclusive as pessoas sem declaração de atividade.
A estrutura da população ocupada,
enquanto o número de trabalhadores sem
tanto em 2001 quanto em 2004, apresentou-
remuneração aumentou de 365.577 para
se de forma bem similar. Porém, verificou-se
440.665 pessoas (20,54%), entre 2001 e
uma ampliação tanto do contigente de
2004.
Observou-se
empregados quanto dos trabalhadores não-
que,
afora
os
remunerados, cujos segmentos ampliaram sua
trabalhadores que construíram ou produziram
participação na população ocupada de
para o próprio uso ou consumo, os demais
42,75% para 43,94% e de 10,89% para
segmentos populacionais (trabalhador
12,19%, respectivamente.
doméstico, empregado e conta-própria)
O total de empregados cresceu de
apresentaram crescimento bastante similar, o
1.434.702 para 1.587.633 pessoas (10,66%),
que sinaliza diversas formas de inserção no
38
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
mundo laboral 1 8 . Complementarmente,
empregados particulares (8,26%) e conta-
destaca-se, dentre estes segmentos
própria (7,96%). Entre as mulheres, observou-
populacionais, o maior crescimento, em termos
se um maior crescimento das empregadoras
absolutos, dos trabalhadores por conta-
(50,90%), empregadas particulares (15,23%) e
própria, que apresentam um incremento anual
trabalhadoras por conta-própria (7,96%).
de 15.582 pessoas. O crescimento desse
Destaca-se ainda uma maior inserção
segmento sinaliza que, devido às dificuldades
das mulheres na condição de empregadoras
de (re)colação profissional, os trabalhadores
de mão-de-obra, enquanto o contigente
procuram novas alternativas de trabalho e
masculino nesta condição vem diminuindo no
renda, além do trabalho assalariado.
quadriênio em análise. Anualmente há um
Quanto ao gênero, destaca-se entre os
incremento de 3.226 mulheres e uma retração
homens um maior crescimento dos
de 1.532 homens na condição de
trabalhadores não-remunerados (26%),
empregadores de mão-de-obra.
3.3.4 Horas trabalhadas
Esta alteração de gênero na condição
jornada de trabalho superior a 49 horas
de empregadores de mão-de-obra remete à
semanais. Todavia, verificou-se que 58,75%
observação de que foram justamente estes
da população ocupada do Ceará (2.123.028
trabalhadores
apresentaram,
trabalhadores) possuiam uma jornada de
comparativamente aos demais segmentos,
trabalho entre 15 e 44 horas semanais,
uma maior jornada de trabalho, visto que 36%
segundo os dados de 2004 (Tabela 10)19.
que
dos empregadores disseram possuir uma
________________
18
Entre 2001 e 2004, cresceu o número de trabalhadores domésticos em 5,12%, seguidos dos empregadores, com 4,92% e conta-própria
com 4,81%.
19
A Constituição Federal, no art.7º, XIII, assegura que a jornada de trabalho deverá ser de até 08 horas diárias ou 44 horas semanais. Fonte:
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
39
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 10
População ocupada por posição na ocupação no trabalho principal,
segundo o grupos de horas habitualmente trabalhadas
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: Inclusive as pessoas sem declaração de atividade.
Os dados apresentados ratificam o
apresentaram uma jornada de trabalho
predomínio da jornada entre 40 e 44 horas
bastante diversificada, contemplando todas as
semanais, já que aproximadamente 40% da
faixas trabalhadas na pesquisa.
Quanto ao ramo de atividade, os
população ocupada do estado está inserida
segmentos que apresentaram uma maior
nesta jornada de trabalho.
os
jornada de trabalho (49 horas ou mais) foram:
conta-própria
comércio e reparação (29,58%), alojamento e
demonstraram um predomínio da jornada
alimentação (33,52%), serviços domésticos
entre 15 e 39 horas semanais (34,97% destes),
(27,70%), transporte, armazenagem e
enquanto os trabalhadores domésticos
comunicação (38,95%), conforme Tabela 11.
Complementarmente,
trabalhadores
por
40
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 11
População ocupada por grupamentos de atividade do trabalho principal,
segundo os grupos de horas habitualmente trabalhadas
Estado do Ceará
2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Estes segmentos tradicionalmente
Em outros setores, como a construção
funcionam normalmente os sete dias da
civil (50,40%), administração pública
semana, como o caso do comércio em
(42,39%), educação, saúde e serviços sociais,
shopping centers, setor hoteleiro, empresas de
com 41,67%, apresentaram o predomínio da
transportes, entre outras.
tradicional jornada de trabalho entre 40 e 44
horas semanais.
41
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
3.4 Evolução da taxa de ocupação
ativa (PIA), ou seja, aquelas pessoas que
Após avaliado o comportamento dos
suas
possuem idade igual ou superior a 10 anos.
características, realizou-se uma investigação
Isso significa dizer que a cada 100 pessoas em
da evolução da taxa de ocupação entre os anos
idade ativa, 56 encontravam-se ocupadas no
de 2001 e 2004. No estado, a taxa de
período de referência da pesquisa de campo
ocupação tem se estabelecido no patamar
(Tabela 12) .
segmentos
populacionais
e
20
aproximado de 56% da população em idade
Tabela 12
Indicadores médios anuais de ocupação, por gênero, segundo os grupos
de anos de estudo
Estado do Ceará
2001-2004
________________
20
Na PNAD, o mês de setembro é o período de referência da pesquisa de campo.
42
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
...Continuação da Tabela 12
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Observa-se na Tabela 12 que houve
da taxa de ocupação entre os homens, diante
crescimento da ocupação, em 2003 e 2004,
da maior oscilação desse indicador entre as
posto que a taxa passou de 55,19% (2002)
mulheres. O nível ocupacional do segmento
para 56,16% (2003) e 56,34% (2004), sendo a
masculino mostrou pequenas variações, exceto
mais elevada no período.
em 2003, cujo indicador cresceu exatamente
Com relação ao gênero, os dados
um ponto percentual em relação ao ano
apresentados indicam uma maior estabilidade
anterior. Já entre as mulheres, a taxa de
43
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
ocupação, que registrou queda em 2002,
mesmo patamar de ocupação observado em
voltou a se recuperar e manter praticamente o
2001 (Gráfico 6).
como exemplo o ano de 2004.
O gráfico apresentado mostra
claramente que, nos anos em apreço, o
Com relação à escolaridade, o nível
patamar de ocupação masculino é bem mais
ocupacional cresce entre os trabalhadores que
elevado do que o feminino, em média, 54%. A
possuem pelo menos 08 anos de estudo,
constatação dessa realidade pode ser
independentemente de gênero. Assim, os
facilmente observada nas diferenças das taxas
trabalhadores com baixa instrução
de ocupação entre homens e mulheres,
apresentaram uma menor empregabilidade
respectivamente, 68,36% e 45,34%, tomando
(Gráfico 7).
44
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Os números mostram que o
ensino médio (11 a 14 anos de estudo), sua
trabalhador que está na faixa de 08 a 10 anos
chance cresce mais 25,69%. O término do
de estudo aumenta a possibilidade de
curso superior ou ingresso em curso de pós-
conseguir um trabalho em 12,60%,
graduação (15 anos ou mais de estudo)
comparado aqueles que possuem de 04 e 07
melhora o seu patamar de ocupação em mais
anos de estudo, e, caso este mesmo
19,64% .
21
Com relação à faixa etária, as
trabalhador consiga concluir pelo menos o
________________
21
Dados obtidos através da variação percentual das taxas médias de ocupação.
45
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
estatísticas demonstraram uma maior
em análise, o patamar de ocupação dos
dificuldade de inserção dos jovens na popula-
adultos foi, em média, 29% mais elevado que o
ção ocupada do estado, dado que, no período
dos jovens, vide seções anteriores (Tabela 13).
Tabela 13
Indicadores médios anuais de ocupação jovem e adulta
Estado do Ceará
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Neste sentido, a constatação dessa
Em 2004, por exemplo, enquanto a
realidade confirma a regra da maior
taxa de ocupação do segmento juvenil era de
dificuldade de inserção dos segmentos juvenil e
51,68%, entre os adultos, este mesmo
feminino no mercado de trabalho. Em ambos
indicador era de 67,15%, ou seja,
os casos, o patamar de ocupação dos
aproximadamente 30% mais elevada, o que
segmentos adulto e masculino apresentou-se
ratifica a maior dificuldade de inserção dos
bem mais elevado, respectivamente, 29% e
jovens no mercado de trabalho (Gráfico 8).
22
54% .
________________
22
Na Região Metropolitana de Fortaleza, essa mesma diferença de patamar de ocupação entre os segmentos homem/mulher e
adulto/jovem era de 49% e 48%, respectivamente.
46
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Um dado ainda mais preocupante é
média, 54%, essa mesma diferença entre os
que estas desigualdades entre os segmentos
jovens chegava a 63%, o que sinaliza a maior
jovem e adulto ou masculino e feminino
dificuldade de inserção das mulheres,
reproduzem-se ainda mais duramente nas
sobretudo, as mais jovens. Isto implica a
subdivisões destes segmentos, como o exemplo
necessidade permanente de políticas públicas
das jovens trabalhadoras. Observou-se que,
voltadas à juventude, sobretudo, enfatizando a
enquanto o diferencial de ocupação entre
questão de gênero.
homens e mulheres na idade adulta era, em
47
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
3.5 Rendimentos
Quanto ao nível de rendimento
trabalhadores com rendimentos de até 02
mensal, os dados apresentam as duas faces de
salários-mínimos, quanto pela redução
uma mesma moeda com relação à queda da
daqueles que recebiam mais de 10 salários
remuneração da população ocupada do
(Gráfico 9).
Ceará, tanto pelo incremento dos
48
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Em
2004,
verificou-se
salários-mínimos e, destes, apenas 9 mil
que
23
recebiam mais de 20 salários (Tabela 14) .
aproximadamente 45 mil trabalhadores
cearenses possuíam rendimento superior a 10
Tabela 14
População ocupada por classes de rendimento mensal do trabalho principal, segundo o gênero
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: Inclusive as pessoas que receberam somente em benefícios.
Entre 2001 e 2004, o número de
pessoas, o que representou um incremento de
trabalhadores que recebiam até 01 salário-
260.459 pessoas. Isso significa dizer que
mínimo cresceu de 1.556.582 para 1.817.041
metade da população ocupada do estado
________________
23
O salário vigente em setembro (2004) era de R$ 260,00.
49
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
máximo, 01 salário (Gráfico 10).
(50,29%) detém este nível de rendimento, isto
é, recebe uma remuneração mensal de, no
Processou-se uma intensificação da
lado, esse tema mostra uma queda da
concentração da remuneração do trabalho,
remuneração da população ocupada e, por
dado que, em 2001, para cada trabalhador
outro, sinaliza também uma maior substituição
que ganhava mais de 10 salários-mínimos,
dos trabalhadores com maior remuneração
havia 24 recebendo até 01 salário, e em 2004,
por aqueles com menores salários, por
24
exemplo.
essa mesma relação chegou a 40 . Por um
________________
24
Essa relação reproduz-se mais duramente com relação ao gênero, já que, para cada homem que possuía rendimento maior que 10
salários-mínimos, havia 27 recebendo até 01 salário. Essa mesma relação entre as mulheres é que, para cada mulher com rendimento
superior a 10 salários, havia 60 recebendo até 01 salário, o que sinaliza a maior dificuldade das mulheres em obterem rendimentos
maiores.
50
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Outro aspecto importante é que apesar
salário-mínimo, visto que o rendimento médio
de o rendimento médio mensal dos ocupados
mensal, que eqüivalia a 1,51 salário-mínimo
expressar um crescimento nominal de R$
em 2001, só valia 1,31 salário em 2004, o que
271,00 (2001) para R$ 340,00, em 2004
sinaliza uma perda do poder aquisitivo da
(25,46%), os rendimentos da população
população ocupada do estado (Tabela 15).
ocupada vêm caindo, vis-à-vis a valorização do
Tabela 15
População ocupada e valor do rendimento médio mensal de todos os trabalhos,
segundo as classes de rendimento mensal, por gênero
Estado do Ceará
2001-2004
51
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
...Continuação da Tabela 15
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: 94,76% da população ocupada possuía um único trabalho, em média.
Com relação ao gênero, os dados
homens era 52,75% mais elevada do que a das
apresentados continuam desfavoráveis às
mulheres, o que significa dizer que a cada R$
mulheres. No período em análise, observou-se
100,00 pago às mulheres, os homens
que a média do rendimento (mensal) dos
recebiam R$ 152,75.
52
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Todavia, essa disparidade vem
analisado.
diminuindo ao longo da série histórica,
Houve diminuição do patamar de
principalmente porque o rendimento médio dos
rendimento entre homens e mulheres com
homens, que chegou a ser 65% mais elevado
carteira assinada, que caiu de 35% (2001)
em 2001, caiu para 41,09%, em 2004, uma
para 21%, em 2004. Já entre os sem carteira, o
redução significativa para o curto período
patamar de rendimento da mulher, que era 5%
mais elevado que
Tabela 16
Empregados e valor do rendimento médio mensal do trabalho principal, segundo
a categoria do emprego, por gênero
Estado do Ceará
2001/2004
o dos homens
(2001), passou a
ser 14% mais
elevado,
em
2004, o que
sinaliza que a
melhoria
de
rendimento da
mulher
está
ocorrendo
principalmente
e n t r e
o s
trabalhadores
sem
carteira
25
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
________________
25
Percentuais arredondados sem casas decimais.
53
(Tabela 16) .
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Em resumo, verifica-se que, seguindo a
melhor escolaridade, continuam, de uma
tendência mundial de redução das
forma geral, ganhando menos que os homens,
disparidades salariais entre homens e
principalmente quando se observa o emprego
mulheres, estas, mesmo apresentando uma
formal (Gráfico 11).
54
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
4 População desocupada
A PNAD classifica os desocupados
Seguindo este conceito, entre 2001 e
como sendo as pessoas que, no período de
2004, o número de desocupados no estado do
referência da pesquisa, não tinham trabalhado
Ceará cresceu de 256.247 para 300.099
todo ou parte desse período, e que tomaram
pessoas, o que representou um acréscimo de
medidas efetivas de procura por trabalho no
43.852 desocupados no interstício,
mesmo, tais como: procurar agências de
proporcionando um incremento médio anual
emprego, consultar amigos e parentes, realizar
de 14.617 pessoas na situação de
desocupação (Tabela 17)27 .
26
concurso público,etc .
Tabela 17
População desocupada por gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
________________
26
27
Fonte: IBGE.
A população desempregada do estado sofre um incremento médio anual de 3.429 homens e 11.188 mulheres.
55
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Os dados apresentados mostram que o
desocupada do estado crescesse de 49,95%
número de mulheres desocupadas teve um
(2001) para 53,84% em 2004 e a dos homens
crescimento (26,22%) três vezes maior ao
declinasse de 50,05% para 46,16%. Foi
observado entre os homens (8,02%), o que
estimado que 138.539 homens e 161.560
ratifica a maior dificuldade de inserção das
mulheres encontravam-se na situação de
mulheres no mercado de trabalho. Isto fez com
desocupação, em 2004 (Gráfico 12).
que a participação das mulheres na população
Gráfico12
Estimativa do número de desocupados por gênero
Estado do Ceará
2001 - 2004
128.251
138.539
Homens
127.996
161.560
Mulheres
Fonte: IBGE/PNAD
2004
2001
Foi verificado também um maior
O segmento juvenil aumentou a sua
crescimento do número de jovens desocupados
participação no total de desocupados do
(20,28%) com relação ao de adultos (15,46%).
estado, de 50,49%(2001) para 52,32%, em
56
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
desocupados (Gráfico 13).
2004. Nesse ano, foram estimados 157.020
jovens e 139.469 adultos na condição de
Complementarmente, a cada ano, a
incremento da população desocupada do
população desocupada do estado sofre um
estado (14.617 pessoas), visto que este último
incremento médio anual de 8.826 jovens e
engloba todas as pessoas economicamente
6.225 adultos. Este incremento médio anual de
ativas e não somente aquelas de 15 anos ou
jovens e adultos (15.051 pessoas) difere do
mais de idade.
4.1 Quanto à situação de domicílio
Observa-se que, por concentrar mais
zonas rural e urbana do estado possuíam,
de 70% da população ocupada do Ceará, a
respectivamente, 11.286 (3,96%) e 288.273
zona urbana concentraria também o maior
(96,04%) desocupados, o que sinaliza que a
contigente de desempregados, fruto da maior
desocupação estadual é eminentemente
procura por trabalho. Foi estimado que as
urbana (Tabela 18).
57
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 18
População desocupada por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Entre 2001 e 2004, o contigente de
desocupados na zona rural do estado foi a
desocupados na zona urbana cresceu 18,20%,
inclusão metodológica dos trabalhadores que
o que representou um incremento médio anual
construíram ou produziram para o uso ou
de 14.793 desocupados. Já com relação ao
consumo próprio na condição de ocupados.
meio rural, observou-se uma diminuição da
Em 2004, estes trabalhadores representaram
desocupação em 4,26%, o que significou que
5,53% (199.787 pessoas) da população
anualmente 176 pessoas deixaram a
ocupada estadual um contigente populacional
desocupação na área rural, fato que não
quase 18 (dezoito) vezes maior ao de
significa dizer que obrigatoriamente
desocupados da zona rural do Ceará.
Além disso, a redução da participação
conseguiram um trabalho.
Um aspecto que pode ter colaborado
da agricultura na composição do Produto
para essa baixa estimativa do número de
Interno Bruto (PIB) estadual, associada ao
58
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
crescimento da PEA rural (0,57%), deveriam
desocupação rural no estado e não para a sua
contribuir para a elevação das estatísticas de
redução.
4.2 Anos de estudo
Como já abordado anteriormente, os
procura por trabalho, fato que contribuiu para
trabalhadores mais escolarizados apresentam
o aumento populacional dos desempregados
um patamar de ocupação bem mais elevado
com 15 anos ou mais de estudo, de 4.898
do que aqueles com baixa escolaridade. Este
(2001) para 10.492 pessoas, em 2004 (Tabela
melhor desempenho ocupacional dos mais
19) .
28
escolarizados pode ter favorecido uma maior
Tabela 19
População desocupada por grupos de anos de estudo, segundo o gênero
Estado do Ceará
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
________________
28
No período em análise, o crescimento percentual deste segmento foi de 114,21%.
59
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
O maior incremento de trabalhadores
dada a maior concorrência por uma vaga no
desocupados ocorreu entre aqueles que
mercado de trabalho, e a prática tem mostrado
possuíam de 11 a 14 anos de estudo (ensino
que esses trabalhadores com instrução mais
médio ou superior incompleto), que passou de
elevada, em várias situações, têm ocupado
57.535 (2001) para 89.599 (2004)
postos de trabalho que exigem menos
trabalhadores, o que representou num
instrução. Por exemplo, trabalhadores de nível
incremento de 32.064 pessoas (55,73%).
superior ocupando postos que exigem nível
médio.
Estes trabalhadores com grau de
instrução intermediário (11 a 14 anos), além de
Um outro aspecto é que o contingente
serem o segmento mais representativo em
de desocupados sem instrução e menos de 01
termos quantitativos, sofreram com o próprio
ano de estudo vem diminuindo, de 25.497
ajuste do mercado de trabalho, pois não
(2001) para 23.119 (2004), tanto pelas
possuíam instrução formal para ocupar os
oportunidades de trabalho para este segmento
empregos mais qualificados, bem como não
quanto pela melhoria educacional dos
apresentavam as características necessárias
trabalhadores locais, fato que contribuiu para
para o exercício das ocupações que geralmente
uma diminuição da pressão desse segmento
não requerem um maior nível de instrução,
por trabalho.
4.3 Evolução da taxa de desocupação
Em 2004, a taxa de desocupação
anos anteriores, a mesma vinha mantendo uma
interrompeu a trajetória de crescimento e
tendência de crescimento observado desde
recuou de 8,06% (2003) para 7,67% (2004), o
2001 (Tabela 20).
que representou uma retração de 4,84%. Nos
60
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 20
Indicadores médios anuais de desocupação, por gênero, segundo os anos de estudo
Estado do Ceará
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
61
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Posto que os indicadores de ocupação
O patamar de desocupação feminino
e desocupação possuem uma inter-relação, os
foi, em média, 52% mais elevado que o
segmentos populacionais que apresentaram
masculino, diferença facilmente observada nas
maiores dificuldades de inserção no mercado
respectivas taxas de desocupação. Em 2004,
de trabalho são justamente os que
por exemplo, a taxa de desocupação entre
apresentaram também um patamar de
homens e mulheres era de, respectivamente,
desocupação mais elevado.
6,20% e 9,61% (Gráfico 14).
Quanto à escolaridade, observa-se,
que possuem grau de escolaridade mediana,
através dos indicadores médios anuais, a
entre 8 e 10 anos de estudo. Este é um
situação mais desfavorável dos trabalhadores
segmento bastante representativo com 74.329
62
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
escolarizados (114,21%), o patamar de
desocupados (24,77%), em 2004.
Neste sentido, o Gráfico 15 mostra
desemprego foi mais elevado justamente entre
que, apesar do expressivo crescimento, em
os trabalhadores que possuíam grau de
termos relativos, do desemprego entre os mais
instrução intermediário.
63
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Já com relação à faixa etária, os dados
de desemprego adulto era de 5,03%, a dos
ratificam a tendência global de que o
jovens chegava a 15,42%, o que representou
desemprego juvenil é, em média, três vezes
um indicador 3,07 vezes maior (Tabela 21 e
maior. Em 2004, por exemplo, enquanto a taxa
Gráfico 16).
Tabela 21
Indicadores médios anuais de desocupação jovem e adulta
Estado do Ceará
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
64
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Um outro aspecto relevante é que,
demonstra a situação desfavorável das
assim como ocorrido na ocupação, a
mulheres no mercado de trabalho local,
desocupação afeta mais duramente as jovens
sobretudo as mais jovens, o que notadamente
trabalhadoras. Enquanto o patamar de
reforça a constante elaboração ou avaliação
desocupação das mulheres adultas, com
das políticas públicas voltadas para a
relação aos homens, é 50% mais elevado, entre
juventude, enfatizando também a questão de
as jovens, esta diferença é de 62%, o que
gênero.
65
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
66
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Módulo II
O Mercado de Trabalho na
Região Metropolitana de Fortaleza
67
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
68
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
1 População residente
Para um melhor entendimento da
cresceu 6,24%, apresentando um adicional de
evolução do mercado de trabalho da Região
193.551 pessoas no referido período,
Metropolitana de Fortaleza (RMF), faz-se
significando um incremento médio anual de
necessária uma leitura dos principais
64.517 pessoas à população da RMF. Do total
segmentos que conformam a base
dessa população residente, em 2004, que era
demográfica desse mercado, quais sejam: a
de 3.295.915 pessoas, 1.549.762 eram
população em idade ativa, pessoas de 10 anos
homens, e 1.746.153, mulheres. Esse
ou mais de idade, a população não
resultado mostra que a população feminina foi
economicamente ativa parcela da PIA que não
superior em 196.391 pessoas no referido ano.
pressiona o mercado de trabalho como
Ademais, observou-se que o crescimento
vendedora de sua força de trabalho
e a
relativo dos homens, de 2001 para 2004, foi
população economicamente ativa, tração da
de 7,55%, enquanto o crescimento feminino foi
PIA que pressiona efetivamente o mercado de
de 5,10%. Em síntese, apesar de o crescimento
trabalho, ocasionando a oferta de mão-de-
absoluto das mulheres em 2004
obra. A título do estudo proposto, nesse
superior ao dos homens, o mesmo foi inferior
momento, a análise ficará restrita à população
em termos relativos.
ter sido
residente e à população economicamente ativa
A população residente da Região
da RMF, a qual contempla os ocupados e
Metropolitana de Fortaleza, em 2004, pode ser
desocupados.
considerada adulta, haja vista que 50,77%
a população
dela possuía idade maior ou igual a 25 anos
residente na RMF, no quadriênio 2001/2004,
(1.673.393), e que aqueles com idade
Segundo a PNAD,
69
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
no curtíssimo prazo.
compreendida entre 15-24 anos somavam
710.055 pessoas (21,54%). Em ambas as
As populações com idade de 40-49
faixas, o crescimento de 2001/2004 foi de
anos e maior ou igual a 50 anos tiveram um
11,10% e 11,88%, respectivamente.
crescimento de 18,19% e 21,57%,
Levando-se em consideração o
respectivamente, de 2001 para 2004, de
conceito de jovem definido pela Organização
acordo com a Tabela 1, a seguir. Se se levar
1
Internacional do Trabalho (OIT) , os homens
em consideração que a população jovem
com idade de 15-24 anos registraram um
cresceu 11,88% no mesmo período, inferior a
incremento de 50.910 pessoas, em
esta última (>=50), e diante das quedas
2001/2004, enquanto as mulheres, 24.492
acentuadas da taxa de fecundidade no país ao
pessoas. Ou seja, o incremento absoluto do
longo dos últimos 70 anos, pressupõem-se
número de homens jovens foi superior em
maiores investimentos com idosos, além de
48,11% ao das mulheres jovens no referido
políticas públicas que visem a inserção do
período. Assim, a população jovem da RMF foi
jovem no mercado de trabalho. Por outro lado,
acrescida de 75.402 indivíduos, o equivalente
“o comportamento do emprego nos próximos
a uma média anual de 25.134 jovens.
30 anos será fundamental para definir se os
Enquanto o ritmo de crescimento da
idosos do futuro ficarão dependentes da
população jovem masculina foi de 17,64%, o
população jovem e adulta ou se, em vez disso,
da feminina foi de apenas 7,08%, o que
atuarão como incentivadores do crescimento
significa dizer que, no período, a população
econômico por terem acumulado poupança
jovem masculina cresceu 2,49 vezes mais
nos anos em que a situação era mais favorável
rápido, o que pode ser traduzido em maiores
a isso”.
pressões sobre o mercado de trabalho da RMF
________________
1
De acordo com a OIT, são considerados jovens aqueles com idade de 15-24 anos.
70
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 1
População residente, por gênero, segundo os grupos de idade
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
71
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
2 População economicamente ativa
população
haja vista que jovens e adultos não só exercem
economicamente ativa, no período
uma maior pressão sobre o mercado de
2001/2004, o seu crescimento foi de 9,32%,
trabalho, como também possuem maior
superior ao da população residente, que foi de
inserção. É interessante observar, porém, que a
6,24%. Em valores absolutos, a PEA da RMF
PEA masculina jovem teve um crescimento de
passou de 1.435.233 para 1.568.932
12,49%, no período em análise, e a PEA das
pessoas, isto é, cerca de 133.709 pessoas
mulheres jovens, de apenas 3,52%,
foram adicionadas a este segmento
demonstrando uma maior disponibilidade da
populacional, das quais 70.152 eram
primeira para o mercado de trabalho. Já entre
compostas por homens e 63.557, por
aqueles com idade igual ou maior que 25
mulheres. Por sua vez, a PEA feminina
anos, a tendência é inversa, ou seja, a PEA das
apresentou um crescimento de 9,79%,
mulheres adultas crescem 13,75% e a dos
enquanto que a masculina ficou em 8,92%.
homens adultos, 10,12%. Ou seja, o
Abordando
a
Um outro aspecto importante
crescimento da PEA masculina jovem foi
observado é o fato de a maior concentração
superior em quase quatro vezes o da PEA
dessa população se dar na faixa de 25 anos ou
feminina jovem, enquanto as mulheres adultas
mais (74%). Isso posto, só confirma a tendência
apresentaram uma maior ampliação da PEA,
natural da força de trabalho desse grupo etário,
quando comparada a dos homens (Tabela 2).
72
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 2
População economicamente ativa, por gênero, segundo os grupos de idade
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
73
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
3 População Ocupada
A população ocupada da Região
ocupação em 2004, segundo a posição na
Metropolitana de Fortaleza passou de
ocupação, percebeu-se que grande parte dos
1.263.564, em 2001, para
1.363.654
ocupados era composta de empregados
pessoas, em 2004, representando um
(59,86%), por conta-própria (22,38%) e
adicional de 100.090 postos de trabalho, no
trabalhadores domésticos (9,64%). E, nesse
período, e uma média anual de 33.363
último segmento, predominava a participação
trabalhadores. Nesse período, o número de
feminina, cujo número de ocupadas chegava a
pessoas ocupadas aumentou 7,92%, sendo o
120.110, enquanto em termos masculinos, no
crescimento da ocupação feminina de 8,20%,
mesmo ano, só havia 11.295 trabalhadores
e da masculina, 7,70%. Enquanto as
ocupados nesta categoria. As mulheres
oportunidades de trabalho para os homens
também foram superiores aos homens nos
ampliaram-se em 18.058 vagas, na média
segmentos ocupacionais de trabalhadores na
anual do período, no caso feminino, essa
produção para o próprio consumo e no
média chegou a 15.305, isto é, apesar de
segmento dos não-remunerados. Em tese,
terem detido taxas de crescimento bem
apesar de o crescimento da ocupação feminina
próximas, o número absoluto de oportunidades
ter sido pouco superior ao da masculina, os
de trabalho para os homens foi maior posto
homens detinham uma melhor qualidade do
que o estoque de homens ocupados é superior
trabalho, retratando a forma precária como
ao de mulheres.
parte da força de trabalho feminina se insere no
2
mundo laboral (Tabela 3).
Analisando - se a evolução da
________________
2
Pessoa que trabalhava para um empregador (pessoa física ou jurídica), geralmente obrigando-se ao cumprimento de uma jornada de
trabalho e recebendo em contrapartida uma remuneração em dinheiro, mercadorias, produtos ou benefícios (moradia, comida, roupas,
etc.).Nesta categoria incluem-se as pessoas que prestavam o serviço militar obrigatório e, também, o sacerdote, ministro da igreja, pastor,
rabino, frade, freira e outros clérigos.
74
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 3
População ocupada, por posição na ocupação no trabalho principal,
segundo o gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
A taxa média de ocupação jovem foi de
e da grande pressão do jovem pelo primeiro
42,14%, enquanto a adulta, 62,42%, o que
emprego, a ocupação do homem adulto ainda
atesta que a ocupação adulta foi, em média,
é superior em 55,15%. Por outro lado, se os
48,13% maior que a do jovem. Fazendo uma
adultos recuperaram em 2004 o nível de
análise das taxas de ocupação no quadriênio
ocupação de 2001, entre os jovens a taxa de
2001-2004, notou-se que a taxa média de
ocupação é continuamente declinante
ocupação do homem jovem foi de 49,86%,
(44,03% para 40,23%). Ademais, é importante
contra 77,36% do homem adulto, ou seja,
ressaltar que, nesse período, houve redução na
apesar da seletividade do mercado de trabalho
taxa de ocupação, saltando de 52,10%, em
75
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
2001, para 47,15%, em 2004 (homem jovem),
justificar-se pela maior experiência no mercado
enquanto a taxa de ocupação dos homens
de trabalho e o grau de qualificação, cenários
adultos saiu de 78,56%, em 2001, para
opostos à mulher jovem, que muitas vezes não
78,25%, em 2004.
consegue maior inserção no mercado em
A taxa média de ocupação das
virtude, principalmente, da falta de experiência
mulheres jovens foi de 35,05%, enquanto que a
de trabalho anterior (Tabela 4). Em síntese,
da mulher adulta alcançou uma taxa de
entre jovens e adultos, o patamar de ocupação
50,12%. O fato de a mulher adulta possuir
masculina supera a feminina.
taxas superiores as da mulher jovem pode
Tabela 4
Indicadores médios anuais de ocupação jovem e adulto
Região Metropolitana de Fortaleza
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Outro ponto importante a ser
participação de pessoas ocupadas, o
considerado diz respeito à distribuição dos
equivalente a 19,30% e 22,52% do total de
ocupados segundo a atividade econômica.
ocupados, respectivamente. No caso da
Assim sendo, verificou-se que os ramos da
indústria de transformação, a presença
indústria e do comércio detêm a maior
feminina (21,78%) foi superior a do homem
76
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
(16,30%). Mesmo considerando que a partici-
nos serviços domésticos, fato observado tanto
pação masculina é tradicionalmente maior no
em 2001, quanto em 2004 - Tabela 3. Em
referido setor, essa realidade em 2004 pode ser
2004, eram 120.110 mulheres ocupadas
justificada pela maior pressão da mulher no
nesse ramo contra 11.295 homens.
mercado de trabalho e pelo fato de as mesmas
ramos relacionados à educação, saúde e
terem a preferência do mercado em determi-
serviços gerais, a inserção feminina mostrou-se
nados ramos de atividade industrial, como é
também mais expressiva, obtendo um total de
caso da indústria de confecção e de calçados.
97.334 pessoas ocupadas, o equivalente a
Nos
quase três vezes o número de homens no
Além dos ramos citados acima, a
referido ramo (Tabela 5).
mulher também tem uma maior participação
Tabela 5
População ocupada, por grupamentos de atividade do trabalho principal, segundo o gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
77
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
No tocante à jornada de trabalho,
A ampliação da jornada oficial em
52,07% dos trabalhadores ocupados possuíam
setores como a indústria e o comércio pode ser
jornadas de 40 a 48 horas semanais. Da
melhor entendida se se levar em consideração
análise individual das mesmas, foi percebido
que esses setores possuem momentos sazonais
que os ocupados com jornada de 40 a 44
e d e a um e n t o d a p r o d uç ã o , m a i s
horas eram predominantemente vinculados
especificamente a indústria, em decorrência do
aos ramos da indústria, comércio e educação,
aumento da demanda, o que pode interferir,
saúde e serviços gerais. Na verdade essa
sobremaneira, no aumento da jornada
constatação pode ser justificada por se tratar de
motivada pelas horas extras. E apesar do
uma jornada oficial e visto que os respectivos
aumento real da jornada com maior
ramos possuem uma maior formalização do
formalização, o setor de comércio e reparação
trabalho. Já na jornada seguinte, de 45 a 48
registrou 94.471 pessoas com jornada de 49
horas, os setores da indústria e comércio
horas ou mais de trabalho, o que em tese pode
também tiveram o maior número de ocupados
ser ratificado pelos argumentos citados
com essa jornada.
anteriormente (Tabela 6).
Tabela 6
População ocupada, por grupos de horas habitualmente trabalhadas por semana e os
grupamentos de atividade do trabalho principal
Região Metropolitana de Fortaleza
2004
78
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
...Continuação da Tabela 6
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nos últimos anos, diversos estudos têm
Na área metropolitana de Fortaleza, as
apontado para a perda do poder de compra do
condições salariais não diferem do quadro
salário-mínimo
conseqüente
acima. Do total de pessoas ocupadas em
empobrecimento da classe média no país, haja
2004, 29,80% percebiam de ½ a 1 salário-
vista o aumento excessivo dos impostos e a
mínimo, quando, em 2001, foi estimado
queda do poder aquisitivo. Ora, numa análise
24,74%. Se comparado a 2001, houve um
de menor retórica dessa realidade, uma
incremento de 93.762 pessoas com esse nível
parcela significativa da população com maior
de salário, correspondendo a um aumento
salário está ficando mais pobre e, na outra
relativo da ordem de 29,99%, no referido
ponta, os menos favorecidos pelos bons
período. Na faixa seguinte, de 1 a 2 salários-
salários continuam mais pobres e sem
mínimos, eram 414.874 pessoas ocupadas,
perspectiva de aumento real em seus
contra 383.348, em 2001. Em termos
rendimentos. Em síntese, baixos salários não
relativos, essa faixa representava 30,34%, em
rimam com melhores condições de vida.
2001, passando para 30,42%, em 2004.
e
do
79
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Comparando-a a anterior, o contingente de
meio salário mínimo, onde a mulher registrou
ocupados nesses anos deu-se com menor
um crescimento em 34,84%, em 2004. Além
intensidade. Numa demonstração mais
do mais, nas faixas de maior salário, as
pessimista desse quadro, verificou-se que
diferenças salariais de homens e mulheres
12,39% (168.983) dos ocupados ganhavam
tornam-se mais evidentes. É o que se pode
até meio salário-mínimo. De 2001 para 2004,
observar, por exemplo, nas faixas de 2 a 3 SM,
os ocupados com esse nível de salário
3 a 5 SM e mais de 20 SM, nas quais as
cresceram 22,06%.
mulheres ocupadas tiveram participação
menor, da ordem de
Nas faixas salariais acima de 2
38,61%, 42,04% e
70,00%, respectivamente (Tabela 7).
salários-mínimos houve redução do número de
ocupados, à exceção da faixa de 3 a 5 salários,
É possível atestar ainda que, para cada
que detinha 97.542 pessoas em 2001 e passou
15,40 pessoas ocupadas que percebiam até 1
para 107.739, em 2004. Nas faixas seguintes,
SM, exitia uma ganhando acima de 10
acima de 3 salários mínimos, houve redução
salários-mínimos, em 2004. Em 2001, porém,
do número de ocupados, o que expõe a tese de
essa relação era de apenas 8,9, o que
que os trabalhadores que percebiam melhores
demonstra uma intensificação da presença da
salários integram uma classe gradativamente
população ocupada nas faixas de menor
menor. A título de exemplo, viu-se que entre
salário. Partindo dessa mesma relação, mas
aqueles da faixa de 2 a 3 salários mínimos a
focada no gênero, o estudo revelou que, no
redução das pessoas ocupadas foi de 31,00%,
caso masculino, a variação passou de 5,6
enquanto para aqueles na faixa de 10 a 20
(2001) para 9,89 (2004), enquanto no caso
salários, a redução foi de 17,81%.
feminino, de 17,46 para 30,93. Os dados
No tocante ao gênero, o homem foi
acima revelam, porém, que os maiores salários
maioria em quase todas as faixas salariais, com
estão cada vez mais concentrados em seleto
exceção dos ocupados com rendimento de até
grupo de trabalhadores, notadamente homens.
80
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 7
População ocupada, por classes de rendimento mensal do trabalho principal, segundo o gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: Inclusive as pessoas que receberam somente em benefícios.
Mesmo considerando que os ocupados
torno dessa discussão é que, nos últimos anos,
aqui analisados compreendem aqueles com
a mulher tem conseguido obter melhores perfis
carteira de trabalho assinada e os que
de escolaridade, mas os efeitos na ascensão
trabalham em ocupações informais, o fato é
salarial continuam a desejar e a fomentar
que os homens detêm maiores salários. No
tamanhas discrepâncias no mercado de
âmbito do emprego formal, que absorve
trabalho. A seguir, é apresentado o gráfico da
somente aqueles com registro em carteira, a
população ocupada, com base nos anos de
participação masculina também mostra-se
2001 e 2004, de acordo com as faixas de
superior à feminina. O fato mais intrigante em
salários.
81
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
E esse reconhecimento de que as
somavam 40.521, em 2001, chegando a
mulheres têm avançado na sua escolaridade,
47.136, em 2004 (17,10%). Se se avaliar
pode ser corroborado pela Tabela a seguir. Em
somente o ano de 2004, para efeito de
2001, o número de mulheres ocupadas com
comparação, a participação feminina foi
15 anos ou mais de estudo era de 46.426,
superior a masculina em 42,39%. Enquanto
passando para 67.117, em 2004, um
6,22% dos homens ocupados têm 15 anos ou
crescimento de 44,57%. Por outro lado, os
mais de estudo, entre as mulheres chegou-se a
homens com esse mesmo tempo de estudo
11,08%.
82
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Na faixa de 11 a 14 anos de estudo,
crescimento maior do contingente de
apesar da pequena diferença, em termos
ocupados, por outro, os cursos alternativos que
absolutos, em 2004, o crescimento relativo de
reduzem o tempo de conclusão da
2001 para 2004, no caso masculino, foi de
escolaridade formal podem estar contribuindo,
47,18% (143.753, em 2001; 211.575, em
sobremaneira, para a elevação dos anos de
2004), enquanto o gênero feminino obteve, no
estudo. Nas classes com menor tempo de
mesmo período, um crescimento da ordem de
estudo, porém, os homens superam as
31,22%. Se, por um lado, houve um
mulheres (Tabela 8).
Tabela 8
População ocupada, por grupos de anos de estudo, segundo o gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
4 População Desocupada
desocupação masculina ampliasse em
O número de pessoas desocupadas na
35,27%, a feminina foi acrescida em 22,60%.
área metropolitana de Fortaleza, de 2001 para
2004, registrou um incremento de 33.619
No caso dos adultos, a taxa de
pessoas, um crescimento de 19,58%, no
desocupação, em 2001, foi de 8,31%,
referido período. Anualmente foram
elevando-se para 8,50%, em 2004, o que
incorporadas 11.206 pessoas à desocupação
representou uma variação de 2,29%. Nesse
na RMF, em média, chegando-se a 205.278
caso, enquanto a desocupação adulta do
pessoas desocupadas.
homem teve um decréscimo de 1,00%, a das
mulheres foi de 4,26%.
As estatísticas da população
desocupada vêm a confirmar, em especial para
Em síntese, pode-se observar que a
os jovens, a alta taxa de desocupação, que
desocupação jovem do homem foi superior a
também é observada em outras fontes de
das mulheres e que a desocupação da mulher
informações. De 2001 para 2004 a taxa de
adulta foi superior a do homem. Ademais, a
desocupação jovem evoluiu de 22,69% para
intensidade da desocupação do jovem, ao
26,99%, fazendo com que o número de jovens
longo dos anos aqui mencionados, foi de,
desocupados apresentasse um crescimento de
aproximadamente, três vezes e meia a do
28,75%. Nesse segmento, enquanto a
adulto, superior a registrada para o estado.
84
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Em termos de anos de estudo, foi
107.093, contra 98.185 dos homens. Esse
percebido que os desocupados nas classes de 8
crescimento em relação ao homem expõe uma
a 10 anos e 11 a 14 anos de estudo tiveram
maior procura por trabalho, o que em tese tem
maior número de desocupados, o que pode ter
sido observado em âmbito nacional, assim
sido influenciado por uma maior procura por
como em outras fontes de informações.
Relacionando esses resultados ao
trabalho, haja vista que, em ambas as classes, a
gênero feminino e aos anos de estudo, foi
demanda por trabalho tende a ser maior.
No tocante ao gênero, em 2004, o
percebido que, à medida que aumenta o
número de mulheres desocupadas foi de
tempo de estudo, amplia-se o número de
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
trabalhadores desocupados, de 2001 para
superior a dos homens no âmbito dos
2004. A única exceção foi na classe de 1 a 3
desocupados com 15 anos ou mais de estudo.
anos, saindo de 7.666 pessoas desocupadas,
Em 2001, 3,57% (3.194) delas estavam
em 2001, para 4.564, em 2004. No caso dos
desocupadas ampliando-se para 5,07%
homens, a tendência foi semelhante, exceto
(5.431), em 2004. Já para os homens com
para aqueles sem instrução e com menos de 1
essa mesma classe, os percentuais eram de
ano de estudo.
2,07% (1.704), em 2001, passando para
3,10% (3.043), em 2004 (Tabela 9).
Outro aspecto observado foi o fato de
as mulheres possuírem uma participação
Tabela 9
População desocupada, por gênero, segundo os grupos de idade
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
35,27% (homens).
Adicionalmente, cabe salientar que o
número de mulheres desocupadas, na faixa de
Por fim, na faixa de idade igual ou
15-24 anos, passou de 42.170, em 2001,
maior a 25 anos, aqui compreendida como
para 51.701, em 2004. Nesse ínterim, o
adulta, o nível da desocupação cresceu 9,05%
número de homens desocupados creseu de
para os homens e 18,91% para as mulheres, o
39.825 (2001) para 53.871 (2004). Nos dois
que pode ser entendido como uma maior
casos mencionados, o crescimento da
pressão da mulher por uma vaga no mercado
desocupação chegou a 22,60% (mulheres) e
de trabalho (Tabela 10).
Tabela 10
População desocupada, por grupos de anos de estudo e gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
ANEXO
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 1
Indicadores médios anuais de ocupação, por gênero, segundo os grupos de anos de estudo
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 2
Composição da população ocupada e valor do rendimento médio mensal de
todos os trabalhos, segundo as classes de rendimento mensal, por gênero
Região Metropoliana de Fortaleza
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 3
Empregados e valor do rendimento médio mensal do trabalho principal, segundo a categoria do
emprego, por gênero
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 4
População ocupada, por gênero, segundo os grupos de idade
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 5
População ocupada, por grupos de horas trabalhadas por semana e a
posição na ocupação no trabalho principal
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Nota 1: Inclusive as pessoas sem declaração de atividade.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 6
Indicadores médios anuais de desocupação jovem e adulto
Região Metropolitana de Fortaleza
2001-2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Tabela 7
Indicadores médios anuais de desocupação, por gênero, segundo
os grupos de anos de estudo
Região Metropolitana de Fortaleza
2001/2004
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
98
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Considerações finais
O presente estudo mostrou que o
nas suas áreas urbanas, dado o aumento das
crescimento das oportunidades de trabalho,
populações ocupada (de 70,80% para
tanto no estado, quanto na Região
72,37%) e desocupada (de 95,18% para
Metropolitana de Fortaleza (RMF), não
96,04%) nessas áreas.
favoreceu uma melhor performance das
A constatação dessa realidade, por um
estatísticas do mercado de trabalho,
lado, reflete a distribuição espacial da força de
principalmente porque a maior oferta de vagas,
trabalho cearense e, por outro, a persistência
confirmada pela elevação do nível de
do desequilíbrio entre o crescimento
ocupação, associada a um ritmo mais
macroeconômico do estado com a economia
acelerado de expansão da população
de
economicamente ativa, pode ter favorecido
Consequentemente, a causa mais visível desse
uma procura por trabalho mais intensa. A
problema tem sido a crescente urbanização,
conseqüência disso foi à elevação da taxa de
visto que a população urbana, que em 2001
desocupação, tanto no estado, quanto na RMF.
era 2,93 vezes maior que a da população rural,
Um aspecto positivo foi que a relação
em 2004, chegou a ser 3,26. Isto posto, faz
d a p o p u l a ç ã o o c u p a d a d a Re g i ã o
mister uma permanente avaliação e
Metropolitana de Fortaleza diante da do estado
aprimoramento das diversas políticas públicas
caiu de 2,81 (2001) para 2,65 (2004),
voltadas para o interior do estado.
seu
interior
urbano
e
rural.
sinalizando algum nível de descentralização
Um outro aspecto em destaque foi a
das oportunidades de trabalho para o interior
confirmação de certas premissas, sobretudo,
cearense. Verificou-se também que a demanda
relacionadas às maiores dificuldades de
por trabalho cearense está muito centralizada
inserção das populações jovem (nas áreas
99
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
urbanas) e feminina (nas áreas rurais) no
nos centros urbanos, sobretudo na Região
mercado de trabalho local.
Metropolitana de Fortaleza, onde o nível de
Com relação às mulheres, observou-se
ocupação dos adultos foi, em média, 48% mais
que o patamar de ocupação masculino foi, em
elevado que o do juvenil. A maior
média, 49% mais elevado na Região
concentração de jovens, precipuamente na
Metropolitana de Fortaleza, chegando a 54%,
capital cearense, propiciou essa concorrência
no plano estadual.
mais acirrada, visto que o nível ocupacional
Entretanto, o dado que
sinaliza com maior clareza essa dificuldade de
tem crescido também para este segmento.
inserção das mulheres nas áreas rurais foi o de
Os dados mostraram uma situação
desocupação, tanto segundo o gênero, quanto
mais favorável para os jovens no interior do
em nível geográfico (estado e RMF).
estado, principalmente nas áreas rurais, fato
O patamar de desocupação feminina
que contribuiu para a redução do diferencial
foi, em média, 29% mais elevado do que o dos
do patamar de desocupação entre jovens e
homens, na RMF, chegando a 52%, no estado,
adultos para 29%, no plano estadual. Apesar
o que ratifica essa maior dificuldade de
dessa melhoria, os jovens cearenses encontram
inserção ocupacional das mulheres nas áreas
ainda dificuldades de inserção no mercado de
rurais. A constatação dessa realidade reforça a
trabalho local, visto que a desocupação juvenil
necessidade de uma maior atenção na questão
mantém-se três vezes mais elevada do que o
de gênero, na formulação das políticas
dos adultos, quer na RMF, quer no estado,
públicas voltadas para a geração de trabalho e
apesar de que a maioria dos empregos
renda, sobretudo, no meio rural.
gerados com carteira assinada no Ceará foi
Verificou-se, por outro lado, que a
ocupada por jovens de 15 a 24 anos, conforme
população jovem enfrenta uma situação
os números do Cadastro Geral de Empregados
inversa, haja vista que ela tem encontrado
e Desempregados (CAGED). Em 2004, por
maior dificuldade de colocação exatamente
exemplo, dos 31.240 empregos gerados,
100
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
Dessa forma, apesar desse trabalho ter
26.601 foram ocupados por jovens.
Verificou-se ainda que, tanto no
sinalizado a melhoria de vários indicadores do
estado, quanto na Região Metropolitana de
mercado de trabalho, faz mister um debate dos
Fortaleza, as disparidades de rendimentos entre
velhos problemas que afligem o mundo
homens e mulheres vêm declinando ao longo
laboral, além da necessidade de um contínuo
do tempo. Um exemplo observado foi com
aprimoramento das políticas públicas, a fim de
relação à população empregada com carteira
que estado e sociedade encontrem caminhos
assinada, cuja diferença caiu de 35% (2001)
alternativos de geração de trabalho e renda,
para 21% (2004), no estado e, de 23% para
visando a inclusão social.
15%, na RMF, no mesmo período.
101
Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo
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IDT, Mercado de trabalho jovem no Ceará: dimensões e características. Fortaleza: IDT, 2005.
POCHAMANN, Márcio. A Batalha do primeiro emprego: as perspectivas e a situação do jovem no
mercado de trabalho brasileiro. São Paulo: Publischer Brasil. 2000.
102
INSTITUTO DE
DESENVOLVIMENTO
DO TRABALHO
ESTADO DO CEARÁ
SECRETARIA DO TRABALHO
E EMPREENDEDORISMO
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