15a O CUMPRIMENTO DA DIVULGAÇÃO OBRIGATÓRIA DA IFRS3 NOS PAÍSES EMERGENTES Sónia Raquel Baptista Fernandes Professora Auxiliar na ECEO da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e Professora Equiparada a Assistente na ESCE do Instituto Politécnico de Setúbal Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Isabel Costa Lourenço Professora Associada do ISCTE –Instituto Universitário de Lisboa ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa Área temática: A) Informação Financeira e Normalização Contabilística Palavras-Chave:Divulgação Obrigatória, Combinações de Negócios, Países Emergentes, IFRS´s O CUMPRIMENTO DA DIVULGAÇÃO OBRIGATÓRIA DA IFRS3 NOS PAÍSES EMERGENTES Resumo O cumprimento divulgação obrigatória exigida pelas IFRS’s é de extrema importância para os utilizadores da informação pois é com base nesta que tomam decisões. Mas será que as empresas cumprem com a divulgação exigida pelas IFRS’s? Este estudo tem como objetivo verificar o cumprimento das divulgações exigidas pela IFRS 3 nos países emergentes e ainda que fatores a poderão influenciar. No estudo pôde-se constatar que em 2012 nível de cumprimento é moderado e os dados menos divulgados estão relacionados com o goodwill. Pôde-se ainda verificar que o leverage influencia negativamente a divulgação e a rentabilidade dos ativos influencia positivamente. ELCUMPLIMIENTO DE LA DIVULGACIÓN OBLIGATORIADE LAIFRS 3EN LOS PAÍSES EMERGENTES Resumen La divulgación obligatoria requerida por las IFRS(International Financial Reporting Standards) es de suma importancia para los usuarios de la información. Este estudio tiene como objetivo verificar el cumplimiento de las revelaciones requeridas por la IFRS3(Combinaciones de negocios) en los países emergentes, y qué factores pueden influir. En el estudio se observó que en 2012 el nivel de cumplimiento es moderado. También podemos confirmar que los datos reportados son menos las correspondientes al goodwill. Todavía podemos ver que el leverage tiene una influencia negativa sobre la divulgación y que el rendimiento de los activos tiene una influencia positiva. Índice 1. Introdução............................................................................................................................ 2 2. Revisão da Literatura......................................................................................................... 5 3. Desenvolvimento de hipóteses ...................................................................................... 10 3.1 Leverage ......................................................................................................................... 11 3.2 Rentabilidade dos Ativos .............................................................................................. 11 3.3 Cotação no mercado dos Estados Unidos................................................................. 12 3.4 Tamanho ......................................................................................................................... 12 4. Modelo estatístico............................................................................................................. 13 4.1 Amostra e dados....................................................................................................... 13 4.2 Variáveis.......................................................................................................................... 13 4.2.1 Variável dependente .............................................................................................. 14 4.2.2 Variáveis Independentes....................................................................................... 16 4.2.3 Modelo de Investigação......................................................................................... 17 5. Resultados......................................................................................................................... 17 5.1 Estatística Descritiva e Correlações...................................................................... 17 6. Conclusões........................................................................................................................ 21 Bibliografia ................................................................................................................................. 22 1 1. Introdução O cumprimento da divulgaçãoé extremamente importante para os utilizadores da informação, pois estes necessitam desta para tomar decisões.A divulgação é assim um tema de investigação com vários sentidos. Alguns estudos anteriores demonstraram que a divulgação afeta as decisões dos investidores (Bhasin eShaikh, 2011), o custo de capital (Botosan, 1997) e da dívida (Sengupta, 1998) e melhora a capacidade de previsão dos analistas financeiros (Glaum, Baetge e Grothe, 2011). Tendo em conta o impacto que a divulgação contabilística pode terde acordo com os estudos realizados, os reguladores têm de assegurar que a informação financeira é precisa e transparente, aumentando assimas divulgações obrigatórias e também envolvendo os chamados mecanismos de “enforcement”. Como aumento das divulgações obrigatórias nos últimos anos devido à crescente necessidade de informação, a investigação sobre divulgação obrigatória também tem aumentado, apesar de que ainda existe mais estudos sobre divulgação voluntária do que sobre divulgação obrigatória. Alguns estudos demonstraram que a qualidade da informação melhorou com a adoção das normas internacionais – IFRS´s -International Financial Reporting Standards (Leuz e Verrecchia, 2000; Daske eGebhardt, 2006) e este facto consequentemente afetará os utilizadores da informação. Mas será suficiente para os utilizadores da informação a aplicação das IFRS’s? Será que o facto das empresas adotarem as IFRS’s significa que a informação divulgada é fiável? Será que as empresas cumprem com a divulgação exigida pelas IFRS’s? A realidade é que as IFRS’s exigem cada vez mais informação, consoante as necessidades verificadas pelos utilizadores, no entanto, se as empresas não cumprirem com o que é exigido poderão estar a fornecer informação errada ou até omitir informação que poderá influenciar as decisões dos utilizadores.E é devido a esta problemática que os estudos sobre o cumprimento da divulgação obrigatória têm aumentado. Como a divulgação exigida pelas normas é substancial decidimos centrar o nosso estudo numa única norma – a IFRS 3 – Combinações de Negócios. A IFRS 3 é a norma empregada para as combinações de negócios e tem como objetivo estabelecer 2 princípios e requisitos a utilizar pela empresa adquirente. Entre estes princípios e requisitos temos: como a empresa adquirente deve reconhecer os ativos adquiridos e passivos assumidos numa combinação de negócios, assim como os respetivos interesses minoritários, goodwill ou badwill e quais a informações que se devem divulgar nas demonstrações financeiras das empresas relativamente a esta matéria. Consideramos que a IFRS 3 é uma norma bastante importante para os utilizadores pois as combinações de negócios refletem o investimento das empresas em novos mercados de modo a aumentar a competitividade, diminuem o risco e a concorrência e criam sinergias de apoio entre empresas. As combinações de negócios poderão afetar ainda significativamente as demonstrações financeiras das empresas, nomeadamente com ativos e passivos adquiridos e ainda com o goodwill ou badwill reconhecido. Por isso, é de extrema importância que os utilizadores consigam perceber este efeito. Inclusive, Lucas e Lourenço (2011) e Glaumet. al.(2013)já realizaram estudos sobre divulgação obrigatória com esta mesma norma devido à sua relevância. Depois de escolhida a norma a investigar, foi necessário então selecionar o espaço da amostra. Verificando-se que já existem estudos sobre o cumprimento da divulgação desta norma realizados no universo europeu procura-se acrescentar evidência empírica em locais onde provavelmente existam bastantes combinações de negócios de forma a identificar os fatores mais influentes na divulgação deste tipo de matéria. Analisando desta forma consideramos pertinente que a amostra deva ser recolhidaem paísesemergentes. Escolheu-se os mercados emergentes porque devido à globalização os mercados de capitais estão acessíveis aos investidores do mundo inteiro o que aumenta a procura de informação transparente e fiável, incluindo a informação acerca de combinação de negócios. As empresas dos mercados emergentes competem nos mercados globais e provavelmente a maioria delas faz parte de uma “nova economia” onde existirão hipoteticamente muitos tipos de combinações de negócios. Num estudo realizado por Peltonenet al. (2012) demonstrou-se que o PIB e o custo de capital são a principal determinante do investimento nos países emergentes. O segundo fator mais determinante são as características financeiras (ex. preço das ações) principalmente em países asiáticos e da américa latina. Como terceiro e quarto aparece o fator do crescimento do investimento e a situação dos países em crise. De acordo com Peltonenet al.(2012) que aponta as características financeiras como o segundo fator determinante do investimento em países emergentes, despoletou-se 3 uma necessidade de perceção dos fatores que possam afetar o cumprimento da divulgação obrigatória neste tipo de mercados demodo a aumentar a transparência da informação para que se possa cumprir com as necessidades de informação dos investidores estrangeiros. Já existem alguns estudos neste tipo países ao nível do cumprimento da divulgação nomeadamente os estudos deWallace e Naser (1995) Hasanet al. (2008). No entanto, estes estudos foram realizados em países emergentes individualmente. Existe ainda estudos sobre divulgação voluntária em mercados emergentes, nomeadamente o estudo realizado por Kanget al. em 2011. Dada a importância das divulgações exigidas pela IFRS 3 e o impacto que esta pode ter nomeadamente em países de forte investimento (países emergentes) procura-se evidência empírica sobre os fatores determinantes da divulgação obrigatória nestes locais. O estudo encontra-se numa fase inicial, sendo que à data encontram-se analisados dois países emergentes, o Brasil e a Rússia. Nestes dois países foram recolhidos os relatórios das empresas cotadas brasileiras no índice IBOVESPA(71 empresas) e também em empresas cotadas russas nos índices MICEX-RTS (50 empresas), nomeadamente para o ano de 2012.O índice IBOVESPA do Brasil é composto pelas ações das empresas que proporcionam mais liquidez e representatividade no mercado bolsista brasileiro.Por sua vez, o índice MICEX e o índice RTS, ambos da Rússia são compostos pelas 50 ações mais líquidas do mercado russo. Estas ações pertencem a grandes empresas russas que estão inseridas em setores da economia russa. Estes índices estão entre os principais índices de ações do mundo. Foi selecionado o ano de 2012, pois o estudo foi iniciado este ano e na data em que se iniciou a recolha somente havia relatórios de 2012 disponíveis. Note-se que este estudo encontra-se numa fase inicial e que no futuro se tencionam introduzir mais anos. Depois da recolha dos relatórios foi necessário verificar em cada relatório quais as empresas que têm combinações de negócios e com isto chegámos a uma amostra composta por 41 empresas. No entanto, apenas se conseguiu analisar 32 empresas (18 brasileiras e 14 russas) uma vez que algumas tiveram de ser eliminadas devido à base de dados Datastream não ter os dados necessários e outras devido a serem considerados como outliers estatisticamente. Consideramos que temos ainda poucos dados, e iremos incluir futuramente mais empresas de cada um dos países já analisados e é claro outros países emergentes como por exemplo a Africa do Sul. 4 Com os dados disponíveis nesta fase do estudo não é possível analisar muitos fatores determinantes da divulgação. Então criou-se uma regressão em que a variável dependente é um índice de divulgação criado de acordo com as divulgações exigidas pela IFRS 3. E as várias variáveis independentes selecionadas foram: o Leverage, rentabilidade dos ativos, o facto de as empresas serem cotadas no mercado bolsista americano e ainda o tamanho das empresas. Neste estudo pôde-se concluir que o nível de cumprimento com a divulgação exigida pela IFRS 3 nos países em análise é moderado e que os dados que as empresas mais divulgam é a data de aquisição da combinação de negócios, assim como, a percentagem adquirida. Os dados menos divulgados pelas empresas estão relacionados com o goodwill, nomeadamente a descrição qualitativa do goodwill e o efeito deste a nível fiscal. Constatou-se ainda que o índice de divulgação é em média maior nas empresas russas comparativamente com as empresas brasileiras. Pôde-se ainda verificar que o leverage influencia negativamente a divulgação e a rentabilidade dos ativos influencia positivamente. E finalmente foi ainda possível verificar que as empresas brasileiras divulgam menos, mas se estas forem cotadas nos Estados Unidos divulgam mais informação obrigatória. O estudo está organizado como se segue. Na seção 2 é a revisão da literatura sobre determinantes da divulgação, consequências da divulgação e também sobre países emergentes. Na seção 3 desenvolvem-se as hipóteses. Na seção 5 revelam-se os resultados e finalmente na seção 6 apresenta-se a conclusão. 2. Revisão da Literatura Neste momento existem já muitos estudos sobre a divulgação de informação contabilística, apesar de que ainda dominam os estudos sobre divulgação voluntária e não obrigatória. São exemplos de estudos de informação voluntária: Banghøj e Plenborg, (2008) analisaram de que forma o nível de divulgação voluntária pode afetar os futuros ganhos eHussainey e Walker, (2009) analisaram o efeito nos dividendos da divulgação voluntária e a relação entre os ganhos atuais e os ganhos futuros. A divulgação obrigatória começou a centrar as atenções dos investigadores em contabilidade nos últimos anos. E este fenómeno deve-se ao facto deste tipo de divulgação ter evoluído bastante recentemente, ou seja, cada vez se compreende 5 melhor as necessidades de informação dos utilizadores e por conseguinte as normas cada vez exigem mais informação nesse sentido. Se as normas se estão a aperfeiçoar ao longo do tempo, exigindo o que os utilizadores necessitam para que possam tomar decisões é provável que as empresas cada vez tenham menos necessidade de divulgação voluntária. Então se a divulgação obrigatória vai de encontro às necessidades dos utilizadores da informação é de extrema importância perceber se esta é cumprida ou não pelas empresas. É ainda de salientar que se a divulgação for obrigatória todas as empresas deveriam divulgar o mesmo e não deveria de existir diferenças entre a divulgação das empresas. Esta problemática já foi investigada em vários estudos em que por exemplo se testou de que forma características empresarias como o leverage, o tamanho, a rentabilidade, o tipo de auditor, entre outras podem afetar o nível de cumprimento da divulgação. Wallace e Naser (1995) testaram o impacto de características empresariais em 80 empresas cotadas no mercado de Hong Kong em 1991. Estes autores criaram um índice de divulgação baseado nas normas vigentes naquela data e local a acharam níveis de cumprimento divulgação situados entre os 55,3% e os 87,2%. Neste estudo ficou demonstrado que o cumprimento está positivamente relacionado com o tamanho e negativamente relacionado com os lucros. Outras variáveis como o retorno dos lucros, a liquidez, o leverage não se demonstraram significativas neste estudo. O cumprimento foi novamente testado em Hong Kong por Chen eJaggi (2000) e os resultados indicaram uma relação positiva entre a existência de diretores independentes e o cumprimento da divulgação. E ainda que esta relação se mostrou mais fraca em empresas familiares comparativamente com as não familiares. Owusu-Ansah (1998) investigou o impacto de características empresariais no cumprimento da divulgação com uma amostra de 49 empresas cotadas no Zimbabwe em 1994. O autor verificou que o nível de cumprimento neste país foi de 74,4% e que as variáveis como o tamanho, a idade, a pertença a uma multinacional, a rentabilidade e a proporção de ações detidas por insiders estão positivamente relacionados com as práticas de divulgação neste país. No entanto, variáveis como o tipo de auditor, tipo de indústria e liquidez demonstram-se estatisticamente insignificantes. Street e Bryant (2000)investigaram se a divulgação exigida pelas IASInternationalAccountingStandars - foi cumprida e ainda se o facto de as empresas estarem cotadas no mercado americano influencia o cumprimento. Estes autores chegaram à conclusão que o cumprimento está positivamente relacionado com o facto 6 de as empresas estarem cotadas no mercado americano. Os autores chegaram também à conclusão que a divulgação é maior quando é especificado numa nota do relatório que as normas dos IAS foram seguidas conjuntamente com as normas internacionais de auditoria em vigor. Street e Gray (2002)examinaram as demonstrações financeiras e as notas de empresas a nível mundial que adotassem as IAS de modo a verificarem o nível de cumprimento e ainda que fatores poderão estar associados a esse cumprimento. A maior descoberta deste estudo foi que existe um grande nível de incumprimento, essencialmente no que diz respeito às divulgações exigidas. Os autores demonstraram que os fatores que estão positivamente ligados com o cumprimento foram: o facto de as empresas estarem cotados nos Estados Unidos e/ou a não cotação no mercado regional; o facto de pertencerem ao setor comercial e de transportes, o facto de divulgarem que usam as IAS; o facto de serem auditadas pelas cinco maiores empresas de auditoria e por último se estão sediadas na China ou na Suíça. Verificou-se uma relação negativa com o cumprimento o facto de as empresas estarem sediadas na França, Alemanha e outros países da Europa Ocidental e ainda no continente africano. Hasanet al. (2008) estudou as mudanças ao longo do tempo na divulgação exigida em 86 empresas cotadas no Bangladesh para os períodos entre 1991 e 1998. Os autores verificaram que as exigências de divulgação são maiores em 1998 do que em 1991. O estudo demonstrou também que a qualidade do cumprimento aumentou durante o período em análise. Adicionalmente os autores verificaram também que variáveis como o tamanho, a qualificação do staff de contabilidade e o tipo de auditor está positivamente relacionado com o nível de cumprimento. Em 2005 a Austrália adotou as normas internacionais de contabilidade (IFRS). Esta adoção foi certamente a maior mudança ao nível de relato financeiro na história da Austrália o que originou muitos estudos de divulgação. Palmer (2008), investigou a qualidade da divulgação em relação ao cumprimento com o parágrafo 4.1 (b) do AASB 1047. Este parágrafo exigia uma explicação das diferenças nas políticas contabilísticas antes e após a adoção das normas internacionais. Neste estudo foi utlizada uma amostra de 150 empresas australianas cotadas. O autor chegou à conclusão que a qualidade da divulgação é influenciada pelo tamanho das empresas, peloleverage e pelo tamanho da empresa auditora. Kent e Stewart (2008) estudaram a relação entre o nível de divulgação e a qualidade da governança corporativa em empresas australianas para períodos antes de 30 de Junho de 2004. Eles demonstraram que a 7 quantidade de divulgação está positivamente relacionada com aspetos de governança corporativa como a existência comité de auditoria e a escolha do auditor. Iatridis e Valahi (2010) conduziram um estudo sobre o cumprimento voluntário das IAS 1 antes da adoção deste tipo de normas. Os autores tentaram identificar os motivos da adoção voluntária da IAS 1 e a relação entre a divulgação voluntária desta norma e o aumento do capital próprio, a remuneração dos gestores e o retorno do investimento. Os autores concluíram que as empresas com um “bom leverage” e uma boa rentabilidade e crescimento estão mais motivadas para a divulgação voluntária. Este estudo demonstrou ainda que as empresas que adotam voluntariamente IAS 1 têm aumentos no seu capital, remunerações de gestores mais altas e um retorno mais elevado. Lucas e Lourenço (2011) investigaram de que forma as características empresariais e as características dos países podem influenciar o nível de cumprimento. Este estudo foi realizado em empresas cotadas na Europa e foi verificado o nível de cumprimento nomeadamente com a IFRS 3 (combinações de negócios). Os resultados demonstraram que ambas as características podem influenciar o cumprimento (empresariais e de países). Os resultados deste estudo apontaram que as empresas localizadas nos países de “common-law” têm um forte nível de cumprimento da IFRS 3 e as empresas localizadas nos paises de “French-civil-law” têm um fraco cumprimento. Os resultados sugeriram ainda que o retorno dos ativos é um forte determinante do cumprimento. Um dos últimos estudos nesta área foi realizado por Glaum et al. (2013). Os autores analisaram o nível de cumprimento com a IFRS 3 (Combinações de Negócios) e a IAS 36em empresas europeias. Os autores acharam um elevado nível de incumprimento no que diz respeito a estas normas. Os autores também determinaram que quer características empresariais quer características dos países podem influenciar o cumprimento. Ao nível empresarial estes autores demonstraram que a importância do goodwill, a experiência com as IFRS’s, o tipo de auditor, a existência de um comité de auditoria, a emissão de títulos no período em estudo, a estrutura de poder da empresa são fatores que influenciam o cumprimento. No que diz respeito ao país, o nível de “enforcement” e o tamanho do mercado de capitais também influenciam o cumprimento. Finalmente eles também acharam que a cultura dos países (conservadorismo) também pode influenciar o cumprimento. Como pudemos verificar existem já alguns estudos sobre fatores que podem influenciar o cumprimento da divulgação, no entanto existem também outros estudos 8 que não são menos importantes que procuram evidência empírica ao níveldo impacto da divulgação. Estes estudos procuram demonstrar o que a divulgação pode acarretar. Por exemplo, Diamond e Robert (1991), Botosan (1997), Sengupta (1998) demonstraram que a revelação de informação reduz a assimetria de informação e reduz o custo de capital, atrai investidores e aumenta a liquidez. Gelb e Zarowin (2002) examinaram a relação entre a divulgação e o preço das ações e demonstraram que a divulgação está associada com o preço das ações que se revelem mais informativos quanto a futuros ganhos. Hope (2003), Hodgonet al. (2008) e Dhaliwal (2012) demonstraram que a divulgação influencia as previsões dos analistas financeiros. Daskeet al. (2008) analisou as consequências económicas da adoção das normas internacionais no mundo ao nível do custo de capital da avaliação do património, da liquidez do mercado e concluiu que o custo de capital diminuiu com a adoção das normas, a liquidez dos mercados aumentou e a avaliação patrimonial também, no entanto estes benefícios só se fizeram sentir em países com um forte nível de enforcement. Liuet al. (2011) analisou o impacto da adoção das normas internacionais na China (obrigatórias desde 2007) e concluiu que a qualidade da contabilidade melhorou com o aumento da relevância em medidas contabilísticas. Glaumet al. (2011) analisaram de que forma a introdução das normas internacionais na Alemanha melhoraram as previsões dos analistas financeiros. Berthelotet al. (2012) demonstrou que a publicação de relatórios de sustentabilidade também influenciam a divulgação. E finalmente cito o estudo de Balakrishnan e Yang (2012) em que foi demonstrado que as previsões dos analistas melhoraram em países que adotaram as normas e em que as suas normas regionais eram bastante diferentes das normas internacionais. Estando já demonstrado o quão importante é a correta divulgação e o impacto que esta pode ter e sendo que até à data ainda não se fez nenhum estudo que contemple vários espaços com culturas verdadeiramente diferentes em que a única semelhança entre eles é o facto de serem mercados/países emergentes. Achamos que podemos acrescentar conhecimento empírico demonstrando que fatores podem afetar o cumprimento da divulgação mais precisamente na IFRS 3. Kantet al.(2011) já realizou um estudo ao nível de divulgação voluntária nos mercados emergentes nomeadamente ao nível dos intangíveis e concluiu que fatores 9 como o leverage, a adoção das normas internacionais ou americanas e o tipo de indústria estão fortemente relacionadas com o nível de divulgação. Adicionalmente características específicas destes países como o risco associado às políticas económicas e aos sistemas legais deste tipo de países também influencia fortemente a divulgação. Existem outros estudos realizados em mercados emergentes como o estudo realizado por Paul N. Michas (2011). Este autor analisou a importância da profissão do auditor em mercados emergentes. Ele demonstrou que a qualidade da auditoria é maior em empresas localizadas em países onde a profissão de auditor está mais desenvolvida. No entanto estes resultados só se verificaram pelas empresas auditadas pelas 4 maiores empresas de auditoria. Poucos são os estudos sobre divulgação em países emergentes, por isso, procuramos acrescentar evidência empírico com o nosso estudo sobre o cumprimento nestes países. 3. Desenvolvimento de hipóteses Como não há nenhuma teoria estabelecida sobre o cumprimento das divulgações obrigatórias o nosso estudo é classificado como sendo exploratório (Glaumet al., 2013, Dinget al., 2007, Bushmanet al., 2004). No entanto, existem várias teorias que explicam as práticas de divulgação das empresas, nomeadamentea teoria da agência, dos custos políticos, da sinalização, da legitimidade, teoria da contingência (Lopes e Rodrigues, 2007). Baseado em considerações teóricas e em estudos empíricos sobre divulgação (obrigatória e voluntária), serão então desenvolvidas hipóteses nesta fase do estudo sobre características empresarias que afetem a divulgação, nomeadamente o Leverage, a rentabilidade dos ativos, o fato de serem cotadas nos Estados Unidos e finalmente o tamanho das empresas. 10 Note-se que o estudo está numa fase inicial e que de futuro com mais dados analisados irá ser introduzido variáveis que permitam identificar as diferenças nos países. 3.1 Leverage Nós selecionamos o Leverage porque alguns autores argumentam que as empresas com maior Leverage são suscetíveis de divulgar mais informação (Jensen e Meckling, 1976). A partir dessa perspetiva, foram realizados estudos anterioressobre o cumprimento da divulgação obrigatória (por exemplo, Wallace e Naser, 1995; Ali et al, 2004) e sobre divulgação voluntária (por exemplo, Lopes e Rodrigues, 2007). Nestes estudos conclui-se que com níveis elevados de divulgação é esperado uma redução de assimetria de informação e dos custos de agência e incentiva os investidores a diversificar sua carteira de aliviar as preocupações relacionadas com a situação financeira da empresa (Fergusonet al., 2002). Ou seja, é expetável que quanto maior for o Leverage maior será a divulgação. 3.2 Rentabilidade dos Ativos Nós selecionamos rentabilidade dos ativos porque acreditamos que este índice mede a qualidade dos investimentos. Portanto, quanto maior a taxa de rentabilidade, mais as empresas estão dispostas a revelar informações sobre seus investimentos. Essa tendência é apoiada pela teoria da agência, da sinalização e dos custos políticos (Inchausti , 1997). A teoria da agência sugere que os diretores podem usar informações externas, a fim de obter vantagens pessoais.A teoria da sinalização envolve a ideia de que os acionistas desejam fornecer informações favoráveis ao mercado, com o intuito de valorizar as suas ações. A teoria dos custos políticos argumenta que as empresas querem reduzir as assimetrias de informação de forma a reduzir as pressões políticas e justificar os lucros obtidos (Lucas e Lourenço, 2011). 11 Existem alguns estudos anteriores que procuram explicar a ligação entre a rentabilidade e a divulgação obrigatória e voluntária(por exemplo: Owusu- Ansah, 1998 eAli et al, 2004). No entanto, Akhtaruddin (2005)não conseguiu demonstrar nenhuma ligação entre a divulgação e a rentabilidade. É expetável que empresas com uma maior rentabilidade apresentem um maior índice de divulgação. 3.3 Cotação no mercado dos Estados Unidos O facto de as empresas serem cotadas no mercado dos Estados Unidos tem sido apresentado como sendo um fator determinante do cumprimento da divulgação (Street e Bryant, 2000). “Companies that list their shares in the USA voluntarily ‘opt out’ of their local financial reporting regime and subject themselves to the strong securities regulation and the strict public and private enforcement system of the US capital market (e.g. Hail and Leuz 2009, Wysocki 2010)” (Glaum et al., 2013, p. 172). É expetável que para as empresas cotadas nos Estados Unidos o índice de divulgação seja maior. 3.4 Tamanho O tamanho das empresas é frequentemente associado positivamente com a divulgação quer obrigatória quer voluntária (Ali et al., 2004 e Depoers, 2000). As grandes empresas tendem a ter mais recursos destinados aos serviços de contabilidade do que as empresas menores, permitindo uma maior qualidade dos relatórios financeiros. É expetável por isso que empresas maiores apresentem um índice de divulgação maior. 12 4. Modelo estatístico 4.1 Amostra e dados A nossa análise foi realizada em empresas cotadas brasileiras mais concretamente pertencentesao índice IBOVESPA e também em empresas cotadas russas mais concretamente pertencentesaos índices MICEX-RTS. Sendo assim, e de acordo com os índices foi necessário recolher eletronicamente os relatórios e contas de 71 empresas brasileiras e 50 empresas russas, nomeadamente para o ano de 2012. Depois da recolha dos relatórios efetuada, foi necessário verificar em cada relatório quais as empresas que possuem concentrações de negócios de modo a que se possa apurar se estas cumprem ou não com as exigências de divulgação da IFRS 3. Esta seleção revelou-se num processo exaustivo pois de acordo com as IFRS’s não existe um número de nota definido à priori para divulgar as concentrações de negócios. Ou seja, a informação que se procurava pode estar em diferentes números de nota. Ao analisarmos os relatórios reparámos que as empresas brasileiras geralmente colocam a informação exigida ao longo do relatório e não numa única nota, enquanto, as empresas russas colocam a informação exigida pela IFRS 3 numa nota, sendo por isso mais claro analisar as empresas russas. Depois desta seleção feita chegou-se a uma amostra composta por 41 empresas com concentrações de negócios. Destas 41 empresas só foi possível analisar dados para 32 empresas (18 brasileiras e 14 russas), pois algumas delas tiveram de ser retiradas devido à base de dados Datastream não fornecer os dados necessários para análise e ainda porque ao nível estatístico foi gerado outliers (nomeadamente 3) que destorciam a análise. 4.2 Variáveis 13 De modo a analisar a divulgação das empresas no que diz respeito a concentração de negócios foi criado um modelo em que a variável dependente é um índice de divulgação criado de acordo com as divulgações exigidas pela IFRS 3. E as várias variáveis independentes selecionadas foram: Leverage, rentabilidade dos ativos, o facto de as empresas serem cotadas no mercado bolsista americano e ainda o tamanho das empresas. Consideramos que como os dados nesta fase do estudo ainda são reduzidos não podemos introduzir mais variáveis independentes. 4.2.1 Variável dependente Para analisar a variável dependente foi necessário estudar a IFRS 3 em vigor à data das demonstrações financeiras analisadas (2012) e quais as exigências de divulgação que esta fazia. Estando o nosso estudo centralizado na divulgação exigida focámos a nossa atenção nos parágrafos 59 a 63 desta IFRS. Estes parágrafos exigem que as empresas divulguem os efeitos nas demonstrações financeiras das combinações de negócios que ocorram no período de relato, assim como, após o período de relato mas antes da aprovação de contas. É ainda obrigatório que as empresas divulguem as modificações que ocorreram nas demonstrações financeiras do período que são fruto de combinações de negócios decorridas num período anterior ao relatório e contas. De forma a clarificar estas exigências a norma esclarece nos parágrafos B64 a B67 o que é obrigatório divulgar. Como grande parte da informação exigida não se consegue validar se a empresa cumpria ou não, isto porque existem determinadas situações que por a empresa não divulgar não significa que não está a cumprir, mas porque é possível que existam situações que não tenham aplicação em determinadas empresas. Então contruiu-seuma tabela onde se fez uma seleção dos itens que efetivamente se conseguem verificar – vide Tabela nº 1 na página seguinte. 14 Tabela nº 1 – Divulgação Exigida pela IFRS 3 com possível análise Nome e descrição da adquirida I) Nome II) Descrição Data de aquisição % de participações financeiras adquiridas com direito de voto Principais razões da combinação de negócios Descrição qualitativa dos fatores que compõem o goodwill (sinergias esperadas, ativos intangíveis que não se reconhecem, etc.) Justo valor na data de aquisição da contrapartida transferida Valores reconhecidos na data de aquisição para cada principal classe de ativos e passivos assumidos O valor do goodwill que se espera que seja dedutível para efeitos fiscais Goodwill negativo i1) valor do ganho reconhecido i2) rubrica da dem. Res. Onde foi reconhecido ii) descrição das razões que originaram o ganho Quando a adquirente detém menos de 100% i1) valor da participação que não se controla reconhecida na data de aquisição combinações de negócios por etapas i) o justo valor na data de aquisição da participação financeira na adquirida detida pela adquirente antes da data de aquisição ii1) o valor de qualquer ganho ou perda resultante da remensuração do justo valor da participação financeira da adquirida ii2) rubrica da demonstração de resultados onde esse ganho ou perda foi reconhecido outras informações i) valores da receita, lucros e perdas da adquirida desde a data de aquisição incluídos na dem. Resultados ii) receita, lucros e perdas da entidade combinada para o período corrente, como se a data de aquisição de todas as combinações de negócios ocorridas durante o ano tivessem ocorrido durante o início do relatório ii1) Se esta divulgação (ii) for impraticável a entidade deve divulgar esse facto e explicar as razões Com a tabela definida verificou-se quais as empresas da amostra que cumpriam com cada um dos itens da tabela fazendo três classificações: 0 – não divulga; 0,5 – divulga parcialmente (exemplo: divulga só para algumas das combinações de negócios); e finalmente 1 – divulga. E assim se contrui o seguinte índice (1): 15 Índice = /n (1) Índice = índice de divulgação Di = item do índice (0; 0,5 ou 1) n = nº de itens Este índice irá refletir a média de divulgação das empresas. É de salientar que esta forma de contruir o índice não prejudica as empresas que não divulgam ou que não é suposto divulgarem, pois a média é feita somente com o nº de itens que esta deveria divulgar e não com o número total de itens. Se cada empresa tiver um índice próximo de 1 é porque cumpre na maior parte com a divulgação exigida e se este for próximo de 0 acontece o contrário. 4.2.2 Variáveis Independentes No que diz respeito às variáveis independentes foi selecionado o leverage, a rentabilidade dos ativos, se as empresas são cotadas no mercado de Nova Iorque e ainda o tamanho das empresas. No que diz respeito ao leverage (LEV) este foi calculado da seguinte forma: LEV = (2) A rentabilidade dos ativos (ROA) foi calculada da seguinte forma: ROA = (3) Para as empresas cotadas no mercado americano (ADR) foi atribuído estatisticamente o valor “1” e “0” para as não cotadas. E finalmente o tamanho (SIZE) foi calculado utilizando o logaritmo natural dos ativos das empresas. 16 Foi ainda definido no modelo a distinção entre empresas russas e brasileiras, criando duas variáveis, uma para cada país, e identificando as empresas pertencentes a cada um dos países com o código “1” e “0 “caso pertençam e não pertençam ao país dessa variável. 4.2.3 Modelo de Investigação O nosso estudo irá analisar o cumprimento das divulgações da IFRS 3 nos países emergentes e ainda como este comportamento pode ser diferente de país para país. Foi então realizado a estatística descritiva com a seguinte equação: Índice = (4) Nesta fase inicial de investigação irá-se analisar dois dos países emergentes (Brasil e Rússia) e de acordo com a equação definida anteriormente, iremos procurar entender de que forma o leverage (LEV), o retorno dos ativos (ROA), a cotação no mercado americano (ADR) e o tamanho poderão influenciar o índice de divulgação das empresas. Será ainda comparado qual dos dois países em análise cumprem mais a divulgação exigida. 5. Resultados 5.1 Estatística Descritiva e Correlações A tabela nº 2 apresenta a estatística descritiva das variáveis incluídas no modelo. O nível de cumprimento com a divulgação exigida pela IFRS 3 nos países em análise é moderado, pois a média deste índice é de 68,7%. Sendo que para este índice temos um mínimo registado de 22,7% e um máximo de 100%, o que significa que existem empresas que divulgam muito pouca informação mas também outras que divulgam a informação toda necessária. No quadro nº 2 da tabela nº 3 é possível verificar que itens de divulgação obrigatória as empresas divulgam mais. Note-se que neste quadro só foram considerados na amostra os dados de cada item aplicável às empresas. Ou seja, 17 quando uma informação é não aplicável à empresa não pode ser exigida. Por este motivo é que o n (amostra) muda para cada item. Neste quadro podemos verificar que os dados que as empresas mais divulgam é a data de aquisição da combinação de negócios, assim como, a percentagem adquirida. Pode-se constatar também que geralmente as empresas divulgam os ativos adquiridos e passivos assumidos nas aquisições de negócios. É de salientar ainda que o nome da empresa adquirida na combinação de negócios também é facultado, no entanto, nem sempre as empresas fazem uma descrição da empresa adquirida, por isso é que para este item a média é ligeiramente mais baixa. Os dados menos divulgados pelas empresas estão relacionados com o goodwill, nomeadamente a descrição qualitativa do goodwill e o efeito deste a nível fiscal. Estes dados são muito importantes para os investidores, pois estes para analisarem a combinação de negócios necessitam de perceber a diferença entre o valor de aquisição e o justo valor dos ativos e passivos. Ao nível do impacto fiscal terá de se verificar futuramente o tratamento fiscal do goodwill nos países envolvidos de forma a procurar entender o porquê das empresas não divulgarem este tipo de informação. Em relação ao LEV apresenta uma média de 56%, sendo o mínimo de 27% e o máximo de 90%. O ROA (rentabilidade dos ativos) apresenta um valor médio de 7%, sendo que há empresas com rentabilidade negativas, pois o mínimo é – 4%. Do total da amostra 38% das empresas estão cotadas no mercado americano e 28% está cotado no mercado americano e são ao mesmo tempo brasileiras. No que diz respeito ao tamanho da empresa (SIZE) este tem uma média de 16,29, sendo eu o mínimo e máximo respetivamente é 0,241 e 19,8. Tabela nº 2 – Estatística Descritiva Quadro 1 – Informação Geral das variáveis (n: 32) MÉDIA DESVIO PADRÃO MEDIANA MÍNIMO MÁXIMO ÍND. DE DIV. 0,687 0,190 0,7261 0,227 1,000 LEV 0,557 0,188 0,535 0,265 0,907 ROA 0,071 0,062 0,060 -0,043 0,241 0,38 0,498 0,000 0,000 1,000 0,28 0,457 0,000 0,000 1,000 16,287 1,440 16,393 0,241 19,795 ADR A ADR*BR SIZE A A 18 Quadro 2 – Informação detalhada da variável dependente Média Desvio Padrão a) Nome e descrição da adquirida (n=32) 0,789 0,238 b) Data de aquisição (n=32) 0,970 0,177 c) % de participações financeiras adquiridas com direito de voto (n=31) d) Principais razões da combinação de negócios (n=32) 0,940 0,250 0,580 0,477 0,410 0,492 0,920 0,261 0,880 0,313 0,190 0,402 0,500 0,430 e) Descrição qualitativa dos fatores que compõem o goodwill (n=28) f) Justo valor na data de aquisição da contrapartida transferida (n=31) i) Valores reconhecidos na data de aquisição para cada principal classe de ativos e passivos assumidos (n=30) k) O valor do goodwill que se espera que seja dedutível para efeitos fiscais (n=26) n) Goodwill negativo (n=4) o) Quando a adquirente detém menos de 100% (n=22) 0,500 0,512 p) Combinações de negócios por etapas (n=11) 0,508 0,432 q) Outras informações (n=17) 0,530 0,468 O INDICE DE DIVULGAÇÃO demonstra o nível de cumprimento das empresas com a IFRS 3; o LEV é o total do passivo dividido pelo total do ativo de cada empresa; o ROA é a rentabilidade dos ativos e é calculado através da divisão do resultado liquido pelo ativo; o ADR classifica se a empresa é cotada nos Estados Unidos ou não com o valor 0 e 1; o ADR*BR classifica se a empresa é brasileira e ao mesmo tempo cotada nos Estados Unidos com o valor 0 e 1; SIZE é um logaritmo natural do tamanho da empresa. A Esta média representa a percentagem de empresas cotadas nos Estados Unidos (ADR), cotadas nos Estados Unidos e Brasileiras (ADR*BR) Na tabela nº 4 foi possível analisar as variáveis por país. O índice de divulgação é em média maior nas empresas russas comparativamente com as empresas brasileiras. Já seria de esperar tal facto, pois aquando da análise dos relatórios constatámos que as empresas russas divulgam numa única nota a informação exigida pelas combinações de negócios enquanto as empresas brasileiras dispersam essa informação ao longo do relatório. Tal pormenor, pode afastar as empresas brasileiras do cumprimento. 19 Pode-se ainda verificar que as empresas brasileiras analisadas estão em média mais endividadas que as empresas russas e a rentabilidade dos ativos é em me´dia maior nas empresas russas. Por fim podemos acrescentar ainda relativamente a esta tabela que 50% das empresas cotadas no índice Ibovespa também estão cotadas nos Estados Unidos. Em relação às empresas Russas cotadas no MICEX-RTS, somente 21% destas estão cotadas nos Estados Unidos. A variável do tamanho das empresas (SIZE) apresenta-se semelhante nos dois países, o que é de esperar, pois está-se a analisar os dois maiores índices dos países do Brasil e da Rússia, logo, consequentemente, neles pertenceram grandes empresas. Tabela nº 4 – Análise por país Brasil Rússia n 18 14 Índice 0,640 0,748 LEV 0,610 0,489 ROA 0,067 0,076 a ADR 0,500 0,210 SIZE 16,088 16,544 O INDICE DE DIVULGAÇÃO demonstra o nível de cumprimento das empresas com a IFRS 3; o LEV é o total do passivo dividido pelo total do ativo de cada empresa; o ROA é a rentabilidade dos ativos e é calculado através da divisão do resultado liquido pelo ativo; o ADR classifica se a empresa é cotada nos Estados Unidos ou não com o valor 0 e 1; o ADR*BR classifica se a empresa é brasileira e ao mesmo tempo cotada nos Estados Unidos com o valor 0 e 1; SIZE é um logaritmo natural do tamanho da empresa. Os dados dos países foram selecionados a partir das empresas cotadas nas seguintes índices:IBOVESPA e MICEX-RTS. A Esta média representa a percentagem de empresas cotadas nos Estados Unidos (ADR). A tabela nº 5 mostra os resultados da regressão. Nesta tabela pode-se constatar que o LEV influencia negativamente a divulgação, ou seja, quanto mais endividadas são as empresas menos divulgam. Este facto não era esperado de acordo com a revisão da literatura. É ainda possível verificar nesta tabela que a rentabilidade dos ativos influencia positivamente o índice, pois quanto mais rentáveis são as empresas mais divulgam o que já era expetável. É ainda possível verificar que as empresas brasileiras divulgam menos, mas se estas forem cotadas nos Estados Unidos divulgam mais informação obrigatória sendo este último facto já previsível. Tabela nº 5 – Resultados da regressão LEVERAGE ROA ADR BR Índice *** -0,500 * 0,329 * -0,147 ** -0,138 20 ** BR*ADR 0,243 * SIZE -0,029 O INDICE DE DIVULGAÇÃO demonstra o nível de cumprimento das empresas com a IFRS 3; o LEVERAGE é o total do passivo dividido pelo total do ativo de cada empresa; o ROA é a rentabilidade dos ativos e é calculado através da divisão do resultado liquido pelo ativo; o ADR classifica se a empresa é cotada nos Estados Unidos ou não com o valor 0 e 1; o ADR*BR classifica se a empresa é brasileira e ao mesmo tempo cotada nos Estados Unidos com o valor 0 e 1; SIZE é um logaritmo natural do tamanho da empresa. Os dados dos países foram selecionados a partir das empresas cotadas nas seguintes índices: IBOVESPA e MICEX-RTS no ano de 2012. ***, ** E * indicam níveis de significância no 0,01, 0,05 e 0,10, respetivamente. 6. Conclusões Neste estudo foi analisado alguns fatores que podem influenciar o cumprimento da divulgação obrigatória prevista na IFRS 3 nos mercados emergentes, mais precisamente no Brasil e na Rússia. Chegou-se à conclusão que o nível de cumprimento com a divulgação exigida pela IFRS 3 nos países em análise é moderado, pois a média deste índice nos países analisados é de 68,7%. Verificou-se que os dados que as empresas mais divulgam é a data de aquisição da combinação de negócios, assim como, a percentagem adquirida. Constatou-se também que geralmente as empresas divulgam os ativos adquiridos e passivos assumidos nas aquisições de negócios. Os dados menos divulgados pelas empresas estão relacionados com o goodwill, nomeadamente a descrição qualitativa do goodwill e o efeito deste a nível fiscal. Verificou-se ainda que o índice de divulgação é em média maior nas empresas russas comparativamente com as empresas brasileiras. Pôde-se ainda constatar que o leverageinfluencia negativamente a divulgação, ou seja, quanto mais endividadas são as empresas menos divulgam. Foi ainda possível verificar que a rentabilidade dos ativos influencia positivamente o índice de divulgação. E finalmente foi ainda possível verificar que as empresas brasileiras divulgam menos, mas se estas forem cotadas nos Estados Unidos divulgam mais informação obrigatória. 21 Bibliografia Akhtaruddin, M. (2005). Corporate mandatory disclosure practices in Bangladesh. The International Journal of Accounting, 40(4), 399-422. Ali, M.J., Ahmed, K. e Henry, D. (2004). Disclosure compliance with national accounting standards by listed companies in South Asia. Accounting and Business Research, 34(3), 183-199. Balakrishnan, K., e Yang, H. (2012). Mandatory Financial Reporting Environment and Voluntary Disclosure : Evidence from Mandatory IFRS Adoption * Mandatory Financial Reporting Environment and Voluntary Disclosure : Evidence from Mandatory IFRS Adoption, (November). Disponivelna SSRN: http://ssrn.com/abstract=2172014 ouhttp://dx.doi.org/10.2139/ssrn.2172014 Banghøj, J., ePlenborg, T. (2008). Value relevance of voluntary disclosure in the annual report. Accounting & Finance, 48, 159–180. Berthelot, S., Coulmont, M., eSerret, V. (2012). Do Investors Value Sustainability Reports? A Canadian Study. Corporate Social Responsability and Environmental Management, I (9), 355–363. Bhasin, M., e Shaikh, J.M., (2011). Intellectual capital disclosures in the annual reports: a comparative study of the Indian and Australian IT-corporations. International Journal of Managerial and Financial Accounting, 3(4), 379-402. Botosan, C.A. (1997). Disclosure level and the cost of equity capital. The Accounting Review, 72(3), 323-349. 22 Bushman, R.M., Piotroski, J. e Smith, A.J., (2004). What determines corporate transparency? Journal of accounting research, 42 (2), 207–252. Chen, C.J.P. eJaggi, B. (2000). Association between independent non- executive directors, family control and financial disclosures in Hong Kong. Journal of Accounting and Public Policy, 19(4-5), 285–310. Daske, H. eGebhardt, G. (2006) International Financial Reporting Standards and experts’ perception of disclosure quality, Abacus, 42(3), pp. 461– 489. Daske, H., Hail, L., Leuz, C. e Verdi, R. (2008) Mandatory IFRS Reporting around the World: Early Evidence on the Economic Consequences, Journal of Accounting Research, 46, 1085-1142 Depoers, F. (2000). A cost-benefit study of voluntary disclosure: some empirical evidence from French listed companies. The European Accounting Review, 9(2), 245– 263. Dhaliwal, D. S., Radhakrishnan, S., Tsang, A., e Yang, Y. G. (2012). Nonfinancial Disclosure and Analyst Forecast Accuracy: International Evidence on Corporate Social Responsibility Disclosure. The Accounting Review, 87(3), 723–759. Diamond, D. W., e Robert, E. (1991). Disclosure, Liquidity, and the Cost of Capital. The Journal of Finance, XLVI(4), 1325–1360. Ding, Y., Hope, O.K., Jeanjean, T. eStolowy, H., (2007). Differences between domestic accounting standards and IAS: measurement, determinants and implications. Journal of accounting and public policy, 26 (1), 1–38. Ferguson, M.J., Lam, K.C.K. e Lee, G.M. (2002). Voluntary disclosure by state-owned enterprises listed on the Stock Exchange of Hong Kong. Journal of International Financial Management and Accounting, 13(2), 125-152. Gelb, David S. eZarowin, P. (2002). Corporate Disclosure Policy and the Informativeness of Stock Prices. Review of Accounting Studies, 7, 33–52. Glaum, M., Baetge, J., eGrothe, A. (2011). Introduction of International Accounting Standards, Disclosure Quality and Accuracy of Analysts ’ Earnings Forecasts. European Accounting Review, 22(1), 79–116. 23 Glaum, M., Schmidt, P., e Street, D. L. (2013). Compliance with IFRS 3- and IAS 36required disclosures across 17 European countries : company- and country-level determinants. Accounting and Bussiness Research, 43(3), 163– 204. Hasan, T., Karim, W. eQuayes, S. (2008). Regulatory change and the quality of compliance to mandatory disclosure requirements: evidence from Bangladesh. Research in Accounting Regulation, 20, 193-203. Hodgdon, C., Tondkar, R. H., Harless, D. W., eAdhikari, A. (2008). Compliance with IFRS disclosure requirements and individual analysts’ forecast errors. Journal of International Accounting, Auditing and Taxation, 17(1), 1–13. Hope, O. (2003). Disclosure Practices, Enforcement of Accounting Standards , and Analysts ’ Forecast Accuracy : An International Study. Journal of Accounting Research, 41(2), 235–272. Hussainey, K., e Walker, M. (2009). The effects of voluntary disclosure and dividend propensity on prices leading earnings. Accounting and Business Research, 39(1), 37– 55. Iatridis, G., eValahi, S. (2010). Voluntary IAS 1 accounting disclosures prior to official IAS adoption: An empirical investigation of UK firms. Research in International Business and Finance, 24(1), 1–14. Inchausti, B.G. (1997). The influence of company characteristics and accounting regulation on information disclosed by Spanish firms. The European Accounting Review, 6(1), 45-68. Jensen, M.C. eMeckling, W.H. (1976). Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305–360. Kang, Helen H. e Gray, Sidney J. (2011), Reporting intangible assets: voluntary disclosure practises of top emerging market companies. International Journal of Accounting, 46(4), 402-423. Kent, P., e Stewart, J. (2008). Corporate governance and disclosures on the transition to International Financial Reporting Standards. Accounting & Finance, 48, 649–671. Leuz, C. eVerrecchia, R. E. (2000) The economic consequences of increased disclosure, Journal of Accounting Research, 38(Suppl), pp. 91–124. 24 Liu, Chunhui, Yao, Lee J., Hu, Nan, Liu, Ling (2011) The Impact of IFRS on AccountingQuality in a RegulatedMarket. Journal of Accounting, Auditing & Finance, 26(4), 659-676. Lopes, P.T. e Rodrigues, L.L. (2007). Accounting for financial instruments: an analysis of the determinants of disclosure in the Portuguese Stock Exchange. The International Journal of Accounting, 42(1), 25-56. Lucas, Sónia eLourenço, Isabel (2011). The effect of firm and country characteristics on mandatory disclosure compliance, (May). Disponível emhttp://repositorio‐ iul.iscte.pt/handle/10071/4103 Michas, Paul N. (2011). The Importance of Audit Profession Development in Emerging Market Countries. The accounting review, 86 (5), 1731-1764. Owusu-Ansah, S. (1998). The impact of corporate attributes on the extent of mandatory disclosure and reporting by listed companies in Zimbabwe. The International Journal of Accounting, 33(5), 605-631. Palmer, P. D. (2008). Disclosure of the impacts of adopting Australian equivalents of International Financial Reporting Standards. Accounting & Finance, 48(April 2006), 847–870. Peltonen, Tuomas A., Sousa, Ricardo M. e Vansteenkiste, Isabel S. (2012). Investment in emerging market economies. Empirical Economics, 43(1), 97-119 Sengupta, P. (1998). Corporate disclosure quality and the cost of debt. The Accounting Review,73(4), 459-474. Street, D.L. e Bryant, S.M., (2000). Disclosure level and compliance with IASs: a comparison of companies with and without U.S. listings and filings. International journal of accounting, 35 (3), 305–329. Street, D. L., eGray, S. J. (2002). Factors influencing the extent of corporate compliance with International Accounting Standards : summary of a research monograph. Journal of International Accounting Auditing & Taxation, 11, 51–76. Wallace, R.S.O. eNaser, K. (1995). Firm-specific determinants of the comprehensiveness of mandatory disclosure in the corporate annual reports of firms listed on the Stock Exchange of Hong Kong. Journal of Accounting and Public Policy, 14(4), 311–368. 25 26