Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
LUCIANA CRISTINA STEINLE CAMARGO
EFEITO ANTIINFLAMATÓRIO DO EXTRATO DE Zingiber officinale
APLICADO POR FONOFORESE SOBRE O EDEMA DE PATA DE RATOS
São José dos Campos, SP
2006
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LUCIANA CRISTINA STEINLE CAMARGO
Efeito antiinflamatório do extrato de Zingiber officinale aplicado por
fonoforese sobre o edema de pata de ratos
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Biológicas da Universidade do Vale do
Paraíba como complementação dos
créditos necessários para obtenção do
título de Mestre em Ciências Biológicas.
Orientador: Prof. Dr. Wellington Ribeiro
São José dos Campos
2006
Dedico este trabalho aos meus pais, meus
irmãos, meus familiares e amigos por me
incentivarem sempre.
AGRADECIMENTOS
Agradeço especialmente ao meu orientador Prof. Dr. Wellington Ribeiro que, ao longo
deste período de convivência, demonstrou o valor da orientação segura e firme não somente pela
sua alta competência profissional, mas também pela generosidade, compreensão e
disponibilidade com que me acolheu.
Agradeço aos meus pais que, desde cedo, me apontaram a importância do estudo e não
mediram esforços para que os filhos pudessem seguir a carreira profissional desejada. Aos meus
irmãos Luiz Armando e Lucas Eduardo por todo o apoio afetivo oferecido, estimulando
incessantemente a concretização desta Dissertação.
Agradeço, também, à Ft. Msc. Carly de Faria Coelho que me ajudou, sempre solícita, na
realização de todos os procedimentos práticos deste trabalho.
Agradeço a todos os mestres, colegas e amigos que me auxiliaram direta ou indiretamente
na execução deste trabalho, dentre os quais destaco com carinho a Prof.a Msc. Thaís Helena de
Freitas e o Prof. Msc. Antonio Carlos Guimarães Prianti Jr.; agradeço aos estagiários dos Projetos
de Iniciação Científica e aos funcionários do IP&D, por toda a atenção e ajuda dispensada,
sobretudo nos cuidados e manutenção dos animais no Biotério.
“Tudo, desde a ermos astros afastados
A nós, nos dá o mundo
E a tudo alheios, nos acrescentamos,
Pensando e interpretando”.
Fernando Pessoa
RESUMO
EFEITO ANTIINFLAMATÓRIO DO EXTRATO DE Zingiber officinale
APLICADO POR FONOFORESE SOBRE O EDEMA DE PATA DE RATOS
LCS Camargo*, W Ribeiro*+
* Grupo de Pesquisas em Fisiologia e Farmacodinâmica, Instituto de Pesquisa &
Desenvolvimento, Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos- SP- Brasil
O rizoma do Zingiber officinale Roscoe (Zingiberaceae), gengibre, originário do sudeste
asiático e introduzido no Brasil por volta de 1500, é um componente comum da alimentação em
diversos países do mundo. Suas propriedades farmacológicas, sobretudo a antiinflamatória, são
reconhecidas mundialmente. No presente estudo foi analisado o efeito antiinflamatório do extrato
em gel de Zingiber officinale aplicado por fonoforese, sobre o edema de pata de ratos induzido
por carragenina. O interesse na aplicação da fonoforese baseia-se, principalmente, na
possibilidade de se aumentar a eficácia de formulações transdérmicas e melhorar a ação tópica
dessas drogas. Os grupos submetidos a fonoforese, ou seja, introdução de moléculas de
substâncias químicas através da pele por meio de ondas ultrasônicas de Extrato de Zingiber
officinale foram tratados com o material dissolvido em gel em três diferentes concentrações: 3%;
5% e 10%. Foram realizados 5 protocolos experimentais. Cada protocolo envolveu 5 grupos com
6 animais cada. Os seguintes parâmetros do ultra-som foram analisados: Freqüência: 1MHz ou
3MHz; intensidade: 0.3w/cm2 ou 0.6w/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms; tempo de
tratamento: 1minuto. Os resultados dos protocolos experimentais apontam claramente o efeito
antiinflamatório do extrato de Zingiber officinale aplicado por fonoforese sobre o edema de pata
de ratos induzido por carragenina. Os grupos submetidos a fonoforese do extrato de Zingiber
officinale na freqüência e intensidade de 1 MHz e 0,6 W/cm2, respectivamente apresentaram o
melhor comportamento na redução do edema de pata induzido por carragenina. Este efeito
redutor foi observado a partir da 2a hora para todas as concentrações empregadas. Estes
resultados sugerem que o extrato de gengibre promoveu a inibição do aumento do edema através
do bloqueio da produção de eicosanóides, aliado ao efeito produzido pela fonoforese. O efeito
antiinflamatório a partir da aplicação da fonoforese do extrato de Gengibre indica a eficácia da
aplicação tópica como alternativa para o uso do extrato de Zingiber officinale. Também foi
possível deduzir que os parâmetros do ultra-som adotados para a realização da fonoforese
resultaram em efeitos terapêuticos não térmicos favorecendo o processo de cavitação e levando a
um aumento da permeabilidade celular que provoca efeitos profundos na atividade da célula.
Palavras-chave: Zingiber officinale, efeito antiinflamatório, fonoforese, transdérmica.
+Autor para correspondência Tel: +55-12-39471106. E-mail: [email protected]
ABSTRACT
ANTI-INFLAMMATORY EFFECT OF ZINGIBER OFFICINALE
EXTRACT DELIVERED BY PHONOPHORESIS ON RAT PAW EDEMA
LCS Camargo*, W Ribeiro*+
* Grupo de Pesquisas em Fisiologia e Farmacodinâmica, Instituto de Pesquisa &
Desenvolvimento, Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos- SP- Brazil
Zingiber officinale Roscoe rhizome (Zingiberaceae), ginger, originary of southeastern
Asian and introduced in Brazil in 1500 aproximatedly, is a common component of the feeding in
diverse countries of the world. Its pharmacological properties, over all the antiinflammatory one,
are recognized world-wide. In the present study was analyzed the antiinflammatory effect of the
extract of Zingiber officinale applied by phonophoresis on rat paws edema induced by
carrageenan. The interest in the application of phonophoresis is based, mainly, in the possibility
of if increasing the effectiveness of transdermal formularizations and to improve the topical
action of these drugs. The groups submitted to phonophoresis, which means, the introduction of
molecules of chemical substances through the skin using sonorous waves had been dealt with
Zingiber officinale extract dissolved in gel in three different concentrations: 3%; 5% and 10%.
Five experimental protocols had been carried through. Each protocol involved 5 groups with 6
animals each. The following parameters of the ultrasound had been analyzed: Frequency: 1MHz
or 3MHz; intensity: 0.3w/cm2 or 0.6w/cm2; mode: pulsed; pulse duration: 2ms; time of
treatment: 1minute. The results of the experimental protocols point clearly the antiinflammatory
effect of the extract of Zingiber officinale applied by phonophoresis on rat paw edema induced by
carrageenan. The groups submitted by phonophoresis of f Zingiber officinale extract using the
frequency and intensity of 1 MHz and 0,6 wcm2, respectively, had presented optimum behavior
in the reduction of edema induced by carrageenan. This reducing effect was observed from the
2nd hour for all the employed concentrations. These results suggest that the ginger extract
promoted the inhibition of the increase of edema through the blockade of the eicosanoids
production, allied to the phonophoresis effect. The antiinflammatory effect from phonophoresis
application of Ginger extract indicates the effectiveness of topical application as an alternative
for the the extract of Zingiber officinale use.
Keywords::Zingiber officinale, antiinflammatory effect, phonophoresis, transdermal.
+Corresponding author: Fone: +55-12 39471106. E-mail: [email protected]
Sumário
1 - Introdução _______________________________________________________________ 1
1.1 - Inflamação _____________________________________________________________ 1
1.1.1. Alterações vasculares _________________________________________________ 3
1.1.1.1. Alterações no fluxo e calibre vasculares _________________________________ 3
1.1.1.2. Aumento da permeabilidade vascular __________________________________ 4
1.1.1.3. Migração celular____________________________________________________ 5
1.1.2. Mediadores químicos do processo inflamatório ____________________________ 7
1.1.2.1. Aminas vasoativas _________________________________________________ 8
1.1.2.2. Sistema de cininas ________________________________________________ 10
1.1.2.3. Metabólitos do Ácido Araquidônico (AA):Prostaglandinas e Leucotrienos__ 10
1.1.2.4. Fator Ativador de Plaquetas-PAF ___________________________________ 12
1.2. Carragenina e seu efeito flogístico __________________________________________ 13
1.3. Edema de pata __________________________________________________________ 14
1.4. Hidropletismógrafo ______________________________________________________ 15
1.5. Zingiber officinale _______________________________________________________ 16
1.5.1. Descrição botânica___________________________________________________ 17
1.5.2. Propriedades biológicas e atividades farmacológicas do Zingiber officinale ____ 18
1.5.3. Extrato em gel de Zingiber officinale ____________________________________ 28
1.6. Ultra-som terapêutico ____________________________________________________ 28
1.6.1. Transformação da energia elétrica em som ______________________________ 29
1.6.2. Transmissão de ondas sonoras ________________________________________ 30
1.6.3. Reflexão e Refração de ondas__________________________________________ 32
1.6.4. Penetração e Absorção _______________________________________________ 34
1.6.5. Profundidade de meio-valor ___________________________________________ 35
1.6.6. Atenuação do ultra-som nos tecidos______________________________________36
1.6.7. Parâmetros adicionais_________________________________________________37
1.6.7.1. Intensidade _______________________________________________________ 37
1.6.7.2. Duração da sessão___________________________________________________37
1.6.7.3. Freqüência_________________________________________________________37
1.6.8. Efeitos físicos e fisiológicos do ultra-som terapêutico_______________________ 38
1.6.8.1. Efeitos térmicos_____________________________________________________39
1.6.8.2. Efeitos não térmicos_________________________________________________ 39
1.6.8.2.1.Cavitação_________________________________________________________39
1.6.8.2.2. Corrente acústica_________________________________________________ 40
1.6.8.2.3. Ondas estacionárias_______________________________________________ 40
1.6.9. Mecanismos terapêuticos do ultra-som __________________________________ 41
1.6.10. Efeitos do ultra-som nos processos de inflamação e reparo_________________ 42
1.6.10.1. Fase aguda_______________________________________________________ 42
1.6.10.2. Fase proliferativa( de granulação) ___________________________________ 44
1.6.10.3. Fase de remodelamento ____________________________________________ 44
1.6.11. Técnicas de tratamento ______________________________________________ 45
1.6.11.1. Aplicação com contato direto______________________________________ __ 45
1.6.11.2. Aplicação subaquática ou com bolsa de água __________________________ 46
1.6.11.3. Fonoforese _______________________________________________________ 46
2 - Objetivos _________________________________________________________ 49
2.1 Objetivo geral ___________________________________________________________ 49
2.2 Objetivos específicos___________________________________________________ ___ 49
3 – Materiais e Métodos __________________________________________________ 50
3.1 - Animais _______________________________________________________________ 50
3.2 - Procedimentos experimentais _____________________________________________ 50
3.2.1. Edema de pata e tratamento por fonoforese com Zingiber officinale __________ 50
3.2.2. Protocolos experimentais _____________________________________________ 53
3.2.3. Protocolo de sacrifício animal _________________________________________ 56
3.3. Análise estatística ________________________________________________________ 57
3.4. Gráficos ________________________________________________________________ 57
4. Resultados _____________________________________________________________ 58
4.1. O efeito da aplicação tópica do extrato do Zingiber officinale em gel de carbopol ____ 58
4.2. O efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale. Ultra-som: F= 1MHz;
I=0,3W/cm2 ; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms; tempo de tratamento=1minuto ___ 60
4.3. O efeito da fonoforese do extrato do Zingiber officinale em gel de carbopol. Ultra-som:
F=3MHz;
I=0,3W/cm2 ;
modo:
pulsado;
duração
de
pulso:
2ms;
tempo
de
tratamento=1minuto _________________________________________________________ 62
4.4. Efeito da fonoforese do extrato do Zingiber officinale em gel de carbopol. Ultra-som:
F=3MHz;
I=0,6W/cm2 ;
modo:
pulsado;
duração
de
pulso:
2ms;
tempo
de
tratamento=1minuto _________________________________________________________ 64
4.5. O efeito da fonoforese do extrato do Zingiber officinale em gel de carbopol. Ultra-som:
F=1MHz;
I=0,6W/cm2 ;
modo:
pulsado;
duração
de
pulso:
2ms;
tempo
de
tratamento=1minuto _________________________________________________________ 66
5. Discussão_______________________________________________________________ 68
6. Conclusão ______________________________________________________________ 71
Referências ______________________________________________________________ 72
Anexo A Comitê de Ética em Pesquisa _____________________________________ 77
1
1 Introdução
1.1 Inflamação
Inflamação pode ser definida como uma reação da microcirculação induzida por uma
injúria aos tecidos, com a conseqüente movimentação de elementos intravasculares, como
fluidos, células e moléculas, para o espaço extravascular (SIQUEIRA Jr., 2000a).
A agressão tecidual é o agente desencadeador da resposta inflamatória, por induzir o
rompimento da homeostasia mantida por meio da relação célula-meio, sendo este último,
representado pelos fluidos extracelulares e pela microcirculação. A agressão tecidual pode ser
de origem biológica (microrganismos), física (mecânica, térmica e radiação) ou química
(SIQUEIRA Jr., 2000a).
A magnitude da resposta inflamatória depende muito mais da intensidade e do tempo
de ação do estímulo agressor do que propriamente do tipo de agressão (SIQUEIRA Jr.,
2000a).
A resposta inflamatória ocorre no tecido conjuntivo vascularizado, incluindo o plasma,
células circulantes, vasos sangüíneos e constituintes celulares e extracelulares do tecido
conjuntivo (Figura 1). As células circulantes incluem neutrófilos, monócitos, eosinófilos,
linfócitos, basófilos e plaquetas. As células do tecido conjuntivo são os mastócitos, que
circundam intimamente os vasos sangüíneos; os fibroblastos do tecido conjuntivo; os
macrófagos residentes e linfócitos eventuais. A matriz extracelular é constituída por proteínas
fibrosas estruturais (colágeno, elastina), glicoproteínas aderentes (fibronectina, laminina,
colágeno não-fibrilar, tenascina e outras) e proteoglicanos. A membrana basal é um
componente especializado da matriz extracelular que consiste em glicoproteínas aderentes e
proteoglicanos (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; GUYTON; HALL, 2002).
2
Figura 1- Células intravasculares e matriz de tecido conjuntivo e células envolvidas na resposta inflamatória.
Fonte: Cotran, Kumar e Collins (2000).
Os objetivos da inflamação são: localizar a região agredida; eliminar o agente agressor;
remover os tecidos degenerados, preparando a área afetada para a reparação; e livrar o
organismo das conseqüências dessa lesão (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000;
SIQUEIRA Jr., 2000a).
A inflamação divide-se em padrões agudo e crônico. A resposta inflamatória aguda
consiste na primeira linha de defesa do organismo contra um agente agressor. A inflamação
aguda refere-se à resposta que começa de maneira abrupta e precoce, e é caracterizada por três
eventos principais mediados por moléculas solúveis ou por células do sistema imune:
(1) Vasodilatação e aumento do fluxo sangüíneo local sinalizando calor e rubor; (2)
Aumento da permeabilidade vascular, conduzindo ao extravasamento de proteínas, e ao
recrutamento de leucócitos para o espaço extravascular e subseqüente formação de edema (ou
3
tumor); (3) Liberação de materiais pró-inflamatórios que provocam dor (YOSHIKAI, 2001;
WEBSTER; GALLEY, 2003).
1.1.1 Alterações vasculares
1.1.1.1 Alterações no fluxo e calibre vasculares
As alterações no fluxo e calibre vasculares começam pouco após a lesão e
desenvolvem-se em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade da lesão. Tais
alterações ocorrem na seguinte ordem:
(1) Após uma vasoconstrição transitória das arteríolas ocorre vasodilatação. O aumento
no fluxo sangüíneo causa calor e eritema (Figura.2). A vasodilatação, cuja duração varia
dependendo do estímulo, é sucedida pelo alentecimento da circulação.
(2) O alentecimento da circulação decorre do aumento da permeabilidade da
microvasculatura, processo descrito pormenorizadamente em seguida. A perda de líquido
resulta em aumento na concentração de hemácias nos pequenos vasos, elevando a viscosidade
sangüínea, graças à presença de pequenos vasos dilatados repletos de hemácias que
determinam um distúrbio denominado estase.
(3) Quando a estase se desenvolve, os leucócitos, sobretudo neutrófilos, começam a se
deslocar perifericamente ao longo do endotélio vascular, num processo conhecido como
marginação leucocitária. Em seguida o leucócito circulante se aproxima da parede do vaso e
rola sobre o endotélio (rolling). Em contato com o vaso, o leucócito sofre ação de substâncias
solúveis liberadas no local (quimiocinas) e passa a expressar moléculas que determinarão uma
ligação mais intensa à superfície endotelial. Em seguida, o leucócito é capaz de migrar através
da parede do vaso em direção ao sítio inflamatório (SPADAFORA-FERREIRA et al., 1996;
COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
4
Figura 2- Principais manifestações locais da inflamação aguda comparadas com o normal. (1) Dilatação vascular
(causando eritema e calor); (2) Extravasamento de líquido e proteínas plasmáticas (edema); (3) Emigração e
acúmulo de leucócitos no local de lesão. Fonte: Cotran, Kumar, Collins (2000).
1.1.1.2 Aumento da permeabilidade vascular
O aumento da permeabilidade vascular na inflamação aguda leva a um extravasamento
de fluidos com alto poder protéico ao interstício, diminuindo a pressão osmótica intravascular
e elevando a do líquido intersticial. Além disso, a vasodilatação arteriolar permite um
aumento da pressão hidrostática vascular. Estes fatores implicam um efluxo acentuado de
líquido e seu acúmulo no tecido intersticial (Figura3), o que resulta na formação de edema
(SIQUEIRA Jr., 2000a).
5
Figura 3- Pressão arterial e forças coloidosmóticas plasmáticas na microcirculação normal e inflamada. (A)
Pressão hidrostática normal (setas vermelhas) é de aproximadamente 32mmHg, na extremidade arterial de um
leito capilar, e de 12mmHg na extremidade venosa; a Pressão coloidosmótica média dos tecidos é de cerca de
25mmHg (setas verdes), que é igual à pressão capilar média. Embora o líquido tenda a deixar a arteríola précapilar, ele retorna em quantidades iguais através da vênula pós-capilar, de modo que o fluxo final (setas
negras) para dentro ou para fora é zero; (B) Inflamação aguda. A pressão arteriolar eleva-se para 50mmHg, a
pressão capilar média aumenta devido à dilatação arteriolar e a pressão venosa aumenta para cerca de
30mmHg. Ao mesmo tempo, a pressão osmótica se reduz (para uma média de 20mmHg) em virtude do
extravasamento de proteínas através da vênula. O resultado final é um excesso de líquido extravasado. Fonte:
Cotran, Kumar e Collins (2000).
1.1.1.3 Migração celular
O transporte de leucócitos para o local da lesão desempenha função determinante no
processo de inflamação.
Os leucócitos têm importância fundamental na ingestão e destruição de agentes
ofensivos como bactérias, micobactérias e outros microorganismos, assim como na
degradação de tecidos necróticos e antígenos estranhos ao organismo. Leucócitos circulantes
6
são capazes de migrar dos vasos sangüíneos para os tecidos, tanto em situações normais como
patológicas. A migração de leucócitos a partir do sistema vascular ocorre por um processo em
várias etapas, ditadas pela ativação seqüencial de proteínas adesivas e seus ligantes em ambas,
células endoteliais e leucócitos. Monócitos, linfócitos e leucócitos polimorfonucleares,
migram por intermédio de mecanismos similares, mas diferem quanto às respostas a fatores
quimiotáticos e inflamatórios, particularmente quanto a aspectos qualitativos e quantitativos
da expressão de moléculas de adesão (DRANSFIELD et al., 1992; SPRINGER, 1994;
COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000). O início da migração ocorre com a “captura” pela
parede vascular dos leucócitos polimorfonucleares (PMNs) do sangue circulante, seguido pelo
fenômeno denominado “rolling” (Fig. 4) ao longo da parede vascular. Esse processo de
“marginação” é o comportamento normal de PMNs circulantes. Apenas após estímulos
apropriados os leucócitos que estão “rolando” fixam-se ou aderem-se firmemente às células
endoteliais, e posicionam-se para a migração do vaso sangüíneo para o tecido. A aderência e
migração dos PMNs ao longo das paredes dos vasos é possível por causa da ligação reversível
dessas células a moléculas adesivas glicopotéicas transmembrana, denominadas “selectinas”,
encontradas tanto nas células endoteliais quanto nos próprios leucócitos (SPADAFORAFERREIRA et al., 1996; TEDGUI; MALLAT, 2001).
Figura 4- Fluxo sangüíneo laminar mantém os leucócitos contra a parede venular. Fonte: Cotran, Kumar e
Collins (2000).
7
As selectinas ligam-se, por meio de seu domínio de lectina, a formas de
oligossacarídeos que, por sua vez, estão ligadas a várias glicoproteínas semelhantes à mucina
(COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
O sinal que inicia o próximo passo- adesão firme- é postulado ser um evento mediado
por receptor em resposta a citocinas inflamatórias, ou um evento propagado por sinais de
selectinas ativadas. Dessa forma, as selectinas podem promover a transição ordenada para o
processo de adesão mediante a indução da expressão de integrinas, culminando com o sucesso
da migração celular (DRANSFIELD et al., 1992; COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
As
integrinas
são
glicoproteínas
heterodiméricas
aderentes
transmembrana,
encontradas em PMNs e em outras células hematopoiéticas que medeiam a interação célulacélula e célula-matriz extracelular (DRANSFIELD et al., 1992; COTRAN; KUMAR;
COLLINS, 2000).
1.1.2 Mediadores Químicos do Processo Inflamatório
O processo inflamatório é iniciado, mantido e controlado por vários fatores
responsáveis por efeitos múltiplos e integrados.
Os mediadores podem originar-se do plasma das células ou possivelmente do tecido
agredido. A maioria dos mediadores químicos realiza suas funções biológicas por meio de
ligação a receptores específicos sobre células-alvo (SIQUEIRA Jr., 2000b).
Descreveremos a seguir alguns mediadores químicos liberados durante o processo
inflamatório.
8
1.1.2.1 Aminas Vasoativas
As duas aminas - histamina e serotonina (5-hidroxitriptamina)- são especialmente
importantes porque estão disponíveis em reservas pré-formadas e estão entre os primeiros
mediadores a serem liberados durante a inflamação (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
A histamina é amplamente distribuída nos tecidos, e sua fonte mais rica são as células
denominadas mastócitos, que estão normalmente presentes no tecido conjuntivo adjacente aos
vasos sangüíneos. Também é encontrada em basófilos e plaquetas. A histamina pré-formada
está presente nos grânulos dos mastócitos (Fig. 5) e é liberada por degranulação dessas células
em resposta a uma variedade de estímulos: 1) lesão física como traumatismos, frio ou calor;
2) reações imunes que envolvem a ligação de anticorpos aos mastócitos; 3) fragmentos do
complemento denominados anafilatoxinas; 4) proteínas de liberação da histamina derivadas
de leucócitos; 5) neuropeptídeos e 6) citocinas (interleucina 1 e 8) (COTRAN; KUMAR;
COLLINS, 2000).
Nos seres humanos, a histamina é considerada o principal mediador da fase imediata
de aumento de permeabilidade vascular, ao produzir lacunas venulares causa aumento da
permeabilidade vascular das vênulas. O aumento da permeabilidade dos vasos sangüíneos no
sítio inflamatório é condição primordial da subseqüente migração de células de defesa
(leucócitos) para o local da inflamação. No entanto, esse processo permite não somente a
transmigração de células inflamatórias de dentro dos vasos sangüíneos para o tecido, como
também o extravasamento de proteínas plasmáticas, essencialmente a albumina. Por sua vez,
o extravasamento de proteínas plasmáticas para o tecido induz um aumento da pressão
osmótica em direção ao tecido, forçando também o extravasamento de líquido, acarretando o
edema inflamatório (TROWBRIDGE; EMLING, 1996; COTRAN; KUMAR; COLLINS,
2000).
9
Depois de estabelecido o edema inflamatório, o sistema linfático deverá se encarregar
da drenagem do conteúdo extravasado, fazendo com que as condições normais sejam
restabelecidas ao final do processo inflamatório (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
A serotonina é um segundo mediador vasoativo pré-formado com ações semelhantes às
da histamina. Está presente nas plaquetas e células enterocromafins, e nos mastócitos de
roedores. A liberação de serotonina das plaquetas é estimulada quando as plaquetas se
agregam após contato com colágeno, trombina, ADP e complexos antígeno-anticorpo. A
agregação e liberação plaquetárias também são estimuladas pelo Fator de Ativação
Plaquetária
(PAF),
proveniente
dos
mastócitos
durante
reações
mediadas
por
imunoglobulinas. Desse modo, a reação de liberação plaquetária resulta em aumento da
permeabilidade durante reações imunológicas (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
Figura 5- Fotomicrografia de infiltração focal por mastócitos. Fonte: Schering (2005).
10
1.1.2.2 Sistema de Cininas
As cininas, representadas pela bradicinina, Lys-bradicinina e Met-Lys-bradicinina,
geram peptídeos vasoativos potentes liberados a partir de substratos protéicos, denominados
cininogênios, pela ação de certas proteases, conhecidas genericamente como cininogenases ou
calicreínas. A bradicinina é um potente agente que aumenta a permeabilidade vascular. A
bradicinina também causa contração do músculo liso, dilatação dos vasos sangüíneos e dor,
quando injetada na pele (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000).
1.1.2.3 Metabólitos do Ácido Araquidônico (AA): Prostaglandinas e
Leucotrienos
Quando as células são ativadas por diferentes estímulos, os lipídios das suas
membranas são rapidamente remodelados para gerar mediadores lipídicos biologicamente
ativos que servem como sinais intracelulares ou extracelulares. Os produtos do AA
influenciam uma variedade de processos biológicos, tais como inflamação e hemostasia. São
mais bem vistos como autacóides (ou ainda eicosanóides), ou hormônios locais de curto
alcance, os quais se formam rapidamente, exercem seus efeitos localmente e, então,
decompõem-se espontaneamente ou são destruídos de maneira enzimática (COTRAN;
KUMAR; COLLINS, 2000; YOSHIKAI, 2001; FOEGH; RAMWELL, 2003).
Os eicosanóides são sintetizados por duas classes principais de enzimas: a)
ciclooxigenase, que originam prostaglandinas e tromboxano; b) lipooxigenase, que originam
leucotrienos; (Fig. 6). Os eicosanóides podem mediar praticamente todas as etapas da
inflamação. São encontrados em exsudatos inflamatórios, e sua síntese é aumentada em locais
de inflamação. Agentes estruturalmente distintos que podem suprimir a atividade da enzima
ciclooxigenase, denominados antiinflamatórios não esteroidais, são capazes de inibir o
processo inflamatório in vivo (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; YOSHIKAI, 2001;
FOEGH; RAMWELL, 2003).
11
Fosfolipídios da Membrana Celular
Fosfolipases
HETE
HPETE
Outras
lipoxigenases
Leucotrieno B4
(quimiotaxia)
5-HPETE
Esteróides inibem
Ácido Araquidônico
5-Lipoxigenase
5-HETE
(quimiotaxia)
X
Ciclooxigenase
X
Aspirina,
indometacina
inibem
Prostaglandina G2 (PGG2)
Leucotrieno A4 (LTA4)
Prostaglandina H2 (PGH2)
Leucotrieno C4 (LTC4)
Vasoconstrição
Broncoespasmo
Aumento da
permeabilidade
Leucotrieno D4 (LTD4)
Leucotrieno E4 (LTE4)
Tromboxano A2
TxA2
(Causa vasoconstrição,
promove a agregação
plaquetária)
Prostaciclina
PGI2
(Causa vasodilatação,
inibe a agregação
plaquetária)
PGD2
PGE2
PGF2 α
Vasodilatação
Potencializa o edema
Figura 6- Geração de metabólitos do ácido araquidônico e seus papéis na inflamação. Fonte: Cotran, Kumar e
Collins (2000).
A via da enzima ciclooxigenase leva à formação de prostaglandinas (PGD2, PGE2,
PGF2, PGG e PGH, etc.). A PGD2 é o principal metabólico da via da ciclooxigenase nos
mastócitos e, associada à PGE2 e PGF2α , causa vasodilatação e potencializa a formação de
edema. O TxA2 (tromboxano), assim como a PGE2, PGD2, PGF2α e a prostaciclina são
importantes na inflamação. O TxA2 é um potente agente agregador plaquetário e
vasoconstritor. A prostaciclina é um vasodilatador, potente inibidor de agregação plaquetária
e, ainda, potencializador de efeitos quimiotáticos e de aumento da permeabilidade de outros
mediadores (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; YOSHIKAI, 2001).
Na via da lipoxigenase, os produtos iniciais são gerados por três lipoxigenases
diferentes, presentes em alguns tipos de células. A 5- lipoxigenase (5-LO) é a enzima
predominante nos neutrófilos. À ativação celular, a 5-LO transfere-se para a membrana
12
nuclear e interage com uma proteína denominada proteína ativadora de 5-LO, para formar o
complexo enzimático ativo. O principal produto, 5-HETE, que é quimiotático para
neutrófilos, é convertido em uma família de compostos coletivamente conhecidos como
leucotrienos. O LTB4 é um agente quimiotático potente e ativador de respostas funcionais de
neutrófilos, como a agregação e aderência de leucócitos ao endotélio venular, geração de
radicais livres de oxigênio e liberação de enzimas lisossômicas. Os leucotrienos que contêm
cisteinil causam vasoconstrição intensa, broncoespasmo e aumento da permeabilidade
vascular (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; YOSHIKAI, 2001).
1.1.2.4 Fator Ativador de Plaquetas- PAF
O Fator Ativador de Plaquetas (PAF) é um acetilglicerol éter fosfocolina, derivado da
família dos fosfolipídeos. Apesar de não ser armazenado no interior celular, pode ser
produzido rapidamente após um estímulo apropriado, tais como: complexos imunes,
peptídeos quimiotáticos, trombina, colágeno ou outros mediadores (SIQUEIRA Jr., 2000b).
As principais células envolvidas na produção do PAF são mastócitos, basófilos,
neutrófilos, monócitos, células endoteliais, plaquetas e eosinófilos. O precursor do PAF
encontra-se em altas concentrações nas membranas citoplasmáticas dessas células
(SIQUEIRA Jr., 2000b).
O PAF pode atuar sobre vários tipos celulares por meio de sua ligação a receptores de
superfície nessas células que estão associadas à proteína G, responsável pela ativação da
resposta celular. Os efeitos gerados pela ação do PAF são vasodilatação, aumento da
permeabilidade vascular, adesão leucocitária ao endotélio. O PAF também pode ser
quimiotático para leucócitos. Sobre as plaquetas, age induzindo a agregação plaquetária e,
assim, favorece a hemostasia após a lesão vascular (SIQUEIRA Jr., 2000b).
13
1.2 Carragenina e seu efeito flogístico
Na década de 60, a carragenina (Cg) passou a ser muito utilizada experimentalmente,
principalmente por sua habilidade em induzir uma reação inflamatória aguda (DI ROSA,
1972). Apesar da falta de conhecimento da patogenia dessa reação, centenas de compostos
antiinflamatórios foram desenvolvidos baseados nesse ensaio.
A principal fonte de carragenina é a alga Chondrus crispus, também conhecida como
Irish Moss, encontrada em Carragheen (Waterford, Irlanda), onde cresce abundantemente.
Posteriormente, material de composição semelhante e propriedades similares foi isolado de
outras algas tais como Gigartina stellata, Rhodymenia palmata e outras (DI ROSA, 1972).
A carragenina extraída da Chondrus crispus é um polissacarídeo sulfatado que pode
ser separado em dois compostos. Uma fração transforma-se em gel sob a ação do íon potássio
e é designada como K, e a outra que é insensível ao potássio foi chamada de lambda (λ) . As
frações K e λ representam respectivamente 40% e 60% do extrato não fracionado (DI ROSA,
1972).
O uso da carragenina como irritante para induzir a formação de edema na pata de rato
foi introduzido por Winter, Risley, Nuss (1962). Logo em seguida o efeito da indometacina
foi ensaiado com a utilização desse procedimento, o qual, com pequenas modificações,
tornou-se um dos métodos mais populares como teste para avaliação de drogas e terapias
antiinflamatórias. Classicamente, a primeira fase (1-2h) do edema de pata induzido por
carragenina é caracterizada pela liberação de histamina, serotonina e bradicinina, enquanto a
segunda fase (3-4h) tem sido correlacionada com a elevada produção de prostaglandinas (DI
ROSA; GIROUD; WILLOUGHBY, 1971). A infiltração local de neutrófilos também
contribui para a resposta inflamatória nesse modelo (DI ROSA; SORRENTINO; PARENTE,
1972).
14
1.3 Edema de Pata
O movimento de fluidos dentro e fora da microcirculação é regulado pelo equilíbrio
entre a pressão hidrostática intravascular, que tende a forçar a saída do fluido dos vasos, e
pelo efeito oposto da pressão osmótica exercido pelas proteínas plasmáticas, que tendem a
reter o fluido dentro dos vasos, fenômeno conhecido como lei de Starling. Porém durante a
resposta inflamatória aguda ocorre aumento da pressão hidrostática na microcirculação e
passagem dos fluidos através dos pequenos vasos, tornando-os mais permeáveis às proteínas
plasmáticas. Quando tais proteínas deixam os vasos e entram no interstício, a pressão
osmótica aumenta e provoca a saída de mais fluido para o interstício, originando o edema e
aumentando a viscosidade sangüínea que tende a desacelerar o fluxo (estase sangüínea). A
estase sangüínea favorece a adesão leucocitária, e forma, assim, o exsudato inflamatório,
principal característica da resposta inflamatória aguda (TROWBRIDGE; EMLING, 1996;
MICHEL; CURRY, 1999).
Baseados nesse mecanismo de formação de edema, Winter, Risley e Nuss (1962)
introduziram a carragenina (Cg)- um mucopolissacarídeo derivado da alga marinha
Chondrus- como agente flogístico, no modelo de edema de pata, por apresentar um pico de
desenvolvimento de edema dentro das primeiras 3 a 4 horas.
O edema de pata induzido por carragenina (Cg) em ratos é caracterizado por uma fase
precoce (1-2h) conduzida pela liberação de histamina, serotonina e bradicinina, seguida por
uma fase tardia (3-4h) sustentada pela liberação de metabólitos do ácido araquidônico,
principalmente prostaglandinas (DI ROSA; GIROUD; WILLOUGHBY, 1971).
O edema de pata induzido por carragenina (Cg) é um modelo inflamatório amplamente
utilizado em pesquisas para análise de novos agentes antiinflamatórios (DI ROSA; GIROUD;
WILLOUGHBY, 1971) e para avaliar a contribuição dos mediadores envolvidos nas
mudanças vasculares associadas à inflamação aguda (SALVEMINI et al., 1996).
15
1.4 Hidropletismógrafo
O hidropletismógrafo ou hidropletismômetro é um equipamento medidor de volume
desenvolvido para a mensuração precisa e eficiente do edema de patas de ratos e
camundongos. A pata inflamada é introduzida em um tubo de fluidos, o nível da solução se
eleva e um transdutor registra a diferença no nível de água, mostrada pelo leitor digital. A
partir desse método, a diferença de volume da pata pode ser comparada, o que permite a
análise o desenvolvimento do edema (FERREIRA, 1979; FEREDONI, 2000; ENRAFNONIUS, 2005).
O cálculo do edema de pata foi determinado pela diferença entre o volume inicial da
pata antes da injeção da carragenina e o volume medido de hora em hora até a 4a hora
conforme os protocolos deste estudo. As variações no volume das patas foram expressas em
mililitros (ml) (FERREIRA, 1979; ENRAF-NONIUS, 2005).
16
1.5 Zingiber officinale (Zo)
O interesse do homem em utilizar extratos de plantas para curar doenças, de maneira
simples e popular, ocorre há séculos. Particularmente, nos últimos 10-15 anos tem havido um
elevado interesse na incorporação e uso de várias ervas tradicionais ou extratos de plantas
pela medicina convencional (WILKINSON, 2004).
Vários fatores importantes contribuíram para o aumento do mercado fitoterapêutico
mundial, entre os quais mencionam-se: (1) preferência dos consumidores por terapias
naturais; (2) grande interesse em medicamentos alternativos; (3) preferência das populações
por medicina preventiva por causa do aumento da idade da população; (4) tendência de auto
medicação; (5) melhoria na qualidade, prova da eficácia e segurança de medicamentos
fitoterapêuticos; (6) alto custo dos medicamentos sintéticos; (7) crença em que medicamentos
derivados de plantas podem ter efeitos benéficos no tratamento de certas doenças sobre as
quais terapias convencionais provaram ser inadequadas; (8) Preocupação com os efeitos
colaterais indesejados dos medicamentos modernos (CALIXTO, 2000).
Os avanços recentes ocorridos no processo de purificação, isolamento e elucidação de
estruturas de substâncias naturais têm tornado possível o estabelecimento de estratégias
apropriadas para análise de qualidade e o processo de padronização de preparações herbais,
no intuito de manter a homogeneidade do extrato da planta (MA et al., 2004). Várias técnicas,
tais como, cromatrografia (SAHA et al., 2003), espectrometria de massa, espectrometria por
infravermelho, aplicadas isoladamente ou em combinação, podem ser utilizadas para a
padronização e controle de qualidade tanto do material bruto quanto da droga já preparada
(CALIXTO, 2000).
A realização de estudos biotecnológicos e genéticos sobre plantas medicinais que
comprovem a eficácia de substâncias derivadas de plantas empregadas na medicina popular
17
possibilitam, também, a obtenção de materiais em estado bruto de alta qualidade o que
garante a segurança dessas drogas (CALIXTO, 2000).
O Gengibre é um dos compostos que vêm sendo submetidos a consideráveis
investigações não só a nível clínico quanto científico (WILKINSON, 2004). Os resultados de
estudos laboratoriais têm apresentado o gengibre como planta de alto potencial terapêutico em
diversas enfermidades (SERTIÉ et al., 1992).
O rizoma do Zingiber officinale Roscoe (Zingiberaceae), ginger, originário do sudeste
asiático e introduzido no Brasil por volta de 1500, é um componente comum da alimentação
em diversos países do mundo. Suas propriedades antiinflamatória, analgésica, antipirética,
antimicrobiana e hipoglicemiante são reconhecidas mundialmente (MASCOLO et al., 1989;
SERTIÉ et al., 1992; MA et al., 2004).
Desde o início do século, muitos estudos têm sido realizados com a finalidade de
investigar a composição físico-química e propriedades biológicas do gengibre (MASCOLO et
al., 1989; SERTIÉ et al., 1992; HABSAH et al., 2000).
1.5.1 Descrição botânica
Gengibre – Zingiber Karst. (Amomum Zingiber L., Curcuma longifolia Wall., Z.
aromaticum Noronha, Z. majus Rumph., Z. missionis Vall., Z.officinale Roscoe), da família
das Zingiberáceas. Erva de rizoma perene, reptante, articulado, anguloso e muito ramoso, de
1-2 cm de espessura, ligeiramente achatado, carnoso, revestido de epiderme rugosa,
amarelada ou pardacenta, tem, na parte superior, pequenos tubérculos anelados e muito
aproximados, resultantes da base dos antigos caules aéreos, e, na parte inferior, numerosas
raízes adventícias, cilíndricas, brancas e carnosas; caules eretos, de 30 –120 cm de altura,
guarnecidos de bastantes folhas dísticas, sendo as basilares reduzidas a simples bainhas
glabras e estriadas no sentido longitudinal; as bainhas superiores, amplixiculares na base,
18
terminam com um limbo séssil, linear, lanceolado, acuminado, até 28 cm de comprimento e
3cm de largura, com numerosas punctuações translúcidas e as nervuras secundárias finas,
aproximadas e paralelas, partindo da nervura média e dirigindo-se muito obliquamente para o
ápice do limbo, sendo que no ponto de junção deste com a bainha há uma lígula bífida,
prolongada lateralmente em duas aurículas; flores verde-amareladas, hermafroditas,
zigomorfas, dispostas em espigas ovóides ou elipsóides, de 4-6 cm, no ápice; brácteas florais
surbobiculares, às vezes obovadas, até 25 mm, esverdeadas, freqüentemente com as margens
amareladas, punctuadas de roxo, cada uma envolvendo uma só flor curto-pedicelada; cálice de
1 cm, 3 denteado, corola com tubo de 2 cm e lobos lanceolados, agudos; labelo ovadooblongo, purpúreo e com punctuações amarelas, mais curto que os lobos da corola; fruto
cápsula 3-locular, abrindo-se em três valvas; sementes azuladas e com albúmen carnoso.
(CORRÊA, 1984).
1.5.2 Propriedades biológicas e Atividades farmacológicas do Zingiber
officinale(Zo)
Srivastava (1986) analisou os efeitos do extrato aquoso do gengibre, isolado por três
solventes orgânicos, sobre a agregação plaquetária e síntese de eicosanóides. Os resultados
apontaram inibição de agregação plaquetária e na formação de tromboxanoB2, sem que
houvesse efeitos sobre a fosfolipase. Doses mais elevadas de extrato aquoso também inibiram
a formação de produtos da lipoxigenase.
Mascolo et al. (1989) investigaram a atividade antiinflamatória, analgésica,
antipirética, antimicrobiana e hipoglicêmica do extrato etanólico de Zingiber officinale (Zo).
Em ratos, o extrato reduziu o edema de pata induzido por carragenina e a febre induzida por
levedura, porém foi ineficaz como agente analgésico. Também foi observado um efeito dosedependente na inibição da liberação de prostaglandinas em leucócitos peritoneais nesses
19
animais. Em coelhos, o extrato, produziu redução de glicose sangüínea e, também, diminuiu
significativamente o crescimento de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.
Em seu estudo, Sertié et al. (1992) observaram que os extratos de raiz de Z.
officinale(Zo) administrados oralmente inibiram a secreção gástrica em ratos submetidos à
ligadura pilórica. O extrato cetônico numa dose de 62.01 mg/kg foi mais efetivo que o extrato
etanólico e que a cimetidina na redução do volume gástrico. Lesões induzidas por stress foram
prevenidas significativamente por ambos extratos, mas o extrato cetônico pareceu ser mais
efetivo que o extrato etanólico, menos efetivo que a cimetidina e equivalente ao misoprostol.
Os resultados demonstrados revelaram o efeito protetor da mucosa gástrica de ratos gerado
pelo extrato cetônico do gengibre. O potente efeito inibidor de tromboxano sintase
apresentado pelo gengibre nesse estudo foi considerado relevante na prevenção da úlcera
péptica.
Srivastava e Mustafá (1992) analisaram o efeito do gengibre na artrite reumatóide, na
osteoartrite e em disfunções músculo-esqueléticas baseados exclusivamente nos relatos de 56
pacientes. Todos haviam usado gengibre em pó contra suas aflições (n=28 Artrite reumatóide;
n=18 Osteoartrite e n=10 Disfunção muscular). Entre os pacientes com artrite, mais de 75%
experimentaram, em diferentes graus, alívio de dor e redução do edema. Os pacientes com
disfunção muscular relataram redução da dor. Nenhum dos pacientes descreveu efeitos
adversos durante o período em que consumiram gengibre que variou entre 3 meses e 2,5 anos.
De acordo com os autores, pelo menos um dos mecanismos de atuação dos componentes
bioativos do gengibre deveria estar relacionado à inibição da síntese de eicosanóides, agindo
como duplos inibidores das vias da ciclooxigenase e da lipoxigenase, inibindo a síntese de
PGE2 e Leucotrieno B4, considerados importantes mediadores químicos da inflamação. No
estudo, os autores ponderaram sobre a função dos eicosanóides nos diferentes tipos de Artrite,
declarando que a PGE2 representa papel fundamental em duas formas: primeiro, por causar
20
reabsorção de osso por sinoviócitos por meio de aumento no número de osteoclastos e,
segundo, por estimular a secreção de colagenase por macrófagos e a inibição na formação de
proteoglicanos pelos condrócitos articulares e sinoviócitos. Além de produzir prostanóides,
foi encontrado que a sinóvia humana na Artrite e na Artrite Reumatóide podem gerar também
produtos da lipoxigenase: os leucotrienos. O nível de LTB4 nos fluidos de pacientes com
Artrite Reumatóide são ligeiramente mais altos que nos dos pacientes com Artrite.
Phillips, Ruggier e Hutchinson (1993) compararam o efeito da raiz de gengibre em pó,
de metoclopramide e de placebo sobre a incidência de náusea pós-operatória e vômito em 120
mulheres submetidas à cirurgia ginecológica laparoscópica eletiva. O estudo prospectivo,
randomizado e duplo-cego levou os autores à conclusão de que o gengibre é um antiemético
profilático efetivo e promissor que pode ser útil nesses casos. As pacientes, divididas
aleatoriamente em três grupos, ingeriram, 1 hora antes da aplicação de anestesia, 2 cápsulas
contendo um total de 10mg de metoclopramide (grupo A), ou 2 cápsulas contendo 1g de pó de
raiz de gengibre (grupo B) ou ainda 2 cápsulas com 1g de placebo - lactose (grupo C). A
incidência dos sintomas foi similar nas pacientes que receberam metoclopramide e gengibre
(27% e 21%) e menor do que naquelas que receberam placebo (41%). As pacientes que
receberam tratamento com placebo requisitaram mais antieméticos pós-operatórios
comparadas àquelas que receberam metoclopramide ou gengibre.
Lumb (1994) estudou o efeito do gengibre em pó sobre a função plaquetária em 8
sujeitos saudáveis. No estudo randomisado, duplo-cego, os sujeitos receberam cápsulas
contendo 2g de gengibre em pó ou cápsulas “placebo” e foram orientados a ingeri-las
diariamente durante duas semanas. As variáveis analisadas foram: tempo de sangramento,
contagem de plaquetas, tromboelastografia e taxa de agregação plaquetária. Segundo o autor,
a função plaquetária foi analisada com todos os melhores testes fisiológicos disponíveis. Os
resultados não demonstraram diferenças entre o grupo placebo e o grupo tratado com o
21
gengibre em nenhuma das variáveis. Baseados nesses resultados, o autor sugeriu que o efeito
do gengibre na atividade da tromboxano sintase pode ser dose-dependente ou ocorrer somente
no gengibre fresco, e, ainda, que o uso terapêutico de até 2g de gengibre em pó provavelmente
não causa disfunção plaquetária.
Guh et al. (1995) estudaram o efeito antiplaquetário do gingerol isolado de Z.officinale
(Zo). O gingerol concentração-dependente inibiu a agregação e a reação de liberação
plaquetária induzida por ácido araquidônico (AA) e colágeno em coelhos, mas não naqueles
induzidos por PAF e trombinas. O gingerol concentração – dependente inibiu formação de
tromboxano-B2 e prostaglandina-D2 causada por AA, aboliu completamente a interrupção de
fosfoinositide induzida por AA, contudo não teve efeito sobre os induzidos por colágeno, PAF
ou trombina mesmo em concentrações altas como 300µg. A interrupção de Fosfoinositide é o
principal padrão ativador de agregação plaquetária. Segundo relato dos autores, em plasma
humano rico em plaquetas, o gingerol e a indometacina preveniram a agregação secundária e
bloquearam a liberação de ATP de plaquetas induzidas por ADP e adrenalina, contudo não
tiveram influência na agregação primária. O efeito antiplaquetário máximo foi obtido quando
as plaquetas foram incubadas com gingerol por 30 min e tal inibição foi reversível.
A agregação plaquetária é o principal mediador envolvido na hemostasia e formação
de trombose. O Tromboxano-B2 formado a partir do AA derivado de membrana fosfolipídica
de plaquetas ativadas é um potente agente agregador plaquetário e vasoconstritor e é
considerado responsável pelo recrutamento de plaquetas adicionais ao agregado inicial. As
ciclooxigenases e tromboxano sintase são as enzimas que lideram a conversão do AA em
tromboxano A2. A adição exógena de AA é convertida por ciclooxigenase em endoperóxidos
de prostaglandinas, que são convertidas por tromboxano sintase em Tromboxano A2, um
potente agregador plaquetário, levando à agregação plaquetária. Os resultados indicaram que
22
a ação antiplaquetária do gingerol é relacionada à inibição do metabolismo araquidônico e da
conseqüente formação de tromboxano.
Bordia, Verma e Srivastava (1997) estudaram o efeito do gengibre (Zingiber officinale.
Rosc.) e fenugreek (Trigonella foenumgraecum L.) sobre lipídios sangüíneos, glicose
sangüínea e agregação plaquetária em pacientes com Doença Coronariana (D.C.). Os sujeitos
incluídos nesse estudo foram indivíduos normais, pacientes com doença coronariana, e
pacientes diabéticos não insulino-dependentes apresentando ou não doença coronariana. Nos
pacientes com DC a dose de 4g de gengibre em pó administrada por 3 meses não afetou a
agregação plaquetária induzida por ADP e epinefrina. Não houve mudança na atividade
fibrinolítica, nem no nível de fibrinogênio. Entretanto, uma única dose de 10g de gengibre em
pó administrada aos pacientes com Doença Coronariana, produziu significativa redução na
agregação plaquetária induzida pelos dois agonistas. O gengibre não afetou lipídios
sangüíneos e glicose sangüínea. A administração de fenugreek, por sua, vez não gerou
alterações significativas.
Habsah et al. (2000) realizaram estudos para determinar a atividade antimicrobiana e
antifúngica de 13 espécies da família Zingiberaceae, e somente a espécie Costus discolor
mostrou forte atividade antifúngica para Aspergillus ochraceous. A atividade antioxidante
apresentada pelas 13 espécies foi tão forte quanto à do α-tocoferol ou ainda maior.
Oliveira (2001) estudou a atividade antifúngica e antimicrobiana do extrato bruto de
Z.officinale sobre cepas de leveduras do gênero Cândida; de bactérias padrão; de bactérias
hospitalares multi-resistentes; de S.aureus e de P. aeruginosa. Para a realização do estudo foi
aplicado o Método de difusão em Ágar, cavidade/placa. Os resultados demonstraram que o
extrato de gengibre não apresentou nenhuma atividade antifúngica contra as leveduras do
gênero Candida, isoladas da cavidade bucal. Também não apresentou atividade antibacteriana
contra as bactérias padrão E.coli. Entretanto, a atividade antibacteriana foi evidente contra a
23
cepa padrão de P.aeruginosa e leve contra o S.aureus. A autora sugeriu a possibilidade de se
empregar o extrato bruto de Zingiber officinale em medicamentos contra a cepa padrão de P.
aeruginosa embora apontasse a necessidade de maior investigação em relação à atividade
antibacteriana do extrato.
Thomson et al. (2002) analisaram o uso do gengibre como agente antiinflamatório e
antitrombótico. No estudo, os autores investigaram o efeito ex-vivo de um extrato aquoso de
gengibre na síntese do tromboxano-B2, da PGE2, e no nível de colesterol e de triglicérides no
soro de ratos normais. Foi administrado extrato aquoso de gengibre bruto diariamente por 4
semanas, por via oral ou intraperitoneal (IP) em ratos. Os resultados indicaram que, o
gingerdione inibiu a formação de ácido 5- hidroxieicosatetraenoico (5-HETE) e de
prostaglandina-E2 (PGE2) do ácido araquidônico, e o shogaol inibiu a formação de 5-HETE.
O gingerol e dehidroparadol favorecem a inibição da ciclooxigenase. Também foi observado
que uma dose baixa do extrato administrada via oral ou peritoneal não produziu redução
significativa do nível de tromboxano-B2 no soro, quando comparado a animais tratados com
salina. Entretanto, a administração oral de gengibre causou alterações significativas na PGE2
em dose baixa. Altas doses de gengibre (500mg/kg) foram significativamente efetivas na
redução de PGE2 tanto na administração oral como na intraperitoneal. Contudo, os níveis de
TXB2 reduziram significativamente em ratos administrados com alta dose oral, mas não IP.
Uma redução significativa no colesterol foi observada quando se empregou uma dose elevada
de gengibre. Em baixa dose, houve diminuição do colesterol, quando administrado via IP. Os
níveis de triglicérides não se alteraram significativamente em nenhuma das doses. Os
resultados sugeriram que o gengibre pode ser usado como agente redutor do colesterol,
antitrombótico e antiinflamatório. A administração diária de gengibre não levará a efeitos
colaterais nem a complicações como normalmente ocorre com drogas antiinflamatórias não
esteroidais.
24
Penna et al. (2003) analisaram o efeito antiinflamatório do extrato hidroalcoólico de
rizomas de Z.officinale (Zo) nos edemas de pata e de pele de ratos. Foram aplicados os
modelos clássicos de indução de edema de pata de pele. Os edemas de patas induzidos por
carragenina (composto 48/80) e serotonina foram significativamente inibidos pela
administração intraperitoneal do extrato alcoólico de gengibre. O extrato de gengibre também
foi efetivo na inibição do edema de pela induzido pelo composto 48/80 nas doses de 0.6 e
1.8mg/sítio. O edema de pele induzido por substância P ou bradicinina não foi afetado pelo
tratamento com o extrato de Z.officinale. Por outro lado, a administração intraperitoneal do
extrato de gengibre 1 hora antes da injeção de serotonina reduziu significativamente o edema
de pele induzido por serotonina. Os resultados demonstraram que o extrato bruto de
Z.officinale foi capaz de reduzir os edemas de pata e de pele de ratos induzidos por
carragenina
(composto
48/80)
e
serotonina.
Segundo
os
autores,
a
atividade
antiedematogênica parece estar relacionada, ainda que parcialmente, ao antagonismo do
receptor de serotonina.
O edema de pata de rato induzido por carragenina evolui em três fases distintas. A
primeira fase é mediada pela degranulação de mastócitos e pela liberação de histamina e
serotonina (1a hora); a segunda fase (60 a 150 min) é caracterizada pela liberação de
bradicinina e por dor; e a última fase (3a e 4ah) pela produção de eicosanóides. A dose mais
elevada de extrato de gengibre foi capaz de inibir o edema de pata a partir da 1a hora
indicando que o extrato pode inibir o edema de pata mediante a inibição da produção de
eicosanóides. No estudo, a inibição persistiu até a 4a hora de experimentos, mediada por
degranulação de mastócitos e liberação de serotonina. Mesmo assim, os autores utilizaram o
modelo de indução de edema pelo composto 48/80, um forte composto sintético da
degranulação mastocitária. O edema de pata induzido por esse composto foi reduzido pelo
extrato de gengibre em todas as doses. Os mastócitos de ratos apresentam grandes quantias de
25
serotonina, a qual é liberada pela degranulação induzida pelo composto 48/80. Dessa forma, o
extrato pode ter agido como um inibidor da degranulação de mastócitos ou como um
antagonista de serotonina. O extrato hidroalcoólico de Z.officinale reduziu significativamente
o edema de pata induzido por serotonina exógena e dados não publicados mostraram que o
extrato de gengibre não pode inibir a degranulação mastocitária induzida pelo composto
48/80, ao sugerir um possível mecanismo que envolva o antagonismo de receptores de
serotonina. Por outro lado, um breve relato usando o modelo de edema de pele de rato
demonstrou uma especificidade relativa do extrato de gengibre que inibiu somente edema de
pele induzido pelo composto em questão e por serotonina, sem afetar aqueles induzidos por
substância P ou bradicinina. O extrato foi capaz de inibir edema de pele de rato induzido por
serotonina mesmo em doses de 240 e 500 ng por sítio de injeção.
Nurtjahja-Tjendraputra et al. (2003) estudaram a habilidade dos 20 compostos
fenólicos do gengibre em inibir a agregação plaquetária humana induzida pelo AA. Os 20
compostos foram pesquisados para a determinação das substâncias mais ativas. Na primeira
etapa da seleção a maioria dos compostos se apresentou relativamente potente.
Surpreendentemente, na segunda etapa de seleção o 8-paradol e diarylheptanóide 8
demonstraram ser os mais ativos dos compostos entre as séries estudadas determinando a
importância do grupo carbonil na atividade plaquetária. A inibição da agregação plaquetária
pelos gingeróis e análogos provavelmente deve-se à inibição da enzima COX-1, levando à
redução de quantidade do produto pró-agregratório: tromboxano-A2. A aspirina, inibidor
irreversível da COX-1, foi usada como um controle positivo. Aplicou-se um ensaio
enzimático modelo de COX-1 que representa a direta interação entre as substâncias testes e
sítio ativo da enzima. Os resultados demonstraram claramente que uma série de compostos de
gingerol, especialmente os keto-análogos inibe a agregação plaquetária mais efetivamente que
26
a aspirina. Os autores afirmaram que esse efeito, possivelmente, se originaria a partir da
inibição da atividade enzimática da COX-1 sintase.
Lima (2003) investigou os efeitos de dois extratos brutos de rizomas do gengibre,
hidroalcólico e cetônico, no modelo de pleurisia induzida por BCG em camundongos. Os
resultados demonstraram que ambos os extratos do Zingiber offficinalle podem reduzir
significativamente a migração das células inflamatórias à cavidade pleural em resposta à
injeção de BCG, especialmente o extrato cetônico, que demonstrou poderoso efeito na
migração celular.
Ma et al. (2004) realizaram, por meio de espectroscopia e numerosas análises químicas
do extrato de rizoma de gengibre (Zingiber officinale Roscoe), o isolamento e definição
estrutural de mais 7 componentes (diarylheptanoides) além daqueles já conhecidos até aquele
momento. Os outros 25 componentes (8 diariylheptanoides, 14 análogos de gingerol, 1
diterpeno e 2 esteróides) também foram isolados e identificados.
Em relatório, Wilkinson (2004) citou a composição química do Gengibre cujo
principal agente ativo é o gingerol. São encontrados, nos extratos da raiz, altos níveis de
análogos do gingerol, tais como shogoals. A protease, a capsaicina e vários sesquiterpenos
também compõem o gengibre. A atividade farmacológica deve-se ao gingerol e shogaol
principalmente. Esses dois compostos foram apontados como responsáveis pelas atividades
analgésica, antiemética, antipirética, antitussígena, anti-ulcerativa, hipotensiva, mutagênica,
supressora de prostaglandinas e ativadora da enteromotilidade desempenhadas pelo gengibre.
Jolad et al. (2004) analisaram o efeito do Z.officinale bruto sobre a produção de PGE2
induzida por LPS. Padrões de massa espectral de todos os componentes das amostras de
Gengibre fresco foram descritas e interpretadas. A atividade antiinflamatória de frações foi
analisada por cromatrografia a partir de ensaio de PGE2 in vitro. Os resultados mostraram que
27
a maioria das frações contendo gingerol ou seus derivados apresentou excelente inibição na
produção de PGE2 induzida por LPS.
Tan e Vanitha (2004) elaboraram uma revisão sobre os efeitos imunomoduladores e
antimicrobianos de algumas ervas medicinais chinesas tradicionais, entre as quais, o Zingiber
officinale. Os óleos essenciais constituintes de rizomas do Zingiber officinale inibiram o
aumento da taxa de bactérias e fungos incluindo Staphylococcus e Cândida. O constituinte
antimicrobiano mais efetivo considerado foi o citral. Curcumene, um sesquiterpeno do óleo
do gengibre demonstrou inibir Rhizoctonia solani. A atividade bactericida contra as bactérias
gram-negativas altamente resistentes Pseudomonas aeruginosa foi notável. A atividade antifúngica é desempenhada especialmente pelo componente dehydrozingerone. A ação de
extratos etanólicos solúveis de rizomas de Z.officinale sobre as citoquinas foi testada e
observou-se secreção de IL-1 e IL-6 dependentes da dose e do tempo. A IL-6 é uma potente
célula B estimulante. A revisão mostrou, portanto, que ervas exercem efeitos
imunoestimulantes em diferentes maneiras. Agentes imunoestimulantes não afetam
diretamente as células de memória imune, uma vez que a ativação e diferenciação das células
de memória requerem interações precisas entre célula-célula e entre células de memória
imune-antígenos. Entretanto, elas são imunoestimulantes específicas por ativarem respostas
imunes precisas ao combate de patógenos específicos.
No estudo de Young et al. (2005) foram analisados os efeitos analgésico e
antiinflamatório do 6-gingerol em ratos. A administração intraperitoneal do 6-gingerol
produziu uma inibição da resposta de contorcimento por dor induzida pelo ácido acético.Esse
teste costuma ser aplicado na análise de efeitos analgésicos de drogas e envolve receptores
colinérgicos e histamínicos, além de mediadores de acetilcolina e histamina. Dessa forma, o
resultado indicou que o efeito analgésico do 6- gingerol pode ser mediado por esse efeito
periférico. A indução de dor por formalina é um teste válido e fidedigno para avaliação de
28
nocicepção, e produz resposta bifásica distinta. Os analgésicos podem atuar variavelmente na
fase inicial e final. O 6-gingerol reduziu significativamente a dor na fase final do teste com
formalina, indicando que o efeito antinociceptivo pode ser atribuído à inibição de liberação de
prostaglandinas e outros mediadores. Quanto à ação antiinflamatória, houve significativa
diminuição do edema de pata induzido por carragenina quando o 6-gingerol foi administrado
nas doses de 50mg/kg, 100mg/kg e 250mg/kg em relação ao grupo controle.
1.5.3 Extrato em gel de Zingiber officinale
Sertié (1992), descreveu o método para obtenção de extrato de Z. officinale. A
matéria-prima deve ser descascada, cortada em finas camadas e precipitada em 1000ml de
etanol a 70%. Após dois dias de maceração, o extrato deve ser filtrado e concentrado à vácuo
a 50°C. A massa viscosa obtida do extrato, então, deve ser liofilizada. O material seco pode
ser dissolvido em gel em diferentes concentrações.
1.6 Ultra-som terapêutico
Ultra-som refere-se às vibrações mecânicas que são essencialmente as mesmas das
ondas sonoras, porém com freqüência mais alta. A energia ultra-sonora descreve qualquer
vibração a uma freqüência acima da faixa do som. Em fisioterapia são utilizadas freqüências
de poucos Megahertz - entre 0,5 a 5MHz (LOW; REED, 2001)
A alta freqüência é então imposta a um cristal com propriedade piezoelétrica. A
piezoeletricidade é um fenômeno natural encontrado em certos cristais minerais, tais como o
germânio e o quartzo, mas pode também ser sintetizado comercialmente, como por exemplo,
o Titanato Zirconato de Chumbo (PZT). Esse cristal transforma energia mecânica em energia
elétrica e seu reverso, elétrica em mecânica. Se um cristal piezoelétrico for comprimido ou
29
deformado por meio mecânico, uma pequena carga elétrica pode resultar dentro do cristal; de
modo inverso, se uma carga elétrica for imposta ao cristal, uma vibração da deformação
mecânica da estrutura molecular do cristal pode se seguir (KAHN, 2001).
1.6.1 Transformação da Energia elétrica em Som
O ultra-som é gerado a partir de um transdutor. Um transdutor, também citado como
cabeçote, é um dispositivo que transforma uma forma de energia em outra. O transdutor mais
comumente usado em ultra-som transforma energia elétrica em energia mecânica com uso do
efeito piezoelétrico. Quando uma voltagem oscilatória é aplicada através do cristal, essa
alternadamente fica mais espessa e mais fina que sua espessura de repouso, seguindo a
polaridade da voltagem (TER HAAR, 2003).A voltagem através do transdutor de ultra-som
pode ser aplicada continuamente durante todo o tratamento (onda contínua) ou pode ser
aplicada em pulsos (modo pulsado)- ligada por um tempo, desligada por um tempo sucessivas
vezes (TER HAAR, 2003).
O modo pulsado reduz a média temporal de intensidade e, portanto, a quantidade de
energia disponível para os tecidos, e ao mesmo tempo assegura que a energia disponível em
cada pulso seja alta o suficiente para que os efeitos mecânicos predominem e não os térmicos
(LOW; REED, 2001).
No modo pulsado, o regime de pulsação pode ser descrito por uma das três maneiras
descritas abaixo.
1. x segundos ligado; y segundos desligado;
2. m:s, onde m representa “marca” e s representa “espaço”. Essa razão representa a
proporção entre tempo ligado e tempo desligado, e é conhecida como razão marca: espaço.
Desse modo, se x é o dobro de y, m:s é 2:1.
30
3. A taxa do ciclo: é a porcentagem do comprimento do pulso, dada por x/(x+y) ×
100% (TER HAAR, 2003).
1.6.2 Transmissão de ondas sonoras
Segundo Williams (apud LOW; REED, 2001), a placa de metal do transdutor de
tratamento se move para trás e para frente para gerar uma corrente de ondas de compressão
que formam o feixe sonoro. Pelo fato de o comprimento de onda ser muito menor do que a
face do transdutor, o feixe sonoro é grosseiramente cilíndrico e tem o mesmo diâmetro do
transdutor. Mesmo os menores transdutores terapêuticos têm 2 ou 3cm transversalmente e
comprimentos de onda de apenas uns poucos milímetros.
Esse feixe de ultra-som emitido a partir do transdutor não é uniforme, mesmo em meio
homogêneo. A taxa de não uniformidade (TNF) do feixe é a razão entre o pico de intensidade
e a intensidade média no feixe. Quanto mais baixa a TNF, mais uniforme o feixe. As ondas
emitidas de diferentes locais na face do transdutor chegarão ao mesmo ponto no espaço à
frente da face do transdutor por diferentes caminhos, e, assim, estarão fora de fase. Algumas
ondas se cancelam entre si, outras se reforçam, de modo que o resultado final é um padrão
muito irregular de ondas sonoras na região próxima da face do transdutor chamada de campo
próximo ou zona de Fresnel. Para além dessa região, o campo distante ou zona de
Fraunhofer, o campo sonoro se alastra um pouco mais e torna-se muito mais regular porque o
comprimento diferente dos percursos a partir dos pontos no transdutor se torna insignificante
com distâncias maiores. A extensão do campo próximo dependerá diretamente do quadrado
do raio da face do transdutor (r2) e inversamente ao comprimento da onda (λ).
Comprimento de onda (λ) é a distância necessária para que um movimento ondulatório
se repita (ter HAAR, 1987). (Tabela 1)
31
Extensão da zona de Fresnel= r2 / λ
Ou seja, um transdutor com diâmetro de 3cm que trabalhe a 1MHz na água, ou nos
tecidos moles, terá um campo próximo estendendo-se 15cm a partir do transdutor de
tratamento: r = 15mm, r2 = 225, λ = 1,5mm. → 225/1,5=150mm= 15cm (LOW; REED,
2001).
Tabela 1- Extensão do campo próximo para diferentes transdutores de ultra-som. Fonte: ter Haar (2003).
Para todos os fins práticos o ultra-som terapêutico utiliza o campo próximo e é,
portanto, irregular. Há relativamente mais energia na média, conduzida na parte central do
corte transverso do feixe. Evidentemente a intensidade desses campos não pode ser expressa
de modo simples, pois varia de local para local no feixe ultra-sonoro. Assim, é especificado o
pico espacial de intensidade ou a média espacial de intensidade (LOW; REED, 2001).
Se a saída é pulsada, a intensidade no tempo varia de modo que pode ser expressa
como uma média temporal ou um pico temporal. Dessa forma, a intensidade pode ser descrita
de quatro modos:
média espacial; média temporal (SPTA- spatial peak temporal average); pico espacial;
32
pico temporal (SATP- spatial average temporal peak ).
Normalmente é dada a média temporal ou a intensidade de pico temporal. A
movimentação contínua do transdutor de tratamento durante a terapia pode até de certa forma
controlar essa irregularidade (LOW; REED, 2001).
1.6.3 Reflexão e Refração de ondas
Quando o feixe sonoro encontra uma superfície limitadora, ou interface, parte dessa
energia será refletida (Fig.7) e o restante passará para o outro meio (Fig.8)
Figura 7-Lei da Reflexão afirma que o ângulo de incidência equivale ao ângulo de reflexão.
Fonte: ter Haar (2003).
Sob certas circunstâncias, uma pequena energia pode também passar por outros modos
acústicos, tais como ondas de superfície ou ondas transversais, mas isso só é importante em
determinados casos, como quando o feixe ultra-sônico corre pelo osso, aquecendo o periósteo
e causando dor (WILLIAMS, 1987).
33
Figura 8- Quando um feixe passa de um meio para outro, pode sofrer refração (ou seja mudar de direção). Fonte:
ter Haar (2003).
A magnitude relativa das impedâncias acústicas dos dois materiais de cada lado da
interface determina a quantidade de energia que será refletida (e a quantidade que será
transmitida) para qualquer interface. A impedância acústica (Z) de um material é obtida
multiplicando-se a densidade do material pela velocidade na qual o som o atravessa. Se as
impedâncias acústicas dos dois materiais, em ambos os lados da interface, são as mesmas,
então todo o som será transmitido e não haverá reflexão. Quanto maior a diferença entre as
duas impedâncias acústicas, maior será a energia refletida e menos desta energia penetrará no
outro meio (WILLIAMS, 1987).
A onda refratada continua a se propagar depois de atravessar a interface, porém com
velocidade característica do segundo meio e em um ângulo diferente, de acordo com o índice
de refração do tecido (WILLIAMS, 1987).
34
1.6.4 Penetração e absorção
A absorção ocorre através de um meio que recebe a energia mecânica e a converte em
energia térmica. Os coeficientes de absorção, refração, reflexão e dispersão dos tecidos devem
ser sempre considerados na propagação das ondas longitudinais ou transversais. A quantidade
de absorção é diretamente proporcional ao conteúdo de proteína encontrada no tecido e à
freqüência do ultra-som (Tabela 2) (KAHN, 2001). Bisschop, Bisschop e Commandré (2001),
relataram que 50% da energia é absorvida a 1 cm de profundidade para freqüência de 3MHz e
a 7cm de profundidade para freqüência de 1MHz.
Meio
Coeficiente de
absorção(cm)
Profundidade
média(mm)
Profundidade
máxima(mm)
Ar (20°C)
1MHz
2,76
3MHz
8,28
1MHz
2,5
3MHz
0,8
1MHz
8,0
3MHz
3,0
Cartilagem
1,16
3,48
6,0
2,0
20,0
7,0
Tendão
1,12
3,36
6,1
2,0
21,0
7,0
Pele
0,62
1,86
11,1
4,0
37,0
12,0
Músculo*
0,76
2,28
9,0
3,0
30,0
10,0
Músculo**
0,28
0,84
24,6
8,0
82,0
27,0
Gordura
0,14
0,42
50,0
16,5
165,0
55,0
Água
0,0006
0,0018
11500,0
3833,3
38330,0
12770,0
* Incidência perpendicular à fibra muscular; ** Incidência paralela à fibra muscular.
Tabela 2- Coeficiente de absorção e profundidade média e máxima dos tecidos tecidos nas freqüências de 1 e
3MHz. Fonte: Guirro, R. et al. (1996).
35
1.6.5 Profundidade de meio-valor
Como não há uma profundidade na qual toda a energia tenha sido absorvida, é usual
especificar uma profundidade ou distância na qual metade da energia inicial tenha sido
absorvida. A profundidade de meio-valor pode ser usada para descrever a curva exponencial
de energia transmitida em função da distância penetrada e é análoga à meia-vida do material
radioativo (LOW; REED, 2001).
A conversão da energia sonora em calor é decorrente do aumento do movimento
molecular, então, a quantidade convertida dependerá da natureza dessas moléculas e da
freqüência/comprimento de onda do ultra-som. Assim, a profundidade de meio-valor será
diferente conforme os tecidos para determinada freqüência de ultra-som (Tabelas 3 e 4). Os
valores são muito variáveis e qualquer valor estimado para tecidos vivos envolve a incerteza
adicional das diferentes espessuras de cada tipo de tecido (LOW; REED, 2001).
Tecido
ter Haar
(1978, 1886)
Hoogland
(1986)
Ward
(1986)
(a)
Pele
40
11,1
Gordura
50
50
Músculo
10 a 20
9(24,6)*
Tendão
6,2
Cartilagem
6
Osso
15
2,1
(b)
Pele
25
4
Gordura
16
16,5
Músculo
30 a 60
3(8)*
Tendão
2
Cartilagem
2
Osso
5
* Na linha das fibras musculares (não na direção usual de aplicação clínica)
McDiarmid e Burns
(1987)
153
28
0,4
48
9
-
26,4
7,7
0,04
16
3
-
Tabela 3- (a) Profundidade de penetração de meio-valor em mm para 1MHz; (b) Profundidade de penetração de
meio-valor em mm para 3MHz. Fonte: Low e Reed (2001).
36
Tabela 4- Conteúdo de proteína e absorção do ultra-som em vários tecidos. Fonte: Low e Reed (2001).
1.6.6 Atenuação do ultra-som nos tecidos
A perda de energia do feixe de ultra-som nos tecidos é chamada de atenuação e
depende tanto da absorção quanto do alastramento:
•
No caso dos líquidos, a atenuação deve-se principalmente à viscosidade e aos
mecanismos que envolvem absorção e relaxamento molecular, enquanto o alastramento de
energia se deve à formação de líquido heterogêneo que apresenta partículas em suspensão,
turbulência ou pequenas bolhas (GUIRRO, R. et al., 1996).
•
A absorção é responsável por aproximadamente 60 a 80% da energia perdida
ao feixe (TER HAAR, 2003).
•
O alastramento é causado por reflexões e refrações que ocorrem nas interfaces
entre os tecidos. Nos tecidos moles e ossos, em que há uma grande diferença na impedância
acústica, o alastramento é particularmente aparente (LOW; REED, 2001).
•
De acordo com Williams (apud LOW; REED, 2001), ondas de cisalhamento
podem se formar transmitindo a energia ao longo da superfície do periósteo em ângulo reto
com o feixe de ultra-som. Como essa reflexão é bem ampla e a energia sonora é absorvida
quase imediatamente no osso, ocorre um aquecimento acentuado na superfície óssea. Tal
37
mecanismo é responsável pela dor do periósteo que pode surgir com doses excessivas de
ultra-som terapêutico.
1.6.7 Parâmetros Adicionais
1.6.7.1 Intensidade
A energia em uma onda de ultra-som é caracterizada pela intensidade. Essa é a energia
que cruza uma unidade de área perpendicular à onda na unidade de tempo. As unidades
usadas são Watts/cm2 (TER HAAR, 2003).
A dosagem recomendada para a maioria dos procedimentos clínicos é de 0,5 a 1,0 W/
cm2 da superfície do transdutor. Os aparelhos geralmente possuem uma área de cristal
medindo de 5 a 10 cm2, o que permite uma potência total de 2,5 a 10W- suficiente para a
maioria das aplicações, incluindo a fonoforese (KAHN, 2001).
1.6.7.2 Duração da sessão
A duração da terapia nas dosagens recomendadas varia de 1 a 8 minutos, dependendo
da condição a ser tratada e do local anatômico (KAHN, 2001). Segundo McDiarmid e Burns
(1987) o tempo real de tratamento é determinado pelo tamanho da área a ser tratada e sugerem
como regra geral, 1 a 2 minutos para cada área de uma vez e meia o tamanho do transdutor.
1.6.7.3 Freqüência
A freqüência (F) está relacionada com o número de ondas que passam por um
determinado ponto em uma unidade de tempo. Período (T) é o nome dado para o tempo de
38
realização de um ciclo, representando o inverso da freqüência. Se o período (T) for expresso
em segundos (s), a unidade para a freqüência (F) será dada em ciclos por segundo, conhecida
como hertz (Hz). O ultra-som terapêutico caracteriza-se por apresentar uma freqüência de 1,0
ou 3,0 megahertz (MHz), e alguns equipamentos apresentam uma maior variação das
freqüências na forma de onda pulsada (GUIRRO, R. et al., 1996).
A freqüência também determina a profundidade que o feixe ultra-sônico pode atingir.
Quanto maior for a freqüência, maior será sua absorção, sendo mais efetiva para o tratamento
de tecidos superficiais, uma vez que seu poder de penetração diminui (GUIRRO et al., 1996).
Em contrapartida, as freqüências mais baixas penetram mais efetivamente nos tecidos. Muito
da energia emitida em ultra-som de 3MHz é absorvida nos tecidos superficiais enquanto o
ultra-som de 1MHz penetrará profundamente através dos tecidos; por isso ele tem uma maior
profundidade através de meio-valor. Se por um lado, faz sentido usar o ultra-som de alta
freqüência, como o de 3MHz, para tratar o tecido superficial, por outro lado, quantidades
significativas de energia do ultra-som terapêutico com freqüências mais baixas são também
absorvidas pelas camadas superficiais (LOW; REED, 2001).
1.6.8 Efeitos físicos e fisiológicos do ultra-som terapêutico
O resultado da absorção do ultra-som nos tecidos é a oscilação de partículas em torno
de sua posição média. A energia sonora é convertida em energia térmica proporcional à
intensidade do ultra-som. Se o calor não é todo dissipado pelos meios fisiológicos normais,
ocorre um aumento na temperatura local que resulta em efeitos térmicos. Se a dissipação de
calor equivale à geração de calor, não há uma elevação resultante na temperatura, e os efeitos
que podem ocorrer são denominados não-térmicos. Esses efeitos são obtidos com o uso de
baixas intensidades ou modo pulsado (LOW; REED, 2001; ROQUES, 2003).
39
1.6.8.1 Efeitos térmicos
Ao percorrer o tecido, uma porcentagem do ultra-som é absorvida, o que leva à
produção de calor dentro daquele tecido. A quantidade de absorção depende da natureza do
tecido, de seu grau de vascularização e da freqüência do ultra-som. Os tecidos com alto
conteúdo de proteína absorvem o ultra-som mais prontamente do que aqueles com conteúdo
de gordura mais elevado, e, quanto maior for a freqüência empregada, maior será a absorção
(YOUNG, 2003).
O aquecimento do tecido pode produzir efeitos desejáveis como, por exemplo, alívio
de dor, redução de rigidez articular e aumento do fluxo sangüíneo (YOUNG, 2003).
A vantagem do uso do ultra-som para produzir o aquecimento é a possibilidade de se
controlar a profundidade em que o efeito deve ocorrer. Para isso é necessário o conhecimento
das medidas de profundidade de meio-valor (profundidade de penetração da energia do ultrasom na qual sua intensidade tenha diminuído pela metade) e do aquecimento seletivo dos
tecidos (YOUNG, 2003).
1.6.8.2 Efeitos não térmicos
1.6.8.2.1. Cavitação
Com a vibração do ultra-som formam-se pequenas bolhas gasosas nos tecidos
resultando em um fenômeno conhecido como cavitação. Essas bolhas geram cavitação estável
ou transitória (GUIRRO, R. et al., 1996).
A cavitação estável ocorre quando as bolhas oscilam de um lado para outro dentro das
ondas de pressão do ultra-som, mas permanecem intactas (LOW; REED, 2001). Amplitudes
de baixa pressão de energia resultam na formação de bolhas que vibram até um grau em que
40
são produzidas alterações reversíveis na permeabilidade das membranas celulares perto do
evento cavitacional. O aumento da permeabilidade celular aos íons de cálcio, por exemplo, é
considerado de alto valor terapêutico, pois provoca efeitos profundos na atividade da célula
(YOUNG, 2003). De acordo com Low e Reed (2001), as ondas de compressão e rarefação
podem produzir uma forma de micromassagem capaz de reduzir o edema.
A cavitação transitória ocorre quando o volume da bolha se altera rapidamente e então
colapsa, gerando alta pressão e alterações de temperatura, que podem resultar em lesão
tecidual (LOW; REED, 2001).
1.6.8.2.2 Corrente acústica
É um fluxo circulatório constante devido ao torque de radiação. Além disso, como
resultado de algum tipo de cavitação, ocorre um movimento localizado e unidirecional de
líquido em torno da bolha que está vibrando. Esses movimentos muito pequenos de líquido
também ocorrem em torno das células, fibras de tecido e outras interfaces. O efeito, chamado
microcorrenteza, exerce sobrecarga viscosa sobre a membrana da célula e, portanto, pode
aumentar a permeabilidade da membrana. A alteração na taxa de difusão de íons causa
alterações úteis do ponto de vista terapêutico, como por exemplo, o aumento na secreção
pelos mastócitos, aumento na captação de cálcio e aumento na produção do Fator de
Crescimento pelos macrófagos (LOW; REED, 2001).
1.6.8.2.3 Ondas estacionárias
As ondas estacionárias ocorrem como resultado da sobreposição das ondas refletidas
sobre as ondas incidentes. O resultado é um conjunto de ondas estacionárias ou fixas com
picos de alta pressão (antinodos), separados por uma extensão de meia-onda, entre os quais
existem zonas sem pressão (modos). Tem-se mostrado que esse padrão de pressão causa
41
estagnação das células dos vasos sangüíneos nos nodos de pressão. O endotélio dos vasos
sangüíneos expostos às ondas estacionárias pode também ser lesado e levar à formação de
trombos. Há também a possibilidade de aquecimento local acentuado onde a amplitude de
ondas combinadas for alta. É preciso compreender que se o transdutor é movido durante o
tratamento há pouca possibilidade de formação de ondas estacionárias (LOW; REED, 2001).
1.6.9 Mecanismos terapêuticos do ultra-som
Kitchen e Partridge (1990) apresentaram uma revisão sobre a eficácia terapêutica do
ultra-som e observaram que até aquele momento não havia estudos clínicos bem controlados
que pudessem atestar conclusivamente os efeitos do ultra-som. Partridge (1987) e McDiarmid
e Burns (1987) também já haviam referido em seus relatos que as evidências científicas eram
pouco consistentes sobre os benefícios do ultra-som e sobre os parâmetros ideais de
tratamento a serem administrados.
Historicamente, têm-se desenvolvido duas escolas de pensamento quanto aos
mecanismos terapêuticos do ultra-som. A maioria dos textos americanos considera que o
aquecimento seja o único efeito. Recomendam-se altas doses e desvalorizam-se os
tratamentos de baixa intensidade e pulsados. A escola européia preocupa-se mais com os
tratamentos de baixa intensidade que causam efeitos mecânicos ou biológicos e com os
tratamentos pulsados (LOW; REED, 2001).
KAHN (2001) relatou que o ultra-som tem-se mostrado útil como recurso
fisioterapêutico na redução do espasmo muscular, na redução da dor e de processos
inflamatórios agudos, subagudos ou crônicos decorrentes de lesões de tecidos moles. Fyfe e
Chahl (1979) demonstraram em seu estudo a eficácia do ultra-som a uma freqüência de
42
0.79MHz e intensidade de 0,5W/cm2 na redução do edema agudo induzido por AgNO3 em
ratos.
KAHN (2001) mencionou a capacidade das ondas sonoras de introduzirem moléculas
de substâncias químicas através da pele por um processo chamado Fonoforese. A técnica de
aplicação e os efeitos da fonoforese serão descritos mais adiante neste capítulo.
1.6.10 Efeitos do ultra-som nos processos de inflamação e reparo
1.6.10.1 Fase aguda
Quando o tecido conjuntivo mole é lesado, plasmócitos e mastócitos tornam-se ativos e
liberam substâncias que iniciam o reparo. Essas substâncias incluem agentes quimiotáticos
que atraem leucócitos polimorfonucleares (PMLS) e monócitos para o sítio da lesão
(DYSON, 1987). Segundo Fyfe e Chahl (apud DYSON, 1987), um único tratamento com
ultra-som pode estimular a liberação de histamina dos mastócitos por degranulação. Desse
modo, o ultra-som tem o potencial de acelerar a resolução normal da inflamação desde que o
estímulo inflamatório seja removido (LOW; REED, 2001).
A degranulação dos mastócitos que se segue à aplicação do ultra-som terapêutico pode
ser iniciada pelo aumento do transporte de íons de cálcio através da membrana celular
(DYSON, 1987). Os efeitos da cavitação estável e da corrente acústica parecem aumentar a
difusão do cálcio através da membrana celular. Isto é de grande importância, já que o cálcio,
como “segundo mensageiro” celular, pode ter um efeito acentuado no aumento da produção e
liberação de fatores que contribuem para a cicatrização das feridas (LOW; REED, 2001).
Segundo
Dyson
(1987),
o
principal
papel
dos
neutrófilos
(leucócitos
polimorfonucleares) na reparação é remover os tecidos fragmentados e patogênicos do
43
ferimento. Eles são acompanhados na área de lesão por monócitos que, ao chegarem,
desenvolvem-se em macrófagos fagocitários. Ao contrário dos polimorfonucleares, essas
células permanecem no sítio de lesão durante todo o estágio inflamatório da reparação.
Embora fagocitário, seu maior papel parece ser o de liberar agentes quimiotáticos e fatores de
crescimento, os quais são essenciais ao desenvolvimento de um novo tecido conjuntivo que
irá repor o material lesado.
Nessa fase inicial e dinâmica do reparo ocorre formação de coágulo. As plaquetas são
o constituinte principal do coágulo sangüíneo e, além de suas atividades associadas à
coagulação, as plaquetas também contêm numerosas substâncias biologicamente ativas, tais
como prostaglandinas e serotonina e o fator de crescimento derivado das plaquetas. Essas
substâncias têm um efeito profundo no ambiente local da ferida e no seu reparo subseqüente
(YOUNG, 2003).
Forças de correntes acústicas produzem alterações na permeabilidade da membrana
das plaquetas levando à liberação de serotonina. Além da serotonina, as plaquetas contêm
fatores de crescimento essenciais para o reparo bem sucedido. Se a formação de correntes
pode estimular a liberação de serotonina, pode também influir na liberação desses outros
fatores (YOUNG, 2003).
Uma das principais substâncias químicas que modificam o ambiente da ferida nesse
momento após a lesão é a histamina. Os mastócitos são a principal fonte desse fator, que é
normalmente liberado por um processo conhecido como degranulação de mastócitos. Nesse
processo, a membrana celular, em resposta aos níveis aumentados de cálcio intracelular, se
rompe e libera histamina e outros produtos dentro do local da ferida (YOUNG, 2003).
A aplicação do ultra-som terapêutico logo após a lesão, portanto no início da fase
inflamatória, pode estimular os mastócitos a degranularem, liberando histamina nos tecidos
44
adjacentes. É possível que o ultra-som estimule a degranulação dos mastócitos devido ao
aumento de sua permeabilidade ao cálcio (YOUNG, 2003).
A habilidade em afetar o transporte de cálcio através das membranas celulares é de
significância clínica considerável, pois o cálcio, em seu papel de mensageiro intracelular ou
segundo mensageiro, pode ter um efeito profundo na atividade celular, por exemplo, o de
aumentar a síntese e secreção de fatores da ferida pelas células envolvidas no processo de
regeneração.(YOUNG, 2003; ROQUES, 2003).
O estímulo à atividade dos mastócitos ao acelerar a resolução da resposta inflamatória
permite que o ultra-som seja considerado um recurso terapêutico pró-inflamatório e não
antiinflamatório (LOW; REED, 2001; LEUNG; NG; YIP, 2004).
1.6.10.2 Fase proliferativa (de granulação)
Essa fase inicia-se aproximadamente 72 horas após a lesão e é o estágio no qual a
estrutura do tecido conjuntivo é depositada pelos fibroblastos para os novos vasos sangüíneos
(angiogênese). Durante o reparo, os fibroblastos podem ser estimulados pelo ultra-som a
produzir mais colágeno. Isso ocorre devido ao aumento na permeabilidade da membrana
celular, causada pelo ultra-som, o que permite a entrada de íons de cálcio que controlam a
atividade celular (LOW; REED, 2001).
1.6.10.3 Fase de remodelamento
Esse estágio pode durar meses ou anos, até que o novo tecido esteja com a estrutura
mais próxima possível do tecido original. Considera-se que o ultra-som melhore a
extensibilidade do colágeno maduro, como o que é encontrado no tecido original. Isso ocorre
45
com a promoção da reorientação das fibras (remodelamento) o que leva a uma maior
elasticidade sem perda de força (LOW; REED, 2001).
1.6.11 Técnicas de tratamento
1.6.11.1 Aplicação com contato direto
O ultra-som terapêutico deve ser aplicado à pele com um agente acoplador, para evitar
reflexões da energia ultra-sônica na interface ar/tecido. O objetivo do acoplador é eliminar o
ar entre o transdutor e a parte que está sendo tratada, com um fluido cuja impedância acústica
está entre aquela do transdutor e a da superfície da pele (DOCKER, 1987). Além disso, o
agente de acoplamento deve ser suficientemente viscoso, para agir como um lubrificante
quando o transdutor é movido sobre a superfície da pele. Os agentes mais comumente usados
são óleos, cremes e géis, dos quais existe uma grande variedade. O principal critério para
escolha de um agente acoplador é a propriedade de permanecer sem bolhas durante o uso
(McDIARMID; BURNS, 1987). Williams (1987) referiu que apresentar baixo coeficiente de
absorção, boa disponibilidade e baixo custo também são critérios importantes na escolha do
agente acoplador ideal.
Na terapia com contato direto, aplica-se à superfície da pele o agente acoplador e,
antes de a emissão ser iniciada, coloca-se o transdutor sobre a região. Em seguida, então, o
tratamento pode ser iniciado (LOW; REED, 2001).
Essa técnica é realizada quando a superfície a ser irradiada é razoavelmente regular,
plana o que favorece o contato da superfície metálica do transdutor com a pele (GUIRRO et
al., 1996).
46
1.6.11.2 Aplicação subaquática ou com bolsa de água
Quando o contato direto não é possível devido à forma irregular da região a ser tratada,
pode se aplicar a técnica subaquática. A parte a ser tratada é imersa em água desgaseificada
contida num recipiente revestido por material que absorva o ultra-som, por exemplo, a
borracha. Não é necessário contato entre o transdutor e a área lesada, no entanto, assim como
na técnica de aplicação direta, o transdutor deve ser mantido em movimento (LOW; REED,
2001).
O ultra-som também pode ser aplicado em áreas irregulares que não podem ser
colocadas em imersão convenientemente. Utiliza-se então uma bolsa de borracha cheia de
água, de modo a formar uma almofada entre o transdutor e a pele. Nessa técnica tanto a bolsa
de água quanto a pele recebem o agente de acoplamento. Durante a aplicação o transdutor é
pressionado firmemente sobre a bolsa e permanece sendo movimentado até o final da terapia
(LOW; REED, 2001).
1.6.11.3 Fonoforese
A fonoforese é definida como o movimento de drogas introduzidas, sob a influência de
ondas ultra-sônicas, em tecidos moles através da pele intacta (SKAUEN; ZENTNER, 1984;
YOUNG, 2003).
A fonoforese, também conhecida por sonoforese, baseia-se na perturbação dos tecidos
que causa movimento mais rápido das partículas e facilita a absorção da droga. Os efeitos da
fonoforese agregam os efeitos da droga introduzida aos efeitos do ultra-som (LOW; REED,
2001; WANG et al., 2005).
47
A profundidade na qual se pode fazer com que as drogas penetrem é uma questão
incerta. Assim que a droga passa pela epiderme é provável que seja dispersa na circulação em
uma extensão que depende da vascularização dos tecidos. Skauen e Zentner (1984) sugeriram
em seu estudo que a profundidade de penetração e, portanto, a eficácia de drogas está
relacionada à freqüência, e que freqüências mais baixas conduzem à uma maior penetração.
O creme ou gel que contém droga, usado como meio de acoplamento deve transmitir
adequadamente o ultra-som. Benson e McElnay (1988) pesquisaram as características de
transmissão de alguns produtos, encontraram amplas variações e referiram que os géis
formam agentes de acoplamento mais eficientes que os cremes, particularmente em
freqüências mais elevadas (1,5 e 3MHz).
A droga a ser transmitida aos tecidos é combinada a um gel ou creme apropriado que
forma o meio de acoplamento. O cabeçote é movido sobre a pele de modo usual (LOW;
REED, 2001).
Estudos realizados apontaram a eficácia do ultra-som de baixa freqüência (20-150kHz)
no transporte transdérmico de drogas, considerando que o aumento da freqüência causa uma
menor penetração do ultra-som nos tecidos (UEDA et al., 1995). Apesar disso, altas
freqüências (1-3MHz) continuam sendo empregadas, direcionando a concentração de energia
ultra-sônica à camada externa da epiderme, o estrato córneo, principal barreira à penetração
percutânea de drogas. (MACHET; BOUCAUD, 2002).
A maioria das aplicações de fonoforese relatadas, segundo Low e Reed (2001),
empregam energia ultra-sonora contínua. Contudo, o emprego de energia em modo pulsado
tem demonstrado sua eficácia devido aos seus efeitos não-térmicos sobre os tecidos. Koeke et
al. (2005) realizaram um estudo comparando os efeitos sobre o processo de reparo do tecido
de tendões de ratos a partir da aplicação tópica de hidrocotisona, da aplicação por fonoforese
48
e tratamento por ultra-som. Os parâmetros de ultra-som empregados foram: modo pulsado;
taxa de pulso a 20%; freqüência de 1MHz; intensidade: 0.5W/cm2; tempo de aplicação: 300s.
Tanto o grupo de animais tratado por fonoforese de hidrocortisona quanto o grupo
tratado somente por ultra-som foram submetidos aos parâmetros descritos acima. No grupo
tratado por fonoforese foi administrada hidrocortisona à concentração de 10% contida em gel
estéril. Os tendões foram analisados por microscopia com luz polarizada e os resultados
demonstraram que o tratamento por fonoforese foi o mais eficaz. Os autores sugerem que o
fenômeno de cavitação provoca mudanças no arranjo da camada córnea da pele o que facilita
a penetração transdérmica do gel antiinflamatório.
A intensidade é diretamente dependente da energia sonora emitida e da velocidade do
som no meio. As intensidades utilizadas, em geral, variam entre 0,5 e 2,0W/cm2 (MACHET;
BOUCAUD, 2002).
A duração da sessão depende da área sobre a qual a fonoforese será aplicada; um
minuto de aplicação para cada 10cm2 de área é razoável (LOW; REED, 2001).
Ao término da sessão, é essencial que se remova completamente a substância de
acoplamento que contém a droga, tanto da pele do paciente, quanto do transdutor. Qualquer
droga remanescente pode ser inadvertida e inapropriadamente aplicada no próximo paciente a
ser tratado (LOW; REED, 2001).
O interesse na aplicação da fonoforese baseia-se, principalmente, na possibilidade de
se aumentar a eficácia de formulações transdérmicas, como, por exemplo, de anestésicos e
antiinflamatórios não-esteroidais, e melhorar a ação tópica dessas drogas (BOUCAUD, 2004).
Mitragotri (2004) destacou a significativa transformação atravessada pela fonoforese
nos últimos 50 anos, partindo de uma técnica inicialmente desenvolvida para a transmissão de
drogas hidrofóbicas e passando a ser um método que permite a transmissão de doses
sistêmicas de macromoléculas.
49
2 Objetivos
2.1 Objetivo geral
Analisar o efeito antiinflamatório do Zingiber officinale aplicado por fonoforese no
edema de pata de ratos induzido por carragenina.
2.2 Objetivos específicos
Analisar o efeito da aplicação tópica do extrato de Zingiber officinale sobre o edema
de pata de ratos induzido por carragenina.
Analisar o efeito da aplicação de Zingiber officinale por fonoforese sobre o edema de
pata de ratos, com a utilização de ultra-som terapêutico nas freqüências de 1 e 3Mhz, em
intensidades de 0.3W/cm2 ou 0.6W/cm2 , no modo pulsado, com duração de pulso de 2ms, e
tempo de aplicação de 1 minuto.
Comparar a redução do edema de pata de ratos obtida a partir da utilização da
fonoforese do extrato de Zingiber officinale à redução obtida a partir da aplicação tópica desse
extrato.
50
3 Material e Métodos
3.1 Animais
Foram utilizados 180 ratos Wistar machos, pesando entre 180 e 210g
aproximadamente, provenientes do biotério Fazenda Bentivi em São Paulo. Os animais foram
aleatoriamente divididos em grupos de 06 por caixa de contenção. No biotério do Laboratório
de Fisiologia e Farmacologia localizado no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da
Universidade do Vale do Paraíba, os animais foram mantidos em temperatura ambiente, ciclo
claro-escuro de 12h/12h com comida e água à vontade.
3.2 Procedimentos Experimentais
3.2.1 Edema de pata e tratamento por fonoforese com extrato hidroalcoólico de
Zingiber officinale
Inicialmente foram aferidas as medidas iniciais (MI) das patas esquerdas de todos os
animais de cada um dos protocolos efetuados, que representaram o volume das patas não
edemaciadas (normais). O volume das patas esquerdas dos animais foi mensurado por um
Hidropletismógrafo (modelo 7140, Ugo Basile ™, Itália)
51
Figura 9- Hidropletismógrafo. Fonte: Ugo Basile (2005)
Em seguida, o edema de pata foi induzido por carragenina injetada na região plantar
das patas posteriores esquerdas dos animais.
Os ratos receberam uma injeção subplantar de carragenina (0.1ml de uma suspensão a
1% em 0.85% salina; Sigma Chemical Co., St. Louis, MO, USA) composto 48/80 (10
µg/pata). O volume injetado foi sempre de 0.1ml.
Após a indução do edema, os volumes das mesmas patas esquerdas foram medidos de
hora em hora até a 4a hora.
Para a aferição do volume das patas dos animais, desde a medida inicial (MI) até a 4a
hora, foram realizadas duas medições por pata, para que se tivesse uma média dos valores de
cada pata. O hidropletismógrafo fornecia os valores aferidos numa precisão de centésimos.
O valor real do volume da pata da 1a a 4a hora em relação à medida inicial
correspondente à pata normal (sem edema) foi obtido subtraindo-se a média geral de cada
hora da média da medida inicial do volume. A diferença de volume foi expressa em mL
O aparelho de ultra-som utilizado foi o modelo Sonopuls 992 da empresa Enraf
Nonius, Holanda (Fig.10). Esse equipamento foi escolhido para o estudo por conter um
52
transdutor de diâmetro reduzido (1cm) apropriado para o tratamento de áreas corporais
reduzidas ou irregulares, que favoreceu a aplicação na região plantar da pata dos ratos.
Em alguns grupos controle deste estudo o ultra-som terapêutico foi aplicado sobre o
edema de pata com uso de gel de carbopol como agente acoplador, sem que fosse realizada
fonoforese.
Figura 10- Fotografia digital de ultra-som, modelo 992 Sonopuls- Enraf-Nonius.
Nos grupos tratados por fonoforese foi aplicado sobre a região plantar dos animais
extrato hidroalcoólico de Zingiber officinale em gel.
O extrato de Z. officinale foi obtido a partir da descrição de Sertié (1992). Os
experimentos foram realizados com o material seco dissolvido em gel de carbopol. Foram
preparados extratos de Z.officinale em três diferentes concentrações: 3%, 5% e 10%.
53
3.2.2 Protocolos experimentais
Protocolo 1:
Os animais foram divididos em 5 grupos com 6 animais cada.
Grupo 1 : Carragenina (controle);
Grupo 2 : Carragenina + gel de carbopol (controle);
Grupo 3 : Carragenina + extrato de gengibre a 3%;
Grupo 4 : Carragenina + extrato de gengibre a 5%;
Grupo 5 : Carragenina + extrato de gengibre a 10%
No experimento acima, o gel de carbopol, bem como o extrato em gel de Zingiber
officinale em três diferentes concentrações foram aplicados topicamente 30 minutos após a
injeção de carragenina.
O grupo 1 não foi tratado, apenas recebeu injeção de carragenina.
O grupo 2 recebeu, por administração tópica, gel de carbopol sobre a superfície
plantar. Os grupos 3, 4 e 5 receberam o extrato de gengibre a 3%, 5% e 10% respectivamente
seguindo os mesmo critérios. Neste protocolo não foi empregada fonoforese.
Protocolo 2:
Os animais foram divididos em 5 grupos com 6 animais cada.
Grupo 1 : Carragenina (controle);
Grupo 2 : Carragenina + gel de carbopol + ultra-som (controle);
Grupo 3 : Carragenina + extrato de gengibre a 3% + ultra-som;
Grupo 4 : Carragenina + extrato de gengibre a 5% + ultra-som;
Grupo 5 : Carragenina + extrato de gengibre a 10% + ultra-som
54
No protocolo experimental 2 foram utilizados os seguintes parâmetros para o ultrasom: Freqüência: 1MHz; intensidade: 0.3W/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
O grupo 1 não foi tratado, apenas recebeu injeção de carragenina.
O grupo 2 recebeu tratamento por ultra-som nos parâmetros acima descritos porém não
se empregou a fonoforese.
Os grupos 3, 4 e 5 foram tratados por fonoforese de extrato em gel de Zingiber
officinale a 3%, 5% e 10% respectivamente. O ultra-som foi ajustado sob os parâmetros acima
descritos.
Protocolo 3:
Os animais foram divididos em 5 grupos com 6 animais cada.
Grupo 1 : Carragenina (controle);
Grupo 2 : Carragenina + gel de carbopol + ultra-som (controle);
Grupo 3 : Carragenina + extrato de gengibre a 3% + ultra-som;
Grupo 4 : Carragenina + extrato de gengibre a 5% + ultra-som;
Grupo 5 : Carragenina + extrato de gengibre a 10% + ultra-som
No protocolo experimental 3 foram utilizados os seguintes parâmetros para o ultrasom: Freqüência: 3MHz; intensidade: 0.3W/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
O grupo 1 e não foi tratado, apenas recebeu injeção de carragenina.
O grupo 2 recebeu tratamento por ultra-som nos parâmetros acima descritos porém não
se empregou a fonoforese.
55
Os grupos 3, 4 e 5 foram tratados por fonoforese de extrato de Zingiber officinale a
3%, 5% e 10% respectivamente. O ultra-som foi ajustado sob os parâmetros acima descritos.
Protocolo 4:
Os animais foram divididos em 5 grupos com 6 animais cada.
Grupo 1 : Carragenina (controle);
Grupo 2 : Carragenina + gel de carbopol + ultra-som (controle);
Grupo 3 : Carragenina + extrato de gengibre a 3% + ultra-som;
Grupo 4 : Carragenina + extrato de gengibre a 5% + ultra-som;
Grupo 5 : Carragenina + extrato de gengibre a 10% + ultra-som
No protocolo experimental 4 foram utilizados os seguintes parâmetros para o ultrasom: Freqüência: 3MHz; intensidade: 0.6W/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
O grupo 1 não foi tratado, apenas recebeu injeção de carragenina.
O grupo 2 recebeu tratamento por ultra-som nos parâmetros acima descritos porém não
se empregou a fonoforese.
Os grupos 3, 4 e 5 foram tratados por fonoforese de extrato de Zingiber officinale a
3%, 5% e 10% respectivamente. O ultra-som foi ajustado sob os parâmetros acima descritos.
Protocolo 5:
Os animais foram divididos em 5 grupos com 6 animais cada.
Grupo 1 : Carragenina (controle);
Grupo 2 : Carragenina + gel de carbopol + ultra-som (controle);
56
Grupo 3 : Carragenina + extrato de gengibre a 3% + ultra-som;
Grupo 4 : Carragenina + extrato de gengibre a 5% + ultra-som;
Grupo 5 : Carragenina + extrato de gengibre a 10% + ultra-som
No protocolo experimental 5 foram utilizados os seguintes parâmetros para o ultrasom: Freqüência: 1MHz; intensidade: 0.6W/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
O grupo 1 não foi tratado, apenas recebeu injeção de carragenina.
O grupo 2 recebeu tratamento por ultra-som nos parâmetros acima descritos porém não
se empregou a fonoforese.
Os grupos 3, 4 e 5 foram tratados por fonoforese de extrato de Zingiber officinale a
3%, 5% e 10% respectivamente. O ultra-som foi ajustado sob os parâmetros acima descritos.
3.2.3 Protocolo de sacrifício animal
Rotineiramente não são utilizados agentes anestésicos ou sedativos durante o
estabelecimento do edema ao se avaliar o efeito antiinflamatório de 2 terapias em conjunto
(extrato em gel e fonoforese). Para o procedimento do sacrifício, os animais foram
previamente sedados com Xilazina e anestesiados com Ketamina e posteriormente receberam
KCl a 10% intracardíaco.
57
3.3 Análise estatística
A análise estatística foi realizada a partir do programa Instat. Foram utilizados
ANOVA, seguido do teste de Tukey- Kramerde comparação múltipla.
Os dados pareados foram analisados ao comparar a reação de hora em hora da
carragenina, do gel de carbopol e de cada um dos extratos de Zingiber officinale. Os dados
não pareados também foram analisados ao comparar o efeito de um extrato em relação ao
outro; da carragenina em relação a cada extrato; da carragenina em relação ao gel de carbopol
e, ainda, do gel de carbopol em relação a cada extrato.
3.4 Gráficos
Os resultados dos experimentos realizados neste estudo foram representados por
gráficos obtidos a partir do software Microcal Origin 6.0.
Os gráficos foram montados a partir dos valores das médias e dos desvios padrões
obtidos de hora em hora para cada extrato. Também foram considerados os valores das
médias e dos desvios padrões da carragenina e do gel de carbopol a cada hora.
58
4 Resultados
4.1 Efeito da aplicação tópica do Extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol
A figura 1 representa o efeito do gel de carbopol sobre o edema de pata. A figura 2
representa os resultados obtidos a partir da administração tópica de diferentes concentrações
do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol sobre o edema de pata induzido por
carragenina. Tanto durante a administração do gel de carbopol como do extrato de Zingiber
officinale em gel de carbopol não houve aplicação do ultra-som.
Não houve redução significativa do edema ao se utilizar aplicação do gel de carbopol
em nenhuma das 4 horas (Figura 11). Esse mesmo comportamento foi observado na aplicação
do Zo a 3% e a 10% (Figura 12).
Ao comparar o comportamento da curva da Cg em relação ao gel e aos extratos foi
observada redução significativa do edema ao utilizar o Zo a 5% a partir da 2a hora sendo que
na 2a e 3a hora essa redução foi mais significativa que a encontrada na 4a hora (Figura 12).
59
Cg (n=6)
Cg + gel (n=6)
3,0
Volume do Edema (ml)
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 11- Efeito do gel de carbopol. O gráfico representa a evolução temporal do edema de pata de
ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD, n=6, quando comparado com a
resposta obtida em relação grupo Carragenina (* p < 0,05; ** p ≤ 0,001; ANOVA, seguido teste de TukeyKramer de comparação múltipla).
Cg (n=6)
Cg + Zo 3% (n=6)
Cg + Zo 5% (n=6)
Cg + Zo 10% (==6)
3,5
Volume do Edema (ml)
3,0
2,5
2,0
**
1,5
*
**
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 12- Efeito do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol. O gráfico representa a evolução temporal
do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD, n=6,
quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (* p < 0,05; ** p ≤ 0,001; ANOVA,
seguido teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
60
4.2 Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol.
Ultra-som: F= 1MHz; i= 0,3 W/cm2; modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
A figura 13 representa os resultados obtidos a partir da administração do gel seguido
da aplicação de ultra-som. Já a figura 14 representa a administração de diferentes
concentrações do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol seguido de fonoforese
sobre o edema de pata de ratos induzido por carragenina. O ultra-som utilizado foi ajustado
aos seguintes parâmetros: F= 1MHz; i= 0,3 W/cm2, modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
Ao analisarmos o efeito do ultra-som em relação a evolução do edema de pata
induzido por carragenina, podemos observar que houve uma redução estatisticamente
significativa somente na quarta hora após a aplicação (Figura 13).
Ao comparar o comportamento da curva da Cg em relação ao efeito da fonoforese do
extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol, podemos observar uma redução
significativa do edema para a administração tópica de Zo a 5% e 10%. Sendo que a partir da
3a hora essa redução foi mais significativa que a encontrada na 2a hora (Figura 14).
61
Cg (n=6)
Cg + gel + ultrasom (n=6)
3,5
Volume deo Edema (ml)
3,0
2,5
2,0
*
1,5
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 13 - Efeito do gel de carbopol + ultrasom (F= 1MHz). O gráfico representa a evolução temporal
do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD ,n=6,
quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (* p < 0,05; ANOVA, seguido teste de
Tukey-Kramer de comparação múltipla).
Cg (n=6)
Cg + Zo 3% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 5% + Ultrasom (n=6)
Cg + Zo 10% + ultrasom (n=6)
3,5
Volume de Edema (ml)
3,0
2,5
2,0
**
***
***
1,5
**
***
***
3
4
1,0
0,5
0,0
0
1
2
Tempo (h)
Figura 14- Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol. O gráfico
representa a evolução temporal do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a
média aritmética ± SD, n=6, quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (** p <
0,01; *** p < 0,001; ANOVA, seguido teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
62
4.3 Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol.
Ultra-som: F= 3MHz; i= 0,3 W/cm2, modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
A figura 15 representa os resultados obtidos a partir da administração do gel mais
aplicação de ultra-som. Já a figura 16 representa os resultados obtidos após a administração
tópica de diferentes concentrações do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol
seguido da aplicação de fonoforese sobre o edema de pata induzido por carragenina. O ultrasom utilizado foi ajustado aos seguintes parâmetros: F= 3MHz; i= 0,3 W/cm2, modo: pulsado;
duração de pulso: 2ms; tempo de tratamento: 1minuto.
Ao utilizarmos a administração do gel de carbopol seguido da aplicação do ultra-som
observou-se uma redução estatisticamente significativa após a 3a e 4a hora, sendo esta redução
mais significativa na 3a hora (Figura 15).
Ao avaliarmos a evolução do edema de pata em relação à ação do extrato de Zingiber
officinale em gel de carbopol, seguido de fonoforese, podemos observar que a aplicação
tópica de Zo a 10% promoveu uma redução estatisticamente significativa do edema logo na 1a
hora após a administração e aplicação da fonoforese. Esta redução apresentou-se com um
maior grau de significância a partir da 3a e 4a hora em relação ao grupo carragenina.
63
Cg (n=6)
Cg + gel + ultrasom (n=6)
3,0
Volume do Edema (h)
2,5
2,0
**
***
1,5
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 15 - Efeito do gel de carbopol + ultrasom (F= 3MHz). O gráfico representa a evolução temporal do
edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD, n=6, quando
comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (** p < 0,01; *** p < 0,001; ANOVA, seguido
teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
Cg (n=6)
Cg + Zo 3% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 5% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 10% + ultrasom (n=6)
3,0
Volume do Edema (ml)
2,5
***
2,0
**
1,5
***
***
***
***
***
***
1,0
**
***
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 16- Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol. O gráfico representa a
evolução temporal do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética
± SD, n=6, quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (** p < 0,01; *** p < 0,001;
ANOVA, seguido teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
64
4.4 Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol.
Ultra-som: F= 3MHz; i= 0,6 W/cm2, modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
A figura 17 representa os resultados obtidos a partir da administração do gel mais
aplicação de ultra-som. A figura 18 representa os resultados obtidos após a administração
tópica de diferentes concentrações do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol
seguido da aplicação de fonoforese sobre o edema de pata induzido por carragenina. O ultrasom utilizado foi ajustado aos seguintes parâmetros: F= 3MHz; i= 0,6 W/cm2, modo: pulsado;
duração de pulso: 2ms; tempo de tratamento: 1minuto.
Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi observada em relação à redução
do edema, tanto para a administração do gel seguido da aplicação do ultra-som quanto para o
emprego da fonoforese, ao compararmos com o grupo carragenina.
65
Cg (n=6)
Cg + gel + ultrasom (n=6)
Volume do Edema (ml)
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 17 - Efeito do gel de carbopol + ultrasom (F= 3MHz). O gráfico representa a evolução temporal do
edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD, n=6, quando
comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (ANOVA, seguido teste de Tukey-Kramer de
comparação múltipla).
Cg (n=6)
Cg + Zo 3% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 5% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 10% + ultrasom (n=6)
Volume do Edema (ml)
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 18- Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol (F= 3MHz). O gráfico
representa a evolução temporal do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a
média aritmética ± SD, n=6, quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (ANOVA,
seguido teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
66
4.5 Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol.
Ultra-som: F= 1MHz; i= 0,6 W/cm2, modo: pulsado; duração de pulso: 2ms;
tempo de tratamento: 1minuto.
Na figura 19 observou-se que a administração tópica do gel de carbopol seguido da
aplicação do ultra-som promoveu uma redução estatisticamente significativa a partir da 2a
hora.
Na figura 20 observou-se que a administração tópica de diferentes concentrações do
extrato de Zingiber officinale, em gel de carbopol, seguido da aplicação de fonoforese sobre o
edema de pata promoveu uma redução estatisticamente significativa do edema para os tempos
de duas, três e quatro horas quando comparado ao grupo carragenina.
O ultra-som utilizado foi ajustado aos seguintes parâmetros: F= 1MHz; i= 0,6 W/cm2,
modo: pulsado; duração de pulso: 2ms; tempo de tratamento: 1minuto.
67
Cg (n=6)
Cg + gel + ultrasom (n=6)
4,0
Volume do Edema (ml)
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
***
***
1,0
***
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 19 - Efeito do gel de carbopol + ultrasom (F= 1 MHz). O gráfico representa a evolução temporal do
edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a média aritmética ± SD, n=6, quando
comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (ANOVA, seguido teste de Tukey-Kramer de
comparação múltipla).
Cg (n=6)
Cg + Zo 3% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 5% + ultrasom (n=6)
Cg + Zo 10% + ultrasom (n=6)
4,0
Volume do Edema (ml)
3,5
3,0
2,5
2,0
***
***
***
1,5
***
***
***
***
***
***
1,0
0,5
0,0
0
1
2
3
4
Tempo (h)
Figura 20- Efeito da fonoforese do extrato de Zingiber officinale em gel de carbopol (F= 1 MHz).. O gráfico
representa a evolução temporal do edema de pata de ratos induzido por carragenina. Os dados representam a
média aritmética ± SD, n=6, quando comparado com a resposta obtida em relação grupo Carragenina (ANOVA,
seguido teste de Tukey-Kramer de comparação múltipla).
68
5 Discussão
Desde o início do século passado, muitos estudos têm sido realizados com a finalidade
de investigar a composição físico-química e propriedades biológicas do gengibre
(MASCOLO et al., 1989; SERTIÉ et al., 1992; HABSAH et al., 2000).
Di Rosa e Willoughby (1971) e Di Rosa (1972) determinaram que o edema de pata de
rato induzido por carragenina evolui em três fases distintas. A primeira fase é mediada pela
degranulação de mastócitos e pela liberação de histamina e serotonina (1a hora); a segunda
fase (60 a 150 min) é caracterizada pela liberação de bradicinina e por dor; e a última fase (3a
e 4ah) pela produção de eicosanóides.
Kahn (2001) relatou que o ultra-som tem-se mostrado útil como recurso
fisioterapêutico na redução do espasmo muscular, na redução da dor e de processos
inflamatórios agudos, subagudos ou crônicos decorrentes de lesões de tecidos moles. Fyfe e
Chahl (1979) demonstraram em seu estudo a eficácia do ultra-som a uma freqüência de
0.79MHz e intensidade de 0,5W/cm2 na redução do edema agudo induzido por AgNO3 em
ratos.
Kahn (2001) mencionou a capacidade das ondas sonoras de introduzirem moléculas de
substâncias químicas através da pele por um processo chamado Fonoforese. A fonoforese é
definida como o movimento de drogas introduzidas, sob a influência de ondas ultra-sônicas,
em tecidos moles através da pele intacta (SKAUEN; ZENTNER, 1984; YOUNG, 2003).
Os efeitos da fonoforese agregam os efeitos da droga introduzida aos efeitos
terapêuticos do ultra-som (LOW; REED, 2001; WANG et al. 2005). O interesse na aplicação
da fonoforese baseia-se, principalmente, na possibilidade de se aumentar a eficácia de
formulações transdérmicas, como, por exemplo, de anestésicos e antiinflamatórios nãoesteroidais, e melhorar a ação tópica dessas drogas (BOUCAUD, 2004).
69
No presente estudo foi analisado o efeito antiinflamatório do extrato de Zingiber
officinale em três taxas de concentração distintas aplicado por fonoforese sobre o edema de
pata de ratos induzido por carragenina. A fonoforese foi aplicada a partir de diferentes ajustes
nos parâmetros do ultra-som. Os experimentos foram realizados com Freqüência de 1MHz ou
3MHz, as intensidades usadas foram de 0,3W/cm² ou 0,6W/cm², além de modo contínuo ou
pulsado. O tempo de tratamento (1 min.) e o comprimento de pulso (2 ms) foram os únicos
parâmetros utilizados que não variaram nos experimentos.
Os grupos submetidos a fonoforese do extrato de Gengibre na freqüência e intensidade
de 1 MHz e 0,6 W/cm2, respectivamente, apresentaram o melhor comportamento na redução
do edema de pata induzido por carragenina, sendo este efeito redutor observado a partir da 2a
hora para todas as concentrações empregadas.
A freqüência determina a profundidade que o feixe ultra-sônico pode atingir. Quanto
menor for a freqüência, menor será sua absorção, sendo mais efetiva para o tratamento de
tecidos mais profundos, uma vez que seu poder de penetração aumenta (GUIRRO et al., 1996;
LOW; REED, 2001). A penetração também se torna mais profunda com o aumento da
intensidade.
Os resultados do presente estudo corroboram com os descritos na literatura em relação
a freqüência e intensidade. Estes resultados sugerem que o extrato de gengibre promoveu uma
inibição do edema de pata possivelmente devido ao bloqueio da produção de eicosanóides.
De acordo com Low e Reed (2001), as ondas de compressão e rarefação podem
produzir uma forma de micromassagem capaz de reduzir o edema. A partir da vibração do
ultra-som formam-se pequenas bolhas de gás nos tecidos que resultam no fenômeno
70
conhecido como cavitação (GUIRRO, R.; et al., 1996). A cavitação é um efeito não térmico.
Se a dissipação de calor equivale à geração de calor, não há uma elevação resultante na
temperatura, e os efeitos que podem ocorrer são denominados não-térmicos. O aumento da
permeabilidade celular aos íons de cálcio, por exemplo, é considerado de alto valor
terapêutico, pois provoca efeitos profundos na atividade celular (YOUNG, 2003). Esses
efeitos são obtidos com o uso de baixas intensidades ou modo pulsado (LOW; REED, 2001;
ROQUES, 2003).
71
6 Conclusão
Kahn (2001) relatou que o ultra-som tem-se mostrado útil como recurso
fisioterapêutico na redução do espasmo muscular, na redução da dor e de processos
inflamatórios agudos, subagudos ou crônicos decorrentes de lesões de tecidos moles. Kahn
(2001) mencionou a capacidade das ondas sonoras de introduzirem moléculas de substâncias
químicas através da pele por um processo chamado Fonoforese, definida como, o movimento
de drogas introduzidas, sob a influência de ondas ultra-sônicas, em tecidos moles através da
pele intacta (SKAUEN; ZENTNER, 1984; YOUNG, 2003).
Os resultados dos protocolos experimentais apontam claramente o efeito
antiinflamatório do extrato de Zingiber officinale aplicado por fonoforese sobre o edema de
pata de ratos induzido por carragenina.
Os resultados também confirmaram que a fonoforese potencializa a transmissão da
droga através da pele indicando um potencial efeito coadjuvante na aplicação tópica do
extrato de Gengibre.
72
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