UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇAO – CAMPUS I
COLEGIADO DE PEDAGOGIA
ELOINA MARIA DOS SANTOS SANTOS
MUSEU AFRO E ESCOLA: possibilidades de encontro e
encantos.
Salvador
2010
1
ELOINA MARIA DOS SANTOS SANTOS
MUSEU AFRO E ESCOLA: possibilidades de encontro e
encantos.
Trabalho apresentado ao Curso de Pedagogia da
Universidade Estadual da Bahia, Departamento de
Educação, como requisito para obtenção da graduação em
Pedagogia com Habilitação em Gestão e Coordenação do
Trabalho Escolar.
Orientador: Prof. Dr. Raphael Rodrigues de Oliveira Filho.
Salvador
2010
2
ELOINA MARIA DOS SANTOS SANTOS
MUSEU AFRO E ESCOLA: possibilidades de encontro e
encantos.
Monografia apresentada ao Curso de Pedagogia da Universidade Estadual
da Bahia, Departamento de Educação, como requisito para obtenção da
graduação em Pedagogia com Habilitação em Gestão e Coordenação do
Trabalho Escolar.
Orientador: Prof. Dr. Raphael Rodrigues de Oliveira Filho.
Aprovada em ____ de _______ de 2010.
3
AGRADECIMENTOS
Muitas foram as dificuldades para escrever este trabalho. A princípio eu sabia
tudo que precisava pesquisar e escrever. No entanto, quando chegou o
momento, como se diz popularmente, a hora H, o dia D, não tinha como saber
o que fazer, havia algo que barrava, travava. Queria escrever sobre tudo, ou
não escrever sobre nada. Vontade de largar tudo e sair correndo, cheia de
dúvidas. De uma coisa tinha certeza: precisava terminar o que iniciei, não
poderia desistir. Por ter chegado até aqui, não ter coragem de voltar atrás, é
que tenho muito a agradecer.
Primeiramente a Deus, Senhor e mantenedor de minha vida, que quando me
sentia perdida, cheia de dúvidas, eu parava, respirava, ajoelhava e O invocava
em oração. A paz me invadia e me enchia outra vez de ânimo a retornar a
atividade de pesquisa e escrita e ânimo para trilhar o resto do caminho.
A minha mãe Elvira, mulher guerreira, que mesmo sem ter recebido a
oportunidade de participar do mundo letrado devido a preconceitos de meu avô
que acreditava que mulher não deveria aprender a ler, para não escrever
cartas para namorado. Engraçado, os esforços dele não adiantaram nada, não
foi o suficiente para que mamãe casasse com meu pai aos dezenove anos e
praticamente exigia que sua grande prole, onze filhos, estudassem. Apregoava
que não seríamos nada sem educação.
Ao meu pai (in memorian) que nunca deixou de comprar nossos livros e demais
materiais escolares, sem ajuda de nenhuma política educacional na época,
apesar de sermos muitos. Carpinteiro, ferroviário, nunca deixou de apontar
nossos lápis com o seu formão, para nos conduzir a escola.
Ao meu esposo, que nessa última fase do curso, virou até meu cozinheiro.
4
A minhas filhas Vanessa, Sâmela e Emyle e aos demais agregados, que
sempre me iluminaram e apoiaram com palavras de ânimo e carinho e me
fizeram feliz.
A meus colegas do curso de Museologia que não mediram esforços para me
fornecerem materiais de pesquisa.
A professora Sueli Cerravolo, que sempre quando consultada, está sempre
disposta a ajudar-nos no que for necessário.
Ao professor Marcelo Cunha, diretor do museu Afro Brasileiro, e toda sua
equipe, que com simpatia abriram as portas da instituição e com disposição
responderam a todas as minhas dúvidas e questões.
A todos que responderam os questionários: professores pais e alunos que
colaboraram de uma forma muito importante para a coleta de dados.
Ao professor Rafhael Rodrigues Vieira Filho, que demonstrou que sem
determinação, eu nada conseguiria.
A minha família da Escola Batista de San Martim, que estiveram presente neste
último momento de minha vida e vivência acadêmica e de uma forma especial
a Bárbara Virgínia, por palavras de carinho, ânimo, e tenho certeza, orações.
A todos que de alguma forma participaram de minhas dores deste difícil parto,
mas não foram citados, meu muito obrigado!
5
O valor das coisas não está no tempo que elas
duram, mas na intensidade com que acontecem. Por
isso, existem momentos inesquecíveis, coisas
inexplicáveis e pessoas incomparáveis [...]
Fernando Pessoa
6
RESUMO
Este trabalho visa apresentar a Instituição Museu como um local de educação
informal, levando-nos a refletir na possibilidade de relacionar o espaço do
Museu Afro /UFBA e outros museus como suporte para o resgate da história e
cultura africana, cumprindo assim o que dispõe a Lei 10639/03, ajudando na
elevação da auto estima dos alunos e levando-os a formarem uma nova
imagem da África. Para tanto, procura mostrar o poder que o museu exerce ao
recontar a história e que embora os mesmos ainda obedeçam a uma ideologia
dominante, o Museu Afro/UFBA, por ser um museu dedicado a expor objetos
condizente com o nome a ele dado, prima por fazer uma abordagem que
enfatize a educação das relações étnico-raciais. Apesar do museu de um modo
geral já ter nascido com o objetivo educacional, durante a pesquisa, nenhum
dos entrevistados citaram que as escolas das quais fazem parte incluem em
seus projetos políticos pedagógicos visitação aos mesmos. Isto se constitui
uma perda, pois segundo os educadores, o contato com os objetos torna o
aprendizado mais eficaz.
Palavras-Chave: Museu. Relações étnico-raciais. Educação, Resgate.
7
ABSTRACT
This work has a goal to present the Museu Afro/UFBA as a local institution of
informal education which also gives the school audience the opportunity of
being reconnected with the history and culture of Africa, thus it provides the
raising of students’ self esteem as well as helps them to reconstruct a real
image of Africa. (Brazilian Education Law 10. 639/03) Therefore, it attempts to
show the power that such institution has in retelling the African History in a
different manner of the great majority of these institutions which still foster a
ruling ideology, in this analysis it is possible to see that the Museu Afro/ UFBA,
as a cultural institution gives an emphasizes in the study of ethnic-racial
relations. Although the museum has either been born with an education aim,
during the survey none of the interviewees mentioned that the schools where
they act, have included in their pedagogical projects student’s attendance to
museums. According to educators, there is a lack of learning when learners are
not in contact with real art because the learning takes place in real situation or
genuine context.
Keywords: museum; ethnic-racial relations; education; reconnection.
8
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
UFBA
Universidade Federal da Bahia
ICOM
Conselho Internacional de Museu
ICOFOM
Comitê Internacional de Museologia
CEAO
Centro de Estudos Orientais
CEAFRO
Programa de educação e profissionalização para igualdade de
gênero do CEAO.
IPHAN
Instituto do Patrimônio Artístico Nacional
ONGS
Organizações Não Governamentais
AC’S
Atividade de Coordenação
CRE’S
Coordenação Regionais
PNDL
Plano Nacional do Livro Didático
MAFRO/UFBA
Museu Afro/ Universidade Federal da Bahia
UNEB
Universidade do Estado da Bahia
ONU
Organizações das Nações Unidas
9
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO.............................................................
10
2
MUSEU COMO CENTRO DE EDUCAÇÃO........................
16
3
MUSEU COMO ESPAÇO NÃO FORMAL DE
EDUCAÇÃO..................................................................
4
23
IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS ETNOLÓGICOS PARA
APRENDIZADO DA CULTURA AFRO: VISITA AO MUSEU 27
AFRO NACIONAL...........................................................
4.1 MUSEU AFRO BRASILEIRO/ UFBA
31
5
APRENDER SOBRE A ÁFRICA AGORA É LEI.................
33
6
RESULTADO DA COLETA DE DADOS.............................
37
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................
42
REFERÊNCIAS..............................................................
43
APÊNDICES
48
APÊNDICES A – Entrevista com os pais.............................
49
APÊNDICES B – Entrevista com professores ......................
50
APÊNDICES C – Entrevista com alunos ............................
52
10
1 INTRODUÇÃO
Os diversos séculos de desconhecimento do continente africano, sua história,
modos de viver e tudo o mais que abarca este continente não deve ser
explicado ou procurado entender apenas com leituras e gravuras. Será mais
fácil a criança entender sobre a África, sua cultura e história construindo uma
real imagem da região sem preconceito, sem influência dos diversos mitos do
imaginário popular, se mantiver um relacionamento com os diversos tipos de
arte desenvolvida por diversos personagens que integra o povo africano.
Para compreender a diversidade política, social e cultural que abarca o citado
continente, o ouvir histórias em livros ou materiais digitais não é suficiente. Se
não podemos levar as crianças a áfrica ou voltar no túnel do tempo para que
elas possam sentir o processo de colonização, que ao menos desfrutem o
prazer de tocados e inspirados pelos objetos expostos em museus.
Cresci ouvindo minha mãe dizer que minhas duas bisavós por parte de pai e
mãe eram índias. Muitas vezes me peguei quando criança, e não nego, até
hoje quando adulta, diante do espelho, identificar alguma característica
indígena. Não só pelo histórico, mas também quando criança, adolescente e
até hoje depois de adulta, caminhando daqui a pouco para a terceira idade,
identificarem em mim alguma característica indígena ou me apelidarem de
indiazinha. Me deparei faz pouco tempo, com uma professora que faz
pesquisas entre grupos indígenas daqui da Bahia, comentar baixinho olhando
pra mim: Como parece uma índia! Não comentou comigo, pois não teve
oportunidade, mas não se conteve e verbalizou a ponto de eu ouvir.
Minha mãe também ao constituir sua prole, herdou em seus gens junto com de
meu pai, uma mistura de gente e cores. Somos uma família grande, constituída
de onze irmãos, e apesar de termos peles morenas, mas consequentemente
afro descendentes, todos nós em nosso registro civil somos declarados pardos.
11
A escola é um dos locais onde mais percebemos os conflitos e negações
sociais e dependendo de como o administram, eles podem ser resolvidos ou ao
contrário, se intensificarem.
Como educadora preocupada com a formação da identidade do aluno e de
uma forma especial com a formação da identidade do aluno humilde da escola
pública e afro-descendente, pois, eu mesma posso dar testemunho das
angústias que invadem nosso ser devido ao preconceito e precisamos ter força
para buscar auto motivação para galgarmos nosso objetivo o que fazer então
para ajudar o nosso aluno oriundo de escola público e negro a ter
automotivação neste estado considerado mais negro e apesar disso cheio de
preconceito.
Rememoro os sentimentos de insegurança, passos vacilantes amedrontados
ao me dirigir ao quadro negro, que neste período ainda era negro mesmo, para
fazer um teste para saber em que série me colocariam na Escola Municipal
Professor Lopes Ribeiro de Castro, hoje Escola Municipal de Plataforma.
Estávamos eu e meu irmão, mais novo de que eu um ano. Ao ouvir meu nome,
as mães das alunas mais bem vestidas, consideradas as patricinhas da escola,
cochicharam, esboçaram um sorriso e comentaram: - Está vendo esta aí? Pelo
jeito não sabe nada.
Aquela frase me trouxe muito sofrimento. Vinda do interior dois anos atrás,
entrando na segunda série com dez anos de idade, com dialeto estranho ao
grupo que sorria e zombava de mim, quando em conflito com outra criança
solicitava: - Me dá os meus trens! Ou ainda quando ia no armarinho solicitava:
Me dá uma fátima branca ( me referindo ao esmalte para unhas). –Me dá uma
touca para Joãozinho? (me referindo ao Nero no dialeto local). As crianças riam
de mim. Diziam que eu tinha sotaque e que falava cantando.
As notas eram atribuídas por conceito: de 0 a 4 = AI; 5-7 = AM; 8-10 = AS. Sei
dizer como, nem sei se foi proposital, só sei dizer que fui durante o período de
12
três anos que permaneci na escola referência como melhor aluna, recebendo
prêmios, sempre com conceito AS.
Me dá muito orgulho
falar desta parte de minha vida, pois sem muita
experiência, mas já determinação, consegui vencer o preconceito atribuído a
pessoas de cor e pobre ser sinônimo
de incapacidade, de possuir o tão
atualmente discutido QI , abaixo da média.
Creio que foi a forma que apesar da infância e ingenuidade, meu interior
descobriu para lutar contra a discriminação e o preconceito de uma família
humilde,
numerosa,
afro-descendente,
vencer
pela
determinação
e
estabelecimento de alvos de excelência.
Lembro das aulas de História que enalteciam os heróis europeus, como o
Exército continham as Revoltas, como os negros eram humilhados e
coitadinhos, precisando de ajuda externa para salvar-se daquela situação de
opressão que viviam. Não culpo a professora por sua falta de interação no
assunto. A escola aderia à educação tradicional, reproduzindo a ideologia da
época, vivenciando ainda as práticas dos governos militaristas.
Hoje acredito que talvez tenha sido o fato de como aquela professora me
motivou a vida, respeitando a minha diferença, sabendo lidar com minha
timidez, crendo nas minhas potencialidades, que me fizeram escolher o ofício
de professora, com o objetivo de influenciar outras vidas.
Ao me ingressar no serviço público municipal me deparei com a realidade de
adequar os conteúdos de acordo com as vivências do educando e este fato me
aproximou de várias questões que foram negligenciadas em minha formação,
e, faço questão de enfatizar, que minha professora não tem culpa disso, pois
seguia as normas e padrões estabelecidos no período que administrou as
aulas.
Quando a Lei 10639/03 foi aprovada chegando ao conhecimento dos
professores da Rede Pública Municipal, já havia toda uma discussão em torno
13
da questão do nosso público alvo, a maioria de origem afro descendente, que
mesmo encontrando apelidos bonitinhos para se referenciarem a sua cor,
visivelmente percebíamos a sua origem, mesmo eles e seus responsáveis
conservarem o preconceito e ainda terem vergonha de se declararem negros.
Ou quem sabe até, como um amigo meu integrante do movimento negro, por
sinal muito discriminado por questões da cor comentou comigo: “Ninguém quer
ser algo que é discriminado e que tudo de ruim e feio é atribuído a ele.” (JSJ)
Ao ser feito o recadastramento dos alunos, com o objetivo de ter mais dados
sobre os mesmos para facilitar uma melhoria no preenchimento das questões
do Censo Escolar, onde os professores tiveram uma participação ativa, ao
questioná-los sobre a cor do aluno, mesmo aqueles visivelmente negros
encontravam um adjetivo qualquer para classificar o filho. “tem a pele mais
branca que a minha”, é clarinho, moreninho, cabo verde, café com leite, uns
ainda diziam que o filho era branco mesmo, outros diziam a cor com a qual
foram registrados: parda.
Poucos assumiram claramente que tinham crianças negras. A alguns me
incomodavam ver realmente que a criança era negra, por ser meu aluno e eu
conhecer muito bem e até nem sei a que ponto agir certo questionando: café
com leite? Este não é um apelido não? De minha cor em diante é negro... E
sorria, mas mesmo assim, muitos não aceitavam colocar no cadastro do aluno
a cor negra. Assim, me auto declarava negra para ver se havia mudança na
declaração dos responsáveis.
Um misto de angustias e incertezas invadiram as mentes dos professores ao
se debaterem com a nova Lei, inclusive eu mesma tive muitas incertezas. O
que ensinar? Como ensinar? Ensinar sobre a áfrica era ensinar sobre a
religião? Qual a religião da África? Como enfrentar os pais que muitas vezes
nem aceitavam que se falasse de folclore as crianças, pois muitos eram de
religiões evangélicas?
Como a inquietude por perceber a dimensão da África e que o seu
conhecimento não ia ser alcançado por pesquisas superficiais, procurei
14
algumas disciplinas na Universidade que contemplasse o conhecimento do
continente africano e a história do seu povo.
No semestre de 2009.2 foram oferecidas na UFBA, disciplinas que eram
específicas de estudo sobre a África, e eu não perdi a oportunidade. Tinha
colocado em minha cabeça que mesmo que não lograsse aprovação nas
mesmas, eu pretendia fazê-las, para ter um pouco mais de aproximação com a
variedade de culturas da áfrica. As aulas de História de África fizeram o papel
de divisor de águas na minha vida. Sei o quanto tenho que aprender, mas não
sou a mesma de antes. A mesma me instigou a pesquisa sobre o tema, me
fizeram ver que a áfrica não é só religião, não é só candomblé, pois o mesmo é
invenção de brasileiro.
A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar se o Museu Afro
Brasileiro, por tratar da temática afro-brasileira, pode ser usado como um dos
suportes de educação das relações étnico-raciais.
O problema que gerou a pesquisa foi se os professores estão cientes da
importância do Museu Afro Brasileiro para o ensino da história e cultura afro e
se o utilizam com este objetivo.
Pretendeu-se
com
os
objetivos
específicos
analisar
as
instituições
museológicas como espaço lúdico educativo e seu papel em difundir a história
e se os objetos expostos no museu podem contribuir para que o ensino da
história e cultura africana, cumprindo assim o que está disposto na Lei
10639/03 de 09 de janeiro de 2003.
De início pretendia verificar os procedimentos adotados tanto em algumas
escolas, quanto nos museus para que a educação de maneira informal no
referido museu acontecesse, mas devido ao período reduzido para trabalho de
campo, limitei-me a estudos de textos, algumas visitas a museu e escola e
elaboração de algumas pesquisas com alunos e professores que ainda se
encontravam na escola no momento da pesquisa que foi no final do ano letivo
de 2009.
15
Os momentos de pesquisas foram prazerosos, me deram a oportunidade de
entrar em contato com uma diversidade de autores que se referem à educação
em museu, como também a outros que falam das questões afro e étnicoraciais. Este foi o departamento da fome, mas desejo que ela aumente mais e
mais, pois não pretendo parar.
16
2 MUSEU COMO CENTRO DE EDUCAÇÃO
O museu passou a desempenhar um papel muito importante na vida da
comunidade, pois através da interação do público com os objetos expostos, há
a possibilidade de se estabelecer correlações entre os mesmos que possibilita
atuar de forma reflexiva, influenciando na compreensão da realidade e
favorecendo a apreensão de novos conceitos.
Objetos encontrados em sítios arqueológicos revelam as experiências
vivenciadas pelos homens em sua trajetória aqui na terra. Trazem vestígios
também de como aconteceu o processo de ocupação e expansão territorial em
todos os continentes. Nesse sentido, a arqueologia tem um papel fundamental
para revelar a história do continente africano e os museus procuram cumprir
com seus projetos, o papel de reconstruírem a história.
Segundo Costa, 2008, nem sempre os objetos mantêm a mesma função ao
longo do tempo e se faz necessário um estudo para entender a funcionalidade
dos mesmos:
Alguns artefatos arqueológicos não apresentam semelhanças de
forma nem de função com os objetos contemporâneos, de maneira que
o entendimento de sua condição antrópica é feito muito mais pelo
estudo técnico e tecnológico do que por um reconhecimento imediato
de sua serventia. Em alguns casos,esta situação torna-se mais
complicada, pois o objeto sozinho não é suficiente para o
reconhecimento de sua condição antrópica. As fogueiras encontradas
em escavações de sítios pré-coloniais são exemplos privilegiados disto,
tendo em vista que uma rocha da fogueira observada de maneira
isolada não seria entendida como fruto de ação antrópica; mas, quando
relacionada com as outras rochas, carvões e cinzas dispostas de
maneira organizada num espaço, demonstram a intencionalidade
humana na confecção do arranjo. (COSTA, 2008, p.4,5)
Mesmo que os objetos percam ou mudem de funcionalidade, ainda se torna
possível através deles a remontagem da história.
Mário Chagas, afirma que há uma tendência atual dos objetos serem
devorados, e todos os fragmentos têm importância no reconto da história.
17
A configuração do museu moderno remonta ao século XVIII e,
particularmente, ao movimento iluminista. Desde então, eles
constituem um campo privilegiado tanto para o exercício de uma
imaginação criadora que leva em conta o poder das imagens, quanto
para a dramaturgia do passado artístico, filosófico, religioso, científico em uma palavra: cultural. É na moldura da modernidade que o museu
se enquadra como palco, tecnologia e nave do tempo e da memória.
Como palco, ele é espaço de teatralização e narração de dramas,
romances, comédias e tragédias coletivas e individuais; como
tecnologia ele se constitui em dispositivo e ferramenta de intervenção
social; como nave ele promove deslocamentos imaginários e
memoráveis no rio da memória e do tempo. Tudo isso implica a
produção de novos sentidos e conhecimentos, a partir de sentidos,
sentimentos e conhecimentos anteriores. A antropofagia nos une. A
museologia também é antropofágica, por isso andou e anda
interessada em despojos, fragmentos, traços, partículas, restos de
culturas mortas e sopros, forças, ventos e hálitos de culturas vivas,
sabendo que esses restos e hálitos são explosivos, são bombas e
servem para narrar histórias e acordar agora. (CHAGAS, 2005, p. 18)
Ainda Nascimento afirma algo semelhante:
Os objetos de cultura são produtos de uma história: remetem às
tradições identificadas pelo grupo com suas marcas distintivas,
específicas e identitárias.
Ao serem selecionados e expostos, representam uma chave ou palavra
mágica que permite falar dos modos de viver e de pensar
compartilhados no momento da confecção do artefato ou do objeto
artístico. Eles traduzem a vivência da dramaturgia dos rituais, da magia
de uma situação presente, o discurso do passado. Em seu processo de
criação e de inovação, no esmero de sua produção e em sua atribuição
de uso, indicam as relações entre indivíduo e patrimônio cultural do
grupo a que pertenceu (NASCIMENTO, 2005, p.232).
O museu é um lugar onde deve acontecer encontros de vivências, de saberes,
onde há possibilidade de jogos, encontros entre as diversas linguagens,
levando o público que a ele tem acesso, dialogar e refletir. “O museu deve ser
fórum, lugar de encontro, espaço de debate, um lugar em que as coisas se
produzam e não apenas o já produzido é comunicado” (BARÃO, 2005 p. 3).
Os avanços da tecnologia são um grande motivador das mudanças de hábitos,
cultura e quando acompanhamos no dia-a-dia uma comunidade, não nos
damos contas das variadas mudanças que ocorrem ao nosso redor. Mudamos
de opiniões, aprendemos novos conceitos, absorvemos novas teorias sem nem
percebermos.
18
Se, no entanto, nos afastarmos da mesma, voltando lá um tempo depois, é que
nos damos conta das mudanças em todos os sentidos e até mudança na
identidade, pois depende das relações que foram trocadas durante nossa
ausência. Imagine então, como explicar a criança que a sociedade em que ele
vive, quem sabe até no mesmo pedacinho de terra onde ela hoje pisa, existe
uma vida anterior, uma outra história, outros povos com outras vivências bem
diferentes da sua.
Na Museologia tradicional não havia espaços nos museus para a história
chamada por muitos como “oficiosa”, então não era contemplada a outra face
da história, só as que pertenciam aos colonizadores que estavam classificados
na categoria “povo”. Porém, segundo Suely Cerávolo (2004), com as novas
determinações do Conselho Internacional do Museu (ICOM), criou-se a
possibilidade de diálogos e o surgimento de uma nova Museologia, onde a
história do outro pode também ser contemplada.
1
A inquietação levou ao descontentamento, e o ICOFOM chegou ao
ano de 1984 com uma questão interna para resolver: a de integrar ou
não os movimentos novos que reivindicavam seu lugar e fala. A
Museologia tradicional se encontrou, e se defrontou, com a Nova
Museologia. (CERÁVOLO, 2004, p. 259)
De maneira alguma poderemos afirmar que o Museu se coloca de forma neutra
na sociedade em que está inserido. Isso nos é revelado no modo que expõe
seus objetos, como escolhe as peças de acordo com o interesse que tem de
representar determinada sociedade ou categoria, alguma classe mais
privilegiada, quem sabe as ditas “civilizadas”. Infelizmente nem sempre é do
interesse do museu expor objetos que represente algumas categorias da
sociedade ou objetos de outras culturas que não seja a européia. Sendo assim
é natural que os museus representem outras histórias, outros vencedores, pois
se não for assim, feriria com conceitos e paradigmas fortemente construídos e
alimentados pelos europeus.
(...) o museu raramente guarda a farda de um operário (nem mesmo a
do operário padrão), mas tenho certeza de que guarda a casaca que o
Sr. Fulano de tal usou em determinada cerimônia. Decorre daí um
1
ICOFOM - Comitê Internacional de Museologia
19
outro poder que o museu possui: o de comunicar aos seus visitantes o
poder de uma determinada classe social, ou de uma etnia, ou de uma
geração. (SANTOS, 1997, p. 19)
Suano também compartilha da mesma opinião,quando afirma que no museu
deveria haver lugar não só para o exótico , o diferente, o incomum.
O museu deveria, portanto, abandonar a devoção litúrgica
pelo “verdadeiro” e pelo “único”, deixar de lado o culto do
passado, do exótico e mesmo do “belo”; deixar de
privilegiar o “incomum”, o raro, para focar no comum, no
banal, deixar de considerar apenas a minoria,
apresentando também a maioria; não privilegiar o objeto
fora do contexto, mas zelar pelo patrimônio cultural e
ambiental como um todo orgânico (SUANO, 1986, pg. 89).
A forma escolhida pelo profissional de museu para expor os objetos, de alguma
forma revela as suas ideologias, crenças, objetivos, podendo induzir ou
despertar as diversas interpretações. O museu através de suas exposições tem
a capacidade de falar com seus visitantes, mesmo que não haja textos claros
discorrendo sobre o assunto abordado.
A exposição não exaure todas as atividades do museu- é
preciso deixar claro- mas a exposição é, na realidade, um
texto claro, algo que pode ser feito como uma releitura do
mundo, é trazer para o museu uma representação do
mundo das relações do homem com a sua realidade, e
torná-las tão evidentes(...) que possam despertar uma
consciência crítica, inclusive onde ela não existe, ou
desenvolvê-la onde ela já está embrionária. (RÚSSIO,
1984, p.66)
Durante a visita ao Estado de Minas Gerais, pude perceber enquanto visitava
alguns museus e igrejas na cidade de Ouro Preto, que para nós,
soteropolitanos, quando contemplamos a estrutura da mesma, deixamos
escapar: - É um Pelourinho gigante!
Lá
durante
a
nossa
estadia
percebemos
diariamente
professores
acompanhados de suas turmas, mesmo de pequeninos que estavam iniciando
seu processo de alfabetização. Vimos à importância dada pela cidade à
formação de público para seu patrimônio histórico.
20
Por outro lado, vivenciei a experiência de estar ao lado da Igreja Matriz de
Nossa Senhora da Conceição, que abriga o Museu de Aleijadinho, perguntando
a um morador da cidade onde ficava a citada igreja, o mesmo não soube me
informar. Fiquei admirada, ao ver que em uma cidade que podemos considerar
um museu a céu aberto, em que as pessoas de alguma forma estão envolvidos
na cultura da mesma, inclusive a pousada onde fiquei hospedada, os seus
donos, desenvolviam um maravilhoso trabalho de artesanato em pedra sabão,
inserindo-se assim na cultura local.
No entanto, neste mesmo local, onde havia diversos museus e prédios
tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),
havia alguém que não soubesse dar informação de onde estavam abrigadas as
obras de Aleijadinho. Fiquei analisando que tipo de trabalho poderia ser
realizado com aquelas crianças, ou que tipo de preparo é realizado com os
professores para que no futuro existam adultos comprometidos e, inteirados
que respirem apaixonadamente a cultura, valorizando os monumentos e o
patrimônio histórico e artístico de sua cidade.
Então refaço a pergunta: o que os museus necessitam fazer para atrair o
público infantil? Seria necessário um museu específico para esse determinado
público ou seria necessário infantilizar o discurso? Ou quem sabe até as
informações contidas diante dos objetos expostos como seria o entendimento
delas se quando se pensasse em uma exposição privilegiasse a visão infantil
ou se pensasse em uma exposição onde pudessem ser experenciado todas as
sensações que os órgãos dos sentidos pudessem sentir nessa fase da vida em
que os mesmos são mais aguçados.
Angeli (1993, p.33) defende a necessidade de um museu “[...] amplo, aberto,
cheio de mensagens ocultas em suas obras, que a criança vá retirando pouco
a pouco e interpretando livremente”. A criança tem capacidade de fazer a
leitura da obra, não devemos subestimar sua capacidade de interpretação,
mesmo que aconteça de forma diversa do adulto, um pouco mais lento, ou até
necessitando
de intervenções de algum monitor. Não há necessidade de
21
infantilizar a linguagem nas placas explicativas diante dos objetos expostos ou
de museus de uma forma geral, basta dar a esse público infantil, a
oportunidade de contemplação e apropriação da linguagem utilizada nesses
espaços.
É provável que no intuito de tornar os museus mais acessíveis, as instituições
que os administram os tenham transformado em verdadeiros centros de
convivência, sendo muitas vezes a atração maior do museu, o seu prédio, a
estrutura arquitetônica, a fama do autor do seu projeto arquitetônico a sua
tecnologia, como o museu Hi tech, esquecendo-se da parte que deveria ser o
principal que muitas vezes não é pensado e ninguém conhece o que existe
nele. É verdade que tudo é importante, mas tomar um café em um museu tal
não acrescenta nada a memória cultural do público.
O hábito de ir à feira em muitas cidades, diz muito da memória cultural da
mesma e, usufruindo da oportunidade de freqüentar algumas, tanto as de
artesanato quanto das que comercializam outros objetos ou alimentos, percebi
que elas falam ao espectador atento o modo de ser, sentir e viver da cidade.
Dificilmente alguém pensa nas feiras como um museu ao céu aberto, nem tão
pouco que lá seja um local onde transpira cultura e que o público infantil deva
ter acesso para que possa se inteirar dos aspectos culturais de sua cidade.
Para que haja o aprendizado é necessário que aconteça a motivação e a
curiosidade seja despertada. Para Vygotsky o aprendizado acontece quando a
criança tem acesso ao suporte intelectual devido, acontecendo então a zona de
desenvolvimento proximal. Para ele o aprendizado se dá através da mediação
para que venha acontecer o desenvolvimento. Já para Piaget, com sua teoria
cognitiva, existem quatro estágios de desenvolvimento: o sensório-motor, préoperacional, operatório-concreto e operatório formal. O aprendizado acontece
dependendo do amadurecimento cognitivo e da relação do indivíduo com o
objeto.
A obra por si só, ao ser contemplada por alguém que não foi instigado ao
conhecimento, pode não significar nada. No entanto, quando há todo um
22
preparo para a apresentação de uma atividade diversificada, completando o
que foi aprendido em uma sala de aula, cada centímetro da obra devolve ao
pesquisador o que ele está à procura, contando de seu autor, do que ele
pretende representar com a obra, suas crenças, vivências e histórias. O aluno
precisa ser preparado para ser um pesquisador para ter uma melhor
compreensão da história e reconhecer-se autor da própria história.
23
3 O MUSEU COMO ESPAÇO NÃO FORMAL DE EDUCAÇÃO
A educação abrange vários processos e sua aquisição não está limitado a um
único espaço. É o quem está explícito na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei
de nº 9394/96, no artigo 1º:
A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na
vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de
ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da
sociedade civil e nas manifestações culturais. (BRASIL,1996)
Neste sentido, a LDB admite que outros espaços não formais contribuam com
o desenvolvimento dos processos formativos dos educandos, embora defenda
que há um lugar específico para que aconteça a educação formal.
Embora posteriormente o inciso 1º afirme que o espaço que aconteça
predominantemente a educação seja a escola, o artigo 1º deixa claro que há
instituições de pesquisa e de manifestações culturais e de convivência, que
colaboram para o processo formativo do cidadão.
A escola, seja ela pública ou privada, é o espaço onde é ministrada ao aluno a
educação formal, é aquela que vai para o currículo, para o histórico escolar do
educando. Porém, todos os educadores têm consciência que os conteúdos
vistos em sala de aula não são os únicos que contribuem para que o aluno
obtenha uma formação integral, tornando-se capaz de agir de forma consciente
e reflexiva.
Sem querer retirar da escola e dos educadores os méritos de procurarem dar
aos mesmos uma formação integral, reconhecemos que há outras instituições
e Organizações Não Governamentais (ONGs) que cada vez mais elaboram
projetos ou abrem suas portas para somarem com a escola e colaborarem para
uma formação com menos deficiência.
É nesse sentido que os museus podem ser grandes aliados da escola.
24
Educação formal é aquela prestada dentro dos muros de uma instituição,
seguindo princípios e normas estabelecidas, em ambientes que todos os
aspectos estão voltados para as atividades educacionais. Já a educação não
formal, acontece dentro de instituições variadas, que não têm o objetivo
confesso de desenvolver atividades voltadas para a educação.
A prática educativa deve ser vista de forma mais ampla, não se restringindo
aos muros do ambiente escolar. Se o educando não pode presenciar o fato
histórico, pois não fazem parte do seu tempo, que ao menos possa entrar em
contato com elementos que possa despertar seu lado imaginativo levando-o a
compreensão do que ocorreu no passado, percebendo também que ele é um
personagem da história de sua localidade de convívio.
A obra por si só, ao ser contemplada por alguém que não foi instigada ao
conhecimento, pode não significar nada, no entanto, quando há todo um
preparo para a apresentação de uma atividade diversificada, completando o
que foi aprendido em sala de aula, cada centímetro da devolve ao pesquisador
o eu ele está a procura, contando de seu autor, do que ele pretende
representar com a obra, suas crenças, vivências e histórias. O aluno precisa
ser preparado para ser um pesquisador para ter uma melhor compreensão da
história e reconhecer-se autor da própria história.
Uma das questões que precisa ser respondida é: qual o objetivo do profissional
de educação ao levar seus alunos a ambientes não formais de educação e
especificamente ao museu? O que esta atividade acrescentaria neles?
Lygia Martins Costa, Museóloga, professora e historiadora de arte, além de ser
uma das mais importantes e conceituada técnica do Instituto do Patrimônio
Histórico e artístico Nacional (IPHAN), responde em entrevista realizada ao ser
questionada sobre a funcionalidade dos museus para a Revista Museus:
Para que servem os museus? Os museus servem primeiro para
conhecermos o seu acervo, sempre o testemunho da vida de
cada povo, pois tudo que um museu desenvolver será em
função desse acervo; e conhecendo-o, saberemos o que é
mais importante a ser preservado. O conhecimento,
25
conseqüência de estudo feito, é a alma, a questão principal e
completa-se com a especulação, contextualização e reflexão
do acervo, a mensagem que o museu tem a dar. A partir daí,
pode-se desenvolver qualquer temática. Quem trabalha com
museu precisa estudar muito, para puder transmitir algum fato,
em vez de criar uma certa confusão na cabeça dos visitantes,
que é o que ocorre quando não se pretende nada, quando
apenas se vão sendo atiradas umas contras as outras até
perderem a qualidade, o que pode acontecer em função da
vizinhança. Se, ao contrário, uma peça estiver bem no
contexto, ela cresce, tem um papel, uma vida própria; tem uma
função dentro do que circunda: ela não está ali por si mesma;
está integrada. (CASCO e CHAGAS 2005, p.306)
Uma função que a entrevistada dá ênfase é ter alguém
capaz de transmitir conhecimento. Lígia M. Costa, com
toda a sua história e vivências, não desvincula o museu do
seu papel principal, o qual lhe foi associado desde sua
origem, constituição e conceito, um elo com a educação.
Em seu processo de criação e de inovação, no esmero de sua
produção e em sua atribuição de uso, indicam as relações entre
indivíduo e patrimônio cultural do grupo a que pertenceu
(NASCIMENTO, 2005, p.232).
O conceito do museu segundo o Comitê Internacional de Museus (ICOM)
estabelecido em 1956:
Instituição de caráter permanente que tem por finalidade estudar,
conservar, valorizar de diversas maneiras o conjunto de elementos de
valor cultural; coleções de objetos artísticos, históricos, científicos e
técnicos, jardins botânicos, zoológicos e aquários. (Conselho
Internacional de Museus - ICOM, 1972, p.1)
A vigésima Assembléia Geral ocorrida em 2001 em Barcelona, Espanha,
aprovou uma outra definição de museu:
Instituição permanente, sem fins lucrativos a serviço da sociedade e
de seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva,
investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de
seu entorno, para educação e deleite da sociedade. (Conselho
Internacional de Museus - ICOM, 1972, p.1)
Estão incluídos nesta definição outros espaços como os sítios arqueológicos,
monumentos naturais e etnográficos, sítios e monumentos históricos, os jardins
zoológicos e botânicos, aquários e vivários, centros de ciências e planetários,
galerias de exposições que não são comerciais, institutos de conservação e
26
galerias de exposição que dependa de uma biblioteca e arquivos, os parques
naturais, as organizações internacionais, nacionais, regionais e locais de
museus, ou qualquer outra instituição que tenham algumas ou todas as
características do museu e ofereçam aos profissionais dos mesmos, meios de
realização de pesquisas museológicas, ou de educação e formação.
A nova Museologia conceitua museu de acordo com o Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Museu é uma instituição com personalidade jurídica própria ou
vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao
público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento e que
apresenta as seguintes características:
I – o trabalho permanente com o patrimônio cultural em suas diversas
manifestações;
II – a presença de acervos e exposições colocadas a serviço da
sociedade com o objetivo de propiciar a ampliação do campo de
possibilidades de construção identitária, a percepção crítica da
realidade, a produção de conhecimentos e oportunidades de lazer;
III- a utilização do patrimônio cultural como recurso educacional,
turístico e de inclusão social;
IV- a vocação para a comunicação, a exposição, a documentação, a
investigação, a interpretação e a preservação de bens culturais em
suas diversas manifestações;
V- a democratização do acesso, uso e produção de bens culturais
para a promoção da dignidade da pessoa humana;
VI- a constituição de espaços democráticos e diversificados de
relação e mediação cultural sejam eles físicos ou virtuais.
Se as instituições cumprirem essas funções e apresentarem as
características citadas, não importa sua denominação serão
consideradas museus. (Departamento de Museus e Centros Culturais
- IPHAN/MinC, 2005, p. 1)
Já o dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa define museu:
Sm.Lugar destinado ao estudo, reunião e exposição de obras de arte,
de
peças
e
coleções
científicas,
ou
objetos
antigos,
etc.
(FERREIRA,2001, p.510.)
Como vemos na própria constituição o museu está associado ao estudo. Há
uma Necessidade então, da existência de uma estrutura mais elaborada, a fim
de serem realizadas parcerias para que o conhecimento produzido nessas
instituições não se restrinja a elas e o seu acesso seja democratizado.
27
4 IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS ETNOLÓGICOS PARA
APRENDIZADO DA CULTURA AFRO: VISITA AO MUSEU AFRO
NACIONAL
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e Para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana declara
que depende de nossa decisão o país que vamos construir e precisamos
vencer os medos, as discriminações e reeducar as relações étnico-raciais.
(BRASIL, 2005, p.14).
O ensino da cultura africana e afro brasileira necessita ter o apoio de vários
suportes para que o educando tenha a oportunidade de entender os
simbolismos dos objetos, da religiosidade, das histórias e de tudo o que abarca
este continente, vasto e rico em informação. Ainda as Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Para o Ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana afirma:
O ensino de História e cultura afro-brasileira e africana se fará por
diferentes meios, em atividades curriculares ou não, em que: - se
explicitem, busquem compreender e interpretar, na perspectiva de
quem o formule, diferentes formas de expressão e de organização de
raciocínios e pensamentos de raiz e cultura africana; - promovam-se
oportunidades de diálogo em que se conheçam, se ponham em
comunicação diferentes sistemas simbólicos e estruturas conceituais,
bem como se busquem formas de convivência respeitosa,(...) sejam
incentivadas atividades em que pessoas – estudantes, professores,
servidores, integrantes da comunidade externa aos estabelecimentos
de ensino - de diferentes culturas interatuem e se interpretem
reciprocamente, respeitando os valores, visões de mundo, raciocínios e
pensamentos de cada um. (BRASIL, 2005,p.20,21).
Para perceber o quanto os museus etnológicos podem contribuir para o
cumprimento desta diretriz, realizei algumas visitas a alguns museus que
28
tratam do tema ou têm no acervo obra de arte de artistas negros. Um desses
museus visitados foi o Museu Afro Nacional, recém inaugurado.
No momento em que foi realizada a visita, a exposição era itinerária, tendo
como tema “O Benin está vivo ainda lá, ancestralidade e contemporaneidade”.
Parceria entre o Ministério da Cultura (MINC), o Museu Afro Brasil (São Paulo),
o Museu Nacional de Cultura Afro Brasileira (Salvador), localizado à rua do
Tesouro, 01, Salvador-Bahia, que procura através dessa instalação, fazer uma
viagem de retorno a memória dos fatos ocorridos em Benin e comparar através
de vários objetos expostos, as nossas semelhanças e diversidades com este
povo. Podemos ver que apesar da distância geográfica, o que veio implantado
no coração de nossos ancestrais de descendência do Benin, não se perdeu
aqui, podemos reconhecer alguns de nossos costumes ao contemplar esta
exposição.
A visita aconteceu com acompanhamento da monitoria, onde pude observar os
seguintes aspectos: a exposição foi composta por peças emprestadas do
Museu Afro Brasil, da coleção particular da família Carybé e do Museu Afro
Brasileiro. Ao percorrer o circuito da exposição, pude observar as peças que
falam da história e cultura deste povo, como por exemplo, estátua amazona de
madeira policromada, para-sol do rei, em tecido bordado e suporte de madeira,
utilizado pelos reis para que os seus súditos não pisassem na sua sombra, pois
quem o fizesse era castigado.
As máscaras Gélédê que são feitas em madeira, cada uma conta uma história,
confeccionadas com criatividade e beleza, e cada artista tem seu próprio estilo
de composição. Geralmente as máscaras Gélédês são utilizadas por homens
incorporados por uma entidade, e representam algum fato ou protesto da
comunidade. A única peça que pertence ao museu, inclusive, é uma delas, que
faz referência ao nosso futebol; tendo inclusive como um dos retratados
Ronaldinho Gaúcho; Fotos com representação de canto e dança ou de
iniciação em rituais; doze apliquês com símbolos dos reis beninenses e suas
histórias; vestimentas galedês que são utilizadas por homens para homenagear
as matriarcas (senhoras idosas); vestimenta de Egum; fotos de Pierre Verger e
Charle Placide retratando rituais; instrumentos de culto; placas de propagandas
29
de casas comerciais e outros do Beni; assen, que são altares portáteis;
ferramenta de Ossain; banco ioruba; récade- instrumento com símbolo de cada
rei, utilizado para enviar recado; jogo de búzios; ibejis; totem em tronco único,
peça impressionante pelo seu tamanho, fiquei imaginando, assim como outros
alunos, a habilidade do artista para confeccionar aquela obra que podemos
chamar no momento da visita de gigante; oráculos; fila- espécie de gorro; roupa
de gala; vestimenta tradicional; jornais ; estatuetas de Bejins; instalações de
artistas contemporâneos.
O espaço que abriga o museu ainda não está completamente restaurado, e
podemos observar a exposição do projeto final do museu e de pessoas que
trabalharam para que esse sonho se transformasse em realidade. Segundo a
monitora, o museu só possui uma peça citada anteriormente, doação de artista
africano e faz referência ao futebol brasileiro, ainda pretende adquirir outras
peças, mas por enquanto contará com exposições itinerárias.
No total, a exposição contém mais de trezentas obras, incluindo instalações,
apliquês, máscaras, pinturas, esculturas, fotos, representando as fortes
tradições do Benin com variedade artística e interpretação, tanto obras
retratando tradições antigas como de artistas contemporâneos que utilizam
variados tipos de suportes. Tudo isso para retratar os hábitos, formas de ver,
ser e sentir de um país irmão.
A criação do Museu Afro em Salvador é uma inovação e uma necessidade,
pois aproxima a população da cidade, na sua maioria de origem africana,
apesar de devido o histórico de preconceito e discriminação a que muitos
estão expostos e não se afirmam como negros, é importante a existência do
mesmo para que a população possa interagir com as exposições ali dispostas
e se reconheçam ao contemplar os objetos como vindos de uma cultura muito
rica e importante para a formação do povo brasileiro e de uma forma especial,
para a identidade soteropolitana, que segundo as instituições de afirmação da
consciência negra é a cidade mais negra fora da África. É uma das formas que
os mesmos encontraram de fazer uma reparação histórica, mas é necessário
que as informações sejam disponibilizadas a um maior número de público. A
30
maior questão a ser respondida, é como fazer para que o público tenha maior
acesso ao Museu Afro, identificando-o como unidade de informação?
Existem outros museus na cidade de Salvador que abrigam objetos de origem
africana ou que sejam de artistas voltados para a temática afro que também
podem contribuir para o aprendizado da cultura e história da África. Entre
outros, o Instituto Feminino da Bahia entre outros objetos representativos de
vivências e imaginário africano, abriga também o pano-da-costa, que se
constitui em uma faixa, confeccionado em tear manual, obra dos artistas
Alexandre e Abdias Sacramento Nobre. O primeiro, africano e padrinho do
segundo, sendo responsável da técnica de confecção do objeto, ficando o
segundo conhecido e referenciado nos terreiros de candomblé de Salvador.
(LODY, 2005,p.191).
O Museu Carlos Costa Pinto não pode deixar de ser citado por se um local que
também abriga um objeto significativo no uso da cultura baiana , relacionado
com a condição social ou religiosa da mulher negra, são os balangandãs. Esse
objeto consiste em uma corrente que pode ser feita de vários materiais,
acrescida de vários objetos ou pingentes, que fazem referência as ligações que
a portadora tem na sociedade em que ela faz parte, podendo também ser
considerado como amuleto. (LODY, 2005, p.199).
Entre outros, esses museus citados por terem em seu acervo objetos
representativos da cultura africana podem contribuir com a escola no
cumprimento da Lei 10639/03.
31
4.1 MUSEU AFRO BRASILEIRO/ UFBA
O Museu Afro-Brasileiro - UFBA é um ganho para a cidade de Salvador, pois é
uma resposta às expectativas da comunidade afro descendente que não se
sentia representada nos museus da cidade.
Durante um longo período, foi marcante a invisibilidade do negro na instituição
museu, responsável oficialmente pelos registros da memória e da história
nacional, tanto no Brasil como nos demais países que foram colonizados. Os
movimentos sociais lutaram, porém, para que as imagens dos povos africanos
e de seus descendentes não fossem resumidas somente as representações de
um passado escravista, e sim para que fossem destacadas suas lutas contra o
sistema. (FREITAS,2006,P.119)
Atualmente esse espaço é visitado por estudantes de diversas escolas da rede
privada e pública, assim, a cultura negra está sendo cada vez mais difundida e
valorizada
O material produzido para a capacitação de professores em um projeto de
jovens monitores, faz referência a criação do museu e sua tipologia:
O Museu Afro – Brasileiro (MAFRO) foi inaugurado em janeiro de 1982, fruto de
um programa de Cooperação Cultural entre o Brasil e países da África. Seu
acervo é composto de esculturas, máscaras, tecidos, cerâmicas, adornos,
instrumentos musicais e jogos africanos, que testemunham a visão de mundo e
os conhecimentos técnicos de diversos povos da África Ocidental e Central. Há
também objetos de origem afro- brasileira, relacionados às divindades
e
sacerdotes do candomblé na Bahia. Merece destaque especial o conjunto de
talhas em cedro do Artista plástico Carybé, retratando 27 orixás, que constitui
uma das mais importantes obras da arte contemporânea brasileira.
(MAFRO,2006)
Sua localização, no centro histórico de Salvador, no Pelourinho, onde antes
abrigava a primeira escola de medicina da UFBA, tem contribuído para que o
mesmo receba visitantes de outros países e da localidade.
32
O fato de ser um museu universitário permite que o mesmo tenha um
compromisso com atividades de extensão, ensino e pesquisa. O professor
Marcelo da Cunha permanece na direção desde 1995 e tem uma preocupação
de realizar atividades com alunos do curso de Museologia dentro do Museu.
Através da observação percebi que o museu desenvolve um projeto para
capacitação de monitores que acompanham as visitas das escolas, dando
assim as informações necessárias da origem e significado de cada peça
exposta. O museu também possui um acervo de alguns materiais produzidos a
partir de pesquisas, que nos ajudam a entender melhor e explicar para as
crianças alguns pormenores das peças, como histórico, materiais, formas de
utilização, entre outros. Dentre esses materiais produzidos, é importante
destacar um conjunto de livros que fazem referência aos objetos de uso
religioso que lá estão expostos.
Assim, a atividade de pesquisa continua
implantada dentro do Museu. É considerado um dos poucos museus brasileiros
a tratarem do tema do negro no Brasil.
33
5 APRENDER SOBRE A ÁFRICA AGORA É LEI
A Constituição brasileira promulgada em 1988 foi considerada a mais
democrática, mas ainda era necessário especificar os direitos. O artigo 5º da
mesma afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, não fazendo distinção entre homens e mulheres, tendo todos os
mesmos direitos e obrigações, não sendo em nenhuma hipótese obrigados a
fazer ou deixar de fazer algo, entre outros direitos que são garantidas pela
mesma. Subtende-se nesse mesmo artigo o direito de exercer a fé, direito de
expressão artística entre outros direitos. Na mesma o direito a diversidade é
explicito. (BRASIL, 1988)
Já o artigo 210 garante que os conteúdos mínimos serão fixados para o Ensino
Fundamental, para que haja garantia da formação básica comum e os valores
artísticos e culturais tanto regionais quanto nacionais sejam respeitados.
No entanto, apesar de nesse mesmo artigo, no inciso 2, garantir o ensino as
culturas indígenas o direito de receber junto com a Língua Portuguesa o
aprendizado de sua língua materna, nenhuma das interpretações levavam a
práticas de respeito a diversidade da cultura afro, por não está claro este
direito na Carta Magna. (BRASIL, 1988).
O Presidente da República assinou a Lei 10639/03 de 09 de janeiro de 2003
segundo o texto abaixo:
Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial
da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura
Afro-Brasileira", e dá outras providências. (BRASIL, 2003)
34
Esta Lei abrange tanto o Ensino Fundamental quanto Ensino Médio das
escolas públicas e privadas segundo o artigo 26, modificado pela lei
10.639/2003:
Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e
particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura AfroBrasileira. (BRASIL, 2003)
Os incisos 1 e 2 estabelecem o conteúdo programático, necessitando apenas
de planejamento e criatividade para que este assunto por tanto tempo
renegado, façam parte do currículo oficial .
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo
incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos
negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas
áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas
áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
(BRASIL,2003)
Fruto da reflexão de várias instituições, a Lei 10639/03 surge para corrigir as
injustiças, herança de uma história carregada de lutas , sofrimentos e
negações, necessitando de envolvimento de todas as camadas da sociedade
para que haja a tal sonhada reparação e que o que reza a Constituição seja
uma realidade: Igualdade para todos!!
A Lei 10.639/03 surgiu com o objetivo de oferecer às escolas o suporte teórico
para que os professores e professoras possam desenvolver ações educativas
voltadas para a formação de valores que contribuam para que as crianças que
têm acesso às escolas, especialmente as de origem humilde saiam da
condição de inferioridade, se desenvolvendo como cidadãos e cidadãs de
nossa cidade, valorizando suas raízes étnicas e raciais, e construindo um
censo anti-racista, fortalecendo sua dignidade e integridade, e alarguem as
fileiras dos que ajudam a promover a igualdade de direitos.
Segundo Nelson Mandela, “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de
sua pele,ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam
aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o
35
amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A
bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.”
(http://www.rivalcir.com.br/frases//nelsonmandela.html,05.01.2010.)
O racismo é fruto de relações de dominações historicamente determinadas,
tem a ver com escravidão e colonialismo. As violências do passado ainda
marcam o presente, e vem sendo assim ao longo de gerações e gerações, e
isso atinge crianças e adultos e é um tema constante em nossas escolas. Há
muitos egos e auto-estimas destruídas por causa disso, inclusive nas próprias
escolas.
É na escola que várias atitudes racistas são presenciadas pelos educadores
que por muito tempo não receberam suporte para confrontarem as teses
racistas disseminadas durante séculos, fruto da manipulação do pensamento
europeu que muitas vezes partiam de mulatos que se denominavam “brancos”.
Um desses exemplos é o famoso médico e pesquisador Nina Rodrigues que
atribuía
aos
negros
qualidades
de
caráter
negativas,
segundo
ele,
característica da raça. (SANTOS,2005,p.144)
A escola recebeu com esta Lei, a responsabilidade de apagar essa página
triste da história e assumir a tarefa da REPARAÇÃO, de fazer valer os direitos
culturais e educacionais de um povo tão culturalmente rico.
As diretrizes curriculares para a inclusão da historia e cultura africana na
formação oferecida pela escola, trabalha de uma forma a valorizar, e a fazer o
aluno dar valor a sua identidade étnica e a sua auto-estima.
Estas Diretrizes representam o esforço da Secretaria Municipal de Educação e
Cultura de Salvador em implantar políticas educacionais de valorização da
diversidade e está fundamentado nos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN), Tema Transversal da Pluralidade Cultural, na Lei 10.639/03, que visa
corrigir injustiças e desigualdades sociais a que os negros (as) ainda são
submetidos, e também dar conhecimento de sua história e importância política.
36
Apesar de junto com este documento cada professor recebeu uma maleta com
vários temas relacionados com a temática de autores do CEAO-UFBA e outros,
bem como cada vez mais a Secretaria vem fornecendo material didático para
professor
e
escola
para
desenvolverem
trabalhos
que
garantam
o
conhecimento da história e cultura afro-brasileira, os conteúdos e metodologias
aplicados ultrapassam as possibilidades de trabalho pedagógico e os mesmos,
poderão procurar outras fontes de conhecimento e diferentes maneiras de
transmiti-la, podendo valer-se até de questões que sempre surgem em nossas
salas de aula.
A Lei 10639/09 é importante para minha pesquisa, pois torna o ensino da
história e cultura africana como elemento obrigatório no currículo escolar, e ao
visitar o museu, observando os objetos nele expostos, as informações contidas
em suas placas explicativas, o projeto de monitoria as escolas mantido pelo
mesmo, acredito que é possível o aprendizado da cultura afro através de
atividades de visitação das escolas.
37
6 RESULTADO DA COLETA DE DADOS
Não recordo nos tempos de estudante do Ensino Fundamental I nenhuma
disciplina que incentivasse a cultura e visitação ou apreciação de nenhum
monumento histórico. Cursei todo Fundamental II e Ensino Médio sem
nenhuma apreciação. Quando cursei o segundo Ensino Médio que foi o
Técnico em Magistério, que tive uma professora que no intuito de nos ensinar
uma técnica de trabalho, nos levou a um museu para trabalho de campo.
Como mãe sempre tive a cultura de durante as férias escolares de minhas
filhas e minhas como professora, sempre as levava a algum passeio que
culminasse em visitação a museu. Fico feliz em perceber que em uma de
minhas filhas vejo o amor a estes hábitos culturais entranhados no seu íntimo e
que meu papel como formadora de hábitos, gostos, amor a artes, cultura,
obteve sucesso.
Acredito que a escola pode contribuir muito com a formação de público de
museus, mas ainda não vejo pelo que conheço nas escolas públicas tanto
Municipais, Estaduais e as Privadas, nenhuma ação específica que ajude a
aumentar o número de visitação em museus. Durante o período que estive
envolvida com educação sempre estive preocupada em incentivo a formação
de público para museu, a sua importância, onde encontrá-los, o que encontrar
em cada um deles.
Por considerar importante a visita ao Museu Afro Brasileiro para a formação de
uma imagem mais próxima da realidade do continente africano, tentei
programar uma visita da escola em que trabalho ao Museu Afro Brasileiro. A
estratégia era aproveitar a oportunidade em que os professores estavam
motivados pela efeméride e todos os projetos envolviam as questões africanas,
o interesse do aluno por já estarem motivados pelos professores, então
fizemos todo um planejamento para levar os nossos alunos para presenciarem
ao vivo algumas questões das que foram tratadas em sala de aula.
38
Experiência frustrante é verdade, mas não foi possível realizar a visita por
causa das tentativas de conseguir transporte para as crianças falharem. Pelo
menos serviu para confirmar o que já tinha aprendido nesses anos de
Magistério – projetos mais importantes, indispensáveis para o aprendizado,
devem ser colocados como prioridade e tentar colocá-los em prática desde o
começo do ano, pois se algo falhar tem-se a oportunidade de buscar meios
para que o mesmo aconteça.
Na pesquisa realizada, foram elaborados três tipos de questionários: para os
pais, para os educadores e para os alunos.
Na pesquisa feita com os pais, ao perguntar-lhes se tinham conhecimento de
uma lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura
africanas nas escolas brasileiras todos foram unânimes em responder que sim.
Sobre a abordagem da cultura e história negra nos livros didáticos quando eles
estudavam dos cinco entrevistados, dois disseram que sim. Desses dois, um
estudou no Rio de Janeiro e comentou que da 1ª a 4ª série, apenas um pouco,
da 5ª a 8ª, o conteúdo foi mais extenso.
Quando questionados se já visitaram algum museu, houve unanimidade em
responder que sim, mas estou ciente que minha pesquisa não representa todos
os pais, pois os entrevistados estão de alguma forma ligados a educação,
tendo um tipo de olhar já comprometido com a importância dada a atividades
culturais.
Ao perguntar-lhes se alguma vez levou o filho ao museu, apenas uma mãe não
levou a filha, embora more no centro da cidade, considera-a muito pequena
para levá-la a este tipo de atividade.
Sobre a crença que o museu seja um local que de alguma forma ensina a
história a criança houve unanimidade em responder que sim.
39
A mesma questão foi feita, porém enfocando o ensino da história e cultura
africana através dos museus e todos responderam que acreditam que o museu
possa contribuir para uma melhor compreensão da história africana, desde que
haja um trabalho prévio envolvendo o assunto.
Ao questionar aos pais quais as atividades culturais que costumam
proporcionar aos filhos, houve uma diversidade de respostas entre outras,
responderam que costumam visitar a família, viagens, cinemas, leituras, e entre
5 entrevistadas, 3 disseram que o museu está incluído em suas atividades de
lazer.
Foram entrevistados 6 professoras de escolas diferentes, todas graduadas em
Pedagogia ,1 pós-graduada . Ao questionar se tinha hábito de visitar museus,
50% disseram que não.
Ao pedir que em uma escala de 1 a 10, sendo que 10 seria a nota maior e 1 a
menor marcassem a importância que dão a visitação a museus, 4 marcaram
10, 1 marcou 8 e 1 marcou 9.
Sobre quais os tipos de atividades que costumam desenvolver para trabalhar
as questões que a Lei 10.639/2003 apresenta, responderam: imagens para
trabalhar produção de textos, pesquisas e leituras em livros, discussões sobre
o tema, jogos, conversação, dinâmicas, vídeos, confecção de máscaras.
Observei que ao responderem nenhum professor entrevistado citou o uso de
músicas ou o material que as escolas oferecem.
Ao serem questionados se conhecem o Museu Afro Nacional ou o Afro
Brasileiro (UFBA), 4 disseram que não conhecem.
Sobre a crença de que as visitas guiadas a museu colaboram de alguma forma
para o aprendizado da história e cultura afro, todos foram unânimes em
responder que sim. Apenas uma professora sugeriu que usaria a visita ao
museu como atividade de ponto de partida para abordagem do tema.
40
Todas foram unânimes em dar sugestões de atividades prévias ou após as
visitas realizadas a museus. Variando de discussões a produção de seminário,
desenhos e pesquisas.
As pesquisas aos alunos me surpreenderam pela simplicidade e forma de ver
as questões tratadas nas entrevistas. Foram entrevistadas crianças oriundas
de escolas públicas e privadas. Das onze entrevistas realizadas, ao serem
questionados sobre as atividades que realizam nas horas de lazer, todos
disseram brincar de alguma coisa, mas 5 misturaram atividades de lazer com
outras obrigações como lavar e secar pratos e fazer atividades de casa,
embora eu tenha me certificado que nenhuma criança
tivesse acesso a
resposta do outro.
Sobre se consideram a atividade de visitação a museu uma atividade de lazer,
9 disseram que sim, 1 disse que não e 1 disse que só se tiver brincadeira.
Ao questionar se já realizaram visitas a museu, 8 disseram que sim. Dos 8 que
responderam a questão afirmativamente, 4 disseram que fizeram a visita
acompanhada pelo professor, 2 disseram que fizeram acompanhadas pelo
responsável e o guia ou orientador e 2 apenas com o responsável.
Ao serem questionados sobre o contato com algum objeto de origem africana
de perto 9 disseram que não tiveram.
Ao serem questionados se já visitaram algum museu afro, 9 disseram que não.
A questão sobre o que gostaria de saber sobre a África, apenas 2 responderam
sobre a cultura, 2 sobre as esculturas africanas e os demais deram respostas
variadas, desde número de habitantes até o que eles fazem para enfrentar os
animais.
Ao serem questionados se acreditam que a visita a museus com objetos
africanos poderia ajudá-los a construir uma imagem mais clara da África, todos
responderam afirmativamente.
41
Ao relacionar as questões respondidas dos professores e alunos, sendo que
alguns das crianças entrevistadas são alunos de um dos professores
entrevistados, percebi que embora as questões respondidas pelos professores
primem por afirmar que a visita ao museu Afro/UFBA ajuda na formação da
imagem da África, no entanto isso não é o bastante para que os mesmos
elaborem projetos que garantam a proximidade dos alunos de objetos artísticos
e culturais da África.
42
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da análise dos dados obtidos, observei que embora admitam que o
museu trate da temática afro e seria útil para aproximar os alunos da cultura
dos seus antepassados, nenhum dos professores entrevistados mencionam em
seus planejamentos de curso a visita a museus. Também não foi verificada
nenhuma estratégia pelas escolas para a formação de público para os museus.
Percebi ao longo das pesquisas que o museu pode ser um poderoso aliado da
escola para a desmistificação das relações étnico-raciais, contribuindo assim
para o cumprimento do que está disposto na Lei 10639/03 de 09 de janeiro de
2003. No entanto, ainda serão necessárias algumas medidas para que tanto a
escola usufrua dos benefícios que o museu pode oferecê-la, quanto o museu
que será beneficiado com a formação de público para o mesmo.
A escola precisa ter no seu projeto político pedagógico estratégias para que o
museu seja um aliado na educação e o museu precisa ter projetos de
educação mais abrangentes, não se restringindo a um pequeno público.
A família seria um dos aliados principais para que esse fato se tornasse
realidade, procurando estar a par dos projetos que a escola realiza, inclusive
estando a par da exigência da lei e se colocar a disposição para contribuir para
as atividades que a escola propõe para a formação de público em museus.
43
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Wlamyra; FRAGA FILHO, Walter. História da África e a
escravidão africana. Uma história da África e da escravidão africana no
Brasil, Salvador, Fundação Palmares/CEAO, 2006. Disponível em:
<http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%2
0no%20brasil_cap01.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2010.
ANGELi , Margarida Nilda Barreto (1993). “Museus por teimosia- Uma análise
da utilidadedos museus”. Dissertação de mestrado . Campinas: FE-Unicamp.
Favero, Yvie. As crianças e a lei 10639/03. Disponível em:
<http://www.palmares.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=466> acesso
em 29.01.2010
BARÃO, Adriana. Revista Eletrônica do Museu da Cidade. MUCI. Disponível
em: <www.museudacidade.hpg.ig.com.br>. Acesso em: 09 jan.2010.
BIANCHETTI, Lucídio; FREIRE; Ida Mara Freire (orgs.). Um olhar sobre a
diferença: Interação, trabalho e cidadania. Campinas: Papirus, 1998.
BRASIL. Constituição de 1988 ; WINDT, Márcia Cristina Vaz dos Santos;
PINTO, Antonio Luiz de Toledo (Colab.). Constituição da República
Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. 27. ed. São
Paulo: Saraiva, 2001. 331 p.
ALMEIDA, Marcio (Org.). Diretrizes curriculares nacionais para os cursos
universitários da área da saúde. Londrina: Rede UNIDA, 2003. 89 p.
CABRAL, Magaly de Oliveira. Lições das coisas (ou canteiro de obras):
através de uma metodologia baseada na educação patrimonial. 1997, 67 f.
Dissertação de Mestrado - Puc-RJ, Rio de Janeiro, 1997.
CARVALHO, José Murilo. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República
que não foi. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
44
CAVALLEIRO, E. Educação anti-racista: compromisso indispensável para um
mundo melhor. In: CAVALLEIRO, E. (org). Racismo e anti-racismo na
educação. São Paulo: Summus, 2001.
CAVALLEIRO, E. Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: racismo,
preconceito e discriminação na educação Infantil. São Paulo: Contexto, 2000.
CHAGAS, Mário. Só a antropofagia nos une: o poder devorador dos museus.
Revista do Patrimônio: Museus. Disponível em:
<http://74.125.113.132/search?q=cache:DPUJekQWBgJ:www.labjor.unicamp.br/patrimonio/materia.php%3Fid%3D186+S%C
3%B3+a+antropofagia+nos+une:+o+poder+devorador+dos+museus&cd=1&hl=
pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em 10 fev. 2010.
CHAGAS, Mario. Museus: antropofagia da Memória e do Patrimônio. Revista
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 31, 2005.
CHAGAS, Mario. Museus: antropofagia da Memória e do Patrimônio. Revista
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 31, 2005.
COSTA, Carlos Alberto Santos. A materialidade de uma relação
interdisciplinar. Disponível
em:<http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=18384> Acesso em
05 dez. 2009
COSTA, J. F. Da cor ao corpo a violência do racismo. In: COSTA. Jurandir F.
Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
ESTATUTO DO ICOM. Museu. Disponível em:
<http://www.icomportugal.org/conteudo.aspx?args=55,conceitos,2,museu >.
Acesso 20.01.2010
FERREIRA, R.F. Afro-descendente, identidade em construção, São Paulo:
EDUC Rio de Janeiro: Pallas, 2000.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI: o
minidicionário da Língua Portuguesa. 5. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2001.
45
FREITAS, Joseania Miranda, SILVA, Lívia Maria Baêta, FERREIRA, Luiza
Gomes. Ações afirmativas de caráter museológico no museu afro-brasileiro
Ufba. Revista brasileira de museus e museologia, Rio de Janeiro, instituto
de Patrimônio Histórico e Nacional Ano 2, n. 2, p. 116-126, 2006.
HORTA, M. de L. P. O Processo de comunicação em museus. Cadernos
Museológicos. São Paulo, v.1, n.3, out., 1990.
ITANI, Alice; AQUINO, Júlio Groppa. Diferenças e preconceitos na escola:
alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998.
IAVELBERG, Rosa. O ensino da arte na instituição cultural. In: ____. Para
gostar de aprender arte: sala de aula e formação do professor. Porto Alegre:
Artmed, 2003.
LAWENFELD, Viktor. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo:
Mestre Jou, 1977.
Lei contra o racismo e a identificação da pessoa. Disponível em:
<http://movimentonegropb.vilabol.uol.com.br/leiantiracismo.htm>. Acesso em
29.01.2010
Brasil. Lei 10639/03. Jusbrasil legislação, 2003. Disponível em:
<http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/98883/lei-10639-03>. Acesso em 15.
dez. 2009.
Liberato, Rivalci. Frases de Nelson Mandela. Disponível em:
<http://www.rivalcir.com.br/frases//nelsonmandela.html>. Acesso em 05 de
janeiro de 2010.
LIMA, Heloísa P. Histórias da preta. São Paulo: Companhia das Letrinhas,
1998.
LODY, Raul. O negro no museu brasileiro: construindo identidades. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
MUSEU AFRO-BRASILEIRO (MAFRO). Setor Religiosidade Afro-Brasileira.
Projeto de atuação pedagógica e capacitação de jovens monitores: material do
professor. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais: Universidade Federal da
Bahia, 2006. [29 p.].
46
Brasil, Ministério da Cultura. MUSEU: o que é museu? Brasil, Ministério da
Cultura, Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM :Ministério da Cultura, c2009 /
2010. Disponível em:
<http://74.125.47.132/search?q=cache:mJ6U73dDMZUJ:www1.museus.gov.br/i
bibr/pag/oquemuseu.asp+Museu+%C3%A9+uma+institui%C3%A7%C3%A3o+
com+personalidade+jur%C3%ADdica+pr%C3%B3pria+ou+vinculada+a+outra+
institui%C3%A7%C3%A3o+com+personalidade+jur%C3%ADdica,+aberta+ao+
p%C3%BAblico,+a+servi%C3%A7o+da+sociedade+e+de+seu+desenvolviment
d+e+que+apresenta+as+seguintes+caracter%C3%ADsticas:&cd=1&hl=ptBR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 25 fev. 2010.
NOVAIS, Fernando A. (coord.). História da Vida Privada no Brasil. São
Paulo: Companhia das Letras, 2001.
OLIVA, Alberto. A solidão da cidadania. São Paulo: Senac, 2000.
Ostetto, Luciana Esmeralda; Leite, Maria Isabel (org.). Museu, Educação e
Cultura: encontros de crianças e professores com a arte. São Paulo: Papirus,
2005.
OTT, Robert William. Ensinando crítica nos museus. In: BARBOSA: Ana Mae.
Arte-Educação: leituras no subsolo. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1999, p.113141.
PINSKY, Jaime; PISNKY, Carla Bassanezi (orgs.). História da Cidadania. São
Paulo: Contexto, 2003.
RUSSIO, W. Palestra no seminário produzindo o passado. In: ARANTES, A. A.
(Org.). Produzindo o Passado: estratégias de construção do patrimônio
cultural. São Paulo: Brasiliense, 1984
SANTOS. M. C. T. M. O Papel dos museus na construção de uma identidade
nacional. Anais do Museu Histórico Nacional. Rio de Janeiro, v.1, n.28, ago.
1996.
SANTOS, Gislene Aparecida dos. A invenção do “ser negro”: um percurso
das idéias que naturalizaram a inferioridade dos negros. São Paulo:
EDUC/FAPESP; Rio de Janeiro: PALLAS, 2005.
47
SANTOS, Magali de Oliveira Cabral (1997). “As lições das coisas (ou Canteiros
de obras) – através de uma metodologia baseada na educaçãopatrimonial”.
Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro: DE-PUC.
SANTOS, Maria Célia T. Moura. Museu, escola e comunidade: uma
integração necessária. [S.l.]: Shan, 1987.
SERRANO, Carlos; WALDMAN, Maurício. Memória d’África: a temática
africana em sala de aula. In: _________ Resistência e lutas pela
independência. São Paulo, Cortez Editora, 2007.
SMANIA-MARQUES, Roberta. Os museus da Universidade Federal da
Bahia enquanto espaços de ensino não-formal. Salvador: UFBA, 2007.
SUANO, Marlene. O que é museu. São Paulo: Brasiliense, 1986.
TRIGUEIROS, Florisvaldo dos Santos. Museu e educação. 2. ed. Rio de
Janeiro: Irmãos Pongetti, 1958.
48
APÊNDICES
49
APÊNDICE A
ENTREVISTA COM OS PAIS
NOME:
BAIRRO:
1-VOCÊ TEM CONHECIMENTO QUE EXISTE UMA LEI QUE
ESTABELECE A OBRIGATORIEDADE DO ENSINO DA HISTÓRIA E
CULTURA AFRICANA NAS ESCOLAS BRASILEIRAS?
2-QUANDO VOCÊ ESTUDAVA, NOS LIVROS DE HISTÓRIA HAVIA
ALGUMA REFERÊNCIA A CULTURA E HISTÓRIA DO CONTINENTE
AFRICANO E OU DA HISTÓRIA DA COLONIZAÇÃO EUROPEIA?
3-JÁ VISITOU ALGUM MUSEU?
4-ALGUMA VEZ LEVOU SEU FILHO AO MUSEU?
5-ACREDITA QUE O MUSEU SEJA UM LOCAL QUE COLABORE DE
ALGUMA FORMA PARA O ENSINO DA HISTÓRIA A SEU FILHO?
6-CONHECE O MUSEU AFRO NACIONAL ( RUA DO TESOURO) OU
AFRO/UFBA (PELOURINHO)?
7-ACREDITA QUE ESSES MUSEUS PODEM COLABORAR COM O
ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO A SEUS FILHOS? QUAIS
TIPOS DE ATIVIDADES DE LAZER COSTUMA PROPORCIONAR A
SEUS FILHOS?
50
APÊNDICE B
ESCOLA__________________________________________________
NOME__________________
FORMAÇÃO___________________
SÉRIE QUE LECIONA_______________________________________
ENTREVISTA COM PROFESSORES
1- VOCÊ COSTUMA VISITAR MUSEUS?
2- QUAL A IMPORTÂNCIA QUE VOCÊ DÁ A ESSE TIPO DE
ATIVIDADE:( utilizando a escala abaixo , sendo 10 a mais importante
e 1 a menos importante).
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
3 - QUAIS OS TIPOS DE ATIVIDADES VOCÊ DESENVOLVE PARA
TRABALHAR AS QUESTÕES QUE A LEI 10639 APRESENTAM?
4 – VOCÊ CONHECE OS
MUSEUS DE ETNOLOGIA COMO O
MUSEU AFRO NACIONAL OU AFRO /UFBA?
4 – EM SUA OPINIÃO, AS VISITAS GUIADAS A
MUSEUS DE
ETNOLOGIA COMO O MUSEU AFRO NACIONAL OU AFRO /UFBA PODE
CONTRIBUIR DE ALGUMA FORMA COM SUAS AULAS SOBRE O ENSINO
DA CULTURA AFRO?
51
5- TEM ALGUMA SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA REALIZAR ANTES
OU APÓS AS VISITAS AO MUSEU?
52
APÊNDICE C
ENTREVISTA COM OS ALUNOS
ESCOLA____________________________________________________
NOME_______________________________IDADE_________SÉRIE__
1 - EM SEUS MOMENTOS DE LAZER, QUAIS ATIVIDADES COSTUMA
REALIZAR?
2 – VOCÊ CONSIDERA UMA VISITA AO MUSEU UMA ATIVIDADE DE
LAZER?
3- JÁ REALIZOU ALGUMA VISITA AO MUSEU?
3 – REALIZOU –A ACOMPANHADO (A) SÓ COM RESPONSÁVEL OU COM
MAIS ALGUMA OUTRA PESSOA PARA ORIENTÁ-LO(A)?
4 – JÁ TEVE CONTATO COM ALGUM OBJETO DE ORIGEM AFRICANA ?
5 – RE ALIZOU ALGUMA VISITA A ALGUM MUSEU AFRO?
6 – O QUE GOSTARIA DE SABER SOBRE A ÁFRICA?
7 – VOCÊ E ACHA QUE UMA VISITA A UM MUSEU QUE TEM OBJETOS
AFRICANOS PODERIA TE
APROXIMAR DE ALGUMA DAS CULTURAS
AFRICANAS E AJUDÁ-LO(A) A CONSTRUIR UMA IMAGEM MAIS CLARA DA
ÁFRICA?
Download

eloina maria dos santos santos