QUESTÃO DE SAÚDE:
A PREVALÊNCIA DA OBESIDADE EM ESCOLARES
FUNCK, Bruna Muriel da Silva1; CAMARGO, Maria Aparecida Santana2
Palavras-chave: Infância. Alimentação. Prevenção.
Introdução
Não é de hoje que a questão da obesidade vem preocupando a população em geral. E
não é só no Brasil, o mundo todo está envolvido nessa problemática. Segundo um estudo
realizado pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito
Telefônico (VIGITEL), só no Brasil, cerca de 56% da população sofre com excesso de peso.
Essa preocupação torna-se ainda maior quando se fala em obesidade infantil.
O cuidado com a saúde da criança é algo que sempre existiu. Desde os tempos mais
remotos, os pais se dedicam a suprir as carências fisiológicas dos filhos. Não há dúvidas de
que, por muito tempo, essa cultura foi bem sucedida. Há que se concordar, porém, que há
algumas décadas, tem-se deixado de levar em consideração essa questão e, por algum motivo,
nossas crianças vêm sendo vítimas do descaso ou da falta de orientação de muitos pais no que
se refere aos cuidados com a saúde.
São várias as áreas de conhecimento que abrangem a questão da saúde da criança,
pois, além da questão física, deve-se sempre considerar o âmbito psicológico. Não há como
fazer uma conclusão das causas de saúde e doença sem, antes, analisar o contexto histórico,
familiar e social em que a criança está inserida. Por isso, quando se faz um estudo sobre tão
importante tema, é imprescindível analisar cada um destes campos para que se possam buscar
as soluções mais adequadas para tal problemática.
Metodologia
Diante da preocupação que vem surgindo atualmente com a saúde das nossas crianças,
elegeu-se esse tema para a realização de um estudo um pouco mais detalhado, a fim de
aprofundar conhecimentos. Este estudo de caráter bibliográfico teve como objetivo principal
1
Acadêmica do Curso de Nutrição da UNICRUZ. E-mail [email protected]
Professora e Pesquisadora Integrante do Grupo de Pesquisa em Estudos Humanos e Pedagógicos da
UNICRUZ. E-mail [email protected]
2
analisar a prevalência da obesidade em crianças de idade escolar, bem como as possíveis
causas e os principais métodos de controle e prevenção dessa verdadeira epidemia que atinge
o país, em suas mais diversas camadas sociais. A prevalência é tão elevada, que a
Organização Mundial de Saúde (OMS) a considerou como “a epidemia global do século
XXI”.
Resultados e Discussão
Se na população adulta, o cuidado com a alimentação é fator condicionante para a
manutenção da saúde, na infância esse cuidado deve ser ainda maior, visto que é nessa faixa
etária que se adquirem os principais hábitos que a criança levará para o resto da sua vida.
Para que se possa discutir a questão da obesidade, deve-se, inicialmente, buscar uma
definição da mesma em linguagem científica. Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), “a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode
atingir graus capazes de afetar a saúde”.
Quando se fala em obesidade infantil, é importante destacar que é nesta faixa etária
que os hábitos alimentares e de atividade física são formados, e têm início processos
patológicos como a arteriosclerose e a hipertensão arterial (BARBOSA, 2004).
Nunca na história da humanidade se falou tanto em distúrbios da alimentação. Ao se
comparar os hábitos alimentares de meio século atrás com os de hoje, fica-se impressionado
com a mudança que houve na cultura do mundo pós-moderno. O avanço da tecnologia tem
mudado completamente os hábitos das pessoas.
Além disso, deve-se levar em consideração o fato de que os pais, atualmente, têm-se
preocupado tanto com a realização financeira que deixam de lado os hábitos saudáveis, como,
por exemplo, um almoço em família, o qual outrora era costume e ninguém questionava.
Hoje, é muito mais fácil deixar o filho com a babá ou outros empregados do que passar um
tempo junto ensinando bons hábitos. Se nem os próprios pais conseguem manter hábitos
saudáveis, muito menos os filhos conseguirão fazê-lo, pois é inquestionável que a criança
precisa de orientação e acompanhamento para que possa incorporar bons costumes e hábitos
saudáveis ao seu dia-a-dia.
Em vários momentos, considerou-se que a obesidade fosse causada por disfunções
hormonais. Sabe-se, atualmente, que as doenças endocrinológicas são responsáveis
por apenas 5% dos casos de obesidade e, em geral, são acompanhadas de uma série
de outras características clínicas. Em outro momento, acreditou-se que a gula fosse a
principal causa da obesidade. Hoje sabemos que a obesidade pode ser resultante de
um fator ou, mais frequentemente, da combinação de vários deles; portanto, é uma
doença de difícil tratamento (BARBOSA, 2004, p. 13).
Barbosa (2004) ainda classifica os fatores causadores da obesidade em internos ou
biológicos e externos ou ambientais. Basicamente, fatores internos ou biológicos são os que,
isolados ou associados, desencadeiam a obesidade. Já os fatores externos ou ambientais fazem
parte do ambiente em que o indivíduo vive e que podem ser mudados. Considerando-se que
existem fatores externos que podem levar um indivíduo à obesidade, pode-se ter uma noção
de que o contexto em que a criança está inserida é fator determinante no que se refere a
hábitos saudáveis ou não, que a criança levará para toda a vida adulta.
Outro fator importantíssimo e que deve ser levado em conta é que as características
metabólicas mudam de indivíduo para indivíduo, o que, consequentemente, leva a uma
diferenciação do cuidado com a alimentação e com as atividades inerentes a uma vida
saudável. E é nesse aspecto que se deve ter um cuidado especial com a rotina da criança.
Analisar muito bem os ambientes que ela frequenta, os hábitos das pessoas com quem ela
convive e o tipo de atividade que ela desenvolve frequentemente são fatores que podem
influenciar positivamente na prevenção e no controle da obesidade.
Um estudo realizado pelo University College London, no Reino Unido e publicado no
American Journal of Epidemiology revelou que o fato de as mulheres terem se inserido no
mercado de trabalho e estarem comprometidas em uma jornada integral de trabalho pode
contribuir significativamente para o crescimento da obesidade infantil. O estudo não conclui
ser esta a única causa da doença em crianças, porém, afirmou que os filhos dessas mulheres
têm 50% mais chances de serem obesos ou virem a ter sobrepeso do que as outras crianças. O
que acontece nestes casos, segundo o estudo, é que as crianças que não têm o
acompanhamento dos pais durante o dia, estão mais propensas a terem uma dieta rica em
gordura e açúcar e, além disso, serem mais sedentárias do que outras crianças, resultando,
assim, em aumento de peso e péssima qualidade de vida.
Conclusões
A prevenção da obesidade na infância é um assunto que não diz respeito somente aos
pais. Por muito tempo se falou que “a educação vem de casa”. Sem dúvida, inicia-se em casa,
porém os diversos ambientes que a criança frequenta são capazes de moldar com muita
facilidade seus principais hábitos e costumes.
Os fatos apontam para uma mudança de estilo de vida, que requer dedicação e
vontade para alterar o cotidiano que hoje, de certa forma, é muito confortável e
prático. Para conseguir alcançar esse objetivo, precisamos trabalhar como uma
grande equipe, na qual família, escola, médicos, nutricionistas e professores de
educação física trabalhem juntos, pensando em um só ponto, que é a prevenção da
obesidade infantil (BARBOSA, 2004, p. 19).
Não se pode questionar a importância que a família tem na formação dos hábitos da
criança. Contudo, deve-se analisar o papel da escola e dos profissionais da saúde na
prevenção e no combate à obesidade infantil. O trabalho em equipe de diferentes profissionais
é essencial para que se tenha uma melhora no estilo de vida da criança. A união de hábitos
alimentares saudáveis com atividade física regular é a chave para se chegar a bons resultados
quando se fala em luta contra a obesidade ou prevenção.
Não é apenas questão de estética. Aliás, isso é o menos importante. Os principais
prejuízos que a criança pode ter, além de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, são
os psicológicos. Um quadro de trauma psicológico pode ser um dos maiores inimigos da
criança obesa. Não há como mensurar os danos psicológicos que a obesidade pode trazer a
uma criança, de forma que é imprescindível que a sociedade em geral atente para essa questão
tão importante nos dias de hoje e tome medidas específicas e em escala nacional, já que a
obesidade atinge, hoje, as mais diversas camadas da sociedade.
Referências
BARBOSA, Vera Lúcia Perino. Prevenção da Obesidade na Infância e na Adolescência.
São Paulo: Manole, 2004.
BRASIL, Ministério da Saúde. Portal da Saúde, 2005. Disponível em < http://www.minsaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/obesidade/causaseconsequenciasdaobesida
de.htm> Acesso em 19 de junho de 2010.
CORNELL UNIVERSITY – EUA – Nova Iorque, 2007. Laboratório de Alimentos e
Marcas. Disponível em http://foodpsychology.cornell.edu/paper_downloads.htm Acesso em:
15 de junho de 2010.
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS – UCG, Goiânia, 2009. Agência Experimental
de Notícias. Disponível em<http://www.ucg.br/ucg/agencia/home/secao.asp?id_secao=2597>
Acesso em: 19 de junho de 2010.
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EDUCAÇÃO ALIMENTAR DA CRIANÇA