1 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS CAMILA MARTINS DA SILVA BANDEIRA A FOTOSSÍNTESE: ESTUDO DAS CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS São Paulo 2011 2 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS CAMILA MARTINS DA SILVA BANDEIRA A FOTOSSÍNTESE: ESTUDO DAS CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Biológicas apresentado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito para a obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas. Orientadora: Profa. Dra. Rosana dos Santos Jordão São Paulo 2011 3 “Ensinar não é transferir conhecimento e, passo a passo, vai fazendo o educador e educadora compreenderem que ensinar exige a consciência do inacabamento, o reconhecimento de ser condicionado, o respeito à autonomia do ser do educando, bom-senso, humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores e das educadoras, apreensão da realidade, alegria e esperança, convicção de que a mudança é possível” (Paulo Freire) 4 AGRADECIMENTOS Agradeço ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelas oportunidades oferecidas. Ao Mack pesquisa por financiar o nosso grupo de pesquisa, “Elaboração coletiva de atividades de ensino na área de Ciências Naturais: parceria entre a universidade e escola” que proporcionou a elaboração deste trabalho e a todos os integrantes que colaboraram para o seu desenvolvimento. Espero cooperar sempre para o nosso crescimento. Aos educadores que me ensinaram o valor da real educação. Não há palavras que possam expressar o quanto significante foi tê-los em minha formação. Vocês me inspiram! À minha querida orientadora, Professora Rosana dos Santos Jordão, a primeira pessoa que me instigou e me motivou para escolher o caminho da educação por meio da sua valorização e posicionamento. Obrigada por todo o seu apoio, disponibilidade e companheirismo. Professora Magda Medhat Pechliye, obrigada pelo imenso aprendizado e pelos inúmeros desafios e questionamentos. Agradeço por todos os conselhos, carinho e dedicação. Professor Adriano Monteiro de Castro, obrigada por todas as ideias e atenções. Obrigada por me iniciar nesta formação e por me apresentar concepções que realmente me completam. À professora Daniela Sampaio, que sempre se mostrou disponível e atenciosa. Obrigada, por mais uma vez, contribuir para o meu aprendizado profissional. E à Suzana Ursi por aceitar o convite de participar da avaliação deste trabalho. Aos companheiros da Biologia. À minha sala, que dividiu aflições, conquistas e desejos. Obrigada por me escutarem e me aguentarem. Em especial aos amigos verdadeiros que conquistei. O cotidiano com vocês torna os obstáculos divertidos. Quero tê-los sempre na minha caminhada. Ninica, companheira de sonhos e idealizações para um mundo com muito mais amor. Espero compartilhar e crescer junto com você. Ao Projeto Já, que me dá oportunidades de criar e colocar em prática as minhas aspirações. Cabelots, obrigada pela sua fidelidade, simplicidade e autenticidade. Gutto, nossas discussões, conflitos e ajudas sempre são importantes. Mel, obrigada por me ajudar quando precisei e por ser parceira de verdade. Mari, obrigada por dividir o sonho da educação comigo, acredito muito em você! Jé, obrigada por ser a educadora que o mundo necessita. Artur , sem as suas piadas meu mau humor não teria graça. Marcão, Pan, Vinas, Erli, Gus e Rafa muito bom compartilhar este aprendizado 5 com vocês, obrigada por toda a ajuda e pela amizade. Peixe, Carol e Hugão, obrigada pelo auxilio, foi muito importante esse gesto de amizade que vocês tiveram. Agradecimento e gratidão à minha família preciosa por estar comigo desde sempre, sendo a base de todos os meus pensamentos e sonhos. Por me dar o maior amor do mundo em todos os momentos e por me proporcionar exemplos e valores grandiosos, que me orgulho profundamente de levá-los comigo. Por me deixar livre nas minhas escolhas e por incentiválas. Dedico a vocês todo o meu trabalho e crescimento alcançado. O meu infinito obrigada à minha mãe querida e exemplo de vida, Isabel. A imagem mais linda e batalhadora que eu poderia ter desde pequenininha e que para sempre será o meu exemplo de perseverança e conquista. Ao meu valioso pai, Luiz, companheiro desde meu nascimento e exemplo de felicidade, amor e sabedoria. Você é único e espetacular! À minha irmã, amiga e confidente, Rosana, obrigada por me escutar, por me olhar, por acreditar em mim, por me entender, por me respeitar e cuidar de mim nos momentos que precisei. Sem as nossas intermináveis conversas e os seus conselhos racionais tudo seria muito diferente. À risada mais contagiante de todo universo, Lêle, minha sobrinha, que trouxe renovações em nossas vidas e que a cada dia me mostra o quanto a sua companhia e a sua alegria são fundamentais para a minha vida. À minha madrinha, Adriana, e à memória de meu padrinho, Cláudio, que sempre me acompanharam e estiveram ao meu lado. Aos meus amigos, que também considero parte da minha família e que são peças chaves para a minha felicidade. Jeni, irmã, que me viu percorrer diversos caminhos, me deu forças, conselhos, abraços e amor. Nat, com a sua alegria e conselhos me deu exemplos que jamais serão esquecidos. Marco, meu amor, companheiro de todas as horas, quero poder sempre dividir minhas conquistas com você. Obrigada pelo equilíbrio e força que me ensina a cada dia. Àqueles que dividiram o sonho de crescer e de virar adulto: Will, nobre, verdadeiro e guerreiro. Sempre com suas palavras de conforto. Pati, companheira intensa para todas as situações. Quero sempre aprender com você. Fezinha, parceira sempre e para sempre. Natan, orgulho de pessoa. Renata, as suas discussões iluminam minhas ideias. Mônique, companheira na educação! Thom, as nossas conversas e pensamentos divididos, são essenciais. Jú, obrigada por ampliar o meu modo de ver o mundo. Ao meu estimado colégio, Externato Casa Pia São Vicente de Paulo, que me viu crescer, me ensinou muito mais do que conceitos. Valorizou a união e igualdade entre as pessoas. 6 Aos obstáculos que estiveram presentes em cada instante da minha vida. Na ausência destas circunstâncias as vitórias jamais teriam tanto valor. Agradeço à Mãe Terra por me proporcionar a vida, a iluminação e as energias boas que posso sentir a cada instante da minha caminhada. Por colocar tantas pessoas maravilhosas ao meu lado. Minha imensa gratidão a todos citados. Sem cada um de vocês as minhas conquistas não teriam sentido. Apenas um obrigado é mínimo ao sentimento de completude que sinto e por vocês compartilharem este momento comigo. 7 RESUMO Sabendo que os sujeitos possuem diversas interpretações para os conceitos aprendidos no ambiente educacional e que estas compreensões são importantes para a construção do aprendizado, nesta pesquisa, procuramos reunir as concepções alternativas sobre o conceito de fotossíntese, por ser um tema considerado de difícil abordagem para muitos educadores. A reunião destas compreensões foi realizada a partir da busca de trabalhos em periódicos qualis A e B, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e Google Acadêmico. A partir da análise dos 21 estudos selecionados e a reunião de 104 concepções alternativas obtivemos oito categorias. A concepção mais freqüente foi a de que “A fotossíntese é a respiração das plantas” e a segunda é a de que “A fotossíntese só ocorre de dia e as plantas só respiram de noite”. Os resultados desta pesquisa evidenciam a enorme gama de concepções alternativas, sobre este fenômeno, apresentadas pelos indivíduos estudados. Julgamos que o conhecimento destas concepções possa contribuir para a elaboração de atividades inovadoras para o ensino desse tema e torná-las mais significativas para o aprendizado dos estudantes. Finalizando, esta pesquisa, pretende contribuir para que o processo de ensino e aprendizagem, principalmente para que o conceito de fotossíntese se torne mais adequado e amplo, de acordo com o conhecimento atual e visando um ensino contextualizado e dinâmico. Palavras chave: Fotossíntese, concepções prévias, ensino e aprendizagem. 8 ABSTRACT Knowing that people have different interpretations of the concepts learned in the educational environment and that these understandings are important for the learning construction, in this research, it is attempted to bring together alternative conceptions about photosynthesis, because it is considered a hard subject for many educators. The union of these understandings was perform with the search in qualis A and B journals, Biblioteca Digital de Teses and Dissertações e Google Acadêmico. From the analysis of 21 selected studies and the grouping of 104 alternative conceptions we had eight categories. The most common conception was that "Photosynthesis is the respiration of plants" and the second is that "Photosynthesis occurs only during the day and the plants only breathe at night." The results of this study highlight the great range of alternative conceptions about this phenomenon, presented by the people that were study. We believe that the knowledge of this concepts can contribute to the development of innovative activities to teach this subject and make them more meaningful to the student’s learning. Finally, this research aims to contribute to the teaching and learning process, especially for the concept of photosynthesis, and that this subject becomes more appropriate e broadcasted, in accordance with the modern knowledge and aiming a contextual and dynamic way of teaching. Key words: Photosynthesis, prior knowledge, teaching and learning 9 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 10 2. JUSTIFICATIVA........................................................................................... 11 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................. 12 3.1. O ensino e a aprendizagem.......................................................................... 12 3.2. Concepções alternativas.................................................................... 20 3.3. Fotossíntese....................................................................................... 21 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................... 26 5. RESULTADOS.............................................................................................. 30 6. ANÁLISE....................................................................................................... 36 7. CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................ 45 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................... 47 APÊNDICE 8.1. Apêndice I - REVISTAS SELECIONADAS. 8.2. Apêndice II - EXEMPLO DA PRIMEIRA PÁGINA DO QUADRO I 8.3. Apêndice III - TRABALHOS NUMERADOS 8.4. Apêndice IV - IDADE OU NÍVEL DE ESCOLARIDADE DOS ESTUDANTES PRESENTES NOS TRABALHOS 8.5. Apêndice V - QUADRO II 10 1. INTRODUÇÃO Ao valorizar o ensino e a aprendizagem como processos contínuos e de construção é necessário que o educador sempre reflita sobre suas práticas atentando-se ao papel que o aluno representa nesse contexto, explorando as suas visões de mundo e integrando-as no cotidiano escolar. Pesquisas no ensino de Ciências demonstram que o conhecimento é construído a partir das relações que o indivíduo faz no mundo social e cultural. Assim, ao entrar em contato pela primeira vez com um conceito, os sujeitos imediatamente estabelecem ligações desse tema com o que conhecem. Essas ligações, muitas vezes, não se aproximam do conhecimento científico. Nesse sentido as concepções alternativas que os estudantes manifestam podem ser reforçadas dependendo da maneira como é proposto o conteúdo a ser ensinado. Portanto, é imprescindível identificar essas concepções para que sejam trabalhadas na escola, aproximando-as do saber acadêmico. Este trabalho possui como objetivo levantar na literatura acadêmica quais concepções alternativas já foram identificadas sobre o conceito de fotossíntese. Consideramos que ter conhecimento sobre essas concepções auxilia os professores a não fortalecerem as interpretações mais comuns dadas pelos alunos para o processo em questão. Além disso, julgamos que a reunião destas concepções em um único trabalho poderá auxiliar estudos futuros sobre estratégias de ensino para este conceito. 11 2. JUSTIFICATIVA Este trabalho faz parte de um estudo maior realizado pelo grupo de pesquisas constituído por professores do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, alunos de graduação e professores da rede básica de ensino. Esse grupo foi formado em agosto de 2010, com o intuito de estudar e elaborar atividades de ensino na área de ciências naturais. Atualmente, o grupo trabalha no projeto “Elaboração coletiva de atividades de ensino na área de ciências naturais: parceria entre a universidade e a escola básica”, com subsídio financeiro concedido pelo Mackpesquisa. O projeto possui como objetivos principais a formação de um grupo reflexivo de professores da universidade, graduandos e docentes da escola básica, por meio de leituras constantes e discussões para a elaboração, realização e avaliação de atividades de ensino de Ciências e de Biologia, visando à melhoria na aprendizagem de conceitos relacionados a essas disciplinas. São parceiras as escolas públicas EMEF Presidente Campos Salles e a Escola Técnica Estadual Parque da Juventude (ETEC). No momento, o grupo trabalha com os conceitos de fotossíntese e respiração, considerados de difícil abordagem pelas professoras parceiras. Para tanto, faz-se necessário o levantamento e a análise das concepções alternativas que os alunos possuem sobre esses dois temas, antes de se desenvolver as atividades de ensino. Neste trabalho, vamos nos centrar apenas nas concepções alternativas de fotossíntese. Vale destacar que, segundo Marandino (2005), os estudantes conseguem explicar o processo fotossintético, porém de uma forma extremamente reduzida. Nesse sentido, conhecer as concepções alternativas sobre esse processo pode ser de grande ajuda na elaboração de atividades didáticas. 12 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este referencial está dividido em três partes: a primeira trata dos processos de ensino e aprendizagem, a segunda aborda diretamente a importância de conhecer as concepções alternativas dos estudantes e a última aborda os aspectos específicos da fotossíntese. 3.1 O ENSINO E A APRENDIZAGEM Quando desejamos ensinar, inconscientemente acionamos ideias sobre como este processo deve ser realizado. A direção escolhida é reflexo do que entendemos sobre ensino e aprendizagem (MAURI, 2006). Carvalho (2004) declara que esses dois termos estão naturalmente conectados e por esta razão o processo educativo não deve ser examinado ao acaso e sim de uma forma harmoniosa e abrangente não considerando apenas o lado formativo, mas também cultural para buscar uma lógica coerente, tanto para o professor, como para o aluno. Existem distintas interpretações em relação ao ato de ensinar e de aprender. Tais explicações são fortemente influenciadas pela vivência escolar, tornando-se, as vezes, obstáculos fortes para a renovação, principalmente por ser o ensino tradicional o mais recorrente na educação (CARVALHO, 2004). Mizukami (1986) caracteriza esse tipo de ensino como centrado na figura do professor, que é o transmissor dos conhecimentos. O aluno desempenha um papel passivo de receptor dos conhecimentos que são externos a ele, pois foram escolhidos pela escola e/ou pela sociedade. Essas informações recebidas são acumuladas para que se possa cada vez mais obter a compreensão e o domínio do mundo, seguindo um sentido que vai do mais simples para o mais complexo e exigindo a reprodução automática dos conteúdos para demonstrar o quanto foi aprendido. Provas e exames são necessários para que se consiga atingir o mínimo destas informações memorizadas e quando não são alcançadas, deve ocorrer a reprovação do aluno. O diploma é considerado como um fator de hierarquização mediando a formação cultural e a sua função social, de acordo com as regras que a sociedade mantêm. Para os alunos, o conhecimento é apresentado como um produto final, competindo a eles apenas sua memorização. A escola é concebida como local de preparação para a vida e não como um lugar para se viver. As relações presentes são hierárquicas, no sentido do professor para o aluno. Não ocorre a ruptura de ideias, ao contrário, garante-se a continuidade e a sistematização do conteúdo. As atividades são, na maioria das vezes, rotineiras e uniformes para promover a fixação dos conteúdos, sendo as aulas basicamente expositivas, fornecendo 13 aos estudantes um conhecimento já estabelecido e imutável. A motivação para o aprendizado é extrínseca, sendo determinada, muitas vezes, pelas características pessoais do professor e pelas notas. Mauri (2006) complementa ao dizer que neste tipo de ensino o conhecimento aprendido é considerado como uma cópia fiel do que foi transmitido. Desta forma, a tarefa do professor é expor os conceitos de forma clara e precisa, a fim de aumentar o repertório do estudante e de eliminar concepções equivocadas, o que restringe a atuação do aluno. Para Mizukami (1986) o ensino tradicional ignora que cada pessoa tem uma visão de mundo diferente, centralizando toda a responsabilidade pelo desenvolvimento do aluno na figura do professor. O estudante é simplesmente aquele que espera por atualizações prontas para serem absorvidas, tendo suas vontades e interesses marginalizados. A educação tradicional torna o ensino e a aprendizagem estáticos. O estudante adquire reações automáticas, isto é, suas atitudes são cópias dos procedimentos realizados pelo professor. Quando necessário usar o que foi ensinado, muitas vezes, só é possível se houver situações análogas aquelas já conhecidas. Não são explorados trabalhos cooperativos, focando apenas no aspecto individual, abstraindo o aprendizado de valores coletivos que possibilitem relações de ajuda, importantes para o desenvolvimento do cidadão. Por ser uma abordagem direcionada somente à transmissão de conhecimentos não concebe a educação como um processo amplo e sim imóvel e isolado do cotidiano do aluno. A função da escola é essencialmente a de instruir. A quantidade de conteúdo adquirida é primordial. Ela é confirmada na nota apresentada depois das avaliações, ignorando-se outros fatores como os aspectos afetivos e as experiências que os alunos obtiveram fora da sala de aula. Um referencial alternativo à abordagem tradicional acima explicitada é o construtivismo. Coll e Solé (2006) orientam que esta abordagem não é restrita à teoria, mas sim ao conjunto de elementos que possibilitam diagnosticar situações educativas para que a atuação pedagógica ocorra de acordo com os objetivos do ensino, partindo-se do princípio do trabalho em equipe. Nesse contexto, a função da escola é assessorar o desenvolvimento cognitivo e social do sujeito. O aprendizado é resultado da construção individual, movida por agentes culturais, que são fundamentais neste processo. O caminho não se opõe às relações presentes na sociedade, mas torna o aprendizado dependente deste contexto. Para a concepção construtivista aprender não é reproduzir de maneira sistemática o que lhe foi ensinado, mas sim elaborar o objeto apresentado. Este aprendizado ocorre quando há aproximações realizadas por meio de experiências, conhecimentos prévios e interesses que subsidiam o novo conteúdo, para fornecer sentido e novos significados que possam interpretar 14 os conhecimentos já existentes. Esta construção está associada à proposição de desafios que possibilitem reestruturar as ideias anteriores. Ao contrário do acúmulo de informações, esse processo prioriza sua integração e suas relações com os pré-conhecimentos. Os conteúdos são escolhidos de acordo com os aspectos que contribuem para o desenvolvimento dos estudantes, individual e social e auxiliam o educador em suas análises e práticas educativas. O ensino é trabalhado por meio de orientações que ajudem os alunos na construção de suas compreensões, de acordo com a cultura estabelecida, admitindo-se este percurso como coletivo e não solitário. A finalidade é haver a conquista contínua de tarefas autônomas e a resolução de diversos desafios. Desta forma, a construção do conhecimento é movimentada por diversos aspectos coletivos conduzindo o aprendiz a um progresso significativo. Mauri (2006) menciona que a concepção construtivista considera a participação do aluno, valorizando sua expressão por meio de observações, perguntas e análises, a fim de que ele supere seus obstáculos e desempenhe um exercício essencial para a sua aprendizagem. O aluno precisa estar presente, reformular suas compreensões e utilizá-las para se posicionar diante do mundo em que vive. Nesse sentido, tal concepção exige do aluno uma atividade mental (MAURI, 2006, p. 89) intensa desenvolvida individualmente e ligada diretamente ao contexto em que está inserida. Os alunos são considerados autores de sua aprendizagem, por possuírem responsabilidades únicas de responder por aquilo que foi ou não construído. Assim, o ensino é compreendido em uma dimensão maior do que na abordagem tradicional. Para o construtivismo, como a autora relata, a aprendizagem deve ser o foco do docente, que em sua atuação, precisa considerar que os conhecimentos, objetos da aprendizagem, não podem estar isolados e sim conciliados de significados culturais relevantes. É de extrema importância averiguar o que os alunos já sabem sobre determinado assunto para que ao se formular uma atividade ela permita o estabelecimento de relações que tornem significativo o conteúdo proposto. Parte-se do princípio de que os conhecimentos não foram estabelecidos de maneira isolada em nossa cultura, mas sim influenciada e modificada, ao longo de sua constituição, por diversos fatores. Sua aprendizagem demanda, portanto, que o estudante se conscientize deste processo histórico e que o relacione com os objetos que já são de seu conhecimento. Portanto, para que o professor possa ajudar nesta construção deve permitir que as relações possuam importância não só individual, como social. Além das duas abordagens acima descritas, Mizukami (1986) apresenta duas outras formas de compreender o ensino e a aprendizagem: a abordagem cognitivista e a sóciocultural. Ambas se assemelham à concepção construtivista, explicada por Coll e Solé (2006), por considerarem o ensino e a aprendizagem decorrentes da interação do sujeito com o 15 mundo, por meio de um processo de construção, que não se limita à transmissão da informação. A proposta sócio-cultural, representada principalmente por Paulo Freire, se preocupa essencialmente com a contextualização da educação no sentido de enfatizar a cultura popular. A formação do indivíduo acontece a partir de reflexões sobre o seu meio social e quanto mais periódico forem estes pensamentos, maior será o desenvolvimento e a conscientização contínua e progressiva que decorre do desvendamento crítico da realidade. As práticas educativas devem promover o homem com recursos que criem condições para o desenvolvimento da reflexão, negando-se a atividade de instrumentalização da educação que tem como intuito a inclusão na sociedade de acordo com a classe social. O conhecimento é construído pelos desafios presentes e as respostas para essas situações são capazes de modificar a própria realidade e o meio em que se encontra. A escola corresponde ao local em que há crescimentos mútuos do educador e do estudante. O ensino e a aprendizagem são delineados para romper com o processo de formalização aproximando-se do diálogo constante e enfatizando-se a cooperação e a união. Esta proposta tem como foco a problematização de situações contextualizadas com o objetivo de levar o aluno a compreender o mundo. As relações entre os atores do âmbito escolar e os alunos não são determinadas pela imposição. O educador executa ações que valorizam a linguagem e a cultura do aluno, apresentando os conhecimentos científicos como um resultado histórico, não havendo preocupação com a aprendizagem padronizada. Este contexto escolar conta com a participação do aluno em todos os momentos do processo, eliminando a passividade e a simplificação do conteúdo transmitido (MIZUKAMI, 1986). Na concepção cognitivista, Mizukami (1986) enfatiza que o foco é dado à maneira como o aluno processa as informações, isto é, como ele as organiza, compreende e emprega. A autora cita Jean Piaget como um dos principais fundamentadores desta linha de pensamento, que admite que o homem se desenvolve por fases sucessivas e relacionadas entre si, alcançando estágios cada vez mais estáveis. Nas ideias piagetianas, ainda, o conhecimento científico é tratado como um mecanismo em constante evolução. O sujeito e o mundo são examinados em conjunto por ser o conhecimento resultado da interação entre os dois. O desenvolvimento está caracterizado num processo que avança de acordo com as adaptações do meio, configurando-se em uma construção histórica com atividades motoras, mentais e verbais. Considera-se que a partir da reinvenção do mundo é que ocorre o desenvolvimento da inteligência, unido com o fator afetivo, sendo a aprendizagem uma operação ativa e inacabada. O conhecimento é concebido ativamente com construções que se sucedem e que, 16 ao se modificarem, resultam no desenvolvimento de estruturas biológicas novas inexistentes anteriormente. A educação, imprescindível para o progresso natural do ser humano, adota a função socializadora, enfatizando momentos de cooperação. Nesta perspectiva, o professor deve intervir para gerar um desequilíbrio, de acordo com o nível de desenvolvimento do indivíduo, explorando o lado intelectual e emocional, suprimindo a transmissão de verdades absolutas e investindo na autonomia cognitiva da criança. As didáticas precisam realçar a investigação individual e a liberdade, possibilitando a experimentação de atividades reais que motivem interiormente o sujeito para que depois ele modifique o seu ambiente social. Mizukami (1986) afirma que esta abordagem cognitivista se baseia no ensino e no erro, não priorizando a memorização de fórmulas e conteúdos. A descoberta é ação fundamental para a aprendizagem por oferecer reflexões que subsidiam a formação do conhecimento, sendo o educador o responsável por enfatizar esta importância, através de ações concretas, não rotineiras e sistemáticas e sim desafiadoras. O cotidiano escolar, nesta perspectiva, incita o aluno a estar sempre ativo por meio de observações, análises, argumentações, e outros fatores que possam provocar o seu movimento intelectual. Gaspar (2009), citando também o pensamento piagetiano, considera que o ensino deve direcionar o foco no aluno para estimular e capacitar sua mente, de modo que ele compreenda determinado assunto, por meio de situações que gerem desequilíbrio fundamentado em atividades experimentais. Tais situações devem proporcionar ao indivíduo um processo conflituoso e questionador para a remoção das prévias concepções incorretas e sua substituição por concepções científicas, resultando em uma mudança conceitual capaz de aumentar a complexidade da sua estrutura mental. O estudante poderá ser capaz de reformular seus conhecimentos e avançar para um nível cognitivo superior. Esta progressão pode desencadear novos conflitos e assim por diante. Para que ocorram as mudanças desejadas, o desenvolvimento de atividades experimentais devem ser realizadas a partir do conhecimento das estruturas de pensamento do aluno, de modo a ocorrer as mudanças desejadas. Para o processo de ensino e aprendizagem ser bem sucedido deve-se considerar, além da formação de estruturas lógicas, os conceitos prévios dos estudantes, pois diversas vezes o aluno irá recorrer a esse caminho para resolver os conflitos cognitivos. Cabe ao professor impedir que se estabeleçam relações incorretas e descontextualizadas, desenvolvendo exercícios capazes de atingir este objetivo. Como afirma Piaget, enfatizado por Gaspar (2009), os conceitos se encontram em todos os indivíduos e são úteis por permitirem explicações do que se é observado. 17 Ainda de acordo com as explicações de Gaspar (2009), as ideias de Vigotski avançam em relação às de Piaget por afirmar que a estrutura intelectual é apenas o ponto de suporte para a construção do aprendizado, enquanto que para Piaget essa estrutura é pré-determinada geneticamente. Não é necessário aguardar que as estruturas mentais estejam desenvolvidas para avançar no processo de aprendizagem. O próprio processo é que deverá desencadear as cognições necessárias para a aprendizagem. Desta forma, é preciso elaborar um percurso de construção que considere as influências que o meio exerce e, a partir deste contexto, estabelecer relações significativas para os alunos e direcioná-las para a estruturação do seu conhecimento. Esse percurso demanda tempo para que seja completo e eficiente, progredindo através da interação social. Ao contrário de Piaget, que determina que os conceitos prévios devam ser eliminados para adquirir os conhecimentos corretos, Vigotski acredita que a aprendizagem dos conceitos científicos é beneficiada pela existência das pré-concepções e que é mais viável e fácil reelaborar um conceito prévio incorreto do que desenvolver uma nova estrutura cognitiva Carvalho (2004) indica que o estudante, antes entendido como o indivíduo que somente obtêm o conhecimento na escola, agora é visto com mais complexidade por trazer para a sala de aula noções com lógicas próprias que nascem a partir do desenvolvimento de explicações decorrentes de experiências cotidianas, mas que podem divergir da estrutura científica. Mauri (2006) destaca que os alunos escutam sobre assuntos variados, lêem, assistem televisão, observam as atitudes das pessoas e a partir destas vivências ordenam seus conhecimentos, conservando-os em sua mente. Essas interpretações são implícitas, podendo ser muito variadas, influenciadas claramente pelas lembranças. São estáveis e muitas vezes resistentes à mudança. As ideias estabelecidas auxiliam no modo de visualizar o mundo. Consequentemente, o sujeito as usa como base para aprender e atribuir novos significados ao conteúdo que lhe é apresentado. Mortimer (2006) concorda que o processo de aprendizagem acontece com o envolvimento ativo dos estudantes. E que, além disso, o conhecimento se constrói a partir do que os indivíduos já conhecem, assumindo que as suas pré-concepções são instrumentos fundamentais para esse contexto. O autor evidencia que o modelo de mudança conceitual trabalha com a explicitação das pré-concepções dos estudantes para transformá-las em conceitos científicos e que a maioria dos que seguem essa abordagem opta por explorar as teorias piagetiana. Mortimer (2006) explica que para Piaget, o conhecimento ocorre quando há a aproximação do sujeito com o objeto de aprendizagem, desta forma, o indivíduo melhora as noções que possui ao avançar de um estágio para outro nível superior de conhecimento. 18 Essa linha de pensamento é definida como teoria piagetiana de equilibração em que o conhecimento que se quer adquirir alcança a fase de adaptação por meio da assimilação e da acomodação. Em outras palavras, o aluno identifica incoerências em seu conhecimento devido à existência de lacunas ou conflitos e, a partir disso, procura caminhos que concebam essas perturbações para gerar o aumento de compreensão. A assimilação é definida pelo entendimento de um conceito exterior, enquanto que a acomodação é a admissão das características próprias do conceito. Essas duas fases acontecem mutuamente e são princípios essenciais para o desenvolvimento do conhecimento. No sentido desta perspectiva, o conflito por si só não é suficiente para se atingir o objetivo educativo. É necessário que o sujeito atinja distintos níveis avançando a evolução cognitiva, de acordo com Piaget. Em um primeiro momento, ele busca neutralizar o conflito. Posteriormente, a evolução ocorre quando essa neutralização não satisfaz mais e tenta-se integrar a perturbação por meio de explicações e teorias com o foco na incorporação da nova informação. Neste momento, as ideias podem conviver não mais encaradas como conflitos. Para o ensino, é importante que o aluno possa alcançar a terceira fase que é o entendimento do conceito em sua totalidade, explorando-se suas características e relacionando-as em diferentes contextos. Ressalta-se ainda que, para a complexidade da mente humana, essa dinâmica não possui fim e sendo imprescindível para a formação do conhecimento. Assim, totalidades atuais podem ser no futuro esquemas simples que requerem outras argumentações (MORTIMER, 2006). Ao examinar o modelo de mudança conceitual, Mortimer (2006) critica a pressuposição de que as ideias prévias dos estudantes devem ser eliminas no processo de elaboração do conhecimento. Ele destaca que o indivíduo formado cientificamente, em seu cotidiano, também usa normalmente ideias do senso comum para se comunicar. Portanto, eliminar as concepções alternativas que estão diretamente ligadas ao senso comum, significaria estabelecer obstáculos na expressão usual, que é a maneira mais ampla de linguagem e que autoriza a comunicação entre os diversos grupos existentes na sociedade. Além desse motivo, a própria ciência, mesmo estabelecendo novas teorias, em determinados momentos, usa conceitos entendidos como desatualizados, não os inutilizando. Por essas razões, argumenta-se que para o processo de ensino e aprendizagem não é produtivo suprimir as pré-concepções dos estudantes. Mortimer (2006) admite que para analisar a evolução conceitual dos estudantes no ambiente escolar, o perfil conceitual, elaborado com base no perfil epistemológico, criado pelo filósofo Bachelard, é mais eficaz, que a mudança conceitual, por procurar administrar as 19 diferentes maneiras de pensar em distintos domínios e por possibilitar a elaboração de ideias novas independente de outras ideias. Bachelard alega que apenas uma doutrina filosófica é incapaz de percorrer todas as maneiras de pensar um único conceito, pois cada uma se detém em um aspecto singular. Ele considera que distintos jeitos de entender o mundo podem ser encontrados em apenas uma pessoa. O perfil epistemológico possui zonas que estão associadas à determinada abordagem filosófica, portanto cada zona corresponde a uma forma específica de pensar. Essa zonas correspondem a categorias: a) realismo ingênuo, que se refere ao senso comum; b) empirismo, conceitos idealizados por meio de experiências instrumentais; c) racionalismo clássico, conhecimento elaborado a partir de noções racionais; d) racionalismo moderno, relações mais amplas e complexas do que a ciência clássica; e) racionalismo contemporâneo, atualmente em desenvolvimento com as novas descobertas. Conforme o conceito vai percorrendo essas zonas, a complexidade e o racionalismo vão se acentuando. É importante salientar que este perfil é próprio para cada indivíduo e que é influenciado fortemente por suas experiências e pela cultura (MORTIMER, 2006). Tomando como base o perfil epistemológico de Bachelard, Mortimer (2006) define o perfil conceitual, com o objetivo de elaborar um modelo que identifique a progressão das ideias nos sujeitos e no ambiente escolar como decorrentes do processo de aprendizagem. As zonas permanecem, mas o acréscimo é devido à distinção entre atributos epistemológicos e ontológicos existentes em cada zona do perfil. Também é atribuída grande importância ao estudante ter consciência do seu perfil, para que saiba usar o conceito empregando diferentes concepções de acordo com o contexto inserido. Outra distinção entre o perfil conceitual e o epistemológico é que os níveis atingidos não dependem das doutrinas filosóficas, mas sim da ligação epistemológica e ontológica que o sujeito possui com o conceito. O modelo de perfil conceitual está diretamente unido ao meio social e, portanto, é dependente das relações que ocorrem nesse contexto. As zonas do perfil, por sua vez, são independentes do contexto por serem determinadas pela história da ciência. Neste aspecto, Mortimer (2006) retoma a importância de se reconhecer as ideias prévias dos alunos, encontradas na primeira zona do perfil, que se relaciona ao senso comum. Ele menciona em seu trabalho a dificuldade dos estudantes de eliminar as ideias cotidianas e, por este motivo, não ser conveniente tentar substituí-las (GALILI e BAR, 1992, p. 66 apud MORTIMER, 2006). O sujeito pode, portanto, não desconsiderar, mas sim conviver com conceitos que fazem parte de diferentes zonas, como pressupõe o modelo de noção de perfil conceitual. 20 Considerando-se o exposto até o momento, podemos afirmar que é necessário que os professores conheçam os conhecimentos prévios dos estudantes, requisitos fundamentais para aprendizagem (MAURI, 2006). É preciso, também, que forneçam oportunidades para que as noções cotidianas sejam expostas e possam se relacionar aos conhecimentos científicos (CARVALHO, 2004). Assim, os conhecimentos que os estudantes possuem servem como base para a elaboração de atividades de ensino que estimulem a participação do aluno. Nesse caminho, é possível que se inicie uma produção própria do conhecimento, relacionando o pensar, o sentir e o fazer. Esse percurso de investigação pode ser capaz de desenvolver habilidades, como raciocínio e argumentações, além dos conteúdos conceituais, como retrata Azevedo (2004). 3.2 CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS Bizzo (2007) apresenta um panorama geral sobre os estudos das concepções alternativas. O seu texto cita que no ano de 1973, Rosalind Driver, em sua tese na Universidade de Illinois, argumentou que as interpretações que os alunos possuem de inúmeros conhecimentos não estão distantes do pensamento acadêmico, mas são compreensões manifestadas de acordo com os seus próprios ensaios. Além disso, elas devem ser conhecidas para que o ensino proposto não seja ineficiente. A partir deste período, o entendimento que os estudantes possuíam passou a ser pesquisado intensamente. Os diversos estudos continham terminologias distintas para denominar essas ideias, podendo ser: “crenças”, “preconcepções”, “ponto de vista”, “conhecimento prévio”, “moldura teórica alternativa”, “molduras teóricas conceituais”, “cosmografias”, “ecologias intelectuais”, “concepções errôneas” (misconceptions), “concepções alternativas”, “ciências das crianças”, “constructos pessoais”, “orientação pessoal para o aprendizado científico” (BIZZO, 2007, p. 34) Essas variações advertem a riqueza e a diversidade de pesquisas existentes nessa área, como afirma o autor. Os trabalhos indicaram que os aprendizes podem construir inúmeras compreensões distantes do conhecimento que o educador pretendia ensinar. Existe também o desenvolvimento de entendimentos independente do contexto escolar, que contêm significados particulares e pessoais, expressa Bizzo (2007). 21 Pesquisas denominadas “ideográficas” ou “iluminativas” (BIZZO, 2007, p. 35) direcionam seus estudos no sentido de entender como as ideias dos estudantes são influenciadas pelas práticas educadoras. O objetivo não está no foco das explicações fornecidas pela ciência ou pelo docente, muito menos prever ações dos aprendizes, mas sim notar o que esses indivíduos possuem como ponto de vista no contexto em que se encontram. Essa interação com o mundo determina diretamente a progressão conceitual do sujeito. Outra área mais atual enfoca as pesquisas nas tradições culturais do mundo. Assim, o aluno nesta inserção é entendido como parte dessa cultura, que exerce inúmeras influências sobre esse membro e nas visões coletivas presente na sociedade (BIZZO, 2007). O autor cita como exemplo, que a alimentação das plantas é uma área muito rica para pesquisar sobre as opiniões dos estudantes de distintas idades. Estudos apontam que, principalmente as crianças, possuem uma relação antropomórfica com a alimentação das plantas, que é diretamente influenciada pelas publicações infantis, isto é, constantemente a flor é retratada como a cabeça da planta, por onde ocorre a respiração, visão, audição e alimentação. Muitas vezes, a criança tem a atitude de fornecer água para a planta derramandoa na flor, crendo que a parcela que está caindo sobre a terra não poderá mais ser usada. O sujeito com mais idade não possui essa visão, entretanto, é comum observar que a ideia relativa ao desenvolvimento dos vegetais é relacionada com a terra, considerada seu alimento. Mantém-se, portanto, interpretações antropomórficas. O tipo de pensamento comum nessa fase é: se o animal retira a energia necessária para viver do ambiente, então as plantas devem fazer o mesmo com o solo. Se estiverem num ambiente sem luz, porém num solo adubado, a planta se mantém nutrida. Não é raro os alunos caracterizarem o adubo como nutriente. No caso dos adultos, dificilmente se vê alguém afirmar que o vegetal na luz está “nutrindo-se” de energia luminosa e de dióxido de carbono (BIZZO, 2007, p. 36). Neste sentido, percebe-se o quanto é fundamental as pesquisas realizadas pelo educador, que pode executar levantamentos em conjunto com os estudantes e identificar estas ideias e maneiras de esclarecer as distintas situações. 3.3 FOTOSSÍNTESE No determinado trabalho não avançaremos na apresentação detalhada do processo fotossintético e na construção deste conhecimento. Entretanto, para situar o leitor apresentaremos uma síntese de sua definição e um histórico que mostra a evolução na construção da compreensão da fotossíntese. 22 3.2.1 DEFINIÇÃO: Como explica Kraus (2005), a fotossíntese ocorre nos organismos procariontes e eucariontes, bactérias, algas e plantas. Todos possuem clorofila, principal pigmento fotossintético. Esse processo é responsável por realizar a nutrição autotrófica. A partir de moléculas inorgânicas de dióxido de carbono (CO2) e água (H2O) ou sulfito de hidrogênio (H2S) e de energia luminosa, tais organismos sintetizam carboidratos como substrato energético e liberam oxigênio (O2) ou enxofre (S2) e água. A fotossíntese ocorre em duas fases: uma dependente diretamente da energia luminosa e outra não dependente diretamente da luz. A equação simplificada pode ser representada: CO2 + H2X + LUZ+ CLOROFILA CH2O + H2O + X2 O elemento X pode ser: Elemento enxofre – usado por bactérias sulfurosas Elemento oxigênio – usado por eubactérias, algas e plantas 3.2.2 HISTÓRICO No ano 300 a.C, começou-se a pensar na forma de nutrição das plantas. Para Aristóteles, neste período, a planta retirava todo o seu alimento do solo (RAVEN, 2007). Posteriormente, no século XVII, van Helmont, médico belga, cultivou a muda de uma planta durante cinco anos apenas adicionando água. Desta forma, o médico concluiu que o principal fator responsável pelo crescimento da planta era a água, pois durante o período do experimento a planta atingiu um desenvolvimento considerável de tamanho, enquanto que o solo possuía praticamente o mesmo peso de antes (HALL e RAO, 1980). Nehemiah Grew, botânico inglês, neste mesmo século, reconheceu um precipitado verde na célula vegetal, que depois foi denominado como cloroplasto (KRAUS, 2005). No século seguinte, ano de 1727, Stephen Hales, botânico inglês, afirma que o ar continha nutrientes necessários para o desenvolvimento da planta (HALL e RAO, 1980). Joseph Priestley, químico inglês, entre 1771 e 1777, após inúmeros experimentos, afirmou que as plantas eram capazes de restaurar o ar. Deste modo, com a liberação de dióxido de carbono, feito pela respiração dos animais, o ar ficava modificado e as plantas poderiam reverter esta situação, limpando e purificando a atmosfera (RAVEN, 2007; KRAUS, 2005; HALL e RAO, 1980). 23 Ainda no século XVIII, em 1779, Jan Ingenhousz, médico holandês, a partir dos dados de Priestley, descobriu que apenas as partes verdes da planta na presença de luz restauravam o ar (RAVEN, 2007; LOPES e POSSO, 2010; TAIZ e ZEIGER, 2009). Em 1796, depois de conhecer o trabalho de Lavoisier, Ingenhousz, demonstrou que essas partes absorvem o dióxido de carbono e liberam oxigênio, além disso, verificou ainda que as plantas respiram como os animais (RAVEN, 2007; LOPES; POSSO, 2010; TAIZ ; ZEIGER, 2009) e afirmou que o dióxido de carbono seria quebrado na fotossíntese produzindo carbono e oxigênio, o qual seria liberado na forma de gás (RAVEN, 2007). No século XIX, o pastor suíço, Jean Senebier, confirmou a teoria de Ingenhousz ao citar que o dióxido de carbono na água era usado pelas plantas como alimento (HALL e RAO, 1980). Em 1800, Senebier propôs que a luz é o agente responsável na fixação do dióxido de carbono, e que só há liberação de oxigênio na presença deste gás (ENCYCLOPEDIA BRITANNICA, 2011). No mesmo período, o suíço Nicolas T. Saussure concluiu que na assimilação do dióxido de carbono, realizada pelas plantas, também havia consumo de água (HALL e RAO, 1980). Em 1817, Pelletier e Caventou, isolaram as partes verdes das plantas denominando-as como clorofila (HALL e RAO, 1980). Já em 1845, foi declarado por Julius Robert Mayer que as plantas transformam energia solar em energia química, a qual é armazenada em moléculas orgânicas, contribuindo, assim para a lei da conservação de energia (HALL e RAO, 1980; LOPES e ROSSO, 2010). O processo da fotossíntese, nessa época, era representado pela seguinte equação: PLANTAS VERDES CO2 + H2O + LUZ -----------------> O2 + matéria orgânica + energia química (HALL e RAO, 1980). Boussingault, em 1864, detectou na fotossíntese que a razão entre o oxigênio liberado e o dióxido de carbono era praticamente unitária (HALL; RAO, 1980). Também nesse ano, Sachs, botânico alemão, que já tinha descoberto a respiração vegetal, constatou a formação de grãos de amido, enquanto ocorria o processo de fotossíntese (HALL e RAO, 1980). Após um ano, em 1865, Sachs apresentou o mecanismo de retirada de água do solo pela zona pilífera, repassando-a para a raiz. Além disso, provou que a clorofila não é produzida em todos os tecidos, mas em áreas específicas dentro das células (ENCYCLOPEDIA BRITANNICA, 2011). Engelmann, em 1880, estabeleceu uma relação direta entre os cloroplastos e o oxigênio, também demonstrando qual era o espectro de absorção da clorofila. Esta absorve 24 mais os comprimentos vermelho e azul, concluindo que a clorofila é o pigmento fotorreceptivo na fotossíntese (HALL e RAO, 1980). A fotossíntese, no inicio do século XX, de acordo com o estágio de conhecimento do processo, foi representada pela seguinte equação: PLANTAS VERDES (CO2)n + H2O + LUZ --------------------> (O2)n + amido + energia química (HALL; RAO, 1980). O fisiologista vegetal inglês, F. F. Blackman, em 1905, percebeu a partir das curvas de saturação luminosa que a fotossíntese é realizada em duas etapas: a reação fotoquímica, dependente da luz, e a não fotoquímica, ou reação de escuro. Indicou que reações independentes da luz eram controladas por enzimas, a partir de estudos com variação de temperatura (HALL e RAO, 1980). No mesmo ano, Einstein considerou que a luz é formada por partículas de energia denominadas fótons e que a intensidade de energia é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda. (RAVEN, 2007). Por volta de 1930, achava-se que oxigênio era derivado da quebra do dióxido de carbono (HALL e RAO, 1980). C. B. van Niel, microbiologista holandês em 1932, constatou que as bactérias eram aptas na síntese de carboidratos assimilando o dióxido de carbono, porém sem ocorrer a liberação de oxigênio. Em sua seqüência de reações é explicitamente constatado que o oxigênio liberado não é derivado do dióxido de carbono e sim da molécula de água (HALL e RAO, 1980). Emerson e Arnold, no mesmo ano, concluíram que a quantidade de moléculas de enzimas catalisadoras, presentes na etapa não fotoquímica, são responsáveis pelo rendimento máximo da fotossíntese e não as moléculas de clorofila (HALL e RAO, 1980). Na Universidade de Cambridge, em 1937, R. Hill constatou que a liberação fotoquímica do oxigênio pode ser separada da redução de dióxido de carbono. Mostrou que cloroplastos isolados produzem oxigênio na ausência de dióxido de carbono (HALL e RAO, 1980; RAVEN, 2007). No ano de 1941, na Califórnia, Rubem e Kamen estabeleceram o mecanismo da decomposição da água e perceberam a liberação do oxigênio como resultado dessa decomposição (HALL e RAO, 1980). Em seguida foi demonstrado por Bassham, Benson e Calvim que o dióxido de carbono era reduzido, por reações de enzimas na fase de escuro, a açúcares e que para cada molécula do gás eram necessárias duas moléculas de NADPH2 e três de ATP. Estas moléculas já eram conhecidas na respiração (HALL e RAO, 1980). 25 Em 1951, laboratórios verificaram que, quando iluminadas, as folhas verdes produziam NADPH2 e ATP e que a capacidade redutora e a energia de hidrólise dessas substâncias eram utilizadas na fase não fotoquímica para a produção de carboidratos com a redução do dióxido de carbono (HALL e RAO, 1980). Arnon, Allen e Whatleu, em 1954, mostraram que essa reação pode ocorrer em cloroplastos isolados (HALL e RAO, 1980). Em 1960, Hill e Bendall propuseram o esquema Z para explicar a transferência de elétrons durante a fotossíntese (MAJEROWICZ, 2004) e em 1964, foram reconhecidas diversas proteínas que participam desse processo (HALL e RAO, 1980). 26 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS De acordo com o objetivo de reunir as concepções alternativas presentes na literatura acadêmica sobre o ensino de fotossíntese, a metodologia foi fundamentada na procura de dados, a partir de trabalhos disponíveis na área de educação. Buscamos a lista de revistas Qualis A, segundo a classificação da Capes, na área 46 Ensino de Ciências e Matemática. As revistas foram selecionadas a partir dos seus títulos. Excluímos as que eram específicas do ensino de matemática, tecnologia, filosofia, computação, pesquisas no bacharelado, história da ciência, saúde, metodologia social, evolução, engenharia, educação ambiental, pedagogia, educação médica, psicologia, didática, astronomia, geografia, geociências, comunicação, linguagem, cidadania, educação indígena, cultura contemporânea, pesquisa qualitativa, informática, enfermagem, sociedade, ciências sociais, avaliação, psicopedagogia, educação especial, sociologia, nutrição, alfabetização, ciências humanas, prática educativa, currículo, genética e políticas. Revistas que não eram do idioma português, inglês e espanhol também foram eliminadas. A lista completa das revistas pesquisadas se encontra no apêndice I. Terminada a seleção das revistas, o próximo passo foi a busca de artigos. Para tanto, tentamos localizar as revistas no portal capes. As revistas que não estavam disponíveis virtualmente foram pesquisadas na Biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Levantamos, em cada volume, os artigos cujo os títulos poderiam indicar relações com o nosso foco. Em caso de dúvidas, consultamos o resumo do trabalho. Exemplo: Periódico - Enseñanza de las Ciências, Volume 24, número 3, 2006. Título considerado: Las concepciones de los estudiantes sobre la fotosíntesis y la respiración: una revisión sobre la investigación didáctica en el campo de la enseñanza y el aprendizaje de la nutrición de las plantas. Título não considerado: La enseñanza de la ciencia y la tecnología en la escuela argentina (1880-2000): un análisis de los textos. Em função do baixo número de artigos encontrados, decidimos ampliar a busca para as revistas classificadas Qualis B, seguindo os mesmos procedimentos acima descritos. 27 Também optamos em procurar dados na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e no Google Acadêmico. Nestes locais escolhemos usar combinações de palavras-chave: Ensino de fotossíntese, aprendizagem de fotossíntese, perfil conceitual de fotossíntese, fotossíntese na sala de aula, estudo da fotossíntese, concepções alternativas sobre fotossíntese e concepções prévias sobre fotossíntese. No caso do Google Acadêmico, a pesquisa sempre trazia mais de mil resultados para as palavras chaves citadas. Por acharmos que a partir de um dado momento os resultados se apresentavam cada vez mais distantes do nosso foco de busca, decidimos pesquisar até a página 8 do site. As referências de artigos localizados também guiaram novas buscas, complementando nossos dados. Porém não foram todas as referências que encontramos e, em razão de um tempo restrito, não foi possível investigar em outras fontes. Após localizarmos os trabalhos, verificávamos se interessavam ao nosso estudo. Quando isso não ocorria, eram descartados. No final da busca, selecionamos 19 artigos, uma dissertação e uma tese de doutorado que apresentavam concepções alternativas do conceito de fotossíntese. Exemplo: Artigo considerado: Fotossíntese: um tema para o ensino de ciências? Clarice Sumi Kawasaki e Nelio Marco Vincenzo Bizzo, Química Nova escola, n° 12, Novembro, 2000. Artigo não considerado: Leituras na mediação escolar em aulas de Ciências: A fotossíntese em textos originais de cientistas. Suzani Cassiani de Souza, Maria José P.M. de Almeida, Pro-Posições, volume 12, n°1, Março, 2001. Da mesma maneira, examinamos as concepções presentes nos trabalhos, verificando o contexto que elas estavam inseridas. Exemplo: Artigo 2 Concepção considerada: “Alguns deles explicitaram a ideia de ar como sinônimo de oxigênio” 28 Concepção não considerada: “Assimilam que o ar é importante para a germinação, porém não reconhecem que a respiração é essencial para germinação” Posteriormente, montamos um primeiro quadro com os artigos numerados, as concepções neles presentes e explicitamos seus significados (Veja exemplo desse quadro no apêndice II). Do mesmo modo, preparamos uma lista numerando os trabalhos escolhidos (Apêndice III) e outra que cita, para cada trabalho, qual a idade ou nível de escolaridade dos estudantes pesquisados (Apêndice IV). Em seguida, construímos um segundo quadro com as concepções alternativas e a indicação numerada dos trabalhos em que são citadas, referente ao apêndice III, e em ordem decrescente de frequência (Apêndice V) compondo o levantamento das concepções presentes nos trabalhos encontrados. Com o quadro II elaborado, fizemos a categorização das concepções, reunindo-as seguindo critérios por nós definidos, considerados importantes para a construção do conceito de fotossíntese, contabilizando 8 categorias no total. O quadro a seguir traz estas categorias, acompanhadas dos critérios e de exemplos: QUADRO III: Categorias e os critérios estipulados CATEGORIA Condições necessárias ocorrer o fenômeno CRITÉRIOS para Foram incluídas nesta categoria todas as concepções nas quais identificamos as condições necessárias para a ocorrência do fenômeno. Ex. A fotossíntese apenas depende da luz. O papel dos reagentes Esta categoria agrupa as concepções que dão ênfase à função dos reagentes no processo. Ex: A luz solar serve para manter as plantas aquecidas. O processo Aqui estão reunidas as concepções que tratavam da fotossíntese como um todo, porém sem menção à sua função e à sua relação com a nutrição. Ex: Não há transformação de energia solar em química. Os produtos Esta categoria reúne as concepções que enfatizaram os produtos da fotossíntese. Ex: A fotossíntese produz apenas glicose. Funções do processo Esta categoria difere da categoria O processo, pois nesta as concepções explicitam as funções da fotossíntese. Ex: O objetivo da fotossíntese é a liberação de oxigênio. Consequências do processo Esta categoria reúne as ideias em que ficam explicitas as consequências da fotossíntese para os demais seres para os demais seres vivos 29 vivos. Ex: As plantas servem para produzir o oxigênio que os animais precisam. Relações entre a fotossíntese e Concepções que tinham como foco a nutrição, por esta razão foram reunidas nesta categoria. nutrição Ex: As plantas se alimentam como os animais. Concepções alternativas não Nesta categoria reunimos erros conceituais que não relacionadas diretamente com estão diretamente relacionados à fotossíntese, porém que podem influenciar em sua compreensão. a fotossíntese Ex: O ar é o oxigênio. 30 5. RESULTADOS De acordo com a busca realizada foram encontrados 21 trabalhos que apresentavam concepções alternativas dos estudantes em relação ao conceito de fotossíntese. Destes, 19 eram artigos, um era uma dissertação e outro era tese. Considerando que o Ensino Fundamental II possui alunos de 11 a 14 anos e o Ensino Médio, alunos de 15 a 17 anos é importante destacar que nenhum dos trabalhos abordou concepções alternativas de crianças do Ensino Fundamental I. A reunião destes trabalhos também nos mostrou que 7 apresentaram apenas concepções alternativas de alunos do Ensino Fundamental II, 7 trabalhos mostraram somente alunos do Ensino Médio, 4 abordaram concepções dos alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, um trabalho nos mostrou ideias de futuros professores de Ciências, um exibiu simultaneamente concepções de estudantes do Ensino fundamental II, Ensino Médio, Universitários, professores em formação e professores em atividade e apenas um trabalho não citou qual o nível de escolaridade dos estudantes que manifestaram as concepções alternativas presentes no texto (Apêndice IV). A reunião destas compreensões resultou em 104 ideias distintas que foram organizadas de acordo com a frequência com que apareceram nos trabalhos analisados (Apêndice V). A primeira concepção “A fotossíntese é a respiração das plantas” é a mais frequente, presente em 9 trabalhos. As concepções “A fotossíntese só ocorre de dia e as plantas só respiram de noite” e “A fotossíntese é um processo de trocas gasosas” são em seguida as mais comuns, apresentadas em 8 trabalhos diferentes. A concepção “O oxigênio, formado na fotossíntese é derivado do gás carbônico” está presente em 7 trabalhos e assim por diante. As concepções também foram unidas seguindo critérios, já explicados na metodologia. Essa reunião resultou em 8 grupos. A seguir demonstraremos, no quadro IV, a quantidade de concepções alternativas reunidas em cada categoria, sendo que, para uma visualização distinta mostraremos em seguida os mesmos dados na figura I. 31 QUADRO IV: Quantidade de concepções alternativas por categoria CATEGORIA QUANTIDADE DE CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS Condições necessárias para ocorrer o fenômeno 12 O papel dos reagentes 32 O processo 18 Os produtos 7 Funções do processo 12 Consequências do processo para os demais seres vivos 6 Relações nutrição e 8 alternativas não diretamente com a 9 entre Concepções relacionadas fotossíntese a fotossíntese Figura 1 - Distribuição das concepções alternativas segundo as categorias, São Paulo, 2001. 32 Abaixo, apresentamos as concepções alternativas encontradas em cada categoria: Categoria: Condições necessárias para ocorrer o fenômeno • A fotossíntese apenas depende da luz • A luz não é necessária para a planta • A luz solar não tem relação com a fotossíntese • A clorofila não é importante para a fotossíntese • Para a fotossíntese somente é importante a água • Para ocorrer a fotossíntese é necessário dióxido de carbono, água, glicose, oxigênio e luz solar • Os gases não são importantes para a fotossíntese • O dióxido de carbono não possui importância no processo de fotossíntese • A água não possui importância no processo de fotossíntese • A fotossíntese só ocorre de dia • A fotossíntese só ocorre de dia e as plantas só respiram de noite • Apenas as árvores verdes produzem seus alimentos Categoria: O papel dos reagentes • A luz é o alimento da planta • A luz solar serve para manter as plantas aquecidas • A luz serve para a planta crescer • A luz serve para a planta viver • A luz serve para a planta ter saúde • A luz serve para fornecer coloração para as plantas • O solo é fonte de energia • Quando há cloroplastos nos seres vivos não há a presença de mitocôndrias • O dióxido de carbono é o gás que a planta respira • A clorofila se combina com o dióxido de carbono para formar glicose • A clorofila é um fortificante • A clorofila limpa o ar • A clorofila é um alimento • A clorofila atrai a luz solar • A clorofila serve para dar cor verde nas plantas 33 • A clorofila serve de proteção • A clorofila é o sangue das plantas • A clorofila sintetiza os alimentos • Pigmentos distintos da clorofila, presente nas folhas vermelhas, podem realizar fotossíntese • Folhas de coloração vermelha não realizam fotossíntese, pois lhe faltam pigmentos verdes • Folhas vermelhas possuem pequenas quantidades de clorofila • Em folhas vermelhas não há a presença de clorofila • As folhas servem para receber o alimento • O dióxido de carbono é responsável pelo crescimento das plantas • O dióxido de carbono é produto da fotossíntese • As folhas servem para captar a água das chuvas • Os sais minerais não são importantes para a fotossíntese • As folhas não são importantes para a fotossíntese • As folhas das plantas digerem os alimentos • A água e o solo são responsáveis pelo crescimento da planta • A luz do sol é aproveitada pelas plantas para elas se reproduzirem • A luz é usada pelas plantas para secarem Categoria: O processo • Não há transformação de energia solar em química • Não há relação da fotossíntese como fonte de energia. • A luz absorvida pela planta é transformada em matéria • As folhas transformam a luz solar em vitaminas necessárias para as planta • A fotossíntese é o processo inverso da respiração nos animais • A fotossíntese é um processo de trocas gasosas • A fotossíntese não é um processo de nutrição autotrófica • A água é toda consumida no processo de fotossíntese • Os gases são absorvidos pelas raízes • A fotossíntese não ocorre no cotidiano 34 • O dióxido de carbono se mistura com a água, sol e clorofila resultando em oxigênio e glicose • A fotossíntese é um processo de modificação de um corpo • Fotossíntese é o processo que transforma a luz solar captada e os minerais da terra em energia e alimento • A fotossíntese é a produção de seiva, dióxido de carbono e oxigênio • A fotossíntese é a união de água, oxigênio, luz solar e sais minerais • A fotossíntese é o processo das raízes sugarem a água e os sais minerais e se misturarem com a luz do sol • A fotossíntese é um processo de recomposição • Fotossíntese é um processo que os animais fazem para produzirem seus próprios alimentos Categoria: Os Produtos • A fotossíntese produz apenas glicose • A fotossíntese não produz carboidrato • O oxigênio é responsável pelo crescimento das plantas • O oxigênio não é produto da fotossíntese • O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico e da água • O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico • O oxigênio proveniente do ar passa pela planta Categoria: Funções do processo • O objetivo da fotossíntese é a liberação de oxigênio • A fotossíntese é a energia da planta • A fotossíntese é a respiração das plantas • A fotossíntese é o alimento da planta • A fotossíntese é a reprodução da planta • A fotossíntese é a transformação/metamorfose da planta • A fotossíntese é a pigmentação da planta • A fotossíntese impede o murchamento das plantas • A fotossíntese serve para as plantas deixarem suas folhas verdes • A fotossíntese serve para as plantas produzirem suas flores 35 • A fotossíntese serve para as plantas darem frutos • A fotossíntese serve para a planta liberar a seiva bruta Categoria: Consequências do processo para demais seres vivos • As plantas servem para produzir o oxigênio que os animais precisam • As plantas são denominadas produtoras por produzir oxigênio • A fotossíntese purifica o ar • Os animais não dependem do processo de fotossíntese para sobreviver • As plantas são denominadas produtoras por produzir frutos ou vegetais • As plantas produzem oxigênio para os homens Categoria: Relação entre fotossíntese e nutrição • As plantas se alimentam como os animais • O alimento é algo que é comido • Os alimentos das plantas são retirados do ambiente • O solo é o principal local para obter os alimentos necessários • Os alimentos são absorvidos pelas raízes • Os alimentos das plantas são o solo, a água e os fertilizantes • O solo é o alimento da planta • O amido se encontra no solo Categoria: Concepções alternativas que não estão diretamente relacionados à fotossíntese • Gás não tem massa • Gás tem massa negativa • A energia tem relação com movimento • O ar é o oxigênio • A energia é necessária para produzir calor • Os gases não podem se combinar e formar uma substância sólida • Substâncias orgânicas não podem ser derivadas de substâncias inorgânicas • O cloroplasto é responsável por fazer fotossíntese nos organismos procariontes • As reações químicas não fazem parte do cotidiano dos alunos 36 6. ANÁLISE Com a reunião das concepções percebemos o quanto as interpretações de um único conceito podem ser variadas. Este resultado evidencia que os indivíduos possuem diferentes compreensões sobre o processo de fotossíntese. No ensino tradicional essa diversidade não é considerada, como afirma Mizukami (1986). Um ensino que se baseia apenas na transmissão do conhecimento, não investigando as ideias dos alunos, impede que estes analisem suas opiniões e que as confrontem com o pensamento científico para identificar lógicas e distinções. O aluno se torna passivo e se depara com o conhecimento como produto imutável, não aprendendo a construir relações do seu pensamento com o que está sendo ensinado. Consequentemente, não há oportunidades de expressar suas ideias, como as concepções evidenciadas neste estudo, que permanecem marginalizadas. Para que isto não ocorra, um dos caminhos a ser seguido é a fundamentação construtivista, caracterizada por Coll, Solé e Mauri (2006), que visa à integração das interpretações, estabelecida cognitivamente pelo indivíduo, no processo de ensino e aprendizagem, desencadeada por incentivos e desafios proposto pelo educador, cuja função é estimular e mediar este percurso. Assim, julgamos importantíssimo o educador ter conhecimento das compreensões que os alunos possuem sobre os assuntos que serão abordados. Para que isto ocorra, devem ser realizadas investigações e diálogos que possibilitem ao aluno expor a sua opinião e constituir aproximações adequadas destas compreensões com o conteúdo, a fim de desenvolver relações que forneçam sentidos e significados no aprendizado, para integrar o ensino (COLL e SOLÉ, 2006) Quando estas interpretações não são expostas, o sujeito pode elaborar entendimentos mais conflituosos, não conseguindo relacionar as diferentes ideias, ao contrário do que pressupõe o perfil conceitual de Mortimer (2006), que sugere que distintas noções podem conviver e serem expostas em diferentes momentos. Como por exemplo, a concepção alternativa que aparece na categoria funções do processo: “A fotossíntese é a energia da planta” pode ser veiculada no cotidiano para demonstrar, por meio de uma simples explicação, para uma pessoa totalmente leiga no assunto, que a fotossíntese é o mecanismo que o organismo usa para a obtenção de energia. Porém dentro do cotidiano escolar essa concepção não mostra precisamente o que é o processo fotossintético, simplificando e desfocando os elementos envolvidos. 37 De acordo com as categorias estabelecidas, a que reúne as concepções que trazem as condições necessárias para que ocorra a fotossíntese, revela que, em muitos momentos, não está claro para os estudantes quais elementos são fundamentais para que este processo aconteça. Como citado na definição de Kraus (2005), a fotossíntese necessita de dióxido de carbono, água ou sulfito de hidrogênio, energia luminosa e o pigmento fotorreceptivo clorofila, contrapondo a maioria das ideias apresentadas nesta categoria. Entre elas, existem as afirmações que negam a participação do dióxido de carbono, da luz, da água e da clorofila. Exemplos: “O dióxido de carbono não possui importância no processo de fotossíntese”, “A luz não é necessária para a planta”, “A água não possui importância no processo de fotossíntese” e “A clorofila não é importante para a fotossíntese”. Apenas uma concepção leva em conta a participação da clorofila, porém de modo indireto, se avaliarmos que os sujeitos podem relacionar a clorofila com a cor verde: “Apenas as árvores verdes produzem seus alimentos”. Há também quem considere apenas um elemento como importante, de acordo com as seguintes interpretações: “A fotossíntese apenas depende da luz” e “Para a fotossíntese somente é importante a água”. Alguns indivíduos confundem condições necessárias com os produtos resultantes, considerando a glicose e o oxigênio condições para a ocorrência do mecanismo: “Para ocorrer a fotossíntese é necessário dióxido de carbono, água, glicose, oxigênio e luz solar”. A declaração “A fotossíntese só ocorre de dia e as plantas só respiram de noite” demonstra que, para alguns, os dois eventos não podem acontecer simultaneamente. Na explicação cotidiana, muitas vezes, é atribuído exclusivamente às folhas o local em que é realizado o processo, tornando-se condição essencial para a fotossíntese a presença dessas. Uma concepção alternativa que revela este pensamento seria: “As folhas transformam a luz solar em vitaminas necessárias para as planta”, localizada na categoria o processo. A categoria que cita o papel dos reagentes é a que mais exibe concepções alternativas evidenciando que não há clareza da função dos reagentes no mecanismo fotossintético. Em outras palavras, o conhecimento do que estes elementos realmente fazem na fotossíntese não é definido com precisão. Das 32 concepções alternativas presentes, 8 delas se referem à função da luz, indicando que há muita confusão sobre o seu papel. Vários indivíduos lhe atribuem à função de alimentar a planta, fazê-la crescer, viver ou mantê-la aquecida, como mostram as concepções “A luz é o alimento da planta” e “A luz serve para a planta crescer”. De fato este elemento colabora para que ocorram estes eventos, entretanto não é este o seu objetivo precisamente. Estas interpretações podem indicar dificuldades em se entender um conceito 38 que não pode ser observado. A mesma dificuldade é sugerida nas concepções “Folhas vermelhas possuem pequenas quantidades de clorofila” e “Em folhas vermelhas não há a presença de clorofila”, pois habitualmente a clorofila é relacionada somente quando há a presença da cor verde, discutido anteriormente e como insinua a compreensão “A clorofila serve para dar cor verde nas plantas” e se os organismos não possuem tal coloração aceita-se que não há clorofila. Além disso, nas concepções alternativas “A luz solar serve para manter as plantas aquecidas” e “A luz é usada pelas plantas para secarem” sugere que a luz é concebida como sinônimo de calor, compreensão muito recorrente no senso comum, que está diretamente relacionada com o realismo ingênuo, uma das zonas do perfil epistemológico de Bachelard, citado por Mortimer (2006). Outra concepção deste grupo que merece ser citada é a de que “O dióxido de carbono é o gás que a planta respira” relacionada diretamente com a concepção alternativa mais frequente em todos os trabalhos reunidos. Esta se encontra na categoria das funções do processo: “A fotossíntese é a respiração das plantas” que veicula que a planta “inspira” dióxido de carbono e “expira” oxigênio como na respiração pulmonar, realizada pelos animais, porém com a inversão dos gases, como explica, a ideia agrupada na categoria o processo: “A fotossíntese é o processo inverso da respiração nos animais”. Essas interpretações também podem estimular outra concepção alternativa, desta mesma categoria, que “A fotossíntese é um processo de trocas gasosas” apenas. A interpretação, que se encontra na categoria dos papeis dos reagentes, “Quando há cloroplastos nos seres vivos não há a presença de mitocôndrias” pode relacionar que o cloroplasto substitui a função da mitocôndria na célula, que é de realizar a respiração celular. Assim, erroneamente, entende-se que os organismos que possuem cloroplastos realizam por meio deles o processo de respiração celular, que é denominado fotossíntese. Ainda neste grupo, é mencionado 9 interpretações distintas sobre a clorofila, como por exemplo: “A clorofila é o sangue das plantas” e “A clorofila é um alimento”, compreendendo–as diferentemente de sua real função, que é a de ser um pigmento que absorve as ondas de luz, como afirma Kraus (2005). Um destaque importante é de que, em apenas uma afirmação desta categoria, a água aparece como reagente: “A água e o solo são responsáveis pelo crescimento da planta”, incluindo também a contribuição do solo para o fenômeno. Na categoria o processo as concepções alternativas, que indicam as maneiras de interpretação, apontam o quanto a fotossíntese é compreendida distante do conceito definido cientificamente. “A fotossíntese é um processo de recomposição” é um exemplo que fundamenta este exame, pois ao definir a fotossíntese desta forma entende-se que o 39 mecanismo é compreendido totalmente oposto da sua finalidade, que é a de sintetizar matéria orgânica justamente para compor o metabolismo do organismo. Este grupo também nos mostra que há complicações, mais uma vez, de compreender a energia em sua forma dinâmica, como no caso da interpretação: “Não há transformação de energia solar em química”, ou explicações superficiais do mecanismo, como “A luz absorvida pela planta é transformada em matéria” e “O dióxido de carbono se mistura com a água, sol e clorofila resultando em oxigênio e glicose”, marginalizando todas as complexas reações químicas e procedimentos que são envolvidos. Opinamos que essas reduções podem ser devido ao ensino tradicional, que se limita em apenas expor o conteúdo, não explorando uma visão mais ampla do assunto. Assim, o aluno apenas tem a função de memorizar o conceito, não ocorrendo o real aprendizado, como argumenta Mizukami (1986). Consequentemente, devido as dificuldades compreensíveis de memorizar todos os conteúdos apresentados, os resultados são simplificações que ignoram as distintas relações que existem durante o todo o processo. As concepções “A fotossíntese não ocorre no cotidiano”, localizada na categoria o processo, e “As reações químicas não fazem parte do cotidiano dos alunos”, da categoria concepções alternativas que não estão diretamente relacionados à fotossíntese, evidenciam que o ensino é descontextualizado, caracterizando uma abordagem tradicional que se restringe à transposição de conteúdos isolada do cotidiano do indivíduo, como cita Mizukami (1986). Ao aprender sobre o tema da fotossíntese não é apresentado para os alunos que este processo está inserido em seu contexto e que, além disso, é fundamental para a sua existência, como se contrapõe a interpretação de que “Os animais não dependem do processo de fotossíntese para sobreviver”, inserida na categoria consequência do processo para os demais seres vivos. As concepções alternativas, trazidas na categoria os produtos, interpretam os resultados da fotossíntese distante do conhecimento estabelecido atualmente. Os entendimentos “A fotossíntese produz apenas glicose”, “O oxigênio não é produto da fotossíntese” e “A fotossíntese não produz carboidrato” ignora os elementos que são sintetizados no processo. Concluir que “O oxigênio proveniente do ar passa pela planta” também é outra forma de compreender o mecanismo simplificadamente, como outras ideias citadas anteriormente. A categoria funções do processo sugere que os estudantes podem propor inúmeros objetivos para a fotossíntese, como exemplo pode-se citar: “A fotossíntese serve para a planta liberar a seiva bruta”, “A fotossíntese serve para as plantas produzirem suas flores” e “A 40 fotossíntese serve para as plantas deixarem suas folhas verdes”. Entretanto nenhuma delas estabelece a fotossíntese como um processo de síntese de alimentos, com a presença de um entendimento que se posiciona contrariamente a esta definição: “A fotossíntese não é um processo de nutrição autotrófica”, apresentada na categoria o processo. As explanações reunidas na categoria não definem de forma cientifica o mecanismo, todavia é perceptível que é citado como função o que é resultado do processo: “O objetivo da fotossíntese é a liberação de oxigênio”. “A fotossíntese impede o murchamento das plantas” não é concebida como o objetivo da fotossíntese. Porém com a síntese de alimento, realizados pelas plantas, é adquirido energia que nutre as folhas para o seu desenvolvimento e para que não ocorra sua morte. Neste sentido, pode-se estabelecer também que essa energia auxiliará na hidratação da planta. Assim não é a função da fotossíntese impedir que aconteça essa situação, mas uma consequência que possui relação e que deve ser considerada em razão do aluno determinar estas ligações que são importantes para construção do seu conhecimento. Este é um dos exemplos que podemos citar para demonstrar que as concepções alternativas possuem conexões com o conhecimento científico considerado atualmente como o correto. Os resultados propostos para este processo se reúnem na categoria consequências do processo para demais seres vivos. Nas afirmações “As plantas são denominadas produtoras por produzir frutos ou vegetais” e “As plantas são denominadas produtoras por produzir oxigênio” é notável que o termo produtor não está bem compreendido e que não o relacionam com os seres autótrofos, que são aqueles capazes de sintetizar seus alimentos e por isto denominados, na cadeia alimentar, organismos produtores. Na categoria relação entre fotossíntese e nutrição, as declarações nos mostram que, para os indivíduos, a concepção de existir um ser vivo capaz de fabricar o seu próprio alimento dificilmente é compreendida, como definido nesta frase: “Os alimentos das plantas são o solo, a água e os fertilizantes” e evidenciado também na categoria o processo: “Não há relação da fotossíntese como fonte de energia”. Uma hipótese que achamos pertinente para explicar estas concepções alternativas é devido ao antropocentrismo, isto é, a visão do homem ser o elemento principal do Planeta Terra. Desta forma, os procedimentos realizados na natureza são para beneficio do homem e todas as explicações que se distanciam das características do ser humano com o seu meio não são satisfatoriamente entendidas. Além de esta ideia ser usualmente veiculada no cotidiano, existe livros, principalmente infantis, que fortalecem esse entendimento, como retrata Bizzo (2007). Exemplos que podem denunciar 41 este ponto de vista são “As plantas se alimentam como os animais” e “O alimento é algo que é comido”. Para o autor, essa visão está explicita nas atitudes das crianças, jovens e adultos, principalmente por valorizar o solo, que a planta se encontra, como o seu alimento fundamentalmente. Esse pronunciamento pode ser certificado por meio de concepções como as de que “Os alimentos das plantas são retirados do ambiente” e “O solo é o principal local para obter os alimentos necessários”, encontradas também nesta categoria e “A fotossíntese é o processo das raízes sugarem a água e os sais minerais e se misturarem com a luz do sol”, categoria o processo. Outros exemplos considerados antropocêntricos são: na categoria o papel dos reagentes “As folhas das plantas digerem os alimentos”, pressupõe que ocorre digestão nos vegetais semelhantes as que são realizadas nos animais, “Fotossíntese é um processo que os animais fazem para produzirem seus próprios alimentos”, categoria o processo, “O objetivo da fotossíntese é a liberação de oxigênio”, categoria funções do processo, e “As plantas produzem oxigênio para os homens”, categoria consequência do processo para os demais seres vivos. As opiniões unidas na última categoria, não estão diretamente relacionadas com a fotossíntese, mas cremos que se esses conceitos não forem entendidos plenamente são capazes de se tornarem obstáculos para a estruturação conceitual do processo discutido no momento. Com a consolidação de que “Os gases não podem se combinar e formar uma substância sólida” e que “Substâncias orgânicas não podem ser derivadas de substâncias inorgânicas” dificilmente será entendido o procedimento da fotossíntese. Quando há afirmação de que “O cloroplasto é responsável por fazer fotossíntese nos organismos procariontes” desconhece-se que organismos procariontes não possuem organelas, como o cloroplasto e, portanto é estabelecido que as bactérias fotossintetizadoras realizem o processo em seus cloroplastos. Existindo-se a interpretação de que “O ar é o oxigênio” não podemos definir que os seres autótrofos retiram o dióxido de carbono da atmosfera. Estudando as concepções alternativas pesquisadas, não é nítido, muitas vezes, para os alunos, a reação que representa a fotossíntese, no atual momento, definida por Kraus (2005) como: CO2 + H2X + LUZ CH2O + H2O + X2. Pois muitas vezes percebe-se que há confusão entre os reagentes e produtos, como no caso da interpretação “O dióxido de carbono é produto da fotossíntese”, na categoria o papel dos reagentes. Ou que ainda, são adicionados ou ignorados reagentes e produtos no processo. Exemplo: “A luz solar não tem relação com a fotossíntese”, “Para ocorrer a fotossíntese é necessário dióxido de carbono, água, glicose, 42 oxigênio e luz solar”, “Os gases não são importantes para a fotossíntese”, encontradas na categoria condições necessárias para ocorrer o fenômeno e “A água é toda consumida no processo de fotossíntese”, “A fotossíntese é a produção de seiva, dióxido de carbono e oxigênio” e “A fotossíntese é a união de água, oxigênio, luz solar e sais minerais”, categoria o processo. Mais um ponto que deve ser evidenciado é que, durante as discussões realizadas nos trabalhos considerados, somente o artigo 13 indica que os educadores e os estudantes não citam os outros organismos que realizam a fotossíntese. Durante os estudos das interpretações, em nenhum momento, é apresentado que além das plantas há outros seres que efetuam a fotossíntese, sendo estes as algas e bactérias (KRAUS, 2005). Da mesma maneira, pode ser observado que os trabalhos não alegam a participação do sulfito de hidrogênio e a liberação do enxofre na fotossíntese, realizado por algumas bactérias (KRAUS, 2005). Além disso, não se verifica a presença destes elementos nas concepções alternativas reunidas neste trabalho. Fatores que justificam estas ausências são as generalizações que podem estar nas explicações do conceito, camuflando também a importância de outros serves vivos para o nosso ambiente. Assim, o aluno que não é estimulado a investigar e superar os desafios, como no ensino tradicional que Mizukami (1986) aborda, que não explora o conhecimento, desconhecendo as diferenças e exceções. Carvalho (2004) argumenta que a educação não deve ser examinada apenas dentro do ambiente escolar, mas buscar na cultura conveniências que possam auxiliar o processo da aprendizagem. De acordo com o histórico da construção do conceito de fotossíntese, pesquisado para este trabalho, é perceptível que existem semelhanças nas concepções alternativas em relação às ideias vinculadas sobre este mecanismo. No período antes de Cristo já se pensava em como as plantas adquiriam seus alimentos. Aristóteles, nesta época, declara que o vegetal retira do solo todo o seu alimento (RAVEN, 2007). Opiniões equivalentes à essa são encontradas nas interpretações dos alunos. Como na categoria o papel dos reagentes: “O solo é fonte de energia” e na categoria relação entre fotossíntese e nutrição, podemos citar: “O solo é o alimento da planta” e “O amido se encontra no solo”. Na categoria condições necessárias para ocorrer o fenômeno, a interpretação “Para a fotossíntese somente é importante a água” é similar a conclusão que van Helmont, no século XVII, obteve, devido ao desenvolvimento da planta estar diretamente ligado ao processo fotossintético. Ele apontou que, para o crescimento da planta, apenas era necessário a água, 43 como afirma Hall e Rao (1980). No século XVIII, o químico inglês Joseph Priestley afirmava que as plantas eram capazes de purificar o ar, de acordo com as explicações de Raven, 2007, Kraus, 2005, e Hall e Rao, 1980. Atualmente ainda é concebida esta opinião, como demonstrado na concepção alternativa, quando é dito que “A fotossíntese purifica o ar”, na categoria consequência do processo para os demais seres vivos. Antes de Engelman, em 1880, explicar que a clorofila é um pigmento fotorreceptivo relevante para a fotossíntese era desconhecida a importância deste elemento no processo (HALL e RAO, 1980). Da mesma maneira como concepção alternativa “A clorofila não é importante para a fotossíntese”, categoria condições necessárias para ocorrer o fenômeno, demonstra. Em torno do ano de 1930, considerava-se que o oxigênio era derivado do dióxido de carbono (HALL e RAO, 1980), compreensão também difundida na interpretação dos estudantes, presente na categoria os produtos: “O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico”. Após dois anos, nas sequências de reações propostas pelo microbiologista holandês C. B. van Niel, explicitou-se que o oxigênio é derivado da molécula de água (HALL e RAO, 1980). “O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico e da água” demonstra que este entendimento concorda com a ideia aceita atualmente, no entanto complementa com uma noção que não é mais aceitável cientificamente. Como verificado, as interpretações dos alunos são semelhantes aos pensamentos considerados relevantes para a construção do conceito de fotossíntese. Neste caminho apreciamos o valor que existe em situar o estudante com o contexto histórico para aprender o conteúdo em sua totalidade e explorar suas características e ordenar as relações existentes nos mais diversos contextos, como orienta Piaget, citado por Mortimer (2000). Para tanto, é preciso admitir que os conhecimentos não foram construídos isoladamente da nossa cultura e sim influenciados dos movimentos que permeiam a sociedade, integrando-os e conscientizando o aluno deste histórico (MAURI, 2006). E que ainda, de acordo com as ideias piagetianas citadas por Mizukami (1986), o conhecimento científico deve ser tratado como um mecanismo em constante evolução. Descrita a discussão das concepções alternativas, para o ensino de fotossíntese, retoma-se que é totalmente pertinente o conhecimento e o estudo destas interpretações para complementar o processo de ensino e de aprendizagem, na medida em que, este caminho é concebido e estruturado por meio da dinâmica cultural e de seus significados, como declara Coll e Solé (2006). A partir da afirmação de Vigotski, enfatizada por Gaspar (2009), as pré- 44 concepções beneficiam a aprendizagem cientifica por serem instrumentos úteis na reelaboração de conceitos. Portanto para auxiliar no desenvolvimento cognitivo, de maneira representativa, o ensino que possibilita um caminho de investigação e desafio, para o educador e para o aprendiz, será capaz de integrar os conhecimentos e direcioná-los a ampliar a visão de mundo, formando estudantes autônomos e conscientes da realidade, sem camuflar as interpretações próprias de cada sujeito. 45 7. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS O intuito deste trabalho foi reunir as concepções alternativas sobre o ensino de fotossíntese. Com o objetivo concluído podemos perceber o quanto pode ser variada as interpretações que os alunos fazem de apenas um conceito, em razão do grande número de compreensões encontradas. Avaliamos que esta tarefa proporciona ao educador, que deseja instruir seus alunos de uma maneira mais ampla sobre o ensino de fotossíntese, novos caminhos para construir este aprendizado no ambiente escolar. Isto é, ao conhecer as interpretações que podem ser presentes nos conhecimentos prévios dos alunos o professor é capaz de organizar diversos modos de lecionar este conteúdo com o objetivo de não reforçar as interpretações que se encontram em conflito com o conhecimento atual sobre a fotossíntese. Neste sentido, julgamos que é fundamental que o educador conheça os conhecimentos prévios do assunto que se pretende ensinar. Oportunidades para que isto ocorra são as pesquisas realizadas, em trabalhos como este, para que, ao elaborar o seu plano de aula e as atividades que serão realizadas, sejam consideradas as ideias alternativas que podem ser apresentadas, ou em outros casos que apenas permanece nos pensamentos dos alunos. Complementando, mas não menos importante, também é imprescindível que no contexto de aula exista espaço suficiente para que o grupo possa se expressar e demonstrar suas opiniões. Pois, como o nosso próprio resultado nos mostra, as interpretações podem ser inúmeras, não impedindo que novas ideias apareçam, distintas daquelas agrupadas neste trabalho. Consideramos também que este trabalho oferece instrumentos que possibilitam reflexões sobre o motivo, de que maneira e o que deve ser ensinado sobre este conteúdo. É importante que outras pesquisas desenvolvam atividades didáticas que inovem neste ensino com o propósito de contextualizar o assunto para o estudante, estabelecer visões mais amplas sobre o tema e assim poder determinar relações mais significativas junto das interpretações prévias existentes. Outra possibilidade significante para a continuidade desta pesquisa é estabelecer as diferenças entre o ensino da respiração celular e a fotossíntese, para que a concepção alternativa mais recorrente neste trabalho não possua meios de se fortificar e interferir no aprendizado destes conceitos. 46 Além disso, é oportuno investigar e unir as concepções alternativas para os demais conceitos presentes na escola básica e desta maneira expor para o docente referências que auxiliem na sua prática educadora. 47 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, M. C. P. S. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In: CARVALHO, A. M. P. (Org.) Ensino de Ciências – Unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 19 – 33. BIZZO, N. Ensinar ciências na escola. In: BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Editora Ática. 2007. p. 29-46. ENCYCLOPEDIA BRITANNICA. Jean Senebier. 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Porto Alegre: Editora Artmed. p. 220-243. 49 APÊNDICE I – Revistas selecionadas ISSN Titulo 0212-4521 Enseñanza de las Ciências 0926-7220 Science & Education (Dordrecht) 0950-0693 International Journal of Science Education 1516-7313 Ciência e Educação (UNESP. Impresso) 0021-9266 Journal of Biological Education 1043-4046 Advances in Physiology Education 1415-2150 Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências (Impresso) 1518-8795 Investigações em Ensino de Ciências (Online) 1518-9384 Investigações em Ensino de Ciências (UFRGS. Impresso) 1579-1513 REEC. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciências 1806-5104 Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências 1850-6666 Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias (En línea) 0102-3594 Caderno Catarinense de Ensino de Física 1677-2334 Caderno Brasileiro de Ensino de Física 0102-4744 Revista de Ensino de Física 1806-1117 Revista Brasileira de Ensino de Física (Impresso) 0104-4877 Zetetike (UNICAMP) 0104-8899 Química Nova na Escola (Impresso) 0187-893X Educación Química 0326-7091 Revista de Enseñanza de la Física 1677-2334 Caderno Brasileiro de Ensino de Física 1697-011X Revista Eureka sobre Enseñanza y Divulgación de las Ciências 1806-1117 Revista Brasileira de Ensino de Física (Impresso) 1870-8404 Revista Educación Química 0103-7307 Pró-Posições (UNICAMP. Impresso) 0717-9618 Revista Chilena de Educación Científica 1413-2478 Revista Brasileira de Educação (Impresso) 1414-5111 Ciência & Ensino (UNICAMP. Impresso) 1980-8631 Ciência & Ensino (Online) 1982-2413 Experiências em Ensino de Ciências (UFRGS) 1982-5153 Alexandria (UFSC) 50 0100-4042 Química Nova (Impresso) 0102-4698 Educação em Revista (UFMG. Impresso) 0329-5192 Revista de Educación en Biología 1678-7064 Química Nova (Online) Impresso: 0100-4042 OK 1806-5821 Ciências & Cognição (UFRJ) 0009-6725 Ciência e Cultura 0102-7735 Revista Educação em Questão (UFRN. Impresso) 0102-8758 Contexto & Educação 0104-0537 Revista de Educação AEC 1983-5280 Revista de Educação ANEC) 51 APÊNDICE II – Exemplo da primeira página do quadro I Quadro I – Reunião dos trabalhos selecionados, as concepções alternativas presentes e explicitação de seus significados. TRABALHOS CONCEPÇÕES Explicitação dos significados ALTERNATIVAS 1. Proposta para De 135 alunos A luz solar não tem relação com a apenas 4% fotossíntese aprendizagem relacionou a luz com o contextualizada e solar processo de interdisciplinar: I. fotossíntese Fotossíntese Relacionaram a A Fotossíntese impede o (Kuniko Iwamoto fotossíntese com murchamento das folhas murchamento das Haga ) Unesp folhas. A maior parte dos estudantes entende como um assunto que é abordado apenas dentro da sala de aula Pelo menos 17% dos discentes conseguiram relacionar a luz solar com a fotossíntese, produção de alimentos e com o seu cotidiano A fotossíntese não ocorre no cotidiano A luz solar não tem relação com a fotossíntese A fotossíntese não é um processo de nutrição autotrófica A fotossíntese não ocorre no cotidiano 52 APÊNDICE III – Trabalhos numerados 1. Proposta para aprendizagem contextualizada e interdisciplinar: I. Fotossíntese. Kuniko Iwamoto Haga, Universidade Estadual de São Paulo - UNESP 2. O ensino e a aprendizagem dos temas fotossíntese e respiração: práticas pedagógicas baseadas na aprendizagem significativa. Simone Corrêa dos Santos Medeiros, Maria de Fátima Barrozo da Costa, e Evelyse dos Santos Lemos. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, volume 8, número 3, p.923- 935, 2009. 3. A fotossíntese no Ensino Fundamental: compreendendo as interpretações dos alunos. Suzani Cassiani de Souza e Maria José Pereira Monteiro de Almeida. Ciência & Educação, volume 8, número1, p.97 - 111, 2002. 4. Noção de fotossíntese: obstáculos epistemológicos na construção do conceito científico atual e implicações para a educação em ciência. Rosiléia Oliveira de Almeida, Candombá Revista Virtual, volume. 1, número 1, p. 16 – 32, 2005. 5. Fotossíntese: uma proposta de aula investigativa. Leciane de Menezes Zago, Ana Claúdia Gomes, Hérika Alves Ferreira, Narcisa Silva Soares e Carlos André Gonçalves Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, volume. 5, suplemento. 1, p. 759-761, 2007. 6. Fotossíntese: Concepções dos Alunos do Ensino Médio de Itumbiara-GO e Buriti-AlegreGO. Leciane de Menezes Zago, Ana Claúdia Gomes, Hérika Alves Ferreira, Narcisa Silva Soares e Carlos André Gonçalves. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, volume 5, suplemento 1, p. 780-782, 2007. 7. Errores conceptuales em Biologia. La fotosintesis de lãs plantas verdes. Astudillo Pombo, H., Gene Duch, A. M. Enseñanza de lãs Ciências, p. 15-16, 1984. 8. Fotossíntese: um tema para o ensino de ciências? Clarice Sumi Kawasaki e Nelio Marco Vincenzo Bizzo. Química nova escola, número 12, p. 24-29, 2000. 9. Las concepciones de los Estudiantes sobre la fotosíntesis y la respiración: Una revisión sobre la investigación didáctica em el campo de la enseñanza y el aprendizaje de la nutrición de lãs plantas. Charrier Melillán, María, Cañal, Pedro e Rodrigo Veja. Máximo. Enseñanza de lãs ciências, volume 24, número 3, p. 401-409, 2006. 10. Photosynthesis in plants with non-green leaves. Rehka Vartak, Journal of Biological Education, volume 40, número 4, p. 178-180, 2006. 11. Secondary students interpretations of photosynthesis and plant nutrition. Esra Özay e Haydar Öztas, Journal of Biological Education, volume 37, número 2, p. 68-70, 2003. 53 12. How students aged 13-15 understand photosynthesis. Ruth Stavy, Yehudit Eisen e Duba Yaakobi, International Journal of Science Education, volume 9, número 1, p. 105-115, 1987. 13. Evolución de las ideas alternativas de um grupo de alumnos portugueses de secundaria sobre fotosíntesis y respiración celular. Paula Domingos-Grilo, Vicente Mellado e Constantino Ruiz, Revista de Educación en Biologia, volume 7, número 1, 2004. 14. Escrita no Ensino de Ciências: Autores do Ensino Fundamental. Suzani Cassiani de Souza e Maria José Pereira Monteiro de Almeida, Ciência & Educação, volume 11, número 3, p. 367-382, 2005 15. O papel instrumental das imagens na formação de conceitos científicos. Jaqueline Ribeiro de Souza Mendes, Universidade de Brasília, Dissertação, p. 54-88, 2006. 16. How to make learning of photosynthesis more relevant. Yehudit Eisen e Ruth Stavy, International Journal of Science Education, volume 15, n° 2, 117-125, 1993. 17. Teaching and learning about photosynthesis. Part 1: An assessment in terms os students prior knowledge. Miles Barker e Malcom Carr, International Journal of Science Education, volume 11, número 1, p. 49-56, 1989. 18. Teaching and learning about photosynthesis. Part 2: A generative learning strategy. Miles Barker e Malcom Carr, International Journal of Science Education, volume 11, número 2, p. 49-56, 1993 19. Plants and photosynthesis: Peer assessment to help students learn. Lucy Crane e Mark Winterbottom, Journal of Biological Education, volume 42, número 4, 2008. 20. Can theoretical constructs in science be generalised across disciplines? Jenny Lewis, Journal of Biological Education, volume 44, número 1, 2009. 21. Leitura e fotossíntese: proposta de ensino numa abordagem cultural. Suzani Cassiani de Souza, Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Tese de doutorado, p. 10, p. 107-112, 2000. 54 APÊNDICE IV – Idade ou nível de escolaridade dos estudantes presentes nos trabalhos Trabalho 1: 1° e 2° ano do Ensino Médio Trabalho 2: 1° ano do Ensino Médio Trabalho 3: 9° ano do Ensino fundamental II Trabalho 4: 7° e 8° série do Ensino Fundamental II Trabalho 5: 3° ano do Ensino Médio Trabalho 6: 3° ano do Ensino Médio Trabalho 7: Futuros professores de Ciências Trabalho 8: 6° a 9° ano do Ensino Fundamental II Trabalho 9: Ensino fundamental II, Ensino Médio, Universitários, professores em formação e professores em atividade Trabalho 10: alunos de 16 e 17 anos Trabalho 11: alunos de 14 e 15 anos Trabalho 12: alunos de 13 a 15 anos Trabalho 13: Ensino Médio Trabalho 14: 8° série Trabalho 15: Ensino Médio Trabalho 16: alunos de 14 e 15 anos Trabalho 17: alunos de 13 a 17 anos Trabalho 18: alunos de 14 anos Trabalho 19: 9° série Trabalho 20: não foi citado Trabalho 21: 9° série 55 APÊNDICE V – Quadro II Quadro II – Concepções alternativas sobre a fotossíntese e a indicação dos trabalhos que elas se encontram. Concepções alternativas Trabalhos A fotossíntese é a respiração das plantas 3, 6, 7, 9, 12, 15, 16, 20, 21 A fotossíntese só ocorre de dia e as plantas só respiram de noite 3, 7, 9, 12, 15, 16, 20, 21 A fotossíntese é um processo de trocas gasosas 5, 6, 8, 11, 12, 14, 15, 21 O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico 3, 4, 6, 8, 15, 16, 21 Os alimentos são absorvidos pelas raízes 3, 8, 9, 12, 19, 21 A fotossíntese purifica o ar 3, 4, 8, 12, 15, 21 Os alimentos das plantas são retirados do ambiente 8, 9, 12, 16, 18, 21 A fotossíntese não é um processo de nutrição autotrófica 1, 2, 8, 11, 17 O solo é o principal local para obter os alimentos necessários 8, 12, 15, 20, 21 A luz solar não tem relação com a fotossíntese 1, 2, 3, 13 Não há relação da fotossíntese como fonte de energia 2, 9, 11 O dióxido de carbono não possui importância no processo de fotossíntese 7, 11, 18 A fotossíntese é o processo inverso da respiração nos animais 8, 13, 19 Os gases não podem se combinar e formar uma substância sólida 3, 4, 21 Para a fotossíntese somente é importante a água 3, 16, 21 A clorofila é um fortificante 3, 15, 21 As folhas transformam a luz solar em vitaminas necessárias para as plantas 3, 15, 21 A clorofila atrai a luz solar 3, 9, 21 A clorofila serve para dar cor verdes nas plantas 3, 9, 21 56 A fotossíntese é a pigmentação da planta 4, 15, 21 Os alimentos das plantas são o solo, a água e os fertilizantes 3, 21 Os gases não são importantes para a fotossíntese 3, 21 As folhas não são importantes para a fotossíntese 3, 21 A energia tem relação com movimento 3, 21 As folhas das plantas digerem os alimentos 3, 21 A fotossíntese é a reprodução da planta 4, 21 A clorofila não é importante para a fotossíntese 7, 9 O oxigênio não é produto da fotossíntese 7, 11 As plantas servem para produzir o oxigênio que os animais precisam 8,12 A luz serve para a planta ter saúde 9, 11 A luz serve para a planta viver 9, 21 A luz serve para a planta crescer 9, 21 O dióxido de carbono é responsável pelo crescimento da planta 11, 12 Os animais não dependem do processo de fotossíntese para sobreviver 11,16 Substâncias orgânicas não podem ser derivadas de substâncias inorgânicas 11, 20 A luz absorvida pela planta é transformada em matéria 12, 19 O solo é o alimento da planta 15, 19 O dióxido de carbono é o gás que a planta respira 15, 21 A luz é o alimento da planta 15, 21 A fotossíntese impede o murchamento das folhas 1 A fotossíntese não ocorre no cotidiano 1 O ar é o oxigênio 2 A fotossíntese é a energia da planta 4 57 A fotossíntese é a transformação/metamorfose da planta 4 A fotossíntese é o alimento da planta 4 O oxigênio proveniente do ar passa pela planta 4 O oxigênio, formado na fotossíntese, é derivado do gás carbônico e da água 4 A água é toda consumida no processo de fotossíntese 4 A água não possui importância no processo de fotossíntese 7 A fotossíntese não produz carboidrato 7 O dióxido de carbono é produto da fotossíntese 7 Os sais minerais não são importantes para a fotossíntese 7 O dióxido de carbono se mistura com a água, sol e clorofila resultando em oxigênio e glicose 8 A clorofila é o sangue das plantas 9 A clorofila se combina com o dióxido de carbono para formar glicose 9 A clorofila serve de proteção 9 A clorofila é um alimento 9 A clorofila combinada com o iodo produz amido 9 A clorofila sintetiza os alimentos 9 Os gases são absorvidos pelas raízes 9 As folhas servem para captar a água das chuvas 9 As folhas servem para receber o alimento 9 A luz não é necessária para a planta 9 A luz serve para fornecer coloração para as plantas 9 Não há transformação de energia solar em química 9 A energia é necessária para produzir calor 9 Pigmentos distintos da clorofila, presente nas folhas vermelhas, podem realizar fotossíntese 10 58 Em folhas vermelhas não há a presença de clorofila 10 Folhas vermelhas possuem pequenas quantidades de clorofila 10 Folhas de coloração vermelha não realizam fotossíntese, pois lhes faltam pigmentos verdes (clorofila). 10 A água e o solo que são responsáveis pelo crescimento da planta 11 As plantas são denominadas produtoras por produzirem oxigênio 11 As plantas são denominadas produtoras por produzir frutos ou vegetais 11 A luz solar serve para manter as plantas aquecidas 11 O oxigênio é responsável pelo crescimento da planta 12 A fotossíntese só ocorre de dia 13 O objetivo da fotossíntese é a liberação de oxigênio 13 A fotossíntese produz apenas glicose 13 O cloroplasto é responsável por fazer fotossíntese nos organismos procariontes 13 O solo é fonte de energia 15 Quando há cloroplastos nos seres vivos não há a presença de mitocôndrias 15 A fotossíntese apenas depende da luz 15 As plantas se alimentam como os animais 18 Para ocorrer a fotossíntese é necessário dióxido de carbono, água, glicose, oxigênio e luz solar 19 Gás na tem massa 20 Gás tem massa negativa 20 As reações químicas não fazem parte do cotidiano dos alunos 20 O alimento é algo que é comido 20 A luz do sol é aproveitada pelas plantas para elas se reproduzirem 21 A fotossíntese serve para as plantas deixarem suas folhas verdes 21 59 A fotossíntese serve para as plantas produzirem suas flores 21 A fotossíntese serve para as plantas produzirem seus frutos 21 Apenas as árvores verdes produzem seus alimentos 21 A fotossíntese é um processo de modificação de um corpo 21 Fotossíntese é o processo que transforma a luz solar captada e os minerais da terra em energia e alimento 21 A luz é usada pelas plantas para secarem 21 A fotossíntese é a produção de seiva, dióxido de carbono e oxigênio 21 A fotossíntese serve para a planta liberar a seiva bruta 21 A fotossíntese é a união de água, oxigênio, luz solar e sais minerais 21 A fotossíntese é o processo das raízes sugarem a água e os sais minerais e se misturarem com a luz do sol 21 A fotossíntese é um processo de recomposição 21 A fotossíntese é um processo que os animais fazem para produzirem seus próprios alimentos 21 O amido se encontra no solo 21 As plantas produzem oxigênio para os homens 21 60 Estou ciente do conteúdo da Monografia “A FOTOSSÍNTESE: ESTUDO DAS CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS” ___________________________________ Profa. Dra. Rosana dos Santos Jordão (Orientadora – Universidade Presbiteriana Mackenzie) ___________________________________ Camila Martins da Silva Bandeira (Aluna – Código de Matrícula 4082993-6) Trabalho a ser apresentado em: Junho/2011