A AVALIAÇÃO DO ESTÁGIO: PAPEL, CONTRIBUIÇÕES E LIMITES NOS CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES Maria do Socorro Lucena Universidade Estadual do Ceará – UECE [email protected] Patrícia Helena Carvalho Holanda Universidade Federal do Ceará - UFC [email protected] Esta pesquisa intersinstitucional: UFC e UECE em andamento, objetiva investigar as concepções, fundamentos e critério de avaliação de aprendizagem, utilizados pelos professores orientadores de Estágio, nas suas práticas docentes e seus contextos. A obrigatoriedade da legislação na Resolução CNE/CP 2/2002 que regulamenta 400 horas de prática pedagógica e 400 horas de Estágio Supervisionado provocou sérios desafios aos professores formadores, quanto a operacionalidade desse componente curricular. Paralela a essa questão, constatamos o acúmulo de atividades desenvolvidas pelos professores das Universidades, a falta de uma política de valorização às práticas de ensino, que dificulta o acompanhamento sistemático dos docentes aos locais, onde estão sendo desenvolvida as atividades de Estágio. Dessa forma, partimos da hipótese de que essa avaliação nem sempre corresponde ao real vivido resumindo-se a relatório e relatos, ou ao cumprimento de requisitos burocráticos. Para tanto, uitlizaremos o referencial teórico do materialismo históricodialético na tentativa de contemplar uma visão de totalidade do objeto de análise lançando mão de questionários documentos e estudo bibliográfico. A fundamentação teórica da pesquisa se encontra baseada nas idéias dos seguintes autores: Saul, Anastasiou e Alves, Forester, Lima, Moura, Pimenta, Severino, Luckesi e Holfman, os quais servem de amparo à nossa investigação. Introdução O interesse pelo tema Estágio Supervisionado, enquanto componente curricular, dentro do contexto avaliativo realizado pelos professores dessa disciplina teve suas raízes no Curso de Formação Professores do Ensino Fundamental em Regime Especial, (1ª a 4ª série)1 promovido pela UECE, no período de 2001 a 2003, quando tivemos a oportunidade de trabalhar na função de orientadoras de estágio na Cidade de Maracanaú2-Ceará, junto a professores da escola pública. Essa experiência alertou-nos para a fundamentação teórica e as práticas daquela vivência, que para nós foi muito significativa. No bojo do currículo do citado curso foi inserida a disciplina: Ação Docente Supervisionada – ADS, designação dada às atividades de Estágio Supervisionado, a qual visava fazer a ligação entre a técnica e a ação refletida, na e sobre a prática realizada pelos alunos que já exerciam o magistério, intermediados por um professor orientador, como possibilidade de construção do profissional de qualidade. 1 Licenciatura em Regime Especial – Curso de formação de professores da rede pública para atender as exigências de qualificação e certificação decorrente da Nova LDB (9394/96) 2 Cidade situada a 15 Km de Fortaleza pela CE 060 181 O desafio trazido pelas reformas da educação acontecidas a partir de 1990, levou os docentes da Universidade, principalmente aqueles que trabalham nos Cursos de formação docente, a rever a questão da prática pedagógica e do Estágio Supervisionado. As novas metodologias, baseadas na epistemologia de prática, demandavam em novas propostas de metodologia e de avaliação, com a utilização de pesquisas, memoriais de formação, elaboração de portfólios, entre outros mecanismos, tentavam fazer contraponto ou complementação ao que existia anteriormente. Esse trabalho se propõe a refletir sobre as concepções, fundamentos e critérios de avaliação da aprendizagem, utilizados pelos professores orientadores de Estágio nas suas práticas docentes e seus contextos. Objetiva ainda, analisar as concepções de avaliação de Estágio de professores orientadores e dos alunos, nas práticas que desenvolvem; verificar a documentação de Estágio no tocante a avaliação e os registros dos professores em seus planos de ensino de Estágio e Prática de Ensino dessa disciplina e refletir sobre as práticas de avaliação aplicadas ao Estágio, seus critérios e modalidades nas Universidades públicas cearenses. Destarte, o nosso objeto de estudo é o Estágio, enquanto componente curricular dos cursos de formação docente – Curso de Pedagogia – no contexto da sua avaliação, situados e datados historicamente, que marcam a reflexão/preparação para a profissão e a construção da identidade profissional. Problematização A obrigatoriedade da legislação na Resolução CNE/CP 2/2002 que regulamentou 400 horas de prática pedagógica e 400 horas de Estágio Supervisionado provocou sérios desafios aos professores formadores, quanto a operacionalidade desse componente curricular. Paralela a essa questão, constatamos o acúmulo de atividades desenvolvidas pelo professor da Universidade, a falta de uma política de valorização às práticas de ensino, que dificulta o acompanhamento sistemático do docente aos locais onde estão sendo desenvolvidas as atividades de Estágio. Dessa forma, a avaliação do Estágio fica resumida a relatórios e relatos, enquanto a prática concreta realizada pelos estagiários fica distante do professor que, nesse caso, é o avaliador. Partimos da hipótese de que essa avaliação nem sempre corresponde ao real vivido pelos estagiários, não propiciando retorno, nem para os alunos que as realizam, nem para as escolas. Como o professor tem problemas de tempo, horário, condições de deslocamento, entre outros, é possível que essa avaliação se resuma ao mero requisito burocrático, onde todos recebam indiscriminadamente a nota máxima, uma vez que o curso já está no seu final. Dentro dessas preocupações, pretendemos desenvolver uma pesquisa 182 interinstitucional – UFC e UECE, com a seguinte questão: Como os professores de Estágio avaliam seus alunos? Essa grande pergunta gerou outras mais, que estão divididas três pontos: Qual o papel do estágio para a formação docente, frente às possibilidades e aos limites dessa atividade? Como o Estágio é visto em relação às outras disciplinas do currículo? Quais as contribuições do Estágio, no sentido de atender às mudanças de paradigmas da prática profissional do professor? Qual o significado do Estágio para os estagiários e para o professor, que dela participaram? Em que contexto o estágio se realiza? E que relações de trabalho? Nosso segundo ponto de investigação é sobre os documentos regulamentadores do Estágio. O que dizem os regulamentos sobre a avaliação e estágio? Questionamos ainda, sobre os instrumentos de registro do professor. Como os professores registram a avaliação das práticas de Estágio nos seus Planos de Ensino? Quais os critérios utilizados? Que modalidades de avaliação são aplicadas? O terceiro bloco de questões trata da aproximação ou da dicotomia entre o que o professor escreve e o que realiza: Qual o conceito de avaliação de Estágio para os formadores e formandos? Quais as preocupações formativas do estágio por ocasião da avaliação? Que valores estão postos na avaliação? O que os alunos e professores aprendem com a avaliação? Qual o significado da avaliação como elemento de reflexão? A sociedade pós-moderna tem exigido dos trabalhadores da educação desempenhos cada vez mais qualificados e eficazes para conviver com as contradições e os problemas da atualidade. O professor nesse contexto sofre os impactos das reformas sem muitas vezes ter tempo para refletir sobre as raízes das tais mudanças. Metodologia Entendemos a necessidade de investigar a avaliação realizada nos Estágios, considerando importante compreender o papel do formador desse Estágio nos Cursos de formação de professores frente as possibilidades e limites um trabalho direcionado na intenção de compreender o Estágio, enquanto atividade propiciadora da reflexão. Para tanto, utilizamos como referencial metodológico o materialismo histórico-dialético, na tentativa de contemplar uma visão de totalidade do objeto de análise, no contexto mais amplo da realidade social. Por conseguinte, lançamos mão dos seguintes instrumentos de coleta de dados: questionários, análise de documentos e estudo bibliográfico. Nosso estudo estará focalizado nos Cursos de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará – UFC, Universidade Estadual do Ceará - UECE, Universidade Estadual Vale do Acaraú 183 – UVA e Universidade Regional do Cariri - URCA através de questionários e entrevistas com os professores e alunos do Estágio. Para a análise dos dados serão consideradas as seguintes categorias de análise: atividade, estágio, espaço de formação e avaliação. Dentre os múltiplos aspectos que integram a prática pedagógica do professor, a avaliação do processo ensino aprendizagem merece destaque, pois exerce forte influência sobre o que os professores ensinam e o que os alunos aprendem, bem como a forma como esta se realiza nas unidades de ensino do sistema educacional. A mercantilização e a competição são as principais bases da atual fase do capitalismo da sociedade globalizada. Sendo assim, o trabalho do professor fica comprometido pela perda dos direitos conquistados historicamente e a educação que deixa de ser um direito social para um ser um bem de consumo. Além disso, a chamada sociedade globalizada tendo em seu bojo a marca da exclusão se apropria da avaliação de resultados para legitimar “nova”, velha faceta da desigualdade social e da acumulação do capital. Nesse contexto, o Estágio universitário que geralmente se realiza no final do curso, e muitas vezes é utilizado como mão-de-obra gratuita ou sub-remunerada, continua havendo exploração e desvalorização, mesmo mascarado por discurso elogiosos e denominações carinhosas como o caso da professora chamada de tia. Fundamentação Teórica A idéia de avaliação sempre esteve presente através dos tempos. Sócrates, quando adotou o lema: conhece-te a ti mesmo (Menegolla 1987:08), apontava uma reflexão para o homem avaliar suas ações. A Filosofia tem retratado as dificuldades encontradas nessa busca de conhecimento do homem durante a sua história de vida, assim, avaliar o outro é uma tarefa exigente e complexa. Com o intuito de lançar luzes sobre essa questão utilizamos como base teórica os seguintes autores: Forrester (1997), Saul (1998), Anastasiou e Alves (2003), Leontiev (2004), Lima (2001a, 2001b e 2001c), Moura (1999 e 2003), Pimenta (1994) e os autores que tratam da avaliação, como Lukesi (1995) e Hoffmann (2001). No âmbito educacional, avaliação tem uma história ligada ao juízo de valor. Tal processo, geralmente, ocorre como meio disciplinar, que acarreta culpa e medo, em função dos interesses dominantes, colocando-se quase sempre a serviço da manutenção desses interesses. Serve, ainda, como instrumento de exclusão social, e principalmente nos dias atuais, quando o mercado vem selecionando os atores sociais, a avaliação tem servido para discriminar pessoas transformando tal problema numa questão individual, quando os postos de trabalho são diminuídos por questões sociais mais amplas. Segundo Lukesi (1995:17): 184 a característica que de imediato se evidencia na nossa prática educativa é de que a avaliação da aprendizagem ganhou um espaço tão amplo nos processos de ensino, que nossa prática educativa escolar passou por uma pedagogia de exame. É preciso compreender que o processo pedagógico e suas aprendizagens deve ser um dos principais objetivos da avaliação, supondo-se que esta avaliação se constitui um mecanismo propiciador da melhoria contínua do ensino-aprendizagem, cumprindo a sua função de diagnosticar, reforçar e possibilitar o desenvolvimento do aluno. Nossa pretensão é contribuir para o debate sobre a avaliação, e dessa forma vislumbramos a possibilidade deste estudo esclarecer para o público acadêmico e em especial aos docentes do ensino superior, que trabalham com formação docente, elementos de reflexão sobre a avaliação do Estágio, oferecendo subsídios para o seu planejamento e replanejamento. Muitos estudiosos da área têm defendido a avaliação diagnóstica e contínua, que se propõe a desenvolver durante todo processo e funciona como instrumento que, por um lado, favoreça ao professor uma analise crítica de sua prática e, por outro, conduza o aluno, a identificar seus avanços, possibilidades e dificuldades. Segundo Hoffmann (2001) a pessoa é o que sabe em múltiplas dimensões e dessa forma não há como separar o que se sente das teorias defendidas e das ações que se empreende. Portanto, o essencial em avaliação é o resgate dos valores que tornam o homem mais humano. A dinâmica avaliativa apresenta-se como um processo de diálogo de pensamentos, ações e sentimentos. Avalia-se para promover melhores aprendizagens re-dirigi-las e redimensioná-las. É preciso compreender que a avaliação da aprendizagem não é um fenômeno neutro e isolado. Ela ocorre de acordo com os modelos de mundo e de sociedade que a circunstancializam. O uso dos instrumentos tem mostrado essa intensa relação de poder entre o professor e o aluno, quando são utilizados como meios de classificação, o que evidencia uma prática autoritária a serviço de uma sociedade seletiva. Por um longo tempo, o processo de avaliação foi interpretado exclusivamente em sua dimensão técnica de elaboração de questões avaliativas, conversão de resultados em conceitos e notas. Era interpretada dessa forma, como ato neutro e instrumental e não se questionava o peso do que pensam os professores sobre o próprio ato de avaliar, ou sobre o impacto da diversidade dos universos sócio-culturais dos alunos em seu desempenho. 185 O julgamento de valor que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o avaliado, passa a ter a função estática de classificar um objeto ou um ser humano histórico num padrão definitivamente determinado (Luckesi, 1995:34). Nossa preocupação tem como campo definido a avaliação no Estágio. Esse componente curricular, segundo Lima (2001a:57), ...é um espaço de reflexão sobre as contradições e problemas vivenciados no decorrer de sua realização. Compreendido dessa forma, o estágio é espaço, alicerçado na indissociabilidade entre teoria e prática (Ghedin, 2002), e numa perspectiva dialética, enquanto o estagiário é convidado a perceber os conhecimentos apreendidos e a realidade da futura profissão como possibilidade de construção da sua identidade pessoal e profissional. Nessa construção, o processo de avaliação enquanto componente formativo de novas práticas é fundamental. Entendendo que o conceito de atividade possui características mais voltadas ao trabalho profissional propriamente dito, concordamos com Moura (1999:12), com fundamentação em Leontiev (1988), quando afirma: o estagiário e o professor devem tomar o ensino como uma atividade, que tem motivo. Dessa forma, ambos podem desenvolver um conjunto de ações para a satisfazer a necessidade e a busca dos instrumentos adequados para a concretização das ações no estágio. De acordo com Lima (2001a:15), ao reportar-se à prática docente, diz que práxis (...) é a unidade teórica e prática de forma refletida e redimensionada. Portanto, o Estágio pode atender a esta vertente conceitual em uma tentativa de construção e reconstrução da identidade do professor, pautado, para além da técnica, abrangendo também na ética e a competência, fatores que apontam para a transformação. Esse conceito dá indicativos para a avaliação emancipatória como experiência como prática de reflexão na ação, dentro de uma abordagem qualitativa, na tentativa de dar um salto para uma relação de construção do conhecimento conjunto. Lima (2001a:15) afirma que a formação se faz pelo repensar sobre a prática, sobre a realidade, bem como pela construção permanente da identidade pessoal. O Estágio, entendido como esse espaço para a realização de atividades que conduzem à práxis, uma atitude humana transformadora do modo de ver a realidade coincide com a idéia de Saul (1995), quando aborda sobre a necessidade da avaliação emancipatória, enquanto paradigma sustentado em três vertentes teóricas metodológicas: avaliação democrática, a crítica institucional e a criação coletiva e a pesquisa participante. A prática de partilhar as idéias no grupo mostra-se relevante para a construção da identidade profissional, como nos ensina Lima (2001a) é necessário buscar o coletivo, pois este significa muito mais do que estar indo na mesma direção. Para a autora, isso significa o estabelecimento de uma parceria em que todos possam pensar, realizar, avaliar e redefinir, em conjunto, o processo. Sobre essa questão, reflete Saul (1995:55): 186 O processo de conscientização é a mola mestra de uma pedagogia emancipatória em que os membros de uma organização são tratados como seres auto-determinados, isto é, sujeitos capazes de criticamente, desenvolverem suas próprias ações. O conceito de Pimenta (1994:121), segundo o qual o estágio não é uma práxis, é uma atividade teórica instrumentalizadora de uma práxis, pode ser complementado, com o pensamento de Lima (2001a), quando explica que o estágio não é a hora da prática e sim a hora de começar a caminhada da formação contínua, como elemento de reflexão. É preciso, no entanto explicar que reflexão aqui é entendida como processo coletivo e comprometido com a transformação da sociedade e emancipação humana. Dessa forma, a reflexão como base norteadora de uma ação refletida está vinculada a atitude crítica e tem como horizonte à emancipação humana, extrapolando os limites estritamente técnicos. Entendemos a ação de refletir como sendo uma desburocratização do estágio, que se afasta da imutabilidade e contempla o processo contínuo de aprendizagens e mudanças que provocam um fazer melhor, de modo competente e de qualidade. Nesse caso, concordamos com a afirmativa: Praticar a avaliação em processo, a avaliação formativa, significa ajustar também os critérios a ação, incluir os alunos para assumirem, junto com o professor os riscos e as decisões tomadas. (Romanowski e Wachowicz (2003:123) Aplicada à formação de professores, a Ação Supervisionada, de acordo com Leitinho e Holanda (2001:90), significa: (...) ação de orientação, acompanhamento e aconselhamento do aluno, efetivado por professores com o objetivo de integrar formação acadêmica com formação em serviço, fato que deverá ocorrer no espaço da escola, onde o aluno exerce sua atividade docente. Nesses moldes, remetemos ao Estágio considerando-o um referencial da reflexão e do diálogo ético, no qual esses orientadores deveriam assumir uma postura interacionista, isto é, o professor que interage com seus alunos, produzindo um terreno fértil para a criação e desenvolvimento de aprendizagens significativas (Leitinho e Holanda, 2001:92). 187 Reafirmamos as concepções sobre estágio apresentadas neste trabalho e, comparando com a ação supervisionada, distinguimos principalmente a presença do orientador junto ao estagiário, num papel efetivo de mediador. Quanto, a teorização sobre ação supervisionada, encontramos em Moura (1999:8), alusões a uma modalidade de estágio, a qual defende a importância de combinar teoria e prática por intermédio da reflexão sobre as ações coordenadas que tenham, também, como referência o coletivo. Faz-se necessário criar ações e critérios de ação por meio de diferentes modos de conduzir a avaliação. Romanowski e Wachowicz (2003:123) defendem que: A diversidade de estratégias, técnicas, procedimentos e experiência faz parte desse caldo, que compões a cultura da prática pedagógica, que se densifica quando se tornarem conscientes o conhecimento e o processo realizado, ou seja, a prática da auto-avaliação. No espaço de formação, tudo que está inserido na sua área territorial participa do processo de aprendizagem. Com isso, percebemos a relação do “objetivo”, enquanto proposta definida em projeto como partida para mudanças de paradigmas, com o “subjetivo”, enquanto possibilidade de resposta pelos formandos, como sendo viável para a concretização das transformações pretendidas. Tudo isso num campo que vai do coletivo para o individual e deste para aquele, com foco na atividade a ser realizada, pois, segundo Leontiev (2004:183): Desde as primeiras etapas do desenvolvimento do indivíduo que a realidade concreta se lhe manifesta através da relação que ele tem com o meio; razão por que ele a percebe não apenas sob o ângulo das suas propriedades materiais e do seu sentido biológico, mas igualmente como um mundo de objetos que se descobrem progressivamente a ele na sua significação social, por intermédio da atividade humana. O espaço de formação, enquanto possibilidade de transformação, é entranhado de discussões e cumplicidades entre os mediadores e os alunos, numa concepção dialética de construção de conhecimentos e aprendizagens. Nesse aspecto, a função avaliativa do Estágio é também espaço de formação, uma vez que a avaliação emancipatória (Saul 1995) tem como característica a análise crítica da realidade tendo em vista sua transformação. Fazendo parte de 188 uma vertente político-pedagógica com vista à emancipação humana com horizonte a libertação, através da revisão da história de vida. Assim elaboração proposta de ação. O desenvolvimento da pesquisa se processa a partir de uma visão de totalidade, como preocupação maior, compreendendo que a pesquisa histórico-dialética, vai além da dimensão fenomenológica observável. No intuito de dar conta de uma trama complexa em que a avaliação do Estágio está envolvida. Como diz Saul (1995:51) É em nome de um saber competente que os avaliadores investem-se do poder realizando atividades avaliativas que, na maioria dos casos, servem a propósitos exclusivamente formais. Conclusão A partir da compreensão que a avaliação é um mecanismo propiciador da melhoria contínua do ensino-aprendizagem, deve cumprir a sua função de diagnosticar, reforçar e permitir crescer, o processo pedagógico deve ser uma de suas finalidades. É preciso procurar alternativas a partir do que já está sendo realizado pelos professores para encontrar nas falhas e dificuldades, as possibilidades de posturas metodológicas que coloquem a avaliação dentro de uma avaliação dentro de uma linha de dialógo com os alunos e com suas realidades. Como nos ensina Paulo Freire: a finalidade de qualquer ação educativa deve ser a produção educativa de conhecimentos que aumenta a consciência e a capacidade de iniciativa transformadora dosa grupos. Bibliografia ANASTASIOU, L. das Graças Camargos e ALVES, L. Passate (orgs) (2003). Processos de Ensinagem na Universidade.Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. Joinville, SC: UNIVILLE. BENVENUTTI, D. B. (2002). Avaliação, sua história e seus paradigmas educativos. In: Pedagogia: a Revista do curso. Brasileira de contabilidade. São Miguel do Oeste SC: ano 1, n. 01, p. 47-51. BORBA, Sérgio da Costa. (2000). Espaços de formação. Maceió: Edições Catavento. 189 CORREIA, José Alberto. 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