UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA
Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical
QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE
MILHO ARMAZENADOS EM MATO GROSSO
LARISSA FATARELLI BENTO
C U I A B Á – MT
2011
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA
Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical
QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE
MILHO ARMAZENADOS EM MATO GROSSO
LARISSA FATARELLI BENTO
Engenheira Agrônoma
Orientadora: Profª. Dra. MARIA APARECIDA BRAGA CANEPPELE
Co-orientadora: Profª. Dra. MARIA CRISTINA DE FIGUEIREDO E
ALBUQUERQUE
Dissertação
Agronomia
Universidade
obtenção do
Tropical.
apresentada à Faculdade de
e Medicina Veterinária da
Federal de Mato Grosso, para
título de Mestre em Agricultura
C U I A B Á - MT
2011
B478q
Bento, Larissa Fatarelli
Qualidade física e sanitária de grãos de milho armazenados em
Mato Grosso / Larissa Fatarelli Bento. – 2011.
71 f. : il. ; color.
Orientadora: Profª. Drª. Maria Aparecida Braga Caneppele
Co-orientadora: Profª. Drª. Maria Cristina de Figueiredo e
Albuquerque.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso,
Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Pós-graduação em
Agricultura Tropical, 2011.
Bibliografia: f. 66-71.
1. Milho – Qualidade – Mato Grosso. 2. Milho – Qualidade
física. 3. Milho – Qualidade sanitária. 4. Milho – Armazenagem –
Qualidade de grãos. I. Título.
CDU – 633.15(817.2)(043.3)
Epígrafe
Por que sofrer se para Deus nada é impossível?
Por que duvidar se para Deus nada é impossível?
Acredite para Deus tudo é possível!
Autor desconhecido
Dedicatória
Aos meus pais Eliosé Antônio Bento e
Maria Estela Fatarelli Bento, ao meu
namorado Vinícius Ribeiro Arantes e meu
irmão Hector Fatarelli Bento.
Pessoas essenciais em minha vida que
com carinho, amor e sabedoria me
apoiaram e ensinaram a vencer as
dificuldades e a seguir em frente.
Agradecimentos
À Deus por iluminar meu caminho e pela oportunidade de viver momentos
tão especiais.
À Universidade Federal de Mato grosso - UFMT.
Ao programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical da Universidade
Federal de Mato Grosso.
À CAPES, pela bolsa de fomento.
À Profª. Dr Maria Aparecida Braga Caneppele, pela amizade, confiança e
orientação ao longo desse trabalho e ainda, por todos ensinamentos e
pelos exemplos de dedicação profissional e de ser humano.
À Co-orientadora Profª. Dra Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque,
pela oportunidade, confiança e orientação na execução desse trabalho.
Aos professores Dr. Daniel Cassetari Neto e a Dra Leimi Kobayasti por
toda ajuda e orientação dada durante as análises de sanidade dos grãos.
Ao Prof. Dr. Carlos Caneppele pela ajuda e orientação para realização
desse trabalho.
À APROSOJA – MT pelo incentivo na realização dessa pesquisa e na
coleta de amostras.
À todos professores e funcionários do Programa de Pós-graduação em
Agricultura Tropical. Em especial a Denise e a Maria pelo apoio e
orientação nos procedimentos burocráticos.
Ao senhor Arlindo, técnico do Laboratório de Fitopatologia.
À todos meus amigos do mestrado e doutorado do programa de Pósgraduação em Agricultura Tropical pela amizade e boa convivência: Indira
Messias, Jader Campos, Janaíne Donini, Josimar Brito, Mariana de Oliveira
Pinto Coelho, Thales Duarte, Regiane Castro Zarelli Leitzke e Daniel
Guedes.
A todos integrantes do Núcleo de Tecnologia em Armazenagem pela ajuda,
amizade e pela boa convivência: Anderson Bays, Barbara Motta, Eduardo
Yoshio, Jeferson Almeida, Larissa Duarte, Magda Chagas, Naiara Mendes,
Robério Costa, Thais Aryoshi, Valéria Oda e Willian Crisostomo.
Aos meus queridos amigos e companheiros Rafaeli Vieira de Souza, Aline
Lehmkuhl, Rafael Noetzold, Andreia da Cruz Quintino, Liliane da Silva
Barros, pessoas maravilhosas que Deus me proporcionou conhecer, por
todos os momentos que passamos juntos, pelo apoio e carinho a mim
dedicado.
Às minhas amigas queridas Andressa Menegaz e Manuela Ferraz de
Miranda, pela paciência, carinho e incentivo em todos os momentos.
E a todos que contribuíram direta ou indiretamente para realização deste
trabalho, meus sinceros agradecimentos.
QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE MILHO
ARMAZENADOS EM MATO GROSSO
RESUMO - Os grãos de milho podem ter sua qualidade alterada direta ou
indiretamente, pelos ataques de insetos, ácaros, microrganismos. Como
conseqüência ocorre a deterioração dos grãos com a ocorrência de defeitos como
grãos carunchados, mofados, fermentados, prejudicados por diferentes causas.
Além da contaminação por fungos e micotoxinas, ocasionando problemas sérios
de saúde e perdas consideráveis do ponto de vista econômico. O presente
trabalho objetivou avaliar a qualidade física e sanitária de grãos de milho
armazenados e correlacionar essas características nas safras 2009 e 2010.
Foram coletadas amostras de grãos de milho nas regiões Norte, Sul, Leste e
Oeste do Estado: em três unidades armazenadoras de 14 municípios na safra
2009 e em duas unidades de 15 municípios da safra 2010. O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial, com três
repetições; para a safra 2009 14x3 (14 municípios e três unidades armazenadoras
de cada município), totalizando 42 tratamentos e para a safra 2010 foi 15x2,
totalizando 30 tratamentos. As características físicas analisadas foram: teor de
água, massa específica e classificação física de acordo com o padrão oficial para
milho. As características sanitárias analisadas foram: incidência de fungos e
ocorrência de aflatoxinas (B1, B2, G 1 e G 2). Na safra 2009 a média da massa
específica das amostras foi de 768 kg.m-3 com teor água de 8,7% e de 775 kg.m-3
com teor de água de 7,3% na safra 2010. Os defeitos de maior ocorrência foram
de grãos carunchados e quebrados na safra 2009 e quebrados na safra 2010. Os
municípios de Canarana e Nova Xavantina apresentaram os maiores índices de
grãos carunchados 13,76% e 6,23%, e Gaúcha do Norte e Sinop de quebrados
10,61% e 7,45%, na safra 2009. Na safra 2010 para grãos quebrados foram
Canarana com 14,66% e Gaúcha do Norte com 7,96%. A elevada porcentagem
de matérias estranhas, impurezas mais fragmentos ocasionou o enquadramento
das amostras da região Leste como abaixo do padrão em ambas as safras. Os
fungos predominantes em todos os municípios foram Fusarium spp., Aspergillus
spp, Penicillium spp e Cladosporium spp. Campos de Júlio e Sapezal
apresentaram amostras com maiores índices de contaminação fúngica na safra
2009 e Campos de Júlio na safra 2010. Na safra 2009 foi detectada a presença
de aflatoxinas totais em 19% das amostras com níveis abaixo do limite máximo
permitido pela legislação e na safra 2010 foi detectada aflatoxinas totais em 23%
das amostras, com níveis que ultrapassaram o permitido pela legislação.
Canarana e Gaúcha do Norte apresentam enquadramento comercial do milho
inferior aos demais municípios, independente da safra. Matérias estranhas,
impurezas e fragmentos levam o enquadramento dos grãos de milho em Mato
Grosso como Abaixo do Padrão. Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp.
e Cladosporium spp. são os fungos predominantes nos grãos de milho em Mato
Grosso. Os níveis de aflatoxinas apresentam uma tendência crescente em áreas
com maior precipitação (mm) em Mato Grosso.
Palavras-chave: avariados, fungos, micotoxinas
PHYSICAL QUALITY AND HEALTH OF GRAINS OF CORN STORED IN MATO
GROSSO
ABSTRACT – The corn grain may have changed their quality directly or
indirectly by the attacks of insects, mites, microorganisms. As a consequence
there is the deterioration of the grains with the occurrence of defects such as
insect attacked, moldy, fermented, damaged by various causes. In addition to
contamination by fungi and mycotoxins, causing serious health problems and
losses from an economic standpoint. This study aimed to evaluate the physical
quality and health of stored corn and correlate these characteristics in 2009 and
2010 vintages. We collected samples of corn in Norte, Sul, Leste and Oeste of
the state: three storage units in 14 counties in the harvest in 2009 and two units
of 15 municipalities in the 2010 season. The experimental design was
completely randomized in a factorial design with three replications for the 2009
crop 14x3 (14 municipalities and three storage units in each city), totaling 42
treatments and for the 2010 harvest was 15x2, totaling 30 treatments. The
physical characteristics were analyzed: water content, density and physical
classification according to the official standard for corn. The health
characteristics were analyzed: incidence of fungi and the occurrence of
aflatoxins (B1, B2, G1 and G2). In the season 2009 the average density of the
samples was 768 kg.m-3 with water content of 8,7% and 775 kg.m-3 with a
water content of 7,3% in 2010 season. The defects occurred more frequently in
insect attacked and broken and broken in the 2009 crop harvest in 2010. The
municipalities of Canarana and Nova Xavantina have higher rates of insect
attacked 13,76% and 6,23%, and Gaúcha do Norte and broken in Sinop
10,61% and 7,45% in the 2009 season. In the season 2010 for broken grains
were 14,66% and Canarana in Gaúcha do Norte with 7,96%. The high
percentage of foreign matter, contamination caused more fragments framing
the eastern region of the samples as below standard in both seasons. The
predominant fungi in all municipalities were Fusarium spp., Aspergillus spp,
Penicillium spp and Cladosporium spp. Campos de Julio and Sapezal samples
showed higher levels of fungal contamination in the 2009 crop and the harvest
fields Julio 2010. In the season 2009 we detected the presence of total
aflatoxins in 19% of samples with levels below the maximum allowed by law
and the 2010 harvest total aflatoxin was detected in 23% of the samples, with
levels that exceeded the permitted limits. Canarana and Gaúcha do Norte
commercial environment have less corn to other municipalities, regardless of
season. Foreign matter, impurities and debris cause the framework of corn in
Mato Grosso and Below Standard. Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium
spp. and Cladosporium spp. are the predominant fungi in corn kernels in Mato
Grosso. The aflatoxin levels showed an increasing trend in areas with higher
rainfall (mm) in Mato Grosso.………………………………………………………..
Keywords: damaged, fungi, mycotoxins
LISTA DE FIGURAS
Página
1
Procedimentos de classificação do milho....................................
2
Defeitos dos grãos ou pedaços de milho conforme as Portarias
32
do Ministério da Agricultura nº 11 de 12 de abril de
1996.................................................................................................
33
LISTA DE TABELAS
Página
1
Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios
de Mato Grosso, safra 2009..................................................................
2
Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de
Mato Grosso, safra 2010..........................................................................
3
38
39
Porcentagem média de matérias estranhas, impurezas e fragmentos
nos grãos de milho, provenientes de unidades armazenadoras dos
municípios
de
Mato
Grosso,
safras
2009
e
2010.......................................................................................................
4
42
Porcentagem média de grãos carunchados, provenientes de
unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras
2009 e 2010..........................................................................................
5
Porcentagem média de grãos quebrados, provenientes de unidades
armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010...
6
46
Porcentagem de incidência fúngica de amostras de grãos de milho
provenientes de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010.......
8
45
Porcentagem média de grãos avariados, provenientes de unidades
armazenadoras de municípios de Mato Grosso safras 2009 e 2010....
7
43
51
Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de
unidades armazenadoras da região Norte do Estado de Mato
Grosso – safras 2009 e 2010...............................................................
9
55
Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de
unidades armazenadoras da região Sul do Estado de Mato Grosso –
safras 2009 e 2010.......................................................................................
10 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de
unidades armazenadoras da região Leste do Estado de Mato Grosso
56
– safras 2009 e 2010.............................................................................
57
11 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de
unidades armazenadoras da região Oeste do Estado de Mato
Grosso – safras 2009 e 2010................................................................
58
12 Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de
qualidade
física
e
qualidade
sanitária
de
grãos
de
milho
armazenados em Mato Grosso, safra 2009..........................................
62
13 Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de
qualidade
física
e
qualidade
sanitária
de
grãos
de
milho
armazenados em Mato Grosso, safra 2010..........................................
64
LISTA DE QUADROS
Página
1 Enquadramento do milho em tipo de acordo com Brasil (1976 e
1996b)..................................................................................................
31
2 Precipitação e temperatura média dos municípios de coleta do
milho em Mato Grosso, safra 2009 e 2010.........................................
36
3 Enquadramento comercial do milho por município, safra 2009 –
Mato Grosso........................................................................................
48
4 Enquadramento comercial do milho por município, safra 2010 –
Mato Grosso........................................................................................
49
Página
1SINTRODUÇÃO.................................................................................
17
UM
2 REVISÃO DE LITERATURA...........................................................
19
ÁR
2.1 Importância do Milho.....................................................................
19
IO
2.2 Qualidade de Grãos......................................................................
19
2.3 Qualidade Física do Milho.............................................................
21
2.4 Qualidade Sanitária do Milho........................................................
23
2.4.1 Micotoxinas (Aflatoxinas)...........................................................
24
3 MATERIAL E MÉTODOS...............................................................
29
3.1 Área de Estudo..............................................................................
29
3.2 Coleta e Preparo das Amostras....................................................
29
3.3 Delineamento Experimental .........................................................
30
3.4 Qualidade Física...........................................................................
30
3.4.1 Teor de água..............................................................................
30
3.4.2 Massa específica........................................................................
30
3.4.3 Classificação física.....................................................................
31
3.5 Qualidade Sanitária.......................................................................
34
3.5.1 Incidência de fungos..................................................................
34
3.5.2 Análise de micotoxinas (aflatoxinas)..........................................
34
3.6 Análise Estatística........................................................................
35
3.7 Dados Meteorológicos..................................................................
36
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................
37
4.1 Qualidade Física...........................................................................
37
4.2 Qualidade Sanitária.......................................................................
50
4.2.1 Ocorrência de aflatoxinas...........................................................
53
4.3 Correlação entre Qualidade física e sanitária...............................
61
5 CONCLUSÕES................................................................................
65
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................
66
17
1 INTRODUÇÃO
Para se avaliar a qualidade dos grãos, consideram-se o teor de água,
massa específica, percentual de grãos quebrados, teor de impurezas e
matérias estranhas, susceptibilidade à quebra, qualidade de moagem,
conteúdo de proteínas, viabilidade como semente, presença de insetos e
fungos e, tipo de grão. Entretanto, muitas dessas características são
originadas, mantidas ou agravadas durante as etapas de beneficiamento e
armazenamento (Bakker e Arkema, 1994).
O armazenamento de um produto agrícola tem como finalidade a
guarda e conservação dessa qualidade, principalmente nos períodos de
entressafra, com o objetivo de aguardar melhores preços de mercado. No
entanto, perdas poderão ocorrer em decorrência de condições deficientes de
infraestrutura e durante permanência do produto no armazém, ocasionadas
por insetos, fungos, roedores, pássaros e a própria respiração da massa de
grãos. Esses fatores podem depreciar o produto reduzindo a massa de
grãos, através da contaminação fúngica, presença de micotoxinas, perda
quanto à redução do padrão comercial, além dos efeitos na saúde humana e
animal (Dionello et al., 2000).
O Brasil se destaca como um dos principais produtores de milho do
mundo. Entretanto, a maior parte desse milho é colhida tardiamente e
armazenada
em
sistemas
tecnicamente
deficientes,
em
condições
inadequadas de umidade e temperatura, resultando em consideráveis
perdas qualitativas e quantitativas.
18
As perdas quantitativas e qualitativas na pós-colheita de milho são
estimadas em 20%, representadas pelos efeitos do metabolismo dos
próprios grãos, pelos ataques de insetos, ácaros e microrganismos, que se
expressam pela deterioração, na ocorrência de defeitos como grãos
mofados, ardidos, fermentados e prejudicados por diferentes causas e
contaminados
por
fungos
que
produzem
micotoxinas
e
outros
inconvenientes (Dionello et al., 2000). Esses fatores são motivos da
desvalorização do produto e uma ameaça à saúde dos animais e dos seres
humanos.
O Estado do Mato Grosso em 2010 produziu 29.277,1 mil toneladas
de grãos. Desses, 8.132,8 mil toneladas foram de grãos de milho na
segunda safra, apresentando um incremento de 23,9% na área plantada
(CONAB, 2010).
A infraestrutura de armazenagem não tem acompanhado o ritmo de
crescimento da produção agrícola, onde algumas regiões no estado que
estão se destacando como novas potências agrícolas apresentam pontos
críticos em suas redes de armazenagem, como grãos armazenados nos
pátios dos armazéns. Como consequência dessa deficiência ocorre a
depreciação da qualidade dos grãos durante o período de estocagem.
A progressiva necessidade de se produzir grãos com qualidade física
e sanitária para atender a crescente demanda de alimentos e minimizar as
perdas, está fazendo com que se busquem informações e alternativas
capazes de atingir esse propósito.
O presente trabalho objetivou avaliar a qualidade física e sanitária de
grãos de milho armazenados e correlacionar essas características nas
safras 2009 e 2010.
19
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Importância do Milho
O milho apresenta um papel importante na economia mundial, em
função das suas diversas formas de utilização, que vão desde a alimentação
animal até as indústrias de alta tecnologia. Na realidade, o uso do milho em
grão como alimentação animal representa a maior parte do consumo deste
cereal, isto é, cerca de 70% no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 50%
é destinado para esse fim, enquanto que no Brasil varia de 60 a 80%,
dependendo da fonte da estimativa e de ano para ano (Embrapa, 2006b).
A sua utilização em aplicações industriais, como a produção de
etanol, elevou sua importância no contexto de produção de cereais na esfera
mundial. Nesse sentido o milho passou a ser um dos cereais mais
produzidos no mundo (Embrapa, 2007).
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, ficando atrás
apenas dos Estados Unidos e da China. No período de 1995 a 2000, o
rendimento médio das lavouras nacionais foi de 2.654 kg/ha (Conab, 2009).
Em 2010, a produtividade média na primeira safra foi de 4.412 kg/ha, 21,5 %
maior que à alcançada na safra 2008/09 e 4.233 kg/ha na segunda,
superando as expectativas com um incremento de 19,6% (Conab, 2010).
2.2 Qualidade de Grãos
A qualidade de grãos e cereais, geralmente é definida em função da
sua utilização. Assim no mercado externo, é prática cada vez mais comum,
20
as indústrias definirem o tipo de matéria-prima que desejam. Por exemplo,
na indústria de amido, o fator de qualidade é indicado através de
características de grãos que apresentem maiores teores de amido no
endosperma. Por outro lado, aqueles que trabalham com extração de óleo
comestível preferem aqueles com altos teores de óleo no germe. Portanto, a
qualidade do grão para um determinado uso industrial, pode não ter as
mesmas características para outra indústria (Ascheri e Germani, 2004).
Na maioria dos países, os padrões de qualidade, estão baseados na
pureza do grão, cor, quantidade de grãos quebrados, índice de rachados,
material estranho, grãos danificados (incluindo por efeitos de calor de
secagem, por influência do tempo, enfermidades) teor de água, peso
hectolítrico, presença de fungos e presença de micotoxinas (Ascheri e
Germani, 2004). Esses parâmetros definem a qualidade dos grãos para
transações comerciais.
Em termos de produção, a qualidade depende muito da variedade e
práticas culturais. Todos os grãos são expostos, tanto no campo quanto no
armazenamento, à ação de fatores físicos, químicos e biológicos, que
interagem entre si favorecendo os processos de deterioração (Almeida et al.,
2005).
No campo, os fatores que afetam a qualidade dos produtos agrícolas
são: espécie, variedade, condições edafoclimáticas, manejo de adubação,
irrigação,
utilizados
controle
na
fitossanitário,
época,
duração
e
procedimentos
colheita e transporte. No armazenamento, etapas de
beneficiamento como a secagem, quando realizada de forma inadequada,
pode comprometer seus principais objetivos que é a conservação e a
preservação,
por
longos
períodos,
das
qualidades
nutricionais
e
organolépticas desenvolvidas durante a fase de campo (Embrapa, 2006a).
Outro fator que pode comprometer a qualidade dos grãos é o tempo
de armazenamento. Isto propicia a aceleração da deterioração da matériaprima, principalmente se essa matéria-prima tiver sofrido algum dano. É
observado aumento na porcentagem de grãos trincados com a secagem,
21
tornando-os mais susceptíveis à quebra total subsequente, que culmina em
maior deterioração durante o armazenamento (Carvalho et al., 2004)
Cerca de 30% da produção agrícola nacional é perdida em função de
procedimentos na colheita, transporte e armazenamento inadequados. O
excesso de umidade nos grãos representa um dos fatores que resultam na
perda do produto devido a sua associação a outros fatores, como
temperatura, umidade relativa do ar e o próprio grão, proporcionando
substrato ideal para o ataque de insetos e a proliferação microbiana,
resultando na produção de substâncias tóxicas (Embrapa, 2007).
2.3 Qualidade Física do Milho
A qualidade física dos grãos de milho está relacionada à integridade
do grão em relação à presença de trincas, fissuras, grãos quebrados e
impurezas que são altamente prejudiciais ao rendimento final da indústria.
As trincas, matérias estranhas, impurezas e quebrados geralmente são
produzidas por dano mecânico provocados na colheita e movimentação do
grão ou por dano térmico por altas temperaturas durante a secagem (Ascheri
e Germani, 2004).
O conhecimento das características físicas dos grãos como forma,
tamanho, densidade e outras características dos grãos, é importante para
projetos de construção e operação de equipamentos de limpeza, secagem,
classificação, armazenagem e industrialização de produtos agrícolas. Esses
parâmetros ainda são utilizados em operações de comercialização e
diferenciação de variedades (Afonso Júnior et al., 2000).
O milho sob a forma de grãos, destinado à comercialização interna, é
enquadrado em grupos, classes e tipos, segundo sua consistência,
coloração e qualidade de acordo com a classificação aprovada pelo
Ministério da Agricultura, Portaria nº 845 de 08/11/1976 e Portaria nº 11 de
12/04/1996 (Brasil, 1976; 1996b).
Pela classificação brasileira do milho, Portaria nº 845 e Portaria nº 11
do Ministério da Agricultura, as seguintes características qualitativas devem
ser avaliadas em um lote de milho para sua tipificação: grãos ardidos,
22
fermentados até ¼, mofados, brotados, carunchados, chochos ou imaturos,
quebrados, atacados por animais roedores e parasitas ou danificado por
qualquer outra causa, impurezas e matérias-estranhas (Brasil,1976; 1996b).
A presença de grãos avariados (chochos, quebrados, carunchados,
ardidos, queimados e brotados), impurezas, fragmentos, matéria estranha
são mensurados em uma amostra representativa do lote, pela inspeção
visual, peneiramento e pesagem desses tipos de grãos. Dependendo dos
níveis de defeitos nos grãos, pode ocorrer a desvalorização ou rejeição do
lote, pois esses podem comprometer a qualidade dos produtos obtidos, a
eficiência do processo e aumentar a possibilidade de incidência de
micotoxinas.
No padrão de classificação oficial brasileiro de grãos, a presença de
grãos quebrados é considerada fator de depreciação da qualidade em um
lote (Brasil, 1996b). Já no padrão de classificação americano, o principal
critério para a classificação é o peso volumétrico (peso hectolítrico), seguido
pela avaliação visual dos grãos danificados, quebrados e impurezas, onde
são enquadrados em Tipos de 1 a 5 (USDA, 2010).
Carvalho et al. (2004) observaram aumento na porcentagem de
grãos quebrados, perda de peso e maior susceptibilidade à quebra, à
medida em que aumentaram a temperatura de secagem e o tempo de
armazenamento. Os autores também verificaram que o peso dos grãos
diminui com o aumento destas variáveis.
Na classificação padrão de grãos de milho, são considerados como
defeitos somente grãos quebrados, não sendo considerados os grãos
trincados. Têm indústrias que possuem padrões de tolerância próprios para
realização do desconto. No entanto, a grande maioria pratica uma tolerância
máxima para grãos trincados de 40%, e para grãos quebrados 6 a 8% no
máximo (Lazzari et al., 2001). Dessa forma, tanto a quantidade de grãos
trincados como a de grãos quebrados são fatores de qualidade de
importância na comercialização dos grãos de milho.
23
2.4 Qualidade Sanitária do Milho
A associação fúngica tem sido apontada como uma das principais
causas da perda da qualidade de grãos e sementes, durante o plantio e
colheita, bem como no armazenamento.
Entre os danos causados pelos fungos aos grãos estão a diminuição
do poder germinativo, o emboloramento visível, a descoloração, o odor
desagradável, a perda de matéria seca, o aquecimento, o cozimento,
mudanças químicas e nutricionais, além da produção de compostos tóxicos,
as micotoxinas (Lazzari, 1997; Almeida et al., 2000). Essa contaminação
pode fazer com que os grãos tornem-se impróprios para o consumo humano
e animal, resultando em grandes perdas econômicas.
Os fungos presentes nos grãos são classificados conforme suas
exigências de água em dois grupos: fungos de campo e fungos de
armazenamento. Os primeiros colonizam as sementes ainda no campo e
necessitam de elevada umidade relativa do ar (90%) e elevados teores de
água nos grãos (20% a 21%) para o seu desenvolvimento. Nesse grupo,
predominam
as
espécies
dos
gêneros
Alternaria,
Cladosporium,
Helminthosporium e Fusarium. Quanto aos fungos de armazenamento,
requerem umidades, entre 13 e 18%, sendo pouco frequentes durante o
crescimento da planta no campo e nos grãos recém-colhidos. Nesse grupo,
encontram-se os gêneros Aspergillus e Penicillium sendo os principais
(Lazzari, 1997; Pinto, 2005; Embrapa, 2007).
No entanto, essa classificação não é apropriada aos trópicos úmidos,
uma vez que determinadas espécies pertencentes aos gêneros Aspergillus e
Penicillium, anteriormente consideradas como fungos de armazenamento,
podem ocorrer antes da colheita e produzir micotoxinas (Lazzari, 1997).
A invasão fúngica é responsável por causar muitas doenças e
severos danos em grãos de milho. Essa invasão ocorre em duas condições
principalmente: na fase de pré-colheita, causando danos como podridões de
espigas com a formação de grãos ardidos e em pós-colheita dos grãos
durante o beneficiamento, armazenamento e transporte dos grãos mofados
24
ou embolorados. Dentre os fungos que causam danos no milho, como
podridões e consequentemente grãos ardidos destacam-se as espécies dos
genêros: Fusarium, Aspergillus, Penicillium, Cladosporium, Cephalosporium
e Stenocarpella (Pinto, 2005; Embrapa, 2007).
São considerados “grãos ardidos”, grãos atacados por patógenos
e/ou que sofreram algum tipo de injúria que ocasionou a alteração de cor,
fermentação em toda área do germe ou em qualquer outra parte do
endosperma (Brasil, 1996). No entanto, em termos fitopatológicos, apenas
grãos danificados por fungos são considerados “ardidos”, os quais são
caracterizados por sintomas de descoloração e estrias brancas no pericarpo
(Pinto, 2005).
Os grãos ardidos representam uma perda para os produtores, uma
vez que os armazéns que os recebem descontam seu peso do total a ser
pago. A estimativa de grãos ardidos é realizada por amostragens e de
análises visuais no momento da entrega do lote de grãos. Além disso, a
porcentagem de grãos ardidos, juntamente com a de mofados e brotados é
utilizada para classificação do milho em Tipo 1 (até 3%), Tipo 2 (6%) e Tipo
3 (10%) (Brasil, 1996b). Em casos extremos, pode ocorrer a recusa de um
lote por parte do armazém, uma vez que o mercado consumidor está cada
vez mais atento quanto à qualidade do produto. Em algumas agroindústrias,
o limite máximo tolerado é de 6% para grãos ardidos em lotes comerciais de
milho (Pinto, 2005; Embrapa, 2007).
Diversos levantamentos, realizados no Brasil com grãos de milho e
produtos derivados quanto à presença de fungos toxigênicos, apontaram a
predominância dos fungos do gênero Fusarium, Aspergillus e Penicillium
(Marcia e Lazzari, 1998; Almeida et al., 2000; Dilkin et al., 2000; Tanaka et
al., 2001; Santin et al., 2004; Marques et al., 2009).
2.4.1 Micotoxinas (Aflatoxinas)
As micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por
fungos filamentosos, que quando ingeridos, são prejudiciais à saúde humana
e animal. Os principais fungos toxigênicos pertencem aos gêneros
25
Aspergillus, Penicillium e Fusarium (Mallmann e Dilkin, 2007). No Brasil os
relatos de fungos toxigênicos em alimentos, em particular de maior
prevalência no milho apontam a predominância dos fungos dos gêneros
Fusarium, Aspergillus e Penicillium (Sweeney e Dobson, 1998; Kawashima e
Soares, 2006; Kumar et al., 2008). Essa prevalência pode ser evidenciada
por Orsi et al. (2000), quando analisaram 195 amostras de três híbridos de
milho recém-colhidos e armazenados, provenientes do município de Ribeirão
Preto, verificando a predominância do gênero Fusarium, seguido dos
gêneros Penicillium e Aspergillus.
A contaminação de um substrato pelos fungos toxigênicos, pode
ocorrer nas fases de cultivo, pré-colheita, transporte, processamento e
armazenamento (Lazzari, 1997; Scussel, 1998). Os fatores que favorecem
principalmente o crescimento desses fungos e a produção de micotoxinas
em cereais armazenados são: alta umidade relativa do ar, teor de água do
substrato e temperatura de armazenamento (Mallmann e Dilkin, 2007). Os
mesmos autores colocaram que a interação desses fatores associados às
dificuldades de colheita no estágio correto de umidade e maturação; o
transporte de grãos por períodos muito longos com teores elevados de água
e longas filas de espera dos caminhões transportadores na porta de
secadores tem propiciado a proliferação de fungos.
É importante ressaltar que a presença dos fungos toxigênicos
necessariamente não implica na produção de micotoxinas, as quais estão
intimamente relacionadas à capacidade de biossíntese do fungo e das
condições ambientais predisponentes. Da mesma forma, a presença de
toxinas não necessariamente implica na presença do fungo produtor, pois
apresenta grande estabilidade em grãos, mesmo após extinção do fungo
produtor (Pinto, 2005).
Já foram identificadas mais de quinhentas micotoxinas, entretanto as
de maior importância para a agricultura, responsáveis pelos maiores índices
de contaminação de grãos, sementes e outros alimentos são: as aflatoxinas
produzidas por fungos do gênero Aspergillus como A. flavus e A. parasiticus;
as ocratoxinas produzidas por fungos dos gêneros Aspergillus e Penicillium
26
e as fusariotoxinas que possuem como principais representantes os
tricotecenos, zearalenona e as fumonisinas, produzidas por diversas
espécies do gênero Fusarium (Scussel, 1998; Pinto, 2005; Mallmann e
Dilkin, 2007).
No Brasil, a micotoxina de maior importância devido sua alta toxidade
e contaminação de alimentos são as aflatoxinas. São conhecidas mais de
vinte substâncias do grupo das aflatoxinas, porém as mais comuns nos
alimentos são B1, B2, G1 e G2, encontradas principalmente no milho,
amendoim, sementes de algodão e castanhas diversas, sendo a B1 a de
maior prevalência e também a mais tóxica do grupo (Lazzari, 1997; Scussel,
1998; Mallmann e Dilkin, 2007).
Os fatores determinantes para o crescimento de fungos do gênero
Aspergillus e a produção de aflatoxinas em cereais armazenados são:
umidade relativa de 80 a 85%, com teor de água de 17% nos cereais e
temperatura de 24 a 35ºC (Dilkin et al., 2000). No milho, esse fenômeno
ocorre a partir de um teor de água de 17,5% a 18,5%, com temperatura
ótima para sua produção máxima entre 25 a 27ºC. Nessas condições a
produção de aflatoxinas inicia-se em 24 horas (Lazzari, 1997).
A ocorrência de micotoxinas em alimentos e seus derivados não é um
problema restrito apenas a países em desenvolvimento. Essas afetam o
agronegócio de muitos países, interferindo ou até mesmo impedindo a
exportação, reduzindo a produção animal e agrícola e, em alguns países,
afetam também a saúde humana (Leung et al., 2006). De acordo com a
“International Agency for Research on Cancer” – IARC, as aflatoxinas estão
entre os mais importantes carcinógenos conhecidos, sendo classificadas na
Classe 1 dos carcinógenos humanos (IARC, 1993).
No Brasil, os limites máximos de micotoxinas tolerados em alimentos
foram estabelecidos pela resolução n° 7, de 18 de fevereiro de 2011. Para
aflatoxinas em grãos de milho o Ministério da Saúde - ANVISA e o Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, estabelecem o limite
máximo (B1+B2+G1+G2) de 20 µg.kg-1 em alimentos destinados ao consumo
humano. Em relação à presença de aflatoxinas em ingredientes para
27
formulação de rações, o máximo permitido pelo MAPA é de 50 µg.kg-1. Esse
limite é comparável aos estabelecidos por outros países e recomendado
pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO, 2003).
Diversos trabalhos realizados no Brasil e no exterior demonstraram
um elevado número de amostras de milho contaminadas com micotoxinas,
sendo as fumonisinas e aflatoxinas de maior ocorrência (Kawashima e
Soares, 2006; Kumar et al., 2008). Essa contaminação pode ser evidenciada
em avaliações que foram realizadas pelo LAMIC (Laboratório de Análises
Micotoxicológicas), durante os anos de 1994 a 2006. Durante esse período,
de 37.877 amostras de milho analisadas, 50,3% foram positivas para
aflatoxinas, com média de contaminação de 12,2 µg.kg-1 (Mallmann e Dilkin,
2007).
Farias et al. (2000) avaliaram 70 amostras de milho armazenado
quanto à contaminação fúngica e o potencial toxigênicos de espécies do
gênero Aspergillus. Nessas amostras os fungos de maior incidência
pertenciam aos os gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium, com
porcentagens de contaminação que variaram entre 0 e 100%. A espécie
predominante foi a A. flavus, onde 43% isolados sintetizaram aflatoxinas B1
e B2, 11,8% sintetizaram B1, 4,1% sintetizaram B1 e G1, 1,7% sintetizaram
B1, B2 e G1 e em 3,5% não foram detectadas a síntese de aflatoxina.
Ao analisarem 227 amostras de alimentos provenientes do Distrito
Federal, Caldas et al. (2002) verificaram que das 60 amostras de milho em
grão avaliadas, 60% apresentou contaminação por aflatoxinas. Os autores
ainda constataram que aflatoxina B1 foi detectada em todas as amostras.
No comércio das cidades de Maringá, Paraná e São Paulo foram
avaliadas 121 amostras de alimentos à base de milho, quanto à ocorrência
de aflatoxinas. Dessas amostras, três (2,5%) foram positivas para aflatoxina
B1 (8 a 59 µg.kg-1), duas (1,7%) para aflatoxina B2 (2,4 µg.kg-1), uma (0,8%)
para ocratoxina A (64 µg.kg-1) e uma (0,8 %) para zearolenona (448 µg.kg-1).
A maior freqüência de amostras positivas e também a maior concentração
de aflatoxina B1 foi encontrada nas amostras de pipoca (8,3%, 59 µg.kg-1)
(Sekiyama et al., 2005).
28
Kawashima e Soares (2006) avaliaram 74 amostras de produtos a
base de milho provenientes do comércio de Recife, quanto a presença das
aflatoxinas B1+B2+G1+G2. Os autores verificaram que cinco amostras
continham aflatoxina B1 e a concentração máxima encontrada foi 20 µg.kg-1,
duas amostras ultrapassaram limite permitido de 20 µg.kg-1 para a somatória
das aflatoxinas B1, B2, G1 e G2 com 23,3 µg.kg-1.
Almeida et al. (2009) estudaram 80 amostras quanto a ocorrência de
aflatoxinas (AFs) em milho destinado à alimentação de aves no Estado da
Bahia. Os resultados revelaram que 10% amostras estavam contaminadas,
com níveis variáveis de 1 a 5 µg.kg-1.
Ao analisar a distribuição de aflatoxinas nos grãos de milho
contaminados, após uma segregação visual de defeitos, Piedade et al.
(2002) verificaram que o grupo de grãos com defeitos (brotados, ardidos,
carunchados, quebrados, mofados e chochos) apresentaram 84% de
contaminação por aflatoxinas do total de grãos. O nível de contaminação nos
grãos com defeitos variou de 23 a 1365 µg.kg-1, já nos grãos sem defeitos
variaram de não detectados a 125 µg.kg-1, com a maioria das amostras
apresentando níveis até 20 µg.kg-1.
Gloria et al. (2004) avaliaram a distribuição
da
ocorrência
de
aflatoxinas em quatro frações de amostras de milho separadas de acordo
com o padrão oficial de classificação do milho quanto aos defeitos, para
enquadramento em tipo. A fração que continha grãos ardidos, mofados,
queimados e brotados apresentou o nível mais alto de aflatoxinas. No
entanto, observaram que o número de amostras com nível de contaminação
acima daquele permitido pela legislação brasileira (20 µg.kg-1) foi o mesmo
para os tipos qualitativos 2, 3 e AP (abaixo do padrão), e que duas amostras
classificadas como tipo 1 apresentaram contaminação de 380 µg.kg-1 e 146
µg.kg-1.
29
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Área de Estudo
A pesquisa foi desenvolvida com grãos de milho colhidos nas safras
de 2009 e 2010. O milho foi coletado nas quatro regiões do Estado de Mato
Grosso, Norte, Sul, Leste e Oeste, nos quatro principais municípios de cada
uma, de acordo com sua importância em área plantada, produção e
produtividade a partir de dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE e Companhia Nacional de Abastecimento –
CONAB. Na região Norte foram os municípios de Nova Mutum, Lucas do Rio
Verde, Sorriso e Sinop; na região Centro – Sul: Campo Verde, Primavera do
Leste, Alto Taquari e Jaciara; e na região Leste (Vale do Araguaia),
Canarana, Querência, Nova Xavantina e Gaúcha do Norte.
Para a região Oeste (Médio – Norte) foram avaliados apenas os
municípios de Sapezal e Campos de Júlio, durante a safra 2009, em função
de problemas de amostragem. Já na safra 2010, foram avaliados os
municípios de Sapezal, Campos de Júlio e Campo Novo do Parecis.
3.2 Coleta e Preparo das Amostras
Em cada um dos municípios, foram realizadas coletas de amostras de
5 kg de grãos de milho limpo e seco, provenientes das Unidades
Armazenadoras – UA selecionadas de cada local, de acordo com as normas
estabelecidas pelo MAPA.
30
O critério utilizado para seleção das unidades armazenadoras foi
baseado na capacidade estática média das unidades de cada município por
região, onde se enquadraram na faixa de 30.000 a 100.000 (t).
Esses grãos de milho foram coletados nas UA um mês após a
colheita, onde já haviam passado pelas etapas de limpeza e secagem.
As amostras foram devidamente identificadas e acondicionadas em
sacos, contendo a data e o local da coleta para envio ao laboratório.
No laboratório essas amostras permaneceram armazenadas em
câmara seca com temperatura de 17 ± 3°C, até o momento da realização de
cada análise.
3.3 Delineamento Experimental
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em
esquema fatorial 14 x
3, sendo 14 municípios
e três unidades
armazenadoras de cada município, totalizando 42 tratamentos, com três
repetições para safra 2009.
Para safra 2010, foi utilizado o esquema fatorial 15 x 2, totalizando 30
tratamentos, com três repetições.
3.4. Qualidade Física
Para compor o dado de cada repetição estatística foram realizadas as
repetições de cada análise e depois feita à média aritmética.
3.4.1 Teor de água
Foi realizado com três subamostras de 5 g de grãos de milho, para
cada repetição, utilizando o método de estufa 105 ± 3°C, durante 24 h
(Brasil, 2009) e o resultado expresso em base úmida.
3.4.2 Massa específica
Foi obtida a partir da determinação do peso hectolitro, em balança
hectolítrica com capacidade de ¼ de litro, utilizando três subamostras para
cada repetição. Os resultados obtidos em kg/hL foram transformados e
31
expressos em kg/m3(Brasil, 2009). Após a transformação os valores de
massa específica verificados foram corrigidos para o menor teor de água
encontrado nas amostras de cada safra.
3.4.3 Classificação física
Foi realizada com base no Padrão de Qualidade do MAPA para
grãos de milho, estabelecido pela Portaria nº 845 de 08/11/1976 e Portaria
nº 11 de 12/04/1996 (Brasil, 1976; 1996b).
Três amostras de 1 kg de cada tratamento foram homogeneizadas e
divididas para se obter uma subamostra de trabalho de 250 g cada. Essas
amostras de trabalho passaram pela peneira de crivo circular de 5 mm de
diâmetro, para a separação das matérias estranhas, impurezas e fragmentos
e, pesagem e cálculo da porcentagem para cada variável. A soma dessas
variáveis foi utilizada para o enquadramento em tipo (Quadro 1 e Figura 1).
Os grãos e os pedaços de grãos de milho que ficaram retidos na
peneira foram separados conforme os seguintes defeitos em: mofados,
ardidos
e brotados, quebrados, chochos
e imaturos, carunchados,
fermentados até ¼ e prejudicados por diferentes causas (Figura 2). Esses
foram pesados isoladamente e anotados. As massas obtidas para cada um
foram transformadas em porcentagem.
QUADRO 1. Enquadramento do milho em tipo de acordo com Brasil (1976 e
1996b).
Tolerâncias máximas (%)
Avariados
Grau de umidade
Tipo
(%)
Matérias
estranhas e
Total (%)
Máximo de
Ardidos e
Brotados (%)
impurezas (%)
1
2
3
*A.P.
14,5
14,5
14,5
> 14,5
* A.P. Abaixo do Padrão
1,5
11
3
2,0
18
6
3,0
27
10
(a serem especificados em cada caso)
32
Amostras de trabalho
Determinação do Tipo
(Amostra de 250 g)
Peneira de crivo circular de 5,0 mm
Separar fragmentos – pedaços de grãos
sadios que vazaram pela peneira
Separar as matérias estranhas e impurezas que
ficaram retidas na peneira e juntar às que
vazaram pela peneira
Pesar, somar os dois resultados e fazer o enquadramento em
Tipo.
Separar os defeitos
Fermetandos até ¼; Chochos;
Carunchados; Prejudicados por
diferentes causas; Quebrados
Mofados;
Ardidos;
Brotados
Pesar e enquadrar em Tipo
Fazer o enquadramento final do milho
FIGURA 1. Procedimentos de classificação do milho.
33
Matérias estranhas e impurezas
Fragmentos
Mofados
Ardidos
Brotados
Carunchados
Prejudicados por diferentes causas
Fermentados até ¼
Chochos e imaturos
Quebrados
FIGURA 2. Defeitos dos grãos ou pedaços de milho conforme as Portarias
do Ministério da Agricultura nº 845 de 08/11/1976 e nº 11 de
12/04/1996b.
34
3.5 Qualidade Sanitária
3.5.1 Incidência de fungos
A detecção fúngica foi determinada pelo teste de sanidade através do
método de incubação em papel filtro (Blotter Test) segundo a metodologia
proposta por Neergaard (1985), modificada, com restrição hídrica (Machado
et al., 2003). Foram utilizadas oito subamostras de 25 grãos. Esses grãos
foram desinfectados superficialmente com hipoclorito de sódio a 2%, por
dois minutos e, logo em seguida lavados em água destilada. Após a
assepsia, os grãos foram colocados de forma equidistante, em placas de
Petri, contendo duas folhas de papel de filtro umedecidas com solução de
cloreto de sódio (NaCl), com potencial hídrico de – 1,0 MPa, sendo todo o
material utilizado foi previamente esterilizado.
Em seguida, as placas foram incubadas em temperatura de 25 ± 2°C,
por sete dias, na câmara de germinação. Após esse período, realizou-se a
identificação dos
gêneros
de
fungos
com auxílio de
microscópio
estereoscópico e/ou biológico e quantificação da sua incidência em
porcentagem.
3.5.2 Análise de micotoxinas (aflatoxinas)
Para quantificação das aflatoxinas (B1+B2+G1+G2), amostras de 0,5
kg de grãos de milho coletadas em cada unidade armazenadora foram
encaminhadas para o Laboratório SAMITEC (Instituto de Soluções Analíticas
Microbiológicas e Tecnológicas - RS), credenciado pelo MAPA.
A presença de aflatoxinas nos grãos de milho foi determinada pela
metodologia automatizada de extração e purificação em fase sólida e
derivação para aflatoxinas com auxílio de um sistema de extração em fase sólida e
processamento automatizado de amostras (ASPEC XL), acoplado a Cromatografia
Líquida de Alta Eficiência (CLAE) conforme publicado por Mallmann et al. (2000).
A extração foi realizada juntando-se 50 gramas de amostra moída
com 100 ml de acetonitrila/água por 5 minutos em liquidificador a 13600 rpm.
35
Após filtrou-se a solução em papel filtro n. 4 e secou 5 ml com vácuo a 65
C em tubo de ensaio. Redilui-se o substrato com 500 l de acetonitrila/água
(84:16 v/v) e levou ao ASPEC XL programado para realizar a clarificação
das amostras.
Para clarificação foram realizadas as seguintes etapas.:
1) Aspirou-se 500 l do tubo de ensaio;
2) Filtrou-se em cartucho de 6 ml com 300 mg da associação de
adsorventes de fase reversa, exclusão e troca iônica (deriva as
toxinas);
3) Juntou 100 l da amostra com 350 l de TFA (água/ácido
trifluoracético/ácido acético glacial (7:2:1 v/v/v) em rack climatizado
com temperatura de 65 C por 9 minutos;
4) Resfriamento foi realizado por 3 minutos em temperatura ambiente;
5) Injeção de 100 l para cromatografia.
Na análise por CLAE os parâmetros empregados foram: fase
móvel composta de água/metanol/acetonitrila (77:21:2 v/v/v) com fluxo de
1 ml por minuto; coluna cromatográfica RP C18 5  (150 X 4,6 mm) em
temperatura constante de 45 C e detecção sob fluorescência com
comprimento de onda de 365 e 455 nm para excitação e emissão,
respectivamente.
O registro cromatográfico era computadorizado e integrado pelo
programa Borwin. A identificação das toxinas foi realizada pelo tempo de
retenção e a quantificação realizada pela área das toxinas. A eluição da
AfG1, AfB1, AfG2 e AfB2 ocorreu aos 5, 7, 12 e 17 minutos, com limites
de quantificação de 0,7; 0,4; 1,3 e 0,4 µg.kg-1 e coeficiente de
recuperação de 101,2; 93,2; 58,9 e 63,2%, respectivamente.
3.6 Análise Estatística
Os dados obtidos foram submetidos aos testes de Lilliefors (5%), para
verificar se os valores seguiram a distribuição normal e de Cochran e Bartlett
(5%), para verificar a homogeneidade de variâncias. Quando necessário foi
realizada a transformação dos dados para √(x + 1). As médias foram
36
submetidas à análise de variância e comparadas pelo teste de Scott & Knott
a 5% de probabilidade utilizando o software SAEG 5.0.
3.7 Dados Meteorológicos
Os dados de precipitação (mm) e temperatura (°C) foram obtidos da
Embrapa Informática Agropecuária em estações metereológicas nos locais
de coleta avaliados ou em estações próximas aos mesmos. Referem-se ao
período da cultura a campo e correspondem à média dos meses de fevereiro
a junho da safra 2009 e safra 2010 (Agritempo, 2011). Calculou-se para o
período os valores médios de temperatura e o acumulado total de
precipitação.
QUADRO 2. Precipitação e temperatura média dos municípios de coleta do
milho em Mato Grosso, safra 2009 e 2010.
Precipitação
Precipitação
Temperatura
Temperatura
(mm) 2009
(mm) 2010
média (ºC)
média (ºC)
2009
2010
Municípios
Lucas do Rio Verde
1362,3
1170,7
27,0
27,4
Nova Mutum
536,7
510,3
25,4
25,6
Sinop
545,1
150,4
25,3
25,9
Sorriso
375,2
1259,3
25,8
24,2
Canarana
1347,1
1274
25,6
26,6
Gaucha do Norte
520,9
955,3
23,4
23,7
Nova Xavantina
808
350,1
26,0
26,4
Querência
690,7
200,3
25,7
26,5
Alto Taquari
744,2
529,4
22,0
22,3
Campo Verde
973,9
144,1
23,3
23,7
Jaciara
486,8
1195,3
26,5
26,9
Primavera do Leste
700,8
1118,4
25,3
25,5
Sapezal
293,6
1187
24,4
25,5
Campos de Julio
1266,1
1481,7
23,3
23,4
312,3
1176,4
22,8
23,4
Campo Novo do
Parecis
Fonte: Agritempo, 2011.
37
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Qualidade Física
O teor de água das amostras de milho da safra 2009 variou de 8,7% a
11,5% (Tabela 1) e de 7,3% a 11,1% para as amostras da safra 2010
(Tabela 2). Esses valores encontram - se na faixa admitida pela classificação
oficial que é de no máximo 14,5% (Brasil, 1976; 1996b), e compatíveis com
os teores recomendados para o armazenamento seguro do milho que são
13% a 14%, sem risco de deterioração por um ano e de 12% por um período
superior a um ano (Lazzari, 1997).
Teores de água inferiores a 14% são seguros para a armazenagem,
pois desfavorecem o crescimento fúngico e produção de micotoxinas,
conforme verificado por Almeida et al. (2009). Os autores observaram que o
controle de qualidade, adotado por duas empresas de ração destinado à
alimentação de aves no Estado da Bahia em receber amostras com teor de
água de no máximo de 13%, permitiu armazenamento seguro até o
momento do processamento dos grãos, onde os níveis de aflatoxinas
encontrados nas amostras (1µg.kg-1 a 5 µg.kg-1)
eram baixos quando
comparado com o permitido pela legislação (50 µg.kg-1).
38
TABELA 1. Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2009.
Municípios
Lucas do Rio Verde
Nova Mutum
Sinop
Sorriso
Canarana
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Querência
Alto Taquari
Campo Verde
Jaciara
Primavera do Leste
Sapezal
Campos de Julio
Média (%)
C.V. (%)
Desvio padrão
Teor de
água* (%)
10,8 D
10,4 F
10,8 D
10,2 G
10,7 E
8,7 H
10,8 D
10,4 F
11,0 C
11,3 B
11,5 A
10,3 F
10,6 E
10,8 D
10,64
1,13
0,65
Massa
Específica*
3
(kg/m )
765 E
771 C
755 G
772 C
739 H
769 D
783 A
769 D
767 E
758 E
785 A
774 C
772 C
779 B
768
0,31
11,87
Defeitos (%)
Ardidos*
0,88 C
0,68 D
1,27 B
0,92 C
0,98 C
0,71 D
1,28 B
1,05 C
0,58 D
0,49 E
0,81 D
0,30 E
1,20 B
2,53 A
0,98
14,82
0,53
Fermentados até
1/4*
0,56 C
0,94 B
0,37 D
0,92 B
0,48 C
0,25 D
0,28 D
1,54 A
1,02 B
0,33 D
0,68 C
0,53 C
0,49 C
0,64 C
0,65
13,16
0,36
Carunchados*
Quebrados*
3,62 C
1,40 D
1,15 E
0,36 E
13,76 A
0,78 E
6,23 B
2,06 D
0,46 E
0,74 E
1,05 E
0,97 E
0,22 E
0,77 E
2,40
14,22
3,64
3,55 D
3,75 D
7,45 B
3,47 D
3,92 D
10,61 A
5,82 C
1,30 G
3,69 D
6,10 C
2,42 F
3,69 D
2,87 E
3,66 D
4,45
14,14
2,36
Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.
*O resultado de cada característica analisada por município, corresponde à média de nove repetições.
Total de
avariados*
9,36 E
7,64 F
11,10 D
6,31 G
19,93 A
13,27 C
14,25 B
7,00 G
7,82 F
8,44 F
5,15H
5,95 H
5,97 H
8,43 F
9,33
10,22
4,08
39
TABELA 2. Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2010.
Municípios
Lucas do Rio Verde
Nova Mutum
Sinop
Sorriso
Canarana
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Querência
Alto Taquari
Campo Verde
Jaciara
Primavera do Leste
Sapezal
Campos de Julio
Campo Novo do Parecis
Média (%)
C.V. (%)
Desvio padrão
Teor de
água* (%)
9,9 A
9,1 B
9,9 A
9,8 A
7,6 C
8,9 B
7,3 C
10,2 A
11,1 A
9,0 B
8,7 B
8,3 B
9,7 A
10,1 A
8,7 B
9,26
13,38
1,02
Massa
Específica*
3
(kg/m )
792 A
756 D
765 C
778 B
754 D
770 C
760 D
791 A
784 A
777 B
785 A
768 C
787 A
777 B
788 A
775
1,28
12,69
Defeitos (%)
Ardidos*
(0,40)1,18 D
(0,72) 1,30 C
(0,98) 1,40 B
(0,38) 1,16 D
(1,21) 1,47 B
(0,83) 1,32 C
(0,71) 1,30 C
(0,90) 1,37 B
(0,67)1,29 C
(0,41) 1,18 D
(0,72) 1,03 E
(0,14) 1,06 E
(0,98) 1,39 B
(0,56) 1,24 D
(2,19) 1,91 A
1,31
7,05
0,21
Fermentados
até ¼*
(1,28)1,50 B
(1,01)1,40 C
(1,02) 1,40 C
(1,41) 1,53 B
(1,80) 1,63 A
(2,21) 1,71 A
(1,46) 1,55 B
(2,18) 1,77 A
(0,93) 1,38 C
(0,23) 1,10 D
(0,23) 1,10 D
(0,34) 1,15 D
(0,22) 1,10 D
(0,60) 1,25 D
(1,94) 1,65 A
1,42
8,57
0,23
Carunchados*
Quebrados*
(0,00)1,00 C
(0,61) 1,24 B
(0,89) 1,04 C
(0,23) 1,10 C
(0,61) 1,24 B
(0,12) 1,05 C
(0,68) 1,00 C
(0,46) 1,02 C
(0,00) 1,00 C
(0,54) 1,23 B
(0,00) 1,00 C
(0,13) 1,06 C
(1,53) 1,50 A
(0,54) 1,22 B
(0,60) 1,21B
1,13
10,93
0,14
(1,38) 1,54 G
(3,94) 2,17 E
(5,45) 2,53 C
(3,70) 2,15 E
(14,66) 3,79 A
(7,96) 2,96 B
(5,87) 2,61 C
(1,49) 1,57 G
(2,36) 1,81 F
(5,83) 2,61 C
(1,16) 1,46 G
(5,76) 2,57 C
(4,91) 2,39 D
(4,97) 2,44 D
(4,95) 2,42 D
2,34
4,70
0,60
Total de
avariados*
(4,12) 2,26 I
(7,37) 2,79 G
(8,68)3,20 E
(6,57) 2,73 G
(21,70) 4,71 A
(14,38)3,78 B
(10,61) 3,39 D
(5,55) 2,55 H
(4,64)2,37 I
(8,67) 3,09 E
(1,97) 1,71 J
(7,19) 2,82 G
(7,94) 2,99 F
(7,49) 2,91 F
(12,25) 3,59 C
2,99
3,68
0,71
Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese.
*O resultado de cada característica analisada por município, corresponde à média de nove repetições
40
Tanto na safra 2009 quanto na safra 2010 (Tabelas 1 e 2), as amostras
coletadas em todos os municípios, exceto Canarana em 2009, apresentaram
massa específica superior ao padrão 750 kg.m-3 o que representa alta
qualidade de grãos (Didonet et al., 2001). Nos Estados Unidos a massa
específica dos grãos é o principal critério utilizado no processo de classificação
padrão para enquadramento em tipo e análise de qualidade (Duarte et al.,
2007; USDA, 2010). A massa específica também é utilizada como um
parâmetro em transações de compra e venda e, um critério de avaliação de
qualidade de grãos a ser observado durante o armazenamento.
Na safra 2009 (Tabela 1), os valores de grãos ardidos variaram de 0,3%
a 2,53%, com o município de Campos de Julio apresentando a maior média;
grãos fermentados variaram de 0,25% a 1,54%, com médias mais altas em
Querência; grãos carunchados de 0,22% a 13,76% (Canarana); quebrados de
1,30% a 10,61% (Gaúcha do Norte) e o total de avariados variou de 5,15% a
19,93% Canarana.
Em 2010, as médias de ardidos variaram de 0,38% a 2,19% em Campo
Novo do Parecis ; fermentados de 0,22% a 2,21% em Gaúcha do Norte;
carunchados de 0,12% a 1,53% (Gaúcha do Norte); quebrados de 1,16% a
14,66%, com o município de Canarana apresentando a maior média e total de
avariados que variou de 1,97% a 14, 38% em Gaúcha do Norte e a 21,70% em
Canarana.
Os defeitos de ardidos e fermentados até ¼ são o reflexo das podridões
das espigas originadas ainda no campo, provenientes da ação fúngica, que sob
condições favoráveis de temperatura, umidade relativa e teor de água, podem
acelerar o processo de deterioração durante o armazenamento (Pinto, 2005).
Na classificação oficial, grãos ardidos juntamente com mofados e
brotados são considerados defeitos graves que leva ao enquadramento oficial
do milho em tipos 1, 2 e 3 com limites de tolerância máxima de 3%, 6% e 10%
respectivamente. Na safra 2009 e 2010 todos os municípios avaliados
indicaram porcentagens de grãos ardidos nas amostras de milho abaixo de 3%
(Tabelas 1 e 2), enquadrando este em Tipo 1, melhor tipo quanto a qualidade.
Considerando que a maioria das agroindústrias produtoras de frangos e
suínos adotam um valor máximo de 6% para grãos ardidos no recebimento do
milho (Cruz et al., 2008), inferior ao da classificação oficial, indica que as
41
amostras de grãos de milho analisadas além de apresentarem um bom padrão
de qualidade quanto a classificação oficial também estão abaixo do limite de
tolerância estabelecido pelas indústrias. Esse resultado é excelente para os
produtores dos municípios estudados, uma vez que as mesmas agroindústrias
produtoras podem bonificar seus fornecedores a cada ponto percentual abaixo
do limite (6%).
Dos municípios analisados na safra 2009, Sinop e Gaúcha do Norte
apresentaram as maiores médias de grãos quebrados 7,45% e 10,61%,
respectivamente. Na safra 2010, Gaúcha do Norte e Canarana foram os que
apresentaram os maiores valores médios de grãos quebrados 7,96% e 14,
66%. Esse defeito, na classificação oficial, é considerado fator de depreciação
da qualidade de um lote, por levar a um enquadramento em tipo inferior quando
presente em grandes porcentagens. Ocasionado por danos mecânicos durante
a colheita e nas etapas de beneficiamento e estocagem dos grãos, a presença
de grãos quebrados influencia, também, em muitas ações de compra e venda
entre empresas de alimentos e produtores, onde a tolerância máxima permitida
é de 6 a 8% (Lazzari et al., 2001).
O município de Canarana apresentou as maiores médias para o total de
avariados e grãos carunchados na safra 2009, em comparação aos demais
municípios (Tabela 1). Em relação à safra 2010, o município de Sapezal
apresentou a maior média de grãos carunchados (1,53%) e Canarana de total
de avariados (21,70%). De acordo com Puzzi (2000), condições de
armazenamento do local, como deficiência no monitoramento, controle de
pragas e carência nos processos de limpeza, afetam a conservação dos grãos
armazenados, ocasionando assim, a depreciação da qualidade do produto e
perda quanto à redução do padrão comercial.
Na classificação do milho quanto ao tipo, o limite máximo de tolerância
para matérias estranhas, impurezas e fragmentos é de 3%. Amostras de milho
que apresentarem valores superiores a esse são consideradas abaixo do
padrão oficial para comercialização (Brasil, 1976; 1996b).
Todas as amostras de milho analisadas nas safras 2009 e 2010, exceto
na unidade UA3 (2009) e UA2 (2010) em Gaúcha do Norte, apresentaram
médias de matérias estranhas, impurezas e fragmentos abaixo do limite (3%) e
com baixas variações entre os municípios.
42
TABELA 3. Porcentagem média de matérias estranhas, impurezas e fragmentos nos grãos de milho, provenientes
de unidades armazenadoras dos municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Municípios
UA1*
Lucas do Rio Verde
(1,27) 1,50 a
Safra 2010
UA3*
Municípios
(1,62) 1,61a
(1,34) 1,52 a
Lucas do Rio Verde
(0,29) 1,13 a
(0,27) 1,12 a
UA2*
UA1*
UA2*
Nova Mutum
(1,78) 1,66 b
(1,91) 1,69 b
(5,54) 2,54 a
Nova Mutum
(1,19)1,47 a
(0,27) 1,12 b
Sinop
(0,82) 1,35 b
(0,72) 1,30 b
(3,92) 2,21 a
Sinop
(1,01) 1,41a
(1,28) 0,64 a
Sorriso
(1,56) 1,60 a
(0,23) 1,10 b
(0,57) 1,25 b
Sorriso
(1,15) 1,46 a
(1,20) 1,48 a
Canarana
(5,55) 2,55 b
(5,03) 2,45 b
(7,56) 2,92 a
Canarana
(8,62) 3,10 a
(5,10) 2,48 b
Gaúcha do Norte
(3,90) 2,21 b
(4,03) 2,19 b
(11,99) 3,59 a
(6,25)2,69 b
(10,23)3,24 a
Nova Xavantina
(2,60) 1,89 a
(1,21) 1,48 b
(1,19) 1,47 b
Nova Xavantina
(3,28) 2,06 a
(2,69) 1,91 b
Gaúcha do Norte
Querência
(0,50) 1,22 b
(0,32) 1,15 b
(3,08) 2,02 a
Querência
(0,87)1,36 a
(0,63) 1,27 a
Alto Taquari
(0,94) 1,39 b
(1,38) 1,54 b
(3,12) 2,03 a
Alto Taquari
(0,88)1,36 a
(0,15) 1,07 b
Campo Verde
(2,25) 1,80 a
(2,42) 1,85 a
(0,83)1,30 b
Campo Verde
(1,70)1,64 a
(1,78) 1,66 a
Jaciara
(0,17) 1,08 b
(0,24) 1,11 b
(0,82) 1,35 a
Jaciara
(0,10)1,05 a
(0,42) 1,19 a
Primavera do Leste
(0,65) 1,28 a
(0,72) 1,31a
(0,59) 1,26 a
Primavera do Leste
(3,69)2,16 a
(1,25)1,50 b
Sapezal
(0,69) 1,30 a
(0,41) 1,18 a
(1,01) 1,42 a
Sapezal
(1,23)1,49 b
(1,97)1,72 a
Campos de Júlio
(0,60)1,26 a
(0,38) 1,17 a
Campo Novo do Parecis
(2,41)1,84 b
(6,74) 2,77 a
Campos de Júlio
(1,14) 1,46 a
(0,69) 1,30 b
(0,40) 1,18 b
Média (%)
1,64
Média (%)
1,69
C.V. (%)
7,94
C.V. (%)
5,13
Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese.
UA = Unidade Armazenadora.
O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições
43
TABELA 4. Porcentagem média de grãos carunchados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios
de Mato Grosso, safras 2009 e 2010
Safra 2009
Municípios
.
UA1*
Lucas do Rio Verde
(1,94) 1,71 b
UA2*
(8,90) 3,14 a
Safra 2010
UA3*
(0,97) 1,00 c
Municípios
UA1*
Lucas do Rio Verde
UA2*
(0) 1,00 a
(0) 1,00a
Nova Mutum
(1,91) 1,70 a
(0,86)1,36 a
(1,43)1,56 a
Nova Mutum
(1,19)1,47 a
(0,28) 1,01b
Sinop
(1,10) 1,43 b
(0,11) 1,05 c
(2,23) 1,78 a
Sinop
(0,17)1,08 a
(0) 1,00a
Sorriso
(0,33) 1,14 a
(0,01) 1,00 a
(0,75) 1,32 a
Sorriso
(0,15) 1,07 a
(0,31) 1,14a
Canarana
(15,87) 4,10 a
(7,67) 2,94 b
(17,74)4,32 a
Canarana
(0) 1,00 b
(1,23) 1,49a
Gaúcha do Norte
(0,50) 1,21 a
(1,00) 1,39 a
(0,86)1,36 a
Gaúcha do Norte
(0) 1,00 a
(0,25) 1,11a
Nova Xavantina
(1,13) 1,44 b
(8,45) 3,02 a
(9,11) 3,17 a
Nova Xavantina
(0,13) 1,00a
(0) 1,00a
Querência
(1,06) 1,43 b
(3,45) 2,10 a
(1,67) 1,63 b
Querência
(0) 1,00 a
(0,92) 1,04a
Alto Taquari
(0,46) 1,20 a
(0,93) 1,37 a
(0,00) 1,00 a
Alto Taquari
(0) 1,00 a
(0) 1,00a
Campo Verde
(0,37) 1,16 b
(1,72) 1,60 a
(0,13) 1,06 b
Campo Verde
(0,81) 1,34a
(0,27) 1,12b
Jaciara
(1,73) 1,65 a
(1,14) 1,46 a
(0,28) 1,12 b
Jaciara
(0) 1,00 a
(0) 1,00a
Primavera do Leste
(1,04) 1,42 a
(1,09) 1,44 a
(0,79) 1,33 a
Primavera do Leste
(0,27)1,12 a
(0) 1,00a
Sapezal
(0,16) 1,07 a
(0,19) 1,08 a
(0,31) 1,14 a
Sapezal
Campos de Júlio
Campos de Júlio
(2,26) 1,79 a
(0,06) 1,02 b
(0,00) 1,00 b
Campo Novo do Parecis
(0) 1,00 b
(3,06) 2,01a
(0,96) 1,39 a
(0,12) 1,05b
(0,96) 1,32a
(0,24) 1,10b
Média (%)
1,65
Média (%)
1,13
C.V. (%)
11,59
C.V. (%)
10,93
Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese.
UA = Unidade Armazenadora. *O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições.
44
Para grãos carunchados, ocorreram poucas variações entre as unidades
armazenadoras, tanto na safra 2009 quanto em 2010. Das 42 unidades
armazenadoras
pesquisadas
em
2009,
somente
em
seis
os
grãos
apresentaram acima de 2% de grãos carunchados. Na safra 2010, somente
uma unidade armazenadora em Sapezal apresentou 2,01% de grãos
carunchados. Em Canarana, em 2009, em todas as unidades armazenadoras
foram encontrados valores acima de 2%. Esse defeito quando evidenciado em
uma massa de grãos pode ser considerado como um indicativo da depreciação
da qualidade de um produto. A presença de insetos vivos ou mortos durante o
armazenamento ocasiona perdas na massa dos grãos, do valor nutritivo e
redução do padrão comercial (Embrapa, 2007).
Somente em dois municípios não ocorreram variações entre as
porcentagens de grãos quebrados, na safra 2009 e em três municípios em
2010 (Tabela 5). Nas unidades armazenadoras de Gaúcha do Norte (safra
2009) foram verificadas as maiores médias de grãos quebrados 9,01%, 9,20%
e 13,61%. Para safra 2010, as unidades de Canarana apresentaram as
maiores médias, 6,07% e 23,25%. Embora não seja considerado um defeito
grave pela classificação oficial, a ocorrência de grãos quebrados pode rebaixar
o Tipo de uma amostra de milho, penalizando mais ou até fazendo com que
fique fora do padrão.
Nas safras 2009 e 2010, as unidades armazenadoras de Canarana,
Gaúcha do Norte e Nova Xavantina, apresentaram as maiores médias de total
de avariados (Tabela 6), devido à presença expressiva de grãos quebrados,
que foi o defeito de maior ocorrência e que mais contribuiu na soma do total de
avariados. Esse defeito leva ao enquadramento em tipo inferior quanto ao
padrão comercial e serve como porta de entrada para patógenos. O mesmo
deve receber maior atenção por parte de produtores e beneficiadores de grãos
quanto sua ocorrência, pois funciona como um alerta de que, em alguma etapa
do processo de colheita, beneficiamento e armazenamento, operações estão
sendo realizadas de forma inadequada e que, se não sanadas, podem
depreciar a qualidade do grão.
45
TABELA 5. Porcentagem média de grãos quebrados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios
de Mato Grosso, safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Municípios
UA1*
UA2*
Lucas do Rio Verde
(2,87)1,96 b
(1,36) 1,53 c
Safra 2010
Municípios
UA3*
(6,42) 2,73 a
UA1*
Lucas do Rio Verde
(1,26)1,50 a
UA2*
(1,50)1,58 a
Nova Mutum
(4,24) 2,29a
(5,34) 2,51 a
(1,67) 1,63 b
Nova Mutum
(5,84) 2,61a
(2,04) 1,74b
Sinop
(5,92)2,63 b
(5,48) 2,54 b
(10,93)3,45 a
Sinop
(5,17)2,48 a
(5,72) 2,59 a
Sorriso
(5,30)2,50 a
(1,83) 1,68 c
(3,29) 2,07 b
Sorriso
(4,72) 2,39 a
(2,68) 1,91 b
Canarana
(0,87)1,33 b
(10,53) 3,39 a
(0,38) 1,17 b
Canarana
(23,25) 4,92 a
(6,07) 2,65 b
Gaúcha do Norte
(9,01)3,16 b
(13,61) 3,82 a
(9,20) 3,19 b
Gaúcha do Norte
(5,46) 2,54 b
(10,46) 3,38 a
Nova Xavantina
(13,15) 3,75a
(2,80)1,93 b
(1,53)1,55 c
Nova Xavantina
(6,24) 2,68 a
(5,51) 2,55a
Querência
(0,62) 1,27b
(0,26) 1,12 b
(3,03) 2,00 a
Querência
(1,67) 1,63 a
(1,31) 1,51a
Alto Taquari
(4,62) 2,37a
(1,86) 1,68 b
(4,60) 2,36 a
Alto Taquari
(3,18) 2,04 a
(1,54) 1,59 b
Campo Verde
(6,76) 2,78a
(6,05) 2,65 a
(5,49) 2,54 a
Campo Verde
(6,36) 2,71a
(5,29) 2,50b
Jaciara
(0,26)1,12 b
(0,23) 1,11 b
(6,77)2,78 a
Jaciara
(1,01)1,41 a
(1,31) 1,52a
Primavera do Leste
(3,86)1,28 a
(2,82) 1,31 a
(4,38) 1,26 a
Primavera do Leste
(7,58) 2,92 a
(3,95) 2,22 b
Sapezal
(3,26)2,06 b
(1,04) 1,42 c
(4,30) 2,30 a
Sapezal
(6,82) 2,79 a
(2,99) 1,99b
Campos de Júlio
(5,59) 2,56 a
(4,35) 2,31b
Campos de Júlio
(3,32)2,07 b
(5,38) 2,52 a
(2,29) 1,81 c
Campo Novo do Parecis
(4,07) 2,25 b
(5,83) 2,60 a
Média (%)
2,22
Média (%)
2,34
C.V. (%)
6,48
C.V. (%)
4,70
Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora
.* O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições
46
TABELA 6. Porcentagem média de grãos avariados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de
Mato Grosso safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Municípios
Lucas do Rio Verde
Safra 2010
UA1*
UA2*
UA3*
(7,31) 2,88 b
(13,78) 3,84 a
(7,00) 2,82 b
Municípios
UA1*
UA2*
Lucas do Rio Verde
(3,62) 2,14 b
(4,62) 2,37a
Nova Mutum
(8,88) 3,14 a
(9,62) 3,25 a
(4,43) 2,33 b
Nova Mutum
(11,46) 3,52a
(3,27) 2,06 b
Sinop
(10,21) 3,34 b
(8,03) 3,00 c
(15,07) 4,00 a
Sinop
(7,46) 2,90 b
(9,90) 3,30 a
Sorriso
(7,78) 2,96 a
(4,87) 2,42 c
(6,30)2,69 b
Sorriso
(8,03) 3,00 a
(3,11) 2,46 b
Canarana
(18,60) 4,42 b
(19,80) 4,56 b
(21,41) 4,73 a
Canarana
(28,07) 5,39 a
(15,33) 4,04 b
Gaúcha do Norte
(10,66) 3,40 a
(17,09) 4,24 a
(12,09) 3,61 b
Gaúcha do Norte
(6,62) 2,76 b
(22,13) 4,80 a
Nova Xavantina
(16,32) 4,15 b
(13,56) 3,81 b
(12,87) 3,72 b
Nova Xavantina
(8,84) 3,13 b
(12,38) 3,65 a
Querência
(5,43) 2,53 b
(6,43) 2,72 b
(9,14) 3,18 a
Querência
(5,09) 2,46 a
(6,00) 2,64 a
Alto Taquari
(6,75) 2,78 b
(8,03) 3,00 a
(8,69) 3,11a
Alto Taquari
(4,72) 2,39 a
(4,56) 2,35 a
Campo Verde
(8,64) 3,10 b
(10,16) 3,33 a
(6,54) 2,74 c
Campo Verde
(10,42) 3,38 a
(6,92) 2,81 b
Jaciara
(3,79) 2,18 b
(3,82) 2,15 b
(7,86) 2,97 a
Jaciara
(1,55) 1,59 b
(2,40) 1,84 a
Primavera do Leste
(5,95) 2,63 a
(5,92) 2,62 a
(6,00) 2,64 a
Primavera do Leste
(9,87) 3,29 a
(4,51) 2,34 b
Sapezal
(5,16) 2,48 b
(3,45) 2,10 c
(9,32) 3,21 a
Sapezal
(8,12) 3,02 a
(7,77) 2,96 a
(7,62) 2,93 a
(7,35) 2,89 a
Campos de Júlio
(7,72) 2,95 b
(7,81) 2,96 b
(9,79) 3,28 a
(16,17) 4,14 a
(8,32) 3,05 b
Campos de Júlio
Campo Novo do Parecis
Média (%)
3,14
Média (%)
2,99
C.V. (%)
4,47
C.V. (%)
3,68
Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora.
*O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições
47
Nos Quadros 3 e 4 constam o enquadramento comercial em Tipo dos
grãos de milho obtidos dos municípios de Estado de Mato Grosso, referentes
as safras 2009 e 2010. O enquadramento em Tipo do milho é feito
considerando valores percentuais de tolerância para matérias estranhas,
impurezas e fragmentos, total de avariados (defeitos gerais) e máximo de
ardidos, brotados e mofados (defeitos graves), sendo que para o tipo final
prevalece o maior tipo enquadrado (Brasil, 1976; 1996). Os limites para os tipos
são: Tipo 1- até 1,5%; Tipo 2- até 2%; Tipo 3 – até 3%; acima do valor para
Tipo 3 os grãos são enquadrados como abaixo do padrão.
As amostras de milho de 68% das unidades armazenadoras da região
Leste safra 2009 e de 55% em 2010 foram enquadradas como abaixo do
padrão, devido a matérias estranhas, impurezas e fragmentos (Quadros 3 e 4),
com destaque para os municípios de Canarana e Gaúcha do Norte. Nos
municípios das regiões Norte, Sul e Oeste grande parte das unidades
armazenadoras tiveram o milho enquadrado como Tipo 1, na safra 2009. Para
safra 2010, o milho das unidades armazenadoras dos municípios das regiões
Sul e Oeste foi enquandrado nos Tipos 1, 2 e 3, diferente da região Norte que
foi enquadrado principalmente como Tipo 1.
O total de matérias estranhas, impurezas e fragmentos foram as avarias
que levaram ao enquadramento do milho de alguns municípios tanto da safra
2009 quanto na safra 2010 como abaixo do padrão oficial.
48
QUADRO 3. Enquadramento comercial do milho por município, safra 2009 –
7,31
13,78
7,00
8,88
9,62
4,43
10,21
8,03
15,07
7,78
4,87
6,30
18,60
19,80
21,41
10,66
17,09
12,09
16,32
13,56
12,87
5,43
6,43
9,14
6,75
8,03
8,69
8,64
10,16
6,54
3,79
3,82
7,86
5,95
5,92
6,00
5,16
3,45
9,32
7,72
7,81
9,79
A ordenação dos municípios por Região segue a seguinte sequência: Norte; Leste; Sul e Oeste
AP- Abaixo do Padrão
1
2
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
3
3
3
1
2
2
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Tipo Final
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
TIPO
0,72
0,10
1,83
0,73
1,07
0,25
1,89
1,44
0,51
0,70
1,40
0,65
0,66
1,12
1,24
0,54
0,93
0,68
1,05
1,53
1,27
1,23
0,98
0,96
0,22
0,75
0,95
0,51
0,73
0,25
0,83
1,32
0,16
0,27
0,39
0,24
0,75
0,94
1,92
0,90
1,46
5,23
Total de Avariados
(%)
1
1
2
2
AP
1
1
1
AP
2
1
1
AP
AP
AP
AP
AP
AP
3
1
1
1
1
AP
1
1
AP
3
3
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Tipo
1,27
1,34
1,62
1,79
5,54
0,21
0,83
0,73
3,92
1,57
0,23
0,57
5,55
5,04
7,56
3,90
11,99
4,57
2,61
1,22
1,19
0,51
0,33
3,09
0,95
1,38
3,13
2,26
2,43
0,84
0,18
0,25
0,83
0,65
0,73
0,60
0,70
0,41
1,02
1,14
0,70
0,41
Mofados +
Ardidos
+Brotados
(%)
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
TIpo
Unidade
Armazenadora
Lucas do Rio Verde
Lucas do Rio Verde
Lucas do rio Verde
Nova Mutum
Nova Mutum
Nova Mutum
Sinop
Sinop
Sinop
Sorriso
Sorriso
Sorisso
Canarana
Canarana
Canarana
Gaúcha do Norte
Gaúcha do Norte
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Nova Xavantina
Nova Xavantina
Querência
Querência
Querência
Alto Taquari
Alto Taquari
Alto Taquari
Campo Verde
Campo Verde
Campo Verde
Jaciara
Jaciara
Jaciara
Primavera do Leste
Primavera do Leste
Primavera do Leste
Sapezal
Sapezal
Sapezal
Campos de Julio
Campos de Julio
Campos de Julio
Matérias
Estranhas,
Impureza e
Fragmentos
(%)
Municípios
Mato Grosso.
1
2
2
2
AP
1
1
1
AP
2
1
1
AP
AP
AP
AP
AP
AP
3
2
2
1
1
AP
1
1
AP
3
3
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
49
QUADRO 4. Enquadramento comercial do milho por município, safra 2010 –
Municípios
Unidade
Armazenadora
TIpo
Mofados +
Ardidos
+Brotados
(%)
Tipo
Total de Avariados
(%)
TIPO
Tipo Final
Matérias
Estranhas,
Impureza e
Fragmentos
(%)
Mato Grosso.
Lucas do Rio Verde
Lucas do Rio Verde
Lucas do rio Verde
Nova Mutum
Nova Mutum
Sinop
Sinop
Sinop
Sorriso
Sorriso
Sorisso
Canarana
Canarana
Canarana Gaúcha do Norte
Gaúcha do Norte
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Nova Xavantina
Querência
Querência
Querência
1
2
3
1
2
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
1
2
3
0,30
0,28
0,92
1,19
0,28
1,02
0,64
0,15
1,16
1,21
0,31
8,63
5,11
1,41
6,25
10,23
7,52
3,29
2,69
0,88
0,63
2,31
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
AP
AP
1
AP
AP
AP
AP
3
1
1
3
0,28
0,53
0,69
0,92
0,54
0,82
1,16
0,48
0,77
0,00
0,38
1,18
1,30
0,98
0,16
2,24
0,27
0,45
1,02
0,83
0,97
1,56
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3,62
4,63
11,44
11,46
3,28
7,47
9,51
3,78
8,04
5,11
2,69
28,07
15,34
10,20
6,63
22,14
5,46
8,84
12,39
5,10
6,01
7,80
1
1
2
2
1
1
1
1
1
1
1
AP
2
1
1
3
2
2
2
1
1
1
1
1
2
2
1
1
1
1
1
1
1
AP
AP
1
AP
AP
AP
AP
3
1
1
3
Alto Taquari
Alto Taquari
Alto Taquari
Campo Verde
Campo Verde
Campo Verde
Jaciara
Jaciara
Jaciara
Primavera do Leste
Primavera do Leste
Sapezal
Sapezal
Sapezal
Campos de Julio
Campos de Julio
Campos de Julio
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
1
2
3
1
2
3
0,89
0,15
1,88
1,71
1,78
1,34
0,11
0,43
1,16
3,69
1,25
1,23
1,97
0,60
0,61
0,38
1,57
1
1
2
2
2
1
1
1
1
AP
1
1
2
1
1
1
2
0,54
0,85
0,87
0,57
0,27
0,06
0,12
0,02
0,43
0,45
0
0,53
1,43
0,23
0,69
0,44
0,28
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
4,72
4,57
7,29
10,43
6,92
9,76
1,56
2,40
10,25
9,87
4,52
8,12
7,77
5,33
7,63
7,35
6,52
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3
3
2
2
2
1
1
1
1
AP
1
1
2
1
1
1
2
Campo
Parecis
Campo
Parecis
Campo
Parecis
Novo
do
1
2,42
3
5,95
2
16,18
2
3
Novo
do
2
6,75
AP
0,45
1
8,32
1
AP
Novo
do
3
0,77
1
0,51
1
3,22
1
1
A ordenação dos municípios por Região segue a seguinte sequência: Norte; Leste; Sul e Oeste
AP- Abaixo do Padrão
50
4.2 Qualidade sanitária
Foi observada incidência predominante dos fungos Fusarium spp.,
Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp. nas amostras de milho
das safras 2009 e 2010 (Tabela 7). Essa incidência dos gêneros Fusarium
spp., Aspergillus spp., e Penicillium spp., também foi observada em diversos
outros levantamentos realizados com grãos de milho e produtos derivados
(Marcia e Lazzari, 1998; Almeida et al., 2000; Dilkin et al., 2000; Orsi et al.,
2000; Tanaka et al., 2001; Santin et al., 2004; Marques et al., 2009) e de
Cladosporium spp. (Almeida et al., 2000; Tanaka et al., 2001). Esses autores
atribuíram esta predominância a fatores abióticos como temperatura e umidade
relativa favoráveis, além do teor de água nos grãos.
Além da incidência de Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp.
e Cladosporium spp., foi observada também em menor incidência a presença
dos fungos do gênero Nigrospora, Epicocum, Rhizopus, Cercospora e
Curvularia.
Os municípios analisados apresentaram incidência de Fusarium spp.,
que variaram de 25,27% a 58,33% na safra 2009 e de 23,16% a 94,16% na
safra 2010 apresentando com tendência superior em relação aos demais
gêneros (Tabela 7).
Os municípios de Sorriso, Gaúcha do Norte, Sapezal e Campos de Julio
apresentaram os maiores valores médios, na safra 2009, e na safra 2010 os
municípios de Nova Mutum, Sorriso, Canarana, Campo Verde, Jaciara e
Sapezal; todos com médias de incidência acima de 50%. Dentre estes, os
municípios de Campos de Julio e Campo Novo do Parecis apresentaram
incidências de 94,16% e 92,25% respectivamente. Esse fungo é proveniente do
campo, estando presente nos grãos antes do armazenamento, onde as
condições de temperatura e umidade são mais elevadas, favoráveis para seu
desenvolvimento como observado no Quadro 2, a precipitação média nos
municípios com incidência maior que 90% foi acima de 1000 mm e a
temperatura média de 23,4 ºC.
51
TABELA 7. Porcentagem de incidência fúngica de amostras de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safras 2009
e 2010.
Safra 2009
Municípios
Lucas do Rio Verde
Nova Mutum
Sinop
Sorriso
Canarana
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Querência
Alto Taquari
Campo Verde
Jaciara
Primavera do Leste
Sapezal
Campos de Júlio
Fusarium *
spp.
36,05 B
32,83 B
39,61 B
51,94 A
27,05 C
51,61 A
38,66 B
34,72 B
25,27 C
28,88 C
45,50 A
30,05 C
58,33 A
52,88 A
Aspergillus*
spp.
14,22 E
6,94 F
12,88 E
3,27 G
18,66 D
16,27 D
9,27 F
23,77 C
10,27 F
31,27 B
3,94 G
17,55 D
44,77 A
Safra 2010
Penicillium*
spp.
18,50 E
6,50 G
26,66 C
8,94 F
10,88 F
18,94 E
11,55 F
31,16 B
22,05 D
23,16 D
4,66 G
15,53 E
42,22 A
Cladosporium*
spp.
0,33 D
0,44 D
0,83 D
0,27 D
2,27 C
4,16 C
0,83 D
3,61 C
1,00 D
1,16 D
0,77 D
2,22 C
11,16 A
27,38 B
6,61 B
32,94 B
Municípios
Lucas do Rio Verde
Nova Mutum
Sinop
Sorriso
Canarana
Gaúcha do Norte
Nova Xavantina
Querência
Alto Taquari
Campo Verde
Jaciara
Primavera do Leste
Sapezal
Campos de Júlio
Campo Novo do
Fusarium *
spp.
( 81,08) 9,05 A
(63,75) 8,03 B
(23,16) 4,89 E
(71,00) 8,37 B
( 67,50) 8,25 B
(30,83) 5,60 B
(48,91) 7,06 C
(50,33) 7,12 C
(50,16) 7,07 C
(67,16) 8,21B
(71,75) 8,46 B
(48,08) 7,00 C
(71,83) 8,48 B
(94,16) 9,74 A
(92,25) 9,64 A
Aspergillus*
spp.
(11,16) 3,29B
(8,91) 3,12 B
(9,50) 3,23 B
(18,16) 3,7 B
(7,75) 2,89 B
(12,08) 3,31 B
(7,58 2,91 B
(5,00) 2,37 C
(0,58) 1,24 D
(1,00) 1,37 D
(1,41) 1,43 D
(37,00)5,46 A
(3,08) 1,92 D
(6,33) 2,63 C
(7,41) 2,54 C
Penicillium*
spp.
(1,66)1,60 E
(2,25) 1,78 D
(11,50) 3,35 B
(8,83) 2,98 C
(6,00) 2,52 C
(2,08) 1,68 D
(0,75) 1,30 E
(2,83) 1,91 D
(17,50) 4,13 A
(1,00)1,37 E
(0,25) 1,10 E
(5,91) 2,61 C
(1,08)1,40 E
(4,50)2,18 D
(1,58) 1,57 E
Cladosporium*
spp.
(2,66) 1,90 C
(2,83) 1,92 C
(1,00) 1,39 C
(3,00)1,84 C
(5,25) 2,46 B
(3,00) 1,96 C
(1,33) 1,52 C
(2,75) 1,69 C
(0,58) 1,24 C
(1,08) 1,41 C
(1,25) 1,47 C
(1,00) 1,38 C
(0,41) 1,17 C
(10,58) 3,19 A
(1,33) 1,47 C
Parecis
Média (%)
Média (%)
39,53
17,57
19,15
2,55
7,80
2,76
C.V. (%)
C.V. (%)
22,20
20,20
0,75
33,46
7,79
26,59
Desvio padrão
Desvio padrão
10,08
12,00
10,50
3,1
1,39
1,07
Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em
√x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese.
*O resultado de cada incidência observada por município, corresponde à média de nove repetições.
2,10
18,22
0,86
1,73
31,82
0,53
52
O Fusarium spp. é considerado um fungo de campo, que invade grãos e
sementes durante o amadurecimento, sendo os danos causados antes da
colheita
(Pinto,
2005).
Esse
fungo
não
se
desenvolve
durante
o
armazenamento, exceto ocasionalmente, em milho armazenado com alto grau
de umidade ou que foi reumidificado (Marcia e Lazzari, 1998).
A incidência dos fungos Aspergillus spp. e Penicillium spp. nos
municípios variou de 3,27% a 44,77% e de 4,66% a 42,22%, respectivamente
na safra 2009 (Tabela 7). Na safra 2010 a incidência de Aspergillus spp.,
variou de 0,58% a 37% e de Penicillium spp. de 0,25% a 17,50%.
Na safra 2009, as maiores médias de Aspergillus spp. foram verificadas
nos municípios de Sapezal (44,77%), Campos de Julio (32,94%) e Campo
Verde (31,27%).
Para Penicillium spp. destacaram-se Sapezal (42,22%),
Querência (31,16%) e Campos de Julio (27,38%).
Na safra 2010 os municípios de Primavera do Leste (37%), Sorriso
(18,16%) e Lucas do Rio Verde (11,16%) apresentaram os maiores valores
médios de Aspergillus spp. e para Penicillium spp. foram em Alto Taquari
(17,50%) e Sinop (11,50%).
Os fungos Aspergillus spp. e Penicillium spp. são conhecidos
por
colonizarem nos substratos com baixo teores de água (12,5%) (Lazzari, 1997).
Entretanto, os teores de água verificados nas amostras de milho das safras
2009 e 2010 encontravam-se abaixo de 11,5%, desfavorável para seu
desenvolvimento.
As incidências de Aspergillus spp. e Penicillium spp. e a produção de
aflatoxinas nos grãos de milho, ocorreu da infecção ocorrida no campo. Em que
o manejo inadequado dos grãos, observado através da condição física dos
grãos com a ocorrência principalmente de grãos quebrados e carunchados
(Tabelas 1 e 2) ocasionados por danos mecânicos provocados pelo descuido
na colheita e por infestação de insetos, serviram como porta de entrada para
esses fungos.
A presença desses fungos são indicadores de deterioração de sementes
e grãos causando danos ao gérmen, descoloração, alterações nutricionais,
perda da matéria seca, além da possibilidade de produção de micotoxinas
(Miller, 1995; Pinto, 2005; Cruz et.al., 2008).
53
A espécie Cladosporium spp. apresentou valores de 0,33% a 11,16% na
safra 2009 e de 0,41% a 10,58% na safra 2010. Assim como o Fusarium spp.,
Cladosporium spp. é considerado fungo de campo e necessita de teores de
água mais elevados para se desenvolver e a baixa incidência foi devido à
ausência dessas condições no armazenamento.
4.2.1 Ocorrência de aflatoxinas
Na safra 2009 foi detectada a presença de aflatoxinas totais em 8,33%
das amostras da região Norte, 25% da região Sul, 16,66% da região Leste e
33,33% da região Oeste (Tabelas de 8 a 11). Em todas as regiões os níveis
observados ficaram abaixo do limite oficial (20 µg.kg-1) aceitável pela ANVISA
2011.
Na safra 2010 não foi detectado presença de aflatoxinas totais nas
amostras das regiões Norte e Sul. Na região Oeste 30% das amostras
apresentaram detecção para aflatoxinas totais inferiores ao permitido pela
legislação (tabelas de 8 a 11).
Na região Leste 58,33% das amostras apresentaram ocorrência de
aflatoxinas com níveis que ultrapassaram de forma significativa o limite máximo
permitido pela lesgilação (Tabela 10). A maior preocupação com os níveis
detectados nas amostras analisadas não está apenas na ultrapassagem do
limite permitido, mais sim com o fato dessas substâncias representarem um
risco à saúde humana e de animais, por serem compostos altamente tóxicos e
carcinogênicos, da Classe 1 dos carcinógenos humanos pela “International
Agency for Research on Cancer”
No Brasil os produtos de boa qualidade são normalmente exportados,
aquelas commodities de qualidade inferior, que apresentam níveis de
micotoxinas superiores aos permitidos nos países importadores, são vendidas
e consumidas no mercado interno, com riscos evidentes para a saúde das
populações (Embrapa, 2007).
Outro fator importante quanto à presença de aflatoxinas em elevadas
concentrações é a preocupação dos países importadores quanto à presença de
micotoxinas nos alimentos. O Brasil, a exemplo de outros celeiros mundiais,
deverá enfrentar dificuldades cada vez maiores para exportação de seus
54
produtos agrícolas como milho, devido aos altos níveis de aflatoxinas
encontrados em seus alimentos.
Na safra 2009, das unidades armazenadoras da região Norte, apenas
uma no município de Sinop apresentou aflatoxina B1 com 12,2 µg.kg-1. Na safra
2010, não foi detectada a presença de aflatoxinas nas amostras de milho da
região Norte (Tabela 8).
Na Região Sul (Tabela 9), três unidades na safra 2009 apresentaram
aflatoxina B1, duas em Campo Verde com 2,7 e 3,8 µg.kg-1e uma em Alto
Taquari com 3,2 µg.kg-1, que também apresentou aflatoxina B2, com 1,1 µg.kg-1.
Na safra 2010 não foi detectada a presença de aflatoxinas.
Segundo Lazzari (1997), as espécies de Aspergillus produtoras de
aflatoxinas necessitam de teor de água na faixa de 17,5% a 18,5% para
produzir as toxinas. Como os teores de água nas amostras de milho estavam
abaixo de 11,5%, na safra 2009, e de 11,1% na safra 2010, provavelmente o
fungo não teve condições adequadas de umidade para se desenvolver e
produzir as toxinas durante o armazenamento, o que justifica a baixa
ocorrência ou não detecção de aflatoxinas nas amostras das regiões Norte e
Sul.
Além do mais dentro de um mesmo gênero como Aspergillus pode
ocorrer diferenças quanto a síntese de aflatoxinas entre as espécies
produtoras, como evidenciado por Farias
et al. (2000). A constatação de
fungos toxigênicos nos alimentos não significa que ocorrerá a sintese de
micotoxinas. Assim como pode ser evidenciada a presença de micotoxinas nos
alimentos e não seja constatada a incidência do fungo produtor (Embrapa
2007).
Dilkin et al.(2000), quando avaliaram cinco hibridos de milho, quanto ao
crescimento de fungos e produção de aflatoxinas, verificaram que apesar da
alta incidência fúngica no milho e teor de água médio de 18%, não foram
detectadas aflatoxinas.
55
TABELA 8. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Norte do
Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Municípios
UA
Aflatoxinas
-1
B1 (µg.kg )
Safra 2010
Aflatoxinas B2
Municípios
UA
-1
Aflatoxinas
-1
( µg.kg )
B 1 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
B2 ( µg.kg )
Lucas do Rio Verde
1
ND
ND
Lucas do Rio Verde
1
ND
ND
Lucas do Rio Verde
2
ND
ND
Lucas do Rio Verde
2
ND
ND
Lucas do Rio Verde
3
ND
ND
Lucas do Rio Verde
3
ND
ND
Nova Mutum
1
ND
ND
Nova Mutum
1
ND
ND
Nova Mutum
2
ND
ND
Nova Mutum
2
ND
ND
Nova Mutum
3
ND
ND
Sinop
1
ND
ND
Sinop
1
ND
ND
Sinop
2
ND
ND
Sinop
2
ND
ND
Sinop
3
ND
ND
Sinop
3
12,2
ND
Sorriso
1
ND
ND
Sorriso
1
ND
ND
Sorriso
2
ND
ND
Sorriso
2
ND
ND
Sorisso
3
ND
ND
Sorisso
3
ND
ND
D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas;
-1
Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg .
UA = Unidade Armazenadora
56
TABELA 9. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Sul do
Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Município
UA
Aflatoxinas
-1
Safra 2010
Aflatoxinas
Município
UA
-1
B 1 ( µg.kg )
B2 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
B1 ( µg.kg )
B 2 ( µg.kg )
G1 ( µg.kg )
G2 ( µg.kg )
Alto Taquari
1
ND
ND
Alto Taquari
1
ND
ND
ND
ND
Alto Taquari
2
3,2
1,1
Alto Taquari
2
ND
ND
ND
ND
Alto Taquari
3
ND
ND
Alto Taquari
3
ND
ND
ND
ND
Campo Verde
1
ND
ND
Campo Verde
1
ND
ND
ND
ND
Campo Verde
2
2,7
ND
Campo Verde
2
ND
ND
ND
ND
Campo Verde
3
3,8
ND
Campo Verde
3
ND
ND
ND
ND
Jaciara
1
ND
ND
Jaciara
1
ND
ND
ND
ND
Jaciara
2
ND
ND
Jaciara
2
ND
ND
ND
ND
Jaciara
3
ND
ND
Jaciara
1
ND
ND
ND
ND
Primavera do
1
ND
ND
Primavera do
1
ND
ND
ND
ND
2
ND
ND
ND
ND
Leste
Primavera do
Leste
2
ND
ND
Leste
Primavera do
Primavera do
Leste
3
ND
ND
Leste
D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas;
Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg-1.
UA = Unidade Armazenadora
57
TABELA 10. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Leste do
Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Município
UA
Aflatoxinas
-1
Safra 2010
Aflatoxinas
Município
UA
-1
B1 ( µg.kg )
B2 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
B1 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
B2 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
G1 ( µg.kg )
G 2 ( µg.kg )
Canarana
1
ND
ND
Canarana
1
18
1,3
4,8
ND
Canarana
2
ND
ND
Canarana
2
ND
ND
ND
ND
Canarana
3
ND
ND
Canarana
3
15,5
1,5
17,1
1,5
Gaúcha do Norte
1
ND
ND
Gaúcha do Norte
1
84,1
3,9
14,7
ND
Gaúcha do Norte
2
ND
ND
Gaúcha do Norte
2
ND
ND
ND
ND
Gaúcha do Norte
3
1
ND
Gaúcha do Norte
3
8,3
1
5,9
ND
Nova Xavantina
1
ND
ND
Nova Xavantina
1
32,9
2,5
12,7
1
Nova Xavantina
2
ND
ND
Nova Xavantina
2
52,6
2,7
22,6
1,2
Nova Xavantina
3
1
ND
Dom Aquino
1
ND
ND
ND
ND
Querência
1
ND
ND
Querência
1
ND
ND
ND
ND
Querência
2
ND
ND
Querência
2
75,3
4,6
27
1,8
Querência
3
ND
ND
Querência
3
ND
ND
ND
ND
D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas;
-1
Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg .
UA = Unidade Armazenadora
58
TABELA 11. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Oeste do
Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010.
Safra 2009
Município
UA
Aflatoxinas
-1
Safra 2010
Aflatoxinas
Município
UA
-1
B 1 ( µg.kg )
B2 ( µg.kg )
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
Aflatoxinas
-1
B1 ( µg.kg )
B 2 ( µg.kg )
G1 ( µg.kg )
G2 ( µg.kg )
Sapezal
1
4
ND
Sapezal
1
ND
ND
ND
ND
Sapezal
2
ND
ND
Sapezal
2
ND
ND
ND
ND
Sapezal
3
1,9
ND
Sapezal
3
ND
ND
ND
ND
Campos de Julio
1
ND
ND
Campos de Julio
1
ND
ND
ND
ND
Campos de Julio
2
ND
ND
Campos de Julio
2
2,4
ND
1
ND
Campos de Julio
3
ND
ND
Campos de Julio
3
ND
ND
ND
ND
Campo Novo dos
1
7,1
1
5,3
ND
2
5,7
1
ND
ND
1
ND
ND
ND
ND
1
ND
ND
ND
ND
Parecis
Campo Novo dos
Parecis
Campo Novo dos
Parecis
Tangará da
Serra
D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas;
Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg-1.
A = Unidade Armazenadora
59
Na região Leste, na safra 2009 também foram verificados baixos níveis
de aflatoxinas; somente duas unidades (Gaúcha do Norte e Nova Xavantina)
apresentaram detecção de 1 µg.kg-1 de aflatoxinas B1 (Tabela 10). Entretanto
em 2010, foi constatada a presença das quatro aflatoxinas, B1, B2, G1 e G2, nas
amostras de milho dessa região. Os níveis constatados de aflatoxina B1 e G 1
foram elevados em Canarana. Também essas aflatoxinas foram detectadas em
níveis elevados nos municípios de Gaúcha do Norte, Nova Xavantina e
Querência, em uma ou duas unidades armazenadoras.
Na região Oeste safra 2009, em duas unidades de Sapezal, foi verificada
a detecção de aflatoxina B1, com 1,9 e 4 µg.kg-1 (Tabela 11). Na safra 2010,
em três unidades armazenadoras da região Oeste foi constatada a ocorrência
de aflatoxinas, em Campos de Júlio (B1 e G1) e em Campo Novo dos Parecis
(B1, B2 e G1)
As amostras de milho da região Leste e Oeste encontravam-se com
teores de água desfavoráveis (Tabela 2) para desenvolvimento de fungos e
produção aflatoxinas, no entanto, foi observada que a precipitação média tanto
nos municípios da região Leste quanto Oeste, variou de 955 mm a 1481,7 mm
e a temperatura média de 23,4 ºC a 26,6 ºC (Quadro 2).
Por tanto os altos níveis de aflatoxinas encontrados nas amostras da
região Leste (Tabela 10) e os níveis detectados nas amostras da região Oeste
(Tabela 11), na safra 2010, provavelmente são provenientes da infecção de
Aspergillus spp. no campo, que segundo Scussel (1998) em condições de
temperatura e umidade favoráveis, o fungo realiza a colonização dos estigmas,
principalmente após a polinização, quando se desenvolve e produz aflatoxinas.
Esse fato foi verificado por Cortês et al. (2000) quando verificaram que
28,57% as amostras de milho retiradas de lavouras de propriedades do Estado
de Mato Grosso, apresentavam nível médio de aflatoxinas de 12,35 µg.kg-1,
indicando que o milho maduro, na época da colheita, já apresentava
contaminação por aflatoxinas.
Ramos et al. (2008) avaliaram a ocorrência natural das aflatoxinas (B1,
B2, G1 e G2) em grãos de milho colhidos em três locais do Estado de Goiás
(Jataí, Montividiu e Goiânia). Os autores verificaram que os grãos colhidos já
apresentavam concentrações de aflatoxinas com níveis que variaram de 0 a
60
277,8 µg.kg-1 de B1, de 0,7 µg.kg-1 a 14 µg.kg-1 de B2, de 0 a 34,1 µg.kg-1 de
G1, e não foi detectada a aflatoxina G2.
Outro fator que pode ter influenciado a ocorrência de aflatoxinas foi a
condição física das amostras da região Leste e Oeste, onde 80% foram
enquadradas como Abaixo do Padrão e em Tipo 3 em função de matérias
estranhas, impurezas e fragmentos.
A associação de defeitos com a ocorrência de aflatoxinas já foi
evidenciada por outros pesquisadores como Piedade et al. (2002), quando
analisaram a distribuição de aflatoxinas em 30 amostras de milho separadas
entre grãos sem defeitos e com defeitos (ardidos, avariados, brotados,
mofados, carunchados, chochos, quebrados, fermentados e prejudicados por
diferentes causas) definidos pela classificação oficial brasileira para milho. Os
autores constataram que os grãos com defeitos, embora com reduzido peso
em relação ao total da amostra, apresentaram os maiores níveis de
contaminação em todas as amostras analisadas e que a separação dos grãos
com defeitos poderia favorecer uma redução na contaminação dos lotes de
milho.
Gloria et al. (2004) avaliaram a contaminação com aflatoxinas em
amostras de milho separadas em quatro frações segundo as regras de
classificação oficial brasileira do milho. Verificaram que a fração que continha
grãos carunchados, chochos, fermentados até ¼, prejudicados por diferentes
causas e quebrados foi a maior responsável pelo nível de contaminação total
das amostras.
61
4.3 Correlação entre Qualidade física e sanitária
Na safra 2009 houve correlação positiva e significativa entre total de
grãos avariados (r = 0,74**) com matérias estranhas, impurezas e fragmentos
(Tabela 12). Fragmentos assim como grãos quebrados são considerados
defeitos de deterioração nos grãos ocasionados por danos mecânicos. No
entanto, o que os diferenciam é o tamanho de suas partículas, no qual na
classificação oficial fragmentos são contabilizados juntamente com matérias
estranhas e impurezas e quebrados na soma do total de avariados, o que
explicaria a correlação positiva verificada.
Total de grãos avariados apresentou correlação positiva e significativa
com grãos carunchados (r = 0,70**) na safra 2009. A presença de grãos
carunchados em um lote além de ser considerado um indicativo da depreciação
da qualidade desse produto, ocasionar a sua rejeição, pode também levar esse
mesmo lote a um enquadramento inferior quanto ao padrão comercial, por ser
esse um dos defeitos que entra na soma para compor total de avariados, o que
justifica a correlação positiva.
Houve correlação positiva e significativa na safra 2009 entre Aspergillus
spp. e Penicillium spp. (r = 74**); por serem classificados como fungos de
armazenamento e seus desenvolvimentos estarem associados a baixas
condições de umidade e temperatura (Lazzari, 1997).
Assim como observado na safra 2009, na safra 2010 houve correlação
positiva e significativa entre total de grãos avariados (r = 0,77**) e grãos
quebrados (r = 0,72**) com matérias estranhas, impurezas e fragmentos
(Tabela 13).
Houve correlação positiva e significativa entre total de grãos avariados
com grãos quebrados (r = 0,86**) para safra 2010 (Tabela 13). Grãos
quebrados compõem a soma de total de grãos avariados. Além do mais no
padrão de classificação oficial, a presença de grãos quebrados é considerada
fator de depreciação da qualidade de um lote, no qual as indústrias possuem
padrões de tolerância próprios e praticam descontos sobre esses (Lazzari et
al., 2001).
62
TABELA 12. Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de
milho armazenados em Mato Grosso, safra 2009.
Variáveis
MEIF
TAV
AR
FERM
QUE
CARUN
ASP
PEN
FUS
MEIF
1,0000
TAV
0,7477**
1,0000
AR
-0,0835
0,1560
1,0000
FERM
-0,0654
-0,1683**
0,3852**
1,0000
QUE
0,5152**
0,4324**
-0,1730
-0,4577**
1,0000
CARUN
0,3863**
0,7068**
0,0632
-0,0372
-0,2702*
1,0000
ASP
-0,0553
-0,0778
0,1386
-0,1272
-0,0918
-0,0309
1,0000
PEN
-0,1406
-0,1869
0,0840
-0,0398
-0,0929
-0,1881
0,7491**
1,0000
FUS
-0,0943
-0,1313
0,4051**
0,0207
0,1077
-0,3203*
0,0547
-0,0269
1,0000
TA
-0,2880*
-0,0365
-0,0281
-0,0047
-0,2764*
0,1825
0,0519
-0,1030
-0,1339
TA
PH
1,0000
PH
-0,4177**
-0,4748**
-0,1230
-0,2387
0,0904
-0,4985**
-0,1088
-0,1542
0,2720*
0,0237 1,0000
**Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste t
MEIF = Matérias estranhas, impurezas e fragmentos; TAV = Total de avariados; AR = Ardidos; FERM = Fermentados; QUE = Quebrados; CARUN =
Carunchados; ASP = Aspergillus; PEN = Penicillium; FUS = Fusarium; TA = Teor de água; PH = Peso Hectolitrico.
63
Na safra 2010 houve correlação positiva entre grãos ardidos com grãos
fermentados (r = 0,60**). Na classificação oficial do milho, esses defeitos
representam
diferentes
níveis
de
deterioração
nos
grãos,
causados
principalmente pela ação de fungos que em condições favoráveis para seu
desenvolvimento podem acelerar o processo de deterioração durante o
armazenamento.
Grãos quebrados apresentaram correlação negativa e significativa com
teor de água (r = -0,61**).
Teor de água é um dos fatores determinantes para desenvolvimento
fúngico (Lazzari, 1997; Embrapa, 2007), porém tanto na safra 2009 quanto na
safra 2010 não foi verificada correlação entre a incidência dos fungos Fusarium
spp., Aspergillus spp. e Penicillium spp. com teor de água dos grãos (Tabelas
12 e 13).
64
TABELA 13. Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de
milho armazenados em Mato Grosso, safra 2010.
Variáveis
MEIF
TAV
AR
FERM
QUE
CARUN
ASP
PEN
FUS
MEIF
1,0000
TAV
0,7780**
1,0000
AR
0,1534
0,4755**
1,0000
FERM
0,3124*
0,4832**
0,6090**
1,0000
QUE
0,7283**
0,8684**
0,1120
0,0452
1,0000
CARUN
0,0401
0,1734
0,3407*
0,0464
-0,0192
1,0000
ASP
0,1725
0,1895
0,0741
0,2215
0,1474
-0,0096
1,0000
PEN
-0,1628
-0,0907
-0,0566
0,0338
-0,0819
-0,1257
0,0179
1,0000
FUS
-0,1653
0,0106
0,2147
-0,0522
-0,0077
0,1611
-0,0299
-0,2773
1,0000
TA
-0,5297**
-0,5672**
-0,1630
-0,0510
-0,6183**
0,0399
-0,2686
0,4598**
-0,0335
TA
PH
1,0000
PH
-0,3883**
-0,5115**
0,0495
-0,1424
-0,5850**
0,1735
-0,3327*
-0,0836
0,1553
0,5765**
1,0000
**Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste t
MEIF = Matérias estranhas, impurezas e fragmentos; TAV = Total de avariados; AR = Ardidos; FERM = Fermentados; QUE = Quebrados; CARUN =
Carunchados; ASP = Aspergillus; PEN = Penicillium; FUS = Fusarium; TA = Teor de água; PH = Peso Hectolitrico.
65
5 CONCLUSÕES
Grãos carunchados e quebrados são os defeitos que depreciam o
enquadramento comercial do milho em Mato Grosso.
Matérias estranhas, impurezas e fragmentos levam o enquadramento
dos grãos de milho em Mato Grosso como Abaixo do Padrão.
Canarana e Gaúcha do Norte apresentam enquadramento comercial do
milho inferior aos demais municípios, independente da safra.
O milho produzido em Mato Grosso atende ao padrão comercial.
Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp.
são os fungos predominantes nos grãos de milho em Mato Grosso
principalmente em Sapezal e Campos de Julio.
Os níveis de aflatoxinas apresentam uma tendência crescente em áreas
com maior precipitação (mm) em Mato Grosso.
66
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AFONSO JÚNIOR, P.C.; CORRÊA, P.C.; ANDRADE, E.T. Análise da variação
das propriedades físicas e contração volumétrica dos grãos de milheto durante a
dessorção. Revista Brasileira de Armazenamento, v. 25, n. 1, p. 15-21, 2000.
ALMEIDA, A.P.; CORREA, B.; MALLOZZI, M.A.B. et al. Mycoflora and
aflatoxin/fumonisin production by fungal isolates from freshly harvested corn
hybrids. Brazilian Journal of Microbiology, v. 31, n. 4, p. 321-326. 2000.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151783822000000400016&script=sci_arttext Acesso em: 17 de junho de 2010.
ALMEIDA, A.P.; SABINO, M.; FONSECA, H. et al. Milho recém-colhido no Brasil:
interação da microbiota fúngica, fatores abióticos e ocorrência de fumonisinas.
Revista Instituto Adolfo Lutz, v. 64, n. 1, p.1-9, 2005. Disponível em:
http://portal.revistas.bvs.br/index.php?issn=0073-9855&lang=pt Acesso em: 24 de
Maio de 2010.
ALMEIDA, A.V.A.F.; BOTURA, M.B.; ABREU, R.D. et al. Ocorrência de
aflatoxinas em milho destinado á alimentação de aves no estado da Bahia.
Arquivos do Instituto Biológico, v.76, n. 3, p. 353-358, 2009. Disponível em:
http://www.biologico.sp.gov.br/docs/arq/v76_3/almeida1.pdf
Acesso em: 21 de junho de 2010.
ASCHERI, J.L.R.; GERMANI, R. Protocolo de qualidade do milho. Rio de
Janeiro: Embrapa Agroindústria de Alimentos, 2004. 23p. (Embrapa Agroindústria
de Alimentos. Documentos, INSS 0103-6068; 59).
BRASIL. Ministério da Agricultura. Portaria nº 845, de 8 de novembro de
1976. Brasília, 1976.
BRASIL – Leis e decretos. Ministério da Agricultura. Portaria n. 183, de 21 de
março de 1996, Diário Oficial da União, de 25 de março, Seção I, página 4929,
Brasília, 1996a.
67
BRASIL. Ministério da Agricultura. Portaria nº 11, de 12 de abril de 1996.
Brasília, 1996b.
BRASIL - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para
análise de sementes. - Brasília: Mapa/ACS, 2009. 399p.
BRASIL – Leis e decretos. Ministério da Saúde. Resolução n. 7/11, Diário Oficial
da União, de 22 de fevereiro, Seção I, página 72, Brasília, 2011.
CALDAS, E.D.; SILVA, S.C.; OLIVEIRA, J. N. Aflatoxinas e ocratoxina A em
alimentos e riscos para a saúde humana. Revista de Saúde Pública, v. 36, n. 3,
p. 319-323.2002 Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102002000300010&lng=pt&nrm=iso
CARVALHO, D.C.O.; ALBINO, L.F.T.; ROSTAGNO, H.S. et al. Composição
química e energética de amostras de milho submetidas a diferentes temperaturas
de secagem e períodos de armazenamento. Revista Brasileira de Zootecnia, v.
33, n. 2, p. 358-364, 2004. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151635982004000200012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 de maio de 2010.
CONAB. Armazenagem agrícola no brasil. Companhia Nacional de
Abastecimento, on-line, Brasília, 2005. Disponível em:
http://www.conab.gov.br/conabweb/download/nupin/armazenagem_agricola.pdf
Acesso em: 07 de junho de 2010.
CONAB. Acompanhamento de safra brasileira: grãos, oitavo levantamento,
maio/2009. Companhia Nacional de Abastecimento, on-line, Brasília, 2009.
Disponível em:
http://www.conab.gov.br/conabweb/download/safra/8graos_08.09.pdf. Acesso em:
05 de junho de 2009.
CONAB. Acompanhamento de safra brasileira: grãos, décimo segundo
levantamento, setembro/2010. Companhia Nacional de Abastecimento, on-line,
Brasília, 2010. Disponível em:
http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/7e05515f8222082610088f5a
2376c6af..pdf Acesso em: 05 de junho de 2010.
CORTES
CRUZ, J.C.; KARAM, D.; MONTEIRO, M.A.R.; MAGALHAES, P.C. A cultura do
milho. 1. ed. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2008.
DIDONET, A.D.; RODRIGUES, O.; MARIO, J.L. et al. Crescimento e
desenvolvimento de milho: acúmulo de massa seca do grão. Pesquisa
68
Agropecuária Brasileira, v. 36, n. 3, p. 447- 456, 2001. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/pab/v36n3/4787.pdf Acesso em: 23 de setembro de 2010.
DILKIN, P.; MALLMANN, C.A.; SANTURIO, J.M. et al. Classificação
Macroscópica, identificação da microbiota fúngica e produção de aflatoxinas em
híbridos de milho. Ciência Rural, v. 30, n.1, p. 137-141, 2000. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010384782000000100022&lng=pt&nrm=iso Acesso em: 13 de fevereiro de 2010.
DIONELLO, R.G; RANDUNZ, L.L; CONRAD, V.J.D. et al. Temperatura do ar na
secagem estacionária e tempo de armazenamento na qualidade de grãos de
milho. Revista Brasileira de Agrociência, v. 6, n. 2, p.137-143, 2000. Disponível
em:
http://www.ufpel.tche.br/faem/agrociencia/rev6n2.html. Acesso em: 05 de junho de
2009.
DUARTE, A.P. A aparência engana. Revista Cultivar, Ano IX, n. 94, p. 10-12,
2007
EMBRAPA. Aspectos físicos, químicos e tecnológicos do grão de milho. Sete
Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2006a. 6p.
EMBRAPA. Cultivo do milho. Minas Gerais: EMBRAPA, 2006b. Disponível em:
<<http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Milho/CultivodoMilh
o_2ed/doencasgraos.htm>> Acesso em 20 de Julho de 2010.
EMBRAPA. Micotoxinas: importância na alimentação e na saúde humana e
animal. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2007. 48p.
EMBRAPA. Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a
Agricultura. Campinas: Embrapa Informática Agropecuária, 2011. Disponível em:
http://www.agritempo.gov.br/agroclima/pesquisaWeb?uf=MT Acesso em: 15 de
março de 2011.
FARIAS, A.X.; ROBB, C.F.; BITTENCOURT, A.M. et al. Contaminação endógena
po Aspergillus spp. em milho pós-colheita no estado do Paraná. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, v. 35, n. 3, p. 617-621, 2000. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/pab/v35n3/v35n3a18.pdf Acesso em: 11 de agosto de
2010.
FAO - Food and Agriculture Organization of the United Nations. Reglamentos a
nivel mundial para las micotoxinas en los alimentos y en las raciones en el año
2003. Disponível em: http://www.fao.org/docrep/007/y5499s/y5499s00.HTM
Acesso em: 04 de julho de 2010.
GLORIA, E. M.; CIACCO, C. F.; LOPES, J. F. et al. Distribution of aflatoxin
contamination in maize samples. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 24, n. 1,
69
p. 79-83, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v24n1/20044.pdf
Acesso em 22 de Setembro de 2010.
KAWASHIMA, L.M.; SOARES, L.M.V. Incidência de fumonisina B1, aflatoxinas
B1, B2, G1 e G2, ocratoxina A e zearalenona em produtos de milho. Ciência e
Tecnologia de Alimentos, v. 26, n. 3, p. 516-521. 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010120612006000300005&lng=pt&nrm=iso
KUMAR, V.; BASUA, M.S.; RAJENDRANB, T.P. Mycotoxin research and
mycoflora in some commercially important agricultural commodities. Crop
Protection, v. 27, p. 891–905, 2008. Disponível em:
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=MImg&_imagekey=B6T5T-4RPD76Y31&_cdi=5011&_user=686451&_pii=S026121940700333X&_orig=browse&_coverD
ate=06%2F30%2F2008&_sk=999729993&view=c&wchp=dGLbVtzzSkzk&md5=1b1908405a75f81abbcb95f4303346cb&ie=/sdarticle.pdf
Acesso em: 15 de outubro de 2010.
IARC – International Agency for Research on cancer. Some naturally occurring
substances: food items and constituents, heterocyclic aromatic amines and
mycotoxins. Lyin: IARC, v. 56, p. 245, 1993. Disponível em:
http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol56/volume56.pdf
Acesso em: 23 de fevereiro de 2010.
LAZZARI, F.A. Umidade, fungos e micotoxinas na qualidade de sementes,
grãos e rações. 2ed. Curitiba: Ed. do Autor, 1997.148p.
LAZZARI, F.A.; LAZZARI, S.M.; GOMES, J. Avaliação das práticas e das
condições do armazenamento de grãos no Brasil. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, 6, 2001, Londrina. Anais. Londrina:
CNPq, FAPEAGRO, UFPR e IAPAR, 2001. 13p.
LEUNG, M. C. K.; DIAZ - LLANO, G.; SMITH, T. K. Mycotoxins in pet food: a
review on worldwide prevalence and preventative strategies. Journal of
Agricultural and Food Chemistry, v. 54, p. 9.623-9.635, 2006. Disponível em:
http://pubs.acs.org/journal/jafcau Acesso em: 15 de maio de 2010.
MACHADO, J. C.; OLIVEIRA, J. A.; VIEIRA, M.G. G.C. et al. Controle da
germinação de sementes de soja em testes de sanidade pelo uso da restrição
hídrica. Revista Brasileira de Sementes, v.25, n.2, p. 77-81. 2003. Disponível
em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s010131222003000400011&script=sci_arttext Acesso em: 02 de fevereiro de 2010
MALLMANN, C.A.; ALMEIDA, C.A.A.; MOSTARDEIRO, C et al. Automation of the
analytical procedure for simultaneous determination of aflatoxinas AFB1, AFB2,
70
AFG1 and AFB2. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE MICOTOXINAS E
PHICOTOXINAS, 2000. São Paulo.
MALLMANN, C.A.; DILKIN, P. Micotoxinas e micotoxicoses em suínos. Editora
- Santa Maria: Ed. do Autor, 2007. 240p.
MARCIA, B.A.; LAZZARI, F.A. Monitoramento de fungos em milho em grão, grits e
fubá. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 18, n. 4, 1998. Disponivel em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010120611998000400001&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 15 de junho de 2010.
MARQUES, O.J.; VIDIGAL-FILHO, P.S.; DALPASQUALE, V.A. et al. Incidência
fúngica e contaminações por micotoxinas em grãos de híbridos comerciais de
milho em função da umidade de colheita. Acta Scientiarum Agronomy, v. 31, n.
4, p. 667-675, 2009. Disponível em:
http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciAgron Acesso em: 23 de agosto de
2010.
MILLER, J.D. Fungi and Mycotoxins in Grain: Implications for Stored Product
Research. Journal of Stored Products Research, v.31, p.1-16, 1995.
ORSI, R.B.; CORREA, B.; POSSI, C.R. et al. Mycoflora and occurrence of
fumonisins in freshly harvested and stored hybrid maize. Journal of Stored
Products Research, v. 36, p. 75-87, 2000. Disponível em:
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=MImg&_imagekey=B6T8Y-3XV298G81&_cdi=5099&_user=686451&_pii=S0022474X99000296&_orig=browse&_coverD
ate=01%2F31%2F2000&_sk=999639998&view=c&wchp=dGLbVtbzSkWA&md5=4f4034e2a432933be334b660f8069a99&ie=/sdarticle.pdf
PIEDADE, F.S.; FONSECA, H.; GLORIA, E.M. et al. Distribution of aflatoxins in
corn fractions visually segregated for defects. Brazilian Journal of Microbiology,
v. 33, p. 250-254, 2002. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517- Acesso em: 22 de outubro de 2010.
PINTO, N. F. J. Grãos ardidos em milho. Sete Lagoas: EMBRAPA, 2005. 6p.
(Circular Técnica, 66).
RAMOS, C.R.B.A; BRASIL, E.M; GERALDINE,R.M. Contaminação por aflatoxinas
em híbridos de milho cultivados em três regiões do Estado de Goiás. Pesquisa
Agropecuária Tropical, v. 38, n. 2, p. 95 -102, 2008. Disponível em:
SANTIN, J. A.; REIS, E. M.; MATSUMURA, A. T. S.; MORAES, M. G. Efeito do
retardamento da colheita de milho na incidência de grãos ardidos e de
fungos patogênicos. Revista Brasileira de Milho e Sorgo,v. 3, n. 2, p. 182-192,
2004. Disponível em: http://rbms.cnpms.embrapa.br/index.php/ojs Acesso em: 23
de outubro de 2009.
71
SEKIYAMA, B.L.; RIBEIRO, A.B.; MACHINSKI, P.A. et al. Aflatoxins, ochratoxin A
and zearalenone in maize-based food products. Brazilian Journal of
Microbiology, v.36, n. 3, p. 289-294, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S151783822005000300016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Acesso em: 14 de dezembro de
2009.
SWEENEY, M.J.; DOBSON, A.D.W. Mycotoxin production by Aspergillus,
Fusarium and Penicillium species. International Journal of Food Microbiology,
v. 43, p. 141–158, 1998. Disponível em:
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=PublicationURL&_tockey=%23TOC%2
35061%231998%23999569996%2320179%23FLA%23&_cdi=5061&_pubType=J
&_auth=y&_acct=C000037559&_version=1&_urlVersion=0&_userid=686451&md5
=11fd426d6df556ad72d76c6e37683bec Acesso em: 23 de outubro de 2009.
SCUSSEL, V. M. Micotoxinas em alimentos. Florianópolis: Editora Insular,
1998.144p.
TANAKA, M.A.S.; MAEDA, J.A.; PLAZAS, I. H. A. Z. Microflora fúngica de
sementes de milho em ambientes de armazenamento. Scientia Agricola,v. 58, n.
3, p. 501-508, 2001. Disponível em :
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010390162001000300011&lng=pt&nrm=iso Acesso em: 23 de maio de 2010.
USDA – United States Department of Agriculture, Subpart D -- United States
Standards for Corn. Disponível em: http://archive.gipsa.usda.gov/referencelibrary/standards/810corn.pdf Acesso em 25 de setembro de 2010.
Download

qualidade física e sanitária de grãos de milho armazenados