UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE MILHO ARMAZENADOS EM MATO GROSSO LARISSA FATARELLI BENTO C U I A B Á – MT 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE MILHO ARMAZENADOS EM MATO GROSSO LARISSA FATARELLI BENTO Engenheira Agrônoma Orientadora: Profª. Dra. MARIA APARECIDA BRAGA CANEPPELE Co-orientadora: Profª. Dra. MARIA CRISTINA DE FIGUEIREDO E ALBUQUERQUE Dissertação Agronomia Universidade obtenção do Tropical. apresentada à Faculdade de e Medicina Veterinária da Federal de Mato Grosso, para título de Mestre em Agricultura C U I A B Á - MT 2011 B478q Bento, Larissa Fatarelli Qualidade física e sanitária de grãos de milho armazenados em Mato Grosso / Larissa Fatarelli Bento. – 2011. 71 f. : il. ; color. Orientadora: Profª. Drª. Maria Aparecida Braga Caneppele Co-orientadora: Profª. Drª. Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Pós-graduação em Agricultura Tropical, 2011. Bibliografia: f. 66-71. 1. Milho – Qualidade – Mato Grosso. 2. Milho – Qualidade física. 3. Milho – Qualidade sanitária. 4. Milho – Armazenagem – Qualidade de grãos. I. Título. CDU – 633.15(817.2)(043.3) Epígrafe Por que sofrer se para Deus nada é impossível? Por que duvidar se para Deus nada é impossível? Acredite para Deus tudo é possível! Autor desconhecido Dedicatória Aos meus pais Eliosé Antônio Bento e Maria Estela Fatarelli Bento, ao meu namorado Vinícius Ribeiro Arantes e meu irmão Hector Fatarelli Bento. Pessoas essenciais em minha vida que com carinho, amor e sabedoria me apoiaram e ensinaram a vencer as dificuldades e a seguir em frente. Agradecimentos À Deus por iluminar meu caminho e pela oportunidade de viver momentos tão especiais. À Universidade Federal de Mato grosso - UFMT. Ao programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical da Universidade Federal de Mato Grosso. À CAPES, pela bolsa de fomento. À Profª. Dr Maria Aparecida Braga Caneppele, pela amizade, confiança e orientação ao longo desse trabalho e ainda, por todos ensinamentos e pelos exemplos de dedicação profissional e de ser humano. À Co-orientadora Profª. Dra Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque, pela oportunidade, confiança e orientação na execução desse trabalho. Aos professores Dr. Daniel Cassetari Neto e a Dra Leimi Kobayasti por toda ajuda e orientação dada durante as análises de sanidade dos grãos. Ao Prof. Dr. Carlos Caneppele pela ajuda e orientação para realização desse trabalho. À APROSOJA – MT pelo incentivo na realização dessa pesquisa e na coleta de amostras. À todos professores e funcionários do Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical. Em especial a Denise e a Maria pelo apoio e orientação nos procedimentos burocráticos. Ao senhor Arlindo, técnico do Laboratório de Fitopatologia. À todos meus amigos do mestrado e doutorado do programa de Pósgraduação em Agricultura Tropical pela amizade e boa convivência: Indira Messias, Jader Campos, Janaíne Donini, Josimar Brito, Mariana de Oliveira Pinto Coelho, Thales Duarte, Regiane Castro Zarelli Leitzke e Daniel Guedes. A todos integrantes do Núcleo de Tecnologia em Armazenagem pela ajuda, amizade e pela boa convivência: Anderson Bays, Barbara Motta, Eduardo Yoshio, Jeferson Almeida, Larissa Duarte, Magda Chagas, Naiara Mendes, Robério Costa, Thais Aryoshi, Valéria Oda e Willian Crisostomo. Aos meus queridos amigos e companheiros Rafaeli Vieira de Souza, Aline Lehmkuhl, Rafael Noetzold, Andreia da Cruz Quintino, Liliane da Silva Barros, pessoas maravilhosas que Deus me proporcionou conhecer, por todos os momentos que passamos juntos, pelo apoio e carinho a mim dedicado. Às minhas amigas queridas Andressa Menegaz e Manuela Ferraz de Miranda, pela paciência, carinho e incentivo em todos os momentos. E a todos que contribuíram direta ou indiretamente para realização deste trabalho, meus sinceros agradecimentos. QUALIDADE FÍSICA E SANITÁRIA DE GRÃOS DE MILHO ARMAZENADOS EM MATO GROSSO RESUMO - Os grãos de milho podem ter sua qualidade alterada direta ou indiretamente, pelos ataques de insetos, ácaros, microrganismos. Como conseqüência ocorre a deterioração dos grãos com a ocorrência de defeitos como grãos carunchados, mofados, fermentados, prejudicados por diferentes causas. Além da contaminação por fungos e micotoxinas, ocasionando problemas sérios de saúde e perdas consideráveis do ponto de vista econômico. O presente trabalho objetivou avaliar a qualidade física e sanitária de grãos de milho armazenados e correlacionar essas características nas safras 2009 e 2010. Foram coletadas amostras de grãos de milho nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste do Estado: em três unidades armazenadoras de 14 municípios na safra 2009 e em duas unidades de 15 municípios da safra 2010. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial, com três repetições; para a safra 2009 14x3 (14 municípios e três unidades armazenadoras de cada município), totalizando 42 tratamentos e para a safra 2010 foi 15x2, totalizando 30 tratamentos. As características físicas analisadas foram: teor de água, massa específica e classificação física de acordo com o padrão oficial para milho. As características sanitárias analisadas foram: incidência de fungos e ocorrência de aflatoxinas (B1, B2, G 1 e G 2). Na safra 2009 a média da massa específica das amostras foi de 768 kg.m-3 com teor água de 8,7% e de 775 kg.m-3 com teor de água de 7,3% na safra 2010. Os defeitos de maior ocorrência foram de grãos carunchados e quebrados na safra 2009 e quebrados na safra 2010. Os municípios de Canarana e Nova Xavantina apresentaram os maiores índices de grãos carunchados 13,76% e 6,23%, e Gaúcha do Norte e Sinop de quebrados 10,61% e 7,45%, na safra 2009. Na safra 2010 para grãos quebrados foram Canarana com 14,66% e Gaúcha do Norte com 7,96%. A elevada porcentagem de matérias estranhas, impurezas mais fragmentos ocasionou o enquadramento das amostras da região Leste como abaixo do padrão em ambas as safras. Os fungos predominantes em todos os municípios foram Fusarium spp., Aspergillus spp, Penicillium spp e Cladosporium spp. Campos de Júlio e Sapezal apresentaram amostras com maiores índices de contaminação fúngica na safra 2009 e Campos de Júlio na safra 2010. Na safra 2009 foi detectada a presença de aflatoxinas totais em 19% das amostras com níveis abaixo do limite máximo permitido pela legislação e na safra 2010 foi detectada aflatoxinas totais em 23% das amostras, com níveis que ultrapassaram o permitido pela legislação. Canarana e Gaúcha do Norte apresentam enquadramento comercial do milho inferior aos demais municípios, independente da safra. Matérias estranhas, impurezas e fragmentos levam o enquadramento dos grãos de milho em Mato Grosso como Abaixo do Padrão. Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp. são os fungos predominantes nos grãos de milho em Mato Grosso. Os níveis de aflatoxinas apresentam uma tendência crescente em áreas com maior precipitação (mm) em Mato Grosso. Palavras-chave: avariados, fungos, micotoxinas PHYSICAL QUALITY AND HEALTH OF GRAINS OF CORN STORED IN MATO GROSSO ABSTRACT – The corn grain may have changed their quality directly or indirectly by the attacks of insects, mites, microorganisms. As a consequence there is the deterioration of the grains with the occurrence of defects such as insect attacked, moldy, fermented, damaged by various causes. In addition to contamination by fungi and mycotoxins, causing serious health problems and losses from an economic standpoint. This study aimed to evaluate the physical quality and health of stored corn and correlate these characteristics in 2009 and 2010 vintages. We collected samples of corn in Norte, Sul, Leste and Oeste of the state: three storage units in 14 counties in the harvest in 2009 and two units of 15 municipalities in the 2010 season. The experimental design was completely randomized in a factorial design with three replications for the 2009 crop 14x3 (14 municipalities and three storage units in each city), totaling 42 treatments and for the 2010 harvest was 15x2, totaling 30 treatments. The physical characteristics were analyzed: water content, density and physical classification according to the official standard for corn. The health characteristics were analyzed: incidence of fungi and the occurrence of aflatoxins (B1, B2, G1 and G2). In the season 2009 the average density of the samples was 768 kg.m-3 with water content of 8,7% and 775 kg.m-3 with a water content of 7,3% in 2010 season. The defects occurred more frequently in insect attacked and broken and broken in the 2009 crop harvest in 2010. The municipalities of Canarana and Nova Xavantina have higher rates of insect attacked 13,76% and 6,23%, and Gaúcha do Norte and broken in Sinop 10,61% and 7,45% in the 2009 season. In the season 2010 for broken grains were 14,66% and Canarana in Gaúcha do Norte with 7,96%. The high percentage of foreign matter, contamination caused more fragments framing the eastern region of the samples as below standard in both seasons. The predominant fungi in all municipalities were Fusarium spp., Aspergillus spp, Penicillium spp and Cladosporium spp. Campos de Julio and Sapezal samples showed higher levels of fungal contamination in the 2009 crop and the harvest fields Julio 2010. In the season 2009 we detected the presence of total aflatoxins in 19% of samples with levels below the maximum allowed by law and the 2010 harvest total aflatoxin was detected in 23% of the samples, with levels that exceeded the permitted limits. Canarana and Gaúcha do Norte commercial environment have less corn to other municipalities, regardless of season. Foreign matter, impurities and debris cause the framework of corn in Mato Grosso and Below Standard. Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. and Cladosporium spp. are the predominant fungi in corn kernels in Mato Grosso. The aflatoxin levels showed an increasing trend in areas with higher rainfall (mm) in Mato Grosso.……………………………………………………….. Keywords: damaged, fungi, mycotoxins LISTA DE FIGURAS Página 1 Procedimentos de classificação do milho.................................... 2 Defeitos dos grãos ou pedaços de milho conforme as Portarias 32 do Ministério da Agricultura nº 11 de 12 de abril de 1996................................................................................................. 33 LISTA DE TABELAS Página 1 Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2009.................................................................. 2 Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2010.......................................................................... 3 38 39 Porcentagem média de matérias estranhas, impurezas e fragmentos nos grãos de milho, provenientes de unidades armazenadoras dos municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010....................................................................................................... 4 42 Porcentagem média de grãos carunchados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010.......................................................................................... 5 Porcentagem média de grãos quebrados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010... 6 46 Porcentagem de incidência fúngica de amostras de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010....... 8 45 Porcentagem média de grãos avariados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso safras 2009 e 2010.... 7 43 51 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Norte do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010............................................................... 9 55 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Sul do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010....................................................................................... 10 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Leste do Estado de Mato Grosso 56 – safras 2009 e 2010............................................................................. 57 11 Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Oeste do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010................................................................ 58 12 Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de milho armazenados em Mato Grosso, safra 2009.......................................... 62 13 Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de milho armazenados em Mato Grosso, safra 2010.......................................... 64 LISTA DE QUADROS Página 1 Enquadramento do milho em tipo de acordo com Brasil (1976 e 1996b).................................................................................................. 31 2 Precipitação e temperatura média dos municípios de coleta do milho em Mato Grosso, safra 2009 e 2010......................................... 36 3 Enquadramento comercial do milho por município, safra 2009 – Mato Grosso........................................................................................ 48 4 Enquadramento comercial do milho por município, safra 2010 – Mato Grosso........................................................................................ 49 Página 1SINTRODUÇÃO................................................................................. 17 UM 2 REVISÃO DE LITERATURA........................................................... 19 ÁR 2.1 Importância do Milho..................................................................... 19 IO 2.2 Qualidade de Grãos...................................................................... 19 2.3 Qualidade Física do Milho............................................................. 21 2.4 Qualidade Sanitária do Milho........................................................ 23 2.4.1 Micotoxinas (Aflatoxinas)........................................................... 24 3 MATERIAL E MÉTODOS............................................................... 29 3.1 Área de Estudo.............................................................................. 29 3.2 Coleta e Preparo das Amostras.................................................... 29 3.3 Delineamento Experimental ......................................................... 30 3.4 Qualidade Física........................................................................... 30 3.4.1 Teor de água.............................................................................. 30 3.4.2 Massa específica........................................................................ 30 3.4.3 Classificação física..................................................................... 31 3.5 Qualidade Sanitária....................................................................... 34 3.5.1 Incidência de fungos.................................................................. 34 3.5.2 Análise de micotoxinas (aflatoxinas).......................................... 34 3.6 Análise Estatística........................................................................ 35 3.7 Dados Meteorológicos.................................................................. 36 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................... 37 4.1 Qualidade Física........................................................................... 37 4.2 Qualidade Sanitária....................................................................... 50 4.2.1 Ocorrência de aflatoxinas........................................................... 53 4.3 Correlação entre Qualidade física e sanitária............................... 61 5 CONCLUSÕES................................................................................ 65 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................ 66 17 1 INTRODUÇÃO Para se avaliar a qualidade dos grãos, consideram-se o teor de água, massa específica, percentual de grãos quebrados, teor de impurezas e matérias estranhas, susceptibilidade à quebra, qualidade de moagem, conteúdo de proteínas, viabilidade como semente, presença de insetos e fungos e, tipo de grão. Entretanto, muitas dessas características são originadas, mantidas ou agravadas durante as etapas de beneficiamento e armazenamento (Bakker e Arkema, 1994). O armazenamento de um produto agrícola tem como finalidade a guarda e conservação dessa qualidade, principalmente nos períodos de entressafra, com o objetivo de aguardar melhores preços de mercado. No entanto, perdas poderão ocorrer em decorrência de condições deficientes de infraestrutura e durante permanência do produto no armazém, ocasionadas por insetos, fungos, roedores, pássaros e a própria respiração da massa de grãos. Esses fatores podem depreciar o produto reduzindo a massa de grãos, através da contaminação fúngica, presença de micotoxinas, perda quanto à redução do padrão comercial, além dos efeitos na saúde humana e animal (Dionello et al., 2000). O Brasil se destaca como um dos principais produtores de milho do mundo. Entretanto, a maior parte desse milho é colhida tardiamente e armazenada em sistemas tecnicamente deficientes, em condições inadequadas de umidade e temperatura, resultando em consideráveis perdas qualitativas e quantitativas. 18 As perdas quantitativas e qualitativas na pós-colheita de milho são estimadas em 20%, representadas pelos efeitos do metabolismo dos próprios grãos, pelos ataques de insetos, ácaros e microrganismos, que se expressam pela deterioração, na ocorrência de defeitos como grãos mofados, ardidos, fermentados e prejudicados por diferentes causas e contaminados por fungos que produzem micotoxinas e outros inconvenientes (Dionello et al., 2000). Esses fatores são motivos da desvalorização do produto e uma ameaça à saúde dos animais e dos seres humanos. O Estado do Mato Grosso em 2010 produziu 29.277,1 mil toneladas de grãos. Desses, 8.132,8 mil toneladas foram de grãos de milho na segunda safra, apresentando um incremento de 23,9% na área plantada (CONAB, 2010). A infraestrutura de armazenagem não tem acompanhado o ritmo de crescimento da produção agrícola, onde algumas regiões no estado que estão se destacando como novas potências agrícolas apresentam pontos críticos em suas redes de armazenagem, como grãos armazenados nos pátios dos armazéns. Como consequência dessa deficiência ocorre a depreciação da qualidade dos grãos durante o período de estocagem. A progressiva necessidade de se produzir grãos com qualidade física e sanitária para atender a crescente demanda de alimentos e minimizar as perdas, está fazendo com que se busquem informações e alternativas capazes de atingir esse propósito. O presente trabalho objetivou avaliar a qualidade física e sanitária de grãos de milho armazenados e correlacionar essas características nas safras 2009 e 2010. 19 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Importância do Milho O milho apresenta um papel importante na economia mundial, em função das suas diversas formas de utilização, que vão desde a alimentação animal até as indústrias de alta tecnologia. Na realidade, o uso do milho em grão como alimentação animal representa a maior parte do consumo deste cereal, isto é, cerca de 70% no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 50% é destinado para esse fim, enquanto que no Brasil varia de 60 a 80%, dependendo da fonte da estimativa e de ano para ano (Embrapa, 2006b). A sua utilização em aplicações industriais, como a produção de etanol, elevou sua importância no contexto de produção de cereais na esfera mundial. Nesse sentido o milho passou a ser um dos cereais mais produzidos no mundo (Embrapa, 2007). O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. No período de 1995 a 2000, o rendimento médio das lavouras nacionais foi de 2.654 kg/ha (Conab, 2009). Em 2010, a produtividade média na primeira safra foi de 4.412 kg/ha, 21,5 % maior que à alcançada na safra 2008/09 e 4.233 kg/ha na segunda, superando as expectativas com um incremento de 19,6% (Conab, 2010). 2.2 Qualidade de Grãos A qualidade de grãos e cereais, geralmente é definida em função da sua utilização. Assim no mercado externo, é prática cada vez mais comum, 20 as indústrias definirem o tipo de matéria-prima que desejam. Por exemplo, na indústria de amido, o fator de qualidade é indicado através de características de grãos que apresentem maiores teores de amido no endosperma. Por outro lado, aqueles que trabalham com extração de óleo comestível preferem aqueles com altos teores de óleo no germe. Portanto, a qualidade do grão para um determinado uso industrial, pode não ter as mesmas características para outra indústria (Ascheri e Germani, 2004). Na maioria dos países, os padrões de qualidade, estão baseados na pureza do grão, cor, quantidade de grãos quebrados, índice de rachados, material estranho, grãos danificados (incluindo por efeitos de calor de secagem, por influência do tempo, enfermidades) teor de água, peso hectolítrico, presença de fungos e presença de micotoxinas (Ascheri e Germani, 2004). Esses parâmetros definem a qualidade dos grãos para transações comerciais. Em termos de produção, a qualidade depende muito da variedade e práticas culturais. Todos os grãos são expostos, tanto no campo quanto no armazenamento, à ação de fatores físicos, químicos e biológicos, que interagem entre si favorecendo os processos de deterioração (Almeida et al., 2005). No campo, os fatores que afetam a qualidade dos produtos agrícolas são: espécie, variedade, condições edafoclimáticas, manejo de adubação, irrigação, utilizados controle na fitossanitário, época, duração e procedimentos colheita e transporte. No armazenamento, etapas de beneficiamento como a secagem, quando realizada de forma inadequada, pode comprometer seus principais objetivos que é a conservação e a preservação, por longos períodos, das qualidades nutricionais e organolépticas desenvolvidas durante a fase de campo (Embrapa, 2006a). Outro fator que pode comprometer a qualidade dos grãos é o tempo de armazenamento. Isto propicia a aceleração da deterioração da matériaprima, principalmente se essa matéria-prima tiver sofrido algum dano. É observado aumento na porcentagem de grãos trincados com a secagem, 21 tornando-os mais susceptíveis à quebra total subsequente, que culmina em maior deterioração durante o armazenamento (Carvalho et al., 2004) Cerca de 30% da produção agrícola nacional é perdida em função de procedimentos na colheita, transporte e armazenamento inadequados. O excesso de umidade nos grãos representa um dos fatores que resultam na perda do produto devido a sua associação a outros fatores, como temperatura, umidade relativa do ar e o próprio grão, proporcionando substrato ideal para o ataque de insetos e a proliferação microbiana, resultando na produção de substâncias tóxicas (Embrapa, 2007). 2.3 Qualidade Física do Milho A qualidade física dos grãos de milho está relacionada à integridade do grão em relação à presença de trincas, fissuras, grãos quebrados e impurezas que são altamente prejudiciais ao rendimento final da indústria. As trincas, matérias estranhas, impurezas e quebrados geralmente são produzidas por dano mecânico provocados na colheita e movimentação do grão ou por dano térmico por altas temperaturas durante a secagem (Ascheri e Germani, 2004). O conhecimento das características físicas dos grãos como forma, tamanho, densidade e outras características dos grãos, é importante para projetos de construção e operação de equipamentos de limpeza, secagem, classificação, armazenagem e industrialização de produtos agrícolas. Esses parâmetros ainda são utilizados em operações de comercialização e diferenciação de variedades (Afonso Júnior et al., 2000). O milho sob a forma de grãos, destinado à comercialização interna, é enquadrado em grupos, classes e tipos, segundo sua consistência, coloração e qualidade de acordo com a classificação aprovada pelo Ministério da Agricultura, Portaria nº 845 de 08/11/1976 e Portaria nº 11 de 12/04/1996 (Brasil, 1976; 1996b). Pela classificação brasileira do milho, Portaria nº 845 e Portaria nº 11 do Ministério da Agricultura, as seguintes características qualitativas devem ser avaliadas em um lote de milho para sua tipificação: grãos ardidos, 22 fermentados até ¼, mofados, brotados, carunchados, chochos ou imaturos, quebrados, atacados por animais roedores e parasitas ou danificado por qualquer outra causa, impurezas e matérias-estranhas (Brasil,1976; 1996b). A presença de grãos avariados (chochos, quebrados, carunchados, ardidos, queimados e brotados), impurezas, fragmentos, matéria estranha são mensurados em uma amostra representativa do lote, pela inspeção visual, peneiramento e pesagem desses tipos de grãos. Dependendo dos níveis de defeitos nos grãos, pode ocorrer a desvalorização ou rejeição do lote, pois esses podem comprometer a qualidade dos produtos obtidos, a eficiência do processo e aumentar a possibilidade de incidência de micotoxinas. No padrão de classificação oficial brasileiro de grãos, a presença de grãos quebrados é considerada fator de depreciação da qualidade em um lote (Brasil, 1996b). Já no padrão de classificação americano, o principal critério para a classificação é o peso volumétrico (peso hectolítrico), seguido pela avaliação visual dos grãos danificados, quebrados e impurezas, onde são enquadrados em Tipos de 1 a 5 (USDA, 2010). Carvalho et al. (2004) observaram aumento na porcentagem de grãos quebrados, perda de peso e maior susceptibilidade à quebra, à medida em que aumentaram a temperatura de secagem e o tempo de armazenamento. Os autores também verificaram que o peso dos grãos diminui com o aumento destas variáveis. Na classificação padrão de grãos de milho, são considerados como defeitos somente grãos quebrados, não sendo considerados os grãos trincados. Têm indústrias que possuem padrões de tolerância próprios para realização do desconto. No entanto, a grande maioria pratica uma tolerância máxima para grãos trincados de 40%, e para grãos quebrados 6 a 8% no máximo (Lazzari et al., 2001). Dessa forma, tanto a quantidade de grãos trincados como a de grãos quebrados são fatores de qualidade de importância na comercialização dos grãos de milho. 23 2.4 Qualidade Sanitária do Milho A associação fúngica tem sido apontada como uma das principais causas da perda da qualidade de grãos e sementes, durante o plantio e colheita, bem como no armazenamento. Entre os danos causados pelos fungos aos grãos estão a diminuição do poder germinativo, o emboloramento visível, a descoloração, o odor desagradável, a perda de matéria seca, o aquecimento, o cozimento, mudanças químicas e nutricionais, além da produção de compostos tóxicos, as micotoxinas (Lazzari, 1997; Almeida et al., 2000). Essa contaminação pode fazer com que os grãos tornem-se impróprios para o consumo humano e animal, resultando em grandes perdas econômicas. Os fungos presentes nos grãos são classificados conforme suas exigências de água em dois grupos: fungos de campo e fungos de armazenamento. Os primeiros colonizam as sementes ainda no campo e necessitam de elevada umidade relativa do ar (90%) e elevados teores de água nos grãos (20% a 21%) para o seu desenvolvimento. Nesse grupo, predominam as espécies dos gêneros Alternaria, Cladosporium, Helminthosporium e Fusarium. Quanto aos fungos de armazenamento, requerem umidades, entre 13 e 18%, sendo pouco frequentes durante o crescimento da planta no campo e nos grãos recém-colhidos. Nesse grupo, encontram-se os gêneros Aspergillus e Penicillium sendo os principais (Lazzari, 1997; Pinto, 2005; Embrapa, 2007). No entanto, essa classificação não é apropriada aos trópicos úmidos, uma vez que determinadas espécies pertencentes aos gêneros Aspergillus e Penicillium, anteriormente consideradas como fungos de armazenamento, podem ocorrer antes da colheita e produzir micotoxinas (Lazzari, 1997). A invasão fúngica é responsável por causar muitas doenças e severos danos em grãos de milho. Essa invasão ocorre em duas condições principalmente: na fase de pré-colheita, causando danos como podridões de espigas com a formação de grãos ardidos e em pós-colheita dos grãos durante o beneficiamento, armazenamento e transporte dos grãos mofados 24 ou embolorados. Dentre os fungos que causam danos no milho, como podridões e consequentemente grãos ardidos destacam-se as espécies dos genêros: Fusarium, Aspergillus, Penicillium, Cladosporium, Cephalosporium e Stenocarpella (Pinto, 2005; Embrapa, 2007). São considerados “grãos ardidos”, grãos atacados por patógenos e/ou que sofreram algum tipo de injúria que ocasionou a alteração de cor, fermentação em toda área do germe ou em qualquer outra parte do endosperma (Brasil, 1996). No entanto, em termos fitopatológicos, apenas grãos danificados por fungos são considerados “ardidos”, os quais são caracterizados por sintomas de descoloração e estrias brancas no pericarpo (Pinto, 2005). Os grãos ardidos representam uma perda para os produtores, uma vez que os armazéns que os recebem descontam seu peso do total a ser pago. A estimativa de grãos ardidos é realizada por amostragens e de análises visuais no momento da entrega do lote de grãos. Além disso, a porcentagem de grãos ardidos, juntamente com a de mofados e brotados é utilizada para classificação do milho em Tipo 1 (até 3%), Tipo 2 (6%) e Tipo 3 (10%) (Brasil, 1996b). Em casos extremos, pode ocorrer a recusa de um lote por parte do armazém, uma vez que o mercado consumidor está cada vez mais atento quanto à qualidade do produto. Em algumas agroindústrias, o limite máximo tolerado é de 6% para grãos ardidos em lotes comerciais de milho (Pinto, 2005; Embrapa, 2007). Diversos levantamentos, realizados no Brasil com grãos de milho e produtos derivados quanto à presença de fungos toxigênicos, apontaram a predominância dos fungos do gênero Fusarium, Aspergillus e Penicillium (Marcia e Lazzari, 1998; Almeida et al., 2000; Dilkin et al., 2000; Tanaka et al., 2001; Santin et al., 2004; Marques et al., 2009). 2.4.1 Micotoxinas (Aflatoxinas) As micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos filamentosos, que quando ingeridos, são prejudiciais à saúde humana e animal. Os principais fungos toxigênicos pertencem aos gêneros 25 Aspergillus, Penicillium e Fusarium (Mallmann e Dilkin, 2007). No Brasil os relatos de fungos toxigênicos em alimentos, em particular de maior prevalência no milho apontam a predominância dos fungos dos gêneros Fusarium, Aspergillus e Penicillium (Sweeney e Dobson, 1998; Kawashima e Soares, 2006; Kumar et al., 2008). Essa prevalência pode ser evidenciada por Orsi et al. (2000), quando analisaram 195 amostras de três híbridos de milho recém-colhidos e armazenados, provenientes do município de Ribeirão Preto, verificando a predominância do gênero Fusarium, seguido dos gêneros Penicillium e Aspergillus. A contaminação de um substrato pelos fungos toxigênicos, pode ocorrer nas fases de cultivo, pré-colheita, transporte, processamento e armazenamento (Lazzari, 1997; Scussel, 1998). Os fatores que favorecem principalmente o crescimento desses fungos e a produção de micotoxinas em cereais armazenados são: alta umidade relativa do ar, teor de água do substrato e temperatura de armazenamento (Mallmann e Dilkin, 2007). Os mesmos autores colocaram que a interação desses fatores associados às dificuldades de colheita no estágio correto de umidade e maturação; o transporte de grãos por períodos muito longos com teores elevados de água e longas filas de espera dos caminhões transportadores na porta de secadores tem propiciado a proliferação de fungos. É importante ressaltar que a presença dos fungos toxigênicos necessariamente não implica na produção de micotoxinas, as quais estão intimamente relacionadas à capacidade de biossíntese do fungo e das condições ambientais predisponentes. Da mesma forma, a presença de toxinas não necessariamente implica na presença do fungo produtor, pois apresenta grande estabilidade em grãos, mesmo após extinção do fungo produtor (Pinto, 2005). Já foram identificadas mais de quinhentas micotoxinas, entretanto as de maior importância para a agricultura, responsáveis pelos maiores índices de contaminação de grãos, sementes e outros alimentos são: as aflatoxinas produzidas por fungos do gênero Aspergillus como A. flavus e A. parasiticus; as ocratoxinas produzidas por fungos dos gêneros Aspergillus e Penicillium 26 e as fusariotoxinas que possuem como principais representantes os tricotecenos, zearalenona e as fumonisinas, produzidas por diversas espécies do gênero Fusarium (Scussel, 1998; Pinto, 2005; Mallmann e Dilkin, 2007). No Brasil, a micotoxina de maior importância devido sua alta toxidade e contaminação de alimentos são as aflatoxinas. São conhecidas mais de vinte substâncias do grupo das aflatoxinas, porém as mais comuns nos alimentos são B1, B2, G1 e G2, encontradas principalmente no milho, amendoim, sementes de algodão e castanhas diversas, sendo a B1 a de maior prevalência e também a mais tóxica do grupo (Lazzari, 1997; Scussel, 1998; Mallmann e Dilkin, 2007). Os fatores determinantes para o crescimento de fungos do gênero Aspergillus e a produção de aflatoxinas em cereais armazenados são: umidade relativa de 80 a 85%, com teor de água de 17% nos cereais e temperatura de 24 a 35ºC (Dilkin et al., 2000). No milho, esse fenômeno ocorre a partir de um teor de água de 17,5% a 18,5%, com temperatura ótima para sua produção máxima entre 25 a 27ºC. Nessas condições a produção de aflatoxinas inicia-se em 24 horas (Lazzari, 1997). A ocorrência de micotoxinas em alimentos e seus derivados não é um problema restrito apenas a países em desenvolvimento. Essas afetam o agronegócio de muitos países, interferindo ou até mesmo impedindo a exportação, reduzindo a produção animal e agrícola e, em alguns países, afetam também a saúde humana (Leung et al., 2006). De acordo com a “International Agency for Research on Cancer” – IARC, as aflatoxinas estão entre os mais importantes carcinógenos conhecidos, sendo classificadas na Classe 1 dos carcinógenos humanos (IARC, 1993). No Brasil, os limites máximos de micotoxinas tolerados em alimentos foram estabelecidos pela resolução n° 7, de 18 de fevereiro de 2011. Para aflatoxinas em grãos de milho o Ministério da Saúde - ANVISA e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, estabelecem o limite máximo (B1+B2+G1+G2) de 20 µg.kg-1 em alimentos destinados ao consumo humano. Em relação à presença de aflatoxinas em ingredientes para 27 formulação de rações, o máximo permitido pelo MAPA é de 50 µg.kg-1. Esse limite é comparável aos estabelecidos por outros países e recomendado pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO, 2003). Diversos trabalhos realizados no Brasil e no exterior demonstraram um elevado número de amostras de milho contaminadas com micotoxinas, sendo as fumonisinas e aflatoxinas de maior ocorrência (Kawashima e Soares, 2006; Kumar et al., 2008). Essa contaminação pode ser evidenciada em avaliações que foram realizadas pelo LAMIC (Laboratório de Análises Micotoxicológicas), durante os anos de 1994 a 2006. Durante esse período, de 37.877 amostras de milho analisadas, 50,3% foram positivas para aflatoxinas, com média de contaminação de 12,2 µg.kg-1 (Mallmann e Dilkin, 2007). Farias et al. (2000) avaliaram 70 amostras de milho armazenado quanto à contaminação fúngica e o potencial toxigênicos de espécies do gênero Aspergillus. Nessas amostras os fungos de maior incidência pertenciam aos os gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium, com porcentagens de contaminação que variaram entre 0 e 100%. A espécie predominante foi a A. flavus, onde 43% isolados sintetizaram aflatoxinas B1 e B2, 11,8% sintetizaram B1, 4,1% sintetizaram B1 e G1, 1,7% sintetizaram B1, B2 e G1 e em 3,5% não foram detectadas a síntese de aflatoxina. Ao analisarem 227 amostras de alimentos provenientes do Distrito Federal, Caldas et al. (2002) verificaram que das 60 amostras de milho em grão avaliadas, 60% apresentou contaminação por aflatoxinas. Os autores ainda constataram que aflatoxina B1 foi detectada em todas as amostras. No comércio das cidades de Maringá, Paraná e São Paulo foram avaliadas 121 amostras de alimentos à base de milho, quanto à ocorrência de aflatoxinas. Dessas amostras, três (2,5%) foram positivas para aflatoxina B1 (8 a 59 µg.kg-1), duas (1,7%) para aflatoxina B2 (2,4 µg.kg-1), uma (0,8%) para ocratoxina A (64 µg.kg-1) e uma (0,8 %) para zearolenona (448 µg.kg-1). A maior freqüência de amostras positivas e também a maior concentração de aflatoxina B1 foi encontrada nas amostras de pipoca (8,3%, 59 µg.kg-1) (Sekiyama et al., 2005). 28 Kawashima e Soares (2006) avaliaram 74 amostras de produtos a base de milho provenientes do comércio de Recife, quanto a presença das aflatoxinas B1+B2+G1+G2. Os autores verificaram que cinco amostras continham aflatoxina B1 e a concentração máxima encontrada foi 20 µg.kg-1, duas amostras ultrapassaram limite permitido de 20 µg.kg-1 para a somatória das aflatoxinas B1, B2, G1 e G2 com 23,3 µg.kg-1. Almeida et al. (2009) estudaram 80 amostras quanto a ocorrência de aflatoxinas (AFs) em milho destinado à alimentação de aves no Estado da Bahia. Os resultados revelaram que 10% amostras estavam contaminadas, com níveis variáveis de 1 a 5 µg.kg-1. Ao analisar a distribuição de aflatoxinas nos grãos de milho contaminados, após uma segregação visual de defeitos, Piedade et al. (2002) verificaram que o grupo de grãos com defeitos (brotados, ardidos, carunchados, quebrados, mofados e chochos) apresentaram 84% de contaminação por aflatoxinas do total de grãos. O nível de contaminação nos grãos com defeitos variou de 23 a 1365 µg.kg-1, já nos grãos sem defeitos variaram de não detectados a 125 µg.kg-1, com a maioria das amostras apresentando níveis até 20 µg.kg-1. Gloria et al. (2004) avaliaram a distribuição da ocorrência de aflatoxinas em quatro frações de amostras de milho separadas de acordo com o padrão oficial de classificação do milho quanto aos defeitos, para enquadramento em tipo. A fração que continha grãos ardidos, mofados, queimados e brotados apresentou o nível mais alto de aflatoxinas. No entanto, observaram que o número de amostras com nível de contaminação acima daquele permitido pela legislação brasileira (20 µg.kg-1) foi o mesmo para os tipos qualitativos 2, 3 e AP (abaixo do padrão), e que duas amostras classificadas como tipo 1 apresentaram contaminação de 380 µg.kg-1 e 146 µg.kg-1. 29 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Área de Estudo A pesquisa foi desenvolvida com grãos de milho colhidos nas safras de 2009 e 2010. O milho foi coletado nas quatro regiões do Estado de Mato Grosso, Norte, Sul, Leste e Oeste, nos quatro principais municípios de cada uma, de acordo com sua importância em área plantada, produção e produtividade a partir de dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB. Na região Norte foram os municípios de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop; na região Centro – Sul: Campo Verde, Primavera do Leste, Alto Taquari e Jaciara; e na região Leste (Vale do Araguaia), Canarana, Querência, Nova Xavantina e Gaúcha do Norte. Para a região Oeste (Médio – Norte) foram avaliados apenas os municípios de Sapezal e Campos de Júlio, durante a safra 2009, em função de problemas de amostragem. Já na safra 2010, foram avaliados os municípios de Sapezal, Campos de Júlio e Campo Novo do Parecis. 3.2 Coleta e Preparo das Amostras Em cada um dos municípios, foram realizadas coletas de amostras de 5 kg de grãos de milho limpo e seco, provenientes das Unidades Armazenadoras – UA selecionadas de cada local, de acordo com as normas estabelecidas pelo MAPA. 30 O critério utilizado para seleção das unidades armazenadoras foi baseado na capacidade estática média das unidades de cada município por região, onde se enquadraram na faixa de 30.000 a 100.000 (t). Esses grãos de milho foram coletados nas UA um mês após a colheita, onde já haviam passado pelas etapas de limpeza e secagem. As amostras foram devidamente identificadas e acondicionadas em sacos, contendo a data e o local da coleta para envio ao laboratório. No laboratório essas amostras permaneceram armazenadas em câmara seca com temperatura de 17 ± 3°C, até o momento da realização de cada análise. 3.3 Delineamento Experimental O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 14 x 3, sendo 14 municípios e três unidades armazenadoras de cada município, totalizando 42 tratamentos, com três repetições para safra 2009. Para safra 2010, foi utilizado o esquema fatorial 15 x 2, totalizando 30 tratamentos, com três repetições. 3.4. Qualidade Física Para compor o dado de cada repetição estatística foram realizadas as repetições de cada análise e depois feita à média aritmética. 3.4.1 Teor de água Foi realizado com três subamostras de 5 g de grãos de milho, para cada repetição, utilizando o método de estufa 105 ± 3°C, durante 24 h (Brasil, 2009) e o resultado expresso em base úmida. 3.4.2 Massa específica Foi obtida a partir da determinação do peso hectolitro, em balança hectolítrica com capacidade de ¼ de litro, utilizando três subamostras para cada repetição. Os resultados obtidos em kg/hL foram transformados e 31 expressos em kg/m3(Brasil, 2009). Após a transformação os valores de massa específica verificados foram corrigidos para o menor teor de água encontrado nas amostras de cada safra. 3.4.3 Classificação física Foi realizada com base no Padrão de Qualidade do MAPA para grãos de milho, estabelecido pela Portaria nº 845 de 08/11/1976 e Portaria nº 11 de 12/04/1996 (Brasil, 1976; 1996b). Três amostras de 1 kg de cada tratamento foram homogeneizadas e divididas para se obter uma subamostra de trabalho de 250 g cada. Essas amostras de trabalho passaram pela peneira de crivo circular de 5 mm de diâmetro, para a separação das matérias estranhas, impurezas e fragmentos e, pesagem e cálculo da porcentagem para cada variável. A soma dessas variáveis foi utilizada para o enquadramento em tipo (Quadro 1 e Figura 1). Os grãos e os pedaços de grãos de milho que ficaram retidos na peneira foram separados conforme os seguintes defeitos em: mofados, ardidos e brotados, quebrados, chochos e imaturos, carunchados, fermentados até ¼ e prejudicados por diferentes causas (Figura 2). Esses foram pesados isoladamente e anotados. As massas obtidas para cada um foram transformadas em porcentagem. QUADRO 1. Enquadramento do milho em tipo de acordo com Brasil (1976 e 1996b). Tolerâncias máximas (%) Avariados Grau de umidade Tipo (%) Matérias estranhas e Total (%) Máximo de Ardidos e Brotados (%) impurezas (%) 1 2 3 *A.P. 14,5 14,5 14,5 > 14,5 * A.P. Abaixo do Padrão 1,5 11 3 2,0 18 6 3,0 27 10 (a serem especificados em cada caso) 32 Amostras de trabalho Determinação do Tipo (Amostra de 250 g) Peneira de crivo circular de 5,0 mm Separar fragmentos – pedaços de grãos sadios que vazaram pela peneira Separar as matérias estranhas e impurezas que ficaram retidas na peneira e juntar às que vazaram pela peneira Pesar, somar os dois resultados e fazer o enquadramento em Tipo. Separar os defeitos Fermetandos até ¼; Chochos; Carunchados; Prejudicados por diferentes causas; Quebrados Mofados; Ardidos; Brotados Pesar e enquadrar em Tipo Fazer o enquadramento final do milho FIGURA 1. Procedimentos de classificação do milho. 33 Matérias estranhas e impurezas Fragmentos Mofados Ardidos Brotados Carunchados Prejudicados por diferentes causas Fermentados até ¼ Chochos e imaturos Quebrados FIGURA 2. Defeitos dos grãos ou pedaços de milho conforme as Portarias do Ministério da Agricultura nº 845 de 08/11/1976 e nº 11 de 12/04/1996b. 34 3.5 Qualidade Sanitária 3.5.1 Incidência de fungos A detecção fúngica foi determinada pelo teste de sanidade através do método de incubação em papel filtro (Blotter Test) segundo a metodologia proposta por Neergaard (1985), modificada, com restrição hídrica (Machado et al., 2003). Foram utilizadas oito subamostras de 25 grãos. Esses grãos foram desinfectados superficialmente com hipoclorito de sódio a 2%, por dois minutos e, logo em seguida lavados em água destilada. Após a assepsia, os grãos foram colocados de forma equidistante, em placas de Petri, contendo duas folhas de papel de filtro umedecidas com solução de cloreto de sódio (NaCl), com potencial hídrico de – 1,0 MPa, sendo todo o material utilizado foi previamente esterilizado. Em seguida, as placas foram incubadas em temperatura de 25 ± 2°C, por sete dias, na câmara de germinação. Após esse período, realizou-se a identificação dos gêneros de fungos com auxílio de microscópio estereoscópico e/ou biológico e quantificação da sua incidência em porcentagem. 3.5.2 Análise de micotoxinas (aflatoxinas) Para quantificação das aflatoxinas (B1+B2+G1+G2), amostras de 0,5 kg de grãos de milho coletadas em cada unidade armazenadora foram encaminhadas para o Laboratório SAMITEC (Instituto de Soluções Analíticas Microbiológicas e Tecnológicas - RS), credenciado pelo MAPA. A presença de aflatoxinas nos grãos de milho foi determinada pela metodologia automatizada de extração e purificação em fase sólida e derivação para aflatoxinas com auxílio de um sistema de extração em fase sólida e processamento automatizado de amostras (ASPEC XL), acoplado a Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) conforme publicado por Mallmann et al. (2000). A extração foi realizada juntando-se 50 gramas de amostra moída com 100 ml de acetonitrila/água por 5 minutos em liquidificador a 13600 rpm. 35 Após filtrou-se a solução em papel filtro n. 4 e secou 5 ml com vácuo a 65 C em tubo de ensaio. Redilui-se o substrato com 500 l de acetonitrila/água (84:16 v/v) e levou ao ASPEC XL programado para realizar a clarificação das amostras. Para clarificação foram realizadas as seguintes etapas.: 1) Aspirou-se 500 l do tubo de ensaio; 2) Filtrou-se em cartucho de 6 ml com 300 mg da associação de adsorventes de fase reversa, exclusão e troca iônica (deriva as toxinas); 3) Juntou 100 l da amostra com 350 l de TFA (água/ácido trifluoracético/ácido acético glacial (7:2:1 v/v/v) em rack climatizado com temperatura de 65 C por 9 minutos; 4) Resfriamento foi realizado por 3 minutos em temperatura ambiente; 5) Injeção de 100 l para cromatografia. Na análise por CLAE os parâmetros empregados foram: fase móvel composta de água/metanol/acetonitrila (77:21:2 v/v/v) com fluxo de 1 ml por minuto; coluna cromatográfica RP C18 5 (150 X 4,6 mm) em temperatura constante de 45 C e detecção sob fluorescência com comprimento de onda de 365 e 455 nm para excitação e emissão, respectivamente. O registro cromatográfico era computadorizado e integrado pelo programa Borwin. A identificação das toxinas foi realizada pelo tempo de retenção e a quantificação realizada pela área das toxinas. A eluição da AfG1, AfB1, AfG2 e AfB2 ocorreu aos 5, 7, 12 e 17 minutos, com limites de quantificação de 0,7; 0,4; 1,3 e 0,4 µg.kg-1 e coeficiente de recuperação de 101,2; 93,2; 58,9 e 63,2%, respectivamente. 3.6 Análise Estatística Os dados obtidos foram submetidos aos testes de Lilliefors (5%), para verificar se os valores seguiram a distribuição normal e de Cochran e Bartlett (5%), para verificar a homogeneidade de variâncias. Quando necessário foi realizada a transformação dos dados para √(x + 1). As médias foram 36 submetidas à análise de variância e comparadas pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade utilizando o software SAEG 5.0. 3.7 Dados Meteorológicos Os dados de precipitação (mm) e temperatura (°C) foram obtidos da Embrapa Informática Agropecuária em estações metereológicas nos locais de coleta avaliados ou em estações próximas aos mesmos. Referem-se ao período da cultura a campo e correspondem à média dos meses de fevereiro a junho da safra 2009 e safra 2010 (Agritempo, 2011). Calculou-se para o período os valores médios de temperatura e o acumulado total de precipitação. QUADRO 2. Precipitação e temperatura média dos municípios de coleta do milho em Mato Grosso, safra 2009 e 2010. Precipitação Precipitação Temperatura Temperatura (mm) 2009 (mm) 2010 média (ºC) média (ºC) 2009 2010 Municípios Lucas do Rio Verde 1362,3 1170,7 27,0 27,4 Nova Mutum 536,7 510,3 25,4 25,6 Sinop 545,1 150,4 25,3 25,9 Sorriso 375,2 1259,3 25,8 24,2 Canarana 1347,1 1274 25,6 26,6 Gaucha do Norte 520,9 955,3 23,4 23,7 Nova Xavantina 808 350,1 26,0 26,4 Querência 690,7 200,3 25,7 26,5 Alto Taquari 744,2 529,4 22,0 22,3 Campo Verde 973,9 144,1 23,3 23,7 Jaciara 486,8 1195,3 26,5 26,9 Primavera do Leste 700,8 1118,4 25,3 25,5 Sapezal 293,6 1187 24,4 25,5 Campos de Julio 1266,1 1481,7 23,3 23,4 312,3 1176,4 22,8 23,4 Campo Novo do Parecis Fonte: Agritempo, 2011. 37 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Qualidade Física O teor de água das amostras de milho da safra 2009 variou de 8,7% a 11,5% (Tabela 1) e de 7,3% a 11,1% para as amostras da safra 2010 (Tabela 2). Esses valores encontram - se na faixa admitida pela classificação oficial que é de no máximo 14,5% (Brasil, 1976; 1996b), e compatíveis com os teores recomendados para o armazenamento seguro do milho que são 13% a 14%, sem risco de deterioração por um ano e de 12% por um período superior a um ano (Lazzari, 1997). Teores de água inferiores a 14% são seguros para a armazenagem, pois desfavorecem o crescimento fúngico e produção de micotoxinas, conforme verificado por Almeida et al. (2009). Os autores observaram que o controle de qualidade, adotado por duas empresas de ração destinado à alimentação de aves no Estado da Bahia em receber amostras com teor de água de no máximo de 13%, permitiu armazenamento seguro até o momento do processamento dos grãos, onde os níveis de aflatoxinas encontrados nas amostras (1µg.kg-1 a 5 µg.kg-1) eram baixos quando comparado com o permitido pela legislação (50 µg.kg-1). 38 TABELA 1. Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2009. Municípios Lucas do Rio Verde Nova Mutum Sinop Sorriso Canarana Gaúcha do Norte Nova Xavantina Querência Alto Taquari Campo Verde Jaciara Primavera do Leste Sapezal Campos de Julio Média (%) C.V. (%) Desvio padrão Teor de água* (%) 10,8 D 10,4 F 10,8 D 10,2 G 10,7 E 8,7 H 10,8 D 10,4 F 11,0 C 11,3 B 11,5 A 10,3 F 10,6 E 10,8 D 10,64 1,13 0,65 Massa Específica* 3 (kg/m ) 765 E 771 C 755 G 772 C 739 H 769 D 783 A 769 D 767 E 758 E 785 A 774 C 772 C 779 B 768 0,31 11,87 Defeitos (%) Ardidos* 0,88 C 0,68 D 1,27 B 0,92 C 0,98 C 0,71 D 1,28 B 1,05 C 0,58 D 0,49 E 0,81 D 0,30 E 1,20 B 2,53 A 0,98 14,82 0,53 Fermentados até 1/4* 0,56 C 0,94 B 0,37 D 0,92 B 0,48 C 0,25 D 0,28 D 1,54 A 1,02 B 0,33 D 0,68 C 0,53 C 0,49 C 0,64 C 0,65 13,16 0,36 Carunchados* Quebrados* 3,62 C 1,40 D 1,15 E 0,36 E 13,76 A 0,78 E 6,23 B 2,06 D 0,46 E 0,74 E 1,05 E 0,97 E 0,22 E 0,77 E 2,40 14,22 3,64 3,55 D 3,75 D 7,45 B 3,47 D 3,92 D 10,61 A 5,82 C 1,30 G 3,69 D 6,10 C 2,42 F 3,69 D 2,87 E 3,66 D 4,45 14,14 2,36 Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. *O resultado de cada característica analisada por município, corresponde à média de nove repetições. Total de avariados* 9,36 E 7,64 F 11,10 D 6,31 G 19,93 A 13,27 C 14,25 B 7,00 G 7,82 F 8,44 F 5,15H 5,95 H 5,97 H 8,43 F 9,33 10,22 4,08 39 TABELA 2. Características físicas de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safra 2010. Municípios Lucas do Rio Verde Nova Mutum Sinop Sorriso Canarana Gaúcha do Norte Nova Xavantina Querência Alto Taquari Campo Verde Jaciara Primavera do Leste Sapezal Campos de Julio Campo Novo do Parecis Média (%) C.V. (%) Desvio padrão Teor de água* (%) 9,9 A 9,1 B 9,9 A 9,8 A 7,6 C 8,9 B 7,3 C 10,2 A 11,1 A 9,0 B 8,7 B 8,3 B 9,7 A 10,1 A 8,7 B 9,26 13,38 1,02 Massa Específica* 3 (kg/m ) 792 A 756 D 765 C 778 B 754 D 770 C 760 D 791 A 784 A 777 B 785 A 768 C 787 A 777 B 788 A 775 1,28 12,69 Defeitos (%) Ardidos* (0,40)1,18 D (0,72) 1,30 C (0,98) 1,40 B (0,38) 1,16 D (1,21) 1,47 B (0,83) 1,32 C (0,71) 1,30 C (0,90) 1,37 B (0,67)1,29 C (0,41) 1,18 D (0,72) 1,03 E (0,14) 1,06 E (0,98) 1,39 B (0,56) 1,24 D (2,19) 1,91 A 1,31 7,05 0,21 Fermentados até ¼* (1,28)1,50 B (1,01)1,40 C (1,02) 1,40 C (1,41) 1,53 B (1,80) 1,63 A (2,21) 1,71 A (1,46) 1,55 B (2,18) 1,77 A (0,93) 1,38 C (0,23) 1,10 D (0,23) 1,10 D (0,34) 1,15 D (0,22) 1,10 D (0,60) 1,25 D (1,94) 1,65 A 1,42 8,57 0,23 Carunchados* Quebrados* (0,00)1,00 C (0,61) 1,24 B (0,89) 1,04 C (0,23) 1,10 C (0,61) 1,24 B (0,12) 1,05 C (0,68) 1,00 C (0,46) 1,02 C (0,00) 1,00 C (0,54) 1,23 B (0,00) 1,00 C (0,13) 1,06 C (1,53) 1,50 A (0,54) 1,22 B (0,60) 1,21B 1,13 10,93 0,14 (1,38) 1,54 G (3,94) 2,17 E (5,45) 2,53 C (3,70) 2,15 E (14,66) 3,79 A (7,96) 2,96 B (5,87) 2,61 C (1,49) 1,57 G (2,36) 1,81 F (5,83) 2,61 C (1,16) 1,46 G (5,76) 2,57 C (4,91) 2,39 D (4,97) 2,44 D (4,95) 2,42 D 2,34 4,70 0,60 Total de avariados* (4,12) 2,26 I (7,37) 2,79 G (8,68)3,20 E (6,57) 2,73 G (21,70) 4,71 A (14,38)3,78 B (10,61) 3,39 D (5,55) 2,55 H (4,64)2,37 I (8,67) 3,09 E (1,97) 1,71 J (7,19) 2,82 G (7,94) 2,99 F (7,49) 2,91 F (12,25) 3,59 C 2,99 3,68 0,71 Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. *O resultado de cada característica analisada por município, corresponde à média de nove repetições 40 Tanto na safra 2009 quanto na safra 2010 (Tabelas 1 e 2), as amostras coletadas em todos os municípios, exceto Canarana em 2009, apresentaram massa específica superior ao padrão 750 kg.m-3 o que representa alta qualidade de grãos (Didonet et al., 2001). Nos Estados Unidos a massa específica dos grãos é o principal critério utilizado no processo de classificação padrão para enquadramento em tipo e análise de qualidade (Duarte et al., 2007; USDA, 2010). A massa específica também é utilizada como um parâmetro em transações de compra e venda e, um critério de avaliação de qualidade de grãos a ser observado durante o armazenamento. Na safra 2009 (Tabela 1), os valores de grãos ardidos variaram de 0,3% a 2,53%, com o município de Campos de Julio apresentando a maior média; grãos fermentados variaram de 0,25% a 1,54%, com médias mais altas em Querência; grãos carunchados de 0,22% a 13,76% (Canarana); quebrados de 1,30% a 10,61% (Gaúcha do Norte) e o total de avariados variou de 5,15% a 19,93% Canarana. Em 2010, as médias de ardidos variaram de 0,38% a 2,19% em Campo Novo do Parecis ; fermentados de 0,22% a 2,21% em Gaúcha do Norte; carunchados de 0,12% a 1,53% (Gaúcha do Norte); quebrados de 1,16% a 14,66%, com o município de Canarana apresentando a maior média e total de avariados que variou de 1,97% a 14, 38% em Gaúcha do Norte e a 21,70% em Canarana. Os defeitos de ardidos e fermentados até ¼ são o reflexo das podridões das espigas originadas ainda no campo, provenientes da ação fúngica, que sob condições favoráveis de temperatura, umidade relativa e teor de água, podem acelerar o processo de deterioração durante o armazenamento (Pinto, 2005). Na classificação oficial, grãos ardidos juntamente com mofados e brotados são considerados defeitos graves que leva ao enquadramento oficial do milho em tipos 1, 2 e 3 com limites de tolerância máxima de 3%, 6% e 10% respectivamente. Na safra 2009 e 2010 todos os municípios avaliados indicaram porcentagens de grãos ardidos nas amostras de milho abaixo de 3% (Tabelas 1 e 2), enquadrando este em Tipo 1, melhor tipo quanto a qualidade. Considerando que a maioria das agroindústrias produtoras de frangos e suínos adotam um valor máximo de 6% para grãos ardidos no recebimento do milho (Cruz et al., 2008), inferior ao da classificação oficial, indica que as 41 amostras de grãos de milho analisadas além de apresentarem um bom padrão de qualidade quanto a classificação oficial também estão abaixo do limite de tolerância estabelecido pelas indústrias. Esse resultado é excelente para os produtores dos municípios estudados, uma vez que as mesmas agroindústrias produtoras podem bonificar seus fornecedores a cada ponto percentual abaixo do limite (6%). Dos municípios analisados na safra 2009, Sinop e Gaúcha do Norte apresentaram as maiores médias de grãos quebrados 7,45% e 10,61%, respectivamente. Na safra 2010, Gaúcha do Norte e Canarana foram os que apresentaram os maiores valores médios de grãos quebrados 7,96% e 14, 66%. Esse defeito, na classificação oficial, é considerado fator de depreciação da qualidade de um lote, por levar a um enquadramento em tipo inferior quando presente em grandes porcentagens. Ocasionado por danos mecânicos durante a colheita e nas etapas de beneficiamento e estocagem dos grãos, a presença de grãos quebrados influencia, também, em muitas ações de compra e venda entre empresas de alimentos e produtores, onde a tolerância máxima permitida é de 6 a 8% (Lazzari et al., 2001). O município de Canarana apresentou as maiores médias para o total de avariados e grãos carunchados na safra 2009, em comparação aos demais municípios (Tabela 1). Em relação à safra 2010, o município de Sapezal apresentou a maior média de grãos carunchados (1,53%) e Canarana de total de avariados (21,70%). De acordo com Puzzi (2000), condições de armazenamento do local, como deficiência no monitoramento, controle de pragas e carência nos processos de limpeza, afetam a conservação dos grãos armazenados, ocasionando assim, a depreciação da qualidade do produto e perda quanto à redução do padrão comercial. Na classificação do milho quanto ao tipo, o limite máximo de tolerância para matérias estranhas, impurezas e fragmentos é de 3%. Amostras de milho que apresentarem valores superiores a esse são consideradas abaixo do padrão oficial para comercialização (Brasil, 1976; 1996b). Todas as amostras de milho analisadas nas safras 2009 e 2010, exceto na unidade UA3 (2009) e UA2 (2010) em Gaúcha do Norte, apresentaram médias de matérias estranhas, impurezas e fragmentos abaixo do limite (3%) e com baixas variações entre os municípios. 42 TABELA 3. Porcentagem média de matérias estranhas, impurezas e fragmentos nos grãos de milho, provenientes de unidades armazenadoras dos municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010. Safra 2009 Municípios UA1* Lucas do Rio Verde (1,27) 1,50 a Safra 2010 UA3* Municípios (1,62) 1,61a (1,34) 1,52 a Lucas do Rio Verde (0,29) 1,13 a (0,27) 1,12 a UA2* UA1* UA2* Nova Mutum (1,78) 1,66 b (1,91) 1,69 b (5,54) 2,54 a Nova Mutum (1,19)1,47 a (0,27) 1,12 b Sinop (0,82) 1,35 b (0,72) 1,30 b (3,92) 2,21 a Sinop (1,01) 1,41a (1,28) 0,64 a Sorriso (1,56) 1,60 a (0,23) 1,10 b (0,57) 1,25 b Sorriso (1,15) 1,46 a (1,20) 1,48 a Canarana (5,55) 2,55 b (5,03) 2,45 b (7,56) 2,92 a Canarana (8,62) 3,10 a (5,10) 2,48 b Gaúcha do Norte (3,90) 2,21 b (4,03) 2,19 b (11,99) 3,59 a (6,25)2,69 b (10,23)3,24 a Nova Xavantina (2,60) 1,89 a (1,21) 1,48 b (1,19) 1,47 b Nova Xavantina (3,28) 2,06 a (2,69) 1,91 b Gaúcha do Norte Querência (0,50) 1,22 b (0,32) 1,15 b (3,08) 2,02 a Querência (0,87)1,36 a (0,63) 1,27 a Alto Taquari (0,94) 1,39 b (1,38) 1,54 b (3,12) 2,03 a Alto Taquari (0,88)1,36 a (0,15) 1,07 b Campo Verde (2,25) 1,80 a (2,42) 1,85 a (0,83)1,30 b Campo Verde (1,70)1,64 a (1,78) 1,66 a Jaciara (0,17) 1,08 b (0,24) 1,11 b (0,82) 1,35 a Jaciara (0,10)1,05 a (0,42) 1,19 a Primavera do Leste (0,65) 1,28 a (0,72) 1,31a (0,59) 1,26 a Primavera do Leste (3,69)2,16 a (1,25)1,50 b Sapezal (0,69) 1,30 a (0,41) 1,18 a (1,01) 1,42 a Sapezal (1,23)1,49 b (1,97)1,72 a Campos de Júlio (0,60)1,26 a (0,38) 1,17 a Campo Novo do Parecis (2,41)1,84 b (6,74) 2,77 a Campos de Júlio (1,14) 1,46 a (0,69) 1,30 b (0,40) 1,18 b Média (%) 1,64 Média (%) 1,69 C.V. (%) 7,94 C.V. (%) 5,13 Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora. O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições 43 TABELA 4. Porcentagem média de grãos carunchados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010 Safra 2009 Municípios . UA1* Lucas do Rio Verde (1,94) 1,71 b UA2* (8,90) 3,14 a Safra 2010 UA3* (0,97) 1,00 c Municípios UA1* Lucas do Rio Verde UA2* (0) 1,00 a (0) 1,00a Nova Mutum (1,91) 1,70 a (0,86)1,36 a (1,43)1,56 a Nova Mutum (1,19)1,47 a (0,28) 1,01b Sinop (1,10) 1,43 b (0,11) 1,05 c (2,23) 1,78 a Sinop (0,17)1,08 a (0) 1,00a Sorriso (0,33) 1,14 a (0,01) 1,00 a (0,75) 1,32 a Sorriso (0,15) 1,07 a (0,31) 1,14a Canarana (15,87) 4,10 a (7,67) 2,94 b (17,74)4,32 a Canarana (0) 1,00 b (1,23) 1,49a Gaúcha do Norte (0,50) 1,21 a (1,00) 1,39 a (0,86)1,36 a Gaúcha do Norte (0) 1,00 a (0,25) 1,11a Nova Xavantina (1,13) 1,44 b (8,45) 3,02 a (9,11) 3,17 a Nova Xavantina (0,13) 1,00a (0) 1,00a Querência (1,06) 1,43 b (3,45) 2,10 a (1,67) 1,63 b Querência (0) 1,00 a (0,92) 1,04a Alto Taquari (0,46) 1,20 a (0,93) 1,37 a (0,00) 1,00 a Alto Taquari (0) 1,00 a (0) 1,00a Campo Verde (0,37) 1,16 b (1,72) 1,60 a (0,13) 1,06 b Campo Verde (0,81) 1,34a (0,27) 1,12b Jaciara (1,73) 1,65 a (1,14) 1,46 a (0,28) 1,12 b Jaciara (0) 1,00 a (0) 1,00a Primavera do Leste (1,04) 1,42 a (1,09) 1,44 a (0,79) 1,33 a Primavera do Leste (0,27)1,12 a (0) 1,00a Sapezal (0,16) 1,07 a (0,19) 1,08 a (0,31) 1,14 a Sapezal Campos de Júlio Campos de Júlio (2,26) 1,79 a (0,06) 1,02 b (0,00) 1,00 b Campo Novo do Parecis (0) 1,00 b (3,06) 2,01a (0,96) 1,39 a (0,12) 1,05b (0,96) 1,32a (0,24) 1,10b Média (%) 1,65 Média (%) 1,13 C.V. (%) 11,59 C.V. (%) 10,93 Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora. *O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições. 44 Para grãos carunchados, ocorreram poucas variações entre as unidades armazenadoras, tanto na safra 2009 quanto em 2010. Das 42 unidades armazenadoras pesquisadas em 2009, somente em seis os grãos apresentaram acima de 2% de grãos carunchados. Na safra 2010, somente uma unidade armazenadora em Sapezal apresentou 2,01% de grãos carunchados. Em Canarana, em 2009, em todas as unidades armazenadoras foram encontrados valores acima de 2%. Esse defeito quando evidenciado em uma massa de grãos pode ser considerado como um indicativo da depreciação da qualidade de um produto. A presença de insetos vivos ou mortos durante o armazenamento ocasiona perdas na massa dos grãos, do valor nutritivo e redução do padrão comercial (Embrapa, 2007). Somente em dois municípios não ocorreram variações entre as porcentagens de grãos quebrados, na safra 2009 e em três municípios em 2010 (Tabela 5). Nas unidades armazenadoras de Gaúcha do Norte (safra 2009) foram verificadas as maiores médias de grãos quebrados 9,01%, 9,20% e 13,61%. Para safra 2010, as unidades de Canarana apresentaram as maiores médias, 6,07% e 23,25%. Embora não seja considerado um defeito grave pela classificação oficial, a ocorrência de grãos quebrados pode rebaixar o Tipo de uma amostra de milho, penalizando mais ou até fazendo com que fique fora do padrão. Nas safras 2009 e 2010, as unidades armazenadoras de Canarana, Gaúcha do Norte e Nova Xavantina, apresentaram as maiores médias de total de avariados (Tabela 6), devido à presença expressiva de grãos quebrados, que foi o defeito de maior ocorrência e que mais contribuiu na soma do total de avariados. Esse defeito leva ao enquadramento em tipo inferior quanto ao padrão comercial e serve como porta de entrada para patógenos. O mesmo deve receber maior atenção por parte de produtores e beneficiadores de grãos quanto sua ocorrência, pois funciona como um alerta de que, em alguma etapa do processo de colheita, beneficiamento e armazenamento, operações estão sendo realizadas de forma inadequada e que, se não sanadas, podem depreciar a qualidade do grão. 45 TABELA 5. Porcentagem média de grãos quebrados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010. Safra 2009 Municípios UA1* UA2* Lucas do Rio Verde (2,87)1,96 b (1,36) 1,53 c Safra 2010 Municípios UA3* (6,42) 2,73 a UA1* Lucas do Rio Verde (1,26)1,50 a UA2* (1,50)1,58 a Nova Mutum (4,24) 2,29a (5,34) 2,51 a (1,67) 1,63 b Nova Mutum (5,84) 2,61a (2,04) 1,74b Sinop (5,92)2,63 b (5,48) 2,54 b (10,93)3,45 a Sinop (5,17)2,48 a (5,72) 2,59 a Sorriso (5,30)2,50 a (1,83) 1,68 c (3,29) 2,07 b Sorriso (4,72) 2,39 a (2,68) 1,91 b Canarana (0,87)1,33 b (10,53) 3,39 a (0,38) 1,17 b Canarana (23,25) 4,92 a (6,07) 2,65 b Gaúcha do Norte (9,01)3,16 b (13,61) 3,82 a (9,20) 3,19 b Gaúcha do Norte (5,46) 2,54 b (10,46) 3,38 a Nova Xavantina (13,15) 3,75a (2,80)1,93 b (1,53)1,55 c Nova Xavantina (6,24) 2,68 a (5,51) 2,55a Querência (0,62) 1,27b (0,26) 1,12 b (3,03) 2,00 a Querência (1,67) 1,63 a (1,31) 1,51a Alto Taquari (4,62) 2,37a (1,86) 1,68 b (4,60) 2,36 a Alto Taquari (3,18) 2,04 a (1,54) 1,59 b Campo Verde (6,76) 2,78a (6,05) 2,65 a (5,49) 2,54 a Campo Verde (6,36) 2,71a (5,29) 2,50b Jaciara (0,26)1,12 b (0,23) 1,11 b (6,77)2,78 a Jaciara (1,01)1,41 a (1,31) 1,52a Primavera do Leste (3,86)1,28 a (2,82) 1,31 a (4,38) 1,26 a Primavera do Leste (7,58) 2,92 a (3,95) 2,22 b Sapezal (3,26)2,06 b (1,04) 1,42 c (4,30) 2,30 a Sapezal (6,82) 2,79 a (2,99) 1,99b Campos de Júlio (5,59) 2,56 a (4,35) 2,31b Campos de Júlio (3,32)2,07 b (5,38) 2,52 a (2,29) 1,81 c Campo Novo do Parecis (4,07) 2,25 b (5,83) 2,60 a Média (%) 2,22 Média (%) 2,34 C.V. (%) 6,48 C.V. (%) 4,70 Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora .* O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições 46 TABELA 6. Porcentagem média de grãos avariados, provenientes de unidades armazenadoras de municípios de Mato Grosso safras 2009 e 2010. Safra 2009 Municípios Lucas do Rio Verde Safra 2010 UA1* UA2* UA3* (7,31) 2,88 b (13,78) 3,84 a (7,00) 2,82 b Municípios UA1* UA2* Lucas do Rio Verde (3,62) 2,14 b (4,62) 2,37a Nova Mutum (8,88) 3,14 a (9,62) 3,25 a (4,43) 2,33 b Nova Mutum (11,46) 3,52a (3,27) 2,06 b Sinop (10,21) 3,34 b (8,03) 3,00 c (15,07) 4,00 a Sinop (7,46) 2,90 b (9,90) 3,30 a Sorriso (7,78) 2,96 a (4,87) 2,42 c (6,30)2,69 b Sorriso (8,03) 3,00 a (3,11) 2,46 b Canarana (18,60) 4,42 b (19,80) 4,56 b (21,41) 4,73 a Canarana (28,07) 5,39 a (15,33) 4,04 b Gaúcha do Norte (10,66) 3,40 a (17,09) 4,24 a (12,09) 3,61 b Gaúcha do Norte (6,62) 2,76 b (22,13) 4,80 a Nova Xavantina (16,32) 4,15 b (13,56) 3,81 b (12,87) 3,72 b Nova Xavantina (8,84) 3,13 b (12,38) 3,65 a Querência (5,43) 2,53 b (6,43) 2,72 b (9,14) 3,18 a Querência (5,09) 2,46 a (6,00) 2,64 a Alto Taquari (6,75) 2,78 b (8,03) 3,00 a (8,69) 3,11a Alto Taquari (4,72) 2,39 a (4,56) 2,35 a Campo Verde (8,64) 3,10 b (10,16) 3,33 a (6,54) 2,74 c Campo Verde (10,42) 3,38 a (6,92) 2,81 b Jaciara (3,79) 2,18 b (3,82) 2,15 b (7,86) 2,97 a Jaciara (1,55) 1,59 b (2,40) 1,84 a Primavera do Leste (5,95) 2,63 a (5,92) 2,62 a (6,00) 2,64 a Primavera do Leste (9,87) 3,29 a (4,51) 2,34 b Sapezal (5,16) 2,48 b (3,45) 2,10 c (9,32) 3,21 a Sapezal (8,12) 3,02 a (7,77) 2,96 a (7,62) 2,93 a (7,35) 2,89 a Campos de Júlio (7,72) 2,95 b (7,81) 2,96 b (9,79) 3,28 a (16,17) 4,14 a (8,32) 3,05 b Campos de Júlio Campo Novo do Parecis Média (%) 3,14 Média (%) 2,99 C.V. (%) 4,47 C.V. (%) 3,68 Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. UA = Unidade Armazenadora. *O resultado de cada unidade armazenadora corresponde à média de três repetições 47 Nos Quadros 3 e 4 constam o enquadramento comercial em Tipo dos grãos de milho obtidos dos municípios de Estado de Mato Grosso, referentes as safras 2009 e 2010. O enquadramento em Tipo do milho é feito considerando valores percentuais de tolerância para matérias estranhas, impurezas e fragmentos, total de avariados (defeitos gerais) e máximo de ardidos, brotados e mofados (defeitos graves), sendo que para o tipo final prevalece o maior tipo enquadrado (Brasil, 1976; 1996). Os limites para os tipos são: Tipo 1- até 1,5%; Tipo 2- até 2%; Tipo 3 – até 3%; acima do valor para Tipo 3 os grãos são enquadrados como abaixo do padrão. As amostras de milho de 68% das unidades armazenadoras da região Leste safra 2009 e de 55% em 2010 foram enquadradas como abaixo do padrão, devido a matérias estranhas, impurezas e fragmentos (Quadros 3 e 4), com destaque para os municípios de Canarana e Gaúcha do Norte. Nos municípios das regiões Norte, Sul e Oeste grande parte das unidades armazenadoras tiveram o milho enquadrado como Tipo 1, na safra 2009. Para safra 2010, o milho das unidades armazenadoras dos municípios das regiões Sul e Oeste foi enquandrado nos Tipos 1, 2 e 3, diferente da região Norte que foi enquadrado principalmente como Tipo 1. O total de matérias estranhas, impurezas e fragmentos foram as avarias que levaram ao enquadramento do milho de alguns municípios tanto da safra 2009 quanto na safra 2010 como abaixo do padrão oficial. 48 QUADRO 3. Enquadramento comercial do milho por município, safra 2009 – 7,31 13,78 7,00 8,88 9,62 4,43 10,21 8,03 15,07 7,78 4,87 6,30 18,60 19,80 21,41 10,66 17,09 12,09 16,32 13,56 12,87 5,43 6,43 9,14 6,75 8,03 8,69 8,64 10,16 6,54 3,79 3,82 7,86 5,95 5,92 6,00 5,16 3,45 9,32 7,72 7,81 9,79 A ordenação dos municípios por Região segue a seguinte sequência: Norte; Leste; Sul e Oeste AP- Abaixo do Padrão 1 2 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 3 3 3 1 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Tipo Final 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 TIPO 0,72 0,10 1,83 0,73 1,07 0,25 1,89 1,44 0,51 0,70 1,40 0,65 0,66 1,12 1,24 0,54 0,93 0,68 1,05 1,53 1,27 1,23 0,98 0,96 0,22 0,75 0,95 0,51 0,73 0,25 0,83 1,32 0,16 0,27 0,39 0,24 0,75 0,94 1,92 0,90 1,46 5,23 Total de Avariados (%) 1 1 2 2 AP 1 1 1 AP 2 1 1 AP AP AP AP AP AP 3 1 1 1 1 AP 1 1 AP 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Tipo 1,27 1,34 1,62 1,79 5,54 0,21 0,83 0,73 3,92 1,57 0,23 0,57 5,55 5,04 7,56 3,90 11,99 4,57 2,61 1,22 1,19 0,51 0,33 3,09 0,95 1,38 3,13 2,26 2,43 0,84 0,18 0,25 0,83 0,65 0,73 0,60 0,70 0,41 1,02 1,14 0,70 0,41 Mofados + Ardidos +Brotados (%) 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 TIpo Unidade Armazenadora Lucas do Rio Verde Lucas do Rio Verde Lucas do rio Verde Nova Mutum Nova Mutum Nova Mutum Sinop Sinop Sinop Sorriso Sorriso Sorisso Canarana Canarana Canarana Gaúcha do Norte Gaúcha do Norte Gaúcha do Norte Nova Xavantina Nova Xavantina Nova Xavantina Querência Querência Querência Alto Taquari Alto Taquari Alto Taquari Campo Verde Campo Verde Campo Verde Jaciara Jaciara Jaciara Primavera do Leste Primavera do Leste Primavera do Leste Sapezal Sapezal Sapezal Campos de Julio Campos de Julio Campos de Julio Matérias Estranhas, Impureza e Fragmentos (%) Municípios Mato Grosso. 1 2 2 2 AP 1 1 1 AP 2 1 1 AP AP AP AP AP AP 3 2 2 1 1 AP 1 1 AP 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 49 QUADRO 4. Enquadramento comercial do milho por município, safra 2010 – Municípios Unidade Armazenadora TIpo Mofados + Ardidos +Brotados (%) Tipo Total de Avariados (%) TIPO Tipo Final Matérias Estranhas, Impureza e Fragmentos (%) Mato Grosso. Lucas do Rio Verde Lucas do Rio Verde Lucas do rio Verde Nova Mutum Nova Mutum Sinop Sinop Sinop Sorriso Sorriso Sorisso Canarana Canarana Canarana Gaúcha do Norte Gaúcha do Norte Gaúcha do Norte Nova Xavantina Nova Xavantina Querência Querência Querência 1 2 3 1 2 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 3 0,30 0,28 0,92 1,19 0,28 1,02 0,64 0,15 1,16 1,21 0,31 8,63 5,11 1,41 6,25 10,23 7,52 3,29 2,69 0,88 0,63 2,31 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 AP AP 1 AP AP AP AP 3 1 1 3 0,28 0,53 0,69 0,92 0,54 0,82 1,16 0,48 0,77 0,00 0,38 1,18 1,30 0,98 0,16 2,24 0,27 0,45 1,02 0,83 0,97 1,56 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3,62 4,63 11,44 11,46 3,28 7,47 9,51 3,78 8,04 5,11 2,69 28,07 15,34 10,20 6,63 22,14 5,46 8,84 12,39 5,10 6,01 7,80 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 1 AP 2 1 1 3 2 2 2 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 1 AP AP 1 AP AP AP AP 3 1 1 3 Alto Taquari Alto Taquari Alto Taquari Campo Verde Campo Verde Campo Verde Jaciara Jaciara Jaciara Primavera do Leste Primavera do Leste Sapezal Sapezal Sapezal Campos de Julio Campos de Julio Campos de Julio 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 3 1 2 3 0,89 0,15 1,88 1,71 1,78 1,34 0,11 0,43 1,16 3,69 1,25 1,23 1,97 0,60 0,61 0,38 1,57 1 1 2 2 2 1 1 1 1 AP 1 1 2 1 1 1 2 0,54 0,85 0,87 0,57 0,27 0,06 0,12 0,02 0,43 0,45 0 0,53 1,43 0,23 0,69 0,44 0,28 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 4,72 4,57 7,29 10,43 6,92 9,76 1,56 2,40 10,25 9,87 4,52 8,12 7,77 5,33 7,63 7,35 6,52 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 2 2 2 1 1 1 1 AP 1 1 2 1 1 1 2 Campo Parecis Campo Parecis Campo Parecis Novo do 1 2,42 3 5,95 2 16,18 2 3 Novo do 2 6,75 AP 0,45 1 8,32 1 AP Novo do 3 0,77 1 0,51 1 3,22 1 1 A ordenação dos municípios por Região segue a seguinte sequência: Norte; Leste; Sul e Oeste AP- Abaixo do Padrão 50 4.2 Qualidade sanitária Foi observada incidência predominante dos fungos Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp. nas amostras de milho das safras 2009 e 2010 (Tabela 7). Essa incidência dos gêneros Fusarium spp., Aspergillus spp., e Penicillium spp., também foi observada em diversos outros levantamentos realizados com grãos de milho e produtos derivados (Marcia e Lazzari, 1998; Almeida et al., 2000; Dilkin et al., 2000; Orsi et al., 2000; Tanaka et al., 2001; Santin et al., 2004; Marques et al., 2009) e de Cladosporium spp. (Almeida et al., 2000; Tanaka et al., 2001). Esses autores atribuíram esta predominância a fatores abióticos como temperatura e umidade relativa favoráveis, além do teor de água nos grãos. Além da incidência de Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp., foi observada também em menor incidência a presença dos fungos do gênero Nigrospora, Epicocum, Rhizopus, Cercospora e Curvularia. Os municípios analisados apresentaram incidência de Fusarium spp., que variaram de 25,27% a 58,33% na safra 2009 e de 23,16% a 94,16% na safra 2010 apresentando com tendência superior em relação aos demais gêneros (Tabela 7). Os municípios de Sorriso, Gaúcha do Norte, Sapezal e Campos de Julio apresentaram os maiores valores médios, na safra 2009, e na safra 2010 os municípios de Nova Mutum, Sorriso, Canarana, Campo Verde, Jaciara e Sapezal; todos com médias de incidência acima de 50%. Dentre estes, os municípios de Campos de Julio e Campo Novo do Parecis apresentaram incidências de 94,16% e 92,25% respectivamente. Esse fungo é proveniente do campo, estando presente nos grãos antes do armazenamento, onde as condições de temperatura e umidade são mais elevadas, favoráveis para seu desenvolvimento como observado no Quadro 2, a precipitação média nos municípios com incidência maior que 90% foi acima de 1000 mm e a temperatura média de 23,4 ºC. 51 TABELA 7. Porcentagem de incidência fúngica de amostras de grãos de milho provenientes de municípios de Mato Grosso, safras 2009 e 2010. Safra 2009 Municípios Lucas do Rio Verde Nova Mutum Sinop Sorriso Canarana Gaúcha do Norte Nova Xavantina Querência Alto Taquari Campo Verde Jaciara Primavera do Leste Sapezal Campos de Júlio Fusarium * spp. 36,05 B 32,83 B 39,61 B 51,94 A 27,05 C 51,61 A 38,66 B 34,72 B 25,27 C 28,88 C 45,50 A 30,05 C 58,33 A 52,88 A Aspergillus* spp. 14,22 E 6,94 F 12,88 E 3,27 G 18,66 D 16,27 D 9,27 F 23,77 C 10,27 F 31,27 B 3,94 G 17,55 D 44,77 A Safra 2010 Penicillium* spp. 18,50 E 6,50 G 26,66 C 8,94 F 10,88 F 18,94 E 11,55 F 31,16 B 22,05 D 23,16 D 4,66 G 15,53 E 42,22 A Cladosporium* spp. 0,33 D 0,44 D 0,83 D 0,27 D 2,27 C 4,16 C 0,83 D 3,61 C 1,00 D 1,16 D 0,77 D 2,22 C 11,16 A 27,38 B 6,61 B 32,94 B Municípios Lucas do Rio Verde Nova Mutum Sinop Sorriso Canarana Gaúcha do Norte Nova Xavantina Querência Alto Taquari Campo Verde Jaciara Primavera do Leste Sapezal Campos de Júlio Campo Novo do Fusarium * spp. ( 81,08) 9,05 A (63,75) 8,03 B (23,16) 4,89 E (71,00) 8,37 B ( 67,50) 8,25 B (30,83) 5,60 B (48,91) 7,06 C (50,33) 7,12 C (50,16) 7,07 C (67,16) 8,21B (71,75) 8,46 B (48,08) 7,00 C (71,83) 8,48 B (94,16) 9,74 A (92,25) 9,64 A Aspergillus* spp. (11,16) 3,29B (8,91) 3,12 B (9,50) 3,23 B (18,16) 3,7 B (7,75) 2,89 B (12,08) 3,31 B (7,58 2,91 B (5,00) 2,37 C (0,58) 1,24 D (1,00) 1,37 D (1,41) 1,43 D (37,00)5,46 A (3,08) 1,92 D (6,33) 2,63 C (7,41) 2,54 C Penicillium* spp. (1,66)1,60 E (2,25) 1,78 D (11,50) 3,35 B (8,83) 2,98 C (6,00) 2,52 C (2,08) 1,68 D (0,75) 1,30 E (2,83) 1,91 D (17,50) 4,13 A (1,00)1,37 E (0,25) 1,10 E (5,91) 2,61 C (1,08)1,40 E (4,50)2,18 D (1,58) 1,57 E Cladosporium* spp. (2,66) 1,90 C (2,83) 1,92 C (1,00) 1,39 C (3,00)1,84 C (5,25) 2,46 B (3,00) 1,96 C (1,33) 1,52 C (2,75) 1,69 C (0,58) 1,24 C (1,08) 1,41 C (1,25) 1,47 C (1,00) 1,38 C (0,41) 1,17 C (10,58) 3,19 A (1,33) 1,47 C Parecis Média (%) Média (%) 39,53 17,57 19,15 2,55 7,80 2,76 C.V. (%) C.V. (%) 22,20 20,20 0,75 33,46 7,79 26,59 Desvio padrão Desvio padrão 10,08 12,00 10,50 3,1 1,39 1,07 Médias seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade. Os valores foram transformados em √x + 1. Os valores reais encontram-se dentro do parêntese. *O resultado de cada incidência observada por município, corresponde à média de nove repetições. 2,10 18,22 0,86 1,73 31,82 0,53 52 O Fusarium spp. é considerado um fungo de campo, que invade grãos e sementes durante o amadurecimento, sendo os danos causados antes da colheita (Pinto, 2005). Esse fungo não se desenvolve durante o armazenamento, exceto ocasionalmente, em milho armazenado com alto grau de umidade ou que foi reumidificado (Marcia e Lazzari, 1998). A incidência dos fungos Aspergillus spp. e Penicillium spp. nos municípios variou de 3,27% a 44,77% e de 4,66% a 42,22%, respectivamente na safra 2009 (Tabela 7). Na safra 2010 a incidência de Aspergillus spp., variou de 0,58% a 37% e de Penicillium spp. de 0,25% a 17,50%. Na safra 2009, as maiores médias de Aspergillus spp. foram verificadas nos municípios de Sapezal (44,77%), Campos de Julio (32,94%) e Campo Verde (31,27%). Para Penicillium spp. destacaram-se Sapezal (42,22%), Querência (31,16%) e Campos de Julio (27,38%). Na safra 2010 os municípios de Primavera do Leste (37%), Sorriso (18,16%) e Lucas do Rio Verde (11,16%) apresentaram os maiores valores médios de Aspergillus spp. e para Penicillium spp. foram em Alto Taquari (17,50%) e Sinop (11,50%). Os fungos Aspergillus spp. e Penicillium spp. são conhecidos por colonizarem nos substratos com baixo teores de água (12,5%) (Lazzari, 1997). Entretanto, os teores de água verificados nas amostras de milho das safras 2009 e 2010 encontravam-se abaixo de 11,5%, desfavorável para seu desenvolvimento. As incidências de Aspergillus spp. e Penicillium spp. e a produção de aflatoxinas nos grãos de milho, ocorreu da infecção ocorrida no campo. Em que o manejo inadequado dos grãos, observado através da condição física dos grãos com a ocorrência principalmente de grãos quebrados e carunchados (Tabelas 1 e 2) ocasionados por danos mecânicos provocados pelo descuido na colheita e por infestação de insetos, serviram como porta de entrada para esses fungos. A presença desses fungos são indicadores de deterioração de sementes e grãos causando danos ao gérmen, descoloração, alterações nutricionais, perda da matéria seca, além da possibilidade de produção de micotoxinas (Miller, 1995; Pinto, 2005; Cruz et.al., 2008). 53 A espécie Cladosporium spp. apresentou valores de 0,33% a 11,16% na safra 2009 e de 0,41% a 10,58% na safra 2010. Assim como o Fusarium spp., Cladosporium spp. é considerado fungo de campo e necessita de teores de água mais elevados para se desenvolver e a baixa incidência foi devido à ausência dessas condições no armazenamento. 4.2.1 Ocorrência de aflatoxinas Na safra 2009 foi detectada a presença de aflatoxinas totais em 8,33% das amostras da região Norte, 25% da região Sul, 16,66% da região Leste e 33,33% da região Oeste (Tabelas de 8 a 11). Em todas as regiões os níveis observados ficaram abaixo do limite oficial (20 µg.kg-1) aceitável pela ANVISA 2011. Na safra 2010 não foi detectado presença de aflatoxinas totais nas amostras das regiões Norte e Sul. Na região Oeste 30% das amostras apresentaram detecção para aflatoxinas totais inferiores ao permitido pela legislação (tabelas de 8 a 11). Na região Leste 58,33% das amostras apresentaram ocorrência de aflatoxinas com níveis que ultrapassaram de forma significativa o limite máximo permitido pela lesgilação (Tabela 10). A maior preocupação com os níveis detectados nas amostras analisadas não está apenas na ultrapassagem do limite permitido, mais sim com o fato dessas substâncias representarem um risco à saúde humana e de animais, por serem compostos altamente tóxicos e carcinogênicos, da Classe 1 dos carcinógenos humanos pela “International Agency for Research on Cancer” No Brasil os produtos de boa qualidade são normalmente exportados, aquelas commodities de qualidade inferior, que apresentam níveis de micotoxinas superiores aos permitidos nos países importadores, são vendidas e consumidas no mercado interno, com riscos evidentes para a saúde das populações (Embrapa, 2007). Outro fator importante quanto à presença de aflatoxinas em elevadas concentrações é a preocupação dos países importadores quanto à presença de micotoxinas nos alimentos. O Brasil, a exemplo de outros celeiros mundiais, deverá enfrentar dificuldades cada vez maiores para exportação de seus 54 produtos agrícolas como milho, devido aos altos níveis de aflatoxinas encontrados em seus alimentos. Na safra 2009, das unidades armazenadoras da região Norte, apenas uma no município de Sinop apresentou aflatoxina B1 com 12,2 µg.kg-1. Na safra 2010, não foi detectada a presença de aflatoxinas nas amostras de milho da região Norte (Tabela 8). Na Região Sul (Tabela 9), três unidades na safra 2009 apresentaram aflatoxina B1, duas em Campo Verde com 2,7 e 3,8 µg.kg-1e uma em Alto Taquari com 3,2 µg.kg-1, que também apresentou aflatoxina B2, com 1,1 µg.kg-1. Na safra 2010 não foi detectada a presença de aflatoxinas. Segundo Lazzari (1997), as espécies de Aspergillus produtoras de aflatoxinas necessitam de teor de água na faixa de 17,5% a 18,5% para produzir as toxinas. Como os teores de água nas amostras de milho estavam abaixo de 11,5%, na safra 2009, e de 11,1% na safra 2010, provavelmente o fungo não teve condições adequadas de umidade para se desenvolver e produzir as toxinas durante o armazenamento, o que justifica a baixa ocorrência ou não detecção de aflatoxinas nas amostras das regiões Norte e Sul. Além do mais dentro de um mesmo gênero como Aspergillus pode ocorrer diferenças quanto a síntese de aflatoxinas entre as espécies produtoras, como evidenciado por Farias et al. (2000). A constatação de fungos toxigênicos nos alimentos não significa que ocorrerá a sintese de micotoxinas. Assim como pode ser evidenciada a presença de micotoxinas nos alimentos e não seja constatada a incidência do fungo produtor (Embrapa 2007). Dilkin et al.(2000), quando avaliaram cinco hibridos de milho, quanto ao crescimento de fungos e produção de aflatoxinas, verificaram que apesar da alta incidência fúngica no milho e teor de água médio de 18%, não foram detectadas aflatoxinas. 55 TABELA 8. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Norte do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010. Safra 2009 Municípios UA Aflatoxinas -1 B1 (µg.kg ) Safra 2010 Aflatoxinas B2 Municípios UA -1 Aflatoxinas -1 ( µg.kg ) B 1 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 B2 ( µg.kg ) Lucas do Rio Verde 1 ND ND Lucas do Rio Verde 1 ND ND Lucas do Rio Verde 2 ND ND Lucas do Rio Verde 2 ND ND Lucas do Rio Verde 3 ND ND Lucas do Rio Verde 3 ND ND Nova Mutum 1 ND ND Nova Mutum 1 ND ND Nova Mutum 2 ND ND Nova Mutum 2 ND ND Nova Mutum 3 ND ND Sinop 1 ND ND Sinop 1 ND ND Sinop 2 ND ND Sinop 2 ND ND Sinop 3 ND ND Sinop 3 12,2 ND Sorriso 1 ND ND Sorriso 1 ND ND Sorriso 2 ND ND Sorriso 2 ND ND Sorisso 3 ND ND Sorisso 3 ND ND D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas; -1 Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg . UA = Unidade Armazenadora 56 TABELA 9. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Sul do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010. Safra 2009 Município UA Aflatoxinas -1 Safra 2010 Aflatoxinas Município UA -1 B 1 ( µg.kg ) B2 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 B1 ( µg.kg ) B 2 ( µg.kg ) G1 ( µg.kg ) G2 ( µg.kg ) Alto Taquari 1 ND ND Alto Taquari 1 ND ND ND ND Alto Taquari 2 3,2 1,1 Alto Taquari 2 ND ND ND ND Alto Taquari 3 ND ND Alto Taquari 3 ND ND ND ND Campo Verde 1 ND ND Campo Verde 1 ND ND ND ND Campo Verde 2 2,7 ND Campo Verde 2 ND ND ND ND Campo Verde 3 3,8 ND Campo Verde 3 ND ND ND ND Jaciara 1 ND ND Jaciara 1 ND ND ND ND Jaciara 2 ND ND Jaciara 2 ND ND ND ND Jaciara 3 ND ND Jaciara 1 ND ND ND ND Primavera do 1 ND ND Primavera do 1 ND ND ND ND 2 ND ND ND ND Leste Primavera do Leste 2 ND ND Leste Primavera do Primavera do Leste 3 ND ND Leste D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas; Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg-1. UA = Unidade Armazenadora 57 TABELA 10. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Leste do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010. Safra 2009 Município UA Aflatoxinas -1 Safra 2010 Aflatoxinas Município UA -1 B1 ( µg.kg ) B2 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 B1 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 B2 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 G1 ( µg.kg ) G 2 ( µg.kg ) Canarana 1 ND ND Canarana 1 18 1,3 4,8 ND Canarana 2 ND ND Canarana 2 ND ND ND ND Canarana 3 ND ND Canarana 3 15,5 1,5 17,1 1,5 Gaúcha do Norte 1 ND ND Gaúcha do Norte 1 84,1 3,9 14,7 ND Gaúcha do Norte 2 ND ND Gaúcha do Norte 2 ND ND ND ND Gaúcha do Norte 3 1 ND Gaúcha do Norte 3 8,3 1 5,9 ND Nova Xavantina 1 ND ND Nova Xavantina 1 32,9 2,5 12,7 1 Nova Xavantina 2 ND ND Nova Xavantina 2 52,6 2,7 22,6 1,2 Nova Xavantina 3 1 ND Dom Aquino 1 ND ND ND ND Querência 1 ND ND Querência 1 ND ND ND ND Querência 2 ND ND Querência 2 75,3 4,6 27 1,8 Querência 3 ND ND Querência 3 ND ND ND ND D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas; -1 Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg . UA = Unidade Armazenadora 58 TABELA 11. Ocorrência de micotoxinas (aflatoxinas) em amostras de milho de unidades armazenadoras da região Oeste do Estado de Mato Grosso – safras 2009 e 2010. Safra 2009 Município UA Aflatoxinas -1 Safra 2010 Aflatoxinas Município UA -1 B 1 ( µg.kg ) B2 ( µg.kg ) Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 Aflatoxinas -1 B1 ( µg.kg ) B 2 ( µg.kg ) G1 ( µg.kg ) G2 ( µg.kg ) Sapezal 1 4 ND Sapezal 1 ND ND ND ND Sapezal 2 ND ND Sapezal 2 ND ND ND ND Sapezal 3 1,9 ND Sapezal 3 ND ND ND ND Campos de Julio 1 ND ND Campos de Julio 1 ND ND ND ND Campos de Julio 2 ND ND Campos de Julio 2 2,4 ND 1 ND Campos de Julio 3 ND ND Campos de Julio 3 ND ND ND ND Campo Novo dos 1 7,1 1 5,3 ND 2 5,7 1 ND ND 1 ND ND ND ND 1 ND ND ND ND Parecis Campo Novo dos Parecis Campo Novo dos Parecis Tangará da Serra D - Detectado a presença de micotoxinas; ND - Não detectado a presença de micotoxinas; Limite Máximo permitido pelo MAPA e pela ANVISA para soma das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) é de 20 µg.kg-1. A = Unidade Armazenadora 59 Na região Leste, na safra 2009 também foram verificados baixos níveis de aflatoxinas; somente duas unidades (Gaúcha do Norte e Nova Xavantina) apresentaram detecção de 1 µg.kg-1 de aflatoxinas B1 (Tabela 10). Entretanto em 2010, foi constatada a presença das quatro aflatoxinas, B1, B2, G1 e G2, nas amostras de milho dessa região. Os níveis constatados de aflatoxina B1 e G 1 foram elevados em Canarana. Também essas aflatoxinas foram detectadas em níveis elevados nos municípios de Gaúcha do Norte, Nova Xavantina e Querência, em uma ou duas unidades armazenadoras. Na região Oeste safra 2009, em duas unidades de Sapezal, foi verificada a detecção de aflatoxina B1, com 1,9 e 4 µg.kg-1 (Tabela 11). Na safra 2010, em três unidades armazenadoras da região Oeste foi constatada a ocorrência de aflatoxinas, em Campos de Júlio (B1 e G1) e em Campo Novo dos Parecis (B1, B2 e G1) As amostras de milho da região Leste e Oeste encontravam-se com teores de água desfavoráveis (Tabela 2) para desenvolvimento de fungos e produção aflatoxinas, no entanto, foi observada que a precipitação média tanto nos municípios da região Leste quanto Oeste, variou de 955 mm a 1481,7 mm e a temperatura média de 23,4 ºC a 26,6 ºC (Quadro 2). Por tanto os altos níveis de aflatoxinas encontrados nas amostras da região Leste (Tabela 10) e os níveis detectados nas amostras da região Oeste (Tabela 11), na safra 2010, provavelmente são provenientes da infecção de Aspergillus spp. no campo, que segundo Scussel (1998) em condições de temperatura e umidade favoráveis, o fungo realiza a colonização dos estigmas, principalmente após a polinização, quando se desenvolve e produz aflatoxinas. Esse fato foi verificado por Cortês et al. (2000) quando verificaram que 28,57% as amostras de milho retiradas de lavouras de propriedades do Estado de Mato Grosso, apresentavam nível médio de aflatoxinas de 12,35 µg.kg-1, indicando que o milho maduro, na época da colheita, já apresentava contaminação por aflatoxinas. Ramos et al. (2008) avaliaram a ocorrência natural das aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) em grãos de milho colhidos em três locais do Estado de Goiás (Jataí, Montividiu e Goiânia). Os autores verificaram que os grãos colhidos já apresentavam concentrações de aflatoxinas com níveis que variaram de 0 a 60 277,8 µg.kg-1 de B1, de 0,7 µg.kg-1 a 14 µg.kg-1 de B2, de 0 a 34,1 µg.kg-1 de G1, e não foi detectada a aflatoxina G2. Outro fator que pode ter influenciado a ocorrência de aflatoxinas foi a condição física das amostras da região Leste e Oeste, onde 80% foram enquadradas como Abaixo do Padrão e em Tipo 3 em função de matérias estranhas, impurezas e fragmentos. A associação de defeitos com a ocorrência de aflatoxinas já foi evidenciada por outros pesquisadores como Piedade et al. (2002), quando analisaram a distribuição de aflatoxinas em 30 amostras de milho separadas entre grãos sem defeitos e com defeitos (ardidos, avariados, brotados, mofados, carunchados, chochos, quebrados, fermentados e prejudicados por diferentes causas) definidos pela classificação oficial brasileira para milho. Os autores constataram que os grãos com defeitos, embora com reduzido peso em relação ao total da amostra, apresentaram os maiores níveis de contaminação em todas as amostras analisadas e que a separação dos grãos com defeitos poderia favorecer uma redução na contaminação dos lotes de milho. Gloria et al. (2004) avaliaram a contaminação com aflatoxinas em amostras de milho separadas em quatro frações segundo as regras de classificação oficial brasileira do milho. Verificaram que a fração que continha grãos carunchados, chochos, fermentados até ¼, prejudicados por diferentes causas e quebrados foi a maior responsável pelo nível de contaminação total das amostras. 61 4.3 Correlação entre Qualidade física e sanitária Na safra 2009 houve correlação positiva e significativa entre total de grãos avariados (r = 0,74**) com matérias estranhas, impurezas e fragmentos (Tabela 12). Fragmentos assim como grãos quebrados são considerados defeitos de deterioração nos grãos ocasionados por danos mecânicos. No entanto, o que os diferenciam é o tamanho de suas partículas, no qual na classificação oficial fragmentos são contabilizados juntamente com matérias estranhas e impurezas e quebrados na soma do total de avariados, o que explicaria a correlação positiva verificada. Total de grãos avariados apresentou correlação positiva e significativa com grãos carunchados (r = 0,70**) na safra 2009. A presença de grãos carunchados em um lote além de ser considerado um indicativo da depreciação da qualidade desse produto, ocasionar a sua rejeição, pode também levar esse mesmo lote a um enquadramento inferior quanto ao padrão comercial, por ser esse um dos defeitos que entra na soma para compor total de avariados, o que justifica a correlação positiva. Houve correlação positiva e significativa na safra 2009 entre Aspergillus spp. e Penicillium spp. (r = 74**); por serem classificados como fungos de armazenamento e seus desenvolvimentos estarem associados a baixas condições de umidade e temperatura (Lazzari, 1997). Assim como observado na safra 2009, na safra 2010 houve correlação positiva e significativa entre total de grãos avariados (r = 0,77**) e grãos quebrados (r = 0,72**) com matérias estranhas, impurezas e fragmentos (Tabela 13). Houve correlação positiva e significativa entre total de grãos avariados com grãos quebrados (r = 0,86**) para safra 2010 (Tabela 13). Grãos quebrados compõem a soma de total de grãos avariados. Além do mais no padrão de classificação oficial, a presença de grãos quebrados é considerada fator de depreciação da qualidade de um lote, no qual as indústrias possuem padrões de tolerância próprios e praticam descontos sobre esses (Lazzari et al., 2001). 62 TABELA 12. Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de milho armazenados em Mato Grosso, safra 2009. Variáveis MEIF TAV AR FERM QUE CARUN ASP PEN FUS MEIF 1,0000 TAV 0,7477** 1,0000 AR -0,0835 0,1560 1,0000 FERM -0,0654 -0,1683** 0,3852** 1,0000 QUE 0,5152** 0,4324** -0,1730 -0,4577** 1,0000 CARUN 0,3863** 0,7068** 0,0632 -0,0372 -0,2702* 1,0000 ASP -0,0553 -0,0778 0,1386 -0,1272 -0,0918 -0,0309 1,0000 PEN -0,1406 -0,1869 0,0840 -0,0398 -0,0929 -0,1881 0,7491** 1,0000 FUS -0,0943 -0,1313 0,4051** 0,0207 0,1077 -0,3203* 0,0547 -0,0269 1,0000 TA -0,2880* -0,0365 -0,0281 -0,0047 -0,2764* 0,1825 0,0519 -0,1030 -0,1339 TA PH 1,0000 PH -0,4177** -0,4748** -0,1230 -0,2387 0,0904 -0,4985** -0,1088 -0,1542 0,2720* 0,0237 1,0000 **Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste t MEIF = Matérias estranhas, impurezas e fragmentos; TAV = Total de avariados; AR = Ardidos; FERM = Fermentados; QUE = Quebrados; CARUN = Carunchados; ASP = Aspergillus; PEN = Penicillium; FUS = Fusarium; TA = Teor de água; PH = Peso Hectolitrico. 63 Na safra 2010 houve correlação positiva entre grãos ardidos com grãos fermentados (r = 0,60**). Na classificação oficial do milho, esses defeitos representam diferentes níveis de deterioração nos grãos, causados principalmente pela ação de fungos que em condições favoráveis para seu desenvolvimento podem acelerar o processo de deterioração durante o armazenamento. Grãos quebrados apresentaram correlação negativa e significativa com teor de água (r = -0,61**). Teor de água é um dos fatores determinantes para desenvolvimento fúngico (Lazzari, 1997; Embrapa, 2007), porém tanto na safra 2009 quanto na safra 2010 não foi verificada correlação entre a incidência dos fungos Fusarium spp., Aspergillus spp. e Penicillium spp. com teor de água dos grãos (Tabelas 12 e 13). 64 TABELA 13. Coeficientes de correlação simples (r) entre as características de qualidade física e qualidade sanitária de grãos de milho armazenados em Mato Grosso, safra 2010. Variáveis MEIF TAV AR FERM QUE CARUN ASP PEN FUS MEIF 1,0000 TAV 0,7780** 1,0000 AR 0,1534 0,4755** 1,0000 FERM 0,3124* 0,4832** 0,6090** 1,0000 QUE 0,7283** 0,8684** 0,1120 0,0452 1,0000 CARUN 0,0401 0,1734 0,3407* 0,0464 -0,0192 1,0000 ASP 0,1725 0,1895 0,0741 0,2215 0,1474 -0,0096 1,0000 PEN -0,1628 -0,0907 -0,0566 0,0338 -0,0819 -0,1257 0,0179 1,0000 FUS -0,1653 0,0106 0,2147 -0,0522 -0,0077 0,1611 -0,0299 -0,2773 1,0000 TA -0,5297** -0,5672** -0,1630 -0,0510 -0,6183** 0,0399 -0,2686 0,4598** -0,0335 TA PH 1,0000 PH -0,3883** -0,5115** 0,0495 -0,1424 -0,5850** 0,1735 -0,3327* -0,0836 0,1553 0,5765** 1,0000 **Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste t MEIF = Matérias estranhas, impurezas e fragmentos; TAV = Total de avariados; AR = Ardidos; FERM = Fermentados; QUE = Quebrados; CARUN = Carunchados; ASP = Aspergillus; PEN = Penicillium; FUS = Fusarium; TA = Teor de água; PH = Peso Hectolitrico. 65 5 CONCLUSÕES Grãos carunchados e quebrados são os defeitos que depreciam o enquadramento comercial do milho em Mato Grosso. Matérias estranhas, impurezas e fragmentos levam o enquadramento dos grãos de milho em Mato Grosso como Abaixo do Padrão. Canarana e Gaúcha do Norte apresentam enquadramento comercial do milho inferior aos demais municípios, independente da safra. O milho produzido em Mato Grosso atende ao padrão comercial. Fusarium spp., Aspergillus spp., Penicillium spp. e Cladosporium spp. são os fungos predominantes nos grãos de milho em Mato Grosso principalmente em Sapezal e Campos de Julio. Os níveis de aflatoxinas apresentam uma tendência crescente em áreas com maior precipitação (mm) em Mato Grosso. 66 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFONSO JÚNIOR, P.C.; CORRÊA, P.C.; ANDRADE, E.T. Análise da variação das propriedades físicas e contração volumétrica dos grãos de milheto durante a dessorção. Revista Brasileira de Armazenamento, v. 25, n. 1, p. 15-21, 2000. ALMEIDA, A.P.; CORREA, B.; MALLOZZI, M.A.B. et al. 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