CÂMARA DOS DEPUTADOS Brasília - Terça-feira, 2 de outubro de 2001 Atualização do IR deve ser votada amanhã na CCJR A Comissão de Constituição, Justiça e de Redação deve apreciar amanhã o substitutivo do deputado Mussa Demes (PFL-PI) ao projeto que atualiza a tabela do Imposto de Renda. O prazo para apresentação de emendas foi encerrado ontem. O PL 4.177/01, de autoria do senador Paulo Hartung (PSDB-ES), altera a legislação do Imposto de Renda de pessoas físicas, corrigindo a tabela monetariamente em 35,29% e elevando de R$ 900 para R$ 1.217 o limite para isenção do imposto. As lideranças do governo, no entanto, já manifestaram resistência à proposta por representar uma redução de R$ 4 bilhões na arrecadação. A intenção é vincular o projeto à aprovação do PL 1.034/99, também do deputado Mussa Demes, que tributa empresas e acionistas que hoje não pagam impostos sobre transações que envolvem o repasse Deputado Mussa Demes de juros e dividendos. Além da mudança monetária, o substitutivo que será apreciado troca a UFIR pelo IPCA como índice de reajuste. O indicador, que já é utilizado pelo Banco Central no acompanhamento das metas de inflação, reflete a variação dos Deputados avaliam greve e política previdenciária A greve dos servidores da Previdência, que já dura quase dois meses, e o fortalecimento da entidade foram temas abordados pelos deputados na última sessão. O deputado João Magno (PT-MG) apelou ao governo federal que atenda as reivindicações dos funcionários da Previdência Social. João Magno alertou para a defasagem de 18 mil vagas para completar o quadro ideal de atendimento no INSS e os sete anos sem reajuste salarial para a categoria. O deputado Paulo Paim (PT-RS) denunciou que a atual política federal em relação à Previdência Social caminha na contramão da história da instituição. O deputado José Carlos Elias (PTB-ES) defendeu a aprovação de um plano de carreira para o cargo de analista técnico-previdenciário. Elias revelou que dos 40 mil servidores do Instituto Nacional de Seguridade Social, 47% recebem salários irrisórios, comparativamente à complexidade dos cargos e tarefas que desempenham. Página 2 Jornal da Câmara Deputado Inaldo Leitão preços das cestas de consumo das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. O presidente da CCJR, deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB), acredita em um acordo e alerta para a necessidade de mecanismos que permitam justiça fiscal efetiva. DEV OLU ÇÃ O PRT - 47-840/92 Ano 3 - Nº 643 Relações Exteriores debate situação internacional com Celso Lafer A iminência de um ataque de tropas dos Estados Unidos e aliados ao Afeganistão volta a mobilizar os deputados esta semana. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional promoverá audiência pública nesta quinta-feira, dia 4, a partir das 10h, com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, para debater a posição da diplomacia brasileira e a melhor forma de demonstrar solidariedade aos Estados Unidos no que se refere ao atentado sofrido por aquele país no dia 11 de setembro, que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center e parte do Pentágono. Na ocasião também Magno Malta critica normas da Anvisa para institutos de recuperação Página 8 Prazo de vigência da Zona Franca será discutido pela Casa Integrada por 32 parlamentares, uma comissão especial, que aguarda instalação em breve, irá debater a necessidade de se prorrogar por mais 17 anos - de 2013 para 2030 - os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. A matéria é objeto de uma proposta de emenda constitucional (PEC 550/97) de autoria do deputado Antonio Feijão (PSDBAP). A aprovação da proposta A TID RAN GA Jornal da Câmara possibilitaria às 400 empresas existentes na região uma dilatação de prazo para que possam recuperar seus investimentos. O anúncio da criação da comissão especial, que analisará a PEC 550/97), foi feito pelo presidente da Câmara, deputado Aécio Neves. Em sua opinião, estarão participando dessa discussão, não apenas os propositores da idéia, mas os parlamentares de todo o Brasil”. Página 5 serão pedidos esclarecimentos sobre a instalação do escritório do US Secret Service – o serviço secreto americano – na cidade de São Paulo. Ontem, o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), que estava em Nova York no dia do ataque, ocupou a tribuna para condenar o terrorismo e alertar que ações militares não solucionarão o problema. Já o deputado Lael Varella (PFLMG) acusou os partidos de esquerda de influenciarem a opinião pública no sentido de “inverter os personagens da tragédia” e colocar os Estados Unidos como culpados pelos atos terroristas. Página 3 OPINIÃO Crise de Energia A crise de energia é o tema da página de Opinião. O deputado Feu Rosa (PSDB-ES) propõe a formação de consórcios, para que os municípios, em parceria com a iniciativa privada, procurem gerar sua própria energia. “Isso diminuirá sensivelmente ao longo do tempo os riscos de racionamentos e apagões”, diz. Já o deputado Padre Roque (PT-PR), depois de afirmar que há segmentos lucrando com o apagão, cita o caso das distribuidoras, que podem oferecer o excedente de quem não gastou às empresas que necessitam de mais energia. Página 6 Na Internet: E-mail: www.camara.gov.br j o r n a l @ c a m a r a . g o v. b r GERAL de outubro de 2001 Deputados propõem política de fortalecimento da Previdência O deputado João Magno (PTMG) apelou ao governo federal para que atenda as reivindicações dos funcionários da Previdência Social, que estão em greve há mais de 50 dias. Segundo ele, o movimento de paralisação já causou prejuízos de mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos. Na avaliação do parlamentar, o tratamento dado pelo governo aos servidores do INSS conota falta de respeito e vem ocasionando uma “brutal” queda na qualidade da prestação dos serviços na Previdência. João Magno alertou para a defasagem de 18 mil vagas para completar o quadro ideal de atendimento no INSS. O último concurso público realizado para carreiras administrativas no órgão, segundo informou, ocorreu há quase vinte anos. “Além disso, a categoria está há sete anos sem reajuste salarial e esta situação de penúria desestimula e traz insegurança para os trabalhadores”, ressaltou. A greve nacional dos servidores do INSS, segundo João Magno, tem a função de revelar a insatisfação da categoria e expor o “terror” da política previdenciária do governo FHC. O deputado Paulo Paim (PT-RS), por sua vez, denunciou que a atual política federal em relação à Previdência Social caminha na contramão da história da instituição que, em 78 anos, “vem evoluindo para dar ao cidadão a proteção do Estado e da sociedade nos seus momentos difíceis, como doença, acidente, invalidez, morte, velhice, maternidade e desemprego involuntário”. Ele acusou o uso de estratégias de redução de benefícios que visam à privatização do sistema, na medida em que o segurado busca alternativas no sistema privado. De acordo com Paim, isso se dá apesar de a Previdência contar no Brasil com um orçamento superior ao da maioria dos países da América Latina. O deputado afirmou que o governo federal manipula as verbas da Previdência para convencer a sociedade de que ela é deficitária e inviável, mas que isso não é verdade. Ele apontou a aprovação das contas da Seguridade Social por unanimidade pelos ministros do TCU como uma evidência de que o discurso não se sustenta. O deputado José Carlos Elias (PTB-ES) defendeu a aprovação de um plano de carreira para o cargo de analista técnico previdenciário. Elias revelou que dos 40 mil servidores do Instituto Nacional de Seguridade Social, 47% recebem salários irrisórios, comparativamente à complexidade dos cargos e tarefas que desempenham. Os servidores pedem a adoção do plano de carreira por intermédio da edição de uma medida provisória, em texto que já foi encaminhado ao presidente da República e aos ministérios envolvidos com a área previdenciária. O deputado assegurou seu apoio a todos os servidores previdenciários, considerando “justa” a luta pelo plano de carreira em questão que, a seu ver, vai possibilitar a correção de injustiças. Feu Rosa pede fim da greve nas universidades O deputado Feu Rosa (PSDBES) apelou ao governo federal, principalmente ao ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que entre em acordo com os servidores técnico-administrativos das Universidades Federais, em greve há mais de sessenta dias, a fim de que as instituições federais de nível superior retomem suas atividades. Caso contrário, alertou, colocará em risco a pós-graduação, o ano letivo de meio milhão de alunos da graduação, além da realização do próximo vestibular. O parlamentar ressaltou que, por meio de análises da repercussão financeira sobre os pleitos dos grevistas, o impasse pode ser solucionado. De acordo com Feu Rosa, as reivindicações dos servidores são: a incorporação ao vencimento básico da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), percebida pela categoria há 8 anos; isonomia de tratamento entre servidores ativos e aposentados; negociação da carreira nacional dos técnico-administrativos em educação; correção das distorções hierárquicas dos cargos, além da defesa da universidade pública e dos hospitais universitários. Nice Lobão analisa significado do crescimento eleitoral de Roseana O crescimento da candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, na disputa presidencial das próximas eleições revela, na opinião da deputada Nice Lobão (PFLMA), a importância e o destaque que a mulher tem alcançado, enfrentando todo o tipo de preconceito e, sobretudo, a cul- tura machista e patriarcal que encobre a superestrutura da sociedade brasileira. Segundo a parlamentar, pesquisas setoriais comprovam que a mulher tem mais cuidado, mais zelo e é mais honesta que os homens quando são conduzidas aos cargos públicos, demonstrando, na maioria dos exem- plos, grande sensibilidade social. “A subida de Roseana nas pesquisas é um alento às lutas do gênero feminino, que constitui hoje mais da metade do eleitorado brasileiro e o PFL demonstra, com a sua candidatura, a importância que dedica às causas femininas”, ressaltou Nice Lobão. Jornal da Câmara Wilson Santos destaca avanços do Código de Ética O deputado Wilson Santos (PMDB-MT) espera que o Código de Ética da Câmara, que está na fase de discussão do segundo turno, possa inaugurar uma nova era no Parlamento brasileiro, com mais produtividade e ética na condução da coisa pública. “Esta será uma boa oportunidade para a redenção vitalícia desta Casa perante os olhos atentos e críticos de toda a sociedade”, acredita o parlamentar. Ele defendeu principalmente a quebra da imunidade parlamentar em relação aos crimes comuns, já que, em sua opinião, no Brasil, a função, que poderia ser positiva, degenerou em práticas abusivas e se tornou um escudo protetor da impunidade. “Defendo que seja resguardado ilimitadamente o direito e liberdade de voto e opinião, tal como um jornalista tem o direito de livre expressão para não ter sua atuação comprometida e cerceada, mas considero antiético acobertar, por partidarismo político ou lealdade corporativista, o erro de alguém que prejudica o bem comum”, enfatizou Santos. Lelo 2 - Brasília, 2 Deputado Wilson Santos O deputado mato-grossense parabenizou o presidente Aécio Neves por seu empenho em impedir que o projeto original, que levou 10 anos para chegar ao plenário, “virasse caricatura” do que considera uma excelente iniciativa para fazer uma transfusão de confiança política da sociedade para a representação política. Ele informou ter votado favoravelmente com a obrigatoriedade de as declarações de bens, de renda e de dívidas se tornarem acessíveis a consultas pela internet e no Diário Oficial por considerar que os políticos não podem ter nada a esconder. Barbieri propõe plano de carreira para Judiciário O deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP) apelou aos membros da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara que priorizem a apreciação do projeto de lei que reestrutura as carreiras do Poder Judiciário, bem como revê o vencimento básico do cargo. Para Barbieri, o Plano assegura aos servidores daquele Poder a garantia da reestruturação das carreiras e, assim, evitando que os mesmos abandonem seus cargos em busca de melhores salários, causando um possível caos nos serviços prestados pelos poderes da União. Caso aprovado o projeto, Barbieri avalia que haverá o aprimoramento da gestão dos recursos humanos no âmbito do Poder Judiciário e, com isto, a respectiva contribuição para assegurar perspectivas de crescimento e desenvolvimento profissional. O deputado paulista condenou a política econômica neoliberal do atual governo, a seu ver, totalmente equivocada e desastrosa, pois está privilegiando o pagamento de juros e a consumação de novos acordos com o FMI em detrimento de uma remuneração mais justa aos servidores”. POLÍTICA Jornal da Câmara Brasília, 2 de outubro de 2001 - 3 Severino testemunha atentado e condena o terrorismo Testemunha do atentado contra o World Trade Center, o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) relatou os momentos em que passou na cidade de Nova Iorque onde participava da reunião da Liga Mundial pela Liberdade e pela Democracia, na sede da ONU. Segundo o deputado, na hora da tragédia estava no hotel, com delegados de diferentes países do mundo, próximo ao World Trade Center. “Estávamos nos preparando para a saída quando um barulho ensurdecedor calou a todos. Era o pânico que se instalava”, contou. Ele disse que, junto com os delegados, ficou 20 horas incomunicável, suportando a fumaça e o calor que invadiu todos os quarteirões próximos às torres gêmeas. “O pior de tudo foi quando tomamos consciência de que estávamos isolados, impedidos de nos comunicar com nossos familiares, com amigos e com o povo do nosso país”, explicou. Severino Cavalcanti disse que no seu pronunciamento na Moroni Torgan quer comissão de combate ao crime organizado O deputado Moroni Torgan (PFL-CE) alertou para a necessidade da Comissão de Constituição e Justiça aprovar a criação da Comissão Permanente de Combate ao Crime Organizado e Segurança Pública. Segundo ele, o crime organizado está se reestruturando em várias partes do Brasil e não existe um fórum adequado de discussão de segurança pública. “Se não houver uma ação articulada e permanente de combate ao crime organizado, não haverá CPI do Narcotráfico que dê jeito”, ressaltou. A luta contra a violência no Brasil, em sua avaliação, está sendo feita de forma amadora, contra uma instituição criminosa que está cada vez mais organizada e profissionalizada. Deputado Severino Cavalcanti ONU, no dia anterior ao atentado, falou sobre os inimigos da liberdade e da democracia, protegidos sob esconderijos. “Passado um dia do meu pronunciamento, percebi quanto me aproximara da verdade, como se es- tivesse a desenhá-la numa antevisão”, explicou. Na sua avaliação, embora não exista qualquer justificativa para esse ato de terrorismo, ele reconhece que a política externa dos países mais ricos tem cometido erros graves, tendo como conseqüência o crescimento das desigualdades sociais. “A manifestação democrática, que comporta diferentes formas de protesto, é a única compatível com o progresso da civilização e com a consciência do autêntico cristão”, afirmou. O deputado disse que condena ações armadas contra inimigos ainda não identificados, mas acredita que o terrorismo é incompatível com a vida humana “por sua violência, insensibilidade e desprezo pelos valores que dão sentido à existência com liberdade”. Esses crimes contra a humanidade, segundo ele, afrontam a consciência democrática e “procuram minar os alicerces de uma sociedade que se sustenta na prevalência do amor cristão sobre o ódio racista e irracional”. O deputado acredita que o episódio é um alerta para que os defensores da liberdade e da democracia se unam para garantir a paz mundial. Citando o Contrato Social do filósofo francês JeanJacques Rosseau, Severino Cavalcanti afirmou que a renúncia à liberdade representa a perda de um direito fundamental do ser humano, estimulando a opressão e todas as suas consequências, como terrorismo e a guerra. Ele ainda agradeceu o empenho do presidente da Casa, Aécio Neves, para localizá-lo nos Estados Unidos e as orações por sua vida. Varella alerta para perigo de guerra religiosa As ações terroristas contra os Estados Unidos no início do mês “devem ser combatidas duramente, pois constituem uma guerra do islamismo contra o mundo ocidental”. Esta é a opinião do deputado Lael Varella (PFL-MG), que acusou os partidos de esquerda da América Latina de estarem tentando, através dos meios de comunicação, “ inverter os personagens da tragédia” e colocar os Estados Unidos como culpados. “Somos um povo cristão e pacífico que dá um boi para não entrar em briga mas, diante do fato de que há indivíduos e grupos que sentem prazer em destruir vidas humanas, saberemos dar uma boiada para entrar nessa briga, até a erradicação desse câncer” - afirmou o deputado mineiro. Apesar de reconhecer que é preciso distinguir a minoria fanática e violenta da maioria tranqüila e honesta dos muçulmanos, Varella acredita que o islamismo político é responsável pelos atentados de Nova Iorque e Washington. Deputados criticam operação de guerra montada pelos Estados Unidos O deputado Marcos Rolim (PT-RS) acha que a Câmara dos Deputados deve firmar uma posição contrária à operação de guerra montada pelos Estados Unidos, depois dos ataques terroristas a Nova York e Washington. “Os organismos internacionais como a ONU devem envidar esforços para que a Justiça seja feita, identificando os autores dos atos terroristas e punindo-os na forma da lei”, afirma o deputado, condenando, no entanto, as ações planejadas pelo governo norte-americano. Rolim manifestou preocupação com a posição do governo brasileiro no episódio, classificada por ele como obscura. Na opinião do parlamentar petista, o Brasil deve reagir à afirmação do presidente George W. Bush de que aqueles que não apoiarem as retaliações do governo americano estão do lado dos terroristas. “O Brasil está perdendo uma grande chance de optar por uma posição au- tônoma e de liderar uma postura política na América Latina de combate não só ao terrorismo de grupos, mas também ao terrorismo de Estado, como estão fazendo os Estados Unidos ao ameaçar dizimar milhares de inocentes”, argumentou Rolim. A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também considera precipitadas as ações do governo americano, pois não existem ainda provas definitivas para identificar os responsáveis pelos atentados terroristas. A deputada ainda comentou as declarações do presidente de Cuba, Fidel Castro, que condenou os ataques e classificou como indefensáveis as práticas terroristas. O presidente cubano, segundo ela, afirmou que os atentados constituem um crime grave, independente de quem seja os organizadores responsáveis pelo ataque, mas condenou a iniciativa de se promover uma guerra que poderá matar inocentes. Já o deputado Euler Morais (PMDB-GO) acredita que o combate ao terrorismo não deve se transformar em um elemento de estímulo à guerra. “Devemos combater o terrorismo, mas sem nos afastar do caminho da justiça e sem deixar de perseguir a paz”, disse o deputado. O Brasil, em sua opinião, deve defen- der o diálogo e ação diplomática para evitar que um conflito deflagre um sentimento geral de discriminação racial e religiosa. O deputado acredita que os esforços devem se concentrar em ações para combater as verdadeiras raízes da intolerância e dos conflitos, como a miséria e a injustiça social. Bueno critica recusa de terreno para a OLP O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) condenou a decisão da Terracap, Órgão do Distrito Federal, que retomou terreno cedido para a instalação de uma embaixada da Organização pela Libertação da Palestina – OLP, em Brasília. Rubens Bueno informou que a concessão do terreno foi um pedido do presidente da República, Fernando Henrique, ao então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque. O deputado paranaense conclamou o Congresso Nacional a se pronunciar contra essa decisão. “Estamos, em nome do PPS, nos solidarizando com o povo árabe e protestando contra essa medida preconceituosa que está sendo perpetrada pelo governo do Distrito Federal”, disse. 4 - Brasília, 2 GERAL de outubro de 2001 O deputado Renato Vianna (PMDB-SC) ocupou a tribuna da Câmara para pedir a adoção de medidas enérgicas por parte do governo federal e a efetiva participação do Legislativo para desonerar as exportações brasileiras. O anúncio feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, sobre a nova política de exportações do governo FHC, segundo Vianna, foi bem recebido pelos empresários de Santa Catarina. Ele leu trecho da manifestação que lhe foi enviada pelo presidente da Federação das Indústrias daquele estado, José Fernando Xavier Faraco, que considera a iniciativa do Executivo bem vinda, já que o Brasil tem ca- Serraglio destaca Comissão de Comércio Exterior O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) saudou a criação da Comissão Executiva de Comércio Exterior, que deverá atuar na promoção das exportações brasileiras e suas primeiras ações. O deputado informou que as primeiras medidas são voltadas para uma ampla revisão dos mecanismos de crédito às exportações e à desburocratização do processo. “Isso facilitará principalmente o acesso das pequenas e médias empresas brasileiras”, observou. Serraglio ainda destacou outras conquistas do governo federal na área. Informou que o saldo comercial foi o melhor do Real, com um superávit de US$ 474 milhões na semana passada, acumulando saldo positivo de US$ 1,253 bilhão no ano. Valéria Aragão Renato Vianna pede reformas para incentivar exportação Deputado Renato Vianna pacidade exportadora e um aumento nos negócios internacionais diminuirá a dependência do país de recursos externos. Vianna lembrou que os empresários catarinenses identificam sérios entraves burocráticos e de logística e cobram avanços nas reformas tributária e portuária. Há, na opinião dos empresários, uma série de fatores que devem ocorrer para melhorar as nossas exportações: inovação tecnológica com agregação de valor aos produtos, desburocratização, linhas de crédito a juros civilizados e oferta de gás natural a preço do gás brasileiro em todo o território nacional. Segundo informou o deputado, as exportações de Santa Catarina, no acumulado de 2001, apresentaram índice positivo, em que pese a diminuição da venda de carne de frango (-14%) e de suíno (-41%), responsáveis pelo desempenho negativo de 6,75% das exportações catarinenses de julho com relação a junho de 2001. De janeiro a julho deste ano, Santa Catarina exportou 13,99% mais que no mesmo período do ano passado. Para Renato Vianna, o quadro otimista revelado pelas estatísticas “tende a tornar-se ainda mais promissor, confirmadas as informações que nos chegam através da imprensa, segundo as quais, a Rússia pode retomar as importações de carne suína do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”. Oliveira Filho defende ampliação de portos paranaenses A necessidade de investimentos urgentes nos portos de Paranaguá e Antonina foi defendida pelo deputado Oliveira Filho (PL-PR) como forma de garantir o plano do governo federal de atingir a cota de 100 milhões de toneladas na produção de grãos. Para ele, o Porto de Paranaguá se constitui hoje na principal porta de saída dos mais diversos produtos oriundos de estados vizinhos e da América Latina, e isso em razão dos investimentos constantes do governo do estado, não somente na estrutura portuária, mas no sistema de escoamento da produção até o porto, com rodovias seguras e utilização mais freqüente de ferrovias. Mas para continuar crescendo e cumprindo contratos, como o da exportação de 550 mil toneladas de soja não transgênica para a França, deve-se, segundo o parlamentar, chegar ao próximo ano com uma melhor infra-estrutura, incluindo novos armazéns, novas balanças e um terminal destinado a cargas frigorificadas, com capacidade para 1.400 toneladas a ser instalado no Porto de Antonina. “E o governo federal não pode ficar ausente nos investimentos que precisam ser efetuados nos portos paranaenses”, enfatizou Oliveira. Jornal da Câmara Consumidor na pauta de votação A Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias apreciará na reunião de amanhã o Projeto de Lei Complementar 171/00, do deputado José Pimentel (PT-CE), que propõe que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidem sobre mercadorias e serviços. Consta ainda na pauta o Projeto 2.792/00, do exdeputado Marcelo Déda (PTSE), que obriga as instituições de ensino a fornecer, no ato da matrícula, lista de material didático e escolar que será utilizado pelo aluno durante o ano letivo. Já o PL 1.507/99, de Jair Meneguelli (PT-SP), torna obrigatória aos supermercados a prestação de serviços de embalagem de compras. Outro projeto na área de defesa do consumidor é o PL 2.197/99, de Airton Dipp (PDT-RS), que determina ao fornecedor que informe ao consumidor o tempo médio em que lhe será entregue produtos ou serviços encomendados. O PL também propõe que seja divulgado ao comprador o número de reclamações que tais produtos ou serviços já receberam até então. No segmento de Meio Ambiente, destaca-se na pauta o Projeto de Lei 2.181/99, de Wilson Santos (PMDB-MT), que altera o Código Florestal no que se refere à reserva florestal legal em projetos de colonização, assentamentos e loteamentos rurais. Deputados condenam horário de verão para o Nordeste Ao criticar a instituição do horário de verão a partir do dia 14 de outubro, o deputado Sérgio Novais (PSB-CE) afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso adotou o horário por estar recebendo pressão de grupos econômicos. Entre eles, o parlamentar citou a rede bancária que, segundo ressaltou, tem prejuízos com a mudança de horário em função de sua rede unificada, além das emissoras de TV, que têm seus horários nobres modificados. Novais destacou também que o horário de verão, que traz economia de 1% para a maioria dos estados brasileiros, prejudica a saúde de crianças e idosos, além de aumentar a violência social. Segundo informou, nas regiões tropicais e subtropicais como o Nordeste, o dia aumenta em média de uma a duas horas, o que, segundo ele, traz aumento no consumo de 5,02 %. “Trabalhadores e estudantes têm que sair para seus destinos ainda no escuro, ficando em situação de risco”, frisou. Já o deputado Luiz Alberto (PTBA) afirmou que é um desrespeito ao cidadão brasileiro a imposição do horário de verão a todo o território brasileiro, com exceção da região Norte. Ele afirmou que a medida ignora as diferenças geográficas entre as regiões e prejudica o Nordeste, onde quase não há alteração de luminosidade entre as estações. O deputado explicou que as estações do ano se alternam de acordo com a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol, que provocam as alterações da incidência solar. Esse fenômeno, continuou, é mais acentuado quanto maior a distância do Equador, o que não é o caso do Nordeste. “Submeter a população a mudanças bruscas sem que daí resulte vantagem, é agressão desnecessária e desumana”, afirmou Luiz Alberto. GERAL Jornal da Câmara Brasília, 2 de outubro de 2001 - 5 Zona Franca Câmara instalará comissão para avaliar prorrogação dos incentivos A Câmara vai instalar nos próximos dias a comissão especial que analisará a prorrogação por mais 17 anos dos incentivos fiscais para a Zona Franca de Manaus. O objetivo é discutir a proposta de emenda constitucional (PEC 550/ 97) que visa ampliar o prazo de vigência da Zona Franca. O anúncio da criação dessa comissão especial foi feito pelo presidente da Câmara, deputado Aécio Neves, no último dia 26. Agora, para o pleno funcionamento da comissão, aguarda-se a indicação de seus 32 integrantes pelos líderes partidários. Segundo o presidente da Casa, a questão da Zona Franca de Manaus interessa a todos os parlamentares do país, e não exclusivamente aos re- Deputado Antonio Feijão presentantes da Região Amazônica. Daí a importância da comissão especial. “Nós daremos oportunidade para que o debate ocorra com profundidade, com a seriedade que o tema recomenda. A partir do momento em que instalarmos essa comissão especial que debaterá a necessidade de prorrogação dos incentivos para a Zona Franca, estarão participando dessa discussão, não apenas os propositores da idéia, mas os parlamentares de todo o Brasil”, ressaltou Aécio Neves. A Constituição Federal determina que até o ano de 2013 a Zona Franca de Manaus seja uma área de livre comércio, tendo preservados os incentivos fiscais concedidos às empresas lá instaladas. Pela proposta do deputado Antonio Feijão (PSDB-AP), esse prazo seria estendido para 2030, o que permitirá que as 400 empresas existentes na região te- nham mais tempo para recuperar seus investimentos, transformando os benefícios fiscais em fontes de arrecadação. “A Zona Franca de Manaus, hoje, praticamente transforma as isenções do Imposto sobre Importações e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em impostos nacionais e estaduais, empregos e, sobretudo, conservação ecológica”. Para o deputado Antonio Feijão, a manutenção da área de livre comércio de Manaus por mais tempo garantirá o desenvolvimento sustentável da região, uma vez que 98% da economia da região estão concentrados no distrito industrial. Foram apensadas à essa proposta as PEC 577/98, 591/98 e 606/98. Socorro Gomes pede mais Confirmado primeiro depoimento recursos para área habitacional da CPI do Banespa Confirmado para a próxima terça-feira, dia 9, o primeiro depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apura as irregularidades que ocorreram durante o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), decretado pelo governo federal no Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Foi convocado o expresidente da Comissão de Inquérito do BC, Antônio Carlos Verzola, que assegurou a sua presença a fim de prestar todos os esclarecimentos necessários às investigações sobre o período posterior a 29 de dezembro de 1994 – último dia útil do governo Fleury no estado, data em que o governo decretou a intervenção no referido banco. O depoimento está marcado para as 14h30, no plenário 6 da Câmara dos Deputados. Amanhã, quarta-feira, os par- lamentares membros da CPI vão se reunir para tratar de assuntos internos. A convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, solicitada pelo relator da CPI, deputado Robson Tuma (PFL-SP) e aprovada na reunião do dia 19 de setembro, está sendo analisada pelo presidente da Casa, Aécio Neves. O motivo foi o questionamento feito pela deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), quanto à legalidade do processo de votação. Com base no artigo 47 da Constituição, o presidente da CPI, deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP), contestou o argumento e manteve a decisão. Segundo o texto constitucional, as deliberações da Câmara e suas comissões serão tomadas por maioria de votos, presente a maioria de seus membros. O requerimento foi aprovado por 13 votos. Inconformada com o percentual do orçamento geral da União destinado ao setor habitacional, da ordem de 0,02% do total, a deputada Socorro Gomes (PCdoBPA) apelou aos demais parlamentares para que aumentem esse valor quando a matéria for votada no Congresso a fim de garantir uma política habitacional séria e conseqüente. A parlamentar disse ter estranhado o valor do percentual estabelecido para o setor em função do relatório enviado pelo governo brasileiro à conferência da ONU que tratou da questão habitacional. O relatório informava que o déficit quantitativo com pessoas que moram em áreas de risco e próximas a nascentes de água chegava a 10 milhões de moradias. Outro fato com o qual Socorro Gomes não se conforma é a posição assumida por representantes do governo, tais como a Caixa Econômica Federal e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, de que tinham o propósito de corrigir as falhas da política habitacional brasileira. “Segundo dados das Secretarias de Habitação dos Estados e de instituições governamentais, de 1998 para cá, a participação do setor habitacional no OGU vem diminuindo. Em 1998 era 0,09%, em 1999, 0,07%, em 2000, 0,04% e agora, 0,02%. É uma incoerência”, concluiu a parlamentar. O deputado Simão Sessim (PPB-RJ) considerou louvável o empenho do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, quanto à destinação de R$ 1 bilhão de recursos do FAT- Fundo do Amparo ao Trabalhador, para financiar a construção de imóveis residenciais. Mas também disse entender a preocupação de alguns segmentos sindicais contrários à adoção dessas medidas. “É justa essa apreensão, já que os sindicatos cuidam com zelo dos interesses dos trabalhadores e fiscalizam os atos de seus governantes.” O deputado ressaltou ainda confiar que nessa negociação sejam aparadas todas as arestas”. CURTAS Osório Adriano (PFL-DF) sugeriu ao governador Joaquim Roriz que proíba a realização, na Esplanada dos Ministérios, de espetáculos de música, dança ou competições esportivas. Além dos abusos praticados em frente aos ministérios, danificam-se também os gramados que são mantidos com o dinheiro público. “Temos que proteger nossa cidade e o patrimônio público”, afirmou. Olimpio Pires (PDT-MG) prestou homenagem ao pesquisador brasileiro, na figura do médico Mauro Alvarenga, que em 1949, comovido com a subnutrição das crianças da sua região, descobriu, juntamente com os engenheiros agrônomos Raoul de Caux, Paulo de Souza e Jorge Grunnup, as propriedades da soja no combate à subnutrição infantil. Segundo Pires, Alvarenga desenvolveu receitas caseiras para serem utilizadas no consumo da soja em lares de baixa renda. Odelmo Leão (PPB-MG) prestou homenagem a duas empresas do Triângulo Mineiro, que ficaram entre as dez melhores no guia As 100 melhores Empresas para Você Trabalhar, das revistas Exame e Você S.A. A primeira foi o Grupo Algar, tido como um dos mais inovadores grupos privados brasileiros, que participa pela terceira vez consecutiva e tem seus esforços reconhecidos pela qualidade do ambiente de trabalho que oferece a seus 8 mil funcionários. A Segunda foi o Grupo Zema, que teve sua atuação reconhecida por adotar modernas técnicas de gestão de empresas. José Linhares (PPB-CE) prestou homenagem a José Tupinambá da Frota, conhecido como o Bispo Conde, “que legou a Sobral uma rica obra de caráter social e cultural”. De acordo com o deputado, Tupinambá instalou três colégios e um seminário na cidade, responsável pela formação de mais de 50 sacerdotes. “Ele também criou abrigo para idosos, um banco de fomento, além de ter sido o responsável pelo abastecimento de água de Sobral”, ressaltou. Opinião 6 - Brasília, 2 de outubro de 2001 Alternativas para Geração de Energia Jornal da Câmara CRISE DE ENERGIA Lucrando com o apagão Feu Rosa Deputado Federal PSDB/ES Padre Roque Deputado Federal PT/PR Um dos melhores investimentos que se pode fazer hoje em dia, muito provavelmente, é o de comprar ações das empresas de energia elétrica ou da Petrobrás. É quase certo que daqui a dois ou três anos o retorno será dos maiores oferecidos pelo mercado. Com a notícia do racionamento, o terrorismo das ameaças de apagões e a conseqüente pressão para o aumento do preço do quilowatt-hora, o lucro do setor vai disparar. A utilização de 100% da capacidade instalada das empresas, da geração à distribuição, vai ser extremamente saudável para seus respectivos acionistas. Muitos culpam o presidente Fernando Henrique e outros agentes pela imprevidência e falta de investimentos no setor energético brasileiro, que estão ocasionando o racionamento e os prováveis apagões; aliás, eu diria que a culpa do primeiro compara-se a de um gerente de uma agência bancária pagar pela incúria de algum caixa. Eu creio que a origem do mal nesse caso deve-se à nossa estrutura de oferta de energia: praticamente um tipo único de energia, a hidrelétrica, cobrindo em torno de 85% do que é gerado no país. É claro que um perfil de geração energética tão concentrado no setor hídrico, dependente de chuvas, poderia dar certo dentro de um bom planejamento e gerenciamento. Num país – continente como o nosso – sempre chove em algum lugar e com abundância; a idéia original de interligação do sistema energético teria que prevalecer. No entanto, isso contrariaria a lógica dos grandes capitais do setor, logo não poderia funcionar. Existe gente que acredita ser nosso colapso de energia culpa de transformadores falhos fabricados na Ucrânia... Visando contribuir com o acervo de idéias para resolvermos mais esse imbróglio, apresentei duas indicações legislativas à mesa da Câmara dos Deputados. A primeira objetivando dar estímulos a municípios ou grupos de municípios para que, via consórcio, com a participação da iniciativa privada, procurem gerar sua própria energia. Isso compensará, particularmente ao Espírito Santo e Rio de Janeiro, as perdas de carga devidas às transmissões de energia de longa distância; ambos estados são pontas de linha. Também fará diminuir sensivelmente ao longo do tempo os riscos de racionamentos e apagões. Curiosamente, por essa via, notar-se-á que a diferença no preço final do kwh não será tão grande diante do que se paga hoje. Os grupos geradores atuais, mais modernos, a gás ou diesel, têm alto rendimento e custos de manutenção e operação bem menores do que podemos imaginar. Nesse caso tem-se que pressionar e torcer para que a Petrobrás, que tantas decepções nos tem causado nas falhas contra o meio ambiente compatibilize os preços dos combustíveis (mormente diesel, óleo pesado e gás) à realidade brasileira. A segunda indicação visa tornar mais equilibrada, por região geográfica brasileira, a geração de energia, privilegiando outras formas como a eólica (dos ventos), solar, gás, diesel e, conforme o caso, nuclear. Apesar do carvão contribuir com 40% da matriz energética mundial, para o Brasil, até o presente ele tem sido inviável devido à baixa qualidade do existente em nossas reservas. Tais propostas, se concretizadas, serão uma maneira de se contrapor à força avassaladora do oligopólio existente. Elas poderão criar outros padrões de comparação para o preço do kwh e evitar exageros dos oligopolistas, preservando o direito dos consumidores brasileiros à energia mais barata, além de livrar os funcionários públicos do setor de maiores tentações. ANEXO I, 15ºANDAR, SALA 605 318-5098/99 Jornal da Câmara FF : (0: (061)61)318-2196 ONE XX AX XX Todo dia assistimos nos telejornais alguma reportagem sobre o sacrifício de uma dona de casa ou de uma empresa para economizar eletricidade. Velas substituindo lâmpadas, prejuízos na lanchonete em razão de geladeiras e congeladores desligados, redução nas linhas de produção com conseqüente desemprego. À primeira vista, o país todo parece ter aderido ao arrocho e se mobiliza para cumprir as metas do governo e evitar o colapso. Isto é verdade só em parte. De fato, grande parcela dos consumidores residenciais e das indústrias atendeu ao chamado governamental. Porém, em toda crise, existe gente que ganha muito dinheiro à custa do desespero alheio. No meio deste caminho estão as distribuidoras, que em posição privilegiada, sabem quem necessita de mais energia ou atingiu a meta do racionamento, seja por economizar ou por possuir fonte própria. Cientes da demanda, as distribuidoras oferecem a sobra de quem não gastou. Os preços dessa energia extra, vendida no mercado paralelo, chegam a custar até dez vezes mais, segundo a revista inglesa Forbes. O lucro fica com a empresa que não utilizou a energia, mediante o pagamento de uma corretagem de 0,3% para quem intermediou o negócio. Só entre maio e agosto deste ano uma única distribuidora de São Paulo fez 180 transações no valor total de R$ 4 milhões. Entretanto, o consumidor residencial, que comprou velas ou financiou lâmpadas fluorescentes caras para poder cumprir a meta do governo, não pode vender o excedente. A lei não o permite. Existem ainda outras brechas legais que poderão trazer mais prejuízos e sacrifícios para o consumidor residencial. Virão sob a forma de tarifas mais caras ou de aplicação de impostos para cumprir determinações contratuais. Portanto, quando a população se posiciona contra a venda de empresas públicas que possuem importância estratégica, é porque teme que o caos se instale em setores essenciais, como o que está acontecendo na região Sudeste. Uma vez entregues nas mãos privadas, estes setores têm como objetivo único o aumento e a concentração da riqueza e o povo não conta mais. O lamentável nesta história toda é que os governos, federal e alguns estaduais, funcionam como gerentes do grande capital. Utilizam seu poder unicamente para transferir os bens públicos que ainda restam. As reportagens diárias que vemos sobre os sacrifícios impostos pelo racionamento de energia dão a impressão que todos padecem com a ameaça do apagão. De fato, a imensa maioria dos consumidores atendeu ao chamado governamental. Porém, como em toda crise, existe gente ganhando muito dinheiro à custa do desespero alheio. E isso ocorre com as distribuidoras, que observam tudo em posição privilegiada. Elas sabem quem está necessitando de mais energia elétrica, quem atingiu a meta, ou quem possui outra fonte própria de energia. Ocorre que algumas empresas possuem contratos fechados e com prazos apertados para entregar seus produtos sob pena de arcar com pesados prejuízos. Disso se valem as distribuidoras de energia, que têm o controle da demanda e oferecem a sobra de quem não gastou. Os preços dessa energia extra, vendida no mercado paralelo, chegam a custar até treze vezes mais. É urgente investigar e buscar os reais interesses que movem tais vendas, anular os processos viciados, punir os culpados e reaver os bens públicos. Para isso, a pressão da sociedade será decisiva. Tv Câmara - canal 14 -Net/DF canal 28 -Sky canal 235 -DirecTV Disque Câmara 0800 619619 Mídias Alternativas www.agencia.camara.gov.br Internet/Intranet [email protected] Jornal da Câmara na internet: www.camara.gov.br / E-mail: [email protected] Mesa da Câmara dos Deputados Presidente: Aécio Neves 1º Vice-Presidente: Efraim Morais 2º Vice-Presidente: Barbosa Neto 1º Secretário:Severino Cavalcanti 2º Secretário: Nilton Capixaba 3º Secretário: Paulo Rocha 4º Secretário:Ciro Nogueira Suplentes: Pedro Valadares, Salatiel Carvalho, Enio Bacci , Wilson Santos Procuradoria Parlamentar: Ricardo Izar Ouvidoria Parlamentar: Luiz Antonio Fleury Diretor-Geral: Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida Secretário-Geral da Mesa: Mozart Vianna de Paiva SECOM - Secretaria de Comunicação Social Jornal da Câmara Diretora: Amneres Pereira Diretora: Marina Carvalho (061) 318-5085 / Fax: (061) 318-2108 Divulgação: Juarez Pires (061) 318-5085 Relações Públicas: Flávio Eliás F. Pinto (061) 318-5092 Rádio Câmara: Humberto Martins (061) 318-8310 TV Câmara: Sérgio Chacon (061) 318-5080 Agência Câmara: Ademir Malavazi (061) 318-8473 Mídias Alternativas:Arnolfo Carvalho (061) 318-7420 (061) 318-5098/99 - Fax: (061) 318-2196 Editor-Chefe: Marcondes Sampaio Editores: Roberto Seabra, Oscar Telles, Luiz Paulo Pieri, Vera Ramos Diagramadores: Antônio Alves Ferreira Júnior, José Alberto de Almeida Filho, André Cerino, José Antonio Filho Ilustrações: André Cerino Revisoras: Isolda Marinho, Heloísa Lira, Malva Beatrice Fotografia: J.Batista, Salu Parente, Sônia Baiocchi, Eltom Bomfim, Benedita Passos, Lelo Impressão: Imprensa Nacional Presidência da República Jornal da Câmara AGENDA Programação da TV Câmara HORÁRIO TERÇA 01/10 GERAL Brasília, 2 de outubro de 2001 - 7 Homenagem à Polícia Rodoviária Federal Lelo 07:30 08:30 09:00 09:30 12:30 13:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 22:30 01:00 01:30 02:00 02:30 03:30 04:30 05:00 Palestra: Alimentos que Curam Tradição Ocidental (01) O Despertar da História Brasil em Debate: Dep. Ney Lopes/ biodiversidade e crise decorrente dos ataques terroristas nos EUA Comissão ou Plenário Arte de Ver: 05 Van Gogh e Paul Gauguin Plenário ao Vivo Literatura “Dante Milano” Arte de Ver: 05 Van Gogh e Paul Gauguin Tradição Ocidental (01) O Despertar da História Jornal da Câmara Brasil em Debate Reapresentação de Sessão Plenária ou de Comissão Jornal da Câmara Brasil em Debate Tradição Ocidental (01) O Despertar da História Palestra: Alimentos que Curam Literatura “Dante Milano” Arte de Ver: 05 Van Gogh e Paul Gauguin Reapresentação de Sessão Plenária ou de Comissão Agenda da Câmara TERÇA-FEIRA, 02.10.01 PLENÁRIO Hora: 13:00 Pauta: Votação, em segundo turno, do PR 106/ 92, que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Também na pauta o PL 5.074/01, do Executivo, que estabelece normas de controle e fiscalização sobre produtos químicos que direta ou indiretamente possam ser destinados à elaboração ilícita de substâncias entorpecentes, psicotrópicas ou que determinem dependência física ou psíquica. COMISSÕES Seguridade Social Hora: 13:30 Pauta: Abertura do 1º Seminário Internacional de Drogadicção – A Dependência Química em Questão. Presença do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves. Local: Auditório Nereu Ramos, Anexo II CCJR Hora: 14:00 Pauta: Reunião ordinária para apreciação de proposições. Local: Plenário 1, Anexo II Educação Hora: 14:30 Pauta: Audiência pública para debater sobre a exibição de filmes brasileiros de curta metragem. Presença do presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, Leopoldo Nunes, e do representante da Federação Nacional dos Exibidores, Ugo Sorrentino. Local: Plenário 10, Anexo II Mista de Orçamento Hora: 14:30 Pauta: Reunião ordinária para apreciação de requerimentos. Local: Plenário 2, Anexo II Trabalho Hora: 14:30 Pauta: Audiência pública para discutir a Política Salarial dos Servidores. Presença dos presidentes da CUT, João Antônio Felício, e da CGT, Antônio Carlos dos Reis. Local: Plenário 12, Anexo II Agricultura Hora: 14:00 Pauta: Audiência pública para discussão da Instru- ção Normativa 3/01, do Ministério do Meio Ambiente, que dispõe sobre os procedimentos para a concessão de autorização de desmatamento nos imóveis e propriedades rurais na Amazônia Legal. Presença do presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, Hamilton Casara. Local: Plenário 8, Anexo II Desenvolvimento Urbano Hora: 14:30 Pauta: Audiência pública para discutir os novos paradigmas para o parcelamento do solo e seus requisitos urbanísticos e ambientais. Presença do representante da Confederação Nacional dos Munícipios (CNM), Waltemiro Bruno Goldmeier. Local: Plenário 16, Anexo II Mercosul Hora: 17:30 Pauta: Reunião ordinária para deliberar sobre o PDL 281/01, que trata das relações de parceria entre o Brasil e a Federação Russa. Local: Sala 13 das Comissões do Senado, na Ala Senador Alexandre Costa COMISSÕES ESPECIAIS Alimentos Geneticamente Modificados Hora: 14:00 Pauta: Audiência pública com o professor do Instituto de Ciências Biológicas do Departamento de Genética e Morfologia da UnB, Cesar Koppe. Local: Plenário 4, Anexo II Política Nacional de Resíduos Hora: 14:30 Pauta: Reunião para apreciação de requerimentos. Local: Plenário 9, Anexo II Estatuto da Igualdade Racial Hora: 14:30 Pauta: Reunião para apreciação de requerimentos. Local: Plenário 13, Anexo II CPIs Proer Hora: 14:00 Pauta: Audiência pública com o ex-diretor do Banco Central do Brasil, Cláudio Mauch. Local: Plenário 11, Anexo II Sivan Hora: 15:00 Pauta: Audiência pública para tomada de depoimento do agente da Polícia Federal, Cláudio Mendes. Local: Plenário 3, Anexo II A Câmara homenageou os 73 anos do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), em sessão presidida pelo deputado Saulo Pedrosa (PSDB-BA) Integraram a Mesa o diretor-geral do Departamento, general Álvaro Henrique Viana de Moraes, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários, Maurício Carvalho Maia, e o coordenador-geral de Recursos Humanos de Polícia Rodoviária Federal, inspetor Hamilton Rodrigues. Em seu discurso, Saulo Pedrosa apontou o aumento do efetivo como o grande desafio da Polícia Rodoviária, que hoje conta com apenas 8 mil policiais para cobrir os quase 60 mil quilômetros de rodovias federais. Ressaltou, porém, que o governo federal está disposto a realizar novos concursos públicos para atender as necessidades. Enquanto isso não acontece, acrescentou, o governo busca o aperfeiçoamento logístico e operacional da instituição, “sem descuidar da histórica cordialidade no trato com o cidadão”. Autor do requerimento para realização da homenagem, o deputado Ary Kara (PPB-SP) afirmou que lutará pela aprovação e regulamentação imediata da Lei Orgânica da Polícia Rodoviária Federal, em tramitação na Casa, bem como pelo aumento do efetivo, para que as estradas brasileiras sejam fiscalizadas de forma a dar segurança a todos os cidadãos. O deputado Ary Kara (D) é o autor do requerimento da sessão O parlamentar paulista ressal- continuará lutando para transferir do tou que também lutará pela cria- DNER para a Polícia Rodoviária o ção da polícia técnica-científica, controle dos equipamentos eletrôpelo aumento do número de via- nicos das rodovias federais, uma das turas e armamentos e pela com- reivindicações da instituição. plementação da GOE-GratificaTambém prestaram homenação de Operações Especiais. E gem ao Departamento de Polícia destacou o empenho do general Rodoviária Federal os deputados Álvaro Henrique Viana de Mora- Mauro Lopes (PMDB-MG), Moes e do ministro da Justiça, José roni Torgan (PFL-CE), Fernando Gregório, para que a lei orgâni- Gonçalves (PTB-RJ), Carlos Sanca da categoria entre logo em vi- tana (PT-RJ), Lincoln Portela gor. “Nós, desta Casa, que fize- (PSL-MG), Gonzaga Patriota mos o Código de Trânsito Brasi- (PSB-PE), Dr.Heleno (PSDBleiro estamos sentindo hoje al- RJ), Regis Cavalcante (PPS-AL). guns erros que cometemos, estamos vendo a briga para instalar e administrar os equipamentos eletrônicos nas estradas nacionais”, constatou, para dizer que a administração destes aparelhos deveAo criticar o tratamento da ria ficar a cargo dos policiais romídia e de alguns parlamendoviários federais, responsáveis pela segurança nas rodovias. tares quanto à imagem da PoDeclarou ainda Ary Kara que lícia Militar e da Justiça Militar, o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) acusou o governo federal de “não tirar da gaveta nenhum projeto substancial para instituir uma política de segurança pública no país”. Relator do projeto na Câmara que trata de segurança, o depusentantes da comunidade com o tado pediu que a questão seja governador de São Paulo, Geraltratada “com mais seriedade e do Alckimin, em que foram comenos sensacionalismo”. bradas ações para combater a criPara exemplificar a agilidaminalidade na cidade e indagade da Justiça Militar, tão injusdas as medidas que estão sendo tomadas para encontrar o assastamente condenada pela mídia, sino do prefeito de Campinas, o segundo ele, lembrou que em Toninho do PT. Afirmou o parmenos de 30 dias o tenente que lamentar ter sugerido ao govermatou a tiros de espingarda um nador, na ocasião, a apresentação estudante em Porto Alegre foi das prioridades do seu governo punido pela corporação e teve para a área de segurança pública, a fim de que a bancada do estado seu inquérito remetido à justiça possa definir verbas no Orçacomum, que já o indiciou. mento Geral da União do próxiRelatou ainda o deputamo ano. Observou ainda Dr. do sua participação no enHélio que a cidade de Campinas contro do Parlamento Latié campeã em seqüestro e a cidano, na Cidade do México, de que detém o maior índice de homicídio envolvendo jovens de onde foi discutida a questão 16 a 24 anos”, ressaltou. da segurança pública. Nonô e Dr.Hélio cobram medidas contra violência O deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL) cobrou do governo alagoano medidas urgentes para conter a onda de violência no estado. Ele chamou a atenção para o assassinato do empresário Olival Tenório Costa Neto, de 26 anos, em São Miguel dos Campos (AL), para afirmar que crimes como esse só acontecem pela certeza da impunidade. “Por causa de uma discussão simples em uma churrascaria, este rapaz perdeu a vida. Quem o matou só o fez porque o governador, em vez de coibir o crime, atua como mais um espectador da violência urbana”, disse o parlamentar. Por sua vez, Dr.Hélio (PDTSP) registrou encontro de deputados federais, estaduais e repre- Fraga acusa governo de descaso com segurança 8 - Brasília, GERAL 2 de outubro de 2001 Jornal da Câmara Seguridade debate dependência química A Comissão de Seguridade Social e Família realiza, nesta semana, o 1º Seminário Internacional de Drogadicção para debater a dependência química. O objetivo do evento que começa hoje, a partir das 13h30 no Auditório Nereu Ramos, é formular políticas públicas de saúde para o setor. O problema, de acordo com os deputados da Comissão, é a falta de uma rede de atendimento consolidada, o que dificulta a formulação dessas políticas. Os dependentes químicos ocupam hoje 51% dos leitos hospitalares psiquiátricos e 30% dos leitos clínicos. A estimativa de perda para o país é de US$ 1 bilhão por mês em conseqüência do uso de substâncias químicas. Preocupados com esse quadro, deputados e especialistas do Magno Malta critica normas para instituições de recuperação O deputado Magno Malta (PTB-ES) manifestou repúdio em relação à resolução da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabelece normas mínimas para o funcionamento das instituições que atuam na área psicossocial, especificamente na modalidade conhecida por comunidades terapêuticas. Na opinião do deputado, a Anvisa não procurou identificar os diversos modelos que envolvem o segmento, nem mesmo procurou conhecer a realidade vivida pelo setor. “Foi uma decisão de cima para baixo, dos gabinetes para as comunidades que atuam pelo interior do país, sem nenhum apoio governamental”. O deputado ressaltou que o trabalho das instituições brasileiras de tratamento e reinserção do dependente químico é um modelo para o mundo, mas corre o risco de ser interrompido por não atender as exigências da Vigilância Sa- Elton Bomfim setor estarão debatendo os três aspectos que envolvem a questão: prevenção, tratamento e repressão. Podem participar do seminário todos os interessados no debate da dependência química no Brasil, principalmente os setores ligados à juventude e ao movimento estudantil, organizações não go- vernamentais, e empresas que desenvolvam programas de tratamento da dependência química. Também estão convidados representantes dos órgãos ligados ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional Antidrogas. O evento contará ainda com a participação de representantes da Organização Mundial de Saúde na América Latina e nos Estados Unidos, que darão um panorama das experiências internacionais que vêm sendo adotadas. Prioridade para projetos que atendem portadores de deficiência O deputado Dr. Hélio (PDTSP) sugeriu à Presidência da Casa a inclusão na pauta de votações, em regime de urgência, de 40 projetos de lei que tratam da situação dos portadores de deficiência. Ele lembrou que estes projetos de lei tramitam na Casa há mais de quatro anos, sendo 10 em fase final de apreciação. “Dessa forma, a Câmara poderia dar sua contribuição a estes 17 milhões de brasileiros portadores de deficiência e às suas famílias que somam mais de 50 milhões em todo o país”, afirmou o parlamentar. O presidente Aécio Neves lembrou que a Casa já aprovou vários projetos em favor dos deficientes, sendo um deles para criar oportunidades de trabalho. O presidente Aécio Neves sugeriu que o deputado encaminhe sua proposta ao líder do seu partido para que, então, possa apresentá-la na próxima reunião de líderes. Desvio de recursos da Saúde Deputado Magno Malta nitária. Como ex-presidente da CPI do Narcotráfico e criador do projeto Vem Viver, que recupera dependentes químicos, Magno Malta pediu a presidente da Comissão de Seguridade Social, deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), que incorpore as discussões desta resolução ao I Seminário Internacional de Dragadicção. O uso inadequado de recursos destinados ao plano de atendimento básico de saúde por algumas prefeituras foi denunciado pelo deputado Roland Lavigne (PMDB-BA). Ele concorda que a municipalização da saúde garantiu melhorias para o sistema de saúde pública, mas alerta que alguns municípios estão desviando os recursos para outras áre- as. Lavigne cobrou do Ministério da Saúde a realização de auditorias nos hospitais filantrópicos, privados e públicos, e nas contas das prefeituras denunciadas por gastos indevidos com os recursos da saúde. “São milhões de reais que estão indo pelo esgoto, sendo mal aplicados por prefeitos despreparados, que usam esse dinheiro para outras finalidades”, advertiu o parlamentar. Projeto quer facilitar acesso a preservativo Projeto de lei (PL 102/99), da deputada Maria Elvira (PMDBMG), aprovado na última quartafeira pela Comissão de Seguridade Social e Família, autoriza a venda de preservativos em qualquer estabelecimento comercial. O objetivo, segundo a deputada, é instituir mais um mecanismo que contribua para a prevenção da Aids. A facilidade de acesso ao produto, em sua opinião, pode popularizar o uso. Ela lembra que dados da Organização Mundial da Saúde apontam que em 1999 o Brasil ocupava o quarto lugar no mundo em número de casos de Aids. O deputado Renildo Leal (PTB-PA), relator do projeto na Comissão, acredita que o aumen- to dos pontos de venda de camisinhas, hoje restritos às farmácias, facilitará o acesso da população ao produto e pode ajudar no controle da Aids e na diminuição dos casos de gravidez precoce. Ele alerta, no entanto, que o melhor investimento contra a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis ainda é a educação: “A solução é conscientizar as pessoas, principalmente diante da propaganda disseminada na mídia estimulando a sensualidade”. O projeto é apreciado conclusivamente pelas comissões e, caso não haja recurso para votação do projeto em plenário, a proposta seguirá para apreciação pelas comissões do Senado Federal. CURTAS Nilson Mourão (PT-AC) parabenizou os governos do Acre e federal pelo início da pavimentação da BR-217, que liga Brasiléia a Assis Brasil, naquele estado. De acordo com o parlamentar, a obra é importante para o país porque permite o acesso, por rodovia, ao Peru e à Bolívia, viabilizando o estreitamento de laços entre os países latino-americanos. “Embora haja muita gente, no Ministério dos Transportes, trabalhando contra a conclusão da obra e, portanto, contra o país e contra o povo, há muitos outros que depositam todo esforço no sentido de concluí-la”, enfatizou. Orlando Desconsi (PT-RS) comemorou a assinatura de decreto pelo governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, que visa o fortalecimento do programa da suinocultura do estado. De apoio emergencial, conforme explicou, o decreto vai beneficiar 35 mil produtores com a redução de 3% do ICMS sobre a venda de carne suína para os estados do Sul e Sudeste. “O benefício vigorará até 31 de dezembro, estendendose no período de transição entre a situação atual da cadeia produtiva e uma nova sistemática de tributação mais adequada ao setor”, salientou. Inaldo Leitão (PSDB-PB) registrou sua solidariedade ao sargento da Polícia Militar da Paraíba, Onildo Rodrigues, único militar condenado a prisão por ter liderado uma greve de policiais militares em 1999, no estado. O parlamentar criticou a atitude do governador paraibano que, a seu ver, estaria usando de meios que não são legítimos, para impedir a categoria de se manifestar por melhores condições de trabalho. “Trago aqui meu apoio ao sargento Onildo e à grande maioria da corporação do meu estado, e espero que o governador dê a devida atenção e resolva o problema na sua essência, melhorando o salário e as condições de trabalho desses policiais”, disse. Antonio Cambraia (PSDBCE) pediu à Aeronáutica que não desative ou interdite a pista do Alto da Balança, na Base Aérea de Fortaleza que, segundo o parlamentar, vem sendo utilizada há um ano pelo Aeroclube do Ceará e pelo Clube de Aviação Desportiva. Conforme ressaltou, a interdição da pista representa o fim do Aeroclube do Ceará, fundado há 72 anos. O governo do Ceará, acrescentou, já desapropriou uma área de 125 hectares no vizinho município de Itaitinga para a construção de uma nova pista pela Aeronáutica, mas entraves burocráticos, como a obtenção de licença ambiental, têm atrasado a implantação do empreendimento. “Diante disso, apelo para a compreensão das autoridades da Aeronáutica, a fim de que seja dado mais um prazo para a interdição da pista”, disse.