UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ MARIA APARECIDA FERNANDES A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS COMO ALTERNATIVA PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA CONSTRUÇÕES BÁSICAS NO GEOGEBRA: QUADRILÁTEROS Material Didático apresentado no Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE do Estado do Paraná. Orientadora: Márcia Maioli UMUARAMA 2008 2 SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO......................................................................................................................3 2- FUNDAMENTAÇÃO TEORICA..........................................................................................4 3- UM POUCO SOBRE GEOGEBRA.......................................................................................8 4- CONSTRUÇÕES BASICAS NO GEOGEBRA: QUADRILÁTEROS..............................19 4.1 TRAPEZIOS.................................................................................................................23 4.1.1 PARALEGRAMOS......................................................................................................29 4.1.2 RETANGULO..............................................................................................................32 4.1.3 LOSANGO...................................................................................................................35 4.1.4 QUADRADO...............................................................................................................37 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................39 6- REFERÊNCIAS.......................................................................................................................39 3 A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS COMO ALTERNATIVA PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA Autor: Grupo todo1 INTRODUÇÃO: Os computadores chegaram! Como usá-los nas aulas de matemática? Uma nova realidade é encontrada nas escolas paranaenses com o advento de equipamentos de informática, essa nova fase pode ser encarada como um momento de evolução tecnológica, que pode trazer vários benefícios para a inclusão digital, socialização de programas educacionais e enriquecimento das estratégias de ensino em todas as disciplinas, mas o que transparece, é que a entrada dos computadores na educação tem provocado inquietação aos professores, pois estes provocam insegurança na maioria dos docentes. Isso implica numa mudança de postura dos membros do sistema educacional e na formação dos administradores e professores. O presente material apresenta orientações básicas quanto ao uso do software Geogebra e propostas de atividades de alguns conteúdos matemáticos, dando condições necessárias para que diminua a distância do professor com o computador de modo que se sinta à vontade no manuseio e não ameaçado por esta tecnologia, abordando possibilidades e limitações do uso de softwares no ensino da Matemática, estimulando a utilização dos computadores na prática docente para enriquecer ambientes de aprendizagem e auxiliar o aprendiz no processo de construção do seu conhecimento. A primeira parte do material composta pela Introdução; Fundamentação Teórica e o item intitulado Um pouco sobre o Geogebra, foram preparados em conjunto pelo grupo das cinco professoras PDE orientadas pela professora Marcia Maioli. A partir daí, cada professora PDE ficou responsável pela elaboração de um conjunto de atividades de acordo com o conteúdo de seu interesse. Cada um destes conjuntos de atividades é apresentado no item 4, com a identificação das respectivas autoras. O Grupo todo é composto pelas professoras PDE: Leila C. Escudeiro Seifert, Maria Jussara Sobenko Hatum, Maria Aparecida Fernandes, Silvia Tereza Juliani Brandt, Silvia Vilela de Oliveira Rodrigues. 1 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As escolas públicas da Rede Estadual do Paraná estão recebendo computadores através do programa “Paraná Digital” e junto com eles está surgindo a necessidade de se ter conhecimentos e metodologias para sua utilização de forma pedagógica. Diante desta situação, percebemos que é necessário que o professor busque conhecimentos e se atualize para utilizar esse importante recurso (computador) como uma ferramenta pedagógica que o auxilie no ensino de sua disciplina. No ensino da Matemática, o uso do computador poderá proporcionar avanços no processo ensino aprendizagem, contribuindo e desafiando professores e alunos a torná-lo um aliado importante na construção do conhecimento. Segundo VALENTE (1999), a utilização dos computadores na educação é tão remota quanto o advento comercial dos mesmos. O autor afirma que, já em meados da década de 50, apareceram as primeiras experiências do seu uso na educação. No entanto, a ênfase dada nessa época era praticamente a de armazenar informação em uma determinada seqüência e transmiti-la ao aprendiz. Hoje, a proposta para o uso dos computadores na educação é mais diversificada e desafiadora do que simplesmente a de transmitir informação ao aluno. O computador pode ser um auxiliar do processo de construção do conhecimento e utilizado para enriquecer os ambientes de aprendizagem. A simples presença das novas tecnologias não é por si só garantia de maior qualidade na educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional, baseado na recepção e memorização de informações. O uso inteligente do computador na Educação está vinculado à maneira como nós concebemos a tarefa na qual ele será utilizado. Se o utilizarmos como máquina de ensinar, estaremos apenas informatizando os métodos de ensino tradicionais. Contudo, se o computador for utilizado como ferramenta pedagógica, onde ele não é simplesmente o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual este desenvolve, descreve, busca novas estratégias e soluciona situações–problema, estaremos abordando a perspectiva Construcionista. “Na abordagem Construcionista o computador não é o detentor do conhecimento, mas uma ferramenta tutorada pelo aluno e que lhe permite 5 buscar informações em redes de comunicação à distância, navegar entre nós e ligações, de forma não-linear, segundo seu estilo cognitivo e seu interesse momentâneo.” (ALMEIDA, 2000) A autora ainda afirma que nessa perspectiva, é o aluno que coloca o conhecimento no computador e indica as operações que devem ser executadas para produzir as respostas desejadas. Borba e Penteado (2005) afirmam que a relação entre a informática e a Educação Matemática deve ser pensada como transformação da própria prática educativa. De acordo com o Documento das Diretrizes Curriculares de Matemática para a Educação Básica do Estado do Paraná, “O ensino da Matemática trata a construção do conhecimento matemático sob uma visão histórica, de modo que os conceitos devem ser apresentados, discutidos, construídos e reconstruídos e também influenciar na formação do pensamento humano e na produção de conhecimentos por meio das idéias e das tecnologias.” Segundo Borba (1999), no contexto da Educação Matemática, os ambientes de aprendizagem gerados por aplicativos informáticos podem dinamizar os conteúdos curriculares e potencializar o processo de ensino e da aprendizagem voltados à “Experimentação Matemática” com possibilidades do surgimento de novos conceitos e novas teorias matemáticas. As Diretrizes Curriculares de Matemática ressaltam ainda que os recursos tecnológicos sejam eles o software, a televisão, as calculadoras, os aplicativos da Internet, entre outros, têm favorecido as experimentações matemáticas e potencializado formas de resolução de problemas. Borba e Penteado (2005) consideram as ferramentas tecnológicas interfaces importantes no desenvolvimento de ações em Educação Matemática. Destacam que abordar atividades matemáticas com os recursos tecnológicos enfatiza um aspecto fundamental da disciplina, que é a experimentação. De posse dos recursos tecnológicos, os estudantes desenvolvem argumentos e conjecturas relacionadas às atividades com as quais se envolvem e que são resultados dessa experimentação. 6 Torna-se necessário, portanto, buscar meios como softwares matemáticos, e avaliar o potencial de cada um deles para o trabalho pedagógico. Por meio dos softwares educacionais de modelagens ou simulação, os alunos podem ser estimulados a explorar idéias e conceitos matemáticos, antes difíceis de construir com lápis e papel, proporcionando assim, condições para descobrir e estabelecer relações matemáticas. Conforme Gravina e Santarosa (1998), “as novas tecnologias oferecem instâncias físicas em que a representação passa a ter caráter dinâmico, e isto tem reflexos nos processos cognitivos, particularmente no que diz respeito às concretizações mentais.” Como vimos, os pesquisadores apontam a necessidade de o computador ser utilizado nas escolas como ferramenta pedagógica. No entanto, nos sentimos despreparados para essa nova realidade escolar. Existem diversos softwares matemáticos que podem ser utilizados pelo professor para enriquecer a aprendizagem. Dentre eles, citamos Cabri-Géomètre, GeoGebra, Winplot, Régua e Compasso, entre outros. Por ser um software gratuito, com versão em português e funcionar na plataforma Linux, optamos por apresentar neste trabalho atividades matemáticas utilizando o software Geogebra (disponível em www.geogebra.org). Criado pelo prof. Dr. Markus Hohenwarter da Flórida Atlantic University, em 2001, o Geogebra é um software de matemática dinâmica para ser utilizado em Educação Matemática nas escolas de Ensino Fundamental, Médio e Superior que reúne geometria, álgebra e cálculo. O Geogebra é um software disponível na rede para Download e escrito em linguagem Java. Foi traduzido para o português por J. Geraldes e é objeto de estudos de um ex-aluno da Universidade Estadual de Maringá, Humberto José Bortollossi. Segundo Hohenwarter (2007), idealizador do software, “a característica mais destacável do Geogebra é a percepção dupla dos objetos: cada expressão na janela de Álgebra corresponde a um objeto na Zona de Gráficos e vice-versa”. Por um lado o Geogebra possui todas as ferramentas tradicionais de um software de geometria dinâmica: pontos, segmentos, retas e seções cônicas. Por outro lado, equações e coordenadas podem ser inseridas diretamente. Assim, o Geogebra tem a vantagem didática de apresentar, ao mesmo tempo, duas representações diferentes de um mesmo objeto que interagem entre si: sua representação geométrica e sua representação algébrica. 7 É mais uma ferramenta que pode oferecer a oportunidade de dinamizar e consolidar o trabalho pedagógico em matemática. 8 UM POUCO SOBRE GEOGEBRA Figura 1 Fonte: www.augusta-neves.net A proposta deste trabalho é apresentar uma breve introdução às ferramentas do software Geogebra versão 3.0, auxiliando o leitor que não tem familiaridade no manuseio destas ferramentas e propor algumas atividades para serem realizadas com a ajuda do software. Outras informações poderão ser obtidas no menu Ajuda do programa (em inglês) ou no endereço eletrônico www.geogebra.org, onde também é possível fazer o download do programa. No site estão todas as informações sobre instalação e ajuda. Esta primeira parte do material foi inspirada na apostila que esta disponível em: http://www.es.cefetcampos.br/softmat/atividades1/geogebra.pdf A tela do Geogebra A figura abaixo representa a tela do Geogebra: 9 FERRAMENTAS JANELA DE ÁLGEBRA JANELA DE GRÁFICO S LINHA/ENTRADA DE COMANDOS A barra de ferramenta do Geogebra está dividida nas janelas apresentadas abaixo: Cada janela contém várias ferramentas, para selecionar uma função, devemos clicar sobre uma das janelas, lado direito inferior sobre a setinha, e arrastar o cursor para baixo, quando a função desejada estiver selecionada é só dar um clique. 10 Algumas dicas • O item Desfazer no menu Editar é uma ferramenta muito usada para anular as últimas operações, pode-se usar também no teclado ctrl+z (desfazer) e ctrl+y (refazer), esta opção também é encontrada no canto superior da tela . • Cada vez que selecionamos uma ferramenta, o Geogebra dá informações de como proceder para utilizá-la. 11 • O menu “Exibir – Protocolo de Construção“ fornece uma tabela listando todos os passos que você tomou fazendo sua construção. Ele serve para revisar a construção passo a passo utilizando as teclas de seta. Apresentaremos algumas atividades básicas para a familiarização com as principais funções do Geogebra. Atividade 01 1- Nesta atividade serão utilizados a Janela de Álgebra, o Eixo e a Malha. No menu Exibir aparece essas três funções, sempre que precisar, você poderá ativá-las ou desativá-las. 2- Para criar um ponto selecione a ferramenta novo ponto , e dê um clique na área de trabalho. Marque no plano cartesiano cada um dos seguintes pontos: A (2, 1); B (8, 1); C (8, -2) e D (2, -2). Outra forma de marcar os ponto e digitá-los na Caixa de Entrada da seguinte forma: A=(2,1) e teclar Enter. 3- Mude a cor dos pontos. Para mudar a cor do ponto, clique sobre ele com o lado direito do mouse, selecione a opção Propriedades e em seguida a opção Cor. No lado esquerdo dessa janela aparecem os pontos. Clique neles, um a um, e na cor desejada. Para a operação ser concluída, clique em Fechar. 4- Utilizando a ferramenta polígono , clique sobre os pontos e forme o Polígono ABCD. Lembre-se de fechar o polígono no ponto A. 5- Para mudar a cor do polígono, repita o procedimento utilizado para mudar a cor dos pontos, clicando dentro do polígono com o lado direito do mouse. 6- Observe a janela de álgebra. Os dados do polígono também mudaram de cor. O objeto Poly1 traz a medida da área do Polígono P. Os objetos a, b, c, d, são as medidas dos lados deste polígono. 7- A intensidade da cor do preenchimento do polígono pode ser alterada, clique dentro dele com o lado direito do mouse, a seguir, clique em Propriedades escolha a opção Estilo, movimente com o mouse a seta de Preenchimento que pode intensificar ou diminuir sua cor. 12 8- Para mover ou arrastar um objeto, selecione a ferramenta mover , clique no polígono e arraste para o local desejado. Agora clique sobre um dos pontos e mova. Clique sobre um dos lados e mova. 9- Caso queira salvar a atividade realizada, abra o menu Arquivo clique na opção Gravar. Atividade 02 1- Abra um arquivo novo clicando em Arquivo, na janela que surge selecione Novo. 2- Nesta atividade, não utilizaremos a Janela de Álgebra, Malha e nem o Eixo. A Janela de Álgebra também pode ser fechada, clicando no x que aparece em seu canto superior direito. 3- Construa uma reta utilizando a ferramenta Reta definida por dois pontos , selecione a ferramenta e depois clique em dois lugares quaisquer no plano. 4- Renomeie os pontos A e B para C e D. Para isso, clique sobre o ponto com o lado direito do mouse, abrirá uma janela, selecione a opção Renomear. Digite a letra que você identificará o ponto e clique em Aplicar. 5- Nomine a reta como r. Se a letra não aparecer, clique com o lado direito do mouse sobre a reta e selecione Exibir rótulo. 6- Mude a cor da reta. (Use o mesmo procedimento utilizado para mudar a cor dos pontos e do polígono). 7- Modifique a espessura da reta. Clique sobre ela com o lado direito do mouse, selecione Propriedades e na função Estilo podemos aumentar ou diminuir a espessura da reta movendo a seta correspondente. Também nesta janela pode-se mudar o estilo da reta para pontilhado. 8- Construa um novo ponto fora da reta e represente-o pela letra P. 9- Construa uma reta paralela à reta r passando pelo ponto P. Clique na ferramenta Reta paralela , a seguir clique na reta r e no ponto P (ou vice-versa). 13 10- Movimente a reta r clicando em um de seus pontos e observe o que acontece com a reta paralela. Atividade 03 1- Abra um arquivo novo. 2- Para esta atividade, não utilizaremos a Janela de Álgebra e o Eixo. 3- Selecione a opção Segmento definido por dois pontos e construa o segmento AB, nomine como a. 4- Marque o ponto médio deste segmento. Selecione a opção Ponto médio ou centro e clique nos pontos A e B. 5- Trace uma reta perpendicular ao segmento AB, passando pelo ponto médio C. Selecione a ferramenta Reta perpendicular ,clique no segmento e no ponto C. 6- Desenhe um triângulo ao lado da reta criada. Selecione a opção Polígono . 7- Para Construir um triângulo congruente a este. Selecione a opção Reflexão com relação a uma reta . Clique sobre o triângulo construído e depois sobre a reta. Aparecerá um triângulo congruente ao primeiro. 8- Mude sua cor. 9- Observe na Janela de Álgebra e compare as medidas dos lados dos dois triângulos. 10- Movimente a reta e os triângulos. Atividade 04 1- Abra um arquivo novo. 2- Nesta atividade, não utilizaremos as opções Janela de Álgebra e Eixo. 14 3- Construa duas semi-retas de mesma origem. Selecione a opção Semi-reta definida por dois pontos . Clique em dois pontos distintos na área de trabalho. Usando o mesmo procedimento, construa a semi-reta AC. 4- Marque o ângulo formado pelas duas semi-retas. Selecione a ferramenta Ângulo e clique sobre os pontos no sentido horário. 5- É importante destacar que duas semi-retas, determinam dois ângulos, e que para marcar o ângulo interno você deve selecionar a ferramenta Ângulo e clicar nos pontos no sentido horário, BÂC (como ilustra a figura abaixo), o segundo ponto sempre será o vértice. Caso queira marcar o ângulo externo você deverá clicar nos pontos CÂB, nesta ordem. 6- Movimente os pontos para aumentar ou diminuir o ângulo. Atividade 05 5- Abra um arquivo novo 6- Nesta atividade, utilizaremos a Janela de Álgebra. Desative a opção Eixo. 7- Construa um triângulo qualquer. 8- Marque os ângulos internos desse triângulo. 9- Clique com o cursor na caixa de comando Entrada que fica no canto inferior esquerdo da Janela. Digite a soma α+β+γ e pressione a tecla Enter. Essas letras 15 encontram-se à direita desta entrada. Dê um clique na letra correspondente a um dos ângulos e esta aparecerá na caixa de entrada. 10- Observe que na janela de álgebra aparecerá a soma δ que é o valor de α+β+γ . 11- Mova os vértices e observe os ângulos na janela algébrica. Atividade 06 1- Abra um arquivo novo. 2- Nesta atividade utilizaremos a Janela de Álgebra e o Eixo. 3- Digite na caixa de entrada a função F(x)=-2x-1 e pressione a tecla Enter. Surgirá o gráfico na área de trabalho e sua função na janela algébrica. 4- Mude a cor da reta. 5- Digite na caixa de entrada G(x)=x^2+6x+1e pressione a tecla Enter. Sempre que for digitar um expoente digite o acento (^) antes. 6- Para ajustar a posição do gráfico, selecione a opção , Deslocar eixo. Com essa ferramenta selecionada é só clicar na área de trabalho que você moverá toda a área de trabalho e não apenas a figura. 7- Com a ferramenta Interseção de dois objetos ativada, clique sobre a parábola e depois na reta. 8- Aparecerão na Janela algébrica as coordenadas destes pontos. Atividade 07 1- Construa um hexágono, selecione a ferramenta , polígono regular, e clique em dois pontos no plano, na janela que abrirá digite 6 que é o número de lados do polígono. 2- Trace a mediatriz do lado AB do hexágono. Utilize a ferramenta Mediatriz e clique sobre os pontos A e B. Com o mesmo procedimento construa a mediatriz do lado BC. 16 3- Marque a interseção dessas duas mediatrizes. Renomeie esse ponto de interseção para O (centro do polígono) 4- Selecione a ferramenta Circulo definido pelo centro e um de seus pontos . Clique no ponto O e sobre um dos vértices do polígono. 5- Para esconder as mediatrizes, clique com o lado direito do mouse sobre a mediatriz e selecione Exibir objeto. 6- Para construir uma circunferência com um raio determinado, utilize a ferramenta Segmento definido por dois pontos e clique em dois pontos quaisquer na área de trabalho. Esta medida corresponde a abertura de um compasso (raio). 7- A medida deste segmento pode ser apresentada também com seu valor, para isso clique com o lado direito do mouse selecione Propriedades e na função Exibir rótulo selecione Nome & Valor. Aparecerá o rótulo i seguido de sua medida. 8- Construa uma circunferência usando a ferramenta circulo dados centro e raio , clique sobre um ponto qualquer fora do polígono e digite i na janela que abrirá pedindo a medida do raio. 9- Com a ferramenta Mover clique em um dos pontos do segmento i e ajuste a medida que desejar. Observe o que acontece com o circulo. 10- Vamos transportar o polígono para um documento qualquer (Word). 11- Você pode ajustar o polígono na posição e tamanho que quiser antes de transportá- lo, basta clicar em Mover, e clicar nos pontos em azul, que são objetos livres da construção. Com este botão selecionado também é possível mover os rótulos dos objetos. 12- Você também pode ampliar ou reduzir as figuras com os botões e respectivamente, após selecionar os botões é só clicar na área de trabalho, você estará alterando toda a área de trabalho e não só a figura. 17 13- Para ajustar a posição, você ainda tem a opção , Deslocar eixo, com essa ferramenta selecionada é só clicar na área de trabalho e arrastar que moverá toda a área de e não apenas a figura. 14- Selecione a figura que será transportada (polígono). Para isso clique na ferramenta , clique em um ponto próximo a figura e arraste o cursor formando um retângulo onde a figura ficará inscrita. 15- Com o polígono selecionado abra o menu Arquivo, selecione a opção Exportar e depois clique em Copiar para a área de transferência. 16- Feito isso é só abrir o documento para onde a figura será transportada, e pressionar as teclas Ctrl+V ou a opção Colar. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M.E. – Proinfo: Informática e formação de professores / Secretaria de Educação a Distância. vol. 1 e 2, Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000. BORBA, M.C.- Tecnologias informáticas na educação matemática e reorganização do pensamento. In: BICUDO, M.A.V. (org.). Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: UNESP, 1999. p.285 – 295. BORBA, M.C. & PENTEADO, M.G.– Informática e Educação Matemática, Belo Horizonte: autêntica, 2005. 18 CEFET- Centro Federal de Educação Tecnológicas de Campos. Software GeoGebra, disponível em: http://www.es.cefetcampos.br/softmat/atividades1/geogebra.pdf. GRAVINA, M. A.; SANTAROSA, L. M.- A aprendizagem da Matemática em Ambientes Informatizados. IV Congresso RIBIE. Brasília. 1998. Disponível em: <http://euler.mat.ufrgs.br/~edumatec/artigos/a1.pdf >. Acesso em: 04/05/2007 HOHENWARTER, Markus - GeoGebra Quickstart: Guia rápido de referência sobre o GeoGebra, disponível em: <http://www.mtm.ufsc.br/~jonatan/PET/geogegraquickstart_pt.pdf>. Acesso em: 20/06/2007. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Diretrizes Curriculares de Matemática para a Educação Básica. Curitiba, 2006. VALENTE, J.A. – O computador na sociedade do conhecimento, Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999. 19 CONSTRUÇÕES BÁSICAS NO GEOGEBRA Apresentamos neste item, conjuntos de atividades elaboradas individualmente pelos professores PDE, orientados pela professora Marcia Maioli. Cada conjunto aborda conteúdos matemáticos selecionados pelo respectivo professor de acordo com seus interesses, dada a sua área de atuação. QUADRILÁTEROS Maria Aparecida Fernandes2 Márcia Maioli3 Se formos pesquisar na História da Matemática encontraremos estudos sobre os quadriláteros desde as antigas civilizações. Esses estudos, geralmente, estiveram ligados às necessidades de calcular áreas e, não há registros de que os matemáticos tenham encontrado grandes dificuldades com esses cálculos. O objetivo desse trabalho é desenvolver um estudo sobre quadriláteros utilizando o software Geogebra como ferramenta pedagógica. Apresentamos algumas sugestões de atividades em que o aluno poderá construir a representação do objeto matemático e utilizar-se das ferramentas do software para que a representação construída passe a ter um caráter dinâmico. Ao utilizarmos esse suporte tecnológico estaremos favorecendo a exploração, levantamento e aprimoramento de conjecturas visando à gradativa construção de uma teoria matemática formalizada. 2 3 Professor da Rede Pública de Ensino do Estado do Paraná e-mail: [email protected] Professor do CRC/UEM e-mail: [email protected] 20 O estudo dos quadriláteros é interessante porque através dele podemos abordar vários conteúdos geométricos. Do ponto de vista geométrico, podemos nos perguntar: O que é um Quadrilátero? Encontramos nos livros didáticos as seguintes definições: 1- “Quadrilátero é um polígono de quatro lados”. (BONGIOVANNI, 1997). 2- “Um quadrilátero é a reunião de quatro segmentos cujas extremidades são quatro pontos coplanares não-situados numa mesma reta”. (LONGEN, 2004). 3- “...são figuras formadas por quatro pontos A, B, C e D (três a três não colineares) e pelos segmentos de reta AB , BC , CD e DA tais que os segmentos podem se interceptar somente em seus extremos. Os pontos A, B, C e D são chamados de vértices do quadrilátero.”(GERÔNIMO E FRANCO, 2005) Adotaremos neste trabalho a definição dada por GERÔNIMO e FRANCO. Se observarmos diferentes livros de Matemática, iremos perceber que os autores usam notações diferentes para representar um objeto matemático, por isso, antes de iniciarmos as atividades no Geogebra, vamos estabelecer as notações e símbolos que serão utilizados nas mesmas: -Para designar pontos: letras maiúsculas A, B, C,...; -para designar retas: letras minúsculas r, s, t,...; -para designar segmentos definidos por dois pontos: AB ; -para designar medida de um segmento AB : AB; - em triângulo com vértices nos pontos E, H e G; (para o ângulo formado pelas semi-retas SEH e SEG), por exemplo: HÊG. -para indicar congruência: o sinal “≡”. ATIVIDADE 1: Objetivos: -Identificar quadrilátero e suas notações. - Observar o número de pares de lados paralelos de um quadrilátero. -Observar as várias formas de designar um polígono. 1. Abrir um arquivo novo e ativar as funções, Eixo, Malha e Janela Algébrica. 21 2. Localizar os pontos: A(1,8); B(3,7); C(5,8); D(3,9); E(-5,1); F(-4,2); G (-2,2); H (-3,1); I (2,2); J (5,2); K (5,3); L (2,4); M (5,-2); N (6,-3), O (8,-4); S (8,-2); U (9,6); V (9,3); W(11,3); Y (11,6). 3. Criar os polígonos: ABCD; EFGH; IJKL; MNOS, UVWY. 4. Os polígonos ABCD e CDAB representam o mesmo quadrilátero? 5. Observe os polígonos formados, considerando o número de pares de lados paralelos que possuem. O que você constatou? 6. Procure em alguns livros o significado dos termos: paralelogramo e trapézio. Orientações didáticas: Nesta atividade espera-se que os alunos percebam que existem quadriláteros com dois pares de lados paralelos, com apenas um par e, quadriláteros sem nenhum par de lados paralelos. É provável que surjam questionamentos sobre as diferentes definições de trapézio encontradas nos livros didáticos, mas, esta questão será discutida na atividade 3. Eles deverão perceber que se não ligarmos os vértices na ordem em que o polígono está designado poderão formar outra figura. ATIVIDADE 2: Objetivos: -Verificar e demonstrar que a soma dos ângulos internos de qualquer quadrilátero convexo é 360º. -Identificar os lados, ângulos, vértices e as diagonais de um quadrilátero. 1. Abra um arquivo novo sem Eixo e sem Malha. 2. Marcar quatro pontos na área de trabalho: A, B, C e D. 3. Construir o quadrilátero (convexo) ABCD. Verificar se a figura formada é um quadrilátero convexo. Caso não seja, mover os pontos. 4. Quais são os lados e os vértices do quadrilátero? 5. Quais são as diagonais desse quadrilátero? 22 6. Marcar os ângulos internos desse quadrilátero. 7. Verificar, com o Geogebra, o valor da soma destes ângulos. Para isto, você pode clicar com o cursor na caixa de comando Entrada que fica no canto inferior esquerdo da janela. Digitar a soma α+β+γ+δ (letras que identificam os ângulos internos) e pressionar a tecla Enter. Essas letras encontram-se à direita desta entrada. Clicar na letra correspondente a cada um dos ângulos e esta aparecerá na caixa de entrada. Observar que na janela de álgebra aparecerá a soma ε =. α+β+γ+δ. 8. Mover um dos pontos e observar o que acontece com essa soma. Anote suas observações. Como pudemos observar na Janela de Álgebra, as medidas dos ângulos se alteravam ao movimentarmos os vértices do quadrilátero, mas a soma dos ângulos permaneceu inalterada. Podemos levantar uma conjectura: A soma dos ângulos internos de qualquer quadrilátero é 360º. Para podermos generalizar essa propriedade temos que demonstrá-la. Demonstração: Consideremos um quadrilátero (convexo) qualquer ABCD. Traçamos uma diagonal e ele ficará dividido em dois triângulos justapostos. Sabemos que a soma das medidas dos ângulos internos de um triângulo é sempre 180º. Então, dados o triângulo ABC, sejam α, β e γ as medidas dos ângulos internos. Seja r a reta que passa por B paralela ao lado AC. Temos no desenho abaixo que: 23 α = α’ (alternos internos) (1) β = β’ (alternos internos) (2) α’ + γ + β’ = 180º (3) Logo de (1), (2) e (3), temos: α + β + γ = 180º Como o quadrilátero está dividido em dois triângulos, a soma das medidas dos ângulos é igual a 360º. Depois de demonstrada, uma conjectura adquire o status de Teorema. Orientações didáticas Abrir uma discussão reforçando que quadriláteros “...são figuras formadas por quatro pontos A, B, C e D (três a três não colineares) e pelos segmentos de reta AB , BC , CD e DA tais que os segmentos podem se interceptar somente em seus extremos. Os pontos A, B, C e D são chamados de vértices do quadrilátero.”(GERÔNIMO E FRANCO, 2005) Espera-se que o aluno identifique os elementos de um quadrilátero. 24 TRAPÉZIOS Sobre trapézios, encontramos as seguintes definições nos livros didáticos: 1- “É um quadrilátero que tem dois lados paralelos.” (MATSUBARA E ZANIRATTO, 2002). 2- “Quadriláteros que têm um par de lados paralelos.” (PROMAT,1999) 3- “É todo quadrilátero que tem apenas dois lados paralelos.” (ISOLANI...et al.,2002) Observando essas definições, propomos um questionamento: Qual a diferença entre elas? Como podemos observar nas definições acima, não há consenso entre os autores sobre a definição de trapézio, pelo fato de não haver vantagens nem desvantagens claras para adotar uma ou outra definição. (TINOCO, 1999, Apud. MAIOLI, 2002). Nesse estudo adotaremos as definições (1) e (2), pois nos baseamos no livro Geometria Plana e Espacial - Um estudo Axiomático, dos autores J. R. Gerônimo e V. S. Franco. Alguns trapézios, devido às suas características, recebem nomes especiais: -Trapézio isósceles: o que tem os dois lados não paralelos congruentes. -Trapézio retângulo: o que tem dois ângulos retos. ATIVIDADE 3: Objetivos: -Construir um trapézio retângulo. -Identificar as bases de um trapézio. -Reconhecer que o trapézio retângulo tem dois ângulos retos. 1. Abrir um arquivo novo. Sem Eixo, Malha nem Janela de Álgebra. 2. Traçar uma reta t, horizontal. Obs. Para nomear uma reta, clique com o lado direito do mouse sobre ela e selecione Exibir Rótulo. Para renomear um objeto, clique novamente com o botão direito do mouse em Renomear, digite a letra desejada e clique em Aplicar. Para nomear um ponto, o procedimento é o mesmo da reta. 25 3. Traçar uma reta s perpendicular à reta t, passando pelo ponto A. 4. Marcar sobre a reta s um ponto C. 5. Traçar uma reta u, paralela a t passando pelo ponto C. 6. Marcar o ponto D sobre a reta u, não coincidente com o ponto C e a direita do mesmo. 7. Esconder as retas t, s e u. 8. Traçar um polígono ligando os pontos ACDB. 9. Observando o polígono, que lado você escolheria para chamar de base? 10. Marcar os ângulos internos do polígono. 11. Exibir o valor da medida dos ângulos. Obs. Clique com o botão direito do mouse sobre um dos ângulos e selecione Propriedades, depois, Exibir Rótulo e em seguida Valor, depois clique em Aplicar e aparecerá a medida do ângulo selecionado. Repita a mesma operação sobre cada ângulo do polígono. 12. .Movimentar os vértices do polígono. Registrar suas observações. 13. O que se pode observar em relação aos ângulos? Orientações Didáticas Discutir com os alunos se é possível obter um trapézio com apenas um ângulo reto. Deixar que experimentem com o Geogebra. Não deixar de discutir sobre os lados do trapézio que podem ser escolhidos para bases. Comentar que os autores escolhem os lados paralelos, provavelmente pelo fato da distância entre esses dois lados ser constante, facilitando definir a altura. (MAIOLI, 2002) 26 ATIVIDADE 4: Objetivos: -Construir um trapézio isósceles. -Observar as relações entre as medidas dos ângulos internos do trapézio isósceles. - Conjecturar e demonstrar que os ângulos opostos são suplementares. - Conjecturar e demonstrar que os ângulos das bases são congruentes. 1. Abrir um arquivo novo. Sem Eixo, Malha nem Janela de Álgebra. 2. Construir um círculo com centro em A e raio AB . 3. Construir um círculo com centro em B e raio AB . 4. Traçar um terceiro círculo com centro C e raio BC , de forma que os pontos A, B e C fiquem alinhados. 5. Utilizar a função Novo Ponto, marcar os pontos D e E na intersecção entre os três círculos, acima dos pontos A, B e C. 6. Esconda os três círculos e o ponto B. Obs. Para esconder um objeto, clique com o botão direito do mouse sobre a opção Exibir/Esconder Objeto, clique com o botão esquerdo do mouse sobre os objetos que você desejar esconder e clique com o lado esquerdo do mouse na ferramenta Mover. 7. Construir o polígono ADEC. 8. Marcar os ângulos do polígono. 9. Exibir a medida dos ângulos do polígono. O que se observa a respeito dos ângulos do polígono? 10. Movimentar os vértices do polígono, de modo que a figura permaneça sendo um trapézio isósceles. Registrar suas observações sobre os ângulos do polígono. 11. Qual o valor de:  + Ê ? e Ĉ + D̂ ? Será que este resultado vale para qualquer trapézio? ∧ Conjectura: “Dado um quadrilátero EFGH, se EF é paralelo a GH , então  + D̂ = B + Ĉ = 180º. Demonstração: Utilizando as propriedades de ângulos definidos por duas retas paralelas e uma transversal. 27 Dado um quadrilátero EFGH, temos: Como EF // GH e EH é transversal a EF e GH podemos afirmar que α + β’ = 180º. Como EH e FG também são paralelas e EF é transversal a EH e FG , logo α + β = 180º, logo α = 180º - β. Substituindo em: β’ + α = 180º β’ + 180º - β = 180º β’ = 180º -180º + β β’ = β Da mesma forma podemos concluir que α = α’. 12. Observe também os ângulos das bases. Será que em qualquer trapézio os ângulos das bases são congruentes? 13. Traçar um segmento unindo os pontos C e D. 14. Traçar um segmento unindo os pontos A e E. 15. Comparar as medidas dos segmentos CD e AE . O que podemos afirmar a respeito das diagonais do trapézio? 16. Traçar uma reta a perpendicular ao lado DE , passando pelo ponto D. 17. Traçar uma reta b perpendicular ao lado DE , passando pelo ponto E. O que podemos observar em relação aos triângulos: ADI e BEJ? Eles são congruentes? Por quê? Conjecturas: “Se um trapézio é isósceles, então os ângulos de uma mesma base são congruentes”. “Se um trapézio é isósceles, então as suas diagonais são congruentes”. Demonstração: 28 Temos que AA 2 = BB 2 ; Os triângulos, AA2D e BB2C são retângulos, respectivamente, em A2 e B2; BC = AD , pois, o trapézio é isósceles. Assim, por congruência de triângulo retângulo, temos que AA2D e BB2C são congruentes. ∧ Façamos que x = DÂA2 e y = B2 B C. Como os triângulos AA2D e BB2C são congruentes, temos que x = y. Além disso,  = 90º + x ∧ B = 90º + y = 90º + x = Â, ∴ ∧ Â≡ B. ∧ Considerando os triângulos ABD e ABC, temos AD = BC,  ≡ B e o lado AB comum. ABC ≡ ABD (pelo caso LAL), sendo assim AC = BD. Seja ABCD um trapézio isósceles com AB // CD . Se A2 e B2 são, respectivamente, as interseções das perpendiculares a CD passando por A e B, então AA2 = BB2. Seja ABCD um trapézio isósceles, com AB // CD . Se A2 e B2 são, respectivamente, as intersecções das perpendiculares a CD passando por A e B, então, os triângulos AA2D e BB2C são congruentes. Assim, se um trapézio é isósceles, então os ângulos de uma mesma base são congruentes e suas diagonais são congruentes. 29 Orientações Didáticas: Espera-se com essa atividade que o aluno observe que: -Os ângulos de cada base de um trapézio isósceles são congruentes. -Os ângulos opostos são suplementares. -As diagonais de um trapézio isósceles são congruentes. -Os lados não paralelos do trapézio isósceles são congruentes. Comentar sobre congruência de triângulos, e que os triângulos são congruentes pelo caso LAL (lado, ângulo, lado). -Os lados paralelos do trapézio são denominados bases. No trapézio DECA construído, a base maior é o segmento AC e a base menor é o segmento DE . Caso haja necessidade o professor deverá retomar os conteúdos propriedades dos ângulos definidos por duas retas paralelas e uma transversal e casos de congruência de triângulos. PARALELOGRAMOS São quadriláteros que têm dois pares de lados paralelos. Os paralelogramos são estruturas onde o movimento das partes envolvidas deve ser em paralelo. São muito utilizados na prática e podem ser encontrados em diversos lugares tais como: janelas basculantes, persianas, balanças, caixas de ferramentas, macacos de veículos, entre outros. ATIVIDADE 5: Objetivos: 30 -Construir paralelogramos e explorar suas propriedades com o auxílio do software geogebra. -Fazer conjecturas e demonstrar a congruência entre os ângulos opostos e lados opostos de um paralelogramo. -Fazer conjectura e demonstrar que as diagonais de um paralelogramo se interceptam no ponto médio. 1. Abrir um arquivo novo. Sem Eixo, Malha nem Janela de Álgebra. 2. Traçar uma reta AB . 3. Nomear a reta traçada de a. 4. Traçar uma reta b paralela à reta a. 5. Traçar uma reta c, transversal às retas a e b, passando pelos pontos A e C. 6. Traçar uma reta d e paralela à reta c, passando pelo ponto B. 7. Marcar as intersecções entre elas para formar o quarto vértice, ponto D. 8. Traçar o polígono passando pelos quatro vértices formados. 9. Movimentar a figura clicando sobre cada ponto. Em todos os pontos é possível movimentar a figura? Ao movimentar a figura ela deixa de ser um paralelogramo? Registrar suas observações. 10. Esconder os objetos, deixando o polígono e os pontos A, B, C e D. 11. Comparar as medidas dos lados opostos. O que você observa? Podemos com essa observação levantar a conjectura de que os lados opostos de um paralelogramo são congruentes, mas, para garantirmos isso, temos que demonstrar. “Se um quadrilátero tem os lados opostos congruentes, então é um paralelogramo”. Demonstração: O desenho acima representa o paralelogramo IJKL. Consideremos a diagonal IK . 31 ∧ ∧ Como IJ // KL então I J K ≡ I L K ∧ Como IL // JK então KÎL ≡ I K J Temos também que IK é comum aos triângulos IJK e KLI, então esses triângulos são congruentes. Logo, IL ≡ JK e IJ ≡ KL . 12..Marcar os ângulos internos do polígono, clicando sobre os pontos no sentido horário. O que podemos observar em relação aos ângulos? Mova os vértices e observe o que acontece com os ângulos opostos. O que você observou? Será que em todos os paralelogramos acontece a mesma coisa? A observação que os ângulos opostos de qualquer paralelogramo são congruentes é uma conjectura. Para termos certeza precisamos demonstrar. “Se o quadrilátero EFGH é um paralelogramo, então seus ângulos opostos são congruentes”. Demonstração: Dado o paralelogramo abaixo: Como j // m e i é transversal à j e m, temos que α = α’. Como i // h e m é transversal a i e h, temos que α’ = α”. Analogamente, concluímos que β = β’. 13. Traçar um segmento, ligando dois vértices não consecutivos do polígono. 14. Achar o ponto médio do segmento. 15. Traçar outro segmento unindo os outros dois vértices não consecutivos. O que você construiu? O segundo segmento traçado passou pelo ponto médio? Mova os vértices e observe o que acontece com a intersecção das diagonais. 32 Conjectura: “Se o quadrilátero ABCD é um paralelogramo, então suas diagonais se interceptam em seus pontos médios”. Demonstração: O desenho acima representa um paralelogramo ABCD. Considerando a diagonal AC, temos: ∧ ∧ BÂC ≡A C D e DÂC ≡ B C A Considerando a diagonal BD, temos: ∧ ∧ A B D ≡ B D C. Notemos que os triângulos: ABE e CDE são congruentes (ALA), assim AE = EC e BE = DE . Logo, E é o ponto médio das diagonais AC e BD . 16. Movimentar novamente o polígono, observando os ângulos. Tente fazer com que todos os ângulos fiquem com a mesma medida? Que medida é essa? Quando deixamos os quatro ângulos internos de um paralelogramo congruentes caímos em um caso particular de paralelogramo que é o retângulo. Orientações Didáticas: 33 Iniciar uma discussão com os alunos a respeito das observações que eles fizeram, levando-os a perceber as propriedades do paralelogramo, que são: -Lados e ângulos opostos congruentes dois a dois; -Diagonais se interceptam no ponto médio e possuem medidas diferentes; RETÂNGULO Se a interseção de duas retas formarem quatro ângulos congruentes então, as retas são perpendiculares entre si. E os ângulos são chamados “retos”. Todo quadrilátero que apresentar quatro ângulos retos é chamado retângulo. Então para construirmos um retângulo é necessário garantirmos que seus ângulos sejam retos, e para que os ângulos sejam retos é necessário que tracemos retas perpendiculares. Nesta atividade iremos aprofundar nossos conhecimentos com relação a este polígono. Com a ajuda do Geogebra construiremos esse quadrilátero e discutiremos suas propriedades. ATIVIDADE 6: Objetivos: -Construir um retângulo com o auxílio do Geogebra. -Levantar conjecturas a respeito das propriedades do retângulo. -Compreender que o retângulo é um paralelogramo com os quatro ângulos retos. 1. Iniciar um arquivo novo. Sem Eixo, Malha nem Janela de Álgebra. 2. Marcar dois pontos, A e B, na área de trabalho. 3. Construir uma reta r passando por A e B. 4. Construir uma reta t perpendicular a r, passando pelo ponto B. 5. Marcar um ponto C sobre a reta t não coincidente com o ponto B. 6. Construir uma reta s, paralela a r, passando por C. 7. Construir uma reta u, paralela a t, passando por A. 34 8. Marcar a interseção entre as retas, u e s. Nomear como ponto D. 9. Ocultar as retas. 10. Selecionar a ferramenta Polígono e construir o polígono com os vértices A, B, C e D. 11. Com a ferramenta Relação entre dois Objetos , comparar os lados opostos do quadrilátero, Mover os vértices do retângulo e observar o que acontece com os lados opostos. Além das medidas o que mais se pode observar com relação a esses lados? 12. Registrar suas observações. 13. Marcar os ângulos internos no polígono 14. Pedir para exibir o valor dos ângulos internos. 15. Registrar suas observações, quanto aos ângulos formados. 16. Movimentar os vértices do polígono e observar. 17. Com a ferramenta “Segmento de reta” selecionada, traçar a diagonal AC . 18. Marcar o ponto médio do segmento AC . 19. Traçar a diagonal BD . Qual é o ponto de interseção dessas diagonais? 20. Com a ferramenta Relação entre dois objetos, comparar as duas diagonais. O que você observa? Conjectura: “Se o paralelogramo ABCD é um retângulo, então suas diagonais são congruentes”. Demonstração: 35 Considerando o desenho acima, temos que os triângulos ADC e BDC são congruentes, pois, AD ≡ BC , CD é comum e D̂ ≡ Ĉ (LAL). Logo, AC ≡ BD , ou seja, suas diagonais são congruentes. 21. Registrar com suas palavras todas as propriedades apresentadas pelo retângulo. Orientações didáticas Antes de iniciar a atividade seria interessante discutir qual é o conhecimento prévio que se tem sobre o polígono retângulo. Após atividade realizada abrir uma discussão com as observações registradas no item 21, levando-os a concluírem que: -Um retângulo é um quadrilátero que tem todos os seus ângulos retos; -Um retângulo é um paralelogramo, pois apresenta lados opostos paralelos. -As diagonais do retângulo são congruentes e se interceptam em um ponto, que é ponto médio de ambas. Reforçar aos alunos que o retângulo é um caso particular de paralelogramo. LOSANGO 36 Existe também um caso particular de paralelogramo que possui todos os lados congruentes. Esse paralelogramo é denominado de losango. ATIVIDADE 7: Objetivos: -Construir um quadrilátero com lados congruentes com o auxílio do Geogebra -Fazer conjecturas sobre a posição das diagonais do losango. -Demonstrar que as diagonais do losango são perpendiculares e que as diagonais coincidem com as bissetrizes dos ângulos internos. 1. Abrir um arquivo novo. Sem Eixo, Malha nem Janela de Álgebra. 2. Construir um círculo definido por dois pontos, com centro em A e raio AB . 3. Traçar outro círculo com centro em B e raio BA . 4. Marcar a intersecção entre os dois círculos, que serão os pontos C e D. 5. Ocultar os círculos, deixando somente os pontos A, B, C e D. 6. Construa o polígono ACBD, selecionando a função Polígono. 7. Comparar as medidas dos lados do polígono. O que se observa? Faça suas anotações. 8. Marcar os ângulos internos do polígono. Exibir o valor dos ângulos. Observe e anote. 9. Traçar um segmento unindo os pontos A e B. 10. Marcar o ponto médio do segmento AB . 11. Traçar o segmento CD . Observe a intersecção e as medidas desses segmentos e anote. 12. Marcar os ângulos formados pelas diagonais. O que se observa? 13. E quanto aos ângulos Â, ∧ B , Ĉ e D̂ . O que acontece com eles quando traçamos as diagonais? Com essa atividade, levantamos as seguintes conjecturas sobre as diagonais de um losango: Conjectura: “Se ABCD é um losango, então suas diagonais são bissetrizes dos ângulos internos e são perpendiculares”. 37 Demonstração: Seja o quadrilátero ABCD, abaixo: Seja: Δ1 Δ4 ≡ Δ 2 (caso LLL), Δ3 (caso LLL), ≡ α ∴ δ ∴ Δ2 ≡ Δ3 (caso LLL), ∴ Δ1 ≡ Δ4 (caso LLL), ∴ γ π ≡ ≡ β , logo Δ ΒD é bissetriz do ângulo ∧ B ∧ ω, logo BD é bissetriz do ângulo D ∧ θ, logo AC é bissetriz do ângulo C ≡ ≡ φ , logo AC é bissetriz do ângulo ∧ A Diagonais perpendiculares. Como os quatro triângulos são congruentes, os quatro ângulos com vértices em M também são congruentes. Se a soma das medidas é 360°, cada um mede 90°. Orientações didáticas Iniciar uma discussão com os alunos a respeito das observações que eles fizeram, levando-os a perceber as propriedades do losango, que são: -Quatro lados congruentes; -Diagonais se cruzam perpendicularmente formando ângulos retos. -As diagonais são bissetrizes dos ângulos internos. Como todo losango é também um paralelogramo, todas as propriedades dos paralelogramos são herdadas pelos losangos. 38 QUADRADO É um quadrilátero que tem os quatro lados congruentes e os quatro ângulos retos. O quadrado é mais um caso particular do paralelogramo, também é um caso particular do retângulo e do losango. ATIVIDADE 8: Objetivos: -Construir um paralelogramo de quatro lados e quatro ângulos congruentes com o auxílio do Geogebra. -Verificar que um quadrado é ao mesmo tempo, um retângulo e um losango. 1. Abra um arquivo novo. 2. Com o auxílio da ferramenta Círculo Definido pelo Centro e um de seus Pontos, construir um círculo. No centro ficará marcado o ponto A e na extremidade da circulo o ponto B. 3. Trace uma reta r definida por dois pontos, passando pelos pontos A e B. 4. Marcar o ponto C na intersecção do círculo com a reta r. 5. Traçar uma reta s perpendicular a CB passando pelo ponto A. 6. Marcar a intersecção da reta s com o círculo. Pontos D e E. 7. Ocultar o círculo e as retas r e s e o ponto A. 8. Traçar o polígono CDBE. 9. Comparar as medidas dos lados do polígono. 10. Marcar os ângulos internos do polígono. Exibir o valor dos ângulos. Mova os vértices e observe o que acontece com os lados e com os ângulos. 11. Traçar o segmento CB . 39 12. Marcar o ponto médio desse segmento. 13. Traçar o segmento DE . Os dois segmentos se cruzaram no ponto F? 14. Compare a medida dos segmentos CB e DE . Mova os vértices. O que se pode observar? 15. O que o quadrado tem em comum com o retângulo? E com o losango? O quadrado pode ser um retângulo? O quadrado pode ser um losango? Orientações didáticas Nessa atividade espera-se que o aluno perceba que: - As diagonais do quadrado são perpendiculares (losango) e congruentes (retângulo). -As diagonais do quadrado são bissetrizes dos ângulos internos; CONSIDERAÇÕES FINAIS As atividades contidas neste trabalho foram realizadas individualmente e foram testadas pelo grupo de professores orientados pela professora MS. Marcia Maioli. Verificamos que a aprendizagem dos conceitos matemáticos que tratamos, fica facilitada quando é possível visualizar, manipular, modificar, trabalhar em diferentes formas de registros e tratá-los de forma dinâmica. Percebemos que o software Geogebra proporciona a oportunidade de conjecturar sobre o que está sendo construído na tela do computador, pois este permite movimentar as construções realizadas, quando apenas o uso de régua e compasso não permite. Nenhuma das atividades apresentadas foi testada com alunos. A proposta é trabalhar com elas em 2008, na intervenção na escola, momento em que elas poderão ser alteradas. REFERÊNCIAS 40 BARBOSA, João Lucas Marques. Geometria Euclidiana Plana. Rio de Janeiro, RJ: Sociedade Brasileira de Matemática, 2006. BONGIOVANNI, Vincenzo; VISSOTO LEITE, Olímpio Rudinim; LAUREANO, José Luiz Tavares. Matemática e Vida. São Paulo-SP: Editora Ática, 1997. GRASSESCHI, Maria Cecília C.; ANDRETTA, Maria Capucho; SILVA, Aparecida Borges dos Santos. Coleção Promat: projeto oficina de matemática. São Paulo: FTD, 1999. GERÔNIMO, João Roberto; FRANCO, Valdeni Soliani. Geometria Plana e Espacial: Um Estudo Axiomático. Maringá, PR: Massoni, 2005. IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo; POMPEO, José Nicolau. Fundamentos de Matemática Elementar. São Paulo; Atual, 1985. ISOLANI, Clélia Maria Martins...et al..Construindo o Conhecimento, Matemática 5ª Série. Curitiba, Módulo, 2002. LONGEN, Adilson. Matemática Ensino Médio; Coleção Nova Didática; Curitiba; Positivo; 2004. v.2 MAIOLI, Márcia; Uma oficina para formação de professores com enfoque em quadriláteros. São Paulo; 2002; Dissertação de Mestrado- PUC/São Paulo. MATSUBARA, Roberto; ZANIRATO, Ariovaldo Antonio. Big Mat – Matemática: História, Evolução, Conscientização, 7ª Série. Coleção BigMat..São Paulo. IBEP. 2002. ROTTA, Igino; GALVÃO, Luiz Otávio. Traçados do Desenho Geométrico. São Paulo. FTD. 1994.