UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO ‘‘LATO SENSU’’ PROJETO A VEZ DO MESTRE FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEXIVA – ALINHAVOS PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) FERNANDA MELO ARAÚJO DE MOURA Brasília 2009 FERNANDA MELO ARAÚJO DE MOURA FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEXIVA – ALINHAVOS PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Monografia apresentada à Universidade Cândido Mendes como requisito do curso de pós-graduação “Lato sensu” em Administração Escolar. Orientador: Professor Antônio Ney Brasília 2009 Ficha Catalográfica FERNANDA MELO ARAÚJO DE MOURA FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEXIVA – ALINHAVOS PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Monografia submetida à Universidade Cândido Mendes como requisito do curso de pós-graduação “Lato sensu” em Administração Escolar. Aprovada em, ________ de ________ de 2009. BANCA EXAMINADORA: ___________________________________________ _________________________________________ AGRADECIMENTOS Agradeço ao professor Gilberto Santos Crespo, pelo apoio e encorajamento contínuos, e à Gloria Regina Pereira, pelo incentivo durante todo o trabalho. RESUMO Esta pesquisa investiga as concepções adotadas no setor saúde e educação e, como tais, influenciam o processo de ensino, tendo em vista a superação das dificuldades relacionadas à implementação das estratégias pedagógicas que o subsidiam, decorrentes da argumentação de consolidar o modelo do Sistema Único de Saúde (SUS), no que diz respeito à formação, na perspectiva do exercício profissional eficiente e participação consciente de sujeitos sociais inseridos nesta política pública e quais são as percepções implícitas da gestão educacional nessa trajetória. Nesta investigação, os conhecimentos construídos e acumulados pelos setores educação e saúde se destacam e subsidiam as discussões, remetendo-nos aos alinhavos de uma crítica e reflexiva formação técnica de nível médio na área da saúde, tendo sido utilizada a abordagem quantitativa e, como instrumento de coleta de dados, a pesquisa documental, na busca para entender as transformações que devem ocorrer no âmbito desse processo e os significados que estas assumem e podem ser reveladas como potenciais críticos, assim como a proximidade do gestor educacional frente a estes desafios. Palavras-chave: 1. Formação técnica de nível médio; 2. Gestão educacional. ABSTRACT This research investigates the conceptions adopted in the section health and education and, as such, they influence the teaching process, tends in view the superação of the difficulties related to the implementation of the pedagogic strategies that you/they subsidize him/it, current of the argument of consolidating the model of the Unique system of Health (SUS), in what he/she concerns the formation, in the perspective of the efficient professional exercise and participation conscious of social subjects inserted in this public politics and which are the implicit perceptions of the education administration in that path. In this investigation, the built knowledge and accumulated for the sections education and health they stand out and they subsidize the discussions, sending us to the tackings of a critic and reflexive technical formation of medium level in the area of the health, having been used the quantitative approach and, as instrument of collection of data, the documental research, in the search to understand the transformations that should happen in the extent of that process and the meanings that these assume and they can be revealed as critical potentials, as well as the proximity of the manager education front to these challenges. Key Word: 1. Technical formation of medium level; 2. Education administration. METODOLOGIA Esta investigação caracteriza-se como estudo de caso, tendo sido utilizada a abordagem qualitativa (TRIVIÑOS, 1987), por ser “o dado qualitativo uma forma de quantificação do evento qualitativo que normatiza e confere um caráter objetivo à observação” (PEREIRA, 2001). O instrumento utilizado para coleta de dados foi uma pesquisa documental envolvendo um levantamento de referenciais teóricos e históricos apresentados por vários autores, na perspectiva de investigar as proposições políticas para o processo de formação técnica de nível médio para o SUS, reforçando a importância da construção da gestão democrática a partir desses pressupostos. O tema central concentra-se no objeto a ser estudado, não existindo intenção nem interesse de seguir a linha de qualquer escola de pensamento, assim como de algum autor em especial. O que realmente produziu sentido foi à possibilidade de articulação entre diferentes fontes de conhecimentos, os quais ofereceram operadores conceituais que possibilitaram a leitura, análise e compreensão dos campos (educação, saúde e gestão educacional) nos quais a pesquisa aconteceu, procurando situá-los no processo histórico sem isolá-los do contexto atual. Assim, foram realizadas consultas à literatura especializada (livros, artigos, revistas e site da rede eletrônica), onde foram encontrados pensadores e educadores de várias épocas, tendo como foco tornar significativa a questão investigada. SUMÁRIO INTRODUÇÃO PPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPP.. 8 CAPÍTULO I - EDUCAÇAO PROFISSIONAL NO BRASIL E NA SAÚDE .......... 11 CAPÍTULO II - O SUS E O ORDENAMENTO DE FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES ............................................................................................ 17 CAPÍTULO III - ALINHAVOS POSSÍVEIS DE UMA FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEX(AÇÃO) DA GESTÃO EDUCACIONAL ................................................ 22 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 35 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 38 8 INTRODUÇÃO As mudanças e as novas demandas ocorridas nas últimas décadas no mundo do trabalho, o dinamismo dos conceitos e práticas de educação e a reconfiguração do modelo assistencial de saúde estão influenciando de forma acelerada a abertura de espaços para discussão, formulação e implementação de processos formativos que sejam estratégicos ao desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes que contribuam para uma atuação crítica, reflexiva, propositiva, compromissada e tecnicamente competente de trabalhadores técnicos de nível médio da área da saúde. Particularmente, no campo da saúde, o papel da educação é estratégia fundamental, frente aos desafios de formação que, atualmente, requer efetiva apropriação do Sistema Único de Saúde (SUS), sob a perspectiva de sua implantação e consolidação, de sua política de reorientação das ações e serviços e do seu compromisso com a prestação da assistência universal, integral, equânime e resolutiva. Ao colocar o trabalho no SUS sob as lentes dos processos de formação e de desenvolvimento dos profissionais da saúde, está posto em nova evidência o trabalho em saúde, um trabalho que requer: trabalhadores que aprendam a aprender; práticas cuidadoras; intensa permeabilidade ao controle social; compromisso de gestão com a integralidade; desenvolvimento de si, dos coletivos, institucional e político da saúde, além da implicação com as práticas concretas de cuidado às pessoas e às coletividades, no ensino e na produção de conhecimento. (CECIM, 2005) Pressupõe-se, assim, uma renovação pedagógica a partir da convergência das atividades educacionais com o cotidiano e a realidade social de saúde. Em virtude disso, aparatos legais, instâncias variadas, mecanismos e estratégias político-organizativas, em conexão com os princípios educacionais inovadores de ensino aprendizagem, vêm sendo discutidos, formulados e implementados, no sentido de formar atores sociais comprometidos com os princípios e as diretrizes exigidas por este sistema de saúde. 9 Neste contexto, a educação vem passando por constantes modificações conceituais, estruturais e organizacionais, como forma de superar a fragmentação do saber e da realidade, decorrente do modelo tradicional de ensino, abrindo espaço para estratégias que subsidiem a formação de indivíduos críticos, reflexivos, participantes e responsáveis pelo desenvolvimento da sociedade e na construção da cidadania. Evidencia-se um novo paradigma, neste campo, no qual a sociedade, revestida de inovações tecnológicas, informacionais, econômicas, sociais e éticas, requer ajustes dos aparelhos formadores na expectativa de se criar um ambiente educativo e cultural capaz de diversificar as fontes de conhecimentos, criando a possibilidade de desenvolvimento de processos formativos capazes de construir novas formas de aprender, fazer, ser e conviver. A nova escola será construída na interseção da racionalidade com a subjetividade. A racionalidade procurando a organização social e produtiva por intermédio da incorporação da ciência e da tecnologia e a subjetividade por meio do desenvolvimento integral da personalidade, libertada dos determinismos sociais e culturais. (BOCLIN, 2001, p. 13) Esses movimentos de mudança na base conceitual, política e operacional da educação em saúde remetem à necessidade de reflexão sobre as transformações que vêm se operando no âmbito das instituições de formação profissional técnica de nível médio, no que diz respeito à reorganização institucional com ênfase aos processos de gestão democrática, como também, às oportunidades de implementação de estratégias pedagógicas que contemplem a excelência técnica, relevância social e a identificação das competências do setor saúde e educação no ordenamento dos profissionais para o trabalho no SUS. Diante dessas reflexões objetivamos nesta investigação entender as transformações que vem ocorrendo no âmbito do processo de formação e quais são as significações assumidas que podem ser reveladas como potenciais críticos e reflexivos, assim como também, a proximidade do gestor escolar frente a esses desafios. Nesse sentido, os conhecimentos produzidos e acumulados pelos setores educação e saúde se destacam e subsidiam as discussões, remetendo-os à reflexão de estratégias pedagógicas que respondam a necessidade da formação crítica e reflexiva para o exercício profissional no SUS, apresentando a discussão em três capítulos: no primeiro capítulo, serão tratadas as mudanças legais na educação, especificamente na educação profissional de nível médio, de acordo com o Parecer 10 CNE/CEB nº 16/99, procurando situar a escola como um lugar produtivo de ação capaz de constituir-se em um espaço de luta num processo democrático de decisões tendo em vista a transformação da realidade social; no segundo capítulo, serão discutidos o Sistema Único de Saúde (SUS) e a formação de profissionais técnicos de nível médio em saúde, como forma de entender o compromisso e a responsabilidade social desse sistema de saúde, no que diz respeito ao seu papel de interlocutor, orientador da formulação de projetos pedagógicos que qualifiquem o trabalhador e o trabalho no contexto da participação ativa e visão crítica no cotidiano dos serviços; no terceiro capítulo, serão contemplados os alinhavos possíveis de uma formação crítica e a reflex(ação) da gestão educacional, para rediscutir a prática educativa, o significado do trabalho pedagógico e a gestão desenvolvida nos ambientes escolares e como esses podem se revelar como potenciais críticos e reflexivos na trajetória do processo educacional atendendo a uma necessidade demandada pelo SUS. Essa experiência modificou a minha forma de olhar o mundo, chegando a conclusão das questões que me inquietaram no decorrer dessa investigação, ou seja, compreender que se situarmos a escola como lugar produtivo de ação, capaz de constitui-se como espaço de luta num processo democrático de decisões para a transformação da realidade, o aluno, como sujeito social está pronto dentro da sua incompletude para enfrentar as mudanças exigidas na atualidade do mundo do trabalho. Experimentamos, é certo, na travessia que fazemos um alvoroço na alma, síntese de sentimentos contraditórios. [...] do alvoroço da alma faz parte também a ruptura do sonho da utopia. (FREIRE,1992, p. 14) 11 CAPÍTULO I EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL E NA SAÚDE Particular atenção dedicarei ao ensino técnico-profissional, artístico, industrial e agrícola que, a par da parte propriamente prática e imediatamente utilitária, proporcione também instrução de ordem ou cultura secundária, capaz de formar o espírito e o coração daqueles que amanhã serão homens e cidadãos. (BRASIL, 2007) Quase cem anos atrás, o discurso acima proferido pelo então Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca ainda representa os atuais desafios sobre a priorização da educação profissional e sua articulação com a formação geral. Vale salientar que a expressão educação profissional naquela época ainda não havia sido assumida legalmente, somente acontecendo com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, marco para educação profissional que configura a identidade do ensino médio como uma etapa de consolidação da educação básica e dispõe que a “educação profissional (...) conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva” (BRASIL, 1996). Consta pela primeira vez em uma lei geral da educação no Brasil um capítulo específico sobre a educação profissional. O Decreto nº 2.208, de 17 de abril de 1997, regulamenta os dispositivos da LDB no que se refere à educação profissional, definindo seus objetivos, níveis e orientações para a formulação dos currículos de nível técnico e especificando os três níveis de educação profissional: básico, técnico e tecnológico. Segundo o Parecer CNE/CEB n° 16/99, as diretrizes curriculares nacionais para educação profissional de nível técnico regem-se por um conjunto de princípios que incluem o da sua articulação com o ensino médio e os comuns à educação básica, também orientadores da educação profissional, que são os referentes aos valores estéticos, políticos e éticos. Outros princípios definem sua identidade e especificidade e se referem ao desenvolvimento de competências para a laborabilidade, a flexibilidade, a identidade dos perfis profissionais de conclusão, a atualização permanente dos cursos e currículos e a autonomia da escola. A reforma dos anos 90 proíbe o desenvolvimento do ensino técnico integrado ao ensino médio e a educação profissional é definida como complementar à 12 educação básica. Na proibição do desenvolvimento do ensino técnico integrado ao ensino médio, tornam-se evidentes as principais características dessa reforma na educação profissional no Brasil: o retorno formal do dualismo escolar, na medida em que se aparta a educação profissional da educação regular “na concepção de educação que embasa essa reforma - a ruptura entre o pensar e o agir e o aligeiramento da educação profissional; a subfunção da escola à cultura do mercado na formação do cidadão produtivo” (FRIGOTO & CIAVATTA, 2006). Retoma-se, assim, a visão dualista do sistema educacional, explicitamente destinando a educação profissional ao atendimento de uma determinada classe social. O Decreto nº 5.154, de julho de 2004, revogou o Decreto n° 2.208/97, restituindo a possibilidade de articulação plena entre o ensino médio e a educação profissional, mediante a sua oferta integrada. Foram mantidas, entretanto, as alternativas que haviam sido fortalecidas e ampliadas no decreto anterior e expressavam a dualidade estrutural histórica da educação profissional. No início deste século, são retomados os debates em torno das concepções que estavam presentes nas discussões que antecederam a nova LDB no final dos anos 80, de forma a contemplar uma proposta que articule ciência, cultura e trabalho, como elementos norteadores da política educacional. A expansão e a democratização da educação profissional no Brasil assumem um papel relevante neste contexto, tendo em vista as perspectivas de elaboração de nova política pública para este setor, no âmbito de um projeto nacional em desenvolvimento. Do ponto de vista legal, a educação profissional em saúde, conforme previsto no art. 39 da Lei nº 9.394 e no Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004, compreende a formação inicial ou continuada, que se refere a cursos de qualificação para o trabalho, em geral de curta duração; a formação técnica, que exige o ensino médio e compreende as formas de ensino integrado concomitante ou subsequente ao ensino médio e a formação tecnológica de graduação ou pós-graduação, que são de nível superior, mas têm duração, estrutura e objetivos específicos, podendo ser realizada em serviços de saúde (formação inicial ou continuada) e em instituições de ensino (formação inicial e continuada, técnica e a tecnológica). A área profissional saúde refere-se às necessidades individuais e coletivas, baseadas em um modelo que não se limite à ênfase da assistência médicohospitalar. As ações de saúde deverão ser desenvolvidas em locais como: centros e 13 postos de saúde, hospitais gerais e especializados, laboratórios, domicílios, centros comunitários, escolas e outros aparatos sociais. Os novos rumos da educação profissional na área específica da saúde no Brasil devem-se a presença da escola. O primeiro grande passo de incentivo à formação dos trabalhadores de nível auxiliar e técnico em saúde no país é atribuído ao Projeto Larga Escala, idealizado pela enfermeira Isabel dos Santos, na década de 80, e, para ser transformado em política pública que modificasse a realidade, previu-se no projeto a criação de uma escola em cada estado do Brasil, para que os trabalhadores inseridos nos serviços aprendessem fazendo, mas contando com a estrutura e mediação do saber educacional. Dessa forma, nascem as Escolas Técnicas do SUS. O papel da escola ao longo dos tempos ajuda a entender também os desafios da educação profissional nos dias de hoje. De forma geral, foi só com revolução industrial que a escola passou a produzir conhecimentos técnicos e profissionais. Antes disso tratava somente da formação intelectual, delegando a outras instituições o preparo para o trabalho. Embora isso pareça ter sido superado, continua atual o entendimento de que há uma parcela da sociedade formada para pensar e dirigir e outra para trabalhar e obedecer. Ou seja, para os pobres, a formação para o fazer; para os ricos, a formação para o pensar. Portanto: a educação profissional em saúde é um objeto de disputa e embate de projetos societários. Apesar da hegemonia das idéias e práticas de educação profissional que têm como objetivo a adaptação e conformação dos trabalhadores ao existente e ao mercado de trabalho, assim como às necessidades de manutenção e transformação do capital, existem projetos contra hegemônicos que lutam por uma educação e saúde que tenham como finalidade a construção de uma sociedade mais humana e solidária. (PEREIRA & RAMOS, 2006) Surge a necessidade de rediscutir o papel da educação neste contexto e as suas respostas ao processo socioeconômico que afeta aceleradamente os setores da sociedade, levando-se em consideração que um processo educativo não deve ser subordinado apenas às exigências impostas pelas contingências históricoprodutivas, mas, ser um meio pelo qual se possa alcançar de forma ética as exigidas e necessárias mudanças no mundo do trabalho, num exercício de cidadania. 14 Faz-se imprescindível que a saúde seja discutida no ensino de nível fundamental, médio e técnico, de tal modo que isto ocorra no processo de formação regular e não por meios alternativos ou complementares de profissionalização implementados por órgãos vinculados à saúde, destinados aos trabalhadores que compõem sua força de trabalho. No entanto, formar o profissional após seu ingresso no mundo do trabalho é uma medida decorrente da precariedade do sistema de ensino em formar quadros devidamente habilitados para o exercício profissional antes de sua entrada no mundo do trabalho e também pela impossibilidade de acesso na idade apropriada ao sistema formal de ensino, resultando na incorporação de indivíduos na força de trabalho sendo motivados exclusivamente pela luta pela sobrevivência. São atribuições do setor educacional, aprovar, ministrar e reconhecer habilitações. No entanto, o setor educação vem formando profissionais para atuarem na saúde sem a existência de um diagnóstico preciso em relação às carências desse setor, o que tem ocasionado um descompasso entre as ações educacionais e as necessidades dos serviços de saúde, estendendo ao setor saúde à responsabilidade de preparar seus quadros, especialmente os técnicos de nível médio, na medida em que os incorpora na força de trabalho. A formação de profissionais para atuarem na área da saúde deve estar voltada para uma visão integral dos problemas de saúde da população. Assim também a assistência à saúde disponibilizada ao usuário deve ser humanizada, contextualizada e resolutiva. Dessa forma, os currículos das escolas de saúde devem contemplar a construção de práticas sanitárias de orientação holística e comprometimento social. A maioria dos currículos de formação do trabalhador em saúde dispensa em primeiro lugar uma carga horária para a parte teórica, em seguida uma carga horária para a parte prática e, finalmente, outra para os estágios. Nessa perspectiva, os conteúdos das disciplinas acabam sendo trabalhados de forma fragmentada pelo corpo docente. Nesses moldes “o papel do professor é o de estabelecer tudo que o aluno deve aprender, transmitir as informações consideradas relevantes e avaliar a capacidade dos alunos de reter e reproduzir as informações apresentadas” (BRASIL, 2003). Com a incorporação de novas tecnologias no setor saúde e a crescente dinâmica dos contextos econômicos e sociais, há uma oscilação de movimentos e 15 surge uma variedade de demandas decorrentes das diferentes necessidades da população no âmbito do processo de trabalho em saúde. E o trabalhador em saúde inserido neste processo de mudança e incerteza necessita ter a capacidade de “aprender a aprender”, comprometido com o seu processo de educação permanente, tendo em vista a contextualização do conhecimento cientifico, sendo reflexivo e criativo frente às novas necessidades de saúde da comunidade usuária dos serviços de saúde. Sendo assim, o currículo deve ser estruturado de forma que permita ao aluno ser parte ativa no processo de aprendizado, estimulando-o a autoaprendizagem, levando em consideração aspectos significativos da realidade. O currículo representa o plano pedagógico e institucional orientador da aprendizagem sistemática dos alunos. O chamado “currículo integrado articula dinamicamente trabalho e ensino, prática e teoria, ensino e comunidade” (DAVINI, 2006), representando uma possibilidade adequada para o processo de formação em saúde. Outro aspecto relevante do currículo integrado é o preparo do aluno como sujeito, critico, reflexivo, ativo e solidário. O currículo integrado: sustenta seus argumentos na idéia da necessidade de uma compreensão global do conhecimento e na interdisciplinaridade dos saberes com o objetivo de corrigir os erros da fragmentação e do isolamento disciplinar da ciência. (BRASIL,1999) Dessa forma, há uma integração entre os saberes do cotidiano com os saberes escolares e este aluno/ trabalhador consegue vincular o ensino formal com a realidade subjetiva, ocasionando maior habilidade de reflexão sobre os problemas de saúde, elaborando, assim, soluções viáveis e criativas tanto em saúde individual como coletiva. A articulação entre os espaços escolares, os serviços e a comunidade deve ser considerada como um movimento que busca mudanças capazes de criar uma nova proposta de formação para os trabalhadores da saúde, uma vez que, esta integração é fonte e parâmetro para a rearticulação entre teoria e prática. Isso somente é possível porque: nesses espaços que, embora não sejam novos, constituem-se em campos de ação de sujeitos sociais que no modelo hegemônico, não dispõem de recursos de poder para exercer suas práticas, a não ser as ideológicas que, desacompanhadas de práticas empíricas, políticas e teóricas, resultam em 16 baixa eficácia nos processos de luta contra-hegemônica. (BLEJMAR; ALMEIDA,1996) No âmbito da formação de profissionais de nível médio, a definição do: ensino com base nas competências e a valorização do local de trabalho como espaço privilegiado de ensino/aprendizagem abre perspectivas importantes para a integração entre instituições formadoras e os serviços, bem como possibilita, maior flexibilidade para a formação do trabalhador em saúde. (BRASIL,1996) Sabendo-se que o homem é um ser psicossocial e precisa ser considerado em todas as dimensões, os currículos devem ser revistos, tendo em vista que apenas os conteúdos referentes às ciências biológicas não têm sido capazes de contemplar o ser humano em sua integralidade e dos determinantes que atuam sobre sua saúde, devendo ser incorporado aos currículos atuais da área da saúde conteúdos da antropologia, sociologia, economia, planejamento, políticas públicas e sociais, comunicação entre outras. Sendo assim, para modificar essa situação, uma das principais medidas deverá ser a promoção da parceria interinstitucional entre os setores da educação e da saúde, com a finalidade de desenvolver ações conjuntas e articuladas para a construção de uma proposta educacional que conjugue os conhecimentos produzidos e acumulados por ambas as áreas. A construção desse processo educacional deve permitir ao indivíduo o exercício eficiente do trabalho, sua participação consciente crítica e reflexiva na vida social e também no mundo do trabalho, além de sua autorrealização. Isso requer clareza e vontade política para a devida compreensão das dificuldades em efetivar uma possibilidade política e pedagógica, de forma a repensar e contribuir para redefinição da educação mediante o abandono de uma prática educativa tecnicista, situando o homem em sua realidade histórica. Sendo esse o sentido, é interessante que essa proposta compartilhada se insira “em um projeto mais amplo de sociedade, de história humana e de ação política” (FRIGOTTO, 1988). Essa parceria deverá se constituir em um processo facilitador da relação dialética entre trabalho, educação e saúde, de modo a vencer a dicotomia histórica entre pensar e fazer, integrando os conhecimentos, habilidades e as atitudes. 17 CAPÍTULO II O SUS E O ORDENAMENTO DE FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES Se somos atores ativos das cenas de formação e trabalho (produtos e produtores das cenas, em ato), os eventos em cena nos produzem diferença, nos afetam, nos modificam, produzindo abalos em nosso “ser sujeito”, colocando-nos em permanente produção. O permanente é o aqui e agora, diante dos problemas reais. (CECCIM, 2005) A organização atual do setor saúde no Brasil resulta de um processo de transformação, iniciado nos anos 70, sendo formalizado na Constituição Federal de 1988, que criou o Sistema Único de Saúde (SUS), cujo detalhamento e forma foram definidos pelas Leis Federais nº 8.080 e 8.142, ambas de 1990. Em seguida, portarias ministeriais o regulamentaram, por meio de atos normativos que ficaram conhecidos pela sigla NOB (Normas Operacionais Básicas). A Lei nº 8.080/90 “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências” (BRASIL, 1998), enquanto a Lei nº 8.142/90 “dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área e dá outras providências” (BRASIL, 1998). Utilizando como fonte principal das informações um estudo de Carvalho (1998), traçam-se alguns aspectos referentes à trajetória política do SUS, resumidos nos seguintes pontos básicos: • As necessidades individuais e coletivas são consideradas de interesse público e seu atendimento um dever do estado; • A assistência médico-sanitária integral passa a ter caráter universal e destina-se a assegurar a todos, o acesso aos serviços; • Esses serviços devem ser hierarquizados segundo parâmetros técnicos e a sua gestão deve ser descentralizada; • O sistema deverá ser custeado, essencialmente, por recursos governamentais originários da União, estados e municípios; 18 • Os serviços de caráter empresarial comprados devem ser complementares e devem estar subordinados às estratégias mais gerais da política setorial; • As ações governamentais serão submetidas a organismos colegiados oficiais, os conselhos de saúde, representação paritária entre usuários e prestadores de serviços; • Serão consagradas a descentralização político-administrativa e a participação social. Analisando os princípios políticos e técnicos do SUS, e também suas diretrizes operacionais, o autor afirma que representam “um novo pacto social, um desenho político-institucional e um novo modelo técnico-assistencial” e conclui o raciocínio, afirmando ainda que: o novo modelo social envolve o duplo sentido de que a saúde passa a ser definida como um direito de todos integrante da condição de cidadania social, e passa a ser considerada um dever do Estado, implicando numa responsabilidade e solidariedade do conjunto da sociedade. (CARVALHO, 1998) Neste contexto, distingue-se do modelo anterior baseado na idéia de seguro social, em que o direito era restrito às clientelas envolvidas diretamente com o financiamento do sistema, por meio das contribuições previdenciárias. Configura-se desse modo, o modelo da Seguridade Social, no qual as clientelas são beneficiadas independentemente de sua contribuição ao financiamento do sistema. Destaca-se aqui o aspecto que mais se aproxima das necessidades de formação do trabalhador desse novo sistema de saúde. Trata-se do modelo técnicoassistencial, que: baseia-se numa concepção ampliada do processo saúde-doença, em que o acesso a bens e serviços de saúde é apenas um dos componentes de um processo que depende essencialmente de políticas públicas mais amplas capazes de prover qualidade de vida. Distingue-se do modelo anterior que dissociava inteiramente as ações curativas, a saúde coletiva da atenção individual e era inteiramente centrado no atendimento à demanda por assistência médica. (CARVALHO, 1998, p.25) Modelo esse desenhado na Constituição Federal que, em seu artigo 196, vincula o direito à saúde à implementação de políticas econômicas e sociais que visem à redução do risco de doenças e outros agravos, sendo detalhado pelas leis ordinárias, como a Lei nº 8.080/90, que no seu artigo 7º estabelece como princípios para as ações e serviços do SUS, tanto públicos assim como os privados: 19 a universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema. (BRASIL,1988) Conclui-se, assim, que o setor saúde adquiriu uma nova concepção, ultrapassando a antiga, eminentemente curativa, centrada nos cuidados hospitalares, chegando até a uma abordagem mais sistêmica na qual se entende que as condições de vida e os fatores ambientais são determinantes sociais que interferem no processo saúde-doença das coletividades. Esta nova concepção implica dispor de profissionais capazes de compreender a sua inserção em um conjunto articulado de ações, reconhecendo a amplitude de sua atuação, como agentes ativos na produção dos serviços. A formação de recursos humanos é reconhecida pelo Ministério da Saúde como ponto fundamental para a consecução dos princípios e diretrizes do SUS, dando-lhe “factibilidade, coerência, viabilidade e capacidade de resposta aos problemas que se propõe a resolver e superar” (BRASIL, 1999b). A constituição e a implementação do SUS apresentam panoramas que exigem estratégias de formação que tenham como referência os princípios da universalidade, da equidade e da integralidade, tendo em vista garantir à população o acesso igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. Com a implantação do SUS, vem ocorrendo um processo de reorientação das estratégias e dos modos de cuidar, tratar e acompanhar a saúde e, consequentemente, provocando algumas repercussões nas estratégias e modos de ensinar e aprender. (BRASIL, 2003) Nesse caminhar, é necessário aprofundar a reflexão sobre os meios e os modos como a formação profissional vem ocorrendo, isto é, se os conteúdos curriculares e as metodologias de ensino utilizadas permitem que o aluno aprenda tanto os procedimentos técnicos indispensáveis ao exercício profissional como, também, desenvolver visão crítica em relação ao processo de trabalho no qual está inserido. (AMÂNCIO FILHO;TELLES, s.d.) É estratégica a compreensão de que para o setor saúde os processos de formação de recursos humanos procurem inovar na proposição de articulações entre o ensino, o trabalho e a cidadania, de modo que esses trabalhadores possam ser reconhecidos como componentes prioritários para viabilização e implementação dos projetos, ações e serviços de saúde e estejam comprometidos e conscientes de que 20 é necessário garantir a qualidade e a resolubilidade desses cuidados e serviços de saúde, ofertados à população. Urgente se faz a definição e implementação de: uma política de recursos humanos para o SUS (...) centrada na profissionalização, na multiprofissionalidade, no aprimoramento continuado, no compromisso humano e social e em condições dignas de trabalho e salário. (BRASIL, 2000) Neste sentido, estabelecer formulações de estratégias organizativas entre os diferentes níveis de formação profissional e os serviços de saúde, tendo como princípio as interfaces existentes entre os sistemas da educação e da saúde, é de fundamental importância para originar uma análise mais aprofundada e crítica sobre os impasses e limites vivenciados, para consolidação de um sistema de saúde que esteja em conexão com os desafios a serem operados atualmente no âmbito dos processos de formação. As várias instâncias relacionadas com a consolidação do Sistema Único, devem contribuir com as mudanças no campo das práticas e da formação profissional no sentido de efetuar transformações no sistema de ensino, instaurando um movimento de modificação na educação dos profissionais de saúde. (CECCIM; FEUERWERKER, 2004) Trata-se de fortalecer o compromisso e a responsabilidade social do SUS, no que diz respeito ao seu papel de interlocutor, orientador da formulação de projetos pedagógicos que superem o modelo clínico puramente técnico instrumental, utilizado, até então, para a adoção de modelos por competências profissionais, voltados aos trabalhadores, dotados de autonomia, iniciativa e habilidade para o trabalho em equipe. Vêm-se intensificando os desafios, avanços e estratégias para a implementação de uma política de formação de recursos humanos condizentes com os princípios e diretrizes constitucionais que apoiam o SUS. As dificuldades em se estabelecer efetivamente essa política tem como resultado que “os profissionais são, hoje, formados para uso intensivo de tecnologia” (BRASIL, 2000), sendo colocadas em plano secundário as ações de atenção básica, chamando também a atenção para o fato de que, “não se trata mais de formar pessoas competentes apenas tecnicamente, mas profissionais que tenham clareza de sua inserção e desempenho no processo de trabalho em saúde, consciente do compromisso com a qualidade e a humanização na atenção à saúde” (AMÂNCIO FILHO; TELLES, s.d.) 21 Assim, torna-se estritamente necessário que o SUS tenha, em seus quadros, profissionais com conhecimentos específicos relacionados ao próprio sistema, sua filosofia, seus princípios e diretrizes, seus conceitos, sua história e com conhecimentos e visão de saúde pública. É preciso, ainda, que o processo de formação do trabalhador da saúde contemple temas como o processo saúde e doença e sua determinação social, o processo de trabalho em saúde, as políticas de saúde e suas relações com as demais políticas públicas, enfoques que ainda não são contemplados de forma efetiva no processo de formação desses trabalhadores. Formar profissionais para atuarem nos serviços de saúde significa abdicar da informação fragmentada, fora de contexto e adaptada ao existente, implica trabalho paciente de criticar, mediar e construir novas percepções, o que requer um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que qualifiquem o trabalho e o trabalhador no contexto da participação ativa e visão crítica no cotidiano dos serviços. Dessa forma evidencia-se um novo paradigma no campo da educação, no qual a sociedade, revestida de inovações éticas, tecnológicas, imformacionais, econômicas e sociais, favorece um ambiente cultural e educativo susceptível de diversificar as fontes de conhecimentos, criando expectativas de processos formativos construtores de novas formas de aprender, de ser, de conviver e de fazer. (NUÑES; RAMALHO, 2004) A educação desdobrada em processos de ensino-aprendizagem de jovens e adultos, na qualificação e no desenvolvimento de habilidades profissionais, contribui significativamente na preparação de recursos humanos potencializando a capacidade da força de trabalho: devendo ser entendida como um compromisso com os ideais da sociedade, referindo-se a um conjunto de práticas sociais, valores, crenças, atitudes, conhecimentos formais e informais que cada sociedade tende a desenvolver para preservar ou melhorar as condições e a qualidade de vida da população. (AMÂNCIO FILHO, 2004) Enfim, a construção de um sistema de saúde mais democrático e participativo só acontecerá se houver reflexão e intervenção no processo educacional, não só no sentido de preparar trabalhadores para o ingresso no mercado de trabalho em saúde, mas, essencialmente preparar cidadãos críticos, reflexivos, cientes de seus direitos e deveres no exercício pleno de sua cidadania. 22 CAPÍTULO III ALINHAVOS POSSÍVEIS DE UMA FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEX(AÇÃO) DA GESTÃO EDUCACIONAL Não será possível pescar nenhum peixe sem pescar no anzol e na rede, sem distinguir o rio do mar, sem conhecer linhas e iscas, sem apanhar chuva e sentir o sol. (GADIN,1999) A formação e o desenvolvimento dos recursos humanos estão configurados como questões fundamentais e estratégicas na conformação atual do sistema de saúde brasileiro, com o objetivo de efetivar as transformações exigidas atualmente na produção do cuidado em saúde. Isso porque, as políticas e os princípios do SUS necessitam de profissionais com diferentes qualidades, que saibam agir, tomar decisões e usar a criatividade para solucionar problemas. Cada vez mais é preciso propiciar um processo de formação centrado em princípios científicos, éticos, humanísticos, repleto de conhecimentos técnicos políticos e culturais que permita aos trabalhadores agir como cidadãos produtores de bens e de serviços e como atores na sociedade civil. No contexto atual de globalização econômica, de reestruturação produtiva e de mudanças tecnológicas, no qual o contingente de indivíduos excluídos do saber e da economia se apresenta cada vez mais ampliado, a educação não pode ser convertida em propriedade de poucos ou em apenas um bem de valor mercantil e de uso imediato. Neste sentido: a educação deve possibilitar aos trabalhadores (...) sua participação na sociedade científica e tecnológica não como objetos, mas como sujeitos, resgatando assim a dimensão política: a construção da identidade social e a integração plena na cidadania. (DELUIZ, 1995) Mais do que nunca, as relações existentes entre educação e o trabalho em saúde assumem posições estratégicas e plenas de novos significados. Isto porque, a: função da educação se torna mais importante na preparação da força de trabalho, uma vez que as habilidades requeridas do novo trabalhador são muito relacionadas com aquelas desenvolvidas na escola, isto é, 23 responsabilidade, capacidade de abstração, de resolver problemas, de trabalhar com símbolos e compreensão de textos abstratos, entre outras. (SALGADO, 1997) Posto está o fato de que todo o processo de formação profissional mantém uma estreita dependência com o mundo do trabalho, que por sua vez está submetido, mesmo de forma parcial, às exigências do mercado. Dessa forma, é importante o reconhecimento das roupagens assumidas pelo capital como forma de perpetuar as desigualdades do modelo social que servem aos interesses dos mesmos grupos hegemônicos. A mudança da lógica de formação dos profissionais da saúde tornou-se um desafio frente às exigências da nova ordem mundial. O que se observa é o mundo globalizado, a ausência de fronteiras, o acesso aparentemente universal á informação, o endeusamento da tecnologia, a transformação do modo de produção e subseqüente retomada das qualidades necessárias aos trabalhadores para a inserção no mundo do trabalho (competitivo e exigente), estão requerendo “ajustes” dos aparelhos formadores, sob pena de que os egressos da escola não se encaixem ás novas demandas geradas pele reestruturação dos interesses do capital. (FRIGOTTO, 1996) O ensino na área da saúde padece nos momentos atuais da lógica tecnicista, da biologização dos conteúdos acreditados como significativos, da ênfase no saber e no fazer em detrimento do saber ser. Mas, como forma de ruptura dessa lógica, fala-se em formação crítica e reflexiva mesmo que, repleta de alinhavos, atalhos e armadilhas, tem os objetivos de provocar e lograr impactos na prática. O processo de formação precisará ainda, percorrer um longo caminho para que possa promover as rupturas necessárias para realmente dar o salto de qualidade tão esperado, superando a retórica e efetivando medidas concretas que contribuam para transformar à realidade já instituída. Segundo Sordi e Bagnato (1998), para que a formação possa dar o salto qualitativo esperado, é necessário que se promovam rupturas em dois níveis: 1. alteração das concepções de homem, de mundo de sociedade e de educação dominantes nos docentes da área, criando novos paradigmas que deem conta de esclarecer o que se entende por ciência, e qual sua vinculação com o planejamento da práxis; 24 2. reorganização do trabalho pedagógico, visando acelerar as transformações teóricas e filosoficamente pensadas, dando-lhes concretude e visibilidade prática, aproximando discurso e ação. A formação educacional dos indivíduos ocorre ao longo da vida e, nela, a sala de aula constitui-se em um espaço formal onde ocorre o processo de ensino. Porém, a prática pedagógica presente nas salas de aula está permeada de contradições, e embora apresentem boa intencionalidade, ainda não favorecem as relações educando e educador, de forma a propiciar um processo de formação crítica, criativa e libertadora. Um dos erros mais frequentes da prática pedagógica é a manutenção de concepções antigas, no mínimo inócuas, sob o ponto de vista de apropriação dos instrumentos e habilidades essenciais para a leitura do mundo, onde estão inseridos esses indivíduos, e no qual podem intervir no sentido de transformar à realidade. Outro aspecto identificado é a clara dicotomia existente entre a dimensão técnica e política na operacionalização das propostas pensadas pelos educadores, como se existissem dois espaços distintos: o da teoria e o da prática. No primeiro, cabe a reflexão política, e no segundo, cujo momento é o de se praticar a profissão, o que interessa é o exercício da prática profissional nos moldes tradicionais de ensino, porém, competente para os fins que se propõe, congelando-se a política. Nesse contexto, um número expressivo de egressos na área de saúde se insere no mercado de trabalho, pouco familiarizados com as questões sociais, exibindo habilidades cognitivas, psicomotoras e domínio da tecnologia, parecendo pouco interessados no cumprimento dos princípios éticos que regem as relações humanas em sociedade, priorizando a competição individual, negando, por meio de suas ações, a possibilidade de construção da cidadania coletiva. Não quer dizer que a lógica dominante da formação não possa ser alterada, uma particularidade do momento histórico atual pode transformar essa realidade. A sociedade sobre a qual comentamos está englobada em um mundo onde a privatização dos lucros e a socialização das misérias, amplia o quadro de carências de ordem material, psicológica e afetiva. Esta situação evidenciará de forma incisiva as marcas que deverão ser impostas ao processo de formação para corresponder às competências da pósmodernidade. O mercado carente e desejoso de profissionais de saúde de nível técnico com qualidades diferenciadas nos modos de agir, de decidir, de usar a criatividade para solucionar problemas, certamente ocasionará um avanço 25 significativo de experiências que impulsionarão o processo de formação. Vale a pena enfatizar que este processo de transformação não se dará se for aludido simplesmente à ampliação da criatividade, garantia da autonomia de pensamento e a transformação da relação do aluno com o conhecimento, porque isto já é sancionado pelo sistema. O trabalhador em saúde fará uso de suas capacidades despertadas, colocando-as a serviço dos interesses da sociedade. O diferencial é “para o quê?”, “para quem?”. Diante dessas considerações, Sordi e Bagnato (1998) contribuem mais uma vez com as inevitáveis indagações: • É possível delinear estratégias que aproveitem ao máximo as potencialidades de autonomia do processo de educação, na direção de maior compromisso social e ético por parte dos egressos na área da saúde? • É preciso mudar, radicalmente, a forma de organização do trabalho pedagógico, rompendo com a “fôrma” que nos tem feito prisioneiros de um projeto, para produzirmos transformações, verdadeiramente significativas? • É necessário repensar as práticas avaliativas que realizamos visando reafirmar nossos novos objetos de modo a mediatizar uma nova concepção de educação e uma nova relação da escola/trabalho/sociedade? (SORDI; BAGNATO, 1998) Tomando emprestadas as indagações dessas autoras, coloca-se as seguintes questões: que processos de formação estão atualmente em cena e quais são os seus efeitos? Quais são os caminhos para que os processos de formação levem em consideração a forma escolar, os alunos, os educadores e o trabalho, para uma prática profissional crítica e reflexiva para o sistema único de saúde brasileiro? Respondendo a estas questões, é importante dizer que é oportuno abalar o já instituído para que ocorram mudanças substantivas no processo de ensino. Antigas questões e práticas devem ser revisitadas, com o propósito de renová-las. Essas mudanças devem superar de forma absoluta a nova aparência ocasionada, muitas vezes, apenas por pequenos reparos, jeitinhos e arrumações que somente disfarçam as antigas marcas de um tempo que se precisa negar. Brito et al. (2001) referem que os processos de formação dos trabalhadores ocorrem em função de: equívocos e ou fragilidades que desembocam em propostas e experiências que assumem a questão da formação como categoria absoluta, operada de modo tecnicista”, pois aqueles que criticam a “atualização da formação 26 como uma construção coletiva cotidiana”, apontam saídas muitas vezes limitada ao “campo técnico metodológico. (BRITO ET AL, 2001) Formar profissionais críticos e reflexivos com certeza é propósito das instituições formadoras e dos muitos envolvidos nos diversos processos de formação. Mas, como efetivar uma ação educativa que contemple as medidas concretas e necessárias para desenvolver e atingir este propósito? O determinante da formação critica e reflexiva é o modo de entender e fazer a educação, dentro do espaço onde acontece o processo de interação entre alunos e professores, a sala de aula, configurada aqui como os diversos cenários educacionais, onde se desenvolvem as teorias e as práticas educativas, práticas simuladas e em serviço. Se esses espaços forem libertadores, propiciarão a formação de indivíduos críticos, questionadores, capazes de refletirem sobre suas realidades (social, política, educacional, cultural, histórica, econômica, entre outras), éticos, inovadores, independentes e acima de tudo, intrumentalizados para provocarem e viabilizarem as rupturas necessárias no já instituído. Todo ser humano deve ser preparado, para elaborar pensamentos críticos e criativos e para formular os seus próprios juízos de valor, decidindo por si mesmo e agindo nas diferentes circunstâncias da vida. (DELORS,1999) Destaca-se que a prática pedagógica presente nas salas de aula está permeada pelos aspectos históricos e políticos, pelas perspectivas científicas e pedagógicas, pelas análises e reflexões filosóficas, demonstrando, assim, a sua complexidade. Surge a possibilidade de desenvolvimento de um processo educativo mediador, oposto à mistificação, modificando a imagem que o futuro profissional ou aluno trabalhador tem de si mesmo e das suas relações no dizem respeito ao trabalho e o mundo. A prática pedagógica que se quer, reflexiva, exige a criação de vínculos que sejam capazes de favorecer condições de colaboração e de trabalho em equipe entre professores e alunos, que implicam envolvimento e interação dos sujeitos, consigo e com os outros participantes do processo, facilitando a aplicação de estratégias que ocasione diferentes formas de reflexão, como as mencionadas por Garcia (1992), utilizadas para subsidiar outros autores investigados com a intenção de produzir sentido a esta pesquisa, que estão descritas a seguir: 27 • Introspecção: entendida como reflexão interiorizada, pessoal, onde são reconsiderados os pensamentos e os sentimentos; • Exame: onde são retomados e relacionados os acontecimentos e ações que já ocorreram que estão ocorrendo ou que ocorrerão; • Indagação: permite aos profissionais indagarem a sua prática, o seu cotidiano e identificação de estratégias para melhorá-los; • Espontaneidade: é a reflexão na ação, volta-se aos pensamentos dos profissionais no desenvolvimento de suas práticas, onde improvisam, resolvem problemas, tomam decisões; • Auto-análise e a autocrítica: pressupõem mudanças de aspectos interiores e pessoais tais como atitudes, valores, disposições. (GARCIA, 1992) Esse autor, tomando como base Dewey, descreve, ainda, algumas atitudes que devem estar presentes no cotidiano da prática reflexiva: • Mentalidade aberta: definida como ausência de preconceitos, de parcialidades e de hábitos que limite a mente e a impeça de considerar novos problemas e de assumir novas idéias, integrando um desejo ativo de escutar mais de um lado, de acolher os fatos independentes de suas fontes, de prestar atenção sem melindres a todas as alternativas, de reconhecer a possibilidade do erro mesmo em relação àquilo em que mais se acredita. Isto implica escutar e respeitar diferentes perspectivas, atentando para alternativas possíveis, verificando a possibilidade de erro, investigando e analisando as evidências conflituosas, procurando várias respostas para a mesma questão, refletindo sobre a forma de melhorar o já existente; • Responsabilidade: trata-se principalmente da responsabilidade intelectual, considerando as conseqüências de um passo a ser dado, assegurando a integridade, a coerência e a harmonia daquilo em que se acredita como também procurar os propósitos éticos e educativos da conduta e prática profissional; • Entusiasmo: entendido como predisposição para enfrentar a atividade com curiosidade, energia, capacidade de renovação e de luta contra a rotina. (GARCIA, 1992) Ceccim (1998) diz: [...] desmanchar territórios e obrigar ao pensamento, desmontar o conhecido e sair para um outro conjunto de regras. Isso gera uma outra comunidade de afetos, por outras redes de contatos que são oferecidos, pois são inventados outros problemas, outros desafios. É um outro território de experimentação que gera composições inéditas para aqueles grupos que as estão inventando. (CECCIM, 1998) Desenvolver as atitudes necessárias à reflexão é um longo caminhar nos espaços de sala de aulas. O ensino reflexivo necessário aos momentos atuais será possível e viável se os alunos envolvidos nesse processo chegarem aos conceitos, sem os encontrarem prontos, compreenderem as diferentes visões e concepções de um assunto, contextualizarem historicamente a grande produção dos 28 conhecimentos, percebendo as principais mudanças ocorridas ao longo dos anos, sintetizando as essenciais idéias, conceitos e pensamentos. A leitura de Vasconcellos (1996) instiga e contribui com as reflexões acima no que diz respeito ao processo pedagógico que se quer critico e reflexivo. É fundamental a mobilização para o conhecimento, a construção do conhecimento, a elaboração e expressão da síntese do conhecimento, e isto acontece quando se propiciam espaços para desenvolvê-los, quando se vivenciam práticas significativas em sala de aula, quando há oportunidades de relacionar o conhecimento e a educação com a realidade profissional, política, econômica e social. (VASCONCELLOS, 1996) Também devem ser ressaltadas as questões relativas ao processo de avaliação. Tratando-se de um processo que se quer crítico e reflexivo, há de convir, que não deve ser apenas regido pela lógica da classificação, da medicação e do disciplinamento. As relações de poder que impregnam as práticas avaliativas, nelas residem às maiores forças desaceleradoras do pensamento divergente, da autonomia intelectual, da leitura plural de uma realidade em constante evolução, sujeita por tanto, à múltiplas interpretações e determinações. (HOFFMAM, 1994; FREITAS,1995; SORDI,1995) As marcas negativas dos processos da avaliação resultam da pedagogia centrada em exames na qual o aluno trabalhador ou futuros profissionais se dedicam “[...] aos estudos não porque os conteúdos sejam importantes, significativos e prazerosos de serem aprendidos, ma sim porque estão ameaçados por uma prova”, complementa Luckesi (1997). Neste sentido, uma avaliação, que não a tradicional medição e constatação de aprendizagem realizada pelo docente, assume um outro contexto, servindo como indicador para orientar a prática profissional mostrando quando é necessário realizar ajustes, fornecendo elementos para construírem e reconstruírem o plano de trabalho, determinando quais os conteúdos e o nível de aprofundamento necessário para cada momento do processo educativo. Assim, não deve ser realizada apenas em momentos específicos ou predeterminados precisa ocorrer ao longo de todo o processo de formação. Sendo assim, a avaliação exige observação contínua dos docentes e alunos, tendo em vista o processo de desenvolvimento de cada um, com o objetivo de saber se e como está se efetuando o aprendizado e quais as situações que encontram 29 maior ou menor dificuldade. Dessa forma, o processo de avaliação não se restringe somente às exigências de domínio do conteúdo especifico da área estudada, e sim, ao conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes. Um processo construído desta forma avalia o aluno nos aspectos cognitivos, afetivos e sociais e também em situações que envolvem outros cenários educacionais como as atividades extramuros, prática simulada e em serviço, relacionamento interpessoal, empenho em solucionar desafios e problemas, e nas atividades ditas como complementares, nos momentos de lazer, entre outros. O aluno deverá entender porque e como será avaliado. Quais são os resultados esperados, devendo ser debatidos com ele. “Se forem utilizados conceitos, pareceres ou notas, não importa” (ARAÚJO & MACHADO, 2009). Os instrumentos de registro devem ser compatíveis com as propostas pedagógicas tanto do curso como da instituição, devendo traduzir as reais condições e potenciais dos alunos para a aprendizagem, servindo de indicadores das atitudes a serem tomadas para garantir um processo transformador, eficiente e significativo. O registro é indicativo da qualidade do trabalho desenvolvido pelo corpo docente na efetiva prática de uma educação libertadora e transformadora que propõe formar sujeitos críticos, criativos e reflexivos, capazes de provocar mudanças no instituído, naquilo que cerceia e oprime, favorecendo a formação de consciências solidárias e cidadãs. A partir dessas idéias, a avaliação, por meio de um processo, mais qualitativo, significativo, construtivista e dialético, assume uma postura diferenciada saindo dos antigos moldes de perguntas e respostas: [...] para uma realidade mais criativa, que se renova e se auto-descobre em cada em cada situação, pois a evolução dialética das faculdades mentais superiores do ser humano não pode ser avaliada por intermédio de propostas lineares, predeterminadas, fechadas e repetitivas. (ARAÚJO & MACHADO, 2009) Essa forma de avaliação não se dispõe somente a registrar dados internos institucionais e do curso e, sim, reúne dados que garantem as condições reais da aprendizagem e do desenvolvimento desse aluno, num efetivo processo de reconstrução. Como proposta política e social deverá ser articulada por um trabalho conjunto de todo o corpo docente possibilitando uma maior compreensão e análise dos aspectos relevantes, permitindo conclusões importantes, construtivas e valiosas, 30 as quais seriam impossíveis de serem atingidas em situações individuais, apenas restritas, aos parâmetros de um só professor. A avaliação considerada como um processo integral, contínuo, qualitativo e criativo, no qual as atitudes individuais e coletivas integram este processo, deverá ser estabelecido como princípio à preponderância dos aspectos qualitativos sobre os aspectos quantitativos, dos resultados globais obtidos ao longo do processo sobre aqueles obtidos em componentes curriculares individualizados, do processo de construção do conhecimento crítico, criativo, reflexivo, solidário e político sobre o produto final apresentado. Assim, os procedimentos adotados devem se traduzir num processo construtivo e evolutivo do conhecimento. Enfim, a formação crítica e reflexiva em saúde não pode transgredir dos valores e os princípios norteadores de um modelo de atenção à saúde, que para ser viável requer a ação de profissionais concretos, capazes e dispostos a intervir na realidade social em que estão inseridos, por usufruírem de instrumentos teóricos, políticos e epistemológicos que os coloquem em condição de enfrentar os desafios da atual ordem mundial. Neste sentido, as instituições educacionais obrigatoriamente têm a tarefa de rediscutir sua prática, o significado do seu trabalho pedagógico, como também a forma de gestão desenvolvida nos ambientes escolares. A rediscussão e a revisão das práticas pedagógicas e da forma de gestão devem constituir-se num ponto de reflexão a ser processado no âmbito do campo educacional. Trata-se da mudança de concepção de uma administração autoritária para uma administração mais centrada nos princípios democráticos. Esse processo demanda não só uma mudança no conceito de administração e de gestão, mas, especialmente, uma mudança no enfoque teórico e no conteúdo da administração e da própria natureza e prática social da escola. (CARDOSO,1995) Esclarecendo ainda mais a discussão referente à gestão democrática, lançouse mão dos conceitos de democracia e gestão. Paro (2001) afirma que a democracia: [...] transformou-se enormemente em seu percurso histórico, enriquecendose de novos significados, à luz dos quais precisa ser compreendida. Assim, ela já não deve ser vista apenas em sua conotação etimológica de ‘‘governo do povo” ou e sua versão formal”vontade da maioria”, mas sim em seu 31 significado mais amplo e atual de mediação para a construção da liberdade e da convivência social, que inclui todos os meios e esforços que utilizam para concretizar o entendimento entre grupos e pessoas, a partir de valores construídos historicamente. (PARO, 2001, p. 10) Para Libâneo (2005, p.318), gestão é: uma atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnico-administrativos. (LIBÂNEO,2005) Enquanto a administração na visão de Paro (1999, p. 18) “[...] é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados”. Observa-se a proximidade entre os conceitos de gestão e administração, mudando-se a perspectiva quando o assunto é gestão democrática, uma vez que se busca atualmente uma gestão escolar com poderes descentralizados. Neste sentido, a gestão democrática pode ser entendida como a distribuição de tarefas, serviços e responsabilidades, desde que exista diálogo e comunicação entre todos os envolvidos. Como afirma Libâneo, essa é caracterizada pela participação: [...] a gestão não pode ficar restrita ao discurso da participação e as suas formas externas – as eleições as assembléias e as reuniões. Ela está a serviço dos objetivos do ensino, especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino aprendizagem. Além disso, a adoção de práticas participativas não esta livre de servir à manipulação das pessoas, as quais podem ser induzidas a pensar que estão participando. De fato, freqüentemente, são manipuladas por movimentos, partidos e lideranças políticas, em defesa dos próprios interesses. A participação não pode servir para respaldar decisões previamente definidas, mas deve ser uma forma de levar a equipe escolar a soluções inovadoras e criativas. (LIBÂNEO, 2005, p. 335- 336) Nesse entendimento, a forma mais efetiva para que toda a comunidade escolar participe ativamente e democraticamente da gestão escolar está na construção coletiva do projeto político pedagógico, como salienta Silva Junior: a constituição da autonomia ad escola pela via do projeto pedagógico, supõe finalmente, a existência de condições para a prática do trabalho coletivo, entendido este como a valorização das pessoas e a relativização das funções. Pessoas autônomas valorizam um projeto e são valorizadas por ele em razão do seu compromisso e da sua lealdade e isso está ligado necessariamente as funções desempenhadas e as posições ocupadas. (SILVA JUNIOR, 2002) 32 A autonomia constitui-se num instrumento valioso quando a escola assume um processo de gestão democrática. Dessa forma deve ser construída e ganhar espaço a partir da legislação, já que está garantida também pela Lei nº 9.396/1994 e se consolidar nas práticas cotidianas, criando uma cultura de participação onde todos os envolvidos nos processos educacionais se enxerguem nas ações e metas da escola. O diretor é a pessoa responsável pela gestão democrática, dependendo dele a motivação do grupo, e a construção de um projeto político pedagógico compartilhado e possuidor da identidade do coletivo envolvido, surgindo dessa forma à exigência de um administrador-educador que possua a dimensão política, administrativa e pedagógica, que entra em acordo com o pensamento de Savianni: Ao diretor cabe, então, o papel de garantir o cumprimento da função educativa que é a razão da escola.Nesse sentido, é preciso dizer que o diretor de escola é antes de tudo, um educador; antes de ser administrador ele é um educador...O diretor de escola ocupa posição importante na estrutura do ensino público, uma vez que responde pela articulação da escola pela comunidade em que se insere e, também com a rede que compõe o sistema de ensino. (SAVIANNI, 1996, p. 208) É necessário esclarecer que os conceitos de gestão e democracia não são originários do interior da escola, porém, está entendida como um privilegiado campo de intervenção política e ideológica carrega na sua essência pedagógica, a probabilidade de construir novos paradigmas e práticas capazes de priorizar a via democrática em si e na sociedade. Dessa forma, o sentido democrático empregado para qualificar a condução de um processo de gestão está intimamente ligado aos valores da sociedade, da cultura, da escola e, fundamentalmente, às concepções de cidadania e de saber, que se promove para esse exercício de transformação da escola e da sociedade. (CARDOSO, 1995) Portanto, há um estreito vínculo entre a gestão democrática e o processo pedagógico educativo mais amplo. A escola, por meio das suas relações pedagógicas, educa e forma o cidadão, buscando o seu verdadeiro papel que é o de transformação social. Os conceitos de democracia e de prática democrática precisam ser compreendidos e interpretados no interior da escola para, a partir daí, estabelecer um processo de gestão que fundamentalmente esteja vinculado 33 aos objetivos pedagógicos, (CARDOSO,1995) políticos e culturais da escola. Assim, para qualificar a condução do processo de gestão exige-se que o sentido democrático utilizado esteja ligado aos valores da sociedade, da escola e da cultura e, principalmente, às concepções de cidadania e do saber que são promovidos para esse exercício de transformação real da escola e da sociedade. É tarefa política e educativa da escola, como representante de uma das mais essenciais atividades públicas, a construção do processo de gestão centrado nos valores e princípios democráticos. A escola constitui locus de formação do cidadão como um ser social histórico e sujeito de relações. O trabalho como princípio educativo é inerente ao processo pedagógico da escola, e assim sendo não há fórmulas de gestão democrática, a qual vai sendo construída no processo político e cultural da instituição de ensino. A gestão democrática pressupõe uma prática democrática de administração que, ao se firmar na decisão coletiva, constitui-se num espaço de efetivo comprometimento dos representantes da comunidade interna e externa com o projeto pedagógico construído de forma compartilhada. Isso implica, em primeiro lugar, que todos os envolvidos compreendam a dimensão político-pedagógica do seu trabalho e que este se estende na totalidade do processo escolar, não estando restrito a apenas alguns ambientes, tais como as salas de aulas, e também entendam o significado social de corresponsabilizar-se pela definição do projeto político-pedagógico assumido pela escola e por suas possíveis implicações. Em segundo lugar, implica efetivação de uma prática pedagógica progressista que leve ao exercício pleno da cidadania. Assim, devem ser garantidas, a produção e posse sistemática do saberes científicos, acumulados historicamente, confrontando-os com as experiências de vida e realidade social desses sujeitos a quem se deve educar. E aí está o aspecto merecedor de mérito nesta investigação que é a importância de uma escola emancipadora propiciadora do domínio do saber sistematizado, do exercício democrático de participação nas decisões da vida escolar. Conclui-se que esse processo de administração escolar vinculado ao cumprimento da função social e política da educação, que é a formação do cidadão participativo, responsável, crítico reflexivo e criativo, por meio da produção e da socialização do saber historicamente acumulado pela humanidade, responde positivamente a questão investigada que aqui se trata da crítica e reflexiva 34 formação dos trabalhadores técnicos de nível médio na área da saúde em atendimento a necessidade demandada pelo SUS. 35 CONCLUSÃO E agora, que caminhos são possíveis seguir? Por onde começar? Somos capazes de enfrentar tantos desafios? Dúvidas? Então, iniciarei a conclusão deste estudo tendo como orientador os seguintes versos: Se Você disse que não sabe se não Mas também não tem certeza que sim Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coração. (DJAVAN, 1991) A articulação das ações educacionais com a saúde vem se destacando como questões fundamentais numa perspectiva de transformação. Desde a reforma sanitária brasileira as práticas de ensino vêm sofrendo e têm sido palco das mudanças que o setor saúde tem promovido para efetivação e implementação do SUS. Esta história já conhecida e permeada por lutas e conquistas sociais vem obtendo sua relevância máxima nas políticas de condução da gestão em saúde. “Mas, principalmente impondo convocação na alma dos trabalhadores desse setor, como um desafio cotidiano de repensar suas práticas profissionais e de aliar processos educativos na ação do trabalho” (ARAÚJO & MACHADO, 2009). Seguindo ainda essa linha de reflexão, não se trata do puro e simples fazer educativo, mas, da constituição de uma política educacional que deve pertencer e ser incorporada a rotina e a “estética” do SUS no seu fazer cotidiano, a saúde. O desafio em garantir as condições ideais para assegurar definitivamente a constituição de políticas públicas de saúde e educação que, aliadas, contemplem a equidade e a integralidade da atenção e do cuidado humano, na busca da saúde em defesa da vida, “provoca um redesenho tridimensional na própria proposição do SUS, ou seja, quem antes convocava lutas para a transformação, hoje toma assento e lugar na gestão das idéias e pensamentos” (ARAÚJO & MACHADO, 2006). As diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional de nível técnico na área da saúde sinalizam para transformações do trabalho e da formação para o trabalho, definindo os caminhos da profissionalização, centrando-os na noção 36 das competências entendidas como um conjunto de conhecimentos,habilidades e atitudes profissionais, determinando que saberes, práticas e ações são adquiridos tanto pelo ensino formal como também pela produção de conhecimentos concebidos ao longo da vida e do trabalho. É um processo que vem exigindo a valorização, e o reconhecimento das competências constituídas durante a trajetória de cada um dos sujeitos sociais. Essas mesmas diretrizes curriculares permitem flexibilidade e criatividade na construção de propostas de educação profissional de nível técnico na área da saúde. Para que estas propostas sejam inclusivas e estimulem a qualificação profissional por meio da democratização das oportunidades, tanto a criatividade como a flexibilidade adquirem caráter ético e político. Torna-se urgente, então, buscar e pensar formas de flexibilizar o sistema de ensino, construir processos orientadores de propostas mais adaptadas às exigências atual do setor público de saúde, que se manifeste, também, com a introdução de novos conhecimentos, mas, essencialmente, que venha dar sentido ao aluno/trabalhador como sujeito capaz de pensar com criatividade, possuidor de autoestima, pronto para enfrentar as mudanças profissionais exigidas e construtor da própria rede de valores e crenças. O setor educacional está diante de um tempo de possibilidades e de investimento, tendo em vista que forma, especializa, qualifica, capacita e aperfeiçoa trabalhadores técnicos de nível médio para atuarem em diversos cenários do único setor das políticas públicas, identificado constitucionalmente como de relevância pública. Mediante esse contexto, o gestor educacional, cujo perfil deve estar pautado na capacidade de interação e decisão coletiva, assume postura relevante uma vez que não é apenas o profissional cuja única responsabilidade é administrar os recursos destinados à escola e sim, porta voz das necessidades, solicitações e anseios do grupo escolar, de forma a garantir que os objetivos traçados sejam alcançados, que novas necessidades sejam identificadas, tendo como meta o desenvolvimento de um projeto educacional único e solidário, que envolve não só constantes esforços de organização da instituição de ensino, mas também a integração da escola com os diversos setores, tendo em vista buscar o verdadeiro papel da escola que é a transformação social. Ainda, há um longo caminho a percorrer. 37 Isso só será possível por meio do desenvolvimento de uma prática educativa e num modelo de gestão, embasados na ética pedagógica e numa visão de mundo alicerçada na rigorosidade, na criticidade, no risco, na humildade, no bom senso, na tolerância, na alegria, na curiosidade, na competência, na generosidade...permeada pela esperança. Educando para a autonomia, uma vez que a autonomia faz parte da natureza educativa. (FREIRE, 2001) Para tanto, clarear as propostas, aprimorar os procedimentos, harmonizar ações são partes desse movimento pautado não exclusivamente na racionalidade técnica e instrumental, mas, fundamentalmente, em novas possibilidades comunicativas, organizacionais, de relações de intersubjetividade e do cuidado, mostrando os benefícios dessa prática para a formação de sujeitos mais autônomos e capazes de criar, recriar e projetar o novo na perspectiva de uma práxis criativa, são alinhavos necessários para o processo tanto de gestão educacional como de formação capazes de atender a demanda do SUS. 38 REFERÊNCIAS AIMI, D. da S.; FELDKERCHER, N.; HENRIQUES, C. M. Formando especialistas em gestão educacional: a trajetória de um curso de especialização. In: VIII CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DA PUCPR (EDUCERE) – EDIÇÃO INTERNACIONAL., São Paulo. Anais... São Paulo: USP . disponível em http://www.pucpr.br/eventos/eucere/educere2008/anais. Acesso em: 14 set. 2009. AMÂNCIO FILHO, A. 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