Sumário Ano XLIX - Nº 570 - Fevereiro de 2008 PROPRIEDADE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO Direcção, Redacção e Administração Largo de S Sebastião da Pedreira 1069-020 Lisboa Telef: 213 567 700 Fax Civil: 213 567 791 Militar: 414 091 E-mail: [email protected] E-mail: [email protected] E-mail − Intranet: Jornal do Exército Home page: www.exercito.pt Da Guerra Peninsular à Regeneração 1801-1851 14 DIRECÇÃO Director Coronel de Infantaria José Custódio Madaleno Geraldo Assessor Major F. Marques Fernando Secretária Ass Adm Principal Teresa Felicíssimo Soldado-Condutor Fábio Carrada REDACÇÃO Chefe Tenente-Coronel J. Pinto Bessa Redactores Tenente Paulo Moreira Alferes Rico dos Santos Mauro Matias Designer Inês Galvão Operadoras Informáticas Ass Adm Especialista Elisa Pio Ass Adm Principal Guiomar Brito Jornal do Exército 48 anos de História Militar 30 CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO Chefe Major Augusto Correia Operadores Informáticos Ass Adm Tânia Espírito Santo Soldado Gonçalo Silva Biblioteca Ass Adm Especialista Joana Moita SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS Chefe Tenente-Coronel Moura Duarte Operador Informático Sargento-Ajudante João Belém Distribuição Sargento-Ajudante Luís Silva Ass Adm Espec Eduardo Albuquerque Auxiliar Serviço Filomena Remédios Publicidade Sargento-Ajudante Luís Silva SECRETARIA Chefe Tenente-Coronel Fernando Dias Amanuense 2º Sargento Carina Rodrigues COLABORAÇÃO FOTOGRÁFICA Lusa - Agência de Noticias de Portugal, SA Centro de Audiovisuais do Exército RCRPP/GabCEME EXECUÇÃO GRÁFICA Europress, Lda Rua João Saraiva, 10-A − 1700-249 Lisboa Telef 218 444 340 − Fax 218 492 061 [email protected] Tiragem − 6 000 exemplares Depósito Legal nº 1465/82 ISSN 0871/8598 Missão em Timor Leste ao serviço das Nações Unidas 40 O Afeganistão e a Evolução do Radicalismo Islamita - última parte 20 Contas do Destino - Os Deuses levam cedo a quem mais amam 26 Grupo de Auto-Metralhadoras 52 Secções Monumentos com História Militar - O Palácio Vilava 4 Editorial 5 Figuras e Factos 6 XII Concurso de Fotografia 51 Capa: Os Franceses na I Invasão, Roque Gameiro, 1917 Os artigos publicados com indicação de autor são da inteira responsabilidade dos mesmos, não reflectindo, necessariamente, o pensamento da Chefia do Exército Português ÓRGÃO DE INFORMAÇÃO CULTURA E RECREIO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS, CRIADO POR PORTARIA DE 14JUL60 MONUMENTOS COM HISTÓRIA MILITAR Palácio Vilalva O Palácio Vilalva fica localizado no Largo de S. Sebastião da Pedreira. Iniciou-se a sua construção, por volta de 1730, pela mão do arquitecto Fernando Larre, que esteve ao serviço de D. João V, para sua própria residência. Quando o edifício foi construído, o local era quase despovoado, existindo apenas raras casas ao longo da estrada que levava a Palhavã e a Benfica.Também é conhecido como Palácio Eugénio de Almeida, em homenagem ao grande industrial que em 1859 o comprou e deu início às obras de reconstrução. Trabalharam ali João Grossi, um mestre que o Marquês de Pombal convidara para dirigir a Aula Régia do Estuque, Felix Salla e os ornamentistas Biel e Gomassa. José Maria Eugénio de Almeida cuja riqueza era considerada a terceira de Portugal, depois da dos Duques de Palmela e Cadaval, e uma das maiores da Europa foi obtida, em parte, com os negócios do tabaco, sabão e pólvora, pois, para além de rico era um homem muito inteligente e sensível às artes. Comprou a casa dos Larres, reedificou-a e ampliou-a socorrendo-se de bons artistas para o fazer. O que hoje observamos a ele o devemos, em grande parte. Construído em cantaria branca, podemos ver na fachada principal voltada a Sul, dividida em três corpos, sendo os laterais oblíquos em relação ao central. O corpo do meio é encimado por um frontão triangular, dentro do qual se insere outro frontão menor, em arco abatido, no qual se encontra uma composição escultórica atribuída a Anatole Calmels, 4 Jornal do Exército representando as Artes e as Ciências. Na fachada abrem-se três portões de verga semicircular rematados por cabeças laureadas, de cantaria, e com belas portas de carvalho. É o que se vê na aguarela que apresentamos, da autoria de Carlos Solano de Almeida. O último residente do palácio foi o bisneto de José Maria, o Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida, 2.º Conde de Vilalva, que o vendeu ao Estado Português, a 27 de Maio de 1947, pela importância de quinze mil contos. Destinou-se o edifício a sede do Quartel-General do Governo Militar de Lisboa (QG/GML), depois de sofrer obras de beneficiação e adaptação para os novos propósitos. Estas obras foram superiormente dirigidas pelos arquitectos António Quirina e engenheiros João de Deus Pimental e Filipe Ribeiro. O QG/GML ocupou as instalações desde 28 deAgosto de 1948, data em que foi oficialmente inaugurado, até à data em que foi extinto, a 15 de Julho de 2006. Hoje, este Prédio Militar alberga o Núcleo Museológico do Governo Militar de Lisboa, o Conselho Superior de Disciplina do Exército, a Inspecção Geral do Exército, o Centro de Finanças Geral e o Jornal do Exército. José Custódio Madaleno Geraldo Coronel de Infantaria O dia 11 de Janeiro de 2008 fica indelevelmente na memória daqueles que servem no Jornal do Exército. Foi o primeiro aniversário que se comemorou nas novas instalações, o Palácio Vilalva é a sua nova sede. Com quase três séculos de existência, este vetusto edifício alberga, ainda, nos seus espaços nobres, o Conselho Superior do Exército, a Inspecção Geral do Exército e o Centro de Finanças Geral. Qualquer cerimónia, por mais simples e simbólica que seja, assume o brilho e a beleza que este prédio militar, à guarda do Exército desde 1947, encerra. Sentimo-nos, pois, orgulhosos por podermos festejar o 48.º Aniversário do Jornal do Exército em tão digno espaço. O programa festivo contou também com uma iniciativa que denominamos “Encenação Histórica”, no âmbito do Programa do Exército Português para as Comemorações dos 200 Anos da Guerra Peninsular. Esta actividade constou de uma exposição intitulada “Soldados da Guerra Peninsular”, da autoria do Eng.º José Santos, e de uma palestra em prosa poética, da nossa autoria, “As Invasões Francesas e as Linhas de Torres: Defesa de um Património”, em que as palavras foram intercaladas por marchas e pequenas peças tocadas de forma brilhante e envolvente pela fanfarra do RAAA1, cujos militares fardavam à época, princípios do século XIX. O Jornal do Exército associa-se assim à evocação do bicentenário daquela que ficou conhecida como Guerra Peninsular, para os Portugueses e Britânicos, por Guerra da Independência, para os Espanhóis, e por Guerra de Libertação, para os Franceses, cujo período se dilata desde 2007 a 2014. Como gostamos de afirmar proverbialmente, “recordar os heróis que nos antecederam é contribuir para a sua ressurreição”, fazemos votos para que Portugal se mobilize, tanto oficialmente como particularmente, para evocar os seus egrégios avós e as datas mais significativas neste período da Guerra Peninsular, que nos foi tão caro, nas escolas, nos municípios, nas instituições, etc. Só para referirmos algumas datas, que são motivo de lembrança, destacamos a partida da Família Real para o Brasil a 29 de Novembro de 1807, a chegada de Junot a Lisboa no dia seguinte, ficando a “ver navios”, o Combate da Roliça a 17 de Agosto de 1808, a Batalha do Vimeiro a 21 de Agosto do mesmo ano, a Campanha de Soult em 1809, a Campanha de Massena e a realização das Linhas de Torres Vedras em 1810, e que constituiria, muito provavelmente, um dos maiores obstáculos de Napoleão, como referimos na nossa comunicação e que versa assim: “Foram três as Invasões Francesas Enviadas por Napoleão, Entre roubos, assassínios, safadezas, Salvou-se a honra da Nação!” 5 FIGURAS e FACTOS General CEME visita o Exército Italiano A convite do General Fabrizio Castagnetti, Chefe do Estado-Maior do Exército Italiano, o General CEME visitou oficialmente a Itália no período de 20 a 21 de Novembro. A visita teve por finalidade aprofundar as relações de cooperação entre o Exército Português e o Exército Italiano, as quais têm alicerce no período da Guerra Fria, em que ao Exército Português, através da 1ª Brigada Mista Independente, competia a colaboração na defesa do flanco sul da Europa, no norte do território italiano, mais precisamente na região onde é hoje a fronteira entre aquele país e a Eslovénia. O Exército Português e o Exército Italiano estiveram também na vanguarda da adaptação da NATO a um novo ambiente operacional, participando de forma integrada nas operações de apoio à paz realizadas nos Balcãs, numa colaboração considerada frutuosa para ambas as partes. O General Chefe do Estado-Maior do Exército foi recebido pelo seu homólogo no “Palazzo Esercito”, em Roma, tendo-lhe sido prestadas as honras militares protocolares, por uma companhia de Granadeiros. De seguida, teve lugar uma apresentação sobre o Exército Italiano, a cargo de um oficial do Estado-Maior do Exército, com a presença do General Chefe do EstadoMaior, Vice-Chefe do Estado-Maior e dos chefes das Repartições do Estado-Maior, que versou os aspectos fundamentais da estrutura actual do Exército Italiano e dos desafios com que se depara. De salientar as alterações decorrentes do final do serviço militar obrigatório, em 2005, a partir do qual a prestação de serviço militar passou a ser um acto voluntário dos cidadãos italianos, tal como já ocorre em Portugal desde 2004, obrigando a uma redução dos efectivos. O produto operacional do Exército Italiano tem vindo também a ser potenciado, prevendo-se a transformação de parte das Brigadas Mecanizadas pesadas, equipadas com viaturas de lagartas, em Brigadas médias polivalentes, cujo equipamento principal tem por base viaturas de rodas. Enquadrado no programa da visita, o General CEME teve ainda oportunidade de conhecer a Brigada Mecanizada “Granatiere di Sardegna”, a qual esteve recentemente envolvida na KFOR, onde assumiu, pelo período de 1 ano, o comando da Multinational Task-Force West. No decurso da visita aquela Unidade, o General CEME pode constatar as capacidades da viatura blindada de rodas "Centauro", guarnecida com uma peça de 105 mm, que equipa algumas das unidades da Brigada e que é geralmente designada por “caçador de carros”. A visita terminou com um jantar oferecido pelo Chefe do Estado-Maior do Exército Italiano, na Messe Militar de Roma, Pio IX. Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar visita Forças Nacionais Destacadas no Líbano N o dia 19 de Dezembro de 2007, o Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar (SEDNAM), o Dr João Mira Amaral, deslocou-se ao Líbano para uma visita oficial à Força Nacional ali destacada. Durante o período da manhã, o SEDNAM esteve reunido com o Comandante da UNIFIL (United Nations Interim Force in Lebanon), o Major-General Claudio Graziano, no Quartel-General (QG), em Naquora. À tarde, acompanhado pelo Tenente-General Cunha Lopes, Inspector-Geral do Exército, ali em representação do Chefe do Estado-Maior do Exército, o Dr. Mira Amaral 6 esteve com os militares portugueses da Unidade de Engenharia 3 (UnEng3), estacionados em Camp Ubique, no Sul do País. Ali, foi-lhes apresentada, pelo Comandante da Unidade, o Tenente-Coronel Rebelo de Carvalho, a situação operacional daquele Teatro de Operações (TO), ao que se seguiu uma visita às instalações de Camp Ubique. A UnEng3 é constituída por um efectivo de 141 militares, colocados naquele TO desde Novembro de 2007, onde permanecerão seis meses. Em missão nas Nações Unidas, estão também destacados no QG da UNIFIL, no Líbano, mais cinco militares do Exército Português. FIGURAS e FACTOS Visita do General CEME à EPC N o passado dia 6 de Dezembro, o Chefe do EstadoMaior do Exército, General Pinto Ramalho, efectuou uma visita de trabalho à Escola Prática de Cavalaria. O General CEME foi recebido à chegada pelo Comandante da Instrução e Doutrina, pelo Director de Formação e pelo Comandante da EPC. Após a prestação das honras militares pelo Esquadrão de Comando e Serviços, o General CEME recebeu a apresentação de cumprimentos de uma delegação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis da EPC. Do programa da visita destaca-se a realização de um briefing, apresentado pelo Comandante da Escola, seguido de visita às instalações que proporcionaram um conhecimento mais abrangente nas áreas respeitantes ao Pessoal, Logística, Formação, apoio à Autoridade Nacional de Protecção Civil e Infra-estruturas de apoio à Escola Prática de Cavalaria. É de realçar que a EPC, a par da sua missão genérica, decorrente da actual reestruturação do Exército, tem pela frente diversas tarefas de grande envergadura tais como: a acreditação externa do sistema de Formação; a constituição como entidade responsável pela formação da viatura blindada de rodas PANDUR II 8X8 e do carro de combate Leopard 2A6; a adaptação das novas instalações em Abrantes às necessidades próprias de uma Escola, em particular de Cavalaria; e a implementação do novo QO e ajustamento dos procedimentos a nível interno e externo de acordo com os efectivos. Após o almoço na Messe de Oficiais, que contou com a presença da Vereadora Maria do Céu Albuquerque, em representação do Presidente da Câmara Municipal, o General CEME assinou o Livro de Honra da EPC, onde salientou e reconheceu o exigente esforço que tem vindo a ser desenvolvido pela EPC em particular na adaptação de infraestruturas. Evidenciou a missão que a EPC tem na formação de quadros da Arma de Cavalaria e que esse objectivo tem que ser norteado pela procura e afirmação da excelência, de forma inequívoca, a bem do Exército e do País. Primeira Intervenção do Laboratório de Defesa Biológica do Exército E m Dezembro de 2007, o Exército foi chamado a apoiar a Direcção-Geral de Veterinária perante uma ameaça grave à saúde pública, numa exploração pecuária da Região do Torrão. Neste âmbito, o Exército dispõe do Sistema de Defesa Biológica do Exército (SOBE) que tem como missão responder a crises provocadas por ameaças biológicas e emergências epidemiológicas. Este sistema do Exército tem capacidade autónoma de actuação e empreende acções de detecção, avaliação e resposta, compreendendo três componentes: uma rede de vigilância epidemiológica, com funções de detecção e avaliação; uma força de intervenção epidemiológica, com funções de implementação de medidas de controlo e descontaminação; e uma estrutura médico-hospitalar com capacidade para internamento/isolamento, tratamento e profilaxia de doenças infecciosas de alta morbilidade e/ou mortalidade. Após uma análise da situação no terreno, foram empenhados: dois Médicos Veterinários do Laboratório de Defesa Biológica; 16 militares da Companhia de Defesa NBQ da Escola Prática de Engenharia e, 20 militares do Regimento de Engenharia N° 1. Os meios do Exército efectuaram a operação de desinfecção do local e removeram os cadáveres dos animais mortos para uma vala, onde foram incinerados. O Laboratório de Defesa Biológica do Exército constituise como um dos componentes do SDBE, colabora na vigilância epidemiológica dos agentes biológicos, investiga e desenvolve metodologias para o estudo e detecção de agentes microbiológicos e tóxicos, passíveis de serem usados em actos de guerra ou de terrorismo e conduz projectos de I&D em matérias relacionadas com a Defesa Biológica. Este Laboratório foi inaugurado em 13 de Fevereiro de 2006, quando estava na ordem do dia o alastramento do vírus H5N1 – e teve a sua origem num projecto de investigação sobre bioterrorismo, vigilância e protecção, no contexto do pós – 11 de Setembro. 7 FIGURAS e FACTOS O Comando do Pessoal Dia Festivo e programa D. Afonso Henriques E m consonância com o estabelecido no Plano Geral de Comunicação do Exército (2007-2009), e aproveitando datas simbólicas e festivas, têm vindo a ser planeadas e realizadas actividades visando uma crescente visibilidade e a afirmação da imagem do Exército como uma instituição dinamicamente aberta à sociedade civil e cujo desempenho se caracteriza pela qualidade e excelência. Exemplo disso foi o Dia Festivo do Exército, em que este Comando aproveitou para organizar um Ciclo de Conferências intitulado O Dia do Exército e a Tomada de Lisboa, no Salão Nobre do Quartel de Santo Ovídio (QSO), composto por quatro painéis relacionados com aquele facto histórico, que se descrevem: 24OUT07 Painel I: “A Guerra no Período de D.Afonso Henriques” – Major Abílio Lousada, do IESM; Painel II: “A Realeza de D.Afonso Henriques” – Professor Dr. Luís Carlos Amaral, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; 16JAN08 Painel III: “A Guerra e as Cidades – evolução do combate urbano”, pelo Tenente-Coronel Correia Neves, do Comando do Pessoal; Painel IV: “A Conquista de Lisboa”, pela Profª Drª Paula Pinto, da Faculdade de Letras do Porto. Mais recentemente, aproveitando o Dia Festivo do Comando do Pessoal, ao qual foi associado o da Direcção de Administração de Recursos Humanos, em 26 de Novembro último, realizou uma série de eventos, nomeadamente um Concerto de Gala, com a Banda Militar do Porto, na Casa da Música – Porto, uma exposição sobre “O humor no Jornal do Exército, entre 1961 e 1974”, no QSO e, a encerrar, o «I Torneio de Golfe do Comando do Pessoal». Com o objectivo de aproveitar sinergias e economizar meios, parte daqueles eventos foram integrados no Programa D. Afonso Henriques – Patrono do Exército, que tem vindo a ser implementado por este Comando, com iniciativas diversas de natureza cultural, recreativa, desportiva e de ocupação de tempos livres, de que são exemplos recentes as seguintes: 20SET07 – Concerto de Verão do Comando do Pessoal do Exército, na Praça General Humberto Delgado, no Porto; 24NOV07 – Concerto de Gala do Comando do Pessoal, realizado na Sala Suggia, da Casa da Música, no Porto, por ocasião do Dia do Comando do Pessoal; 26NOV07 – Exposição “O humor no Jornal do Exército, entre 1961 e 1974”, no QSO, por ocasião do Dia do Cmd Pess; 01DEZ07 – “I Torneio de Golfe do Comando do Pessoal”, realizado no City Golfe, na cidade do Porto, por ocasião do Dia do Comando do Pessoal; 12DEZ07 – 1ª Conferência “A saída da Família Real para o Brasil”, no âmbito das Comemorações do Bicentenário das Invasões Francesas, proferida pelo Prof Doutor Manuel Amaral, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Planeadas: 26JAN08 – I Torneio de Bridge do Programa D. Afonso Henriques - Patrono do Exército; 30JAN08 – 2ª Conferência “A saída da Família Real para o Brasil”, no âmbito das Comemorações do Bicentenário das Invasões Francesas, proferida pelo Prof Dr Jorge Ribeiro, da Faculdade de Letras do Porto. 8 FIGURAS e FACTOS Seminário de Outono da Academia Lusitana de Heráldica R ealizou-se no passado dia 24 de Novembro, nas caves manuelinas do Museu Militar, em Lisboa, o tradicional “Seminário de Outono”, organizado pelaAcademia Lusitana de Heráldica. Ao evento, que assinalou a carreira de ilustre heraldista do Coronel de Cavalaria Jorge Alberto Guerreiro Vicente, Director do Gabinete de Heráldica do Exército de 1979 a 1992, associaram-se a Academia de Heráldica do Algarve, o Centro Lusíada de Estudos Genealógicos e Heráldicos da Universidade Lusíada, o Instituto de Estudos Histórico-Militares Napoleão I e a Academia Portuguesa de Ex-Líbris. Das entidades presentes, destacam-se o Major-General Matos Coelho, Director da Direcção de História e Cultura Militar, em representação do Exército, o Tenente-General Guilherme de Sousa Belchior Vieira, antigo Director desta Direcção, o Major Nuno Andrade, Director do Arquivo Histórico, Museu e Biblioteca da Guarda Nacional Republicana, o Dr Armindo de Carvalho, da Diácria Multimédia, a Drª Ana Bramão Ramos, Directora de Comunicação e Relações Públicas da Câmara Municipal de Sintra, para além de muitos académicos das diversas instituições representadas e de interessado público. O período da tarde foi dedicado à apresentação de comunicações que versaram temas essencialmente heráldicos, designadamente O Uso e Abuso dos Símbolos Nacionais, pelo Major-General Ferreira Almeida; A Representação dos Elementos dos Reinos Animal e Vegetal no Armorial de Guerreiro Vicente, pelo Prof Dr Paulo Morais-Alexandre; Preciosa Herança, pelo Tenente-Coronel Pedroso da Silva; Influências da Guerra Peninsular na Heráldica e Vexilologia Castrenses, pelo Tenente-Coronel Pedroso da Silva e Tenente Sanches de Baêna; De Aldeia Galega a Montijo - Evolução da Heráldica Usada pela Autarquia, pelo Dr. Joaquim Baldrico; Das Armas do Tempo Antigo nas Armas do Tempo Futuro, pelo Dr Fernando Correia da Silva; A Bandeira Nacional e a República Portuguesa: Raízes Heráldico-Simbólicas numa Epístola Revolucionária, pelo Dr Jorge de Matos; Cruz-deGuerra, uma Medalha Verdadeiramente “Democrática”, pelo Prof Doutor Humberto Nuno Oliveira. Na sua intervenção Preciosa Herança, o Tenente-Coronel Pedroso da Silva afirmou que, na impossibilidade de traduzir por palavras o sentimento de profunda gratidão que nutre pelo seu antecessor, iria apenas deixar alguns “instantâneos” do muito que o marcou desde o ano em que teve o privilégio de conhecer o Coronel Guerreiro Vicente: 1988. Referiu-se a múltiplos aspectos da marcante personalidade do homenageado, como a afabilidade, a energia, o rigor, a objectividade e um fino e inteligente senso de humor, capaz de desconcertar qualquer interlocutor, sem esboçar o mais leve sorriso e sempre com uma notória economia de palavras. Quanto à produção heráldica, o Tenente-Coronel Pedroso da Silva teve o ensejo de se referir às “pedras de toque” de toda a criação das armas no período de 1979 a 1992. Uma delas, a vasta cultura do Coronel GuerreiroVicente, de que resultaram, por exemplo, nas nossas armas, múltiplas alusões míticoreligiosas que não se ficaram pela Mitologia Grega ou pelo Catolicismo, afinal as nossas referências mais imediatas.A outra, a simplicidade conseguida com enorme economia de elementos, bem patente nas armas do Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, da Direcção de Administração de Recursos Humanos, da Escola de Sargentos do Exército, do Centro Militar de Electrónica, do Batalhão do Serviço de Saúde, dos Centros de Recrutamento de Braga, Coimbra e Évora, do Arquivo Geral do Exército, e tantas outras. A jornada científica e cultural terminou com um jantar de convívio no Clube dos Empresários, durante o qual diversos oradores caracterizaram a postura e a extensa obra do homenageado. Neste contexto, o Major-General Matos Coelho aproveitou a ocasião para anunciar a criação noArquivo Histórico-Militar do fundo “Coronel Guerreiro Vicente”, que reunirá toda a documentação relativa à Heráldica, notícia que foi recebida com júbilo por todos os presentes. Coronel Vicente Corta-Mato Escolar R ealizaram-se no dia 18 de Janeiro, nas instalações da Área Militar Amadora/Sintra, os XXI Jogos Juvenis Escolares da Amadora - Corta-Mato Escolar. Cerca de 1500 alunos participaram, envolvendo as Escolas Básicas 2, 3 e Secundárias do Município. O Exército apoiou a realização do evento através da cedência das instalações e facultando apoio logístico. 9 FIGURAS e FACTOS Dia Festivo do CSDE N o dia 12 de Dezembro, o Conselho Superior de Disciplina do Exército (CSDE) comemorou mais um aniversário, em cerimónia revestida de solenidade, a qual foi presidida pelo respectivo Presidente, TenenteGeneral Manuel Bação da Costa Lemos, e teve lugar no 10 Palácio Vilalva, nas recentes instalações deste Órgão do Exército. O dia festivo começou com o hastear da Bandeira Nacional. Seguiu-se a cerimónia num dos salões nobres do Palácio, tendo estado presentes, para além dos militares e civis do CSDE, os representantes dos restantes Órgãos do Exército aquartelados no Palácio Vilalva. No início da cerimónia foi lida uma resenha histórica do Conselho Superior de Disciplina do Exército, cuja existência remonta a meados do século XIX. Por Carta de Lei de 14 de Julho de 1856 são criados os Conselhos de Disciplina e na sequência de algumas alterações entretanto verificadas, em 12 de Dezembro de 1896, por Decreto, é publicado o novo Regulamento de Disciplina do Exército que cria o Conselho de Disciplina do Exército, mantendo no entanto os Conselhos de Disciplina Regimentais (de corpo), mas abolindo os Divisionários. Ao Conselho de Disciplina do Exército compete, entre outras atribuições, dar parecer sobre a capacidade moral dos Oficiais do Exército, sendo composto por cinco Generais de Divisão, os mais antigos do quadro do EstadoMaior-General; este Conselho tinha composição, atribuições e funcionamento próximo do actual. Como resultado do processo de transformação do Exército operada através da Lei Orgânica do Exército, Decreto-Lei nº 61/2006, de 21 de Março e posteriormente regulamentada através do (Decreto Regulamentar nº 73/ 2007 de 29 de Junho), o Conselho Superior de Disciplina do Exército (CSDE) é um órgão de Conselho do Chefe do Estado-Maior do Exército, tendo como missão apoiar as decisões em assuntos especiais relativos à disciplina. Após a apresentação da resenha histórica do CSDE, usou da palavra o seu Presidente: “As minhas primeiras palavras são de saudação amiga a todos os presentes, particularmente aos nossos ilustres convidados, a quem agradecemos, reconhecidos, a disponibilidade para se associarem a este evento e ao Exmº Tenente-General Fialho da Rosa que, há poucos dias, passou a integrar o nosso Conselho, valorizando-o, mercê da sua vasta experiência militar de cariz eminentemente humanista (...) Comemoramos, por isso, hoje, o seu 111º aniversário com esta simples e espartana cerimónia, evocativa de um mister de décadas, sempre inspirado na expressiva Divisa: “CONDUTA FIRME, MAS HUMANA”. Após a mensagem do Presidente do CSDE, teve lugar a imposição da medalha de comportamento exemplar, grau cobre, ao Cabo-Adjunto Nuno Cupido. A cerimónia comemorativa do Dia do CSDE terminou com o já tradicional Porto de Honra e com o brinde a todos os presentes. FIGURAS e FACTOS 171º Aniversário da Academia Militar P residida pelo CEME, General Pinto Ramalho, realizou-se em 12 de Janeiro, na Academia Militar, a cerimónia comemorativa do seu 171º aniversário. AAcademia Militar toma esta designação em 1959 e tem o seu antecedente histórico na Escola do Exército, fundada em 12 Janeiro de 1837 pelo Marquês de Sá da Bandeira. As comemorações tiveram início na véspera, com a missa de sufrágio pelos militares e civis da Academia Militar já falecidos, realizada na capela da Academia Militar, e pelo concerto da Banda Sinfónica do Exército, actuação que ocorreu no Auditório do aquartelamento da Academia Militar, na Amadora. No dia 12, de realçar a cerimónia de homenagem aos antigos alunos mortos pela Pátria, no Palácio da Bemposta; a cerimónia militar na parada "Capitão de Sousa", com a prestação das honras regulamentares à Alta Entidade que preside à cerimónia, Incorporação do Estandarte Nacional, alocução do Comandante da Academia Militar e leitura da mensagem do General CEME, imposição de condecorações e desfile das Forças em Parada. O Tenente-General Paiva Monteiro, Comandante da Academia Militar, no seu discurso proferiu uma introdução histórica sobre a Academia, as suas individualidades e a sua importância ao longo dos tempos. Frisou o período de mudanças que a sociedade atravessa, repercutindo-se na diversidade e na multiplicidade das missões e dos desafios que são colocadas às Forças Armadas e Forças de Segurança. Referiu algumas reestruturações relativas aos cursos e alguns dos problemas que a Academia tem vindo a enfrentar. O General Pinto Ramalho, na sua mensagem, prestou tributo à Academia pelo seu notável percurso, valores éticos, morais e institucionais, considerando a formação equilibrada e ajustada. Destacou os desafios da modernidade, entre eles, a adaptação aos princípios subjacentes ao processo de Bolonha. A cerimónia teve o seu culminar com o tradicional jantar de confraternização dos antigos alunos da Academia Militar. O refeitório de alunos parecia pequeno para acolher todas as gerações de alunos que marcaram presença. A nostalgia e a saudade não têm idade e fez-se sentir em todas as gerações, em torno de um grito: “Academia!”. Exercício Militar "Kabul 081" D ecorreu em Beja, entre os dias 8 e 18 de Janeiro, apoiado pelo Regimento de Infantaria nº 3, o Exercício "KABUL 081", integrado no aprontamento da Força de Reacção Rápida (RRF - Rapid Reaction Force), que partirá para o Afeganistão, ainda em Fevereiro. Estiveram envolvidos, neste exercício, cerca de 300 militares da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR) - a maioria dos quais Comandos -, de onde saíram os 150 que, chegados ao Teatro de Operações (TO), no Afeganistão, para uma missão de seis meses, renderão o efectivo de 157 militares - maioritariamente Pára-quedistas - que lá se encontra. Segundo o Tenente-Coronel Silva Perdigão, da Repartição de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo do Gabinete do Chefe do Estado-Maior do Exército, neste exercício foram avaliadas "as capacidades de coordenação, controle e condução de operações idênticas às verificadas nos Comandos Regionais, estabelecidos no TO do Afeganistão". Num cenário concebido para ser próximo da realidade que estes militares encontrarão, conforme os riscos e as ameaças daquele espaço, o exercício "KABUL 081" incidiu sobre operações de combate ao terrorismo, mobilidade terrestre, controle descentralizado e controle de tumultos. No dia 16 de Janeiro, e no âmbito desta operação, houve oportunidade para uma visita à Área do Exercício, aberta aos Órgãos de Comunicação Social, contando, também, com a presença de alunos de uma escola da região de Beja. 11 FIGURAS e FACTOS Um Príncipe deixou-nos O Major-General José Manuel Carrilho Ribeiro deixou-nos na última quinta-feira do ano findo. Foi como assistente de Clínica Médica que o conheci, em 1973. Desde então ficámos ligados por uma daquelas relações sem aparente espessura, mas, na realidade, dotadas de uma forte consistência, provada pelo tempo e pelos factos. Marcou indelevelmente a minha vida e a de muitos outros, como professor de Medicina, médico, médico militar, destacado servidor público e homem de cultura. A sua personalidade, sendo forte e carismática, era moldada por uma sólida educação que mantinha um dos seus traços mais apreciados, a afabilidade, dentro dos elegantes limites que o tornavam especialmente sedutor para os que com ele conviviam. Sendo firme, nunca testemunhei alterações do humor que os normais humanos sentem, por vezes, necessidade de expressar. Como tantas vezes ouvi repetir, era um verdadeiro cavalheiro. Naturalmente, a sua carreira espelhou as suas qualidades. Nascido em Abrantes, foi dos melhores alunos do “seu” Liceu Nacional de Santarém. Na Faculdade e em todos os internatos e concursos foi o melhor ou dos melhores. A sua inquietude científica levou-o à frequência de diversos cursos e estágios em Itália, na Alemanha e nos Estados Unidos da América, enriquecendo, ainda mais, a sua excepcional e eclética personalidade. Tendo sido um dos pioneiros, em Portugal, da maioria das técnicas associadas à endoscopia digestiva, também foi introdutor, no nosso meio, da “ultrassonografia abdominal”. Notabilizado como gastrenterologista, foi eleito pelos seus pares para a presidência dos mais importantes órgãos nacionais e internacionais da especialidade. A sua carreira académica decorreu, primeiro, na Faculdade de Medicina de Lisboa, como assistente convidado e, depois do doutoramento pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em 1984, como Professor desta Faculdade. Mercê do seu empenhamento particular, levou o ensino prático da Medicina e Cirurgia ao Hospital Militar Principal e, pode dizer-se, foi do seu trabalho, elaborado no âmbito do Curso Superior de Comando e Direcção, no Instituto de Altos Estudos Militares, em 1986/1987, que partiu o lançamento dos Cursos de Saúde da Academia Militar cujos efeitos positivos no sistema de saúde militar começamos, agora, a apreciar. A sua carreira militar foi tão brilhante no desempenho que se pode afirmar, sem risco de errar, que houve um tempo antes e um tempo depois da sua passagem como Director do Hospital Militar Principal e dos Serviços de Saúde do Exército. Antes, estivera em Moçambique eAngola, durante a Guerra, e fora Chefe dos Serviços de Gastrenterologia dos Hospitais Militares de Luanda e Principal, em Lisboa. Após passar à situação de reserva, foi chamado a mais uma missão de serviço público, para as funções de Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, cargo que, uma vez mais, desempenhou com brilho, honra e sabedoria. Dono de uma capacidade de trabalho impressionante, foi modelo e motivação para muitos de nós. Todos os que o conhecíamos ficámos mais pobres. E mais sós. Até sempre, Professor. Nosso Director. Nosso General. Nosso Amigo. Como seus discípulos, honraremos a sua memória e a sua Família, para sempre. José Carlos Nunes Marques, Major-General (médico) Rectificação N o JE nº567 de Novembro 07, escrevemos que o dia da Brigada de Reacção Rápida, na celebração religiosa, foi a Banda Militar de Évora quem solenizou com cânticos e musica a cerimónia. Mas quem o fez foi o Coro da Escola Prática de Engenharia reforçado por alguns elementos da própria Brigada de Reacção Rápida. Pelo lapso, lamentamos o ocorrido. TABELA DE PREÇOS PARA 2008 PREÇO DE CAPA € 2,10 ASSINATURA ANUAL (11 números) VIA SUPERFÍCIE - Portugal Cont. Madeira e Açores € 19.00 VIA AÉREA - Países europeus € 44,00; Restantes Países € 63,50 NOTA: As assinaturas devem ser pagas antecipadamente NÚMEROS ATRASADOS - 1960 a 1969 € 3,88; 1970 a 1979 € 3,62; 1980 a 1989 € 2,85; 1990 a 2003 € 2,48; 2002 a 2006 € 2,00 Os preços incluem IVA à taxa de 5% Preço da Encadernação do JE do ano de 2005 € 27,95 c/IVA incluído N.B.: Os pedidos de envio pelos CTT serão acrescidos de portes segundo os códigos postais: 1000/2000 € 4,21; 3000/8000 € 5,79; Açores e Madeira € 6,56. 12 FIGURAS e FACTOS JE tem novo Chefe de Redacção N o passado dia 21 de Janeiro, apresentou-se no Jornal do Exército, nos termos do despacho de 17 de Dezembro de 2007 do Major-General DARH, o Tenente-Coronel QTS, na Reserva, NIM 16633768 – João Manuel Andrade Pinto Bessa, a fim de desempenhar as funções de Chefe de Redacção deste Órgão militar, substituindo, assim, o Major QTS, na Reserva, NIM 04361364 – Francisco Marques Fernando que, nos termos do mesmo despacho, passou a desempenhar o cargo de Assessor do Director do Jornal do Exército. O Tenente-Coronel Pinto Bessa tem o Curso Superior de Gestão de Empresas, o Mestrado em Relações Internacionais e é Auditor do Curso de Defesa Nacional e do Curso de Política Externa Nacional. Foi Ajudante-deCampo do General CEME, do Governador Militar da Madeira e do Governador Militar de Lisboa; foi Chefe de Gabinete do Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Adjunto do Director do Instituto de Defesa Nacional e Secretário do Supremo Tribunal Militar. Tem diversas condecorações e louvores, nomeadamente as medalhas de Mérito Militar de 2ª e 3ª classes e as medalhas de D. Afonso Henriques, de 2ª e 3ª classes; tem, também, a Comenda da Ordem de Cavalaria do Stº Sepulcro de Jerusalém, do Estado da Santa Sé. Vinte Anos P arece e é uma vida. Mas foi há vinte anos que deixei o Jornal do Exército para cumprir outra missão. O que era o mundo em 1988? Muito mais pacífico que agora. A Gerra-fria aproximava-se inexoravelmente do seu final, deixando o mundo de ser bipolar para se tornar unipolar, com uma potência, os EUA, a liderar o Mundo. Na CEE, ainda a 12 pares, Margaret Thatcher (no Reino Unido, tinha sido eleita primeira ministra, pela primeira vez); Kohl, Chanceler da República Federal da Alemanha, tivera em 1987 a maioria absoluta, assim como Guterres, em Portugal, fora primeiro-ministro. O mundo era mais calmo e tranquilo. Não se previa ainda a queda do Muro de Berlim e muito menos a reunificação da Alemanha, ou o 11 de Setembro; não se previam os conflitos no Golfo e as suas pesadas consequências... 2008! Regresso a este JE, vinte anos depois, para chefiar esta Redacção, com júbilo e motivação! Redacção essa que foi, ao longo destes anos, chefiada pelo meu antecessor, o Major Marques Fernando, com inexcedível competência e alto profissionalismo. O JE transformou-se noutro Jornal, mais abrangente, mais profissional, mais técnico, e internacionalizou-se ao ser distribuído por todos os países onde Portugal está presente. O que traz mais responsabilidades na sua feitura e composição. O JE necessita da colaboração da massa crítica existente no Exército. Temos especialistas em todas as áreas, aos quais iremos pedir mais colaboração, mais atenção e mais dedicação. Porque é ao Exército que pertencemos e a ele devemos a primazia dos conhecimentos e informações. Pinto Bessa Dia da Arma de Artilharia e da Escola Prática de Artilharia N o dia 4 de Dezembro decorreu, na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, a Cerimónia do Dia da Arma de Artilharia e da EPA, presidida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), o General Pinto Ramalho. O dia amanheceu com a Alvorada Festiva, seguida da tradicional Cerimónia do Içar da Bandeira. Antes do início da cerimónia protocolar, houve ainda lugar para uma Missa de Homenagem aos Mortos, na Capela da Escola. O General CEME foi recebido, às 10h30, na Parada ElRei D. Pedro V, onde lhe foram prestadas as devidas honras militares, contando com uma Bateria de Artilharia que executou as Salvas regulamentares. A Cerimónia continuou, depois, na Parada General Bernardo de Faria, tendo estado presentes o General Loureiro dos Santos, o Tenente-General Ferreira da Silva, Director Honorário da Arma de Artilharia, o Comandante do Pessoal, o Tenente-General Lima Pinto e outras ilustres personalidades, militares e civis, bem como os Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis que prestam, ou prestaram serviço naquela Unidade. Depois da actuação da Banda Militar de Évora, que abrilhantou a ocasião, efectivos da EPA e do Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, de Queluz, deram corpo a uma demonstração subordinada ao tema A Evolução do Sistema de Artilharia, onde foram comparados alguns materiais que equipavam a Artilharia no passado e os utilizados actualmente. A completar 146 anos de existência, a EPA marcou estas comemorações com a inauguração do Centro de Simulação de Apoio de Fogos e Efeitos (CESAFE), que integra as capacidades do Sistema Automático de Comando e Controlo e do Sistema de Simulação INFRONT. A celebração deste aniversário culminou num almoço de confraternização e com a assinatura do Livro de Honra da Unidade pelo General Pinto Ramalho. 13 “Cavalaria Ligeira” S.d.[ca. 1894]. Aguarela a cores, in: “Uniformes militares portugueses - Legião portuguesa (1808-1813)”, por Ribeiro Artur. AHM/DIV/1/15/1/48-0051 14 O Arquivo Histórico Militar (AHM) tem a responsabilidade da guarda e catalogação de todos os documentos de valor histórico relativos ao Exército Português, bem como os que possam ter interesse do ponto de vista bibliográfico-militar, de acordo com Decreto 123/73, de 24 de Março. A sua missão foi actualizada pela Portaria Nº 272/ 2000, de 22 de Maio, passando o Arquivo a ser encarado como a entidade arquivística com competência para proceder à guarda, tratamento e preservação de todos os documentos de valor histórico relativos ao Exército. Para cumprir a sua missão e com o objectivo de criar instrumentos de consulta capazes de facilitar a recuperação da informação, o AHM centrou a sua atenção na descrição documental dos seus fundos e colecções arquivísticas. Para o efeito, definiu um conjunto de normas internas para a descrição com base na aplicação das normas internacionais - ISAD(G) e ISAAR(CPF) - e, sempre que necessário, criando normas próprias para casos específicos, com especial incidência para a indexação. A descrição arquivística, sendo uma das etapas fundamentais na cadeia documental, pode ser definida como a identificação das unidades arquivísticas, através da análise das características internas e externas dos respectivos documentos, sintetizada em instrumentos de descrição documental, que permitem o controlo e a acessibilidade aos fundos arquivísticos. Neste sentido, o AHM tem vindo a efectuar um enorme esforço no sentido de descrever e digitalizar a sua documentação mais antiga, por forma a evitar a sua degradação por manuseamento excessivo e a criar condições para um depósito descentralizado, em relação ao local de consulta. Este esforço traduziu-se na descrição e digitalização de quase toda a documentação do Arquivo dos séculos XVI e XVII e de grande parte do século XVIII, num total aproximado de 200.000 imagens efectuadas ao longo dos últimos cinco anos. No entanto, os problemas surgem quando se analisa a documentação do século XIX, pois só a primeira metade desse século é constituída por dez vezes mais documentação do que a dos três séculos anteriores. Para colmatar em parte esta situação, o AHM candidatou-se, em 2005, ao Programa Operacional da Cultura (POC), coordenado pelo Ministério da Cultura, apresentando o projecto “Da Guerra Peninsular à Regeneração (1801 - 1851)”, com o objectivo de descrever, digitalizar, disponibilizar em rede e publicar em inventários, toda a documentação que possui relativa ao período de 1801 a 1851, num total aproximado de 50.000 descrições documentais e de 1 milhão e 330 mil imagens digitalizadas. O AHM candidatou-se, em 2005, ao Programa Operacional da Cultura (...) com o objectivo de descrever, digitalizar, disponibilizar em rede e publicar em inventários, toda a documentação que possui relativa ao período de 1801 a 1851, num total aproximado de 50.000 descrições documentais e de 1 milhão e 330 mil imagens digitalizadas O Programa Operacional da Cultura (POC) para apoio a projectos de tratamento e digitalização de arquivos, está integrado no III Quadro Comunitário de Apoio que gere verbas comunitárias disponibilizadas pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). O projecto em apreço teve enquadramento na Medida 2.2. Utilização das Novas tecnologias da Informação para acesso à Cultura e na Acção 3 - Tratamento e Digitalização dos Arquivos, Fundos Bibliográficos e do Património Musical Português, cuja edição seja de manifesto interesse cultural, que visa contribuir para a valorização e divulgação do acervo documental e bibliográfico, existente em Arquivos e em Bibliotecas. Esta acção tem por objectivo o apoio, sobretudo no tratamento e digitalização de documentos para posterior divulgação em suportes variados, envolvendo o conjunto de investimentos necessários à transmissão de dados à distância, às consultas electrónicas e à transferência de suportes, bem como à sua difusão. 15 A documentação em causa é de uma excepcional importância para a História militar, política e institucional daquele período, pois nela estão incluídos alguns dos mais importantes espólios do AHM, como os da Guerra Peninsular; o comando do marechal Beresford; a implantação do Liberalismo e os dois arquivos da Lutas Liberais D. Pedro IV e D. Miguel; e o período liberal de 1834 a 1850, incluindo o Setembrismo, o Cabralismo, Maria da Fonte e Patuleia. Esta colecção, composta por 16 secções pertencentes ao Grupo de Fundos da 1ª Divisão relativa às Campanhas na Europa e Metrópole, com um total de 1612 caixas de arquivo, é constituída por documentação de diversas proveniências agrupada por épocas cronológicas, nomeadamente: 1/13 - Comando do Conde de Goltz (18011807), com 64 cx. com 1278 processos manuscritos compreendidos entre 1761 e 1874. 1/14 - Campanhas da Guerra Peninsular (18071814), composta por 512 cx. com processos manuscritos datados de 1778 a 1898. 1/15 - Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão (1805 - 1814), composta por 1 cx. com 50 documentos datados de 1808 a 1898. 1/16 - Comando do Marechal Beresford (18141820), composta por 123 cx. com processos manuscritos datados de 1714 a 1828. 1/17 - Estabelecimento do regime Liberal (1820-1823), composta por 57 cx. com processos manuscritos e alguns impressos, compreendidos entre 1801 - 1828. 1/18 - Restabelecimento do Regime Absoluto (1823-1826), composta por 101 cx. com processos manuscritos, de 1823 - 1826. 1/19 - Carta Constitucional. Lutas Liberais (1826-1834), composta por 325 cx. com processos manuscritos e alguns impressos, datados de 1741 a 1898. 1/20 - Governo de D. Miguel (1828-1834), composta por 203 cx. com processos manuscritos e alguns impressos, datados de 1754 - 1844. 1/21 - Operações contra os guerrilheiros miguelistas (1834-1844), composta por 20 cx. com processos manuscritos e alguns impressos, datados de 1826 - 1851. 1/22 - Revolução Setembrista (1834-1837), composta por 54 cx. com processos manuscritos e impressos datados de 1761 - 1858. 1/23 - Expedição Auxiliar a Espanha (19351937), constituída por 12 cx. com 352 processos manuscritos relativos a 1822 - 1881. 1/24 - Revolta dos Marechais (1837), constituída por 3 cx. com 92 documentos manuscritos, datados de 1835 - 1864. 16 "Cavalaria". Desenho a p/b, in: "Notas sobre a Legião Portuguesa" (cópia), do espólio do general Ribeiro Artur. AHM/DIV/1/15/1/50-0007 1/25 - Restauração da Carta Constitucional. Cabralismo (1837-1844), composta por 66 cx. com processos manuscritos e alguns impressos, datados de 1815 - 1859. 1/26 - Revolta de Torres Novas e Cerco de Almeida (1844), constituída 6 cx., 85 processos manuscritos, datados de 1840 - 1850. 1/27 - Maria da Fonte e Patuleia (1846 - 1847), composta 23 cx. com processos manuscritos e alguns impressos datados de 1840 a 1882. 1/28 - Da Guerra Civil à Regeneração (1844 1851), constituída por 42 cx. com processos manuscritos e alguns impressos datados de 1820 a 1860. No entanto, estas colecções não se encontram organizadas, uma vez que os documentos foram reunidos e colocados nas secções respectivas por ordem sequencial de entrada no AHM, segundo a organização do seu património documental de 1931. Esta situação, juntamente com a dimensão da colecção e com a impossibilidade de, em tempo útil, se proceder à organização arquivística dos documentos, determinou o tipo de descrição a efectuar, nomeadamente, o preenchimento apenas da zona da identificação das ISAD(G) compreendida pela cota, título, datas e dimensões, permitindo a elaboração de inventários de “Cavalaria”. Desenho a p/b, in: Apontamentos sobre os “Uniformes militares portugueses - Legião Portuguesa (18081813)”, por Ribeiro Artur. AHM/DIV/1/15/1/48-0005 documentos por cada secção. Optou-se, assim, por uma descrição de nível documento, mas de carácter mais geral, e cuja descrição foi acompanhada pela criação de pontos de acesso ao nível da indexação.As palavras-chaves ordenadas alfabeticamente em índices gerais auxiliam a recuperação da informação permitindo relacionar os documentos com informações relativas a pessoas, lugares, assuntos e datas, utilizando-se, para o efeito, a tabela de descritores temáticos e tipológicos criada pelo AHM por forma a uniformizar as entradas descritivas. Procedeu-se também ao acondicionamento e carimbagem dos documentos destas secções, mantendo-se as cotas originais, salvo algumas excepções que exigiram intervenções ao nível do tratamento dos processos por parte dos técnicos do AHM. Nesta situação podemos realçar a 20ª Secção, relativa ao Governo de D. Miguel, cujos documentos se encontravam bastante dispersos, optando-se por reuni-los em processos, ou no caso dos boletins de vencimentos da 14ª Secção, relativa à Guerra Peninsular, acondicionados em maços volumosos, pelo que se procedeu à sua separação por unidades militares. Toda a informação conseguida através da descrição documental e das respectivas imagens digitais será disponibilizada através da rede interna do AHM na Sala de Leitura e colocada na página da Internet do Exército Português (www.exercito. pt), através da sua base de dados (InfoGest/ ArqGest). O acesso a esse corpo informativo será público e livre, nomeadamente a reprodução digital para fins académicos e científicos ou no âmbito de outros estudos e investigações, com excepção do uso para fins comerciais. As descrições e imagens digitalizadas permitem a transferencia para suporte digital de toda a informação conservada no documento e foram incluídas na base de dados (InfoGest/ArqGest), que admite a pesquisa a todo o texto por campos e palavras-chaves, de forma a facilitar a pesquisa e a visualização dos documentos relativos às colecções tratadas. As imagens foram gravadas, após a descrição e indexação dos documentos, em formato TIFF (Tag Image File Format), a uma resolução de 600 dpi, com a definição de cor a 8 bit para as imagens em escala de cinza e 24 bit para as imagens a cores e no sentido da sua leitura, não sendo necessário qualquer tipo de rotação por parte do utilizador. Incluiu-se no cabeçalho das imagens os metadados relativos a dados administrativos e estruturais (hardware e software utilizados), em conformidade com a norma ANSI/NISO - Z3987 de 2002 e ANSI/AIIM 20 - 2002 “Data DictionaryTechinacal Metadadta for digital Still Images”. Neste contexto, a digitalização deste acervo documental foi elaborada de acordo com o “Esquema de Metainformação [Metadata Schema]” desenvolvido pelo AHM, segundo as directrizes definidas pelo IAN/TT e com base nas LC , NIZO e CEDARS . Finalmente, no dia 9 de Novembro de 2007 realizou-se na Academia Militar, em Lisboa, o workshop dedicado à apresentação do projecto 418/ 05 - “Da Guerra Peninsular à Regeneração (1801 1851)” com o objectivo de divulgar os resultados obtidos, nomeadamente: Descrição e digitalização de 16 colecções documentais respeitantes à primeira metade do séc. XIX (entre 1801 - 1851); Inclusão dos dados na base de dados do AHM e disponibilização na página da Internet, de forma a poderem ser consultados na Sala de Leitura e pelo público em geral; Elaboração dos inventários respectivos, também em suporte digital e edição de 1 DVD com base no trabalho efectuado. A publicação destes 16 inventários de documentos, compostos por fichas de secção, entradas descritivas para cada documento ou 17 As descrições e imagens digitalizadas permitem a transferencia para suporte digital de toda a informação conservada no documento e foram incluídas na base de dados (InfoGest/ ArqGest) processo e índices gerais, permite, desta forma, disponibilizar aos investigadores um importante acervo documental, até agora praticamente inacessível, por falta de instrumentos de recuperação da informação. Esta situação confere, ao Arquivo Histórico Militar, uma enorme visibilidade e prestígio público devido ao enorme volume de informação disponível na Internet e nunca visto em nenhuma outra página em Portugal, sendo raro as que comunicam com facilidade o seu património documental em acesso directo, mesmo a nível mundial. Representa, por isso, mais um passo no comprimento da missão do Arquivo Histórico Militar e na salvaguarda da memória documental do Exército.JE Texto e gravuras do Arquivo Histórico Militar Instruções para a consulta na Internet: www.exercito.pt - Clik no separador “PATRIMÓNIO CULTURAL” - Clik no separador “ARQUIVO” - Click no separador “PESQUISA” para entrar no InfoGestNet - Escolha o arquivo “Da Guerra Peninsular à Regeneração” no separador Arquivos - Click no separador "PESQUISA" - Escolha o tipo de pesquisa (simples ou orientada), a orientada é uma pesquisa pela árvore de classificação (cota do documento). 18 Coronel Manuel da Silva Os grupos radicais islamitas pertencentes à Al-qai´da ou seus associados, como os neo-taliban, parecem orientar-se pelos seguintes princípios estratégicos gerais: estabelecer um Estado islâmico no coração do mundo islâmico; tornar universal o conflito subversivo; levar o conflito subversivo para o terreno que consideram seu inimigo; seguir os preceitos corânicos (muitas vezes mal interpretados) acerca do combate e da mentalização dos seus seguidores; tentar explicar aos muçulmanos moderados e indiferentes que o Islão está a sofrer uma agressão; mobilizar e responsabilizar todos os muçulmanos para a defesa do Islão. 20 N os dois anteriores artigos, subordinados ao mesmo tema, foi apresentada a evolução do radicalismo de 2001 até à actualidade, centrados no espaço afegão. Neste artigo serão apresentados os princípios estratégicos da Al-qai´da e de alguns sectores neo-taliban com a mesma ideologia. A ideologia islamista radical contempla um conjunto de organizações e grupos com características, objectivos e métodos muito diferentes, embora coexistam aspectos comuns. Em relação aos objectivos, alguns movimentos concentram-se no nível local, procurando derrubar os governos dos respectivos países (com ou sem maioria de muçulmanos). Outros actuam ao nível transnacional, estendendo os seus objectivos aos governos e cidadãos de todos os países que lhes façam frente. A ameaça vem de todos os movimentos islamistas apologistas da violência, independentemente da forma e da doutrinação que leva e incita à sua prática. Reconhece-se que a principal ameaça tem origem nos grupos radicais com a ideologia da Al-qai´da e de grupos similares. 21 Organização A Al-qai´da tem grupos associados em todo o mundo, tal como a principal facção neo-taliban. Na actualidade, não restam dúvidas da aliança entre as principais chefias dos neo-taliban e da Al-qai´da, procurando seguir os mesmos princípios estratégicos. Embora as ligações sejam fortes entre ambas as organizações, os transnacionalistas da Alqai´da parecem dar prioridade a outros espaços, como o Iraque… Julga-se que a liderança operacional da Alqai´da e dos neo-taliban, tem flexibilidade e fluidez. Os principais responsáveis da Al-qai´da deslocaram-se do Médio Oriente para o Afeganistão e depois para o Sudão, tendo posteriormente regressado ao Afeganistão. Desde 2001 que parecem manter-se na Ásia Central, próximo do Afeganistão. As chefias dos neo-taliban também se encontram nas áreas tribais paquistanesas. Apesar da reacção internacional proveniente de todos os quadrantes, as acções terroristas e de guerrilha desencadeadas nos últimos anos demonstram a manutenção da capacidade operacional desta Frente e dos neo-taliban. Aliás, a organização mostrou, até ao momento, que tem capacidade de se regenerar, e a própria liderança operacional poderá ser substituída. De uma forma geral, aAl-qai´da tem estado mais vocacionada para o terrorismo. No caso afegão, os neo-taliban privilegiam a guerrilha em combinação com o terrorismo. Ideologia Sob o ponto de vista ideológico, a Al-qai´da e os grupos congéneres são adeptos do neo-salafismo (ou do regresso às origens). A sociedade que a Alqai´da e estes grupos pretendem construir exige que o Alcorão, em muitos dos seus aspectos, seja interpretado como o era há cerca de 1300 anos. No entanto, o problema maior é a adição às fontes, que dizem sagradas, de uma reinterpretação ultraradical no que concerne à violência. Esta perspectiva foi inserida no Islão por vários doutrinadores, em particular nos finais do séc. XX, tendo como origem alguns ideólogos egípcios e sauditas. Neste âmbito, importa referir que nem todos os neo-salafistas (por vezes designados por radicais wahhabitas ou wahhabitas/salafistas) se enquadram no ponto de vista da Al-qai´da, mormente no que se refere ao método terrorista. A Al-qai´da e seus associados opõem-se aos partidos islamistas moderados que se enquadram, 22 de certa forma, na democracia, como na Turquia. Na sua interpretação do Islão, estas organizações radicais consideram a democracia proibida. Justificam esta oposição dizendo que o Islão lhes oferece um único sistema de governo, ou seja, o califado e as suas instituições. Consideramse também opositores dos islamistas moderados que pactuam com os infiéis, e vêem os xiitas como hostis e descrentes.A sua ideologia é contrária aos direitos humanos, em particular no que respeita às mulheres e às minorias religiosas e sociais. cumprir os horários da oração e o uso da cobertura de cabeça (burqa) pelas mulheres. Era também obrigatório o uso de barba comprida - sob pena de flagelação -, e foram proibidas a televisão e a música profana. Nos estádios desportivos, flagelavam os bêbedos, amputavam as mãos aos ladrões e executavam criminosos, alguns dos quais eram mortos por membros da sua própria família. Foto: Tenente-Coronel João Gouveia Princípios estratégicos da Al-qai´da e dos neo-taliban A moral islâmica radical foi imposta por um organismo formado pelos moutawià, que faziam cumprir os horários da oração e o uso da cobertura de cabeça (burqa) pelas mulheres No caso dos taliban, impuseram pela força a corrente mais extremista do Islamismo, procurando renegar os avanços do mundo moderno, ao tentarem recriar a situação existente na Arábia no século VII. Os taliban conseguiram aplicar as leis islâmicas a toda a sociedade. A moral islâmica radical foi imposta por um organismo formado pelos moutawià, (jovens barbudos de origem popular), que faziam Os radicais transnacionais consideram como alvos os Estados e os cidadãos em geral. A finalidade última da sua luta consiste no controlo dos países muçulmanos moderados, na manipulação dos governos e opiniões públicas ocidentais e muçulmanas moderadas, na fractura das coligações ocidentais e, a longo prazo, no domínio dos países sem maioria muçulmana. Os radicais da Al-qai´da ou associados desta nova Frente Islâmica Radical, associada aos neo-taliban, parecem orientar-se pelos seguintes princípios estratégicos gerais: - Estabelecer um Estado islâmico no coração do mundo islâmico: O movimento pretende controlar um pedaço de terra no coração do mundo islâmico, de onde possa lançar o combate para restaurar o califado mundial. O Afeganistão parece continuar a ser um território de eleição como base estratégica para a Ásia Central e para todo o mundo. O seu principal objectivo pautase pela remoção das forças estrangeiras e/ou da influência externa nas terras muçulmanas, para posteriormente alcançar o poder com maior facilidade. - Tornar universal o conflito subversivo: Consideram que a luta não deve ser travada país a país, mas sim enquadrada numa dimensão transnacional de modo a estabelecer a comunidade islâmica (umma). Por isso, os movimentos devem adoptar a mesma estratégia e combater sob a mesma ideologia. O líder taliban Mullah Omar não deixa dúvidas ao colocar o combate, após 2001, num contexto global. O movimento considera ainda como inimigos internos os países muçulmanos que estão contra a sua ideologia radical e julga o “combate” inevitável, assumindo que é a sua missão e o seu destino. Como já foi referido, a extensão da ameaça é significativa, alargando-se a todo o mundo, mas com maior ênfase nos países onde existem comunidades de muçulmanos. Consideram que só através do conflito armado 23 A imagem que todos os radicais pretendem passar, em todos os espaços, é a de que as forças do Ocidente são adversárias de todo o Islão, incluindo o moderado o Islão será capaz de se libertar dos infiéis e instaurar um califado para espalhar o Islão a todo o mundo. Estes movimentos reconhecem vários elementos da jihad: a informação, a doutrinação, a formação e o conflito armado. Em relação ao tempo de duração da jihad, Bin Laden afirmou, no início de 2002, e na esteira de radicais egípcios mais recentes (tal como Qutub) “Esta guerra está no princípio... Portanto, se formos mortos ou capturados, ou se os inimigos de Alá conseguirem obter uma vitória, não devemos esquecer que o caminho é longo e que os muçulmanos têm de o percorrer até ao dia do juízo final”. - Levar o conflito subversivo para o terreno que consideram seu inimigo: A Al-qai´da pretende conduzir acções suicidas em larga escala cujo alvo não são só os EUA, mas também os países considerados seus inimigos, incluindo os países muçulmanos moderados. Assim se explicam as acções executadas contra os EUA, o Reino Unido, a França, a Espanha e a Rússia, e as ameaças feitas à Itália, à Austrália, etc. Recorde-se que a actuação contra os EUA e a França, por exemplo, já se fazia sentir desde os anos 90, muito antes da intervenção no Afeganistão e no Iraque. Em 2006 os neo-taliban alinhados com a Alqai´da admitiram aplicar esta orientação invocando que nos países onde vigoram as democracias (Ocidentais) os eleitores são responsáveis pelas decisões dos governos. - Seguir os preceitos corânicos (muitas vezes mal interpretados) acerca do combate e da mentalização dos seus seguidores: As acções violentas e o terrorismo com motivações político-religiosas não são algo de 24 desorganizado. São guiados por uma lógica própria e comum a diferentes grupos que utilizam a violência política, com a finalidade de fazer progredir uma causa que consideram sagrada. A fundamentação dos radicais islamistas, incluindo os neo-taliban, é feita com base na interpretação de aspectos do Alcorão e na Suna, referentes aos primórdios da organização das sociedades islâmicas. Deste modo, pretendem justificar as acções terroristas para, com maior facilidade, alcançarem os seus próprios objectivos. É, portanto, fácil constatar que não se enquadram no processo seguido por Maomé e na regulamentação levada a cabo pelas diferentes escolas tradicionais sunitas e xiitas. Isto significa que os textos de referência devem ser lidos no seu contexto histórico e não manipulados e distorcidos. - Tentar explicar aos muçulmanos moderados e indiferentes que o Islão está a sofrer uma agressão: Os neo-taliban alegam que o Afeganistão é um país ocupado, com forte ressonância emocional na etnia pashtun e em todos os afegãos, marcados ao longo de séculos pela resistência aos poderes externos. Salienta-se que os radicais estão a ser combatidos, em vários espaços, por uma aliança de países com diversas culturas e religiões, englobando muçulmanos. No caso do Afeganistão a Coligação também envolve muçulmanos e não muçulmanos. A imagem que todos os radicais pretendem passar, em todos os espaços, é a de que as forças do Ocidente são adversárias de todo o Islão, incluindo o moderado. As campanhas internacionais, entre as quais o aproveitamento das caricaturas de Maomé, têm favorecido esta percepção. - Mobilizar e responsabilizar todos os muçulmanos para a defesa do Islão: Ao apontarem a importância da lealdade à fé, pretendem o apoio das massas muçulmanas moderadas, de modo a defenderem o que consideram seu e conquistarem o respeito, a confiança e o afecto das comunidades muçulmanas. Estes factores são apontados, também pelas chefias dos neo-taliban, como uma das chaves do sucesso. Ao lançarem a jihad, os movimentos islamistas radicais também fazem “propaganda pela acção”, tentando orientar os seus adeptos, explicando-lhes a identidade do que consideram inimigo e o que é necessário fazer para o derrotar através dos mais diversos métodos. A Al-qai´da já contagiou deste modo vários grupos, tendo-os associado a si. Bin Laden evocou Alá e divulgou a obrigação que cada muçulmano tem de apoiar o seu irmão, para o bem ou para o mal. Assim, tenta incutir a ideia de que a união para a luta é um dever. As organizações transnacionais radicais pretendem provocar um “choque de civilizações” ou de culturas para mais facilmente atingirem os seus objectivos. Assim se explica a escolha do tipo de alvos e o desafio às autoridades para aumentarem os níveis da reacção. Todavia o “choque de civilizações” só será possível se os radicais conseguirem aliciar os muçulmanos moderados para a sua causa.JE Fontes Este artigo foi elaborado com base, em parte, na publicação do autor: O Terrorismo e a Guerrilha, das Origens à Al-Qaeda, Lisboa, Edições Sílabo, 2007. Internet: www.ugr.es/www.jamestown.org 25 Coronel Miguel Fernandes Pinto V amos rebobinar a fita do tempo até que surja o ano de 1961. Para quem, nessa altura, tivesse atingido a maioridade, estava-lhe reservado o destino de mobilização para um dos antigos territórios ultramarinos. Afinal, os acontecimentos de Fevereiro em Angola, iniciando uma era de terror a prolongar pelos anos seguintes, obrigou a acorrer rapidamente a essas possessões portuguesas. Desta vez, embora me reveja na cidade da Beira, Moçambique, não vou contar com episódios nascidos da guerra, subversiva ou outra, pela razão evidente de que não se levantara ainda essa nascente a desaguar em fontes de terror. E a Beira, como qualquer outra localidade, desenvolvia-se em clima de sossegado viver, a expansão e a cultura do meio a elevarem-se do solo em crescente evolução. E com o inerente reforço de militares mais o crescimento se intensificou, tendo que, tanto na Beira como em Tete, pela criação da Base Aérea nº 10 e do AB nº 7, se marcaram pólos 26 para irradiação de linhas de valorização humana e de implantação de infra-estruturas de vital necessidade. Foi por se inserir em objectivos de natureza estratégica e de defesa, que dou conta da presença de um primeiro Pelotão de Polícia Aérea, entretanto a estabelecer sede nas imediações das duas cidades. Também não se estranhe que tivesse origem em tropa do Exército, expeditamente instruída para essa missão, todavia a reunir militares em fins de SMO, que a súbita decisão de marcha assim obrigou. E daí que se tivessem de enfrentar resistências com a falta de vontade, se é que não se traduzia num passivo àvontade, que não se superava com a experiência militar adquirida, nem tão pouco se esbatia por interiorização da visível sorte que lhes coube, se comparada com a de outros mobilizados paraAngola. Mas as coisas são como são. E, quanto ao descontentamento, já, há cerca de 24 séculos, Platão o tinha assinalado no coração dos homens. E ligando-o à ambição, à ganância, à inveja, à rivalidade, aborrecendo-se do que têm e ansiando pelo que não têm, é que o famoso filósofo concluiu que daí resultava um grupo invadir o território de outros e depois empenharem-se em guerras. E se também se aditar o móbil que ele aduziu para esse fim o digladiar-se pela posse de recursos do solo parece que a antiga doutrina tem ainda actualizados seguidores. Após este prólogo introdutório, vamos rever uma passagem interior para integrar na vivência dessa estadia em comissão de serviço. O aquartelamento é o da BA nº 10, que havia sido adaptado, alargado o seu perímetro e com novas construções, de antiga missão ali instalada junto do aeroporto civil da Manga. Naturalmente, como em todos os quartéis, havia que proceder a um planeamento de defesa próxima. O responsável pela execução era o Comandante da Polícia Aérea. Um dia o senhor Comandante da Base desejou observar directamente os postos de vigia e de implantação de armamento e a articulação de forças disponíveis para o efeito. Acompanhado pelo 2º Comandante e pelo Alferes lá foram percorrer o aquartelamento orientados pela explicação deste. De um modo genérico, tudo corria bem, a aprovação do plano descrito assim o dava a entender, até que, quase no fim, junto da porta principal de entrada para o chamado Edifício do Comando, para o qual havia apenas dois ou três degraus, o nosso (senhor)Coronel virou-se para o Alferes e indagou: “Então, você, não acha necessário que se coloque ali um posto para vigiar a entrada e a saída do edifício e colocar lá uma metralhadora para sua defesa?” O jovem Oficial, perante a inopinada apreciação, julgada inoportuna, por aquela passagem já ser batida de outros postos assinalados antes, o terreno plano, bem visível pela parte frontal do quartel, a exposição de maior perigo para a sua ocupação, pensando que nem isso seria preciso dizer por evidência, lembrouse de atalhar com esta: “Ó meu Comandante, veja Vª Exª que, naquele canto, um ninho cavado para instalação da arma até fica inestético... - Ora, essa! Qual é o problema! Nos navios também se montam postos junto de passagens e ninguém pensa nisso. Olhe, providencie para que se arranjem sacos de areia colocando-os à volta.” Efectivamente, só mais tarde, após o cumprimento da ordem, pela implantação do feio pouso à vista de todos, a servir de gáudio a certos camaradas, vim a saber que a invocação do navio pesava como testamento de herança anterior. Afinal, o senhor Coronel Piloto Aviador era originário da Marinha... E não houve “estudo de situação”, base de teórica formação para elaboração de planos condicentes, que servisse para alterar o visionamento da situação real então vivida na Beira e a visível cerca formada pelos sacos de areia continuou sem préstimo que se imaginasse. O clima de paz e de concórdia continuou harmonioso, as ameaças chegaram muito tempo depois e longe, muito longe, para outros sítios. Uma outra passagem estava reservada para depois, agora de mais sérias consequências. Um certo dia, soube através da ordem de serviço da punição de um soldado da PA. Surpreendido, fui falar com ele. O militar, compungido, não negou os factos. Não estava a dormir no posto, nem pouco vigilante. Estava realmente sentado num banquinho e tinha a pistolametralhadora pousada de lado. Por azar o Comandante passou por lá. Mas, por coincidência, tratava-se precisamente do soldado que, em minha opinião fundada no conhecimento directo e pessoal, considerava como mais disciplinado, obediente, trabalhador, aprumado, voluntário para muita coisa, etc., que até os outros seus camaradas o apontavam como exemplo. Daí que um sentimento de certa injustiça me subiu à cabeça, avolumando-se, e tanto mais que, convencido por ser eu o chefe directo dele e ninguém me ter ligado nada, se conjugavam esses valores em função do que me havia sido ensinado para formação de oficial e agora seria letra morta. Na primeira oportunidade consegui entrar no gabinete do Comandante para o desabafo: “Saiba Vª Exª que o soldado da PA, punido em Ordem de Serviço com 10 dias de detenção, é dos melhores do Pelotão e, não me tendo sido pedido antes nenhum parecer sobre ele, julgo que foi cometida uma injustiça...” e, sem tempo para continuar, recebi o resultado: “Olhe, ponha-se imediatamente lá fora” acabando dessa forma a minha primeira incursão “justiceira”. E porque, mais tarde comuniquei o desaire ao Tenente Piloto Aviador Teixeira da Costa, camarada mais antigo na Escola do Exército, e sabendo do modo directo, frontal, brusco e pouco artificial que havia intrometido na exposição, é que recebi a sentença de compreensiva acusação: “Ó transmontano, és mesmo um lírico. Pensavas que podias afrontar quem tem o poder na mão e ainda por cima de hierárquica posição. Tens muito que aprender.” De facto, ao longo da vida, o teor desse judicioso aviso seria testado até à exaustão. E, se nem sempre o respeitei, não foi por falta de compreensão. É verdade que, nessa altura, desconhecia em profundidade o que já havia sido debatido pelos grandes filósofos de séculos anteriores sobre valores como a moralidade, a indulgência, a bondade, a deferência. E sobretudo o conhecimento sobre os estudos da vontade como Schopenhauer o apresentou. Mas também se o tivesse sabido, como posteriormente aconteceu meditando sobre tudo isso, talvez que nem chegasse para alterar 27 o comportamento. Afinal, por diversas vezes acabei por reincidir, que a voz da consciência não era de calar, e nem sequer medindo consequências que outros avisadamente calculavam por seu próprio interesse. Contudo, após este esclarecimento, é sobre a figura do Teixeira da Costa que desejo falar. Por testemunho directo observei que incarnava muitos dos valores que tinham a ver com o sentido ético de respeito pela pessoa humana. Em 1962/63, o tratamento dos naturais desse território ultramarino pautava-se, de um modo geral, pela prepotência e os abusos consequentes exercidos pelos colonizadores. Mas ele procedia ao invés, dando o exemplo de usar o título de senhor logo que em diálogo comunicava com qualquer indivíduo, fosse empregado de bombas de gasolina, de café, de limpeza ou de outra situação por mais humilde que fosse. E não raras vezes os elevava com palavras de carinho e de incentivo. E, 28 em casos de flagrante desrespeito, alertava o abusador, com humor e bonomia, para a incorrecção a não cultivar no futuro. O testemunho aqui se levanta para se contrapor ao depoimento de muitos outros que nem por lá passaram e sectariamente se comprazem em explorar e condenar as relações entre os agentes em confronto. Daí que o nome do Teixeira da Costa seja de realçar com inteira justiça e, dada a condição de militar, de apontá-lo como um belo exemplo para dignificar a Instituição que serviu. A partir do ano de 1963 não mais o encontrei. E soube que faleceu poucos anos depois, ainda muito jovem, no posto de Capitão. Agora que o destino não justifica neste assento terrestre a mágoa interrogada por perplexa razão, e para apaziguar os sobressaltos do coração, é que se encerra esta evocação com a inventada fórmula de etérea contradição: os deuses parecem levar cedo a quem mais amam. JE Tenente RC Paulo Moreira 30 31 A Cerimónia foi presidida pelo Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General Nelson Santos, e foi assinalada com a presença do Tenente-General Ferreira e Costa, em representação do Conselho Superior de Disciplina do Exército D e uma ideia preambular, acalentada por alguns militares, foram surgindo, durante os séculos XIX e XX, várias tentativas, todas elas efémeras, de concretizar uma publicação periódica consagrada ao Exército. Das poucas referências consistentes desses anos, toma-se como excepção a “Revista Militar”, que, no seu género, foi a mais antiga no país e no mundo, revelando o pioneirismo deste tipo de iniciativa. Finalmente, em Dezembro de 1959, numa dependência do Colégio Militar, reuniram-se seis Oficiais do Exército que, juntos, deram corpo e alma ao sonho antigo de criar um jornal para este ramo das Forças Armadas. Eles eram o Brigadeiro David dos Santos, os Majores Pinto Coelho, Balula Cid, Eduardo Fernandes e Tavares Figueiredo e o Capitão José Marques e, na tarde do dia 7 daquele mês, redigiram a proposta de criação desse ambicionado projecto, que se materializaria neste Jornal. Logo em 11 de Janeiro do ano seguinte, 1960, veio à luz um Despacho do Ministro do Exército, Almeida Fernandes, confirmando a validade e, até, a necessidade de se dar vida àquele projecto. Nesse Despacho ecoavam vontades e ambições que o Ministro do Exército traduziu, subtilmente, nestes termos: “Aprovo com a maior satisfação a presente proposta que vem ao encontro de uma aspiração que há muito acalentámos e que as circunstâncias 32 parecem tornar agora oportuna. Conviria que o primeiro número do Jornal saísse ainda no corrente mês, o que julgo possível, em face do trabalho preliminar já realizado. O Jornal intitular-se-á "JORNAL DO EXÉRCITO”(…)”. Tendo como primeiro Director o Brigadeiro David dos Santos, o Jornal do Exército ficou, provisoriamente, instalado no Colégio Militar para, logo em 26 de Janeiro, se dar início à sua transferência para o segundo andar do prédio onde já estavam instaladas várias secções dos Serviços Cartográficos do Exército, no número 61 da Rua da Escola Politécnica. Três anos mais tarde, emAgosto, o Jornal muda-se para o Largo da Graça, número 94, onde permaneceu até Março de 2007. Actualmente, o Jornal do Exército encontra-se nas instalações do Palácio Vilalva, no Largo de S. Sebastião da Pedreira. Este edifício, erguido em 1730 sob orientação do arquitecto francês Fernand Larre, seu primeiro proprietário, enquadrou, na sua exemplar moldura arquitectónica, a Cerimónia de Comemoração do 48º Aniversário do Jornal do Exército (JE). Celebrada no dia 11 de Janeiro, a Cerimónia evocativa dos 48 anos do JE foi presidida pelo ViceChefe do Estado-Maior do Exército, TenenteGeneral Nelson Santos, e foi assinalada com a presença do Tenente-General Ferreira e Costa, em representação do Conselho Superior de Disciplina do Exército e Presidente do Programa do Exército para as Comemorações dos 200 anos da Guerra Peninsular e dos directores das revistas Mais Alto e Revista da Armada, respectivamente, o TenenteGeneral Luís Figueiredo e o Contra-Almirante Roque Martins. Compareceram, também, o Chefe de Gabinete do Chefe do Estado-Maior do Exército, o Major-General Xavier Matias, o Sr Pinto Antunes, Presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião da Pedreira e os Coronéis Rio Carvalho e Teixeira de Góis, antigos directores do JE. Não querendo deixar passar em branco esta data, mas não podendo estar presente, o General Pinto Ramalho, Chefe do Estado-Maior do Exército, manifestou as suas felicitações ao JE numa mensagem, aqui publicada na íntegra (ver caixa), que foi lida pelo Tenente Oliveira, Ajudante-deCampo do Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército. A todos, e aos restantes convidados e colaboradores, o Coronel Geraldo, Director do Jornal do Exército, distinguiu, com efusivas saudações e reconhecidos agradecimentos, partilhando, com a atenta plateia, o seu incontido contentamento. Comemoram-se hoje 48 anos desde que, em Janeiro de 1960, surgiu a primeira edição do Jornal do Exército, constituindo-se como um órgão de divulgação institucional do Ramo. Por isso, o Comandante do Exército pretende, neste dia festivo, testemunhar publicamente o extraordinário contributo que este órgão de informação tem dado para a divulgação de informação interna, para o adequado conhecimento do Exército pela população em geral. Ao longo de quase cinco décadas de existência, o Jornal do Exército evoluiu consideravelmente e soube adaptar-se em cada época, com inteligência e realismo, às diferentes realidades do Exército e do País, inovando formatos, publicando conteúdos com actualidade e pertinência, melhorando processos e integrando as novas Tecnologias de Informação e Comunicação disponíveis, com o objectivo de melhorar a qualidade desta publicação, conferindo-lhe um merecido destaque no exigente e competitivo panorama das publicações militares nacionais e estrangeiras. O Jornal do Exército, desde a publicação do seu primeiro número, assumiu a missão prioritária de difusão de informação simples, acessível e atraente, sobre assuntos especificamente militares e de carácter geral, e sobre as diversas actividades desenvolvidas pelo Exército, assumindo-se como um elo unificador entre militares e civis que servem, ou serviram, nas diferentes Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército, das ForçasArmadas e Organismos Públicos. Através dos seus artigos, este meio de informação agrega vontades, partilha valores, experiências e aspirações comuns, estimulando e fortalecendo o espírito de corpo, essencial para a criação de um verdadeiro espírito de família militar. Constitui também um excelente meio de afirmação externa, através da divulgação clara, precisa e oportuna da permanente evolução do Exército e das múltiplas e relevantes missões cumpridas, dentro e fora de fronteiras, em prol de Portugal. De realçar o importante esforço realizado na distribuição desta publicação, quer internamente, a todas as Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército, quer externamente, a todos os militares a prestar serviço nas Forças Nacionais Destacadas, na CooperaçãoTécnico-Militar e aosAdidos Militares acreditados junto às diversas Representações Diplomáticas de Portugal no Estrangeiro, tendo o Jornal do Exército recebido rasgados elogios, por parte de militares e civis, espalhados pelo mundo. Paralelamente, utilizando as novas sinergias da Internet, este órgão de divulgação conseguiu ampliar o seu público-alvo, projectando a imagem institucional do Exército Português nesta “Aldeia Global” da informação. Neste dia festivo, ao dirigir-me aos quadros e aos colaboradores do Jornal do Exército, relembro todos os militares e funcionários civis que, ao longo dos anos, nas tarefas mais simples ou nas mais exigentes, contribuíram com o seu esforço anónimo, dedicado e persistente, para a inexcedível qualidade dos conteúdos desta publicação, prestando a todos sentida homenagem à sua generosidade, profissionalismo e espírito de sacrifício. Ciente do importante papel do Jornal do Exército, como meio de divulgação interna e externa, do seu inestimável contributo para o adequado conhecimento do Ramo por parte da população civil e do esforço de modernização desenvolvido pela sua Direcção, que se projectou na melhoria da qualidade do seu produto final, o Comandante do Exército exorta-vos a continuarem os vossos relevantes e distintíssimos serviços em prol da dignificação e reforço da imagem do Exército, das Forças Armadas e do País. 33 Na prelecção que ofereceu, o Coronel Geraldo foi buscar aos arquivos do Jornal alguns recortes ilustrativos deste quase meio século de história, começando, inevitavelmente, pela primeira edição, de onde citou a Nota de Abertura do, então Director, Brigadeiro David dos Santos. “O sucesso de uma publicação periódica assenta, em primeiro lugar, no pressuposto de que os elementos do seu corpo redactorial ponham toda a capacidade, entusiasmo e calor, no desempenho das suas atribuições, fazendo dela, por esta forma, um órgão vivo, ligeiro, dinâmico, sugestivo e pleno de interesse. Onde tais requisitos falharem logo aí se abrirá uma brecha insanável. [...] O ideal seria que os artigos e os assuntos tratados pelas várias secções do Jornal fossem igualmente interessantes para qualquer dos seus leitores. Não negamos e antes preferimos sublinhar esta dificuldade que exigirá um esforço constante para a sua superação. Seja como for [...] faremos tudo para evitar que o sucesso do Jornal nos fuja das mãos e com ele o factor de prestígio e consideração que os elementos da classe civil, naturalmente, mercê da sua leitura e meditação, nos poderão conceder.” E, se no primeiro número do JE, estas exigentes intenções almejavam um horizonte difícil de transpor, ou até de alcançar, agora que Jornal excedeu os 500 exemplares, decorridos 48 anos ininterruptos de publicações, a actualidade daquelas palavras pioneiras acresce ao cabal cumprimento da missão. Sobretudo, tendo em consideração a recente transformação do Exército e a subsequente redução de efectivos, importa saber que a distribuição deste periódico se alargou e diversificou, aumentando, com ela, a responsabilidade deste Órgão perante o Exército, perante o País e perante os seus assinantes. “Com o fim do SEN (Serviço Efectivo Normal) e com a transformação do Exército, houve uma redução de efectivos e consequentemente algumas sobras do nosso Jornal. Resolvemos então, com a concordância superior, enviar o Jornal do Exército para todas as bibliotecas das Escolas Secundárias do País. Escolhemos o mês de Junho, por ser o número que assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Entendemos que cabe também ao Exército o culto da cidadania e ao partilharmos com o mundo civil as nossas actividades, estamos convictos que estamos a contribuir um pouco para esse fim. Surge-nos esta ideia, que é da nossa inteira responsabilidade “Se os cidadãos não vêm ao Exército, vai o Exército ao 34 Antigos Directores presentes na cerimónia, Coronel Rio Carvalho e Coronel Teixeira de Góis encontro dos cidadãos” Esta distribuição foi também alargada a todos os quartéis de Bombeiros e da Protecção Civil.” Mas, não é apenas para Portugal que o JE abre a sua janela sobre o Exército. Em todo o globo, onde há militares, ou ex-militares portugueses, chega a voz desta publicação, como ficou patente nos vários extractos, citados pelo Coronel Geraldo, do Boletim “O Ex-Combatente”, um órgão de informação semestral destinado aos ex-combatentes portugueses residentes no Québec, Canadá. “Chegou-nos esta semana do Canadá, e das oito páginas que tem o boletim, duas são reservadas ao JE, com o Brasão do Exército ao Centro. Intitulase o artigo Vida Militar: Recortes do Jornal do Exército, coordenação de Raul Mesquita.” Não se vê, assim, descabido o título dado a este artigo. O Jornal assume-se, desde o início, como um diário da vida militar dos soldados portugueses, dentro e fora dos muros das suas unidades, no País ou além-fronteiras, relatando, com a isenção possível, os feitos individuais e colectivos, as preocupações e as conquistas, os avanços tecnológicos, a modernização da instituição, as questões da defesa da Nação, a segurança internacional e as missões que envolvem Portugal. Durante meio século, o JE escreveu, retratou e divulgou a realidade quotidiana das Unidades, Estabelecimentos e Órgãos com que se tece a malha orgânica do Exército. “Parte do que aconteceu no Mundo Militar Português, neste quase meio século, consta do Jornal do Exército. O Jornal do Exército é quase uma História Ilustrada de Portugal, não só do período desde que existe o Jornal, mas desde que existe Portugal. É um património do Exército que honra os seus soldados, tentando criar laços, não só no seio da Instituição, mas com todos os seus leitores.” Por estes e, certamente, outros feitos, pelo serviço prestado desde a sua criação, pelo papel desempenhado no âmbito da missão que lhe está atribuída, o JE mereceu, em 27 de Abril de 2007, uma elogiosa distinção. “A Condecoração do Jornal do Exército com a Medalha de Serviços Distintos, grau Ouro, por Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional [Despacho do MDN de 11 de Abril de 2007] constitui uma Honra, uma distinção e elevada consideração para todos aqueles que fizeram por merecer tão valioso galardão. Uma palavra de muita estima para todos aqueles que nos antecederam nas pessoas dos antigos Directores aqui presentes, o Ex.mo Coronel Rio Carvalho e o meu antecedente, o Coronel Teixeira de Góis. Uma palavra de muito apreço para o nosso General Figueiredo, fundador do JE, que, por motivos de saúde, não pode estar fisicamente entre nós.” Meio de divulgação e de informação entre militares deste e doutros ramos das Forças Armadas, ponte aberta entre a instituição e a sociedade civil, o Jornal do Exército constitui-se, também, como um elemento de coesão humanizante e emocional entre soldados que, tantas vezes, elevam as suas vidas a limites sobre-humanos ao serviço da Pátria e pelos valores da Humanidade. Das suas páginas faz-se, não raramente, um espaço de partilha e revelação, onde se contam histórias de vida, lições honrosas, ensinamentos das mais altas virtudes humanas. Porque um soldado é, também, a moral que o apruma, o espírito que o impele e a compaixão que o edifica, o que ele vive ou sobrevive são pedaços de história colectiva de um povo, memórias e biografias que, indelevelmente, marcam o presente e o futuro da Nação. Nos mais de 500 números existentes do JE, não se escreveram, apenas, notas históricas com bibliografia de base, nem, apenas, tomadas de posse, dias de unidades, condecorações, discursos alusivos aos mais diversos eventos. No Jornal do Exército contamse histórias com biografia, experiências pessoais, marcos delimitadores da vida de uma instituição secular e indivisível da sua geografia e do seu tempo, por mais distantes que andem muitos dos seus homens, que fazem da sua língua a sua pátria e da sua missão a sua bandeira. 35 Campo de Batalha Naquela campina, Onde as moitas esmagadas, Estão tristes, Não há vida. Terra amarga, Revolvida Pelas rodas dos carros de guerra; Sem leivas, Sem flores... ...Já não é terra. Por ali passou o tropel da morte; Por ali passaram aqueles Para quem morrer ou viver É uma questão de sorte, Aqueles que dentro de si, Têm amor, como os outros, Têm esperanças, como os outros, Têm ambições, como os outros, Mas não têm medo da morte; Aqueles que no peito têm algo que dar, Que matam, porque matar É fazer viver, Que vivem e não querem morrer; Aqueles que têm bandeira E que não vacilam Não tremem Nem hesitam Em a defender; Aqueles que têm sempre mais para oferecer, Que têm história, Que têm glória; Aqueles cujos pais Foram heróis Foram santos Foram homens Foram alguém com ideal. ... A terra já não está triste. Por ali passaram E lutaram Os Soldados de Portugal. Este poema foi publicado na edição de Abril de 1960 e é da autoria do General Loureiro dos Santos, na altura Tenente na Escola Prática de Artilharia. 36 Num espaço onde de vidas se faz história, também da guerra se faz poesia. Sendo um Órgão de modesta dimensão, e não querendo monopolizar a voz e a visão de um imenso corpo de militares, o JE sempre contou com a preciosa e essencial colaboração de redactores externos que, de forma esporádica ou mais frequente, contribuíram para a continuidade e sucesso desta publicação, durante toda a história da sua existência. Através dos seus incontáveis artigos poderia compilar-se uma pequena História de Portugal, com relatos reconhecíveis de episódios memoráveis, ou com pitorescas curiosidades sobre personagens ou acontecimentos que investem pelo campo do lendário e do maravilhoso; seria possível reunir uma colectânea de feitos heróicos dos nossos antepassados e de valentes que ainda convivem connosco; haveria textos bastantes para se contar tantas vezes na primeira pessoa - uma História Militar de Portugal, com ilustrações ainda vivas, ainda coloridas, de cenários de guerra e de paz. É Foi atribuído o Prémio Especial de Colaboração TenenteCoronel Balula Cid à Tenente Ana Rita Gonçalves das Neves Carvalho, até há pouco tempo, redactora neste Jornal possível, hoje, com a ajuda destes colaboradores, e de outros que possam chegar, conhecer de mais perto a realidade das missões no exterior, compreender os meandros da actualidade política internacional e as suas implicações na defesa dos países e no futuro da História Mundial. A pensar no prestimoso trabalho desses colaboradores, foram instituídos os Prémios Literários Jornal do Exército e, em memória do seu primeiro redactor, o Prémio Especial de Colaboração Tenente-Coronel Balula Cid, que procuram distinguir, respectivamente, os melhores textos publicados e a antiguidade, assiduidade e qualidade dos seus autores, pretendendo, ao mesmo tempo, angariar novas e valiosas cooperações. Assim, e como tem acontecido nos últimos anos, na ocasião em que se celebra o aniversário do Jornal, são também revelados os nomes dos autores vencedores dos prémios patrocinados por ele. Em relação ao ano de 2007, considerando a qualidade dos seus escritos e do desempenho demonstrado e reconhecido pelos leitores - foi atribuído o Prémio O Terceiro Prémio foi entregue pelo Major-General Xavier Matias, ao Tenente-Coronel Luís Fernando Barroso, autor do artigo “Forças de Defesa Israelitas versus Hezbollah” Especial de Colaboração Tenente-Coronel Balula Cid à Tenente Ana Rita Gonçalves das Neves Carvalho, até há pouco tempo, redactora neste Jornal e que, agora, exerce novas funções no Instituto de Odivelas. Com os prémios Jornal do Exército procurase, entre outros objectivos, estimular a reflexão e a criatividade de militares e civis na abordagem, análise e interpretação de temas com particular interesse para o Exército, nos muitos aspectos que envolvem a Instituição e o seu papel, no país e no mundo. Depois de homologados pelo Júri, nomeado, para o efeito, pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, foram atribuídos os três prémios convencionados e, ainda, uma menção honrosa. O Primeiro Prémio coube ao artigo "O Blogueiro de Cabul", da autoria do PrimeiroSargento António José Rodrigues, publicado no Jornal do Exército nº 560, em Março de 2007. Por motivos de ordem diversa, o Primeiro-Sargento Rodrigues não pôde comparecer na Cerimónia, mas, posteriormente, deslocou-se à redacção do JE, onde lhe foi entregue o prémio respectivo, pelas mãos do Coronel Geraldo. O Segundo Prémio foi atribuído ao artigo "Cooperação Anglo-Lusa na Guerra Peninsular", da autoria do Coronel David Martelo, e publicado no Jornal do Exército nº 557, no mês de Dezembro de 2006 - recordemos que, por questões de calendário, os artigos tidos em consideração para os Prémios JE, são os publicados, no caso presente, entre Dezembro de 2006 e Novembro de 2007. O Terceiro Prémio foi entregue pelo Major-General Xavier Matias, Chefe de Gabinete do General Chefe do Estado-Maior do Exército, ao Tenente-Coronel Luís Fernando Barroso, autor do artigo "Forças de Defesa Israelitas versus Hezbollah", publicado no Jornal do Exército nº 562, de Maio de 2007. A Menção Honrosa distinguiu a Doutora Sandra Fernandes Dias pelo artigo de sua autoria intitulado "Lisboa na Encruzilhada Moscovo-Bruxelas", publicado no Jornal do Exército nº 566, em Outubro de 2007. Como nem só de palavras se faz um Jornal, seguindo o exemplo dos seus congéneres literários, foi, há alguns anos, instituído o Concurso de Fotografia do Jornal do Exército que, procurando, igualmente, incentivar o espírito criativo e crítico de militares e civis em relação aos assuntos castrenses, pretende, também, angariar trabalhos fotográficos para publicação. Este ano, o Júri deliberou atribuir, apenas, uma Menção Honrosa à fotografia "Treinar a Guerra em Paz", captada pela objectiva de Pedro Manuel Monteiro. Todos os trabalhos vencedores estiveram expostos na Biblioteca do Palácio Vilalva, outrora 37 A D. Teresa Felicíssimo foi galardoada com a Medalha de D. Afonso Henriques, Mérito do Exército 4ª Classe a Biblioteca do Governo Militar de Lisboa, entregue, actualmente, ao Jornal do Exército. É certo que o Jornal impresso, os artigos escritos e as fotografias são a face visível da missão desempenhada por este Órgão durante os seus 48 anos de actividade. Mas este trabalho não seria possível sem a prestimosa dedicação dos militares e civis, funcionários do JE que, embora nos bastidores, tudo fazem para que o Jornal se cumpra, mensalmente, ao longo das suas 570 edições. Com isto em mente, entendeu-se oportuna a ocasião para, eloquentemente e com penhorada gratidão, se galardoar a Senhora D. Teresa Felicíssimo, Assistente Administrativa Principal e Secretária da Direcção do Jornal do Exército, com a Medalha de D. Afonso Henriques, Mérito do Exército, 4ª Classe. Foi com igual emoção e reconhecimento que o Director do JE lembrou o mais antigo elemento desta casa - que fez questão de estar presente naquele dia dedicando-lhe algumas palavras: "(…) não podemos deixar de referir que o Primeiro-Sargento Couto serve no Jornal do Exército desde 1961, um ano depois da sua fundação. É, pois, "veterano" deste órgão militar. Com efeito, o Primeiro-Sargento Couto desempenhou, com invulgar dinamismo, muita eficiência e franca frontalidade, cargos essenciais ao funcionamento do Jornal do Exército, iniciando-se na Contabilidade, passando pela Distribuição e terminando na angariação de Publicidade; e no desempenho das suas funções soube sempre superar 38 as diversas dificuldades, que por vezes, se lhe deparavam. O mês passado, deixou o Jornal do Exército e deixou saudades. É, pois, digno de, neste momento festivo, ser lembrada a prestimosa colaboração que deu ao Jornal do Exército." Terminadas as prelecções, condecorações e entregas de prémios, o Director do Jornal do Exército convidou todos os presentes, sem desprimor para a Cerimónia que se encerrava, para um dos momentos mais altos do dia. Conduzindo os seus convidados à Biblioteca, perante a exposição que se inaugurava, intitulada "O Soldado da Guerra Peninsular", da autoria e criação do Engenheiro José Santos, o Coronel Geraldo brindou todos os presentes com a palestra "As Invasões Francesas e as Linhas de Torres: Defesa de um Património", escrita em prosa poética e declamada pelo próprio, magistralmente acompanhado pela Fanfarra do Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1, trajados a rigor, com as fardas dos soldados ali lembrados. A manhã comemorativa terminou, placidamente, com um almoço de confraternização no Salão Nobre da Inspecção-Geral do Exército, gentilmente cedido para esta data. Escrita esta página na vida do Jornal do Exército, inscreveu-se outra, desta vez no seu Livro de Honra, pelo pulso do Tenente-General Nelson Santos, ViceChefe do Estado-Maior do Exército, e que aqui, em jeito de conclusão, se reproduz num fac simile.JE Fotos do CAVE e do Alferes Santos 39 Coronel Inf Fernando José Reis Parte I – UNMISET A Resolução 1410 de 17 de Maio de 2002, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, regulou a constituição e organização da UNMISET (United Mission in Support of East Timor) e determinou a constituição de um Grupo de Observadores Militares das Nações Unidas (United Nations Military Observer Group – UNMOG), subordinado ao Comandante da Força (Force Commander – FC) e chefiado pelo Chefe dos Observadores Militares (Chief Military Observer – CMO). A Resolução 1543 (2004), adoptada pelo Conselho de Segurança de 14 de Maio de 2004, decidiu prolongar o mandato da UNMISET por um período de seis meses, com a possibilidade de o estender por mais seis meses, até 20 de Maio de 2005. 40 Para a execução do prolongamento do mandato, determinado pela Resolução acima referida, o Grupo de Observadores Militares das Nações Unidas, sob o comando de um Brigadeiro, com 79 elementos, sofreu uma redução do efectivo total do Grupo para 42 Oficiais de Ligação (Military Liaison Officers – MLOs), foi incluído na Componente Militar (Military Component – MC) e transformado em Grupo Militar de Oficiais de Ligação das Nações Unidas (United Nations Military Liaison Group – UNMLG), sob o comando de um Coronel (Chief Military Liaison Officer – CMLO). A MC, comandada por um Tenente-General (FC), além do MLG, era constituída por uma força de segurança, a UNSF (United Nations Security Force), com um efectivo de 378 militares. A Resolucão1573 do Conselho Segurança das Nações Unidas de 16 de Novembro de 2004 prolongou por mais seis meses, até 20 de Maio de 2005, a fase de consolidação da UNMISET, autorizando a manutenção dos efectivos previstos para a fase anterior e que ainda incluíam: 52 Conselheiros Civis, para apoio à consolidação do Governo de Timor Leste; 157 Conselheiros Técnicos de Polícia, que constituíam a United Nations Police (UNPOL), para apoio à implementação da lei e ordem. Componente Militar da UNMISET A UNMISET tem por missão, através do Grupo Oficiais de Ligação (MLG), facilitar a normalização das fronteiras entre Timor-Leste (TL) e a Indonésia (ID); providenciar segurança e protecção e apoiar a evacuação dos MLOs e pessoal da UNMISET; e preparar para assegurar apoio limitado e de resposta operacional ao Governo de Timor Leste. A componente militar era comandada pelo Tenente-General Mat Yusof Kairuddin, do Exército da Malásia, tendo como subordinados directos dois Coronéis, respectivamente o Deputy Force Commander (DFC), o Coronel Bartels, do Exército Australiano (mais tarde substituído pelo Coronel Van Kampe) e o Chief Military Liaison Officer, o Coronel Fernando José Reis (que substituiu em 1 41 de Agosto 2004 o Major-General José Gabriel Brás Marcos). Sob o comando directo do FC estava ainda a UNSF, comandada por um Tenente-Coronel Fijiano. O FC dispunha de um pequeno Estado-Maior Pessoal e era apoiado por um Estado-Maior Conjunto, constituído por elementos da MC e da MLG. O DFC assumia as funções de CEM, no entanto, as Informações Militares (MILINFO) eram chefiadas pelo DCMLO (Deputy Chief Military Liaison Officer). A MILINFO respondia ao DFC nos assuntos pertinentes para a IRU e a UNSF e, similarmente, as restantes secções do EM respondiam ao CMLO nos assuntos que diziam respeito ao MLG. Na ausência do FC, estando o DFC e o CMLO na mesma linha hierárquica, passava a haver dois comandos distintos: da UNSF, pelo DFC e do MLG, pelo CMLO, coexistindo os dois na MC sem chefia superior, apenas coordenando as missões e trocando informações. Diariamente, tinha lugar na sala de operações um “morning briefing”, com a participação de todo o EM, incluindo, uma vez por semana, elementos das várias vertentes da UNSF, entre os quais o serviço de saúde, permitindo a actualização de informação e, no último caso, saber das actividades efectuadas e planeadas pelas restantes subunidades. Reuniões restritas de coordenação (CAGM – Command Advisory Group Meeting) entre o FC e os elementos mais directos (DFC, CMLO, COPS, CLO, CLA, CMILINFO, FPM), eram efectuadas três vezes por semana. Estas reuniões serviam, além da coordenação entre os vários elementos do EM restricto, para o FC difundir informação e dar as suas directivas. O comando da MC e o seu EM, o CMLO, o Meio Aéreo de Evacuação Médica (AME) e o suporte médico, estavam sediados na sede da missão da UN, em Dili, no “Obrigado Barracks”. A UNSF, baseada em Moleana, era constituída por uma Companhia de Infantaria das Fiji (Inf Coy), uma Companhia de Apoio da Austrália (Spt Coy), uma companhia de PM do Brasil, denominada Unidade de Resposta Internacional (IRU), um Destacamento de Aviação do Bangladesh (UNSF Avn) e um Destacamento de Transmissões do Paquistão(HF Cmms Det). A Companhia de Infantaria, com dois pelotões destacados em permanência, respectivamente no Suai e no Oecussi, tinha como missão principal a segurança, protecção e evacuação dos MLOs e outro pessoal da UN, se necessário. Em circunstâncias excepcionais, se necessário, poderia apoiar as operações da IRU. 42 A companhia de apoio, por sua vez, era constituída por elementos de engenharia, transportes, abastecimentos, reparação e evacuação, em apoio aos elementos da UNSF e, atendendo às necessidades do MLG, no que dizia respeito à reparação de itinerários e pontes na sua área de acção. O destacamento de aviação dispunha de 2 helicópteros Bell 212, e tinha por missão apoiar a Companhia de Infantaria e o MLG na sua área de acção, quer nos deslocamentos a locais inacessíveis ou difíceis por via terrestre, quer em patrulhamentos ao longo da fronteira. A IRU, preparada para assegurar apoio limitado e de resposta operacional ao Governo da República Democrática de Timor Leste (G-RDTL), nos termos do acordo assinado com a UNMISET, e depois de autorização expressa do Representante Especial do Secretário Geral da ONU (SRSG), dispunha de 125 militares da PM, incluindo uma Unidade Médica de Reanimação. Tinha um destacamento de cerca de 40 militares em Dili, às ordens do FC, a FCR (Force Commander Reserve), para actuação imediata se necessário, quer na protecção e defesa das instalações e pessoal da UN, quer para eventual apoio ao G-RDTL. A MC era constituída por militares de 16 países, num total de 477, dos quais 11 eram portugueses, com funções repartidas pelo EM (6) e pelo MLG (5), a maioria dos quais transitaram da missão anterior. Apoio às autoridades e forças de segurança de Timor-Leste A UNSF, através da Companhia de Engenharia Militar, apoiou o governo de TL na reparação e reconstrução de inúmeras estradas e pontes, nomeadamente nos distritos fronteiriços, já de si em más condições, e tornadas intransitáveis na época das chuvas, isolando populações e impedindo a circulação de pessoas e bens essenciais. Igualmente, no capítulo de evacuações aéreas, o apoio foi grande, minimizando as grandes dificuldades então existentes na área da saúde em Timor-Leste. No âmbito da formação, a MC apoiou as FFDTL (Falintil – Forças de Defesa de Timor Leste) na constituição de um Pelotão de Engenharia e em estágios de militares no EM da componente militar, nas áreas das informações e operações, e a PNTL (Policia Nacional de Timor Leste) na formação e treino de uma unidade de intervenção de ordem pública e ainda no apoio à Unidade de Policiamento de Fronteira (UPF). O contingente português: Em cima, SAj Viana, Cap Martins, Ten Arsénio, Cap Martinho, SAj Martins, Cap Fonseca. Em baixo, Maj Torres, Maj Luís, Cor Reis, Maj Sepúlveda, Maj Guerra Organização e participação em reuniões conjuntas Regularmente tinham lugar reuniões conjuntas entre a componente militar da UNMISET com as forças de segurança de Timor-Leste e da Indonésia, de que se destacam, pela sua importância: A ICM (Inter Command Meeting) – de periodicidade trimestral, é uma reunião de alto nível com os comandantes da UNMISET MC e do TNI KODAM IX UDAYANA, participando os EM de ambos, o CMLO, o comandante do BSTF/TNI (Border Security Task Force/Tentara Nasional Indonésia), POLRI (Polícia Indonésia) e os comandantes das F-FDTL e PNTL, por parte de Timor-Leste. Tinha lugar em Denpassar, Bali, Indonésia, e era organizada alternadamente por um dos comandos, e tinha como objectivo principal a troca de informações e discussão sobre os assuntos que envolviam a TCL (A TCL – Linha de Coordenação Táctica: Por não existir ainda linha de fronteira aceite pelos dois países, foi acordado pela UNMISET e pelo TNI o estabelecimento de uma TCL entre os dois países, com base na fronteira existente no tempo colonial, através de um Acordo Militar de Ligação (MLA – Military Liaison Arrangement), assinado em 24 de Junho de 2004 pelo FC da UNMISET MC, o Tenente-General Khairuddin Mat Yusof e o comandante do TNI Kodam IX, o Major-General Supiadin) e as autoridades e forças de segurança com ela relacionadas; A TCLM (Tactical Coordination Line Meeting) – Reunião bimensal, nos termos do Acordo Militar de Ligação (MLA – Military Liaison Arrangement), e que estabeleceu a TCL, realizada alternadamente em Timor-Leste e Indonésia (Timor Ocidental), copresidida pelo CMLO e o comandante do BSTF, com a participação de representantes das autoridades de segurança de fronteira (polícia, migração e alfândega) e autoridades administrativas dos distritos fronteiriços de ambos os lados. Tinha como propósito facilitar a ligação ao nível operacional entre os participantes e discutir assuntos relativos à segurança da fronteira, nomeadamente violações verificadas na mesma Reunião de comandos em Bali entre a UNMISET MC e o TNI 43 Grupo de Oficiais de Ligação O Grupo de Oficiais de ligação tem por missão monitorizar a segurança relacionada com o desenvolvimento das relações entre as agências de segurança de Timor-Leste e Indonésia; apoiar os esforços de normalização de fronteiras; assegurar a ligação entre as Agências de Segurança de TL e ID; e apoiar a formação da UPF de forma a ser capaz de executar todos os assuntos referentes a fronteiras, eficaz e independentemente. Tarefas TCL meeting, em Atambua, Timor ocidental pelas forças de segurança de ambos os lados – comércio ilegal ao longo da fronteira, travessia ilegal de pessoas e bens, coordenação de patrulhamentos, etc. – e formas de as evitar; A JSAM (Joint Security Agencies Meeting) – Organizada mensalmente pelas F-FDTL e PNTL, copresidida pelos seus comandantes e com a participação da UN, tinha como objectivo principal a discussão dos pontos de vista das várias entidades e das preocupações relativas à segurança em Timor Leste; O BAWG (Border Agencies Working Group) – Reunia as entidades de Timor-Leste responsáveis pela segurança da fronteira e representantes da componente militar da UN. De periodicidade bimensal, presidido pelo comandante da UPF/ PNTL (Unidade de Policiamento de Fronteira), servia para troca de informações entre as várias entidades presentes e para discutir e encontrar soluções consensuais que permitissem melhor coordenação entre todos; O BM (Border Meeting) – A cargo do MLG, realizavam-se semanalmente nos três sectores da área de missão (Bobonaro, Covalima e Oecussi), ao longo dos 11 pontos de ligação (JPs – Junction Points), alguns funcionando como postos fronteiriços da TCL, e participavam, além dos MLOs, os comandantes de companhia do TNI das unidades colocadas na fronteira, os comandantes dos postos fronteiriços da UPF/PNTL, a polícia de fronteira indonésia e elementos da migração e alfândega de ambos os lados. Serviam para discutir, coordenar e resolver, a nível local, todos os assuntos respeitantes à TCL e de acordo com o MLA; A FM (Family Meeting) – Organizadas e promovidas regularmente pelo MLG ao longo dos JPs, com a colaboração do TNI e da UPF/PNTL, destinavam-se a encontros de famílias que viviam em ambos os lados da fronteira, separadas quando das convulsões sociais de 1999. 44 Monitorização Geral / observação dos assuntos relacionados com a fronteira; Coordenação das reuniões entre Agências de Segurança da ID e TL; Facilitar travessias de fronteira, repatriações e deportações; Facilitar / resolver pequenos conflitos na fronteira; Monitorizar a segurança ao longo da TCL, conjuntamente com o TNI e UPF, e monitorizar a situação geral de segurança em Timor-Leste; Conduzir patrulhas móveis na AOR, especialmente junto à TCL, e, como consequência, demonstrar a presença das Nações Unidas ao longo da fronteira, de forma a criar um efeito de calma e tranquilidade; Observar, monitorizar e reportar actividades com efeito nas operações de segurança, facilitando a gestão dos assuntos da fronteira; Apoiar o G-RDTL e as Agências de Segurança no processo de normalização de fronteiras; Proporcionar apoio no processo de normalização de fronteiras; Facilitar e melhorar as relações de trabalho entre TNI and UPF; Participar no programa de transferência de perícias e conhecimentos da UPF; Assistir a UPF na condução dos assuntos da fronteira de forma independente; Providenciar apoio nos esforços de reintegração de deslocados e facilitar reuniões e encontros de famílias. Conceito de operações O conceito de operações tinha por base um MLG com um QG localizado em Dili, com a presença de cinco oficiais no EM, e os restantes oficiais distribuídos pelos três sectores adjacentes à TCL, localmente comandados e enquadrados por um pequeno QG de sector (SHQ). A área operacional do MLG e o emprego dos MLOs era da responsabilidade directa do CMLO. Organização do MLG O MLG era constituído por 42 oficiais, sete no comando e no QG do MLG e no EM da MC, incluindo o CMLO e o DCMLO, e 35 Oficiais de Ligação (MLO) desdobrados nos três sectores da área de actuação – Sector de Bobonaro (13), Sector de Covalima (10), Sector do Oecussi (11) e um oficial de ligação em Denpassar/Bali (Indonésia). As missões dos militares do MLG eram de seis meses, renováveis por proposta do CMLO ao DPKO. A actividade dos MLOs era de sete dias por semana, 24 horas por dia, tendo por compensação um dia por cada cinco de actividade (CTO). A esta licença juntavam um dia e meio por cada mês de actividade (AL). No entanto, em cada período de licença só podiam acumular um total de 12 dias de CTO e cinco dias de AL, contando nestes os Sábados, Domingos e feriados. Aos militares que se encontravam nos sectores era concedido um dia extra para a viagem para Dili, e outro de regresso ao sector. Era ainda concedido mais um dia para a viagem de TL ao país de origem, e outro para o regresso, desde que o país não fosse na área asiática. A MC dispunha de SOPs (Normas de Execução Permanentes), tendo o MLG um capítulo próprio e específico com um sistema de rotação quadrimestral dos MLOs dos sectores, incluindo os militares com funções de comando. QG de Sector (SHQ) O MLG incluía três SHQs, abrangendo toda a AOR, localizados em Pante Makassar (Oecussi), Maleana (Bobonaro) e Suai (Covalima). Cada SHQ incluía um Chefe (Senior Sector Military Liaison Officer – SSMLO), também com funções de Oficial de Operações (OPSO), e um adjunto (Deputy Sector Senior Military Liaison Officer – DSSMLO), que acumulava com as funções de Oficial de Logística (LOGSO). Os SHQs agiam sob as ordens do MLGHQ e eram responsáveis pelas actividades operacionais e administrativas dentro dos seus sectores. Pontos de Ligação (JPs) e Presença Permanente de Equipas de Ligação (PPLs) Os JPs, localizados ao longo da TCL, num total de 11, – 5 no Oecusi (JP- 1 a 5), 4 em Bobonaro (JP- A a D) e 2 em Covalima (JP- E e F) –, eram guarnecidos do lado indonésio por tropas do TNI e do lado de Timor-Leste por agentes da UPF/PNTL. Considerados postos de fronteira, apenas em quatro deles (JP-1, excepcionalmente, JP-2, JP-A e JP-F), era autorizada a passagem de pessoas e bens, funcionando no local o serviço de alfândega e controlo de documentos. Como parte da sua tarefa, o MLG mantinha presença permanente em quatro localidades ao longo da TCL, dois deles em território indonésio. Os PPLs tinham por missão observar e monitorizar as actividades na TCL, facilitar a passagem de pessoas e bens através dos locais acordados, fazer a ligação diária entre as agências de segurança e as autoridades locais de Timor Leste e da Indonésia através de reuniões de coordenação sobre encontros de famílias, actividades fronteiriças, travessias ilegais de pessoas, deportações e patrulhamentos ao longo da TCL. Os PPLs estavam localizados na vizinhança da TCL, em território de TL, BOBOMETO (JP-2) e METAMAUK (JP-F), com 2 MLOs cada e, em território indonésio, MOTA AIN (JP-1) e TURISKAIN (JP-C), respectivamente, com três e dois MLOs. Os oficiais eram destacados para estes PPLs por períodos de um mês e, além das tarefas já mencionadas, efectuavam também patrulhas móveis na área. 45 Equipas de Patrulhas Móveis (MPT) De acordo com a missão do MLG, foram constituídas em cada sector patrulhas móveis, três por sector, uma delas com base nos militares destacados nos PPLs. As patrulhas eram diárias, formadas por 2 MLOs e, quando necessário, um tradutor, efectuadas a pé ou utilizando meios terrestres ou aéreos, planeadas com o objectivo de mostrar uma presença regular da UN ao longo de toda a TCL, motivo de segurança para a população, e monitorizar, observar e reportar qualquer incidente ou facto que pusesse em causa a segurança da fronteira e que requeresse a necessidade de intervenção dos MLOs, nomeadamente na ligação e facilitação de contactos entre as autoridades da Indonésia e de Timor-Leste. A recolha de elementos de informação por parte dos MLOs em relação à movimentação de pessoas junto à TCL, nomeadamente ex-milícias, ao trabalho desenvolvido quer pela UPF, quer pelo TNI e o sentir das populações fronteiriças, permitia um planeamento cuidadoso da actividade do MLG, dos contactos a efectuar futuramente e, principalmente, contribuir para a manutenção da segurança da TCL e, por consequência, de Timor-Leste. Em Dili, com base nos MLOs aí presentes, estava constituída uma patrulha móvel de dois elementos, à ordem directa do CMLO que actuava na região de Dili, ou nos Distritos onde não havia presença da UN, quando havia necessidade de recolher elementos de informação, nomeadamente sobre incidentes que envolviam as forças de segurança de TL, os grupos de artes marciais ou outros, passíveis de desestabilizar a segurança existente. Oficial de Ligação (LO) O MLG tinha um MLO em Denpassar, Bali, Indonésia, como oficial de ligação da UNMC com o comando do TNI Kodam IX/UDAYANA, ao qual as forças de segurança indonésias estacionadas na fronteira com Timor-Leste (BSTF), estavam subordinadas. Este militar estava ainda incumbido de realizar os contactos necessários e do apoio logístico, quando da realização dos encontros em Bali, entre os comandos do TNI e da UNMC. Actividade operacional O MLG, de acordo com a missão atribuída, actuando desarmado, desenvolveu a sua actividade operacional nos três distritos fronteiriços, relacionando-se com a população de uma forma próxima e eficaz no sentido de contribuir para a estabilidade fronteiriça, e desenvolvendo uma 46 Visita ao PPL de Mottain, em território indonésio de Timor ocidental imagem boa e segura junto da população de TimorLeste. Simultaneamente, contribuía na formação da UPF/PNTL em assuntos relacionados com a segurança da fronteira. As patrulhas efectuadas diariamente pelos MLOs nas suas áreas operacionais, permitiram inúmeras entrevistas a elementos da população e a autoridades locais, proporcionando informação pertinente e importante sobre a situação da segurança, ao mesmo tempo que a sua presença criava um efeito de calma e tranquilidade na população em geral. Importante era a facilidade de comunicação dos MLOs nas línguas locais, bahasa, português e tétum, neste último com a ajuda de um tradutor. A monitorização da fronteira pelos MLOs, visando o respeito do MLA e, por consequência, da TCL, contribuiu para a sua estabilização e facilitou as relações entre os responsáveis pela segurança de TL e da ID, intervindo na resolução de pequenos incidentes, nomeadamente nos casos de acusações mútuas, apoiando os elementos da UPF/PNTL, face à discrepância de preparação entre estes e os militares do TNI, quer incutindo confiança e tentando aumentar a sua capacidade na execução das suas tarefas, quer apoiando-os na preparação e condução das reuniões. Prevendo-se que em Maio de 2005 a UPF/ PNTL, sem o apoio da UN, assumiria todas as responsabilidades nos assuntos de fronteira, tornava-se necessário uma transferência de conhecimentos e experiências, tendo o MLG planeado e ministrado aos seus elementos, durante três meses, formação adequada nas seguintes áreas: Exercício de evacuação aérea Planeamento e condução de assuntos de disputas de fronteira; Processos de negociação e mediação de conflitos; Utilização de mapas e bússola; Conhecimento dos postos e estrutura do TNI; Planeamento e condução de reuniões; Conhecimento e utilização de técnicas básicas de primeiros socorros; O MLG cooperou ainda com as agências de Timor-Leste e Indonésia, responsáveis pelo processo de demarcação da fronteira terrestre, quer no acompanhamento das suas equipas, quer na mediação de conflitos entre as populações e as autoridades locais quando da disputa de áreas fronteiriças e da localização da linha de fronteira terrestre, nomeadamente no enclave do Oecussi, com várias áreas de conflito (Ilha de Sinai, Citrana, área da Cruz, Kiubselo, Bobometo e Nipane). Em Maio de 2005, quando da visita do presidente indonésio Bambang Yudhoyono, a TL foi rubricado um acordo provisório sobre aproximadamente 96% da fronteira terrestre. Logística O MLG dispunha de 23 viaturas todo o terreno, cinco no sector de Covalima, seis no sector de Bobonaro, cinco no sector de Oecussi, uma em Bali e as restantes em Dili. Nos sectores, os MLOs dispunham de instalações próprias dentro dos Centros de Apoio Regional da UN (RSCs), utilizando as facilidades existentes nos mesmos, excepto no que diz respeito a alimentação e alojamento, da sua responsabilidade e utilizando os recursos locais, recebendo para o efeito um subsídio mensal (MSA). O MLG dispunha de rádios VHF instalados nas viaturas e nos SHQ, com redes próprias e em contacto permanente. Dispunha ainda de internet, fax e rede telefónica da UN, tendo os MLOs distribuídos individualmente rádios portáteis e telemóveis. O transporte aéreo entre sectores e Dili era assegurado diariamente por 2 helicópteros MI-8, e entre Dili e Darwin, duas a três vezes por semana, por um avião de 18 lugares, meios estes contratados pela UN e destinados ao serviço da missão. 47 Posto do TNI de Metamauk, junto ao JP-F, Suai O suporte de saúde, localizado em Dili, era de nível 1, mas com possibilidades de providenciar cuidados de emergência e de ordem patológica, bem como evacuações aéreas. Tinha possibilidades de internamento e de efectuar cirurgias. Em Moleana, a UNSF dispunha de uma pequena unidade de saúde. TNI (Tentara Nasional Indonesia) Ao Exército Indonésio (TNI) compete a responsabilidade da defesa das fronteiras terrestres do território indonésio. Nas duas fronteiras terrestres com Timor Leste o TNI tinha colocadas três unidades tipo Batalhão (Inf., Art. ou AAA), que constituíam o BSTF – Border Security Task Force, de comando de Coronel, com sede em Atambua, que dependia do comando directo de um Major-General, comandante do KODAM IX UDAYANA, instalado em Denpassar, na ilha de Bali. Dois dos batalhões estavam posicionados, respectivamente, em frente aos distritos timorenses de Bobonaro e Covalima e um na fronteira com o enclave de Oecussi, totalizando um efectivo de cerca de mil e seiscentos homens. Estas unidades tinham missões de um ano, não dispunham de viaturas blindadas e não tinham instaladas peças de artilharia junto à fronteira. UPF (Unidade de Policiamento de Fronteira) A Unidade de Policiamento de Fronteira, foi constituída em Maio de 2002 como uma unidade especial da PNTL para assegurar a responsabilidade 48 Posto da UPF em Lokfuan, Oecussi da segurança da fronteira, funções que assumiu por completo em Maio de 2004. No entanto, face a deficiências operacionais e logísticas, foi apoiada em permanência por elementos da UNPOL e pelos MLOs nos assuntos que diziam respeito à fronteira, à sua segurança e, nomeadamente, na ligação com o TNI e outras autoridades fronteiriças da indonésia. O seu efectivo não excedia, em Maio de 2005, os 240 elementos e tinham grandes limitações em Época das chuvas, patrulha impedida de prosseguir instalações, comunicações (por vezes inexistentes) e meios de transporte. Dificuldades no cumprimento da missão A neutralidade e a imparcialidade são regras importantes no trabalho dos MLOs e a chave do sucesso das suas operações. No entanto, durante grande parte da missão, essa neutralidade e imparcialidade foi, por vezes, posta em causa pela actuação desnecessária e descoordenada das forças da UNSF, com base em Moleana, com patrulhamentos e desembarques de elementos hélitransportados na linha de fronteira, área de actuação exclusiva do MLG, levando a protestos por parte das autoridades da indonésia, e criando problemas entre os elementos do MLG e da UNSF. Esta actuação, que poderia contribuir para desacreditar os UNMOs, a UNMISET e as Nações Unidas, apesar das directivas do FC, terminou apenas quando da substituição, no final de 2004, do comandante da UNSF. A maior dificuldade sentida pelos elementos do MLG foi o estado das estradas, um verdadeiro desafio à actividade dos MLOs, nomeadamente na estação das chuvas, tornando-as, muitas vezes, intransitáveis, não permitindo a circulação e o acesso a alguns dos JPs. Os caudais dos rios na época das chuvas, de correntes inesperadas, tornavam a sua travessia perigosa, impedindo os MLOs de desenvolver a sua actividade de patrulhamento e monitorização da fronteira. Outra dificuldade foi o estado das viaturas atribuídas ao MLG, com muito uso e enorme desgaste, sem possibilidades de substituição e com dificuldades na assistência e substituição de sobressalentes por parte da UNMISET. Por fim, a gestão de oficiais de diversas origens, com culturas muito distintas e por vezes antagónicas, alguns com insuficiente preparação para o desempenho da missão, foi um desafio e uma experiência apenas possível no desempenho de uma função de chefia deste nível. Nova missão A discussão e planeamento de uma possível nova missão teve início em meados de Dezembro de 2004, tendo sido solicitado ao CMLO a apresentação de um estudo sobre a permanência de “Medal Parade” da componente militar no “Obrigado Barraks” em 19 de Maio de 2005 49 militares da UN em Timor-Leste, presença essa reduzida a observadores militares. As objecções de alguns países, nomeadamente os EUA, a GrãBretanha e a Austrália, à continuação da presença militar internacional em TL e à necessidade de nova missão, levaram à elaboração de várias propostas e reuniões diversas com representações diplomáticas e delegações de Nova Iorque das UN, protelando a definição do tipo e constituição do que seria uma possível nova missão, assunto que se arrastou quase até final de Abril de 2005. Apenas em 28 deAbril o Conselho de Segurança estabeleceu uma nova missão para Timor-Leste, a UNOTIL. Em 10 de Maio foi nomeado pelo DPKO como “Senior Military Adviser“ e “Chief Military Training Adviser” da UNOTIL, o Coronel Fernando José Reis, transitando da missão anterior.JE Biografia O Coronel de Infantaria Fernando José Reis, natural de Lisboa, frequentou a Academia Militar de 1972 a 1975 e em 1987 no IAEM, o Curso Geral de Comando e Estado-Maior. Possui vários cursos militares entre os quais, o Curso de Observador Militar e o Estágio de Operações de Apoio à Paz do Exército Brasileiro. Em 2002 foi nomeado Chefe dos Observadores Militares Portugueses ao cessar-fogo em Angola e de Agosto de 2004 a Setembro de 2006 esteve ao serviço da ONU em Timor Leste como Chefe dos Observadores Militares na UNMISET, UNOTIL e UNMIT. Além da licenciatura em Ciências Militares é licenciado pela Universidade Aberta em Ciências Sociais na área da Psicologia Social. 50 FIGURAS E FACTOS O Jornal do Exército organiza um concurso de fotografia tendo por principal objectivo a obtenção de trabalhos fotográficos para publicação no JE, principalmente para as suas capas/ contracapas, ao qual poderão concorrer todos os amadores e profissionais de fotografia (militares ou civis). 1. TEMA DO CONCURSO Ao concurso podem ser apresentados trabalhos fotográficos em papel, a preto e branco ou a cores, e em diapositivos a cores, alusivos ao seguinte tema: «As Forças Armadas, a sua Vivência e o seu Património». Deverão ser abordados aspectos relacionados com a vida militar, privilegiando-se os trabalhos que valorizem o ramo Exército, embora se admitam trabalhos que foquem acções conjuntas do Exército com os outros ramos das Forças Armadas. 2. QUANTIDADE DE TRABALHOS E FORMATO Cada participante pode apresentar até 4 trabalhos que deverão ter o formato mínimo de 15X20 e o máximo de 24X30. Por razões de enquadramento, serão aceites ainda formatos com outras proporções, desde que não sejam inferiores à área do formato mínimo nem superiores à área do formato máximo. 3. IDENTIFICAÇÃO DOS TRABALHOS a) No verso de cada trabalho deverão constar em letra bem legível: - Nº e Título do trabalho (de acordo com o boletim de inscrição) - Pseudónimo do autor b) Juntamente com os trabalhos, deverá ser entregue um envelope fechado contendo no exterior apenas o pseudónimo do autor e no interior o boletim de inscrição devidamente preenchido. 4. ENVIO E DEVOLUÇÃO DOS TRABALHOS a) Os trabalhos poderão ser entregues em mão ou enviados por correio para: JORNAL DO EXÉRCITO “XII Concurso de Fotografia” Largo de S. Sebastião da Pedreira 1069-020 Lisboa B O L E T IM D E b) Os concorrentes terão 30 dias, após a divulgação dos resultados, para fazer o levantamento dos trabalhos nas instalações do JE. 5. JÚRI DO CONCURSO a) Os trabalhos recebidos serão apreciados por um júri, a designar pela organização. b) As decisões do júri são inapeláveis. 6. PRÉMIOS a) Serão atribuídos os seguintes prémios: 1º - • 500 / 2º - • 350 / 3º - • 250 b) Os trabalhos premiados ficam na posse da organização. c) O júri poderá decidir a não atribuição de quaisquer dos prémios ou a sua atribuição ex aequo e, ainda, as menções honrosas que entender. 7. DIVERSOS a) O JE poderá utilizar trabalhos seleccionados mas não premiados para efeitos de publicação, sendo devida, nestes casos, remuneração por colaboração. b) Será tomado o maior cuidado com os trabalhos recebidos, mas a organização não se responsabiliza por danos ou extravios que eventualmente venham a ocorrer. c) A participação no concurso implica a aceitação integral deste regulamento. d) Os casos omissos no regulamento serão analisados e esclarecidos pela organização de cuja decisão não há recurso. e) Com os trabalhos premiados e seleccionados poderá vir a ser efectuada uma exposição em local e data a comunicar, caso a quantidade e qualidade dos trabalhos o justifique. 8. CALENDÁRIO - Recepção dos trabalhos até 21 de Novembro de 2008 - Reunião do Júri: 28 de Novembro de 2008 - A comunicação dos resultados aos premiados será feita no primeiro Jornal do Exército após a reunião do júri. IN S C R IÇ Ã O P s e u d ó n im o N o m e M o r a d a T e le fo n e c iv il P o sto /P r o fissã o N º .F o t o T e le fo n e m ilita r (r isca r o q u e n ã o in te re ssa ) T ítu lo U n id a d e L o c a l/ D e sc r iç ã o su m á r ia 1 2 3 4 51 O empenhamento operacional em Teatros de Operações exteriores aos territórios nacionais, nos quais se realiza uma mescla de operações militares que incluem operações de combate, estabilização e ajuda humanitária1, tem consumido os recursos humanos e financeiros dos exércitos dos EUA e dos países da Europa Ocidental. As Forças Armadas destes países, mas principalmente as suas componentes terrestres, foram obrigadas a abandonar a ideia de territorialidade das suas forças, aligeirar-se, organizarem-se e dotaremse dos meios humanos e materiais que lhes conferissem capacidade de projecção rápida, ou seja, tornarem-se capazes de participar no esforço expedicionário que caracteriza actualmente as operações militares, dando resposta às profundas alterações verificadas, quer na estrutura de forças da NATO, quer na diversidade e tipologia dos conflitos. O contributo das componentes terrestres no esforço conjunto da transformação tem sido no sentido de se tornarem mais facilmente projectáveis, mantendo as suas características primárias que as tornam únicas: 52 Figura 1 - Emprego operacional das Forças Terrestres ocupar o terreno e interagir com a população, deter poder de fogo, protecção e mobilidade para cumprir a missão. Na prática, o esforço da transformação tem-se orientado para a adaptação e/ou constituição de forças médias, ao mesmo tempo que se conferem capacidades de protecção acrescidas às forças ligeiras (pela introdução de viaturas blindadas) e se aligeiram as forças pesadas pela substituição do todo ou parte dos seus meios. Ou seja, garantir que os exércitos detenham capacidades no domínio das forças ligeiras, médias e pesadas. As primeiras são normalmente associadas com unidades tipo infantaria ligeira, as segundas com unidades equipadas com viaturas blindadas ligeiras (de rodas ou lagartas, preferencialmente rodas2), com protecção relativa contra fogo de armas ligeiras, e as últimas com viaturas fortemente blindadas e com poderosas armas de fogo, das quais o Carro de Combate é o “ex-libris”. Esta tipologia pretende não só dar uma ideia relativa da sua capacidade de projecção estratégica, bem como do seu grau de protecção e poder de fogo no Teatro de Operações. Embora todas tenham o seu papel a desempenhar, as forças médias têm preponderância em praticamente todas as fases do conflito e em todo o espectro das operações militares3 (Fig.1). “A transformação conceptual (do Exército) consistirá na adopção de um novo modelo cuja preocupação central é a prontidão da força existente. As unidades de manobra, de apoio de combate e de apoio de serviços que constituem a Força Operacional Permanente do Exército (FOPE) terão de ter um elevado grau de prontidão e mobilidade, estar completas e disponíveis para serem projectadas e empregues.”4 A Génese da Brigada de Intervenção (BrigInt) está associada ao processo da transformação e à nova concepção do Exército, materializada com a apro- vação da Lei Orgânica do Exército, em Março de 2006, tendo por base a manutenção de três capacidades: Reacção Rápida, Intervenção e Mecanizada, que correspondem, respectivamente, à tipologia das forças ligeiras, médias e pesadas, materializadas nas três grandes unidades remanescentes: Brigada de Reacção Rápida (BrigRR), BrigInt e Brigada Mecanizada (BrigMec). Por seu turno, a génese do Grupo deAuto-Metralhadoras (GAM) está associada à criação da BrigInt e foi consubstanciada pela aprovação do seu Quadro Orgânico de Pessoal {QOP (QOP 24.0.13)}, por despacho do General Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) de 15 de Fevereiro de 2006. Um dos aspectos mais marcantes é a criação da capacidade de intervenção, materializada na BrigInt5 que sucede à Brigada Ligeira de Intervenção (BLI). Em termos práticos, trata-se de equipar esta Brigada com mobilidade táctica blindada e com poder de fogo acrescido. A aquisição das viaturas blindadas PANDUR II 8x8 e da nova MGS6, ambas consignadas na Lei de Programação Militar, materializa esta intenção. Desta forma, o Exército Português, com este programa de aquisição de viaturas blindadas, reflecte a tendência verificada em praticamente todos os exércitos dos países que pertencem à NATO. A evolução da BLI para uma Brigada tipo stryker7 1 three block warfare. Dos mais variados tipos ou configurações (VBTP, ACar, Porta Mort Pes, Auto-Metralhadoras, etc.). 3 Com base nas conclusões de um simpósio realizado no SHAPE, em Abril de 2006, subordinado ao tema - “o futuro das forças da componente terrestre”. Num horizonte temporal de médio longo prazo, a primazia do esforço está direccionada para a constituição de forças médias, blindar os meios ligeiros e aligeirar os meios pesados. As unidades de Apoio de Combate e de Apoio de Serviços tendem a ser concentradas em Brigadas ou em “poole”, sendo empregues por módulos constituídos de acordo com a missão atribuída. 4 General Luís Valença Pinto, Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas. 5 Neste contexto foram consideradas as alterações impostas pela doutrina do séc.XXI, das Forças Terrestres Norte Americanas, da qual resultou o programa IAV (INTERIM ARMORED VEHICLE) para as BRIGADE COMBAT TEAMS, normalmente conhecidas por Brigada STRYKER, anunciadas em conferência de imprensa em 20Nov00 pelo TGE. PAUL KERN, Director do Corpo de Aquisições do Exército dos EUA e assessor militar do Secretário do Exército para as aquisições, logística e tecnologia. 6 Mobile Gun System. 7 A Stryker Brigade assenta nos ocnceito geral de “Commonality” interligado com os conceitos de “Interchangeability, interoperability e compatibility”. Esta característica é definida pela capacidade dos sitesmas, unidades ou forças providenciarem serviços e receber serviços de outros sistemas, Unidades ou forças e de utilizar e/ou mudificar estes serviços de forma a torná-los capazes de operarem em conjunto. Garante a interoperabilidade no campo de batalha permitindo o desenvolvimento e utilização de doutrina, procedimentos ou equipamentos comuns. 2 53 (BrigInt) comporta as seguintes vantagens: Maximização do custo/benefício na modernização do Exército; Necessidade de menor efectivo para uma maior capacidade operacional; Integração no processo de transformação e evolução da doutrina NATO; Evolução fácil para uma estrutura organizacional tipo “Brigade Combat Teams (BCT)”; Força dotada de tecnologia avançada; Efeito de choque e poder de fogo aproximados aos da BCT; Concentração das VBR com impacto na formação, manutenção e operação; Possível constituição de Agrupamentos tácticos homogéneos e algum balanceamento dos elementos de manobra; Capacidade de emprego em todos os tipos de conflitos, incluindo os de elevada intensidade. O GAM é uma Força Operacional (FO) da BrigInt cuja responsabilidade de aprontamento está cometida ao Regimento de Cavalaria nº 6 (RC 6) sediado em Braga. Missão e Possibilidades do GAM O GAM “estreita o contacto com o inimigo, através do fogo e manobra, para o destruir, capturar ou repelir o seu assalto”. Este Grupo possui um vasto leque de possibilidades, que lhe permitem desempenhar missões em todo o espectro do conflito militar, nomeadamente: Conduzir operações ofensivas e defensivas em todo o tipo de conflito, em todo o tipo de terreno e em todas as condições meteorológicas; Conquistar e manter a posse do terreno importante e pontos sensíveis ou impedir a sua utilização por parte do inimigo; Destruir, neutralizar, suprimir, fixar e canalizar forças inimigas; Reconhecer, negar, ultrapassar, limpar e isolar terreno ou inimigo; 54 Participar em operações de perseguição e exploração do sucesso; Participar em operações aeromóveis e anfíbias; Constituir-se num Agrupamento, cedendo Unidades Escalão Esquadrão (UEE) e recebendo Unidades Escalão Companhia (UEC) de Infantaria da BrigInt e ou de forças amigas; Conduzir operações integrando subunidades ligeiras, pesadas ou especiais; Conduzir operações de combate continuado até 72 horas; Conduzir operações de vigilância e guarda em proveito de unidades amigas; Conduzir operações de estabilização e apoio e outras Operações de Resposta a Crises (CRO)8; Participar em operações de combate ao terrorismo e de contra-insurreição; Conduzir operações de Controlo de Tumultos (CRC)9. Organização e Meios do GAM Para cumprir a missão, o GAM está organizado com a estrutura típica dos Grupos de Cavalaria, com três unidades de manobra, uma unidade de apoio de combate e uma unidade de apoio de serviços, escalão Esquadrão10 . Em termos de pessoal o QO do GAM contempla um efectivo de 35 Oficiais, 100 Sargentos e 318 Praças, num total de 453 militares11, e em termos de viaturas, 60 Viaturas Blindadas de Rodas (VBR) e 83 Viaturas Tácticas Não Blindadas (VTNB), num total de 131 viaturas. O nível de levantamento do GAM definido para 200712, é o seguinte: Comando, Estado-Maior e 1º Esquadrão de Auto-Metralhadoras (1EAM) a 100%, Esquadrão de Comando e Serviços (ECS) a 60% e Esquadrão de Apoio de Combate (EAC) a 30%. Ao nível de levantamento definido, corresponde um efectivo de 20 Oficiais, 46 Sargentos e 130 Praças, num total de 196 militares e em termos de viaturas, 23 VBR e 54 VTNB, num total de 77 viaturas. Força Média tipo do futuro (a) Key Performance Parameter (KPP) - The Stryker Light Armored Vehicle was selected to be the basis of a series of 6XStryker Brigades targeted at a global deployability in 96 hours. They were to be transported by C-17 into theatre and C-130 intra theatre. C-130 deployability was a KPP. (b) Força Tarefa Conjunta - Joint Task force (JTF). (c) Corpo de Exército - As Unidades Escalão Brigada, actualmente, dependem directamente dos CE Treino Operacional no GAM O Treino Operacional (TO) no GAM tem sido conduzido de acordo com as bases conceptuais do “Treino Centrado no Combate”13, conjugado com o “ArmyTraining Evaluation Program” − ARTEP 2002, procurando-se atingir elevados padrões de operacionalidade em todo o espectro das operações militares. O TO é diferenciado e orientado para as operações de Intervenção e para as CRO, está centrado no homem e é um processo gradativo que se inicia aos mais baixos escalões, procurando-se o nivelamento da Força no âmbito daTécnica Individual de Combate (TIC), passando-se depois ao treino de Guarnição, Esquadra, Secção, Pelotão, Companhia, culminando com os exercícios (FTX/LFX)14 de escalão BAt/Agr. O TO do GAM assenta fundamentalmente no treino exaustivo das tarefas essenciais do combate, através do planeamento, condução e avaliação de exercícios, planeados e executados, sempre que possível, em ambiente de armas combinadas, permitindo que todos os militares se adaptem de uma forma coesa à missão. As Subunidades do GAM, para garantirem a prontidão operacional, têm que se manter na banda de excelência15. O treino sustentado permite ao GAM operar na Banda de Excelência através da repetição apropriada das tarefas constantes da Lista de Tarefas Essenciais para o cumprimento da Missão (LTEM). A Lista de Tarefas Essenciais para o cumprimento da Missão (LTEM) é o catalisador que mantêm o GAM centrado nas suas missões operacionais de guerra, serve de “fórum” para a troca de ideias entre subordinados, superiores e pares sobre a interligação entre a missão atribuída e o Plano de Aprontamento para a Missão (PAM). O planeamento é o elemento que liga a LTEM da Unidade com a subsequente preparação, avaliação e treino. O treino processa-se segundo a metodologia “gatinhar - andar - correr” e cada acção é concluída com uma Revisão Depois daAcção16. O treino só está concluído quando todas as tarefas da LTEM são executadas de acordo com o nível de prontidão estabelecido. Actividade Operacional do GAM Embora ainda com um período de existência curto, o GAM, desde o seu levantamento, para além da actividade normal diária onde se incluem vários apoios, no âmbito de OMIP, às várias forças vivas da região de Braga, desenvolveu intensa actividade operacional envolvendo o planeamento, participação e condução de exercícios a nível Nacional, Exército, BrigInt, RC 6 e GAM, nomeadamente: Em 2006 − Exercício ORION 06, no âmbito do Exército, no RI19 em Chaves, nas modalidades de CPX17 e FTX; Exercício PHÉNIX, no âmbito do RC 6, na CABREIRA, nas modalidades FTX e LFX e exercícios da série MEDULA, no RI 19, em CHAVES, no âmbito da BrigInt, nas modalidades de “study period”, FTX e LFX. Em 2007 − Exercícios da série MEDULA, no RI 19, em Chaves, no âmbito da BrigInt, nas modalidades de “study period”, FTX e LFX, Exercício SATURNO, no âmbito do GAM, na Serra dos Carvalhos, nas 8 Crises Response Operations. Crowd Riot Control. 10 A organização do GAM/BrigInt difere da do GCC/ BrigMec nos seguintes aspectos EAC contempla um PelACar e cada EAM um Pe Ap. 11 Três dos quais em Ordem de Batalha. 12 Por despacho do General CEME de 30Mar07. 13 O GAM treina como combate (Train the way we fight). 14 Field Training Exercise/Live Fire Exercise. 15 A Banda de excelência é uma amplitude dentro da qual a Unidade é capaz de executar a Lista de Tarefas Essenciais para o Cumprimento da Missão. 16 After Action Review − AAR. 17 Computer Assisted Exercise. 9 55 modalidades de CPX e FTX, Exercício TEAM SPIRIT 071, no âmbito do Regimento de Cavalaria nº 6, na região de Braga, nas modalidades de CPX; e FTX, Exercício ROSA BRAVA 07, no âmbito da Brig Mec, no Campo Militar de Santa Margarida, na modalidade de CPX/FTX; Exercício VULCANO 071, no âmbito da BrigInt, no Campo Militar de Santa Margarida, na modalidade LFX e Exercício DRAGÃO 07, também no âmbito da BrigInt, no QG da BrigInt em Coimbra, no Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM) em Pedrouços e na Serra da Padrela, nas modalidades de “Study Period”, CPX e FTX. No Âmbito operacional o GAM desenvolveu, para utilização em exercícios e operações, o “war log” − Diário de Guerra, ferramenta que permite o processamento e gestão de toda a correspondência, documentos e actividades desenvolvidas pela Unidade, incluindo o registo electrónico de todas as mensagens recebidas e expedidas, bem como as demais formas de comunicações (telefónicas, rádio, e-mail, etc.), em exercícios e operações. Esta aplicação foi adoptada com sucesso pela BrigInt e respectivos encargos operacionais na condução de exercícios e CREVAL18. No âmbito das OMIP e de acordo com o estabelecido pelo Plano VULCANO, o GAM está empenhado na prevenção e combate em primeira intervenção a incêndios florestais, com quatro equipes de Sapadores do Exército para a Defesa da Floresta Contra Incêndio (SEPDFCI), duas na região de Vieira do Minho e duas na região de Castro Laboreiro, num total de 24 militares e tem ainda, de acordo com o estabelecido pelo Plano LIRA, um pelotão (1/3/24) de prevenção com uma prontidão operacional de 11 horas. Presente e Futuro do GAM O presente do GAM, com as V-150, V-200 e V600 face à idade avançada, às dificuldades em reparar, manter e operar estas VBR, tem tido um desafio permanente para manter a operacionalidade. Falar do futuro é falar das novas VBR PANDUR II 8x8 e das novas MGS's. No passado recente as viaturas blindadas, pilares essenciais do potencial de combate, tinham por referência requisitos operacionais que acentuavam na reduzida silhueta, automuniciamento, motores de turbinas a gás, suspensão hidropneumática e outros; hoje vivemos na era da sociedade de informação e impõe-se uma nova situação geo-estratégica, a “Brigade Combat Teams”19 é já um modelo referencial consistente, dos dois lados do Atlântico, com provas dadas nos Teatros de Operações (TO) do Iraque e do Afeganistão. Obviamente, a evolução do conhecimento teve reflexos na concepção das novas VBR's, nomea56 damente na definição dos requisitos técnicooperacionais com vista a viabilizar uma nova doutrina de emprego das forças em diferentes ambientes operacionais e para cumprir missões em todo o espectro do conflito. Tornou-se imperativo agilizar o processo de decisão e obter supremacia de informação no campo de batalha com recurso à imagem operacional comum (COP)20, de forma a manter a actualização permanente da situação operacional21. O GAM surgiu na continuidade deste processo, como uma unidade operacional a dotar com sistemas de armas de características e capacidades operacionais típicas do Carro de Combate. Este importante sistema de armas ou seu subsidiário −Auto-Metralhadora (AM) − é o elemento essencial para assegurar o potencial de combate credível a qualquer força de combate. As novas viaturas vão conferir ao GAM e à BrigInt um amplo leque de capacidades, tornando-o numa força média versátil, virada para o futuro, nomeadamente, capacidade de intervenção, expedicionária, projecção rápida, mobilidade táctica blindada e estratégica, protecção, efeito de choque e poder de fogo acrescidos, apta a conduzir operações no âmbito de todo o espectro do conflito militar. No futuro, os sistemas de armas principais do GAM, nomeadamente a peça 105 mm das MGS, o Morteiro Pesado 120 mm Soltam Cardom, de origem israelita, o sistema ATGM TOW ITAS22 e o sistema Canhão de Tiro Rápido Mauser MK30-2, que equipam a família de viaturas PANDUR II 8x823, representam poder fogo, alcance e rapidez na execução de tiro, conferindo maior versatilidade de fogos e letalidade ao GAM/BrigInt. Como se pode constatar, o futuro do GAM e da BrigInt foi bem pensado porque estamos a falar de uma família de viaturas, PANDUR II 8X8, com os ganhos que isso comporta em termos de apoio logístico, manutenção, reparação, formação, emprego táctico, etc. Contudo, este futuro que se nos apresenta promissor em termos operacionais, representa um salto/choque tecnológico considerável que importa acautelar a tempo, em termos de formação do pessoal e preparação das infra-estruturas para a recepção das novas viaturas. Emprego Operacional do GAM O emprego operacional do GAM no futuro será condicionado por alguns factores, de que destacamos o nível de ambição e vontade do poder político e custos associados à projecção e sustentação da força e da capacidade de projecção nacional (próprios meios, comboio, C 130, NPL24 ou outros). A nível Nacional, o GAM poderá ser empregue em todo o território continental utilizando os meios próprios. O emprego nos Arquipélagos será condicionado pelos meios de projecção. No âmbito da NATO, e a concretizar-se a afiliação da BrigInt ao Corpo de Exército de Projecção Rápida NATO do Reino Unido {NRDC(UK)}25 (Fig.14 e 16), através da Divisão Mecanizada Italiana ACQUI {ACQUI (IT) Mech DIV}, o GAM, (como Unidade independente ou integrado na BrigInt), poderá actuar em qualquer parte do mundo integrado numa Força de Entrada Inicial (EEF)l26, numa Força de Resposta NATO27 ou actuar como Agrupamento Táctico em operações convencionais. Sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU), poderá actuar com uma força NATO em qualquer parte do mundo, nos moldes já referidos, ou como “Battle Group” integrado numa força da União Europeia (UE). Pode ainda desempenhar as mesmas missões, integrado ou não na BrigInt, numa Força/ Coligação Multinacional constituída por países aliados e/ou amigos. O GAM poderá ainda constituir-se em Força Nacional Destacada (FND) escalão Batalhão/Grupo e cumprir missões sob a égide da ONU, NATO, EU ou Força/Coligação Multinacional constituída por países aliados e/ou amigos no âmbito de todo o espectro do conflito militar. Em termos de operações convencionais, o GAM/ BrigInt está especialmente vocacionado, face às características e capacidades dos meios que o equipam, para o desempenho das missões tradicionalmente atribuídas a reserva, podendo contudo desempenhar qualquer missão no âmbito das operações defensivas, ofensivas, segurança e CRO. Comandante do Grupo de Auto-Metralhadoras NATO e da UE, no âmbito de todo o espectro do conflito militar. Apesar da sua curta existência, tem-se afirmado pela quantidade e diversidade das missões executadas e também pela elevada qualidade do desempenho global do Grupo. O GAM é a expressão viva do empenho e da grande motivação que evidenciam os militares que servem na Brigada de Intervenção. Conscientes das dificuldades, encaram o futuro com realismo, confiança e uma vontade inabalável em bem servir.JE Texto e fotos da BrigInt 18 Conclusões As forças médias têm vindo a conquistar terreno dos dois lados do Atlântico, melhorando o poder de fogo e a protecção ao mesmo tempo que o peso é reduzido; parecem ser as forças mais adequadas para emprego em todas as fases do conflito, com prioridade para desempenharem missões como força de entrada inicial e nas fases de transição, estabilização e reconstrução (Fig. 1). Praticamente todos os exércitos que nos podem servir como referência estão a adoptar, com pequenas “nuances” de uns para os outros, uma tipologia de forças médias (a par de forças pesadas e ligeiras), assente em famílias de viaturas blindadas de rodas. O GAM/BrigInt é o resultado visível da transformação do Exército Português, uma força média para o futuro, com capacidade para conduzir operações a nível nacional, sob a égide da ONU, da Combat Readiness Evaluation. A “Stryker Brigade Combat Teams" americana é um exemplo concreto deste tipo de organização. 20 “Common Operational Picture”. 21 “Situational awareness”. 22 Anti-Tank Guide Missile Improve Target Acquisition System − Este sistema para além de destruir alvos blindados, garante superioridade à força em termos de reconhecimento, vigilância do campo de batalha, aquisição de alvos (RSTA), protecção da área da retaguarda e capacidades para conduzir operações em áreas urbanas. 23 O GAM poderá ser equipado com 8 ou sete versões diferentes da viatura PANDUR II 8x8, dependendo do Estado Português optar pela MGS da STEYER. 24 Navio Polivalente Logístico − Com capacidade para transportar 98 viaturas Médias ou Ligeiras (garagem de 3 000m2) e aproximadamente 500 militares para além da tripulação, podendo transportar mais 50 a 150 por períodos não superiores a 2 dias. 25 NATO Rapid Deployable Corps United Kingdom, também conhecido por Allied Rapid Reaction Corps (ARRC), que continua a ser, pelo todo que representa, o Corpo de Projecção Rápida da NATO de primeira escolha do SACEUR. 26 Early Entry Force (EEF). 27 NATO Response Force (NRF). 19 57 58