UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Departamento de Estudos Jurídicos e Sociais
CURSO DE SOCIOLOGIA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO
Os Aspectos Sociais do Saneamento Ambiental
na Sociedade Contemporânea
JAILSON MACHADO DE LIMA
Ijuí, (RS), Agosto de 2012
1
JAILSON MACHADO DE LIMA
Os Aspectos Sociais do Saneamento Ambiental
na Sociedade Contemporânea
Monografia apresentada ao Curso de Sociologia da Universidade Regional do Noroeste
do Rio Grande do Sul como requisito parcial para obtenção do título de Sociólogo.
Orientadora: Professora MS. Maria Aparecida Zasso.
Ijuí (RS), Agosto de 2012
2
JAILSON MACHADO DE LIMA
Os Aspectos Sociais do Saneamento Ambiental na
Sociedade Contemporânea
Monografia submetida ao corpo docente do curso de Sociologia da Universidade do
Noroeste do Rio Grande do Sul, como parte dos requisitos necessários para obtenção do
Título de Sociólogo.
Aprovado por:
_____________________
Prof.
_________________________
Prof.
__________________________
Prof. MS. Maria aparecida Zasso
(Orientadora)
IJUI, RS - BRASIL
Agosto de 2012
3
DEDICATÓRIA
À minha esposa Elisane, pelo seu amor,
companheirismo,
perseverança
e
dedicação nesta nova etapa de minha vida.
Também dedico aos meus filhos Miguel
(7) e Isabel (2), que com um sorriso
sincero me dão muita energia para o dia a
dia, e que aceitam pacientemente a minha
ausência durante a execução dos fóruns,
bem como as constantes viagens para as
provas de conclusão dos bimestres.
4
RESUMO
Este trabalho monográfico apresenta, através da pesquisa bibliográfica, um breve
histórico do saneamento no Rio Grande do Sul, analisando, pela ótica sociológica, os
principais aspectos relativos ao saneamento ambiental e à sociedade atual. Aqui
apresentaremos o uso, os conflitos, a valoração da água e os problemas que a falta da
universalização do saneamento produz na sociedade. A preocupação com a possível
crise da água, em nível global, faz com que os órgãos responsáveis pelo saneamento
básico na sociedade busquem novas formas de gerenciamento, observando as variáveis
econômicas, sociais e ambientais. Por isso, este trabalho também traz uma pesquisa
técnica de um sistema de reaproveitamento de água realizada na Estação de Tratamento
de Água (ETA) Santa Bárbara, da cidade de Pelotas, mostrando que é possível aumentar
a quantidade de água disponível, reduzindo os custos e a poluição nos mananciais. Essa
concepção de reuso, minimizaria as perdas físicas de água nas estações de tratamento.
Com a implantação de reaproveitamento, ter-se-ia um aumento de vazão da água na
chegada da estação – com aumento da população atendida e, principalmente, melhoria
ambiental no corpo receptor do efluente da lavagem de filtros.
A presente pesquisa tem como eixo norteador a Sociologia, campo teórico que
estuda a sociedade, analisando, inclusive, as formas como a sociedade contemporânea
se adapta ao atual contexto, marcado pelo forte desenvolvimento industrial, em que a
busca crescente pelo lucro relegam a um segundo plano, a solidariedade e a justiça
social.
Palavras chaves:
Sociologia - Saneamento Ambiental – Reaproveitamento da água
5
ABSTRACT
This work presents a brief historic of sanitation in Rio Grande do Sul through a
bibliographic research, analyzes the main aspects related to the environmental sanitation
and to the current society from a sociological perspective. Here we are going to present
the usage, the conflicts, the water appreciation as well as the problems the lack of global
sanitation produces in the society. The concern with the possible water crisis, on a
global level, makes the agencies responsible for the sanitation in the society look for
new ways of management, observing the economic, social and environmental variables.
Therefore, this work also brings a technical research of a reusing water system which
took place at the Santa Barbara Water Treatment Station (ETA), of the city of Pelotas,
showing that it is possible to increase the quantity of available water by decreasing the
costs and the pollution in the sources. This conception of reusing would minimalize the
physical losses of water at the treatment stations. With the implantation of reusing, there
would be an increase in the water flow at the arrival of the station – with an increase in
the served population and, chiefly, environmental improvement in the receptor body of
the filter washing effluent.
The present research has Sociology as the guideline, theoretical field which
studies the society, even analyzing the ways the contemporary society adjusts itself to
the current context, characterized by the strong industrial development, in which the
increasing search for profit relegates the solidarity and the social justice to a second
plan.
Key Words: Sociology – Environmental Sanitation – Water Reusing
6
SUMÁRIO
Introdução ------------------------------------------------------------------------------------ 8
1 Desenvolvimento ----------------------------------------------------------------------------10
1.1. O histórico dos serviços de saneamento no Rio Grande do Sul -----------------10
1.2. O uso, os conflitos e a concepção de valoração da água -------------------------11
1.3. A água como bem comum da sociedade -------------------------------------------15
1.4. O saneamento ambiental e a saúde pública. ---------------------------------------17
1.5. Ecologia industrial, uma nova concepção para a sociedade contemporânea-- 21
1.6. Conscientização Ambiental----------------------------------------------------------23
1.7. Reaproveitamento de água de Estações de Tratamento de Água (ETAs)-----25
2 – Metodologia ---------------------------------------------------------------------------------27
2.1. Um caso exemplar: Reaproveitamento da água da lavagem de filtros da ETA
(Estação de Tratamento de Água) Santa Bárbara, Pelotas --------------------------------28
2.2. Projeto para reuso de água da ETA Santa Bárbara ------------------------------- 32
2.3. Fluxograma do sistema de reuso de água ------------------------------------------ 37
3 - Considerações Finais ----------------------------------------------------------------------- 38
4 – Referências Bibliográficas---------------------------------------------------------------- 39
5 – Anexos -------------------------------------------------------------------------------------- 41
Anexo A: O saneamento e o SUS------------------------------------------------------ 41
Anexo B: Imagem Google hearth da ETA Santa Bárbara de Pelotas 1. ----------42
Anexo C: Imagem Google hearth da ETA Santa Bárbara de Pelotas 2. ----------42
Anexo D: Canal Adutor de Rio Grande----------------------------------------------- 43
Anexo E: Imagem Usina de Piratini-RS---------------------------------------------- 44
7
INTRODUÇÃO
O constante incremento populacional das cidades com a ampliação de bairros e
vilas sem as devidas condições de infraestrutura (água, esgoto, rede pluvial ) fazem
com que a falta de saneamento ambiental seja um dos principais problemas sociais da
atualidade. A falta de investimento em saneamento ambiental, a falta de políticas
públicas que determinem verbas fixas para essa área, contribuem para o aumento dos
problemas de saúde pública e, por consequência, o desequilíbrio social das cidades. O
tratamento de esgoto praticamente não existe no Brasil e a água, quando tratada, é de
baixa qualidade, pois os mananciais estão poluídos pela ação antrópica. Essas variáveis
precisam de ações contínuas do governo numa perspectiva de mudança de paradigmas
que atinjam as reais necessidades da sociedade não separando homem e meio natural,
pois precisamos deste sistema saudável para manter a sustentabilidade das gerações
futuras.
A Revolução Industrial acelerou a produção de bens e o consumo, pilares do
sistema capitalista. A necessidade de mão de obra para as fábricas fez com que um
grande contingente de pessoas migrasse das áreas rurais para as urbanas em busca de
emprego. A partir do desenvolvimento da sociedade “fordista1”, o lucro se dá pelo
ganho em produtividade (produção em série) e pela incorporação da classe trabalhadora
às classes consumidoras. Esse fato provocou crescimento acelerado das cidades sem o
necessário planejamento, trazendo problemas de todas as ordens. Entre eles o
individualismo2.
A explosão demográfica, a concentração populacional em pequenos espaços
geográficos, trouxe, como consequência imediata, a derrubada de florestas para a
construção de residências e para a expansão das fábricas. Outras consequências também
foram observadas, entre elas a poluição dos mananciais hídricos, o aumento da
produção de resíduos sólidos urbanos e a redução da qualidade de vida e bem estar,
1
Sistema de produção e consumo em massa, idealizado pelo empresário estadunidense Henry
Ford (1863-1947)
2
Thomas Hobbes na obra “O Leviatã”, de 1651 afirma que a compaixão e a piedade são atos
dissimulados de egoísmo. Adam Smith na obra “A Riqueza das Nações” de 1776 inaugura o liberalismo
clássico. Nestas obras estão explícitas ideias de egoísmo e autopreservação em todas as ações humanas,
bases do Individualismo.
8
provocados pelo aumento da poluição de diversas ordens e, à longo prazo, uma crise
ambiental, marcada pela escassez dos recursos naturais necessários para manter essa
produção e esse consumo.
A partir de uma pesquisa bibliográfica, pretendemos desenvolver este trabalho
relacionando planejamento urbano, acesso ao saneamento básico, preservação dos
mananciais hídricos e organização social, pois a Sociologia, ciência que estuda a
sociedade, também se preocupa com as questões ambientais. Os Sociólogos podem
definir caminhos, que vão desde a conscientização da sociedade sobre a necessidade de
um melhor gerenciamento e uso dos recursos naturais, até novos programas de
sustentabilidade dos sistemas ambientais e sociais.
Também será apresentado aqui um estudo de caso realizado pelo pesquisador na
ETA(estação de tratamento de água) Santa Bárbara da cidade de Pelotas. Este trabalho
técnico baseou-se no desenvolvimento de um sistema de reuso de água que vem a
corroborar com os demais aspectos sociais do saneamento ambiental citados neste
trabalho, mostrando a estreita ligação entre o saneamento ambiental e a Sociologia, pois
a falta de saneamento não permite atingir a coesão social, pressuposto citado por Èmile
Dürkheim neste trabalho. Nesta mesma linha, a falta de planejamento para reutilizar as
água residuárias das estações de tratamento de água (ETAs) dizem respeito ao
pressuposto de racionalidade citada por Weber, tendo como questão norteadora a
dicotomia homem/natureza.
O saneamento ambiental é sinônimo de qualidade de vida para a sociedade. A
disponibilidade de água tratada em quantidade e qualidade e o tratamento dos resíduos
gerados nas instalações domiciliares são fatores presentes no índice de desenvolvimento
humano de uma sociedade (IDH)3. Tendo em vista que a sociedade depende do
ambiente natural em que vive, não podemos separar as questões sociais dos elementos
naturais, uma vez que o homem não pode viver separado da natureza.
3
O índice de desenvolvimento humano foi proposto pelo economista Amartya Sem. O IDH de
uma sociedade é medido por três parâmetros principais: expectativa de vida ao nascer (Condições de
saúde, saneamento básico...), alfabetização e renda per capita.
9
1- DESENVOLVIMENTO
1.1 HISTÓRICO DO SANEAMENTO NO RIO GRANDE DO SUL
Os primeiros sistemas de tratamento de água e esgoto do Rio Grande do Sul
foram implantados com a participação da Secretaria de Obras Públicas instalados na
cidade de Porto Alegre, a partir de 1917 e, com esses serviços, foram beneficiadas
cidades como Rio Grande, Bagé, Dom Pedrito, Uruguaiana, Santa Maria, Alegrete,
Itaqui, Jaguarão e Cachoeira do Sul.
A partir de 1936, foram assinados os primeiros convênios da operação dos
serviços pelo Estado. O primeiro Plano Estadual de Saneamento, elaborado em 1945,
previa a captação de recursos externos para custear as obras necessárias. O Rio Grande
do Sul contava com 21 municípios abastecidos com água e 15 com sistemas de esgotos.
O desenvolvimento do Estado e o crescimento das cidades, com o consequente
aumento da demanda por saneamento, levaram o governo do Estado a optar pela criação
de uma empresa estatal para essa área. Já eram então 232 municípios, dos quais 103
tinham serviços de saneamento. Foi então, criada a Companhia Riograndense de
Saneamento (CORSAN) em 21 de dezembro de 1965 e instalada oficialmente em 28 de
março de 1966. Esta empresa tinha o desafio de proporcionar ao Estado e a sua
população uma melhor qualidade de vida, melhorando o abastecimento precário que
perdurava desde o início do século.
Em 1968, foram assinados vários contratos de financiamento com o Banco
Nacional de Habitação (BNH), para a realização de obras em 53 cidades do Estado. Em
1971, o governo lançou o projeto Grande Rio Grande, que tinha como meta atingir
80% da população das localidades abastecidas pelo Estado.
Os serviços de saneamento foram concedidos para a CORSAN, através de
contratos celebrados com as prefeituras, devendo abranger obras de tratamento de água
e de tratamento de esgotos, renovados a cada período de 10, 15 ou 20 anos, dependendo
das cláusulas de contrato. Além da CORSAN, alguns municípios controlam essa
atividade de saneamento básico como é o caso de Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Caxias
do Sul, Santana do Livramento, São Leopoldo entre outros municípios.
A universalização dos serviços de saneamento é uma das metas de todo o
governo do Estado, pois atinge diferentes esferas da sociedade e proporciona qualidade
de vida às populações.
10
1.2 O USO, OS CONFLITOS E A CONCEPÇÃO DE VALORAÇÃO DA ÁGUA
É sabido que 75% da superfície da Terra é composta de água; no entanto, a
maior parte não está disponível para consumo humano, pois 97% é água salgada,
encontrada nos oceanos e mares, e 2% formam geleiras inacessíveis. Assim sendo,
apenas 1% de toda a água do planeta é doce e pode ser utilizada para consumo humano
e animal e, deste total, 97% estão armazenadas em fontes subterrâneas.
As águas doces superficiais- lagos, rios e barragens- utilizadas como água bruta
nos sistemas de tratamento sofrem os efeitos da degradação ambiental que atinge cada
vez mais os recursos hídricos em todo o mundo. A poluição destes mananciais torna
cada dia mais difícil e caro o tratamento de água. Na figura 1, podemos observar a
distribuição dos usos da água na Terra.
Fonte: Corsan
Figura 1
Os primeiros usos da água eram principalmente para a agricultura, a criação de
animais e o uso doméstico, mas, com o passar do tempo, a água passou a ser utilizada
pela indústria e para a irrigação de grandes áreas acarretando conflitos entre os usuários,
por se tratar de um recurso cada vez mais escasso. Esses conflitos podem ser quanto à
destinação de uso, à disponibilidade qualitativa e à disponibilidade quantitativa.
Segundo Rocha (2001), os conflitos de destinação de uso acontecem quando a água é
utilizada para outros fins, que não as estabelecidas por decisões políticas,
11
fundamentadas ou não em anseios sociais, que não a reservaria para o atendimento das
demandas sociais, ambientais e econômicas. Um exemplo disso é a irrigação de grandes
áreas para a agricultura, ocasionando a falta de água para consumo humano. Os
conflitos de disponibilidade qualitativa da água acontecem devido à crescente poluição
nos rios que abastecem as ETAs. Estes geram problemas de ordem econômica para as
empresas de saneamento, pois aumentam a necessidade de produtos químicos para tratar
a água; criam problemas de ordem social para as comunidades que vivem nas
proximidades destes mananciais devido ao aspecto de degradação ambiental, mau
cheiro, falta de condições de balneabilidade e mortandade de peixes. Os conflitos de
disponibilidade quantitativa ocorrem, por sua vez, quando o uso intensivo provoca o
esgotamento da disponibilidade em quantidade.
Um exemplo desse conflito quantitativo são os atritos entre os arrozeiros da
cidade de Rio Grande e a CORSAN no período do plantio e desenvolvimento do arroz.
Os arrozeiros mantêm um contrato com a referida empresa para o uso da água e, como
não existe macromedição instalado nos pontos de sucção, fica difícil delimitar a
quantidade de água retirada pelos arrozeiros ao longo do canal adutor de Rio Grande.
Em períodos de estiagem, a quantidade de água que chega à ETA é insuficiente para o
consumo, se fazendo necessária uma fiscalização de cada tubulação de água que sai de
um canal adutor4 em direção aos canais de arroz. Observa-se que esse canal adutor é a
única fonte de água para abastecer a cidade de Rio Grande.
O uso na agricultura é o maior responsável pelo esgotamento das reservas
hídricas. Além disso, a agricultura também contribui para a destruição do leito dos rios
através da eliminação das matas ciliares, trazendo como consequências o assoreamento
dos rios. Rios assoreados são responsáveis pela redução das atividades econômicas de
navegação, pela diminuição de reservas de barragens para geração de energia elétrica e
captação de água bruta pelas ETAs.
Além desses conflitos, o crescimento populacional ocasionou o aumento de
consumo de água tratada, agravando, assim, os problemas das empresas de saneamento
que necessitam incrementar a produção para atender a crescente demanda dos centros
4
O canal adutor possui 24 km de extensão, sendo parte dele em terra e parte em concreto e foi
construído em 1983 tendo como fator condicionante o abastecimento de água potável da cidade de Rio
Grande e praia do Cassino.
12
urbanos. Para conseguir isto, estas empresas necessitam melhorar muito as suas perdas
nos processos de produção, tratamento e distribuição de água.
A responsabilidade de cuidar e preservar os leitos de água é de todos os atores
sociais, pois a água é um recurso natural que atravessa uma grande crise quanto ao seu
uso e somente com mobilização e ações de defesa o homem poderá garantir que este
bem esteja disponível em quantidade e qualidade para as futuras gerações. A falta de
um maior gerenciamento do uso dos recursos hídricos tanto na indústria, quanto na
agricultura e no consumo doméstico é o fator preponderante para que a água potável se
torne cara e rara no mundo todo. Portanto a valoração deste bem natural, na ótica dos
neoclássicos5, corresponde a tratá-lo como um bem econômico, associando-o a uma
forma de capital manufaturado, vindo sua escassez a refletir no seu valor comercial no
mercado. Segundo a abordagem neoclássica do meio ambiente, somente se pode
enfrentar os problemas relativos à escassez e à degradação ambiental criando-se
mecanismos que instrumentalizam o mercado para atuar nas relações entre economia e
natureza, colocando valor monetário nos recursos ambientais que são regulados pelo
Estado.
A partir dessa análise, podemos nos questionar: como colocar valor em um
recurso que não pode ser produzido pela mão do homem? Quais são os métodos de
gestão e controle? Além disso, um sistema de valoração de um bem natural, em uma
sociedade capitalista, não poderia dificultar ainda mais o acesso ao saneamento básico?
Uma maior dificuldade de ter a água em quantidade e qualidade para as necessidades
diárias do cidadão, não aumentaria a exclusão social?
Segundo National Geografhic (2002), em Dubai, cidade árida dos Emirados
Árabes, 10 milhões de litros de água marinha, tratadas por um processo caro de
dessalinização, correm pelas piscinas do parque aquático Wild Wadi. Isto só é possível
porque os governos do Golfo Pérsico possuem domínio sobre o petróleo,
consequentemente, “nadam em doláres”, podendo se dar ao luxo de dessalinizar a água
do mar, situação bem diferente de grande parte dos países do planeta Terra. No anexo
A, ao final do texto, uma figura de humor, mostra o que está reservado para o futuro da
sociedade, se a água não for tratada como um direito humano fundamental.
5
O pensamento neoclássico determina preço, produção e distribuição de acordo com a oferta e
demanda do mercado consumidor. Consideram como elementos de análise a renda dos consumidores e o
custo de produção do referido bem e sua função utilidade.
13
Segundo Valêncio (2004), existem muitas críticas à abordagem da economia
ambiental neoclássica, que focaliza tanto a mercantilização do trabalho quanto a do
meio ambiente como se fossem fatos naturais. Existem complexas interações entre
processos sociais e ecológicos que afetem a evolução e a sucessão dos ecossistemas nas
suas condições de estabilidade, resistência e produtividade. A mesma autora (op.cit.),
citando Weber (1964), aponta que o que é tido como racional para uma dada formação
social, pode ser absolutamente irracional para outra, pois a racionalidade de um
processo social só pode ser compreendida a partir dos elos significativos, compostos
tanto de motivações materiais quanto simbólicas. Por isso, ao contrário do que supõem
os neoclássicos, a significação cultural pode ser o fator determinante sobre o resultado
social de uma dada ação, sobrepondo-se inclusive a aspectos econômicos que poderiam
lhe dar sentido distinto.
Assim, sendo a água um bem natural, é necessário verificar soluções
econômicas associadas aos sistemas políticos, culturais e institucionais de cada região,
uma vez que elas que condicionam os processos de regulação e controle dos recursos
hídricos.
14
1.3 A ÁGUA COMO BEM COMUM DA SOCIEDADE
No mundo todo, existe uma tendência de redução das atividades do Estado,
passando a atuar como um Estado Mínimo, entregando para empresas privadas
atividades que são de competência do poder público. O grande problema acontece
quando os serviços de saneamento não atingem a totalidade da comunidade nem em
quantidade, nem em qualidade. O saneamento precisa ser universalizado, de caráter
público, ou seja, primeiro beneficiar a comunidade para depois gerar lucro.
A água, antes vista como um bem comum, hoje é considerada o “ouro azul”
gerando muito lucro quando for privatizada. Segundo especialistas que defendem o
direito à água, os riscos da falta de água e ou da péssima qualidade para o consumo,
podem atingir dois terços da população mundial até 2025. O risco de faltar água não se
refere somente ao acesso, mas, principalmente, ao fato de quem será o gerenciador do
saneamento. Se a água é um direito fundamental do ser humano, quem além do poder
público, poderá oferecê-la? Atualmente, a água é, pela ótica de organismos financeiros
internacionais e empresários, um bem econômico. No entanto, deve-se considerá-la um
direito humano e social fundamental.
Um estudo realizado pela comissão de pesquisas da Internacional de Serviços Públicos
(ISP6), publicado em junho de 2001 sobre os problemas gerados pela administração do
saneamento por empresas privadas, apontou, como principais elementos, o declínio na
expansão do atendimento às populações e a corrupção. Esta pesquisa também mostrou
que grande parte dos países desenvolvidos possui os serviços de saneamento sob a
administração pública, conforme gráfico abaixo:
Fonte:ISP
figura 2
6
A ISP é a federação sindical internacional, sindicato global, para os/as trabalhadores/as de serviços
públicos. A ISP agrupa 635 sindicatos filiados em 156 países. Juntos, estes sindicatos representam mais de 20
milhões de trabalhadores/as de serviços públicos, que prestam serviço na administração pública, nos serviços
sanitários e sociais, nos serviços municipais e das empresas de serviços públicos, como água, saneamento, energia
elétrica, limpeza urbana, dentre outros.
15
No Brasil, conforme pesquisas do IBGE, os serviços de tratamento e
distribuição
de
Fonte : (IBGE, 2000)
água
se
dividem
conforme
o
gráfico
abaixo.
Figura 3
Sendo a água um bem comum da humanidade, precisa estar sob a proteção do
Estado. O município como poder concedente, poderá fiscalizar para que a água não seja
privatizada, negociando sempre a renovação de concessão com o Estado, ou, fazendo
ele próprio o controle do saneamento do município. Pela importância da água e pelo que
ela representa para a sociedade, as empresas que possuem as concessões, podem fazer
muito mais e melhor para produzir e distribuir este bem natural. O risco da água vir a
ser propriedade privada, não pode ser descartado, visto que o capitalismo consumista,
através do Banco Mundial, das empresas privadas e das chamadas parceria público
privada (PPPs) desconsideram o fato de a água ser um bem comum da sociedade e um
direito da população. As companhias de saneamento devem ter clareza da importância
da água, do bem essencial com que trabalham, propondo melhorias em seus processos,
tanto na questão econômica como na questão ambiental. O reuso, o tratamento dos
efluentes e finalmente o tratamento do esgoto, melhoram a qualidade dos mananciais
que servem de afluentes das estações de tratamento.
A água já no século XX tornou-se um recurso crítico. Agora, no século XXI,
teve essa situação agravada devido à disputa por ela, pois serve tanto para o consumo
humano e animal, como para a geração de energia elétrica, irrigação de lavouras e
indústria.
16
1.4 O SANEAMENTO AMBIENTAL E A SAÚDE PÚBLICA
Saneamento básico e saúde pública andam sempre juntos e por isso justificam
projetos que visem investimentos nestas duas importantes áreas da sociedade. Segundo
os sanitaristas, estas afirmações são óbvias e a maioria das pessoas percebe isso,
independente de seu nível cultural. A falta de acesso aos serviços de saneamento causa
um grande reflexo na saúde e, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) Indicadores de desenvolvimento sustentável, em 2010, 92,8%
dos domicílios urbanos brasileiros recebem oferta regular de água, no entanto este dado
refere-se somente aos domicílios urbanos ligados a rede geral e não levam em
consideração a qualidade da água de distribuição por conta da legislação brasileira que
diz que toda água distribuída por rede geral de abastecimento necessita apresentar boa
qualidade. No sistema de coleta de esgoto a situação é mais complicada, pois,
conforme o IBGE, Indicadores de desenvolvimento sustentável, 2010, menos de 58%
da população urbana do país é beneficiada com um sistema público de coleta de esgoto.
No meio rural, 95,4% não possuem coleta de esgoto e 69% não têm acesso aos sistemas
públicos de água. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a estimativa é de
que para cada dólar investido em saneamento básico, economizam-se outros quatro na
saúde.
As tabelas e gráficos abaixo retratam os problemas de saúde pública
relacionadas à falta de saneamento básico no Brasil.
Fonte: SUS (SIM/SUS)
Figura 4
17
Fonte (IBGE, 2010)
figura 5
A falta de saneamento causa muitos impactos negativos à sociedade e, segundo
pesquisa do Trata Brasil/FGV (2010), a qual estudou os Benefícios Econômicos da
Expansão do Saneamento Brasileiro, alguns dos males causados são os seguintes:

Por ano, 217 mil trabalhadores precisam se afastar de suas atividades devido a
problemas gastrointestinais ligados a falta de saneamento. A cada afastamento
perdem-se 17 horas de trabalho.
18

Cada internação custa, em média R$ 350,00 (Trezentos e cinquenta reais). Com
o acesso universal ao saneamento, haveria uma redução de 25% no número de
internações e de 65% na mortalidade, ou seja, 1.277 vidas seriam salvas.
Outra pesquisa do Trata Brasil/FGV (2008), que estudou a relação entre
Saneamento, Educação, Trabalho e Turismo, apresentou os seguinte dados:
 A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm acesso
ao saneamento básico é de 18%;
 Cada 1 milhão investido em obras de esgoto sanitário, gera 30 empregos diretos
e 20 indiretos, além dos empregos permanentes quando o sistema entra em
operação. Com o investimento de R$ 11 bilhões por ano reivindicado pelo setor
de saneamento, calcula-se que sejam gerados 550 mil novos empregos no
mesmo período;
 Se os investimentos em saneamento continuarem no mesmo ritmo, apenas em
2122 todos os brasileiros terão acesso a esse serviço básico.
 As 81 maiores cidades do país, com mais de 300 mil habitantes, despejam
diariamente, 5,9 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum,
contaminando solos, rios, mananciais e praias do país, com impactos diretos a
saúde da população.
Segundo Síntese dos Indicadores de 2009 – IBGE, 2010, Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios, temos que:

Investe-se muito pouco em saneamento, o que torna a universalização muito
distante. Deveriam ser investidos 0,63% do PIB, mas efetivamente são
investidos apenas 0,22%.

Menos de 30% das obras do PAC Saneamento foram concluídas até 2010
(Ministério das Cidades).

Estudo do Trata Brasil “De Olho no PAC”, que acompanha a execução de 101
grandes obras de saneamento em municípios acima de 500 mil habitantes,
mostra que somente 4% das obras foram finalizadas. E cerca de 60% destas
obras estão paralisadas, atrasadas ou, ainda, não iniciadas.
O saneamento básico não pode ser excludente, devendo ser planejado para que
tanto as áreas “ricas”, quanto as áreas “pobres”, recebam igual tratamento, visto que,
sem esse serviço, todos ficam prejudicados. Segundo pesquisas da FGV (Fundação
Getúlio Vargas), as deficiências sanitárias afetam a todos. Mesmo que as camadas
19
superiores da sociedade não se preocupem com o bem estar das camadas populares, elas
também correm riscos. Os problemas de saúde atingem a todos que pertencem a um
mesmo espaço geográfico, o que justifica a afirmação de que o saneamento básico seja
universalizado e acessível a todos.
A coleta e o tratamento eficientes de esgotos estão relacionados a um bom
planejamento. Desde sempre foi priorizado o sistema de tratamento de água, deixando
em segundo plano a coleta e o tratamento de esgoto.
Émile Dürkheim (1858-1917) concebe as sociedades modernas e complexas
como um grande organismo vivo, onde os órgãos são diferentes entre si, mas todos
dependem um do outro para o bom funcionamento deste ser vivo. Para ter uma coesão
social, precisamos de uma regra de conduta com códigos e regras baseadas nos direitos
e deveres do cidadão. Para ele, somente assim teremos a justiça social. Durkheim tinha
como uma de suas principais preocupações a coesão social e para atingir este equilíbrio,
é necessário trabalhar as condições básicas que reduzam problemas sociais, como a
falta de saneamento e as questões dela decorrentes, a miséria e a violência.
O acesso aos serviços de saneamento básico (água tratada, recolhimento de lixo,
tratamento do esgoto) é um elemento diferencial das camadas sociais. Nos bairros mais
populares das cidades, os serviços de saneamento são menos eficientes do que aqueles
destinados aos bairros onde vivem os mais abastados. E isso se verifica em pequenas
cidades do interior e também em grandes metrópoles. O que nos leva a afirmar que
resolver esse problema é fundamental para garantir a coesão social da qual nos falava
Èmile Dürkheim.
20
1.5 ECOLOGIA INDUSTRIAL: UMA NOVA CONCEPÇÃO PARA
A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Das preocupações com as questões ambientais surge a ecologia industrial e
Kiperstok e Marinho (2001,p.272) descrevem que “A ecologia industrial visa a
prevenção da poluição ou a Produção Mais Limpa, reduzindo a demanda por matériasprimas, água e energia e a devolução de resíduos à natureza. Porém, enfatiza a sua
produção mais limpa através da obtenção de sistemas integrados de processos ou
indústrias, de forma que resíduos ou subprodutos de um processo possam servir de
matéria prima de outro. Difere, nesse ponto, da Produção Mais Limpa, que prioriza os
esforços dentro de cada processo, isoladamente, colocando a reciclagem externa entre as
últimas opções a considerar.
Por mais que se aperfeiçoem os processos de limpeza da produção, sempre
haverá necessidade de alguma matéria-prima e poderá ocorrer a geração de algum
resíduo ou subproduto em processos isolados, para os quais não haja uma alternativa
economicamente viável de Produção Mais Limpa, ou interesse da empresa em
desenvolver outro processo que o aproveite. A integração adequada de diferentes
empresas, de forma que os resíduos e subprodutos gerados por uma, que acabariam se
transformando em lixo a depositar, possam servir de matérias primas para outras,
reduziriam a devolução de resíduo à natureza. Da mesma forma, a sua utilização como
matéria-prima reduziria a demanda por novos recursos naturais. A pretensão é
desenvolver ciclos de produção, distribuição, consumo e devolução de resíduos o mais
fechado possível. Além da redução da demanda e da restituição ao mínimo inevitável,
os resíduos que não pudessem ser suprimidos no fim de todo o ciclo, seriam tornados o
mais compatível e possível com o processamento natural, antes da devolução ao
ambiente.”
O sentido geral é de que
por meio de um sistema industrial, através dos
reaproveitamentos e transformações possíveis, aproveitar ao máximo os recursos
naturais inevitavelmente necessários, reduzindo a um mínimo a pressão sobre a
natureza, tanto do lado da demanda quanto do da restituição.
Hoje, como no passado, a reflexão se impõe exatamente nos momentos de crise,
quando setores da sociedade se colocam a tarefa de repensar seus fundamentos, seus
valores, seu modo de ser. O movimento ecológico está bem no centro destas complexas
questões. Não é por acaso que, modernamente, a problemática ecológica transita entre a
21
Ciência, a Filosofia e a Política, recolocando inclusive em novas bases a relação entre
esses três planos. Na visão da ecologia industrial, quanto mais próximo forem as
indústrias de uma região, mais é possível um subproduto ser utilizado como matéria
prima ou insumo para outra, criando assim uma produção sustentável, e de reduzida
utilização dos “recursos naturais”.
Uma situação que podemos considerar como exemplo ocorre na cidade de
Piratini-RS, onde foi implantado uma usina termelétrica que utiliza o cavaco de
madeira, subproduto - resíduo - da indústria madeireira, também chamado de biomassa7,
para produzir energia elétrica. Este cavaco é utilizado na queima do ciclo a vapor nas
usinas termelétricas conforme figura 6. O resíduo, quando exposto ao tempo, produz
CO2 durante a sua degradação, aumentando o efeito estufa no planeta, sendo assim um
problema ambiental para as madeireiras. Para esta usina térmica a matéria prima é
barata e de fácil obtenção, quando comparada com a extração do carvão mineral.
Portanto, nesta usina térmica, movida à biomassa unem-se variáveis ambientais, como a
não emissão de CO2 pelo cavaco da madeira exposto ao tempo; as variáveis econômicas
como a matéria prima de fácil obtenção e a disponibilidade de energia para o sistema
elétrico brasileiro, e as variáveis sociais, como a geração de emprego direto e indireto
decorrentes deste processo produtivo. Em anexo, imagem dessa Usina Térmica.
Fonte: CEEE
Figura 6
7
Biomassa é uma matéria de origem orgânica, podendo ser animal ou vegetal.
22
1.6 CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL
A conscientização ambiental configura-se necessária para que a ação seja
adequada e eficaz, podendo ser obtida através de um melhor entendimento das
complexas inter-relações entre os principais problemas ambientais contemporâneos. Os
problemas ambientais globais têm suas origens em condições locais, tornando-se,
portanto, imprescindível a conscientização individual e coletiva de que uma ação em
nível local é, geralmente, o primeiro passo para uma solução global.
O planeta Terra tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a vida nele existe há
mais de 3,5 bilhões de anos e o ser humano está sobre a terra há cerca de 2 a 3 milhões
de anos, vivendo em equilíbrio com outras formas de vida. Apenas nos últimos 200
anos as pessoas começaram a afetar o ambiente global de forma significativa, e nos
últimos 40 anos esse impacto se tornou, de fato, grave ao planeta.
O ser humano depende profundamente da natureza, mas pela primeira vez ele
tem a capacidade de alterar o mundo natural, de maneira rápida e em escala global.
Observa-se que, até há pouco tempo, os recursos do ambiente eram maiores em relação
às demandas; todavia, agora, com o crescimento populacional, aumentaram também as
necessidades humanas. Dessa forma, pode-se afirmar que o aumento significativo da
população e o crescimento do consumo, causaram impactos ambientais como nunca
visto na história da humanidade.
Segundo Corson (1993), foi a partir da década de 1990 que os cidadãos e lideres
de muitos países começaram a entender melhor as conseqüências do impacto humano
sobre o ambiente e sua forte ameaça à segurança, à produtividade econômica, à saúde e
à qualidade de vida, tanto atual como das gerações futuras. Gradualmente, percebemos a
importância de maiores mudanças nas estruturas da sociedade e dos governos, em níveis
multilaterais de envolvimento e comprometimento, em padrões e gerenciamento de
atividades econômicas, no estilo de vida e nos direitos e responsabilidades dos
indivíduos.
Toda vida depende da terra, água e ar do planeta, e a qualidade do ambiente
influi diretamente em todos os aspectos da vida humana – saúde e bem estar, emprego e
recreação, cidades e vilas, indústria e agricultura. O meio ambiente afeta também todos
os grupos da sociedade – produtores e consumidores, ricos e pobres, homens e
mulheres, jovens e idosos.
23
Os problemas dos recursos ecológicos e sociais da terra são interdependentes.
Corson (1993) considera que as principais causas dos atuais problemas ambientais são o
crescimento populacional insustentável, o acentuado aumento da pobreza e
desigualdade social, os métodos de produção de alimentos insustentável, o uso de
energia insustentável e a produção industrial insustentável.
Por tal conjuntura, todos os projetos que visam a melhorar as variáveis
ambientais e econômicas de um processo produtivo passam primeiramente por uma
mudança de visão do ambiente, ou seja, por uma educação ambiental e a natureza que
a princípio é vista como “recurso natural”, deverá ter outra conotação, pois deixará de
ter essa concepção desumanizada e passará a ser vista como parceira da humanidade e
portanto, deverá ter meios jurídicos que promovam esta nova forma de preservação do
meio natural.
É importante ressaltar que os problemas entre o homem e a natureza, ou seja, o
domínio do homem sobre a natureza e as restrições éticas postas a tal comportamento já
estão presentes desde o século XVIII, e ainda hoje permanecem no cerne da questão
ecológica.
24
1.7 REAPROVEITAMENTO DE ÁGUA DE ESTAÇÕES DE
TRATAMENTO DE ÁGUA
Toda alteração executada na planta de um processo produtivo, visando à
melhoria de uma determinada variável, terá como conseqüência outros fatores que
fazem parte do sistema produtivo e que estão interligados, como é o caso das variáveis
ambientais, econômicas e as sociais. Em muitas empresas, a variável econômica é a que
está em primeiro lugar, pois, às vezes, é mais vantagem pagar uma multa do que
construir onerosos sistemas de tratamento de efluentes e resíduos sólidos, ainda que
afetem, nesse caso, o ambiente e, por conseqüência, a sociedade.
No caso do reaproveitamento de água residuárias de ETAs - assunto será mais
detalhado no estudo de caso deste trabalho - que, normalmente são destinadas aos rios e
córregos mais próximos, ter-se-á uma melhoria ambiental no corpo receptor dos
efluentes e uma redução da água retirada do manancial que abastece estas estações de
tratamento, refletindo positivamente na sociedade, através de um rio (corpo receptor)
mais limpo e de um manancial (barragem) preservado do desperdício, mantendo a
capacidade poupada para enfrentar os períodos de seca. Com essa recuperação, é
utilizada menor quantidade de matéria-prima, atendendo a um maior número de
consumidores, o que traz um benefício social. Com relação à variável econômica, o
reaproveitamento tem um custo inicial elevado, mas, com o passar dos meses, ele acaba
retornando através de redução das horas de operação da ETA e da redução de produtos
químicos de energia elétrica.
Outra análise importante de caráter econômico diz respeito ao uso do sulfato de
alumínio, que é utilizado para a coagulação, pois a água de retorno dos filtros ainda
possui um sulfato de alumínio residual do processo de tratamento, e, com o tempo,
poderá ser analisada a possibilidade da redução do produto no início do ciclo de
tratamento. Essa alteração no processo de tratamento de água reduzirá o uso de matériaprima e de insumos, continuando com a mesma qualidade do seu produto final.
As empresas de saneamento fazem seus programas sociais de redução de
desperdício de água na comunidade, mas, no seu sistema de tratamento e distribuição,
há um percentual de perda bem superior àquele, que, por vezes, é atribuído à população.
É necessária uma ação urgente para minimizar essas perdas, pois elas correspondem a
uma parcela considerável do total das perdas de água em sistemas de abastecimento.
Essas perdas, conforme Silva (1998) são agrupadas em físicas (não consumidas) e não
físicas (consumidas, porém não faturadas). A perda física refere-se a toda a água que é
25
subtraída do sistema e que não é consumida pelo cliente final. Esse tipo de perda ocorre
por vazamentos em tubulações, equipamentos e estruturas, por extravazamento de
reservatórios, por água utilizada em processos operacionais de lavagem de filtros e por
limpeza de decantadores e de descargas em redes de adução e distribuição. Já as perdas
não físicas referem-se a ligações clandestinas e/ou irregulares, ausência de
micromedição, deficiências da micromedição e gerenciamento ineficiente de
consumidores.
A redução das perdas físicas permite diminuir os custos de produção - mediante
redução do consumo de energia, de produtos químicos e outros - e utilizar as instalações
existentes para aumentar a oferta, sem expansão do sistema produtor.
Visando ilustrar a distribuição de perdas em um sistema público de
abastecimento, o quadro a seguir apresenta os resultados dos estudos conduzidos pela
SABESP para a Região Metropolitana de São Paulo.
Distribuição das perdas na RMSP (SABESP, 1993)
Hipótese de
trabalho
Tipo de perda
Perdas [%]
[m³/s]
Físicas Não-Físicas
Totais
Vazamentos
8,9
47,6
-
47,6
Macromedição
1
-
5,3
5,3
Micromedição
3,8
-
20,3
20,3
Gestão
comercial
Total
3,2
-
17,1
17,1
18,7
51
49
100
26
2 - METODOLOGIA
Este trabalho baseia-se em uma pesquisa bibliográfica e em uma pesquisa de
campo efetuada em 2005, com o intuito de entender, à luz da Sociologia, os problemas
sócio-ambientais relacionados à falta de saneamento básico no Brasil.
O consumismo estimulado pelo capitalismo no mundo contemporâneo, as
dificuldades decorrentes da falta de infra-estrutura das empresas prestadoras de serviços
de saneamento para acompanhar o incremento do consumo e os impactos sociais e
ambientais que a falta de saneamento básico traz para a sociedade são os elementos que
norteiam este trabalho. Desta forma, pretendemos mostrar que o saneamento básico
tem uma estreita relação com as questões sociais e ambientais, e a sociologia tem muito
a contribuir para melhor entendermos que a falta de saneamento é um grande indicador
de exclusão social.
O primeiro passo é a realização de uma pesquisa bibliográfica envolvendo a área
de saneamento ambiental que possibilite entender a falta de políticas de saneamento. A
partir desse referencial teórico, introduzir juntamente com a fundamentação teórica o
pensamento sociológico, principalmente no tocante à saúde e à qualidade de vida. Desta
forma, tornar possível a observação dos impactos do saneamento ambiental na
sociedade atual.
Após a elaboração do referencial teórico será analisada um estudo de caso,
realizado em 2005, sobre perdas de água tratada dentro de estações de tratamento. Essas
perdas traduzem bem a dicotomia da separação do homem e natureza, pois ainda não há
preocupação com o reuso de água, o que levaria à economia de produtos químicos e de
energia elétrica, preservação do manancial abastecedor e aumento da vazão em função
da reciclagem.
27
2.1 UM CASO EXEMPLAR: O Reaproveitamento da Água da Lavagem de Filtros da
Estação de Tratamento da Água (ETA) Santa Bárbara em Pelotas – RS
A Estação de Tratamento da Água (ETA) Santa Bárbara localiza-se no
município de Pelotas, no Estado do Rio Grande do Sul, e tem como manancial uma
barragem construída para este fim. A barragem está em uma cota mais elevada que a
ETA, abastecendo esta por gravidade a maior parte do ano. Somente em períodos de
grande estiagem é que a ETA recebe água recalcada da barragem através de uma
bomba submersível.
A ETA é constituída por dois módulos de tratamento, mas que recebem água do
mesmo sistema adutor da barragem. Cada módulo é composto por três
flocodecantadores com capacidade de 2000 m3 e 5 filtros descendentes com ação
rápida e o meio filtrante de areia.
A vazão média do tratamento diário é de 450 l/s somados os dois módulos. A
coagulação é feita através de Sulfato de Alumínio [Al2(SO4)3] e o Tanfloc (Tanato
Quaternário de Amônio, um composto orgânico vegetal), usado como polímero de
auxílio. Ainda no salto hidráulico é aplicado o carvão. O cloro gás e o flúor são
aplicados na tubulação da água tratada que vai para o reservatório enterrado,
destinado à distribuição.
A distribuição da água é feita através de quatro grupos motorbomba com
motores de 250cv e bombas bipartidas tipo 8LN18. O transporte para a distribuição
e feito por três adutoras de 400mm. O controle de vazão, por sua vez, é feito através
de três macromedidores eletrônicos e quatro manômetros com escala de 0 a 10
kgf/cm3.A ETA possui um reservatório elevado de 250m3, que é utilizado para
abastecimento geral de água potável para a estação, sendo utilizado principalmente
para o processo de retrolavagem dos filtros da ETA, que utiliza 126m3 a cada
lavagem. A cada três horas é lavado um filtro.
Segundo Vianna (1996), a taxa declinante variável é um sistema de operação
composto por diversos filtros funcionando em paralelo (grandes ETAS) e o sistema
funciona distribuindo mais água para os filtros mais limpos, e menos água para os filtros
mais sujos. A comporta de acesso de água decantada a cada filtro está afogada, por isso
todos os filtros operam em um sistema de vasos comunicantes. O leito filtrante sempre
28
permanece imerso, mesmo que a ETA venha a parar de funcionar, e a carga desses
filtros variam à medida que o filtro vai se colmatando8.
A lavagem dos filtros no sistema de taxa declinante variável é feita através de
rodízio e sempre através do filtro que esta há mais tempo sem lavar. Nesse sistema, o
filtro mais limpo assume uma maior taxa de filtração enquanto o mais sujo está fora de
operação para ser lavado, mantendo assim a mesma vazão no processo. Devido a esse
equilíbrio, aliado à facilidade operacional proporcionada por essa concepção de
filtração, este sistema vem sendo implantado na maioria das ETAS brasileiras.
Segundo Ferreira Filho & Laje Filho (1999), no processo de lavagem dos filtros,
uma ETA gasta, em média, de 3% a 5% do volume total de água produzida e, embora
sendo esta a maior perda de volume de água ocorrida nas estações, não ocorre o
reaproveitamento.
A perda de água na lavagem dos filtros de uma ETA situa-se no grupo das
perdas físicas e representa um grande problema para as empresas de saneamento, pois,
além da perda de água do sistema, os líquidos gerados são lançados em cursos d’água
mais próximos ou na rede de esgoto, o que, devido às características dos despejos,
favorece o agravamento do grau de poluição dos corpos receptores, contribuindo para a
crescente degradação do meio ambiente e a perda da qualidade de vida das populações
existentes a jusante desses lançamentos, pois apresentam um grande potencial poluidor,
devido à presença, em sua constituição, de impurezas removidas da água bruta, durante
o processo de tratamento, e de compostos químicos resultantes da adição de
coagulantes.
A recirculação da água de lavagem pode ser aplicada a estações
de filtração direta – em escoamento ascendente ou descendente
– ou tratamento convencional. Em relação às primeiras, a
principal limitação consiste na possibilidade de potencialização
microbiológica do afluente, pois a totalidade das partículas
suspensas presentes na água bruta, e os microrganismos às
mesmas associados, retornam ao início do tratamento. Um
eventual erro de operação pode acarretar queda de qualidade do
afluente ao tanque de contato, pois o tempo de detenção no
interior da unidade de tratamento é significativamente inferior
comparado às estações convencionais. A existência da unidade
de decantação, na qual parcela significativa das partículas
suspensas serão removidas, minimiza esta limitação. (Libâneo,
2001)
8
Entupimento do leito filtrante à medida que retém as impurezas trazidas pela água decantada.
29
Segundo Tomaz (1998), a construção de sistemas de reaproveitamento tem um
custo inicial para sua implantação, no entanto sempre deve ser considerado o benefício
do reaproveitamento de um determinado volume de água, pois ela representa alterações
em variáveis econômicas para empresa, e variáveis ambientais e sociais para
comunidade local. Na ETA Santa Bárbara, em estudo neste trabalho, entende-se ser
possível recuperar cerca de 550.000 m3 de água ao ano. Sendo assim, se for adotado um
valor estimado de R$ 0,25 m³, tem-se uma receita adicional de R$ 150.000,00 ao ano o
que é um valor considerável neste caso, pois o custo será somente o de construção de
um reservatório enterrado de 150m³, da aquisição de bombas submersíveis, de
tubulações e de sistema de automação. Isso significa que o custo das obras componentes
do sistema de reaproveitamento do efluente líquido gerado na ETA Santa Bárbara pode
ser recuperado em poucos meses.
Um exemplo de reaproveitamento é o da ETA do Rio Descoberto, no Distrito
Federal, a qual trata atualmente uma vazão média de 3,4 m3/s, recuperando-se uma
vazão média de 170 l/s, ou seja, exatamente 5%, o que é suficiente para o abastecimento
de uma cidade de aproximadamente 73.000 habitantes com um valor per capita de 200
litros/habitante/dia.
No caso da ETA Santa Bárbara (imagem 1), o sistema foi calculado para ter um
reservatório de tamanho mínimo possível capaz de armazenar água de lavagem de um
filtro e recalcar toda essa água para o salto hidráulico em período de três horas, estando,
assim, apto a receber a água de lavagem de outro filtro. Esse sistema deve ser dotado
com inversores de frequência para poder reduzir a vazão do bombeamento do efluente
do filtro, se for necessário.
A perda de água na lavagem dos filtros de uma ETA (Imagem 2) situa-se no
grupo das perdas físicas e representa um grande problema para as empresas de
saneamento, pois os líquidos gerados são lançados em cursos d’água mais próximos ou
na rede de esgoto, o que, devido às características dos despejos, favorece o agravamento
do grau de poluição dos corpos receptores, contribuindo para a crescente degradação do
meio ambiente e a perda da qualidade de vida das populações existentes a jusante desses
lançamentos. Os despejos além de apresentar um potencial poluidor, devido à presença,
em sua constituição, de impurezas removidas da água bruta, durante o processo de
tratamento, e de compostos químicos resultantes da adição de coagulantes, representam
também um valor elevado na perda de água tratada de um sistema de
abastecimento,chegando próximo dos 5% do total. Na ETA Santa Bárbara, o sistema de
30
filtragem9 é constituído por dez filtros, sendo cinco em cada fase. São lavados três
filtros a cada turno de seis horas, com vazão média de 126m³ por filtro, o que resulta
num total de 1512m³ diários, quantidade suficiente para atender 8400 pessoas por dia,
considerando-se um valor per capita 200 litros/habitantes/dia.
Segundo Lima (2005), além de ser um problema ambiental, devido ao
desperdício da água, essa perda é também um problema operacional para a ETA, pois a
água é retirada do processo, prejudicando assim a reserva de água tratada. No verão, o
problema ainda é maior, pois o consumo se eleva - e a questão de economia ambiental
não é concebida como uma realidade da vida cotidiana sendo o desperdício de água
prática habitual de todos os setores da sociedade - e o manancial que abastece a ETA
baixa rapidamente o nível devido a problemas de pouca contribuição dos rios a
montante e assoreamento10, reduzindo a vazão de água bruta11 na ETA.
Tendo em vista esses aspectos, o projeto viabilizou o reaproveitamento da água
de lavagem de filtros, através de um reservatório de acumulação, com capacidade
mínima de 150m³ e uma bomba capaz de recalcar toda a água de lavagem de um filtro
no período de três horas (tempo entre um e outro filtro). Essa água será recalcada para
o salto hidráulico (chegada da água bruta) em um valor correspondente a 10% da água
bruta de chegada no salto.
Uma recomendação usual é que o retorno da água de lavagem
não ultrapasse a 10% da vazão da água bruta afluente à ETA de
modo a permitir que não haja nenhum prejuízo no processo de
coagulação- floculação, dosagem de coagulante e sobrecarga
hidráulica nas unidades de tratamento Kawamura(1991 apud
Ferreira Filho & Laje Filho,1999, pág. 15).
Com essa proposta, pretende-se reduzir as perdas da ETA, melhorar o fator
ambiental no corpo receptor e, principalmente, garantir uma maior disponibilidade de
água tratada nos reservatórios.
9
Filtração: Após a decantação, a água segue para os filtros, que são unidades de areia de
granulometria variada e que retêm as impurezas restantes e mais uma parte das bactérias. O filtro tem
dispositivos capazes de promover a lavagem de areia, quando fica muito suja. Diz-se, nessa ocasião, que
houve colmatação de leito filtrante.
10
IBGE (2002 p. 34), Obstrução de qualquer corpo de água, pelo acúmulo de substâncias minerais
( areia, argila etc.) ou orgânicas, como lodo, provocando a redução de sua profundidade.
11
O termo bruta designa apenas que ela não foi trabalhada pelo homem, não significando que ela
não se preste para o consumo. É claro que, na maioria dos casos, ela é imprópria para esse fim, por haver
estado exposta aos elementos e, portanto, à poluição.
31
2.2 PROJETO DE REUSO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DA
ÁGUA (ETA) Santa Bárbara de Pelotas
Tendo em vista que o objetivo é reaproveitar a água perdida no processo de
lavagem dos filtros da ETA Santa Bárbara, primeiramente verificamos como funciona o
sistema de filtragem na ETA, ou seja, tipo de filtro, materiais que fazem parte da
composição (areia, seixo), taxa de filtração, número de lavagens executadas por unidade
de filtro (lavagens/dia), volume e vazão de água utilizados em cada retrolavagem.
Após foram executados testes de laboratório como cor, turbidez e teor de sólidos
do efluente do filtro para comparar-se com os valores da água bruta, verificando-se,
com isso, a possibilidade de destinar a água de lavagem dos filtros para o salto
hidráulico. Essas análises foram executadas em duas unidades de filtro para dar maior
confiabilidade aos dados obtidos.
Tendo-se confirmado a possibilidade de reaproveitar a água de lavagem e
sabendo-se que o processo de tratamento não ia ser alterado quando a água do efluente
fosse misturada com a água bruta numa proporção de 10:1, passou-se, então, a analisar
o tipo de reservatório ideal a ser construído, ou seja, tamanho máximo para armazenar a
água de lavagem de um filtro. Para esse tanque, também seriam encaminhadas as águas
de pequenos vazamentos existentes nos equipamentos do processo de tratamento
(registros, válvulas e adufas de fundo de decantador), quantidade inexpressiva quando
comparada às águas de lavagens de filtro.
Em paralelo com o cálculo do reservatório, também foi verificado um tipo de
bomba submersível a ser instalado no interior do tanque, sendo levadas em consideração
as perdas de carga contínua e localizada até a água recalcada chegar no salto hidráulico.
O sistema em questão será automatizado via sensor de nível indutivo, ou seja, no
momento em que a água de lavagem atingir um determinado nível no tanque de
reservação este sensor manda um sinal ao quadro de comando da bomba que a liga
automaticamente, sem a necessidade do técnico de tratamento intervir no processo. O
mesmo acontece quando o nível de água no tanque atingir valores baixos.
Teremos, então, nível superior e inferior de comando da bomba submersível.
Essa bomba foi dimensionada, conforme FLYGT (2002) e BLACK (1979), visando
atender o valor máximo a ser recalcado, sem alterar o tratamento normal da água bruta,
32
e esvaziar o reservatório num período máximo de três horas, que é o tempo de lavagem
entre um filtro e outro.
Foi utilizada a fórmula de Hazen-Williams para calcular as perdas de carga
contínua e localizada, conforme BAPTISTA (2002).
Resultado dos coletados para dimensionar o reservatório:
Vazão de água distribuída = 450 l/s (Vazão da ETA, composta por 2 fases)
Vazão de retro lavagem = 126m³ / 8min / filtro
Vazamentos gerais na ETA= 3 l/s
Vazão máxima para recalcar para cada fase = 25 l/s
Vazão da bomba (dados iniciais) = 50 l/s = 180m³/h
Vazamentos = 259,2 m³/dia
Água de lavagem = 1512 m³/dia (3 filtros por turno de 6 horas)
Horas de trabalho da bomba = 10h.
Reservatório enterrado =150 m³/h (Calculado)
Altura do reservatório = 4m diâmetro = 7m
Perdas totais na ETA = 1512m³/dia + 259,2m³/dia = 1771,2m³/dia > 20,5l/s
Então
20,5 l/s / 450 l/s = 4,5%
Considerando-se os dados coletados, o percentual de perdas devido à lavagem de
filtros é de 3,9% da produção de água distribuída diariamente, o que comprova a
necessidade de um melhor uso deste efluente.
O sistema todo foi dimensionado visando o mínimo de gasto com obras civis,
elétricas e hidráulicas, podendo ser utilizado equipamentos e materiais existentes na
própria estrutura da ETA. O projeto foi encaminhado ao departamento de águas do
SANEP (Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas).
33
CROQUI DO RESERVATÓRIO E BOMBA PARA RECALQUE
Fonte: Manual técnico flygt, 2000
Figura 7
O SISTEMA DE COMANDO
Automação via sensor indutivo com inversor de frequência conforme figura abaixo
ÁGUA DE
LAVAGEM DOS
FILTROS
Fonte: Vianna (1996); Black (1979)
Figura 8
34
O sistema de comando com sensor é mais prático e gera menos manutenção. O
sistema é acionado a partir de um inversor de frequência, conseguindo-se com isso uma
redução ou ampliação de vazão dependendo da necessidade.
Imagem 1
ETA Santa Bárbara (Pelotas/RS)
Imagem 2
Filtro sendo lavado
35
EQUIPAMENTOS GERAIS PARA A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE
RECUPERAÇÃO DE ÁGUA

Reservatório enterrado de 150m³ para reservar água de lavagem de um filtro e
pequenos vazamentos da 1ª e 2ª fase.

1 bomba flygt C3140 13,5kW (exemplo pesquisado, dados em anexo)

150m de cano de PVC DN 200 (distância do reservatório até o salto hidráulico).

Curvas de 90 e 45 graus para instalação da bomba (saída do reservatório e
chegada ao salto hidráulico).

Inversor de freqüência para 15kW (CF 08 , 09 da WEG) ou partida estrela triângulo.

1 sensor indutivo para controle de nível.

Painel de comando para montagem dos equipamentos.
Durante o desenvolver do pré-projeto, foi fundamental o auxílio do pessoal do
laboratório e da operação e captação.
36
2.3 FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE REUSO
Água bruta
Coagulação
Floculação
Água de lavagem
decantadores
Decantação
Água de lavagem
de filtros
Filtração
Desinfecção e
correção PH
Água tratada
Água bruta
Sistema de reuso
Coagulação
Floculação
Decantação
Água de lavagem
de filtros
Filtração
Desinfecção e
correção PH
Água tratada
37
Água de lavagem
decantadores
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A falta de saneamento básico atinge principalmente as populações mais pobres,
as quais já enfrentam problemas de moradia, saúde, educação e ainda a falta de acesso a
um serviço de direito básico do cidadão, qual seja, a água em quantidade e qualidade.
Nesta pesquisa, verificou-se que a falta de saneamento é mais um reflexo da política
capitalista que cria uma grande exclusão social. Além disso, a falta de saneamento traz
prejuízos econômicos pelo afastamento de trabalhadores, devido a doenças adquiridas
por veiculação hídrica, e também pelo custo de tratamento de saúde de crianças e
adultos acometidos por esse tipo de doença.
Com essa pesquisa, avaliou-se que o Brasil necessita aumentar os investimentos
em saneamento em todo o país, criando mecanismos para estimular obras de
distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto através das companhias de
saneamento (tanto estadual quanto municipal). O investimento em ETAS eficientes com
perdas reduzidas, a eficiência na distribuição da água, o tratamento de esgoto e a
recuperação de mananciais já degradados pela ação do homem são itens imprescindíveis
quando se pensa na questão da evolução da sociedade em um nível de sustentabilidade
ambiental para as futuras gerações. Assim, o controle do desperdício de água, tanto da
empresa prestadora como do consumidor, a constante necessidade de incremento de
consumo em função do aumento de população urbana e o reduzido tratamento de esgoto
necessitam de políticas públicas de melhorias e ampliação da infra-estrutura
nos
centros urbanos, a fim de reduzir o desequilíbrio sócio-ambiental consequente do
capitalismo atual.
38
4 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAPTISTA, Márcio Benedito. Fundamentos de engenharia hidráulica. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2002.
BLACK, Perry O. Bombas. Tradução de José Aristides Salge. Rio de Janeiro: Ao livro
técnico, 1979.
CORSON, W. H. Manual Global de ecologia – o que você pode fazer a respeito da crise
do meio ambiente. São Paulo, August, 1993. 413p.
DURKHEIM, disponível em http://educacao.uol.com.br/sociologia/durkheim1.jhtm
FERREIRA FILHO, Sidney Seckler ; FREDERIDO DA ALMEIDA, Laje Filho.
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tratamento de lodo em ETA. Brasília: 1999.
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40
5 ANEXOS
Anexo A
O saneamento e o SUS(Humor)
41
ANEXO B
Canal Santa Bárbara
ETA SANTA BÁRBARA Google Hearth 1
ANEXO C
ETA SANTA BÁRBARA Google Hearth 2
Filtros
42
ANEXO D
Canal adutor de Rio Grande
43
ANEXO E
USINA TÉRMICA PIRATINI
44
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Jailson M. Lima - Biblioteca Digital da UNIJUÍ