1
SABER VII – Ética do gênero humano
Ambientes de aprendizagem como espaço de convivencia e transformação
O CONHECIMENTO EM REDE: CONVIVER E INTERAGIR NO FÓRUM.
Karine Xavier Freire1 - SEEDF
Lucicleide Araújo2- UCB
RESUMO – Este texto aborda a construção do conhecimento em rede que se tece em
ambientes virtuais de aprendizagem por meio do conviver e do interagir no fórum de
discussão, permeando um espaço de convivência e transformação em busca de saberes.
Tem como pano de fundo um referencial teórico baseado na complexidade e na
transdisciplinaridade, tendo os ambientes de aprendizagem como espaços abertos para
que o aprendiz expresse com liberdade suas emoções e pensamentos sem restrições. É
construído a partir da vivencia das autoras na mediação de ambientes virtuais de
aprendizagem, como tutoras a distancia. Essas analisam as interações de seus alunos em
fóruns de discussão, enquanto participantes de cursos de extensão ou de pós graduação
tendo em vista os ambientes de aprendizagem como espaços de convivência e
transformação.
PALAVRAS - CHAVE: ambientes virtuais, transdisciplinaridade, interação
1. INTRODUÇÃO
Com o avanço tecnológico e a expansão da Educação a Distancia no Brasil, muito se
tem dito a respeito dos ambientes virtuais de aprendizagem, que são espaços criados
com o intuito de promover o ensino e a aprendizagem.
Este texto trata sobre o interAGIR e o conVIVER nos fóruns de discussões desses
espaços permeando o conhecimento em rede e a construção do conhecimento. Foi
escrito a partir da vivencia das autoras em trabalho de tutoria, mediando cursos a
distancia desenvolvidos em ambiente virtual, fazendo deste a sua sala de aula,
compreendida como espaço prazeroso a se constituir mediante relações intersubjetivas
na convivência harmoniosa onde possam expressar-se com liberdade, respeito ao outro e
ética, criando possibilidades para transcenderem, na medida em que constroem e
experimentam processos de transformação.
2. AMBIENTES DE APRENDIZAGEM
Pode-se considerar ambiente de aprendizagem todo espaço em que ocorre
aprendizagem, seja ele físico ou social. Em se tratando de educação formal, logo que se
1
2
Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasilia
Mestranda em Educação pela Universidade Católica de Brasília, professora adjunta da UCB, integrante
do grupo de pesquisa ECOTRANSD
2
fala sobre ambiente de aprendizagem vem a mente a sala de aula ou uma biblioteca e
seus similares. Esses são espaços criados com o objetivo de comportar situações que
promovam a aprendizagem. Deve ser estimulante e enriquecedor, favorecendo a
execução de atividades diversas.
Numa perspectiva complexa e transdisciplinar, Moraes (2008) diz que os ambientes
de aprendizagem, quer sejam presencial ou digital, devem ser pensados e repensados
como sistemas abertos, para que os estudantes expressem com liberdade suas emoções e
pensamentos sem restrições. Trata-se de um espaço a integrar variadas linguagens, um
encontro de sinergias que possa favorecer ecologias de saberes, na medida em que o
sujeito ao se sentir tocado mediante dialogias processuais possa interAGIR com o outro
alimentando-se e realimentado-se. Trata-se de um processo circular e recursivo
estabelecido mediante a interdependência entre os sujeitos em constante estado
evolutivo.
Moraes (2003;
2008) sugere desafios, músicas, projetos de aprendizagem ou
situações- problema, como possibilidade para os estudantes viverem experiências em
contextos cooperativos, solidários e abertos, bem como mais dinâmicos e flexíveis. Isso
irá promover possibilidades para construção de conhecimentos com mais sentido,
transdisciplinar, ou seja, que vai além, que se insere tanto na vida prática como
profissional dos sujeitos aprendizes. Tudo isso permite caminhos em favor da inteireza
humana e garante ao educando um aprender contínuo e evolutivo.
2.1.
Ambientes Virtuais
Neste sentido, compreende-se que ambientes virtuais e as redes de aprendizagem
são para os que acreditam que a educação é mais que transmissão de informação e que
aprender vai além de decorar conteúdos e realizar boas provas ou verificações de
aprendizagem, além de estender o construir de conhecimentos para além dos muros das
escolas (HARASIM, 2005).
Por meio dos ambientes virtuais o educador pode criar um espaço em que todos
constroem juntos as competências sobre temas e conteúdos diversos. Permitem
melhorar os meios tradicionais de ensino e promovem novas oportunidades,
comunicação, cooperação e a construções colaborativas de conhecimentos.
2.1.1. Espaço de convivência e transformação
3
O ambiente virtual de aprendizagem promove a aprendizagem cooperativa, pois
aumenta a comunicação entre educando e educador, envolve projetos de aprendizagem
em grupo, e promove discussões. Quando compreendidos como espaços reservados
para trocas de aprendizagens, estes propiciam o desenvolvimento social, emocional,
crítico e imaginário do aluno, levando-o a explorar novas possibilidades de criação para
além dos muros escolares, construindo-se desse modo uma rede significativa de
conhecimentos.
2.1.2. O conhecimento em rede
O conhecimento em rede permite que pessoas se liguem e religuem a todo
momento, mediante troca de informações, experiências, interações. Isto possibilita
processos de aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar. O conhecimento em
rede ocorre a partir do respeito as diversidades presentes nos
ambientes virtuais,
constituído pela integração de diferenças culturais, sociais, políticas e religiosas, que
necessitam ser reconhecidas e legitimadas.
Trata-se da ética a se constituir na
convivência por meio da interação.
Os ambientes virtuais e as redes de aprendizagem são para os que acreditam que
a educação é mais que transmissão de informação (Harasim, 2005).
A sociedade humana em evolução gera conhecimento para sobreVIVER
e TRANSceder – sentido fundante da educação – expressando-se e
comunicando-se por sons/ silencio do corpo/ voz/ língua falada/ canto/
(...), por toques sutis/virtuais, por imagens fixas das pinturas rupestres,
da grafia/ escrita pictórica/ ideográfica/ fonética/ alfabética/ códigos/
sinais/ símbolos/ desenhos/ fotos, por números, por imagens em
movimento, por emoticons, por telefonia, radiofonia, televisão, internet,
em progressiva convergência digital de intensa interativa multimídia,
tecendo uma rede em ambiente virtual (SOUZA, 2009, p. 91).
Por meio dos ambientes virtuais o educador pode criar um espaço em que todos
constroem juntos as competências e as aprendizagens sobre temas e conteúdos diversos.
Permitem melhorar os meios tradicionais de ensino e promovem novas oportunidades,
comunicação, cooperação e a construção do conhecimento.
2.1.3. O conviver
4
Os ambientes de aprendizagem, presenciais ou a distancia, mediados pela
oralidade, pela escrita, pelo debate e pela cooperação, permitem a criação de
significados e sentidos (SOUZA, 2009).
Em ambientes de aprendizagem, professores e estudantes deparam-se com
muitas realidades diferentes, o que necessita de uma construção de conhecimento na
convivência, exigindo-se construções de consciências coletivas a partir de um olhar que
se pauta no reconhecimento do outro em seu legítimo outro, nos princípios de vida,
solidariedade e responsabilidade como encontrados em Morin (2004, 2007),
Maturana&Varella (ano) e Moraes (2003).
2.1.4. O interagir
Harasim (2005) cita um estudo realizado por Honey e Henriquez com 550
educadores americanos do ensino fundamental e médio que utilizavam tecnologia de
informação e comunicação para realizarem pesquisas e também para a aprendizagem
dos alunos. Os resultados do estudo revelam que o principal estímulo para o uso da
tecnologia, entre os educadores, era comunicar-se com outros professores, ter acesso a
informações e combater o isolamento profissional. Dois terços dos educadores
participantes do estudo afirmaram que integrar a tecnologia as aulas representou uma
diferença significativa e positiva no modo como ensinam.
As interações online compartilham várias características com o
ensino presencial: a apresentação de idéias, as discussões em
classe, os debates e outras formas de construção de
conhecimento através da interação e da troca (HARASIM,
2005, p.50 )
O aprendiz, no ambiente de aprendizagem que promove a convivência e a
transformação,
torna-se
um
aprendiz
orgânico,
uma
espécie
naturalmente
aprendiz/aprendente, por meio da interação com o outro (SOUZA, 2009).
3. Vivências da tutoria em ambientes virtuais
Durante as mediações em cursos de extensão e de pós graduação, as autoras sempre
utilizam a ferramenta fórum de discussão, que é uma ferramenta destinada a debates a
respeito do tema em estudo. Normalmente os professores conteudistas indicam a leitura
de textos como referências para as discussões e as tutoras mediam o fórum, provocando
a discussão e a participação de todos a partir de questionamentos e provocações.
5
Para a produção deste texto partiu-se da reflexão da ação de tutoria em vários cursos
de extensão e de pós graduação, tendo como base a análise dos fóruns mediados. Cada
fórum era destinado a discussão de um assunto, às vezes dividido por tópicos. As
contribuições dentro do fórum ficam organizadas cronologicamente e em cascata com
perguntas e respostas.
Sempre que se inicia um novo assunto os participantes do fórum começam tímidos.
É possível identificar pelo registro de logs que muitos estudantes acessam o fórum, mas
não inserem nenhuma contribuição. Até o momento em que surge um aprendiz mais
afoito, que logo insere sua contribuição mesmo que seja para dizer “Estou lendo o
material....”
Assim que começam as inserções acerca do assunto em debate todos iniciam a
interAÇÃO no fórum, para argumentar, para responder, para discordar. As tutoras
devem aparecer ou logo eles reclamam que estão sozinhos, mas essa precisa fazer
inserções que provoquem o debate, nada de fazer uma pergunta pontual ou um
comentário que pareça correção, isso inibe a participação no fórum.
Durante a realização de um curso podem ocorrer diversos fóruns com temáticas
diferentes. É comum que desde o primeiro fórum os estudantes criem os seus “grupos”
de discussão dentro do fórum, como que por algum tipo de preferência. Assim que
alguém daquele grupo aparece com sua contribuição seus pares aparecem logo abaixo,
concordando, discordando, dialogando, no intuito de ampliar a temática proposta sob os
seus múltiplos olhares. Assim percebe-se o conVIVER no fórum.
Diante disso podemos verificar que há convivência e transformação no ambiente
virtual durante o processo de aprendizagem que emerge do interagir e do conviver, uma
vez que os aprendizes tornam-se autores do conhecimento que se tece nessa rede, por
meio das participações, contribuições e indagações.
Nos fóruns de discussão estudantes interagem para discutir o assunto estudado,
convivem com suas diferenças e saberes a fim de argüir, de defender e até mesmo para
conhecer o que o outro domina.
Maturana e Varela (1997) afirmam que emergir vivências do processo de
conhecimento é possível, pois esse processo acontece por meio de uma construção ativa
que se faz mediante a relação entre o sujeito e o mundo. Portanto, saber interAGIR e
saber conVIVER no ambiente virtual são atitudes a serem assumidas entre os sujeitos
para que haja construções mais ativas, suscitadas por climas favoráveis de convivência,
para processos de aprendizagem emocionalmente saudáveis.
6
4. Referências Bibliográficas
HARASIM, Linda (et. al.). Redes de Aprendizagem: Um guia para ensino e
aprendizagem on-line. Tradução de Ibraíma Dafonte Tavares. São Paulo: Editora
SENAC, 2005.
MATURANA, H.; VARELA, F. De máquinas e seres vivos: autopoiese – a
organização do vivo. 3ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas. Tradução de Juan Acuña
Llorens. 1997.
_______, Humberto; VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases
biológicas da compreensão humana. 5. ed. São Paulo: Palas Athena, 2001.
MORAES. Maria Cândida. Educar na biologia do amor e da solidariedade.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
MORAES, Maria Cândida. Ecologia dos saberes: complexidade, transdisciplinaridade
e educação: novos fundamentos para iluminar novas práticas educacionais. São Paulo:
Antakarana/WHH – Willis Harman House, 2008.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São Paulo:
Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2004.
SOUZA, Amaralina (org.). Comunidade de Trabalho e Aprendizagem em Rede. Bra
sília: Universidade de Brasília, 2009.
7
ESQUEMA DO POSTER
O CONHECIMENTO EM REDE: CONVIVER E INTERAGIR NO FÓRUM.
Karine Xavier Freire - SEEDF
Lucicleide Araújo- UCB
1. INTRODUÇÃO
Este texto trata sobre o interAGIR e o
conVIVER nos fóruns de discussões dos
ambientes virtuais de aprendizagem, permeando
o conhecimento em rede e a construção do
conhecimento.
2. AMBIENTES
DE
APRENDIZAGEM
Todo espaço em que ocorre aprendizagem, seja
ele físico ou social. Numa perspectiva complexa
e transdisciplinar, Moraes (2008) diz que os
ambientes de aprendizagem, quer sejam
presencial ou digital, devem ser pensados e
repensados como sistemas abertos, para que os
estudantes expressem com liberdade suas
emoções e pensamentos sem restrições.
2.1. Ambientes Virtuais
Por meio dos ambientes virtuais o educador
pode criar um espaço em que todos constroem
juntos as competências sobre temas e conteúdos
diversos.
2.1.1.Espaço de convivência e transformação
O ambiente virtual de aprendizagem promove a
aprendizagem cooperativa, pois aumenta a
comunicação entre educando e educador,
envolve projetos de aprendizagem em grupo, e
promove discussões.
2.1.2.O conhecimento em rede
O conhecimento em rede permite que pessoas se
liguem e religuem a todo momento, mediante
troca de informações, experiências, interações.
Isto possibilita processos de aprendizagem a
qualquer hora e em qualquer lugar.
2.1.3.O conviver
Em ambientes de aprendizagem, professores e
estudantes deparam-se com muitas realidades
diferentes, o que necessita de uma construção de
conhecimento na convivência, exigindo-se
construções de consciências coletivas a partir de
um olhar que se pauta no reconhecimento do
outro em seu legítimo outro, nos princípios de
vida, solidariedade e responsabilidade como
encontrados em Morin (2004, 2007),
Maturana&Varella (ano) e Moraes (2003).
2.1.4.O interagir
Harasim (2005) cita um estudo realizado por
Honey e Henriquez com 550 educadores
americanos do ensino fundamental e médio que
utilizavam tecnologia de informação e
comunicação para realizarem pesquisas e
também para a aprendizagem dos alunos. Os
resultados do estudo revelam que o principal
estímulo para o uso da tecnologia, entre os
educadores, era comunicar-se com outros
professores, ter acesso a informações e
combater o isolamento profissional. Dois terços
dos educadores participantes do estudo
afirmaram que integrar a tecnologia as aulas
representou uma diferença significativa e
positiva no modo como ensinam.
3. Vivências da tutoria em ambientes
virtuais
Para a produção deste texto partiu-se da reflexão
da ação de tutoria em vários cursos de extensão
e de pós graduação, tendo como base a análise
dos fóruns mediados.
Assim que começam as inserções acerca do
assunto em debate todos iniciam a interAÇÃO
no fórum, para argumentar, para responder, para
discordar. No fórum os estudantes criam os seus
“grupos” de discussão, no intuito de ampliar a
temática proposta sob os seus múltiplos olhares.
Assim percebe-se o conVIVER no fórum.
Diante disso podemos verificar que há
convivência e transformação no ambiente
virtual durante o processo de aprendizagem que
emerge do interagir e do conviver, uma vez que
os
aprendizes
tornam-se
autores
do
conhecimento que se tece nessa rede, por meio
das participações, contribuições e indagações.
Portanto, saber interAGIR e saber conVIVER
no ambiente virtual são atitudes a serem
assumidas entre os sujeitos para que haja
construções mais ativas, suscitadas por climas
favoráveis de convivência, para processos de
aprendizagem emocionalmente saudáveis.
4.
Referências Bibliográficas
HARASIM, Linda (et. al.). Redes de Aprendizagem: Um guia para ensino e
aprendizagem on-line. Tradução de Ibraíma Dafonte Tavares. São Paulo: Editora
SENAC, 2005.
MATURANA, H.; VARELA, F. De máquinas e seres vivos: autopoiese – a
organização do vivo. 3ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas. Tradução de Juan
Acuña Llorens. 1997.
8
_______, Humberto; VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as
bases biológicas da compreensão humana. 5. ed. São Paulo: Palas Athena, 2001.
MORAES. Maria Cândida. Educar na biologia do amor e da solidariedade.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
MORAES, Maria Cândida. Ecologia dos saberes: complexidade,
transdisciplinaridade e educação: novos fundamentos para iluminar novas
práticas educacionais. São Paulo: Antakarana/WHH – Willis Harman House,
2008.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São
Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2004.
SOUZA, Amaralina (org.). Comunidade de Trabalho e Aprendizagem em
Rede.
Bra
sília:
Universidade
de
Brasília,
2009.
Download

O CONHECIMENTO EM REDE: CONVIVER E INTERAGIR