Ano X • nº 190
Março de 2011
R$ 5,90
em POUCaS PalavraS
Divulgação
Neste ano, o Peru comemora com muita festa o centenário do redescobrimento de Machu Picchu, ou MaPi,
para os íntimos. Sim, redescobrimento, porque em 1911
o historiador norte-americano Hiram Bingham localizou
a cidade sagrada dos incas mergulhada em densa f loresta
que a protegeu dos saqueadores por quatro séculos. Leia
a partir da página 22 o relato de Rafael Imolene sobre esse
destino turístico, considerado o mais impressionante conjunto arquitetônico pré-colombiano da América do Sul.
Mas é da Colômbia contemporânea que vem uma das
grandes atrações internacionais que vão se apresentar em
Brasília este mês. A exuberante Shakira terá a companhia
do jamaicano Ziggy Marley e do DJ Fatboy Slim, entre
outros, no Pop Music Festival, dia 17, no estacionamento
do Mané Garrincha. Ainda em março teremos aqui a finlandesa Tarja Turunen, a francesinha Berry, o britânico
Seal e, fechando o mês, a legendária banda de heavy metal
Iron Maiden (página 18).
O destaque da seção Luz Câmera Ação é a Semana
da Francofonia, que este ano está apresentando 30 filmes
de países de todos os continentes: os que têm o francês
como língua oficial (ou mesmo segunda língua) e também
produções de nações árabes e de países que adotam
idiomas os mais diversos, como a República Tcheca,
o Líbano e a Polônia (página 32).
Vicente Sá e Rodrigo Oliveira foram ao Recanto das
Emas visitar os jovens do Projeto Batucadeiros, um grupo
de 210 meninos e meninas pra lá de alto astral que se
reúne numa igreja presbiteriana para aprender a fazer
percussão com o próprio corpo, a tocar violão e, mais
do que isso, a se tornarem cidadãos (página 26).
Quanto às novidades gastronômicas, elas estão em
Água na Boca, a partir da página 4: a inauguração do
Giappa, no Parkshopping, e a chegada, em outubro, no
mesmo local, de quatro renomados restaurantes de São
Paulo e do Rio. Uma saudável (e deliciosa) resposta à
chegada dos restaurantes de grife que abriram as portas
recentemente no Iguatemi Shopping. Nós, moradores
da cidade, é que sairemos ganhando com a disputa.
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águanaboca
picadinho
garfadas&goles
pão&vinho
dia&noite
graves&agudos
galeriadearte
diáriodeviagem
culturapopular
verso&prosa
cartadaeuropa
Boa leitura e até abril.
Maria Teresa Fernandes
Editora
ROTEIRO BRASÍLIA é uma publicação da Editora Roteiro Ltda | SHS, Ed. Brasil 21, Bloco E, Sala 1208 – CEP 70322-915 – Tel: 3964.0207
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dos Santos Franco, Ana Cristina Vilela, Beth Almeida, Bruno Henrique Peres, Eduardo Oliveira, Guilherme Guedes, Heitor Menezes, Lúcia Leão, Luiz
Recena, Quentin Geenen de Saint Maur, Reynaldo Domingos Ferreira, Sérgio Moriconi, Silio Boccanera, Súsan Faria e Vicente Sá | Fotografia Eduardo
Oliveira, Rodrigo Oliveira e Sérgio Amaral | Para anunciar Ivone Carmargo (3349.5061 / 9666.7755) e Ronaldo Cerqueira (8217.8474) | Assinaturas
(3964.0207) | Impressão Gráfica Charbel | Tiragem 10.000 exemplares.
www.roteirobrasilia.com.br
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Arthur Bragança
Tadeu Brunelli
água na boca
Bacalhau com nage de vongoli, batata,
azeitona verde e alcachofrinha, do Due Cuochi
Camarões grelhados ao molho de soja
com arroz selvagem, do La Tambouille
Saudável concorrência
N
uma clara reação à chegada do
Iguatemi e suas grifes gastronômicas (Gero, Galeto’s, Pobre
Juan), o ParkShopping anuncia a criação
de um espaço gourmet que contará com
cinco restaurantes igualmente renomados, a maioria exclusivos na capital federal. Quatro já estão confirmados: Antiquarius Grill, Due Cuochi Cocina, La
Tambouille e The Fifties. Bom para os
brasilienses, que assistem de camarote à
saudável disputa entre os dois shoppings.
Aproximadamente R$ 35 milhões serão investidos na implantação do novo
espaço gourmet, que ocupará uma área
de 3.600 m2 no andar superior do ParkShopping. As obras foram iniciadas
em meados de fevereiro e deverão estar
concluídas em outubro. Os cinco restaurantes, de propostas gastronômicas diferenciadas, terão acesso e horários de funcionamento independentes, segundo o
superintendente do shopping, Marcelo
Martins.
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A grife Antiquarius, especializada em
comida portuguesa, nasceu há mais de 30
anos no Leblon e dez anos depois abriu
sua segunda unidade, em São Paulo. Dois
anos atrás, inaugurou a terceira na Barra
da Tijuca, que serve também carnes nobres argentinas e uruguaias – além, é claro, dos pratos emblemáticos da casa, como as várias versões de bacalhau e o arroz
de pato.
Bem mais jovem – foi aberto em 2005
– é o Due Cuochi Cucina, onde o chef
Paulo Barros (ex-Vecchia Cucina) dedicase à preparação de receitas de inspiração
italiana, como o tagliatelli com shitake, camarão e abobrinha e o robalo fresco grelhado em crosta de amêndoas. A unidade
brasiliense será a terceira da grife – as outras duas ficam em São Paulo, ambas no
bairro paulistano do Itaim Bibi.
Às vésperas de completar 40 anos, o
também paulistano La Tambouille, localizado no elegante bairro dos Jardins, foi o
primeiro restaurante do badalado chef
Giancarlo Bolla. O ambiente elegante, o
serviço impecável e as requintadas receitas
da culinária franco-italiana são sua marca
registrada. Entre as estrelas do cardápio,
destaque para a trilogia de cordeiro (filé,
contra-filé e costeleta grelhados com molho poivre, servido com risoto milanesa),
o badejo grelhado com ervas e panquecas
de camarões e o risoto de chorizo, feijão
preto e porcinello, uma espécie de funghi.
À rede de lanchonetes The Fifties, hoje com onze unidades (nove na capital
paulista, uma no Rio de Janeiro e outra
em Ribeirão Preto), atribui-se a introdução, no Brasil, do conceito de refeições rápidas com alto padrão de qualidade. Em
todas as lojas da rede a decoração combina traços modernos com referências à
cultura americana jovem dos anos 50. O
The Fifties será mais uma opção para os
brasilienses que apreciam bons hambúrgueres, sanduíches de filé, batatas fritas
crocantes, onion rings, baurus, cachorros quentes, wraps e milk-shakes.
Fotos: divulgação
Gostosa miscelânia
Pizzas, sushis, massas, sashimis, risotos e tempurás
se misturam no cardápio do Giappa
Por Beth Almeida
D
iversidade sem preconceito. Não
há melhor maneira de definir o
mais novo espaço gastronômico
do Parkshopping, o Giappa, que substitui
a Forneria Baco. A diversidade fica por
conta da variedade do cardápio, que vai
da pizza à culinária oriental (japonesa e
chinesa), passando por um leque de petiscos que combinam perfeitamente com um
drinque de fim de tarde.
O artífice dessa miscelânea é Gil Guimarães, da Pizzaria Baco, que se juntou a
Jael Silva, um dos ex-sócios do Carpe
Diem, e a Salti Sun, do Grande Muralha.
“Queríamos uma casa que fosse alegre,
moderna e que oferecesse alternativas de
cardápio”, afirma Gil.
A pizza da Baco dispensa apresentações, mas para a nova casa Gil elaborou
novas opções de recheios, algumas com toques da cozinha oriental, como a Giappa
(com lascas de rosbife de atum fresco,
mussarela, gengibre, gergelim, shoyo com
saquê, maçã e pera) ou a Camarão Thai
(catupiry, camarão ao alho e óleo, gengibre e molho de tomate).
No almoço, além do bufê de cozinha
oriental, com sushis, sashimis, tempurás,
robatas e outras delícias, pratos quentes
de origem italiana, como massas e risotos.
Há também um prato do dia, que pode
ser um escondidinho de frango, uma rabada, uma costelinha defumada assada ou
uma carne assada com cogumelo Paris,
entre outros. Tudo com a opção de pagar
pelo bufê completo ou, para quem preferir, self-service a peso.
Na parte externa da casa, que dá para
o estacionamento do shopping, o espaço
para a happy hour oferece, além de chope e
vinhos, uma grande variedade de caipirinhas à base de saquê. E com uma novidade: o cliente pode adquirir a garrafa do saquê, da marca Jun Daiti, e pedir os ingre-
dientes para preparar ele próprio o seu
drinque.
Para acompanhar as bebidas, o exibidinho de carne seca com purê de mandioca,
o tempurá de ovo de codorna, os camarões
empanados e comidinhas orientais que
podem ser selecionadas pelo cliente para
compor o seu bento (marmita à moda japonesa cuja pronúncia correta é bentô), incluindo três variedades de comidas orientais. São muitas opções, desde os tradicionais sushis e sashimis até uma saborosíssima saladinha de bifun (macarrão de arroz)
com gergelim.
Inaugurado com festa no dia 28 de fevereiro, o Giappa é ideal para famílias e
grupos de amigos, porque é quase impossível não encontrar no cardápio da casa algo
que agrade aos paladares mais exigentes.
Giappa
ParkShopping – Térreo (3234.7871)
Diariamente a partir das 12 horas.
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água na boca
Loiras, morenas e ruivas
Grote Market traz a Brasília cervejas especiais de todas as partes do mundo
Texto e fotos Akemi Nitahara
U
m grande mercado, mais pela variedade do que pelo tamanho. Esse é o significado,
em holandês, de Grote Market, cervejaria que vem dar um toque a mais à
Rua 8, como é conhecida a entrequadra 408/409 Norte, frequentada por
públicos de todas as idades.
Aberto há três meses, a Grote Market é, na verdade, mais uma loja do
que um bar. Tem cerveja gelada, claro, mas não tem cardápio nem garçom, e as mesas são apenas três. A
proprietária, Paula Figueiredo, explica que a ideia é ser uma loja mesmo,
onde as pessoas entram, analisam e
fazem perguntas sobre os produtos.
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“Nós temos as cervejas para degustação e servimos como acompanhamento apenas o amendoim, uma
cortesia da casa”, acrescenta.
Formada em química e biologia,
Paula trabalhava como modelo e
produtora e já naquela época se interessava por cerveja. Começou a estudar o assunto e resolveu abrir a loja,
depois de uma pesquisa de campo
pela Alemanha, Holanda, Bélgica e
outros países. O objetivo foi trazer
marcas que ainda não tinham chegado ao Brasil.
São oferecidos mais de 150 tipos
de cervejas de Portugal, Jamaica, Inglaterra e México, além dos mais tradicionais fabricantes da bebida, anteriormente citados. Também está dis-
ponível para consulta na Grote Market
uma ampla bibliografia sobre cervejas.
A loja trabalha com tele-entrega e oferece kits e cestas, alguns prontos de fábrica, normalmente com duas garrafas e um
copo personalizado da marca, ou com
produtos escolhidos pelo cliente. Copos e
taças variados também estão à venda, já
que “cada tipo de cerveja pede um copo
diferente”, explica a proprietária.
Entre os destaques da loja estão a
Brew Dog Tokyo, cerveja mais forte do
mercado, com 18,2% de teor alcóolico,
a alemã WeihenStephaner, feita de trigo,
e a americana Flying Dog, inspirada no
ícone do jornalismo gonzo, o norte-americano Hunters Thompson (1937/2005).
Para quem não sabe, Thompson criou
um estilo jornalístico, denominado gonzo, no qual o autor do texto abandona
qualquer pretensão de objetividade e se
mistura com a ação.
Paula também exibe as melhores cervejas do ano, eleitas pela revista Prazeres
da Mesa: em primeiro lugar, a americana
Brooklyn Lager; em segundo, a italiana
Baladin; em terceiro, a Bamberg St. Michael; e em quarto, a Colorado Índice (as
duas últimas são brasileiras). Apesar do
gosto nacional pela “estupidamente gelada”, Paula ensina que cerveja muito gelada congela as papilas gustativas, “e aí não
dá para sentir os aromas, os sabores e as
especiarias”.
Quadra charmosa
A escolha da quadra para receber a
Grote Market não foi aleatória. A
408/409 Norte vem diversificando o
perfil dos empreendimentos e também
do público. O primeiro bar da rua foi o
do Zé, que nem nome tinha e foi batizado de Meu Bar pelos integrantes do vizinho Moto Clube Carcarás. No melhor
estilo boteco, o Por do Sol e o Vale da
Lua são a meca de estudantes da UnB.
Mais novo na quadra, o Raízes foi para lá
há um ano, em busca de espaço (que era
muito restrito no antigo endereço da
110 Norte) e também, claro, do público
que já frequentava a rua.
Entre os de estilo mais charmoso, agora predominante, o pioneiro foi o Café da
Rua 8, que vai debutar em setembro próximo. Já consagrado como ponto de resistência cultural, o café de Eva Pimenta revitalizou a redondeza e levou vários eventos
culturais para a quadra, como a Semana
de Arte Moderna, o Grito de Carnaval
(com um jantar para o cortejo de Momo
na sexta-feira pré-folia), a festa de Cosme e
Damião e o Salve a Pátria, quando a rua é
fechada para carros e dá lugar a diversas
atrações musicais.
O Barkowski faz referêcia, claro, ao
escritor Charles Bukowski, com um ambiente no estilo pub americano, valorizando o balcão. Aberto há dois meses,
ainda está instalando a cozinha, que vai
oferecer petiscos rápidos. Além das cervejas Guinnes, Original e Edelweeiss,
tem o único chope Heineken da Asa
Norte. E rock’n’roll de qualidade nas
caixas de som.
Com decoração estilo anos 50, lembrando a casa da vovó, o Zigfrida abriu as
portas no início de dezembro. Parceira do
Godofredo, casa mais antiga no mesmo
bloco, oferece uma carta com 45 tipos de
cervejas, além de canapés e crostinis (pães
ciabata recheados e levados ao forno).
Há quase quatro anos dando charme
à entrequadra, o Senhoritas Café tem se
especializado em boa música. Na programação fixa, as terças-feiras são dedicadas
aos Beatles; na quarta é a vez do violonista Rafael dos Anjos e convidados; quintafeira tem roda de choro com o grupo
Aquattro e sexta roda de jazz. O proprietário, Renato Fino, também organiza saraus e lançamentos de livros.
Grote Market
409 Norte – Bloco A (3201-0592)
De 2ª a sábado, das 11 às 23h
www.grotemarket.com.br
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picadinho
O chef Dudu Camargo é outro que acaba de
lançar novos pratos para o seu festival Você
tem fome de quê? , todos inspirados no
Carnaval. Até o final deste mês, cada um
de seus restaurantes terá um cardápio
diferente, com cinco opções. No DaNoi, na
cantina Unanimità e no Dudu Camargo Bar
e Restaurante os clientes poderão saborear,
de segunda a sexta-feira, no almoço,
pratos executivos com o toque do chef. No cardápio do Dudu Camargo foi incluída
a Super Quadra de Filé (sushi grelhado
recheado com cream-cheese, molho teriaki,
seleção de legumes e lascas de filé mignon,
a R$ 29,90).
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Para comemorar sua recente eleição,
pelo governo do Peru, como o
melhor restaurante de culinária
peruana do Brasil, o Taypá (QI 17
do Lago Sul) acaba de incluir em
seu cardápio novas criações do
chef Marco Espinoza. Entre as novas
entradas, destaque para o ceviche de
atum fresco com leite de tigre, mel
de maracujá e espuma de wasabi
(foto), que custa R$ 38,35. A Roteiro
também experimentou – e aprovou
– o Lomo Pituco, um medalhão de
filé mignon grelhado em molho
quatro queijos, pimenta e vinho
branco, gratinado sobre crepes
de champignon (R$ 50,80). De
sobremesa sugerimos o cheesecake
de maracujá com calda de chocolate
e pisco (R$ 15,80).
Bonsmara à moda Dom Francisco e a
bisteca prime de suíno empanada. Entre
as entradas, destacam-se os pastéis de
marreco e as bruschettas com alho negro. Colheita
eletrônica
... a preço camarada
E tem mais: de segunda a sextafeira, o Taypá está oferecendo um
almoço-degustação por apenas
R$ 45. O cliente pode escolher
qualquer entrada, prato principal
e sobremesa do cardápio.
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Novos pratos (2)
Também o restaurante Miró (Complexo
Brasil 21, no Setor Hoteleiro Sul) começou
o ano lançando novos pratos em seu
cardápio. Entre as novidades estão a lula
en su tinta, o filé mignon em crosta de
castanha e pimentas e o filé de frango ao
molho curry. Às sextas, a casa oferece um
bufê de bacalhau, com diversos pratos feitos
com a iguaria.
Novos pratos (3)
Outra casa que está com novidades no
cardápio é o Dom Francisco. As casas da
402 Sul e do ParkShopping passaram a
servir o bacalhau dourado em cama de
batatas e cebolas alouradas, o confit de
bacalhau, o picadinho de fraldinha de
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Sérgio Alberto
Novos pratos
Delícias del Perú...
A Almadén acaba de estrear uma máquina
da marca francesa Pellenc que faz a colheita
mecânica de cerca de 200 hectares de
parreirais, um terço de toda área produtiva
da vinícola. A empresa investiu R$ 500 mil
na aquisição da máquina e na reforma dos
vinhedos para viabilizar a colheita mecânica
e a um novo padrão de qualidade. Segundo
o diretor Afrânio Moraes, a máquina
permite o planejamento do dia e da hora
da colheita, conforme seu grau de maturação, o que não era possível com a colheita
manual.
Sinal dos
tempos
Três meses depois de abrir as portas no
Iguatemi Shopping, o badalado Gero aderiu
à fórmula do menu executivo, de segunda
a sexta-feira, na tentativa de ampliar sua
fatia de mercado. O Gero a Mezzogiorno
(couvert, entrada, prato principal e
sobremesa) custa R$ 70 e oferece aos
clientes um cardápio especial com opções
que vão se revezar conforme o frescor e a
disponibilidade dos melhores ingredientes.
Rodízio incrementado
André Zimmerer
Algumas opções: de entrada, carpaccio alla
Fasano, caesar salad clássica, insalata verde
e crema di asparagi; de prato principal,
taglionini com ragú di pesce e zucchine,
stinco di vitello con polenta molle con
salvia, taglionini con salsa di funghi,
medaglione di manzo di mostarda com
fettuccine al burro e salvia, ravioli ripieni
di robalo al volut e scaloppine al marsala
com ghonocchi di patate; de sobremesa,
petit gateau e gelati.
Diferente do restaurante Nippon da 403 Sul,
que tem grande variedade de pratos em
seu rodízio, o Nippon Gourmet da 207 Sul
acaba de aumentar o número de itens de
seu rodízio, incluindo alguns pratos que
eram servidos somente no sistema à la carte.
Agora estão disponíveis mais dois tipos de
sushi (primeira foto abaixo), o rolinho de
salmão com shimeji e o filé de tilápia com
champignons e alcaparras. Para quem gosta
de carne, a casa incluiu opções de filé ao
molho e shitake, Filé au Poivre, Filé à Café
de Paris (segunda foto) e Filé Marchand de
Vins, servidos em pequenas porções. O chef
Jun Ito explicou que as novidades implantadas na casa da 207 Sul ocorreram para
atender melhor os seus clientes. “Como o
Nippon Gourmet é menor, não podemos
servir todos os pratos que são servidos na
403, como os grelhados e outros. Assim,
resolvemos colocar mais opções no rodízio,
o que tem agradado muito aos nossos
clientes”, disse. O rodízio custa R$ 43,90
no almoço e R$ 49,90 no jantar.
Chico Bruno Cardoso
Café Premium
Mais uma
A rede Yoggi, de
frozen yogurt, abriu
seu quarto ponto em
Brasília. A nova loja,
de 70m², fica na 209 Sul e oferece
os sabores natural,
jabuticaba, chocolate
belga e manga, além
de grande variedade
de toppings
(coberturas).
André Zimmerer
Telmo Ximenes
A Belini Pães & Gastronomia (113 Sul) ganhou da Associação Brasileira de Indústrias
de Café (Abic) o selo Casa de Café Premium.
O título é o único do mundo que atesta
a pureza e a qualidade do café torrado e
moído. Os grãos da Belini foram classificados no segmento gourmet – nível máximo
da avaliação.
O aviú é um pequeno camarão de água
doce, muito encontrado na foz do Rio
Tocantins. No restaurante franco-italiano
Bottarga, ele é usado como uma farinha,
empanando camarões maiores. Trata-se do
prato camarões grelhados com crosta de
aviú e linguini ao molho bisque (R$ 69),
que entrou este ano no cardápio da casa.
O Bottarga fica no Espaço Maria Tereza (QI 5
do Lago Sul) e oferece opções de carnes
vermelhas, aves, peixes, crustáceos, pastas e
risotos, além de uma extensa carta de vinhos
mantida pelas importadoras Zahil e Mistral.
Brito Junior
Crosta de aviú
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GARFADAS & GOLES
LUIZ RECENA
garfadas&[email protected]
Sempre é Carnaval
Queridos editores: começo estas “mal traçadas linhas” com um clássico da linguagem popular: “E não é que o Carnaval chegou de
novo na Bahia?” Pois é, entra ano e sai ano e a festa momesca insiste em dizer aos brasileiros – cariocas e pernambucanos, principalmente – que o Carnaval, a antiga festa dos gregos, ou das loucuras do deus Baco (que na época não fazia pizzas...) acontece
mesmo é na Bahia. E não são apenas três dias, é muito mais. Da lavagem das escadarias da Igreja de nosso Senhor do Bonfim, a
primeira, até a última, na Igreja de Itapuã, dez dias antes do Carnaval, são semanas e dias e dias de muita agitação, festas e bebedeiras, como convém a uma época baiano-carnavalesca. além das lavagens, há outras festas que anunciam a definitiva aproximação dos festejos de Momo. Uma delas, talvez a última antes da explosão dos trios elétricos, dos blocos, das deusas, das musas,
da baianagem em geral, seja a Feijoada de Dadá, que na sua 18ª edição já se transformou numa das maiores festividades desta
época. Ela, a Dadá, cozinheira de mão cheia, chama todos e todas de “negão e negona”. Ela tem um amigo de fé, irmão-camarada,
que produz toda a zorra, o Rodolfinho Tourinho. O cara faz tudo, da primeira serpentina ao último confete, passando por uma
baita feijoada com a assinatura da Dadá, até os shows musicais com artistas do primeiro time do Carnaval baiano. São sete horas
de festa onde não falta nada. E não sobra um grão de feijão preto. Este ano, como sempre, Dadá, sempre ela, e Rodolfinho,
“mataram a pau”. Sucesso completo. E agora, já dizia um amigo argentino, morador de Salvador, para o baiano cunhado dele:
“Badarô, que venga el Carnaval, porque yo soy negrón!...”. Entre uma chuva e outra, Brasília e brasilenses podem pensar nisso.
E o colunista, negão, daqui exclama: Saudades do Pacotão. axé!
No pasarán
Depois do massacre das barracas de praia assumido pelo prefeito
João "aleluia!" Henrique, a orla de Salvador ficou uma tristeza.
Pode até ter mudado o visual um pouquinho, menos poluído,
para os ecochatos, que, iguais ao burgomestre, não vão e odeiam
praia. Para os outros, os que gostamos, inclusive ambientalistas
que nadam, bebem e curtem a praia e seus atrativos, começam
a surgir pontos de resistência. Eles, os crentes-caretas, uma
redundância, perdão meus dezoito leitores e meio (tem um
baixinho), os simplesmente reacionários, desconhecem o
gênio de um ginasta olímpico chamado "o capital".
No passarán – 2
Recuar cem, duzentos metros. Foi o que fizeram os donos de
barracas (o capital). E alugaram casas e terrenos e estão começando
a enfrentar os (as) bíblias que não conseguem acreditar que o
mundo se move e é movido pelos que dão emprego, pelos que
precisam trabalhar e pelos lucros que desse conúbio são gerados.
E assim, agora, começaram a acontecer coisas.
No pasarán – 3
As casas famosas, do Farol de Itapuã até a Praia do Flamengo,
10
estão de volta assim, duzentos metros mais longe do mar,
mas ainda com caminho direto para a praia. Loro, Papanel,
Margarita, Azul Marinho, Goa e muitas outras, todas seguraram
o investimento feito antes e agora se defendem do prefeito
e o do IPHAN, diz que instituto de preservação da cultura
brasileira, mas que nunca mandou um burocrata passar um
tarde em Itapuã. Axé, poetinha Vinicius!
No pasarán – 4
Melhor seria titular esta nota de "Capitães da Areia". Jorge Amado,
que amou, escreveu e defendeu a Bahia, vai rir nos universos
onde hoje habita. Pois há os que não tinham dinheiro e na
praia ficaram sem morrer. São gerentes, garçons e até amigos
de barraqueiros sem muita grana que resolveram encarar a
situação. São pequenos postos, aqui e acolá na praia, com um
balcão e poucas mesas, alugando garagens duzentos metros mais
atrás, só para fazer as comidinhas de antigamente. É um tipo de
guerrilha social, detonando pequenos "ditadores árabes" na orla
de Salvador. Pode parecer cruel e sofrido para quem conheceu os
pontos anteriores e agora volta pensando neles. Mas, para os que
ficamos, resistentes e clientes, ainda sobra um certo sabor de
guerreira, aventureira galhardia: NO PASARÁN!
Fotos: Rodrigo Oliveira
Receita do chef Paulo Maurício da Silva Ferreira, do Ilê (para uma pessoa)
INGREDIENTES
• 150 g de camarões médios
• 60 g de kiwi em fatias grandes
• 60 g de manga em lascas grandes
• 60 g de abacaxi em lascas grandes
• 40 g de maça fatias largas
• 70 g ou seis morangos médios
• 30 g de coco ralado
• 50 ml de azeite extra virgem
• 150 g de arroz cozido
• 30 g de castanha triturada
• 10 g manteiga
MODO DE PREPARO
Em duas frigideiras, introduza 25 ml de azeite extra virgem (em cada
uma),esquente-as e coloque os camarões numa delas, até ficarem
rosados. Na outra frigideira coloque as frutas separadas, sem deixar
que se misturem, e aqueça bastante. Vá virando as frutas para que fiquem
coradas e assimilem o sabor do azeite extra virgem. Após esse procedimento,
arrume em um prato grande os camarões ao centro e as frutas à sua volta.
Salpique coco ralado por cima do camarão e das frutas e o prato estará
pronto. Simultaneamente ao preparo dos camarões, coloque em uma panela
pequena 10 g de manteiga, a castanha e o arroz. Em seguida, mexa
bastante para misturar a manteiga, a castanha e o arroz. Decore com uma
flor ou com pimentas variadas e estará pronto para servir. Bom apetite.
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PÃO & VINHO
ALEXANDRE FRANCO
pao&[email protected]
Capuleto
ou Caparzo?
É certo tratar-se da família Capuleto, de Verona,
mas vendo o filme Cartas para Julieta, recentemente,
e ainda bonita Vanessa Redgrave com seu amor perdido,
chegamos a desejar que fosse Caparzo, da Toscana.
na figura do não tão saudoso Franco nero, que no filme,
O assunto deste artigo surgiu, em verdade, numa
ao que se entende, ainda que não claramente, é o
simples degustação. Em meados do ano passado tive a
proprietário da vinícola. Foi o estímulo final para que
oportunidade de escrever aqui sobre a viagem que realizei
eu escrevesse este artigo.
em maio à Itália, na qual passei ao largo de Verona
e pude dar um bom passeio pela região da Toscana.
Como em todas as minhas viagens ao exterior, fiz
questão de comprar alguns dos melhores vinhos que pude
encontrar. a Toscana, certamente uma das mais lindas
regiões da Itália, de um charme talvez comparável apenas
ao da Costa amalfitana e ao de Veneza, produz um dos
Todos os vinhos muito bem pontuados, inclusive pelo
todo poderoso Robert Parker, e certamente bons, diria
até que da categoria excelente, mas apenas um deles
na categoria inesquecível.
O Biondi-Santi, pela sua importância e fama, será
tema de matéria própria no futuro.
O Pacenti (importação da Enoteca Fasano),
três melhores tipos de vinho daquele país, o Brunello
considerado um dos melhores produtores da região,
di Montalcino. São muitos os produtores e a qualidade,
se mostrou de pronto um concorrente de alto nível.
é claro, varia – do bom ao muito bom, ao ótimo,
Com forte caráter de madeira, rescindia a carvalho e couro,
ao excelente, ao fantástico e ao inesquecível.
com corpo de médio a pleno e bastante bom na boca.
as inspirações para as escolhas foram diversas, desde
Mas o Caparzo (importação da MM Vinhos)
a fama popular que me trouxe o Biondi-Santi, passando
surpreendeu. Um vinho com personalidade marcante,
pelo livro 1001 vinhos para beber antes de morrer, que
redondo e sedoso em boca, ao mesmo tempo que
me apontou o Siro Pacenti, até a indicação do lojista
consegue ser altamente gastronômico. Com frutas
local, o Caparzo. Todos da ótima safra de 2004.
vermelhas maduras e especiarias ao nariz, seduz o mais
Pois bem, há pouco tempo degustei-os e achei que
deveria dedicar uma matéria a essa comparação. Qual
não foi minha surpresa quando, assustindo ao Cartas para
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já que o primeiro desfecho é o encontro de uma saudosa
cético dos enófilos, e em sua versão Riserva 2004, meu
exemplar, obteve nada menos que 93 pontos de Parker.
ao final das contas, por mais Capuleto que possa ter
Julieta, deparei-me com imagens do vinhedo da Caparzo
sido a Julieta de Romeu, sei que seu romance mereceria,
– que, aliás, acaba por ter papel fundamental no roteiro,
certamente, uma taça de Caparzo para brindá-lo.
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Jaqueline Machado
DIA E NOITE
aluavemdaásia
cincohorascommário
Essa peça de autoria do espanhol Miguel Delibes estará em cartaz
no Instituto Cervantes (707/907 Sul) no dia 26, às 20 horas. Tratase de um retrato, às vezes cruel, às vezes bem humorado, do
espírito predominante na Espanha do pós-guerra. Para isso, o autor
leva para o divã uma alma feminina, desnudada em monólogo
íntimo enquanto vela seu marido morto. Na evocação de um
passado idealizado, a personagem expressa seu medo de mudança,
de modernidade e de liberdade. Os ingressos devem ser retirados
na secretaria do instituto nos dias 24 e 25, das 7 às 21h.
Instituto Cervantes/Divulgação
Esse é o título do romance de Campos Carvalho (1916/1998), um mineiro que produziu poucos livros e é considerado o único escritor surrealista do Brasil. E esse é também o nome do monólogo
que fica em cartaz no CCBB entre 11 de março e 3 de abril. Com direção de Moacir
Chaves e estrelada por Chico Diaz, A lua vem da Ásia tem como tema principal a
loucura. Seu protagonista, Astrogildo, é um homem incomum em busca da compreensão sobre a vida e a morte. Ele conta, em forma de diário, momentos marcantes de
sua vida, desafiando, com muita ironia, a lógica do mundo em que vive. Astrogildo inicia
o insano relato de sua trajetória confessando que matou seu professor de lógica quando
tinha 16 anos e se assume falsário, ladrão, assassino e também vítima da opressão. Sextas
e sábados, às 21h, e domingos, às 20h. Ingressos a R$ 15 e R$ 7,50.
menininha
lobomau
Que criança não gosta de ouvir a história do Chapeuzinho Vermelho?
Que dirá, então, assistir à peça infantil que agrada a dez entre dez crianças?
Está em cartaz, de 12 de março a 3 de abril, a história de Charles Perrault
que tem adaptação da Cia. de Teatro Neia e Nando, desta vez no Espaço
Cultural do Brasília Shopping. Em 50 minutos de duração, as aventuras
da menina que põe o pé na estrada para levar uns doces para a avó doente
e, no caminho, tem seus planos alterados pelo Lobo Mau. Sábados
e domingos, em sessões às 15h e às 17h. Ingressos a R$ 30 e R$ 15.
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Paky
“Menininha do meu coração / Eu só quero você / A três palmos do chão / Menininha
não cresça mais não / Fique pequenininha na minha canção”. Esses são os versos
iniciais da música Valsa para uma menininha, de Vinícius de Morais e Toquinho.
Ela serviu de inspiração para o musical infantil Menininha, baseado nas músicas dos
discos Arca de Noé 1, Arca de Noé 2, de Vinicius, e Casa de brinquedos, de Toquinho.
Dirigido por João Cícero e protagonizado por Laura Castro, o espetáculo tem como
proposta levar os pais a viajarem no tempo e voltarem à infância, em companhia de
seus filhos. A atriz representa mãe e filha em processo de transformação e divide palco
com Marta Nóbrega, que incorpora a boneca de pano bailarina. Interpretadas ao vivo
pelo pianista Filipe Bernardo, canções como O pato (Toquinho, Vinicius de Moraes e
Paulo Soledade) e A casa (Vinicius de Moraes) são acompanhadas em coro pela plateia adulta, que ensina aos pequenos letras que já
sabem de cor. De 12 de março a 3 de abril, no CCBB. Sessões aos sábados e domingos, às 15 e às 7 horas. Ingressos a R$ 15 e R$ 7,50.
Divulgação
umásdopianonathomas
Divulgação
Considerado atualmente o mais importante do mundo, o Concurso Internacional
de Música Rainha Elisabeth da Bélgica premia todos os anos jovens pianistas,
violinistas, cantores e compositores que passam por seu exigente crivo de
qualidade. O vencedor de 2010 foi o pianista russo Denis Kozhukhin, que se
apresenta dia 18, às 20 horas, na Casa Thomas Jefferson (706/906). Ele começou
seus estudos musicais na Balakirev Music Shool e estudou depois na Escuela
Superior de Música Reina Sofia, de Madri, onde prossegue seus estudos
em música de câmara. No repertório do concerto que fará em Brasília,
peças dos compositores Haydn, Brahms e Liszt. Entrada franca.
mulher,mulheres
Luiz Doroneto
Também a jovem pianista norte-americana Oni Buchanan fará concerto
na Thomas Jefferson, dia 25, às 20 horas. Em homenagem ao Mês Internacional da Mulher, ela interpretará músicas de sua autoria e também de
cinco compositoras do Século XXI: Missy Mazzoli, Mei-Fang Lin, Annie
Gosfield, Joan Tower e Cindy Cox. Ao contrário do pianista russo que se
apresenta na semana anterior, de formação inteiramente clássica, Oni é
pesquisadora e costuma realizar concertos inovadores com sonoridades
bem contemporâneas que já agradaram plateias das principais cidades
dos Estados Unidos, Europa e América do Sul. A pianista tem três CDs
solo gravados por selos independentes. Entrada franca.
orádioeoviolão
palhaçomusical
Thais Gaillart
As histórias do rádio e do violão brasileiro se confundem e se entrelaçam: ambos começaram a ficar conhecidos no Brasil mais ou menos
na mesma época, nos anos 20. A música produzida por esse casamento
costuma despertar interesse até hoje. Foi assim que nasceu o projeto
Acordes do rádio – 90 anos do violão brasileiro, uma série de quatro
shows que o CCBB apresenta até 29 de março, com duas apresentações semanais. No dia 15 estarão no palco a cantora Na Ozzetti (foto)
e o violonista Henrique Annes. A direção musical, a pesquisa
e a curadoria do projeto, que passou com sucesso pelo
CCBB do Rio de Janeiro, são
do jornalista e produtor
Alessandro Soares.
Terças-feiras, às
13h (gratuita)
e às 21h, esta
com ingressos
a R$ 15 e
R$ 7,50.
Às vésperas de completar 20 anos, o grupo paulista
Parlapatães chega a Brasília para apresentar Parapapá, seu mais novo espetáculo. Com roteiro de
Hugo Possolo, o fundador da trupe, a peça é pontuada por canções da MPB que se inspiram no circo
e conta a história de um menino pobre do interior
que vê toda a magia da chegada do circo em sua
cidade, mas não tem dinheiro para ir ao espetáculo.
Ele passa a ver seus brinquedos se transformarem
em números circenses. Na hora da partida do
circo, a dúvida... Será que o menino seguirá com o
circo? Na Caixa Cultural, dias 19 e 20, às 17 horas.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5. Informações: 3206.9449.
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Orlando Brito
DIA E NOITE
ahistóriaemfotos
Ulysses Guimarães
luzesdofuturo
Nascido em Juazeiro do Norte, o artista plástico Mano Alencar morou em várias cidades
cearenses, mas foi em Sobral que teve contato inicial com o desenho. Qualquer calçada
ou pátio de igreja servia para ele exercitar sua arte, utilizando o material que lhe caísse nas
mãos, fosse um pedaço de giz ou de carvão. Quando sua família se mudou para Fortaleza,
ele tinha 15 anos e já comercializava seus quadros, inicialmente arte figurativa. Aos 27 anos,
optou de vez pelo abstracionismo, pintura que o acompanha há mais de 20 anos e pode ser
vista pelos brasilienses no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. Na mostra Luzes do futuro
estão 30 telas do artista que teve em Brasília parte da inspiração. Conhecido como ”o poeta
das cores”, Mano apresenta também uma série de trabalhos em preto e branco. “Nela
o observador, através de sua imaginação, pode ver todas as cores refletidas, uma vez que
o branco representa a junção de todas elas e o preto a sua negação”, explica a curadora da
exposição, Augusta Alencar. Até 9 de abril, de segunda a sexta-feira, das 10 às 19h, e aos sábados, das 14 às 18h. Entrada franca.
artesustentável
Divulgação
Pranchas de surfe, skates, tecido, madeira, garrafas, tudo serve de inspiração para o
trabalho do artista plástico paulista Apo Fousek, que pinta desde os três anos de idade.
Em Brasília pela primeira vez, a exposição Apo Fousek – dos 3 aos 100 está montada na
Galeria Vitrine da Caixa Cultural até 17 de abril. “Tudo que sobra dos meus trabalhos
está sendo por mim mesmo reciclado, reaproveitado e literalmente engarrafado”,
revela o artista. “Isso é tão parte do meu mundo que, ao longo de alguns meses
de trabalho, coloquei micro-pedaços de material descartado em 15 garrafas.
Lá estariam as lembranças criativas de algo que pode fazer parte de um novo
momento, de uma nova fase, de um novo artista, amanhã e daqui a 70 anos, quando
vou estar com 100”, completa. Diariamente, das 9 às 21h, com entrada franca.
obelocaos
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Objetos decorativos ou utilitários do cotidiano, como plantas, pães e utensílios diversos, fazem
parte do processo criativo do artista dinamarquês Søren Dahlgaard, que faz sua primeira mostra
individual no Brasil. A beleza do caos: pintura expandida está em cartaz no Espaço ECCO até 1º
de maio. Resultado de parceria com a Casa da Cultura da América Latina da UnB, e contando
com o apoio da Embaixada da Dinamarca, a exposição tem curadoria de Karla Osório, que
explica: “O trabalho de Søren desafia a narrativa pictórica tradicional e tem conceito fortemente
ligado à arte performática japonesa do pós-guerra e ao movimento da vanguarda de Nova York
da década de 60, bem como o Land Art dos anos 70”. Entrada franca. Informações: 3327.2027.
Nelson Aguilar
Divulgação
Nomes consagrados como Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Orlando Brito, Pedro Martinelli,
Claudia Andujar, J.R.Duran, Maureen Bisilliat e David Zingg terão seus trabalhos expostos
na segunda edição da mostra Fotografia em revista. Entre 17 de março e 24 de abril, os brasilienses que forem ao Museu da República poderão rever momentos importantes da história do
Brasil e do mundo a partir de 1954. Com curadoria do diretor da Faculdade de Comunicação e
Marketing da FAAP, Rubens Fernandes Junior, do vice-presidente do Conselho Editorial da Abril,
Thomaz Souto Corrêa, e do diretor de arte corporativo do Grupo Abril, Carlos Grassett,
a exposição apresenta 500 imagens registradas por cerca de 162 fotógrafos. Dessas,
263 foram reproduzidas em grande formato e centenas de outras serão projetadas
ininterruptamente. De terça a domingo, das 9 às 18h30, com entrada franca.
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cinematranscendental
As mães de Chico Xavier, de Glauber Filho e Halder Gomes, é um dos
filmes a serem exibidos durante o 1º Festival de Cinema Transcendental
que acontece entre 24 e 27 de março na Sala Martins Pena do Teatro
Nacional. Organizado pela Ong Estação da Luz – co-produtora e produtora
dos filmes Chico Xavier e Bezerra de Menezes: o diário de um espírito,
respectivamente – o festival pretende promover filmes e vídeos que
remetem à espiritualidade, aos fatos que a ciência não pode explicar e à
busca da religiosidade em cada um. Curtas de até 25 minutos de duração
estarão concorrendo ao Troféu Luz. Ingresso para o festival: 2kg de
alimento não perecível. Informações: www.cinematranscendental.com.br.
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elasemcena
Joana, a louca, filme de Vicente Aranda, é uma das atrações do ciclo de cinema
que o Instituto Cervantes (707/907 Sul) apresenta em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Produzido em 2001, conta a história da filha dos reis católicos
Dom Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que parte da Espanha para se encontrar com Felipe, o Belo, na região de Flandres, norte da Bélgica. O que era para ser
um casamento de conveniência política se transforma numa louca paixão. Dia 11,
sexta-feira, às 20h, com entrada franca. Estão também na programação os filmes
La dama boba, de Manuel Iborra, baseado na obra de Lope de Veja (dia 10), e
Yerma Pilar Távora (dia 12), baseada na obra homônima de Federico García Lorca.
O cartunista argentino Ricardo Liniers estará em
Brasília nos dias 29 e 30 para comandar uma
oficina de quadrinhos no Instituto Cervantes
(707/907 Sul). Pai da tira Macanudo, que publica
no jornal La Nación desde 2002, ele tem sete
livros publicados e suas histórias aparecem
semanalmente no jornal Folha de S. Paulo.
Quem quiser aprender os segredos dos quadrinhos
pode se inscrever até o dia 25 na secretaria do instituto. Inscrição: R$ 150.
festivaldecinema1
Estão abertas, até 15 de maio, as inscrições para o Paulínia Festival de Cinema 2011, que
será realizado de 7 a 14 de julho naquela cidade paulista. O melhor filme receberá um
prêmio de R$ 250 mil e o melhor documentário R$ 100 mil. Para participar da seleção,
o filme deve ser brasileiro, inédito no circuito comercial e não ter recebido prêmio de
melhor filme em nenhum festival nacional. Além disso, precisa ter duração mínima de
70 minutos (longas) ou de15 minutos (curtas). Informações: www.culturapaulinia.com.br.
vivaasmulheres
Está de volta o Sextas culturais, projeto
que movimenta as sextas-feiras do Terraço
Shopping, desta vez homenageando as
mulheres em seu mês internacional.
As cantoras Márcia Tauil e Célia Rabelo
se alternam no palco com seus shows
Festival muitas Marias e Feminina
mulher, respectivamente. No repertório da
primeira, muito samba e canções dedicadas às mulheres. No show de Célia,
canções de compositores que mostraram a
vida e o dia a dia da mulher brasileira.
Sempre às 19h30, na Praça das Palmeiras
do Terraço Shopping. Entrada franca.
Adalberto Carvalho Pinto
macanudoembrasília
festivaldecinema2
Vem aí, nos dias 6, 7 e 8 de maio, a quarta edição do Festival Internacional de Filmes
Curtíssimos. Realizado simultaneamente em 100 cidades de 20 países, deve selecionar
filmes com, no máximo, três minutos de duração, fora o título e os créditos. As inscrições podem ser feitas gratuitamente, valendo qualquer gênero de produção amadora
ou profissional. Inscrição no site www.filmescurtissimos.com.br
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graveS & aguDoS
Tarja Turunen
Shakira
Ziggy Marley
Pra todas as tribos
Por heiTor meNeZeS
A
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forismo atribuído a Nietzsche afirma que a música é a arte da noite
e da penumbra. Realmente, diminuído o burburinho do dia, parece que o
ouvido fica mais aguçado depois que o sol
vai embora. Deve ser porque esse turno,
vencida a labuta, talvez seja o momento
mais propício para se entregar ao relax
que a boa música proporciona.
Na verdade, Nietzsche não tinha as
gravações e nem mp3 player que pudesse conectá-lo ao mundo sensual da música, do jeito que se faz hoje. Problema dele. Nós, os contemporâneos, com a ajuda da tecnologia, temos a música em
abundância, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Fácil, mas nada se compara ao prazer
da música ao vivo. Neste mês de março,
Brasília volta a receber uma leva de atrações musicais internacionais, dessas que
realmente justificam sair de casa. O problema, sempre ele, é ter dinheiro para satisfa-
zer ouvidos e olhos, corações e mentes.
A ajuda você na escolha dos programas, com dicas gerais sobre as atrações. É
bom escolher bem, pois a aventura continua em abril. Tem Ozzy Osbourne (com
Sepultura tocando na abertura) e Motörhead, do figuraça Lemmy Killmister.
Detalhes no mês que vem.
Tarja Turunen
Quem: A ex-vocalista da banda finlandesa Nightwish, verdadeira rainha gótica,
mesmo tendo saido da banda, mantém
séquito fiel e crescente de admiradores do
que se conhece como metal-sinfônico. A
banda que a acompanha é de primeira.
Haverá desfile de cabelos espetados,
olheiras falsas, muita roupa preta e acessórios que fazem a festa dos metaleiros,
góticos e gente que gosta de sair por aí
fantasiada.
Onde: Gardenhall (ao lado do Bay Park),
na Vila Planalto.
Quando: 15/3 (terça-feira), às 21h.
Serviço: Ingressos nas lojas Chilli Beans
e no site www.bilheteriadigital.com.br.
Pop Music Festival 2011
Quem: Fatboy Slim, Ziggy Marley, Train
e Chimarruts esquentam a plateia ansiosa pela primeira passagem da colombiana
Shakira por Brasília. Dois problemas: 1) o
local, ridículo, que evidencia a falta de espaços apropriados em Brasília; 2) se esbaldar numa quinta-feira, pois com tantas
atrações a diversão deve entrar pela madrugada. Fatboy e Ziggy Marley já estiveram
por aqui e são diversão garantida. A banda
Train, de São Francisco (California, EUA)
pode roubar as atenções, mas é Shakira,
com a cintura mais cobiçada do mundo e
repertório para horas e horas de entretenimento, a grande estrela do evento. O mesmo festival acontece no dia 15, em Porto
Alegre, e no dia 17, em São Paulo.
Onde: estacionamento do Estádio Mané
Garrincha (Eixo Monumental).
Quando: 17/3 (quinta-feira), a partir das
19h.
Serviço: http://popmusicfestival.com.br.
Fotos: Divulgação
Berry
Fatboy Slim
Da rainha gótica Tarja Turunen à legendária donzela de ferro,
Brasília recebe em março uma leva de atrações internacionais
Berry
Quem: Berry é o pseudônimo da cantora
francesa Elise Pottier. Seu estilo remete a
um jeito muito delicado de cantar e encantar, como já fizeram em outras épocas as
inesquecíveis Françoise Hardy, Julie London e Blossom Dearie, e mais recentemente Madeleine Peyroux e Stacey Kent.
Pela primeira vez em Brasília, Berry apresenta-se em dose dupla: no mini-palco da
FNAC, em pocket-show, e no Teatro da
Caixa, no contexto da Semana da Francofonia.
Onde: FNAC (Parkshopping) e Teatro da
Caixa.
Quando: 21/3 (segunda-feira), às 19h30
(FNAC), e 22/3, às 20h (Teatro da Caixa).
Serviço: http://casadeberry.artistes.universalmusic.fr/
Seal
Quem: Seal Henry Olusegun Olumide
Adeola Samuel, ou simplesmente Seal, é
estrela de primeira grandeza no firma-
mento da música popular mundial. Pela
primeira vez em Brasília, o cantor de 48
anos, filho de nigerianos e neto de brasileiro, vem divulgar seu mais recente disco,
, lançado em 2010. As músicas mais recentes certamente não causarão estranheza, pois o estilo e a voz, inconfundíveis,
têm grande poder de sedução. , , (da trilha do filme ) e o repertório de covers do
álbum (2008) prometem petrificar a platéia ou provocar deleite que as palavras jamais conseguirão descrever.
Onde: Ginásio Nilson Nelson (Eixo
Monumental).
Quando: 23/4 (quarta-feira), às 21h30.
Seviço: Ingressos nas lojas Free Corner
e na Central de Ingressos do Brasília
Shopping.
te Bruce Dickinson e os antigos heróis do
que se chamou um dia “a nova onda do
britânico”. O Iron Maiden traz a Brasília ,
que, muito apropriadamente, traz como
carro-chefe as músicas do mais recente CD
de estúdio da banda, . Óbvio, não faltarão
a chuva de pedras do longo repertório do
velho Iron e nem o mascote Eddie – que,
aliás, se exibe todo decrépito em outdoors espalhados pela cidade. O bombardeio promete ter , , , , , e outras bombas
do mais puro e legítimo . Programa para
levar
protetores
auriculares e a família – pois os tempos
mudaram.
Onde: Estacionamento do Estádio Mané
Garrincha (Eixo Monumental).
Quando: 30/3 (quarta-feira), às 21h.
Serviço: http://www.livepass.com.br.
Iron Maiden
Quem: Parece incrível, mas raio cai duas
vezes no mesmo lugar. No caso, a segunda
vinda do Iron Maiden a Brasília (a pri- meira, em 2009, entrou para a história). Ótima chance de ver (ou rever) o coman- dan-
19
galeria DE arTe
Brasiliando-se...
Por aNa criSTiNa vilela
foToS roDrigo oliveira
E
20
stranhamento, sim, é o que Brasília
causa em quem a vê pela primeira
vez, em quem faz as malas e vem de
Minas, de Santa Catarina, do Tocantins,
de Pernambuco. Os lugares comuns ao falar da cidade são inúmeros, às vezes incomodam, levantam discussões, mas a maioria deles é real – ao menos para quem chega. Porque é real o choque causado ao sair
de onde as ruas são repletas de gente, onde cada esquina se difere de outra, onde o
burburinho de feiras, o colorido, a vida
ganham calçadas, praças, espaços vazios...
e chegar a esta Brasília concretada de sonho e de visão. Foi assim com o artista
plástico Rinaldo Silva, há três anos (des)
encantado por aqui, vindo de sua Recife
pictórica e de tantas gentes.
Depois do embate entre duas imagens
antagônicas, embate que pode ser duradouro, seguem-se o ver e o viver a capital
de fato, respirar Brasília, digerir o urbano,
pintar o concreto. De tal forma fez o artista, e dessa experimentação nasceu a exposição Brasília, eu vi porque fui pra lá, em
cartaz na galeria Objeto Encontrado, na
102 Norte. São dez obras em óleo sobre
tela em que Rinaldo descobre e tenta compreender a capital, em que retira a linearidade de suas linhas, empregando-lhes or-
ganicidade por meio de pinceladas livres.
“Tenho interesse em me adaptar à cidade, em me moldar”, diz o artista, pintor
de figuras humanas, mas que, em raro momento, criou telas desabitadas para retratar
“o meu vazio em relação à cidade” – e, consequentemente, capturar o vazio humano
(onde mora um dos lugares comuns de todos nós, estrangeiros). “A cidade ainda é
muito árida, demora ainda a virar cidade,
aqui a coisa está acontecendo, enquanto
Recife tem quase 400 anos”, analisa.
Pode parecer estranho quem veio do
agreste, nascido em Toritama, falar em
aridez de Brasília, mas tudo se encaixa
diante da imagem de Rinaldo na Feira
de Caruaru, aonde ia frequentemente e
onde “vivenciou muito a estética nordestina”. Na feira, nasceu uma de suas
principais características
como artista plástico:
pintar seu “objeto poético, a figura humana”.
Viver e ver Brasília,
sentir, cheirar, ouvir, recriar não são tarefas fáceis, e somente as cumpre quem realmente se
abre, quer, deseja, imagina. Assim, se o humano
ficou de fora das telas
brasilienses de Rinaldo,
a cor as invadiu. Além da
não linearidade das linhas, o concreto
ganhou vermelho, azul, amarelo, laranja.
A obra Anexo IV (da Câmara dos Deputados) é a única que traz uma face, a da
mulher do artista, motivo de um dia as
malas terem sido feitas. “Ela é assessora
parlamentar e foi transferida”, conta.
Hoje, com 30 anos de arte (apesar de
ter começado a desenhar na adolescência) e 50 de vida, depois de ter se formado
em Geografia (profissão nunca exercida)
e, em seguida, em Arte, Rinaldo precisou
reinventar sua obra, e recriar-se, para expressar o que a capital lhe provoca, lhe
causa, lhe traz. Além do abandono temporário do humano, mudou a técnica.
Depois de sempre ter trabalhado com tinta acrílica, usou tinta a óleo.
Esse jogo de descobertas e de contraposições pode ser visto nas imagens do Buraco do Tatu, do Palácio da Alvorada, do
jogo da marquise com a sombra no Museu
da República, da Igrejinha. Tudo pintado
sob a luz do meio-dia. Porém, “na tela, a
luz é a do fim do dia”, esclarece o artista,
que, aos poucos, se apropria da cidade:
“Começo a me sentir bem, Brasília já faz
parte do meu DNA, começo a criar empatia, se vou para Recife penso em Brasília;
se estou aqui, penso em Recife”. E, assim,
Rinaldo vai deixando suas digitais pela capital do país, impregnando as digitais da
cidade em sua história e em sua arte...
brasília, eu vi porque fui pra lá
até 22/3, na galeria objeto encontrado (102
Norte, bloco b, loja 56, tel. 3326.3504). De 2ª
a 6ª feira, das 10h às 19h; sábados, até as 18h.
A beleza
do cerrado
Por maria TereSa ferNaNDeS
Q
uando era pequena, a artista plástica Cristina Ferrari aprendeu na
escola que o cerrado era uma vegetação feia, cheia de árvores tortas e pequenas. Mas não era bem isso o que a menina via em suas caminhadas por Sorocaba, cidade onde nasceu e também uma região de cerrado paulista. Conduzida por
seu pai, que chamou a atenção para as texturas daquelas árvores pequenas, ela
aprendeu a observar os galhos retorcidos e
as orquídeas que neles se instalavam.
Anos depois, mudou-se para Rio Verde, em Goiás, e em sua primeira caminhada para explorar as redondezas desco-
briu que, no meio de um capim todo seco, flores roxas e amarelas surgiam num
universo que parecia morto. Para ela, foi
como se tivesse visto plantas surgindo da
neve, tal o encantamento que a imagem
lhe provocou.
Pois essa paixão pela beleza do cerrado
brasileiro continua até hoje acompanhando e inspirando o trabalho da artista plástica que mora em Goiânia e vem a Brasília
pela primeira vez mostrar seu trabalho, na
Casa Thomas Jefferson (706/906 Sul), a
partir do dia 25.
Ouvida pela Roteiro no fim de fevereiro, Cristina explicou que o título da exposição, Viagens, tem a ver com sua paixão
por observar e fotografar nas estradas por
onde passa: “É uma paisagem que liga,
que une, que distancia, uma novidade e
também um momento de solidão e autoconhecimento”.
Tem a ver, ainda, com sua maneira de
composição artística, que nos remete a
um passado das aquarelas brasileiras e da
vinda dos primeiros artistas ao Brasil.
“Acho mágico esse olhar do viajante que
chega a um lugar desconhecido; é esse
olhar que eu sempre procurei ter ao registrar os lugares pelos quais passei”, explica.
De acordo com Antonio da Mata,
curador da mostra, Cristina tem o domínio e a segurança de quem aprendeu a fazer aquarelas que parecem fotografar suas
representações com superfícies aveludadas.
A impressão que se tem, explica, “é que ela
é, antes de tudo, uma paisagista”. Tendo
como tema o cerrado brasileiro, a arte de
Cristina, segundo o curador, é também
documental, com paisagens de florestas
virgens incrementadas com sutilezas de
cercas ou trechos de estradas para reforçar
a presença do homem naqueles locais.
Entre os mais de 30 trabalhos da artista que estarão expostos até 16 de abril
há aquarelas da região dos Pireneus, de
Pirenópolis, Goiânia, do caminho de
Caldas Novas e até da estrada que liga
Brasília a Goiânia. É percorrer a galeria
da Thomas Jefferson e se deixar levar pelas viagens de cores e formas retorcidas
das aquarelas da artista que já prometeu
retratar em breve o cerrado de Brasília.
viagens
De 25/3 a 16/4, na galeria de arte da casa
Thomas Jefferson (706/906 Sul, conjunto b).
De 2ª a 6ª feira, das 9 às 21h; sábados, das
9 às 12h. entrada franca. mais informações:
3442.5501 e www.thomas.org.br.
Fotos: Divulgação
Ipês roxos, amarelos,
galhos ressequidos
e capim seco são
inspiração para
Cristina Ferrari,
próxima artista a
ocupar a galeria
da Casa Thomas
Jefferson
21
diário de viagem
100 anos de
Machu Picchu
Peru celebra
centenário de
redescobrimento
da cidade
símbolo do
Império Inca,
que ficou
quatro séculos
adormecida no
meio da selva
22
Por Rafael Imolene
Fotos Sergio Alberto
O
Peru está em festa. De Arequipa
a Iquitos, não se fala em outra
coisa. O assunto nacional é o
centenário de redescobrimento de Machu
Picchu. Ou MaPi, para os íntimos. O país
prepara uma série de comemorações para atrair visitantes, reafirmar a identidade nacional e mostrar ao mundo a riqueza da civilização inca, que dominou a região antes da chegada de conquistadores
espanhóis, no século 15.
Em julho de 1911, o historiador norteamericano Hiram Bingham localizou a
cidade sagrada que os invasores europeus procuraram em vão quatro séculos
antes, na Amazônia peruana, no topo de
uma cordilheira.
Isolada do contato com o Ocidente, a
cidade se manteve intacta, livre de saqueadores, aventureiros e caçadores de relíquias. Como no início do Século XX a
aviação era incipiente, ninguém havia
sobrevoado a região. Mesmo os balonistas daqueles tempos não conseguiram localizar a cidadela. Para comparar, se Brasília quase foi coberta pelo matagal durante um mês de greve da Terracap, tente imaginar como a vegetação tomou
conta de Machu Picchu por 400 anos.
A cidade estava coberta pela floresta, e
levou anos até ser completamente desvendada. Assim, Bingham encontrou em
perfeito estado, há 100 anos, o mais impressionante conjunto arquitetônico précolombiano da América do Sul.
Reforço no turismo
O Peru batizou 2011 de “Ano do Centenário de Machu Picchu para o Mundo”.
Frise-se “centenário para o mundo”, já
que para os peruanos a cidade existe há
quase seis séculos, fundada pela civilização inca. Erguida em um penhasco a
2.400 metros de altitude, MaPi impressiona pela imponência, beleza e mistérios.
Mistério sobre a montanha
Se, por um lado, os incas eram arquitetos à frente do seu tempo e engenheiros de mão cheia, por outro desenvolveram uma escrita apenas rudimentar. A
inabilidade com a comunicação escrita resultou em aspectos tanto negativos
como positivos. A parte ruim é que são raros os registros feitos à época pelos
próprios nativos. O lado bom é que a falta desses registros preservou a cidade
do ataque de espanhóis, que não a localizaram.
Até hoje historiadores debatem sobre qual teria sido a função de Machu
Picchu dentro do império inca, cujo governo central ficava em Cusco, a aproximadamente 150 km de distância. Há décadas arqueólogos se referem ao local
como a “cidade sagrada”, que teria sido habitada principalmente por religiosos.
Mais recentemente, estudiosos defendem que o complexo arqueológico
mais famoso dos Andes era, na realidade, uma cidade universitária, com apenas 300 moradores, a nata da intelectualidade inca. Um dos indícios é o observatório astronômico encontrado na parte alta da cidade.
Outros historiadores creem, ainda, que se tratava de uma fortaleza, utilizada para treinamentos militares. Mistérios que ainda poderão ser descobertos,
mas nada diminui o encanto e a beleza desse Patrimônio Cultural da Humanidade que tanto orgulha os peruanos.
23
diário de viagem
Exposição em Brasília
O fotojornalista Sergio Alberto, autor das imagens que ilustram
esta reportagem, prepara uma exposição para homenagear os 100
anos da redescoberta de Machu
Picchu.
A exposição está programada
para começar em maio e deverá
percorrer diferentes salas da cidade. Sérgio Alberto usou equipamentos que possibilitaram captar
imagens inéditas em 360º, tanto
de Machu Picchu como de outros pontos turísticos do Peru,
em Cusco e Lima.
“A intenção é provocar no público algumas emoções que sentimos ao vivo nesses lugares”, afirma o fotojornalista. “E, claro, incentivar que as pessoas viajem ao
Peru para conferir Machu Picchu
de perto.”
Todos os turistas, desde os iniciantes
até os mais experientes, ficam de queixo
caído quando vislumbram a cidade feita
de rochas, cercada de montanhas e de
um verde natural vibrante. O local é o
mais famoso ponto turístico do país, quiçá de todas as nações andinas. O governo peruano tira proveito da data para
tentar atingir a marca de 3 milhões de turistas em 2011, ou 11% a mais do que
em 2010, quando 2,7 milhões de visitantes estrangeiros desembarcaram no país.
Para os brasilienses, que desde 2010
contam com voos diretos para Lima,
Macchu Picchu nunca esteve tão perto.
A maioria dos roteiros de viagens oferecidos pelas operadoras brasileiras inclui
24
Macchu Picchu.
Em território peruano, é possível
chegar a Macchu Picchu de trem pela
Inca Rail, a partir de Urubamba, cidade a 75 km de Cusco. São quase duas
horas na ferrovia até Aguas Calientes,
povoado nos pés da montanha da cidade sagrada.
Outra opção é percorrer o trecho a
pé. São três ou quatro días de caminhada
guiada em trilhas, com paisagens deslumbrantes, desde a vegetação inóspita
dos Andes até o começo da Floresta
Amazônica. Os hotéis em Águas Calientes e Machu Picchu estão cada vez mais
confortáveis, e contam com staff atencioso e restaurantes sofisticados.
25
cultura popular
Instrumento
de inclusão
Mais do que percussão corporal, Projeto Batucadeiros ensina
crianças e jovens do Recanto das Emas a se tornarem cidadãos
Por Vicente Sá
Fotos Rodrigo Oliveira
A
ave que lhe dá o nome já há muito
não é vista por aqui. O Recanto
da Emas cresceu e hoje tem quase
160 mil habitantes, em sua maioria de jovens com menos de 25 anos de idade. A
poeira e a precária infraestrutura convivem com um comércio diversificado. Os
problemas comuns às populações de baixa renda, como violência e drogas, aqui
têm um peso um pouco menor, embora
faltem lazer, áreas para a prática de espor-
26
tes, espaços e projetos culturais. O Recanto não possui nem cinema. Muito menos
teatro. Pequenos parques mambembes
são, vez ou outra, a diversão diferente da
TV ou das rodas de conversa. Muito pouco ou quase nada para uma juventude
com tanta sede de tudo.
Foi lá que, há dez anos, teve início um
projeto de inclusão social que hoje chama
a atenção não só do Distrito Federal,
mas de todo o Brasil: o Projeto Batucadeiros, do Instituto Batucar, que no ano
passado recebeu o troféu de ouro do Prêmio ANU/2010 da Central Única das
Favelas (CUFA), cujo objetivo é informar a sociedade sobre projetos socioculturais que impactam positivamente comunidades populares.
Buscando desenvolver a expressão artística de crianças e adolescentes em estado de risco, o Projeto Batucadeiros trabalha com a arte como instrumento de inclusão dos adolescentes e das crianças do
Recanto das Emas. Em um pequeno espaço cedido por uma
igreja presbiteriana, os
alunos do projeto aprendem percussão corpo-
ral, têm aulas de violão e canto com monitores formados no próprio grupo. Os exalunos/professores são oriundos da comunidade e ainda dão aulas de reforço escolar às crianças. Como resultado, os índices de evasão escolar e reprovação caíram para menos de 7%, diminuiram as
brigas domésticas e houve um despertar
para os assuntos ligados à arte e à cultura.
Os 210 meninos atendidos pelo projeto
adoram e as famílias agradecem.
“Eu passo a manhã aqui aprendendo
música e brincando, almoço em casa e
vou para a escola. É tão legal que eu já
trouxe duas amigas para cá”, conta Yasmim, de 13 anos, que há cinco participa
das aulas e é uma das mais animadas da
turma. Pedro, de nove anos, está lá há
apenas três meses, mas não quer mais sair
e diz que o que curte mesmo são as aulas
de funk.
Em uma comunidade onde chegar à
faculdade ou conseguir uma graduação de
nível superior é um sonho que poucos
conseguem realizar, o Instituto Batucar
aprendeu a investir em sua gente e formar
sua própria mão de obra através de bolsas
de estudos que fornece aos alunos. Depois de dez anos, 15 jovens já conseguiram formação superior e alguns continuam trabalhando com o instituto. É o caso
de Alceu Avelar, que desde os 16 anos
participava das aulas, formou-se em administração com o apoio do instituto e hoje
trabalha na área burocrática e também como instrutor de percussão corporal. “É
muito gratificante. È como estar me vendo
menino, no início, e também servir de
exemplo. Além de saber que estamos fazendo um trabalho de profundo valor social”, declara.
O homem que começou esse trabalho
há dez anos e continua até hoje à frente
do grupo, sempre buscando novos caminhos e parceiros, é Ricardo Amorim, músico candango formado na UnB e com
apego às idéias humanistas. “Atualmente, nossa grande luta é para conseguir um
espaço onde possamos aumentar nossa
capacidade de trabalho, atender mais jovens e conseguir manter a sustentabilidade do instituto”, explica Ricardo.
Essa sustentabilidade depende dos
apoios e parcerias que ele consegue em
empresas ou desenvolvendo projetos junto ao governo. Mas enquanto os apoios
não chegam e os projetos não saem do pa-
pel, o instituto vende camisetas e vídeos de
suas apresentações para se manter. Lutando ao lado da comunidade e recebendo
diariamente, como maior prêmio, o respeito dos moradores do Recanto das Emas.
Projeto Batucadeiros
www.institutobatucar.org.br
Informações: 8419.9674 / 8419.9675
27
verSo & ProSa
Estado de espírito
de pássaro
Pela primeira vez em livro, a poesia do publicitário Marcelo Benini.
Por alexaNDre mariNo
A
28
poesia é a linguagem da revelação.
Bastam alguns versos dispostos
numa página para que um sentido oculto seja desperto pela disposição
das palavras. Ao lançar mão de imagens
às vezes delirantes, ou de metáforas, o
poeta rompe a lógica do texto e convida
o leitor a experimentar um outro código.
Na poesia, as palavras libertam-se da precisão dos verbetes dos dicionários e voam, subvertendo o significado.
O publicitário Marcelo Benini, em
seu primeiro livro de poemas, O capim sobre o coleiro, faz esse jogo entre imagem e
significado. Ele propõe uma aparente
simplicidade, com lirismo e concisão,
mas o universo abordado por seus versos se apresenta ao leitor em outro grau
de complexidade. O que se conclui é
que sua poesia leva o leitor a atingir um
estado de espírito de pássaro, e assim voar com as palavras, estabelecendo uma
cumplicidade semelhante à do menino
que apresenta ao amigo os segredos do
quintal.
Benini vive em Brasília desde criança, mas traz consigo a essência do mundo em que nasceu, e permaneceu naquele pedaço de infância que jamais se perde. Sua linguagem poética não trai suas
origens. Nascido em Cataguases, Zona
da Mata de Minas Gerais, ele garante ter
se mantido em permanente atividade literária, ainda que tenha lançado o primeiro livro aos 40 anos. É bom lembrar
que Cataguases é uma das cidades de
mais forte tradição cultural e literária de
Minas, onde surgiram movimentos literários importantes e nasceram escritores
de nome nacional, como Rosário Fusco
e Luiz Ruffato.
Benini, fiel a sua proposta de apresentar ao leitor “aquilo que realmente
interes- sa ser dito”, evitando distraí-lo
da ideia síntese, faz uma poesia concisa,
às vezes reduzida a uma simples frase, ou
verso, com achados interessantes. “Onde o tempo encarde a alma alveja”, diz
um desses versos, levando o leitor a parar e pensar nas possibilidades ocultas
desse simples arranjo de palavras.
Os pássaros são personagens de muitos dos poemas de Benini, talvez porque
“quem tem olho de passarinho / está a
um passo de voar”, como ele revela à página 21. O poeta faz desses bichos, a partir de sua leveza e delicadeza, uma alegoria para diversas reflexões sobre a vida,
nem sempre desprovida de peso. “Restos
de mim no capim / coleiros, almas, desavim / pedaços de sanhaço no mamão /
amor mais doído que perda / dor de alçapão / ai de mim / quão precárias são as
valentias.”
É interessante observar que, embora
pássaros sejam uma boa fonte de inspiração para inúmeros poetas, Marcelo Benini às vezes revela forte influência de Manoel de Barros, o poeta que transformou
o mundo das pequenas coisas da natureza em fonte de poesia de primeira grandeza. Essa influência se torna evidente em
versos como “Coisa que tem desafio é ver
um buraco piscar” ou “Procurar o impossível / é procurar a ausência / de brejo
nos sapos.”
Mas, liberto de excessos incômodos,
Marcelo Benini também faz reflexões interessantes, como nesta visão poética do lixo: “Um maço de hollywood / repousando na chuva / uma tampinha de crush /
mais ainda um abio caído / ou uma tia
solteira / fascinam-me os escombros da civilização.”
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26
Fotos: divulgaçã
o
carTa Da euroPa
A Dama de Ferro
Por Silio boccaNera, De loNDreS
C
orreu mundo semanas atrás uma
foto da atriz americana Meryl
Streep incorporada como a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, no filme A Dama de Ferro, ainda em
produção. A direção é de Phyllida Lloyd,
que comandou Streep na versão cinematográfica de Mamma mia, o musical açucarado e grande sucesso de público baseado
nas canções do conjunto sueco Abba.
O que mais chama a atenção na foto
de Streep é seu aspecto sedutor, olhos brilhantes, pele sem rugas, lábios entreaber-
30
tos. Em parte, aparece assim porque a
atriz é mesmo bela e atraente, mas percebe-se que a direção do filme optou por
não usar maquiagem que refletisse o lado
mais duro e antipático de Thatcher, alguém que tratava com brutalidade até seus
ministros (para nem falar dos desempregados e grevistas) e ganhou o apelido Dama de Ferro dos soviéticos que com ela
negociaram.
Deduz-se que o filme pretende mostrar um lado de Thatcher mais pessoal,
talvez até mais sensual, o que muitos consideram impossível e poucos enxergam
nela. Uma das exceções foi o ex-presiden-
te francês François Mitterand, que a confrontou em negociações duras, mas que
também observou “olhos de Calígula e
boca de Marilyn Monroe”. Marilyn? Se
ainda fosse Lucrécia Borges... Que esforço
de imaginação da velha raposa política
francesa, ele mesmo um sedutor de damas
fora de seu casamento.
Sabe-se pouco do filme ainda em gravação, mas os produtores já esclareceram
que vão lidar apenas com um período limitado da carreira dela, pouco antes da
Guerra das Falklands (ou Malvinas, como
preferem os argentinos, que invadiram as
ilhas em 1982). Era um período em que
ela sofria de grande impopularidade, resultado sobretudo do arrocho econômico
que instituiu quando chegou ao poder,
em 1979, semelhante ao que seus sucessores no poder hoje acabam de adotar. Fábricas fechando, desemprego, protestos
nas ruas, o clima anti-Thatcher era tamanho que as pesquisas de opinião previam
derrota de seu Partido Conservador nas
eleições de 1983.
Ajuda providencial
Aí entra a ditadura militar argentina e
dá a Thatcher um presente dos céus. Invade as ilhas próximas a seu território, foco de disputa centenária sobre soberania
com os britânicos. Os generais de extrema direita em Buenos Aires estavam convencidos (e assim comprovam seus depoimentos posteriores) de que a primeiraministra, acuada e impopular, não ousaria uma ação militar tão distante. Afinal,
os tempos de império britânico e domínio dos mares já tinham se acabado. Até
o navio da Royal Navy que patrulhava a
área tinha sido retirado, por economia.
Um fator extra de autoconfiança que
os generais não admitem de público,
mas alguns analistas argentinos constataram, era o fato de que lidavam com uma
mulher. O machismo daqueles generais
e almirantes torturadores de militantes
grávidas não concebia firmeza por parte
de uma senhora formada em Química
na Universidade de Oxford, filha de um
comerciante de classe média baixa, criada politicamente dentro de um partido
defensor de tradição.
Erraram grosseiramente na análise política (uma reação britânica firme era a melhor opção para ganhar apoio popular) e
mais ainda na avaliação pessoal daquela
mãe de gêmeos, casada com um milionário
aposentado, líder do Partido Conservador
desde 1975. Se algum traço de seu comportamento aparecia às claras era a determinação e a firmeza, nem que fosse para fazer
maldades. Pois a Dama de Ferro despa-
chou uma frota a milhares de quilômetros
de distância, confrontou tropas argentinas
mal-supridas e mal-treinadas (a não ser pela
Força Aérea), venceu a guerra ao lado da
Argentina e retomou a ilhas, que até hoje
permanecem sob controle britânico.
Pior ainda – e aí vai mais uma avaliação política equivocada dos generais em
Buenos Aires – é que havia espaço naquela época para uma negociação diplomática
lenta, mas numa direção conveniente,
que acabasse levando a algum acordo sobre a soberania das ilhas. Um ex-império
que tinha largado o domínio colonial de
Índia e Paquistão, além do controle de
diversos países africanos, da Nigéria ao
Quênia, não teria motivos instransponíveis para negociar soberania sobre aquelas ilhotas distantes, mais habitadas por
carneiros e pinguins do que por gente.
O obstáculo eram os moradores, sempre fiéis a Londres. Tinham de ser levados
em conta, convencidos aos poucos. Ao
contrário das ex-colônias asiáticas e africanas, não havia nas Falklands/Malvinas (e
não há até hoje) movimento nativo próindependência ou pró-ligação com a Argentina. Os habitantes se consideram cidadãos britânicos, descendentes de compatriotas que descobriram aquelas terras
no Século XVIII e ali se estabeleceram,
sem que nunca tivesse havido domínio argentino. Buenos Aires contesta.
Popularidade em alta
Diante dos gastos de manutenção de
um solo tão distante, o governo de Sua
Majestade poderia usar sua longa experiência diplomática e acabar persuadindo os locais a ceder algum tipo de controle aos argentinos. Depois da guerra,
no entanto, essa opção se tornou impossível –pelo menos num futuro previsível,
pouco importa o partido político no governo em Londres.
Graças aos erros de avaliação dos generais argentinos, Thatcher viu sua popularidade disparar no Reino Unido (é sem-
pre assim quando um comandante em
chefe ganha uma guerra) e, menos de um
ano depois, ela e seu partido tiveram uma
vitória avassaladora nas eleições gerais
que renovaram o Parlamento. Ela mesma
deixaria o governo sete anos depois, mas
os conservadores permaneceram no poder durante 18 anos e só seriam derrotados por Tony Blair, em 1997.
Para mostrar Thatcher no período
imediato antes do conflito no Atlântico
Sul, o filme vai exigir de Meryl Streep todo o seu farto talento como atriz, para que
as sutilezas não se percam e a personagem
não vire uma caricatura. O público, sobretudo no Reino Unido, será impiedoso no
julgamento do que será mostrado na tela.
Até hoje, as opiniões no país se dividem
furiosamente sobre o que ela representou,
sobretudo para as gerações que a conheceram no poder.
Não há data prevista para o lançamento do filme, mas se os produtores se
apressarem poderão pegar a verdadeira
Dama de Ferro ainda viva, embora doente. Ela raramente aparece em público,
depois de ter sofrido vários derrames que
a deixaram quase sem fala, com dificuldade de se movimentar e, segundo os mais
próximos, sofrendo falhas de memória.
Seu marido Dennis morreu, o filho
Mark vive recluso desde que escapou por
pouco da cadeia na África do Sul, por envolvimento num golpe de estado fracassado na Guiné Equatorial, a filha Carol ocasionalmente desponta na mídia como celebridade nível D (a última, num reality show)
e Thatcher se limita a observar à distância o
que dizem, escrevem e produzem sobre ela
– de filmes a peças de teatro, documentários e livros. Um desses livros é Thatcher’s
britain (O cérebro de Thatcher), em que Richard Vinen, professor de História no
King’s College, de Londres, examina o impacto político e social que ela deixou no
Reino Unido e, de certa forma, no resto do
mundo, porque o thatcherismo foi copiado
em vários países.
31
luZ CÂMERa aÇÃo
A última fuga, de Léa Pool
Uma
língua
comum
Semana da Francofonia
exibirá 30 filmes de
cinematografias que
comungam valores
de cooperação e
diversidade cultural
Você e eu, de
Julie Lopez-Corval
Por SÉrgio moricoNi
U
Fotos: divulgação
O Papai
Noel é um
picareta, de
Jean-Marie
Poiré
32
Caindo no ridículo,
de Patrice Leconte
ma simples olhada na programação de cinema da Semana da Francofonia impressiona. Há filmes de cinematografias de todos os continentes, dos que têm o francês como a
língua oficial (ou mesmo segunda língua), mas há
também produções de nações árabes (Egito) e de países que adotam idiomas os mais diversos como, por
exemplo, a República Tcheca, o Líbano, a Polônia.
Afinal, então, o que é a francofonia? Em pouquíssimas palavras, francofonia é compartilhar valores universais de solidariedade e cooperação e, claro, de afinidade com a cultura vária dos povos de língua francesa. O cinema agradece. Nas duas semanas de programação, obras contemporâneas importantes de realizadores de grande prestígio vão poder ser vistas
em diversos espaços da cidade.
Entre os cineastas de língua propriamente francesa estão presentes os franceses Patrice Leconte, com
Caindo no ridículo, Julie Lopez Corval, com Você e
eu, Albert Dupontel, com Bernie, e Philippe Faucon,
com Duas senhoras; os suíços Raymond Vouillamoz,
com o recente Desacorrentadas, Christian Karcher,
com O herdeiro, e Laurent Nègre, com Operação Casablanca; os canadenses Denys Arcand, com o clássico As invasões bárbaras, Denis Cote, com Curling,
Xavier Dolan, com Amores imaginários, e Jean-François Pouliot, com A grande sedução; e o belga Erik Ca-
nuel, com Bon cop, bad cop. Juntos, esses
filmes formam um mosaico multifacetado
da produção francofone de raiz européia,
ainda que alguns deles estejam do outro
lado do Atlântico.
Muitas das produções de realizadores
não franceses mencionados acima contam com o suporte financeiro da França,
embora o Canadá e a Suíça tenham criado suas próprias políticas de apoio ao cinema. Muito recentemente foi fundada a
Swiss Films, organização que faz lobbies
no próprio país para obter apoio político
e econômico para o seu cinema nacional
independente. Além disso, cuida de todo
o processo de promoção, publica catálogos e fortalece a distribuição internacional
dos filmes no circuito comercial e sua presença nos mais variados e prestigiosos festivais do mundo. O Canadá faz a mesma
coisa há muitos anos, baseado principalmente no modelo francês, país que com
sua prolífica produção – mais de 200 filmes por ano – permanece entre os maiores do setor. Para se ter uma idéia, mais de
25% de toda a produção do continente
europeu é de origem francesa.
Essa capacidade fez com que a França
tivesse tido um papel fundamental no ressurgimento de algumas das cinematografias do leste europeu. Alguns desses países – chamados de “observadores” da Organização Internacional da Francofonia
(OIF), entidade criada em Niamey, na Nigéria, em 1970 – estão presentes na Semana da Francofonia com Jasminum, do polonês Jan Jakub Kolski, O preço da inocência, da romena Geanina Grigoras, e Tobruk, do tcheco Václav Marhoul (co-produção da República Tcheca com a Eslováquia). Dos três, apenas a Polônia já faz efetivamente parte da OIF. A Polônia, a exTchecoslováquia e a Romênia viram suas
indústrias cinematográficas ruírem com o
fim do financiamento estatal no período
pós-comunista. Todas elas passaram a depender do apoio da televisão e das co-produções internacionais. A França se tornou uma parceira importante nos dois po-
los da cadeia produtiva. Seus principais
festivais deram visibilidade e proporcionaram a distribuição internacional dos filmes desses países.
O mesmo se deu com vários países
africanos, embora as circunstâncias histórico- políticas fossem inteiramente distintas. Muitas cinematografias do continente
surgiram em meados dos anos 60 como
um dos instrumentos da luta de emancipação e independência. Eram apoiados
por inúmeras facções comprometidas
com o processo de descolonização. Nos
anos 70, curiosamente, tudo mudou. Os
novos governos elegeram outras prioridades e resolveram deixar o cinema de lado.
Foi então que a França, mais uma vez, entrou em cena, oferecendo um programa
de cooperação que incluía a organização
de festivais (entre eles, alguns específicos,
como o Festival de 3 Continents, na cidade de Nantes) onde os filmes dos cineastas africanos pudessem ser vistos.
Apesar de até hoje não ter sido resolvida efetivamente a questão da distribuição
dos filmes nos mercados mundiais, a política francesa de apoio às cinematografias
africanas possibilitou o aparecimento de
diretores importantes. Idrissa Quedraogo,
de Burkina Faso, é um deles. A Semana
da Francofonia apresenta uma das suas
obras-primas, Tilai. Esse filme é revelador
de alguns dos dilemas cruciais do continente. Da mesma maneira, Tasuma, o fogo, dirigido por Kollo Daniel Sanou (também de Burkina Faso), Poeira urbana, de
Moussa Touré (co-produção Congo/Senegal), os senegaleses Madame Brouette,
de Moussa Sene Absa, e Barcelona ou a
morte, de Idrissa Guiro, o marroquino Ali
Zaoua, de Nabil Ayouch, e Eu e meu branco, de Pierre Yameogo (mais um de Burkina Faso) são todas obras – e incluindo
aqui o conjunto de toda a programação da
Semana da Francofonia – que contribuem para nos fazer conhecer e compreender questões fundamentais do indivíduo no mundo hoje a partir da língua comum do cinema.
Mostra de Cinema da 14ª
Semana da Francofonia
De 15 a 27/3 na Sala Le Corbusier
(Embaixada da França), SESI de Taguatinga,
SESC do Setor Comercial Sul, Caixa Cultural,
Aliança Francesa, SESC do Gama
e Universidade de Brasília.
15/3: 12h – Xalima, a pena (SESC/SCS); 18h –
Tilai (Sala Le Corbusier); 19h: Você e eu (SESC/
Gama); 20h – Amores imaginários (Sala Le
Corbusier) e O herdeiro (SESI/Taguatinga).
16/3: 12h – Tobruk (SESC/SCS); 19h –
Barcelona ou a morte (SESC/Gama) e Caindo
no ridículo (Sala Le Corbusier); 20h – Você e
eu (SESI/Taguatinga).
17/3: 12h – Poeira urbana (SESC/SCS); 14h –
Madame Brouette (Aliança Francesa); 16h – O
Papai Noel é um picareta (Aliança Francesa);
18h – Tobruk (Sala Le Corbusier); 19h – Eu
e meu branco (SESC/Gama); 20h – Bernie
(Sala Le Corbusier); 20h – Ali Zaoua (SESI/
Taguatinga).
18/3: 12h – Tasuma, o fogo (SESC/SCS); 14h
– After shave + O preço da inocência (Aliança
Francesa); 16h – Rastros, pegadas de mulheres
(Aliança Francesa); 18h – Os barões (Sala
Le Corbusier); 19h – Desacorrentadas (SESC/
Gama); 20h – Ali Zaoua (Sala Le Corbusier) e
Eu e meu branco (SESI/Taguatinga).
19/3: 18h – Os barões (SESC/Gama).
20/3: 18h – Poeira urbana (SESC/Gama).
21/3: 12h – Barcelona ou a morte (SESC/
SCS); 14h – Barcelona ou a morte (Aliança
Francesa); 16h – Operação Casablanca (Aliança
Francesa); 18h – Desacorrentadas (Sala Le
Corbusier); 18h – Você e eu (Caixa Cultural);
19h – Rastros, pegadas de mulheres (SESC/
Gama); 20h – Jasminum (Sala Le Corbusier),
O preço do perdão (SESI/Taguatinga) e As
invasões bárbaras (Caixa Cultural).
22/3: 12h30 – Bernie (UnB); 14h – O Papai
Noel é um picareta (Aliança Francesa); 16h
– Memórias entre duas margens (Aliança
Francesa); 18h – Xalima, a pena (Sala Le
Corbusier); 19h – Tilai (SESC/Gama); 20h –
Cúmplices (Sala Le Corbusier) e Tasuma, o
fogo (SESI/ Taguatinga).
23/3: 12h30 – A grande sedução (UnB);
14h – O herdeiro (Aliança Francesa); 16h –
Bernie (Aliança Francesa); 18h – Operação
Casablanca (Sala Le Corbusier) e A última
fuga (Caixa Cultural); 19h – After shave +
O preço da inocência (SESC/Gama); 20h – O
Papai Noel é um picareta (Sala Le Corbusier)
e Bon cop, bad cop (Caixa Cultural).
24/3: 12h – Os barões (SESC/SCS); 14h – Ali
Zaoua (Aliança Francesa); 16h – Você e eu
(Aliança Francesa); 18h – A grande sedução
(Sala Le Corbusier); 20h – Duas senhoras
(Sala Le Corbusier).
25/3: 12h30 – Os barões (UnB); 14h – Curling
(Aliança Francesa); 16h – Eu e meu branco
(Aliança Francesa); 18h – Você e eu (Sala Le
Corbusier); 19h – Madame Brouette (SESC/
Gama); 20h – Cúmplices (SESI/Taguatinga) e
O preço do perdão (Sala Le Corbusier).
26/3: 18h – Memória entre duas margens
(SESC/Gama).
27/3: 18h – Bernie (SESC/Gama).
33
Fotos: Divulgação
luZ CÂMERa aÇÃo
Bravura
indômita
Com dez indicações
ao Oscar, mas
nenhuma premiação,
esse sonolento
remake deixa claro
que o western não
é território para
os irmãos Coen
Por reYNalDo DomiNgoS ferreira
O
34
tom melancólico da narrativa de
Bravura Indômita, de Joel e
Ethan Coen, é dado pela protagonista, uma solteirona recalcada que relembra o episódio da morte do pai quando ela, com 14 anos, se viu forçada a contratar um soldado beberrão e de antecedentes morais duvidosos para dar caça ao
assassino, então homiziado em território
indígena.
O roteiro, baseado no romance True
grit, de Charles Portis, também assinado
pelos Irmãos Coen, mutila o contraste entre as personagens no que diz respeito à
questão moral, que ganhou destaque na
primeira adaptação (1969), dirigida por
Henry Hathaway. Assim, enquanto Mattie Ross (Hailee Steinfeld), presbiteriana
convicta, é observadora de regras rígidas de comportamento, Rooster Cogburn (Jeff Bridges) é um caolho bêbado e licencioso. Na primeira versão, Rooster, interpretado por John Wayne, que ganhou o Oscar
por sua brilhante atuação,
conta mais sobre sua vida,
principalmente sobre suas
atividades ilícitas no México
para obter dinheiro e montar, no
Texas, seu primeiro negócio.
Mesmo assim, na versão atual, o diálogo parece excessivo, e a pregação religiosa se faz por meio da trilha sonora de
Carter Burwell, na qual se incluem vários
hinos, como The glory-land way e What a
friend we have in Jesus. De início, tem-se a
impressão de que se vai ver, pela composição de planos, na chegada de Mattie ao
povoado, uma citação do clássico Era
uma vez no oeste, de Sergio Leone. Mas
fica só na impressão. Logo a linguagem
dos Coen se mostra indecisa, lenta e pobre de panorâmicos – típicos do estilo
épico, como é da natureza do western – a
não ser nas sequências em que se expõem os enforcamentos em praça pública ou quando se encontram outros enforcados no meio da mata.
Ao ser contratado por 50 dólares,
Rooster quer cumprir sozinho a missão
de trazer o assassino Tom Chaney (Josh
Brolin), mas Mattie, sempre bem vestida
e com os cabelos enfeixados em duas tranças, insiste em acompanhá-lo. Enquanto
ele pensa nessa possibilidade, ela, ao regressar à casa em que se hospeda, conhece o patrulheiro texano LaBoeuf
(Matt Damon), que está também no
encalço de Chaney por vários crimes
cometidos no Texas e no Arkansas,
onde matou até um senador. Ele lhe
propõe trabalho conjunto com Rooster
com o argumento de que ambos poderão – sendo conhecedores, o primeiro, do
território indígena, e ele, da estratégia de
fuga de Cheney – facilmente capturá-lo e,
assim, obter proveito mútuo.
Receosa de que LaBoeuf não lhe entregue Cheney – que também está de posse de bens de seus familiares – Mattie
recusa-lhe a oferta ou fica simplesmente
no jogo do empurra, mas, ao concluir as
negociações com Rooster, acaba por aceitá-la. Na manhã seguinte, os dois partem,
deixando recomendação a Mattie para
que volte para casa e fique, em companhia
da mãe, à espera da prisão de Cheney. Impetuosa, porém, ela os persegue e, se não
atravessa o rio na balsa com eles, o faz a
cavalo, que é quase levado pela correnteza. Ao chegar à outra margem, LaBoeuf a
coloca no colo e lhe dá boas palmadas
por sua teimosia. Mas, depois disso, o texano se desentende com Rooster e decide
prosseguir sozinho.
A narrativa continua, assim, sonolenta,
até que Rooster e Mattie conseguem preparar uma emboscada, num rancho, para
Ned Pepper (Barry Pepper) e seus homens,
que sabem ser associados de Cheney. Mas
quem chega primeiro ao local é LaBoeuf,
que acaba sendo preso pelos bandidos. É
então que os Irmãos Coen dão com os burros n’água ao realizar a sequência em que
Pepper e seus asseclas dão uma pancadaria
em LaBoeuf. Tomada da distância – já que
observada, do esconderijo, por Rooster e
Mattie – a cena deixa mais do que evidente
que o western não é terreno para os irmãos
realizadores de Queime depois de ler, apesar
das indicações ao Oscar. Os atores Jeff Bridges, Matt Damon e Josh Brolin, pela categoria que têm, não mereciam se afundar, como se afundaram, nessa empreitada. Quanto a Hailee Steinfeld, por ser jovem, talentosa e bonita, não teve nada a perder.
bravura indômita (True Grit)
EUA/2010, 110 min. Direção e roteiro: Joel e
Ethan Coen, com base no livro True grit, de
Charles Portis. Com Jeff Bridges, Matt Damon,
Josh Brolin, Hailee Steinfeld, Barry Pepper e
Domnhall Gleeson.
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