Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.6, n.2, p.179-189, 2004
ISSN 1517-8595
179
TEOR DE ÁGUA LIMITE PARA CRIOCONSERVAÇÃO DE SEMENTES DE
ALGODÃO ARBÓREO VARIEDADE 6M
Mario Eduardo R.M. Cavalcanti Mata1, Maria do Socorro Rocha2,
Maria Elita Martins Duarte3
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi determinar o teor de água ideal para crioconservar a sementes de
algodão arbóreo, cultivar 6M- Mocó-Branco em nitrogênio liquido a temperatura de - 196 °C.
Para essa determinação as sementes de algodão com teor de água de 4, 6, 8, 10, 12 e 14% base
úmida foram crioconservadas (- 196 °C) por um período de 5 dias e submetidas, logo após esse
período aos testes de germinação e vigor. Para efeito de analise comparativa utilizou-se a
armazenagem das sementes a 23°C e 75% de umidade relativa por igual período de
armazenagem (5 dias). Concluiu-se nesta pesquisa que o teor de água limite para crioconservar
às sementes de algodão arbóreo, cultivar 6M- Mocó-Branco foi de 6% base úmida, e que, a
equação de segundo grau representa satisfatoriamente os dados experimentais da germinação e
vigor (l ª contagem do teste de germinação) em função do seu teor de água.
Palavras-Chave: criogenia, germinação, vigor
LIMIT WATER TEXT TO CRYOCONSERVATION OF THE ARBOREAL
COTTON SEEDS 6M- MOCÓ WHITE VARIETY
ABSTRACT
The objective of this work was to determine the ideal water text for the for the cryoconservation
of arboreal cotton seeds to cultivate 6M – Mocó-white in liquid nitrogen at the temperature of 196 °C. For this determination, the cotton seeds that had moisture content of 4, 6, 8, 10, 12 and
14% wet base were cryoconservated (- 196 °C) for a period of 5 days and submitted to the
germination tests and vigor, soon after this period. The storage was done at 23°C and 75% of
relative humidity for the same storage period (5 days) to a comparative analysis. It was
concluded in this research, that the limits water text was 6% wet base to cryoconserve the
arboreal cotton seeds to cultivate 6M - Mocó-white and that, the second degree equation
represents the experimental data of the germination and vigor satisfactorily (1st count of the
germination test) in function of its moisture content.
Keywords: cryogenic, germination, vigor
____________________
Protocolo 601 de 08 / 08/2004
1
Professor Dr. do Departamento de Engenharia Agrícola, UFCG. Av. Aprígio Veloso 882, Bodocongó, CEP 58109-970,
Campina Grande – PB E-mail: [email protected]
2
Bióloga, M.Sc., Rua Oegário Maciel , 943, Monte Santo. CEP 58102-000, Campina Grande, PB, Fone: (83) 322-5432.
E.mail: [email protected]
3
Professora Dra. do Departamento de Engenharia Agrícola, UFCG. Av. Aprígio Veloso 882, Bodocongó, CEP 58109- 970,
Campina Grande – PB E-mail: [email protected]
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
INTRODUÇÃO
O algodoeiro é uma das plantas mais
cultivadas pelo homem sendo sua fibra a mais
comercializada no mundo. Os subprodutos do
algodão são o óleo, a farinha, a torta, o línter e a
casca, que são extraídos da semente ou caroço.
A cultura do algodão tem importância
sócio-econômica relevante para o Nordeste
brasileiro, especialmente, para a região semiárida e, de maneira particular, para o estado da
Paraíba. Um dos fatores mais significativos
para o êxito de seu cultivo é, sem dúvida, a
utilização de sementes de algodão com elevada
qualidade física e genética. O emprego das
sementes melhoradas contribui, expressivamente, para o aumento do rendimento do
algodoeiro e para a melhoria das características
tecnológicas da fibra (Godoy, 1972).
Décadas atrás o algodão de fibra longa
era o mais desejado no mercado, tendo perdido
espaço para o algodão herbáceo, em virtude de
sua produtividade e lucratividade. No entanto,
as pesquisas com sementes melhoradas não
podem deixar de ser um objetivo constante dos
pesquisadores e, neste sentido, os bancos
genéticos são imprescindíveis para os
pesquisadores e para o País, uma vez que, hoje,
o banco de germoplasma é considerado o quarto
recurso natural, depois do solo, água e ar
(Fitzgerald e Cooke, 1989).
Para este desenvolvimento genético,
torna-se necessário lançar mão de um banco de
germoplasma no qual sementes com
determinadas características genéticas serão
fixadas nas plantas, dando origem de outras
cultivares com deferentes características.
Portanto, para conservar sementes em um banco
genético faz-se necessário que determinadas
condições de temperatura e umidade relativa do
ar sejam mantidas, sob pena de as sementes
perderem sua viabilidade em pouco tempo
(Veira e Carvalho, 2000).
No Brasil, as sementes de algodão em
bancos de germoplasma, são rotineiramente
submetidas ao armazenamento na temperatura
de 10 ºC e umidade relativa do ar de 40%,
durante vários meses, sendo este banco de
germoplasma renovado, consecutivamente, à
medida que as sementes baixam sua qualidade
fisiológica para níveis não aceitáveis
(Nascimento, 1994). Este processo, segundo
Cavalcanti Mata (2001), embora tenda a
preservar as espécies que estão sendo
conservadas no banco de germoplasma, não
evita, porém, a erosão genética das espécies.
Com finalidade de evitar a erosão
genética das espécies e de conservar as
sementes
por
períodos
considerados
indefinidos, tem-se empregado, a tecnologia
criogênica, que consiste em submeter as
sementes a temperaturas muito baixas, ou seja,
ao nitrogênio líquido a –196 ºC ou no vapor do
nitrogênio a –170 ºC.
Contudo, antes de se crioconservar uma
semente, é necessária conhecer o teor de água
ideal que as sementes devem ser armazenadas a
temperatura criogênica, pois se este teor de
água ideal não for determinado, as sementes
podem perder sua viabilidade, durante o
armazenamento criogênico, inviabilizando o
uso dessa técnica.
Assim, o objetivo deste trabalho foi
determinar o teor de água limite para
crioconservação (TALC), da semente de
algodão arbóreo cultivar 6M-Mocó-Branco.
MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi realizado no Setor de
Criogenia do Laboratório de Armazenamento e
Processamento de Produtos Agrícolas do
Departamento de Engenharia Agrícola da
Universidade Federal de Campina Grande,
Campus I, em Campina Grande, PB, em
conjunto com o Laboratório de Sementes do
Centro Nacional de Pesquisa do Algodão da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(CNPA/Embrapa).
Utilizaram-se sementes deslintadas da
cultivar 6M-Mocó-Branco. As sementes de
algodão foram deslintadas quimicamente,
utilizando-se 7 kg de semente por litro de ácido
sulfúrico, durante 5 minutos, seguido de uma
lavagem em água corrente, neutralização com
soda cáustica a 3% e secagem natural, de
acordo com Patriota (1996).
Determinação do teor de água limite para
crioconservação (TALC)
Para determinação do teor de água das
sementes, utilizou-se o método padrão da estufa
a 105 ± 3ºC, por 24 horas com quatro repetições
de 50g de sementes por tratamento, segundo as
regras para análise de sementes (BRASIL,
1992). O teor de umidade foi estabelecido como
sendo a media aritméticas das 4 repetições.
Para obtenção de sementes com
diferentes teores de água (4, 6, 8, 10, 12 e
14%b.u), essas foram submetidas ao processo
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
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de hidratação ou secagem, até se alcançar os
teores de água desejados. A perda ou ganho de
água pelas sementes foi determinado por meio
da fórmula recomendada pelas regras para
análise de sementes (Brasil, 1992).
Pf= Pi x 100- TAi
100-TAf
em que:
Pf = peso final da mostra (grama)
Pi = peso inicial da amostra (grama)
TAi = teor de água inicial das sementes (%b.u.)
TAf = Teor de água desejada das sementes
(%b.u)
Figura 2. Recipiente hermético utilizado para
umedecimento das sementes de
algodão.
Secagem das sementes
Criocongelamento das sementes
Para a secagem das sementes, as
amostras foram colocadas em um secador que
continha o agente dessecante, sílica gel, e
pesadas a cada 2 horas, até que atingissem os
pesos referentes aos teores de água desejados.
Para este fim, utilizou-se uma balança semianalítica, modelo Methler PC 440, com
precisão de 0,001g.
As sementes com os teores de água de 4,
6, 8, 10, 12 e 14%b.u foram colocados em
botijões criogênicos (Figura 3) isolados com
vácuo parcial o que confere, ao botijão, a
capacidade de manter o nitrogênio no estado
líquido (-196ºC), com baixas perdas por
evaporação viabilizando-se assim, a estocagem
e o transporte de material biológico vivo, por
longos períodos de tempo.
recipiente de alumínio
5
placa de porcelana
1
Abertura
2
luva
3
tampa
6
sílica gel
7
4
corpo do dessecador
Figura 1. Dessecador utilizado na secagem das
sementes de algodão
(a)
(b)
Figura 3 - Botijão criogênico utilizado em
processo (a); Botijão com canister
padrão,
Umedecimento das sementes
Para umedecimento das sementes, as
amostras foram colocadas em pequenas cestas
de arame, suspensas por um anel de PVC, no
interior de recipientes de vidro, hermeticamente
fechados, que contém água destilada. Os
recipientes foram colocados em uma câmara
regulada a 10ºC. Essas cestas com as amostras
foram pesadas a cada 2 horas, utilizando-se uma
balança semi-analítica modelo Mettler PC 440,
com precisão de 0,001g.
Após 5 dias de crioconservadas, as
sementes foram submetidas ao descongelamento, a temperatura ambiente de 23 ºC,
durante 12 horas; logo em seguida, realizaramse os testes de germinação e vigor, utilizando-se
as Regras para Análise de Sementes (Brasil,
1992).
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
Teste de germinação
Após crioconservadas e descongeladas,
as sementes de algodoeiro arbóreo foram
submetidas ao teste de germinação com quatro
repetições de 50 sementes por tratamento. No
teste de germinação, as sementes foram
distribuídas sobre duas folhas de papel
germitest e cobertas por uma terceira folha,
ambas umedecidas com volume de água, na
proporção de duas vezes e meia o peso do
papel. Os rolos foram acondicionados em
germinador, marca De Leo, regulado para
manter a temperatura de 23ºC, durante todo o
teste, e as avaliações efetuadas diariamente, a
partir do quarto dia, até o décimo segundo dia
após a semeadura. O percentual de germinação
foi determinado conforme prescrito nas Regras
para Análise de Sementes (BRASIL, 1992).
Teste de vigor
Os testes de vigor foram realizados
através da primeira contagem do teste padrão de
germinação (4º dia), comprimento de plântula e
de peso de matéria seca.
Para determinação do comprimento de
plântula, foi utilizado um paquímetro mitutoyo
com precisão de 0,01mm e para determinação
do peso da matéria seca, as plântulas
consideradas normal de cada repetição foram
retiradas do substrato e colocadas em sacos de
papel que, separadas por tratamento e
repetições, foram postas para secar em estufa a
80±3ºC, por 24 horas; depois deste período,
foram retiradas da estufa e colocadas para
resfriar em dessecador, durante 15 minutos e,
logo após, pesadas em balança eletrônica com
precisão de 0,01g. O peso da matéria seca foi
calculado por meio da fórmula proposta por
Vieira e Carvalho (1994).
Feitas as avaliações com esses testes,
determinou-se o melhor teor de água em que as
sementes poderiam ser crioconservadas, ou
seja, o teor de água limite para crioconservação
(TALC). Como testemunha, utilizou-se semente
de algodão conservada a temperatura ambiente
a 23°C e umidade relativa média de 74%.
Análise estatística
Para a determinação do teor de água
limite para crioconservação (TALC) o
delineamento estatístico empregado foi o
inteiramente casualisado, com arranjo fatorial
de duas temperaturas (23 e -196°C) e seis teores
de água (4, 6, 8, 10, 12 e 14%b.u), empregandose quatro repetições por tratamento. A análise
de variância e comparação das médias dos
tratamentos foi realizada pelo teste de Tukey.
Para identificação do comportamento da
variação da germinação e do vigor da semente
de algodão arbóreo variedade 6M-Mocó
Branco, foi feito por regressão linear
polinomial, determinando-se os coeficientes por
meio do programa computacional Statistica 5.0.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1, encontram-se os resultados
da germinação e vigor da semente de algodão
arbóreo variedade 6M – Mocó Branco para os
teores de água de 4, 6, 8, 10, 12 e 14%b.u,
quando submetidas à temperatura ambiente a
23ºC e à temperatura criogênica a -196ºC,
durante 5 dias, com a finalidade de determinar o
teor de água limite para sua crioconservação
(TALC).
TABELA 1. Valores de germinação e vigor do algodão arbóreo variedade 3M Mocó Branco para 6
teores de água depois de crioconservadas a – 196 oC por 5 dias
Algodão arbóreo variedade 6M-Mocó-Branco
Teor de
Água
4
6
8
10
12
14
Germinação (%)
2ª contagem
23ºC
93,00
95,50
92,75
86,75
71,25
50,75
-196ºC
95,25
98,75
91,75
81,00
65,25
42,25
1ª Contagem da
Germinação
23ºC
-196ºC
93,00
95,00
95,25
98,25
92,25
91,25
86,50
80,75
71,00
64,75
50,25
42,50
Vigor
comprimento de
plântulas (cm)
23ºC
-196ºC
20,25
20,50
19,00
20,77
11,22
13,72
10,85
11,55
9,90
5,42
3,57
3,32
peso da matéria
seca (g)
23ºC
-196ºC
12,45
10,25
13,72
13,72
12,00
9,25
13,22
10,25
10,65
10,62
10,05
5,75
Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.6, n.2, p.179-189, 2004
Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
Observa-se, na Tabela 2, que a
germinação das sementes de algodão arbóreo
não diferiram, significativamente, entre si,
quando estas foram crioconservadas com teor
de água entre 4 e 8% b.u., e sementes com esses
teores de água, também, não diferem,
significativamente, entre si, quando armazenadas a 23ºC ou -196ºC, por cinco dias.
Verificou-se, neste trabalho, que sementes com
teor de água de 12 ou 14% b.u., quando
armazenadas a temperaturas de 23ºC iniciam o
processo de aumento da taxa de respiração das
sementes que provoca diminuição de sua
germinação. Para os teores de água de 10, 12 e
14%, as sementes crioconservadas a -196ºC
sofrem ações negativas, provocando perdas
significativas de sua germinação e, em alguns
183
casos, essa perda é superior à das sementes
armazenadas a 23ºC, indicando haver uma ação
negativa do frio a essa temperatura.
Comportamento semelhante, também, foi
observado por e Almeida et al. (2000) que
trabalharam com a crioconservação de 10
espécies de leguminosas.
Vários autores entre eles Crochemore e
Piza (1994); Felismino (1998); Cortett (1999);
Carvalho e Nakagaowa (2000); Bruno et al.
(2000) e Batista et al. (2000) já constataram a
relevante importância do teor de água na
preservação da germinação e do vigor das
sementes destinada a uma conservação prolongada, fato que está diretamente relacionado com
as condições de armazenamento.
TABELA 2. Valores médios de germinação das sementes de algodão arbóreo, 6M-Mocó-Branca, para
a interação teor de água e temperaturas de conservação, após 5 dias de armazenagem as
temperaturas de 23 e -196°C
Teor de Água
4
Germinação (%) 6M-Mocó-Branca
23ºC
93,00
a A
95,25
-196ºC
a
A
6
95,50
a A
98,75 a
A
8
92,75
a A
91,75
A
10
86,75
a A
81,00
b A
12
71,25
b A
65,25
c A
14
50,75
cA
42,25
dB
DMScolunas=10,6
a
DMSlinhas=7,2
Médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas nas colunas e maiúsculas nas linhas, não diferem significativamente entre
si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade
Com relação ao vigor das sementes do
algodão arbóreo, obtido pela lª contagem de
plântulas sadias do método de germinação,
Tabela 3, constata-se que as comparações entre
médias obedecem ao mesmo comportamento da
germinação, indicando que o teor de água ideal,
para crioconservação, encontra-se entre 4 e 8%
base úmida Nessa mesma tabela, observa-se
que o vigor das sementes de algodão arbóreo
expresso em comprimento de plântula não
difere, significativamente, entre si, em nível de
5% de probabilidade pelo teste de Tukey,
quando elas são crioconservadas a 4 e a 6% b.u.
Nessa tabela, também é possível observar que,
quando o vigor das sementes é determinado
pelo peso da matéria seca, o teor de água ideal
para crioconservação a -196°CS é de 6% b.u.s
diferindo, significativamente, dos demais teores
de água estudados a esta temperatura.
Portanto, como na crioconservação das
sementes de algodão arbóreo a -196°C, somente
para teor de água de 6 %b.u. existe uma
convergência dos testes de germinação e vigor,
conclui-se que este teor de água é o que permite
que as sementes tenham a maior qualidade
fisiológica, e, deste modo, deve ser considerado
o teor de água limite para crioconservação e,
como conseqüência, o ideal para ser usado em
bancos criogênicos.
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
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TABELA 3. Comparação entre médias dos valores médios do vigor das sementes de algodão arbóreo,
cultivar 6M-Mocó-Branco, armazenadas por 5 dias com seis diferentes teores de água e
duas temperaturas
Algodão arbóreo variedade 6M-Mocó-Branco
Teor de
Água
4
6
8
10
12
14
Vigor
1ª Contagem da
comprimento de
Germinação
plântulas (cm)
23ºC
-196ºC
23ºC
-196ºC
93,00 a A 95,00a A 20,25 a A 20,50a A
95,25a A
98,25a A 19,00 a A 20,77a A
92,25a A
91,25a A 11,22 b B 13,72 b A
86,50a A
80,75 b A 10,85 b A 11,55 b A
71,00 b A
64,75 c A 9,90
b A 5,42 c B
50,25 c A 42,50 d B 3,57
c A 3,32 c A
23ºC
12,45 a A
13,72 a A
12,00 a A
13,22 a A
10,65 b A
10,05 b A
-196ºC
10,25 b B
13,72a A
9,25 b B
10,25 b B
10,62 b A
5,75 c B
DMScolunas = 10,5 DMSlinhas = 7,2 DMScolunas = 2,9
DMScolunas = 2,9
DMScolunas = 2,0
DMSlinhas = 2,0
peso da matéria seca (g)
Médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas nas colunas e maiúsculas nas linhas, não diferem significativamente
entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade
Na Figura 4, encontram-se as equações
que representam as variações dos percentuais
de germinação e vigor (lª contagem do teste de
germinação) das sementes de algodão arbóreo
cultivar 6M-Mocó-Branco, para os diferentes
teores de água, quando as sementes são
armazenadas as temperaturas de 23°C e -196°C
por 5 dias.
Nessa figura, observa-se que, tanto a
germinação, quanto o vigor podem ser
expressos por uma mesma equação, pois os
valores de germinação e vigor são muito
semelhantes
tanto
para
as
sementes
armazenadas a 23°C, quanto às sementes
armazenadas -196°C por 5 dias. Verifica-se,
nesta figura, que os coeficientes de
determinação são de 0,99 o que significa dizer
que
estes
coeficientes
representam,
satisfatoriamente, os dados experimentais.
Neste trabalho, fica evidente que ao se
analisar a curva de variação da germinação e do
vigor com o teor de umidade, a temperatura de 1% °C, o teor de água de 6% base úmida atinge
o máximo de inflexão da curva, indicando, a
"priore", que este teor de água deve ser o
indicado para se crioconservar essa cultivar de
algodão.
Na Figura 5, embora o vigor, expresso
pelo comprimento de plântulas, não atinja a sua
inflexão máxima no teor de água de 6% b.u,
para a temperatura de armazenamento de
-196°C, observa-se que o máximo de vigor é
obtido com esse teor de água. No entanto, na
Figura 6, quando o vigor foi expresso pelo peso
da matéria seca, contata-se que no teor de água
de 6%b.u., foi obtido o máximo de vigor das
sementes que coincide com a inflexão máxima
da curva.
Nas Figuras 4, 5 e 6, observa-se que, a
partir do teor de água de 6 % b.u., a germinação
e o vigor das sementes de algodão tendem a
diminuir, quando armazenadas a temperatura de
-196°C, evidenciando-se que, a partir deste teor
de água, quanto maior for o teor de água nas
sementes, menor será a sua germinação e o seu
vigor, para essa temperatura criogênica. Os
resultados obtidos, neste trabalho, vêm reforçar,
a exemplo de outros experimentos, que menores
teores de água garantem a manutenção da
qualidade
das
sementes,
durante
o
armazenamento em nitrogênio líquido (Freitas
et ai., 1992; Tripathy et ai., 1996; Germano,
1992).
Na literatura, existem diversos trabalhos
com diferentes produtos onde se observa que é
necessário identificar o teor de água ideal das
sementes para crioconservacão. Este fato foi
observado por Roos e Stanwood (1981) que
chegaram à conclusão de que a semente de
alface sofria dano em sua qualidade fisiológica,
quando eram crioconservadas com teores de
água acima de 18% base úmida. De acordo com
Stanwood (1987), igual ocorrência, também, se
passou com a crioconservação de sementes de
Sesamum indicum para teores de água acima de
12% b.u. Esse autor, também, verificou que
para uma taxa de congelamento de 200°C min-1,
a dano nas sementes de Sesamum se registra a
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
um teor de água inferior a 6% b.u, concluindo,
portanto que a taxa de resfriamento pode
interagir com o teor de água da semente,
afetando a sua sobrevivência.
Chandel et al., citado por Cavalcanti
Mata (2001) crioconservando sementes
185
recalcitrantes de chá (Camellia sinensis (L.)
Kuntze) e jaca (Artocarpus heterophyllus
Lamk.) notaram que o melhor teor de água para
a crioconservação foi de 14% b.u. e que, acima
desse valor, as sementes perdem sua capacidade
germinativa.
Temperatura de - 196ºC
Germinação (%)
100
80
60
40
20
G 6M MOCÓ = 74,671-0,7634Ta + 8,3411 Ta2
R2= 0,99
0
4
6
8
10
12
14
Teor de água (b.u%)
Temperatura de ambiente 23ºC
Germinação(%)
100
80
60
40
G 6M MOCÓ = 63,671 - 0,817Ta + 10,448 Ta2
R2=0,99
20
0
4
6
8
10
12
14
Teor de água (b.u%)
FIGURA 4. Equações que representam a germinação e o vigor (1ª contagem do teste de germinação)
da semente de algodão arbóreo 6M-Mocó- Branco em função do teor de água, quando
armazenadas às temperaturas de 23ºC e –196ºC, por 5 dias
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Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
186
Nas Figuras 5 e 6, onde o vigor das
sementes de algodão arbóreo é expresso pelo
comprimento de plântula e pelo peso da matéria
seca em função do teor de água,
respectivamente, constata-se que a equação
quadrática, já não tem um comportamento tão
satisfatório quanto ao da germinação, pois para
essas equações, os coeficientes de determinação
passam a variar entre 0,91 a 0,6, indicando uma
maior dispersão dos valores. No entanto
permite fazer uma analise do comportamento
dos dados e a curva que o representam de modo
a recomendar que o melhor teor de água para
crioconservar as sementes de algodão arbóreo
cultivar 6M-Mocó Branco é 6% base úmida.
Comprimento de plântula (cm)
Temperatura ambiente 23ºC
24
20
16
12
8
2
4
CP 6M-MOCÓ = 28,449 - 0,0177Ta + 1,9464 Ta
2
R = 0,91
0
4
6
8
10
12
14
Comprimento de plântula (cm)
Teor de água (b.u%)
Temperatura de - 196ºC
24
20
16
12
8
4
2
CP 6M-MOCÓ = 27,26 - 0,0365Ta + 1,2595 Ta
2
R =0,96
0
4
6
8
10
Teor de água (b.u%)
12
14
FIGURA 6. Equações que representam a variação do vigor (comprimento de plântula) da semente de
algodão arbóreo, cultivar 6M-Mocó-Branco, em função do teor de água, quando
submetida a armazenagem de 23ºC e –196ºC, por 5 dias.
Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.6, n.2, p.179-189, 2004
Teor de água limite para crioconservação de sementes de algodão arbóreo variedade 6m Cavalcanti Mata et al.
187
Peso da matéria seco (g)
Temperatura ambiente 23ºC
16
12
8
2
4
2
PMS 6M-MOCÓ = 10,655 - 0,0568Ta + 0,7353 Ta R = 0,74
0
Peso da matéria seca (g)
4
6
8
10
12
Teor de água (b.u%)
14
Temperatura de - 196ºC
16
12
8
4
PMS 6M - MOCÓ = 6,4357 - 0,1085Ta + 1,5191Ta
2
2
R = 0,60
0
4
6
8
10
12
14
Teor de água (b.u%)
FIGURA 6. Equações que representam a variação do vigor (peso da matéria seca) da semente de
algodão arbóreo, cultivar 6M-Mocó-Branco, em função do teor de água, quando
submetida à armazenagem de 23ºC e -196ºC, por 5 dias
CONCLUSÃO
Diante dos estudos feitos, pode-se
concluir que o teor de água limite para
crioconservação de sementes de algodão
arbóreo cultivar 6M-Mocó-Branco, é 6% base
úmida
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190
Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.6, n.2, p.190, 2004
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