Mais
estupros
Minas Gerais registrou 2.007
casos de mulheres violentadas
sexualmente em 2012. Estupro
corretivo: requintes de crueldade
para “curar” lésbicas
esportes | pág. 16
Libertadores
Enquanto Atlético Paranaense,
Vitória e Goiás disputam vaga
na Libertadores, comentarista
do Cruzeiro compara títulos
com o Galo. E o atleticano
avisa: xô, olho gordo!
cultura | pág. 14
Dança!
Reproduzindo clássicos da
black music nas ruas da capital,
Quarteirão do Soul reúne, há
nove anos, jovens, crianças e
adultos amantes da cultura
negra em Belo Horizonte
Edição
minas | pág. 6
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013 | ano 1 | edição 14 | distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefatomg
minas | pág. 5
Sem limite para mineradoras
Mídia Ninja
Construção do Mineroduto Minas-Rio, em Santa Maria de Itabira. Com perspectiva de ser o maior do mundo em
2014, a obra prevê 525 km de extensão e atingirá 32 municípios nos dois estados
Minas Gerais é o segundo estado que mais exporta minérios no país. E, para liberar ainda mais as regras para as empresas mineradoras, o Congresso Nacional pretende aprovar o Novo Código de Mineração. Com nova lei, movimentos denunciam que os impactos sociais e ambientais irão crescer
brasil | pág. 11
minas | pág. 3
minas | pág. 4
entrevista | pág. 9
Injustiça no
caso mensalão
Mais casos de
diabetes
Cemig indeniza Prefeitura quer
por falta de luz vender BH
Bandeira de Mello, um dos juristas
mais brilhantes e respeitados do
país, define as prisões como irregulares, devido à ausência de provas contra os réus
Apesar de aumento de 40% nos casos, governo não investe. Entidades denunciam que disponibilizar
medicamentos não basta. Faltam
especialistas e promoção da saúde
O casamento de Géssila dos Santos ocorreu todo às escuras, iluminado por velas e farol de carros. A
vendedora recebeu indenização
da Cemig
Professora da UFMG questiona o
Nova BH, projeto da Prefeitura de
Belo Horizonte: “é um empreendimento montado para favorecer ao
setor imobiliário e financeiro.”
02 | opinião
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
editorial | Minas Gerais
editorial | Brasil
Anastasia e governistas
contra educação
Um plebiscito para refundar o
sistema político
O governador enviou proposta
para Assembleia Legislativa de reajuste dos professores de 5%. Muito abaixo do que reivindicavam os
profissionais da educação. Professores e deputados comprometidos
propuseram então oito emendas.
Foram todas derrubadas, por 33
deputados estaduais defensores do
governo na Assembleia Legislativa,
contra 25 deputados que foram favoráveis as propostas.
Mais uma demonstração
de que educação não é prioridade
para esse governo. Entre as emendas apresentadas, a de nº 7 propunha a utilização do mesmo percentual adotado para o piso salarial dos
Em 2012, o piso nacional
teve reajuste de 22,22% e,
em 2013, de 7,92%. Já em
Minas, o governador propôs
apenas 5% de aumento
professores, conforme lei federal,
que é do custo aluno. Em 2012, o piso nacional teve reajuste de 22,22%
e, em 2013, de 7,92%. Já em Minas,
o governador propôs apenas 5% de
aumento.
Desde que foi aprovado, há quase três anos, o governo mineiro não
paga o piso salarial aos professores,
atropelando decisão do Supremo
Tribunal Federal. As outras propostas do sindicato, que foram rejeitadas, tratam do direito à alimentação
escolar para o professor, do descongelamento da carreira, do reajuste
da vantagem temporária de antecipação de posicionamento, do reconhecimento do tempo de serviço e
do direito de opção pelo piso como
vencimento básico.
A falta do investimento, conforme obrigação constitucional e portanto obrigatória, já retirou da educação em Minas R$ 8 bilhões. A situação se complica se verificarmos
que nem o combinado tem sido
cumprido. Após os 112 dias de greve em 2011, um acordo foi feito en-
tre governo e professores. Mas o governo descumpriu o acordo.
O projeto aprovado nesta semana garantiu, no entanto, uma pequena vitória que contraria o projeto de lei inicial do governador. Os
salários serão reajustados em 5%
retroativos a outubro de 2013, e a
progressão na carreira será concedida em janeiro de 2014.
Tem sido difícil a vida dos educadores, e de toda população que depende de uma educação pública de
qualidade. Desde governos anteriores, em Minas, o Estado não tem
priorizado a educação. Retiraram o
direito à carreira, o incentivo à permanência e ao aperfeiçoamento. A
categoria tem sido desrespeitada,
bem como demais servidores públicos, como da saúde, eletricitários e policiais.
Resta à população pressionar os
parlamentares eleitos e a Assembleia Legislativa, já que a votação
vai agora para segundo turno.
Falando Nilson
No dia 15 de novembro de 2013,
oficialmente comemorado como
o dia da Proclamação da República, foi lançado o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.
A plenária de movimentos sociais, reunida dia 16 de novembro,
representou mais um passo para
a construção desse extraordinário
exercício de pedagogia de massas
e contou com o apoio de mais de
90 entidades e organizações políticas de todo o país.
Os setores conservadores no
Brasil sempre agiram de forma
ágil para impedir, através da força
e do consenso, o acúmulo de forças e vitórias das forças populares.
O que está em curso é um grande movimento de reoxigenação
da democracia. O povo brasileiro,
particularmente a juventude, quer
prestar contas com a redemocratização incompleta.
Uma profunda reforma política
poderá corrigir as distorções que,
O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições
regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos
fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.
no final dos anos de 1980, foram
decisivas para conter as forças populares na luta contra a ditadura e
refrear as mudanças. Nos anos de
1990, o avanço neoliberal apoiado pela mídia provocou um refluxo dos movimentos sociais.
Nos últimos dez anos, as políticas redistributivas e sociais, conquistadas por meio das lutas sociais, recuperaram, relativamente, a capacidade de articulação
dos setores populares e abriram
uma nova conjuntura. Agora, mais
uma vez e sob novo impulso, nos
defrontamos com a necessidade
de tais reformas para avançar nas
conquistas populares. É na luta
por suas reivindicações que o povo poderá se conscientizar sobre o
papel do atual sistema político na
contenção das conquistas que interessam à maioria.
O sistema eleitoral é marcado
por uma profunda distorção da realidade. De acordo com dados ofi-
Se os trabalhadores são
maioria da população,
por que não são nos
parlamentos?
ciais, dos 594 parlamentares eleitos em 2010, 270 são empresários,
160 compõem a bancada ruralista, 73 são da bancada evangélica e
apenas 91 parlamentares são considerados representantes dos trabalhadores.
Se os trabalhadores são maioria da população, por que não o
são nos parlamentos? Completar
o processo de redemocratização
passa por refundar o sistema político e superar o modelo formal e
restritivo da democracia. Completar a redemocratização significa
aperfeiçoar o sistema representativo que atualmente está refém do
poder econômico. Significa garantir mecanismos de participação
popular nas decisões estratégicas
de nossa sociedade.
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para anunciar : [email protected] /
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conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, César Augusto Silva, Cida Falabella, Cristiano Carvalho,
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Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Aumentam casos de diabates
Pergunta da semana
SAÚDE Aumento foi de 40%, mas governo não investe em prevenção e educação
Maíra Gomes
De Belo Horizonte
Entre 2006 e 2012 houve um aumento de 40% nos casos de diabetes no país, segundo pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde
em 14 de novembro, o Dia Mundial
do Diabetes.
Os hábitos da vida moderna, como sedentarismo e má alimentação, são as principais rações do aumento de casos. O especialista Rafael Machado Mantovani, endocrinologista e coordenador do Programa de Diabetes da Secretaria Municipal de Saúde, destaca que uma
boa qualidade de vida é fundamental para a prevenção do diabetes.
Em casa e na escola deve haver um
estímulo à alimentação de qualidade, além da prática de esportes.
“Evitar o fumo e o excesso de ‘prazeres’, como o álcool, podem tirar
uma pessoa do grupo de risco”, diz.
Francisco Martins de Carvalho,
54, convive com o diabetes há 29
anos. Após uma série de dores sem
explicação, um cardiologista chegou ao diagnóstico da doença. Ele
toma três doses de insulina por dia,
e diz que viver com diabetes não é
fácil. “Muita coisa fica restrita. Os
refrigerantes sem açúcar têm alta dose de sódio, e isso aumenta a
pressão, problema comum para o
diabético. Então não pode tomar
refrigerante nenhum”, exemplifica.
Outra dificuldade é o atendimento na rede pública de saúde. “Hoje,
em BH, somos atendidos somente
por um clínico, e não por um especialista. Você só é encaminhado pa-
Maíra Gomes
Francisco de Carvalho e Rubens Ribeiro Leite convivem com a diabetes
ra um endocrinologista quando a
situação fica grave”, declara.
A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes/MG, Adriana
Bosco destaca que é preciso mais
agilidade e facilidade para chegar
ao especialista, além de melhor capacitação do clínico. Ela diz que
o acesso aos medicamentos, como insulina e insumos necessários
para o controle, é satisfatório, mas
não garante uma melhora no quadro da doença. “A prefeitura e o Estado gastam demais em medicação
e nem por isso estão diminuindo
as complicações do diabetes. Pesquisas apontam que 89% dos diabéticos tipo 1 estão mal controlados, assim como 75% do tipo 2”, diz
Adriana, que acredita que deve haver uma mudança no tratamento
do tema, com foco na educação em
saúde.
Organização
Belo Horizonte tem 135 mil diabéticos e conta com uma Associação dos Diabéticos. O presidente
da entidade, Rubens Ribeiro Leite, 58, convive com a doença há 30
anos. Ele conta que o papel da associação é articular políticas públicas de saúde com o governo. “Falta pessoal, falta espaço, falta materiais de educação ao diabético. Lutamos por projetos de educação e
promoção da saúde, que são falhos
no poder público”, denuncia. Ele frisa a importância de organização do
diabético para a melhoria na qualidade do atendimento da saúde. “A
gente não tem apoio do poder público, precisamos de mais pessoas
na Associação para que ela esteja
fortalecida”, aponta Rubens.
Tarifa zero é rejeitada na Câmara
TRANPORTE Projeto de iniciativa popular foi arquivado sem ir a votação
Renata Evangelista
Do Portal Minas Livre
Um projeto que sugere a adoção
de tarifa zero no sistema de transporte coletivo de BH aos domingos e feriados foi apresentado por
membros da Assembleia Popular
Horizontal (APH) para a Comissão
de Orçamentos e Finanças Públicas
da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). A emenda foi rejeitada recentemente pelo vereador e
relator Henrique Braga (PSDB).
“O projeto foi indeferido e não
chegou a ser enviado para votação dos vereadores. Essa atitude vai
contra o desejo da população”, declara o professor de Urbanismo da
Universidade Federal de Minas Ge-
rais (UFMG) e membro da APH,
Roberto André, que classificou como manobra a atitude do vereador,
que não levou o texto para apreciação dos parlamentares.
Em sua defesa, a assessoria de
Henrique Braga informou que a
emenda tarifa zero proposta por
iniciativa popular foi rejeitada por
apresentar erro técnico. Segundo
seu assessor, o estudo foi interessante, mas incompatível, uma vez
que sugere o desvio de verbas de
outras áreas, o que é crime.
Mas essa não é a opinião do professor de urbanismo, que garantiu
que a proposta chegou a ser muito
elogiada pela comissão quando foi
apresentada e entregue. “A Essa decisão do Henrique Braga não cabe
cidades | 03
O diabetes é um conjunto de
doenças caracterizado pelo
aumento do açúcar (glicose) no
sangue. Ocorre pela deficiência
de um hormônio chamado
insulina que, quando não
funciona bem ou é produzido
em menor quantidade, causa o
aumento do nível de glicose. Esse
aumento, quando prolongado,
leva a várias complicações.
No Brasil, 50% dos diabéticos
não sabem que têm a doença,
podendo ter complicações sérias
e irreversíveis. Os sintomas
são cansaço fácil, muita sede,
emagrecimento, aumento de
apetite e urina aumentada.
Caso esteja sentindo algum
desses sintomas, vá ao posto de
saúde mais próximo e peça pelo
o exame.
Você conhece os sintomas
do diabetes? Já fez o exame?
Na verdade, não sei. Eu faço
check-up todo ano e peço pra
fazer o exame, porque o diabetes leva a problemas muito sérios. Há pessoas que perdem a
perna, precisa ter mais cuidados na alimentação e, quando
é idoso, pode ficar acamado. O
povo comenta muito, mas não
sabe os sintomas.
Maria de Lourdes dos Santos, 72
recurso. Mas podemos voltar a fazer pressão nas ruas”, disse.
Tarifa Zero
A APH sugere a ampliação do número de ônibus e linhas disponíveis nos domingos e feriados para
garantir a oferta adequada. Conforme o estudo, com a tarifa zero aos
domingos e feriados, seria possível
reduzir os custos para as concessionárias que atuam na capital mineira em até 25%. Isso porque, nesses
dias, os ônibus circulariam sem cobradores, com paradas mais rápidas e com trânsito fluindo melhor.
Roberto Andrés lembra que a
proposta não é absurda, uma vez
que algo semelhante já ocorreu em
BH na década de 1990.
Um pouco. Já fiz o exame, porque uma vez eu tive muita dor
de cabeça e queda de pressão e
o médico pediu. Tenho um tio
que tem, mas não tenho medo
porque já estou preparado caso
aconteça.
Lourival Borges de Sá, 39
04 | cidades
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Casamento no escuro
DESCASO Noiva recebeu indenização da Cemig após provar transtorno
Rosana Zica
De Belo Horizonte
A população do Icaivera, bairro
entre Betim e Contagem, sofre com
constantes quedas de energia e
com a demora da Cemig para restabelecer o serviço. Em setembro, os
quase 500 alunos do horário noturno da Escola Estadual João Guimarães Rosa ficaram quatro dias sem
aula por falta de eletricidade.
Depois de provar na Justiça que
a queda de energia lhe causou muitos transtornos, a vendedora Géssila dos Santos de Oliveira recebeu
R$ 5.200 de indenização da Cemig.
No dia de seu casamento, faltou luz
no bairro inteiro, das 17 às 23 horas.
A noiva conta que, por causa do
apagão, teve que ser maquiada com
a ajuda de uma lanterna. O casamento foi iluminado por velas e farol de carros. “Paguei caro pelo vestido, maquiagem e cabelo, mas ninguém viu. Nossos convidados também foram penalizados, se produziram e foi tudo feito sem luz”. Também faltou energia no casamento
da cabeleireira Paula Izabelle Aparecida da Silva Gomes, no dia 7 de
setembro. “A luz acabou por volta de 18h e foi um tumulto para arrumar as damas de honra, não da-
Arquivo pessoal
va para usar o chuveiro e o secador”,
lembra.
Familiares fizeram uma extensão
de outra rua para ligar o som. “Deu
para fazer a celebração, mas muita
gente não veio porque não tinham
como tomar banho e se arrumar”,
lamenta.
Passado o susto, a falta de energia ainda atormenta a cabeleireira, que teve que reduzir o horário
de atendimento no salão. “Não tem
mais jeito de trabalhar à noite, a luz
acaba assim que anoitece e só volta depois de 23h”, conta. Ela planeja cobrar indenização pelos danos
causados pela falta de luz no bairro.
Eletricitários cobram condições de trabalho
Enquanto os consumidores reclamam da qualidade dos serviços, principalmente da falta de energia e da demora para retomar os serviços, os trabalhadores da Cemig cobram concurso para recompor o quadro próprio e resgatar a confiança da
população na empresa. Os eletricitários cobram a contratação direta de 5 mil trabalhadores, até 31 de dezembro de 2014.
Também reivindicam a seleção interna para preencher cargos vagos e a abertura do processo de mobilidade, acessível a
todos os trabalhadores, de forma transparente e voluntária.
Paula Izabelle teve que se casar à luz de velas
CHEGA DE ENGANAÇÃO.
Sonegação Fiscal é crime.
Os auditores fiscais da Receita Estadual são responsáveis por combater
a sonegação e arrecadar impostos para investir em Minas Gerais.
Mas você sabe se esses recursos estão sendo aplicados em benefício da população?
Mesmo com o quadro de auditores fiscais da Receita Estadual defasado, esses servidores têm obtido bons resultados na recuperação de receita para Minas, por meio de ações
de fiscalização e combate à sonegação. As autuações no estado atingem uma média de R$ 2 bilhões por ano, sem contar a arrecadação indireta, o que confirma a necessidade
de valorização constante desse cargo. Ao mesmo tempo, o governo estadual concede benefícios fiscais para grandes empresas sem obter nenhum retorno social, enquanto itens
de consumo essenciais, como combustível, energia elétrica e telefonia, estão cada vez mais caros para os mineiros. O SINDIFISCO-MG acredita que os investimentos em saúde,
educação, segurança e saneamento devem ser prioridade e conta com você para dar um basta no descaso do governo de Minas em prestar serviços públicos de qualidade.
O dinheiro arrecadado no combate à sonegação pode ser investido para evitar que milhares de pessoas sofram com o péssimo atendimento nos hospitais e postos de saúde e para
que a educação seja valorizada com investimentos na remuneração dos profissionais e na infraestrutura das escolas, por exemplo.
Impunidade e desrespeito, não!
Saiba mais no www.sindifiscomg.org.br
Sindicato dos Auditores Fiscais da
Receita Estadual de Minas Gerais
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
minas | 05
Brasil: área livre para as mineradoras
NOVO CÓDIGO Prestes a ser votado, texto não garante interesses sociais e ambientais
Fotos: Mídia Ninja
Mídia NINJA
De Belo Horizonte
Com a proximidade da votação
do Novo Código de Mineração Brasileiro, o debate ganha uma amplitude maior. O novo texto apresentado ao Congresso, o PL5807/13, deixa inúmeras aberturas para as comunidades nas áreas atingidas passarem por situações de desrespeito,
condições insalubres e descaso do
poder público. O Código atual cita a
proteção das fontes de água, os impactos na vizinhança e a poluição
do ar. Já a nova proposta não apresenta nem uma menção aos impactos de cunho social e ambiental.
A atividade extrativista causa
ainda uma série de transtornos na
vida das cidades que recebem as
mineradoras, como o aumento populacional, a circulação de máquinas nas ruas e fortes índices de inflação. Municípios são cortados por
ferrovias e minerodutos e ainda são
obrigados a conviver com o barulho e incômodos que essa atividade
proporciona.
O debate em torno do novo código tem sido levantado para a sociedade através do Comitê Nacional
dos Territórios Frente à Mineração,
que reúne mais de 120 entidades ligadas aos atingidos, populações indígenas, quilombolas e meio ambiente. O grupo tem buscado esclarecer a importância de se olhar para o impacto social das mineradoras.
Segundo o comitê, os impactos
da mineração afetarão nas próximas décadas não apenas as populações do entorno das minas, mas
toda a população brasileira. O alto
consumo de água irá comprometer
o abastecimento de muitas cidades, pois rios e nascentes estão sendo drenados para a manutenção do
Minas Gerais, berço
da mineração
Segundo o Instituto Brasileiro de
Mineração (Ibram), Minas Gerais é o
segundo estado exportador de minério do Brasil. É onde também a
empresa Vale S/A iniciou suas atividades no país, em Itabira, cidade
que sofre sérias consequências pela mineração. Em 2012, Itabira teve
um caso de suicídio para cada 1,5
mil habitantes, enquanto a média
nacional no mesmo ano foi de um
caso para cada 25 mil habitantes. O
estado tem hoje 300 minas em operação, incluindo 57 das 200 maiores
do país. Participa com 53% da extração dos metais metálicos do país.
Vista aérea da cidade de Santa Maria de Itabira (MG). A mina aberta, a primeira a ser explorada pela
Vale S.A., encontra-se dentro do perímetro urbano do município.
extrativismo. “Só em 2012, a mineração consumiu 52 bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer por dois anos a cidade de Niterói (RJ)”, denuncia Carlos Bittencout, do IBASE.
Além disso, as mineradoras têm
protagonizado uma imensa contaminação de rios, nascentes e aquíferos em todas as cidades e povoados onde atuam. Diversos municípios de Minas Gerais tiveram
seu abastecimento comprometido,
com contaminação pelos rejeitos
de produtos químicos utilizados no
processo da extração mineral.
Com novo Código, mineração só
deve responder ao mercado
O projeto de lei que tramita hoje na Câmara Federal foi apresentado no dia 18 de junho em regime
de urgência constitucional. O Novo Marco Regulatório da Minera-
ção (PL 5.807/13 está em debate no
governo federal há cerca de quatro
anos. O texto atual já recebeu mais
de 400 emendas e no último dia
11, o relator da Comissão Especial
de Mineração, deputado Leonardo
Quintão (PT/MG), propôs uma nova redação para o PL.
Segundo Katia Visentainer, representante do Comitê Nacional
dos Territórios Frente à Mineração,
o novo código subordina a extração
mineral à lógica exclusiva da competição de mercado, que acelerará
o ritmo de exaustão de nossas jazidas sem necessariamente devolver
bem-estar social e ainda coloca a
atividade como uma prioridade absoluta do Estado, acima de todos os
outros usos do território.
O Comitê Nacional dos Territórios Frente à Mineração percebeu
o relatório como um ataque frontal
aos interesses da sociedade civil e,
Enquanto o trem não
passa
Na eminência da aprovação do Novo Código da Mineração, o Mídia
Ninja lança um documentário sobre
o tema, “Enquanto o trem não passa”. Produzido de forma colaborativa
e coletiva, surge do desejo de mostrar ao maior número de pessoas a
realidade de quem vive ao entorno
das minas, a vida de populações e
comunidades que convivem com a
logística desse negócio. O filme está em exibição por todo país e o material disponível para download em
www.mineracaonobrasil.com
em especial, às comunidades atingidas pela mineração. O texto não
apresenta qualquer estratégia alternativa à lógica de mercado de reduzir custos e ampliar lucros, não reconhece direitos sociais e ambientais e trata os territórios do país como áreas livres para os interesses
das mineradoras.
Rebeca, de Congonhas: “A gente tá
abandonado. Não tem apoio de política
nenhuma, nem apoio do poder público”
2030
A mineração é
responsável
por quase
15%
de toda a exportação
brasileira
52%
são bens primários,
minérios sem qualquer
beneficiamento
Até 2030 a produção
mineral deve triplicar
e para isso deverão
ser investidos no
setor
US$ 350
BI
06 | minas
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Impunidade é uma das causas
para violência sexual
Vinte e cinco de novembro é marcado como o Dia Internacional de
Combate à Violência Contra a Mulher. Durante todo o mês, o jornal
Brasil de Fato apresenta uma série
de reportagens sobre o tema.
Reprodução
MACHISMO Vítimas não podem ser culpabilizadas
Maíra Gomes
De Belo Horizonte
Cresceu 18% o número de estupros no Brasil em 2012, de acordo
com o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado no início de novembro. Em todo o país,
foram registrados 50,6 mil casos,
superando o número de homicídios dolosos (com intenção de
matar). Em Minas Gerais, houve
um aumento de 8,9% para 10,1%
no número de casos. Ou seja, em
cada cem mil mulheres no estado,
dez foram estupradas no ano passado.
Para a militante da Marcha
Mundial das Mulheres Maria Fernanda Marcelino, há um conjunto de fatores que tem levado ao
maior aparecimento de casos, o
que pode não significar exatamente um aumento. “Mesmo que pequenas, as políticas públicas existem e acredito que podem ter gerado uma maior visibilidade. Outro caminho é o fenômeno das redes sociais, onde a denúncia da
violência sexual aparece porque
as pessoas podem ser protegidas
pelo anonimato”, diz. Maria Fernanda, que também é integrante
da Sempreviva Organização Feminista (SOF), aponta que há um aumento de agressões nos transportes públicos, como metrôs e ônibus lotados.
Eliane Dias, também militante
feminista, acredita que a impuni-
dade dos agressores é outro fator
que colabora para o aumento de
casos. “A impunidade dá respaldo
para cometer o estupro. Deve haver uma ação efetiva, as leis existem mas o Estado precisa exercitar suas políticas”, declara.
Belo Horizonte conta com ambulatórios específicos para o atendimento a vítimas de violência sexual, em hospitais como Odete
Valadares, Odilon Behrens e Julia
Kubitschek. Um equipe multidisciplinar, com ginecologista, enfermeira, psicólogo e assistente social recebe as vítimas.
Médica acompanha casos
Kenia Zimmerer Vieira trabalha como ginecologista no atendimento a vitimas de violência sexual no Julia Kubitschek. Ela explica que cuidados com a saúde são a
preocupação imediata, como realização de exames e aplicação de
medicamentos que vão diminuir
as chances de doenças e gravidez.
“Nossa prioridade é ver se está garantida a integridade física. Depois realizamos exames e medicamos, por exemplo, com retrovirais
contra o HIV. A paciente é acompanhada por seis meses a um ano,
com exames periódicos”, relata.
A médica afirma que o número de pacientes tem aumentado,
principalmente entre crianças e
adolescentes. O local atendeu, no
dia anterior à entrevista, dez pessoas. “Apenas uma era maior de
Estupro corretivo:
crueldade para “curar”
“Você vai aprender a gostar de
homem”. Esta frase inicia o estupro a uma vítima lésbica, com o
objetivo “curá-la” da homossexualidade. O fenômeno tem ganhado visibilidade no mundo todo,
principalmente após as denúncias
de grande ocorrência na África do
Sul. Segundo estimativas do Luleki Sizwe, organização de apoio
a vítimas de violência sexual, pelo menos 31 mulheres já morreram vítimas desse tipo de ataque
nos últimos dez anos. No Brasil,
6% dos casos de estupro que chegam ao Disque 100 são de lésbicas.
Para a feminista Maria Fernanda
Marcelino, o estupro corretivo é
uma intensificação do machismo,
que entende que a mulher deve
cumprir um papel social e, quando ela se nega, deve ser “corrigi-
“As marcas que isso traz
pra qualquer mulher não
têm volta, o psicológico
fica destruído. É muita
monstruosidade”
da”. “Qualquer mulher que não se
encaixe no padrão de propriedade do homem é tida como puta,
e puta não merece respeito”, afirma. Eliane Dias, também militan-
Em números absolutos, 2.007 mulheres foram violentadas em 2012
idade, o restante tinha entre 11 e
15 anos . A mulher adulta é, geralmente, violentada em via pública, por desconhecidos. No caso de
crianças e adolescentes o agressor
é alguém do convívio, como vizinho ou parente”, conta Kênia, que
diz que as agressões aumentam
durante a noite e finais de semana.
A vítima de violência sexual,
muitas vezes, se sente envergonhada e humilhada, acreditando
que a culpa do ocorrido é sua. “A
responsabilidade nunca é da vítima, e ela se sente culpada. É possível superar esse trauma junto com
outras vítimas. Quando se encontram, a primeira sensação é de
conforto, porque ela percebe que
isso acontece com muitas, que o
problema está na sociedade e não
nela”, diz Maria Fernanda.
te LGBT da MMM, diz que 19 lésbicas morreram vítimas de violência em 2012, de acordo com o Grupo Gay da Bahia. “O número pode,
e deve, ser muito maior. A homofobia e lesbofobia estão em todo
canto, há décadas”, afirma.
Ela conta que, na maioria dos
casos de estupro corretivo, os
agressores são pessoas próximas,
já que muitos da famílias se envergonham de uma homossexual dentro de casa. Mas ela aponta que o estupro, seja corretivo ou
não, tem o mesmo fundo: a dominação que o homem acredita exercer sobre a mulher. “A vontade de
‘correção’ é mais um motivo para
o agressor chegar na vítima, mas o
homem invadindo o corpo da mulher está aí igual, independente de
ser com branca, negra ou lésbica”.
O estupro corretivo apresenta
algumas características no mundo
todo, como frases de humilhação
à lésbica, a intencionalidade em
contagiar a vítima com doenças
sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV, e a pretensão de engravidar a mulher. “As marcas que
isso traz pra qualquer mulher não
têm volta, o psicológico fica destruído. É muita monstruosidade”,
diz Eliane.
Aborto legalizado
Em alguns casos, o estupro pode gerar gravidez. A lei garante que a vítima faça a escolha pelo aborto, o que ocorre na maioria das vezes, segundo a ginecologista. “É um serviço oferecido pra
quem foi vítima de violência. Temos que acertar pontos importantes, como a data da violência com
o tempo de gravidez. É uma decisão sofrida, mas é muito difícil para a mulher ter um filho fruto de
uma relação violenta. Há um suporte psicológico, a recuperação
pode ser tranquila”, afirma.
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Tráfico de pessoas tem pouca
visibilidade e muitas vítimas
fatos em foco
Privatização do
aeroporto de Confins
FRATERNIDADE Campanha da Igreja pretende visibilizar o problema
Maíra Gomes
De Belo Horizonte
Um crime que estava escondido até pouco tempo acabou por ser
tratado em uma novela dando visibilidade para a causa: o tráfico de
pessoas. Na trama de Salve Jorge, a
protagonista se envolveu com o tráfico em busca de um salário melhor para sustentar sua família. Sirley da Silva, integrante do Instituto
das Irmãs Oblata do Santíssimo Redentor, aponta que esta é a principal justificativa no aliciamento de
pessoas. “A juventude está querendo melhorar de vida e uma pessoa
que chega fazendo uma oferta de levar pra fora do país ou fora do estado conquista. O problema é quando
chegam ao local, não encontram o
que foi oferecido, e sim uma situação de não liberdade”, denuncia.
A Campanha da Fraternidade
trata do assunto em 2014, com o tema “Fraternidade e Tráfico de Pessoas” e o lema “É para a liberdade
que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
O coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, José Manoel Lazaro Uriol, diz que há necessidade de chamar atenção para este
problema social. “A escolha do tema
se deu pelo crescimento espetacular do tráfico humano nos últimos
anos. E em parte pelos megaeventos
que serão realizado no Brasil, como
a Copa e Olimpíadas”, declara.
Ele explica que o tráfico de humanos está diretamente ligado ao
turismo sexual e ao favorecimento
da prostituição. “Quando acontece
esse tipo de eventos, vem junto uma
grande movimentação ligada ao tráfico de mulheres, crianças e adolescentes, para atender a uma demanda sexual”, aponta José Manoel. Segundo o coordenador da Pastoral,
houve um aumento espetacular da
indústria do sexo durante as Copas
da Alemanha e da África do Sul.
A irmã Sirley, que trabalha com
questões de mulheres há muito
anos, afirma que o Estado tem um
importante papel no combate ao
tráfico de pessoas. “O governo deve divulgar o problema, fazer campanha sobre isso, produzir material
informativo”, afirma.
Para José Manoel, as causas do
tráfico de pessoas estão ligadas à
falta de políticas públicas que apontem oportunidades de boas condições de vida. “As principais vítimas
Reprodução
Para quem está acostumado a ver
jovens se preocupando apenas com
festas ou com a própria carreira, o
último final de semana foi uma surpresa. Durante os dias 15, 16 e 17 de
novembro, cerca de 350 jovens mineiros se reuniram em Ribeirão das
Neves para discutir projetos para o
país. Juntos, eles formam o Levante
Popular da Juventude, movimento
presente em 16 estados brasileiros.
O encontro, chamado de Primeiro Acampamento Estadual do LeLevante Popular
350 jovens participaram do acampamento
vante MG, tratou dos atuais problemas dos jovens, principalmente os
da periferia. “Temos dentro do movimento pessoas como a Myrlene
Pereira, que viaja 40 km para estudar e 100 km para trabalhar, todos
os dias. Como ajudar esses jovens?
Nós temos propostas!”, afirmou Júlia Louzada, estudante de psicologia e integrante do Levante.
Entre as soluções pensadas pelos jovens estão: mais creches, mais
cursinhos populares, mais ajuda financeira aos estudantes pobres e
regras para escolas particulares,
que hoje podem aumentar a mensalidade livremente.
Para o trabalho com os jovens
que ainda não estão na universidade, o movimento propôs a utilização do esporte e da cultura. Jean Carlos, representante mineiro
da coordenação nacional do movimento, diz que pensar em formas
de trabalhar com os jovens da periferia não é fácil, pois eles têm pouco tempo para se dedicar a atividades recreativas.
“Mesmo assim, precisamos con-
O leilão do Aeroporto Internacional de Minas Gerais Tancredo Neves, em Confins, está marcado para sexta-feira (22). A expectativa é
que três empresas internacionais
se candidatem à concessão, e que
a vencedora invista R$2,7 bilhões.
Entre as opiniões favoráveis à privatização, defende-se que o serviço será menos burocrático. No entanto, para o diretor do Sindicato
Nacional dos Aeroportuários, Leandro Pinheiro, a única certeza é
que os passageiros começarão a
pagar muito mais caro.
Trabalhadores ocupam
Fhemig
são mulheres, de 15 a 27 anos, afrodescendentes, com condições econômicas muito vulneráveis. Com a
Campanha da Fraternidade, queremos colocar em manifesto a questão estrutural profunda que coloca
a pessoa no tráfico, além de denunciar a falta de políticas publicas para
enfrentar esse fenômeno”, diz.
Jovens discutem projetos para o país
Rafaella Dotta
De Ribeirão das Neves
minas | 07
seguir que o jovem tenha acesso ao
que é seu direito: a arte, a cultura,
o lazer. Para isso, o Levante está indo atrás de editais do governo, nas
áreas de cultura e educação”, afirma Jean. Com recursos materiais,
o trabalho tem maior possibilidade
de acontecer. Porém, Jean declara
que uma parcela esmagadora dos
trabalhos é feita com boa vontade e
“vaquinhas”.
Para Felippe Emanuel, jovem de
São João del-Rei recém-formado
em direito, o encontro entre cultura e política está dando certo. “Eu
acho que o acampamento correspondeu muito à expectativa da juventude. A gente não se limita a debates e consegue fazer uma interação entre a política e os anseios dos
jovens”, avalia.
Perguntado sobre o que o encontro trouxe de mais importante, Felippe responde: “Sem dúvida, o amor
ao povo. O acampamento permitiu
que eu pudesse ver coisas que não
estão no meu dia a dia e pensasse,
junto a outras pessoas, que solução
vamos dar pra isso”, afirma.
Os trabalhadores da saúde ocuparam, nessa quarta-feira (20), a sede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e
pretendem permanecer no local
até que o governo coloque em negociação a proposta de ganho real
para a campanha salarial 2013. A
decisão de montar acampamento
surgiu após Assembleia Geral, onde os servidores rejeitaram a incorporação gradual da Gratificação Complementar nos salários.
Os funcionários exigem que a
proposta inclua os trabalhadores
em geral, sem excluir nível fundamental de todos os órgãos e técnicos administrativos da Secretaria
de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES).
Midiativistas reúnem-se
no Rio de Janeiro
O Facção, Encontro Latino-Americano de Midiativismo, acontece no sábado (23) na Escola de
Comunicação da UFRJ e domingo (24), no Ocupa Lapa. O evento reunirá centenas de pessoas do
Brasil e da América Latina, entre
ativistas, jornalistas, comunicadores, movimentos sociais, blogueiros, artistas, agentes culturais e desenvolvedores de tecnologia. O objetivo é avaliar o cenário contemporâneo da comunicação, pensar o protagonismo do
movimento midiativista e midialivrista, compartilhar experiências e pensar coletivamente ações
que legitimem a luta pela democratização da comunicação e a garantia da liberdade de expressão e
ampliação dos direitos.
08 | opinião
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
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Mídia NINJA
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Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para [email protected]. Lembre-se de mandar o endereço onde foi registrado o fato e seu contato
Na edição 10 ...
Machismo e polêmica na UFMG
... e agora
No dia da Consciência Negra (20 de novembro), movimentos realizaram ações na Praça Sete, em BH. A foto da semana é do ato organizado pelo grupo Educafro Minas, para dar visibilidade aos assassinatos de jovens negros, que são
cometidos principalmente pela polícia.
Bruno Abreu Gomes
Soniamara Maranho
Cadê o Hospital do Barreiro?
Contra as transnacionais
Promessa de campanha de Marcio Lacerda em
2008, a construção do Hospital Metropolitano do Barreiro seria realizada pelo modelo de Parceria Público
-Privada (PPP), anunciado como mais eficiente, mais
rápido e mais barato. Virou exemplo do mal fazer da
Prefeitura e do Estado de Minas Gerais.
Cinco anos depois, e a população ainda não pode
contar com o hospital em funcionamento. O caso todo é muito estranho. Alguns exemplos: o Tribunal de
Contas do Estado investiga o favorecimento de uma
empresa, a Estrutura Brasileira de Projetos (EBP), que
pode ter sido favorecida na contratação. Em abril de
2009, a Construtora Santa Bárbara abandona a obra,
alegando problemas financeiros. Mas foi essa mesma
empresa que construiu a faraônica Cidade Administrativa.
Em setembro de 2011, a Tratange assume a finalização da primeira fase da obra, numa licitação em
que foi a única concorrente. Em dezembro, a Tratenge
-Planova desiste de concorrer pela segunda fase, deixando o caminho livre para o consórcio Novo Metropolitano, liderado pela Andrade Guitierrez. Em setembro de 2013, o consórcio vencedor não cumpre a promessa de retomar as obras, por querer uma margem
de lucro maior.
As empresas demonstraram que seu compromisso
é com o lucro, não com o povo. Os governos, por sua
vez, demonstraram mais compromissos com as empresas. Segundo o jornal O Tempo, a obra, orçada em
R$ 150 milhões, tem expectativa de custo atual de R$
220 milhões.
A promessa de PPPs com mais eficiência, mais rapidez e mais economia revelou-se: mais denúncias,
atrasos e gastos públicos.
Mais de 60 pessoas de mais de 35 organizações de
16 países se reuniram em Bilbao, no País Basco, para buscar fortalecer a solidariedade internacional entre os trabalhadores no enfrentamento da voracidade do capital. O seminário “Alimentos, água e energia não são mercadorias”, organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) do Brasil e pela Mundubat, ocorreu no início de novembro.
A atividade teve dois objetivos. Primeiro, identificar as estratégias do capital para enfrentar a crise
econômica. Segundo, fortalecer a união dos trabalhadores para lutar. Nesse momento de crise, o capital toma medidas muito mais agressivas contra os
trabalhadores e a natureza. As transnacionais, que
não respeitam pátria, nem trabalhadores, nem recursos naturais, apenas o lucro, são a ponta de lança.
Suas estratégias para sair da crise: apropriação das
bases naturais mais vantajosas, aumento da exploração dos trabalhadores, criação de novas tecnologias
e apropriação das estruturas dos Estados.
No seminário também homenageamos os trabalhadores vítimas dessa lógica. Entre elas, estava Carlão, funcionário da Cemig, morto por uma descarga
elétrica, fruto da precarização do trabalho.
Os participantes fizeram uma marcha, sob a luz de
velas, em homenagem aos companheiros assassinados na luta contra as transnacionais.
A única saída para os trabalhadores é articular a
formação política com a organização popular e as
lutas unificadas. Precisamos construir redes contra
-hegemônicas de solidariedade internacional e isso significa ter agendas comuns contra um inimigo
comum, porque as transnacionais também não tem
fronteiras.
Bruno Abreu Gomes é médico de família e comunidade da PBH e diretor eleito do SindiBel.
Soniamara Maranho é da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens.
Na segunda-feira (18), o Ministério Público Federal realizou uma
audiência pública para discutir a
responsabilidade da reitoria da
UFMG em casos de violência, crimes de ódio e preconceito na realização de trotes. No início do ano,
alunos de Direito aplicaram trote com teor racista e referências ao
nazismo. Sindicância aberta pela
universidade indiciou 198 alunos,
o que poderia gerar injustiça e impunidade dos reais culpados. Em
outubro, a faculdade de Direito da
UFMG decidiu que apenas os quatro alunos veteranos que aparecem nas fotos serão investigados.
A comissão julgadora tem até o dia
6 de dezembro para entregar o relatório final. A própria universidade está sendo investigada e, caso
seja condenada, pode responder
por dano moral coletivo. O MPF
anunciou que pode proibir trotes
na UFMG. Sobre o caso de machismo praticados por professores na
universidade, a assessoria informa
que não vai se pronunciar, já que o
prazo de 60 dias para a entrega do
relatório ainda não venceu.
Na edição 10...
Sua conta de luz pode ser mais
barata
... e agora
A conta de luz em Minas Gerais foi
tema do Plebiscito Popular realizado de 19 de outubro a 3 de novembro. A ação fez duas perguntas aos
cidadãos mineiros: se eles querem
reduzir o preço da energia e se concordam em abaixar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS). A partir do início
de novembro, iniciou-se a apuração dos votos, que até o momento contabilizam 450 mil, vindos de
258 cidades do estado. A expectativa é que o resultado final seja divulgado em uma semana.
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
entrevista | 09
“Belo Horizonte está à venda”
NOVA BH Projeto que pretende mudar a cidade nos próximos 20 anos não foi debatido com a população
Arquivo pessoal
Joana Tavares
De Belo Horizonte
Um projeto grandioso e polêmico,
que pretende estabelecer mudanças
no panorama da cidade para os próximos 20 anos, está sendo construído pela Prefeitura de Belo Horizonte. Batizado de “Nova BH”, a operação vai mudar mais de 25 km² da cidade, nos eixos dos corredores Antônio Carlos-Pedro I e no Leste-Oeste, que inclui as avenidas dos Andradas e Tereza Cristina e Via Expressa. Na cartilha oficial de apresentação da PBH, as promessas são muitas: aumento de passarelas, melhoria das calçadas e na circulação de
pedestres, construção de parques e
complexos de equipamentos públicos, mais árvores e casas.
Apesar da complexidade das mudanças previstas, o plano praticamente não foi debatido com a popu-
“No caso de Belo Horizonte,
está-se substituindo a
legislação aprovada no
plano diretor por uma
maneira oportunista da
gestão municipal de se aliar
ao capital privado”
lação da cidade. Associações de moradores, professores, estudantes, arquitetos, lideranças comunitárias e
representantes de movimentos sociais denunciam que a PBH vem
agindo de forma desonesta, ao impedir a participação popular na definição dos rumos da cidade.
O projeto, que será operado como uma Operação Urbana Consorciada - através de venda de potencial construtivo às empresas - será
enviado para avaliação do Conselho
Municipal de Política Urbana (Compur) no próximo dia 28. Caso receba
votos favoráveis dos 16 conselheiros,
pode ser enviado à Câmara Municipal como projeto de lei.
O Ministério Público de Minas
convocou uma audiência pública
para discutir a Operação na noite
de quarta-feira (20). O auditório do
Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia de Minas Gerais foi lotado por cidadãos descontentes com o
projeto, que alertaram para diversos
aspectos negativos, como a ausência de planejamento para construção de moradias de interesse social,
a falta de diálogo com os moradores,
o aumento do adensamento urbano,
a segregação social, o privilégio da-
do a empresas privadas na compra
de terrenos, além da pouca transparência dos dados.
O MPMG afirmou que a entidade vai recomendar à prefeitura para que promova debates entre a população, e não descartou a possibilidade de ajuizar uma ação civil pública sobre o projeto. Grande ausência sentida, a Prefeitura alegou que
não compareceu à audiência pois o
tempo disponível para apresentar o
projeto não seria suficiente.
A professora Rita Velloso, professora da Escola de Arquitetura da
UFMG e da PUC Minas e coordenadora do Observatório de Política Urbana e integra a rede Observatório
das Metrópoles (CNPq/INCT), esteve presente na audiência e, assim
como a maioria dos presentes, possui muitas críticas à forma da Operação Urbana Consorciada. “É um
empreendimento montado para favorecer ao setor imobiliário e financeiro em primeiro lugar”, alerta.
Qual o impacto da operação Nova
BH que, segundo a PBH, deve alcançar 25 km² da capital, em relação ao potencial construtivo?
O que isso pode significar para o
adensamento urbano da cidade?
Rita Velloso - Não apenas é uma
proposta danosa para as populações
locais, mas tem - ou parece ter - o
porte de algo que mudará profundamente a configuração das áreas envolvidas, as características daqueles
espaços. E essas mudanças não necessariamente serão para melhor,
pois percebe-se que é um empreendimento montado para favorecer
ao setor imobiliário e financeiro em
primeiro lugar.
A PBH, em cartilha oficial, coloca que a forma de financiamento
do projeto será via Operação Urbana Consorciada (OUC), em que
as empresas compram potencial
construtivo. O que isso quer dizer?
O que significa do ponto de vista
político, de soberania da cidade?
Do ponto de vista político, isso é
uma temeridade, em termos práticos, significa encontrar brechas na
lei e nos instrumentos de planejamento urbano legalmente instituídos (do próprio Estatuto da Cidade) para colocar a cidade à venda
na bolsa de valores. No caso de Belo Horizonte está-se substituindo a
legislação aprovada no plano diretor, que vinha até então sendo discutida com a população nas conferências anteriores de política urbana, por uma maneira oportunista da
gestão municipal de se aliar ao capi-
Professora de arquietura Rita Velloso, que coordena o Observatório de Política Urbana
tal privado. É uma operação financeira que favorece exclusivamente
à indústria imobiliária. É um raciocínio administrativo perverso, pois
os danos para as populações de renda média e para os pobres serão extensos e vão se fazer sentir profundamente nas próximas décadas: populações excluídas de seus territórios, moradores que verão os custos
de seus padrões de vida elevados.
Uma das maiores críticas ao pro-
“No caso da Operação
Consorciada, as populações
e os habitantes das áreas
em questão jamais foram
chamados a participar do
processo de concepção,
da fase de diagnósticos
espaciais para a área”
jeto se dá pela falta de participação. A Prefeitura alega que fez Estudo de Impacto da Vizinhança,
mas não foi feita uma apresentação mais ampla do programa. Como você vê essa situação?
A administração atual despreza
os modelos democráticos de gestão
de cidades: é preconceituosa, forja
aparências de eventos que incluem
“A administração atual
despreza os modelos
democráticos de gestão,
forja aparências de eventos
que incluem a população”
a população, simula situações participativas que são meramente apresentações superficiais de projetos
gráficos quando tornados públicos.
Jamais vemos os dados amplos das
iniciativas da prefeitura, o debate
nunca é aprofundado, o investimento em propaganda que repete e alardeia uma falsa participação é alto.
Nesse caso da OUC, as populações
e os habitantes das áreas em questão jamais foram chamados a participar do processo de concepção, da
fase de diagnósticos espaciais para a
área.
O que é possível fazer para reverter esse processo de exclusão?
A população deve se organizar
para enfrentar e se opor a tal estratégia política, que, claramente, segrega e aliena os cidadãos dos processos de tomada de decisão sobre o
ambiente urbano em que vivem. Vivemos atualmente sob um governo
que tem a dissimulação como prática em seus procedimentos e que
não se acanha em vetar o acesso à
informação pública.
10 | brasil
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Dengue deixa 157 municípios em situação de risco
SAÚDE Foram notificados 1,4 milhão de casos prováveis de dengue no país neste ano
O novo mapa da dengue no país, divulgado nesta semana, mostra que 157 municípios do país estão em situação de risco e outros 525
em estado de alerta. Os dados são do
Levantamento Rápido de Índice para Aedes Aegypti.
O ministro da Saúde Alexandre Padilha assinou na terça-feira
(19/11) uma portaria que dobra o
investimento previsto de combate à
doença para 2014, que passa a ser de
R$ 1,2 bilhão.
De acordo com o Ministério da
Saúde, o reforço na assistência básica ao paciente contaminado pelo inseto vem sendo ampliado ano a ano
e resultou na redução dos casos graves da doença em 61% quando comparado aos dados de 2010. Também
diminuíram em 10% os casos de
mortes pela dengue, mesmo com o
crescimento dos números de notificações da doença.
Neste ano, foram notificados 1,4
milhão de casos prováveis de dengue no país em decorrência de uma
circulação do subtipo 4 do vírus,
que respondeu por 60% dos casos.
O levantamento foi feito nos meses
de outubro e no início de novembro serviu para identificar onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito transmissor em
1.315 cidades.
Segundo Padilha, os números
ainda não são para comemorar.
“Queremos reduzir cada vez mais a
chance de óbito neste país. Essa é a
principal ação do Ministério da Saúde agora”. Ele ressaltou que, com o
Mais Médicos, as ações serão reforçadas uma vez que os profissionais
contratados já enfrentaram a dengue nos países de origem, além de
ter larga experiência.
Três capitais estão em situação
de risco: Cuiabá, Rio Branco e Porto Velho. Outras 11 apresentaram situação de alerta: Boa Vista, Manaus,
Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Cuiabá, Rio de Janeiro e
Vitória. Sete cidades ainda não apresentaram os resultados do Levantamento Rápido de Índice para Aedes Aegypti e as outras capitais têm
níveis considerados satisfatórios.
(Agência Brasil)
Divulgação/Prefeitura de Vila Velha
Ação de equipe de combate à dengue: portaria dobra o investimento para prevenção em 2014
Conta da M.Officer é bloqueada
pela Justiça
SITRAEMG – defendendo a valorização e
a dignidade dos trabalhadores do Judiciário
Federal em Minas e ao lado das causas
cidadadãs do povo brasileiro.
Rua Euclides da Cunha, 14 - Prado - Belo Horizonte/MG
(31) 4501-1500 / www.sitraemg.org.br
A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de R$ 1 milhão da
M5 Têxtil, dona das grifes M.Officer
e Carlos Miele. A decisão foi proferida em caráter liminar após pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Uma equipe de fiscalização com
procuradores e auditores fiscais do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontrou dois trabalhadores bolivianos produzindo peça
da M.Officer em uma confecção no
Bom Retiro, bairro da região central
de São Paulo, na quarta-feira (13).
Segundo Christiane Nogueira,
procuradora do Trabalho presente
na ação, os trabalhadores estavam
em condição análoga à de escravo.
Durante a fiscalização, a empresa
não reconheceu a responsabilidade pelos trabalhadores e se negou a
firmar acordo com o MPT.
De acordo com a ação ajuizada
pelo MPT, o pedido de bloqueio é
“o mínimo necessário para que seja assegurado o pagamento dos direitos sonegados, a manutenção
dos trabalhadores em território nacional, às expensas do empregador,
até a completa regularização de sua
situação no Brasil, em face da condição análoga à de escravo a que foram submetidos, bem como o pa-
gamento de indenização por dano
moral coletivo”.
Igor Mussoly, diretor da M5, informou que a empresa foi surpreendida com a notícia de “trabalhadores em condições irregulares”,
atuando para terceiros ligados a um
fornecedor e, portanto, não pode se
responsabilizar por fraude ou dolo
praticados por esses terceiros. De
acordo com ele, estão sendo tomadas as medidas judiciais contra os
responsáveis e a M5 trabalhará em
conjunto com o MPT e o MTE para
esclarecer os fatos.
Como a decisão foi emitida durante o feriado de 15 de novembro,
o mérito da questão ainda será avaliado pelo juiz da comarca responsável pela ação.
Para a decisão, Helder Bianchi
Ferreira de Carvalho, juiz de plantão que recebeu o caso, determinou
ainda, através da liminar, que a M5
Têxtil transfira os trabalhadores flagrados e seus familiares para um
hotel ou outro local que atenda às
normas de saúde e segurança, sob
pena de multa diária de R$ 50 mil.
Além disso, a empresa deve pagar
R$ 5 mil a cada trabalhador flagrado, a fim de garantir verbas rescisórias e “eventuais despesas de retorno”. (Repórter Brasil)
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
brasil | 11
“Direitos foram violados pelo STF”,
diz jurista
MENSALÃO Bandeira de Mello, um dos maiores juristas do país, critica julgamento, prisões e transferência para Brasília
Agência Brasil
Luiz Felipe Albuquerque
De São Paulo
O julgamento do caso “Mensalão” foi político e inconstitucional,
na avaliação de Celso Antônio Bandeira de Mello, que é reconhecido
como um dos mais brilhantes e respeitados juristas brasileiros.
Professor Emérito da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bandeira completa 77
anos na próxima semana envergonhado com o papel cumprido Supremo Tribunal Federal (STF) no
julgamento.
“Esse julgamento é viciado do começo ao fim. Agora, os vícios estão
se repetindo, o que não é de estranhar. Não vejo nenhuma novidade
nas violações de direitos. Confesso
que fiquei escandalizado com o julgamento”, afirma, em entrevista ao
Brasil de Fato.
Nesta semana, 11 condenados
do processo foram presos, como o
ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, e o
ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu. Bandeira critica a precipitação das prisões e considera “gravíssimo” o tratamento dado a Genoíno, que passou recentemente por uma cirurgia no coração
e está doente.
Brasil de Fato – Foi correta a prisão dos condenados da ação antes do julgamento dos embargos
infringentes?
Celso Bandeira de Mello - Houve um açodamento. Começaram a
cumprir em regime fechado mesmo aqueles que deveriam estar em
regime semiaberto. A meu ver, todo
o julgamento foi ilegal. Diria até inconstitucional. A começar, por suprimir uma instância, quando fizeram todos serem julgados no STF, o
que não era o caso. Esse julgamento é viciado do começo ao fim. Agora, os vícios estão se repetindo, o que
não é de estranhar. Não vejo nenhuma novidade nas violações de direitos. Confesso que fiquei escandalizado com o julgamento.
Agência Brasil
Por que José Dirceu e José Genoíno foram levados para Brasília, se
trabalham em São Paulo?
Foi por exibição do presidente do
Supremo [Joaquim Barbosa], que
saiu de foco por uns dias e quis voltar. Mas é uma mera interpretação
subjetiva. Só posso dizer que é uma
coisa lamentável. Não há nada que
justifique. Em princípio, eles deveriam cumprir a pena o mais próximo
possível das residências deles. Se eu
fosse do PT ou da família, pediria
que o presidente do Supremo fosse
processado. Ele parece mais partidário do que um homem isento.
Genoíno deveria receber um tratamento diferente pelo fato de estar doente?
É gravíssimo. Tenho quase 80
anos de idade e nunca na minha vida vi essas coisas se passarem. Nunca. Ele tinha que ter um tratamento
em função do estado de saúde dele.
É o cúmulo o que está se passando.
É vergonhoso.
Genoíno e Dirceu dizem que são
inocentes e que são presos políticos em plena democracia. Como
o senhor avalia isso?
Eles têm razão: foi um julgamento
político. Não foi um julgamento com
serenidade e isenção como deveria
ter sido. Basta ver as penas que eles
receberam, piores do que de indivíduos que praticaram crimes com
atos de crueldade e maldade.
José Dirceu foi condenado com
base na teoria do domínio do fato. Existem provas concretas que
o condenassem?
Esse é outro absurdo. Não existe
nenhuma prova concreta que justifique essa atitude. É simplesmente um absurdo e um retrocesso no
Estado de Direito. Primeiro, o próprio elaborador dessa teoria [o jurista alemão Claus Roxin] já afirmou
que foi mal aplicada. Segundo, essa teoria é uma bobagem, pois contraria princípios do Estado de Direito. Uma pessoa é inocente até que se
prove o contrário. Isso é uma conquista da civilização. Portanto, são
necessárias provas de que realmente a pessoa praticou um crime ou indícios fortíssimos. Sem isso, não tem
sentido.
“Tenho quase 80 anos de idade e nunca na minha vida vi essas coisas se passarem”, afirma Bandeira
Genoíno foi condenado por ter
assinado um cheque de um empréstimo como presidente do PT.
Depois, o valor foi pago pelo partido. Esse procedimento justifica
Bandeira de Mello: “Barbosa parece mais
partidário do que um homem isento”
a condenação dele?
Não justifica. As condenações foram políticas. Foram feitas porque
a mídia determinou. Na verdade, o
Supremo funcionou como a longa
manus da mídia. Foi um ponto fora
da curva.
E a atuação do ministro Joaquim
Barbosa?
Certamente, ele foi o protagonista
principal, mas não foi o único, porque não podia ter feito tudo sozinho.
Quem brilhou nesse episódio foi o
ministro Ricardo Lewandowski, que
foi execrado pela mídia e pela massa de manobra que essa mesma mídia sempre providencia. Se o Judiciário desse sanções severíssimas à
mídia, como multas nos valores de
R$ 50 milhões ou 100 milhões, agiriam de outro jeito. Mas com as multinhas que recebem, não se incomodam a mínima.
Você acredita em uma contra
ofensiva em relação ao Poder Judiciário, diante das contradições
cada vez mais evidentes nesse
episódio?
Acho muito difícil, porque a mídia faz e desfaz o que ela bem entende. Na verdade foi ela a responsável.
12 | mundo
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
Espanha quer multar em até R$ 1,8
milhão quem participar de protestos
CENSURA Projeto de lei prevê punições para insultos a policiais, barricadas e danos ao patrimônio
Wikicommons
A Espanha pode aprovar um projeto de lei que prevê multas entre
30 mil e 600 mil euros (de R$ 91 mil
até R$ 1,83 milhão) para quem fizer manifestações sem permissão
na frente do Congresso. O projeto é
do ministro do Interior da Espanha,
Jorge Fernández Díaz, que deve levar a proposta ao Conselho de Ministros na sexta-feira (22).
Com a legislação, insultar um policial ou participar de “escraches”,
como são chamados atos em frente ao local de moradia ou trabalho
de alguém que se queira denunciar,
também serão atividades passíveis
de punição administrativa.
O presidente espanhol, Mariano Rajoy, assegurou na quarta-feira (20) que a reforma da Lei de Segurança Cidadã proposta quer “garantir a liberdade e a segurança dos
cidadãos”. Além disso, ele negou
que se trate de uma norma que coloque uma “mordaça” em manifestantes, como denunciam os opositores.
A lei, ainda em fase de anteprojeto, será conduzida ao Executivo e
também passará pelo Parlamento
espanhol.
A futura “lei Fernández” possui
55 artigos e permite, por exemplo,
que a polícia estabeleça “zonas de
segurança” no entorno das quais
será impedida a reunião de pessoas. Assim, poderiam ser evitados,
por exemplo, protestos em frente a
residências de políticos.
Cidadãos e manifestantes que se
opuseram ao projeto já o batizaram
de “anti15-M”, em referência às manifestações iniciadas em 2011 contra a política econômica de austeridade imposta pelo governo. (Opera
Mundi)
Opositores classificam projeto como “anti-15M”
Um terço da população mundial não
tem saneamento básico
ONU Na América Latina, mais de 100 mil pessoas vivem sem saneamento adequado
Cerca de um terço da população mundial, o equivalente a 2,5
bilhões de pessoas, não tem acesso a serviços de saneamento básico. Além disso, mais de 1 bilhão de
pessoas são obrigadas a fazer suas
necessidades ao ar livre. Os dados
alarmantes são da Organização das
Nações Unidas (ONU), divulgados
na terça-feira (19).
Além disso, 800 mil crianças menores de cinco anos morrem a cada
ano de diarreia, “mais de uma por
minuto”. “O saneamento é um tema
central para a saúde humana e para
o meio ambiente. É essencial para o
desenvolvimento”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Na América Latina, estimativas
apontam que mais de 100 mil pesValter Campanato/Abr
“O saneamento é um tema central para a saúde”
soas vivem sem saneamento adequado e sem banheiro. Por conta disso fazem suas necessidades
em campos, florestas e outros espaços abertos, ou recorrem a sacolas
plásticas que são jogadas em estradas ou rios.
A ONU também calcula em cerca de 260 bilhões de dólares anuais
as perdas econômicas que provocam as más condições sanitárias e a
falta de água potável nos países em
desenvolvimento.
variedades | 13
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
A novela Como ela é
PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS
© Revistas COQUETEL 2013
Cores que, assim coDimensão da psique mo o vermelho, comhumana que controla põem a escala RGB
os desejos
Retomar (namoro)
Lago
situado
entre EUA
e Canadá
Congelar
Da (?):
autêntico
(o carioca)
Período de maior audiência das Multa pelo atraso no
Não é sen- emissoras, no qual a pagamento de uma
tido pelo inserção publicitária Levantado; dívida
Buquê
é mais cara
anósmico
erguido
Adornar;
enfeitar
Acusada
em juízo
Sentimento causado
por ofensa
(fig.)
Modo de
divisão
da pizza
Idem
(abrev.)
PALAVRAS
Rondônia
(sigla)
Objeto hawww.coquetel.com.br
(?)
saber: na
seguinte
ordem
CRUZADAS
Rio suíço
Terreno
para secar
cereais
(?) Guevara, herói
Réptil
Adornar;
quelônio
enfeitar
Acusada
em juízo
Inconcebível; intolerável
Cores que, assim coDimensão da psique mo o vermelho, comhumana que controla põem a escala RGB
os desejos
Retomar (namoro)
Lago
situado
entre EUA
e Canadá
Congelar
Da (?):
(?) Kilmer,
Que
ocorautêntico
(o
ator de "O
recarioca)
depois
Inflamação do
ouvido,
tem por
sintoma a
diminuição
da audição
(?) Coralina, poetisa que
publicou o
primeiro
livro aos
75 anos
(?) Guevara, herói
Réptil
quelônio
Objeto habitado pelo
Nivelar
gênio
(Lit.)
(terreno)
Travor
O soteropolitano
Templo da
boemia
Casto;
puro
Inconcebível; intolerável
Rio suíço
Terreno
para secar
cereais
Musa
Segundo
Pessoa
muito alta
e magra
(bras.)
Musa
Segundo
número
primo
Hidrofobia
Os conquistados por
Napoleão equivaliam
a cerca de 2 milhões
2
Reconstitui de km
Espécie
de peneira
Ensopado
de carnes
Flor-de-(?),
símbolo do
escotismo
(?)
Peixoto,
repórter
televisivo
Mesa de
(?)
pedra
Peixoto,desrepórteraos
tinada
televisivo
sacrifícios
Espécie
de peneira
Ensopado
de carnes
Mesa de
pedra destinada aos
sacrifícios
Canção de
Gilberto Gil
regravada
pelo Skank
3/apá — tie. 4/erie. 5/rasar. 6/cheiro. 7/varapau.
BANCO
3/apá — tie. 4/erie. 5/rasar. 6/cheiro. 7/varapau.
BANCO
(o cheque)
Templo da
boemia
Casto;
puro
(?) Coralina, poetisa que
publicou o
primeiro
livro aos
75 anos
Suspender
(o cheque)
Aviso
próximo a
cercas
elétricas
Flor-de-(?),
símbolo do
Suspender
escotismo
Nivelar
número
(terreno)
O sotero-primo
politano
Os conquistados por
Napoleão equivaliam
a cerca de 2 milhões
2
Reconstitui de km
Canção de
Gilberto Gil
regravada
pelo Skank
Pessoa
(?) Kilmer,
de "O
muitoatoralta
Viajante"
e magra
(Cin.)
(bras.)
Que ocorre depois
do tempo
devido
Hidrofobia
Aviso
próximo a
cercas
elétricas
(?)-break,
set decisivo no tênis
Bobas (fig.)
(?)
saber: na
seguinte
ordem
Rondônia
(sigla)
Sem pé nem cabeça
Viajante"
Idem
(abrev.)
(Cin.)
do tempo
devido
Sentimento causado
por ofensa
(fig.)
Modo de
divisão
da pizza
(?)-break,
set decisivo no tênis
Bobas (fig.)
DIRETAS
© Revistas COQUETEL 2013
bitado pelo
Período de maior audiência das Multa pelo atraso no
gêniono(Lit.)
qual a pagamento de uma
Não é sen- emissoras,
publicitária Levantado; dívida
tido pelo inserçãoTravor
Buquê
é mais cara
anósmico
erguido
Inflamação do
ouvido,
tem por
sintoma a
diminuição
da audição
2
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Solução
Solução
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nas bancas
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R E G E N
V A M O
jogos
e exercícios
jogos
para você se
lembrar de tudo
e exercícios
para você se
lembrar de tudo
Reprodução
www.coquetel.com.br
Na primeira vez que nos encontramos por aqui, discutimos que a
novela Amor à Vida estava um pouco confusa ao revelar tanto desamor
dos personagens. Continuo achando que o autor anda confuso. E tentando nos confundir, ou nos fazer de bobos. Muitos absurdos e coisas
sem sentido vêm acontecendo.
Nesta semana, a família Khoury confirmou o mau-caratismo de Félix, ao ser revelado que ele foi o responsável pelo sumiço de Paulinha.
Nada absurda foi a reação de seus parentes, até da mãe, em desaprovar
a má ação do personagem. Absurda é a “justificativa” dada por ele para
a tentativa de assassinato da menina, num texto pobre e sem nexo. Félix joga suas motivações para a maldade na rejeição do pai e no ciúme
que tinha da irmã. Será isso suficiente para tamanha ruindade? Os psicólogos de plantão poderiam nos ajudar.
Outro absurdo que também anda dando pinta por aí é uma misteriosa relação entre Márcia e o vilão. Da noite pro dia, a ex-chacrete começou a chamá-lo de ‘meu menininho’, num tom quase maternal. Como assim? Os dois já se cruzaram tantas vezes na novela, já se ofenderam, se ameaçaram. Por que Márcia não sabia que ele era o seu menininho? Não estou entendendo nada.
E o que falar da Amarilys? De amiga e confidente da mocinha da novela se transformou numa megera da pior espécie, que maltrata o filho
adotivo do agora ex-melhor amigo e quer roubar dinheiro dele, superfaturando o valor do apartamento. Será que depois do acidente a moça
ficou com um neurônio fora do lugar?
Sem falar de tantos outros absurdos: a internação e os eletrochoques de Paloma e sua saga do regaste de Paulinha sequestrada no Peru
e a prisão na cadeia como traficante; uma procuração de plenos poderes sobre o patrimônio de César para Aline. E por aí vai...
É, a novela pode estar até querendo nos fazer de bobos. Mas como
somos espertos e temos senso crítico, estamos de olho!
Até a próxima semana!
Por Joaquim Vela
[email protected]
Mande sua dúvida: [email protected]
Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde
AMIGA DA saúde
nas bancas
e livrarias
Querida Amiga da Saúde, sou negra e tenho o cabelo crespo. Há muitos anos recorro às chapinhas e à
escova progressiva, pois sempre achei que meu cabelo fica com muito volume. Porém, recentemente
ouvi dizer que os alisantes podem ser nocivos à saúde. Será que posso ficar doente?
Minha filha adolescente está namorando uma rapazinho que estuda com ela. Eu só deixo eles namorarem
em casa, com a minha supervisão, mas acho que estão
aprontando escondidos. Não sei como devo agir com
ela. Tenho medo dela engravidar e perder a vida cuidando de filho.
Angélica, 22 anos, estudante.
Maria do Socorro, 43 anos, empregada doméstica.
Cara Angélica, as escovas progressivas podem sim fazer mal à
saúde, principalmente se não tiverem registro na Anvisa ou se
contiverem formol em sua fórmula. O formol é cancerígeno,
além de provocar doenças de pele, alergias, entre outras. Se for
alisar, use produtos confiáveis,
registrados. Isso lhe trará menos
riscos de adoecimento. Mas procure valorizar seu cabelo crespo. O volume nos incomoda por-
Fique calma, Maria! A adolescência é a fase em que os hormônios e a sexualidade afloram
mesmo. Isso é normal. Tentar reprimir as/os adolescentes buscando esconder isso só os deixa
com mais curiosidade e desejo
pelo “proibido”. Procure conversar de forma natural sobre isso
com sua filha. É importante que
ela possa confiar em você, busque respeitar ao invés de repri
que aprendemos que cabelo bonito é cabelo liso e loiro. E quem
sai desse padrão não seria bonita
o suficiente para agradar aos homens. Mas isso já está mudando!
Temos que valorizar as diferenças e nos permitir perceber a beleza que há em cada uma de nós.
mir. O melhor momento para
iniciar a vida sexual é quando a
pessoa se sente preparada para isso. É muito importante que
ela saiba como a gravidez acontece, como prevenir e, caso já
esteja tendo relações sexuais,
que possa prevenir da gestação e das doenças sexualmente
transmissíveis. Ter que fazer tudo escondido pode trazer mais
riscos e mais dificuldades.
Oi, Amiga da Saúde! Tenho 26 anos e fui diagnosticada com dermatite atópica. Já cansei de tomar antibióticos e corticoides e não consigo acabar com
as feridas. Elas aparecem do nada e coçam muito. O
que devo fazer para melhorar?
Cibele, 26 anos, vendedora.
Querida Cibele, é importante que
você seja acompanhada por um
médico, que terá condições de definir um tratamento contínuo e mais
eficaz, já que o problema não tem
cura. Você deve evitar alguns fatores que, em geral, podem desencadear lesões como o consumo de
leite, ovo, soja, amendoim, etc. O
contato com ácaros, fungos, pólen,
detergentes, amaciantes de tecido
e solvente também deve ser evitado. Além disso, mantenha a pele
sempre bem hidratada, pois isso faz
muita diferença.
14 | cultura
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
“Sem dança, o dia não fica completo”
BLACK MUSIC Quarteirão do soul é arte garantida nos fins de semana
Raíssa Lopes
De Belo Horizonte
Sábado, 15h, dia 16. Uma pequena aglomeração embaixo do Viaduto Santa Tereza. Caixas de som são
posicionadas e vinis antigos colocados na vitrola. Aos poucos, clássicos
da black music contagiam o ambiente e os mais corajosos dançarinos se arriscam nos primeiros passos de soul. A festa está armada: jovens, crianças, senhores e senhoras
se animam, convictos de que começa ali mais um Quarteirão do Soul.
Tudo começou em 2004, no cruzamento das ruas Goitacazes e São
Paulo. Amigos se reuniam todo final de semana para lavarem seus
carros, beberem cerveja, comerem
churrasquinho e ouvirem música.
Um dia, despretensiosamente, resolveram dançar. Mal sabiam que
esse ato levaria à criação do movimento que mobiliza há nove anos
amantes da cultura negra em Belo
Horizonte. Quem conta a história
é José de Souza Filho, um dos criadores e organizadores do evento na
capital. “É incrível pensar que de
lá pra cá já se passaram quase dez
anos”, comenta.
Ao longo desse tempo, o Quarteirão conquistou inúmeros adeptos, que consideram o momento
como um refresco na pesada rotina da semana. Durante a entrevista, José Caetano dos Santos se apresenta como Brown. O gari aposentado, hoje com 55 anos, começou a
Gari aposentando, Brown dança desde os 15 anos
Fotos: Mídia Ninja
dançar aos 15, nos antigos clubes
da cidade. Para ele, um sábado – ou
domingo – sem a dança, é um dia
incompleto. “Só não venho os dois
dias direto por que senão a casa cai!
A mulher xinga, meu casamento
acaba”, ri.
Bem humorado, Brown estava
vestido de preto dos pés à cabeça,
com um pequeno brinco na orelha.
“Essas aqui são as roupas que eu
usava na juventude, o brinquinho é
apenas uma adaptação. Minhas filhas me ajudam a escolher o estilo que vou usar, mas elas são muito
críticas. Às vezes, me visto e elas falam ‘pai, tá feio!’, ou coloco um terno e elas gritam que ‘tá’ muito calor.
Mas elas não entendem que tenho
que estar no ‘naipe’”, brinca.
Dança com lugar marcado
Para ele, a administração pública de Belo Horizonte não fornece apoio suficiente para o evento.
“Acho que a prefeitura deveria nos
ajudar. Agora o Quarteirão só pode
acontecer no Viaduto Santa Tereza,
mais em nenhum lugar da cidade.
Eles nos restringiram muito, deveríamos poder dançar no lugar em
que quiséssemos. Isso aqui é arte,
é cultura, coisa antiga que perdura desde quanto éramos meninos e
o poder público não valoriza”, contesta.
É o que confirma José de Souza Filho. “Nós não recebemos verba nenhuma. O pouco dinheiro que
cobre a manutenção dos aparelhos
de som e paga o carreto é nosso,
ou arrecadado aqui mesmo, quando passamos o chapéu. Com uma
‘merrequinha’ daqui e outra dali, conseguimos manter o projeto”,
afirma.
Os clássicos tocados pelo DJ
são tirados de vinis antigos, obras
de artistas como Michael Jackson,
Kool & The Gang, e The Brothers
Johnson. Para dançá-los, segundo
Deusdete Pereira, é necessária preparação especial. “No dia do Quarteirão, antes de vir pra cá, eu começo a ouvir música dentro da minha casa. A partir daí vou sentindo a vibração... Só então escolho a
roupa, de acordo com o astral que
a canção me proporciona. É como
um treinamento desses de escola,
de faculdade”. Aos 13 anos, Deusdete arrumava bicos de carregador
de caixas de som no bairro Ipiranga
para poder entrar de graça nos bailes. Hoje dança por todo o palco do
Viaduto Santa Tereza. “Quando eu
danço, sinto minha alma livre, tranquila. Esqueço dos problemas, apesar de que, pensando bem, eu não
tenho nenhum”, revela.
Quem estava lá também era um
Tudo começou em 2004, no cruzamento da Goitacazes com São Paulo
O Quarteirão do Soul acontece todos os sábados, a partir das 15h, no Viaduto
Santa Tereza e aos domingos, no mesmo horário, na Praça Sete.
dos ícones da black music brasileira, Gerson King Combo. Idealizador do movimento Black Rio, criado durante a ditadura militar nos
subúrbios cariocas, é classificado
pelos companheiros de Quarteirão
como um “Quase-Tim-Maia”. Gerson veio pela primeira vez à BH para apresentar seu show, e aproveitou para reencontrar amigos e co-
nhecer a cena soul belo-horizontina. “No Rio, criamos o Quarteirão
porque faltavam lugares para festa, vivíamos na opressão, e os periféricos não tinham dinheiro. Assim como em Minas, o projeto continua até hoje, sinal de que a coisa
era boa. Hoje, vim dar um passeio
para curtir e parabenizar a moçada
daqui”, diz.
Festival de documentário
apresenta mais de 60 filmes
Começa na quinta (21) a 17ª edição do Forumdoc.bh 2013 - Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. Durante
a programação, serão apresentadas
aproximadamente 60 sessões de cinema e vídeo, entre mostras competitivas nacionais e internacionais
e fórum de debate com sessões comentadas e mesas redondas.
A edição deste ano traz à capital inúmeras novidades, incluindo a
oficina “O Inimigo e a Câmera”, ministrada pelo jornalista Bruno Figueiredo, que abrange as manifestações ocorridas no Brasil durante o mês de junho. A partir da revolta do público com a cobertura realizada pela mídia tradicional, e através da constante expansão das redes sociais e acesso facilitado a câmeras fotográficas e filmadoras, o
país produziu recentemente o que
pode ser classificado como o maior
exercício de produção, compartilhamento e consumo de conteúdo
independente da história brasileira.
Visando o atual momento político do país, a oficina apresentará
aos participantes técnicas de confecção de conteúdo jornalístico, como abordagem, apuração, posicionamento em campo, construção de
narrativas, publicação e também
como se proteger durante conflitos.
Já entre os longas que farão parte do projeto, estão o premiado “Batalha do Passinho”, do diretor carioca Emílio Domingos, que abrange o
universo dos dançarinos e frequentadores dos bailes funk da periferia
da cidade do Rio de Janeiro e “A onda traz o vento leva”, produção recifense que conta a história do deficiente auditivo Rodrigo, que trabalha numa equipadora de automóveis instalando sons em carros.
A mostra vai até o dia 01 de dezembro e acontece no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes, Cine 104 e na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH)
da UFMG. Confira a programação
completa no site.
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
AGENDA DO FIM DE SEMANA
é tudo de graça!
VISITA
ARTES MANUAIS
Visita guiada para observação de aspectos artísticos e históricos do Cemitério do Bonfim. Para participar é necessária inscrição pelo site http://www.pbh.gov.br/parques. Domingo (24).
Mais uma edição do Circuito Soundsystem,
com projeções do Forumdoc.bh.13, revelando o material audiovisual das recentes manifestações ocorridas no Brasil. Domingo (24), de 14
às 22h, no Viaduto Santa Tereza.
TEATRO
INFANTIL
MÚSICA
Segunda a quinta-feira
ARTES PLÁSTICAS
EXPOSIÇÃO
A mostra “Paisagens Humanas – Paisagens
Urbanas”, de Chichico Alkmim, retrata costumes dos moradores de Diamantina no início
do século 20. Até dia 16 de fevereiro. Todas
as terças, quartas, sextas e sábados das 10h
às 18h e quintas das 10h às 22h, no Memorial
Minas (Praça da Liberdade, Funcionários).
SEMINÁRIO
LITERATURA
“Tradição das Gerais”
é um espetáculo cênico do Grupo Folclórico Congá, baseado em
pesquisas de expressões tradicionais presentes na cultura mineira. Sexta (22), às
19h, no Centro Cultural Jardim Guanabara
(Rua João Álvares Cabral, 277, Floramar).
O espetáculo “Colibri
Futebol Clube” conta a história da palhaça Colibri, uma fanática por futebol. Seu sonho é jogar em todas
as posições, como lateral, goleira e gandula. Sexta (22), às 16h,
no Centro Cultural Zilah Spósito (Rua Carnaúba, 286, Conjunto
Zilah Spósito - Jaqueline).
‘FormAção’ é o nome
do espetáculo de formatura dos alunos
do Curso Profissionalizante de Dança do
CEFAR (Centro de Formação Artística). De
22 a 24 de novembro,
20h30 na sexta-feira e sábado, e 20h no
domingo, no Espaço Cultural Ambiente
(Rua Grão Pará, 185,
Sta. Efigênia).
“A casa em debate:
Debate com a escritora Pampulha: Um Patrimônio da Humae crítica literária brasileira Noemi Jaffe. Ter- nidade” propõe discussões sobre os vaça (26), às 19h30, na
Sala Juvenal Dias do Pa- lores que possibilitam
o reconhecimento da
lácio das Artes (AveniPampulha como Patrida Afonso Pena, 1537,
mônio Cultural. QuarCentro).
ta (27), na Casa do
Baile (Avenida Otacílio
Negrão de Lima, 751,
Pampulha).
na geral
Terminou a repescagem para a
Copa
Com os últimos jogos de repescagem realizados na quarta-feira (20),
definiram-se os 32 países que disputarão a Copa do Mundo do Brasil no ano que vem. Todos os campeões mundiais garantiram sua vaga. O destaque da repescagem ficou
com o espetacular jogo de volta entre as seleções de Suécia e Portugal,
o duelo entre os astros mundiais Zlatan Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo.
Com direito a duas viradas no placar, a partida terminou em 3 x 2 para os portugueses, com direito a dois
gols de Ibra e três de CR7. Já a seleção
brasileira realizou dois amistosos recentes contra times que vão ao Mundial: goleou com propriedade a seleção de Honduras por 5x0, em Miami;
e ganhou de virada do Chile por 2x1,
em Toronto. O sorteio dos grupos da
Copa será realizado no dia 6 de dezembro, na Costa do Sauípe, Bahia.
Confira as 32 seleções que vêm
ao Brasil na Copa de 2014
África: Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Nigéria. Amé-
cultura | 15
O Sesc Palladium traz
a BH o artista plástico paulista Stephan
Doitschinoff, que criará uma obra inédita no painel do Projeto Parede. A obra ficará em exposição até 5
de janeiro de 2014, no
Sesc Palladium (Rua
Rio de Janeiro, 1046,
Centro).
MÚSICA
Apresentação da banda Gerais Big Band
da Escola de Música da UFMG. Quarta (27), às 12h30, no
Conservatório UFMG
(Avenida Afonso Pena,
1534, Centro).
esporte |
ricas: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Honduras, México e
Uruguai. Europa: Alemanha, Bélgica, Bósnia, Croácia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Itália, Portugal, Rússia e Suíça. Ásia:
Coréia do Sul, Irã e Japão. Oceania:
Austrália
perder por um gol de diferença na
partida de volta, que será realizada
em Mogi Mirim porque o Moisés Lucarelli, estádio da Macaca, não tem
os 20 mil lugares exigidos pela Conmebol para a realização da partida.
guetá (41), ABC-RN (42) e Bragantino (43). O Boa terminou a competição no mesmo lugar em que esteve
durante todo o seu decorrer: na zona intermediária, em 11º lugar, com
50 pontos.
Últimas definições na Série B, que
já tem campeão e vice
Vaquinha para os guerreiros do
Icasa
Flamengo e Ponte Preta saem na
frente
Faltando apenas duas rodadas para o fim da Segundona, e com campeão (Palmeiras) e vice (Chapecoense) já definidos, restam poucas definições a serem feitas na competição. As duas vagas restantes para a
Série A do ano que vem serão disputadas por Icasa-CE, Sport-PE e Ceará (todos com 59 pontos), e ainda
por Figueirense-SC e América (estes com 56 pontos). O Coelho terminará sua participação na Série B enfrentando o Joinville, em Santa Catarina, na sexta-feira (22) às 21h50,
e o ABC-RN, no sábado seguinte, às
16h20, no Independência. Na ponta
de baixo da tabela, o Asa de Arapiraca e o São Caetano já estão garantidos na Série C de 2014. As duas vagas restantes da zona da degola serão disputadas por Atlético-GO (38
pontos), Paysandu (39), Guaratin-
Uma campanha inusitada foi organizada entre os torcedores do Icasa-CE, o “Verdão do Cariri”. Preocupados com o fato de que os demais
clubes que disputam a vaga na Série A do ano que vem tenham oferecido a seus jogadores altas premiações para o caso da conquista da vaga, e vendo que o clube não dispõe
de recursos para competir com estas
polpudas bonificações, a torcida organizou, através de uma rádio local,
uma vaquinha. Já foram arrecadados mais de R$ 40 mil, que serão distribuídos entre os jogadores em caso de conquista da vaga na Primeira
Divisão. O desafio é grande: o Icasa
vai enfrentar o vice-líder Chapecoense em casa neste sábado, e fecha
a competição enfrentando o Paraná
fora de casa.
Na Copa do Brasil, o Flamengo
conseguiu um importante empate contra o Atlético-PR, em Curitiba, no duelo rubronegro que definirá o campeão da Copa do Brasil deste ano. O jogo decisivo será realizado no Maracanã, na próxima quarta-feira (27), com direito a ingresso
a R$800. O Flamengo só precisa não
levar gols para ser o tricampeão da
competição. Novo empate por 1x1
leva a partida para as penalidades, e
empates com mais de dois gols para cada lado dão o título (inédito) para o Atlético Paranaense. Pelas semifinais da Copa Sulamericana, a Ponte Preta aplicou uma retumbante vitória por 3x1 contra o São Paulo em
pleno Morumbi, e agora pode até
16 | esporte
Belo Horizonte, de 22 a 28 de novembro de 2013
OPINIÃO Atlético
Nem vem que não tem
Bruno Cantini
Cristiano Ronaldo, o CR7,
bateu um bolão no jogo
entre Suécia e Portugal, na
terça (19). Com um “hat-trick” (três gols no mesmo jogo), tirou da Copa do Mundo o craque Ibrahimovic.
OPINIÃO Cruzeiro
Sem pessimismo, Galo vai contar com Fernandinho e Réver no Mundial
Quando começou o Brasileirão?
Whashigton Alves
Rogério Hilário
Assisto, desolado, a uma onda
de pessimismo varrendo os atleticanos. Ainda por cima, quando
leio os jornais fico mais alarmado.
Quanta devastação. É “bruxa solta”
pra cá, “maré de azar” pra lá. Meu
Deus, quanto desalento, quanto negativismo. Richarlyson de seis a oito
meses parado. Não sinto tanta falta. Leandro Donizete só deve retornar no final do mês. Quem está no
time vem dando conta do recado.
Guilherme em situação indefinida.
Jogou tão pouco, que nem lembro
mais o último gol dele. Agora o Réver sofreu entorse e corre contra o
tempo para se recuperar.
Minha gente, no Mundial o Atlético vai fazer apenas dois jogos.
Não é possível que o elenco alvinegro não dê conta do recado, mes-
mo sem esses jogadores. Quem deixou saudades mesmo foi o Ronaldinho Gaúcho, cuja recuperação está
bem encaminhada. Considero o Réver um grande zagueiro, porém não
é insubstituível.
E é possível contar com ele, com
Leandro Donizete e até com Guilherme. O que me causa alguma
apreensão, mesmo assim de leve,
é a dúvida sobre o aproveitamento
de Fernandinho no Marrocos. Tudo
bem, o Luan é esforçado e útil, mas
Fernandinho é mais eficiente e suas arrancadas seriam mortais numa
provável final contra o Bayern de
Munique. O atleticano pode aguardar, sem alarme, com fé e esperança. Neste ano, o time passou por
apertos e se deu bem, com as conquistas do Estadual e o feito histórico na Copa Libertadores. E xô, abutres!
artigo | Fernanda Costa
O Campeonato Brasileiro série A está na reta final e agora que o grande
campeão está definido, resta saber
que times serão rebaixados, além
do Náutico. Está em aberto também
quem vai disputar a Libertadores no
ano que vem.
Assim como na parte alta da tabela,
a diferença de pontos entre os times
está muito pequena e, por isso, os
quatro rebaixados certamente serão definidos na última rodada. Entre os times que estão com o pé na
lama, Vasco e Fluminense, dois dos
grandes clubes cariocas, tentarão se
safar nas próximas partidas.
Os times que representarão o Brasil
na Copa Libertadores, além de Cruzeiro e Atlético, ganhador da competição desse ano, provavelmente
também serão conhecidos no final
do Brasileirão. Nessa disputa, saltam
aos olhos times pouco expressivos
nos campeonatos anteriores que,
ponto a ponto, tentam agarrar uma
das vagas. Atlético Paranaense, Vitória e Goiás têm chances palpáveis
de disputar uma competição internacional na próxima temporada. As
equipes que ocupam posições intermediárias na tabela não vêm agradando suas torcidas. Santos, Internacional e Corinthians, por exemplo, não despertam expectativas.
É importante ressaltar que o número de partidas distribuídas em um
curto espaço de tempo é uma das
razões do equilíbrio na pontuação
das equipes. A regularidade no Brasileirão, como o caso do Cruzeiro,
não é regra, e a oscilação dos times
é o que o torna tão competitivo, não
pela eficiência e sim pela ausência
de futebol técnico e moderno.
Com dois Brasileiros e a Taça de 66, Cruzeiro está com tudo
Wallace de Oliveira
Sempre que o Cruzeiro ganhar o
Brasileirão, uma divergência comparecerá aos nossos ociosos debates de boleiros. Havendo quem
classifique a Taça Brasil, jogada entre 1959 e 1968, como campeonato
brasileiro, outros rejeitam a classificação feita pela famigerada CBF,
contestando a unificação dos diversos títulos nacionais das últimas
cinco décadas.
Eu me divirto com essas polêmicas, que mais pertencem às mesas de bar do que aos escritórios
dos dirigentes esportivos. Lembremos que, no saudoso ano de 2006,
os atleticanos festejaram seu “bicampeonato brasileiro”. Ora, a torcida cruzeirense é generosa e deseja que o Cruzeiro nunca dispute essa taça, a fim de que o Alvinegro de
Vespasiano seja multicampeão nacional jogando a série B, sua terceira maior conquista em mais de um
século.
Também sejamos criteriosos,
evitando misturar os diferentes.
Não identifiquemos com as competições da CBF a Taça Brasil, que é algo singular. Por ela desfilaram craques como Tostão, Pelé, Garrincha
e Ademir da Guia, entre outros. Assim, o Cruzeiro tem dois Brasileiros e a Taça de 66, título que deu expressão nacional ao futebol mineiro e que alguns clubes jamais alcançarão.
Penso que a disputa por pontos corridos, distinta de tudo o que
veio antes, é o verdadeiro campeonato brasileiro, pois favorece o melhor time do ano, o mais regular, sobre copeiros ou sortudos que acordam às vésperas de um mata-mata. Os campeonatos nacionais precedentes merecem outros apelidos.
O Brasileirão começou em 2003 e
foi conquistado pelo Cruzeiro e outros cinco clubes, enquanto que o
Atlético já tem um título de primeiro turno.
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