A verdade sobre a Execução Orçamental (Janeiro – Abril de 2012) Subsector Estado RECEITA 1) A receita corrente caiu 2,3% nos primeiros quatro meses. Deveria aumentar 2,1% para cumprir o estipulado no Orçamento do Estado Rectificativo (OER). Esta queda é menor do que a verificada no acumulado de Março (-4,5%), o que prova que, mês após mês, a execução da receita está melhor. 2) A receita fiscal total caiu 3%, é verdade. Mas está muito melhor do que a queda de 5,8% verificada entre Janeiro e Março. O OE prevê um aumento de 2,6%. Em síntese, estamos numa trajectória de clara recuperação. Verifiquemos os impostos: a) Os impostos directos (IRS e IRC) estão muito acima do orçamentado. Cresceu 3,3% até Abril. Até Março, os impostos directos tinham registado uma queda de 5,4%! No entanto, esperamos uma queda de 3,6% para o conjunto do ano. b) Os impostos indirectos registam uma descida de 6,7%. Mas isto está influenciado pela prestação do IVA: mais reembolsos do que no ano passado. Um crescimento de 7,3% que será diluído ao longo do ano. Falta o regime trimestral, só em Maio se verificará. Não fosse isto, a receita seria já positiva. Senão vejamos, a receita de Abril deste ano, em comparação com Abril do ano passado: a receita voluntária do IVA (sem a cobrança coerciva) aumentou 2,5% e nas operações domésticas 4,5%. Isto significa que o IVA está num ritmo crescente. DESPESA 1) A Despesa corrente aumentou 1%. Mas está claramente influenciada pelo diferente perfil temporal dos juros (que aumentou 58%!). Deveria aumentar apenas 0,1% para respeitar o OER. Ora, não fosse os juros, a despesa corrente estaria abaixo do exigido. 2) A Despesa Corrente Primária (a despesa sem juros) caiu 2,8% e já está muito próxima do exigido pelo OER (-3,1%). 3) A Despesa Primária (que inclui o investimento e transferências para empresas públicas, sem juros) caiu 0,9% e está aproximar-se do exigido (queda de 4%). Ainda está muito influenciada pelo efeito RTP (386 ME, em Fevereiro). Isto continuará a diluir, durante os próximos meses. 1 SALDO ORÇAMENTAL 1) Défice do Estado foi de 3058,8 ME, mais 605 ME do que em igual período de 2011. Isto deve-se aos juros (mais 450 ME) e mais 350 ME para Empresas Públicas Reclassificadas, como foi o caso da RTP. Administração Central e Segurança Social Do lado da Receita: 1) A receita corrente aumentou 3,4% face ao mesmo período do ano passado. A receita apresenta uma característica de reforço face a Março e tendente a atingir o objectivo de 5,7%. 2) Os impostos directos subiram 2,8%, o que contrasta com uma previsão de queda de 3,5%. 3) Os impostos indirectos aumentaram 0,1%. Há uma tendência de aumento significativo neste tipo de receita. Em comparação com a execução do mês de Abril do ano passado, os valores são positivos (ver receita IVA no subsector Estado) 4) As “outras receitas correntes” ao aumentarem 28% estão em linha com o exigido pelo OER. 5) A receita total aumentou 2,3%, uma situação melhor do que o acumulado do primeiro trimestre, em trajectória para o exigível (5,6%) Do lado da Despesa: 1) A despesa corrente subiu 6,4% vs 5% exigíveis pelo OER, explicado pelo aumento em quase 60% da factura com os juros da dívida pública. Um alisamento duodecimal dos juros a pagar este ano implica que a despesa fica bastante abaixo do exigível pelo OER. 2) O consumo público aumentou 1,5%, bastante aquém dos 6,3% previstos no OER. 3) As despesas com pessoal subiram 1%, fortemente influenciadas pelas Empresas Públicas Reclassificadas. Sem esta componente (em universo comparável), as despesas teriam caído 5%. O exigível é uma queda de 7,5%, que será concretizado com os cortes nos subsídios (próximo, férias). 4) Na aquisição de bens e serviços, a factura aumentou 2%. Mas dentro Estado, sem as EPR, a factura caiu 7,6%. 5) A despesa total aumentou 8,3%, acima dos 6% permitidos, devido ao diferente perfil temporal dos juros e ao aumento da despesa de capital. Esta última despesa tenderá a alisar ao longo do ano. 6) A despesa corrente primária (despesa corrente sem juros) cai 1,6%, quando pode aumentar 1,4%. 2 Destaques: 1) A receita fiscal melhorou e está a crescer. 2) A despesa está controlada. Nunca houve tão bons resultados como esta execução. Em relação à receita: 3) A receita de IVA está a crescer. Em Abril a receita voluntária aumentou 4,1%. Falta a receita do regime trimestral, que será conhecida no boletim de Junho (referente a Maio). Os resultados não são melhores, porque os reembolsos aumentaram (7,3%). 4) Os impostos directos, IRS e IRC, estão bem acima da expectativa. No que se refere à despesa: 5) O consumo público está controlado, a compra de bens e serviços está em forte queda (-11,6%). A despesa está em linha com o OER. 6) A despesa com pessoal caiu 7,1%. 7) A Despesa corrente primária do Estado (a despesa com salários como por exemplo na Educação, Defesa, Ministérios, compras de bens e serviços, transferências, subsídios, etc, sem contabilizar os juros da Dívida) caiu 2,8% em relação ao ano passado. Nunca o Estado teve este resultado tão bom. 8) O défice orçamental do Estado aumentou 600 ME, em resultado de dois factores: juros (diferente padrão anual, 450 ME) e Empresas Públicas Reclassificadas (mais 350 ME), cujas despesas serão diluídas nos próximos meses. 9) Destaque ainda para as metas do Programa de Assistência Económica e Financeira e execução de 2012 para o total das administrações públicas, no primeiro trimestre: poderíamos ter um défice de 1900 ME e obtivemos um défice de 450 ME. 3