Relatório do Painel Desenvolvimento Nacional e Reforma Política 21.05.2015 Relator: Prof. Luiz Alberto Machado VIII Encontro nacional de Entidades Sindicais dos Economistas FENECON e SINDECON-PA 20 a 22 de maio de 2015 Belém - Pará Painel: “Desenvolvimento Nacional e Reforma Urbana” Dia 21 de maio – 14h00 – 16h00 Relator: Prof. Luiz Alberto Machado Economista formado pela Universidade Mackenzie, com especialização em Desenvolvimento Latino-Americano pela Boston University. Mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal). Vice-Diretor e professor titular da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Sócio-diretor da empresa SAM – Souza Aranha Machado Representações Ltda. Conselheiro do Conselho Federal de Economia, do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, do Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento da Cidadania e da Fundação Brasil Criativo. Autor do Capítulo sobre o Brasil do livro Latin American Business Cultures (Chicago, IL: Prentice Hall, 2005), do livro Como enfrentar os desafios da carreira profissional (São Paulo: Editora Trevisan, 2012) e do capítulo Economia criativa e sustentabilidade do livro Ciência e Tecnologia como vetores para a Sustentabilidade (São Paulo: Vespa Comunicações, 2013) Coordenador: Econ. SINDECON-AL Marcos Moreira Calheiros – Presidente do 1 ° Expositor: Miguel Ostoja Roguski – Coordenador Técnico da Revisão do Plano Diretor de Curitiba Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba O palestrante fez sua exposição com base na experiência de Curitiba, reconhecida como referência em Planejamento Urbano tanto no Brasil como no exterior. De início, o palestrante apresentou algumas tendências em nível mundial, destacando alguns fatores críticos e suas implicações para a formulação de políticas públicas e os requisitos de uma nova agenda urbana. FATORES CRÍTICOS • Crescimento da população urbana • Desigualdade crescente • Baixa densidade e expansão urbana fragmentada • Urbanização informal e não planejada • Mudanças climáticas • Acelerado desenvolvimento técnico-científico IMPLICAÇÕES EM POLÍTICAS PÚBLICAS UMA NOVA AGENDA URBANA 1. Antecipar o crescimento com um adequado planejamento 2. Aprimorar capacidades para planejar e gerir a urbanização 3. Salvaguardar bens públicos: terra, espaço, serviços, infraestrutura 4. Legislação e regulamentação adequadas 5. Soluções habitacionais sustentáveis em escala 6. Instrumentos de gestão territorial 7. Densidades urbanas que viabilizem infraestrutura e serviços de qualidade 8. Políticas de cidades inteligentes, habitáveis, sustentáveis Depois de fazer uma breve explicação de cada um desses itens, o palestrante apresentou os princípios fundamentais que orientam o Movimento Nacional pela Reforma Urbana, dividindo-os em três grupos: • Direito à cidade e à cidadania: participação dos habitantes das cidades na condução de seus destinos, o que envolve o direito à terra, aos meios de subsistência, à moradia, à saúde, à educação, ao transporte público, à alimentação, ao trabalho, ao laser e à informação, além de incluir o respeito às minorias, à pluralidade étnica, sexual, cultural e ao usufruto de um espaço culturalmente rico e diversificado, sem distinções de gênero, etnia, raça, linguagem e crenças. • Gestão democrática da cidade: consistindo na forma de planejar, produzir, operar e governar as cidades, submetida ao controle social e à participação da sociedade civil. • Função social da cidade e da propriedade: considerando a prevalência do interesse comum sobre o direito individual de propriedade. Em detalhes, isso significa o uso socialmente justo do espaço urbano para que os cidadãos se apropriem do território, democratizando seus espaços de poder, de produção e de cultura dentro de parâmetros de justiça social e da criação de condições ambientalmente sustentáveis. Na sequência, o palestrante abordou aspectos institucionais, mostrando a evolução da preocupação com a questão do planejamento urbano, mencionando aspectos na Constituição de 1988, o Plano Diretor (Art. 182), a criação do Ministério das Cidades, com o objetivo de integrar e articular políticas de desenvolvimento urbano, habitação, saneamento ambiental e transporte urbano, e o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001), estabelecendo critérios para a elaboração e execução do Plano Diretor pelos municípios. Num excelente quadro síntese, o palestrante focalizou as Funções Sociais da Cidade, englobando: • Funções sociais urbanísticas: habitação, trabalho, lazer e mobilidade • Funções de cidadania: educação, saúde, segurança e proteção • Funções de gestão: prestação de serviços, planejamento, preservação do patrimônio cultural e natural, e sustentabilidade urbana Concluiu afirmando que o ordenamento do território é a gestão da interação Homem/espaço natural. Consiste no planejamento das estruturas urbanas, das ocupações, no potencial do aproveitamento das infraestruturas existentes e no assegurar da preservação de recursos limitados. Por fim, referindo-se à Revisão do Plano Diretor, destacou que sua revisão ou alteração exige expedientes análogos ao de sua elaboração, não dispensando nem a qualificação técnica, nem a participação democrática da sociedade. Nesse sentido, é instrumento técnico e é pacto social. Após uma explanação de caráter ilustrativo a respeito da Revisão do Plano Diretor de Curitiba, o palestrante, nas suas considerações finais, afirmou que apesar de todos os avanços institucionais e da adequada orientação disponibilizada pelos órgãos governamentais, o panorama existente no País revela enormes desigualdades, com um percentual reduzido de municípios adotando um planejamento urbano que possa ser considerado satisfatório. Como o 2º expositor previsto na programação, arquiteto Juliano Ximenes Pontes, não pôde comparecer, o coordenador do painel solicitou ao relator que tecesse algumas considerações sobre a palestra do arquiteto Miguel Ostoja Roguski e sobre o tema do painel de uma forma geral. Em suas considerações o relator iniciou fazendo algumas analogias entre o tema da palestra e a produção teórica na Economia. Citou, como exemplo, o 12º capítulo do livro A era da incerteza, de John Kenneth Galbraith, onde o autor faz um paralelo entre a economia e a arquitetura. Mencionou também o economista José Eli da Veiga, que, num de seus livros, questiona o critério de urbanização utilizado para fazer a classificação dos municípios brasileiros. Na sequência, o relator abordou a Economia Criativa, que tem a arquitetura como uma de suas áreas de interesse. A propósito da Economia Criativa, o relator citou os dois grandes gurus reconhecidos internacionalmente, Richard Florida, cuja análise baseada na ascensão da classe criativa focaliza mais de perto aspectos relacionados ao desenvolvimento urbano sustentável, e John Howkins, cuja análise tem caráter mais economicista e é mais voltada para a competitividade. O relator mencionou ainda dois livros de autoria da economista brasileira especializada em Economia Criativa, Ana Carla Fonseca Reis, um dos quais em parceria com Peter Kageyama, sobre cidades criativas. Referindo-se mais diretamente à palestra do arquiteto Miguel Ostoja Roguski, o relator enfatizou a inconstância do planejamento nas cidades brasileiras, que ora existe, ora não existe, caracterizando-se, mesmo nas localidades em que é praticado, pela reduzida conexão e enorme descontinuidade. Chamou atenção ainda para o descolamento das ações entre os diferentes níveis da administração pública. Fechando suas observações, o relator identificou várias disciplinas da grade curricular dos cursos de Economia que tratam – ou deveriam tratar – de aspectos pertinentes à reforma urbana, que foram mencionados na palestra do arquiteto Miguel Ostoja Roguski, entre as quais Economia Solidária, Economia Regional e Urbana, Economia Criativa, Economia Institucional (Law Economics), Economia Agrícola, Política Econômica, Elaboração e Análise de Projetos, além de aspectos da Microeconomia e da Macroeconomia, envolvendo Localização Industrial, Política Fundiária etc.