PROGRAMA AGENTE DO BEM: mobilização da educação formal e
informal na prevenção da dengue
Prof.ª M.ª Sirlei Sebastiana Polidoro Campos
Secretaria Municipal da Educação, Bauru/SP
e-mail: [email protected]
Comunicação Oral
Relato de experiência
Em março de 2008, em reunião do Comitê Ambiental de Controle de
Endemias (CACE), a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN)
apresentou resultados de visitas realizadas, durante a Semana Estadual de
Mobilização contra a Dengue, em unidades escolares municipais e estaduais,
constatando a presença de recipientes em condições de proliferação dos mosquitos
Aedes aegypti e albopictus. As escolas são consideradas imóveis especiais que são
imóveis não residenciais de médio e grande porte que apresentam maior
importância na disseminação do vírus da dengue, em situações de transmissão da
doença, em função do grande fluxo e/ou permanência de pessoas.
A Secretaria Municipal de Educação (SME), por meio de representantes no
CACE, elaborou o Projeto “Agente do Bem”, firmando parcerias com a Secretaria
Municipal de Saúde (SMS) e SUCEN, com o intuito de solucionar a problemática
abordada no CACE. Esse projeto pedia a participação de um funcionário de cada
escola, indicado coletivamente, com perfil para execução da atividade, passando a
ser denominado Agente do Bem.
Este Projeto entrou em vigor no ano de 2008, com palestra de apresentação
e orientação quanto ao trabalho a ser realizado, tornando-se um Programa contínuo
e objetivando dar continuidade ao mesmo, o Departamento de Planejamento,
Pesquisas e Projetos Educacionais (DPPPE) da SME inseriu na programação de
formação continuada cursos para os Agentes do Bem, iniciando com encontros
mensais, com duas turmas (matutino e vespertino) e carga horária de três horas.
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Ao longo dos anos a estrutura de formação continuada sofreu modificações;
passou para encontros bimestrais, retornando, depois para os encontros mensais. A
programação dos encontros foi sendo aprimorada de acordo com as avaliações dos
participantes e da equipe gestora do Programa.
A cada ano o curso recebeu titulação diferenciada, como “Agente do Bem:
sempre alerta!”; “Agente do Bem: aguçando o olhar”; “Agente do Bem:
responsabilidade permanente”; “Agente do Bem: cuidar do macro ao micro espaço”;
“Agente do Bem: aprimoramento constante” etc..
Objetivando dar credibilidade à ação formativa, a emissão de certificados
obedece às condições de presença confirmada por lista de assinatura e pela
exigência de 75% de presença. A certificação nos cursos é importante aliado para
que o funcionário participe, visando acrescentar o mesmo em seu currículo, o que
também auxilia nas avaliações de desempenho e progressão na carreira.
Os encontros iniciam-se com palestra temática com posterior debate sobre o
assunto. Os principais temas apresentados nas palestras foram: espaço escolar
como potencial ao desenvolvimento de vetores de doença, saúde ambiental,
zoonoses, poluição, prevenção de doenças, qualidade de vida, reaproveitamento de
materiais, a Dengue na cidade de Bauru, visitas técnicas e experiências de sucesso
nas unidades escolares.
A atividade principal do Agente do Bem é vistoriar semanalmente o ambiente
em busca de possíveis criadouros, registrando suas observações em boletim
próprio, procedimento este adotado para relato das ações, dificuldades e soluções
para os problemas diagnosticados.
A equipe gestora da escola, cientificada do boletim, deve solucionar as
demandas que não competem aos Agentes do Bem, tais como: capinação, limpeza
de caixas d’água e desobstrução de calhas, canaletas, lajes e outros. Este boletim é
entregue à equipe tripartite mensalmente, nos encontros de formação continuada,
para que analise, oriente e proponha soluções individuais e coletivas aos problemas
registrados.
Um indicativo de resultado positivo, deste Programa, foi apresentação de
soluções alternativas para evitar os criadouros, realizadas nas escolas, tais como:
E.V.A. nos ralos, telas nos canos de caixa d´água, massa de modelar nos ocos de
árvores etc... Estas soluções foram importantes para a execução do trabalho, pois
permitiram à equipe tripartite a aproximação com a realidade de cada unidade
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escolar, promovendo uma espécie de intercambio entre as diferentes realidades e
sendo possível maior resolução dos problemas.
Outro resultado satisfatório observado foi a integração que ocorreu nas
escolas quando o Agente do Bem passou a orientar e estimular a equipe, visando as
ações preventivas de controle à Dengue.
Além das escolas o Programa Agente do Bem foi estendido para outros
segmentos da SME, tais como: Sede Administrativa, Núcleo de Aperfeiçoamento
dos Profissionais da Educação Municipal (NAPEM), Centro de Educação de Jovens
e Adultos (CEJA) e Creches Conveniadas, possibilitando, dessa forma, disseminar
as informações e atitudes em prol da qualidade de vida.
O Programa Agente do Bem é fundamental para a manutenção do ambiente
escolar, em condições saudáveis, tanto para a sua comunidade quanto para o seu
entorno, além de expandir o conhecimento para outras localidades da cidade, visto
que irradia de acordo com a abrangência de atendimento aos alunos e moradia dos
funcionários. Esta ideia está de acordo com os conceitos preconizados por Brilhante
(1999), quando relata que o ambiente deve ser saúde a convivência de todos. Dessa
forma, o papel do Agente do Bem é de primordial importância como mediador das
mudanças comportamentais e atitudinais, em sua comunidade.
O êxito do Programa se concretiza pelo empoderamento das ações, no
ambiente escolar, como defesa do espaço de trabalho e também do ambiente de
vivência em prol da qualidade de vida e promoção da saúde (CARVALHO;
OLIVEIRA, 2007).
A troca de experiências, realizada durante os encontros, proporcionou aos
integrantes aprendizagem e foi avaliado pelos participantes como positivo, pois
possibilitou a resolução de problemas a partir de caminhos vivenciados no cotidiano.
Os funcionários da SMS, enquanto membros da equipe tripartite e
participantes dos Cursos de Formação Continuada, apontam que este Programa
facilitou as ações junto as UEs, em virtude da presença do Agente do Bem como
responsável pelo desenvolvimento das atividades de controle vetorial no espaço
escolar.
Importante destacar que o Programa de Controle da Dengue, do Estado de
São Paulo preconiza na atividade de Imóveis Especiais, ações educativas que
buscam a formação de brigadas anti Dengue, nas instituições públicas e privadas,
cadastradas nesta atividade.
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Os resultados alcançados apresentam-se de forma efetiva e sustentável,
tornando-se referência para outros segmentos da sociedade a fim de contribuir com
a diminuição da infestação dos vetores da Dengue, com índices não compatíveis
com a transmissão.
Um aspecto a ser implementado, neste Programa, pela equipe tripartite é a
prática associada à teoria estudada, nos encontros de Formação Continuada,
principalmente, nos espaços de trabalho dos Agentes do Bem para a melhoria das
ações de controle vetorial.
PALAVRAS-CHAVE: Mobilização; Educação formal e informal, Dengue.
AGRADECIMENTOS: Este trabalho foi desenvolvido em parceria com os
profissionais: Roldão Antonio Puci Neto (Secretaria Municipal de Saúde, Bauru/SP,
e-mail: [email protected]); Regina Célia de Oliveira (Superintendência de
Controle de Endemias, Bauru/SP, e-mail: [email protected]) e Marta
Domingues
Gueiros
(Secretaria
Municipal
de
Saúde,
Bauru/SP,
e-mail
[email protected]).
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Anésio Rodrigues de; OLIVEIRA, Mariá Vendramini Castrignano de.
Princípios Básicos do Saneamento do Meio. 9. ed. São Paulo: Editora SENAC,
2007.
BRILHANTE, Ogenis Magno. Gestão e avaliação da poluição, impacto e risco na
saúde ambiental. In: BRILHANTE, Ogenis Magno; CALDAS, Luiz Querino de A.
(RG.). Gestão e Avaliação de Risco em Saúde Ambiental. Rio de Janeiro:
FIOCRUZ, 1999. p. 19-73.
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