ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE FILMES BIODEGRADÁVEIS DE AMIDO DE MANDIOCA COM ADIÇÃO DE EXTRATO DE CASCA DE ABÓBORA E ÓLEO DE ORÉGANO K.S. Caetano1, C.P. Morais1, S.H. Flôres1, F.Cladera-Olivera1 1- Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalves, 9500 – Prédio 43.212 – Campus do Vale - CEP: 91501-970 - Porto Alegre – RS – Brasil, Telefone: 51- 3308-6684 - Fax: 51- 3308-7048 – e-mail: ([email protected]), ([email protected]), ([email protected]), ([email protected]) RESUMO – Existe uma crescente preocupação com a quantidade de resíduos gerados pelo consumidor e pela indústria, o que tem motivado pesquisadores a estudar novos tipos de embalagens que sejam biodegradáveis. Estas podem ser obtidas aproveitando resíduos da indústria alimentícia para conseguir filmes ativos, como por exemplo, filmes com atividade antioxidante. O objetivo deste trabalho foi produzir filmes à base de amido de mandioca com atividade antioxidante, através da adição de extrato de casca de abóbora e óleo de orégano. Os filmes foram produzidos pela técnica de casting, sendo testadas diversas formulações, variando as concentrações de extrato de casca de abóbora e óleo de orégano. Foram obtidos filmes com espessuras entre 0,169 e 0,218 mm, cor amarelada e com alta transparência. A atividade antioxidante dos filmes foram significativamente (p˂0,05) maior ao aumentar a concentração de óleo de orégano. ABSTRACT - There is growing concern about the amount of waste generated by the consumer and the industry, which has motivated researchers to study new types of packaging that are biodegradable. These can be obtained taking advantage of waste from the food industry to get active films, such as films with antioxidant activity. The objective of this work was to produce films based on cassava starch with antioxidant activity, by adding pumpkin peel extract and oregano oil. The films were produced by casting technique, and tested various formulations, varying the concentration of glycerol, pumpkin peel extract and oregano oil. Films were obtained with thicknesses between 0,169 and 0,218 mm, yellowish color and high transparency. The antioxidant activity of the films was significantly (p˂0, 05) higher by increasing the oregano oil concentration. PALAVRAS-CHAVE – Filme Biodegradável, Casca de abóbora, Óleo de orégano KEYWORDS - Film, Biodegradable, Peel Pumpkin, Oregano Oil 1. INTRODUÇÃO A preocupação em relação à necessidade de reduzir o uso de recursos não renováveis tem sido motivação de estudos para verificar materiais alternativos para embalagens e uma das opções, é o uso de filmes biodegradáveis (Nobrega et al. 2013). Além de atuar como barreiras protetoras, estes filmes podem ser utilizados como veículos de compostos bioativos, tais como agentes antimicrobianos e antioxidantes (Pastor et al. 2013). A incorporação de agentes antioxidantes nos filmes pode ser proveniente de matrizes alimentícias que possuem essa característica e até mesmo de resíduos, como a Realização Informações http://www.ufrgs.br/sbctars-eventos/ssa5 Fone: (51) 2108-3121 Organização casca de abóbora. A utilização dos resíduos de abóbora é importante para converter um material vegetal de baixo custo e abundante em produtos de alto valor (Shi et al. 2013), já que a casca de abóbora possui atividade antioxidante devido aos pigmentos presentes que contribuem para esta propriedade. Além disso, com o intuito de melhorar as propriedades de barreira dos filmes e atividade antimicrobiana, óleos essenciais são adicionados aos filmes. Esses óleos são ricos em compostos fenólicos e têm um amplo espectro de atividade antimicrobiana (Aguirre et al. 2013). Este trabalho tem como objetivo desenvolver filmes biodegradáveis a base de amido de mandioca com adição de extrato da casca de abóbora cabotiá e óleo de orégano e verificar a capacidade antioxidante, espessura e cor dos mesmos. 2. MATERIAIS E MÉTODOS A casca de abóbora Cabotiá foi doada pela empresa de minimamente processados, Degasperi Atacadista, localizada na cidade de Estrela-RS. Primeiramente foi obtido o extrato da casca de abóbora por trituração de 5 g de casca adicionadas de 20 mL de álcool etílico 70% utilizando o ultra-turrax IKA T25 digital por 10 minutos, em seguida foi centrifugado a 3500 g por 15 minutos obtendo-se o sobrenadante (extrato). Os filmes foram obtidos pela técnica de casting de acordo com Müller et al. (2008) com modificações, em que foram preparados 100 gramas de solução filmogênica com diferentes formulações (conforme mostra a Tabela 1) para avaliar a influência das concentrações do extrato da casca de abóbra e do óleo de orégano na atividade antioxidante dos filmes. A porcentagem de amido adicionado foi mantida fixa em 4% (p/p de solução filmogênica). Para conseguir homogeneizar o óleo de orégano na solução filmogênica foi utilizada lecitina de soja em uma concentração equivalente a 1/3 da quantidade de óleo. Tabela 1: Formulações para preparo dos filmes Formulação Extrato (%) Óleo de orégano/lecitina (%) Glicerol (%) 0,4 0,4 1,64 A 1,6 1,6 1,76 B 0 1 1,7 C 3 1 1,7 D 1,5 0 1,7 E 1,5 2 1,7 F A espessura dos filmes foi determinada utilizando-se um micrômetro digital (Modelo MDC-25, Mitutoyo Corp. Tokyo, Japão). A cor dos filmes foi determinada conforme Rotta et al. (2009) utilizando Colorímetro Chroma Meter CR-400 Konica Minolta (Japão), através dos parâmetros CIE L*a*b*. A diferença de cor em comparação ao padrão foi calculada pela Equação 1 (sendo utilizado como padrão os valores de branco L*:97,45, a*:12 e b*:1,69) (1) 𝛥𝐸 = √(𝛥𝐿∗ )2 + (𝛥𝑎∗ )2 + (𝛥𝑏 ∗ )2 A capacidade antioxidante do extrato e dos filmes produzidos, foi analisada por meio da capacidade em sequestrar o radical DPPH de acordo com Brand-Williams et al. (1995) com modificações. Para quantificação nos filmes foram recortados pedaços de 1cm² e adicionados 3,9 mL de solução de radical DPPH 0,06 mM, deixando reagir por 45 minutos e em seguida foi realizada a leitura das absorbâncias a 515nm. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram testadas seis formulações de filmes a base de amido de mandioca variando as concentrações de extrato de casca de abóbora e óleo de orégano. A atividade antioxidante do extrato de Realização Informações http://www.ufrgs.br/sbctars-eventos/ssa5 Fone: (51) 2108-3121 Organização casca de abóbora foi de 10,68± 0,21% de inibição do radical DPPH. Os resultados obtidos para a atividade antioxidante, espessura e cor dos filmes são mostrados conforme a tabela 2. Formulação A B C D E F Tabela 2: Atividade Antioxidante, Espessura e Cor dos filmes L* a* DPPH (%inibição) Espessura (mm) a acd 19,35±2,61 0,169±0,021 88,43 -0,21 46,09±0,22 b 0,182±0,017 abcde 86,15 -1,33 b cde 42,27±1,52 0,198±0,039 88,23 -0,44 43,27±2,82 b 0,191±0,024 cde 86,46 -2,01 cd a 2,73±0,32 0,152±0,013 88,25 -0,61 61,32±1,15 e 0,218±0,008 e 85,50 -1,70 b* 2,30 11,42 4,29 12,57 2,63 14,73 ΔE 15,19 20,00 15,70 20,86 15,63 22,37 Médias com letras diferentes na mesma coluna são significativamente diferentes de acordo com o teste de Tukey (p˂0,05). Em relação à atividade antioxidante dos filmes produzidos, pode-se observar que as formulações com porcentagens maiores de óleo de orégano foram as que apresentaram maior porcentagem de inibição do radical DPPH, sendo que entre os filmes C e D não houve diferença significativa (p>0,05), indicando que o extrato da casca de abóbora adicionado, nas concentrações testadas, não interferiu na atividade antioxidante do filme. Segundo Moradi et al. (2012) o poder antioxidante do filme é proporcional à quantidade de aditivos antioxidantes adicionados, isso pode justificar os resultados obtidos, quanto maior a quantidade de óleo, maior foi o percentual de inibição do radical DPPH. Noronha et al. (2014) obteve filmes a base de metilcelulose com adição de α-tocoferol com porcentagens de inibição próximas às obtidas neste trabalho (entre 30 e 60%). A espessura dos filmes obtidos variou entre 0,152 e 0,218 mm, aumentando de forma significativa ao aumentar a concentração de óleo de orégano (comparando formulações E e F) mas não sendo influenciada pela concentração de extrato da casca de abóbora (comparando formulações C e D). Segundo Cuq et al. (1996) e Mahmoud e Savello (1992) a espessura dos filmes tem influência nas propriedades dos mesmos. Reis et al. (2014) e Kechichian et al. (2010) produziram filmes a base de amido de mandioca com espessuras inferiores às obtidas neste trabalho (com valores entre 0,077 e 0,221 mm). Com relação à análise de cor, os valores positivos de b* significam que os filmes são mais amarelados, sendo que os maiores valores são das formulações que possuem maior quantidade de extrato e óleo de orégano. Isso faz com que os valores de ΔE também aumentem, sendo que quanto maior esse valor, mais escuros são os filmes. Valores altos de L* indicam transparência, portanto pode-se dizer que os filmes possuem alta transparência, com valores similares aos encontrados por Razavi, et al. (2014) em filmes de goma de semente de sálvia. Ghanbarzadeh et al. (2010) obtiveram resultados similares para cor em filmes a base de amido e carboximetilcelulose. 4. CONCLUSÕES Com base nos resultados, pode-se concluir que filmes obtidos com amido de mandioca com a adição de extrato de casca de abóbora e óleo de orégano podem ser uma alternativa para utilização de embalagens bioativas, no entanto, devem ser testados extratos de casca de abóbora com concentrações maiores. Obteve-se alta transparência, o que interfere pouco na aparência do produto e uma das formulações apresentou capacidade de inibição do radical DPPH superior a 60%, podendo aumentar a vida de prateleira de alimentos, principalmente protegendo da oxidação lipídica em alimentos gordurosos. 5. AGRADECIMENTOS Este trabalho foi financiado pela FAPERGS. Realização Informações http://www.ufrgs.br/sbctars-eventos/ssa5 Fone: (51) 2108-3121 Organização 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIRRE, A.; BORNEO, R.; LEÓN, A. E. Antimicrobial, mechanical and barrier properties of triticale protein films incorporated with oregano essential oil. Food Biosci., v. 1, p. 2-9, 2013. BRAND-WILLIAMS, W.; CUVELIER, M. E.; BERSET, C. Use of a free radical method to evaluate antioxidant activity. LWT - Food Sci. Technol., v. 28, n. 1, p. 25-30, 1995. CUQ, B.; GONTARD, N.; CUQ, J. L.; GUILBERT, S. Functional properties of myofibrillar proteinbased biopackaging as affected by film thickness. J. Food Sci., v. 61, n. 3, p. 580-584, 1996. GHANBARZADEH, B.; ALMASI, H.; ENTEZAMI, A. A. Physical properties of edible modified starch/carboxymethyl cellulose films. Innov. Food Sci. Emerg. Technol., v. 11, n. 4, p. 697-702, 2010. KECHICHIAN, V.; DITCHFIELD, C.;VEIGA-SANTOS, P.;TADINI, C. C. 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