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Autor: Rosa Maria de Souza Palma
NRE: Maringá
Escola: Colégio Estadual Olavo Bilac
Disciplina: Geografia
| ( ) Ensino Fundamental ( x ) Ensino Médio
Disciplina da relação interdisciplinar 1: História
Disciplina da relação interdisciplinar 2: Sociologia
Conteúdo estruturante : Dinâmica Cultural e Demográfica
Conteúdo específico: Geografia Urbana
CIDADE E BAIRRO
Você sabia que cada pessoa percebe de forma diferente o ambiente onde
vive? E você? Como percebe o seu bairro ou cidade? É um lugar agradável ou
desagradável? O que poderia tornar o seu bairro um lugar melhor?
ÚLTIMO CENSO ALERTA. . .
Segundo o último censo demográfico realizado pelo IBGE (2000), 81,2% da
população brasileira vive em áreas urbanas.
Então, é provável que você more em uma cidade, e mesmo que não, terá
uma idéia de como são as cidades, já que o avanço tecnológico no setor de
comunicação permite que distâncias sejam encurtadas e quase todos os lugares
conhecidos.
Diante do fato exposto acima, podemos fazer as seguintes indagações: você
já observou a cidade ou mais precisamente o bairro onde mora? Você consegue
perceber as relações sócio-econômicas e ambientais existentes na paisagem que
observa? Qual o seu sentimento em relação ao bairro ou a cidade onde você vive?
Para auxiliar sua reflexão vamos relembrar alguns conceitos importantes.
O QUE É UMA CIDADE?
A maioria de nós somos seres urbanos, vivemos em cidades, no entanto,
talvez tenhamos dificuldades para definir ou explicar o que é uma cidade ou um
bairro. Segundo o conceito formulado por Pierre George (1983, p.76):
O bairro é a unidade de base da vida urbana (...) O morador refere-se ao seu
bairro quando quer situar-se na cidade; tem a impressão de ultrapassar um
limite quando vai a um outro bairro. (...) Finalmente, e não é o menos
importante, o bairro tem um nome que lhe confere uma personalidade.
Podemos entender o bairro como o espaço de vivência dentro da cidade,
onde ocorrem as relações de vizinhança, de lazer, de encontros com amigos, enfim,
situações comuns do cotidiano que criam nos indivíduos laços de identidade com
aquele lugar.
Lugar que, de acordo com Carlos (1996, p.20) “é o espaço passível de ser
sentido, pensado, apropriado e vivido através do corpo”.
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Sendo assim, entendendo o bairro como lugar, cada morador irá percebê-lo
de certa forma e a partir daí interagir, desfrutar e cuidar desse espaço de maneira
diferente.
Com relação ao conceito de cidade não há um padrão mundial que defina o
que é uma cidade. Esta definição varia de um país para outro. Geralmente uma
cidade consiste no agrupamento de áreas com funções diversas, como:
residenciais, comerciais e industriais.
Para a ONU, um aglomerado com mais de 20 mil habitantes é considerado
uma cidade. No entanto em alguns países, esse número pode ser menor: na
França (2 mil habitantes); na Espanha (10 mil habitantes). Já no Brasil, toda sede
de município é, independente do número de habitantes, considerada uma cidade.
O arquiteto e urbanista Omar Dalank têm a seguinte definição de cidade:
Definindo de forma simplista, tecnicamente uma cidade é um aglomerado
de seres. Sua estrutura e complexidade são maneiras de manter
apenas essa aglomeração estável, e não sua origem. Não habitamos uma
cidade, nós a compomos. E se compomos o meio onde vivemos, atuamos
nele. Portanto, parece-me razoável conhecer um pouco mais sobre
esse meio e seu funcionamento, buscando entender as inter-relações
entre essas pequenas células que somos nós nesse complexo
organismo. Perceber que ninguém vive só e independente de outro ser ou
meio, seja qual for, é um grande passo na direção de um mundo mais
equilibrado, formado por uma humanidade mais prudente e
consciente de seu papel no ecossistema do planeta. (Dalank, 2001).
Quanto a sua origem as cidades podem ser espontâneas, se surgiram
naturalmente de pequenos núcleos urbanos, ou planejados se foram construídas
através de um projeto feito anteriormente.
PESQUISA
Em grupos e com a orientação do seu professor pesquise junto à prefeitura se a
cidade e o bairro onde você mora foram planejados ou surgiram
espontaneamente. Registre também a data de fundação e o número de
habitantes dos mesmos. Cada grupo pode fazer uma lista contendo as
características do bairro pesquisado e informações sobre o seu desenvolvimento
desde a fundação até a atualidade. Exponha os resultados da sua pesquisa em
sala de aula.
Como você viu, os conceitos sobre cidade são diversos e variam de acordo
com os diferentes países e também em relação aos autores.
Você pode pesquisar outros conceitos e encontrar o que melhor caracteriza
sua cidade e seu bairro.
Vamos agora voltar no tempo, para ter uma idéia de como eram e como
viviam as pessoas nas primeiras cidades e se estas possuem semelhanças ou
diferenças em relação às cidades da atualidade, inclusive com a cidade em que
você vive. Para isto leia o texto a seguir:
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CIDADES DA ANTIGUIDADE
■ Gabriela Cabral
As primeiras cidades que se conhece foram erguidas em aproximadamente, 4000 a.C.
nas proximidades do Rio Eufrates, na Mesopotâmia, para aproveitar as terras férteis
que o rodeavam, assim, plantavam de tempos em tempos, pois as civilizações eram
seminômades. O objetivo da criação das cidades era ter poder firmado nas mãos de
uma só pessoa e para isso construíam edificações rodeadas por muralhas com a
finalidade de cercar seu território e ter a cidade controlada pelo rei. Esse demonstrava
seu grande domínio em pirâmides, palácios, templos e outras construções.
Os habitantes das cidades tinham o rei como autoridade divina que representava os
deuses na terra e este habitava num palácio juntamente com seus descendentes e
serviçais ao lado do templo de adoração aos deuses. Também tinha controle sobre os
celeiros da região que estocava grande quantidade de alimento e permitia que seus
serviçais dividissem entre a população em tempo de seca para aumentar seu prestígio
e poder.
O rei ordenava que lhe fosse pago certa quantia relacionada a impostos, impunha leis
que lhe eram cômodas, fazia com que o povo trabalhasse como forma de servidão e
ao mesmo tempo protegia o povo das invasões externas que porventura poderiam
acontecer. Ao rei também cabia a decisão da guerra como forma de dominar e destruir
outras cidades e matar aqueles que iam contra sua vontade.
O povo já utilizava animais para auxiliá-los na produção e na locomoção da colheita e
se dedicavam ao artesanato e ao comércio.
Fonte:
http://www.historia.do.mundo.com.br/curiosidades/cidades-na-antiguidade.
Acesso em 03 de Outubro de 2007.
Então! Será que você consegue ter uma idéia de como eram as cidades
antigas?
Em duplas listem os aspectos mais relevantes que vocês perceberam
através do texto e discutam se há semelhanças ou diferenças entre as cidades
antigas e as da atualidade.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E AS TRANSFORMAÇÕES DAS
CIDADES
Depois da discussão proposta anteriormente, você deve ter percebido que as
cidades passaram por muitas transformações até chegar à atualidade. Porém, em
nenhum outro período da História, as cidades sofreram tantas alterações como no
da Revolução Industrial, que se iniciou a partir do século XVIII na Inglaterra e
expandiu-se para o mundo.
Desde
o
início,
a
indústria Revolução Industrial: conjunto de
estabeleceu-se
como
uma
atividade inovações cientifica e tecnológicas
essencialmente urbana, por isso houve um que alteraram as formas e os
deslocamento intenso de trabalhadores do processos de produção de bens de
campo para a cidade, originando o processo consumo e serviços, causando
de urbanização, que começou com a repercussões sociais, econômicas,
Revolução Industrial e acontece até os dias culturais e espaciais.
de hoje, atingindo os lugares de forma
desigual.
Este processo de industrialização e a conseqüente urbanização provocaram
a aglomeração de pessoas, operários em sua maioria, em bairros onde as
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condições de vida eram quase insuportáveis, como você pode ver, lendo o texto a
seguir:
AS CONDIÇÕES DE VIDA DOS BAIRROS OPERÁRIOS DAS CIDADES INGLESAS
O pensador alemão Friedrich Engels (1820-1895) analisou de perto a situação de vida
da classe trabalhadora em Manchester, Inglaterra, em 1845.
“(...) Além disso, nos intervalos, há fábricas à beira dos cursos de água. Em resumo, aqui
a disposição das casas é tão desordenada e apertada como na parte baixa de Millgate.
À esquerda e à direita, um grande número de passagens cobertas conduzem da rua
principal aos numerosos pátios e, assim que aí penetramos, ficamos rodeados por uma
sujeira e uma sordidez repugnantes, sem comparação com nada que eu conheça,
particularmente nos pátios que descem para o Irk e onde, na realidade, se encontram as
piores habitações que me foi dado ver até hoje. Num destes pátios, precisamente na
entrada, na extremidade do corredor coberto, há banheiros sem porta, e tão sujos que os
habitantes para entrarem ou saírem do pátio têm de atravessar um charco de urina
pestilenta e de excrementos que rodeia estes locais; é o primeiro pátio à beira do Irk,
acima da Dulce Bridge, caso alguém deseje ir vê-lo; embaixo, nas margens do curso de
água, há várias fábricas de curtumes que empesteiam toda a região com o fedor que
emana da decomposição das matérias orgânicas.
Nos pátios abaixo da Dulce Bridge é preciso frequentemente descer escadas estreitas e
sujas e atravessar montes de detritos e de imundícies para atingir as casas.”
(Engels,1985, p. 61-62).
ATIVIDADES
O texto acima relata a situação de um bairro operário inglês, mas isso não
aconteceu apenas na Inglaterra, e sim, em todos os lugares onde se
desenvolveu o sistema fabril. Após ler o texto analise os seguintes pontos:
●Que idéia o autor faz do bairro?
●Quais são os problemas observados pelo autor?
●Em sua opinião quais conseqüências estes problemas acarretam aos
moradores do bairro?
●Você acha que hoje ainda é possível encontrar bairros nessas condições?
●Registre sua análise.
PESQUISA
Consulte o acervo bibliográfico das disciplinas de História e Sociologia, e pesquise
sobre as condições de vida nos bairros operários de cidades de outros países
(como França ou Estados Unidos, por exemplo), no período da Revolução
Industrial.
AS CIDADES CRESCEM... E OS PROBLEMAS URBANOS
TAMBÉM...
Nos países subdesenvolvidos, foi após a Segunda Guerra Mundial, na
década de 1950, que o processo de urbanização acelerou, gerando imensos
aglomerados urbanos, caracterizados pela dissonância entre o crescimento
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acelerado da população e a limitada capacidade do poder público de proporcionar
infra-estrutura e serviços necessários, aumentando a pobreza, nas mais variadas
formas. No Brasil, a partir da década de 1960 até final dos anos 80, acelera-se o
crescimento demográfico urbano, devido ao intenso fluxo migratório rural-urbano.
Imagine você que num período de vinte anos (1960 até 1980), calcula-se que
deixaram as áreas rurais em direção às cidades quase 43 milhões de pessoas,
incluindo os filhos que estes migrantes rurais tiveram nas cidades.
Observe o gráfico que mostra o processo de urbanização do Brasil:
BRASIL: POPULAÇÃO RURAL E URBANA 1950-2000 (%)
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
RURAL
URBANA
1950
1960
1970
1980
1991
2000
Fonte: IBGE, 2001 – Gráfico organizado por Rosa Maria de Souza Palma.
Analisando o gráfico você pode perceber que a urbanização brasileira foi
intensa e rápida, apoiando-se principalmente no êxodo rural, que envolve dois
fatores interligados: a repulsão da força de trabalho do campo e a atração da força
de trabalho para as cidades. Outra característica do processo de urbanização do
Brasil é que foi essencialmente concentrador, ou seja, gerou metrópoles e grandes
cidades.
PESQUISA
Pesquise em livros didáticos de Geografia para o Ensino Médio outros motivos que
causaram o êxodo rural (por exemplo; mecanização do campo, estrutura fundiária,
condições de trabalho no campo, etc.). Procurem também quais são as áreas
metropolitanas brasileiras, acessando o site do IBGE, no endereço
www.ibge.gov.br.
Podemos notar é que os espaços urbanos são cada vez maiores.
Urbanização, metrópoles, cidades grandes, será que tudo isso tem um preço?
Pense a respeito dos contrastes existentes nas cidades em geral, e discuta
com seu professor e seus colegas, se alguns deles estão presentes em sua cidade.
Sabemos que com o crescimento urbano, cresceram também os problemas
urbanos. E eles não existem só em cidades grandes. Estão presentes em cidades
pequenas também. São problemas como: falta de infra-estrutura, saúde, educação,
transportes públicos, moradia, e outros tantos que passaremos a estudar agora, e
que talvez você identifique alguns na cidade onde mora.
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CIDADES DORMITÓRIOS... O CASO DE SARANDI NO NORTE
DO PARANÁ
Nas metrópoles a população de baixa renda geralmente concentra-se nas
áreas periféricas. Nas cidades de porte médio do interior, ocorre um fenômeno
distinto, onde a população carente, em grande parte, é forçada a se fixar nas
cidades próximas. Esse fenômeno ocorre em duas cidades que citaremos a seguir.
A cidade de Maringá localiza-se no norte do Paraná, e, é considerada pólo
regional do estado. A sua volta estão várias cidades menores, extremamente
dependentes do centro e que funcionam como cidades dormitórios.
Nessa situação surgiu Sarandi, ás margens da Br 376, no norte do Paraná, É
uma das cidades que mais crescem no Paraná, sendo seu crescimento
populacional superior a 4% a.a, segundo o IBGE (2000). É considerada uma cidade
dormitório, porque a maior parte da população trabalha e busca outros serviços em
Maringá, já que Sarandi não tem capacidade para absorver toda a mão de obra
existente e nem oferece os serviços como educação, saúde, lazer e outros a todos
os seus habitantes. Nesse sentido, dizemos que Sarandi teve seu crescimento
populacional e espacial em função da cidade de Maringá.
E então, você já tinha ouvido falar em cidades dormitórios? Sabia que elas
são muito freqüentes? Será que a sua cidade não funciona como dormitório de
outra? Você conhece as cidades citadas no exemplo ou sabe de algum fato
relacionado a elas?
Você pode visualizar melhor a localização de sarandi e outras cidades
dormitórios de Maringá, no endereço eletrônico:
http://webcarta.net/carta/geo.
O município de Sarandi possui uma área de 113.350 km2. Atualmente sua
população é de cerca de 70 mil habitantes, sendo que quase todos vivem na área
urbana. Seu crescimento populacional é o segundo maior do estado, em torno de
6,8% a.a ( segundo o IBGE, 2000). Elevado à categoria de município em 1981, já
apresentava inúmeros problemas, dentre eles a falta de infra-estrutura, que se
intensificou à medida que surgiram vários loteamentos desordenados e alguns
irregulares. Atualmente a cidade possui 85 bairros, e na maioria deles observa-se a
carência de infra-estrutura e de serviços essenciais à população.
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Como exemplo, citaremos um bairro de Sarandi, chamado Conjunto
Residencial Vale Azul. Este conjunto habitacional foi construído em 1990, em
convênio com a Prefeitura Municipal de Sarandi e o governo federal, através da
Caixa Econômica Federal. As casas deste conjunto foram construídas com área de
27,04 m². Muitas destas casas continuam com o tamanho original, outras foram
ampliadas por seus moradores. São 582 residências com aproximadamente 2200
moradores. Com relação à infra-estrutura, os moradores do conjunto sofrem com a
falta de asfalto e calçadas, rede de esgotos, coleta de lixo inadequada, etc., além
da falta de serviços como escolas e postos de saúde que atendam a toda a populaç
Veja a seguir fotos do Conjunto Residencial Vale Azul:
fonte: Acervo pessoal – Rosa Maria de Souza Palma foto1-vista da rua
Fonte: Acervo pessoal – Rosa Maria de Souza Palma
foto2-vista da avenida
E você? Conhece bem a cidade onde mora? Você gosta da sua cidade, do
seu bairro e da sua rua? Em sua opinião, quais são os lugares agradáveis e
desagradáveis da sua cidade? Você consegue perceber isso?
ATIVIDADES
Com a orientação do seu professor, reúnam-se em grupos, e definam uma área
da sua cidade para fazer um levantamento dos problemas existentes. Pode ser
um bairro ou uma rua, que deverá ser demarcada em uma planta da cidade.
Identifique através da observação e da percepção os problemas mais relevantes,
quanto à habitação, saneamento básico, tratamento do lixo, cuidados com o meio
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ambiente, etc. Localize estes problemas na planta, que poderá ser desenhada por
vocês, inclusive com título e legenda. Apresente seu trabalho e conclusões para a
sala.
PRINCIPAIS PROBLEMAS URBANOS
SUA CASA, SEU ACONCHEGO, SUA PAZ...
Você já percebeu a sensação de segurança e tranqüilidade que podemos ter
por possuirmos uma casa, de onde podemos sair e retornar todos os dias?
Sabia que esta realidade não existe para grande parte da população
brasileira?
A rápida urbanização das cidades brasileiras causou um problema de difícil
solução, que é a falta de moradia, ou a existência de moradias insalubres, ou ainda
com algum tipo de risco, sendo habitadas por pessoas que foram empurradas para
a periferia dos centros urbanos, ou para cidades dormitórios, como no exemplo
citado, em relação às cidades de Maringá e Sarandi.
Você consegue imaginar a razão das cidades se organizarem assim? Tendo
no centro populações que habitam as melhores moradias e na periferia as
habitações piores?
A fim de buscar resposta às questões, vamos fazer uma rápida retrospectiva.
As cidades urbanizaram-se rapidamente após a instalação das indústrias, que
ocuparam o espaço urbano, fazendo com que as pessoas saíssem do campo rumo
às cidades, em busca de trabalho. A partir daí criou-se a necessidade de morar
próximo ao trabalho, sendo necessário alugar ou comprar uma casa. O trabalhador
de baixo poder aquisitivo, não tendo como morar no centro das cidades devido ao
alto valor do imóvel é obrigado a residir nas áreas mais distantes.
Vemos, então, que o surgimento dessas moradias precárias, sem infraestrutura ou em locais de riscos ocorre por uma razão de mercado. Mas, o Estado
também compactua com isso, construindo conjuntos habitacionais nas periferias,
quando há terrenos vazios próximos ao centro das cidades. As empresas
imobiliárias também participam desse processo, ao lotear áreas da cidade de
acordo com interesses particulares, muitas vezes reservando certos espaços até
que estes sejam beneficiados por melhorias, a fim de serem vendidos por maior
valor.
Pense nas conseqüências que as populações das periferias sofrem devido a
este jogo de interesses que ocorrem no espaço urbano. Será que estas pessoas
percebem que são vítimas desse sistema econômico excludente?
PESQUISA
1- Faça uma pesquisa em livros de Geografia e Sociologia do Ensino Médio, ou
em sites sobre Problemas Urbanos, a respeito das favelas nos grandes centros
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urbanos, destacando os aspectos econômicos e a qualidade de vida da
população desses locais.
2- Pesquise em jornais da sua cidade, nos classificados de imóveis, como é a
relação de oferta e procura de imóveis; a diferença de valor entre os imóveis em
função de sua localização; quais são as imobiliárias que se destacam e como são
as propagandas feitas pelas mesmas. Exponha sua pesquisa em sala de aula.
A imagem a seguir mostra uma parte de um conjunto habitacional, localizado na
cidade de Sarandi, Observe a foto e faça as atividades solicitadas.
Fonte: Acervo pessoal – Rosa Maria de Souza Palma
foto2-entorno parcial do bairro
ATIVIDADES
●Na sua cidade você já observou algum lugar parecido com o da foto?
●Na sua percepção quais são as principais carências dessa população em
relação ao espaço físico que ocupam?
●Descreva como você imagina que seja o sentimento dessas pessoas em
relação ao bairro em que residem.
●Discuta e compare suas idéias com as dos colegas em sala de aula.
É PRECISO MORAR... COM QUALIDADE DE VIDA...
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Você já deve ter ouvido falar em saneamento básico. Isso lembra saúde e
higiene, condições imprescindíveis para se ter qualidade de vida.
O saneamento básico refere-se às condições mínimas necessárias para se
ter saúde e higiene, como fornecimento de água potável e o tratamento de resíduos
(esgoto e lixo), produzidos pelas pessoas.
Não é preciso pensar muito para concluir que o fornecimento de água
potável, está diretamente ligado a maneira como se é tratado o esgoto e o lixo, uma
vez que estes podem ser poluidores das fontes abastecedoras de água. E que
água, esgoto e lixo tratados corretamente, significam saúde para a população,
principalmente para as crianças, diminuído inclusive, a taxa de mortalidade infantil.
Viver em um lugar onde se tenha as condições de saneamento mínimas
necessárias, é de responsabilidade do poder público, ou das pessoas que ali
residem? O que você pensa disso?
As fotos a seguir são do Conjunto Residencial Vale Azul e mostram uma
realidade que acontece em muitos bairros de muitas cidades.
Fonte: Acervo pessoal – Rosa Maria de Souza Palma foto3-lixo
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Fonte: Acervo pessoal – Rosa Maria de Souza Palma
foto4-igreja
ATIVIDADES
●Na sua cidade ou bairro você já observou as situações mostradas nas fotos?
●Quais as conseqüências que os problemas mostrados, podem trazer para as
pessoas que vivem no bairro?
●Você acha que esta população se sente ou pode ser responsabilizada por estes
problemas?
●Pense em possíveis soluções para os problemas vistos nas fotos.
●Exponha suas idéias para o professor e os colegas em sala de aula.
VOCÊ CIRCULA MUITO POR AÍ ??? E VAI DE QUE ???
Vimos que a urbanização criou grandes aglomerações humanas. Espaços
geográficos ocupados por milhões de pessoas que necessitam efetuar
deslocamentos diários. Isso significa muitas pessoas, mais carros, mais poluição e
mais tempo para chegar ao destino. E assim, vemos diariamente nos meios de
comunicação grandes congestionamentos e a freqüência assustadora de acidentes
nas cidades do Brasil e do mundo, sem falar nos problemas causados ao ambiente
e a qualidade de vida das pessoas.
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Se nas áreas metropolitanas o problema é gerado pelo grande número de
veículos, nas cidades pequenas muitas pessoas sofrem com a falta de transportes
coletivos, principalmente quem mora nos bairros mais afastados do centro, onde a
circulação desse tipo de condução é precária.
PESQUISA
Procure em jornais, revistas ou sites, reportagens que falam sobre o problema
dos transportes, e suas implicações na vida social das pessoas e na qualidade
ambiental dos grandes centros urbanos. Apresente sua pesquisa em sala de aula
e discuta qual é o papel de cada um para efetuar mudanças nesta realidade.
SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, LAZER... NECESSIDADE DE TODOS...
ACESSO A ALGUNS...
Não é preciso expor dados numéricos para discorrer sobre a problemática
dos serviços públicos no Brasil. Com certeza, você já ouviu nos meios de
comunicação e mesmo nas conversas do dia-a-dia, as pessoas reclamarem da falta
ou da precariedade de alguns serviços como: saúde, educação, segurança, lazer.
A carência desses serviços está associada ao crescimento urbano rápido e
desordenada, mas também a ineficiência dos órgãos públicos responsáveis pela
aplicação de verbas e planejamento urbano.
Em quase todas as cidades, podemos observar que nos bairros mais
afastados do centro, a inoperância destes serviços é maior, justamente aí, onde as
populações são mais carentes e dependem exclusivamente dos serviços públicos
para ter acesso à educação, saúde, segurança e lazer, que são além de uma
necessidade, um direito de todos.
Em sua cidade ou no seu bairro estes serviços públicos estão presentes?
Seria a ausência destes serviços uma forma de exclusão social?
PLANEJAMENTO URBANO. UM DESAFIO DE TODOS.
Através de um rápido olhar sobre a cidade ou observando nosso cotidiano é
possível perceber com quantos problemas convivemos no nosso bairro ou cidade.
Diante desta situação, e pela necessidade, mais do que pelo direito, as populações
reclamam por melhorias. Com isso temos ouvido cada vez mais na mídia, palavras
como urbanismo ou planejamento urbano.
Seriam estes mecanismos, capazes de aplacar ou sanar os problemas, que
muitas vezes estão tão próximos de nós?
Analisando o significado do termo, vemos que planejamento urbano refere-se
a criação e desenvolvimento de programas, a fim de melhorar a qualidade de vida
da população, dentro de uma área urbana. E nesse sentido, através do
planejamento urbano muito poderia ser feito em termos de readequação de
espaços físicos e distribuição de serviços de forma igualitária.
Só que para atingir seus objetivos, os planejadores urbanos, que buscam
melhorias, vendo a cidade como um todo, precisam agir junto às prefeituras (que
precisam disponibilizar verbas a serem aplicadas), e junto à comunidade (que deve
revelar suas necessidade prioritárias). E isso não é questão de querer, é lei.
As prefeituras devem elaborar um plano diretor para a cidade, observando
as necessidades atuais e as futuras, com a participação de vários profissionais e de
representantes da sociedade civil.
Será que as pessoas sabem desse direito? Será que através da exigência do
cumprimento desse direito podem melhorar suas vidas?
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Com este Folhas esperamos ter despertado em você a necessidade de
observar e perceber sua rua, bairro e cidade, a fim de tomar consciência dos
problemas, das dificuldades ou dos benefícios e alegrias que o seu “ambiente”
proporciona a você. Conhecendo melhor o lugar onde vivemos, podemos propor
mudanças e atingir qualidade de vida melhores.
PESQUISA
Reúnam-se em grupos e pesquise as características de seu bairro ou da rua
onde você mora. Com a ajuda de seu professor elabore um questionário, com
perguntas sobre as condições de infra-estrutura, saneamento básico e serviços
públicos presentes no bairro. Pergunte também sobre os sentimentos de afeição
ou rejeição dos moradores em relação ao bairro e de suas perspectivas em
relação às melhorias. Apresente seu trabalho ao professor e seus colegas em
sala de aula.
Referências Bibliográficas
CARLOS, Ana Fani Alessandri. O lugar no / do mundo. São Paulo: Hucitec, 1996.
DALANK, Omar. Cidade: Qual a definição? Revista Ecos e Urbanus. CEFLE
(Centro de Estudos Filosóficos Laboratório Evolutivo). São Paulo, 2001. Disponível
em: <http://www.cefle.org.br >. Acesso em 24 de setembro de 2007.
ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo:
Global, 1985. p. 61-62.
GEORGE, Pierre. Geografia Urbana. Tradução Grupo de Estudos Franceses de
Interpretação e Tradução. São Paulo: Difel, 1983.
IBGE. Anuário Estatístico do Brasil. Sinopse Preliminar de Censo Demográfico
2000. Rio de Janeiro, 2001.
SARANDI. Prefeitura do Município. Resumo Histórico do Município de Sarandi.
Disponível em: http://www.gov.br. Acesso em 20 de outubro de 2007.
Obras Consultadas
ALMEIDA, Lucia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Geografia-Série
Novo Ensino Médio. São Paulo: Moderna, 2001.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas,
1999.
KRAJEWSKI, Ângela Corrêa; GUIMARÃES, Raul Borges; RIBEIRO, Wagner Costa.
Geografia: Pesquisa e Ação. São Paulo: Moderna, 2000.
VENTURI, Luis Antonio Bittar. Praticando Geografia: Técnicas de Campo e
Laboratório. São Paulo: Oficina de Textos, 2005.
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Autor: Rosa Maria de Souza Palma