UNIVERSIDADE POSITIVO DÉBORA CRISTINA RUON MARCOS AURÉLIO VERONESI PROJETO E CONSTRUÇÃO DE UM TÚNEL DE VENTO SUBSÔNICO PARA O LABORATÓRIO DIDÁTICO DE MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA DA UNIVERSIDADE POSITIVO CURITIBA 2010 DÉBORA CRISTINA RUON MARCOS AURÉLIO VERONESI PROJETO E CONSTRUÇÃO DE UM TÚNEL DE VENTO SUBSÔNICO PARA O LABORATÓRIO DIDÁTICO DE MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA DA UNIVERSIDADE POSITIVO Relatório Final de Trabalho de Conclusão de curso apresentado ao curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo como parte dos requisitos graduação. Orientador: Prof. Maurício Dziedzic CURITIBA 2010 para 3 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... 5 LISTA DE TABELAS ................................................................................................... 7 AGRADECIMENTOS .................................................................................................. 8 RESUMO..................................................................................................................... 9 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 10 1.1 Objetivos ..................................................................................................... 12 1.1.1. Objetivo geral......................................................................................... 12 1.1.2. Objetivos específicos ............................................................................. 12 1.2 2 REVISÃO DA LITERATURA .............................................................................. 14 2.1 História e utilização do Túnel de vento ....................................................... 14 2.2 Análise dimensional e semelhança ............................................................. 22 2.2.1 Princípios da Semelhança ..................................................................... 24 2.2.2 Critério de Semelhança de Reynolds .................................................... 27 2.2.3 Critério de Semelhança de Froude ........................................................ 30 2.2.4 Critério de Semelhança de Euler ........................................................... 32 2.2.5 Critério de Semelhança de Mach........................................................... 34 2.2.6 Critério de Semelhança de Weber ......................................................... 36 2.3 Regime Laminar e Turbulento ..................................................................... 39 2.4 Escoamento ao redor de corpos imersos.................................................... 41 2.4.1 Forças Sobre Corpos de Sustentação ................................................... 42 2.4.2 Arraste e sustentação ............................................................................ 43 2.5 3 Justificativa ................................................................................................. 13 Turbulência ................................................................................................. 45 METODOLOGIA ................................................................................................ 46 4 4 PROJETO DO TÚNEL ....................................................................................... 47 4.1 Vista Lateral e Superior............................................................................... 47 4.2 Módulo 01 – Entrada de Ar ......................................................................... 48 4.3 Módulo 02 – Estabilização e Seção de Testes ........................................... 49 4.3.1 Estabilização.......................................................................................... 49 4.4 Seção de Testes ......................................................................................... 52 4.5 Módulo 03 ................................................................................................... 54 4.6 Mesa ........................................................................................................... 55 4.6.1 Apoio do Motor e Hélice ........................................................................ 56 5 EXECUÇÃO DO PROJETO ............................................................................... 58 6 ROTEIROS DE AULA ........................................................................................ 66 6.1 Roteiro 01 ................................................................................................... 66 6.2 Roteiro 02 ................................................................................................... 68 7 RESULTADOS ................................................................................................... 71 8 CONCLUSÃO .................................................................................................... 74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 75 ANEXO ...................................................................................................................... 77 5 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Primeiro túnel de vento, construído por Wenham ...................................... 14 Figura 2: Túnel de Vento construído pelos irmãos Wright ......................................... 15 Figura 3: Modelo de Asa ........................................................................................... 15 Figura 4: Primeiro túnel de vento portátil ................................................................... 16 Figura 5: Túnel de Vento de Joaquim Blessmann. .................................................... 16 Figura 6: Circuito aerodinâmico do túnel de vento. ................................................... 17 Figura 7: Túnel de vento hipersônico T3. .................................................................. 17 Figura 8: Túnel de vento hipersônico T3 ................................................................... 18 Figura 9: Túnel de vento do Exército Brasileiro. ........................................................ 18 Figura 10: Túnel de vento da Volvo ........................................................................... 19 Figura 11: Túnel de Vento construído pela empresa americana Aerorocket. ............ 20 Figura 12: Túnel de vento da Universidade de Passo Fundo. ................................... 21 Figura 13: Experiência de Reynolds. ......................................................................... 40 Figura 14: Escoamento laminar e turbulento ............................................................. 40 Figura 15: Escoamento em torno de um corpo rombudo .......................................... 42 Figura 16: Escoamento sobre uma superfície de uma aleta de sustentação ............ 43 Figura 17: Demonstração de forças em uma aeronave ............................................ 44 Figura 18: Vista Longitudinal. .................................................................................... 47 Figura 19: Vista Superior. .......................................................................................... 48 Figura 20: Entrada de ar. .......................................................................................... 48 Figura 21: Vista longitudinal da entrada de ar. .......................................................... 49 Figura 22: Vista longitudinal do compartimento da colméia de estabilização. ........... 50 Figura 23: Dimensões do compartimento para instalação da colméia. ..................... 50 Figura 24: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 20mm. ............ 51 Figura 25: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 25mm. ............ 51 Figura 26: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 40mm. ............ 52 Figura 27: Seção de Testes com janelas de acrílico ................................................. 53 Figura 28: Vista lateral do módulo de saída do túnel. ............................................... 54 Figura 29: Vista longitudinal do módulo de saída do túnel. ....................................... 54 6 Figura 30: Módulos 01 e 03 da mesa de apoio do túnel. ........................................... 55 Figura 31: Módulo 02 da mesa de apoio do túnel. .................................................... 56 Figura 32: Detalhe do Motor. ..................................................................................... 57 Figura 33: Detalhe da Hélice. .................................................................................... 57 Figura 34: Entrada de ar. .......................................................................................... 58 Figura 35: Saída de ar. .............................................................................................. 59 Figura 36: Seção de testes........................................................................................ 60 Figura 37: Conjunto hélice-motor na saída do túnel. ................................................. 60 Figura 38: Conjunto hélice-motor. ............................................................................. 61 Figura 39: Máquina de fumaça. ................................................................................. 61 Figura 40: Soldagem das mesas. .............................................................................. 62 Figura 41: Mesa concluída. ....................................................................................... 62 Figura 42: Corte de cano de PVC para confecção das colméias. ............................. 63 Figura 43: Colméia de estabilização. ........................................................................ 63 Figura 44: Junção das seções................................................................................... 64 Figura 45: Equipamento montado. ............................................................................ 64 Figura 46: Confecção do ângulo de encaixe das molduras. ...................................... 65 Figura 47: Escoamento sem a colméia de estabilização ........................................... 71 Figura 48: Escoamento com a colméia de estabilização ........................................... 71 Figura 49: Escala de Beaufort ................................................................................... 72 Figura 50: Separação do escoamento. ..................................................................... 73 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Grandezas físicas e respectivos símbolos das dimensões. ...................... 23 Tabela 2: Tabela de escala de velocidade, tempo e força. ....................................... 38 8 AGRADECIMENTOS Ao nosso orientador Maurício Dziedzic, pela dedicação e estímulo durante o período de pesquisa, sempre estando disposto a solucionar problemas e nortear o bom desenvolvimento do nosso trabalho Aos laboratoristas da Engenharia Civil, Romildo, Valdir e David por sempre estarem à disposição contribuindo para que o projeto fosse executado. Aos laboratoristas da Engenharia Mecânica, Beretta e Adriano que nos forneceram todos os meios necessários para a execução do projeto. Aos laboratoristas da Marcenaria, Bráulio e Cícero que nos prestaram toda a assistência para o início da execução do projeto. Ao coordenador do curso de Engenharia Civil, Cláudio Krüger, por nos autorizar a usufruir de toda a estrutura disponível que a Universidade oferece. Por Débora Aos meus pais por todo o apoio, compreensão e dedicação. Isto é o que me fez idealizar e concretizar a carreira de engenheira civil. Ao meu irmão Marcos, por assumir as minhas funções laborais nos momentos em que precisei estar ausente. Ao meu namorado Raphael, pela companhia e apoio. Aos meus amigos, por compreenderem tamanha ausência e me darem apoio. Por Marcos À minha mãe, que nunca deixou que as dificuldades da vida atrapalhassem o objetivo de estar em constante aprimoramento cultural. À minha esposa Cláudia, que sempre esteve ao meu lado, abdicando de todo o tempo comigo para que eu pudesse levar em frente o sonho de me tornar um engenheiro. À minha filha Rafaela, razão da minha felicidade e que me dá motivo de estar em constante luta para vencer na vida. Ao meu amigo José Gaspar S. Lima, que sempre esteve ao meu lado durante a graduação, me incentivando e aconselhando durante a minha caminhada. 9 RESUMO O presente trabalho abrange a implantação de um túnel de vento no Laboratório de Hidráulica, Mecânica dos Fluidos e Recursos Hídricos do Curso de Engenharia Civil. Apresenta o referencial teórico relevante ao entendimento dos fenômenos aerodinâmicos, os detalhes do projeto e da execução do túnel, e propõe atividades de ensino. O equipamento instalado no laboratório da universidade possibilitará uma grande variedade de pesquisas tanto na graduação quanto na pós-graduação, além da prestação de serviços a empresas que tenham necessidade da utilização de um túnel de vento em seus projetos. 10 1 INTRODUÇÃO As forças decorrentes da ação do vento sobre um objeto estão relacionadas com a velocidade e direção do primeiro e com a geometria do segundo, existindo inúmeros estudos teóricos e experimentais relacionados ao assunto. A análise das ações do vento é de extrema importância para o desenvolvimento de projetos mais econômicos e de novas tecnologias e materiais de construção. Para tanto, foram desenvolvidos túneis de vento para estudos de aerodinâmica, impactos em edificações, climatologia, dispersão de poluentes e treinamentos de pára-quedismo. Este tipo de estudo ganhou ampla aceitação na engenharia, pois, a ação do vento não era um problema em construções baixas e pesadas e de paredes grossas, mas passou a ser, e em medida crescente, quando as construções foram se tornando mais esbeltas e as estruturas usando cada vez menos material. Em muitos casos, a ação do vento é tratada conforme as normas existentes. Assim, é importante identificar as situações em que os estudos em túnel de vento são desejáveis ou necessários, pois com o aparecimento de construções altas e de massa reduzida, elas se tornaram muito mais suscetíveis a problemas de vibração e determinadas oscilações, efeitos estes, que quando ultrapassam certos níveis, geram desconforto aos seus usuários e até mesmo danos à estrutura. A principal motivação para realizar tais estudos é melhorar a confiabilidade do desempenho estrutural e conseguir projetos rentáveis. Os principais testes realizados em túneis de vento são destinados a edifícios e estruturas que têm uma sensibilidade incomum à ação do vento e dos quais não exista referência na literatura especializada. Isto é particularmente verdadeiro quando uma parte significativa da ação do vento é dinâmica, ou seja, referente à ação da força do mesmo sobre a massa do objeto. Edifícios e estruturas de forma aerodinâmica incomum, que podem estar sujeitos a grandes intensidades de vento ou pressões locais, também merecem uma atenção especial. O presente trabalho aborda, inicialmente, os túneis de vento de maior importância, desde a primeira construção que se tem registro até os mais 11 importantes e significativos no Brasil, como o túnel de vento construído por Joaquim Blessmann na Universidade de Passo Fundo, RS (BLESSMANN, 1983). A construção do túnel de vento no Laboratório de Hidráulica, Mecânica dos Fluidos e Recursos Hídricos da Universidade Positivo, permitirá ao professor desenvolver aulas práticas abordando temas atualmente não incluídos dentre os experimentos realizados em laboratório, facilitando a visualização e compreensão dos assuntos abordados com a utilização de modelos reduzidos, tais como: linhas de corrente, arraste e sustentação, princípios de semelhança, os quais são a base do estudo de aerodinâmica através dos túneis de vento. O projeto e a construção do túnel também estão ilustrados no trabalho. A lista dos materiais utilizados para a construção do túnel está detalhada no anexo. 12 1.1 Objetivos 1.1.1. Objetivo geral O objetivo deste trabalho é o projeto e construção de um túnel de vento para o Laboratório de Hidráulica, Mecânica dos Fluidos e Recursos Hídricos do Curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo. 1.1.2. Objetivos específicos Sugerir que o equipamento implantado seja utilizado pelos professores e alunos, através da inserção no plano de aula, utilizando-se inicialmente os roteiros propostos, aumentando assim, a gama de aulas práticas da cadeira de Mecânica dos Fluidos e Hidráulica. 13 1.2 Justificativa Por ser um equipamento de elevado custo de aquisição de empresas especializadas, propõe-se seu projeto e construção na própria instituição, com a possibilidade de utilização de materiais alternativos e com a intenção de que seu funcionamento seja tão próximo quanto possível dos equipamentos industriais e de grande porte. Desta forma, o laboratório de Hidráulica poderá contar com mais um equipamento, contribuindo para a ampliação de possibilidades de aulas práticas da disciplina de Mecânica dos Fluidos e Hidráulica. Além de contribuir para o enriquecimento do ensino, o equipamento também poderá ser utilizado para pesquisa e prestação de serviços. 14 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 História e utilização do Túnel de vento De acordo com Cleveland (2010), o primeiro túnel de vento que se tem registro foi construído pelo americano Frank H. Wenham em 1871. Este túnel tinha 3,7m de comprimento e 45,7cm de altura e largura e produzia um vento de 64,4km/h, conforme ilustrado na figura 1. Figura 1: Primeiro túnel de vento, construído por Wenham em 1871. Os irmãos Wright, em 1901, não foram felizes com o desempenho de seus dois primeiros planadores e, suspeitando que o projeto não desse a sustentação que o aeroplano necessitava, resolveram criar seu próprio túnel de vento. Construíram então um equipamento que simulasse as asas do planador, conforme ilustram as figuras 2 e 3 (LINDGREN, 2002). 15 Figura 2: Túnel de Vento construído pelos irmãos Wright em 1901. Figura 3: Modelo de Asa, Irmãos Wright (1901) O também americano Elisha N. Fales, residente em Lake Forest, EUA, em 1922 criou e patenteou um túnel de vento portátil com um sistema de componentes portáteis regularizar os tipos de correntes de ar (figura 4) (ELISHA, 1922). 16 Figura 4: Primeiro túnel de vento portátil, patenteado. Construído por Elisha (1922) No Brasil, existem diversos túneis de vento, dentre os quais, podem ser citados alguns mais relevantes, como o TV-2 (figura 5) do Laboratório de Aerodinâmica das Construções, situado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Funcionando desde 1977, foi pioneiro na América Latina. Trata-se de um túnel de vento de circuito fechado (figura 6) com comprimento total de 21,38m, e a seção de testes de 9,32m de comprimento e com velocidade máxima de 150 km/h (BLESSMANN, 1983). Figura 5: Foto do túnel de vento de circuito fechado. Construído por Joaquim Blessmann na UFRGS, em 1977 (BLESSMANN, 1983). 17 Figura 6: Circuito aerodinâmico do túnel de vento (BLESSMANN, 1983, p. 115). O Instituto de Estudos Avançados (IEAv) do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), situado em São José dos Campos, São Paulo, possui o maior túnel de vento hipersônico da América Latina (figuras 7 e 8), que entrou em operação em julho de 2007, tendo como objetivo, testar modelos e componentes de veículos hipersônicos e estudar a combustão supersônica. Este túnel possui 24m de comprimento, tendo como principais componentes: uma região de alta pressão, uma de baixa, e também a seção de testes, onde o modelo em escala reduzida é colocado. O equipamento tem a capacidade de produzir escoamentos de ar com velocidade até 25 vezes a velocidade do som (Mach 25) (IEAv, Acesso em: 05 mai. 2010). Figura 7: Ilustração do túnel de vento hipersônico T3. 18 Figura 8: Foto do túnel de vento hipersônico T3, construído no Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica Prof. Henry T. Nagamatsu em 2006. Em agosto de 2008 foi inaugurado em Goiânia, Goiás, o primeiro túnel de vento para treinamento de pára-quedismo da América Latina (figura 9). Localizado no quartel da Brigada de Operações Especiais do Exército, atende tanto aos páraquedistas militares, quanto a esportistas e civis. O túnel produz uma corrente de ar com velocidade de até 200 km/h (ARCEL CONSTRUTORA. Acesso em: 05 mai. 2010). Figura 9: Túnel de vento do Exército Brasileiro. Arcel construtora (2008). 19 A Volvo foi a primeira fábrica de automóveis a construir um túnel de vento para testes em tamanho real (figura 10). Inaugurado em 1986, passou por reformas e hoje possui uma pista rolante constituída de quatro cintas de aço que fazem as rodas girar; um cinto central de aço plano para simular a pista em movimento e um ventilador de 6.800hp, 8,15 metros de diâmetro, com nove lâminas de fibra de carbono, aplica aos veículos um vento de até 250 km/h (Volvo, acesso em 05 mai. 2010). O teste com a simulação do veículo em movimento dá maior precisão nos resultados, pois, segundo o fabricante, 50% da resistência do ar estão nas rodas e na parte inferior do veículo, quando o carro está parado no túnel, o que acarreta em informações errôneas das propriedades aerodinâmicas (Volvo, acesso em 05 mai. 2010). Figura 10: Túnel de vento da Volvo. (1986). Segundo Lindgren (2002), os irmãos Wright foram os pioneiros na utilização de túneis de vento para projeto aerodinâmico. Eles começaram tentando medir forças aerodinâmicas do vento natural, procurando quantificar seus efeitos utilizando uma balança. Após alguns experimentos, eles passaram a utilizar um túnel de vento simples, que foram aperfeiçoando com a inclusão de telas e colméias para regularizar o escoamento. A utilização do túnel de vento tornou-se mais frequente, pois ele passou a ser usado como uma ferramenta importante no desenvolvimento de aeronaves, 20 principalmente na Europa até o início da Primeira Guerra Mundial, quando foram desenvolvidos os dois principais tipos de túneis de vento: o de circuito aberto e o de circuito fechado ou de retorno. Existem alguns tipos de túneis de vento que são classificados pela velocidade do ar, como os de velocidades muito altas onde a compressibilidade do ar é um fator importante, os quais são chamados hipersônicos, supersônicos e transônicos. Existe também o túnel de vento subsônico, que é aquele em que a velocidade máxima não passa de 100m/s, ou seja, bem abaixo da velocidade do som e são mais comuns em laboratórios de engenharia e mecânica (figura 11), onde são feitos testes em veículos, aeronaves, etc. (LINDGREN, 2002) Em universidades brasileiras, como a de Passo Fundo no Rio Grande do Sul (figura 12), foram concebidos túneis de vento de baixo custo, utilizando-se de materiais encontrados facilmente no mercado, como: motores elétricos, hélices de ventiladores e exaustores comerciais, madeira, perfis de metal e acrílico com a finalidade de estudar modelos em escala reduzida de construções (edifícios elevados, pavilhões industriais, pontes, etc.) quando submetidos à ação do vento. Podem ser utilizados para identificar as forças exercidas pelo vento, problemas de ventilação natural, conforto de pedestres, dentre outros. Figura 11: Túnel de Vento construído pela empresa americana Aerorocket. 21 Figura 12: Túnel de vento da Universidade de Passo Fundo - RS. (UPF, 2010). Há, também, os túneis de vento meteorológicos, utilizados para simular a camada limite da terra, onde são feitos testes em modelos de edificações e, ainda, os túneis de baixa turbulência que servem para estudar o movimento de fluidos, nos quais são introduzidas colméias e telas para diminuir a turbulência e utilizada uma relação alta entre comprimento e largura para atingir um número elevado de Reynolds sem a necessidade de altas velocidades do ar. Normalmente em aplicações reais, o número de Reynolds é muito grande, maior do que o que é viável na maioria dos testes de túnel de vento (LINDGREN, 2002). Não somente o ar pode ser utilizado para testes em túneis de vento, mas também, alguns tipos de gases. Simulações podem ser feitas em canais, utilizandose alguns tipos de óleos que tenham as propriedades mais favoráveis para os resultados a serem atingidos. Em um túnel subsônico, pelo critério de semelhança de Reynolds, a velocidade necessária no modelo se torna muito elevada em relação à do protótipo, pois em uma escala de 1/10, a velocidade necessária é dez vezes maior que a velocidade original, tornando assim inviável realizar esse experimento neste tipo de túnel (MUNSON et al, 1994). Os critérios de semelhança, como o critério de Reynolds citado no parágrafo anterior, são abordados no item a seguir. 22 2.2 Análise dimensional e semelhança Problemas de engenharia, mais especificamente de mecânica dos fluidos, dificilmente são resolvidos de forma analítica, deste modo, necessita-se de experimentos físicos ou computacionais. O objetivo de um experimento é obter resultados aplicáveis, com economia de tempo e dinheiro. Para o desenvolvimento destas experiências são executados testes em modelos com escalas geométricas reduzidas ao invés de se utilizar um protótipo em escala real, empregando critérios de semelhança e o teorema de Buckingham, ou teorema dos π’s. Este teorema, que se baseia no princípio da homogeneidade dimensional, afirma que n variáveis dimensionais podem ser reduzidas a uma relação entre n - j produtos adimensionais independentes (π’s), onde j é o número mínimo de dimensões de referência necessárias para descrever as variáveis (MUNSON et al.,1994). Segundo Munson (1994), um dos passos mais importantes e talvez o mais difícil da aplicação do teorema dos π’s a qualquer problema é a escolha das variáveis envolvidas, pois não existe um procedimento simples para identificar facilmente essas variáveis. Geralmente é necessário confiar na interpretação física do fenômeno analisado e na habilidade de aplicar leis físicas em situações parecidas com a que está sendo estudada, pois se forem utilizados muitos termos na análise a solução final terá muitos termos π’s desnecessários. “Basicamente, a análise dimensional é uma técnica que reduz o número e a complexidade das variáveis que afetam um dado fenômeno físico. Se um fenômeno depende de n variáveis dimensionais e k dimensões, a análise dimensional irá reduzir o problema a apenas (n - k) variáveis adimensionais...” (WHITE, 1999). A Tabela 1 relaciona algumas grandezas e suas respectivas dimensões (WHITE, 1999, P. 202). 23 Tabela 1: Grandezas físicas e respectivos símbolos das dimensões. GRANDEZA SÍMBOLO SISTEMA DE UNIDADES MLT FLT Comprimento L L L Área A L2 L2 Volume V L3 L3 Velocidade V LT-1 LT-1 Aceleração dV/dt LT-2 LT-2 Vazão volumétrica Q L3T-1 L3T-1 Viscosidade µ ML-1T-1 FLT-2 Viscosidade cinemática Υ L2T-1 L2T-1 Força F MLT-2 F Massa específica Ρ ML-3 FT2L-4 Peso específico Γ ML-2T-2 FL-3 Como o estudo da mecânica dos fluidos envolve muitas características, é necessário o desenvolvimento de um sistema para descrevê-las de modo qualitativo, que identifica a natureza, ou o tipo da característica (como comprimento L, tempo T, massa M, temperatura Θ) e de modo quantitativo, que fornece as medidas numéricas para as determinadas características. A partir deste princípio, se percebe que são necessárias apenas três dimensões básicas, o comprimento L, o tempo T e a massa M ou a força F. Deste modo, pode-se adotar dois sistemas dimensionais, MLT ou FLT, para descrever uma variável (MUNSON et al., 1994). 24 2.2.1 Princípios da Semelhança A semelhança entre modelos e protótipos pode ser dada através de três critérios básicos: semelhança geométrica, semelhança cinemática e semelhança dinâmica (GILES et al., 1996). A semelhança geométrica se refere à semelhança entre todas as dimensões do modelo e do protótipo. Existe uma razão fixa entre os comprimentos homólogos no modelo e no protótipo. A semelhança geométrica envolve escalas de comprimento, área e volume (eqs. 1, 2 e 3, respectivamente) (GILES et al., 1996). A Vol Ap Am Lp Vol p Vol m (1) Lm L²p L²m ² L³p L³m ³ (2) (3) onde: Lp = Comprimento do protótipo [L]; Lm = Comprimento do modelo [L]; Ap = Área do protótipo [L²]; Am = Área do modelo [L²]; Volp = Volume do protótipo [L³]; Volm = Volume do modelo [L³]; A semelhança cinemática se refere à semelhança de movimento, ou seja, existe uma razão entre a velocidade das partículas que se deslocam segundo trajetórias semelhantes, em direção e sentido. Para que isso ocorra, as linhas de corrente devem estar semelhantemente orientadas, implicando que os escoamentos cinematicamente semelhantes devem ser geometricamente semelhantes e que o 25 regime de escoamento no modelo e no protótipo deve ser o mesmo. A semelhança cinemática envolve escalas de tempo, velocidade, vazão e aceleração (eqs. 4, 5, 6 e 7, respectivamente) (GILES et al., 1996). Lp t Tp V L V p p m 1 v Lm Tm Vp Lm Vm (4) Lp V Vp Vr Vm Tp 1 t Lm Tm (5) L³p Q Qp Qm Qr Tp ³ 1 t L³m Tm (6) Vp a ap am ar Tp 1 1 1 v 2 t Vm t t t Tm onde: Tp = Tempo no protótipo [T]; Tm = Tempo no modelo [T]; Vp = Velocidade no protótipo [LT-1]; Tm = Velocidade no modelo [LT-1]; Qp = Vazão no protótipo [L3T-1]; Qm = Vazão no modelo [L3T-1]; ap = Aceleração no protótipo [LT-2]; am = Aceleração no modelo [LT-2]; (7) 26 A semelhança dinâmica se refere à semelhança das forças e das massas envolvidas. Para que haja semelhança dinâmica, as trajetórias das partículas deverão ser geometricamente semelhantes e as forças terão uma razão constante entre elas. A semelhança dinâmica envolve escalas de força e massa (eqs. 8, 9, 10, 11 e 12, respectivamente) (GILES et al., 1996). F Fp Fm Fr (8) Pela segunda lei de Newton tem-se: F m * a → Fr mr * ar m mp (9) mr (10) Lr T² r (11) F m a (12) mm Fr mr A expressão anterior relaciona quatro razões fundamentais da semelhança completa: - Lr para semelhança geométrica; - Tr para semelhança cinemática; - Fr e Mr para semelhança dinâmica. onde: Fp = Força no protótipo [MLT-2]; Fm = Força no modelo [MLT-2]; mp = Massa no protótipo [M]; mM = Massa no modelo [M]; 27 As seis forças mais comumente encontradas nos fenômenos dos escoamentos são as forças de inércia (Fi), de viscosidade (Fv), de gravidade (Fg), de pressão (Fp), de tensão superficial (Fs) e de compressão elástica (Fc). A igualdade de todas essas forças no modelo e no protótipo implicaria na utilização do mesmo fluido, em condições iguais de temperatura e pressão e na adoção da escala 1:1. Dentro de objetivos efetivamente operacionais, a completa semelhança dinâmica é impraticável. Verifica-se, no entanto, na prática, que as influências das diversas forças envolvidas nos fenômenos não são necessariamente da mesma ordem de grandeza. Existem forças predominantes segundo o tipo de fenômeno analisado. Assim, podem-se negligenciar os efeitos de forças não significativas, adotando-se critérios de semelhança baseados apenas nas forças relevantes, sem prejuízo da qualidade dos resultados do modelo. Este procedimento viabiliza o emprego de modelos reduzidos (GILES et al., 1996). A pressão é a razão entre a força e a área. Desta maneira, p é definida pela equação 13: Fp Ap Fp Lm 2 p 2 F 2 Fm Pm Fm Lp Am Pp (13) 2.2.2 Critério de Semelhança de Reynolds Este critério é um dos mais importantes na mecânica dos fluidos, pois o número de Reynolds indica a transição entre o regime laminar e o regime turbulento. O número de Reynolds (eq. 14) é a razão entre as forças de inércia e os efeitos viscosos do elemento analisado (MUNSON et al., 1994). Re VD VD (14) 28 onde: ρ = Massa específica [ML-3]; V = Velocidade [LT-1]; D = Diâmetro [L]; μ = Viscosidade dinâmica [ML-1T-1]; = Viscosidade cinemática [L²T-1]. Para se obter as escalas considerando semelhança de Reynolds, iguala-se o número de Reynolds no modelo e no protótipo. Rem Rep m VmDm p VpDp m p Considerando o mesmo fluido no modelo e no protótipo, a viscosidade e a densidade não variam e podem ser eliminadas. VmDm VpDp Definindo a escala de velocidade como V Vp Vm , tem-se, para semelhança de Reynolds, a eq. 15: V,Re 1 (15) Substituindo a escala de velocidade determinada pela semelhança cinemática (eq. 5), obtém-se a escala de tempo para a semelhança de Reynolds (eq. 15). 29 t 1 1 t,Re 2 (16) A escala de força também é determinada em função do número de Reynolds através da eq.12: F m 2 t Substituindo 2 por t,Re , obtém-se: t F,Re m (2) 2 Sabendo que o fluido é o mesmo, m pode ser escrito como: F,Re vol (2)2 Como vol é 3 , a escala de força em função do número de Reynolds é escrita como: F,Re 1 (17) 30 2.2.3 Critério de Semelhança de Froude O número de Froude (William Froude 1810 - 1879 foi engenheiro civil e naval, além de matemático.) é o único número do grupo adimensional que contém a aceleração da gravidade. Esta medida é uma relação entre as forças de inércia do elemento e seu peso. Este grupo adimensional é muito importante nos escoamentos que apresentam superfície livre, nos quais a gravidade pode ser dominante. Este critério de semelhança também se aplica a escoamentos de água em torno de navios, com a ação das ondas resultantes do movimento do navio, e também em rios e canais abertos (MUNSON et al., 1994). O número adimensional de Froude é representado pela equação 18: Fr V gL (18) onde: V = Velocidade [LT-1]; g = Aceleração da gravidade [LT-2]; L = Comprimento [L]; Para se obter as escalas considerando semelhança de Froude, iguala-se o número de Froude no modelo e no protótipo. Frm Frp V² Vm ² p gmLm gpLp 31 Como a aceleração da gravidade é mesma para o modelo e o protótipo, esta então pode ser eliminada. Vp ² Vm ² Vp Vm Lp Lm Lp Lm Para a escala de velocidade, tem-se, para semelhança de Froude, a eq. 19: V,Fr 1/ 2 (19) Substituindo a escala de velocidade determinada pela semelhança cinemática (eq. 5), obtém-se a escala de tempo para a semelhança de Froude (eq. 20). t 1 1/ 2 1 1 / 2 t t,Fr 1/ 2 (20) A escala de força também é determinada em função do número de Froude através da eq. 12: F m 2 t 32 Substituindo 2 por 1/ 2 da equação 20, obtém-se: t F,Fr vol (1/ 2 ) 2 F,Fr 3 1 F,Fr 3 (21) 2.2.4 Critério de Semelhança de Euler Leonhard Euler (1707-1783), matemático suíço, caracterizou o campo de escoamento como uma medida de razão entre as forças de pressão e as forças de inércia. O número de Euler normalmente é usado em estudos de máquinas hidráulicas e estudos aerodinâmicos e principalmente em problemas onde a pressão ou a diferença de pressão entre dois pontos é uma variável importante do escoamento. Este número também mostra a inter-relação entre os campos de pressão e de velocidade do escoamento (MUNSON et al., 1994). O número adimensional de Euler é representado pela equação 22: Eu p V ² onde: p = pressão característica do escoamento [ML-1T-2]; ρ = Massa específica [ML-3]; V = Velocidade [LT-1]; (22) 33 Para se obter as escalas considerando semelhança de Euler, iguala-se o número de Euler no modelo e no protótipo. Eum Eup pp pm Vm ² Vp ² A massa específica é a mesma para os dois casos, podendo assim ser eliminada, obtendo então a seguinte relação: Vp ² Vm ² pm pp Para a escala de velocidade, como - V V P V F 2 V,Eu m 1 t 2 Vp Vm , obtém-se: (23) Em razão de escala de tempo, substituindo a escala de velocidade obtida pela semelhança cinemática (eq. 5), obtém-se: t 1 t 1 m m 1 t 1/ 2 2 2 (1 )1/ 2 ( t )1/ 2 34 t 1 m 1/ 2 1/ 2 t 1 Através do demonstrado acima, pode-se observar que a escala de tempo não pode ser obtida em função de λ através da semelhança de Euler. Para a escala de força, substituindo na eq. 12, obtém-se: F m t 2 Da mesma forma da escala de tempo em função do número de Euler, a escala de força também não pode ser determinada. 2.2.5 Critério de Semelhança de Mach Ernest Mach, físico e filósofo austríaco (1838 - 1916), estudou problemas onde a compressibilidade do fluido é importante. Esse número pode ser interpretado como a razão entre as forças de inércia e a compressibilidade. Quando esse número é relativamente pequeno, menor que 0,3, as forças de inércia do fluido não são suficientemente grandes para causar variação na massa especifica do mesmo, neste caso, os efeitos da compressibilidade podem ser desprezados. Este número é representado pela equação 24 (MUNSON et al., 1994). Ma V c onde: V = Velocidade [LT-1]; c = Velocidade do som no meio [LT-1]; (24) 35 Para se obter as escalas considerando semelhança de Mach, iguala-se o número de Mach no modelo e no protótipo. Ma m Ma p Vm Vp c c Como a velocidade do som não muda para o número de Mach menor que 0,3, a relação é determinada como: Vp Vm 1 Para a escala de velocidade, como λ V V,Ma 1 Vp Vm , obtém-se: (25) Em razão de escala de tempo, substituindo a escala de velocidade (eq. 5), obtém-se: t 1 1 t,Ma (26) 36 Em razão de escala de força, substituindo a escala de força obtida pela semelhança dinâmica (eq. 12), obtém-se: F m 2 t F 3 t 2 F,Ma 2 (27) 2.2.6 Critério de Semelhança de Weber Moritz Weber (1871 - 1951), professor alemão de engenharia naval, estudou a relação entre as forças de inércia e a tensão superficial que atua no elemento de um fluido. Escoamentos de líquidos em filmes finos e a formação de gotas ou bolhas são bons exemplos onde se aplica este número adimensional representado pela equação 28: We V ²L onde: ρ = Massa específica [ML-3]; V = Velocidade [LT-1]; L = Comprimento [L]; σ = Tensão superficial [MT-2]; (28) 37 Para se obter as escalas considerando semelhança de Weber, iguala-se o número de Weber no modelo e no protótipo. We m We p Vm ²lm Vp ²lp Como a massa específica e a tensão superficial são iguais no modelo e no protótipo, estas variáveis podem ser eliminadas. Vm ² lp Vp ² lm Para a escala de velocidade, como V V,We 1/ 2 Vp Vm , tem-se: (29) Em razão de escala de tempo, substituindo a escala de velocidade (eq. 5), obtém-se: t 1 t 1 1 t 1 1/ 2 t,We 1/ 2 (30) 38 Em razão de escala de força, substituindo a escala de força obtida pela semelhança dinâmica (eq. 12), obtém-se: F m 2 t Substituindo t pela eq. 30, obtém-se: F m (1/ 2 )2 F 3 1 F,We 3 (31) O resultado de todo esse desenvolvimento está resumido na Tabela 2. Tabela 2: Tabela de escala de velocidade, tempo e força em função da escala geométrica . Reynolds Escala de Velocidade Escala de Tempo Escala de Força Froude Euler Mach Weber V,Ma 1 V,We 1/ 2 1 V,Fr 1 / 2 t,Re 2 t,Fr 1 / 2 - t,Ma t,We 1/ 2 F,Fr m - F,Ma 2 F,We 3 V,Re F,Re m 3 V,Eu m 1 t 2 39 2.3 Regime Laminar e Turbulento Osborne Reynolds nasceu em Belfast no dia 23 de agosto de 1842 na Irlanda do Norte e faleceu em 21 de fevereiro de 1912. Formou-se em matemática pela universidade de Cambridge em 1867 e tornou-se um famoso físico britânico. Em 1883, Reynolds elaborou um dispositivo para observar o comportamento do escoamento dos líquidos, conforme figura 13. Este dispositivo consistia de um tubo transparente instalado dentro de um recipiente de vidro cheio de água. Na extremidade do tubo existia uma válvula que permitia a variação da velocidade de descarga do fluido. Um corante era injetado no eixo do tubo para se poder observar o comportamento do liquido. Ao se abrir pouco a válvula, com velocidades pequenas de descarga, figura 14a, observava-se um filete retilíneo de corante, mostrando que as partículas de corante transitavam sem agitações transversais, ou seja, não havia troca macroscópica de partículas entre camadas de fluido, o que representava um regime laminar. Ao se abrir mais a válvula de saída, a velocidade de descarga aumentava e o filamento de corante, devido a movimentos transversais do escoamento, era totalmente diluído na água do sistema, caracterizando o regime turbulento, conforme ilustrado na figura 14b. Voltando a fechar a torneira, o fluxo laminar se restabelecia a partir de uma determinada velocidade, comprovando-se que existem dois tipos de escoamentos separados por um escoamento de transição (MUNSON et al., 1994). Reynolds efetuou análise experimental e teórica, concluindo que a velocidade não era a única influência da determinação do tipo de escoamento em um tubo. Ele concluiu que devem ser considerados ainda a viscosidade do líquido e o diâmetro do conduto, dando origem a um número adimensional chamado número de Reynolds (MUNSON et al., 1994). 40 Figura 13: Experiência de Reynolds (ESCUELA DE INGENIERÍA DE ANTIOQUIA, 2010). Figura 14: (a) Escoamento laminar, (b) Escoamento turbulento (MSPC Informações Técnicas, 2010). 41 Quando o número de Reynolds está abaixo de 2000, o escoamento é geralmente laminar; entre 2000 e 4000 está em uma zona crítica, chamada de zona de transição, e acima de 4000 este regime torna-se turbulento. Porém, não se podem adotar esses valores como limites rígidos, pois existe a possibilidade de um escoamento com um número de Reynolds alto ser laminar, como, por exemplo, utilizando um duto com paredes praticamente livres de rugosidade e com o fluxo de entrada bem direcionado. O número de Reynolds é a razão entre as forças de inércia e os efeitos viscosos do escoamento (MUNSON et al., 1994). 2.4 Escoamento ao redor de corpos imersos Segundo White (1999), “os estudos sobre escoamentos externos em torno de corpos imersos em uma corrente de fluido terão efeitos viscosos (cisalhamento e não-escorregamento) perto das superfícies do corpo e em sua esteira, mas em geral, são não-viscosos longe do corpo. Trata-se de camada-limite não-confinados”. Este tipo de escoamento é visto em diversas aplicações físicas: aerodinâmica, hidrodinâmica, engenharia eólica e engenharia oceânica. O conceito de camada limite foi introduzido por Ludwig Prandtl, em 1904, a partir de evidências experimentais onde observou que, quando se tem um número de Reynolds elevado, os efeitos viscosos em um escoamento sobre uma superfície ficam confinados a uma região fina, próxima à superfície. Conforme ilustrado na figura 15a, no escoamento em torno de um corpo rombudo bi ou tridimensional, há uma camada limite delgada em torno do corpo, o que seria o modelo ideal. Porém, na figura 15b, à medida que o número de Reynolds aumenta, o escoamento passa a ter uma camada limite delgada na sua parte frontal e um aumento de pressão na parte traseira, onde a camada limite entra em colapso e se separa formando uma corrente externa fortemente perturbada (WHITE, 1999, P. 302). 42 Figura 15: (a) cenário idealizado e claramente falso do escoamento em torno de um corpo rombudo; (b) cenário real do escoamento em torno de um corpo rombudo. (WHITE, 1999). 2.4.1 Forças Sobre Corpos de Sustentação A figura 16 mostra um escoamento sobre uma superfície de uma aleta de sustentação. White (1999), diz que “[...] corpos de sustentação (aerofólios, hidrofólios e aletas) são concebidos para fornecer uma grande força normal à corrente livre e um arraste tão pequeno quanto possível”. Em geral, quando o escoamento ocorre em torno de um objeto que não tem seu eixo de simetria alinhado ao escoamento, ou o próprio objeto não possui simetria, os campos de velocidades e pressões locais serão diferentes em cada lado do objeto, surgindo então, uma força de sustentação na direção perpendicular ao escoamento (VENNARD; STREET, 1978). 43 Figura 16: Escoamento estolado sobre uma superfície de uma aleta de sustentação (WHITE, 1999). A prática convencional para projetos de corpos de sustentação é semelhante ao formato das asas de um pássaro, ou seja, relativamente fina, com um bordo de ataque arredondado e um bordo de fuga agudo. (WHITE, 1999). 2.4.2 Arraste e sustentação O arraste é uma força aerodinâmica que atua paralela e oposta ao escoamento. Um corpo de qualquer forma, quando imerso em um fluido em escoamento, fica sujeito a forças e momentos. Estas forças dependem da forma do corpo, da rugosidade e da distribuição de pressões ao seu redor. Esta força é expressa pelo coeficiente de arraste que é a razão entre a força de arraste e uma força característica associada à pressão dinâmica da corrente livre (WHITE, 1999). A sustentação é uma força normal à corrente, a qual deve ser tão mais elevada quanto maior a força de arraste. Um exemplo de arraste e sustentação está na concepção dos aeroplanos, onde suas asas são projetadas para que a pressão 44 na parte inferior seja mais elevada que na superior. Esta força pode variar de acordo com o ângulo de ataque da asa (WHITE, 1999). Para calcular o arraste e a sustentação em um corpo, é necessário conhecer o formato do corpo e as distribuições das tensões de cisalhamento e pressão ao longo da superfície do corpo. A distribuição de pressão pode ser obtida experimentalmente através de uma série de tomadas de pressão ao longo da superfície do corpo. Por outro lado, a tensão de cisalhamento na parede é muito difícil de ser medida (MUNSON et al., 1994). Os coeficientes de arraste e sustentação são determinados pelas equações 32 e 33, respectivamente. CA CS FA 1 V 2 A 2 FS 1 V 2 A 2 (32) (33) A figura 17 demonstra a distribuição de forças em uma aeronave. Figura 17: Demonstração de forças em uma aeronave. (Aerodinâmica de aviões, 2010.) 45 2.5 Turbulência Basicamente, a turbulência é a agitação de moléculas em movimentos rápidos em diversas direções e de forma desordenada. As moléculas de uma camada mais veloz penetram numa camada mais lenta e as mais lentas penetram nas camadas mais rápidas, ocorrendo perda de movimento nas camadas mais velozes e ganho nas mais lentas. Este constante movimento desordenado e caótico que se realiza em todas as direções explica a existência da viscosidade molecular. Em determinadas condições do escoamento, as camadas passam a trocar não só moléculas individuais, mas grupos de moléculas e, como estes grupos têm fortes gradientes de velocidade, acabam formando redemoinhos (BLESSMANN, 1983). Segundo Blessmann, (1983), a viscosidade efetiva aumentará, uma vez que o atrito interno não será ocasionado pelo movimento só de moléculas individuais, mas sim de grupos de moléculas, com fortes gradientes de velocidades e a formação de vórtices intensos que se deslocam pelo fluido. É a chamada viscosidade turbulenta ou de redemoinho. Quando existe um gradiente de velocidade, surge uma componente tangencial devido ao fato da viscosidade influir diretamente na estabilidade do escoamento. Por outro lado, os efeitos da viscosidade podem ser desprezados quando surgem outros efeitos, como o da turbulência. (BLESSMANN, 1983) “A viscosidade de um fluido faz com que a ação mútua entre as partículas não seja mais normal, como nos fluidos ideais.” (BLESSMANN, 1983). As flutuações de velocidade que aparecem em virtude dos vórtices, têm a viscosidade como uma força que tende a amortecê-las. Quando a viscosidade é preponderante, as flutuações de velocidade vão se atenuando ate desaparecer, neste caso, o movimento é laminar. Porém, quando a viscosidade não é capaz de atenuar esta agitação, este escoamento é turbulento ou turbilhonar (BLESSMANN, 1983). 46 3 METODOLOGIA A revisão da literatura apresentada discorre sobre a invenção e a necessidade de utilização de túneis de vento para testes em projetos de diversas áreas. Alem disso, foram abordados os principais temas de mecânica dos fluidos e hidráulica, cujos conceitos podem ser temas de experimentos didáticos no túnel de vento, comprovando a utilidade da instalação do equipamento no laboratório da universidade. Os critérios de projeto tiveram como referência inicial o espaço disponível no mezanino do laboratório de Hidráulica e Recursos Hídricos. Este espaço está limitado a uma área de 8,90m x 4,95m, com um pé-direito de 2,37m. Com isso, iniciaram-se os estudos para a elaboração do projeto do túnel, adequando-o a este ambiente. Os materiais escolhidos para a execução do projeto foram facilmente encontrados em lojas de materiais e equipamentos para marcenaria, madeireiras, lojas de ferragens, distribuidoras de ferro e aço, materiais de construção, como: chapas de madeira em MDF 15mm; chapas de policarbonato “lexan” 4mm, o qual é mais resistente a riscos do que o acrílico comum; tubos retangulares de ferro 20x40mm para construção das mesas de apoio do equipamento; pregos; parafusos diversos; tubos de PVC, etc. Durante a construção, foram utilizados os seguintes equipamentos: serra circular de mesa, serra circular de bancada, serra circular manual, furadeira de bancada, furadeira manual, serrote, lixadeira orbital, serra tico-tico, plaina manual, desempenadeira elétrica de mesa, plaina elétrica manual e esmerilhadeira. Segundo Blessmann (1983), a razão comprimento/altura da seção de testes de um túnel de vento aerodinâmico deve ser a partir de 2. 47 4 PROJETO DO TÚNEL A execução de qualquer equipamento, por mais simples que seja, requer planejamento e projeto para otimizar tempo, materiais e custos. A partir da idealização da construção de um túnel de vento para implantação no Laboratório de Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, foram definidos os parâmetros do projeto adaptados ao espaço disponível no laboratório e através de literatura, análises e comparações com túneis já existentes. Este projeto, elaborado com o programa AUTOCAD, contém o detalhamento construtivo de todas as peças do túnel, conforme ilustrações a seguir. 4.1 Vista Lateral e Superior Composto por três módulos, entrada de ar, seção de testes e saída de ar, o comprimento final do túnel resultou em cinco metros e uma seção de testes de 120 x 60cm, com uma placa superior e duas laterais de acrílico transparente do tipo “lexan”. A saída de ar ficou direcionada para a janela do laboratório (figuras 18 e 19). Todos os testes realizados no túnel também poderão ser visualizados pela parte superior, onde foi implementada uma janela de acrílico. Figura 18: Vista Longitudinal. 48 Figura 19: Vista Superior. 4.2 Módulo 01 – Entrada de Ar A entrada de ar é composta por uma seção quadrada cuja entrada tem 100 x 100cm na sua parte interna com redução da seção para 60 x 60cm e comprimento de 150cm (figuras 20 e 21). Figura 20: Entrada de ar com seção quadrada e redução de 100 para 60 cm. 49 Figura 21: Vista longitudinal da entrada de ar. 4.3 Módulo 02 – Estabilização e Seção de Testes No Módulo 02, foi implantado um compartimento para inserção de colméias de bitolas variadas, para a estabilização do fluxo de ar e uma seção de testes. 4.3.1 Estabilização As colméias de estabilização servem como um artifício para regularizar a entrada do ar na seção de testes. Inicialmente estas colméias possuem diâmetros de 20, 25 e 32mm, no entanto, novas seções poderão ser incorporadas ao módulo (figuras 22 a 26). 50 Figura 22: Vista longitudinal do compartimento da colméia de estabilização. Figura 23: Detalhamento e dimensões do compartimento para instalação da colméia. 51 Figura 24: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 20mm. Figura 25: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 25mm. 52 Figura 26: Detalhamento e dimensões da colméia com diâmetro de 40mm. 4.4 Seção de Testes Janelas de acrílico foram instaladas na parte superior e laterais para que os testes nos modelos possam ser visualizados em ângulos diferentes (figura 27). 53 Figura 27: Seção de Testes com janelas de acrílico, vistas lateral, superior e longitudinal. 54 4.5 Módulo 03 O terceiro módulo consiste na saída de ar do túnel, tendo um comprimento de 150cm e dimensões internas de saída de 100 x 100cm, conforme ilustram as figuras 28 e 29. Figura 28: Vista lateral do módulo de saída do túnel. Figura 29: Vista longitudinal do módulo de saída do túnel. 55 4.6 Mesa A mesa para suportar o equipamento foi construída em três módulos, com ferro tubular de dimensão 20 x 40mm, conforme ilustram as figuras 30 e 31. Figura 30: Módulos 01 e 03 da mesa de apoio do túnel. 56 Figura 31: Módulo 02 da mesa de apoio do túnel. 4.6.1 Apoio do Motor e Hélice O motor (figura 32), trifásico com potência de 5CV, foi instalado sobre uma estrutura construída em ferro tubular retangular de 20 x 40mm. A hélice (figura 33), fabricada com fibra de vidro e alumínio, tem diâmetro de 96cm e foi fixada diretamente no eixo do motor. 57 Figura 32: Detalhe do Motor. Figura 33: Detalhe da Hélice. 58 5 EXECUÇÃO DO PROJETO De posse do projeto executivo, dos equipamentos e ferramental necessários, iniciou-se a construção do túnel. A seção transversal da entrada de ar foi dimensionada com 1,00x1,00m e comprimento de 1,5m, resultando em uma relação comprimento/altura de 1,5. A redução de 1,00m para 0,60m permite o aumento da velocidade do ar na seção de testes. As dimensões da saída de ar são as mesmas da entrada. Primeiramente, foi planejado o aproveitamento e os cortes das chapas de MDF para que houvesse o mínimo de perdas. Sob orientação e supervisão dos laboratoristas da marcenaria, os cortes retos das chapas foram feitos com uma serra circular de mesa. Em seguida, os cortes em ângulo da entrada e saída de ar foram executados com o auxílio de uma serra circular manual. Todas as peças foram coladas, pregadas e parafusadas, conforme especificado no projeto. Nas junções entre as peças de cada seção foi aplicada massa corrida e lixado com lixa 120 para reduzir ao máximo as imperfeições que pudessem causar perturbação no escoamento, conforme ilustrado nas figuras 34 e 35. Figura 34: Entrada de ar. 59 Figura 35: Saída de ar. Segundo Blessmann (1983), a relação comprimento/altura da seção de testes de um túnel de vento aerodinâmico deve ser a partir de 2. Partindo-se desse pressuposto, foi escolhida a área da seção transversal de 60x60cm, para se ter um equipamento de médio porte e de fácil utilização. O resultado dessa configuração foi uma seção de testes de 1,20m de comprimento, com uma seção de estabilização do fluxo de ar de 50cm de comprimento a qual comporta uma colméia de 30cm de comprimento, com três opções de bitolas feitas com tubos de PVC com diâmetros de 20, 25 e 32mm, para que se obtenham outras opções de estabilização e análise do fluxo de ar. A porta da seção de testes foi feita com ripas de madeira de lei com encaixes e pinos, colada e prensada. Foram feitos diversos cortes superficiais para encaixar as chapas de policarbonato “lexan” na porta, na parte superior e posterior da seção de testes (figura 36). 60 Figura 36: Seção de testes. Os modelos em escala, para testes no túnel, podem ser adquiridos em lojas de modelismo ou confeccionados manualmente, conforme a necessidade. Definidas a área da seção de testes e a velocidade pretendida de 40km/h, resultou em uma vazão de 420m³/min, a qual foi informada para a fábrica que confeccionou a hélice com as seguintes características: 96cm de diâmetro e composta por nove pás feitas de resina e fibra. Essa empresa também forneceu as características do motor para que a velocidade máxima pretendida fosse alcançada: potência de 5cv, seis pólos, com rotação de 1150 rpm. A hélice foi instalada diretamente no motor, na saída do túnel, sendo que o ar é aspirado e a velocidade será controlada através do inversor de frequência (figuras 37 e 38). Figura 37: Conjunto hélice-motor na saída do túnel. 61 Figura 38: Conjunto hélice-motor. Uma máquina de fumaça será utilizada para auxiliar na visualização dos efeitos do vento sobre as estruturas a serem inseridas no túnel para análise (figura 39). Figura 39: Máquina de fumaça. 62 Os tubos retangulares de aço foram cortados no laboratório da engenharia mecânica e soldados com solda MIG/MAG, conforme detalhamento do projeto executivo das mesas (figuras 40 e 41). Figura 40: Soldagem das mesas. As mesas de sustentação do túnel foram confeccionadas sob orientação dos profissionais laboratoristas da Engenharia Mecânica (figura 41). Figura 41: Mesa concluída. 63 Os tubos de PVC utilizados na colméia foram cortados com o auxílio de uma serra circular de bancada e colados (figuras 42 e 43). Figura 42: Corte de cano de PVC para confecção das colméias. Figura 43: Colméia de estabilização. 64 A união das seções do túnel foi feita com parafusos, arruelas e porcas, inseridas em ripas de madeira instaladas como moldura de reforço nas extremidades das seções (figura 44). Figura 44: Junção das seções. Com o equipamento instalado sobre as mesas de sustentação, a base da seção de testes ficou a 1,00m do piso e o comprimento total do equipamento resultou em 5,00m (figura 45). Figura 45: Equipamento montado. 65 Para que essas peças fossem perfeitamente encaixadas nas seções em que havia ângulos (entrada e saída de ar) foi utilizada uma desempenadeira elétrica de mesa com ângulo regulável (figura 46). O acabamento entre essas peças de ligação, depois de fixadas entre si, foi feito com o auxílio de uma plaina elétrica manual. Figura 46: Confecção do ângulo de encaixe das molduras. 66 6 ROTEIROS DE AULA Foram elaborados dois roteiros de aula para a utilização do equipamento. Neles, constam os objetivos e procedimentos a serem adotados para chegar aos resultados esperados no procedimento prático. 6.1 Roteiro 01 Este roteiro se refere ao funcionamento do túnel, ajuste das velocidades pretendidas, instalação de aparelhos de medição e anotações de velocidades e vazões. Mecânica dos Fluidos e Hidráulica – Aula de Laboratório Demonstração Inicial do Túnel de Vento Professor: Marcos Cassias * Ler material do portal antes da aula. O trabalho deverá ser desenvolvido em equipes de até quatro alunos. Antes da aula de laboratório, estudar os seguintes tópicos: Regimes laminar e turbulento; Manometria (manômetro inclinado) e Tubo de Pitot; Equação de Bernoulli; Equação de Reynolds. 67 Referências: 1. MUNSON, Bruce R., YOUNG, Donald F, OKIISHI, Theodore H., Fundamentos da Mecânica dos Fluidos, Editora Edgard Blucher, 1994. 2. WHITE, Frank M., Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, Mc Graw Hill, 1999. 1) Objetivo Geral: Demonstração do funcionamento do túnel; Visualização e comprovação do funcionamento do Tubo de Pitot e do manômetro acoplados ao equipamento; Aplicação das equações básicas da Mecânica dos Fluidos na solução de problemas de Engenharia; Comprovar, através das aulas de Laboratório, as técnicas de medições de grandezas pertinentes à Mecânica dos Fluidos. 2) Objetivos Específicos Verificação do regime do Escoamento; Medida das diferenças de pressão com o Tubo de Pitot e Manômetro; Cálculo das velocidades do vento; Cálculo da vazão; Cálculo do Número de Reynolds; 3) Materiais e Equipamentos Tubo de Pitot; Manômetro; Mangueiras; 68 4) Procedimentos Medir a altura inicial do nível de líquido no manômetro. Ligar o túnel de vento em baixa velocidade e esperar a estabilização do escoamento de ar para atingir o regime permanente. Acoplar o Tubo de Pitot e o Manômetro no equipamento, fazer as medições necessárias e aplicar as leituras na equação de Bernoulli. Repetir o procedimento mais duas vezes aumentando a velocidade do vento. 5) Relatório Entregar o relatório no padrão ABNT após duas semanas da realização da aula. Anexar os memoriais de cálculo feitos na aula prática. 6.2 Roteiro 02 O presente roteiro foi elaborado para a verificação das velocidades e dos regimes de escoamento segundo Reynolds, bem como, a utilização de modelos e máquina de fumaça para a visualização dos efeitos do vento sobre corpos diversos. Mecânica dos Fluidos e Hidráulica – Aula de Laboratório Escoamento ao Redor de Corpos Imersos Professor: Marcos Cassias 69 * Ler material do portal antes da aula. O trabalho deverá ser desenvolvido em equipes de até quatro alunos. Antes da aula de laboratório, estudar os seguintes tópicos: Regimes laminar e turbulento; Manometria (manômetro inclinado) e Tubo de Pitot; Equação de Bernoulli; Equação de Reynolds; Coeficiente de Arraste; Referências: 1. MUNSON, Bruce R., YOUNG, Donald F, OKIISHI, Theodore H., Fundamentos da Mecânica dos Fluidos, Editora Edgard Blucher, 1994. 3. WHITE, Frank M., Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, Mc Graw Hill, 1999. 1) Objetivo Geral Aplicar os conceitos de corpos imersos em fluidos; Entendimento das forças de arraste e sustentação; Visualizar o escoamento através de corpos imersos. 2) Objetivos Específicos Medida de velocidades com o Tubo de Pitot e Manômetro; Cálculo da força e do coeficiente de arraste, ajustando o ângulo de ataque do modelo de asa de avião; Verificação da força de sustentação no modelo de asa de avião com o auxílio da Máquina de Fumaça; 70 Verificação da aerodinâmica do modelo de veículo com o auxílio da Máquina de Fumaça; Verificação da aerodinâmica das construções através de modelos de edificações; Verificação do escoamento ao redor de um cilindro. 3) Materiais e Equipamentos Tubo de Pitot; Manômetro; Mangueiras; Máquina de fumaça; Modelo de automóvel; Modelos de edificações; Modelo de asa de avião; Cilindro. 4) Procedimentos Instalar o Tubo de Pitot e conectar as mangueiras do Manômetro. Fazer as leituras iniciais no Manômetro. Ligar o Túnel em baixa velocidade e aguardar a estabilização do escoamento de ar para atingir o regime permanente. Calcular a velocidade e a vazão. Colocar na seção de testes os modelos e ligar a máquina de fumaça, observando o fluxo em cada modelo, anotando pressões medidas para os cálculos pertinentes. 5) Relatório Entregar o relatório no padrão ABNT após duas semanas da realização da aula. Anexar os memoriais de cálculo feitos na aula prática. 71 7 RESULTADOS Feitas as ligações elétricas do motor e da máquina de fumaça, iniciaram-se os testes para a verificação do funcionamento do túnel de vento. Com o motor em funcionamento, ligou-se a máquina de fumaça sem a colméia de estabilização, quando se observou que o fluxo de ar fica disperso (figura 47). Figura 47: Escoamento sem a colméia de estabilização Instalada a colméia, o fluxo de ar ficou bem direcionado e estabilizado conforme se observa na figura 48. Figura 48: Escoamento com a colméia de estabilização 72 Não foi possível fazer a medição da velocidade do ar na seção de testes por falta do manômetro, no entanto, utilizando-se da Escala de Beaufort (figura 49), foi feita uma análise qualitativa da velocidade do vento, tendo atribuído o grau 5 com designação “fresco” e velocidade do ar entre 31 e 39 km.h-1. Inicialmente conclui-se que a velocidade atingida ficou próximo da planejada, no entanto, esta afirmação só será válida após feitos testes utilizando-se de um Tubo de Pitot e um manômetro inclinado, ou outra forma de medição da velocidade do ar. Figura 49: Escala de Beaufort Outro teste realizado foi a inserção de um cilindro metálico para visualizar o escoamento ao redor de um corpo imerso em um fluxo de ar (figura 50). Pôde-se observar a separação do escoamento ao passar pelo cilindro, conforme foi demonstrado na figura 15 que faz parte do item 2.4 que versa sobre escoamento ao redor de corpos imersos. 73 Figura 50: Separação do escoamento. 74 8 CONCLUSÃO A implantação de mais um equipamento no Laboratório de Hidráulica, Mecânica dos Fluidos e Recursos Hídricos do Curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo, possibilita aos alunos e professores o desenvolvimento de novos experimentos envolvendo inúmeros tópicos não somente para a Engenharia Civil, mas também para a Engenharia Mecânica e Arquitetura. A utilização do equipamento poderá facilitar a compreensão de assuntos como: critérios de semelhança, regimes de escoamento, estudo de corpos imersos, forças de arraste e sustentação e aerodinâmica das construções. O objetivo de construção de um túnel de vento para o Laboratório de Hidráulica, Mecânica dos Fluidos e Recursos Hídricos do Curso de Engenharia Civil ficou próximo da proposta inicial e está pronto para a realização dos testes específicos. Espera-se que o equipamento implantado seja constantemente utilizado pelos professores e alunos, através da inserção no plano de aula, utilizando-se dos roteiros sugeridos, bem como, desenvolvendo novos roteiros que abordem outros assuntos pertinentes, aumentando assim, as aulas práticas da cadeira de Mecânica dos Fluidos e Hidráulica. Além da utilização por docentes e discentes da universidade realizando pesquisas, trabalhos de conclusão de curso, projetos de iniciação científica, mestrado, e doutorado, o equipamento também poderá ser utilizado para prestação de serviços a empresas interessadas em realizar testes das mais diversas formas que envolvam o vento como principal agente. 75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AEROROCKET. Wind Tunnel Testing. Disponível em: <http://www.aerorocket.com>. Acesso em: 14 mar. 2010. ARCEL CONSTRUTORA. Portfólio, Túnel de Vento. Disponível em: <http://www.arcelengenharia.com.br> Acesso em: 05 mai. 2010. BLESSMANN, J. Aerodinâmica das Construções. Editora da Universidade do Rio Grande do Sul, 1983. CLEVELAND, C., Wenham, Frank H., ENCYCLOPEDIA OF EARTH. Disponível em: <http://www.eoearth.org/article/Wenham,_Frank_H..>. Acesso em 28 jul. 2010. ESCUELA DE INGENIERÍA DE ANTIOQUIA. Experimento de Reynolds. Disponível em: <http://fluidos.eia.edu.co/hidraulica/reynolds/numero.html>. Acesso em 30 set. 2010. GILES, Ranald V., EVETT, Jack B., LIU Cheng, Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, Editora MAKRON Books do Brasil, 1996. GOOGLE PATENT SEARCH. Elisha H. V. Fales. Disponível em: <http://www.google.com.br/patents>. Acesso em 02 mai. 2010. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Espaço, Túnel de Vento Hipersônico T3. Disponível em: <http://www.inovacaotecnologica.com.br>. Acesso em 05 mai. 2010. INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS. Notícias, Túnel de Vento Hipersônico T3. Disponível em: < http://www.ieav.cta.br >. Acesso em 19 mai. 2010. INSTITUTO DE ENGENHARIA. Notícias, Novo Túnel de Vento da Volvo. Disponível em: <http://iengenharia.org.br>. Acesso em 19 mai. 2010. 76 LABORATÓRIO DE AERODINÂMICA DAS CONSTRUÇÕES. Túnel de Vento. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/lac/tunel.htm> Acesso em: 05 mai. 2010. LINDGREN, Bjorn. Flow Facility Design and Experimental Studies of Wall-Bounded Turbulent Shear-Flows, Stockholm, Sweden, 2002. MUNSON, Bruce R., YOUNG, Donald F., OKIISHI, Theodore H., Fundamentos da Mecânica dos Fluidos, Editora Edgard Blucher, 1994. PORTAL SÃO FRANCISCO. Aerodinâmica. Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br>. Acesso em: 05 mai. 2010. THE FRANKLIN INSTITUTE. Wright Brothers. Disponível em: <http://www.fi.edu>. Acesso em: 01 mai. 2010. UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO. Notícias, Túnel de Vento. Disponível em: <http://www.upf.br> Acesso em: 19 mai. 2010. U.S. CENTENNIAL FLIGHT COMMISSION. Wind Tunnel. Disponível em: <http://www.centennialofflight.gov>. Acesso em: 05 mai. 2010. VENNARD, John K.; STREET, Robert L., Elementos de Mecânica dos Fluidos, Editora Guanabara, 1978. WHITE, Frank M., Mecânica dos Fluidos e Hidráulica, Mc Graw Hill, 1999. WRIGHT BROTHERS AEROPLANE CO. Wind Tunnel. <http://www.wright-brothers.org>. Acesso em: 01 mai. 2010. Disponível em: ANEXO ORÇAMENTO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO DO TÚNEL DE VENTO Item Qtd Unid. Descrição detalhada. Indicação de fornecedor. Preço Custo Unitário Total Chapa de MDF 15mm 5 un Chapa de MDF cru com dimensão 1,83x2,75m Rudegon - 3015-1000 85.00 425.00 Ripa de cedrinho 10 m Ripas com 1x2" com comprimento de 3m Madeireira Congahi-Skill - 3074-7711 2.65 26.50 Tubo de ferro retangular 15 barras "Metalão preto" 20x40, com parede 1,2mm Aços Cabral - 3256-5565 29.60 444.00 Chapa de Acrílico (Lexan) 4mm 3 un Chapa transparente com dimensão 60x120 cm Brasflex - 3333-3234 240.00 720.00 Parafuso 6x16 zincado branco 1 cento Cabeça sextavada Pioneira dos Parafusos - 3256-9144 8.30 8.30 Arruela lisa M6 zincado branco 2 cento Arruela para o parafuso 6x16 Pioneira dos Parafusos - 3256-9145 2.80 5.60 Porca zincado branco 2 cento Porca para o parafuso 6x16 Pioneira dos Parafusos - 3256-9146 2.90 5.80 Parafusos para madeira 1 cento Parafuso "chipboard" cabeça chata 3,5x16 Pioneira dos Parafusos - 3256-9148 1.45 1.45 Parafusos para madeira 1 cento Parafuso "chipboard" cabeça chata 3,5x25 Pioneira dos Parafusos - 3256-9149 1.95 1.95 Parafuso zincado branco 10 un Parafuso sextavado 5/16" x 3" rosca inteira Pioneira dos Parafusos - 3256-9150 0.31 3.10 Arruela lisa zincado branco 5/16" 10 un Pioneira dos Parafusos - 3256-9152 0.08 0.80 Tampa plástica 20x40 20 un Disponível onde vende tubos de ferro "metalão" Aços Cabral - 3256-5565 0.21 4.20 Tubo de PVC 20mm 41 barra Barra com 6m, Krona, Provinil ou similar Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 7.32 300.12 Tubo de PVC 25mm 26 barra Barra com 6m, Krona, Provinil ou similar Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 7.80 202.80 78 Tubo de PVC 32mm 16 barra Barra com 6m, Krona, Provinil ou similar Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 17.64 282.24 Cola para tubo de PVC 2 un Pote de 175g com pincel Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 7.65 15.30 Pincel Tigre 2 un Largura 4cm Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 2.55 5.10 Rolo de espuma Tigre 2 un Largura 9cm Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 3.20 6.40 Lixa para madeira/massa 20 fl Lixa com graduação 120 Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 0.65 13.00 Prego polido 1 kg Prego 15x15 sem cabeça Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 6.47 6.47 Broca de aço rápido 2 un Diâmetro 6mm Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 3.66 7.32 Broca de aço rápido 2 un Diâmetro 8mm Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 6.39 12.78 Silicone transparente 1 un Tubo de 280g Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 9.10 9.10 Massa para madeira Suvinil 1 un Lata com 900g Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 10.14 10.14 Tinta esmalte sintético Suvinil 2 un Latas de 3,6 Litros na cor Azul escuro Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 61.00 122.00 Thinner 2 L Bigolin Mat. Constr. - 3661-5555 6.44 12.88 Hélice 1 un Hélice de fibra e alumínio Wind Hélices – SP 594,00 594,00 Motor 1 un Motor W22 plus 5cv 6p 220/380v CO Mueller – Alessandro 1.273,00 1.273,00 Máquina de Fumaça 1 un PLS – F-1000 – Fogger dB-zero 261,00 261,00 Inversor de Freqüência Trifásico 1 Um código 32199 - 5hp 220V VFD037E23A Eletrorastro 1.300,00 1.300,00 TOTAL 6.080,00