O CRESCIMENTO ECONÔMICO DE JUIZ DE FORA: uma abordagem focada no período entre os anos de 1999 e 2009 Melquisedeque Martins Fernandes1 Lúcio Fortes2 O objetivo principal deste estudo é avaliar o desempenho do PIB municipal de Juiz de Fora em comparação aos principais municípios do estado de Minas Gerais, enfatizando a contribuição do setor industrial sobre os valores gerados pela cidade e, portanto, demonstrando que o crescimento da indústria em várias cidades proporcionou o alavancar do PIB total das mesmas. Diferentemente da cidade de Juiz de Fora, a qual apresentou cenário inverso, mas que também justifica a importância da indústria (menor crescimento do setor industrial, menor aumento do PIB total). Para se chegar aos resultados do trabalho, focou-se na representatividade do setor da indústria no produto interno bruto dos vinte principais municípios 3 do estado de Minas Gerais, buscando relacionar os diferentes comportamentos apresentados por estas cidades e os resultados atingidos pelo município de Juiz de Fora, tanto no PIB total como no produto do setor industrial. De maneira a comparar: Juiz de Fora, vinte maiores municípios de Minas, resultados do PIB total e participação da indústria nos mesmos. A metodologia utilizada foi o estudo bibliográfico com base em livros, artigos, revistas científicas, teses e dissertações de mestrado e doutorado, 1 Graduado em Economia pelo Instituto Vianna Júnior/Certificação Fundação Getúlio Vargas. Email: [email protected] 2 Economista, Mestre em Economia, professor do curso de Economia do Instituto Vianna Júnior. Utilizado como critério os vinte maiores valores do PIB municipal para o ano de 2009. O ano de 2009 é o último ano da série disponibilizada pelo IBGE para consulta ao público até novembro de 2012. 3 como também, foi utilizada uma abordagem estatística descritiva sobre um conjunto de dados. As cidades de Ouro Preto e Sete Lagoas apresentaram predominante participação industrial, além de crescimento entre os anos. Em Ouro Preto, a participação da indústria cresce 13% (o maior dentre os vinte municípios abordados) entre os anos de1999 e 2009 e em Sete Lagoas o crescimento apresentado foi de 8% (o terceiro dentre os vinte municípios abordados). Por outro lado, a cidade de Juiz de Fora demonstrou um cenário contrário ao dos municípios de maior crescimento do PIB, o que torna mais uma evidência da existente relação entre o setor industrial e os resultados do produto interno bruto. Com queda de 3% no período (1999/2009), a indústria sempre apresentou um nível inferior de participação se comparado aos municípios de Ouro Preto e Sete Lagoas, por exemplo. Além destes, outros casos demonstram as mesmas características de evolução do produto interno bruto atrelado à produção industrial. A cidade de Betim é um destes exemplos, com destaque para suas empresas do setor industrial focadas na fabricação de veículos, autopeças e no refino de petróleo, o município sempre apresentou o setor da indústria como seu principal gerador do PIB, conduzindo uma participação média de 45% entre os anos de 1999 e 2009. Praticamente o dobro dos valores representados pelo mesmo setor no município de Juiz de Fora. Em resumo, a participação do setor da indústria em Betim representou o dobro da contribuição do setor em Juiz de Fora, por outro lado, a participação do setor de serviços em Betim representou, aproximadamente, a metade da contribuição do setor em Juiz de Fora. Visto isto, o PIB da cidade de Betim alavancou, no período, mais de seis vezes o crescimento do produto juizforano, sendo este, mas um argumento para a importância da indústria na geração do PIB total. O PIB de Juiz de Fora foi reflexo dos valores gerados pela atividade industrial na cidade (crescimento de 6% em 11 anos, o qual representou vinte e sete vezes menor que a melhor evolução, Ouro Preto). Assim, entende-se que se faz necessário uma nova estratégia de desenvolvimento local, fundada em investimentos para o setor industrial, capazes de promover e sustentar um crescimento econômico no município de Juiz de Fora, retirando a cidade de um comportamento de baixa evolução de seu produto gerado e enfraquecimento de sua participação no estado de Minas Gerais, verificado desde a década de 1970.