Maria Lucia Pires Menezes
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Logística e Negócios na Geografia urbano-Regional de Juiz d Fora:
No município de Juiz de Fora tem se configurado uma série de investimentos em fixos
territoriais para atender a demanda local e regional por negócios, valorização do espaço,
ampliação do consumo e ofertas alternativas de emprego. Fruto de uma política
estruturada a cerca de 7 anos, este processo tem no Plano Estratégico, com assessoria do
Programa Centro Ibero-americano de Desarrollo Estratégico Urbano (CIDEU), a tarefa
de organizar e garantir as condições políticas para implantação de vários projetos. Dentre
eles destacaremos a construção do Aeroporto Regional e dos “ bussines parks” como
inovações na logística dos fluxos para atender o circuito das economias regional, nacional
e do Mercosul. No setor das comunicações, as inovações incluem a reformulação da
Rede de comunicação Panorama, afiliada da rede Globo e que atua como estruturadora do
mercado e da identidade regional da Zona da Mata mineira. Tais processos contabilizam
um importante incremento no mercado de terras, setor tradicionalmente importante na
economia municipal e regional.
Palavras-chave: Juiz de Fora- Minas Gerais- inovação – gestão do território planejamento.
Logistics and business in the regional urban geography of Juiz de Fora. (Abstract)
A series of territorial investments has been taking place in Juiz de Fora district in order to
meet the local and regional demand for business, space valorization, consumption
increase and alternative job offers. Engendered through a structured politics that was
established about seven years ago, this process has, according to the Plano Estratégico,
and with the assistance of the Programa Centro Ibero-Americano de Desarrollo
Estratégico Urbano – CIDEU, the task of organizing and assuring the political conditions
to the implementation of several projects. Among them, the building of the Regional
Airport as well as the business parks can be highlighted as innovations in the logistics of
the flows to support the regional, national and Mercosul economies network. Concerning
the communication sector, the innovations include the reformulation of Panorama
Communication Network, a Rede Globo’s affiliated which acts as an element that
structures the regional market and identity of Zona da Mata. These processes amounts to
a significant development in the land market, a traditionally important sector in the
regional and municipal economy.
Keywords: Juiz de Fora – Minas Gerais – innovation – territory management – planning
Juiz de Fora cidade e município de 460 mil residentes nasceu moderna. Alçada em menos
de 50 anos à cidade mais populosa e importante da Província de Minas Gerais construiu
seu espaço a partir de inovações que estruturaram rapidamente o espaço urbano entorno
da função de centro agrícola, industrial, financeiro e atualmente o mais importante centro
regional prestador de serviços do sudeste de Minas – a Zona da Mata Mineira.
Recentemente a administração pública e o empresariado local aliançados e apoiados em
modelos de gestão do território racionalista e de orientação neo-liberal tentam atrair
novos investimentos para a cidade e garantir a reprodução ampliada a partir,
principalmente, da realização do empreendimento imobiliário numa junção inédita e
inovadora de investimento em infra-estrutura logística, novas tecnologias e um cardápio
variado de tipos de equipamentos imobiliários.
Ao longo do texto são destacados os principais momentos na geografia urbana da cidade,
quando de um modo geral, a inovação ( ou ausência de) foi capaz de articular com o
mercado de terras e o capital imobiliário novos territórios a partir da incorporação de
terras ou da re-qualificação do uso intensivo do solo urbano em Juiz de Fora. Na história
do espaço urbano é possível identificar a importância estratégica para a economia urbana
e regional do capital imobiliário.
Atualmente uma nova configuração no arranjo espacial urbano-regional se articula sobre
as áreas de expansão da cidade que seguem os principais eixos da malha viária urbana e
rodoviária. Presentes diversas instâncias de poder e construção do espaço destaca-se: o
governo federal alocando recursos financeiros na duplicação da rodovia BR 040, também
presente na operacionalização técnica do Aeroporto da Zona da Mata e através da
Universidade Federal de Juiz de Fora produzindo conhecimento, ciência e tecnologia
voltadas para a cultura e a economia regionais. Cabe ao estado de Minas Gerais
investimentos diretos e, através de programas e políticas, a orientação do aproveitamento
econômico e das potencialidades de articulação com a economia nacional e internacional.
Quanto a iniciativa privada salientamos os empreendimentos que tem impactado a cidade
e a região de modo a movimentar investimentos que atendam ao mercado local, regional,
nacional e internacional. Portanto, os maiores empreendimentos em curso no momento.
Destaque para a iniciativa privada que em consórcio e com o apoio da prefeitura, esta
devidamente legitimada pelo Plano Estratégico municipal, assume a competência de
regular e normatizar a instalação dos novos equipamentos territoriais sobre o município,
e apoiar politicamente empreendimentos para a região. E, finalmente, os
empreendimentos imobiliários beneficiados direta e indiretamente de todos os principais
projetos de impacto territorial.
Emerge uma nova cartografia que redesenha a cidade e seu entorno e segue nas direções
oeste-nordeste e sul-noroeste revelando as principais áreas de expansão dos investimentos
na cidade. Finalizamos com o mapeamento dos principais empreendimentos – os que
aliam tecnologia, logística e negócios imobiliários atualmente em implantação
exatamente sobre o nó rodoviário em que se localiza Juiz de Fora. A malha viária articula
e insere o espaço urbano da cidade com os eixos das rodovias nacionais BR 040: ligação
entre Rio, Belo Horizonte- Brasília e a BR 267 – principal ligação entre o sul de Minas,
São Paulo e a Zona da Mata oriental, esta enlaçando com o eixo da BR 116, principal
ligação entre o sul e o nordeste do país e a rodovia estadual MG 353 em direção ao
interior da Zona da Mata.
Inovações e origens do espaço urbano de Juiz de Fora
Elevada, em 1850 à categoria de município e vila nasce juntamente com a Lei de Terras,
que passa a regular o florescente e ávido mercado de terras brasileiro. Por isto, talvez,
seja tão difícil compor a geografia histórica da cidade que a principio se diferenciava
entre o Morro da Boiada na margem esquerda do rio Paraibuna e logo desaparecido para
dar lugar ao florescimento de outros 3 núcleos: Alto dos Passos, Rio Novo (ou Juiz de
Fora e atualmente Mariano Procópio) e o centro da cidade batizado como Santo Antônio
do Paraibuna, o qual se extendia entre o Morro de Santo Antônio e a atual rua Halfeld.
Disputas políticas envolvendo Henrique Halfeld, José de Souza Pinto – o Barão de
Bertioga e Mariano Procópio Ferreira Lage, todos com interesses latifundiários e
imobiliários, resultaram na votação na Câmara Municipal em 1865, sob a defesa do
Barão de São Marcelino ( Marcelino Assis Tostes, filho de Manoel Dias Tostes) do
projeto que incluiu as três últimas localidades acima mencionadas num perímetro urbano
único e sob a mesma denominação de Juiz de Fora em detrimento a Santo Antônio do
Paraibuna.
Do encontro dos que vieram subindo a serra da Mantiqueira acompanhando a frente de
expansão do café com aqueles que vinham das áreas mineradoras estagnadas,
rapidamente, em menos de meio século, surge a aglomeração urbana de Juiz de Fora. O
processo estruturador do espaço urbano e as formas que emergem se relacionam com o
aporte das mais contemporâneas inovações urbanas protagonizadas por burgueses,
religiosos, liberais e imigrantes, juntamente e ao lado do conservadorismo católico dos
proprietários cafeicultores e escravistas, escravos e agregados rurais. O que é hoje sua
área central foi loteado numa operação consorciada envolvendo Halfeld e os fazendeiros
donos das terras.
Henrique Halfeld - ex-militar prussiano e contratado pelo império como engenheiro de
Minas na região de São João del Rei, onde a lavra tinha recentemente escasseado, tornase por decreto imperial Chefe de Polícia da capital Ouro Preto. Em seguida, foi
encarregado de melhorar as condições de acesso entre a capital da Província e a capital
do país. Assim que cumpriu o primeiro trecho do caminho para a corte aporta e se baseia
em Juiz de Fora. Casando-se com uma herdeira da família Tostes, latifundiários locais,
logo enviuva. Sobre o espólio de sua esposa negocia a troca da parte de terras com o
cunhado, transferindo a que lhe cabia da margem esquerda do rio Paraibuna pela várzea
mais ampla da margem direita em direção as colinas que antecedem a encosta do Morro
do Imperador, exatamente na porção circundante ao trecho em que estava processando a
recente modernização do Caminho Novo. Inicia-se, assim, um florescente mercado de
terras que anos mais tarde receberia um plano urbanístico.
Na verdade a cidade foi paulatinamente se estruturando e ampliando seu espaço ocupado
entorno dos 3 sub-núcleos, localizados na beira das rotas de trânsito para a região. O
movimento de residentes e passageiros na cidade aumentava na medida em que se
expandia a comunicação entre a Província do Rio de Janeiro e a hinterlândia produtora de
café. Tanto o Alto dos Passos como a estalagem do Rio Novo, eram opções de pouso
para os viajantes, fazendeiros e comerciantes em trânsito. Entre os núcleos oriundos dos
pousos, localizavam-se as terras da família Tostes: mais precisamente a região entorno
da colina de Santo Antônio - rua Halfeld. Nos interstícios entre os 3 núcleos a Igreja vai
sucessivamente ocupando vastas extensões de terras.
Esta ordenação territorial vai se configurando em função do controle e da urbanização
das terras e do forma do arranjo espacial que expressava as particularidades das relações
entre o campo e a nascente cidade. Enquanto sede municipal a cidade pressupõe a
presença do aparato burocrático, jurídico e administrativo que foi localizado exatamente
na região circundante a Rua Halfeld, onde hoje se encontra-se o Parque Halfeld. Além da
organização do espaço intra-urbano, a produção rural ao se avolumar vai requerer uma
logística de atendimento ao estoque e ao escoamento do volume da produção,
principalmente se considerarmos que inicialmente ainda não havia a malha ferroviária a
serviço da circulação do produto e da força de trabalho. Assim, a infra-estrutura no
espaço urbano, no caso as terras localizadas nos aforas da região central, precisou
atender a função de Juiz de Fora como florescente entreposto comercial da região entorno
e, consequentemente, gerando a necessidade da organização de novo espaço, em
função da intensificação do movimento mercantil e financeiro na cidade. Novos
estabelecimentos surgiram e localizaram-se na rua Halfeld. Paralelamente, crescia a
pressão sobre a moradia, surgiam novas atividades e profissões urbanas, enquanto
consolidava-se variados tipos de prestação de serviços.
De início do estoque de terras mercantilizáveis fazia parte, conforme supracitado, as
propriedade dos Tostes e de José Antônio da Silva Pinto, este latifundiário da região do
Alto dos Passos e urbanizador da área, além de fazendeiro em terras do município de
Simão Pereira, limítrofe a Juiz de Fora. Juntos Halfeld e Souza Pinto construíram a rua
Principal, atual avenida Rio Branco e que na verdade era o prosseguimento da estrada
que Halfeld estava remodelando. Segundo Blasenheim (1996) Silva Pinto ganhou um
contrato do governo provincial para ampliar o Caminho Novo: de Juiz de Fora até a
fronteira com o Rio de Janeiro, transformando o povoamento do Alto dos Passos e dos
arredores, o que viria a ser mais tarde a cidade de Juiz de Fora. Esta cresceu em função
do intercâmbio comercial, sendo o mercado para as 150 000 mulas que chegaram na
Mata entre 1852 e 1862.
O crescimento da cidade redunda na intensificação da especulação de terras e impulsiona
o empreendedorismo com fins de loteamento e implantação de infra-estrutura. Enquanto
Henrique Halfeld – investia na várzea e no trecho compreendido pelo Morro de Santo
Antônio e a rua da Califórnia ( atual rua Halfeld), Mariano Procópio implementava na
região da estalagem do Rio Novo, uma urbanização moderna que tentava se diferenciar
da “ velha”, a cidade entorno da rua Principal ( atual Rio Branco). Em suas terras,
construiu o solar que seria sua casa e que recepcionou o imperador Dom Pedro II, fundou
uma colônia de imigrantes trabalhadores da nova Estrada União Indústria por ele
construída e localizou a antiga fábrica têxtil dos Ingleses. E, próximo, Mariano Procópio
em 1876 inaugurou a estação ferroviária de Rio Novo. O controle de terras significava a
consolidação do poder político local, embora as relações de Mariano Procópio com
outros políticos locais não foram tão amistosas. Oriundo de Barbacena, proprietário de
terras e cafeicultor em direção de Goianá, antigo distrito de Rio Novo, deputado imperial
com forte influencia na capital do Império, explica-se o antagonismo por ter Ferreira
Lage “roubado” o protagonismo sobre a construção de estradas, antes de Henrique
Halfeld e seu “novo” Caminho Novo, para ser o empreendedor e construtor da moderna
– União Indústria, nova estrada que passa a ligar Juiz de Fora a Petrópolis, em terras do
Imperador, e Diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil.
São portanto as rotas o mote simbólico da criação e recriação da história e da geografia
da cidade. Ferreira Lage ainda tentou criar uma Sociedade para melhoria da cidade, mas
Silva Pinto foi escolhido como presidente e Halfeld como secretário e que na avaliação
de Pedro Nava avaliava que a cidade era dominada por dois grupos sociais bem distintos:
de um lado pessoas vinculadas à antiga tradição senhorial aristocrática e católica e do
outro membros da nova burguesia emergente.“ Esses aspectos ficam bastante
evidenciados através da análise dos quatro pontos principais que serviram de núcleo ou
eixo para o desenvolvimento urbano: o Alto dos Passos, o morro de Santo Antônio, e rua
Halfeld e a estação Mariano Procópio.”(1). A rivalidade descamba, conforme
supracitado, na disputa entre o núcleo de Juiz de Fora ( Mariano Procópio ) e Santo
Antônio do Paraibuna. Face a posição política contra Mariano Procópio que resultou no
impedimento a qualquer manifestação de secessão - a medida do Barão de São
Marcelino, deputado provincial redunda na anulação do nome de Santo Antônio de
Paraibuna e impõe o nome de Juiz de Fora ( 1865) como era então conhecida a área em
torno do palacete de Mariano Procópio. De uma só penada Marcelino Tostes retira o
nome de Santo Antonio do Paraibuna, impõe o nome de Juiz de Fora que era exclusivo da
localidade comanda por Ferreira Lage , amalgamando o território urbano em torno de um
só topônimo .
Na verdade, o sucedido revela um processo em curso, que é a reconversão da renda da
terra e formação inicial do mercado imobiliário urbano, isto é, negócios de terras,
envolvendo o espolio da família Tostes e Souza Pinto através de seus herdeiros e projetos
de urbanização em torno dos núcleos e localidades originais e o incremento do mercado
de terras, responsáveis por impulsionar a vida urbana e configurar a cidade. Assim que,
do espólio dos Tostes que em 1837 por meio de seu patriarca – Antônio Dias Tostes –
divide a Fazenda do Juiz de Fora entre seus quatro filhos: Custódio, Manoel, Antônio Jr.
E Cândida Maria Carlota – ficando os três primeiros com as propriedades da margem
direita e Carlota com a margem esquerda. Manoel e Antônio ficaram com aparte da
encosta em direção a serra e Custodio com a várzea, a quem mais tarde vendeu a Halfeld
para um projeto ambicioso o de fazer a variante do Caminho Novo pela várzea, enquanto
que os outros dois negociaram as terras do Alto dos Passos para Antônio de Souza Pinto e
do Morro de Santo Antônio para Halfeld e a administração da capela de Santo Antônio a
Antônio de Souza Pinto.
A importância econômica do lugar e a valorização das terras explicava-se pela riqueza
do café que dava poder político a região, sob e a influência da capital do Império. Desde
seus primórdios até os dias atuais Juiz de Fora é a cidade mais importante
economicamente e mais próxima da cidade do Rio de Janeiro e região. Naquele momento
o grande movimento em direção a vila de Juiz de Fora se dava porque o café trazia
lucratividade e a base urbana onde se localizava a Câmara Municipal passou a receber
cada vez mais a presença na cidade dos cafeicultores e da elite política inserida no projeto
de modernização imperial, que se revelava na “ transformação da cidade de Juiz de Fora
num símbolo do seu poder e do sucesso de seu estilo de vida - leia-se, da economia
cafeeira de exportação baseada na exploração do trabalho escravo. A pretensão é tornar o
centro urbano um lugar atraente, para o bem viver de uma elite poderosa e em sintonia
com as modernas noções de higiene, planejamento urbano, transporte, cultura a e
segurança. Uma cidade moderna, uma cidade oitocentista” (2)
Em 1860 a Câmara Municipal contrata o engenheiro Gustavo Dotto para alinhar e
nivelar as ruas e em 1868 a partir do cruzamento das ruas Principal e Califórnia novas
ruas foram abertas.
Em Menezes (2003) expusemos como foi se ampliando o espaço urbano a partir da
modernização dos eixos viários interligando a capital do país e da província, a introdução
da malha ferroviária e a organização dos primeiros espaços fabris de Juiz de Fora entorno
do seu núcleo central, mais precisamente nas margens do rio Paraibuna e entorno do atual
bairro Mariano Procópio e do Alto dos Passos. A imigração iniciada por Mariano
Procópio – para construção da estrada União Indústria e para um núcleo rural familiar de
suporte aos trabalhadores - fixa-se principalmente entorno da cidade contribuindo para a
formação de um exercito industrial de reserva que vai ser paulatinamente encorpado com
os egressos rurais da abolição da escravatura e com o êxodo rural, processo que se
acentuaria sobremaneira com a crise cafeeira e a substituição paulatina pela pecuária
extensiva de base leiteria anos mais tarde. Tal processo se coaduna com a implantação da
vida escolar capitaneada por setores da Igreja católica e protestante, assim como de
instituições técnicas da iniciativa privada.
Inovação e organização do espaço urbano-industrial
A reinversão de capitais na indústria com o apoio do capital financeiro representado na
região, principalmente pelo Banco de Crédito Real de Minas Gerais, seguindo modelo
auto-explicativo em outras regiões cafeeiras do país iniciam o comando da economia
sobre base urbana-industrial.
A cidade de Juiz de Fora veio paulatinamente consolidando-se como centro regional da
Zona da Mata (3) Centro médio fabril, prestador de serviço e polarizando uma região
agrícola tradicional Juiz de Fora sentirá os efeitos sobre o espaço urbano de um
crescimento acelerado e constante.
A economia urbana cresce apoiada na difusão da indústria fordista e no mercado
imobiliário criando bairros, vilas operárias e adensando a ocupação da área central da
cidade. A princípio os vales laterais a calha do Paraibuna são ocupados e depois na
medida em que a demanda aumenta a meia encosta das elevações no entorno da várzea
são paulatinamente loteados. O transporte de bondes chega a cidade em 1880, quando foi
criada a CIA. Ferro Carril de Bondes de Juiz de Fora. A geografia de suas linhas é capaz
de revelar a estrutura urbana da cidade, a complexificação do espaço da área central da
cidade e a formação dos bairros mais afastados ou ainda não totalmente urbanizados
como Tapera de Baixo – onde existiu a hospedaria dos imigrantes Horta Barbosa ( Santa
Terezinha), Tapera de Cima ( Bandeirantes), Pito Aceso ( Bonfim), Manoel Honório (
homenagem ao dono da Fazenda da Divisa que tinha sede na atual rua Américo Lobo),
José Weiss- ponto da cervejaria e mais tarde por causa do bonde – Fábrica, Passarela (
final do São Mateus), Lamaçal, ( futuro Bom Pastor), Creosotagem ( Francisco
Bernardino), e aqueles que se extendiam numa primeira expansão urbana ao longo de
ambas as margens do rio como Poço Rico ( Três Pontes) na margem direita e Costa
Carvalho ( Bota N´Água de baixo) – antigo Caminho Novo de Garcia Paes, Vitorino
Braga ( Bota N´Água de cima) dentre outros.
A Companhia Bernardo Mascarenhas, empreendimento que reuniu investimentos em
produção de energia e iluminação pública criou as bases para uma série de inovações
urbanas a partir da atividade industrial ( Cf. Menezes, 2003): a primeira usina hidrelétrica
da América do Sul passa a tender à fábrica e à iluminação pública da cidade ao mesmo
tempo. Assim como fez Mariano Procópio, Bernardo Mascarenhas cria a Associação
Promotora da Imigração, sociedade particular que reunia os financiadores e interessados
no projeto, principalmente os mais importantes fazendeiros. A abolição da escravatura e a
crescente urbanização demandam força de trabalho. A subvenção governamental apoia o
projeto e uma nova onda de imigrantes chega à região e, em sua maioria, instalam-se em
Juiz de Fora. Afora os bairros de São Pedro ( Colônia de Cima) e Borboleta ( Colônia de
Baixo) sempre muito referenciados como localização da população alemã; acredita-se
que outros grupos de imigrantes se alojaram na cidade obedecendo ao mercado
imobiliário, incluindo pequenos promotores particulares e assim disseminando-se pelos
bairros que surgiam no entorno da área central da cidade original.
A cidade passa próspera pela década de 20, progressista, liberal, católica, conservadora,
protestante, imigrante, negra e acolhedora de migrantes de toda a região. Do ponto de
vista da cidade formal e oficial a cidade se modernizou, se aculturou, e se embelezou.
Os anos 30 marcam o início da inflexão da cultura cafeeira, mas a atividade urbanaindustrial foi capaz de manter a poupança interna pelo crescimento dos setores
secundários e terceiras da economia urbano industrial e, principalmente, pelo crescimento
da infra-estrutura da cidade física.
Um marco na historia e geografia urbanas de Juiz de Fora foi a enchente de 1940 que
desalojou a população pobre que morava em suas margens, além de atingir o setor
comercial da “ parte baixa” da cidade. O rescaldo desta tragédia refletiu-se no mercado
imobiliário de baixa renda quando surgiu o bairro Vila Furtado de Menezes que abrigou
inicialmente os flagelados da enchente de 1940. O governo local conseguiu verbas do
governo federal para retificação do rio, liberando assim mais terras as margens do rio e,
principalmente na margem direita aumentando o espaço que foi sendo ocupado por
fábricas e grandes armazéns , constituindo o setor atacadista da cidade, em virtude da
proximidade com a estação ferroviária.
Do ponto de vista das mudanças estruturais Juiz de Fora subsistiu e ampliou o setor
industrial, enquanto a base industrial era a de substituição de importação, sendo a
industria têxtil e alimentar as de maiores expressões na cidade. No entanto quando a base
industrial nacional muda para nos anos 50 privilegiar o setor de bens de capital e bens de
consumo durável, uma outra geografia regional tinha se delineado na Zona da Mata
Mineira e a cidade de Juiz de Fora, estabelece novas relações de centro com sua região.
Uma das expressões espaciais mais reveladoras das novas interações espaciais se
expressam na falência gradativa da rede ferroviária e sua substituição pela malha viária
rodoviária. A maior acessibilidade dada pelos transportes terrestres e novos eixos de
rodovias federais marcam uma série de clivagens na dinâmica regional e em especial
refletem sobre Juiz de Fora de duas maneiras bem importantes.
A primeira com a construção da rodovia Rio-Bahia que adentrou na Zona da Mata no
sentido longitudinal e que vai estabelecer a ligação entre o Sudeste Oriental e o Nordeste
a leste da Zona da Mata e impulsionam as cidades sobre este eixo, dentre elas
Leopoldina, Cataguases e Muriaé, Caratinga e Manhuaçu, todas oriundas da produção
cafeeira e interligadas a época por malha ferroviária.
A segunda diz respeito ao eixo com Belo Horizonte, como eixo preferencial, o que
ocasionou a decadência e muitas vezes isolamento das ligações mais interiores com
municípios próximos a Juiz de Fora, ligações que passam a ser vicinais, quando órfãs da
decadência ferroviária. As ligações se tornam mais difíceis, cidades próximas devido a
precariedade se tornam quase que inacessíveis.
O resultado para a economia municipal se dá em função de uma combinação de fatores
que incidem sobre uma política nacional que não reverte investimentos para a região e
que articulam outros espaços com investimentos de ponta, sendo o caso modelar o
governo Juscelino Kubitishek (1956-60) e a montagem do arcabouço da indústria
automobilística, indústria motriz para o complexo industrial que irá consolidar a liderança
da economia paulista, a partir da expansão, articulação e funcionalidade da região
metropolitana de São Paulo.
A mudança da capital para Brasília inicia um processo de desmobilização geopolitica e
conseqüente desaceleração econômica para o Sudeste Oriental. Para Juiz de fora, e
obviamente para o estado do Rio de Janeiro tal fato gerou um espaço de transição, onde
uma economia regional sem fôlego de competição e cuja base agrária sobrevivia com
problemas de renovação, ausência de inovações, inexistente processo de beneficiamento,
frágil organização de circulação e distribuição de bens e produção. Paulatinamente se
consolidam no país as multinacionais do setor de laticínios. Localizadas no sul mineiro e
em São Paulo foram uma concorrência agravante para com a economia da Zona da Mata
e em especial para Juiz de Fora. Enquanto isto a maior parte da distribuição da produção
agro-pastoril passa a ser dominada pelo Central de Abastecimento da Grande São Paulo
(CEAGESP), capturando, inclusive a região metropolitana do Rio de Janeiro, antes
mercado consumidor preferencial da produção agropecuária da Zona da Mata.
A crise regional dos anos 50 se somaria a crise nacional dos anos 60 acrescentando um
quadro de crise industrial local. Na verdade, a industria e mais amplamente a economia
regional estavam a deriva na divisão interna do trabalho. A região perde participação na
produção e competitividade no mercado interno.
“ Nos anos 50, os setores que passaram a liderar o crescimento econômico brasileiro foram os de bens de
capital e de bens de consumo durável (siderurgia, metalurgia, química e automobilística), em detrimento
dos setores tradicionais. Juiz de Fora esteve ausente dos grandes projetos de investimentos idealizados pelo
Plano de Metas, sendo apenas beneficiada marginalmente com a instalação da Facit S.A. Máquinas de
Escritório e da Becton Dickinson Indústrias Cirúrgicas Ltda., de capital internacional, sem alterar a
tendência de decadência industrial da cidade. O capita local entrou num processo de falência, com várias
indústrias tradicionais fechado suas portas e os novos empreendimentos não foram seguidos de similares,
razão pela qual não possibilitaram a dinamização da estrutura produtiva da cidade.” (4)
Os anos 70 são um importante marco para a economia da cidade, pois significaram a
inserção do território municipal na economia regional do estado de Minas, através de
incentivos propostos pelo II Plano de Desenvolvimento Nacional. Neste processo o
espaço juizforano passa a compor uma complementaridade com o setor metalúrgico da
região de Belo Horizonte, integrando-se, pela primeira vez, à economia de Minas Gerais.
A instalação da siderúrgica Mendes Jr, atual Belgo Mineira e da Paraibuna de Metais –
metais não ferrosos foram capazes de revitalizar parcialmente o mercado de empregos e a
dinâmica interna da economia urbana. Além destas plantas o município recebeu uma
unidade da White Martins multinacional no setor de gases químicos e a Paraibuna de
Papéis fábrica de embalagens situada no distrito industrial no bairro de Benfica e
primeira indústria a receber a ser atendida, recentemente, pelo gasoduto Rio – Belo
Horizonte.
Na verdade, a crise da indústria tradicional, a nova política industrial brasileira, a
centralização fiscal e administrativa do Estado nacional pós-64, a decadência rural e a
perda de hegemonia do Rio de Janeiro aliados a emergência do Região Metropolitana de
Belo Horizonte ancorado no novo modelo da industria de transformação reverberaram na
organização espacial da Zona da Mata. Juiz de Fora como centro regional constrói novos
espaços de expansão, acompanhando o modelo dominante da América Latina, ou seja, a
constituição de uma imensa periferia social ocupando cada vez mais espaços sem infraestrutura, cujo resultado é o padrão de crescimento urbano acelerado sobre uma base
econômica setorizada cada vez mais concentrada e especializada.
Coube ao Estado autoritário a função de interventor no acoplamento de infra-estruturas
de inserção numa nova dinâmica baseada no capital monopolista de base urbanaindustrial. Portanto a mudança de modelo incorreu na necessidade de regular as forças de
mercado, implantar os setores de indústria estratégica, balizando o modo do
desenvolvimento de sob um aparato técnico centralizado e do modelo planejado.
Qual o lugar da região – Zona da Mata neste modelo ? Quais os efeitos sobre a
cidade de Juiz de Fora?
Inicialmente concebida como “periferia estagnada”, onde seria necessário ordenar a foça
de trabalho, e imputar a cidade, enquanto centro regional a função de reter o fluxo
migratório que congestionava os espaços metropolitanos do país. O plano adotado foi o
das Cidades de Porte Médio (5). No âmbito rural o governo estadual lançou o
PRODEMATA, programa destinado a recuperar a produção agropecuária em áreas de
concentração de pequenos agricultores, mas de atuação pífia. Como articulação regional
nenhum programa contemplou especialmente a Zona da Mata. O resultado não tardaria a
se apresentar na paisagem urbana.
Sobre a organização interna da cidade assistiu-se nos últimos 20 anos a busca de modelos
e as tentativas de implantação de políticas e projetos de regulação da pobreza urbana.
Efetivamente foram realizadas obras de infra-estrutura viária, marketing e inovações no
mercado imobiliário de alta renda(6), com a implantação de novos bairros
exclusivamente residenciais, os primeiros condomínios fechados e a ordenação da
expansão urbana em eixos de alcance da rodovia BR-040, na direção oeste do município.
Funcionalmente a expansão urbana estruturou e equipou novos subcentros dentro da
cidade, como o bairro Benfica, no setor noroeste e uma região de modernidades e
inovação que compreende o espaço entre o Alto dos Passos, o São Mateus, o bairro
Cascatinha e a Cidade Alta no setor sudoeste da cidade.
A longo do processo de espacialização atualmente verifica-se a implementação de novos
empreendimentos que operam com agentes complementares que envolvem a ação do
mercado imobiliário local com soluções de equipamento territoriais e inserção no livre
mercado da economia globalizada. A cidade passa a ser servida pelo sistema de cabos de
fibra ótica e por gás natural. O gás natural associado que é comercializado em Juiz de
Fora é processado na bacia de Campos (Petrobrás/RJ) e bombeado até Minas, através de
uma rede que liga Rio de Janeiro a Belo Horizonte. Atualmente a maior consumidora de
gás natural é a siderúrgica Belgo Mineira.
Os novos tempos da economia aberta e da chegada de novas tecnologias parecem
redundar no abandono por parte do inconsciente coletivo do ideal da industrialização
fordista, perfeitamente compreensível e muito desejado por sua capacidade de empregar
força de trabalho. Mas, segue preponderante a estratégia do investimentos em terras e
patrimônio. A permanecia histórica do setor imobiliário, feliz em tempos de bonança e
seguro em tempos de desânimo, segue como agente fundamental sobre o espaço urbano
com sua generosa capacidade de açambarcar alianças com diferentes agentes sociais e
econômicos legais e ilegais. Sua contraface é a necessidade da regulação do espaço
geográfico sobre o uso e a ocupação do solo. Seu ethos incentiva o prazer juizforano de
cultuar a casa.
Casamento duradouro... mesmo porque, ambos, ampliam a reprodução do capital.
Escalas de embate: possibilidades de inserção regional e nacional rumo aos negócios
globais
Em tempos de inovação e renovação realiza-se uma nova rodada de reestruturação e
reincorporarão dos espaços e territórios nas regras e modos operacionais do modelo
econômico em curso. Após os anos 90 com a abertura da economia, a redemocratização
do país e a nova constituição alicerçada pelas novas tecnologias de mídia e informação
cidades e regiões transitam para novas inserções no sistema espacial brasileiro. Lugares
emergentes, ranking de cidades, qualidade de vida são temas midiáticos que logram
apresentar novos lugares de investimentos para as mais diversas gamas de empresários e
corporações econômicas. As listas das “ mais mais” cidades que abundaram em tempos
do governo de Fernando Henrique Cardoso ( 1995-2002) e o sucesso da estabilização
monetária do Plano Real na imprensa baseavam-se em critérios cuja base seria a infraestrutura implantada pelas cidades para aportarem novos investimentos e empresas. Do
ponto de vista financeiro, o fator fundamental seria que dispor o município de poupança,
além da existência de recursos recicláveis de uma para outra atividade através de
privatizações, parcerias e concessões. Tudo isto somado ao cuidado e à revalorização do
meio ambiente e, também, à cultura criam uma conjuntura favorável ao
desenvolvimento do turismo.
Tal discurso encontra uma matriz geral, européia e globalizante, onde a cidade estratégica
se confunde com a cidade sustentável (7). Estratégia e sustentabilidade são entendidas
como modelo exemplar na forma de um sistema retroalimentador de sinergias positivas.
Trabalha-se com a perspectiva de realização de negócios, atração de investimentos e
competitividade baseados na exploração máxima das vantagens comparativas locais. O
discurso incorpora a qualidade de vida e a participação cívica de todos os setores sociais
como metas a alcançar permanentemente, de modo que a cultura cidadã e urbana possa
ser revertida em fonte de atração e se possível incremente o turismo. A gestão urbana
muda radicalmente de escala passando da organização interna da cidade para a
preocupação com possíveis investimentos estratégicos em sua região de influência direta.
Concomitantemente busca a adequação à demanda das empresas não-locais às
necessidades de equipamentos territoriais de logística. Objetiva-se através da
operacionalização dos fluxos a inclusão regional nos circuitos nacionais e internacionais.
Estudos efetuados pelo Instituto de Pesquisa Aplicada ( IPEA), Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e a universidade de Campinas (UNICAMP) em 1998
sobre a rede urbana brasileira classificou Juiz de Fora como centro regional que, porém,
não constitui aglomeração urbana. Segundo o estudo, os critérios de classificação das
aglomerações urbanas busca verificar em que grau referida aglomeração atende aos
chamados aspectos fundamentais de natureza demográfica, de estrutura ocupacional e de
integração entre os núcleos. Numa aglomeração urbana os municípios integrantes devem
apresentar minimamente as seguintes características: densidade de 60hab./km² por espaço
urbanizado contínuo e um mínimo de 65% de PEA nos setores secundário e terciário e
conurbação urbana interna. Os município de Ewbank da Câmara e Matias Barbosa sobre
os quais avança a mancha urbana de Juiz de Fora ainda não constituem processo de
conurbação completa, sendo mais provável esta configuração, do ponto de vista da maior
densidade demográfica em direção ao município de Chácara que funciona com mais um
bairro de periferia de Juiz de Fora. Na verdade o exemplo acima se insere na
problemática apontada pelo IPEA e que diz respeito ao processo de aglomeração urbana
se fazer por periferização baseada no empobrecimento, no desemprego na não requalificação da força de trabalho, o que vem implicado da “ ocupação informal” dos
centros urbanos, nas áreas centrais e periféricas, agravada pela dificuldade do acesso a
terra e por deficiências legais de legalização das áreas ocupadas. (8), contexto que os
municípios limítrofes a Juiz de Fora se inserem perfeitamente
Assim, os municípios do entorno de Juiz de Fora, Ewbank da Câmara e Santos Dumont,
cuja sede municipal dista cerca de 35 quilômetros ao norte, ambos no eixo da BR- 040
apresentam inicio de conurbação. Ewbank constitui um pequeno município de origem
rural e hoje funciona como área de expansão urbana de Juiz de fora com característica de
periferia social e Santos Dumont um município com pequena atividade industrial, onde se
destaca a Companhia Brasileira Carbureto de Cálcio.
Mas é no município de Juiz de Fora entorno do entroncamento da BR – 040 e da BR 267
( rodovia longitudinal ligando Mato Grosso do Sul a Zona da Mata mineira, passando por
São Paulo e o sul de Minas), que se encontram importantes indústrias, entorno das quais
organiza-se um sub-eixo de expansão da cidade. Neste perímetro localiza-se desde os
anos 80 a planta da Paraibuna de Metais do grupo Votorantim, de origem paulista empresa dedicada à indústria, importação e exportação de minério de zinco e seus
associados, do metal zinco e seus metais associados, ligas, produtos e subprodutos.
Próximo, na BR- 040 localiza-se a Mendes Júnior Siderúrgica arrendada pela Companhia
Siderúrgica Belgo- Mineira, fabricante de aços para a construção civil e implementos
agrícolas para o mercado interno nacional. No antigo distrito industrial, no bairro de
Benfica, ainda dentro deste eixo, porém já em área urbana contínua encontra-se a
Paraibuna de Papéis. Embora citadas as principais plantas industriais localizam-se
inúmeras outras indústrias dos ramos de bens de consumo. E no novo distrito industrial
entre o rio Paraibuna e a BR 040 localiza-se a fábrica da Mercedes Bens, instalada na
segunda metade dos anos 90.
Adentrando no perímetro urbano de Juiz de Fora este eixo se prolonga até o centro da
cidade acompanhando a margem direita do rio Paraibuna onde se localizam o “ velho”
distrito industrial da cidade, outros bairros industriais e vias urbanas importantes que, na
verdade funcionam como continuação da BR 267, já que a cidade não dispõe de um arco
de contorno para esta rodovia. É importante acrescentar que a geomorfologia da área
urbana de Juiz de Fora face a declividade e aos movimentos de massa contribui para
acentuar a orientação das áreas de expansão da cidade sobre a várzea do rio Paraibuna
interconectando-se ao restante da malha viária tanto no sentido Rio - Belo Horizonte,
quanto no sentido Juiz de Fora – sul de Minas – São Paulo, e também no sentido Juiz de
Fora, Ubá – Viçosa- Ponte Nova interiorizando-se sobre a Zona da Mata.
Mas, como complementaridade na escala regional é o eixo entorno da BR 040 que vai
aceleradamente se consolidando como área linearmente ocupada desde o Rio de Janeiro
passando por Petrópolis, Itaipava, Areal, Três Rios- Paraíba do Sul, Simão Pereira e
Matias Barbosa até chegar a Juiz de Fora. Este eixo vem sofrendo paulatinamente um
processo intenso de urbanização podendo-se assim supor um embrião de aglomeração
urbana da Serra dos Órgãos pelo vale do rio Piabanha, do rio Paraíba do Sul até o rio
Paraibuna, explicada funcionalmente como uma área de expansão urbana-industrial a
partir do Rio de Janeiro, confirmando o estudo do IPEA( Instituto de Pesquisas
Aplicadas), pelo IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pela UNICAMP
( Universidade de Campinas) que descreve o sistema urbano do Rio de Janeiro como
composto pela região metropolitana do Rio de Janeiro, por Juiz de Fora e pela cidade de
Vitória, capital do estado do Espírito Santo e sua região metropolitana.
O prolongamento e a interioridade dos eixos de investimentos e produção sobre a Zona
da Mata poderá ser feita a partir da ligação de Juiz de Fora com a cidade de Ubá ( centro
micorregional) impulsionada pela entrada em operação do Aeroporto Regional de Zona
da Mata (embora sua denominação seja aparentemente redundante, na verdade, associa o
tipo de instalação aeroportuária com sua localização). Obra controversa e ainda
inacabada, eivada de juízos incautos e “à boca pequena” o projeto do aeroporto regional
foi bancado pelo ex-presidente Itamar Franco, político de Juiz de Fora, enquanto
governador de Minas Gerais( 1999-2002).
De modo a abstrair o contexto das opiniões locais é importante ressaltar o significado e a
importância do aeroporto regional e da aviação regional. A idéia da aviação regional
passou a realidade quando do primeiro período de desregulamentação da economia no
EUA, por volta de 1980, a indústria aeronáutica passou a investir em modelos menores
que fossem servir de transporte de pequena carga e passageiros entre pequenas cidades ao
redor de grandes cidades. Lógica pertinente para entender ao construção do aeroporto de
Zona da Mata se não fosse por dois motivos: o poder aquisitivo da classe média brasileira
que deriva no baixo consumo do transporte aéreo e do turismo e da não consolidação do
agronegócio na Zona da Mata como economia dominante e, portanto, alicerçada na
existência de um setor agrícola capitalizado e dinâmico. No entanto, o empresariado
nacional, desde que desprendido das amarras dos juros e da tributação necessita
incrementar a aviação regional, pois a intensificação dos fluxos no mercado interno
requer a logística aeroviária. Recentemente, com os objetivos de debater as principais
dificuldades da Aviação Regional, propor suas soluções e apresentar propostas sobre o
novo Sistema Brasileiro de Aviação Regional, foi realizado em Brasília, o 2º Congresso
Nacional de Aviação Regional, com o apoio das mais importantes empresas aéreas
brasileiras, em especial as novas empresas de âmbito regional como a Ocean Air
interessada em operar no futuro aeroporto da Zona da Mata O evento tenta encontrar
soluções para o incremento da aviação regional no espaço brasileiro, salientando sua
crescente importância face as novas demandas da logística de transporte em que o modal
aéreo ganha competitividade em relação, principalmente ao sistema rodoviário
atualmente em estado de conservação precária, congestionado e sem alternativas viáveis
de expansão física. Os dados revelam que há 50 anos a aviação brasileira atendia 400
cidades. Atualmente este número não chega a 130 e, caso haja uma redução haverá
impacto negativo sobre o mercado interno. A idéia que se pretende veicular é o de ser a
aviação regional uma promotora da integração e desenvolvimento de regiões afastadas
dos grandes centros urbanos. (9)
Independente do tempo que possa levar para conclusão das obras do aeroporto da Zona
da Mata é importante salientar que, num certo sentido, sua existência pode ser encarada
como ação de planejamento para o setor econômico, cujo objetivo geral é criar assim
espaços de interseção do global com o local e regional. No entanto, sua implantação e
localização ocasionou grande impacto ambiental, social, inclusive atingindo áreas de
sítios arqueológicos. Situado numa extensa várzea rodeada por um anfiteatro de serra de
grande importância paisagística uma das maiores críticas sobre a localização do aeroporto
recai sobre a distância com a cidade de Juiz de Fora – cerca da 40 quilômetros. Instalado
em território fronteiriço dos municípios de Goianá e Rio Novo, o aeroporto regional e a
historia de sua construção não deixa de espelhar o histórico jogo de poder da elite
política regional: o de associar estoques de terras, com empreendimentos de alcance
regional e lucratividade imediata, com ampla reconversão do capital social para a
contabilidade da política local. Segundo o plano diretor elaborado pela Fundação João
Pinheiro de Minas Gerais em 2002, a construção se fez a partir da implantação inicial de
uma pista de pouso e decolagem com 1800 metros de comprimento e 30 de largura – já
construída, o terminal de passageiro ocupará área de 1950 km² contando ainda com 2000
m² do terminal de cargas.
Do ponto de vista econômico o aeroporto se justificará quando for capaz de exportar, o
que na pauta interna inclui desde componentes para industria automobilística, incluindo a
fruticultura de montanha, em especial a produção da região das cidades de Barbacena Carandaí, móveis da região de Ubá, laticínios de toda a Zona da Mata, café, e inúmeros
produtos industriais da própria Zona da Mata. Recentemente, e políticos de Minas Gerais
visitaram a região do aeroporto e decidiram reivindicar ao governo de Minas incentivos
fiscais e a criação de uma Zona de Processamento e Exportações (ZPE), para que todo
produto importado, exportado ou aquele produzido dentro do sítio aeroportuário possa
receber incentivos fiscais seguindo o modelo da na Zona Franca de Manaus.
O aeroporto, localizado na divisa dos municípios de Rio Novo e Goianá, fica a 35
quilômetros de Juiz de Fora e a 120 quilômetros do Rio de Janeiro. Os empresários da
região comemoraram o conjunto de obras que está sendo implementado pelo governo
estadual, tendo sido encomendado a arquitetos da cidade de Juiz de Fora o plano de
construção e feições urbanísticas que assegurassem um perfil condizente com a cultura
regional para o novo aeroporto.
Além do aeroporto, está prevista a construção de um Centro Regional de Convenções
(CONEX) em JF nas margens da rodovia BR 040, próximo ao trevo de acesso ao distrito
de Torreões e que, no momento, encontra-se com as obras paralisadas por falta de repasse
de verbas do governo estadual. Também incentivado no governo Itamar Franco com R$
25 milhões no orçamento objetiva alavancar a economia da cidade, estimulando
comércio e serviços e para tanto deverá contar com sete auditórios, que poderão atender
até dez mil pessoas. Até o momento foram gastos R $ 2 milhões na obra pela Construtora
Mello Azevedo que terraplenou o terreno da BR 040 e alterou a rede de drenagem
existente no local, canalizando um importante córrego que equilibra os mananciais da
cidade.
Entre a BR e o Aeroporto da Zona da Mata em Goianá terá que ser construída uma
variante que funcionará como um rodo anel em Juiz de Fora, de modo a dar
operacionalidade intermodal aos projetos em andamento, incluindo melhor acessibilidade
a estação aduaneira - o porto seco localizado no distrito de Dias Tavares, próximo as
instalações da Mercedes Benz.
Logicamente que o custo de transporte será um fator fundamental na concorrência entre o
transporte aéreo e o transporte rodoviário, sem contar que este tipo de frete tem um valor
social muito grande na medida em que emprega uma parcela significativa da força de
trabalho num país de dimensões continentais. Porém, a logística aeroportuária deverá
ainda incluir a construção do anel rodoviário, conforme já assinalado e a ligação expressa
com Juiz de Fora contatando com a BR 040, através da “ Cidade Alta” pela via São Pedro
ou Interbairros e a via Remonta. Consorciados com a prefeitura e o capital imobiliário é
possível antever a construção de projetos paralelos a estrutura viária intermodal como o
que se segue.
Tecnologia, segregação e multifuncionalidade no espaço urbano
Com os novos investimentos previstos para o eixo de estrada Br 040 acredita-se que um
novo tempo-espaço se estrutura na área urbana de Juiz de Fora revalorizando-a, incluindo
novos usos e contatando-a diretamente com empreendimentos que perpassam escalas
geográficas mais amplas, incluindo as exportações e o MERCOSUL. Para tanto vale
destacar o projeto de matriz energética para a região que inclui a expansão do gasoduto
Rio- Juiz de Fora - e Belo Horizonte em Igrejinha no Centro de Operação de Gás de Juiz
de Fora - COG-JF, com uma usina de gás já construída na beira da BR 267, a usina
termelétrica de Juiz de Fora e a PCH de Picada em Torreões, que já conta com projetos
estruturados de ecoturismo e valorização imobiliária no seu entorno. A usina de Picada
pretende abastecer de energia todo o processo industrial da Companhia Paraibuna de
Metais, sendo o excedente comercializado pela CEMIG – Companhia Energética de
Minas Gerais. O alagamento e a implantação da infra-estrutura necessária a construção
deverá impactar diretamente a localidade de Monte Verde, enquanto que o perímetro
compreendido entre a usina e a extremidade a montante do remanso do reservatório pode
tornar-se uma unidade de conservação de uso direto. (10)
Apesar de estar prevista pela prefeitura a construção de um anel rodoviário com a
finalidade de regular e conter a expansão e o uso desordenado da cidade – a Via Coletora,
verifica-se um movimento do mercado imobiliário na implantação de investimentos às
margens da rodovia. Recentemente o mega projeto AlphaVille Urbanismo – grande
empresa do setor imobiliario paulista (11 ) com projetos espalhados por várias cidades do
país chega a Juiz de Fora e, cujas características do empreendimento assemelham-se a
construção de um bairro ou “ região” de uso exclusivo dos moradores e usuários, isto é,
do tipo fechado com todos os bens e serviços necessários, incluindo pequenas instalações
industriais e galpões, tentando se assemelhar a um apequena cidade planejada, fazendo
lembrar concepção urbanística de jogos simulados em computador do tipo “ SIM CITY”.
Em Juiz de Fora, a empresa já recebeu as diretrizes ambientais da prefeitura da cidade e
concluiu os estudos preliminares da AlphaVille Juiz de Fora estando prestes a proceder a
apresentação oficial às autoridades do município. Situado às margens da BR-040, o
empreendimento terá 1.000.000 m² de área verde, sendo um complexo residencial com
investimento da ordem de R$ 70 milhões e deve criar mais de seis mil empregos – 600
apenas as obras de infra-estrutura.
Encontra-se, também, em construção, também as margens da mesma rodovia,
empreendimentos imobiliários dos tipos granjeamento em condomínio fechado, dois
centros empresariais de negócios ( business park) dentre outros. É a nova área de
expansão da cidade que inclusive remete a necessidade da atualização da legislação
urbana, pois a presença de tantas inovações requer um ordenamento específico para a
região, ou pelo menos uma atualização da legislação urbana de Juiz de Fora.
Dentre estes empreendimentos destaca-se os centros empresariais porque são elucidativos
da junção do logística do mercado atacadista e das empresas de transportes, geralmente
externas a região; do capital imobiliário, da indução de novos consumos, além do
tratamento diferenciado da força de trabalho empregada. O que há de comum entre eles é
o fato de serem espaços privados e privativos no sentido do uso e da ocupação.
Territórios fechados e, principalmente seguros congregam grupos diferenciados e
exclusivos de consumidores dentro do perfil dominante do empreendimento qual seja,
armazenagem, eventos e negócios, instalações industriais e de serviços e moradia “
personalizada”.(12) Também marcam todos estes projetos uma concepção de design e
arquiteturas exclusivas ao atendimento do uso e do perfil do consumidor. Há, incluso,
uma preocupação com a formação e o controle na força de trabalho. A gestão empresarial
preocupa-se em ter um trabalhador produtivo, saudável e reconhecido das vantagens do
seu ambiente de trabalho. No sentido de aliar uma série de “vantagens” nas condições de
trabalho, em função de se localizarem distante do centro tradicional de cidade. A saúde
do trabalho encontra-se presente com ênfase no diagnóstico preventivo, cursos de
prevenção de acidentes do trabalho e através da Clínica de Família busca identificar
sintomas e tratar problemas relacionados ao desempenho do trabalhador como:
absenteísmo, dificuldades de relacionamento, falta de motivação e exames periódicos
admissionais e demissionais.
No caso do Park Sul, mais precisamente, o espaço foi organizado de forma a aliar
segurança de um modo geral, isto é, a todas as funções ali presentes com a possibilidade
de se tornar o lugar um ponto de convivência e consumo para a população de classe
média alta da cidade. Para a população residente mais próxima, em especial a do
município de Matias Barbosa, funcionalmente um subúrbio dormitório de Juiz de Fora, a
empresa concebeu a “escola internacional” que tem como objetivo principal a inclusão
social de crianças através do ensino bilingüe de Português e Inglês com atividades que
funcionarão em período integral. Amenidades e segurança marcam o perfil do
empreendimento. Tais como: espaços de convivência para descanso e desfrute de
amenidades como jardins, ( projeto paisagístico de Burle Marx), teatro de arena para
show de música, dança, poesia, contação de histórias etc.. Conta, ainda, com a segurança
de um posto da Policia Militar do estado de Minas Gerais. É fato que estes espaços
configuram territórios, cuja concepção ocasiona formas de uso seletiva, exclusiva e
especializada e que se potencializam sobre discurso e práticas de proteção e/ou
degradação ambiental . Por via de conseqüência, os agentes econômicos locais ao
territorializarem seus empreendimentos apostam que a Prefeitura impeça a periferização
ou a degradação ambiental da região. Espera-se que a municipalidade cumpra a risca sua
função reguladora e fiscalizadora do uso do território, especialmente na principal área de
expansão da cidade – a zona oeste ou como está localmente consagrada – a Cidade Alta.
A Empresa Pangea pertence ao grupo U & M empresa de construção pesada como
barragens, operação de minas, obras de infra-estrutura, construção de estradas e
aeroportos, atuando principalmente na Amazônia e no estado de Minas Gerais. A referida
empresa dedica-se a promoção de empreendimentos imobiliários na região de Juiz de
Fora , sejam para locação no conceito “ build to suit” – pronto para ocupar ou
diretamente para venda.
Os “ business park” foram pensados operacionalmente como forma de racionalizar e
compartilhar custos. O primeiro deles, o supracitado Park Sul, foi construído no
município de Matias Barbosa limítrofe a divisa com Juiz de Fora, em área de expansão
urbana, ocupa antiga área do lixão de Juiz de Fora, este deslocado para montante da
estrada e agora em se próprio território . Da prefeitura de Matias Barbosa o
empreendimento recebeu isenção por 30 anos(!) de imposto sobre circulação de
mercadoria ( ICM) e do imposto sobre serviços (ISS) disponibiliza a principio 330 000
m² para locação dos 1 300 000m² da superfície total – grande parte deste estoque
compreende a revitalização biológica do ex-lixão de Juiz de Fora. No site da empresa na
internet (13) consta um mapa com a divisão municipal da área de abrangência do
empreendimento – raios de distancia máxima de 150 quilômetros - e a localização dos
empreendimentos. Cada município é classificado em categorias coloridas no mapa de
faixas populacionais e sobre eles toda a rede viária da região, que vai desde a região
metropolitana do Rio de Janeiro – ao sul, passando pela região serrana e norte do estado
do Rio, parte sudeste da Zona da Mata até as proximidades de Ponte Nova, passando por
Congonhas, indo até Itutinga e Cruzília e descendo pelo Vale do rio Paraíba em Itatiaia e
fechando o círculo mais amplo em Mangaratiba até novamente o Rio de Janeiro.
Compreende, portanto, a região metropolitana, a serrana, o norte e o vale do Paraíba em
território do estado do Rio de Janeiro e a parte centro sul da Zona da Mata, incluindo a
parte leste das Vertentes: Barbacena, São João del Rei, Conselheiro Lafaiete e
Congonhas.
A Pangea Empreendimentos congrega uma série de projetos consorciados e com as mais
diferentes atividades e funções. Empreende e participa de condomínio residencial Estrela
Sul com área total de 520.000 m² localizado em antiga área de encostas cobertas de pasto
e, portanto, desocupada Muito bem localizado situa-se entre os principais bairros da zona
sudoeste da cidade e próximo a Universidade Federal de Juiz de Fora. Próximo, no lado
oposto ao vale da Avenida Independência e ao lado da Universidade Federal de Juiz de
Fora, a empresa participa do primeiro shopping center da cidade , complexo imobiliário
com 220.000m² com torres de escritório e hotel, em fase de construção. Outro
empreendimentos fazem parte da empresa, porém, sob o ponto de vista da inovação
destaca-se o Centro Empresarial Tec Park, na rota da BR 040. A iniciativa é resultado de
uma parceira entre a Prefeitura de Juiz de Fora, a Pangea Empreendimentos, a
Medquímica Indústria Farmacêutica, a Quiral Química (empresa incubada na
Universidade Federal de Juiz de Fora), o Centro Industrial de Juiz de Fora e o futuro
Parque Tecnológico de Juiz de Fora (Partec). O empreendimento se apresenta como “ um
completo centro empresarial, situado estrategicamente entre Rio- São Paulo e Belo
Horizonte, próximo ao aeroporto regional e, principalmente, um projeto moderno ligado a
empresas não poluentes, com elevado apelo tecnológico e cultura de inovação”. (14)
O Tec Park será lançado com uma infra-estrutura completa numa área de 130 mil m².
Estão sendo investidos cerca de R$ 60 milhões e está prevista a abertura de cerca de
1.500 empregos. Em parceria com a empresa de telefonia TELEMAR pretende prestar os
seguintes ser viços: telefonia avançada, acesso a internet, redução de custo longa
distancia, guarita blindada, portaria informatizada, monitoramento 24 horas por câmera
de vídeo, central de infra-estrutura para instalação de interfones, serviço de manutenção,
limpeza e segurança. Além de todos estes serviços, o Tec Park ainda prevê um completo
centro de serviços com agencia bancaria, correios, restaurante, café, centro de
treinamento, centro de medicina ocupacional e posto de abastecimento de combustíveis.
Sobre o Centro Tecnológico de Juiz de Fora sua concepção inclui o emprego de
funcionários altamente qualificados (não só por criarem produtos inovadores, mas pelo
aperfeiçoamento constante), e por conseqüência provocando o aumento das faixas
salariais dos setores envolvidos. No caso de Juiz de Fora, provavelmente serão as
empresas de software, fármaco e biotecnologia. O setor imobiliário também deve
participar, segundo depoimento do Sebrae – Serviço de Apoio as Micro e Pequenas
Empresas do local.(15)
O parque vai funcionar como um centro de excelência, onde a integração com as
empresas tradicionais será fundamental para alavancar o desenvolvimento da região. O
conhecimento produzido deverá ser multiplicado pelos estudantes e profissionais, ou seja,
o recém formado profissional do mercado local. A forma de gestão do parque tecnológico
deverá ser definida pelos empresários, para segundo eles garantir o bom funcionamento
desta interface. Dentre os atores está previsto a participação de empresas de tecnologia de
ponta, universidades e institutos de pesquisa, todos instalados num espaço comum, de
modo a estimular a troca constante de conhecimento. A concepção do parque tecnológico
e sua implantação está sendo articulada em Juiz de Fora, através da parceria entre Sebrae,
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Prefeitura de Juiz de Fora.
A participação da pesquisa aplicada desenvolvida pela UFJF e seu relacionamento com o
setor produtivo é mais nítido através das ações do Núcleo Softex- 2000, um dos 20
núcleos implantados no Brasil para estímulo à produção e exportação de software, do
Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT), criado em 1995 e
destinado a fomentar o empreendedorismo na área de informática. Ao CRITT são
atribuídas as funções de assistência tecnológica às empresas da cidade e região e de
incubadora de empresas de base tecnológica.
As bases da circulação e distribuição de bens, informações e capitais estão encaminhadas
no espaço urbano e regional de Juiz de Fora e sua área de influência. Diferentes atores
presentes buscam uma articulação que impulsionem a economia local-regional e a integre
nos fluxos de negócios globais. As novas bases de acumulação presentes nos território
caminham na forma de realização da reestruturação produtiva, aqui entendida como “
estabelecimento de novas formas e escalas de espaço-tempo, com o fito de configurar um
novo modo de organização de espaço para as sociedades modernas, mudando-as na forma
como até então haviam se ordenado” . (16)
Existe uma instância mediadora entre as tecnologias de informação e as condições reais
de produção e circulação. Na verdade, são formas de melhor realização, inscritas como
fixos no território. São por exemplo todos os empreendimentos em projeto ou execução
acima analisados. Nossa preocupação centra-se sobre o padrão e a função de fixos
territoriais necessários a realização produtiva. A especificidade diz respeito a inserção
regional na divisão territorial do trabalho numa economia que se orienta na busca de
ampliação do fórum comercial. Tanto a malha viária quanto a rede logística atendem ao
mercado ampliado da circulação e distribuição de mercadorias, insumos, equipamentos,
força de trabalho e consumidores. Na escala local, os sistemas de comunicação e os
empreendimentos imobiliários consorciam o capital produtivo e financeiro através de um
mecanismo de alianças do empresariado local e não-local, nacionais e estrangeiros, cuja
realização se processa através do consumidor da e na região.
Quais as armas? Inovação, tradição ou re-invenção?
Ainda o grande motor da economia de Juiz de Fora é o mercado imobiliário, Sua tradição
tem sido continuamente sua capacidade de inovação e re-invenção. Ele está presente em
parceria com todos os grandes empreendimentos aqui citados, seja no mercado urbano ou
de conversão para o urbano, através do granjeamento ( áreas com mais de 2000m² que
funcionam como áreas de lazer e segunda residência da classe média) e dos condomínios
fechados que abundam no entorno das áreas remanescentes rurais, seja acoplados a
projetos de preservação ambiental onde o setor imobiliário pode aparecer cheio de regras
e controle urbanístico para que agrega sempre e sempre mais valor ao solo. Segundo a
prefeitura o mercado varia desde as construções de moradias em mutirão, com atividades
sociais nos fins de semana, até às camadas média alta e média, formadas por empresários,
comerciantes e profissionais liberais, cujos rendimentos excedentes permitem a aquisição
de imóveis com a finalidade de ampliar o patrimônio, ou visando a renda extra,
decorrente do aluguel e ainda por compradores das cidades-pólo para manter uma
segunda residência na cidade grande ou para os filhos que vêm estudar em Juiz de Fora.
Ultimamente, de acordo com os sindicatos do mercado imobiliário a lucratividade se
mantêm em baixa, em razão de considerável aumento da matéria prima, principalmente
do cimento, além dos preços de imóveis terem se mantido estáveis nos últimos dois anos,
ao contrário da década de 80, quando se obteve altos lucros. Ainda, segundo a
Prefeitura, as obras oferecem 8 mil empregos diretos à classe operária e se levarmos em
consideração os vários segmentos que envolvem uma construção, deve chegar a 20 mil,
contando com empregos indiretos. A movimentação lucrativa fica por conta do
recolhimento de impostos, IPTU, ISSQN e ICMS dada a extrapolação pelas áreas do
comércio, indústria e profissionais liberais, decorrentes do mercado imobiliário
(17).Deste modo a “ rota BR 040” parece ser o lugar da vez, pois o governo federal, o
estadual, as prefeituras e os agentes locais se movem no sentido de viabilizar a inserção
da economia regional a partir da melhoria das condições logísticas, do fortalecimento do
mercado interno regional e da promoção de negócios de lucratividade crescente dos
setores econômicos urbanos. A produção da renda urbana torna-se fundamental para
garantir o continuar do ciclo de crescimento e torna-se simultaneamente o maior desafio.
Recentemente, a região recebeu aporte financeiro federal para que a rodovia Rio–Juiz de
Fora se torne melhor e mais segura. “Com um financiamento de R$ 42,18 milhões do
BNDES, a Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora - Rio (Concer) duplicará 37
Km de pistas entre Matias Barbosa e Juiz de Fora, em Minas Gerais. O projeto contribui
para a redução do número de acidentes, além de diminuir o tempo de viagem entre o Rio
de Janeiro e Juiz de Fora. O investimento total da Concer no projeto, já aprovado pelo
DNER, é de R$ 108 milhões. Serão duplicadas cinco pontes, além de construídos dois
retornos e barreiras separando os dois sentidos das pistas. Com sua conclusão, a empresa
homogeneizará a qualidade dos seus serviços, uma vez que o restante da rodovia
administrado pela Concer já possui pistas duplas. A realização das obras permitirá a
redução dos custos logísticos associados aos transportes de produtos numa estrada vital
para a integração econômica da Região Sudeste.(18)Os investimentos ao longo do eixo
rodoviário deverão significar a montagem de uma estrutura territorial que deverá
transbordar para conexões com outros sistemas viários interregionais e intrarregionais e,
especificamente intermodal no caso do Aeroporto da Zona da Mata, cujo projeto se
inscreve na diretriz estadual que busca através do planejamento regional definir e
potencializar cluster econômicos regionais mineiros.
Arantes( 2001) apresenta a idéia de cluster econômicos, enquanto concentrações de
empresas e entidades do mesmo ramo de atividades associadas numa mesma região
geográfica, cuja interligação se dá por um eixo rodoviário, o que gera a necessidade de
se ter também na área fornecedores especializados provedores de serviços e instituições.
O autor analisa a Rota 459, a partir da cidade mineira de Poços de Caldas até a cidade
paulista de Lorena no vale do rio Paraíba e constituída oficialmente como fórum
regional e que congrega os municípios de vocação industrial do sul de Minas e parte do
Vale do Paraíba, onde identifica um processo de organização de uma infra-estrutura para
operacionalização produtiva
“ Pelo fato de estarem situadas próximas umas das outras e produzirem produtos característicos de uma
região, empresas que fazem parte desses nichos, além de influírem significativamente nas exportações,
desempenham também um importante papel no desenvolvimento regional, na medida em que um espaço
comum de trocas e, o que é mais importante, de complementaridade entre os diversos atores envolvidos,
sejam eles governamentais, empresariais e/ou comunitários” (19)
É fato que Juiz de Fora e seu entorno não apresentam núcleos urbanos capazes ainda de
compor uma divisão territorial do trabalho e do consumo que seja capaz de estruturar
especialmente a aglomeração urbana, como por exemplo as cidades do Vale do Aço. No
entanto, a capacidade de polarização de Juiz de Fora se expande para além do limite
administrativo político estadual, muitas vezes este se tornando um entrava à análise
geográfica. Pode-se afirmar que Juiz de Fora assume um espaço de competência para
comandar a distribuição e redistribuição de fluxos que atendam ao crescimento de uma
urbanização extensiva espraiada por toda a rede urbana hierarquicamente inferior da
Zona da Mata e do Vale do Paraíba, estendendo-se em território constituído por vários
municípios do estado do Rio de Janeiro. Ao contrário do sul de Minas que sofre
influência de Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto, além obviamente de São
Paulo; Juiz de Fora sofre influência apenas da metrópole global representada pelo Rio de
Janeiro e da metrópole nacional Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.
É provável que muito breve, além do eixo preferencial na BR 040, possa se estabelecer
uma complementaridade espacial através do eixo da rodovia que no sentido nordeste em
relação a Juiz de Fora e que alcança Ubá, centro microrregional com função industrial e a
cidade de Viçosa, importante centro universitário federal com ênfase nos cursos de
Agronomia e, mais adiante Ponte Nova, já bem próximo da região metropolitana do Vale
do Aço.
Deste ramal, Juiz de Fora enlaça e conecta para o eixo que enlaça as cidades de
Barbacena, São João del Rei e Lavras, centro universitário de ciências agrárias e
florestais e onde, também, está previsto a construção de um Parque Tecnológico e de um
Centro de Convenções. A cidade de Lavras já se encontra às margens da BR 381 que faz
a ligação de Belo Horizonte com o sul de Minas, atingindo o vale do Paraíba, São Paulo e
a região de Campinas.
Seria possível para os pesquisadores investirem na análise da efetiva área de influência da
cidade destravado-se do território estadual, para compreender melhor a configuração da
região comandada por Juiz de Fora e a importância dos eixos e circuitos de escalas
territoriais mais ampliadas. Por sua vez, o governo de Minas ao lançar o Projeto Cresce
Minas de 2000, concebido e coordenado pela FIEMG tem por objetivo fomentar o
crescimento de Minas Gerais, captando investimentos e reunindo os talentos capazes de
colocar o Estado num eixo de desenvolvimento. Alega a necessidade de reforçar a
dinâmica do desenvolvimento auto-sustentado de setores e regiões geográficas de Minas
Gerais, reduzindo as disparidades e viabilizando o crescimento das indústrias existentes,
incentivando a competitividade inter-regional, a atração de investimentos
complementares, o implemento de atividades de suporte técnico e de produtos de padrão
internacional. Segundo o projeto (20), Juiz de Fora, se insere nos seguintes clusters:
automobilístico, laticínios, mobiliário, têxtil e vestuário. Interessante notar que não são
elencadas as maiores industrias presentes na região e que são do setor de transformação,
no que revelam por sua natureza e importância geopolitica o caráter de
complementaridade e junção no projeto econômico nacional.
No âmbito regional, recentemente consolidou-se a expansão do setor de informação,
comunicação e cultura, a partir da organização Rede Panorama de jornal, rádio, rádio via
internet, televisão e todos os serviços da internet; como afiliadas do Sistema Globo de
Telecomunicações e da Globo.com, em que ambas buscam atender a um determinado
perfil regionalizado de produção. É importante apreender que a regionalização da mídia,
além de cumprir um preceito constitucional, significa muitos outros valores em jogo, Dos
mais éticos aos mais competitivos. Na verdade, o sistema de comunicação regional
atende aos anseios de consolidação do mercado interno regional, da ampliação do
mercado interno nacional, da ampliação geral do consumo, do reforço da identidade
regional, da auto-estima e do regionalismo, impulsionando a produção de mão de obra
qualificada local, de talentos e tecnologias geradas na própria região.
É com este conceito que o ipanorama.com pretende-se como referência em conteúdo,
informação e entretenimento regionalizados, com foco no dia-a-dia dos mineiros. No
discurso são incorporados a novidade, a inovação e, portanto, o caráter de modernidade
que aporta a região com ao empreendimento. “ Uma idéia inovadora que já nasce com
grandes parcerias e investimentos maciços, visando a criação de serviços diferenciados e
conteúdos exclusivos. Além de um rico conteúdo local que abrange informação,
entretenimento, diversão, relacionamento, serviços online e comércio eletrônico, o
ipanorama.com cria produtos para as mídias interativas, sempre associadas à Internet:
web, wap, banda larga e tv interativa são alguns exemplos.
O ipanorama.com oferece um espaço completo ao 'internauta', fidelizando a audiência de
um mercado que cresce a cada dia, com milhares de consumidores em potencial,
acessando, comprando e vendendo pela Internet. A partir de agora, pensou em internet na
região da Zona da Mata e Vertentes, pensou em ipanorama.com”(21)
Apostando na interatividade e na integração regional o sistema amplia o tempo em sua
grade programação e no investimento de consumidores internautas do provedor
Globo.com, incluindo a transmissão diária do noticiário local pela internet de modo a
atingir os internautas de todos os cantos das Minas Gerais e do mundo. O espaço
destinado ao jornalismo foi ampliado de 16 para 40 minutos diários e são divulgadas
informações de 129 municípios da Zona da Mata e Vertentes atingindo um público de 1
milhão e 700mil telespectadores. Uma equipe foi criada em Barbacena para a cobertura
de 43 cidades. A rede empregou jovens profissionais formados pela Universidade Federal
de Juiz de Fora, incorporou novos talentos e profissionais já estabelecidos na região,
trouxe assessoria externa introduziu uma nova competição na mídia local enfatizando a
importância de garantir ao cidadão o seu direito de expressão e da possibilidade de
conquista a da auto-imagem local e regional.
Conclusão
É importante assinalar que a despeito do quadro acima descrito sobre empreendimentos
negócios e inovações no espaço urbano de Juiz de Fora é importante contemporizar em
relação a atual situação econômica do pais, onde os investimentos tem sofrido com as
altas taxas de juros e esforços de contabilidade interna e externa que praticamente
paralisaram a economia interna, No caso de Minas Gerais e mais especificamente do
setor produtivo de Juiz de Fora a maioria das empresas que pesam no Produto Interno
Bruto de Minas não tem comando no Estado. O poder decisório via de regra encontra-se
fora de Minas e cada vez mais podem estar bem longe de Minas. As empresas
privatizadas pertencem a fundos de investimento e de pensão, cujos interesses nada têm a
ver com os interesses do Estado. Percebe-se claramente a expectativa de determinados
setores econômicos pela maior presença do Estado tanto na esfera decisória, reguladora,
normativa e executora, principalmente, na capacidade de aporte de investimentos, como
fica claro o impacto econômico que virá com o investimento do Banco de
Desenvolvimento Social e Econômico ( BNDES) no principal eixo rodoviário que cruza
a cidade e a região.
Em Juiz de Fora, principal centro urbano de uma região em fronteira estadual, portanto,
com seções específicas de competência, o fenômeno urbano- regional se organiza ao
sabor do mercado e das influências geográficas mais diretas. As políticas estaduais
efetivamente não se realizam, enquanto que a municipalidade se lança com ousadia na
estratégia dos negócios, descuidando do setor social, incentivando a privatização da
cultura e cuidando para que a classe média continue se embalando no sonho realizado de
seu mais caro território – a casa. Um menu variado impele às novas formas de
localização: perto da mata, do shopping, na estrada, na reserva de proteção ambiental,
próximo ao verde, às margens da represa. Como exemplo, um dos novos negócios da
empresa Pangea consta de um projeto de interligação entre o Park Sul e a Reserva de
Patrimônio Natural (RPPN) de 300 ha do Instituto Celso Juarez de Lacerda, empresário e
latifundiário na região, onde se pretende construir um corredor ecológico e futuramente
criar um projeto imobiliário dentro da concepção de desenvolvimento sustentável.
Enfim, um enorme apelo às paisagens variadas, mas que paradoxalmente ainda longe do
rio, já que este só visto de longe – o rio Paraibuna, um dos ícones mais exaltados da
história urbana de Juiz de Fora.
A despeito das inovações introduzidas pelo Planejamento Estratégico de Juiz de Fora, as
novidades se referem muito mais ao marketing do próprio plano e à promoção de projetos
pontuais localizados nas áreas mais bem estruturadas da cidade, do que propriamente a
soluções dos graves problemas sociais (22) e da promoção da cidade como um todo
articulado. A Prefeitura capitaneou um plano “ estratégico” para a cidade que no discurso
e na apresentação da metodologia se apresenta como participativo, mas que na prática é
extremamente competitivo e empresarial.
Na paisagem, em resumo, vislumbramos a cidade atrativa do oeste, enquanto que
tentamos encobrir o “panorama” da cidade esquecida do leste.
A ideologia do planejamento nos impele a prever e avaliar, mas a práxis da pesquisa
pública nos faz analisar e produzir conhecimento para todos.
Apesar da assessoria do CIDEU – Centro Iberoamericano de Desarollo Estratégico
Urbano (23) a rede de cidade ibero-americana precisa saber conhecer melhor a cidade
latino americana nas diferenças fundamentais que apresentam em relação as cidades
ibéricas. Uma das diferenças fundamentais é a presença de uma periferia social de baixa
escolaridade, excluída da formação atualizada do trabalho. Do ponto de vista espacial a
população habita um estoque de terras mal localizados, isto é, em área de risco
ambiental; sem infra-estrutura urbana básica e sem plena cidadania e sobre a qual se
reverte minimamente investimentos e nenhum empreendimento. Estamos todos na rede e
quanto maior a rede, maior a diversidade dos pescado.
Com
certeza
Barcelona
não
é
aqui.
Notas
[1] - Azzi, 2000: 37
[2] - Goodwin Jr., 1997: 126
[3] – Cf. Menezes, 2003
[4] - Bastos, 2002:6
[5] - Cf. Menezes, 2003
[6] - Cf. Rodrigues, 2004
[7] - Cf. Borja, 1992
[8] - Cf. Mota, 2001
[9] – Ver em http://www.aviacaoregional.com.br/.
[10] - Cf. Fontes & Cruz, 2004
[11] – Ver em http://www.alphaville.com.br/
[12] - Cf. Rodrigues, 2004
[13] – Ver em http://www.parksul.com.br/.
[14] – Ver em http://www.tecparkjf.com.br/.
[15] –Disponível em http://www.jfservice.com.br/cidade/arquivo/jfhoje/2001/02/19-Parque_tecnologico/
[16] – Moreira, 2003:7.
[17] – Disponível em http://www.jfservice.com.br/cidade/arquivo/jfhoje/2001/02/19-Parque_tecnologico/
[18] – Ver em http://www.bndes.gov.br.
[19] – Arantes, 2000:185.
[20] – Disponível em http://www.fiemg.com.br/exposicao_industria/painel-43.htm.
[21] – Ver http://ipanorama.globo.com/.
[22] - Cf. Menezes, 2003
[23] – Ver em http://bcnweb2.bcn.es:8885/cideu/.
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Estratégico
Download

Maria Lucia Pires Menezes Universidade Federal de Juiz de Fora