Um estudo de caso no Ensino Superior - Avaliação de uma plataforma Moodle
Sofia BALULA DIAS
Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa
Cruz Quebrada, 1499-002, Lisboa, Portugal
&
José DINIZ
Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa
Cruz Quebrada, 1499-002, Lisboa, Portugal
RESUMO
A crescente adopção de plataformas de gestão de aprendizagem,
das quais se destaca a plataforma Moodle pela sua crescente
utilização em instituições de ensino superior [19], tem
conduzido à introdução de novas abordagens, em contextos
educacionais, que são promovidas por estes ambientes de
aprendizagem. Foi desenvolvido um estudo descritivo com o
objectivo de analisar as ferramentas de comunicação utilizadas
pelos docentes e o modo como estes recursos têm contribuído
para o desenvolvimento e melhoria das práticas pedagógicas. O
estudo empírico envolveu 104 estudantes da Faculdade de
Motricidade Humana. Os estudantes responderam a um
questionário online que foi previamente validado por
especialistas na área. Os resultados revelam que: (1) parece
existir uma relação entre a inovação, no âmbito das ferramentas
de comunicação, e a facilidade de utilização do ambiente de
aprendizagem online; (2) a satisfação no uso do ambiente de
aprendizagem online pelos estudantes, está relacionada com o
trabalho autónomo desenvolvido pelos estudantes; e (3) a
eficiência do ambiente de aprendizagem online depende do
papel do docente na plataforma, no que respeita à partilha de
informação eficaz entre todos os intervenientes.
Palavras-chave: aprendizagem online, ferramentas de
comunicação, ensino superior, blended learning, moodle.
1.
INTRODUÇÃO
As tecnologias estão a mudar o mundo, alteram-se maneiras de
pensar, compreender, expressar e criticar, emergindo a
denominada Sociedade da Informação [3; 15]. Segundo Adell
[15] os meios de comunicação e as tecnologias de informação,
têm desempenhado um papel fundamental na história humana,
configurando, assim, a nossa sociedade e a nossa cultura.
Segundo Pérez [3], a chave para a inovação educativa, para a era
da cibercultura reside na mudança do conceito de educação,
traduzindo-se esta numa nova pedagogia e metodologia de
trabalho. O aluno do século XXI deverá atingir competências
comunicativas (saber fazer), de maneira a englobar
simultaneamente a intercomunicação pessoal e a comunicação
como elemento pertencente a um grupo [3]. A revolução
tecnológica actual afectará a educação formal em vários
aspectos, levando, talvez, a que a chamada ‘Sociedade da
Informação’ se passe a perspectivar como ‘Sociedade do
Conhecimento e da Aprendizagem’ [15]. Vários estudiosos
reflectiram sobre a sociedade de informação, reforçando a ideia
que esta deverá ser vista como uma sociedade vocacionada para
a aprendizagem (learning society), para uma aprendizagem ao
longo da vida (lifelong learning) [26]. As instituições de ensino
não poderão ficar indiferentes ao ‘novo’ modo de entender o
mundo, recorrendo, assim, a uma forma diferente de ensinar e de
aprender [3]. As mudanças que se vão sentindo nas instituições
de ensino, permitem repensar como se poderá reajustar o
trabalho dos docentes na sala de aula e em contexto de ensino e
de aprendizagem autorregulado, de maneira a encontrar uma
estrutura mais flexível e adaptada às necessidades e ritmos
individuais dos estudantes [7]. Paralelamente à capacidade de
aprender, surge de forma determinante a capacidade de liderança
e a capacidade de inovação dos docentes, no sentido de dar
resposta aos desafios actuais da nossa sociedade, das instituições
de ensino e, em particular, às tecnologias de informação e
comunicação (TIC) [7]. Pérez Maya [9] defende que o fenómeno
da globalização promove, desde logo, mudanças na nossa
Sociedade e, por consequência, na nossa cultura. Esta mudança
económica e cultural é propagada através de uma rede
informacional, privilegiando a inovação e a criatividade com a
flexibilidade na sua organização. O autor valoriza ainda a
inclusão como o aspecto fundamental que deverá coexistir na
nossa sociedade, isto é, “La sociedad debe constituir el núcleo
de inclusión, de realización de lo humano; a ella atañe la
distribución la riqueza y las oportunidades.” [9]. Deste modo,
para entendermos a educação sem exclusão, teremos de respeitar
três dimensões primordiais, nomeadamente: “la igualdad y
equidad de oportunidades, la eliminación de las desigualdades y
la búsqueda de formas nuevas para el logro de una educación
para todos de acuerdo a sus necesidades humanas” [9]. Pérez
[3] defende que o futuro da docência dependerá da criatividade e
da eficácia de quatro direcções distintas, nomeadamente no acto
de: (1) ensinar a procurar; (2) ensinar a entender, interligando
causas e consequências; (3) ensinar a aplicar o sentido crítico e
(4) ensinar a comunicar. Por um lado, a integração destes
aspectos no processo ensino-aprendizagem apresentará maior
exigência por parte dos docentes e estudantes; por outro lado,
permitirá atingir mais e melhores resultados no decorrer do
processo ensino-aprendizagem. Segundo Duchâteau [5], “On
introduit des technopédagogies sans véritablement changer le
reste de l´école”. O trabajador del conocimiento (entenda-se, o
docente), segundo Marcelo [7] terá de criar um ambiente de
aprendizagem que permita aos estudantes realizar tarefas
individuais e colectivas (recorrendo a um modelo de ensinoaprendizagem centrado em problemas – Problem-Based
Learning); no entanto, englobando sempre a supervisão
constante por parte do docente-tutor. As TIC, ao permitirem a
criação de redes sociais, assim como de espaços privilegiados de
aprendizagem distribuída, possibilitam a pesquisa, a partilha de
informação e o desenvolvimento de competências cognitivas,
recorrendo a instrumentos de trabalho como o correio
electrónico, chats e fóruns [7]. É necessário um esforço e um
compromisso por parte de todos os envolvidos no processo de
ensino-aprendizagem (e da sociedade em geral), no intuito de
fomentar a aprendizagem, a inovação, a flexibilidade, a
autonomia, o trabalho em rede e a aprendizagem colaborativa
[7]. Punie et al. [33] defende que são várias as tendências e os
desafios que irão afectar o futuro da aprendizagem numa
sociedade baseada no conhecimento (knowledge-based society).
Bruns & Humpherys [2] concluem que o processo educacional
tem vindo a responder aos novos estilos de trabalho, que
promovem conceitos como produsage, no sentido de enfatizar
determinadas competências e atitudes, nomeadamente: a
criatividade, a colaboração, a capacidade crítica e a
comunicação. O desenvolvimento de competências pressupõe a
“imersão do tutor” no ambiente de aprendizagem e
consequentemente, uma formação em contexto online [13]. No
que respeita ao nível da intervenção do docente em ambientes
online, o modelo de cinco etapas de Salmon [13], sugere a
concepção de actividades online, de acordo com o seguinte:
etapa 1 – acesso e motivação (primeiro contacto com o ambiente
de aprendizagem); etapa 2 – socialização online (construção da
comunidade de aprendizagem); etapa 3 – partilha de informação
(troca de informação entre os elementos da comunidade); etapa
4 – construção do conhecimento (início dos processos de
interacção) e etapa 5 – desenvolvimento (estratégias de
aprendizagem construtiva). É um modelo que sintetiza o papel
do moderador (docente, facilitador) durante o processo de
construção de conhecimento em ambientes virtuais. Considerase, então, que o papel do e-moderador é multifacetado,
requerendo que o seu poder criativo o leve a desenhar eactividades apropriadas e variadas de etapa para etapa. Este
modelo das cinco etapas pretende ir ao encontro das
necessidades e da motivação dos estudantes, apresentando um
aumento gradual da intensidade da interacção, não
negligenciando o tempo e o ritmo de aprendizagem de cada
aluno. Alguns autores [16;31;1] assinalam que o ensino
totalmente à distância (e-learning) não alcançou todas as
expectativas que se haviam criado inicialmente – os custos são
altos, existe habitualmente muito abandono e a motivação dos
estudantes perde-se com alguma velocidade. A eficácia dos
sistemas de Ensino a Distância (EaD) está, entre outros factores,
dependente da capacidade de adaptação com que o sistema
consegue responder ao estilo de aprendizagem do aluno [6;27].
Logo, é fundamental que as plataformas permitam aplicar
modelos pedagógicos que se ajustem às diferenças dos
estudantes. Daí que actualmente exista uma tendência para a
utilização de soluções mistas que associam o ensino presencial e
o ensino a distância – blended learning (b-learning) (e.g.
[20;16;11;23]). Adell [15], por sua vez, reforça que os
estudantes deverão assumir um papel mais dinâmico,
desenvolvendo a sua aprendizagem num ambiente de
aprendizagem diversificado e rico em informação. Deste modo,
os sistemas assíncronos de comunicação possibilitam a
flexibilidade temporal necessária às pessoas que apresentam
dificuldades em assistir regularmente às sessões presenciais (nas
instituições de ensino), por motivos diversos, nomeadamente:
obrigações laborais, familiares ou pessoais [15]. Segundo Pascu
[8], o crescimento efectivo da interacção online com uma forte
vertente social (social computing), apresenta uma dinâmica
distinta, quer ao nível social quer ao nível económico. O
conceito social software pode ser usado para comunicar e
colaborar de diversas maneiras, utilizando variados tipos de
media, no intuito de promover o trabalho de grupo dos
estudantes na construção do conhecimento face às necessidades
específicas de cada um [22].
A usabilidade educacional é uma dimensão de estudo que tem
também vindo a crescer nos últimos anos e a sua principal
impulsionadora tem sido a web. Está intimamente relacionada
com a capacidade de um software ser entendido, assimilado e
utilizado, bem como, ser atraente para o utilizador em contextos
1
particulares de utilização. Segundo a norma ISO/IEC 9126 ,
para fins avaliativos do software, a usabilidade terá de integrar
quatro
características
principais,
nomeadamente:
understandability, learnability, operability and attractiveness.
No âmbito do software educativo, ainda apresenta um carácter
mais particular, visto que o grau de esforço e recursos
necessários para alcançar determinado objectivo, a eficiência do
produto e a satisfação em relação ao produto, são
imprescindíveis para potenciar dinâmicas do processo ensinoaprendizagem. Nielsen [17] ainda defende que, para um sistema
ter boa usabilidade, terá de ter em conta princípios
fundamentais, dos quais se destacam: i) ser fácil de aprender, ii)
ser eficiente para usar, iii) ser fácil de lembrar, iv) ser fácil de
recuperar de situações de erro e v) ser agradável de utilizar. Não
obstante isto, Shackell [4] ainda considera outros parâmetros
para avaliar a usabilidade, designadamente: a eficiência, a
aprendizagem, a flexibilidade e a atitude do utilizador,
traduzindo a natureza multidimensional da usabilidade. O
crescimento das oportunidades de proliferação, partilha, edição e
publicação de material, terá como consequência a emergência de
diferentes formas de criatividade digital [30]. A organização do
trabalho (por parte dos docentes e dos estudantes), através dos
fenómenos como as redes sociais, a colaboração e a
conectividade, implica o estabelecimento de complexos papéis
no processo de aprendizagem e de construção do conhecimento
[30]. Green et al. [14], por sua vez, defendem que se deveria dar
mais ênfase à personalização na educação, criando, por exemplo,
um sistema educacional que reunisse as necessidades, interesses
e potenciais de todos os estudantes. Observam também que, na
actualidade, muitos estudantes já se encontram preparados para
criar ambientes de aprendizagem personalizados e capazes para
utilizarem, fora da escola, recursos digitais [14]. Neste sentido, a
utilização de ferramentas de comunicação como a vídeoconferência, o e-mail ou mesmo as comunidades online também
apresentam algumas vantagens para o processo de ensinoaprendizagem. Dias & Cação [25] apontam seis vantagens
principais, nomeadamente: “eficácia, facilidade de acesso e
simplicidade de utilização, actualização de conteúdos,
uniformidade, interacção e interactividade, economia e
rapidez”. A Sociedade Portuguesa de Inovação [25] defende que
o recurso à tecnologia, no caso concreto da utilização do elearning como um modelo de ensino, possibilita melhorias
relativamente à consistência da informação e a integridade dos
conteúdos, entre os 50-60%, comparativamente ao ensino
tradicional. Redecker [10] apresenta estratégias fundamentais de
aprendizagem, recorrendo às ferramentas da Web 2.0,
nomeadamente: o acesso ao material de aprendizagem, a gestão
do conhecimento pessoal e recurso à construção de redes sociais,
os métodos e ferramentas utilizadas, a melhoria no alcance de
objectivos pessoais, as competências pessoais, e as
metacompetências. Segundo Ala-Mutka [18], as comunidades e
as plataformas tecnológicas são espaços privilegiados para
aprender competências que estão intrínsecas às TIC. Vários
estudos apontam a plataforma open source Moodle como um
sistema de gestão de aprendizagem eficaz, com capacidade de
adaptação a diferentes necessidades e contextos pedagógicos
[21;28]. Assim, este estudo pretende analisar as ferramentas de
comunicação utilizadas pelos docentes e o modo como estes
recursos têm contribuído para o desenvolvimento e melhoria das
práticas pedagógicas. São ambientes online que possibilitam a
partilha de informação entre diversos utilizadores, bem como a
1
http://www.usabilitynet.org/tools/r_international.html. (consultado a
01.10.09).
capacidade de motivar novas pessoas a utilizarem estas mesmas
tecnologias [18].
No sentido de caracterizar o contexto em estudo, procedeu-se
também à recolha e análise de estatísticas obtidas a partir do
software da plataforma Moodle da FMH (Faculdade de
Motricidade Humana). Analisou-se a plataforma quanto ao tipo
de actividades, à estruturação e aos conteúdos disponibilizados
no ambiente de aprendizagem online, das 47 disciplinas
disponíveis.
Para a construção do questionário online utilizou-se o software
LimeSurvey. Os dados obtidos através deste questionário foram
tratados nos programas SPSS (versão 18.0) e Excel (Office
2007).
Para além da análise descritiva dos dados, procedeu-se a uma
análise inferencial pela associação de algumas variáveis que
integravam o questionário online, de modo a encontrar resposta
para as hipóteses de estudo definidas:
1 - A inovação no âmbito das ferramentas de comunicação está
associada à facilidade de utilização do ambiente de
aprendizagem online (plataforma Moodle).
2 - A satisfação no uso do ambiente de aprendizagem online
pelos estudantes está relacionada com o trabalho autónomo por
estes realizado.
3- A eficiência do ambiente de aprendizagem online está
associada ao papel do docente na plataforma, no que respeita à
partilha de informação eficaz entre todos os intervenientes.
Estruturação
Construiu-se um questionário online para os estudantes,
recorrendo essencialmente a questões fechadas e de resposta
múltipla, em detrimento das questões abertas que permitem uma
maior liberdade de resposta, no sentido de diminuir a
complexidade da análise destas. Na construção do questionário
foi utilizada uma escala de grau de concordância com quatro
níveis.
Caracterização das disciplinas da plataforma
não utiliza actividades/documentos
N
12
(%)
25
utiliza pelo menos 1 actividade
slides, recursos, trabalhos, módulos
chat, glossário, teste, debate, wikis, questionários,
SCORM2
Total
módulos sem nome, dificuldade em encontrar os
ficheiros
módulos em branco, sem critérios na organização
organizada
4
13
9
28
Conteúdos
O estudo empírico que foi realizado é, em termos
metodológicos, descritivo. Ocorreu no período de Julho a
Novembro de 2009. Foi desenvolvido e aplicado um inquérito
por questionário organizado em quatro partes: primeira parte (I)
avaliação da usabilidade do ambiente de aprendizagem online;
segunda parte (II) caracterização das ferramentas de
comunicação online disponíveis na plataforma; terceira parte
(III) caracterização do papel do docente na plataforma; e quarta
parte (IV) caracterização do papel do aluno na plataforma.
Actividades
METODOLOGIA E AMOSTRA
18
38
47
100
20
43
4
23
8
49
Total
sem conteúdos
47
0
100
0
apresenta nenhum aspecto negativo
4
8
apresenta pelo menos um aspecto positivo
links, elementos audiovisuais, de multimédia,
animações
Total
6
13
23
49
47
100
Relativamente à categoria ‘actividades’, verifica-se que uma boa
parte dos docentes (38%) disponibiliza várias actividades nos
módulos das suas disciplinas. No que respeita à categoria
‘estruturação’, constata-se que grande parte das disciplinas é
considerada bem estruturada (49%). Quanto à categoria
‘conteúdos’, a análise dos dados sugere que a maioria dos
conteúdos disponibilizados pelos docentes são apresentações
usadas em aulas presenciais (slides de aula), servindo também
como um local de repositório de vários documentos em formato
pdf. No entanto, é importante realçar que 49% dos docentes
utilizam na plataforma Moodle, referente às suas disciplinas,
recursos interactivos e/ou multimédia, tal como: vídeos,
animações, links, situações de aprendizagem audiovisuais e
dinâmicas, e algumas actividades avaliativas interactivas (tabela
1). De forma complementar são apresentados graficamente
(gráfico 1) os dados referentes à utilização de algumas
ferramentas de comunicação/actividades inovadoras da
plataforma Moodle.
(nº docentes)
2.
Tabela 1 – Caracterização das disciplinas activas em Outubro
de 2007 na plataforma.
50
40
30
20
10
0
41
21
5
4
6
1
6
12
2
1
A significância estatística das associações foi verificada a partir
da aplicação do teste do Qui-quadrado (X²) de independência.
Considerou-se como nível de significância estatística o valor de
p < 0.05.
Dos 298 estudantes que frequentaram o último ano da
Licenciatura (edição 2008/2009), aos quais se solicitou a
participação no presente estudo, apenas 104 responderam ao
questionário, dos quais 48.1% são do sexo feminino e 51.9% do
sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 35
anos.
3.
RESULTADOS
No intuito de caracterizar o ambiente de aprendizagem das 47
disciplinas disponíveis na plataforma Moodle da Faculdade,
foram analisados 3 indicadores qualitativos: Actividades,
Estruturação e Conteúdos (tabela 1).
Gráfico 1 - Actividades utilizadas pelos docentes nas
disciplinas.(http://www.fmh.utl.pt/elearning2008_2009/admin/modules.
php)
Verifica-se que são utilizadas pelos docentes maioritariamente
dois tipos de ferramentas de comunicação: “recursos” (21) e
“fóruns” (41). No entanto, actividades como “referendo”,
“SCORM” e “wiki” são pouco utilizadas comparativamente
com as restantes actividades (gráfico 1).
2
O módulo SCORM é considerado na plataforma Moodle como uma
actividade que permite que o docente faça o upload de um pacote
SCORM/AICC para incluir no curso (http://docs.org/en/SCORM).
Acessos
8000
6000
4000
2000
0
Acessos únicos
Desacordo
Em termos quantitativos, a plataforma Moodle revela um nível
de actividade crescente nos dois anos de utilização - anos
lectivos 2007/2008 e 2008/2009. A actividade (docentes e
estudantes) realizada atinge o pico máximo no mês de Junho de
2009, alcançando 42848 hits (visitante: 38; aluno: 27044;
professor: 2436; administrador: 241; total: 42848)
[http://www.fmh.utl.pt/elearning2008_2009/admin/report/stats/index.ph
p a 10.09.09]. Este fenómeno pode ser explicado pelo facto de
Metacompetências
34.6
60.6
4.8
36.5
58.7
4.8
Alcance de obj. pessoais
37.5
57.7
4.8
Competências digitais e inovação
30.8
63.5
5.7
Acordo
5.8
2.9
1.9
2.9
62.5
66.3
71.2
70.2
30.8
26.9
26.9
Satisfação
Flexibilidade
Eficiência
Facilidade de
aprendizagem
0
50
(% alunos)
100
No que respeita ao tipo de ferramentas de comunicação
utilizadas, verifica-se que as ferramentas de comunicação mais
utilizadas são as ferramentas de tipo assíncronas: notícias,
correio electrónico e glossários, com os valores 62.5%, 59.6% e
34.6%, respectivamente (gráfico 5). Actividades como chat, wiki
e SCORM são pouco utilizadas comparativamente com as
restantes actividades, respectivamente 12.5%, 6.7% e 2.9%
(gráfico 5).
Sim
Não
100
37.5
40.4
50
87.5
70.2
65.4
67.3
86.5
93.3
0
12.5
29.8
34.6
97.1
62.5
59.6
32.7
13.5
6.7
2.9
Gráfico 5 – Caracterização do tipo de ferramentas.
Caracterização do papel do docente
Relativamente à categoria caracterização do papel do docente,
pode-se observar (gráfico 6), que as dimensões “partilha de
informação” e “socialização online” são as dimensões que
apresentam os valores mais elevados (71.2% e 66.3%,
respectivamente), comparativamente com as restantes
dimensões.
Sem opinião
31.7
8.6
52.9
38.5
Gráfico 4 – Caracterização das ferramentas de comunicação.
Desacordo
100
( % alunos)
(% alunos)
50
Desacordo
2.9
67.3
29.8
Acesso ao material de aprendizagem
corresponder à época de avaliações finais, onde os estudantes
necessitam de aceder com mais frequência a materiais/conteúdos
que se encontram disponíveis no ambiente de aprendizagem
online. Verifica-se que os utilizadores mais activos na
plataforma são os estudantes.
Avaliação da Usabilidade
A partir da análise dos dados obtidos através do questionário
online realizado aos estudantes, pode-se caracterizar o ambiente
de aprendizagem online, nomeadamente ao nível da usabilidade
das ferramentas de comunicação utilizadas, da caracterização do
papel do aluno e do docente, na plataforma Moodle. Deste
modo, verifica-se que os estudantes destacam a dimensão
“eficiência” – 71.2%, comparativamente com as restantes
dimensões (gráfico 3):
Sem opinião
Competências pessoais
Construção de redes sociais
(% alunos)
31-Mai-09
31-Jan-09
31-Mar-09
30-Nov-08
31-Jul-08
30-Set-08
31-Mai-08
31-Jan-08
31-Mar-08
30-Nov-07
Gráfico 2 – Acessos à plataforma Moodle.
(http://www.fmh.utl.pt/elearning2008_2009/admin/report/stats/index.ph
p a 10.09.2009.) 100
Acordo
0
30-Set-07
(hits)
Devemos referir também que se verifica um total de 1374
utilizadores
registados
na
plataforma
Moodle
(http://www.fmh.utl.pt/elearning2008_2009). O número de acessos
(únicos) registados, em média, é de 360, com cerca de 2907
logins mensais (gráfico 2), atingindo valores particularmente
elevados no mês de Junho de 2008 (6230) e no mês de Maio de
2009 (5987), comparativamente com os restantes meses (gráfico
2).
Acordo
Sem opinião
2.9
2.9
2.8
4.8
6.7
65.4
66.3
71.2
65.4
58.7
31.7
30.8
26
29.8
34.6
50
0
Gráfico 3 – Avaliação da usabilidade do ambiente de
aprendizagem online.
Caracterização das ferramentas de comunicação
Ao nível das ferramentas de comunicação, de âmbito geral,
existe uma notória concordância para a valorização de todas as
dimensões (gráfico 4). De destacar a dimensão “construção de
redes sociais” (67.3%) e a dimensão “competências digitais e
inovação” (63.5%), uma vez que estas são as mais valorizadas
pelos estudantes, comparativamente com as restantes dimensões
(gráfico 4).
Gráfico 6 – Caracterização do papel do docente.
(% alunos)
Caracterização do papel do aluno
Quanto à categoria caracterização do papel do aluno, verifica-se
que a subcategoria “autonomia” é a dimensão mais valorizada
pelos estudantes (71.2%), seguindo-se as subcategorias
“criatividade” e “capacidade crítica” – 57.7% e 51.9%,
respectivamente (gráfico 7).
100
50
Desacordo
Acordo
5.8
4.8
3.9
Sem opinião
6.7
57.7
49
51.9
42.3
36.5
46.2
44.2
51
0
2.8
71.2
26
Gráfico 7 – Caracterização do papel do aluno.
No sentido de testar as 3 hipóteses de estudo recorreu-se à
organização de tabelas de contingência (crosstabs) a que foram
aplicados os testes de Qui-quadrado (X²) de independência
(tabela 2).
Tabela 2 – Valores da significância estatística obtida na
aplicação do teste Qui-quadrado.
Hipótese 1
Hipótese 2
Hipótese 3
X² (1) = 31.734*
X² (1) = 29.270*
X² (1) = 44.306*
*p < 0.001 Os resultados rejeitam as 3 hipóteses de estudo para o nível de
significância estipulado. Deste modo, podemos constatar, de
acordo com as respostas dadas pelos estudantes que integravam
a amostra, o seguinte:
- parece existir uma relação significativa entre a inovação, no
âmbito das ferramentas de comunicação, e a facilidade de
utilização do ambiente de aprendizagem online;
- a satisfação no uso do ambiente de aprendizagem online pelos
estudantes, está relacionada com o trabalho autónomo
desenvolvido pelos estudantes;
- a eficiência do ambiente de aprendizagem online está associada
ao papel do docente na plataforma, no que respeita à partilha de
informação eficaz entre todos os intervenientes.
4. CONCLUSÕES
No caso estudado, a implementação da plataforma Moodle em
Setembro de 2007, correspondeu à necessidade de procurar
soluções de b-learning mais adaptadas às exigências de
estudantes e docentes, de forma a melhorar o processo de
ensino-aprendizagem e a oferta educativa daquela Faculdade. De
um modo geral, verifica-se que a maioria dos docentes daquela
Faculdade, enquanto utilizadores do ambiente de aprendizagem
online, disponibilizam actividades variadas nas suas disciplinas,
nomeadamente: recurso, trabalho, fórum, chat, glossário, teste
hot potatoes questionários, teste, debate, wikis, referendo e
SCORM. No entanto, ainda são poucos os que recorrem a
actividades que estimulem predominantemente o trabalho
colaborativo, síncrono e interactivo (wiki, teste, chat, SCORM,
etc.). Logo, é possível concluir que a utilização da plataforma é
realizada fundamentalmente como repositório de informação, o
que não potencializa o desenvolvimento da autonomia dos
estudantes e nem permite estimular uma aprendizagem
colaborativa. As disciplinas, de um modo geral, apresentam uma
boa organização, permitindo reflectir sobre o nível de
usabilidade deste sistema. Isto é, parece-nos legítimo afirmar
que nos deparamos com um sistema de navegação fácil e
intuitivo, no que respeita às questões de facilidade de
aprendizagem e facilidade de utilização. Perante os resultados
anteriormente apresentados também se constata que a maioria
dos docentes utiliza elementos interactivos/multimédia na
apresentação dos seus conteúdos. Isto revela, portanto, um
indicador qualitativo (embora se reconheça que é pouco
frequente) de boas práticas. No entanto, é de salientar que a
plataforma Moodle é utilizada de forma integrada e usufrui de
todas as suas virtualidades, embora por um número ainda
reduzido de docentes. Deste modo, há também indicadores que
mostram satisfação na utilização do ambiente de aprendizagem
online pelos docentes e estudantes, revelando ser um ambiente
de aprendizagem online flexível e agradável de utilizar. A
introdução das tecnologias digitais em casa e no meio escolar
têm tido repercussões ao nível do sistema educativo [14;29]. No
entanto, acessibilidade é considerada por vários autores o
obstáculo principal na defesa para a igualdade de oportunidades,
assumindo, assim, um grande entrave para a inclusão [29;32].
Também nos parece interessante a significância estatística
encontrada na relação entre a usabilidade do ambiente de
aprendizagem online e a inovação no âmbito das ferramentas de
comunicação, bem como do trabalho autónomo desenvolvido
pelos estudantes e a partilha de informação eficaz entre todos os
intervenientes. Não obstante, os docentes apenas adoptarão
ferramentas de b-learning quando forem mais explícitas as
vantagens da sua prática ou existirem incentivos nesse sentido.
Os resultados parecem demonstrar que os ambientes de
aprendizagem online poderão ser um contributo importante para
a melhoria no alcance dos objectivos pessoais, estimulando o
trabalho de colaboração e de personalização. Torna-se
imprescindível continuar a desenvolver um trabalho de
divulgação, formação e apoio especializado, de modo a permitir
a melhoria do processo ensino-aprendizagem e dos variados
processos de colaboração. O tempo necessário a acções mais
complexas e interactivas tem de ser suportado por demonstração
de soluções que se centralizem na rapidez e usabilidade de
aspectos diários que consomem bastante tempo aos docentes.
Embora o ambiente de aprendizagem online ainda não tenha
sido utilizado por todos os docentes em todas as disciplinas, a
maioria dos estudantes daquela Faculdade encontram-se
inscritos como utilizadores. Ao nível dos acessos, verifica-se
uma progressiva evolução, quer ao nível das consultas, quer ao
nível das contribuições, por parte dos estudantes e docentes,
atingindo os valores mais significativos nos meses próximos da
época de avaliações, comparativamente com os restantes meses.
Por outro lado, se falarmos de melhorias significativas para o
processo ensino-aprendizagem, a mudança fundamental
encontra-se nas estratégias pedagógicas adoptadas e no tipo de
avaliação realizado e, parece-nos, que a intervenção nesse
patamar exige outro tipo de esforço e de incentivos.
Inevitavelmente, as tecnologias evoluem e novas ferramentas e
possibilidades de EaD vão surgindo. Hayes [12] apresenta os
mundos virtuais associados à Web 3.0, tendo em consideração
fenómenos como a colaboração e a comunicação em tempo real
como a mudança de paradigma. Por exemplo tem sido sinalizado
que o SL (Second Life) é um ambiente colaborativo de realidade
virtual com interface 3D, que apresenta um potencial
pedagógico bastante interessante [24]. Os utilizadores podem
construir e recriar espaços privilegiados de colaboração virtuais,
espelhando eventos, negócios ou mesmo cursos de uma
universidade [24]. As ferramentas do SL possuem recursos de
integração de voz e vídeo, tornando-se um ambiente virtual de
excelência para discussões e apresentações, por exemplo. Os
programas de realidade virtual são uma das tendências do elearning, como é exemplo o ambiente de aprendizagem
dinâmico Sloodle (http://www.sloodle.org/moodle/). No entanto,
não são as tecnologias de forma isolada que melhoram o ensino
ou a aprendizagem, mas com estas é possível trabalhar, ensinar e
aprender de uma forma que os métodos tradicionais não
permitem, trazendo vantagens substanciais para docentes e
estudantes. A criação e o desenvolvimento de uma comunidade
de aprendizagem online no ensino superior precisa de
contributos, troca de experiências e este parece ser o caminho
encontrado para que a médio-longo prazo se construa um
ambiente de aprendizagem online que vá ao encontro das
necessidades específicas dos estudantes e docentes do Ensino
Superior.
5.
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