O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Resumo O acelerado desenvolvimento científico e tecnológico trouxe uma série de modificações nas relações e no desenvolvimento da sociedade. A tecnologia permitiu maior velocidade na transmissão e no tratamento das informações; as ações computadorizadas e a comunicação em rede facilitou o acesso ao conhecimento. Há uma nova ordem global moldada pelas telecomunicações e que vem mudando fundamentalmente o modo como as pessoas se relacionam. Os recursos tecnológicos têm sido alvo de pesquisas por seu potencial educacional. Um desses potenciais é a possibilidade de ampliar os processos interativos, tão importantes em qualquer modalidade de ensino. Um recurso que já vem sendo proposto (MATTAR e VALENTE, 2007; TORI, 2010; CAMPO, 2013) é o ambiente virtual 3D que possibilita a reprodução de experiências vivenciadas no mundo real. Neste trabalho, o objetivo é justamente apresentar algumas reflexões sobre o uso do mundo virtual 3D, principalmente como proposta para suprir as necessidades em contratas em uma prática de ensino de inglês, realizadas por meio de uma pesquisa feita nos anos 2012 e 2013, que levaram a questionamentos sobre a utilização de um ambiente virtual aprendizagem como forma de propiciar interação, principalmente oral, no processo de aquisição de língua inglesa. Palavras‐chave: Ensino de inglês; Mundo virtual 3D; Interação. Edna Marta Oliveira da Silva Centro Universitário Internacional [email protected] Adriana Cristina Sambugaro de M. Brahim Centro Universitário Internacional [email protected] X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.1 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim 1. Introdução O acelerado desenvolvimento científico e tecnológico trouxe uma série de modificações nas relações e no desenvolvimento da sociedade. A tecnologia permitiu maior velocidade na transmissão e no tratamento das informações; as ações computadorizadas e a comunicação em rede facilitou o acesso ao conhecimento. Há uma nova ordem global moldada pelas telecomunicações e que vem mudando fundamentalmente o modo como as pessoas se relacionam. São as redes que emergem de baixo para cima e que, em princípio, deveriam fortalecer o indivíduo, dando‐lhe poder e liberdade. Conectados por computadores, correios eletrônicos, telefones celulares, as pessoas comunicam‐se umas com as outras independentemente dos locais onde se encontram (MORAES, 1998, p. 2). A concepção de educar na e para a era da informação, ou para a sociedade do conhecimento, precisa superar as “questões da didática, dos métodos de ensino, dos conteúdos curriculares, para poder encontrar caminhos mais adequados e congruentes com o momento histórico em que estamos vivendo” (MORAES, 1998, p. 1). O avanço das tecnologias de comunicação e informação possibilitou o desenvolvimento dos ambientes de aprendizagem, e a configuração desse novo espaço incitou a ação mediadora do professor tanto na educação a distância quanto na presencial. Peters (2006, p. 196) destaca a tecnologia como uma descoberta dramática, na qual a mediação proporcionada pelos espaços virtuais de aprendizagem se presta muito mais à aprendizagem autônoma e autorregulada. Pensamos que a tecnologia é um recurso no processo de mediação do conhecimento e, mesmo que esses recursos favoreçam a aprendizagem autônoma, o professor ainda tem uma função primordial nessa mediação. Assim, a tecnologia apresenta‐se como instrumento que colabora com o processo de ensino e, incorporada a esse processo, amplia as possibilidades de interação. Destaca‐se aqui a importância da tecnologia somente como instrumento, como meio significativo que favorece a aprendizagem, pois usada como recurso no processo de aprendizagem deve ser considerada pelo seu valor relativo; e quando usada adequadamente pelos estudantes e pelo professor, será um excelente recurso no processo de ensino. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.2 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim É nesse sentido que uma proposta de complementação de aprendizagem de uma língua estrangeira pode contar com um processo de mediação pedagógica através de ambientes virtuais, pois estes se caracterizam como um espaço interativo das relações que permitem a constante recriação de estratégias metodológicas, nas quais o professor pode atribuir um sentido emancipatório ao processo de ensino e aprendizagem. Essa abordagem é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de estudo, orientar, estimular e provocar o aluno a construir o seu próprio saber, partindo do princípio de que cabe a ele criar um posicionamento marcadamente possível, de modo a se colocar na condição de protagonista de uma ação que tem a sua realidade como referência (LOSSO, 2012). 2. O contexto de ensino e aprendizagem: resultados e a nova proposta O curso de Secretariado Executivo Trilíngue ofertado pelo Centro Universitário Internacional UNINTER tem como objetivo promover a aquisição de conhecimento e competências que permitam ao profissional desempenhar as atividades exigidas em uma empresa. Sendo assim, são ofertadas disciplinas que envolvem além dos aspectos financeiros, de contabilidade, documentação e arquivo, o domínio da língua inglesa e de um segundo idioma optativo. Tal estrutura curricular está em consonância com o mercado globalizado em que vivemos e que [...] exige dos profissionais o conhecimento de, pelo menos, dois idiomas estrangeiros que, no caso dos secretários brasileiros, são o inglês, em virtude de ser um idioma de negócios, e o espanhol, visto que nosso país é membro do Mercosul e muitos negócios são realizados com esse bloco econômico (BOND; OLIVEIRA, 2009, p. 49) Pensando no(a) aluno(a) que ingressa no curso, espera‐se dele (a) uma “desenvoltura na fala e na escrita (...), além da etiqueta corporativa. Saber falar ou ter facilidade em aprender novos idiomas também é um diferencial” (UNINTER, 2014). A experiência das autoras deste trabalho como docentes do curso de Secretariado Executivo Trilíngue prova que a grande maioria dos alunos do curso nunca teve uma experiência com o aprendizado de uma língua estrangeira, além daquela proporcionada X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.3 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim pelo ensino médio. O fato de o curso ter a ênfase em idiomas é o que atrai tal público em específico, pois muitos veem aí a oportunidade de atrelar o conhecimento de idiomas a uma formação profissional oriunda de uma graduação. Apesar de o curso ser presencial, todos os alunos da instituição, independentemente da modalidade do curso que frequentam, têm acesso ao ambiente virtual de aprendizagem (doravante, AVA) oferecido pela instituição. A mesma situação se aplica aos docentes. Tori (2010, p. 129‐130) lista uma série de características comuns a um AVA e que correspondem aquele oferecido aos alunos do Centro Universitário Internacional UNINTER. De acordo com autor, os principais recursos são: Gerenciamento do curso: criação de cursos, disciplinas, matrícula de alunos, gerenciamento de senhas, registro de atividades e de acessos realizados pelos usuários, cálculo e publicação de notas, etc.; Gerenciamento de conteúdo: armazenamento, gerenciamento, edição e exibição de conteúdo multimídia; Disco virtual: área de trabalho que pode ser individual ou compartilhada, na qual o usuário pode fazer downloads, uploads e visualização de conteúdos; (...) Sala de bate‐papo(chat room): sala virtual para encontros e trocas de mensagens síncronas, podendo ser de texto, voz ou vídeo; Fórum de discussão: recurso de comunicação assíncrona que possibilita a organização das discussões por assunto, por disciplina, por curso, por turma, por grupo, etc.; Quadro de avisos: área para publicação de informes de interesse geral; (...) Avaliação: recursos para gerenciamento da aplicação e correção de avaliações (testes de múltipla escolha ou provas dissertativas), com possibilidade de sorteio de questões e de alternativas, programação de horário para disponibilização da avaliação aos alunos, controle de tempo de realização, correção automática, cálculo e publicação de médias, geração de estatísticas e até mesmo feedback automático ao aluno sobre o seu desempenho; (...) Alguns recursos disponibilizados no AVA podem dar suporte ao ensino e à aprendizagem de língua inglesa, tais como a sala de bate‐papo, o fórum de discussão e a avaliação. Tais ferramentas podem auxiliar o (a) aluno (a) a utilizar os conteúdos em situações de comunicação, além de reforçar conteúdos gramaticais, seja de forma X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.4 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim síncrona ou assíncrona, uma vez que facilitam e permitem a comunicação e a interação entre seus usuários. Baseado no que foi exposto até o momento, foi desenvolvida uma pesquisa no Centro Universitário Internacional UNINTER com o objetivo de avaliar o uso do AVA como recurso complementar ao desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos de língua inglesa do curso de Secretariado Executivo Trilíngue, entre 2012 e 2013. Após 4 semestres letivos durante os quais forma coletados e avaliados alguns dados, a pesquisa demonstrou que o uso do AVA pode cumprir a função de promover o aprendizado de uma língua estrangeira, paralelamente às aulas presenciais, conforme conclusão da pesquisa realizada em 2013. Entretanto, os recursos ali disponibilizados não reproduzem fidedignamente situações com as quais os alunos do curso poderão encontrar em algum momento de suas práticas profissionais. É opinião das autoras deste trabalho que o ensino precisa estar relacionado com situações reais que os alunos vivenciam/vivenciarão fora da sala de aula. Segundo Volochínov (2009), todo signo (palavra) é social, ou seja, é por meio da interação, do contato com o outro, que a comunicação acontece. Por isso, não se pode dissociar o signo “das formas concretas da comunicação” (Ibid., p. 42). No processo de ensino e aprendizagem de qualquer língua estrangeira, é fundamental a interação com o outro. Assim, durante a pesquisa realizada, um dos questionamentos foi: como propiciar e avaliar a pronúncia e a capacidade de comunicação oral em atividades mediadas pelo AVA? A solução inicialmente dada para este problema foi utilizar um fórum de voz, por meio de sites disponíveis na internet, cujos links poderiam ser disponibilizados no AVA. Optou‐se pelo uso do site Voxopop1 pois seu funcionamento é muito semelhante ao fórum escrito que já existe no AVA. Porém, as postagens devem ser feitas com gravação de voz, em grupos de discussão fechados para o público externo. Além disso, os alunos baseavam‐se em uma situação problema para as postagens, ou uma pergunta feita em uma postagem inicial realizado pela professora do grupo. Ainda que a tentativa de uso do site tenha sido o de promover um contexto “autêntico” de comunicação, o resultado esperado não foi atingido, conforme será apresentado a seguir. 1 Disponível em: <www.voxopop.com> Acesso em 01 mar. 2014. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.5 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim O perfil dos discentes é formado, basicamente, por jovens entre 18 e 25 anos. São indivíduos considerados por Prensky (2001) como “nativos digitais” ‐ pessoas que nasceram após a década de 80, num mundo permeado pelos mais diversos artefatos tecnológicos. Tais artefatos exigem de seus usuários uma forma de pensar hipertextual2, graças à interatividade e interconectividade que proporcionam. Partiu‐se, dessa maneira, do pressuposto que esses alunos supostamente teriam uma certa afinidade com recursos tecnológicos e redes sociais e que um fórum de voz seria bem aceito pela maioria dos alunos. Porém, foi nítida a dificuldade que alguns alunos tiveram em navegar pelo site usado anteriormente, mesmo com tutoriais disponibilizados pelas professoras no AVA (pois todas as orientações de uso são feitas em inglês) e com a gravação do fórum de voz. Essas dificuldades somam‐se a problemas com internet, microfone ruim, ou seja, com a falta de recursos técnicos na IES para a realização da tarefa. Indícios que surgiram nos questionários de avaliação das atividades propostas no AVA apontaram para a rejeição do Voxopop mais em termos de falta de equipamento adequado do que pela ineficácia da atividade. Outro ponto que foi mencionado informalmente durante as aulas presenciais, foi a exposição dos alunos em um fórum de voz. Por serem iniciantes e não terem ainda domínio mínimo da língua inglesa, muitos deles se sentiram constrangidos em registrar suas produções orais no site para que os outros colegas também pudessem ouvir. Pelos depoimentos, percebeu‐se que o problema da exposição suplantou os problemas de ordem técnica. Constatou‐se, portanto, uma necessidade de serem propostos outros recursos que possibilitem aos alunos ferramentas de interação para a produção oral em língua inglesa, mas que supere as dificuldades encontradas quanto ao desenvolvimento da habilidade oral, no sentido de propiciar melhores estratégias de mediação e interação pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem e que, ao mesmo tempo, possibilite a aproximação de situações que poderão ser vivenciadas pelo egresso em suas atividades como profissional do Secretariado Executivo. Com isso, pretende‐se proporcionar aos discentes simulações de um ambiente corporativo no qual a língua inglesa seja o idioma 2 Hipertexto, termo cunhado por Theodore Nelson, em meados dos anos 60. Segundo Levy (1999, p. 29 apud Cavalcante, 2005, p. 164) serve para “exprimir a ideia de escrita/leitura não linear em um sistema de informática) X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.6 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim usado para comunicação. Nesse sentido, o AVA, tal como se apresenta atualmente na IES, não faz uso pleno de todos os recursos que estão disponíveis na Web 2.0 e é neste sentido que as autoras deste trabalho, após várias discussões sobre possíveis alternativas, chegaram a conclusão de que, talvez, o uso de um ambiente virtual 3D poderia melhor suprir as necessidades dos processos de ensino e aprendizagem da língua inglesa em momentos extraclasse e que representem mais realisticamente o mundo empresarial. 3. Ambientes virtuais 3D: Realidade Virtual Há algum tempo é tema de estudos dos mais diversos profissionais, a criação de ambientes virtuais 3D que possibilitem a reprodução de experiências vivenciadas no mundo real. É o que se chama, nos dias de hoje, de realidade virtual (RV). As primeiras pesquisas com RV surgiram já na década de 60 com Ivan Sutherland, criador do Head Mounted Display (HDM), um capacete de visão estereoscópica. Entre as experiências realizadas com tal artefato, Tori (2010, p. 150) chama a atenção para aquela que “demonstrou na prática a viabilidade da imersão em tempo real e da telepresença”. Os resultados obtidos com o experimento provaram que o artefato realmente causou em seu usuário a sensação vivendo uma situação no mundo real. Segundo Tori (2010, p. 151‐152), “realidade virtual é uma interface avançada para aplicações computacionais, que permite ao usuário a movimentação (navegação) e interação em tempo real, em um ambiente tridimensional, podendo fazer uso de dispositivos multissensoriais, para atuação ou feedback”. Para o mesmo autor, são infinitas as possibilidades de uso de RV em processos de ensino e aprendizagem e cita exemplos como um simulador de voo e de cirurgia. Nesses exemplos é inegável a importância do processo de interação como fator primordial do processo de ensino e aprendizagem. Porém, não é tarefa fácil realiza‐la. Mattar e Valente (2007, p. 25), por exemplo, afirmam que “Interação é um conceito complexo em educação” e a percepção das autoras deste trabalho é que, em se tratando do ensino de idiomas, é aspecto fundamental para que ocorra a aquisição de línguas. Nesse escopo, inclui‐se a questão da comunicação feita visualmente, pois o aprendizado de uma língua não se restringe à X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.7 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim interpretação e uso de um código, mas também àquilo que se apreende em contexto por expressões faciais, gestos e emoções. Mattar e Valente (2007, p. 27) apostam para a criação de “locais de aprendizagem mais ricos” de modo a provocar “nos alunos uma interação mais intensa e prazerosa no seu caminho para o saber”. Para esses autores, no momento em que a tecnologia favorece a criação de “ambientes de aproximação entre os componentes vivos da educação, torna‐se [a tecnologia] mais rica como forma de compartilhar o conhecimento”. O uso de RV com objetivos educacionais já foi apontado no The New Horizon Report, publicado em 2007 pela The New Media Consortium e The Educause Learning initiative3 como uma tendência no meio acadêmico e universitário. De acordo com o relatório, mundos virtuais são Configurações personalizadas que refletem ou divergem completamente do o mundo real oferecem a oportunidade de colaborar, explorar, assumir papéis e experimentar outras situações de um modo seguro, mas estimulante. Esses espaços oferecem oportunidades quase infinitas para a educação, vinculados apenas pela nossa capacidade de imaginar e criar. Campi universitários, empresas e outras organizações estão cada vez mais presentes no mundo virtual, e essa tendência deverá ter o mesmo impacto causado pelo advento da internet em meados da década de 1990 4 (HORIZON REPORT, 2007, p. 6). Uma característica de um mundo virtual 3D é que seus usuários podem usar personagens criados por eles mesmos para que haja interação. Tais personagens virtuais são conhecidos como avatares. Avatar é uma palavra de origem hindu e significa, em sânscrito, “a transfiguração de um ser divino no corpo humano, a reencarnação de um deus e sua descida do Céu à Terra” (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 156). O seu uso em um ambiente virtual permite ao usuário criar uma identidade que pode ser semelhante ou não à pessoa real. “Para uma escolha adequada da forma do avatar, bem como para a programação de seus gestos e/ou expressões faz‐se necessária uma compreensão das atividades que o usuário planeja executar dentro do ambiente” (CARMO, 2013, p. 40). Assim, a ideia de utilizar um mundo virtual para o ensino de inglês no curso de Secretariado Executivo Trilíngue surgiu pela possibilidade de simulação de um mundo 3 Disponível em: http://net.educause.edu/ir/library/pdf/CSD4781.pdf Acesso em 02 mar. 2014 Tradução feita pelas autoras deste artigo a partir do original em inglês. 4 X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.8 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim corporativo no qual os alunos possam experimentar situações prováveis em sua prática profissional, mas também pela possibilidade de criar uma nova identidade no mundo virtual. Dessa maneira, acredita‐se que o fator exposição frente aos demais colegas do grupo poderá ser resolvido. Tori (2010, p. 156), entretanto, chama a atenção para o uso indiscriminado e sem planejamento de RV e que pode prejudicar a qualidade da interação. Segundo o autor, o uso de RV pode ser um grande atrativo e elemento motivador para os alunos em um momento inicial, por ser um recurso novo e diferenciado. Entretanto, passada a fase inicial da novidade, faz‐se necessário um cuidado com a atividade a ser desenvolvida, pois é ela que será a responsável por manter a atenção e comprometimento por parte dos discentes. Misto de redes sociais, jogos eletrônicos e comunidades virtuais, um ambiente virtual 3D é um software por meio do qual a RV se popularizou (Carmo, 2013, p. 38). A plataforma para a construção de um ambiente virtual 3D pode ser de software aberto ou não. No caso de haver um proprietário, uma empresa controla o software e será ela quem determinará ou permitirá quaisquer modificações no sistema. Isso já não ocorre com plataformas abertas, visto que a construção, ajustes e alterações são feitas de forma colaborativa por seus usuários. No caso de ser implementado o uso de um ambiente virtual 3D no curso de Secretariado Executivo Trilíngue, há de ser analisado, junto à IES, qual seria a melhor opção de acordo com as disponibilidades técnicas e operacionais. A princípio, por opção absolutamente pessoal e por ter à disposição uma ampla gama de referências, as autoras deste trabalho optaram pela análise de um ambiente com software não aberto, o Second Life e de propriedade da empresa de Philip Rosedale, a Linden Lab. 3.1 O Second Life5 5 As informações obtidas sobre o Second Life foram retiradas do livro de MATTAR, João; VALENTE, Carlos. Second Life e Web 2.0 na educação: o potencial revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec Editora, 2007) X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.9 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim A ideia original para a criação do Second Life surgiu a partir do The Sims6, um jogo simples e objetivo que simula a vida cotidiana. De acordo com Purushotma (2005, p. 81), no The Sims [...] jogadores controlam as atividades diárias de uma família virtual, guiando‐os nas tarefas, tais como cuidar da higiene pessoal, cozinhar, procurar empregos, divertir convidados, etc. Após atribuir profissões aos personagens, os jogadores gerenciam as finanças da família, decidem qual a melhor mobília para comprar e equipamentos para desenvolver suas casas, baseado na análise do estado emocional de seus personagens (PURUSHOTMA, 2005, p. 81)7. Realidade virtual, mundo cibernético ou ambiente virtual são algumas das denominações atribuídas ao Second Life. No The Sims, os personagens precisam se alimentar, dormir, se divertir e trabalhar ao modo do mundo real, ao contrário daqueles do Second Life. O Second Life é um mundo tridimensional imersivo e dinâmico, gerado por computador e que permite ao seu usuário “viver” nesse mundo, interagindo com outros usuários denominados “residentes”. Um residente é representado pelo avatar, cuja caracterização pode ser elaborada pelo usuário do Second Life. A própria configuração do avatar já segue os moldes da Web 2.0 da cooperação e colaboração, pois há uma total liberdade para a construção de um residente. O Second Life, nos dias de hoje, permite ao seu usuário uma vivência muito próxima ao mundo físico e real. A imersão nesse ambiente de RV permite ao residente conviver com outras pessoas em diferentes situações, a ponto de ser criada, inclusiva uma “economia” para esse mundo e seus residentes. Uma vez que o Second Life permite a negociação de objetos criados, somente questões relacionadas à cooperação e colaboração – apesar de serem fundamentais – não eram suficientes. A solução dada por Rosedale foi o de criar uma moeda virtual, o linden dólar (L$), para dar contar das transações comerciais realizadas no Second Life. O linden dólar adquiriu tamanha importância que hoje ela é comparada a qualquer outra moeda do mundo, com cotação diária de modo semelhante ao do mundo real. Alguns governos, inclusive, já pensam em 6 Disponível em:< http://www.thesims.com/en‐us>. Acesso em 20 out. 2013. Tradução feita pela autora deste projeto de pesquisa. 7 X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.10 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim taxar o linden dólar com imposto de renda, pois há uma preocupação de que possa haver uma abertura para lavagem de dinheiro por meio do Second Life. Dada a complexidade envolvida no Second Life, não se pode considerá‐lo somente um jogo de passatempo. Segundo Mattar e Valente (2007, p. 166), Todo jogo tem objetivos e oferece obstáculos para alcançar esses objetivos, o que não ocorre no Second Life, pois nele não há um objetivo claro e definido, nem missões ou obstáculos. Por isso, alguns preferem classificá‐lo como um simulador da vida real, um ambiente de comércio eletrônico [...] ou mesmo um ambiente colaborativo ou rede social [...]. A questão, portanto, é o uso de um ambiente virtual tridimensional tal como é o Second Life como um simulacro da realidade, de modo a podermos realizar algo que, até então, ainda não conseguimos fazer no mundo real. Pode‐se perguntar, então, o motivo de também não aplicarmos a mesma ideia aos processos de ensino e aprendizagem que envolvam ambientes virtuais de aprendizagem em cursos na modalidade a distância, pois [...] autores de materiais para EaD têm buscado novos formatos que contemplem a organização de currículos flexíveis, criando oportunidades para diferentes trajetórias de aprendizagem, desenvolvendo objetos de aprendizagem que permitem a multiplicidade de composições de programas educacionais, intercâmbio de conteúdos entre instituições e integração de mídias. (SILVA, 2013, p. 96) Nesse sentido, Mattar e Valente (2007, p. 169) sugerem o Second Life como uma alternativa para algumas ferramentas comumente utilizadas em cursos na modalidade a distância (como os chats – salas de bate‐papo). Os autores acreditam que, além de ser um elemento motivador para a aprendizagem, o Second Life pode ser um redutor da distância transacional8 presente na EaD, mencionada por Michael Moore. Segundo Moore (apud Mattar e Valente, 2007, p. 169) a distância entre alunos e professores não se refere somente ao fato de não estarem juntos, presencialmente, em um mesmo espaço físico. Há também “um espaço psicológico e comunicacional a ser transposto” (Tori, 2010, p. 60). Ou seja, a distância transacional não se refere somente aos cursos em EaD, mas pode também ser aplicado a cursos presenciais. 8 Ver MOORE, M.G. Teoria da distância transacional, em Revista Brasileira de Educação a distância, 1 (1), 2002. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.11 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim Tori (2010, p. 60 e 61) aponta três variáveis da teoria da distância transacional. A primeira, é o diálogo, que necessita de uma boa interação para que se realize, além da predisposição entre as partes envolvidas, número adequado de participantes, assim como oportunidades para participação. A segunda variável diz respeito à estrutura do programa do curso, podendo ser rígida (sem espaço para diálogo ou intervenção por parte dos alunos) ou flexível. A terceira, diz respeito à autonomia dos alunos e está diretamente ligada à estrutura do curso. “Abordagens humanistas são mais dialógicas, menos estruturadas e conferem maior autonomia ao aluno, enquanto estratégias mais comportamentalistas baseiam‐se em instrução programada, como o máximo controle do processo de ensino‐aprendizagem por parte do professor” (Tori, 2010, p. 61). Em suma, menor será a distância transacional se houver maior diálogo entre professores e alunos, menor estruturação do curso e, consequentemente, maior autonomia dos alunos. Obviamente, não se pode ignorar que a distância transacional pode haver em cursos presenciais, mas isso parece ser mais evidente em cursos na modalidade a distância. Portanto, se o Second Life permite uma interação que demanda a imersão do usuário em um mundo virtual, a sensação de distanciamento em atividades on line pode ser reduzida. Ainda que não tenha sido planejado com objetivos educacionais, tecnologias podem ser emprestadas à educação. E isso não seria diferente com o Second Life, como apontam Mattar e Valente (2007, p. 180): “é uma excelente plataforma para promover uma educação on line e flexível”. 3.1.1 O Second Life na Educação Para participar do Second Life, Mattar e Valente (2007, p. 181) apontam alguns caminhos, seja para uma instituição de ensino, seja para um docente independente. De acordo com os autores, a) a própria instituição ou o docente pode adquirir seu espaço e criar seu mundo virtual; b) a instituição de ensino ou o docente pode encomendar a criação de seu espaço virtual a empresas especializadas; c) a instituição de ensino ou docente pode procurar espaços virtuais já existentes, para utilizar em suas atividades. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.12 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim Qualquer que seja o caminho escolhido para se incorporar o Second Life em práticas que envolvam situações de ensino e aprendizagem atividades on line, as vantagens em relação a um AVA tradicional o ambiente virtual 3D como o Second Life permite não somente o compartilhamento dos mesmos materiais disponíveis em um AVA (tais como vídeos, textos, slides e áudios), mas permite a interação com alunos não somente do curso em questão, mas também com outros, dos mais diferentes lugares do mundo. Ainda que um AVA tradicional, como apresentado no início deste trabalho, ofereça ferramentas de comunicação síncrona ou assíncrona e de compartilhamento de materiais disponibilizados pelo professor, não permite simular a realidade. Esse é um aspecto que fornece ao Second Life uma vantagem sobre um AVA tradicional: a possibilidade de causar em seu residente as mesma “sensação de presença, espaço e experiência compartilhada” (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 193). Com isso, o Second Life pode ser considerado um espaço virtual perfeito para discussões e apresentações. Apresentações, entretanto, não se limitam aos avatares dos residentes no Second Life. Podem também haver apresentações no mundo real e serem transmitidas para o mundo virtual. Os chats (salas de bate papo), tão frequentes em cursos baseados em AVA tradicionais, ganham outra dimensão quando utilizados no Second Life. Ao contrário dos chats em um AVA nos quais a comunicação, ainda que seja síncrona, fica limitada ao texto escrito, o Second Life permite gerar lembranças espaciais e visuais, que praticamente não existem nos chats (...) e que podem funcionar como elementos de reforço para o aprendizado. Depois de participar de uma aula no Second Life, você se lembra de onde sentou, do visual de seus colegas de classe, da posição do professore, dos sons que ouviu, dos slides e vídeos que assistiu e assim por diante, e tudo isso acaba sendo associado com o conteúdo estudado, auxiliando na sua memorização e incorporação, e na consequente reflexão sobre esse conteúdo. (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 194). Outros objetos didáticos podem também ter o seu lugar no Second Life. Atividades com grau de dificuldade e objetivos variados podem ser realizadas num mesmo local. Por meio de tours guiados pelo professor, os alunos podem visitar outros locais que sejam de interesse para o aprendizado e que, no mundo real, não haveria condições para que isso X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.13 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim ocorresse. Simulações e roleplayings9 são fundamentais para situações de ensino e aprendizagem e são ricamente exploradas no Second Life, pois A plataforma permite que os alunos assumam uma diversidade de papéis e participem de simulações, praticando habilidades da vida real em um espaço virtual, e explorando situações das quais eles não poderiam participar com segurança e facilidade no mundo real. Exemplos disso são a assistência a desastres e pacientes em estado grave. (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 188). Tal caraterística coloca o Second Life à frente de um AVA tradicional, pois permite aos alunos a aquisição, a construção e a também a prática do conhecimento. Além disso, “estão obviamente favorecidas no Second Life as aulas e atividades interdisciplinares, já que é possível frequentar (e construir) diferentes ambientes onde o mesmo tema se apresente“ (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 190). 3.1.2 O Second Life e o curso de Secretariado Executivo Trilíngue O curso de Secretariado Executivo Trilíngue prevê a formação de profissionais que estejam aptos a atuar em diferentes setores do mundo empresarial. Conforme consta no site do Centro Universitário Internacional UNINTER a respeito do assunto, o mercado de trabalho em Secretariado Executivo é abrangente, passando por comércio, indústrias, prestação de serviços, órgãos públicos, empresas multinacionais, consulados e organizações não governamentais. Entre as atividades desenvolvidas estão a organização de atividades no escritório, assessoria executiva, agenda e cronograma, justificadas pela abrangência da profissão. As opções de carreira para a área de Secretariado também são a consultoria nas áreas de gestão secretarial, consultoria em gestão de documentos e organização de eventos. Com a formação trilíngue do curso, também é possível trabalhar com traduções. (UNINTER, 2014) Por saber que é ampla a gama de atividades possíveis de serem exigidas de um profissional do Secretariado Executivo, a grade curricular do curso prevê atividades para a formação desse profissional, tal como pode ser observado na tabela 1. 9 Atividades durante as quais são assumidas atitudes, ações e discursos de (outro), especialmente em uma situação no qual faz‐se um esforço para compreender um ponto de vista diferente ou vivenciar uma interação social. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.14 1º CICLO ‐ UTA RELAÇÕES INTERPESSOAIS Sistemas organizacionais (80h) Inglês 1 (80h) Técnicas Secretariais – Relações Interpessoais (80h) Língua Portuguesa: Compreensão Textual (40h) Metodologia de Pesquisa (40h) Idioma optativo I (80h) Trabalho Interdisciplinar – Relações Interpessoais (40h) 2º CICLO ‐ UTA EMPREENDEDORISMO E SUSTENTABILIDADE Ética e Comportamento Organizacional 120h Inglês III (80h) Idioma optativo (80h) Gestão Secretarial: Empreendedorismo e Sustentabilidade (80h) Gestão de Projetos (40h) Fundamentos de Contabilidade (40h) 3º CICLO ‐ UTA ASSESSORIA EXECUTIVA Gestão Empresarial (80h) Gestão Secretarial: Assessoria Executiva (80h) Inglês V (80h) Idioma optativo V (80h) Língua Portuguesa: Oralidade (40h) Trabalho de Conclusão de Curso (40h) Estágio Supervisionado (4ª UTA) Atividades Complementares (120h) X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim 1º CICLO ‐ UTA OFFICE MANAGEMENT Sistemas de Informações Gerenciais (80h) Inglês II (80h) Idioma optativo II (80h) Técnicas Secretariais: Administração de Escritório (80h) Comunicação Empresarial (80h) Trabalho Interdisciplinar – Office Management (40h) 2º CICLO ‐ UTA ASSESSORIA E GESTÃO DE EVENTOS Legislação (80h) Inglês IV (80h) Idioma optativo (80h) Técnicas Secretariais – Assessora e Gestão de Eventos (80h) Língua Portuguesa: Redação Empresarial (40h) 3º CICLO ‐ UTA RELAÇÕES INTERNACIONAIS Estatística Aplicada (40h) Gestão Secretarial: Relações Internacionais (80h) Inglês VI (80h) Idioma optativo VI (80h) Relações Públicas (80h) Trabalho de Conclusão de Curso (40h) CARGA HORÁRIA TOTAL: 2.900h Tabela 1 – Grade curricular do curso de Secretariado Executivo Trilíngue Pode‐se perceber a preocupação em apresentar e fornecer ao discente, disciplinas que deem conta da sua formação para o mundo empresarial e corporativo. Ainda, trabalhos interdisciplinares, assim como o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e o Estágio Supervisionado foram incluídos como forma de o discente poder ter não somente um panorama de todo o curso, mas também de aliar tal conhecimento à prática. Não se pode, ainda, deixar à parte a ênfase dada aos idiomas estrangeiros, visto que são X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.15 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim previstas disciplinas de Inglês (obrigatória para todos os alunos) e de um idioma optativo (que os alunos podem escolher entre espanhol, alemão e francês). As possibilidades de uso do Second Life com facilitadores disciplinas relacionadas ao mundo corporativo e ao ensino de idiomas são variadas. Em relação ao mundo corporativo, é na simulação de negócios que reside um dos “potenciais pedagógicos mais interessantes do Second Life” (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 202‐204). Para Mattar e Valente (2007, p. 203) podem ser simuladas diversas situações para a prática de “algumas capacidades, como a liderança, de uma maneira que nunca seria possível em e‐learning e mesmo em uma sala de aula presencial”. Uma simulação de situações que envolvam as questões da disciplina de Ética e Comportamento Empresarial ou de Técnicas Secretarias, por exemplo, poderiam ter seu espaço no Second Life. Mattar e Valente (2007, p. 204) mencionam, inclusive, que atividades oriundas da plataforma podem dar origem a bons trabalhos de TCC10. Tendo em vista a possibilidade da simulação de atividades no Second Life relacionadas aos conteúdos das disciplinas do curso, é absolutamente justificável a sua utilização na aprendizagem dos idiomas estrangeiros como a forma de comunicação/interação entre os alunos do curso e outros residentes da plataforma. Assim como o Second Life permite experiências de cunho acadêmico, é possível também a interação com outras pessoas que falam o idioma que está sendo estudado pelos alunos. Mattar e Valente (2007, p. 208) sugerem, inclusive, que os alunos façam um relatório ao professor da disciplina a respeito do sucesso ou das dificuldades encontradas na comunicação. 4. Considerações Finais O uso do Second Life com objetivos pedagógicos já tem sido debatido entre estudiosos das mais diversas áreas. Instituições de ensino têm de diversas partes do 10 O exemplo dado pelos autores refere‐se a um aluno que levantou a questão da intervenção da economia digital no mundo real e qual seria o impacto da movimentação de dinheiro entre os dois mundos (MATTAR e VALENTE, 2007, p. 204) X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.16 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim mundo – inclusive no Brasil11 – já adotaram o Second Life como forma de propiciar aos discentes experiências pedagógicas de sucesso. Obviamente, existem fatores limitantes para a implementação e para o uso efetivo da plataforma com objetivos educacionais. Para usar o Second Life, é necessário pagar uma licença ao Linden Lab, empresa que detém a propriedade da plataforma. Ao obter a licença, é necessário fazer o download do programa e isso exigirá certa configuração de hardware, para que o Second Life funcione adequadamente. Isso sem mencionar o fato de que, para usar a plataforma, é necessário treinamento e paciência por parte do usuário para aprender a lidar com o programa. E, claro, uma boa largura de banda de rede. Como a proposta do Second Life é de simular o mundo real, deve, obrigatoriamente, funcionar também em tempo real para os olhos humanos. Se as dificuldades iniciais forem superadas e se a IES não levar em conta somente a questão mercadológica para o uso do Second Life, a experiência pode ser bem sucedida. Como afirma Valente (2007, p. 250) A educação, dentro do ambiente do Second Life, tem que ter outra visão, uma visão muito mais nobre e moderna. Eu diria até uma educação holística, uma visão abrangente em relação à própria educação. Assim como no presencial, nós precisamos de uma entidade chamada professor, no ambiente e‐learning nós temos o nome denominado tutor, e no Second Life, imaginamos a necessidade de ter na verdade um orientador. Esse seria talvez o termo mais adequado para essa nova entidade que auxiliaria, e que seria o elemento catalisador da educação dentro do Second Life. Portanto, apesar de todas as implicações iniciais de implantação do Second Life como recurso educacional no processo de ensino e aprendizagem de um idioma estrangeiro, no caso específico do inglês, vislumbra‐se, após as reflexões aqui apresentadas, uma grande possibilidade de melhoria tanto no processo de aquisição da língua quanto nos resultados obtidos. 11 No Brasil, UNISINOS (RS), Mackenzie(SP). SENAC (SP) são algumas instituições que já têm usado o Second Life com finalidade educacional. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.17 X Anped Sul O uso de mundo virtual 3D no ensino de língua inglesa Edna Marta Oliveira da Silva ‐ Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim Referências BAKHTIN, M. (VOLOCHÍNOV, V. N.). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora Hucitec, 2009. BOND, M. Thereza; OLIVEIRA, Marlene de. 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