UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA ANA LETÍCIA SILVA SILVÉRIO CARLA KAROLINE PIRES GENEROSO ASSOCIAÇÃO ENTRE AUTOPERCEPÇÃO DE DÉFICITS VISUAL E AUDITIVO E OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS NA CIDADE DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS. JUIZ DE FORA 2011 ANA LETÍCIA SILVA SILVÉRIO CARLA KAROLINE PIRES GENEROSO ASSOCIAÇÃO ENTRE AUTOPERCEPÇÃO DE DÉFICITS VISUAL E AUDITIVO E OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS NA CIDADE DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Fisioterapia, área de concentração: Saúde do Idoso, da Universidade Federal de Juiz de Fora como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profa. Drª. Isabel Cristina Gonçalves Leite Co-orientadora: Profa. MsC. Danielle Teles da Cruz JUIZ DE FORA 2011 Silvério, Ana Letícia Silva. Associação entre autopercepção de déficits visual e auditivo e ocorrência de quedas em idosos na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais / Ana Letícia Silva Silvério, Carla Karoline Pires Generoso. – 2011. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia)— Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2011. 1. Idoso. . I.Generoso, Carla Karoline Pires . II Título CDU 362.6 Dedicamos este trabalho às nossas amadas famílias e aos amigos pelo incentivo, compreensão e dedicação. O orgulho de vocês é nossa maior inspiração. AGRADECIMENTOS Este trabalho foi o resultado de um processo de crescimento e construção tanto pessoal quanto acadêmico muito importante para nós, soma de um conjunto de afetos e amizades, desafios e superações. Dessa forma, dedicamos algumas palavras àqueles que fizeram parte direta ou indiretamente desta conquista. Agradecemos... A Deus por ter iluminado nosso caminho, por nos guiar e dar força nos momentos difíceis, de dúvida e insegurança. Por sua presença constante em nossas vidas nos ajudando a ser pessoas melhores sempre. A nossas famílias, por estar sempre presentes nos incentivando, por aguentar e entender nosso mau-humor, nossas ausências, por fazerem o possível para nos ajudar e nos dar carinho e conforto sempre que foi preciso. Aos nossos amigos que compreenderam nossas ausências e estiveram sempre dispostos a nos ajudar, a fazer de momentos de tensão momentos mais leves, prazerosos, em especial agradecemos as nossas queridas amigas Aninha, Luísa e Suelen. Pela torcida, pelo carinho e amizade de sempre, nosso amor e nossa eterna gratidão. A Dra Isabel Cristina Gonçalves Leite pela orientação e incentivo na realização desta monografia, nossa sincera gratidão. A Danielle Teles da Cruz, a nossa sincera admiração por sua competência e dignidade. Obrigada pela oportunidade, pela confiança, pelos ensinamentos, pela mudança de visão em nossa trajetória acadêmica (por nos ensinar a nos dedicar ao máximo àquilo que nos dispusemos a fazer) e pela força de sempre. Os momentos que passamos juntas nos trouxeram não somente conhecimento, mas a certeza da construção de uma bela amizade. A nossa banca, Dra Cláudia Helena Cerqueira Mármora e Dra Andréia Ramos por aceitarem fazer parte de nosso projeto, pela orientação e disponibilidade em contribuir efetivamente para a realização do nosso trabalho, nosso agradecimento. Aos idosos que tornaram essa jornada possível e mais especial, nosso muito obrigada. À minha querida dupla de TCC, Ana Letícia, obrigada pela parceria, pelo carinho, por ter me ajudado em todos os momentos, por termos descoberto uma bela amizade nesse percurso, por termos conseguido achar o nosso equilíbrio, o nosso “meio-termo” na escrita, nas discussões, e no trabalho como um todo, por conseguirmos levar do início ao fim esse trabalho em harmonia, descobrindo que nos complementamos em nossas diferenças. À minha dupla maravilhosa Carla, agradeço pelo companheirismo nesses meses de trabalho juntas. Por vários momentos sua amizade e carinho foram cruciais e por esse motivo, muito obrigada. Descobrimos ao longo desse período que trabalhando juntas conseguimos ser muito melhores do que se estivéssemos sozinhas nessa caminhada! Afinidades compartilhadas, diferenças vencidas, parceria constante! Orgulho-me muito por ter tido alguém como você ao meu lado para a concretização dessa meta. A todos que contribuíram para a realização deste trabalho, o nosso muito obrigada! RESUMO O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Observando o aumento do número de idosos nas últimas décadas, faz-se necessário conhecer melhor o perfil desta população. Dentro desse contexto, a autopercepção de saúde e dos aspectos inerentes a mesma constituem-se em importantes indicadores de saúde, já que predizem o declínio funcional e refletem os diferentes aspectos dos estilos de vida. O objetivo do estudo foi verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva e a ocorrência de quedas em idosos do município de Juiz de Fora. Estudo de delineamento transversal, no qual foi utilizado parte do banco de dados pertencente ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG. A amostra foi composta por 324 idosos (60 anos ou mais), de ambos os sexos, não institucionalizados e residentes da Zona Norte do município. Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 14.0. Através da análise descritiva foram observadas as frequências das variáveis de interesse. Foi utilizado o Teste Qui-quadrado (χ²), para a análise da existência de associação entre a ocorrência de queda e uso de dispositivos visual e auditivo, e o Teste de Mann Whitney para verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva com a ocorrência de quedas. O nível de significância adotado foi de 5%. A maior parte dos indivíduos, 54,1%, classificaram a própria saúde como regular ou ruim; com relação à autopercepção visual e auditiva, 60,2% e 30,9% dos idosos classificaram-nas respectivamente como sendo regular ou ruim. Além disso, 80,2% e 4% desta população informaram usar dispositivos para correção de déficits visuais e auditivos, respectivamente. Não foi encontrada significância estatística entre uso de óculos (p=0,613) e aparelho auditivo (p=1,000) e a ocorrência de quedas. A percepção visual foi melhor no grupo que não sofreu queda (p= 0,017) e não houve relação entre percepção auditiva e a variável desfecho (p= 0,897). Aprofundar o conhecimento sobre as relações entre autopercepção de saúde e sensorial e a ocorrência de quedas pode contribuir para o planejamento de ações de saúde que visem a promoção do envelhecimento saudável e manutenção da capacidade funcional dos idosos. Palavras chaves: idoso, auto-avaliação, transtornos da visão, transtornos da audição e acidentes por quedas. ABSTRACT The population aging is a worldwide phenomenon. Noting the increase of the number of elderly in the last decades it is necessary to know more about the profile of this population. Inside this context, self-perception of health and its aspects are important health indicators, predicting functional decline and reflect different aspects of lifestyle. The aim of this study was verify the relationship between visual and hearing selfperception and the occurrence of falls in the elderly in the city of Juiz de Fora. Crosssectional study, which was utilized in part of the database belong to the project “Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG”. The sample was composed of 324 elderly (60 years or more) of both genders, and non-institutionalized residents of the northern region of the municipality. The data were analyzed using the statistical program Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 14.0. Through descriptive analysis was observed frequencies of the possible association between the occurrence of falls and use of visual and hearing devices, and Mann Whitney test to verify the relationship between visual and hearing self-perception whit the occurrence of falls. The level of significance was 5%. The majority of the individuals, 54.1% classified their health as regular or bad; with respect to visual and hearing self-perception, 60.2% and 30.9% of elderly classified them respectively as regular or bad. Moreover, 80.2% and 4% of the population reported using devices for correction of visual and hearing deficits, respectively. The use of glasses (p =0.613) or hearing instrument (p = 1.000) not show statistical difference with occurrence of falls. Visual perception was better in the group that not had a fall (p = 0.017) and no relationship was detected between hearing perception and the outcome variable (p = 0.897). More insight into the relationship between self-perception of health and sensory and the occurrence of falls can contribute to the planning of health actions for the promotion healthy aging and maintenance of functional capacity of the elderly. Keywords: Elderly, Accidental Falls. Self-Assessment, Vision Disorders, Hearing Disorders and LISTA DE TABELAS TABELA 1. Classificação da amostra, segundo critério de exclusão e condição de respondente do estudo de 462 indivíduos. Juiz de Fora, MG, 2010..........................33 TABELA 2. Características demográficas e socioeconômicas de 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 .........................................................................................................39 TABELA 3. Perfil de Saúde dos 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 ......................40 TABELA 4. Associação entre uso de dispositivos visual e auditivo e ocorrência de quedas. Juiz de Fora, MG, 2010 .............................................................................42 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABEP Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa ABVD Atividades Básicas de Vida Diária AIVD Atividades Instrumentais de Vida Diária CIF Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística MEEM Mini Exame do Estado Mental OMS Organização Mundial da Saúde SNC Sistema Nervoso Central TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................13 2 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................16 2.1 Envelhecimento Populacional ........................................................................16 2.2 Envelhecimento Humano ...............................................................................19 2.2.1Déficits sensoriais (visual e auditivo) ...............................................................21 2.3 Auto-percepção de Saúde do Idoso ................................................................24 2.4 Capacidade Funcional ......................................................................................26 2.5 Quedas ...............................................................................................................27 3 OBJETIVOS ...........................................................................................................30 3.1 Objetivo geral ....................................................................................................30 3.2 Objetivos específicos .......................................................................................30 4 METODOLOGIA ....................................................................................................31 4.1 Delineamento do estudo ..................................................................................31 4.2 Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG .................................31 4.3 Amostragem e população ................................................................................31 4.4 Variáveis do estudo ..........................................................................................33 4.4.1 Variável dependente ........................................................................................33 4.4.2 Variáveis independentes ..................................................................................33 4.5 Coleta de dados .................................................................................................34 4.6 Instrumentos de coleta de dados ....................................................................35 4.6.1 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) ...........................................................35 4.6.2 Questionário semi-estruturado .........................................................................36 4.6.3 Escalas para avaliação da capacidade funcional ............................................37 4.7 Análise dos dados ............................................................................................38 5 RESULTADOS ......................................................................................................39 6 DISCUSSÃO ..........................................................................................................43 7 CONCLUSÃO.........................................................................................................46 REFERÊNCIAS ........................................................................................................47 ANEXOS ...................................................................................................................55 13 1. INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional vem se configurando como um fenômeno mundial, sendo nos países em desenvolvimento um processo acelerado e desordenado, o que o caracteriza como um problema de saúde pública (VERAS, 2007; KALACHE, 2008). O envelhecimento da população brasileira desenha-se entre os anos 40 aos 60 do século XX quando ocorre um declínio das taxas de natalidade e fecundidade, diminuição da taxa de mortalidade e aumento da expectativa de vida; a estrutura etária com formato até então piramidal em sua base, passa a se desenhar no futuro, retangular, indicando o rápido processo de envelhecimento no Brasil (CARVALHO e WONG, 2008). Na década de 60, o Brasil possuía um número de idosos próximo a 3 milhões, passando para 7 milhões em 1975, e em 2008 eram 20 milhões, a estimativa para 2020 é de que a população idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas, representando 13% do total da população, dando ao Brasil a sexta colocação na lista de países do mundo com o maior número de idosos (VERAS, 2009). Aliada a transição demográfica, ocorrem ainda as mudanças no perfil epidemiológico do país, que podem ocasionar aumento da demanda e sobrecarga dos serviços de saúde disponíveis à população. Assim, os desafios se darão na adequação de sistemas previdenciários e de novos modelos assistenciais (CARVALHO e GARCIA, 2003; SCHRAMM et al., 2004; VERAS, 2007). Constatando-se o aumento da população idosa, torna-se necessário o conhecimento à cerca das implicações advindas com o processo de envelhecimento humano, que é marcado por alterações biológicas e funcionais, que ocorrem de forma progressiva, dinâmica e heterogênea. Diversas condições crônicas se adicionam ao desgaste de sistemas corporais afetando de maneira significativa a capacidade funcional dos indivíduos (CARVALHO FILHO, 2006; SILVA et al.,2010). Mudanças em sistemas sensoriais, como o visual e auditivo decorrentes do envelhecimento, acarretam prejuízos na qualidade de vida do idoso. Devido à importância do sistema auditivo para o processo de comunicação oral, o declínio dessa função repercute em problemas no âmbito social para o geronte, uma vez que a interação com outras pessoas e com o meio estará prejudicada (MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; MATTOS e VERAS, 2007). Além disso, o comprometimento da audição pode levar a alteração no componente sensorial do 14 sistema vestibular o que leva a diminuição da detecção dos movimentos cefálicos e orientações no espaço, causando prejuízo no equilíbrio e na marcha, o que acaba predispondo o idoso a quedas (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006). A literatura aponta que a presença de déficits visuais torna os indivíduos mais propensos a instabilidades posturais e a quedas (WADE e JONES, 1997; LEE e SCUDDS, 2003; KULMALA, et al., 2008; MACEDO et al., 2008). Os distúrbios visuais comumente encontrados na população idosa acarretam ainda menor comunicação visual, dificuldades emocionais, maior dependência e restrições de mobilidade (PERRACINI E GAZZOLA, 2009). Idosos com alterações auditivas e visuais tornam-se menos atentos e isolados socialmente, o que interfere diretamente em sua qualidade de vida podendo acarretar incapacidades funcionais, depressão e quedas (LIMA, 2007; MACEDO et al., 2008). Dentro desse contexto, a auto-avaliação da saúde tem sido amplamente utilizada em pesquisas, uma vez que explora e identifica fatores determinantes na mortalidade e no declínio funcional dos idosos, além de ser considerado um método confiável para tais estudos (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; ALVES e RODRIGUES, 2005). A saúde é entendida pelos idosos como ter autonomia no exercício de competências funcionais demandadas pela sociedade. Ao definir sua saúde como boa ou razoável, o idoso não se caracteriza como pessoa livre de doenças, mas como sujeito capaz de agir sobre o meio em que vive (FONSECA, et al. 2010). Vários fatores relacionados ao processo de senescência e/ou senilidade podem culminar na ocorrência do evento queda. Na população idosa, este é um grave problema de saúde pública e de relevada importância, pois pode ser incapacitante e repercutir diretamente na qualidade de vida do idoso. Entre os diversos impactos trazidos pelas quedas, podemos citar: presença de morbidades, deterioração funcional, hospitalização, institucionalização, consumo dos serviços sociais e de saúde, altos custos econômicos e até mesmo a mortalidade. É comum a ocorrência de multimorbidades e reincidências de quedas, o que amplifica os impactos relatados (SIQUEIRA et al, 2007; RIBEIRO et al, 2008; GONÇALVES et al., 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010; SILVA, RICCI e COIMBRA et al., 2010). Estudos transversais constituem-se como importantes instrumentos de investigação de problemas de saúde pública e identificação de características sobre as quais se podem intervir. Permitem também a determinação de prevalências e 15 fatores associados às variáveis exploradas. Portanto, são ferramentas úteis para o planejamento de estratégias de prevenção e promoção de saúde, assim como para a racionalização de recursos destinados à saúde (MEDRONHO, 2009; LIMA-COSTA e BARRETO, 2003). A partir do exposto, torna-se evidente a grande importância de aprofundar o conhecimento à cerca da autopercepção de saúde e dos sistemas visual e auditivo, assim como observar a influência dos déficits sensoriais na ocorrência de quedas na população idosa. A elucidação de fatores que podem estar relacionados à queda é fundamental para o estudo da saúde deste grupo etário e para o direcionamento de planejamento e práticas de prevenção e promoção da saúde. 16 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Envelhecimento Populacional O aumento da expectativa de vida é uma realidade de várias sociedades e que necessita vir acompanhada também por qualidade de vida. Sendo assim, é imprescindível uma maior atenção às questões relacionadas ao processo de envelhecimento e à compreensão desse contingente populacional (ASSIS, 2005; VERAS, 2009). O envelhecimento populacional é um fenômeno observado mundialmente, que se refere à mudança na estrutura etária da população, produzindo um aumento no peso relativo de pessoas acima de uma determinada idade definidora da velhice. A escolha dessa idade pode variar de acordo com as diferentes sociedades e sofre influência de fatores biológicos, sociais, econômicos, ambientais, científicos e culturais (CARVALHO e GARCIA, 2003). A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como idoso o indivíduo acima de 60 anos em países em desenvolvimento e acima de 65 anos em países desenvolvidos (BRASIL, 2002). O processo de envelhecimento populacional iniciou-se na Europa Ocidental, espalhando-se no século passado pelos países desenvolvidos e somente nas últimas décadas tornou-se uma realidade de vários países em desenvolvimento. Porém, nestes, o processo não ocorre de forma equivalente, apresenta-se desorganizado, acelerado e abrupto. (CARVALHO e GARCIA, 2003; VERAS, 2009). Em concordância com o processo de envelhecimento mundial, sobretudo nos moldes dos países de Terceiro Mundo, no Brasil ocorre uma rápida e radical mudança na estrutura etária de sua população, de 1970 a 2000 a proporção de idosos cresce 69%, passando de 5,1 para 8,6% (CARVALHO e GARCIA, 2003), e segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) essa proporção chega a 11% em 2011. Em algumas projeções é esperado que o Brasil em 2020 seja o sexto país do mundo em número de idosos, alcançando um número superior a 30 milhões de idosos. Tal fato implicará em novos desafios com relação às mudanças na estrutura social, cuidados relacionados à saúde, reorganização de sistemas previdenciários e adequação de novos modelos assistenciais (CARVALHO e GARCIA, 2003; VERAS, 2007; VERAS, 2009). 17 Anualmente são inseridos aproximadamente 650 mil idosos à população brasileira, sendo que a maior parte está exposta a doenças crônicas e/ou limitações funcionais, demandando maiores cuidados e com tendência a sobrecarga dos sistemas de saúde (VERAS, 2009). A partir do exposto, torna-se imprescindível o conhecimento a cerca dos atores que compõe o processo de envelhecimento populacional, bem como as transições demográfica e epidemiológica. Entre os anos 40 e 60 do século XX começa a ser esboçado o envelhecimento da população brasileira. Nesse período ocorreu um leve declínio da fecundidade e queda da mortalidade, não levando, a princípio, a um impacto significativo na estrutura etária, apenas no crescimento populacional. O início do estreitamento da base da pirâmide etária começa com o declínio sustentado da fecundidade e diminuição anual do número de nascidos vivos em conjunto com a queda da mortalidade em indivíduos com idade avançada (CARVALHO e GARCIA, 2003). A estrutura etária com formato até então piramidal, passa a se desenhar no futuro, de forma retangular, indicando o rápido processo de envelhecimento no Brasil (CARVALHO e WONG, 2008). O processo de urbanização no Brasil iniciado na década de 40 estendeu-se até década de 70. Neste período, ações médico-sanitaristas, políticas urbanas de saúde pública, ampliação e desenvolvimento tecnológico da atenção médica na rede pública, levaram ao rápido declínio das taxas de mortalidade e posterior queda de fecundidade no país, ressaltando-se que esse processo de queda da mortalidade não ocorre de forma equitativa em todas as regiões e classes sociais do Brasil (CARVALHO e GARCIA, 2003; CHAIMOWICZ,1997). A partir da década de 70 inicia-se um processo rápido de desestabilização da estrutura etária brasileira visível, sobretudo nas idades extremas, com diminuição do número de indivíduos menores de 15 anos e aumento crescente do peso relativo entre indivíduos maiores de 65 anos, durante toda a primeira metade deste século (CARVALHO e WONG, 2008). Esse quadro de baixas fecundidade e mortalidade traduz-se numa elevação da expectativa de vida média da população e do número de pessoas com idade avançada (RAMOS, VERAS e KALACHE, 1987). Observamos a confirmação deste fato a partir dos dados fornecidos pela Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE em 2004, onde a expectativa de vida do brasileiro de ambos os sexos era de 62,6 em 1980, passa a 71,3 em 2003 e chega a 72,57 anos em 2007 (IBGE, 2008). 18 Entre os anos de 1997 e 2007 houve um crescimento de 47,8% do número de pessoas na faixa etária de 60 anos alcançando os 65% na faixa etária de 80 anos ou mais, contrastando com o aumento da população brasileira que foi de 21,6%. Em 2007 observa-se que a região Sudeste comportava quase metade da população idosa do país, totalizando 9,4 milhões de pessoas e aproximadamente 2,2 milhões concentrados no Estado de Minas Gerais (IBGE, 2008a). Do início da década de 90 até o ano 2000 a população idosa aumentou aproximadamente 4 milhões. É importante ressaltar que no início da década referida o número de mulheres idosas passou de 54% para 55,1% em 2000, caracterizando também um processo de feminização desta população (BRASIL, 2002). A rapidez com que as mudanças no perfil demográfico brasileiro foram processadas modificou a incidência e prevalência das doenças na população. Ao passo que somada a mudança na estrutura etária, o perfil de morbimortalidade foi alterado, apontando assim para uma correlação entre os processos de transição demográfica e epidemiológica (CHAIMOWICZ, 1997; SCHRAMM et al, 2004). A transição epidemiológica é definida por alterações observadas ao longo do tempo nas características do perfil de mortalidade e morbidade em determinada população, ocorrendo concomitantemente às mudanças demográficas, econômicas e sociais. Tal processo inclui mudanças como a inserção de doenças crônicodegenerativas e fatores externos como maiores causas de morbimortalidade em detrimento das doenças infecciosas e parasitárias, maior carga de morbimortalidade entre a população de maior idade e um cenário de predomínio da morbidade e não mais da mortalidade (SCHRAMM et al, 2004). No Brasil, a transição epidemiológica configura-se de maneira peculiar, diferente do ocorrido em outros países. Observa-se sobreposição das etapas de transição, na qual persistem algumas doenças transmissíveis juntamente com o crescente aumento das doenças não-transmissíveis; permanece a ocorrência de doenças de percurso agudo como dengue, cólera e o agravamento em alguns estados de doenças como malária, hanseníase e leishmaniose aliada às altas taxas de afecções crônicas. Além disso, as causas externas vêm se configurando de forma crescente no cenário de morbimortalidade, reflexo de questões atuais da sociedade, como violência e abuso de drogas. Assim, o processo de transição pode ser definido como prolongado ou ainda intermediário, sendo marcado também por diferenças entre as diversas regiões brasileiras (PRATA, 1992; TEIXEIRA, 2004; SCHRAMM et al, 2004; LEBRÃO, 2007). 19 Segundo Schramm e colaboradores (2004), 66,3% da carga de doenças no Brasil são de natureza crônico-degenerativa, 23,5% correspondem às doenças infecciosas e 10,2% às causas externas. É importante ressaltar que as afecções crônicas atingem principalmente a faixa etária dos idosos, implicando em tratamentos duradouros e consequente aumento dos gastos destinados à saúde (TEIXEIRA, 2004; SCHRAMM et al, 2004). O aumento das afecções não-transmissíveis apresenta-se como uma tendência mundial e a implementação de ações preventivas tem sido um grande desafio no âmbito da saúde pública. No Brasil há uma dificuldade maior, uma vez que, além de desenvolver estratégias de prevenção, é necessário o combate e controle das doenças infecciosas ainda persistentes (SCHRAMM et al, 2004). Diante do aumento da população idosa, das transformações demográficas e epidemiológicas que as cercam e as consequências das mesmas, torna-se necessário o conhecimento sobre os aspectos que envolvem o envelhecimento humano e as alterações esperadas para essa população. 2.2 Envelhecimento Humano O envelhecimento fisiológico é um processo complexo, que envolve muitas variáveis, como genética, estilo de vida, aspectos psicológicos e emocionais, presença ou ausência de doenças crônicas e outros (RAMOS, 2003; CARVALHO FILHO, 2006; SILVA et al., 2010). Tal processo caracteriza-se por alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais, aliadas a passagem do tempo, que ocorrem de maneira progressiva, dinâmica e heterogênea, acarretando dificuldade de manutenção da homeostase, principalmente em situações de sobrecarga (CARVALHO FILHO, 2006; SILVA et al., 2010). As funções neurológica, cardíaca, pulmonar, musculoesquelética e sensorial encontram-se comprometidas devido às mudanças advindas da senescência (SILVA et al, 2010). O processo de envelhecimento é marcado por uma característica relevante que é o declínio da capacidade funcional. Força, equilíbrio, flexibilidade, agilidade e coordenação motora constituem variáveis afetadas diretamente por alterações neurológicas e musculares. O comprometimento no desempenho neuromuscular, evidenciado por paresia, incoordenação motora, lentidão e fadiga 20 muscular, constitui um aspecto marcante (BACHIN et al, 2006) . O desequilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea, que propicia o aparecimento de osteopenia e osteoporose, potencializa o risco de incapacidade na população idosa (PANSA et al, 2007). Ainda em relação ao déficit do sistema músculoesquelético, observam-se efeitos deletérios significantes e associativos sobre a eficiência em outros sistemas, como o respiratório e o sensorial (MEIRELES et al, 2008). Ocorre uma diminuição gradativa de massa e força muscular, que associada ao envelhecimento é conhecida por sarcopenia, fenômeno esse de origem multifatorial (BERNARDI, REIS e LOPES, 2008). Algumas alterações próprias do envelhecimento podem levar a esse quadro, como alteração das fibras musculares que com o avançar da idade perdem qualidade em sua conformação e alterações neurológicas que predizem déficit da condução nervosa, levando a perda da efetividade dos mecanismos de equilíbrio (PAIXÃO JÚNIOR e HECKMAN, 2006). Associam-se a esse processo alterações posturais, como: anteriorização da cabeça, protrusão dos ombros, aumento da cifose torácica, retificação lombar, tendência a ptose abdominal e flexo de joelhos. Essas mudanças ocasionam alteração do centro de gravidade e interferem diretamente no equilíbrio do indivíduo. O envelhecimento humano provoca ainda mudanças na marcha, que incluem diminuição da velocidade, balanço reduzido de membros superiores, diminuição da tríplice flexão dos membros inferiores, aumento da base de suporte durante o duplo apoio e redução do comprimento e altura do passo e passada (PAIXÃO JÚNIOR e HECKMAN, 2006; SILVA et al, 2010). As alterações de postura, equilíbrio e marcha constituem-se como distúrbios altamente prevalentes na população idosa e colaboram para o aumento do risco de quedas, dependência e institucionalização (SILVA et al, 2010). Contribuem também para esses distúrbios os déficits visuais e auditivos, que são importantes elementos envolvidos no sistema de controle postural (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008). O idoso passa por modificações que podem prejudicar seu desempenho, seja nas tarefas básicas ou em atividades mais complexas (BEAR, COMMORS e PARADISO 2002) . Sendo assim, torna-se importante aprofundar o conhecimento sobre algumas alterações fisiológicas que interferem diretamente na vida desses indivíduos, particularmente em relação ao sistema sensorial, uma vez que essas podem 21 propiciar dependência funcional e exclusão social (MATOS e VERAS, 2007; MACEDO et al, 2008). 2.2.1 Déficits sensoriais (visual e auditivo) A manutenção do equilíbrio humano é uma tarefa complexa. Inicia-se com as informações que o corpo recebe do meio, depende do processamento dos sistemas sensoriais e também das vias efetoras. Com o avançar da idade, a regulação do processamento dos sistemas sensoriais sofre alterações senescentes e algumas vezes patológicas, predispondo o idoso ao desequilíbrio corporal e a quedas (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008). O processo de controle postural inicia-se pela orientação com relação a informações sobre a localização do corpo e sua trajetória no espaço. Essas informações são fornecidas pelo sistema sensorial e encaminhadas ao sistema nervoso central (SNC), que por sua vez irá processar e regular as informações a tempo para ação estabilizadora, resultando no controle e alinhamento postural (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; LIMA, 2007). A efetividade no desempenho dos sistemas sensoriais no envio de informações adequadas para o SNC pode estar comprometida pela presença de doenças, uso de medicamentos e pelo processo senescente (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008). Modificações nos sistemas sensoriais, como o visual, auditivo e vestibular, decorrentes do envelhecimento, acarretam prejuízos na qualidade de vida do idoso, tornando-o mais propenso a quedas e às injúrias decorrentes deste evento (WADE e JONES, 1997; LEE e SCUDDS, 2003; MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; LIMA, 2007; MATTOS e VERAS, 2007; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008). O sistema vestibular funciona em conjunto com os sistemas visual e auditivo para a manutenção postural. Auxilia quando informações visuais e auditivas fornecem estímulos imprecisos, como no caso de um campo visual em movimento. Nessas ocasiões, o sistema vestibular responde com agilidade rejeitando estas informações conflitantes para manter o controle postural. Com o avançar da idade, ocorre uma perda rápida e progressiva de células nestes sistemas e alterações no sistema vestibular causam vertigens, náuseas e tontura, que podem ser originadas 22 por medicamentos, doenças infecciosas e também pelo declínio funcional advindo do envelhecimento (PAIXÃO e HECKMAN, 2006; LIMA, 2007; TOLEDO, 2008). A literatura aponta que o controle do equilíbrio parece mais reduzido naqueles idosos com déficits visuais. A visão não é só responsável pela informação do ambiente mais também para guiar o movimento do corpo. Tem importante papel na manutenção da estabilidade postural de adultos idosos, particularmente em situações mais desafiadoras (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008;) O sistema visual envia informações ao SNC acerca da posição, orientação do corpo e suas partes no espaço e de objetos no meio externo tanto nos eixos verticais quanto horizontais. As informações visuais que são encaminhadas ao SNC podem ser de origem periférica, que se refere à capacidade de visualizar campos laterais enquanto se olha para frente, e de origem central, que permite a visualização de uma área menor (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al, 2008). Em virtude dos processos senescentes, o sistema visual apresenta algumas alterações, como: redução da acuidade visual, da sensibilidade ao contraste, da percepção de profundidade e da adaptação em ambientes escuros. Além disso, há também uma diminuição na capacidade de detectar mudanças de direção do fluxo óptico (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al, 2008). O sistema visual é responsável por fornecer as informações necessárias para que o corpo processe e reorganize seus mecanismos de controle (MENEZES e BACHION, 2008). Tais modificações comumente encontradas na população idosa acarretam menor comunicação visual; maior dependência e restrições de mobilidade; aumento da susceptibilidade a traumas e dificuldades emocionais; dificuldade em perceber pisos diferentes, desníveis e obstáculos, que em conjunto com alterações musculoesqueléticas levam a diminuição da capacidade de resposta imediata a esses eventos, e consequente aumento do risco de quedas (MATTOS e VERAS, 2007; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al, 2008; PERRACINI E GAZZOLA, 2009). Além disso, a sobreposição de alterações na visão aliada a fatores ambientais desfavoráveis pode aumentar a probabilidade de ocorrência deste evento (PERRACINI e RAMOS, 2002; MENEZES e BACHION, 2008). A perda auditiva relacionada à idade, também denominada presbiacusia, é causada pela degeneração coclear, que leva ao déficit da percepção auditiva de altas frequências. Tal degeneração ocorre de maneira simétrica, progressiva e com 23 grau de severidade variável nos indivíduos. Pode estar associada a zumbidos, trazendo grande incômodo para o indivíduo (PINZAN-FARIA e IORIO, 2004). Devido à importância deste sistema para o processo de comunicação oral, o declínio dessa função repercute em problemas no âmbito social para o geronte, uma vez que a interação com outras pessoas e com o meio estará prejudicada, o que pode desencadear processo depressivo (MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007). A sensibilidade auditiva de baixa frequência permanece inalterada na maior parte dos idosos, porém a de alta frequência apresenta-se mais prejudicada. A alta frequência permite a distinção entre as consoantes e quando alterada, o indivíduo consegue ouvir, no entanto há dificuldade de entender a informação (PINZAN-FARIA e IORIO, 2004). Uma boa audição permite ouvir, entender, trocar informações, idéias, demonstrar desejos, além de servir como sinal de alerta para a localização de sons e maior atenção ao meio externo. Idosos com alterações auditivas são frequentemente rotulados como confusos, desorientados, distraídos, não comunicativos e não colaboradores, levando-os ao isolamento social com repercussões significativas na qualidade de vida (PINZAN-FARIA e IORIO, 2004; MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007). Além disso, o comprometimento da audição pode levar a alteração no componente sensorial do sistema vestibular, que leva a diminuição da detecção dos movimentos cefálicos e orientações no espaço, causando prejuízo no equilíbrio e na marcha e aumento o risco de quedas (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006). Idosos com alterações auditivas e visuais perdem a capacidade de ajuste e controle postural, há diminuição da capacidade de reorganização do corpo no espaço e da percepção da posição de desníveis e obstáculos, tornando-os mais predispostos a quadros de instabilidade. Além disso, tornam-se menos atentos, podendo apresentar declínio do contato social e da qualidade de vida, consequentemente ficam mais vulneráveis a incapacidades funcionais, depressão, quedas e institucionalização (LIMA, 2007; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al., 2008). Todavia, sabe-se que uma velhice saudável também pode vir acompanhada de déficits sensoriais, desde que dispositivos auxiliares de correção sejam utilizados na tentativa de minimizar os prejuízos funcionais existentes. Entretanto, indivíduos com idade avançada costumam apresentar certa resistência ao uso e dificuldade de 24 adaptação a esses dispositivos, o que acaba levando à utilização incorreta ou ao abandono do instrumento de correção (NUNES et al, 2010). 2.3 Autopercepção de Saúde do Idoso A autoavaliação da saúde é um dos indicadores mais usados em pesquisas gerontológicas, porque prediz de forma robusta e consistente a mortalidade e o declínio funcional do idoso (LIMA-COSTA, 2004). Frequentemente é determinada por meio de uma simples pergunta: “De uma maneira geral, como o Sr. (a) considera a sua saúde?” ou equivalente (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; LIMACOSTA, FILHO e MATOS, 2007; FONSECA et al., 2010). Embora mensurar o estado de saúde seja bastante difícil, já que engloba diversos aspectos da vida do indivíduo, a autopercepção de saúde tem se mostrado um método confiável e, recentemente, mais utilizado do que a observação direta para análise desse aspecto (ALVES e RODRIGUES, 2005). Uma série de aspectos subjetivos está envolvida na classificação que o idoso denota para sua saúde, como: sexo, idade, renda, escolaridade, arranjo familiar, estado civil, presença e ou número elevado de doenças crônicas. A percepção de saúde também é dependente da rede social e do acesso e uso dos serviços de saúde. Portanto, em avaliações destinadas ao idoso, torna-se importante a análise desses aspectos (ALVES e RODRIGUES, 2005; MACIEL e GUERRA, 2007; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010; FONSECA et al, 2010). Um dos fatores importantes no entendimento do idoso acerca da autopercepção de saúde é a autonomia no exercício de competências funcionais demandadas pela sociedade, tais como capacidade de responder às obrigações familiares e de desempenhar papéis sociais. Ao definir sua saúde como boa ou razoável, o idoso não se caracteriza apenas como pessoa livre de doenças, mas como sujeito capaz de agir sobre o ambiente em que vive (FONSECA et al. 2010). A autopercepção de saúde extrapola a avaliação biológica do ser arguído, uma vez que abrange também aspectos psicológicos e sociais, trazendo assim uma visão global do indivíduo (LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007). Contudo, o idoso pode apresentar informações equivocadas ao ser questionado sobre sua avaliação de saúde, isto porque alguns fatores como déficits de memória e cognição podem 25 interferir na habilidade de relembrar e informar corretamente a respeito do assunto. Em alguns casos, o medo de institucionalização fará com que o sujeito interrogado superestime sua própria condição de saúde, ou ainda busque demonstrar maior independência do que realmente apresenta (ALVES e RODRIGUES, 2005). Dentro desse panorama de subjetividade da autopercepção de saúde do idoso, sobretudo dos sistemas visual e auditivo, existem também outros fatores condicionais como: ambientais, socioeconômicos e culturais que podem levar o idoso a subestimar ou superestimar a percepção a cerca destes sistemas. Ademais, o uso de dispositivos para correção de déficits visuais e auditivos também podem mascarar a deficiência apresentada pelo indivíduo e fazer com que seu relato esteja a quem de sua real capacidade (JARDIM, BARRETO e GIATTI, 2010; MACEDO et al., 2008; MENEZES E BACHION, 2008; VERAS, 2007). Outra questão com relação à autopercepção tanto da saúde como de sistemas sensoriais, visual e auditivo, é que muitas vezes os processos de deficiência ou condições de saúde encontram-se controlados ou pelo uso de medicação ou pelo uso de dispositivos para correção. Uma vez que tais processos estão controlados, os indivíduos tornam-se adaptados ao meio e não apresentam limitações. Assim, o indivíduo pode apresentar uma ou mais condições crônicas de saúde e demonstrar uma visão positiva na sua autoavaliação (LIMA, 2007; BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007; NUNES et al, 2010). A autoavaliação é utilizada em muitos estudos epidemiológicos como indicador de saúde, em particular nos inquéritos, e em muitos destes o idoso participante da pesquisa pode não estar apto a responder questões referentes à sua própria saúde, sendo necessária a participação de outro informante (proxy), apesar de algumas pesquisas abordarem questões pessoais e subjetivas (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007). Alguns estudos apontam diferenças importantes entre a avaliação de saúde feita pelo próprio idoso e por um proxy. Ao ser indagado a respeito da sua condição de saúde, se estiver insatisfeito com a mesma, o idoso tende a enfatizar suas restrições ou incapacidade de realizar atividades da vida diária, enquanto o informante secundário tende a ressaltar a presença e ou o número de doenças crônicas. Além disso, quando o informante secundário apresenta uma avaliação negativa de sua saúde há maior chance que esse relate a saúde do idoso da mesma forma, ou seja, subestimando-a. Assim, informações autorrelatadas refletem melhor 26 a condição de saúde do indivíduo do que as relatadas por um proxy (JARDIM, BARRETO e GIATTI, 2010). É importante destacar a relevante influência da capacidade funcional na autopercepção do idoso com relação à sua saúde. Indivíduos dependentes em alguma atividade apresentam avaliação negativa da saúde. Logo, a capacidade funcional torna-se uma condição determinante para o geronte, que a interpreta como sendo parte fundamental para alcançar uma saúde plena (RAMOS, 2003; ALVES e RODRIGUES, 2005). 2.4 Capacidade Funcional Capacidade funcional pode ser defendida como a capacidade de se manter as habilidades físicas e mentais essenciais para se ter uma vida independente e autônoma. Trata-se de um conceito importante para o entendimento de como as pessoas vivem os anos adicionais de vida ganhos com o aumento da longevidade (ALVES et al., 2007; PARAHYBA, VERAS e MELZER, 2005; VERAS, 2009). A incapacidade funcional é entendida como a limitação física ou mental para a realização de atividades de vida diária necessárias para a independência do indivíduo na comunidade. Durante o processo senescente do envelhecimento ocorre uma série de alterações fisiológicas que somadas ao acúmulo de doenças crônicodegenerativas, podem ser responsáveis pelo surgimento de algumas destas limitações. Ressaltando que estas doenças atualmente não representam significância extrema somente por sua presença no contexto de saúde dos idosos, pois outro aspecto a ser considerado tem se tornado relevante: a preservação da capacidade funcional, pois ela impedirá que o indivíduo esteja restrito na execução de suas funções dentro de sua casa ou no convívio em sociedade (BONARDI, AZEVEDO e MORAES, 2007; LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007; VERAS, 2009; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010). Inúmeros fatores são descritos como contribuintes para o aumento do risco de perda da capacidade funcional, incluindo socioeconômicos, demográficos e os relacionados à condição de saúde do indivíduo. São eles: idade avançada, ser do sexo feminino (e ter mais de um desses fatores associados), alterações de equilíbrio e mobilidade, presença de patologias, depressão, visão e audição comprometidas, 27 déficit cognitivo e episódios de quedas (BONARDI, AZEVEDO e MORAES, 2007; FIEDLER E PERES, 2008; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010; NUNES et al, 2010). A capacidade funcional pode ser investigada através de instrumentos específicos que avaliam a habilidade relatada do idoso na execução de atividades básicas de vida diária (ABVD) ou atividades instrumentais de vida diária (AIVD). Além dessas, as medidas de mobilidade também podem compor a avaliação da capacidade funcional (BONARDI, AZEVEDO e MORAES, 2007; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010; NUNES et al, 2010). A incapacidade funcional está atrelada ao risco de mortalidade, à necessidade de cuidados prolongados e a internações hospitalares, demandando altos custos aos setores públicos de saúde e também sociais. Dessa forma, a capacidade funcional surge como um novo paradigma de saúde, sendo peça chave de qualquer intervenção, tratamento ou política destinada ao idoso, partindo de uma perspectiva que considera a saúde no seu sentido amplo (RODRIGUES et al, 2008; VERAS, 2009; NUNES et al, 2010). Como instrumento para nortear questões relacionadas à saúde funcional, foi criado pela OMS em 2001 a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Tal instrumento utiliza a multicausalidade e percepção individual do paciente como ponto determinante da sua qualidade de vida, além de servir como alicerce para a elaboração e guia de serviços em saúde que visem a recuperação funcional (ARAÚJO, 2008). 2.5 Quedas Em virtude das alterações senescentes do envelhecimento, o indivíduo passa por uma série de mudanças na postura, equilíbrio e na marcha. Tais alterações podem ainda ser intensificadas em casos de maior exposição a doenças crônicas, levando esse indivíduo à diminuição de sua capacidade física e mental, assim como de sua qualidade de vida, o que o torna mais propenso a ocorrência de um evento que é hoje um dos principais fatores de incapacidade e morbimortalidade dentro desse segmento etário: a queda (SIQUEIRA et al, 2007; GONÇALVES, RICCI e COIMBRA, 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; SILVA et al, 2010). 28 Queda em idosos é considerada um evento acidental, não intencional, recorrente e de natureza multifatorial. Trata-se de um processo resultante da perda total de equilíbrio postural e insuficiência súbita dos mecanismos osteomioarticulares e neurais, essenciais na manutenção da postura (GONÇALVES, RICCI e COIMBRA, 2009; GAI et al, 2010). A queda pode ocorrer através de eventos de natureza intrínseca e extrínseca; a primeira está relacionada a alterações fisiológicas do envelhecimento, doenças e efeitos de medicamentos, e a segunda a circunstâncias sociais e ambientais que oferecem desafios ao idoso. Na maioria dos casos de quedas em idosos há uma junção desses fatores, que apresentam como resultante o comprometimento dos sistemas envolvidos na manutenção do equilíbrio (RIBEIRO et al, 2008). Alguns fatores podem aumentar a probabilidade de ocorrência desse evento como: idade avançada, sexo feminino, função neuromuscular prejudicada, presença de doenças crônicas, imobilidade, história prévia de quedas, déficit cognitivo, polifarmácia, baixa autopercepção de saúde e da condição visual e ou auditiva, presença de ambiente físico inadequado, incapacidade funcional e hipotensão postural. Constatando-se que quanto maior o acúmulo desses fatores, maior o risco de quedas (GANANÇA et al, 2006; MENEZES e BACHION, 2008; GAI et al., 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010). As quedas configuram-se como um grave problema de saúde pública, em consequência da alta frequência com que ocorrem, complicações para a saúde do indivíduo e pelo aumento da demanda com serviços assistenciais e de reabilitação. Além do comprometimento físico, podem ocorrer também problemas emocionais e em casos mais graves acabar sendo fatais (MENEZES e BACHION, 2008; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010). Os principais problemas decorrentes das quedas são: fraturas, lesões na cabeça, ferimentos graves, ansiedade, isolamento social, depressão e o chamado “medo de cair” com consequente restrição de atividades, mobilidade e diminuição da atividade física. Podem também afetar os cuidadores, que após o evento passam a demandar mais tempo no cuidado do indivíduo e necessitar de mudança da sua rotina para adaptação e reabilitação do idoso (CARVALHO e COUTINHO, 2002; COUTINHO, BOLCH e RODRIGUES, 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010). 29 A prevalência de quedas em idosos residentes na comunidade é cerca de 30% (VERAS, 2009). A maioria das quedas ocorre dentro de casa ou em seus arredores durante o desempenho de atividades rotineiras. Sendo que no caso de indivíduos institucionalizados, a frequência com que ocorre a queda torna-se ainda maior (ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GONÇALVES, RICCI e COIMBRA, 2009; GAI et al, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010). 30 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral Verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva com a ocorrência de quedas em idosos do município de Juiz de Fora. 3.2 Objetivos específicos • Caracterizar o perfil dos idosos da amostra estudada. • Descrever a autopercepção de saúde, visual e auditiva dos idosos. • Descrever o uso de dispositivos utilizados para correção de déficit visual e/ou auditivo. • Verificar a associação de dispositivos utilizados para correção de déficit visual e/ou auditivo com a ocorrência de queda. 31 4. METODOLOGIA 4.1 Delineamento do estudo Estudo de delineamento transversal, no qual foi utilizado parte do banco de dados pertencente ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG. 4.2 Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG O projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG1, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora em 20 de outubro de 2009, conforme o Parecer n. 277/2009 (Anexo A). Tratase de um estudo epidemiológico de delineamento transversal, observacional, realizado por meio de inquérito domiciliar na Zona Norte de Juiz de Fora, Minas Gerais, com idosos de 60 anos ou mais de idade, que vivem na comunidade. O objetivo geral desse projeto foi avaliar o status de morbidade, qualidade de vida e utilização de serviços de saúde da população de Juiz de Fora. Além da saúde do idoso, foram contempladas nesse projeto questões relacionadas à saúde maternoinfantil e ao desenvolvimento motor de crianças até 2 anos de idade. 4.3 Amostragem e população Os participantes desta pesquisa foram selecionados por meio de um processo de amostragem aleatória estratificada e conglomerada em múltiplos estágios. As unidades primárias de amostragem foram os setores censitários. Para o sorteio, os setores foram agrupados em estratos definidos de acordo com as UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA. Núcleo de Assessoria Treinamento e Estudos em Saúde. Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora – MG: relatório técnico. Juiz de Fora, 2011. Trabalho não publicado. 1 32 diferentes modalidades de atenção à saúde a qual a população do setor estava inscrita, subdivididos em Atenção Primária (Estratégia de Saúde da Família ou Tradicional); Atenção Secundária e área descoberta. A seleção dos setores censitários foi feita com probabilidades proporcionais ao seu tamanho (população residente segundo dados do Censo Demográfico de 2000) de forma independente em cada estrato, por meio de amostragem sequencial de Poisson (OHLSSON, 1998). No total foram sorteados 22 setores censitários. Para o cálculo amostral, considerou-se a prevalência de idosos que sofreram queda a nível nacional conforme a literatura, estimada em pesquisas realizadas anteriormente como sendo aproximadamente 30% (BRASIL, 2006; PERRACINI e RAMOS, 2002). Além disso, considerou-se 5% de erro máximo desejado para a pesquisa, nível de confiança de 95%, correção para populações finitas, efeito do plano amostral igual a 1,5 (considerando possíveis efeitos de estratificação e conglomeração, conforme o procedimento de seleção adotado) e possíveis perdas por recusa na ordem de 30%. Assim, o tamanho desejado para a amostra foi calculado inicialmente como 601 idosos. A população acessível foi composta de indivíduos com 60 anos ou mais de idade, de ambos os sexos, não institucionalizados, residentes na Zona Norte de Juiz de Fora. Quando o participante não se encontrava em seu domicílio na primeira visita, eram feitas 3 novas tentativas de abordagem em dias e horários distintos a fim de localizá-lo. Não obtendo sucesso nestas tentativas, o caso era considerado como perda. Além desta, outras situações também constituíam perdas como mudanças de endereço ou falecimento do idoso. Nos casos em que os indivíduos apresentaram impossibilidade de compreensão e ou resposta ao questionário, foi utilizado outro informante (proxy), que respondeu apenas a variável de desfecho e as relativas às características sociodemográficas. Para rastreamento da capacidade cognitiva do idoso para responder os instrumentos de coleta de dados foi aplicado a priori o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Idosos com pontuação inferior ao limite apontado pela literatura e que não estivessem acompanhados por familiares e ou cuidadores foram excluídos do estudo. Cuidador foi definido como: familiar ou cuidador do idoso, que tivesse 18 anos ou mais de idade e que tivesse no mínimo um ano de convivência com o idoso (BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE, 2010). A amostra total foi composta de 462 indivíduos, sendo que 42 foram excluídos. Dos 420 questionários aplicados, 324 foram respondidos pelo próprio 33 idoso e para os outros (96) foi necessário o uso de outro respondente, devido o quadro sugestivo de comprometimento da capacidade cognitiva apontada pelo MEEM (Tabela 1). Como a literatura aponta que as medidas de auto-avaliação devem ser informadas apenas pelos próprios indivíduos e que há possíveis vieses na respostas obtidas de informante secundário (JARDIM, BARRETO e GIATTI, 2010; FONSECA et al, 2010; JARDIM et al., 2009), analisamos os dados referentes aos 324 questionários respondidos pelo próprio idoso. Tabela 1. Classificação da amostra, segundo critério de exclusão e condição de respondente do estudo de 462 indivíduos. Juiz de Fora, MG, 2010 CONDIÇÃO DE RESPONDENTE DO ESTUDO Frequência Absoluta (N) Frequência Relativa (%) Próprio idoso Outro respondente 324 96 70,1 20,8 Excluído 42 9,1 Classificação Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG 4.4 Variáveis do estudo 4.4.1 Variável dependente • Queda: presença ou não de quedas nos últimos 12 meses; 4.4.2 Variáveis independentes • Idade: idade do idoso em anos completos; • Sexo: feminino ou masculino; • Situação conjugal: solteiro, casado, viúvo, separado, união estável ou outra; • Arranjo domiciliar: referente se o idoso reside só ou acompanhado; • Escolaridade: anos completos de escolaridade; 34 • Nível socioeconômico: categorizado com base em informações coletadas segundo critérios propostos pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) (2010); • Autopercepção da saúde: percepção do idoso em relação à sua própria saúde, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e ruim; • Morbidades referidas: presença de morbidades autorreferidas; • Acuidade visual referida: percepção do idoso em relação à sua acuidade visual, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e ruim; • Uso de óculos ou lente de contato para correção de déficit visual: categorizada em sim ou não; • Acuidade auditiva referida: percepção do idoso em relação à sua acuidade auditiva, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e ruim; • Uso de prótese auditiva para correção de déficit auditivo: categorizada em sim ou não; • Uso de medicamentos: quantidade de medicamentos referidos para uso contínuo. 4.5 Coleta de dados A coleta de dados foi realizada na Zona Norte do município de Juiz de Fora, no período de março a julho de 2010. Os dados foram coletados por pesquisadores de campo, grupo composto por 12 acadêmicos do curso de Fisioterapia da UFJF, que foram selecionados e orientados previamente ao início do estudo. Foram obedecidas as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, em conformidade com o que preconiza a Resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo B) foi lido e assinado, em duas vias, antes de iniciar a entrevista. Os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos do estudo, além de ser assegurado o direito de outros esclarecimentos de dúvidas durante a entrevista sobre a pesquisa, o anonimato e que sua participação poderia ser interrompida a qualquer momento. 35 Com relação ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM) foi analisada a concordância interexaminadores na qual foi verificado um Kappa de 0,885 e concordância percentual de 94,5%. A concordância em outros pontos analisados do questionário foi considerada excelente (>80%). A realização desse teste precedeu a aplicação do questionário e tinha como finalidade detectar possível comprometimento cognitivo do idoso, que poderia determinar a exclusão desse indivíduo da pesquisa ou determinar o uso de outro respondente. Os entrevistadores foram acompanhados, avaliados e reciclados durante todo o período da pesquisa. Além disso, para garantia do controle de qualidade foi realizada a supervisão de campo pelos pesquisadores principais. 4.6 Instrumentos de coleta de dados Instrumentos utilizados (Anexo C): Mini-Exame do Estado Mental (MEEM); um questionário semi-estruturado; Escala para avaliação da capacidade funcional para realização das ABVDs e Escala para avaliação da capacidade funcional para realização das AIVDs. 4.6.1 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) (FOLSTEIN et al, 1975), é uma escala usada mundialmente que permite a avaliação da função cognitiva e o rastreamento de quadros demenciais (LOURENÇO e VERAS, 2006). O MEEM foi traduzido e adaptado para a população brasileira e tem sido utilizado tanto em estudos epidemiológicos quanto em estudos na comunidade e em Instituições de Longa Permanência (BERTOLUCCI et al, 1994; ALMEIDA et al, 1998; LOURENÇO e VERAS, 2006). Trata-se de um instrumento breve e de fácil aplicação, sendo composto por questões que abrangem áreas como: orientação temporoespacial, registro, memória de curto prazo, atenção, cálculo, linguagem e praxia possibilitando uma avaliação 36 concisa do estado mental do indivíduo avaliado. Apresenta boa consistência interna e confiabilidade teste-reteste (DOURADO et al, 2003; DINIZ et al, 2006). O ponto de corte 23/24 tem apresentado alta capacidade de especificidade e discriminação (LOURENÇO e VERAS, 2006). No entanto, alguns estudos demonstraram que é necessário que existam diferentes pontuações, sobretudo em populações de analfabetos, uma vez que o desempenho na escala em questão sofre grande influência da escolaridade do participante. Entretanto não existe ainda nenhum consenso a respeito de qual deve ser esse valor, para que seja efetivamente adotado (ALMEIDA et al, 1998; LAKS et al, 2003; LOURENÇO e VERAS, 2006). Por essa dificuldade em sistematizar um ponto de corte adequado a todas as demandas, neste estudo foi adotado o ponto de corte utilizado pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, que faz o uso desse instrumento para avaliação do indivíduo idoso. A pontuação mínima esperada para idosos com quatro anos ou mais de escolaridade é 25 pontos, e para idosos com menos de quatro anos de escolaridade é 18 pontos. Pontuações inferiores são indicativas de comprometimento cognitivo (MINAS GERAIS, 2008). 4.6.2 Questionário semi-estruturado Trata-se de um instrumento elaborado no Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG. Esse questionário é dividido em três blocos: identificação e características sociodemográficas; questões referentes à saúde do idoso; e questões relacionadas ao histórico de quedas e fraturas decorrentes de quedas (CRUZ, 2011). No primeiro bloco há os seguintes itens: condição de respondente do questionário, idade, sexo, situação conjugal, arranjo domiciliar, escolaridade e nível socioeconômico segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (2010) (Anexo D). A segunda parte do instrumento é composta pelas seguintes questões: autopercepção da saúde; morbidades referidas; acuidade visual e auditiva referidas; uso de óculos ou lente de contato; uso de prótese auditiva; dificuldade e 37 necessidade de ajuda para andar; número de medicamentos referidos para uso contínuo. O terceiro bloco temático é composto por dados relativos ao histórico de quedas nos últimos 12 meses: presença ou ausência de quedas nesse recorte temporal; presença ou ausência de fratura decorrente dessas quedas; local em que ocorreu a queda; local anatômico da fratura; diagnóstico autorreferido de osteoporose; história de fratura sem associação com queda, causas dessa fratura; serviço de saúde e de fisioterapia procurado após a fratura; e orientação sobre prevenção de quedas. 4.6.3 Escalas para avaliação da capacidade funcional A capacidade funcional preservada é um importante indicador de uma velhice saudável, deste modo, torna-se imprescindível a sua avaliação, que normalmente é realizada através de escalas baseadas no autorrelato. Tais instrumentos avaliam o desempenho dos indivíduos em tarefas básicas no domicílio, envolvendo o autocuidado, ou ainda atividades ditas instrumentais, importantes para uma vida independente perante a comunidade (ARAÚJO et al, 2008; LINO et al, 2008; LACERDA et al, 2010). Foram utilizadas a Escala de Katz modificada e a Escala de Lawton e Brody para avaliar atividades básicas de vida diária (ABVD) e atividades instrumentais de vida diária (AIVD), respectivamente (DUARTE, ANDRADE e LEBRÃO, 2007; SANTOS e JÚNIOR, 2008; DEL DUCA, DA SILVA, HALLAL, 2009). Ambos os instrumentos são muito utilizados na literatura para a avaliação da capacidade funcional e são referenciados pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2006a) e pela Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2008) como instrumentos para avaliação da funcionalidade dos idosos. Os pontos de corte adotados estratificam os idosos em diferentes categorias: dependência parcial e dependência (MINAS GERAIS, 2008). independente, 38 4.7 Análise dos dados Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 14.0. As variáveis estudadas foram: idade, sexo, situação conjugal, arranjo domiciliar, escolaridade, nível socioeconômico, percepção do idoso com relação a sua saúde, visão e audição, presença de morbidades referidas, uso de próteses visual e auditiva, uso contínuo de medicamentos e queda. Na análise descritiva foram extraídas as frequências absoluta e relativa das variáveis em questão. Através do Teste Qui-quadrado (χ²), foi obtida a razão de prevalência bruta (RPbruta) para a análise da existência de associação entre a ocorrência de queda e uso de dispositivos visual e auditivo. Além disso, foi utilizado o Teste de Mann Whitney para verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva com a ocorrência de quedas. O nível de significância adotado foi de 5%. 39 5. RESULTADOS A média de idade dos participantes de pesquisa foi 69,75 anos (DP = 6,89), 64,2 % (208/324) eram do sexo feminino e 54,7% (177/324) eram pertencentes ao nível socioeconômico C, segundo critérios da ABEP. Com relação aos anos de escolaridade a média foi 3,92 (DP = 3,40), sendo que 17% (55/324) eram analfabetos. A maior parte da amostra relatou morar acompanhado 86,4 % (280/324) e 52,2% (169/324) eram casados ou viviam em regime de união estável. A Tabela 2 apresenta as variáveis demográficas e socioeconômicas dos indivíduos. Tabela 2. Características demográficas e socioeconômicas de 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Variável Idade Sexo Classificação 60 – 70 anos Arranjo domiciliar Nível Sócioeconômico (ABEP) Frequência Relativa (%) 59,2 71 – 80 anos 110 34,0 Mais de 80 anos 22 6,8 116 35,8 208 64,2 Casado/União Estável 169 52,2 Solteiro/Separado ou divorciado/Viúvo 155 47,8 Reside sozinho 44 13,6 Reside acompanhado 280 86,4 A ou B 63 19,4 C 177 54,7 D ou E 84 25,9 Analfabeto 55 17,0 1 - 4 anos 182 56,1 5 - 7 anos 45 13,9 8 - 10 anos 21 6,5 Masculino Feminino Situação conjugal Frequência Absoluta (N) 192 Escolaridade 40 11 anos ou mais 21 6,5 Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG Na tabela 3 são descritas as características do perfil de saúde da população estudada. A maior parte dos indivíduos, 54,1% (175/324) classificou a saúde como regular ou ruim e 85,5% (277/324) declararam apresentar alguma morbidade. Com relação à autopercepção visual e auditiva, 60,2% (195/324) dos idosos classificaram a visão como sendo regular ou ruim e 30,9% (100/324) classificaram a audição da mesma forma. Além disso, 80,2% (260/324) e 4% (13/324) desta população informaram usar dispositivos para correção de déficits visuais e auditivos, respectivamente e 64,8 % (210/324) da amostra fazem uso de 1 a 4 medicamentos de uso contínuo. A prevalência de quedas ocorridas no ano anterior à entrevista foi de 29,9% (97/324). Tabela 3. Perfil de Saúde dos 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 PERFIL DE SAÚDE Variável Autopercepção de Saúde Presença de Morbidades Autopercepção da Visão Autopercepção da Audição Classificação Excelente Frequência Absoluta (N) 26 Frequência Relativa (%) 8,0 Muito boa 39 12,0 Boa 84 25,9 Regular 143 44,2 Ruim 32 9,9 Sim 277 85,5 Não 47 14,5 Excelente 12 3,7 Muito boa 21 6,5 Boa 96 29,6 Regular 155 47,9 Ruim 40 12,3 Excelente 36 11,1 Muito boa 67 20,7 Boa 121 37,3 Regular 80 24,7 41 Uso de dispositivo para correção visual Uso de dispositivo para correção auditiva Uso contínuo de medicamentos Quedas Ruim 20 6,2 Sim 260 80,2 Não 64 19,8 Sim 13 4,0 Não 311 96,0 Nenhum 58 17,9 1 – 4 medicamentos 210 64,8 Mais de 4 medicamentos 56 17,3 Sim 97 29,9 Não 227 70,1 Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG Através da utilização do Teste Qui-quadrado (χ²), foi obtida a razão de prevalência bruta (RPbruta) para verificação da associação entre a ocorrência de queda e uso de dispositivo visual e auditivo (tabela 4). Tabela 4. Associação entre uso de dispositivos visual e auditivo e ocorrência de quedas. Juiz de Fora, MG, 2010 USO DE DISPOSITIVOS VISUAL E AUDITIVO E QUEDA Variáveis Uso de óculos Sim Não Uso de aparelho auditivo Sim Não % RPbruta (IC 95%) 30,8 26,6 1 1,29 (0,66; 2,27) p 0,613 1,000 30,8 29,9 1 1,04 (0,31; 3,46) Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG 42 Por meio do Teste de Mann Whitney foi verificado que a percepção visual foi melhor no grupo que não sofreu queda (p= 0,017) e que não houve associação entre percepção auditiva e a variável desfecho (p= 0,897). 43 6. DISCUSSÃO Avaliar a saúde através do questionamento a respeito da autopercepção tem se tornado frequente, uma vez que esta é considerada um importante indicador de saúde da população idosa. Vários estudos apontam para o fato de que a autoavaliação em saúde prediz robustamente incapacidades, morbidades e ainda a mortalidade (FONSECA et al, 2010; ALVES e RODRIGUES, 2005; LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; IDLER e BENYAMINI, 1997). No presente estudo, 44,2% dos idosos atestaram sua saúde como sendo regular, valor semelhante ao de outros trabalhos. Em um estudo realizado em Bambuí (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004), 49,2% dos participantes consideraram sua própria saúde como sendo razoável. Alves et al (2010) verificaram que 43,4% dos idosos na amostra estudada autoavaliaram a saúde como regular. Segundo Jardim, Barreto e Giatti (2010), a autoavaliação negativa da saúde prediz declínio funcional, morbidades e mortalidade. A prevalência de quedas encontrada foi de 29,9%. No estudo de Perracini e Ramos (2002) com idosos na cidade de São Paulo, o valor encontrado foi de em 32,7%. Outro estudo (SIQUEIRA et al 2007), de delineamento transversal, realizado em diferentes estados, abrangendo região sul e nordeste, em que foram analisados indivíduos de 65 anos ou mais, 34,8% referiram queda no ano anterior à entrevista. A autopercepção visual foi melhor no grupo que não sofreu queda (p = 0,017). Lee e Scudds em 2003, afirmam que ter baixa visão contribui para a ocorrência de queda em idosos. Segundo o Consenso de Gerontologia apresentado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em 1998, a presença de déficit visual é um fator de risco moderado para quedas em indivíduos idosos. Wade e Jones (1997) apontam para o fato de que idosos com acuidade visual deficitária apresentam o equilíbrio corporal acometido e que os déficits de equilíbrio predispõem à queda. Em outro estudo (PERRACINI e RAMOS, 2002) foi verificado que idosos com leve e severa diminuição na acuidade visual apresentaram, respectivamente, 1,4 e 2,2 vezes a chance de cair duas vezes ou mais. Segundo Perracini e Ramos (2002), a autopercepção visual tem forte relação com a ocorrência de quedas e de quedas recorrentes, uma vez o impacto da limitação sobre as atividades diárias é mais importante que a presença ou não de uma condição de saúde sobre esse sistema. Dentro dessa dinâmica quaisquer 44 alterações que prejudiquem a função visual, sobretudo com diminuição da acuidade visual, tornam a probabilidade de quedas aumentada (IVERS et al 1998). Para Perracini e Gazzola (2009) a avaliação dos efeitos emocionais e sociais de déficits sensoriais, como visuais e auditivos, torna-se imprescindível para saúde do idoso, sendo os exames que avaliam apenas as funções insuficientes. Com relação ao sistema auditivo, Paixão Júnior (2006) afirma que o comprometimento auditivo pode levar a alterações no sistema vestibular, ocasionando déficits no equilíbrio, predispondo o indivíduo a quedas. Estudos apontam também para o impacto psicossocial gerado pela deficiência auditiva nos idosos, que leva a sintomas como desatenção, depressão, alterações posturais e quadros de vertigens, que possibilitam um maior risco de quedas (BARALDI, ALMEIDA E BORGES, 2007; MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; PINZAN-FARIA E IORIO, 2004). Apesar das evidências apontadas pela literatura, não encontramos relação entre autopercepção auditiva negativa e a ocorrência de quedas (p= 0,897). Há poucos estudos na literatura brasileira que correlacionam a perda auditiva à ocorrência de quedas. Em Menezes e Bachion (2008), 19% de amostra da pesquisa relataram pequeno ou leve déficit auditivo, sem significância estatística que os correlacione a maior propensão a quedas. Em contrapartida, o estudo de Rubenstein et al. (2001) afirmou que essa correlação é significativa, uma vez que sua pesquisa constatou que o déficit auditivo pode ocasionar vertigens, o que dificulta o controle postural, principalmente em movimentos bruscos e mudanças de direção, favorecendo portanto, a ocorrência de quedas. Há alguns possíveis fatores que explicam a ausência de relação entre autopercepção negativa da audição e queda. Muitos idosos adotam uma postura de isolamento em decorrência do déficit auditivo (BARALDI, ALMEIDA E BORGES, 2007), assim sendo, ficam menos expostos a situações de risco que poderiam desencadear a queda. Cabe mencionar também que a intensidade dos déficits auditivos pode não ser representada diretamente na autoavaliação em virtude de estratégias adotadas no âmbito domiciliar. Frequentemente, famílias utilizam um tom de voz e comando verbais mais altos para minimizar os efeitos do déficit auditivo e fazer com o idoso se sinta inserido no meio. Dessa forma, o idoso pode acabar relatando informações equivocadas a respeito de sua condição real. Na amostra analisada, 80,2 % dos indivíduos relataram utilizar óculos ou lente de contato para correção do déficit visual e 4,1% o uso de aparelho para 45 correção de déficit auditivo. Tanto no grupo de indivíduos que usam óculos ou lente de contato quanto no grupo que faz o uso de prótese auditiva, 30,8% dos indivíduos afirmaram ter caído no último ano. Porém não foi encontrado valor estatisticamente significativo para a associação entre o uso de dispositivos visual e auditivo e a ocorrência de quedas. A baixa utilização de aparelho para correção de déficit auditivo e possivelmente, a não associação entre a utilização do mesmo e o evento queda, podem estar relacionadas com questões socioeconômicas. O acesso e a compra desses aparelhos e também a realização de exames necessários para a indicação dos mesmos podem estar limitados por fatores econômicos, uma vez que é sabido que esses apresentam alto custo. As alterações inerentes ao processo de envelhecimento podem gerar déficits sensoriais visuais e auditivos, independente de condições de saúde que atinjam a visão ou a audição. Para garantir a esses indivíduos um envelhecimento saudável e com qualidade de vida, torna-se necessária a utilização de dispositivos para a correção desses déficits e manutenção da funcionalidade e independência nas atividades de vida diária (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MATTOS e VERAS, 2007). Todavia, alguns indivíduos apresentam resistência ao uso e dificuldade de se adaptar a esses dispositivos, o que resultará em uma utilização inadequada ou ainda um possível abandono desse instrumento e perda da qualidade de vida (NUNES et al., 2010). 46 7. CONCLUSÃO A avaliação da saúde através da autopercepção é um importante indicador de saúde na população idosa, uma vez que a mesma aponta de maneira sólida e consistente o seu declínio funcional. No presente estudo verificamos que a maioria dos idosos apresentou percepções negativas com relação a sua saúde e visão. Além disso, quando comparado os grupos que sofreram queda no ano anterior a entrevista e os que não sofreram, observamos que há relação entre melhor percepção visual e não ocorrência de queda (p= 0,017). Há poucos estudos que relacionam a autopercepção visual e auditiva e o evento queda, o que dificulta a comparação de forma equitativa à nossa pesquisa. A partir dos achados do nosso estudo e pela relevância do assunto, torna-se necessária a realização de novas pesquisas que aprofundem o tema em questão e com metodologias mais apropriadas. Outra questão a ser explorada é com relação ao uso de dispositivos para correção de déficits sensoriais e suas implicações. O conhecimento acerca da associação entre autopercepção de saúde, assim como dos sistemas sensoriais, em eventos significativos para o idoso, como a ocorrência de quedas, podem contribuir para a criação de estratégias e ações de prevenção e reabilitação efetivas para essa população, contribuindo para a manutenção da capacidade funcional e a garantia da qualidade de vida. 47 REFERÊNCIAS: 1. ALMEIDA, O.P. Mini-exame do estado mental e o diagnóstico de demência no Brasil. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 56, n. 3B, p. 605-612, 1998. 2. ALVARES, L.M; LIMA, R.C; SILVA, R.A. Ocorrência de quedas em idosos residentes em instituições de longa permanência em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.26, n.1, p.31-40, jan 2010. 3. ALVES, L.C. et al. A influência das doenças crônicas na capacidade funcional dos idosos do Município de São Paulo, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.8, p.1924-1930, ago, 2007. 4. ALVES, L.C; RODRIGUES, R.N. 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CEP:36036-330 – JUIZ DE FORA – MG FONE: (32)2102-3830 E-MAIL: [email protected] TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO O Sr. (a) está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE FORA”. O objetivo deste estudo é avaliar as condições de saúde da população e o seu acesso aos serviços. A importância do estudo é justificada pela necessidade de conhecer as condições de saúde da população e contribuir para a criação de políticas públicas nesta área. O estudo consiste na realização de uma entrevista na qual será aplicado questionários na população residente em Juiz de Fora. Os riscos relacionados à participação no estudo são mínimos, comparáveis aos riscos das suas atividades de rotina. Participar da pesquisa não implica em custos, remuneração, ou qualquer ganho material (brindes, indenização, etc.). A participação no estudo será voluntária, não havendo nenhum tipo de prejuízo ou penalização. Os danos previsíveis serão evitados. Porém, qualquer tipo de problema ou desconforto detectado será imediatamente sanado pelos pesquisadores, ou por quem de direito, sem qualquer custo para o voluntário da pesquisa. É garantido a todos os participantes que se retirem da pesquisa quando assim desejarem, sem qualquer prejuízo financeiro, moral, físico ou social. 58 Todas as informações colhidas serão cuidadosamente guardadas, garantindo o sigilo e a privacidade dos entrevistados, que poderão obter informações sobre a pesquisa quando necessário pelo telefone (32) 2102-3830. Seu nome ou o material que indique sua participação não será liberado sem a sua permissão. O (A) Sr (a) não será identificado em nenhuma publicação que possa resultar deste estudo. Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias, sendo que uma cópia será arquivada pelos pesquisadores responsáveis, no Núcleo de Assessoria, Treinamento e Estudos em Saúde (NATES) e a outra será fornecida a você. Eu, ____________________________________________, portador do documento de Identidade ____________________ fui informado (a) dos objetivos do estudo “INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE FORA”, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha decisão de participar se assim o desejar. Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas. Juiz de Fora, _________ de __________________________ de 2010. Assinatura participante Assinatura pesquisador Assinatura testemunha Em caso de dúvidas com respeito aos aspectos éticos deste estudo, você poderá consultar o CEP- COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA/UFJF CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA UFJF PRÓ-REITORIA DE PESQUISA 59 CEP: 36036.900 FONE: 32 3220 3788 Tire suas dúvidas sobre riscos, http://www.ufjf.br/comitedeetica/files/2008/12/risco-em-pesquisa3.doc. acesse: 72 ANEXO C - INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 72 72 72 72 72 72 72 72 72 72 72