UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
ANA LETÍCIA SILVA SILVÉRIO
CARLA KAROLINE PIRES GENEROSO
ASSOCIAÇÃO ENTRE AUTOPERCEPÇÃO DE DÉFICITS VISUAL E
AUDITIVO E OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS NA CIDADE
DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS.
JUIZ DE FORA
2011
ANA LETÍCIA SILVA SILVÉRIO
CARLA KAROLINE PIRES GENEROSO
ASSOCIAÇÃO ENTRE AUTOPERCEPÇÃO DE DÉFICITS VISUAL E
AUDITIVO E OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS NA CIDADE
DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Faculdade de Fisioterapia,
área de concentração: Saúde do Idoso,
da Universidade Federal de Juiz de Fora
como requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Fisioterapia.
Orientadora: Profa. Drª. Isabel Cristina Gonçalves Leite
Co-orientadora: Profa. MsC. Danielle Teles da Cruz
JUIZ DE FORA
2011
Silvério, Ana Letícia Silva.
Associação entre autopercepção de déficits visual e auditivo e
ocorrência de quedas em idosos na cidade de Juiz de Fora, Minas
Gerais / Ana Letícia Silva Silvério, Carla Karoline Pires Generoso. –
2011.
75 f.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia)—
Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2011.
1. Idoso.
. I.Generoso, Carla Karoline Pires . II Título
CDU 362.6
Dedicamos este trabalho às nossas
amadas famílias e aos amigos pelo
incentivo, compreensão e dedicação.
O orgulho de vocês é nossa maior
inspiração.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho foi o resultado de um processo de crescimento e construção tanto
pessoal quanto acadêmico muito importante para nós, soma de um conjunto de
afetos e amizades, desafios e superações. Dessa forma, dedicamos algumas
palavras àqueles que fizeram parte direta ou indiretamente desta conquista.
Agradecemos...
A Deus por ter iluminado nosso caminho, por nos guiar e dar força nos momentos
difíceis, de dúvida e insegurança. Por sua presença constante em nossas vidas nos
ajudando a ser pessoas melhores sempre.
A nossas famílias, por estar sempre presentes nos incentivando, por aguentar e
entender nosso mau-humor, nossas ausências, por fazerem o possível para nos
ajudar e nos dar carinho e conforto sempre que foi preciso.
Aos nossos amigos que compreenderam nossas ausências e estiveram sempre
dispostos a nos ajudar, a fazer de momentos de tensão momentos mais leves,
prazerosos, em especial agradecemos as nossas queridas amigas Aninha, Luísa e
Suelen. Pela torcida, pelo carinho e amizade de sempre, nosso amor e nossa eterna
gratidão.
A Dra Isabel Cristina Gonçalves Leite pela orientação e incentivo na realização desta
monografia, nossa sincera gratidão.
A Danielle Teles da Cruz, a nossa sincera admiração por sua competência e
dignidade. Obrigada pela oportunidade, pela confiança, pelos ensinamentos, pela
mudança de visão em nossa trajetória acadêmica (por nos ensinar a nos dedicar ao
máximo àquilo que nos dispusemos a fazer) e pela força de sempre. Os momentos
que passamos juntas nos trouxeram não somente conhecimento, mas a certeza da
construção de uma bela amizade.
A nossa banca, Dra Cláudia Helena Cerqueira Mármora e Dra Andréia Ramos por
aceitarem fazer parte de nosso projeto, pela orientação e disponibilidade em
contribuir efetivamente para a realização do nosso trabalho, nosso agradecimento.
Aos idosos que tornaram essa jornada possível e mais especial, nosso muito
obrigada.
À minha querida dupla de TCC, Ana Letícia, obrigada pela parceria, pelo carinho,
por ter me ajudado em todos os momentos, por termos descoberto uma bela
amizade nesse percurso, por termos conseguido achar o nosso equilíbrio, o nosso
“meio-termo” na escrita, nas discussões, e no trabalho como um todo, por
conseguirmos levar do início ao fim esse trabalho em harmonia, descobrindo que
nos complementamos em nossas diferenças.
À minha dupla maravilhosa Carla, agradeço pelo companheirismo nesses meses de
trabalho juntas. Por vários momentos sua amizade e carinho foram cruciais e por
esse motivo, muito obrigada. Descobrimos ao longo desse período que trabalhando
juntas conseguimos ser muito melhores do que se estivéssemos sozinhas nessa
caminhada! Afinidades compartilhadas, diferenças vencidas, parceria constante!
Orgulho-me muito por ter tido alguém como você ao meu lado para a concretização
dessa meta.
A todos que contribuíram para a realização deste trabalho, o nosso muito obrigada!
RESUMO
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Observando o aumento do
número de idosos nas últimas décadas, faz-se necessário conhecer melhor o perfil
desta população. Dentro desse contexto, a autopercepção de saúde e dos aspectos
inerentes a mesma constituem-se em importantes indicadores de saúde, já que
predizem o declínio funcional e refletem os diferentes aspectos dos estilos de vida.
O objetivo do estudo foi verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva e a
ocorrência de quedas em idosos do município de Juiz de Fora. Estudo de
delineamento transversal, no qual foi utilizado parte do banco de dados pertencente
ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG. A amostra foi
composta por 324 idosos (60 anos ou mais), de ambos os sexos, não
institucionalizados e residentes da Zona Norte do município. Os dados foram
analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences
(SPSS) 14.0. Através da análise descritiva foram observadas as frequências das
variáveis de interesse. Foi utilizado o Teste Qui-quadrado (χ²), para a análise da
existência de associação entre a ocorrência de queda e uso de dispositivos visual e
auditivo, e o Teste de Mann Whitney para verificar a relação entre autopercepção
visual e auditiva com a ocorrência de quedas. O nível de significância adotado foi de
5%. A maior parte dos indivíduos, 54,1%, classificaram a própria saúde como
regular ou ruim; com relação à autopercepção visual e auditiva, 60,2% e 30,9% dos
idosos classificaram-nas respectivamente como sendo regular ou ruim. Além disso,
80,2% e 4% desta população informaram usar dispositivos para correção de déficits
visuais e auditivos, respectivamente. Não foi encontrada significância estatística
entre uso de óculos (p=0,613) e aparelho auditivo (p=1,000) e a ocorrência de
quedas. A percepção visual foi melhor no grupo que não sofreu queda (p= 0,017) e
não houve relação entre percepção auditiva e a variável desfecho (p= 0,897).
Aprofundar o conhecimento sobre as relações entre autopercepção de saúde e
sensorial e a ocorrência de quedas pode contribuir para o planejamento de ações de
saúde que visem a promoção do envelhecimento saudável e manutenção da
capacidade funcional dos idosos.
Palavras chaves: idoso, auto-avaliação, transtornos da visão, transtornos da audição
e acidentes por quedas.
ABSTRACT
The population aging is a worldwide phenomenon. Noting the increase of the number
of elderly in the last decades it is necessary to know more about the profile of this
population. Inside this context, self-perception of health and its aspects are important
health indicators, predicting functional decline and reflect different aspects of lifestyle.
The aim of this study was verify the relationship between visual and hearing selfperception and the occurrence of falls in the elderly in the city of Juiz de Fora. Crosssectional study, which was utilized in part of the database belong to the project
“Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG”. The sample was composed
of 324 elderly (60 years or more) of both genders, and non-institutionalized residents
of the northern region of the municipality. The data were analyzed using the statistical
program Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 14.0. Through
descriptive analysis was observed frequencies of the possible association between
the occurrence of falls and use of visual and hearing devices, and Mann Whitney test
to verify the relationship between visual and hearing self-perception whit the
occurrence of falls. The level of significance was 5%. The majority of the individuals,
54.1% classified their health as regular or bad; with respect to visual and hearing
self-perception, 60.2% and 30.9% of elderly classified them respectively as regular or
bad. Moreover, 80.2% and 4% of the population reported using devices for correction
of visual and hearing deficits, respectively. The use of glasses (p =0.613) or hearing
instrument (p = 1.000) not show statistical difference with occurrence of falls. Visual
perception was better in the group that not had a fall (p = 0.017) and no relationship
was detected between hearing perception and the outcome variable (p = 0.897).
More insight into the relationship between self-perception of health and sensory and
the occurrence of falls can contribute to the planning of health actions for the
promotion healthy aging and maintenance of functional capacity of the elderly.
Keywords:
Elderly,
Accidental Falls.
Self-Assessment, Vision Disorders, Hearing
Disorders and
LISTA DE TABELAS
TABELA 1. Classificação da amostra, segundo critério de exclusão e condição de
respondente do estudo de 462 indivíduos. Juiz de Fora, MG, 2010..........................33
TABELA 2. Características demográficas e socioeconômicas de 324 idosos. Juiz de
Fora, MG, 2010 .........................................................................................................39
TABELA 3. Perfil de Saúde dos 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 ......................40
TABELA 4. Associação entre uso de dispositivos visual e auditivo e ocorrência de
quedas. Juiz de Fora, MG, 2010 .............................................................................42
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABEP
Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa
ABVD
Atividades Básicas de Vida Diária
AIVD
Atividades Instrumentais de Vida Diária
CIF
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MEEM
Mini Exame do Estado Mental
OMS
Organização Mundial da Saúde
SNC
Sistema Nervoso Central
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................13
2 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................16
2.1 Envelhecimento Populacional ........................................................................16
2.2 Envelhecimento Humano ...............................................................................19
2.2.1Déficits sensoriais (visual e auditivo) ...............................................................21
2.3 Auto-percepção de Saúde do Idoso ................................................................24
2.4 Capacidade Funcional ......................................................................................26
2.5 Quedas ...............................................................................................................27
3 OBJETIVOS ...........................................................................................................30
3.1 Objetivo geral ....................................................................................................30
3.2 Objetivos específicos .......................................................................................30
4 METODOLOGIA ....................................................................................................31
4.1 Delineamento do estudo ..................................................................................31
4.2 Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG .................................31
4.3 Amostragem e população ................................................................................31
4.4 Variáveis do estudo ..........................................................................................33
4.4.1 Variável dependente ........................................................................................33
4.4.2 Variáveis independentes ..................................................................................33
4.5 Coleta de dados .................................................................................................34
4.6 Instrumentos de coleta de dados ....................................................................35
4.6.1 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) ...........................................................35
4.6.2 Questionário semi-estruturado .........................................................................36
4.6.3 Escalas para avaliação da capacidade funcional ............................................37
4.7 Análise dos dados ............................................................................................38
5 RESULTADOS ......................................................................................................39
6 DISCUSSÃO ..........................................................................................................43
7 CONCLUSÃO.........................................................................................................46
REFERÊNCIAS ........................................................................................................47
ANEXOS ...................................................................................................................55
13
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional vem se configurando como um fenômeno
mundial, sendo nos países em desenvolvimento um processo acelerado e
desordenado, o que o caracteriza como um problema de saúde pública (VERAS,
2007; KALACHE, 2008). O envelhecimento da população brasileira desenha-se
entre os anos 40 aos 60 do século XX quando ocorre um declínio das taxas de
natalidade e fecundidade, diminuição da taxa de mortalidade e aumento da
expectativa de vida; a estrutura etária com formato até então piramidal em sua base,
passa a se desenhar no futuro, retangular, indicando o rápido processo de
envelhecimento no Brasil (CARVALHO e WONG, 2008).
Na década de 60, o Brasil possuía um número de idosos próximo a 3
milhões, passando para 7 milhões em 1975, e em 2008 eram 20 milhões, a
estimativa para 2020 é de que a população idosa poderá exceder 30 milhões de
pessoas, representando 13% do total da população, dando ao Brasil a sexta
colocação na lista de países do mundo com o maior número de idosos (VERAS,
2009). Aliada a transição demográfica, ocorrem ainda as mudanças no perfil
epidemiológico do país, que podem ocasionar aumento da demanda e sobrecarga
dos serviços de saúde disponíveis à população. Assim, os desafios se darão na
adequação de sistemas previdenciários e de novos modelos assistenciais
(CARVALHO e GARCIA, 2003; SCHRAMM et al., 2004; VERAS, 2007).
Constatando-se o aumento da população idosa, torna-se necessário o
conhecimento à cerca das implicações advindas com o processo de envelhecimento
humano, que é marcado por alterações biológicas e funcionais, que ocorrem de
forma progressiva, dinâmica e heterogênea. Diversas condições crônicas se
adicionam ao desgaste de sistemas corporais afetando de maneira significativa a
capacidade funcional dos indivíduos (CARVALHO FILHO, 2006; SILVA et al.,2010).
Mudanças em sistemas sensoriais, como o visual e auditivo decorrentes do
envelhecimento, acarretam prejuízos na qualidade de vida do idoso. Devido à
importância do sistema auditivo para o processo de comunicação oral, o declínio
dessa função repercute em problemas no âmbito social para o geronte, uma vez que
a interação com outras pessoas e com o meio estará prejudicada (MARQUES,
KOZLOWSKI e MARQUES, 2004; MATTOS e VERAS, 2007). Além disso, o
comprometimento da audição pode levar a alteração no componente sensorial do
14
sistema vestibular o que leva a diminuição da detecção dos movimentos cefálicos e
orientações no espaço, causando prejuízo no equilíbrio e na marcha, o que acaba
predispondo o idoso a quedas (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006).
A literatura aponta que a presença de déficits visuais torna os indivíduos
mais propensos a instabilidades posturais e a quedas (WADE e JONES, 1997; LEE
e SCUDDS, 2003; KULMALA, et al., 2008; MACEDO et al., 2008). Os distúrbios
visuais comumente encontrados na população idosa acarretam ainda menor
comunicação visual, dificuldades emocionais, maior dependência e restrições de
mobilidade (PERRACINI E GAZZOLA, 2009). Idosos com alterações auditivas e
visuais tornam-se menos atentos e isolados socialmente, o que interfere diretamente
em sua qualidade de vida podendo acarretar incapacidades funcionais, depressão e
quedas (LIMA, 2007; MACEDO et al., 2008).
Dentro desse contexto, a auto-avaliação da saúde tem sido amplamente
utilizada em pesquisas, uma vez que explora e identifica fatores determinantes na
mortalidade e no declínio funcional dos idosos, além de ser considerado um método
confiável para tais estudos (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; ALVES e
RODRIGUES, 2005). A saúde é entendida pelos idosos como ter autonomia no
exercício de competências funcionais demandadas pela sociedade. Ao definir sua
saúde como boa ou razoável, o idoso não se caracteriza como pessoa livre de
doenças, mas como sujeito capaz de agir sobre o meio em que vive (FONSECA, et
al. 2010).
Vários fatores relacionados ao processo de senescência e/ou senilidade
podem culminar na ocorrência do evento queda. Na população idosa, este é um
grave problema de saúde pública e de relevada importância, pois pode ser
incapacitante e repercutir diretamente na qualidade de vida do idoso.
Entre os
diversos impactos trazidos pelas quedas, podemos citar: presença de morbidades,
deterioração funcional, hospitalização, institucionalização, consumo dos serviços
sociais e de saúde, altos custos econômicos e até mesmo a mortalidade. É comum a
ocorrência de multimorbidades e reincidências de quedas, o que amplifica os
impactos relatados (SIQUEIRA et al, 2007; RIBEIRO et al, 2008; GONÇALVES et
al., 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010; SILVA, RICCI e
COIMBRA et al., 2010).
Estudos transversais constituem-se como importantes instrumentos de
investigação de problemas de saúde pública e identificação de características sobre
as quais se podem intervir. Permitem também a determinação de prevalências e
15
fatores associados às variáveis exploradas. Portanto, são ferramentas úteis para o
planejamento de estratégias de prevenção e promoção de saúde, assim como para
a racionalização de recursos destinados à saúde (MEDRONHO, 2009; LIMA-COSTA
e BARRETO, 2003).
A partir do exposto, torna-se evidente a grande importância de aprofundar o
conhecimento à cerca da autopercepção de saúde e dos sistemas visual e auditivo,
assim como observar a influência dos déficits sensoriais na ocorrência de quedas na
população idosa. A elucidação de fatores que podem estar relacionados à queda é
fundamental para o estudo da saúde deste grupo etário e para o direcionamento de
planejamento e práticas de prevenção e promoção da saúde.
16
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Envelhecimento Populacional
O aumento da expectativa de vida é uma realidade de várias sociedades e
que necessita vir acompanhada também por qualidade de vida. Sendo assim, é
imprescindível uma maior atenção às questões relacionadas ao processo de
envelhecimento e à compreensão desse contingente populacional (ASSIS, 2005;
VERAS, 2009).
O envelhecimento populacional é um fenômeno observado mundialmente,
que se refere à mudança na estrutura etária da população, produzindo um aumento
no peso relativo de pessoas acima de uma determinada idade definidora da velhice.
A escolha dessa idade pode variar de acordo com as diferentes sociedades e sofre
influência de fatores biológicos, sociais, econômicos, ambientais, científicos e
culturais (CARVALHO e GARCIA, 2003). A Organização Mundial da Saúde (OMS)
define como idoso o indivíduo acima de 60 anos em países em desenvolvimento e
acima de 65 anos em países desenvolvidos (BRASIL, 2002).
O processo de envelhecimento populacional iniciou-se na Europa Ocidental,
espalhando-se no século passado pelos países desenvolvidos e somente nas
últimas décadas tornou-se uma realidade de vários países em desenvolvimento.
Porém, nestes, o processo não ocorre de forma equivalente, apresenta-se
desorganizado, acelerado e abrupto. (CARVALHO e GARCIA, 2003; VERAS, 2009).
Em concordância com o processo de envelhecimento mundial, sobretudo
nos moldes dos países de Terceiro Mundo, no Brasil ocorre uma rápida e radical
mudança na estrutura etária de sua população, de 1970 a 2000 a proporção de
idosos cresce 69%, passando de 5,1 para 8,6% (CARVALHO e GARCIA, 2003), e
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) essa proporção chega
a 11% em 2011. Em algumas projeções é esperado que o Brasil em 2020 seja o
sexto país do mundo em número de idosos, alcançando um número superior a 30
milhões de idosos. Tal fato implicará em novos desafios com relação às mudanças
na estrutura social, cuidados relacionados à saúde, reorganização de sistemas
previdenciários e adequação de novos modelos assistenciais (CARVALHO e
GARCIA, 2003; VERAS, 2007; VERAS, 2009).
17
Anualmente são inseridos aproximadamente 650 mil idosos à população
brasileira, sendo que a maior parte está exposta a doenças crônicas e/ou limitações
funcionais, demandando maiores cuidados e com tendência a sobrecarga dos
sistemas de saúde (VERAS, 2009). A partir do exposto, torna-se imprescindível o
conhecimento a cerca dos atores que compõe o processo de envelhecimento
populacional, bem como as transições demográfica e epidemiológica.
Entre os anos 40 e 60 do século XX começa a ser esboçado o
envelhecimento da população brasileira. Nesse período ocorreu um leve declínio da
fecundidade e queda da mortalidade, não levando, a princípio, a um impacto
significativo na estrutura etária, apenas no crescimento populacional. O início do
estreitamento da base da pirâmide etária começa com o declínio sustentado da
fecundidade e diminuição anual do número de nascidos vivos em conjunto com a
queda da mortalidade em indivíduos com idade avançada (CARVALHO e GARCIA,
2003). A estrutura etária com formato até então piramidal, passa a se desenhar no
futuro, de forma retangular, indicando o rápido processo de envelhecimento no Brasil
(CARVALHO e WONG, 2008).
O processo de urbanização no Brasil iniciado na década de 40 estendeu-se
até década de 70. Neste período, ações médico-sanitaristas, políticas urbanas de
saúde pública, ampliação e desenvolvimento tecnológico da atenção médica na rede
pública, levaram ao rápido declínio das taxas de mortalidade e posterior queda de
fecundidade no país, ressaltando-se que esse processo de queda da mortalidade
não ocorre de forma equitativa em todas as regiões e classes sociais do Brasil
(CARVALHO e GARCIA, 2003; CHAIMOWICZ,1997).
A partir da década de 70 inicia-se um processo rápido de desestabilização
da estrutura etária brasileira visível, sobretudo nas idades extremas, com diminuição
do número de indivíduos menores de 15 anos e aumento crescente do peso relativo
entre indivíduos maiores de 65 anos, durante toda a primeira metade deste século
(CARVALHO e WONG, 2008).
Esse quadro de baixas fecundidade e mortalidade traduz-se numa elevação
da expectativa de vida média da população e do número de pessoas com idade
avançada (RAMOS, VERAS e KALACHE, 1987). Observamos a confirmação deste
fato a partir dos dados fornecidos pela Coordenação de População e Indicadores
Sociais do IBGE em 2004, onde a expectativa de vida do brasileiro de ambos os
sexos era de 62,6 em 1980, passa a 71,3 em 2003 e chega a 72,57 anos em 2007
(IBGE, 2008).
18
Entre os anos de 1997 e 2007 houve um crescimento de 47,8% do número
de pessoas na faixa etária de 60 anos alcançando os 65% na faixa etária de 80 anos
ou mais, contrastando com o aumento da população brasileira que foi de 21,6%. Em
2007 observa-se que a região Sudeste comportava quase metade da população
idosa do país, totalizando 9,4 milhões de pessoas e aproximadamente 2,2 milhões
concentrados no Estado de Minas Gerais (IBGE, 2008a). Do início da década de 90
até o ano 2000 a população idosa aumentou aproximadamente 4 milhões. É
importante ressaltar que no início da década referida o número de mulheres idosas
passou de 54% para 55,1% em 2000, caracterizando também um processo de
feminização desta população (BRASIL, 2002).
A rapidez com que as mudanças no perfil demográfico brasileiro foram
processadas modificou a incidência e prevalência das doenças na população. Ao
passo que somada a mudança na estrutura etária, o perfil de morbimortalidade foi
alterado, apontando assim para uma correlação entre os processos de transição
demográfica e epidemiológica (CHAIMOWICZ, 1997; SCHRAMM et al, 2004).
A transição epidemiológica é definida por alterações observadas ao longo do
tempo nas características do perfil de mortalidade e morbidade em determinada
população, ocorrendo concomitantemente às mudanças demográficas, econômicas
e sociais. Tal processo inclui mudanças como a inserção de doenças crônicodegenerativas e fatores externos como maiores causas de morbimortalidade em
detrimento das doenças infecciosas e parasitárias, maior carga de morbimortalidade
entre a população de maior idade e um cenário de predomínio da morbidade e não
mais da mortalidade (SCHRAMM et al, 2004).
No Brasil, a transição epidemiológica configura-se de maneira peculiar,
diferente do ocorrido em outros países. Observa-se sobreposição das etapas de
transição, na qual persistem algumas doenças transmissíveis juntamente com o
crescente aumento das doenças não-transmissíveis; permanece a ocorrência de
doenças de percurso agudo como dengue, cólera e o agravamento em alguns
estados de doenças como malária, hanseníase e leishmaniose aliada às altas taxas
de afecções crônicas. Além disso, as causas externas vêm se configurando de
forma crescente no cenário de morbimortalidade, reflexo de questões atuais da
sociedade, como violência e abuso de drogas. Assim, o processo de transição pode
ser definido como prolongado ou ainda intermediário, sendo marcado também por
diferenças entre as diversas regiões brasileiras (PRATA, 1992; TEIXEIRA, 2004;
SCHRAMM et al, 2004; LEBRÃO, 2007).
19
Segundo Schramm e colaboradores (2004), 66,3% da carga de doenças no
Brasil são de natureza crônico-degenerativa, 23,5% correspondem às doenças
infecciosas e 10,2% às causas externas. É importante ressaltar que as afecções
crônicas atingem principalmente a faixa etária dos idosos, implicando em
tratamentos duradouros e consequente aumento dos gastos destinados à saúde
(TEIXEIRA, 2004; SCHRAMM et al, 2004).
O aumento das afecções não-transmissíveis apresenta-se como uma
tendência mundial e a implementação de ações preventivas tem sido um grande
desafio no âmbito da saúde pública. No Brasil há uma dificuldade maior, uma vez
que, além de desenvolver estratégias de prevenção, é necessário o combate e
controle das doenças infecciosas ainda persistentes (SCHRAMM et al, 2004).
Diante do aumento da população idosa, das transformações demográficas e
epidemiológicas que as cercam e as consequências das mesmas, torna-se
necessário o conhecimento sobre os aspectos que envolvem o envelhecimento
humano e as alterações esperadas para essa população.
2.2 Envelhecimento Humano
O envelhecimento fisiológico é um processo complexo, que envolve muitas
variáveis, como genética, estilo de vida, aspectos psicológicos e emocionais,
presença ou ausência de doenças crônicas e outros (RAMOS, 2003; CARVALHO
FILHO, 2006; SILVA et al., 2010). Tal processo caracteriza-se por alterações
bioquímicas, morfológicas e funcionais, aliadas a passagem do tempo, que ocorrem
de maneira progressiva, dinâmica e heterogênea, acarretando dificuldade de
manutenção
da
homeostase,
principalmente
em
situações
de
sobrecarga
(CARVALHO FILHO, 2006; SILVA et al., 2010).
As funções neurológica, cardíaca, pulmonar, musculoesquelética e sensorial
encontram-se comprometidas devido às mudanças advindas da senescência (SILVA
et al, 2010). O processo de envelhecimento é marcado por uma característica
relevante que é o declínio da capacidade funcional. Força, equilíbrio, flexibilidade,
agilidade e coordenação motora constituem variáveis afetadas diretamente por
alterações neurológicas e musculares. O comprometimento no desempenho
neuromuscular, evidenciado por paresia, incoordenação motora, lentidão e fadiga
20
muscular, constitui um aspecto marcante (BACHIN et
al, 2006)
. O desequilíbrio entre a
formação e a reabsorção óssea, que propicia o aparecimento de osteopenia e
osteoporose, potencializa o risco de incapacidade na população idosa (PANSA et al,
2007).
Ainda em relação ao déficit do sistema músculoesquelético, observam-se
efeitos deletérios significantes e associativos sobre a eficiência em outros sistemas,
como o respiratório e o sensorial (MEIRELES et al, 2008). Ocorre uma diminuição
gradativa de massa e força muscular, que associada ao envelhecimento é conhecida
por sarcopenia, fenômeno esse de origem multifatorial (BERNARDI, REIS e LOPES,
2008). Algumas alterações próprias do envelhecimento podem levar a esse quadro,
como alteração das fibras musculares que com o avançar da idade perdem
qualidade em sua conformação e alterações neurológicas que predizem déficit da
condução nervosa, levando a perda da efetividade dos mecanismos de equilíbrio
(PAIXÃO JÚNIOR e HECKMAN, 2006).
Associam-se a esse processo alterações posturais, como: anteriorização da
cabeça, protrusão dos ombros, aumento da cifose torácica, retificação lombar,
tendência a ptose abdominal e flexo de joelhos. Essas mudanças ocasionam
alteração do centro de gravidade e interferem diretamente no equilíbrio do indivíduo.
O envelhecimento humano provoca ainda mudanças na marcha, que incluem
diminuição da velocidade, balanço reduzido de membros superiores, diminuição da
tríplice flexão dos membros inferiores, aumento da base de suporte durante o duplo
apoio e redução do comprimento e altura do passo e passada (PAIXÃO JÚNIOR e
HECKMAN, 2006; SILVA et al, 2010).
As alterações de postura, equilíbrio e marcha constituem-se como distúrbios
altamente prevalentes na população idosa e colaboram para o aumento do risco de
quedas, dependência e institucionalização (SILVA et al, 2010). Contribuem também
para esses distúrbios os déficits visuais e auditivos, que são importantes elementos
envolvidos no sistema de controle postural (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006;
RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008).
O idoso passa por modificações que podem prejudicar seu desempenho,
seja nas tarefas básicas ou em atividades mais complexas
(BEAR, COMMORS e PARADISO 2002)
.
Sendo assim, torna-se importante aprofundar o conhecimento sobre algumas
alterações fisiológicas que interferem diretamente na vida desses indivíduos,
particularmente em relação ao sistema sensorial, uma vez que essas podem
21
propiciar dependência funcional e exclusão social (MATOS e VERAS, 2007;
MACEDO et al, 2008).
2.2.1 Déficits sensoriais (visual e auditivo)
A manutenção do equilíbrio humano é uma tarefa complexa. Inicia-se com
as informações que o corpo recebe do meio, depende do processamento dos
sistemas sensoriais e também das vias efetoras. Com o avançar da idade, a
regulação do processamento dos sistemas sensoriais sofre alterações senescentes
e algumas vezes patológicas, predispondo o idoso ao desequilíbrio corporal e a
quedas (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008).
O processo de controle postural inicia-se pela orientação com relação a
informações sobre a localização do corpo e sua trajetória no espaço. Essas
informações são fornecidas pelo sistema sensorial e encaminhadas ao sistema
nervoso central (SNC), que por sua vez irá processar e regular as informações a
tempo para ação estabilizadora, resultando no controle e alinhamento postural
(RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; LIMA, 2007).
A efetividade no desempenho dos sistemas sensoriais no envio de
informações adequadas para o SNC pode estar comprometida pela presença de
doenças, uso de medicamentos e pelo processo senescente (RICCI, GAZZOLA e
COIMBRA, 2008). Modificações nos sistemas sensoriais, como o visual, auditivo e
vestibular, decorrentes do envelhecimento, acarretam prejuízos na qualidade de vida
do idoso, tornando-o mais propenso a quedas e às injúrias decorrentes deste evento
(WADE e JONES, 1997; LEE e SCUDDS, 2003; MARQUES, KOZLOWSKI e
MARQUES, 2004; LIMA, 2007; MATTOS e VERAS, 2007; RICCI, GAZZOLA e
COIMBRA, 2008).
O sistema vestibular funciona em conjunto com os sistemas visual e auditivo
para a manutenção postural. Auxilia quando informações visuais e auditivas
fornecem estímulos imprecisos, como no caso de um campo visual em movimento.
Nessas ocasiões, o sistema vestibular responde com agilidade rejeitando estas
informações conflitantes para manter o controle postural. Com o avançar da idade,
ocorre uma perda rápida e progressiva de células nestes sistemas e alterações no
sistema vestibular causam vertigens, náuseas e tontura, que podem ser originadas
22
por medicamentos, doenças infecciosas e também pelo declínio funcional advindo
do envelhecimento (PAIXÃO e HECKMAN, 2006; LIMA, 2007; TOLEDO, 2008).
A literatura aponta que o controle do equilíbrio parece mais reduzido
naqueles idosos com déficits visuais. A visão não é só responsável pela informação
do ambiente mais também para guiar o movimento do corpo. Tem importante papel
na manutenção da estabilidade postural de adultos idosos, particularmente em
situações mais desafiadoras (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008;)
O sistema visual envia informações ao SNC acerca da posição, orientação
do corpo e suas partes no espaço e de objetos no meio externo tanto nos eixos
verticais quanto horizontais. As informações visuais que são encaminhadas ao SNC
podem ser de origem periférica, que se refere à capacidade de visualizar campos
laterais enquanto se olha para frente, e de origem central, que permite a
visualização de uma área menor (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et
al, 2008).
Em virtude dos processos senescentes, o sistema visual apresenta algumas
alterações, como: redução da acuidade visual, da sensibilidade ao contraste, da
percepção de profundidade e da adaptação em ambientes escuros. Além disso, há
também uma diminuição na capacidade de detectar mudanças de direção do fluxo
óptico (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al, 2008). O sistema
visual é responsável por fornecer as informações necessárias para que o corpo
processe e reorganize seus mecanismos de controle (MENEZES e BACHION,
2008).
Tais modificações comumente encontradas na população idosa acarretam
menor comunicação visual; maior dependência e restrições de mobilidade; aumento
da susceptibilidade a traumas e dificuldades emocionais; dificuldade em perceber
pisos diferentes, desníveis e obstáculos, que em conjunto com alterações
musculoesqueléticas levam a diminuição da capacidade de resposta imediata a
esses eventos, e consequente aumento do risco de quedas (MATTOS e VERAS,
2007; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MACEDO et al, 2008; PERRACINI E
GAZZOLA, 2009). Além disso, a sobreposição de alterações na visão aliada a
fatores ambientais desfavoráveis pode aumentar a probabilidade de ocorrência
deste evento (PERRACINI e RAMOS, 2002; MENEZES e BACHION, 2008).
A perda auditiva relacionada à idade, também denominada presbiacusia, é
causada pela degeneração coclear, que leva ao déficit da percepção auditiva de
altas frequências. Tal degeneração ocorre de maneira simétrica, progressiva e com
23
grau de severidade variável nos indivíduos. Pode estar associada a zumbidos,
trazendo grande incômodo para o indivíduo (PINZAN-FARIA e IORIO, 2004). Devido
à importância deste sistema para o processo de comunicação oral, o declínio dessa
função repercute em problemas no âmbito social para o geronte, uma vez que a
interação com outras pessoas e com o meio estará prejudicada, o que pode
desencadear processo depressivo (MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004;
BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007).
A sensibilidade auditiva de baixa frequência permanece inalterada na maior
parte dos idosos, porém a de alta frequência apresenta-se mais prejudicada. A alta
frequência permite a distinção entre as consoantes e quando alterada, o indivíduo
consegue ouvir, no entanto há dificuldade de entender a informação (PINZAN-FARIA
e IORIO, 2004).
Uma boa audição permite ouvir, entender, trocar informações, idéias,
demonstrar desejos, além de servir como sinal de alerta para a localização de sons e
maior atenção ao meio externo. Idosos com alterações auditivas são frequentemente
rotulados como confusos, desorientados, distraídos, não comunicativos e não
colaboradores, levando-os ao isolamento social com repercussões significativas na
qualidade de vida (PINZAN-FARIA e IORIO, 2004; MARQUES, KOZLOWSKI e
MARQUES, 2004; BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007). Além disso, o
comprometimento da audição pode levar a alteração no componente sensorial do
sistema vestibular, que leva a diminuição da detecção dos movimentos cefálicos e
orientações no espaço, causando prejuízo no equilíbrio e na marcha e aumento o
risco de quedas (PAIXÃO JUNIOR e HECKMAN, 2006).
Idosos com alterações auditivas e visuais perdem a capacidade de ajuste e
controle postural, há diminuição da capacidade de reorganização do corpo no
espaço e da percepção da posição de desníveis e obstáculos, tornando-os mais
predispostos a quadros de instabilidade. Além disso, tornam-se menos atentos,
podendo apresentar declínio do contato social e da qualidade de vida,
consequentemente ficam mais vulneráveis a incapacidades funcionais, depressão,
quedas e institucionalização (LIMA, 2007; RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008;
MACEDO et al., 2008).
Todavia, sabe-se que uma velhice saudável também pode vir acompanhada
de déficits sensoriais, desde que dispositivos auxiliares de correção sejam utilizados
na tentativa de minimizar os prejuízos funcionais existentes. Entretanto, indivíduos
com idade avançada costumam apresentar certa resistência ao uso e dificuldade de
24
adaptação a esses dispositivos, o que acaba levando à utilização incorreta ou ao
abandono do instrumento de correção (NUNES et al, 2010).
2.3 Autopercepção de Saúde do Idoso
A autoavaliação da saúde é um dos indicadores mais usados em pesquisas
gerontológicas, porque prediz de forma robusta e consistente a mortalidade e o
declínio funcional do idoso (LIMA-COSTA, 2004). Frequentemente é determinada
por meio de uma simples pergunta: “De uma maneira geral, como o Sr. (a) considera
a sua saúde?” ou equivalente (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004; LIMACOSTA, FILHO e MATOS, 2007; FONSECA et al., 2010). Embora mensurar o
estado de saúde seja bastante difícil, já que engloba diversos aspectos da vida do
indivíduo, a autopercepção de saúde tem se mostrado um método confiável e,
recentemente, mais utilizado do que a observação direta para análise desse aspecto
(ALVES e RODRIGUES, 2005).
Uma série de aspectos subjetivos está envolvida na classificação que o
idoso denota para sua saúde, como: sexo, idade, renda, escolaridade, arranjo
familiar, estado civil, presença e ou número elevado de doenças crônicas. A
percepção de saúde também é dependente da rede social e do acesso e uso dos
serviços de saúde. Portanto, em avaliações destinadas ao idoso, torna-se importante
a análise desses aspectos (ALVES e RODRIGUES, 2005; MACIEL e GUERRA,
2007; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010; FONSECA et al, 2010).
Um dos fatores importantes no entendimento do idoso acerca da
autopercepção de saúde é a autonomia no exercício de competências funcionais
demandadas pela sociedade, tais como capacidade de responder às obrigações
familiares e de desempenhar papéis sociais. Ao definir sua saúde como boa ou
razoável, o idoso não se caracteriza apenas como pessoa livre de doenças, mas
como sujeito capaz de agir sobre o ambiente em que vive (FONSECA et al. 2010).
A autopercepção de saúde extrapola a avaliação biológica do ser arguído,
uma vez que abrange também aspectos psicológicos e sociais, trazendo assim uma
visão global do indivíduo (LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007). Contudo, o idoso
pode apresentar informações equivocadas ao ser questionado sobre sua avaliação
de saúde, isto porque alguns fatores como déficits de memória e cognição podem
25
interferir na habilidade de relembrar e informar corretamente a respeito do assunto.
Em alguns casos, o medo de institucionalização fará com que o sujeito interrogado
superestime sua própria condição de saúde, ou ainda busque demonstrar maior
independência do que realmente apresenta (ALVES e RODRIGUES, 2005).
Dentro desse panorama de subjetividade da autopercepção de saúde do
idoso, sobretudo dos sistemas visual e auditivo, existem também outros fatores
condicionais como: ambientais, socioeconômicos e culturais que podem levar o
idoso a subestimar ou superestimar a percepção a cerca destes sistemas. Ademais,
o uso de dispositivos para correção de déficits visuais e auditivos também podem
mascarar a deficiência apresentada pelo indivíduo e fazer com que seu relato esteja
a quem de sua real capacidade (JARDIM, BARRETO e GIATTI, 2010; MACEDO et
al., 2008; MENEZES E BACHION, 2008; VERAS, 2007).
Outra questão com relação à autopercepção tanto da saúde como de
sistemas sensoriais, visual e auditivo, é que muitas vezes os processos de
deficiência ou condições de saúde encontram-se controlados ou pelo uso de
medicação ou pelo uso de dispositivos para correção. Uma vez que tais processos
estão controlados, os indivíduos tornam-se adaptados ao meio e não apresentam
limitações. Assim, o indivíduo pode apresentar uma ou mais condições crônicas de
saúde e demonstrar uma visão positiva na sua autoavaliação (LIMA, 2007;
BARALDI, ALMEIDA e BORGES, 2007; NUNES et al, 2010).
A autoavaliação é utilizada em muitos estudos epidemiológicos como
indicador de saúde, em particular nos inquéritos, e em muitos destes o idoso
participante da pesquisa pode não estar apto a responder questões referentes à sua
própria saúde, sendo necessária a participação de outro informante (proxy), apesar
de algumas pesquisas abordarem questões pessoais e subjetivas (LIMA-COSTA,
FIRMO e UCHÔA, 2004; LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007).
Alguns estudos apontam diferenças importantes entre a avaliação de saúde
feita pelo próprio idoso e por um proxy. Ao ser indagado a respeito da sua condição
de saúde, se estiver insatisfeito com a mesma, o idoso tende a enfatizar suas
restrições ou incapacidade de realizar atividades da vida diária, enquanto o
informante secundário tende a ressaltar a presença e ou o número de doenças
crônicas. Além disso, quando o informante secundário apresenta uma avaliação
negativa de sua saúde há maior chance que esse relate a saúde do idoso da mesma
forma, ou seja, subestimando-a. Assim, informações autorrelatadas refletem melhor
26
a condição de saúde do indivíduo do que as relatadas por um proxy (JARDIM,
BARRETO e GIATTI, 2010).
É importante destacar a relevante influência da capacidade funcional na
autopercepção do idoso com relação à sua saúde. Indivíduos dependentes em
alguma atividade apresentam avaliação negativa da saúde. Logo, a capacidade
funcional torna-se uma condição determinante para o geronte, que a interpreta como
sendo parte fundamental para alcançar uma saúde plena (RAMOS, 2003; ALVES e
RODRIGUES, 2005).
2.4 Capacidade Funcional
Capacidade funcional pode ser defendida como a capacidade de se manter
as habilidades físicas e mentais essenciais para se ter uma vida independente e
autônoma. Trata-se de um conceito importante para o entendimento de como as
pessoas vivem os anos adicionais de vida ganhos com o aumento da longevidade
(ALVES et al., 2007; PARAHYBA, VERAS e MELZER, 2005; VERAS, 2009).
A incapacidade funcional é entendida como a limitação física ou mental para
a realização de atividades de vida diária necessárias para a independência do
indivíduo na comunidade. Durante o processo senescente do envelhecimento ocorre
uma série de alterações fisiológicas que somadas ao acúmulo de doenças crônicodegenerativas, podem ser responsáveis pelo surgimento de algumas destas
limitações.
Ressaltando
que
estas
doenças
atualmente
não
representam
significância extrema somente por sua presença no contexto de saúde dos idosos,
pois outro aspecto a ser considerado tem se tornado relevante: a preservação da
capacidade funcional, pois ela impedirá que o indivíduo esteja restrito na execução
de suas funções dentro de sua casa ou no convívio em sociedade (BONARDI,
AZEVEDO e MORAES, 2007; LIMA-COSTA, FILHO e MATOS, 2007; VERAS, 2009;
ALVES, LEITE e MACHADO, 2010).
Inúmeros fatores são descritos como contribuintes para o aumento do risco
de perda da capacidade funcional, incluindo socioeconômicos, demográficos e os
relacionados à condição de saúde do indivíduo. São eles: idade avançada, ser do
sexo feminino (e ter mais de um desses fatores associados), alterações de equilíbrio
e mobilidade, presença de patologias, depressão, visão e audição comprometidas,
27
déficit cognitivo e episódios de quedas (BONARDI, AZEVEDO e MORAES, 2007;
FIEDLER E PERES, 2008; ALVES, LEITE e MACHADO, 2010; NUNES et al, 2010).
A capacidade funcional pode ser investigada através de instrumentos
específicos que avaliam a habilidade relatada do idoso na execução de atividades
básicas de vida diária (ABVD) ou atividades instrumentais de vida diária (AIVD).
Além dessas, as medidas de mobilidade também podem compor a avaliação da
capacidade funcional (BONARDI, AZEVEDO e MORAES, 2007; ALVES, LEITE e
MACHADO, 2010; NUNES et al, 2010).
A incapacidade funcional está atrelada ao risco de mortalidade, à
necessidade de cuidados prolongados e a internações hospitalares, demandando
altos custos aos setores públicos de saúde e também sociais. Dessa forma, a
capacidade funcional surge como um novo paradigma de saúde, sendo peça chave
de qualquer intervenção, tratamento ou política destinada ao idoso, partindo de uma
perspectiva que considera a saúde no seu sentido amplo (RODRIGUES et al, 2008;
VERAS, 2009; NUNES et al, 2010).
Como instrumento para nortear questões relacionadas à saúde funcional, foi
criado pela OMS em 2001 a Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF). Tal instrumento utiliza a multicausalidade e percepção
individual do paciente como ponto determinante da sua qualidade de vida, além de
servir como alicerce para a elaboração e guia de serviços em saúde que visem a
recuperação funcional (ARAÚJO, 2008).
2.5 Quedas
Em virtude das alterações senescentes do envelhecimento, o indivíduo
passa por uma série de mudanças na postura, equilíbrio e na marcha. Tais
alterações podem ainda ser intensificadas em casos de maior exposição a doenças
crônicas, levando esse indivíduo à diminuição de sua capacidade física e mental,
assim como de sua qualidade de vida, o que o torna mais propenso a ocorrência de
um evento que é hoje um dos principais fatores de incapacidade e morbimortalidade
dentro desse segmento etário: a queda (SIQUEIRA et al, 2007; GONÇALVES, RICCI
e COIMBRA, 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; SILVA et al, 2010).
28
Queda em idosos é considerada um evento acidental, não intencional,
recorrente e de natureza multifatorial. Trata-se de um processo resultante da perda
total de equilíbrio postural e insuficiência súbita dos mecanismos osteomioarticulares
e neurais, essenciais na manutenção da postura (GONÇALVES, RICCI e COIMBRA,
2009; GAI et al, 2010).
A queda pode ocorrer através de eventos de natureza intrínseca e
extrínseca; a primeira está relacionada a alterações fisiológicas do envelhecimento,
doenças e efeitos de medicamentos, e a segunda a circunstâncias sociais e
ambientais que oferecem desafios ao idoso. Na maioria dos casos de quedas em
idosos há uma junção desses fatores, que apresentam como resultante o
comprometimento dos sistemas envolvidos na manutenção do equilíbrio (RIBEIRO
et al, 2008).
Alguns fatores podem aumentar a probabilidade de ocorrência desse evento
como: idade avançada, sexo feminino, função neuromuscular prejudicada, presença
de doenças crônicas, imobilidade, história prévia de quedas, déficit cognitivo,
polifarmácia, baixa autopercepção de saúde e da condição visual e ou auditiva,
presença de ambiente físico inadequado, incapacidade funcional e hipotensão
postural. Constatando-se que quanto maior o acúmulo desses fatores, maior o risco
de quedas (GANANÇA et al, 2006; MENEZES e BACHION, 2008; GAI et al., 2010;
GAWRYSZEWSKI, 2010).
As quedas configuram-se como um grave problema de saúde pública, em
consequência da alta frequência com que ocorrem, complicações para a saúde do
indivíduo e pelo aumento da demanda com serviços assistenciais e de reabilitação.
Além do comprometimento físico, podem ocorrer também problemas emocionais e
em casos mais graves acabar sendo fatais (MENEZES e BACHION, 2008;
ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010).
Os principais problemas decorrentes das quedas são: fraturas, lesões na
cabeça, ferimentos graves, ansiedade, isolamento social, depressão e o chamado
“medo de cair” com consequente restrição de atividades, mobilidade e diminuição da
atividade física. Podem também afetar os cuidadores, que após o evento passam a
demandar mais tempo no cuidado do indivíduo e necessitar de mudança da sua
rotina para adaptação e reabilitação do idoso (CARVALHO e COUTINHO, 2002;
COUTINHO, BOLCH e RODRIGUES, 2009; ALVARES, LIMA e SILVA, 2010;
GAWRYSZEWSKI, 2010).
29
A prevalência de quedas em idosos residentes na comunidade é cerca de
30% (VERAS, 2009). A maioria das quedas ocorre dentro de casa ou em seus
arredores durante o desempenho de atividades rotineiras. Sendo que no caso de
indivíduos institucionalizados, a frequência com que ocorre a queda torna-se ainda
maior (ALVARES, LIMA e SILVA, 2010; GONÇALVES, RICCI e COIMBRA, 2009;
GAI et al, 2010; GAWRYSZEWSKI, 2010).
30
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral
Verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva com a ocorrência de
quedas em idosos do município de Juiz de Fora.
3.2 Objetivos específicos
• Caracterizar o perfil dos idosos da amostra estudada.
• Descrever a autopercepção de saúde, visual e auditiva dos idosos.
• Descrever o uso de dispositivos utilizados para correção de déficit visual e/ou
auditivo.
• Verificar a associação de dispositivos utilizados para correção de déficit visual
e/ou auditivo com a ocorrência de queda.
31
4. METODOLOGIA
4.1 Delineamento do estudo
Estudo de delineamento transversal, no qual foi utilizado parte do banco de
dados pertencente ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG.
4.2 Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG
O projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG1, foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de
Fora em 20 de outubro de 2009, conforme o Parecer n. 277/2009 (Anexo A). Tratase de um estudo epidemiológico de delineamento transversal, observacional,
realizado por meio de inquérito domiciliar na Zona Norte de Juiz de Fora, Minas
Gerais, com idosos de 60 anos ou mais de idade, que vivem na comunidade. O
objetivo geral desse projeto foi avaliar o status de morbidade, qualidade de vida e
utilização de serviços de saúde da população de Juiz de Fora. Além da saúde do
idoso, foram contempladas nesse projeto questões relacionadas à saúde maternoinfantil e ao desenvolvimento motor de crianças até 2 anos de idade.
4.3 Amostragem e população
Os participantes desta pesquisa foram selecionados por meio de um
processo de amostragem aleatória estratificada e conglomerada em múltiplos
estágios. As unidades primárias de amostragem foram os setores censitários. Para o
sorteio, os setores foram agrupados em estratos definidos de acordo com as
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA. Núcleo de Assessoria Treinamento e Estudos em
Saúde. Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora – MG: relatório técnico. Juiz de Fora,
2011. Trabalho não publicado.
1
32
diferentes modalidades de atenção à saúde a qual a população do setor estava
inscrita, subdivididos em Atenção Primária (Estratégia de Saúde da Família ou
Tradicional); Atenção Secundária e área descoberta. A seleção dos setores
censitários foi feita com probabilidades proporcionais ao seu tamanho (população
residente segundo dados do Censo Demográfico de 2000) de forma independente
em cada estrato, por meio de amostragem sequencial de Poisson (OHLSSON,
1998). No total foram sorteados 22 setores censitários.
Para o cálculo amostral, considerou-se a prevalência de idosos que sofreram
queda a nível nacional conforme a literatura, estimada em pesquisas realizadas
anteriormente como sendo aproximadamente 30% (BRASIL, 2006; PERRACINI e
RAMOS, 2002). Além disso, considerou-se 5% de erro máximo desejado para a
pesquisa, nível de confiança de 95%, correção para populações finitas, efeito do
plano amostral igual a 1,5 (considerando possíveis efeitos de estratificação e
conglomeração, conforme o procedimento de seleção adotado) e possíveis perdas
por recusa na ordem de 30%. Assim, o tamanho desejado para a amostra foi
calculado inicialmente como 601 idosos.
A população acessível foi composta de indivíduos com 60 anos ou mais de
idade, de ambos os sexos, não institucionalizados, residentes na Zona Norte de Juiz
de Fora. Quando o participante não se encontrava em seu domicílio na primeira
visita, eram feitas 3 novas tentativas de abordagem em dias e horários distintos a fim
de localizá-lo. Não obtendo sucesso nestas tentativas, o caso era considerado como
perda. Além desta, outras situações também constituíam perdas como mudanças de
endereço ou falecimento do idoso.
Nos casos em que os indivíduos apresentaram impossibilidade de
compreensão e ou resposta ao questionário, foi utilizado outro informante (proxy),
que respondeu apenas a variável de desfecho e as relativas às características
sociodemográficas. Para rastreamento da capacidade cognitiva do idoso para
responder os instrumentos de coleta de dados foi aplicado a priori o Mini-Exame do
Estado Mental (MEEM). Idosos com pontuação inferior ao limite apontado pela
literatura e que não estivessem acompanhados por familiares e ou cuidadores foram
excluídos do estudo. Cuidador foi definido como: familiar ou cuidador do idoso, que
tivesse 18 anos ou mais de idade e que tivesse no mínimo um ano de convivência
com o idoso (BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE, 2010).
A amostra total foi composta de 462 indivíduos, sendo que 42 foram
excluídos. Dos 420 questionários aplicados, 324 foram respondidos pelo próprio
33
idoso e para os outros (96) foi necessário o uso de outro respondente, devido o
quadro sugestivo de comprometimento da capacidade cognitiva apontada pelo
MEEM (Tabela 1). Como a literatura aponta que as medidas de auto-avaliação
devem ser informadas apenas pelos próprios indivíduos e que há possíveis vieses
na respostas obtidas de informante secundário (JARDIM, BARRETO e GIATTI,
2010; FONSECA et al, 2010; JARDIM et al., 2009), analisamos os dados referentes
aos 324 questionários respondidos pelo próprio idoso.
Tabela 1. Classificação da amostra, segundo critério de exclusão e condição
de respondente do estudo de 462 indivíduos. Juiz de Fora, MG, 2010
CONDIÇÃO DE RESPONDENTE DO ESTUDO
Frequência
Absoluta (N)
Frequência
Relativa (%)
Próprio idoso
Outro respondente
324
96
70,1
20,8
Excluído
42
9,1
Classificação
Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG
4.4 Variáveis do estudo
4.4.1 Variável dependente
• Queda: presença ou não de quedas nos últimos 12 meses;
4.4.2 Variáveis independentes
• Idade: idade do idoso em anos completos;
• Sexo: feminino ou masculino;
• Situação conjugal: solteiro, casado, viúvo, separado, união estável ou
outra;
• Arranjo domiciliar: referente se o idoso reside só ou acompanhado;
• Escolaridade: anos completos de escolaridade;
34
• Nível socioeconômico: categorizado com base em informações coletadas
segundo critérios propostos pela Associação Brasileira de Empresas de
Pesquisa (ABEP) (2010);
• Autopercepção da saúde: percepção do idoso em relação à sua própria
saúde, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e ruim;
• Morbidades referidas: presença de morbidades autorreferidas;
• Acuidade visual referida: percepção do idoso em relação à sua acuidade
visual, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e ruim;
• Uso de óculos ou lente de contato para correção de déficit visual:
categorizada em sim ou não;
• Acuidade auditiva referida: percepção do idoso em relação à sua
acuidade auditiva, categorizada em excelente, muito boa, boa, regular e
ruim;
• Uso de prótese auditiva para correção de déficit auditivo: categorizada em
sim ou não;
• Uso de medicamentos: quantidade de medicamentos referidos para uso
contínuo.
4.5 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada na Zona Norte do município de Juiz de Fora,
no período de março a julho de 2010. Os dados foram coletados por pesquisadores
de campo, grupo composto por 12 acadêmicos do curso de Fisioterapia da UFJF,
que foram selecionados e orientados previamente ao início do estudo.
Foram obedecidas as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa
Envolvendo Seres Humanos, em conformidade com o que preconiza a Resolução
196 do Conselho Nacional de Saúde. O Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) (Anexo B) foi lido e assinado, em duas vias, antes de iniciar a
entrevista. Os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos do estudo, além
de ser assegurado o direito de outros esclarecimentos de dúvidas durante a
entrevista sobre a pesquisa, o anonimato e que sua participação poderia ser
interrompida a qualquer momento.
35
Com relação ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM) foi analisada a
concordância interexaminadores na qual foi verificado um Kappa de 0,885 e
concordância percentual de 94,5%. A concordância em outros pontos analisados do
questionário foi considerada excelente (>80%). A realização desse teste precedeu a
aplicação
do
questionário
e
tinha
como
finalidade
detectar
possível
comprometimento cognitivo do idoso, que poderia determinar a exclusão desse
indivíduo da pesquisa ou determinar o uso de outro respondente.
Os entrevistadores foram acompanhados, avaliados e reciclados durante
todo o período da pesquisa. Além disso, para garantia do controle de qualidade foi
realizada a supervisão de campo pelos pesquisadores principais.
4.6 Instrumentos de coleta de dados
Instrumentos utilizados (Anexo C): Mini-Exame do Estado Mental (MEEM);
um questionário semi-estruturado; Escala para avaliação da capacidade funcional
para realização das ABVDs e Escala para avaliação da capacidade funcional para
realização das AIVDs.
4.6.1 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)
O Mini Exame do Estado Mental (MEEM) (FOLSTEIN et al, 1975), é uma
escala usada mundialmente que permite a avaliação da função cognitiva e o
rastreamento de quadros demenciais (LOURENÇO e VERAS, 2006). O MEEM foi
traduzido e adaptado para a população brasileira e tem sido utilizado tanto em
estudos epidemiológicos quanto em estudos na comunidade e em Instituições de
Longa Permanência (BERTOLUCCI et al, 1994; ALMEIDA et al, 1998; LOURENÇO
e VERAS, 2006).
Trata-se de um instrumento breve e de fácil aplicação, sendo composto por
questões que abrangem áreas como: orientação temporoespacial, registro, memória
de curto prazo, atenção, cálculo, linguagem e praxia possibilitando uma avaliação
36
concisa do estado mental do indivíduo avaliado. Apresenta boa consistência interna
e confiabilidade teste-reteste (DOURADO et al, 2003; DINIZ et al, 2006).
O ponto de corte 23/24 tem apresentado alta capacidade de especificidade e
discriminação (LOURENÇO e VERAS, 2006). No entanto, alguns estudos
demonstraram que é necessário que existam diferentes pontuações, sobretudo em
populações de analfabetos, uma vez que o desempenho na escala em questão sofre
grande influência da escolaridade do participante. Entretanto não existe ainda
nenhum consenso a respeito de qual deve ser esse valor, para que seja
efetivamente adotado (ALMEIDA et al, 1998; LAKS et al, 2003; LOURENÇO e
VERAS, 2006).
Por essa dificuldade em sistematizar um ponto de corte adequado a todas as
demandas, neste estudo foi adotado o ponto de corte utilizado pela Secretaria de
Estado da Saúde de Minas Gerais, que faz o uso desse instrumento para avaliação
do indivíduo idoso. A pontuação mínima esperada para idosos com quatro anos ou
mais de escolaridade é 25 pontos, e para idosos com menos de quatro anos de
escolaridade
é
18
pontos.
Pontuações
inferiores
são
indicativas
de
comprometimento cognitivo (MINAS GERAIS, 2008).
4.6.2 Questionário semi-estruturado
Trata-se de um instrumento elaborado no Projeto Inquérito de Saúde no
Município de Juiz de Fora, MG. Esse questionário é dividido em três blocos:
identificação e características sociodemográficas; questões referentes à saúde do
idoso; e questões relacionadas ao histórico de quedas e fraturas decorrentes de
quedas (CRUZ, 2011).
No primeiro bloco há os seguintes itens: condição de respondente do
questionário, idade, sexo, situação conjugal, arranjo domiciliar, escolaridade e nível
socioeconômico segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (2010)
(Anexo D).
A segunda parte do instrumento é composta pelas seguintes questões:
autopercepção da saúde; morbidades referidas; acuidade visual e auditiva referidas;
uso de óculos ou lente de contato; uso de prótese auditiva; dificuldade e
37
necessidade de ajuda para andar; número de medicamentos referidos para uso
contínuo.
O terceiro bloco temático é composto por dados relativos ao histórico de
quedas nos últimos 12 meses: presença ou ausência de quedas nesse recorte
temporal; presença ou ausência de fratura decorrente dessas quedas; local em que
ocorreu a queda; local anatômico da fratura; diagnóstico autorreferido de
osteoporose; história de fratura sem associação com queda, causas dessa fratura;
serviço de saúde e de fisioterapia procurado após a fratura; e orientação sobre
prevenção de quedas.
4.6.3 Escalas para avaliação da capacidade funcional
A capacidade funcional preservada é um importante indicador de uma
velhice saudável, deste modo, torna-se imprescindível a sua avaliação, que
normalmente é realizada através de escalas baseadas no autorrelato. Tais
instrumentos avaliam o desempenho dos indivíduos em tarefas básicas no domicílio,
envolvendo o autocuidado, ou ainda atividades ditas instrumentais, importantes para
uma vida independente perante a comunidade (ARAÚJO et al, 2008; LINO et al,
2008; LACERDA et al, 2010).
Foram utilizadas a Escala de Katz modificada e a Escala de Lawton e Brody
para avaliar atividades básicas de vida diária (ABVD) e atividades instrumentais de
vida diária (AIVD), respectivamente (DUARTE, ANDRADE e LEBRÃO, 2007;
SANTOS e JÚNIOR, 2008; DEL DUCA, DA SILVA, HALLAL, 2009). Ambos os
instrumentos são muito utilizados na literatura para a avaliação da capacidade
funcional e são referenciados pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2006a) e pela
Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2008) como
instrumentos para avaliação da funcionalidade dos idosos. Os pontos de corte
adotados
estratificam
os
idosos
em
diferentes
categorias:
dependência parcial e dependência (MINAS GERAIS, 2008).
independente,
38
4.7 Análise dos dados
Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for
the Social Sciences (SPSS) 14.0. As variáveis estudadas foram: idade, sexo,
situação conjugal, arranjo domiciliar, escolaridade, nível socioeconômico, percepção
do idoso com relação a sua saúde, visão e audição, presença de morbidades
referidas, uso de próteses visual e auditiva, uso contínuo de medicamentos e queda.
Na análise descritiva foram extraídas as frequências absoluta e relativa das variáveis
em questão. Através do Teste Qui-quadrado (χ²), foi obtida a razão de prevalência
bruta (RPbruta) para a análise da existência de associação entre a ocorrência de
queda e uso de dispositivos visual e auditivo. Além disso, foi utilizado o Teste de
Mann Whitney para verificar a relação entre autopercepção visual e auditiva com a
ocorrência de quedas. O nível de significância adotado foi de 5%.
39
5. RESULTADOS
A média de idade dos participantes de pesquisa foi 69,75 anos (DP = 6,89),
64,2 % (208/324) eram do sexo feminino e 54,7% (177/324) eram pertencentes ao
nível socioeconômico C, segundo critérios da ABEP. Com relação aos anos de
escolaridade a média foi 3,92 (DP = 3,40), sendo que 17% (55/324) eram
analfabetos. A maior parte da amostra relatou morar acompanhado 86,4 % (280/324)
e 52,2% (169/324) eram casados ou viviam em regime de união estável. A Tabela 2
apresenta as variáveis demográficas e socioeconômicas dos indivíduos.
Tabela 2. Características demográficas e socioeconômicas de 324 idosos. Juiz
de Fora, MG, 2010
CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS
Variável
Idade
Sexo
Classificação
60 – 70 anos
Arranjo domiciliar
Nível Sócioeconômico
(ABEP)
Frequência
Relativa (%)
59,2
71 – 80 anos
110
34,0
Mais de 80 anos
22
6,8
116
35,8
208
64,2
Casado/União Estável
169
52,2
Solteiro/Separado ou
divorciado/Viúvo
155
47,8
Reside sozinho
44
13,6
Reside acompanhado
280
86,4
A ou B
63
19,4
C
177
54,7
D ou E
84
25,9
Analfabeto
55
17,0
1 - 4 anos
182
56,1
5 - 7 anos
45
13,9
8 - 10 anos
21
6,5
Masculino
Feminino
Situação conjugal
Frequência
Absoluta (N)
192
Escolaridade
40
11 anos ou mais
21
6,5
Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG
Na tabela 3 são descritas as características do perfil de saúde da população
estudada. A maior parte dos indivíduos, 54,1% (175/324) classificou a saúde como
regular ou ruim e 85,5% (277/324) declararam apresentar alguma morbidade. Com
relação à autopercepção visual e auditiva, 60,2% (195/324) dos idosos classificaram
a visão como sendo regular ou ruim e 30,9% (100/324) classificaram a audição da
mesma forma. Além disso, 80,2% (260/324) e 4% (13/324) desta população
informaram usar dispositivos para correção de déficits visuais e auditivos,
respectivamente e 64,8 % (210/324) da amostra fazem uso de 1 a 4 medicamentos
de uso contínuo.
A prevalência de quedas ocorridas no ano anterior à entrevista foi de 29,9%
(97/324).
Tabela 3. Perfil de Saúde dos 324 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010
PERFIL DE SAÚDE
Variável
Autopercepção de Saúde
Presença de Morbidades
Autopercepção da Visão
Autopercepção da Audição
Classificação
Excelente
Frequência
Absoluta (N)
26
Frequência
Relativa (%)
8,0
Muito boa
39
12,0
Boa
84
25,9
Regular
143
44,2
Ruim
32
9,9
Sim
277
85,5
Não
47
14,5
Excelente
12
3,7
Muito boa
21
6,5
Boa
96
29,6
Regular
155
47,9
Ruim
40
12,3
Excelente
36
11,1
Muito boa
67
20,7
Boa
121
37,3
Regular
80
24,7
41
Uso de dispositivo para
correção visual
Uso de dispositivo para
correção auditiva
Uso contínuo de
medicamentos
Quedas
Ruim
20
6,2
Sim
260
80,2
Não
64
19,8
Sim
13
4,0
Não
311
96,0
Nenhum
58
17,9
1 – 4 medicamentos
210
64,8
Mais de 4 medicamentos
56
17,3
Sim
97
29,9
Não
227
70,1
Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG
Através da utilização do Teste Qui-quadrado (χ²), foi obtida a razão de
prevalência bruta (RPbruta) para verificação da associação entre a ocorrência de
queda e uso de dispositivo visual e auditivo (tabela 4).
Tabela 4. Associação entre uso de dispositivos visual e auditivo e ocorrência
de quedas. Juiz de Fora, MG, 2010
USO DE DISPOSITIVOS VISUAL E AUDITIVO E QUEDA
Variáveis
Uso de óculos
Sim
Não
Uso de aparelho auditivo
Sim
Não
%
RPbruta
(IC 95%)
30,8
26,6
1
1,29 (0,66; 2,27)
p
0,613
1,000
30,8
29,9
1
1,04 (0,31; 3,46)
Fonte: Dados Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG
42
Por meio do Teste de Mann Whitney foi verificado que a percepção visual foi
melhor no grupo que não sofreu queda (p= 0,017) e que não houve associação entre
percepção auditiva e a variável desfecho (p= 0,897).
43
6. DISCUSSÃO
Avaliar a saúde através do questionamento a respeito da autopercepção tem
se tornado frequente, uma vez que esta é considerada um importante indicador de
saúde da população idosa. Vários estudos apontam para o fato de que a
autoavaliação em saúde prediz robustamente incapacidades, morbidades e ainda a
mortalidade (FONSECA et al, 2010; ALVES e RODRIGUES, 2005; LIMA-COSTA,
FIRMO e UCHÔA, 2004; IDLER e BENYAMINI, 1997).
No presente estudo, 44,2% dos idosos atestaram sua saúde como sendo
regular, valor semelhante ao de outros trabalhos. Em um estudo realizado em
Bambuí (LIMA-COSTA, FIRMO e UCHÔA, 2004), 49,2% dos participantes
consideraram sua própria saúde como sendo razoável. Alves et al (2010) verificaram
que 43,4% dos idosos na amostra estudada autoavaliaram a saúde como regular.
Segundo Jardim, Barreto e Giatti (2010), a autoavaliação negativa da saúde prediz
declínio funcional, morbidades e mortalidade.
A prevalência de quedas encontrada foi de 29,9%. No estudo de Perracini e
Ramos (2002) com idosos na cidade de São Paulo, o valor encontrado foi de em
32,7%. Outro estudo (SIQUEIRA et al 2007), de delineamento transversal, realizado
em diferentes estados, abrangendo região sul e nordeste, em que foram analisados
indivíduos de 65 anos ou mais, 34,8% referiram queda no ano anterior à entrevista.
A autopercepção visual foi melhor no grupo que não sofreu queda (p =
0,017). Lee e Scudds em 2003, afirmam que ter baixa visão contribui para a
ocorrência de queda em idosos. Segundo o Consenso de Gerontologia apresentado
pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em 1998, a presença de déficit
visual é um fator de risco moderado para quedas em indivíduos idosos. Wade e
Jones (1997) apontam para o fato de que idosos com acuidade visual deficitária
apresentam o equilíbrio corporal acometido e que os déficits de equilíbrio
predispõem à queda. Em outro estudo (PERRACINI e RAMOS, 2002) foi verificado
que idosos com leve e severa diminuição na acuidade visual apresentaram,
respectivamente, 1,4 e 2,2 vezes a chance de cair duas vezes ou mais.
Segundo Perracini e Ramos (2002), a autopercepção visual tem forte
relação com a ocorrência de quedas e de quedas recorrentes, uma vez o impacto da
limitação sobre as atividades diárias é mais importante que a presença ou não de
uma condição de saúde sobre esse sistema. Dentro dessa dinâmica quaisquer
44
alterações que prejudiquem a função visual, sobretudo com diminuição da acuidade
visual, tornam a probabilidade de quedas aumentada (IVERS et al 1998). Para
Perracini e Gazzola (2009) a avaliação dos efeitos emocionais e sociais de déficits
sensoriais, como visuais e auditivos, torna-se imprescindível para saúde do idoso,
sendo os exames que avaliam apenas as funções insuficientes.
Com relação ao sistema auditivo, Paixão Júnior (2006) afirma que o
comprometimento auditivo pode levar a alterações no sistema vestibular,
ocasionando déficits no equilíbrio, predispondo o indivíduo a quedas. Estudos
apontam também para o impacto psicossocial gerado pela deficiência auditiva nos
idosos, que leva a sintomas como desatenção, depressão, alterações posturais e
quadros de vertigens, que possibilitam um maior risco de quedas (BARALDI,
ALMEIDA E BORGES, 2007; MARQUES, KOZLOWSKI e MARQUES, 2004;
PINZAN-FARIA E IORIO, 2004). Apesar das evidências apontadas pela literatura,
não encontramos relação entre autopercepção auditiva negativa e a ocorrência de
quedas (p= 0,897).
Há poucos estudos na literatura brasileira que correlacionam a perda
auditiva à ocorrência de quedas. Em Menezes e Bachion (2008), 19% de amostra da
pesquisa relataram pequeno ou leve déficit auditivo, sem significância estatística que
os correlacione a maior propensão a quedas. Em contrapartida, o estudo de
Rubenstein et al. (2001) afirmou que essa correlação é significativa, uma vez que
sua pesquisa constatou que o déficit auditivo pode ocasionar vertigens, o que
dificulta o controle postural, principalmente em movimentos bruscos e mudanças de
direção, favorecendo portanto, a ocorrência de quedas.
Há alguns possíveis fatores que explicam a ausência de relação entre
autopercepção negativa da audição e queda. Muitos idosos adotam uma postura de
isolamento em decorrência do déficit auditivo (BARALDI, ALMEIDA E BORGES,
2007), assim sendo, ficam menos expostos a situações de risco que poderiam
desencadear a queda. Cabe mencionar também que a intensidade dos déficits
auditivos pode não ser representada diretamente na autoavaliação em virtude de
estratégias adotadas no âmbito domiciliar. Frequentemente, famílias utilizam um tom
de voz e comando verbais mais altos para minimizar os efeitos do déficit auditivo e
fazer com o idoso se sinta inserido no meio. Dessa forma, o idoso pode acabar
relatando informações equivocadas a respeito de sua condição real.
Na amostra analisada, 80,2 % dos indivíduos relataram utilizar óculos ou
lente de contato para correção do déficit visual e 4,1% o uso de aparelho para
45
correção de déficit auditivo. Tanto no grupo de indivíduos que usam óculos ou lente
de contato quanto no grupo que faz o uso de prótese auditiva, 30,8% dos indivíduos
afirmaram ter caído no último ano. Porém não foi encontrado valor estatisticamente
significativo para a associação entre o uso de dispositivos visual e auditivo e a
ocorrência de quedas.
A baixa utilização de aparelho para correção de déficit auditivo e
possivelmente, a não associação entre a utilização do mesmo e o evento queda,
podem estar relacionadas com questões socioeconômicas. O acesso e a compra
desses aparelhos e também a realização de exames necessários para a indicação
dos mesmos podem estar limitados por fatores econômicos, uma vez que é sabido
que esses apresentam alto custo.
As alterações inerentes ao processo de envelhecimento podem gerar déficits
sensoriais visuais e auditivos, independente de condições de saúde que atinjam a
visão ou a audição. Para garantir a esses indivíduos um envelhecimento saudável e
com qualidade de vida, torna-se necessária a utilização de dispositivos para a
correção desses déficits e manutenção da funcionalidade e independência nas
atividades de vida diária (RICCI, GAZZOLA e COIMBRA, 2008; MATTOS e VERAS,
2007). Todavia, alguns indivíduos apresentam resistência ao uso e dificuldade de se
adaptar a esses dispositivos, o que resultará em uma utilização inadequada ou ainda
um possível abandono desse instrumento e perda da qualidade de vida (NUNES et
al., 2010).
46
7. CONCLUSÃO
A avaliação da saúde através da autopercepção é um importante indicador
de saúde na população idosa, uma vez que a mesma aponta de maneira sólida e
consistente o seu declínio funcional.
No presente estudo verificamos que a maioria dos idosos apresentou
percepções negativas com relação a sua saúde e visão. Além disso, quando
comparado os grupos que sofreram queda no ano anterior a entrevista e os que não
sofreram, observamos que há relação entre melhor percepção visual e não
ocorrência de queda (p= 0,017). Há poucos estudos que relacionam a
autopercepção visual e auditiva e o evento queda, o que dificulta a comparação de
forma equitativa à nossa pesquisa.
A partir dos achados do nosso estudo e pela relevância do assunto, torna-se
necessária a realização de novas pesquisas que aprofundem o tema em questão e
com metodologias mais apropriadas. Outra questão a ser explorada é com relação
ao uso de dispositivos para correção de déficits sensoriais e suas implicações.
O conhecimento acerca da associação entre autopercepção de saúde, assim
como dos sistemas sensoriais, em eventos significativos para o idoso, como a
ocorrência de quedas, podem contribuir para a criação de estratégias e ações de
prevenção e reabilitação efetivas para essa população, contribuindo para a
manutenção da capacidade funcional e a garantia da qualidade de vida.
47
REFERÊNCIAS:
1. ALMEIDA, O.P. Mini-exame do estado mental e o diagnóstico de demência no
Brasil. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 56, n. 3B, p. 605-612, 1998.
2. ALVARES, L.M; LIMA, R.C; SILVA, R.A. Ocorrência de quedas em idosos
residentes em instituições de longa permanência em Pelotas, Rio Grande do
Sul, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.26, n.1, p.31-40,
jan 2010.
3. ALVES, L.C. et al. A influência das doenças crônicas na capacidade funcional
dos idosos do Município de São Paulo, Brasil. Caderno de Saúde Pública,
Rio de Janeiro, v.23, n.8, p.1924-1930, ago, 2007.
4. ALVES, L.C; RODRIGUES, R.N. Determinantes da autopercepção de saúde
entre idosos do Município de São Paulo, Brasil. Revista Panamericana de
Salud Publica. v.17, n.5/6, p. 333–41, 2005.
5. ALVES, L.C; LEITE, I.C; MACHADO, C.J. Fatores associados à incapacidade
funcional dos idosos no Brasil: análise multinível. Revista de Saúde Pública,
São Paulo, v. 44, n. 3, 2010.
6. ARAÚJO, E.S. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade
e Saúde (CIF) em Fisioterapia: uma revisão bibliográfica. 2008. Dissertação
(Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Púbilca, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2008.
7. ARAÚJO, F; PAIS-RIBEIRO, J; OLIVEIRA. A; PINTO, C; MARTINS, T.
Validação da escala de Lawton e Brody numa amostra de idosos não
institucionalizados. Actas do 7º congresso nacional de psicologia da
saúde. Lisboa ISPA, p.217-220, 2008.
8. ASSIS, M. Envelhecimento ativo e promoção da saúde: Reflexão para as
ações educativas com idosos. Revista APS. Juiz de Fora, v.8, n.1, p. 15-24,
jan./jun. 2005.
9. BACHIN, A; BIGARELLA, B; DEIMONI, R; JOST, A.P; MIELKE, P; ROSSI, C;
et al. Programa de Fisioterapia Educativa na Saúde do Idoso. Fisio Brasil. v.
67, p. 44-46, 2004.
10. BARALDI, G.S; ALMEIDA, L.C; BORGES, A.C.C. Evolução da perda auditiva
no decorrer do envelhecimento. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.
v.73, n.1, p.64-70, janeiro/fevereiro. 2007
11. BEAR, M.F; COMMORS, B.W; PARADISO, M.A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 2ª. ed. Porto Alegre: Artes
Médicas. p.856, 2002.
12. BERNARDI, D.F; REIS, M.A.S; LOPES, N.B. O Tratamento da Sarcopenia
através do exercício de força na prevenção de quedas em idosos: Revisão de
Literatura.Ensaios e ciência: Ciências Biológicas Agrárias e da Saúde. v.
XII, n.2, p.197-212. 2008.
48
13. BERTOLUCCI, P.H; BRUCKI, S.M; CAMPACCI, S.R; JULIANO, Y. O miniexame do estado mental em uma população geral: impacto da
escolaridade. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 52, p. 1-7, 1994.
14. BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. Descritores em Ciências da
Saúde. Cuidadores. [S.d.]. Disponível em: <http://decs.bvs.br/cgi
bin/wxis1660.exe/decsserver/>. Acesso em: 21 nov. 2010.
15. BONARDI, G; AZEVEDO, V.B.S; MORAES, J.F.D. Incapacidade funcional e
idosos: um desafio para os profissionais de saúde. Scientia Medica, Porto
Alegre, v. 17, n. 3, p. 138-144, jul./set. 2007.
16. BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – 2002. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/perfilidoso/perfidosos2000.
pdf. Acesso em 17 Dez. 2010.
17. CARVALHAES, N; ROSSI, E; PERRACINI, N. et al. Quedas. In: Consensos
de Gerontologia. I Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia– SBGG.
São Paulo: p. 5-18. 1998.
18. CARVALHO, A.M; COUTINHO, E.S.F. Demência como fator de risco para
fraturas graves em idosos. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.36, n.4
p.448-54, 2002.
19. CARVALHO FILHO, E. T. Fisiologia do Envelhecimento. In: NETTO, M. P.
Tratado de Gerontologia. São Paulo: editora Atheneu. 2ªed, p. 105-119,
2006.
20. CARVALHO, J.A.M; WONG, L.L.R. A transição da estrutura etária da
população brasileira na primeira metade do século XXI. Caderno de Saúde
Pública. Rio de Janeiro, v.24, n.3, p.597-605, mar, 2008.
21. CARVALHO, J.A.M; GARCIA, R.A. O envelhecimento da população brasileira:
um enfoque demográfico. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.19,
n.3, p.725-733, maI./jun, 2003.
22. CHAIMOWICZ, F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI
problemas, projeções e alternativas. Revista de Saúde Pública. São Paulo,
v.31, n.2, p.184-200, 1997.
23. COUTINHO, E.S.F; BOLCH, K.V; RODRIGUES, L.C. Características e
circunstâncias das quedas seguidas de fratura grave entre idosos no Rio de
Janeiro, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.25, n.2, p.455459, fev, 2009.
24. CRUZ, D.T. Prevalência de quedas e fraturas decorrentes de queda em
idosos na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. 2011. Dissertação
(Mestrado em Saúde Coletiva) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz
de Fora, 2011.
49
25. DEL DUCA, G.P; SILVA, M.C; HALLAL, P.C. Incapacidade funcional para
atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Revista de
Saúde Pública. v.43, n.5, p.796-805, fev. 2009.
26. DINIZ, B.S.O; VOLPE,F.M;TAVARES, A.T.Nível educacional e idade no
desempenho no Miniexame do Estado Mental em idosos residentes na
comunidade. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 34, n.1, p. 13-17, 2007.
27. DOURADO, M; LAKS, J; ROCHA,M; LEIBING, A; ENGELHARDT, E.
Resultados preliminares em pacientes com doença de Alzheimer leve e
moderada. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 63, n.1, p. 114-118, 2005.
28. DUARTE, Y.A.O; ANDRADE, C.L; LEBRÃO, M.L. O Índex Katz na avaliação
da funcionalidade dos idosos. Revista da Escola de Enfermagem USP. v.41,
n.2, p.317-25, 2007.
29. FIEDLER, M.M; PERES, K.G. Capacidade funcional e fatores associados em
idosos do Sul do Brasil: um estudo de base populacional . Caderno de Saúde
Pública. 2008, vol.24, n.2, pp. 409-415.
30. FOLSTEIN, M.F; FOLSTEIN, S.E; MCHUGH, P.R. “Mini-Mental State”: a
practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician.
Journal Psychiatry Resident, v.12, p.189-98, 1975.
31. FONSECA, M.G.U.P; M.F; FIRMO, J.O.A; FILHO, A.I.L; UCHÔA, E. Papel da
autonomia na autoavaliação da saúde do idoso. Revista de Saúde Pública,
São Paulo, v. 44, n. 1, p. 159-65, 2010.
32. GAI, J.; GOMES, L.; NÓBREGA, O.T.; RODRIGUES, M.P. Fatores
associados a quedas em mulheres idosas residentes na comunidade. Revista
Associação Médica Brasileira. v. 56, n. 3, p. 327-32, 2010.
33. GANANÇA, F.F; GAZZOLA, J.M; ARATANI, M.C; PERRACINI, M.R;
GANANÇA, M.M. Circunstâncias e conseqüências de quedas em idosos com
vestibulopatia crônica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. v.72, n.3,
p.388-93, maio/junho, 2006.
34. GAWRYSZEWSKI, V.P. A importância das quedas no mesmo nível entre
idosos no estado de São Paulo. Revista Associação Médica Brasileira. v.
56, n. 2, p. 162-7, 2010.
35. GIACOMIN, K.C; PEIXOTO, S.V; UCHÔA, E; LIMA-COSTA, M.F. Estudo de
base populacional dos fatores associados à incapacidade funcional entre
idosos na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.24, n.6, p.1260-1270, jun,
2008.
36. GONÇALVES, D.F.F; RICCI, N.A; COIMBRA, A.M.V. Equilíbrio funcional de
idosos da comunidade: comparação em relação ao histórico de quedas.
Revista Brasileira de Fisioterapia. São Carlos, v.13, n.4, p.316-23, jul./ago,
2009.
50
37. IDLER, EL; BENYAMINI, Y. Self-rated health and mortality: a review of twentyseven community studies. Journal of Health and Social Behavior. v.38, n.1,
p.21-37, 1997.
38. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Coordenação
de População e Indicadores Sociais – 2004. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noti
cia=266&id_pagina=1. Acesso em 28 Jan. 2011.
39. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de
Indicadores Sociais – 2008a. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noti
cia=1275&id_pagina=1. Acesso em 28 Jan. 2011.
40. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de
Indicadores Sociais – 2008b. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_n
oticia=1233. Acesso em 17 Dez. 2010.
41. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de
Indicadores Sociais – 2009. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_n
oticia=1476&id_pagina=1> Acesso em: 28 Jan. 2011.
42. IVERS, R.Q; CUMMING, R.G; MITCHELL, P; ATTEBO, K. Visual Impairment
and falls in older adults: The Blue Moutains Eye Study. Jounal American
Geriatric Social, v.46, p.58-64, 1998.
43. JARDIM, R; BARRETO, S.M; GIATTI, L. Auto-relato e relato de informante
secundário na avaliação da saúde em idosos. Revista de Saúde Pública,
São Paulo, v. 44, n. 6, P. 1120-9, 2010.
44. KALACHE, A. O mundo envelhece: é imperativo criar um pacto de
solidariedade social. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.13, n.4,
p.1107-1111, 2008.
45. KULMALA, J. et al. Poor vision accompanied with other sensory impairments
as a predictor of falls in older women. Age and Ageing; v.38, p.162–167,
nov/dez, 2008.
46. LACERDA, J.A; MOREIRA, L.D; SOUZA, L.L.C; SANTOS, E.V; ARAÚJO,
T.L.M; BRUNO, R.X. Capacidade de Idosos Institucionalizados para Realizar
AIVD. Movimento e Saúde Revista Inspirar. vol. 2 n.2 março/abril 2010.
47. LEBRÃO, M. L. O envelhecimento no Brasil: aspectos da transição
demográfica e epidemiológica. Saúde Coletiva. São Paulo, v.4, n.17, p.135140, set.-out. 2007.
48. LEE, H.K.M. e SCUDDS, R.J. Comparison of balance in older people with and
without visual impairment. Age and Ageing, v.32, p.643-9. 2003.
51
49. LIMA, J.P. A influência das alterações sensoriais na qualidade de vida do
idoso. Revista científica eletônica de psicologia, Garça/SP, Periódicos
Semestral, Número 8, Ano V. Maio de 2007.
50. LIMA-COSTA, M.F; BARRETO, S; GIATTI, l; UCHÔA, E. Desigualdade social
e saúde entre idosos brasileiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19,
n.3, p.745-757, mai/jun, 2003.
51. LIMA-COSTA, M.F; FIRMO, J.O.A; UCHÔA, E. A estrutura da auto-avaliação
da saúde entre idosos: projeto Bambuí. Revista de Saúde Pública, São
Paulo, v. 38, n. 6, p. 827-34, 2004.
52. LIMA-COSTA, M.F; FILHO, A.I.L; MATOS, D.I. Tendências nas condições de
saúde e uso de serviços de saúde entre idosos brasileiros: um estudo
baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1998, 2003).
Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.10, p.2467-2478, out,
2007.
53. LINO, V.T.S. et al. Adaptação transcultural da Escala de Independência em
Atividades da Vida Diária (Escala de Katz). Caderno de Saúde Pública. Rio
de Janeiro, v.24, n.1, p.103-112, jan. 2008.
54. LOURENCO, R.A e VERAS, R.P. Mini Exame do Estado
Mental : Características psicométricas los Idosos ambulatoriais . Revista de
Saúde Pública, v.40, n.4, p. 712-719, 2006.
55. MACEDO, B.G. et al. Impacto das alterações visuais nas quedas,
desempenho funcional, controle postural e no equilíbrio dos idosos:uma
revisão de literatura. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. v.11,
n.3, p.419-432 jun/jul 2008.
56. MACIEL, A.C.C; GUERRA, R.O. Influência dos fatores biopsicossociais sobre
a capacidade funcional de idosos residentes no nordestes do Brasil. Revista
Brasileira de Epidemiologia, v.10, n.2, p. 178-189, 2007.
57. MARQUES, A.C.O; KOZLOWSKI, L; MARQUES, J.M. Reabilitação auditiva
no idoso. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. v.70, n.6, p.806-11,
nov./dez. 2004.
58. MATTOS, L.C; VERAS, R.P. A prevalência da perda auditiva em uma
população de idosos da cidade do Rio de Janeiro: um estudo seccional.
Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. São Paulo, v.73, n.5
set/out 2007.
59. MEDRONHO, R.A; BLOCH, K.V; LUIZ, R.R; WERNECK, G.L. Epidemiologia.
Editora Atheneu, São Paulo, 2a edição, 2009.
60. MEIRELES, A.E; PEREIRA, L.M.S; OLIVEIRA, T.G; CHRISTOFOLETTI, G;
FONSECA, A.L. Alterações neurológicas fisiológicas ao envelhecimento
52
afetam o sistema mantenedor do equilíbrio dos idosos. Revista
Neurociência, v.18, n.1, p.103-108, 2010.
61. MENEZES, R.L; BACHION, M.M. Estudo da presença de fatores de riscos
intrínsecos para quedas, em idosos institucionalizados. Ciência e Saúde
Coletiva, v.13, n.4, p.1209-1218, 2008.
62. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Manual do Prontuário de
Saúde da Família. Belo Horizonte: SES/MG, 2008. 256 p.
63. ––––––. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento
de Atenção Básica.Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília:
Ministério da Saúde, 2006. 192p. Série A. Normas e Manuais Técnicos.
Cadernos de Atenção Básica, n.19.
64. NUNES, D.P; NAKATANI, A.Y.K; SILVEIRA, E.A; BACHION, M.M; SOUZA,
M.R. Capacidade funcional, condições socioeconômicas e de saúde de idosos
atendidos por equipes de Saúde da Família de Goiânia (GO, Brasil). Ciência
e Saúde Coletiva, v.15, n.6, p.2887-2898, 2010.
65. PAIXÃO JUNIOR, C.M.;HECKMAN, M.F. Disturbios da postura, marcha e
quedasIn: FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2.ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. P.950-961.
66. PANSA, F.C.S; GARDIL, T; CHIARELLO, B; DRIUSSO, P. Treino de Equilíbrio em mulheres idosas. Fisioterapia UNICID.
v,2. P.89-99. 2003.
67. PARAHYBA, M.I; VERAS, R; MELZER, D. Incapacidade funcional entre as
mulheres idosas no Brasil. Revista de Saúde Pública, v.39, n.3, p. 383-391,
2005.
68. PERRACINI, M R; RAMOS, L R. Fatores associados a quedas em uma coorte
de idosos residentes na comunidade. Revista de Saúde Pública. São Paulo,
v.36, n.6, p.709-16, 2002.
69. PINZAN-FARIA, V.M.; IORIO, M.C.M. Sensibilidade auditiva e autopercepção
do handicap: um estudo em idosos. Distúrbios da Comunicação, São Paulo,
v.16, n.3, p.289-299, dezembro, 2004.
70. PRATA, P. R. A Transição Epidemiológica no Brasil. Caderno de Saúde
Pública. Rio de Janeiro, v.8, n.2, p.168-175, abr/jun, 1992.
71. RAMOS, L.R. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos
residentes em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Caderno de
Saúde Pública. v.19, n.3, p.793-798, maio/jun, 2003.
72. RAMOS, L.R; VERAS, R.P; KALACHE, A. Envelhecimento populacional: Uma
realidade Brasileira. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.21, n.3, p. 211224, 1987.
53
73. RICCI, N.A; GAZZOLA, J.M; COIMBRA, I.B. Sistemas sensoriais no equilíbrio
corporal de idosos. Arquivo Brasileiro Ciência Saúde, Santo André, v.34,
n.2, p.94-100, Mai/Ago 2009.
74. RIBEIRO, A. P.; SOUZA, E. R.; ATIE, S.; SOUZA, A. C.; SCHILITHZ, A. O. A
influência das quedas na qualidade de vida dos idosos. Ciência & Saúde
Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n. 4, p. 1266-73, 2008.
75. RODRIGUES, R.A.P; SCUDELLER, P.G; PEDRAZZI, E.C; SCHIAVETTO,
F.V; LANGE, C. Morbidade e sua interferÍncia na capacidade funcional de
Idosos. Acta Paulista de Enfermagem. v.2, n.4, p.643-8, 2008.
76. RUBENSTEIN, C.M.P; POWERS, C.M; MACLEAN, C.H. Quality Indicators for
the Management and Prevention of Falls and Mobility Problems in Vulnerable
Elders. Ann Intern Med, v.135, p.686-693, 2001.
77. SANTOS, R.L; JÚNIOR, J.S.V. Confiabilidade da Versão Brasileira da Escala
de Atividades Instrumentais da Vida Diária. Revista Brasileira em Promoção
da Saúde. vol.21, n.4, p.290-296, 2008.
78. SCHRAMM, J.M.A et al. Transição epidemiológica e o estudo de carga de
doença no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v.9, n.4, p.897908, out/dez 2004.
79. SILVA, T.O.; FREITAS,R.S.; MONTEIRO, M.R.; BORGES, S.M. et al.
Avaliação da capacidade física e quedas em idosos ativos e sedentários da
comunidade. Revista Associação Brasileira de Clínica Médica. São Paulo,
v.8, n.5, p. 392-8, set/out, 2010.
80. SIQUEIRA, F. V et al. Prevalência de quedas em idosos e fatores
associados. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.41, n.5, p. 749-756.
2007.
81. TEIXEIRA, C. F. Transição epidemiológica, modelo de atenção à saúde e
previdência social no Brasil: problematizando tendências e opções políticas.
Ciência e Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v.9, n.4, p.841-843, out.-dez.
2004.
82. TOLEDO, D. R. Alterações sensoriais e motoras associadas ao
envelhecimento e controle postural de idosos. 2008. Dissertação (Mestrado
em Ciências da Motricidade) – Instituto de Biociências do Campus de Rio
Claro, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, São Paulo, 2008. p.11-14.
83. VERAS, R. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas,desafios
e inovações. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.43, n.3 p.548-54,
maio/jun 2009.
84. VERAS, R. Fórum Envelhecimento populacional e as informações de saúde
do PNAD: demandas e desafios contemporâneos. Introdução. Caderno de
Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.10, p.2463-2466, out 2007.
54
85. WADE, M.G; JONES, G. The Role of Vision and Spatial Orientation in the
Maintenance of Posture. Physical Therapy . v. 77, n.6, June 1997.
55
ANEXOS
56
ANEXO A - TERMO DE APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA –
UFJF
57
ANEXO B - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
Universidade Federal de Juiz de Fora
Programa de pós-graduação em Saúde Coletiva
Mestrado Acadêmico
PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Luiz Cláudio Ribeiro
ENDEREÇO: NÚCLEO DE ASSESSORIA, TREINAMENTO E ESTUDOS EM SAÚDE - NATES
CAMPUS DA UFJF – BAIRRO MARTELOS.
CEP:36036-330 – JUIZ DE FORA – MG
FONE: (32)2102-3830
E-MAIL: [email protected]
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O Sr. (a) está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da
pesquisa “INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE FORA”. O
objetivo deste estudo é avaliar as condições de saúde da população e o seu
acesso aos serviços. A importância do estudo é justificada pela necessidade de
conhecer as condições de saúde da população e contribuir para a criação de
políticas públicas nesta área. O estudo consiste na realização de uma
entrevista na qual será aplicado questionários na população residente em Juiz
de Fora.
Os riscos relacionados à participação no estudo são mínimos,
comparáveis aos riscos das suas atividades de rotina. Participar da pesquisa
não implica em custos, remuneração, ou qualquer ganho material (brindes,
indenização, etc.). A participação no estudo será voluntária, não havendo
nenhum tipo de prejuízo ou penalização. Os danos previsíveis serão evitados.
Porém,
qualquer
tipo
de
problema
ou
desconforto
detectado
será
imediatamente sanado pelos pesquisadores, ou por quem de direito, sem
qualquer custo para o voluntário da pesquisa.
É garantido a todos os participantes que se retirem da pesquisa quando
assim desejarem, sem qualquer prejuízo financeiro, moral, físico ou social.
58
Todas as informações colhidas serão cuidadosamente guardadas, garantindo o
sigilo e a privacidade dos entrevistados, que poderão obter informações sobre
a pesquisa quando necessário pelo telefone (32) 2102-3830.
Seu nome ou o material que indique sua participação não será liberado
sem a sua permissão. O (A) Sr (a) não será identificado em nenhuma
publicação que possa resultar deste estudo.
Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias, sendo
que uma cópia será arquivada pelos pesquisadores responsáveis, no Núcleo
de Assessoria, Treinamento e Estudos em Saúde (NATES) e a outra será
fornecida a você.
Eu, ____________________________________________, portador do
documento de Identidade ____________________ fui informado (a) dos
objetivos do estudo “INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE
FORA”, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a
qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha
decisão de participar se assim o desejar.
Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia
deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade
de ler e esclarecer as minhas dúvidas.
Juiz de Fora, _________ de __________________________ de 2010.
Assinatura participante
Assinatura pesquisador
Assinatura testemunha
Em caso de dúvidas com respeito aos aspectos éticos deste estudo, você
poderá consultar o
CEP- COMITÊ
DE ÉTICA EM PESQUISA/UFJF
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA UFJF
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA
59
CEP: 36036.900
FONE: 32 3220 3788
Tire
suas
dúvidas
sobre
riscos,
http://www.ufjf.br/comitedeetica/files/2008/12/risco-em-pesquisa3.doc.
acesse:
72
ANEXO C - INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
72
72
72
72
72
72
72
72
72
72
72
Download

ana letícia silva silvério carla karoline pires generoso