“Que Espanhol Ensinar?": A Variação Lexical Do Espanhol Como Língua Estrangeira “Que Español Enseñar?”: La Variación Léxica Del Español Como Lengua Extranjera ELAINE CRISTINA RODRIGUES SILVA Centro de Comunicação e Letras – Universidade Presbiteriana Mackenzie Rua Piauí, 143 – 01241-001 – São Paulo – SP [email protected] Resumo. O presente trabalho pesquisa como se dá o ensino/aprendizagem das variedades lexicais da língua espanhola como língua estrangeira (ELE) e como a diversidade lexical é tratada nos manuais didáticos de ELE. O corpus de análise é composto pela coleção didática “Nuevo Ven” (CASTRO, MORALES & ROSA, 2003). Nele analisamos a abordagem que se confere ao ensino das variedades lexicais da língua espanhola, e qual os autores dão mais ênfase: a espanhola ou hispano-americana. Para saber como ocorre a aquisição/aprendizagem das variedades lingüísticas e qual é a postura dos alunos em relação às mesmas, aplicamos um questionário aos alunos do curso de graduação de Letras da (UPM). Palavras-Chave: Variedades. Variantes. Léxico. Resumen. El presente trabajo investiga cómo se da la enseñanza/aprendizaje de las variedades léxicas de la lengua española como lengua extranjera (ELE) y cómo la diversidad léxica es tratada en los manuales didácticos. El corpus del análisis es compuesto por las colección didáctica “Nuevo Ven” (CASTRO, MORALES & ROSA, 2003). En él analizamos el abordaje que se confiere a la enseñanza de las variedades léxicas de la lengua española, y cual los autores dan más énfasis: la española o hispano-americana. Para saber como ocurre la adquisición/aprendizaje de las variedades lingüísticas y cuál es la postura en relación a las mismas, aplicamos un cuestionario a los alumnos del curso de la graduación de Filología (UPM). Palabras-llaves: Variedades. Variantes. Léxico. 1. Introdução O presente trabalho tem como objetivo analisar como ocorre o ensino/ aprendizagem das variedades lexicais do espanhol como língua estrangeira (ELE). Partimos do princípio de que as variedades lexicais, na maioria dos materiais de ensino de Língua Espanhola, estão mais centralizadas no espanhol peninsular ou da Espanha do que no espanhol hispano-americano. A motivação inicial para a realização do tema escolhido surgiu em razão da Lei 11.161 de 05 de agosto de 2005, que define a obrigatoriedade da disciplina de Língua Espanhola nas escolas particulares e públicas para Ensino Médio e faculta a inclusão da disciplina para o Ensino Fundamental. Com essa lei, foram elaboradas as “Orientações Curriculares para o Ensino de Língua Espanhola ”, que mostra que os docentes deverão trabalhar a Língua Espanhola de maneira que os educandos conheçam todos os aspectos que giram em torno da língua, para que não criem estereótipos, nem a imagem de soberania do espanhol peninsular e que não tenham como única variante o espanhol da “Espanha”. Dessa forma, acreditamos que nas salas de aula, os docentes deverão escolher uma variedade para trabalhar com seus educandos, embora esses devam conhecer e distinguir as demais. Em virtude dessa lei, vemos que futuramente haverá muitos docentes nesta área, mas “será que estes estão preparados para ensinar?”. Além disso, em muitas observações de estágio, no decorrer do curso de graduação, foi possível observar que um grande número de alunos questionava o professor e queria saber qual variedade de Língua Espanhola deveria utilizar, por isso é necessário que o educador saiba pelo menos as diferenças mais comuns de cada local. Em especial, o estudo das diferenças lexicais da Língua Espanhola é importante para que possamos conhecer a origem regional de alguns vocábulos assim como a dos conquistadores, primeiros colonizadores, suas relações com os povos que já habitaram o local e desenvolvimentos posteriores até a cultura que é encontrada atualmente. Além disso, fazer a análise da presença dessas variedades nos livros didáticos utilizados no ensino da língua espanhola no Brasil, mostra como os autores enfatizam uma determinada variedade e como trabalham as demais, pois é importante que nas salas de aula, os alunos conheçam não só uma, mas também outras variedades lexicais. Para os alunos tanto na vida acadêmica, na vida pessoal, quanto em inúmeras situações poderão encontrar falantes de língua espanhola com uma variedade lingüística distinta da enfatizada pelo professor, isso é comum, da mesma maneira como encontramos nas variedades lingüísticas da língua portuguesa, e surge uma pergunta já realizada por muitos: “Professora, que espanhol devemos utilizar?”, e o professor se questiona: “Que espanhol devo ensinar?”. Dessa forma é importante conhecer um pouco de cada variedade, mas não com intuito de criar estereótipos, nem preconceitos. O presente estudo está dividido em três partes: na primeira, estudaremos alguns conceitos lingüísticos, características da língua espanhola, léxico e métodos de ensino de língua estrangeira, isto é, a parte teórica que da o embasamento ao nosso trabalho. Na segunda parte, passamos a analisar as variedades lexicais utilizadas nos manuais didáticos de ensino de Língua Espanhola para brasileiros e por último os questionários aplicados aos alunos. 2.Metodologia Para cumprir com os nossos objetivos selecionamos a seguinte coleção de manual didático: Nuevo Ven da Editora Edelsa (2003). A seleção desse livro se deve ao fato de que no Brasil é muito utilizado no ensino de língua espanhola e adotado por muitos docentes da rede pública e da rede particular. Além disso, analisamos um questionário aplicado aos alunos do 5o ao 8o semestre do curso de graduação de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em que verificaremos a posição destes alunos diante da questão da variedade lingüística da língua espanhola, se estes alunos reconhecem algumas variedades e se identificam a qual região ou país pertence estas variedades lexicais. Ainda, com a análise da presença dessas variedades nos livros didáticos utilizados no ensino de Língua Espanhola no Brasil, observaremos como os autores enfatizam uma determinada variedade e como trabalham as demais, a fim de perceber se há algum tipo de preconceito ou preferência, pois é importante que nas salas de aula, os alunos conheçam não só uma, mas também outras variedades lexicais e que não criem nenhum tipo de estereótipo. 3. A análise do manual didático de ELE Com a heterogeneidade da Língua Espanhola, ou seja, dentro de um idioma oficial em vários países, cada país possui sua própria cultura, surgindo assim uma dúvida para docentes ”Que espanhol ensinar?”. De acordo com González & Fernández (2006) mesmo que o docente tenha a sua própria variante, é necessário que indique aos educandos que existem outras, que também podem ser utilizadas sem nenhum tipo de estereótipo ou preconceito. A análise da coleção didática de Língua Espanhola como língua estrangeira tem como o objetivo de observar a abordagem que o corpus confere à variedade lexical da língua espanhola. Para tanto, selecionamos os volumes 1 e 2 da coleção “Nuevo Ven” (Castro, Morales, Marín & Rosa, 2003). Ao examinar o primeiro volume, verificamos que foram poucas as unidades desse volume que não tratava das variedades lexicais, mas também foram poucos os momentos que descreveram um exercício, em que pudessem aplicar essas variedades lexicais. Pensamos que os autores poderiam utilizar as variações apresentadas em textos e não de maneira isolada como um simples quadro com o título ¡OJO! Léxico de Hispano-américa. Sabemos que como estamos em um nível básico, os professores e os manuais utilizam variedades lingüísticas mais gerais do que específicas, porém se deu um exercício que o aluno utilizava as variações de “tomar” e “autobús”, poderiam fazer o mesmo com as demais. Ao examinar o segundo volume, verificamos que neste volume não há mais a seção “Amplía tu vocabulário”, agora as variedades são apresentadas na seção “Lengua en uso”, em que aparece a tabela ¡OJO! Léxico de Hispano-américa. Nesse volume todos os textos, que compõem as unidades deste livro seguem a variedade peninsular, nas competências socioculturais há presença de muitos textos que expõem a cultura hispano-americana como, por exemplo, o texto “La Habana”, que aponta algumas características geográficas locais. Também está presente no manual, textos sobre diversos locais turísticos hispano-americanos e festas populares hispanoamericanas, mas nestes textos os autores apenas mostram as diversas atividades, cidades e países pertencentes à região Hispano-americana, mas os autores em nenhum momento utilizaram nestes textos a variedade da zona que está sendo descrita, assim os alunos teriam os conhecimentos socioculturais e ampliariam ainda mais os conhecimentos lingüísticos. Com isso, podemos verificar ao longo das nossas descrições e análises que os volumes analisados da coleção “Nuevo Ven” (2003) integra atividades comunicativas com uma apresentação clara e concisa de conteúdos lexicais, pois os textos que são utilizados no início das unidades contextualizam todo o léxico, mas explora muito pouco as variedades lexicais, no sentido que apenas dá algumas variações do vocabulário, isto é as variedades estão presentes no primeiro volume e em algumas unidades inicias do segundo volume, a partir da quarta unidade do segundo volume, os autores não expõem nenhuma variação lexical diferente da variedade que foca nos demais volumes, com isso não o utilizamos para análise. 4. Análise do questionário aplicado aos alunos relacionado às variedades lingüísticas A análise do questionário aplicado aos alunos do 5o ao 8o semestre da graduação do curso de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como enfatizamos na metodologia, tem como objetivo verificar a postura destes alunos diante das variedades lingüísticas da língua espanhola. Dos questionários aplicados, obtivemos um total de quinze informantes. Para a realização desta análise elaboramos um questionário com as seguintes questões: 1a questão: Sabemos que hay diferencias lingüísticas entre el español de España y el español de América. ¿Cuál o cuáles variedades lingüísticas de la Lengua Española cree que debemos enseñar a los aprendices de español como lengua extranjera? ¿Por qué? A partir das respostas obtidas, percebemos que 66,6% dos alunos que responderam o questionário são conscientes que não há variedade lingüística melhor ou pior. Outros 26,7% dos alunos demonstram ter ainda algum tipo de estereótipo ou preconceito, pois alguns consideram a variedade espanhola o modelo a ser seguido e outros a consideram como representante oficial da língua espanhola. Por fim, 6,7% dos alunos apontaram não ter ainda um conceito formado. Acreditamos que isso se deve a que ainda não possuem as informações suficientes para ter uma opinião firme quanto ao assunto. 2a questão: ¿Cuál o cuáles variedades lingüísticas de la Lengua Española usted más utiliza? ¿Por qué? Quanto a esta segunda pergunta, podemos observar que 60 % dos alunos dizem utilizar a variedade espanhola, pois a consideram como a variedade que eles tem mais acesso. Um 26,7% dos alunos responderam que preferem as variedades hispanoamericanas, isso se dá devido a proximidade desses países em relação à cultura brasileira. E outros 13,3% não têm uma variedade definida, estes alunos que não se definiram, mas tem vontade de dar mais ênfase a variedade peninsular e outros que mesclam as variedades, dizem que utilizam mais a variedade peninsular. Estes resultados mostram uma resposta contraditória em relação à questão do uso das variedades com aprendizes de língua espanhola (ELE), pois grande parte dos alunos que afirmaram que não utilizariam apenas a variedade peninsular, neste momento afirmam que a variedade que mais empregam do uso cotidiano é a da Espanha. 3a questão: Las principales diferencias entre el español de España y el de Latinoamérica son en el léxico. A veces conocemos la palabra en una variante y no en otra. Haga el siguiente test y vea el significado de las palabras en otras variantes. i. “Llevaba una blusa blanca y una preciosa pollera colorada” (Colombia) a) falda ii. “Qué güera más simpática!” (México) a) extranjera iii. “En este restaurán preparan muy bien el chancho asado” (Perú) a) pollo b) gallina b)rubia b) cordero c) bolso c)gorda c) cerdo iv. “Para ya de beber, Tomás ¡Estás bien curado!” (Chile) a) resfriado b) borracho 1. POLLERA – FALDA c) cansado (100%) Relacionado ao primeiro item desta questão, 100% dos demonstraram que conhecem a variante hispano-americana “pollera” como variante de “falda”, isso se deve ao fato que esta variante é muito apresentada nos livros didáticos, assim como, também vimos a presença desta no manual Nuevo Ven (2003). 2. GUERA – RUBIA (33%) No segundo item da terceira pergunta, ao contrário de “pollera”, “guera” é uma variante de “rubia” que é muito pouca conhecida. Pelo contexto da frase, 60 % assinalaram “extranjera”, apenas 33,3% dos alunos mostraram “guera” é uma variante mexicana de “rubia” e 6,7% mostraram guera como variante de gorda. 3. CHANCHO- CERDO (47%) Quanto ao que encontramos no terceiro, “chancho”, variante peruana de “cerdo”, tivemos respostas variadas, isso se deu devido a proximidade entre os vocabulários escolhidos como alternativas, sendo que 46,6% conheciam essa variante peruana, 40% responderam como alternativa “pollo” e 13,4% “cordero”. CURADO- BORRACHO (100%) No último teste deste terceiro exercício, tivemos 100% de acerto, temos duas justificativas, a primeira é que os alunos realmente conheciam a variante, a outro é que esse número expressivo de acertos de seu ao fato de que o contexto ajudou a dar a resposta, pois como conhecem o vocábulo “borracho” poderiam associá-lo a frase “Para ya de beber”. 4a questão: Na quarta e última questão, pedimos aos alunos que relacionassem algumas variedades lingüísticas, sendo algumas muito enfatizadas nos manuais didáticos de língua espanhola como língua estrangeira e outras variedades que não são muito utilizadas. Ainda, pedimos que eles identificassem a que país ou região pertencem tais variedades, pois nos interessa saber se eles conhecem também outras variedades. Para isso, selecionamos palavras que facilmente encontramos nos manuais didáticos e outros que não encontramos com freqüência e alguns mais específicos de determinada região. Como podemos observar na gráfico abaixo, o emprego do par de variantes “la computadora/ el ordenador”, “pollera/ falda”, ”el jugo/ el zumo” e “anteojos/ gafas” foi de 100% . Isso deve ao fato de que estas palavras sempre estão presentes nos livros didáticos de língua espanhola como língua estrangeira. As palavras “la curita/ la tirita”, “el piso/ el suelo”, “la valija/ la maleta”, “el durazno/ el melocotón”, “las patatas/ las papas”, “la piña/ la ananás” e “la banana/ el plátano” obtivemos quase todos os acertos, assim como “la pastelería/ la confitería”, “la malla de baño/ el bañador” e “frutilla/ fresa”, palavras são mais fáceis de serem encontradas nos manuais didáticos já que a maior parte desses manuais apresenta o léxico que os alunos utilizam com mais freqüência no cotidiano. Quanto às palavras “las masitas/ las pastas”, “el encendedor/ el mechero”, “los fósforos/ las cerrilas”, “la pileta/ la piscina” e “autoestop/ aventón” foram as que tivemos o menor número de acertos, porque são palavras que dificilmente utilizamos nas salas de aula. Gráfico 1. Relação das variantes Relação de Variantes 100% 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 90% 1 2 2 4 4 1 2 2 3 80% 2 2 4 70% 60% 15 50% 13 40% 11 13 15 14 14 15 15 13 13 12 12 10 10 15 13 13 11 10 30% 20% 10% el autoestop/ avetón la banana/ plátano los anteojos/ gafas la frutilla/ fresa la piña/ ananás el jugo/ zumo las patatas/ papas el durazno/ melocotón la valija/ maleta la malla de baño/ bañador la pollera/ falda la pileta/ la piscina el piso/ el suelo la birome/ bolígrafo la pastelería/ confitería la computadora/ ordenador la curita/ tirita Nº de respostas corretas los fósforos/ cerillas Nº de respostas incorretas las masitas/ pastas Nº de respostas em branco el encendedor/ mechero 0% No gráfico abaixo podemos observar o resultado geral, ou seja, esse gráfico confirma que os alunos não conseguem identificar corretamente as variedades. De modo que apenas 54% das respostas estavam corretas, 31% respostas incorretas e 15% deixaram de identificar as variedades. Com isso, vemos que percentagem de acertos não é muito maior que as demais, pois se juntarmos as porcentagens de respostas em branco e as de respostas incorretas, teremos uma diferença pequena entre elas, essa diferença é de oito pontos e isso faz com que o número de acertos não seja tão expressivo. Gráfico 2. Resultado da identificação das variedades Resultado da identificação das variedades 81 54% 23 15% Corretas Incorretas Em branco 46 31% O teste aplicado revelou que a maioria dos alunos possui um bom conhecimento a respeito das variantes lingüísticas da língua espanhola, mas a minoria dos alunos sabe identificar as variedades. Poucos alunos possuem algum tipo de preconceito em relação à variedade hispano-americana, mesmo que a maioria dos alunos prefira a variedade peninsular ou da Espanha. No geral, eles têm consciência de que não há uma variedade melhor ou pior, mas sabemos que muitos desses alunos não utilizariam a variedade hispano-americana, pois estão acostumados a utilizaram a variedade peninsular e isso não é muito bom, pois em sala de aula cabe ao professor mostrar não apenas a variedade que utiliza, mas mostrar também outras variedades aos alunos para que eles escolham a que são cabíveis a eles. 4.Considerações Finais As investigações realizadas com a coleção didática “Nuevo Ven” tiveram como objetivo verificar como os autores abordavam as variedades lexicais e se estes utilizavam mais a variedade peninsular ou a hispano-americana. A análise realizada permitiu observar que nessa coleção didática se dá mais ênfase à variação espanhola do que a variação hispano-americana e apenas mostra traços da cultura hispano-americana através de listas de palavras e alguns textos. São poucos os momentos em que os autores utilizam as variantes lexicais hispano-americanas, sendo que o mais adequado seria como é sugerido nas “Orientações Curriculares para o Ensino Médio” (González & Fernández, 2006) que o manual didático proporcionasse ao aluno uma visão mais abrangente em relação às variedades lexicais, se possível que os autores contextualizassem mais e não as colocassem como meras curiosidades. Quanto à análise dos questionários aplicados aos alunos para verificar qual a postura em relação às variedades lingüísticas espanholas, percebemos que a maioria dos alunos tem consciência da existência dessas variedades lingüísticas, porém poucos são os que utilizam outras variedades que não seja a variedade da Espanha. Muitos defendem a idéia de que é necessário que o professor apresente ao aluno o maior número de variedades possíveis. Entretanto, grande parte deles demonstra “ainda” um certo preconceito no uso das variedades que não são as que eles utilizam ou aprenderam, como podemos ver, essa opinião invalida o que afirmam anteriormente. Ainda nesta análise foi possível observar que no processo de aprendizagem da língua espanhola, muitos alunos aprenderam as variantes lexicais que encontramos facilmente nos manuais didáticos e conhecem também um número expressivo de variantes que não são focalizadas nesses manuais, porém obtivemos poucas respostas positivas quanto à identificação da região ou país a que pertencem essas variantes. Nesse sentido, nos parece que eles aprenderam as variantes, mas sem nenhum tipo de auxílio que pudesse enriquecer esse conhecimento, para não apenas distinguir uma variante de outra, mas também reconhecer a sua origem e o seu uso. Para concluir, acreditamos que para que o ensino seja eficiente e como solução a essa problemática que enfrenta o aluno no seu processo aprendizagem do léxico é preciso cultivar as habilidades de percepção entre as variedades lingüísticas e o conhecimento do valor social atribuído a cada uma, permitindo ao estudante a capacidade de selecionar a variedade mais adequada ao contexto e à situação. Desse modo, os alunos teriam um ensino de mais qualidade e ampliariam sua formação cultural, pois é importante que o professor leve ao aluno uma nova percepção da natureza da linguagem, ou seja, que alie a língua à cultura de forma contextualizada para que eles desenvolvam uma maior consciência do funcionamento das variedades lingüísticas e suas variantes, valorizando não apenas a variedade que o manual ou o professor utiliza, mas todas elas. Referências Bibliográficas ABADÍA, Pilar Melero. Métodos y enfoques en la enseñanza/aprendizaje del español como lengua extranjera. Madrid: Edelsa, 2000. 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