1 Uso de cobertura vegetal morta no solo e resfriamento por aspersão como mecanismos de controle de altas temperatura do ar no cultivo do repolho. Karla Danielle Abreu Rezende1; Jovenilson Corrêa Araujo 1; Emanuel Gomes de Moura1; Melissa Ferraz Castro1 1 Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) – Núcleo Tecnológico de Engenharia Rural, Caixa postal, 09 São Luís–MA. RESUMO - Com o objetivo de desenvolver mecanismos de controle de temperatura na cultura do repolho (Brassica oleracea var. capitata L.), instalo u-se um experimento no Campus Experimental do Núcleo Tecnológico de Engenharia Rural da Universidade Estadual do Maranhão, no qual foram testados irrigação por aspersão com um horário de resfriamento diário, nas horas de maior e menor temperatura do ar, durante o dia, com e sem cobertura morta vegetal no solo, e irrigação por sulco com e sem cobertura morta vegetal no solo. Avaliou-se o número de folhas basais, peso médio, produtividade, compacidade, comprimento do coração (CC/DL) e índice de formato de cabeça. O tratamento T5 (irrigação por sulco com cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários) apresentou os melhores resultados de peso médio de cabeça, produtividade e compacidade. O tratamento T6 (irrigação por sulco sem cobertura do solo e lâmina d’água de 10 mm diários) obteve o pior desempenho em relação ao peso médio de cabeças e produtividade. Nesse aspecto, observa-se que, a irrigação por sulco só é viável fisiologicamente para o repolho, nas condições edafoclimaticas de São Luís, se for usado cobertura morta no solo. Palavras-chave: Brassica oleracea var. capitata L.; produção; qualidade; irrigação; cobertura morta Use of dead vegetable cover on the ground and by cooling per aspersion what gearings of coltrol height air temperatures on the cabbage culture. ABSTRACT - With the objective of to develop gearing of control temperature on the cabbage culture (Brassica oleracea var. capitata L.), it’s been established na experiment in the Technological Experimental Campus of Rural Engineering od UEMA, in the island of São Luís -MA, in which were tested irrigation by aspersion with a daily cooling time, during higher and lower air temperatures, daylinght, with and without dead vegetable cover on the ground, and irrigation by furrow with and without dead vegetable cover on the ground. It’s been avaloate the number leaf basis, medium weight, productivity, firmness, length of the heart (CC/DL), and index head format. The T5 treatment (daily irrigation by furrow with dead vegetable cover and a 10 mm water plante) showed the best results for an average head height, productivity and firmness. The T6 tratment (daily irrigation by furrow without dead vegetable cover and a 10 mm water plante) obtain the worst performance in relation to the medium weigh and productivity. In this aspect, it’s been observed that, the irrigation by furrow by alone is fisiologicaly passable for the cabage, in São Luís climatic conditions, if dead cover on the gronng is used. Keywords: Brassica oleracea var. capitata L.; production; quality; irrigation; dead cover. 2 No cultivo em roças, praticado sobretudo no Nordeste e do Norte do Brasil, os produtos típicos são abóbora, batata doce, quiabo, maxixe, feijão-verde, melancia, coentro, além desses no Maranhão é cultivado também a vinagreira e o monjongome. E em sistema de horta, praticada principalmente nas áreas de predominância de agricultores ascendência européia, Centro-sul e Sul do pais, são cultivados principalmente repolho, alface, cebola, cenoura, tomate e batata-doce (Khatounian, 1997). Entretanto, São Luís importa mensalmente 30 toneladas de repolho, oriundo de estados como Ceará, Goiás e São Paulo (Gadelha 2002), o que parece ser uma incoerência do ponto de vista do conceito de sustentabilidade desenvolvido a partir da Eco-92. O repolho (Brassica oleracea var. capitata L.), entre as variedades botânicas da espécie Brassica oleracea cultivadas no Brasil é a que possui maior expressão econômica. Cultura originalmente desenvolvida para regiões de temperaturas amenas ou frias, o repolho quando cultivado em regiões de temperaturas elevadas ocasionam a formação cabeças pouco compactas, ou a total ausência da cabeça (Filgueira, 2000). Cardoso (1998) avaliando cultivares de repolho de verão em ecossistemas de terra firme do Amazonas, obteve par o híbrido Astrus 22,65 Mg.ha -1, peso médio de cabeças de 827,71 g, compactas e formato de acordo com exigências de mercado. Em São Luís, Ambrósio & Moura (1999), também em avaliando híbridos experimentais e comercial de repolho, os melhores resultados ficaram por conta do Astrus, produtividade média de 35,28 Mg.ha -1. Araujo (2001), avaliando níveis de irrigação por sulco na cultura obteve como melhor resultado produtividade de 11,61 Mg.ha -1, cabeças com peso médio de 439,50 g, consideradas inadequadas para comercialização, já que o mercado consumidor prefere repolho com peso médio de 800 g. Segundo esse autor, a baixa produtividade obtida estaria relacionada a altas temperaturas do ar da região, sobretudo no período de estiagem. Nesse aspecto, o objetivo deste trabalho foi testar mecanismos que minimizem os efeitos negativos da temperatura sobre a cultura do repolho, de modo a torna-la viável sob ponto de vista fisiológico. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em campo, junto ao Núcleo Tecnológico de Engenharia Rural (INTER) da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, em São Luís – MA, no período de outubro a fevereiro de 2003. A temperatura do ar no período oscilou entre 26,4ºC e 33,2ºC, segundo o Núcleo de meteorologia da UEMA. A cultivar utilizada foi Híbrido Astrus (Brassica oleracea var. capitata L.). As mudas foram transplantadas para o local definitivo, em espaçamento de 0,80 x 0,50 m, cada parcela com área de 19,20 m², a área útil considerada para analise foi de 6,4 m2. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 4 repetições e 6 tratamentos: T1 (irrigação por aspersão sem cobertura morta com resfriamentos diários de 30 minutos entre 12:00 e 15:00 horas); T2 (irrigação por aspersão com cobertura morta com resfriamentos diários de 30 minutos entre 12:00 e 15:00 horas); T3 (irrigação por aspersão com cobertura morta e com resfriamentos diários de 30 minutos às 18:00 ou 06:00 horas); T4 (irrigação por aspersão sem cobertura morta e com 3 resfriamentos diários de 30 minutos às 18:00 ou 6:00 horas). Em todos os tratamentos por aspersão, o turno de rega foi de dois dias, aplicando-se lâmina d’água de 14,4 mm; T5 (irrigação por sulco com cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários); T6 (irrigação por sulco sem cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários). Os parâmetros analisados foram: número de folhas externas basais; peso médio das cabeças; produtividade; compacidade, através de notas. A compacidade da cabeça do repolho foi analisada da seguinte forma: foram atribuídas notas 0 (muito fofa), 2 (medianamente fofa), 3 (pouco firme), 4 (firme) e 5 (muito firme) (Ambrósio & Moura, 1999); profundidade do coração, através da relação entre comprimento do coração e diâmetro longitudinal (relação CC/DL) (Cardoso, 1999); e índice de formato, através da relação diâmetro transversal e longitudinal. Os resultados experimentais foram analisados através da análise de variância e comparação de médias através do teste de Tukey (p=0,05). RESULTADOS E DISCUSSÃO Em relação ao número de folhas basais, o tratamento T1 (irrigação por aspersão sem cobertura morta com resfriamentos diários de 30 minutos entre 12:00 e 15:00 horas) apresentou a maior média (24,06 folhas), porém este não diferiu estatisticamente dos demais tratamentos. O menor peso médio de cabeças, 300,92 g foi atribuído ao tratamento T6 (irrigação por sulco sem cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários), e o melhor desempenho ficou por conta do tratamento T5 (irrigação por sulco com cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários), com peso médio de 603,09 g. Consequentemente, este apresentou produtividade média de 12,67 Mg.ha -1, que foi superior estatisticamente somente ao tratamento T6 (irrigação por sulco sem cobertura morta e lâmina d’água de 10 mm diários), considerando-se, que segundo Ambrósio & Moura (1999) e Cardoso (1998, 1999), o espaçamento da cultura pode variar de 0,6 x 0,4 m a 0,8 x 0,4 m, pode-se obter produção entre 15 e 21 Mg.ha -1, ou superior, apenas alterando a densidade de plantio, para às condições de T1. Em relação a compacidade, todos os tratamentos produziram cabeças que puderam ser classificadas de firmes a muito, exceto o T6 classificado como pouco firme. Como, de acordo com Cardoso (1998, 1999), quanto menor a profundidade do coração melhor é a qualidade do repolho para o mercado, T2 (irrigação por aspersão com cobertura morta com resfriamentos diários de 30 minutos entre 12:00 e 15:00 horas) obteve o melhor resultado, T5 apresentou a maior profundidade de coração mostrando que o sistema de irrigação pode interferir no comprimento do coração; quanto ao índice de formato, todos os tratamentos apresentaram cabeças levemente achatadas, tendendo para o arredondamento, como é o caso de T1 (Tabela 1). No geral, a porcentagem de plantas perdidas após o transplantio ou que formaram cabeças com peso inferior a 100 g foi bastante elevado: T1 e T5 20,31%, T2 e T3 21,86%, T4 26,56% e T6 31.25%. 4 Tabela 1 – Número de folhas basais, peso médio das cabeças, produtividade, compacidade, relação CC/DL e índice de formato de cabeças para cada tratamento. São Luís-MA, UEMA, 20031. Tratamentos Folhas Peso médio Produtividade Compacidade -1 Relação Índice CC/DL formato basais (g) (Mgha ) T1 24,06 a 540,27 a 11,34 ab 4,04 a 0,52 ab 0,93 a T2 22,26 a 526,35 a 10,43 ab 3,95 ab 0,44 b 0,86 a T3 22,72 a 528,35 a 10,24 ab 4,13 a 0,55 ab 0,86 a T4 23,00 a 524,91 a 10,25 ab 3,90 ab 0,54 ab 0,82 a T5 19,96 a 603,10 a 12,67 a 4,24 a 0,62 a 0,81 a T6 24,06 a 300,92 b 05,94 b 3,45 b 0,49 ab 0,87 a CV(%) 13,05 19,08 28,09 6,61 13,78 6,85 6,61 220,88 6,41 0,59 0,16 0,13 Dms (5%) de 1 Médias, nas colunas, seguidas de letras iguais, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05). CONCLUSÕES Em regiões de baixa latitude, como é o caso de São Luís, o cultivo da cultura do repolho utilizando variedades de verão, só é fisiologicamente possível se forem desenvolvidos mecanismos para minimizar os efeitos negativos das altas temperaturas, principalmente no solo. Nesse aspecto, tanto o sistema de irrigação por sulco como o sistema por aspersão são viáveis para a cultura, desde que se proteja o solo com cobertura vegetal morta. Em solo limpo, ou seja, sem qualquer cobertura protetora, em nossas condições, sobretudo sob irrigação por sulco, ocorre alto índice de não formação de cabeça e ou de cabeças de baixo peso e pouco firmes. AGRADECIMENTO À FAPEM, pelo financiamento do projeto. LITERATURA CITADA AMBRÓSIO, F. J., MOURA, M.C.C.L. Avaliação de híbridos experimentais e comercial de repolho para a ilha de São Luís – MA. Pesquisa em Foco, São Luís,v.7, n. 9, p. 7-19-6 jan./jun. 1999. ARAÚJO, J. C., Produtividade e qualidade do repolho (Brassica oleracea var. capitata L) submetido a várias lâminas d’água e turnos de rega na irrigação por sulco fechado em nível na Ilha de São Luís. 2001. 36 f. Monografia (Graduação em Agronomia) – Universidade Estadual do Maranhão. CARDOSO, M. O. 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