Governo do Estado do Pará Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - Mestrado Maria de Nazaré Santos de Oliveira Conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde Belém 2014 Maria de Nazaré Santos de Oliveira Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Mestrado Associado em Enfermagem UEPA/UFAM, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UEPA, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Enfermagem. Área de Concentração: Enfermagem. Linha de pesquisa: Enfermagem em Saúde Pública e Epidemiologia das Doenças na Amazônia. Orientador: Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles. Belém 2014 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Biblioteca de Enfermagem – Campus IV - UEPA O48c Oliveira, Maria de Nazaré Santos de Conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde / Maria de Nazaré Santos de Oliveira; Orientador: Mauro José Pantoja Fontelles. Belém, 2014. 99 f.; 30 cm Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade do Estado do Pará, 2014. 1. Hanseníase. 2. Epidemiologia. I. Fontelles, Mauro José Pantoja (Orient.). II. Título. CDD: 21 ed. 616.998 Maria de Nazaré Santos de Oliveira Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde Dissertação submetida ao Programa de PósGraduação Mestrado Associado em Enfermagem UEPA/UFAM, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Enfermagem. Data de Aprovação: 20/02/2014 Banca Examinadora _______________________________________________ Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles - Presidente Universidade do Estado do Pará - UEPA __________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Pinheiro Carrera - Membro Interno Universidade do Estado do Pará - UEPA _______________________________________________ Prof.ª Dr.ª Jacira Nunes Carvalho - Membro Externo Universidade Federal do Pará – UFPA ______________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Maria Izabel Penha de Oliveira Santos - Suplente Interno Universidade do Estado do Pará - UEPA Aos meus pais, João Campos e Raimunda Santos (in memoriam), pela atenção, carinho e dedicação na educação que influenciou positivamente a vida de cada um de seus filhos. Exemplos de vida. À família Santos & Oliveira que sempre me incentivou e apoiou. Que a Paz de Cristo permaneça sempre entre nós. AGRADECIMENTOS À Deus, meu Grande Mestre! Por iluminar e guiar meus passos dia a dia nesta caminhada e por abençoar meus projetos de vida e profissional. Ao meu orientador, Dr. Mauro José Pantoja Fontelles, pela serenidade e cordialidade com que conduziu as orientações para a concretização deste trabalho. À Dr.ª Maria de Fátima Pinheiro Carrera pela valiosa contribuição e pertinentes observações na correção deste trabalho. À Dr.ª Jacira Nunes Carvalho pela gentileza em participar da Banca Examinadora contribuição e incentivo. À Dr.ª Maria Izabel Penha de Oliveira Santos pelo apoio incentivo e atenção nos primeiros momentos da construção deste estudo. Muitíssimo obrigada! A todos os professores do PPGENF/Turma 2 pelos ensinamentos e incentivos aos grandes desafios. A todas as colegas da turma 2 pelo companheirismo nestes anos de estudo. À minha querida irmã Rosana Maria Santos de Oliveira Corrêa, que mesmo residindo em outra cidade (Palmas-TO), contribuiu com a normalização da Dissertação, a quem sou muito grata. À SESPA e a SESMA por autorizarem a realização deste estudo e pelo apoio e acolhimento durante o processo de coleta de dados da pesquisa. Aos Gestores das UMS Guamá, UMS Jurunas, UMS T. Bastos e UMS Marambaia, UBS Pedreira e CSE Marco e a equipe de enfermagem do Programa de Controle da Hanseníase pelo acolhimento e apoio durante o processo de coleta de dados da pesquisa. Às pessoas acometidas de hanseníase que participaram da pesquisa, carinhosamente, muito obrigada! À colega Cecília Helena pelo acolhimento e apoio durante a coleta de dados na UMS Jurunas, muito obrigada. Às amigas Professoras da UEPA, Ângela Ferreira, Margarete Boulhosa, Margareth Braun e Carmen Miranda, pelo apoio, incentivo e amizade. À acadêmica de enfermagem da UEPA Luana Carvalho pela ajuda e apoio durante o processo de coleta de dados da pesquisa, muito obrigada. À amiga Enfermeira Helena Melo pelo apoio, companheirismo e amizade. “A teoria sem a prática vira verbalismo, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade”. Paulo Freire RESUMO OLIVEIRA, Maria de Nazaré Santos de. Conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde. 2014. 99f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2014. A hanseníase representa um grave problema de saúde pública por ser endêmica em várias regiões do mundo e do Brasil, e por provocar graves danos físicos e sociais. O Brasil é o segundo colocado do mundo em números absolutos de casos e o primeiro da América Latina com 30.298 casos em 2011. O estado do Pará é o primeiro colocado no Brasil com 3.876 casos, que equivale a um coeficiente de detecção geral de 50,41/100.000 habitantes. No mesmo ano, o município de Belém apresentou 317 casos novos, com um coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000 habitantes, mantendo-se em um patamar ainda preocupante e considerado padrão de endemicidade muito alto conforme parâmetro da Organização Mundial da Saúde. Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa, analítica e aplicação do método CAP, cujo objetivo foi avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na Atenção Primária à Saúde, no município de Belém, Pará. A pesquisa foi realizada nas Unidades Municipais de Saúde do Guamá, Jurunas, Marambaia e Tavares Bastos; Unidade Básica de Saúde Pedreira e no Centro de Saúde Escola Marco, por meio de entrevistas com 75 pessoas, entre os meses de abril a setembro de 2013, maiores de 18 anos, que assinaram o Termo de Consentimento, e estavam em tratamento nas unidades selecionadas. Estabeleceram-se como variáveis independentes o perfil sociodemográfico e as variáveis dependentes os conhecimentos às atitudes e às práticas de pessoas acometidas de hanseníase. Para a compilação e análise dos dados, utilizaram-se os programas Epi Info e BioEstat. Em todas as análises, o nível alfa foi considerado em 5%. Os resultados do estudo revelaram que a faixa etária de 39 a 59 anos (46,7%) foi a mais acometida pela doença, com maior frequência no sexo masculino (60%). A raça autodeclarada negra/parda se destacou com 76%. Quanto à escolaridade, o maior percentual foi o ensino médio com 46,7% e, em relação à renda familiar, a predominância foi entre um a três salários mínimos (60%), e a maioria declarou ser pessoas casadas ou que vivem com companheiros (52%). Possuem conhecimento bom (62,7%) sobre a doença. Entretanto, sobre a prevenção de incapacidade física, o conhecimento da maioria cai para regular (45,3%) e insuficiente (42,7%). A atitude do grupo sobre a doença foi satisfatória em 96%. E a prática apresentou relação significativa com o conhecimento, apontando que o pouco conhecimento sobre a doença pode implicar em práticas incorretas em relação aos cuidados com o corpo. Destarte, o estudo confirmou que o conhecimento limitado sobre a doença, retarda a procura ao serviço, contribuindo para o diagnóstico tardio da doença e pode resultar em graves consequências. Palavras-chave: Hanseníase. Epidemiologia. Conhecimentos. Atitudes. Práticas. ABSTRACT OLIVEIRA, Maria de Nazaré Santos de. In 2014. Knowledge attitudes and practice of people affected by leprosy met in Primary Health Care. 99f. Dissertation (Master’s in Nursing) – University of Pará, Belém, 2014. Leprosy is a serious public health problem to be endemic in many regions of the world and Brazil, and to cause serious physical and social harms. Brazil is the second in the world in absolute numbers of cases and the first in Latin America with 30,298 cases in 2011. The state of Pará is the first place in Brazil with 3,876 cases, which is equivalent to a coefficient of overall detection 50,41 / 100,000 inhabitants. In the same year, the municipality of Bethlehem presented 317 new cases, with a coefficient of overall detection of 22.6 / 100,000, remaining in a still worrying and considered standard of very high endemicity parameter as the World Health Organization threshold This is a cross-sectional study with quantitative, and analytical application of CAP method approach, whose goal was to assess the standard of knowledge, attitudes and practices of people affected by leprosy met in Primary Health Care in the city of Belém, Pará. a survey was conducted at the Municipal Health Units Guamá , Jurunas, Marambaia and Tavares Bastos, Basic Unit Quarry Health and Health Centre Marco, through interviews with 75 people, between the months from April to September 2013, aged 18, who signed a consent form, and were under treatment in the selected units. Established themselves as independent variables the sociodemographic profile and dependent knowledge attitudes and practices of people affected by leprosy. For compiling and analyzing the data, we used the Epi Info and BioEstat programs. In all analyzes, the alpha level was considered at 5 %. The results of the study revealed that the age group 39-59 years (46.7 %) was the most affected by the disease, more frequently in males (60%). The black / brown self-reported race stood at 76%. Regarding education, the highest percentage was high school with 46.7% and in relation to family income, the prevalence was between one to three minimum wages (60%), and most people claimed to be married or living with roommates (52%). Have good knowledge (62.7%) of the disease. However, on the prevention of disability, knowledge of most regular falls (45.3%) and low (42.7%). A group attitude about the disease was satisfactory in 96 %. And the practice had a significant relationship with knowledge, pointing out that the lack of knowledge about the disease can result in incorrect practices in relation to body care. Thus, the study confirmed that the limited knowledge about the disease, slows the service demand, contributing to late diagnosis of the disease and can result in serious consequences. Keywords: Leprosy. Epidemiology. Knowledge. Attitudes. Practices. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Principais nervos afetados pela hanseníase................................. 20 Figura 2 - Esquemas I e II. Classificação polar de RABELLO/MADRI e Classificação de RIDLEY &JOPLING............................................ 22 Conhecimento sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação.................................................................. 51 Conhecimento sobre a doença e a variável escolaridade conforme escore de avaliação................................................... 52 Conhecimento sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação................................................... 53 Atitude sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação.................................................................................. 53 Atitude sobre a doença e a variável escolaridade conforme escore de avaliação.................................................................. 54 Atitude sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação.................................................................. 55 Prática sobre a doença e a variável sexo conforme o escore de avaliação.................................................................................. 55 Prática sobre a doença e a variável escolaridade conforme o escore de avaliação.................................................................. 56 Prática sobre a doença e a variável renda familiar conforme o escore de avaliação.................................................................. 57 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 - LISTA DE TABELAS E QUADROS Tabela 1 - Casos novos de hanseníase por coeficiente de detecção.............. 28 Tabela 2 - Casos novos de hanseníase segundo forma clínica...................... 29 Quadro 1 - Demonstrativo de casos de MH segundo o sexo e a forma clínica em seis unidades de saúde do município de Belém (PA) – 2013.......................................................................................... 30 Tabela 3 - Características Sociodemográficas de pessoas com MH quanto à faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação........................... 41 Tabela 4 - Distribuição segundo estado conjugal, número de filhos, número de residentes no domicílio, renda familiar e existência de outro caso de MH na família...................................................................... 43 Tabela 5 - Distribuição de acordo com o tipo de casa, número de cômodos, água utilizada, coleta de lixo e destino dos dejetos......................... 44 Tabela 6 - Distribuição segundo o conhecimento sobre a doença, a transmissão, sintomas, tratamento e cura da MH............................ 45 Tabela 7 - Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo................................................................................................. 46 Tabela 8 - Atitudes relacionadas a fatores que podem interferir na recuperação do doente.................................................................... 47 Tabela 9 - Práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento.................................................................... 49 Tabela 10 - Associação entre conhecimento sobre a doença e o escore de avaliação.......................................................................................... 50 Tabela 11 - Associação entre a prática sobre a doença e o escore de avaliação........................................................................................... 50 Tabela 12 - Associação entre atitude sobre a doença e o escore de avaliação.......................................................................................... 51 Quadro 2 - Critérios estabelecidos para as categorias de conhecimento, atitude e prática sobre hanseníase.............................................. 86 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ALM American Leprosy Missions APS Atenção Primária à Saúde BAAR Bacilo Álcool Ácido Resistente. CAP Conhecimentos, Atitudes e Práticas CEO Centro de Especialidades em Odontologia CI Casos-Índice CFZ Clofazimina CNS Conselho Nacional de Saúde CSE Centro de Saúde Escola DABEL Distrito Administrativo de Belém DAENT Distrito Administrativo do Entroncamento DAGUA Distrito Administrativo do Guamá DDS Dapsona DST Doença Sexualmente Transmissível EACS Estratégia Agente Comunitário de Saúde ESF Estratégia Saúde da Família HIPERDIA Hipertensão e Diabetes HI Hanseníase Indeterminada HT Hanseníase Tuberculóide HDT Hanseníase Dimorfo-Tuberculóides HDD Hanseníase Dimorfo-Dimorfos HDV Hanseníase Dimorfo-Virchowianos HV Hanseníase Virchowianos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IC Intervalo de Confiança IDH Índice de Desenvolvimento Humano MB Multibacilar. M.leprae Micobacterium leprae MH Mal de Hansen/Morbus Hansen MS Ministério da Saúde OMS Organização Mundial de Saúde PB Paucibacilar PCH Programa de Controle da Hanseníase PDR Plano Diretor de Regionalização PQT Poliquimioterapia. RDH Relatório de desenvolvimento Humano RFM Rifampicina SESMA Secretaria Municipal de Saúde SESPA Secretaria de Estado de Saúde Pública Pará SNP Sistema Nervoso Periférico SVS Secretaria de Vigilância à Saúde SINAN Sistema de Informação de Agravo de Notificação SUS Sistema Único de Saúde TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UBS Unidade Básica de Saúde UEPA Universidade do Estado do Pará UMS Unidade Municipal de Saúde US Unidade de Saúde VS Vigilância à Saúde SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………. 14 2 REVISÃO DA LITERATURA………………………………………………… 18 2.1 Hanseníase…………………………………………………………………….. 18 2.2 Epidemiologia da Hanseníase…………………………………………….... 23 2.3 Fatores Predisponentes para Hanseníase.............................................. 26 2.4 Conhecimentos, Atitudes e Práticas (CAP)............................................ 31 3 OBJETIVOS................................................................................................ 34 3.1 Objetivo Geral............................................................................................ 34 3.2 Objetivos Específicos............................................................................... 34 4 MÉTODO..................................................................................................... 35 4.1 Local de Estudo......................................................................................... 35 4.2 Tipo de Estudo........................................................................................... 36 4.3 População e Amostra................................................................................ 36 4.4 Tamanho da Amostra................................................................................ 36 4.5 Critérios de Exclusão................................................................................ 37 4.6 Procedimentos para a Coleta de Dados.................................................. 37 4.7 Variáveis Estudadas.................................................................................. 38 4.8 Análise Estatística dos Dados.................................................................. 39 4.9 Aspecto Ético.............................................................................................. 40 5 41 RESULTADOS............................................................................................. 5.1 Características Sociodemográficas de Pessoas Acometidas de Hanseníase.................................................................................................. 41 5.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas com MH em relação à Doença............................................................................ 45 5.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas sobre a Doença e o Escore de Avaliação...................................................................................................... 50 5.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à Hanseníase, conforme Escores de Avaliação...................................................................................................... 51 6 DISCUSSÃO................................................................................................. 58 6.1 Características Sociodemográficas e Econômicas................................. 58 6.2 Conhecimentos, Atitudes e Prática de Pessoas acometidas de Hanseníase em relação à Doença....................................................... 62 6.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas sobre a Doença e o Escore de Avaliação.................................. 65 6.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Praticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à Hanseníase conforme Escore de Avaliação...................................................................................................... 66 7 CONCLUSÃO............................................................................................... 69 REFERÊNCIAS............................................................................................ 70 APÊNDICES................................................................................................. 77 ANEXOS....................................................................................................... 90 14 1 INTRODUÇÃO O estudo teve como objeto de pesquisa conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde no Município de Belém (PA). A hanseníase, também chamada Mal de Hansen ou Morbus Hansen (MH) é uma das mais antigas doenças da humanidade. É caracterizada como uma doença infecciosa, crônica, granulomatosa, causada pelo Micobacterium leprae (M. leprae), ou bacilo de Hansen, que possui tropismo para pele, anexo cutâneo e, principalmente, para terminações nervosas da pele e troncos nervosos periféricos, acarretando incapacidades físicas irreversíveis quando o diagnóstico é tardio (SILVESTRE, 2011, p.12). É considerada uma das patologias endêmicas em várias regiões do mundo e representa, nos dias atuais, o agravo mundial de Saúde Pública no Brasil e em diversos países em desenvolvimento, onde mais de um bilhão de pessoas vivem em áreas consideradas endêmicas. O dano neurológico responsável pelas sequelas que podem aparecer causa repercussões individuais e sociais; e por acometer a faixa economicamente ativa (PINHEIRO et. al., 2009). Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), “em 2020 poderá haver cerca de 1,4 milhões de pessoas no mundo com deformidades ocasionadas pela hanseníase” (BATISTA et. al., 2011). O contágio da hanseníase se dá através da convivência de pessoas sadias com o doente contagiante portador do bacilo de Hansen sem tratamento, que o elimina para o meio exterior, infectando pessoas susceptíveis. Sua propagação ocorre principalmente em ambientes onde as condições de saúde e de vida são desfavoráveis, como ambientes fechados com pouca ventilação e com ausência de luz solar. Essas condições predispõem outra pessoa ser infectada com o bacilo da hanseníase. Outros fatores também favorecem o desenvolvimento da doença como a desnutrição, o elevado número de pessoas convivendo no mesmo ambiente e os movimentos migratórios que facilitam a difusão da endemia (VIEIRA et. al., 2008). Santos et. al. (2007) referem à falta ou o pouco conhecimento da população sobre a doença, suas atitudes em relação às diversas formas de manifestação clínica e suas práticas quanto às maneiras de prevenção como aspectos importantes para a propagação do contágio da hanseníase. Essa falta de conhecimento retarda 15 a procura ao serviço contribuindo para o diagnóstico tardio e manutenção das fontes de infecção, que por sua vez aumentam o número de infectados. Os mesmos autores afirmam que, existe uma grande massa de doentes ocultos imersos na multidão, que vem à tona quase que por acaso. Na grande maioria, a doença só é diagnosticada já polarizada, o que significa que já estavam doentes há vários anos. E o mais grave é que deixaram para trás uma multidão de pessoas contaminadas, alimentando assim a endemia. Para Duarte, Ayres e Simonetti (2009): É importante o esclarecimento aos pacientes quanto aos vários aspectos da hanseníase, a fim de que compreendam as manifestações clínicas que vivenciam e a importância da adesão ao tratamento, do controle dos comunicantes e para que se sintam estimulados ao autocuidado, já que este é fundamental na prevenção de incapacidades e manutenção de sua saúde. Conforme dados epidemiológicos da OMS (2010), 244.796 novos casos no mundo foram notificados em 2009. No Brasil, foram 30.298 casos novos em 2011 (BRASIL, 2012). O Brasil está incluído entre os países de alta endemicidade de hanseníase, o que indica que possui um coeficiente de prevalência médio superior a um caso por mil habitantes. Embora tal coeficiente seja geograficamente desigual, havendo áreas de alta, média e baixa prevalência distribuída em todo o território, há uma tendência uniforme de aumento no número de casos diagnosticados desde os anos 70 até os dias atuais. Mesmo com todo o empenho na eliminação da hanseníase, o Brasil ainda continua sendo o segundo país em número absoluto de casos no mundo (MACEDO et. al., 2009, p. 195). Muito se tem a fazer enquanto o perfil de saúde indicar que o Brasil é um país profundamente desigual. O Ministério da Saúde (MS) tem o compromisso de fortalecer a rede de saúde nas áreas de maior risco de adoecimento e de apoiar todos os estados e municípios na construção de linhas de cuidado integral visando à promoção da equidade e justiça social (BRASIL, 2011a). O Estado do Pará destacou-se em primeiro lugar em número absoluto de casos no Brasil com 3.876 casos notificados em 2011 (PARÁ, 2012). A doença possui uma distribuição heterogênea apesar de se identificar áreas com maior ocorrência de casos de hanseníase nas regiões Sul, Sudeste, Oeste e parte da região Nordeste do Estado e área metropolitana de Belém (MACEDO et. al., op. cit.). No mesmo ano, o município de Belém notificou 317 casos, que correspondem a um 16 coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000 habitantes, padrão de elevada magnitude considerado parâmetro muito alto pelo Ministério da Saúde (MS) (BELÉM, 2012). Para Silvestre (op. cit., p.14), é relevante que a pesquisa científica possa investir esforços em compreender melhor os mecanismos que influenciam na manutenção da endemia no Estado do Pará, bem como, estabelecer instrumentos que possam ser úteis ao diagnóstico precoce e à vigilância epidemiológica da doença: Esta necessidade é explicada pelo número de casos considerável de hanseníase no município de Belém, o que causa impacto expressivo sobre a morbidade, e pela dificuldade enfrentada pelos serviços de saúde em baixar os índices (detecção e prevalência) até o nível proposto pela OMS que corresponde a 1/10.000 habitantes. De acordo com o MS (BRASIL, 2008), o controle da hanseníase está baseado em um conjunto de ações vinculadas à Vigilância à Saúde (VS). Estas ações representam uma nova estratégia de pensar e agir que tem como objetivo, a análise permanente da situação de saúde da população e o desenvolvimento de práticas adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes. No desenvolvimento das ações de controle da hanseníase, o profissional enfermeiro vem desenvolvendo as suas atividades em uma rede de serviços organizada e hierarquizada dentro dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), em composição com uma equipe multidisciplinar, buscando uma ação de integralidade na assistência à saúde e desenvolvendo papel importante seja na área de vigilância e na educação em saúde ou no atendimento às pessoas acometidas de hanseníase. Desse modo, o propósito do estudo em avaliar o padrão de conhecimentos, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase maiores de 18 anos atendidas na Atenção Primária à Saúde (APS), dá-se por ser uma doença endêmica, complexa, silenciosa e pela magnitude do problema no Estado do Pará ora apresentado. A aquisição de conhecimentos sobre a doença as pessoas acometidas, é fundamental para o autocuidado através de técnicas simples de prevenção de incapacidades físicas e adesão ao tratamento que proporcionará a cura da doença. Também poderá oferecer subsídios para avaliação das estratégias de intervenção, da atenção e de cuidados de enfermagem a essas pessoas que visam à melhoria da assistência de enfermagem. 17 Verificou-se que, a nível nacional, na região norte e no município de Belém campo da pesquisa, há escassez de estudos semelhantes relacionados à hanseníase. Portanto, torna-se pertinente e relevante o estudo a fim de preencher as lacunas de conhecimentos sobre a hanseníase na saúde pública do Brasil, e da região amazônica. Dessa forma, o estudo considerou como hipótese nula que o conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase maiores de 18 anos atendidas na APS não estão associados à ocorrência da doença. 18 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Hanseníase A hanseníase representa um grave problema de saúde pública no Brasil por ser endêmica em diversas regiões do país e por provocar graves danos físicos e sociais às pessoas acometidas por essa enfermidade (SANTOS; RIBEIRO; MONTEIRO, 2012). Sua história é marcada por medo e preconceito por ser uma doença contagiosa com evolução crônica, que pode provocar lesões incapacitantes e deformidades se não tratada precocemente (SANTOS; PARDO, 2006). Para Talhari, Neves (1997, p. 1), a hanseníase é uma doença infecciosa, transmitida de pessoa para pessoa através do convívio com os doentes das formas contagiantes (V e D) sem tratamento. Pinto Neto (2004, p.15) descreveu-a como sendo uma endemia que praticamente só existe nos países tropicais, coincidindo com o subdesenvolvimento, cuja pobreza configura-se como fator de risco. E enfatiza que o processo histórico da hanseníase no mundo é reflexo de situações sociopolíticas e socioeconômicas. Nessa perspectiva, Batista et. al. (op. cit.) mostraram em seu estudo que o maior número de indivíduos acometidos, sobretudo por formas clínicas que cursaram com lesões incapacitantes são de regiões periféricas da cidade, onde predominam condições de moradias precárias e conglomerados familiares. No Brasil, os primeiros casos de hanseníase foram notificados no ano de 1600 na cidade do Rio de Janeiro. Outros focos da doença foram identificados principalmente na Bahia e no Pará (BRASIL, 1989). A doença continuou se disseminando, com maior frequência em regiões onde os perfis socioeconômicos e culturais apresentavam situações de calamidades. Para Silvestre (op. cit., p. 18), os determinantes sociais e históricos associados à ocupação da Amazônia Legal e à manutenção de iniquidades sociais na região nordeste, ajudaram a explicar o acúmulo de pessoas infectadas em se tratando de uma doença de longo período de incubação. Silvestre (Ibid., p. 21) também abordou a distribuição espacial da hanseníase na Amazônia e identificou nesta região cinco de dez focos da doença a despeito do elevado desenvolvimento econômico, crescimento populacional e infraestrutura de estradas. A Amazônia foi definida como uma fonte de exportação de casos para 19 outras partes do Brasil. O homem é reconhecido como única fonte de infecção, embora tenham sido identificados animais naturalmente infectados. O período de incubação na pessoa infectada é em média de dois a sete anos, fato que pode explicar porque a doença desenvolve-se mais comumente em indivíduos adultos, apesar de que crianças também podem ser contaminadas (VILLAR, 2006). A eliminação e a porta de entrada ocorrem basicamente pelas vias aéreas superiores. O M. leprae foi a primeira bactéria descrita como patógena para o homem, descoberta pelo médico norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen, em 1873 (BRASIL, op,. cit.). “A descoberta desse bacilo descartou a teoria hereditária da hanseníase” (SILVA, 2008). É um parasita intracelular obrigatório no sistema fagocítico-mononuclear, o que imprime a característica da doença crônica à hanseníase, que infecta predominantemente as células de Schwann no nervo e os macrófagos na pele da pessoa infectada e se produz muito lentamente pelo processo de divisão binária (12 a 21 dias). O parasita é gram-positivo e fortemente álcool-ácido resistente (BAAR) quando submetido à coloração de Ziehl-Neelsen (BRASIL, 2002a). O bacilo de Hansen tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, no entanto, poucos adoecem. Essa propriedade não é função apenas das características intrínsecas da bactéria, mas depende, sobretudo, de sua relação com o hospedeiro e do grau de endemicidade do meio (SANTOS; CASTRO; FLAQUETO, 2008, p. 739). As manifestações clínicas da hanseníase no início da doença podem ser discretas e imperceptíveis. Conforme Conte et. al. (2009), as lesões maculosas representam a clínica da hanseníase nas suas fases iniciais. Quando poucas e circunscritas, já se pode prever que as pessoas têm mais resistência imunológica e se não forem tratadas, evoluirão para o tipo Tuberculóide (Paucibacilar). Quando as máculas são múltiplas, difusas ou mal delimitadas, o grau de resistência é menor ou ausente, e o doente pode evoluir, quando não tratado, para a forma Virchowiana (Multibacilar). Quando o doente tem ora lesões bem delimitadas, ora mal definidas, múltiplas, ele será classificado como Dimorfo ou Bordeline (Multibacilar). A perda da sensibilidade pode ser restrita às lesões, mas pode manifestar-se também na região ocular, palmar e/ ou plantar com ou sem comprometimento motor. No caso de hanseníase neural pura, ou seja, sem alterações dermatológicas, a manifestação clínica pode ser unicamente o comprometimento de um ou mais 20 nervos periféricos com alterações motoras visíveis ou discretas tornando o diagnóstico da doença mais difícil (SILVESTRE, op. cit.). Nas manifestações nervosas, os nervos mais comumente envolvidos são: facial, trigêmio, auricular, radial, ulnar, mediano, fibular comum, tibial posterior Lehman et. al. (1997a, p. 29 e 41). FIGURA 1 - Principais nervos afetados pela hanseníase. Fonte: Lehman et al. (ibid.) Os nervos espessados frequentemente evidenciam alteração da sua função. Também alguns nervos não espessados podem estar comprometidos e produzir distúrbios funcionais. É importante lembrar que poderá ocorrer paralisia nervosa silenciosa (espessamento do nervo, sem neurite). Contudo, clinicamente, verifica-se aumento progressivo da anestesia e diminuição progressiva da força muscular (TALHARI; NEVES, op. cit., p. 43). Pinheiro et. al. (2008) referiram que a incapacidade visual associada à ausência de sensibilidade de membros, torna os portadores de hanseníase vulneráveis a toda sorte de traumas e ferimentos que podem causar mutilação. Duarte, Ayres e Simonetti (op. Cit.) destacaram a importância de resgatar a prática clínica que não apenas decodifica questões biopsíquicas, mas também reconhece 21 valores de vida, condições sociais e formas de enfrentamento de problemas, adotando-se uma prática que possibilite conhecer, além dos sinais e sintomas biológicos do sujeito, a sua maneira de “andar na vida”. De acordo com a Portaria Nº 3.125, de 07 de outubro de 2010, considera-se um caso de hanseníase: [..] a pessoa que apresenta um ou mais dos seguintes sinais cardinais e que necessita de tratamento poliquimioterápico: a) lesão(es) e ou área(s) da pele com alteração de sensibilidade; b) acometimento de nervo(s) periféricos(s), com ou sem espessamento associado a alterações sensitivas e ou motoras e ou autonômicas; e c) baciloscopia positiva de esfregaço intradémico. Portanto, a hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional e de investigação obrigatória. Os casos diagnosticados devem ser notificados, utilizando-se a ficha de notificação e investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). (BRASIL, 2010a) (ANEXO A). O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, e é realizado por meio da análise da história e das condições de vida do paciente, e do exame dermatoneurológico (BRASIL, ibid.). Entre as doenças transmissíveis, a hanseníase é uma das principais causas de incapacidade permanente. O diagnóstico e o tratamento precoce dos casos, antes que ocorra a lesão neural, são as medidas mais eficazes para se prevenir as incapacidades decorrentes da doença (OMS, op. cit.). Estudos epidemiológicos realizados em outros estados revelaram diagnóstico das formas polarizadas da doença, portanto, tardio, assim como o encontrado em seu estudo com predomínio de 59% dos casos multibacilares (CONTE et al., op. cit.). O que corrobora com o estudo realizado por Duarte, Ayres, Simonetti (2009), com pessoas acometidas de hanseníase, de uma unidade da APS. Identificaram que, 89% dos doentes desconheciam os aspectos relacionados à hanseníase. Cerca de, 73% deles apresentavam ressecamento de pele, 65% sinais e sintomas sugestivos de reações hansênicas e de comprometimento ocular. Conforme Silvestre (op. cit), o diagnóstico correto da hanseníase depende do entendimento do conceito espectral da doença, possibilitando entre o curso clínico-evolutivo e a extensão do comprometimento cutâneo-neural característico de cada forma clínica. A partir deste conhecimento, são aplicadas as classificações que auxiliam a compreensão e norteiam à terapêutica. 22 Em 1953, o VI Congresso Internacional de Leprologia, realizado na cidade de Madri, na Espanha, estabeleceu a classificação da hanseníase segundo critérios de polaridade baseados nas características clínicas da doença, acrescidos dos aspectos bacteriológicos, imunológicos e histopatológicos da hanseníase que definem esta classificação (SILVESTRE, ibid.). Os grupos polares em Tuberculóide (T) e Virchowiano (V) ou Lepromatoso (L); o grupo transitório e inicial da doença, a forma Indeterminada (I); e o grupo instável e intermediário, a forma Borderline (B) ou Dimorfo (D). Em 1962, Ridley e Jopling estabeleceram uma nova proposta para a classificação da MH com base no conceito espectral e na polaridade da doença. Esta classificação foi denominada espectral. FIGURA 2 - Esquemas I e II. Classificação polar (RABELLO/MADRID) e classificação de RIDLEY & JOPLING. Fonte: Talhari e Neves (1997). O tratamento recomendado pelo MS é a poliquimioterapia padronizada pela OMS, conhecida como PQT, devendo ser realizado nas unidades de saúde (US). A PQT é constituída pelo conjunto dos seguintes medicamentos: rifampicina (RFM), dapsona (DDS) e clofazimina (CFZ), com administração associada. Essa associação evita a resistência medicamentosa do bacilo que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, impossibilitando a cura da doença. No momento do diagnóstico, as pessoas acometidas de MH podem ser classificadas operacionalmente para fins de tratamento poliquimioterápico, como paucibacilares (PB) com duração de seis meses ou, multibacilares (MB) com duração de um ano. O tratamento é fundamental para o controle da doença e tem o objetivo não apenas de interromper a sua transmissão, quebrando a cadeia 23 epidemiológica, como também curar e reabilitar física e socialmente o doente (NUNES; OLIVEIRA; VIEIRA, 2008). No município de Belém, o tratamento dispensado às pessoas acometidas de hanseníase é a PQT, introduzida no estado do Pará em 1987, e a prevenção das incapacidades procurando integrar a família nas ações do tratamento (PARÁ, op. cit.). Conte et al. (op. cit.) em seus estudos evidenciaram que a diminuição da proporção de casos virchowiano e dimorfo com baciloscopia positiva é um indicador mais confiável para avaliar a eficácia do tratamento e a manutenção das fontes de contágio. De acordo com Souza (2010), o desconhecimento e a falta de atenção primária em saúde fazem da doença a maior causa de incapacidade não traumática, sendo que pacientes com diagnósticos tardios podem apresentar comprometimento importante e duradouro dos nervos periféricos que leva à deformidade. 2.2 Epidemiologia da Hanseníase A hanseníase está praticamente eliminada em países desenvolvidos, mas, é um problema de saúde pública em países pobres e em desenvolvimento, como é o caso do Brasil e da Índia que respondem sozinhos por mais de 80% dos casos novos no mundo, de acordo com Souza (Ibid.). Conforme dados epidemiológicos da OMS (op. cit.), 244.796 novos casos no mundo foram notificados em 2009, e a prevalência registrada no começo de 2010 foi de 211.903 casos. Apesar de a detecção de casos novos ter reduzido anualmente entre 2003 e 2009, a partir de 2006 as taxas de declínio foram discretas comparadas aos anos anteriores. O Boletim Epidemiológico da OMS de agosto de 2010 apresentou informações sobre os três continentes mundiais e os quatros países com as maiores taxas de detecção de casos no mundo. A Ásia apresentou o maior coeficiente de detecção com 9,39/100.000habitantes, com dois países em destaque: Índia (1º lugar no mundo em número de casos) e a Indonésia. Na sequência o Continente das Américas com 4,58/100.000 habitantes, dos 40.474 casos novos de hanseníase, 93% foi notificado no Brasil. Este resultado colocou-o em primeiro lugar na América Latina e em segundo no mundo em números absolutos de casos. E, em terceiro, a África com coeficiente de detecção de 3,75/100.000 habitantes, deste continente, a República Democrática do Congo foi a que mais se destacou (BATISTA et al., op. cit.). 24 De acordo com Frade (2012), no Brasil foram 30.298 casos novos notificados em 2011, com um coeficiente de detecção geral de 17,65/100.000 habitantes, que classificou a endemia alta no Brasil. Neste mesmo ano, o coeficiente de prevalência alcançou 1,54/10.000 habitantes com importantes variações regionais distribuídas nas regiões Norte e Centro-Oeste e em algumas regiões metropolitanas do Nordeste. Nesse contexto, a OMS definiu a hanseníase como um problema de saúde pública principalmente nos países cujas taxas de prevalência ultrapassam um caso para 10.000 habitantes. A distribuição de casos no Brasil é heterogênea e se concentra nos estados de Mato Grosso (89,5%), Tocantins ( 88,5%), Rondônia (69,5%), Maranhão (62,%) e Pará (55,7%), que apresentaram os maiores coeficientes de detecção geral de casos novos por 100.000 habitantes, considerados estados hiperendêmicos (BRASIL, 2011a). Em virtude de sua cronicidade e baixa letalidade, esta doença se mantém ao longo dos anos em expansão endêmica em várias regiões, caracterizada pela distribuição não uniforme, o que resulta em dificuldades para o controle epidemiológico (BATISTA et al., 2011). Quando se analisam os indicadores relacionados à doença com base em categorias socioeconômicas e demográficas, a distribuição é diferenciada no Brasil. Segundo o sexo, observou-se que a população masculina é a mais atingida pela doença. Em 2009, do total de casos diagnosticados, 55,2% foram na população masculina, e entre 2001 e 2009 os coeficientes de detecção de casos novos de hanseníase por 100.000 habitantes, em homens, foram mais elevados do que em mulheres durante todo o período. Eles também representaram a maior parte dos casos multibacilares, dos diagnosticados com grau II de incapacidade física e abandonam com maior frequência o tratamento (BRASIL, 2011a). Em consonância com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença atingiu, sobretudo, a população economicamente ativa, na faixa etária entre 13 a 50 anos. Embora acometa ambos os sexos, observou-se predominância do sexo masculino (BATISTA et al., op. cit.). Logo, o padrão de adoecimento sofre influência das relações de gênero, que estabelecem valores e comportamentos diferenciados para homens e mulheres na vida social e, em particular, no cuidado com a saúde e deve ser levado em consideração no planejamento e execução das ações de saúde (BRASIL, 2011a, op. cit.). 25 No cenário nacional, destaca-se o Pará, que também mantém a tendência da doença e contribui significativamente para o índice brasileiro. No estado do Pará, a endemia está distribuída de forma heterogênea, com maior concentração nas regiões Sul, Sudeste, em alguns municípios do Oeste e Nordeste do Estado e na região metropolitana de Belém (BRASIL, 2011c). Uma explicação para a maior endemicidade dessas regiões é o elevado fluxo migratório provocado na região pela atração aos polos de maior desenvolvimento, entre eles a Hidrelétrica de Tucuruí e Vale do Rio Doce. (PALÁCIOS, 2012, p. 12). O Estado do Pará é o primeiro colocado em número absoluto de casos no Brasil, com 3.876 casos em 2011. Em seguida, aparecem Maranhão, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso e Goiás. Em relação à incidência, o Pará ficou em quinto lugar, com 50,41 infectados para cada cem mil habitantes, Mato Grosso em primeiro, seguido de Tocantins, Rondônia e Maranhão (PARÁ, op. cit.). No mesmo ano (2011), o município de Belém notificou 317 casos, que correspondem a um coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000 habitantes, padrão de elevada magnitude, considerado parâmetro muito alto pelo MS (BELÉM, op. cit). O município de Belém convive com a hanseníase desde o século XVIII. Destacamos o Leprosário do Tucunduba, foi o primeiro hospital de internamento compulsório no Estado do Pará, localizado em um bairro periférico no norte da cidade, onde hoje fica o bairro do Guamá. Atualmente, o município dispõe de uma rede assistencial que contempla serviços de Atenção Primária e Secundária concentrando a assistência à saúde para diversos municípios do Estado. A Atenção Primária conta com um sistema que agrega Unidades Básicas de Saúde (UBS) com modelo tradicional de atendimento, Estratégia Saúde da Família (ESF) e Estratégia Agente Comunitário de Saúde (EACS) com cobertura das ações de controle da hanseníase (FERREIRA et. al., 2009, p. 4). O MS preconiza o aumento da cobertura das ações de controle da hanseníase para todas as Unidades de Saúde (US) dos estados e municípios endêmicos como parte de uma política geral de descentralização através do Plano Diretor de Regionalização (PDR) estabelecido pelo pacto pela saúde e pacto pela vida (BRASIL, 2009). 26 2.3 Fatores Predisponentes para Hanseníase O fator de risco de um dano são todas as características ou circunstâncias que acompanham um aumento de probabilidade de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde (OMS, 1988). Em 1998, a OMS já enfatizava o papel relevante do contato intradomiciliar na epidemiologia da doença e, em especial, tem chamado a atenção para possibilidades estratégicas para o controle e a eliminação da doença, o que tem sido reiterado como um objetivo básico (SANTOS; CASTRO; FLAQUETO, op. cit., p. 738). O domicílio é apontado como importante espaço de transmissão da doença, embora ainda existam grandes lacunas de conhecimento quanto aos prováveis fatores de risco implicados, especialmente aqueles relacionados ao ambiente social (LASTÓRIA et. al., 2003). Assim, as más condições de moradia e alimentação inadequada são fatores importantes na disseminação da hanseníase, pois uma superpopulação doméstica, particularmente noturna, fornece as condições ideais para a infecção, seja por gotículas, ou por contato cutâneo, acrescida da subnutrição reduzindo a imunidade celular (JOPLING; Mc DOUGALL, 1991, p. 4). De acordo com Santos, Castro e Flaqueto (op. cit.), o risco de desenvolvimento da doença é cerca de 5 a 10 vezes mais alto se um membro da família já manifestou a doença. Para os contatos intradomiciliares, o risco de desenvolver a hanseníase é maior para aqueles que conviveram com o doente antes de iniciar o tratamento com a PQT. E finalmente, concluem que, o exame dos contatos domiciliares dos casos novos diagnosticados, aliado à informação efetiva da população sobre a doença, o rastreamento de novos casos e a educação permanente dos profissionais de saúde, tornam-se estratégias principais para o diagnóstico e tratamento da hanseníase e poderão facilitar o processo de eliminação do agravo, o qual foi proposto para o ano de 2010. É importante considerar, o maior contingente de pessoas em ambiente intradomiciliar como fator determinante para o desenvolvimento da doença. Entretanto, diferentes morbidades podem estar relacionadas com o modo de organização espacial e social que determinam os fatores de risco de adoecer de certos grupos sociais. A possibilidade de reinfecção exógena poderia explicar essa relação (FERREIRA et. al., 2011). 27 Para Opromolla et. al. (2006), as desigualdades observadas no número de casos entre os municípios e os contrastes na distribuição espacial da endemia revelaram a complexidade dos fatores envolvidos na sua determinação. Além das condições imunológicas individuais, diversos fatores influem no risco de adoecer por hanseníase. Entre eles estão os relacionados aos níveis da endemia e às condições socioeconômicas desfavoráveis, como as condições precárias de vida e de saúde, e o elevado número de pessoas convivendo em um mesmo ambiente, que são amplamente influenciados pelos padrões de ocupação do espaço. Outra observação é que, em situações de declínio da endemicidade, com aumento da transmissão intradomiciliar, os homens são mais frequentemente acometidos de hanseníase talvez em decorrência de maior mobilidade social. Em situações em que as mulheres vêm apresentando uma mobilidade social progressiva em decorrência de maior inserção no mercado de trabalho, como é o caso de algumas áreas urbanas do Brasil, têm-se encontrado taxa de detecção semelhante, ou mesmo mais elevadas em mulheres (EVANGELISTA, 2004, p. 20). Estudo populacional realizado na Colônia de Santo Antônio do Prata (antiga Colônia do Prata), no município de Igarapé-Açú, Pará, com 257 casos confirmados, encontrou os seguintes resultados. Dentre as formas clínicas, a virchowiana apresentou o maior percentual 40,9% dos casos seguida da tuberculóide 20,5%, dimorfa 20,5% e da indeterminada 18,1%. Quanto ao gênero, o sexo masculino destacou-se com 58%, e o feminino com 42%. Segundo o grau de escolaridade, 26,8% dos casos são analfabetos. Com grau superior ao ginasial, apenas 1% (MACKERT, 2008, p. 49). Comprovado por Ferreira (2012, p. 43), em estudo realizado com 196 contatos a partir de 54 casos-índice (CI) de uma UMS no município de Belém (PA). O estudo evidenciou predomínio de 70,4% no sexo masculino dos CI. Quanto à escolaridade dos CI, a maioria cursou o ensino fundamental, 68,5%, seguido do ensino médio, 29,6%. Sobre a renda familiar, 68,5%, recebem entre 1 a 2 salários mínimos. E a forma clínica de maior proporção foi a dimorfa com 61,1%. Estudo realizado em um município endêmico do Rio de Janeiro destacou a importância da realização de atividades educativas junto à comunidade a partir das unidades de saúde, cujas atividades, proporcionaram à população melhoria de conhecimentos sobre a doença. Esse fato pode influenciar no aumento da detecção de casos novos na forma inicial da doença (SANTOS; CASTRO; FLAQUETO, op. 28 cit., p. 738). Dessa forma, Santana et. al. (2008, p.183) referem às ações educativas são práticas transformadoras que devem estar presentes em todas as ações de controle da hanseníase, de forma a contribuir com a reconstrução do conhecimento sobre a doença. O Ministério da Saúde preconiza que o profissional da área deve ter a preocupação de compreender o doente considerando seus valores, opiniões, conhecimentos, medos e preconceitos, a fim de perceber como ele entende a sua doença e o que faz sentido para ele (NUNES; OLIVEIRA; VIEIRA, op. cit.). A Tabela 1 apresenta os casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA) por coeficiente de detecção, em uma série histórica entre 2001 a 2011. De acordo com os dados da Tabela 1, observou-se um declínio no coeficiente de detecção a partir de 2006 até 2011. Porém, Belém mantém-se em um patamar ainda preocupante considerado padrão de endemicidade muito alto (20,00 a 39,99/100.000 habitantes), conforme parâmetro do MS, durante todo esse período. Tabela 1 - Casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA) por coeficiente de detecção entre 2001 e 2011 COEFICIENTE DE CASOS ANO POPULAÇÃO DETECÇÃO/ 100.000 PARÂMETROS NOVOS HABITANTES 2001 500 1.304.311 38,33 Muito alto 2002 501 1.322.682 37,87 Muito alto 2003 611 1.342.201 45,52 Hiperendêmico 2004 640 1.361.672 47,00 Hiperendêmico 2005 545 1.405.873 38,76 Muito alto 2006 504 1.428.368 35,28 Muito alto 2007 466 1.450.697 32,12 Muito alto 2008 410 1.424.124 28,78 Muito alto 2009 340 1.437.604 23,65 Muito alto 2010 315 1.393.399 22,60 Muito alto 2011 317 1.404.056 22,60 Muito alto TOTAL 5149 Fonte: BELÉM (2012). 29 A Tabela 2 apresenta os casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA) segundo a forma clínica, em uma série histórica entre 2001 a 2011. De acordo com os dados abaixo, observou-se uma predominância maior nas formas abertas / contagiantes em todo o período. Dos 5.149 casos, 34% são da forma D, 30% da forma T, 22% da forma V e 14% são da forma I. Estes resultados expressam ainda uma realidade preocupante no município de Belém, que mantém a endemicidade no município. Tabela 2 - Casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA) segundo a forma clínica entre 2001 e 2011 FORMA CLÍNICA ANO I T D V TOTAL 2001 55 173 156 116 500 2002 63 153 172 113 501 2003 90 198 194 129 611 2004 107 188 212 133 640 2005 100 161 178 106 545 2006 76 163 162 103 504 2007 62 128 165 111 466 2008 65 115 141 89 410 2009 39 103 126 72 340 2010 42 75 115 83 315 2011 28 89 121 79 317 TOTAL 727 1546 1742 1134 5149 Fonte: BELÉM (op. cit.). Esta realidade perdura até hoje no município de Belém, em relação às formas contagiantes da doença confirmada com os dados deste estudo na amostra estudada levantados em prontuários do cliente nas seis US, apresentados no quadro 1. Verificou-se que, as formas abertas / contagiantes (Dimorfa e Virchowiana) predominaram em número absoluto em relação às demais, cujo tratamento indicado 30 conforme a classificação operacional da OMS é o esquema multibacilar (12 meses). Portanto, dos 75 entrevistados, 57 fazem o esquema MB. Observou-se que o menor número corresponde à forma clínica indeterminada, apenas dois casos. Quadro 1- Demonstrativo de casos de MH segundo o sexo e a forma clínica em seis unidades de saúde do município de Belém (PA) – 2013 Forma Clínica Sexo Total I T D V Feminino 0 10 16 4 30 Masculino 2 6 24 13 45 Total 2 16 40 17 75 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Diante desses fatores, considera-se importante a oferta da assistência à saúde de qualidade e as ações de educação em saúde para a prevenção da transmissão e das incapacidades físicas. A educação em saúde passa a ser entendida tanto como uma instância importante de construção e veiculação de conhecimentos e práticas relacionados aos modos como cada cultura concebe o viver de forma saudável, e o processo de saúde/doença como uma instância de produção de sujeitos e identidades sociais (MEYER et al., 2006, p. 1335). A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) através da Portaria Ministerial Nº 3.125 de 07 de outubro de 2010 enfatiza que as práticas de educação em saúde para o controle da hanseníase devem estar baseadas na política de educação permanente e na política nacional de promoção da saúde e compreendem orientações sobre a atenção integral, estímulo ao autoexame e investigação dos contatos domiciliares, autocuidado apoiado, prevenção e tratamento de incapacidades físicas e suporte psicológico durante e após o tratamento (BRASIL, 2010c). Duarte, Ayres e Simonetti (op. cit) ressaltaram que a educação para a saúde é essencial para a prevenção de incapacidades. Para tal, acredita-se ser necessário assegurar às pessoas conhecimento indispensável sobre a hanseníase bem como dos aspectos socioambientais e culturais que a envolvem, o que favorecerá o desenvolvimento do autocuidado e das mudanças de atitudes fundamentais para a prevenção de incapacidades. 31 2.4 Conhecimentos, Atitudes e Práticas (CAP) Estudo CAP é um método de estudo sistematizado que busca identificar conhecimentos, atitudes e práticas de saúde em uma comunidade. Auxilia na identificação do que as pessoas sabem sobre aspectos relacionados à saúde. Pode ser aplicado em diversas áreas do conhecimento: Ciências Sociais e Políticas (estudos de opiniões); Indústria e Comércio (preferências de consumidores); Psicologia (estudo do comportamento); Saúde Pública (grau de conhecimento sobre doenças) (KALIYAPERUMAL, 2004). A metodologia CAP também pode ser utilizada para o diagnóstico da comunidade após ações educativas, verificando-se as mudanças incorporadas de compreensão dos níveis de conhecimento, atitude e prática, a fim de levar a um processo mais eficiente de conscientização a respeito do tema abordado uma vez que irá permitir um programa de vigilância adaptado adequadamente às necessidades da comunidade (SANTOS; CABRAL; AUGUSTO, 2011). Dentre os objetivos deste método, destacamos oferecer subsídios para a saúde pública, o qual visa o desenvolvimento de programas mais apropriados para as necessidades específicas da população estudada (ALVES; LOPES, 2008). Segundo as autoras, “o método CAP mede o conhecimento, a atitude e a prática de uma população, permitindo um diagnóstico da mesma, e mostra o que as pessoas sabem, sentem e também como se comportam a respeito de determinado tema”. Assim, os inquéritos sobre conhecimentos, atitudes e práticas em saúde constituem-se estratégias relevantes que podem contribuir no entendimento de fatores que interferem na adesão às práticas adequadas relacionadas à saúde. As pessoas apresentam diferentes graus de conhecimentos e adotam atitudes e práticas muitas vezes com incoerência cognitiva (CARRERA, 2011, p. 15). Marinho et al. (2003) definem conhecimento, atitude e prática da seguinte forma: O conhecimento possuído significa recordar fatos específicos, ou a habilidade para aplicar fatos específicos para a resolução de problemas, ou ainda emitir conceitos com a compreensão adquirida sobre determinado evento. A atitude é, essencialmente, ter opiniões, sentimentos, predisposições e crenças relativamente constantes dirigidos a um objetivo, pessoa ou situação. Relaciona-se ao domínio afetivo - dimensão emocional. A prática é a tomada de decisão para executar a ação. E o fazer relaciona-se ao domínio psicomotor afetivo e cognitivo - dimensão social. 32 Estudo sobre CAP do autoexame das mamas com mulheres de um Centro de Saúde do interior de São Paulo mostrou que 95,3% das entrevistadas conheciam o autoexame das mamas e 56,2% obteve este conhecimento na própria unidade de saúde. No entanto, em apenas 7,4% das entrevistadas esse conhecimento foi adequado (MARINHO et al., 2003). Rodrigues et al. (2009) mostraram em um estudo realizado com 82 adultos diabéticos que, apesar de 78% dos participantes terem obtido bom escore (>8) em relação ao conhecimento em diabetes, em relação à atitude, os escores variaram entre 25 e 71 pontos, sugerindo dificuldade no enfrentamento da doença. Os autores destacaram a educação para o autocuidado como aspecto fundamental do tratamento da pessoa com diabetes e sua importância é reconhecida em diversos estudos realizados em comunidades com diferentes características socioeconômicas e culturais. O autocuidado é um componente importante do manejo de qualquer condição crônica e para uma adequada evolução no tratamento. No autocuidado, a pessoa afetada assume o controle do manuseio de sua condição. Ela recebe apoio de uma equipe de profissionais de saúde, da assistência social e de parceiros na comunidade, incluindo sua família. Então, o conhecimento é mais do que reproduzir informações, pressupõe modificações de atitudes, comportamentos e hábitos de vida (RODRIGUES et al., ibid., 2009). O autocuidado de acordo com o MS (BRASIL, 2010d) constitui o cuidar de si mesmo, o perceber as necessidades do corpo e da mente, o adotar hábitos saudáveis e por fim conhecer e controlar os fatores de risco que levam aos agravos da saúde, adotando medidas de promoção, prevenção e recuperação da saúde, melhorando a qualidade de vida da pessoa acometida de hanseníase. E para que a prática do autocuidado seja uma constante na vida dessas pessoas, torna-se necessário utilizar-se da educação em saúde que consiste num método de informar, acolher e cuidar das pessoas com hanseníase e seus familiares. Em um estudo realizado com profissionais de saúde que trabalham com hanseníase na APS no Estado de Tocantins, cuja finalidade foi avaliar conhecimentos e condutas práticas desses profissionais, os autores ressaltaram que “as capacitações não transformam a conduta dos profissionais nas ações de diagnóstico e tratamento da hanseníase” (FERREIRA et. al., op. cit., 2009). Porém, os autores apontam a necessidade da reestruturação do conteúdo programático e 33 da metodologia dessas capacitações para melhor atender as reais necessidades dos profissionais e usuários, revisando os conteúdos programáticos. Como exemplo de um estudo que aplicou o método CAP, destacamos o que foi realizado com idosos sobre a vacina contra a Influenza, no Estado do Piauí, que observou; apesar de o conhecimento da maioria dos idosos da pesquisa ser inadequado 85,3%, pode-se perceber que 89,1% apresentavam atitude favorável à vacina contra influenza (ARAÚJO et al., 2007). Os autores consideraram que isso representa um dado importante, pois demonstra que o modo de pensar é que influencia na aceitação da vacina, e este nem sempre guarda coerência com o conhecimento cientificamente correto. Miranda et al. (2009) referiram que a atitude, considerada parte importante das habilidades afetivas, pode ser ensinada e aprendida. Do mesmo modo pode ser influenciada por componentes cognitivos, motivacionais e emocionais. Seu poder presumido de influenciar a resposta do sujeito a um objeto social tem determinado o interesse de diversos pesquisadores em busca de técnicas de mensuração e promoção de mudanças atitudinais. Assim, entender os níveis de conhecimentos, as atitudes e as práticas permitirá uma gestão mais eficiente do processo de criação de consciência de modo a permitir que o programa seja implantado de forma mais adequada às necessidades da comunidade (CARRERA, op. cit., p. 19). Desse modo a natureza do conhecimento repousa sobre os diferentes modos de aquisição de idéias: a percepção, a imaginação, memória, julgamento, abstração e raciocínio, no sentido que nos permite distinguir entre o certo e o errado, como estudado pela lógica (raciocínio dedutivo) e do método científico (formulação e teste de hipóteses). Portanto, antes de iniciar qualquer processo de criação de consciência sobre saúde pública em qualquer comunidade; primeiro é necessário avaliar o ambiente em que a criação terá lugar. Então, a educação em saúde passa a ser entendida tanto como uma instância importante de construção e veiculação de conhecimentos e práticas relacionados aos modos, como cada cultura concebe o viver de forma saudável e o processo saúde/doença quanto como uma instância de produção de sujeitos e identidades sociais (MEYER, op. cit., p. 1335). 34 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral Avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase maiores de 18 anos atendidas na APS, no município de Belém (PA). 3.2 Objetivos Específicos Descrever as características sociodemográficas e econômicas, os conhecimentos, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase maiores de 18 anos. Identificar se os conhecimentos, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase estão relacionados à ocorrência da doença. Analisar os conhecimentos de pessoas acometidas de hanseníase, comparando-os às suas atitudes e às práticas sobre o autocuidado com o corpo, os olhos, nariz, mãos e pés. 35 4 MÉTODO 4.1 Local de Estudo O estudo foi realizado nas seguintes Unidades de Saúde (US): Unidade Municipal de Saúde (UMS) Guamá, UMS Jurunas, UMS Marambaia, UMS Tavares Bastos; Unidade Básica de Saúde (UBS) Pedreira e no Centro de Saúde Escola (CSE) Marco, pertencentes ao município de Belém, capital do estado do Pará. A capital paraense possui oficialmente 68 bairros distribuídos em 8 distritos administrativos. Sua população estimada em 01 de julho de 2012 foi de 1.410.430 habitantes, o qual ocupou o 11º lugar entre os 15 municípios mais populosos do Brasil, com uma área geográfica de 1.064. 918 km2 aproximadamente (IBGE, 2012). As US foram selecionadas por apresentarem uma clara homogeneidade das condições socioeconômicas e maior número de notificações de hanseníase nos últimos cinco anos, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde/SESMA (BELÉM, 2012) (ANEXO B: apresenta os bairros de Belém que concentraram maior número de casos notificados em 2011). A UMS Tavares Bastos foi incluída no estudo no mês de maio de 2013 por ter apresentado número considerável de casos notificados em 2012 conforme dados levantados nos prontuários de clientes na referida unidade. As seis unidades pertencem aos respectivos bairros: Guamá e Jurunas localizados no Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA) possuem 94.610 habitantes e 64.478 habitantes respectivamente. Marambaia pertence ao Distrito Administrativo de Entroncamento (DAENT) possui 66.708 habitantes, Pedreira situada no Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC) com 69.608 habitantes e o Marco localizado no Distrito Administrativo de Belém (DABEL) possui 65.844 habitantes. São considerados os cinco bairros mais populosos de Belém conforme Censo de 2010 (IBGE, 2011). As unidades ora mencionadas oferecem à população todos os atendimentos ambulatoriais e laboratoriais executados nos Programas de APS acrescidos do funcionamento do Centro de Especialidades em Odontologia (CEO). Contam com uma equipe multidisciplinar responsável pelo Programa de Controle da Hanseníase (PCH) nas unidades, composta por um médico dermatologista, um enfermeiro e um técnico de enfermagem, sendo que o enfermeiro é o responsável pelas consultas de 36 enfermagem as pessoas acometidas de doenças transmissíveis (MH e Tb.) entre outras atividades, o que limita o atendimento ao horário de um turno nas unidades Guamá, Marambaia e Pedreira. Nas demais, funcionam nos dois turnos. 4.2 Tipo de Estudo Trata-se de um estudo epidemiológico de corte transversal, com abordagem quantitativa, analítica e aplicação do método CAP, com o objetivo de avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas da amostra estudada em relação à hanseníase. Segundo Fontelles (2010), os estudos de corte transversal são úteis para uma avaliação da situação da saúde de uma população e para o planejamento de ações de controle de doenças e políticas públicas, visto que, inquéritos transversais repetidos podem ser usados para investigar as mudanças nos fatores de risco e na frequência das doenças. A pesquisa quantitativa trabalha com variáveis expressas sob a forma de dados numéricos e emprega rígidos recursos e técnicas estatísticas para classificálas e analisá-las. Em razão de sua maior precisão e confiabilidade, os estudos quantitativos são mais indicados para o planejamento de ações coletivas (FONTELLES, ibid.). 4.3 População e Amostra A população de referência foi constituída por todas as pessoas em tratamento de MH nas US, que constavam no registro ativo a partir de abril de 2012 a setembro de 2013. A amostra do estudo em sua fase final foi composta por 75 pessoas acometidas de hanseníase de ambos os sexos, a partir de 18 anos de idade, em tratamento nas US selecionadas. 4.4 Tamanho da Amostra A amostra utilizada neste estudo foi feita com base no método da amostragem por demanda da seguinte forma: à medida que as pessoas compareciam para a consulta de rotina do PCH na unidade de saúde e que atendiam aos critérios de inclusão, foram selecionadas para a entrevista. O número estimado da amostra baseou-se na demanda de atendimento mensal do PCH de 37 cada unidade de saúde. Após o levantamento dos dados em prontuários e fichas de aprazamento da hanseníase (ver ANEXOS B e C), constatou-se a média de atendimento mensal de 15 pessoas nas seis US, cuja entrevista ocorreu entre 15 de abril a 30 de setembro de 2013. 4.5 Critérios de Exclusão Foram excluídas do estudo as pessoas que, embora acometidas de hanseníase, apresentavam-se em crise de transtorno psíquico; grau acentuado de deficiência auditiva e de comunicação verbal (surdo e mudo) e os menores de 18 anos. 4.6 Procedimentos para a Coleta de Dados O procedimento para a coleta de dados desenvolveu-se em quatro etapas. A primeira etapa foi a aplicação do pré-teste pela pesquisadora no CSE Marco, durante três dias, através de entrevista individual a sete pessoas (10% da população de estudo) com MH, maiores de 18 anos e que aguardavam atendimento e aceitaram participar após terem lido/ouvido o Termo de Esclarecimento e Consentimento da pesquisa. Observou-se durante as entrevistas que as pessoas sentiram um pouco de dificuldade para entender as perguntas referentes à categoria atitude. Após as entrevistas, ficou definido o tempo de duração entre 15 a 20 minutos para cada entrevista e foram feitos os ajustes necessários (perguntas e respostas) no formulário de pesquisa. A segunda etapa foi embasada no conhecimento das US e funcionamento da rotina do PCH. Em seguida, realizou-se a coleta de dados secundários através do levantamento de prontuários e fichas de aprazamentos das pessoas em tratamento de MH entre os anos de 2012 a 2013, que atendiam os critérios de inclusão, cujo propósito foi a elaboração de um cronograma de agendamento das entrevistas com base nas consultas de rotina do tratamento (PQT). Na terceira etapa, foi elaborado o cronograma de entrevistas de cada unidade de saúde com data, horário e local nas unidades definidos para a realização das entrevistas. Foi feito contato telefônico prévio com as pessoas a fim de confirmar o seu comparecimento uma vez que compareciam mensalmente na unidade para 38 receberem a dose supervisionada conforme esquema terapêutico. Ressaltamos que na UMS do Jurunas, a coleta de dados procedeu-se nos dois turnos (manhã e tarde). Nas demais unidades ocorreram pela manhã. E a atualização do cronograma foi feita a cada final de mês durante o período de coleta. Quarta etapa, realização das entrevistas com a aplicação do formulário (ver APÊNDICE C) pela pesquisadora, aos participantes a fim de obter dados referentes às características sociodemográficas e de conhecimento, atitudes e práticas sobre hanseníase, conforme o cronograma de entrevistas, que ocorreu da seguinte forma: enquanto as pessoas aguardavam seu atendimento, foi realizada a abordagem, ocasião em que foi explicado o objetivo e os benefícios da pesquisa. Após a leitura do TCLE, todos (75 participantes) aceitaram participar assinando o documento. No final das entrevistas, foram esclarecidas as dúvidas e recomendados os cuidados com os olhos, nariz, mãos e pés, como medidas de prevenção de incapacidades físicas. As recomendações foram ilustradas com as figuras dos livros “Avaliação Neurológica Simplificada” (LEHMAN, 1997a) e “Para Uma Vida Melhor” (LEHMAN, 1997b), da American Leprosy Missions (ALM) International, os quais são recomendados pelo MS do Brasil. 4.7 Variáveis Estudadas Foram avaliadas as variáveis independentes sociodemográficas e econômicas de pessoas acometidas de hanseníase conforme o formulário de pesquisa que mostra a forma de agrupamento de cada uma dessas variáveis: idade, sexo, estado civil, número de filhos, número de pessoas residentes no domicílio, raça, escolaridade, renda familiar, ocupação, tipo de casa, número de cômodos, tipo de água, coleta de lixo, destino dos dejetos, existência de outro caso na família. E as variáveis de desfecho denominadas dependentes consideradas: os conhecimentos e o padrão das atitudes e das práticas relacionadas à hanseníase. Neste estudo foi feita uma adaptação nas formas de valorar as variáveis segundo as três categorias (conhecimentos, atitudes e práticas) baseadas nos conceitos de Santos, Cabral, Augusto (op. cit.), sendo que cada variável foi selecionada com o seguinte critério: conhecimento sobre a hanseníase (quando a pessoa responder corretamente sobre a doença, a transmissão, os sintomas, a cura e o tratamento); e conhecimento sobre prevenção de incapacidade física (quando a 39 resposta for correta referente aos cuidados com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo). Para estes dois tópicos sobre conhecimentos, foram estabelecidos os valores de adequado/bom (grifo nosso) que correspondem a quatro a cinco respostas corretas; regular (grifo nosso) duas a três respostas corretas e não adequado/insuficiente (grifo nosso), quando nenhuma ou uma resposta correta. Para atitudes relacionadas a fatores que podem interferir na recuperação do doente, os valores estabelecidos foram: satisfatória (grifo nosso) opinião adequada) e insatisfatória (grifo nosso) uma ou nenhuma opinião adequada). Para as práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés, e com o tratamento (medicamentoso), foram estabelecidos os valores de adequada/boa (grifo nosso) quatro a cinco respostas corretas), regular (grifo nosso) duas a três respostas corretas) e não adequada/insuficiente (grifo nosso) nenhuma ou uma resposta correta). (Vide Quadro 1 - APÊNDICE D). 4.8 Análise Estatística dos Dados Os dados coletados foram registrados em um banco de dados confeccionado com o software Epi Info® versão 3.5.1. Em seguida, foram importados para o programa BioEstat 5.0 para tratamento e análise, de modo a permitir a correlação entre as variáveis do estudo. As análises foram do tipo descritivo e inferencial. Os resultados são mostrados sob a forma de tabelas e gráficos. Para as análises univariadas, a correlação foi verificada pela aplicação do teste do qui-quadrado de aderência. Nas análises bivariadas, com a utilização de variáveis categóricas, a significância estatística das correlações foi verificada pela aplicação do teste do qui-quadrado da independência. Para Fontelles (op. cit.), o teste do qui-quadrado da independência, ou teste de associação, é utilizado para verificar se existe uma correlação entre as duas variáveis categóricas a serem comparadas. Caso algum valor esperado tenha sido menor que cinco, o quiquadrado foi substituído pelo teste exato de Fisher (em tabelas de contingências 2x2), ou pelo teste G de independência (em tabelas de contingências LxC). Em todas as análises o nível alfa foi considerado em 5% (P≤ 0,05). 40 4.9 Aspecto Ético A pesquisa seguiu os princípios da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE E) dos entrevistados. Após o consentimento das pessoas acometidas de hanseníase, aplicou-se o formulário (APÊNDICE C) individualmente nas US. O início deu-se após a autorização da SESMA, SESPA, CSE Marco e da aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do Curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará - UEPA, em 25 de março de 2013, sob o número do parecer 227.771 CEP/UEPA (ANEXO E). A pesquisa foi considerada de risco mínimo em virtude de algumas situações não ficarem isentas do risco moral e de não se atingir a amostra esperada. Entendese como benefício da pesquisa, o esclarecimento sobre a doença, a ação educativa, as recomendações sobre as medidas de prevenção de incapacidade física às pessoas acometidas de hanseníase, em seu autocuidado diariamente com os olhos, nariz, mãos e pés. Para os profissionais de saúde no desenvolvimento de suas atividades, planejamento da assistência para a melhoria da qualidade do atendimento, e a participação da comunidade na identificação precoce do problema. 41 5 RESULTADOS Os dados levantados foram organizados com intuito de responder os objetivos da pesquisa. Eles estão apresentados em forma de tabelas e gráficos com descrição das variáveis sociodemográficas e econômicas, e a relação entre as variáveis de conhecimentos, atitudes e práticas com a ocorrência da doença. Foram entrevistadas 75 pessoas em tratamento de MH nas seis US do estudo, com idade mínima 18 anos e a máxima 92 anos (51,07 ± 17,35). A UMS Marambaia apresentou o maior número de pessoas entrevistadas (25). Em contraste a UMS Tavares Bastos, teve o menor número (06) de participantes. Foi observado através do levantamento em prontuários um maior número de pessoas em registro ativo entre 2012 a 2013 na UBS Pedreira (40 pessoas) comparada com as outras unidades estudadas que apresentou entre (9 a 12) pessoas em registro ativo. 5.1 Características Sociodemográficas e Econômicas de Pessoas Acometidas de Hanseníase A Tabela 3 apresenta as características sociodemográficas de pessoas com hanseníase em relação à faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação. Tabela 3 – Características sociodemográficas de pessoas com MH quanto à faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência n % 19 35 18 3 25,33 46,67 24,00 4,00 Sexo Masculino Feminino 45 30 60,00 40,00 0,106 2 χ =3,00 Raça Negra/parda Branca Amarela 57 16 2 76,00 21,33 2,67 <0,0001 χ2=65,36 Variáveis Sociodemográficas Idade/Faixa etária 18 – 38 39 – 59 60 – 80 Mais de81anos *Valor de P <0,0001 χ2= 27,35 42 Tabela 3 – Características sociodemográficas de pessoas com MH quanto à faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 (continuação) Grau de escolaridade Ensino médio incompleto 35 46,67 e completo <0,0001 Ensino fundamental 28 37,33 χ2=35,99 incompleto e completo Ensino superior 8,00 6 incompleto e completo Alfabetizado 6 8,00 Ocupação Aposentado(a)/pensionista Empregado com carteira de trabalho Outro (pedreiro, pintor, eletricista e diarista) Trabalha por conta própria Do lar Estudante Total 19 16 25,33 21,33 15 20,00 0,164 χ =13,88 2 12 11 2 75 16,00 14,67 2,67 100,00 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadrado de aderência O resultado dos dados da Tabela 3, quanto à idade, revelou que a faixa etária de 39 a 59 anos (46,67%), foi a mais acometida pela doença (P<0,0001).Com maior frequência em pessoas do sexo masculino 45 (60%). Contudo, não houve diferença estatística significativa. A maior proporção de pessoas 57 (76%) declarou ser de raça negra/parda. A diferença observada é muito significativa. A respeito da escolaridade, encontrou-se maior percentual 35 (46,67%) de pessoas com o ensino médio incompleto e completo (P<0,0001). Entre os 75 entrevistados, 19 (25,33%) informaram serem aposentado (a) ou pensionista (P=0,164). A Tabela 4 mostra a distribuição segundo estado conjugal, número de filhos, número de residentes no domicílio, renda familiar (Salário mínimo vigente no Brasil em 2013, R$678,00, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), e a existência de outro caso de MH na família. 43 Tabela 4 – Distribuição segundo estado conjugal, número de filhos, número de residentes, renda familiar, existência de outro caso de MH na família. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência n % *Valor de P Estado conjugal Casado/vive com companheiro Solteiro/viúvo Divorciado/separado 39 28 8 52,00 37,33 10,67 χ2=19,76 Número de filhos Um a dois Três a cinco Nenhum Mais de cinco filhos 34 18 13 10 45,33 24,00 17,33 13,33 0,0004 χ2=18,28 Número de residentes no domicílio Três a cinco Um a dois Mais de cinco pessoas 36 20 19 48,00 26,67 25,33 χ2=7,28 Renda familiar Um a três salários mínimos Sem renda fixa Mais de três salários mínimos < 1 Salário mínimo 45 15 10 5 60,00 20,00 13,33 6,67 Existe/existiu outro caso de MH na família Não Sim Não sei Total 49 21 5 75 65,33 28,00 6,67 100,00 Variáveis Sociodemográficas <0,0001 0,026 <0,0001 χ2=51,67 <0,0001 χ2=39,68 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadrado de aderência Na análise dos dados da Tabela 4, segundo estado conjugal, o estudo revelou índice mais alto de casado/vive com companheiro 39 (52%) e solteiro/viúvo 28 (37,33%), com diferença estatística muito significativa. Constatou-se que, a maior proporção 34 (45,33%) declarou ter um a dois filhos (P=0,0004). Quanto ao número de residentes no domicílio, 36 (48%) apontaram de três a cinco pessoas (P=0,026). A respeito da renda, o estudo mostrou que 45 (60%) possuem renda de um a três salários mínimos (P<0,0001). Sobre a existência de outro caso na família, 49 (65,33%) responderam não existir (P<0,0001). 44 A tabela 5 demonstra os resultados da distribuição das pessoas de acordo com o tipo de casa, número de cômodos, origem da água utilizada pela família, coleta de lixo e destino dos dejetos. Tabela 5 – Distribuição de acordo com o tipo de casa, número de cômodos, origem da água utilizada, coleta de lixo e destino dos dejetos. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência Variáveis Sociodemográficas % Valor de P n Tipo de casa Alvenaria 59 78,67 <0,0001 Madeira 13 17,33 2 χ =71,36 Mista 3 4,00 Número de cômodos Três a cinco Mais de cinco Um a dois 38 21 16 50,67 28,00 21,33 0,005 χ =10,64 Origem da água utilizada pela família Encanada/COSANPA Poço artesiano 60 15 80,00 20,00 <0,0001 2 χ =27,00 Coleta de lixo Sim Não 72 3 96,00 4,00 χ =63,48 Destino dos dejetos Fossa séptica / biológica Fossa negra A céu aberto Total 67 7 1 75 89,33 9,33 1,33 100,00 2 <0,0001 2 <0,0001 χ2=106,56 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Dentre os entrevistados da Tabela 5, constatou-se que 59 (78,67%) residem em casa de alvenaria (P<0,0001). A maioria das casas, 38 (50,67%), possui de três a cinco cômodos (P=0,005). O fornecimento de água em sua maioria, 60 (80%), é de origem encanada/COSANPA (P<0,0001). Sobre a coleta de lixo, a maior proporção, 72 (96%) informou que é coletado pelo serviço público (P<0,0001). Em relação ao destino dos dejetos, 67 (89,33%) apontaram a fossa séptica / biológica (P<0,0001). 45 5.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas Acometidas de Hanseníase em relação à Doença A Tabela 6 mostra a distribuição segundo os conhecimentos das pessoas entrevistadas sobre a doença, a transmissão, sintomas, tratamento e cura da MH. Tabela 6– Distribuição segundo o conhecimento sobre a doença, a transmissão, sintomas, tratamento e cura. Belém (PA), de abril a setembro 2013 Frequência n % Valor de P Você sabe o que é MH? Sim Não 56 19 74,67 25,33 <0,0001 χ2=18,25 O que é MH? Doença infecciosa que afeta a pele e os nervos Não responderam Doença hereditária Doença que queima o sangue 54 19 1 1 72,00 25,33 1,33 1,33 <0,0001 χ2=99,88 Como se pega a MH? Através da fala, espirro, de uma pessoa doente e sem tratamento Não sabe Aperto de mão Ao sentar em cadeiras usadas pelo doente 52 18 3 2 69,33 24,00 4,00 2,67 <0,0001 χ2=87,19 Quais os sintomas iniciais da MH? Mancha na pele com dormência Mancha na pele com prurido/coceira Não sei Dor de cabeça/dor no corpo 62 6 5 2 82,67 8,00 6,67 2,67 <0,0001 χ2=33,48 Qual o tempo de tratamento da MH? Um ano Seis meses Seis meses/um ano Não sei Seis meses/dois anos Dois anos 23 17 13 12 5 5 30,67 22,67 17,33 16,00 6,67 6,67 A Hanseníase tem cura? Sim Não sei Total 68 7 75 90,67 9,33 100,0 Categoria/Conhecimento sobre a doença Fonte: Pesquisa de campo, 2013. 0,0016 χ2=19,48 <0,0001 χ2=49,61 46 Na Tabela 6, observou-se que 56 (74,67%) pessoas responderam que sabem o que é MH (P<0,0001). Destas, 54 (72%) responderam corretamente (P<0,0001). Em relação à transmissão, 52 (69,33%) pessoas sabem como ocorre (P<0,0001). Quanto aos sintomas iniciais, a maioria, 62 (82,67%), apontou a resposta correta (P<0,0001). Sobre o tempo de tratamento, 23 (30,67%) declararam ter conhecimento de um ano (P=0,0016). Quando investigados se a MH tem cura, 68 (90,67%) responderam que sim, com χ2 obtido muito significativo (P<0,0001). A Tabela 7 apresenta a distribuição segundo os conhecimentos das pessoas entrevistadas sobre a prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Tabela 7– Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência Categoria/Conhecimento sobre % Valor de P prevenção de incapacidade física n Dificuldade para fechar os olhos Não sei 55 73,33 Uso de chapéu e/ou óculos 9 12,00 <0,0001 Uso de soro fisiológico e abrir e fechar 6 8,00 2 χ =93.91 os olhos com força Uso de colírio 5 6,67 Nariz entope com frequência Limpar com soro fisiológico ou água limpa Não sei Uso de descongestionante nasal Retirar crosta/casquinha 29 38,67 29 14 3 38,67 18,67 4,00 Dormência nas mãos Não sei Uso de luvas e proteção Passar pomada Imobilizar com atadura 49 14 9 3 65,33 18,67 12,00 4,00 Dor e dormência nos pés Proteção com calçado adequado Não sei Evitar ou diminuir a caminhada 39 29 7 52,00 38,67 9,33 <0,0001 χ2=25,64 <0,0001 2 χ =68,31 <0,0001 χ2=21,44 47 Tabela 7– Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 (continuação) Ressecamento da pele (Corpo) Hidratar e lubrificar a pele Uso de protetor solar Não sei Banho de sol pela manhã Total 44 20 10 1 75 58,67 26,67 13,33 1,33 100,00 <0,0001 2 χ =54,97 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. A análise dos dados da Tabela 7 revelou que 55 (73,33%) pessoas desconhecem os cuidados com os olhos. A diferença estatística foi muito significativa. Em relação aos cuidados com o nariz, 29 (38,67%) apontaram limpeza com soro fisiológico ou água limpa e, na mesma proporção declararam não possuir conhecimento (P<0,0001). Quanto aos cuidados com as mãos, observou-se que, o maior percentual 49 (65,33%) não soube responder (P<0,0001). Sobre os cuidados com os pés, 39 (52%) responderam corretamente (P<0,0001). Em relação aos cuidados com o corpo, 44 (58,67%) informaram hidratar e lubrificar a pele (P<0,0001). A Tabela 8 mostra a atitude dos entrevistados relacionada aos fatores que podem interferir na recuperação do doente: ambiente, atenção dos profissionais de saúde, dificuldade de locomoção, trabalho e apoio da família. Tabela 8 – Atitudes relacionadas aos fatores que podem interferir na recuperação do doente. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência Categoria/Atitude % Valor de P n A falta de um ambiente limpo interfere na recuperação do doente Concordo 65 86,67 <0,0001 Discordo 6 8,00 2 χ =96,08 Não sei ou não tem opinião 4 5,33 A falta de atenção dos profissionais de saúde leva o doente a abandonar o tratamento Concordo Discordo Não sei ou não tem opinião 47 25 3 62,67 33,33 4,00 <0,0001 χ2=38,72 48 Tabela 8 – Atitudes relacionadas aos fatores que podem interferir na recuperação do doente. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 (continuação) A dificuldade de locomoção leva o doente a abandonar o tratamento Concordo 42 56,00 <0,0001 Discordo 27 36,00 χ2=26,16 Não sei ou não tem opinião 6 8,00 O doente inicialmente deve afastado de seu trabalho Discordo Concordo Não sei ou não tem opinião ser Você acha importante o apoio da família para a recuperação do doente Muito importante Pouco importante Não acho importante Total 43 26 6 57,33 34,67 8,00 71 2 2 75 94,67 2,66 2,66 100,00 <0,0001 χ2=27,44 <0,0001 2 χ =126,96 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadrado de aderência De acordo com os dados da Tabela 8, o estudo evidenciou que 65 (86,67%) pessoas concordaram com a atitude relacionada ao ambiente (P<0,0001). No que diz respeito à falta de atenção dos profissionais, 47 (62,67%) concordaram que leva o doente a abandonar o tratamento (P<0,0001). Em relação à dificuldade de locomoção, 42 (56%) pessoas também concordaram que leva ao abandono do tratamento (P<0,0001). Enquanto 43 (57,33%) discordaram da atitude relacionada ao afastamento do doente de seu trabalho (P<0,0001). Dentre os entrevistados, a maior proporção, 71 (94,67%), declarou que acha muito importante o apoio da família na recuperação do doente. Confirmado pelo teste χ2 (P<0,0001). A Tabela 9 apresenta a descrição da prática dos entrevistados relacionada aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento (medicamentoso). 49 Tabela 9 – Práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Frequência Categoria/Prática % Valor de P n Executa algum tipo de cuidado com o corpo, olhos, nariz, mãos e pés? Sim, com o corpo 30 40,00 Sim, com os olhos e nariz 22 29,33 0,003 2 Não 14 18,67 χ =13,59 Sim, com as mãos e pés 9 12,00 Que tipo de cuidado costuma fazer? Hidratação Limpeza das narinas com água limpa Hidratação e lubrificação Lubrificar e massagear Uso de soro fisiológico para umedecer os olhos 23 21 10 6 1 30,67 28,00 13,33 8,00 1,33 χ2=29,74 Caso não o faça, responda o porquê? Por desconhecer Nunca houve necessidade 10 4 13,33 5.33 0,181 2 χ =2,57 Você costuma examinar seu corpo a fim de identificar novas alterações cutâneas e ou nervosa? Sim Não 69 6 92,00 8,00 <0,0001 χ2=52,92 Você toma as medicações todos os dias? Sim Não Total 70 5 75 93,33 6,67 100,00 <0,0001 χ2=56,33 <0,0001 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Na Tabela 9 observou-se que a prática do cuidado com o corpo foi a mais apontada com 30 (40%), seguida do cuidado com o nariz, 22 (29,33%), (P=0,003). Quanto ao tipo de cuidado, predominou a hidratação 23 (30,67%) seguida da limpeza das narinas com água limpa 21 (28%), a diferença foi muito significativa. Verificou-se que 14 (18,67%) informaram não praticar nenhum tipo de cuidado, 10 (13,33%) por desconhecer e 4 (5,33%) referiram que nunca houve necessidade. Em relação à prática de examinar o corpo, constatou-se que a maior proporção, 69 (92%), examina (P<0,0001). A respeito da tomada das medicações, 70 (93,33%), declarou que tomam diariamente (P<0,0001). 50 5.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas sobre a Doença e o Escore de Avaliação A Tabela 10 demonstra os resultados da associação entre conhecimento sobre a doença (hanseníase e a prevenção de incapacidade física), e o escore de avaliação (Bom, Regular, e Insuficiente). Tabela 10 – Associação entre conhecimento sobre a doença e o escore de avaliação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Conhecimento sobre Hanseníase Prevenção de incapacidade física Escore - Avaliação Bom % Regular % Insuficiente 47 62,67 24 32,00 4 9 12,00 34 45,33 32 % 5,33 42,67 75 *Valor de P 0,0001 75 0,0004 Total Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadradode aderência Conforme a Tabela 10, o conhecimento sobre a hanseníase mostrou-se bom para 47 (62,67%) dos entrevistados. Com diferença estatística muito significativa entre os escores. Enquanto o conhecimento sobre a prevenção de incapacidade física mostrou-se regular para a maioria dos participantes 34 (45,33%), seguida de insuficiente 32 (42,66%). Somente 9 (12%) obteve escore bom (P=0,0004). A Tabela 11 apresenta os resultados da associação entre a prática sobre a doença (cuidados com o corpo / tratamento) e o escore de avaliação. Tabela 11 – Associação entre a prática sobre a doença e o escore de avaliação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Escore - Avaliação *Valor Práticas Total de P Bom % Regular % Insuficiente % Cuidados com o corpo/tratamento 55 73,33 15 20,00 5 6,67 75 <0,0001 Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadrado de aderência Os resultados da Tabela 11 revelaram que a maior proporção, 55 (73,33%), apresentou o escore bom (executam os cuidados) com significância estatística. 51 A Tabela 12 mostra os valores encontrados da associação entre atitude sobre a doença e o escore de avaliação (Satisfatória e Insatisfatória). Tabela 12 – Associação entre atitude sobre a doença e o escore de avaliação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 Satisfatória Insatisfatória Atitudes *Valor de P n % n % Fatores que podem interferir na recuperação do 72 96,00 3 4,00 <0,0001 doente Fonte: Pesquisa de campo, 2013. *Teste Qui-Quadrado de aderência Os valores encontrados na Tabela 12 mostram que a maioria dos entrevistados, 72 (96%), apresentou atitude satisfatória em relação aos fatores que podem interferir na recuperação do doente com muita significância estatística. 5.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à Hanseníase, conforme Escores de Avaliação A análise de correlação entre a variável sexo e o conhecimento em relação à doença conforme escore de avaliação é mostrada na figura 3. FIGURA 3- Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação. Belém (PA) de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,034) 52 Os resultados da Figura 3 mostram associação estatística significativa entre conhecimento sobre a doença e sexo (P<0,05), evidenciando-se um conceito bom na maior proporção (62,7%), representado por 80% do sexo feminino. A Figura 4 mostra os resultados da associação entre conhecimento sobre a doença e a variável escolaridade (A: Alfabetizado; E.F.I: Ensino Fundamental Incompleto; E.F.C: Ensino Fundamental Completo; E.M.I: Ensino Médio Incompleto; E.M.C: Ensino Médio Completo; E.S.I: Ensino Superior Incompleto; E.S.C: Ensino Superior Completo). Conforme escore de avaliação (Bom, Regular, e Insuficiente). FIGURA 4 – Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável escolaridade conforme escore de avaliação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,0007) Na Figura 4, o estudo confirmou que as diferenças entre conhecimento sobre a doença e a escolaridade, foram significativas (P<0,05). Indicando que o conhecimento bom sobre a doença em 62,7% é representado por 82,6% das pessoas que possuem o ensino médio completo. A Figura 5 demonstra os valores da associação entre conhecimento sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação. 53 FIGURA 5 - Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação. Belém (PA), de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,242) Na Figura 5 o teste revela que a diferença entre conhecimento e renda, não é significativo (P>0,05). Tanto o indivíduo sem renda fixa quanto o com renda mais de três salários mínimos, possuem conhecimento sobre a doença. A Figura 6 apresenta a análise de correlação entre atitude sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação (Satisfatório e Insatisfatório). FIGURA 6 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste Exato de Fisher (P=0,271) 54 Na análise das variáveis da Figura 6. Os resultados mostram que não existe correlação entre a atitude e sexo (P>0,05). Indicando que a atitude das pessoas em relação à doença independe do sexo. A associação entre atitude sobre a doença e a variável escolaridade, conforme escore de avaliação, é mostrada na Figura 7. FIGURA 7 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável escolaridade conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,359) De acordo com os resultados da Figura 7 verificou-se que não existe correlação entre atitude e escolaridade (P>0,05). Tanto o indivíduo com baixa escolaridade quanto com o ensino superior possuem atitudes semelhantes em relação à doença. A Figura 8 mostra a correlação entre atitude sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação. 55 FIGURA 8 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,271) Os resultados da Figura 8 mostram que não existe correlação estatística significativa entre atitude e renda (P>0,05). Tanto o indivíduo sem renda quanto o com renda mais de três salários mínimos têm atitudes semelhante sem relação à hanseníase. A Figura 9 apresenta a associação entre a prática sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação. FIGURA 9 - Percentual entre prática sobre a doença e a variável sexo conforme escore de avaliação. Belém (PA) de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,329) 56 Na análise dos dados da Tabela 9. O estudo confirmou que não existe correlação estatística significativa entre prática e sexo (P>0,05). Sugerindo que pessoas de ambos os sexos executam os cuidados relacionados com a doença. A Figura 10 demonstra a associação entre a prática sobre a doença e a variável escolaridade, conforme escore de avaliação. FIGURA 10 - Percentual entre a prática sobre a doença e a variável escolaridade conforme escore de avaliação. Belém (PA), de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,022) O estudo revelou que existem diferenças estatisticamente significativas (P<0,05), entre a prática do cuidado e a escolaridade. A maior proporção 70,7% corresponde ao conceito bom, representado por 86,9% do ensino médio completo. A análise da associação entre a prática sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação, é demonstrada na Figura 11. 57 FIGURA 11 - Percentual entre prática sobre a doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a setembro 2013. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Teste G (P=0,903) Em relação à figura 11 o estudo mostrou que não existem diferenças estatísticas significativas entre a prática e a renda (P>0,05). Tanto o indivíduo sem renda quanto o com renda de mais três salários mínimos executam a prática do cuidado relacionado à hanseníase. 58 6 DISCUSSÃO 6.1 Características Sociodemográficas e Econômicas de Pessoas Acometidas de Hanseníase Conforme as características sociodemográficas e econômicas da amostra estudada, apresentadas nas Tabelas 3, 4 e 5. Em relação à faixa etária, constatouse maior ocorrência da hanseníase na faixa correspondente a população adulta, com diferenças significativas entre os grupos estudados. Tal resultado encontrado expressa a faixa economicamente produtiva e corresponde à fase que acarreta problemas socioeconômicos para o indivíduo, para a família e para a sociedade, fato comprovado por outros estudos (PINHEIRO et al., 2009; CONTE et al., op. cit., 2009). Ainda em relação à faixa etária, merece destaque neste estudo a população de idosos, por ter apresentado uma proporção significativa na faixa de 60 a 80 anos. Ainda em relação à faixa etária, merece destaque neste estudo a população de idosos, por ter apresentado uma proporção significativa na faixa de 60 a 80 anos. Nesse sentido, Polaro et al. (2012), em seu estudo com idosos na região metropolitana de Belém, referem que, no Brasil a expectativa de vida ao nascer é de 73,1 anos, chegando a 75,2 anos na região sul. No Pará, a expectativa média de vida aumentou de 68,9 anos em 1996 para 71,7 anos em 2006 e 72,5 anos em 2010. Na Região Norte, o Estado do Pará mais especificamente na Região Metropolitana de Belém, é a que mais concentra população idosa. Conforme Ferreira (2012, p.34) em seu estudo (transversal) realizado com idosos em tratamento de MH no Espírito Santo, observou-se uma tendência de aumento dos casos com a progressão da idade, nas doenças que possuem um longo período de incubação, como é o caso da MH. Essas pessoas, a partir do momento em que convivem mais tempo com a população, apresentam significativo potencial de disseminação da doença, fato que merece especial atenção dos profissionais de saúde que trabalham com o PCH. A esse evento, também atribui o aumento da demanda de idosos nas US a partir da implantação do Plano de Reorganização de Atenção à Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus no Brasil em 2001 (BRASIL, 2004). Em que os idosos têm prioridade no atendimento e que pode estar contribuindo na detecção de outras doenças crônicas. O Programa é conhecido pela sigla HIPERDIA e encontra-se 59 disponível na rede de serviços da APS no município de Belém. Outros fatores que podem explicar a ocorrência da doença nesta população seria a maior fragilidade do sistema imune, aumenta a oportunidade de evolução da doença em contato com o bacilo; por serem residentes em áreas endêmicas; antecedente familiar e o diagnóstico tardio da doença. Quanto ao sexo, o estudo mostrou maior frequência no masculino, contudo, sem diferença estatística significativa. A diferença existente atribuiu-se à variação amostral, ou seja, neste estudo a MH ocorre em ambos os sexos quase na mesma proporção,assim como outros estudos brasileiros envolvendo pessoas com MH, que também identificaram situação semelhante. Santana et al. (2008, p.183) e Ferreira (2012, p.28) encontraram igualmente 60% no sexo masculino. Ribeiro (2012, p.48) em estudo de coorte retrospectivo com 71 pessoas realizado em Belo Horizonte (MG) mostrou que 52,1% dos participantes eram do sexo masculino. Neste aspecto, significa, o homem ter mais relações interpessoais (tem uma vida mais ativa), maior exposição ao meio e menor acesso aos serviços de saúde. Embora estudos epidemiológicos (como citados acima) sobre a MH em sua grande maioria apontem o sexo masculino como o mais acometido pela doença, percebe-se que as características epidemiológicas relacionadas ao sexo vêm apresentando mudança no decorrer do tempo. Observou-se em alguns estudos, que a hanseníase vem acometendo as mulheres praticamente na mesma proporção em que acomete os homens, como no estudo citado a seguir. Ferreira (ibid, p. 43 e 44), em estudo epidemiológico prospectivo, encontrou maior proporção no sexo feminino entre os casos novos detectados pelo exame de contato. Uma explicação para essa mudança seria a maior procura pelo serviço de saúde da população feminina em maior parte das regiões do Brasil. Além dos programas oferecidos pelos serviços na APS serem em sua maioria voltados à saúde da mulher. Essa proporção deve-se também à inserção progressiva da mulher no mercado de trabalho nos últimos anos no Brasil. Quanto à categoria raça, foi revelado que a maioria do grupo declarou ser de origem negra/parda, com destaque a parda, que predominou sobre a branca, demonstrando uma diferença muito significativa. Reflete a composição étnica da população paraense. Dados do MS (BRASIL, 2011) mostram que as diferenças são expressivas no número de pretos e pardos acometidos pela doença, em relação aos brancos. Entre 2001 e 2009, a proporção de casos de hanseníase nas populações 60 autodenominadas preta e parda supera a soma das demais, alcançando mais de 60% desde 2003. Essa proporção aumentou ao longo do período, chegando-se a 2009 com 67% de casos em pretos e pardos. Esse dado é corroborado por Ferreira, Ignotti e Gamba (2011), que identificaram 54,6% entre a população mato-grossense autodeclarada parda. É importante salientar que neste estudo, no que se refere à cor dos entrevistados em tratamento de MH foi expressiva a categoria negra/parda. Tal achado deve-se levar em consideração o processo histórico de colonização, movimentos migratórios e a organização espacial, dentre outros fatores apontados por Silvestre (op. cit.), e que possivelmente justifiquem esse aumento de casos na raça autodeclarada parda. O grau de escolaridade que mais se destacou neste estudo foi o ensino médio completo e incompleto, com diferença significativa entre o grupo avaliado. Porém, ao analisarmos dentre os 75 participantes, identificou-se um número significativo correspondente a 45,3% de pessoas com escolaridade abaixo do ensino médio. Indicando uma condição social desfavorável em relação aos demais, e que pode ter influencia negativa na compreensão de seu tratamento e de seu autocuidado, o que poderá ocasionar a piora do quadro clínico. Nesse sentido, Ferreira (op. cit., p.35) apontou a baixa escolaridade como fator de risco para a instalação da MH, indicando também que possui forte associação com a não adesão ao tratamento e o consequente desenvolvimento de formas mais graves da doença. Assim, verificou-se durante as entrevistas que o maior grau de escolaridade contribuiu na comunicação dos participantes da pesquisa e facilitou na compreensão sobre o tema. E contrastou para aqueles com o menor grau de escolaridade. Em relação à ocupação, o estudo mostrou no geral que refletem a população economicamente ativa como demonstra a Tabela 3. Observou-se dentre os 75 participantes que, 21,3% são empregados com carteira de trabalho, ou seja, possuem estabilidade no emprego. E 20% são pessoas com profissão de (pedreiro, pintor, eletricista e diarista), porém a remuneração só é efetuada mediante a concretização do trabalho, caracterizando-o ser informal. E, em menor proporção trabalham por conta própria. É importante ressaltar que a ocupação de aposentado (a) / pensionista, em pessoas com idade igual ou maior a 60 anos, obteve uma 61 proporção considerável no grupo analisado. A diferença não é significativa entre os grupos avaliados, situação semelhante foi apontada por Ferreira (2012a, p.44). Quanto à situação conjugal dos participantes, observou-se que a maior proporção da amostra é composta por pessoas casadas ou que vivem com companheiros, e, em menor proporção, são divorciados ou separados, com significância estatística entre o grupo. Esse fato pode estar relacionado ao predomínio da população adulta seguida da população idosa neste estudo. Em relação ao número de filhos, predominou de um a dois filhos entre a amostra, e apenas 13,3% relatou ter mais de cinco filhos (P=0,0004).A respeito do número de residentes no domicílio, em sua maioria compõe-se de três a cinco pessoas (P=0,026). Na análise da fecundidade por cor ou raça, o Censo de 2010, revelou que as maiores quedas percentuais ocorreram entre as mulheres pretas no Nordeste 29,1%, Norte 27,8% e Sul 25,3%. O que pode justificar os dados encontrados neste estudo em relação ao número de filhos e de residentes no domicílio (IBGE, 2012a). Quanto à renda familiar, a maior proporção foi de um a três salários mínimos vigentes. A renda é um dos indicadores utilizados para o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O município de Belém apresentou o maior IDH entre os 142 municípios do estado com 0,746 em 2010, ocupando a primeira posição. Entretanto, o município de Melgaço no estado do Pará, apresentou no mesmo ano o menor IDH municipal do Brasil com 0,418, entre os oito municípios do Pará classificados com índice muito baixo, segundo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), 2013. De acordo com Pinto Neto (2004), a pobreza é considerada como um fator de risco para o desenvolvimento da hanseníase. E o seu processo histórico no mundo, é reflexo de situações sociopolíticas e socioeconômicas. Situação comprovada por Batista et al. (op. cit.), que, ao investigar o perfil sociodemográfico e clínico epidemiológico em pessoas com MH no interior do Rio de Janeiro, identificaram que o maior número de indivíduos acometidos de MH é de regiões periféricas da cidade, onde predominam condições de moradias precárias e conglomerados familiares. Outro dado importante do ponto de vista epidemiológico foi observado neste estudo, pessoas com relato de antecedentes de MH na família conforme dados da Tabela 4. Nesta análise a diferença foi muito significativa. Neste aspecto, Santos, 62 Castro e Flaqueto et. al. (op. cit.), em seu estudo investigaram os fatores de risco relacionados à MH e constataram que, o risco de desenvolver a doença é cerca de 5 a 10 vezes maior se um membro da família já manifestou a doença; e para os contatos intradomiciliares o risco é maior para aqueles que conviveram com o doente antes de ele iniciar o tratamento com a PQT. Conforme a Tabela 5, o tipo de casa mais apontado entre os participantes foi a de alvenaria, com três a cinco cômodos conferindo condições de habitação favoráveis à saúde da família. A maior proporção aponta casas abastecidas pela COSANPA, assim como a coleta de lixo é feita pelo serviço púbico na maioria dos domicílios. Esse foi o serviço que, proporcionalmente, mais cresceu em todas as regiões (IBGE, 2012a). Dentre os 75 domicílios, 89,3% possuem fossa séptica e apenas em 1,3% o destino dos dejetos é a céu aberto, o que sugere um potencial de risco às doenças infecciosas e parasitárias a essa família em relação às demais, com significância estatística entre as cinco categorias analisadas (P<0,05). Os achados deste estudo em relação às condições demográficas dos domicílios na amostra estudada conferem com os dados do Censo de 2010. O Censo mostrou que 52,5% deles eram considerados adequados (em 2000 eram 43,9%), ou seja, tinham abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta e indireta e possuíam até dois moradores por dormitório. 6.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas Acometidas de Hanseníase em relação à Doença Na análise do conhecimento sobre a doença demonstrado na Tabela 6, observou-se no geral o predomínio de pessoas que possuem conhecimento. Dentre as cinco perguntas sobre a hanseníase, o maior percentual de acertos foi sobre a cura da MH. Em todas as análises, a diferença foi significativa. Porém, alguns aspectos merecem ser destacados acerca do padrão de conhecimento do grupo. Dentre os entrevistados observou-se que, uma proporção significativa desconhece alguns aspectos sobre a doença, como por exemplo, a transmissão da doença. Verificou-se que, uma pequena proporção acreditava que seria através do aperto de mão e ao sentarem em acentos usados pelo doente, fato que chamou a atenção, uma vez que essas pessoas se encontravam em controle de tratamento na US. 63 Outro aspecto observado foi quanto ao tempo de tratamento da MH, pois a maioria demonstrou insegurança ao responder. A resposta obtida pelos participantes, em sua maioria, foi com base em seu tratamento atual, e mesmo assim demonstravam ter dúvidas. É importante destacar que 16% apontaram a alternativa “não sei” e apenas 17,3% responderam corretamente o tempo de tratamento. Conforme o esquema operacional, a duração do tratamento é de seis meses (PB) e doze meses (MB) com retornos mensais. É importante destacar que, esse tempo é fundamental para o esclarecimento sobre os sinais e sintomas da doença, o modo de transmissão, a prevenção e a cura dentre outras questões. Em consonância com Santos et al. (2007), na análise dos relatos em seu estudo identificou que alguns dos entrevistados possuíam um conhecimento limitado sobre as diferentes formas clínicas da doença. E outros por desconhecerem essas manifestações clínicas, retardaram a procura ao serviço. Esse estudo vem confirmar os dados apresentados na Tabela 2, que evidenciou maior frequência das formas abertas / contagiantes em todo o período entre 2001 e 2011, no município de Belém. Essa realidade perdura até hoje nas seis US do estudo, em relação às formas contagiantes da doença, confirmada com os dados na amostra estudada levantados em prontuários do cliente e fichas de aprazamentos do PCH, apresentados no Quadro 1. Percebeu-se que as pessoas chegam ao serviço de saúde para diagnóstico tardiamente e, portanto com maior risco de desenvolver reações e neurites. Ao analisar o conhecimento sobre a prevenção de incapacidade física, conforme a Tabela 7 constatou-se que a maioria dos participantes desconhecia os procedimentos dos cuidados com os olhos, nariz e as mãos. Essa constatação supõe a escassez de atividades educativas em grupo ou a inadequação na abordagem sobre o tema. Em relação aos cuidados com os pés e com o corpo, a maioria demonstrou que possuem um conhecimento, porém limitado, e pode-se perceber uma grande lacuna na amostra estudada, a despeito da finalidade desses cuidados. Sendo confirmado pelo teste qui-quadrado de aderência de forma muito significante (P<0,0001) em todas as análises do conhecimento sobre a prevenção. Situação semelhante foi encontrada por Duarte, Ayres e Simonetti (op. cit.), que em seus estudos identificaram que, 89% dos doentes desconheciam os aspectos relacionados à hanseníase, tendo como consequência o comprometimento ocular. Então, destacaram a importância do esclarecimento às pessoas acometidas 64 quanto aos vários aspectos da hanseníase, a fim de que compreendam as manifestações clínicas, a importância da adesão ao tratamento, para que se sintam estimuladas ao autocuidado, já que este é fundamental na prevenção de incapacidades físicas. Nesse sentido, ressaltamos que o grau de instrução pode favorecer tanto na compreensão e adesão do tratamento da doença, como em seu autocuidado com o seu corpo, olhos, nariz, mãos e pés, evitando assim as incapacidades físicas. Santos, Castro e Flaqueto et al. (op. cit.), em seu estudo abordaram a importância da realização de atividades educativas junto à comunidade a partir das US, cujas atividades, proporcionaram à população melhoria de conhecimentos sobre a doença, e essa conduta pode influenciar no aumento da detecção de casos novos na forma inicial da doença. A SVS através da Portaria Ministerial Nº 3.125 de 07 de outubro de 2010, recomenda que as práticas de educação em saúde para o controle da hanseníase, devem estar baseadas na política de educação permanente e na política nacional de promoção da saúde e compreendem orientações sobre a atenção integral, investigação dos contatos domiciliares, autocuidado apoiado, prevenção e tratamento de incapacidades físicas, dentre outras. Na análise da atitude relacionada aos fatores que podem interferir na recuperação do doente, apresentada na Tabela 8, considerou-se a justificativa adequada de cada participante a respeito do tema. Verificou-se que a maioria dos participantes obteve atitudes semelhantes ao concordarem com a afirmativa relacionada ao ambiente. Porém, observou-se que, 13,3% divergiram em suas opiniões em relação aos demais. A respeito da falta de atenção dos profissionais, constatou-se que a maior proporção apontou em concordar com a afirmativa, ou seja, houve aproximação de ideias/opiniões entre o grupo avaliado. A respeito da dificuldade de locomoção, foi evidenciado que as opiniões convergiram da maioria das pessoas com a afirmativa. Seguida da proporção de pessoas que divergiram de opinião dos demais, por acreditarem que a dificuldade de locomoção não leva o doente a abandonar o tratamento, expressando um sentimento de autoestima para obter a cura da doença. Quanto ao afastamento do doente de seu trabalho, verificou-se que as opiniões foram adequadas em sua maioria, seguida da proporção de opiniões que divergiram dos demais. E a menor proporção corresponde a pessoas que não emitiram opinião. Em relação ao apoio 65 da família, majoritariamente representa a proporção de participantes que acha muito importante para a recuperação do doente. Esse sentimento das pessoas acometidas de MH relacionado à família, expressa que o apoio familiar frente ao diagnóstico reflete conforto durante o processo de tratamento e integração do conhecimento sobre a doença, que pode proporcionar qualidade de vida por não provocar rejeição e afastamento de seus familiares. Em toda a análise realizada sobre a atitude, a diferença foi muito significativa, confirmada pelo teste qui-quadrado de aderência (P<0,0001). Assim, acredita-se que pessoas com atitudes inadequadas e/ ou que não sabem emitir opinião sobre determinado tema ou problema relacionado à sua saúde, podem exercer influência negativamente na sua recuperação. Segundo Rodrigues (1992, p. 49) cita em seu livro esta definição: atitude é “um sistema de avaliações positivas e negativas, sentimentos emocionais e tendências pró ou contra um objeto social”. Sobre as práticas a cerca do cuidado com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento, mostrados na Tabela 9, observou-se que a maioria dos participantes cuidam do corpo e do nariz. A hidratação foi o tipo de cuidado mais apontado pelos participantes, seguida da limpeza das narinas com água limpa (P<0,0001). Verificouse durante as entrevistas que, o ressecamento da pele e o entupimento do nariz são queixas muito frequentes na hanseníase, o que pode justificar os tipos de cuidados mais realizados. Dentre todos os cuidados relatados, dois se destacaram por apresentar a maior proporção, o autoexame do corpo a fim de identificar novas alterações cutâneas e o cuidado de tomar a medicação diariamente. 6.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas sobre a Doença e o Escore de Avaliação Na análise de correlação entre as categorias de conhecimentos, atitudes e práticas, e o escore de avaliação, conforme as Tabelas 10, 11 e 12 o estudo evidenciou associação significativa entre conhecimento sobre a doença e a prática do cuidado com o corpo, refletindo na atitude satisfatória do grupo em relação à doença. É possível que esse conhecimento sobre a hanseníase seja um reflexo das informações recebidas no momento da consulta de rotina. 66 Embora o conhecimento das pessoas sobre a prevenção de incapacidade física seja muito limitado para uns e o desconhecimento (total) para outros resultando na dificuldade de compreensão dos cuidados e a sua não realização. Porém, muitas pessoas do grupo demonstraram interesse em aprender os procedimentos relacionados aos cuidados com o corpo, os quais foram demonstrados a cada um após cada entrevista, com apoio dos manuais referentes aos cuidados, para que fossem executados no seu domicílio no mínimo uma vez ao dia, também foi esclarecida a finalidade de cada um. O cuidado recomendado para as mãos e os pés foi hidratação, lubrificação e a massagem. Estudo realizado por Ferreira et al. (2011) evidenciou que, a chance de recidiva para o grupo de indivíduos que não recebeu esclarecimento sobre a doença/tratamento foi quase três vezes maior em relação aos que relataram ter recebido orientação. Os mesmos autores destacam que, o aspecto sociocultural dos indivíduos e famílias, como conhecimento, atitudes e práticas sobre a hanseníase e o acesso às informações, pode influenciar na adesão do tratamento. 6.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à Hanseníase, conforme Escores de Avaliação Na análise de correlação entre as variáveis dependentes e as variáveis sociodemográficas relacionadas ao sexo, escolaridade e renda familiar, os dados dos resultados foram discutidos fazendo a comparação entre os valores encontrados que obtiveram escore bom. Conforme a Figura 3, o estudo mostrou que existe associação entre conhecimento sobre a doença e a variável sexo de acordo com o escore de avaliação (P=0,034), que apontou o sexo feminino com maior conhecimento sobre o masculino, embora a MH tenha ocorrido com maior frequência no sexo masculino neste estudo. Em relação à escolaridade mostrada na Figura 4, a associação foi significativa entre conhecimento e escolaridade (P=0,0007), que apontou o ensino fundamental completo com maior percentual entre o grupo com conhecimento bom. Quanto à renda apresentada na Figura 5, neste estudo a associação não foi significativa (P=0,242), pois mostrou que pessoas com baixa renda possuem conhecimento bom sobre a doença, confirmados pelo teste G de independência, aplicado em todas as análises referente ao conhecimento. 67 Na análise de correlação entre a atitude e a variável sexo, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 6, o estudo evidenciou que a associação não foi significativa, apontando uma atitude satisfatória sobre a doença entre ambos os sexos, confirmado pela aplicação do teste Exato de Fisher (P=0,271). Em relação à variável escolaridade, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 7, o estudo mostrou que não existe associação significativa, indicando atitude satisfatória em relação à doença entre os grupos estudados, ou seja, existe uma grande aproximação entre os grupos em relação às suas idéias e opiniões sobre a doença, independentemente do grau de escolaridade, confirmado pelo teste G de independência (P=0,359). Quanto à renda, conforme escore de avaliação, mostrada na Figura 8, foi constatado que não existe associação significativa entre a amostra estudada. O estudo apontou atitude satisfatória sobre a doença tanto nos grupos sem renda fixa como naqueles com renda de mais de três salários mínimos. Ou seja, os grupos demonstraram ter ideias e opiniões semelhantes que independem da renda de cada um, confirmado pela aplicação do teste G de independência (P=0,271). Na análise de correlação entre a prática sobre a doença e a variável sexo, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 9, constatou-se que não existe associação significativa entre a amostra estudada (P=0,329), indicando que pessoas de ambos os sexos obtiveram escore bom em relação à prática sobre a doença. Quanto à variável escolaridade, conforme escore de avaliação, demonstrado na Figura 10, observou-se associação significativa entre o grupo (P=0,022), apontando que a maioria das pessoas que obteve escore bom em relação à prática sobre a doença possui o ensino médio completo. A respeito da renda, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 11, verificou-se que não existe associação entre o grupo estudado (P=0,903), apontando expressiva aproximação entre o grupo que obteve escore bom em relação à prática sobre a doença, ou seja, o grupo pratica o cuidado com o corpo, independentemente da renda da família. Constata-se com este estudo a necessidade de se intensificar estratégias de educação em saúde na unidade e na comunidade, dentre outras ações, com fim de melhorar e ampliar o conhecimento das pessoas acometidas de MH, em especial sobre as medidas de prevenção de incapacidades físicas através do autocuidado com o corpo. Considerando que nem todas as pessoas doentes têm os nervos 68 atingidos, e com a intervenção de um tratamento adequado os danos neurais e a incapacidade podem ser prevenidos. Para tal, há a necessidade de se unirem esforços, o envolvimento da comunidade e de um trabalho articulado principalmente com a equipe saúde da família. Destacamos o papel importante do enfermeiro na atuação do desenvolvimento das ações de vigilância e educação à saúde, no atendimento as pessoas acometidas de hanseníase. Assim, podermos contribuir com o diagnóstico precoce, diminuição dos danos neurológicos e, provavelmente, com a cura da doença. Nesse contexto, há a necessidade de se realizarem novas pesquisas, a fim de se identificar lacunas sobre o tema em questão. Nessa perspectiva, seguem as seguintes recomendações: Programar estratégias de educação em saúde permanente, com a participação integral da equipe de saúde do PCH, e a família das pessoas acometidas de MH. Articular nas US um espaço adequado e destinado às atividades educativas em grupo. Resgatar nas US a realização efetiva da avaliação neurológica simplificada conforme o protocolo do PCH do MS. 69 7 CONCLUSÕES Com base nos dados coletados e analisados nesta pesquisa, pode-se concluir que. A maioria da população deste estudo é de pessoas do sexo masculino, adultas, na faixa etária economicamente ativa, seguida da população de idosos, que também se destacou. Identificaram-se pessoas com o ensino médio completo, casadas/vive com companheiro, com um a dois filhos. A renda familiar variou entre um a três salários mínimos vigentes entre o grupo; As condições de habitação, em sua maioria, são favoráveis a manutenção à saúde da família. De acordo com o relato dos participantes, as casas oferecem boas estruturas de moradia, apesar de que, dentre o grupo, existem famílias expostas ao risco de doenças infecciosas e parasitárias, devido à inadequação do destino dos dejetos; O padrão de conhecimento sobre a hanseníase na amostra estudada foi considerado bom, apesar de o grupo desconhecer alguns aspectos, em especial sobre a prevenção de incapacidade física relacionada aos cuidados com o corpo, necessitando de esclarecimentos específicos sobre esses cuidados, dentre outros; A atitude do grupo foi satisfatória sobre a doença. Acreditamos que uma atitude satisfatória pode influenciar positivamente em vários aspectos, como a mudança no comportamento das pessoas e na recuperação da saúde; A prática do cuidado com o corpo apresentou associação significativa com o conhecimento sobre a doença, apontando que o conhecimento limitado sobre a doença pode resultar em práticas incorretas devido à dificuldade de compreensão para a realização do procedimento. Dessa forma, conclui-se a importância deste estudo para a saúde pública, pois permitiu ouvir as pessoas e conhecer as suas indagações, contribuindo para o esclarecimento sobre a doença conforme suas necessidades. Assim, entende-se que os objetivos da pesquisa foram alcançados por meio das evidências comprovadas, além de importantes considerações acerca dos possíveis fatores associados à doença. Espera-se que este estudo possa servir de subsídios para novas pesquisas relacionadas à hanseníase incluindo outras unidades de saúde do município de Belém. 70 REFERÊNCIAS ALVES, A. S.; LOPES, M. H. B. M. Conhecimento, atitude e prática do uso de pílula e preservativo entre adolescentes universitários. Rev. Bras. Enferm., Brasília, v. 61, n. 1, p. 11-17, jan./fev. 2008. ARAÚJO, T. M. E.; et al. Vacina contra influenza: conhecimentos, atitudes e práticas de idosos em Teresina. Rev. Bras. de Enferm. Brasília, v. 60, n. 4. P. 439-443, jul/ago 2007. BATISTA, E. S.; et al. Perfil sociodemográfico e clínico-epidemiológico dos pacientes diagnosticados com hanseníase em Campos dos Goytacazes RJ. Rev. Bras. Clín. Med, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 101-106, mar./abr. 2011. BELÉM. Secretária Municipal de Saúde. Ações de controle da hanseníase. Belém, 2012. _______. Ministério da Saúde. Resolução 196 de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). 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Informações sobre: Conhecimento, atitude e prática sobre hanseníase Valoração 2. Conhecimentos Adequado/bom Regular Não adequado/ Insuficiente 2.1- Sobre a doença. Hanseníase; Transmissão; Quatro a cinco Duas a três Nenhuma ou uma Sintomas; respostas respostas resposta correta Tratamento e Cura. corretas corretas 5 perguntas 2.2- Sobre prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Quatro a cinco respostas corretas Duas a três respostas corretas Nenhuma ou uma resposta correta 5 perguntas 3. Atitudes Satisfatória Insatisfatória Opiniões/ justificativas adequadas Uma ou nenhuma opinião adequada 3.1Atitudes relacionadas a fatores que podem interferir na recuperação do doente. 5 perguntas 4. Práticas Adequada/boa Regular Não adequada/insuficiente 4.1Práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento (PQT). Quatro a cinco respostas corretas Duas a três respostas corretas Nenhuma ou uma resposta correta 5 perguntas FONTE: Santos, Cabral, Augusto (2011). 87 APÊNDICE D - Critérios estabelecidos para os valores de acertos referente ao quadro 1 apêndice D (continuação). Escores 4a5 Bom 2a3 Regular 0a1 Insuficiente Total de perguntas Acertos 5 4 3 2 1 0 Percentual 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 00,0 5 100,0 88 APÊNDICE E - TCLE Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Mestrado Associado à Enfermagem UEPA/UFAM TERMO DE ESCLARECIMENTO O projeto de pesquisa intitulado: Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendida na atenção primária à saúde. Trata-se da Dissertação de Mestrado da mestranda, Maria de Nazaré Santos de Oliveira, orientado pelo Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles e tem como objetivo geral, Avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase a partir de 18 anos, atendidas nas Unidades Municipais de Saúde do Guamá, Jurunas, Marambaia, Tavares Bastos, e Unidade Básica de Saúde Pedreira e o Centro de Saúde Escola Marco, no município de Belém-Pa. E você é nosso convidado a participar do estudo respondendo as perguntas de um formulário sobre hanseníase, o qual será aplicado pela pesquisadora a todos os participantes das seis unidades de saúde selecionadas. A pesquisadora marcará com um x a alternativa que você achar mais correta. Caso não saiba responder alguma pergunta, tem a alternativa não sei, ou sinta-se constrangido (a), você tem liberdade para não responder. Esclarecemos que suas informações serão utilizadas somente nesta pesquisa e guardadas por cinco anos, e que na divulgação dos resultados seu nome não irá aparecer, pois usaremos como código números. Os resultados poderão ser apresentados em eventos científicos e publicados em revistas. Sua participação no estudo é muito importante, pois contribuirá para a melhoria da assistência de enfermagem as pessoas com hanseníase atendidas nas seis unidades de saúde. Esta pesquisa tem por risco a quebra do sigilo, para amenizar esta possibilidade, comprometo-me em guardar o anonimato para todos os participantes. E a qualquer momento você pode desautorizar a pesquisadora de fazer uso das informações obtidas e todo material anotado lhe será devolvido. Este trabalho será realizado com recursos próprios da pesquisadora. Não haverá nenhum pagamento por sua participação. Se você tiver dúvidas e desejar esclarecimento sobre a pesquisa poderá fazer contato com a pesquisadora Maria de Nazaré Santos de Oliveira, residente na Av. Marques de Herval nº 668, Edifício Residencial Icaraí, entre as travessas Humaitá e Vileta, Bairro da Pedreira; fone: (91) 81397500. Você também poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual do Pará (UEPA), End. Av. José Bonifácio, 1289 CEP: 66063-010 Fone: (091)3249-0236 Fax: (091) 3249-4671 Ramal: 208. Email: [email protected], se tiver qualquer dúvida com relação aos seus direitos. 89 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE, APÓS ESCLARECIMENTO Declaro que li e/ ou ouvi o esclarecimento acima e compreendi as informações que me foram explicadas sobre a pesquisa. Conversei com a coordenadora e/ ou a pesquisadora do projeto sobre minha decisão em participar, ficando claros para mim, quais são os objetivos da pesquisa, a forma como vou participar os riscos e benefícios e as garantias de confidencialidade e de esclarecimento permanente. Ficou claro também, que a minha participação não tem despesas nem receberei nenhum tipo de pagamento, podendo retirar o meu consentimento a qualquer momento, sem penalidades ou prejuízos. Concordo voluntariamente participar desse estudo assinando todas as páginas deste termo em duas cópias e uma ficará comigo. Local: ......./......../........ Assinatura do voluntário ou seu responsável legal RG:--------------------- Assinatura do pesquisador responsável RG:----------------------- 90 ANEXOS 91 ANEXO A – Ficha de Notificação/ Investigação Hanseníase 92 ANEXO B - Ficha de Aprazamento e Controle da MH – Estado 93 ANEXO C - Ficha de Aprazamento e Controle da MH – Município 94 ANEXO D – Mapa dos bairros que mais notificaram MH em 2011 95 ANEXO E - Parecer do Comitê de Ética 96 97 98 ANEXO F – Formulário para Avaliação Neurológica Simplificada Anverso e verso 99 100 Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Av. José Bonifácio, 1289, Guamá Belém-PA www.uepa.br