Governo do Estado do Pará
Universidade do Estado do Pará
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - Mestrado
Maria de Nazaré Santos de Oliveira
Conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas
acometidas de hanseníase atendidas na atenção
primária à saúde
Belém
2014
Maria de Nazaré Santos de Oliveira
Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas acometidas de
hanseníase atendidas na atenção primária à saúde
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Mestrado Associado em Enfermagem
UEPA/UFAM, do Centro de Ciências Biológicas e da
Saúde da UEPA, como requisito parcial à obtenção
do título de Mestre em Enfermagem.
Área de Concentração: Enfermagem.
Linha de pesquisa: Enfermagem em Saúde Pública
e Epidemiologia das Doenças na Amazônia.
Orientador: Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles.
Belém
2014
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
Biblioteca de Enfermagem – Campus IV - UEPA
O48c
Oliveira, Maria de Nazaré Santos de
Conhecimentos, atitudes e práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na
atenção primária à saúde / Maria de Nazaré Santos de Oliveira; Orientador: Mauro José
Pantoja Fontelles. Belém, 2014.
99 f.; 30 cm
Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade do Estado do Pará, 2014.
1. Hanseníase. 2. Epidemiologia. I. Fontelles, Mauro José Pantoja (Orient.). II. Título.
CDD: 21 ed. 616.998
Maria de Nazaré Santos de Oliveira
Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas acometidas de
hanseníase atendidas na atenção primária à saúde
Dissertação submetida ao Programa de PósGraduação Mestrado Associado em Enfermagem
UEPA/UFAM, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Enfermagem.
Data de Aprovação: 20/02/2014
Banca Examinadora
_______________________________________________
Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles - Presidente
Universidade do Estado do Pará - UEPA
__________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Pinheiro Carrera - Membro Interno
Universidade do Estado do Pará - UEPA
_______________________________________________
Prof.ª Dr.ª Jacira Nunes Carvalho - Membro Externo
Universidade Federal do Pará – UFPA
______________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Maria Izabel Penha de Oliveira Santos - Suplente Interno
Universidade do Estado do Pará - UEPA
Aos meus pais, João Campos e
Raimunda Santos (in memoriam), pela
atenção, carinho e dedicação na
educação que influenciou positivamente a
vida de cada um de seus filhos. Exemplos
de vida.
À família Santos & Oliveira que sempre
me incentivou e apoiou. Que a Paz de
Cristo permaneça sempre entre nós.
AGRADECIMENTOS
À Deus, meu Grande Mestre! Por iluminar e guiar meus passos dia a dia
nesta caminhada e por abençoar meus projetos de vida e profissional.
Ao meu orientador, Dr. Mauro José Pantoja Fontelles, pela serenidade e
cordialidade com que conduziu as orientações para a concretização deste trabalho.
À Dr.ª Maria de Fátima Pinheiro Carrera pela valiosa contribuição e
pertinentes observações na correção deste trabalho.
À Dr.ª Jacira Nunes Carvalho pela gentileza em participar da Banca
Examinadora contribuição e incentivo.
À Dr.ª Maria Izabel Penha de Oliveira Santos pelo apoio incentivo e atenção
nos primeiros momentos da construção deste estudo. Muitíssimo obrigada!
A todos os professores do PPGENF/Turma 2 pelos ensinamentos e incentivos
aos grandes desafios.
A todas as colegas da turma 2 pelo companheirismo nestes anos de estudo.
À minha querida irmã Rosana Maria Santos de Oliveira Corrêa, que mesmo
residindo em outra cidade (Palmas-TO), contribuiu com a normalização da
Dissertação, a quem sou muito grata.
À SESPA e a SESMA por autorizarem a realização deste estudo e pelo apoio
e acolhimento durante o processo de coleta de dados da pesquisa.
Aos Gestores das UMS Guamá, UMS Jurunas, UMS T. Bastos e UMS
Marambaia, UBS Pedreira e CSE Marco e a equipe de enfermagem do Programa de
Controle da Hanseníase pelo acolhimento e apoio durante o processo de coleta de
dados da pesquisa.
Às pessoas acometidas de hanseníase que participaram da pesquisa,
carinhosamente, muito obrigada!
À colega Cecília Helena pelo acolhimento e apoio durante a coleta de dados
na UMS Jurunas, muito obrigada.
Às amigas Professoras da UEPA, Ângela Ferreira, Margarete Boulhosa,
Margareth Braun e Carmen Miranda, pelo apoio, incentivo e amizade.
À acadêmica de enfermagem da UEPA Luana Carvalho pela ajuda e apoio
durante o processo de coleta de dados da pesquisa, muito obrigada.
À amiga Enfermeira Helena Melo pelo apoio, companheirismo e amizade.
“A teoria sem a prática vira verbalismo,
assim como a prática sem teoria, vira
ativismo. No entanto, quando se une a
prática com a teoria tem-se a práxis, a ação
criadora e modificadora da realidade”.
Paulo Freire
RESUMO
OLIVEIRA, Maria de Nazaré Santos de. Conhecimentos, atitudes e práticas de
pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde.
2014. 99f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade do Estado do
Pará, Belém, 2014.
A hanseníase representa um grave problema de saúde pública por ser endêmica em
várias regiões do mundo e do Brasil, e por provocar graves danos físicos e sociais.
O Brasil é o segundo colocado do mundo em números absolutos de casos e o
primeiro da América Latina com 30.298 casos em 2011. O estado do Pará é o
primeiro colocado no Brasil com 3.876 casos, que equivale a um coeficiente de
detecção geral de 50,41/100.000 habitantes. No mesmo ano, o município de Belém
apresentou 317 casos novos, com um coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000
habitantes, mantendo-se em um patamar ainda preocupante e considerado padrão
de endemicidade muito alto conforme parâmetro da Organização Mundial da Saúde.
Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa, analítica e aplicação
do método CAP, cujo objetivo foi avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as
práticas de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na Atenção Primária à
Saúde, no município de Belém, Pará. A pesquisa foi realizada nas Unidades
Municipais de Saúde do Guamá, Jurunas, Marambaia e Tavares Bastos; Unidade
Básica de Saúde Pedreira e no Centro de Saúde Escola Marco, por meio de
entrevistas com 75 pessoas, entre os meses de abril a setembro de 2013, maiores
de 18 anos, que assinaram o Termo de Consentimento, e estavam em tratamento
nas unidades selecionadas. Estabeleceram-se como variáveis independentes o perfil
sociodemográfico e as variáveis dependentes os conhecimentos às atitudes e às
práticas de pessoas acometidas de hanseníase. Para a compilação e análise dos
dados, utilizaram-se os programas Epi Info e BioEstat. Em todas as análises, o nível
alfa foi considerado em 5%. Os resultados do estudo revelaram que a faixa etária de
39 a 59 anos (46,7%) foi a mais acometida pela doença, com maior frequência no
sexo masculino (60%). A raça autodeclarada negra/parda se destacou com 76%.
Quanto à escolaridade, o maior percentual foi o ensino médio com 46,7% e, em
relação à renda familiar, a predominância foi entre um a três salários mínimos (60%),
e a maioria declarou ser pessoas casadas ou que vivem com companheiros (52%).
Possuem conhecimento bom (62,7%) sobre a doença. Entretanto, sobre a
prevenção de incapacidade física, o conhecimento da maioria cai para regular
(45,3%) e insuficiente (42,7%). A atitude do grupo sobre a doença foi satisfatória em
96%. E a prática apresentou relação significativa com o conhecimento, apontando
que o pouco conhecimento sobre a doença pode implicar em práticas incorretas em
relação aos cuidados com o corpo. Destarte, o estudo confirmou que o
conhecimento limitado sobre a doença, retarda a procura ao serviço, contribuindo
para o diagnóstico tardio da doença e pode resultar em graves consequências.
Palavras-chave: Hanseníase. Epidemiologia. Conhecimentos. Atitudes. Práticas.
ABSTRACT
OLIVEIRA, Maria de Nazaré Santos de. In 2014. Knowledge attitudes and practice
of people affected by leprosy met in Primary Health Care. 99f. Dissertation
(Master’s in Nursing) – University of Pará, Belém, 2014.
Leprosy is a serious public health problem to be endemic in many regions of the
world and Brazil, and to cause serious physical and social harms. Brazil is the
second in the world in absolute numbers of cases and the first in Latin America with
30,298 cases in 2011. The state of Pará is the first place in Brazil with 3,876 cases,
which is equivalent to a coefficient of overall detection 50,41 / 100,000 inhabitants. In
the same year, the municipality of Bethlehem presented 317 new cases, with a
coefficient of overall detection of 22.6 / 100,000, remaining in a still worrying and
considered standard of very high endemicity parameter as the World Health
Organization threshold This is a cross-sectional study with quantitative, and
analytical application of CAP method approach, whose goal was to assess the
standard of knowledge, attitudes and practices of people affected by leprosy met in
Primary Health Care in the city of Belém, Pará. a survey was conducted at the
Municipal Health Units Guamá , Jurunas, Marambaia and Tavares Bastos, Basic Unit
Quarry Health and Health Centre Marco, through interviews with 75 people, between
the months from April to September 2013, aged 18, who signed a consent form, and
were under treatment in the selected units. Established themselves as independent
variables the sociodemographic profile and dependent knowledge attitudes and
practices of people affected by leprosy. For compiling and analyzing the data, we
used the Epi Info and BioEstat programs. In all analyzes, the alpha level was
considered at 5 %. The results of the study revealed that the age group 39-59 years
(46.7 %) was the most affected by the disease, more frequently in males (60%). The
black / brown self-reported race stood at 76%. Regarding education, the highest
percentage was high school with 46.7% and in relation to family income, the
prevalence was between one to three minimum wages (60%), and most people
claimed to be married or living with roommates (52%). Have good knowledge
(62.7%) of the disease. However, on the prevention of disability, knowledge of most
regular falls (45.3%) and low (42.7%). A group attitude about the disease was
satisfactory in 96 %. And the practice had a significant relationship with knowledge,
pointing out that the lack of knowledge about the disease can result in incorrect
practices in relation to body care. Thus, the study confirmed that the limited
knowledge about the disease, slows the service demand, contributing to late
diagnosis of the disease and can result in serious consequences.
Keywords: Leprosy. Epidemiology. Knowledge. Attitudes. Practices.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 -
Principais nervos afetados pela hanseníase.................................
20
Figura 2 -
Esquemas I e II. Classificação polar de RABELLO/MADRI e
Classificação de RIDLEY &JOPLING............................................
22
Conhecimento sobre a doença e a variável sexo conforme
escore de avaliação..................................................................
51
Conhecimento sobre a doença e a variável escolaridade
conforme escore de avaliação...................................................
52
Conhecimento sobre a doença e a variável renda familiar
conforme escore de avaliação...................................................
53
Atitude sobre a doença e a variável sexo conforme escore de
avaliação..................................................................................
53
Atitude sobre a doença e a variável escolaridade conforme
escore de avaliação..................................................................
54
Atitude sobre a doença e a variável renda familiar conforme
escore de avaliação..................................................................
55
Prática sobre a doença e a variável sexo conforme o escore de
avaliação..................................................................................
55
Prática sobre a doença e a variável escolaridade conforme o
escore de avaliação..................................................................
56
Prática sobre a doença e a variável renda familiar conforme o
escore de avaliação..................................................................
57
Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 -
LISTA DE TABELAS E QUADROS
Tabela 1 -
Casos novos de hanseníase por coeficiente de detecção..............
28
Tabela 2 -
Casos novos de hanseníase segundo forma clínica......................
29
Quadro 1 -
Demonstrativo de casos de MH segundo o sexo e a forma clínica
em seis unidades de saúde do município de Belém (PA) –
2013..........................................................................................
30
Tabela 3 -
Características Sociodemográficas de pessoas com MH quanto à
faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação........................... 41
Tabela 4 -
Distribuição segundo estado conjugal, número de filhos, número
de residentes no domicílio, renda familiar e existência de outro
caso de MH na família...................................................................... 43
Tabela 5 -
Distribuição de acordo com o tipo de casa, número de cômodos,
água utilizada, coleta de lixo e destino dos dejetos......................... 44
Tabela 6 -
Distribuição segundo o conhecimento sobre a doença, a
transmissão, sintomas, tratamento e cura da MH............................ 45
Tabela 7 -
Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de
incapacidade física com os olhos, nariz, mãos, pés e
corpo................................................................................................. 46
Tabela 8 -
Atitudes relacionadas a fatores que podem interferir na
recuperação do doente.................................................................... 47
Tabela 9 -
Práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz,
mãos, pés e tratamento.................................................................... 49
Tabela 10 - Associação entre conhecimento sobre a doença e o escore de
avaliação.......................................................................................... 50
Tabela 11 - Associação entre a prática sobre a doença e o escore de
avaliação........................................................................................... 50
Tabela 12 - Associação entre atitude sobre a doença e o escore de
avaliação.......................................................................................... 51
Quadro 2 -
Critérios estabelecidos para as categorias de conhecimento,
atitude e prática sobre hanseníase..............................................
86
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ALM
American Leprosy Missions
APS
Atenção Primária à Saúde
BAAR
Bacilo Álcool Ácido Resistente.
CAP
Conhecimentos, Atitudes e Práticas
CEO
Centro de Especialidades em Odontologia
CI
Casos-Índice
CFZ
Clofazimina
CNS
Conselho Nacional de Saúde
CSE
Centro de Saúde Escola
DABEL
Distrito Administrativo de Belém
DAENT
Distrito Administrativo do Entroncamento
DAGUA
Distrito Administrativo do Guamá
DDS
Dapsona
DST
Doença Sexualmente Transmissível
EACS
Estratégia Agente Comunitário de Saúde
ESF
Estratégia Saúde da Família
HIPERDIA
Hipertensão e Diabetes
HI
Hanseníase Indeterminada
HT
Hanseníase Tuberculóide
HDT
Hanseníase Dimorfo-Tuberculóides
HDD
Hanseníase Dimorfo-Dimorfos
HDV
Hanseníase Dimorfo-Virchowianos
HV
Hanseníase Virchowianos
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IC
Intervalo de Confiança
IDH
Índice de Desenvolvimento Humano
MB
Multibacilar.
M.leprae
Micobacterium leprae
MH
Mal de Hansen/Morbus Hansen
MS
Ministério da Saúde
OMS
Organização Mundial de Saúde
PB
Paucibacilar
PCH
Programa de Controle da Hanseníase
PDR
Plano Diretor de Regionalização
PQT
Poliquimioterapia.
RDH
Relatório de desenvolvimento Humano
RFM
Rifampicina
SESMA
Secretaria Municipal de Saúde
SESPA
Secretaria de Estado de Saúde Pública Pará
SNP
Sistema Nervoso Periférico
SVS
Secretaria de Vigilância à Saúde
SINAN
Sistema de Informação de Agravo de Notificação
SUS
Sistema Único de Saúde
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UBS
Unidade Básica de Saúde
UEPA
Universidade do Estado do Pará
UMS
Unidade Municipal de Saúde
US
Unidade de Saúde
VS
Vigilância à Saúde
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO………………………………………………………………….
14
2
REVISÃO DA LITERATURA…………………………………………………
18
2.1 Hanseníase……………………………………………………………………..
18
2.2 Epidemiologia da Hanseníase……………………………………………....
23
2.3 Fatores Predisponentes para Hanseníase..............................................
26
2.4 Conhecimentos, Atitudes e Práticas (CAP)............................................
31
3
OBJETIVOS................................................................................................
34
3.1 Objetivo Geral............................................................................................
34
3.2 Objetivos Específicos...............................................................................
34
4
MÉTODO.....................................................................................................
35
4.1 Local de Estudo.........................................................................................
35
4.2 Tipo de Estudo...........................................................................................
36
4.3 População e Amostra................................................................................
36
4.4 Tamanho da Amostra................................................................................
36
4.5 Critérios de Exclusão................................................................................
37
4.6 Procedimentos para a Coleta de Dados..................................................
37
4.7 Variáveis Estudadas..................................................................................
38
4.8 Análise Estatística dos Dados..................................................................
39
4.9 Aspecto Ético..............................................................................................
40
5
41
RESULTADOS.............................................................................................
5.1 Características Sociodemográficas de Pessoas Acometidas de
Hanseníase.................................................................................................. 41
5.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas com
MH em relação à Doença............................................................................ 45
5.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e
Práticas
sobre
a
Doença
e
o
Escore
de
Avaliação...................................................................................................... 50
5.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e
Práticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em
relação
à
Hanseníase,
conforme
Escores
de
Avaliação...................................................................................................... 51
6
DISCUSSÃO.................................................................................................
58
6.1 Características Sociodemográficas e Econômicas.................................
58
6.2 Conhecimentos, Atitudes e Prática de Pessoas acometidas de
Hanseníase em relação à Doença.......................................................
62
6.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e
Práticas sobre a Doença e o Escore de Avaliação.................................. 65
6.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e
Praticas e as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em
relação
à
Hanseníase
conforme
Escore
de
Avaliação...................................................................................................... 66
7
CONCLUSÃO...............................................................................................
69
REFERÊNCIAS............................................................................................
70
APÊNDICES.................................................................................................
77
ANEXOS.......................................................................................................
90
14
1 INTRODUÇÃO
O estudo teve como objeto de pesquisa conhecimentos, atitudes e práticas
de pessoas acometidas de hanseníase atendidas na atenção primária à saúde no
Município de Belém (PA). A hanseníase, também chamada Mal de Hansen ou
Morbus Hansen (MH) é uma das mais antigas doenças da humanidade. É
caracterizada como uma doença infecciosa, crônica, granulomatosa, causada pelo
Micobacterium leprae (M. leprae), ou bacilo de Hansen, que possui tropismo para
pele, anexo cutâneo e, principalmente, para terminações nervosas da pele e troncos
nervosos periféricos, acarretando incapacidades físicas irreversíveis quando o
diagnóstico é tardio (SILVESTRE, 2011, p.12).
É considerada uma das patologias endêmicas em várias regiões do mundo e
representa, nos dias atuais, o agravo mundial de Saúde Pública no Brasil e em
diversos países em desenvolvimento, onde mais de um bilhão de pessoas vivem em
áreas consideradas endêmicas. O dano neurológico responsável pelas sequelas que
podem aparecer causa repercussões individuais e sociais; e por acometer a faixa
economicamente ativa (PINHEIRO et. al., 2009). Segundo estimativas da
Organização Mundial de Saúde (OMS), “em 2020 poderá haver cerca de 1,4 milhões
de pessoas no mundo com deformidades ocasionadas pela hanseníase” (BATISTA
et. al., 2011).
O contágio da hanseníase se dá através da convivência de pessoas sadias
com o doente contagiante portador do bacilo de Hansen sem tratamento, que o
elimina para o meio exterior, infectando pessoas susceptíveis. Sua propagação
ocorre principalmente em ambientes onde as condições de saúde e de vida são
desfavoráveis, como ambientes fechados com pouca ventilação e com ausência de
luz solar. Essas condições predispõem outra pessoa ser infectada com o bacilo da
hanseníase. Outros fatores também favorecem o desenvolvimento da doença como
a desnutrição, o elevado número de pessoas convivendo no mesmo ambiente e os
movimentos migratórios que facilitam a difusão da endemia (VIEIRA et. al., 2008).
Santos et. al. (2007) referem à falta ou o pouco conhecimento da população
sobre a doença, suas atitudes em relação às diversas formas de manifestação
clínica e suas práticas quanto às maneiras de prevenção como aspectos importantes
para a propagação do contágio da hanseníase. Essa falta de conhecimento retarda
15
a procura ao serviço contribuindo para o diagnóstico tardio e manutenção das fontes
de infecção, que por sua vez aumentam o número de infectados.
Os mesmos autores afirmam que, existe uma grande massa de doentes
ocultos imersos na multidão, que vem à tona quase que por acaso. Na grande
maioria, a doença só é diagnosticada já polarizada, o que significa que já estavam
doentes há vários anos. E o mais grave é que deixaram para trás uma multidão de
pessoas contaminadas, alimentando assim a endemia.
Para Duarte, Ayres e Simonetti (2009):
É importante o esclarecimento aos pacientes quanto aos vários
aspectos da hanseníase, a fim de que compreendam as
manifestações clínicas que vivenciam e a importância da adesão ao
tratamento, do controle dos comunicantes e para que se sintam
estimulados ao autocuidado, já que este é fundamental na prevenção
de incapacidades e manutenção de sua saúde.
Conforme dados epidemiológicos da OMS (2010), 244.796 novos casos no
mundo foram notificados em 2009. No Brasil, foram 30.298 casos novos em 2011
(BRASIL, 2012). O Brasil está incluído entre os países de alta endemicidade de
hanseníase, o que indica que possui um coeficiente de prevalência médio superior a
um caso por mil habitantes. Embora tal coeficiente seja geograficamente desigual,
havendo áreas de alta, média e baixa prevalência distribuída em todo o território, há
uma tendência uniforme de aumento no número de casos diagnosticados desde os
anos 70 até os dias atuais. Mesmo com todo o empenho na eliminação da
hanseníase, o Brasil ainda continua sendo o segundo país em número absoluto de
casos no mundo (MACEDO et. al., 2009, p. 195).
Muito se tem a fazer enquanto o perfil de saúde indicar que o Brasil é um
país profundamente desigual. O Ministério da Saúde (MS) tem o compromisso de
fortalecer a rede de saúde nas áreas de maior risco de adoecimento e de apoiar
todos os estados e municípios na construção de linhas de cuidado integral visando à
promoção da equidade e justiça social (BRASIL, 2011a).
O Estado do Pará destacou-se em primeiro lugar em número absoluto de
casos no Brasil com 3.876 casos notificados em 2011 (PARÁ, 2012). A doença
possui uma distribuição heterogênea apesar de se identificar áreas com maior
ocorrência de casos de hanseníase nas regiões Sul, Sudeste, Oeste e parte da
região Nordeste do Estado e área metropolitana de Belém (MACEDO et. al., op. cit.).
No mesmo ano, o município de Belém notificou 317 casos, que correspondem a um
16
coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000 habitantes, padrão de elevada
magnitude considerado parâmetro muito alto pelo Ministério da Saúde (MS)
(BELÉM, 2012).
Para Silvestre (op. cit., p.14), é relevante que a pesquisa científica possa
investir esforços em compreender melhor os mecanismos que influenciam na
manutenção da endemia no Estado do Pará, bem como, estabelecer instrumentos
que possam ser úteis ao diagnóstico precoce e à vigilância epidemiológica da
doença:
Esta necessidade é explicada pelo número de casos considerável de
hanseníase no município de Belém, o que causa impacto expressivo
sobre a morbidade, e pela dificuldade enfrentada pelos serviços de
saúde em baixar os índices (detecção e prevalência) até o nível
proposto pela OMS que corresponde a 1/10.000 habitantes.
De acordo com o MS (BRASIL, 2008), o controle da hanseníase está
baseado em um conjunto de ações vinculadas à Vigilância à Saúde (VS). Estas
ações representam uma nova estratégia de pensar e agir que tem como objetivo, a
análise permanente da situação de saúde da população e o desenvolvimento de
práticas adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes.
No desenvolvimento das ações de controle da hanseníase, o profissional
enfermeiro vem desenvolvendo as suas atividades em uma rede de serviços
organizada e hierarquizada dentro dos princípios e diretrizes do Sistema Único de
Saúde (SUS), em composição com uma equipe multidisciplinar, buscando uma ação
de integralidade na assistência à saúde e desenvolvendo papel importante seja na
área de vigilância e na educação em saúde ou no atendimento às pessoas
acometidas de hanseníase.
Desse modo, o propósito do estudo em avaliar o padrão de conhecimentos,
as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase maiores de 18 anos
atendidas na Atenção Primária à Saúde (APS), dá-se por ser uma doença endêmica,
complexa, silenciosa e pela magnitude do problema no Estado do Pará ora
apresentado. A aquisição de conhecimentos sobre a doença as pessoas
acometidas, é fundamental para o autocuidado através de técnicas simples de
prevenção de incapacidades físicas e adesão ao tratamento que proporcionará a
cura da doença. Também poderá oferecer subsídios para avaliação das estratégias
de intervenção, da atenção e de cuidados de enfermagem a essas pessoas que
visam à melhoria da assistência de enfermagem.
17
Verificou-se que, a nível nacional, na região norte e no município de Belém
campo da pesquisa, há escassez de estudos semelhantes relacionados à
hanseníase. Portanto, torna-se pertinente e relevante o estudo a fim de preencher as
lacunas de conhecimentos sobre a hanseníase na saúde pública do Brasil, e da
região amazônica. Dessa forma, o estudo considerou como hipótese nula que o
conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase
maiores de 18 anos atendidas na APS não estão associados à ocorrência da
doença.
18
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Hanseníase
A hanseníase representa um grave problema de saúde pública no Brasil por
ser endêmica em diversas regiões do país e por provocar graves danos físicos e
sociais às pessoas acometidas por essa enfermidade (SANTOS; RIBEIRO;
MONTEIRO, 2012). Sua história é marcada por medo e preconceito por ser uma
doença contagiosa com evolução crônica, que pode provocar lesões incapacitantes
e deformidades se não tratada precocemente (SANTOS; PARDO, 2006).
Para Talhari, Neves (1997, p. 1), a hanseníase é uma doença infecciosa,
transmitida de pessoa para pessoa através do convívio com os doentes das formas
contagiantes (V e D) sem tratamento. Pinto Neto (2004, p.15) descreveu-a como
sendo uma endemia que praticamente só existe nos países tropicais, coincidindo
com o subdesenvolvimento, cuja pobreza configura-se como fator de risco. E
enfatiza que o processo histórico da hanseníase no mundo é reflexo de situações
sociopolíticas e socioeconômicas. Nessa perspectiva, Batista et. al. (op. cit.)
mostraram em seu estudo que o maior número de indivíduos acometidos, sobretudo
por formas clínicas que cursaram com lesões incapacitantes são de regiões
periféricas da cidade, onde predominam condições de moradias precárias e
conglomerados familiares.
No Brasil, os primeiros casos de hanseníase foram notificados no ano de
1600 na cidade do Rio de Janeiro. Outros focos da doença foram identificados
principalmente na Bahia e no Pará (BRASIL, 1989). A doença continuou se
disseminando, com maior frequência em regiões onde os perfis socioeconômicos e
culturais apresentavam situações de calamidades. Para Silvestre (op. cit., p. 18), os
determinantes sociais e históricos associados à ocupação da Amazônia Legal e à
manutenção de iniquidades sociais na região nordeste, ajudaram a explicar o
acúmulo de pessoas infectadas em se tratando de uma doença de longo período de
incubação.
Silvestre (Ibid., p. 21) também abordou a distribuição espacial da hanseníase
na Amazônia e identificou nesta região cinco de dez focos da doença a despeito do
elevado desenvolvimento econômico, crescimento populacional e infraestrutura de
estradas. A Amazônia foi definida como uma fonte de exportação de casos para
19
outras partes do Brasil. O homem é reconhecido como única fonte de infecção,
embora tenham sido identificados animais naturalmente infectados. O período de
incubação na pessoa infectada é em média de dois a sete anos, fato que pode
explicar porque a doença desenvolve-se mais comumente em indivíduos adultos,
apesar de que crianças também podem ser contaminadas (VILLAR, 2006). A
eliminação e a porta de entrada ocorrem basicamente pelas vias aéreas superiores.
O M. leprae foi a primeira bactéria descrita como patógena para o homem,
descoberta pelo médico norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen, em 1873
(BRASIL, op,. cit.). “A descoberta desse bacilo descartou a teoria hereditária da
hanseníase” (SILVA, 2008). É um parasita intracelular obrigatório no sistema
fagocítico-mononuclear, o que imprime a característica da doença crônica à
hanseníase, que infecta predominantemente as células de Schwann no nervo e os
macrófagos na pele da pessoa infectada e se produz muito lentamente pelo
processo de divisão binária (12 a 21 dias). O parasita é gram-positivo e fortemente
álcool-ácido resistente (BAAR) quando submetido à coloração de Ziehl-Neelsen
(BRASIL, 2002a).
O bacilo de Hansen tem a capacidade de infectar grande número de
indivíduos, no entanto, poucos adoecem. Essa propriedade não é função apenas
das características intrínsecas da bactéria, mas depende, sobretudo, de sua relação
com o hospedeiro e do grau de endemicidade do meio (SANTOS; CASTRO;
FLAQUETO, 2008, p. 739).
As manifestações clínicas da hanseníase no início da doença podem ser
discretas e imperceptíveis. Conforme Conte et. al. (2009), as lesões maculosas
representam a clínica da hanseníase nas suas fases iniciais. Quando poucas e
circunscritas, já se pode prever que as pessoas têm mais resistência imunológica e
se não forem tratadas, evoluirão para o tipo Tuberculóide (Paucibacilar). Quando as
máculas são múltiplas, difusas ou mal delimitadas, o grau de resistência é menor ou
ausente, e o doente pode evoluir, quando não tratado, para a forma Virchowiana
(Multibacilar). Quando o doente tem ora lesões bem delimitadas, ora mal definidas,
múltiplas, ele será classificado como Dimorfo ou Bordeline (Multibacilar).
A perda da sensibilidade pode ser restrita às lesões, mas pode manifestar-se
também na região ocular, palmar e/ ou plantar com ou sem comprometimento motor.
No caso de hanseníase neural pura, ou seja, sem alterações dermatológicas, a
manifestação clínica pode ser unicamente o comprometimento de um ou mais
20
nervos periféricos com alterações motoras visíveis ou discretas tornando o
diagnóstico da doença mais difícil (SILVESTRE, op. cit.).
Nas manifestações nervosas, os nervos mais comumente envolvidos são:
facial, trigêmio, auricular, radial, ulnar, mediano, fibular comum, tibial posterior
Lehman et. al. (1997a, p. 29 e 41).
FIGURA 1 - Principais nervos afetados pela hanseníase.
Fonte: Lehman et al. (ibid.)
Os nervos espessados frequentemente evidenciam alteração da sua função.
Também alguns nervos não espessados podem estar comprometidos e produzir
distúrbios funcionais. É importante lembrar que poderá ocorrer paralisia nervosa
silenciosa (espessamento do nervo, sem neurite). Contudo, clinicamente, verifica-se
aumento progressivo da anestesia e diminuição progressiva da força muscular
(TALHARI; NEVES, op. cit., p. 43).
Pinheiro et. al. (2008) referiram que a incapacidade visual associada à
ausência de sensibilidade de membros, torna os portadores de hanseníase
vulneráveis a toda sorte de traumas e ferimentos que podem causar mutilação.
Duarte, Ayres e Simonetti (op. Cit.) destacaram a importância de resgatar a prática
clínica que não apenas decodifica questões biopsíquicas, mas também reconhece
21
valores de vida, condições sociais e formas de enfrentamento de problemas,
adotando-se uma prática que possibilite conhecer, além dos sinais e sintomas
biológicos do sujeito, a sua maneira de “andar na vida”.
De acordo com a Portaria Nº 3.125, de 07 de outubro de 2010, considera-se
um caso de hanseníase:
[..] a pessoa que apresenta um ou mais dos seguintes sinais
cardinais e que necessita de tratamento poliquimioterápico: a)
lesão(es) e ou área(s) da pele com alteração de sensibilidade; b)
acometimento de nervo(s) periféricos(s), com ou sem espessamento
associado a alterações sensitivas e ou motoras e ou autonômicas; e
c) baciloscopia positiva de esfregaço intradémico. Portanto, a
hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o
território nacional e de investigação obrigatória. Os casos
diagnosticados devem ser notificados, utilizando-se a ficha de
notificação e investigação do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN). (BRASIL, 2010a) (ANEXO A).
O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e
epidemiológico, e é realizado por meio da análise da história e das condições de
vida do paciente, e do exame dermatoneurológico (BRASIL, ibid.). Entre as doenças
transmissíveis, a hanseníase é uma das principais causas de incapacidade
permanente. O diagnóstico e o tratamento precoce dos casos, antes que ocorra a
lesão neural, são as medidas mais eficazes para se prevenir as incapacidades
decorrentes da doença (OMS, op. cit.). Estudos epidemiológicos realizados em
outros estados revelaram diagnóstico das formas polarizadas da doença, portanto,
tardio, assim como o encontrado em seu estudo com predomínio de 59% dos casos
multibacilares (CONTE et al., op. cit.).
O que corrobora com o estudo realizado por Duarte, Ayres, Simonetti (2009),
com pessoas acometidas de hanseníase, de uma unidade da APS. Identificaram
que, 89% dos doentes desconheciam os aspectos relacionados à hanseníase. Cerca
de, 73% deles apresentavam ressecamento de pele, 65% sinais e sintomas
sugestivos de reações hansênicas e de comprometimento ocular.
Conforme Silvestre (op. cit), o diagnóstico correto da hanseníase depende
do entendimento do conceito espectral da doença, possibilitando entre o curso
clínico-evolutivo e a extensão do comprometimento cutâneo-neural característico de
cada forma clínica. A partir deste conhecimento, são aplicadas as classificações que
auxiliam a compreensão e norteiam à terapêutica.
22
Em 1953, o VI Congresso Internacional de Leprologia, realizado na cidade
de Madri, na Espanha, estabeleceu a classificação da hanseníase segundo critérios
de polaridade baseados nas características clínicas da doença, acrescidos dos
aspectos bacteriológicos, imunológicos e histopatológicos da hanseníase que
definem esta classificação (SILVESTRE, ibid.). Os grupos polares em Tuberculóide
(T) e Virchowiano (V) ou Lepromatoso (L); o grupo transitório e inicial da doença, a
forma Indeterminada (I); e o grupo instável e intermediário, a forma Borderline (B) ou
Dimorfo (D). Em 1962, Ridley e Jopling estabeleceram uma nova proposta para a
classificação da MH com base no conceito espectral e na polaridade da doença.
Esta classificação foi denominada espectral.
FIGURA 2 - Esquemas I e II. Classificação polar (RABELLO/MADRID) e
classificação de RIDLEY & JOPLING.
Fonte: Talhari e Neves (1997).
O tratamento recomendado pelo MS é a poliquimioterapia padronizada pela
OMS, conhecida como PQT, devendo ser realizado nas unidades de saúde (US). A
PQT é constituída pelo conjunto dos seguintes medicamentos: rifampicina (RFM),
dapsona (DDS) e clofazimina (CFZ), com administração associada. Essa associação
evita a resistência medicamentosa do bacilo que ocorre com frequência quando se
utiliza apenas um medicamento, impossibilitando a cura da doença.
No momento do diagnóstico, as pessoas acometidas de MH podem ser
classificadas operacionalmente para fins de tratamento poliquimioterápico, como
paucibacilares (PB) com duração de seis meses ou, multibacilares (MB) com
duração de um ano. O tratamento é fundamental para o controle da doença e tem o
objetivo não apenas de interromper a sua transmissão, quebrando a cadeia
23
epidemiológica, como também curar e reabilitar física e socialmente o doente
(NUNES; OLIVEIRA; VIEIRA, 2008).
No município de Belém, o tratamento dispensado às pessoas acometidas de
hanseníase é a PQT, introduzida no estado do Pará em 1987, e a prevenção das
incapacidades procurando integrar a família nas ações do tratamento (PARÁ, op.
cit.). Conte et al. (op. cit.) em seus estudos evidenciaram que a diminuição da
proporção de casos virchowiano e dimorfo com baciloscopia positiva é um indicador
mais confiável para avaliar a eficácia do tratamento e a manutenção das fontes de
contágio. De acordo com Souza (2010), o desconhecimento e a falta de atenção
primária em saúde fazem da doença a maior causa de incapacidade não traumática,
sendo que pacientes com diagnósticos tardios podem apresentar comprometimento
importante e duradouro dos nervos periféricos que leva à deformidade.
2.2 Epidemiologia da Hanseníase
A hanseníase está praticamente eliminada em países desenvolvidos, mas, é
um problema de saúde pública em países pobres e em desenvolvimento, como é o
caso do Brasil e da Índia que respondem sozinhos por mais de 80% dos casos
novos no mundo, de acordo com Souza (Ibid.). Conforme dados epidemiológicos da
OMS (op. cit.), 244.796 novos casos no mundo foram notificados em 2009, e a
prevalência registrada no começo de 2010 foi de 211.903 casos. Apesar de a
detecção de casos novos ter reduzido anualmente entre 2003 e 2009, a partir de
2006 as taxas de declínio foram discretas comparadas aos anos anteriores.
O Boletim Epidemiológico da OMS de agosto de 2010 apresentou
informações sobre os três continentes mundiais e os quatros países com as maiores
taxas de detecção de casos no mundo. A Ásia apresentou o maior coeficiente de
detecção com 9,39/100.000habitantes, com dois países em destaque: Índia (1º lugar
no mundo em número de casos) e a Indonésia. Na sequência o Continente das
Américas com 4,58/100.000 habitantes, dos 40.474 casos novos de hanseníase,
93% foi notificado no Brasil. Este resultado colocou-o em primeiro lugar na América
Latina e em segundo no mundo em números absolutos de casos. E, em terceiro, a
África com coeficiente de detecção de 3,75/100.000 habitantes, deste continente, a
República Democrática do Congo foi a que mais se destacou (BATISTA et al., op.
cit.).
24
De acordo com Frade (2012), no Brasil foram 30.298 casos novos
notificados em 2011, com um coeficiente de detecção geral de 17,65/100.000
habitantes, que classificou a endemia alta no Brasil. Neste mesmo ano, o coeficiente
de prevalência alcançou 1,54/10.000 habitantes com importantes variações
regionais distribuídas nas regiões Norte e Centro-Oeste e em algumas regiões
metropolitanas do Nordeste. Nesse contexto, a OMS definiu a hanseníase como um
problema de saúde pública principalmente nos países cujas taxas de prevalência
ultrapassam um caso para 10.000 habitantes.
A distribuição de casos no Brasil é heterogênea e se concentra nos estados
de Mato Grosso (89,5%), Tocantins ( 88,5%), Rondônia (69,5%), Maranhão (62,%) e
Pará (55,7%), que apresentaram os maiores coeficientes de detecção geral de
casos novos por 100.000 habitantes, considerados estados hiperendêmicos
(BRASIL, 2011a). Em virtude de sua cronicidade e baixa letalidade, esta doença se
mantém ao longo dos anos em expansão endêmica em várias regiões, caracterizada
pela distribuição não uniforme, o que resulta em dificuldades para o controle
epidemiológico (BATISTA et al., 2011).
Quando se analisam os indicadores relacionados à doença com base em
categorias socioeconômicas e demográficas, a distribuição é diferenciada no Brasil.
Segundo o sexo, observou-se que a população masculina é a mais atingida pela
doença. Em 2009, do total de casos diagnosticados, 55,2% foram na população
masculina, e entre 2001 e 2009 os coeficientes de detecção de casos novos de
hanseníase por 100.000 habitantes, em homens, foram mais elevados do que em
mulheres durante todo o período. Eles também representaram a maior parte dos
casos multibacilares, dos diagnosticados com grau II de incapacidade física e
abandonam com maior frequência o tratamento (BRASIL, 2011a).
Em consonância com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença
atingiu, sobretudo, a população economicamente ativa, na faixa etária entre 13 a 50
anos. Embora acometa ambos os sexos, observou-se predominância do sexo
masculino (BATISTA et al., op. cit.). Logo, o padrão de adoecimento sofre influência
das relações de gênero, que estabelecem valores e comportamentos diferenciados
para homens e mulheres na vida social e, em particular, no cuidado com a saúde e
deve ser levado em consideração no planejamento e execução das ações de saúde
(BRASIL, 2011a, op. cit.).
25
No cenário nacional, destaca-se o Pará, que também mantém a tendência
da doença e contribui significativamente para o índice brasileiro. No estado do Pará,
a endemia está distribuída de forma heterogênea, com maior concentração nas
regiões Sul, Sudeste, em alguns municípios do Oeste e Nordeste do Estado e na
região metropolitana de Belém (BRASIL, 2011c). Uma explicação para a maior
endemicidade dessas regiões é o elevado fluxo migratório provocado na região pela
atração aos polos de maior desenvolvimento, entre eles a Hidrelétrica de Tucuruí e
Vale do Rio Doce. (PALÁCIOS, 2012, p. 12).
O Estado do Pará é o primeiro colocado em número absoluto de casos no
Brasil, com 3.876 casos em 2011. Em seguida, aparecem Maranhão, Pernambuco,
Bahia, Mato Grosso e Goiás. Em relação à incidência, o Pará ficou em quinto lugar,
com 50,41 infectados para cada cem mil habitantes, Mato Grosso em primeiro,
seguido de Tocantins, Rondônia e Maranhão (PARÁ, op. cit.). No mesmo ano
(2011), o município de Belém notificou 317 casos, que correspondem a um
coeficiente de detecção geral de 22,6/100.000 habitantes, padrão de elevada
magnitude, considerado parâmetro muito alto pelo MS (BELÉM, op. cit).
O município de Belém convive com a hanseníase desde o século XVIII.
Destacamos o Leprosário do Tucunduba, foi o primeiro hospital de internamento
compulsório no Estado do Pará, localizado em um bairro periférico no norte da
cidade, onde hoje fica o bairro do Guamá. Atualmente, o município dispõe de uma
rede assistencial que contempla serviços de Atenção Primária e Secundária
concentrando a assistência à saúde para diversos municípios do Estado. A Atenção
Primária conta com um sistema que agrega Unidades Básicas de Saúde (UBS) com
modelo tradicional de atendimento, Estratégia Saúde da Família (ESF) e Estratégia
Agente Comunitário de Saúde (EACS) com cobertura das ações de controle da
hanseníase (FERREIRA et. al., 2009, p. 4).
O MS preconiza o aumento da cobertura das ações de controle da
hanseníase para todas as Unidades de Saúde (US) dos estados e municípios
endêmicos como parte de uma política geral de descentralização através do Plano
Diretor de Regionalização (PDR) estabelecido pelo pacto pela saúde e pacto pela
vida (BRASIL, 2009).
26
2.3 Fatores Predisponentes para Hanseníase
O fator de risco de um dano são todas as características ou circunstâncias
que acompanham um aumento de probabilidade de ocorrência de uma doença ou
agravo à saúde (OMS, 1988). Em 1998, a OMS já enfatizava o papel relevante do
contato intradomiciliar na epidemiologia da doença e, em especial, tem chamado a
atenção para possibilidades estratégicas para o controle e a eliminação da doença,
o que tem sido reiterado como um objetivo básico (SANTOS; CASTRO; FLAQUETO,
op. cit., p. 738).
O domicílio é apontado como importante espaço de transmissão da doença,
embora ainda existam grandes lacunas de conhecimento quanto aos prováveis
fatores de risco implicados, especialmente aqueles relacionados ao ambiente social
(LASTÓRIA et. al., 2003). Assim, as más condições de moradia e alimentação
inadequada são fatores importantes na disseminação da hanseníase, pois uma
superpopulação doméstica, particularmente noturna, fornece as condições ideais
para a infecção, seja por gotículas, ou por contato cutâneo, acrescida da subnutrição
reduzindo a imunidade celular (JOPLING; Mc DOUGALL, 1991, p. 4).
De acordo com Santos, Castro e Flaqueto (op. cit.), o risco de
desenvolvimento da doença é cerca de 5 a 10 vezes mais alto se um membro da
família já manifestou a doença. Para os contatos intradomiciliares, o risco de
desenvolver a hanseníase é maior para aqueles que conviveram com o doente antes
de iniciar o tratamento com a PQT. E finalmente, concluem que, o exame dos
contatos domiciliares dos casos novos diagnosticados, aliado à informação efetiva
da população sobre a doença, o rastreamento de novos casos e a educação
permanente dos profissionais de saúde, tornam-se estratégias principais para o
diagnóstico e tratamento da hanseníase e poderão facilitar o processo de eliminação
do agravo, o qual foi proposto para o ano de 2010.
É importante considerar, o maior contingente de pessoas em ambiente
intradomiciliar como fator determinante para o desenvolvimento da doença.
Entretanto, diferentes morbidades podem estar relacionadas com o modo de
organização espacial e social que determinam os fatores de risco de adoecer de
certos grupos sociais. A possibilidade de reinfecção exógena poderia explicar essa
relação (FERREIRA et. al., 2011).
27
Para Opromolla et. al. (2006), as desigualdades observadas no número de
casos entre os municípios e os contrastes na distribuição espacial da endemia
revelaram a complexidade dos fatores envolvidos na sua determinação. Além das
condições imunológicas individuais, diversos fatores influem no risco de adoecer por
hanseníase. Entre eles estão os relacionados aos níveis da endemia e às condições
socioeconômicas desfavoráveis, como as condições precárias de vida e de saúde, e
o elevado número de pessoas convivendo em um mesmo ambiente, que são
amplamente influenciados pelos padrões de ocupação do espaço.
Outra observação é que, em situações de declínio da endemicidade, com
aumento da transmissão intradomiciliar, os homens são mais frequentemente
acometidos de hanseníase talvez em decorrência de maior mobilidade social. Em
situações em que as mulheres vêm apresentando uma mobilidade social progressiva
em decorrência de maior inserção no mercado de trabalho, como é o caso de
algumas áreas urbanas do Brasil, têm-se encontrado taxa de detecção semelhante,
ou mesmo mais elevadas em mulheres (EVANGELISTA, 2004, p. 20).
Estudo populacional realizado na Colônia de Santo Antônio do Prata (antiga
Colônia do Prata), no município de Igarapé-Açú, Pará, com 257 casos confirmados,
encontrou os seguintes resultados. Dentre as formas clínicas, a virchowiana
apresentou o maior percentual 40,9% dos casos seguida da tuberculóide 20,5%,
dimorfa 20,5% e da indeterminada 18,1%. Quanto ao gênero, o sexo masculino
destacou-se com 58%, e o feminino com 42%. Segundo o grau de escolaridade,
26,8% dos casos são analfabetos. Com grau superior ao ginasial, apenas 1%
(MACKERT, 2008, p. 49).
Comprovado por Ferreira (2012, p. 43), em estudo realizado com 196
contatos a partir de 54 casos-índice (CI) de uma UMS no município de Belém (PA).
O estudo evidenciou predomínio de 70,4% no sexo masculino dos CI. Quanto à
escolaridade dos CI, a maioria cursou o ensino fundamental, 68,5%, seguido do
ensino médio, 29,6%. Sobre a renda familiar, 68,5%, recebem entre 1 a 2 salários
mínimos. E a forma clínica de maior proporção foi a dimorfa com 61,1%.
Estudo realizado em um município endêmico do Rio de Janeiro destacou a
importância da realização de atividades educativas junto à comunidade a partir das
unidades de saúde, cujas atividades, proporcionaram à população melhoria de
conhecimentos sobre a doença. Esse fato pode influenciar no aumento da detecção
de casos novos na forma inicial da doença (SANTOS; CASTRO; FLAQUETO, op.
28
cit., p. 738). Dessa forma, Santana et. al. (2008, p.183) referem às ações educativas
são práticas transformadoras que devem estar presentes em todas as ações de
controle da hanseníase, de forma a contribuir com a reconstrução do conhecimento
sobre a doença.
O Ministério da Saúde preconiza que o profissional da área deve ter a
preocupação de compreender o doente considerando seus valores, opiniões,
conhecimentos, medos e preconceitos, a fim de perceber como ele entende a sua
doença e o que faz sentido para ele (NUNES; OLIVEIRA; VIEIRA, op. cit.).
A Tabela 1 apresenta os casos novos de hanseníase residentes no
município de Belém (PA) por coeficiente de detecção, em uma série histórica entre
2001 a 2011. De acordo com os dados da Tabela 1, observou-se um declínio no
coeficiente de detecção a partir de 2006 até 2011. Porém, Belém mantém-se em um
patamar ainda preocupante considerado padrão de endemicidade muito alto (20,00
a 39,99/100.000 habitantes), conforme parâmetro do MS, durante todo esse período.
Tabela 1 - Casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA) por
coeficiente de detecção entre 2001 e 2011
COEFICIENTE DE
CASOS
ANO
POPULAÇÃO
DETECÇÃO/ 100.000
PARÂMETROS
NOVOS
HABITANTES
2001
500
1.304.311
38,33
Muito alto
2002
501
1.322.682
37,87
Muito alto
2003
611
1.342.201
45,52
Hiperendêmico
2004
640
1.361.672
47,00
Hiperendêmico
2005
545
1.405.873
38,76
Muito alto
2006
504
1.428.368
35,28
Muito alto
2007
466
1.450.697
32,12
Muito alto
2008
410
1.424.124
28,78
Muito alto
2009
340
1.437.604
23,65
Muito alto
2010
315
1.393.399
22,60
Muito alto
2011
317
1.404.056
22,60
Muito alto
TOTAL
5149
Fonte: BELÉM (2012).
29
A Tabela 2 apresenta os casos novos de hanseníase residentes no
município de Belém (PA) segundo a forma clínica, em uma série histórica entre 2001
a 2011. De acordo com os dados abaixo, observou-se uma predominância maior nas
formas abertas / contagiantes em todo o período. Dos 5.149 casos, 34% são da
forma D, 30% da forma T, 22% da forma V e 14% são da forma I. Estes resultados
expressam ainda uma realidade preocupante no município de Belém, que mantém a
endemicidade no município.
Tabela 2 - Casos novos de hanseníase residentes no município de Belém (PA)
segundo a forma clínica entre 2001 e 2011
FORMA CLÍNICA
ANO
I
T
D
V
TOTAL
2001
55
173
156
116
500
2002
63
153
172
113
501
2003
90
198
194
129
611
2004
107
188
212
133
640
2005
100
161
178
106
545
2006
76
163
162
103
504
2007
62
128
165
111
466
2008
65
115
141
89
410
2009
39
103
126
72
340
2010
42
75
115
83
315
2011
28
89
121
79
317
TOTAL
727
1546
1742
1134
5149
Fonte: BELÉM (op. cit.).
Esta realidade perdura até hoje no município de Belém, em relação às
formas contagiantes da doença confirmada com os dados deste estudo na amostra
estudada levantados em prontuários do cliente nas seis US, apresentados no quadro
1. Verificou-se que, as formas abertas / contagiantes (Dimorfa e Virchowiana)
predominaram em número absoluto em relação às demais, cujo tratamento indicado
30
conforme a classificação operacional da OMS é o esquema multibacilar (12 meses).
Portanto, dos 75 entrevistados, 57 fazem o esquema MB. Observou-se que o menor
número corresponde à forma clínica indeterminada, apenas dois casos.
Quadro 1- Demonstrativo de casos de MH segundo o sexo e a forma clínica em seis
unidades de saúde do município de Belém (PA) – 2013
Forma Clínica
Sexo
Total
I
T
D
V
Feminino
0
10
16
4
30
Masculino
2
6
24
13
45
Total
2
16
40
17
75
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Diante desses fatores, considera-se importante a oferta da assistência à
saúde de qualidade e as ações de educação em saúde para a prevenção da
transmissão e das incapacidades físicas. A educação em saúde passa a ser
entendida tanto como uma instância importante de construção e veiculação de
conhecimentos e práticas relacionados aos modos como cada cultura concebe o
viver de forma saudável, e o processo de saúde/doença como uma instância de
produção de sujeitos e identidades sociais (MEYER et al., 2006, p. 1335).
A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) através da Portaria Ministerial Nº
3.125 de 07 de outubro de 2010 enfatiza que as práticas de educação em saúde
para o controle da hanseníase devem estar baseadas na política de educação
permanente e na política nacional de promoção da saúde e compreendem
orientações sobre a atenção integral, estímulo ao autoexame e investigação dos
contatos
domiciliares,
autocuidado
apoiado,
prevenção
e
tratamento
de
incapacidades físicas e suporte psicológico durante e após o tratamento (BRASIL,
2010c).
Duarte, Ayres e Simonetti (op. cit) ressaltaram que a educação para a saúde
é essencial para a prevenção de incapacidades. Para tal, acredita-se ser necessário
assegurar às pessoas conhecimento indispensável sobre a hanseníase bem como
dos aspectos socioambientais e culturais que a envolvem, o que favorecerá o
desenvolvimento do autocuidado e das mudanças de atitudes fundamentais para a
prevenção de incapacidades.
31
2.4 Conhecimentos, Atitudes e Práticas (CAP)
Estudo CAP é um método de estudo sistematizado que busca identificar
conhecimentos, atitudes e práticas de saúde em uma comunidade. Auxilia na
identificação do que as pessoas sabem sobre aspectos relacionados à saúde. Pode
ser aplicado em diversas áreas do conhecimento: Ciências Sociais e Políticas
(estudos de opiniões); Indústria e Comércio (preferências de consumidores);
Psicologia (estudo do comportamento); Saúde Pública (grau de conhecimento sobre
doenças) (KALIYAPERUMAL, 2004).
A metodologia CAP também pode ser utilizada para o diagnóstico da
comunidade após ações educativas, verificando-se as mudanças incorporadas de
compreensão dos níveis de conhecimento, atitude e prática, a fim de levar a um
processo mais eficiente de conscientização a respeito do tema abordado uma vez
que irá permitir um programa de vigilância adaptado adequadamente às
necessidades da comunidade (SANTOS; CABRAL; AUGUSTO, 2011).
Dentre os objetivos deste método, destacamos oferecer subsídios para a
saúde pública, o qual visa o desenvolvimento de programas mais apropriados para
as necessidades específicas da população estudada (ALVES; LOPES, 2008).
Segundo as autoras, “o método CAP mede o conhecimento, a atitude e a prática de
uma população, permitindo um diagnóstico da mesma, e mostra o que as pessoas
sabem, sentem e também como se comportam a respeito de determinado tema”.
Assim, os inquéritos sobre conhecimentos, atitudes e práticas em saúde
constituem-se estratégias relevantes que podem contribuir no entendimento de
fatores que interferem na adesão às práticas adequadas relacionadas à saúde. As
pessoas apresentam diferentes graus de conhecimentos e adotam atitudes e
práticas muitas vezes com incoerência cognitiva (CARRERA, 2011, p. 15).
Marinho et al. (2003) definem conhecimento, atitude e prática da seguinte
forma:
O conhecimento possuído significa recordar fatos específicos, ou a
habilidade para aplicar fatos específicos para a resolução de
problemas, ou ainda emitir conceitos com a compreensão adquirida
sobre determinado evento. A atitude é, essencialmente, ter opiniões,
sentimentos, predisposições e crenças relativamente constantes
dirigidos a um objetivo, pessoa ou situação. Relaciona-se ao domínio
afetivo - dimensão emocional. A prática é a tomada de decisão para
executar a ação. E o fazer relaciona-se ao domínio psicomotor
afetivo e cognitivo - dimensão social.
32
Estudo sobre CAP do autoexame das mamas com mulheres de um Centro
de Saúde do interior de São Paulo mostrou que 95,3% das entrevistadas conheciam
o autoexame das mamas e 56,2% obteve este conhecimento na própria unidade de
saúde. No entanto, em apenas 7,4% das entrevistadas esse conhecimento foi
adequado (MARINHO et al., 2003).
Rodrigues et al. (2009) mostraram em um estudo realizado com 82 adultos
diabéticos que, apesar de 78% dos participantes terem obtido bom escore (>8) em
relação ao conhecimento em diabetes, em relação à atitude, os escores variaram
entre 25 e 71 pontos, sugerindo dificuldade no enfrentamento da doença. Os autores
destacaram a educação para o autocuidado como aspecto fundamental do
tratamento da pessoa com diabetes e sua importância é reconhecida em diversos
estudos realizados em comunidades com diferentes características socioeconômicas
e culturais.
O autocuidado é um componente importante do manejo de qualquer
condição crônica e para uma adequada evolução no tratamento. No autocuidado, a
pessoa afetada assume o controle do manuseio de sua condição. Ela recebe apoio
de uma equipe de profissionais de saúde, da assistência social e de parceiros na
comunidade, incluindo sua família. Então, o conhecimento é mais do que reproduzir
informações, pressupõe modificações de atitudes, comportamentos e hábitos de
vida (RODRIGUES et al., ibid., 2009).
O autocuidado de acordo com o MS (BRASIL, 2010d) constitui o cuidar de si
mesmo, o perceber as necessidades do corpo e da mente, o adotar hábitos
saudáveis e por fim conhecer e controlar os fatores de risco que levam aos agravos
da saúde, adotando medidas de promoção, prevenção e recuperação da saúde,
melhorando a qualidade de vida da pessoa acometida de hanseníase. E para que a
prática do autocuidado seja uma constante na vida dessas pessoas, torna-se
necessário utilizar-se da educação em saúde que consiste num método de informar,
acolher e cuidar das pessoas com hanseníase e seus familiares.
Em um estudo realizado com profissionais de saúde que trabalham com
hanseníase na APS no Estado de Tocantins, cuja finalidade foi avaliar
conhecimentos e condutas práticas desses profissionais, os autores ressaltaram que
“as capacitações não transformam a conduta dos profissionais nas ações de
diagnóstico e tratamento da hanseníase” (FERREIRA et. al., op. cit., 2009). Porém,
os autores apontam a necessidade da reestruturação do conteúdo programático e
33
da metodologia dessas capacitações para melhor atender as reais necessidades dos
profissionais e usuários, revisando os conteúdos programáticos.
Como exemplo de um estudo que aplicou o método CAP, destacamos o que
foi realizado com idosos sobre a vacina contra a Influenza, no Estado do Piauí, que
observou; apesar de o conhecimento da maioria dos idosos da pesquisa ser
inadequado 85,3%, pode-se perceber que 89,1% apresentavam atitude favorável à
vacina contra influenza (ARAÚJO et al., 2007). Os autores consideraram que isso
representa um dado importante, pois demonstra que o modo de pensar é que
influencia na aceitação da vacina, e este nem sempre guarda coerência com o
conhecimento cientificamente correto.
Miranda et al. (2009) referiram que a atitude, considerada parte importante
das habilidades afetivas, pode ser ensinada e aprendida. Do mesmo modo pode ser
influenciada por componentes cognitivos, motivacionais e emocionais. Seu poder
presumido de influenciar a resposta do sujeito a um objeto social tem determinado o
interesse de diversos pesquisadores em busca de técnicas de mensuração e
promoção de mudanças atitudinais. Assim, entender os níveis de conhecimentos, as
atitudes e as práticas permitirá uma gestão mais eficiente do processo de criação de
consciência de modo a permitir que o programa seja implantado de forma mais
adequada às necessidades da comunidade (CARRERA, op. cit., p. 19).
Desse modo a natureza do conhecimento repousa sobre os diferentes
modos de aquisição de idéias: a percepção, a imaginação, memória, julgamento,
abstração e raciocínio, no sentido que nos permite distinguir entre o certo e o errado,
como estudado pela lógica (raciocínio dedutivo) e do método científico (formulação e
teste de hipóteses). Portanto, antes de iniciar qualquer processo de criação de
consciência sobre saúde pública em qualquer comunidade; primeiro é necessário
avaliar o ambiente em que a criação terá lugar.
Então, a educação em saúde passa a ser entendida tanto como uma
instância importante de construção e veiculação de conhecimentos e práticas
relacionados aos modos, como cada cultura concebe o viver de forma saudável e o
processo saúde/doença quanto como uma instância de produção de sujeitos e
identidades sociais (MEYER, op. cit., p. 1335).
34
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas
acometidas de hanseníase maiores de 18 anos atendidas na APS, no município de
Belém (PA).
3.2 Objetivos Específicos
Descrever
as
características
sociodemográficas
e
econômicas,
os
conhecimentos, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas de hanseníase
maiores de 18 anos.
Identificar se os conhecimentos, as atitudes e as práticas de pessoas
acometidas de hanseníase estão relacionados à ocorrência da doença.
Analisar os conhecimentos de pessoas acometidas de hanseníase,
comparando-os às suas atitudes e às práticas sobre o autocuidado com o corpo, os
olhos, nariz, mãos e pés.
35
4 MÉTODO
4.1 Local de Estudo
O estudo foi realizado nas seguintes Unidades de Saúde (US): Unidade
Municipal de Saúde (UMS) Guamá, UMS Jurunas, UMS Marambaia, UMS Tavares
Bastos; Unidade Básica de Saúde (UBS) Pedreira e no Centro de Saúde Escola
(CSE) Marco, pertencentes ao município de Belém, capital do estado do Pará. A
capital paraense possui oficialmente 68 bairros distribuídos em 8 distritos
administrativos. Sua população estimada em 01 de julho de 2012 foi de 1.410.430
habitantes, o qual ocupou o 11º lugar entre os 15 municípios mais populosos do
Brasil, com uma área geográfica de 1.064. 918 km2 aproximadamente (IBGE, 2012).
As US foram selecionadas por apresentarem uma clara homogeneidade das
condições socioeconômicas e maior número de notificações de hanseníase nos
últimos cinco anos, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde/SESMA
(BELÉM, 2012) (ANEXO B: apresenta os bairros de Belém que concentraram maior
número de casos notificados em 2011). A UMS Tavares Bastos foi incluída no
estudo no mês de maio de 2013 por ter apresentado número considerável de casos
notificados em 2012 conforme dados levantados nos prontuários de clientes na
referida unidade.
As seis unidades pertencem aos respectivos bairros: Guamá e Jurunas
localizados no Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA) possuem 94.610
habitantes e 64.478 habitantes respectivamente. Marambaia pertence ao Distrito
Administrativo de Entroncamento (DAENT) possui 66.708 habitantes, Pedreira
situada no Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC) com 69.608 habitantes e
o Marco localizado no Distrito Administrativo de Belém (DABEL) possui 65.844
habitantes. São considerados os cinco bairros mais populosos de Belém conforme
Censo de 2010 (IBGE, 2011).
As unidades ora mencionadas oferecem à população todos os atendimentos
ambulatoriais e laboratoriais executados nos Programas de APS acrescidos do
funcionamento do Centro de Especialidades em Odontologia (CEO). Contam com
uma equipe multidisciplinar responsável pelo Programa de Controle da Hanseníase
(PCH) nas unidades, composta por um médico dermatologista, um enfermeiro e um
técnico de enfermagem, sendo que o enfermeiro é o responsável pelas consultas de
36
enfermagem as pessoas acometidas de doenças transmissíveis (MH e Tb.) entre
outras atividades, o que limita o atendimento ao horário de um turno nas unidades
Guamá, Marambaia e Pedreira. Nas demais, funcionam nos dois turnos.
4.2 Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo epidemiológico de corte transversal, com abordagem
quantitativa, analítica e aplicação do método CAP, com o objetivo de avaliar o
padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas da amostra estudada em relação
à hanseníase. Segundo Fontelles (2010), os estudos de corte transversal são úteis
para uma avaliação da situação da saúde de uma população e para o planejamento
de ações de controle de doenças e políticas públicas, visto que, inquéritos
transversais repetidos podem ser usados para investigar as mudanças nos fatores
de risco e na frequência das doenças.
A pesquisa quantitativa trabalha com variáveis expressas sob a forma de
dados numéricos e emprega rígidos recursos e técnicas estatísticas para classificálas e analisá-las. Em razão de sua maior precisão e confiabilidade, os estudos
quantitativos são mais indicados para o planejamento de ações coletivas
(FONTELLES, ibid.).
4.3 População e Amostra
A população de referência foi constituída por todas as pessoas em
tratamento de MH nas US, que constavam no registro ativo a partir de abril de 2012
a setembro de 2013. A amostra do estudo em sua fase final foi composta por 75
pessoas acometidas de hanseníase de ambos os sexos, a partir de 18 anos de
idade, em tratamento nas US selecionadas.
4.4 Tamanho da Amostra
A amostra utilizada neste estudo foi feita com base no método da
amostragem por demanda da
seguinte
forma:
à
medida
que
as
pessoas
compareciam para a consulta de rotina do PCH na unidade de saúde e que
atendiam aos critérios de inclusão, foram selecionadas para a entrevista. O número
estimado da amostra baseou-se na demanda de atendimento mensal do PCH de
37
cada unidade de saúde. Após o levantamento dos dados em prontuários e fichas de
aprazamento da hanseníase (ver ANEXOS B e C), constatou-se a média de
atendimento mensal de 15 pessoas nas seis US, cuja entrevista ocorreu entre 15 de
abril a 30 de setembro de 2013.
4.5 Critérios de Exclusão
Foram excluídas do estudo as pessoas que, embora acometidas de
hanseníase, apresentavam-se em crise de transtorno psíquico; grau acentuado de
deficiência auditiva e de comunicação verbal (surdo e mudo) e os menores de 18
anos.
4.6 Procedimentos para a Coleta de Dados
O procedimento para a coleta de dados desenvolveu-se em quatro etapas. A
primeira etapa foi a aplicação do pré-teste pela pesquisadora no CSE Marco,
durante três dias, através de entrevista individual a sete pessoas (10% da população
de estudo) com MH, maiores de 18 anos e que aguardavam atendimento e
aceitaram participar após terem lido/ouvido o Termo de Esclarecimento e
Consentimento da pesquisa. Observou-se durante as entrevistas que as pessoas
sentiram um pouco de dificuldade para entender as perguntas referentes à categoria
atitude. Após as entrevistas, ficou definido o tempo de duração entre 15 a 20
minutos para cada entrevista e foram feitos os ajustes necessários (perguntas e
respostas) no formulário de pesquisa.
A segunda etapa foi embasada no conhecimento das US e funcionamento
da rotina do PCH. Em seguida, realizou-se a coleta de dados secundários através do
levantamento de prontuários e fichas de aprazamentos das pessoas em tratamento
de MH entre os anos de 2012 a 2013, que atendiam os critérios de inclusão, cujo
propósito foi a elaboração de um cronograma de agendamento das entrevistas com
base nas consultas de rotina do tratamento (PQT).
Na terceira etapa, foi elaborado o cronograma de entrevistas de cada
unidade de saúde com data, horário e local nas unidades definidos para a realização
das entrevistas. Foi feito contato telefônico prévio com as pessoas a fim de confirmar
o seu comparecimento uma vez que compareciam mensalmente na unidade para
38
receberem a dose supervisionada conforme esquema terapêutico. Ressaltamos que
na UMS do Jurunas, a coleta de dados procedeu-se nos dois turnos (manhã e
tarde). Nas demais unidades ocorreram pela manhã. E a atualização do cronograma
foi feita a cada final de mês durante o período de coleta.
Quarta etapa, realização das entrevistas com a aplicação do formulário (ver
APÊNDICE C) pela pesquisadora, aos participantes a fim de obter dados referentes
às características sociodemográficas e de conhecimento, atitudes e práticas sobre
hanseníase, conforme o cronograma de entrevistas, que ocorreu da seguinte forma:
enquanto as pessoas aguardavam seu atendimento, foi realizada a abordagem,
ocasião em que foi explicado o objetivo e os benefícios da pesquisa. Após a leitura
do TCLE, todos (75 participantes) aceitaram participar assinando o documento.
No final das entrevistas, foram esclarecidas as dúvidas e recomendados os
cuidados com os olhos, nariz, mãos e pés, como medidas de prevenção de
incapacidades físicas. As recomendações foram ilustradas com as figuras dos livros
“Avaliação Neurológica Simplificada” (LEHMAN, 1997a) e “Para Uma Vida Melhor”
(LEHMAN, 1997b), da American Leprosy Missions (ALM) International, os quais são
recomendados pelo MS do Brasil.
4.7 Variáveis Estudadas
Foram
avaliadas
as
variáveis
independentes
sociodemográficas
e
econômicas de pessoas acometidas de hanseníase conforme o formulário de
pesquisa que mostra a forma de agrupamento de cada uma dessas variáveis: idade,
sexo, estado civil, número de filhos, número de pessoas residentes no domicílio,
raça, escolaridade, renda familiar, ocupação, tipo de casa, número de cômodos, tipo
de água, coleta de lixo, destino dos dejetos, existência de outro caso na família. E as
variáveis de desfecho denominadas dependentes consideradas: os conhecimentos e
o padrão das atitudes e das práticas relacionadas à hanseníase.
Neste estudo foi feita uma adaptação nas formas de valorar as variáveis
segundo as três categorias (conhecimentos, atitudes e práticas) baseadas nos
conceitos de Santos, Cabral, Augusto (op. cit.), sendo que cada variável foi
selecionada com o seguinte critério: conhecimento sobre a hanseníase (quando a
pessoa responder corretamente sobre a doença, a transmissão, os sintomas, a cura
e o tratamento); e conhecimento sobre prevenção de incapacidade física (quando a
39
resposta for correta referente aos cuidados com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo).
Para estes dois tópicos sobre conhecimentos, foram estabelecidos os valores de
adequado/bom (grifo nosso) que correspondem a quatro a cinco respostas corretas;
regular (grifo nosso) duas a três respostas corretas e não adequado/insuficiente
(grifo nosso), quando nenhuma ou uma resposta correta.
Para atitudes relacionadas a fatores que podem interferir na recuperação do
doente, os valores estabelecidos foram: satisfatória (grifo nosso) opinião adequada)
e insatisfatória (grifo nosso) uma ou nenhuma opinião adequada). Para as práticas
relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés, e com o tratamento
(medicamentoso), foram estabelecidos os valores de adequada/boa (grifo nosso)
quatro a cinco respostas corretas), regular (grifo nosso) duas a três respostas
corretas) e não adequada/insuficiente (grifo nosso) nenhuma ou uma resposta
correta). (Vide Quadro 1 - APÊNDICE D).
4.8 Análise Estatística dos Dados
Os dados coletados foram registrados em um banco de dados confeccionado
com o software Epi Info® versão 3.5.1. Em seguida, foram importados para o
programa BioEstat 5.0 para tratamento e análise, de modo a permitir a correlação
entre as variáveis do estudo. As análises foram do tipo descritivo e inferencial. Os
resultados são mostrados sob a forma de tabelas e gráficos.
Para as análises univariadas, a correlação foi verificada pela aplicação do
teste do qui-quadrado de aderência. Nas análises bivariadas, com a utilização de
variáveis categóricas, a significância estatística das correlações foi verificada pela
aplicação do teste do qui-quadrado da independência. Para Fontelles (op. cit.), o
teste do qui-quadrado da independência, ou teste de associação, é utilizado para
verificar se existe uma correlação entre as duas variáveis categóricas a serem
comparadas. Caso algum valor esperado tenha sido menor que cinco, o quiquadrado foi substituído pelo teste exato de Fisher (em tabelas de contingências
2x2), ou pelo teste G de independência (em tabelas de contingências LxC). Em
todas as análises o nível alfa foi considerado em 5% (P≤ 0,05).
40
4.9 Aspecto Ético
A pesquisa seguiu os princípios da Resolução 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde (CNS) com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE) (APÊNDICE E) dos entrevistados. Após o consentimento das pessoas
acometidas de hanseníase, aplicou-se o formulário (APÊNDICE C) individualmente
nas US. O início deu-se após a autorização da SESMA, SESPA, CSE Marco e da
aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do Curso
de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará - UEPA, em 25 de março de
2013, sob o número do parecer 227.771 CEP/UEPA (ANEXO E).
A pesquisa foi considerada de risco mínimo em virtude de algumas situações
não ficarem isentas do risco moral e de não se atingir a amostra esperada. Entendese como benefício da pesquisa, o esclarecimento sobre a doença, a ação educativa,
as recomendações sobre as medidas de prevenção de incapacidade física às
pessoas acometidas de hanseníase, em seu autocuidado diariamente com os olhos,
nariz, mãos e pés. Para os profissionais de saúde no desenvolvimento de suas
atividades, planejamento da assistência para a melhoria da qualidade do
atendimento, e a participação da comunidade na identificação precoce do problema.
41
5 RESULTADOS
Os dados levantados foram organizados com intuito de responder os
objetivos da pesquisa. Eles estão apresentados em forma de tabelas e gráficos com
descrição das variáveis sociodemográficas e econômicas, e a relação entre as
variáveis de conhecimentos, atitudes e práticas com a ocorrência da doença.
Foram entrevistadas 75 pessoas em tratamento de MH nas seis US do
estudo, com idade mínima 18 anos e a máxima 92 anos (51,07 ± 17,35). A UMS
Marambaia apresentou o maior número de pessoas entrevistadas (25). Em contraste
a UMS Tavares Bastos, teve o menor número (06) de participantes. Foi observado
através do levantamento em prontuários um maior número de pessoas em registro
ativo entre 2012 a 2013 na UBS Pedreira (40 pessoas) comparada com as outras
unidades estudadas que apresentou entre (9 a 12) pessoas em registro ativo.
5.1 Características Sociodemográficas e Econômicas de Pessoas Acometidas
de Hanseníase
A Tabela 3 apresenta as características sociodemográficas de pessoas com
hanseníase em relação à faixa etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação.
Tabela 3 – Características sociodemográficas de pessoas com MH quanto à faixa
etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação. Belém (PA) no período de
abril a setembro 2013
Frequência
n
%
19
35
18
3
25,33
46,67
24,00
4,00
Sexo
Masculino
Feminino
45
30
60,00
40,00
0,106
2
χ =3,00
Raça
Negra/parda
Branca
Amarela
57
16
2
76,00
21,33
2,67
<0,0001
χ2=65,36
Variáveis
Sociodemográficas
Idade/Faixa etária
18 – 38
39 – 59
60 – 80
Mais de81anos
*Valor de P
<0,0001
χ2= 27,35
42
Tabela 3 – Características sociodemográficas de pessoas com MH quanto à faixa
etária, sexo, raça, escolaridade e ocupação. Belém (PA) no período de
abril a setembro 2013 (continuação)
Grau de escolaridade
Ensino médio incompleto
35
46,67
e completo
<0,0001
Ensino
fundamental
28
37,33
χ2=35,99
incompleto e completo
Ensino
superior
8,00
6
incompleto e completo
Alfabetizado
6
8,00
Ocupação
Aposentado(a)/pensionista
Empregado com carteira
de trabalho
Outro (pedreiro, pintor,
eletricista e diarista)
Trabalha por conta própria
Do lar
Estudante
Total
19
16
25,33
21,33
15
20,00
0,164
χ =13,88
2
12
11
2
75
16,00
14,67
2,67
100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadrado de aderência
O resultado dos dados da Tabela 3, quanto à idade, revelou que a faixa
etária de 39 a 59 anos (46,67%), foi a mais acometida pela doença (P<0,0001).Com
maior frequência em pessoas do sexo masculino 45 (60%). Contudo, não houve
diferença estatística significativa. A maior proporção de pessoas 57 (76%) declarou
ser de raça negra/parda. A diferença observada é muito significativa. A respeito da
escolaridade, encontrou-se maior percentual 35 (46,67%) de pessoas com o ensino
médio incompleto e completo (P<0,0001). Entre os 75 entrevistados, 19 (25,33%)
informaram serem aposentado (a) ou pensionista (P=0,164).
A Tabela 4 mostra a distribuição segundo estado conjugal, número de filhos,
número de residentes no domicílio, renda familiar (Salário mínimo vigente no Brasil
em 2013, R$678,00, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos), e a existência de outro caso de MH na família.
43
Tabela 4 – Distribuição segundo estado conjugal, número de filhos, número de
residentes, renda familiar, existência de outro caso de MH na família.
Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Frequência
n
%
*Valor de P
Estado conjugal
Casado/vive com companheiro
Solteiro/viúvo
Divorciado/separado
39
28
8
52,00
37,33
10,67
χ2=19,76
Número de filhos
Um a dois
Três a cinco
Nenhum
Mais de cinco filhos
34
18
13
10
45,33
24,00
17,33
13,33
0,0004
χ2=18,28
Número de residentes no domicílio
Três a cinco
Um a dois
Mais de cinco pessoas
36
20
19
48,00
26,67
25,33
χ2=7,28
Renda familiar
Um a três salários mínimos
Sem renda fixa
Mais de três salários mínimos
< 1 Salário mínimo
45
15
10
5
60,00
20,00
13,33
6,67
Existe/existiu outro caso de MH na
família
Não
Sim
Não sei
Total
49
21
5
75
65,33
28,00
6,67
100,00
Variáveis Sociodemográficas
<0,0001
0,026
<0,0001
χ2=51,67
<0,0001
χ2=39,68
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadrado de aderência
Na análise dos dados da Tabela 4, segundo estado conjugal, o estudo
revelou índice mais alto de casado/vive com companheiro 39 (52%) e solteiro/viúvo
28 (37,33%), com diferença estatística muito significativa. Constatou-se que, a maior
proporção 34 (45,33%) declarou ter um a dois filhos (P=0,0004). Quanto ao número
de residentes no domicílio, 36 (48%) apontaram de três a cinco pessoas (P=0,026).
A respeito da renda, o estudo mostrou que 45 (60%) possuem renda de um a três
salários mínimos (P<0,0001). Sobre a existência de outro caso na família, 49
(65,33%) responderam não existir (P<0,0001).
44
A tabela 5 demonstra os resultados da distribuição das pessoas de acordo
com o tipo de casa, número de cômodos, origem da água utilizada pela família,
coleta de lixo e destino dos dejetos.
Tabela 5 – Distribuição de acordo com o tipo de casa, número de cômodos, origem
da água utilizada, coleta de lixo e destino dos dejetos. Belém (PA) no
período de abril a setembro 2013
Frequência
Variáveis Sociodemográficas
%
Valor de P
n
Tipo de casa
Alvenaria
59
78,67
<0,0001
Madeira
13
17,33
2
χ
=71,36
Mista
3
4,00
Número de cômodos
Três a cinco
Mais de cinco
Um a dois
38
21
16
50,67
28,00
21,33
0,005
χ =10,64
Origem da água utilizada
pela família
Encanada/COSANPA
Poço artesiano
60
15
80,00
20,00
<0,0001
2
χ =27,00
Coleta de lixo
Sim
Não
72
3
96,00
4,00
χ =63,48
Destino dos dejetos
Fossa séptica / biológica
Fossa negra
A céu aberto
Total
67
7
1
75
89,33
9,33
1,33
100,00
2
<0,0001
2
<0,0001
χ2=106,56
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Dentre os entrevistados da Tabela 5, constatou-se que 59 (78,67%) residem
em casa de alvenaria (P<0,0001). A maioria das casas, 38 (50,67%), possui de três
a cinco cômodos (P=0,005). O fornecimento de água em sua maioria, 60 (80%), é de
origem encanada/COSANPA (P<0,0001). Sobre a coleta de lixo, a maior proporção,
72 (96%) informou que é coletado pelo serviço público (P<0,0001). Em relação ao
destino dos dejetos, 67 (89,33%) apontaram a fossa séptica / biológica (P<0,0001).
45
5.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas Acometidas
de Hanseníase em relação à Doença
A Tabela 6 mostra a distribuição segundo os conhecimentos das pessoas
entrevistadas sobre a doença, a transmissão, sintomas, tratamento e cura da MH.
Tabela 6– Distribuição segundo o conhecimento sobre a doença, a transmissão,
sintomas, tratamento e cura. Belém (PA), de abril a setembro 2013
Frequência
n
%
Valor de P
Você sabe o que é MH?
Sim
Não
56
19
74,67
25,33
<0,0001
χ2=18,25
O que é MH?
Doença infecciosa que afeta a pele e os nervos
Não responderam
Doença hereditária
Doença que queima o sangue
54
19
1
1
72,00
25,33
1,33
1,33
<0,0001
χ2=99,88
Como se pega a MH?
Através da fala, espirro, de uma pessoa doente e
sem tratamento
Não sabe
Aperto de mão
Ao sentar em cadeiras usadas pelo doente
52
18
3
2
69,33
24,00
4,00
2,67
<0,0001
χ2=87,19
Quais os sintomas iniciais da MH?
Mancha na pele com dormência
Mancha na pele com prurido/coceira
Não sei
Dor de cabeça/dor no corpo
62
6
5
2
82,67
8,00
6,67
2,67
<0,0001
χ2=33,48
Qual o tempo de tratamento da MH?
Um ano
Seis meses
Seis meses/um ano
Não sei
Seis meses/dois anos
Dois anos
23
17
13
12
5
5
30,67
22,67
17,33
16,00
6,67
6,67
A Hanseníase tem cura?
Sim
Não sei
Total
68
7
75
90,67
9,33
100,0
Categoria/Conhecimento sobre a doença
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
0,0016
χ2=19,48
<0,0001
χ2=49,61
46
Na Tabela 6, observou-se que 56 (74,67%) pessoas responderam que
sabem o que é MH (P<0,0001). Destas, 54 (72%) responderam corretamente
(P<0,0001). Em relação à transmissão, 52 (69,33%) pessoas sabem como ocorre
(P<0,0001). Quanto aos sintomas iniciais, a maioria, 62 (82,67%), apontou a
resposta correta (P<0,0001). Sobre o tempo de tratamento, 23 (30,67%) declararam
ter conhecimento de um ano (P=0,0016). Quando investigados se a MH tem cura, 68
(90,67%) responderam que sim, com χ2 obtido muito significativo (P<0,0001).
A Tabela 7 apresenta a distribuição segundo os conhecimentos das pessoas
entrevistadas sobre a prevenção de incapacidade física com os olhos, nariz, mãos,
pés e corpo.
Tabela 7– Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de incapacidade
física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Belém (PA) no período de
abril a setembro 2013
Frequência
Categoria/Conhecimento
sobre
%
Valor de P
prevenção de incapacidade física
n
Dificuldade para fechar os olhos
Não sei
55
73,33
Uso de chapéu e/ou óculos
9
12,00
<0,0001
Uso de soro fisiológico e abrir e fechar
6
8,00
2
χ =93.91
os olhos com força
Uso de colírio
5
6,67
Nariz entope com frequência
Limpar com soro fisiológico ou água
limpa
Não sei
Uso de descongestionante nasal
Retirar crosta/casquinha
29
38,67
29
14
3
38,67
18,67
4,00
Dormência nas mãos
Não sei
Uso de luvas e proteção
Passar pomada
Imobilizar com atadura
49
14
9
3
65,33
18,67
12,00
4,00
Dor e dormência nos pés
Proteção com calçado adequado
Não sei
Evitar ou diminuir a caminhada
39
29
7
52,00
38,67
9,33
<0,0001
χ2=25,64
<0,0001
2
χ =68,31
<0,0001
χ2=21,44
47
Tabela 7– Distribuição segundo o conhecimento sobre prevenção de incapacidade
física com os olhos, nariz, mãos, pés e corpo. Belém (PA) no período de
abril a setembro 2013 (continuação)
Ressecamento da pele (Corpo)
Hidratar e lubrificar a pele
Uso de protetor solar
Não sei
Banho de sol pela manhã
Total
44
20
10
1
75
58,67
26,67
13,33
1,33
100,00
<0,0001
2
χ =54,97
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
A análise dos dados da Tabela 7 revelou que 55 (73,33%) pessoas
desconhecem os cuidados com os olhos. A diferença estatística foi muito
significativa. Em relação aos cuidados com o nariz, 29 (38,67%) apontaram limpeza
com soro fisiológico ou água limpa e, na mesma proporção declararam não possuir
conhecimento (P<0,0001). Quanto aos cuidados com as mãos, observou-se que, o
maior percentual 49 (65,33%) não soube responder (P<0,0001). Sobre os cuidados
com os pés, 39 (52%) responderam corretamente (P<0,0001). Em relação aos
cuidados com o corpo, 44 (58,67%) informaram hidratar e lubrificar a pele
(P<0,0001).
A Tabela 8 mostra a atitude dos entrevistados relacionada aos fatores que
podem interferir na recuperação do doente: ambiente, atenção dos profissionais de
saúde, dificuldade de locomoção, trabalho e apoio da família.
Tabela 8 – Atitudes relacionadas aos fatores que podem interferir na recuperação do
doente. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Frequência
Categoria/Atitude
%
Valor de P
n
A falta de um ambiente limpo
interfere na recuperação do doente
Concordo
65
86,67
<0,0001
Discordo
6
8,00
2
χ =96,08
Não sei ou não tem opinião
4
5,33
A falta de atenção dos profissionais
de saúde leva o doente a abandonar
o tratamento
Concordo
Discordo
Não sei ou não tem opinião
47
25
3
62,67
33,33
4,00
<0,0001
χ2=38,72
48
Tabela 8 – Atitudes relacionadas aos fatores que podem interferir na recuperação do
doente. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013 (continuação)
A dificuldade de locomoção leva o
doente a abandonar o tratamento
Concordo
42
56,00
<0,0001
Discordo
27
36,00
χ2=26,16
Não sei ou não tem opinião
6
8,00
O doente inicialmente deve
afastado de seu trabalho
Discordo
Concordo
Não sei ou não tem opinião
ser
Você acha importante o apoio da
família para a recuperação do doente
Muito importante
Pouco importante
Não acho importante
Total
43
26
6
57,33
34,67
8,00
71
2
2
75
94,67
2,66
2,66
100,00
<0,0001
χ2=27,44
<0,0001
2
χ =126,96
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadrado de aderência
De acordo com os dados da Tabela 8, o estudo evidenciou que 65 (86,67%)
pessoas concordaram com a atitude relacionada ao ambiente (P<0,0001). No que
diz respeito à falta de atenção dos profissionais, 47 (62,67%) concordaram que leva
o doente a abandonar o tratamento (P<0,0001). Em relação à dificuldade de
locomoção, 42 (56%) pessoas também concordaram que leva ao abandono do
tratamento (P<0,0001). Enquanto 43 (57,33%) discordaram da atitude relacionada
ao afastamento do doente de seu trabalho (P<0,0001). Dentre os entrevistados, a
maior proporção, 71 (94,67%), declarou que acha muito importante o apoio da
família na recuperação do doente. Confirmado pelo teste χ2 (P<0,0001).
A Tabela 9 apresenta a descrição da prática dos entrevistados relacionada
aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e tratamento (medicamentoso).
49
Tabela 9 – Práticas relacionadas aos cuidados com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés
e tratamento. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Frequência
Categoria/Prática
%
Valor de P
n
Executa algum tipo de cuidado com o
corpo, olhos, nariz, mãos e pés?
Sim, com o corpo
30
40,00
Sim, com os olhos e nariz
22
29,33
0,003
2
Não
14
18,67
χ =13,59
Sim, com as mãos e pés
9
12,00
Que tipo de cuidado costuma fazer?
Hidratação
Limpeza das narinas com água limpa
Hidratação e lubrificação
Lubrificar e massagear
Uso de soro fisiológico para umedecer
os olhos
23
21
10
6
1
30,67
28,00
13,33
8,00
1,33
χ2=29,74
Caso não o faça, responda o porquê?
Por desconhecer
Nunca houve necessidade
10
4
13,33
5.33
0,181
2
χ =2,57
Você costuma examinar seu corpo a
fim de identificar novas alterações
cutâneas e ou nervosa?
Sim
Não
69
6
92,00
8,00
<0,0001
χ2=52,92
Você toma as medicações todos os
dias?
Sim
Não
Total
70
5
75
93,33
6,67
100,00
<0,0001
χ2=56,33
<0,0001
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Na Tabela 9 observou-se que a prática do cuidado com o corpo foi a mais
apontada com 30 (40%), seguida do cuidado com o nariz, 22 (29,33%), (P=0,003).
Quanto ao tipo de cuidado, predominou a hidratação 23 (30,67%) seguida da
limpeza das narinas com água limpa 21 (28%), a diferença foi muito significativa.
Verificou-se que 14 (18,67%) informaram não praticar nenhum tipo de cuidado, 10
(13,33%) por desconhecer e 4 (5,33%) referiram que nunca houve necessidade. Em
relação à prática de examinar o corpo, constatou-se que a maior proporção, 69
(92%), examina (P<0,0001). A respeito da tomada das medicações, 70 (93,33%),
declarou que tomam diariamente (P<0,0001).
50
5.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas
sobre a Doença e o Escore de Avaliação
A Tabela 10 demonstra os resultados da associação entre conhecimento
sobre a doença (hanseníase e a prevenção de incapacidade física), e o escore de
avaliação (Bom, Regular, e Insuficiente).
Tabela 10 – Associação entre conhecimento sobre a doença e o escore de
avaliação. Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Conhecimento
sobre
Hanseníase
Prevenção
de
incapacidade física
Escore - Avaliação
Bom % Regular % Insuficiente
47 62,67
24
32,00
4
9
12,00
34
45,33
32
%
5,33
42,67
75
*Valor
de P
0,0001
75
0,0004
Total
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadradode aderência
Conforme a Tabela 10, o conhecimento sobre a hanseníase mostrou-se bom
para 47 (62,67%) dos entrevistados. Com diferença estatística muito significativa
entre os escores. Enquanto o conhecimento sobre a prevenção de incapacidade
física mostrou-se regular para a maioria dos participantes 34 (45,33%), seguida de
insuficiente 32 (42,66%). Somente 9 (12%) obteve escore bom (P=0,0004).
A Tabela 11 apresenta os resultados da associação entre a prática sobre a
doença (cuidados com o corpo / tratamento) e o escore de avaliação.
Tabela 11 – Associação entre a prática sobre a doença e o escore de avaliação.
Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Escore - Avaliação
*Valor
Práticas
Total
de P
Bom % Regular % Insuficiente %
Cuidados com o
corpo/tratamento
55
73,33
15
20,00
5
6,67
75
<0,0001
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadrado de aderência
Os resultados da Tabela 11 revelaram que a maior proporção, 55 (73,33%),
apresentou o escore bom (executam os cuidados) com significância estatística.
51
A Tabela 12 mostra os valores encontrados da associação entre atitude
sobre a doença e o escore de avaliação (Satisfatória e Insatisfatória).
Tabela 12 – Associação entre atitude sobre a doença e o escore de avaliação.
Belém (PA) no período de abril a setembro 2013
Satisfatória
Insatisfatória
Atitudes
*Valor de P
n
%
n
%
Fatores
que
podem
interferir na recuperação do
72
96,00
3
4,00
<0,0001
doente
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
*Teste Qui-Quadrado de aderência
Os valores encontrados na Tabela 12 mostram que a maioria dos
entrevistados, 72 (96%), apresentou atitude satisfatória em relação aos fatores que
podem interferir na recuperação do doente com muita significância estatística.
5.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas e
as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à
Hanseníase, conforme Escores de Avaliação
A análise de correlação entre a variável sexo e o conhecimento em relação à
doença conforme escore de avaliação é mostrada na figura 3.
FIGURA 3- Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável sexo
conforme escore de avaliação. Belém (PA) de abril a setembro
2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,034)
52
Os resultados da Figura 3 mostram associação estatística significativa entre
conhecimento sobre a doença e sexo (P<0,05), evidenciando-se um conceito bom
na maior proporção (62,7%), representado por 80% do sexo feminino.
A Figura 4 mostra os resultados da associação entre conhecimento sobre a
doença e a variável escolaridade (A: Alfabetizado; E.F.I: Ensino Fundamental
Incompleto; E.F.C: Ensino Fundamental Completo; E.M.I: Ensino Médio Incompleto;
E.M.C: Ensino Médio Completo; E.S.I: Ensino Superior Incompleto; E.S.C: Ensino
Superior Completo). Conforme escore de avaliação (Bom, Regular, e Insuficiente).
FIGURA 4 – Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável
escolaridade conforme escore de avaliação. Belém (PA) no período
de abril a setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,0007)
Na Figura 4, o estudo confirmou que as diferenças entre conhecimento sobre
a doença e a escolaridade, foram significativas (P<0,05). Indicando que o
conhecimento bom sobre a doença em 62,7% é representado por 82,6% das
pessoas que possuem o ensino médio completo.
A Figura 5 demonstra os valores da associação entre conhecimento sobre a
doença e a variável renda familiar conforme escore de avaliação.
53
FIGURA 5 - Percentual entre conhecimento sobre a doença e a variável renda
familiar conforme escore de avaliação. Belém (PA), de abril a
setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,242)
Na Figura 5 o teste revela que a diferença entre conhecimento e renda, não
é significativo (P>0,05). Tanto o indivíduo sem renda fixa quanto o com renda mais
de três salários mínimos, possuem conhecimento sobre a doença.
A Figura 6 apresenta a análise de correlação entre atitude sobre a doença e
a variável sexo conforme escore de avaliação (Satisfatório e Insatisfatório).
FIGURA 6 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável sexo
conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a
setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste Exato de Fisher (P=0,271)
54
Na análise das variáveis da Figura 6. Os resultados mostram que não existe
correlação entre a atitude e sexo (P>0,05). Indicando que a atitude das pessoas em
relação à doença independe do sexo.
A associação entre atitude sobre a doença e a variável escolaridade,
conforme escore de avaliação, é mostrada na Figura 7.
FIGURA 7 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável escolaridade
conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a
setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,359)
De acordo com os resultados da Figura 7 verificou-se que não existe
correlação entre atitude e escolaridade (P>0,05). Tanto o indivíduo com baixa
escolaridade quanto com o ensino superior possuem atitudes semelhantes em
relação à doença.
A Figura 8 mostra a correlação entre atitude sobre a doença e a variável
renda familiar conforme escore de avaliação.
55
FIGURA 8 - Percentual entre atitude sobre a doença e a variável renda familiar
conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a
setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,271)
Os resultados da Figura 8 mostram que não existe correlação estatística
significativa entre atitude e renda (P>0,05). Tanto o indivíduo sem renda quanto o
com renda mais de três salários mínimos têm atitudes semelhante sem relação à
hanseníase.
A Figura 9 apresenta a associação entre a prática sobre a doença e a
variável sexo conforme escore de avaliação.
FIGURA 9 - Percentual entre prática sobre a doença e a variável sexo conforme
escore de avaliação. Belém (PA) de abril a setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,329)
56
Na análise dos dados da Tabela 9. O estudo confirmou que não existe
correlação estatística significativa entre prática e sexo (P>0,05). Sugerindo que
pessoas de ambos os sexos executam os cuidados relacionados com a doença.
A Figura 10 demonstra a associação entre a prática sobre a doença e a
variável escolaridade, conforme escore de avaliação.
FIGURA 10 - Percentual entre a prática sobre a doença e a variável escolaridade
conforme escore de avaliação. Belém (PA), de abril a setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,022)
O estudo revelou que existem diferenças estatisticamente significativas
(P<0,05), entre a prática do cuidado e a escolaridade. A maior proporção 70,7%
corresponde ao conceito bom, representado por 86,9% do ensino médio completo.
A análise da associação entre a prática sobre a doença e a variável renda
familiar conforme escore de avaliação, é demonstrada na Figura 11.
57
FIGURA 11 - Percentual entre prática sobre a doença e a variável renda familiar
conforme escore de avaliação. Belém (PA), no período de abril a
setembro 2013.
Fonte: Pesquisa de campo, 2013.
Teste G (P=0,903)
Em relação à figura 11 o estudo mostrou que não existem diferenças
estatísticas significativas entre a prática e a renda (P>0,05). Tanto o indivíduo sem
renda quanto o com renda de mais três salários mínimos executam a prática do
cuidado relacionado à hanseníase.
58
6 DISCUSSÃO
6.1 Características Sociodemográficas e Econômicas de Pessoas Acometidas
de Hanseníase
Conforme as características sociodemográficas e econômicas da amostra
estudada, apresentadas nas Tabelas 3, 4 e 5. Em relação à faixa etária, constatouse maior ocorrência da hanseníase na faixa correspondente a população adulta,
com diferenças significativas entre os grupos estudados. Tal resultado encontrado
expressa a faixa economicamente produtiva e corresponde à fase que acarreta
problemas socioeconômicos para o indivíduo, para a família e para a sociedade, fato
comprovado por outros estudos (PINHEIRO et al., 2009; CONTE et al., op. cit.,
2009).
Ainda em relação à faixa etária, merece destaque neste estudo a população
de idosos, por ter apresentado uma proporção significativa na faixa de 60 a 80 anos.
Ainda em relação à faixa etária, merece destaque neste estudo a população de
idosos, por ter apresentado uma proporção significativa na faixa de 60 a 80 anos.
Nesse sentido, Polaro et al. (2012), em seu estudo com idosos na região
metropolitana de Belém, referem que, no Brasil a expectativa de vida ao nascer é de
73,1 anos, chegando a 75,2 anos na região sul. No Pará, a expectativa média de
vida aumentou de 68,9 anos em 1996 para 71,7 anos em 2006 e 72,5 anos em
2010. Na Região Norte, o Estado do Pará mais especificamente na Região
Metropolitana de Belém, é a que mais concentra população idosa.
Conforme Ferreira (2012, p.34) em seu estudo (transversal) realizado com
idosos em tratamento de MH no Espírito Santo, observou-se uma tendência de
aumento dos casos com a progressão da idade, nas doenças que possuem um
longo período de incubação, como é o caso da MH. Essas pessoas, a partir do
momento em que convivem mais tempo com a população, apresentam significativo
potencial de disseminação da doença, fato que merece especial atenção dos
profissionais de saúde que trabalham com o PCH.
A esse evento, também atribui o aumento da demanda de idosos nas US a
partir da implantação do Plano de Reorganização de Atenção à Hipertensão Arterial
e Diabetes Mellitus no Brasil em 2001 (BRASIL, 2004). Em que os idosos têm
prioridade no atendimento e que pode estar contribuindo na detecção de outras
doenças crônicas. O Programa é conhecido pela sigla HIPERDIA e encontra-se
59
disponível na rede de serviços da APS no município de Belém. Outros fatores que
podem explicar a ocorrência da doença nesta população seria a maior fragilidade do
sistema imune, aumenta a oportunidade de evolução da doença em contato com o
bacilo; por serem residentes em áreas endêmicas; antecedente familiar e o
diagnóstico tardio da doença.
Quanto ao sexo, o estudo mostrou maior frequência no masculino, contudo,
sem diferença estatística significativa. A diferença existente atribuiu-se à variação
amostral, ou seja, neste estudo a MH ocorre em ambos os sexos quase na mesma
proporção,assim como outros estudos brasileiros envolvendo pessoas com MH, que
também identificaram situação semelhante. Santana et al. (2008, p.183) e Ferreira
(2012, p.28) encontraram igualmente 60% no sexo masculino. Ribeiro (2012, p.48)
em estudo de coorte retrospectivo com 71 pessoas realizado em Belo Horizonte
(MG) mostrou que 52,1% dos participantes eram do sexo masculino. Neste aspecto,
significa, o homem ter mais relações interpessoais (tem uma vida mais ativa), maior
exposição ao meio e menor acesso aos serviços de saúde.
Embora estudos epidemiológicos (como citados acima) sobre a MH em sua
grande maioria apontem o sexo masculino como o mais acometido pela doença,
percebe-se que as características epidemiológicas relacionadas ao sexo vêm
apresentando mudança no decorrer do tempo. Observou-se em alguns estudos, que
a hanseníase vem acometendo as mulheres praticamente na mesma proporção em
que acomete os homens, como no estudo citado a seguir.
Ferreira (ibid, p. 43 e 44), em estudo epidemiológico prospectivo, encontrou
maior proporção no sexo feminino entre os casos novos detectados pelo exame de
contato. Uma explicação para essa mudança seria a maior procura pelo serviço de
saúde da população feminina em maior parte das regiões do Brasil. Além dos
programas oferecidos pelos serviços na APS serem em sua maioria voltados à
saúde da mulher. Essa proporção deve-se também à inserção progressiva da mulher
no mercado de trabalho nos últimos anos no Brasil.
Quanto à categoria raça, foi revelado que a maioria do grupo declarou ser de
origem negra/parda, com destaque a parda, que predominou sobre a branca,
demonstrando uma diferença muito significativa. Reflete a composição étnica da
população paraense. Dados do MS (BRASIL, 2011) mostram que as diferenças são
expressivas no número de pretos e pardos acometidos pela doença, em relação aos
brancos. Entre 2001 e 2009, a proporção de casos de hanseníase nas populações
60
autodenominadas preta e parda supera a soma das demais, alcançando mais de
60% desde 2003. Essa proporção aumentou ao longo do período, chegando-se a
2009 com 67% de casos em pretos e pardos. Esse dado é corroborado por Ferreira,
Ignotti e Gamba (2011), que identificaram 54,6% entre a população mato-grossense
autodeclarada parda.
É importante salientar que neste estudo, no que se refere à cor dos
entrevistados em tratamento de MH foi expressiva a categoria negra/parda. Tal
achado deve-se levar em consideração o processo histórico de colonização,
movimentos migratórios e a organização espacial, dentre outros fatores apontados
por Silvestre (op. cit.), e que possivelmente justifiquem esse aumento de casos na
raça autodeclarada parda.
O grau de escolaridade que mais se destacou neste estudo foi o ensino
médio completo e incompleto, com diferença significativa entre o grupo avaliado.
Porém, ao analisarmos dentre os 75 participantes, identificou-se um número
significativo correspondente a 45,3% de pessoas com escolaridade abaixo do ensino
médio. Indicando uma condição social desfavorável em relação aos demais, e que
pode ter influencia negativa na compreensão de seu tratamento e de seu
autocuidado, o que poderá ocasionar a piora do quadro clínico.
Nesse sentido, Ferreira (op. cit., p.35) apontou a baixa escolaridade como
fator de risco para a instalação da MH, indicando também que possui forte
associação com a não adesão ao tratamento e o consequente desenvolvimento de
formas mais graves da doença. Assim, verificou-se durante as entrevistas que o
maior grau de escolaridade contribuiu na comunicação dos participantes da
pesquisa e facilitou na compreensão sobre o tema. E contrastou para aqueles com o
menor grau de escolaridade.
Em relação à ocupação, o estudo mostrou no geral que refletem a população
economicamente ativa como demonstra a Tabela 3. Observou-se dentre os 75
participantes que, 21,3% são empregados com carteira de trabalho, ou seja,
possuem estabilidade no emprego. E 20% são pessoas com profissão de (pedreiro,
pintor, eletricista e diarista), porém a remuneração só é efetuada mediante a
concretização do trabalho, caracterizando-o ser informal. E, em menor proporção
trabalham por conta própria. É importante ressaltar que a ocupação de aposentado
(a) / pensionista, em pessoas com idade igual ou maior a 60 anos, obteve uma
61
proporção considerável no grupo analisado. A diferença não é significativa entre os
grupos avaliados, situação semelhante foi apontada por Ferreira (2012a, p.44).
Quanto à situação conjugal dos participantes, observou-se que a maior
proporção da amostra é composta por pessoas casadas ou que vivem com
companheiros, e, em menor proporção, são divorciados ou separados, com
significância estatística entre o grupo. Esse fato pode estar relacionado ao
predomínio da população adulta seguida da população idosa neste estudo.
Em relação ao número de filhos, predominou de um a dois filhos entre a
amostra, e apenas 13,3% relatou ter mais de cinco filhos (P=0,0004).A respeito do
número de residentes no domicílio, em sua maioria compõe-se de três a cinco
pessoas (P=0,026). Na análise da fecundidade por cor ou raça, o Censo de 2010,
revelou que as maiores quedas percentuais ocorreram entre as mulheres pretas no
Nordeste 29,1%, Norte 27,8% e Sul 25,3%. O que pode justificar os dados
encontrados neste estudo em relação ao número de filhos e de residentes no
domicílio (IBGE, 2012a).
Quanto à renda familiar, a maior proporção foi de um a três salários mínimos
vigentes. A renda é um dos indicadores utilizados para o cálculo do Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH). O município de Belém apresentou o maior IDH
entre os 142 municípios do estado com 0,746 em 2010, ocupando a primeira
posição. Entretanto, o município de Melgaço no estado do Pará, apresentou no
mesmo ano o menor IDH municipal do Brasil com 0,418, entre os oito municípios do
Pará classificados com índice muito baixo, segundo Relatório de Desenvolvimento
Humano (RDH), 2013.
De acordo com Pinto Neto (2004), a pobreza é considerada como um fator
de risco para o desenvolvimento da hanseníase. E o seu processo histórico no
mundo, é reflexo de situações sociopolíticas e socioeconômicas. Situação
comprovada por Batista et al. (op. cit.), que, ao investigar o perfil sociodemográfico e
clínico epidemiológico em pessoas com MH no interior do Rio de Janeiro,
identificaram que o maior número de indivíduos acometidos de MH é de regiões
periféricas da cidade, onde predominam condições de moradias precárias e
conglomerados familiares.
Outro dado importante do ponto de vista epidemiológico foi observado neste
estudo, pessoas com relato de antecedentes de MH na família conforme dados da
Tabela 4. Nesta análise a diferença foi muito significativa. Neste aspecto, Santos,
62
Castro e Flaqueto et. al. (op. cit.), em seu estudo investigaram os fatores de risco
relacionados à MH e constataram que, o risco de desenvolver a doença é cerca de 5
a 10 vezes maior se um membro da família já manifestou a doença; e para os
contatos intradomiciliares o risco é maior para aqueles que conviveram com o
doente antes de ele iniciar o tratamento com a PQT.
Conforme a Tabela 5, o tipo de casa mais apontado entre os participantes foi
a de alvenaria, com três a cinco cômodos conferindo condições de habitação
favoráveis à saúde da família. A maior proporção aponta casas abastecidas pela
COSANPA, assim como a coleta de lixo é feita pelo serviço púbico na maioria dos
domicílios. Esse foi o serviço que, proporcionalmente, mais cresceu em todas as
regiões (IBGE, 2012a). Dentre os 75 domicílios, 89,3% possuem fossa séptica e
apenas em 1,3% o destino dos dejetos é a céu aberto, o que sugere um potencial de
risco às doenças infecciosas e parasitárias a essa família em relação às demais,
com significância estatística entre as cinco categorias analisadas (P<0,05).
Os achados deste estudo em relação às condições demográficas dos
domicílios na amostra estudada conferem com os dados do Censo de 2010. O
Censo mostrou que 52,5% deles eram considerados adequados (em 2000 eram
43,9%), ou seja, tinham abastecimento de água por rede geral, esgotamento
sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta e indireta e possuíam
até dois moradores por dormitório.
6.2 Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas de Pessoas Acometidas
de Hanseníase em relação à Doença
Na análise do conhecimento sobre a doença demonstrado na Tabela 6,
observou-se no geral o predomínio de pessoas que possuem conhecimento. Dentre
as cinco perguntas sobre a hanseníase, o maior percentual de acertos foi sobre a
cura da MH. Em todas as análises, a diferença foi significativa. Porém, alguns
aspectos merecem ser destacados acerca do padrão de conhecimento do grupo.
Dentre os entrevistados observou-se que, uma proporção significativa desconhece
alguns aspectos sobre a doença, como por exemplo, a transmissão da doença.
Verificou-se que, uma pequena proporção acreditava que seria através do aperto de
mão e ao sentarem em acentos usados pelo doente, fato que chamou a atenção,
uma vez que essas pessoas se encontravam em controle de tratamento na US.
63
Outro aspecto observado foi quanto ao tempo de tratamento da MH, pois a
maioria
demonstrou
insegurança
ao
responder.
A
resposta
obtida
pelos
participantes, em sua maioria, foi com base em seu tratamento atual, e mesmo
assim demonstravam ter dúvidas. É importante destacar que 16% apontaram a
alternativa “não sei” e apenas 17,3% responderam corretamente o tempo de
tratamento. Conforme o esquema operacional, a duração do tratamento é de seis
meses (PB) e doze meses (MB) com retornos mensais. É importante destacar que,
esse tempo é fundamental para o esclarecimento sobre os sinais e sintomas da
doença, o modo de transmissão, a prevenção e a cura dentre outras questões.
Em consonância com Santos et al. (2007), na análise dos relatos em seu
estudo identificou que alguns dos entrevistados possuíam um conhecimento limitado
sobre as diferentes formas clínicas da doença. E outros por desconhecerem essas
manifestações clínicas, retardaram a procura ao serviço. Esse estudo vem confirmar
os dados apresentados na Tabela 2, que evidenciou maior frequência das formas
abertas / contagiantes em todo o período entre 2001 e 2011, no município de Belém.
Essa realidade perdura até hoje nas seis US do estudo, em relação às
formas contagiantes da doença, confirmada com os dados na amostra estudada
levantados em prontuários do cliente e fichas de aprazamentos do PCH,
apresentados no Quadro 1. Percebeu-se que as pessoas chegam ao serviço de
saúde para diagnóstico tardiamente e, portanto com maior risco de desenvolver
reações e neurites.
Ao analisar o conhecimento sobre a prevenção de incapacidade física,
conforme a Tabela 7 constatou-se que a maioria dos participantes desconhecia os
procedimentos dos cuidados com os olhos, nariz e as mãos. Essa constatação
supõe a escassez de atividades educativas em grupo ou a inadequação na
abordagem sobre o tema. Em relação aos cuidados com os pés e com o corpo, a
maioria demonstrou que possuem um conhecimento, porém limitado, e pode-se
perceber uma grande lacuna na amostra estudada, a despeito da finalidade desses
cuidados. Sendo confirmado pelo teste qui-quadrado de aderência de forma muito
significante (P<0,0001) em todas as análises do conhecimento sobre a prevenção.
Situação semelhante foi encontrada por Duarte, Ayres e Simonetti (op. cit.),
que em seus estudos identificaram que, 89% dos doentes desconheciam os
aspectos relacionados à hanseníase, tendo como consequência o comprometimento
ocular. Então, destacaram a importância do esclarecimento às pessoas acometidas
64
quanto aos vários aspectos da hanseníase, a fim de que compreendam as
manifestações clínicas, a importância da adesão ao tratamento, para que se sintam
estimuladas ao autocuidado, já que este é fundamental na prevenção de
incapacidades físicas.
Nesse sentido, ressaltamos que o grau de instrução pode favorecer tanto na
compreensão e adesão do tratamento da doença, como em seu autocuidado com o
seu corpo, olhos, nariz, mãos e pés, evitando assim as incapacidades físicas.
Santos, Castro e Flaqueto et al. (op. cit.), em seu estudo abordaram a importância
da realização de atividades educativas junto à comunidade a partir das US, cujas
atividades, proporcionaram à população melhoria de conhecimentos sobre a doença,
e essa conduta pode influenciar no aumento da detecção de casos novos na forma
inicial da doença.
A SVS através da Portaria Ministerial Nº 3.125 de 07 de outubro de 2010,
recomenda que as práticas de educação em saúde para o controle da hanseníase,
devem estar baseadas na política de educação permanente e na política nacional de
promoção da saúde e compreendem orientações sobre a atenção integral,
investigação dos contatos domiciliares, autocuidado apoiado, prevenção e
tratamento de incapacidades físicas, dentre outras.
Na análise da atitude relacionada aos fatores que podem interferir na
recuperação do doente, apresentada na Tabela 8, considerou-se a justificativa
adequada de cada participante a respeito do tema. Verificou-se que a maioria dos
participantes obteve atitudes semelhantes ao concordarem com a afirmativa
relacionada ao ambiente. Porém, observou-se que, 13,3% divergiram em suas
opiniões em relação aos demais. A respeito da falta de atenção dos profissionais,
constatou-se que a maior proporção apontou em concordar com a afirmativa, ou
seja, houve aproximação de ideias/opiniões entre o grupo avaliado.
A respeito da dificuldade de locomoção, foi evidenciado que as opiniões
convergiram da maioria das pessoas com a afirmativa. Seguida da proporção de
pessoas que divergiram de opinião dos demais, por acreditarem que a dificuldade de
locomoção não leva o doente a abandonar o tratamento, expressando um
sentimento de autoestima para obter a cura da doença. Quanto ao afastamento do
doente de seu trabalho, verificou-se que as opiniões foram adequadas em sua
maioria, seguida da proporção de opiniões que divergiram dos demais. E a menor
proporção corresponde a pessoas que não emitiram opinião. Em relação ao apoio
65
da família, majoritariamente representa a proporção de participantes que acha muito
importante para a recuperação do doente.
Esse sentimento das pessoas acometidas de MH relacionado à família,
expressa que o apoio familiar frente ao diagnóstico reflete conforto durante o
processo de tratamento e integração do conhecimento sobre a doença, que pode
proporcionar qualidade de vida por não provocar rejeição e afastamento de seus
familiares. Em toda a análise realizada sobre a atitude, a diferença foi muito
significativa, confirmada pelo teste qui-quadrado de aderência (P<0,0001).
Assim, acredita-se que pessoas com atitudes inadequadas e/ ou que não
sabem emitir opinião sobre determinado tema ou problema relacionado à sua saúde,
podem exercer influência negativamente na sua recuperação. Segundo Rodrigues
(1992, p. 49) cita em seu livro esta definição: atitude é “um sistema de avaliações
positivas e negativas, sentimentos emocionais e tendências pró ou contra um objeto
social”.
Sobre as práticas a cerca do cuidado com o corpo, olhos, nariz, mãos, pés e
tratamento, mostrados na Tabela 9, observou-se que a maioria dos participantes
cuidam do corpo e do nariz. A hidratação foi o tipo de cuidado mais apontado pelos
participantes, seguida da limpeza das narinas com água limpa (P<0,0001). Verificouse durante as entrevistas que, o ressecamento da pele e o entupimento do nariz são
queixas muito frequentes na hanseníase, o que pode justificar os tipos de cuidados
mais realizados. Dentre todos os cuidados relatados, dois se destacaram por
apresentar a maior proporção, o autoexame do corpo a fim de identificar novas
alterações cutâneas e o cuidado de tomar a medicação diariamente.
6.3 Associação entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas
sobre a Doença e o Escore de Avaliação
Na análise de correlação entre as categorias de conhecimentos, atitudes e
práticas, e o escore de avaliação, conforme as Tabelas 10, 11 e 12 o estudo
evidenciou associação significativa entre conhecimento sobre a doença e a prática
do cuidado com o corpo, refletindo na atitude satisfatória do grupo em relação à
doença. É possível que esse conhecimento sobre a hanseníase seja um reflexo das
informações recebidas no momento da consulta de rotina.
66
Embora o conhecimento das pessoas sobre a prevenção de incapacidade
física seja muito limitado para uns e o desconhecimento (total) para outros
resultando na dificuldade de compreensão dos cuidados e a sua não realização.
Porém, muitas pessoas do grupo demonstraram interesse em aprender os
procedimentos relacionados aos cuidados com o corpo, os quais foram
demonstrados a cada um após cada entrevista, com apoio dos manuais referentes
aos cuidados, para que fossem executados no seu domicílio no mínimo uma vez ao
dia, também foi esclarecida a finalidade de cada um. O cuidado recomendado para
as mãos e os pés foi hidratação, lubrificação e a massagem.
Estudo realizado por Ferreira et al. (2011) evidenciou que, a chance de
recidiva para o grupo de indivíduos que não recebeu esclarecimento sobre a
doença/tratamento foi quase três vezes maior em relação aos que relataram ter
recebido orientação. Os mesmos autores destacam que, o aspecto sociocultural dos
indivíduos e famílias, como conhecimento, atitudes e práticas sobre a hanseníase e
o acesso às informações, pode influenciar na adesão do tratamento.
6.4 Associações entre as Categorias de Conhecimentos, Atitudes e Práticas e
as Variáveis Sexo, Escolaridade e Renda Familiar, em relação à
Hanseníase, conforme Escores de Avaliação
Na análise de correlação entre as variáveis dependentes e as variáveis
sociodemográficas relacionadas ao sexo, escolaridade e renda familiar, os dados
dos resultados foram discutidos fazendo a comparação entre os valores encontrados
que obtiveram escore bom. Conforme a Figura 3, o estudo mostrou que existe
associação entre conhecimento sobre a doença e a variável sexo de acordo com o
escore de avaliação (P=0,034), que apontou o sexo feminino com maior
conhecimento sobre o masculino, embora a MH tenha ocorrido com maior
frequência no sexo masculino neste estudo.
Em relação à escolaridade mostrada na Figura 4, a associação foi
significativa entre conhecimento e escolaridade (P=0,0007), que apontou o ensino
fundamental completo com maior percentual entre o grupo com conhecimento bom.
Quanto à renda apresentada na Figura 5, neste estudo a associação não foi
significativa (P=0,242), pois mostrou que pessoas com baixa renda possuem
conhecimento bom sobre a doença, confirmados pelo teste G de independência,
aplicado em todas as análises referente ao conhecimento.
67
Na análise de correlação entre a atitude e a variável sexo, conforme escore
de avaliação, apresentado na Figura 6, o estudo evidenciou que a associação não
foi significativa, apontando uma atitude satisfatória sobre a doença entre ambos os
sexos, confirmado pela aplicação do teste Exato de Fisher (P=0,271). Em relação à
variável escolaridade, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 7, o
estudo mostrou que não existe associação significativa, indicando atitude satisfatória
em relação à doença entre os grupos estudados, ou seja, existe uma grande
aproximação entre os grupos em relação às suas idéias e opiniões sobre a doença,
independentemente do grau de escolaridade, confirmado pelo teste G de
independência (P=0,359).
Quanto à renda, conforme escore de avaliação, mostrada na Figura 8, foi
constatado que não existe associação significativa entre a amostra estudada. O
estudo apontou atitude satisfatória sobre a doença tanto nos grupos sem renda fixa
como naqueles com renda de mais de três salários mínimos. Ou seja, os grupos
demonstraram ter ideias e opiniões semelhantes que independem da renda de cada
um, confirmado pela aplicação do teste G de independência (P=0,271).
Na análise de correlação entre a prática sobre a doença e a variável sexo,
conforme escore de avaliação, apresentado na Figura 9, constatou-se que não
existe associação significativa entre a amostra estudada (P=0,329), indicando que
pessoas de ambos os sexos obtiveram escore bom em relação à prática sobre a
doença.
Quanto
à
variável
escolaridade,
conforme
escore
de
avaliação,
demonstrado na Figura 10, observou-se associação significativa entre o grupo
(P=0,022), apontando que a maioria das pessoas que obteve escore bom em
relação à prática sobre a doença possui o ensino médio completo.
A respeito da renda, conforme escore de avaliação, apresentado na Figura
11, verificou-se que não existe associação entre o grupo estudado (P=0,903),
apontando expressiva aproximação entre o grupo que obteve escore bom em
relação à prática sobre a doença, ou seja, o grupo pratica o cuidado com o corpo,
independentemente da renda da família.
Constata-se com este estudo a necessidade de se intensificar estratégias de
educação em saúde na unidade e na comunidade, dentre outras ações, com fim de
melhorar e ampliar o conhecimento das pessoas acometidas de MH, em especial
sobre as medidas de prevenção de incapacidades físicas através do autocuidado
com o corpo. Considerando que nem todas as pessoas doentes têm os nervos
68
atingidos, e com a intervenção de um tratamento adequado os danos neurais e a
incapacidade podem ser prevenidos.
Para tal, há a necessidade de se unirem esforços, o envolvimento da
comunidade e de um trabalho articulado principalmente com a equipe saúde da
família.
Destacamos
o
papel
importante
do
enfermeiro
na
atuação
do
desenvolvimento das ações de vigilância e educação à saúde, no atendimento as
pessoas acometidas de hanseníase. Assim, podermos contribuir com o diagnóstico
precoce, diminuição dos danos neurológicos e, provavelmente, com a cura da
doença.
Nesse contexto, há a necessidade de se realizarem novas pesquisas, a fim
de se identificar lacunas sobre o tema em questão. Nessa perspectiva, seguem as
seguintes recomendações:
Programar estratégias de educação em saúde
permanente, com a participação integral da equipe de saúde do PCH, e a família das
pessoas acometidas de MH. Articular nas US um espaço adequado e destinado às
atividades educativas em grupo. Resgatar nas US a realização efetiva da avaliação
neurológica simplificada conforme o protocolo do PCH do MS.
69
7 CONCLUSÕES
Com base nos dados coletados e analisados nesta pesquisa, pode-se
concluir que.
A maioria da população deste estudo é de pessoas do sexo masculino,
adultas, na faixa etária economicamente ativa, seguida da população de
idosos, que também se destacou. Identificaram-se pessoas com o ensino
médio completo, casadas/vive com companheiro, com um a dois filhos. A
renda familiar variou entre um a três salários mínimos vigentes entre o grupo;
As condições de habitação, em sua maioria, são favoráveis a manutenção à
saúde da família. De acordo com o relato dos participantes, as casas
oferecem boas estruturas de moradia, apesar de que, dentre o grupo, existem
famílias expostas ao risco de doenças infecciosas e parasitárias, devido à
inadequação do destino dos dejetos;
O padrão de conhecimento sobre a hanseníase na amostra estudada foi
considerado bom, apesar de o grupo desconhecer alguns aspectos, em
especial sobre a prevenção de incapacidade física relacionada aos cuidados
com o corpo, necessitando de esclarecimentos específicos sobre esses
cuidados, dentre outros;
A atitude do grupo foi satisfatória sobre a doença. Acreditamos que uma
atitude satisfatória pode influenciar positivamente em vários aspectos, como a
mudança no comportamento das pessoas e na recuperação da saúde;
A prática do cuidado com o corpo apresentou associação significativa com o
conhecimento sobre a doença, apontando que o conhecimento limitado sobre
a doença pode resultar em práticas incorretas devido à dificuldade de
compreensão para a realização do procedimento.
Dessa forma, conclui-se a importância deste estudo para a saúde pública,
pois permitiu ouvir as pessoas e conhecer as suas indagações, contribuindo para o
esclarecimento sobre a doença conforme suas necessidades. Assim, entende-se
que os objetivos da pesquisa foram alcançados por meio das evidências
comprovadas, além de importantes considerações acerca dos possíveis fatores
associados à doença. Espera-se que este estudo possa servir de subsídios para
novas pesquisas relacionadas à hanseníase incluindo outras unidades de saúde do
município de Belém.
70
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(PGL-I) em áreas endêmicas e não endêmica de hanseníase. 2008. 161 p. Tese
(Doutorado em Ciências da Saúde) – Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
SILVESTRE, M. P. S. A. Associação do polimorfismo do gene humamo
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do estado do Pará. 2011. 82p. Tese (Doutorado em Doenças Tropicais) – Núcleo
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SOUZA, Wanderley de. Doenças negligenciadas. Rio de Janeiro: Academia
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VILLAR, G.; MORRONE, A. Principais temas em epidemiologia para residência
médica. 2. ed. São Paulo: Medcel, 2006. 232p.
77
APÊNDICES
78
APÊNDICE A - Cronograma por bimestre
2012
ATIVIDADES
2°
3°
4°
5º
6º
1°
2°
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Idealização do tema
X
Revisão bibliográfica
X
X
Elaboração do projeto
X
X
Elaboração dos
2013
3°
4°
X
X
protocolos
Qualificação do projeto
X
Submissão e aprovação
X
ao CEP
Realização da pesquisa
de campo
Construção do banco de
dados
Análise dos dados
X
X
Redação do trabalho
X
X
Entrega do relatório
X
parcial
Entrega do Relatório
Final
Defesa da dissertação
X
Envio para publicação
X
79
APÊNDICE B - Previsão orçamentária
DISCRIMINAÇÃO
QUANTIDADE
VALOR
UNITÁRIO (R$)
VALOR TOTAL
(R$)
PESSOA FÍSICA
Análise Estatística
1
R$ 400,00
R$ 400,00
Correção ortográfica
1
R$ 6,00/lauda
R$ 600,00
Provedor de internet
1
R$ 90,00/mês
R$ 1620,00
Encadernação
8
R$ 5,50
R$ 44,00
Cópias
500
R$ 0,10
R$ 50,00
Computador
1
R$ 1500,00
R$ 1500,00
Impressora
1
R$ 350,00
R$ 350,00
Pendrive
2
R$ 25,00
R$ 50,00
Cartucho preto p/ HP
2
R$ 25,00
R$50,00
Cartucho colorido p/ HP
2
R$ 25,00
R$ 50,00
Resma de papel A4
4
R$ 14,00
R$ 56,00
Grampeador
1
R$ 10,00
R$ 10,00
Caixa de grampos
1
R$ 3,00
R$ 3,00
Pasta com elástico
5
R$ 5,00
R$ 25,00
Borracha branca
3
R$ 0,50
R$ 1,50
Caneta azul
5
R$ 1,50
R$ 7,50
Prancheta
3
R$ 3,00
R$ 9,00
Lapiseira
3
R$ 10,00
R$ 30,00
Grafite
10
R$ 2,00
R$ 20,00
6 meses
R$ 150,00/mês
R$ 900,00
PESSOA JURÍDICA
MATERIAL PERMANENTE
MATERIAL DE CONSUMO
TRANSPORTE E LOCOMOÇÃO
Combustível
NORMALIZAÇÃO
250
TOTAL GERAL
R$ 6026,00
80
APÊNDICE C- Formulário de Pesquisa
81
82
83
84
85
86
APÊNDICE D - Critérios estabelecidos para as categorias de conhecimento,
atitude e prática sobre hanseníase
QUADRO 2 - Critérios estabelecidos para as categorias de conhecimento, atitude e
prática sobre hanseníase
1. Informações sobre: Conhecimento, atitude e prática sobre hanseníase
Valoração
2. Conhecimentos
Adequado/bom
Regular
Não adequado/
Insuficiente
2.1- Sobre a doença.
Hanseníase;
Transmissão;
Quatro a cinco
Duas a três
Nenhuma ou uma
Sintomas;
respostas
respostas
resposta correta
Tratamento e Cura.
corretas
corretas
5 perguntas
2.2- Sobre prevenção
de incapacidade física
com os olhos, nariz,
mãos, pés e corpo.
Quatro a cinco
respostas
corretas
Duas a três
respostas
corretas
Nenhuma ou uma
resposta correta
5 perguntas
3. Atitudes
Satisfatória
Insatisfatória
Opiniões/
justificativas
adequadas
Uma ou nenhuma opinião adequada
3.1Atitudes
relacionadas a fatores
que podem interferir na
recuperação
do
doente.
5 perguntas
4. Práticas
Adequada/boa
Regular
Não
adequada/insuficiente
4.1Práticas
relacionadas
aos
cuidados com o corpo,
olhos, nariz, mãos, pés
e tratamento (PQT).
Quatro a cinco
respostas
corretas
Duas a três
respostas
corretas
Nenhuma ou uma
resposta correta
5 perguntas
FONTE: Santos, Cabral, Augusto (2011).
87
APÊNDICE D - Critérios estabelecidos para os valores de acertos referente ao
quadro 1 apêndice D (continuação).
Escores
4a5
Bom
2a3
Regular
0a1
Insuficiente
Total de perguntas
Acertos
5
4
3
2
1
0
Percentual
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
00,0
5
100,0
88
APÊNDICE E - TCLE
Universidade do Estado do Pará
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
Mestrado Associado à Enfermagem UEPA/UFAM
TERMO DE ESCLARECIMENTO
O projeto de pesquisa intitulado: Conhecimentos atitudes e práticas de pessoas
acometidas de hanseníase atendida na atenção primária à saúde. Trata-se da
Dissertação de Mestrado da mestranda, Maria de Nazaré Santos de Oliveira,
orientado pelo Prof. Dr. Mauro José Pantoja Fontelles e tem como objetivo geral,
Avaliar o padrão do conhecimento, as atitudes e as práticas de pessoas acometidas
de hanseníase a partir de 18 anos, atendidas nas Unidades Municipais de Saúde do
Guamá, Jurunas, Marambaia, Tavares Bastos, e Unidade Básica de Saúde Pedreira
e o Centro de Saúde Escola Marco, no município de Belém-Pa. E você é nosso
convidado a participar do estudo respondendo as perguntas de um formulário sobre
hanseníase, o qual será aplicado pela pesquisadora a todos os participantes das
seis unidades de saúde selecionadas. A pesquisadora marcará com um x a
alternativa que você achar mais correta. Caso não saiba responder alguma
pergunta, tem a alternativa não sei, ou sinta-se constrangido (a), você tem liberdade
para não responder. Esclarecemos que suas informações serão utilizadas somente
nesta pesquisa e guardadas por cinco anos, e que na divulgação dos resultados seu
nome não irá aparecer, pois usaremos como código números. Os resultados
poderão ser apresentados em eventos científicos e publicados em revistas. Sua
participação no estudo é muito importante, pois contribuirá para a melhoria da
assistência de enfermagem as pessoas com hanseníase atendidas nas seis
unidades de saúde. Esta pesquisa tem por risco a quebra do sigilo, para amenizar
esta possibilidade, comprometo-me em guardar o anonimato para todos os
participantes. E a qualquer momento você pode desautorizar a pesquisadora de
fazer uso das informações obtidas e todo material anotado lhe será devolvido. Este
trabalho será realizado com recursos próprios da pesquisadora. Não haverá nenhum
pagamento por sua participação. Se você tiver dúvidas e desejar esclarecimento
sobre a pesquisa poderá fazer contato com a pesquisadora Maria de Nazaré Santos
de Oliveira, residente na Av. Marques de Herval nº 668, Edifício Residencial Icaraí,
entre as travessas Humaitá e Vileta, Bairro da Pedreira; fone: (91) 81397500. Você
também poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
Universidade Estadual do Pará (UEPA), End. Av. José Bonifácio, 1289 CEP:
66063-010 Fone: (091)3249-0236 Fax: (091) 3249-4671 Ramal: 208. Email:
[email protected], se tiver qualquer dúvida com relação aos seus
direitos.
89
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE, APÓS ESCLARECIMENTO
Declaro que li e/ ou ouvi o esclarecimento acima e compreendi as
informações que me foram explicadas sobre a pesquisa. Conversei com a
coordenadora e/ ou a pesquisadora do projeto sobre minha decisão em participar,
ficando claros para mim, quais são os objetivos da pesquisa, a forma como vou
participar os riscos e benefícios e as garantias de confidencialidade e de
esclarecimento permanente. Ficou claro também, que a minha participação não tem
despesas nem receberei nenhum tipo de pagamento, podendo retirar o meu
consentimento a qualquer momento, sem penalidades ou prejuízos. Concordo
voluntariamente participar desse estudo assinando todas as páginas deste termo em
duas cópias e uma ficará comigo.
Local:
......./......../........
Assinatura do voluntário ou seu responsável legal
RG:---------------------
Assinatura do pesquisador responsável
RG:-----------------------
90
ANEXOS
91
ANEXO A – Ficha de Notificação/ Investigação Hanseníase
92
ANEXO B - Ficha de Aprazamento e Controle da MH – Estado
93
ANEXO C - Ficha de Aprazamento e Controle da MH – Município
94
ANEXO D – Mapa dos bairros que mais notificaram MH em 2011
95
ANEXO E - Parecer do Comitê de Ética
96
97
98
ANEXO F – Formulário para Avaliação Neurológica Simplificada
Anverso e verso
99
100
Universidade do Estado do Pará
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Av. José Bonifácio, 1289, Guamá
Belém-PA
www.uepa.br
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Maria de Nazaré Santos de Oliveira Conhecimentos, atitudes e