MARIA DA GRAÇA MARTINS SILVEIRA A ARTE DE ENVELHECER COM ARTE Arte/Terapia atuando no processo do envelhecimento saudável SÃO PAULO MASTER SCHOOL UNIVERSIDADE SÃO MARCOS SÃO PAULO - 2010 MARIA DA GRAÇA MARTINS SILVEIRA A ARTE DE ENVELHECER COM ARTE Arte/Terapia atuando no processo do envelhecimento saudável Monografia entregue ao curso de Especialização Lato Sensu em Arteterapia da São Paulo Master School, certificada pela Universidade São Marcos, como exigência parcial para a obtenção do título de Especialista em Arteterapia, sob a orientação da Professora Dra. Cristina Dias Allessandrini. SÃO PAULO MASTER SCHOOL UNIVERSIDADE SÃO MARCOS SÃO PAULO - 2010 Silveira, Maria da Graça Martins A Arte de Envelhecer com arte: Arte/terapia atuando no processo do envelhecimento saudável / Maria da Graça Martins Silveira. São Paulo: [s.n.], 2010. 57p. Monografia; Especialização lato sensu em Arteterapia. São Paulo Master School / Universidade São Marcos. Orientador: Profa. Dra. Cristina Dias Allessandrini. 1. Areterapia. 2. Envelhecimento. 3. Arte. Aos meus pais, que me trouxeram ao mundo, deram sentido à minha vida, ensinaram-me a viver com dignidade e continuam me mostrando que envelhecer tem sentido quando se tem amor. AGRADECIMENTOS A Deus, que me deu forças para a realização deste trabalho. Aos meus filhos, Daniela (in memórian), Luciana, Gabriel, e Mariana, que são a razão da minha vida. Á minha filha Mariana, que usando de muita paciência, e com precisão, veio em meu socorro nas dificuldades com o computador, durante todo o processo. À minha querida irmã Madalena, que, mesmo de longe e sem perceber, encorajoume o tempo todo com suas palavras tão carinhosas. Ao meu genro Rafael e à minha nora Juliana pelo apoio e carinho. À Profa. Cristina Dias Allessandrini, pelo acolhimento, solicitude e orientação segura. Às professoras da pós-graduação que muito contribuíram com seus ensinamentos, em especial às professoras Maíra Bonafé Sei e Maria de Betânia Paes Norgren pela dedicação. Às colegas do curso de Arteterapia, cuja amizade e estímulo constante, foram essenciais para que eu seguisse em frente. À amiga Eliana Ciasca, que muito colaborou prática deste trabalho. para o desenvolvimento da parte À amiga de coração, Ana Marly, pelo carinho, e pela forma tão cuidadosa na leitura e revisão do meu trabalho. Aos idosos que participaram desta pesquisa, e me deram a oportunidade de partilhar as suas vidas, alem de enriquecerem o meu trabalho, com arte. A todas as pessoas, que de algum modo, colaboraram para que este trabalho fosse realizado, agradeço muitíssimo. SILVEIRA, M.G.M. A arte de envelhecer com arte: Arte/Terapia atuando no processo do envelhecimento saudável. Monografia. São Marcos Master School/Universidade São Marcos. 57p. RESUMO O envelhecimento da população é um dos maiores desafios da atualidade. O significativo aumento da população idosa no mundo e também no Brasil torna evidente a necessidade de se proceder a uma ampla discussão sobre o envelhecimento enquanto fenômeno social. Este trabalho estuda a relação entre o idoso e a arte, descrevendo a arte como um recurso coadjuvante em processos terapêuticos. A arte é aqui abordada sob a ótica da Arteterapia, que utiliza recursos expressivos como mediadores do processo terapêutico, atuando nos níveis físico, psíquico e também cognitivo do indivíduo. Trata-se de uma pesquisa elaborada através da revisão da literatura relativa ao processo de envelhecimento e envelhecimento saudável em direção à construção do envelhecer com arte. Acreditando-se que a arte como terapia permite ao ser humano, a liberação de seus sentimentos e emoções, garantindo um encontro consigo mesmo e a ressignificação de experiências, investiga como o ‘fazer arte’, ao oferecer novas oportunidades de relacionar-se com si mesmo e com o outro, instrumentalizando o idoso a lidar com aspectos inerentes a esta fase da vida, pode influenciar no aumento da autoestima, refletindo positivamente na melhora de qualidade de vida. Na realização da pesquisa, de abordagem qualitativa, feita em duas etapas, foram descritos na primeira etapa alguns aspectos relacionados a idosos portadores do Mal de Alzheimer, ao longo do processo terapêutico, dentro do hospital-dia geriátrico, e na segunda etapa, foram observados quanto ao comportamento, alguns indivíduos residentes num lar para idosos. Conclui-se que a arteterapia aplicada aos idosos oferece um contato introspectivo com o seu ser, permite a liberação de emoções represadas em seu íntimo, proporciona alívio às tensões e colabora no processo para um envelhecimento saudável. Palavras-chave: Arteterapia. Envelhecimento. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 7 O PERCURSO................................................................................. CAPÍTULO I TEMPO DE ENVELHECER............................................................ 10 CAPÍTULO II O PROCESSO DE ENVELHECER................................................. 13 CAPÍTULO III ENVELHECER COM SAÚDE......................................................... 20 CAPÍTULO IV ENVELHECER COM ARTE........................................................... 25 CAPÍTULO V METODOLOGIA............................................................................. 34 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................ 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................... 52 7 INTRODUÇÃO O PERCURSO “O arte- educador não precisa ser artista para ensinar, mas sempre precisaria ter a sensibilidade de um artista.” Fayga Ostrower Através deste trabalho pretendo descrever como dei inicio à minha pesquisa sobre a questão do envelhecimento, influenciada pela arte, que me acompanha desde a infância, apoiada pela arteterapia, que hoje me enleva e me leva a buscar algo novo que contribua no processo para um envelhecimento saudável. Quando criança, eu desenhava sobre papéis de pão, pedaços de madeira, papelão, e também inventava usando outros tipos de materiais, hoje denominados ‘sucata.’ muitas vezes do lixo jogado em terrenos baldios, o que deixava minha mãe possessa. Ela não entendia por que eu gostava tanto de fazer ‘arte’. No ginásio, minhas disciplinas preferidas eram Educação Artística e Educação Musical. Minhas professoras eram simplesmente maravilhosas e devo a elas, quase tudo o que aprendi sobre arte e musica. Na faculdade, no Curso de Licenciatura em Educação Artística, as disciplinas consideradas mais importantes eram o Desenho Geométrico e Geometria Descritiva. Meu interesse pelas artes, ou pelo conjunto das belas-artes: pintura, escultura, arquitetura, música e poesia, levaram-me a fazer vários cursos após a graduação. Tornei-me professora de Educação Artística, mas, quando comecei a lecionar o ensino de desenho geométrico imperava nas aulas dessa disciplina, tanto que, poderia até dizer que os alunos entendiam mais de geometria do que eu, que pretendia dar aulas de arte, falar sobre os grandes artistas, deixar que os alunos desenhassem e pintassem livremente. Aos poucos, fui colocando um pouco de arte na cabecinha deles. Cheguei a levar os alunos a uma represa perto da escola e pedir a eles que observassem a natureza e a desenhassem como viam. Confesso que saíram desenhos tão lindos que nem eles acreditavam no que tinham feito. Sempre fui apaixonada por garatujas e pelos desenhos das crianças, procurando entender o que queriam dizer através daqueles ‘riscos e rabiscos’, tão espontâneos, tão verdadeiros, tão criativos. Pensei até em fazer Psicologia, para compreender 8 melhor o que se passava comigo, pois percebi que eu gostava mais de ensinar, observar, analisar, do que de fazer Arte. Prestei o vestibular mas, persuadida por minhas filhas, decidi fazer a PósGraduação em Arteterapia, e foi uma decisão acertada, pois a arte sempre foi o meu alicerce, e estudar a arte no contexto da arteterapia, fez com que eu entrasse em contato comigo mesma e esclarecesse as minhas dúvidas quanto ao ‘fazer arte’ e ‘ensinar arte’. Porém, nunca passou pela minha cabeça trabalhar com pessoas mais velhas, e somente durante o estágio supervisionado, dentro do ateliê arteterapêutico, no atendimento a pacientes com Doença de Alzheimer (DA), pude perceber como é gratificante trabalhar com idosos, conversar, ouvi-los e observá-los ‘fazendo arte’. Para mim a arte sempre foi uma terapia, vivida intensamente. Contudo, proporcionar ao outro essa vivência e perceber como a arte interage no grupo, foi emocionante. Então, a partir dessa experiência tão rica, resolvi pesquisar, saber mais sobre a velhice e o processo de envelhecimento, mesmo por que, estou começando a me preparar para lidar com essa nova fase da minha vida. Concordo com Schwarz (2007, p. 25 apud BARBIERI , 2003, p. 20), quando essa autora diz que, “inevitavelmente, toda pesquisa sobre a velhice leva o pesquisador a entrar em contato com o próprio processo de envelhecimento.” A elaboração desta pesquisa enfoca, portanto, no estudo sobre a velhice, e a possibilidade do “fazer arte” sob a ótica da arteterapia . O capítulo I – Tempo de Envelhecer – trata de alguns mitos a respeito da velhice e da morte, e a influência da cultura, por conseguinte, nesta fase de vida real para todo ser humano. O capítulo II – O Processo do Envelhecimento – relata, de modo sucinto, aspectos socias ligados ao envelhecimento como o rápido crescimento da população idosa no Brasil, o aumento da expectativa de vida, que está se prolongando para além dos noventa anos de idade, causando uma transformação na nossa sociedade. O capítulo III – Envelhecer com Saúde - traz o despertar de vários estudos acerca do processo de envelhecer, considerando questões como a alimentação, saúde, moradia, lazer, cidadania, novos campos de atuação como a Geriatria e a Gerontologia, capacitando profissionais de saúde para cuidar específicamente do idoso. 9 O capítulo IV – Envelhecer com Arte – descreve alguns conceitos teóricos da Arte e da Arteterapia, destacando alguns dos elementos que fundamentam a prática da Arte como recurso terapêutico, e sua contribuição no processo para um envelhecimento saudável. No capítulo V – Métodos – apresenta-se a pesquisa realizada com grupos de idosos em contexto de ateliê arteterapêutico, analizando-se os dados obtidos através da observação durante o processo. Finaliza-se, assinalando as modificações que ocorreram nos participantes e nos grupos, com a utilização da Arteterapia. 10 CAPÍTULO I TEMPO DE ENVELHECER “Os outros enxergam a velhice que se esconde em nós.” Carlos Drummond de Andrade “Todo mundo está envelhecendo. Desde o dia em que você nasceu, você tem estado envelhecendo-a cada momento, a cada dia” (OSHO, 1999, p. 110). O envelhecimento é um processo natural do ser humano, que se inicia no nascimento e termina com a morte. Segundo Osho (1999), nada é certo na vida, a não ser a morte; é possível especular sobre tudo, mas não sobre a morte, e a velhice é apenas a porta que se abre para a morte. Mas, como podemos conceituar a velhice, se muitos pensadores têm refletido sobre o tema e não conseguem uma definição. Em sua obra clássica, A Velhice, Simone de Beauvoir (1986), busca por essa definição, em diferentes momentos da história da humanidade, e deixa claro que, mesmo sofrendo influências da educação e cultura, todos passam por essa fase, tornando o processo de envelhecimento mais fácil de ser compreendido do que a velhice propriamente dita. Beauvoir (1986), segundo Schwarz (2009, p. 30), constata que “nas sociedades primitivas, alguns tendiam a abandonar seus idosos, em vista de uma organização social precária, enquanto outros, em condições sociais diferentes, os mantinham com respeito e dedicação”. Jung, num de seus últimos livros “Presente e Futuro” publicado em 1957, e denominado por muitos “o testamento de Jung”, segundo Nise da Silveira (1971), ele considera que “O futuro da humanidade, dependerá do número de homens que logrem evoluir plenamente, isto é, individuar-se (SILVEIRA, 1971, p. 176-177)”. Silveira (1971, p. 177), ainda alega que “a primeira metade da vida é um período de progressiva expansão”, onde o jovem deverá renunciar os hábitos da infância, o aconchego do lar e da família, terá que estudar e trabalhar para conquistar um lugar na sociedade. Já, “na segunda metade da vida as tarefas são diferentes”, o período de expansão termina, é hora de juntar o que estava 11 espalhado, colher o que plantou, é tempo de concentração. E continua alertando, quanto aos métodos de educação, ainda tão precários Conforme Silveira (1971, p. 177), Jung (1957), prevê que “veremos homens e mulheres temerosos ante os sinais precursores do envelhecimento procurarem a todo custo transportar para alem dos quarenta anos as mesmas aspirações da fase da juventude”. Silveira (1971, p. 178), retomando as idéias de Jung, questiona: “quem os ajudará na abordagem do difícil problema da transmutação de valores que se apresenta com tanta freqüência no entardecer da vida?”. E responde a questão: “Alguns tomam a defensiva, agarrando-se às posições antigas”, ou seja, vivem do passado. “Outros não conseguem fugir ao sentimento de que muitas coisas, certezas e idéias esvaziaram-se, desgastaram-se”, ou seja, enganam a si mesmos. Mas, interroga Jung (1957): “existirá em alguma parte escolas que preparem os quadragenários para as exigências de sua vida amanhã? (SILVEIRA, 1971, p. 179)”. Aliás, ainda em Silveira (1971, p.179), para os quadragenários, o amanhã, torna-se cada vez mais intenso na proporção em que a média de vida aumenta. Jung pontua que: Mas muito poucos serão capazes de viver horas que não sejam contadas em relógio detendo-se longamente “na consideração de tudo que se passa no próprio íntimo tanto quanto no mundo exterior, conscientes de todas as formas de vida, de todas as suas expressões”. E esta é a atitude que favorece o amadurecimento para a morte.[...] Sendo a vida um processo energético, seu desdobramento é irreversível e tende para uma meta única que é o estado de repouso. Assim, a morte não seria o fim desse desdobramento, mas o seu alvo. “Tão intensamente e incansavelmente como a vida sobe antes de atingir a metade de seu curso, desce ela agora a outra vertente, pois sua meta não está no ápice, mas no vale onde começou a subida”. (1957 JUNG apud SILVEIRA, 1971, p.179-180) Hillmam (2001) chama atenção para o fato de que, ao buscarmos o prolongamento da vida, estamos tentando inevitavelmente afastar o fantasma da morte colocando-o atrás do muro. Para o autor, o tempo não é um inimigo com poder de destruição, ele é variável, ora fortalece, ora debilita, porém, caminha sempre em frente. E, ainda afirma que “para o idoso é como se um pedaço de sua alma estivesse sempre ancorado no passado, e esta precisasse retornar, tentando alternar o fluxo do tempo que é, na verdade, inexorável” (HILLMANN , 2001, apud SCHWARZ, 2009, p. 60). 12 A questão do tempo na velhice é muito importante, e Cícero (1997) nos deixa bem claro que “saber envelhecer” é algo muito próximo de “saber viver”, e que é melhor morrer de velhice, pois quem nos deu a vida irá tirá-la aos poucos e da mesma forma que veio ela irá, então: Se um homem jovem pode morrer a qualquer tempo, então a morte não é um problema da velhice. Não se tem medo da morte se a vida for vivida em plenitude,deforma a deixar boas marcas para o mundo. O corpo morre, mas a alma é imortal. Por isso o homem se preocupa com seus feitos no mundo, para que sua alma permaneça viva na memória das pessoas. De qualquer forma tendo ou não a alma viva após a morte, deixar de existir não é algo ruim se deixarmos boas marcas durante a vida. (CÍCERO, 1997, p. 31) A esse repeito, Hillman nos fala, então, em “durabilidade”: quanto mais uma pessoa “dura”, mais ela quer “perdurar” e esse desejo traz em si o sentido de vencer a morte: “Envelhecer não é um acidente. É algo necessário à condição humana e pretendido pela alma” (2001, p. 11). Schwarz (2009, p. 61), assinala que, o mito da imortalidade é muito importante, e que “se nos tornarmos imortais, nos igualamos a Deus, mas nossa essência é outra: somos mortais e temos os mais diversos limites”. E a autora ainda nos relata que numa carta escrita para o Dr. J. Fierz, em 1956, Jung com 69 anos de idade, comparava nossa vida à subida de uma escada e escreveu Quem sobe uma escada não demora nos degraus nem olha para trás sobre eles, mesmo que a idade convide a demorar ou a retardar o passo. [...] Os últimos degraus são os mais belos e os mais preciosos pois conduzem àquela plenitude para o qual nasceu a essência mais íntima da pessoa.(JUNG, 2002, p. 407, in SCHWARZ, 2009, p.56) 13 CAPÍTULO II O PROCESSO DE ENVELHECER “...cada idade possui as suas verdades, suas experiências, os seus segredos...” Edgar Morin O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno mundial, e uma realidade, que se manifesta claramente no Brasil. A população brasileira encontra-se em franco processo de envelhecimento há cerca de 40 anos. As quedas significativas nas taxas de mortalidade e fecundidade, ocorreram num espaço relativamente curto de tempo, fazendo com que a transição de uma população jovem para uma população envelhecida esteja se dando de forma rápida e explosiva (RAMOS et al.,1987). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu o início da Terceira idade aos 60 anos nos países em desenvolvimento e 65 anos nos países desenvolvidos. De acordo com a OMS e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil até 2025 será o sexto país com maior população idosa do mundo. A geriatra Andrea Prates do Centro Internacional de Informações para o Envelhecimento Saudável (CIES), ressalta que, nas próximas décadas, mais da metade da população de idosos do mundo, estará nos países em desenvolvimento. O envelhecimento dessa população é o reflexo do aumento de uma expectativa de vida, devido ao avanço no campo da saúde e a redução da taxa de natalidade (PRATES, 2009). A idéia do “Brasil como um país jovem sempre esteve presente em nossa mente [...] No entanto, de repente, nos percebemos grisalhos” (LEBRÃO, 2009, p. 23) e portanto, atualmente podemos nos considerar um país de meia idade. As mudanças vão ocorrendo lentamente, influenciadas por diversos fatores, bons e ruins, que nos acompanham durante a existência. Os prazeres da vida, os problemas com a saúde, as dificuldades financeiras, alimentação, diversão, família, estresse, entre outros. 14 A nutricionista Priscila Camarosani Garcia (2009, p. 24), da Clínica de Medicina Geral do Futuro, afirma que, essa é uma fase da vida caracterizada por uma série de modificações fisiológicas, e psicológicas, que podem causar alterações no estado nutricional. Então, cuidar da alimentação, fazer exercícios físicos regularmente e adequar a casa para que se torne segura, são cuidados essenciais para que o idoso possa viver bem e usufruir de todos os benefícios que essa fase oferece. A chamada terceira idade, ou melhor idade, ou idade feliz, faz parte da história das pessoas, todos chegaremos lá. Infelizmente, as atitudes tomadas em relação aos idosos no Brasil são totalmente discriminatórias. Os atributos que fazem parte da velhice são considerados negativos, porque a nossa sociedade valoriza em primeiro lugar, a aparência externa, física e estética. Sabedoria, experiência, qualidades morais, beleza interior, não são valorizadas. Holden (1988) comenta que, se, hoje em dia, os idosos saudáveis já são marginalizados, o que se dirá daqueles que sofrem de alguma doença mental ou física? A crença geral é de que trabalhar com o idoso é desgastante, cansativo, desagradável e deprimente. Diante das dificuldades enfrentadas pelos idosos no processo do envelhecimento, Almeida & Forlenza (1997), apontam que os dois maiores problemas de saúde mental dos idosos, são a demência e a depressão. E segundo os autores, a prevalência da demência, por exemplo, cresce de forma exponencial entre os idosos. Demência, de acordo com os critérios da Classificação Internacional de Doenças (CID), não é uma única doença, é um conjunto de doenças com características comuns, portanto, é uma síndrome, cujo diagnóstico é clínico (0MS, 1993). O Dr. Renato Anguinah (1995), membro do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Divisão de Clínica Neurológica – HCFMUSP, num texto intitulado Revisão Básica sobre Demência, aponta a seguinte definição: “Demência é uma síndrome no qual o paciente apresenta prejuízo de uma ou mais funções cognitivas, incluindo a memória, levando a um declínio funcional que o impeça de exercer normalmente as atividades da vida diária”. Segundo ele, “a doença de Alzheimer (DA), hoje em dia é a forma mais frequente de demência nos países ocidentais, responsável por mais de 50% dos casos”. As alterações 15 comportamentais na demência, podem se manifestar mais frequentemente como depressão. Depressão é uma palavra atualmente utilizada para sentimentos. As pessoas descrevem corriqueiramente o estado em que se encontram, ‘baixo astral’, ‘deprê’, ‘mau humor’, usando o termo depressão como sinônimo de tristeza. A tristeza é uma emoção humana considerada normal em determinadas situações na vida de qualquer pessoa. Na medicina, (STOPPE Jr.; SCALCO; BOTTINO, 2007), médicos assistentes, que compõem o Projeto Terceira Idade (PROTER) grupo de pesquisa na área de saúde mental dos idosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, assinalam que a palavra “depressão” é utilizada para designar uma doença com características clínicas e com tratamentos específicos. Segundo eles, ‘depressão’ enquanto ‘demência’ é uma desordem psiquiátrica, muito mais séria do que se imagina, e necessita da ajuda de um profissional. A Depressão em idosos aumenta o risco de demência. Na atual conjuntura, a prevalência de demência, está crescendo de forma exponencial para os idosos, entre 65 e 80 anos de idade. Para o idoso, a depressão é prejudicial porque deteriora a memória, piora a saúde física e afeta a qualidade de vida. “A depressão no idoso pode indicar um risco aumentado de desenvolvimento de demência quando feita uma comparação em idosos não deprimidos”. Essa afirmação é do Prof. Dr. Paulo Bertolucci (2006), diretor do Núcleo de Envelhecimento Cerebral e chefe do Setor de Neurologia Comportamental da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, que alerta para o tratamento dos sintomas depressivos em pacientes que apresentam demência, principalmente as causadas pela doença de Alzheimer – DA. A esse respeito, Ramos aponta que: A doença de Alzheimer (AD) é um exemplo idiossincrático do atual dilema relacionado à saúde, já que sua incidência está fortemente atrelada à idade, assim aumentando exponencialmente. Sua evolução leva a um declínio drástico da capacidade funcional devido a perdas cognitivas, por um longo período, seguidas de isolamento social, atritos familiares e perda de cidadania. (2009, p. 41) Completa Ramos (2009, p. 40), que a “capacidade funcional é uma medida da funcionalidade global que é por sua vez o resultado da interação de todas as capacidades físicas e mentais desenvolvidas durante o período de vida” 16 Para Caldas (2006, p.18), “a capacidade funcional é o principal indicador da capacidade adaptativa do ser humano. Sua determinação nos informa sobre a idade ou o envelhecimento funcional do indivíduo e isso não depende da idade cronológica”. Ou seja, existem pessoas jovens cronológicamente e bastante envelhecidas funcionalmente, e vice-versa. A idade social do indivíduo é determinada pela sua participação na sociedade, e o envelhecimento social ocorre quando ele deixa de interagir socialmente. Já numa perspectiva social o envelhecimento pode trazer consigo a solidão decorrente da carência de vínculos afetivos e o isolamento pela ausência de contatos e de atividades sociais. Segundo Vieira (2003), Grubba e Silva (2009) complementam que, “as instituições devem estar preparadas para receber esta população que vive o envelhecimento como uma experiência subjetiva e pessoal e como sujeitos que anseiam pertencer a um grupo e lugar que lhes ofereça acolhimento e continência às suas necessidades de saúde”. (GRUBBA & SILVA, 2009, p. 65 ) O idoso ao entrar para uma instituição, pode muitas vezes perder sua identidade e o contato com a realidade, pois ele tem que se adaptar a um outro modo de vida e modificar suas relações interpessoais. Percebe-se em alguns casos, que o abandono a que estão sujeitos podem causar depressão ou outros problemas de saúde, e faz-se necessário a formação de pessoal qualificado para trabalhar com idosos que vivem em comunidades e instituições. Pitta (1996) avaliou que as instituições surgiram e permanecem, no sentido de atender às necessidades da sociedade, que, através de um conjunto de práticas rotineiras, de estrutura física, e utilizando recursos humanos e materiais, organiza o seu funcionamento. Grubba e Silva (2009, p. 66), percebem o cuidar, como uma ação integral, se concretiza por meio de práticas cotidianas, e deve promover o tratar e o respeitar, o acolher e o atender o ser humano em seu sofrimento. Visto por esse ângulo, o cuidar se expressa como uma ação integral que acaba por produzir interações positivas e construtivas entre usuários, profissionais e instituição. (PINHEIRO; GUIZARDI, 2004; SILVA; CIAPONI, 2003) Na área de recursos humanos, os centros de Geriatria e Gerontologia estão sendo criados no Brasil, para atender a necessidade de implantar políticas públicas, 17 capazes de oferecer suporte ao processo de envelhecimento e serviços de proteção à saúde, visando promover uma imagem positiva do envelhecimento, assistindo as pessoas de forma humanizada, produzindo conhecimentos e proporcionando atividades educativas. Para entender melhor os termos Gerontologia e Geriatria, Santos (2003), no seu artigo sobre envelhecimento (UNATi), cita Salgado (1989), alegando que encontrou nesse autor o conceito mais amplo de Gerontologia: ...é o estudo do processo de envelhecimento, com base nos conhecimentos oriundos das ciências biológicas, psicocomportamentais e sociais [...] vêm se fortalecendo dois ramos igualmente importantes : a Geriatria, que trata das doenças do envelhecimento; e a Gerontologia social, voltada aos processos psicossociais manifestados na velhice. Embora não se encontrem definitivamente explorados esses dois setores das pesquisas gerontológicas já apresentaram [...] contribuições para a elucidação da natureza do processo de envelhecimento, e provaram estar em condições de levantar questões sobre os problemas dele decorrentes. (SALGADO, 1989, p. 23 apud SANTOS, 2003, p. 2). Santos (2003), concorda com Papalléo Netto (2002), quando este autor afirma que a gerontologia é uma disciplina científica, multi-interdisciplinar, onde, ela acrescenta, trandisciplinar, “tendo por finalidade o estudo dos idosos, as características da velhice como fase final do ciclo de vida, todo o processo do envelhecimento e seus determinantes biopsicossociais ( SANTOS, 2003, p. 2)”. No Brasil, a Gerontologia nasce do interesse de instituições e de pessoas que gostam de trabalhar com idosos, ou que de alguma forma já trabalhavam no atendimento a idosos. A falta de iniciativa e a carência de estudos científicos e pesquisas sobre a população de idosos crescente no Brasil é preocupante em comparação com outros países. Torna-se necessário importar um modelo produzido nos EUA e na Europa, que incentive a formação de gerontólogos brasileiros no exterior. A partir dos anos 60, a Legião Brasileira de Assistência-LBA, e o Serviço Social do Comércio-SESC, pioneiros em atividades voltadas para os idosos, implantam no Brasil os primeiros trabalhos para idosos não institucionalizados, tendo base na percepção de que a condição marginalizada dos idosos poderia ser revertida com atividades de lazer que contornassem a ausência de papéis e a solidão do idoso na sociedade contemporânea (UNATi, 1999). 18 O Dr. José Carlos Seixas, numa entrevista feita com a Dra. Keinert (2009, p. 21), ambos da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, na qual, ele responde algumas questões sobre as estratégias de promoção à saúde do idoso, e faz alguns comentários sobre sociabilização e mudanças no estilo de vida. Diante de sua participação na experiência com idosos, hà mais de trinta anos ele alerta que “Melhorariam a qualidade de vida dos idosos, especialmente se essas mudanças fossem feitas desde cedo na vida da pessoa, porem não substituiriam os serviços de proteção específica aos mais velhos, como cuidados de recuperação e readaptação (SEIXAS, 2009)”. Como descreve Martins (2002), em sua dissertação de mestrado, os fenômenos do envelhecimento e da velhice, e a determinação de quem seja idoso, muitas vezes, são considerados com referência às restritas modificações que ocorrem no corpo físico. Em seu estudo, a autora obteve dos participantes da pesquisa, uma definição para o velho ( aquele que se sente velho ) e para o idoso (aquele que, mesmo velho, não se sente velho, porque é ativo ), definições estas, que concretizam a ‘velhice’, porque é através do idoso que podemos identificar as características da velhice. Mas é importante perceber que, ao longo dos anos, são processadas mudanças na forma de sentir, pensar, e do agir do ser humano que passa por esses estágios no processo da vida. Santos (2003, p. 5 apud MORIN, 1997, p. 320), chama a atenção para o fato de que o processo de envelhecimento provoca no organismo modificações biológicas, psicológicas e sociais. Essas modificações, ocorrem de modo evidente na velhice, e ao envelhecer, o ser humano precisa adaptar-se a cada nova situação do seu cotidiano. Zimerman acrescenta que: ...além das alterações biológicas visíveis ou não no corpo físico, há também uma série de mudanças do comportamento que se instala no ser humano com o decorrer do envelhecimento [e ressalta também que] tais mudanças estão relacionadas aos órgãos sensoriais, uma vez que dentre os diversos órgãos do corpo humano, os relacionados aos sentidos vão permear a relação do indivíduo com o mundo externo, como, também, vão influenciar no padrão de conduta do idoso (2000, p. 56 ). Tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, as doenças crônicas são significativas, pois causam a incapacidade e reduzem a qualidade de 19 vida dos idosos. Segundo Lebrão (2009), ações de promoção da saúde e mudança de hábitos podem diminuir a consequência dessas doenças. Ramos (1993) ressalta que um idoso com uma ou mais doenças crônicas sob controle, pode ser considerado saudável, se comparado a outro que sofre do mesmo mal sem controle da doença. Ainda afirma que as doenças diagnosticadas num indivíduo idoso, se não forem tratadas e acompanhadas ao longo dos anos, tendem a apresentar complicações que comprometem a sua autonomia e independência. Ramos (2009, p.40), esclarece que, “mesmo o envelhecer sem doença, envolve algum grau de perda funcional, compatível com a fisiologia da senescência, expressa por uma diminuição discretíssima, porém contínua de vigor, força, prontidão, velocidade de reação e outras funções”. E continua explicando que, quando essa perda é exagerada, devido um fator genético ou exposição ambiental, temos o aparecimento de um quadro clínico de doença crônica. No que diz respeito ao idoso, deve ficar claro que o estado de saúde coexiste com uma ou mais doenças crônicas, e que a população idosa costuma ter pelo menos uma dessas doenças que necessita de tratamento medicamentoso. Jacob (2009), afirma quão fácil é perceber que, “à medida em que envelhece, o homem vai acumulando doenças crônicas” que farão parte do seu patrimônio social durante a sua existência, fica evidente que as doenças crônicas causam consequências quando tratadas de forma descontrolada ou descompensada. “Torna-se necessário, portanto que haja a possibilidade de diminuir os efeitos deletérios da doença, para que possa ocorrer para a maioria dos idosos experimentar um envelhecimento saudável” ( JACOB-FILHO, 2009, p. 27). Em seu artigo sobre Gerontologia, Santos (2003), apud Lima (2001), no seu entendimento, a velhice está surgindo com a possibilidade de se pensar uma nova maneira de ser ‘velho’, justificando essa afirmação pelo fato de que os ‘idosos’ estão se organizando em movimentos que avançam politicamente na discussão de seus direitos. A velhice, vista como representação coletiva, esta começando, ainda que de forma tímida, a mostrar outro estilo de vida para os idosos, que, na sua maioria, em vez de ficarem em casa isolados, estão saindo em busca do lazer. Segundo o autor, esse movimento está emergindo com uma força ainda meio desconhecida por aqueles que o estão vivenciando, de modo a tornar visível a possibilidade de modificação da ‘velhice’, tirando os rótulos e contestando os mitos. (UNATi, 2003) 20 CAPÍTULO III ENVELHECER COM SAÚDE “O mundo nos nutre quando sentimos a sua velhice.” James Hilmann Antes de enumerar alguns dos procedimentos atualmente reconhecidos como eficazes para a promoção de um envelhecimento saudável, inicia-se com JacobFilho uma identificação mais objetiva sobre os dois fundamentos dessa intervenção: Envelhecimento é um processo comum praticamente a todos os seres vivos que, no seu transcorrer, provoca modificações de ordem somática e psíquica que determinam alterações da relação do indivíduo com o meio que o cerca. O envelhecimento pode ser entendido como um processo de redução da reserva funcional, sem comprometer, na quase totalidade dos mecanismos, a função necessária para as atividades do cotidiano. Saudável é um atributo de quem tem saúde, termo ainda entendido como ‘ausência de doenças’, se assim fosse, contando com as técnicas diagnósticas atuais e com o aumento da expectativa de vida do ser humano, seríamos todos ‘condenados’ a não ter saúde, portanto seríamos considerados insanos já nas primeiras décadas da vida. (2009, p. 27) Segundo Ingram (2000), um dos efeitos nocivos no processo de envelhecimento do ser humano é a diminuição do nível de atividades físicas. As evidências destacam o impacto positivo da atividade física regular em aspectos cognitivos, na saúde mental e no bem estar geral do indivíduo durante todo o processo de envelhecimento. Para Nahas (2003) a atividade física pode promover o aumento da capacidade muscular, melhora do equilíbrio, flexibilidade, coordenação e velocidade da marcha. As atividades de lazer nas quais prevalecem os movimentos, permitem a exploração de diversas práticas corporais, visando o bem estar físico e o aprimoramento da capacidade funcional. Os passeios e caminhadas são as atividades preferidas das pessoas idosas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1947 definiu que “saúde é um estado de pleno bem estar físico, psíquico e social” (OMS, 1947). Essa definição resume as condições de vida, adequadas ao ser humano, independente da idade, cultura ou perfil sócio-econômico. 21 Muitas são, portanto, as estratégias recomendadas para a Promoção de um Envelhecimento Saudável. Em 1992, a OMS, por intermédio da Organização Panamericana de Saúde recomendou que a “Promoção da Saúde do Idoso seja realizada por ações interdisciplinares” e que “estas ações sejam dirigidas, específicamente, para reduzir, nesta população, o risco de adoecer e de morrer” (OPAS,1992). Torna-se difícil realizar essas intervenções sem a colaboração das diferentes áreas profissionais envolvidas com o envelhecimento, pois seria impossível que um só profissional adquirisse conhecimento e habilidade para atender o idoso de modo correto, o que torna o envelhecimento saudável, um desafio interdisciplinar para os períodos presente e futuro. Jacob-Filho (2009), atenta para o fato de que, se o século XX caracterizou-se pela grande revolução etária da população do mundo, o século XXI será caracterizado pela solução dos problemas que este fenômeno determinou. Para tal, muitas possibilidades de atuação em diferentes fases de desenvolvimento terão de ser rápidamente implementadas. Alem de cursos formais (especialização, mestrado, doutorado), começam a surgir cursos de Gerontologia e Geriatria de curta duração, destinados aos profissionais interessados em trabalhar com idosos. Até recentemente, os principais nomes da Gerontologia no Brasil saiam do SESC, que incentivou a formação de seus profissionais fora do país, ou através de cursos promovidos no Brasil com experts estrangeiros. (UNATi,1999) Políticas nacionais, estaduais e municipais começam a embasar-se cada vez mais no conceito de envelhecimento ativo, o qual considera o idoso um recurso de sua comunidade, um cidadão portador de direitos e deveres. Jacob Filho (1984) supõe que seria impossível um só profissional reunir conhecimento e habilidade para atender adequadamente o idoso, o que torna um desafio interdisciplinar, a promoção do envelhecimento saudável. Na cidade de São Paulo, o Programa Envelhecimento ativo tornou-se Lei (14.905/2009) com o objetivo de, alem de proporcionar assistência integral ao idoso e o incentivo a práticas que melhorem sua qualidade de vida, estimular um modo de vida mais saudável em todas as etapas da vida. 22 Conforme Kalache (2009), a definição da OMS de ‘envelhecimento ativo’ é: o processo de otimizar oportunidade para saúde, participação e segurança de modo a aumentar a qualidade de vida à medida em que envelhecemos. Keinert (1997) aponta que nos anos 90, o surgimento de alguns cursos nas universidades para idosos, demonstram o interesse pela questão da velhice ou envelhecimento ativo e saudável. A importância da educação, não só para os profissionais que cuidarão dos idosos, mas para os idosos e sua família pode ser uma saída para trabalhar melhor os estigmas que o próprio idoso e a sociedade assumem em relação à velhice. Chaimowicz (1998) relata que é imprescindível investir em programas de suporte, orientação e apoio aos idosos e cuidadores, oferecendo serviços como centros-dia e hospitais-dia, alimentação, transporte, assistência médica, e programas culturais. Esse novo modelo de intervenção modifica o sistema tradicional de assistência aos idosos, nos asilos e nas casas geriátricas. A imagem negativa do idoso, pobre, doente, marginalizado pela sociedade, ganha uma nova versão, na qual a velhice é apresentada como uma etapa privilegiada da vida, voltada para a satisfação pessoal e o prazer. Hoje em dia, os principais centros urbanos do país estão investindo numa variedade de programas de lazer e convívio, destinados especialmente aos idosos, como teatro, dança, corais, bailes, passeios, viagens, entre outros tantos, organizados por administrações municipais Verifica-se que há necessidade da população idosa conhecer e vivenciar esses conteúdos, sendo importante a fomentação da participação e a orientação básica que os permita optar pelas alternativas que o lazer pode oferecer. Em Dumazedier (1999), nota-se na presença na terceira idade, um crescente apetite de realizações dentro do lazer, relacionadas a fantasias, curiosidades que não puderam ser plenamente satisfeitas no tempo do trabalho e das responsabilidades da idade madura. Sendo assim, o autor, conceitua o lazer como “um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se [...] após livrar-se ou desembaraçar-se das (DUMAZEDIER, 1973, p. 34). obrigações profissionais, familiares e sociais”. 23 Nesse sentido, Marcellino (1990, p.32), define o lazer como “cultura compreendida no seu sentido mais amplo, vivenciada (praticada ou fruída) no tempo disponível”, sendo que não há contraposição com o trabalho, mas ainda há uma estreita relação com o mesmo e as demais “esferas” da obrigação da vida social, combinando os aspectos tempo e atitude no valor da atuação do tempo cultural. As atividades de cunho intelectual, segundo Melo (1999), são muito procuradas por grupos organizados de idosos, porque após a aposentadoria, eles têm a oportunidade de atender a certos desejos que no decorrer da vida não foram desenvolvidos. A participação em palestras, cursos, leitura de jornais e revistas, atividades lúdicas, a conversação, são vivencias nas quais os idosos buscam pelo prazer. Melo (2003), conceitua o lazer como um campo multidisciplinar no qual, devem ser encaminhadas atividades que estejam ligadas aos mais diversos campos possíveis, às mais diversas “linguagens”. E acrescenta que “existem tendências ou correntes que incluem várias explicações, e sobre o Lazer e a Educação percebe-se um elo, na medida que o profissional promove um tipo de intervenção pedagógica peculiar ao se comparar a outras formas de educar” (MELO, 2003, p.52). Portanto, faz-se necessário a compreensão de que o lazer, a cultura, a educação, é um direito de todos, e nesse contexto, nota-se a importância do acesso dos idosos a essa prática social que influencia o desenvolvimento dos indivíduos, trazendo benefício aos três níveis de envelhecimento: biológico, psicológico e pessoal. Segundo Marcellino, “a vivência desses conteúdos no tempo disponível, possibilita a exercitação do corpo, da imaginação, do raciocínio, da habilidade manual e estimula o relacionamento social” (1996, p. 19). Segundo Zimermam (2000), o indivíduo é um ser ‘gregário’ e, durante seu desenvolvimento, passa por diferentes grupos, tais como: família, escola e trabalho. O idoso no decorrer da sua vida, já transitou por todos esses grupos, e tem por necessidade se filiar a um grupo de pessoas iguais a ele. A utilização do processo de grupo, possibilita sua extensão individual como membro operante deste, e pela formação de um vínculo, tendo apoio dos elementos do grupo, o indivíduo se sente seguro e, esta é uma condição relevante aos componentes de um grupo, para que se desenvolvam livres e sadios. É por meio das experiências, das interações e das oportunidades de vivências em grupo, que surgirão mudanças no comportamento, e reconhecimento de normas e valores. 24 Amado (2004), especialista em psicologia analítica, em seu entendimento sobre o trabalho grupal, considera que, esse tipo de intervenção pode ser de grande valia para o idoso, possibilitando que eles interajam de forma menos egoísta e defensiva como geralmente acontece. E, que só o fato de eles se sentirem compreendidos um pelo outro, compartilhando a mesma linguagem, facilitando o processo de comunicação, contribui também para o desenvolvimento da socialização. Considerando a ‘reforma do pensamento’, proposta por Morin (1999), não é qualquer educação direcionada aos idosos que vai trazer a transformação necessária para que o idoso e a sociedade mudem de atitude, e sim uma educação transformadora, que reforme o pensamento dos idosos, fazendo com que percam seus medos e enfrentem o envelhecimento de forma diferente das que foram programadas e estigmatizadas. Hoje vivemos muito mais do que no passado. O período da maturidade aumentou. Por isso é preciso manter a saúde física, intelectual e emocional para se viver esse tempo plenamente. É necessário buscar condições para se envelhecer com bem estar, porque não basta viver mais, tem que se viver melhor. (VERAS, 2007) 25 CAPÍTULO IV ENVELHECER COM ARTE “A arte deve revelar e tornar visível o invisível” Paul Klee Desde o início da história da humanidade, a arte sempre foi presente em todas as manifestações culturais. A arte é tão antiga quanto o homem, e permite a ele o conhecimento e a transformação do mundo em que vive. O homem não pode ver nada, perceber formas ou aspectos de coisas desconhecidas, sem imediatamente pensar em dar-lhes um sentido qualquer. Conforme Pedrosa (1979), nisso reside a essência do pensamento mágico, que enxerga sentido ou vontade de ação em todos os fenômenos exteriores e acontecimentos da natureza (PEDROSA, 1979, p.115). Segundo Fischer (1959, p. 22), “o ser pré-histórico, desenvolveu-se e tornouse humano, porque possuía a mão, um órgão especial com a qual podia segurar e modificar objetos”. Pedrosa complementa Desse modo, como se estivessem na ponta dos dedos, surgem, simultânea e sucessivamente as idéias e imagens. Assim, a criança, o primitivo, o ingênuo, o alienado e o artista, fatalmente serão conduzidos, conscientes, a completar, corrigir, equilibrar, por intuição o que a mão impulsionada por mero desejo inconsciente de afirmação foi traçando numa superfície que desliza. (1979, p. 1150 Em Bosi (1986, p. 14), o conceito de arte como produção de um ser que se acrescenta aos fenômenos da natureza, viveu fortes experiências na cultura ocidental e tomou feições radicais na poética do ‘Barroco’, quando “se deu ênfase à artificialidade da arte, ou seja, à distinção nítida entre o que é dado por Deus aos homens e o que estes forjam com seu talento”. Para Leon Tolstoi (1994), a arte inicia-se quando o homem desperta seus sentimentos latentes, já experimentados anteriormente na realidade, ou na imaginação, e condiz que, “a arte é a atividade humana em que um homem, conscientemente, através de certos signos exteriores, comunica a outras pessoas 26 sentimentos que ele vivenciou de modo a contaminá-las e fazê-las vivenciar os mesmos sentimentos ( TOLSTÓI, 1994, p. 51) A arte é necessária, não somente para cobrir um aspecto importante da cultura do indivíduo, como é indispensável para entender a fusão deste indivíduo com tudo o que lhe cerca. Ma Bou (1989) alega que arte está ligada à sociedade, sendo um meio de expressão e interpretação, e que a arte não é só pintura, escultura, arquitetura, e sim o reflexo das culturas, da sua própria cultura e das que a precederam: “Indiscutivelmente o conceito de arte é enorme e se amplia, posto que tudo, absolutamente se transforma em arte” (1989, p. 07). Segundo Fischer, a função da arte numa sociedade onde coexiste o preconceito entre classes, atua como um, ...substituto da vida, um meio de colocar o homem em estado de equilíbrio com o mundo que o rodeia e, eis uma idéia que contem em si o reconhecimento parcial da natureza da arte e da sua necessidade, e ‘já que não se pode esperar um permanente equilíbrio entre o homem e o mundo que o cerca, mesmo na sociedade mais desenvolvida, a idéia sugere também que a arte não só foi necessária no passado como o continuará a ser sempre’. (1979, p. 9) Buoro alega que “a arte, enquanto linguagem, interpretação, e representação do mundo, é parte desse movimento. Enquanto forma privilegiada nos processos de representação humana é instrumento essencial para o desenvolvimento da consciência, pois propicia ao homem contato consigo mesmo e com o universo” (1996, p. 20). O indivíduo, ao se expressar, registra sua marca pessoal, seu estilo de vida, demarcando o seu espaço no mundo, vivenciando-o através dos sentimentos, compreendendo aspectos internos, e externos das emoções. Como meio de comunicação, a arte possui recursos e técnicas que se fazem presentes em todas as manifestações culturais humanas. Ostrower (1983, p. 03), entende a arte como sendo o melhor caminho para o conhecimento, levando a um só tempo, a conscientização do indivíduo, que, ao realizar suas potencialidades, alcança sua individualidade, e ainda, de modo mais abrangente, é um caminho de crescente humanização da vida, partindo do reconhecimento de que potencialidades criativas existem em todos os seres, embora 27 em graus diferentes e nas mais diversas áreas. Dentro da mesma visão, ela entende a realização dessas potencialidades como uma necessidade de vida. Diante de tantos caminhos percorridos pela arte, Rosa alerta que através da arte “devemos buscar os meios que venham desenvolver no homem o sentimento, a sensibilidade, a percepção, o tato e a intuição, relacionando-o com o seu mundo exterior, ajustando-o ao seu mundo interior”. (1995, p.318) Sabendo-se que a arte, além de seu forte papel social, possui também uma função terapêutica que, segundo Andrade, “permite ao homem expressar e ao mesmo tempo perceber os significados atribuídos à sua vida, na sua eterna busca de tênue equilíbrio circundante” propõe-se demonstrar que essa função pode ser explorada na terapia com idosos. (1993, p. 03) A arte como terapia, possibilita atividades que visam à interação entre arte e cognição, nos leva ao autoconhecimento, a expressão de nossos sentimentos e a formação da nossa consciência, e através dela o ser encontra sentido para viver mobilizando a construção pessoal tendo a aprendizagem como resultado desse processo. Eliezer (1992) acredita que toda e qualquer atividade, material, cor, forma, som, movimento, tem a possibilidade de atuar no sujeito. Os fios (lãs, barbantes, linhas), utilizados na costura, no bordado, tricô, crochê e na tecelagem, permitem um maior fortalecimento na concentração e na reeducação do pensamento. Um rolo de barbante, por exemplo, pode permitir a percepção e integração de noções de especificidade. As cores, quando utilizadas com harmonia permitem a expressão afetiva e emocional. A modelagem em argila permite a estimulação tátil, o trabalho muscular, a estrutura corporal, assim como a noção de planejamento. A técnica do desenho tem, na terapia pela arte, o papel de desenvolver a esfera cognitiva, além da capacidade de abstração. A dança, com excelência na projeção das imagens internas, permite a exploração e o uso do corpo no espaço, utilizando a imagem sonora, o som, que o faz entrar em contato com o seu ‘eu’ mais profundo que sentindo a melodia entra no ritmo, equilibrando e harmonizando o ‘ser’. Compreende-se então, que a utilização da arte no processo terapêutico propicia a identificação de imagens na música, na escrita, e nas mais diversas formas de representação artística, onde o ser humano pode ‘representar’ seus pensamentos, sentimentos e emoções naquele momento de sua vida. 28 Para Fabietti (2004), a arte como recurso terapêutico é uma atividade na qual se usam técnicas artísticas expressivas. Neste sentido, a arte como terapia, não requer uma preocupação estética, o “fazer bonito”, o que realmente importa na arteterapia é ressaltar o significado do que se faz e não para quem se faz, tendo como objetivo possibilitar e facilitar a comunicação, a expressão verdadeira de sua compreensão acerca do real. Dessa forma, Guedes pontua que, “aquele que tem acesso ao fazer artístico, está tendo a oportunidade de desenvolver ou de conferir habilidades, as quais revelam estrutura intelectiva ou cognitiva de quem a realiza, também como de seus valores, ideais e sentimentos. Utilizando a arte em sua vida, o ser humano tem uma razão de ser. (2007, p. 43) Azambuja reconhece que, Quando existem no indivíduo determinados potenciais latentes, há motivações constantes para exercê-los, já que se manifestam através de necessidades interiores por uma vida mais plena e significativa Ao utilizar as suas potencialidades, seja no trabalho ou em diversas circunstâncias e fazeres, o homem configura sua vida e lhe dá um sentido. Quando a pressão por ausência de perspectivas se torna muito forte, há um enrijecimento dos processos de criação caracterizados pela repetição dos padrões antigos e dificuldades para mudanças. Conformismo e falta de flexibilidade são sintomas que podem ter se originado em impulsos inovadores reprimidos na história de cada um. Esses problemas tendem a se agravar na velhice, por falta de estímulos e oportunidades. Torna-se então necessário mobilizar os processos criativos, na tentativa de amenizar e mesmo anular possíveis sentimentos de estagnação ou conformismo na terceira idade, trazendo à vida novas expectativas e possibilidades (2005, p. 3) Refletir sobre a função da imaginação criadora, em Buoro (1996), é o que leva o homem a captar uma das funções centrais das produções da arte e da ciência, remetendo-o a importantes questões dos processos mentais humanos, que provocam ação e o colocam em contato direto com o mundo, na busca da compreensão de como os processos criativos transformam a humanidade. No entendimento de Ostrower : Ao criar, o artista não precisa teorizar a respeito de suas vivências, traduzir os pensamentos e as emoções em palavras. Ele tem mesmo que viver a experiência e incorporá-la em seu ser sensível, conhecê-la por dentro. Daí, espontaneamente, lhe virá a capacidade de chegar a uma síntese de sentimentos, naquilo que a experiência contem de mais pessoal e universal, e de transpor esta síntese para uma síntese de linguagem, adequando as formas ao conteúdo. (1995, p. 17) 29 Se arte é criação, então, segundo Azambuja (2005), criar é dar forma a algo novo e não se refere somente à produção artística, mas também como um agir integrado ao viver, e, se o homem cria, não é apenas porque quer ou gosta, e sim, porque precisa. A criatividade humana envolve a capacidade de inovar respostas frente a desafios, quer seja no cotidiano com novas ideias e ações, ou em produções nas artes, ciências e tecnologias diversas. O ato criador não se faz a partir do nada, ele relaciona pensamentos, fatos, estruturas de percepção e contextos associativos já existentes, mas até então separados, para que juntos estabeleçam a resposta inovadora. Azambuja (2005), nos mostra que o fazer artístico, não é somente uma forma de relaxamento e lazer, nem uma substituição da realidade, é sim, uma ampliação de nossa vitalidade interna. “A capacidade de renovação e de mudança, inerentes à criatividade humana, necessita de condições reais para seu exercício e concretização. Criar significa uma intensificação de vida. (AZAMBUJA, 2005, p. 2)”. Pode-se perceber que, ...a arte proporciona uma melhora na compreensão do idoso consigo mesmo, acelera um processo que poderá configurar-se como terapêutico, isto porque na arte, a verbalização deve ser manipulada e restrita, ou seja, o ser humano não fala, se expressa. A arte trabalha o ser de forma completa, onde cada indivíduo busca os meios que se adaptam melhor à sua situação.(GUEDES, 2007, p. 44) Eliezer (1992), assinala alguns benefícios concedidos ao paciente na terapia através da arte, tais como, a melhora na comunicação consigo mesmo e com os outros, tornar-se mais independente, e mais ativo pelo processo de criar, diminuição do tempo da terapia, pois a atividade reduz o valor da transferência, favorecendo a busca da harmonia e do equilíbrio, o aumento da espontaneidade e da criatividade é positivamente orientado, facilitando o diagnóstico para os profissionais de saúde. A autora acrescenta que “a terapia pela arte não necessáriamente se fixa nos limites clássicos da psicoterapia através da linguagem artística. Na Fonoaudiologia, Fisioterapia, Enfermagem, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, a arte também é utilizada, sendo aí, Terapia pela Arte.” (1992, p. 88) 30 A Associação Americana de Arteterapia (AATA), aprovou algumas definições sobre arteterapia, sendo que a mais recente delas foi aprovada em março de 2003 e diz: ...a arteterapia esta apoiada na crença de que o processo criativo envolvido no fazer é curativo, aumentando a qualidade de vida. Criar arte e comunicála é um processo que, quando realizado junto a um arteterapeuta, permite a qualquer pessoa uma ampliação de sua consciência. E assim ela enfrenta seus sintomas, seu estresse e suas experiências traumáticas com habilidades cognitivas reforçadas, para então desfrutar os prazeres da vida que se confirmam artística e criativamente. (AATA, 2003). Partindo-se dos esclarecimentos sobre as raízes da arteterapia, em 2007, no Caderno de Resumos do I Forum Paulista de Arteterapia - Relembrar é preciso...criar é continente – diante dos Conceitos e Fundamentos da Arteterapia, registra-se aqui a definição de arteterapia, na opinião de alguns dos palestrantes. Históricamente falando, a arte como terapia surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, devido o grande número de pessoas enfermas, mutiladas, pela guerra, totalmente traumatizadas. E por não conseguirem se expressar verbalmente, a lida com esses pacientes tornava-se quase impossível. Fez-se necessário que médicos e enfermeiras, com a ajuda de outros profissionais, desenvolvessem atividades que pudessem libertar essas pessoas do trauma que viviam, daí, surge a arte como terapia, pois através do desenho, da pintura, da modelagem, entre outras atividades, notava-se uma melhora interna e externa no desenvolvimento pessoal de cada um. Nazareth (2007, p. 33) reafirma que a arteterapia, nos moldes em que a conhecemos atualmente, tem uma história bastante recente, e após a II Guerra Mundial a arteterapia surge como “uma expressão híbrida para designar um campo de conhecimento híbrido”. Segundo a autora, a arteterapia associa o uso de recursos artísticos, plásticos, ao conhecimento psicológico para fins terapêuticos. Para ela, a arteterapia pode ser considerada como instrumento de transformação. Sabe-se que em 1923, no Brasil, o Dr Osório Cezar, psiquiatra e psicanalista, realizou diversos trabalhos utilizando a arte como terapia, no tratamento de doentes mentais do Hospital Psiquiátrico Juqueri. Essas práticas terapêuticas consistiam-se em técnicas de expressão, fazendo uso de diversos materiais artísticos. Foram desenvolvidos vários trabalhos arteterapêuticos, tanto nas artes plásticas, como na música e na escrita. 31 Segundo Ferraz (1989) formou-se até um conjunto musical, com pacientes que já tinham algum conhecimento na área e que tocavam em festas comemorativas. Com o desenvolvimento desse trabalho, verificou-se que os pacientes apresentavam melhora em suas condições psicológicas. Osório Cezar criou a Escola Livre de Artes Plásticas do Juqueri em São Paulo. Em 1946, no Rio de Janeiro, a psiquiatra Dra. Nise da Silveira, vivenciou com os internos do Hospital Psiquiátrico Pedro II, experiências criadas em atelierarteterapêutico, onde foram desenvolvidos uma série de trabalhos artísticos, e, pode-se observar nas produções desses internos, a manifestação de imagens simbólicas, as quais ela procurou suporte na teoria junguiana para compreendê-las. Dois anos depois, segundo Fortuna (1999), em 1948, a Dra. Nise da Silveira, iniciou novos experimentos, com os métodos desenvolvidos anteriormente, e constatou que a comunicação não verbal tinha mais probabilbidade de êxito na fase inicial do tratamento com indivíduos esquizofrênicos, do que a comunicação verbal, além de darem maior oportunidade de expressão aos que tinham dificuldade com a fala. Verificou-se novamente que as atividades com arte, auxiliavam na “reorganização das realidades psíquicas dos indivíduos”. (FORTUNA, 1999). O Museu do Inconsciente foi criado por Nise da Silveira, em 1952, é considerado um importante acervo em obras de arte, realizadas por doentes mentais, em atelier terapêutico, trabalho este, desenvolvido pela terapia ocupacional. Steinberg (2007, p.44), sente que a arteterapia com pessoas em sofrimento mental, envolve em primeiro lugar uma empatia, um encontro, sendo que muitas vezes esse encontro é verdadeiramente dialógico entre paciente e terapeuta. Procura-se ampliar o repertório de seus conhecimentos de forma que possa expandir seu mundo de imagens, ampliando assim a própria vida. Karen Ferri (2007, p.10), entende por arteterapia, um saber constituído de uma metodologia própria, e não de simples função entre Arte e outras áreas como por exemplo, psicologia, medicina,educação, etc. Segundo a autora, no decorrer da história, considera-se que o frequente diálogo entre artes com tantas outras áreas, contribuíram para o surgimento da arteterapia enquanto disciplina e metodologia específicas, dotada de um saber próprio. No entendimento de Sei (2007, p.25), a arteterapia configura-se como uma estratégia terapêutica que prima pelo uso de diferentes modalidades de expressão 32 advindas principalmente do campo das artes visuais, de maneira a facilitar a comunicação dos indivíduos que dela participam. A autora argumenta que através da linguagem artística, tem-se um acesso mais fácil a conteúdos internos, difíceis de serem verbalizados. Além disso, acredita-se que a arte estímula a criatividade e desperta recursos adormecidos gerando um aproveitamento maior de potenciais estagnados. Em Francisquetti (2007, p.35), as necessidades humanas, no contexto hospitalar, tornam-se muito claras e afirma que “o hopital como espaço terapêutico é uma prática que se consolidou a partir do século XVIII”. Alega também que está acontecendo um aumento da demanda de idosos no setor de arte-reabilitação, e que, muitas vezes esses pacientes apresentam desorientação, não aceitando o tratamento e problemas de adaptação diante da sua nova realidade. Norgren (2007, p.38), nos fala acerca da psicoterapia e dos recursos da arte nesse contexto – artepsicoterapia - que possibilita o cliente entrar em contato consigo mesmo, buscando conhecer a si próprio, seu jeito, suas características, sabendo-se que a arte possibilita relaxar as defesas, errar, experimentar, sentir, brincar, deixar transparecer o lado criança da nossa personalidade - a nossa essência. Segundo ela, esse trabalho possibilita a autonomia, a ação independente através da expressão dos sentimentos, refletir sobre o que se fez e assim ter responsabilidades sobre seus atos. Na visão de Fabietti (2007, p.29), “ A arteterapia é a janela de esperança que se abre para um horizonte luminoso”. Segundo a autora, muitos pensam que trabalhar com idoso é ‘gostoso’ e ‘fácil’, mas, enganam-se, pois ao depararmos com suas dificuldades nos assustamos. Como arteterapeutas devemos estar sempre informados e prepararados para proporcionar-lhes as melhores condições possíveis de um ‘fazer’ digno e prazeroso. O atelier terapêutico é o lugar onde facilitador e paciente percorrem juntos o mesmo caminho. Segundo a autora, com a arteterapia se estabelece um sentido novo de vida, novos propósitos e objetivos são reinventados. Segundo Ciornai, arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em contexto terapêutico. Essa é uma definição ampla, pois pressupõe que o processo do fazer artístico tem o potencial de cura quando o cliente é acompanhado pelo arteterapeuta experiente, que com ele constrói uma relação que facilita a ampliação da consciência e do auto-conhecimento, possibilitando mudanças. (CIORNAI, 2004, p. 7). 33 Nise da Silveira, afirma que “ As atividades expressivas são aquelas que melhor permitem a espontânea expressão das emoções, que dão mais larga oportunidade para os afetos tomarem forma e se manifestarem, seja na linguagem dos movimentos, dos sons, das formas e das cores” (1994, p. 13) Schwarz (2009, p. 43), nos fala que Jung (1984), ao se referir às dificuldades sentidas na fase de transição entre a meia-idade e a velhice, as considera como profundas e altamente significativas, comparando-as ao curso diário do sol. Suponhamos um sol dotado de sentimentos humanos e de uma consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol se eleva do mar noturno do inconsciente e olha para a vastidão do mundo colorido que se torna tanto mais amplo, quanto mais alto ele ascende no firmamento. O Sol descobrirá sua significação nessa extensão cada vez maior de ser campo de ação produzida pela ascenção e se dará conta de que seu objetivo supremo está em alcançar a maior altura possível e, consequentemente, a mais ampla disseminação possível de suas bênçãos sobre a terra. Apoiado nessa convicção, ele se encaminha para o zênite imprevisto – imprevisto porque sua existência individual e única é incapaz de prever o seu ponto culminante. Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã. O Sol torna-se então contraditório consigo mesmo. É como se recolhesse dentro de si mesmo seus próprios raios, em vez de emiti-los. A luz e o calor diminuem e por fim se extinguem ( JUNG,1984a, p.778 ). 34 CAPÍTULO V METODOLOGIA “O desenho é apenas a configuração daquilo que você vê.” Paul Cézanne Este trabalho constituiu-se numa pesquisa de métodos qualitativos, caracterizada por um estudo fenomenológico com fundamentação teórica, que teve por objetivo investigar a utilização da arte como recurso terapêutico e sua influência no processo do envelhecimento. Os sujeitos pesquisados, durante todo o processo arteterapêutico, foram observados quanto ao comportamento, emoção, sensação, além de outros aspectos que podem influenciar na compreensão do tema objeto da pesquisa. A seguinte pesquisa foi realizada em duas etapas, relacionadas a seguir: 1ª Etapa: Hospital Dia Geriátrico Foram realizadas oficinas de arteterapia no projeto “Estimulação Cognitiva e Funcional para Idosos” do Hospital Dia Geriátrico, no Centro de Reabilitação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (Ipq-HC), onde foram analisados os efeitos da utilização da arteterapia, em idosos portadores da doença de Alzheimer, com transtornos cognitivos leves e moderados. Os encontros aconteciam semanalmente, e as atividades eram realizadas, numa sala ampla, com mesas e cadeiras bem distribuídas para todos os participantes, somando um total de 20 pessoas, divididas em dois grupos mistos, os quais, eram atendidos em turnos de uma hora e meia cada grupo, ou seja, a primeira turma era atendida das 9:00h às 10:30h, e a segunda turma, das 10:30h às 12:00h. Foram utilizados materiais e técnicas diversificadas, como recorte/colagem, montagens tridimensionais com papelão ondulado, modelagem em argila, pintura com guache e pintura em tela com tinta acrílica. A partir do início do processo terapêutico, foi sugerido aos componentes do grupo, homens e mulheres, que trabalhassem as propostas, de forma livre e pessoal, de acordo com o seu dia-a-dia. 35 Fazia parte do projeto, que ao final de cada encontro fossem fotografados os trabalhos e, feitos relatórios sobre o comportamento dos grupos, cujos dados com base nas descrições dos relatos dos idosos eram analisados pela arteterapeuta, para serem discutidos posteriormente, com coordenadora do grupo Arteterapia do Proter – Projeto Terceira Idade do IPqHC. A arteterapia aplicada no contexto hospitalar focaliza a utilização de técnicas artísticas dentro do processo psicoterápico, que segundo Norgren (2007), possibilita ao cliente entrar em contato consigo próprio, buscando conhecer a si mesmo, suas características, suas necessidades, suas dificuldades e também suas possibilidades. No primeiro encontro utilizou-se a técnica de recorte/colagem, foram oferecidas revistas ao grupo para que cada um recortasse figuras sobre coisas que gostassem ou que os fizessem lembrar algo em sua vida que valesse a pena recordar. Alguns ficaram à vontade, tranquilos enquanto recortavam as figuras preferidas, enquanto outros, diante de tantas figuras, pareciam não encontrar o que procuravam. Um dos pacientes, Sr. Y se mostrava muito ansioso, demorou muito, mas encontrou duas paisagens, que segundo ele, trazia muitas recordações dos filhos quando crianças, dizendo que há muito tempo não viajava com eles, e a figura de uma menina que dizia ser parecida com sua neta. Figura 1- Colagem. 36 No segundo encontro a proposta era continuar com a mesma técnica mas com alguns materiais diferentes, como barbantes coloridos, linhas, lãs, botões, etc. para que eles emoldurassem as figuras escolhidas como um porta-retrato. Observou-se neste trabalho, que o uso de fios (lãs, linhas, barbantes ) agradavam a uns e a outros não, porque com o uso da cola, os fios grudavam nos dedos e isso os incomodava bastante, principalmente os homens que não estão acostumados a esse tipo de trabalho. O senhor W comentou com ar brincalhão que isso era para mulheres e na sua colagem, ele escreveu sob as figuras, aliás, muito bem escolhidas, uma frase bem criativa. Figura 2- Colagem. No terceiro encontro utilizou-se a técnica tridimensional, onde foram distribuídos pedaços de papelão, micro ondulado, papel cartão, palitos, para que construíssem alguma obra arquitetônica, ou fizessem uma escultura. Pode-se notar que com esse material, diferente, os homens trabalhavam com mais entusiasmo, e fizeram esculturas interessantes, inclusive o Sr Y, confeccionou um catavento com uma engrenagem no centro, que o fazia girar manualmente e ficou muito feliz com o resultado, dizendo que ia dar de presente para sua neta brincar. 37 Figura 3: Catavento Já, as mulheres mais caprichosas, deram um toque feminino nas suas construções. A senhora Z construiu uma casinha de cachorro e colocou até um ossinho lá dentro, e a senhora X enfeitou sua escultura com lacinhos. Os trabalhos ficaram lindos. Figura 3- Casinha de cachorro. Figura 4 – Escultura em papelão. 38 No quarto encontro trabalhou-se com a argila e pode-se perceber que o contato direto com o barro nas mão, oferece emoções diversas em quem o manipula, desde o prazer, ao nojo, para quem não gosta de sujar as mãos. Nesse encontro, uma das senhoras que demonstrava sempre insatisfação diante de que fazia, ficou tão entretida manuseando a argila, e vendo as formas diferentes que iam surgindo das suas mãos, sua alegria era contagiante, e a partir desse dia, ela mostrou-se mais interessada e participativa, embora, preferisse continuar amassando o barro. Já, a senhora M que não queria sujar as mãos, confeccionou flores e folhas de papel crepom, as quais, foram utilizadas para adornar o trabalho da senhora N, que ficou ainda mais entusiasmada com o efeito colorido dando vida às suas peças. Figura 5 – Trabalhos de argila Figura 6 – Trabalhos de argila Segundo Chiesa (2004), o contato direto com o barro promove várias sensações, e na medida em que a pessoa vai manipulando a massa, algo acontece com a sua energia, deixando-a mais relaxada ou mais excitada. E, ao entrar em contato com o barro, pode ocasionar uma transformação, não superficial, mas intensa e profunda, que vem de dentro pra fora do ser. No quinto encontro, foram oferecidos, lápis de cor, lápis aquarela, giz de cera e carvão, para que eles desenhassem livremente sobre o papel, o que lhes viesse à 39 mente. Esse exercício, geralmente, faz com que as pessoas, de início, sintam-se inaptas para desenhar, dizendo o tempo todo que, não sabem desenhar, não vão conseguir, e assim por diante. Daí, o arteterapeuta sugere que façam um desenho qualquer, de algo que se recordem na infância, e eles começam a se desinibir e surgem desenhos das brincadeiras que faziam quando crianças. As mulheres desenharam casinhas, flores, bonecas, etc. e os homens, desenharam carrinhos, aviões, pipas, bolas, etc. Um dos idosos, o senhor K, que insistia dizendo que não sabia desenhar, acabou desenhando uma bandeira com aquarela, e ainda, utilizando um pedaço de papelão, fez um carimbinho e com ele carimbou várias bandeirinhas sobre o papel. O trabalho ficou muito interessante. Figura 7 – Bandeira Figura 8 – Bandeirinhas (carimbo) Norgren (2007) pondera que a arte possibilita relaxar as defesas, errar, experimentar, sentir, brincar, deixar transparecer o lado criança da nossa personalidade – “a nossa essência”. E cita May (1975) quando nos diz: “Faz-se brincando o que é preciso aprender a fazer na vida – ter a coragem necessária para ser e vir a ser”. No encontro seguinte, propôs-se ao grupo o uso de pincéis e tinta guache, sobre o papel canson. Como pintar não faz parte do cotidiano da maioria dos idosos, e por alguns terem dificuldade no manuseio dos pincéis, esse tipo de exercício repetiu-se em mais dois encontros, para que eles se familiarizassem as tintas e os pincéis e treinassem a coordenação motora. A pintura abaixo é da senhora N, que já sabia pintar e era o que ela mais gostava de fazer, ficava absorta no seu cantinho. 40 Figura 9 - Paisagem Nos encontros que sucederam, iniciou-se a pintura em tela, com tinta acrílica, o trabalho tão esperado pela maioria, principalmente das mulheres. Foram apresentadas aos grupos, várias imagens, de flores, paisagens, objetos, alem de imagens abstratas, cubistas, contemporâneas, enfim, de vários artistas conceituados, nacionais e estrangeiros, de modo que cada um escolhesse a que mais lhe inspirasse e que estivesse de acordo com a sua aptidão. Começaram com telas pequenas e a cada dois encontros o tamanho da tela aumentava, até chegar na medida de 40x60, na qual foi feita a ultima pintura desse grupo, da oficina arteterapêutica, e realizou-se uma exposição no local, para que grupos de outras oficinas pudessem participar e prestigiar. Figura 10 – Pintura em tela com acrílica Figura 11 - Paisagem 41 Durante todo o processo , dentro das oficinas de arteterapia, enquanto trabalhavam, sempre com uma música suave ao fundo, os idosos eram observados em suas reflexões, emoções, sensações, e no final, percebeu-se que eles mostravam entusiasmo e alegria ao comentar com os colegas do grupo de arteterapia, e dos outros grupos, as experiências vividas durante todo o processo arteterapêutico. 2ª Etapa: Lar de Idosos As atividades realizadas com idosos abrigados numa pequena cidade do interior paulista ocorreu no período de 03/04/09 a 06/08/09, em encontros semanais, com duração de duas horas, sendo que alguns encontros, estendiam-se até três horas, dependendo do dia e da atividade. Segundo Watanabe e Giovanni (2009, p. 69), Abrigos de Idosos, compreendem os Asilos, Casas para velhice com alojamento, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), destinados à assistência social para idosos, em regime de internato, isto, quando o tratamento médico não constitui elemento central desse atendimento. Esses abrigos, surgiram, fundamentados na caridade e no atendimento básico às necessidades da vida, como ter onde se alimentar, se banhar e dormir. Realizou-se este trabalho, com a finalidade de comprovar a contribuição da arteterapia no processo de valorização do potencial criativo do idoso asilado, na reconciliação de seus problemas emocionais e na reconstrução de sua autoestima. Foram levantados alguns aspectos da instituição e um pouco da vida desses idosos, com relatos dos momentos trabalhados junto a eles. Apresenta-se, algumas amostras de atividades realizadas. O bairro onde se situa o abrigo fica no centro da cidade. O terreno ocupa aproximadamente a área de um quarteirão bem grande, é uma construção antiga, porem muito bem conservada, e os alojamentos ocupados pelos idosos são bem distribuídos, cada um tem o seu quartinho e suas coisinhas pessoais bem organizadas. Vivem no local, trinta idosos, entre homens e mulheres, com mais de sessenta anos de idade. O espaço de lazer é muito grande, arborizado, com bancos espalhados pelo jardim, tem até um laguinho com patos, uma tartaruga, e um canil 42 para a labradora Mel. O pomar com bananeiras, árvores frutíferas, e a horta com verduras e legumes, são muito bem cuidados por dois idosos, moradores do abrigo. Na área social, salas de TV, salão de festas, enfermaria, lavanderia, cozinha, um amplo refeitório, sala de costura, e outras salas mais onde são feitos diversos tipos de trabalho, para serem vendidos no bazar. Enfim, é um lugar muito bom para se viver essa fase da vida...até uma capelinha tem lá. Figura 12 – Lar São Vicente de Paulo O primeiro encontro, deu-se em uma sala espaçosa, cuidadosamente preparada para os trabalhos com arte, onde havia uma mesa bem grande, com diversas cadeiras, uma estante com uma pilha de revistas, e diversos materiais artísticos. Compareceram a esse encontro apenas seis pessoas, dois homens e quatro mulheres. Pode-se perceber que alguns idosos, não caminham sozinhos, e precisariam da ajuda de uma cuidadora, que os levasse até a sala, outros alheios ao que estava acontecendo, não participaram das atividades e uns, que foram até o local, deram uma olhadinha e foram embora sem falar nada, talvez por inibição ou falta de interesse. Muitas vezes as dificuldades físicas impedem as pessoas de participarem mais ativamente das atividades. Segundo Terra (2002), o envelhecimento leva à perda do condicionamento físico, ocasionando uma fragilidade muscular, o que faz aumentar a dependência. 43 Propôs-se nesse dia, um trabalho com recorte e colagem, já que na referida sala havia muitas revistas. Foi pedido que recortassem algumas figuras mostrando ‘do que eu gosto’ e ‘do que eu não gosto’, utilizando somente as mãos, para ativar a coordenação motora. Alguns não se importaram de cortar as figuras com as mãos, outros queriam a tesoura, e um deles só folheava as revistas, porém, os trabalhos ficaram bem interessantes. Figura 13 – Recorte e Colagem Verifica-se nesse tipo de trabalho, que os participantes ficam tão compenetrados procurando as figuras de seu interesse, e mal percebem que estão procurando dentro deles mesmos, no seu íntimo, as coisas que lhes agradam e desagradam. Figura 14-Recorte e colagem 44 Figura 15 – Recorte e Colagem No segundo encontro, o grupo anterior limitou-se a apenas duas participantes, duas senhoras que fizeram um relato de sua vida, e em seguida foi proposto a elas que fizessem um desenho sobre sua infância. Uma delas, a senhora delicada, mostrou-se bastante insegura ao desenhar, dizendo que não lembrava muito do que tinha feito quando era criança, pois seu pai era muito severo e ela quase não brincava. Iniciando seu desenho com traços leves, ela comentou que sua árvore estava inclinada porque estava ventando muito naquele dia. A outra senhora, que parecia segura e determinada, e, segundo ela, gostava muito de escrever e fazer poesias, desenhou um caminho florido, dizendo que amava a liberdade. Figura 16 – Árvore ao vento Figura 17 – Caminho florido No encontro seguinte, compareceram as mesmas senhoras, mas disseram que não queriam desenhar, só queriam conversar. Ouviu-se o que elas queriam 45 dizer, o que gostariam de fazer, e foi combinado para o próximo encontro, a confecção de um colar de contas feitas com folhas coloridas de revistas, porem nesse encontro uma delas, a senhora delicada, estava com as mãos doendo e não conseguia enrolar os canudinhos. A poetisa, havia feito um colar durante a semana, dizendo que já sabia como fazê-lo, e o trouxe pronto, não era exatamente igual ao que seria confeccionado naquele dia, mas valeu a intenção. Novamente ficou-se na conversa. Pelo fato dessa idosa estar com as mãos doendo e com dificuldade em movimentá-las, foi preciso mudar a proposta do trabalho para o próximo encontro, que não houve. Figura 18 – Colar de papel Em sua pesquisa sobre instituições de asilados, Anacleto (2006), alega que alguns fatores psicológicos, físicos e sociais criam lacunas, que dificultam sua adaptação na instituição asilar, ou seja, no seu novo lar. Entre esses fatores, destacam-se a perda da identidade, perda dos familiares, diminuição de atividades físicas e até a completa inatividade, por problemas de saúde ou por falta de oportunidade de realizar algumas tarefas. Nos encontros posteriores, indo-se de quarto em quarto, duas senhorinhas sentadas no corredor frente ao quarto, puseram-se a conversar e propôs-se a elas fazer um desenho ali mesmo numa carteira de escola arrumada de improviso e alguns lápis de cor. Elas ficaram tão compenetradas nos desenhos, que, quando o sino tocou, anunciando a hora do almoço, elas não queriam parar. A senhora X terminou o seu desenho, os canteiros, que ela avistava da varanda, e foi comer. 46 Figura 19 - Canteiros A senhora Y continuou desenhando, fez uma casinha com escadinha na porta, dizendo que era a casa onde ela morou quando criança, e comentou que na escola a professora nunca tinha dado lápis de cor pra ela desenhar, fez também uma cestinha, toda feliz, e só parou quando uma funcionária lhe trouxe a comida. Essa senhora não quis mais desenhar pois dizia que sua mão doía e não lhe obedecia mais. Porem, era tão tagarela, que sempre contava sobre sua vida e dizia ter sido uma ‘moleca levada da breca’, Figura 20 – Casa com escadinha e cestinha 47 Na semana seguinte, a Sra X, que parou de desenhar para ir almoçar, pediu que lhe deixasse folhas de papel, giz de cera e lápis de cor, para que ela pudesse desenhar durante a semana. Fez-se a sua vontade e qual não foi a surpresa no próximo encontro, ao ver que ela havia feito vários desenhos, alguns de observação da paisagem, da vila, outros de lembranças da infância, da casa onde morava com seus avós, objetos, flores, animais entre outras coisas. Figura 21 – Desenhos diversos 48 Por um bom tempo ficou-se assim, ela entregava os desenhos feitos na semana, queixava-se dos lápis de cera, porque eles escorregavam das mãos e passou a usar somente lápis de cor. Numa manhã, enquanto conversava sobre vários assuntos, ela comentou sobre algumas pessoas vestidas de palhaço no carnaval de rua, que mais pareciam monstros e lhe causavam muito medo quando criança. Foi pedido a ela que desenhasse os palhaços, se possível, e assim ela o fez, entregando-os na semana seguinte, porem, esse foi seu último desenho e o último encontro. Figura 22 - Palhaços Essa senhora decidiu, meio brava, que não queria mais desenhar, estava cansada, e devolveu o material para a arteterapeuta. Considerou-se a atividade significativa, porque ao remontar à infância e desenhar, tal idosa, revelou suas memórias, mas, quando desenhou os ‘palhaços’ ela revelou seus medos, antes não revelados, e isso demonstrou que ela ainda não conseguia lidar com esses medos, enfrentá-los. Furth (2006), alega que, “para conhecermos a nós mesmos, precisamos trazer para a consciência o que está submerso em nosso inconsciente. Os nossos pensamentos chegam até nós por meio da linguagem inconsciente dos sonhos, pinturas e desenhos”. Segundo o autor, o uso dos desenhos, sonhos, fantasias, imaginação, ou uma combinação dessas formas de representação simbólica, ampliam a autocompreensão. E, através da interpretação analítica dessas “expressões, aprendemos a reconhecer nossas fraquezas, nossos medos e 49 aspectos negativos, assim como, nossas forças, conquistas e potenciais ainda não usados, levando-nos a um maior “insight” sobre quem realmente somos” (FURTH, 2006, p.48). A esse respeito, Furth diz que, ao aprender sobre nosso psiquismo, descobrimos as partes desenvolvidas e as não desenvolvidas de nós mesmos, descobrindo como evitar a projeção dessas partes escondidas nos outros. Ao aprender e vivenciar o nosso próprio psiquismo, tornamo-nos mais bem preparados para ajudar outras pessoas a embarcar na viagem do autodescobrimento. (2006, p. 49) Fortuna (2005), segundo a psicologia junguiana, nos fala que as expressões individuais são consideradas comunicações simbólicas, e diz ainda que o efeito terapêutico dos trabalhos com a arte está diretamente ligado ao uso da energia psíquica do paciente e na capacidade de expressão de seus conteúdos internos. Furth (2006, p. 41), explica que um símbolo refere-se a algo tão profundo, que a consciência tão limitada como é, não consegue captar o seu significado de uma só vez. Desse modo, o símbolo sempre carrega um elemento do desconhecido e daquilo que não é acessível às palavras e que, muitas vezes possui uma qualidade duvidosa, inexplicável. Trabalhar com o idoso asilado torna-se ainda mais difícil, devido o comprometimento com os vínculos familiares, o abandono e o escasso número de visitas, que geram sentimentos de tristeza e revolta, alem da perda do sentido da vida. Acredita-se que esses fatores sejam influentes no aparecimento de depressões e agravamento dos problemas de saúde em geral, tornando quase impossível a participação dos mesmos em diversas atividades. A arte, por ser um canal de exteriorização de emoções, oferece através das atividades expressivas, oportunidades em todos os estágios da vida, facilitando em qualquer idade, um encontro consigo mesmo. Para o idoso, a arte surge como uma possibilidade de representação que a pessoa faz de si mesma, permitindo-lhes sonhar, pois, redescobrindo sua capacidade criadora, eles vivenciam atividades como desenhar, escrever, brincar com coisas que já não faziam mais parte do seu cotidiano. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS “O que em mim sente está pensando”. Fernando Pessoa Neste trabalho, estudou-se a relação entre idoso e arte, fundamentado num quadro teórico que permitiu a contextualização do idoso no mundo atual, suas características e demandas enquanto uma parcela da população que vem crescendo de modo contínuo. Devido a este crescimento pesquisadores de diferentes áreas de estudo tem demonstrado interesse na fase da terceira idade, voltando seus estudos para o entendimento do processo de envelhecimento e em como proporcionar ao ser humano que está envelhecendo, uma vida mais longa e saudável. Atualmente a terceira idade é vista como uma etapa natural da vida com características próprias, na qual ainda há possibilidades de mudança e realização pessoal, facilitada pela maior disponibilidade de tempo e liberdade. Universidades e projetos voltados para a terceira idade, oferecem cursos, oficinas de arte, programas culturais, e diversas atividades com o intuito de abrir oportunidades para a autorealização do idoso. Sabendo-se que a arte como forma de expressão, possibilita ao indivíduo, expressar seus sentimentos, emoções, e conflitos internos, aumentando seu potencial criativo e construindo a sua autoconfiança, essas modalidades expressivas, aplicadas aos idosos, permitiram que eles desenvolvessem a comunicação e a expressão, valorizando a subjetividade. Pode-se notar que as contribuições da arteterapia, no conhecimento, na manipulação e na experimentação pelas técnicas artísticas permitiram o resgate de potenciais desconhecidos ou inativos e o fortalecimento da sua autoimagem. Nesta pesquisa, trabalhou-se com o idoso asilado, durante um curto espaço de tempo, e mesmo assim pôde-se perceber que houve mudanças de comportamento em alguns casos, acreditando-se que, por necessitarem tanto de atenção, e carinho, se eles tivessem sido trabalhados por mais tempo haveria uma transformação visível em suas vidas. A população do mundo está envelhecendo, a sociedade se transformando, a expectativa de vida está aumentando e a vida se prolongando. É preciso que a 51 longevidade esteja associada a uma etapa privilegiada da vida, voltada para a satisfação pessoal e o prazer. Então, o fazer arte, torna-se um recurso indispensável para o idoso que, ao recuperar sua autoestima, melhora sua auto-imagem e passa a ter uma vida digna e saudável. A felicidade está em envelhecer com arte. Conclui-se que, conhecimento adquirido, grandes feitos para a humanidade e uma boa saúde são formas de ter uma velhice digna e feliz. A velhice é um fato que não podemos evitar, então devemos aceitá-la, ou seja, nem negar, nem desejar que venha antes da hora. Para se alcançar essa forma de viver, torna-se necessário reformar o pensamento para ter uma cabeça bem feita. Conforme a proposta de Edgar Morin, “O saber não nos torna melhores nem mais felizes. [...] Mas a educação pode ajudar a nos tornarmos melhores, se não mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte prosaica e viver a parte poética de nossas vidas” (2000, p. 11). 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AATA – THE AMERICAN ART THERAPY ASSOCIATION. Definition of Art Therapy. Disponível em <http://w.w.w..arttherapy.org/. Acesso em out. 2009. ALLESSANDRINI, C. D. A arteterapia hoje: no mundo e no Brasil. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia: S.P. p. 13, 2007. ______. Oficina Criativa e Psicopedagogia. São Paulo: Casa do Psicólogo,1996. ALMEIDA. O.P. & FORLENZA,O.V. Depressão e Demência no Idoso: Tratamento Psicológico e Farmacológico. São Paulo: Lemos Editorial, 1997. AMADO, M.L.M. Terapia de grupo. In: MONTEIRO, D.M.R. Dimensões do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter, 2004 ANACLETO, M. et al. A mortificação do eu: vivências psicológicas de idosos institucionalizados. Rev.SPAGESP, dez. 2004, vol.5, nº 5, p.50-55. ISSN 1677-2970. ARGIMON. I. I. L. Desenvolvimento Cognitivo na Terceira Idade. Tese (doutorado) – Instituto de Psicologia, PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002. AZAMBUJA, T. Uma oficina de criação para a terceira idade. Textos sobre envelhecimento. v.8 n.2. Rio de Janeiro: UNATI, 2005. BARBOSA, Ana Mae. T. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 1996. _______. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998. BARBIERI. N. A. Trabalho com velhos: algumas reflexões iniciais. Pulsional. Revista de Psicanálise, v.16, n. 173, 2003. BEAUVOIR, S. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 53 BELLO, S. Pintando sua alma. Método de desenvolvimento da personalidade criativa. Rio de Janeiro: Wak, 2004. BERNARDINO, K. F. Raízes da Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.10, 2008. BOSI, E. Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. BOU, Llouis Ma. Como enseñar el arte. Barcelona: Gersa, 1989. BUORO, Anamélia Bueno. O olhar em construção: uma experiência de ensino e aprendizagem da arte na escola. São Paulo: Cortez, 1996. CALDAS, C.P. Introdução à Gerontologia. In: VERAS. R.; LOURENÇO.R. Formação Humana em geriatria e gerontologia: uma perspectiva interdisciplinar. Rio de Janeiro, RJ: UnATi/UERJ, 2006. CAMAROSANI. P.G. In: BELLINI. M.H. Qualidade de vida é fundamental. Revista da Drogaria São Paulo. Ed.21. p. 24, 2009. CHIESA, Regina Fiorezzi. O diálogo com o barro: o encontro com o criativo. São Paulo: Casa do psicólogo, 2004. P ______. Arteterapia e saúde física. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP. p. 42, 2007. CÍCERO, M. T. Saber Envelhecer. São Paulo: L&PM, 1997. CIORNAI, S. Percursos em Arteterapia. São Paulo: Summus, 2004. DUMAZEDIER. J. Lazer e Cultura Popular. São Paulo: Perspectiva, 1973 ELIEZER, J. Arte-terapia. Revista Insight. Ano II, n.23, São Paulo, 1992. FABIETTI, D. Arteterapia em diferentes contextos no processo de envelhecimento. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 29, 2007. 54 FERREIRA, A. B. de Holanda. Dicionário Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. FERRETTI, V.M.R. Encontro de Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 8, 2007. FERRI, K. Raízes da Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 10, 2008. FISCHER, Ernst. A necessidade da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. FORTUNA, S. M. C. B.Terapias expressivas, demência de Alzheimer e qualidade de vida: uma compreensão junguiana. Dissertação de Mestrado, em gerontologia, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, 1999. FRANCISQUETI, A. A. O Hospital: um espaço arteterapêutico. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 35, 2008. FURTH, Gregg M. O mundo secreto dos desenhos: uma abordagem junguiana da cura pela arte. São Paulo: Paulus, 2004. GUEDES, M.H.M. Idoso e Arte: Uma relação possível com a autoimagem? Dissertação de mestrado. Universidade Católica de Brasília, 2007. HILLMAN, J. A força do caráter e a poética de uma vida longa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. ______. O código do ser. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997 JACOB-FILHO, W. Promoção da Saúde do Idoso. São Paulo: Lemos, 1998. ______. Fatores determinantes do envelhecimento saudável. Boletim do Instituto de Saúde – BIS. N.47. p. 27,28, 2009. KANDINSKY, Wassily. Do Espiritual na Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996. LEBRÃO, M. L. Epidemiologia do Envelhecimento. Boletim do Instituto de Saúde. BIS. nº 47. p.23, 2009. 55 ______. Desafios da pesquisa em envelhecimento. BIS. n. 47. p. 97, 2009. MARCELLINO, N.C. Lazer e Educação. Campinas: Papirus, 1990. ______. Estudos do Lazer: Uma Introdução. Campinas: Autores Associados, 1996. MATSUDO. S. M. M. Envelhecimento, atividade física e saúde. Boletim do Instituto de Saúde – BIS, n.47, p. 77, 2009. MELO, Victor Andrade. Lazer e minorias sociais. São Paulo: IBRASA, 2003. MERCADANTE,D.F.;ARCURI.I. G. Velhice envelhecimento complex(idade). São Paulo: Vetor, 2005. MORA, J.Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1996 MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. NAHAS, M.V. Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida: Conceitos e Sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf, 2003. NAZARETH, Leila. Arteterapia na qualidade de vida e profilaxia. Caderno de resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP. p. 33, 2009. NERI, Anita Liberalesso. Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na terceira idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, Edições SESC-SP, 2007. NETTO, P.M. Questões metodológicas na investigação sobre velhice e envelhecimento. In FREITAS, E.V. et AL. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002. NORGREN, Betânia. Artepsicoterapia. Caderno de resumos do l Fórum de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.38, 2009. OLIVIER, Lou de. Psicopedagogia e arteterapia: teoria e prática na aplicação em clínicas e escolas. Rio de Janeiro: Wak, 2008. 56 OSHO. Maturidade: A responsabilidade de ser você mesmo. São Paulo: Cultrix, 1999. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro, Petrópolis: Vozes, 1987. PEDROSA, M. Arte, forma e personalidade. São Paulo: Kairós, 1979. PITTA, A.M.R. Saúde & Comunicação: Visibilidades e Silêncios. São Paulo: HucitecAbrasco, 1995. RAMOS, L. R. Saúde Pública e envelhecimento: o paradigma da capacidade funcional. Boletim do Instituto de Saúde, n.47, p.40, 2009. READ, H. As origens da forma da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1965 ______. Arte e alienação: o papel do artista na sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. ______. O sentido da arte. São Paulo: Ibrasa, 1978. MAY, R. A coragem de criar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. SALGADO, M.A. A velhice é uma questão social. São Paulo: SESC, 1980 SANTOS, D. P. Arteterapia e Educação. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.37, 2007 SCHWARZ, Lídia Rodrigues. EnvelheSer: a busca do sentido da vida na terceira idade. São Paulo: Vetor, 2009. SEI, M.B. Arteterapia e Violência. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 25, 2007 SILVEIRA, Nise da. Jung Vida e Obra. Rio de Janeiro, Guanabara: José Álvaro, Editor, 1971. 57 STEINBERG, S. Arteterapia no contexto de saúde mental. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 44, 2007 TAVARES.S.M.G. A saúde mental do idoso brasileiro e a sua autonomia. Boletim do Instituto de Saúde-BIS. N.47, p. 87, 2009. TERRA, N. L. Envelhecendo com qualidade de vida. Porto Alegre: Edipucrs, 2002 TOLSTÓI, Leon. O que é a arte? São Paulo: Experimento, 1994 VALLADARES, A. C. A. Arteterapia no novo paradigma de atenção em saúde mental. São Paulo: Vetor, 2004 VERAS, R. Envelhecimento Humano: Desafios do mundo atual. Disponível em <http:www.fundaçãounimed.org.br/EncontroNDH2007/apresentação/Dr.RenatoVeras _____;RAMOS, L.R.;KALACHE, A. Envelhecimento populacional: uma realidade brasileira. São Paulo. Revista de Saúde Pública, 21 (3), p.21-24, 1987. VIEIRA, E. B. Instituições geriátricas: avanços ou retrocessos? Rio de Janeiro: Revinter, 2003. WATANABE, H. A.; GIOVANNI, V. M. di. Instituições de Longa permanência para idosos (ILPI). Boletim do Instituto de Saúde-BIS, n. 47, p. 69, 2009. ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. Porto Alegre: ArtMed, 2000.