MARIA DA GRAÇA MARTINS SILVEIRA
A ARTE DE ENVELHECER COM ARTE
Arte/Terapia atuando no processo do envelhecimento saudável
SÃO PAULO MASTER SCHOOL
UNIVERSIDADE SÃO MARCOS
SÃO PAULO - 2010
MARIA DA GRAÇA MARTINS SILVEIRA
A ARTE DE ENVELHECER COM ARTE
Arte/Terapia atuando no processo do envelhecimento saudável
Monografia
entregue
ao
curso
de
Especialização Lato Sensu em Arteterapia da
São Paulo Master School, certificada pela
Universidade São Marcos, como exigência
parcial para a obtenção do título de
Especialista em Arteterapia, sob a orientação
da
Professora
Dra.
Cristina
Dias
Allessandrini.
SÃO PAULO MASTER SCHOOL
UNIVERSIDADE SÃO MARCOS
SÃO PAULO - 2010
Silveira, Maria da Graça Martins
A Arte de Envelhecer com arte: Arte/terapia atuando no
processo do envelhecimento saudável / Maria da Graça Martins
Silveira. São Paulo: [s.n.], 2010.
57p.
Monografia; Especialização lato sensu em Arteterapia. São
Paulo Master School / Universidade São Marcos.
Orientador: Profa. Dra. Cristina Dias Allessandrini.
1. Areterapia. 2. Envelhecimento. 3. Arte.
Aos meus pais, que me trouxeram ao mundo,
deram sentido à minha vida, ensinaram-me a
viver com dignidade e continuam me mostrando
que envelhecer tem sentido quando se tem
amor.
AGRADECIMENTOS
A Deus, que me deu forças para a realização deste trabalho.
Aos meus filhos, Daniela (in memórian), Luciana, Gabriel, e Mariana, que são a
razão da minha vida.
Á minha filha Mariana, que usando de muita paciência, e com precisão, veio em meu
socorro nas dificuldades com o computador, durante todo o processo.
À minha querida irmã Madalena, que, mesmo de longe e sem perceber, encorajoume o tempo todo com suas palavras tão carinhosas.
Ao meu genro Rafael e à minha nora Juliana pelo apoio e carinho.
À Profa. Cristina Dias Allessandrini, pelo acolhimento, solicitude e orientação segura.
Às professoras da pós-graduação que muito contribuíram com seus ensinamentos,
em especial às professoras Maíra Bonafé Sei e Maria de Betânia Paes Norgren pela
dedicação.
Às colegas do curso de Arteterapia, cuja amizade e estímulo constante, foram
essenciais para que eu seguisse em frente.
À amiga Eliana Ciasca, que muito colaborou
prática deste trabalho.
para o desenvolvimento da parte
À amiga de coração, Ana Marly, pelo carinho, e pela forma tão cuidadosa na leitura
e revisão do meu trabalho.
Aos idosos que participaram desta pesquisa, e me deram a oportunidade de partilhar
as suas vidas, alem de enriquecerem o meu trabalho, com arte.
A todas as pessoas, que de algum modo, colaboraram para que este trabalho fosse
realizado, agradeço muitíssimo.
SILVEIRA, M.G.M. A arte de envelhecer com arte: Arte/Terapia atuando no processo
do envelhecimento saudável. Monografia. São Marcos Master School/Universidade
São Marcos. 57p.
RESUMO
O envelhecimento da população é um dos maiores desafios da atualidade. O
significativo aumento da população idosa no mundo e também no Brasil torna
evidente a necessidade de se proceder a uma ampla discussão sobre o
envelhecimento enquanto fenômeno social. Este trabalho estuda a relação entre o
idoso e a arte, descrevendo a arte como um recurso coadjuvante em processos
terapêuticos. A arte é aqui abordada sob a ótica da Arteterapia, que utiliza recursos
expressivos como mediadores do processo terapêutico, atuando nos níveis físico,
psíquico e também cognitivo do indivíduo. Trata-se de uma pesquisa elaborada
através da revisão da literatura relativa ao processo de envelhecimento e
envelhecimento saudável em direção à construção do envelhecer com arte.
Acreditando-se que a arte como terapia permite ao ser humano, a liberação de seus
sentimentos e emoções, garantindo um encontro consigo mesmo e a ressignificação
de experiências, investiga como o ‘fazer arte’, ao oferecer novas oportunidades de
relacionar-se com si mesmo e com o outro, instrumentalizando o idoso a lidar com
aspectos inerentes a esta fase da vida, pode influenciar no aumento da autoestima,
refletindo positivamente na melhora de qualidade de vida. Na realização da
pesquisa, de abordagem qualitativa, feita em duas etapas, foram descritos na
primeira etapa alguns aspectos relacionados a idosos portadores do Mal de
Alzheimer, ao longo do processo terapêutico, dentro do hospital-dia geriátrico, e na
segunda etapa, foram observados quanto ao comportamento, alguns indivíduos
residentes num lar para idosos. Conclui-se que a arteterapia aplicada aos idosos
oferece um contato introspectivo com o seu ser, permite a liberação de emoções
represadas em seu íntimo, proporciona alívio às tensões e colabora no processo
para um envelhecimento saudável.
Palavras-chave: Arteterapia. Envelhecimento.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
7
O PERCURSO.................................................................................
CAPÍTULO I
TEMPO DE ENVELHECER............................................................
10
CAPÍTULO II
O PROCESSO DE ENVELHECER.................................................
13
CAPÍTULO III
ENVELHECER COM SAÚDE.........................................................
20
CAPÍTULO IV
ENVELHECER COM ARTE...........................................................
25
CAPÍTULO V
METODOLOGIA.............................................................................
34
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................
50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................
52
7
INTRODUÇÃO
O PERCURSO
“O arte- educador não precisa ser artista para
ensinar, mas sempre precisaria ter a sensibilidade de
um artista.”
Fayga Ostrower
Através deste trabalho pretendo descrever como dei inicio à minha pesquisa
sobre a questão do envelhecimento, influenciada pela arte, que me acompanha
desde a infância, apoiada pela arteterapia, que hoje me enleva e me leva a buscar
algo novo que contribua no processo para um envelhecimento saudável.
Quando criança, eu desenhava sobre papéis de pão, pedaços de madeira,
papelão, e também inventava usando outros tipos de materiais, hoje denominados
‘sucata.’ muitas vezes do lixo jogado em terrenos baldios, o que deixava minha mãe
possessa. Ela não entendia por que eu gostava tanto de fazer ‘arte’.
No ginásio, minhas disciplinas preferidas eram Educação Artística e
Educação Musical. Minhas professoras eram simplesmente maravilhosas e devo a
elas, quase tudo o que aprendi sobre arte e musica.
Na faculdade, no Curso de Licenciatura em Educação Artística, as disciplinas
consideradas mais importantes eram o Desenho Geométrico e Geometria Descritiva.
Meu interesse pelas artes, ou pelo conjunto das belas-artes:
pintura, escultura,
arquitetura, música e poesia, levaram-me a fazer vários cursos após a graduação.
Tornei-me professora de Educação Artística, mas, quando comecei a lecionar
o ensino de desenho geométrico imperava nas aulas dessa disciplina, tanto que,
poderia até dizer que os alunos entendiam mais de geometria do que eu, que
pretendia dar aulas de arte, falar sobre os grandes artistas, deixar que os alunos
desenhassem e pintassem livremente. Aos poucos, fui colocando um pouco de arte
na cabecinha deles. Cheguei a levar os alunos a uma represa perto da escola e
pedir a eles que observassem a natureza e a desenhassem como viam. Confesso
que saíram desenhos tão lindos que nem eles acreditavam no que tinham feito.
Sempre fui apaixonada por garatujas e pelos desenhos das crianças, procurando
entender o que queriam dizer através daqueles ‘riscos e rabiscos’, tão espontâneos,
tão verdadeiros, tão criativos. Pensei até em fazer Psicologia, para compreender
8
melhor o que se passava comigo, pois percebi que eu gostava mais de ensinar,
observar, analisar, do que de fazer Arte.
Prestei o vestibular mas, persuadida por minhas filhas, decidi fazer a PósGraduação em Arteterapia, e foi uma decisão acertada, pois a arte sempre foi o meu
alicerce, e estudar a arte no contexto da arteterapia, fez com que eu entrasse em
contato comigo mesma e esclarecesse as minhas dúvidas quanto ao ‘fazer arte’ e
‘ensinar arte’. Porém, nunca passou pela minha cabeça trabalhar com pessoas mais
velhas,
e
somente
durante
o
estágio
supervisionado,
dentro
do
ateliê
arteterapêutico, no atendimento a pacientes com Doença de Alzheimer (DA), pude
perceber como é gratificante trabalhar com idosos, conversar, ouvi-los e observá-los
‘fazendo arte’.
Para mim a arte sempre foi uma terapia, vivida intensamente. Contudo,
proporcionar ao outro essa vivência e perceber como a arte interage no grupo, foi
emocionante. Então, a partir dessa experiência tão rica, resolvi pesquisar, saber
mais sobre a velhice e o processo de envelhecimento, mesmo por que, estou
começando a me preparar para lidar com essa nova fase da minha vida.
Concordo com Schwarz (2007, p. 25 apud BARBIERI , 2003, p. 20), quando
essa autora diz que, “inevitavelmente, toda pesquisa sobre a velhice leva o
pesquisador a entrar em contato com o próprio processo de envelhecimento.”
A elaboração desta pesquisa enfoca, portanto, no estudo sobre a velhice, e a
possibilidade do “fazer arte” sob a ótica da arteterapia .
O capítulo I – Tempo de Envelhecer – trata de alguns mitos a respeito da
velhice e da morte, e a influência da cultura, por conseguinte, nesta fase de vida
real para todo ser humano.
O capítulo II – O Processo do Envelhecimento – relata, de modo sucinto,
aspectos socias ligados ao envelhecimento como o rápido crescimento da
população idosa no Brasil, o aumento da expectativa de vida, que está se
prolongando para além dos noventa anos de idade, causando uma transformação na
nossa sociedade.
O capítulo III – Envelhecer com Saúde - traz o despertar de vários estudos
acerca do processo de envelhecer, considerando questões como a alimentação,
saúde, moradia, lazer, cidadania, novos campos de atuação como a Geriatria e a
Gerontologia, capacitando profissionais de saúde para cuidar específicamente do
idoso.
9
O capítulo IV – Envelhecer com Arte – descreve alguns conceitos teóricos da
Arte e da Arteterapia, destacando alguns dos elementos que fundamentam a prática
da Arte como recurso terapêutico, e sua contribuição no processo para um
envelhecimento saudável.
No capítulo V – Métodos – apresenta-se a pesquisa realizada com grupos de
idosos em contexto de ateliê arteterapêutico, analizando-se os dados obtidos
através da observação durante o processo.
Finaliza-se, assinalando as modificações que ocorreram nos participantes e
nos grupos, com a utilização da Arteterapia.
10
CAPÍTULO I
TEMPO DE ENVELHECER
“Os outros enxergam a velhice que se esconde em nós.”
Carlos Drummond de Andrade
“Todo mundo está envelhecendo. Desde o dia em que você nasceu, você tem
estado envelhecendo-a cada momento, a cada dia” (OSHO, 1999, p. 110).
O envelhecimento é um processo natural do ser humano, que se inicia no
nascimento e termina com a morte. Segundo Osho (1999), nada é certo na vida, a
não ser a morte; é possível especular sobre tudo, mas não sobre a morte, e a
velhice é apenas a porta que se abre para a morte. Mas, como podemos conceituar
a velhice, se muitos pensadores têm refletido sobre o tema e não conseguem uma
definição.
Em sua obra clássica, A Velhice, Simone de Beauvoir (1986), busca por essa
definição, em diferentes momentos da história da humanidade, e deixa claro que,
mesmo sofrendo influências da educação e cultura, todos passam por essa fase,
tornando o processo de envelhecimento mais fácil de ser compreendido do que a
velhice propriamente dita.
Beauvoir (1986), segundo Schwarz (2009, p. 30), constata que “nas
sociedades primitivas, alguns tendiam a abandonar seus idosos, em vista de uma
organização social precária, enquanto outros, em condições sociais diferentes, os
mantinham com respeito e dedicação”.
Jung, num de seus últimos livros “Presente e Futuro” publicado em 1957, e
denominado por muitos “o testamento de Jung”, segundo Nise da Silveira (1971), ele
considera que “O futuro da humanidade, dependerá do número de homens que
logrem evoluir plenamente, isto é, individuar-se (SILVEIRA, 1971, p. 176-177)”.
Silveira (1971, p. 177), ainda alega que “a primeira metade da vida é um
período de progressiva expansão”, onde o jovem deverá renunciar os hábitos da
infância, o aconchego do lar e da família, terá que estudar e trabalhar para
conquistar um lugar na sociedade. Já, “na segunda metade da vida as tarefas são
diferentes”, o período de expansão termina, é hora de juntar o que estava
11
espalhado, colher o que plantou, é tempo de concentração. E continua alertando,
quanto aos métodos de educação, ainda tão precários
Conforme Silveira (1971, p. 177), Jung (1957), prevê que “veremos homens e
mulheres temerosos ante os sinais precursores do envelhecimento procurarem a
todo custo transportar para alem dos quarenta anos as mesmas aspirações da fase
da juventude”.
Silveira (1971, p. 178), retomando as idéias de Jung, questiona: “quem os
ajudará na abordagem do difícil problema da transmutação de valores que se
apresenta com tanta freqüência no entardecer da vida?”. E responde a questão: “Alguns tomam a defensiva, agarrando-se às posições antigas”, ou seja, vivem do
passado. “Outros não conseguem fugir ao sentimento de que muitas coisas,
certezas e idéias esvaziaram-se, desgastaram-se”, ou seja, enganam a si mesmos.
Mas, interroga Jung (1957): “existirá em alguma parte escolas que preparem
os quadragenários para as exigências de sua vida amanhã? (SILVEIRA, 1971, p.
179)”.
Aliás, ainda em Silveira (1971, p.179), para os quadragenários, o amanhã,
torna-se cada vez mais intenso na proporção em que a média de vida aumenta.
Jung pontua que:
Mas muito poucos serão capazes de viver horas que não sejam contadas
em relógio detendo-se longamente “na consideração de tudo que se passa
no próprio íntimo tanto quanto no mundo exterior, conscientes de todas as
formas de vida, de todas as suas expressões”. E esta é a atitude que
favorece o amadurecimento para a morte.[...] Sendo a vida um processo
energético, seu desdobramento é irreversível e tende para uma meta única
que é o estado de repouso. Assim, a morte não seria o fim desse
desdobramento, mas o seu alvo. “Tão intensamente e incansavelmente
como a vida sobe antes de atingir a metade de seu curso, desce ela agora a
outra vertente, pois sua meta não está no ápice, mas no vale onde começou
a subida”. (1957 JUNG apud SILVEIRA, 1971, p.179-180)
Hillmam (2001) chama atenção para o fato de que, ao buscarmos o
prolongamento da vida, estamos tentando inevitavelmente afastar o fantasma da
morte colocando-o atrás do muro. Para o autor, o tempo não é um inimigo com
poder de destruição, ele é variável, ora fortalece, ora debilita, porém,
caminha
sempre em frente. E, ainda afirma que “para o idoso é como se um pedaço de sua
alma estivesse sempre ancorado no passado, e esta precisasse retornar, tentando
alternar o fluxo do tempo que é, na verdade, inexorável” (HILLMANN , 2001, apud
SCHWARZ, 2009, p. 60).
12
A questão do tempo na velhice é muito importante, e Cícero (1997) nos deixa
bem claro que “saber envelhecer” é algo muito próximo de “saber viver”, e que é
melhor morrer de velhice, pois quem nos deu a vida irá tirá-la aos poucos e da
mesma forma que veio ela irá, então:
Se um homem jovem pode morrer a qualquer tempo, então a morte não é
um problema da velhice. Não se tem medo da morte se a vida for vivida em
plenitude,deforma a deixar boas marcas para o mundo. O corpo morre, mas
a alma é imortal. Por isso o homem se preocupa com seus feitos no mundo,
para que sua alma permaneça viva na memória das pessoas. De qualquer
forma tendo ou não a alma viva após a morte, deixar de existir não é algo
ruim se deixarmos boas marcas durante a vida. (CÍCERO, 1997, p. 31)
A esse repeito, Hillman nos fala, então, em “durabilidade”: quanto mais uma
pessoa “dura”, mais ela quer “perdurar” e esse desejo traz em si o sentido de vencer
a morte: “Envelhecer não é um acidente. É algo necessário à condição humana e
pretendido pela alma” (2001, p. 11).
Schwarz (2009, p. 61), assinala que, o mito da imortalidade é muito
importante, e que “se nos tornarmos imortais, nos igualamos a Deus, mas nossa
essência é outra: somos mortais e temos os mais diversos limites”.
E a autora ainda nos relata que numa carta escrita para o Dr. J. Fierz, em
1956, Jung com 69 anos de idade, comparava nossa vida à subida de uma escada e
escreveu
Quem sobe uma escada não demora nos degraus nem olha para trás sobre
eles, mesmo que a idade convide a demorar ou a retardar o passo. [...] Os
últimos degraus são os mais belos e os mais preciosos pois conduzem
àquela plenitude para o qual nasceu a essência mais íntima da
pessoa.(JUNG, 2002, p. 407, in SCHWARZ, 2009, p.56)
13
CAPÍTULO II
O PROCESSO DE ENVELHECER
“...cada idade possui as suas verdades, suas experiências,
os seus segredos...”
Edgar Morin
O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno mundial, e uma
realidade, que se manifesta claramente no Brasil. A população brasileira encontra-se
em franco processo de envelhecimento há cerca de 40 anos. As quedas
significativas nas taxas de mortalidade e fecundidade, ocorreram num espaço
relativamente curto de tempo, fazendo com que a transição de uma população
jovem para uma população envelhecida esteja se dando de forma rápida e explosiva
(RAMOS et al.,1987).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu o início da Terceira
idade aos 60 anos nos países em desenvolvimento e 65 anos nos países
desenvolvidos. De acordo com a OMS e o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o Brasil até 2025 será o sexto país com maior população idosa
do mundo.
A geriatra Andrea Prates do Centro Internacional de Informações para o
Envelhecimento Saudável (CIES), ressalta que, nas próximas décadas, mais da
metade da população de idosos do mundo, estará nos países em desenvolvimento.
O envelhecimento dessa população é o reflexo do aumento de uma expectativa de
vida, devido ao avanço no campo da saúde e a redução da taxa de natalidade
(PRATES, 2009).
A idéia do “Brasil como um país jovem sempre esteve presente em nossa
mente [...] No entanto, de repente, nos percebemos grisalhos” (LEBRÃO, 2009, p.
23) e portanto, atualmente podemos nos considerar um país de meia idade.
As mudanças vão ocorrendo lentamente, influenciadas por diversos fatores,
bons e ruins, que nos acompanham durante a existência. Os prazeres da vida, os
problemas com a saúde, as dificuldades financeiras, alimentação, diversão, família,
estresse, entre outros.
14
A nutricionista Priscila Camarosani Garcia (2009, p. 24), da Clínica de
Medicina Geral do Futuro, afirma que, essa é uma fase da vida caracterizada por
uma série de modificações fisiológicas,
e psicológicas, que podem causar
alterações no estado nutricional. Então, cuidar da alimentação, fazer exercícios
físicos regularmente e adequar a casa para que se torne segura, são cuidados
essenciais para que o idoso possa viver bem e usufruir de todos os benefícios que
essa fase oferece.
A chamada terceira idade, ou melhor idade, ou idade feliz, faz parte da
história das pessoas, todos chegaremos lá. Infelizmente, as atitudes tomadas em
relação aos idosos no Brasil são totalmente discriminatórias. Os atributos que fazem
parte da velhice são considerados negativos, porque a nossa sociedade valoriza em
primeiro lugar, a aparência externa, física e estética. Sabedoria, experiência,
qualidades morais, beleza interior, não são valorizadas. Holden (1988) comenta que,
se, hoje em dia, os idosos saudáveis já são marginalizados, o que se dirá daqueles
que sofrem de alguma doença mental ou física? A crença geral é de que trabalhar
com o idoso é desgastante, cansativo, desagradável e deprimente.
Diante
das
dificuldades
enfrentadas
pelos
idosos
no
processo
do
envelhecimento, Almeida & Forlenza (1997), apontam que os dois maiores
problemas de saúde mental dos idosos, são a demência e a depressão. E segundo
os autores, a prevalência da demência, por exemplo, cresce de forma exponencial
entre os idosos.
Demência, de acordo com os critérios da Classificação Internacional de
Doenças (CID), não é uma única doença, é um conjunto de doenças com
características comuns, portanto, é uma síndrome, cujo diagnóstico é clínico (0MS,
1993).
O Dr. Renato Anguinah (1995), membro do Grupo de Neurologia Cognitiva e
do Comportamento da Divisão de Clínica Neurológica – HCFMUSP, num texto
intitulado Revisão Básica sobre Demência, aponta a seguinte definição: “Demência é
uma síndrome no qual o paciente apresenta prejuízo de uma ou mais funções
cognitivas, incluindo a memória, levando a um declínio funcional que o impeça de
exercer normalmente as atividades da vida diária”. Segundo ele, “a doença de
Alzheimer (DA), hoje em dia é a forma mais frequente de demência nos países
ocidentais,
responsável
por
mais
de
50%
dos
casos”.
As
alterações
15
comportamentais na demência, podem se manifestar mais frequentemente como
depressão.
Depressão é uma palavra atualmente utilizada para sentimentos. As pessoas
descrevem corriqueiramente o estado em que se encontram, ‘baixo astral’, ‘deprê’,
‘mau humor’, usando o termo depressão como sinônimo de tristeza. A tristeza é uma
emoção humana considerada normal em determinadas situações na vida de
qualquer pessoa.
Na medicina, (STOPPE Jr.; SCALCO; BOTTINO, 2007), médicos assistentes,
que compõem o Projeto Terceira Idade (PROTER) grupo de pesquisa na área de
saúde mental dos idosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas,
assinalam que a palavra “depressão” é utilizada para designar uma doença com
características clínicas e com tratamentos específicos. Segundo eles, ‘depressão’
enquanto ‘demência’ é uma desordem psiquiátrica, muito mais séria do que se
imagina, e necessita da ajuda de um profissional. A Depressão em idosos aumenta
o risco de demência.
Na atual conjuntura, a prevalência de demência, está crescendo de forma
exponencial para os idosos, entre 65 e 80 anos de idade. Para o idoso, a depressão
é prejudicial porque deteriora a memória, piora a saúde física e afeta a qualidade de
vida. “A depressão no idoso pode indicar um risco aumentado de desenvolvimento
de demência quando feita uma comparação em idosos não deprimidos”. Essa
afirmação é do Prof. Dr. Paulo Bertolucci (2006), diretor do Núcleo de
Envelhecimento Cerebral e chefe do Setor de Neurologia Comportamental da
Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, que alerta para o tratamento dos
sintomas depressivos em pacientes que apresentam demência, principalmente as
causadas pela doença de Alzheimer – DA.
A esse respeito, Ramos aponta que:
A doença de Alzheimer (AD) é um exemplo idiossincrático do atual dilema
relacionado à saúde, já que sua incidência está fortemente atrelada à idade,
assim aumentando exponencialmente. Sua evolução leva a um declínio
drástico da capacidade funcional devido a perdas cognitivas, por um longo
período, seguidas de isolamento social, atritos familiares e perda de
cidadania. (2009, p. 41)
Completa Ramos (2009, p. 40), que a “capacidade funcional é uma medida da
funcionalidade global que é por sua vez o resultado da interação de todas as
capacidades físicas e mentais desenvolvidas durante o período de vida”
16
Para Caldas (2006, p.18), “a capacidade funcional é o principal indicador da
capacidade adaptativa do ser humano. Sua determinação nos informa sobre a idade
ou o envelhecimento funcional do indivíduo e isso não depende da idade
cronológica”. Ou seja, existem pessoas jovens cronológicamente e bastante
envelhecidas funcionalmente, e vice-versa.
A idade social do indivíduo é determinada pela sua
participação na
sociedade, e o envelhecimento social ocorre quando ele deixa de interagir
socialmente.
Já numa perspectiva social o envelhecimento pode trazer consigo a solidão
decorrente da carência de vínculos afetivos e o isolamento pela ausência de
contatos e de atividades sociais.
Segundo Vieira (2003), Grubba e Silva (2009) complementam que, “as
instituições
devem estar preparadas para receber esta população que vive o
envelhecimento como uma experiência subjetiva e pessoal e como sujeitos que
anseiam pertencer a um grupo e lugar que lhes ofereça acolhimento e continência
às suas necessidades de saúde”. (GRUBBA & SILVA, 2009, p. 65 )
O idoso ao entrar para uma instituição, pode muitas vezes perder sua
identidade e o contato com a realidade, pois ele tem que se adaptar a um outro
modo de vida e modificar suas relações interpessoais. Percebe-se em alguns casos,
que o abandono a que estão sujeitos podem causar depressão ou outros problemas
de saúde, e faz-se necessário a formação de pessoal qualificado para trabalhar com
idosos que vivem em comunidades e instituições.
Pitta (1996) avaliou que as instituições surgiram e permanecem, no sentido de
atender às necessidades da sociedade, que, através de um conjunto de práticas
rotineiras, de estrutura física, e utilizando recursos humanos e materiais, organiza o
seu funcionamento.
Grubba e Silva (2009, p. 66), percebem o cuidar, como uma ação integral, se
concretiza por meio de práticas cotidianas, e deve promover o tratar e o respeitar, o
acolher e o atender o ser humano em seu sofrimento. Visto por esse ângulo, o
cuidar se expressa como uma ação integral que acaba por produzir interações
positivas e construtivas entre usuários, profissionais e instituição. (PINHEIRO;
GUIZARDI, 2004; SILVA; CIAPONI, 2003)
Na área de recursos humanos, os centros de Geriatria e Gerontologia estão
sendo criados no Brasil, para atender a necessidade de implantar políticas públicas,
17
capazes de oferecer suporte ao processo de envelhecimento e serviços de proteção
à saúde, visando promover uma imagem positiva do envelhecimento, assistindo as
pessoas de forma humanizada, produzindo conhecimentos e proporcionando
atividades educativas.
Para entender melhor os termos Gerontologia e Geriatria, Santos (2003), no
seu artigo sobre envelhecimento (UNATi), cita Salgado (1989), alegando que
encontrou nesse autor o conceito mais amplo de Gerontologia:
...é o estudo do processo de envelhecimento, com base nos conhecimentos
oriundos das ciências biológicas, psicocomportamentais e sociais [...] vêm
se fortalecendo dois ramos igualmente importantes : a Geriatria, que trata
das doenças do envelhecimento; e a Gerontologia social, voltada aos
processos psicossociais manifestados na velhice. Embora não se
encontrem definitivamente explorados esses dois setores das pesquisas
gerontológicas já apresentaram [...] contribuições para a elucidação da
natureza do processo de envelhecimento, e provaram estar em condições
de levantar questões sobre os problemas dele decorrentes. (SALGADO,
1989, p. 23 apud SANTOS, 2003, p. 2).
Santos (2003), concorda com Papalléo Netto (2002), quando este autor afirma
que a gerontologia é uma disciplina científica, multi-interdisciplinar, onde, ela
acrescenta,
trandisciplinar, “tendo por finalidade o estudo dos idosos, as
características da velhice como fase final do ciclo de vida, todo o processo do
envelhecimento e seus determinantes biopsicossociais ( SANTOS, 2003, p. 2)”.
No Brasil, a Gerontologia nasce do interesse de instituições e de pessoas que
gostam de trabalhar com idosos, ou que de alguma forma já trabalhavam no
atendimento a idosos. A falta de iniciativa e a carência de estudos científicos e
pesquisas sobre a população de idosos crescente no Brasil é preocupante em
comparação com outros países. Torna-se necessário importar um modelo produzido
nos EUA e na Europa, que incentive a formação de gerontólogos brasileiros no
exterior.
A partir dos anos 60, a Legião Brasileira de Assistência-LBA, e o Serviço
Social do Comércio-SESC, pioneiros em atividades voltadas para os idosos,
implantam no Brasil os primeiros trabalhos para idosos não institucionalizados, tendo
base na percepção de que a condição marginalizada dos idosos poderia ser
revertida com atividades de lazer que contornassem a ausência de papéis e a
solidão do idoso na sociedade contemporânea (UNATi, 1999).
18
O Dr. José Carlos Seixas, numa entrevista feita com a Dra. Keinert (2009, p.
21), ambos da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, na qual, ele responde
algumas questões sobre as estratégias de promoção à saúde do idoso, e faz
alguns comentários sobre sociabilização e mudanças no estilo de vida. Diante de
sua participação na experiência com idosos, hà mais de trinta anos ele alerta que
“Melhorariam a qualidade de vida dos idosos, especialmente se essas mudanças
fossem feitas desde cedo na vida da pessoa, porem não substituiriam os serviços de
proteção específica aos mais velhos, como cuidados de recuperação e readaptação
(SEIXAS, 2009)”.
Como descreve Martins (2002), em sua dissertação de mestrado,
os
fenômenos do envelhecimento e da velhice, e a determinação de quem seja idoso,
muitas vezes, são considerados com referência às restritas modificações que
ocorrem no corpo físico. Em seu estudo, a autora obteve dos participantes da
pesquisa, uma definição para o velho ( aquele que se sente velho ) e para o idoso
(aquele que, mesmo velho, não se sente velho, porque é ativo ), definições estas,
que concretizam a ‘velhice’, porque é através do idoso que podemos identificar as
características da velhice. Mas é importante perceber que, ao longo dos anos, são
processadas mudanças na forma de sentir, pensar, e do agir do ser humano que
passa por esses estágios no processo da vida.
Santos (2003, p. 5 apud MORIN, 1997, p. 320), chama a atenção para o fato
de que o processo de envelhecimento provoca no organismo modificações
biológicas, psicológicas e sociais. Essas modificações, ocorrem de modo evidente
na velhice, e ao envelhecer, o ser humano precisa adaptar-se a cada nova situação
do seu cotidiano.
Zimerman acrescenta que:
...além das alterações biológicas visíveis ou não no corpo físico, há também
uma série de mudanças do comportamento que se instala no ser humano
com o decorrer do envelhecimento [e ressalta também que] tais mudanças
estão relacionadas aos órgãos sensoriais, uma vez que dentre os diversos
órgãos do corpo humano, os relacionados aos sentidos vão permear a
relação do indivíduo com o mundo externo, como, também, vão influenciar
no padrão de conduta do idoso (2000, p. 56 ).
Tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, as doenças
crônicas são significativas, pois causam a incapacidade e reduzem a qualidade de
19
vida dos idosos. Segundo Lebrão (2009), ações de promoção da saúde e mudança
de hábitos podem diminuir a consequência dessas doenças.
Ramos (1993) ressalta que um idoso com uma ou mais doenças crônicas sob
controle, pode ser considerado saudável, se comparado a outro que sofre do mesmo
mal sem controle da doença. Ainda afirma que as doenças diagnosticadas num
indivíduo idoso, se não forem tratadas e acompanhadas ao longo dos anos, tendem
a apresentar complicações que comprometem a sua autonomia e independência.
Ramos (2009, p.40), esclarece que, “mesmo o envelhecer sem doença,
envolve algum grau de perda funcional, compatível com a fisiologia da senescência,
expressa por uma diminuição discretíssima, porém contínua de vigor, força,
prontidão, velocidade de reação e outras funções”. E continua explicando que,
quando essa perda é exagerada, devido um fator genético ou exposição ambiental,
temos o aparecimento de um quadro clínico de doença crônica.
No que diz respeito ao idoso, deve ficar claro que o estado de saúde coexiste
com uma ou mais doenças crônicas, e que a população idosa costuma ter pelo
menos uma dessas doenças que necessita de tratamento medicamentoso.
Jacob (2009), afirma quão fácil é perceber que, “à medida em que envelhece,
o homem vai acumulando doenças crônicas” que farão parte do seu patrimônio
social durante a sua existência, fica evidente que as doenças crônicas causam
consequências quando tratadas de forma descontrolada ou descompensada.
“Torna-se necessário, portanto que haja a possibilidade de diminuir os efeitos
deletérios da doença, para que possa ocorrer para a maioria dos idosos
experimentar um envelhecimento saudável” ( JACOB-FILHO, 2009, p. 27).
Em seu artigo sobre Gerontologia, Santos (2003), apud Lima (2001), no seu
entendimento, a velhice está surgindo com a possibilidade de se pensar uma nova
maneira de ser ‘velho’, justificando essa afirmação pelo fato de que os ‘idosos’ estão
se organizando em movimentos que avançam politicamente na discussão de seus
direitos. A velhice, vista como representação coletiva, esta começando, ainda que de
forma tímida, a mostrar outro estilo de vida para os idosos, que, na sua maioria, em
vez de ficarem em casa isolados, estão saindo em busca do lazer. Segundo o autor,
esse movimento está emergindo com uma força ainda meio desconhecida por
aqueles que o estão vivenciando, de modo a tornar visível a possibilidade de
modificação da ‘velhice’, tirando os rótulos e contestando os mitos. (UNATi, 2003)
20
CAPÍTULO III
ENVELHECER COM SAÚDE
“O mundo nos nutre quando sentimos a sua velhice.”
James Hilmann
Antes de enumerar alguns dos procedimentos atualmente reconhecidos como
eficazes para a promoção de um envelhecimento saudável, inicia-se com JacobFilho uma identificação mais objetiva sobre os dois fundamentos dessa intervenção:
Envelhecimento é um processo comum praticamente a todos os seres vivos
que, no seu transcorrer, provoca modificações de ordem somática e
psíquica que determinam alterações da relação do indivíduo com o meio
que o cerca. O envelhecimento pode ser entendido como um processo de
redução da reserva funcional, sem comprometer, na quase totalidade dos
mecanismos, a função necessária para as atividades do cotidiano. Saudável
é um atributo de quem tem saúde, termo ainda entendido como ‘ausência
de doenças’, se assim fosse, contando com as técnicas diagnósticas atuais
e com o aumento da expectativa de vida do ser humano, seríamos todos
‘condenados’ a não ter saúde, portanto seríamos considerados insanos já
nas primeiras décadas da vida. (2009, p. 27)
Segundo Ingram (2000), um dos efeitos nocivos no processo de
envelhecimento do ser humano é a diminuição do nível de atividades físicas. As
evidências destacam o impacto positivo da atividade física regular em aspectos
cognitivos, na saúde mental e no bem estar geral do indivíduo durante todo o
processo de envelhecimento.
Para Nahas (2003) a atividade física pode promover o aumento da
capacidade muscular, melhora do equilíbrio, flexibilidade, coordenação e velocidade
da marcha. As atividades de lazer nas quais prevalecem os movimentos, permitem a
exploração de diversas práticas corporais, visando o bem estar físico e o
aprimoramento da capacidade funcional. Os passeios e caminhadas são as
atividades preferidas das pessoas idosas.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1947 definiu que “saúde é um
estado de pleno bem estar físico, psíquico e social” (OMS, 1947). Essa definição
resume as condições de vida, adequadas ao ser humano, independente da idade,
cultura ou perfil sócio-econômico.
21
Muitas são, portanto, as estratégias recomendadas para a Promoção de um
Envelhecimento Saudável. Em 1992, a OMS, por intermédio da Organização
Panamericana de Saúde recomendou que a “Promoção da Saúde do Idoso seja
realizada por ações interdisciplinares” e que “estas ações sejam dirigidas,
específicamente, para reduzir, nesta população, o risco de adoecer e de morrer”
(OPAS,1992).
Torna-se difícil realizar essas intervenções sem a colaboração das diferentes
áreas profissionais envolvidas com o envelhecimento, pois seria impossível que um
só profissional adquirisse conhecimento e habilidade para atender o idoso de modo
correto, o que torna o envelhecimento saudável, um desafio interdisciplinar para os
períodos presente e futuro.
Jacob-Filho (2009), atenta para o fato de que, se o século XX caracterizou-se
pela grande revolução etária da população do mundo, o século XXI será
caracterizado pela solução dos problemas que este fenômeno determinou. Para tal,
muitas possibilidades de atuação em diferentes fases de desenvolvimento terão de
ser rápidamente implementadas.
Alem de cursos formais (especialização, mestrado, doutorado), começam a
surgir cursos de Gerontologia e Geriatria de curta duração, destinados aos
profissionais interessados em trabalhar com idosos. Até recentemente, os principais
nomes da Gerontologia no Brasil saiam do SESC, que incentivou a formação de
seus profissionais fora do país, ou através de cursos promovidos no Brasil com
experts estrangeiros. (UNATi,1999)
Políticas nacionais, estaduais e municipais começam a embasar-se cada vez
mais no conceito de envelhecimento ativo, o qual considera o idoso um recurso de
sua comunidade, um cidadão portador de direitos e deveres.
Jacob Filho (1984) supõe que seria impossível um só profissional reunir
conhecimento e habilidade para atender adequadamente o idoso, o que torna um
desafio interdisciplinar, a promoção do envelhecimento saudável.
Na cidade de São Paulo, o Programa Envelhecimento ativo tornou-se Lei
(14.905/2009) com o objetivo de, alem de proporcionar assistência integral ao idoso
e o incentivo a práticas que melhorem sua qualidade de vida, estimular um modo de
vida mais saudável em todas as etapas da vida.
22
Conforme Kalache (2009), a definição da OMS de ‘envelhecimento ativo’ é: o
processo de otimizar oportunidade para saúde, participação e segurança de modo a
aumentar a qualidade de vida à medida em que envelhecemos.
Keinert (1997) aponta que nos anos 90, o surgimento de alguns cursos nas
universidades para idosos, demonstram o interesse pela questão da velhice ou
envelhecimento ativo e saudável.
A importância da educação, não só para os profissionais que cuidarão dos
idosos, mas para os idosos e sua família pode ser uma saída para trabalhar melhor
os estigmas que o próprio idoso e a sociedade assumem em relação à velhice.
Chaimowicz (1998) relata que é imprescindível investir em programas de
suporte, orientação e apoio aos idosos e cuidadores, oferecendo serviços como
centros-dia e hospitais-dia, alimentação, transporte, assistência médica, e
programas culturais.
Esse novo modelo de intervenção modifica o sistema tradicional de
assistência aos idosos, nos asilos e nas casas geriátricas. A imagem negativa do
idoso, pobre, doente, marginalizado pela sociedade, ganha uma nova versão, na
qual a velhice é apresentada como uma etapa privilegiada da vida, voltada para a
satisfação pessoal e o prazer.
Hoje em dia, os principais centros urbanos do país estão investindo numa
variedade de programas de lazer e convívio, destinados especialmente aos idosos,
como teatro, dança, corais, bailes, passeios, viagens, entre outros tantos,
organizados por administrações municipais
Verifica-se que há necessidade da população idosa conhecer e vivenciar
esses conteúdos, sendo importante a fomentação da participação e a orientação
básica que os permita optar pelas alternativas que o lazer pode oferecer.
Em Dumazedier (1999), nota-se na presença na terceira idade, um crescente
apetite de realizações dentro do lazer, relacionadas a fantasias, curiosidades que
não
puderam
ser
plenamente
satisfeitas
no
tempo
do
trabalho
e
das
responsabilidades da idade madura. Sendo assim, o autor, conceitua o lazer como
“um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade,
seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se [...] após livrar-se
ou
desembaraçar-se
das
(DUMAZEDIER, 1973, p. 34).
obrigações
profissionais,
familiares
e
sociais”.
23
Nesse sentido, Marcellino (1990, p.32), define o lazer como “cultura
compreendida no seu sentido mais amplo, vivenciada (praticada ou fruída) no tempo
disponível”, sendo que não há contraposição com o trabalho, mas ainda há uma
estreita relação com o mesmo e as demais “esferas” da obrigação da vida social,
combinando os aspectos tempo e atitude no valor da atuação do tempo cultural.
As atividades de cunho intelectual, segundo Melo (1999), são muito
procuradas por grupos organizados de idosos, porque após a aposentadoria, eles
têm a oportunidade de atender a certos desejos que no decorrer da vida não foram
desenvolvidos. A participação em palestras, cursos, leitura de jornais e revistas,
atividades lúdicas, a conversação, são vivencias nas quais os idosos buscam pelo
prazer.
Melo (2003), conceitua o lazer como um campo multidisciplinar no qual,
devem ser encaminhadas atividades que estejam ligadas aos mais diversos campos
possíveis, às mais diversas “linguagens”. E acrescenta que “existem tendências ou
correntes que incluem várias explicações, e sobre o Lazer e a Educação percebe-se
um elo, na medida que o profissional promove um tipo de intervenção pedagógica
peculiar ao se comparar a outras formas de educar” (MELO, 2003, p.52).
Portanto, faz-se necessário a compreensão de que o lazer, a cultura, a
educação, é um direito de todos, e nesse contexto, nota-se a importância do acesso
dos idosos a essa prática social que influencia o desenvolvimento dos indivíduos,
trazendo benefício aos três níveis de envelhecimento: biológico, psicológico e
pessoal. Segundo Marcellino, “a vivência desses conteúdos no tempo disponível,
possibilita a exercitação do corpo, da imaginação, do raciocínio, da habilidade
manual e estimula o relacionamento social” (1996, p. 19).
Segundo Zimermam (2000), o indivíduo é um ser ‘gregário’ e, durante seu
desenvolvimento, passa por diferentes grupos, tais como: família, escola e trabalho.
O idoso no decorrer da sua vida, já transitou por todos esses grupos, e tem por
necessidade se filiar a um grupo de pessoas iguais a ele. A utilização do processo
de grupo, possibilita sua extensão individual como membro operante deste, e pela
formação de um vínculo, tendo apoio dos elementos do grupo, o indivíduo se sente
seguro e, esta é uma condição relevante aos componentes de um grupo, para que
se desenvolvam livres e sadios. É por meio das experiências, das interações e das
oportunidades de vivências em grupo, que surgirão mudanças no comportamento, e
reconhecimento de normas e valores.
24
Amado (2004), especialista em psicologia analítica, em seu entendimento
sobre o trabalho grupal, considera que, esse tipo de intervenção pode ser de grande
valia para o idoso, possibilitando que eles interajam de forma menos egoísta e
defensiva como geralmente acontece. E, que só o fato de eles se sentirem
compreendidos um pelo outro, compartilhando a mesma linguagem, facilitando o
processo de comunicação, contribui também para o desenvolvimento da
socialização.
Considerando a ‘reforma do pensamento’, proposta por Morin (1999), não é
qualquer educação direcionada aos idosos que vai trazer a transformação
necessária para que o idoso e a sociedade mudem de atitude, e sim uma educação
transformadora, que reforme o pensamento dos idosos, fazendo com que percam
seus medos e enfrentem o envelhecimento de forma diferente das que foram
programadas e estigmatizadas.
Hoje vivemos muito mais do que no passado. O período da maturidade
aumentou. Por isso é preciso manter a saúde física, intelectual e emocional
para se viver esse tempo plenamente. É necessário buscar condições para se
envelhecer com bem estar, porque não basta viver mais, tem que se viver
melhor. (VERAS, 2007)
25
CAPÍTULO IV
ENVELHECER COM ARTE
“A arte deve revelar e tornar visível o invisível”
Paul Klee
Desde o início da história da humanidade, a arte sempre foi presente em
todas as manifestações culturais. A arte é tão antiga quanto o homem, e permite a
ele o conhecimento e a transformação do mundo em que vive. O homem não pode
ver nada,
perceber formas ou
aspectos de
coisas desconhecidas,
sem
imediatamente pensar em dar-lhes um sentido qualquer. Conforme Pedrosa (1979),
nisso reside a essência do pensamento mágico, que enxerga sentido ou vontade de
ação em todos os fenômenos exteriores e acontecimentos da natureza (PEDROSA,
1979, p.115).
Segundo Fischer (1959, p. 22), “o ser pré-histórico, desenvolveu-se e tornouse humano, porque possuía a mão, um órgão especial com a qual podia segurar e
modificar objetos”.
Pedrosa complementa
Desse modo, como se estivessem na ponta dos dedos, surgem, simultânea
e sucessivamente as idéias e imagens. Assim, a criança, o primitivo, o
ingênuo, o alienado e o artista, fatalmente serão conduzidos, conscientes, a
completar, corrigir, equilibrar, por intuição o que a mão impulsionada por
mero desejo inconsciente de afirmação foi traçando numa superfície que
desliza. (1979, p. 1150
Em Bosi (1986, p. 14), o conceito de arte como produção de um ser que se
acrescenta aos fenômenos da natureza, viveu fortes experiências na cultura
ocidental e tomou feições radicais na poética do ‘Barroco’, quando “se deu ênfase à
artificialidade da arte, ou seja, à distinção nítida entre o que é dado por Deus aos
homens e o que estes forjam com seu talento”.
Para Leon Tolstoi (1994), a arte inicia-se quando o homem desperta seus
sentimentos latentes, já experimentados anteriormente na realidade, ou na
imaginação, e condiz que, “a arte é a atividade humana em que um homem,
conscientemente, através de certos signos exteriores, comunica a outras pessoas
26
sentimentos que ele vivenciou de modo a contaminá-las e fazê-las vivenciar os
mesmos sentimentos ( TOLSTÓI, 1994, p. 51)
A arte é necessária, não somente para cobrir um aspecto importante da
cultura do indivíduo, como é indispensável para entender a fusão deste indivíduo
com tudo o que lhe cerca.
Ma Bou (1989) alega que arte está ligada à sociedade, sendo um meio de
expressão e interpretação, e que a arte não é só pintura, escultura, arquitetura, e
sim o reflexo das culturas, da sua própria cultura e das que a precederam:
“Indiscutivelmente o conceito de arte é enorme e se amplia, posto que tudo,
absolutamente se transforma em arte” (1989, p. 07).
Segundo Fischer, a função da arte numa sociedade onde coexiste o
preconceito entre classes, atua como um,
...substituto da vida, um meio de colocar o homem em estado de equilíbrio
com o mundo que o rodeia e, eis uma idéia que contem em si o
reconhecimento parcial da natureza da arte e da sua necessidade, e ‘já que
não se pode esperar um permanente equilíbrio entre o homem e o mundo
que o cerca, mesmo na sociedade mais desenvolvida, a idéia sugere
também que a arte não só foi necessária no passado como o continuará a
ser sempre’. (1979, p. 9)
Buoro alega que “a arte, enquanto linguagem, interpretação, e representação
do mundo, é parte desse movimento. Enquanto forma privilegiada nos processos de
representação humana é instrumento essencial para o desenvolvimento da
consciência, pois propicia ao homem contato consigo mesmo e com o universo”
(1996, p. 20).
O indivíduo, ao se expressar, registra sua marca pessoal, seu estilo de vida,
demarcando o seu espaço no mundo, vivenciando-o através dos sentimentos,
compreendendo aspectos internos, e externos das emoções. Como meio de
comunicação, a arte possui recursos e técnicas que se fazem presentes em todas as
manifestações culturais humanas.
Ostrower (1983, p. 03), entende a arte como sendo o melhor caminho para o
conhecimento, levando a um só tempo, a conscientização do indivíduo, que, ao
realizar suas potencialidades, alcança sua individualidade, e ainda, de modo mais
abrangente, é um caminho de crescente humanização da vida, partindo do
reconhecimento de que potencialidades criativas existem em todos os seres, embora
27
em graus diferentes e nas mais diversas áreas. Dentro da mesma visão, ela entende
a realização dessas potencialidades como uma necessidade de vida.
Diante de tantos caminhos percorridos pela arte, Rosa alerta que através da
arte “devemos buscar os meios que venham desenvolver no homem o sentimento, a
sensibilidade, a percepção, o tato e a intuição, relacionando-o com o seu mundo
exterior, ajustando-o ao seu mundo interior”. (1995, p.318)
Sabendo-se que a arte, além de seu forte papel social, possui também uma
função terapêutica que, segundo Andrade, “permite ao homem expressar e ao
mesmo tempo perceber os significados atribuídos à sua vida, na sua eterna busca
de tênue equilíbrio circundante” propõe-se demonstrar que essa função pode ser
explorada na terapia com idosos. (1993, p. 03)
A arte como terapia, possibilita atividades que visam à interação entre arte e
cognição, nos leva ao autoconhecimento, a expressão de nossos sentimentos e a
formação da nossa consciência, e através dela o ser encontra sentido para viver
mobilizando a construção pessoal tendo a aprendizagem como resultado desse
processo.
Eliezer (1992) acredita que toda e qualquer atividade, material, cor, forma,
som, movimento, tem a possibilidade de atuar no sujeito. Os fios (lãs, barbantes,
linhas), utilizados na costura, no bordado, tricô, crochê e na tecelagem, permitem um
maior fortalecimento na concentração e na reeducação do pensamento. Um rolo de
barbante, por exemplo, pode permitir a percepção e integração de noções de
especificidade. As cores, quando utilizadas com harmonia permitem a expressão
afetiva e emocional. A modelagem em argila permite a estimulação tátil, o trabalho
muscular, a estrutura corporal, assim como a noção de planejamento. A técnica do
desenho tem, na terapia pela arte, o papel de desenvolver a esfera cognitiva, além
da capacidade de abstração. A dança, com excelência na projeção das imagens
internas, permite a exploração e o uso do corpo no espaço, utilizando a imagem
sonora, o som, que o faz entrar em contato com o seu ‘eu’ mais profundo que
sentindo a melodia entra no ritmo, equilibrando e harmonizando o ‘ser’.
Compreende-se então, que a utilização da arte no processo terapêutico
propicia a identificação de imagens na música, na escrita, e nas mais diversas
formas de representação artística, onde o ser humano pode ‘representar’ seus
pensamentos, sentimentos e emoções naquele momento de sua vida.
28
Para Fabietti (2004), a arte como recurso terapêutico é uma atividade na qual
se usam técnicas artísticas expressivas. Neste sentido, a arte como terapia, não
requer uma preocupação estética, o “fazer bonito”, o que realmente importa na
arteterapia é ressaltar o significado do que se faz e não para quem se faz, tendo
como objetivo possibilitar e facilitar a comunicação, a expressão verdadeira de sua
compreensão acerca do real.
Dessa forma, Guedes pontua que, “aquele que tem acesso ao fazer artístico,
está tendo a oportunidade de desenvolver ou de conferir habilidades, as quais
revelam estrutura intelectiva ou cognitiva de quem a realiza, também como de seus
valores, ideais e sentimentos. Utilizando a arte em sua vida, o ser humano tem uma
razão de ser. (2007, p. 43)
Azambuja reconhece que,
Quando existem no indivíduo determinados potenciais latentes, há
motivações constantes para exercê-los, já que se manifestam através de
necessidades interiores por uma vida mais plena e significativa Ao utilizar as
suas potencialidades, seja no trabalho ou em diversas circunstâncias e
fazeres, o homem configura sua vida e lhe dá um sentido. Quando a pressão
por ausência de perspectivas se torna muito forte, há um enrijecimento dos
processos de criação caracterizados pela repetição dos padrões antigos e
dificuldades para mudanças. Conformismo e falta de flexibilidade são
sintomas que podem ter se originado em impulsos inovadores reprimidos na
história de cada um. Esses problemas tendem a se agravar na velhice, por
falta de estímulos e oportunidades. Torna-se então necessário mobilizar os
processos criativos, na tentativa de amenizar e mesmo anular possíveis
sentimentos de estagnação ou conformismo na terceira idade, trazendo à
vida novas expectativas e possibilidades (2005, p. 3)
Refletir sobre a função da imaginação criadora, em Buoro (1996), é o que leva
o homem a captar uma das funções centrais das produções da arte e da ciência,
remetendo-o a importantes questões dos processos mentais humanos, que
provocam ação e o colocam em contato direto com o mundo, na busca da
compreensão de como os processos criativos transformam a humanidade.
No entendimento de Ostrower :
Ao criar, o artista não precisa teorizar a respeito de suas vivências, traduzir os
pensamentos e as emoções em palavras. Ele tem mesmo que viver a
experiência e incorporá-la em seu ser sensível, conhecê-la por dentro. Daí,
espontaneamente, lhe virá a capacidade de chegar a uma síntese de
sentimentos, naquilo que a experiência contem de mais pessoal e universal, e
de transpor esta síntese para uma síntese de linguagem, adequando as
formas ao conteúdo. (1995, p. 17)
29
Se arte é criação, então, segundo Azambuja (2005), criar é dar forma a algo
novo e não se refere somente à produção artística, mas também como um agir
integrado ao viver, e, se o homem cria, não é apenas porque quer ou gosta, e sim,
porque precisa.
A criatividade humana envolve a capacidade de inovar respostas frente a
desafios, quer seja no cotidiano com novas ideias e ações, ou em produções nas
artes, ciências e tecnologias diversas. O ato criador não se faz a partir do nada, ele
relaciona pensamentos, fatos, estruturas de percepção e contextos associativos já
existentes, mas até então separados, para que juntos estabeleçam a resposta
inovadora.
Azambuja (2005), nos mostra que o fazer artístico, não é somente uma forma
de relaxamento e lazer, nem uma substituição da realidade, é sim, uma ampliação
de nossa vitalidade interna. “A capacidade de renovação e de mudança, inerentes à
criatividade humana, necessita de condições reais para seu exercício e
concretização. Criar significa uma intensificação de vida. (AZAMBUJA, 2005, p. 2)”.
Pode-se perceber que,
...a arte proporciona uma melhora na compreensão do idoso consigo
mesmo, acelera um processo que poderá configurar-se como terapêutico,
isto porque na arte, a verbalização deve ser manipulada e restrita, ou seja, o
ser humano não fala, se expressa. A arte trabalha o ser de forma completa,
onde cada indivíduo busca os meios que se adaptam melhor à sua
situação.(GUEDES, 2007, p. 44)
Eliezer (1992), assinala alguns benefícios concedidos ao paciente na terapia
através da arte, tais como, a melhora na comunicação consigo mesmo e com os
outros, tornar-se mais independente, e mais ativo pelo processo de criar, diminuição
do tempo da terapia, pois a atividade reduz o valor da transferência, favorecendo a
busca da harmonia e do equilíbrio, o aumento da espontaneidade e da criatividade é
positivamente orientado, facilitando o diagnóstico para os profissionais de saúde.
A autora acrescenta que “a terapia pela arte não necessáriamente se fixa nos
limites clássicos da psicoterapia através da linguagem artística. Na Fonoaudiologia,
Fisioterapia, Enfermagem, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, a arte também é
utilizada, sendo aí, Terapia pela Arte.” (1992, p. 88)
30
A Associação Americana de Arteterapia (AATA), aprovou algumas definições
sobre arteterapia, sendo que a mais recente delas foi aprovada em março de 2003 e
diz:
...a arteterapia esta apoiada na crença de que o processo criativo envolvido
no fazer é curativo, aumentando a qualidade de vida. Criar arte e comunicála é um processo que, quando realizado junto a um arteterapeuta, permite a
qualquer pessoa uma ampliação de sua consciência. E assim ela enfrenta
seus sintomas, seu estresse e suas experiências traumáticas com
habilidades cognitivas reforçadas, para então desfrutar os prazeres da vida
que se confirmam artística e criativamente. (AATA, 2003).
Partindo-se dos esclarecimentos sobre as raízes da arteterapia, em 2007, no
Caderno de Resumos do I Forum Paulista de Arteterapia - Relembrar é
preciso...criar é continente – diante dos Conceitos e Fundamentos da Arteterapia,
registra-se aqui a definição de arteterapia, na opinião de alguns dos palestrantes.
Históricamente falando, a arte como terapia surgiu durante a Segunda Guerra
Mundial, devido o grande número de pessoas enfermas, mutiladas, pela guerra,
totalmente traumatizadas. E por não conseguirem se expressar verbalmente, a lida
com esses pacientes tornava-se quase impossível. Fez-se necessário que médicos
e enfermeiras, com a ajuda de outros profissionais, desenvolvessem atividades que
pudessem libertar essas pessoas do trauma que viviam, daí, surge a arte como
terapia, pois através do desenho, da pintura, da modelagem, entre outras atividades,
notava-se uma melhora interna e externa no desenvolvimento pessoal de cada um.
Nazareth (2007, p. 33) reafirma que a arteterapia, nos moldes em que a
conhecemos atualmente, tem uma história bastante recente, e após a II Guerra
Mundial a arteterapia surge como “uma expressão híbrida para designar um campo
de conhecimento híbrido”. Segundo a autora, a arteterapia associa o uso de
recursos artísticos, plásticos, ao conhecimento psicológico para fins terapêuticos.
Para ela, a arteterapia pode ser considerada como instrumento de transformação.
Sabe-se que em 1923, no Brasil, o Dr Osório Cezar, psiquiatra e psicanalista,
realizou diversos trabalhos utilizando a arte como terapia, no tratamento de doentes
mentais do Hospital Psiquiátrico Juqueri. Essas práticas terapêuticas consistiam-se
em técnicas de expressão, fazendo uso de diversos materiais artísticos. Foram
desenvolvidos vários trabalhos arteterapêuticos, tanto nas artes plásticas, como na
música e na escrita.
31
Segundo Ferraz (1989) formou-se até um conjunto musical, com pacientes
que já tinham algum conhecimento na área e que tocavam em festas
comemorativas. Com o desenvolvimento desse trabalho, verificou-se que os
pacientes apresentavam melhora em suas condições psicológicas. Osório Cezar
criou a Escola Livre de Artes Plásticas do Juqueri em São Paulo.
Em 1946, no Rio de Janeiro, a psiquiatra Dra. Nise da Silveira, vivenciou com
os internos do Hospital Psiquiátrico Pedro II, experiências criadas em atelierarteterapêutico, onde foram desenvolvidos uma série de trabalhos artísticos, e,
pode-se observar nas produções desses internos, a manifestação de
imagens
simbólicas, as quais ela procurou suporte na teoria junguiana para compreendê-las.
Dois anos depois, segundo Fortuna (1999), em 1948, a Dra. Nise da Silveira, iniciou
novos experimentos, com os métodos desenvolvidos anteriormente, e constatou
que a comunicação não verbal tinha mais probabilbidade de êxito na fase inicial do
tratamento com indivíduos esquizofrênicos, do que a comunicação verbal, além de
darem maior oportunidade de expressão aos que tinham dificuldade com a fala.
Verificou-se novamente que as atividades com arte, auxiliavam na
“reorganização das realidades psíquicas dos indivíduos”. (FORTUNA, 1999).
O Museu do Inconsciente foi criado por Nise da Silveira, em 1952, é
considerado um importante acervo em obras de arte, realizadas por doentes
mentais, em atelier terapêutico,
trabalho este, desenvolvido pela terapia
ocupacional.
Steinberg (2007, p.44), sente que a arteterapia com pessoas em sofrimento
mental, envolve em primeiro lugar uma empatia, um encontro, sendo que muitas
vezes esse encontro é verdadeiramente dialógico entre paciente e terapeuta.
Procura-se ampliar o repertório de seus conhecimentos de forma que possa
expandir seu mundo de imagens, ampliando assim a própria vida.
Karen Ferri (2007, p.10), entende por arteterapia, um saber constituído de
uma metodologia própria, e não de simples função entre Arte e outras áreas como
por exemplo, psicologia, medicina,educação, etc. Segundo a autora, no decorrer da
história, considera-se que o frequente diálogo entre artes com tantas outras áreas,
contribuíram para o surgimento da arteterapia enquanto disciplina e metodologia
específicas, dotada de um saber próprio.
No entendimento de Sei (2007, p.25), a arteterapia configura-se como uma
estratégia terapêutica que prima pelo uso de diferentes modalidades de expressão
32
advindas principalmente do campo das artes visuais, de maneira a facilitar a
comunicação dos indivíduos que dela participam. A autora argumenta que através
da linguagem artística, tem-se um acesso mais fácil a conteúdos internos, difíceis de
serem verbalizados. Além disso, acredita-se que a arte estímula a criatividade e
desperta recursos adormecidos gerando um aproveitamento maior de potenciais
estagnados.
Em Francisquetti (2007, p.35), as necessidades humanas, no contexto
hospitalar, tornam-se muito claras e afirma que “o hopital como espaço terapêutico é
uma prática que se consolidou a partir do século XVIII”. Alega também que está
acontecendo um aumento da demanda de idosos no setor de arte-reabilitação, e
que, muitas vezes esses pacientes apresentam desorientação, não aceitando o
tratamento e problemas de adaptação diante da sua nova realidade.
Norgren (2007, p.38), nos fala acerca da psicoterapia e dos recursos da arte
nesse contexto – artepsicoterapia - que possibilita o cliente entrar em contato
consigo mesmo, buscando conhecer a si próprio, seu jeito, suas características,
sabendo-se que a arte possibilita relaxar as defesas, errar, experimentar, sentir,
brincar, deixar transparecer o lado criança da nossa personalidade - a nossa
essência. Segundo ela, esse trabalho possibilita a autonomia, a ação independente
através da expressão dos sentimentos, refletir sobre o que se fez e assim ter
responsabilidades sobre seus atos.
Na visão de Fabietti (2007, p.29), “ A arteterapia é a janela de esperança que
se abre para um horizonte luminoso”. Segundo a autora, muitos pensam que
trabalhar com idoso é ‘gostoso’ e ‘fácil’, mas, enganam-se, pois ao depararmos com
suas dificuldades nos assustamos. Como arteterapeutas devemos estar sempre
informados e prepararados para proporcionar-lhes as melhores condições possíveis
de um ‘fazer’ digno e prazeroso. O atelier terapêutico é o lugar onde facilitador e
paciente percorrem juntos o mesmo caminho. Segundo a autora, com a arteterapia
se estabelece um sentido novo de vida, novos propósitos e objetivos são
reinventados.
Segundo Ciornai,
arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em
contexto terapêutico. Essa é uma definição ampla, pois pressupõe que o
processo do fazer artístico tem o potencial de cura quando o cliente é
acompanhado pelo arteterapeuta experiente, que com ele constrói uma
relação que facilita a ampliação da consciência e do auto-conhecimento,
possibilitando mudanças. (CIORNAI, 2004, p. 7).
33
Nise da Silveira, afirma que “ As atividades expressivas são aquelas que
melhor permitem a espontânea expressão das emoções, que dão mais larga
oportunidade para os afetos tomarem forma e se manifestarem, seja na linguagem
dos movimentos, dos sons, das formas e das cores” (1994, p. 13)
Schwarz (2009, p. 43), nos fala que Jung (1984), ao se referir às dificuldades
sentidas na fase de transição entre a meia-idade e a velhice, as considera como
profundas e altamente significativas, comparando-as ao curso diário do sol.
Suponhamos um sol dotado de sentimentos humanos e de uma
consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol
se eleva do mar noturno do inconsciente e olha para a vastidão do
mundo colorido que se torna tanto mais amplo, quanto mais alto ele
ascende no firmamento. O Sol descobrirá sua significação nessa
extensão cada vez maior de ser campo de ação produzida pela
ascenção e se dará conta de que seu objetivo supremo está em
alcançar a maior altura possível e, consequentemente, a mais ampla
disseminação possível de suas bênçãos sobre a terra. Apoiado nessa
convicção, ele se encaminha para o zênite imprevisto – imprevisto
porque sua existência individual e única é incapaz de prever o seu
ponto culminante. Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar
e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais
cultivados durante a manhã. O Sol torna-se então contraditório consigo
mesmo. É como se recolhesse dentro de si mesmo seus próprios
raios, em vez de emiti-los. A luz e o calor diminuem e por fim se
extinguem ( JUNG,1984a, p.778 ).
34
CAPÍTULO V
METODOLOGIA
“O desenho é apenas a configuração daquilo que você vê.”
Paul Cézanne
Este trabalho constituiu-se numa pesquisa de métodos qualitativos,
caracterizada por um estudo fenomenológico com fundamentação teórica, que teve
por objetivo investigar a utilização da arte como recurso terapêutico e sua influência
no processo do envelhecimento.
Os sujeitos pesquisados, durante todo o processo arteterapêutico, foram
observados quanto ao comportamento, emoção, sensação, além de outros aspectos
que podem influenciar na compreensão do tema objeto da pesquisa.
A seguinte pesquisa foi realizada em duas etapas, relacionadas a seguir:
1ª Etapa: Hospital Dia Geriátrico
Foram realizadas oficinas de arteterapia no projeto “Estimulação Cognitiva e
Funcional para Idosos” do Hospital Dia Geriátrico, no Centro de Reabilitação do
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (Ipq-HC), onde foram analisados os
efeitos da utilização da arteterapia, em idosos portadores da doença de Alzheimer,
com transtornos cognitivos leves e moderados.
Os encontros aconteciam semanalmente, e as atividades eram realizadas,
numa sala ampla, com mesas e cadeiras bem distribuídas para todos os
participantes, somando um total de 20 pessoas, divididas em dois grupos mistos, os
quais, eram atendidos em turnos de uma hora e meia cada grupo, ou seja, a
primeira turma era atendida das 9:00h às 10:30h, e a segunda turma, das 10:30h às
12:00h.
Foram utilizados materiais e técnicas diversificadas, como recorte/colagem,
montagens tridimensionais com papelão ondulado, modelagem em argila, pintura
com guache e pintura em tela com tinta acrílica.
A partir do início do processo terapêutico, foi sugerido aos componentes do
grupo, homens e mulheres, que trabalhassem as propostas, de forma livre e
pessoal, de acordo com o seu dia-a-dia.
35
Fazia parte do projeto, que ao final de cada encontro fossem fotografados os
trabalhos e, feitos relatórios sobre o comportamento dos grupos, cujos dados com
base nas descrições dos relatos dos idosos eram analisados pela arteterapeuta,
para serem discutidos posteriormente, com coordenadora do grupo Arteterapia do
Proter – Projeto Terceira Idade do IPqHC.
A arteterapia aplicada no contexto hospitalar focaliza a utilização de técnicas
artísticas dentro do processo psicoterápico, que segundo Norgren (2007), possibilita
ao cliente entrar em contato consigo próprio, buscando conhecer a si mesmo, suas
características, suas necessidades, suas dificuldades e também suas possibilidades.
No primeiro encontro utilizou-se a técnica de recorte/colagem, foram
oferecidas revistas ao grupo para que cada um recortasse figuras sobre coisas que
gostassem ou que os fizessem lembrar algo em sua vida que valesse a pena
recordar.
Alguns ficaram à vontade, tranquilos enquanto recortavam as figuras
preferidas, enquanto outros, diante de tantas figuras, pareciam não encontrar o que
procuravam. Um dos pacientes, Sr. Y se mostrava muito ansioso, demorou muito,
mas encontrou duas paisagens, que segundo ele, trazia muitas recordações dos
filhos quando crianças, dizendo que há muito tempo não viajava com eles, e a figura
de uma menina que dizia ser parecida com sua neta.
Figura 1- Colagem.
36
No segundo encontro a proposta era continuar com a mesma técnica mas
com alguns materiais diferentes, como barbantes coloridos, linhas, lãs, botões, etc.
para que eles emoldurassem as figuras escolhidas como um porta-retrato.
Observou-se neste trabalho, que o uso de fios (lãs, linhas, barbantes )
agradavam a uns e a outros não, porque com o uso da cola, os fios grudavam nos
dedos e isso os incomodava bastante, principalmente os homens que não estão
acostumados a esse tipo de trabalho. O senhor W comentou com ar brincalhão que
isso era para mulheres e na sua colagem, ele escreveu sob as figuras, aliás, muito
bem escolhidas, uma frase bem criativa.
Figura 2- Colagem.
No terceiro encontro utilizou-se a técnica tridimensional, onde foram
distribuídos pedaços de papelão, micro ondulado, papel cartão, palitos, para que
construíssem alguma obra arquitetônica, ou fizessem uma escultura.
Pode-se notar que com esse material, diferente, os homens trabalhavam com
mais entusiasmo, e fizeram esculturas interessantes, inclusive o Sr Y, confeccionou
um catavento com uma engrenagem no centro, que o fazia girar manualmente e
ficou muito feliz com o resultado, dizendo que ia dar de presente para sua neta
brincar.
37
Figura 3: Catavento
Já, as mulheres mais caprichosas, deram um toque feminino nas suas
construções. A senhora Z construiu uma casinha de cachorro e colocou até um
ossinho lá dentro, e a senhora X enfeitou sua escultura com lacinhos. Os trabalhos
ficaram lindos.
Figura 3- Casinha de cachorro.
Figura 4 – Escultura em papelão.
38
No quarto encontro trabalhou-se com a argila e pode-se perceber que o
contato direto com o barro nas mão, oferece emoções diversas em quem o
manipula, desde o prazer, ao nojo, para quem não gosta de sujar as mãos. Nesse
encontro, uma das senhoras que demonstrava sempre insatisfação diante de que
fazia, ficou tão entretida manuseando a argila, e vendo as formas diferentes que iam
surgindo das suas mãos, sua alegria era contagiante, e a partir desse dia, ela
mostrou-se mais interessada e participativa, embora,
preferisse continuar
amassando o barro.
Já, a senhora M que não queria sujar as mãos, confeccionou flores e folhas
de papel crepom, as quais, foram utilizadas para adornar o trabalho da senhora N,
que ficou ainda mais entusiasmada com o efeito colorido dando vida às suas peças.
Figura 5 – Trabalhos de argila
Figura 6 – Trabalhos de argila
Segundo Chiesa (2004), o contato direto com o barro promove várias
sensações, e na medida em que a pessoa vai manipulando a massa, algo acontece
com a sua energia, deixando-a mais relaxada ou mais excitada. E, ao entrar em
contato com o barro, pode ocasionar uma transformação, não superficial, mas
intensa e profunda, que vem de dentro pra fora do ser.
No quinto encontro, foram oferecidos, lápis de cor, lápis aquarela, giz de cera
e carvão, para que eles desenhassem livremente sobre o papel, o que lhes viesse à
39
mente. Esse exercício, geralmente, faz com que as pessoas, de início, sintam-se
inaptas para desenhar, dizendo o tempo todo que, não sabem desenhar, não vão
conseguir, e assim por diante. Daí, o arteterapeuta sugere que façam um desenho
qualquer, de algo que se recordem na infância, e eles começam a se desinibir e
surgem desenhos das brincadeiras que faziam quando crianças.
As mulheres desenharam casinhas, flores, bonecas, etc. e os homens,
desenharam carrinhos, aviões, pipas, bolas, etc. Um dos idosos, o senhor K, que
insistia dizendo que não sabia desenhar, acabou desenhando uma bandeira com
aquarela, e ainda, utilizando um pedaço de papelão, fez um carimbinho e com ele
carimbou várias bandeirinhas sobre o papel. O trabalho ficou muito interessante.
Figura 7 – Bandeira
Figura 8 – Bandeirinhas (carimbo)
Norgren (2007) pondera que a arte possibilita relaxar as defesas, errar,
experimentar, sentir, brincar, deixar transparecer o lado criança da nossa
personalidade – “a nossa essência”. E cita May (1975) quando nos diz: “Faz-se
brincando o que é preciso aprender a fazer na vida – ter a coragem necessária para
ser e vir a ser”.
No encontro seguinte, propôs-se ao grupo o uso de pincéis e tinta guache,
sobre o papel canson. Como pintar não faz parte do cotidiano da maioria dos idosos,
e por alguns terem dificuldade no manuseio dos pincéis, esse tipo de exercício
repetiu-se em mais dois encontros, para que eles se familiarizassem as tintas e os
pincéis e treinassem a coordenação motora. A pintura abaixo é da senhora N, que já
sabia pintar e era o que ela mais gostava de fazer, ficava absorta no seu cantinho.
40
Figura 9 - Paisagem
Nos encontros que sucederam, iniciou-se a pintura em tela, com tinta acrílica,
o trabalho tão esperado pela maioria, principalmente das mulheres. Foram
apresentadas aos grupos, várias imagens, de flores, paisagens, objetos, alem de
imagens
abstratas,
cubistas,
contemporâneas,
enfim,
de
vários
artistas
conceituados, nacionais e estrangeiros, de modo que cada um escolhesse a que
mais lhe inspirasse e que estivesse de acordo com a sua aptidão. Começaram com
telas pequenas e a cada dois encontros o tamanho da tela aumentava, até chegar
na medida de 40x60, na qual foi feita a ultima pintura desse grupo, da oficina
arteterapêutica, e realizou-se uma exposição no local, para que grupos de outras
oficinas pudessem participar e prestigiar.
Figura 10 – Pintura em tela com acrílica
Figura 11 - Paisagem
41
Durante todo o processo , dentro das oficinas de arteterapia, enquanto
trabalhavam, sempre com uma música suave ao fundo, os idosos eram observados
em suas reflexões, emoções, sensações, e no final, percebeu-se que eles
mostravam entusiasmo e alegria ao comentar com os colegas do grupo de
arteterapia, e dos outros grupos, as experiências vividas durante todo o processo
arteterapêutico.
2ª Etapa: Lar de Idosos
As atividades realizadas com idosos abrigados numa pequena cidade do
interior paulista ocorreu no período de 03/04/09 a 06/08/09,
em encontros
semanais, com duração de duas horas, sendo que alguns encontros, estendiam-se
até três horas, dependendo do dia e da atividade.
Segundo Watanabe e Giovanni (2009, p. 69), Abrigos de Idosos,
compreendem os Asilos, Casas para velhice com alojamento, Instituições de Longa
Permanência para Idosos (ILPI), destinados à assistência social para idosos, em
regime de internato, isto, quando o tratamento médico não constitui elemento central
desse atendimento. Esses abrigos, surgiram, fundamentados na caridade e no
atendimento básico às necessidades da vida, como ter onde se alimentar, se banhar
e dormir.
Realizou-se este trabalho, com a finalidade de comprovar a contribuição da
arteterapia no processo de valorização do potencial criativo do idoso asilado, na
reconciliação de seus problemas emocionais e na reconstrução de sua autoestima.
Foram levantados alguns aspectos da instituição e um pouco da vida desses
idosos, com relatos dos momentos trabalhados junto a eles. Apresenta-se, algumas
amostras de atividades realizadas.
O bairro onde se situa o abrigo fica no centro da cidade. O terreno ocupa
aproximadamente a área de um quarteirão bem grande, é uma construção antiga,
porem muito bem conservada, e os alojamentos ocupados pelos idosos são bem
distribuídos, cada um tem o seu quartinho e suas coisinhas pessoais bem
organizadas. Vivem no local, trinta idosos, entre homens e mulheres, com mais de
sessenta anos de idade. O espaço de lazer é muito grande, arborizado, com bancos
espalhados pelo jardim, tem até um laguinho com patos, uma tartaruga, e um canil
42
para a labradora Mel. O pomar com bananeiras, árvores frutíferas, e a horta com
verduras e legumes, são muito bem cuidados por dois idosos, moradores do abrigo.
Na área social, salas de TV, salão de festas, enfermaria, lavanderia, cozinha, um
amplo refeitório, sala de costura, e outras salas mais onde são feitos diversos tipos
de trabalho, para serem vendidos no bazar. Enfim, é um lugar muito bom para se
viver essa fase da vida...até uma capelinha tem lá.
Figura 12 – Lar São Vicente de Paulo
O primeiro encontro, deu-se em uma sala espaçosa, cuidadosamente
preparada para os trabalhos com arte, onde havia uma mesa bem grande, com
diversas cadeiras, uma estante com uma pilha de revistas, e diversos materiais
artísticos. Compareceram a esse encontro apenas seis pessoas, dois homens e
quatro mulheres. Pode-se perceber que alguns idosos, não caminham sozinhos, e
precisariam da ajuda de uma cuidadora, que os levasse até a sala, outros alheios ao
que estava acontecendo, não participaram das atividades e uns, que foram até o
local, deram uma olhadinha e foram embora sem falar nada, talvez por inibição ou
falta de interesse.
Muitas vezes as dificuldades físicas impedem as pessoas de participarem
mais ativamente das atividades. Segundo Terra (2002), o envelhecimento leva à
perda do condicionamento físico, ocasionando uma fragilidade muscular, o que faz
aumentar a dependência.
43
Propôs-se nesse dia, um trabalho com recorte e colagem, já que na referida
sala havia muitas revistas. Foi pedido que recortassem algumas figuras mostrando
‘do que eu gosto’ e ‘do que eu não gosto’, utilizando somente as mãos, para ativar a
coordenação motora. Alguns não se importaram de cortar as figuras com as mãos,
outros queriam a tesoura, e um deles só folheava as revistas, porém, os trabalhos
ficaram bem interessantes.
Figura 13 – Recorte e Colagem
Verifica-se nesse tipo de trabalho, que os participantes ficam tão
compenetrados procurando as figuras de seu interesse, e mal percebem que estão
procurando dentro deles mesmos, no seu íntimo, as coisas que lhes agradam e
desagradam.
Figura 14-Recorte e colagem
44
Figura 15 – Recorte e Colagem
No segundo encontro, o grupo anterior limitou-se a apenas duas participantes,
duas senhoras que fizeram um relato de sua vida, e em seguida foi proposto a elas
que fizessem um desenho sobre sua infância.
Uma delas, a senhora delicada,
mostrou-se bastante insegura ao desenhar, dizendo que não lembrava muito do que
tinha feito quando era criança, pois seu pai era muito severo e ela quase não
brincava. Iniciando seu desenho com traços leves, ela comentou que sua árvore
estava inclinada porque estava ventando muito naquele dia. A outra senhora, que
parecia segura e determinada, e, segundo ela, gostava muito de escrever e fazer
poesias, desenhou um caminho florido, dizendo que amava a liberdade.
Figura 16 – Árvore ao vento
Figura 17 – Caminho florido
No encontro seguinte, compareceram as mesmas senhoras, mas disseram
que não queriam desenhar, só queriam conversar. Ouviu-se o que elas queriam
45
dizer, o que gostariam de fazer, e foi combinado para o próximo encontro, a
confecção de um colar de contas feitas com folhas coloridas de revistas, porem
nesse encontro uma delas, a senhora delicada, estava com as mãos doendo e não
conseguia enrolar os canudinhos. A poetisa, havia feito um colar durante a semana,
dizendo que já sabia como fazê-lo, e o trouxe pronto, não era exatamente igual ao
que seria confeccionado naquele dia, mas valeu a intenção. Novamente ficou-se na
conversa.
Pelo fato dessa idosa estar com as mãos doendo e com dificuldade em
movimentá-las, foi preciso mudar a proposta do trabalho para o próximo encontro,
que não houve.
Figura 18 – Colar de papel
Em sua pesquisa sobre instituições de asilados, Anacleto (2006), alega que
alguns fatores psicológicos, físicos e sociais criam lacunas, que dificultam sua
adaptação na instituição asilar, ou seja, no seu novo lar. Entre esses fatores,
destacam-se a perda da identidade, perda dos familiares, diminuição de atividades
físicas e até a completa inatividade, por problemas de saúde ou por falta de
oportunidade de realizar algumas tarefas.
Nos encontros posteriores, indo-se de quarto em quarto, duas senhorinhas
sentadas no corredor frente ao quarto, puseram-se a conversar e propôs-se a elas
fazer um desenho ali mesmo numa carteira de escola arrumada de improviso e
alguns lápis de cor. Elas ficaram tão compenetradas nos desenhos, que, quando o
sino tocou, anunciando a hora do almoço, elas não queriam parar. A senhora X
terminou o seu desenho, os canteiros, que ela avistava da varanda, e foi comer.
46
Figura 19 - Canteiros
A senhora Y continuou desenhando, fez uma casinha com escadinha na
porta, dizendo que era a casa onde ela morou quando criança, e comentou que na
escola a professora nunca tinha dado lápis de cor pra ela desenhar, fez também
uma cestinha, toda feliz, e só parou quando uma funcionária lhe trouxe a comida.
Essa senhora não quis mais desenhar pois dizia que sua mão doía e não lhe
obedecia mais. Porem, era tão tagarela, que sempre contava sobre sua vida e dizia
ter sido uma ‘moleca levada da breca’,
Figura 20 – Casa com escadinha e cestinha
47
Na semana seguinte, a Sra X, que parou de desenhar para ir almoçar, pediu
que lhe deixasse folhas de papel, giz de cera e lápis de cor, para que ela pudesse
desenhar durante a semana. Fez-se a sua vontade e qual não foi a surpresa no
próximo encontro, ao ver que ela havia feito vários desenhos, alguns de observação
da paisagem, da vila, outros de lembranças da infância, da casa onde morava com
seus avós, objetos, flores, animais entre outras coisas.
Figura 21 – Desenhos diversos
48
Por um bom tempo ficou-se assim, ela entregava os desenhos feitos na
semana, queixava-se dos lápis de cera, porque eles escorregavam das mãos e
passou a usar somente lápis de cor. Numa manhã, enquanto conversava sobre
vários assuntos, ela comentou sobre algumas pessoas vestidas de palhaço no
carnaval de rua, que mais pareciam monstros e lhe causavam muito medo quando
criança. Foi pedido a ela que desenhasse os palhaços, se possível, e assim ela o
fez, entregando-os na semana seguinte, porem, esse foi seu último desenho e o
último encontro.
Figura 22 - Palhaços
Essa senhora decidiu, meio brava, que não queria mais desenhar, estava
cansada, e devolveu o material para a arteterapeuta. Considerou-se a atividade
significativa, porque ao remontar à infância e desenhar, tal idosa, revelou suas
memórias, mas, quando desenhou os ‘palhaços’ ela revelou seus medos, antes não
revelados, e isso demonstrou que ela ainda não conseguia lidar com esses medos,
enfrentá-los.
Furth (2006), alega que, “para conhecermos a nós mesmos, precisamos
trazer para a consciência o que está submerso em nosso inconsciente. Os nossos
pensamentos chegam até nós por meio da linguagem inconsciente dos sonhos,
pinturas e desenhos”. Segundo o autor, o uso dos desenhos, sonhos, fantasias,
imaginação, ou uma combinação dessas formas de representação simbólica,
ampliam a autocompreensão. E, através da interpretação analítica dessas
“expressões, aprendemos a reconhecer nossas fraquezas, nossos medos e
49
aspectos negativos, assim como, nossas forças, conquistas e potenciais ainda não
usados, levando-nos a um maior “insight” sobre quem realmente somos” (FURTH,
2006, p.48).
A esse respeito, Furth diz que,
ao aprender sobre nosso psiquismo, descobrimos as partes desenvolvidas e
as não desenvolvidas de nós mesmos, descobrindo como evitar a projeção
dessas partes escondidas nos outros. Ao aprender e vivenciar o nosso
próprio psiquismo, tornamo-nos mais bem preparados para ajudar outras
pessoas a embarcar na viagem do autodescobrimento. (2006, p. 49)
Fortuna (2005), segundo a psicologia junguiana, nos fala que as expressões
individuais são consideradas comunicações simbólicas, e diz ainda que o efeito
terapêutico dos trabalhos com a arte está diretamente ligado ao uso da energia
psíquica do paciente e na capacidade de expressão de seus conteúdos internos.
Furth (2006, p. 41), explica que um símbolo refere-se a algo tão profundo, que
a consciência tão limitada como é, não consegue captar o seu significado de uma só
vez. Desse modo, o símbolo sempre carrega um elemento do desconhecido e
daquilo que não é acessível às palavras e que, muitas vezes possui uma qualidade
duvidosa, inexplicável.
Trabalhar com o idoso asilado torna-se ainda mais difícil, devido o
comprometimento com os vínculos familiares, o abandono e o escasso número de
visitas, que geram sentimentos de tristeza e revolta, alem da perda do sentido da
vida. Acredita-se que esses fatores sejam influentes no aparecimento de depressões
e agravamento dos problemas de saúde em geral, tornando quase impossível a
participação dos mesmos em diversas atividades.
A arte, por ser um canal de exteriorização de emoções, oferece através das
atividades expressivas, oportunidades em todos os estágios da vida, facilitando em
qualquer idade, um encontro consigo mesmo. Para o idoso, a arte surge como uma
possibilidade de representação que a pessoa faz de si mesma, permitindo-lhes
sonhar, pois, redescobrindo sua capacidade criadora, eles vivenciam atividades
como desenhar, escrever, brincar com coisas que já não faziam mais parte do seu
cotidiano.
50
CONSIDERAÇÕES FINAIS
“O que em mim sente está pensando”.
Fernando Pessoa
Neste trabalho, estudou-se a relação entre idoso e arte, fundamentado num
quadro teórico que permitiu a contextualização do idoso no mundo atual, suas
características e demandas enquanto uma parcela da população que vem crescendo
de modo contínuo. Devido a este crescimento pesquisadores de diferentes áreas de
estudo tem demonstrado interesse na fase da terceira idade, voltando seus estudos
para o entendimento do processo de envelhecimento e em como proporcionar ao ser
humano que está envelhecendo, uma vida mais longa e saudável.
Atualmente a terceira idade é vista como uma etapa natural da vida com
características próprias, na qual ainda há possibilidades de mudança e realização
pessoal, facilitada pela maior disponibilidade de tempo e liberdade. Universidades e
projetos voltados para a terceira idade, oferecem cursos, oficinas de arte, programas
culturais, e diversas atividades com o intuito de abrir oportunidades para a
autorealização do idoso.
Sabendo-se que a arte como forma de expressão, possibilita ao indivíduo,
expressar seus sentimentos, emoções, e conflitos internos, aumentando seu
potencial criativo e construindo a sua autoconfiança, essas modalidades
expressivas, aplicadas aos idosos, permitiram que eles desenvolvessem a
comunicação e a expressão, valorizando a subjetividade.
Pode-se notar que as contribuições da arteterapia, no conhecimento, na
manipulação e na experimentação pelas técnicas artísticas permitiram o resgate de
potenciais desconhecidos ou inativos e o fortalecimento da sua autoimagem.
Nesta pesquisa, trabalhou-se com o idoso asilado, durante um curto espaço
de tempo, e mesmo assim pôde-se perceber que houve mudanças de
comportamento em alguns casos, acreditando-se que, por necessitarem tanto de
atenção, e carinho, se eles tivessem sido trabalhados por mais tempo haveria uma
transformação visível em suas vidas.
A população do mundo está envelhecendo, a sociedade se transformando, a
expectativa de vida está aumentando e a vida se prolongando. É preciso que a
51
longevidade esteja associada a uma etapa privilegiada da vida, voltada para a
satisfação pessoal e o prazer. Então, o fazer arte, torna-se um recurso indispensável
para o idoso que, ao recuperar sua autoestima, melhora sua auto-imagem e passa a
ter uma vida digna e saudável. A felicidade está em envelhecer com arte.
Conclui-se que, conhecimento adquirido, grandes feitos para a humanidade e
uma boa saúde são formas de ter uma velhice digna e feliz. A velhice é um fato que
não podemos evitar, então devemos aceitá-la, ou seja, nem negar, nem desejar que
venha antes da hora. Para se alcançar essa forma de viver, torna-se necessário
reformar o pensamento para ter uma cabeça bem feita.
Conforme a proposta de Edgar Morin, “O saber não nos torna melhores nem
mais felizes. [...] Mas a educação pode ajudar a nos tornarmos melhores, se não
mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte prosaica e viver a parte poética de
nossas vidas” (2000, p. 11).
52
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AATA – THE AMERICAN ART THERAPY ASSOCIATION. Definition of Art Therapy.
Disponível em <http://w.w.w..arttherapy.org/. Acesso em out. 2009.
ALLESSANDRINI, C. D. A arteterapia hoje: no mundo e no Brasil. Caderno de
Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia: S.P. p. 13, 2007.
______. Oficina Criativa e Psicopedagogia. São Paulo: Casa do Psicólogo,1996.
ALMEIDA. O.P. & FORLENZA,O.V. Depressão e Demência no Idoso: Tratamento
Psicológico e Farmacológico. São Paulo: Lemos Editorial, 1997.
AMADO, M.L.M. Terapia de grupo. In: MONTEIRO, D.M.R. Dimensões do
envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter, 2004
ANACLETO, M. et al. A mortificação do eu: vivências psicológicas de idosos
institucionalizados. Rev.SPAGESP, dez. 2004, vol.5, nº 5, p.50-55. ISSN 1677-2970.
ARGIMON. I. I. L. Desenvolvimento Cognitivo na Terceira Idade. Tese (doutorado) –
Instituto de Psicologia, PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, 2002.
AZAMBUJA, T. Uma oficina de criação para a terceira idade. Textos sobre
envelhecimento. v.8 n.2. Rio de Janeiro: UNATI, 2005.
BARBOSA, Ana Mae. T. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 1996.
_______. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.
BARBIERI. N. A. Trabalho com velhos: algumas reflexões iniciais. Pulsional. Revista
de Psicanálise, v.16, n. 173, 2003.
BEAUVOIR, S. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
53
BELLO, S. Pintando sua alma. Método de desenvolvimento da personalidade
criativa. Rio de Janeiro: Wak, 2004.
BERNARDINO, K. F. Raízes da Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum
Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.10, 2008.
BOSI, E. Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo: Companhia das
Letras, 1994.
BOU, Llouis Ma. Como enseñar el arte. Barcelona: Gersa, 1989.
BUORO, Anamélia Bueno. O olhar em construção: uma experiência de ensino e
aprendizagem da arte na escola. São Paulo: Cortez, 1996.
CALDAS, C.P. Introdução à Gerontologia. In: VERAS. R.; LOURENÇO.R. Formação
Humana em geriatria e gerontologia: uma perspectiva interdisciplinar. Rio de
Janeiro, RJ: UnATi/UERJ, 2006.
CAMAROSANI. P.G. In: BELLINI. M.H. Qualidade de vida é fundamental. Revista da
Drogaria São Paulo. Ed.21. p. 24, 2009.
CHIESA, Regina Fiorezzi. O diálogo com o barro: o encontro com o criativo. São
Paulo: Casa do psicólogo, 2004.
P
______. Arteterapia e saúde física. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de
Arteterapia. São Paulo: AATESP. p. 42, 2007.
CÍCERO, M. T. Saber Envelhecer. São Paulo: L&PM, 1997.
CIORNAI, S. Percursos em Arteterapia. São Paulo: Summus, 2004.
DUMAZEDIER. J. Lazer e Cultura Popular. São Paulo: Perspectiva, 1973
ELIEZER, J. Arte-terapia. Revista Insight. Ano II, n.23, São Paulo, 1992.
FABIETTI, D. Arteterapia em diferentes contextos no processo de envelhecimento.
Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.
29, 2007.
54
FERREIRA, A. B. de Holanda. Dicionário Básico da Língua Portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
FERRETTI, V.M.R. Encontro de Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum
Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 8, 2007.
FERRI, K. Raízes da Arteterapia. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de
Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 10, 2008.
FISCHER, Ernst. A necessidade da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
FORTUNA, S. M. C. B.Terapias expressivas, demência de Alzheimer e qualidade de
vida: uma compreensão junguiana. Dissertação de Mestrado, em gerontologia,
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, 1999.
FRANCISQUETI, A. A. O Hospital: um espaço arteterapêutico. Caderno de Resumos
do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 35, 2008.
FURTH, Gregg M. O mundo secreto dos desenhos: uma abordagem junguiana da
cura pela arte. São Paulo: Paulus, 2004.
GUEDES, M.H.M. Idoso e Arte: Uma relação possível com a autoimagem?
Dissertação de mestrado. Universidade Católica de Brasília, 2007.
HILLMAN, J. A força do caráter e a poética de uma vida longa. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2001.
______. O código do ser. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997
JACOB-FILHO, W. Promoção da Saúde do Idoso. São Paulo: Lemos, 1998.
______. Fatores determinantes do envelhecimento saudável. Boletim do Instituto de
Saúde – BIS. N.47. p. 27,28, 2009.
KANDINSKY, Wassily. Do Espiritual na Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
LEBRÃO, M. L. Epidemiologia do Envelhecimento. Boletim do Instituto de Saúde.
BIS. nº 47. p.23, 2009.
55
______. Desafios da pesquisa em envelhecimento. BIS. n. 47. p. 97, 2009.
MARCELLINO, N.C. Lazer e Educação. Campinas: Papirus, 1990.
______. Estudos do Lazer: Uma Introdução. Campinas: Autores Associados, 1996.
MATSUDO. S. M. M. Envelhecimento, atividade física e saúde. Boletim do Instituto
de Saúde – BIS, n.47, p. 77, 2009.
MELO, Victor Andrade. Lazer e minorias sociais. São Paulo: IBRASA, 2003.
MERCADANTE,D.F.;ARCURI.I. G. Velhice envelhecimento complex(idade). São
Paulo: Vetor, 2005.
MORA, J.Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1996
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
NAHAS, M.V. Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida: Conceitos e Sugestões
para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf, 2003.
NAZARETH, Leila. Arteterapia na qualidade de vida e profilaxia. Caderno de
resumos do I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP. p. 33, 2009.
NERI, Anita Liberalesso. Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na
terceira idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, Edições SESC-SP, 2007.
NETTO, P.M. Questões metodológicas na investigação sobre velhice e
envelhecimento. In FREITAS, E.V. et AL. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de
Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002.
NORGREN, Betânia. Artepsicoterapia. Caderno de resumos do l Fórum de
Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.38, 2009.
OLIVIER, Lou de. Psicopedagogia e arteterapia: teoria e prática na aplicação em
clínicas e escolas. Rio de Janeiro: Wak, 2008.
56
OSHO. Maturidade: A responsabilidade de ser você mesmo. São Paulo: Cultrix,
1999.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro,
Petrópolis: Vozes, 1987.
PEDROSA, M. Arte, forma e personalidade. São Paulo: Kairós, 1979.
PITTA, A.M.R. Saúde & Comunicação: Visibilidades e Silêncios. São Paulo: HucitecAbrasco, 1995.
RAMOS, L. R. Saúde Pública e envelhecimento: o paradigma da capacidade
funcional. Boletim do Instituto de Saúde, n.47, p.40, 2009.
READ, H. As origens da forma da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1965
______. Arte e alienação: o papel do artista na sociedade. Rio de Janeiro: Zahar,
1967.
______. O sentido da arte. São Paulo: Ibrasa, 1978.
MAY, R. A coragem de criar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
SALGADO, M.A. A velhice é uma questão social. São Paulo: SESC, 1980
SANTOS, D. P. Arteterapia e Educação. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista
de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p.37, 2007
SCHWARZ, Lídia Rodrigues. EnvelheSer: a busca do sentido da vida na terceira
idade. São Paulo: Vetor, 2009.
SEI, M.B. Arteterapia e Violência. Caderno de Resumos do I Fórum Paulista de
Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 25, 2007
SILVEIRA, Nise da. Jung Vida e Obra. Rio de Janeiro, Guanabara: José Álvaro,
Editor, 1971.
57
STEINBERG, S. Arteterapia no contexto de saúde mental. Caderno de Resumos do
I Fórum Paulista de Arteterapia. São Paulo: AATESP, p. 44, 2007
TAVARES.S.M.G. A saúde mental do idoso brasileiro e a sua autonomia. Boletim do
Instituto de Saúde-BIS. N.47, p. 87, 2009.
TERRA, N. L. Envelhecendo com qualidade de vida. Porto Alegre: Edipucrs, 2002
TOLSTÓI, Leon. O que é a arte? São Paulo: Experimento, 1994
VALLADARES, A. C. A. Arteterapia no novo paradigma de atenção em saúde
mental. São Paulo: Vetor, 2004
VERAS, R. Envelhecimento Humano: Desafios do mundo atual. Disponível em
<http:www.fundaçãounimed.org.br/EncontroNDH2007/apresentação/Dr.RenatoVeras
_____;RAMOS, L.R.;KALACHE, A. Envelhecimento populacional: uma realidade
brasileira. São Paulo. Revista de Saúde Pública, 21 (3), p.21-24, 1987.
VIEIRA, E. B. Instituições geriátricas: avanços ou retrocessos? Rio de Janeiro:
Revinter, 2003.
WATANABE, H. A.; GIOVANNI, V. M. di. Instituições de Longa permanência para
idosos (ILPI). Boletim do Instituto de Saúde-BIS, n. 47, p. 69, 2009.
ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. Porto Alegre: ArtMed,
2000.
Download

MARIA DA GRAÇA MARTINS SILVEIRA A ARTE DE