Maria da Graça Derengowski Fonseca Professora da Graduação (Microeconomia e Economia Industrial) Professora de Economia Industrial, Economia Institucionalista e Economia Evolucionista ( Pós Graduação) Pesquisa: Coordenadora do Grupo de BioEconomia Observatório do Infosucro sobre Etanol e Biodiesel Graduação Maria da Graça Derengowski Fonseca Professora da Graduação (Microeconomia e Economia Industrial) Professora de Economia Industrial, Economia Institucionalista e Economia Evolucionista ( Pós Graduação) Pesquisa: Coordenadora do Grupo de BioEconomia Observatório do Infosucro sobre Etanol e Biodiesel Graduação Criadores e Inspiradores Cournot- teoria do duopólio Chamberlin e Joan Robinson- teoria da competição imperfeita/monopolística Joe Bain – Barreiras à Nova Competição John K.Galbraith Paolo Sylos Labini Edward S. Mason Richard Caves J.Stigler (Escola de Chicago) Frederik Scherer (Harvard) MgDF- IE/UFRJ Teorias Emergentese outras teorias de apoio Nova Economia Institucional NIE (0liver Williamson e Elinor Ostron , Ronald Coase,Douglas North) Ênfase colocada na análise da teoria dos custos de transação e ativos específicos (investimentos incorporados em ativos) NIE oferece nova teoria da firma (teoria da agência,teoria do “team production”, governança corporativa) Extensões 2. Teoria Gerencialista (Galbraith, J.K.) 3. Teoria Jogos (estratégias) 4. MicroEconometria (instrumental) MgDF- IE/UFRJ EI EM CHICAGO (Stigler1968 Nobel Memorial Prize in Economic Sciences-1982) Economia Industrial (EI) é definida como aplicação da microeconomia à análise das firmas, mercados e indústrias Para Stigler não há uma clara distinção teórica entre Microeconomia e Economia Industrial; há um continuum A diferença, segundo ele, decorre do método de investigação e aplicação empírica MgDF- IE/UFRJ EI em Harvard (Sherer,F. John F. Kennedy School of Government e Federal Trade Comission) Para economistas de Harvard não há problema em se abandonar os critérios de maximização de curto prazo reconhecendo-se a necessidade de criar um marco analítico para investigar o que a teoria tradicional chama de falhas de mercado as falhas de mercado podem ser mais relevante para a definição da competição do que a teoria convencional supunha (não são apenas uma fricção temporária de afastamento do equilíbrio) Competição imperfeita (monopolística)e oligopólio passam a ser o caso de referência em lugar da concorrência perfeita MgDF- IE/UFRJ Economia Industrial:definição Teoria que analisa a relação entre elementos de uma estrutura industrial / mercado e as estratégias competitivas das empresas e corporações privadas (são as condutas e políticas das firmas) É influenciada por lei e normas ( regulação) e políticas econômicas (mas também as influenciam) Atenção: as estratégias competitivas podem ser diferentes para cada empresa mas a a empresa não é independente para adotar qualquer estratégia/conduta Há restrições determinadas por características estruturais dos mercados e indústrias MgDF- IE/UFRJ Na realidade, EI permite entender porque certos padrões competitivos se repetem (há regularidades encontradas no comportamento competitivo das empresas automobilísticas, por exemplo) Estudar EI é estudar a competitividade da indústria e das empresas com maior rigor empregando critérios analíticos (e não apenas escolher uma qualificação de competitividade e aplicá-la) MgDF- IE/UFRJ Instrumento de Análise: Modelo E-C-D (Estrutura-Conduta- Desempenho) Modelo que apresenta relações causais entre elementos da estrutura (por exemplo, economias de escala) , as condutas das firmas e apresenta medidas de desempenho ( em termos de emprego, renda , lucros, receitas e outras medidas ) Através do modelo E-C-D pode-se indagar se empresas têm poder de mercado para influenciar (ou definir) suas próprias políticas de preços MgDF- IE/UFRJ Principais Questões Econômicas abordadas ► Estudo de Poder de Mercado ► Identificação do ambiente competitivo distinção entre mercado X indústria,noção de mercados relevante, grupo econômico ► Análise das Estruturas de Mercado Há barreiras à entrada de novos competidores? A estrutura é concentrada?Qual é a dimensão dos custos fixos? Existem custos afundados ou sunk costs? Identificação das estratégias empresariais (de preço, de inovação ou qualidade (lançamento de produtos novos,por ex.),de manutenção de capacidade ociosa para prevenir acesso de novos competidores MgDF- IE/UFRJ Poder de Mercado Porque algumas empresas têm maior poder de mercado que outras? O poder de mercado das empresas é atribuído a falhas de mercado ou na competição (que deveria ser perfeita) Firmas que integram ambientes competitivos , em que prevalece a competição perfeita, não têm poder de mercado, a não ser temporariamente ( medido pelo índice de Lerner) se têm, deve-se à falhas na competição Definição: poder de mercado é o poder que algumas firmas têm de elevar persistentemente os preços acima dos níveis competitivos (índice de Lerner in Varian e Pindyck e Rubenfeld) MgDF- IE/UFRJ O que é Indústria (definição) ► O termo indústria é usado quando o analista se refere ao grupo de produtos que são substitutos próximos do ponto de vista do método de produção ( por exemplo indústria de processo, indústria montadora ) ► Compreende um subconjunto de empresas que têm habilidade de produzir, de forma relativamente rápida, produtos semelhantes aos de qualquer outra firma situada no seu entorno competitivo (em geral, mas nem sempre, compartilham a mesma base tecnológica e têm estrutura de custo semelhante) ► Na prática, se 2 produtos são produzidos com métodos produtivos similares, as empresas são competidoras MgDF- IE/UFRJ Mercado (definição) ► ► ► ► ► Mercado é o “locus” de competição de produtos/serviços que são substitutos perfeitos Competição Monopolística (E. Chamberlim e J. Robinson) estabelece que competição abrange substitutos diferenciados imperfeitos Se 2 produtos vão ser usados com propósitos similares, mesmo que sendo ligeiramente diferentes, as firmas que os produzem são de fato competidoras Se dois produtos são substitutos razoáveis (tênis e sapatos de couro) eles podem ser classificados dentro de um mesmo mercado embora sejam produtos de indústrias diferentes Atenção: pode, ou não haver, superposição entre mercado (definida pelo critério de substituição) e indústria (definida pelo método de produção e pela tecnologia) MgDF- IE/UFRJ Joan Robinson em Concorrência Perfeita Reexaminada in Economic Journal, 1953) Definição de Produto: produto é um bem de consumo arbitrariamente demarcado de outros tipo de bens mas que pode ser considerado, dentro de seu grupo competitivo, como razoavelmente homogêneo Autora admite que há uma cadeia de substitutos cuja continuidade é quebrada por “gaps” entre eles neste caso os produtos isolados pelos “gaps” poderiam ser de uma mesma indústria, apesar de serem ligeiramente diferentes A industria inclui as firmas cujas curvas de demanda apresentam alta Elasticidade Cruzada de Demanda segundo a autora MgDF- IE/UFRJ Como saber? Micro: Analisando a elasticidade cruzada da demanda Mas atenção: a questão não pode ser definida a priori com base em critérios teóricos, a não ser que a estrutura de mercado seja perfeitamente competitiva (e os produtos absolutamente iguais) Em geral o critério é empírico dependendo do propósito da análise ( substituição técnica ou econômica) Ex: carros populares, de luxo, modelos esportivos e camionetes são substitutos do ponto de vista técnico mas é através de categorias de potência que eles são realmente bons substitutos (concorrência dentro do segmentos de carros 1.0, ou veículos utilitários, ou carros de luxo, por exemplo) MgDF- IE/UFRJ Mercado (definição) Definições Oficiais: autoridades econômicas nos USA definem mercado de acordo “com a possibilidade que uma firma tem de aumentar o preço dos produtos por um pequeno, mas significativo, e duradouro, percentual de aumento de preços” ou seja pelo “poder de mercado” Um exemplo: autoridades econômicas da UE consideram que recipientes de plástico e metal pertencem a um mesmo mercado, embora sejam produzidos por indústrias diferentes (química e indústria metalúrgica); o mesmo para sapatos de couro e tênis... MgDF- IE/UFRJ Outra definição de mercado: locus geográfico Definição : referência geográfica visa agrupar ofertantes (firmas, empresas) que são capazes de exercer restrições competitivas sobre o desempenho de outras firmas (OECD) Mercado nacionais, mercados regionais, mercados que atendem a limites estabelecidos institucionalmente (regiões de união aduaneira ou livre comércio, como Nafta, EU, Mercosul...) Aspecto Normativo: pode ser institucionalizada e registrada na agência de propriedade intelectual (INPI) como “denominação de origem” causando uma restrição a produtos e produtores que estão fora da área protegida MgDF- IE/UFRJ Mercados Relevantes São aqueles em que as firmas entram em competição direta Ex: a competição entre fabricantes de antibióticos ou de medicamentos para a pressão na indústria farmacêutica pode ser um mercado nacional , por ex., mercado nacional de veículos leves “flexfuel”(potência 1.0) Obs: o conceito importante para delimitar o “recorte”analítico que se vai usar especialmente nos estudos de concentração MgDF- IE/UFRJ Estruturas de Mercado Referem-se a um padrão ou regime competitivo que vigora para um subconjunto (ou uma população) de firmas Depende: Das condições estruturais resumidas pelo número de empresas, grau de concentração e existência de barreiras à entrada Das estratégias possíveis a serem adotadas pelas empresas Dos parâmetros regulatórios e ainda das políticas públicas (que são instâncias diferentes) MgDF- IE/UFRJ A Economia Industrial estuda não só a competição real mas também a potencial As condições competitivas vão depender da concorrência real e da concorrência potencial A simples ameaça de entrada de 1 novo competidor num mercado ou indústria afeta as políticas de preços da empresas já instaladas A ameaça de entrada, no entanto, tem que ser crível , isto é, tem que ser acompanhada por um conjunto de ações que comprovem que a empresa tem condições de realizar o que promete (ou tem reputação construída por um comportamento reiterado ) MgDF- IE/UFRJ A junção da competição real + a competição potencial é estudada no modelo E-C-D em “Condições de Entrada É o estudo das possíveis ações e reações dos agentes quando há ameaça de entrada de novos competidores numa indústria e de como um bloqueio eficaz da entrada de novos concorrentes permite que firmas já instaladas adotem políticas/estratégias que aumentem seu poder de mercado (preço, qualidade ...) Empresas terão poder de mercado “se puderem elevar persistentemente o seu preço acima do nível de preços competitivos sem ensejar a entrada de novos competidores “( Stigler,Chicago 1968) Nota: preço competitivo é associado ao custo médio de longo prazo (Long Run Average Cost LRAC , daquei para a frente simplesmente LAC) MgDF- IE/UFRJ Análise das Condições de Entrada consiste em avaliar como, e se, empresas já estabelecidas numa indústria conseguem manter consistentemente uma margem de lucros, ao mesmo tempo em que impedem a entrada de novos competidores ( é a manutenção de um diferencial de lucros extraordinários) Atenção: para maior parte dos autores a Entrada é formalmente caracterizada por um investimento novo feito por uma nova firma, do ponto de vista jurídico Neste sentido, ampliação de capacidade de empresas já existentes e aquisições (ou fusões) de empresas já existentes não caracterizariam entrada MgDF- IE/UFRJ Condições de Entrada: Barreiras à Entrada Existem barreiras à entrada quando uma empresa recém-chegada a um mercado, a firma entrante (Fe), não consegue obter lucros extraordinários semelhantes aos das firmas instaladas (Fi) Se, apesar das barreiras, uma nova empresa eventualmente consegue entrar num novo mercado, mas ainda sem possuir as mesmas vantagens competitivas das empresas instaladas sua margem de lucro será menor e ela operará numa espécie de “franja competitiva” do mercado (sua influência será marginal , do ponto de vista da formação do preço) MgDF- IE/UFRJ Por que existem Barreiras à Entrada? Joe S. Bain e os demais economistas da EI associam barreiras à entrada a existência de fatores estruturais que permitem que as firmas que se estabeleceram primeiro possam fixar preço acima do que seria o preço competitivo (Pc=LAC )de uma firma entrante (Fe) e, de impedir a sua entrada no longo prazo Estas condições podem ser razoavelmente resumidas por indicadores de concentração MgDF- IE/UFRJ ► Definição: Para Stigler (Chicago) uma Barreira à Entrada pode ser definida como um custo de produção relacionado a um certo nível de produção x, que é criado quando uma nova empresa tenta entrar num mercado ► Observação: parte-se de uma escala minimamente eficiente para operação produtiva das firmas B =Ce (x) – Ci (x) é a medida da intensidade das barreiras à entrada Ce (x) = custo de produção da empresa entrante Fe Ci (x) = custo de produção da empresa instalada Fi MgDF- IE/UFRJ Premissas de Stigler e de Bain Para Stigler, as condições que impedem a entrada devem ser as mesmas para empresa entrante e instalada ex-ante facto Para Joe Bain, as condições de entrada elas só podem ser verificadas ex-post facto Para Bain, os custos da empresas entrante Fe (antes da entrada) e das instaladas Fi´s não podem ser comparados adequadamente mas, se permanece um diferencial de custos desvantajoso para a empresa entrante após a entrada, sabe-se que há uma barreira à entrada Neste caso, as empresa instaladas terão um diferencial ( associado a uma margem de lucro maior) que lhes dá uma vantagem competitiva MgDF- IE/UFRJ Estudo das Condições de Entrada e e PreçosLimite PL no longo-prazo (Joe Bain) E = PL – Pc onde Pc E = condições de entrada PL= Preço que limita entrada de novos competidores Pc = preço que vigorariam sob competição perfeita O preço que excede o custo médio de longo prazo garante um lucro extraordinário, o que constitui de fato um “prêmio”, pelo fato de ter sido possível impedir a entrada ( o E define este prêmio, acima de Pc) PL = Pc (1+ E) PL é o preço limite e E é o “prêmio” determinado pelo PL > Pc Pc= preço competitivo é o preço que prevalece em regimes de competição perfeita no Longo Prazo (Pc=LAC Long Average Cost) MgDF- IE/UFRJ Modelo Estrutura Estrutura--Conduta Conduta-Desempenho (E (E--C-D) da EI J. Bain Bain,, F.M. Scherer Scherer,, Carlton e Perloff MgDF-- IE/UFRJ MgDF Modelo E-C-D E-C-D parte da premissa que existem dois tipos de competição: COMPETIÇÃO ATUAL é estabelecida entre firmas que já estão instaladas num mercado COMPETIÇÃO POTENCIAL é a que se estabelece entre as empresas já instalada e empresa(s) que pretendem entrar num novo mercado(empresas candidatas a entrar ou empresas entrantes) MgDF- IE/UFRJ O que o modelo E-C-D pretende Explicar como os produtores são capazes de tirar proveito de situações competitivas vantajosas para estabelecer estratégias que lhes aumentem o poder de mercado Avaliar como falhas ou imperfeições de mercado limitam a capacidade dos produtores em atender as aspirações e demandas da sociedade por bens e por serviços baratos e eficientes MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ No modelo ECD Considera-se como ponto de partida que os mercados se organizam de acordo com as suas características estruturais (abordagem estruturalista econômica) ----que estas características estruturais impõem limites à ação estratégica/conduta das firmas ------ que as características estruturais e as ações estratégicas determinam, juntas, o desempenho econômico de empresas, mercados, indústrias setores MgDF- IE/UFRJ Avaliar como chamadas falhas ou imperfeições de mercado limitam a capacidade dos produtores em atender as aspirações e demandas da sociedade por bens e por serviços baratos e eficientes, incluindo emprego (em relação à CP) MgDF- IE/UFRJ Elementos Básicos Oferta Demanda Estrutura Conduta ou Estratégia Desempenho MgDF- IE/UFRJ Políticas Econômicas e Parâmetros de Regulação Condições Básicas Oferta Demanda •Estrutura de Custos •Oferta de Matérias-Prima •Durabilidade do Produto •Tecnologia Existência de Capacidade Ociosa na Indústria - Nível de Sindicalização ou Capacidade de Associação de Interesses • MgDF- IE/UFRJ •Elasticidade Preço da Demanda •Existência de Bens Substitutos (perfeitos e imperfeitos) •Taxa de Crescimento da Demanda •Sazonalidade •Métodos de Comercialização (marketing e políticas de vendas) Elementos Básicos: oferta e demanda Estrutura (sintetizadas por) Número de Empresas e grau de Concentração Barreiras Absolutas de Custo Barreiras de Economias de Escala Barreiras de Diferenciação Barreiras por Integração Vertical Conduta ou Estratégia Políticas Governamentais e Regulação Impostos Normas Comerciais Internacionais Políticas de Preços Políticas de Produtos e Propaganda Políticas de Pesquisa&Desenvolvimento (P&D) Estratégias Institucionais/Legais Expansão de Capacidade Produtiva Política de Controle de Preços Desempenho Marcos Regulatórios e Defesa da Concorrência Condições de (Pleno) Emprego Equidade e Desenvolvimento Eficiência Produtiva e Alocativa Desenvolvimento Políticas Antitrust Como definir a ESTRUTURA (seus elementos) Pelo número de firmas existentes e pela estimação da (ou do grau de) concentração Grau de Concentração indica a proporção pela qual os grandes produtores/vendedores controlam a maior parte da produção/vendas numa indústria ou num mercado e por meio do estudo de assimetrias muito destacadas Pela existência de Barreiras à Entrada de novos concorrentes ( a existência de barreiras è entrada já indica que o mercado pode ser concentrado) MgDF- IE/UFRJ O que determina a concentração Número (não suficiente) e dispersão da concentração da produção / vendas entre integrantes Não depende apenas de fatores ocasionais ( não fosse assim os regimes competitivos existentes em diferentes países/ regiões mostrar-se-iam voláteis em e acentuadamente variantes) Junto com a barreiras à entrada a concentração sintetiza o tipo de regime ou padrão competitivo Obs:Estudaremos concentração no texto de Ferguson e Ferguson e no texto de Boff e Resende (complementão) MgDF- IE/UFRJ USA- Indicador de Concentração USA(% das vendas das 4 maiores CR4) Automotiva Cereais Cigarros Cobre Computadores Vestuário Farmacêutica Motores e peças Móveis 88% 83% 99% 95% 45% 13% 32% (*) 68% 11% Fonte : Stiglitz -2003 US (*)(toda a indústria) MgDF-- IE/UFRJ MgDF A Conduta Refere-se às estratégias, ou políticas, das empresas ( como elas jogam o jogo competitivo) O Desempenho Mostra o resultado da relação estrutura/conduta ou estrutura/políticas das empresas dentro dos setores industriais e da economia apresentado como dados ou como indicadores Os elementos da estrutura podem ser sintetizados por indicadores de concentração Estratégicamente a presença de barreiras à entrada ou sunk costs (também um elemento estrutural) à entradadá lugar a estratégias de defesa de markups e margens de lucro Barreiras à Entrada - Barreiras Econômicas:escala, integração vertical, vantagens de custos... - Barreiras Institucionais ( Política Econômica e Ações Regulatórias) Concentração Estudo Empírico : Market Share e Taxa de Concentração (CR4, CR8....) Tipos de Barreiras ECONÔMICAS I . Barreiras de Diferenciação de Produto II . Vantagens Absolutas de Custo (Stigler e Bain) III. Barreiras de Economias de Escala MgDF- IE/UFRJ Barreiras de Diferenciação:beneficiam empresa já instalada Permitem que firmas instalados (Fi) associem características diferenciais aos seus produtos (objetivo: cativar, pelo maior tempo possível, a preferência do consumidor frente aos produtos dos concorrentes- atenção: para isso firmas incorrem em custos) O efeito prático da política de diferenciação de produtos é que o consumidor aceita pagar preço maior pelos produto porque acredita que existe diferença entre eles (real ou artificial); Do ponto de vista do ofertante, o objetivo é conquistar e manter clientela convencendo-a que se está vendendo um produto de qualidade maior Como se faz isso: investe-se em propaganda e marketing, adotam estratégias de vendas promocionais MgDF- IE/UFRJ Fontes de Diferenciação Diferenciação Real: diferença de atributos físicos e de localização entre produtos de firmas instaladas e firmas entrantes (novas firmas) Diferenciação Artificial ou construída: resulta de investimentos e despesas em política de vendas e/ou marketing que tornam um produto mais conhecido (em geral associado a uma marca ou franquia) O consumidor prefere um produto em relação ao qual já tem informações ou aquele associado a uma reputação de qualidade (pode ser fixada pela marca) MgDF- IE/UFRJ Diferenciação (outras definições) Diferenciação Vertical: são diferenças entre produtos facilmente associadas à qualidade (ex: um computador com mais memória, um carro com motor mais potente; smartphone em relação ao um celular convencional) Diferenciação Horizontal: neste caso, as diferenças entre produtos não são percebidas da mesma forma pelos consumidores (produtos agrícolas produzidos com diferentes insumos) há informação assimétrica sobre ao qualidade do produto Atenção: há implicação importante sobre política de preços a serem adotados MgDF- IE/UFRJ Reputação A reputação de uma empresa pode representar uma fonte de diferenciação (há elementos de conduta) mas gastos que podem “afundar”, do tipo sunk costs também são necessário É reforçado quando o consumo continuado de um produto passa a ser associado à uma marca ou uma franquia (atenção: supõe investimentos ou gastos) A reputação pode ser construída com gastos sistemáticos de uma firma em publicidade Também decorre da experiência e maior conhecimento do consumidor com o produto (depende do tempo) MgDF- IE/UFRJ II. Vantagens Absolutas de Custo Ocorrem quando as firmas instaladas (Fi) apresentam custos menores do que os dos novos competidores ( Fe) Causas Tecnologia superior, seja por patentes (um tipo de propriedade intelectual) , know-how ou algum tipo de aprendizado tecnológico Barreiras de Integração Vertical ( para frente para trás) MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ Vantagens Absolutas de Custo ► Oferta limitada de algum insumo ou fator de produção (firmas conseguem assegurar o abastecimento deste insumo em detrimento de outras formas ) ► Custo de capital elevado para uma firma nova: custo de implantação de uma nova fábrica; idem para o custo “extra” de financiamento (empresas apoiada pelos BNDES têm menor custos de capital) ► Barreiras de Integração Vertical (BIV) MgDF- IE/UFRJ Barreiras de Integração Vertical (BIV) BIV para Trás dão acesso privilegiado à fontes de abastecimento de matéria prima (MP) economizando custos de transporte e logística (cana- de- açucar para indústria sucroenergética, minério de ferro para siderurgia, floresta industrial para celulose e papel, minério de ferro para siderurgia, fonte de geração de energia elétrica para indústria de alumínio...) BIV Para Frente: firmas já existentes controlam a comercialização do produto no atacado/varejo ( normalmente acarretam em maiores custos de capital para um competidor entrante, como na automobilística: distribuição de automóveis) BIV Para Trás ou para Frente podem ser substituídos por contratos MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ III.Barreiras de Economias de Escala (EME ou MES) Surgem quando algumas firmas não alcançam a Escala Mínima Eficiente (MES), necessária para operar maiores níveis de produção e vendas (podem ser firmas já instaladas (Fi) ou novas) MES define o mínimo de produção que uma empresa deve produzir ( e vender) para se manter no mercado (ligado a eficiência) MES existe em indústria de processo, serviços públicos e algumas indústrias de produção de massa de produtos duráveis e não duráveis MgDF- IE/UFRJ Quanto maior for a dimensão da MES, mais difícil será o acesso de novas firmas ao mercado -a firma obterá EE quando passar de AO, no exemplo, para OB; -se produzir menos do que OB, uma Fe operará em escalas subótimas, com maiores custos, após a entrada; -a partir de OB custos serão constantes (curva de custo médio de longo prazo LAC tem a forma de L) custos médio de LP caem até se tornar constantes C MES Johnston, Statistical Costs Analysis (1960) LAC C´ o A B X MgDF-- IE/UFRJ MgDF Definição Economias de Escala (EE) consistem na queda do custo médio, a longo prazo, ao mesmo tempo em que se expande a escala de produção, e de vendas, de uma empresa para um mercado (objetivamente representa um mercado maior para os vendedores) EE Reais: existe quando se reduzem os inputs dos fatores por unidade de produto EE Pecuniárias: quando se paga um preço mais baixo para os insumos comprados pela firma MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ a)Economias Reais de Escala EE de Trabalho:especialização de trabalho (Adam Smith) EE Técnicas: uso mais eficiente de equipamentos e máquinas (permite distribuição mais eficiente do uso do insumo fixo sobre uma amplitude mais ampla da produção) Economias Físicas: derivadas da indivisibilidade do processo produtivo – reduzindo-se a produção pela metade( ou 1/3;1/4...) os custos caem proporcionalmente menos do que a metade ( ou 1/3;1/4...) exemplo: indústrias de processo como a química, petroquímica, cimento, celulose e outras exigem escala mínima eficiente (MÊS); idem para geração de eletricidade, montagem de carros e veículos relativamente complexos, bens de capital... MgDF- IE/UFRJ Consequências da Existência de Barreiras à Entrada Barreiras estão fortemente correlacionadas a estruturas de mercado mais concentradas e regimes de concorrência menos competitivos (duopólio, monopólio, oligopólio diferenciado e oligopólio homogêneo, oligopólio “ com franja” competitiva MgDF- IE/UFRJ Barreiras Econômicas e Não Econômicas Barreiras Econômicas: funcionam como elemento de dissuasão à entrada, uma vez que empresas instaladas já têm uma vantagem (ex: barreiras de escala) Barreiras Institucionais: impedem absolutamente a entrada de novos competidores no mercado (derivam de protecionismo e em geral são usadas como elemento de políticas econômicas, principalmente das políticas industriais) Barreiras legais ( patentes, marcas, copy-right) MgDF- IE/UFRJ Como estruturas de mercado afetam o regime ou padrão competitivo de uma indústria ou mercado? Em regimes de concorrência pura ou perfeita, vendedores só reagem às forças impessoais do mercado Em regimes de oligopólio, empresas reagem de modo pessoal e direto causando interação estratégica (não há impessoalidade na competição – competição ativa) MgDF- IE/UFRJ Regime competitivo: oligopólio Poucas empresas atuando em mercados protegidos por barreiras O pequeno número de competidores aumenta a interdependência entre firmas,de modo que cada uma delas procura antecipar a reação dos rivais, em qualquer ação empreendida Ainda em alguns casos, embora haja muitas empresas pequenas elas têm uma pequena % das vendas e uma, ou algumas grande firmas ficam com a maior % do mercado ( neste caso, apenas as grande tem poder de mercado (poder de fixar preços acima do nível competitivo) MgDF- IE/UFRJ Padrões Competitivos Regime Competitivo No. Firmas Competição Perfeita Muitas - Imperfeita ou Monopolística Muitas - Oligopólio e Duopólio Poucas Duas SIM Uma SIM Monopólio Barreiras à Entrada (EE e Vantagens Custos) Grau de Interdependência Barreiras de Diferenciação - - Grande SIM Oligopólio Homogêneo: NÃO Oligopólio Diferenciado: SIM - MgDF- IE/UFRJ No que se refere à diferenciação Regime Competitivo Número Barreiras Diferenciação Oligopólio Homogêneo poucas sim não Oligopólio Diferenciado poucas sim sim Competição Imperfeita ou muitas Monopolística não sim MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ MgDF- IE/UFRJ Fim primeira unidade MgDF- IE/UFRJ FIRMAS segundo a teoria neoclássica e a economia industrial MgDF- IE/UFRJ O que é a firma? Para a teoria neoclássica dos livros textos, a firma é uma unidade de transformação tecnológica, uma função de produção, cujas entradas são os insumos e as saídas, os produtos fabricados Firma é uma caixa-preta, uma instância de transformação de insumos em produtos A firma deve vender uma quantidade ótima de produtos e, para tal, procura ser eficiente MgDF- IE/UFRJ Por que existem firmas ou empresas? Para maximizar lucros de seus proprietários, acionistas, controladores (maximização de lucros) Outras teorias estabelecem que empregados (trabalhadores), gerentes e staff administrativos têm objetivos diferentes daqueles da maximização (dos acionistas ou proprietários) MgDF- IE/UFRJ Isso implica no reconhecimento que os objetivos e metas de gerentes e proprietários diferem dos acionistas (Teoria Gerencialista, Teoria da Agência da Nova Economia Institucional, Teoria Behaviorista da Firmas) Se objetivos e metas dos agentes são diferentes eles podem ser ser alinhados através de uma estrutura de incentivos (Alchian&Demsetz,Jensen &Meckling) Firma neoclássica, dos livros textos de Microeconomia, não é um agente econômico, não tem estratégias e é price-taker (firma é neurônio da mão invisível); MgDF- IE/UFRJ ► Firma da Teoria Gerencialista (J.K.Galbraith) em que os objetivos dos proprietário e acionistas estão separados dos objetivos dos gerentes, que realmente comandam as empresas ► Firma da Teoria Behaviorista: firma não possui comando único mas é uma “coalização de grupos de interesses”; ► Como não é possível maximizar lucros para acionistas; em geral, soluções são apenas satisfatórias (secondbest) Simon(1952) e Cyert & March (1963) MgDF- IE/UFRJ MERCADOS E FIRMAS NA NOVA ECONOMIA DAS INSTITUIÇÕES Ronald Coase (London Scholl of Economics) e Oliver Williamson (Berkley University) ) Elinor Ostrom Douglas North Armene Alchian MgDF- IE/UFRJ Ec. Institucional compõe, junto com Economia Industrial forma a Organização Industrial Idéia principal : se a realização de transações (trocas) no mercado envolvem custos é melhor substituir as trocas pela (internalização) da produção dentro da firma ou uma organização Ou seja, é preferível produzir internamente,dentro de uma organização (firma), integrando atividades verticalmente em vez de adquirir diretamente no mercado) Quando isso ocorreria? Firma pode ser uma alternativa mais eficiente do que mercados, se existem custos de se usar os mercados (custo de obter a informação, por exemplo) MgDF- IE/UFRJ Mercados e firmas são meios alternativos de organizar as transações econômicas o uso do mercado pode envolver custos de busca e de uso dos mercados além do custos de executar um contrato para cada transação ( todos são chamados custos de transação) o engajamento da firma na produção também envolve custos, além dos custos de produção, que são os custos de administrar e coordenar ou custos de governança empresarial/ corporativa, bem como os custos de contratar MgDF- IE/UFRJ Para os economistas institucionalistas, a firma é uma estrutura de governança alternativa aos mercados, não apenas uma caixa preta onde se estabelecem relações técnicas entre inputs e outputs (função de produção) Governança = coordenação, administração Agentes econômicos organizam a produção “dentro” de firmas quando o custo de usar os mercados é muito elevado Desta forma a firma é uma forma de organização alternativa alternativa ao mercado MgDF-- IE/UFRJ MgDF Principais questões econômicas abordadas pela Organização Industrial ► Instituições e organizações (firmas) ► Custos de Transação e de Governança ► Governança corporativa ► Especificidade de Ativos ► Contratos e Direitos de Propriedade (a distribuição dos direitos de propriedade também afeta a alocação de recursos) MgDFMgDF-IE/UFRJ IE/UFRJ Custo de Transação Custo de obter a informação ou custo de busca Custo de negociar, estabelecer e reestruturar contratos entre as diferentes partes de um negócio Segundo Coase, se o custo de usar o mercado é muito alto, então é conveniente produzir,integrando a produção verticalmente numa unidade de negócios ou firma Observação: a unidade básica analítica da teoria institucionalista é a troca ou transação econômica Uma transação é uma troca de direitos de uso de bens e de serviços ( e também de ativos intangíveis) no âmbito de um contrato MgDF- IE/UFRJ Elementos das Transações Elementos Comportamentais Racionalidade Limitada: quando há algum tipo de “privatização” da informação por parte de agentes especialmente quando há dependência bilateral (fornecedor-cliente, comprador –vendedor; contratante-contratado etc) Segundo Herbert Simon, envolve informações incompletas e limitações cognitivas dos agentes econômicos Oportunismo dos agentes envolvidos em relações de dependência (especialmente contratuais) MgDF- IE/UFRJ Elementos Ambientais - Incerteza:não é redutível ao risco calculável ou mesmo probabilístico; envolve mudanças não previstas na legislação, inovações tecnológicas, acontecimentos imprevistos ... - Incerteza está associada à complexidade do ambiente socioeconômico dificultando o processo de tomada de decisão - Frequência da troca ou transação (são as transações repetidas ou pouco frequentes?) - Especificidade dos Ativos MgDF- IE/UFRJ Contratos A Economia Institucional destaca a natureza contratual que é estabelecida entre os agentes econômicos na produção e na troca Em vez de se estudar relações de produção, estudam-se relações contratura is entre os agentes engajados na produção e troca Os contratos permeiam todas as atividades econômicas (mesmo quando não são formalizados) MgDF- IE/UFRJ Em que circunstâncias seria melhor para empresário produzir internamente, na firma, em vez de usar o mercado? Quando há Ativos Específicos AE- existe se as transações econômica envolvem investimentos altamente especializados, que posteriormente A existência de Ativos Específicos é um indício que é melhor internalizar as transações, realizar as operações produtivas dentro de uma organização ou firma, produzindo em firmas, do que usar o sistema mercado para realizar trocas e transações Custos de Transação X Custos de Governança MgDF- IE/UFRJ Interdependência bilateral Uma vez que um ativo específico exista a competição passa a ser uma espécie de monopólio bilateral dos proprietários destes ativos específicos ( os agentes contratualmente envolvidos na atividade ou negócio) MgDF- IE/UFRJ Teoria da Agência ► A firma é definida pelos contratos estabelecidos entre seus integrantes, agente e principal, colocados numa relação hierárquica, mas de dependência bilateral, por força dos próprios contratos, como os de emprego ► Existe assimetria de informações na relação contratual estabelecida entre o agente e o principal dentro da firma ou do contrato MgDF- IE/UFRJ