FUNORTE-FACULDADES UNIDAS DO NORTE DE MINAS
NÚCLEO NITERÓI-SMILE ODONTOLOGIA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA
A ESTÉTICA NA ORTODONTIA
VIVIANE MARQUES DOS SANTOS
Monografia apresentada à Faculdade Unidas do
Norte de Minas- Nucléo Niterói –Smile Odontologia,
como parte dos requisitos para obtenção do título de
Especialista em Ortodontia.
NITERÓI
2012
FUNORTE-FACULDADES UNIDAS DO NORTE DE MINAS
NÚCLEO NITERÓI-SMILE ODONTOLOGIA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA
A ESTÉTICA NA ORTODONTIA
VIVIANE MARQUES DOS SANTOS
Monografia apresentada à Universidade UNIG,
como parte dos requisitos para obtenção do título de
Especialista em Ortodontia.
Orientador: PROF.° DR. MARCELO CALVO
NITERÓI
2012
FICHA CATALOGRÁFICA
SANTOS, Viviane Marques
A Estética na Ortodontia / Rio de Janeiro, 2012. 42f.
Orientador: Marcelo Calvo
Monografia (Especialização em Ortodontia - Odontologia) – FUNORTE-NÚCLEO
NITERÓI
1. Estética. 2. Ortodontia. 3. Harmonia
I- Marcelo Calvo
II- Faculdades Unidas do Norte de Minas - FUNORTE-NÚCLEO NITERÓI
III- A estética em ortodontia
AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO
CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE E COMUNICADA
AO AUTOR A REFERÊNCIA DA CITAÇÃO.
Niterói, ____ / ____/ ______
Assinatura: _____________________________
e-mail:
FOLHA DE APROVAÇÃO
VIVIANE MARQUES DOS SANTOS
A ESTÉTICA NA ORTODONTIA
Monografia apresentada como exigência parcial para a
obtenção do título de especialista em Ortodontia, à
comissão julgadora da FUNORTENITERÓI-SMILE ODONTOLOGIA
Aprovada em ____ / ____ / ___
Banca Examinadora
1) Prof(a). Dr(a): .....................................................................................................
Julgamento: .........................................
Assinatura: ......................................
2) Prof(a). Dr(a): .....................................................................................................
Julgamento: .........................................
Assinatura: ......................................
3) Prof(a). Dr(a): .....................................................................................................
Julgamento: .........................................
Assinatura: ......................................
Resultado: .........................................................................................................
NÚCLEO
Dedicatória
Dedico este trabalho,em primeiro lugar,à Deus,que me proporcionou à oportunidade da
realização de mais este sonho na minha vida.
Não posso deixar de agradecer à minha família que é a minha base,em especial à
minha filha Ana Luísa que me ajudou e compreendeu toda a minha ausência em todos os
momentos dedicados à ortodontia.
Agradecimentos especiais
A toda equipe das Smile em especial, meu orientador Prof°. Dr. Marcelo Calvo e Stela
Gouveia.
Agradeço pela dedicação de toda equipe e pelos exemplos de vida e inspiração que nos
foram passados durante todo período.
Meus sinceros agradecimentos
Agradecimentos
Aos meus colegas de cursos:Ana Paula Vanucci e Priscila Soares.
Agradeço ao Senhor Jesus pela oportunidade de conhecer essas pessoas tão incríveis.
SANTOS. V. M. . A Estética na Ortodontia. [Monografia]. Rio de
Janeiro:Faculdades Unidas Do Norte De Minas; 2012.
RESUMO
Pesquisa teórica, bibliográfica, de natureza científica, embasada em revisão de
textos, recursos e ferramentas utilizados por autores conhecedores do tema. Este
trabalho avalia a importância da Estética na Ortodontia, compreendendo-se que a
mesma está ligada aos princípios da arte e da beleza, e que o sorriso é o "cartão de
visita" das pessoas podendo até mesmo interferir na autoestima e nos
relacionamentos. O ortodontista, artisticamente e com grande dedicação tem a
missão maravilhosa e difícil de recuperar e/ou recriar a beleza harmoniosa dos
pacientes, sendo capaz de contribuir significativamente para a busca da boa
aparência e aumentar a aceitação do indivíduo na sociedade.
Palavras-chave: Estética, ortodontia, harmonia, beleza.
6
Santos. V. M. The esthetics in Ortodontics . [Monografia]. Rio de Janeiro:
Faculdades Unidas Do Norte De Minas; 2012.
ABSTRACT
Theoretical, bibliographic and scientific research, based on a review of texts,
resources and tools used by authors knowledgeable on the subject. This paper
assesses the importance of aesthetics in orthodontics, being understood that it is
linked to the principles of art and beauty, and that the smile is the "business card" of
people that can even interfere with self-esteem and relationships. The orthodontist,
artistically and with great dedication has a wonderful mission and difficult to retrieve
and/or recreate the harmonious beauty of the patients, being able to contribute
significantly to the pursuit of the good appearance and increase the acceptance of
the individual in society. .
Key-words: Aesthetics, orthodontics, harmonious, beauty.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 8
1. O SORRISO ......................................................................................................................... 10
2. OS TECIDOS MOLES E SUA RELAÇÃO COM A ESTÉTICA .................................... 18
3. DISCUSSÃO: HARMONIA ESTÉTICA NO TRATAMENTO ORTODÔNTICO ......... 27
CONCLUSÃO .............................................................................................................................. 35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 36
ANEXOS ...................................................................................................................................... 38
8
INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial da Saúde, “Saúde psicológica é parte
integrante da saúde geral do ser humano, pessoas portadoras de traumas
psicológicos complexos e baixa auto-estima em razão de problemas na sua
aparência não gozam de saúde plena”.
Não é fácil reconhecer o belo, trata-se de uma tarefa cerebral, que nem
sempre pode ser bem explicada. Para o poeta francês Ernest Hello: "Beleza é a
forma que o amor dá as coisas". E o estético? Pode ser considerado aquilo que tem
característica de beleza. Para Gürel (2003) “o conceito de beleza facial depende de
vários fatores, como a opinião pessoal, a região em que o indivíduo mora, a mídia e
a moda; todos eles servindo para influenciar a percepção de estética”. Lehman Jr
(1987) acha o conceito de estética tão complexo, que afirma que não se deve utilizar
um único conjunto de valores como padrão universal na obtenção de resultados
esteticamente prescritos, sem a devida consideração das variações faciais,
antecedentes étnicos, traços familiares e preferências pessoais dos indivíduos.
O termo: “estética” se deriva do grego aisthetikos que significa percepção da
beleza. O dicionário define a palavra “estética” como: “... estudo das condições e dos
efeitos da criação artística. Estudo racional do belo quer quanto à possibilidade da
sua conceituação, quer quanto à diversidade de emoções e sentimentos que ele
suscita no homem.” Hegel estabelece a beleza como fruto da imaginação e
sentimento, não podendo ser considerada como uma ciência exata. O estético e o
não estético podem produzir várias emoções estando intimamente ligadas com
vários sentidos (a visão, a audição, o tato, entre outros).
Na Filosofia, estética é definida como "a ciência que deduz da natureza as
regras e princípios da arte e da beleza", e em Psicologia, "a estética é o estudo da
mente e das emoções em relação ao sentido da beleza".
O sucesso do tratamento ortodôntico, para os ortodontistas, depende do
equilíbrio entre resultados funcionais, estéticos e estáveis. Para a maioria dos
pacientes, entretanto, a estética é o fator mais relevante, sendo a estética do sorriso
um dos principais motivadores da procura por tratamento ortodôntico.
9
A discussão sobre beleza e estética dentro da Ortodontia ainda é um tanto
limitada, particularmente com relação à quantificação dos tecidos moles faciais de
contorno e, também, pouca alusão tem sido feita à análise do sorriso, apesar de este
ser um dos principais motivos para a procura do tratamento ortodôntico.
Chiche (1994) estabelece que existem dois objetivos fundamentais na estética
dental: o primeiro está relacionado com criar dentes com proporções agradáveis; o
segundo determina que estes estejam em harmonia com o tecido gengival, os lábios
e a face do paciente.
Ricketts em 1982 publicou um artigo “La significancia biológica de las
proporciones divinas y las series de Fibonacci”, que determina que a estética pode
ser obtida com bases científicas, mas que requer percepções subjetivas, utilizando
princípios básicos matemáticos e geométricos.
A estética do sorriso apresenta três componentes: A) O dentário baseado na
forma, tamanho, cor, textura superficial, entre outros; B) O Gengival constitui a
arquitetura (a estética periodontal tem um papel importante na atualidade). C) Os
lábios determinam o marco da estética do sorriso.
Com o objetivo de mostrar até que ponto a estética tem influência sobre a
ortodontia e vice-versa e abordar alguns dos métodos, técnicas e traçados mais
utilizados como auxiliares para obtenção do máximo de estética na ortodontia,
veremos ao longo deste trabalho, pontos abordados de forma resumida para nos
auxiliar no diagnóstico e planejamento dos casos clínicos de maneira que possamos
restaurar não só “dentes”, mas conquistar “sorrisos” e restaurar esperanças.
10
1. O SORRISO
Tjan et al (1984) analisaram as características dentais e faciais mais
importantes de sorrisos esteticamente agradáveis em fotografias de 454 indivíduos,
sendo 207 do sexo masculino e 247 do sexo feminino, na faixa etária dos 20 aos 30
anos. Os autores dividiram o sorriso em 3 categorias: sorriso alto, médio e baixo
(Foto 1.1; Anexos, figura 1.1). Os autores concluíram que 10,57% da amostra
apresentaram um sorriso alto, 68,94% sorriso médio e 20,48% sorriso baixo. Além
disso, perceberam uma grande diferença no tipo de sorriso entre homens e
mulheres, e estas apresentaram os sorrisos mais altos (Fotos 1.2; 1.3; 1.4).
Foto 1.1 – Tipo de linha de sorriso alta, média ou baixa.
Foto 1.2 – Número de dentes expostos durante o sorriso: 8 dentes apenas, 10 dentes ou 12 ou mais
dentes durante o sorriso.
Foto 1.3 – Relação de contato, não contato ou cobertura dos incisivos superiores em relação aos
lábios inferiores.
Foto 1.4 – Relação das bordas incisais superiores com o lábio inferior: sorriso paralelo, reto e
invertido respectivamente.
11
Muñoz Chávez et al (2002) propuseram-se a demonstrar através do estudo de
um caso clínico o uso de um dos principais componentes do planejamento de um
tratamento estético: a proporção entre os dentes anteriores, que pode ser orientado
com base na teoria da Proporção Áurea. Os autores realizaram o cálculo desta
proporção medindo a distância mésio-distal do incisivo central (Foto 1.5) e
calculando a medida do incisivo lateral, q deve ser de cerca de 60% da medida do
central (Foto 1.6). O mesmo pode ser dito sobre a relação entre incisivo lateral e
canino (Foto 1.7). Assim, os autores concluíram que a proporção áurea é um
elemento auxiliar importante na busca pela excelência estética.
Foto 1.5 – Paquímetro utilizado para verificar a medida frontal do
incisivo central (8 mm) a fim de avaliar a proporção áurea.
Foto 1.6 – O mesmo procedimento feito no incisivo lateral (já com resina,
observando se este possui, frontalmente, 60% do tamanho mésio-distal
do central (5mm).
Foto 1.7 – No canino também observamos tal proporção (3mm). Sabendo
que esta é uma referência virtual (dentes vistos de frente).
Becerras et al (2003), realizaram um trabalho descritivo-correlacional, para
avaliar as proporções faciais e dentárias (baseadas nas proporções “douradas ou
divinas” de Filius Bonacci), o tipo de sorriso, a relação das bordas incisais superiores
com o lábio inferior, a relação de contacto ou não contacto com o lábio inferior e o
número de dentes expostos durante o sorriso e sua relação com a estética.
Também neste estudo, foram avaliados e utilizados para mensurações pontos
faciais como násio, sub nasal e mentoniano que são determinantes para “encontrar”
as proporções divinas. Para este fim, foram selecionados 87 estudantes, entre 18 e
30 anos (29 do gênero masculino e 58 do gênero feminino) de uma Faculdade de
Odontologia. Os resultados demonstraram que o tipo de linha de sorriso mais
encontrado foi a média (68,62%); 49,42% da amostra estudada expõe apenas 10
dentes durante o sorriso.
12
A maior parte desta população apresenta uma relação de não contato das
bordas incisais superiores com o lábio inferior (67,81%) contra apenas 10,34% que
apresentam cobertura do lábio inferior; e a relação das bordas incisais com o lábio
inferior mais constantemente encontrada é a de paralelismo com 74,71%; porém a
maior parte da população não “cumpre” as proporções divinas. Além disto,
chegaram a conclusão de que na aparência natural do rosto, os lábios têm um papel
muito importante, pois os mesmos não só controlam a expressão facial com
influenciam significativamente a beleza do rosto.
Com o intuito de entender melhor alguns princípios estéticos, Pagani e Bottino
(2003) resolveram estudar alguns dos princípios estéticos considerados e usados no
desenho do sorriso como: o posicionamento da linha do sorriso, a linha média, o
posicionamento da borda incisal de cada dente, o contorno gengival, o ponto mais
alto da gengiva marginal, o triangulo papilar, o contato interdental, a textura de
superfície do dente, a forma e o contorno dos dentes e a forma dos espaços
interdentais (Anexos, figura 1.2). Para isso, fizeram uma revisão de literatura a
respeito da proporção áurea e das proporções douradas chegando a conclusão que
o princípio da Proporção Áurea (Anexos, figura 1.3), na avaliação e no plano de
tratamento, é muito benéfico no planejamento estético do sorriso. Porém por
relacionar as larguras do canino e do incisivo central à largura do incisivo lateral do
mesmo lado, esta tem sido aplicada de forma unilateral, o que pode comprometer
muitas vezes a simetria do sorriso.
A Proporção Dourada por sua vez, se mostrou mais útil na análise das
propriedades do sorriso, pois não depende da largura dos incisivos laterais apenas
para a sua análise. Esta, pelo contrário, avalia a largura de cada dente e contribui
para a simetria, dominância e proporção do segmento anterior. A assimetria é
claramente identificável nesta análise, já que dentes com larguras idênticas, geram
proporções idênticas nesta análise. Sabendo que os parâmetros usados como
referência estética são normalmente: (1) o posicionamento vertical dos dentes
anteriores em relação ao lábio superior, em repouso e durante o sorriso (é adequado
mostrar incisivo, mas não muito), (2) a dimensão transversal do sorriso (corredor
bucal), (3) as características do arco do sorriso, e (4), a relação vertical das margens
gengivais.
13
Através da interação com outras disciplinas e dos conhecimentos adquiridos,
Sarver (2004) expandiram o diagnóstico do sorriso a fim de aperfeiçoar mais o
acabamento da estética anterior para os nossos pacientes.
Assim, eles analisaram algumas idéias cosméticas como: A) intervalos de
altura e largura dos dentes (Anexos, figura 1.4), pois a desproporcionalidade de um
dente pode ser avaliada no sentido de sabermos o que está em falta e o que
necessita de melhorias (Anexos, figura 1.5); B) pontos de contato, conectores e
ameias incisais que podem ser de real importância para o planejamento do sorriso
(Anexos, figura 1.6); C) a forma e o contorno gengival onde a forma refere-se a
curvatura da margem gengival do dente, determinada pela junção cemento-esmalte
e a crista óssea. Os autores concluíram então que remodelar as arestas incisais
deve ser um procedimento comum para um ortodontista para obter uma melhor
estética dos contornos dentais anteriores. Pois, através da incorporação da
cosmética dental a American Journal of Ortodontia e Ortopedia Dentofacial (Dez –
2004) acha que é razoável que ortodontistas considerem também a forma do dente
e sua proporcionalidade, como parte do planejamento e tratamento assim como o
contorno gengival, deve fazer parte da ortodontia acabamento (Foto 1.8).
Foto 1.8 – Sorriso caracterizado por mostrar incisivo incompleto (característica de sorriso
envelhecido) e arco do sorriso plano; (C) alturas e larguras dos incisivos centrais desproporcionais (IC
direito tinha 1:1 altura / largura (100%), mas foi deixada 9:10 (90%); (D) conector igual a 20% entre
incisivos centrais, 50% entre os incisivos central e lateral, e 50% entre os incisivos laterais e caninos.
E as alturas gengivais também estavam verticalmente díspares; (G) zenith do IC direito era
demasiado distal, e do IC esquerdo era demasiado mesial; (H) imediatamente após um laser usado
para tecidos moles reformulando zenith e contornos gengivais e após melhora da altura das coroas;
(I) último sorriso caracterizado pelo aumento visível do dente, melhora do arco do sorriso, e uma
melhor proporção dental; (J) imagem intraoral do resultado final, com uma melhor forma dos dentes e
do contorno gengival.
14
A figura 1.7 (Anexos) nos mostra a classificação de Sôo para a linha do
sorriso. Os dados encontrados levaram as seguintes considerações: a linha de
sorriso média é a mais esteticamente favorável, coincidindo com uma exposição de
incisivos de 1 a 4 mm com o lábio superior em repouso. A linha de sorriso alta é
considerada a mais antiestética e está mais freqüente nos indivíduos do sexo
feminino. A linha de sorriso baixa é mais freqüente nos indivíduos do sexo
masculino, provavelmente, devido ao fato de os homens apresentarem o lábio
superior mais longo.
Com o objetivo de determinar até que ponto a simetria ou assimetria dos
dentes anteriores é percebida por profissionais e pessoas leigas, Kokich et al (2006)
utilizaram 7 fotos de sorrisos femininos que foram alterados por um programa de
imagem digital gerando um total de 35 imagens com as seguintes alterações:
comprimento da coroa e largura da mesma (Foto 1.9), diastema mediano (Foto
1.10), comprimento da papila (Fotos 1.11 e 1.12), relação da gengiva e lábio com o
dente anterior da maxila (Fotos 1.13).
Foto 1.9 – A margem gengival foi mantida no mesmo nível, mas a largura do incisivo lateral foi
diminuída gradualmente em incrementos de 1 mm (A) controle; (B) 1.0 mm; (C) 2.0 mm; (D) 3.0 mm;
(E) 4.0 mm.
Foto 1.10 – Foi criado diastema entre os incisivos centrais com aumentos graduais: (A) controle; (B)
0.5 mm; (C) 1.0 mm; (D) 1.5 mm; (E) 2.0 mm.
Foto 1.11 – O comprimento da papila entre os
elementos 21 e 22 foi alterado através do aumento
gradual do contato entre estes dentes com
incrementos de 0,5 mm em direção gengival (A)
controle; (B) 0.5 mm; (C) 1.0 mm; (D) 1.5 mm;
(E) 2.0 mm. A forma natural dos dentes e da papila
foi mantida.
15
Foto 1.12 – O comprimento das papilas da bateria labial superior foi alterado uniformemente através
de aumento dos pontos de contato com incrementos de 0,5 mm em direção gengival (A) controle; (B)
0.5 mm; (C) 1.0 mm; (D) 1.5 mm;
(E) 2.0 mm. A forma natural dos dentes e das papilas foi mantida.
Foto 1.13 – A relação do lábio com a gengiva foi alterada criando-se um “sorriso gengival” através de
movimentação progressiva do lábio superior mais para cima (alterando a distância do lábio à gengiva
marginal). (A) controle; (B) 0.5 mm; (C) 1.0 mm; (D) 1.5 mm; (E) 2.0 mm.
As imagens foram avaliadas por três grupos distintos: dentistas clínicos
(responsáveis pela avaliação de 52.8% dos casos), ortodontistas (avaliaram 71%
dos casos), leigos (homens de negócio, advogados, professores e outros sem
conhecimento odontológico – avaliaram 88% dos casos.
A análise estatística das respostas resultou no estabelecimento de limiares de
atratividade para cada grupo. Resultados: 1) Ortodontistas foram mais críticos do
que dentistas e leigos na avaliação de discrepâncias relacionadas a assimetria do
comprimento da coroa; 2) Todos os 3 grupos puderam identificar uma discrepância
de largura unilateral na coroa de 2,0 mm; 3) Um pequeno diastema mediano não foi
classificado como pouco atrativo por nenhum dos grupos; 4) A diminuição da altura
da papila unilateral foi classificada geralmente menos atraente do que as alterações
papilares bilaterais; 5) Os ortodontistas e leigos classificaram a distância de 3 mm de
da gengiva ao lábio como pouco atraente. Conclusões: alterações assimétricas
tornam os dentes menos atraentes não só para os profissionais, mas também para o
público leigo, porém este grupo normalmente não reconhece alguns tipos de
assimetrias.
16
Wagner Germiniani e Helio Terada (2006) avaliaram um grupo de faixa etária
entre 20 e 65 anos formado por 15 ortodontistas (grupo A), 15 clínicos gerais (grupo
B), 30 acadêmicos de odontologia (grupo C) e 30 leigos (grupo D), quanto às
medidas indicadas como padrão estético para o sorriso (Fotos 1.14 e 1.15). Foram
avaliadas 5 fotografias de sorriso frontal modificadas pelo programa de imagens
Adobe Photoshop que pode adequá-las as proporções dentárias descritas na
literatura - Platão (Foto 1.16), Áurea (Foto 1.17), Polyclitus (Foto 1.18) e Albers ou
Diagonal do Quadrado (Foto 1.19) e Lysippus (Foto 1.20). A final da avaliação, a
proporção áurea (1:1, 62) não foi apontada como preferência estética entre os
grupos (23,33% de preferência), apesar de ter sido considerada como perfil
agradável; além disso, a proporção de Albers (1:1,41) foi a indicada como a mais
bela e eleita a preferida de todos os grupos.
Foto 1.14 – Conflito de Linhas. O incisivo lateral rompe o paralelismo e interfere na harmonia da
composição dentária.
Foto 1.15 – A relação do canino e o lábio inferior junto ao canto da boca pode criar um efeito visual
suave ou forte.
Foto 1.16 – Proporção de Platão (1:1, 732 – 58%).
17
Foto 1.17 – Proporção Áurea (1:1,618 – 62%).
Foto 1.18 – Proporção Polyclitus 1:1,333 (75%).
Foto 1.19 – Proporção Diagonal do Quadrado ou Albers 1:1,414 (71%).
Foto 1.20 – Proporção Lysippus 1:1,250 (80%).
18
2. OS TECIDOS MOLES E SUA RELAÇÃO COM A ESTÉTICA
Sarver e Ackerman (2003) apresentaram uma metodologia para a gravação,
avaliação, planejamento e tratamento do sorriso em 4 dimensões (Anexos, figura
2.1). Discutiram a evolução da análise do sorriso e reviram quais os registros
necessários na dinâmica do sorriso. Para isto utilizaram: fotos de perfil e oblíquas
(não retratado), close-up oblíqua do sorriso close-up, e close-up frontal do sorriso.
Os autores concluíram que: 1) o perfil do sorriso mostra características não dentais,
incluindo a posição da ponta nasal, permite a avaliação do lábio superior e mostra
características de pro inclinação ou retro inclinação dos incisivos superiores; 2) o
close-up obliquo do sorriso facilita a avaliação da curvatura de molares (quando
visível) e pré-molares, e em dentes anteriores, mostra a relação destes com o lábio
inferior; 3) o close-up frontal do sorriso permite estudo mais aprofundado da altura
da coroa, da arquitetura gengival, das relações da margem gengival maxilar com o
lábio superior e das bordas incisais e caninas com o lábio inferior (Foto 2.1). Além
disto, as medições sistemáticas em descanso incluem a altura da comissura e do
filtro labial, as medições sistemáticas dinâmicas mostram as relações da altura da
coroa, dão uma visão gengival e mostram o tipo de arco do sorriso (Foto 2.2).
Foto 2.1 – Perfil do sorriso, close-up oblíquo e
frontal do sorriso.
Foto 2.2 – Altura da comissura labial, 2- Altura
do filtro e 3- Espaço Labial mostrando os
incisivos em repouso; (B) Altura da coroa, visão
gengival e (C) arco do sorriso.
19
A avaliação do perfil facial é tão importante quanto a visão frontal da face.
Assim, de acordo no estudo de alguns estudiosos, os autores verificaram que: 1) o
uso de uma linha, traçada tangente ao mento mole, passando pelo ponto médio da
base do nariz denominada linha "S" (TUKASAN et al, 1996) seria uma forma de
avaliação do perfil do tecido mole e de vital importância para verificação dos
problemas ortodônticos (Anexos, figura 2.2); 2) visando desenvolver um guia mais
específico para ajudar os ortodontistas menos experientes a obter o máximo de
harmonia facial, Merrifield, em 1966, criou o ângulo “Z” (Anexos, figura 2.3); 3)
Ricketts, em 1957, ao considerar que entre os principais objetivos do tratamento
ortodôntico deveriam estar o equilíbrio e harmonia da estética facial, realizou um
estudo utilizando fotografias de modelos e artistas de cinema com excelentes perfis
e, em seguida, apresentou uma linha que procurava quantificar a beleza facial, a
linha "E" (Anexos, figura 2.4).
Além disso, os tecidos moles devem ser avaliados de uma vista frontal
através dos terços faciais (Foto 2.3). 5) Podem ser verificados 3 tipos faciais (Foto
2.4).
Foto 2.3 – Terços Faciais:
(1) Terço Superior: fica compreendido entre a raiz do cabelo e a linha das sobrancelhas;
(2) Terço Médio: é limitado pela linha das sobrancelhas e pela linha subnasal, os olhos, as órbitas, o
nariz, as bochechas e as orelhas são sistematicamente analisados. Para que ocorra uma proporção
ideal, a largura da base do nariz deve ser aproximadamente a mesma da distância intercantal,
enquanto a largura da boca deve se aproximar da distância interpupilar;
(3) Terço Inferior: localiza-se entre a linha subnasal e o mento. Este deve ser avaliado quanto à sua
simetria, relações verticais e morfologia e não pouco frequentemente, ele é mais pronunciado que o
resto da face.
20
Foto 2.4 - (1) Braquicefálicos: contornos faciais curtos são indicativos de malociusões de Classe II,
com mordida profunda e deficiência maxilar vertical; (2) Mesocefálicos: apresentam harmonia no
sentido vertical e horizontal. O arco se apresenta em forma de U; (3) Dolicocefálicos: predominância
de crescimento vertical, face longa, arco em V, palato profundo e geralmente associado a problemas
respiratórios.
Os estudos avaliaram também 6) a convexidade da face (Anexos, figura 2.5)
através do ângulo que é semelhante ao do contorno facial (GISn.SnPg'), mas que
fornece uma indicação melhor da convexidade do perfil porque se concentra no
terço inferior da face e considera o tamanho do nariz (SUGUINO et al, 1996). 7)
Ainda, a espessura do lábio superior pode ser medida de duas maneiras: do
subnasal ao ponto A e do incisivo superior à ponta do lábio (Anexos, figura 2.6). 8) O
ângulo nasolabial (Anexos, figura 2.7) reflete a projeção do lábio superior perante a
base do nariz. O importante deste ângulo é a sua relação para com a face do
paciente, sendo um ótimo indicativo auxiliar do diagnóstico sagital da maxila
(LANDGRAF et al, 2002). Esse ângulo sofre influência direta da forma do nariz, além
da projeção anteroposterior da maxila, tendo então um ângulo mais aberto para
nariz arrebitado e mais fechado para nariz adunco. Sofre, ainda, influência da
posição dentária, denunciando a protusão e a inclinação dos dentes anteriores. 9)
Finalmente, a projeção nasal (Anexos, figura 2.8) é um indicador de posição
anteroposterior da maxila. E segundo Landgraf et aI. (2002), é possível aceitar uma
maxila mais protusa para indivíduos com nariz arrebitado e uma maxila mais retruída
para indivíduos com nariz adunco. Os autores concluíram então, que a análise facial
veio para completar a análise cefalométrica no diagnóstico e tratamento ortodôntico,
atingindo assim os anseios do paciente, oferecendo-lhe uma oclusão funcional com
a melhor harmonia facial possível.
A partir deste estudo, Vera Lúcia Colombo et al (2004) propuseram uma
análise facial frontal para utilização rotineira no diagnóstico e planejamento do
tratamento ortodôntico. Para realização do trabalho foram selecionadas 40
mulheres, com idade média de 22 anos, leucodermas, com faces agradáveis, Classe
I de Angle, sem história prévia de tratamento ortodôntico e cirurgia plástica na face.
21
Foram obtidas duas fotografias faciais frontais (10 x 15 cm coloridas), padronizadas
de cada uma (com sorriso máximo e durante o repouso). Sobre as fotografias, foram
realizadas medidas lineares, angulares e proporcionais (Anexos, figura 2.9, 2.10,
2.11 e 2.12). E as mesmas foram avaliadas por meio de teste de normalidade,
estatística descritiva e desvio padrão do erro.
Os autores classificaram a curvatura incisal superior em relação ao lábio
inferior (Anexos, figura 2.13) em paralela (em relação ao lábio inferior), reversa
(canino mais baixo que os incisivos centrais superiores) e reta (caninos estão na
mesma altura que os incisivos centrais superiores).
O sorriso também foi classificado em: sorriso canto da boca ou "Mona Lisa",
sorriso “canino” e sorriso “amplo” de acordo com a musculatura envolvida na
realização do sorriso (Anexos, figura 2.14 e 2.15). Os resultados do estudo
mostraram que algumas das medidas utilizadas neste trabalho se assemelham às
encontradas na literatura e outras diferem muito. Como por exemplo, a maioria das
mulheres tinha sorriso do tipo canto de boca ou "Mona Lisa" (55%), concordando
com os resultados de Rubin em 1974. Quanto à curvatura incisal, esta foi paralela
em relação ao lábio inferior, em 82% da amostra. Os autores propuseram uma
análise facial frontal durante o sorriso em fotografias para uso clínico como auxiliar
no diagnóstico e planejamento ortodôntico (não dispensando a análise clínica e
radiográfica do paciente - Anexos, figuras 2.16, 2.17, 2.18 e 2.19).
Juliana Godoy-Bezerra et al (2005) avaliaram o perfil facial tegumentar em
indivíduos com maloclusão Classes II divisão 1 de Angle, não tratados
ortodonticamente, com padrão esquelético de Classe II
(TWEED, 1966),
determinado por um ângulo ANB maior ou igual a 5,5 graus. As avaliações foram
feitas pela medição dos ângulos de convexidade facial – Fotos 2.5 e 2.6 – (LEGAN,
BURSTONE, 1980) e nasolabial – Foto 2.7 – (EPKER et al., 1995).
Foto 2.5 – Localização do Ângulo de Convexidade Facial:
*Glabela Tegumentar (G): ponto localizado na região mais
anterior da fronte; Subnasal (Sn): ponto localizado na intersecção
da margem inferior da base do nariz com o lábio superior;
*Pogônio Tegumentar (Pg): ponto mais proeminente do contorno
do mento.
NOTA: valor de normalidade: 12° +/- 4 (Legan, Burstone, 1980).
22
Foto 2.6 – Classificação do ângulo de convexidade facial: (A) convexo, (B) convexo suave ou normal
e (C) tendência a côncavo.
Foto 2.7 – Classificação do ângulo nasolabial: (A) aberto, (B) normal e (C) fechado. O ângulo
nasolabial é formado pela união de duas linhas que se unem no ponto subnasal e tangenciam a base
inferior do nariz (Sn-Co) e o lábio suerior (Sn-Ls). A faixa de normalidade do valor para este ângulo,
segundo Epker et aI (1995), é de 90° a 110°.
OBS: Este ângulo serve para a determinação da posição da maxila e é classificado conforme a figura
acima.
Para este estudo, selecionaram 30 indivíduos com idades entre 12 e 16 anos
dos quais, foram feitas tomadas fotográficas de perfil por meio do software
Facilmetric®. Estas serviram como base para a análise do estudo. Ao final da
pesquisa, os autores chegaram a conclusão que o ângulo de convexidade médio foi
de 17,90° e com 63% da amostra apresentou perfil tendendo a convexo, 30%
convexo suave ou normal e 6,7% com tendência a côncavo, apresentando uma
diferença significativa para o valor padrão de 12°. O valor médio obtido para o
ângulo nasolabial, de 99,54° não diferiu, estatisticamente, do valor padrão de 100°,
não comprometendo assim, o perfil facial tegumentar dos indivíduos com maloclusão
Classe II. Já o ângulo de convexidade facial, ao contrário do anterior, foi efetivo em
evidenciar, quantitativamente, mudanças comprometedoras do perfil facial dos
indivíduos da amostra.
23
Paiva et al (2005) analisaram a exposição dos incisivos superiores, a projeção
e o comprimento do lábio superior ao início e ao final do tratamento ortodôntico, e
relacionaram as possíveis alterações encontradas nestas estruturas utilizando: 13
documentações ortodônticas (26 telerradiografias em norma lateral, e 52 fotografias
de frente e de perfil (pré e pós-tratamento)) de indivíduos dos gêneros masculino e
feminino, brasileiros, leucodermas, com idades entre nove e 16 anos, tratados com
extrações dos quatro primeiro pré-molares, selecionados subjetivamente por meio
de suas fotografias de frente e de perfil, nas quais se observaram, visualmente,
alteração favorável da posição do lábio superior ao final do tratamento ortodôntico.
Analisaram as cefalometrias de cada indivíduo, tendo por base que, ao final do
tratamento, os indivíduos deveriam apresentar: alterações nítidas no lábio superior
em relação ao registro inicial, vedamento labial passivo e equilíbrio do terço inferior
da face; ou seja, lábio superior, lábio inferior e pogônio mole harmônicos entre si
(Fotos 2.8 e 2.9).
2.8 - Fotos: frontal e lateral pré-tratamento.
2.9– Fotos: frontal e lateral pós-tratamento.
24
Foram utilizadas na pesquisa as seguintes grandezas cefalométricas (Anexos,
figuras 2.20, 2.21 e 2.22):
1. Medida linear 1 - Stms - Distância da borda incisal do incisivo superior ao
ponto mais inferior do lábio superior.
2. Medida linear Sn - Stms - Distância do ponto mais inferior da base do nariz
ao ponto mais inferior do lábio superior.
3. Medida linear SnPerp - Ls - Distância da linha perpendicular ao Plano de
Franckfurt que passa pelo ponto Sn ao ponto mais proeminente do lábio superior.
As médias das medidas obtidas ao início e ao término do tratamento
ortodôntico foram analisadas por meio do teste t de Student para dados pareados e
adotou-se o nível de significância de 5%. Após o estudo, os autores concluíram que
não houve aumento significativo do comprimento labial após a retração dos incisivos
superiores. Provavelmente devido a aspectos relacionados a tonicidade e espessura
da musculatura do lábio superior, alteração do ponto Sn, ao eixo de rotação do lábio
superior, alteração da posição do lábio inferior ou a etiologia da sobremordida.
Quanto à diminuição da exposição dos incisivos superiores ao final do tratamento,
parece ter ocorrido ou em função da alteração da inclinação dos incisivos superiores
ou da intrusão dos mesmos durante o tratamento ortodôntico.
Após a análise estatística dos valores encontrados, pôde-se concluir que:
1. Houve diminuição, estatisticamente, significativa da exposição dos incisivos
superiores ao final do tratamento.
2. Houve diminuição, estatisticamente significativa, da projeção do lábio superior ao
final do tratamento.
3. Não houve alteração, estatisticamente, significativa do comprimento do lábio
superior ao final do tratamento.
4. Houve correlação positiva, estatisticamente, significativa entre as medidas
SnPerp-Ls e l-Stms; isto é, quanto maior a projeção do lábio superior, maior a
exposição dos incisivos superiores.
5. Houve correlação negativa, estatisticamente, significativa entre as medidas
SnPerp-Ls e Sn-Stms; isto é, quantomaior a projeção do lábio superior, menor o seu
comprimento ao final do tratamento ortodôntico.
6. Houve correlação negativa, estatisticamente, significativa entre as medidas l-Stms
e Sn-Stms; isto é, quanto maior a exposição dos incisivos superiores, menor o
comprimento do lábio superior.
25
Com o objetivo de avaliar o perfil facial em fotografias de jovens brasileiros
leucodermas com oclusão normal, Fábio Trevisan e Cássia Gil (2006) selecionaram
58 fotografias de perfil de 23 jovens do gênero masculino e 35 do feminino, com
idade média de 16,03 ± 2,04 anos, que apresentavam 4 das 6 chaves de oclusão de
Andrews. As mesmas, após fotogrametria, foram julgadas por 21 alunos e 2
professores de pós-graduação.
Neste estudo verificou-se que a oclusão normal natural não foi indicativa de
beleza do perfil facial, já que 28% dos perfis avaliados foram classificados como
desagradáveis. Porém, as medidas fotogramétricas do perfil facial não puderam
indicar beleza do perfil isoladamente; já que, nos grupos de perfis agradáveis,
aceitáveis e desagradáveis, poucas foram as diferenças estatísticas entre elas.
Com o objetivo de determinar a influência de variações no tamanho dos
vermelhões dos lábios superior e inferior sobre a percepção da atratividade de
diferentes problemas oclusais, Craig R. Scott, et al (2006): utilizaram a foto digital de
uma adolescente sorrindo usada como base modificando-a no computador para criar
90 fotos a partir da original. A área entre os lábios permaneceu constante em todas
as fotos criadas e a oclusão original foi removida e substituída por dez problemas
oclusais diferentes.
Os lábios foram modificados, estabelecendo 3 espessuras diferentes para os
mesmos, tanto inferior quanto superior (estas características foram colocados de
forma combinada, resultando em 7152 imagens).
A partir destas montagens, eles utilizaram um questionário analisando
estatisticamente a atratividade, levando em conta os atributos sociais e sexuais. O
questionário foi respondido por quatro grupos de profissionais escolhidos da
seguinte forma: 5353 imagens foram avaliadas por 179 leigos, 330 por 11 cirurgiões
plásticos, 889 por 30 dentistas, e 580 por 20 ortodontistas.
Após a avaliação, todos os problemas oclusais (independentemente de qual
problema oclusal em si) foram vistos como mais atraentes quando associados a um
espesso vermelhão labial. Ao vermelhão labial fino foram associadas as mais graves
irregularidades como falta de atração e traços de agressividade e masculinidade.
26
Assim, através deste estudo, os autores chegaram às seguintes conclusões: a
espessura do vermelhão do lábio tem um efeito profundo sobre a forma como as
pessoas vêem a atratividade da dentição (Anexos, figura 2.23). Pois, um vermelhão
mais largo e uma má oclusão branda, estão associados a faces que demonstram
mais atratividade, parecem mais amigáveis, inteligentes, honestas e mais sensuais,
com mais chances de sucesso; além de apresentar um ar de feminilidade. Enquanto,
um vermelhão mais fino associado a uma má oclusão mais severa, parece estar
associado a faces mais agressivas, masculinizadas e menos atrativas. Portanto, os
planos de tratamento que possam afetar o vermelhão labial podem resultar em
melhor alinhamento dentário, mas levar a deterioração da atratividade global.
27
3. DISCUSSÃO: HARMONIA ESTÉTICA NO TRATAMENTO ORTODÔNTICO
De acordo com Mondelli (2003), harmonia é a relação de várias partes
diferentes entre si, que formam um todo. Segundo ele, na busca de uma explicação
racional para o belo ou para a lógica da natureza, os gregos descobriram e
estabeleceram os conceitos de simetria, equilíbrio e harmonia como pontos-chave
da beleza de um conjunto. Estes, após serem estudados por filósofos e matemáticos
e serem aplicadas por artistas, arquitetos e engenheiros, resultaram na proporção
áurea ou divina que seria nada mais nada menos que uma fórmula matemática para
definir a harmonia nas proporções de qualquer figura, escultura ou monumento; o
que também reflete a opinião de Gil (2001).
Lombardi (1973) já mencionara e aplicara este conceito na odontologia sendo
logo seguido por Levin (1978) que desenvolveu o estudo, criando a avaliação da
medida da amplitude do sorriso e da porção visível dos dentes; o que passou a ser
de grande valia na seleção e escolha de dentes artificiais e nas reabilitações
protéticas e restauradoras. Assim, para eles, a simetria ocorre quando se encontram
correspondência de forma, cor, textura e posicionamento entre os elementos
dentários dos hemi-arcos superiores. Isto se refere ao fato de que os incisivos
centrais devem ser os dentes dominantes e mais observados, os laterais devem
aparecer proporcionalmente menores (62%) a eles; da mesma forma os caninos
devem aparecer 62% menor em relação aos laterais, coincidente com a proporção
de aparecimento do pré-molar e assim sucessivamente. Sendo que em relação
incisivo central o canino proporcionalmente aparece aproximadamente 33% menor.
Este conceito vai mais além para estes autores, pois para eles, o posicionamento, o
ordenamento e as dimensões dos dentes anteriores, refletem na personalidade, no
sexo e na idade dos pacientes.
Para Javaheri e Shahnavaz (2002), a aplicação de princípios estéticos ajuda a
melhorar o desenho do sorriso, os resultados funcionais, a comunicação com o
laboratório e a satisfação do paciente, enquanto Brisman (1985) acha que o ideal da
análise estética é relacionar o formato facial, englobando a linha do sorriso (relação
dento - labial), a idade da pessoa e o formato, tamanho, angulação e posição dos
dentes anteriores. Sendo assim, proporção representa, na concepção de beleza
dentária, um fator a mais na busca da excelência estética.
28
Uma vez que a forma, a posição e a proporção dos dentes tem sido alvo de
muitos estudos, Huntley (1970) indicou o uso do “conceito da forma típica” que
classifica os dentes naturais em ovóides, cônicos, e quadrados. Além de citar a
harmonia da forma do dente com a face. Estes conceitos foram utilizados por mais
de 40 anos.
Para Tjan e Miller (1984), um sorriso atrativo e agradável acentua a aceitação
do indivíduo na sociedade, pela melhora na impressão inicial do relacionamento
interpessoal. Também Hulsey (1970), observou que o sorriso é um dos meios mais
eficazes pelo qual as pessoas transmitem suas emoções. Morley e Eubank (2001)
concordam com a idéia de que para alcançar a harmonia estética alguns fatores
devem ser considerados além dos dentes em si; como: saúde periodontal, simetria
gengival, boa relação maxilo-facial e finalmente bom posicionamento e alinhamento
dental e também afirmam que os fatores envolvidos na avaliação da estética do
sorriso podem ser divididos em quatro tópicos: 1) estética facial, 2) estética gengival,
3) macroestética e 4) microestética.
Nesta mesma linha de pensamento de inter-relação entre as diversas
especialidades, Becerra (2003) descreve a estética do sorriso apresentando três
componentes: A) o dentário – baseado na forma, tamanho, cor e textura superficial
dos dentes; B) o gengival – que consiste na arquitetura periodontal tendo um papel
de extrema importância; C) os lábios – determinam o marco da estética do sorriso.
Hulsey (1970), Peck S, Peck L., Kataja (1992 e 1995) são unânimes em
afirmar que a forma como os dentes se relacionam com a curvatura do lábio e a
quantidade de exibição gengival pode afetar diretamente a estética do sorriso e que,
geralmente, a relação entre os dentes e lábios durante o sorriso pode ser
classificada em três categorias definidas: (1) linha labial baixa: quando a borda
inferior do lábio superior cobre a coroa dos incisivos, mostrando apenas uma porção
deles; (2) linha labial média: pode apresentar uma exposição de 1 a 3 mm de
gengiva, da altura mais apical da gengiva livre a margem da borda inferior do lábio
superior. Quando o paciente sorri, pode-se ver os dentes, a gengiva interdental e
uma pequena margem de gengiva livre em volta dos dentes; (3) linha labial alta, ou
sorriso gengival: quando durante o sorriso o paciente expõe toda a coroa clínica dos
dentes ântero-superiores e uma faixa de gengiva de 5 mm ou mais.
29
Burstone (1967) avaliou o comprimento do lábio superior de adolescentes de
ambos os sexos e verificou que no sexo masculino, o comprimento médio do lábio
superior foi de 24 mm e de 20 mm para o sexo feminino. Já Maulik e Nanda (2007)
encontraram medidas que variam de 22,5 mm aos 18 anos de idade para 23,7mm
aos 26 anos de idade. Os indivíduos do sexo feminino apresentam 19,1 mm de
comprimento do lábio, aos sete anos de idade, comparado aos 20,2 mm aos 18
anos de idade.
De acordo com estudos de Vig et al, (1978), ocorre uma diminuição gradativa
da posição dos incisivos centrais superiores com a idade, acompanhada de um
aumento gradativo da exposição dos incisivos inferiores. Os autores concluíram
ainda que as mulheres mostram em média mais os dentes ântero superiores e que
os homens mostram mais os incisivos inferiores. A exposição dos incisivos
superiores em repouso (distância entre a borda do lábio à borda incisal) apresenta
um valor médio de 3,7 mm, segundo alguns estudos de Burstone, (1959); enquanto
outros autores, como Araújo et aI. (1960), encontraram médias iguais a 4,0 mm nos
indivíduos adultos do sexo feminino. Já durante o sorriso, Tjan e Miller (1984)
revelam que uma exposição de incisivos superiores variando de 30% a 70% nos
homens e 70% a 100% nas mulheres, é considerada normal.
O estabelecimento de uma dimensão vertical fisiológica e sadia é outro
critério importante na estética do sorriso e para Miller (1989), deve ser visível 2 mm
da coroa do incisivo central superior com os lábios em repouso, quando é desejado
um aspecto mais jovem, deve-se expor mais os dentes. Segundo Lombardi (1973)
com o envelhecimento, os dentes superiores tendem a aparecer menos devido a
perda da tonicidade dos músculos faciais que fazem o lábio se mover menos. O
autor afirma ainda que as pessoas mais velhas tendem a mostrar menos a gengiva
durante o sorriso. Em relação aos aspectos verticais da posição labial, Peck et al
(1992), avaliaram a posição dos lábios em repouso e observaram que a exposição
média do incisivo central superior com os lábios em repouso foi de 5,3 mm na
amostra feminina e de 4,7 mm na amostra masculina. Os autores acharam ainda
uma diferença estatisticamente significativa: o comprimento do lábio superior em
repouso, na amostra masculina é 2,2 mm, em média, mais longo do que a amostra
feminina.
30
Peck et al (1992) concluíram que o sorriso gengival não é influenciado pelo
comprimento do lábio superior, ou da coroa dos incisivos, nem pelo ângulo do plano
mandibular ou do plano palatino. Mas estes autores perceberam que o mecanismo
biológico do sorriso gengival é influenciado pelo excesso vertical anterior da maxila,
pela alta capacidade muscular de levantar os lábios e outros fatores importantes
como excessivo overjet e overbite. Peck S., Peck L.(1995) também notaram que, em
média, a linha do sorriso é 1,5 mm maior em mulheres que em homens. Para Arnett
e Bergman, 1993, a exposição ao sorrir é de 3/4 de altura da coroa para 2 mm de
gengiva.
O que pode ser considerado ideal, representando a altura gengival de Classe
I. Já na altura gengival de Classe lI, o contorno gengival dos incisivos laterais está
situado apicalmente aos incisivos centrais e caninos. Para Andrews (1972), o
contato interdentário dos dentes antero superiores deve ser feito de forma
descendente, a partir do canino. O contato entre canino e incisivo lateral se
posiciona mais alto do que o contato entre o incisivo lateral e central; o contato entre
os incisivos centrais se posiciona mais baixo ainda. Esses pontos de contatos
devem ser justos, a menos que exista uma discrepância no diâmetro mésio distal da
coroa.
A fim de conseguir a reabilitação estética ideal, em alguns casos, quando os
espaços entre os dentes são muito grandes e/ou existe discrepância de Bolton
(discrepância de tamanho entre os dentes superiores e inferiores) e há necessidade
de integração entre as especialidades, Fields (1981) e Câmara (2006) são unânimes
em afirmar que Ortodontia deve ser responsável pela distribuição e diminuição dos
espaços, distribuindo os diastemas de forma que os maiores espaços fiquem
sempre para distal do dentes, e a Dentística pelo fechamento completo com material
restaurador. Um dos critérios que Epker utilizou foi a linha SnPerp (subnasal
perpendicular ao plano de Frankfurt) e a porção mais anterior do vermelhão do lábio
superior para analisar a posição ântero-posterior do lábio superior, determinando a
norma clínica de zero (± 2) mm para a posição do lábio superior. Segundo o autor o
lábio superior estaria protruído quando estivesse mais de 2 mm à frente da linha
SnPerp e retruídos quando estivesse menos que 2 mm atrás desta linha.
É amplamente aceito que a posição dos incisivos superiores no sentido
vertical é um fator relevante no planejamento do tratamento ortodôntico.
31
Burstone analisou esta posição e recomendou que a exposição dos incisivos
superiores deveria ser de 2 mm (± 2 mm) abaixo do lábio superior, com os lábios em
repouso. Arnett e Bergman (1993) propuseram, baseando-se em análises de
estudos prévios, as chaves faciais para o diagnóstico e plano de tratamento.
Recomendaram que a exposição dos incisivos superiores, com os lábios em
repouso, deveria estar entre 1 e 5 mm, sendo que nos indivíduos do gênero feminino
esta exposição seria maior do que nos indivíduos do gênero masculino. De acordo
com os autores, em uma vista frontal, a face pode ser dividida em três terços: O
terço superior - (é o menos importante, visto que é afetado pela linha do cabelo e é
altamente variável, dependendo do mesmo). Para Suguino et al (1996) estas áreas
são usualmente normais em alterações dentofaciais. O terço médio - neste, os olhos
devem estar simétricos tanto no sentido horizontal quanto no sentido transversal.
Para que ocorra uma proporção ideal, segundo Suguino, et al (1996), a largura da
base do nariz deve ser aproximadamente a mesma da distância intercantal,
enquanto a largura da boca deve se aproximar da distância interpupilar. E,
finalmente, o terço inferior que se localiza entre a linha subnasal e o mento.
O balanço geral da face (proporcionalidade vertical) segundo Arnett e
Bergman (1993) é encontrado quando os três terços possuem aproximadamente o
mesmo tamanho na direção vertical dentro de uma variação entre 55 a 65 mm,
verticalmente. Nesta mesma linha de raciocínio, Ricketts preconizou três tipos
faciais: dolicocefálico, mesocefálico e braquicefálico:
• Braquicefálicos: apresentam predominância de crescimento facial horizontal e
lateral sobre o vertical, musculatura facial forte e arcada dentária com tendência à
forma quadrada. Contornos faciais curtos são indicativos de maloclusões de Classe
II, com mordida profunda e deficiência maxilar vertical (SUGUINO et aI, 1996).
• Mesocefálicos: apresentam harmonia no sentido vertical e horizontal. O arco se
apresenta em forma de U.
• Dolicocefálicos: são indivíduos caracterizados por uma predominância de
crescimento vertical. Face longa, arco em V, palato profundo e geralmente
associado a problemas respiratórios. Segundo Suguino et aI. (1996), faces longas e
estreitas estão relacionadas com excesso maxilar vertical ou protusão mandibular
com interferências dentárias que levam à mordida aberta.
32
No DREF frontal o terço inferior é subdividido, tomando como referência o
tamanho vertical do lábio superior [subnasal (Sn) até o estômio (Es)], deixando a
outra parte ser preenchida pelo lábio inferior e mento. Segundo Burstone, C. J
(1967), essa relação deve guardar uma proporção de 1:2. Isto é, o comprimento do
lábio superior deve ser a metade do comprimento do lábio inferior e mento. No
DREF sagital, na região anterior, os terços obedecem aos seguintes limites: · Terço
superior: Glabela Tegumentar (GI'); · Terço médio: Subnasal (Sn); · Terço inferior:
Pogônio Tecido Mole (Pg'). Mitani (1981); Mitani, et al (1993) concordaram em dizer
que a relação que esses três terços guardam entre si será considerada ideal quando
o terço superior se posicionar posteriormente (mais nos homens do que nas
mulheres) aos terços médio e inferior e a relação entre o terço médio e inferior for de
equivalência. O posicionamento um pouco mais retruído do terço inferior será
considerado normal (convexidade facial), dependendo da idade, gênero e tipo racial.
Conforme o padrão esquelético poderá ocorrer mudanças nas relações espaciais
entre os terços, com o aumento da idade direção vertical, o equilíbrio da face segue
o mesmo principio do plano frontal, ou seja, o três terços com aproximadamente o
mesmo tamanho. O terço inferior será divido em duas partes, sendo que a região
anterior terá o seu comprimento representado pela linha mento-pescoço. Para Arnett
e Bergman (1993), esta distância é subjetivamente descrita como normal, longa ou
curta.
Fazendo um paralelo com o conceito de Capelozza Filho, as desproporções
entre os terços faciais são responsáveis pela classificação dos pacientes em Padrão
I, II, III (face longa e face curta) dependendo do fator primário de desajuste nas
relações maxilo mandibulares. Tendo cada padrão uma característica morfogenética
própria, que deverá ser avaliada subjetivamente. Daí, a utilização dos Diagramas de
Referências Estéticas Faciais parece se encaixar facilmente nessa perspectiva de
avaliação subjetiva, pois utiliza uma comparação intrínseca das proporções faciais,
sem a utilização de uma avaliação numérica.
Arnett e Bergman (1993) afirmam que a intersecção da linha do lábio superior
com a linha que vai da columela ao subnasal forma o ângulo nasolabial que reflete a
projeção do lábio superior perante a base do nariz. Seu valor normativo é de 104°
(90° - 112°) e a sua relação com a face do paciente é um ótimo indicativo auxiliar do
diagnóstico sagital da maxila.
33
Conceitos importantes da macroestética para o ortodontista:
 Ameia incisal: o tamanho e o volume destas, em um sorriso harmônico,
aumenta à medida que se distancia da linha média. Porém, alterações como
bruxismo e a mordida “topo a topo”, provocam a destruição destas ameias,
prejudicando a estética do sorriso;
 Ameia cervical: são espaços triangulares existentes entre todos os dentes na
região cervical, que são ocupados pelas papilas gengivais. O seu tamanho e
volume tendem a diminuir à medida que se distancia da linha média;
 Zona reflexiva: é a área mais plana dos dentes anteriores, responsável pela
reflexão da luz. Quanto maiores estas forem, maior a reflexão de luz, dando
ao observador a impressão de dentes mais largos, amplos e próximos e
quando os dentes se tornam menores, parecem dentes mais estreitos,
menores e distantes;
 Conectores: são áreas dos dentes que fazem a conexão entre as zonas
reflexivas e os pontos de contato. É a área onde os dentes adjacentes
parecem se tocar;
 Pontos de contato: são áreas onde os dentes realmente se tocam;
 Inclinações axiais: levando-se em consideração a linha facial mediana,
percebe-se que todos os dentes tendem para mesial, seguindo uma
progressão á medida que se distancia da linha média;
 Linha entre as comissuras: é uma linha imaginária que une as comissuras
labiais (os cantos da boca). Em um sorriso estético, cerca de 75 a 100% dos
dentes superiores devem ser exibidos abaixo desta linha com o bordo do
lábio superior tocando-a. Quando isto não acontece, e acima da linha aparece
tecido mucoso, a estética do sorriso fica bastante prejudicada, caracterizando
o sorriso gengival.
34
Conceitos importantes da microestética
Para Sproull (1973) a micro estética trata da imitação dos dentes naturais e
envolve alguns elementos que fazem parte desta estrutura. Apesar destes
elementos não fazerem parte do dia-a-dia do ortodontista, vale a pena lembrá-los a
título de conhecimento. São eles: cor, matiz, valor, croma, translucidez, luz ideal e
textura.
 A cor refere-se a energia refletida por um objeto e envolve fenômenos
objetivos e subjetivos;
 O matiz é a cor aparente, propriamente dita. Apresenta-se na escala vita
como
A
(vermelho-amarronzado),
B
(amarelo-alaranjado),
C
(cinza-
esverdeado) e D (cinza-rosado).
 O croma ou saturação refere-se a profundidade ou colorido de uma cor ou
seja a quantidade de pigmento presente que nos permite diferenciar uma cor
forte de uma fraca;
 A translucidez refere-se a característica de permitir a passagem de luz e
depende da espessura do esmalte, da dentina. Este elemento, segundo
Tovati et al, 2000, pode ser avaliada de acordo com as variações da
espessura do esmalte e da distância entre a dentina e a superfície externa do
dente. Pois cerca de 30% da luminosidade que incide sobre o esmalte são
refletidas e 70%, absorvidas; quando encontra a dentina, o fenômeno se
inverte sendo 70% refletidos e 30% absorvidos, porém com variações
dependentes da espessura e características próprias da dentina como, por
exemplo, de áreas com esclerose.
 A luz ideal segundo Vieira (2004) é a do dia; mais especificamente: voltado
para o norte, na época do outono, ás 11h da manhã de um dia pouco nublado
quando se tem o comprimento de onda ideal para se escolher a cor.
 A textura modifica-se com o passar dos anos e implica na reflexão da luz.
35
CONCLUSÃO
Por que não há padrão aceito para "a análise do sorriso"? A principal razão é
que só recentemente a ortodontia centrou a sua atenção sobre a natureza
multifatorial do sorriso, combinada com uma mudança impulsionada em direção ao
diagnóstico do doente e ao planejamento do tratamento estético. Apenas hoje,
podemos enxergar que “... reparar um sorriso vai além dos procedimentos clínicos
em si, é o mesmo que intervir psicologicamente em toda a família do paciente. Por
isso, o profissional que tem a missão de esculpir sorrisos é o mesmo que esculpe
comportamentos; é o mesmo profissional que molda sonhos. Reabilitar o sorriso de
uma pessoa é muito mais que um trabalho, é amar, é dedicar toda existência ao
bem estar do próximo, à felicidade do ser humano. É ser todo dia, um restaurador de
sorrisos...” Prof. José Alberto de Souza Freitas (grifo meu).
“O planejamento das mudanças estéticas é difícil, especialmente no que se
refere à sua integração com a correção da oclusão” (SUGUINO et aI, 1996). “O
equilíbrio e a harmonia facial, assim como a oclusão ideal, devem ser objetivos
simultâneos e igualmente importantes no tratamento ortodôntico” (KLONTZ, 1998).
Assim, a ortodontia está para a reconstrução ou restauração da estética do
sorriso como Romeu está para Julieta ou o queijo está para goiabada e vice versa.
Então, para finalizar seus casos com sucesso não basta apenas que o ortodontista
se dedique a busca da classe I e a correta engrenagem dos dentes. Mas que ele
busque com afinco ter conhecimento sobre a harmonia facial, para deixar o perfil do
paciente o mais agradável possível e invista na estética do sorriso em si para
“encaixá-lo” de maneira suave e harmônica no rosto de cada um daqueles que lhe
confiam o sorriso.
36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ANDREWS, L. F. The six keys to normal occlusion. Am J Orthod, St. Louis. v. 62, no. 3, p. 296309, Sept. 1972.
2. ARNETT, G.W.; BERGMAN, R.T. Facial keys orthodontic diagnosis and treatment planning. Part I,
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ANEXOS
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A ESTÉTICA NA ORTODONTIA VIVIANE MARQUES DOS SANTOS