XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE e PRÉALAS BRASIL. 04 a 07 de setembro de 2012, UFPI, Teresina-PI. GT24: Populações tradicionais, processos sociais e meio ambiente. 3ª Sessão: Biodiversidade, Mudanças e Territorialidades IMPACTOS SOCIAIS PROVOCADOS POR EMBARCAÇÕES DE GRANDE PORTE À COMUNIDADE DE PESCADORES MAZAGÃO/AP. Adirleide Greice Carmo de Souza – Socióloga, Mestranda em Direito Ambiental e Políticas Públicas/UNIFAP e sindicalista (SINDSEAP/FNS). [email protected] Rafael Dantas Dias - Sociólogo. Pesquisador e professor (UNIFAP) e sindicalista (SINDSEAP/FNS). [email protected] RESUMO O artigo é fruto de uma pesquisa concluída no ano de 2010 e investiga os impactos sociais e ambientais causados pelas ondas de maré e pelo tráfego de embarcações de carga na zona costeira do Município de Mazagão/AP. A ênfase foi dada à erosão de solo nas margens do Rio Amazonas, bem como suas consequências para a Comunidade Pesqueira de São Benedito do Urubuena. O objetivo é demonstrar a degradação ambiental nestes ecossistemas costeiros, no entorno da comunidade, bem como seus impactos à comunidade. Para tal, realizou-se um levantamento socioeconômico da população local, comparando os dados, sobre a diminuição na coleta de peixes e camarão, com o aumento no número de embarcações nas últimas décadas. Foi trabalhada a hipótese de que esta degradação é provocada pela intensidade das ondas da maré, e principalmente, pelas ondas de embarcações de grande calado, além da ação antrópica. Palavras-chave: Impactos sociais e ambientais, População tradicional, grandes embarcações, Sociologia Rural. INTRODUÇÃO Os Amazônidas, desde o início da colonização portuguesa, habitaram as margens dos rios, estas por serem verdadeiras fontes de sobrevivência (ricas em pescados e também as chamadas “drogas”1) ou, simplesmente, pela facilidade de deslocamento em busca de novos lugares onde os recursos para subsistência fossem mais acessíveis. A Amazônia (até por volta de 1950) apresentou baixa densidade demográfica, e a metade da população habitava a região costeira2. No Estado do Amapá as primeiras concentrações de moradias ocorreram principalmente nos municípios de Macapá, Santana e Mazagão. Nesse último, existem pequenos núcleos habitados e, foi num destes núcleos que utilizamos para observação e coleta de dados. Pesquisar o tema: Impactos sociais causados pelas ondas da maré e pelo tráfego de embarcações de carga na zona costeira do Município de Mazagão – AP é no mínimo, 1 Segundo comentam Prado e Capelato (1985, p.287), as expedições portuguesas pelos rios da Amazônia, revelaram uma região muito rica em recursos naturais e, a coleta das chamadas “drogas”, iniciou-se logo em seguida à chegada dos padres jesuítas, estes acabaram demonstrando um interesse maior pela atividade econômica, do que pela catequização da população nativa. 2 O Norte e o Leste amapaense são regiões de baixos índices demográficos, tal fato se deve a: demarcações de terras indígenas e de unidades de conservação, o que contribuiu para que este se apresente como o espaço mais protegido do Estado, seja por demarcações institucionais, seja pela presença militar nas fronteiras (PORTO, 2003, p. 112). Já o Centro amapaense possui os maiores índices demográficos e a maior urbanização, devido a fatores como: a extração mineral, implantação de indústrias de transformação, a criação do Distrito Industrial em Santana e a criação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ANDRADE apud PORTO, 2003, p. 112). pretensão. Se levarmos em consideração o grande número de técnicos e especialistas em gestão ambiental atuando no Estado do Amapá, os problemas sócio-ambientais poderiam ser minimizados. No entanto, ao propor o estudo do acima citado, percebemos o quanto ainda precisamos conhecer sobre o Estado, sobre as populações tradicionais ribeirinhas com seus problemas ligados ao meio ambiente. O propósito deste trabalho é observar a degradação ambiental causada aos ecossistemas costeiros, pelas ondas da maré e pelo tráfego de navios e embarcações de grande calado e seus impactos negativos sobre a população ribeirinha do Município de Mazagão. Utilizamos como ponto de referência, para análise sócio-econômicoambiental, a comunidade de São Benedito do Rio Urubuena, localizada às margens do Rio Amazonas, num trecho compreendido entre os Rios Mazagão Novo e Mazagão Velho. A comunidade em questão é “tradicional”, e está sendo degradada de forma contundente com a erosão de solo e a perda de matas ciliares. Figura 01: Mapa político da região estudada. Fonte: Pesquisa de campo. (ZEE, 2001). O local está sendo degradado de forma contundente com a erosão de solo e a perda das matas ciliares, trazendo transtornos sócio-econômicos para a comunidade que ali vive. Trabalhamos com a hipótese de que esta erosão foi provocada por fenômenos naturais e pela ação direta do homem, mas acreditamos que as embarcações de grande porte para transporte de cargas e de passageiros são os maiores responsáveis por essa forma de degradação, naquela localidade, bem como em muitos outros lugares onde há estreitamento dos rios. Realizou-se ampla pesquisas bibliográficas, em fontes relacionadas ao tema sócioambiental e optamos por estudar uma comunidade que ainda mantivesse em seus traços culturais, o que chamamos de tradicional. A comunidade de São Benedito do Urubuena apresenta um sério problema ambiental – a erosão de solo e perda de partes da mata ciliar, provocadas pelas maresias naturais e/ou causadas indiretamente pelo homem através das embarcações de grande calado. No primeiro momento, observou-se que a costa marítima de Mazagão Novo, onde ocorrem as maresias naturais de fim de tarde, mas que não é rota de tráfego dos grandes navios, não é tão acentuada quanto a do segundo cenário, que é a costa marítima de Mazagão Velho, que além das maresias naturais é rota de tráfego dos grandes navios, neste se observa uma maior agressão das matas ciliares nas margens dos rios. Além da observação direta na zona costeira de Mazagão também fizemos visitas à comunidade de São Benedito, onde utilizamos questionários com perguntas específicas para a coleta de dados. Para isso, elaboramos formulários não identificados com perguntas abertas, os quais foram respondidos pelos moradores do local da pesquisa. Também foram feitos registros fotográficos para respaldar a hipótese de que a erosão acentuada pode ter como agravante as ondas provocadas pelas embarcações de grande calado. 2 - REVISÃO DA LITERATURA. 2.1 – A AMAZÔNIA, A LÓGICA DO GRANDE CAPITAL E A ORIGEM DO PROBLEMA DE IMPACTOS SÓCIO – AMBIENTAIS NA REGIÃO. A inserção da Amazônia no mercado capitalista sempre contou com o apoio dos governos locais e, principalmente, do Governo Federal através dos incentivos oferecidos (fiscais e de infra-estrutura) para a entrada do “grande capital”, e da organização e controle da mão-de-obra a ser explorada. 2.1.1 – O Estado e a questão migratória. A ocupação da Amazônia sempre se deu de maneira planejada, mas isso não quer dizer que essa ocupação tenha ocorrido de forma ordenada. Na maioria das vezes, a defesa dos interesses das grandes corporações sempre esteve à frente dos interesses das comunidades locais. Para Leonardi (1998:195), apesar das diferenças existentes entre as sociedades quanto a seus níveis sociais, econômicos, políticos, culturais e tecnológicos, é possível distinguir nelas as estruturas, as relações e os processos do modelo capitalista de acumulação de riquezas. A implantação dos grandes projetos agroindustriais e mineradores na Amazônia são exemplos disso; além do deslocamento de contingentes humanos para as áreas de fronteira sob a justificativa do “interesse da defesa nacional”. Tabela 01: Fluxo de emigração e imigração líquida acumula por unidade da federação da Região Norte (%) UNIDADES DA FEDERAÇÃO NORTE Acre 1950 A 1960 B A 1970 B A 8,49 12,1 6,72 9,72 7,21 1980 B A 1991 B A 1999 B A B 9,9 7,35 18,2 8,44 34,6 11,4 40,8 13,65 25,5 12,7 12,4 13,3 11,7 13,5 11,4 14,7 24,1 13,1 35,2 Amapá Amazonas 1,67 80,2 3,19 31,3 10,42 9,65 8,4 32,8 10,3 27,7 3,34 32 9,02 38,8 7,5 7,49 7,88 6,88 7,21 8,13 4,83 18,2 6,36 28,1 Pará 7,25 6,39 5,86 Rondônia 4,98 78,7 5,84 45,2 8,86 43,7 9,65 66,2 11,5 67,6 11,3 63,4 Roraima 5,81 76,4 6,53 20,6 8,81 20,4 Tocantins _ _ _ 7,9 6,14 _ _ 7,9 6,51 15,3 _ 9 30,3 _ _ 9,1 32,7 14 39 9,6 43,1 20,3 52,2 12,2 45 13,6 51,6 Fonte: PORTO, (2003) (A) migração - (B) Imigração Também foram responsáveis pelo estudo de jazidas de minerais estratégicos, bem como sua exploração. Segundo Oliveira (1987) entre 1966 e 1970, cerca de 22% das descobertas foram feitas unicamente pelas empresas internacionais ou pelos seus “testas-de-ferro”, tudo em conformidade com os governos militares, já que 74% das descobertas concentram-se neste período (pós-64 até 1980); criando, assim, diversos portos por toda a Região Amazônica a fim de escoar essa produção. Ou seja, as cidades foram aparecendo aleatoriamente conforme se descobria uma jazida mineral, e, a partir daí outras se constituíam em torno de um porto. Poucas cidades se constituíram em seus projetos originais, tais como a vila Amazonas e de Serra do Navio, no Estado do Amapá e de Monte Dourado, no Pará. Na verdade, o movimento migratório para a Região Norte, nas últimas décadas, praticamente obedeceu a fatores determinados pelo governo central: criação dos territórios federais (Acre, Rondônia, Roraima e Amapá), investimentos em infraestrutura (portos, rodovias e usinas hidrelétricas) e aquisição de financiamentos externos para a implantação de projetos agroindustriais e de exploração mineral. Segundo Porto (2003, 22) esses fatores contribuíram: (...) para a criação de mecanismos visando à exploração das potencialidades minerais da Amazônia, sob a ação do capital internacional, bem como a ampliação das discussões sobre a participação desta região no mercado mundial como fornecedora de matérias-primas (...) Mafra et all (2000) vêem que a Fronteira Amazônica só pode, ser compreendida a partir da inserção do Brasil no sistema capitalista global. E, em 1930, por ocasião da grande crise mundial, o discurso corrente – nos países periféricos - passa a se referir a “substituição de importações”, ou seja, nesse momento o Brasil, praticamente sentiase obrigado a implantar um modelo econômico capitalista. Singer (2001, 86) comenta tal fato, dizendo que: Essa crise começou nos países industrializados e provocou uma forte queda nos níveis do comércio internacional. Para enfrentar o desemprego, todos os países trataram de fechar seus mercados aos produtos estrangeiros, procurando fabricar dentro de suas fronteiras o que antes importavam. O que na verdade chegou a ocorrer nos grandes centros urbanos industriais, como o centro-sul do Brasil. Nestas áreas onde se concentravam as massas populares e a burguesia brasileira, iniciaram-se vultosos investimentos em tecnologia e maquinários para o ramo industrial, criando uma considerável oferta de produtos manufaturados e industrializados no comércio interno, e também, serviços urbanos. Agora a economia brasileira já não dependia da importação de alguns produtos industrializados de outras partes do mundo. A indústria não só se expandiu, como se diversificou, tanto na área têxtil e alimentícia, como também na metalurgia e na mecânica. Passamos a exportar produtos industrializados, ao invés de exportar, apenas, produtos primários e semiindustrializados. Exportações industriais 98% 92% 67% 48% 1958 1968 1978 1990 Exportações de produtos primários e semiindustrializados Figura 02: Composição das exportações brasileiras Fonte: Magnoli, (1997). Enquanto no restante do país esse movimento de substituição de importações se acelerava, na Amazônia, passava-se a importar muito mais. Tabela 02: Movimento do comércio exterior no Amazonas e no Rio Grande do Sul (US$ milhões). Exportações Amazonas Rio Grande do sul Importações 148,1 977,6 4.338,5 2.024,4 Fonte: MAGNOLI, (1997). Com a intensificação da exploração mineralógica passamos a exportar muito mais produtos primários. Com a implantação da ZFM (1967) e das ALC, aumentamos as importações de produtos industrializados em grande escala. Esse contraste (importações/exportações) é apenas mais um dentre outros existentes na Amazônia, como a luta de posseiros e grileiros; as belezas naturais e as queimadas; a ocupação de terras por imigrantes e a violência contra as sociedades indígenas; e, o desenvolvimento econômico (via movimento portuário) e a degradação ambiental em zona costeira. Segundo Oliveira (1987) a história destes contrastes tem um elo comum: a sanha com que os grupos econômicos têm-se apoderado das riquezas naturais desse imenso “país” chamado Amazônia. 2.1.2 - Economia versus meio ambiente O planejamento visando à exploração econômica da Amazônia, logo começou a mostrar-se eficiente, foram bilhões de dólares investidos em poucos anos e com resultados satisfatórios para os grandes investidores. Leonardi (1996) diz que o total dos recursos financeiros em curto prazo de que dispõem os consórcios multinacionais, transcende a duas vezes o que dispõem todos os bancos emissores e demais autoridades monetárias juntas. Prova disso, foi o intenso movimento portuário que se estabeleceu. E, a cada ano, o número de navios aumentou e vem aumentando consideravelmente, locomovendo-se a altas velocidades, pois, “tempo é dinheiro”. Os ecossistemas costeiros passavam a lutar contra um inimigo que quase ninguém se dava conta, as grandes maresias formadas pelos navios. Um projeto ou atividade para ser considerado potencialmente degradante, não precisa, necessariamente, estar implantado em terra firme, ou fixado em determinado espaço geográfico produzindo toneladas de lixo ou fumaça, ou fazendo muito barulho. O simples tráfego de navios mercantes pelo leito do Rio Amazonas representa uma atividade nefasta e catastrófica para o meio ambiente, já que é decorrente de suas constantes viagens que as erosões e assoreamento ocorridos na costa do município de Mazagão, a cada dia vem se agravando. A região amazônica, por possuir rios profundos e portos geopoliticamente estratégicos, acaba atraindo recursos para investimentos – visando o escoamento das riquezas naturais – bem como, produtos para comercialização do mundo inteiro. E como o meio de transporte mais barato e mais viável por aqui é o marítimo não há forma, até agora, de proteger a natureza de tais agressões. O Estado de Mato Grosso foi beneficiado com a conclusão da Rodovia Cuiabá – Santarém, na qual escoa sua produção agrícola (soja, milho, feijão etc.) até o porto de Miritituba, em Itaituba-PA, de onde prosseguem, em balsas graneleiras, para Itacoatiara-AM, a fim de serem embarcadas em navios e seguirem seu fim comercial (Europa, China e Oriente Médio). Assim, A Amazônia tornou-se uma peça chave dentro dos planos do Governo, pois seus rios e rodovias formam caminhos essenciais para o escoamento da produção e para a diminuição de custos, além do que os empreendimentos passam por áreas ricas em minerais (...) e há expectativa de se ampliar o fluxo migratório desenfreado às terras situadas na parte centro meridional da região (...) (PORTO, 2003:80). Recentemente, o Governo Estadual e o Governo Federal, deram início a um acordo de cooperação entre a França e o Brasil, mais estritamente a Guiana Francesa e o Estado do Amapá, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre esses países. Na verdade, essa é mais uma saída estratégica na tentativa de encurtar o caminho das trocas comerciais com os mercados americano, europeu e asiático. Ou seja, sob o pretexto de integração com o Caribe, dois estados da Amazônia passariam a sofrer fortes modificações: o Estado do Amapá e o Estado de Roraima. 2.1.3 – O Estado do Amapá As terras do estado do Amapá foram incorporadas às terras portuguesas, após longa disputa armada e litigiosa pelo espaço, onde estavam de um lado os portugueses e do outro os franceses que também reivindicavam a posse de parte do território que se situava entre os rios Araguari e Oiapoque. Após a deposição de Napoleão Bonaparte em 1815, é que foram iniciados os entendimentos diplomáticos para dar solução à questão da fronteira. Mas somente em 1900 com a pronúncia do Laudo Suíço é que as terras em disputa passaram a ser considerada como terras portuguesas. A partir de 1920, as populações dos municípios de Macapá e Mazagão, após a criação do território do Acre, começam a reivindicar para si a emancipação para território. O que começou a se configurar a partir das constituições de 1934 e 1937, segundo (PORTO, 2005, 28) “a idéia de criar Territórios Federais, nasce com a Constituição de 1937, com o objetivo primordial da defesa nacional”. Portanto, com o discurso de proteger e ocupar a fronteira brasileira em 1943 foi criado o Território Federal do Amapá. – TFA Com a criação do TFA, surge um processo de apropriação das riquezas naturais e principalmente minerais por parte da União, juntamente com interesses internacionais. A implantação dos grandes projetos se torna inevitável. Embora o estado esteja presente nas discussões e implantação dos grandes projetos, o capital internacional privado é quem toma a dianteira e assume a situação. O primeiro Grande projeto instalado na Amazônia, foi a Indústria e Comércio de Minérios S/A – ICOMI em 1953, a exploração do minério manganês em Serra do Navio no então Território Federal do Amapá que começou em 1957. Para que esse projeto funcionasse, tornou-se necessário a construção de uma infra-estrutura que viesse dar suporte para a empresa, para isso foi construído um porto fluvial no município de Santana, onde todo o minério de manganês era embarcado em navios e posteriormente enviado principalmente para os Estados Unidos e países da Europa. Para que o minério extraído em Serra do Navio chegasse ao porto de Santana tornouse necessário a construção de uma estrada de ferro interligando as duas cidades (Santana e Serra do Navio), por onde seria escoado todo o minério para o embarque e exportação. Além de criar dois núcleos urbanos planejados, um em Serra do Navio próximo as minas de exploração e outro próximo do porto de embarque no distrito de Santana, a Vila Amazonas. A construção desse espaço urbano iniciado em 1955 teve sua conclusão em 1960, com a finalidade específica de alojar os trabalhadores da empresa, principalmente os que possuíam alguma qualificação profissional e advinda de outras regiões do país. Outra etapa do processo de apropriação do espaço amapaense foi a implantação do Projeto JARÍ CELULOSE em 1967, nos municípios de Mazagão - AP e Almerim - PA. Este projeto visava o desenvolvimento econômico e agia em três frentes de produção, o primeiro era a produção de celulose; o segundo a extração do minério caulim e bauxita; o terceiro era um projeto agropecuário para a produção de arroz e criação de gado. Outros empreendimentos surgiram dentre os quais podemos citar a Bruynzeel Madeiras S/A – BRUMASA; A Companhia de Dendê do Amapá - CODEPA, sendo que essas tinham ligação direta à ICOMI, através da Companhia Auxiliar de Empresas de Mineração - CAEMI. As preocupações do governo com relação ao Estado do Amapá apareceram junto com o II Plano de Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil, onde foram implementadas pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF: o Parque Nacional do Cabo Orange foi a primeira Unidade de Conservação criada no Amapá (15/07/1980); em seguida foi criada a Reserva Biológica do Lago Piratuba (16/07/1980), em 02/06/981 a Estação Ecológica Maracá - Jipióca; e em 12/04/1982 a Estação Ecológica do Jarí. Temos ainda, a criação da Reserva biológica da Fazendinha (14/12/1984); da Reserva Biológica do Parazinho, no Bailique (21/01/1985). A partir de 1988, quando da transformação do então Território Federal do Amapá em Estado, a questão ambiental toma maiores impulsos. Em 10/04/1989 foi criada a Floresta Nacional do Amapá; em 20/02/1990 foi criada a Área de Relevante Interesse Ecológico e Cultural do Curiaú-ARIEC; ainda em 1990 foi criada a Reserva Extrativista do Rio Cajarí. Em 18 de agosto de 1994 foi instituído no Estado o Código Ambiental do Estado do Amapá e a lei N.º 0686 de 07 de junho de 2002 da Política de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado do Amapá com o objetivo de resguardar os interesses ecológicos do Estado através do Planejamento econômico e ambiental. Inserido neste também foram implantados no Estado, outros instrumentos: Para melhor ordenar o uso racional de suas potencialidades, três ações de fundamental importância: O GERCO, o ZEE e a Lei Estadual 388/97, que identificaram as áreas com potencial para investimentos, as que devem permanecer protegidas as que dependem de pesquisa para exploração e a normatização do uso da biodiversidade estadual (PORTO, 2003, 41). O Município de Mazagão aparece dentro das políticas de proteção ambiental no Estado, na Reserva Extrativista do Rio Cajarí, que abrange os municípios de Laranjal do Jarí, Vitória do Jarí e Mazagão e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapurú, que abrange os municípios de Laranjal do Jarí e Mazagão. Entretanto as agressões aos ecossistemas costeiros do Município de Mazagão não estão na pauta de urgência da defesa dos interesses sócio-ambientais. Como o Estado do Amapá contempla em suas políticas a vocação sustentável, problemas de erosão como os que ocorrem no Município de Mazagão e, certamente, nas demais regiões do Estado por onde trafegam navios de grande calado, precisam ter suas conseqüências medidas para fins de controle e monitoramento permanente. 2.1.4 – A Legislação Ambiental Vigente A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, precedida pelo Relatório de 1987, Nosso Futuro Comum, o meio ambiente passou a contar com espaço privilegiado nas discussões em todo território nacional. Universidades, centros de pesquisas, Ong’s, dentre outras instituições da sociedade civil, engajaram-se no debate e busca de instrumentos que pudessem possibilitar o planejamento ambiental em consonância com o desenvolvimento econômico do país. Visando frear a poluição dos rios e do solo, e a exploração indiscriminada dos recursos naturais de nossas florestas é que foram criadas as resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAMA: 001/86 e 237, de 19 de dezembro de 1997. O Estudo Prévio de Impacto Ambiental é instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente (artigo 9º, inciso III, da Lei Federal nº 6.938/81). No entanto, é importante ressaltar que segundo Bugalho (1999,16): Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa dos solos e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição. Ainda, o artigo 24, inciso VI, da Constituição Federal e o artigo 23, incisos VI e VII, afirmam que a proteção do meio ambiente, o combate à poluição em qualquer de suas formas e a preservação das florestas, fauna e flora são de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 2.1.5 – Transporte fluvial nos estados da Amazônia Com o decorrer da história a Amazônia sofreu substanciais mudanças, e isso ocorreu também em relação ao transporte de carga e de passageiros, que não foge da lógica capitalista de transformação do espaço. O transporte fluvial na Amazônia tem sofrido grandes alterações, principalmente no que diz respeito à duração das viagens, que anteriormente eram feitas em dias, e hoje, devido à ação capitalista deve ter esse tempo reduzido. O fluxo de veículos determina o tempo gasto para transportar pessoas e cargas de um ponto a outro, isso para confirmar a lógica capitalista. Assim, tem-se um aumento da quantidade de produtos que entram e saem da Amazônia juntamente com o aumento do número de navios de transporte. O movimento de veículos ao longo de uma via determina a capacidade do serviço oferecido por um sistema de transporte. Por força das próprias condições regionais, o sistema hidroviário é bastante utilizado para o abastecimento e desenvolvimento dos principais núcleos econômicos, permitindo o acesso às localidades mais distantes no interior da Amazônia, situadas às margens dos rios. Para este trabalho tomamos como ponto de partida para análise, o trecho compreendido entre a foz do Rio Amazonas, na divisa entre os estados do Amapá e Pará já que o fluxo do segmento de transporte de carga acontece obrigatoriamente neste trecho, indo ou vindo de todos os outros estados da Amazônia. Portanto, devido a grande dinâmica e crescimento, faz-se necessário um melhor entendimento do segmento de transporte de carga fluvial amazônico. As embarcações de grande porte fazem parte do segmento de transporte de cargas na navegação amazônica, mas a literatura ainda é muita escassa a respeito do referido assunto, é importante ressaltar também que o órgão regulador desse tipo de transporte é a Capitania dos Portos, que tem como preocupação maior às normas de segurança dos barcos, mas também é um órgão responsável pelo controle e segurança do meio ambiente. Um dos conceitos chave para este trabalho é o conceito de espaço geográfico. Santos (1999, 51) dá sua contribuição para este trabalho, já que a análise ocorre dentro do espaço geográfico e o mesmo autor apresenta explicações que possibilitam um melhor entendimento deste conceito que está sendo utilizado. O espaço é formado por um conjunto indissociável solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como quadro único no qual a história se dá. Assim, no momento em que convivemos o atual estágio do capitalismo estamos inseridos em alguma rede geográfica e ainda excluídos ou ausentes de um número ainda maior de redes. O sistema hidrográfico formado pela bacia Amazônica constitui-se na opção de transporte mais viável dentro da região, fazendo com que a modalidade hidroviária seja a de maior aptidão para a região. A navegação na bacia Amazônica apresenta características muito particulares. O Rio Amazonas possui excelentes condições de navegabilidade em grande parte de seu curso. Porém, a maioria dos seus afluentes e canais estreitos, sofre alterações pelo assoreamento que é causado pela erosão de solo e de sua mata ciliar. Mesmo assim o rio Amazonas reveste-se de grande importância para a navegação da Amazônia, pois é navegável por navios oceânicos. 2.1.6 – Tradicionalismo em uma comunidade ribeirinha da Amazônia. Como diz Wagley (1988) uma comunidade nunca é típica de uma região ou uma nação. Cada qual tem suas próprias tradições sua história particular, suas variações especiais do modo de vida regional ou nacional. Portanto, mesmo sendo tradicional ela é uma realidade tal qual o mundo moderno. Estas comunidades mesmo vivendo em um processo de modernização e globalização são essenciais para que sejam comparados os graus de diferenciação entre o que é tradicional e o que é moderno nos tempos atuais. Quanto às populações tradicionais, Diegues enfatiza que: Um elemento importante na relação entre populações tradicionais e a natureza é a noção de território que pode ser definido como uma porção da natureza e espaço sobre a qual uma sociedade determinada reivindica e garante a todos, ou a uma parte de seus membros, direitos estáveis de acesso, controle ou uso sobre a totalidade ou parte dos recursos naturais aí existentes que ela deseja ou é capaz de utilizar (Godelier, 1984 Apud DIEGUES, p. 83). Ainda na análise de Godelier a respeito do conceito de populações tradicionais, essa porção da natureza fornece, em primeiro lugar, a natureza do homem como espécie, mas também: a) Os meios de subsistência; b) Os meios de trabalho e produção; c) Os meios de produzir os aspectos materiais das relações sociais, os que compõem a estrutura determinada de uma sociedade (relações de parentesco etc.). Nesse contexto, o ribeirinho consegue definir o espaço territorial (terrestre e marítimo) de forma conveniente para todos os moradores da comunidade, e é este o personagem que melhor representa o povo amazônida, e é um dos melhores representantes do povo brasileiro. Em seu biótipo e, em sua cultura, estão inseridas as características do negro, do branco e do índio além da presença de características do imigrante nordestino, que é em grande parte o responsável por essa miscigenação dentro da Amazônia. Por habitar uma área de várzea, cercado por rios e florestas foi obrigado a desenvolver técnicas e saberes locais para sua sobrevivência. Em seu contato direto com a natureza entendem os rios e as florestas como sendo uma coisa só. Para Chauí (1994, 64) isto: (...) é um processo, um movimento temporal de constituição dos seres e de suas significações, e esse processo depende fundamentalmente do modo como os homens se relacionam entre si e com a natureza. Assim, são formas de relações sociais dependentes: da sociedade, da classe social, da posição na divisão social do trabalho e dos investimentos simbólicos que cada cultura imprime a si mesma através das coisas e dos homens. 2.1.7 - Erosão costeira: o problema ambiental Dá-se o nome de degradação ambiental a qualquer forma de deterioração, estrago ou perda, mesmo que relativa da qualidade de vida em decorrência de mudanças ambientais. O problema da degradação, diz respeito à qualidade de vida das aglomerações humanas. A degradação do meio ambiente pelo homem provoca uma deterioração dessa qualidade, pois as condições ambientais são imprescindíveis para a vida, tanto no sentido biológico como no social. Erosão pode-se dizer que é a perda de parte da camada superficial da terra, no caso da região em estudo esse fenômeno ocorre de maneira bastante intensa nas margens do rio, refletindo na economia da população, bem como, em sua cultura. Segundo técnicos dos órgãos responsáveis pelo monitoramento do meio ambiente, erosão é uma forma de degradação que ocorre sempre por conseqüência de fenômenos naturais, e pelo uso indiscriminado dos recursos naturais pelo homem, como é o caso da derrubada de árvores, da exploração de minérios e ou o uso dos rios estreitos da Amazônia por navios ou embarcações de grande calado. FERREIRA (1993, 192) diz que erosão é o desgaste mecânico operado pelas águas correntes, pelo vento, pelo movimento das geleiras e pelos mares. Em momento algum se percebe a preocupação destes órgãos ou mesmo na literatura, com a degradação causada por embarcações de grande porte. E o que se encontra é apenas a devastação das margens dos rios por onde eles passam, desrespeitando quaisquer instrumentos legais como é o caso da lei Nº 0686 de recursos hídricos do estado do Amapá, ou do Decreto lei nº 5.300 de 7 de dezembro de 2004, que regulamenta a lei 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC, ou ainda da constituição federal ou estadual. Todos esses instrumentos dizem que o meio ambiente deve ser preservado, monitorado ou fiscalizado. 3 - METODOLOGIA 3.1.1 – Pesquisa bibliográfica Para a realização deste trabalho foi realizada uma investigação da literatura da área cujas fontes principais estão relacionadas ao tema sócio-ambiental, como: livros, revistas, periódicos e sites da Internet, que nos permitiram analisar de forma mais clara, nos afastando o máximo possível do censo comum e nos aproximando o máximo possível da realidade de uma comunidade tradicional. Utilizou-se o método indutivo, pois foi o que mais se enquadrou no tipo de investigação. Buscou-se um caso particular para daí partimos para a generalização do fenômeno, a comunidade de São Benedito do Urubuena é um caso particular com suas peculiaridades, mas que está inserida em uma rede de comunidades que passam pelo mesmo problema. 3.1.2 – A pesquisa de campo Optou-se por estudar uma comunidade que ainda mantivesse em seus traços culturais, o que chamamos de tradicional. Ou seja, uma comunidade que mesmo vivendo em pleno mundo globalizado, sobrevivia dos recursos da floresta (caça, pesca, agricultura familiar, extrativismo, plantas medicinais, etc.), e apresente uma certa relação de sustentabilidade com a natureza. O problema da pesquisa surgiu em decorrência de algumas viagens de lazer à Comunidade de São Benedito do Urubuena. A comunidade estudada está localizada na costa do Município de Mazagão e as margens do Rio Amazonas, entre a foz do rio Mazagão Novo e do rio Mazagão Velho. Comunidade de São Benedito do Urubuena Figura 04: Imagem de satélite da região Fonte: FINAMA. 3.2 – Universo e período do Trabalho O início do trabalho se deu através da observação direta da paisagem da zona costeira de Mazagão, fundamentalmente com as visitas à comunidade de São Benedito do Urubuena, onde utilizamos questionários com perguntas específicas para a coleta de dados. A coleta de dados ocorreu em visitas à comunidade nos anos de 2009 e 2010, período em que foi feito a primeira e principal etapa da pesquisa. Para isso, elaborou-se formulários com perguntas abertas, as quais foram respondidas pelos moradores dos locais da pesquisa. As perguntas estavam relacionadas ao tempo de moradia no local, perspectivas com relação ao futuro, modo de vida e, suas relações com a natureza. Foram elaboradas 21 perguntas, que identificaram o perfil do informante: o nome, a idade, o sexo, a escolaridade, o estado civil, a naturalidade, o número de filhos, tempo que reside no local, número de pessoas sob a sua responsabilidade; Rendimento; Atividade econômica: trabalhou na pesca de peixes e camarões nessa região, qual a média em quilo de pescado antes e atualmente, se pesca atualmente, como eram as praias dessa região em comparação com a atual, o que provocou a erosão das margens dos rios e destruição das praias, com o aumento do tráfego de navios houve diminuição dos cardumes de peixes e de camarões, em ultimo lugar perguntamos qual a religião do entrevistado. Nesta etapa de pesquisa foram entrevistadas 17 pessoas e cada uma destas pessoas era a responsável pelo sustento familiar. Para a verificação da diferença entre a altura das ondas naturais e das ondas provocadas por embarcações de grande porte utilizamos varas (caule de árvores de pequeno porte) de madeira fincadas na praia, com marcas divisórias a cada dez (10) centímetros, onde foram verificadas em horários e dias diferentes, bem como em horários em que passavam as grandes embarcações em diferentes níveis da maré. Figura 05: Decaimento da produção de peixe/mês – por década – Urubuena – Mazagão (2005). Durante a análise dos dados, houve a necessidade de buscarmos apoio em fórmulas matemáticas para termos a certeza de que tínhamos trilhado os caminhos certos, em busca da comprovação de nossas hipóteses, para tal utilizamos os gráficos de curva exponencial e de curva de potência. CONSIDERAÇÕES FINAIS De inicio, objetivamos realizar um levantamento sócio-econômico da população local, comparando características das últimas três décadas; mostrar o grau de intensidade em que ocorrem alterações nos ecossistemas costeiros da região de estudo; verificar qual a atitude da população local com relação à degradação das margens do rio; e por último examinar qual o posicionamento do Estado no sentido de minimizar os problemas enfrentados pela comunidade local. E isso é o que buscamos ao longo de todo o trabalho. Em primeiro lugar realizou-se o levantamento socioeconômico da população, nessa etapa tudo ocorreu bem, pois o contato com as pessoas da comunidade deixou claro que o conhecimento não é privilégio dos que vão às universidades, os que estudam na universidade da vida também produzem conhecimento. Diferente do saber científico, entretanto, não menos importante, o saber tradicional faz parte da vida dos caboclos ribeirinhos daquela comunidade onde constatamos que existe um total de 17 famílias, a maioria originária dos processos migratórios que ocorreram na região norte do país sempre buscando beneficiar os interesses de políticos e do grande capital. Ou seja, a maioria das famílias é oriunda das ilhas próximas, principalmente das ilhas do Pará que vieram em busca de novas terras para dela tirar a sua subsistência; praticam o catolicismo; tem um índice de 100% de crianças matriculadas no ensino fundamental de 1ª a 4ª série. No geral, essas famílias tinham como meio de sustento os produtos extraídos da natureza (a borracha, o peixe e o camarão). Com o avanço do capitalismo nessa região, tiveram que se adequar a um novo padrão de vida. Com a agravante de que os recursos naturais, antes extraídos da natureza foram desaparecendo, fez com que os mesmos, tivessem que buscar por outros produtos (madeira, palmito) e até mesmo se adaptar a produtos industrializados vindo principalmente das cidades de Macapá e Santana. Em segundo lugar, foi-se em busca de subsídios para avaliar a depredação que está ocorrendo com o ecossistema costeiro da região. Nesta fase, as dificuldades foram imensas devido ao nosso pouco conhecimentos na área da física, da química ou biologia, conhecimentos estes que seriam relevantes para explicarmos de forma clara os fenômenos que ocorrem naquela região. Constatou-se visualmente e com comparativos de fotos no arquivo do pesquisador que existe uma degradação “in locu” acentuada, traduzida pela erosão de solo, e que, segundo as hipóteses levantadas, são provocadas pelas ondas dos navios de grande porte, como conseqüência, acredita-se que o afastamento dos cardumes de peixes e camarões que antes eram os principais ingredientes do cardápio alimentar das comunidades ribeirinhas, assim como funcionavam como moeda de troca por outros produtos. Em terceiro lugar, averiguou-se a atitude da população a respeito da situação. Nesta fase, nota-se que a população da região acredita que essa degradação é resultado das ondas dos grandes navios. Na opinião dos mesmos, eles foram capazes de se articular o suficiente para que fossem tomadas providências para minimizar o problema. Quanto ao nosso quarto e último objetivo, talvez o mais importante de todos, verificouse o posicionamento do Estado sobre o assunto em questão, e as respostas não foram nada otimistas. As principais dificuldades foram de acesso as pessoas que realmente poderiam nos dar respostas. Exemplo disso é a informações (a falta) atualizadas sobre o fluxo de navios, apesar de haver formalizado um pedido de informações à Capitania dos Portos e até o momento da tabulação dos dados e conclusão da pesquisa não foi dado respostas das autoridades competente ao que foi solicitado. Quanto à fiscalização, ficou claro que inexiste, pois durante o período em que estivemos observando a comunidade nunca houve a visita de nenhum representante dos órgãos competentes; do contrário, talvez o problema não tivesse se agravado tanto. Haja vista, que existe uma legislação federal e uma estadual, além de resoluções e decretos, que servem como amparo para que o Estado intervenha. Tendo em vista o cenário apresentado, aponta-se com o término da pesquisa algumas soluções como; monitorando o agente causador da degradação, ou seja, monitorando os navios de grande porte. as campanhas de ações sociais que já existem dentro da capital (retirada de documentos, tratamento médico e odontológico, assistência jurídica, implantação do ensino médio e etc). criar projetos de incentivos ao manejo de açaizais; projetos e incentivos para a criação de peixes e camarões, a construção de uma fábrica de gelo, para que seja vendido às geleiras que pescam em áreas próximas; e a criação de um grupo de agentes ambientais para servirem de elo entre os interlocutores dos órgãos ambientais e a população local. 5 – REFERÊNCIAS AB’SABER, Aziz Nacib. “Bases conceptuais e papel do conhecimento na previsão de impactos”. In: MULLER – PLANTENBERG, Clarita e AB’SABER, Aziz Nacib (Orgs.). Previsão de impactos: O estudo de impacto ambiental no leste, norte e sul. 2ª. Ed., São Paulo: Edusp, 1998. 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