RELATÓRIO
DETERMINAÇÃO DA LINHA DE BASE E DINÂMICA
DE DESMATAMENTO PARA O PROJETO REDD+
JARI/AMAPÁ.
Equipe:
Amintas Brandão Jr.
Márcio Sales
André Monteiro
Carlos Souza Jr.
Desirée Lopes
Rogério R. Marinho
Agosto de 2012
Página| 1 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................. 3
LISTA DE TABELAS ............................................................................................................. 4
LISTA DE EQUAÇÕES ......................................................................................................... 6
RESUMO............................................................................................................................ 7
PARTE I – CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ................................................................... 8
1. INTRODUÇÃO E IMPORTÂNCIA ............................................................................. 8
2. APRESENTAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ................................................................ 10
3. DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA ................................................................. 11
4. ORGANIZAÇÃO E PRÉ-PROCESSAMENTO DA BASE DE DADOS ........................... 12
5. JUSTIFICATIVA DE ESCOLHA DA METODOLOGIA................................................. 13
PARTE II – Passos metodológicos para estimativa ex ante da redução de emissões .... 14
PASSO 2: ANÁLISE HISTÓRICA DO USO E COBERTURA DO SOLO ............................... 24
PASSO 3: ANÁLISE DOS AGENTES, VETORES E CAUSAS OCULTAS DO
DESMATAMENTO E SEU PROVÁVEL DESENVOLVIMENTO FUTURO .......................... 30
PASSO 4: PROJEÇÃO DO DESMATAMENTO FUTURO ................................................. 37
PASSO 5: DEFINIÇÃO DO COMPONENTE DE USO E COBERTURA DO SOLO DA LINHA
DE BASE....................................................................................................................... 58
PASSO 6: ESTIMATIVA DAS MUDANÇAS NO ESTOQUE DE CARBONO E EMISSÕES
NÃO-CO2 NA LINHA DE BASE ...................................................................................... 62
PASSO 7: ESTIMATIVA EX ANTE DAS MUDANÇAS REAIS NO ESTOQUE DE CARBONO E
EMISSÕES NÃO-CO2 NA ÁREA DO PROJETO ............................................................... 70
PASSO 8: ESTIMATIVA EX ANTE DO VAZAMENTO...................................................... 78
PASSO 9: TOTAL LÍQUIDO DE REDUÇÃO EX ANTE DE EMISSÕES ANTROPOGÊNICA . 82
PARTE III – METODOLOGIA PARA MONITORAMENTO E REVALIDAÇÃO DA LINHA DE
BASE ................................................................................................................................ 87
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 96
ANEXOS ........................................................................................................................... 99
Página| 2 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Localização do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Figura 2. Principais passos para estimar as emissões de gases de efeito estufa (GEE)
evitados pelas atividades do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Figura 3. Localização da região de referência, área do Projeto, área de manejo de
vazamento e cinturão de vazamento do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Figura 4. Elevação na região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Figura 5. Declividade (%) da região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Figura 6. Localização da Gleba Jari I no estado do Pará, de propriedade do Grupo Orsa.
Figura 7. Desmatamento acumulado na região de referência entre 2000 e 2010.
Figura 8. Registro fotográfico da atuação dos agentes do desmatamento.
Figura 9. Desmatamento bruto anual na região de referência entre 2000 e 2010.
Figura 10. Quantidade produzida da madeira em tora entre os anos 2000 e 2010.
Figura 11. Relação entre o crescimento populacional e o desmatamento histórico na
região de referência.
Figura 12. Peso de importância das variáveis independentes analisadas sobre a
localização do desmatamento.
Figura 13. Relação entre a população acumulada (n de habitantes) com o
desmatamento acumulado (ha) até 2010.
Figura 14. Projeção do desmatamento até 2040 na região de referência.
Figura 15. Fluxograma do modelo de projeção de desmatamento.
Figura 16. Mapa de potencial de transição para a ocorrência de desmatamento na
região de referência.
Figura 17. Mapas simulados para o ano de 2010.
Figura 18. Curva Relative Operating Characteristic (ROC) da confirmação do modelo de
desmatamento.
Figura 19. Detalhe do mapa de desmatamento observado e simulado em 2010.
Figura 20. Mapa de projeção da cobertura da terra na região de referência e na área
do Projeto REDD+ Jari/Amapá para o ano de 2040.
Figura 21. Mapa de projeção anual do desmatamento na área do Projeto REDD+
Jari/Amapá até o ano 2040.
Figura 22. Distribuição dos pontos amostrais de inventário florestal.
Figura 23. Forma das unidades amostrais utilizadas no inventário florestal.
Figura 24. Localização das áreas sujeitas a desmatamento planejado para implantação
de infraestruturas do Manejo FSC.
Página| 3 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Dados utilizados para determinar a linha de base e analisar a dinâmica do
desmatamento do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 2. Principais tipologias florestais identificadas na região de referência do
Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 3. Elevação (classes de 50 metros) na região de referência do Projeto REDD+
Jari/Amapá.
Tabela 4. Reservatórios de carbono considerados no Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 5. Fontes e GEE incluídos ou excluídos dentro dos limites da área do Projeto
REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 6. Imagens de satélite utilizadas para identificar e mapear a cobertura da terra
na região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 7. Classes de cobertura da terra existentes na região de referência do Projeto
REDD+ Jari/Amapá.
Tabela 8. Definição das categorias de uso da terra e mudança de uso da terra
Tabela 9. Matriz de confusão da avaliação dos dados PRODES 2010
Tabela 10. Matriz de mudança do uso da terra na região de referência entre 2000 e
2010.
Tabela 11. Desmatamento acumulado projetado até 2040 para a região de referência
considerando a implantação da UHE Santo Antônio e o crescimento populacional.
Tabela 12. Áreas anuais do desmatamento na linha de base na região de referência.
Tabela 13. Áreas anuais do desmatamento na linha de base na área do Projeto.
Tabela 14. Áreas anuais do desmatamento da linha de base no cinturão de vazamento.
Tabela 15. Lista de variáveis, mapas e fatores de mapas.
Tabela 16. Desmatamento anual na área do Projeto no cenário de linha de base.
Tabela 17. Áreas anuais das classes de pós-desmatamento fcl dentro da área do
Projeto no cenário de linha de base.
Tabela 18. Áreas anuais das classes de pós-desmatamento fcl dentro do cinturão de
vazamento no cenário de linha de base
Tabela 19: Equações de conversão de DAP para biomassa por classe de espécie
Tabela 20: Fatores de expansão de biomassa por tipologia florestal
Tabela 21. Estoque de carbono médio por hectare para as classes de LU/LC presentes
na área do Projeto, cinturão de vazamento e áreas de manejo de vazamento.
Tabela 22. Mudanças no estoque de carbono sobre a área do Projeto, na classe prédesmatamento (Floresta) no cenário de linha de base.
Tabela 23. Mudanças no estoque de carbono na classe pós-desmatamento (Vegetação
antropizada) no cenário de linha de base.
Página| 4 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 24. Fator de mudança no estoque de carbono por alteração nas categorias de
LU/LC.
Tabela 25: Mudança líquida no estoque de carbono na área do Projeto
Tabela 26: Estimativa ex ante da redução de estoque devido a desmatamento
planejado na área do Projeto.
Tabela 27: Estimativa de desmatamento previsto de ocorrer em cada UPA.
Tabela 28: Estimativa ex ante da redução de estoque devido a desmatamento
planejado na área do Projeto.
Tabela 29: Estimativa ex ante da redução líquida de estoque de carbono na área do
Projeto sobre o cenário do Projeto REDD+ Jari/Amapá
Tabela 30: Estimativa liquida total ex ante das mudanças nos estoques de carbono e
emissão de não CO2 na área do Projeto.
Tabela 31: Fator de mudança no estoque de carbono por alteração nas categorias de
LU/LC.
Tabela 32: Mudanças líquidas totais nos estoques de carbono dentro do cinturão de
vazamento.
Tabela 33. Estimativa ex ante das reduções líquidas antropogênicas de GEE e as
Unidades de Carbono Verificadas.
Tabela 34: Descrição do monitoramento do desmatamento não planejado.
Tabela 35: Descrição do monitoramento do estoque de carbono na área do Projeto.
Tabela 36: Descrição do monitoramento do diâmetro à altura do peito na área sob
Manejo FSC.
Tabela 37: Descrição do monitoramento de desmatamento planejado para
implantação de infraestrutura do Manejo FSC.
Página| 5 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
LISTA DE EQUAÇÕES
Equação 1. Fórmula utilizada para estimar a população no tempo t.
Equação 2. Fórmula para calcular a taxa geométrica do crescimento populacional.
Equação 3. Fórmula para estimar o desmatamento acumulado projetado a partir do
crescimento populacional projetado.
Equação 4. Fórmula para calcular o Peso de Importância das variáveis independentes.
Equação 5. Fórmula para calcular o Risco de Desmatamento
Equação 6: Cálculo da emissão de CO2 por hectare pela queima de biomassa
Equação 7: Cálculo do fator de permanência do CO2e em produtos madeireiros.
Página| 6 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
RESUMO
Este estudo teve como objetivo de determinar a linha de base e a dinâmica de
desmatamento para o Projeto REDD+ Jari/Amapá, uma área de cobertura florestal
primária de 65 mil hectares localizada na região do Vale do Jari – divisa entre os
estados do Pará e Amapá, na Amazônia Brasileira.
Projetos de REDD+ são ferramentas de incentivo econômico que visam proteger
estoques de carbono em floresta em pé. A lógica de um projeto REDD+ é estimar
quanto do carbono estocado na floresta será comprometido, caso as pressões
humanas atuais sejam mantidas no futuro. Este estoque de carbono comprometido
pelo desmatamento pode ser comercializado em bolsas especializadas através de
créditos de carbono. Os recursos gerados por esta venda de crédito de carbono são
direcionados para garantir a proteção da floresta em pé e, consequentemente, a
proteção do estoque de carbono.
Para realizar este Projeto seguiram-se os procedimentos indicados pela metodologia
para Desmatamento Evitado Não Planejado (VM0015) do VCS (Verified Carbon
Standard). O documento VM0015 define em nove passos principais como realizar a
estimativa das reduções de emissões. Primeiro foi realizada uma análise histórica do
desmatamento na região de entorno à área do Projeto. Essa análise possibilitou a
identificação dos agentes, vetores e causas do desmatamento. Os dados históricos de
desmatamento neste estudo cobriram o horizonte temporal de 2000 a 2010. No passo
seguinte foi projetado um cenário futuro assumindo-se fatores que podem contribuir
com a taxa de desmatamento. Na ciência de mudança de cobertura da terra este
cenário é denominado Business-as-Usual (BAU). Neste estudo projetou-se o
desmatamento até o ano de 2040 utilizando-se um modelo espacialmente explícito.
Um dos principais pressupostos adotados foi que a projeção da taxa histórica do
desmatamento esta relacionada ao crescimento populacional e a influência da
construção de uma hidrelétrica próxima à área do Projeto (UHE Santo Antônio).
Finalmente estimou-se o carbono comprometido pelo desmatamento futuro a partir
da estimativa de estoque de carbono, oriundos de dados de inventários florestais
realizado pela Orsa Florestal. Os resultados indicam que uma emissão de cerca de 2,5
milhões de toneladas de CO2e podem ser evitada com implantação deste Projeto.
Página| 7 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PARTE I – CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
1. INTRODUÇÃO E IMPORTÂNCIA
As estratégias para mitigar as mudanças climáticas tem se concentrado na redução de
emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) para a atmosfera. Algumas dessas estratégias
estão centradas na redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) gerado pelo
desmatamento de florestas tropicais, visto que esta fonte de emissões contribuiu com
12% das emissões de GEE na escala global (van der Werf et al. 2009 ).
Na Amazônia Brasileira o desmatamento é uma das principais fontes de emissões de
GEE. Pouco mais de 750 mil quilômetros quadrados foram desmatados na região até o
ano de 2010. Somente o desmatamento ocorrido entre 1999 a 2008 corresponde a
cerca de 700 a 800 milhões de toneladas de CO2 emitidas para a atmosfera por ano
(AGUIAR et al., 2009).
Os impactos das emissões de CO2 coloca a Amazônia em três posições bem distintas no
contexto das mudanças climáticas. Primeiro como fonte do problema contribuindo
com milhares de toneladas de CO2 anualmente. Segundo, como refém do problema,
sofrendo os diversos impactos negativos gerados pelas mudanças climáticas, como por
exemplo, a região amazônica sofreu as duas maiores secas da história da região nos
anos de 2005 e 2010, provavelmente resultado das mudanças climáticas. Finalmente, o
terceiro papel da Amazônia é o de solução do problema. Com um estoque de carbono
(C) superior a 86 PgC (1 PgC = 1 bilhão de toneladas de carbono = 3,7 bilhões de
toneladas de CO2) existentes nas floresta Amazônica (AGUIAR et al., 2009), inúmeros
projetos podem ser desenvolvidos para manter a preservação das florestas, entre
estes os de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).
Os projetos de REDD+ incentivam a preservação das florestas que estão sobre pressão
humana através de incentivos ou compensações financeiras. O principal argumento é
proteger o estoque de carbono que seria substituído por outros usos da terra caso as
atividades do projeto de REDD+ não fosse realizado. Esta estimativa ocorre em três
momentos distintos. Primeiro realiza-se uma análise da pressão humana histórica para
a área do Projeto. Segundo, utilizam-se ferramentas computacionais (i.e. modelos
matemáticos, sistemas de informações geográficas, etc.) para projetar um cenário
futuro de pressão humana. Geralmente neste cenário, assume-se que as tendências
Página| 8 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
históricas de pressão humana irão se reproduzir no futuro. Neste segundo momento,
também é realizado a estimativa do estoque de carbono florestal, a partir de dados da
literatura e inventários florestais. No terceiro momento, calculam-se as emissões de
CO2 comprometidas pela pressão humana futura. Nesta etapa, realiza-se uma
estimativa ex ante ou as emissões futuras de CO2 considerando as atividades do
projeto REDD+. A diferença entre as emissões associadas ao cenário histórico menos as
emissões considerando a efetividade projeto de REDD+ resulta no montante de CO2
que pode ser negociado em mercado apropriado. O estoque de CO2 estimado pelo
projeto pode ser negociado com agentes nacionais ou internacionais interessados em
créditos carbono oriundos de projetos REDD+, ou através de acordos com
compradores específicos. O valor monetário desta comercialização é então revertido
para ações de preservação da floresta através da implantação das atividades previstas
no projeto REDD+.
Neste documento, os resultados do Projeto REDD+ Jari/Amapá são apresentados em
uma área inserida nos limites do Plano de Manejo Florestal Sustentável-Amapá (Plano
de Manejo) da Orsa Florestal S/A localizada na região do Vale do Jari, sul do Estado do
Amapá. Este Plano de Manejo encontra-se em processo de análise para posterior
aprovação da extração sustentável de madeira desta região. A seguir é apresentada a
área de estudo, bem como os resultados da modelagem futura do desmatamento e
emissões de CO2.
Página| 9 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
2. APRESENTAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O Projeto REDD+ Jari/Amapá localiza-se no sul do estado do Amapá, na margem
esquerda do baixo curso do rio Jari, limite com o estado do Pará (Figura 1). A região de
entorno da área do Projeto é composta ao Nordeste pela Reserva Extrativista (Resex)
do Rio Cajari, o Projeto de Assentamento (PA) Maracá, a Reserva de Desenvolvimento
Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru; ao Noroeste, pela Estação Ecológica (ESEC) do Jari
e Floresta Estadual (FE) Parú; ao Sudoeste, pela sede municipal de Laranjal do Jari e
Vitória do Jari, além do próprio rio Jari. No extremo Sul, ainda próximo à área do
Projeto, encontra-se o rio Amazonas.
Figura 1. Localização do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
A área do Projeto REDD+ Jari/Amapá totaliza 65.980 hectares e abrange os municípios
de Laranjal do Jari e Vitória do Jari no Amapá. O município de Laranjal do Jari, onde se
concentra 77% da área do Projeto, possui uma população de 39.942 habitantes até
2010 (IBGE, 2010), sendo 94,9% população urbana. O município Vitória do Jari
concentra os 23% restantes da área do Projeto com uma população de 12.428
habitantes até 2010, sendo 83% da população residente na área urbana.
Página| 10 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
O clima predominante na região de estudo é o Equatorial Monçônico (segundo a
classificação climática de Köppen). A precipitação média anual é de aproximadamente
2.100 mm, com temperatura média em torno de 30°C e umidade relativa do ar
próxima dos 90% - 95%. A variabilidade climática no estado do Amapá apresenta dois
períodos bem específicos, um período mais seco que ocorre entre os meses de
setembro a novembro e o período mais chuvoso que ocorre entre os meses de março
a maio. A amplitude do relevo na região do Projeto varia de 50 a 200 metros, com uma
declividade média predominante suave ondulado (declividade entre 3% e 12%) e áreas
planas (declividade inferior a 3%). Quanto à geologia, a área do Projeto está inserida
na formação Alter do Chão (período Cenozóico), ao sul da área do Projeto e a norte a
Formação Curuá, com rochas do período Paleozóico, (Amapá, 2000). A geomorfologia
é predominantemente de Relevo Dissecado de Topo Convexo (79% da área).
3. DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA
Estima-se que a floresta Amazônica Brasileira concentra 40% de todas as florestas
tropicais do planeta (Foley, et al. 2007). Dados de imagens de satélite indicam uma
perda anual de 1,8 milhão de hectares de floresta na Amazônia Brasileira, valor
equivalente a um terço do desmatamento global (Rodrigues, et al. 2009).
Os vetores do desmatamento na Amazônia estão geralmente centrados na expansão
da agricultura, incluindo a agricultura de pequena e grande escala, pecuária e
exploração madeireira predatória – que contribui para o aumento da rede de estradas
da região (Nepstad, et al. 2009). Por exemplo, os altos preços da carne no início dos
anos 1990 impulsionaram um aumento de 11% no rebanho de origem amazônica entre
1997 e 2003, aumentando severamente a área desmatada (Nepstad, et al. 2006).
Mais de 750 mil quilômetros quadrados de floresta já foram derrubados na Amazônia
Brasileira a uma taxa anual média de 16.334 quilômetros quadrados (considerando o
período de 1988 a 2011). No entanto, uma redução desta taxa vem ocorrendo
gradativamente nos últimos anos. Entre 2006 e 2011, a taxa anual média de
desmatamento foi de pouco mais de 9 mil quilômetros quadrados, representando uma
redução de 45% em relação a taxa média histórica. As principais causas desta redução
estão relacionadas a campanhas políticas e ambientais, que vem influenciando um
Página| 11 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
aumento no controle e consequente diminuição nas taxas de desmatamento (Barreto,
et al. 2011). Por exemplo, ocorreu uma diminuição de 55% na taxa de desmatamento
entre 2010 e 2011, mesmo com o aumento dos preços da soja e gado –
tradicionalmente associados ao aumento do desmatamento. No entanto, para que
essa redução permaneça é necessário o desenvolvimento de ações complementares,
como as atividades de projetos REDD+.
4. ORGANIZAÇÃO E PRÉ-PROCESSAMENTO DA BASE DE DADOS
A Tabela 1 apresenta os dados utilizados neste estudo. Essas informações serviram
para determinar a dinâmica do desmatamento histórico, a linha de base, bem como as
estimativas de emissões de CO2. Os dados foram organizados em um ambiente de
Sistema de Informações Geográficas (SIG), utilizando-se o software ArcGIS 10, projeção
Universal Transversal de Mercator (UTM), Zona 22, hemisfério Sul, Meridiano Central 51 e Datum SIRGAS 2000. Para a modelagem e identificação das áreas de risco de
desmatamento os dados foram convertidos para o formato matricial com células
(pixel) de 100 metros.
Tabela 1. Dados utilizados para determinar a linha de base e analisar a dinâmica do
desmatamento do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tipo de dado
Biofísicos
Pressão humana
Cobertura da terra
Fundiários
Nome
Tipo de solo
Elevação
Declividade
Variância da elevação
Tipologia florestal
Biomassa
Distância da rede de transporte
(estradas e rios navegáveis)
Distância do desmatamento
Distância de sedes e vilas
Cobertura Florestal, Área
Desmatada, Hidrografia e Não
Floresta (período de 2000 a 2010)
Terras indígenas
Unidades de conservação (Uso
sustentável e Proteção Integral)
Assentamentos
Fonte
IBGE
SRTM
SRTM
SRTM
IBGE/SIPAM
Biofílica/Grupo Orsa
IMAZON
IMAZON
IMAZON
INPE
FUNAI
ICMBio
INCRA
Página| 12 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
5. JUSTIFICATIVA DE ESCOLHA DA METODOLOGIA
A metodologia utilizada no Projeto é a Metodologia para Desmatamento Não
Planejado (em inglês Methodology for Unplanned Deforestation) do padrão Verified
Carbon Standard (VCS), código VM0015, aprovada em Julho de 2011. Essa metodologia
é utilizada para estimar e monitorar emissões de GEE de projetos que evitam
desmatamento não planejado (em inglês, Avoid Unplanned Deforestation – AUD). A
principal justificativa de se utilizar esta metodologia do VCS é o fato de que a área do
Projeto REDD+ Jari/Amapá atender às condições de aplicabilidade estabelecidas,
conforme detalhado a seguir (página 18, item 2 da metodologia VM0015):
a) As atividades de linha de base incluem desmatamento não planejado de acordo
com a recente versão do documento do VCS AFOLU Requirements1, motivado
por atividades agrícolas e de pastagem.
b) As atividades do Projeto são “Proteção com exploração madeireira controlada”,
em conformidade com a descrição do escopo “B” da VM0015 (detalhes na
página 12 do VM0015, Tabela 1 e Figura 2-B).
c) Na área do Projeto encontram-se diferentes tipos de floresta, principalmente
florestas antigas que condizem com a definição de “floresta” de acordo com a
Autoridade Nacional Designada.2
d) A área do Projeto inclui somente áreas classificadas como “floresta” por um
período de no mínimo de 10 anos antes da data de início do Projeto.
e) Os tipos florestais encontrados na área do Projeto não incluem florestas em
áreas pantanosas (“forested wetlands”) ou em áreas florestadas comuns em
turfas (“peat swamp forests”).
1
A página 19 do VCS AFOLU (Versão 3), item 2, determina que as atividades de desmatamento não planejado
podem ocorrer como resultado de forças socioeconômicas que promovem usos alternativos da floresta e a
inabilidade das instituições locais de controlar essas atividades.
2
De acordo com a Autoridade Nacional Designada no Protocolo de Kyoto, a Comissão Interministerial de Mudança
Global do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a definição de floresta segue os seguintes
requisitos mínimos: (i) cobertura de dossel acima de 30%; (ii) área mínima de 1 hectare; e (iii) altura mínima de 5
metros.
Página| 13 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PARTE II – PASSOS METODOLÓGICOS PARA ESTIMATIVA EX ANTE DA REDUÇÃO DE
EMISSÕES
De acordo com a VM0015, são necessários 09 passos para calcular o total líquido de
redução de emissões de GEE gerados pelo Projeto REDD+ Jari/Amapá (Figura 3). Os
passos incluem a definição dos limites (temporais e espaciais), análise histórica do
desmatamento, projeção do desmatamento e estimativas de emissões. Os detalhes
dos passos serão apresentados nas próximas seções deste documento.
Figura 2. Principais passos para estimar as emissões de gases de efeito estufa (GEE)
evitados pelas atividades do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 14 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 1: DEFINIÇÃO DOS LIMITES
1.1. Limites espaciais
Cinco limites espaciais distintos são requeridos pela na metodologia VM0015: região
de referência, área do Projeto, cinturão de vazamento, área de manejo de vazamento
e área de floresta. A Figura 3 apresenta os limites espaciais do Projeto REDD+
Jari/Amapá.
Figura 3. Localização da região de referência, área do Projeto, área de manejo de
vazamento e cinturão de vazamento do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
1.1.1. Região de referencia
A região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá possui uma área de 1.333.931
hectares (um milhão, trezentos e trinta e três mil e novecentos e trinta e um hectares)
e apresenta uma taxa histórica de desmatamento (entre 2000 e 2010) de 3.620
hectares por ano (0,3% ao ano – em relação à área de floresta remanescente).
Na definição do limite espacial da região de referência foram considerados
características do ambiente (limites de bacias hidrográficas) e o vetor de direção do
desmatamento. A definição do limite da região de referência segue as orientações
descritas na VM0015, bem como o intervalo sugerido por Brown et al. (2007) sendo a
Página| 15 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
área final dentro do intervalo sugerido pela nota de rodapé de número 09 (página 21
da metodologia VM0015).
As características da região de referência atendem aos requisitos de similaridade com
a área do Projeto determinados pela metodologia VM0015 (páginas 22 e 23 da
VM0015), apresentando as seguintes características:
•
Agentes e vetores do desmatamento:
-
Grupos de agentes: os agentes do desmatamento são invasores de terra,
posseiros e pequenos agricultores que possuem um padrão difuso de ocupação
da região de referência, com características de baixa densidade de
propriedades, ocupações isoladas e distribuídas ao longo das principais vias de
acesso da região (estradas, ramais e rios). Agentes causadores do
desmatamento com esse perfil podem ser encontrados em todo o Vale do Jari,
tanto no estado do Pará como no Amapá (POEMA, 2005).
-
Vetores de infraestrutura: os principais vetores de desmatamento na região
são as estradas (oficiais e não oficiais), trechos navegáveis dos rios Jari, Paru
entre outros rios de menor porte; a construção da Usina Hidrelétrica de Santo
Antônio; bem como o aumento do fluxo na rodovia BR 156; atividades
relacionadas a construção e manutenção da Linha de Transmissão JurupariOriximiná, entre outros vetores espaciais apresentados no Passo 3 deste
relatório.
•
Configuração da paisagem e condições ecológicas:
-
Tipos florestais: a região de referência apresenta diferentes tipologias
florestais (Tabela 2). A área do Projeto contém mais de 90% das mesmas
classes florestais encontradas na região de referência.
Página| 16 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 2. Principais tipologias florestais identificadas na região de referência do
Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Tipologia Florestal
Área (ha)
% do total
Floresta Ombrófila Aberta Submontana com cipós
Floresta Ombrófila Densa Aluvial
Floresta Ombrófila Densa Aluvial Dossel uniforme
Floresta Ombrófila Densa Submontana
Floresta Ombrófila Densa Submontana Dossel emergente
Floresta Ombrófila Densa Submontana Dossel uniforme
97.785
1.354
7.805
9.871
272.471
138.564
7,33
0,10
0,59
0,74
20,43
10,39
Floresta Ombrófila Densa Terras Baixas
Floresta Ombrófila Densa Terras Baixas Dossel emergente
Formações Pioneiras com influência fluvial e/ou lacustre herbácea sem palmeiras
Classes não florestais
92.360
413.216
6,92
30,98
83.127
6,23
217.377
16,30
1.333.931
100,00%
Total
-
Elevação: mais de 90% da área do Projeto encontra-se com cotas inferiores a
250 metros. As cotas inferiores a 250 metros abrangem 1.243.223 ha (93,2%)
da região de referência (Figura 4 e Tabela 3).
Figura 4. Elevação na região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 17 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 3. Elevação (classes de 50 metros) na região de referência do Projeto REDD+
Jari/Amapá.
Elevação (classe em metros)
Min
Max
0
50
50
100
100
150
150
200
200
250
250
300
300
350
350
400
400
450
450
500
500
550
550
600
600
650
Total (ha)
-
Área (ha)
% do Total (ha)
% acumulado
408.286
375.297
258.996
132.273
67.833
46.528
22.626
11.984
5.064
4.019
744
171
111
1.333.931
30,6%
28,1%
19,4%
9,9%
5,1%
3,5%
1,7%
0,9%
0,4%
0,3%
0,1%
0,0%
0,0%
100,0%
30,6%
58,7%
78,2%
88,1%
93,2%
96,6%
98,3%
99,2%
99,6%
99,9%
100,0%
100,0%
100,0%
Declividade: todos os pixels da área do Projeto (declividade de 0% a 71%) estão
dentro da variação de declividade (0% a 122%) da região de referência (Figura
5).
Figura 5. Declividade (%) da região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 18 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
•
Condições socioeconômicas e culturais:
-
Situação legal da terra: a situação legal da área do Projeto é a de propriedade
privada e pode ser encontrada em outras áreas dentro da região de referência,
como a Gleba Jari I no estado do Pará, também de propriedade do Grupo Orsa
(Figura 6);
-
Situação fundiária: a situação fundiária da área do Projeto (título definitivo de
propriedade privada) é encontrada em outras áreas na região de referência, na
qual incidem as mesmas obrigatoriedades, regras, instituições e processos que
regulam o direito a propriedade, acesso e uso da terra e de seus recursos, por
estar inserida na mesma unidade federativa da área do Projeto;
Figura 6. Localização da Gleba Jari I no estado do Pará, de propriedade do Grupo Orsa.
-
Uso da terra: as classes atuais e projetadas de uso e cobertura da terra na área
do Projeto (floresta, vegetação não florestal, vegetação antropizada e
hidrografia), são as mesmas encontradas em toda a região de referência.
-
Regulações e políticas de controle: a área do Projeto é governada pelas
mesmas políticas, legislações e regulamentações que se aplicam a outras áreas
da região de referência, por fazerem parte da mesma federação (Brasil), bem
Página| 19 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
como por parte da região de referência estar inserida na mesma unidade
federativa que a área do Projeto (Estado do Amapá).
1.1.2. Área do Projeto
A área do Projeto REDD+ Jari/Amapá corresponde a uma área de 65.980 hectares sob
controle do Grupo Orsa (Figura 3), no qual serão desenvolvidas as atividades de
manejo florestal certificado (Manejo FSC) e as atividades de contenção e
monitoramento do desmatamento (REDD. Para definir os limites espaciais da área do
Projeto foram seguidos os seguintes passos: 1) o ponto de partida foi o limite das 25
UPA's (Unidades de Produção Anual) do Manejo FSC. A partir dos limites da área em
que as atividades do Manejo FSC serão conduzidas, identificaram-se as áreas com
condições biofísicas semelhantes e com elementos que podem influenciar a pressão
antrópica sobre os recursos florestais; 2) Um modelo de risco de desmatamento foi
desenvolvido combinando-se diversas variáveis independentes (i.e. distância de
estradas, topografia, etc.) para estimar as regiões dentro do Manejo FSC susceptíveis à
ocorrência de desmatamento; 3) Foram selecionadas as UPA’s que apresentaram
áreas com maior risco de desmatamento; 4) Por fim, as áreas desmatadas até 2010
foram excluídas para atender aos critérios do item 1.1.2 da VM0015.
O limite da área do Projeto é definido de acordo com o seguinte:
•
Nome da área do Projeto: Jari/Amapá;
•
Limite físico da área do Projeto: Figura 3;
•
Descrição da situação atual da posse e propriedade da terra: título definitivo de
propriedade privada (maiores detalhes ver PD REDD+ Jari/Amapá Seção 1 –
Item 1.12.1 Comprovação de títulos);
•
Lista dos participantes do Projeto e descrição breve de suas respectivas
responsabilidades
nas
atividades
do
Projeto:
Biofílica
Investimentos
Ambientais, Orsa Florestal, Jari Celulose, Papel e Embalagens, Fundação Orsa.
(maiores detalhes ver PD REDD+ Jari/Amapá Seção 1 – Item 1.3 Proponentes do
Projeto).
Página| 20 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
1.1.3. Cinturão de vazamento
Não existem dados ou estudos disponíveis na região de referência que demonstre que
a vantagem econômica é um importante vetor de desmatamento. Desta forma, o
cinturão de vazamento foi definido utilizando-se a abordagem de mobilidade (opção II
indicado pela metodologia aprovada do VCS VM0015 versão 1.0, página 24). Para
definir os limites espaciais do cinturão de vazamento utilizou-se uma abordagem
multicritério combinando o mapa de risco de desmatamento, que identifica as áreas
com condições de ocorrer desmatamento, com dados da área do projeto e de
unidades de conservação. Através desta abordagem, assumiu-se que o cinturão de
vazamento localiza-se nas regiões com alto risco de desmatamento, próximas da área
do projeto e fora de unidades de conservação.
1.1.4. Áreas de manejo de vazamento
As áreas de manejo de vazamento foram definidas considerando como critérios: áreas
que foram desmatadas até 2010, localizadas próximas das comunidades de atuação do
projeto Jari/Amapá. O limite da área de manejo de vazamento abrange 6.591 hectares
e o uso da terra anterior às atividades do projeto é produção agrícola ou florestal,
pastagens e regeneração de vegetação secundária. As atividades a serem
desenvolvidas nessas áreas estão descritas no documento PD REDD+ Jari/Amapá Seção
6 – Impactos Sociais.
1.1.5. Floresta
A definição de Floresta seguiu a resolução número 2 da Comissão Interministerial de
Mudança Global do Clima (CIMGC3). Para a produção do mapa de referência da
cobertura florestal (Figura 25) foram utilizados os dados do Projeto de Monitoramento
Florestal por Satélite (PRODES4) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A
unidade mínima de mapeamento (mininum mapping unit – MMU) dos dados PRODES
3
Definição de floresta pela Autoridade Nacional Designada brasileira: área mínima de 01 hectare, com
30% de sua superfície coberta por árvores com potencial de atingir um mínimo de 5 metros de altura.
4
http://www.obt.inpe.br/prodes
Página| 21 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
corresponde a 6,25 hectares. As áreas com cobertura de nuvens foram analisadas com
imagens SAR complementares.
1.2.
Limites temporais
1.2.1. Data de início e fim do período de referência histórico
O período histórico do Projeto Jari/Amapá limita-se aos anos de 2000 a 2010. Estas
datas foram definidas considerando, principalmente, a disponibilidade de dados do
Projeto PRODES, utilizados para gerar os mapas de cobertura da terra, e atende às
exigências da metodologia (data de início de até 10-15 anos no passado, e data de fim
o mais próximo possível à data de início do projeto).
1.2.2. Data de início do período de acreditação da atividade AUD do Projeto
A data de início do período de creditação é 14/02/2011. O desmatamento do cenário
de linha de base foi projetado até o ano de 2040.
1.2.3. Data de início e fim do primeiro período fixo de linha de base
O período fixo de linha de base é de 10 anos, conforme determinado pela metodologia
aprovada do VCS VM0015 versão 1.0. O cenário de linha de base será reavaliado no
ano de 2020.
1.2.4. Período de monitoramento
O período de monitoramento de mudança e uso da terra é um ano, iniciado em 2011.
1.2.5. Reservatórios de carbono
Os reservatórios de carbono considerados no projeto estão apresentados na Tabela 4.
Detalhes metodológicos da estimativa dos reservatórios de carbono podem ser
encontrados no documento Estimativa do Estoque de Carbono Florestal na Área do
Projeto REDD+ Jari/Amapá, disponibilizado ao órgão validador/verificador.
Página| 22 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 4. Reservatórios de carbono considerados no Projeto REDD+ Jari/Amapá.
(Tabela 3 da metodologia VM0015)
Reservatório
Justificativa/Explicação de
escolha
Incluído ou excluído
Arbóreo: Incluído
Acima do solo
Não arbóreo: Incluído
Abaixo do solo
Incluído
Madeira morta
Incluído
Produtos madeireiros
Incluído
Liteira
Excluído
Carbono orgânico do solo
Excluído
Mudança no estoque de carbono
desse reservatório é sempre
significante.
Reservatório incluído dentro da
classe florestal utilizado no cenário
de linha de base.
Reservatório significante (ver Passo
9.1) representa 12% das emissões
de linha de base.
Reservatório incluído na classe
florestal utilizada no cenário de
linha de base.
Incluído de acordo com a
atualização do “VCS Program” de 24
de maio de 2010.
Não deve ser incluído, de acordo
com a atualização do “VCS Program”
de 24 de maio de 2010.
Inclusão opcional de acordo com a
atualização do “VCS Program” de 24
de maio de 2010.
1.2.6. Fontes de emissões GHG
As fontes de emissões de GHG estão detalhadas na Tabela 5.
Tabela 5. Fontes e GEE incluídos ou excluídos dentro dos limites da área do Projeto
REDD+ Jari/Amapá. (Tabela 4 da metodologia VM0015).
Fontes
Queima de biomassa
Emissões por animais de
criação
Gás
Incluída/
Excluída
Justificativa / Explicação de escolha
CO2
Excluído
Contabilizado como mudanças nos estoques de carbono.
CH4
Excluído
Não é uma fonte significante conforme passo 9.1
N2O
Excluído
Considerado insignificante de acordo com o “VCS AFOLU
Requiments, v3.2”.
CO2
Excluído
Não é uma fonte significante.
CH4
Excluído
Não se aplica ao Projeto.
N2O
Excluído
Não se aplica ao Projeto.
Página| 23 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 2: ANÁLISE HISTÓRICA DO USO E COBERTURA DO SOLO
2.1 Utilização de fontes apropriadas de dados
Para o mapeamento das classes de uso e cobertura da terra, foram utilizados os dados
do programa PRODES Digital5 disponíveis em formato vetorial (shapefile). Um total de
28 diferentes imagens Landsat (Tabela 6) foi utilizado pelo PRODES para mapear as
classes floresta, vegetação não florestal, hidrografia e vegetação antropizada
(desmatamento). Essas imagens cobrem o período de referência histórico (2000 a
2010) e podem ser localizadas através de três órbitas/ponto de cenas Landsat: (i)
226/60 ; (ii) 226/61; e (iii) 227/61. A avaliação da classificação dos dados PRODES foi
realizada utilizando três imagens Radar do satélite ALOS e imagens de alta resolução
do Google Earth.
Tabela 6. Imagens de satélite utilizadas para identificar e mapear a cobertura da terra
na região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá. (Tabela 5 da metodologia
VM0015).
Vetor
(Satélite
ou avião)
Resolução
Sensor
Cobertura
Data de
aquisição
Identificador
Espacial
(m)
Espectral
(km )
(DD/MM/YY)
Órbita
Ponto
2
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
23/09/03
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
11/10/04
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
14/10/05
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
01/10/06
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
02/09/07
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
19/08/08
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
25/10/09
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
12/10/10
226
60
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
17/09/01
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
23/09/03
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
11/10/04
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
14/10/05
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
02/11/06
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
16/07/07
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
19/08/08
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
21/07/09
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
28/10/10
226
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
07/10/00
227
61
5
http://www.dpi.inpe.br/prodesdigital/prodes.php
Página| 24 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Vetor
(Satélite
ou avião)
Resolução
Sensor
Cobertura
Data de
aquisição
Identificador
Espacial
(m)
Espectral
(km )
(DD/MM/YY)
Órbita
Ponto
2
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
16/09/01
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
05/10/02
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
16/10/03
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
31/08/04
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
21/10/05
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
24/10/06
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
09/09/07
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
27/09/08
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
29/08/09
227
61
Satélite
Landsat
30
0,45 – 2,35 µm
34.225
31/07/10
227
61
Satélite
Alos/PALSAR
12
23,5 cm
4.135
05/06/08
12588
Satélite
Alos/PALSAR
12
23,5 cm
4.135
22/06/08
12836
Satélite
Alos/PALSAR
12
23,5 cm
4.135
09/07/08
13084
Satélite
Spot5
2,5
0,48 – 0,71 μm
3.600
2011
-------
2.2 Definição das classes de uso e cobertura do solo
As classes de cobertura da terra utilizadas neste Projeto estão representadas na Tabela
7. A descrição das classes utilizadas no Projeto e sua área no início do período histórico
(2000) são apresentadas a seguir.
-
Floresta (1.056.472 ha): área de remanescente florestal pertencente a
diferentes fitofisionomias da floresta ombrófila.
-
Vegetação não florestal (117.237 ha): áreas constituídas de vegetação natural
com fisionomia diversa da florestal, como Savana Arbórea-Arbustiva (Cerrado),
Savana Gramíneo-Lenhosa (Campo Limpo de Cerrado), Campinarana, entre
outras.
-
Hidrografia (16.302 ha): corpos hídricos (rios, lagos, riachos, entre outros).
-
Vegetação antropizada (144.222 ha): área onde havia floresta, mas que foi
desmatada através do processo de corte raso (remoção da cobertura florestal).
Essas áreas são convertidas para outros usos da terra diferente de áreas
florestais (mosaico de diferentes tipos de vegetação que inclui pastagens,
roçados, plantações e vegetação secundária6).
6
Fearnside (1996)
Página| 25 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 7. Classes de cobertura da terra existentes na região de referência do Projeto
REDD+ Jari/Amapá. (Tabela 6 da metodologia VM0015)
Identificador de classe
IDcl
Nome
Tendência do
Presente
estoque de
em1
carbono
LG
FW
CP
Descrição
(incluindo critérios
para definição de
limites não
ambígua)
Área de floresta
remanescente
Vegetação não
Área de formação não
2
Constante
RR, PA
Não
Não Não
florestal
florestal
Área com corpos
3
Hidrografia
Constante
RR
Não
Não Não
hídricos
Área que sofreu
desmatamento por
Vegetação
RR, LK,
4
Constante
Sim
Sim Não corte raso e possui
antropizada
LM, PA
vegetação diferente de
Floresta Ombrófila.
1
RR = Região de referência, LK = Cinturão de vazamento, LM = Área de manejo de vazamento,
PA = Área do Projeto;
2
LG = Exploração madeireira, FW = Coleta de madeira para produção de energia, CP = Produção de
carvão (sim/não).
1
Floresta
RR, LK,
LM, PA
Atividade linha
de base2
Constante
Sim
Sim
Não
2.3 Definição das categorias de uso e cobertura do solo
Neste projeto foi projetada a transição entre duas categorias de uso da terra: a
mudança de áreas com cobertura florestal para áreas de vegetação antropizada
(Tabela 8).
Tabela 8. Definição das categorias de uso da terra e mudança de uso da terra (Tabela
7b da metodologia VM0015).
IDct
Nome
Tendência do
Presença
Estoque
em
Carbono
Atividade da
Linha de Base
LG
FW
Nome
Tendência
do Estoque
Carbono
Presença
em
CP
Atividade da
Linha de Base
LG
FW
CP
I1/F1
Floresta
Constante
PA
Não Não Não
Vegetação
antropizada
Constante
LM
Sim Sim Não
I1/F1
Floresta
Constante
LK
Sim
Vegetação
antropizada
Constante
LM
Sim Sim Não
Sim
Não
Página| 26 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
2.4 Análise da mudança histórica de uso e cobertura do solo
A seguir são apresentadas as principais atividades realizadas pelo Projeto PRODES para
o monitoramento da cobertura florestal da Amazônia brasileira.
2.4.1 Pré-processamento
Os procedimentos de pré-processamento das imagens que é executado pelo PRODES
consistem das seguintes etapas (Câmara et al. 2006):
• Seleção de imagens com menor cobertura de nuvens, com data de aquisição a
mais próxima da estação seca na Amazônia e com adequada qualidade
radiométrica;
• Georreferenciamento das imagens com resolução espacial de 30 metros com
cartas topográficas na escala 1:100.000 e imagens no formato MrSID
ortorretificadas da NASA.
2.4.2 Interpretação e classificação
O método de classificação das imagens de satélite utilizado pelo PRODES segue quatro
etapas principais. Primeiro é gerado um modelo de mistura espectral identificando-se
nas imagens os componentes de vegetação, solo e sombra. Essa técnica é conhecida
como modelo linear de mistura espectral (MLME), que visa estimar o percentual dos
componentes de vegetação, solo e sombra para cada célula (pixel) da imagem. O
segundo passo é a aplicação da técnica de segmentação, que identifica na imagem de
satélite regiões espacialmente adjacentes (segmentos) com características espectrais
semelhantes. Após a segmentação, ocorre a classificação dos segmentos de forma
individualizada para identificar as classes floresta, vegetação não florestal, hidrografia
e desmatamento (vegetação antropizada). Finalmente, o resultado da segmentação
classificada é submetido ao processo de edição, ou auditoria da classificação, realizada
por um especialista, finalizando com a criação dos mosaicos estaduais.
2.5 Verificação da acurácia do mapa
A avaliação do mapeamento do PRODES foi realizada por meio da comparação de cada
classe do mapa de uso e cobertura da terra mais recente (2010) com um conjunto de
100 pontos distribuídos aleatoriamente sobre a região de referência. Os dados de
Página| 27 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
referência utilizados para esta etapa são oriundos de pontos obtidos por meio da
interpretação visual de imagens do satélite japonês ALOS, sensor PALSAR, em conjunto
com imagens de alta resolução espacial disponível no Google Earth.
De posse dos pontos de referência e do mapa de uso e cobertura da terra do ano de
2010, foi possível realizar a avaliação do desempenho do mapeamento por meio da
análise da matriz de confusão (Tabela 9), conforme Congalton (1999). A acurácia
global do mapeamento para as diferentes classes de uso e cobertura da terra
apresentou valores superiores a 90%.
Tabela 9. Matriz de confusão da avaliação dos dados PRODES 2010.
CLASSIFICADO
Floresta
REFERÊNCIA
Vegetação
Vegetação Não
Exatidão do
Hidrografia
Total
Antropizada
Florestal
Usuário
Floresta
39
1
0
2
42
Vegetação
Antropizada
1
28
0
0
29
Hidrografia
0
0
10
0
10
Vegetação Não
Florestal
0
1
0
18
19
Total
40
30
10
20
100
Exatidão do
Produtor
98%
93%
100%
90%
93%
97%
100%
95%
2.6 Resultados da análise do histórico de mudança no uso e cobertura da terra
De posse dos dados obtidos nas etapas anteriores, foi realizada a análise da mudança
histórica ocorrida na cobertura florestal entre os anos 2000 e 2010 na região de
referência do Projeto. A análise de subtração de mapas resultou em uma área
desmatada entre 2000 e 2010 de aproximadamente 36.204 hectares (3,5% do
remanescente florestal em 2000). A Tabela 10 mostra as mudanças ocorridas entre as
classes floresta e vegetação antropizada. O gráfico da Figura 7 apresenta o
desmatamento acumulado entre 2000 e 2010 na região de referência, onde se pode
observar uma tendência de crescimento do desmatamento, entorno de 3% ao ano.
Página| 28 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 10. Matriz de mudança do uso da terra na região de referência entre 2000 e
2010. (Tabela 7a da metodologia VM0015)
IDcl
Nome
Floresta
I1
Classe
LULC
final
(2010)
F1
Floresta
F2
Classe inicial (2000)
Vegetação
Hidrografia
não florestal
I2
I3
Vegetação
antropizada
I4
Total (ha)
1.020.268
0
0
0
1.020.268
Vegetação
não florestal
0
117.237
0
0
117.237
F3
Hidrografia
0
0
16.302
F4
Vegetação
antropizada
36.204
0
0
144.222
180.426
1.056.472
117.237
16.302
144.222
1.334.233
Total (ha)
16.302
Figura 7. Desmatamento acumulado na região de referência entre 2000 e 2010.
2.7 Material e metodologia anexa ao estudo
O anexo I encontra-se os mapas: Forest Cover Benchmark, de uso e cobertura da terra
na área do Projeto; bem como os mapas de uso e mudanças na cobertura da terra para
a região de referência O anexo II apresenta o documento Câmara et al. (2006), que
descreve o método utilizado pelo PRODES e contempla maiores informações sobre
fonte de dado e pré-processamento, classificação e pós-processamento..
Página| 29 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 3: ANÁLISE DOS AGENTES, VETORES E CAUSAS OCULTAS DO DESMATAMENTO
E SEU PROVÁVEL DESENVOLVIMENTO FUTURO
3.1 Identificação dos agentes de desmatamento
Os principais agentes responsáveis pelo desmatamento na região de referência são
invasores de terra, posseiros e pequenos agricultores. Os primeiros são indivíduos
oriundos principalmente de cidades como Laranjal do Jari, Vitória do Jari e do estado
do Pará, o quais realizam invasões de terra nas áreas sob controle do Grupo Orsa
alegando que estão em terras do Estado do Amapá ou da União. Realizam derrubadas
de floresta para tomar posse, permanecem na área invadida por pouco tempo e
quando consolidam a posse, vendem a terra para outros. Os posseiros que moram há
mais de 10 anos na região possuem como principal característica o desenvolvimento
de atividades ligadas ao extrativismo e à agricultura de subsistência, tendo como base
de produção a mão de obra familiar. Já os pequenos agricultores possuem
propriedades rurais com área de até 200 ha (POEMA, 2005), produção de lavoura
temporária ou permanente, e a produção de pastagens em diferentes estados de
degradação. Segundo os dados do mapeamento do uso e cobertura da terra na
Amazônia feito pelo projeto TerraClass (INPE e EMBRAPA, 2011), 16% da área
desmatada na região de referência até 2008 foi destinada para a criação de pastagens.
Ambos posseiros e pequenos agricultores possuem um padrão difuso de ocupação da
terra (GAVLAK, 2011), que possui como características a baixa densidade de
propriedades, ocupações isoladas e distribuídas ao longo das principais vias de acesso
da região, como nas proximidades da BR 156, ramais (dos Maranhenses, Igarapé das
Pacas, França Rocha, Fé em Deus, AC Diniz, Madejar e Água Azul), e ao longo dos rios
de pequeno porte (Arapiranga e Marapi).
Estes agentes desenvolvem atividades de desmatamento de pequena escala, que
iniciam-se pelo processo de abertura de caminhos (picadas ou carreadores), muitas
vezes usados para extração de madeira ou para montar um acampamento, e se findam
com o desmatamento do tipo corte raso. Esses desmatamentos, ocasionados em sua
maioria por invasores e pelos pequenos posseiros, ocorrem para a abertura “roças”
(agricultura itinerante). Já os pequenos agricultores possuem como principal dinâmica
Página| 30 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
de desmatamento a abertura de áreas para cultivos agrícolas de pequena escala e de
áreas de pastagens para gado, além do desmatamento para o estabelecimento dos
limites da propriedade. Essas práticas são responsáveis pela maior parte dos
desmatamentos na região, num processo chamado “desmatamento silencioso”, difícil
de ser detectado pelas imagens de satélite (GTPPCDAP, 2009)
Foto 1 – Casa de acampamento de invasor de
terra. X: 346325 – Y: 9910182
Foto 2 – Área desmatada por posseiro para
roçado de milho. X: 352589 – Y: 9916296
Foto 3 – Área desmatada para roçado de
mandioca. X : 347197 – Y: 9923790
Foto 4 – Área desmatada para pastagem.
X:350055 – Y:9919682
Figura 8. Registro fotográfico da atuação dos agentes do desmatamento.
Página| 31 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
3.2 Identificação dos vetores de desmatamento
Os principais vetores que afetam a quantidade de desmatamento na região de
referência do Projeto são:
a) Demanda por novas áreas para agricultura e pastagem de pequeno porte:
entre 2000 e 2010 foram desmatados 36.204 hectares na região de referência,
o que representa uma média anual de 3.620 hectares, com tendência de
crescimento (Figura 9). Segundo Poema (2005), até o ano de 2005 viviam 2.348
famílias rurais (posseiros e pequenos agricultores) no Vale do Jari. Conforme
dados coletados em campo e apresentados por esses autores, uma família rural
desmata em média 1,5 ha/ano para o plantio do roçado, o que pode ocasionar
um impacto sobre a floresta de aproximadamente 3.500 ha por ano na região.
Figura 9. Desmatamento bruto anual na região de referência entre 2000 e 2010.
b) Extração ilegal de madeira: este é vetor de desmatamento comumente
identificado em diversas localidades na região Amazônica. Muitas vezes o
processo de extração de madeira é iniciado por madeireiros ligados a serrarias
locais, atuando em algumas ocasiões de forma associada com os posseiros e
pequenos agricultores antes da abertura do roçado ou pastagens. Estes
agentes do desmatamento retiram as madeiras mais nobres e depois outras
madeiras para fins de construção civil, até resultar no desmatamento total por
corte raso de parte da área explorada. Segundo Poema (2005), diversas
serrarias e microsserrarias atuam no Vale do Jari de forma ambientalmente
Página| 32 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
inadequada e muitas vezes ilegal. A maior pressão por madeira é procedente
de polos localizados em Laranjal do Jari e Mazagão, conforme apontam os
dados do IBGE (Figura 10) e informações publicadas pelo Serviço Florestal
Brasileiro e IMAZON (2010). Estimativas recentes apontam para o aumento da
demanda de produtos florestais e seus derivados na região (Serviço Florestal
Brasileiro e IPAM, 2011).
Figura 10. Quantidade produzida da madeira em tora entre os anos 2000 e 2010.
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal.
c) Crescimento populacional: O desenvolvimento de novas frentes relacionadas a
grandes obras de infraestrutura, atividades agrícolas, florestais e de exploração
mineral ocasiona grande deslocamento populacional em busca de emprego.
Conforme observado em PAS (2008), na ultima década ocorreu um saldo
migratório positivo no Amapá, constituindo um pólo de atração para paraenses
e maranhenses. Por meio de visita de campo, identificou-se que os migrantes
na região de referência são oriundos principalmente do estado do Maranhão e
do Pará. Muitas vezes chegam para trabalhos temporários e permanecem na
região tornando-se posseiros ou caseiros de pequenos sítios ou fazendas.
Outros dois importantes fatores relacionados à população que influencia o
aumento do desmatamento na região de estudo são: (i) construção da Usina
Hidrelétrica de Santo Antônio e (ii) obras para melhoria da BR-156. Para o
primeiro fator, Barreto et al. (2011) estimou que a construção de UHEs na
Amazônia pode estar associada ao aumento migratório populacional, e
consequentemente,
a
um
aumento
do
desmatamento.
O
mesmo
Página| 33 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
comportamento foi encontrado na região de referência onde nota-se uma forte
relação entre o crescimento populacional e o desmatamento acumulado
ocorrido no período histórico (Figura 11). Já em relação à BR-156, diversos
estudos têm apontado que a melhoria de acesso e infraestrutura, como a
pavimentação de uma estrada, proporciona um aumento do processo
migratório e como consequência, desmatamento. Como resultado de um
possível aumento populacional na região de referência, através de processos
migratórios, pode ocorrer uma maior demanda por áreas desmatadas na
região.
Figura 11. Relação entre o crescimento populacional e o desmatamento histórico na
região de referência.
Variáveis que explicam a localização geográfica do desmatamento
Neste estudo um total de 18 variáveis espaciais foram analisadas para identificar quais
possuem maior influência na localização de desmatamentos (Figura 12) através da
comparação com as áreas convertidas para desmatamento entre 2000 e 2010. O
método utilizado para estimar a importância das variáveis independentes foi
desenvolvido por Sangermano et al. (2010), o qual compara o desvio padrão das
variáveis independentes dentro e fora das áreas de desmatamento. O resultado é um
valor que varia de 0 a 1 (Relevance Weight), em que os valores próximos a 0
apresentam baixa importância e os valores próximos a 1 alta importância. Através da
análise da Figura 12 pode-se notar que a localização de desmatamentos está mais
fortemente associada à acessibilidade à desmatamentos recentes (incremento anual),
Página| 34 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
estradas secundárias e desmatamentos antigos (desmatamento acumulado). As três
variáveis menos influentes para a ocorrência de desmatamento são: precipitação,
acessibilidade às estradas principais e de comunidades. Maiores detalhes sobre essas
variáveis são apresentados na seção 4.2.1.
Figura 12. Peso de importância das variáveis independentes analisadas sobre
localização do desmatamento.
3.3 Identificação das causas ocultas de desmatamento
Conforme observado por Geist e Lambin (2002), o desmatamento de florestas tropicais
em diversas regiões do planeta é um fenômeno complexo, sendo suas causas oriundas
de inúmeros fatores que atuam de forma direta e indireta. Na Amazônia Brasileira, as
causas iniciais do desmatamento estão ligadas a políticas de ocupação e aos
investimentos em infraestruturas, iniciados a partir da década de 1960. Relacionado a
essas políticas ocorreu o que se conhece como a primeira fase de colonização da
região, que pode ser identificada com a implantação de grandes projetos subsidiado
pelo Governo brasileiro como a abertura de rodovias, projetos de colonização,
pecuária e agricultura, como o próprio Projeto Jari, idealizado Daniel Ludwig em 1967.
Mais recentemente podemos observar outra fase de uso dos recursos na região, onde
os incentivos governamentais de ocupação foram substituídos pela exploração
madeireira, agricultura e pecuária (CGEE, 2011). A ausência de alternativas
Página| 35 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
sustentáveis a essas atividades de exploração e degradação dos recursos florestais
contribui significativamente para o cenário de desmatamento produzido pelos agentes
do desmatamento nos últimos anos. Além destes fatores, duas características podem
manter ou elevar a taxa de desmatamento futuro na região do Vale do Jari: o aumento
da pressão pelos recursos florestais devido ao potencial madeireiro dessa extensa
cobertura florestal; e a posição geográfica estratégica na foz do rio Amazonas, o que
possibilita atingir grandes mercados globais por meio do oceano Atlântico (Veríssimo
et al. 1999).
3.4 Análise da cadeia de eventos que levam ao desmatamento
A maior parte do desmatamento ocorrido na região Amazônica está relacionada com a
implantação de grandes projetos de infraestrutura, assentamentos populacionais e
atividades ligadas à agricultura e pecuária. Percebe-se nos últimos anos o aumento da
ocorrência de desmatamento do tipo difuso, muitas vezes ocasionados por pequenos
agricultores e posseiros localizados em áreas fora do “Arco do Desmatamento”. Ao
longo do tempo este padrão difuso de desmatamento pode evoluir para padrões
lineares (desmatamento ao longo de estradas e ramais) até ocorrer a consolidação de
grandes manchas de áreas desmatadas (Gavlak, 2011). A demanda por áreas florestais
estão principalmente relacionadas à agricultura de pequeno porte, ao estabelecimento
de pastagem, bem como à extração de madeireira.
Em conjunto com esses tipos de uso da terra, os desmatamentos realizados nos
últimos 10 anos na região de referência estão principalmente relacionados a
características espaciais como a acessibilidade de estradas e ramais, e a áreas de
desmatamento antigo consolidado. Além destes vetores, diversas outras causas
subjacentes relacionadas a questões políticas, econômicas e sociais determinam a
pressão sobre a cobertura florestal na região.
Considerando que a população na região de referência deverá aumentar,
principalmente devido à construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio e ao
aumento no fluxo da BR-156, haverá uma maior pressão na cobertura florestal da
região. Esse processo de pressão sobre a cobertura florestal já pode ser observado
pela taxa de desmatamento que vem ocorrendo desde o ano 2000 (Figura 7).
Página| 36 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
3.5 Conclusão
Com base no histórico do desmatamento e suas características ambientais e
socioeconômicas, é possível encontrar evidências conclusivas de que as relações entre
agentes, vetores e causas do desmatamento podem explicar a pressão sobre a
cobertura florestal na região do projeto Jari/Amapá. A principal hipótese é que a taxa
de desmatamento possa manter ou aumentar com o crescimento populacional devido
à construção da UHE Santo Antônio e o aumento no fluxo da BR-156. Desta forma, a
tendência das estimativas de linha de base para o futuro é a manutenção ou aumento
na taxa de desmatamento na região de referência. Neste sentido o projeto
Jari/Amapá, terá um papel fundamental para deter o avanço do desmatamento na
região.
PASSO 4: PROJEÇÃO DO DESMATAMENTO FUTURO
4.1 Projeção da quantidade de desmatamento futuro
A região de referência possui um único estrato com limite estático, uma vez que as
características dos agentes, vetores e causas do desmatamento são as mesmas para
toda a área analisada.
4.1.1 Seleção da abordagem de linha de base
Com base nas evidências apontadas e conclusões obtidas no passo anterior, adotou-se
a abordagem de modelagem da taxa de desmatamento (modeling approach),
aplicando o modelo desenvolvido por Barreto et al. (2011). Esta abordagem foi
selecionada porque a taxa de desmatamento analisada revela uma tendência de
aumento no futuro.
Página| 37 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
4.1.2 Análise dos obstáculos para expansão do desmatamento
-
Identificação dos obstáculos para uso da terra: as principais restrições para
a expansão do desmatamento são as áreas com baixa acessibilidade à
floresta e as áreas com topografia mais acidentada, conforme pode ser
observado na Figura 12. Por outro lado, as áreas com menor risco de
desmatamento estão distantes principalmente de estradas, de localidades e
em regiões com topografia acidentada (maior variação da elevação).
-
Estimativa da área de remanescente florestal suscetível a desmatamento:
com base no mapa de risco de desmatamento foi calculada a área de
floresta passível de ser desmatada (“Maximum Potential Deforestation
Map”). A área máxima do potencial de ocorrência de desmatamento dentro
da região de referência é de 858.687 ha, ou seja, 237 vezes maior que a
taxa de desmatamento observado na região de referência (3.620 ha/ano).
Desta análise, conclui-se que a região não apresenta áreas com obstáculos
de ocorrência de desmatamento no futuro.
4.1.3 Projeção quantitativa do desmatamento futuro
4.1.3.1 Projeção das áreas anuais de desmatamento da linha de base na região de
referência
O método desenvolvido por Barreto et al. (2011) sugere um modelo matemático que
relaciona o crescimento populacional com o aumento da área desmatada. Quatro
etapas principais são necessárias para conduzir este método: (1) Estimativa da taxa
histórica de crescimento populacional; (2) Calibração de um modelo matemático com
dados históricos de desmatamento e população; (3) Projeção da população para o
período futuro; (4) Estimativa da área desmatada no futuro (aplicando-se a equação
desenvolvida na etapa 2).
Nesta análise consideramos como influentes os municípios de Almeirim, Laranjal do
Jari e Vitória do Jari. Os dados de população para os três municípios foram obtidos
através dos dados dos censos e contagens da população, disponibilizados pelo IBGE. A
Figura 13 mostra a relação entre o desmatamento acumulado na região de referência
Página| 38 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
do projeto e a população total nos três municípios, e indica alta correlação (R² de
0.8503) entre as duas variáveis.
Figura 13. Relação entre a população acumulada (número de habitantes) com o
desmatamento acumulado (ha) até 2010.
Para projetar as taxas de desmatamento entre 2011 e 2040, primeiramente estimamos
a população em cada ano através de uma projeção geométrica obtida pela seguinte
equação:
Equação 1. Fórmula utilizada para estimar a população no tempo t:
Pt=P0×(1+i)t
(1)
Onde:
Pt = população no tempo “t” projetado
P0 = população no tempo inicial, ou ano do último censo antes da projeção
i = taxa anual histórica de crescimento da população na região de referência calculada
com base no Censo Demográfico (escala do município)
t = tempo (ano) no qual será projetada a população
A taxa anual histórica de crescimento da população foi obtida pela Equação 2, a seguir,
onde foi obtida uma taxa histórica anual de crescimento populacional entre 2000 e
2010 de 1,93%.
Página| 39 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Equação 2. Fórmula para calcular a taxa geométrica do crescimento populacional:
1 2
Onde:
i = taxa geométrica anual de crescimento populacional
n = número de anos entre Pn e Pm
Pn = população acumulada no tempo “n” (i.e. 2010)
Pm = população acumulada no tempo inicial anterior ao tempo “n” (i.e. 2000)
O desmatamento acumulado no período foi obtido como função da população, pela
seguinte equação:
Equação 3. Fórmula para estimar o desmatamento acumulado projetado a partir do
crescimento populacional projetado:
35.700
∗ 1
exp
Onde:
3∗
!
" 3
1.131.300
y = Desmatamento acumulado projetado
maxDesm = desmatamento máximo projetado (considerando 95% das florestas
remanescentes e não protegidas em 2010, que poderá ser consumida por
desmatamento)
pop = população projetada
A Equação 3 foi ajustada aos dados históricos e a forma exponencial foi escolhida para
garantir que o desmatamento acumulado não aumente indefinidamente com o
aumento da população. De acordo com os parâmetros da função, o desmatamento
atinge o máximo de 95% da floresta remanescente (734.295 ha) se a população
somada nos três municípios atingir 1.131.300 habitantes. O crescimento populacional
previsto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Usina Hidrelétrica (UHE) Santo
Antônio foi incluído na projeção da população. Desta forma, foi considerado que cerca
de 1.400 pessoas serão adicionadas à região devido à construção da obra (UHE Santo
Página| 40 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Antônio Do Jari, 2009). Os valores de desmatamento projetado para o período do
projeto são apresentados na Tabela 11.
Tabela 11. Desmatamento acumulado projetado até 2040 para a região de referência
considerando a implantação da UHE Santo Antônio e o crescimento populacional.
Ano
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
2026
2027
2028
2029
2030
2031
2032
2033
2034
2035
2036
2037
2038
2039
2040
População
acumulada
projetada com base
na taxa histórica
(n hab.)
87.642
89.333
91.056
92.812
94.602
96.426
98.286
100.182
102.114
104.083
106.091
108.137
110.223
112.348
114.515
116.724
118.975
121.270
123.609
125.993
128.423
130.899
133.424
135.997
138.620
141.294
144.019
146.797
149.628
152.514
Aumento da
população projetada
pela construção da
UHE Santo Antônio
(n hab.)
467
933
1.400
1.400
1.400
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
700
População
total
(n hab.)
Desmatamento
acumulado (ha)
Incremento
anual (ha)
88.109
90.266
92.456
94.212
96.002
97.126
98.986
100.882
102.814
104.783
106.791
108.837
110.923
113.048
115.215
117.424
119.675
121.970
124.309
126.693
129.123
131.599
134.124
136.697
139.320
141.994
144.719
147.497
150.328
153.214
181.259
184.414
187.597
190.137
192.714
194.327
196.983
199.678
202.410
205.180
207.990
210.838
213.725
216.651
219.617
222.622
225.668
228.754
231.879
235.046
238.252
241.500
244.788
248.117
251.487
254.898
258.349
261.842
265.376
268.951
833
3.154
3.184
2.540
2.577
1.613
2.656
2.694
2.732
2.771
2.809
2.848
2.887
2.926
2.966
3.006
3.045
3.086
3.126
3.166
3.207
3.247
3.288
3.329
3.370
3.411
3.452
3.493
3.534
3.575
A Figura 14 apresenta o desmatamento acumulado até 2040 na região de referência.
Estimou-se um acrescimento de mais de 88 mil hectares de desmatamento entre 2011
e 2040.
Página| 41 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 14. Projeção do desmatamento até 2040 na região de referência.
4.1.3.2 Projeção das áreas anuais de desmatamento da linha de base na área do
Projeto e cinturão de vazamento
Para a estimativa da linha de base na área do projeto e no cinturão de vazamento, foi
utilizado o desmatamento projetado espacialmente para toda a região de referência,
produzido no passo 4.2.4 da metodologia VM0015.
4.1.3.3 Síntese do Passo 4.1.3
Nesta seção são apresentados os valores de desmatamento futuro projetado para o
período de 2011 a 2040 na região de referência (Tabela 12), área do projeto (Tabela
13) e no cinturão de vazamento (Tabela 14).
Página| 42 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 12. Áreas anuais do desmatamento na linha de base na região de referência.
(Tabela 9.a da metodologia VM0015)
Ano do
Projeto t
Estrato i na
região de
referência
Total
1
Anual
Acumulado
ABSLRR
ABSLRR
ABSLRR
ha
ha
ha
2011
833
833
833
2012
3.154
3.154
3.988
2013
3.184
3.184
7.171
2014
2.540
2.540
9.711
2015
2.577
2.577
12.288
2016
1.613
1.613
13.901
2017
2.656
2.656
16.557
2018
2.694
2.694
19.252
2019
2.732
2.732
21.984
2020
2.771
2.771
24.754
2021
2.809
2.809
27.564
2022
2.848
2.848
30.412
2023
2.887
2.887
33.299
2024
2.926
2.926
36.225
2025
2.966
2.966
39.191
2026
3.006
3.006
42.196
2027
3.045
3.045
45.242
2028
3.086
3.086
48.328
2029
3.126
3.126
51.453
2030
3.166
3.166
54.620
2031
3.207
3.207
57.826
2032
3.247
3.247
61.074
2033
3.288
3.288
64.362
2034
3.329
3.329
67.691
2035
3.370
3.370
71.061
2036
3.411
3.411
74.472
2037
3.452
3.452
77.923
2038
3.493
3.493
81.416
2039
3.534
3.534
84.950
2040
3.575
3.575
88.525
Página| 43 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 13. Áreas anuais do desmatamento na linha de base na área do Projeto.
(Tabela 9.b da metodologia VM0015)
Ano do
Projeto
t
Estrato i
da região de
referência na
área do Projeto
Total
1
Anual
Acumulado
ABSLPA
ABSLPA
ABSLPA
ha
ha
ha
2011
77
77
77
2012
181
181
258
2013
179
179
437
2014
165
165
602
2015
158
158
761
2016
160
160
920
2017
164
164
1.084
2018
155
155
1.239
2019
149
149
1.388
2020
147
147
1.535
2021
161
161
1.697
2022
169
169
1.866
2023
143
143
2.009
2024
168
168
2.178
2025
203
203
2.381
2026
161
161
2.541
2027
197
197
2.738
2028
200
200
2.938
2029
192
192
3.130
2030
195
195
3.325
2031
190
190
3.515
2032
181
181
3.696
2033
205
205
3.901
2034
219
219
4.120
2035
179
179
4.300
2036
201
201
4.500
2037
201
201
4.701
2038
231
231
4.931
2039
219
219
5.150
2040
250
250
5.400
Página| 44 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 14. Áreas anuais do desmatamento da linha de base no cinturão de vazamento.
(Tabela 9.c da metodologia VM0015)
Ano do
Projeto t
Estrato i
da região de
referência no
cinturão de
vazamento
1
Anual
Acumulado
ABSLLK
ABSLLK
ABSLLK
Total
ha
ha
ha
2011
73
73
73
2012
196
196
270
2013
254
254
523
2014
284
284
807
2015
304
304
1.111
2016
328
328
1.439
2017
306
306
1.744
2018
290
290
2.034
2019
320
320
2.354
2020
319
319
2.673
2021
303
303
2.976
2022
283
283
3.259
2023
283
283
3.542
2024
310
310
3.853
2025
261
261
4.114
2026
299
299
4.413
2027
265
265
4.677
2028
252
252
4.929
2029
251
251
5.180
2030
253
253
5.433
2031
246
246
5.678
2032
230
230
5.909
2033
239
239
6.148
2034
223
223
6.371
2035
232
232
6.603
2036
238
238
6.840
2037
223
223
7.063
2038
216
216
7.280
2039
200
200
7.479
2040
237
237
7.716
Página| 45 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
4.2 Projeção da localização do desmatamento futuro
A Figura 15 apresenta o fluxograma usado para modelar espacialmente o
desmatamento no Projeto REDD+ Jari/Amapá. Geralmente os modelos de
desmatamento são desenvolvidos em quatro etapas distintas: (i) definição dos
pressupostos do modelo; (ii) organização da base de dados espaciais e não espaciais;
(iii) calibração e validação do modelo; (iv) desenvolvimento de cenários. A definição
dos pressupostos consiste em determinar qual será o fenômeno modelado, no caso
deste estudo o desmatamento. Na organização da base de dados, devem-se selecionar
as variáveis utilizadas e padronizar as características dos dados (tamanho de pixel,
número de linhas e colunas, formato, etc.). Neste Projeto foi utilizado o tamanho de
pixel de 100 x 100 metros, formato IDRISI, na dimensão de 1.520 linhas por 1.679
colunas. Na terceira etapa, realiza-se a calibração e validação dessa localização
utilizando-se modelos matemáticos espaciais. Finalmente, determina-se um cenário
provável de ocorrer no futuro. Neste Projeto, o cenário definido foi o histórico,
conhecido como Business-as-Usual, acrescido dos impactos do aumento populacional.
As seções seguintes apresentam as principais etapas realizadas para gerar os mapas de
risco e alocação do desmatamento.
Página| 46 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 15. Fluxograma do modelo de projeção de desmatamento.
Página| 47 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
4.2.1 Preparação dos mapas de fatores
Para a elaboração dos mapas de fatores relacionados a distâncias, foi utilizada a
abordagem empírica. Diversos estudos demonstram que mapas de distância de
atributos espaciais da paisagem (estradas, desmatamento antigo, entre outros) podem
ser utilizados para identificar as características da ocorrência do desmatamento. Neste
estudo foi utilizada uma abordagem que adapta o pressuposto de distância para gerar
mapas de acessibilidade as variáveis da Tabela 15. Utilizando o módulo COST do
software IDRISI Selva, os mapas de variáveis vetores foram combinados com o mapa
de variância da elevação. O mapa de variável vetor, por exemplo, de estradas, foi
utilizado como ponto de origem e o mapa de variância da elevação, como superfície de
fricção. O principal pressuposto desta abordagem foi que o desmatamento tende a
ocorrer nas áreas mais acessíveis e próximas às variáveis vetores. Por exemplo, o
desmatamento tem mais chance de ocorrer em uma região próxima de uma estrada
que possui baixa variância da elevação, do que uma região próxima de uma estrada
com um terreno extremamente rugoso e acidentado. Esses dados foram organizados
no formato digital padrão do software IDRISI Selva.
Página| 48 de 103
Tabela 15. Lista de variáveis, mapas e fatores de mapas. (Tabela 10 da metodologia VM0015)
Mapa de Fator
Variável representada
Fonte
ID Nome do arquivo
Unidade
Acessibilidade de
1 novos
desmatamentos
INPE
Acessibilidade de
2 estradas
secundárias
Imazon
Acessibilidade de
3 Áreas não
protegidas
4
Acessibilidade de
vilarejos
5 Elevação
Variância da
6
elevação
Descrição
Significado das categorias ou
valores de pixel
Variação
Significado
Metros
Acessibilidade do
incremento de
desmatamento
Valores próximos de
0.00 3,710.89 0 possuem alta
acessibilidade
Metros
Acessibilidade a
partir das estradas
não oficiais
Valores próximos de
0.00 3,652.99 0 possuem alta
acessibilidade
Imazon
Metros
Acessibilidade a
partir do limite das
0.00
Áreas NãoProtegidas
IBGE
Metros
Acessibilidade a
partir dos vilarejos
Valores próximos de
0.00 5,126.21 0 possuem alta
acessibilidade
SRTM
Metros
Elevação média a
partir do nível do
mar
0.00
SRTM
Desvio padrão da
Adimensional elevação (janela de 0.00
3 x 3)
688.15
Valores próximos de
0 possuem alta
acessibilidade
Variáveis
usadas para
criar o Mapa de
fator
ID
Nome do
arquivo
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
679.00
Altos valores indicam
alta elevação
88.13
Altos valores indicam
alta variabilidade da 5 Elevação
topografia
Página| 49 de 103
Algoritmo
ou
Equação
usada
Filter
(IDRISI
Selva
17.00)
Comentários
A acessibilidade foi
calculada considerandose a variância da
elevação como fricção.
Quanto maior a variância
menor a acessibilidade.
Este mapa mostra a
rugosidade ro terreno.
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Mapa de Fator
Variável representada
Fonte
ID Nome do arquivo
7 Declividade
8
Acessibilidade de
rios navegáveis
Acessibilidade de
9 UC de Uso
Sustentável
Acessibilidade de
10 UC de Proteção
Integral
Probabilidade
11 Empírica Geologia
Acessibilidade de
12
cidades
Unidade
Descrição
Significado das categorias ou
valores de pixel
Variação
Significado
Graus
Declividade
0.00
IBGE
Metros
Acessibilidade a
partir dos rios
navegáveis
Valores próximos de
0.00 4,071.45 0 possuem alta
acessibilidade
ICMBio
CPRM
IBGE
Metros
Metros
Percentual
Metros
Acessibilidade a
Valores próximos de
partir do limite das
0.00 2,838.81 0 possuem alta
UC de Uso
acessibilidade
Sustentável
Acessibilidade a
Valores próximos de
partir do limite das
0.00 4,621.63 0 possuem alta
UC de Proteção
acessibilidade
Integral
Valores próximo de 1
Probabilidade
indicam alta
empírica de
0.00
0.68
probabilidade de
ocorrência de
ocorrência de
desmatamento
desmatamento
Acessibilidade a
partir das sedes
municipais
ID
Nome do
arquivo
Algoritmo
ou
Equação
usada
Surface
(IDRISI
Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Comentários
Altos valores indicam
5 Elevação
alta declividade
SRTM
ICMBio
136.43
Variáveis
usadas para
criar o Mapa de
fator
Valores próximos de
0.00 5,417.91 0 possuem alta
acessibilidade
Página| 50 de 103
Mapa de
mudança
entre 2000
e 2010
Ágebra de
mapas
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
A acessibilidade foi
calculada considerandose a variância da
elevação como fricção.
Quanto maior a variância
menor a acessibilidade.
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Mapa de Fator
Variável representada
Fonte
ID Nome do arquivo
Acessibilidade de
13
assentamentos
Probabilidade
14 empírica - tipo de
floresta
Probabilidade
15 empírica precipitação
Acessibilidade
16 estradas
principais
17
Acessibilidade de
comunidades
Acessibilidade de
18 desmatamento
antigo
Unidade
INCRA
Metros
IBGE/Sipam Percentual
TRMM
Imazon
IBGE
INPE
Percentual
Descrição
Significado das categorias ou
valores de pixel
Variação
Significado
Acessibilidade a
Valores próximos de
partir do limite dos
0.00 7,746.75 0 possuem alta
assentamentos do
acessibilidade
INCRA
Valores próximo de 1
Probabilidade
indicam alta
empírica de
0.00
0.37
probabilidade de
ocorrência de
ocorrência de
desmatamento
desmatamento
Valores próximo de 1
Probabilidade
indicam alta
empírica de
0.00
0.24
probabilidade de
ocorrência de
ocorrência de
desmatamento
desmatamento
Acessibilidade a
partir das estradas
oficiais
Valores próximos de
0.00 5,708.04 0 possuem alta
acessibilidade
Metros
Acessibilidade a
partir das
comunidades
Valores próximos de
0.00 5,244.87 0 possuem alta
acessibilidade
Metros
Acessibilidade a
partir do
desmatamento
antigo
Valores próximos de
0.00 3,313.98 0 possuem alta
acessibilidade
Metros
Página| 51 de 103
Variáveis
usadas para
criar o Mapa de
fator
ID
Nome do
arquivo
Algoritmo
ou
Equação
usada
Comentários
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Mapa de
mudança
entre 2000
e 2010
Ágebra de
mapas
Mapa de
mudança
entre 2000
e 2010
Álgebra de
mapas
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
Cost push
Variância
(IDRISI
6
da elevação Selva
17.00)
A acessibilidade foi
calculada considerandose a variância da
elevação como fricção.
Quanto maior a variância
menor a acessibilidade.
4.2.2 Preparação dos mapas de risco de desmatamento
Mapas de risco de desmatamento mostram as regiões com melhores (risco = 1) ou
piores condições de ocorrer desmatamento (risco = 0). Os mapas de risco foram
preparados utilizando-se o módulo Land Change Modeler (LCM) disponível no IDRISI
Selva considerando todas as variáveis apresentadas na Tabela 15. Para calibrar este
modelo, o IDRISI Selva possui algoritmo denominado SimWeight (Sangermano et al.
2010). SimWeight significa Similarity Weighted, utiliza a lógica K de vizinhança mais
próxima para identificar a relevância de cada variável que é considerado como um
vetor, para prever as localizações com potencial de ocorrência da transição entre as
classes floresta e vegetação antropizada. A lógica utilizada pelo SimWeight consiste
inicialmente na análise da relevância de cada variável para a ocorrência do
desmatamento, calculando-se o peso de importância da variável através da Equação 4
a seguir:
Equação 4. Fórmula para calcular o Peso de Importância das variáveis independentes:
#=1−(
Onde:
$% &ç /
'(
) *$%!)
(4)
PI = Peso de importância
DPmudança = Desvio padrão da variável vetor nas células/pixels de mudança
DPAreaEstudo = Desvio padrão da variável vetor nas células/pixels de toda a área de
estudo
Em seguida, o SimWeight calcula o risco de desmatamento combinando as células de
mudança e persistência. Para isso foram utilizadas somente as informações das
variáveis com PI superior a 0.1. Essas informações foram combinadas pela seguinte
fórmula adaptada de Sangermano et al. (2010):
Equação 5. Fórmula para calcular o Risco de Desmatamento:
+ ,!
Onde:
=
∑8692./.01
:
2
27
5
23 4 6
; , ≤=
5
RiscoDesm = valor de risco de ocorrência de mudança variando de 0 (baixo risco) a 1
(alto risco)
c = número de células/pixels de mudança
Página| 52 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
d = distância em células/pixels entre os pixels de mudança
i = identificador do pixel de mudança
k = distância em células/pixels dos vizinhos mais próximos do pixel de mudança
O resultado da aplicação da Equação 5 é um mapa de potencial de transição que
identifica as áreas que apresentam condições favoráveis de ocorrência de
desmatamento em áreas classificadas como floresta (Figura 16). Este mapa é o ponto
de partida para alocação das taxas futuras de desmatamento, a partir do qual as taxas
anuais são alocadas em conjunto com algumas variáveis dinâmicas (ver seções 4.2.3 e
4.2.4). Um exemplo de variável dinâmica é o mapa de acessibilidade ao desmatamento
antigo.
Figura 16. Mapa de potencial de transição para a ocorrência de desmatamento na
região de referência.
4.2.3 Seleção do mapa de risco de desmatamento mais acurado
Esta etapa consiste em utilizar métodos matemáticos para quantificar a acurácia
estatística do modelo desenvolvido. Esta é uma das partes mais desafiadoras da
ciência de mudança da terra, visto que o desmatamento é um fenômeno dinâmico de
difícil previsão.
Página| 53 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Para este Projeto utilizamos a opção A disponível na metodologia VM0015 (página 63VM0015). Nesta opção dados históricos de desmatamento de três pontos no tempo
foram utilizados para calibrar e confirmar o modelo. Os pontos no tempo foram 2000,
2005 e 2010. Os dados de 2000 e 2005 serviram para calibrar o modelo, enquanto que
o mapa de 2010 foi utilizado como referência para confirmação. Neste processo, um
mapa de 2010 foi simulado a partir dos dados históricos de 2000 e 2005. Dois mapas
simulados de 2010 foram gerados: mapa hard e mapa soft (Figura 17). O mapa hard
consistiu em uma estimativa do modelo para projetar as células com maior
probabilidade de serem convertidas para a classe vegetação antropizada em 2010
(desmatamento). Os valores deste mapa são categóricos, onde cada valor representa
uma classe (por exemplo, 1 = floresta, 2 = vegetação não florestal, 3 = hidrografia, 4 =
vegetação antropizada). O mapa soft, é um mapa de risco de desmatamento com
valores contínuos que indica as áreas com maior ou menor risco de ocorrência do
desmatamento neste período, com valores que variam de 0 (menor risco) a 1 (maior
risco).
Figura 17. Mapas simulados para o ano de 2010.
Página| 54 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Utilizou-se o método Relative Operating Characteristics (ROC) para avaliar a acurácia
dos mapas de probabilidade (Pontius et al. 2001). Os mapas simulados de 2010 foram
gerados utilizando-se a taxa real de desmatamento ocorrida entre 2005 e 2010. O
objetivo de se utilizar a taxa real de desmatamento foi verificar se as variáveis
independentes selecionadas foram suficientes para capturar as condições espaciais de
ocorrência do desmatamento.
O mapa soft, que projeta o risco de desmatamento, apresentou alta acurácia na
validação do modelo como demonstra o gráfico ROC na Figura 18, com uma área sobre
a curva de 0.94. A literatura sugere que modelo de previsão de cobertura da terra com
uma área sobre a curva superior a 0.80 (Pontius et al. 2001) apresenta alta acurácia.
Figura 18. Curva Relative Operating Characteristic (ROC) da confirmação do modelo de
desmatamento.
O modelo de risco de desmatamento desenvolvido apresentou acurácia global
estatisticamente aceitável para projetar a alocação do desmatamento até 2040 na
região de referência do Projeto REDD+ Jari/Amapá. Este resultado indica que o
desmatamento projetado ocorreu nas regiões de alto risco de desmatamento,
conforme pode ser observado na Figura 19.
Página| 55 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 19. Detalhe do mapa de desmatamento observado e simulado em 2010.
4.2.4 Mapeamento da localização do desmatamento futuro
Usando o módulo LCM do IDRISI projetou-se a localização do desmatamento futuro até
o ano de 2040 para toda a região de referência (Figura 20 e Figura 21). Os mapas
projetados de desmatamento futuro foram sobrepostos com os limites da área do
Projeto e do cinturão de vazamento para quantificar o desmatamento (Tabelas 9b e 9c
da VM0015).
Figura 20. Mapa de projeção da cobertura da terra na região de referência e na área
do Projeto REDD+ Jari/Amapá para o ano de 2040.
Página| 56 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 21. Mapa de projeção anual do desmatamento na área do Projeto REDD+
Jari/Amapá até o ano 20407.
7
O layer Eucalipto refere-se à área de operação da Jari Celulose, Papel e Embalagens em áreas
classificadas como vegetação antropizada no mapeamento de uso e cobertura da terra
Página| 57 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 5: DEFINIÇÃO DO COMPONENTE DE USO E COBERTURA DO SOLO DA LINHA
DE BASE
5.1 Cálculo da atividade de linha de base por classe florestal
O resultado das projeções de linha de base do Projeto REDD+ Jari/Amapá indica a
ocorrência de desmatamento de aproximadamente 5.400 hectares entre os anos 2011
e 2040 (Tabela 16).
Tabela 16. Desmatamento anual na área do Projeto no cenário de linha de base.
(Tabela 11 da metodologia VM0015)
Área desmatada por classe florestal icl
dentro da área do Projeto
Total de desmatamento da linha
de base na área do Projeto
Idicl>
icl1
ABSLPAt
ABSLPA
Nome>
Floresta
Anual
Acumulado
Ano do Projeto t
ha
ha
ha
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
2026
2027
2028
2029
2030
2031
2032
2033
2034
2035
2036
2037
2038
2039
2040
77
181
179
165
158
160
164
155
149
147
161
169
143
168
203
161
197
200
192
195
190
181
205
219
179
201
201
231
219
250
77
181
179
165
158
160
164
155
149
147
161
169
143
168
203
161
197
200
192
195
190
181
205
219
179
201
201
231
219
250
77
258
437
602
761
920
1.084
1.239
1.388
1.535
1.697
1.866
2.009
2.178
2.381
2.541
2.738
2.938
3.130
3.325
3.515
3.696
3.901
4.120
4.300
4.500
4.701
4.931
5.150
5.400
Página| 58 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
5.2 Cálculo da atividade de linha de base por classe florestal pós-desmatamento
Foi utilizado o método 1 disponível na metodologia VM0015 para definição da classe
que irá substituir a cobertura florestal na linha de base do projeto (Vegetação
antropizada). Foi tomado como referência valor de 47 tCO2e-ha-1 para o estoque de
carbono da classe Vegetação antropizada. Esta estimativa de estoque foi obtida por
Fearnside (1996) e corresponde a uma matriz com a composição média de vegetação,
e seu respectivo estoque de carbono, para áreas florestais que foram desmatadas na
Amazônia Brasileira. A Tabela 17 e Tabela 18 apresentam as áreas da classe de pósdesmatamento na área do projeto e cinturão de vazamento no cenário de linha de
base.
Página| 59 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 17. Áreas anuais das classes de pós-desmatamento fcl dentro da área do
Projeto no cenário de linha de base. (Tabela 12b da metodologia VM0015)
Área estabelecida após
desmatamento por classe
fcl na área do Projeto
Total de desmatamento
na linha de base na área
do Projeto
Idcl
1
ABSLPAt
ABSLPA
Nome
Vegetação
Antropizada
Anual
Acumulado
Ano do
Projeto t
ha
ha
ha
2011
77
77
77
2012
181
181
258
2013
179
179
437
2014
165
165
602
2015
158
158
761
2016
160
160
920
2017
164
164
1.084
2018
155
155
1.239
2019
149
149
1.388
2020
147
147
1.535
2021
161
161
1.697
2022
169
169
1.866
2023
143
143
2.009
2024
168
168
2.178
2025
203
203
2.381
2026
161
161
2.541
2027
197
197
2.738
2028
200
200
2.938
2029
192
192
3.130
2030
195
195
3.325
2031
190
190
3.515
2032
181
181
3.696
2033
205
205
3.901
2034
219
219
4.120
2035
179
179
4.300
2036
201
201
4.500
2037
201
201
4.701
2038
231
231
4.931
2039
219
219
5.150
2040
250
250
5.400
Página| 60 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 18. Áreas anuais das classes de pós-desmatamento fcl dentro do cinturão de
vazamento no cenário de linha de base. (Tabela 12c da metodologia VM0015)
Área desmatada por
classe fcl no cinturão de
vazamento
Total de desmatamento
na linha de base no
cinturão de vazamento
Idcl
1
ABSLLKt
ABSLLK
Nome
Vegetação
Antropizada
Anual
Acumulado
Ano do
Projeto t
ha
ha
ha
2011
73
73
73
2012
196
196
270
2013
254
254
523
2014
284
284
807
2015
304
304
1.111
2016
328
328
1.439
2017
306
306
1.744
2018
290
290
2.034
2019
320
320
2.354
2020
319
319
2.673
2021
303
303
2.976
2022
283
283
3.259
2023
283
283
3.542
2024
310
310
3.853
2025
261
261
4.114
2026
299
299
4.413
2027
265
265
4.677
2028
252
252
4.929
2029
251
251
5.180
2030
253
253
5.433
2031
246
246
5.678
2032
230
230
5.909
2033
239
239
6.148
2034
223
223
6.371
2035
232
232
6.603
2036
238
238
6.840
2037
223
223
7.063
2038
216
216
7.280
2039
200
200
7.479
2040
237
237
7.716
Página| 61 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
5.3 Cálculo da atividade de linha de base por classe de uso e cobertura do solo
Não se aplica, pois método 02 (Seção 5.2) não foi realizado.
PASSO 6: ESTIMATIVA DAS MUDANÇAS NO ESTOQUE DE CARBONO E EMISSÕES
NÃO-CO2 NA LINHA DE BASE
6.1 Estimativa das mudanças no estoque de carbono
A estimativa do estoque de carbono para a classe Floresta foi obtida por meio de
dados oriundos do inventário florestal realizado pela Orsa Florestal entre os anos 2008
e 2010 sobre uma área de 200 mil ha. A seguir são apresentados os principais
resultados obtidos na estimativa do estoque de carbono (maiores informações no
documento Plano de Manejo e no relatório: Estimativa do Estoque de Carbono
Florestal na Área do Projeto REDD+ Jari/Amapá).
6.1.1 Estimativa da média do estoque de carbono por classe de uso e
cobertura do solo
Para a coleta dos dados de inventário florestal foi utilizado o método de amostragem
em conglomerados ou "clusters". O inventário foi realizado em 24 clusters distribuídos
sobre a área do Projeto e região de referência (Figura 22).
Figura 22. Distribuição dos pontos amostrais de inventário florestal.
Página| 62 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Cada cluster possui a forma retangular de aproximadamente 6 km x 6 km, com cerca
de 16 parcelas dispostas em cruz a partir da coordenada central do cluster, nos
sentidos norte, sul, leste e oeste. Estas seguem a dimensão de 40 m x 250 m,
equidistantes 250 m metros entre si, conforme Figura 23 a seguir.
Figura 23. Forma das unidades amostrais utilizadas no inventário florestal.
Em cada parcela foram mensurados todos os indivíduos com diâmetro à altura do
peito (DAP) maior ou igual a 15 cm. Para cada indivíduo registrado, foram identificadas
as seguintes variáveis: nome vulgar da espécie, CAP (circunferência a altura do peito –
1,30 metros do solo), altura e classe de qualidade do fuste.
Foram utilizadas as equações alométricas da Tabela 19 para transformar os valores de
DAP das árvores individuais para biomassa acima do solo. Estas equações alométricas
diferenciam espécies e levam em conta diferentes densidades e particularidades
alométricas. A biomassa abaixo do solo foi obtida adicionando-se 25,8% da biomassa
acima do solo.
Página| 63 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 19: Equações de conversão de DAP para biomassa por classe de espécie
(Gerwing, 2002).
Espécie
Não pioneiras
Pioneiras cecrópias
Pioneiras não-cecrópias
Equação
B = -0.85+2.57 x log(DAP)
B = exp(-2.512+2.426 x ln(DAP))
B = exp(-1.997+2.413 x ln(DAP))
Foram aplicados fatores de expansão (BEF) encontrados na literatura para incluir a
biomassa de componentes arbóreos não madeireiros, como galhos e folhas. Outros
fatores de expansão foram utilizados para a inclusão da biomassa de árvores com DAP
menor que 10 cm (F1), palmeiras, cipós e biomassa morta acima do solo (F2). A Tabela
20 apresenta os fatores de expansão aplicados por tipo de floresta. Os valores de
biomassa foram convertidos para carbono aplicando-se um fator de conversão de 50%
(Houghton et al. 2001).
Tabela 20: Fatores de expansão de biomassa por tipologia florestal (Nogueira et al.
2008).
Tipologia
BEF
F1
F2
Floresta densa
0,635 0,07 0,19
Outras florestas 0,58 0,04 0,26
A estimativa espacial do estoque de carbono foi obtida por meio da geoestatística
(Sales et al. 2007), com uso de variáveis auxiliares como elevação do terreno, tipo de
solo e de floresta. O estoque de carbono por hectare variou entre 54 e 286 tC por
hectare. As regiões que apresentam os maiores valores de biomassa localizam-se ao
norte da região de referência. Os detalhes metodológicos para a construção do mapa
de biomassa podem ser consultados no relatório: Estimativa do Estoque de Carbono
Florestal na Área do Projeto REDD+ Jari/Amapá. A Tabela 21 apresenta os valores de
estoque de carbono médio por hectares para as classes de uso e cobertura da terra
considerada no cenário de linha de base, presentes na área do projeto, cinturão de
vazamento e área de manejo de vazamento.
Página| 64 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 21. Estoque de carbono médio por hectare para as classes de LU/LC presentes
na área do Projeto, cinturão de vazamento e áreas de manejo de vazamento (Tabela
14 da metodologia VM0015).
Estoque de carbono médio por hectare ±90% CI
Classe de LU/LC
Cabcl
Cbbcl
Ctotcl
Estoque
médio
± 90% CI
Estoque
médio
± 90% CI
Estoque
médio
± 90% CI
1Icl (PA) Floresta
tCO2e/ha
521.0
tCO2e/ha
3.7
tCO2e/ha
71.1
tCO2e/ha
0.5
tCO2e/ha
592.1
tCO2e/ha
4.2
1Icl (LB) Floresta
521.0
3.7
71.1
0.5
592.1
4.2
-
-
-
-
47.0
-
IDcl
1Fcl
Nome
Vegetação Antropizada
6.1.2 Cálculo das mudanças no estoque de carbono na linha de base
Utilizou-se o método 02 para se estimar as mudanças de estoque de carbono. A
Tabela 22 apresenta o cálculo da mudança do estoque de carbono no cenário de linha
de base para a classe Floresta.
Página| 65 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 22. Mudanças no estoque de carbono sobre a área do Projeto, na classe prédesmatamento (Floresta) no cenário de linha de base (Tabela 15a da metodologia
VM0015).
Mudanças no estoque de carbono na classe inicial (prédesmatamento) na área do Projeto
IDic1
Ano do
ABSLPAicl,t
Projeto t
ha
= Floresta (PA)
Total de mudança no
estoque de carbono na
classe florestal inicial
Ctoticl1
Anual
Acumulado
tCO2e/ha
CBSLPAit
tCO2e
CBSLPAi
tCO2e
2011
77
45.691,6
45.691,6
45.691,6
2012
181
107.291,9
107.291,9
152.983,5
2013
179
105.757,1
105.757,1
258.740,6
2014
165
97.734,2
97.734,2
356.474,8
2015
158
93.832,0
93.832,0
450.306,8
2016
160
94.629,6
94.629,6
544.936,4
2017
164
96.948,0
96.948,0
641.884,4
2018
155
91.527,6
91.527,6
733.412,0
2019
149
88.471,5
88.471,5
821.883,5
2020
147
87.281,4
87.281,4
909.164,9
2021
161
95.589,6
95.589,6
1.004.754,4
2022
169
100.349,8
100.349,8
1.105.104,3
2023
143
84.500,6
84.500,6
1.189.604,9
2024
168
99.761,0
99.761,0
1.289.365,9
2025
203
120.139,8
120.139,8
1.409.505,7
2026
161
95.219,1
95.219,1
1.504.724,9
2027
197
116.524,6
116.524,6
1.621.249,5
2028
200
118.531,1
118.531,1
1.739.780,6
2029
192
113.688,8
113.688,8
1.853.469,4
2030
195
115.385,0
115.385,0
1.968.854,4
2031
190
112.256,1
112.256,1
2.081.110,5
2032
181
107.235,1
107.235,1
2.188.345,6
2033
205
121.432,0
121.432,0
2.309.777,7
2034
219
129.959,5
129.959,5
2.439.737,2
2035
179
106.094,3
106.094,3
2.545.831,5
2036
201
118.732,6
118.732,6
2.664.564,0
2037
201
118.807,5
118.807,5
2.783.371,6
2038
231
136.500,3
136.500,3
2.919.871,9
2039
219
129.631,1
129.631,1
3.049.502,9
2040
250
148.119,1
148.119,1
3.197.622,0
Página| 66 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
A Tabela 23 apresenta o cálculo da mudança do estoque de carbono no cenário de
linha de base para a classe vegetação antropizada.
Tabela 23. Mudanças no estoque de carbono na classe pós-desmatamento (Vegetação
antropizada) no cenário de linha de base (Tabela 15b da metodologia VM0015).
Mudanças no estoque de carbono na classe pós-desmatamento (nãoflorestal)
Idfcl
Ano do
Projeto t ABSLPAfcl,t
= Vegetação
antropizada
(PA)
Total de mudança no
estoque de carbono na classe
não-florestal final
Ctotfcl,t
Anual
Acumulado
ha
tCO2e/ha
CBSLPAit
tCO2e
CBSLPAi
tCO2e
2011
2012
2013
77
181
179
3.626,9
8.516,7
8.394,8
3.626,9
8.516,7
8.394,8
3.626,9
12.143,6
20.538,4
2014
2015
2016
2017
2018
2019
165
158
160
164
155
149
7.758,0
7.448,2
7.511,6
7.695,6
7.265,3
7.022,7
7.758,0
7.448,2
7.511,6
7.695,6
7.265,3
7.022,7
28.296,4
35.744,7
43.256,2
50.951,8
58.217,1
65.239,9
2020
2021
2022
2023
2024
2025
147
161
169
143
168
203
6.928,3
7.587,8
7.965,6
6.707,5
7.918,9
9.536,5
6.928,3
7.587,8
7.965,6
6.707,5
7.918,9
9.536,5
72.168,1
79.755,9
87.721,5
94.429,0
102.347,9
111.884,4
2026
2027
2028
2029
2030
2031
161
197
200
192
195
190
7.558,4
9.249,5
9.408,8
9.024,4
9.159,1
8.910,7
7.558,4
9.249,5
9.408,8
9.024,4
9.159,1
8.910,7
119.442,8
128.692,3
138.101,1
147.125,6
156.284,7
165.195,4
2032
2033
2034
2035
2036
2037
181
205
219
179
201
201
8.512,2
9.639,1
10.316,0
8.421,6
9.424,8
9.430,8
8.512,2
9.639,1
10.316,0
8.421,6
9.424,8
9.430,8
173.707,6
183.346,6
193.662,6
202.084,2
211.509,1
220.939,8
2038
2039
2040
231
219
250
10.835,2
10.289,9
11.757,5
10.835,2
10.289,9
11.757,5
231.775,0
242.064,9
253.822,4
Página| 67 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
No cenário de linha de base, o estudo considera a mudança de estoque de carbono por
meio da substituição da cobertura florestal por um tipo de vegetação que pode ser
áreas de pastagens, plantios agrícolas de pequeno porte (“roçados”) ou áreas de
lavoura (temporária ou permanente). Essa mudança na cobertura da terra ocasiona
um fator de emissão de 545,1 tCO2e-ha-1 (Tabela 24), referente ao valor do estoque de
carbono médio da classe Floresta subtraindo-se, o valor do estoque de carbono médio
da classe Vegetação antropizada.
Tabela 24. Fator de mudança no estoque de carbono por alteração nas categorias de
LU/LC (Tabela 16 da metodologia VM0015).
Média do estoque de carbono da classe inicial
± 90% CI
Categoria da Tabela
7b
IDct
Nome
Icl1
para
fcl1
Floresta
para
Vegetação
antropizada
Icl2
para
fcl1
Floresta to
Vegetação
Antropizada
Cab
Estoque
± 90% CI
médio
tCO2e/
tCO2e/
ha
ha
Cbb
Estoque
médio
± 90% CI
tCO2e/ha
tCO2e/
ha
Ctot
Estoque
± 90% CI
médio
tCO2e/
tCO2e/ha
ha
Média do
Média do
estoque de
fator de
carbono
mudança
da classe do estoque
final
de carbono
± 90% CI
± 90% CI
Ctot
Dtot
Estoque
Estoque
médio
médio
tCO2e/ha
tCO2e/ha
521.0
3.7
71.1
0.5
592.1
4.2
47.0
545.1
521.0
3.7
71.1
0.5
592.1
4.2
47.0
545.1
A Tabela 25 apresenta o cálculo do total de mudança líquida do estoque de carbono no
cenário de linha de base para a área do Projeto.
Página| 68 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 25: Mudança líquida no estoque de carbono na área do Projeto (Tabela 17 da
metodologia VM0015).
Ano do
Projeto t
Dados da atividade por
categoria x Fator de
mudança no estoque de
carbono na área do
Projeto
Total de mudança no
estoque de carbono na
área do Projeto
IDct
= Icl1 to fcl1
Anual
Acumulado
ABSLPAcl,t
DCtotcl,t
DCBSLPAt
DCBSLPA
ha
tCO2e/ha
tCO2e
tCO2e
2011
77
545,1
42.064,7
42.064,7
2012
181
545,1
98.775,2
140.839,9
2013
179
545,1
97.362,3
238.202,1
2014
165
545,1
89.976,2
328.178,4
2015
158
545,1
86.383,8
414.562,1
2016
160
545,1
87.118,1
501.680,2
2017
164
545,1
89.252,4
590.932,6
2018
155
545,1
84.262,3
675.194,9
2019
149
545,1
81.448,7
756.643,6
2020
147
545,1
80.353,1
836.996,7
2021
161
545,1
88.001,8
924.998,6
2022
169
545,1
92.384,2
1.017.382,8
2023
143
545,1
77.793,1
1.095.175,9
2024
168
545,1
91.842,1
1.187.018,0
2025
203
545,1
110.603,3
1.297.621,3
2026
161
545,1
87.660,8
1.385.282,1
2027
197
545,1
107.275,1
1.492.557,2
2028
200
545,1
109.122,3
1.601.679,4
2029
192
545,1
104.664,4
1.706.343,8
2030
195
545,1
106.225,9
1.812.569,8
2031
190
545,1
103.345,3
1.915.915,1
2032
181
545,1
98.723,0
2.014.638,1
2033
205
545,1
111.792,9
2.126.431,0
2034
219
545,1
119.643,5
2.246.074,5
2035
179
545,1
97.672,7
2.343.747,2
2036
201
545,1
109.307,8
2.453.055,0
2037
201
545,1
109.376,8
2.562.431,7
2038
231
545,1
125.665,1
2.688.096,9
2039
219
545,1
119.341,2
2.807.438,0
2040
250
545,1
136.361,6
2.943.799,6
Página| 69 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
6.2 Emissões não-CO2 por queimadas na linha de base
As Tabelas 18 e 19 da metodologia VM0015 não se aplicam, pois as emissões de nãoCO2 não foram consideradas e contabilizadas neste projeto.
PASSO 7: ESTIMATIVA EX ANTE DAS MUDANÇAS REAIS NO ESTOQUE DE CARBONO E
EMISSÕES NÃO-CO2 NA ÁREA DO PROJETO
Objetivo principal deste passo é fornecer uma estimativa ex ante das mudanças
futuras do estoque de carbono devido as atividades de manejo florestal sustentável na
área do Projeto.
7.1 Estimativa ex ante das mudanças reais no estoque de carbono
7.1.1 Estimativa ex ante das mudanças reais no estoque de carbono devido a
atividades planejadas
Estão planejadas atividades de exploração madeireira de baixo impacto na área do
projeto a ser desenvolvida pela Orsa Florestal, e por seguirem os princípios e critérios
do FSC não produz grandes aberturas de clareiras na floresta. Conforme observado por
Holmes et al. (2002), em sistemas de exploração florestal de impacto reduzido, como o
Manejo FSC, menos que 10% das trilhas de arraste causaram exposição do solo, e
consequentemente clareiras no dossel da florestal. No entanto, foi estimada uma
redução de estoque de carbono relacionado ao desmatamento para implantação de
infraestrutura, como por exemplo, abertura de estradas ou trilhas de arraste e pátios
florestais em cada unidade de produção anual (UPA) dentro da área do projeto. A
Tabela 26 apresenta a estimativa de desmatamento planejado e o impacto no estoque
de carbono na área do projeto. Na Figura 24 é apresentada localização de cada UPA na
área do Projeto e a Tabela 27 contém a estimativa de desmatamento previsto de
ocorrer em cada UPA. Informações adicionais sobre a estimativa de áreas aberta por
UPA podem ser obtidas no documento Estimativa de Áreas Abertas nas UPAs do PMFS
Amapá, disponibilizado ao validador.
Página| 70 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 26: Estimativa ex ante da redução de estoque devido a desmatamento
planejado na área do Projeto (Tabela 20a da metodologia VM0015).
Áreas de desmatamento planejado x
mudança no estoque (redução) na
área do Projeto
Ano do
Projeto t
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
2026
2027
2028
2029
2030
2031
2032
2033
2034
2035
2036
2037
2038
2039
2040
IDcl = 1
Redução do estoque total
de carbono devido a
desmatamento planejado
Anual
Acumulado
APDPAicl,t
Ctoticl,t
CPDdPAt
CPDdPA
ha.
tCO2e ha.
tCO2e
tCO2e
0
0
49
87
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
0,0
0,0
28.912,2
51.660,7
0,0
0,0
28.912,2
80.573,0
49.168,0
52.087,0
43.276,6
45.864,1
48.416,0
0,0
129.741,0
181.828,0
225.104,6
270.968,6
319.384,7
319.384,7
47.527,9
49.588,4
0,0
0,0
0,0
0,0
366.912,5
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
416.500,9
0,0
0,0
416.500,9
416.500,9
83
88
73
77
82
0
80
84
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
592,1
Página| 71 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 24. Localização das áreas sujeitas a desmatamento planejado para implantação
de infraestruturas do Manejo FSC.
Tabela 27: Estimativa de desmatamento previsto de ocorrer em cada UPA.
Ano
UPA
Área Total (ha)
Estimativa de Área
Aberta (ha)
2013
1
4.934
49
2014
2
8.816
87
2015
3
8.391
83
2016
4
8.888
88
2017
5
7.385
73
2018
6
7.827
77
2019
7
8.262
82
2021
9
8.111
80
2022
10
8.463
84
71,078
703
Total
As Tabelas 20b e 20c da metodologia VM0015 não foram utilizadas para estimativa ex
ante das atividades do Projeto. A Tabela 28 apresenta o resultado ex ante da redução
de estoque devido a atividades planejadas do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 72 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 28: Estimativa ex ante da redução de estoque devido a desmatamento
planejado na área do Projeto (Tabela 20d da metodologia VM0015).
Ano do
Projeto t
Redução do estoque
Redução do estoque
total de carbono devido total de carbono devido
a desmatamento
a atividades
planejado
madeireiras planejadas
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
CPDdPAt
CPDdPA
CPLdPAt
CPLdPA
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
Redução do estoque
Redução do estoque
total de carbono devido
total de carbono devido
a atividades de coleta
a atividades planejadas
de carvão planejadas
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
CPFdPAt
CPFdPA
CPAdPAt
CPAdPA
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
2011
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2012
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2013
28.912,2
28.912,2
0,0
0,0
0,0
0,0
28.912,2
28.912,2
2014
51.660,7
80.573,0
0,0
0,0
0,0
0,0
51.660,7
80.573,0
2015
49.168,0
129.741,0
0,0
0,0
0,0
0,0
49.168,0
129.741,0
2016
52.087,0
181.828,0
0,0
0,0
0,0
0,0
52.087,0
181.828,0
2017
43.276,6
225.104,6
0,0
0,0
0,0
0,0
43.276,6
225.104,6
2018
45.864,1
270.968,6
0,0
0,0
0,0
0,0
45.864,1
270.968,6
2019
48.416,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
48.416,0
319.384,7
2020
0,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
319.384,7
2021
47.527,9
366.912,5
0,0
0,0
0,0
0,0
47.527,9
366.912,5
2022
49.588,4
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
49.588,4
416.500,9
2023
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2024
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2025
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2026
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2027
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2028
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2029
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2030
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2031
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2032
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2033
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2034
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2035
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2036
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2037
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2038
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2039
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2040
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
Contabilidade opcional de aumento nos estoques de carbono
Estimativa ex ante do aumento do estoque de carbono pela regeneração no pósmanejo não foi considerado por medida conservadora. Desta forma as Tabelas 21a,
21b, 21c e 21d da VM0015 não foram utilizadas.
Página| 73 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
7.1.2 Estimativa ex ante das mudanças no estoque de carbono devido a
desmatamento não planejado inevitável na área do Projeto
Assumiu-se que as atividades do Projeto reduzem significativamente as emissões de
GEE oriundas de desmatamento. Desta forma, considerou-se um Índice de Efetividade
de 100% na redução das emissões projetadas no cenário de linha de base.
7.1.3 Estimativa ex ante das mudanças reais líquidas no estoque de carbono na
área do Projeto
A Tabela 29 apresenta as mudanças nos estoques de carbono relacionados a atividades
planejadas, aumento do estoque ou relacionadas à efetividade do Projeto.
Página| 74 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 29: Estimativa ex ante da redução líquida de estoque de carbono na área do
Projeto sobre o cenário do Projeto REDD+ Jari/Amapá (Tabela 22 da metodologia
VM0015).
Redução do estoque total
de carbono devido a
atividades planejadas
Ano do
Projeto t
Aumento do estoque total
de carbono devido a
atividades planejadas
Redução do estoque total de
carbono devido a
desmatamento não
planejado inevitável
Mudança no estoque total
no caso do Projeto
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
CPDAdPAt
CPDAdPA
CPAiPAt
CPAiPA
CUDdPAt
CUDdPAt
CPSPAt
CPSPA
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
2011
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2012
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2013
28.912,2
28.912,2
0,0
0,0
0,0
0,0
28.912,2
28.912,2
2014
51.660,7
80.573,0
0,0
0,0
0,0
0,0
51.660,7
80.573,0
2015
49.168,0
129.741,0
0,0
0,0
0,0
0,0
49.168,0
129.741,0
2016
52.087,0
181.828,0
0,0
0,0
0,0
0,0
52.087,0
181.828,0
2017
43.276,6
225.104,6
0,0
0,0
0,0
0,0
43.276,6
225.104,6
2018
45.864,1
270.968,6
0,0
0,0
0,0
0,0
45.864,1
270.968,6
2019
48.416,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
48.416,0
319.384,7
2020
0,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
319.384,7
2021
47.527,9
366.912,5
0,0
0,0
0,0
0,0
47.527,9
366.912,5
2022
49.588,4
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
49.588,4
416.500,9
2023
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2024
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2025
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2026
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2027
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2028
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2029
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2030
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2031
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2032
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2033
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2034
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2035
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2036
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2037
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2038
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2039
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
2040
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
Página| 75 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
7.2 Estimativa ex ante das emissões de não-CO2 devido a queimadas
Não foram estimadas emissões oriundas de não-CO2, portanto este passo e a Tabela 23
da VM0015 não se aplicam.
7.3 Estimativa ex ante total para a área do Projeto
A Tabela 30 mostra mudanças líquidas e emissões de gases não-CO2 esperadas na área
do Projeto. Durante o desenvolvimento das atividades do Projeto, serão monitoradas e
reportadas as emissões ocorridas para verificar se não haverá aumento das emissões
previstas no cenário de Projeto.
Página| 76 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 30: Estimativa liquida total Ex ante das mudanças nos estoques de carbono e
emissão de não CO2 na área do Projeto (Tabela 24 da metodologia VM0015).
Ano do
Projeto t
Redução do estoque
total de carbono
devido a atividades
planejadas
Aumento do estoque
total de carbono
devido a atividades
planejadas
Redução do estoque
total de carbono
devido a
desmatamento não
planejado inevitável
Estimativa total Ex
Mudança no estoque ante de emissões de
total no caso do
não CO2 por queimada
Projeto
florestal na área do
Projeto
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
CPDAdPAt
CPDAdPA
CPAiPAt
CPAiPA
CUDdPAt
CUDdPAt
CPSPAt
CPSPAt
EBBPSPAt
EBBPSPA
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
2011
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2012
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2013
28.912,2
28.912,2
0,0
0,0
0,0
0,0
28.912,2
28.912,2
0,0
0,0
2014
51.660,7
80.573,0
0,0
0,0
0,0
0,0
51.660,7
80.573,0
0,0
0,0
2015
49.168,0
129.741,0
0,0
0,0
0,0
0,0
49.168,0
129.741,0
0,0
0,0
2016
52.087,0
181.828,0
0,0
0,0
0,0
0,0
52.087,0
181.828,0
0,0
0,0
2017
43.276,6
225.104,6
0,0
0,0
0,0
0,0
43.276,6
225.104,6
0,0
0,0
2018
45.864,1
270.968,6
0,0
0,0
0,0
0,0
45.864,1
270.968,6
0,0
0,0
2019
48.416,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
48.416,0
319.384,7
0,0
0,0
2020
0,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
319.384,7
0,0
0,0
2021
47.527,9
366.912,5
0,0
0,0
0,0
0,0
47.527,9
366.912,5
0,0
0,0
2022
49.588,4
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
49.588,4
416.500,9
0,0
0,0
2023
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2024
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2025
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2026
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2027
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2028
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2029
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2030
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2031
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2032
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2033
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2034
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2035
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2036
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2037
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2038
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2039
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
2040
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
Página| 77 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 8: ESTIMATIVA EX ANTE DO VAZAMENTO
Este passo tem como objetivo realizar uma estimativa ex ante da redução no estoque
de carbono e consequente aumento das emissões de GEE devido a vazamento.
8.1 Estimativa ex ante da redução do estoque de carbono e aumento das emissões
devido a medidas de prevenção de vazamento
As medidas de prevenção de vazamento a serem implantadas serão realizadas nos
limites das áreas do cinturão de vazamento e de manejo de vazamento. Nestas áreas
estão as comunidades de atuação do Projeto, conforme descrito no documento PD
REDD+ Jari/Amapá Seção 6 (Impactos Sociais). Não será considerado o
desenvolvimento de atividades de melhoramento agrícola ou de manejo de pastagens
que altere os estoques de carbono e aumente as emissões de GEE em comparação
com o cenário de linha de base.
8.1.1 Mudanças do estoque de carbono devido a atividades implementadas nas
áreas de manejo de vazamento
As Tabelas 25a, 25b e 25c da VM0015 não são aplicáveis, pois não são esperadas
alterações nos estoques de carbono devidos as atividades implementadas nas áreas de
manejo de vazamento.
8.1.2 Estimativa ex ante das emissões CH4 e N2O de animais de criação
Conforme anteriormente observado (item 8.1), não é considerada desenvolvimento de
atividades que promova o aumento significativo de emissões de CH4 e N2O oriundos do
manejo de animais de criação. As Tabelas 26 e 27 da VM0015 não são aplicáveis.
8.1.3 Estimativa ex ante total das mudanças de estoque de carbono e aumento das
emissões devido a medidas de prevenção de vazamento
A Tabela 28 da VM0015 não se aplica (justificativa em 8.1.1 e 8.1.2).
Página| 78 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
8.2 Estimativa ex ante da redução do estoque de carbono e aumento das emissões
devido a vazamento por deslocamento de atividade
As Tabelas 29a, 29b, 29c da VM0015 não se aplica (justificativa em 6.1.2). A Tabela 31
apresenta o fator de mudança no estoque de carbono utilizado para estimar
vazamento por deslocamento de atividade.
Tabela 31: Fator de mudança no estoque de carbono por alteração nas categorias de
LU/LC (Tabela 30 da metodologia VM0015).
Média do estoque de carbono da classe inicial
± 90% CI
Categoria da Tabela
7b
IDct
Nome
Icl1
para
fcl1
Floresta
para
Vegetação
antropizada
Icl1
para
fcl1
Floresta to
Vegetação
antropizada
Cab
Estoque
± 90% CI
médio
tCO2e/
tCO2e/
ha
ha
Cbb
Estoque
± 90% CI
médio
tCO2e/
tCO2e/ha
ha
Ctot
Estoque
± 90% CI
médio
tCO2e/
tCO2e/ha.
ha
Média do
Média do
fator de
estoque de
mudança
carbono da
do estoque
classe final
de carbono
± 90% CI
± 90% CI
Ctot
Dtot
Estoque
Estoque
médio
médio
tCO2e/ha.
tCO2e/ha.
521,0
3,7
71,1
0,5
592,1
4,2
47,0
545,1
521,0
3,7
71,1
0,5
592,1
4,2
47,0
545,1
A estimativa ex ante da linha de base no cinturão de vazamento é apresentado na
Tabela 32 a seguir.
Página| 79 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 32: Mudanças líquidas totais nos estoques de carbono dentro do cinturão de
vazamento (Tabela 31 da metodologia VM0015).
Ano do
Projeto t
Dado da atividade por
Total de mudança no
categoria x Fator de mudança
estoque de carbono na linha
no estoque de carbono no
de base
cinturão de vazamento
IDct
= Icl1 to fcl1
Anual
Acumulado
ABSLLKcl,t
DCtotcl,t
CBSLLKt
CBSLLK
ha
tCO2e/ha
tCO2e
tCO2e
2011
73
545,1
39.909,4
39.909,4
2012
196
545,1
107.110,7
147.020,1
2013
254
545,1
138.233,9
285.253,9
2014
284
545,1
154.574,7
439.828,7
2015
304
545,1
165.631,4
605.460,1
2016
328
545,1
178.838,2
784.298,3
2017
306
545,1
166.529,2
950.827,5
2018
290
545,1
157.879,8
1.108.707,3
2019
320
545,1
174.475,2
1.283.182,5
2020
319
545,1
174.051,6
1.457.234,1
2021
303
545,1
165.084,6
1.622.318,7
2022
283
545,1
154.089,3
1.776.408,0
2023
283
545,1
154.477,9
1.930.885,9
2024
310
545,1
169.220,4
2.100.106,3
2025
261
545,1
142.243,2
2.242.349,5
2026
299
545,1
162.923,1
2.405.272,6
2027
265
545,1
144.196,9
2.549.469,4
2028
252
545,1
137.191,9
2.686.661,3
2029
251
545,1
136.866,8
2.823.528,1
2030
253
545,1
137.802,2
2.961.330,3
2031
246
545,1
133.946,4
3.095.276,8
2032
230
545,1
125.603,5
3.220.880,3
2033
239
545,1
130.473,2
3.351.353,5
2034
223
545,1
121.380,7
3.472.734,2
2035
232
545,1
126.433,6
3.599.167,9
2036
238
545,1
129.549,1
3.728.717,0
2037
223
545,1
121.576,9
3.850.293,9
2038
216
545,1
117.822,4
3.968.116,3
2039
200
545,1
108.923,7
4.077.039,9
2040
237
545,1
129.204,4
4.206.244,3
Página| 80 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Como descrito no Passo 3, os agentes de desmatamento são posseiros e pequenos
agricultores residentes no interior e nas proximidades da área do Projeto
(comunidades de atuação do Projeto). Parte dessas comunidades já está envolvida em
atividades sociais de prevenção de vazamento, junto à Fundação Orsa, proponente e
gestor social do Projeto, e as demais serão envolvidas ao longo do Projeto. A todas
essas comunidades, será dada a oportunidade de participar das medidas de prevenção
de vazamento e das atividades do Projeto (PD REDD+ Jari/ Seção 6 – Impactos Sociais).
Desta forma, assumiu-se que o Fator de Deslocamento do Vazamento é 0%. A principal
expectativa é que o Projeto auxilie no controle efetivo de possíveis deslocamentos do
desmatamento. Assim, a Tabela 32 da metodologia VM0015 não se aplica.
8.3 Estimativa ex ante total do vazamento
Não é esperado aumento líquido de emissões de vazamento oriundas de manejo de
pastagens, deslocamento do desmatamento, de uso de fogo, ou por medidas de
prevenção. Assim, a Tabela 33 da VM0015 não se aplica.
Página| 81 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
PASSO 9: TOTAL LÍQUIDO DE REDUÇÃO EX ANTE DE EMISSÕES ANTROPOGÊNICA
9.1. Verificação de significância
Reservatórios de Carbono
Utilizando-se a ferramenta “Tool for testing significante of GHG emissions in A/R CDM
Project activities”, verificou-se que a biomassa acima do solo contribuirá com 88% com
emissões esperadas no cenário de linha de base. Já a biomassa abaixo do solo
contribui com 12%, portanto, ambas as fontes de emissões são significativas (superior
a 5%).
Cenário de linha de base
Para o cenário de linha de base do Projeto, foi calculado o nível de significância de
potenciais fontes de emissões de GEE e atividades que possam reduzir o estoque de
carbono devido às atividades desenvolvidas pelo Projeto.
a) CH4 por queima da biomassa
O nível de significância para potenciais emissões de CH4 por meio da queima de
biomassa foi calculado utilizando a Equação 6 a seguir, apresentada no passo 6.2 da
metodologia VM0015:
Equação 6: Cálculo da emissão de CO2 por hectare pela queima de biomassa:
(6)
Onde:
EBBCH4icl,t = Emissão CH4 por hectare a partir de queima de biomassa por classe
florestal icl no ano t: tCO2e-ha-1
EBBCO2icl,t = Emissão CO2 por hectare a partir de queima de biomassa por classe
florestal icl no ano t: tCO2e-ha-1
ERCH4 = Taxa de Emissão para CH4 (valor padrão do IPCC = 0.012)
GWPCH4 = Potencial de aquecimento global pelo CH4 (valor padrão do IPCC = 21 para o
primeiro período de compromisso).
Página| 82 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
O resultado obtido pelo cálculo desta equação é o valor de 50,23 tCO2e-ha-1.
Assumimos que a eficiência da combustão é de 50% (conforme definido no passo 6.2
da VM0015), dessa forma, a emissão de CH4 pela queima da biomassa representa
4,58% das emissões por hectare. Assim, esta fonte mostra-se como não significativa
(<5%) e não foi contabilizada como emissão neste Projeto.
b) Extração madeireira
Foi realizado o cálculo do nível de significância de potenciais reduções do estoque de
carbono florestal por meio de exploração madeireira sem uso de fogo, ou seja, sem
emissão de GEE. O estudo realizou um teste de significância da atividade de exploração
madeireira prevista de ocorrer devido às atividades do Manejo FSC, durante o período
do Projeto. Para obter o fator de permanência do CO2 em produtos madeireiros foi
utilizada a Equação 7:
Equação 7: Cálculo do fator de permanência do CO2e em produtos madeireiros:
FPCO2eM = IC*CRV*DM*CF*(44/12)
(7)
Onde:
FPCO2eM = fator de permanência do CO2e em produtos madeireiros: tCO2e/ha
IC= Intensidade de corte prevista pelo Plano de Manejo: 20 m3/ha
CRV= Coeficiente de rendimento volumétrico: 45% (segundo Resolução 411 do
CONAMA)
DM= Densidade da madeira: 0,59 conforme Nogueira (2008)
CF= Teor do carbono na biomassa seca: 0,50 conforme Silva (2007)
44/12 = Fator conversão de massa de carbono para massa de CO2e: 3,67 segundo IPCC
(2006)
Considerando a taxa de exploração madeireira de 20 m3/ha, um potencial de
aproveitamento de 45% e os valores de densidade da madeira e de carbono para a
região amazônica, foi obtido um valor de 9,44 tCO2e-ha-1 como fator de permanência
do CO2e em produtos madeireiros. Este valor corresponde a 1,79 % do fator de
Página| 83 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
emissão do Projeto, desta forma, esta fonte não foi contabilizada como significante
(<5%).
9.2. Cálculo da estimativa ex ante do total líquido de redução de emissões
Utilizou-se a equação 23 sugerida pela metodologia VM0015 para realizar a estimativa
ex ante das reduções líquidas de emissões do projeto. O resultado é apresentado na
Tabela 33 (Tabela 34 da metodologia VM0015).
9.3. Cálculo ex ante das Unidades de Carbono Verificadas (VCUs)
Utilizou-se a equação 24 sugerida pela metodologia VM0015 para se estimar a
quantidade de VCUs. O parâmetro Risk Factor foi estimado por meio da ferramenta
“VCS AFOLU Non-Permanence Risk Tool”, cujo valor obtido foi de 16%. O resultado é
apresentado na Tabela 33 a seguir (Tabela 34 da metodologia VM0015).
Página| 84 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto REDD+ Jari/Amapá
Tabela 33. Estimativa ex ante das reduções líquidas antropogênicas de GEE (DREDDt) e as Unidades de Carbono Verificadas (VCUt) (Tabela 34 da
metodologia VM0015).
Baseline carbon stock
changes
Baseline GHG emissions
Ex ante project
carbon stock changes
Ex ante project GHG
emissions
Ano do
Projeto
Ex ante leakage
carbon stock
changes
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
DCBSLPAt
DCBSLPA
EBBBSLPAt
EBBBSLPA
DCPSPAt
DCPSPA
EBBPSPAt
EBBPSPA
DCLKt
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
2011
42.064,7
42.064,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2012
98.775,2
140.839,9
0,0
0,0
0,0
0,0
2013
97.362,3
238.202,1
0,0
0,0
28.912,2
2014
89.976,2
328.178,4
0,0
0,0
51.660,7
2015
86.383,8
414.562,1
0,0
0,0
2016
87.118,1
501.680,2
0,0
2017
89.252,4
590.932,6
2018
84.262,3
2019
Ex ante net
anthropogenic GHG
emission reductions
Ex ante VCUs tradable
Ex ante buffer credits
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
DCLK
ELKt
ELK
DREDDt
DREDD
VCUt
VCU
VBCt
VBC
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
42.064,7
42.064,7
35.334,3
35.334,3
6.730,3
6.730,3
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
98.775,2
140.839,9
82.971,2
118.305,5
15.804,0
22.534,4
28.912,2
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
68.450,0
209.289,9
57.498,0
175.803,5
10.952,0
33.486,4
80.573,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
38.315,5
247.605,4
32.185,0
207.988,5
6.130,5
39.616,9
49.168,0
129.741,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
37.215,8
284.821,2
31.261,2
239.249,8
5.954,5
45.571,4
0,0
52.087,0
181.828,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
35.031,0
319.852,2
29.426,1
268.675,8
5.605,0
51.176,4
0,0
0,0
43.276,6
225.104,6
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
45.975,8
365.828,0
38.619,7
307.295,5
7.356,1
58.532,5
675.194,9
0,0
0,0
45.864,1
270.968,6
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
38.398,2
404.226,2
32.254,5
339.550,0
6.143,7
64.676,2
81.448,7
756.643,6
0,0
0,0
48.416,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
33.032,7
437.258,9
27.747,5
367.297,5
5.285,2
69.961,4
2020
80.353,1
836.996,7
0,0
0,0
0,0
319.384,7
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
80.353,1
517.612,1
67.496,6
434.794,1
12.856,5
82.817,9
2021
88.001,8
924.998,6
0,0
0,0
47.527,9
366.912,5
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
40.474,0
558.086,0
33.998,1
468.792,3
6.475,8
89.293,8
2022
92.384,2
1.017.382,8
0,0
0,0
49.588,4
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
42.795,9
600.881,9
35.948,5
504.740,8
6.847,3
96.141,1
2023
77.793,1
1.095.175,9
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
77.793,1
678.675,0
65.346,2
570.087,0
12.446,9
108.588,0
2024
91.842,1
1.187.018,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
91.842,1
770.517,1
77.147,4
647.234,3
14.694,7
123.282,7
2025
110.603,3 1.297.621,3
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
110.603,3
881.120,4
92.906,8
740.141,1
17.696,5
140.979,3
2026
87.660,8
1.385.282,1
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
87.660,8
968.781,2
73.635,1
813.776,2
14.025,7
155.005,0
2027
107.275,1 1.492.557,2
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
107.275,1 1.076.056,3
90.111,1
903.887,3
17.164,0
172.169,0
2028
109.122,3 1.601.679,4
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
109.122,3 1.185.178,5
91.662,7
995.550,0
17.459,6
189.628,6
t
Acumulado Anual Acumulado
Ex ante leakage
GHG emissions
Página| 85 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Baseline carbon stock
changes
Baseline GHG emissions
Ex ante project
carbon stock changes
Ex ante project GHG
emissions
Ano do
Projeto
t
Ex ante leakage
carbon stock
changes
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado Anual Acumulado
DCBSLPAt
DCBSLPA
EBBBSLPAt
EBBBSLPA
DCPSPAt
DCPSPA
EBBPSPAt
EBBPSPA
DCLKt
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
Ex ante leakage
GHG emissions
Ex ante net
anthropogenic GHG
emission reductions
Ex ante VCUs tradable
Ex ante buffer credits
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
Anual
Acumulado
DCLK
ELKt
ELK
DREDDt
DREDD
VCUt
VCU
VBCt
VBC
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
tCO2e
2029
104.664,4 1.706.343,8
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
104.664,4 1.289.842,9
87.918,1
1.083.468,1 16.746,3
206.374,9
2030
106.225,9 1.812.569,8
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
106.225,9 1.396.068,9
89.229,8
1.172.697,8 16.996,1
223.371,0
2031
103.345,3 1.915.915,1
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
103.345,3 1.499.414,2
86.810,1
1.259.507,9 16.535,3
239.906,3
2032
98.723,0
2.014.638,1
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
98.723,0
1.598.137,2
82.927,3
1.342.435,2 15.795,7
255.701,9
2033
111.792,9 2.126.431,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
111.792,9 1.709.930,1
93.906,1
1.436.341,3 17.886,9
273.588,8
2034
119.643,5 2.246.074,5
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
119.643,5 1.829.573,6 100.500,6 1.536.841,9 19.143,0
292.731,8
2035
97.672,7
2.343.747,2
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
97.672,7
1.927.246,3
82.045,0
1.618.886,9 15.627,6
308.359,4
2036
109.307,8 2.453.055,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
109.307,8 2.036.554,1
91.818,5
1.710.705,4 17.489,2
325.848,7
2037
109.376,8 2.562.431,7
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
109.376,8 2.145.930,8
91.876,5
1.802.581,9 17.500,3
343.348,9
2038
125.665,1 2.688.096,9
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
125.665,1 2.271.596,0 105.558,7 1.908.140,6 20.106,4
363.455,4
2039
119.341,2 2.807.438,0
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
119.341,2 2.390.937,1 100.246,6 2.008.387,2 19.094,6
382.549,9
2040
136.361,6 2.943.799,6
0,0
0,0
0,0
416.500,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
136.361,6 2.527.298,7 114.543,8 2.122.930,9 21.817,9
404.367,8
Página| 86 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto REDD+ Jari/Amapá
PARTE III – METODOLOGIA PARA MONITORAMENTO E REVALIDAÇÃO DA LINHA DE
BASE
Resumo dos dados e parâmetros monitorados (Tabelas 34, 35 e 36):
Tabela 34: Descrição do monitoramento do desmatamento não planejado
Parâmetro:
Desmatamento na área do projeto e cinturão de vazamento
Unidade
Ha
Descrição
Área de cobertura florestal convertida para área não florestal
dentro do cinturão de vazamento e da área do projeto
Jari/Amapá.
Fonte dos dados
Calculado através de imagens de sensoriamento remoto em
conjunto com dados de GPS coletados em campo.
Monitoramento da cobertura florestal na área do projeto e
cinturão de vazamento será realizado por meio da análise de
imagens de satélite. Quando os dados do sistema PRODES
Descrição dos procedimentos de análise
não estiverem disponíveis, o monitoramento da cobertura
dos dados
florestal será realizado com a classificação automática e
interpretação visual com imagens de outros sensores ópticos
ou radar.
Frequência
Anual
Valor aplicado
N/A
Equipamento de monitoramento
Programa de processamento digital de imagens de
sensoriamento remoto, sistemas de informações geográficas
e GPS de navegação.
Medidas de controle e garantia de
qualidade
Para o mapeamento serão utilizadas imagens com resolução
espacial de 30 metros ou maior. A unidade mínima de
mapeamento é 6,325 ha. Avaliação das classificações será
realizada por meio de dados coletadas em campo com uso de
GPS de navegação. A acurácia mínima da classificação para o
mapa de uso e cobertura da terra será 80%.
Método de cálculo:
Se forem detectadas áreas de desmatamento não planejado,
o Mapa de Referência da Cobertura Florestal será atualizado
por meio de álgebra de mapas.
Outros comentários
N/A
Página| 87 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 35: Descrição do monitoramento do estoque de carbono na área do Projeto
Parâmetro:
Ctot
Unidade
tCO2e ha
-1
Estoque de carbono médio por hectare em todos os
reservatórios de carbono contidos na classe Floresta utilizada
no cenário de linha de base.
Calculado por meio de equações alométricas, fatores de
Fonte dos dados
expansão oriundos de literatura científica, e com os dados
medidos em campo pela Orsa Florestal.
A estimativa da biomassa acima do solo foi realizada com o
uso de dados de inventário florestal e equações alométricas,
desenvolvidas em áreas semelhantes à área do projeto
(Gerwing, 2002). Fatores de expansão desenvolvidos por
Nogueira et al. 2008 em sítios da Amazônia Brasileira foram
Descrição dos procedimentos de análise
utilizados para estimar a biomassa de madeira morta (F2),
dos dados
galhos, folhas e palmeiras (BEF). A biomassa abaixo do solo
foi obtida utilizando a razão raiz/parte aérea de 25,8% da
biomassa acima do solo. A estimativa espacial da biomassa
total foi obtida aplicando técnicas de geoestatística
desenvolvida por Sales et al. 2007.
Descrição
Frequência
Um ano antes da colheita. Em intervalos de um, três e cinco
anos após a colheita da UPA explorada.
Valor aplicado
Material utilizado
Medidas de controle e garantia de
qualidade
Método de cálculo:
Outros comentários
Maiores informações sobre QA/QC disponíveis nos
documentos:
• Estimativa do Estoque de Carbono Florestal para o Projeto
Jari/Amapá;
• Plano de Manejo;
• PA – Gestão e Certificação Florestal - Implantação e
Mapeamento de Parcelas;
• PA – Gestão e Certificação Florestal - Inventário Florestal
100 %;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Seleção e distribuição
das parcelas;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Parcelas
Permanentes;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Monitoramento do
inventário florestal 100%.
Comparação entre o valor médio de estoque de carbono
total, contidos na classe Floresta utilizada no cenário de linha
de base obtido no documento Estimativa do Estoque de
Carbono Florestal para o Projeto Jari/Amapá, e as medidas
analisadas após a exploração da UPA.
Requisito obrigatório da metodologia VM0015 para áreas
com exploração madeireira.
Página| 88 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 36: Descrição do monitoramento do diâmetro à altura do peito na área sob
Manejo FSC.
Parâmetro:
DAP
Unidade
Cm
Descrição
Diâmetro à altura do peito (130 cm) para cada árvore com
DAP igual ou maior que 15 cm, em cada parcela de inventário
florestal.
Fonte dos dados
Calculado a partir de dados de circunferência à altura do
peito medido em campo pela Orsa Florestal.
O DAP é calculado a partir de dados de circunferência à altura
Descrição dos procedimentos de análise
do peito (CAP) de cada árvore monitorada medidos em
dos dados
campo.
Frequência
Um ano antes da colheita. Em intervalos de um, três e cinco
anos após a colheita da UPA explorada.
Valor aplicado
N/A
Material utilizado
Medidas de controle e garantia de
qualidade
Método de cálculo:
Outros comentários
Calculado a partir de dados de circunferência à altura do
peito medida em campo, com fita métrica.
Monitoramento obrigatório segundo a metodologia VCS
VM0015. Os dados serão oriundos de inventário florestal,
coletados em um período de até 10 anos, oriundos de
múltiplas parcelas. Maiores informações sobre QA/QC
disponíveis nos documentos:
• Plano de Manejo;
• PA – Gestão e Certificação Florestal - Implantação e
Mapeamento de Parcelas;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Seleção e distribuição
das parcelas;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Parcelas
Permanentes;
• PA – Gestão e Certificação Florestal – Monitoramento do
inventário florestal 100%.
O DAP é calculado a partir de dados de circunferência à altura
do peito (CAP) de cada árvore monitorada medidos em
campo.
Principal variável utilizada para a estimativa de mudanças do
estoque de carbono do Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 89 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Tabela 37: Descrição do monitoramento de desmatamento planejado para
implantação de infraestrutura do Manejo FSC.
Parâmetro:
Desmatamento planejado para construção de infraestrutura
do Manejo FSC
Unidade
ha
Mapa da área de cobertura florestal convertida para área não
florestal devido à construção de estradas, trilhas e pátios do
Manejo FSC.
Imagens de sensoriamento remoto e mapas técnicos, fichas
de campo específicas para monitoramento da operação de
Fonte dos dados
construção de estradas, trilhas e pátios florestais nas áreas do
Manejo FSC.
Monitoramento da cobertura florestal na área do Manejo FSC
será realizado por meio da análise de imagens de satélite,
mapas de construção de estradas, trilhas ou pátios florestais,
Descrição dos procedimentos de análise e verificação de campo nas áreas do Manejo FSC. Se ocorrer o
dos dados
desmatamento planejado será atualizado o Mapa de
Referência da Cobertura Florestal por meio de álgebra de
mapas. A redução do estoque de carbono na área do projeto
será reportada em processos de verificação.
Descrição
Frequência
Durante o ano de exploração de cada UPA
Valor aplicado
N/A
Equipamento de monitoramento
Ficha de campo e sistema de informações geográficas.
Medidas de controle e garantia de
qualidade
Método de cálculo:
Outros comentários
Maiores informações sobre QA/QC disponíveis nos
documentos:
• Plano de Manejo;
• PA-MFS - Planejamento de trilhas de Arraste;
• PA-MFS - Formação de Grandes Clareiras;
• PA - Planejamento, Abertura e Manutenção de Estradas
Florestais;
• PA MFS - Monitoramento da Abertura de Estradas de
Colheita.
Se forem detectadas áreas de desmatamento planejado, o
Mapa de Referência da Cobertura Florestal será atualizado
por meio de álgebra de mapas.
N/A
A seguir, é apresentado a descrição do plano de monitoramento das atividades do
Projeto REDD+ Jari/Amapá.
Página| 90 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
TAREFA 1: MONITORAMENTO DE MUDANÇAS NOS ESTOQUES DE CARBONO E
EMISSÕES DE GEE PARA VERIFICAÇÕES PERIÓDICAS
1.1 Monitoramento das mudanças reais dos estoques de carbono e emissões de GEE
para a área do Projeto
1.1.1 Monitoramento da implementação do Projeto
Esta atividade será de responsabilidade da Biofílica Investimentos Ambientais, Orsa
Florestal e Fundação Orsa. O Projeto engloba monitoramento contínuo da
implementação das atividades de Manejo FSC e das atividades de REDD+.
O monitoramento da implantação e execução das atividades do Manejo FSC serão
feitos de acordo com os procedimentos da Orsa Florestal em todas as suas fases e
aspectos (operacionais, ambientais e sociais), de forma a atender aos princípios e
critérios do FSC.
A implementação das atividades de REDD+ será monitorada através de cronogramas
físico-financeiros, relatórios de acompanhamento e desempenho e qualidade
operacional, relatórios de gestão social, mapas, registro de reuniões, registro de
denúncias de invasores de terra e outras ações de coerção ao desmatamento ilegal e
outros documentos relevantes.
Todos os documentos relativos ao monitoramento da implementação do Projeto serão
reunidos, organizados e armazenados pela Biofílica Investimentos Ambientais em
arquivos físicos e virtuais, e serão disponibilizados ao órgão verificador a cada evento
de verificação.
1.1.2 Monitoramento de mudanças no uso e na cobertura da terra na área do
Projeto
Esta atividade é de responsabilidade da Biofílica Investimentos Ambientais, da Jari
Celulose, Papel e Embalagens, e da Orsa Florestal.
O monitoramento do desmatamento, planejado e não planejado, será feito através do
mapeamento da cobertura florestal da área do Projeto e do cinturão de vazamento
por meio de imagens de satélite com resolução espacial de 30 metros ou superior,
utilizando principalmente os dados disponíveis no Projeto PRODES.
Página| 91 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Os processamentos realizados pelo PRODES para mapeamento do desmatamento
estão disponíveis no documento Câmara et al. (2006). Em áreas com cobertura de
nuvens serão adquiridas imagens de sensores SAR, como por exemplo, RADARSAT-2,
Cosmo SkyMed ou TerraSAR-X. Visando ter uma maior flexibilidade no processo de
mapeamento do desmatamento, poderão ser empregadas diferentes técnicas de
classificação automática e interpretação visual das imagens SAR, utilizando dados de
campo e padrões de qualidade cartográfica.
Para validação das informações obtidas através das imagens de satélite, os dados
mapeados sobre ocorrência de desmatamento serão confrontados com relatórios e
boletins de desmatamento não planejado produzido pela equipe de segurança e
vigilância fundiária da Jari Celulose, em conjunto com os relatórios de desmatamento
planejado feitos pela Orsa Florestal.
O monitoramento da instalação de infraestrutura do Manejo FSC será realizado por
meio de fichas de campo específicas para construção de estradas, trilhas e pátios
florestais dentro da área do Projeto, em conjunto com mapas e imagens de satélite
contendo informações sobre a área de cobertura florestal convertida para área não
florestal.
Os dados sobre ocorrência de desmatamento serão comparados com o cenário de
linha de base. Da comparação entre a quantidade de desmatamento previsto e
ocorrido, serão obtidos os valores das reduções de emissões do período monitorado.
Mapas de instalação de infraestrutura, imagens de satélite e relatórios de áreas
desmatadas anualmente serão disponibilizados ao órgão verificador a cada evento de
verificação.
1.1.3 Monitoramento de mudanças nos estoques de carbono e emissões de nãoCO2 por incêndios florestais.
Monitoramento de mudanças nos estoques de carbono
Esta atividade é de responsabilidade da Biofílica Investimentos Ambientais e da Orsa
Florestal, a ser realizada de acordo com a operação do Manejo FSC.
Página| 92 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Espera-se que a estimativa ex ante do estoque de carbono da classe Floresta não mude
durante o período de linha de base. No entanto, a metodologia VCS VM0015 requer o
monitoramento do estoque de carbono nas áreas do Projeto sujeitas a atividades
planejadas, como o Manejo FSC.
O monitoramento do estoque de carbono nas áreas de Manejo FSC será realizado
através da instalação e medição de parcelas permanentes de inventário florestal em
cada UPA explorada. Nas parcelas monitoradas serão feitas medições após a colheita
em intervalores de um, três e cinco anos para cada parcela.
Caso ocorra redução significativa do estoque de carbono devido ao Manejo FSC, tal
redução será reportada nos processos de verificação utilizando-se a Tabela 20d da
metodologia aprovada do VCS VM0015 versão 1.0. Planilhas, relatórios de inventário
florestal e de monitoramento de parcelas serão disponibilizados ao órgão verificador a
cada evento de verificação.
Monitoramento de emissões de não-CO2 por incêndios florestais
O Projeto não espera mudanças significantes do estoque de carbono por emissões de
não-CO2 devido a incêndios florestais. No entanto, o monitoramento contínuo da
ocorrência de incêndios florestais da área do Projeto já é realizado pela Orsa Florestal
de acordo com os procedimentos do documento Prevenção e Controle de Incêndios
Florestais, anexo ao Plano de Manejo. Caso ocorram perdas significantes devido a
incêndios florestais, as áreas afetadas serão mapeadas e reportadas nos processos de
verificação utilizando a Tabela 19 da metodologia aprovada VM0015 versão 1.0.
1.1.4 Monitoramento de impactos de distúrbios naturais e outros eventos
catastróficos.
Com base no histórico da região de referência, não são esperados distúrbios naturais
ou eventos catastróficos que possam alterar significativamente os estoques de
carbono na região de referência do Projeto. Caso ocorra algum evento natural extremo
durante a realização do Projeto, será avaliada sua significância com relação à alteração
do estoque de carbono e os dados serão disponibilizados ao órgão verificador a cada
Página| 93 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
evento de verificação utilizando as Tabelas 20e, 20f e 20g da metodologia aprovada
VM0015 versão 1.0.
1.2 Monitoramento de Vazamento
1.2.1 Monitoramento de mudanças nos estoques de carbono associadas às
atividades de prevenção de vazamento
Não é esperado diminuição nos estoques de carbono devido às atividades realizadas
nas áreas de manejo de vazamento, pois não serão desenvolvidas atividades de
melhoramento agrícola ou de manejo de pastagens que altere os estoques de carbono
e aumente as emissões de GEE em comparação com o cenário de linha de base nas
áreas de manejo de vazamento.
1.2.2 Monitoramento da redução de estoques de carbono e emissões de GEE
devido a atividades de deslocamento de vazamento
Se durante o processo de monitoramento for identificado ocorrência de
desmatamento além do estimado para linha de base dentro do limite do cinturão de
vazamento, e este desmatamento for atribuído aos agentes de desmatamento da área
do Projeto, as perdas de estoque de carbono serão contabilizadas e reportadas
utilizando a Tabela 29c da metodologia aprovada VCS versão 1.0.
1.2.3 Total estimado de vazamento ex post
Os resultados serão apresentados ao órgão verificador a cada evento de verificação
com as mesmas tabelas usadas nas estimativas ex ante.
1.3 Reduções antropogênicas de GEE ex post
Nos processos de verificação serão apresentados os resultados com o mesmo modelo
de tabela usado nas estimativas ex ante, em conjunto com dados espaciais (mapas de
ocorrência de desmatamento ou incêndios, quando houver).
TAREFA 2: REVISÃO DAS PROJEÇÕES DE LINHA DE BASE EM PERÍODOS FIXOS
Página| 94 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
2.1 Atualização de informações sobre os agentes, vetores e causas ocultas ao
desmatamento.
Dados estatísticos, espaciais, estudos e informações sobre agentes, vetores e causas
do desmatamento necessários para a execução dos passos 2 e 3 da metodologia VCS
VM0015, versão 1.0, serão atualizados e utilizados na revisão das projeções de linha de
base após período fixo de 10 anos. Quando disponíveis, serão utilizados dados
oriundos do monitoramento das operações do Manejo FSC e de outras atividades
desenvolvidas na área do Projeto.
2.2 Ajustes nos componentes de uso e cobertura da terra da linha de base
Caso uma linha de base nacional ou subnacional se torne disponível durante o próximo
período fixado de linha de base, a mesma será aplicada no período subsequente. Se
não houver nenhuma linha de base nacional ou subnacional disponível, o passo 4 da
metodologia VM0015 será refeito considerando o período de 10 anos (2011-2020),
com o uso das variáveis atualizadas sobre agentes, vetores e causas do desmatamento
na região de referência. Os dois principais componentes a serem revisados são a área
de desmatamento anual e a localização do desmatamento na linha de base
Será realizada a revisão e atualização dos pressupostos e hipóteses consideradas na
componente da modelagem da dinâmica futura de desmatamento (dados de
população), bem como os dados usados na projeção espacial (atualização do mapa de
estradas, localidades, e distância de novos desmatamentos).
2.3 Ajustes, caso necessário, o componente de carbono da linha de base
A estimativa espacial do componente de carbono poderá ser revisada, de acordo com
os resultados obtidos durante os processos de monitoramento de mudanças nos
estoques de carbono, conforme determinado no item 1.1.3 da Parte 3 da metodologia
VM0015 versão 1.0. Ao longo do desenvolvimento do Projeto poderão ser analisadas
novas técnicas e tecnologias para estimativa espacial da biomassa, como por exemplo,
dados LIDAR ou interferometria SAR.
Página| 95 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
REFERÊNCIAS
Aguiar, A. P.; Ometto, J.; Nobre, C.; Câmara, G.; Almeida, C.; Ima Vieira, A. A. Estimativa
das Emissões de CO2 por Desmatamento na Amazônia Brasileira. São José dos
Campos: INPE, 2009.
Barreto, P. Amintas Brandão Jr.; Heron Martins; Daniel Silva; Carlos Souza Jr.; Márcio
Sales; Tarcísio Feitosa. Risco de desmatamento associado à hidrelétrica de Belo Monte.
Belém, PA: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia-IMAZON, 2011.
Brown, S., M. Hall, K. Andrasko, F. Ruiz, W. Marzoli, G. Guerrero, O. Masera, A. Dushku,
B. DeJong, and J. Cornell, 2007. Baselines for land-use change in the tropics:
application to avoided deforestation projects. Mitigation and Adaptation Strategies for
Climate Change, 12:1001-1026
Câmara, G.; Valeriano, D. M.; Soares, J. V. Metodologia para o cálculo da taxa anual de
desmatamento na Amazônia Legal. São José dos Campos: INPE, 2006. 24p. Disponível
em: <http://www.obt.inpe.br/prodes/index.html>. Acesso em: 01 junho 2011.
CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) REDD no Brasil: um enfoque
amazônico: fundamentos, critérios e estruturas institucionais para um regime nacional
de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal – REDD. – Brasília,
DF: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2011.
Congalton, R. G.; Kass Green. Assessing the accuracy of Remotely Sensed data:
principles and practices. New York – CRC Press, 1999.
Fearnside, P.M. 1996. Amazonian deforestation and global warming: carbon stocks in
vegetation replacing Brazil‟s Amazon forest. Forest Ecology and Management Volume
80 pag. 21-34.
Foley, J. A. et al., 2007. Amazonia revealed: forest degradation and loss of ecosystem
goods and services in the Amazon Basin. Frontiers in Ecology and the Environment,
Volume 5.
Gavlak, A. A. Padrões de mudança de cobertura da terra e dinâmica populacional no
Distrito Florestal Sustentável da BR-163: população, espaço e ambiente. 2011. 177 p.
Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) - Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, São José dos Campos, 2011.
Página| 96 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Geist, Helmut J.; Lambin, Eric F. Proximate causes and underlying driving forces of
tropical deforestation. Bioscience, Volume 52, numero 2, 2002.
Gerwing, J.J., 2002. Degradation of forests through logging and fire in the eastern
Brazilian Amazon. Forest ecology and management, 157(1-3), pp.131–141.
GTPPCDAP (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Estado
do Amapá) – Contexto e Ações. Governo do Estado do Amapá, 2009.
Holmes, T.P.; Blate, G.M.; Zweede, J.C.; Pereira Junior, R.l Barreto, P.; Boltz, F. Custos e
benefícios financeiros da exploração de impacto reduzido em comparação à
exploração florestal convencional na Amazônia Oriental. Belém: Fundação Floresta
Tropical, 2002, 66p., 2a edição.
Houghton, R.A., Lawrence, K.T., Hackler, J.L., Brown, S., 2001. The spatial distribution
of forest biomass in the Brazilian Amazon: a comparison of estimates. Global Change
Biology. 7, 731–746.
IBGE, 2010. IBGE Cidades. Disponível em: http://www.ibge.gov.br
INPE e EMBRAPA. Levantamento de informações de uso e cobertura da terra na
Amazônia – Projeto TerraClass, 2011.
Nepsatd, D., Stickler, C. & Almeida, O. Globalization of the Amazon soy and beef
industries: opportunities for conservation. Conservation Biology, 6 December, Volume
20, pp. 1595-603, 2006.
Nepstad, D. et al., The End of Deforestation in the Brazilian Amazon. Science, 4
December, Volume 326, 2009.
Nogueira, E. M.; Fearnside, P. M.; Nelson, B. W.; Barbosa, R. I. e Keizer, E. W. H. 2008.
Estimates of forest biomass in the Brazilian Amazon: new allometric equations and
adjustments to biomass from wood-volume inventories. Forest Ecology and
Management, 256 (11): 1853-1857
PAS - Plano Amazônia Sustentável: diretrizes para o desenvolvimento sustentável da
Amazônia Brasileira. Brasília: MMA, 2008.
POEMA – Núcleo de Ação para o Desenvolvimento Sustentável. Diagnóstico SócioAmbiental das Comunidades Rurais do Vale do Jari. Belém, 2005.
Página| 97 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Pontius, R. G. Jr. and L. Schneider. 2001. Land-use change model validation by a ROC
method for the Ipswich watershed, Massachusetts, USA. Agriculture, Ecosystems &
Environment 85(1-3) p. 239-248.
Rodrigues, A. S. L. et al., 2009. Boom-and-Bust Development Patterns Across the
Amazon Deforestation Frontier. Science, Volume 324.
Sales, M. et al. Improving spatial distribution estimation of forest biomass with
geostatistics: A case study for Rondônia, Brazil. Ecological Modelling, volume 205,
2007.
Sangermano F.; Eastman, J. R.; Zhu, H. Similarity Weighted Instance-based Learning for
the Generation of Transition Potentials in Land Use Change Modeling. Transactions in
GIS, Volume 14 numero 5, 2010.
Serviço Florestal Brasileiro e IMAZON. A atividade madeireira na Amazônia brasileira:
produção, receita e mercados. Belém, 2010.
Serviço Florestal Brasileiro e IPAM. Florestas Nativas de Produção Brasileiras.
(Relatório). Brasília, 2011.
van der Werf et al. CO2 emissions from forest loss. Nature Geoscience. Volume 2,
2009.
UHE Santo Antônio do Jari - Estudo de Impacto Ambiental. Ecology brasil. Agosto de
2009.
Veríssimo et al. O Setor Madeireiro no Amapá: Situação Atual e Perspectivas para o
Desenvolvimento Sustentável. Governo do Estado do Amapá & Imazon, 1999.
Página| 98 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
ANEXOS
Anexo I: Mapa Forest Cover Benchmark; Uso e cobertura da terra na área do Projeto;
Mudanças na cobertura da terra.
Anexo II: Câmara, G.; Valeriano, D. M.; Soares, J. V. Metodologia para o cálculo da taxa
anual de desmatamento na Amazônia Legal. São José dos Campos: INPE, 2006. 24p.
Página| 99 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto REDD+ Jari/Amapá
Anexo I:
Figura 25 Mapa de Referência da Cobertura Florestal
Página| 100 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 26 Uso e cobertura da terra na área do Projeto
Página| 101 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto Jari/Amapá
Figura 27 Mudanças na cobertura da terra
Página| 102 de 103
Determinação da linha de base e dinâmica do
desmatamento para o Projeto REDD+ Jari/Amapá
Anexo II: Câmara, G.; Valeriano, D. M.; Soares, J. V. Metodologia para o cálculo da taxa
anual de desmatamento na Amazônia Legal. São José dos Campos: INPE, 2006. 24p
Página| 103 de 103
Download

RELATÓRIO DETERMINAÇÃO DA LINHA DE BASE E