1
Universidade Federal de Ouro Preto
Maria Luíza Flor Pereira
A cultura Afro-Brasileira no Currículo Escolar
Ouro Preto-MG
Junho-2012
2
Maria Luíza Flor Pereira
A cultura Afro-Brasileira no Currículo Escolar
O trabalho apresentado ao Programa de PósGraduação em Educação para a Diversidade da
Universidade Federal de Ouro Preto, como
requisito parcial à obtenção do grau de Especialista
em "Gestão de Políticas Públicas”; Gênero e Raça
teve por objetivos analisar a percepção e o
comportamento dos educadores quanto à inserção
no currículo escolar a temática afro-brasileira.
Orientador- Sarug Dagir Ribeiro
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto-MG
Junho-2012
3
Dedico esse trabalho aos que me apoiaram
nessa
empreitada
meu
filho
Breno
Alexandre Pereira emeu esposo Eduardo
Pereira pelo incentivo e sempre tolerantes,
aos meus alunos e minhas alunas em
especial ao Jean Carlo Gomes e a Lenço de
Seda/ CECAB .
4
Agradecimento
Agradeço
a
possibilidade
oportunidade
e
de
uma
quebrar
a
resistência de ter sido aluna através
da EaD e ainda a compreensão e o
apoio da Orientadora SARUG.
5
Universidade Federal de Ouro Preto
A cultura Afro-Brasileira no Currículo Escolar
RESUMO: A presente pesquisa teve por objetivo analisar a percepção 16 educadores
quanto a temática afro-brasileira em duas escolas públicas estaduais dos municípios de
Timóteo e Coronel Fabriciano -MG.. Foram realizadas entrevistas com os professores
e os resultados demonstram que grande parte deles estão sensibilizados e percebem a
real relevância do tema em questão no currículo da escola.
Palavras-chave:educação- afro-brasileiro- currículo
Maria Luíza Flor Pereira-Pedagoga- Pós –graduanda em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e
Raça|GPP-GeR
Sarug Dagir Ribeiro-Professora Orientadora,Psicóloga –Mestre em Letras na área de concentração
deTeoria da Literatura-UFMG
6
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO--------------------------------------------------------------------------7
2. Desenvolvimento-------------------------------------------------------------–------10
2.1. Caracterização dos pesquisados-------------------------------------------------10
2.2. Percepção dos docentes pesquisados sobre a temática afro-brasileira—12
2.3. A Temática Afro-Brasileira no Currículo Escolar---------------------------13
3.
O Ensino Afro- Brasileiro------------------------------------------------------- 15
7
1- Introdução
A inserção da temática afro-brasileira no currículo escolar se torna cada dia mais
emergente visto que o amparo legal já existe os acervos das escolas e os livros didáticos
já vem sendo atualizados de maneira significativa.
O Brasil um país onde a diversidade de raças é ampla: indígenas, afrodescendentes e
europeus formam essa imensa comunidade brasileira. Cabe a escola proporcionar
vivências e conhecimentos que ofereçam ao educando o conhecimento efetivo da raiz
brasileira e o currículo precisa ser adaptado para essa nova realidade
enquanto
instituição que diz formar cidadãos para o exercício pleno de seus direitos.
A presente pesquisa teve por objetivos analisar a percepção e o comportamento dos
docentes quanto a implantação da temática afro-brasileira nas escolas onde atuam.Os
resultados da pesquisa demonstram que grande parte destes profissionais estão sensíveis
e compreendem a necessidade de maior comprometimento com o tema em questão.
Para Lima (2007), o currículo escolar é um componente estruturador da ação educativa
na escola, daí a importância de se discutir esse tema. A escola como espaço de cultura
cumpre um objetivo antropológico muito importante: garantir a continuidade da espécie,
socializando para as novas gerações as aquisições e invenções resultantes do
desenvolvimento cultural da humanidade.
Aproposta de uma educação focada na temática afro-brasileira vem colocar todos os
educadores o grande desafio de estar atento às diferenças tanto sociais,raciais e
econômicas e nesse desafio torna-se emergente a revisão da proposta curricular das
instituições educacionais e o investimento na formação do educador torna-se
imprescindível .
Percebe-se que o estado em suas leis desde a carta magna determina a real educação
para todos e todas, dever do Estado, o maior acesso à educação tem real significado a
partir da inclusão efetiva
8
Em 2003 foi sancionada a Lei nº. 10.639 nº 11645/2008, que alteraram a Lei de
Diretrizes e Bases (Lei nº. 9394/1996) e tornou-se obrigatório o ensino da Cultura AfroBrasileira/Indígena no ensino fundamental e médio. Face à existência desta lei, faz-se
necessário a proposição de atividades ou estratégias de ação para viabilizar o
incremento desta temática a partir de vivências no âmbito da Educação brasileira.
A lei 10639 de dezembro de 2003 instituiu a Política Nacional do estudo da cultura
afro-brasileira em todas as escolas do ensino fundamental e médio, com considerável
atraso, pois a maneira como são tratados cidadãos de cor negra e os de orientação sexual
em nossa sociedade é vergonhosa e desrespeitosa.
A efetivação da temática afro- brasileira
nas escolas brasileiras
comportamentos discriminatórios e preconceituosos promovendo
poderá mudar
a promoção da
igualdade de gênero e raça.
Segundo Tolocka (2006), a escola como espaço democrático deve oferecer a todos o
acesso ao saber acumulado e a visão crítica para mudanças que se fazem necessárias na
sociedade. Para tal, deve promover a ressignificação de valores já estabelecidos na
sociedade, visando uma transcendência no sentido da transformação das práticas
pedagógicas no ensino brasileiro.
A inclusão efetiva deste tema no currículo escolar propiciará a possibilidade de um
trabalho integrado entre as diversas disciplinas que o compõe, enriquecendo e dando um
maior significado à aprendizagem dos alunos. Dessa forma, a educação não pode se
eximir desta tarefa de incluir em sua proposta pedagógica curricular a temática afrobrasileira.
Para Gallardo (2004), a transmissão cultural exige do homem novas capacidades de
memorização e representação. Todo o espólio cultural existente se perderia se não
houvesse a possibilidade de serem conservados e transmitidos às gerações seguintes.
A escola carrega consigo essa tarefa de transmitir a memória cultural e os valores
produzidos historicamente pelo ser humano.
Sabe-se que o segundo grupo ao qual o indivíduo passa a fazer parte, e não menos
importante, é a comunidade escolar. Nesse sentido, os educadores desempenham um
9
papel vital nesse aprendizado coletivo. Assim, tanto a família quanto a escola têm um
objetivo comum, que é o de preparar as crianças, adolescentes e jovens para o convívio
social com direitos igualitários
Para Rocha (2007) quando a criança negra chega à escola, ela traz consigo uma série de
indagações em relação ao seu pertencimento racial, à qual a escola irá responder de
forma favorável ou não, através de suas práticas pedagógicas, atitudes, posicionamento
e até mesmo de seus silêncios.
Tomar consciência de que o Brasil é um país multirracial e pluriétnico e reconhecer e
aceitar que, nesta diversidade, negros e indígenas têm papéis da maior relevância para a
sociedade identifiquem as influências, as contribuições, a participação e a importância
da história e da cultura dos negros no seu jeito de ser, viver, de se relacionarem com as
outras pessoas.
Assim, a ideia do processo de ensinagem na escola brasileira hoje supõe a reconstrução
social cujos participantes assumam um compromisso na elaboração das respostas às
exigências da comunidade. Diante do momento histórico em que vivemos com muitas
informações que rediscutem a função social da escola e oferecem políticas públicas que
valorizam o ser humano para alcançar direitos que são respaldados pelos Direitos
Humanos e a Constituição Federal, é sensível e importante fazer uma reflexão, um
questionamento, sobre o papel que cada um dos envolvidos tem a desempenhar nesse
processo. Dentre tantas das inquietações vivenciadas atualmente no âmbito escolar,
optou-se por trabalhar com a questão do preconceito e a discriminação na escola porque
a diversidade cultural existente no ambiente escolar é vasta e requer estudos e analises
específicas para que os educandos possam interagir com a realidade se auto descobrindo
e descobrindo novas formas de se situar no meio onde está inserido usufruindo direitos
igualitariamente nos espaços de convivência.
Sendo essa pesquisa uma atividade teórica de conhecimento, fundamentação,
investigação, diálogo e interação com a realidade, pretendeu-se com este trabalho
discutir os desafios da aplicação da Lei 10.639/03 em 2 escolas ouvindo as inquietações
e aplicabilidade da temática afro-brasileira.
2.Desenvolvimento
10
2.1 Caracterização dos pesquisados.
O questionário
io foi aplicado a 16 educadores de duas escolas Estaduais, localizadas nos
municípios de Ipatinga e Timóteo. Conforme se pode perceber no cotidiano escolar,
percebe-se
se a predominância do Gênero feminino e o universo pesquisado 88% são do
sexo feminino e noo que diz respeito a cor 50% são afrodescendentes e 50 % amarelo e
branco conforme o (Gráfico 1) abaixo.
abaixo
Gráfico 1. Cor dos docentes entrevistados
Cor dos docentes
Amarelo
6%
Negra
19%
Branca
44%
Parda
31%
Gráfico2- Nível de escolaridade dos docentes entrevistados
Distribuição da escolaridade entre os docentes entrevistados.
50%
50%
Superior
Completo
Pós -Graduação
Graduação
Analisando os dados de escolaridade (Gráfico 2) , todos e todas possuem graduação
completa na área de atuação, sendo que 50% contam em sua formação acadêmica com
Cursos de Pós-Graduação
Graduação e os outros 50% possuem Curso Superior Completo,dados
11
que corroboram para o crescimento no investimento na vida profissional
profissional desta classe ,
com uma frequência maior do gênero feminino.
A faixa etária dos pesquisados concentra-se
concentra
no intervalo de 41 50 anos 62% , diminui
no intervalo 26 a 40 anos com 37% e no intervalo de 18 a 25 anos apenas 6% (Gráfico
3) . O que demonstra
nstra uma prevalência reduzida do público jovem se comparando ao
público de maior faixa etária.
etária
Gráfico 3- Distribuição da Faixa Etária dos docentes entrevistados.
Faixa Etária dos Docentes
6%
57%
37%
18 a 25
anos
Anaturalidade da maior parte dos pesquisados 45% são nascidos em Timóteo, 30% em
Coronel Fabriciano e seguidos por 25 de outros municípios. esta região é provedora de
um mercado de trabalho na área da siderurgia e empresas terceirizadas que atendem às
grandes empresas como APERAM e USIMINAS. Sendo esses municípios atraem
muitos trabalhadores e trabalhadoras para estas áreas o que pode ser observado no
Gráfico 4. Outra característica dessa região é a alto índice de aposentados e aposentadas
dessa empresas.
Gráfico 4. Naturalidade dos docentes
d
entrevistados.
12
Naturalidade dos docentes
Timóteo
Cel. Fabriciano
25%
45%
Outros
30%
2.2. Percepção dos educadores sobre a temática Afro Brasileira
A região do Vale do Aço onde situa as cidades de Timóteo e Coronel Fabriciano a
incidência de afrodescendentes é significativa pois, para essa região migraram muitos
trabalhadores da zona rural em busca de trabalho nas empresas USIMINAS e APERAM
e as mesmas careciam de mão de obra necessariamente operacional e na história
brasileira esses trabalhos foram executados por negrose negras. Nas
as escolas pesquisadas
pesquisa
conforme relato dos docentes 70% dos alunos e alunas são afro descendentes
descendent apenas um
educador disse não saber o referido dado .
As questões relacionadas a percepção dos pesquisados sobre a temática afroafro
brasileira,todos
todos os educadores consideram de suma importância ações afirmativas na
escola e a lei 10639 é muito importante,
importante para a concretização no currículo a Temática
Afro-brasileira. dos
os entrevistados 81% tem conhecimento da lei e 19% não sabe.
Gráfico5.. Conhecem as leis 10639 e 11645
13
Dos docentes pesquisados conhecem as leis 10639 e 11645
19%
Sim
81%
Não
Para Candau,2008 o currículo escolar é em outras palavras o coração da escola,
escola o
espaçoo central em que todos atuamos , o que nos torna, nos difere
diferentes níveis do
processo educacional ,responsáveis por sua elaboração.
Embora saibamos que seja difícil uma escola igual para todos , é necessário que seja
possível à construção de um currículo escolar que reconheça,
reconheça que os alunos são
diferentes, que trazem consigo arquétipos de uma cultura africana abrasileirada e
diversa e que repense o currículo escolar, a partir da realidade existente dentro de um
lógica de igualdade
de e de direitos sociais. Assim podemos deduzir que a exclusão escolar
não está relacionada somente com o fator econômico, ou seja por ser um aluno ou aluna
pobre, mas também pela sua origem étnico-racial.
étnico
2.3. A Temática Afro-Brasileira
Brasileira no Currículo Escolar
Escol
Neste século, estamos diante de questões paradoxais, a intolerância vem gerando
uma série de infortúnios, mas ao mesmo tempo gerando reações, comoações
afirmativas,
e
o
processo
de
inclusão.
Os
ataques
às
religiões
de
matrizesafricanas, como por exemplo,
exemplo, o candomblé ocorre porque nas escolas que
é o berço ou a semente das futuras gerações, não têm em seus currículos
disciplinas que trabalhem com a diversidade cultural e ao mesmo hoje nosso aluno
e aluna são oriundos de crenças religiosas,
religiosas que combatem os arquétipos de nossa
cultura afro-brasileira.
Portanto a escola não pode se intimidar diante dessa dicotomia e sim se encorajar
e implementar em sua proposta curricular a temática afro-brasileira,
afro brasileira, senão
novamente a segregação estará instaurada
instaur
nos espaços da escola.
14
Visto que até comemorações da nossa cultura popular carecem de serem
batizadas com outros nomes senão a participação de nossos alunos e alunas é
insipiente por motivo das crenças religiosas que inviabilizam a participação dos
educandos.
Diante deste contexto o educador passa a teruma grande missão. Sobre esta questão
Candau (2002) destaca que :
A instituição escolar está construída sobre a afirmação da igualdade,
enfatizando a base cultural comum a que todos os cidadãos e cidadãs
deveriam ter acesso e colaborar na sua permanente construção.
Articularigualdade e diferença, a base cultural comum e expressões da
pluralidadesocial, constituem hoje um grande desafio para todos os
educadores
educadores.(CANDAU,
2002, p. 9).
Gráfico 6- Temática AfroAfro Brasileira no Currículo escolar
Como os docentes avaliam a inserção da temática Afro-brasileira
Afro brasileira
no Currículo Escolar
Importante
37,5
50%
Um pouco importante
12,5%
Muito importante
Conforme a resposta dos pesquisados 50% considera importante à inserção da temática
afro-brasileira
brasileira no currículo escolar, 37,5% considera importante e 12,5% pouco
importante, esses dados acredito ser uma amostragem do
do quanto ainda alguns
educadores não estão convencidos dessa temática no currículo escolar. O que remete
concluir que reflexões e discussões são necessárias,
necessárias para que os educadores tenham
compreensão da importância dessa abordagem na prática cotidiana
e habilidades
necessárias para que isso aconteça.
As
questões
étnico-raciais
raciais
significa
progredir
na
discussão
a
respeito
dasdesigualdades sociais, das diferenças raciais e outros níveis e no direito de ser
diferente, ampliando, assim, as propostas curriculares
curriculares do país, buscando uma
educação mais democrática.
3.O ENSINO AFRO-BRASILEIRO
BRASILEIRO
15
O ensino afro-brasileiro segundo posição de alguns teóricos sobre o referido
assunto e a necessidade da cultura afro brasileira no espaço escolar, ressaltando
as alterações atuais da Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB. O currículo
da escola deve propor uma abordagem em prol da formação e afirmação de
identidades abertas à pluralidade cultural, desafiadoras de preconceitos, numa
perspectiva de educação para a cidadania. O ensino é uma forma sistemática,
utilizada pelo homem para instruir seus semelhantes, em locais denominado
escola.
Para Libâneo (2002), o ensino pode ser dividido em três modalidades: o ensino
formal, o ensino informal e o ensino nãoformal.
O ensino formal é aquele praticado pelas instituições de ensino, com respaldo de
conteúdo, forma, certificação, profissionais de ensino. O ensino informal está
relacionado ao processo de socialização do homem. Ocorre durante toda a vida,
muitas vezes até mesmo de forma não intencional. O ensino não formal, por sua
vez, é intencional. Em
geral é aquele relacionado aos processos de
desenvolvimento de consciência política e relações sociais de poder entre os
cidadãos, praticadas por movimentos populares.
O ensino deve atender as necessidades culturais e sociais, pois a escola do século
XXI necessita organizar seu Projeto Político Pedagógico, na intenção de
desenvolver um currículo de forma integrada, flexível de maneira que os
conteúdos, mesmo que ainda organizados em disciplinas, ou não, sejam
abordados por temas nas mesmas. Por sua vez, deve-se mantê-las articuladas
com a intenção de que os saberes construídos pelas crianças venham a ajudá-los
na análise, interpretação, compreensão e problematização dos fatos e dos
fenômenos da realidade complexa em que vivem. Desse modo, o professor se vê
diante de diferentes desafios, entre os quais, o de encontrar o meio termo entre o
desafio à lógica disciplinar e a sistematização dos conteúdos.
A Lei nº 10.639/03, de 2003 que torna obrigatório o ensino da cultura afro brasileira
e africana , e sua complementação a Lei nº 11.645/08 que inclui a cultura indígena,
alterou a LDB e passou a exigir que as escolas brasileiras de ensino fundamental e
médio incluíssem no currículo o ensino da história e cultura afro brasileira e
indígena foi um importante passo para o fomento da pluralidade no espaço
escolar. Um dos aspectos positivos da Lei é o de ter aberto espaço para que o
16
negro e indígena, fossem incluídos nas propostas curriculares como sujeitos
históricos.
Nessa nova proposta educacional, com a implementação da Lei, será preciso rever
o saber escolar e também investir na formação do educador, possibilitando-lhe
uma formação teórica diferenciada da eurocêntrica.
Segundo Rocha (1994), Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso
próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e
sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é
a existência. Dessa forma, o currículo escolar até hoje visto, deverá ser revisado, e
a escola necessita mostrar aos alunos que existem outras culturas. Sendo assim a
escola terá o dever de dialogar com tais culturas e reconhecer o pluralismo cultural
brasileiro.
Para Munanga (2000), a identidade é para os indivíduos a fonte de sentidos e de
experiência. Toda identidade exige reconhecimento, caso contrário ela poderá
sofrer prejuízos se for vista de modo limitado ou depreciativo.
Para Hall (2006), no mundo moderno, as culturas nacionais em que nascemos se
constituem em uma das principais fontes de identidade cultural. Numa abordagem
antropológica, a identidade é uma construção que se faz com atributos culturais,
isto é, ela se caracteriza pelo conjunto de elementos culturais adquiridos pelo
indivíduo através da herança cultural. A identidade confere diferenças aos grupos
humanos. Ela se evidencia em termos da consciência da diferença e do contraste
do outro.
O cotidiano escolar está impregnado do mito da democracia racial, um dos
aspectos da cultura da classe dominante que a escola transmite, pois representa
as classes privilegiadas e não a totalidade da população, embora haja
contradições no interior da escola que possibilitam problematizar essa cultura
hegemônica, não desprezando as diversidades culturais trazidas pelos alunos.
Assim,
apesar
da escola inculcar
o saber
dominante,
essa educação
problematizadora poderia e pode tornar mais evidente a cultura popular no interior
escolar.
A proposta de uma educação voltada para a diversidade coloca a todos
nós,educadores, o grande desafio de estarmos atentos às diferenças econômicas,
sociais e raciais e de buscar o domínio de um saber crítico que permita interpretálas.
17
Nesta proposta educacional, será preciso rever o saber escolar e também investir
na formação do educador, possibilitando-lhe uma formação teórica diferenciada da
eurocêntrica.
E o ponto de partida é repensar as práticas pedagógicas e curriculares,levando em
consideração a pluralidade cultural. Nesse sentido ressalta Candau (2002):
A inclusão do tema pluralidade cultural no processo educacional procura
favorecer a mudança de mentalidades, superar o preconceito e combater
atitudes discriminatórias. Estas são as finalidades que envolvem lidar com
valores de reconhecimento e respeito mútuo, o que é tarefa da sociedade
como um todo. Nesse processo se afirma que a escola tem um papel
central no combate à discriminação, na divulgação das contribuições das
diferentes culturas e na eliminação dos conceitos preconceituosos a
respeito dos grupos e povos que conformam o Brasil (CANDAU, 2002, p.
138).
Embora seja um desafio uma escola igualitária, é possível a construção de uma
escola que reconheça que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura
diversa e que repense o currículo, a partir da realidade existente dentro de uma
lógica de igualdade e de direitos sociais. Assim, pode-se perceber que a exclusão
escolar não está relacionada somente com o fator econômico e social, como
também relacionada à sua origem étnica. Contudo enfatiza Laraia (2000):
Cada sistema cultural está sempre em mudança.
Entender está dinâmica é importante para atenuar
o choque entre as gerações e evitar
comportamentos preconceituosos. Da mesma
forma que é fundamental para a humanidade a
compreensão das diferenças entre povos de
culturas diferentes, é necessário saber entender
as diferenças que ocorrem dentro do mesmo
sistema. Este é o único procedimento que prepara
o homem para enfrentar serenamente este
constante e admirável mundo novo do porvir
(LARAIA, 2000.p.105).
Nesta perspectiva é intrigante e preocupante que até meados do século XX a
África era vista nas escolas como país e não como um continente. Hoje, é possível
perceber uma historiografia e antropologia sobre a África diferente, porém ainda
carente, precisando ser levadas a sério e principalmente para dentro da escola,
reconhecidas e tratadas de maneira crítica, abrindo possibilidades para que os
preconceitos passem a ser questionados e o espaço escolar passe a ser um local
de conhecer a história e raízes culturais.
18
Anexo:QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO DA APLICABILIDADE NO
CURRÍCULO DA ESCOLA A CULTURA AFRO BRASILEIRA.
Público Alvo: Educadores e Educadoras das Escolas Estaduais: Tancredo de Almeida
Neves- Coronel Fabriciano e "Capitão Egídio de Lima" – Timóteo/MG
Este questionário faz parte do projeto de pesquisa da aluna do Curso de Especialização
em Gestão de Políticas Públicas com Ênfase Gênero e Raça Etnia da UFOP, Maria
Luíza Flor Pereira. Convido você a responder algumas questões para ajudar neste
trabalho. Obrigada pela colaboração! Seu nome não será divulgado.
Escola: ________________________________________________________________
Ano(s)
de
escolaridade
em
que
está
lecionando
neste
ano
(2012):____________________________outra função:___________________
I - DADOS PESSOAIS:
1) Sexo: a - () masculino b - () feminino
2) Idade: a - () 18 a 25 anos; b - () 26 a 40 anos; c - () 41 a 50 anos; d - () Acima de 51
anos.
3) Cor a- () Negra () Parda () Branca () Amarela
4) Grau de Escolaridade: a - () Ensino Médio completo; b - () Curso superior
incompleto; c - () Curso superior completo; d - () Pós- graduado; e - () Outro:
____________________.
5) Naturalidade: a-() Timóteo b) () Coronel Fabriciano
c) () Outra cidade:
II - INFORMAÇÕES RELACIONADAS À APLICABILIDADE DA CULTURA
AFRO-BRASILEIRA NO CURRÍCULO DA ESCOLA
6) Na escola onde trabalha qual a porcentagem de afrodescendentes alunos e alunas?
() 20% () 30% () 40% () 50% () 60% ()70% () acima de 80%
() Não sabe
7) Todos (as) os trabalhadores (as) da escola onde trabalha conhecem a leis 10639 e
11645que tratam da implantação e implementação da Cultura Afro Brasileira e
Indígena nas unidades de ensino do Brasil.
Sim ( ) Não ( )
8) em caso afirmativo: Qual a sua avaliação sobre as leis 10639 e 11645
a - ( ) Importante; b - ( ) Um pouco importante; c - ( ) Muito importante;
d - ( ) Não é importante; e - ( ) Indiferente.
19
9) Como você avalia o seu grau de interesse em relação às questões sobre Gênero e
raça na escola?
a- () Muito bom; b - () Pouco; c – () Mais ou menos; d – () Indiferente.
10). Um Projeto com a abordagem Cultura Afro Brasileira implantado na escola onde
trabalha. Você.
( ) Executa porque é uma proposta da Gestão Escolar.
( ) Se envolve porque tem consciência da sua importância.
( ) Executa porque todo mundo faz.
( ) Se sente obrigada a executar, porém que não acredita.].
( ) Não vê importância nisso.
( ) Mais uma lei para ser cumprida
11) Frente à problemática da discriminação e preconceito qual(is) dentre os
comportamentos abaixo, você adotaria?
a - ( ) Indiferença;
b- ( ) Procuraria promover um debate entre os envolvidos, para sensibilizar quanto o
respeito ao ser humano.
c - ( ) Teria uma postura como se nada estivesse acontecendo, não é problema meu.
d- () Procuraria problematizar a questão entre o coletivo da escola e a partir daí
implantar projetos que focassem a discriminação e o preconceito.
f- ( ) Não estou disposto a nenhuma delas;
g – ( ) Outro (s): ____________________________
12) Nesse ano você já abordou o tema: Cultura Afro Brasileira na sala de aula?
( ) Sim
( ) Não
Se a resposta for afirmativa. O que? ___________________________________
Por quê?___________________________________________________________
13) Na escola onde trabalha são viabilizadas ações onde a cultura e a arte afro –
brasileira tornam-se eixos no currículo formal? ( ) Sim ( ) Não
Em caso afirmativo: O que? __________________________________
De que maneira acontece? ____________________________________
______________________________________________________________________
20
14) Você considera que um projeto que prioriza a discussão focada nas questões de
afro-brasileira tem impactos positivos na qualidade de vida da comunidade:
a - ( ) às vezes traz impactos positivos, b - ( ) traz impacto positivos; c - ( ) Não
15) Você como educador(a) e a escola onde atua desenvolvem um projeto
sistemático focado na Cultura Afro Brasileira?
( ) Sim; ( ) Não;
Se a resposta acima foi afirmativa, quais são esses programas?
a - ( ) Projetos na semana da Consciência Negra
b – ( ) Campanhas de sensibilização de forma contínua;
c - ( ) O tema afro-brasileiro está contextualizado na Proposta Pedagógica;
d - ( ) Projetos interdisciplinares durante o período letivo;
e – ( ) Na escola existe uma cultura voltada para o tema.
f - ( ) Não há programas na escola;
g - ( ) Apesar de a escola não contemplar programas sistemáticos focados na Cultura
Afro Brasileira, trabalho a questão cotidianamente e busco sensibilizar os demais
colegas para a mudança no tratamento do tema.
Agradeço a sua participação.
21
Referências
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Cultura Afro brasileira no Espaço Escolar
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BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
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Sarug,
Acho que a ficha caiu ontem do era o TCC, estou escrevendoe estudando grudada
no computador desde ontem e hoje e ainda não acabei, mas termino essa
madrugada, como não sei os riscos de não postar estou colocando do jeito que está
e encaminho até ás 6 da manhã via email ele completinho.
Espero que esteja indo no caminho certinho.
Abraços
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Maria Luiza Pereira