UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUÁRIO
A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA:
a prática profissional em questão
RECIFE
2008
SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUÁRIO
A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA:
a prática profissional em questão
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
apresentado ao Curso de Biblioteconomia do
Departamento de Ciência da Informação da
Universidade Federal de Pernambuco, como
exigência parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Biblioteconomia.
Orientador: Prof. Dr. Fábio Mascarenhas e
Silva
RECIFE
2008
Dedico a Deus, meus pais e minha irmã.
Agradecimentos
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus pela saúde, oportunidades, tristezas e alegrias e pela benção
de ter escolhido Ary e Vera para serem os meus pais nesta encarnação, pois se
outras vidas eu tiver e puder escolher, eles serão os meus eleitos.
A Soraya, minha irmã que tanto amo, admiro e sinto falta e Sávio, meu cachorro,
companheiro e amigo, presente de Deus.
Aos Bernardinos, Barretos e Januários, meu orgulho, minha família.
A Danielle Freire e Renata Perazzo, minhas amigas - irmãs e por terem sido, como
meu pai diz, as únicas a não abandonarem o barco no momento mais delicado da
minha vida.
A Davi, por tudo que o nosso amor foi capaz de vencer e pelo que você representa
na minha história.
A Nathália Sena pela amizade, companheirismo, lágrimas, sorrisos e “roubadas” e
pelos momentos inesquecíveis que vivemos juntas nesses últimos anos!
Aos professores Fábio Mascarenhas, meu orientador e amigo, pelas palavras,
conversas, risadas, ensinamentos, incentivo e confiança; Marcos Galindo, pela
semente plantada e colocada à luz do sol, você é muito importante pra mim ; Suzana
Schimit pela competência, compromisso e didática, meu sincero respeito e
admiração ; Waldomiro Vergueiro, pelo apoio, indicações de literatura e de
profissionais, carinho e atenção ; Aldo Barreto, por ter sido tão prestativo,
interessado e atencioso com minha pesquisa ; Eliany Alvarenga pela atenção,
carinho e pela imensa contribuição com este estudo.
Agradecimentos
À Biblioteca do Tribunal de Justiça de Pernambuco, em especial à Fátima
Vasconcelos, Laís Laureano e Roseane Canejo, minhas mestras profissionais.
A Juliana Guimarães do Lima & Falcão Advogados, pela atenção, confiança,
respeito e amizade.
A Rose Oliveira, Rezilda Rodrigues e Carmem Fonseca da Sociedade Brasileira de
Gestão
do
Conhecimento
(SBGC),
regionais
São
Paulo
e
Pernambuco,
respectivamente.
Às colaboradoras especiais deste trabalho, Elisabete Neves, Eliany Alvarenga,
Danielle Ferreira, Todeska Badke e Michely Vogel, que além de participarem deste
estudo me fizeram admirar ainda mais, através de suas idéias e pontos de vista, a
vertente humana desta profissão sob o prisma da gestão do conhecimento, muito
obrigada de coração!
“Podemos ser conhecedores com o conhecimento
dos outros, mas não podemos ser sábios com a
sabedoria dos outros”.
Michael Montaigne
Resumo
RESUMO
Apresenta os conceitos e temas relacionados à Gestão do Conhecimento (GC) a
partir da ótica da Ciência da Informação focando a prática profissional bibliotecária.
Analisa a inserção dos bibliotecários no ambiente da GC, apontando a importância
do profissional da informação redefinir seus objetivos, possuir uma nova postura,
desenvolver determinadas habilidades e competências pessoais e profissionais
exigidas pela GC e investir em sua educação continuada. Demonstra ainda pontos
de vistas de bibliotecários que atuam e/ou estudam este tema, contextualizando a
participação do bibliotecário em práticas de GC.
Palavras-chave: Gestão do Conhecimento – Profissional da Informação –
Bibliotecário – Sociedade do Conhecimento – Habilidade e Competência.
Abstract
ABSTRACT
Explains the concepts and issues related to the Knowledge Management (KM) under
Information Science`s aspect, through professional Information Science`s practice. It
analyzes the librarian’s penetration in the KM environment, pointing the importance
of the information professional in redefining their goals, developing a new attitude
and some professional and personal skills and competences required by KM and
also investing in their continuing education. It also shows the point of view of
librarians who serve and/or study this issue, explaining the participation of the
librarian in KM practices.
Keywords: Knowledge Management - Professional Information – Librarian –
Knowledge Society - Skill and Competence.
Lista de Siglas
LISTA DE SIGLAS
BNDES
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
CBO
Classificação Brasileira de Ocupações
CEFET PE
Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco
CESPE
Centro de Seleção e Promoção de Eventos
CHESF
Companhia Hidro Elétrica do São Francisco
CI
Ciência da Informação
COVEST
Comissão de Processos Seletivos e Treinamentos
ENANCIB
Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação
FCC
Fundação Carlos Chagas
FGV
Fundação Getúlio Vargas
GC
Gestão do Conhecimento
GED
Gerenciamento Eletrônico de Documentos
IPAD
Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico e Científico
MTE
Ministério do Trabalho e Emprego
PETROBRÁS
Petróleo Brasileiro S.A
PI
Profissional da Informação
SLA
Special Libraries Association
SNBU
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
UFPE
Universidade Federal de Pernambuco
TI
Tecnologia da Informação
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO
11
2
OBJETIVOS
13
2.1
Objetivo Geral
13
2.2
Objetivos Específicos
13
3
JUSTIFICATIVA
14
4
METODOLOGIA
15
5
GESTÃO DO CONHECIMENTO
16
5.1
Histórico
18
5.2
Conceitos Fundamentais para a Gestão do Conhecimento
19
5.2.1
Dado, Informação e Conhecimento
19
5.2.2
Ativos Intangíveis
21
5.3
Tipos de Conhecimentos
23
5.3.1
A Teoria da Conversão do Conhecimento
24
5.4
A Tecnologia da Informação para a Gestão do Conhecimento
26
5.5
Perfil do Profissional da Gestão do Conhecimento
27
6
A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA:
30
PARTICULARIDADES E SEMELHANÇAS
6.1
Perfil do profissional bibliotecário na gestão do conhecimento:
30
habilidades e competências
6.2
A atuação do bibliotecário como gestor do conhecimento: da
35
teoria à prática
6.3
Os concursos públicos para bibliotecários e a gestão do
47
conhecimento
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS
50
7.1
Recomendações e sugestões de pesquisa
52
REFERÊNCIAS
54
APÊNDICE A - Questionário
60
APÊNDICE B - Apresentação e Respostas das Entrevistadas
61
Introdução
1
11
INTRODUÇÃO
O cotidiano das organizações bem como da nossa vida pessoal é organizado
e fundamentado nas informações e conhecimentos que possuímos. É a partir
dessas informações e conhecimentos que podemos tomar decisões simples ou
complexas.
Na esfera empresarial as informações estão sendo cada vez mais
reconhecidas como “produto de valor lucrativo”, pois a informação possibilita a
formação de conhecimentos que agregam eficácia no planejamento estratégico das
ações, na tomada de decisões, na geração de novos produtos e serviços.
Considerando a globalização e as novas tecnologias de comunicação, a
oferta e o acesso constante às novas informações vêm tornando-se não apenas um
benefício, mas também um aspecto negativo para as empresas. O excesso de
informação gera, na maioria das vezes, perda de tempo e de foco estratégico.
Neste sentido, Bem (2005, p.9) observa que a oferta excessiva de informação
é um problema, uma vez que o seu tratamento e organização é um processo difícil
para as empresas. A autora afirma ainda que se faz necessário a existência de
profissionais, métodos e técnicas que auxiliem as empresas a encontrarem o que
precisam dentro ou fora da organização, bem como pessoas capazes de filtrar estas
informações tornando-as disponíveis.
Como ferramenta facilitadora neste processo de filtragem, gerenciamento e
contextualização, a Gestão do Conhecimento (GC) habilita as organizações a
identificarem o conhecimento que circula nos seus departamentos, setores (o
conhecimento tácito) explicitando-o àqueles que o necessitam ou o desejam para
uso de maneira estratégica.
Para Silva (2002, p.13), através das práticas de GC as empresas podem
identificar
o
conhecimento,
as
experiências
e
os
talentos
das
pessoas
disponibilizando-os por meio de banco de dados, portais do conhecimento, entre
outros meios de registro e disseminação.
Quando uma empresa decide utilizar práticas de GC, ela passa a aproveitar
melhor seus próprios recursos, sem necessitar terceirizar determinados serviços,
reaproveitando tudo que pode ser compartilhado. Porém, para um resultado
Introdução
12
satisfatório destes processos, a figura do gerente ou gestor do conhecimento é
fundamental.
Diante do exposto, podemos caracterizar brevemente este profissional como
alguém que precisa: estar sempre bem informado e atualizado (para lidar com
informações e conhecimentos); relacionar-se bem com pessoas (visando gerenciar o
conhecimento
internalizado
para
externalizá-lo,
para
tanto
terá
que
ser
comunicativo); ser organizado (para lidar simultaneamente com grandes volumes de
informações e conhecimentos); lidar bem com tecnologia (para gerenciar diversos
suportes de informação e conhecimento facilitando o acesso aos mesmos). Além
das citadas, outras características pessoais e profissionais serão estudadas no
decorrer deste trabalho.
Considerando o que foi dito, acreditamos que o profissional da informação
bibliotecário, cuja matéria prima de sua profissão é a informação, se enquadrará
neste perfil apresentado se desenvolver habilidades e competências específicas
para atuar como gestor do conhecimento. Tais habilidades e competências serão
discutidas no decorrer desta pesquisa.
Por fim, ressalta-se que serão demonstrados neste estudo, conceitos
relacionados à vertente teórica da GC que são aceitos pela Ciência da Informação
(CI), bem como discussões sobre aspectos comuns entre a Biblioteconomia e a GC
através do perfil pessoal e profissional de seus profissionais e do ponto de vista de
bibliotecários que atuam e/ou estudam práticas de GC.
Objetivos
2
13
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Discutir
os
conceitos
relacionados
à
Gestão
do
Conhecimento,
demonstrando-o como um novo conjunto de procedimentos na atuação do
profissional da informação bibliotecário e apresentar potenciais oportunidades de
aplicação das ferramentas de Gestão do Conhecimento na atividade profissional
bibliotecária.
Objetivos Específicos
◘ Discutir os principais conceitos relacionados à Gestão do Conhecimento a
partir do referencial teórico adotado pela Ciência da Informação, colaborando
assim com o enriquecimento do tema;
◘ apresentar as atividades, habilidades e competências comuns à Gestão do
Conhecimento, relacionando-as com a atuação profissional bibliotecária,
demonstrando oportunidades de aplicação;
◘ analisar opiniões de profissionais bibliotecários que estudam e/ou atuam no
desenvolvimento de práticas de Gestão do Conhecimento no intuito de
justificar a relevância do tema proposto neste trabalho.
Justificativa
3
14
JUSTIFICATIVA
Dentre as razões que motivaram nosso interesse para estudarmos o tema GC
na área da CI está o fato do profissional bibliotecário possuir características
pessoais e profissionais favoráveis ao desenvolvimento de práticas de GC. O
bibliotecário possui formação compatível para desenvolver e executar práticas de
GC seja em unidades de informação tradicionais – bibliotecas, arquivos, centro de
documentação - ou em áreas estratégicas de uma organização como departamentos
de
tecnologia
da
informação,
desenvolvimento
de
projetos,
planejamento
estratégico, entre outros, ou ainda atuando como consultor organizacional.
Porém, é necessário que o bibliotecário reformule conceitos, idéias e atitudes
pessoais e profissionais, desenvolvendo uma postura pró-ativa, dinâmica e criativa
voltada a suprir às necessidades informacionais e corresponder aos objetivos da
instituição em que atua, adaptando-se às transformações ocorridas na Sociedade do
Conhecimento.
Assim, consideramos que este trabalho pode contribuir com a ampliação das
atividades
profissionais
desenvolvidas
por
bibliotecários
em
organizações,
oferecendo indicações de práticas de GC que podem ser úteis para àqueles que
desejam atuar como gestores do conhecimento, participando efetivamente das
tomadas de decisões organizacionais e obtendo maior reconhecimento profissional.
Metodologia
4
15
METODOLOGIA
Para executarmos este estudo, realizamos uma revisão de literatura sobre os
principais conceitos, autores (nacionais e internacionais) e demais assuntos
relacionados à GC, principalmente nas áreas da Ciência Administrativa e da CI.
Foram analisados artigos científicos, anais de congressos, capítulos de livros,
matérias de jornais, sites, apresentações em eventos, monografias, dissertações e
teses. As teses e dissertações consultadas foram da área de CI, Administração e
Engenharia de Produção.
Quanto à pesquisa sobre as atividades profissionais dos bibliotecários em
práticas de GC, selecionamos as entrevistadas a partir da leitura de trabalhos das
mesmas que foram publicados em periódicos, capítulos de livros e anais de
congressos. Identificamos o e-mail das autoras (em alguns casos foi necessário
conferirmos com o e-mail informado no Currículo Lattes) e entramos em contato com
aquelas cujos textos estavam estreitamente relacionados ao objetivo deste trabalho.
Aplicamos um questionário (apêndice A) enviado por e-mail e posteriormente
foi feita uma análise e comparação das respostas das entrevistadas relacionando-as
com os conceitos sobre GC encontrados na revisão de literatura.
Gestão do Conhecimento
5
16
GESTÃO DO CONHECIMENTO
A informação e o conhecimento sempre foram elementos importantes no
cotidiano de todas as sociedades vividas (agrícola, industrial, globalizada). É
provável apenas que nunca tenhamos avaliado o quanto sempre valorizamos estes
elementos em nossas vidas. Na cultura indígena, os índios transmitiam seus
conhecimentos e experiências sociais às suas tribos através daqueles que detinham
a sabedoria do grupo, como por exemplo, os pajés. Estes transmitiam (geralmente
de forma oral), conhecimentos e experiências relevantes para sua comunidade.
Assim, tal conhecimento foi e continua sendo transmitido e compartilhado de
geração a geração até os dias atuais, visando sempre o interesse coletivo.
Durante as pesquisas sobre a pré-história, pesquisadores se preocuparam em
entender, através das pinturas rupestres, o que as informações contidas nas
cavernas queriam dizer. Buscou-se interpretar o que os homens daquela época
queriam informar através dos registros pictográficos e a partir do entendimento do
significado destes registros, diversos fatos históricos relevantes para a história da
humanidade foram descobertos.
Atualmente, dentro de outro contexto – o globalizado - a Sociedade da
Informação e do Conhecimento valoriza o conhecimento internalizado na mente das
pessoas como forma de agregar valor às organizações, lucro e diferencial
competitivo. O estudo de como administrar este conhecimento de forma estratégica
é denominado de GC.
Segundo Hommerding (2002, p.4), a GC pode ser definida como um conjunto
integrado de ações que visa a identificar, capturar, gerenciar e compartilhar todo o
ativo de informações de uma organização. Essas informações podem estar sob a
forma de banco de dados, documentos impressos e, principalmente, nas pessoas
através de suas experiências, habilidades, relações pessoais e fundamentalmente
de suas vivências.
Já para Figueiredo (2005, p.4) a GC é um estilo de gestão e liderança
coerente baseado e preocupado com a valorização e os cuidados com o saber e
seus detentores, com a aprendizagem, a produção, aplicação e proteção dos
conhecimentos. No que concerne especificamente às organizações, Chiavenato
(2000, p.681) define a GC como um processo integrado destinado a criar, organizar,
Gestão do Conhecimento
17
disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da
organização. Complementando a idéia de Chiavenato, Fleury e Oliveira Jr. (2001,
p.144) definem a GC como um processo que visa identificar, desenvolver,
disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa.
A GC é uma ferramenta que cria meios para a superação das dificuldades
organizacionais, como transportar, transferir, comercializar ou armazenar o
conhecimento. O conhecimento precisa, ainda, estar no local e no tempo certo e a
sua disseminação precisa contribuir para elevar a produtividade da organização em
decorrência da otimização dos seus processos (SILVA FILHO; SILVA, 2005, p. 30).
A GC é um tipo de gestão que envolve compreensão, estímulo e empatia com os
processos humanos básicos de criação e aprendizado individual e coletivo (TERRA,
2001, p.237).
De forma geral, a GC é uma ferramenta estratégica utilizada pelas empresas
para criar, identificar, coletar, organizar, disponibilizar e compartilhar o conhecimento
relevante para os objetivos organizacionais. Faz-se necessário assim a inserção de
profissionais aptos, com habilidades e competências pessoais e profissionais
específicas para gerenciar este ciclo que auxilia, entre outros aspectos, nas tomadas
de decisões e na geração e/ou qualificação de produtos e serviços. Tais habilidades
e competências serão exploradas na seção 6.
Gestão do Conhecimento
5.1
18
Histórico
Por volta da década de 1960, Peter Drucker, um dos mais importantes
teóricos da Ciência Administrativa, afirmou que a sociedade industrial do pós-guerra
estava evoluindo e transformando-se numa sociedade de serviços e logo em
seguida se transformaria numa sociedade da informação (NONAKA; TAKEUSHI,
1997, p.50). Paralelo a nova sociedade que estava por vir, as tecnologias de
comunicação e informação, advindas da Segunda Guerra Mundial, desenvolviam-se
rapidamente e com elas surgiam facilidades operacionais, contudo muitos problemas
também.
Com a popularização da internet nos anos 90, muitas empresas começaram a
sofrer com o excesso de informações, pois as mesmas dedicavam esforços para
filtrar o que era, de fato, relevante aos seus objetivos. Nesse contexto surgem os
princípios e fundamentos da GC que tiveram como principais ambientes de estudos
e debates, o Japão e os Estados Unidos. Segundo Prax (2004), esperava-se que a
GC solucionasse os problemas de fluxo excessivo de informações e otimizasse os
processos através da reutilização das melhores práticas operacionais. Ainda de
acordo com o citado autor, com o passar do tempo as pessoas descobriram que
armazenar os dados isolados, resultantes do excesso de informação, não tinha
valor, pois tais dados precisavam ser contextualizados, dotados de significados e
que a contextualização se realizava na mente das pessoas, através de suas
experiências de vida, habilidades, qualificações e compartilhamento. Assim, o
estudo e a prática da GC ganharam força e adeptos em todo o mundo
No Brasil, o estudo e aplicação da GC é algo relativamente novo, mas que já
conquistou um importante espaço no cenário empresarial. Na pesquisa realizada
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2003 com as 500 maiores empresas
brasileiras, identificou-se que 81% dos executivos entrevistados acreditavam na
importância da utilização de práticas de GC nas organizações. 15% das empresas
entrevistadas possuíam sistemas de GC implantados e outros 34% estavam em
processo de criação. A pesquisa constatou ainda que 50% das empresas acreditam
que o maior ganho da GC é a transferência do conhecimento para toda a empresa e
15% acredita que o maior objetivo é a redução no tempo das decisões (LAPA,
2003).
Gestão do Conhecimento
19
Em 2004, uma comissão de 20 executivos brasileiros (liderados por José C.
Terra da TerraFórum Consultores) foi à França para discutir e apresentar
experiências bem sucedidas de práticas de GC no país. Dentre as empresas
representadas estavam a Petróleo Brasileiro S.A (PETROBRÁS), o Banco Bradesco,
a Sadia e o Credicard (O ESTADO, 2004, p.6).
Os estudos e as práticas de GC tornaram-se consistentes adquirindo
credibilidade nos diversos segmentos sociais, sejam eles acadêmicos e/ou
empresariais.
5.2
Conceitos Fundamentais para a Gestão do Conhecimento
Nesta seção discutiremos conceitos de objetos que são fundamentais para a
compreensão da GC, são eles: dado, informação e conhecimento.
5.2.1 Dado, Informação e Conhecimento
A premissa para o estudo da GC está no discernimento e entendimento do
que é dado, informação e conhecimento. “Um dos maiores desafios das
organizações atualmente é a seleção e organização dos dados e informações que
serão úteis no processo de criação e difusão do conhecimento”. (SCHUSTER;
SILVA FILHO, 2005, p.19).
É importante salientar que os principais teóricos do tema, no âmbito da GC,
ainda são da Ciência Administrativa e que na CI os autores exploram principalmente
os conceitos de informação e de conhecimento. Dado é o termo menos debatido,
acreditamos que tal fato seja, entre outros aspectos, devido à informação ser
considerada o objeto de estudo da CI e o conhecimento o fruto resultante da
informação. Porém, acreditamos que o dado é um conceito importante no estudo da
GC e merece ser mais estudado e explorado pela CI, pois acreditamos que o dado
seja a origem da informação, logo,
sem dados não há informação e
conseqüentemente, sem informação não haverá conhecimento.
Le Coadic (2004, p.4) conceitua a informação como um conhecimento inscrito
(registrado) em forma escrita (impressa ou digital), oral ou audiovisual, em um
suporte. O autor afirma ainda que a informação comporta um elemento de sentido,
um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita
Gestão do Conhecimento
20
em um suporte espacial-temporal : impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Quanto
ao conhecimento, Le Coadic afirma ser este o resultado do ato de conhecer, ato pelo
qual o espírito apreende um objeto. Para ele, conhecer é ser capaz de formar a idéia
de alguma coisa, é tê-la presente no espírito e isso pode ir da simples identificação
(conhecimento comum) à compreensão exata e completa dos objetos (conhecimento
científico).
Por outro lado, Barreto (2002a, p.18) define a informação como “uma
estrutura simbolicamente significante com a competência e intenção de gerar
conhecimento no indivíduo, em seu grupo e na sociedade”. Ainda sobre a
informação, Barreto afirma entendê-la como um instrumento modificador da
consciência do indivíduo e de seu grupo social, pois sintoniza o homem com a
memória do seu passado e com as perspectivas de seu futuro. Já o conhecimento,
segundo o autor, é o destino da informação e é organizado em estruturas mentais
por meio das quais um sujeito assimila a “coisa” informação (BARRETO, 2002b,
p.19). Para o autor, a condição “informação” passou a priorizar a geração de
conhecimento no indivíduo partindo da informação. Neste sentido, Barreto (2002a,
p.69.) afirma que
Conhecer é um ato de interpretação individual, uma apropriação do objeto
informação pelas estruturas mentais de cada sujeito. Estruturas mentais
não são pré-formatadas, no sentido de serem programadas pelos genes.
As estruturas mentais são construídas pelo sujeito sensível, que percebe o
meio. A geração de conhecimento é uma reconstrução das estruturas
mentais dos indivíduos realizado através de suas competências cognitivas,
ou seja, é uma modificação em seu estoque mental acumulado, resultante
de uma interação com uma forma de informação. Esta reconstrução pode
alterar o estado de conhecimento do indivíduo, ou porque aumenta seu
estoque de saber acumulado, ou porque sedimenta o saber já estocado, ou
porque reformula um saber anteriormente estocado.
Os autores norte-americanos Thomas H. Davenport e Laurence Pruzak são
bastante citados nos estudos relacionados à GC, tanto na Ciência Administrativa
como na CI. Para eles, dado, informação e conhecimento são coisas distintas e as
organizações necessitam discernir estes conceitos para garantir a eficácia do
processo de aprendizagem na GC (DAVENPORT ; PRUZAK, 1998, p.2).
Gestão do Conhecimento
21
Davenport e Pruzak (1998, p.2) entendem que os dados formam um:
[...] conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos e que, eles,
por si só, tem pouca relevância ou propósito. Porém, os dados são
importantes para as organizações porque são a matéria-prima essencial
para a criação da informação e somente tornam-se informação quando o
seu criador lhes acrescenta significado.
Quanto à informação, os autores a destacam como dados que fazem a
diferença cuja finalidade é mudar a percepção do receptor da informação sobre algo,
proporcionando mudanças no seu julgamento e comportamento. Já o conhecimento
é definido pelos autores como uma mistura fluida de experiência condensada,
valores, informação contextual, a qual proporciona uma estrutura para avaliação e
incorporação de novas experiências e informações. Os autores afirmam ainda que o
conhecimento origina-se e aplica-se apenas na mente dos conhecedores. Nas
organizações ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios,
mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.
5.2.2 Ativos Intangíveis
Os ativos intangíveis podem ser definidos como os recursos (conhecimentos,
tecnologias, recursos humanos) empregados pela empresa em seu processo
produtivo, sendo sua correta aplicação geradora de resultados na forma de produtos
(tangíveis e/ou intangíveis). Apesar disso, os ativos intangíveis externos seriam o
resultado percebido pelo cliente no produto e/ou serviço ofertado, sendo esta uma
avaliação perceptível subjetiva (DIAS JR; POSSAMAI, 2004, p. 7).
Corroborando com Dias Jr. e Possamai, Hommerding (2001, p.100.) afirma
que todos os ativos e estruturas, sejam eles tangíveis ou intangíveis, são resultantes
da atividade humana. Os resultados das ações das pessoas, com o objetivo de
serem apresentados ao mundo, podem ser tangíveis (cultivar jardins, um carro novo,
etc.) ou intangíveis (idéias, relacionamentos com outras pessoas, etc.).
Além do conhecimento em si, as habilidades, as competências, a cultura, os
valores são alguns dos ativos intangíveis que fazem parte dos processos de GC.
Estes ativos são fundamentais nas práticas gerenciais e são inerentes,
organizacionalmente, aos seres humanos. Na figura 1, Moura (2000) apresenta três
Gestão do Conhecimento
22
ativos intangíveis da GC e como cada um atua independentemente nas
organizações.
ƒ Esforços em Melhorias
ƒ Modelos, Conceitos e
Processos
ƒ Cultura e Valores
ƒ Sistemas de
Gerenciamento
ƒ Sistemas de Suporte
em Geral
ƒ Sistemas de
Gerenciamento da
Informação
Estrutura
Interna
Estrutura
Externa
Competências
Individuais e
Coletivas
ƒ Competências e
Habilidades
ƒ Atitudes
ƒ Experiência
ƒ Conversão de
Conhecimento Tácito
em Conhecimento
Explícito.
ƒ Aprendizagem com
outras pessoas e clientes
ƒ Compartilhamento
ƒ Sociabilização e
Coletivização.
ƒ Esforços direcionados
e Relacionamento com
clientes
ƒ Reputação construída
(imagem)
ƒ Aliança com Clientes e
Fornecedores:
¾ Compartilhamento
de informações
¾ Novos conceitos
¾ Resolução
conjunta de
problemas
¾ Projetos
¾ Novos Produtos
Figura 1: Três Ativos Intangíveis para a Gestão do Conhecimento
Fonte: Moura (2000)
Como podemos observar na figura 1, para realizar as atividades relacionadas
aos três ativos intangíveis apresentados, faz-se necessário um profissional
capacitado para lidar com sistemas de informação, organização e disseminação de
informações, capacidade de lidar com pessoas, de trabalhar em equipe, etc. Assim,
vemos no profissional da informação bibliotecário possibilidades reais de
participação ativa nestes processos, porém o desenvolvimento de novas habilidades
e atitudes (pessoais e profissionais) é essencial para exercer um bom trabalho
enquanto gestor do conhecimento. O estudo detalhado destas competências e
habilidades do profissional bibliotecário enquanto gestor do conhecimento será
apresentado na seção 6.
Gestão do Conhecimento
5.3
23
Tipos de Conhecimento
Dentre os ativos intangíveis no contexto da GC o que mais se destaca é o
conhecimento, que é categorizado em tácito e explícito. O conhecimento tácito é
aquele contido na cabeça das pessoas e é relativo às experiências, valores, crenças
do indivíduo. Segundo Figueiredo (2005, p.48), o conhecimento tácito é criado e
compartilhado em torno das relações, das interações entre os humanos e o mundo à
sua volta. Ainda de acordo com o autor, o conhecimento tácito é construído através
de experiências práticas e de trocas espontâneas entre as pessoas, propiciadas e
proporcionadas pelo ambiente em que estão inseridas. Pela natureza do
conhecimento tácito, ele é um tipo de conhecimento difícil de ser estruturado e
administrado, pois é peculiar a cada pessoa, não há como ter controle total sobre os
mesmos, nem mesmo saber em que nível de quantidade e de qualidade ele existe.
Geri-lo é um dos principais desafios da GC visto que o conhecimento interno, do
capital intelectual da organização, é o foco e a essência da GC. Para um uso eficaz
desse conhecimento nas empresas é necessário, segundo Figueiredo (2005, p.52)
[...] mapear o conhecimento tácito relevante; identificar as melhores
maneiras para transferir o conhecimento tácito; examinar e eliminar os
inimigos do conhecimento tácito; escolher as melhores iniciativas
necessárias à conversão do conhecimento tácito em explícito; entre outras
ações.
Já o conhecimento explícito é aquele representado através de dados e
informações em variados suportes digitais ou analógicos. De acordo com Figueiredo
(2005, p.52), o conhecimento explícito é
O conhecimento resultante do conhecimento tácito. Pode ser a
materialização ou representação do conhecimento de alguém para que
seja transferido, transmitido, comunicado, visualizado, armazenado,
preservado, compreendido e assimilado por outros. O conhecimento
explícito é o resultado do conhecimento antes contido nas cabeças das
pessoas. Para que o conhecimento explícito seja gerado é necessário que
seu “dono” contribua no processo de explicitação do conhecimento e esteja
de acordo que este seja transferido a outro.
O conhecimento explícito é considerado como o estado mais nobre da
informação, pois é uma informação com propósito focalizado, com potencial de
agregar valor aos objetivos da organização. O conhecimento explícito é o resultado
Gestão do Conhecimento
24
de um conhecimento que já foi tácito e que voltará a ser quando for assimilado e
apreendido em novas mentes que poderão gerar novos conhecimentos explícitos.
Assim o ciclo nunca termina, é constante, inovador e reciclável. É importante
salientar que a explicitação do conhecimento é impossível sem a participação do
conhecedor, entretanto a participação de profissionais que facilitem este processo é
fundamental, daí a importância de um gestor, nesse contexto o gestor do
conhecimento, para mediar este processo organizacional.
Nonaka e Takeuchi (1997, p.67) afirmam que o conhecimento é criado por
meio da interação entre o conhecimento tácito e o explícito, assim os autores
criaram uma teoria denominada de teoria da conversão do conhecimento, que será
adiante explicada.
5.3.1 Teoria da Conversão do Conhecimento
A teoria da conversão do conhecimento, conforme pode ser observado na
figura 2, é composta por quatro modos diferentes: socialização, externalização,
combinação e internalização.
Conhecimento tácito em Conhecimento Explícito
Conhecimento
Tácito
Socialização
Externalização
Internalização
Combinação
do
Conhecimento
Explícito
Figura 2: Teoria da Conversão do Conhecimento
Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p.69)
Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, p.67), os modos de conversão do
conhecimento podem ser explicados da seguinte maneira:
Gestão do Conhecimento
25
◘ Socialização: conversão do conhecimento tácito em tácito
A socialização é um processo de compartilhamento de experiências. O
indivíduo adquire conhecimento a partir do conhecimento tácito dos outros, sem
utilizar a linguagem. Por exemplo, os aprendizes trabalham com seus mestres e
aprendem sua arte não através da linguagem, mas sim pela observação, imitação e
prática.
◘ Externalização: conversão do conhecimento tácito em explícito
A externalização é um processo de articulação do conhecimento tácito em
conceitos explícitos. A externalização cria o conhecimento à medida que o
conhecimento tácito se torna explícito expressado através de metáforas, analogias,
conceitos, hipóteses ou modelos. Neste modo de conversão, utilizamos a linguagem
para contextualizar o conhecimento tácito e a escrita é uma forma de conversão por
externalização.
◘ Combinação: conversão do conhecimento explícito em explícito
A combinação é um processo de sistematização de conceitos em um sistema
de conhecimento. Os indivíduos trocam e combinam conhecimentos através de
meios como documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação
computadorizadas.
◘ Internalização: conversão do conhecimento explícito em tácito
A internalização é o processo de incorporação do conhecimento explícito no
tácito. Para que o conhecimento explícito se torne tácito, é necessária a
verbalização e o registro do conhecimento sob forma de documentos, manuais ou
histórias orais. A documentação – através do registro do conhecimento e da leitura
do mesmo - ajuda os indivíduos a internalizarem suas experiências, aumentando
assim seu conhecimento tácito. Além disso, documentos facilitam a transferência do
conhecimento explícito para outras pessoas, ajudando-as a vivenciar indiretamente
a experiência dos outros (ou seja, “reexperimentá-las”).
Gestão do Conhecimento
26
É importante esclarecer as diferenças entre conhecimento tácito e
conhecimento explícito, visto que o princípio básico da GC é o compartilhamento do
conhecimento tácito do capital intelectual das organizações e a transformação deste
conhecimento em explícito por meio de documentos, base de dados, portais
corporativos, fóruns de discussão, entre outros, sempre voltados para os objetivos
da instituição. Assim, a utilização de práticas de conversão dos conhecimentos
tácitos em explícitos e vice versa, através de profissionais capacitados em lidar com
informação e conhecimento é fundamental no sucesso da implantação de práticas
de GC.
5.4
A Tecnologia da Informação para a Gestão do Conhecimento
Durante a década de 1960, a Tecnologia da Informação (TI) se desenvolveu
nas empresas, contudo neste período as opções em termos de hardware e
softwares eram poucas (REINHARD, 1996, p.5). Em meados de 1990, a informação
obteve um reconhecimento diferenciado nas organizações, coincidindo com a época
em que a internet foi popularizada e que iniciaram as discussões sobre GC. Nesta
mesma década, segundo Silva et al. (2002, p.57)
[...] a utilização da TI tornou-se um fator essencial para as organizações,
uma vez que a informação começou a ser tratada como um ativo
importante na disseminação e disponibilização, tornando-se um diferencial
fundamental nos mercados competitivos.
No contexto da GC, as ferramentas da TI operacionalizam uma atividade meio
essencial, pois é através delas que os conhecimentos e as informações geradas
(fase inicial) são disseminados e compartilhados colaborando na execução de
determinadas atividades (fase final) como tomadas de decisões, correção de erros,
mudanças de foco, etc. Para Davenport e Pruzak (1998, p.149), a GC é muito mais
que tecnologia, contudo a tecnologia faz parte da GC. Como meio facilitador de
comunicação interna e externa, a TI tem uma papel determinante no principal
objetivo da GC: o compartilhamento. Neste sentido, Teixeira Filho (2001, p.105)
afirma que uma das funções da TI no âmbito da GC é “ajudar no desenvolvimento
do conhecimento coletivo, tornando mais fácil para as pessoas na organização,
compartilharem problemas, perspectivas, idéias e soluções”. O autor afirma ainda
que as tecnologias úteis à GC são aquelas que proporcionam a integração de
Gestão do Conhecimento
27
pessoas, que ajudam a prevenir a fragmentação da informação e permitem criar
redes globais para o compartilhamento do conhecimento. Davenport e Pruzak (1998,
p.76) complementam a opinião de Teixeira Filho quando declaram que “a mais
valiosa função da tecnologia não GC é estender o alcance e aumentar a velocidade
da transferência do conhecimento”.
Como a GC é uma ferramenta estratégica, as tecnologias voltadas para esta
prática também devem ser estratégicas, objetivas e fáceis de utilizar. Para Silva et.
al (2002, p.60), a TI objetiva o trânsito das informações nas “veias” das empresas de
forma rápida e segura visando facilitar atividades tais como troca de idéias e
experiências, soluções de problemas e inovação.Os portais corporativos, os e-mails,
blogs, as videoconferências, as listas de discussão, o Gerenciamento Eletrônico de
Documentos (GED), os bancos de dados são alguns exemplos de TI que
proporcionam interação, troca, compartilhamento e disseminação de informações e
conhecimentos explícitos que são fundamentais para um resultado eficaz de práticas
de GC nas organizações.
5.5
Perfil do Profissional de Gestão do Conhecimento
A GC é composta por um conjunto integrado de ações que visa o
compartilhamento das informações e dos conhecimentos explícitos internos da
organização. Por ser um conjunto integrado, requer uma equipe multidisciplinar que
atue nas diversas etapas de implantação de práticas de GC como a captura, a
organização, o tratamento, a disseminação e o compartilhamento do conhecimento
do capital intelectual. Na Sociedade da Informação e do Conhecimento as
qualificações acadêmicas e técnicas não são mais suficientes para um bom
desempenho profissional, as características cognitivas são cada vez mais
importantes e valorizadas nas organizações. Segundo Zabot e Silva (2002, p. 91) é
preciso investir não mais em “tarefeiros”, mas em verdadeiros “ trabalhadores do
conhecimento”, capazes de cumprir com eficácia tanto suas tarefas habituais quanto
agregar valor ao trabalho, por meio de uma postura empreendedora e criativa.
Os profissionais que atuam com práticas de GC entendem a organização
como uma produtora de conhecimentos e seus funcionários deixam de ser meros
trabalhadores técnicos para serem trabalhadores produtores e consumidores de
conhecimento. Neste sentido, Davenport e Pruzak (1998, p.133) afirmam que o
Gestão do Conhecimento
28
trabalhador do conhecimento é aquele profissional capaz de transformar informação
em conhecimento, transformar mão-de-obra em cérebro de obra. Assim, o foco
deste profissional é extrair o conhecimento tácito, explicitá-lo e torná-lo acessível de
forma estruturada para que este possa ser usado, preservado e aprimorado ao longo
do tempo.
Para Nonaka e Takeuchi (1997, p.176), os profissionais do conhecimento são
aqueles que geram e acumulam diariamente tanto o conhecimento tácito como o
explícito, funcionando como verdadeiros arquivos vivos. A maioria destes
profissionais atua na linha de frente da empresa, o que significa que estão em
contato direto com o mundo exterior, podendo assim acessar informações mais
atualizadas sobre o desenvolvimento do mercado, da tecnologia e da concorrência.
Os autores afirmam ainda que os
profissionais do conhecimento devem ter as
seguintes qualificações:
◘
Elevado padrão intelectual;
◘
forte noção de comprometimento para recriar o mundo segundo sua
própria perspectiva;
◘
ampla variedade de experiências, tanto dentro quanto fora da
empresa;
◘
habilidade na condução de diálogos com os clientes e com os
colegas dentro da empresa;
◘
devem ser abertos para conduzir discussões e debates com
outras pessoas.
Já para Terra (2005, p.32) as habilidades que o trabalhador do conhecimento
deve ter são:
◘
Acesso efetivo à informação;
◘
avaliação e validação da informação;
◘
organização e proteção da informação;
◘
atuação em rede: colaboração, publicação e disseminação da
informação.
Gestão do Conhecimento
29
Terra apresenta ainda o que significa cada uma dessas habilidades como
pode ser observado abaixo:
◘ Acesso efetivo da informação: definição de foco e uso de conceitos
associativos / elaboração de questões pertinentes / técnicas de busca e
estratégias de busca / uso de redes de colaboração virtual;
◘ avaliação e validação da informação: capacidade de julgamento,
interpretação e questionamento / compreensão e uso de fontes de
informação e referências / técnicas de teste e validação da informação /
uso de redes de colaboração e validação pelos pares;
◘ organização e proteção da informação: receber, filtrar, classificar e
armazenar a informação / manter atualizado listas de contato e de
“quem sabe o que” / desenvolver métodos e rotinas para manter a
informação valiosa protegida e facilmente recuperável;
◘ atuação
em
rede
(colaboração,
publicação
e
disseminação
da
informação): habilidades de escrita, comunicação e síntese / publicar de
forma apropriada para diferentes tipos de suportes (impresso, digital,
multimídia) / decidir sobre alvos de comunicação e interação / trabalhar de
forma síncrona e assíncrona.
Indiferente
deste
profissional
ser
denominado
um
“trabalhador
do
conhecimento”, “profissional do conhecimento” ou qualquer outra denominação, a
função maior do profissional que atua com práticas de GC é o compartilhamento do
conhecimento do capital intelectual da organização em que trabalha. Neste estudo,
utilizaremos o termo “gestor do conhecimento” no contexto do profissional que atua
com GC.
Assim, estudaremos a seguir as particularidades e semelhanças existentes
entre o gestor do conhecimento e o profissional da informação bibliotecário, tendo
este último, na GC, novas oportunidades de atuação profissional nas organizações.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
6
A
GESTÃO
DO
CONHECIMENTO
E
A
30
BIBLIOTECONOMIA:
PARTICULARIDADES E SEMELHANÇAS
Neste capítulo discutiremos o perfil do profissional da informação bibliotecário,
bem como habilidades e competências (profissionais e pessoais) descritas na
literatura como necessárias para se desenvolver práticas de GC. Também
identificaremos no perfil do gestor do conhecimento características em comum com
o profissional bibliotecário. Apresentaremos ainda práticas de GC que podem ser
realizadas por bibliotecários e a opinião de profissionais que estudam e/ou atuam
com tais práticas. Finalizaremos a seção demonstrando como os concursos públicos
para o cargo de bibliotecário têm requisitado (nas suas provas de conhecimentos
específicos) a compreensão sobre a GC e assuntos correlatos.
6.1
Perfil do profissional Bibliotecário na Gestão do Conhecimento:
habilidades e competências
Apesar de não ser um conceito novo, nos últimos anos o termo competência
tem sido bastante utilizado para descrever características necessárias a uma pessoa
para desenvolver determinadas atividades. Segundo Mello (2003) a competência é a
capacidade que temos de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para que
possamos agir de modo pertinente numa determinada situação. Ainda de acordo
com a autora, competências e habilidades pertencem à mesma família e a diferença
entre elas é determinada pelo contexto. Exemplificando a diferença entre os dois
termos, Mello afirma que:
A competência de resolução de problemas envolve diferentes habilidades –
entre elas a de buscar e processar informações. Mas a habilidade de
processar informações, em si, envolve habilidades mais específicas, como
leitura de gráficos, etc. Logo, dependendo do contexto em que está sendo
considerada, a competência pode ser uma habilidade. Ou vice-versa.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
31
No contexto informacional, as organizações requerem profissionais com
habilidades e competências para melhor promoverem o fluxo de informações
existentes nas mesmas. Nesse sentido, a competência e a habilidade referem-se “as
formas de gerenciar de maneira inteligente as informações obtidas e conseqüente
conhecimento gerado e incorporado pela empresa” (REZENDE, 2002, p.122).
Complementando esta definição, Mello (2003) afirma que para sermos competentes,
“precisamos dominar conhecimentos, mas também devemos saber mobilizá-los e
aplicá-los de modo pertinente a cada situação.” Ainda segunda a autora, a dimensão
da competência é aprender e ser apreendida e a competência só pode ser
apreendida na prática, não sendo apenas o saber em si que fará a competência e
sim o saber fazer. Para Beluzzo (2005, p. 31), competência informacional se
constitui em:
[...] lidar com o ciclo informacional, com as tecnologias da informação e
com os contextos informacionais, o que é considerada como condição sine
qua non no rol de competências dos mais variados profissionais, atividades
e organizações.
Numa Sociedade de Informação e do Conhecimento, a competência
informacional não está relacionada exclusivamente aos profissionais da informação,
ela é necessária a qualquer atividade profissional, visto que a informação está
inserida em nosso cotidiano nas mais diversas formas. Particularmente, a
competência informacional está atrelada às atividades baseadas em informação,
como as atividades bibliotecárias.
Quanto aos profissionais da informação (PI), a Classificação Brasileira de
Ocupações (CBO)¹, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atualizada em
2002, reconhece como PI o bibliotecário (código 2612-5), o documentalista (código
2612-10) e o analista de informações (pesquisador de informações em rede – código
2612-15).
O bibliotecário tem como sinônimos na CBO 2002 as seguintes
designações: Bibliógrafo, Biblioteconomista, Cientista de informação, Consultor de
informação, Especialista de informação, Gerente de informação, Gestor de
informação.
__________________________________________
¹ www.mtecbo.gov.br/busca/descricao.asp?codigo=2612 - 17k
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
32
A CBO define-os como:
Pessoas que disponibilizam informação em qualquer suporte gerenciam
unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de
informação e correlatos além de redes e sistemas de informação. Tratam
tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais; disseminam
informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do
conhecimento; [...].
Quanto às habilidades e competências dos profissionais da informação,
diversos autores como Guimarães (2000), Valentim (2000), Santos (2000), Farias
(2007) e Neves (2001) discorrem sobre o perfil do profissional da informação
bibliotecário voltado para a atuação em organizações, sempre levando em
consideração a globalização e o avanço tecnológico. Neste trabalho, optou-se em
discutir as competências profissionais descritas pela SLA (Special Libraries
Association) citadas por Gonzáles e Tejada (2004, p.102), cuja publicação intitulada
Competências para Bibliotecários Especializados no Século XXI causou grande
repercussão mundial. A SLA classificou as competências bibliotecárias em
profissionais e pessoais, quanto às profissionais (pertinentes aos objetivos deste
trabalho) destacam-se:
◘ Conhecer o conteúdo dos recursos de informação, assim como ter
capacidade de avaliá-los e filtrá-los criticamente;
◘ conhecer o material especializado apropriado para o tema da organização
e do cliente;
◘ desenvolver e gerenciar serviços de informação que são convenientes,
acessíveis e efetivos baseados no custo e relacionados com a direção
estratégica da organização;
◘ orientar e apoiar usuários da biblioteca e dos serviços de informação;
◘ avaliar as necessidades, desejos, serviços e produtos de informação com
valor agregado para satisfazer as necessidades identificadas;
◘ utilizar tecnologia de informação apropriada para adquirir, organizar e
disseminar informação;
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
33
◘ utilizar modelos apropriados para comunicar à administração superior, a
importância dos serviços de informação;
◘ desenvolver produtos de informação especializados para o uso dentro e
fora da organização e por clientes particulares;
◘ avaliar os efeitos do uso da informação e investigar as soluções aos
problemas relacionados com a gerência da informação;
◘ melhorar continuamente os serviços de informação em resposta às
mudanças e necessidades;
◘ ser um membro efetivo da equipe administrativa superior e um consultor
da organização com respeito aos assuntos da informação.
Além das competências profissionais que podem ser adquiridas através de
treinamentos e experiências profissionais, as competências pessoais também estão
relacionadas aos valores, as atitudes e a postura que permitem ao profissional da
informação bibliotecário trabalhar com eficácia e eficiência organizacional. Dentre as
competências pessoais descritas pela SLA, aquelas pertinentes a este estudo são:
◘ Dedicar-se a excelência de seus serviços;
◘ buscar desafios e identificar novas oportunidades dentro e fora da
biblioteca;
◘ reconhecer a informação útil para a criatividade dos indivíduos;
◘ reconhecer que a biblioteca é parte do processo de tomada de decisão;
◘ buscar associações e alianças;
◘ criar um ambiente de respeito mútuo e confiança;
◘ ter habilidades efetivas de comunicação;
◘ trabalhar bem em equipe;
◘ atuar como líder;
◘ planejar, definir prioridades e ter senso crítico;
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
34
◘ dedicar-se ao aprendizado permanente e ao aperfeiçoamento de sua
carreira;
◘ ter habilidades comerciais e criar novas oportunidades;
◘ reconhecer o valor da comunicação e da solidariedade profissional;
◘ ser flexível e positivo em períodos de mudanças contínuas.
Observa-se que essas competências podem ser aplicadas em qualquer
âmbito profissional que lide efetivamente com a informação e o conhecimento, bem
como com o seu compartilhamento e disseminação. Dentre as habilidades
apresentadas, várias delas também se referem ao profissional gestor do
conhecimento,
como
as
habilidades
de
comunicação,
liderança,
espírito
empreendedor, capacidade de trabalhar em equipe, habilidade comercial, uso de
tecnologia da informação, organização da informação e disseminação da
informação.
Após apresentar o perfil profissional e pessoal do bibliotecário e do gestor do
conhecimento, discutiremos algumas semelhanças importantes entre o profissional
da informação bibliotecário e o gestor do conhecimento quanto as suas habilidades
e competências.
As habilidades de comunicação, interatividade e criatividade do profissional
da informação bibliotecário e do gestor do conhecimento, tornam-os aptos para
trabalhar em equipe, desenvolver projetos de liderança e de motivação de pessoal.
Para Neves (2001, p. 45), uma das principais semelhanças entre o
bibliotecário e o gestor do conhecimento é o fato de ambos profissionais adotarem
habilidades de julgamento, criatividade e intuição nas suas atividades, seja
trabalhando com a informação ou com o conhecimento, pois ao trabalhar com um
dos dois recursos é preciso identificar para quem e o quê será útil e como aproveitálo da melhor maneira.
Outra habilidade inerente aos dois profissionais reside no fato deles
trabalharem com informações. Identificando-as, compartilhando-as e conhecendo
bem o conteúdo dos recursos informacionais, além de fazerem uso eficiente de
tecnologias de informação e comunicação. A habilidade de argumentação, de
negociação e de entrevista, observadas comumente no bibliotecário de referência,
também é uma característica comum entre estes profissionais visto que é através
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
35
dessas habilidades que o bibliotecário e o gestor do conhecimento identificam
oportunidades, ameaças e desafios para a organização em que atua. O
compromisso com o acesso, a ética e o direito à informação também faz parte das
semelhanças entre o bibliotecário e o gestor do conhecimento já que ambos
precisam assegurar em suas atividades que a informação correta (filtrada e
contextualizada ) chegue no tempo certo, ao cliente certo, num custo justo, de modo
a agregar valor aos objetivos da organização.
6.2 A atuação do Bibliotecário como gestor do conhecimento: da teoria à
prática
Nesta seção discutiremos sobre a atuação do profissional bibliotecário em
práticas de GC. Para tanto apresentaremos os pontos de vistas de bibliotecários que
estudam ou atuam no desenvolvimento de práticas de GC e a partir das respostas ²
destes profissionais explanaremos algumas considerações que julgamos como
importantes.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Entrevistado
Danielle Thiago Ferreira
Resposta
[...] É compartilhar, administrar o capital intelectual
de
um
determinado
segmento
e
saber
como
armazenar esse conhecimento e inteligência, para
recuperá-lo e disseminá-lo de uma maneira rápida e
dinâmica.
Eliany Alvarenga de Araújo
Capacidade de gerenciar ativos intangíveis da
organização
compatibilizando
às
demandas
do
mercado, à missão da organização e aos perfis de
competência dos recursos humanos que mantém a
dinâmica organizacional.
___________________________________________
² As respostas completas e a apresentação aos autoras podem ser encontradas no Apêndice B.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
Elisabete da Cruz Neves
36
[...] processo de captação e organização do capital
intelectual que reside na organização, ou seja, o
conhecimento tácito e explícito tanto individual como
coletivo, as competências individuais e a experiência
que cada pessoa possui, utilizando este conhecimento
para o desenvolvimento da organização e dos
profissionais.
Gabriela Belmont de Farias
É a gerência e criação de ferramentas e programas
que incentivam as pessoas de um determinado
ambiente divulgar a informação tácita adquirida através
das experiências profissionais e do conhecimento
adquirido ao longo da vida.
Michely Jabala Mamede Vogel
É uma área que se ocupa da organização e
administração de informações pertinentes a um
contexto, com o objetivo de otimizar as operações
desse contexto e de aprender e gerar novos
conhecimentos e possibilidade de ganho [...] com
tais informações.
Simone L. Andrade Macieira
[...] é a reunião, o registro, a organização e a
disseminação do conhecimento de um determinado
ramo de atividade produzido pelos técnicos e cientistas
de uma empresa com o propósito de dotar essa
empresa de um saber ou tecnologia mais apurado,
preciso [...] evitando desperdício econômico, de
recursos humanos, retrabalho [...]
Todeska Badke
A GC define melhores condições para que o
conhecimento seja criado, sociabilizado, na empresa
transformando-o de tácito em explícito, ou seja, algo
sem valoração para algo com valoração no processo
produtivo.
A administração, gerência ou gestão do capital intelectual das organizações,
bem como o compartilhamento do conhecimento deste capital dentro de um contexto
específico é observado como aspecto principal e comum quanto às concepções das
entrevistadas a respeito da GC. Eliany Alvarenga acrescenta que esta gerência deve
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
37
ser compatível com as demandas do mercado e à missão da organização,
observação importante visto que práticas de GC podem ser desenvolvidas em
empresas de diversos segmentos, porém, cada atividade tem suas particularidades
mercadológicas e estruturais que devem ser analisadas e compatibilizadas às ações
desenvolvidas. Uma determinada prática de GC que pode ser perfeita para uma
empresa, pode não ser para outra. O diagnóstico organizacional tem assim papel
fundamental para um resultado satisfatório na implantação de programas ou práticas
de GC.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
Entrevistado
Danielle Thiago Ferreira
Resposta
O profissional da informação se insere, no momento da
armazenagem
no
registro,
da
no
pensar
informação
a
disponibilização
e
recuperação da informação.
Eliany Alvarenga de Araújo
Especificamente, no gerenciamento (planejamento,
organização,
controle...)
dos
conteúdos
de
informação (em formatos variados), possibilitando
com isto o acesso /uso eficiente dos mesmos.
Elisabete da Cruz Neves
O Bibliotecário tem papel fundamental no processo de
GC, já que possui habilidades para identificar o
conhecimento explícito na organização, assim
como,
competência
para
identificar
onde
este
conhecimento pode ser aproveitado da melhor
maneira [...].
Gabriela Belmont de Farias
Na execução de práticas de GC estabelecendo a
recepção de canais de recebimento e disseminação
da informação, entre outros.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
Michely Jabala Mamede Vogel
38
Nos métodos para organização e recuperação das
informações geridas. Pode oferecer propostas para
formação de banco de dados, normalização e
desenvolvimento de linguagens documentárias
para busca de informações específicas.
Simone L. Andrade Macieira
[...] Na organização e disseminação da informação,
dos conhecimentos produzidos e registrados pela
empresa em diversos suportes [...]
Todeska Badke
Na descrição de fontes do conhecimento, bem
como na classificação das mesmas. Dado o excesso
de informações, o bibliotecário é a bússola necessária
ao acesso à informação correta para que se tome a
decisão precisa e agrege valor aos produtos e serviços
disponibilizados ao cliente.
O planejamento, organização, armazenamento, registro e disseminação de
informações são atividades comuns ao profissional bibliotecário. Porém, para a GC,
como o próprio nome sugere, não é apenas a informação que deve ser gerenciada,
mas também o conhecimento. A externalização (conversão de conhecimento tácito
em explícito) é uma atividade que pode ser desenvolvida pelo bibliotecário através
de
suas
habilidades
de
comunicação,
entrevista,
síntese,
entre
outras,
transformando o conhecimento do capital intelectual da organização em informações
registradas nos mais diversos suportes. A disseminação e disponibilização deste
material podem ser realizadas através de recursos disponíveis em bibliotecas,
arquivos, banco de dados, sites, portais corporativos, etc.
Todeska
Badke
destaca
uma
potencial
contribuição
do
profissional
bibliotecário na GC quanto à descrição de fontes do conhecimento, bem como na
classificação das mesmas. A partir do momento em que o bibliotecário possui
habilidades para encontrar fontes de informações pertinentes a sua área de atuação,
ao se aproximar mais das pessoas da organização e desenvolver parcerias com
outros departamentos da empresa (como o de recursos humanos), saberá onde
encontrar
também
fontes
de
conhecimento
através
do
mapeamento
das
competências e habilidades dos funcionários da empresa. Estando o bibliotecário
com estas fontes de conhecimento registradas, organizadas, catalogadas,
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
39
indexadas, sabendo “quem sabe mais o quê”, “quem está desenvolvendo o quê”,
“quem pode contribuir mais com o quê” em um determinado setor, pode contribuir
com a empresa no sentido de (dentre outros aspectos) economizar tempo e dinheiro
na procura de um profissional capacitado para desenvolver uma atividade ou projeto
específico.
Neste sentido, Davenport e Pruzak (1998, p.34) afirmam que os bibliotecários
atuam nas organizações como “corretores do conhecimento”, profissionais que
colocam em contato vendedores e compradores do conhecimento, ou seja, aqueles
que possuem e aqueles que precisam do conhecimento. Os autores afirmam ainda
que os bibliotecários agem como corretores do conhecimento disfarçados e que por
seu temperamento e seu papel de guia de informações, tem a tarefa de criar
contatos pessoa-pessoa e pessoa-texto. Como as bibliotecas corporativas
costumam atender a empresa inteira, os bibliotecários estão entre os poucos
funcionários que têm contato com pessoas de vários departamentos (DAVENPORT;
PRUZAK, 1998, p. 34).
Quanto à capacidade intelectual das pessoas de uma organização, muitas
vezes a própria empresa desconhece o que há “dentro” dela quanto ao real potencial
do seu capital intelectual. E o departamento de recursos humanos nem sempre está
preocupado com as informações e conhecimentos produzidos pelos funcionários e
sim, normalmente, com dados cadastrais, treinamento, salário, etc. Assim, o
bibliotecário pode desenvolver projetos importantes relacionados à produção
intelectual do capital humano, dada a sua capacidade de interagir com os diversos
setores da empresa, bem como o compartilhamento dessa produção através de
apresentações, palestras e reuniões internas organizadas na biblioteca da empresa
ou em auditórios e salas de reuniões.
Num outro contexto de atuação, conforme citou Michely Vogel, o bibliotecário
pode desenvolver atividades relacionadas às linguagens documentárias em práticas
de GC para busca de informações específicas com a adoção de taxonomias.
Segundo Terra, et.al (2005) a taxonomia é um sistema para classificar e facilitar o
acesso à informação e que tem ,dentre outros, os objetivos de representar conceitos
através de termos, encontrar consenso e propor formas de controle. O autor afirma
ainda que a taxonomia é um tipo de vocabulário controlado que é um instrumento de
estrutura semântica que permite organizar, recuperar e comunicar informações
dentro de um sistema, a partir de uma lógica específica. Nesse contexto, o
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
40
profissional bibliotecário pode desenvolver, por exemplo, parceria com o
departamento de informática, pois a partir do momento que o bibliotecário
externaliza o conhecimento tácito e registra-o em um suporte, pode disponibilizá-lo
também em meio eletrônico como, por exemplo, no site ou na intranet da empresa.
Visando a busca e recuperação dessa informação de forma precisa e eficiente, o
bibliotecário pode fazer uso da taxonomia produzindo ou adquirindo um vocabulário
controlado da área de atuação da empresa.
Conclui-se que o bibliotecário se insere onde há informação e conhecimento,
não apenas em materiais tradicionais como livros. E o ser humano é a única fonte de
conhecimento – pois o conhecimento é inerente ao homem – cuja própria fonte é
também a responsável pela produção de novas informações e conhecimentos de
forma cíclica e ininterrupta. Assim, é necessário que bibliotecário atue de forma próativa e dinâmica, valorizando-se profissionalmente enquanto bibliotecário e gestor do
conhecimento.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Entrevistado
Danielle Thiago Ferreira
Resposta
O perfil está relacionado a sempre estar aprendendo e
a aprender fazendo...se relacionando com as mais
diversas
áreas
posicionar
do
frente
as
conhecimento...
mudanças
saber
se
tecnológicas,
econômicas [...] e a educação continuada é tudo para
a sobrevivência e destaque profissional.
Eliany Alvarenga de Araújo
Conhecer estratégias de gestão de unidades de
informação,
domínio
de
línguas
estrangeiras,
dominar o manuseio de tecnologias de informação e
educação continuada.
Elisabete da Cruz Neves
Com relação ao perfil profissional para atuar na GC,
não é necessária uma formação acadêmica específica,
mas alguns requisitos são importantes, como o
conhecimento de outros idiomas, habilidades com
tecnologias
da
informação,
habilidades
administrativas, constante atualização profissional [...],
busca pela atualização na formação superior, como
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
41
por exemplo, cursos de pós-graduação e participação
em eventos da área são essenciais. Para o perfil
pessoal, [...] bom relacionamento interpessoal dentro
da organização, ter postura pró-ativa, compartilhar
conhecimentos, comprometimento com o seu serviço,
ética profissional, profissionalismo e motivação.
Gabriela Belmont de Farias
Criatividade,
ousadia,
conhecimento
técnico,
facilidade de comunicação, domínio das tecnologias
de informação e comunicação.
Michely Jabala Mamede Vogel
Ser comunicativa [...], ter poder de síntese e saber
sistematizar
as
informações
recolhidas
[...]
conhecimento de desenvolvimento de linguagens
documentárias, boas noções de banco de dados e
internet.
Simone L. Andrade Macieira
[...] Deve acompanhar os avanços científicos e
tecnológicos da sua profissão, do ramo de atividade
em que atue sua empresa [...] estar sempre se
aperfeiçoando e se especializando na sua profissão
e na atividade de sua empresa.
Todeska Badke
O profissional em gestão do conhecimento é criativo e
inovador capaz de ver a empresa como um todo e
capaz de ver a informação e o conhecimento como
parte
integrante
do
produto
e
ou
serviço
disponibilizado ao cliente.
A interdisciplinaridade é uma das principais características de uma equipe
responsável pela implantação de práticas de GC numa organização. Como observou
Elisabete Neves, não há uma formação acadêmica específica para gestores do
conhecimento, porém, a literatura aponta um número expressivo de administradores
de empresa e engenheiros de produção implantando e desenvolvendo práticas de
GC em empresas brasileiras como Fonseca (2004), Laspisa (2007), Lara (2001), Sá
(2004), Paula (2006) e Gottardo (2000). Na Biblioteconomia, a GC ainda é um
campo de atuação pouco explorado, mas já existem bibliotecários desenvolvendo
atividades de GC em diversos departamentos de empresas (inclusive em
bibliotecas), como: Alvarenga Neto (2005), Castro (2005), Carvalho (2000) e
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
42
Hommerding (2001). Indiferente desses profissionais de GC serem administradores,
engenheiros de produção, bibliotecários ou qualquer outra profissão, importa saber
que é imprescindível um perfil profissional e pessoal, com habilidades e
competências necessárias (discutidas na seção anterior) para que o gestor do
conhecimento desenvolva e realize práticas de GC com eficácia organizacional.
Quanto ao perfil do profissional bibliotecário como gestor do conhecimento, as
entrevistadas citaram, quase que unanimamente como requisitos fundamentais para
o bibliotecário atuar com práticas de GC: a educação continuada, o domínio de
tecnologias de informação e de línguas estrangeiras.
É igualmente importante cursos de pós-graduação em nível de mestrado e
doutorado, ou mesmo de especialização, para os profissionais que almejam integrar
as equipes responsáveis pelas tomadas de decisões nas empresas. Com relação
aos cursos de especialização, ressaltam-se como boas opções para os bibliotecários
que desejam atuar na GC, áreas como gestão da qualidade em serviços, gestão de
pessoas e marketing de serviços.
Ter domínio de softwares voltados ao compartilhamento da informação e do
conhecimento organizacional, bem como entender conceitos de banco de dados,
redes (internet, intranet, extranet) e assuntos correlatos é fundamental para que o
bibliotecário possa desenvolver projetos relacionados à tecnologia. Outro aspecto a
se destacar é o domínio de línguas estrangeiras, especialmente a língua inglesa,
indispensável para manter-se competitivo no mercado de trabalho.
Para o profissional bibliotecário atuar como gestor do conhecimento cabem
outras particularidades, como bem observou Todeska Badke, dentre as quais a de
entender a empresa como um todo, e a informação e o conhecimento como insumo
essencial do produto e/ou serviço a ser ofertado ao cliente. Conscientizar-se
efetivamente de que a matéria prima de sua profissão é a informação e o
conhecimento, contribuirá para que o bibliotecário desenvolva um perfil pró-ativo,
empreendedor
e
dinâmico
que
o
permita
antecipar-se
às
necessidades
informacionais e aos riscos que a falta ou excesso da informação possa trazer à
empresa.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
43
4) Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Entrevistado
Danielle Thiago Ferreira
Resposta
Em São Paulo, o tema GC não é mais um assunto top,
ou seja, já está incorporado nas atividades e
aprendizagem
do
profissional
da
informação
(principalmente nos cursos de pós-graduação e
educação continuada) [...] as ementas dos cursos de
graduação e de pós devem ir além da técnica.
Eliany Alvarenga de Araújo
Penso que as universidades deveriam estimular via
cursos de pós-graduação o estudo/pesquisa sobre
o tema "gestão do conhecimento” e os cursos de
graduação devem criar disciplinas que contemplem
os conteúdos desta área. Estudos constantes sobre o
mercado
de
trabalho
também
é
um
estratégia
importante, pois permite que o ensino conheça e
procure atender as demandas do mesmo.
Elisabete da Cruz Neves
É preciso que as universidades incorporem em seus
currículos estudos sobre GC, exemplos de práticas
em GC e desenvolvam nos alunos habilidades e
requisitos que são importantes não só para a Gestão
do Conhecimento como para outros segmentos, assim,
os novos profissionais terão oportunidade de ampliar o
campo de atuação.
Gabriela Belmont de Farias
Buscar visualizar as técnicas de organização da
informação nos ambientes não tradicionais e fazer
com que os alunos desenvolvam habilidades de
adaptar as técnicas aprendidas para realidade do
mercado de trabalho.
Michely Jabala Mamede Vogel
Acredito que a principal mudança nas universidades é
o estudo da informação, isto é, entender que
informação pode ser qualquer coisa que seja
interessante para um grupo. Muitas vezes, os
estudantes formam-se acreditando que só saberão
lidar
com
informações
contidas
em
materiais
tradicionais de biblioteca, e esquecem que podem
aplicar várias das metodologias aprendidas a outros
suportes, até ao ser humano.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
Simone L. Andrade Macieira
44
[...] Nossas universidades devem ser mais ágeis e
adaptarem-se permanentemente e de preferência na
velocidade dos avanços científicos e tecnológicos os
seus currículos de tal sorte, que possam produzir
conhecimentos úteis para o desenvolvimento da
comunidade na qual estejam inseridas e a comunidade
por
seu
turno
buscar
as
universidades
para
participarem das experiências e do desenvolvimento
das atividades dos seus negócios.
Todeska Badke
[...] A universidade não pode se abster da realidade
empresarial... Temos que promover a constante
aproximação
entre
Universidade
e
empresa...
Temos que aprender que a sociedade atual é a
sociedade e economia do conhecimento, mas também
do resultado. Não somos bibliotécários apenas, somos
profissionais que agregam valor à empresa e damos
retorno sobre o investimento. Devemos defender a
eficiência, a eficácia e a efetividade de nossas
atuações
para
que
tenhamos
valorização
do
profissional bibliotecário na tomada de decisão nas
empresas brasileiras.
Aproximar o universo acadêmico do curso de Biblioteconomia ao mercado de
trabalho é uma questão de suma importância para discussões e propostas de
mudanças. Conforme observou bem Todeska Badke, a universidade não pode se
abster da realidade empresarial. E a realidade empresarial das organizações, quanto
aos serviços do profissional bibliotecário, é a competência deste profissional em lidar
com informações e conhecimentos da organização.
Já Michely Vogel destaca a necessidade de mudança nas universidades (no
contexto do curso de Biblioteconomia) quanto à compreensão do que seja a
informação, que para Vogel pode ser – a informação - qualquer coisa de interesse
para um grupo. Dimensionar a visão de que o livro não é matéria prima da profissão
e sim o relacionamento entre a informação e o conhecimento, é um desafio às
universidades, sobretudo aos cursos de Biblioteconomia.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
45
A GC é assim uma proposta de novas visões, entendimentos, posturas e
ações, de modo que os bibliotecários ampliem seus mercados e campos de atuação
nas organizações. No meio acadêmico da Biblioteconomia e CI, o tema GC vem
conquistando um espaço de discussão, reflexão e produção científica cada vez
maior. Somente no segundo semestre do ano de 2007, destacamos a seguir três
importantes eventos relacionados à GC.
Em Recife, no mês de outubro, foi realizada a V Jornada Norte/Nordeste de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação cujo tema foi “O
bibliotecário e as organizações: a gestão da informação e do conhecimento para
tomada de decisão”. A jornada contou com cinco áreas temáticas para apresentação
de trabalhos. Destas, a que obteve o maior número de trabalhos inscritos e
aprovados, 16 (dezesseis) no total, foi a área denominada “habilidades e
competências do bibliotecário para gestão da informação e do conhecimento”. Um
desses trabalhos, o de Januário e Silva (2007), discutiu a relação entre a GC e a
universidade através da análise quantitativa dos cursos de pós-graduação scricto
sensu da área de Biblioteconomia e CI no Brasil, cujas linhas de pesquisa e/ou área
de concentração focavam-se no estudo da gestão da informação e do
conhecimento.
As autoras identificaram que dos 11 (onze) programas de pós-graduação
scricto sensu em CI no país, apenas 4 (quatro) não oferecem linhas de pesquisa ou
disciplinas relacionadas à gestão da informação e do conhecimento. Logo,
aproximadamente 80% das linhas de pesquisa dos programas na área abordam a
temática ou a incluem como área de concentração.
Em outubro de 2007 foi realizado em Salvador, o VIII Encontro Nacional de
Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) com o tema: “Promovendo a
inserção internacional da pesquisa brasileira em Ciência da Informação”, que buscou
refletir a preocupação contemporânea dos programas de pós-graduação da área no
sentido de expandir suas atividades e alcançar visibilidade internacional.
Dentre os 7 (sete) Grupos de Trabalho (GT) do ENANCIB, o GT4 ³ tratava da
Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações . Neste grupo, Marília
D. Costa e Gardênia de Castro apresentaram um pôster denominado “Mapeamento
de teses e dissertações sobre gestão do conhecimento em cursos de pós-graduação
______________________________
³ Coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Rodrigues Barbosa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
46
em Ciência da Informação no Brasil”. O objetivo do trabalho foi mapear as teses e
dissertações sobre GC defendidas em cursos de pós-graduação em CI no Brasil no
período de 2000 a 2006. Dos 11 (onze) programas de pós-graduação em Ciência da
Informação no país, 8 (oito) apresentaram teses e/ou dissertações relacionadas à
GC. No total, foram identificadas 34 (trinta e quatro) pesquisas, dos quais 11 (onze)
teses e 23 (vinte e três) dissertações.
O terceiro evento foi o lançamento de um número do periódico Ciência da
Informação4 que ocorreu em dezembro de 2007. Nesta edição, dos 13 (treze) artigos
publicados, 3 (três) tratam da relação entre a CI e a GC. O volume conta ainda com
um relato de experiência sobre práticas de GC numa biblioteca.
Pode-se observar que há um interesse crescente do meio acadêmico e
científico no sentido de discutir e entender os benefícios que a GC pode agregar à
CI e a profissão do bibliotecário. Porém, acreditamos que tal debate já deva ser
promovido a partir da graduação e não apenas no estágio de pós-graduações.
Registra-se
então
uma
proposta
aos
cursos
de
graduação
em
Biblioteconomia: relacionar a teoria ensinada com a demanda requisitada à
academia pelo mercado de trabalho. Tal sugestão não se restringe apenas à
inserção do estudo de conceitos e práticas de GC nas grades curriculares dos
cursos, mas também a outras práticas compatíveis com as habilidades e
competências do bibliotecário. A inserção do estudo da GC e de outras práticas
correlatas pode ampliar o escopo de atuação do profissional bibliotecário e valorizar
a profissão quanto aos serviços e produtos que ele possa oferecer e desenvolver (no
âmbito da informação e do conhecimento) para diversos segmentos empresariais,
bem como a aquisição, contextualização, organização e compartilhamento da
informação e do conhecimento.
_______________________________________
4
Volume 9, número 1, jan./ abril 2007.
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
6.3
47
Os concursos públicos para Bibliotecários e a Gestão do Conhecimento
O crescente número de concursos públicos na esfera federal que surgiu
desde o início da gestão do governo do Presidente Lula, a partir de 2003, é
resultado de anos sem concursos em órgãos públicos. Outro fator importante para
realização de novos concursos foi o déficit de recursos humanos ocasionado pela
última reforma da previdência realizada em 2003, reforma esta que motivou muitos
servidores à aposentadoria gerando vacância em todas as esferas públicas (federal
estadual e municipal).
Quanto ao cargo público para bibliotecário, Moreira, Cardim e Dib (2007, p.9)
afirmam que no caso específico do bibliotecário, o serviço público tem sido um nicho
oportuno de colocação por oferecer vários concursos públicos, com um número
significativo de vagas.
O interesse dos bibliotecários nesse campo de atuação – órgãos públicos –
foi observado por Moreira, Cardim e Dib quando as mesmas apresentaram no
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), em 2004, o trabalho
intitulado: “A literatura indicada em concursos públicos para bibliotecários: um
estudo bibliométrico”. A partir deste estudo inicial, as autoras elaboraram o livro
“Concursos público em Biblioteconomia: índice bibliográfico” editado em 2006 pela
editora Thesaurus. Em 2007 as autoras lançaram o livro “Concursos públicos em
Biblioteconomia: estudo e prática” também pela editora Thesaurus.
Gustavo
Henn,
bibliotecário
formado
pela
Universidade
Federal
de
Pernambuco (UFPE) e atualmente servidor da Procuradoria Regional do Trabalho
da Paraíba, também vem se dedicando ao estudo de concursos públicos na área de
Biblioteconomia e tem dois livros publicados sobre o tema, cujo título é
“Biblioteconomia para concursos” v.1 e v.2, além de ser editor do blog Concursos
Extralibris. 5
Como podemos observar, é crescente o número de estudos sobre concursos
públicos na área da Biblioteconomia e isto se deve, em parte, ao grande interesse
que há por parte dos bibliotecários pelo tema. Com a autora deste trabalho não foi
diferente. O nosso interesse por concursos públicos se iniciou em 2005, ano este em
que iniciamos as primeiras investigações sobre o tema central deste estudo: a GC.
_______________________________
5
www.extralibris.org/concursos
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
48
Durante a resolução de provas de conhecimentos específicos para o cargo de
bibliotecário, identificamos a constante solicitação de conhecimentos sobre a GC e
assuntos afins, tais como gestão da informação, inteligência competitiva, tecnologia
da
informação,
memória
organizacional,
capital
intelectual,
habilidades
e
competências do novo profissional da informação entre outros. Neste sentido,
decidimos verificar a incidência do assunto “gestão do conhecimento” e para tanto
selecionamos 14 (quatorze) concursos públicos ocorridos entre janeiro de 2006 e
maio de 2007, cujas provas foram aplicadas na cidade do Recife. Destas provas, 06
(seis) apresentaram questões pertinentes ao tema como pode ser observado na
tabela abaixo (JANUÁRIO; CORREIA, 2007).
Instituição
Examinadora
Questões de
Conhecimentos
Específicos
Questões
sobre GC e
correlatos
Principais
assuntos
abordados
Governo do
Estado de
Pernambuco
Instituto de
Planejamento e
Apoio ao
Desenvolvimento
Tecnológico e
Científico (IPAD)
40
03
GC
Comissão de
Processos
Seletivos e
Treinamentos
(COVEST)
25
Universidade
Federal de
Pernambuco
(UFPE)
Tecnologia da
Informação
Papel do Gerente
Informacional
02
Gestão de
Pessoas
Capital Intelectual
GC
Banco Nacional
de
Desenvolvimento
Econômico e
Social
(BNDES)
Fundação Carlos
Chagas (FCC)
40
08
Competência
Informacional
GC
Cultura
Organizacional
Inteligência
Competitiva
Companhia Hidro
Elétrica do São
Francisco
(CHESF)
Centro de
Seleção e
Promoção de
Eventos (CESPE)
70
04
Moderno
Profissional da
Informação
Tecnologia da
Informação
Conhecimento
Tácito e Explícito
A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças
Petróleo
Brasileiro S/A
(Petrobrás)
Fundação
Cesgranrio
40
03
49
Aprendizagem
Organizacional
Inteligência
Competitiva
GC
Centro Federal de
Educação
Tecnológica de
Pernambuco
(CEFET PE)
COVEST
20
01
Habilidades do
profissional da
informação na
GC.
Tabela 1: A gestão do conhecimento nos concursos públicos para bibliotecário.
Fonte: JANUÁRIO e CORREIA (2007, p.8 -11)
Através desta pesquisa verificou-se que o tema GC e seus assuntos
correlatos estão sendo gradativamente solicitados nas provas de concursos públicos
para bibliotecários. Assim, os profissionais bibliotecários interessados em concorrer
às vagas em cargos públicos devem estar atentos ao estudo da GC e seus assuntos
afins para obterem êxito nos concursos e para que possam acompanhar
favoravelmente a demanda dos serviços que irão realizar nas esferas públicas do
país.
Considerações Finais
7
50
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das informações relatadas neste trabalho, acredita-se que os
objetivos propostos foram alcançados, permitindo a realização de algumas
considerações importantes sobre o tema abordado. Discutidos alguns conceitos de
GC adotados pela CI, assim como as definições sobre dado, informação e
conhecimento, pôde-se perceber que a GC não é um tema simples. A GC é um
assunto complexo, envolvente e vasto que lida muito mais com a capacidade
intelectual dos profissionais que atuam com suas práticas do que com as
capacidades técnicas dos mesmos. O entendimento dos conceitos de conhecimento
tácito e explícito, bem como a diferenciação de aplicação dos quatro tipos de
conversão
destes
conhecimentos
são
aspectos
fundamentais
para
o
desenvolvimento satisfatório de práticas de GC.
Quanto a TI, é importante observar que ela é uma ferramenta “meio”, ou seja,
facilitadora, fundamental para a comunicação interna e externa da empresa e
determinante no compartilhamento das informações e conhecimentos, principal
objetivo da GC.
Identificado o perfil do profissional que atua com práticas de GC na literatura,
conclui-se que este profissional deve
ter,
entre
outros
aspectos,
amplo
conhecimento sobre diversos assuntos; variedade de experiências (tanto dentro
quanto fora da empresa); habilidade na condução de diálogos com os clientes e com
os colegas de empresa.; acesso efetivo à informação ; capacidade para organizar,
proteger, avaliar e validar a informação.
Quanto às particularidades e semelhanças entre a GC e a Biblioteconomia,
concluiu-se que ambas as áreas têm afinidades significativas relacionadas às
atividades práticas profissionais, aos objetivos e compromissos com seus clientes. O
perfil – competências e habilidades - do profissional bibliotecário enquanto gestor do
conhecimento destaca-se em razão do mesmo conhecer o conteúdo dos recursos
de informação, assim como ter capacidade de avaliá-los e filtrá-los criticamente; ter
acesso às fontes de informação especializadas para suprir às necessidades
informacionais do cliente interno da organização em que trabalha; desenvolver e
gerenciar serviços de informação que são convenientes, acessíveis e efetivos
baseados no custo e relacionados com a direção estratégica da organização; avaliar
Considerações Finais
51
as necessidades, desejos, serviços e produtos de informação com valor agregado
para satisfazer as necessidades identificadas; avaliar os efeitos do uso da
informação e buscar soluções para problemas relacionados à gerência da
informação.
Contextualizando a teoria apresentada com a prática profissional, foi aplicado
um questionário a bibliotecários que atuam e/ou estudam com práticas de GC no
Brasil. De uma maneira geral, as entrevistadas acreditam que GC é a gerência ou
gestão do capital intelectual das organizações, bem como o compartilhamento do
conhecimento deste capital dentro de um contexto específico. Em relação à inserção
do bibliotecário em práticas de GC, as entrevistadas afirmam que o bibliotecário se
insere onde há informação e conhecimento, não apenas em materiais tradicionais
como livros, mas em suportes eletrônicos e, também, nas pessoas.
No que se diz respeito ao perfil pessoal e profissional do bibliotecário que
deseja atuar com GC, acredita-se que o mesmo deve conscientizar-se efetivamente
de que as matérias primas de sua profissão são a informação e o conhecimento,
essa consciência dará ao bibliotecário um perfil pró-ativo, empreendedor, dinâmico,
antecipando-se às necessidades informacionais e aos riscos que a falta ou excesso
da informação poderão proporcionar à empresa que atua. Já às universidades, cabe
o desafio de aproximar o universo acadêmico do curso de Biblioteconomia à
realidade do mercado de trabalho dimensionando a visão do profissional quanto às
novas possibilidades de práticas profissionais e campos de atuação.
Quanto à relação entre a GC e as provas de concursos públicos para
bibliotecário, observamos que o tema GC vem ganhando um espaço significante no
rol dos conhecimentos específicos solicitados em tais provas, ratificando a
importância do bibliotecário conhecer a teoria relacionada à GC, bem como seus
assuntos correlatos, tais como capital intelectual, inteligência competitiva, gestão da
informação e tecnologia da informação para conseguir, efetivamente, um cargo
público, seja este na esfera municipal, estadual ou federal.
Finalmente,
entende-se
a
GC
como
uma
ferramenta
estratégica
organizacional que pode ser desenvolvida e aplicada por diversos profissionais,
desde que tenham competências e habilidades pessoais e profissionais específicas,
dentre eles, o profissional da informação bibliotecário. A interdisciplinaridade que a
CI possibilita aos profissionais da área e as mudanças decorridas da atual
Considerações Finais
52
Sociedade da Informação e do Conhecimento contribuem para que o profissional
bibliotecário amplie sua atuação em segmentos distintos da GC.
Espera-se que as considerações apresentadas neste estudo sejam um ponto
de partida e de auto-análise para que os profissionais bibliotecários que desejam
atuar com práticas de GC em organizações, se capacitem investindo em educação
continuada para ampliarem suas atividades práticas profissionais, bem como
desenvolverem novas habilidades e competências (pessoais e profissionais) para
manterem-se competitivos no mercado de trabalho. Quanto aos cursos de
graduação de Biblioteconomia e CI, espera-se a reflexão dos mesmos no sentido de
alterarem e/ou inserirem em suas grades curriculares e programas de disciplinas, o
estudo da GC de modo a alinharem a formação dos novos profissionais da
informação bibliotecário às necessidades do mercado de trabalho.
7.1
Recomendações e sugestões de pesquisa
As informações e debates apresentados nos instigaram a sugerir estudos
posteriores que possam dar continuidade às questões nesta pesquisa:
◘ estudar as habilidades e competências de bibliotecários que trabalham
na cidade de Recife, procurando identificar se tais habilidades e
competências correspondem ao perfil descrito na literatura como
necessário para atuar como gestor do conhecimento;
◘ avaliar se os cursos de graduação em Biblioteconomia do Brasil estão
correspondendo às atuais demandas do mercado quanto à formação
de profissionais bibliotecários;
◘ realizar
investigação
bibliométrica
da
produção
científica
de
bibliotecários em livros, anais de congressos, periódicos sobre o tema
GC.
Considerações Finais
53
Espera-se então que este trabalho estimule a realização de outras
pesquisas e que aspectos não contemplados possam ser investigados, contribuindo
para o avanço da área de Biblioteconomia e CI, assim como para novas discussões
sobre a relação prática profissional entre o bibliotecário e o gestor do conhecimento
e a relação acadêmica entre a Biblioteconomia e a GC.
Referências
54
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aprendizagem e tecnologia: construindo a inteligência coletiva. São Paulo: Atlas,
2002.
Apêndice A – Questionário
60
APÊNDICE A
Questionário enviado por e-mail:
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem
atuar na GC?
4)
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente
discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades
devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para
esse mercado?
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
61
APÊNDICE B
Apresentação6 e Respostas das Entrevistadas
DANIELLE THIAGO FERREIRA
Possui graduação em Biblioteconomia - PUC-Campinas (1999) e Mestrado em Biblioteconomia e
Ciência da Informação - PUC-Campinas (2002). Doutorado em Ciência da Informação pela ECA/USP
(2007). Atualmente é profissional da informação do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual
de Campinas e foi professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tem experiência na
área de Ciência da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: profissional da
informação - mercado de trabalho e perfil e projetos de pesquisa. Editora da Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação/ UNICAMP.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Para mim GC, é mais uma frente em que o profissional da informação pode estar atuando... ou seja,
é mais uma técnica ou processo administrativo, que pode ser trabalhado, no meu conceito em
diferentes ambientes (não só os corporativos e empresariais)...é compartilhar ....é administrar o
capital intelectual de um determinado segmento, de um determinado ambiente...e saber como
trabalhar, armazenar esse conhecimetno e inteligência, para recuperá-lo e disseminá-lo de uma
maneira rápida e dinâmica, é o nosso papel.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
O profissional da informação se insere, no momento da armazenagem da informação
no registro, no pensar a disponibilização e recuperação da informação.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Acho que o perfil (como falei muito em meu trabalho) está relacionado a sempre estar aprendendo.. e
a aprender fazendo...se relacionando com as mais diversas áreas do conhecimento..saber se
posicionar frente as mudanças...tecnológicas, econômicas, mundiais. Estar atento a tudo a sua volta!
E claro que conhecimentos técnicos contam... também relacionados às mudanças, pois a educação
continuada é tudo para a sobrevivência e destaque profissional!
__________________________
6
Informações da apresentação retiradas do Currículo Lattes das entrevistadas ou enviadas pelas mesmas por e-mail.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
4)
62
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Bom, Sandryne, não sei quais as opiniões dos docentes e profissionais de sua região. Mas aqui em
São Paulo, o tema GC já não é mais um assunto top, ou seja, a GC já está incorporada nas
atividades e aprendizagem do PI (principalmente nos cursos de pós-graduação e educação
continuada )...o que acho é que as ementas (tanto as de graduação e de pós) devem ir além da
técnica.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
63
ELIANY ALVARENGA DE ARAÚJO
Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (1986), Mestrado em
Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (1991) e Doutorado em Ciência da Informação
pela Universidade de Brasília (1998). Atualmente é Professora Titular da Universidade Federal da
Paraíba-UFPB, na área de Fundamentos Epistemológicos em Ciência da Informação, Arquivologia e
Biblioteconomia. Membro do comitê editorial dos seguintes periódicos científicos - Encontros Bibli
(UFSC) , Informação e Contexto (UFRGS). Membro parecerista dos periódicos científicos Perspectivas em Ciência da Informação (UFMG) e Informação & Sociedade: Estudos (UFPB) Revista
do Instituto de Ciência da Informação-ICI/UFBA. Membro do SINAES/MEC. Tem experiência docente
na área de Ciência da Informação, com ênfase nos temas: Usos e Impactos da Informação,
Epistemologia da Ciência da Informação , Fundamentos Teóricos da Ciência da Informação e
Competência Informacional. Na área da Biblioteconomia atua nas disciplinas: OAB I, OAB II,
Planejamento Bibliotecário, Marketing, Gestão da Informação e Métodos e Técnicas de Pesquisa.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Capacidade de gerenciar os ativos intangíveis da organização compatibilizando as demandas do
mercado, a missão da organização e os perfis de competência dos recursos humanos que mantém a
dinâmica organizacional.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
Em termos amplos constitui a grande dinâmica rede de ações da organização. Especificamente,
gerencia (planejamento, organização, coordenação, comando, controle) os conteúdos de informação
(em formatos variados), possibilitando com isto a acesso/uso eficiente dos mesmos.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Conhecer estratégias de gestão de unidades de informação, domínio de línguas estrangeiras,
dominar o manuseio de tecnologias de informação e educação continuada. Basicamente a
preparação viria através dos conteúdos da área de gestão de unidades de informação. Mas a
formação completa de um profissional não passa apenas pelo desenvolvimento de habilidades
(função da universidade), mas também e principalmente por meio do desenvolvimento de uma
postura pro ativa dos profissionais no sentido de buscar sempre a atualização de seus conhecimentos
profissionais.
.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
4)
64
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
A respeito da sua indagação penso que as universidades deveriam estimular via cursos de pósgraduação o estudo/pesquisa sobre o tema "gestão do conhecimento e os cursos de graduação
devem criar disciplinas que contemplem os conteúdos desta área. Estudos constantes sobre o
mercado de trabalho também é um estratégia importante, pois permite que o ensino conheça e
procure atender as demandas do mesmo.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
65
ELISABETE DA CRUZ NEVES
Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(1996) e mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Pontifícia Universidade Católica
de Campinas (2002). Atualmente é Bibliotecária da Universidade de São Paulo. Tem experiência na
área de Ciência da Informação. Atuando principalmente nos seguintes temas: bibliotecário, formação
profissional, gestão do conhecimento, habilidades e competências, perfil e profissionais da
informação
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Dentre várias definições encontradas na literatura, a GC pode ser entendida como o processo de
captação e organização do capital intelectual que reside na organização, ou seja, o conhecimento
tácito e explícito tanto individual como coletivo, as competências individuais e a experiência que cada
pessoa possui, utilizando este conhecimento para o desenvolvimento da organização e dos
profissionais.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
O Bibliotecário tem papel fundamental no processo de GC, já que possui habilidades para identificar o
conhecimento explícito na organização, assim como, competência para identificar onde este
conhecimento pode ser aproveitado da melhor maneira, além de outras habilidades comportamentais
que esperamos encontrar no profissional da informação atualizado e comprometido, como por
exemplo, postura pró-ativa, capacidade de liderança e bom relacionamento interpessoal.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Com relação ao perfil profissional para atuar na GC, não é necessária uma formação acadêmica
específica, mas alguns requisitos são importantes, como o conhecimento de outros idiomas,
habilidades com tecnologias da informação, habilidades administrativas, constante atualização
profissional e ainda com relação a estes requisitos mencionados acima, busca pela atualização na
formação superior, como por exemplo, cursos de pós-graduação e participação em eventos da área
são essenciais. Para o perfil pessoal, coloco alguns que considero importantes para o profissional ter
em mente, como bom relacionamento interpessoal dentro da organização, ter postura pró-ativa,
compartilhar conhecimentos, comprometimento com o seu serviço, ética profissional, profissionalismo
e motivação.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
4)
66
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
É preciso que as universidades incorporem em seus currículos estudos sobre GC, o exemplo de
práticas em GC, começar a desenvolver nos alunos habilidades e requisitos que são importantes não
só para a Gestão do Conhecimento como para outros segmentos, assim, os novos profissionais terão
oportunidade de ampliar o campo de atuação.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
67
GABRIELA BELMONT DE FARIAS
Mestre em Ciência da Informação pela UFSC (2007). Experiência em atividades relacionadas a
gestão da informação e padronização do processo de fluxo de informação, conforme a ISO
9001:2000. Desenvolve pesquisa na área de Ciência da Informação, nos seguintes temas:
Profissional da Informação, Gestão da Informação/Conhecimento e Competências Profissionais.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Para mim a GC é a e criação de ferramentas e programas que incentivam as pessoas de um
determinado ambiente divulgar a informação tácita adquirida através das experiências profissionais e
do conhecimento adquirido ao longo da vida.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
Na execução de práticas de GC estabelecendo a recepção de canais de recebimento e disseminação
da informação, entre outros.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Criatividade, ousadia, conhecimento técnico, facilidade de comunicação, domínio das tecnologias de
informação e comunicação.
.
4)
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Buscar visualizar as técnicas de organização da informação nos ambientes não tradicionais e fazer
com que os alunos desenvolvam habilidades de adaptar as técnicas aprendidas para realidade do
mercado de trabalho.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
68
MICHELY JABALA MAMEDE VOGEL
Mestre em Ciência da Informação pela ECA-USP (2007), possui graduação em Biblioteconomia pela
Universidade de São Paulo (2002). Tem experiência na área de Ciência da Informação, com ênfase
na elaboração de vocabulários controlados (tesauros e taxonomias). Organiza informações, de
diversas naturezas e tipos, para sites e também para acervos físicos. Trabalhou na empresa Terra
Fórum Consultores com práticas de gestão do conhecimento através do uso de taxonomias.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
GC é uma área que se ocupa da organização e administração de informações pertinentes ao um
contexto, com o objetivo de otimizar as operações desse contexto, e de aprender e gerar novos
conhecimentos e possibilidades de ganhos (principalmente no caso de organizações com fins
lucrativos) com tais informações. Para isso, lida com tudo aquilo que pode se informação para a
geração de conhecimento, desde aquela em formatos mais tradicionais, como livros, artigos,
relatórios, até pessoas em si.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
O bibliotecário pode contribuir com os processos de GC com médotos para organização e
recuperação das informações geridas. pode oferecer propostas para a formação de bancos de dados,
normalização, e desenvolvimento de linguagens documentárias para a busca dessas informações
específicas. Gostaria de lembrar que hoje as linguagens documentárias vão além da questão de
assunto, lidando também com outros aspectos da informação classificada, como função, durabilidade,
etc.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Acredito que tem de ser uma pessoa comunicativa, pois terá de recolher informações dentro da
instituição onde trabalha e por isso falar com muitas pessoas diferentes, sobre atividades diversas.
Tem de ter poder de síntese e saber sistematizar as informações recolhidas. Profissionalmente, é
recomendável ter conhecimento de desenvolvimento de linguagens documentárias, boas noções de
banco de dados e internet, tanto para busca, mas principalmente para poder fazer recomendações
sobre o desenho do banco de dados e interfaces.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
4)
69
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Acredito que a principal mudança nas universidades é o estudo da informação, isto é, entender que
informação pode ser qualquer coisa que seja interessante para um grupo. Muitas vezes, os
estudantes formam-se acreditando que só saberão lidar com informações contidas em materiais
tradicionais de biblioteca, e esquecem que podem aplicar várias das metodologias aprendidas a
outros suportes, até ao ser humano. Afinal, podemos catalogar, classificar, indexar e administrar o
quer que seja, desde que com objetivos e critérios claros.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
70
SIMONE L. ANDRADE MACIEIRA
Consultora de Gestão do Conhecimento do SEBRAE Maranhão, Especialista em Planejamento
Educacional e Bacharel em Biblioteconomia. .
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Em linguagem bem biblioteconômica eu diria que é a reunião, o registro, a organização e a
disseminação do conhecimento de um determinado ramo de atividade produzido pelos técnicos e
cientistas de uma empresa ou instituição com o propósito exclusivo de dotar essa empresa ou
instituição de um saber ou tecnologia mais apurado, mais preciso, basicamente com os objetivos da
competitividade, evitando o desperdício econômico, de recursos humanos, o retrabalho e
proporcionando a criatividade, a pesquisa e a experiência na busca de novas e específicas
tecnologias.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
Na minha compreensão o bibliotecário é o profissional mais afeito à organização e disseminação da
informação, dos conhecimentos produzidos e registrados em suportes concretos como o papel, o
filme, a fita, o disco etc, assim como, é o que mais trabalha com os serviços de referência e de
conhecimento de usuário, sem diminuir é claro a competência do administrador, museólogo,
arquivista, jornalista e mais recentemente os profissionais da ciência da informática e da computação.
Entretanto, ainda necessitará possuir uma cultura geral bastante eclética; especializar seu
conhecimento no uso dos serviços de sistemas e tecnologia de informação e aperfeiçoar-se o mais
profundamente possível nos conhecimentos produzidos pela instituição á qual prestará seus serviços
ou consultoria de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Ser um profissional atualizado que: acompanhe as novas tecnologias de acesso ás
informações; acompanhe e compreenda as políticas públicas do estado, de seu município e do país
voltadas ao ramo de atividade da sua instituição; não perca de vista as mudanças legislativas da sua
profissão, do ramo de negócio e mais especificamente da atividade fim da instituição na qual exerça
suas funções; acompanhe os avanços científicos e tecnológicos da sua profissão e do ramo de
atividade em que atue sua empresa; observe, conheça e acompanhe o desenvolvimento do mercado
local, nacional e internacional - se grande empresa, relativo ao ramo de atuação da instituição a qual
preste seus serviços; usar a grande rede como ferramenta vital na busca e disseminação das
informações inerentes às atividades relativas à gestão do conhecimento do ramo da atividade de sua
instituição; estar sempre se aperfeiçoando e se especializando na sua profissão e na atividade de sua
empresa, órgão ou instituição e enfim estar sempre atualizado com o mundo usando sua visão
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
71
holística e de conhecimentos gerais na busca de novos caminhos, descobrindo novas e inovadoras
saídas;
.
4)
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Tenho por entendimento que a universidade por mais simples que seja o seu curso, é, especialmente
para nós, país do terceiro mundo, um ganho determinante no desenvolvimento de um povo. Por outro
lado, as nossas universidades devem ser mais ágeis e adaptarem permanentemente e de preferência
na velocidade dos avanços científicos e tecnológicos os seus currículos de tal sorte, que possam
produzir conhecimentos úteis para o desenvolvimento da comunidade na qual estejam inseridas e a
comunidade por seu turno buscar as universidades para participarem das experiências e do
desenvolvimento das atividades dos seus negócios.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
72
TODESKA BADKE
Possui mestrado em Ciência da Informação – UFMG (1983), graduação em Biblioteconomia pela
UFES (1978). Atua desde 2000 como consultora de negócios para empresas de consultoria e
prestação de serviços, atuando na captação de clientes e criação de novos serviços. Estruturou,
administrou e atuou como diretora Comercial
de empresas
de
Consultoria
em
gestão de
informações, por doze anos.
1)
Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento?
Resposta: Podemos começar pelo o que não é gestão do conhecimento:
•
Não é TI - Tecnologia da Informação.
•
Não é Gestão de Pessoas.
•
Não Inteligência Competitiva e muito menos Business Intelligence...
•
E uma série de outras coisas que falam, mas que no final não conseguem aplicar...
•
E também é certo que não é mais uma sigla que vem da moda empresarial e desaparece...
Afinal o que é?
Definimos a Gestão do Conhecimento como os métodos, estratégias com o objetivo de gerenciar
(Criar condições favoráveis) para que os atores (Funcionários, Empresários etc.) de um negócio e ou
processo produtivo tranformem o conhecimento (acumulado, vivido, trabalhado etc.) em ativos (Bens
tangíveis). Portanto a Gestão do Conhecimento existe para definir as melhores condições para que o
conhecimento seja criado, sociabilizado, externizado dentro da empresa tranformando-o de tácito em
explícito, ou seja, de algo sem valoração para algo com valoração dentro do processo produtivo.
2)
Onde se insere o bibliotecário na GC?
Para começar o Bibliotecário tem papel fundamental na descrição das fontes de conhecimento, bem
como na classificação dos mesmos. Hoje enfrentamos o excesso de informações, portanto o
Bibliotecário á bussola necessária ao acesso à informação correta para que se tome a decisão
precisa e se agrege valor aos produtos e serviços disponibilizados ao cliente.
3)
Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na
GC?
Falar que precisa ser dinâmico, generalista e trabalhar em equipe é cair no terreno comum. Pois isso
é que se espera de qualquer profissional... Mas o profissional em Gestão do Conhecimento é criativo
e inovador capaz de ver a empresa como um todo e capaz de ver a informação e conhecimento como
parte integrante do produto e ou serviço final disponibilizado ao cliente. Ex. Um portal é feito só de TI?
Claro que não é feito principalmente de conteúdo informacional e de conhecimento.
Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas
4)
73
Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão
desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor
preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado?
Um choque de realidade. Porque a Universidade não pode se abster da realidade empresarial...
Temos que promover a constante aproximação entre Universidade e empresa... Temos que aprender
que a sociedade atual é a sociedade e economia do conhecimento, mas também do resultado. Não
somos bibliotecários apenas somos profissionais que agrega valor à empresa e damos retorno sobre
o investimento. Devemos defender a eficiência, a eficácia e a efetividade de nossas atuações para
que tenhamos valorização do profissional bibliotecário na tomada de decisão nas empresas
brasileiras.
Download

universidade federal de pernambuco recife 2008 sandryne