UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUÁRIO A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA: a prática profissional em questão RECIFE 2008 SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUÁRIO A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA: a prática profissional em questão Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Curso de Biblioteconomia do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco, como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Biblioteconomia. Orientador: Prof. Dr. Fábio Mascarenhas e Silva RECIFE 2008 Dedico a Deus, meus pais e minha irmã. Agradecimentos AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus pela saúde, oportunidades, tristezas e alegrias e pela benção de ter escolhido Ary e Vera para serem os meus pais nesta encarnação, pois se outras vidas eu tiver e puder escolher, eles serão os meus eleitos. A Soraya, minha irmã que tanto amo, admiro e sinto falta e Sávio, meu cachorro, companheiro e amigo, presente de Deus. Aos Bernardinos, Barretos e Januários, meu orgulho, minha família. A Danielle Freire e Renata Perazzo, minhas amigas - irmãs e por terem sido, como meu pai diz, as únicas a não abandonarem o barco no momento mais delicado da minha vida. A Davi, por tudo que o nosso amor foi capaz de vencer e pelo que você representa na minha história. A Nathália Sena pela amizade, companheirismo, lágrimas, sorrisos e “roubadas” e pelos momentos inesquecíveis que vivemos juntas nesses últimos anos! Aos professores Fábio Mascarenhas, meu orientador e amigo, pelas palavras, conversas, risadas, ensinamentos, incentivo e confiança; Marcos Galindo, pela semente plantada e colocada à luz do sol, você é muito importante pra mim ; Suzana Schimit pela competência, compromisso e didática, meu sincero respeito e admiração ; Waldomiro Vergueiro, pelo apoio, indicações de literatura e de profissionais, carinho e atenção ; Aldo Barreto, por ter sido tão prestativo, interessado e atencioso com minha pesquisa ; Eliany Alvarenga pela atenção, carinho e pela imensa contribuição com este estudo. Agradecimentos À Biblioteca do Tribunal de Justiça de Pernambuco, em especial à Fátima Vasconcelos, Laís Laureano e Roseane Canejo, minhas mestras profissionais. A Juliana Guimarães do Lima & Falcão Advogados, pela atenção, confiança, respeito e amizade. A Rose Oliveira, Rezilda Rodrigues e Carmem Fonseca da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC), regionais São Paulo e Pernambuco, respectivamente. Às colaboradoras especiais deste trabalho, Elisabete Neves, Eliany Alvarenga, Danielle Ferreira, Todeska Badke e Michely Vogel, que além de participarem deste estudo me fizeram admirar ainda mais, através de suas idéias e pontos de vista, a vertente humana desta profissão sob o prisma da gestão do conhecimento, muito obrigada de coração! “Podemos ser conhecedores com o conhecimento dos outros, mas não podemos ser sábios com a sabedoria dos outros”. Michael Montaigne Resumo RESUMO Apresenta os conceitos e temas relacionados à Gestão do Conhecimento (GC) a partir da ótica da Ciência da Informação focando a prática profissional bibliotecária. Analisa a inserção dos bibliotecários no ambiente da GC, apontando a importância do profissional da informação redefinir seus objetivos, possuir uma nova postura, desenvolver determinadas habilidades e competências pessoais e profissionais exigidas pela GC e investir em sua educação continuada. Demonstra ainda pontos de vistas de bibliotecários que atuam e/ou estudam este tema, contextualizando a participação do bibliotecário em práticas de GC. Palavras-chave: Gestão do Conhecimento – Profissional da Informação – Bibliotecário – Sociedade do Conhecimento – Habilidade e Competência. Abstract ABSTRACT Explains the concepts and issues related to the Knowledge Management (KM) under Information Science`s aspect, through professional Information Science`s practice. It analyzes the librarian’s penetration in the KM environment, pointing the importance of the information professional in redefining their goals, developing a new attitude and some professional and personal skills and competences required by KM and also investing in their continuing education. It also shows the point of view of librarians who serve and/or study this issue, explaining the participation of the librarian in KM practices. Keywords: Knowledge Management - Professional Information – Librarian – Knowledge Society - Skill and Competence. Lista de Siglas LISTA DE SIGLAS BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CBO Classificação Brasileira de Ocupações CEFET PE Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco CESPE Centro de Seleção e Promoção de Eventos CHESF Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CI Ciência da Informação COVEST Comissão de Processos Seletivos e Treinamentos ENANCIB Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação FCC Fundação Carlos Chagas FGV Fundação Getúlio Vargas GC Gestão do Conhecimento GED Gerenciamento Eletrônico de Documentos IPAD Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico MTE Ministério do Trabalho e Emprego PETROBRÁS Petróleo Brasileiro S.A PI Profissional da Informação SLA Special Libraries Association SNBU Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias UFPE Universidade Federal de Pernambuco TI Tecnologia da Informação SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 11 2 OBJETIVOS 13 2.1 Objetivo Geral 13 2.2 Objetivos Específicos 13 3 JUSTIFICATIVA 14 4 METODOLOGIA 15 5 GESTÃO DO CONHECIMENTO 16 5.1 Histórico 18 5.2 Conceitos Fundamentais para a Gestão do Conhecimento 19 5.2.1 Dado, Informação e Conhecimento 19 5.2.2 Ativos Intangíveis 21 5.3 Tipos de Conhecimentos 23 5.3.1 A Teoria da Conversão do Conhecimento 24 5.4 A Tecnologia da Informação para a Gestão do Conhecimento 26 5.5 Perfil do Profissional da Gestão do Conhecimento 27 6 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A BIBLIOTECONOMIA: 30 PARTICULARIDADES E SEMELHANÇAS 6.1 Perfil do profissional bibliotecário na gestão do conhecimento: 30 habilidades e competências 6.2 A atuação do bibliotecário como gestor do conhecimento: da 35 teoria à prática 6.3 Os concursos públicos para bibliotecários e a gestão do 47 conhecimento 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 50 7.1 Recomendações e sugestões de pesquisa 52 REFERÊNCIAS 54 APÊNDICE A - Questionário 60 APÊNDICE B - Apresentação e Respostas das Entrevistadas 61 Introdução 1 11 INTRODUÇÃO O cotidiano das organizações bem como da nossa vida pessoal é organizado e fundamentado nas informações e conhecimentos que possuímos. É a partir dessas informações e conhecimentos que podemos tomar decisões simples ou complexas. Na esfera empresarial as informações estão sendo cada vez mais reconhecidas como “produto de valor lucrativo”, pois a informação possibilita a formação de conhecimentos que agregam eficácia no planejamento estratégico das ações, na tomada de decisões, na geração de novos produtos e serviços. Considerando a globalização e as novas tecnologias de comunicação, a oferta e o acesso constante às novas informações vêm tornando-se não apenas um benefício, mas também um aspecto negativo para as empresas. O excesso de informação gera, na maioria das vezes, perda de tempo e de foco estratégico. Neste sentido, Bem (2005, p.9) observa que a oferta excessiva de informação é um problema, uma vez que o seu tratamento e organização é um processo difícil para as empresas. A autora afirma ainda que se faz necessário a existência de profissionais, métodos e técnicas que auxiliem as empresas a encontrarem o que precisam dentro ou fora da organização, bem como pessoas capazes de filtrar estas informações tornando-as disponíveis. Como ferramenta facilitadora neste processo de filtragem, gerenciamento e contextualização, a Gestão do Conhecimento (GC) habilita as organizações a identificarem o conhecimento que circula nos seus departamentos, setores (o conhecimento tácito) explicitando-o àqueles que o necessitam ou o desejam para uso de maneira estratégica. Para Silva (2002, p.13), através das práticas de GC as empresas podem identificar o conhecimento, as experiências e os talentos das pessoas disponibilizando-os por meio de banco de dados, portais do conhecimento, entre outros meios de registro e disseminação. Quando uma empresa decide utilizar práticas de GC, ela passa a aproveitar melhor seus próprios recursos, sem necessitar terceirizar determinados serviços, reaproveitando tudo que pode ser compartilhado. Porém, para um resultado Introdução 12 satisfatório destes processos, a figura do gerente ou gestor do conhecimento é fundamental. Diante do exposto, podemos caracterizar brevemente este profissional como alguém que precisa: estar sempre bem informado e atualizado (para lidar com informações e conhecimentos); relacionar-se bem com pessoas (visando gerenciar o conhecimento internalizado para externalizá-lo, para tanto terá que ser comunicativo); ser organizado (para lidar simultaneamente com grandes volumes de informações e conhecimentos); lidar bem com tecnologia (para gerenciar diversos suportes de informação e conhecimento facilitando o acesso aos mesmos). Além das citadas, outras características pessoais e profissionais serão estudadas no decorrer deste trabalho. Considerando o que foi dito, acreditamos que o profissional da informação bibliotecário, cuja matéria prima de sua profissão é a informação, se enquadrará neste perfil apresentado se desenvolver habilidades e competências específicas para atuar como gestor do conhecimento. Tais habilidades e competências serão discutidas no decorrer desta pesquisa. Por fim, ressalta-se que serão demonstrados neste estudo, conceitos relacionados à vertente teórica da GC que são aceitos pela Ciência da Informação (CI), bem como discussões sobre aspectos comuns entre a Biblioteconomia e a GC através do perfil pessoal e profissional de seus profissionais e do ponto de vista de bibliotecários que atuam e/ou estudam práticas de GC. Objetivos 2 13 OBJETIVOS Objetivo Geral Discutir os conceitos relacionados à Gestão do Conhecimento, demonstrando-o como um novo conjunto de procedimentos na atuação do profissional da informação bibliotecário e apresentar potenciais oportunidades de aplicação das ferramentas de Gestão do Conhecimento na atividade profissional bibliotecária. Objetivos Específicos ◘ Discutir os principais conceitos relacionados à Gestão do Conhecimento a partir do referencial teórico adotado pela Ciência da Informação, colaborando assim com o enriquecimento do tema; ◘ apresentar as atividades, habilidades e competências comuns à Gestão do Conhecimento, relacionando-as com a atuação profissional bibliotecária, demonstrando oportunidades de aplicação; ◘ analisar opiniões de profissionais bibliotecários que estudam e/ou atuam no desenvolvimento de práticas de Gestão do Conhecimento no intuito de justificar a relevância do tema proposto neste trabalho. Justificativa 3 14 JUSTIFICATIVA Dentre as razões que motivaram nosso interesse para estudarmos o tema GC na área da CI está o fato do profissional bibliotecário possuir características pessoais e profissionais favoráveis ao desenvolvimento de práticas de GC. O bibliotecário possui formação compatível para desenvolver e executar práticas de GC seja em unidades de informação tradicionais – bibliotecas, arquivos, centro de documentação - ou em áreas estratégicas de uma organização como departamentos de tecnologia da informação, desenvolvimento de projetos, planejamento estratégico, entre outros, ou ainda atuando como consultor organizacional. Porém, é necessário que o bibliotecário reformule conceitos, idéias e atitudes pessoais e profissionais, desenvolvendo uma postura pró-ativa, dinâmica e criativa voltada a suprir às necessidades informacionais e corresponder aos objetivos da instituição em que atua, adaptando-se às transformações ocorridas na Sociedade do Conhecimento. Assim, consideramos que este trabalho pode contribuir com a ampliação das atividades profissionais desenvolvidas por bibliotecários em organizações, oferecendo indicações de práticas de GC que podem ser úteis para àqueles que desejam atuar como gestores do conhecimento, participando efetivamente das tomadas de decisões organizacionais e obtendo maior reconhecimento profissional. Metodologia 4 15 METODOLOGIA Para executarmos este estudo, realizamos uma revisão de literatura sobre os principais conceitos, autores (nacionais e internacionais) e demais assuntos relacionados à GC, principalmente nas áreas da Ciência Administrativa e da CI. Foram analisados artigos científicos, anais de congressos, capítulos de livros, matérias de jornais, sites, apresentações em eventos, monografias, dissertações e teses. As teses e dissertações consultadas foram da área de CI, Administração e Engenharia de Produção. Quanto à pesquisa sobre as atividades profissionais dos bibliotecários em práticas de GC, selecionamos as entrevistadas a partir da leitura de trabalhos das mesmas que foram publicados em periódicos, capítulos de livros e anais de congressos. Identificamos o e-mail das autoras (em alguns casos foi necessário conferirmos com o e-mail informado no Currículo Lattes) e entramos em contato com aquelas cujos textos estavam estreitamente relacionados ao objetivo deste trabalho. Aplicamos um questionário (apêndice A) enviado por e-mail e posteriormente foi feita uma análise e comparação das respostas das entrevistadas relacionando-as com os conceitos sobre GC encontrados na revisão de literatura. Gestão do Conhecimento 5 16 GESTÃO DO CONHECIMENTO A informação e o conhecimento sempre foram elementos importantes no cotidiano de todas as sociedades vividas (agrícola, industrial, globalizada). É provável apenas que nunca tenhamos avaliado o quanto sempre valorizamos estes elementos em nossas vidas. Na cultura indígena, os índios transmitiam seus conhecimentos e experiências sociais às suas tribos através daqueles que detinham a sabedoria do grupo, como por exemplo, os pajés. Estes transmitiam (geralmente de forma oral), conhecimentos e experiências relevantes para sua comunidade. Assim, tal conhecimento foi e continua sendo transmitido e compartilhado de geração a geração até os dias atuais, visando sempre o interesse coletivo. Durante as pesquisas sobre a pré-história, pesquisadores se preocuparam em entender, através das pinturas rupestres, o que as informações contidas nas cavernas queriam dizer. Buscou-se interpretar o que os homens daquela época queriam informar através dos registros pictográficos e a partir do entendimento do significado destes registros, diversos fatos históricos relevantes para a história da humanidade foram descobertos. Atualmente, dentro de outro contexto – o globalizado - a Sociedade da Informação e do Conhecimento valoriza o conhecimento internalizado na mente das pessoas como forma de agregar valor às organizações, lucro e diferencial competitivo. O estudo de como administrar este conhecimento de forma estratégica é denominado de GC. Segundo Hommerding (2002, p.4), a GC pode ser definida como um conjunto integrado de ações que visa a identificar, capturar, gerenciar e compartilhar todo o ativo de informações de uma organização. Essas informações podem estar sob a forma de banco de dados, documentos impressos e, principalmente, nas pessoas através de suas experiências, habilidades, relações pessoais e fundamentalmente de suas vivências. Já para Figueiredo (2005, p.4) a GC é um estilo de gestão e liderança coerente baseado e preocupado com a valorização e os cuidados com o saber e seus detentores, com a aprendizagem, a produção, aplicação e proteção dos conhecimentos. No que concerne especificamente às organizações, Chiavenato (2000, p.681) define a GC como um processo integrado destinado a criar, organizar, Gestão do Conhecimento 17 disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da organização. Complementando a idéia de Chiavenato, Fleury e Oliveira Jr. (2001, p.144) definem a GC como um processo que visa identificar, desenvolver, disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa. A GC é uma ferramenta que cria meios para a superação das dificuldades organizacionais, como transportar, transferir, comercializar ou armazenar o conhecimento. O conhecimento precisa, ainda, estar no local e no tempo certo e a sua disseminação precisa contribuir para elevar a produtividade da organização em decorrência da otimização dos seus processos (SILVA FILHO; SILVA, 2005, p. 30). A GC é um tipo de gestão que envolve compreensão, estímulo e empatia com os processos humanos básicos de criação e aprendizado individual e coletivo (TERRA, 2001, p.237). De forma geral, a GC é uma ferramenta estratégica utilizada pelas empresas para criar, identificar, coletar, organizar, disponibilizar e compartilhar o conhecimento relevante para os objetivos organizacionais. Faz-se necessário assim a inserção de profissionais aptos, com habilidades e competências pessoais e profissionais específicas para gerenciar este ciclo que auxilia, entre outros aspectos, nas tomadas de decisões e na geração e/ou qualificação de produtos e serviços. Tais habilidades e competências serão exploradas na seção 6. Gestão do Conhecimento 5.1 18 Histórico Por volta da década de 1960, Peter Drucker, um dos mais importantes teóricos da Ciência Administrativa, afirmou que a sociedade industrial do pós-guerra estava evoluindo e transformando-se numa sociedade de serviços e logo em seguida se transformaria numa sociedade da informação (NONAKA; TAKEUSHI, 1997, p.50). Paralelo a nova sociedade que estava por vir, as tecnologias de comunicação e informação, advindas da Segunda Guerra Mundial, desenvolviam-se rapidamente e com elas surgiam facilidades operacionais, contudo muitos problemas também. Com a popularização da internet nos anos 90, muitas empresas começaram a sofrer com o excesso de informações, pois as mesmas dedicavam esforços para filtrar o que era, de fato, relevante aos seus objetivos. Nesse contexto surgem os princípios e fundamentos da GC que tiveram como principais ambientes de estudos e debates, o Japão e os Estados Unidos. Segundo Prax (2004), esperava-se que a GC solucionasse os problemas de fluxo excessivo de informações e otimizasse os processos através da reutilização das melhores práticas operacionais. Ainda de acordo com o citado autor, com o passar do tempo as pessoas descobriram que armazenar os dados isolados, resultantes do excesso de informação, não tinha valor, pois tais dados precisavam ser contextualizados, dotados de significados e que a contextualização se realizava na mente das pessoas, através de suas experiências de vida, habilidades, qualificações e compartilhamento. Assim, o estudo e a prática da GC ganharam força e adeptos em todo o mundo No Brasil, o estudo e aplicação da GC é algo relativamente novo, mas que já conquistou um importante espaço no cenário empresarial. Na pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2003 com as 500 maiores empresas brasileiras, identificou-se que 81% dos executivos entrevistados acreditavam na importância da utilização de práticas de GC nas organizações. 15% das empresas entrevistadas possuíam sistemas de GC implantados e outros 34% estavam em processo de criação. A pesquisa constatou ainda que 50% das empresas acreditam que o maior ganho da GC é a transferência do conhecimento para toda a empresa e 15% acredita que o maior objetivo é a redução no tempo das decisões (LAPA, 2003). Gestão do Conhecimento 19 Em 2004, uma comissão de 20 executivos brasileiros (liderados por José C. Terra da TerraFórum Consultores) foi à França para discutir e apresentar experiências bem sucedidas de práticas de GC no país. Dentre as empresas representadas estavam a Petróleo Brasileiro S.A (PETROBRÁS), o Banco Bradesco, a Sadia e o Credicard (O ESTADO, 2004, p.6). Os estudos e as práticas de GC tornaram-se consistentes adquirindo credibilidade nos diversos segmentos sociais, sejam eles acadêmicos e/ou empresariais. 5.2 Conceitos Fundamentais para a Gestão do Conhecimento Nesta seção discutiremos conceitos de objetos que são fundamentais para a compreensão da GC, são eles: dado, informação e conhecimento. 5.2.1 Dado, Informação e Conhecimento A premissa para o estudo da GC está no discernimento e entendimento do que é dado, informação e conhecimento. “Um dos maiores desafios das organizações atualmente é a seleção e organização dos dados e informações que serão úteis no processo de criação e difusão do conhecimento”. (SCHUSTER; SILVA FILHO, 2005, p.19). É importante salientar que os principais teóricos do tema, no âmbito da GC, ainda são da Ciência Administrativa e que na CI os autores exploram principalmente os conceitos de informação e de conhecimento. Dado é o termo menos debatido, acreditamos que tal fato seja, entre outros aspectos, devido à informação ser considerada o objeto de estudo da CI e o conhecimento o fruto resultante da informação. Porém, acreditamos que o dado é um conceito importante no estudo da GC e merece ser mais estudado e explorado pela CI, pois acreditamos que o dado seja a origem da informação, logo, sem dados não há informação e conseqüentemente, sem informação não haverá conhecimento. Le Coadic (2004, p.4) conceitua a informação como um conhecimento inscrito (registrado) em forma escrita (impressa ou digital), oral ou audiovisual, em um suporte. O autor afirma ainda que a informação comporta um elemento de sentido, um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita Gestão do Conhecimento 20 em um suporte espacial-temporal : impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Quanto ao conhecimento, Le Coadic afirma ser este o resultado do ato de conhecer, ato pelo qual o espírito apreende um objeto. Para ele, conhecer é ser capaz de formar a idéia de alguma coisa, é tê-la presente no espírito e isso pode ir da simples identificação (conhecimento comum) à compreensão exata e completa dos objetos (conhecimento científico). Por outro lado, Barreto (2002a, p.18) define a informação como “uma estrutura simbolicamente significante com a competência e intenção de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo e na sociedade”. Ainda sobre a informação, Barreto afirma entendê-la como um instrumento modificador da consciência do indivíduo e de seu grupo social, pois sintoniza o homem com a memória do seu passado e com as perspectivas de seu futuro. Já o conhecimento, segundo o autor, é o destino da informação e é organizado em estruturas mentais por meio das quais um sujeito assimila a “coisa” informação (BARRETO, 2002b, p.19). Para o autor, a condição “informação” passou a priorizar a geração de conhecimento no indivíduo partindo da informação. Neste sentido, Barreto (2002a, p.69.) afirma que Conhecer é um ato de interpretação individual, uma apropriação do objeto informação pelas estruturas mentais de cada sujeito. Estruturas mentais não são pré-formatadas, no sentido de serem programadas pelos genes. As estruturas mentais são construídas pelo sujeito sensível, que percebe o meio. A geração de conhecimento é uma reconstrução das estruturas mentais dos indivíduos realizado através de suas competências cognitivas, ou seja, é uma modificação em seu estoque mental acumulado, resultante de uma interação com uma forma de informação. Esta reconstrução pode alterar o estado de conhecimento do indivíduo, ou porque aumenta seu estoque de saber acumulado, ou porque sedimenta o saber já estocado, ou porque reformula um saber anteriormente estocado. Os autores norte-americanos Thomas H. Davenport e Laurence Pruzak são bastante citados nos estudos relacionados à GC, tanto na Ciência Administrativa como na CI. Para eles, dado, informação e conhecimento são coisas distintas e as organizações necessitam discernir estes conceitos para garantir a eficácia do processo de aprendizagem na GC (DAVENPORT ; PRUZAK, 1998, p.2). Gestão do Conhecimento 21 Davenport e Pruzak (1998, p.2) entendem que os dados formam um: [...] conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos e que, eles, por si só, tem pouca relevância ou propósito. Porém, os dados são importantes para as organizações porque são a matéria-prima essencial para a criação da informação e somente tornam-se informação quando o seu criador lhes acrescenta significado. Quanto à informação, os autores a destacam como dados que fazem a diferença cuja finalidade é mudar a percepção do receptor da informação sobre algo, proporcionando mudanças no seu julgamento e comportamento. Já o conhecimento é definido pelos autores como uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual, a qual proporciona uma estrutura para avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Os autores afirmam ainda que o conhecimento origina-se e aplica-se apenas na mente dos conhecedores. Nas organizações ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. 5.2.2 Ativos Intangíveis Os ativos intangíveis podem ser definidos como os recursos (conhecimentos, tecnologias, recursos humanos) empregados pela empresa em seu processo produtivo, sendo sua correta aplicação geradora de resultados na forma de produtos (tangíveis e/ou intangíveis). Apesar disso, os ativos intangíveis externos seriam o resultado percebido pelo cliente no produto e/ou serviço ofertado, sendo esta uma avaliação perceptível subjetiva (DIAS JR; POSSAMAI, 2004, p. 7). Corroborando com Dias Jr. e Possamai, Hommerding (2001, p.100.) afirma que todos os ativos e estruturas, sejam eles tangíveis ou intangíveis, são resultantes da atividade humana. Os resultados das ações das pessoas, com o objetivo de serem apresentados ao mundo, podem ser tangíveis (cultivar jardins, um carro novo, etc.) ou intangíveis (idéias, relacionamentos com outras pessoas, etc.). Além do conhecimento em si, as habilidades, as competências, a cultura, os valores são alguns dos ativos intangíveis que fazem parte dos processos de GC. Estes ativos são fundamentais nas práticas gerenciais e são inerentes, organizacionalmente, aos seres humanos. Na figura 1, Moura (2000) apresenta três Gestão do Conhecimento 22 ativos intangíveis da GC e como cada um atua independentemente nas organizações. Esforços em Melhorias Modelos, Conceitos e Processos Cultura e Valores Sistemas de Gerenciamento Sistemas de Suporte em Geral Sistemas de Gerenciamento da Informação Estrutura Interna Estrutura Externa Competências Individuais e Coletivas Competências e Habilidades Atitudes Experiência Conversão de Conhecimento Tácito em Conhecimento Explícito. Aprendizagem com outras pessoas e clientes Compartilhamento Sociabilização e Coletivização. Esforços direcionados e Relacionamento com clientes Reputação construída (imagem) Aliança com Clientes e Fornecedores: ¾ Compartilhamento de informações ¾ Novos conceitos ¾ Resolução conjunta de problemas ¾ Projetos ¾ Novos Produtos Figura 1: Três Ativos Intangíveis para a Gestão do Conhecimento Fonte: Moura (2000) Como podemos observar na figura 1, para realizar as atividades relacionadas aos três ativos intangíveis apresentados, faz-se necessário um profissional capacitado para lidar com sistemas de informação, organização e disseminação de informações, capacidade de lidar com pessoas, de trabalhar em equipe, etc. Assim, vemos no profissional da informação bibliotecário possibilidades reais de participação ativa nestes processos, porém o desenvolvimento de novas habilidades e atitudes (pessoais e profissionais) é essencial para exercer um bom trabalho enquanto gestor do conhecimento. O estudo detalhado destas competências e habilidades do profissional bibliotecário enquanto gestor do conhecimento será apresentado na seção 6. Gestão do Conhecimento 5.3 23 Tipos de Conhecimento Dentre os ativos intangíveis no contexto da GC o que mais se destaca é o conhecimento, que é categorizado em tácito e explícito. O conhecimento tácito é aquele contido na cabeça das pessoas e é relativo às experiências, valores, crenças do indivíduo. Segundo Figueiredo (2005, p.48), o conhecimento tácito é criado e compartilhado em torno das relações, das interações entre os humanos e o mundo à sua volta. Ainda de acordo com o autor, o conhecimento tácito é construído através de experiências práticas e de trocas espontâneas entre as pessoas, propiciadas e proporcionadas pelo ambiente em que estão inseridas. Pela natureza do conhecimento tácito, ele é um tipo de conhecimento difícil de ser estruturado e administrado, pois é peculiar a cada pessoa, não há como ter controle total sobre os mesmos, nem mesmo saber em que nível de quantidade e de qualidade ele existe. Geri-lo é um dos principais desafios da GC visto que o conhecimento interno, do capital intelectual da organização, é o foco e a essência da GC. Para um uso eficaz desse conhecimento nas empresas é necessário, segundo Figueiredo (2005, p.52) [...] mapear o conhecimento tácito relevante; identificar as melhores maneiras para transferir o conhecimento tácito; examinar e eliminar os inimigos do conhecimento tácito; escolher as melhores iniciativas necessárias à conversão do conhecimento tácito em explícito; entre outras ações. Já o conhecimento explícito é aquele representado através de dados e informações em variados suportes digitais ou analógicos. De acordo com Figueiredo (2005, p.52), o conhecimento explícito é O conhecimento resultante do conhecimento tácito. Pode ser a materialização ou representação do conhecimento de alguém para que seja transferido, transmitido, comunicado, visualizado, armazenado, preservado, compreendido e assimilado por outros. O conhecimento explícito é o resultado do conhecimento antes contido nas cabeças das pessoas. Para que o conhecimento explícito seja gerado é necessário que seu “dono” contribua no processo de explicitação do conhecimento e esteja de acordo que este seja transferido a outro. O conhecimento explícito é considerado como o estado mais nobre da informação, pois é uma informação com propósito focalizado, com potencial de agregar valor aos objetivos da organização. O conhecimento explícito é o resultado Gestão do Conhecimento 24 de um conhecimento que já foi tácito e que voltará a ser quando for assimilado e apreendido em novas mentes que poderão gerar novos conhecimentos explícitos. Assim o ciclo nunca termina, é constante, inovador e reciclável. É importante salientar que a explicitação do conhecimento é impossível sem a participação do conhecedor, entretanto a participação de profissionais que facilitem este processo é fundamental, daí a importância de um gestor, nesse contexto o gestor do conhecimento, para mediar este processo organizacional. Nonaka e Takeuchi (1997, p.67) afirmam que o conhecimento é criado por meio da interação entre o conhecimento tácito e o explícito, assim os autores criaram uma teoria denominada de teoria da conversão do conhecimento, que será adiante explicada. 5.3.1 Teoria da Conversão do Conhecimento A teoria da conversão do conhecimento, conforme pode ser observado na figura 2, é composta por quatro modos diferentes: socialização, externalização, combinação e internalização. Conhecimento tácito em Conhecimento Explícito Conhecimento Tácito Socialização Externalização Internalização Combinação do Conhecimento Explícito Figura 2: Teoria da Conversão do Conhecimento Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p.69) Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, p.67), os modos de conversão do conhecimento podem ser explicados da seguinte maneira: Gestão do Conhecimento 25 ◘ Socialização: conversão do conhecimento tácito em tácito A socialização é um processo de compartilhamento de experiências. O indivíduo adquire conhecimento a partir do conhecimento tácito dos outros, sem utilizar a linguagem. Por exemplo, os aprendizes trabalham com seus mestres e aprendem sua arte não através da linguagem, mas sim pela observação, imitação e prática. ◘ Externalização: conversão do conhecimento tácito em explícito A externalização é um processo de articulação do conhecimento tácito em conceitos explícitos. A externalização cria o conhecimento à medida que o conhecimento tácito se torna explícito expressado através de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos. Neste modo de conversão, utilizamos a linguagem para contextualizar o conhecimento tácito e a escrita é uma forma de conversão por externalização. ◘ Combinação: conversão do conhecimento explícito em explícito A combinação é um processo de sistematização de conceitos em um sistema de conhecimento. Os indivíduos trocam e combinam conhecimentos através de meios como documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação computadorizadas. ◘ Internalização: conversão do conhecimento explícito em tácito A internalização é o processo de incorporação do conhecimento explícito no tácito. Para que o conhecimento explícito se torne tácito, é necessária a verbalização e o registro do conhecimento sob forma de documentos, manuais ou histórias orais. A documentação – através do registro do conhecimento e da leitura do mesmo - ajuda os indivíduos a internalizarem suas experiências, aumentando assim seu conhecimento tácito. Além disso, documentos facilitam a transferência do conhecimento explícito para outras pessoas, ajudando-as a vivenciar indiretamente a experiência dos outros (ou seja, “reexperimentá-las”). Gestão do Conhecimento 26 É importante esclarecer as diferenças entre conhecimento tácito e conhecimento explícito, visto que o princípio básico da GC é o compartilhamento do conhecimento tácito do capital intelectual das organizações e a transformação deste conhecimento em explícito por meio de documentos, base de dados, portais corporativos, fóruns de discussão, entre outros, sempre voltados para os objetivos da instituição. Assim, a utilização de práticas de conversão dos conhecimentos tácitos em explícitos e vice versa, através de profissionais capacitados em lidar com informação e conhecimento é fundamental no sucesso da implantação de práticas de GC. 5.4 A Tecnologia da Informação para a Gestão do Conhecimento Durante a década de 1960, a Tecnologia da Informação (TI) se desenvolveu nas empresas, contudo neste período as opções em termos de hardware e softwares eram poucas (REINHARD, 1996, p.5). Em meados de 1990, a informação obteve um reconhecimento diferenciado nas organizações, coincidindo com a época em que a internet foi popularizada e que iniciaram as discussões sobre GC. Nesta mesma década, segundo Silva et al. (2002, p.57) [...] a utilização da TI tornou-se um fator essencial para as organizações, uma vez que a informação começou a ser tratada como um ativo importante na disseminação e disponibilização, tornando-se um diferencial fundamental nos mercados competitivos. No contexto da GC, as ferramentas da TI operacionalizam uma atividade meio essencial, pois é através delas que os conhecimentos e as informações geradas (fase inicial) são disseminados e compartilhados colaborando na execução de determinadas atividades (fase final) como tomadas de decisões, correção de erros, mudanças de foco, etc. Para Davenport e Pruzak (1998, p.149), a GC é muito mais que tecnologia, contudo a tecnologia faz parte da GC. Como meio facilitador de comunicação interna e externa, a TI tem uma papel determinante no principal objetivo da GC: o compartilhamento. Neste sentido, Teixeira Filho (2001, p.105) afirma que uma das funções da TI no âmbito da GC é “ajudar no desenvolvimento do conhecimento coletivo, tornando mais fácil para as pessoas na organização, compartilharem problemas, perspectivas, idéias e soluções”. O autor afirma ainda que as tecnologias úteis à GC são aquelas que proporcionam a integração de Gestão do Conhecimento 27 pessoas, que ajudam a prevenir a fragmentação da informação e permitem criar redes globais para o compartilhamento do conhecimento. Davenport e Pruzak (1998, p.76) complementam a opinião de Teixeira Filho quando declaram que “a mais valiosa função da tecnologia não GC é estender o alcance e aumentar a velocidade da transferência do conhecimento”. Como a GC é uma ferramenta estratégica, as tecnologias voltadas para esta prática também devem ser estratégicas, objetivas e fáceis de utilizar. Para Silva et. al (2002, p.60), a TI objetiva o trânsito das informações nas “veias” das empresas de forma rápida e segura visando facilitar atividades tais como troca de idéias e experiências, soluções de problemas e inovação.Os portais corporativos, os e-mails, blogs, as videoconferências, as listas de discussão, o Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED), os bancos de dados são alguns exemplos de TI que proporcionam interação, troca, compartilhamento e disseminação de informações e conhecimentos explícitos que são fundamentais para um resultado eficaz de práticas de GC nas organizações. 5.5 Perfil do Profissional de Gestão do Conhecimento A GC é composta por um conjunto integrado de ações que visa o compartilhamento das informações e dos conhecimentos explícitos internos da organização. Por ser um conjunto integrado, requer uma equipe multidisciplinar que atue nas diversas etapas de implantação de práticas de GC como a captura, a organização, o tratamento, a disseminação e o compartilhamento do conhecimento do capital intelectual. Na Sociedade da Informação e do Conhecimento as qualificações acadêmicas e técnicas não são mais suficientes para um bom desempenho profissional, as características cognitivas são cada vez mais importantes e valorizadas nas organizações. Segundo Zabot e Silva (2002, p. 91) é preciso investir não mais em “tarefeiros”, mas em verdadeiros “ trabalhadores do conhecimento”, capazes de cumprir com eficácia tanto suas tarefas habituais quanto agregar valor ao trabalho, por meio de uma postura empreendedora e criativa. Os profissionais que atuam com práticas de GC entendem a organização como uma produtora de conhecimentos e seus funcionários deixam de ser meros trabalhadores técnicos para serem trabalhadores produtores e consumidores de conhecimento. Neste sentido, Davenport e Pruzak (1998, p.133) afirmam que o Gestão do Conhecimento 28 trabalhador do conhecimento é aquele profissional capaz de transformar informação em conhecimento, transformar mão-de-obra em cérebro de obra. Assim, o foco deste profissional é extrair o conhecimento tácito, explicitá-lo e torná-lo acessível de forma estruturada para que este possa ser usado, preservado e aprimorado ao longo do tempo. Para Nonaka e Takeuchi (1997, p.176), os profissionais do conhecimento são aqueles que geram e acumulam diariamente tanto o conhecimento tácito como o explícito, funcionando como verdadeiros arquivos vivos. A maioria destes profissionais atua na linha de frente da empresa, o que significa que estão em contato direto com o mundo exterior, podendo assim acessar informações mais atualizadas sobre o desenvolvimento do mercado, da tecnologia e da concorrência. Os autores afirmam ainda que os profissionais do conhecimento devem ter as seguintes qualificações: ◘ Elevado padrão intelectual; ◘ forte noção de comprometimento para recriar o mundo segundo sua própria perspectiva; ◘ ampla variedade de experiências, tanto dentro quanto fora da empresa; ◘ habilidade na condução de diálogos com os clientes e com os colegas dentro da empresa; ◘ devem ser abertos para conduzir discussões e debates com outras pessoas. Já para Terra (2005, p.32) as habilidades que o trabalhador do conhecimento deve ter são: ◘ Acesso efetivo à informação; ◘ avaliação e validação da informação; ◘ organização e proteção da informação; ◘ atuação em rede: colaboração, publicação e disseminação da informação. Gestão do Conhecimento 29 Terra apresenta ainda o que significa cada uma dessas habilidades como pode ser observado abaixo: ◘ Acesso efetivo da informação: definição de foco e uso de conceitos associativos / elaboração de questões pertinentes / técnicas de busca e estratégias de busca / uso de redes de colaboração virtual; ◘ avaliação e validação da informação: capacidade de julgamento, interpretação e questionamento / compreensão e uso de fontes de informação e referências / técnicas de teste e validação da informação / uso de redes de colaboração e validação pelos pares; ◘ organização e proteção da informação: receber, filtrar, classificar e armazenar a informação / manter atualizado listas de contato e de “quem sabe o que” / desenvolver métodos e rotinas para manter a informação valiosa protegida e facilmente recuperável; ◘ atuação em rede (colaboração, publicação e disseminação da informação): habilidades de escrita, comunicação e síntese / publicar de forma apropriada para diferentes tipos de suportes (impresso, digital, multimídia) / decidir sobre alvos de comunicação e interação / trabalhar de forma síncrona e assíncrona. Indiferente deste profissional ser denominado um “trabalhador do conhecimento”, “profissional do conhecimento” ou qualquer outra denominação, a função maior do profissional que atua com práticas de GC é o compartilhamento do conhecimento do capital intelectual da organização em que trabalha. Neste estudo, utilizaremos o termo “gestor do conhecimento” no contexto do profissional que atua com GC. Assim, estudaremos a seguir as particularidades e semelhanças existentes entre o gestor do conhecimento e o profissional da informação bibliotecário, tendo este último, na GC, novas oportunidades de atuação profissional nas organizações. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 6 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A 30 BIBLIOTECONOMIA: PARTICULARIDADES E SEMELHANÇAS Neste capítulo discutiremos o perfil do profissional da informação bibliotecário, bem como habilidades e competências (profissionais e pessoais) descritas na literatura como necessárias para se desenvolver práticas de GC. Também identificaremos no perfil do gestor do conhecimento características em comum com o profissional bibliotecário. Apresentaremos ainda práticas de GC que podem ser realizadas por bibliotecários e a opinião de profissionais que estudam e/ou atuam com tais práticas. Finalizaremos a seção demonstrando como os concursos públicos para o cargo de bibliotecário têm requisitado (nas suas provas de conhecimentos específicos) a compreensão sobre a GC e assuntos correlatos. 6.1 Perfil do profissional Bibliotecário na Gestão do Conhecimento: habilidades e competências Apesar de não ser um conceito novo, nos últimos anos o termo competência tem sido bastante utilizado para descrever características necessárias a uma pessoa para desenvolver determinadas atividades. Segundo Mello (2003) a competência é a capacidade que temos de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para que possamos agir de modo pertinente numa determinada situação. Ainda de acordo com a autora, competências e habilidades pertencem à mesma família e a diferença entre elas é determinada pelo contexto. Exemplificando a diferença entre os dois termos, Mello afirma que: A competência de resolução de problemas envolve diferentes habilidades – entre elas a de buscar e processar informações. Mas a habilidade de processar informações, em si, envolve habilidades mais específicas, como leitura de gráficos, etc. Logo, dependendo do contexto em que está sendo considerada, a competência pode ser uma habilidade. Ou vice-versa. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 31 No contexto informacional, as organizações requerem profissionais com habilidades e competências para melhor promoverem o fluxo de informações existentes nas mesmas. Nesse sentido, a competência e a habilidade referem-se “as formas de gerenciar de maneira inteligente as informações obtidas e conseqüente conhecimento gerado e incorporado pela empresa” (REZENDE, 2002, p.122). Complementando esta definição, Mello (2003) afirma que para sermos competentes, “precisamos dominar conhecimentos, mas também devemos saber mobilizá-los e aplicá-los de modo pertinente a cada situação.” Ainda segunda a autora, a dimensão da competência é aprender e ser apreendida e a competência só pode ser apreendida na prática, não sendo apenas o saber em si que fará a competência e sim o saber fazer. Para Beluzzo (2005, p. 31), competência informacional se constitui em: [...] lidar com o ciclo informacional, com as tecnologias da informação e com os contextos informacionais, o que é considerada como condição sine qua non no rol de competências dos mais variados profissionais, atividades e organizações. Numa Sociedade de Informação e do Conhecimento, a competência informacional não está relacionada exclusivamente aos profissionais da informação, ela é necessária a qualquer atividade profissional, visto que a informação está inserida em nosso cotidiano nas mais diversas formas. Particularmente, a competência informacional está atrelada às atividades baseadas em informação, como as atividades bibliotecárias. Quanto aos profissionais da informação (PI), a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)¹, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atualizada em 2002, reconhece como PI o bibliotecário (código 2612-5), o documentalista (código 2612-10) e o analista de informações (pesquisador de informações em rede – código 2612-15). O bibliotecário tem como sinônimos na CBO 2002 as seguintes designações: Bibliógrafo, Biblioteconomista, Cientista de informação, Consultor de informação, Especialista de informação, Gerente de informação, Gestor de informação. __________________________________________ ¹ www.mtecbo.gov.br/busca/descricao.asp?codigo=2612 - 17k A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 32 A CBO define-os como: Pessoas que disponibilizam informação em qualquer suporte gerenciam unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de informação e correlatos além de redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais; disseminam informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do conhecimento; [...]. Quanto às habilidades e competências dos profissionais da informação, diversos autores como Guimarães (2000), Valentim (2000), Santos (2000), Farias (2007) e Neves (2001) discorrem sobre o perfil do profissional da informação bibliotecário voltado para a atuação em organizações, sempre levando em consideração a globalização e o avanço tecnológico. Neste trabalho, optou-se em discutir as competências profissionais descritas pela SLA (Special Libraries Association) citadas por Gonzáles e Tejada (2004, p.102), cuja publicação intitulada Competências para Bibliotecários Especializados no Século XXI causou grande repercussão mundial. A SLA classificou as competências bibliotecárias em profissionais e pessoais, quanto às profissionais (pertinentes aos objetivos deste trabalho) destacam-se: ◘ Conhecer o conteúdo dos recursos de informação, assim como ter capacidade de avaliá-los e filtrá-los criticamente; ◘ conhecer o material especializado apropriado para o tema da organização e do cliente; ◘ desenvolver e gerenciar serviços de informação que são convenientes, acessíveis e efetivos baseados no custo e relacionados com a direção estratégica da organização; ◘ orientar e apoiar usuários da biblioteca e dos serviços de informação; ◘ avaliar as necessidades, desejos, serviços e produtos de informação com valor agregado para satisfazer as necessidades identificadas; ◘ utilizar tecnologia de informação apropriada para adquirir, organizar e disseminar informação; A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 33 ◘ utilizar modelos apropriados para comunicar à administração superior, a importância dos serviços de informação; ◘ desenvolver produtos de informação especializados para o uso dentro e fora da organização e por clientes particulares; ◘ avaliar os efeitos do uso da informação e investigar as soluções aos problemas relacionados com a gerência da informação; ◘ melhorar continuamente os serviços de informação em resposta às mudanças e necessidades; ◘ ser um membro efetivo da equipe administrativa superior e um consultor da organização com respeito aos assuntos da informação. Além das competências profissionais que podem ser adquiridas através de treinamentos e experiências profissionais, as competências pessoais também estão relacionadas aos valores, as atitudes e a postura que permitem ao profissional da informação bibliotecário trabalhar com eficácia e eficiência organizacional. Dentre as competências pessoais descritas pela SLA, aquelas pertinentes a este estudo são: ◘ Dedicar-se a excelência de seus serviços; ◘ buscar desafios e identificar novas oportunidades dentro e fora da biblioteca; ◘ reconhecer a informação útil para a criatividade dos indivíduos; ◘ reconhecer que a biblioteca é parte do processo de tomada de decisão; ◘ buscar associações e alianças; ◘ criar um ambiente de respeito mútuo e confiança; ◘ ter habilidades efetivas de comunicação; ◘ trabalhar bem em equipe; ◘ atuar como líder; ◘ planejar, definir prioridades e ter senso crítico; A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 34 ◘ dedicar-se ao aprendizado permanente e ao aperfeiçoamento de sua carreira; ◘ ter habilidades comerciais e criar novas oportunidades; ◘ reconhecer o valor da comunicação e da solidariedade profissional; ◘ ser flexível e positivo em períodos de mudanças contínuas. Observa-se que essas competências podem ser aplicadas em qualquer âmbito profissional que lide efetivamente com a informação e o conhecimento, bem como com o seu compartilhamento e disseminação. Dentre as habilidades apresentadas, várias delas também se referem ao profissional gestor do conhecimento, como as habilidades de comunicação, liderança, espírito empreendedor, capacidade de trabalhar em equipe, habilidade comercial, uso de tecnologia da informação, organização da informação e disseminação da informação. Após apresentar o perfil profissional e pessoal do bibliotecário e do gestor do conhecimento, discutiremos algumas semelhanças importantes entre o profissional da informação bibliotecário e o gestor do conhecimento quanto as suas habilidades e competências. As habilidades de comunicação, interatividade e criatividade do profissional da informação bibliotecário e do gestor do conhecimento, tornam-os aptos para trabalhar em equipe, desenvolver projetos de liderança e de motivação de pessoal. Para Neves (2001, p. 45), uma das principais semelhanças entre o bibliotecário e o gestor do conhecimento é o fato de ambos profissionais adotarem habilidades de julgamento, criatividade e intuição nas suas atividades, seja trabalhando com a informação ou com o conhecimento, pois ao trabalhar com um dos dois recursos é preciso identificar para quem e o quê será útil e como aproveitálo da melhor maneira. Outra habilidade inerente aos dois profissionais reside no fato deles trabalharem com informações. Identificando-as, compartilhando-as e conhecendo bem o conteúdo dos recursos informacionais, além de fazerem uso eficiente de tecnologias de informação e comunicação. A habilidade de argumentação, de negociação e de entrevista, observadas comumente no bibliotecário de referência, também é uma característica comum entre estes profissionais visto que é através A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 35 dessas habilidades que o bibliotecário e o gestor do conhecimento identificam oportunidades, ameaças e desafios para a organização em que atua. O compromisso com o acesso, a ética e o direito à informação também faz parte das semelhanças entre o bibliotecário e o gestor do conhecimento já que ambos precisam assegurar em suas atividades que a informação correta (filtrada e contextualizada ) chegue no tempo certo, ao cliente certo, num custo justo, de modo a agregar valor aos objetivos da organização. 6.2 A atuação do Bibliotecário como gestor do conhecimento: da teoria à prática Nesta seção discutiremos sobre a atuação do profissional bibliotecário em práticas de GC. Para tanto apresentaremos os pontos de vistas de bibliotecários que estudam ou atuam no desenvolvimento de práticas de GC e a partir das respostas ² destes profissionais explanaremos algumas considerações que julgamos como importantes. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Entrevistado Danielle Thiago Ferreira Resposta [...] É compartilhar, administrar o capital intelectual de um determinado segmento e saber como armazenar esse conhecimento e inteligência, para recuperá-lo e disseminá-lo de uma maneira rápida e dinâmica. Eliany Alvarenga de Araújo Capacidade de gerenciar ativos intangíveis da organização compatibilizando às demandas do mercado, à missão da organização e aos perfis de competência dos recursos humanos que mantém a dinâmica organizacional. ___________________________________________ ² As respostas completas e a apresentação aos autoras podem ser encontradas no Apêndice B. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças Elisabete da Cruz Neves 36 [...] processo de captação e organização do capital intelectual que reside na organização, ou seja, o conhecimento tácito e explícito tanto individual como coletivo, as competências individuais e a experiência que cada pessoa possui, utilizando este conhecimento para o desenvolvimento da organização e dos profissionais. Gabriela Belmont de Farias É a gerência e criação de ferramentas e programas que incentivam as pessoas de um determinado ambiente divulgar a informação tácita adquirida através das experiências profissionais e do conhecimento adquirido ao longo da vida. Michely Jabala Mamede Vogel É uma área que se ocupa da organização e administração de informações pertinentes a um contexto, com o objetivo de otimizar as operações desse contexto e de aprender e gerar novos conhecimentos e possibilidade de ganho [...] com tais informações. Simone L. Andrade Macieira [...] é a reunião, o registro, a organização e a disseminação do conhecimento de um determinado ramo de atividade produzido pelos técnicos e cientistas de uma empresa com o propósito de dotar essa empresa de um saber ou tecnologia mais apurado, preciso [...] evitando desperdício econômico, de recursos humanos, retrabalho [...] Todeska Badke A GC define melhores condições para que o conhecimento seja criado, sociabilizado, na empresa transformando-o de tácito em explícito, ou seja, algo sem valoração para algo com valoração no processo produtivo. A administração, gerência ou gestão do capital intelectual das organizações, bem como o compartilhamento do conhecimento deste capital dentro de um contexto específico é observado como aspecto principal e comum quanto às concepções das entrevistadas a respeito da GC. Eliany Alvarenga acrescenta que esta gerência deve A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 37 ser compatível com as demandas do mercado e à missão da organização, observação importante visto que práticas de GC podem ser desenvolvidas em empresas de diversos segmentos, porém, cada atividade tem suas particularidades mercadológicas e estruturais que devem ser analisadas e compatibilizadas às ações desenvolvidas. Uma determinada prática de GC que pode ser perfeita para uma empresa, pode não ser para outra. O diagnóstico organizacional tem assim papel fundamental para um resultado satisfatório na implantação de programas ou práticas de GC. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? Entrevistado Danielle Thiago Ferreira Resposta O profissional da informação se insere, no momento da armazenagem no registro, da no pensar informação a disponibilização e recuperação da informação. Eliany Alvarenga de Araújo Especificamente, no gerenciamento (planejamento, organização, controle...) dos conteúdos de informação (em formatos variados), possibilitando com isto o acesso /uso eficiente dos mesmos. Elisabete da Cruz Neves O Bibliotecário tem papel fundamental no processo de GC, já que possui habilidades para identificar o conhecimento explícito na organização, assim como, competência para identificar onde este conhecimento pode ser aproveitado da melhor maneira [...]. Gabriela Belmont de Farias Na execução de práticas de GC estabelecendo a recepção de canais de recebimento e disseminação da informação, entre outros. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças Michely Jabala Mamede Vogel 38 Nos métodos para organização e recuperação das informações geridas. Pode oferecer propostas para formação de banco de dados, normalização e desenvolvimento de linguagens documentárias para busca de informações específicas. Simone L. Andrade Macieira [...] Na organização e disseminação da informação, dos conhecimentos produzidos e registrados pela empresa em diversos suportes [...] Todeska Badke Na descrição de fontes do conhecimento, bem como na classificação das mesmas. Dado o excesso de informações, o bibliotecário é a bússola necessária ao acesso à informação correta para que se tome a decisão precisa e agrege valor aos produtos e serviços disponibilizados ao cliente. O planejamento, organização, armazenamento, registro e disseminação de informações são atividades comuns ao profissional bibliotecário. Porém, para a GC, como o próprio nome sugere, não é apenas a informação que deve ser gerenciada, mas também o conhecimento. A externalização (conversão de conhecimento tácito em explícito) é uma atividade que pode ser desenvolvida pelo bibliotecário através de suas habilidades de comunicação, entrevista, síntese, entre outras, transformando o conhecimento do capital intelectual da organização em informações registradas nos mais diversos suportes. A disseminação e disponibilização deste material podem ser realizadas através de recursos disponíveis em bibliotecas, arquivos, banco de dados, sites, portais corporativos, etc. Todeska Badke destaca uma potencial contribuição do profissional bibliotecário na GC quanto à descrição de fontes do conhecimento, bem como na classificação das mesmas. A partir do momento em que o bibliotecário possui habilidades para encontrar fontes de informações pertinentes a sua área de atuação, ao se aproximar mais das pessoas da organização e desenvolver parcerias com outros departamentos da empresa (como o de recursos humanos), saberá onde encontrar também fontes de conhecimento através do mapeamento das competências e habilidades dos funcionários da empresa. Estando o bibliotecário com estas fontes de conhecimento registradas, organizadas, catalogadas, A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 39 indexadas, sabendo “quem sabe mais o quê”, “quem está desenvolvendo o quê”, “quem pode contribuir mais com o quê” em um determinado setor, pode contribuir com a empresa no sentido de (dentre outros aspectos) economizar tempo e dinheiro na procura de um profissional capacitado para desenvolver uma atividade ou projeto específico. Neste sentido, Davenport e Pruzak (1998, p.34) afirmam que os bibliotecários atuam nas organizações como “corretores do conhecimento”, profissionais que colocam em contato vendedores e compradores do conhecimento, ou seja, aqueles que possuem e aqueles que precisam do conhecimento. Os autores afirmam ainda que os bibliotecários agem como corretores do conhecimento disfarçados e que por seu temperamento e seu papel de guia de informações, tem a tarefa de criar contatos pessoa-pessoa e pessoa-texto. Como as bibliotecas corporativas costumam atender a empresa inteira, os bibliotecários estão entre os poucos funcionários que têm contato com pessoas de vários departamentos (DAVENPORT; PRUZAK, 1998, p. 34). Quanto à capacidade intelectual das pessoas de uma organização, muitas vezes a própria empresa desconhece o que há “dentro” dela quanto ao real potencial do seu capital intelectual. E o departamento de recursos humanos nem sempre está preocupado com as informações e conhecimentos produzidos pelos funcionários e sim, normalmente, com dados cadastrais, treinamento, salário, etc. Assim, o bibliotecário pode desenvolver projetos importantes relacionados à produção intelectual do capital humano, dada a sua capacidade de interagir com os diversos setores da empresa, bem como o compartilhamento dessa produção através de apresentações, palestras e reuniões internas organizadas na biblioteca da empresa ou em auditórios e salas de reuniões. Num outro contexto de atuação, conforme citou Michely Vogel, o bibliotecário pode desenvolver atividades relacionadas às linguagens documentárias em práticas de GC para busca de informações específicas com a adoção de taxonomias. Segundo Terra, et.al (2005) a taxonomia é um sistema para classificar e facilitar o acesso à informação e que tem ,dentre outros, os objetivos de representar conceitos através de termos, encontrar consenso e propor formas de controle. O autor afirma ainda que a taxonomia é um tipo de vocabulário controlado que é um instrumento de estrutura semântica que permite organizar, recuperar e comunicar informações dentro de um sistema, a partir de uma lógica específica. Nesse contexto, o A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 40 profissional bibliotecário pode desenvolver, por exemplo, parceria com o departamento de informática, pois a partir do momento que o bibliotecário externaliza o conhecimento tácito e registra-o em um suporte, pode disponibilizá-lo também em meio eletrônico como, por exemplo, no site ou na intranet da empresa. Visando a busca e recuperação dessa informação de forma precisa e eficiente, o bibliotecário pode fazer uso da taxonomia produzindo ou adquirindo um vocabulário controlado da área de atuação da empresa. Conclui-se que o bibliotecário se insere onde há informação e conhecimento, não apenas em materiais tradicionais como livros. E o ser humano é a única fonte de conhecimento – pois o conhecimento é inerente ao homem – cuja própria fonte é também a responsável pela produção de novas informações e conhecimentos de forma cíclica e ininterrupta. Assim, é necessário que bibliotecário atue de forma próativa e dinâmica, valorizando-se profissionalmente enquanto bibliotecário e gestor do conhecimento. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Entrevistado Danielle Thiago Ferreira Resposta O perfil está relacionado a sempre estar aprendendo e a aprender fazendo...se relacionando com as mais diversas áreas posicionar do frente as conhecimento... mudanças saber se tecnológicas, econômicas [...] e a educação continuada é tudo para a sobrevivência e destaque profissional. Eliany Alvarenga de Araújo Conhecer estratégias de gestão de unidades de informação, domínio de línguas estrangeiras, dominar o manuseio de tecnologias de informação e educação continuada. Elisabete da Cruz Neves Com relação ao perfil profissional para atuar na GC, não é necessária uma formação acadêmica específica, mas alguns requisitos são importantes, como o conhecimento de outros idiomas, habilidades com tecnologias da informação, habilidades administrativas, constante atualização profissional [...], busca pela atualização na formação superior, como A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 41 por exemplo, cursos de pós-graduação e participação em eventos da área são essenciais. Para o perfil pessoal, [...] bom relacionamento interpessoal dentro da organização, ter postura pró-ativa, compartilhar conhecimentos, comprometimento com o seu serviço, ética profissional, profissionalismo e motivação. Gabriela Belmont de Farias Criatividade, ousadia, conhecimento técnico, facilidade de comunicação, domínio das tecnologias de informação e comunicação. Michely Jabala Mamede Vogel Ser comunicativa [...], ter poder de síntese e saber sistematizar as informações recolhidas [...] conhecimento de desenvolvimento de linguagens documentárias, boas noções de banco de dados e internet. Simone L. Andrade Macieira [...] Deve acompanhar os avanços científicos e tecnológicos da sua profissão, do ramo de atividade em que atue sua empresa [...] estar sempre se aperfeiçoando e se especializando na sua profissão e na atividade de sua empresa. Todeska Badke O profissional em gestão do conhecimento é criativo e inovador capaz de ver a empresa como um todo e capaz de ver a informação e o conhecimento como parte integrante do produto e ou serviço disponibilizado ao cliente. A interdisciplinaridade é uma das principais características de uma equipe responsável pela implantação de práticas de GC numa organização. Como observou Elisabete Neves, não há uma formação acadêmica específica para gestores do conhecimento, porém, a literatura aponta um número expressivo de administradores de empresa e engenheiros de produção implantando e desenvolvendo práticas de GC em empresas brasileiras como Fonseca (2004), Laspisa (2007), Lara (2001), Sá (2004), Paula (2006) e Gottardo (2000). Na Biblioteconomia, a GC ainda é um campo de atuação pouco explorado, mas já existem bibliotecários desenvolvendo atividades de GC em diversos departamentos de empresas (inclusive em bibliotecas), como: Alvarenga Neto (2005), Castro (2005), Carvalho (2000) e A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 42 Hommerding (2001). Indiferente desses profissionais de GC serem administradores, engenheiros de produção, bibliotecários ou qualquer outra profissão, importa saber que é imprescindível um perfil profissional e pessoal, com habilidades e competências necessárias (discutidas na seção anterior) para que o gestor do conhecimento desenvolva e realize práticas de GC com eficácia organizacional. Quanto ao perfil do profissional bibliotecário como gestor do conhecimento, as entrevistadas citaram, quase que unanimamente como requisitos fundamentais para o bibliotecário atuar com práticas de GC: a educação continuada, o domínio de tecnologias de informação e de línguas estrangeiras. É igualmente importante cursos de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, ou mesmo de especialização, para os profissionais que almejam integrar as equipes responsáveis pelas tomadas de decisões nas empresas. Com relação aos cursos de especialização, ressaltam-se como boas opções para os bibliotecários que desejam atuar na GC, áreas como gestão da qualidade em serviços, gestão de pessoas e marketing de serviços. Ter domínio de softwares voltados ao compartilhamento da informação e do conhecimento organizacional, bem como entender conceitos de banco de dados, redes (internet, intranet, extranet) e assuntos correlatos é fundamental para que o bibliotecário possa desenvolver projetos relacionados à tecnologia. Outro aspecto a se destacar é o domínio de línguas estrangeiras, especialmente a língua inglesa, indispensável para manter-se competitivo no mercado de trabalho. Para o profissional bibliotecário atuar como gestor do conhecimento cabem outras particularidades, como bem observou Todeska Badke, dentre as quais a de entender a empresa como um todo, e a informação e o conhecimento como insumo essencial do produto e/ou serviço a ser ofertado ao cliente. Conscientizar-se efetivamente de que a matéria prima de sua profissão é a informação e o conhecimento, contribuirá para que o bibliotecário desenvolva um perfil pró-ativo, empreendedor e dinâmico que o permita antecipar-se às necessidades informacionais e aos riscos que a falta ou excesso da informação possa trazer à empresa. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 43 4) Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Entrevistado Danielle Thiago Ferreira Resposta Em São Paulo, o tema GC não é mais um assunto top, ou seja, já está incorporado nas atividades e aprendizagem do profissional da informação (principalmente nos cursos de pós-graduação e educação continuada) [...] as ementas dos cursos de graduação e de pós devem ir além da técnica. Eliany Alvarenga de Araújo Penso que as universidades deveriam estimular via cursos de pós-graduação o estudo/pesquisa sobre o tema "gestão do conhecimento” e os cursos de graduação devem criar disciplinas que contemplem os conteúdos desta área. Estudos constantes sobre o mercado de trabalho também é um estratégia importante, pois permite que o ensino conheça e procure atender as demandas do mesmo. Elisabete da Cruz Neves É preciso que as universidades incorporem em seus currículos estudos sobre GC, exemplos de práticas em GC e desenvolvam nos alunos habilidades e requisitos que são importantes não só para a Gestão do Conhecimento como para outros segmentos, assim, os novos profissionais terão oportunidade de ampliar o campo de atuação. Gabriela Belmont de Farias Buscar visualizar as técnicas de organização da informação nos ambientes não tradicionais e fazer com que os alunos desenvolvam habilidades de adaptar as técnicas aprendidas para realidade do mercado de trabalho. Michely Jabala Mamede Vogel Acredito que a principal mudança nas universidades é o estudo da informação, isto é, entender que informação pode ser qualquer coisa que seja interessante para um grupo. Muitas vezes, os estudantes formam-se acreditando que só saberão lidar com informações contidas em materiais tradicionais de biblioteca, e esquecem que podem aplicar várias das metodologias aprendidas a outros suportes, até ao ser humano. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças Simone L. Andrade Macieira 44 [...] Nossas universidades devem ser mais ágeis e adaptarem-se permanentemente e de preferência na velocidade dos avanços científicos e tecnológicos os seus currículos de tal sorte, que possam produzir conhecimentos úteis para o desenvolvimento da comunidade na qual estejam inseridas e a comunidade por seu turno buscar as universidades para participarem das experiências e do desenvolvimento das atividades dos seus negócios. Todeska Badke [...] A universidade não pode se abster da realidade empresarial... Temos que promover a constante aproximação entre Universidade e empresa... Temos que aprender que a sociedade atual é a sociedade e economia do conhecimento, mas também do resultado. Não somos bibliotécários apenas, somos profissionais que agregam valor à empresa e damos retorno sobre o investimento. Devemos defender a eficiência, a eficácia e a efetividade de nossas atuações para que tenhamos valorização do profissional bibliotecário na tomada de decisão nas empresas brasileiras. Aproximar o universo acadêmico do curso de Biblioteconomia ao mercado de trabalho é uma questão de suma importância para discussões e propostas de mudanças. Conforme observou bem Todeska Badke, a universidade não pode se abster da realidade empresarial. E a realidade empresarial das organizações, quanto aos serviços do profissional bibliotecário, é a competência deste profissional em lidar com informações e conhecimentos da organização. Já Michely Vogel destaca a necessidade de mudança nas universidades (no contexto do curso de Biblioteconomia) quanto à compreensão do que seja a informação, que para Vogel pode ser – a informação - qualquer coisa de interesse para um grupo. Dimensionar a visão de que o livro não é matéria prima da profissão e sim o relacionamento entre a informação e o conhecimento, é um desafio às universidades, sobretudo aos cursos de Biblioteconomia. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 45 A GC é assim uma proposta de novas visões, entendimentos, posturas e ações, de modo que os bibliotecários ampliem seus mercados e campos de atuação nas organizações. No meio acadêmico da Biblioteconomia e CI, o tema GC vem conquistando um espaço de discussão, reflexão e produção científica cada vez maior. Somente no segundo semestre do ano de 2007, destacamos a seguir três importantes eventos relacionados à GC. Em Recife, no mês de outubro, foi realizada a V Jornada Norte/Nordeste de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação cujo tema foi “O bibliotecário e as organizações: a gestão da informação e do conhecimento para tomada de decisão”. A jornada contou com cinco áreas temáticas para apresentação de trabalhos. Destas, a que obteve o maior número de trabalhos inscritos e aprovados, 16 (dezesseis) no total, foi a área denominada “habilidades e competências do bibliotecário para gestão da informação e do conhecimento”. Um desses trabalhos, o de Januário e Silva (2007), discutiu a relação entre a GC e a universidade através da análise quantitativa dos cursos de pós-graduação scricto sensu da área de Biblioteconomia e CI no Brasil, cujas linhas de pesquisa e/ou área de concentração focavam-se no estudo da gestão da informação e do conhecimento. As autoras identificaram que dos 11 (onze) programas de pós-graduação scricto sensu em CI no país, apenas 4 (quatro) não oferecem linhas de pesquisa ou disciplinas relacionadas à gestão da informação e do conhecimento. Logo, aproximadamente 80% das linhas de pesquisa dos programas na área abordam a temática ou a incluem como área de concentração. Em outubro de 2007 foi realizado em Salvador, o VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) com o tema: “Promovendo a inserção internacional da pesquisa brasileira em Ciência da Informação”, que buscou refletir a preocupação contemporânea dos programas de pós-graduação da área no sentido de expandir suas atividades e alcançar visibilidade internacional. Dentre os 7 (sete) Grupos de Trabalho (GT) do ENANCIB, o GT4 ³ tratava da Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações . Neste grupo, Marília D. Costa e Gardênia de Castro apresentaram um pôster denominado “Mapeamento de teses e dissertações sobre gestão do conhecimento em cursos de pós-graduação ______________________________ ³ Coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Rodrigues Barbosa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 46 em Ciência da Informação no Brasil”. O objetivo do trabalho foi mapear as teses e dissertações sobre GC defendidas em cursos de pós-graduação em CI no Brasil no período de 2000 a 2006. Dos 11 (onze) programas de pós-graduação em Ciência da Informação no país, 8 (oito) apresentaram teses e/ou dissertações relacionadas à GC. No total, foram identificadas 34 (trinta e quatro) pesquisas, dos quais 11 (onze) teses e 23 (vinte e três) dissertações. O terceiro evento foi o lançamento de um número do periódico Ciência da Informação4 que ocorreu em dezembro de 2007. Nesta edição, dos 13 (treze) artigos publicados, 3 (três) tratam da relação entre a CI e a GC. O volume conta ainda com um relato de experiência sobre práticas de GC numa biblioteca. Pode-se observar que há um interesse crescente do meio acadêmico e científico no sentido de discutir e entender os benefícios que a GC pode agregar à CI e a profissão do bibliotecário. Porém, acreditamos que tal debate já deva ser promovido a partir da graduação e não apenas no estágio de pós-graduações. Registra-se então uma proposta aos cursos de graduação em Biblioteconomia: relacionar a teoria ensinada com a demanda requisitada à academia pelo mercado de trabalho. Tal sugestão não se restringe apenas à inserção do estudo de conceitos e práticas de GC nas grades curriculares dos cursos, mas também a outras práticas compatíveis com as habilidades e competências do bibliotecário. A inserção do estudo da GC e de outras práticas correlatas pode ampliar o escopo de atuação do profissional bibliotecário e valorizar a profissão quanto aos serviços e produtos que ele possa oferecer e desenvolver (no âmbito da informação e do conhecimento) para diversos segmentos empresariais, bem como a aquisição, contextualização, organização e compartilhamento da informação e do conhecimento. _______________________________________ 4 Volume 9, número 1, jan./ abril 2007. A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 6.3 47 Os concursos públicos para Bibliotecários e a Gestão do Conhecimento O crescente número de concursos públicos na esfera federal que surgiu desde o início da gestão do governo do Presidente Lula, a partir de 2003, é resultado de anos sem concursos em órgãos públicos. Outro fator importante para realização de novos concursos foi o déficit de recursos humanos ocasionado pela última reforma da previdência realizada em 2003, reforma esta que motivou muitos servidores à aposentadoria gerando vacância em todas as esferas públicas (federal estadual e municipal). Quanto ao cargo público para bibliotecário, Moreira, Cardim e Dib (2007, p.9) afirmam que no caso específico do bibliotecário, o serviço público tem sido um nicho oportuno de colocação por oferecer vários concursos públicos, com um número significativo de vagas. O interesse dos bibliotecários nesse campo de atuação – órgãos públicos – foi observado por Moreira, Cardim e Dib quando as mesmas apresentaram no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), em 2004, o trabalho intitulado: “A literatura indicada em concursos públicos para bibliotecários: um estudo bibliométrico”. A partir deste estudo inicial, as autoras elaboraram o livro “Concursos público em Biblioteconomia: índice bibliográfico” editado em 2006 pela editora Thesaurus. Em 2007 as autoras lançaram o livro “Concursos públicos em Biblioteconomia: estudo e prática” também pela editora Thesaurus. Gustavo Henn, bibliotecário formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atualmente servidor da Procuradoria Regional do Trabalho da Paraíba, também vem se dedicando ao estudo de concursos públicos na área de Biblioteconomia e tem dois livros publicados sobre o tema, cujo título é “Biblioteconomia para concursos” v.1 e v.2, além de ser editor do blog Concursos Extralibris. 5 Como podemos observar, é crescente o número de estudos sobre concursos públicos na área da Biblioteconomia e isto se deve, em parte, ao grande interesse que há por parte dos bibliotecários pelo tema. Com a autora deste trabalho não foi diferente. O nosso interesse por concursos públicos se iniciou em 2005, ano este em que iniciamos as primeiras investigações sobre o tema central deste estudo: a GC. _______________________________ 5 www.extralibris.org/concursos A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças 48 Durante a resolução de provas de conhecimentos específicos para o cargo de bibliotecário, identificamos a constante solicitação de conhecimentos sobre a GC e assuntos afins, tais como gestão da informação, inteligência competitiva, tecnologia da informação, memória organizacional, capital intelectual, habilidades e competências do novo profissional da informação entre outros. Neste sentido, decidimos verificar a incidência do assunto “gestão do conhecimento” e para tanto selecionamos 14 (quatorze) concursos públicos ocorridos entre janeiro de 2006 e maio de 2007, cujas provas foram aplicadas na cidade do Recife. Destas provas, 06 (seis) apresentaram questões pertinentes ao tema como pode ser observado na tabela abaixo (JANUÁRIO; CORREIA, 2007). Instituição Examinadora Questões de Conhecimentos Específicos Questões sobre GC e correlatos Principais assuntos abordados Governo do Estado de Pernambuco Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico (IPAD) 40 03 GC Comissão de Processos Seletivos e Treinamentos (COVEST) 25 Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Tecnologia da Informação Papel do Gerente Informacional 02 Gestão de Pessoas Capital Intelectual GC Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Fundação Carlos Chagas (FCC) 40 08 Competência Informacional GC Cultura Organizacional Inteligência Competitiva Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) Centro de Seleção e Promoção de Eventos (CESPE) 70 04 Moderno Profissional da Informação Tecnologia da Informação Conhecimento Tácito e Explícito A Gestão do Conhecimento e a Biblioteconomia: particularidades e semelhanças Petróleo Brasileiro S/A (Petrobrás) Fundação Cesgranrio 40 03 49 Aprendizagem Organizacional Inteligência Competitiva GC Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco (CEFET PE) COVEST 20 01 Habilidades do profissional da informação na GC. Tabela 1: A gestão do conhecimento nos concursos públicos para bibliotecário. Fonte: JANUÁRIO e CORREIA (2007, p.8 -11) Através desta pesquisa verificou-se que o tema GC e seus assuntos correlatos estão sendo gradativamente solicitados nas provas de concursos públicos para bibliotecários. Assim, os profissionais bibliotecários interessados em concorrer às vagas em cargos públicos devem estar atentos ao estudo da GC e seus assuntos afins para obterem êxito nos concursos e para que possam acompanhar favoravelmente a demanda dos serviços que irão realizar nas esferas públicas do país. Considerações Finais 7 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir das informações relatadas neste trabalho, acredita-se que os objetivos propostos foram alcançados, permitindo a realização de algumas considerações importantes sobre o tema abordado. Discutidos alguns conceitos de GC adotados pela CI, assim como as definições sobre dado, informação e conhecimento, pôde-se perceber que a GC não é um tema simples. A GC é um assunto complexo, envolvente e vasto que lida muito mais com a capacidade intelectual dos profissionais que atuam com suas práticas do que com as capacidades técnicas dos mesmos. O entendimento dos conceitos de conhecimento tácito e explícito, bem como a diferenciação de aplicação dos quatro tipos de conversão destes conhecimentos são aspectos fundamentais para o desenvolvimento satisfatório de práticas de GC. Quanto a TI, é importante observar que ela é uma ferramenta “meio”, ou seja, facilitadora, fundamental para a comunicação interna e externa da empresa e determinante no compartilhamento das informações e conhecimentos, principal objetivo da GC. Identificado o perfil do profissional que atua com práticas de GC na literatura, conclui-se que este profissional deve ter, entre outros aspectos, amplo conhecimento sobre diversos assuntos; variedade de experiências (tanto dentro quanto fora da empresa); habilidade na condução de diálogos com os clientes e com os colegas de empresa.; acesso efetivo à informação ; capacidade para organizar, proteger, avaliar e validar a informação. Quanto às particularidades e semelhanças entre a GC e a Biblioteconomia, concluiu-se que ambas as áreas têm afinidades significativas relacionadas às atividades práticas profissionais, aos objetivos e compromissos com seus clientes. O perfil – competências e habilidades - do profissional bibliotecário enquanto gestor do conhecimento destaca-se em razão do mesmo conhecer o conteúdo dos recursos de informação, assim como ter capacidade de avaliá-los e filtrá-los criticamente; ter acesso às fontes de informação especializadas para suprir às necessidades informacionais do cliente interno da organização em que trabalha; desenvolver e gerenciar serviços de informação que são convenientes, acessíveis e efetivos baseados no custo e relacionados com a direção estratégica da organização; avaliar Considerações Finais 51 as necessidades, desejos, serviços e produtos de informação com valor agregado para satisfazer as necessidades identificadas; avaliar os efeitos do uso da informação e buscar soluções para problemas relacionados à gerência da informação. Contextualizando a teoria apresentada com a prática profissional, foi aplicado um questionário a bibliotecários que atuam e/ou estudam com práticas de GC no Brasil. De uma maneira geral, as entrevistadas acreditam que GC é a gerência ou gestão do capital intelectual das organizações, bem como o compartilhamento do conhecimento deste capital dentro de um contexto específico. Em relação à inserção do bibliotecário em práticas de GC, as entrevistadas afirmam que o bibliotecário se insere onde há informação e conhecimento, não apenas em materiais tradicionais como livros, mas em suportes eletrônicos e, também, nas pessoas. No que se diz respeito ao perfil pessoal e profissional do bibliotecário que deseja atuar com GC, acredita-se que o mesmo deve conscientizar-se efetivamente de que as matérias primas de sua profissão são a informação e o conhecimento, essa consciência dará ao bibliotecário um perfil pró-ativo, empreendedor, dinâmico, antecipando-se às necessidades informacionais e aos riscos que a falta ou excesso da informação poderão proporcionar à empresa que atua. Já às universidades, cabe o desafio de aproximar o universo acadêmico do curso de Biblioteconomia à realidade do mercado de trabalho dimensionando a visão do profissional quanto às novas possibilidades de práticas profissionais e campos de atuação. Quanto à relação entre a GC e as provas de concursos públicos para bibliotecário, observamos que o tema GC vem ganhando um espaço significante no rol dos conhecimentos específicos solicitados em tais provas, ratificando a importância do bibliotecário conhecer a teoria relacionada à GC, bem como seus assuntos correlatos, tais como capital intelectual, inteligência competitiva, gestão da informação e tecnologia da informação para conseguir, efetivamente, um cargo público, seja este na esfera municipal, estadual ou federal. Finalmente, entende-se a GC como uma ferramenta estratégica organizacional que pode ser desenvolvida e aplicada por diversos profissionais, desde que tenham competências e habilidades pessoais e profissionais específicas, dentre eles, o profissional da informação bibliotecário. A interdisciplinaridade que a CI possibilita aos profissionais da área e as mudanças decorridas da atual Considerações Finais 52 Sociedade da Informação e do Conhecimento contribuem para que o profissional bibliotecário amplie sua atuação em segmentos distintos da GC. Espera-se que as considerações apresentadas neste estudo sejam um ponto de partida e de auto-análise para que os profissionais bibliotecários que desejam atuar com práticas de GC em organizações, se capacitem investindo em educação continuada para ampliarem suas atividades práticas profissionais, bem como desenvolverem novas habilidades e competências (pessoais e profissionais) para manterem-se competitivos no mercado de trabalho. Quanto aos cursos de graduação de Biblioteconomia e CI, espera-se a reflexão dos mesmos no sentido de alterarem e/ou inserirem em suas grades curriculares e programas de disciplinas, o estudo da GC de modo a alinharem a formação dos novos profissionais da informação bibliotecário às necessidades do mercado de trabalho. 7.1 Recomendações e sugestões de pesquisa As informações e debates apresentados nos instigaram a sugerir estudos posteriores que possam dar continuidade às questões nesta pesquisa: ◘ estudar as habilidades e competências de bibliotecários que trabalham na cidade de Recife, procurando identificar se tais habilidades e competências correspondem ao perfil descrito na literatura como necessário para atuar como gestor do conhecimento; ◘ avaliar se os cursos de graduação em Biblioteconomia do Brasil estão correspondendo às atuais demandas do mercado quanto à formação de profissionais bibliotecários; ◘ realizar investigação bibliométrica da produção científica de bibliotecários em livros, anais de congressos, periódicos sobre o tema GC. Considerações Finais 53 Espera-se então que este trabalho estimule a realização de outras pesquisas e que aspectos não contemplados possam ser investigados, contribuindo para o avanço da área de Biblioteconomia e CI, assim como para novas discussões sobre a relação prática profissional entre o bibliotecário e o gestor do conhecimento e a relação acadêmica entre a Biblioteconomia e a GC. Referências 54 REFERÊNCIAS ALVARENGA NETO, Rivadávia Correa Drummond de. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. 2005. 400 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação), Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2005. BARRETO, Aldo Albuquerque. A condição da informação. Revista São Paulo em Perspectiva, Fundação Seade-São Paulo, v. 16, n. 3, p. 67-74, 2002a. BARRETO, Aldo Albuquerque. O tempo e o espaço da Ciência da Informação. Transinformação, Campinas, São Paulo, v. 14, n. 1, p. 17-24, 2002b. 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Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 61 APÊNDICE B Apresentação6 e Respostas das Entrevistadas DANIELLE THIAGO FERREIRA Possui graduação em Biblioteconomia - PUC-Campinas (1999) e Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação - PUC-Campinas (2002). Doutorado em Ciência da Informação pela ECA/USP (2007). Atualmente é profissional da informação do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas e foi professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tem experiência na área de Ciência da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: profissional da informação - mercado de trabalho e perfil e projetos de pesquisa. Editora da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação/ UNICAMP. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Para mim GC, é mais uma frente em que o profissional da informação pode estar atuando... ou seja, é mais uma técnica ou processo administrativo, que pode ser trabalhado, no meu conceito em diferentes ambientes (não só os corporativos e empresariais)...é compartilhar ....é administrar o capital intelectual de um determinado segmento, de um determinado ambiente...e saber como trabalhar, armazenar esse conhecimetno e inteligência, para recuperá-lo e disseminá-lo de uma maneira rápida e dinâmica, é o nosso papel. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? O profissional da informação se insere, no momento da armazenagem da informação no registro, no pensar a disponibilização e recuperação da informação. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Acho que o perfil (como falei muito em meu trabalho) está relacionado a sempre estar aprendendo.. e a aprender fazendo...se relacionando com as mais diversas áreas do conhecimento..saber se posicionar frente as mudanças...tecnológicas, econômicas, mundiais. Estar atento a tudo a sua volta! E claro que conhecimentos técnicos contam... também relacionados às mudanças, pois a educação continuada é tudo para a sobrevivência e destaque profissional! __________________________ 6 Informações da apresentação retiradas do Currículo Lattes das entrevistadas ou enviadas pelas mesmas por e-mail. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 4) 62 Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Bom, Sandryne, não sei quais as opiniões dos docentes e profissionais de sua região. Mas aqui em São Paulo, o tema GC já não é mais um assunto top, ou seja, a GC já está incorporada nas atividades e aprendizagem do PI (principalmente nos cursos de pós-graduação e educação continuada )...o que acho é que as ementas (tanto as de graduação e de pós) devem ir além da técnica. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 63 ELIANY ALVARENGA DE ARAÚJO Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (1986), Mestrado em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (1991) e Doutorado em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (1998). Atualmente é Professora Titular da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, na área de Fundamentos Epistemológicos em Ciência da Informação, Arquivologia e Biblioteconomia. Membro do comitê editorial dos seguintes periódicos científicos - Encontros Bibli (UFSC) , Informação e Contexto (UFRGS). Membro parecerista dos periódicos científicos Perspectivas em Ciência da Informação (UFMG) e Informação & Sociedade: Estudos (UFPB) Revista do Instituto de Ciência da Informação-ICI/UFBA. Membro do SINAES/MEC. Tem experiência docente na área de Ciência da Informação, com ênfase nos temas: Usos e Impactos da Informação, Epistemologia da Ciência da Informação , Fundamentos Teóricos da Ciência da Informação e Competência Informacional. Na área da Biblioteconomia atua nas disciplinas: OAB I, OAB II, Planejamento Bibliotecário, Marketing, Gestão da Informação e Métodos e Técnicas de Pesquisa. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Capacidade de gerenciar os ativos intangíveis da organização compatibilizando as demandas do mercado, a missão da organização e os perfis de competência dos recursos humanos que mantém a dinâmica organizacional. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? Em termos amplos constitui a grande dinâmica rede de ações da organização. Especificamente, gerencia (planejamento, organização, coordenação, comando, controle) os conteúdos de informação (em formatos variados), possibilitando com isto a acesso/uso eficiente dos mesmos. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Conhecer estratégias de gestão de unidades de informação, domínio de línguas estrangeiras, dominar o manuseio de tecnologias de informação e educação continuada. Basicamente a preparação viria através dos conteúdos da área de gestão de unidades de informação. Mas a formação completa de um profissional não passa apenas pelo desenvolvimento de habilidades (função da universidade), mas também e principalmente por meio do desenvolvimento de uma postura pro ativa dos profissionais no sentido de buscar sempre a atualização de seus conhecimentos profissionais. . Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 4) 64 Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? A respeito da sua indagação penso que as universidades deveriam estimular via cursos de pósgraduação o estudo/pesquisa sobre o tema "gestão do conhecimento e os cursos de graduação devem criar disciplinas que contemplem os conteúdos desta área. Estudos constantes sobre o mercado de trabalho também é um estratégia importante, pois permite que o ensino conheça e procure atender as demandas do mesmo. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 65 ELISABETE DA CRUZ NEVES Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1996) e mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2002). Atualmente é Bibliotecária da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência da Informação. Atuando principalmente nos seguintes temas: bibliotecário, formação profissional, gestão do conhecimento, habilidades e competências, perfil e profissionais da informação 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Dentre várias definições encontradas na literatura, a GC pode ser entendida como o processo de captação e organização do capital intelectual que reside na organização, ou seja, o conhecimento tácito e explícito tanto individual como coletivo, as competências individuais e a experiência que cada pessoa possui, utilizando este conhecimento para o desenvolvimento da organização e dos profissionais. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? O Bibliotecário tem papel fundamental no processo de GC, já que possui habilidades para identificar o conhecimento explícito na organização, assim como, competência para identificar onde este conhecimento pode ser aproveitado da melhor maneira, além de outras habilidades comportamentais que esperamos encontrar no profissional da informação atualizado e comprometido, como por exemplo, postura pró-ativa, capacidade de liderança e bom relacionamento interpessoal. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Com relação ao perfil profissional para atuar na GC, não é necessária uma formação acadêmica específica, mas alguns requisitos são importantes, como o conhecimento de outros idiomas, habilidades com tecnologias da informação, habilidades administrativas, constante atualização profissional e ainda com relação a estes requisitos mencionados acima, busca pela atualização na formação superior, como por exemplo, cursos de pós-graduação e participação em eventos da área são essenciais. Para o perfil pessoal, coloco alguns que considero importantes para o profissional ter em mente, como bom relacionamento interpessoal dentro da organização, ter postura pró-ativa, compartilhar conhecimentos, comprometimento com o seu serviço, ética profissional, profissionalismo e motivação. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 4) 66 Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? É preciso que as universidades incorporem em seus currículos estudos sobre GC, o exemplo de práticas em GC, começar a desenvolver nos alunos habilidades e requisitos que são importantes não só para a Gestão do Conhecimento como para outros segmentos, assim, os novos profissionais terão oportunidade de ampliar o campo de atuação. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 67 GABRIELA BELMONT DE FARIAS Mestre em Ciência da Informação pela UFSC (2007). Experiência em atividades relacionadas a gestão da informação e padronização do processo de fluxo de informação, conforme a ISO 9001:2000. Desenvolve pesquisa na área de Ciência da Informação, nos seguintes temas: Profissional da Informação, Gestão da Informação/Conhecimento e Competências Profissionais. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Para mim a GC é a e criação de ferramentas e programas que incentivam as pessoas de um determinado ambiente divulgar a informação tácita adquirida através das experiências profissionais e do conhecimento adquirido ao longo da vida. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? Na execução de práticas de GC estabelecendo a recepção de canais de recebimento e disseminação da informação, entre outros. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Criatividade, ousadia, conhecimento técnico, facilidade de comunicação, domínio das tecnologias de informação e comunicação. . 4) Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Buscar visualizar as técnicas de organização da informação nos ambientes não tradicionais e fazer com que os alunos desenvolvam habilidades de adaptar as técnicas aprendidas para realidade do mercado de trabalho. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 68 MICHELY JABALA MAMEDE VOGEL Mestre em Ciência da Informação pela ECA-USP (2007), possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade de São Paulo (2002). Tem experiência na área de Ciência da Informação, com ênfase na elaboração de vocabulários controlados (tesauros e taxonomias). Organiza informações, de diversas naturezas e tipos, para sites e também para acervos físicos. Trabalhou na empresa Terra Fórum Consultores com práticas de gestão do conhecimento através do uso de taxonomias. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? GC é uma área que se ocupa da organização e administração de informações pertinentes ao um contexto, com o objetivo de otimizar as operações desse contexto, e de aprender e gerar novos conhecimentos e possibilidades de ganhos (principalmente no caso de organizações com fins lucrativos) com tais informações. Para isso, lida com tudo aquilo que pode se informação para a geração de conhecimento, desde aquela em formatos mais tradicionais, como livros, artigos, relatórios, até pessoas em si. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? O bibliotecário pode contribuir com os processos de GC com médotos para organização e recuperação das informações geridas. pode oferecer propostas para a formação de bancos de dados, normalização, e desenvolvimento de linguagens documentárias para a busca dessas informações específicas. Gostaria de lembrar que hoje as linguagens documentárias vão além da questão de assunto, lidando também com outros aspectos da informação classificada, como função, durabilidade, etc. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Acredito que tem de ser uma pessoa comunicativa, pois terá de recolher informações dentro da instituição onde trabalha e por isso falar com muitas pessoas diferentes, sobre atividades diversas. Tem de ter poder de síntese e saber sistematizar as informações recolhidas. Profissionalmente, é recomendável ter conhecimento de desenvolvimento de linguagens documentárias, boas noções de banco de dados e internet, tanto para busca, mas principalmente para poder fazer recomendações sobre o desenho do banco de dados e interfaces. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 4) 69 Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Acredito que a principal mudança nas universidades é o estudo da informação, isto é, entender que informação pode ser qualquer coisa que seja interessante para um grupo. Muitas vezes, os estudantes formam-se acreditando que só saberão lidar com informações contidas em materiais tradicionais de biblioteca, e esquecem que podem aplicar várias das metodologias aprendidas a outros suportes, até ao ser humano. Afinal, podemos catalogar, classificar, indexar e administrar o quer que seja, desde que com objetivos e critérios claros. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 70 SIMONE L. ANDRADE MACIEIRA Consultora de Gestão do Conhecimento do SEBRAE Maranhão, Especialista em Planejamento Educacional e Bacharel em Biblioteconomia. . 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Em linguagem bem biblioteconômica eu diria que é a reunião, o registro, a organização e a disseminação do conhecimento de um determinado ramo de atividade produzido pelos técnicos e cientistas de uma empresa ou instituição com o propósito exclusivo de dotar essa empresa ou instituição de um saber ou tecnologia mais apurado, mais preciso, basicamente com os objetivos da competitividade, evitando o desperdício econômico, de recursos humanos, o retrabalho e proporcionando a criatividade, a pesquisa e a experiência na busca de novas e específicas tecnologias. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? Na minha compreensão o bibliotecário é o profissional mais afeito à organização e disseminação da informação, dos conhecimentos produzidos e registrados em suportes concretos como o papel, o filme, a fita, o disco etc, assim como, é o que mais trabalha com os serviços de referência e de conhecimento de usuário, sem diminuir é claro a competência do administrador, museólogo, arquivista, jornalista e mais recentemente os profissionais da ciência da informática e da computação. Entretanto, ainda necessitará possuir uma cultura geral bastante eclética; especializar seu conhecimento no uso dos serviços de sistemas e tecnologia de informação e aperfeiçoar-se o mais profundamente possível nos conhecimentos produzidos pela instituição á qual prestará seus serviços ou consultoria de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Ser um profissional atualizado que: acompanhe as novas tecnologias de acesso ás informações; acompanhe e compreenda as políticas públicas do estado, de seu município e do país voltadas ao ramo de atividade da sua instituição; não perca de vista as mudanças legislativas da sua profissão, do ramo de negócio e mais especificamente da atividade fim da instituição na qual exerça suas funções; acompanhe os avanços científicos e tecnológicos da sua profissão e do ramo de atividade em que atue sua empresa; observe, conheça e acompanhe o desenvolvimento do mercado local, nacional e internacional - se grande empresa, relativo ao ramo de atuação da instituição a qual preste seus serviços; usar a grande rede como ferramenta vital na busca e disseminação das informações inerentes às atividades relativas à gestão do conhecimento do ramo da atividade de sua instituição; estar sempre se aperfeiçoando e se especializando na sua profissão e na atividade de sua empresa, órgão ou instituição e enfim estar sempre atualizado com o mundo usando sua visão Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 71 holística e de conhecimentos gerais na busca de novos caminhos, descobrindo novas e inovadoras saídas; . 4) Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Tenho por entendimento que a universidade por mais simples que seja o seu curso, é, especialmente para nós, país do terceiro mundo, um ganho determinante no desenvolvimento de um povo. Por outro lado, as nossas universidades devem ser mais ágeis e adaptarem permanentemente e de preferência na velocidade dos avanços científicos e tecnológicos os seus currículos de tal sorte, que possam produzir conhecimentos úteis para o desenvolvimento da comunidade na qual estejam inseridas e a comunidade por seu turno buscar as universidades para participarem das experiências e do desenvolvimento das atividades dos seus negócios. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 72 TODESKA BADKE Possui mestrado em Ciência da Informação – UFMG (1983), graduação em Biblioteconomia pela UFES (1978). Atua desde 2000 como consultora de negócios para empresas de consultoria e prestação de serviços, atuando na captação de clientes e criação de novos serviços. Estruturou, administrou e atuou como diretora Comercial de empresas de Consultoria em gestão de informações, por doze anos. 1) Na sua concepção, o que é Gestão do Conhecimento? Resposta: Podemos começar pelo o que não é gestão do conhecimento: • Não é TI - Tecnologia da Informação. • Não é Gestão de Pessoas. • Não Inteligência Competitiva e muito menos Business Intelligence... • E uma série de outras coisas que falam, mas que no final não conseguem aplicar... • E também é certo que não é mais uma sigla que vem da moda empresarial e desaparece... Afinal o que é? Definimos a Gestão do Conhecimento como os métodos, estratégias com o objetivo de gerenciar (Criar condições favoráveis) para que os atores (Funcionários, Empresários etc.) de um negócio e ou processo produtivo tranformem o conhecimento (acumulado, vivido, trabalhado etc.) em ativos (Bens tangíveis). Portanto a Gestão do Conhecimento existe para definir as melhores condições para que o conhecimento seja criado, sociabilizado, externizado dentro da empresa tranformando-o de tácito em explícito, ou seja, de algo sem valoração para algo com valoração dentro do processo produtivo. 2) Onde se insere o bibliotecário na GC? Para começar o Bibliotecário tem papel fundamental na descrição das fontes de conhecimento, bem como na classificação dos mesmos. Hoje enfrentamos o excesso de informações, portanto o Bibliotecário á bussola necessária ao acesso à informação correta para que se tome a decisão precisa e se agrege valor aos produtos e serviços disponibilizados ao cliente. 3) Qual o perfil pessoal e profissional desejável aos profissionais que querem atuar na GC? Falar que precisa ser dinâmico, generalista e trabalhar em equipe é cair no terreno comum. Pois isso é que se espera de qualquer profissional... Mas o profissional em Gestão do Conhecimento é criativo e inovador capaz de ver a empresa como um todo e capaz de ver a informação e conhecimento como parte integrante do produto e ou serviço final disponibilizado ao cliente. Ex. Um portal é feito só de TI? Claro que não é feito principalmente de conteúdo informacional e de conhecimento. Apêndice B – Apresentação e Respostas das Entrevistadas 4) 73 Considerando a atualidade do tema “gestão do conhecimento” e a crescente discussão desta temática em nossa área, o que você acha que as universidades devem fazer para melhor preparar os profissionais da informação bibliotecários para esse mercado? Um choque de realidade. Porque a Universidade não pode se abster da realidade empresarial... Temos que promover a constante aproximação entre Universidade e empresa... Temos que aprender que a sociedade atual é a sociedade e economia do conhecimento, mas também do resultado. Não somos bibliotecários apenas somos profissionais que agrega valor à empresa e damos retorno sobre o investimento. Devemos defender a eficiência, a eficácia e a efetividade de nossas atuações para que tenhamos valorização do profissional bibliotecário na tomada de decisão nas empresas brasileiras.