PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS MARIA DE LOURDES BRANDÃO E SILVA Pedagogia de Projetos na Educação Infantil CAMPINAS –SP 2006 PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DE CAMPINAS MARIA DE LOURDES BRANDÃO E SILVA Pedagogia de Projetos na Educação Infantil Trabalho apresentado como exigência para obtenção do Título de Psicopedagoga do Curso de Especialização em Educação e Psicopedagogia junto à Faculdade de Educação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sob orientação da Profª Selma Chiavegatto. CAMPINAS -SP 2006 RESUMO Limitando-nos neste estudo sobre Pedagogia de Projetos, suas abordagens e as diferentes formas de articulação que os precedem, é claramente perceptível, nos dias atuais, como os projetos de produção de novos conhecimentos baseiam-se em propostas que rompem as fronteiras disciplinares e que, pela sua flexibilidade, permitem dialogar com diferentes áreas do conhecimento, proporcionando um trabalho coletivo e adaptação a novos desafios que buscam soluções para os problemas propostos ou daqueles que surgem aleatoriamente durante a construção do projeto. Sem perder de vista as limitações impostas pela estrutura do sistema educacional e das próprias instituições de educação infantil, este enfoque ilustra possibilidades de uma ação psicopedagógica, na busca para contemplar a identidade do ser em desenvolvimento, entendida como investigação sobre a importância de suas ações nos processos de ensino e aprendizagem. Palavras-chaves: Pedagogia de Projetos. Educação Infantil. Intervenção Psicopedagógica. SUMÁRIO 1. Introdução .................................................................................. 5 3. Fundamentação Teórica ............................................................ 11 4. Metodologia ............................................................................... 44 5. Proposta de Intervenção Psicopedagógica ................................ 46 5.1 – Apresentação do Caso ............................................... 47 5.2 – Objetivos a serem atingidos ........................................ 49 5.3 – Desenvolvimento do Trabalho de Intervenção ................ 50 6. Proposta de Intervenção: “ Pedagogia de Projetos como Práxis do Trabalho Docente ” ...................................................... 6.1 - Identificação da necessidade diagnóstica 6.2 – Justificativa 56 ............ 57 ..................................................... 57 6.3 – As dificuldades e possibilidades para ensinar e aprender neste contexto .............................. ..... 6.4 – Levantamento das expectativas em questão 7. Considerações Finais 58 ........ 59 ............................................................... 61 8. Referências bibliográficas ......................................................... 63 5 INTRODUÇÃO Observa-se a demanda por uma práxis de trabalho que valorize o trabalho coletivo, a construção do conhecimento e o uso de termos como “projetos didáticos” ou “projetos pedagógicos” no contexto escolar, no entanto, não se vê na prática uma atuação suficientemente coerente com uma Pedagogia de Projetos que possa re-significar a prática do professor e atender os desejos e as necessidades das crianças, como também conduzi-las à aquisição de uma aprendizagem individual, coletiva e significativa. Surge então, a necessidade da pesquisa, a fim de politizá-la no ambiente educacional e conscientizar a comunidade escolar de sua importância nas funções de cuidar e de educar específicas da educação infantil. As atitudes relacionadas aos cuidados, a educação, à higiene e à alimentação, na educação infantil, devem ser valorizadas e respeitadas pela pré-escola, contudo, as atividades orientadas e as brincadeiras não podem aprendem ser e esquecidas, recriam pois enquanto acontecimentos e brincam, as expressam crianças emoções, pensamentos, desejos e necessidades. E é, através dessas expressões, que surge a proposta de se trabalhar com projetos pedagógicos nessa fase, de maneira a valorizar as aprendizagens e a capacidade de transformação da realidade tão fortes e tão presentes nessa fase da vida. Nesse sentido, o trabalho por projetos didáticos só será 6 direcionado ao desenvolvimento das crianças se forem estabelecidas relações entre eles, condição esta para que aconteça a sintonia de idéias, a reflexão, o pensamento, a motivação e a solução do problema proposto no início da construção do projeto. Dessa forma, por meio da participação, a criança poderá dialogar com o professor e com seus pares, expressando, apresentando suas dúvidas e mostrando suas elaborações e relações que faz. A atenção e o diálogo com o pensar da criança permitem ao professor identificar que tipo de estratégia seria conveniente para a criança prosseguir na construção de novas aprendizagens. Para identificar o nível de desenvolvimento alcançado pelas crianças não significa que o professor deverá partir para uma avaliação formal, mas acompanhar as crianças no cotidiano de sua sala de aula de forma que lhe seja possível identificar se determinados conceitos fazem parte do repertório das crianças. Assim, o trabalho a ser realizado é articular uma estratégia pedagógica apoiada nas relações sociais, que contemple o sujeito, suas emoções, o seu pensamento e a realização do projeto em foco, a qual poderá atuar, promovendo, de fato, o desenvolvimento das crianças, pois elas são e precisam ser consideradas como sujeitos de sua própria aprendizagem. Isso significa considerar todos e cada uma delas no seu todo: quem são, como são e onde estão. Situando-as no centro das atenções do projeto pedagógico, significa dar segurança e contribui para que essas crianças sejam respeitadas em suas individualidades e diversidades. No entanto, percebemos muita dificuldade entre os professores e educadores, quando lhes é solicitado um Projeto e os mesmos 7 apresentam nada mais que relatórios. Faz-se necessário, então, enfatizar que “o projeto é um plano que tem por finalidade resolver um problema específico e, ao fazê-lo, antecipar linhas de ações pretendidas. Uma vez que tais linhas sejam colocadas em prática e produzirem resultados, esses resultados constituirão os Relatórios”. (Tosi, 2003,p.75). Na realidade, o que acontece é que, por um lado, os projetos pedagógicos são implantados dentro do ambiente escolar, sem nenhum critério e sem nenhuma preparação, tanto no que diz respeito a um planejamento adequado, quanto na capacitação do professor que media esta dinâmica e, por outro lado, “... é muito visível a distância entre as intenções expressas nos planos e as práticas concretas realizadas ...” (Vasconcellos, 2006, p.15). Percebe-se ainda, um constante repasse de atividades, que vêm, desde a coordenação pedagógica, e, em alguns casos, desde a direção, para o professor e deste para os alunos. Em nossa prática diária, percebe-se também a existência de um certo desprezo pela temática do planejamento, um vazio cultural e pouca produção neste campo, pelo fato de se tratar de educação infantil, que, apesar de sua importância evidente para o desenvolvimento da criança e para o cenário educacional, ainda é vista por muitos – escola e sociedade - como um espaço de pouco privilégio na área da educação, considerando-se assim uma perda de tempo, desenvolver atividades que requerem organização, qualidade, especificidade e compromisso, por se tratar de crianças pequenas que 8 são vistas apenas com desejos lúdicos e, porque requerem cuidados essenciais, não carecem de uma educação intencional pautada num ambiente contextualizado e específico. O desenvolvimento e a aprendizagem de uma criança serão bastante diferenciados dependendo se ela teve, ou não, a oportunidade de participar de um ambiente que valorize a cultura, a curiosidade, o comportamento crítico e a dúvida. Enfim, ter a oportunidade de estar num ambiente planejado, pensado de forma humanizadora, buscando ser um espaço de promoção da vida, do crescimento, do desenvolvimento e da aprendizagem, é começar a caminhada na direção da conquista e do exercício da cidadania. O ponto a chegar na caminhada é a formação do cidadão em benefício da sociedade. No processo de construção do Projeto Didático, o professor deverá ter consciência de que o seu papel é de ajudar o aluno a entender a importância da sua participação e envolvimento no processo de ensino e aprendizagem. Esboçadas estas primeiras situações, pretendemos com esta pesquisa, realizar conceituações, formas de implantação e implementação de projetos, analisar e questionar os “conteúdos” a serem tratados no desenvolvimento e formação das crianças. Tais “conteúdos” podem ser classificados em três categorias: as conceituais (informações, fatos, (habilidades, hábitos, (disposições, conceitos, interesses, imagens, procedimentos, atitudes, etc.), etc.), as procedimentais etc.) e as as quais se atitudinais encontram 9 mescladas, sendo difícil estabelecer uma separação precisa entre elas. Os comentários e as críticas sobre os conteúdos e as formas como podem ser tratados na educação infantil, são desenvolvidos no decorrer deste estudo, com o intuito de promover a reflexão para uma grandeza de problemas vivenciados no cotidiano das instituições educacionais, quando está em evidência a questão do ato de planejar. Considerando a faixa etária e suas especificidades – cuidar e educar - e, principalmente por estar em pauta a formação do ser humano, pretendemos também, aqui, orientar o trabalho do professor por meio de projetos didáticos, destacar sua importância, como também, oferecer condições de se fazer articulações do tema escolhido com outros temas ou dados da realidade da criança, a fim de captar seus interesses e seus sentimentos, provocar sua necessidade de conhecer, propiciar a integração entre formação pessoal, social e conhecimento de mundo e, ao mesmo tempo, favorecer e estimular “ o pensar ” nas crianças, professores e demais envolvidos na realização do projeto e, principalmente, possibilitar a re-significação da prática pedagógica, a fim de superar os comportamentos mecânicos e a idéia de que o docente é o único detentor do saber. “Reconhecer o papel social da educação infantil significa reafirmar criança, sua função de constituindo-se atender em às espaço necessidades de socialização da e convivência. Significa, ainda, garantir que as dimensões do trabalho com a criança pequena – cuidar e educar – sejam concretizadas.” (Campos, 1994 apud Fiocruz, 2004). 10 Dessa forma, o objetivo maior deste trabalho se resume na busca do entendimento do que seja “projeto didático” ou “projeto pedagógico”, como também revelar a importância desse trabalho no fazer docente e suas repercussões nas aprendizagens das crianças, além de propor discussões sobre a importância de se implantar propostas pedagógicas inovadoras no lugar de discursos e, tão-somente, dizer “minha escola trabalha com projetos...” . Sendo assim, esta proposta poderá corresponder aos interesses de diversos profissionais de uma instituição educacional – professores, educadores, monitores, coordenadores, entre outros - , trazendo para a discussão esse eixo pedagógico do ensinar e do aprender, refletindo sobre seus pressupostos e desdobramentos, como também, enfocando experiências vivenciadas e seus resultados. Acredita-se que, desta forma, estaremos provocando o querer e despertando o interesse nas pessoas envolvidas no processo de desenvolvimento e aprendizagem por uma pedagogia criativa, dinâmica e, provavelmente, promovendo mudanças e rupturas por enfatizar as diferentes possibilidades de aprendizagens e, ao mesmo tempo, colaborar para tornar explícito o caminho que o professor pode (deve) seguir para alcançar as aprendizagens das crianças. 11 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A educação Infantil vem ganhando destaque e importância no cenário educacional brasileiro. O reconhecimento dessa fase do ensino foi consolidado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – (LDB) 9394/96, que a definiu como 1ª Etapa da Educação Básica. Em todo o país, dissemina-se a idéia de que cabe a escola garantir não apenas o direito de brincar e receber cuidados - entendida aqui como a ajuda para desenvolver capacidades -, mas também o direito de ampliar conhecimentos. No entanto, esse ainda é um processo em construção e, por isso mesmo, não é facilmente realizável. É preciso haver, antes de tudo, um engajamento de todos os profissionais realmente interessados e, acima de tudo, do próprio sistema de ensino. Nesse sentido, há a necessidade de se refletir sobre a prática educativa, com a intenção de teorizar sobre ela, torná-la significativa e se responsabilizar pelas decisões afins. A mudança não é simples, ela requer interesse, incentivo, disponibilidade, responsabilidade, vontade e visão para perceber que ela (pode) nasce(r) no dia-a-dia das creches e pré-escolas. Por trás dela há uma nova concepção sobre como pensam essas crianças pequenas, mas que já sabem muito sobre o mundo, pois estão imersas em informações e estímulos desde que nascem. A aprendizagem está relacionada ao desenvolvimento desde o início da vida humana. O 12 desenvolvimento é definido, em parte, pelos processos de maturação do organismo. Há também grande influência da sociedade, a qual transmite seus valores, regras, limites e possibilidades. Essa cultura “social” é constantemente transmitida à criança. Segundo Vasconcellos e Valsiner (1995), “essas mensagens culturais são captadas pelos cinco sentidos humanos e também por episódios emocionais nas quais a criança seria um observador participante”. A partir dessa convicção, incorporamos e avaliamos que a conexão entre profissionalismo, o bom a valorização reciprocidade entre participantes do entendimento, professoras, processo do o trabalho pais, respeito e crianças ensino-aprendizagem, mútuo, uma e são o constante comunidade, elementos imprescindíveis para a realização de qualquer processo de inovação educativa. Ao professor que ensina, cabe assumir que é ele quem primeiro deve mudar sua visão profissional sobre sua forma de relacionar-se com a informação para transformá-la em saber compartilhado. O problema é que nem sempre isso é levado em conta: “Os métodos tradicionais infantilizam a criança e a tratam como se ela fosse um pote vazio”, afirma Silvia Pereira de Carvalho em sua dissertação de mestrado, PUC: São Paulo (1995), uma das Coordenadoras do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI). Segundo Carvalho, o referencial aponta para a necessidade de 13 compreender como as crianças constroem o conhecimento, além de ser o primeiro passo para que as novidades virem realidade. De que forma, então, interferir nessa construção de conhecimentos articulada ao direito de brincar e cuidar específicos da faixa etária ? Mais precisamente, o que significa educar nessa fase ? Antes de tudo é preciso saber que não se trata de uma preparação para o Ensino Fundamental. De acordo com o Referencial, essa fase tem importância em si e, entre outros aspectos, de levar a criança a criar uma imagem positiva de si e a fortalecer a auto-estima, desenvolver a comunicação e a interação social e a se perceber como integrante e agente transformador do meio em que vive, através das relações que estabelece com o outro, num espaço privilegiado de inserção nas relações com a sociedade e o mundo. “Enriquecer o universo infantil requer, por um lado, promover a diversidade de elementos (objetos e eventos) nas situações cotidianas e, por outro, compreender que o processo de desenvolvimento é longo, não cumulativo, no qual se operam mudanças qualitativas”. (Aquino, 2002, p.69). Por meio de reflexões sobre o processo educacional que leve a um pensamento inovador capaz de transformar velhos hábitos e conceitos em novas teorias, buscamos incorporar à prática docente um jeito diferente de conduzir o ensino e a aprendizagem escolar, ou seja, a velha prática de transmitir o conteúdo explícito no livro didático cede lugar à exploração de temas vistos em sua forma mais ampla e 14 abrangente que é o Projeto. Bom seria, se o ato de projetar na educação infantil, fosse assegurado por lei (e pelo bem das crianças), que de algum modo estimulasse creches e pré-escolas a não se prender ao que estão fazendo, mas a pensar num futuro mais organizacional, didático e estrutural, que considerasse a criança como sujeito de sua própria aprendizagem, valorizando e mediando suas ações na construção da sua identidade e da sua autonomia. Um dos desafios do trabalho por projetos é procurar soluções viáveis para as questões sociais de impedimento, fazendo com que a infância, através da educação infantil, ocupe um lugar de direito no processo de pensar o fazer educativo, como uma das possibilidades de promover a aquisição de melhores condições de cidadania. Mas afinal, o que deve ser priorizado no planejamento das atividades na educação infantil? Que atividades são mais adequadas para as crianças menores, de zero a três anos e as maiores, de quatro a seis anos de idade? A “pedagogia de projetos” se adequa mesmo ao trabalho pedagógico na educação infantil? São estas e diversas outras questões que irão nortear este trabalho, a fim de oferecer um esteio e, ao mesmo tempo, um desafio tanto para cada profissional em particular quanto, e principalmente, para as instituições educacionais, que se justificam com este fim e com um trabalho pedagógico entendido nos aspectos que compõem o fazer do professor. Vistas por outro ângulo, estas questões expressam dificuldades e entraves no dia-a-dia do trabalho pedagógico, as quais devem servir de recurso para atender as demandas geradas pelo coletivo das crianças e àquelas advindas das 15 suas características e necessidades educativas individuais e do cuidado que cada uma delas precisa ter. Para tanto, faz-se necessário conceituar Projeto, de modo que, ao mesmo não transformar seja incorporada certas práticas uma visão escolares em reducionista capaz atividades de totalmente monótonas e cansativas e, ao final, ainda denominá-las de projeto. Por essa perspectiva, o projeto tem sido encarado como apenas mais um modismo no processo ensino-aprendizagem. Segundo Soares (1999), no seu Mini-dicionário da Língua Portuguesa, projeto é um “plano”, um “empreendimento” e, projetar é “arremessar, atirar para longe, tornar-se importante...” Para Nilbo Ribeiro Nogueira (2001), o ato de projetar é inerente ao ser humano, é ter visão de futuro. Projeto é algo que ainda não é, que está por vir, que ainda não está presente; é algo que faz referência ao futuro, é uma antecipação desse futuro, algo que será construído para se obter um produto final. Como vimos, um projeto nasce de situações da realidade concreta, das dificuldades que nele se encontram, da necessidade de solucionar essas dificuldades. Portanto, projeto pode ser definido como uma antecipação que necessita de controle na sua concretização e nos seus êxitos. Há projetos que permanecem no papel, porém, se não quiserem ser um sonho ou uma esperança, devem tornar-se realidade conforme estabelecido na sua elaboração. 16 Para Vinicius Ítalo Signorelli, professor de Ciências Naturais e integrante do Programa em Ação do Ministério da Educação, “...Projeto didático é um caminho para ensinar algo que faça sentido para os alunos – e que sonhos podem se tornar realidade” . Segundo Signorelli, projeto é o esforço de criar uma idéia e o trabalho desenvolvido para torná-lo realidade. Sem ter algo para realizar, para alcançar ou mostrar, não existe projeto. Segundo Dewey (1961, apud Bondioli, p.95), o projeto está ligado à colocação e a solução de um problema, que nasce das próprias práticas e vivências, da necessidade de adaptação a situações novas. Os projetos devem ser, portanto, não apenas idealizados e sonhados, mas colocados em prática. Para Vasconcellos, projeto de trabalho é o planejamento da ação educativa baseado no trabalho por projeto: são projetos de aprendizagem desenvolvidos na escola por um determinado período, geralmente de caráter interdisciplinar. Trata-se, muitas vezes, mais de uma metodologia de trabalho que incorpora a concepção de projeto. Um projeto pedagógico não pode ser o fruto de uma única mente pensante nem se configurar numa ação burocrática, nem numa simples redação. A importância da elaboração de um projeto pedagógico não deve ser confundida com outras práticas já difundidas nas creches e pré-escolas, mas de significado diferente, inovador. Anna Bondioli fala sobre a elaboração de projetos na creche em um recente texto seu que: “trata-se da idéia de uma creche que é, primeiramente, lugar educativo para as crianças e para os adultos, lugar da qualidade das relações, do contexto e das propostas...” 17 “... para as crianças, para as famílias, para as educadoras das creches. Mas , principalmente, lugar de elaboração de um projeto consciente da proposta, do contexto e das relações para garantir uma satisfação baseada na participação das famílias e no crescimento profissional dos funcionários”. (Bondioli, 2000 apud Bondioli, 2004) A elaboração de um projeto pedagógico não coincide com a confecção de documentos sobre experiências realizadas, ainda que se pode beneficiar dessas experiências ao contemplar os conhecimentos prévios das crianças, mas é preciso ter em mente que “projeto” está relacionado com o futuro e não com o passado. É uma antecipação que fundamenta a plausibilidade, expõe as suas razões, os seus objetivos e seus fins. Sem razões, sem intenções motivadas não se fazem projetos. O projeto é, portanto, atividade intencional, um fazer voltado para a relação entre fins e meios, com o qual a criança/sujeito se propõe a dar vida e, o que resulta disso é uma experiência direta de domínio, satisfação e prazer. Dessa forma, o trabalho realizado por meio de projetos pedagógicos deve privilegiar a relação com a criança, entendendo que, na construção dessa relação, o atendimento às suas necessidades é fator determinante da qualidade do trabalho que se deseja realizar. É preciso entender que existe um conjunto de fatos acontecendo de forma contínua e que esses fatos deixam a marca de sua individualidade e do seu movimento de integração com o sentido de vida em cada criança. Portanto, esse trabalho exige a presença atenta, comprometida, efetiva e afetiva dos profissionais que nele atuam em todos os momentos. De 18 acordo com Freire (1970, p.65), a “educação é um quê fazer humano que ocorre no tempo e no espaço, nas relações dos homens entre si”. Sendo assim, o homem não é um ser que se limita a responder estímulos, mas é capaz de enfrentar desafios e resolver problemas. A prática pedagógica possibilita e valoriza as conquistas individuais da criança contribuindo, assim, para suas construções e reconstruções e facilitando o processo de desenvolvimento e aprendizagem. Nesse sentido, torna-se necessário direcionar o fazer pedagógico, entendendo o social como propulsor do desenvolvimento e da aprendizagem singular de cada criança. Para Vygotsky (1998), “o conhecimento é fruto das interações sociais que se estabelecem pela mediação dos sinos culturais construídos na coletividade”. Para ele, a criança se constrói na interação com o meio social, dessa forma vale apostar em atividades que possibilitem a construção do pensamento na coletividade, integrando e planejando atividades em torno de uma mesma proposta para fazer valer a construção coletiva. “ Os projetos são conjuntos de atividades que trabalham com conhecimentos específicos construídos a partir de um dos eixos de trabalho que se organizam ao redor de um problema para resolver um produto final que se quer obter”. (RCNEI, Vol.1, p.57, 1998) Para o ato de projetar é preciso que professores e crianças sintam vontades, desejos e necessidades que servirão de base para que possam começar sua investigação, sua busca para a descoberta e conseqüentemente para o novo, ou seja, o produto final. 19 Para tanto, é preciso salientar que nem sempre haverá o produto final desejado e planejado na fase inicial do projeto, devido seu alto grau de imprevisibilidade. O fato é que durante o processo de construção do objeto de conhecimento, poderão surgir novos questionamentos, novas mediações, podendo ser alterados sempre que necessário, vislumbrando assim, novas aprendizagens, novos projetos e conseqüentemente um novo produto final. “... o planejamento do Projeto de Trabalho deve ser flexível, de modo que o tempo e as condições para desenvolvê-lo sejam sempre reavaliados em função dos objetivos inicialmente propostos, dos recursos à disposição do grupo e das circunstâncias que envolvem o Projeto.” (Pedagogia de Projetos, atp:/www.cdisp.org.br./pedagógico/projeto/caract.htm, 02/06/2003). Segundo Bondioli (2004), a verificação de um projeto não se faz apenas para certificar ou controlar, mas para produzir conhecimentos, por meio de experimentação de idéias e validação das experiências, capazes de enriquecer o conhecimento e inspirar novos projetos, mais articulados e objetivos, que possam ser submetidos novamente à verificação, como um processo em espiral, nunca concluído. E ainda, “... os projetos só podem estar continuamente em ação, mas também continuamente incompletos, pois estão sempre abertos ao desafio da realidade”. (Bondioli, Mantovani, 1998,p.123). È nesse caráter de incomodação e de privilegiar o processo de estudo e não de resultados, que se determina a produtividade da integração entre o saber e o fazer. 20 Outro ponto importante em relação ao tempo de duração de um projeto, é que pode variar conforme o objetivo, o desenrolar das várias etapas, a necessidade e o interesse das crianças pelo tema em construção. Sendo assim, não tem uma data prevista para seu término, somente quando esgotar todas as possibilidades de intervenção por parte dos envolvidos no processo. Segundo Ribeiro (2001), nada em um projeto tem que ser “engessado”. O importante é a satisfação em realizar os sonhos, desejos e vontades e isso pode ser mudado no decorrer das projeções. Conforme já mencionado anteriormente, é fundamental que o projeto seja construído desde sua fase inicial, de maneira mais participada possível, envolvendo os diferentes sujeitos implicados na realização do projeto, favorecendo assim, a organização de um trabalho em sala de aula, que promova uma cultura do projetar, do verificar, do avaliar, capaz de alcançar objetivos desejados e constituir promoção de qualidade e de um valor democrático indiscutível e indispensável. Tendo reconhecido a importância do coletivo, percebe-se o seu papel enquanto elemento facilitador do processo de conhecimento, pois ao invés da palavra ser monopolizada pelo professor, ele possibilita sua circulação, dando abertura a uma rede de construção de significados, de forma a não depender exclusivamente do referencial do professor, mas de possibilitar a toda classe colaborar na elaboração e na familiarização do conhecimento entre todos os participantes do 21 processo e, principalmente, para indicar, em forma de propostas, um caminho a ser trilhado em conjunto. Dessa forma concluímos, que as necessidades e “ os planos só se transformarão em projeto quando junto com suas ações coletivas alcançarem os objetivos” (Ribeiro, 2001), propostos no início do processo. Caso contrário, se o professor planejar, em um trabalho solitário, decidindo qual será o tema ou objeto de investigação será ele que também decidirá os objetivos, as estratégias e as ações que deverão ser desenvolvidas pelas crianças. Por outro lado, se essas crianças interferirem no planejamento do professor, todo o processo poderá ser alterado, pois as soluções para as suas produções poderão ser as mais diversificadas. Nada impede, no entanto, que cada aluno ou grupo, trabalhe individualmente com seu foco de interesse, desde que dentro do projeto em construção, buscando resolver os problemas que venham suprir suas necessidades e desejos de descobrir o novo e cujos objetivos façam parte do coletivo. Segundo Bondioli e Mantovani (1998), “a autonomia e a identidade da criança se realizam em uma dimensão coletiva”, portanto, ao participar de todas as fases do projeto em construção, pode-se dizer que a criança aprendeu porque teve interesse e participação na resolução de situações-problemas que se apresentaram. “ Todo conhecimento precisa de uma representação geral do que se aprende, que oriente o posicionamento da pessoa ante ao que está aprendendo”, e “ A conversação, o diálogo em sala de aula, estimula o envolvimento do aluno, define um processo de aprendizagem norteado pela 22 reflexão. O aluno vai entrando em um caminho que o obrigará a assumir posições, num processo facilitador de emocionalidade na atividade de aprender”. (Tacca, 2006, p.31 – 39). Em outras palavras, sem a conquista do interesse do aluno, a aprendizagem nuca poderá transcender seu caráter passivo- reprodutivo. Segundo Ribeiro (2001), práticas como a de o professor ou coordenador pedagógico planejar sozinho um projeto a ser construído pelos seus alunos, ocorrem nas escolas, devido à falta de conhecimento real do ato de projetar, pois ainda não fazem parte do cotidiano de muitas escolas, levando tais professores, coordenadores, diretores, a decidirem sozinhos todo o planejamento, inclusive as ações que devem ser tomadas para execução do projeto, conferindo assim, ao ato de projetar, apenas um “repasse de atividades”, que ao final serão reduzidos a apenas exposições de cartazes, cópias de livros e figuras sobre o tema solicitado. Para Bondioli (2004), “um projeto, sobretudo um projeto educativo, que se pretende realizar numa instituição como a creche, não é nem um manifesto, nem uma utopia”. Um projeto bem elaborado, com objetivos bem definidos e claros pode propiciar diferentes formas de aprendizagem “não só na área cognitiva, como também na área motora, visto que o corpo também pode ser utilizado para resolver situações-problema, como nas áreas afetiva, emocional, social, etc.” (Ribeiro, 2001, p. 81). Tudo isso faz a diferença, pois dessa forma a criança aprenderá a aprender e isso fará 23 com que o processo de construção do conhecimento se torne mais estimulante e motivador, contrário às formas passivas do ensino transmitido via livros didáticos e apostilas, onde o único ser ativo e detentor do conhecimento é o professor. Para Tacca (2006), “assim como a motivação, a relação teórico-prática ocorre, então, como processo interno. Não é o professor que faz a relação para o aluno, mas o próprio aluno, como sujeito da ação educativa e pelo significado que essa ação tenha para ele”. Visto por esse ângulo, o trabalho por projetos permite uma formação integral do indivíduo, sem limitar-se a uma determinada competência no cotidiano escolar, onde é difícil imaginar a possibilidade de “construir e realizar” apenas pela vontade e pelo prazer. O prazer está em (poder) descobrir algo e produzir conhecimentos a partir de suas descobertas. Podemos constatar então, que trabalhar por meio de projetos didáticos é mais uma forma de colaborar para a solução dos problemas educacionais, visto que se caracteriza, como uma proposta capaz de ampliar as possibilidades do trabalho por conteúdos e articular as diferentes áreas do conhecimento. “O ponto de partida é uma proposta. Em vez de abrir o caminho para os alunos, explora-se a trilha junto com eles. Em vez de respostas, perguntas e em vez de prova, um produto final, destinado a ultrapassar o espaço da sala de aula... acaba a mão única professor-aluno, começa um trabalho de busca e conquista”. (Nova Escola, Especial Projetos Didáticos, 2001). 24 Tal característica possibilita às crianças, a partir de um assunto relacionado com outra área de conhecimento, estabelecer relações, ampliar suas idéias sobre um assunto específico e buscar complementações nas diversas áreas do conhecimento, tornando-as assim, capazes de fazer generalizações de ordens diversas. Segundo Ribeiro (2005), além da aquisição do conhecimento específico do tema em questão, existem grandes possibilidades de mediação entre outras formas de aprendizagem e, conseqüentemente, oportunidades para o desenvolvimento de outras competências como as pessoais, a pictórica, a musical, entre outras. Uma outra característica marcante que os projetos de educação infantil têm, está ligada ao caráter lúdico, que proporciona diversão para as crianças e prazer, enquanto fazem descobertas e conhecem o mundo por meio de experiências e vivências na sua própria realidade. “As crianças têm direito, antes de tudo, de viverem experiências prazerosas” (Bondioli e Mantovani, 1998, p.149). Segundo elas, é raro encontrar esses termos na programação educacional, porque aquilo que proporciona prazer dá a impressão de ser fácil, ou seja,casual e irracional, como tudo aquilo que parece impedir que a educação infantil tenha sérias e fundamentadas intenções pedagógicas. Diante disso, é importante salientar que a criança é um ser ativo, dotado de potencialidades evolutivas implícitas na sua exploração do ambiente, de aprender e adquirir conhecimentos, habilidades e capacidades de criação e transformação e de construir as próprias 25 identidades através das trocas e das relações que estabelece com outros. Dentro do processo em construção, “...essas ações caracterizam-se no estabelecimento de: objetivos; metas; planejamento; rotas; investigações; levantamentos de hipóteses; execução; replanejamento; depurações; apresentação; avaliações intermediárias e final, etc.” (Ribeiro, 2005), levando a criança a pensar mais sobre sua construção, tendo o professor como mediador de suas ações, “colocando em prova as diferentes potencialidades e limitações do grupo, fazendo com que busquem cada vez mais informações, materiais e detalhamentos, os quais servem como estímulos para o desenvolvimento de suas competências” (Ribeiro, 2005). Quando o professor define os objetivos – o “para quê ?” –, é importante evitar a não reprodução daqueles que se encontram impressos nos livros didáticos, mas que realmente explicitem objetivos que possam re-significar seu fazer pedagógico, ganhar clareza e alcançar as crianças envolvidas no processo. Dessa forma, ao elaborar um projeto, o professor deve estar ciente de que os “conteúdos” a serem trabalhados não devem ficar presos a apenas conceitos e informações, mas ter o propósito de articular o trabalho com o conhecimento e este, com outras áreas, 26 principalmente com o desenvolvimento das habilidades e a criação de atitudes favoráveis à formação integral das crianças. O que nos compete neste estudo “não é questionar a importância dos ‘conteúdos’, mas sim a sua forma de tratamento” (Ribeiro, 2005), pois na educação infantil, o professor deve ter todo o seu repertório de saberes, totalmente contextualizado com o cotidiano das crianças, pois as aprendizagens se dão por meio de reorganizações do conhecimento e quando as crianças podem vivenciar experiências que lhes forneçam conteúdos associados a práticas reais. Muitos saberes são aprendidos por meio do contato direto ou indireto com atividades que ocorrem no âmbito familiar e em situações vivenciadas no cotidiano, outros, portanto, dependem de situações educativas criadas intencionalmente para que ocorram. Estas situações necessitam de conhecimentos um planejamento específicos para que essas envolva uma seleção aprendizagens. É de nessa perspectiva que o planejamento das atividades devem priorizar a expressividade da criança e a brincadeira, já que faz parte da especificidade do trabalho do educado o ato de brincar com a criança, pois quanto mais a criança brinca, mais compreende o mundo em que está inserida, aprende e se desenvolve, de forma a fazer parte do que se chama “educar”, como um momento de grande importância para a observação da criança, principalmente no convívio em grupo. 27 Esta abordagem pretende destacar a importância de um tratamento adequado aos diferentes conteúdos. O RCNEI nos permite apresentar os conteúdos Conceituais, Procedimentais e Atitudinais: - Os conteúdos conhecimento de Conceituais conceitos que tratam dão do sentido “saber”, à do realidade; referem-se à construção ativa das capacidades para operar com símbolos, idéias, imagens e representações. Alguns conceitos são possíveis de serem apropriados pelas crianças de educação infantil, sendo que outros necessitarão de mais tempo para que possam ser construídos, cujos objetivos é de promover aproximações a um determinado conhecimento ou hipóteses e manifestações de formas de expressão. Um conteúdo pode ser tratado apenas de forma conceitual, porém nunca deve ser tratado como um fim, mas como um meio que trata de assuntos do cotidiano das crianças relacionados com o dia-a-dia da escola, para que possam utilizá-lo no desenvolvimento de capacidades, habilidades e gosto pelo aprender. - Os conteúdos Procedimentais referem-se ao “saber fazer”. A criança aprende quando consegue construir instrumentos e estabelecer caminhos para a realização de suas ações. Cabe ao professor orientar suas ações para que possam se utilizar de recursos habilidades, próprios para competências, abranger o campo de aptidões, capacidades, suas entre 28 outros, ou seja, significa apropriar-se de “ferramentas” necessárias para viver. Assim, saber manipular corretamente os objetos de uso cotidiano que existem a sua volta, amarrar os sapatos ou vestir-se, são procedimentos fundamentais que respondem à necessidades imediatas e promovem a conquista da independência. - Os conteúdos Atitudinais se referem a valores, normas e atitudes. Ainda que não sejam conteúdos a serem trabalhados de forma implicam consciente uma prática e intencional, coerente e esses são conhecimentos aprendidos pelas crianças, desde que estejam presentes nas relações entre as pessoas e na própria forma de organização da instituição, pois a falta de coerência entre o discurso e a prática é um dos fatores que promove o fracasso do trabalho com os valores. Cabe ao professor e a todos os profissionais da instituição, refletir sobre os valores que são transmitidos diariamente e sobre os valores que se quer desenvolver. Isso possibilita destacar “o quê” e “o como” se aprende e se ensina nas instituições de educação infantil, levando em conta que grande parte do que as crianças aprendem ocorre de forma incidental, o que aumenta a responsabilidade de cada um e de todos com os valores e as atitudes que cultivam. Dessa maneira, os “conteúdos” são vistos como instrumentos para analisar a realidade, não se constituindo um fim em si mesmos, mas 29 possibilitando às crianças a compreensão da realidade e enriquecimento de sua percepção sobre ela. Os conteúdos devem ser planejados de forma integrada e estar inteiramente relacionados com a forma como serão trabalhados, além disso, deve depender em grande parte, dos interesses das crianças e de todos os envolvidos para que possam acompanhar o processo até obter o resultado final daquilo que foi planejado. “ As propostas pedagógicas das instituições de educação infantil devem norteadores: criatividade, respeitar princípios de os seguintes estéticos ludicidade fundamentos da sensibilidade, da da diversidade de e manifestações artísticas e culturas”. (RNCEI, 1998) Os conteúdos “são construídos de forma que os educandos não os vêem como compartimentos fechados do conhecimento”, “ao contrário, essa metodologia possibilita aos educandos estabelecer relações em outras situações a partir do conhecimento (http:/www.cdisp.org.br/pedagógico/projeto/concl.htm, apreendido”. Pedagogia de Projetos, 02/06/2003) Pensando assim, citamos Vasconcellos para conceituar conteúdos, “... como sendo o conjunto de conhecimentos, hábitos e atitudes, organizados pedagógica e didaticamente; são o meio para a concretização das finalidades que o educador tem ao preparar o seu curso, a partir da realidade. ” (Vasconcellos, 2006). 30 A aprendizagem é um processo contínuo no qual as crianças atribuem significados e estabelecem relações com base nas próprias observações, experiências e ações sobre elementos do seu ambiente físico, social e cultural. Nessa perspectiva, entendemos que o conhecimento é construído pela criança por meio das interações que estabelece com o meio físico e social, promovido por suas ações, dentro de um contexto de valores e regras próprias. Assim sendo, cabe ao professor respeitar o seu desenvolvimento e o seu processo de construção do conhecimento. Os projetos pedagógicos são os instrumentos de trabalho dos professores e educadores. Na elaboração dos projetos e no planejamento de atividades, deve-se resguardar a importância de desenvolver uma ação educativa que parta da realidade da criança e que observe o dia-a-dia, os interesses, os desejos, as novidades, as idéias e os questionamentos, de forma a atender aos objetivos e às ações esperadas. O ponto de partida para a construção de um bom projeto é a escolha do tema, que pode ser escolhido pelo grupo, sugerido pela comunidade, uma notícia de TV, partir de motivações e interesses, ou ainda, ser extraído de conteúdos das diversas áreas do conhecimento, desde que remetam as crianças e demais envolvidos a questionamentos e dúvidas a seu respeito. Por fim, precisa ser significativo, ou seja, representar uma questão, uma descoberta da criança ou indagação da sua realidade. Segundo Ausubel (1968, apud Masini 2002), é 31 fundamental “estabelecer uma ponte entre o que o aluno já sabe e aquilo que ele precisa saber para que o material possa ser aprendido de forma significativa”. Portanto, trabalhar com projetos é possibilitar às crianças e educadores a ampliação de suas idéias e conhecimentos sobre um tema específico, através de estudos, pesquisas e vivências. Como vimos, para se concretizar, um projeto precede vontade, necessidade e busca pelo novo. Esses fatores impulsionam para o ato de planejar e motivam a criança a indagar, a levantar hipóteses, a questionar e a buscar respostas para suas ações e descobertas. Todo esse caminho percorrido é permeado por ações, da criança ou do grupo, que posteriormente é levado à realização daquilo que foi planejado. A realização de um projeto depende de várias etapas de trabalho que devem ser socializadas e planejadas com as crianças para que possam entender e acompanhar, com interesse, todo o processo até o produto final, o que servirá de base para alavancar a prática do professor na sala de aula, como também servir de apoio ao levá-lo a refletir sobre suas ações pedagógicas, justificando assim, o que se deseja alcançar no final do processo. - 1ª Etapa: é detectar e levar em conta o conhecimento prévio das crianças sobre o assunto; - 2ª Etapa: é socializar o conhecimento do grupo e em seguida fazer o levantamento do que desejam saber, ou seja, as dúvidas que o grupo possui; 32 - 3ª Etapa: é onde obter as informações: livros, enciclopédias, trechos de filmes, visitas a recursos da comunidade, entrevistas, figuras, artigos, etc; - 4ª Etapa: é registrar a construção dos conhecimentos das crianças, permeando todo o trabalho produzido, podendo ser utilizado para esse fim relatos escritos, fotos, desenhos, fitas gravadas, produção das crianças, filmes entre outros recursos disponíveis. Em outras pedagógicos palavras, devem ser ao serem discutidos e elaborados, avaliados os quanto projetos aos seus objetivos, à temática, à metodologia, aos materiais, à duração, ao planejamento e à adequação das atividades e à adequação ao currículo. Só então são postos em prática, sendo possível uma intervenção para garantir melhor desempenho e qualidade do processo de educar e cuidar crianças pequenas. Dessa forma, os projetos pedagógicos são organizados da seguinte forma: • Justificativa: explicitação da intenção do projeto; como surgiu e o que o levou a trabalhar com o tema em questão; • Objetivos: podem estar inclusos no desenvolvimento (os objetivos a serem trabalhados com as crianças estão contidos no currículo); • Desenvolvimento: será traçada uma ação pedagógica, ou seja, como irá acontecer, quais atividades serão realizadas e como; 33 • Avaliação: todo o processo é avaliado passo a passo e sua duração é variável. (Fiocruz, (2004), p.173). A característica principal de um projeto é a visibilidade final do produto, ou seja, a solução do questionamento que provocou a curiosidade e levantou indagações sobre o problema inicial. Segundo o RCNEI (1998), é de fundamental importância que todo projeto na educação infantil tenha caráter lúdico, proporcionando além de aprendizagens e conhecimento de mundo, diversão e prazer. Alguns exemplos: - projetos sobre castelos, reis, rainhas, podendo incorporar em suas brincadeiras conhecimentos que foram construindo e o produto final pode ser um baile medieval; - projetos de elaboração de bonecos do tamanho de um adulto, a construção de circos e de maquetes representam criação, proporcionam a diversão e o prazer de conhecer o mundo; - fazer uma horta ou uma coleção podem durar o ano inteiro, mas elaborar um livro de receitas tem duração menor. É importante constatar, que a informação necessária para a construção de projetos está em função do que cada criança já sabe sobre um tema e da informação com a qual se possa relacionar dentro e fora do ambiente educacional, numa rede que prioriza a dinâmica e a estimulação da criatividade e da expressividade infantil. 34 “... para iniciar um projeto, o aluno já deverá possuir algum tipo de conhecimento do tema proposto, levando-se em consideração que este partiu de seu foco de interesse; portanto, podemos dizer que até o momento esse aluno já possui ‘esquemas’ que deverão ser mudados no decorrer do projeto“.(Ribeiro, 2005) Isso justifica por que um projeto deve partir da realidade concreta tanto das crianças, quanto do objeto de conhecimento e do contexto em que ocorre a ação pedagógica. Um projeto deve apresentar: - um sentido para a aprendizagem, - ser significativo para re-significar as aprendizagens e as práticas educativas, - assumir como princípio básico uma atitude favorável para o conhecimento, - configurar-se a partir de uma previsão, um ponto de partida, não como uma finalidade, devido a sua flexibilidade e possibilidade de abertura para novas interferências ou modificações durante sua construção e interação entre os grupos, - seguir uma estrutura lógica e seqüencial de atividades para facilitar a compreensão, - valorizar a memorização compreensiva como base para estabelecer novas aprendizagens e relações e, por fim, - a avaliação que analisa toda a seqüência do processo, estabelecendo o produto final ou admitindo novos problemas ao mesmo. 35 A partir daí, percebe-se que uma proposta integradora que contemple o trabalho participativo e coletivo caminha para uma direção enriquecedora que combina aprendizagem ativa e significativa com um ensino intencional e não improvisado ou espontaneísta. Dessa forma, acreditamos que a natureza espontânea do trabalho em educação infantil transparece à medida que o contexto da observação e da ação educativa se torna vivo e concreto. Por ser uma proposta dinâmica que motiva e desafia as crianças a encontrar as melhores soluções para descobrir e engendrar novos conhecimentos e ainda promover o desenvolvimento da autonomia, não se pode perder de vista que se trata de um processo de inovação, aberto e flexível que, a partir de uma necessidade inicial, pode ir sofrendo modificações no seu percurso, viabilizando naturalmente o processo ensino-aprendizagem através da participação direta e coletiva das crianças na construção do seu conhecimento. Os projetos de trabalho devem ser planejados como uma forma de vincular a teoria com a prática, pois a partir dessa relação, constituem uma concretização e uma fundamentação, ou seja, a relação entre o ensino e a aprendizagem passa a adquirir sentido. Esse sentido orienta uma forma de organização que explica e torna possível a adaptação dos projetos para a estruturação dos conhecimentos previstos no planejamento além de permitir uma proposta diferenciada e inovadora. Nessa visão, por Pedagogia de Projetos, entende-se uma vivência de contextos menos estruturados, aonde os projetos vão sendo 36 constituídos a partir dos interesses das crianças. Esta pedagogia tem suas raízes em Dewey (1859-1952, experiência, vida, atividade) e seu discípulo KilpatricK (1871-1965, método de projetos), e também mais remotamente, em Ovide Decroly (1871-1932, com a idéia de globalização e, sobretudo, de centros de interesse). (Revista Nova Escola,2001; Vasconcellos, 2006). Segundo Bondioli (2004), é a Dewey que se reporta a pedagogia que sustenta a primazia de um método dos problemas, contraposto a uma didática das soluções predefinidas e apenas transmitidas do professor ao aluno. O projeto, para Dewey, está ligado ao problema, constitui a sua dimensão prática, o início em direção à solução. Para Kilpatrick, é a dimensão voluntária do projeto que deve ser ressaltada, uma vez que o projeto é “o ato pleno de propósito” que nasce de um “íntimo impulso” para agir, estimulado pela situação na qual existe o sujeito, e que este pretende modificar para crescer. O projeto é, portanto, atividade intencional, fazer voltado para um fim e, que tem como exemplos tanto o castelo de areia construído pela criança quanto o objeto complexo construído por um artista. Trabalhar com projetos didáticos significa assim, partir de situações reais, sociais e concretas, contextualizadas e interessantes, para que as aprendizagens aconteçam durante todo o processo. A aprendizagem, nos projetos de trabalho, se baseia em sua significatividade, à diferença dos Centros de Interesse, que se baseiam nas descobertas espontâneas das crianças. O sentido dessa 37 significatividade da aprendizagem e a função que essa concepção outorga à atuação do professor, estão em pretender conhecer o que as crianças estão assimilando e que conceitos ou procedimentos trabalhados adquirem significação na situação proposta. Além disso, existem dificuldades em avaliar a significatividade de alguns processos intermediários que surgem nas situações de aprendizagens. Segundo Ausubel (1980 p.34 apud Tacca, 2006), a essência da aprendizagem significativa é que as idéias expressas simbolicamente são relacionadas às informações previamente adquiridas pelo aluno através de uma relação não arbitrária e substantiva (não literal). Assim, abordar a aprendizagem a partir de uma posição de significatividade requer esclarecer certas dúvidas em sua concepção e também na criação de situações de aprendizagem. Dessa maneira, faz-se necessário repensar toda a forma de organização dos conteúdos, privilegiando formas avaliativas individuais e coletivas, nas quais crianças e professores participem e busquem transformar em aprendizagem as experiências vivenciadas. Essa tendência privilegia o conhecimento como ponto de partida e tem como referência os conhecimentos e experiências da criança no sentido de buscar mediações desenvolvido e a significativas realidade entre presente, o conhecimento romper com a ser concepções tradicionais e buscar a realização de um trabalho mais significativo e transformador, mesmo dentro de uma estrutura ainda burocrática, descontextualizada e alienada de creche e pré-escola. Dessa forma, o 38 que se pretende desenvolver com os projetos de trabalho é buscar o problema eixo, que vincula as diferentes informações, as quais confluem num tema para facilitar seu estudo e compreensão por parte das crianças. A proposta que inspira o trabalho por projetos é uma forma de organizar a atividade de ensino e aprendizagem. Ela parte do interesse do professor que se trabalhe em equipe, que se vai além das propostas individuais, já que se deve propor e produzir, em conjunto, um tema. Segundo Tacca (2006), “a participação ativa em sala não está na seqüência das ações empreendidas, mas na possibilidade de as pessoas que compartilham esse espaço expressarem seus pensamentos e ouvirem a comunicação do outro, tendo em vista uma construção conjunta de conhecimento”. A estratégia pedagógica, então, se orienta para a relação social que passa a ser uma condição para a aprendizagem, pois só ela dá possibilidade de conhecer o pensar do outro e interferir nele. Nesse sentido, a estratégia pedagógica deve estar orientada para o sujeito que aprende e não para o objeto a ser aprendido, ou seja, alunos e professor devem entrar em sintonia de pensamento, tendo em vista a compreensão das relações entre as coisas. Segundo Vygotsky (1987), para ensinar alguém, antes de tudo é necessário identificar seus motivos e compreender que, nas situações de aprendizagem, há sempre uma convergência entre pensamento e emoção. Assim sendo, não é possível pensar o processo de 39 aprendizagem fora de uma relação entre pessoas, cujo eixo não seja o processo dialógico. A função do projeto então, é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos em relação ao tratamento da informação e à relação entre os diferentes conteúdos para facilitar às crianças a construção de seus conhecimentos, ou seja, a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio. Os projetos pedagógicos estão, normalmente associados à idéia de interdisciplinaridade, ou seja, a interação entre duas ou mais áreas do conhecimento, além de propiciar uma colaboração ou troca entre tais áreas podendo aí, manter uma relação de reciprocidade e ainda possibilitar o diálogo, como forma de superar o “mau uso” dos saberes. Na visão de Asensio fundamentalmente (1987), como “a a interdisciplinaridade tentativa voluntária de se entende integração de diferentes ciências com um objetivo de conhecimento comum” . “Temos uma proposta de educação infantil voltada para que as crianças desenvolvam, construam e adquiram conhecimentos, tornando-se autônomas e cooperativas, participantes em sua transformação e apropriadas de sua cidadania. isso implica compormos nossa equipe com profissionais comprometidos com esses objetivos, sujeitos da produção de conhecimento, sensíveis, reflexíveis, ousados e que tenham como eixo de sustentação de sua práxis pedagógica a ação, a reflexão e a transformação”. (Fiocruz, 2004, p. 90) 40 Diante desta realidade, o professor não pode fugir do questionamento sobre sua função: dar o conteúdo previsto ou propiciar a construção do conhecimento? Enquanto não perceber que sua tarefa não é simplesmente cumprir um programa, mas por em prática um projeto educativo, uma proposta de educação, ficará muito limitado em sua ação pedagógica. Se, ao contrário, tiver uma proposta de trabalho a desenvolver, se sua preocupação não estiver apenas na transmissão de conteúdos fragmentados, mas na relação ensino-aprendizagem, seu empenho estará centrado na assimilação crítica e participativa dos educandos. Segundo Vasconcellos (2006), este é o núcleo da Pedagogia de Projetos: a elaboração e realização por parte do aluno do seu próprio projeto. O grande ganho aqui em termos de aprendizagem está justamente no fato do projeto nascer da participação ativa do aluno, o que implicará em alto grau de mobilização, aumentando em muito a probabilidade de uma aprendizagem significativa. Assim, quando um professor pretende tratar em sala de aula um determinado tema, além das motivações particulares do contexto em que trabalha, no qual as crianças tomam consciência de suas produções, se estabelece o fio condutor que, presente neste tema, possa ser transferido a outros temas. Este também é um caminho propício para a prática interdisciplinar, uma vez que o problema é localizado na realidade e tratado na sua complexidade, o qual passa a ser o guia do trabalho e não um conteúdo de conhecimento definido. “Planejar, projetar, pré-corrigir erros, deduzir algo ainda não ocorrido, mas sobre o qual se pode concluir (por 41 exclusão ou qualquer fundamentais à outro aprendizagem argumento), escolar são da ações criança”. (Macedo, 1994 apud Vasconcellos, 2006). Torna-se evidente então, que para esta proposta de trabalho, o responsável pela criança na escola, é considerado um educador privilegiado, que cumpre o papel de mediador e estimulador da aprendizagem, que auxilia a criança no desenvolvimento de sua expressão em todos os planos e que incentiva atitudes de questionamento diante da informação e da realidade que se apresenta, sempre respeitando o ritmo individual de cada criança e do grupo em geral. É, portanto, o educador, um elemento provocador, desequilibrador e estimulador do grupo, a fim de torná-lo aberto e sensível aos fatos da realidade que precisa compreender (e intervir). Ribeiro (2005), diz que é fundamental a participação do professor enquanto facilitador, pois é ele que pode auxiliar na disponibilização dos recursos, materiais e humanos, necessários à montagem do projeto de trabalho, bem como neste momento deve exercer seu papel de membro ativo e participante do grupo. O caráter ativo do sujeito que se educa - curiosidade, espírito investigador, criatividade - pode ser observado no interesse de compreensão que a criança tem em relação ao mundo que a cerca: por que isto?, por que aquilo?, como?, onde?, entre outras são perguntas que surgem sem que os adultos tenham provocado. Como ser ativo, a criança não vai “vazia” para uma nova aprendizagem; pelo contrário, como ser ativo, estabelece hipóteses, apresenta tentativas de 42 compreender e de dar sentido ao mundo que a rodeia e aos objetos que lhes são propostos para conhecer. Segundo Sartre (1905-1980 in Vasconcellos, 2006), “através do projeto, o sujeito coloca-se numa atitude de construção, de intervenção no real.” “ Seres históricos, inseridos no tempo e não imersos nele, os seres humanos se movem no mundo, capazes de optar, de decidir, de valorar. Tem o sentido do projeto ”. (Freire, 198a:43 apud Vasconcellos, 2006 ). Não existem temas que não possam ser abordados através de projetos. Basta originar-se de um fato da atualidade, surgir de um problema proposto pelo professor ou emergir de uma questão que ficou pendente em outro projeto. O professor e as crianças devem se perguntar sobre a necessidade, relevância, interesse ou oportunidade de trabalhar um ou outro tema e decidem o que será necessário levar adiante para construir coletivamente o projeto. Por outro lado, nada impede que o professor também possa, e deva, propor aqueles temas que considera necessários à aprendizagem das crianças. “ O educador traz consigo uma história de vida, modos de viver e experiências culturais que devem ser valorizadas no seu processo de desenvolvimento. Essa valorização se dá a partir dos momentos em que ele tem a oportunidade de decidir, opinar, debater, construir sua autonomia e seu comprometimento com o social, identificando-se como sujeito que usufrui e produz cultura, no pleno exercício de sua cidadania. Daí a importância de sua participação no desenvolvimento do Projeto de Trabalho desde o seu início.” (http:www.cdip.org.br/pedagogicoproj eto,Pedagogia de Projetos, 31/05/2003). 43 Durante a construção do projeto, as crianças aprendem a conviver, a negociar, a se posicionar e a buscar as informações necessárias para uma aprendizagem com sentido que favoreça a construção do seu conhecimento de mundo, assim como assegure uma formação pessoal e social, capaz de transformá-las em seres humanos críticos, criativos e construtores de possibilidades de aprendizagens, num ambiente que é lugar de vida cotidiana, feita de espaços, materiais e objetos tangíveis, de propostas educativas concretas que favoreça a relação do ensinar e aprender, num processo que inclui adultos e crianças. Nesse contexto, citamos Bondioli (2004) que fala de uma creche que é, primeiramente, lugar educativo para crianças e para adultos, lugar de qualidade nos relacionamentos, de contexto e de propostas de elaboração de um projeto consciente, visando garantia de satisfação a todos os participantes do processo de construção do conhecimento. Para que esse espaço possa realmente constituir-se em oportunidade de crescimento para todos os envolvidos, a educação infantil tem diante de si uma oportunidade para, em primeiro lugar, refletir sobre as idéias que se relacionam com os seus princípios: idéia de criança – idéia de educador – idéia de educação infantil. 44 METODOLOGIA Pretende-se desenvolver um trabalho que combine as duas formas de pesquisa: empírica e teórica. Faz-se necessário a coleta de dados teóricos e a observação dos possíveis entraves que limitam a qualidade da prática docente e as dificuldades em obter vantagens de se trabalhar por meio de projetos didáticos, cujo objetivo é promover a qualidade e oferecer um suporte para a professora em sua prática de sala de aula. Através da observação e das referências bibliográficas, propomos um trabalho com conceitos, que leve à discussão a importância da implantação e implementação de uma Pedagogia de Projetos na educação infantil e, também, com análises feitas a partir de fontes variadas de pesquisas que possam levar à reflexão, as próprias situações vivenciadas na instituição. Faremos uma abordagem qualitativa no trabalho de pesquisa. Os meios que serão utilizados para coleta de dados durante o trabalho de pesquisa, serão o meio verbal e a expressão comportamental, devido a utilização do diálogo nas relações e a observação das práticas docentes. Os procedimentos para coleta de dados serão encontrados por meio de pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo – observação. 45 Os sujeitos participantes desse estudo serão: a instituição, as professoras e as crianças, com ênfase nas professoras, por estarem envolvidas diretamente na pesquisa sobre a importância da pedagogia de projetos nessa fase escolar e pela contribuição para o enriquecimento e tentativa de uma implantação e implementação de projetos didáticos de qualidade para as crianças da educação infantil. O estudo será realizado em uma Instituição de Educação Infantil para crianças de zero a três anos de idade, dentro de uma Universidade na Cidade de Campinas/SP. Nesta Instituição, o trabalho docente destina-se aos cuidados e à educação de crianças, filhos e filhas de funcionários da Instituição maior, que é a Universidade. 46 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A reflexão sobre os aspectos desta intervenção psicopedagógica adquire uma nova dimensão, dentro de uma perspectiva institucional, onde o psicopedagogo passa a cumprir um importante papel, no qual deve conhecer os instrumentos disponíveis para oferecer recursos, visando uma perspectiva de envolvimento institucional e uma estreita colaboração com a professora e seus limites de atuação. Percebe-se, que um processo de diagnóstico, com vista a uma intervenção psicopedagógica, não será fácil devido aos modelos já incorporados e imersos na realidade institucional. No entanto, a intervenção propõe uma possibilidade de avançar e melhorar o futuro, mais do que buscar as causas e origens dos problemas do presente e, encontrar assim, confiança nas possibilidades envolvidos no processo, como também das interações e indivíduos. na melhoria Mesmo que dos a mudança dos situações, nas relações e conhecimentos mudança de seja e capacidade modesta e dos limitada, acreditamos que possa haver, ao longo do tempo, uma repercussão que possa efetivar, de fato, modificações positivas dentro da instituição. Da mesma forma, tentamos levar em consideração, a vida no cotidiano da creche, as relações que ali se estabelecem e as particularidades dos sujeitos que integram o ambiente educacional. A idéia de uma abordagem psicopedagógica na instituição, com o foco voltado para as práticas pedagógicas que ali se instalam, estabelecem um contexto de colaboração com as práticas pedagógicas, 47 oferecendo colaboração, como é entendido o presente trabalho, nos momentos de reflexão e discussão das informações e conhecimentos que possam incentivar e viabilizar propostas que possam ajudar no processo da compreensão mútua da tarefa que é realizada em torno da criança. O ponto de partida inicial considera imprescindível delimitar em que nível está situado a dificuldade, para conhecê-la mais profundamente e assim, realizar uma intervenção que precede vontade de mudança e mais qualidade na educação, além de propor alternativas que privilegia o coletivo e o comprometimento com os sujeitos envolvidos na construção da aprendizagem. Nesse sentido, a intervenção psicopedagógica se preocupa em “trazer” uma proposta que considera os seguintes aspectos: 1. Apresentação do caso. 2. Objetivos. 3. Desenvolvimento do trabalho de intervenção. 1. Apresentação do caso Por meio de observação do cotidiano escolar da instituição estudada, percebemos a necessidade e, ao mesmo tempo, a falta de um planejamento adequado para se trabalhar os cuidados e a educação das crianças pequenas. 48 Os projetos que ora são trabalhados dentro do ambiente escolar, são executados sem nenhum critério e sem nenhuma preparação, tanto no que diz respeito a um planejamento coletivo que privilegie, principalmente, a participação das crianças, quanto na capacitação do professor que media esta dinâmica. Muitas vezes, o que ocorre é um repasse de atividades, apresentadas ou solicitadas pela coordenação pedagógica e, em muitos casos, só são executadas devido a sua interferência. No dia-a-dia de nossas práticas, percebemos também a existência de um certo desprezo pelo planejamento e um vazio cultural no ensino infantil, que, apesar da fundamental importância para o desenvolvimento da criança, ainda é vista pela própria creche, como um espaço de pouco privilégio na área da educação, considerando assim uma perda de tempo, desenvolver atividades que requerem organização, qualidade, especificidade e compromisso com crianças tão pequenas, as quais são vistas apenas com desejos lúdicos e necessidades de cuidados essenciais. Na medida em que se observam tais dificuldades no cotidiano da creche, percebemos a necessidade de uma intervenção psicopedagógica, a fim de oportunizar uma reflexão sobre as possíveis causas que impedem ou retardam o trabalho por projetos didáticos. Esta intervenção é vista como um processo terapêutico, envolvendo professoras e crianças na busca por uma aprendizagem eficiente e significativa. 49 Constatamos assim, que os projetos didáticos podem ser facilitadores de uma aprendizagem mais dinâmica e significante para as crianças, como também podem oportunizar o aprimoramento da qualidade da aprendizagem e da valorização das experiências e dos conhecimentos adquiridos. O objetivo de tornar mais claro como ocorre o processo de aprendizagem significativa, constitui um primeiro passo para uma retomada na educação de crianças da primeira infância, como também para o assessoramento às professoras, focalizando um trabalho que evidencie a forma como se processa as relações dentro da instituição, como se apresentam os temas a trabalhar e, mais especificamente, as relações afetivas e efetivas entre crianças e professoras. 2. Objetivos a serem atingidos. Visando ampliar as possibilidades de um trabalho diferenciado, inovador e flexível, e ainda, refletir e ampliar as idéias sobre criança, educador e ensino infantil, propomos uma intervenção que vise: - realizar conceituações, formas de implantação e implementação de uma Pedagogia de Projetos, considerando a realidade institucional, as professoras, as crianças e as relações que ali ocorrem; - Analisar e questionar metodologias e “conteúdos” tratados no desenvolvimento e formação das crianças de educação infantil; 50 - Orientar o trabalho da professora por meio de projetos didáticos e oferecer condições de se fazer articulações do tema escolhido com outros dados da realidade; - Destacar a importância do trabalho educativo por meio de Pedagogia de Projetos; - Captar as necessidades e interesses dos profissionais, a fim de superar as dificuldades e garantir efetividade nos trabalhos docentes; - Favorecer e estimular o “pensar” nas professoras e demais envolvidos na construção da proposta de implantação e implementação da Pedagogia de Projetos; - Possibilitar a re-significação da prática docente, a fim de superar comportamentos mecânicos, estereotipados e a idéia de ser o único dono do saber. A idéia é de se fazer reflexões sobre a práxis das professoras e educadoras que atuam na educação das crianças de educação infantil, de modo que as relações e as situações vividas nesse ambiente, possam legitimar e constituir recursos para o desenvolvimento integral das crianças no seu processo de construção da aprendizagem. 3. Desenvolvimento do trabalho de intervenção. Olhar, entender e compreender a criança pequena, é o maior desafio do educador e não somente saber propor e realizar atividades. O essencial é conhecer a criança, saber como ela sente, pensa e se 51 expressa nas mais diferentes linguagens, como a criança se desenvolve e constrói seus conhecimentos. Diante disso, percebemos que somente a abordagem por meio de “conteúdos”, não mais dá conta da aprendizagem. Daí, a necessidade de uma intervenção com um olhar voltado para uma Pedagogia de Projetos, a qual apresenta propostas educacionais capazes de convidar a criança a participar ativamente de seu processo de aprendizagem. Com base nas informações contidas neste estudo, podemos afirmar que trata-se de uma proposta de intervenção psicopedagógica a nível institucional. Esta intervenção focaliza: - a criança, enquanto ser em desenvolvimento, as diferentes maneiras de lidar com o que lhe é ensinado, as implicações de suas atitudes e o seu processo de aprendizagem; - a professora, enquanto mediadora nas funções de cuidar e de educar, o convívio com os conflitos e com os vínculos surgidos nas situações e no dia-a-dia; - o assumir das transformações necessárias, a busca de recursos para as demandas das crianças diante do processo ensinoaprendizagem; - a instituição, enquanto local privilegiado, que propicia condições para sustentar a complexidade das relações que ali ocorrem, ou 52 seja, as condições fornecidas para que finalmente aconteçam aprendizagens significativas. O tempo que o educador permanece com as crianças inaugura um momento único e multiplica as chances de dividir experiências e compartilhar descobertas com seus pares, podendo criar oportunidades de refletir e conversar sobre a própria prática. Por outro lado, o cotidiano promove questões específicas que ajudarão descobrir necessidades dos grupos, planejar o trabalho, intervir nas ações e nas relações entre os grupos por meio de um trabalho que enfoca discussões a respeito das práticas pedagógicas, compreendidas aqui como desafios e oportunidades para ajudar a fortalecer referências para todos os envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem. A fim de propor reflexões sobre as ações pedagógicas e, ao mesmo tempo, acompanhar e auxiliar os profissionais de ensino em suas dificuldades no tratamento com projetos didáticos, como também, no desconhecimento de sua importância para a educação infantil, achamos conveniente propor uma intervenção psicopedagógica que considere as seguintes questões: - O que se entende por Pedagogia de Projetos ? - Em que se fundamenta o trabalho por meio de projetos didáticos? - Os professores estão preparados e conscientes da importância desse trabalho ? - As crianças são, de fato, aquelas que decidem o(s) tema(s) a ser(em) trabalhado(s) ? 53 - Como transformar os interesses e necessidades das crianças em projetos(s) educacional(is) ? - Como transformar o contexto social e cultural das crianças de creche e pré-escola em objeto de estudo e aprendizagem por meio de projetos ? - Quais são os conteúdos relevantes para essa faixa etária ? Como intervir ? - Como o trabalho com projetos pode ampliar as possibilidades de explorar os procedimentos, conceitos e atitudes como conteúdos de aprendizagem e ainda articular as diferentes áreas do conhecimento ? - Qual o papel do professor durante o processo de construção do projeto didático ? - Ao iniciar o trabalho com projetos didáticos deve-se considerar os conhecimentos prévios das crianças sobre o tema a ser construído ? - De que forma o trabalho com projetos didáticos privilegia a formação do sujeito integral ? - Qual a duração ideal de um projeto didático ? - Como deve ser feita a avaliação das crianças e suas aprendizagens durante a construção do projeto didático e de que forma dar aos possíveis “erros” um valor construtivo ? Tais questões reiteram o fio condutor de uma trajetória profissional em busca de definições sobre trabalhos com projetos didáticos apropriados à nossa situação educacional, pondo em 54 evidência o propósito de deixar claras as condições necessárias para despertar na criança a vontade de conhecer e, com isso, buscar formas de aprender que sejam significativas no decorrer de seu processo de construção do conhecimento. A possibilidade de organizar o currículo em torno de projetos didáticos, encontra-se consolidada na atual legislação educacional brasileira para todos os níveis de ensino, inclusive para a educação infantil. Apesar de resistências à implantação e implementação de uma Pedagogia de Projetos em creches e pré-escolas, mudanças devem ser feitas com o intuito de reorganizar o sistema educacional para não “... correr o risco de preparar os estudantes para um futuro inexistente, formação intelectual proporcionando-lhes uma que não está de acordo com as necessidades da sociedade na qual terão de viver”. (Moreno, 1997 – apud Ulisses F. Araújo, 2003, pág.26). A proposta de um trabalho por projetos didáticos busca incorporar no planejamento pedagógico e na organização curricular, os diversos aspectos que sustentam os pressupostos da Pedagogia de Projetos, a qual incorpora idéias de complexidade, flexibilidade, do construtivismo e o protagonismo das crianças nos processos de ensino e de aprendizagem. Nota-se, portanto, o reconhecimento de um campo imenso de temas viáveis a serem trabalhados nas creches e préescolas e que podem levar à construção de um sistema educacional capaz de, realmente, atingir seus objetivos principais. 55 Diante desta realidade, propomos uma Pedagogia de Projetos que possa re-significar a prática do professor e atender os desejos e as necessidades das crianças, como também conduzi-las à aquisição de uma aprendizagem individual, coletiva e significativa. 56 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO: “ PEDAGOGIA DE PROJETOS COMO PRÁXIS DO TRABALHO DOCENTE ” A condição para que o fazer seja efetivo, é acreditar naquilo que se está fazendo, entender aquilo como parte de um processo maior, ou seja, se não compreendermos o sentido da ação dentro de uma perspectiva maior, podemos fazer pouco ou deixar de fazer. A questão é buscar elementos para que possamos nos convencer de que é necessário e possível fazer alguma coisa. A Pedagogia de Projetos na educação infantil, busca identificar o sentido do planejamento e atribuir-lhe valor. O planejamento se coloca então, como uma ferramenta para o professor, na transformação do seu trabalho e na sua relação com os alunos. Nessa perspectiva, o conhecimento da realidade do aluno é essencial para subsidiar o processo de planejamento numa perspectiva dialética. O professor enquanto mediador do processo de ensino e aprendizagem, deve ter conhecimento de cada criança e passar a contemplar os espaços da instituição como locais de investigação, revelação e análise das produções das crianças. É a partir dessa compreensão que o professor poderá colocar-se como mediador da aprendizagem, constituindo-se assim em um agente promotor do ser e do fazer do sujeito em desenvolvimento. 57 Considerando as limitações do professor no ambiente educacional e priorizando a identidade do ser em desenvolvimento, deixamos vir à tona a identificação da necessidade diagnóstica e da real justificativa para esse processo, as dificuldades e possibilidades para construir e aprender neste contexto e, principalmente, o levantamento das expectativas em questão, por meio do oferecimento de recursos e informações às professoras dessa fase de ensino: 1. Identificação da necessidade diagnóstica: - implantação e implementação de uma Pedagogia de Projetos na educação infantil, neste caso, especificamente, a Creche. 2. Justificativa: - falta de um planejamento adequado que privilegie a criança enquanto sujeito de suas ações na construção do seu conhecimento; - desprezo pelo planejamento na educação infantil, que ainda é vista apenas como um espaço de atendimento às necessidades essenciais das crianças pequenas; - ênfase no trabalho coletivo e nas ações do professor enquanto mediador da aprendizagem. dinâmica do processo de desenvolvimento e 58 3. As dificuldades e possibilidades para ensinar e aprender neste contexto: • Nós e entraves: - creche sistêmica / assistencialista; - comunicação verticalizada; - a educadora é vista como “cuidadora”; - educadoras sem autonomia; - indisposição para o trabalho (falta de motivação); - baixo índice de incentivo pedagógico (humano e material); - falta de “espaço” para a professora: sala de professoras, material didático, livros e revistas atualizadas para pesquisas, estudos, planejamentos, etc.; - falta “envolvimento” entre as profissionais; - prevalece o “comodismo”; - oito horas diárias de efetivo trabalho, sem HTPC; - o trabalho é executado sem planejamento; - não há reunião pedagógica para discussão sobre planejamentos; - os “projetos” são meros relatórios; - desconhecimento do que sejam “projetos didáticos”; - desconhecimento do que seja Projeto Político-Pedagógico; • Possibilidades: - todas querem mudança (apesar do comodismo); - início da construção do Projeto Político-Pedagógico; - educadoras com formação em nível médio (+/- 70 %); 59 - educadoras com formação em nível superior (+/- 30%); - espaços externos privilegiados e bons espaços internos para atividades com as crianças. 4. Levantamento das expectativas em questão: - Oferecimento de orientações e informações às professoras: - Promover a participação das professoras em cursos, palestras e conferências sobre educação infantil, mais especificamente, sobre pedagogia de projetos na educação infantil; - Disponibilizar livros, encartes, vídeos, sites e revistas pedagógicas sobre assuntos do cotidiano das creches e préescolas; - Promover encontros e discussões sobre projetos didáticos, privilegiando os “grupos de estudos”, para a realização de um trabalho pedagógico de qualidade; - Promover reuniões pedagógicas para discutir e avaliar as ações e práticas resultantes dos planejamentos executados; - Desenvolver a criatividade por meio de oficinas, privilegiando a parceria e a criação de vínculos nos relacionamentos; - Organizar junto às professoras e supervisoras, espaços e horários para planejamentos, estudos e discussões com seus pares. 60 - Orientações em relação ao trabalho com as crianças: - Reformular seus conceitos sobre criança, educação infantil e prática pedagógica; - Favorecer as relações interpessoais e a criação de vínculos afetivos com as crianças; - Receber, acolher, compreender e ser mediador no processo de construção do conhecimento da criança, para que haja, de fato, desenvolvimento e aprendizagem; - Planejar situações que possibilitem à criança utilizar os conhecimentos que já possui para construção e engendramento de novos conhecimentos; - Oferecer situações de desafios, fazendo com que a criança se lance à aventura de superação da dificuldade proposta e, assim, realizar suas atividades com segurança; - Promover situações que retratem o contexto sócio-cultural da criança para despertar seu real interesse e tornar suas aprendizagens significativas; - Possibilitar a realização de atividades cooperativamente, em situações de desafios, para o confronto de diferentes interpretações; - Permitir a manipulação de material concreto pelas crianças, ofertando assim, espaço próprias de cada criança. para as construções e estratégias 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pelas reflexões precedentes, fica claro que se tivermos clareza do que queremos com nosso trabalho na escola, podemos percorrer diferentes caminhos para chegar lá e podemos até correr o risco de promover uma educação transformadora e desalienada. Esta reflexão é importante, quando se tem em vista novas propostas para tentar superar as distorções impostas por um passado de caricaturas de projetos. A possibilidade de se fazer do trabalho com projetos um caminho de construção de conhecimento e de desenvolvimento de crianças, rompe com a tendência condicionada de transmissão de conteúdos a que nós, enquanto alunos passivos e “obedientes”, fomos submetidos. Hoje percebe-se a necessidade de o professor, enquanto mediador do processo de construção do conhecimento, estar inteiro na relação pedagógica, pois o que está em questão é a formação da consciência, do caráter e da cidadania das novas gerações na perspectiva da emancipação humana. Isso faz sentido, quando entendemos que a educação não é neutra e, por assim ser, não pode haver omissão, no sentido de ser a favor do que está aí, pois educação, além de desenvolver raciocínios e conteúdos, tem a ver com a postura diante do mundo. 62 A pedagogia de projetos, então, vem ocupar essa lacuna de omissão e dar sentido e condições para um fazer educacional que privilegie a criança, enquanto ser ativo e em desenvolvimento, questionar a postura do professor enquanto mediador desse processo, como também, questionar a escola enquanto espaço de encontro de possibilidades de reflexão conjunta e de relações em busca de um encontro único de Projetos. 63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HERNÁNDEZ, F; VENTURA,M. A Organização do Currículo por Projetos de Trabalho: O Conhecimento é um Caleidoscópio. Porto Alegre: Artmed, 1998. BONDIOLI, A; MANTOVANI, S. Manual de Educação Infantil de O a 3 anos – Uma Abordagem Reflexiva. Porto Alegre: Artmed, 1998. BONDIOLI, A. 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