VI Encontro Nacional da Anppas
18 a 21 de setembro de 2012
Belém - PA – Brasil
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Economia Solidária e Desenvolvimento Rural Sustentável: o caso da
Associação de Mini Produtores de Córrego e Sítios Reunidos – AMPC,
Apodi - RN1
Antonio Caubí Marcolino Torres (UERN)
Geógrafo, bolsista do Projeto Gestão de Territórios Rurais (UERN/CNPq)
[email protected]
Fátima de Lima Torres (UERN)
Pedagoga, Técnica do Projeto Gestão de Territórios Rurais (UERN/CNPq)
[email protected]
Emanoel Márcio Nunes (UERN)
Economista. Doutor em Desenvolvimento Rural, Coordenador do
Projeto Gestão de Territórios Rurais (UERN/CNPq)
[email protected]
Thiago Ferreira Dias (UFERSA)
Administrador. Doutor em Administração, Professor Colaborador do
Projeto Gestão de Territórios Rurais (UERN/CNPq)
[email protected].
Andreya Raquel Medeiros de França (UERN)
Graduanda em Gestão Ambiental da (FACEM/UERN).
[email protected]
Resumo
O objetivo deste trabalho é realizar um estudo de caso visando analisar a experiência da
Associação de Mini Produtores de Córrego e Sítio Reunidos (AMPC), na zona rural de Apodi, no
Rio Grande do Norte, como promotora do desenvolvimento rural sustentável. com geração de
trabalho e distribuição de renda, através das práticas agroecológicas e desenvolvidas a partir de
empreendimentos econômicos solidários, como um novo jeito de pensar e fazer agricultura rural
sustentável no Brasil. Como procedimento metodológico pautou-se nos métodos qualitativo e
quantitativo, no qual parte de uma análise qualitativa que não há medidas. A partir das entrevistas
transcritas discorreu-se acerca da história da criação da associação, além de analisar as ações no
campo da economia solidária e extensão rural agroecológica praticadas pela AMPC. As ações
desenvolvidas pela AMPC tem importância no fortalecimento da agricultura familiar, na economia
solidária e nos processo de sustentabilidade e convivência no semiárido, o que vem a contribuir
com a geração de oportunidades de trabalho e renda no campo e consequentemente a redução
do êxodo rural. A dinâmica da agroecologia desempenhada pelos agricultores familiares sócios da
AMPC tem construído processos internos de agricultura sustentável respeitando os princípios da
agroecologia. E o resultado é a agregação de valor e a melhoria da qualidade dos produtos
agrícolas presentes na mesa dos agricultores.
Palavras-chaves
associativismo; geração de renda; meio ambiente.
1
Este trabalho faz parte de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Regional:
agricultura e petróleo da Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) (www.uern.br),
com financiamento pelo MDA/SDT/CNPq através do Edital 005/2009 – Gestão de Territórios Rurais.
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1. INTRODUÇÃO
A exploração dos recursos naturais no Brasil é marcada pelo uso intensivo de técnicas nocivas ao
meio ambiente, que apenas têm como fim aumentar a produtividade e, por conseguinte auferir
cada vez mais lucro aos produtores. Todavia, com o passar do tempo a consciência ambiental
aflora e produtores e consumidores passam a adotar práticas sustentáveis, como na proposta de
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experiências fundadas numa construção teórica e prática de formação do caráter humano, o qual
poderia ser moldado. As propostas delineadas podem ser devidamente apreciadas no trabalho
intitulado A new view of society, no qual propôs ações sociais junto aos trabalhadores e a
comunidade local na perspectiva de trazer resultados positivos para todos os envolvidos.
No século XIX ocorre o surgimento do movimento cooperativista que tem como marco histórico a
fundação da Sociedade dos Pioneiros Equitativos de Rochdale, na Inglaterra, em 1844. Tratavase de uma cooperativa de consumo de operários da indústria têxtil, a qual se expandiu
rapidamente com a abertura de um moinho, em 1850, e de uma tecelagem e fiação, em 1854,
passando a se caracterizar também como cooperativa de produção (BARRETO e PAULA, 2009).
Uma das marcas da experiência de Rochdale foi a definição dos princípios norteadores do
desenvolvimento da cooperativa e que, logo, disseminaram-se para representar o cooperativismo
no mundo com a adesão livre, o controle democrático, o retorno dos excedentes em proporção às
operações, a taxa limitada de juros ao capital social, a neutralidade política e religiosa, a educação
cooperativista e a integração cooperativista (BARRETO e PAULA, 2009).
O aumento expressivo das organizações associativas pressupõe origens distintas, uma destas
deriva da sociedade civil, que busca outras formas organizacionais coletivas para desenvolver
atividades socioeconômicas, por não se enquadrar dentro da lógica de gestão privada ou pública
ou por opção político-ideológica. Enquanto outra, a origem reside nas crises cíclicas,
consequência da ação do mercado autoregulado produzindo massas expressivas de
desempregados. Assim, estes perseguem formas de inserção no mercado, tendo a criação ou a
adesão às organizações associativas como uma opção (LECHAT, 2002).
Neste contexto, o cooperativismo adquire nova fachada, agora denominado de Economia Social
ou Economia Solidária, ambas com a proposta precípua de reinserção da população
desempregada no mundo do trabalho, sob uma forma organizacional além do modelo empresarial
e predominância da racionalidade substantiva. Cabe uma ressalva que no Brasil, devido à falta de
um marco jurídico específico para organizações do campo da economia solidária, todos os
empreendimentos econômicos solidários estão organizados ou como associação ou como
cooperativa, no entanto, é pertinente atentar para o fato de que nem toda associação e
cooperativa desenvolve suas práticas organizacionais dentro dos princípios da economia solidária.
Quanto os campos teóricos da economia solidária destacam-se a visão de Paul Singer com
influência marxista e a concepção de economia plural de origem na tradição de teóricos franceses.
Singer (2003a) no seu constructo da economia solidária retoma a ideia de revolução social de
Marx que implica reconhecer o modo de produção socialista como seio da formação capitalista,
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como modo de implantes ou sementes do socialismo, que fomentaria a replicação de tais
experiências exitosas, além da verificação da economia solidária como uma saída superior ao
capitalismo.
Esta concepção carrega uma conotação ideológica alinhada às concepções marxistas e parte da
concepção da expansão da economia solidária tendo em vista o sucesso obtido nas primeiras
experiências, o que contribuiria para a adoção por outros indivíduos. Desta forma, em um dado
momento histórico, a revolução social triunfaria tornando-se hegemônica.
Laville e França-Filho (2004) e Singer (2003a) convergem ao reconhecerem que as atuais formas
de auto-organização de produtores e consumidores, no âmbito da economia solidária, têm origens
nos processos cooperativistas introduzidos pelos socialistas utópicos, e que, depois, atraíram a
adesão das associações operárias. Todavia, Singer (2003a) parte de bases marxistas
diferentemente de Laville e França-Filho (2004), adotados como bases neste trabalho, que partem
da perspectiva da sociologia econômica de Mauss e Polanyi. Nesta resgatam a visão da economia
plural e abordam que essas relações são regidas por princípios econômicos múltiplos
influenciados pela crítica entabulada por Polanyi, por sua vez, inspirado por Mauss, a respeito do
mercado autoregulado como modelo único de relação, conforme apregoado pela teoria
neoclássica (LAVILLE e FRANÇA-FILHO, 2004).
Ressalta-se que a concepção de economia plural, pois, esta amplia a dimensão do conceito de
economia ao abarcar princípios econômicos (mercado autoregulado, redistribuição, reciprocidade
e domesticidade) menosprezados por uma parte dos acadêmicos, em particular, as regidas pela
base da solidariedade, como a reciprocidade.
Esta acepção permite a possibilidade de compreender a economia solidária como uma articulação
entre as três formas de economia (mercantil, monetária e não-monetária), de acordo com a
definição de França-Filho (2007), e, como outro ato econômico, somando-se às formas
dominantes de economia servindo, de modo a complementar para promover ajustes às disfunções
do sistema econômico vigente.
Portanto, deve-se entender a economia solidária como práticas oriundas de outros modos de
gestão, de diferentes lógicas em tensão nas dinâmicas organizativas privadas e públicas. Por isso,
o desafio consiste em conseguir o equilíbrio necessário à sustentabilidade de tais práticas, em
meio à tensão das racionalidades instrumental e substantiva que buscam predominância no
norteamento das ações administrativas dos empreendimentos econômicos solidários.
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Desenvolvimento Rural e Agroecologia
O processo de revalorização do meio rural já vem ocorrendo em muitos países, em especial, no
continente europeu, mas também nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
Mesmo na Europa, onde está mais avançado, esse processo de transição tem sido lento,
influenciado por interesses políticos variados, que exprimem o surgimento e o fortalecimento de
uma visão diferenciada sobre o meio rural – baseada, crescentemente, em atividades
multifuncionais (ORTEGA; MENDONÇA, 2007).
Veiga (2002) caracteriza esse processo de transição como sendo de políticas de proteção aos
agricultores para políticas de promoção do desenvolvimento rural nas quais os incentivos
econômicos à salubridade alimentar e à conservação ambiental terão cada vez mais
preponderância sobre os subsídios à produção e às exportações.
Na base dessas propostas, está o reconhecimento da importância das diversidades territoriais
para a formulação de políticas de desenvolvimento (ORTEGA; MENDONÇA, 2007, p. 106).
Segundo Campanhola e Graziano da Silva (2000, p.31),
[...] o processo de desenvolvimento local traz consigo novas perspectivas
de adequação das políticas publicas nacionais às peculiaridades
regionais, e dos espaços urbanos e rurais, em sua dimensão física,
econômica, social e cultural, respeitando, portanto, todos os preceitos do
desenvolvimento sustentável.
De acordo com Caporal e Costabeber (2004), observa-se que a Agroecologia constitui um
enfoque teórico e metodológico que, lançando mão de diversas disciplinas científicas, pretende
estudar a atividade agrária sob uma perspectiva ecológica.
Já Gliessman (2001), nos ensina que o enfoque agroecológico pode ser definido como:
“a aplicação dos princípios e conceitos da Ecologia no manejo e desenho
de agroecossistemas sustentáveis, num horizonte temporal, partindo do
conhecimento local que, integrando ao conhecimento científico, dará
lugar à construção e expansão de novos saberes socioambientais,
alimentando
assim,
permanentemente,
o
processo
de
transição
agroecológica.”
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Na Agroecologia, é central o conceito de transição agroecológica, entendida como um processo
gradual e multilinear de mudança, que ocorre através do tempo, nas formas de manejo dos
agroecossistemas, que, na agricultura, tem como meta a passagem de um modelo agroquímico
de produção (que pode ser mais ou menos intensivo no uso de inputs industriais) a estilos de
agriculturas que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica.
Esta ideia de mudança se refere a um processo de evolução contínua e crescente no tempo,
porém sem ter um momento final determinado. Porém, por se tratar de um processo social, isto é,
por depender da intervenção humana, a transição agroecológica implica não somente na busca de
uma maior racionalização econômico-produtiva, com base nas especificidades biofísicas de cada
agroecossistema, mas também numa mudança nas atitudes e valores dos atores sociais em
relação ao manejo e conservação dos recursos naturais. (COSTABEBER, 1998; CAPORAL;
COSTABEBER, 2000).
A transição da agricultura convencional para outra com caráter agroecológico, significa mudança
em todo um cenário humano, político e econômico, aonde se abandona o uso dos pacotes
tecnológicos oferecidos pela difusionista “Revolução Verde” e dá lugar ao desenvolvimento
sustentável rural, com um caráter inclusivo de seus atores como “protagonistas” de todo um
processo, através de trocas e intercâmbios de conhecimentos, experiências e atividades, que
prima pela sustentabilidade em todas as suas ações.
2. METODOLOGIA
Para se proceder com a execução empírica deste trabalho, fez-se necessário um adequado
amparo metodológico, que serão suscitado.
Primeiramente, o presente trabalho pautou-se nos métodos qualitativo e quantitativo, no qual parte
de uma análise qualitativa que não há medidas. As possíveis inferências não são estatísticas e
procura-se fazer análises em profundidade, obtendo-se até as percepções dos elementos
pesquisados sobre os eventos de interesse (CAMPOMAR, 1991, p. 96).
Vieira (2005 apud LUDKE E ANDRÉ 1986) ao descrever as análises qualitativas como sendo
caracterizadas por serem essencialmente descritivas, utilizando, com freqüência, transcrições de
entrevistas e de depoimentos e citações, que permitam corroborar resultados e oferecer alguns
pontos de vista. Abordagem esta que auxiliou na realização de entrevistas e coleta de dados junto
a direção da Associação de Mini Produtores de Córrego e Sítio Reunidos (AMPC).
Levando em consideração as características dos três grupos de pesquisa citados por Gil (2009
apud SELLTIZ et al. 1967), exploratório, descritivo e explicativo esta pesquisa vale-se do
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descritivo, que de acordo com Vergara (1998) não tem compromisso de explicar os fenômenos
que descreve, mas serve como base para tal explicação.
Realizou-se um estudo de caso a fim de analisar a experiência da Associação de Mini Produtores
de Córrego e Sítio Reunidos (AMPC), da zona rural do município de Apodi, estado do Rio Grande
do Norte, como promotora do desenvolvimento rural sustentável.
Para o estudo de dados utilizou-se a análise de conteúdo, uma vez que as informações prestadas
pelos entrevistados foram confrontadas com o que defende a teoria do campo agroecológica. A
partir das entrevistas transcritas discorreu-se acerca da história da criação da associação, além de
analisar as ações no campo da economia solidária e extensão rural agroecológica praticadas pela
AMPC.
2. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O município de Apodi, no estado do Rio Grande do Norte vem sendo referência no
desenvolvimento das cadeias produtivas na agricultura familiar sobre a ótica da economia
solidária. Este município tem um histórico ascendente de associações e movimentos sociais que
resultou em um embrionário modelo do cooperativismo autêntico de base popular com a
participação de jovens, mulheres e agricultores familiares. O município é dividido em 4 (quatro)
áreas geográficas nomeada com base no seu tipo de solo: Areia, Chapada, Pedra e Vale.
A região Areia tem suas potencialidades focadas no homem do campo, forte e trabalhador. É uma
região que tem suas riquezas particulares, produtora de frutas e amêndoas de castanha de caju,
de uma agricultura focada nas estações do ano. Essa região também é rica em produção de mel
de abelha e artesanato e tem água de boa qualidade no seu subsolo.
Córrego é uma comunidade polo que centraliza as áreas circunvizinhas: Retiro, Largo, Lagoa do
Mato, Lagoa Amarela, Urbano, Pé de Serra, Barra e Largo na região da Areia e está localizada há
10 km a oeste da sede do município de Apodi (RN). O número de domicílios residenciais existente
na comunidade e vizinhança é de 177 e a população da área de atuação corresponde a 973
pessoas, com uma distribuição média de 5,5 pessoas por família.
A origem do nome Córrego deu-se por0.9981 0 0 3o0 03( po) Ere15((es)-9(tá l)c)13(a)omunidae15(p)31(ut)23(as13
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Pelos relatos históricos sabe-se que um dos primeiros a residirem na comunidade foram o Sr. Néo
Herculano e sua esposa, que moravam em um barraco feito de palha às margens do córrego. Por
morte de sua mulher foi procurar ajuda a uma distância de 5 km, pois ali por perto não morava
ninguém que pudesse lhe ajudar. Ficou sozinho por algum tempo no local, mas depois foi embora,
ficando o Córrego novamente desabitado. Logo depois chegaram outras pessoas. Sabe-se que
veio de Upanema/RN com o objetivo de escapar da seca de 1877 a família dos Elisiários.
Escolheram a região pelo fato da mesma ter água em abundância e chegando à comunidade já
encontraram outros moradores. Não existe registro sobre quem seriam esses moradores.
Caracterização da Associação de Mini Produtores de Córrego e Sítios Reunidos
(AMPC)
A AMPC surgiu em 10 de novembro de 1991, com 63 agricultores familiares no Sítio Córrego com
o objetivo de promover o desenvolvimento local sustentado da agricultura familiar, da cajucultura e
demais atividades da comunidade de Córrego e circunvizinhas. Possui sede própria no Córrego
em um terreno de 660m². Sua fundação partiu do ensejo dos agricultores familiares e contou com
apoio e articulação do padre holandês Theodoro Snijders e segmentos do Partido dos
Trabalhadores – PT de Apodi. Desde esse período a AMPC tem buscado através da articulação
entre seus associados e parceiros, alternativas de solução para os problemas enfrentados pelos
agricultores da região.
A AMPC conta com atualmente com 171 associados. Veja dados da
Tabela 1.
Tabela 1 – Número de Sócios da AMPC por Comunidade
Comunidade
Quantidade
Sítio Córrego
116
Sítio Floresta
1
Sítio Lagoa Amarela
13
Sítio Lagoa do Mato
14
Sítio Largo
2
Sítio Retiro
20
Sítio Urbano
1
Zona urbana
4
Total
171
Fonte: Banco de Dados AMPC 2012.
A participação das mulheres na associação como associadas evoluiu ao longo da história da
AMPC. Elas têm participação ativa crescente nas lutas por melhorias nas condições de vida da
comunidade, inclusive exercendo cargos nas direções. Em 1991 na fundação da AMPC apenas
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8% dos associados eram mulheres. Em 2012 esse número já chega a 26%. A maioria dos
associados 85% está na faixa etária adulta que segundo o IBGE varia de 20 a 59 anos de idade.
Os agricultores trabalham em sua maioria como arrendatários ou meeiros nas propriedades de
seus familiares ou adquiridas através
de compra ou herança. A continuidade dos
estabelecimentos familiares depende da permanência dos filhos e da vontade de herdar o
patrimônio familiar.
A associação conta também com histórico de cursos realizados pelos parceiros sempre buscando
a formação de seus associados. Esses cursos juntamente com outras atividades foram
fundamentais para o nível de formação dos associados que somam esforços no sentido de buscar
melhorias para a associação e a comunidade em geral.
Tabela 2 - Cursos Realizados com Associados da AMPC 1992 A 1997
Nome do curso
Responsável
Participantes
Artesanato de palha de milho
Igreja católica
20
Artesanato de lã
Igreja católica
8
SEBRAE/EMBRAPA
10
Fabricação de doce caseiro
SEBRAE/SENAR
15
Apicultura I etapa
SEBRAE/SENAR
15
Apicultura II etapa
SEBRAE/SENAR
15
Fabricação de cajuína
Gestão e gerenciamento
SEBRAE
30
Corte e costura
SEBRAE/SENAR
16
Doce de Caju Químico
SEBRAE/SENAR
15
Manejo Alimentar
SENAR/Prefeitura
15
Sanidade Animal
SENAR/Prefeitura
Fonte: Banco de Dados AMPC 2012.
15
Atividades produtivas dos associados
A primeira atividade produtiva desenvolvida pela associação foi a cajucultura. O cultivo do cajueiro
representa uma das principais atividades de exploração agrícola da região Areia, sendo
responsável pela ocupação de mão de obra, geração de empregos e receitas para o município.
São beneficiados 1.200kg de castanha in-natura por mês, produzidos numa área de 2.800ha.
Existem cerca 300 produtores de castanha de caju, com produtividade média de pomares
variando de 350 a 450 kg/ha de castanha e tem cerca de 3.600 kg/ha de pedúnculo de caju.
No ano de 2005, a AMPC foi beneficiada com uma fábrica de beneficiamento de castanha de caju
através do Programa Trabalho e Cidadania com recursos da Fundação Banco do Brasil (FBB) e
apoio de parceiros como: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio
Grande do Norte (SEBRAE RN), Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Instituto de
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Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (EMATER/RN), Empresa Brasileira
de pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do
Norte (EMPARN), Prefeitura Municipal de Apodi e comunidade. Esta ação fez parte do projeto de
apoio a Cadeia Produtiva do Cajucultura no Rio Grande do Norte, através da estratégia do
Desenvolvimento Rural Sustentável (DRS) da FBB e tem como objetivo principal fortalecer a base
produtiva dos empreendimentos trabalhando a recuperação e implantação de novos pomares,
porém com a preocupação na manutenção e preservação ambiental através do acompanhamento
técnico nos pomares, nas 10 comunidades onde se localizam as unidades de produção apoiadas
pela FBB: Apodi, Assu, Campo Grande, Caraúbas, Macaíba, Portalegre, Pureza, Severiano Melo,
Touros e Vera Cruz. Todas dispõem de infraestrutura adequada para produção de mudas (viveiros
comunitários) agroindústrias familiares para o beneficiamento de castanha, mini fábricas de
produção de ração animal e em algumas a produção de polpa de frutas. A Cooperativa Potiguar
de Apicultura e Desenvolvimento Rural Sustentável – COOPAPI é proponente e responsável pela
execução do projeto e sua marca de mercado é Produtos Terra Firme.
A partir de 2005 também foram celebrados convênios da AMPC com a Companhia Nacional de
Abastecimento - CONAB, através do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA nas
modalidades Formação de Estoque e Doação Simultânea com vistas a ajudar na comercialização
das amêndoas da castanha de caju beneficiadas na fábrica e outros produtos como polpa e doce.
Veja dados dos projetos na Tabela 3.
Tabela 3 - Projetos de Aquisição de Alimentos AMPC via CONAB
Ano
Produtos
CPR
Estoque R$
100.000,00
CPR
Doação R$
Soma R$
Quitado R$
A quitar R$
100.000,00
100.000,00
-
2005
Castanha de caju
2007
Castanha de caju
62.700,00
62.700,00
62.700,00
-
2008
Polpa e doce
71.650,00
71.650,00
71.650,00
-
2009
Castanha de caju
150.371,00
30.000,00
120.371,00
2010
150.371,00
Castanha de caju
Total geral
86.086,00
86.086,00
72.000,00
14.086,00
470.807,00
336.350,00
134.457,00
Fonte: CONAB RN, 2012.
Outro campo de atuação da AMPC é na apicultura, atividade que vem contribuindo para o
reflorestamento da caatinga, conscientização da preservação ambiental e o incentivo a produção
agroecológica levando o município de Apodi a ser o segundo maior produtor de mel do país
segundo dados do IBGE (2008).
Contribuição no desenvolvimento rural sustentável
Na região, por trás das atividades produtivas há um histórico de participação e envolvimento
conjunto da AMPC, do Grupo de Jovens São Pedro - GRUJOSP, do Grupo de Mulheres Mãos
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Talentosas e da COOPAPI, na preocupação com a responsabilidade social, contribuindo para a
comunidade que sedia e busca por meio de projetos sociais, benefícios tanto para os sócios
quanto para os moradores em geral. Na educação destaca-se a contribuição na formação de
jovens do campo no processo de autogestão dos empreendimentos e agroindústrias familiares. O
trabalho em conjunto das entidades da comunidade vem contribuindo com a inserção destes
jovens na elevação da escolaridade e ingresso nas universidades além de contribuir com a
inclusão digital e social além do fortalecimento da cultura local.
Estação Digital
A Estação Digital Espaço Virtual da AMPC tem contribuído para o desenvolvimento sustentável
através de ações como capacitações em informática básica oportunizando o acesso a internet,
digitação de trabalhos, serviços eletrônicos e apoio na gestão de vários projetos.
O Projeto MIDEP (Modelo de Inclusão Digital para Empreendimentos Produtivos) é um projeto de
inclusão digital da FBB e funciona em 03 espaços: o primeiro é a Estação Digital, onde ocorrem
aulas de informática básica, acesso a internet, digitação de trabalhos e serviços eletrônicos numa
sala equipada com 15 microcomputadores e multifuncional. O segundo é a Sala Multiuso com
data show, filmadora e câmara digital que funciona no auditório da AMPC para apresentações
culturais, filmes, documentários e trabalhos realizados pelos educandos da estação, estudantes
em geral e sócios. E por último, o Espaço Administrativo com apoio a gestão, com uso de
planilhas para controle de estoque, entre outros e funciona na fábrica de beneficiamento de
castanha. Os eixos norteadores do MIDEP são a integração estratégica das ações, a capacitação
como instrumento de otimização do processo de gestão e as iniciativas de produções
socioculturais como meio de sensibilizar a juventude local para o comprometimento com os
empreendimentos.
Dentro das atividades da estação conta-se com o Projeto Cinema para Todos que trabalha o
cinema na comunidade expondo a importância da apropriação dos conhecimentos da arte, da
política, do meio social e da cultura. Os filmes interagem na sociedade de forma direta, além de
incentivarem no desenvolvimento de criatividades e na ampliação dos conhecimentos nas
diversas áreas. Os filmes exibidos no projeto são escolhidos tendo como base as temáticas
trabalhadas pela associação e conjunto de parceiros da região.
Conta também com uma biblioteca do Projeto Arca das Letras através de uma parceria com o
Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). O objetivo deste projeto é facilitar o acesso ao livro
e à informação no meio rural brasileiro. O acervo da arca é de 200 livros selecionados para
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contribuir com o trabalho, a pesquisa e o lazer das populações que vivem no campo e é formado
por literatura infantil, para jovens e adultos, livros didáticos, técnicos, especializados e de
referência ao exercício da cidadania.
Além desses a equipe da estação faz parte do Projeto Memória do GRUJOSP que tem 28 anos e
por ele já passaram mais de 170 jovens da região. O GRUJOSP desenvolve trabalho de
fortalecimento da identidade da juventude e o objetivo do projeto é registrar as histórias de vidas
de seus membros. A equipe da estação é responsável pela digitação e organização dos dados.
As atividades da estação são gerenciadas por um conselho gestor que se reúne bimestralmente
para discutir seu funcionamento. Observe na Tabela 4 a formação do Conselho que têm
representação das instituições da comunidade.
Tabela 4. Conselho Gestor da Estação Digital
NOME
CARGO/REPRESENTAÇÃO
Ana Izadora Torres da Silva
Educadora Social
Antonia Oliveira Torres Alves
Poetisa (Escola Municipal)
Antonia Zilma da Silva
COOPAPI
Antonio Francisco Torres
Presidente AMPC
Antonio Geracino Torres
Aluno
Francisco Rogério de Paiva
Presidente GRUJOSP
Maria das Graças da Silva Torres
Presidente ASSAAP
Maria Rosineide Torres Marcolino
Comunidade
Rosa Mércia Tôrres de Queiróz
Presidente Grupo de Mulheres
Fonte: Registro da Estação Digital Espaço Virtual
Ilustração 1 – Membros do Conselho Gestor da Estação.
FONTE: Autores da pesquisa. 2012.
A associação também tem atuação como apoiadora e parceira em uma Turma de 21 educandos
que são sócios, esposas e filhos de sócios ligados ao programa de educação PROJOVEM Campo
Saberes da Terra. Este tem a missão de oportunizar o retorno às salas de aulas de jovens de 18 a
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29 anos de idade que já frequentaram estas e tiveram que abandoná-las por motivos diversos.
Eles têm a oportunidade de retomar seus estudos e melhorar seu nível educacional.
Os temas trabalhados na Educação do Campo têm o eixo articulador Geral denominado
Agricultura Familiar e Sustentabilidade e trabalha com eixos temáticos ou dimensões: 1.
Agricultura Familiar: Identidade, cultura, gênero e etnia; 2. Sistemas de produção e processo de
trabalho no campo; 3. Cidadania, organização social e políticas públicas; 4. Economia Solidária e
5. Desenvolvimento Sustentável com enfoque territorial. O projeto tem duração de 2 anos e os
temas são trabalhados dentro da realidade dos educandos. As aulas são ministradas no tempo
escola. No tempo comunidade é desenvolvido o projeto de hortas orgânicas comunitárias. Estas
têm como principais objetivos combater a fome de pessoas que estejam em risco social, oferecer
oportunidade de agregação de renda às famílias e desenvolver hábitos alimentares saudáveis.
Outro exemplo de parceria da AMPC se dá através do Programa Mulheres Mil do Governo
Federal. No município de Apodi é o programa é de responsabilidade do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande (IFRN) e conta com 3 (três) cursos: Curso de
Qualificação Profissional em Produção de Derivados Apícolas, Qualificação Profissional em Corte
e Costura: vestuários masculino e feminino e Processamentos de Frutos. Esse programa atende
100 mulheres em Apodi e 38 delas fazem parte da área de atuação da associação, onde algumas
são sócias, esposas e filhas de sócios. O programa tem o objetivo de promover a inclusão social e
econômica de mulheres desfavorecidas no nordeste e norte do país permitindo-lhe melhorar o seu
potencial de mão de obra, suas vidas e as vidas de suas famílias e comunidades. A AMPC e
COOPAPI estão no projeto de Apodi desde o início, tanto na articulação das mulheres como na
responsabilidade de cursos sobre associativismo, cooperativismo e economia solidária.
Grupo de Mulheres Mãos Talentosas
Em 1994 as mulheres associadas e esposas de associados fundaram o Grupo de Mulheres
Artesãs Mãos Talentosas (GMMT), que se reuniram inicialmente para discutir assuntos de
interesse da comunidade, valorizando a importância da inserção feminina nas lutas por melhores
condições sociais, sem deixar de lado a vocação ancestral que tinham para os trabalhos manuais.
Elas produzem e comercializam diversos tipos de produtos como doces caseiros a base de frutas
da estação, bonecas de lã, coloridas, colchas de fuxico, artesanatos em palha de milho e
carnaúba e peças de crochê. Atualmente conta com 16 membros.
O grupo de mulheres faz parte da Rede Xique de Comercialização Solidária que é uma articulação
de trabalhadoras e trabalhadores urbanos e rurais que buscam manter os princípios afirmados na
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organização da luta pela transformação do mundo da agroecologia, do feminismo e da economia
solidária desde a produção, passando pela comercialização e chegando até o consumo.
A Rede Xique Xique teve sua estruturação e organização, de forma indireta, a partir de 1999 por
um grupo mulheres que iniciou a produção de hortas orgânicas no Projeto de Assentamento
Mulunguzinho, zona rural do município de Mossoró / RN. A estruturação direta da rede se deu a
partir de 2004 quando foi criado o Espaço de Comercialização Solidária na cidade de Mossoró. A
rede é formada por cerca de sessenta grupos produtivos distribuídos em 12 (doze) núcleos (ou
municípios): Apodi, Baraúna, Felipe Guerra, Governador Dix-Sept Rosado, Grossos, Janduís,
Messias Targino, Mossoró, São Miguel do Gostoso, Serra do Mel, Tibau e Upanema, através de
feiras agroecológicas, da agricultura familiar e economia solidária e loja de produtos. A rede tem
forte aliança com os movimentos sociais, especialmente a Marcha Mundial das Mulheres, os
Fóruns de Economia Solidária e as articulações de redes de agroecologia e nela são
desenvolvidas atividades de formação, práticas agroecológicas, intercâmbios, acompanhamentos
a comercialização, vendas de produtos e feiras.
Cooperativa
Potiguar
de
Apicultura
e
Desenvolvimento
Rural
Sustentável
(COOPAPI)
A COOPAPI fundada em 03 de abril de 2004 fruto de um trabalho de base de 10 anos na AMPC e
na Associação Apodiense de Apicultura (ASSAAP) além de representantes de outros municípios
do oeste do estado que atuavam no Fórum de discussões sobre as questões da apicultura.
Tabela 5 - Cooperados da COOPAPI por Município
Município
Apodi
Quant.
177
Campo Grande
4
Caraúbas
22
Governador Dix Sept Rosado
5
Itaú
10
Janduís
6
Lajes
1
Olho D’água dos Borges
2
Pau dos Ferros
3
Rodolfo Fernandes
1
Severiano Melo
16
Umarizal
Total
12
259
Fonte: Banco de Dados AMPC 2012.
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Os principais objetivos da COOPAPI são desenvolver a apicultura e demais cadeias produtivas da
agricultura familiar, lutar por assistência técnica, buscar investimentos e tecnologias de agregação
de valor aos produtos para acesso aos mercados a nível local, regional, nacional e global.
Atualmente conta com 259 cooperados, que produzem mel de abelha, amêndoa de castanha de
caju, algodão em consórcio agroecológico com feijão, milho e gergelim e usam pomares
produtivos e hortaliças nos seguintes municípios.
Os principais objetivos da COOPAPI são desenvolver a apicultura e demais cadeias produtivas da
agricultura familiar, lutar por assistência técnica, buscar investimentos e tecnologias de agregação
de valor aos produtos para acesso aos mercados a nível local, regional, nacional e global.
Atualmente conta com 259 cooperados, que produzem mel de abelha, amêndoa de castanha de
caju, algodão em consórcio agroecológico com feijão, milho e gergelim e usam pomares
produtivos e hortaliças nos seguintes municípios.
Tabela 6 - Sócios da AMPC cooperados a COOPAPI
Tipo
Quant.
%
Não
105
61
Sim
66
39
Total
171
100
Fonte: Banco de Dados AMPC 2012.
A articulação entre AMPC e COOPAPI contribui para resultados satisfatórios na comercialização
da produção dos agricultores. Na Tabela 6 nota-se que 39% dos sócios da AMPC são também
cooperados da COOPAPI.
Agroecologia e Sistema de Controle
A AMPC conta com alguns sócios membros da equipe que está trabalhando a certificação
orgânica através do sistema de controle, realizado pelos próprios agricultores e seus filhos, no
qual a equipe local realiza os registros das propriedades, descreve práticas, realiza capacitação
dos agricultores envolvidos com o objetivo de garantir acompanhamento técnico permanente. A
avaliação de conformidades é feita através de inspeção. Após todo este processo o órgão externo
de certificação, neste caso o Instituto Biodinâmico (IBD), realiza conferência e emite o Certificado
de Conformidade com a Lei dos Orgânicos. Essa dinâmica da agroecologia desempenhada pelos
agricultores tem construído processos internos de agricultura sustentável respeitando os princípios
da agroecologia. E o resultado almejado é a agregação de valor e a melhoria da qualidade dos
produtos agrícolas.
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Ilustração 2 - Produto de receita orgânica para praga de lagarta
FONTE: Arquivos da AMPC, 2012.
Dentro das práticas sustentáveis de produção sustentável destaca-se a agroecologia, como forma
de manejo de agroecossistemas, que tem como meta a passagem de um modelo agroquímico de
produção a estilos de produção rural que incorpore princípios e tecnologias de base ecológica.
Porém, trata-se de um processo social que implica não somente na busca de uma maior
racionalização econômico-produtiva, com base nas especificidades biofísicas de cada
agroecossistema, mas também num desafio que exige mudança de atitudes e valores dos atores
sociais em relação ao manejo e conservação dos recursos naturais.
A dinâmica da agroecologia desempenhada pelos agricultores familiares sócios da AMPC tem
construído processos internos de agricultura sustentável respeitando os princípios da
agroecologia. E o resultado é a agregação de valor e a melhoria da qualidade dos produtos
agrícolas presentes na mesa dos agricultores e na feira da Agricultura familiar em Apodi.
Tabela 7 - Venda de produtos na Feira da Agricultura Familiar do Grupo de Mulheres
2011
Produtos
Quant.
Vendida
219
2012 (jan a maio)
1,5
328,50
139
1,5
Vr. Total
(R$)
208,50
2430
0,5
1.215,00
898
0,5
449,00
Corante (120g)
32
1
32,00
1
Doces (500g)
98
4
392,00
4
-
Goiaba (kg)
270
2
540,00
53
2
106,00
Ovos de galinha caipira (unid.)
2206
0,4
882,40
938
0,4
375,20
Pamonha (unid.)
1197
1
-
-
-
-
62
12
744,00
141
1
130
1
130,00
-
-
128
0,75
96,00
Acerola (pacote)
Bolos (fatia)
Queijo
Seriguela (kg)
Tapioca
Total
Vr. Unit.
Vr. Total (R$)
Quant. vendida
Vr Unit.
1.197,00
141,00
4.727,90
-
-
2.108,70
Fonte: Banco de Dados AMPC 2012.
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Assim, convém dizer que a AMPC faz parte de uma rede de organização, produção e
comercialização e vem conseguindo gerar ocupação através da agregação de valor aos produtos
da agricultura familiar e do acesso aos mercados locais, regionais e acesso a políticas públicas
comercialização como PAA e PNAE.
Tabela 8 - Venda de produtos ao PNAE 2011-2012
Março a maio
Produtos
2011
de 2012
Bolo
R$ 22,00
Macaxeira e jerimum
R$ 1.813,39
R$ 1.400,00
Creme, manteiga e queijo
R$ 2.336,86
R$ 2.399,80
Carne mista, moída,
R$ 14.570,27
R$ 4.493,33
costela ovina e ovos
Bolo
R$ 1.072,50
Queijo de coalho
R$ 4.767,10
R$ 2.717,00
Melancia
R$ 85,00
Polpa de frutas e doce
R$ 11.343,18
R$ 2.295,86
TOTAL
R$ 34.830,80
R$ 14.485,49
Fonte: Dados PNAE AMPC 2011-2012.
As tomadas de decisões da associação são coletivas e ocorre nas suas reuniões mensais e
assembleias onde é sentido o empoderamento, participação e envolvimento dos membros da
equipe com a causa e os desafios enfrentados pela associação.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após levantamento e análise da experiência da AMPC no campo da economia solidária e
agroecologia, observa-se que a mesma tem papel catalisador do desenvolvimento da geração de
renda da comunidade rural aliada à promoção de práticas sustentáveis de manutenção e
conservação do meio ambiente.
As ações desenvolvidas pela AMPC tem importância no fortalecimento da agricultura familiar, na
economia solidária e nos processo de sustentabilidade e convivência no semiárido, o que vem a
contribuir com a geração de oportunidades de trabalho e renda no campo e consequentemente a
redução do êxodo rural.
O acesso as tecnologias existentes a nível global, seja de produção ou de comunicação social e
um dos resultados do trabalho desenvolvido pela rede de organizações ligada a AMPC que
compreendem o campo como o espaço de promoção do desenvolvimento sustentável.
Apesar do êxito é possível elencar alguns desafios para os participantes da AMPC e das
organizações derivadas de sua atuação, como: a ausência da implantação de políticas públicas
voltadas para a regularização sanitários dos produtos através de agroindústrias legalizadas que
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possam propiciar autonomia na comercialização dos produtos derivados da apicultura como mel,
da Cajucultura polpa de frutas, doces entre outros itens produzidos na agricultura familiar.
Por fim, destaca-se como positiva a atuação conjunta das ações coletivas dos grupos,
associações e cooperativa na busca permanente por atividades e políticas que venham a
contribuir com a melhoria da qualidade de vida da comunidade de forma geral.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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