Políticas públicas no Paraná para a educação básica
Alayde Maria Pinto Digiovanni1
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Resumo
Este texto trata das políticas públicas desenvolvidas no estado do Paraná entre 2003 e
2009. Analisa, inicialmente, as condições em que foram assumidas as escolas em 2003 e
como se encontravam os profissionais da educação, as formas de contratação utilizadas e
os aspectos referentes à formação continuada. Em seguida, o texto aborda a perspectiva em
que se define a formação continuada da Secretaria de Estado da Educação, explorando o
conceito de sujeito epistêmico, a partir disso apresenta a forma que a mantenedora planeja
as atividades de formação de maneira que os professores da rede se compreendam como
sujeitos autores que organizam a prática pedagógica nas salas de aula, a partir da
organização dos conteúdos a serem trabalhados nas disciplinas e as metodologias utilizadas
para tal. Em uma ação que, necessariamente, precisa ser problematizada porque é uma ação
política, que envolve, portanto, escolhas que definem que escola queremos e qual é a
conjuntura social que buscamos.
Palavras-chave: Formação continuada, políticas públicas
Introdução
Inicialmente gostaria de agradecer o convite que me foi feito pela organização do
evento, de forma que possamos neste espaço, discutir um pouco acerca das políticas
públicas de educação do estado do Paraná. Saliento a importância de um evento que
pretende discutir tanto as políticas atuais bem como as políticas de formação dos
professores, sejam elas referentes à formação inicial ou continuada.
1
Professora auxiliar do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste –
Unicentro, atualmente Superintendente da Educação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná.
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O enfrentamento para atingirmos uma educação de qualidade em nosso país, uma
educação em nosso estado que garanta os princípios básicos de acesso, permanência e
qualidade para todos e todas, certamente passa por um ajuste que pode ser mobilizado por
políticas públicas educacionais adequadas.
Caracterização do contexto histórico
Para contextualizarmos os condicionantes que implicaram nas definições de que
políticas públicas foram implementadas e por que viés elas foram definidas, se faz
necessário um retorno ao quadro em que se encontrava o estado do Paraná no início de
2003.
Na década de noventa até princípios do ano 2000, o Paraná esteve sob a direção
de um governo de cunho neoliberal, que conduzia suas ações com políticas públicas que se
baseavam na política de estado mínimo em todas as esferas de governo, a educação não
ficou ilesa nos oito anos de governo sob esta égide.
Assistimos a um sucateamento do estado com a venda de algumas de nossas
empresas estatais, como o Banco do Estado do Paraná e parte das ações da empresa estatal
de saneamento básico, a SANEPAR, entre outras. No caso da educação, houve um
movimento intenso de privatização de diferentes formas, que, não raras vezes pareceu sob
um olhar mais desavisado que a globalização deveria ser o caminho de todos os estados e
países. Na educação o mais visível foi o sucateamento do quadro de trabalhadores, por
meio de ausência total de concursos públicos, contratação através de contratos precários
pelo Paraná Educação (iniciativa privada) e pela CLT vinculado a Secretaria de Estado da
Educação. Neste período, portanto, ocorreu uma
privatização do público, pela descentralização dos recursos, pela racionalização
fundamentada nos princípios da Gestão de Qualidade Total, pela promoção de
parcerias entre comunidade – APMF - empresas e escolas públicas, pela
privatização das formas de contratos de trabalho dos professores (via PARANÁEDUCAÇÃO), pela privatização2 dos cursos de formação de professores e,
sobretudo, pela desobrigação social no provimento de recursos, toda essa
reforma também contou com a reformulação curricular para ajustar a escola aos
2
A oferta dos cursos de capacitação dos docentes e gestores da fase Lerner não foi ofertada, planejada e mediada pelos
técnicos pedagógicos da SEED. Ficou sob a responsabilidade da Universidade do Professor situada em Faxinal do Céu. Resultou
de contratos de prestação de serviços com empresas privadas tais como AMANA KEY, Instituto Rubens Portugal E LGA
(Assessoria de Gestão Educacional)
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princípios economicistas da reforma neoliberal implementada no âmbito federal.
(FANK, 2006)
Estas questões apontam para uma escola permeada por ações e projetos definidos
por instâncias alheias à escola. Empresas ditavam quais deveriam ser os conteúdos
ensinados, organizações não governamentais definiam projetos a serem implementados nas
escolas, o currículo das escolas tornou-se uma colcha de retalhos repleta de disciplinas
diversas, chegamos a ter o registro de mais de quatro mil delas, o estado perdeu totalmente
sua unidade e sua referência do que deveria ser um currículo básico para a sua rede de
ensino.
As pesquisas realizadas sobre este período educacional demonstram que a
formação continuada ficou relegada a um segundo plano. Priorizaram-se atividades de
motivação e qualidade de vida em detrimento a uma discussão ampla que permitisse o
acesso dos professores ao conhecimento. Instalou-se o período em que o espaço conhecido
como Faxinal do Céu servisse como um lugar onde o professor deveria “sentir-se bem”.
Primava-se em difundir que o aspecto individual se apresentava acima de tudo, colocando
o professor como o indivíduo capaz de arbitrar totalmente sobre a sua condição humana, e,
portanto, a felicidade, o bem-estar e a realização profissional eram advindas de
determinantes caracterizados como vontade e desejo individual.
Este período esteve sob a orientação teórica dos Parâmetros Curriculares
Nacionais, que priorizavam o aprender a aprender, o aprender a ser, o aprender a fazer e
aprender a viver. Temas transversais, por sua vez, permeavam o currículo, desfocando a
atenção tanto do professor como do aluno para formas de análise e enfrentamento dos
problemas sociais para uma visão utilitarista, pragmática e imediatista que escondia os
condicionantes sociais ali colocados.
Ainda neste quadro que reconstruímos sinteticamente, destacamos que a educação
do estado do Paraná teve neste período intenso enfrentamento com a categoria organizada
dos trabalhadores da educação, ficando mais evidente no segundo mandato, em função,
não necessariamente, de uma compreensão política plena do momento em que nos
encontrávamos, mas sim em função da deterioração da ação docente pela precarização da
carreira do magistério.
Assim, neste cenário disputamos as eleições de 2003, e o que ficou claro é que
tínhamos dois projetos de governo que disputavam as eleições: um apresentado pelo
governo que estivera oito anos, e apontava para uma continuidade e consolidação de um
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estado cada vez mais diminuto; e uma oposição que propunha um estado forte, regulador e
determinante das políticas públicas, dando prioridade para as políticas sociais.
Neste enfrentamento eleitoral a população do estado do Paraná definiu que o
caminho a trilhar era na direção contrária àquela que se praticava, e esta foi a incumbência
dada nas urnas a este governo. Trocar o cenário em que se desenrolavam as políticas
públicas de educação.
Políticas públicas para quê e para quem
Começou, então, a serem criadas as definições que orientaram as políticas
públicas que temos hoje consolidadas. Foram projetados concursos públicos que dessem
equilíbrio e estabilidade na carreira docente, superando o quadro precário que nos foi
legado pelo governo anterior.
Um novo processo educativo começa a ser delineado, por um governo que,
eleito, vem com o apoio do movimento docente, sindicatos e das Universidades.
Este movimento reivindica que os profissionais da educação devem buscar a
construção de um amplo programa de formação continuada, diferente do
esboçado na Universidade do Professor. Aponta-se para um programa articulado
a uma política pública de valorização do professor, com novos planos de carreira
e formação continuada (...) sob essa perspectiva, os professores assumem o papel
de intelectuais orgânicos (Gramsci, 1978) ou de transformadores da educação e
da sociedade (Giroux, 1997) e devem associar ação e reflexão na sua prática
pedagógica, contribuindo com a formação de cidadãos críticos na sociedade em
que vivem. (Arco-Verde, 2008)
Iniciou-se logo após a posse do novo governo uma ampla discussão sobre quais
deveriam ser as diretrizes curriculares do estado do Paraná, procurando envolver a maior
gama de professores e professoras das escolas públicas, de forma que pudessem perceber
que o currículo das escolas deve ser definido por aqueles que dela participam, porém não
da maneira que antes se apresentava, com a ideia de que “tudo podia”, mas com uma
diretriz e uma grade curricular indicadas pela mantenedora.
Optou-se no estado do Paraná, após amplas discussões, pela compreensão
histórico-cultural. A ação do trabalho dos homens sobre a natureza produz conhecimentos
e são estes conhecimentos construídos historicamente que a escola deve transmitir aos seus
alunos com vistas a uma autonomia intelectual e condição de participação e intervenção na
sociedade. O acesso ao saber é o que permite a emancipação do sujeito. Neste sentido
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uma educação voltada apenas para a afirmação dos princípios de liberdade,
democracia, participação cultural, é sempre inadequada. Não basta. Porque tal
gênero de educação os inimigos da democracia também podem fazer, no plano
do discurso. Sem negar esses princípios ou ignorá-los, considero mais
importante que os homens sejam instruídos, isto é, armados de saber, de tal
modo que possam participar concretamente da criação de uma vida mais rica, de
uma maior capacidade produtiva, com maior participação democrática. Isto
significa mais instrução, mais cultura (...) Mas a cultura hoje não passa somente
pelo ler, escrever e fazer contas. Passa pelo conhecimento teórico-prático,
conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os
homens. É preciso dar instrução, sim, mas como instrumento concreto de
conhecimento, de capacidade operativa, produtiva, e de capacidade cognoscitiva.
(MANACORDA, 1986, p. 60)
Institui-se o plano de carreira dos professores e professoras articulado com a
formação continuada proposta pela SEED com uma discussão permanente com
representantes da categoria, a APP-Sindicato, de forma que se constituiu no Paraná uma
dinâmica inédita de articulação entre governo, representantes dos trabalhadores e
movimentos sociais, estes últimos, historicamente lutavam pelo reconhecimento e
destinação de orçamento nas políticas públicas de educação. Esta relação permitia embates
consistentes e avanços significativos no cenário paranaense; todos – SEED, universidades,
professores e professoras representados nas suas organizações e movimentos sociais –
fomos responsáveis pelas definições e implementação das propostas elaboradas que, por
sua vez, foram executadas pela mantenedora.
Formação Continuada
Diferentes formatos de formação continuada foram criados, a partir dos estudos
que assinalam a incompetência de programas de formação que fossem rígidos e únicos.
Compreendia-se que havia a necessidade de contemplar as diferentes histórias pessoais e as
diferentes condições individuais de complexidade na leitura e compreensão de textos.
Havia necessidade de se manter um diálogo constante e permanente com a rede básica, de
forma que fossem dadas as condições para que se problematizassem as concepções que
permeavam as práticas pedagógicas observadas nas escolas, e, para além disso, que fossem
formatos que permitissem aos professores desenvolverem a condição de autoria das suas
produções, porque o professor é considerado, a partir de então, sujeito epistêmico, sujeito
que reflete sobre sua realidade, sujeito leitor e produtor de textos.
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Trabalhamos com duas modalidades básicas de formação, a primeira que se
desencadeia no interior das escolas a partir da organização de atividades coletivas de
estudo com orientação da discussão e produção encaminhada pela mantenedora.
Neste formato citamos a Semana Pedagógica, que atinge todos os professores e
funcionários das instituições escolares e acontece no início do ano e do segundo semestre
do ano letivo, e se constitui como um importante momento de formação que envolve os
professores, funcionários, alunos, pais ou responsáveis, cujo objetivo geral é discutir linhas
de ação da escola, o currículo a ser ensinado, programas em que a escola está inserida. Um
momento que deve ser de avaliação e planejamento sempre à luz do seu projeto político
pedagógico.
Na mesma condição temos os chamados Grupos de Estudos, que acontecem aos
sábados e permitem aos professores se organizarem na própria escola, em função disso
caracterizamos esta ação, assim como a anterior, como uma ação descentralizada. Estes
grupos podem ser constituídos para a discussão entre os pares acerca das disciplinas, das
questões indígenas e quilombolas, das escolas do campo, das tecnologias, da educação
especial, da educação profissional, da gestão escolar, do meio ambiente e da violência. Os
textos a serem lidos e debatidos nos grupos são encaminhados, no início do ano, pelos
departamentos e coordenações a que se referem os assuntos, bem como a indicação de
como deve ser a produção final das atividades ali desenvolvidas. Esta modalidade permite
que os professores se organizem em grupos por interesse e afinidade aos temas propostos,
procura-se com isso permitir que haja um aprofundamento no tema escolhido dando maior
subsídio ao professor na sua lida cotidiana.
Saindo do interior das escolas temos os simpósios, os seminários, estes encontros
não são ofertados universalmente como as duas propostas anteriores, são seletivos, uma
vez que não podem ser ofertados para toda a rede, as vagas são limitadas e distribuídas
proporcionalmente por todos os núcleos regionais no estado.
Ambos os formatos citados permitem que os professores realizem análises
conjunturais da sociedade, análise do conteúdo da disciplina e das metodologias utilizadas,
de forma que implicam em uma condição mais adequada para o exercício do magistério.
Nesta mesma linha de compreensão temos algumas formas de capacitação que são
inéditas no país e merecem aqui um pouco de nossa atenção: o projeto Folhas/Livro
Didático Público, o projeto Objeto de Aprendizagem Colaborativa (OAC), a TV Paulo
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Freire, e nossa mais ousada ação que é o Programa de Desenvolvimento Educacional, o
PDE-PR.
Sobre o projeto Folhas podemos afirmar que
o Folhas é um Programa que propõe uma metodologia específica de produção de
material didático, como forma de viabilizar a pesquisa dos saberes e
fundamentos teórico-metodológicos das disciplinas que compõem a matriz
curricular da Educação Básica da escola pública paranaense. Espera-se que, por
meio desta metodologia, seja desenvolvida uma prática de pesquisa no cotidiano
escolar. O resultado deste processo são materiais didáticos voltados para os
alunos da educação básica.
(http://www.diaadia.pr.gov.br/projetofolhas/modules/conteudo/conteudo.php?co
nteudo=3)
Esta dinâmica de construção do Folhas permite uma ampliação do conhecimento
que o professor apresenta sobre o tema proposto, pois para sua construção há necessidade
de pesquisa e leitura atualizada. Salientando que o livro Didático Público é uma produção
que se tornou possível a partir deste formato de material destinado aos alunos, isto é, o
livro é uma somatória de diversos Folhas produzidos pelos professores da rede básica
pública.
O Objeto de Aprendizagem Colaborativa por sua vez é caracterizado no Portal da
Educação como uma forma de capacitação que
objetiva viabilizar meios para que professores da Rede Pública Estadual do
Paraná pesquisem e aprimorem seus conhecimentos, buscando a qualidade
teórico-metodológica da ação docente. O OAC tem como proposta
instrumentalizar os professores em sua prática pedagógica, constituindo-se como
recurso para a discussão coletiva das Diretrizes Curriculares para Educação
Básica do Estado. O formato desta produção tem como princípio o respeito à
autonomia intelectual do educador, servindo de sugestão e orientação ao registro
de seus percursos individuais de aprendizagem. O resultado deste processo é
uma mídia digital, cujo autor é o professor da Educação Básica do Estado do
Paraná, disponibilizada na WEB (Portal Dia a dia Educação).
(http://www.diaadia.pr.gov.br/oac/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4)
A TV Paulo Freire é um canal digital totalmente à disposição da educação, tem seus
programas definidos a partir do cotidiano da escola, seus interesses e suas produções. Trata
de temas relevantes conceitualmente, bem como divulga práticas pedagógicas
desenvolvidas pelos professores.
O Programa de Desenvolvimento Educacional é totalmente inédito e materializa a
articulação da Educação Básica e o Ensino Superior. É um programa de formação onde o
professor que nele se insere passa dois anos em atividades específicas orientados por um
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professor mestre ou doutor das Universidades Públicas do Paraná. Seu surgimento está
atrelado a uma discussão com a categoria dos profissionais da educação, como percebemos
na descrição dada pelo portal educacional do estado, quando afirma que a
Secretaria de Estado da Educação, em parceria com a Secretaria de Estado da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, institui o Programa de Desenvolvimento
Educacional – PDE, como uma política educacional inovadora de Formação
Continuada das professoras e professores da rede pública estadual. O PDE
propõe um conjunto de atividades organicamente articuladas, definidas a partir
das necessidades da Educação Básica, e que busca no Ensino Superior a
contribuição solidária e compatível com o nível de qualidade desejado para a
educação pública no Estado do Paraná. Idealizado durante a elaboração do Plano
de Carreira do Magistério (Lei Complementar n. 103, de 15 de março de 2004), a
partir das reuniões conjuntas entre os gestores da SEED e os representantes do
Sindicato dos professores, o PDE toma forma e se concretiza no ano de 2007,
para produzir progressões na carreira e melhoria na qualidade da educação
oferecida a milhares de crianças, jovens e adultos das escolas públicas do
Paraná. O Programa, que prevê avanços na carreira e tempo livre para estudos,
demonstra a justa preocupação com a formação permanente das educadoras e
dos educadores e com o real aprendizado de nossos estudantes. (...) Esse novo
modelo de Formação Continuada visa proporcionar ao professor PDE o retorno
às atividades acadêmicas de sua área de formação inicial. Este será realizado, de
forma presencial, nas Universidades públicas do Estado do Paraná, e, de forma
semi-presencial, em permanente contato do professor PDE com os demais
professores da rede pública estadual de ensino, apoiados com os suportes
tecnológicos necessários ao desenvolvimento da atividade colaborativa.
(http://www.pde.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/Informativos/Informativo_pde_01.p
df)
No primeiro ano o afastamento é total e no segundo ano é de 25%. O professor
deve cumprir atividades propostas pelas Instituições de Ensino Superior bem como as
propostas pela mantenedora, trabalha com seu orientador sua pesquisa que deve
necessariamente se remeter às questões da escola, elabora materiais didáticos, trabalha com
seus pares de forma presencial e virtual, e por fim implementa uma ação no interior das
instituições escolares. Sua produção serve de apoio aos professores e se caracteriza como
um material didático que pode ser utilizado por todos.
O uso das Tecnologias
Outra das linhas de nossa política pública de educação foi um forte investimento
financeiro e de qualificação de pessoal para o uso das tecnologias disponíveis atualmente
em nossa sociedade. Compreendendo as tecnologias como um meio e não como um fim,
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equipou-se as escolas com computadores, criou-se uma forma de gestão do parque
tecnológico conhecido como Paraná Digital. Estão instalados, praticamente, em todas as
escolas os laboratórios de informática com acesso à Internet.
Foram colocadas nas salas de aula vinte e duas mil e quinhentas televisões
Multimídia que permitem que os professores, com o uso de um pendrive, possam usufruir
das possibilidades tecnológicas oferecidas.
A linha política prescinde de uma capacitação continuada dos profissionais da
educação para instaurar uma cultura de uso das tecnologias, para isso foram criadas nos
Núcleos Regionais de Ensino uma função denominada Coordenação Regional de
Tecnologia na Educação - CRTE onde “contempla-se a inclusão sociodigital no contexto
de integração das mídias web, televisiva e impressa, aqui compreendidas como
Tecnologias de Informação e Comunicação, dando ênfase ao diálogo entre os educadores
em formação e aqueles que a oportunizam”(www.diaadia.pr.gov.br/autec/), que tem como
atribuição principal atuar no interior das escolas capacitando os professores em suas horas
atividade, capacitação esta que pode ser individual ou coletiva conforme as necessidades
de cada um. Ficando assim definido os objetivos desta função:
- Contribuir para formação continuada dos profissionais da Educação Básica e na
implementação de tecnologias na prática pedagógica em âmbito escolar.
- Oportunizar nas ações de assessoria as relações de comunicação entre
educadores em torno do objeto cognoscível - tecnologia na educação, buscando a
apropriação do uso de recursos tecnológicos em sala de aula técnica e
pedagogicamente.
- Buscar o desenvolvimento da cultura de uso e produção colaborativa em
comunidades de aprendizagem virtuais e/ou presenciais.
- Ter na integração das mídias web, televisiva e impressa, bem como, na relação
de “novos” e “antigos” recursos tecnológicos, suportes à prática docente.
(http://www.diaadia.pr.gov.br/autec/)
Gestão democrática e função social da escola pública
Por fim, uma das políticas mais caras para a SEED que responde à função social da
escola é a gestão democrática. Na escola materializamos todas as ações de atendimento à
diversidade, nos diferentes níveis e modalidades, o investimento na universalização do
Ensino Médio, a ampliação do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional,
compreendendo que para gerir uma escola pública que se pretende para todos e todas, para
crianças, jovens, adultos ou idosos, é necessário discutir sobre as desigualdades dentro das
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desigualdades, e isso somente pode se materializar se conseguirmos compreender a função
social da escola em nossa sociedade, e que a escola é uma construção histórica e que sua
tarefa principal é a dar acesso ao conhecimento formalmente construído. Para tanto temos
que discutir mecanismos de inclusão, de atendimento aos povos tradicionais, às escolas do
e no campo. Respeitar a diversidade sexual, étnica e cultural. A análise situacional da
escola, o que se pretende e os seus objetivos são definições que devem estar explicitadas
no projeto político pedagógico construído coletivamente pela comunidade escolar mediado
pelo diretor e equipe pedagógica.
Conforme observamos nos documentos da SEED:
A gestão democrática (colegiada) define coletivamente as ações e as concepções
da escola, ela passa a constituir-se numa condição determinada e determinante
de uma teoria e prática progressista de educação, principalmente, quando essa
gestão vem como uma necessidade histórica. Saviani (2007) afirma que a
sociedade brasileira, a partir de 1982, vive em conseqüência das contradições
advindas da “ampliação de poder autocrático e pela superexploração do grande
capital monopolista, o que se convencionou chamar de transição democrática,
resultante da reorganização e repolitização das classes trabalhadoras”. Diante de
tal situação, aparecem indicativos de um novo quadro de mobilização e
organização social, que instigam mudanças nas relações de poder em todas as
áreas, e não seria diferente na educação. Sendo assim, justifica-se a adoção da
gestão democrática hoje, pela escola pública, por ser uma forma de organização
da escola que parece, no momento, poder dar suporte às necessidades escolares
atuais, no que diz respeito à organização, participação, planejamento e tomada
de decisão. A participação de fato é uma prática política e, por natureza,
democrática. Visão esta que, na escola, exige obrigatoriamente a mudança do
papel do diretor. Primeiramente, quanto à fragmentação do seu trabalho, entre
administrativo e pedagógico e, em seguida, a mudança de postura no que diz
respeito à centralização das tomadas de decisão, corporativismo e autoritarismo,
além de seu caráter exclusivamente gerencialista.
(http://www.diaadia.pr.gov.br/cge/arquivos/File/Texto_albertoni_lentz.pdf)
O estado do Paraná inova neste sentido quando propõe um fortalecimento das
instâncias colegiadas acrescido da retomada da figura do professor pedagogo no interior
das escolas como o articulador do trabalho pedagógico ali desenvolvido. A expressão
máxima da ação democrática no interior das escolas com as eleições para diretores, a
garantia das possibilidades de vivenciarmos práticas sociais democráticas está
necessariamente na condição de participação que temos. As políticas públicas educacionais
na perspectiva adotada por este governo devem permitir que as práticas sociais por ela
propiciadas promovam o desenvolvimento e a transformação dos sujeitos nela envolvidos.
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Conclusão
Todo este movimento, a saber, a opção pela valorização da profissão docente, a
retomada do professor pedagogo, dos concursos públicos, da proposta de um currículo
básico a partir de diretrizes e conteúdos mínimos a serem ensinados, da gestão e
organização democrática da escola, da ampliação do acesso às tecnologias disponíveis, da
melhoria dos espaços de trabalho, infraestrutura, bibliotecas, planos de carreiras e
formação continuada articulados, do fortalecimento do Ensino Médio Integrado, da
inclusão educacional, do atendimento à diversidade étnica e cultural, do atendimento às
populações do e no campo, vem reafirmar a opção por um estado forte e regulador, que
faça frente às políticas neoliberais, que respeite os movimentos sociais.
A educação é compreendida como um direito de todos e todas conquistado
historicamente e através de intensos enfrentamentos. Trata-se a educação como uma
estratégia que deve, necessariamente, capacitar, por meio de acesso ao conhecimento, os
profissionais da educação e os alunos para se tornarem sujeitos críticos da realidade, seres
que se humanizam, que investigam discursos e práticas a fim de mostrarem suas
consequências éticas e políticas para a sociedade. Sujeitos que, a partir de suas reflexões e
conhecimentos, possam problematizar as concepções e ações da Secretaria de Educação do
Paraná acerca de suas políticas educacionais, bem como propor outras possibilidades de
intervenção objetivando uma contínua melhoria da educação pública em nosso Estado.
Bibliografia
ARCO-VERDE, Yvelise Freitas de Souza. Formação continuada para intelectuais
orgânicos. In: Formação Humana e Gestão da Educação. São Paulo: Cortez, 2008.
FANK, Elisane. A construção das diretrizes curriculares do ensino médio no estado do
paraná (gestão 2003-2006): avanços e limites da política educacional nas contradições do
estado contemporâneo. Dissertação de Mestrado. Curitiba: UFPR, 2006.
MANACORDA, Mario A. . Depoimento. Revista da ANDE, S. Paulo, n. 10, 1986.
1059
http://www.pde.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/Informativos/Informativo_pde_01.pdf
http://www.diaadia.pr.gov.br/autec/
http://www.diaadia.pr.gov.br/oac/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4
http://www.diaadia.pr.gov.br/projetofolhas/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=3
http://www.diaadia.pr.gov.br/cge/arquivos/File/Texto_albertoni_lentz.pdf
1060
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