Políticas públicas no Paraná para a educação básica Alayde Maria Pinto Digiovanni1 [email protected] Resumo Este texto trata das políticas públicas desenvolvidas no estado do Paraná entre 2003 e 2009. Analisa, inicialmente, as condições em que foram assumidas as escolas em 2003 e como se encontravam os profissionais da educação, as formas de contratação utilizadas e os aspectos referentes à formação continuada. Em seguida, o texto aborda a perspectiva em que se define a formação continuada da Secretaria de Estado da Educação, explorando o conceito de sujeito epistêmico, a partir disso apresenta a forma que a mantenedora planeja as atividades de formação de maneira que os professores da rede se compreendam como sujeitos autores que organizam a prática pedagógica nas salas de aula, a partir da organização dos conteúdos a serem trabalhados nas disciplinas e as metodologias utilizadas para tal. Em uma ação que, necessariamente, precisa ser problematizada porque é uma ação política, que envolve, portanto, escolhas que definem que escola queremos e qual é a conjuntura social que buscamos. Palavras-chave: Formação continuada, políticas públicas Introdução Inicialmente gostaria de agradecer o convite que me foi feito pela organização do evento, de forma que possamos neste espaço, discutir um pouco acerca das políticas públicas de educação do estado do Paraná. Saliento a importância de um evento que pretende discutir tanto as políticas atuais bem como as políticas de formação dos professores, sejam elas referentes à formação inicial ou continuada. 1 Professora auxiliar do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro, atualmente Superintendente da Educação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná. 1049 O enfrentamento para atingirmos uma educação de qualidade em nosso país, uma educação em nosso estado que garanta os princípios básicos de acesso, permanência e qualidade para todos e todas, certamente passa por um ajuste que pode ser mobilizado por políticas públicas educacionais adequadas. Caracterização do contexto histórico Para contextualizarmos os condicionantes que implicaram nas definições de que políticas públicas foram implementadas e por que viés elas foram definidas, se faz necessário um retorno ao quadro em que se encontrava o estado do Paraná no início de 2003. Na década de noventa até princípios do ano 2000, o Paraná esteve sob a direção de um governo de cunho neoliberal, que conduzia suas ações com políticas públicas que se baseavam na política de estado mínimo em todas as esferas de governo, a educação não ficou ilesa nos oito anos de governo sob esta égide. Assistimos a um sucateamento do estado com a venda de algumas de nossas empresas estatais, como o Banco do Estado do Paraná e parte das ações da empresa estatal de saneamento básico, a SANEPAR, entre outras. No caso da educação, houve um movimento intenso de privatização de diferentes formas, que, não raras vezes pareceu sob um olhar mais desavisado que a globalização deveria ser o caminho de todos os estados e países. Na educação o mais visível foi o sucateamento do quadro de trabalhadores, por meio de ausência total de concursos públicos, contratação através de contratos precários pelo Paraná Educação (iniciativa privada) e pela CLT vinculado a Secretaria de Estado da Educação. Neste período, portanto, ocorreu uma privatização do público, pela descentralização dos recursos, pela racionalização fundamentada nos princípios da Gestão de Qualidade Total, pela promoção de parcerias entre comunidade – APMF - empresas e escolas públicas, pela privatização das formas de contratos de trabalho dos professores (via PARANÁEDUCAÇÃO), pela privatização2 dos cursos de formação de professores e, sobretudo, pela desobrigação social no provimento de recursos, toda essa reforma também contou com a reformulação curricular para ajustar a escola aos 2 A oferta dos cursos de capacitação dos docentes e gestores da fase Lerner não foi ofertada, planejada e mediada pelos técnicos pedagógicos da SEED. Ficou sob a responsabilidade da Universidade do Professor situada em Faxinal do Céu. Resultou de contratos de prestação de serviços com empresas privadas tais como AMANA KEY, Instituto Rubens Portugal E LGA (Assessoria de Gestão Educacional) 1050 princípios economicistas da reforma neoliberal implementada no âmbito federal. (FANK, 2006) Estas questões apontam para uma escola permeada por ações e projetos definidos por instâncias alheias à escola. Empresas ditavam quais deveriam ser os conteúdos ensinados, organizações não governamentais definiam projetos a serem implementados nas escolas, o currículo das escolas tornou-se uma colcha de retalhos repleta de disciplinas diversas, chegamos a ter o registro de mais de quatro mil delas, o estado perdeu totalmente sua unidade e sua referência do que deveria ser um currículo básico para a sua rede de ensino. As pesquisas realizadas sobre este período educacional demonstram que a formação continuada ficou relegada a um segundo plano. Priorizaram-se atividades de motivação e qualidade de vida em detrimento a uma discussão ampla que permitisse o acesso dos professores ao conhecimento. Instalou-se o período em que o espaço conhecido como Faxinal do Céu servisse como um lugar onde o professor deveria “sentir-se bem”. Primava-se em difundir que o aspecto individual se apresentava acima de tudo, colocando o professor como o indivíduo capaz de arbitrar totalmente sobre a sua condição humana, e, portanto, a felicidade, o bem-estar e a realização profissional eram advindas de determinantes caracterizados como vontade e desejo individual. Este período esteve sob a orientação teórica dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que priorizavam o aprender a aprender, o aprender a ser, o aprender a fazer e aprender a viver. Temas transversais, por sua vez, permeavam o currículo, desfocando a atenção tanto do professor como do aluno para formas de análise e enfrentamento dos problemas sociais para uma visão utilitarista, pragmática e imediatista que escondia os condicionantes sociais ali colocados. Ainda neste quadro que reconstruímos sinteticamente, destacamos que a educação do estado do Paraná teve neste período intenso enfrentamento com a categoria organizada dos trabalhadores da educação, ficando mais evidente no segundo mandato, em função, não necessariamente, de uma compreensão política plena do momento em que nos encontrávamos, mas sim em função da deterioração da ação docente pela precarização da carreira do magistério. Assim, neste cenário disputamos as eleições de 2003, e o que ficou claro é que tínhamos dois projetos de governo que disputavam as eleições: um apresentado pelo governo que estivera oito anos, e apontava para uma continuidade e consolidação de um 1051 estado cada vez mais diminuto; e uma oposição que propunha um estado forte, regulador e determinante das políticas públicas, dando prioridade para as políticas sociais. Neste enfrentamento eleitoral a população do estado do Paraná definiu que o caminho a trilhar era na direção contrária àquela que se praticava, e esta foi a incumbência dada nas urnas a este governo. Trocar o cenário em que se desenrolavam as políticas públicas de educação. Políticas públicas para quê e para quem Começou, então, a serem criadas as definições que orientaram as políticas públicas que temos hoje consolidadas. Foram projetados concursos públicos que dessem equilíbrio e estabilidade na carreira docente, superando o quadro precário que nos foi legado pelo governo anterior. Um novo processo educativo começa a ser delineado, por um governo que, eleito, vem com o apoio do movimento docente, sindicatos e das Universidades. Este movimento reivindica que os profissionais da educação devem buscar a construção de um amplo programa de formação continuada, diferente do esboçado na Universidade do Professor. Aponta-se para um programa articulado a uma política pública de valorização do professor, com novos planos de carreira e formação continuada (...) sob essa perspectiva, os professores assumem o papel de intelectuais orgânicos (Gramsci, 1978) ou de transformadores da educação e da sociedade (Giroux, 1997) e devem associar ação e reflexão na sua prática pedagógica, contribuindo com a formação de cidadãos críticos na sociedade em que vivem. (Arco-Verde, 2008) Iniciou-se logo após a posse do novo governo uma ampla discussão sobre quais deveriam ser as diretrizes curriculares do estado do Paraná, procurando envolver a maior gama de professores e professoras das escolas públicas, de forma que pudessem perceber que o currículo das escolas deve ser definido por aqueles que dela participam, porém não da maneira que antes se apresentava, com a ideia de que “tudo podia”, mas com uma diretriz e uma grade curricular indicadas pela mantenedora. Optou-se no estado do Paraná, após amplas discussões, pela compreensão histórico-cultural. A ação do trabalho dos homens sobre a natureza produz conhecimentos e são estes conhecimentos construídos historicamente que a escola deve transmitir aos seus alunos com vistas a uma autonomia intelectual e condição de participação e intervenção na sociedade. O acesso ao saber é o que permite a emancipação do sujeito. Neste sentido 1052 uma educação voltada apenas para a afirmação dos princípios de liberdade, democracia, participação cultural, é sempre inadequada. Não basta. Porque tal gênero de educação os inimigos da democracia também podem fazer, no plano do discurso. Sem negar esses princípios ou ignorá-los, considero mais importante que os homens sejam instruídos, isto é, armados de saber, de tal modo que possam participar concretamente da criação de uma vida mais rica, de uma maior capacidade produtiva, com maior participação democrática. Isto significa mais instrução, mais cultura (...) Mas a cultura hoje não passa somente pelo ler, escrever e fazer contas. Passa pelo conhecimento teórico-prático, conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. É preciso dar instrução, sim, mas como instrumento concreto de conhecimento, de capacidade operativa, produtiva, e de capacidade cognoscitiva. (MANACORDA, 1986, p. 60) Institui-se o plano de carreira dos professores e professoras articulado com a formação continuada proposta pela SEED com uma discussão permanente com representantes da categoria, a APP-Sindicato, de forma que se constituiu no Paraná uma dinâmica inédita de articulação entre governo, representantes dos trabalhadores e movimentos sociais, estes últimos, historicamente lutavam pelo reconhecimento e destinação de orçamento nas políticas públicas de educação. Esta relação permitia embates consistentes e avanços significativos no cenário paranaense; todos – SEED, universidades, professores e professoras representados nas suas organizações e movimentos sociais – fomos responsáveis pelas definições e implementação das propostas elaboradas que, por sua vez, foram executadas pela mantenedora. Formação Continuada Diferentes formatos de formação continuada foram criados, a partir dos estudos que assinalam a incompetência de programas de formação que fossem rígidos e únicos. Compreendia-se que havia a necessidade de contemplar as diferentes histórias pessoais e as diferentes condições individuais de complexidade na leitura e compreensão de textos. Havia necessidade de se manter um diálogo constante e permanente com a rede básica, de forma que fossem dadas as condições para que se problematizassem as concepções que permeavam as práticas pedagógicas observadas nas escolas, e, para além disso, que fossem formatos que permitissem aos professores desenvolverem a condição de autoria das suas produções, porque o professor é considerado, a partir de então, sujeito epistêmico, sujeito que reflete sobre sua realidade, sujeito leitor e produtor de textos. 1053 Trabalhamos com duas modalidades básicas de formação, a primeira que se desencadeia no interior das escolas a partir da organização de atividades coletivas de estudo com orientação da discussão e produção encaminhada pela mantenedora. Neste formato citamos a Semana Pedagógica, que atinge todos os professores e funcionários das instituições escolares e acontece no início do ano e do segundo semestre do ano letivo, e se constitui como um importante momento de formação que envolve os professores, funcionários, alunos, pais ou responsáveis, cujo objetivo geral é discutir linhas de ação da escola, o currículo a ser ensinado, programas em que a escola está inserida. Um momento que deve ser de avaliação e planejamento sempre à luz do seu projeto político pedagógico. Na mesma condição temos os chamados Grupos de Estudos, que acontecem aos sábados e permitem aos professores se organizarem na própria escola, em função disso caracterizamos esta ação, assim como a anterior, como uma ação descentralizada. Estes grupos podem ser constituídos para a discussão entre os pares acerca das disciplinas, das questões indígenas e quilombolas, das escolas do campo, das tecnologias, da educação especial, da educação profissional, da gestão escolar, do meio ambiente e da violência. Os textos a serem lidos e debatidos nos grupos são encaminhados, no início do ano, pelos departamentos e coordenações a que se referem os assuntos, bem como a indicação de como deve ser a produção final das atividades ali desenvolvidas. Esta modalidade permite que os professores se organizem em grupos por interesse e afinidade aos temas propostos, procura-se com isso permitir que haja um aprofundamento no tema escolhido dando maior subsídio ao professor na sua lida cotidiana. Saindo do interior das escolas temos os simpósios, os seminários, estes encontros não são ofertados universalmente como as duas propostas anteriores, são seletivos, uma vez que não podem ser ofertados para toda a rede, as vagas são limitadas e distribuídas proporcionalmente por todos os núcleos regionais no estado. Ambos os formatos citados permitem que os professores realizem análises conjunturais da sociedade, análise do conteúdo da disciplina e das metodologias utilizadas, de forma que implicam em uma condição mais adequada para o exercício do magistério. Nesta mesma linha de compreensão temos algumas formas de capacitação que são inéditas no país e merecem aqui um pouco de nossa atenção: o projeto Folhas/Livro Didático Público, o projeto Objeto de Aprendizagem Colaborativa (OAC), a TV Paulo 1054 Freire, e nossa mais ousada ação que é o Programa de Desenvolvimento Educacional, o PDE-PR. Sobre o projeto Folhas podemos afirmar que o Folhas é um Programa que propõe uma metodologia específica de produção de material didático, como forma de viabilizar a pesquisa dos saberes e fundamentos teórico-metodológicos das disciplinas que compõem a matriz curricular da Educação Básica da escola pública paranaense. Espera-se que, por meio desta metodologia, seja desenvolvida uma prática de pesquisa no cotidiano escolar. O resultado deste processo são materiais didáticos voltados para os alunos da educação básica. (http://www.diaadia.pr.gov.br/projetofolhas/modules/conteudo/conteudo.php?co nteudo=3) Esta dinâmica de construção do Folhas permite uma ampliação do conhecimento que o professor apresenta sobre o tema proposto, pois para sua construção há necessidade de pesquisa e leitura atualizada. Salientando que o livro Didático Público é uma produção que se tornou possível a partir deste formato de material destinado aos alunos, isto é, o livro é uma somatória de diversos Folhas produzidos pelos professores da rede básica pública. O Objeto de Aprendizagem Colaborativa por sua vez é caracterizado no Portal da Educação como uma forma de capacitação que objetiva viabilizar meios para que professores da Rede Pública Estadual do Paraná pesquisem e aprimorem seus conhecimentos, buscando a qualidade teórico-metodológica da ação docente. O OAC tem como proposta instrumentalizar os professores em sua prática pedagógica, constituindo-se como recurso para a discussão coletiva das Diretrizes Curriculares para Educação Básica do Estado. O formato desta produção tem como princípio o respeito à autonomia intelectual do educador, servindo de sugestão e orientação ao registro de seus percursos individuais de aprendizagem. O resultado deste processo é uma mídia digital, cujo autor é o professor da Educação Básica do Estado do Paraná, disponibilizada na WEB (Portal Dia a dia Educação). (http://www.diaadia.pr.gov.br/oac/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4) A TV Paulo Freire é um canal digital totalmente à disposição da educação, tem seus programas definidos a partir do cotidiano da escola, seus interesses e suas produções. Trata de temas relevantes conceitualmente, bem como divulga práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores. O Programa de Desenvolvimento Educacional é totalmente inédito e materializa a articulação da Educação Básica e o Ensino Superior. É um programa de formação onde o professor que nele se insere passa dois anos em atividades específicas orientados por um 1055 professor mestre ou doutor das Universidades Públicas do Paraná. Seu surgimento está atrelado a uma discussão com a categoria dos profissionais da educação, como percebemos na descrição dada pelo portal educacional do estado, quando afirma que a Secretaria de Estado da Educação, em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, institui o Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, como uma política educacional inovadora de Formação Continuada das professoras e professores da rede pública estadual. O PDE propõe um conjunto de atividades organicamente articuladas, definidas a partir das necessidades da Educação Básica, e que busca no Ensino Superior a contribuição solidária e compatível com o nível de qualidade desejado para a educação pública no Estado do Paraná. Idealizado durante a elaboração do Plano de Carreira do Magistério (Lei Complementar n. 103, de 15 de março de 2004), a partir das reuniões conjuntas entre os gestores da SEED e os representantes do Sindicato dos professores, o PDE toma forma e se concretiza no ano de 2007, para produzir progressões na carreira e melhoria na qualidade da educação oferecida a milhares de crianças, jovens e adultos das escolas públicas do Paraná. O Programa, que prevê avanços na carreira e tempo livre para estudos, demonstra a justa preocupação com a formação permanente das educadoras e dos educadores e com o real aprendizado de nossos estudantes. (...) Esse novo modelo de Formação Continuada visa proporcionar ao professor PDE o retorno às atividades acadêmicas de sua área de formação inicial. Este será realizado, de forma presencial, nas Universidades públicas do Estado do Paraná, e, de forma semi-presencial, em permanente contato do professor PDE com os demais professores da rede pública estadual de ensino, apoiados com os suportes tecnológicos necessários ao desenvolvimento da atividade colaborativa. (http://www.pde.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/Informativos/Informativo_pde_01.p df) No primeiro ano o afastamento é total e no segundo ano é de 25%. O professor deve cumprir atividades propostas pelas Instituições de Ensino Superior bem como as propostas pela mantenedora, trabalha com seu orientador sua pesquisa que deve necessariamente se remeter às questões da escola, elabora materiais didáticos, trabalha com seus pares de forma presencial e virtual, e por fim implementa uma ação no interior das instituições escolares. Sua produção serve de apoio aos professores e se caracteriza como um material didático que pode ser utilizado por todos. O uso das Tecnologias Outra das linhas de nossa política pública de educação foi um forte investimento financeiro e de qualificação de pessoal para o uso das tecnologias disponíveis atualmente em nossa sociedade. Compreendendo as tecnologias como um meio e não como um fim, 1056 equipou-se as escolas com computadores, criou-se uma forma de gestão do parque tecnológico conhecido como Paraná Digital. Estão instalados, praticamente, em todas as escolas os laboratórios de informática com acesso à Internet. Foram colocadas nas salas de aula vinte e duas mil e quinhentas televisões Multimídia que permitem que os professores, com o uso de um pendrive, possam usufruir das possibilidades tecnológicas oferecidas. A linha política prescinde de uma capacitação continuada dos profissionais da educação para instaurar uma cultura de uso das tecnologias, para isso foram criadas nos Núcleos Regionais de Ensino uma função denominada Coordenação Regional de Tecnologia na Educação - CRTE onde “contempla-se a inclusão sociodigital no contexto de integração das mídias web, televisiva e impressa, aqui compreendidas como Tecnologias de Informação e Comunicação, dando ênfase ao diálogo entre os educadores em formação e aqueles que a oportunizam”(www.diaadia.pr.gov.br/autec/), que tem como atribuição principal atuar no interior das escolas capacitando os professores em suas horas atividade, capacitação esta que pode ser individual ou coletiva conforme as necessidades de cada um. Ficando assim definido os objetivos desta função: - Contribuir para formação continuada dos profissionais da Educação Básica e na implementação de tecnologias na prática pedagógica em âmbito escolar. - Oportunizar nas ações de assessoria as relações de comunicação entre educadores em torno do objeto cognoscível - tecnologia na educação, buscando a apropriação do uso de recursos tecnológicos em sala de aula técnica e pedagogicamente. - Buscar o desenvolvimento da cultura de uso e produção colaborativa em comunidades de aprendizagem virtuais e/ou presenciais. - Ter na integração das mídias web, televisiva e impressa, bem como, na relação de “novos” e “antigos” recursos tecnológicos, suportes à prática docente. (http://www.diaadia.pr.gov.br/autec/) Gestão democrática e função social da escola pública Por fim, uma das políticas mais caras para a SEED que responde à função social da escola é a gestão democrática. Na escola materializamos todas as ações de atendimento à diversidade, nos diferentes níveis e modalidades, o investimento na universalização do Ensino Médio, a ampliação do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, compreendendo que para gerir uma escola pública que se pretende para todos e todas, para crianças, jovens, adultos ou idosos, é necessário discutir sobre as desigualdades dentro das 1057 desigualdades, e isso somente pode se materializar se conseguirmos compreender a função social da escola em nossa sociedade, e que a escola é uma construção histórica e que sua tarefa principal é a dar acesso ao conhecimento formalmente construído. Para tanto temos que discutir mecanismos de inclusão, de atendimento aos povos tradicionais, às escolas do e no campo. Respeitar a diversidade sexual, étnica e cultural. A análise situacional da escola, o que se pretende e os seus objetivos são definições que devem estar explicitadas no projeto político pedagógico construído coletivamente pela comunidade escolar mediado pelo diretor e equipe pedagógica. Conforme observamos nos documentos da SEED: A gestão democrática (colegiada) define coletivamente as ações e as concepções da escola, ela passa a constituir-se numa condição determinada e determinante de uma teoria e prática progressista de educação, principalmente, quando essa gestão vem como uma necessidade histórica. Saviani (2007) afirma que a sociedade brasileira, a partir de 1982, vive em conseqüência das contradições advindas da “ampliação de poder autocrático e pela superexploração do grande capital monopolista, o que se convencionou chamar de transição democrática, resultante da reorganização e repolitização das classes trabalhadoras”. Diante de tal situação, aparecem indicativos de um novo quadro de mobilização e organização social, que instigam mudanças nas relações de poder em todas as áreas, e não seria diferente na educação. Sendo assim, justifica-se a adoção da gestão democrática hoje, pela escola pública, por ser uma forma de organização da escola que parece, no momento, poder dar suporte às necessidades escolares atuais, no que diz respeito à organização, participação, planejamento e tomada de decisão. A participação de fato é uma prática política e, por natureza, democrática. Visão esta que, na escola, exige obrigatoriamente a mudança do papel do diretor. Primeiramente, quanto à fragmentação do seu trabalho, entre administrativo e pedagógico e, em seguida, a mudança de postura no que diz respeito à centralização das tomadas de decisão, corporativismo e autoritarismo, além de seu caráter exclusivamente gerencialista. (http://www.diaadia.pr.gov.br/cge/arquivos/File/Texto_albertoni_lentz.pdf) O estado do Paraná inova neste sentido quando propõe um fortalecimento das instâncias colegiadas acrescido da retomada da figura do professor pedagogo no interior das escolas como o articulador do trabalho pedagógico ali desenvolvido. A expressão máxima da ação democrática no interior das escolas com as eleições para diretores, a garantia das possibilidades de vivenciarmos práticas sociais democráticas está necessariamente na condição de participação que temos. As políticas públicas educacionais na perspectiva adotada por este governo devem permitir que as práticas sociais por ela propiciadas promovam o desenvolvimento e a transformação dos sujeitos nela envolvidos. 1058 Conclusão Todo este movimento, a saber, a opção pela valorização da profissão docente, a retomada do professor pedagogo, dos concursos públicos, da proposta de um currículo básico a partir de diretrizes e conteúdos mínimos a serem ensinados, da gestão e organização democrática da escola, da ampliação do acesso às tecnologias disponíveis, da melhoria dos espaços de trabalho, infraestrutura, bibliotecas, planos de carreiras e formação continuada articulados, do fortalecimento do Ensino Médio Integrado, da inclusão educacional, do atendimento à diversidade étnica e cultural, do atendimento às populações do e no campo, vem reafirmar a opção por um estado forte e regulador, que faça frente às políticas neoliberais, que respeite os movimentos sociais. A educação é compreendida como um direito de todos e todas conquistado historicamente e através de intensos enfrentamentos. Trata-se a educação como uma estratégia que deve, necessariamente, capacitar, por meio de acesso ao conhecimento, os profissionais da educação e os alunos para se tornarem sujeitos críticos da realidade, seres que se humanizam, que investigam discursos e práticas a fim de mostrarem suas consequências éticas e políticas para a sociedade. Sujeitos que, a partir de suas reflexões e conhecimentos, possam problematizar as concepções e ações da Secretaria de Educação do Paraná acerca de suas políticas educacionais, bem como propor outras possibilidades de intervenção objetivando uma contínua melhoria da educação pública em nosso Estado. Bibliografia ARCO-VERDE, Yvelise Freitas de Souza. Formação continuada para intelectuais orgânicos. In: Formação Humana e Gestão da Educação. São Paulo: Cortez, 2008. FANK, Elisane. A construção das diretrizes curriculares do ensino médio no estado do paraná (gestão 2003-2006): avanços e limites da política educacional nas contradições do estado contemporâneo. Dissertação de Mestrado. Curitiba: UFPR, 2006. MANACORDA, Mario A. . Depoimento. Revista da ANDE, S. Paulo, n. 10, 1986. 1059 http://www.pde.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/Informativos/Informativo_pde_01.pdf http://www.diaadia.pr.gov.br/autec/ http://www.diaadia.pr.gov.br/oac/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4 http://www.diaadia.pr.gov.br/projetofolhas/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=3 http://www.diaadia.pr.gov.br/cge/arquivos/File/Texto_albertoni_lentz.pdf 1060