ESTÁGIO CURRICULAR: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE
CATIUSA KUCHAK ROSIN1
MARIA CRISTINA PANSERA E ARAUJO2,
EVA TERESINHA DE OLIVEIRA BOFF3
.
IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL
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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE
DO SUL - UNIJUI
FORMAÇÃO DE EDUCADORES
I
ESTÁGIO CURRICULAR: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE
Catiusa Kuchak Rosin
Maria Cristina Pansera de Araujo
Eva Teresinha de Oliveira Boff
INTRODUÇÃO
Este artigo tem como objetivo analisar a experiência e a vivência da prática
docente no decorrer do componente curricular Estágio Curricular Supervisionado V:
Ensino de Biologia II. Esse componente tem a finalidade de acompanhar o
desenvolvimento da docência em Biologia no Ensino Médio. Concebe a pesquisa como
fundamento desta docência, buscando em seu cotidiano as questões que a circundam
para serem pensadas no coletivo e possam produzir um jeito de ser professor/ (a)
principiante, ancoradas nos estudos da formação inicial e na complexidade que constitui
o individuo concreto também encarnado por seu cotidiano (UNIJUI, 2007).
O estágio curricular é um dos momentos mais importantes na vida acadêmica do
Licenciado, pois ele contribui na nossa formação profissional. Conforme a LDB
9394/96 no seu artigo 13, os profissionais da educação – docentes deverão vivenciar da
vida escolar de um modo geral, desde atividades de elaboração de propostas
pedagógicas da escola, até elaboração e cumprimento de planos de trabalho, seguidos de
atividades, tendo como zelo pela aprendizagem dos estudantes, participação nos
períodos de planejamento, avaliação e a reflexão do seu desenvolvimento profissional.
Durante o Estágio curricular, buscou-se desenvolver uma Situação de Estudo
(SE), uma proposta curricular inovadora, que permite articular saberes e conteúdos de
Ciências entre si e saberes do cotidiano, partindo da vivência dos estudantes. A SE é
rica conceitualmente e visa romper com a apresentação linear dos conteúdos escolares
desenvolvendo compreensões intercomplementares e transdisciplinares (MALDANER
& ZANON, 2001; ARAÚJO, AUTH & MALDANER, 2005). Para realização desse
trabalho, desenvolvemos uma Situação de Estudo a partir da SE Conhecendo o Câncer
um Caminho para Vida (BOFF, et al 2009), já que os conteúdos referentes a essa
proposta articulariam aos conceitos, que estavam sendo desenvolvidos pela professara
da escola na qual aconteceria o estágio. O estágio foi desenvolvido na Escola Municipal
de Ensino Médio e Técnico de Ijuí o IMEAB, em uma turma de 1º ano na disciplina de
Biologia, sob a orientação das professoras Maria Cristina Pansera de Araujo
(universidade) e Zeni Portela (escola).
A SE teve inicio durante o Estágio Curricular Supervisionado IV: Ensino de
Biologia I, no qual foi planejada no decorrer das aulas deste componente em interação
com as professoras da escola e da universidade. Para iniciarmos a SE, elegemos uma
temática relacionada ao câncer visto que essa doença vem afetando um grande número
de indivíduos da comunidade.
A escolha da escola para realizar o estágio se deu pelo contato com a direção,
que nos encaminhou para a orientadora educacional e a professora regente da turma
disponibilizada para vivência da regência de classe. Os planos das atividades foram
apresentados para a Coordenadora da escola e a professora regente da turma a fim de
dialogar sobre a proposta a ser implementada, bem como evitar qualquer irregularidade
funcional.
No Estágio Curricular V: Ensino de Biologia II é o período em que iniciamos o
nosso estágio como professores em que temos a responsabilidade de ensinar, e também
aprender com os alunos, superar nossas dificuldades e medos, e, encarar a realidade
escolar. No momento em que nos colocamos frente aos estudantes, verificamos se
realmente estamos preparados para ensinar e quais foram os limites e possibilidades
identificados na prática desenvolvida a partir da teoria aprendida. Ao propiciar os
encontros com os estudantes do EM, nas aulas realizadas, o planejamento prévio das
mesmas com a professora regente da turma foi constante.
SITUAÇÃO DE ESTUDO NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO INICIAL
Muito têm se falado na necessidade de serem desenvolvidas novas orientações
para o ensino escolar, que sejam capazes de propiciar maior significação e relevância
social aos educandos. A criação de novas propostas pedagógicas vem crescendo nesses
últimos anos, principalmente nas áreas da licenciatura que tem desenvolvido um
trabalho de formação inicial e continuada dos professores, contribuindo na busca de um
ensino de qualidade, que não apenas transmita os conteúdos, mas que prepare os alunos
para vida. Busca-se, assim, uma formação que permita criar respostas para situações
novas procurando melhoras no ensino, pois segundo Freitas (2005, p. 89),
Em toda a história da escolarização, nunca se exigiu tanto da escola e dos
professores quanto nos últimos anos. Essa pressão é decorrente, em primeiro
lugar, do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e,
em segundo lugar, das rápidas transformações do processo de trabalho e de
produção da cultura. A educação e o trabalho docente, face a sua função
social, passaram então a ser considerados peças-chave na formação do novo
profissional do mundo informatizado e globalizado.
Todos vêm à escola como uma instituição social que busca proporcionar a
aprendizagem às novas gerações e, no entanto, é sempre criticada pelo pouco
desenvolvimento intelectual produzido na maioria das crianças e jovens que
permanecem nela por muitos anos. O fracasso não pode ser atribuído, simplesmente, aos
sujeitos que vão à escola na busca de sua inserção social e nem às outras instituições de
forma generalizada. É no âmbito da escola que temos de buscar respostas para a pouca
aprendizagem dos estudantes e seu desenvolvimento intelectual insuficiente. (Araújo et
al 2007)
Nesse sentido, o GIPEC-UNIJUÍ (Grupo Interdepartamental de Pesquisa Sobre
Educação em Ciências) desenvolveu, junto aos estudantes da licenciatura em Ciências
Biológicas e Química da Unijuí, aos professores das escolas uma nova proposta
pedagógica, capaz de contemplar de forma eficaz a complexidade do trabalho
pedagógico. Diante desses objetivos foi pensada a proposta pedagógica Situação de
Estudo que é uma situação real e conceitualmente rica, identificada com os contextos de
vivência cotidianas dos alunos, como forma de viabilizar os conceitos científicos,
buscando dessa forma, superar a mera transmissão de conteúdos e possibilitar o
envolvimento dos alunos. A SE parte de situações de vivência proporcionando a eles
uma participação ativa das aulas, pois os conceitos do cotidiano se fazem presente e
passam interagir com os conceitos de ciência. Conforme Maldaner e Zanon (2001 p.55).
A Situação de Estudo, mostra-se capaz de promover uma mudança apontada
como essencial, tanto por educadores, quanto nas propostas de políticas
públicas, como os PCNs, pois trata de aspectos do domínio vivencial dos
educandos, da escola e da sua comunidade imediata como conteúdo do
aprendizado científico e tecnológico promovido pelo ensino escolar.
Assim, durante os componentes curriculares dos estágios, nós acadêmicos do
curso de Licenciatura Ciências Biológicas fomos estimulados a criar nossa própria
Situação de Estudo e, após, desenvolvê-la no estágio nas escolas. É importante que o
estágio possa ser entendido como o eixo articulador entre teoria e prática, e espaço para
a elaboração de propostas inovadoras e articuladoras da formação inicial e continuada.
A primeira etapa para a criação de uma SE é determinar uma temática que parta
do cotidiano do aluno, seja de relevância social, articule os demais conteúdos
estabelecidos de acordo com as políticas pedagógicas da escola, com base nos PCNS
principalmente no ensino de Biologia.
Contraditoriamente, apesar de a Biologia fazer parte do dia-a-dia da
população, o ensino dessa disciplina encontra-se tão distanciado da realidade
que não permite à população perceber o vínculo estreito existente entre o que
é estudado na disciplina Biologia e o cotidiano (PCN, 2006, p.17)
O ensino de Biologia, nas últimas décadas vem sendo marcado por uma dicotomia
e se constitui em um desafio para os educadores, pois seu conteúdo e sua metodologia
no ensino médio estão voltados exclusivamente para a preparação dos alunos para os
exames do vestibular. (PCNS, 2006). A nossa proposta é realizar um trabalho que
rompa com o modelo tradicional do ensino, de modo a desenvolver os conceitos de
forma interdisciplinar.
DESENVOLVIMENTO DA SE NO ESPAÇO DE SALA DE AULA
A SE iniciou em sala de aula com o filme Uma Prova de Amor, que conta história
de uma menina com leucemia, e para salvá-la, seus pais optam por gerar por fertilização
in vitro, um bebe programado para nascer com os mesmos genes da filha doente, para
ser um doador compatível. O filme também mostra o cotidiano de toda a família, os
sofrimentos e limitações decorrentes da doença, bem como as expectativas criadas pela
geração deste bebe salvador. Após assistirem o filme, os alunos receberam um
questionário com algumas perguntas sobre filme, suas concepções sobre câncer e
leucemia. Discutiu-se também a perspectiva ética do uso deste tipo de tratamento, ou
seja, a produção de um bebe humano para salvar outro. Essas atividades permitiram que
o aluno estabelecesse novas relações significativas dos conhecimentos científicos com
as questões cotidianas, como o caso do Câncer. Conforme Frison et al (2007, p. 338):
Câncer é uma doença que vem afetando um grande número de pessoas da
comunidade e do mundo, é uma situação real, concreta e de alta relevância
social, portanto, ao buscar compreender o tema oportuniza-se a construção de
conceitos científicos com maior significado para os estudantes,
Enfatiza-se que os conceitos disciplinares, necessários para compreender a
situação em estudo, referem-se à citologia, como por exemplo, a constituição celular,
mitose e meiose, mutações, organelas celulares. Os conceitos trabalhados são sempre
relacionados com a temática em questão, o objetivo da biologia celular e molecular é
precisamente a análise das células e moléculas que constituem as unidades estruturais de
todas as formas de vida. Segundo o INCA
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em
comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os
tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do
corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas
e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células
cancerosas) ou neoplasias malignas. Os diferentes tipos de câncer
correspondem aos vários tipos de células do corpo.
As atividades desenvolvidas foram direcionadas com base no foco central: o
Cronograma:
1ª Ativ.
Filme: Uma Prova de Amor-Sinopse No drama, uma jovem chamada Kate (Sofia
Vassilieva) tem leucemia diagnosticada. Sua mãe Sara (Cameron Diaz), uma advogada de
sucesso afastada do ofício para cuidar da filha debilitada, e seu pai, o bombeiro Brian
(Jason Patric), tentam de todas as maneiras reverter o quadro da doença, e quando veem
todas as possibilidades cessarem, são aconselhados por um médico a fazer uma
fertilização in vitro para que a criança se torne uma doadora. Anna nasce e desde bebê
passa a doar sangue, medula óssea e células para a irmã mais velha
2ª Ativ.
Perguntas sobre o filme: Uma Prova de Amor
1-O filme Uma Prova de Amor fala sobre qual assunto? 2-Qual a doença que a irmã de
Ana tem? 3-Você sabe o que é uma fertilização in vitro? 4-Você sabe o que é a leucemia?
5-Qual podem ser as causas para desenvolver essa doença? 6-Você concorda com a
atitude dos pais de Kate, para salvar um filho? Dê sua opinião? 7-Em relação a decisão de
Ana você achou que foi certa ou errada? 8-O que você achou da historia dessa família? 9Faça um breve relato do filme, do que mais chamou sua atenção?
-Sistematização a partir da concepção dos estudantes;
-Refletindo: O que é a Leucemia?
- Artigo Mutação e Câncer Lyria Mori (Departamento de Biologia, Instituto de
Biociências, Universidade de São Paulo).
-Identificação e caracterização das Causas do Câncer;-Fatores de risco;-Como surge o
Câncer;
-Seminário; Cada grupo vai descrever sobre um determinado Câncer
Caracterização dos estágios de desenvolvimento do câncer: iniciação e progressão;
Estudando as células animal e vegetal, suas organelas e funções; Montagem de uma
Célula animal e de uma Vegetal com suas estruturas.
Núcleo: alterações no DNA; Compreendendo as alterações no DNA celular e suas
complicações; Cromossomos e genes ;
3ª Ativ.
4ª Ativ.
5ª Ativ.
6ª Ativ.
7ª Ativ.
8ª Ativ.
Visita ao CACON; Palestra com os profissionais sobre câncer;
Divisão celular: Mitose e meiose; Mutações
9ª Ativ.
Apresentação dos seminários
Câncer, em que procuramos estabelecer conexão entre os conceitos de citologia, as
transformações que as células sofrem durante seu processo de divisão celular, as
alterações que ocorrem em uma célula sadia até tornar-se um tumor.
A visita ao CACON (Centro de Alta Complexidade em Oncologia)
proporcionou aos estudantes uma interação com os profissionais do centro (médicos,
enfermeiros, assistente social, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos), suas funções
e relação com os pacientes e seus familiares, tratamentos e cuidados estabelecidos como
rotina. Os estudantes participaram de palestras, elaboraram um questionário para ser
preenchido no decorrer da visita. Após a palestra ocorreu uma visita às dependências do
hospital onde foi possível conhecer os aparelhos utilizados para o tratamento, as
maneiras de tratar os sujeitos afetados e como acontecem as sessões de quimioterapia e
radioterapia.
Figura 1: Sistematização dos conteúdos centrais da SE: Conhecendo o Câncer
Após a visita ao CACON, os estudantes foram divididos em grupos para realizar
um trabalho sobre os vários tipos de câncer, que foi apresentado na forma de seminários
para os seus colegas. Propor esse tipo de trabalho permitiu aos estudantes buscarem as
informações e formarem seus conhecimentos sobre as consequências do câncer, tipos de
tratamento, número de casos na população em geral e, medidas profiláticas. Além de
construir um senso crítico sobre a relevância do tema e sua relação com os conceitos
biológicos fundamentais. Muitos dos estudantes trouxeram para discussão algumas
experiências que eles acompanharam de familiares que tiveram essa doença, ou que
ainda continuam fazendo o tratamento.
A hierarquização e sistematização dos conceitos podem ser representadas num
mapa conceitual (figura1), que estabelece conexões entre os conceitos (conteúdos)
trabalhados tornando-se um instrumento de ensino, que possibilita uma melhor
compreensão dos conceitos que foram trabalhados no decorrer da Situação de Estudo.
Através do mapa podemos evidenciar como é possível transpor os conteúdos das
disciplinas sem deixar de lado os conceitos específicos, reconhecendo os sentidos
produzidos pelo professor em formação inicial, pela professora regente da turma e pelos
estudantes, e pela professoras orientadoras do estágio, na perspectiva de realizar um
trabalho interdisciplinar. (BOFF, et al. 2009).
Como professora em formação inicial, procura-se realizar uma prática
pedagógica pertinente. E, para que isso se torne possível, precisamos reunir,
contextualizar, globalizar nossas informações e nossos saberes, buscando, portanto um
conhecimento mais amplo e complexo, na superação dos limites disciplinares (Morin,
2001).
Ainda é preciso lembrar as palavras de Pimenta (2008) ao colocar a necessidade
da formação de um professor pesquisador, em que:
[...] as possibilidades de formação de um professor pesquisador, capaz de se colocar
como um intelectual crítico, de produzir saberes, de se sustentar de maneira
autônoma na busca de possibilidades para renovar e inovar sua pratica educativa,
estas são primícias que muitos formadores tem desenvolvido na formação inicial de
professores, pois esse pressuposto é considerado o principal constituinte na primeira
fase de um longo e diferenciado processo de desenvolvimento profissional. (Pimenta
p. 82)
Isto contribui sobremaneira para a construção e fundamentação de uma prática
profissional inovadora, que garanta aos professores em serviço um comprometimento
com a sua formação continuada, de modo que se torne um pesquisador reflexivo de sua
prática.
REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE
Pode-se ressaltar que a experiência profissional, pode ser entendida como um
campo fértil a ser questionado, debatido e analisado num processo de reflexão coletiva e
que abre espaço para a compreensão e transformação das práticas que estão sendo
desenvolvidas no decorrer dos estágios (PIMENTA 2008).
Nesse sentido, podemos evidenciar que o estágio se constituiu numa prática
essencial do curso de licenciatura, que mobiliza distintos saberes e conhecimentos de
ser professor, com articulação da formação inicial e continuada, em contraposição às
demais disciplinas do curso considerada como a parte mais teórica. (Pimenta, 1997). É
no estágio que vamos nos constituir professores, ao trabalhar na sala de aula da
Educação Básica experimentando a atuação profissional para qual estamos nos
preparando.
O estágio é uma atividade integradora, que evolve todos os sujeitos vinculados a
escola principalmente para nós acadêmicos da licenciatura. Podemos perceber o estágio
como o momento do currículo na formação do professor, em que licenciandos, em
formação inicial, treinamos habilidades em situações reais, que serão necessárias
futuramente. Portanto, este momento pode ser aproveitado como uma fonte de
oportunidades no que se refere ao crescimento profissional e pessoal. (Ribeiro, 2003).
Assim, posso afirmar que foi durante os Estágios no EF e EM, que tive
capacidade de começar a compreender a realidade da escola, e as dificuldades
enfrentadas pela maioria dos professores em seu dia-dia. Foi no momento em que me vi
inserida em uma sala de aula para colocar em prática o que tinha planejado, pude
vivenciar a realidade do ser professor, e dar-me conta dos limites e possibilidades do
exercício profissional.
Isto ocorreu devido ao fato de que o curso de formação inicial é baseado em uma
visão prescritiva da profissão do que em uma análise precisa de sua realidade.
Naturalmente, não existe nada que obrigue os professores formadores a nos adaptar à
realidade atual de uma profissão. Mas sinto, que o curso de licenciatura trabalha muitas
vezes apenas com a educação básica ideal, prevista nos documentos oficiais, e quando
chegamos a escola real levamos um “susto”. Diante disso, segundo Perreoud & Thurler
(2002), para que as práticas possam a vir evoluírem é importante descrever as condições
e as limitações do trabalho real, essa seria uma boa estratégia para inovação.
Seguindo as ideias de Thurler, as reformas educacionais atuais confrontam os
professores com dois desafios: reinventar sua escola enquanto local de trabalho e
reinventar a si próprios enquanto pessoas e membros de uma profissão.
Isso significa que, daqui para frente, eles precisarão não apenas pôr em
questão e reinventar práticas pedagógicas, como também reinventar suas
relações profissionais com os colegas e a organização do trabalho no interior
de sua escola. A introdução de novos objetivos de aprendizagem e novas
metodologias de ensino não lhes permitirá mais organizar o seu ensino em
torno de uma sucessão rígida de lições e fichas de trabalho, e sim os obrigará
a inventar permanentemente arranjos didáticos e situações de aprendizagem
que respondam melhor a heterogeneidade de necessidade de seus alunos.
(Thurler, p.89, 2002)
A eficácia da ação pedagógica depende cada vez mais da capacidade de nós
professores desenvolverem respostas diferenciadas frente à heterogeneidade dos alunos
e a complexidade de seu contexto de trabalho. Sendo óbvio que para transformar as
práticas pedagógicas não podemos oferecer aos alunos uma forma de ensino que já
esteja pronta para ser usada como no caso dos livros didáticos, mas algo que esteja em
plena reconstrução. (Thurler, 2002)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Além da experiência do ser professor, também posso ressaltar a relação altamente
positiva que foi construída com a professora regente da turma, já que trocamos
experiências, desenvolvemos um trabalho ético, respeitando os diferentes pontos de
vista. A interlocução estabelecida foi dinâmica e harmoniosa, e contribuiu para o
desenvolvimento de uma amizade que gerou inclusive a produção de outros trabalhos
que ampliaram as interações e resultaram em publicações em eventos.
Diante das experiências vividas nos estágios, a minha visão como docente
identifica o Estágio Supervisionado como um espaço fundamental para nos qualificar
como profissionais eficientes e responsáveis. Tanto a elaboração da proposta quanto a
vivência prática demonstrou quanto é importante os diálogos entre a formação inicial e
continuada. E, mais do que isto, a abertura da professora regente da escola para o
desenvolvimento da SE trazida, que possibilitou novas significações conceituais para o
conhecimento biológico do EM.
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